Últimas indefectivações

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Foi só Amor !!!

O corporativismo mafioso é um dos grandes males deste País à beira-mar plantado, mesmo antes de se saber o que se passou, põe-se as mãos no fogo, pelas criaturas mais bizarras (para não dizer outra coisa...), unicamente porque são nossos conhecidos!!! Eu já assisti a este tipo de histórias tantas vezes: onde se jura a pés juntos uma coisa, para que dias depois as imagens provarem exactamente o contrário... curiosamente no futebol em Portugal, os agressores - pseudo-vitimas de cabalas monstruosas!!! -, estão sempre ligados à mesma organização criminosa... Mas também tenho a certeza que alguém irá encontrar uma qualquer explicação para os gestos e atitudes do coitadinho do Máreles, e digo mesmo, se fosse o Jorge Sousa - final da Taça da Liga no Algarve -, ou o Proença, ou mesmo o Benquerença nada se tinha passado!!! Depois de tudo o que foi dito, em defesa do Máreles, por tanta gente ilustre, o silêncio que se ouve neste momento, é assustador!!!
Créditos: Henrique Monteiro



A saída de Jesus

"Se há treinador que tem justificado reconhecimento público pelo trabalho que tem desenvolvido esta época, é Jorge Jesus. O treinador do Benfica tem sabido estar à altura das exigências do clube, e depois de ter perdido Javi García e Witsel – dois jogadores fundamentais, na última época, nas manobras do meio-campo – soube encontrar boas soluções que para já têm conduzido o vice-campeão nacional para as vitórias que lhe garante o primeiro lugar na Liga. Vitórias com goleadas, o que tem outro impacto, e com um futebol que nunca perde de vista o espectáculo  Tivesse Jorge Jesus outra forma de estar no futebol – menos fanfarrão ou mais sóbrio, se preferirem, para lá de um melhor jogo de palavras – e o seu talento seria muito mais evidente. Mas não se pode ter tudo. A vitória, esta época, na Liga portuguesa é a sua única saída para não desbaratar o seu capital.
O que mais aprecio no seu trabalho é a forma como consegue retirar o melhor rendimento da qualidade técnica de cada um dos seus jogadores. Num plantel como o do Benfica, construído por muitos e bons jogadores – afinal o segredo do futebol está aí –, uns destacam-se pela técnica (quase todos), outros vão bem de cabeça (Cardozo, essencialmente, mas também Luisão), há aqueles que rematam bem fora da área (Lima e Bruno César, é estranho a sua pouca utilização, atendendo ao seu potencial), e ainda há outros que são rápidos nos flancos (Ola John e Salvio). E é precisamente neste capítulo que Jorge Jesus é fortíssimo, ensinando a desfrutar e a tocar, a tocar a pensar no golo, a criar e a marcar. O que tem sido muito bem assimilado pela equipa, se atendermos aos 32 golos marcados na Liga em 12 jogos, o que é muito bom. 
Jorge Jesus tem tido pois muito mérito no percurso do Benfica, não só no crescimento e na venda de jogadores como essencialmente na afirmação da equipa, mas se tudo isto é muito bonito não chega se não for acompanhado pelos títulos que lhe têm faltado. Basta lembrar que Jorge Jesus só ganhou um campeonato no Benfica e esta já é a sua quarta época, e, como todos sabemos, não é possível estar na Luz três anos seguidos sem ganhar a Liga.
Assim sendo, este é o seu ano com uma margem de erro igual a zero, o mesmo é dizer, de toda a pressão, e ele sabe bem disso. Se é para continuar ou não no Benfica só no fim é que se saberá, pois o poder de qualquer treinador depende quase em exclusivo dos resultados. Se Jorge Jesus perder a Liga é preocupante, e se a perder para o FC Porto de Vítor Pereira ainda mais preocupante será se atendermos ao seu orgulho profissional. Portanto, só lhe resta ganhar ou ganhar…"

Demagogia em português

"Se os clubes nacionais têm de apostar em jogadores portugueses, os jogadores portugueses também têm de apostar nos clubes nacionais?
Joaquim Evangelista disse ontem que Jorge Jesus "fala muito e deve praticar mais", quando afirma ter mais confiança nos jovens do clube do que em jogadores como o mexicano Reyes, contratado pelo FC Porto. O presidente do Sindicato dos Jogadores foi mais longe, acrescentando que "no que diz respeito aos jogadores portugueses não bastam as palavras" e que a aposta neles "é uma obrigação de Jorge Jesus e de todos os treinadores portugueses". Ora, Joaquim Evangelista exagera. Por excesso de zelo em relação aos jogadores que representa, certamente, mas exagera desde logo porque, como é evidente, as obrigações de Jorge Jesus e dos restantes treinadores portugueses são, em primeira instância, para com as respetivas entidades patronais.
A obrigação de Jorge Jesus é ganhar jogos e títulos para o Benfica, de preferência apostando no desenvolvimento dos jovens do clube. Se eles forem portugueses, tanto melhor. Depois, se cedermos à demagogia e admitirmos que os treinadores e os clubes nacionais têm a obrigação de apostar nos jogadores portugueses, teremos de perguntar se os jogadores portugueses também têm a obrigação de apostar nos clubes portugueses. Se, por exemplo, em vez de forçarem a saída para mercados mais rentáveis, mas muitas vezes desportivamente menos ambiciosos - como Chipre, por exemplo -, têm a obrigação de aceitar ganhar menos para ficarem por cá e contribuírem para o desenvolvimento do futebol português."

Sem adesão do público futuro será sombrio

"A crise económica e financeira que tem assolado Portugal será, com toda a certeza, responsável por retirar dos estádios muitas pessoas que, em condições normais, gostariam de assistir aos embates da principal competição futebolística nacional. No entanto, essa não será a única explicação para justificar os números registados após as 12 primeiras rondas da Liga.
Como sempre, os dados são consideravelmente afetados pelo facto histórico de só termos entre nós três clubes denominados grandes e – pior que isso – por não existir uma verdadeira identificação entre as populações fora de Lisboa e Porto e os clubes das respetivas regiões. Guimarães e Braga são exceções que confirmam a regra.
Com 95 partidas já realizadas – o V. Setúbal-FCPorto da derradeira ronda foi adiado, devido às más condições atmosféricas que também contribuiriam para uma assistência residual –, a média de espectadores está abaixo dos 10 mil (9.256), um registo que quase todos os clubes das melhores ligas da Europa superam.
Aliás, olhar para as médias de Alemanha (42.109), Inglaterra (35.614), Espanha (29.869), Itália (22.007), França (19.279) ou até Holanda (18.980), chega para ter a certeza de que, em Portugal, a maioria dos emblemas se encontra numa situação que, no futuro, acabará por ter consequências. Como resistirá, por exemplo, um clube como o Nacional que, sem ter muitos associados, apresenta um total de 7.184 espectadores após 6 jogos realizados em casa, à média de 1.197? E não se pense que o caso dos insulares é único. Beira-Mar, Estoril, Moreirense e P. Ferreira também ainda não acumularam 12 mil espectadores, enquanto Rio Ave (13.957) e Olhanense (16.821) estão só ligeiramente acima.
Como tem sido normal, a visita dos grandes funciona como um autêntico balão de oxigénio para a maioria dos participantes na Liga. No entanto, esta época, a má prestação do Sporting está a constituir um problema adicional. É que vendo a equipa render pouco, muitos adeptos leoninos têm desistido de marcar presença nos jogos fora. Os números dizem-nos que em quatro das seis deslocações, os verdes e brancos jogaram em estádios com menos de 4.500 espectadores.
Feitas as contas, o Benfica é o clube com mais assistência no seu recinto e no total dos jogos realizados, enquanto o Sp. Braga é a equipa que reuniu mais pessoas na condição de visitante, muito por culpa de já ter jogado na Luz e em Alvalade. De resto, saliente-se que na última jornada cinco jogos tiveram menos de 1.500 pessoas. Assim, o futuro é sombrio..."

