Últimas indefectivações

sábado, 24 de novembro de 2018

Vitória em Guimarães, apesar de...

Guimarães 1 - 3 Benfica
Conceição(2), Nóbrega


Foi um bom jogo, o Guimarães tem uma boa equipa, bem orientada... Na 1.ª parte, tivemos alguma sorte, mas no 2.º tempo acertamos as saídas rápidas e fomos eficazes.
Com 0-2 no marcador, o jogo parecia 'fechado', mas o apitadeito tinha outras ideias!!!
O Vermelho ao Daniel aceita-se, mesmo com o critério largo que deu no resto do jogo... mas o penalty é absolutamente ridículo! O nosso guarda-redes corrigiu o erro com uma grande defesa, mas o apitadeiro não desistiu... A falta assinalada ao Diogo Pinto, ao minuto 92' quando este se isolou, após uma atrapalhação do adversário, é a prova provada, que houve intenção em não permitir a vitória do Benfica... Mas a coisa correu 'mal'!!!

Vukotic em grande... e o Celton Biai é claramente o melhor guarda-redes dos últimos na formação do Benfica... nem o Ederson, fez exibições tão convincentes!!!

Vitória em São Miguel...

Clube K 0 - 3 Benfica
20-25, 10-25, 17-25

Vitória esperada em Ponta Delgada, amanhã temos jogo mais complicado na Terceira...

Uma Semana do Melhor... com o 'Vedeta' do Fialho!

Um elogio à pureza, à ingenuidade, à simplicidade e ao romantismo da Taça

"A magia da Taça...
Não é à toa que a chamam de rainha. A mais festiva competição de futebol, em Portugal, está quase a completar oitenta anos de idade. Oitenta!
A estreia - então como agora sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol - aconteceu na já longínqua época de 1938/39. O primeiro vencedor? A Académica de Coimbra, a briosa que todos conhecemos e aprendemos a gostar e respeitar. Fez história ao derrotar, numa final disputada, o Benfica (4-3).
De então para cá, a lista de ilustres vencedores e dignos vencidos não parou de crescer. Anualmente. Honrosamente.
Os primeiros finalistas conheceram-se em partidas que se jogaram nos extintos Estádio do Lumiar e Campo das Salésias. A partir de 1944 (e com honrosas excepções pelo meio), passaram para o mítico Estádio Nacional (no Jamor), onde desde então e até aos dias de hoje realiza-se o jogo decisivo. O jogo dos jogos.
O tal que permite que se suba a escadaria colada aos adeptos, rumo às tribunas, para receber das mãos do Sr. Presidente da República o mais emblemático de todos os troféus.
Centenas de clubes e regiões, de todo o país.
A prova-rainha inclui, todas as épocas, cerca de quinze ou dezasseis dezenas de emblemas, de vários escalões nacionais e distritais. Esta época (2018/19), foram 155 os clubes que, de norte a sul do país - ilhas incluídas - qualificaram-se para a prova onde todos podem aspirar a vencer, sem filtros, sem medos, sem censuras.
Na mesma medida dos muitos jogos estão as equipas de arbitragem nomeadas para dirigir partidas desta competição. As regras dizem que os árbitros devem ser, no mínimo, do mesmo escalão da equipa mais categorizada.
Um juiz distrital não pode dirigir jogos de equipas nacionais, tal como um árbitro de segunda categoria não pode arbitrar um encontro em que intervenha uma equipa da 1.ª Liga. Faz sentido.
Ao longo da carreira, tive o enorme prazer de dirigir inúmeros jogos desta competição. Acreditem: foi mesmo um privilégio.
Os jogos da Taça de Portugal são diferentes e especiais, sobretudo aqueles que se disputam "em casa" das equipas ditas mais pequenas ou menos favoritas.
Aí sim, sente-se na pele o futebol naquilo que de mais puro tem.
A força dos adeptos, o orgulho da cidade, a mobilização de miúdos e graúdos... é tudo mágico. Memorável. Imponente. A verdadeira festa faz-se cá fora. Na véspera e na manhã de dia de jogo, porque o que depois acontece lá dentro é apenas o culminar, o apogeu. O fogo de artifício no final do casamento.
As ruas vestem-se a rigor, as bancadas preenchem espaços antes despidos, há mais som, luz e cor. Há movimento anormal, permanente. Há ansiedade latente.
Toda a gente sorri com um sorriso que desarma qualquer um. Com um sorriso que explode do nada. As conversa de café, agora animados por gente e mais gente, são sobre o mesmo. Sobre o jogaço que está à porta. Sobre quem vai e quem vem.
"“Somos capazes de fazer uma surpresa”, “não esperem facilidades”, “connosco ninguém se mete” ....
É o orgulho regional, bairrista, redimensionado ao expoente máximo. É o brilho no rosto, a lágrima no canto do olho. A terra puxa, o coração palpita, a emoção aumenta.
Que coisa bonita.
Em redor do estádio - ou de muitos campos da bola que existem por aí - apinham-se vendedores de cachecóis e bandeiras. O fumo e o cheiro que andam pelo ar não enganam: há por ali muita bifana e courato, muita vinhaça e cerveja. O Presidente da Junta explode de emoção, o pároco rejubila, avós e avôs não perdem pitada.
Toda a gente quer fazer história no dia que se faz história.
A festa da Taça é um dos momentos mais mágicos que o futebol ainda tem para dar. Remete-nos para os tempos em que tudo era simples, genuíno, inocente. Não há nada melhor que ver um sorriso simpático de quem nos recebe com simplicidade, com amizade, com a humildade que só as grandes pessoas sabem carregar no coração.
Não há estádio, tecnologia ou profissionalismo que bata esse sentimento, essa sensação genuína.
O futebol português pode (e deve) continuar a evoluir, a industrializar-se, a modernizar-se. Pode e deve crescer para além das quatro linhas... mas não pode nem deve perder o seu lado mais romântico. A sua beleza natural. O seu encanto.
É a Taça de Portugal no seu expoente máximo. A nossa certeza. A nossa esperança. O verdadeiro orgulho nacional. Não é à toa que a chamam de rainha."

