Últimas indefectivações

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Vermelhão: Competência... sem deslumbrar, mas com eficiência

Paços de Ferreira 1 - 3 Benfica



Estava com muito receio em relação a esta partida. O Benfica efectuou 2 jogos muito competitivos na última semana: no jogo com os Corruptos, terminámos com o meio-campo de rastos; com o Zenit é verdade que o jogo acabou por ter um ritmo lento, mas houve tensão, e no final, com o golo, houve muita adrenalina libertada!!! Quando temos partidas sucessivas, a equipa não é afectada pelo cansaço no 1.º jogo, ou mesmo no 2.º... só a partir do 3.º ou 4.º jogo consecutivo, é que as pernas começam a ficar pesadas. E este jogo em Paços tinha tudo para 'enganar' os Benfiquistas!!!
As supostas facilidades, devido às muitas lesões em Paços, não se notaram em campo... Aliás, se calhar até obrigou o treinador do Paços, a uma estratégia mais ofensiva, com maior pressão... em vez do habitual, 'esperar pelo erro do adversário'!!! E como foi visível, motivação não faltou aos jogadores do Paços...
E como acabou por confessar Rui Vitória no final da partida, tivemos 4 a 5 jogadores com Febre esta semana, que estiverem em dúvida, até ao início da partida...!!!
Ao contrário de outros jogos, hoje, fomos eficazes. Marcámos logo na primeira oportunidade... o mesmo aconteceu com o Paços (numa jogada que começa com uma falta clara sobre o Almeida). O jogo foi muito disputado a meio-campo, com muitas faltas, com várias entradas da equipa médica do Paços, resumindo: pouco ritmo. Mesmo assim remate perigoso do Renato e cabeçada muito perigosa do Lindelof. Perto do intervalo, penalty sobre o Jonas, e golo... na altura certa!!!
A 2.ª parte foi melhor, acabámos por chegar ao golo num livre lateral pelo Lindelof. A partir daí, o Paços subiu, e o Benfica acabou por criar várias oportunidades... o 4.º golo esteve sempre muito perto. Nos últimos 10 minutos, acabámos por abrir alguns espaços, e o Júlio César foi obrigado a algum trabalho...
O golo do Diogo Jota, é um grande remate, mas o Júlio está demasiado adiantado. Lindelof a confirmar ser o Central em melhor forma no Benfica. O Almeida teve muitas dificuldades, até porque o Pizzi jogou muito pelo meio... deixando o André muitas vezes em inferioridade numérica. Mais um bom jogo do Eliseu (sendo dele a 'culpa' por deixar fugir o Jota no golo!!!).
Samaris e o Renato, com muitas dificuldades nas transições defensivas, porque apareciam muitos jogadores adversários na suas áreas de acção. Pizzi a confirmar o abaixamento de forma... Carcela, bem no 1.º golo, mas precisa de ser mais consequente. Bem nas ajudas defensivas.
Jonas e Mitro acabaram por ter 'pouca' bola no 1.º tempo, faltou o 4.º golo na 2.ª parte...!!!
Ainda deu para dar minutos ao Salvio e ao Semedo...
Não é preciso ser Bruxo, para saber que nos próximos dias, vai-se falar muita da arbitragem deste jogo!!! Faz parte da 'tradição'! O mais incrível é que o árbitro até esteve razoavel, nas principais decisões! E os supostos erros são em jogadas muito difíceis de analisar... Pessoalmente, acho que foi demasiado permissivo disciplinarmente, com as faltas constantes, principalmente no 1.º tempo, que o Paços fez, sistematicamente, sempre que a bola entrava em zona perigosa, com entradas cínicas, para parar o jogo...
Agora, nos penalty's uma coisa ninguém o pode acusar: nenhum dos lances é escandaloso, independentemente das decisões.
- O Bruno Moreira simulou 2 vezes, é inacreditável a quantidade de repetições do lance com o Samaris, quando é evidente que houve mergulho...(sendo que no início da jogada tenho dúvidas sobre um fora-de-jogo, mas não houve repetições); com o Jardel, existe contacto, mas ele só caiu porque quis...;
- No 1.º lance com Jonas o penalty é duvidoso, o Jonas não precisava de saltar para 'sacar' o penalty, as pernas dos defesas estavam lá... agora o Jonas quando está no ar, parece-me que é tocado, e como não estava apoiado, acabou por cair... mas não existe uma imagem clara; no início do 2.º tempo, existe outro lance com o Jonas, e é até pela forma como o defesa do Paços se 'mexe', parece-me ter sido penalty, mas não houve repetições aproximadas...!!!
Agora, independentemente da analise a estes lances, existe outro, onde o erro é evidente: no golo do Paços o André Almeida sofre falta. Este não é um lance duvidoso, é mais do que evidente. O André salta para jogar a bola de cabeça, e é empurrado... o jogador do Paços não tenta jogar a bola, está só preocupado em impedir o André de 'cortar' a bola, o que consegue...
Mas tenho a certeza que pouca gente, se vai preocupar com este lance...
Estamos novamente na liderança, pelo menos até Segunda... A equipa vai descansar, vamos ter uma semana para preparar o jogo de Sábado com o União, temos vários jogadores para recuperar: Gaitán, Fejsa (parece que vai estar disponível para o União)... e talvez o Lisandro. E é só isso, que nos deve preocupar...
Também se vai discutir muito, os cartões do Renato (Jardel, Almeida). Pessoalmente, prefiro ter o Renato com o União... do que arriscar jogar sem ele... e com o Fejsa de regresso, teremos mais opções para o meio-campo...

Só mais uma !!!

Benfica 3 - 0 Castêlo da Maia
25-16, 25-21, 25-22

2-0 na eliminatória, estamos a 1 vitória da Final esperada do Campeonato (a Fonte também está em vantagem de 2-0 sobre o Sp. Espinho). A equipa não se ressentiu da jornada Europeia, e acabámos por dominar sempre a partida, só no início do 3.º Set estivemos um pouco desconcentrados...

Excelente vitória...

Madeira SAD 25 - 26 Benfica
(13-14)

Vitória muito importante, neste 1.º jogo dos Quartos-de-final dos Play-off.
Sem o Tiago Pereira e o Belone (o Flávio Fortes saiu para Espanha!!!), com 10 exclusões de 2 minutos (os adversários tiveram 6), com 7 Livres de 7 metros contra (só 3 foram golos!!!)(fizemos 5/5 nos 7 metros!!!), estar quase sempre na frente, deixar o adversário adiantar-se no marcador 23-22, e mesmo assim ainda ter forças e cabeça para ir buscar a vitória.
A primeira parte foi equilibrada, com trocas de líder, mas estávamos em vantagem ao intervalo. Excelente arranque no 2.º tempo, tivemos 4 golos de vantagem, mas com tantos minutos a jogar em inferioridade numérica... os Madeirenses passaram para a frente... Mas ainda fomos a tempo de rectificar.
O Borrágan esteve muito bem, o Pais fez 100% nos remates 7/7. Fizemos 72% dos 9 metros (11/17), algo raro...

A nossa 'obrigação' no campeonato, é chegar às Meias-finais, temos 2 jogos na Luz, para concretizar o objectivo. Depois nas outras competições logo se vê!!!

Goleada

Benfica 11 - 2 Cambra

Goleada normal perante o último classificado, garantindo a manutenção da vantagem de 10 pontos no Nacional.
O grande destaque da noite, foi mesmo o regresso do João Rodrigues, após uma paragem muito longa... e já agora, o Adroher continua a marcar que se farta!!!

Intermitências !!!

Benfica 99 - 91 Ovarense
29-13, 23-22, 23-26, 24-30

Foi um jogo estranho, onde em vários momentos do jogo, parecia que o Benfica ia dar um 'capote', mas logo a seguir, a equipa 'aparvava' (essencialmente na defesa) e deixava a Ovarense aproximar-se!!!
Temos que reconhecer que o Cook está a jogar melhor, mesmo assim...! Grande jogo do Carlos...

O Wilson não foi opção por lesão, se calhar as más exibições na Taça Hugo dos Santos já foram consequência deste problema?! Mesmo assim o Lonkovic voltou a ter poucos minutos, porquê?!

