Últimas indefectivações

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Benito

Admito o meu desconhecimento sobre as qualidades do Loris Benito, tenho alguma lembrança de um jogo particular entre as selecções de sub-21 da Suíça e Portugal, onde o Cavaleiro se destacou, mas não tomei atenção a este jogador...
Estava habituado a jogar num esquema de 3 Centrais na Suíça, onde chegou a jogar como Central do lado esquerdo, parece que se destaca pela capacidade física...
Como conheço melhor o Djavan, creio que o brasileiro vai ser a primeira opção para o lado esquerdo, mas temos que esperar pelos jogos de pré-época, para retirar uma conclusão...
Um ponto muito positivo a favor do Benito será sem dúvida as suas raízes Galegas: como pode ser avaliado na entrevista à BTV, expressa-se bem em Galego, o que irá acelerar a integração.
Existem posições no plantel onde neste momento, ainda persistem muitas indefinições (pelo menos na opinião pública), mas as opções para o quarteto defensivo, deve estar tudo definido: 4 Centrais (Luisão, Lisandro, Jardel, César) e 4+1 Laterais (Maxi, Luís Filipe, Djavan, Benito e o André Almeida), em vez de se fazer julgamentos antecipados, devemos esperar para ver...

Sobre o defeso

"Já o tenho dito: se há coisa pior, muito pior do que algum vieirismo, é o anti-vieirismo que grassa por aí. Obstinadamente estúpido, cego e radical. Alimentado de ódios irracionais, de preconceitos e de pretensas superioridades morais. Populista e demagógico, aparece em momentos críticos, cavalgando ondas e dizendo o que algum povo quer ouvir. Nada de novo: é assim qualquer neo-fascismo populista e pretensamente moderno.
Vivia dias complicados o anti-vieirismo: depois de todos os agoiros, premonições e voodoos, o Benfica tinha feito uma época de sonho só parcialmente estragada em Turim por um alemão ao serviço de mais elevados valores.
Eis, porém, que o defeso trouxe novo alento ás trincheiras e entre mortos e feridos ninguém escapa á debandada: a acreditarmos em alguns arautos da desgraça, o Benfica não tem jogadores sequer para uma equipa de futsal. Para alguma imprensa é um festim: não é novidade, é disto que se alimentam os vampiros. Para o tal anti-vieirismo militante, melhor ainda: era a oportunidade em falta depois de uma época quase irrepreensível.
O que incomoda não é tanto a verborreia: são os custos da democracia e nisso o Benfica fez história, quando votar, escolher e debater eram coisas proibidas.
Esquecem alguns que o Benfica apesar de imenso, não passa de um clube de um país pobre, periférico e inserido num realidade futebolística à beira da falência económica, moral e desportiva. Esquecem esses mesmos que a única possibilidade de sobrevivência para um clube como o Benfica, é a diferença gerada entre as boas compras e as boas vendas ou, se quisermos, as vendas possíveis.
Claro que num meio inquinado e no mínimo pouco transparente, muita coisa se pode questionar, desde uma politica de comunicação trapalhona e pouco clara, até às opções desportivas pouco compreensíveis. 
Pretender-se (ou apenas vender a ideia) que o Benfica tem de ser uma espécie de aldeia de irredutíveis, que não cede, não aceita propostas, não vende, é, contudo, de uma desonestidade intelectual enorme.
Podemos sempre, obviamente, discordar dos moldes em que um qualquer negócio foi efectuado, ainda que e cada vez mais, desconheçamos os meandros. Podemos e devemos também questionar uma política de comunicação que ao invés de esclarecer, prefere calar e deixar arrastar dúvidas e suspeições: a transferência de Garay é, aliás, um óptimo exemplo.
Tudo isto é uma coisa; algo bem diferente é, porém, ignorar o capitalismo selvagem em que o futebol se enredou em favor de meia-dúzia de clubes ricos e poderosos e fingir que estamos longe, imunes, inalcançáveis.
Não me agrada, obviamente, poder perder 4 ou 5 jogadores titulares mas não me parece que o Benfica tenha argumentos para contrariar uma tendência a que nem os Liverpool e os Chelsea deste mundo escapam: é bom que não esqueçamos que os anos 60,70 e 80 já lá vão e que a lei da opção acabou há muito.
Ignorar isto é apenas tentar tapar o sol com a peneira. Ou então mentir, enganar e manipular, o que, de resto, é bem pior."

RIP Di Stéfano

2014 vai ser um ano recordado por muitos anos no Mundo do futebol, impressionante a quantidade de 'estrelas' que nos têm deixado, desta vez o ídolo do nosso Eusébio foi ter com ele...!!!

domingo, 6 de julho de 2014

Calendário para a época 2014/15

Mais um sorteio da I Liga portuguesa, novamente com muitos condicionalismos, mas desta vez, não vamos ter os jogos mais 'complicados' nas últimas jornadas, como já se tinha tornado 'tradição'!!!
Pessoalmente, acho que seria preferível começar com jogos de grau de dificuldade mais baixo, porque no início da época, existe sempre alguns problemas com a entrada de novos jogadores... e este ano parece que vamos ter muitas alterações no 11 inicial, por isso o derby à 3.ª jornada, vem um bocadinho cedo demais...
Agora, o objectivo principal da época: ser Bicampeão, não é influenciado pela ordem com qual vamos defrontar os nossos adversários...
É preciso recordar que esta época vamos ter mais 4 jornadas!!! Ainda não sabemos qual será o formato (e o calendário) da Taça da Liga, mas esta sobrecarga do calendário só enfatiza a necessidade da qualificação para os Oitavos-de-final da Champions, para evitar o super-carregado mês de Fevereiro e Março!!!
Também foi efectuado o sorteio da II Liga, onde a nossa equipa B vai participar.