Como curar Dembélé

"Conheço mais casos de fracasso por inadaptação social do que futebolística, e acho curioso que, para um jogador com problemas de comportamento, o castigo seja impedi-lo de jogar

Sim, claro
O futebol não tem piedade com os medíocres e não dá opção aos que têm padrinhos. Uma concorrência justa, onde os mais capazes triunfam e os outros se perdem num caminho em que encontraram sacrifício, fatalidades, às vezes injustiças. Superar obstáculos é uma parte óbvia de qualquer desafio e consegue-se com talento e entusiasmo. Chegar a profissional é complicado, com milhões de candidatos que saem como espermatozóides em busca de uma oportunidade. Ainda em criança têm de enfrentar a lógica adulta dos pais, que lhes colocam uma pressão insuportável. E processos de selecção que começam de novo a cada temporada e que colocam em combustão companheiros que rivalizam por um lugar, treinadores que exigem, rivais que batem, adeptos que insultam. Por essa razão, quando oiço alguém dizer que não é jogador porque «o meu pai me obrigou a estudar», «o meu pai me obrigou a estudar», respondo: «Sim, claro».

O remédio errado
De facto, a carreira de um jogador está cheia de ameaças. Há promessas que se tornam em veteranos sem cumprir o que prometiam. Sobram razões. Porque o talento é mais aparente do que real, porque a personalidade não suporta a qualidade, porque as lesões atrasam a explosão... Ou por dificuldades de encaixe num novo ambiente que provoca distracções. Tendo em conta as informações, Dembélé entra em cheio na última hipótese. É conveniente levá-lo a sério porque conheço mais casos de fracasso por inadaptação social do que futebolística. Dito isto, acho curioso que, para um jogador com problemas de comportamento, o castigo seja impedi-lo de jogar. E mais curioso ainda que a opinião pública apoie a medida. Tentar recuperar um jogador impedindo-o de jogar parece-me incompreensível. Instruam-no a mudar os seus hábitos de vida porque ainda está em idade de aprender. Mas como se pode curar alguém retirando-lhe a paixão da sua vida?