Recorde europeu

"Segundo relata O Jogo, alegadamente o diário mais próximo do FC Porto, o dragão «contabilizou na época 2011/12 encargos monstruosos de quase 18 milhões (17,94) com serviços de intermediação na compra, venda e renegociação de passes de jogadores - um montante superior ao de qualquer clube da Premier League»! Em vez de « monstruosos» eu diria escandalosos. Os números são extraídos do relatório dos agentes de futebol que operam nas cinco maiores Ligas europeias. De facto, se olharmos para o Chelsea de Abramovich, vemos que gastou 107 milhões em compras e pagou seis milhões de comissões; ou  para o Man. City do xeque Mansour que despendeu 62 em aquisições e desembolsou 13; ou para o PSG de emir El-Khelafi que consumiu 146 em reforços e não foi além de 14 em prémios de agenciamento. Como é que se explica, então, este recorde europeu de 18 milhões de um clube português? Será que os agentes com quem o FC Porto trabalha usam tabelas mais caras?
É finito o tempo em que os clubes formavam as suas equipas a partir dos escalões jovens. É finito o Milan de Baresi, Maldini, Costacurta, Albertini, Amobrosini... do mesmo modo é finito o Man. United de Giggs, Xcholes, Beckham, Butt e os irmãos Neville. Não tiveram sucessores porque, depois da sentença Bosman, os clubes seguiram outros caminhos. O Barcelona, pelo contrário, optou pelo rumo que havia conferido sucesso não só ao Milan e Man. United mas também ao Honved, ao Ajax, ao Real Madrid... Recentemente contra o Levante, os 11 jogadores que terminaram a partida provinham todos dos juniores. Sinal evidente de que a formação compensa e o futuro está nela."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Cobaia em Belém

"A facilidade com que a direcção do Belenenses alienou quase metade das acções representativas da “sua” SAD (estrangulada financeiramente) à “Codecity Sports Management”, seguida pelo lançamento de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) sobre as restantes acções susceptíveis de serem alienadas, traz a lume uma das matérias em que a nova lei das SAD que se anuncia deveria ter investido com mais vigor.
É verdade que algo se avança no que respeita à impossibilidade de uma “entidade dominante” de uma sociedade desportiva ter mais do que 10% do capital de outra sociedade desportiva concorrente – isto é, algo a restringir a dimensão da “pluralidade de controlo” de várias SAD pelo mesmo sujeito na mesma competição. E não se deixa de confirmar a regra actual: os accionistas em mais do que uma SAD só podem exercer os seus direitos numa dessas SAD.
Porém, faltou investir na identificação dos sócios (directos e indirectos) das sociedades que adquirem “capital” das sociedades desportivas, de maneira que se possa fiscalizar quem verdadeiramente manda nas sociedades que avançam para o domínio dos clubes-SAD. Aqui reside o instrumento para defraudar as limitações da lei, escondendo-se o “sócio controlador de facto” de várias sociedades sob a fachada de múltiplas outras sociedades em cascata.
O pior cenário é a possível concentração material do “domínio de facto” de várias sociedades desportivas, participantes nas mesmas competições, nas mesmas ou em poucas mãos. O cenário piorará quando essas mesmas sociedades ou sócios “encobertos” (fundos, nomeadamente) são titulares de “direitos económicos” sobre uma panóplia de atletas, dispersos pelos vários clubes dominados ou controlados pelo mesmo “sujeito”… Um perigo à solta!
Por outro lado, ainda, ficou por aprofundar a matéria das “incompatibilidades” e da “suspensão temporária legal” dos administradores e gerentes das SAD, nomeadamente para estabelecer a comunicação entre os comportamentos perpetrados na prova e a função de gestor. É incompreensível, por exemplo, que algumas sanções disciplinares graves infligidas a dirigentes não se repercutam no exercício do seu cargo na SAD: não deveria um administrador suspenso por período igual ou superior a 6 meses ficar inibido de exercer funções no seio da SAD; não deveria a suspensão de administrador, ainda que em diversos processos, por período igual ou superior a 12 meses, ser causa de incompatibilidade para a assunção (ou manutenção) do cargo de administrador?
Talvez na próxima se perceba que é destes assuntos que viverá a credibilidade futura das competições. Talvez…"

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ainda nada ganhámos

"1. Só deu Benfica no jogo frente ao Marítimo. Poderíamos ter chegado ao intervalo com o jogo resolvido e ainda apanhámos um susto, quando a equipa visitante marcou na primeira (e quase única) vez que foi à nossa baliza na 1.ª parte. Mas voltámos a dar a volta ao marcador, com mais uma excelente exibição. O Cardozo voltou a marcar três, e Matic voltou a ser enorme. Devido ao 'estranho' adiamento do jogo de Setúbal, chegamos ao fim do ano isolados no comando. Mas, como disse Jorge Jesus, embora seja agradável estar na frente, o que interessa mesmo é chegarmos na frente ao fim do Campeonato. Ainda nada ganhámos...

2. Mais uma decisão relativa ao já célebre incêndio provocado pelas claques do Sporting (indirectamente instigadas pela Direcção do clube...) no nosso Estádio há mais de um ano. A Liga considerou o Benfica completamente ilibado de qualquer erro que possa ter havido. Mais: a Liga confirmou a nota positiva dada pela inspecção à caixa de segurança e refere que o atraso na acomodação dos adeptos do Sporting se deveu ao atraso com que chegaram ao estádio. Portanto, tudo esclarecido. Falta o Sporting ser obrigado a pagar...

3. O treinador do FC Porto, na tentativa de contrabalançar as 'defesas' de Alex Sandro, falou no jogo Benfica-V. Guimarães da época passada. Convirá lembrar-lhe que dois dos três penalties assinalados a favor do Benfica foram indiscutíveis, que apenas um mereceu divisão de opiniões mas que houve um quarto lance não assinalado e que seria grande penalidade. Portanto, este exemplo não colhe. Não queiram fazer desse jogo uma lenda à Calabote e por isso sugiro que os benfiquistas comecem a disponibilizar na net imagens desses lances, para que não restem dúvidas...

4. Proeza engraçada. Três atletas do Benfica foram primeiro, segundo e terceiro e ocuparam todo o pódio da S. Silvestre do Porto, em plena Avenida dos Aliados. Desta vez não estavam lá os Super-Dragões...

5. As nossas modalidades continuam em muito bom plano, todas elas a lutarem pelos respectivos títulos. Com uma excepção: o Râguebi (com uma equipa bastante jovem) segue em último lugar na I Divisão, apenas com derrotas, algumas delas copiosas. Paciência. O certo é que o Benfica tem sido o único dos grandes clubes a manter a Secção - com um rico historial - e não podemos desistir. Melhores dias virão certamente."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (ladainha)

"Tudo serve aos fanáticos do FêCêPê para se armarem em vítimas, quando na realidade aquilo que eles têm feito nos últimos 30 anos são muitas... vítimas pelo caminho!
MSTavares, o porta-voz do reino azul, vem esta semana no jornal A Bola - a sua tribuna semanal que ele tantas vezes critica! - anunciar as virtudes do Dragão, do seu imaculado presidente, das insuspeitas do adiamento do jogo com o Vitória de Setúbal e lamentar-se dos «ROUBOS» que o FCP é vítima neste e noutros Campeonatos antigos!...
E continua com a ladaínha dos Túneis, a expulsão premeditada de Hulk e Sapunaru, como se aquelas cenas miseráveis captadas pelas câmaras de vigilância onde se vêem agressões destes dois valentes portistas a elementos da segurança fossem pura ficção ou montagem nos estúdios de Hollywood!
Esta gente não se enxerga! Continuam a querer passar impunes, andar acima da Lei e agarrarem-se à legislação que protege os «audazes», os malabaristas e os vivaços que sabem muito de Futebol como ele diz do seu venerável presidente!
Aliás, já no nojento «Apito Dourado» que eles querem que se esqueça rápido, a conversa era a mesma: «Não se incrimina ninguém porque os juízes não admitem gravações como prova»! Não interessa se as vozes são ou não de PC, de árbitros corruptos, de delegados corruptos ou de intermediários corruptos. Isso não interessa! O que interessa é que há um buraco na lei que safa os piratas, os bandidos e os corruptos! Estão sempre prontos para as desculpas de mau-pagador, para as justificações injustificáveis, para os malabarismos que lhes têm dado todo estes protagonismo no Futebol.
Até condenou a presença do presidente do Benfica no balneário do Sporting, como se isso fosse crime! Se as pessoas não são muito desejadas nos camarotes «Vip» mais vale ficar sossegado onde ninguém chateie.
Aliás, é preferível do ficar no banco a fazer pressão sobre os árbitros como o presidente do FCP fez durante anos e anos ao lado dos treinadores do clube azul e bráaanco!"

João Diogo, in O Benfica

De três em três

"De três em três pontos se vai construindo uma cada vez mais sólida candidatura ao título. De três em três golos vai o nosso artilheiro, Óscar Cardozo, convencendo os mais cépticos de se tratar, desde já, de um nome para entrar na mais fina prateleira da história do Glorioso Benfica.
É espantoso como um avançado que, apenas em jogos oficiais, marca 146 golos – dos quais 7 ao FC Porto, 10 ao Sporting, 27 nas provas europeias…- em cinco temporadas e meia (melhor média de sempre atrás de Eusébio e José Águas), não recolhe, ainda assim, a unanimidade das simpatias dos adeptos. Mesmo depois de dois “hat-tricks” consecutivos (um dos quais em Alvalade), talvez haja ainda quem não entenda a forma de jogar do paraguaio – que não assenta em requintes técnicos, toques de calcanhar, sprints inúteis ou dribles para a bancada ver, mas antes naquilo em que consiste a essência do futebol, e faz ganhar jogos: os golos.
Com um sentido posicional notável dentro da área, com movimentos de desmarcação que lhe permitem aparecer repetidas vezes na cara do guarda-redes, com um pé esquerdo fulminante (quer de bola corrida, quer de bola parada), e com uma capacidade de choque sem paralelo no futebol luso, Cardozo é, de longe, o melhor ponta-de-lança que o Benfica teve neste século XXI, bastando recorrer aos números para esclarecer tamanha evidência. Terá sido vítima, a dada altura, de uma injusta comparação com Falcao (o melhor do mundo na actualidade), mas já era tempo de todos perceberem que não é por haver sol que outras estrelas se apagam. Luisão não é Piqué, Aimar não é Messi, e nem Artur será Casillas.
Para a nossa realidade, não me parece crível que possamos ter, nem agora, nem num futuro próximo, um goleador com tão elevado grau de eficácia a comandar o nosso ataque. Vibremos pois com os golos de Tacuára, sabendo que no dia em que nos deixar, a saudade irá fazer com que finalmente todos compreendam aquilo que perderam. É que, em futebol, o que parece fácil é, quase sempre, o mais difícil."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Glorioso Natal


E a águia voou na direcção da Índia...