Acabou a Fase Regular, terminámos em 1.º, garantimos a vantagem em relação a todos os adversários, até à Final.

Durante a semana foi anunciado o empréstimo do Cláudio Fonseca, que vai para Espanha!!! Parece que foi o próprio jogador a pedir para sair, algo que até se compreende tendo em conta a sua pouca utilização. Vamos ver se não vai ser necessário mais um jogador '5' no plantel, tanto o Gentry como o Radic têm tido lesões...

Regresso com goleada

São João 0 - 7 Benfica

Após uma longa de paragem do campeonato, regressámos com uma vitoria clara...
A paragem foi importante, o Benfica estava a jogar mal, a maior parte dos jogadores estiveram ao serviço das suas Selecções, portanto estiveram em acção, não houve poupanças físicas, mas pelo menos 'limparam' a cabeça. Vamos ter um final de temporada, com muitas competições, é importante os jogadores estarem com 100% de disponibilidade física e mental...

Uma bela discussão

"Jonas e Renato Sanches estão no onze da semana da Liga dos Campeões. Trata-se de uma distinção sob a égide da UEFA que é quem organiza estas cenas. Ambos se viram com todo o mérito na equipa dos melhores da semana porque, para alegria da Luz, nem um nem outro se cansaram de trabalhar e de expor abundantemente em campo as respectivas artes no jogo com o Zenit.
Jonas é um veterano e Renato Sanches é um adolescente. É a eles que o Benfica deve parte significativa do despertar para a vida que lhe compete. Para a luta nas provas em que ainda está envolvido e que são três. Isto depois de um arranque de época francamente constrangedor.
Uma das belas discussões correntes entre adeptos do Benfica é o da afectuosa e sempre empolgante eleição do 'melhor jogador' da equipa. Sobretudo pelo que fez naqueles primeiros meses em que, sozinho, arrastou para cima uma equipa que se arrastava para baixo, é verdade que Nicolas Gaitán tem vindo a ser apontado como sendo ele o verdadeiro artista a primeira figura da Luz num patamar muito acima dos demais.
Mas não, o maravilhoso Gaitán não é o melhor jogador deste Benfica 'de transição', tal como anunciou Luís Filipe Vieira em Junho, quando quis precaver os fãs para as inevitáveis "dores de crescimento". Que Gaitán é um fora de série, ninguém duvida. Mas é um fora de série intermitente, é esse o seu pecadilho.
Quando Gaitán 'aparece' em todo o seu esplendor, é uma coisa do outro mundo. Quando 'desaparece' - e desaparece algumas vezes - é uma frustração. Quem nunca nos falha é Jonas.
Jonas seria sempre um jogador extraordinário, mesmo que a sua função não fosse a de marcar golos, na qual, diga-se, é competentíssimo. Braulio Vásquez, director do Valencia, responsável pela contratação de Jonas em 2011, esteve entre o público da Luz na última terça-feira e resumiu em poucas palavras a actuação do jogador brasileiro frente ao Zenit de São Petersburgo: "Jogou tanto que, às vezes, até parecia um trinco." Está tudo dito? Não.
Também se poderia acrescentar à discussão que o melhor jogador deste Benfica não é Gaitán nem é Jonas. É Renato Sanches, como muito provavelmente o tempo se encarregará de esclarecer. E daqui saúdo as "dores de crescimento" de Renato Sanches,que continua a crescer, a crescer... Mas cala-te boca, não se vá estragar o rapaz com elogios."

Vitória: afinal o nome faz sentido

"Quando a pré-temporada do Benfica terminou, em Agosto, o nome do treinador dos encarnados servia para piadas. Não era Rui Vitória. Era antes Rui... derrotas. Ainda há dias, numa conferência de imprensa, o episódio foi lembrado, sem que o técnico perdesse a habitual compostura. Só que as coisas são sempre o que são. E as previsões catastróficas que em determinado momento foram feitas, afinal, não se concretizaram. Muito pelo contrário.
Chegados aqui, com apenas um terço da época por disputar, o treinador do Benfica é aquele que em Portugal tem maior percentagem de jogos ganhos. Com Rui Vitória no banco, as águias já fizeram 35 partidas oficiais (entre Supertaça, Campeonato, Champions, Taça de Portugal e Taça CTT e conseguiram 25 vitórias, 2 empates e 8 derrotas. Ou seja. 71,4% dos jogos foram ganhos.
O Sporting não tem um registo muito diferente. Com Jorge Jesus, os leões já realizaram 38 desafios oficiais (Supertaça, playoff da Champions, Liga Europa, Campeonato, Taça de Portugal e Taça CTT), tendo alcançado o seguinte saldo: 26 vitórias, 5 empates e 7 derrotas. Ou seja, com mais 3 jogos, JJ tem mais um triunfo do que Rui Vitória. Conclusão: 68,4% de triunfos.
O FC Porto, que vai no terceiro treinador (Lopetegui, Rui Barros, José Peseiro), está distante dos rivais. Fez 37 jogos, a contar para cinco competições diferentes, e venceu 23. Saiu vitorioso, portanto, em 62,1% dos encontros.
A performance de Rui Vitória está ao nível daquilo que o Benfica vinha fazendo nos anos anteriores, e só por isso já merece ser destacada - independentemente de se apreciar muito ou pouco o seu ideário futebolístico e sem prejuízo de até poder vir a terminar a época sem qualquer título."

O anti-herói

"As bancadas vibram com os golos de Jonas, as fintas de Gaitán e o poder de Renato Sanches, mas há nesta recuperação do Benfica uma longa lista de anti-heróis que merecem um lugar na história desta temporada, seja ela qual for. Um deles é André Almeida, um jogador discreto e eficiente, seja em que posição for, seja em que missão for.
Frente ao Zenit, lá estava de novo André Almeida. Outra vez titular como lateral-direito, não se limitou a tapar um lugar que muitos acreditam que será de Nélson Semedo dentro de pouco tempo. Sofreu uma pancada na primeira parte e aguentou até ao fim, arrancando dois amarelos a Criscito, e com isso assumindo um papel de destaque na vitória por 1-0. Correu mais de 11 quilómetros nos 90 minutos nenhum outro jogador do Benfica chegou perto. Números de um jogador que se recusa a ser apenas mais um. Por paradoxal que possa parecer. é com jogadores assim que se fazem as revoluções. São eles o cimento que junta os craques, que permite a solidez e constância de uma equipa em alturas de indefinição. Com apenas 25 anos e cinco de clube, André Almeida teve sempre um papel importante em cada época. Nesta, com Rui Vitória, não foge à regra."

Benfiquismo (XX)

Em Coimbra, era assim que o Benfica era recebido...!!!

Redirectas XXXV - Estamos de Acordo RGS

Esta a imagem que todos nós queremos tornar a ver repetida. Um sonho de décadas. Rui Gomes da Silva no seu artigo desta semana propõe um ciclo de três anos para que esse objectivo possa ser uma realidade. Eu numa das minhas Redirectas passadas: a XXVII para ser mais preciso perguntei: "Quanto vale um título de campeão europeu?" e desafiei: "...façam do Glorioso de novo uma potência do futebol mundial temida por todos.". Corrija-me se estou enganado senhor Rui Gomes da Silva, mas um ciclo de três anos subentende que as nossas jóias da coroa devem permanecer nos quadros do clube pelo menos durante esses três anos. Eu seria mais ambicioso e diria cinco (daqui a cinco anos o Renato Sanches terá ainda somente 23 anos por exemplo) mas compreendo os três. Já é um muito bom início pois três anos em futebol é na realidade muito tempo. A nação Benfica unida em torno deste desígnio seria imparável. Mas novamente tenho de mencionar que uma cláusula de 80 milhões não garante nada visto que os montantes movimentados hoje em dia no mundo do futebol colocam esses valores como secundários. E num horizonte de três anos muito mais.
O novo pacote de direitos televisivos anunciado para a Premier League é obsceno: £5.136 mil milhões de libras por três anos só para as transmissões para o Reino Unido. Este valor representa €6.646 mil milhões de euros. Dá ou não o que pensar? Acham que 80 milhões de euros vão segurar o nosso Renato?


