Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Espiões absurdos e bem pagos

"Para que precisariam Pinto da Costa e Salvador de um espião que lhes desse conta dos estados de ânimo de Nuno Gomes?


SEGUNDA-FEIRA, 4 DE JULHO

A Copa América é sempre uma dupla chatice. Estes primeiros jogos são de uma sensaboria muito grande, eis a primeira chatice.

A segunda é ainda mais grave. Com a Copa América a decorrer é certo e sabido que Luisão e Maxi Pereira vão demorar a chegar à Luz e são logo dois que fazem muita falta no arranque da época. Ainda para mais, estando fresco na memória de todos como o Benfica, em 2010/2011, perdeu tudo o que tinha ganho no ano anterior - título, ânimo, auto-estima e pedalada - nas primeiras semanas da temporada oficial.

A Copa América começou como invariavelmente começam estas compridas competições internacionais, com os favoritos a jogar pouco e mal e a não conseguirem ganhar os seus primeiros jogos. Aconteceu logo com a Argentina e com o Brasil para grande escândalo das respectivas nações e imprensas especializadas. Os argentinos, que jogam em casa, viram-se aflitos para empatar com a Bolívia e os brasileiros, apresentando na frente um quarteto que vale muitos milhões, não conseguiram marcar um golo sequer à Venezuela.

Só quem não sabe nada de futebol é que teve artes de encontrar algum encanto neste onze titular com que o Brasil se estreou na prova.

-Mas o que é isto? Um Ganso e um Pato numa equipa de futebol? É brincadeira, não é?

Não, não é brincadeira. É mesmo a sério e terá sido, porventura, a única coisinha divertida que o Brasil apresentou ao mundo no aborrecidíssimo jogo com os venezuelanos.

Para os adeptos portugueses, no entanto, a Copa América tem as suas curiosidades e desperta até sentimentos contraditórios. Benfica, FC porto e Sporting, todos juntos, têm um número considerável de jogadores envolvidos na prova e ao desejo de os ver brilhar soma-se o desejo, ainda maior, de os ver regressar o mais rapidamente possível à Luz, ao Dragão e a Alvalade, à custa da eliminação das respectivas selecções.

O Sporting leva vantagem sobre os seus dois rivais internos nesta disputa porque os seus jogadores são de selecções mais fracas e, teoricamente, mais calhadas para o afastamento prematuro.

Por isso mesmo, os peruanos Carillo e Rodriguez e o chileno Matías Fernandez correm o risco de chegar a Alvalade bem mais cedo do que colombianos Falcao e Guarin mais os uruguaios Álvaro Pereira e Cristian Rodríguez hão-de chegar ao Porto ou de que o brasileiro Luisão e o uruguaio Maxi Pereira hão-de chegar à Luz.

Na armada argentina que actualmente aportou na Luz não há nenhum jogador na Copa América até porque a contratação de Garay nunca mais desemburra. Há duas maneiras de ver a questão. A primeira, optimista, regojiza-se pelo facto de termos todos os nossos argentinos, já em estágio na Suíça. A segunda maneira, pessimista, preocupa-me com o facto de nenhum argentino do Benfica ter lugar na selecção de Sérgio Baptista.

Mas ainda há quem analise a situação de uma terceira maneira:

-Sem um único jogador do Benfica está explicado porque razão a Argentina não joga nada e empatou com a Bolívia!

Está explicadíssimo.




TERÇA-FEIRA, 5 DE JULHO

PRONTO! Já temos um jogador do Benfica na selecção argentina. Chama-se Garay e é defesa central. É bom termos mais um defesa central de valor inquestionável mas é meu termos perdido um defesa esquerdo de valor incomensurável. E é com o dinheiro de um que vamos comprar o outro, dizem os jornais, o que não nos alegra particularmente.

Nuno Gomes continua a alegrar as gentes de Braga, o que se compreende. Nuno Gomes quis um clube que acreditasse em si, segundo afirmou, assinou pelo Sporting de Braga e tem-se fartado de marcar golos nos treinos para deleite dos adeptos da sua nova casa. E isto passa-se em cima de alguns episódios mirabolantes que vieram recentemente a público.