"Na manhã de sexta-feira, dia 6 de Maio de 1960, uma delegação do Benfica partiu em direcção da coroa do velho Império português. Nunca outra equipa arriscaria tal destino...

O Benfica na Índia !!! Assim mesmo, com três ponto de exclamação. Era uma embaixada, dizia-se. E comportava-se como tal. À chegada apresentou credenciais. Isto é, foi recebida pelo governador-geral, brigadeiro Vassalo e Silva, esse mesmo, que se viu obrigado a render-se, já então general, à frente de um exército de 3 mil homens cercados por 40 mil indianos em Dezembro de 1961. Salazar exigiu que se batessem até à morte; Vassalo e Silva deixou que o bom-sendo falasse mais alto: foi expulso das Forças Armadas Portuguesas. A 'Operação Vijay', levada a cabo pelo Exército da União Indiana arrancou dos dedos portugueses alguns dos últimos anéis do Império: Goa, Damão, Diu, os enclaves de Gongolá e Simbor (os Dadrá e Nagar Haveli já tinham sido perdidos em 1954) e a ilha de Anjediva. Desaparecia, desta forma a Índia portuguesa.
Mas antes disso, em Maio de 1960, o Benfica estava lá, desbravando, como sempre, novos rumos. Chefiava a comitiva que foi ao palácio cumprimentar o governador, o engenheiro Fagundes Saraiva. E viajaram os seguintes jogadores: Malta da Silva, Palmeiro, Vieira Dias, Peres, Mendes, Espírito Santo (o Alfredo), Ramalho, Alfredo Bastos, Sidónio, Inácio, Marques, Jurado e Zézinho. O treinador era Fernando Caiado.
Percebe-se que não era o Benfica na sua força máxima. Nem podia. Na Metrópole, como então se dizia, Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Neto, Cruz, Cavém, Coluna, José Augusto, Santana e Águas disputavam as últimas jornadas do Campeonato. Mas os próprios indianos tinham requerido ao Benfica que fizesse deslocar uma equipa menos forte, tal era a diferença de qualidade do Futebol que se jogava na Índia portuguesa.

Vitórias por entre as palmeiras
Talvez os resultados não sejam de superior importância, como não foram. Era uma viagem de festa e de descobrimento: nunca uma representação do Futebol português atingira Goa. O governador lançou-se num discurso poético de boas-vindas: '(...) Tenho a certeza de que este convívio contribuirá para que a ideia do Portugal uno mais se vincule, pelo conhecimento das terras portuguesas. Vós, rapazes, podereis contar um dia aos vossos filhos e netos que visitaram uma terra de lindos rios e palmeiras, onde há cinco séculos se escreveu uma das mais gloriosas páginas da História de Portugal. (...)'.
E assim o Benfica escrevia, também ele, uma das mais brilhantes páginas da sua história de Clube do Mundo.
Em Margão, no Estádio de Fatorda, hoje rebaptizado de Estádio Nehru, o Benfica começou por bater uma Selecção Militar, por 2-1, golos de Peres e Palmeiro, com Alves a conseguir marcar o golo de um tão breve quão surpreendente empate. O estádio encheu-se. Havia a grande curiosidade de ver o Benfica, mesmo sem muitas das suas estrelas. Bandeiras encarnadas surgiram espontâneas um pouco por todo o lado. Uma foto de ambos os conjuntos segurando uma bandeira nacional ficou famosa.
Entre jogos, sucediam-se as visitas: Vasco da Gama, o porto de Panjim, Mormugão, Salcete. Igrejas caiadas erguendo-se no meio de um mar de palmeiras, praias douradas, florestas de cajueiros, coloniais casas de madeira de varandas amplas.
Vitória sobre uma Selecção de Goa, novamente em Margão, 4-0 (Mendes 2, Vieira Dias e Espírito Santo); outra vitória em Vasco da Gama, contra um Misto de Goeses, 1-0 (Espírito Santo). O Benfica saldava a sua aventura sem mácula.
O convite, levado a cabo pelo Conselho de Educação Física da Índia Portuguesa desencadeou um sucesso popular no território. O engenheiro, Fagulha Saraiva, confirmava a especificidade do convite: 'Foi-nos pedida uma equipa secundária porque o nível técnico do Futebol da nossa Índia não justificava a presença da equipa principal'. Nada parece ter mudado a partir de então, seja a Índia portuguesa ou nem por isso. E depois entusiasmava-se. 'É um pormenor sem importância. É a primeira vez que um Clube da Metrópole desloca uma representação de Futebol à Índia portuguesa. Isso já é motivo suficiente para nos sentirmos invadidos de uma satisfação sem limites!'.
A delegação 'encarnada' passeou pelas ruínas de Velha Goa, pela fortaleza de Aguada, pelas praias de Calangute e de Colva...
Na manhã de 6 de Maio de 1960, a águia voou na direcção da Índia. Para ela o céu nunca pode esperar."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 23 de dezembro de 2012

Meia-"remontada" !!!


Corruptos B 2 - 2 Benfica B

Parece que o vicio da equipa principal está-se a 'pegar' à equipa B !!! Dar de avanço parece ser moda - desta vez exageraram, e aos 15 minutos perdíamos por 2-0 -, e depois vamos atrás do prejuízo!!! Só faltou mais um golinho para a reviravolta ser total... Mas como jogámos os últimos 15 minutos com 10 jogadores, os miúdos estão perdoados - até parecia mal o Benfica terminar um jogo contra os Corruptos com 11 jogadores!!!!

Ninguém merece uma coisa destas

"O agravamento da doença de Tito Vilanova, treinador do Barcelona, lançou um manto de bondade e de altruísmo sobre o futebol espanhol. Silenciaram-se os desvarios das últimas semanas interpretados pelos suspeitos do costume em prol dos ódios do costume.
O Real Madrid e José Mourinho não demoraram a fazer chegar a Vilanova os seus votos de recuperação e, por uns quantos dias – quantos? –, o incomensurável valor da vida vai colocar os valores da bola no local onde pertencem, no recreio: trata-se apenas de um jogo, são 90 minutos de entretenimento e nada mais.
Ver rivais a trocar votos de felicidade e de comiseração não é muito comum na nossa cultura. E só um acontecimento trágico, uma doença, uma morte, um colapso, faz baixar as armas entre adversários históricos. Mas porque a malta do futebol é muito criativa há um modo corrente de desejar o bem com segunda e malévolas intenções. O último sorteio das competições europeias suscitou sentimentos do género entre os adeptos do Benfica e do FC Porto. Os do Benfica fazem votos para que o FC Porto elimine o Málaga para que se continue a cansar no estrangeiro e não se apresente folgado na segunda volta do campeonato. Os adeptos do FC Porto desejam muito que o Benfica passe o Bayer Leverkusen pelo mesmo conjunto de malévolas razões. No fundo, mentem a si próprios porque o futebol vive-se dia-a-dia e é sempre estimulante a hipótese de ver o rival espalhar-se na Europa à conta de um adversário de créditos inferiores.
Os rivais são assim: desejam-se o pior. Contudo, há sempre variantes. Já ouvi a muitos sportinguistas que o que mais lhes dói neste momento único do seu clube é ter de ouvir os rivais do Benfica e do FC Porto dizer que “o Sporting faz falta ao futebol português”. Porque bondade a meias com hipocrisia é coisa que não existe e porque só um drama de verdade pode unir os corações dos adeptos. E é por esta razão que, por uma vez de acordo, sportinguistas, benfiquistas, portistas e os demais, olharam com igual espanto e choque o drama de verdade que é a primeira página da última edição do jornal oficial do Sporting: a insólita mensagem pascal de bom Natal de Godinho Lopes, fotografado no papel de Cristo na última ceia. Ninguém merece.