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

É bom estar no topo do futebol europeu

"No lançamento do Benfica-FC Porto fiquei logo preocupado com o teor das notícias que antecediam o jogo. Era o FC Porto que estava em crise e se apresentava na Luz muito fraco. Era o Benfica mais concretizador dos últimos 40 anos numa série de 11 vitórias. Percebi logo que não íamos ter coisa boa. Mesmo que se tenha que dizer que houve injustiça no resultado, não podemos esquecer os méritos de José Peseiro sempre que mexeu na equipa, e ao conseguir manter vivo um FC Porto quase moribundo. Peseiro é um bom treinador, e respeitar os méritos dos adversários também é fundamental para ter sucesso.
Há uma máxima do basquetebol que se aplica ao futebol: «Os grandes ataques ganham jogos, as grandes defesas ganham campeonatos.» De qualquer forma, uma realidade temos como certa: é bem melhor perder em casa com o FC Porto, e sair com três pontos de vantagem no campeonato, do que ganhar o jogo e sair com três pontos de atraso.
O Benfica que jogou contra o Zenit voltou a estar equilibrado e competente, embora reconheça ser muito difícil passar a eliminatória em São Petersburgo. Mas é bom estar no topo do futebol europeu a jogar a Liga dos Campeões, onde só estão os melhores. O nosso organismo de benfiquistas não está muito habituado a não torcer pela equipa de Javi García, Witsel, Garay, é até estranho ver o Jardel sozinho a segurar os três juntos para Jonas (o tal que não marca em grandes jogos) facturar mais uma vez. Dizer mal de Jonas não é uma opinião, é apenas uma prova de imbecilidade.
Amanhã será muito dura a prova de Paços de Ferreira, mas vencer na Mata Real é um passo obrigatório na luta pelo tricampeonato."

Sílvio Cervan, in A Bola

Champions League - Receitas

"O fosso criado entre os clubes da Europa rica e os clubes da Europa pobre. Quando as partes contratantes celebraram o Tratado da CEE em 1957, a ideia era existir um tratamento igualitário em termos de direitos, liberdades e garantias e também obviamente, em termos de obrigações.
No entanto, passados que são 59 anos, nada disto é a realidade.
A ambicionada livre circulação de capitais, é uma miragem! A ambicionada livre circulação de pessoas, é uma realidade, mas mais aplicável nos tempos de férias, do que propriamente na mudança efectiva de país de trabalho, com direito, aos mesmos direitos dos nacionais desse país.
A livre circulação de mercadorias é também uma realidade, mas somente porque as mesmas circulam dentro dos camiões e dos barcos. Basta ver as diferenças nas taxas do IVA, para se perceber como a coisa funciona em termos de Mercado.
Por isso, tudo isto é uma figura de estilo, em que os grandes dominam e os pequenos amoucham! Basta também comparar, os preços dos combustíveis actualmente em Espanha e Portugal, para se perceber como a realidade é uma "treta".
(...), a evolução das receitas de 2014/2015 a 2015/2016, comparando o aumento das mesmas com os valores recebidos pelo Barcelona e Juventus referentes à época de 2014/2015.
Cada ano que passa a "parada" aumenta exponencialmente. Não estamos a falar de um crescimento aritmético, mas de um crescimento geométrico, como aquele que Malthus predizia relativamente à população mundial.
(...), a evolução do valor total possível de receitas para quem for finalista.
É claro que toda esta alavancagem, acaba por trazer empresas e mais empresas, mas apenas aquelas que são as mais ricas.
A Alpari tem um "partners-ship" com o Zenit de São Petersburgo.
A Alpari é, uma grande empresa da área financeira, do que se denomina por Forex. O Forex é um mercado de câmbios, onde já muitos "experts" ganharam dinheiro e onde muitos "curiosos" perderam dinheiro.
Também faz publicidade nas camisolas do West Ham de Inglaterra.
Em 2013, foi noticiado que o jogador norueguês Erik Hagen, defesa do Zenit, pagava um valor aos árbitros para se arranjarem resultados. A aposta era vantajosa, pois o valor que era recebido pelos jogadores era superior aquele que pagavam aos árbitros.
A NCA, entidade competente para estas investigações, prendeu seis homens em Dezembro de 2013, que após serem libertados foram novamente detidos em Abril de 2014.
O que aconteceu depois, em termos concretos não se conhece em detalhe. Falou-se muito sobre investigações e mais investigações, mas ficou sem se saber se era verdade, ou apenas mais uma mentira. Seja como for, as contas de certos clubes não são muito transparentes, nem sequer tem divulgação pública, como em Portugal.
Diz-se tão mal de Portugal, mas a verdade é que em Portugal, sabe-se o que é verdade e também o que é mentira sabe-se como verdade.
Entretanto os milhões da Champions League abanam que nem árvores sob a pressão do vento."

Pragal Colaço, in O Benfica

Nada muda

"O avançado falha um golo cantado com a baliza aberta. O médio aparece em frente ao guarda-redes adversário e atira por cima. O defesa contrário, apavorado, corta com o pé que tem mais à mão e não faz autogolo por acaso. Umas atrás das outras, as oportunidades surgiram, criadas por uma equipa que não deixou de acreditar. Mas nada. Não houve forma de entrar mais do que apenas o primeiro golo da noite. E o SL Benfica acabou por não ganhar.
Ficámos furiosos com o desaire? Claro que sim, principalmente por ser contra quem foi: um rival directo, na mó de baixo e sem grandes esperanças no futuro. Mas aconteceu e não há mais nada que possamos fazer. Andávamos mal-habituados. Nos últimos jogos, as vitórias tinham sido robustas e às vezes bastavam quatro ou cinco oportunidades para marcar três ou quatro golos. Isso não aconteceu na sexta-feira passada e ressentimo-nos. Faltou eficácia.
E isso é caso para andar a chorar? Tenho a certeza que não. Já nos deram como "mortos e enterrados", fora das contas do título, perdidos e sem rumo - enganaram-se de todas as vezes e esta não será excepção. O Bicampeão está vivo e recomenda-se. Está na luta e continua a depender apenas de si para terminar a época como aquilo que é desde a sua fundação: o maior de Portugal. Deixem falar os sapos inchados que nunca chegarão a príncipes. Deixem vangloriar-se os primários que amam odiar os outros. No fim, ganha quem mais merece. Rumo ao Tri!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Maus resultados

"O fim-de-semana passado ficou marcado por duas derrotas marcadas pela desinspiração "encarnada" na finalização. Apesar de se tratar de Futebol e Basquetebol, em que não há qualquer semelhança, é possível resumir ambos os desaires a essa vertente fundamental. No caso do Futebol, a nossa equipa criou oportunidades de golo mais que suficientes para no mínimo, vencer a partida. O desperdício foi de tal forma gritante que não me recordo de um clássico em que tenhamos usufruído de tantas chances. Os erros defensivos e, desta vez, o insucesso das alterações empreendidas por Rui Vitória, diluir-se-iam num resultado favorável aos nossos interesses se a avalanche ofensiva conseguida tivesse produzido frutos. No Basquetebol. em que as acções e consequências são mais evidentes, o desacerto no lançamento exterior permitiu ao adversário fechar-se e, assim, dificultar as manobras ofensivas da nossa equipa. Grosso modo, a explicação da derrota passa por este item estatístico. 
Consequências? No Futebol, a conquista do Tricampeonato está, agora, mais complicada. No entanto, conseguindo nós manter o nível exibicional, é expectável que as vitórias nos continuem a sorrir, mantendo em aberto as nossas possibilidades na prova assim consigamos obter um bom resultado em Alvalade. No Basquetebol, foi quebrada a série de onze troféus consecutivos que se constituiu recorde nacional. Mantemos o favoritismo para a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional e, sabendo-se que, no Benfica, perder é sempre péssimo, deseja-se que a derrota tenha o condão de nos alertar que só ao nosso melhor nível poderemos renovar os principais títulos da modalidade."