Futebol clássico
O River - Boca deixa os argentinos como gatos num saco. Uma loucura que fermenta há 15 dias e que esta noite termina. Compete-se nada menos do que pode poder. Europa e América do Sul fizeram isso durante décadas. Hoje, a Europa é a meca e consagra como unidade de medida a delicadeza técnicas de La Liga, o brilho e intensidade da Premier League, o espectáculo civilizado da Bundesliga... À América do Sul resta-lhe a dignidade do parente pobre. Mas não podemos confundir superioridade económica com superioridade moral. A Europa olha para esta final como se de um futebol primitivo se tratasse, raivoso nas bancadas e precário no campo. Errado. Futebol de antes, mas não menor. Continuam a ser às centenas os jogadores que chegam para fortalecer o futebol o futebol europeu com talento, trabalho e personalidade graças a uma cultura que respira amor ao jogo. Respeito. Hoje, não vamos ver o Parque Jurássico, mas sim futebol de verdade.

Que será do futebol?
O meu adorado Pablo Aimar deixou-me em alerta quando declarou algo inquietante: «A minha geração é a última que vai ver os jogos por inteiro». As novas ideias parecem sempre exageradas, mas a frase deixou-me a pensar porque é coerente com um tempo que nos pede velocidade em tudo: em alcançar o triunfo, em ler as notícias, em ver os jogos. Logo tomei conhecimento de que a NBA já oferece como opção de compra o quarto período dos seus jogos. Para quê perder tempo com os outros três? Finalmente, Aurélio de Laurentiis, presidente do Nápoles, carregou no acelerador da inquietude de Aimar, ao propor duas partes de meia hora com um descanso de dois ou três minutos «para não aborrecer os jovens». Já agora, pergunte aos jovens o nome do novo jogo, porque futebol não é."

Jorge Valdano, in A Bola

Benfiquismo (MXIV)

Januário Barreto
Primeiro Presidente eleito do Benfica

Muitos suspiros

"Que as vitórias difíceis e sofridas possam ajudar a encontrar o caminho, pois, sem tirar mérito ao Arouca, foi sofrimento a mais

Numa semana em que as selecções mostraram que isto de favoritos no futebol já não é o que era, ficou o aviso para semana de Taça. Primeiro, segundo e terceiro classificados do último mundial, França, Croácia e Bélgica, embora favoritos, deram passagem a Holanda (nem se havia classificado para a última prova), Inglaterra e a Suíça, que, com a preciosa ajuda de Seferovic, conseguiu o mais surpreendente apuramento para a fase final da Liga das Nações.
Reduzir Fernando Santos a uma boa pessoa (embora o próprio não se importa), é não ver o essencial. Fernando Santos é excelente seleccionador, com os melhores resultados de sempre do nosso futebol de forma continuada. Transformou a vitória reiterada numa coisa simples e festeja-as com a grandeza dessa simplicidade. Ganhou o grupo sem derrotas e apurou Portugal para a final four de mais uma competição. Não foi sorte, foi mérito. E irrita-me esta comunicação opinativa que, quando não apanha um grunho carismático de pacotilha, tende a desvalorizar os seus feitos.
A Taça de Portugal é um objectivo importante e Rui Vitória lançou em moldes correctos o próximo ciclo de jogos. Os benfiquistas não querem ter esperança em resultados, querem um plano concreto e jogo para os conseguir. Rui Vitória foi directo e assertivo com esse desejo que é o dele como técnico e o nosso como adeptos.
Vencer a Taça de Portugal não faz, por si só, uma boa época para um clube como o Benfica, mas acabar a subir as escadas do Jamor com a Taça garante que nunca será uma má época.
O Arouca era o tipo de adversário com mais riscos para esta fase da prova e da temporada. Vencer não era mais do que cumprir a obrigação e ser eliminado era um escândalo com contornos de dramatismo. Acresce que as equipas da Liga2 podem não motivar tanto, nem criar tantos alertas nos adversários, mas não de qualidade idêntica a metade das do primeiro patamar do nosso futebol.
Benfica venceu por 2-1 num jogo longe de ser tranquilo. Venceu no último suspiro um jogo de muitos suspiros.
Ultrapassar esta eliminatória era o essencial neste momento, mas estamos longe do necessário para a conquista de títulos. Que as vitórias difíceis e sofridas possam ajudar a encontrar o caminho, pois, sem tirar o mérito, ao Arouca foi sofrimento a mais. Fica a vitória."