Revelou o jornalista Jorge Baptista num programa em directo na SIC Notícias e foi manchete de primeira página do Correio da Manhã um facto sem precedentes de espionagem no mundo do futebol. haverá escutas da PJ reveladoras de que o FC Porto teve e ainda tem espiões seus nas estruturas dirigentes do Benfica e do Sporting e que, por isso mesmo, no Dragão sabem-se todos os passos da vida interna dos seus dois rivais lisboetas.

Terá sido o espião do FC Porto na Luz que informou para a sua sede os contornos do negócio Falcao o que permitiu ao FC Porto antecipar-se uma vez mais ao Benfica na corrida por um jogador referenciado pelos encarnados.

Quanto ao espião do Sporting já terá sido desmascarado e ocupa agora um lugar de menor relevo na estrutura de Alvalade. Assim sendo, não há que assacar-lhe as culpas da ida de João Moutinho de Alvalade para o Norte porque o excepcional relacionamento entre Pinto da Costa e os últimos presidentes do Sporting deixaram muito bem encaminhada a transferência de Moutinho sem que houvesse necessidade de recorrer a qualquer tipo de espionagem.

Estas notícias dos espiões são, convenhamos, absurdas. E enquanto não forem postas no youtube as ditas escutas que as provam, é muito difícil levar a sério o assunto. São, no entanto, notícias que só podem agradar muito ao FC Porto e ao seu presidente porque contribuem para alimentar a mitologia da máquina perfeita, da grande organização atenta a todos os detalhes que bem pode trocar, em cinco minutos, um André Villas Boas por um Vítor Pereira II . visto que o Vítor Pereira I é dos árbitros - sem que os resultados da equipa de futebol se ressintam minimamente.

Tomemos por exemplo o caso fresco da transferência de Nuno Gomes para o Sporting de Braga. Corre por Lisboa o boato de que foi Pinto da Costa a sugerir a António Salvador que fosse à Luz buscar o mal estimado Nuno Gomes porque cada golo marcado pelo antigo ídolo do Benfica será, certamente, uma alfinetada em seis milhões de almas.

Como o Benfica não tem espiões nem no FC Porto nem no Braga - até porque não tem dinheiro para essas veleidades que saem caras - presume-se que o boato nasceu como nascem todos os boatos: tendo por base a realidade, o desejo de um ajustamento ficcional dessa mesma realidade e comportamento-padrão dos diversos protagonistas, bem conhecido de todos.

Analisemos a questão do ponto de vista da Pedreira e do Dragão. Para que precisariam os presidentes Pinto da Costa e António Salvador de um espião na Luz, pago a peso de ouro, que lhes desse conta de todos os estados de ânimo de Nuno Gomes se, por menos de um euro, que é o preço de um jornal, qualquer leitor comum da imprensa desportiva já adivinhava há muitos meses a saída, sem pompa nem circunstância, do jogador?

O FC Porto não precisa de andar a gastar dinheiro em espiões.




QUARTA-FEIRA, 6 DE JULHO

A felicidade de Fábio Coentrão em Madrid é bonita de se ver. E devemos respeitá-la. Apesar da sua juventude e do seu look Caxinas-chique, Coentrão é um rapaz à antiga, tradicionalista fervoroso que mandou às malvas Abrahmovich, Villas Boas e as notas de libras porque não quis trocar o prestígio de ser jogador do Real Madrid, um sonho seu de infância, pela aventura londrina, ainda que melhor paga.

E quem sabe se, dando-se o caso de Villas Boas não ser feliz no Chelsea, Fábio Coentrão não teria para o ano como treinador em Stamford Bridge um Vítor Pereira I em ascensão meteórica?

Coentrão é todo ele 'old school'. A jogar e a pensar. Que seja muito feliz em Madrid. E nós por cá ficamos com o Vítor Pereira I, por enquanto, e com o Vítor Pereira II, por muitos, muitos anos."