João Tomaz, in O Benfica

Sem explicação

"Quando uma determinada equipa ganha um jogo de Futebol, comentadores e analistas de pronto vêem o copo meio cheio, evidenciando virtudes, e procurando encontrar nelas a razão da vitória. Quando essa mesma equipa perde, lá têm de olhar para o copo meio vazio, e procurar defeitos a partir dos quais explicar a derrota. É essa a forma de fazer corresponder - muitas vezes com artifício - cada resultado, às vicissitudes técnicas, tácticas e físicas que envolvem as partidas. De colorir uma retórica que vai muito para além da única evidência que o Futebol regista: o número de bolas que entra nas balizas. Toda essa verborreia omite, porém, um dado essencial: estamos, antes de mais, perante um jogo, cujos resultados incorporam uma larga componente aleatória.
É verdade que as equipas jogam bem ou mal, que passam por momentos de forma melhores ou piores, que têm pontos fortes e pontos fracos. As que jogam melhor e são mais fortes, ganham mais vezes. O que não é justo é cantar loas a quem alcança uma dúzia de vitórias consecutivas, e depois, ao primeiro revés, colocar tudo em causa, como se, por magia, de um dia para outro, os atributos se transformassem em inépcias.
Um bom exemplo disto foi o Clássico da passada semana, no qual o Benfica construiu oito (!!) ocasiões clamorosas de golo, sendo todavia derrotado por um adversário tão insípido quanto afortunado - que teve no seu guarda-redes o homem do jogo.
Mais prosa, menos prosa, mais teoria, menos teoria, o Futebol é mesmo assim. Nem sempre é justo, nem sempre se explica. É esse um dos seus encantos. É também por isso que nos apaixona."

Luís Fialho, in O Benfica

Mais tempo para evoluir

"É indesmentível que a entrada de Renato Sanches no onze principal do Benfica revolucionou o futebol da equipa, soltando as amarras e o vazio de ideias que o miolo do terreno encarnado vinha a denunciar na fase inicial da temporada. Um miúdo de 18 anos foi a solução encontrada por Rui Vitória, já depois de ter tirado Nélson Semedo e Gonçalo Guedes da cartola. E o jovem tem impressionado pela forma como preenche o meio-campo e exibe maturidade.
É uma das revelações do campeonato e trouxe outra dinâmica ao futebol dos encarnados, pela forma aguerrida com que pressiona e recupera bolas, mas também pela facilidade que mostra no transporte, visão de jogo, qualidade de passe e o remate fácil, que já lhe valeu 2 golos de belo efeito. Rapidamente se habituou ao futebol dos 'graúdos' e as suas qualidades indiciam que podemos estar na presença de um futuro grande jogador. No entanto, há que o deixar desenvolver e deixá-lo ultrapassar as naturais etapas de crescimento, que passam muito por ter mais jogos nas pernas, vitais para a sua afirmação. Os rótulos precoces de prodígio, comparações com grandes estrelas mundiais e os acenos de transferências não contribuem e criam um peso adicional nas costas do jogador sem haver necessidade.
O tempo será o melhor conselheiro. Habituado a jogar numa liga portuguesa, em que o Benfica defronta uma maioria de adversários com blocos defensivos muito baixos, serão as partidas de maior exigência e dificuldade que nos darão uma maior certeza sobre o potencial de evolução do jogador. Sem o brilhantismo de outras partidas, as exibições com FC Porto e Zenit foram positivas e confirmam que à medida que for acumulando jogos de elevado nível, poderá completar a sua aprendizagem.
A robustez física e bom toque de bola de Renato Sanches permitem-lhe combinar técnica e agressividade, sentindo-se confortável nos momentos defensivo e ofensivo. Tem por isso capacidade e atributos para desempenhar várias funções no corredor central, característica que tranquiliza qualquer treinador.
O jogador dá também nas vistas pela elevada confiança dentro de campo. É importante que não deixe que a fama e o estrelato o desconcentrem e que continue a saber lidar com a pressão e responsabilidade de jogar num grande do futebol português. Nesse aspecto, o papel do treinador e dos companheiros, assim como dos dirigentes, é essencial, no sentido de proteger o jogador e orientá-lo para o seu crescimento.
Com pouco mais de 20 jogos pela equipa principal do Benfica. sucedem-se as notícias que dão como certa a sua saída no final da temporada. Seria importante que estes talentos projectados pelos clubes nacionais. aos quais se podem juntar nomes como Rúben Neves ou Gelson Martins, entre outros, pudessem permanecer mais tempo nas equipas que os projectaram. Seria benéfico para os clubes, que manteriam jogadores de qualidade da sua formação, e para os jogadores, que poderiam assim crescer num quadro mais benéfico para a evolução das suas carreiras. Por vezes, uma saída precoce não é a melhor solução para se conseguir uma carreira consolidada.
Nota - Com a Rússia cada vez mais próxima de Portugal no ranking da UEFA, os pontos conquistados pelas equipas nacionais nas competições europeias são preciosos no sentido de continuarmos a ter 3 vagas (duas directas e uma indirecta) na Liga dos Campeões. O duelo entre Benfica e Zenit ganha assim um interesse adicional e na Liga Europa há que tentar somar vitórias na próxima semana."

António Oliveira, in Record

O incómodo de Jorge Jesus

"Confirmaram-se as dificuldades antevistas para Sporting e FC Porto perante a qualidade reconhecida de Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund, emergindo o SC Braga como salvador da Pátria nesta primeira mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa. Embora só o peru morra de véspera, parecem difíceis os apuramentos de leões e dragões para a fase seguinte da competição, enquanto que os minhotos deverão continuar a solidificar o prestígio na UEFA.
Mas houve diferenças de abordagem, aos jogos contra os germânicos, de Jesus e Peseiro que importa salientar. O treinador do FC Porto viu-se obrigado a minimizar danos com as limitações em que vivia e apresentou a equipa possível. Já o técnico leonino preferiu colocar todos os ovos no cesto do campeonato nacional, aceitando correr o risco de não enfrentar a dor de cabeça que é o Bayer munido de todas as aspirinas da sua farmácia.
Da noite de ontem resultou ainda visível o incómodo de Jorge Jesus perante a forma como os adeptos do Sporting reagiram a alguns jogadores, nomeadamente a Teo Gutiérrez. Pela primeira vez nesta temporada, o treinador dos leões deixou um aviso solene, lembrando que só será possível chegar aos títulos se houver uma comunhão perfeita entre equipa e público. E foi mais longe, deixando no ar a ideia de que não estaria disponível para projetos que não assentassem sobre essas premissas.
PS - Até ao dia 5 de Março, data do Sporting-Benfica, é provável que a temperatura fora das quatro linhas vá aumentando. E, nesse contexto, o atraso na decisão do processo a Slimani é um atentado ao futebol. Imperdoável."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (XIX)

Alemanha/Portugal... amigos para sempre: Gerd Muller e Eusébio!
Dois dos maiores goleadores de todos os tempos... Botas de Ouro: 1972 e 1973

Redirectas XXXIV - No Onze da Champions

Estava eu ontem a falar de dois senhores jogadores do nosso Benfica. E eis que aí estão eles no onze da champions. Parece que existe mais gente com olhos. Começo a acreditar que sim. Cada vez mais fico à espera do anúncio da renovação do Renato Sanches. Aumento de ordenado e correspondente aumento da cláusula para um valor acima dos 150 milhões de euros. 150 milhões e um para mim já está bom. Vamos a isso senhor presidente?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Champions: porque não acreditar... num futuro próximo?

"Como diria Rui Vitória, terça-feira houve Champions e o Benfica estava lá. E espero que continue a estar.

Benfica-Zenit
1. Na terça feira passada, o Benfica venceu o Zenit por 1-0, uma vitória que fez lembrar uma outra, também por 1-0, na Luz... frente ao Liverpool... com um cabeceamento de Luisão, em 2005/06... na mesma baliza!
Uma vitória construída num futebol adulto, sem as loucuras nem os desequilíbrios que custam tão caro nestas coisas da alta roda do futebol europeu (que sabemos por experiência própria).
Numa mescla perfeita entre juventude e maturidade, entre a experiência de quem já ganhou tudo e a fogosidade de quem quer ganhar... tudo!
Com competência, com humildade, com circulação de bola tão determinante no futebol de hoje.
E com a serenidade de quem tem que dirigir a equipa, sem espectáculos no banco, sem histórias que não sejam as do jogo, que envergonhadamente justificámos, no passado, embora soubéssemos que nada tinham a ver com a maneira de estar do Benfica e com a postura necessária para que os nossos adversários nos continuem a respeitar como um dos grandes da Europa.
Desportivamente, mas, também, nos comportamentos e na forma de nos relacionarmos com os nossos adversários.
Ou seja, ... à Benfica.