Sílvio Cervan, in A Bola

SCP-BCP-NB, SAD

"Escrevo antes do prazo de subscrição de obrigações da Sporting SAD, pelo que desconheço o desfecho da operação financeira. As dificuldades são conhecidas e admitidas, não se sabendo ainda se os apelos de dirigentes leoninos visam alertar os sportinguistas para a necessidade do seu auxílio ou (talvez cumulativamente) para os preparar para as consequências de uma previsível situação de tesouraria extremamente desfavorável. Em qualquer dos casos, fica exposto o desvario da gestão anterior. Este não é, obviamente, um problema do Benfica, mas convém recordar que não competimos sozinhos. O forte investimento leonino no futebol (aqui acompanhado pelo despesismo do FC Porto, apesar da intervenção da UEFA) e restantes modalidades mais mediáticas acarretou, para os seus adversários, necessidades de investimento superiores. Por conseguinte, importava avaliar se o forte investimento leonino se trataria de um epifenómeno motivado por uma vontade insana de ganhar ou se era fruto de uma situação económica-financeira favorável. A nossa direcção, e bem a meu ver, manteve-se cautelosa, pois a resposta pareceria óbvia não fosse a banca. Aliás, a banca (Novo Banco e BCP) intervencionado pelo Estado via Fundo de Resolução, que, mediante um cenário de perda total e penalizador para os seus balanços, optou, no fundo, por cortar as perdas. Ou simplesmente quis livrar-se do eventual ónus de ser vista como a causadora do 'fecho' do Sporting.
Alerto, no entanto, para a eventualidade de nova 'reestruturação'. Espera-se, caso se verifique, que implique obrigatoriamente racionalidade na gestão. A banca, salva pelos nossos impostos, não deveria servir para salvar o Sporting..."

João Tomaz, in O Benfica

Seixal, a tomada que nos liga a Portugal

"Ah, que animação que foi esta pausa no campeonato - como todas as outras, aliás. Quem não fica em êxtase com estes interregnos para os compromissos internacionais? Quem não salta, vibra e se arrepia com estes jogos da selecção? Quem não sente dificuldade em adormecer na véspera? Quem não fica tenso, nervoso, ansioso mal o árbitro faz soar o apito inicial? Pois, quase ninguém.
Eu próprio confesso que, no sábado, só me lembrei de que Portugal jogava com a Itália porque esbarrei num insta story do Pizzi. Aliás, para além de ver o Pizzi, o Rúben Dias e o Rafa, o único motivo que me atrai para estes jogos da selecção é poder observar a armada formada no Seixal. Nesse aspecto, sinto que Fernando Santos quer muito que eu acompanhe todos os desafios de Portugal. O seleccionador não só tem convocado cada vez mais jogadores fabricados pelo Benfica, como começa a fazer deles a espinha dorsal da equipa. Muito bem, mister. Se, tal como eu desconfio, o seu objectivo é manter-me ligado à selecção, então está a conseguir. Fosse a convocatória outra, e eu não teria adiado os bilhetes para o Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald para a sessão da meia-noite.
Seferovic, que ainda não é um jogador consensual entre os benfiquistas, assinou um hat-trick na Suíça frente à Bélgica, o que me levou a descobrir qual tem sido o problema do Haris: só gosta de marcar a guarda-redes de classe mundial. Marcou um ao Casillas, três ao Courtois, e se o Buffon, o De Gea, o Lloris, o Oblak e o Ederson fossem espalhados por equipas portuguesas, o Seferovic era o melhor marcador do campeonato a brincar. A propósito, terça-feira jogamos contra o Bayern, e o guarda-redes é o Neuer..."

Pedro Soares, in O Benfica

Cada macaco...