Leonor Pinhão, in A Bola

Mais vale tarde que nunca

"Percebe-se agora porque é que o futebol tem de ter códigos e órgãos de disciplina próprios, independentes dos do foro ordinário. De outro modo, seria o caos. Peguemos no caso Calciopoli, iniciado e concluído em 2006, que teve como consequências mais visíveis a despromoção da Juventus à Serie B e a penalização em pontos do Milan e da Fiorentina. Passaram-se cinco anos(!) e só agora é que o processo na justiça comum, que começou na mesma altura no tribunal de Nápoles, chegou ao seu termo. Nem tudo foram coincidências nas sentenças proferidas de um lado e outro, o que obriga a Federação a rever algumas das suas decisões. A mais relevante de todas é a que implica no escândalo também o Inter, que não havia sido apanhado nas malhas das instâncias desportivas. Tendo, porém, em conta que as transgressões para os agentes desportivos prescrevem ao fim de dois anos e para os clubes ao fim de quatro, nada lhe acontecerá em termos disciplinares. Mas o mesmo, ao que parece, não se irá verificar no que toca ao scudetto de 2005-2006, que como se sabe, lhe foi atribuído na secretaria pelo comissário federativo Guido Rossi, depois de dele ter despojado a Juventus. Não será concedido a ninguém, como em 2005. A perspectiva aterra Moratti que já anunciou que, se isso suceder, apelará para todas as instâncias até ao Conselho de Estado, uma espécie de tribunal constitucional. A resposta virá no próximo dia 18.

A Roma pertencia à família Sensi há 18 anos, desde 8 de Novembro de 1993 até 29 de Junho de 2011. Nela delapidou uma fortuna: hotéis, terrenos, depósitos de armazenamento de combustível... Centenas de milhões. Dela saiu sem um tostão mas com muitas lágrimas. Foi na última quarta-feira. Desde a morte do patriarca Franco, em 2008, era governada só por mulheres. Algumas de fibra como a presidente Rosella Sensi. Do conselho de administração faziam parte a mãe, uma tia e as duas irmãs."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Futebolês (II)

"Os pleonasmos são frequentes na linguagem. Não os pleonasmos literários, figuras de estilo utilizadas por escritores, mas os pleonasmos viciosos, ou seja, a repetição inútil de palavras.

O futebolês, na sua oralidade, é campo fértil para estas redundâncias. Umas genéricas, outras futebolísticas.

Há sempre um jogador que é um elo de ligação entre a defesa e o ataque, um treinador que tem a certeza absoluta que vai ganhar e exultar de alegria, um jogo dividido em duas metades iguais, um plantel que não tem outra alternativa para o ataque, um treinador que grita alto para os atletas, mas que mantém a mesma equipa e encara de frente os jornalistas. Ou uma equipa que, juntamente com a adversária, chegou ao limite extremo do esforço. Por vezes, até há um consenso geral em que todos são unânimes sobre um penalty. Mas, há uns tempos atrás, houve necessidade de repetir de novo as imagens.

Ouvimos dizer que uma equipa tem mais posse de bola ou que a bola é redonda! E que o esférico rasou por milímetros o poste da baliza toda aberta. Ou que é nos pequenos detalhes do jogo jogado que se constrói o resultado final, fruto de treino específico e da escolha opcional do mister. Que, aliás tem de decidir diante de uma multidão de pessoas, mesmo quando se estreia pela primeira vez. Às vezes, o treinador volta de novo ao antigo clube, como protagonista principal para dar uma volta completa de 360º. Mas, para isso, é preciso lateralizar o jogo pelos flancos e introduzir dentro da baliza a bola, mesmo que a pisem com os pés. Numa Liga que não é monopólio exclusivo de ninguém, e onde não se pode dar de graça qualquer ponto.

Impróprio para cardíacos ou menos próprio para linguistas?"


Bagão Félix, in A Bola

Futebolês, parte um

O defeso é um período onde se empata, até no tempo. Por isso, à míngua de jogos e verdadeiras notícias sobre futebol, esta semana vou concentrar-me no futebolês. Um quase dialecto - só ao alcance dos especialistas - que o futebol vem segregando através de uma deliciosa linguagem própria, mistura de tautologias, lugares-comuns, automatismos, paradoxos, metáforas, pleonasmos e hipérboles.