Mensagem da... 'nação angolana benfiquista'
2. Já em casa, ainda, a saborear a vitória conseguida com o golo de Jonas (um dos jogadores que mais me fascinou, desde que vejo futebol, com uma técnica, uma subtileza e uma inteligência aplicada que me entusiasma de cada vez que toca na bola), nos descontos... para saber melhor... quando recebi uma mensagem que me voltou a recordar as razões porque acho possível que o Benfica poderá voltar a ser Campeão Europeu.
No meu WhatsApp, lá estava uma mensagem do meu amigo Luandino Carvalho, que me reenviava um texto com origem no grupo Nação Angolana Benfiquista, da autoria de Ricardo Tavares, e que tomo a liberdade de transcrever, na íntegra (sem que isso signifique identidade absoluta com a «tristeza» e o choro» a que se apela no mesmo).
Assim, e respeitando, na íntegra, o texto e a pontuação original...
«Se o nosso Benfica não tivesse de vender os melhores jogadores ano após ano para nossa grande tristeza, a nossa equipa este ano se fosse composta pelos melhores jogadores que passaram cá nos últimos 5 a 6 anos teria os seguintes jogadores:
+ Guarda-redes
- Júlio César - Oblak
+ Defesas centrais
- David Luiz - Luisão - Garay
+ Defesas Esquerdos
- Fábio Coentrão - Siqueira
+ Defesas direitos
- Maxi - Cancelo - André Almeida - Nélson Semedo
+ Médios centro
- Javi García - Matic - Witsel - Ramires - Enzo Peréz - André Gomes - Renato Sanches
+ Alas
- Di María - Salvio - Gaitán - Nolito - Markovic - Bernardo Silva
+ Avançados
- Cardozo - Rodrigo - Lima - Jonas
Compõe o teu 11!!! Tenta só não chorar.»
E, acrescentaria eu... sem esquecer... Nuno Gomes, Pedro Mantorras, Pablo Aimar, Javier Saviola, apesar de já não jogarem.
Ou seja - e sendo fiel ao texto e aos jogadores de classe mundial que nos últimos 6 anos e todos em fases fulgurantes ou muito conseguidas das respectivas carreiras, (não, não se trata dos que já não jogam ou de juntar os melhores da década de 60, de 70 e 80, ou mesmo da década de 90 ou do princípio deste século) - o Benfica, mantendo-os todos ou muitos deles, seria, sempre, nas últimas duas ou três épocas candidato a... Campeão Europeu.
Percebem, agora, porque não é uma loucura, poder ambicionar, todos os anos a ganhar a Liga dos Campeões?

Esta época
3. A pergunta lógica e imediata é, mas já nesta época? Talvez não, mas já estivemos próximo de o fazer. Recordo o esforço feito pelo Clube - ou seja, por todos nós - para que, quando a final se disputou no nosso Estádio, na época de 2013/14, ambicionássemos poder disputá-la. Gerindo vendas (ou melhor, gerindo a sua recusa), porque esse era um desejo (ou, muito especialmente) também, do Presidente Luís Filipe Vieira.
Sei-o, porque tantas e tantas vezes temos falado, os dois, sozinhos... desse sonho! E da possibilidade de o tornar realidade. Bem sei que os objectivos, definidos a cada ano, são mais modestos.
Mas temos de o tentar.
Como diria - adaptando - Rui Vitória... nesta terça feira houve Champions e o Benfica estava lá. Como espero que continue a estar.
Vejamos: Para além do nosso confronto com o Zenit, teremos o PSG-Chelsea, o Gent-Wolfsburg, o Roma-Real Madrid, o Arsenal-Barcelona, o Juventus- Bayern, o PSV-Atlético de Madrid e o Dínamo de Kiev-Manchester City.
Ou seja, admitindo que poderemos passar o Zenit (apesar de admitirmos como possível a nossa eliminação, embora com menos percentagem de hipóteses, muito especialmente depois da vitória de 1-0 de anteontem) não será impossível admitir o sonho de - o sorteio o dirá - podermos voltar a ser felizes com o Gent ou o Wolfsburg, ou com o Dínamo de Kiev ou o Manchester City.
Tanta sorte no sorteio para chegar à meias finais?
Devolverei a pergunta com outra: será que só os outros é que podem ser Campeões Europeus numa época sem clubes ingleses, ou, noutra, contra o Deportivo da Coruña ou o Mónaco (de então)?
Ou não poderemos - por sermos do Benfica - ambicionar um pouco de sorte num sorteio?
E depois?
Depois, logo veremos.

Um ciclo de três anos
4. E nem me falem de orçamentos... Porque a Juventus (em 2015, em Berlim) e o Atlético de Madrid (em Lisboa, em 2014) são bem a prova de que se pode chegar a uma final com um orçamento muito, mas muito inferior ao de outros.
Eu sei que podemos sempre querer lá chegar e nunca o virmos a conseguir. Mas, como em tudo na vida como não me canso de repetir aos meus filhos, nas suas diferentes ambições e desafios etários... de 25, o Afonso... de 13, a Francisca... e de 8, o António -... nem sempre os que tentam conseguem, mas nunca consegue quem nunca tenta. Ou - numa versão diferente, mas igual -... nem sempre os que querem ganhar, ganham, mas nunca alguém ganhou nada sem o desejar muito (e, já agora, trabalhar para isso).
No futebol, como na vida.
No jogo, como connosco.
E, para isso, repetirei, sempre, o que julgo ser necessário voltar a repetir (ou gerir com esse objectivo): organizar a equipa em ciclos de três anos, em que o 1.º seja de construção, o 2.º de correcção e o 3.º de concretização da (ou de luta assumida pela) vitória.
Já agora... com um treinador que saiba dar valor ao esforço de quem dirige e que potencie os jogadores que lhe forem dando. Que, como se viu no texto da autoria de Ricardo Tavares, publicado no Grupo Nação Angolana Benfiquista... foram muitos e muito bons. Um treinador que não tenha um só objectivo, porque no Benfica... queremos ganhar sempre tudo.
Essa é a diferença.
Entre nós e os outros.
Vontade feita de mística... verdadeira (e não de manifestações organizadas por vitórias sobre uma equipa que não está a lutar por lugares europeus, sequer... a 12 jogos do fim do campeonato).
Vamos a isto, Benfica?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Benfiquismo (XVIII)

Que linda vista...

Redirectas XXXIII - Jonas e Renato

Jonas está feliz e Renato Sanches também. Depois de uma vitória é natural que assim seja mas a felicidade de tanto um como outro vão muito para além da suposta vitória. A sua felicidade é reflexo de algo mais profundo. Os atletas sentem-se acarinhados e isso faz toda a diferença.
Se alguém merecia ser autor do golo da vitória esse alguém era o Jonas. Que bem lhe ficou. Diz Jonas que: "...não existe hipótese alguma de eu sair do Benfica este ano". Pois eu espero Jonas que não saias nos próximos dois ou três anos. Um jogador como tu é sinónimo de classe e classe deve ter lugar no nosso Benfica ainda que possas ficar com o tempo menos forte fisicamente. Mas no banco também se joga. Gostaria muito de te ver com o manto sagrado ainda por muito tempo.
Renato Sanches diz: "Sinto um grande carinho pelo Benfica e se tiver de ficar cá, foi aqui que cresci, estou aqui há dez anos, sinto-me bem e isso não me afeta a cabeça".
Nas minhas últimas Redirectas se bem se recordam tenho insistido com o tema Renato Sanches. E faço-o porque considero que os adeptos e a direcção têm um papel muito importante a desempenhar para que Renato Sanches se mantenha de águia ao peito por muitos e bons anos. E não estou errado como as palavras de Renato Sanches comprovam. Renato sente o carinho dos adeptos. Gosta da forma especial como o seu nome é ecoado pelo estádio. Está no clube à 10 anos e está a viver um sonho de criança. Eu digo novamente. Aumente-se o ordenado do miúdo e coloque-se uma clausula superior a 150 milhões. Não queremos gente a pagar ninharias para levar a nossa maior jóia. Quanto às bancadas quero ouvir das claques um cântico especial para o Renato. Se for preciso falem comigo que eu faço um.
Apesar da vitória ainda existiram coisas no jogo que penso que podemos melhorar. O golo foi importantíssimo mas fiquei com a convicção que teria sido possível fazer mais dada a falta de condição física do adversário. Penso que Rui Vitória a partir de determinado momento também o sentiu porque do banco tentou empurrar a equipa para a frente. Mas por algum motivo os jogadores demoraram a perceber a situação. Talvez se esse momento do jogo tivesse sido mais trabalhado nós podessemos hoje estar aqui a falar de uma vitória mais robusta.  Dois zero seria um resultado que nos daria muito mais tranquilidade mas a verdade é que não sofrer golos em casa é nestes jogos uma grande mais valia. Três semanas é muito tempo em futebol. Vamos ver como estará o Zenit então. Será complicado mas eu acredito. Esperemos que a temperatura possa estar mais do nosso gosto. Isso fará toda a diferença. Não me esqueço que a última vez que jogámos os oitavos com eles estavam -15ºC. Mas isso é só daqui a três semanas. Até lá muita coisa ainda vai acontecer. O que importa agora é o Paços e é para ganhar. Carrega Benfica.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Começou complicado... mas terminou bem !!!