1.ª jornada (17-08-2014) / (25-01-2015)
Benfica - Paços de Ferreira
2.ª jornada (24-08-2014) / (01-02-2015)
Boavista - Benfica
3.ª jornada (31-08-2014) / (08-02-2015)
Benfica  - Sporting
4.ª jornada (14-09-2014) / (15-02-2015)
Setúbal - Benfica
5.ª jornada (21-09-2014) / (22-02-2015)
Benfica - Moreirense
6.ª jornada (28-09-2014) / (01-03-2015)
Estoril - Benfica
7.ª jornada (05-10-2015) / (08-03-2015)
Benfica - Arouca
8.ª jornada (26-10-2014) / (15-03-2015)
Braga - Benfica
9.ª jornada (02-112014) / (22-03-2015)
Benfica - Rio Ave
10.ª jornada (09-11-2014) / (04-04-2015)
Nacional - Benfica
11.ª jornada (30-11-2014) / (12-04-2015)
Académica - Benfica
12.ª jornada (07-12-2014) / (19-04-2015)
Benfica - Beleneneses
13.ª jornada (14-12-2014) / (26-04-2015)
Corruptos - Benfica
14.ª jornada (21-12-2014) / (03-05-2015)
Benfica - Gil Vicente
15.ª jornada (04-01-2015) / (10-05-2015)
Penafiel - Benfica
16.ª jornada (11-01-2015) / (17-05-2015)
Benfica - Guimarães
17.ª jornada (18-01-2015) / (24-05-2015)
Marítimo - Benfica

PS: Nesta cerimónia também foram atribuídos as distinções individuais relativas à última época: Jorge Jesus o melhor treinador; Oblak o melhor guarda-redes; Enzo Pérez o melhor jogador; e Bernardo Silva a revelação da II Liga.

Juniores Campeões no Atletismo...

Mais um 'capote' da nossa secção de Atletismo, desta vez em Masculinos e em Femininos, nos Campeonatos Nacionais de Atletismo Junior, disputados este fim-de-semana na pista do Luso.
Os rapazes, fizeram 320 pontos, ficando a Juventude Vidigalense em 2.º com 109 pontos...
As meninas chegaram aos 241,5 pontos, com o Sporting em 2.º com 194 pontos...

PS1: No Meetting da Liga Diamante em Paris, o Nelson Évora voltou a aproximar-se dos 17 metros, com 16,97m, fixando a 4.º melhor marca europeia do ano!!!

PS2: Depois dos problemas burocráticos da última etapa da Taça do Mundo, a Telma Monteiro na Mongólia, conseguiu a medalha de Bronze... perdendo somente para uma Judoca Japonesa, iniciando assim a qualificação Olímpica com um bom resultado... O Célio Dias, voltou a ter azar: desta vez foi uma lesão, que o impediu de participar...

PS3: Parabéns à nossa dupla no Volei de Praia: Kibinho e Roberto Reis, que no Masters de Novi Sad na Sérvia, partindo do Qualifying, foram vencendo partida após partida, até às Meias-finais, onde foram derrotados pela dupla Austríaca (foi pena, vencemos 'facilmente' o 1.º Set, mas não conseguimos 'fechar' a partida)... no jogo para atribuição do 3.º lugar voltámos a estar muito fortes, garantido o 3.º lugar...!!!
Com um bocadinho mais de investimento nas etapas do Masters Europeu, e da Taça do Mundo, e podemos ter novamente uma dupla portuguesa de Volei de Praia, nos Jogos Olímpicos do Rio...

PS4: Foi hoje o sorteio da Eurochallenge, competição que a nossa secção de Basket vai regressar. Tivemos algum azar na equipa cabeça de série (os Franceses do Nanterre), mas temos potencial para lutar pelo 2.º lugar com os Finlandeses do Kataja, e os Belgas do Belfius.

sábado, 5 de julho de 2014

Talisca

Não é o meu hábito de antecipar contratações, mas o Bahia já confirmou o negócio, e além disso, hoje foi um dia com poucas notícias no universo Benfica!!!
Admito que antes de surgirem as primeiras notícias do interesse do Benfica neste jogador, desconhecia as suas qualidades. As suas exibições do Torneio de Toulon do ano passado, passaram-me ao lado...
Dando o desconto necessário nestas ocasiões, depois de visionar os vídeos do YouTube, e ter lido alguns comentários feitos por adeptos do Bahia (onde o Talisca neste momento, era 'Deus' na Terra!!!), estou confiante numa rápida adaptação do Anderson Talisca ao Benfica... A polivalência até pode trabalhar contra ele, é necessário definir uma posição rapidamente, mas pelos vistos no Bahia o Talisca, nos treinos, quando os colegas recolhiam aos balneários, ficava sempre a fazer treinos extra, e isso só pode ser um bom indicador!!!
É preciso ter cuidado é com as futuras escolhas de penteado, porque as anteriores já tiveram momentos muito maus!!! Também parece que o rapaz gosta das redes sociais, o Bahia teve mesmo que o proibir de efectuar comentários...!!!
Sem grandes garantias, suspeito que o Jesus o queira colocar a jogar a '8', no lugar no Enzo... temos que esperar para ver, mas marcar bolas paradas, isso o rapaz sabe fazer, seguramente!!!
Depois do Tacuara, agora temos um Talisca, alcunhas com significados idênticos, vamos esperar para ver se o sucesso também será idêntico!!!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Grande incerteza

"O regresso ao trabalho do Benfica está envolto numa grande incerteza. Por um lado a continuação de Jorge Jesus e da estrutura de apoio são garante da estabilidade sempre necessária para êxito (é bom lembrar, o tamanho do êxito da última época). Mas esse êxito é também um problema, pois o termo de comparação ficou muito elevado, a fasquia está alta, as ambições sempre legítimas dos adeptos são agora acrescidas do sabor recente do êxito. Êxito que na última época atingiu patamares quase inimagináveis. Por outro lado, o Benfica viu partir jogadores importantes como Siqueira ou Garay e, mais ainda, vê anúncios diários que sai equipa e meia. Não nego que a confirmação da saída de Oblak seria um tiro no coração dos adeptos. Quando se escreve Oblak no computador o corrector ortográfico corrige para Bola, é isso mesmo, até o corrector ortográfico sabe como ambos estão colados, são siameses. Oblak tem tudo para ser, apenas, o melhor guarda-redes do mundo a curtíssimo prazo. Este equilíbrio entre a boa gestão e o descalabro fica ténue na mente dos adeptos, sempre desejosos de êxitos repetidos.
Domingo temos o sorteio de um campeonato nacional (ainda me custa dizer Liga), que ambicionamos seja o 34.º título do Benfica, dizer o contrário é hipocrisia barata. Esperemos, pois, com a ansiedade do defeso, as confirmações e desmentidos de quem sai e de quem chega. Esperemos que quem ficar tenha a qualidade para as conquistas desse desígnio primeiro que é ser bicampeão, facto que não acontece há muitos anos no Benfica.
Belíssima escolha no adversário da Eusébio Cup, poucos como o Ajax têm a tradição e a glória, muito para lá do novo-riquismo dos milhões de paragens obscuras. O Ajax é parte da história do futebol europeu e mundial, e é esse prestígio que se empresta a uma homenagem (primeira póstuma) ao nosso Eusébio."