"Os acontecimentos de Alcochete continuam a marcar a actualidade. Nenhuma pessoa normal pode ficar indiferente ao que ali aconteceu. E como adepto de desporto, mais duro é imaginar um conjunto de atletas barbaramente agredido por um bando de delinquentes - até parecia uma largada de toiros, em zona do barrete verde.
Como em tudo na vida, mesmo dos acontecimentos mais inusitados podemos sempre retirar ensinamentos. E neste caso ficou claro até onde pode chegar a imbecilidade de um grupo que se diz de apoio.
Não sou fundamentalista, nem contra, nem a favor das claques. Acho graça aos efeitos de cor e som com que decoram os estádios, e reconheço o apoio que dão às equipas em todos os jogos. Entendo, porém, que a sua actividade se deve confinar estritamente às bancadas dos estádios, e jamais se estender a outros domínios.
Sabemos como o raciocínio de uma multidão em fúria é normalmente equivalente ao da pessoa mais estúpida que dela constar. E estupidez é coisa que não falta a estes bandos – que, entre uma maioria de jovens mais ou menos inocentes, albergam também demasiados profissionais do crime.
A norte temos o triste exemplo dum exército ao serviço de uma administração. A sul, vemos um gangue com influência ao mais alto nível dos nossos vizinhos. Se é para isso que querem legalizar as claques, então dispenso.
É preciso lembrar que por cá também já tivemos cadeiras pelo ar em Assembleias-Gerais. E há que ter o cuidado de preservar a linha que nos separa dos outros a este nível. Se existem claques no Benfica, elas representam exclusivamente os seus membros, e jamais a maioria dos adeptos do Benfica, ou qualquer outro foco de poder interno."

Luís Fialho, in O Benfica

Os bicampeões europeus

"A homenagem da Associação dos Benfiquistas no Parlamento aos campeões europeus merece ser enaltecida. António Lourenço lidera com mestria e muita dedicação a nossa Casa do SL Benfica na Assembleia da República. Uma das suas preocupações é eternizar aqueles que catapultaram o maior clube português a nível internacional. As conquistas da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1960/61 e 1961/62, deve servir de inspiração. Eu ainda não era nascido, mas adoro a história do SL Benfica. Todos sabemos que, quando o campeão nacional de 1959/60 integrou, por mérito próprio, a competição mais importante da UEFA, era um ilustre desconhecido. Graças ao talento de 14 fantásticos jogadores, capitaneados por José Águas, o SL Benfica despachou Hearts (Escócia), Ujpest (Hungria), Aarhus (Dinamarca), Rapid Viena (Áustria) e, na final , bateu o poderoso Barcelona por 3-2. Quando a equipa de Béla Guttmann arrancou nesta prova, em 29 de Setembro de 1960, ninguém pensou que chegaria à final de Berna, no dia 31 de Maio de 1961. Jogo a jogo, eliminatória a eliminatória, Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Artur Santos, Saraiva, Serra, Neto, Germano, Cruz, José Augusto, Santana, Mário Coluna, José Águas e Cavém deram uma lição de mística. Nunca por nunca se deve esquecer os dirigentes que na altura geriam os destinos do nosso clube, em particular o presidente Maurício Vieira de Brito. Na época seguinte, reforçados com Eusébio, Simões e Humberto Fernandes, sagrámo-nos bicampeões europeus, batendo, na final, o pentacampeão europeu, Real Madrid. Há 57 anos o sonho concretizou-se. Será crime sonhar de novo?"