Benfica 3 - 1 Ethnikos
18-25, 25-19, 25-18, 25-19


Susto no 1.º Set, com um Benfica a jogar abaixo das nossas possibilidades; e os Gregos mais fortes do que o ano passado. Aliás, o Ethnikos mudou quase toda a equipa, com Sérvios, Alemães, Brasileiros... equipa muito alta, bom bloco nas varetas, bom serviço... Resumindo, no final do 1.º Set, estava mesmo assustado!!!

Tudo mudou a partir daqui... a entrada no André Lopes, para o lugar do Kolev foi importante, mas toda a equipa melhorou. Sendo que a grande debilidade dos Gregos (bloco na zona Central) foi facilmente identificada, e o Benfica começou a aproveitar isso mesmo: 27 pontos para os nosso Centrais (praticamente 100% de aproveitamento); 37 para o resto da equipa!

Era muito importante não perder 2 Set's, por isso no 4.º Set notou-se mais 'entrega' por parte dos adversários. O facto do marcador, ter estado quase sempre próximo (diferença de 2 a 3 pontos), fez os Gregos acreditar... Mas, o facto dos dois pontos mais longos (com muita sustentação) terem sido ganhos pelo Benfica (na luta); em conjunto com a nossa melhoria no Bloco, acabou por 'fechar' a partida a nosso favor!!!

O ano passado, com um resultado parecido, chegámos à Grécia, e ganhámos o dois primeiros Set's, e 'fechámos' a qualificação para as Meias-finais! Depois rodámos toda a equipa, e até perdemos o jogo! Este ano, temos tudo para repetir o feito... sendo que este ano o Ethnikos está mais forte... e com 3-1, garantimos pelo menos o Golden Set!

3 pontos

Benfica 2 - 1 Aves


Pois é, com a linha de água por perto, o Benfica B passou a jogar para o pontinho!!! E a verdade, é que nos últimos 5 jogos não perdemos (3 empates; 2 vitórias). Sabe a pouco, mas é melhor do que ir parar ao CNS!!!

O Aves está a lutar pela subida à I Liga, tem vários jogadores experientes, tem jogadores fisicamente fortes, tem um treinador também experiente... se calhar por tudo isto, o Hélder optou por mudar o Sistema: 3 Defesas! Que de facto foram mais 5 Defesas, com a maior parte dos jogadores mal posicionados... Os jovens jogadores do Benfica não estão rotinados, a este Sistema... demos imenso espaço no contra-ataque, e foi com naturalidade que o Aves marcou... Quase na resposta, numa jogada individual do Berto à linha, empatámos... Foi muito importante ter empatado, logo de seguida.
O jogo ficou repartido, mas sempre com o sinal mais, por parte do Aves... o Hélder percebeu isso, e ainda tirou um dos avançados e colocou mais um Trinco (ficámos com 5 defesas e 3 Trincos em campo!!!) Logo a seguir: o momento do jogo, 2.º amarelo ao avançado do Aves por simulação de penalty... O contacto existe, a queda é um bocado teatral, se o árbitro tivesse marcado penalty não seria escandaloso... o 2.º amarelo foi exagerado!
Com o Aves a jogar com 10, o Benfica arriscou mais... mas também ficámos mais expostos ao contra-ataque. O jogo ficou dividido, mas numa grande jogada (Guzzo-Gonçalves-Saponjic) chegámos ao golo da vitória...
Mais 3 pontos, num jogo, quase sempre mal jogado...

O Aves queixou-se muito do árbitro, é verdade que na expulsão exagerou... mas houve outros erros graves, por exemplo o Nélson Pedroso, também devia ter visto o 2.º amarelo... o árbitro nem marcou falta, porque percebeu que seria a 2.ª expulsão!!! O cartão mostrado ao João Nunes foi outro exagero, e depois foi incapaz de manter o mesmo critério, com claro prejuízo para o Benfica... Resumindo outro árbitro muito fraquinho: Luís Godinho.

Euforia e decepção

"No futebol não vale a pena estarmos com muitas filosofias ou explicações técnico-científicas. O Benfica perdeu o clássico por 2-1, ponto final. Nem há vitórias morais. E essa ideia de que não se ganhou por causa de um guarda-redes é apenas uma forma injusta de desvalorizar esse posto, como se no futebol houvesse 10 jogadores e um supranumerário.
Além disso, está definitivamente enraizada - nos media e nos comentários - a prática de as análises depois dos jogos serem em função do resultado. Neste caso, tendo ganho o Porto, lemos por todo o lado, louvaminhas tácticas, técnicas e emocionais ao génio azul e branco. Tivesse o Benfica marcado o 2-1 e ganho a partida com tudo o resto igual e, claro, teríamos as mesmas lisonjas, agora falando do talento encarnado. Aliás, basta recordar a vitória do Benfica no Dragão por 2-0 na época passada onde se pôde constatar o decalque comentarista, ainda que de sinal contrário.
Em dois aspectos, porém, este importante jogo se distinguiu. Arbitragem sem casos e jogadores a jogar sem pensar nas caneleiras do oponente.
Como benfiquista fiquei decepcionado e já habituado a momentos como este. Foi assim há 3 anos, ao perder o título com o empate caseiro contra o Estoril (sim, foi aí que ele se perdeu), no ano passado perdendo em Paços, o que permitiria uma distância de 9 pontos para o 2.° classificado e agora o mesmo neste clássico. Definitivamente o Benfica não se dá bem com estas soberanas oportunidades, nem com o ambiente excessivamente eufórico que à sua volta se cria com parangonas desmedidas por todo o lado que geram um ambiente de que vai ser canja."

Bagão Félix, in A Bola

Zenit ajudou, a virar a página

"O Benfica respondeu bem ao tiro no porta-aviões que foi perder em casa com um FC Porto que estava ao alcance dos encarnados. Essa é a principal ilação a tirar do jogo de ontem da Champions, onde, sem deslumbrar, a equipa da Luz apresentou um futebol sólido e sério, frente a um opositor experiente e bem orientado, recheado de craques pagos a peso de ouro. Quando Jonas, já em tempo de compensação, mostrou que também marca contra os grandes, o Benfica já tinha feito o suficiente para justificar a vantagem. Não obstante, porque nem André Villas Boas revelava vontade especial de assumir demasiados riscos, nem Rui Vitória ia para além das trocas directas, parecia, à medida que o encontro se aproximava do fim, que tudo ia ficar por um nulo a rever em São Petersburgo. Em boa hora para o Benfica, porém, Gaitán marcou um livre perfeito, Jardel bloqueou Garay e Witsel e Jonas cabeceou certeiro para o fundo das redes russas. Um golo que permite aos encarnados uma abordagem mais confiante para o jogo da segunda mão.
Benfica, da depressão à euforia em quatro dias? Mal irá se assim for. Os ensinamentos que precisa de retirar destes dois jogos devem ir essencialmente no sentido da necessidade de apurar mais o controlo do meio-campo. O FC Porto dos dias de hoje não é melhor que este Zenit e a diferença para os da Luz entre a última sexta e a noite de ontem residiu, precisamente, no maior envolvimento dos alas e do dez no apoio ao seis e ao oito.
Antes da final de Alvalade, o Benfica, que continua no arame sem rede, não tem margem para facilitar. A demanda do título passa por encarar o Paços de Ferreira e o União da Madeira como jogos de vida ou de morte. Para já, a forma como viajou entre o FC Porto e o Zenit é um bom sinal."