Sílvio Cervan, in A Bola

O regresso

"Mesmo com o Campeonato do Mundo ao rubro, o regresso ao trabalho do plantel benfiquista não pode deixar de figurar no topo na nossa agenda desportiva.
Os Campeões Nacionais estão de volta.
Alguns - precisamente devido ao Mundial - só mais tarde serão integrados. Outros não regressarão ao Seixal. Entretanto, umas quantas caras novas despertam a curiosidade. É pena ver partir elementos que se destacaram no histórico 'triplete'.
Mas as leis do mercado são incontornáveis, e não podemos escapar-lhes. Convém lembrar que só pudemos dispor de jogadores da categoria de Garay, Matic ou Rodrigo, porque entretanto vendemos Davis Luíz, Javi Garcia ou Di Maria. Agora, com a saída de craques com a cotação em alta, há que desenvolver novos activos, alimentando assim a cadeia de negócio que salvaguarda o equilíbrio financeiro da SAD. Havendo competência para escolher, e depois para valorizar, o modelo funciona. E, como recentemente comprovámos dá títulos.
Outro vector base é o da Formação. Não pode haver competitividade apenas com Formação, mas, na conjuntura actual, também não poderá haver equipa sem Formação. Neste sentido acredito que alguns elementos da equipa B sejam promovidos ao plantel principal, e possam mais tarde ascender à titularidade.
Julgo ser importante manter o maior número possível de jogadores campeões, e assim garantir um fio condutor de coesão e mística. Já que a algumas propostas não podemos dizer não, a outras - para aqueles cujo pico de mercado já tenha passado (como de Maxi, Luisão ou Cardozo), ou, pelo contrário, para os que esse pico ainda esteja por chegar (casos de Oblak ou Markovic) -, parece-me prudente resistir. Para além dos aspectos técnicos, há que preservar todos os laços criados no grupo por via das conquistas.
O próximo Campeonato é decisivo para a afirmação de um novo ciclo no Futebol português, e nada pode ser deixado ao acaso. A estrutura do Benfica já deu provas da sua competência, e é garante de que o Benfica se apresentará forte, rumo ao 'Bi'."

Luís Fialho, in O Benfica

Misérias

"MANAUS - Se algo me confunde é o à vontade com que os portugueses gostam de apontar as misérias alheiras. Chegam ao Brasil e procuram os pobres, os pedintes, as barracas e as favelas. Falam sobre a pobreza que assola o Brasil, sobre a tristeza dessa pobreza num país alegre. E esquecem. Eu, que vivo em Lisboa, que vivo de noite, que percorro as ruas e as vielas, não esqueço. Crianças que dormem sobre bocados de cartão; velhos deitados nas ombreiras das portas; pedintes de mão estendida. Conheço muitos pelo nome. Pela vida. No mais frio dos Invernos de Lisboa, o Costa suplica a quem passa que use o cartão multibanco não para lhe dar dinheiro mas para lhe abrir simplesmente a porta envidraçada que o tira do passeio durante a chuva da madrugada. Em Portugal há milhares como ele, com e sem passeio. Quando viajo, por África, pela América do Sul, pela Índia, não ignoro a miséria. Mas não a procuro como se fosse um postal para turistas, uma forma de me sentir bem com as misérias do meu país miserável. A miséria que mais me dói é a minha. Todos os dias saio de casa e vejo-a. Nua."

Afonso de Melo, in O Benfica

Seleccionador

"Lembro-me de Paulo Bento quando voltou como jogador ao Benfica, vindo do Guimarães, em 1994. Foi uma fase muito dolorosa do Glorioso quando a equipa campeã do 30.º título, o de 1993/94, foi positivamente desmantelada e o Benfica iniciou uma longa travessia do deserto que verdadeiramente só terminou com Luís Filipe Vieira.
Quando o jogador regressou de Oviedo, em 2000, cheguei a ter pena que o Benfica o não aceitasse de volta a custo zero e que o médio defensivo acabasse a carreira de jogador em Alvalade. E quando Paulo Bento chegou a seleccionador, em 2010, confesso que e tive alguma expectativa animada pelas primeiras declarações e convocatórias. Mas o Sistema rapidamente o absorveu e agora assistimos à triste realidade de um seleccionador fracassado mas agarrado ao lugar como uma lapa à rocha e defendido por uma Federação que não presta contas perante nada nem ninguém.
Paulo Bento não é propriamente um seleccionador. Dirige um grupo que formou e no qual só mexeu quando se incompatibilizou com um ou outro jogador para os substituir por novos eleitos. Um seleccionador, em 2014, para além de convocar André Almeida, teria forçosamente que dar a titularidade ao convocado Rúben Amorim e teria de convocar André Gomes, jogadores que terminaram a época em esplendor na equipa que ganhou tudo. Claro que falo de jogadores do Benfica e na qualidade de Benfiquista, mas o Benfica é uma grande e imprescindível parte da realidade portuguesa. O seleccionador é que parece que vive num mundo fechado, ou numa bolsa de mercado, com vida própria ou ligada à máquina do Sistema.
Talvez Paulo Benfica esteja convencido que está a fazer algo de positivo por Portugal e pelo futebol. Mas alguém devia ajudá-lo a terminar a carreira com dignidade."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Diz-se por aí (Selecção)

"Diz-se por aí que Paulo Bento fica, nas palavras deliciosas de Humberto Coelho, para 'nos levar e liderar no campeonato da Europa de 2016', palavras reconfortantes e solidárias que escondem, na verdade, duas realidades distintas: a Federação não quer assumir a necessidade de uma renovação global e, por outro lado, não se vislumbra capacidade financeira para pagar a indemnização a que Paulo Bento teria direito, caso não se demitesse por decisão própria. Contas feitas, dúvidas desfeitas. É a realidade nua e crua.
Deve, aliás, notar-se que, tal como ocorrera quando era treinador do Sporting, Paulo Bento tem uma capacidade que se lhe deve reconhecer: conseguir pôr todos à sua volta a falar de tudo, menos dos resultados desportivos que a equipa, liderada por ele próprio, conseguiu obter. Só assim se compreende os delírios que vieram a público esta semana sobre pressões para jogar este ou aquele jogador, as condições climatéricas adversas e instáveis.
Pelo meio da chuva passam assim, no entender da FPF, as notoriamente erradas escolhas de viagem e deslocações, as mais ainda notoriamente erradas escolhas de Bento relativamente à utilização insistente de jogadores que nem sempre jogaram, nos últimos meses, nos seus clubes e a claríssima incapacidade de motivar e liderar uma selecção nacional que se apresentou desmotivada, cansada e, sobretudo, sem liderança.
É compreensível que a FPF queira, a todo o custo, dourar os resultados obtidos por Bento. Justificando o treinador justifica-se, também, a própria direcção. E ignora-se, assim, a necessidade de uma renovação profunda. Deixa-se passar a tempestade na esperança de uma bonança que se aproxime algures... mesmo que ninguém a consiga ver ou sentir. Portugal precisa de uma renovada Selecção Nacional, de uma aposta clara numa nova geração de jogadores que se começam a afirmar e que têm vontade de jogar."