Pedro Guerra, in O Benfica

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Investir em CSR

"A responsabilidade social corporativa, conhecida pela sigla CSR, é cada vez mais entendida como um pilar da sustentabilidade das empresas. A tendência, claro está, veio de fora, mas enraizou-se já fortemente em Portugal e pode dizer-se que hoje em dia todos os grandes actores do sector provado e do terceiro sector têm na sua agenda programas, projectos ou acções de responsabilidade social. Mas o que é isso da responsabilidade social? Em primeiro lugar, a responsabilidade social de uma empresa é para com os seus colaboradores, fornecedores e clientes, criando o contribuindo para um ecossistema equilibrado e regular em que todos encontram lugar e meios de sustento para uma vida digna. Em segundo lugar, a responsabilidade social corporativa assenta  no cumprimento atempado de todas as obrigações contributivas, garantindo por essa via os meios para que se exerçam as funções do Estado e, muito particularmente, aquelas do Estado Social. No entanto, não se trata simplesmente de um exercício de solidariedade, e muito menos de caridade, embora seja herdeira directa da velha filantropia. Trata-se, isso, sim, de investimento. Mas durante muito tempo a responsabilidade social corporativa manteve-se reduzida ao simples cumprimento destas obrigações óbvias. Mas o mundo mudou, e se todos sabemos apontar-lhe em que o fez para pior, manda a boa regra que realcemos em que mudou para melhor. E, neste caso, há que dizer que as empresas reconhecem cada vez mais que a responsabilidade e o seu compromisso é com a terra onde pisam e com as pessoas que as rodeiam. Na verdade, faz sentido que uma organização que gera valor extraindo riqueza de um dado território entenda que irá ter um problema a prazo se não investir na reposição das condições de base desse território. Quer dizer,se assumir um comportamento predatório e retirar tudo o que pode sem ajudar a repor e a desenvolver, seja em que ramo de actividade for e seja em que recurso for, da água aos recursos humanos para usar dos exemplos, virá a precisar de continuidade ou crescimento, e o seu território não irá prover o que já não tem. É como diz o povo: 'donde se tira e não se põe...'
Ora, a responsabilidade social é um meio fundamental para que uma parte da riqueza produzida seja reinvestida na valorização do tecido social que a produziu, por exemplo combatendo a pobreza e o insucesso escolar, preservando o ambiente e combatendo as exclusões sociais. Esse investimento irá possibilitar, por exemplo, que mais jovens desenvolvam o seu potencial e assumam no futuro profissões necessárias à sociedade e ao próprio funcionamento da economia, do mesmo modo que baixa os níveis de exclusão e conflitualidade social e permite o desenvolvimento harmonioso da comunidade e do território e, consequentemente, assegura a tão almejada e vital sustentabilidade.
É isto que faz a Fundação Benfica e por isso encontra cada vez mais parceiros privados interessados em investir em conjunto nos projectos que implementa. Um deles, que tem vindo a mudar a vida de milhares de jovens e famílias desde 2010, é o projecto 'Para ti Se não faltares!'. De vez em quando, cá e lá fora, os seus resultados são reconhecidos e premiados, honrando o nosso esforço e confirmando que a obra social do Benfica é um importante contributo para o desenvolvimento sustentável do país. Obrigado pelo prémio atribuído na I Gala de Prémios Empresariais 'Patrocina um Desportista'. Está bem entregue, não pelo que já fizemos, mas sobretudo pelo que ainda vamos fazer, pois, sempre que reconhecem o nosso trabalho, dão-nos alento para continuar e colocar a fasquia mais alta."

Jorge Miranda, in O Benfica

Mudanças

"Hoje, nos dias que correm, como em cada época da história moderna depois do século XVIII, é claro no senso comum que o mundo mudou. Todos os meses, todos os dias, muda. Muito: a cada hora, tudo se transforma e evolui. Os arquétipos da vida social, as estruturas comunitárias, as cidades, as empresas, as associações, as vidas das famílias e das pessoas. Mudam também, por extensão e de modos cada vez mais constantes, as circunstâncias civilizacionais, os modelos de conhecimento, as condições científicas, as experiências culturais e as arquitecturas e linhas da comunicação.
Tais e todas as transformações induzem naturalmente a novas tipologias comportamentais nas pessoas. E, nas presentes circunstâncias, tal não será de espantar, como mais directas consequências resultantes, no plano individual, da compressão poderosamente exercida pelo ambiente global de mudança. Em todo o caso - nos dias em que estamos a viver - o que já é bastante mais impressionista, são as patentes alterações, agora tão sensíveis, no quadro da personalidade humana e nos próprios padrões identitários do homem.
O cão é sempre um cão, mesmo que as condições da sua alimentação ou da progressiva domesticação se tenham alterado com os tempos. O toiro sempre se mantém, anda hoje, como o mesmo animal bravio, cujas características conhecemos através de descrições literárias e pinturas artísticas que herdámos do passado. As selvas e florestas tropicais transformaram-se dramaticamente, mas a natureza das cobras e dos répteis, não. Nada. No entanto, por vezes (vezes demais...), a personalidade humana pode tornar-se permeável e inesperadas mudanças, da mudança. E estas serão as mais exógenas alterações de toda a criação, porque, precisamente, são as que mais afectam, de modo mais interior e mais profundo, a própria constituição fundamental do único ser inteligente que reside à face da terra e se pode movimentar sobre as águas e nos céus.
Quer exemplos desta dramática permeabilidade, que hoje tão facilmente pode transformar homens ao nível intelectual as canídeos, bovinos ou lagartos?
Basta conferir o insultuoso comportamento de tantos falsos opinion makers de pacotilha que hoje diariamente peroram, como se ainda tivessem cérebro, em tantos e tantos escarcéus de tantas televisões: o que ontem diziam que pensavam é o contrário do que hoje despudoradamente vomitam, de cerviz baixa e com a espinha amolecida. Em todo o caso, perante todos os que conservamos a cabeça limpa e a coluna firme, nenhum deles vale, sequer, um caracol..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Sabe quem é? O primeiro depurado - Simões