Hoje - e ao correr da pena (aliás, do teclado) - deixo aqui registadas algumas das mais badaladas frases que fazem o deleite deste linguajar:

-Quem não marca arrisca-se a perder; Foi uma boa jogada de trás para a frente; A equipa não pode ficar à espera do resultado; A bola circula bem, mas o campo está inclinado; O único pensamento que temos é ganhar; A equipa consegue sair a jogar; É sempre bom ganhar; Os jogadores sabem o que devem fazer dentro das quatro linhas; A equipa deixou a pele no campo e
comeu a relva; Jogou-se mais com o coração do que com a cabeça; Há muito jogo aéreo porque não há espaços; Começou a fase do chuveirinho; O árbitro é soberano; Mas a agressão... parece involuntária; Fez um belo túnel naquela diagonal; Um canto com conta, peso e medida; Foi a defesa da tarde (mesmo que à noite); De vez em quando, os extremos tocam-se; A equipa corre atrás do prejuízo; Meteu a cabeça onde os outros não metem o pé; Fez uma defesa do outro mundo; Enquanto for matematicamente possível, não desistiremos; Um falso lento; Um passe
milimétrico; O jogador não acreditou... e falhou; Tem de rodas para crescer; Lance de bola parada (estranho não é?); O jogador foi ao homem e não à bola...; ...Mas é bom de bola; Até arrumar as botas.

Amanhã falarei de alguns pleonasmos bem deliciosos."

Bagão Félix, in A Bola

Pior a emenda

"Depois de ter passado a época inteira a criticar as entrevistas de Jorge Jesus à Benfica TV, qual foi a primeira coisa que André Villas-Boas fez quando chegou a Londres? Deu uma entrevista à Chelsea TV, esse sim, um canal com jornalistas isentos que colocam questões extremamente incómodas. Seja como for, tanto nessa primeira entrevista como na conferência de imprensa em que se estreou esta semana, diga-se que o novo treinador do Chelsea convenceu os exigentes media ingleses com um discurso inteligente e humilde. Quase toda a gente teve direito a recados: José Mourinho (“isto não é um one man show”), o plantel do Chelsea (“se os jogadores perdem o respeito pelo treinador, alguma coisa está errada”) e até os Super Dragões (“vim para o Chelsea contra a vontade da minha família”).
Villas-Boas terá cometido apenas um deslize. Apesar de agora se encontrar a trabalhar num país protestante, não deixou de sucumbir à ética católica e decidiu revelar que a sua ida para o Chelsea não foi motivada pelo dinheiro – dado que o FC Porto até cobria a oferta de Abramovich – mas sim pelo desafio. O que, convenhamos, piora o caso. Pessoalmente, não respeito profissionais que violam as suas convicções sem ser por grandes somas de dinheiro. Veja-se o meu exemplo: eu não acredito no trabalho; mas, por uma quantia, abdico momentaneamente dessa minha convicção e labuto com gosto. Aliás, qualquer historiador certificará que o próprio amor só recentemente passou a ser motivado pelo amor; até há bem pouco tempo, o casamento era uma transação financeira. E não consta que houvesse adeptos da filha do carroceiro a gritar no dia da boda: “Traidor! Disseste que gostavas da Lucrécia desde pequenino, mas vais é desposar a fidalga!”
Se Villas-Boas abandonou o seu clube do coração pelo desafio, então nesse caso dificilmente não se tratará de uma traição à causa portista. Além de que terá constituído um negócio ruinoso para Abramovich: em princípio, Villas-Boas teria aceitado de bom grado ir para Londres por menos dinheiro do que aquele que ganhava no Dragão."


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Enzo Pérez



Foi hoje apresentado provavelmente a mais sonante contratação da época. Vai necessitar de algumas 'aulas' tácticas para encaixar no esquema do Jesus, mas promete alegrias aos Benfiquistas...

Obrigado, e até nunca mais...

...já o tinha dito, e volto a dizer: Coentrão no Benfica, nunca mais!!!

terça-feira, 5 de julho de 2011

O "negativo" dos Jogos da Pré-época

Os jogos da pré-época irão ser transmitidos por um canal (Sport TV) que apenas nos enxovalha, e tal parasita se alimenta da nossa substancia.

A direcção neste caso em particular, também rebaixou e sujeitou os benfiquistas com mais umas horas de escárnio e mal dizer.

Calendário:

9 julho - Benfica-Nice, às 19h30, em Friburgo
10 julho - FC Servette-Benfica, às 20h00, em Genebra
12 julho - Benfica-Dijon, às 20h00, em Nyon
15 julho - Benfica-PSG, às 20h45, em Faro
16 julho – PSG-Anderlecht, às 20h45, em Faro
17 julho – Benfica-Anderlecht, às 20h45, em Faro

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Submissão

" 'Nuno Gomes, no Sporting de Braga, vai dar uma bofetada de luva branca a Jorge Jesus, à Direcção do Benfica e aos adeptos desse clube'. A frase foi proferida por Mário Reis, treinador de futebol, actualmente no desemprego. Fica-lhe mal defender Nuno Gomes, de quem foi treinador, há mais de uma década, no Boavista? Claro que não. Já é deontologicamente reprovável que se refira ao colega Jorge Jesus e que envie uma mensagem roçando a provocação aos dirigentes nem benfiquistas e à massa adepta do nosso Clube.