André Ventura, in O Benfica

Candeias & Luís Filipe

Foram hoje apresentados os reforços Candeias e Luís Filipe. Se o extremo português já é conhecido pelos Benfiquistas, o brasileiro é uma incógnita, e como a aposta em laterais nas últimas épocas tem tido pouco acerto, vamos ter que esperar para ver a qualidade do lateral direito brasileiro... Recordar que devido ao conflito com o Palmeiras (o seu anterior Clube), o Luís Filipe chega ao Benfica sem ritmo...
Em relação ao Candeias, a sua ligação aos Corruptos, é o principal entrave para que esta contratação tenha o agrado dos Benfiquistas!!! Sendo assim, não terá muito espaço de manobra junto ao 3.º anel...!!! Pessoalmente, acho que futebolisticamente o Candeias tem tudo para se dar bem neste Benfica de Jesus... Rápido, não tem medo do um para um, tacticamente disciplinado, fecha bem o flanco... e a sua principal característica (na minha opinião): define bem as jogadas, toma normalmente boas decisões, e por isso é que tem no seu curriculum muitas assistências para golo...
Boa sorte, aos dois...

RIP Rui Tovar

Deixou-nos um dos últimos grandes jornalistas desportivos portugueses. Sportinguista, mas não anti-benfiquista, foi um dos poucos (se calhar o único) que em directo, na televisão, teve a coragem de enfrentar o mafioso porco...!!! E por isso, foi enviado para os arquivos da RTP!!!
Tive o prazer o falar pessoalmente com ele, era uma autêntica enciclopédia desportiva... cheguei a ouvi-lo relatar um jogo da Selecção de Hóquei, que ele tinha memorizado, em criança!!!
É curioso que na narração de jogos, o seu estilo, com muitos silêncios, era gozado por muitos na altura... e hoje, o estilo que prevalece em todos os canais, é exactamente o oposto: com 2 matracas que não se calam durante 90 minutos, a dizer banalidades irritantes!!!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Arranque...


Finalmente, as férias acabaram, e os jogadores começaram a chegar... As pré-épocas do Benfica são sempre 'complicadas', mas este ano, promete ainda mais suspense!!!
Temos jogadores que vão chegar mais tarde devido ao Mundial (Almeida, Amorim, Maxi, Enzo); até ao último dia da janela de transferências vamos ter ofertas pelos nossos melhores jogadores, e vamos 'comprar' supostamente tudo o que mexe...; vamos também ter que levar com as novelas dos ex-emprestados que podem ficar, ou dos ex-juniores (ou ex-B) que também podem rodar, ou ficar...!!! Resumindo, uma confusão!!!
O César, o Djavan, o Dawidovicz, o Frisenbichler já foram apresentados; o Derley, o Benito, o Candeias, e o Luís Filipe, devem-o ser nos próximos dias (já estão no Seixal)...
No quadro do ex-emprestados o Lisandro tem o lugar seguro no plantel... mas o Pizzi, o Ola John, o Farinã, o Nelson Oliveira, e o Jara têm o futuro em aberto!!! O Sidnei, o Mitrovic, o Rojas, não devem ficar...
Vamos ainda ter que esperar algum tempo, para saber quais os jovens que vão ficar no plantel: Bernardo, Cavaleiro, Cancelo, Estrela, Hélder Costa.... Para finalizar ainda temos os 'eternos' casos bicudos, que não são opção para o treinador: Carlos Martins e Urreta...

Independentemente do plantel do Benfica no dia 1 de Setembro, o Benfica tem como principal objectivo nesta temporada o Bicampeonato; a segunda prioridade deverá ser os Oitavos-de-final da Champions; em 3.º a Taça de Portugal; e finalmente a Taça da Liga. Antes disto tudo, ainda na pré-época vamos ter a Supertaça.

Num exercício totalmente especulativo e totalmente subjectivo, deixo aqui o 'meu' plantel tendo em conta aquilo que é publico:
GR: Oblak, Varela, Lopes; DC: Luisão, Lisandro, Jardel, César; DD: Maxi, Filipe; DE: Djavan, Benito; MD: Fejsa, Almeida, Dawidovicz; MC: Enzo, Amorim; ED: Salvio, Candeias; EE: Nico, Markovic, Pizzi; MO: Talisca(?), Bernardo(?), Farinã(?); AV: Lima, Cardozo, Derley, Frisenbichler, Jara(?).

Deixo de fora o Artur, o Steven, o Suljmani, o Ola John, o Mitrovic, e o Djuricic: o ideal seria vender. Emprestava o Cavaleiro, o Funes Mori, o Nelson Oliveira, e o Cancelo.
Não vou comentar as novelas, com o Oblak, o Enzo, o Nico, o Markovic, ou o Cardozo (até com o Maxi estão a querer fazer um novela!!!), até sinal em contrário, são jogadores do Benfica.
Mesmo sem mais saídas, parece-me óbvio que a posição com menos soluções de qualidade é o lugar '8': mesmo com o Enzo no plantel, só o Amorim (muitas vezes lesionado) poderá fazer o lugar... as outras opções são adaptações (Bernardo, Farinã, ou até o suposto Talisca!!!).
Depois, com a lesão do Fejsa, neste momento estamos dependentes de uma rápida adaptação do jovem Polaco para a posição '6'... por acaso eu até tenho confiança no rapaz; Os Laterais esquerdos, vão ter que convencer...; Temos muitos Centrais, mas só um poderá jogar no lugar do Garay, a minha dúvida em relação ao Lisandro é a capacidade do Argentino em jogar no lado esquerdo...; Tal como nas épocas anteriores temos 'demasiados' extremos no plantel... espero que a decisão final sobre quem fica, e quem vai sair seja tomada consoante o potencial rendimento desportivo, e não consoante os interesses dos Fundos externos ao Benfica; Tenho confiança no Derley para substituir o Rodrigo... mesmo se o Cardozo sair, creio que não precisamos de comprar mais ninguém... o Jara ou o Funes podem ficar; Em relação ao Oblak, o mesmo jornal que há 48 horas garantia que o Atlético de Madrid tinha desistido do negócio, agora diz que o Esloveno está quase no Atlético!!! Por 20 milhões, mesmo com jogadores no 'meio' (Joshua - bom jogador - e Sílvio) o Benfica faria mal em não vender... mas temos que garantir substituto à altura.