ERRAR É HUMANO
Não se pode tratar os árbitros por tu
A APAF veio exigir ao Conselho de Disciplina da FPF que reabra o caso Cardinal depois de tornado público o relatório do Ministério Público contra o ex-vice-presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, acusado de sete crimes que nos abstemos de descrever. É desnecessário e de mau tom julgar Pereira Cristóvão na praça pública quando vai ser julgado pelos tribunais. A questão que nos prende é outra. É esta: como pode o órgão disciplinador oficial do futebol português ter metido na gaveta um caso em que, entre outros pormenores, através das manigâncias de um dirigente desportivo se tentou falsamente subornar um fiscal-de-linha?
No meio desta trapalhada há uma boa notícia para os sportinguistas: num mundo em que, em todas as áreas de actividade, os grandes recebem sempre melhor tratamento do que os pequenos, o Sporting, apesar das suas mil crises, continua a ser um “grande” do futebol português com direito a reverências. Com os pequenos, em matéria de árbitros, a música é completamente diferente. Ainda esta semana o Conselho de Disciplina da FPF manteve a suspensão por um mês a um dirigente do Arouca, Joel Pinho, por ter dito “só vês azul” ao árbitro do jogo Arouca-FC Porto B. Haja respeito. O que é isso de tratar o árbitro por tu? 

POSITIVO
Óscar perigoso
Cardozo está, provavelmente, no seu melhor momento de forma desde que chegou ao Benfica. Contra o Marítimo assinou um “hat-trick” e ultrapassou a barreira dos 100 golos em quatro anos na Liga portuguesa. 

Mister Fonseca
Está a ser notável o percurso do Paços de Ferreira sob o comando do jovem técnico português Paulo Fonseca. No campeonato e agora na Taça da Liga: arranque com uma vitória em Vila do Conde. É obra. 

NEGATIVO
Sérgio sofre
Sérgio Conceição tem feito milagres com o que tem à disposição em Olhão mas, pelos vistos, já não aguenta mais contrariedades ao seu projecto. No fim do jogo com o Benfica foi bem explícito sobre o assunto.

PÉROLA
“Jesualdo é o treinador de todas as equipas do Sporting.”, GODINHO LOPES
Foi esta a maneira simpática, ainda que rebuscada, que o presidente do Sporting inventou para explicar que o estatuto de Vercauteren tinha mudado no clube. Há uma nova hierarquia em Alvalade protagonizada por Jesualdo Ferreira. A esta hora pensa-se que o belga já terá sido avisado."

A palhaçada

"É outra vez a palhaçada do costume. Tendo terminado há dias o prazo para que os clubes das competições profissionais de futebol apresentassem os comprovativos da regularização dos pagamentos dos jogadores, continua a sobrar o silêncio oficial sobre o assunto.
Seis meses depois de iniciada a época desportiva, o que aconteceu em julho último, são conhecidos vários casos de incumprimento em qualquer das divisões tuteladas pela Liga. Não vale a pena citar nomes, o povo do futebol conhece-os, alguns são tão repetitivos quanto o badalo da Torre dos Clérigos, mas, nestas alturas, como que por milagre, os gabinetes lá vão conseguindo as necessárias assinaturas para scapar à malha legal, que prevê perda de pontos.
A palhaçada está bem tipificada: jogadores e outras entidades declaram sob juramento de honra que nada lhes é devido, recebem em troca cheques pré-datados (quanto isso...) e toda a gente fica bem na fotografia. Até a Liga. Porque é Natal e ninguém quer bolo-rei estragado.
Há ordenados em atraso na Liga e na 2.ª Liga. Infelizmente, em seis meses possíveis, há quem tenha apenas visto um ou dois recibos mensais depositados na conta. De norte a sul, do interior à orla marítima, uma mão cheia não basta para albergar os clubes caloteiros. Mas, perante o notário, está tudo bem e recomenda-se. O que a Liga agradece, sem se dar ao trabalho de investigar, de recolher outros testemunhos e... esclarecimentos.
Esta é talvez a maior mentira do nosso futebol. E, pelo visto, tem pernas para muitas maratonas e pulmão vitalício à prova da Lei.
A Liga, que já pouco representa nas estruturas do jogo, e que por esse motivo se deveria centrar nas questões de fundo, continua com a obsessiva tentação dos inexistentes milhões dos direitos de transmissão televisiva e não quer saber se os documentos recebidos estão em conformidade. Nada mais interessa. O resto está blindado pela corporação patronal e não passa para o contencioso.
Mas não haverá uma forma de acabar esta palhaçada?!..."

Paulo Montes, in A Bola

De Godinho Lopes

" «Em 2000 fomos campeões com Duque e Freitas, e não foi por acaso. Havia espírito, objectivos claros. Voltaremos a ser campeões» 28 Fevereiro 2011
«Domingos é um treinador de sucesso e que conhece a realidade do futebol português» 23 Maio 2011
«Houve acordo com José Couceiro. Era preferível ele sair» 9 Junho 2011
«A saída de Domingos não faz sentido» 12 Fevereiro 2012
A saída de Domingos foi uma decisão do Sporting. Agradeço a Domingos ter dado o melhor que sabia» 14 Fevereiro 2012
«O Sporting informa que o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão solicitou ao presidente do Conselho Directivo a suspensão de mandato, a qual foi aceite» 12 Abril 2012 (comunicado)
«Após ouvir o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, decidiu-se que este reassumiria funções» 17 Abril 2012 (comunicado)
«Sá Pinto deu alma» 26 Maio 2012
«Fica Oceano. Faz parte da casa. Os jogadores sabem o líder que têm no balneário. Estas declarações servem para que Oceano se sinta treinador principal do Sporting» 16 Outubro 2012
«Vem a Sporting SAD informar ter acordado com Luís Duque a cessação de funções como administrador desta sociedade. Mais se informa ter sido acordada a saída do director Carlos Freitas» 22 Outubro 2012 (comunicado)
«Scolari foi um nome ponderado, sim. Com a escolha de Vercauteren, temos de assumir para onde iremos, a área da formação» 25 Outubro 2012
«Queremos ir à Champions» 10 Novembro 2012
«Inicialmente falei com José Couceiro para estas funções, numa altura em que Jesualdo Ferreira não estava disponível. A casa começou a ficar arrumada e avançámos para Jesualdo Ferreira. Há o propósito de regressar à Liga Europa» 16 Dezembro 2012"

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vitória no Pico...


Candelária 2 - 6 Benfica

O Candelária esta época não está tão forte, os resultados provam-no, mas contra o Benfica normalmente todos jogam bem!!! Felizmente esta noite o Benfica não deu hipóteses, entrou bem com 2 golos de rajada, e depois soubemos controlar, aumentando a vantagem... O Ricardo Silva foi importante ao defender um penalty, e um livre directo, e perto do final do jogo até conseguimos marcar um livre directo, pelo Tuco, algo em que nos últimos jogos, temos estado desastrosos!!! Vitória importante, já que o próximo jogo do Campeonato, é a recepção aos Corruptos...

Quebrando tradições !!!


Águas Santas 24 - 28 Benfica

Já se sabia que não seria fácil, a equipa acabou por não fazer um grande jogo, mas valeu pela entrega.
Vencer num local onde tradicionalmente fazemos resultados negativos, mesmo com a dupla Nicolau/Caçador a apitar, é digno de registo!!!

Susto !!!


Galitos 79 - 83 Benfica
21-17, 11-30, 18-19, 29-17

Depois de um começo 'perro' o jogo esteve completamente controlado... mas estivemos quase a perder tudo, num 4.º período onde sofremos 29 pontos!!! Quando se vence o duelo nos ressaltos por 45-24, é difícil de compreender, como é que o jogo termina com somente 4 pontos de vantagem!!!

Salvação na 2.ª parte !!!


Benfica 4 - 1 Fundão

Mais uma horrível 1.ª parte... lentos a atacar, pouco movimento sem bola, perdas de bola em situações proibidas, erros de posicionamento que provocam contra-ataques extremamente perigosos... portanto, nada de novo!!! A novidade acabou por ser a reacção na 2ª parte!!!  A atitude foi claramente diferente, o jogo foi durinho, havia jogadores picados, a arbitragem estava a ser miserável... tudo razões para a equipa acordar!!! Pressionámos mais alto, jogámos um pouco mais rápido e os golos apareceram com naturalidade... mesmo assim, continuámos a cometer alguns erros, pouco comuns na equipa o ano passado.
O campeonato só se vai decidir no Play-off, o Benfica muito sinceramente já não tem hipóteses de ultrapassar os Lagartos na época regular, mas os jogadores têm que encontrar motivação para os próximos meses, porque a jogar assim, vamos ter vários dissabores, e nem o 2.º lugar está garantido!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E Pluribus Unum

A todos um bom Natal...