Quando Fernando Gomes, bi-bota de Ouro do FC Porto, foi afastado do plantel azul, então com menos três anos que Nuno Gomes na actualidade, o que disse Mário Reis? Nada, rigorosamente nada. De resto, a Fernando Gomes, que veio a ingressar no Sporting, não foi proposto nenhum cargo na estrutura do seu antigo clube, ao invés do que o Benfica fez com o seu último capitão de equipa.

O episódio vale o que vale, mas diz muito da escandalosa subserviência, atá mesmo vassalagem, de muitos profissionais ao clube nortenho e a falta de respeito pela instituição Sport Lisboa e Benfica. Não há, decerto, quem não se recorde que tempos houve em que os treinadores, nas Antas, se escusavam a comemorar os golos das suas equipas frente ao FC Porto. Esse tempo terminou? Não, ainda não terminou. Subsistem vestígios, mesmo gritantes, daquele que foi o maior período de trevas do futebol nacional...

Só que pela boca morre... o lacaio. A tal cadeira de sonho, essa mesmo que André Villas-Boas dizia ocupar no Dragão e que o presidente da colectividade nortenha tanto enalteceu, não merece nenhuma referência a Mário Reis? Pouco importa. Pela mesma parte, até passarei a ser adepto do Chelsea, continuarei a querer que o FC Porto perca e não me cansarei de dizer que a grandeza do Benfica dá para tudo, até para ouvir recados que soam a encomenda ou faltas de consideração de alguns profissionais da bola submissos a conhecidos e velhos ditames."


João Malheiro, in O Benfica

Objectivamente (avaliações)

"Antes do início da competição, os clubes, através da Liga Profissional, vão tentar regulamentar alguns aspectos considerados primordiais para o bom ambiente competitivo que se pede há muitos anos em Portugal.

Primeiro, a avaliação dos árbitros com ajuda das câmaras de televisão, passando o papel dos observadores para segundo plano, o que, decerto, irá gerar grandes convulsões por causa dos que há muitos anos dominam o «pelouro». Depois, os castigos aos clubes cujos adeptos tenham a hábito de mandar garrafas, bolas de golfe, telemóveis, fruta, etc para os jogadores adversários e para o relvado. Os castigos propostos são interdições duras que poderiam, de certa forma, copiar o que a UEFA e a FIFA fazem sempre que há situações semelhantes.

Vamos ver se há coragem para tomar medidas.

Para já há algumas reacções que não são de estranhar, caso de actuais e antigos dirigentes de árbitros que acham a avaliação rigorosa demais, uma vez que acaba a «Subjectividade» da avaliação. Também acho que sim. Mas é precisamente para acabarmos com os líricos do futebol que é necessário haver cada vez mais rigor! Que interessa a subjectividade e o erro desculpável se os beneficiados pelos erros e subjectividade são sempre os mesmos? Basta ver quem beneficiou mais com estes factores nos últimos 30 anos...

Depois, vêm as alegações sobre a falta de meios. Que deveriam ser filmados todos os jogos da 1.ª e 2.ª Ligas o que tornaria insuportável o custo! Claro que todas as desculpas servem para manter tudo na mesma. O importante é manter tudo igual. É retardar a alteração de estatutos da FPF como o fizeram as Associações durante anos e agora é deixar tudo como está na Liga...

Mesmo que se faça qualquer coisa, como provavelmente acontecerá, uma coisa já está garantida: Para esta época não é! Só para o ano! Fica tudo na mesma como a lesma!"


João Diogo, in O Benfica


PS: Não é habitual, mas desta vez parece-me que o João Diogo está a ser ingénuo!!! Avaliar árbitros através da televisão não garante, notas justas. Basta recordar a expulsão do Javi em Braga. O observador considerou um erro da equipa de arbitragem (bem), e após o visionamento a CA mudou de opinião, e o observador foi 'castigado'(mal)... E em relação às interdições dos Estádios, com o actual CD da Liga, e o actual CJ da FPF, o único Clube em 'risco' de ser castigado é o Benfica...!!!