Vítimas de publicidade enganosa

"Em cartões vermelhos, empate 2-2 com o FC Porto. Do nosso lado expulsos Maxi e Katsoranis, do outro lado Pepe e Defour.

"AO longe uma boa notícia nos escaparates da imprensa. Salta aos olhos. O Atlético de Madrid, lê-se em letras gordas. Mais de perto a notícia, afinal, não é boa, é má. Em letras pequenas lê-se qualquer coisa deste género: «porque o Valência já terá assegurado o concurso do jovem guarda-redes do Benfica.»
O Valência do magnata de Singapura senhor Lim leva tudo, ao que parece. A propósito da sangria anunciada, ouvi de um benfiquista dos sete costados um desabafo que me pareceu extraordinariamente pertinente:
- Se a Benfica TV não comprar os jogos todos do Valência desisto da assinatura!
São as saudades já a bater.

UM Mundial de futebol é o palco de eleição para os foras-de-série. Este Mundial não escapa à regra. Neymar e Messi, por exemplo. O astro brasileiro e o astro argentino já deixaram a sua marca, em talento e em golos, na corrente competição e arrastam com as respectivas equipas às costas. E ainda só vamos nos quartos-de-final.
Um Mundial de futebol é também uma oportunidade de ouro para as promessas se transformarem em realidades. Como é o caso do colombiano James Rodriguez que chegou à Europa para jogar no pouco visível campeonato português e que depois se mudou para uma displicente equipa de milionários no principiado do Mónaco que, em abono da verdade, não é propriamente o suprassumo dos emblemas de top do velho continente, muito longe disso.
Mas hoje toda a gente em todo o mundo sabe que é James Rodriguez porque o jovem prodígio colombiano aproveitou e de que maneira este Mundial para se dar a conhecer em todo o seu esplendor. Os brasileiros, por exemplo, nem devem conseguir dormir bem por estes dias só de pensar em James Rodriguez com que se vão encontrar não tarda nada.
Cada Mundial tem as suas estrelas, as suas revelações, os seus heróis inesperados. Este Mundial tem sido, assinale-se, um Mundial para os guarda-redes brilharem a grande altura. O guarda-redes dos Estados Unidos, o guarda-redes do México, o guarda-redes da Argélia e o guarda-redes da Costa Rica são alguns dos surpreendentes heróis da festa.
Não trocava nenhum por Jan Oblak.
Por comparação, a selecção portuguesa também deu nas vistas no capítulo dos guarda-redes mas por motivos estritamente clínicos. Levámos, como os demais concorrentes, três guarda-redes para o Brasil e conseguiu-se a proeza, julgo que inédita, de em três jogos perder dois guarda-redes por motivo de lesões. É obra.
Voltando ao capítulo dos foras-de-série. Cristiano Ronaldo é o nosso elemento excepcional mas, ao contrário de Neymar e de Messi, passou ao lado da competição. No próximo Mundial, na Rússia, Cristiano Ronaldo com mais quatro anos em cima e, por isso mesmo, aliviado das toneladas de responsabilidades que pesam hoje sobre os seus ombros, vai finalmente brilhar à altura dos seus pergaminhos.
Acredito piamente que o Mundial de Ronaldo vai ser o da Rússia em 2018. Quando já ninguém esperar milagres do nosso foras-de-série de meia-idade. Na Rússia é que vai ser.
No Brasil não foi. O melhor jogador do mundo saiu da Copa com um golo marcado ao Gana e ponto final. Na edição anterior da competição, na África do Sul, Cristiano Ronaldo saiu da prova com um golo marcado à Coreia do Norte e ponto final.
Se o madeirense tivesse nascido uns aninhos antes e pudesse ter jogado na selecção nacional do tempo de Luís Figo, Rui Costa, Ricardo Carvalho, Deco e companhia já teria arrumado as botas, é verdade, mas teria com certeza um pecúlio de aproveitamento em Europeus e em Mundiais de fazer inveja a muita gente.
Sendo as coisas como são nada há a lamentar. Cristiano Ronaldo e Mundiais não casam. Até temos noivo, o próprio, e temos noiva, a taça, mas faltam padrinhos de categoria e quando às damas de honor é melhor nem falar.
Por isso Eusébio, que só jogou uma fase final de um Mundial, em Inglaterra em 1966, continua a ser o único futebolista português que, de facto, marcou gloriosamente uma competição deste nível deixando o seu nome perdurar até hoje e até sempre na muito exclusiva galeria das pendas da prova.
Mundialmente falando ainda não nasceu o futebolista português que se chegue aos calcanhares do moçambicano do Benfica.

O Sporting contratou o japonês Tanaka e ficou uma cláusula de 60 milhões de euros. O facto causou espanto na Gazzetta dello Sport. O jornal italiano interrogou-se em título: Ma chi è Tanaka? Ou seja, mas quem é o Tanaka?
Logo se verá, não é verdade?

EM jeito de balanço da presença portuguesa no Brasil, sem entrar em inferioridades vingativas e sem sentido como por exemplo, a relação causa-efeito no que respeita a penteados e barbas dos nossos jogadores, é caso para se dizer que a selecção mais os seus adeptos foram por igual, nas respectivas expectativas, vítimas do mesmo mal: a publicidade enganosa.
De publicidade enganosa foram também vítimas os telespectadores nacionais que terão confiado no slogan da RTP. O Mundial somos nós, acreditando que poderiam ver todos os jogos da competição na estação pública de televisão. O que não é verdade, longe disso.