"É uma boa e doce rabanada de Natal passar a consoada em primeiro, mas, sejamos realistas, só haverá verdadeiro significado se formos primeiros no fim da 30.ª jornada. É esse o único momento em que um benfiquista festeja a sério o primeiro lugar.
Bela exibição, aquela que permitiu vencer de forma dilatada o Marítimo com novo hat trick de Cardozo que teima em fazer difícil a vida dos seus detractores. Diria que não está um bom momento a vida daqueles que não gostam dele.
Na Taça da Liga houve várias abordagens muito empenhadas. O FC Porto interessadíssimo em vencer a prova não poupou um titular, e ganhou com normalidade e justiça. O Benfica, igualmente interessado em vencer a prova, só iniciou o jogo de Olhão com um titular, e, quando se viu a perder, teve, e bem, que ir ao banco encontrar soluções que permitiram com mais qualidade e ritmo dar a volta a um resultado que estava difícil. Vencer o Olhanense e ganhar em Moreira de Cónegos permitirá descansar a quase totalidade dos jogadores no jogo com a Académica que antecede a recepção ao FC Porto. Gerir jogadores não pode ser abdicar da vontade de ganhar.
O Sporting também interessado em ganhar qualquer coisa conseguiu um empate empenhado na Madeira. Não posso deixar de comentar o quase único assunto de relevância desportiva dos media portugueses: a crise do Sporting. Depois de contratar um treinador para treinar os jogadores, Vercauteren, o Sporting contratou um treinador para treinar os treinadores, Jesualdo Ferreira. Aguardamos a todo o momento a contratação de um treinador para treinar o presidente, que é, como se tem visto, aquele que tem tido piores exibições.
Saiu em sorte o Bayer Leverkusen, desportivamente será dos adversários mais difíceis, mas só pela saudade de lembrar os míticos 4-4 e a exibição de Kulkov valeu a pena. Foi um dos jogos mais marcantes da história europeia do Benfica dos últimos 40 anos."

Sílvio Cervan, in A Bola

A máscara

"Assustado, o homem escondeu-se. Havia razão para tanto medo? Algo parecido com uma manta negra tapou-lhe a cabeça por inteiro. Uma máscara: sinistra, por sinal. Quem se cobre assim tem motivos muitos fortes para o fazer.
Geralmente, quem se cobre assim são os cobardes ou os bandidos. Não era o caso, certamente, ninguém acreditaria em tal. No dia seguinte, sem máscara, rodeado pela falange, tinha a cara a descoberto. Não era agradável, mas estava à vista, que é como deve ser quando se trata de pessoas de bem. Esquecido dos medos, lançou-se em ironias bacocas de mau aprendiz de fraco mestre. Traçou cenários distantes e inverdadeiros, misturou-se palavras ocas e foi deixando pairar ameaças. É próprio de quem se sente protegido, resguardado.
De cara lavada, como costuma dizer-se, às vezes sem muito nexo. Podemos todos imaginar as expressões que se esconderam por baixo daquele pano negro, ou manta, ou cobertor ou lá o que era. Chamemos-lhe máscara. Imaginem para lá da máscara: era pavor aquilo que se escondia? Uma lágrima de cagaço? Não podemos saber, não é? É precisamente para isso que servem as máscaras, para nos deixar na dúvida. E na dúvida ficámos. Mas temos uma certeza: quando Vítor Pereira tirar a máscara surgirá por debaixo dela a sua verdadeira cara - a cara de Vítor pereira. Esse mesmo, o dos árbitros.

P.S. - Se há coisa deprimente num circo é ver o palhaço a tentar ter graça e não arrancar gargalhadas. Mas ainda mais deprimente é ver, atrás do palhaço, um servil jornaleiro a rir-se sozinho da piada inexistente só para agradar ao palhaço. Ficam bem um para o outro. São tristes."

Afonso de Melo, O Benfica

Adiou-se a verdade

"O futebol, tal como o teatro, é uma arte. Setúbal é uma honrada cidade marcada pelo teatro (veja-se a grande herança de Luísa Tody) e pelo futebol. Assim, poderemos dizer que, na passada sexta-feira, todos pudemos assistir, com a decisão de adiar o jogo entre o Setúbal e o FCP, a um golpe de teatro.
Jogar num relvado encharcado retira uma grande percentagem da vantagem técnica e da velocidade aos intervenientes no jogo. Logo, a equipa mais dotada acaba por ter mais dificuldades em fazer valer as suas valências. Todos vimos (até Pedro Henriques, o comentador da Sporttv, normalmente dócil para com o FCP) que o relvado do Bonfim estava em condições. Estava bem melhor do que o relvado de Coimbra, onde o Benfica viu, recentemente, a arbitragem tirar-lhe dois pontos. Todos vimos a representação de Proença (quem mais poderia ser?!), desesperadamente em busca de dois charquitos no imenso relvado, onde pudesse deixar cair a bola e demonstrar ao mundo que a bola não salta quando cai na lama. Estava feita a prova da legalidade da decisão e estava demonstrado como a verosimilhança é importante na representação teatral. No entanto, isso não basta para que se chame verdadeiro ao que é apenas verosímil. 
A pantomina continuou com as declarações servis do presidente do Vitória e a enternecedora imagem de Joaquim Oliveira, qual mordomo papal, a segurar o guarda-chuva do Sr. Costa. Seja como for, não era necessário tanto esforço para nos convencerem de que tudo aquilo foi legítimo e necessário. Pois, normalmente, naquele palco e com aqueles actores, costuma haver um par de servis e salvadoras substituições lá pelo minuto 58. Ou seja, por vários motivos, sabemos que não havia necessidade de Proença ter decidido, mais uma vez, adiar… a verdade desportiva."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

PS: 


Recordo aqui o Naval-Benfica, na Taça do ano passado:

André Gomes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sol na eira e chuva no nabal (a semana em revista)

"O presidente do FC Porto diz que é «estúpido» falar de árbitros. Terá exagerado. Ou então anda um artista à solta que lhe imita a voz na perfeição e que se anda a promover no YouTube

SEXTA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO
ESTAVA marcado para hoje o jogo de abertura da jornada número 12. Acabou por não se realizar porque o árbitro entendeu não haver condições para 90 minutos de futebol no relvado do Bonfim. Choveu. E quando chove já se sabe que o piso se ressente, seja o piso que for. Aparentemente, a decisão do árbitro satisfez os dois emblemas em causa porque ninguém protestou antes pelo contrário. O boletim meteorológico prevê fortes chuvadas para o fim de semana e a Protecção Cívil lançou o alerta amarelo para dez Distritos do país. Ou os tipos da metrologia são uns grandes nabos ou é de temer uma quantidade imensa de jogos adiados por todo o país e em todos os escalões das diversas provas oficiais por causa da maldita chuva que persiste em intrometer-se (abusivamente!) neste nosso Inverno.
É certo e sabido que nunca estão todos satisfeitos com o tempo que faz. São aquelas ganâncias humanas tão bem expressas no velho provérbio popular «sol na eira e chuva no nabal», ou seja, tudo a jogar a nosso favor e assim é que é bonito. Isso é impossível, meus bons amigos. Em relação ao adiamento do jogo de hoje não faltarão benfiquistas a elaborar intrincadíssimas teorias da conspiração com o intuito de explicarem a si próprias que a decisão do árbitro foi conivente com os obscuros interesses do FC Porto, a equipa visitante na presente ocasião. Imaginação não faltará com certeza.
Devo dizer, já que o assunto nos trouxe até aqui, que desalinho totalmente dessas teorias absurdas e considero-as mesmo infantis. A não ser que um bruxo qualquer tenha desaconselhado o FC Porto a jogar à chuva (reza o nosso anedotário que há 25 anos, em Tóquio, houve um bruxo que aconselhou a jogar na neve...), não vejo qualquer singular vantagem para o FC Porto pelo facto de Pedro Proença ter decidido adiar o jogo de Setúbal. Não vejo mesmo, sem qualquer espécie de ironia. Nem vantagem pontual, nem física, nem psicológica, nem mesmo vantagem meteorológica.
É que já disseram na rádio que o jogo pode vir a ser disputado a 23 de Janeiro mas, com todaa honestdade, e a mais de um mês de distancia quem é que pode garantir que a 23 de Janeiro não vai estar a chover na eira e no nabal, outra vez, para chatear? Só na NASA, francamente, trabalha com toda esta antecipação e mesmo assim tenho dúvidas que a agência espacial norte-americana possa garantir piso seco em profusão para o jogo em atraso. Veremos quando chegar o dia.
O campeonato só volta para o ano e hoje não houve jogo, nem golos, não houve nervos e não houve árbitro. E esta é a única parte que lamento e apenas por superstição, fraqueza minha. Lamento a parte de não ter havido árbitro. É que, em princípio e até em nome do bom senso, seria altamente improvável que Pedro Proença, nomeado para o jogo de hoje, viesse a apitar duas vezes a mesma equipa em três jogos, não lhe cabendo assim dirigir o Benfica-FC Porto do próximo dia 13 na Luz. Isto não passa de suposição, claro está.
Mas como hoje não houve jogo também não houve árbitro e agora Proença até pode vir a ser o escolhido de Vítor Pereira para o clássico que se avizinha. Não gosto da ideia, confesso, reconhecendo tranquilamente que Pedro Proença é o melhor árbitro português a actuar no estrangeiro ainda que, frequentemente, seja o pior árbitro do estrangeiro a actuar em Portugal. E é do Benfica. E a mim dá-me galo ver árbitros do Benfica em acção. É só por isto que lamento não ter havido jogo hoje em Setúbal.
Só mais uma coisinha de que me ia esquecendo:
E se o árbitro for Proença e estiver a chover a potes? Não há jogo a 13 de Janeiro? Ao menos que haja sol na eira e se houver chuva no nabal.

DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO
O costume. O Benfica entrou lento, sofreu um golo e depois arrancou para uma bonita exibição. Por vezes até empolgante. Óscar Cardozo marcou 3 golos e atingiu (ou ultrapassou à vontade do freguês) a marca dos 100 golos na Liga portuguesa. Vá, assobiem-no lá mais um bocadinho a ver se ainda chega aos 125 golos até ao fim da saison. Esta noite, frente ao Marítimo, o segundo golo de Cardozo foi de penalty, concretizado com uma paradinha que nos ia parando o coração a todos. O castigo surgiu porque, bem dentro da área dos madeirenses, a bola sofreu um desvio depois de bater na mão de um jogador do Marítimo. Considerou o árbitro que foi um gesto intencional. No entanto, é um daqueles lances que se tivesse ocorrido no meio do campo nem se discutia: era falta. Mas dentro da área as mesmas faltas dão penalties e daí nascem as polémicas. O segundo cartão foi completamente escusado. O golo do Marítimo nasceu de uma situação irregular mas paciência. Estamos fartos de queixinhas.
O presidente do FC Porto também está farto de queixinhas, depreende-se da leitura dos jornais. E ainda foi mais longe. Diz que é «estúpido e ridículo» falar de árbitros. Neste ponto parece-me que terá exagerado. Ou então anda por aí à solta um artista que lhe imita a voz na perfeição e que se anda a promover à sua custa no YouTube. Nunca fiando.
Já à noitinha, o presidente do Sporting deu uma extensa entrevista num programa desportivo da RTP e, entre muitas coisas, disse que ao contrário de «outros que entraram e saíram», o Sporting «sempre esteve na Europa». Sobre a verosimilhança das coisas que disse sobre o Sporting opinarão os sportinguistas e entre médicos e engenheiros alguém terá razão. Sobre as coisas que disse sobre o Benfica, sentem-se os benfiquistas no direito de opinar.
E assim ao contrário do que disse Godinho Lopes esta noite, na RTP; o Sporting não «esteve sempre» ou «sempre esteve» na Europa. Na época de 1975/1976, o Sporting classificou-se em 5.º lugar e o vencedor da Taça de Portugal foi o Boavista. Na época seguinte, 1976/1977, o Sporting ficou fora das competições europeias. São coisas que acontecem e já aconteceram a todos, exactamente a todos. É estranho que o presidente do Sporting conheça melhor a história do Benfica do que a história do seu clube, pelo menos para o que lhe dê jeito. E mentir nunca dá jeito a ninguém.
Apesar deste deslize no compromisso com a verdade de Godinho Lopes continuo a considerar que, no final do jogo de Alvalade, na semana passada, o presidente do Benfica não deveria ter chamado o que chamou ao presidente do Sporting.
Felizmente, o tempo parece que amainou e não houve mais nenhum jogo adiado em Portugal e até em toda a Península Ibérica.

SEGUNDA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO
TODOS os jornais desportivos fazem manchetes com a contratação de Jesualdo Ferreira para o cargo de «treinador de todas as equipas do clube até à formação» ou «treinador dos treinadores». Será que alguém já avisou Franky Vercauteren de que foi despedido?

TERÇA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO
DE manhã ouço notícias de Paulo Pereira Cristóvão desancando em Eduardo Barroso e à tarde ouço notícias de Paulo Pereira Cristóvão acusado pelo Ministério Público de sete crimes em consequência da investigação do caso Cardinal que, recorde-se, já foi arquivado pela justiça desportiva. À noite o Sporting empata com o Marítimo no Funchal para a Taça da Liga. Se o Sporting tivesse ganho seria caso para se dizer: «J+a se vê o dedo de Jesualdo Ferreira». Assim fica para a próxima.

QUARTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO
A coisa esteve mal parada em Olhão mas, depois, aconteceu o costume. O Benfica deu a volta ao jogo na segunda parte e acabou por vencer pela diferença mínima mas com toda a justiça. É bom começar com uma vitória a Taça da Liga. Houve cinco cartões amarelos para jogadores do Benfica e todos bem mostrados por Paulo Baptista, um árbitro competente cujo low-profile não o terá ajudado para se transformar numa vedeta. Melhor para ele."

Leonor Pinhão, in A Bola

Bayer - Benfica




É o regresso a Leverkusen, depois da histórica eliminatória, da antiga Taça das Taças... Neste Sorteio ser cabeça-de-serie trazia poucos, ou nenhuns, benefícios , já que a qualidade das equipas era muito igual... O Benfica costuma ter problemas nos jogos na Alemanha, mas com o Jesus já eliminamos algumas... Tenho que admitir que admiro no Bayer à bastante tempo um jogador: Kiessling, um daqueles avançados que passa um pouco despercebido na Alemanha, mas que no Benfica seria uma estrela... Dito isto, está tudo em aberto, vai depender muito do momento de forma, a Bundesliga vai parar, e o Benfica vai ter muitos jogos em Janeiro, além disso a nossa prioridade é o Campeonato... Resumindo temos equipa para eles, mas muita água vai passar por baixo da ponte!!!
Em caso de vitória vamos defrontar o vencedor da eliminatória entre o Dínamo Kiev e o Bordéus, equipas de valor similar, mas seria melhor evitar os Ucranianos, a viagem é muito longa, o frio ainda será muito em Março, e apesar de tudo, têm mais experiência Europeia...
Deixo aqui a memoria daquela Gloriosa noite, onde o Eusébio foi parar ao Hospital (o coração não aguentou!!!), mas a festa foi nossa:

As meninas da ribeira do Sado

"Afinal o futebol não é um desporto de inverno. Pedro Proença assim o sentenciou. No Bonfim, entre velhos amigos do Norte e do Sado.
Imagino até os jogos que o internacional juiz adiaria na inglesa serenata à chuva, perdão campeonato.
Ao contrário do lago em Alvalade para a L. Europa, no Bonfim até se viam relva e marcações. A bola rolava, mas - para o juiz - penosamente soluçava.
Não me ponho a conjecturar sobre quem é mais beneficiado ou deixa de o ser. Mas que deu jeito lá isso deu. Não só ao árbitro que se encharcou menos e manteve impecável o seu penteado, como aos clubes amorosamente entrelaçados.
Parece que o jogo é adiado por mais de um mês, contrariando o regulamento. Diz o seu art.º19 nº2: Os jogos das competições oficiais adiados no decurso da primeira volta têm de ser realizados obrigatoriamente no decurso das 4 semanas que se seguirem à data inicialmente fixada para o jogo, salvo casos de força maior devidamente comprovados e reconhecidos por deliberação da Comissão Executiva. A força maior deve ser o jogo da Luz em 13/1. E para que tudo seja claro como a água (outra vez a água) até já ouvi comentadores 'isentos' dizerem cristãmente que as 4 semanas se suspendem com o... Natal!
Volto a Proença. Tem razão, o futebol não é para meninas. Excepto para as meninas da ribeira do Sado. Como dia a canção:
As meninas da ribeira do Sado é que é
Lavram na terra com as unhas dos pés
As meninas da ribeira do Sado
São como as ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas
É tudo uma questão de carrapato... Ou melhor, de cair com o carrapato na lama! Na lama do... bom fim."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

'Remontada' até nos 'treinos' !!!


Olhanense 1 - 2 Benfica

Bom treino para dar ritmo aos jogadores menos utilizados, dos titulares - indiscutíveis - só jogou o Enzo, dos Bês acabou por jogar somente o Sidnei... Eu sei que a Taça da Liga é uma competição oficial, eu sei que o Benfica deve jogar sempre para ganhar, mas todos aceitam que a vitória da Taça da Liga não é a prioridade, nem a salvação da época, portanto os jogos desta Fase da Taça da Liga será sempre um 'treino', depois se chegarmos à Final, logo veremos...
É óbvio que a qualidade foi baixa, o adversário jogou com muita agressividade, o relvado é mau - é impossível fazer um passe rasteiro sem a bola andar aos saltinhos -, não é fácil dar velocidade às trocas de bola, o entrosamento não é o melhor, o apitador também não ajudou...
O jogo começou com uma oportunidade para o Olhanense, mas logo a seguir o Benfica criou várias jogadas onde podia ter marcado, com os minutos a passar o Benfica foi perdendo gás, mas sem o Olhanense se mostrar perigoso. No início da 2ª parte, com algum azar do Paulo Lopes, o Olhanense marcou - na minha opinião sem o merecer -, o Jesus mexeu na equipa, tirou o jogador mais apagado - Bruno César -, colocou o Gaitán e o Enzo no meio, e o Lima ao lado, do até aí muito isolado Rodrigo. A partir daqui, foi quase um massacre, e os golos eram inevitáveis - mesmo com o muito baixo aproveitamento do Benfica, algo que infelizmente já estamos habituados!!!
As 'remontadas' são bonitas, mas nem sempre vamos ter essa 'sorte', isto de dar 'avanço' ao adversário, não vai resultar sempre, é bom que o nosso aproveitamento aumente à frente da baliza, e não seja necessário passar por estes calafrios!!!
A arbitragem também foi má, mas também já estamos habituados... A complacência para a agressividade do Olhanense foi total, e até foram premiados com o apito em todas as simulações que os Algarvios fizeram... Exemplo: o Enzo sofre um penalty, o árbitro não marca, e no contra-ataque, o Sidnei leva amarelo, após mais uma simulação!! O 3-5 em amarelos que o Benfica 'venceu' é o melhor indicador para a roubalheira: como é que é possível, depois de toda a porrada que os jogadores do Benfica levaram?!!! No final do jogo, com o Benfica a aguentar os 3 pontos, com uma equipa obviamente desequilibrada defensivamente, foi 'bonito' ver o critério largo dado aos avançados do Olhanense na pressão alta, invertendo totalmente o critério que tinha sido usado quando o Benfica estava a correr atrás do prejuízo!!!