José Manuel Delgado, in A Bola

Milagres que se vão fazendo por cá

"Justa e moralizadora. Eis duas palavras que se podem utilizar sobre a vitória do Benfica frente ao Zenit, equipa de investimento milionário que ontem caiu na Luz. Verdade que os russos jogavam contra o facto de estarem sem liga e logo com menos ritmo do que a formação portuguesa, mas não foi só isso que ajudou a esbater a enorme diferença de muitos milhões entre as equipas. Os clubes nacionais têm conseguido ao longo dos anos brilharetes na Europa que os milhões tentam travar. Não há maneira de evitar o facto de sermos um país periférico, onde o investimento não abunda e com um mercado reduzido, que faz com que as somas libertadas para o futebol não se comparem a potências como as cinco grandes ligas europeias e a que outros aspirantes novos-ricos vieram juntar-se. Ontem foi com Jonas, descoberto a preço de saldo em Valência, o inimitável Gaitán e o miúdo Renato que o Benfica enganou uma equipa onde jogam, por exemplo, ex-águias como Garay. Witsel ou o 'rival' Hulk. Não chegou. Ainda bem. Sabe melhor assim.
É óbvio que o apuramento está longe de garantido, mas ganhar sem sofrer golos na Liga dos Campeões é sempre bom. Obriga o Zenit a sair mais do que desejaria na 2.ª mão e potencia o momento mais forte do Benfica, as transições, jogando no erro do adversário. Razões de satisfação para Rui Vitória e toda a estrutura encarnada. E depois há os milhões da Champions. Vitais para a saúde dos cofres da SAD.
Estranho Salvio na bancada. O argentino foi convocado de surpresa com o FC Porto. Mereceu mesmo a entrada no clássico para tentar inverter a derrota. Foi chamado à conferência de antevisão do jogo, onde disse que trabalhava para ser titular. Bancada? Algo falhou. Ou a comunicação chocou com as ideias do técnico, ou o físico. Tentar perceber o quê nos próximos dias."

Benfiquismo (XVII)

Paciência... de Jonas!!!

Benfica 1 - 0 Zenit


Jogo dos 'medos'... o Benfica com medo do contra-ataque do Zenit; e o os Russos com medo do ataque posicional do Benfica. Sendo que o Zenit com vários jogadores fisicamente com pouco ritmo, jogou claramente para o 0-0, fazendo anti-jogo, principalmente através do guarda-redes, desde do início da partida...
A vantagem mínima pode ser curta, mas é melhor que o 0-0. O jogo de São Petersburgo vai ser muito mais difícil: o Zenit vai estar melhor fisicamente, o frio vai afectar a partida, a adaptação à relva dura vai ser um facto importante... e a capacidade dos jogadores do Benfica, resistirem à pressão vai ser decisiva (acreditem os Russos vão montar o Circo... o AVB sabe da poda!!!). E podem esperar ainda um daqueles apitadeiros bem caseiros...!!!
Com o castigo do Jardel, será decisivo ter o Lisandro e o Lindelof aptos... mas a recuperação do Fejsa, também será muito importante (a ausência do Javi Garcia e do Criscito também será importante).
O Vitória não me fez a vontade, e apostou no mesmo 11 do jogo com os Corruptos (vamos ver em Paços, se vamos ter consequências...). O jogo foi quase sempre lento, com poucas transições rápidas, ninguém queria cometer erros... Podemos usar um dos clichés do Futebolês quando as coisas no final correm bem: foi um jogo de paciência...!!! Só o Jonas Pistolas é que quebrou o enguiço!!!
No 2.º tempo, o Benfica tentou jogar mais rápido, e criou algumas oportunidades (2 flagrantes: Gaitán e Jardel), mas a bola continuava a não querer entrar... Até que quando já poucos acreditavam, numa falta estúpida, deu Vermelho ao defesa-esquerdo do Zenit e na sequência do Livre, golaço do Jonas...
Não acredito num 0-0 em São Petersburgo, vamos ter que marcar...
O Júlio foi mais espectador que jogador, uma defesa digna desse nome...; Eu sei que os destaques vão ser outros, mas hoje tenho que destacar o Lindelof, foi provavelmente o nosso melhor Central... e ainda teve tempo de atacar! A confiança está a subir, e isso nota-se, não só no trabalho que ele efectua, mas também se nota na confiança dos companheiros, nele...; o Jardel tem jogado um pouco abaixo do normal, e não foi só hoje... na 2.ª parte acabou por estar melhor na marcação ao Gigante Russo; Eliseu sempre bem a defender, o Givanildo esteve sempre controlado; o André vai fazer muita falta na 2.ª mão, hoje até teria sido melhor o Nelsinho, pois havia espaço para subir... daqui a 3 semanas, com o 'bloco' mais baixo, o André estaria no seu habitat natural...
O Samaris também fez um bom jogo. O facto da partida ter sido jogada com um ritmo lento, com poucas transições rápidas, ajudou... Notou-se que esteve muito concentrado, no posicionamento perto da linha defensiva... E no final do jogo, até pareceu ainda estar fresco! O Renato, voltou a ser muito importante... e voltou a terminar o jogo completamente esgotado, os maus passes nos últimos minutos, são sinais disso mesmo...
O Pizzi ofensivamente, terá feito um dos piores jogos dos últimos tempos... pedia-se a entrada do Carcela mais cedo...; o Nico mesmo sem fazer um grande jogo foi decisivo. O Benfica neste momento, tem poucos desequilibradores ofensivos no 11, ó Nico é praticamente o único que 'parte' para cima do adversário... O 'segredo' para as boas exibições, é o Nico saber quando deve arriscar, ou quando deve fazer o passe seguro...
O Jonas voltou a marcar na Champions, e fez um excelente jogo, sempre entre-linhas, mas como a equipa colocava poucos jogadores nos últimos metros, acabou por fazer poucos remates à baliza...; O Mitroglou teve pouca bola... na 1.ª parte construiu à força, a nossa melhor oportunidade... mas o Mitro precisa de um Benfica, mais 'subido', para se evidenciar... a entrada do Jiménez acabou por ser decisiva, devido ao efeito 'carraça' do Mexicano!!!
Apesar da satisfação pelo golo nos descontos, tenho que reafirmar a minha posição: chegar aos Quartos-de-final seria bonito, mas o Campeonato é mais importante... Vamos ter 3 jogos, antes da deslocação à Rússia, é fundamental não perder pontos com o Paços e com o União, para chegarmos ao derby na luta...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Há barcos para todos os portos menos para a vida não doer...

"Artur, o «Ruço», sofreu sempre. Corria pela direita, os cabelos loiros em ondas correndo atrás dele, e «jogava-dava-e-levava» como uma vez disse dele o grande Carlos Pinhão.