ADMITINDO a complacência com que olho para qualquer competição em que o Benfica não esteja envolvido e à falta de adrenalina da pura entretenho-me a infectar de clubismo este Mundial.
Em termos de expulsões, por exemplo, estamos empatados com o nosso rival FC Porto. Em cartões vermelhos o resultado vai em 2-2. Do nosso lado já foram expulsos Maxi Pereira e Katsouranis. Do lado adversário já foram expulsos Pepe e Defour. Altamente lógico, não acham?
Em termos de golos leva grande avanço o FC Porto porque Quintero, Varela, Jackson Martinez e James Rodriguez já marcaram enquanto do nosso lado o primeiro golo benfiquista sem discussão foi o de Di Maria à Suíça no jogo dos oitavos de final. Aqui estamos francamente a perder.
Poderíamos também contar para o Benfica com o golo de David Luíz mas esse foi um golo com discussão, teve de vir a FIFA com sua autoridade certificar o nome do autor. E como se trata de um Mundial, império do fair-play, só contam os golos em discussão para este campeonato entre gente nossa conhecida.
Em termos de grandes penalidades cometidas, estamos decididamente empatados com o Sporting graças ao lapso de João Pereira no jogo com a Alemanha. Como João Pereira jogou nos dois rivais da Segunda Circular divide-se o mal feito pelas duas aldeias e o resultado vai em 1-1.

O Brasil de Scolari vai fazendo o seu percurso sem entusiasmar grande coisa. Normalmente é o apanágio dos campeões do mundo. Começam mal ou assim-assim, vão tendo sorte pelo caminho e depois chegam à final e limpam a taça.
O Brasil quer chegar ao hexa em sua casa, naturalmente. Este é o segundo Mundial organizado pelos nossos irmãos transatlânticos. O primeiro perderam-no para o Uruguai na famosa final no Maracanã. Ainda não havia padrão FIFA. O segundo é este que está a correr.
Se, porventura, o perderem será remédio santo contra as manias de grandeza e contra as grandes convulsões sociais. É que se o Brasil não for o próximo campeão do mundo em casa, em 2014, passa-lhes a vontade de organizar outra Copa nos próximos cinquenta anos."

Leonor Pinhão, in A Bola

Benfica e Carnide

"Deixo por hoje o Mundial e escrevo sobre um tema bem mais prosaico.
Por vezes ouço e leio sportinguistas chamarem O Carnide ao Sport Lisboa e Benfica. Dar-lhes-á um certo gozo, a julgar pelo modo sarcástico e de pretensa humilhação com que assim se referem ao sempre temido rival. Sofrerão de complexo B?
Esta maneira de tratar o Benfica é sobretudo, deselegante para a freguesia de Carnide e nem sequer se enquadra nas mais benignas e interessantes alcunhas com que os adeptos se tratam uns aos outros. Lampião é um petit nom que nada ofende, tal como, por exemplo, chamar Lagarto a um sportinguista. Faz parte da coreografia clubista.
Trocar SLB por Carnide parece evidenciar uma forma pseudo-elitista de tentar menorizar o Benfica pela associação a uma linda freguesia da capital. Por outras palavras, pretende-se dizer que o Benfica é... tão-só o Carnide! Nada que deslustre o clube, mas que tem implícita uma visão preconceituosa sobre uma freguesia lisboeta onde, aliás, também vivem sportinguistas e portistas...
Já agora, é bom assinalar que Carnide tem o seu Carnide Clube que, creio, está perto do seu centenário, com tradição e historial sobretudo no basquetebol.
E que o Benfica, o maior clube de Portugal e o clube com mais sócios em todo o mundo (235.000 segundo os últimos dados da FIFA ou seja mais 10,5 vezes que os 22.415 habitantes de Carnide segundo os Censos 2011). Ou seja, um grande clube que alia as suas raízes populares e locais à universalidade do seu prestígio. Nem apenas local, nem só global. Mas fundamental glocal. Com Luz, com Carnide, orgulhosamente."

Bagão Félix, in A Bola

PS: E ainda faltou realçar que o Estádio da Luz, fica na freguesia de São Domingos de Benfica... Parece que a Geografia também não é a disciplina favorita da Lagartada... já sabíamos que a Matemática e a Economia eram ciências ocultas, agora também podemos acrescentar a Geografia!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Lima... o loiro !!!

Vampiros

"LUIS SUAREZ - um grande jogador com os pés - voltou a exteriorizar a sua propensão para, qual Drácula do século XXI, usar a força vampiresca dos seus dentes. Desta vez, a vítima do Conde foi um Italiano.
Ora aí poderia estar uma nova regra no futebol contra jogadores-vampiro, deveria ser autorizado trazer um dente de alho nos bolsos dos calções e, no banco, o médico poderia ter sempre à mão uma estaca de madeira para os casos mais graves.
Polanski bem poderia planear uma renovada versão do seu filme Por favor não me morda o pescoço, não já na longínqua Transilvânia, mas na mais pacata cidade Suíça de Nyon, sede do poder futebolístico. Vampiros sortidos não lhe faltariam para o baile.
Completamente patética foi a recepção de Suárez em Montevideu (será Montemordeu?).
Sem comentários (desnecessários, aliás), eis algumas das notícias: o avançado foi recebido por centenas de pessoas que o quiseram apoiar. Entre eles, José Mujica, Presidente da República do Uruguai. Mujica já tinha defendido, com notável deslumbramento, o avançado Uruguaio depois da polémica mordidela ao Italiano Chiellini: «Não o escolhemos para ser filósofo, mecânico ou para que tenha bons modos», e fez questão (patriótica) de «oferecer a chácara presidencial ao atleta e seus familiares». Além de elogiar o héroi nacional, Mujica - imagine-se! - afirmou ser contra decisões tomadas fora das quatro linhas.
Maradona não ficou atrás: «Porque não mandá-lo para Guantánamo? Isto faz pensar que há pessoas na FIFA cada vez pensando menos e querendo que o espectáculo seja mais feio».
Os deuses estão loucos.
Volta depressa Maxi Pereira."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Desta vez não estou completamente de acordo com o Bagão. Considero o castigo ao Suarez de exagerado... então os 4 meses, são absurdos: não deixar o Suarez entrar num Estádio de futebol é mesmo o cumulo do ridículo!!!
Tal como aconteceu com o Binya, a FIFA (ou UEFA) gosta de pegar em 2 ou 3 jogadores, e para passar uma mensagem de rigor, são implacáveis,  mas depois com a maioria não mantêm o mesmo critério. Mais grave que a mordidela do Suarez, foi a entrada a matar do Defour, castigada com 1 jogo!!! Um tipo de jogada, repetida muitas vezes em campos de futebol, muitas vezes castigada com um Amarelo, e que pode partir uma perna ao adversário!!!
Ainda por cima existem aqui vários precedentes perigosos, como por exemplo: 'castigar' o Liverpool; e ainda usar os antecedentes do jogador ao serviço do Clube, para o castigar ao nível das Selecções...
E se isto é uma questão de ética desportiva, a FIFA e os seus dirigentes são os últimos a poderem dar lições de moral a quem quer que seja!!!
Quando a FIFA mostra uma enorme passividade com muitas condutas anti-desportivas, fora e dentro do campo, este tipo de castigos, cheiram sempre a perseguição!!! Por exemplo, os comportamentos do Chiellini e do Yepes, em ambos os jogos com o Uruguai, com provocações constantes, queixinhas, agressões, simulações, passaram totalmente impunes... E para isso, as imagens, não podem ser utilizadas e os jogadores castigados?!!!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ser Benfiquista