Agradável


Benfica 9 - 3 Oliveirense

Bom jogo, aberto, com velocidade, podíamos ter marcado mais golos, mas também podíamos ter sofrido mais... Continuamos a falhar nas 'bolas paradas'... O Miguel Rocha já é jogador, não pode fugir, está 'semi-emprestado', é bom que regresse brevemente...

Fácil...


Benfica 29 - 17 Belenenses

Jogo que a equipa tornou fácil...

Benfica de proximidade !!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Muller Cardozo

"Para quem acha que Cardozo tem dois ferros de engomar nos pés e um problema: marcar golos

Já era como nunca mais deixaria de ser: atarracado, desengonçado, com uma perna dois centimetros mais curta que outra - e uma tarde apareceu num treino do TSV Munique. O treinador deixou que se mostrasse mas, no final, murmurou-lhe, em tom decrépito:
- Não vais longe nisto. É melhor mesmo dedicares-te a outra coisa...
Trabalhava como tecelão, tratavam-no pela alcunha que trouxera da escola: der Dick, o Gordo. Aos 18 anos conseguiu, enfim, entrar no modesto Nordlingen 1861. Em 32 jogos marcou 51 golos, ganhou o campeonato da sétima divisão. Era Gerd Muller - e o presidente de um clube que acabara de se sagrar campeão da segunda divisão foi a Nordlingen, contratá-lo. Era o Bayern Munique - e Zlatko Cajkovski, o seu treinador, desprezou-o:
- Comigo não joga porque não tem corpo de futebolista, basta olhar...
À décima jornada andava o Bayern por ruas de amargura, o presidente entrou em ira no balneário a dentro, decretou:
- Acabou-se! Muller tem de jogar. Sou eu que quero, sou eu que mando...
Cajkovski fez-lhe, resignado, a vontade - e der Dick, o Gordo logo se transformou em der Bomber, o Bombardeiro. Que, já melhor marcador da liga, passou por nova provação: Helmut Schon não o levou ao Mundial de 1966 pelo mesmo:
- Parece um barril, não é grande jogador, os golos que marca é por sorte...
(O resto é o que se sabe e um dos sinais desse resto é o facto de Muller apenas ter perdido o recorde mundial de golos para aquele que provavelmente é o melhor jogador mundial de todos os tempos e também parece não ter o corpo bem desenhado para o futebol: Messi.)
Domingo, voltei a ver o que há muito vejo: o incompreendido Muller no Cardozo, no Cardozo a contar mentiras sobre o corpo (e o estilo e o mais...) que se dever ter para se jogar à bola, dizendo com os pés que só vêem baliza e lhe acertam:
- Não sei se o meu futebol é estranho ou não, nem me interessa. Só sei que sinto o golo com o mesmo instinto com que o predador sente o cheiro do sangue da vitíma, é o que me basta. (É.)"

António Simões, in A Bola

Chuva isola Benfica no comando

"Com chuva não há serenata, decidiu o árbitro Pedro Proença e o Vitória de Setúbal-FC Porto, o jogo mais importante da 12ª jornada, foi adiado para Janeiro.
O adiamento agradou aos visitados e aos visitantes, e resta desejar que a nova data seja um dia de sol radioso, vento fraco e zero de humidade, porque se cai uma chuvada no relvado do Bonfim fica difícil haver jogo sem que não dê vontade de sorrir. Estamos no Inverno e o campeonato chegou ao Natal com o Benfica isolado no comando por causa do boletim meteorológico. A situação em nada incomoda o FC Porto, que nem forçou a realização do jogo, confiante de que, a 13 de Janeiro, faça chuva ou faça sol, não sairá da Luz a 6 pontos de distância do Benfica e com um jogo fora em atraso.
O Benfica está bem como se tem visto. Persiste em sofrer primeiro para brilhar depois, como já acontecera em Alvalade, enquanto Óscar Cardozo persiste em provar que é o melhor jogador mal-amado de todos os tempos no Estádio da Luz. No grupo da frente, à 12ª jornada, assistiu-se ao regresso de um Sporting de Braga autoritário, e já terceiro, e à persistência do Paços de Ferreira em espantar tudo e todos, apenas um degrau abaixo dos minhotos.
Aproxima-se o Natal e nunca um fundo da tabela terá sido tão comprido: distam apenas cinco pontos entre o último classificado, o Moreirense, e o 8º, que é o Beira-Mar. Ver o Sporting neste grupo dos fundos é bastante estranho, ainda que a jornada tenha sorrido aos leões: um ponto ganho no campo do Nacional e abaixo do Sporting nesta jornada ninguém ganhou."

O goleador que irrita o treinador

"Pela segunda semana consecutiva, Cardozo marcou 3 golos num jogo, para totais de 13 em 12 jornadas da Liga e 17 em 17 chamadas à equipa, cinco como suplente utilizado.
Apesar do impacto do colombiano Jackson Martínez na Liga, o paraguaio que se tornou no melhor marcador estrangeiro da história do Benfica termina 2012 como o jogador mais valioso da Liga.
Um paradoxo, para quem tem sentido ao longo de seis anos tantas dificuldades em chegar ao coração dos adeptos e que terá sido o primeiro goleador internacional a ouvir do próprio treinador a confissão de que por vezes o irrita solenemente. Olhando para o que tem sido a época do Benfica, talvez tenha sido bem mais irritante para os benfiquistas a opção, mal fundamentada, de Jorge Jesus em preterir Cardozo das opções prioritárias na Liga dos Campeões, em que só foi titular uma vez.
O paraguaio traz à memória os tempos de Nené, o avan-çado que não sujava os calções e também era muito irritante. Sobretudo para os adversários."

8+10=18 em 180

"Entre Setembro e Outubro de 1965 o Benfica defrontou o desaparecido Stade Dudelange para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Mesmo com a equipa em poupanças, e com adaptados como hoje está na moda, as vitórias foram copiosas. Contas mais certas seriam difíceis de fazer...

O Stade Dudelange não existe mais. Agora existe um tal de F91 Dudelange, que tem nome de prova de automóveis mas é, de facto, o fruto da união entre o Stade Dudelange, o Aliance Dudelnage e o US Dudelange. A fusão deu-se em 1991, claro está!
No seu tempo de glória, o Stade Dudelange foi a melhor equipa do Luxemburgo. Nesse tempo bateu o Jeunesse Esch e o Spora Luxemburgo, seus grandes rivais. Nos anos 40 chegou a ser campeão quatro vezes consecutivas. Em 1964/65 foi campeão do Luxemburgo pela última vez. E, na época seguinte, coube-lhe defrontar o Benfica para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Logo na primeira eliminatória.
Na véspera de actuar no Estádio Émile Meyrisch, o Benfica deslocou-se a Glasgow para defrontar o Rangers, numa das suas muitas viagens que o prestígio internacional e os altos 'cachets' exigiam. E assim, em Ibrox Park jogaram os titulares, porque 'noblesse oblige', os mesmos que no fim-de-semana seguinte se deslocaram ao Porto para mais uma jornada do Campeonato Nacional.
Era  a contar para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas não houve mais remédio senão recorrer a poupanças no Luxemburgo. Entraram os mais novos, com um ou outro mais velho à mistura. Assim: Melo; Augusto Silva, Germano, Calado e Jacinto; Neto e Santana; Iaúca, Pedras, Serafim e Guerreiro. 3-0 para o Benfica ao intervalo; 5-0 na segunda parte. Não houve motivos para 'reproches'. Pedras(3), Serafim(2), Iáuca(2) e Santana resolveram um problema que se relevou muito pequenino. Costa Pereira, Simões e Cruz lesionados, não foram sequer hipóteses; José Augusto, Eusébio, Coluna e Torres foram deixados em 'banho maria'. O Benfica tinha qualidade para se dar ao luxo de fazer avançar as segundas linhas. E mesmo assim vencer, por 8-0. 'Em Lisboa jogaremos muito melhor', garantia Nicolas Mahr vice-presidente do Stade Dudelange. 'A eliminatória já estava perdida desde o dia do sorteio. Em Lisboa procuremos dar o melhor possível e depois descansar uns dias gozando o sol do vosso belo país!'