Não existe regulamento que resista à canalhice das pessoas!!!

Já assisti a um curioso documentário, onde colocaram um número determinado de pessoas a assistir a um pequeno filme, mudo, por 2 vezes!!! No primeiro visionamento colocaram uma banda sonora romântica, e no final perguntaram ao grupo de controle para fazer a critica do filme. No segundo visionamento, com exactamente as mesmas imagens, mas com uma banda sonora diferente, desta vez um tema mais próximo do suspense, voltaram a questionar os espectadores, e as respostas foram completamente diferentes...!!!

É um perfeito exemplo daquilo que passa em Portugal, basta pôr um avençado qualquer a debitar disparates, durante um jogo, chamar outro idiota para comentar o jogo, e facilmente cria-se uma realidade alternativa...

O que vale uma águia

"Suponho que ainda se encontra em cartaz um filme intitulado 'A Águia da Nona Legião'. A acção decorre no século III depois de Cristo, quando Adriano era imperador. Um oficial de alta patente o exército de Roma, de apelido Aquila, decide partir para as inóspitas terras da Bretanha para recuperar a águia que servia de símbolo à Nona Legião e que caíra nas mãos do inimigo quando a legião comandada por seu pai foi derrotada duas décadas antes.

Trata-se, pois, de um filme de acção que, em vez de se passar nas ruas de Nova York ou de los Angeles, tem como cenário o ambiente agreste de um território que os romanos nunca conseguiram dominar totalmente, devido à combatividade e forte sentido de resistência dos povos autóctones.

Acompanhado por um escravo, Aquila, herói do filme, tudo faz para recuperar a águia e limpar a honra do seu pai, derrotado com mais cinco mil homens durante uma campanha de rara violência.

Adiante-se, sem pormenores que podem retirar ao leitor o interesse em ver o filme, que o desígnio do bravo oficial romano é atingido e a águia de ouro regressa às mãos de Roma, ficando assim restaurada a honra de uma família digna e sempre devotada ao serviço do império.

Perguntará o leitor: o que tem o enredo desta longa-metragem a ver com os temas realmente escolhidos para estas crónicas. Na realidade, tem tudo e não tem nada. Tem, acima de tudo, o inquestionável valor simbólico. Um homem faz tudo para recuperar uma águia de ouro, símbolo de uma legião, e essa águia é, no fundo, o prémio, o título e o consolo para quem se bate por valores e por princípios, começando pela própria honra pessoal e familiar.

É com esse espírito que é preciso começar a nova época, seja a águia a da Nona Legião ou da temporada 2011/12. Quem não persegue objectivos dignos e exaltantes, limita-se a viver para cumprir calendário. O exemplo de Aquila deve estar bem presente na Luz nos tempos que se aproximam. Porque é assim que se deve estar na vida."