"Façam lá ideia do que terá sido a alegria dos miúdos benfiquistas Sub-14 que, depois de eliminarem o Barcelona, venceram o Real Madrid na final do XIII Torneo Futbol Reino de Leon! Terá sido igual ou maior que a alegria das Marias benfiquistas do Hóquei em Patins que, depois de vencerem o Bicampeonato Nacional, conquistaram a Taça de Portugal? As Marias do Hóquei do Benfica - que, para além de Marias de chamam Anas, Bárbara, Andreia, Raquel, Lina, Rute, Rita, Margarida, Marta e Inês - fizeram o pleno da modalidade, seguindo o grande exemplo do palmarés da equipa masculina Sénior.
No Atletismo, atletas do Benfica brilharam na Selecção Nacional que disputou o Campeonato da Europa de Nações, com destaque para Dulce Félix, a única atleta da Selecção portuguesa que venceu uma prova do torneio, nos 5.000 metros, e para Nélson Évora, terceiro no triplo salto, e a Júnior Teresa Carvalho, terceira classificada no salto em comprimento.
Também a equipa de Juniores femininos de Futsal do Sport Lisboa e Benfica se sagrou bicampeão Distrital, depois da Seniores terem conquistado a Taça de Portugal.
E é assim o Benfica. Mais que um Clube de Futebol - modalidade na qual a equipa principal ganhou tudo o que de melhor havia para ganhar a nível nacional -, uma imensa colectividade de campeãs e campeões das mais diversas modalidades e escalões. Num País em que cada governo se empenha em fechar mais escolas que o anterior, a formação do Sport Lisboa e Benfica, num grande número de modalidades, é uma escola modelo de prática saudável e nobre do desporto e da cultura física.

E isto é um grande motivo de orgulho para todos os que se formam nas modalidades desportivas, os que competem, os que vencem e os que partilham simplesmente a alegria de Ser Benfiquista."


João Paulo Guerra, in O Benfica

"Vai meu irmão, pega esse avião..."

"De afogado na Baía à deriva no Amazonas, Portugal perdeu-se com tanta água que foi metendo. Voará pelos céus do Brasil com o destino marcado de Lisboa.

MANAUS - Nós céus do Brasil cruza-se o Mundo. Holandeses voam para Porto Alegre, Croatas para o Recife; Gregos para Belo Horizonte e Espanhóis e Ingleses a caminho de casa. Portugal perde-se em aeroportos, de Campinas a Salvador, de Salvador a Manaus, de Manaus a Brasília. Mas não há salvador. Afogado na Baía; à deriva do Amazonas. Tanta água. Tanta água metida pela defesa portuguesa. Barco de dois canos ao fundo, como se diria na saudosa batalha naval praticada às escondidas da mestra palmatória no banco da escola. Que sobrou, e durante tão pouco tempo? Um submarino? E cuidado! Em Portugal, lá na terra do patrício, submarino é palavra proibida, ou pelo menos devia ser.
Em homenagem ao Chico (esse mesmo, o Buarque) e aos 70 anos que acabou de cumprir, vou esbulhar mais alguma da sua imaginação para tapar os buracos da minha. «Vai meu irmão, pega esse avião...», podíamos quase ouvi-lo cantar depois de mais uma vez o portugalzinho do nosso descontentamento exibir as tão evidentes fraquezas que mesmo que quisesse não conseguia esconder. Não, não adianta «jogar pedra na Geni». Nem no Ronaldo, nem no Paulo Bento, nem em ninguém. O Destino marca a hora, mesmo quando há cinco horas de diferença de Lisboa e os termómetros marcam 29.º às nove da noite enquanto comemos costela de tambaqui - sim, costelinha mesmo, ainda que tanbaqui seja peixe grandão lá das águas do Rio Negro e do Solimões. O Destino marcou cedo a hora da Equipa-de-todos-nós, se calhar cada mais menos de nós.
«Pede perdão
Pela omissão
Um tanto forçada».
Bem, aí lá estarei um pouco mais de acordo vendo a festa alheia e a sorumbática passagem lusitana por estas praias e rios que viram chegar as caravelas agora transformadas em canoas frágeis que andam à deriva nas curvas da vida.