Mudar aos 5, acabar aos 10
Entretanto, Eusébio e Flora casaram-se pelo civil. O casamento religioso prometia ser de arromba. O Stade Dudelange vinha à Luz para a segunda 'mão' da primeira eliminatória da Taça dos Clubes Campeões mas dava-se maior importância à visita do Eintracht Frankfurt que estava em Lisboa para um encontro particular contra o Benfica cuja receita reverteria para a Cruz Vermelha Internacional.
Os luxemburgueses vinham à procura do sol, mas choveu a potes em Lisboa. Choveu água e choveram golos. O Benfica não foi o Benfica do costume, jogara dias antes frente ao Varzim para o Campeonato, tinha o Eintracht à porta, houve mais poupanças, como agora está na moda, e escrever-se na Imprensa: '...o Benfica não esteve no ataque com a acutilância necessária para realizar exibição a nível europeu, mas também o antagonista não merecia melhor actuação...'. Ora vejamos: Melo; Augusto Silva (um adaptado, e esta?), Raul e Jacinto; Neto e Ferreira Pinto; Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Guerreiro. Muito certo, certamente, mas a verdade é que, mesmo assim, marcaram-se 10 golos no Estádio da Luz e todos para o mesmo lado, o lado do Benfica, claro! Ao intervalo: 5-0. Três de Eusébio e dois de José Augusto, alguns deles verdadeiramente vistosos, como os dois de José Augusto. Na segunda parte: 5-0. Mais um de Eusébio, outro de José Augusto e os outros três de Torres, Ferreira Pinto e Guerreiro.
Amadores, os luxemburgueses não poupavam nos elogios. Tinham sido vergados a um recorde histórico nas  duas 'mãos' de uma eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Em 180 minutos, 18 golos para o Benfica. Contas mais certas não se podem fazer..."

Afonso de Melo, in O Benfica

A sucursal

"O Madaleno teve a ideia e pô-la em prática: queria na rua Herculano uma sucursal das trampolinices da Casa Iluminada Logo a Seguir ao Cemitério. O Madaleno sempre sonhou em invadir a Capital do Império. E tascar-lhe fogo. Sempre sonhou ver a cidade branca escurecida pelas poucas-vergonhas imaginadas pelo seu cérebro caliginoso. Estranhava que não lhe dessem valor a Sul. O seu lema - 'Vergonha é Roubar e não Saber Subornar um Juiz' - não se aplicava a todo o comprimento do Rectângulo e isso incomodava-o a ponto de se ver no centro de um vendaval de flatos. O Madaleno gosta de homenzinhos de cócoras. Os homenzinhos de cócoras são muito úteis na sua senda podre de enganar e destruir a verdade, e limitam-se a mendigar bilhetinhos para as grandes festas de tafularia.
O Madaleno trata os homenzinhos de cócoras como eles merecem: isto é, abaixo de cão. Ou mesmo abaixo de porco. O chefe dos homenzinhos de cócoras ergue-se nas patas traseiras e arfa de alegria, ganindo na ânsia de um afago nas orelhas. Acabou por ter um prémio: foi nomeado presidente da Sucursal. Na Sucursal da rua Herculano escolhe a dedo os homenzinhos de cócoras que não vêem mãos. Isto é: falsifica, abastarda, adultera, perverte, vicia, corrompe aquilo que se supunha ser limpo. É essa a sua missão e ele cumpre-a sem desvelo. Semana após semana observa a sua obra. Os seus sequazes marcham alegremente a Penouços para receberem medalhas de lata da boa obediência das mãos de um cavernoso pinto de bico recurvo e olhos de carneiro sinistro. São paus-mandados. Bem mandados para o mal."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sinal aberto

" 'Jogos internos' em canal aberto perturbarão algumas consciências que se mostravam muito preocupadas com o 'futebol dito fechado'

1. Na pausa de Natal e do Novo Ano será o tempo da Taça da Liga, a última competição a ser criada no âmbito do futebol em Portugal. E, em concreto, do futebol profissional. Teremos jogos internos em sinal aberto, em razão do acordo celebrado entre a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a TVI. Todos nos recordamos que esta Taça da Liga esteve associada ao patrocínio da BWIN. Com a impossibilidade objectiva, em razão de decisões judiciais, desse patrocínio, e face à difícil e complexa realidade económica-financeira do País, era previsível que não fosse possível encontrar patrocinador equivalente. Os prémios são relevantes já que, ao que creio, o vencedor pode arrecadar um prémio acumulado superior a 500.000 euros. Como, também, não foi possível que qualquer canal televisivo de canal aberto concretizasse uma oferta razoável para um jogo por jornada da nossa principal Liga de futebol. E tal impossibilidade resultava da indefinição que atinge o futuro próximo da RTP, por um lado, e por outro, pela canalização de recursos financeiros específicos da SIC para a Liga Europa - onde, agora, acolherá o Benfica! - e no âmbito da TVI para um conjunto de jogos da Liga dos Campeões, onde se mantêm o Futebol Clube do Porto e os grandes monstros do futebol europeu. Perante este conjunto de circunstâncias - e, também, o acordo da TVI para a transmissão televisiva de 7 jogos em canal aberto a partir da 3ª fase de grupos das duas próximas edições da Taça da Liga -, era previsível a rescisão do contrato da Olivedesportos Profissional. Agora o que fica é uma disputa jurídica. Já que a disputa política há muito se iniciou. E iniciou-se com a vitória do Doutor Mário Figueiredo para a Presidência da Liga. Mas, aqui, recordo sempre Maquiavel: «Os que vencem, não importa como vençam, nunca conquistam a vergonha«! O que é certo é que nos próximos meses teremos jogos internos em canal aberto. O que perturbará algumas consciências que se mostravam muito preocupadas com o futebol dito fechado.

2. O Benfica passa o ano na liderança da nossa Liga. Sei bem que é à condição, em razão do adiamento do jogo do Bonfim. Não discuto a decisão de Pedro Proença. O que se nota é um desporto para o inverno habitual. Aquele em que chove e faz frio. Ou, em outro prisma, muitos dos nossos relvados já não aguentam, por falta de efectiva manutenção, chuvas mais intensas. Mas, no jogo frente ao Marítimo, Óscar Cardoso, ao fim de cinco anos e meio com a camisola do Benfica, chegou, no passado sábado, aos 100 golos. Como ele só símbolos imensos da nação benfiquista: Eusébio, José Águas, Nené, Arsénio, Julinho, José Torres, Rogério Pipi, Nuno Gomes e José Augusto. Sou daqueles que, aqui e ali, sempre defendeu a utilidade e o proveito de Cardoso. Tenho muito mais prazer com ele do que, naturalmente, e por vezes, algumas dores. É um homem da área. E não de fora da área, como bem explicou no seu estilo peculiar Jorge Jesus. De fora ficam os seus livres. Alguns deles mortíferos. E que nos proporcionaram já muitas e muitas alegrias. Parabéns Óscar Cardoso por este centenário!.

3. O Sporting, com o empate frente ao Nacional, está, à 12ª Jornada, a vinte pontos do Benfica. Com os seus doze pontos, o Sporting conquistou apenas um ponto por jornada. O que é pouco. Muito pouco. O anúncio de Jesualdo Ferreira para manager é, acima de tudo, e na minha leitura, mais uma chicotada psicológica. O que é fundamental é que o Sporting, no âmbito do futebol de topo, recupere desportivamente. Ganhe mais pontos por jornada. E que marque mais golos. Em 12 jornadas marque mais golos. Em 12 jornadas marcou 11 golos. E recordando nós que foi Fernando Peyroteo o mais rápido jogador português a chegar, entre nós, aos 100 golos. Foi a 30 de Março de 1941. Há tempo suficiente para recordar Dom Quixote: «A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro».

4. Na passada sexta-feira, bem ao final da tarde - como a lei e a prática determinam! - foi anunciada a fusão entre a Zon e a Optimus. Inicia-se, quero apostar um tempo de fusões entre emrpesas e um tempo de novas pracearias no sector das telecomunicações e das plataformas digitais com consequências ao nível do nosso audiovisual. E tais parcerias e consequências vão chegar ao núcleo central do futebol e aos titulares dos direitos com ele conexos. E se olharmos para o valor que se fala dos sete jogos da Taça da Liga em canal aberto é tempo de alguns gerirem, com todo o cuidado, o stress que os atinge. E de outros assumirem que, por ora, é o sonho que comanda a vida...

5. Miguel de Unanumo é, reconhecidamente, um dos grandes pensadores espanhóis dos finais do século XIX e da primeira metade do século XX. Uma das suas reflexões acerca de Portugal tem o sugestivo título: Portugal: Povo de suicidas. E ouso recordar um dos seus trechos: «O povo era formado de homens tristes e resignados, é certo, mas também inteiros e verdadeiros». E «ser homem inteiro e verdadeiro é mais do que ser semideus». Aqui lhes deixo, nesta semana que antecede o Natal, esta síntese que nos marca e que nos identifica. A partir de fora. Vendo Portugal em aberto!"

Fernando Seara, in A Bola