A primeira vez que o vi foi no estádio dos Barreiros, no Funchal, correndo pela linha branca de cal, no lado direito. O campo ainda era de terra batida e fazia calor ao fim da tarde. Calor de ananases e bananeiras como é próprio da ilha.
Ele corria e o cabelo loiro, comprido, parecia correr atrás dele numa onda irrequieta e amarela.
Chamavam-lhe o «Ruço»: Artur Manuel Soares Correia. Nasceu em Lisboa. No Bairro Alto.
A vida foi-lhe madrasta. Os adeptos não.
Nessa Académica da minha infância jogavam Gervásio e Rui Rodrigues, Mário e Vítor Campos, Rocha e Manuel António. E Artur, sempre Artur.
Tanta gente ligada ao Benfica, não é?
Sim. O treinador era Mário Wilson. Nunca um grupo de estudantes esteve tão perto de ser campeão nacional de Futebol. Mas havia o Benfica. E o Benfica não deixou.
Artur era visível, autoritário, plástico. O rumo da Luz era inevitável para um jogador como ele. Chegou na época de 1971/72. Ficou seis anos. Depois atravessou a estrada e seguiu para Alvalade.
Estreou-se em grande nas Antas, com um vitória por 3-1 no dia 12 de Setembro de 1971. Depois o lugar foi dele. Ocupou-o, conquistou-o, manteve-o com brilho e raça.
Lembro-me dele outra vez, no Estádio Nacional, jogando com a camisola dos cinco escudos azuis de Portugal, os cinco escudos azuis dos reis mouros e vencidos. Chutou pouco depois do meio campo: a bola correu cosida à relva verde-húmido, num traço perfeito sem interrupções. Entrou no canto direito de um enorme norueguês atónito. Foi um único golo de Artur pela Selecção Nacional, acreditam?
Acreditem: eu estava lá e vi. O pé direito de Artur no gesto único de um remate sem remédio. O pé direito de Artur; o pé esquerdo desapareceu entretanto na vertigem de um vida azeda como vinagre.
Fernando Pessoa escreveu: «Há barcos para todos os portos menos para a vida não doer».
Miguel Torga escreveu: «Há momentos para se fazerem as contas com a dona da pensão da vida»...
E Artur aí, entre nós, sem o pé com que marcou aquele golo que eu vi, de tão perto que podia ter sido até mesmo eu a fazer o remate, a saltar de alegria. Faltar-me-iam, no entanto, os cabelos longos e loiros da sua imagem de anjo mau.

Kovacs: «O melhor defesa direito da Europa»
Stefan Kovacs, o aplainador do Ajax-todo-o-terreno-futebol-total que depois Rinus Michels, o «General», tornou eterno: «O Benfica é uma equipa temível! Ataca por todos os lados!»
Não se esqueçam: do lado direito havia Artur.
Stefan Kovacs outra vez: «Artur é o melhor defesa direito da Europa!»
Não me esqueço: nunca conheci Kovacs; conheci Rinus Michels. Por duas ou três vezes falámos horas de futebol. E sobre Artur também, claro está!
A dona da pensão da vida matou-o aos poucos, lentamente com a crueldade de um diabo de saias.
Pleurisia: um vírus ou uma bactéria irrita a pleura, a membrana que recobre os pulmões.
Calculam o estrago que faz num jogador de Futebol?
Embolia pulmonar bloqueio da artéria pulmonar ou de um dos seus ramos.
Calculam o estrago que faz num jogador de Futebol?
Pois... A dona da pensão da vida calculou todos os passos para que a vida de Artur não deixasse de doer.
Doeu: doeu-lhe sempre!
Viu a morte do lado de lá da vidraça da cama de um hospital, abatido pelo tiro certeiro de um acidente vascular. Aguentou-se firme! Fez-lhe frente e ganhou.
O Pinhão, o Sr. Pinhão, Carlos Pinhão de jogar com as palavras, escreveu: «ele jogava-dava-e-levava». E mantinha-se em pé como ainda hoje se mantém numa perna só. Valente como Artur sabe ser.
O coração, esse, mantém-se vermelho-intenso-sem-descanso.
Artur só já não corre, o cabelo loiro correndo atrás dele; corre-lhe a vida sacana pelas veias..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Mea culpa

"Assim que termina um clássico, logo se inicia um jogo de identificação de culpados pelo resultado: o treinador que leu mal a partida; o central que claudicou no momento-chave; as substituições feitas a destempo. Pouco importa: quando se perde há sempre uma responsabilidade individual. 
Chegados a terça-feira, as responsabilidades na derrota do Benfica já foram escalpelizadas, mas, desculpem-me o egocentrismo, houve uma que ainda não vi mencionada. A culpa foi minha. Isso mesmo, o Benfica perdeu por minha causa. A razão é simples - não estive no estádio a apoiar a equipa.
Tenho justificações. Numa daquelas excentricidades do futebol português, o jogo foi marcado em cima da hora para uma obtusa sexta-feira à noite. Com bilhetes na mão para um concerto do jovem talento do saxofone Ricardo Toscano, fui impelido a trocar o meu Red Pass pelo jazz. Os resultados são os conhecidos. Enquanto me deixava levar pelo fraseado de pendor clássico de Toscano, o Benfica perdia.
Se me responsabilizo pela derrota, não quero que vejam nisto nenhum misticismo ou superstição. A explicação é outra. Sendo o futebol uma coreografia de solos, ainda que assente no colectivo (lá está, o paralelismo com o jazz), o bom desempenho da equipa depende da audiência. O Benfica existe enquanto prolongamento dos adeptos na bancada e se um de nós falha, é como se toda a organização ruísse. Desta vez, foram a minha voz e o meu sofrimento a faltarem no estádio - o que estou convencido fez toda a diferença. Mas não se apoquentem, hoje estarei na Luz a empurrar a equipa para a frente."

E se Renato faltar?

"(...)
O Benfica regressa hoje ao palco da Luz para uma noite da Liga dos Campeões, onde só têm assento os mais fortes, de aí estar nos oitavos de final e ser o único representante português na mais importante competição de clubes da UEFA. Prova de que lá chegou por merecimento, apenas suplantado no grupo pelo gigante Atlético de Madrid.
A partir de agora, na elite dos dezasseis melhores emblemas da Europa, não há volta a dar: ou joga bem e segue em frente, ou joga mal, ou assim-assim, e sai de cena. Simples de entender. Isto é, se for o Benfica da primeira parte com o FC Porto, que construiu várias oportunidades de golo, e souber aproveitá-las, convém a chamada de atenção, ganha a eliminatória; se for o Benfica da segunda, hesitante e sem fôlego para atacar em velocidade alta os últimos 20 minutos, então é o Zenit quem passa à eliminatória seguinte. Sem margem para pueris divagações nem para tratados sobre táctica atómica geralmente utilizados a apreciados quando a verdade se torna inconveniente.
Se me perguntarem se o Benfica reúne condições para eliminar o Zenit, respondo que sim. Se me perguntarem se acredito muito na concretização dessa possibilidade, respondo que sim, mas pouco, porque me recordo da última vez em que o Zenit esteve na Luz, Setembro de 2014, e precisou de apenas 22 minutos para marcar dois golos e vencer o jogo, lá continuando o Hulk de um lado e o Eliseu do outro... 
André Villas Boas pode andar preocupado por ver nos seus jogadores quebra de ritmo, consequência da longa paragem de inverno no Campeonato russo, mas em contrapartida aproveitou as férias algarvias para estudar este novo Benfica e esmiuçar as forças e as fraquezas que o clássico com o FC Porto, por exemplo, revelaram.
NO mercado de Janeiro o Sporting mexeu no ataque, com a saída de Montero e a entrada de Barcos, e reforçou a defesa com a contratação de Coates. Já tinha garantido Bruno César e Marvin Zeegelaar e ordenado o regresso de Rúben Semedo.
O FC Porto assegurou Suk e Marega e incluiu José Sá no pacote.
O Benfica adquiriu Grimaldo para a lateral esquerda, uma das posições mais carecidas, e dois juniores sérvios. Para surpresa minha, porém, não acautelou o meio-campo, sector onde a equipa começou a soluçar no jogo da última sexta feira com o FC Porto, também por força de um enquadramento tático que sinto dificuldade em descodificar. Por outro lado, pensar-se que um miúdo de 18 anos por muito talentoso que seja, pode substituir-se aos adultos e ser solução para todos os problemas constitui erro de avaliação grosseiro. E se Renato Sanches se constipar? Se, por qualquer motivo, tiver de ficar de fora em dois ou três jogos como será? Talisca? Pizzi? Outro candidato razoável que não me ocorre? Provavelmente sim, e até pode correr bem desde que o adversário seja de média dimensão, tipo do quarto lugar para baixo, porque, caso contrário, como demonstra o passado recente, é desilusão anunciada.
Em resumo, arrastar a decisão da eliminatória com o Zenit para o jogo da segunda mão é o imperativo mínimo do qual Rui Vitória não consegue livrar-se."

Fernando Guerra, in A Bola