Antecipação e falta dela
Escrever por antecipação não é muito do meu gosto. Nunca tive jeito para central. Antecipar não é o meu forte. Aliás também não tem sido o forte dos nossos centrais, muito mais antecipados do que antecipadores, e no caso de Pepe até sobretudo precipitado. Mas é a vida. O ditame do fecho do jornal que me obriga a escrever com Salvador e Manaus na memória fresquinha como um choque de Brahma, mas ainda sem Brasília.
O irmão meio avôzinho dos brasileiros já pegou novo avião, se calhar no momento em que o aqui rabisco chega às mãos do pacientíssimo leitor que faz o danado favor de me ler, em direcção a Lisboa onde voltarão a carpir-se mágoas dos Mundias que continuam a ser-nos ingratos.
A bola é uma mulher. Redondinha, mas feminina por demais. Com requebro de menina baiana.
«Menina baiana tem um jeito que Deus dá
Menina baiana tem defeito
Que também que Deus dá».
É, por isso, caprichosa. Adora quem a trata bem e despreza que a trata mal. Temos tratado mal a menina, não é? Por isso, não há pose de machão português que nos faça seduzi-la. E a bola não é mulher que se compre, como qualquer periguete seresteira, ou como aquela velhinha simpática que se instalava à porta do hotel da selecção oferecendo serviços carinhosos a preços convidativos. Azar o dela, que de convidativa nada tinha. Nem sempre o Altíssimo é justo com os seus filhos...
«Vai meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão de correr assim...»
Espera! Espera! Aguenta ái um pouco, amigo Chico. Correr assim? Escreveste correr assim? Mas correr, como? Correr, correm os outros. Nós deixamos correr o marfim, isso sim. E a segunda sílaba de marfim é simplesmente fim.
«Ritmo morno
De andar na areia
De água doente, de alagados», rimava Carlos Drummond de Andrade, poeta maior da língua que é di cá e di lá, com o Atlântico pelo meio e, como dizia o Caetano. «Uma ilha rodeada pelo espanhol por todo o lado». Foi esse o nosso ritmo, desde o primeiro de todos os minutos. Corram o filme para trás - tão para trás com aquele exagero de passes sempre para trás - e vejam a cara dos nossos rapazes: monco caído; cada golo sofrido é uma facada que penetra entra a terceira e a quarta costela, rasgando por dentro, trucidando a carne e a alma como facão de gaúcho de rodízio. Quem levanta a cabeça? Quem dá um grito, seja ele do Ipiranga ou não? Drummond outra vez:
«O ritmo do chumbo (e o peso)
Da lesma da câmara lenta
Do homem dentro do pesadelo».
Era isso mesmo que eu queira dizer: o pesadelo. Obrigado Carlos pela sua infinita habilidade de escrever tão melhor do que eu.
Fecha-se a noite. Na esplanada do «Canto da Peixada» a costela de tambuqui - isso mesmo, costela, que peixe também pode ter costela - retempera desilusões. Daqui a pouco há avião para pegar. Pelos céus do Brasil onde se cruzam países felizes e países tristes. Onde estão os dias alegres do País Triste?
A Amazónia fica longe, longe. A pouco e pouco vai-se entrando pela selva e pelos labirintos do Rio Negro e do Solimões. Quem encontrará o caminho de volta? Dá pena ver Cristiano Ronaldo perdido no labirinto confuso de um Futebol sem duende. Quando eu era garoto, nos documentários que antecediam os filmes que passavam no Condes ou no Paris, havia uma voz grossa de um brasileiro que comentava: «Essa é a Floresta Amazónica, onde jamais a mão do homi pôs o pé.!» Pois, aqui também Portugal não o pé. Que avião pegará agora? Há um casal mudo sentado na beira do passeio. Camisolas vermelhas: cinco quinas azuis. O Chico é que sabia:
«Mas não diga nada
Que me viu chorando
E prós da pesada
Diz que vou levando».
Olhem, se puder ainda mando uma notícia boa..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Diz-se por aí...

"Diz-se por aí que as contas da FIFA andam do avesso. Desde relatórios poucos claros até contas mal feitas, tudo parece possível dentro da contabilidade do maior organismo do Futebol. A título de exemplo flagrante, as contas deste Mundial: a FIFA previu um total de 2,6 biliões de reais para a construção das infraestruturas necessárias e esse custo ascendeu a 8,9 biliões. A FIFA e, por arrasto, a Presidência Brasileira tê, apostado na mensagem da ampla vantagem que fica para o Brasil depois de um mês do Mundial, para além dor retorno financeiro. Estas contas, mais uma vez, parecem feitas sem grandes bases de solidez. Não se vislumbra como a construção do estádio Arena Pantanal em Cuiabá, por exemplo, com um custo total de 646,5 milhões de reais e capacidade para 44 mil adeptos poderá algum dia gerar retorno financeiro ou mesmo social, numa região em que os estádios acolhem em média cerca de 2 mil adeptos por jornada.
Entretanto, nos bastidores, a FIFA solicitou o obteve uma importante isenção fiscal para os rendimentos derivados do Mundial (estimado em cerca de 1,1 biliões de reais), ao mesmo tempo que esses rendimentos são distribuídos por uma série de entidades empresariais especialmente criadas para este evento associadas... à própria FIFA.
A nível interno, no entanto, as contas parecem não ser fáceis de fazer, sobretudo quando se trata de investigar as alegadas suspeitas de corrupção no âmbito do processo de atribuição do Mundial de 2022 ao Qatar. Desde as alegadas transferências de 2 milhões de dólares para o antigo vice-presidente Jack Warner até ao circuito do transferências que envolve também Mohamed Bin Hamman, membro executivo da FIFA no Qatar, não há forma de se anteverem conclusões seguras por parte do comité de ética daquele organismo internacional. Continua tudo ao contrário. E, por agora, as contas da FIFA assemelham-se muito a uma entrevista de Vanessa Huppenkothem: sensuais... mas muito pouco credíveis."

André Ventura, in O Benfica

Mais Mundial

"No momento em que escrevo estas linhas, as hipóteses de Portugal pro prosseguir a sua caminhada no Campeonato do Mundo são mais ou menos iguais às das Honduras.
O saudoso José Torres, em situação semelhante pediu um dia que o deixassem sonhar. É o que nos resta. Porém, quando esta edição chegar às mãos do estimado leitor, o mais provável é que todo o país já tenha acordado para uma realidade amarga - embora não de todo inesperada.
Mas há mais Mundial para além de Ronaldo, Paulo Bento e lesões musculares, defesas impossíveis, futebol de ataque, e tudo aquilo que gostamos de ver, tem acontecido quase diariamente no certame brasileiro. Até agora, poderia mesmo qualificar este campeonato como o de maior qualidade das últimas décadas. Porventura, desde os tempos em que o romantismo mágico de Zico, Sócrates e Falcão cedeu a vez ao cinismo calculista de Rossi, Conti e Gentile, num Brasil-Itália que marcou um antes e um depois na história do desporto-rei. Estávamos em 1982.
Se quanto à qualidade do Futebol as coisas têm corrido bem, já quanto às arbitragens não podemos dizer o mesmo.
Nunca defendi a introdução de meios tecnológicos que pudessem perturbar o ritmo dos jogos com pausas indesejáveis. Depois do que tenho visto nestas semanas, talvez não mantenha a mesmo opinião. Rara tem sido a partida sem erros grosseiros de arbitragem. Juízes da Nova Zelândia, Gambia, Guatemala, Uzbequistão, Tahti ou El Salvador - sem experiência recomendável para uma competição desta natureza -, e sem falar de outros que infelizmente conhecemos mais de perto, têm desvirtuado, e em alguns casos arruinado, aquilo que os jogadores tanto se vão esforçando por fazer em campo. Há selecções eliminadas por erros de arbitragem. Há selecções qualificadas com erros de arbitragem. Com optimismo, esperemos que na fase eliminatória o panorama melhore substancialmente, pois o futebol praticado tem feito por merecer. Caso contrário, a FIFA não poderá continuar a assobiar para o ar."

Luís Fialho, in O Benfica