José Jorge Letria, in O Benfica

O tempo certo

"Façamos um pouco de história. Em 2003-2004 Luisão chegou ao plantel benfiquista com três rondas já decorridas, demorando algum tempo (e alguns pontos) a adaptar-se. Em 2005-2006 chegaram Miccoli e Karagounis sobre o fecho do mercado, já o Benfica tinha perdido cinco pontos. No ano seguinte foi o “fica-não fica” de Simão Sabrosa até ao último dia de inscrições, com consequências no modelo de jogo adoptado por Fernando Santos, e com cinco pontos perdidos nos primeiros quatro jogos. Em 2007-2008 saíram Simão e Manuel Fernandes às portas da primeira jornada, entrando Cristian Rodriguez e Maxi Pereira, com o Campeonato em andamento, e já com quatro pontos desperdiçados. Em 2008-2009 saiu Petit e entrou Reyes em pleno Agosto, e mais tarde ainda chegaria David Suazo, quando já tinham voado quatro pontos. Em 2010-2011, chegou tardiamente Sálvio para colmatar a também tardia saída de Ramires, e no dia em que o argentino se estreou estávamos já a seis pontos de distância do primeiro lugar.
Se repararmos bem, nestes últimos tempos, apenas em duas temporadas o plantel benfiquista ficou definido atempadamente: 2004-2005 e 2009-2010. Em ambas entramos muito bem no Campeonato (treze pontos nos primeiros cinco jogos), em ambas nos viríamos a sagrar campeões.
Devido a uma anacrónica calendarização, a Liga Portuguesa começa a jogar-se algumas semanas antes do fecho do mercado de transferências – cuja data está em sintonia com os ricos campeonatos espanhóis e italiano, que só têm início em Setembro. Esse é um problema que tem afectado de forma significativa o Benfica, que raramente tem conseguido evitar uma indefinição bem para lá dos limites do desejável.
Dizem todas as estatísticas que o campeonato português se decide, por norma, nas primeiras jornadas. Nessas, o Benfica entra muitas vezes desfalcado, indefinido e à procura de uma equipa tipo. Quando a encontra, lá para Novembro ou Dezembro, quase sempre já vai tarde. Quantas vezes não vimos nós este filme? Quantas desilusões não sofremos já com ele?
No âmbito da identificação de factores a melhorar no futebol do nosso clube, creio que um redobrado cuidado com este tipo de situação é aspecto a ter em conta. Os timings de construção de uma equipa ganhadora não são, de todo, coisa de somenos. Planear uma temporada com o plantel fechado, com todas as unidades devidamente distribuídas, é o primeiro passo para o sucesso dos meses seguintes.
Como a história recente nos tem ensinado, não basta colocar um novo jogador (por maior que seja a sua qualidade) no lugar de quem sai (e, como é óbvio, só se vendem os bons) para que a máquina colectiva continue a carburar sem falhas – é preciso tempo de adaptação, mecanização, e automatismos, coisas que não se conseguem de um dia para outro, nem de uma semana para outra, nem de um mês para outro, nem, por vezes, de um ano para outro.
É verdade que um clube de um país periférico, como o nosso, está limitado nas suas acções de mercado, dependendo muitas vezes dos ritmos e vontades de terceiros. A forma de contrariar essa dependência passa por um planeamento rigoroso de todas essas acções, de modo a diminuir, ao mínimo, o grau de incerteza com que se iniciam os trabalhos. Seria desejável que, a cada época, no máximo em finais de Julho, tudo estivesse absolutamente definido. Sei que isto é muito mais fácil de dizer, ou de escrever, do que de levar à prática, particularmente num mundo onde as pressões (para vender, para comprar, para manter) surgem de todos os lados, e com crescente vigor à medida que as janelas de mercado se aproximam do fecho. Mas é precisamente nesses tabuleiros que se joga o êxito das operações, das temporadas, e, consequentemente, dos próprios clubes. É esse um dos nossos desafios.
Sendo os mercados de destino condicionados externamente, a lógica a privilegiar deve ser a de, tanto quanto possível, decidir previamente quem vender, e encontrar antecipadamente alternativas que tornem essas saídas indolores, e inconsequentes na harmonia colectiva da equipa. É essa ideia - a de um fio condutor, a da máquina continuamente ligada a que nunca podem faltar peças - que deve presidir à nossa gestão desportiva.
Uma equipa de futebol é um todo, é um conjunto, e também uma identidade. Se lhe retiramos uma parte, e só depois tentamos substituí-la, perdemos tempo, perdemos ritmo, e damos avanço aos rivais. Se isso acontece com duas ou três partes, temos a máquina empenada, e os trabalhos fortemente condicionados. Se tal sucede tardiamente, temos as ambições de uma temporada irremediavelmente comprometidas.
Num momento em que se define o plantel encarnado, e numa pré-época complicada, que envolve Copa América, Mundial de Sub-20, e pré-eliminatória da Liga dos Campeões, seria importante que esta perspectiva não fosse de modo algum ignorada, pois os riscos que pendem sobre nós são enormes. Estando o principal adversário obrigado a reconfigurar-se, a nossa vantagem poderá residir precisamente na estabilidade. Não a podemos desperdiçar. E não podemos falhar."


Luís Fialho, in O Benfica

Coentrão em Madrid -- UPDATE--

Coentrão já está em madrid. E irá ser 30 Mlh€, até aqui OK, mas iremos esperar pelas próximas noticias sobre: Garay
e empréstimo do Drenthe .
No caso do Drenthe desconfio da sua capacidade de evitar as noites em excesso!!! em detrimento do treino, mas ...

Eu preferia 20 M a pronto + Garay e 5 M em Dezembro.