"Foi inaugurar Estádio Salazar, bufo pôs PIDE à sua espera no aeroporto; Jogo do Benfica, salvou-o da barricada do CDS

1. Era Outubro de 1967, em atraso andavam os ordenados no Benfica. Após um treino acercou-se de Romão Martins e perguntou-lhe quando é que os pagavam. A resposta que apanhou foi: «É lamentável que os jogadores se preocupem tanto em receber tão depressa» - e Fernando Riera exigiu que pedisse pronta desculpa ao director do futebol. Fê-lo na festa de despedida de Costa Pereira, mas, a pretexto de entrevista ao Século Ilustrado, foi suspenso por 30 dias. Piscaram-lhe o de Alvalade - percebendo o risco em curso só então o Benfica lhe saldou a dívida: 62 500 escudos.
2. Entregara o seu caso a advogado que era filho do médico que tratara da equipa de futebol do Sintrense e defendia presos políticos: o Jorge Sampaio. E também foi ele que, por 1968, lhe tratou da renovação com o Benfica - que valeu 350 contos em luvas e 90 em salários anuais (90 contos seriam hoje cerca de 27 100 euros - e a Morris tinha publicidade ousada ao seu modelo 850: meninas muito sexies em calções de... futebolista e custava 113 contos).
3. Por essa altura ele tivera a PIDE à perna: «Quando a selecção foi jogar contra o Brasil a Moçambique para a inauguração do Estádio Salazar - aquilo estava tão mal organizado que eu afirmei, entre nós, que assim pouco orgulho podia haver em representar-se Portugal. Quando voltámos, no aeroporto, tinha dois senhores à minha espera. Levaram-me para a António Maria Cardoso para me justificar. Disse-lhes que me achava com direito à indignação e que era por querer que representar o país fosse um orgulho é que afirmara o que um bufo apanhou - avisaram-me que tivesse cuidado! Voltei lá porque fiz uma amizade na Checoslováquia, trocámos cartas, acharam que fosse algo de subversivo, tive de ir provar que não. Preso não sei se teria sido, mas se não fosse o jogador do Benfica teria sido bem pior. Fui sempre irreverente, sempre estive, quis estar, do lado dos mais fracos, dos mais aflitos - para ajudar a escolher a cadeira vazia, percebe?!...»
4. Quando Marcelo Caetano aceitou que os futebolistas pudessem ter um Sindicato, a sua alma era ele: «O Dr. Sampaio várias vezes o garantiu: que foi preciso coragem para eu me lançar contra a Lei da Opção, ser a primeira pedra mandada para a batalha, andar, como andava, a correr para o Ministério das Corporações, a lutar sozinho, por todos nós, por mais previdência, por assistência social obrigatória». (Ao Sindicato, os primeiros estatutos escreveu-lhos Jorge Sampaio. Foi formalmente constituído em Fevereiro de 1972 - e, na primeira direcção, a seu lado, estavam o Eusébio, o Artur Jorge, o Fernando Peres, o Rolando, o Pedro Gomes e o João Barnabé).
5. No último fim de semana de Janeiro de 1975, militantes de extrema esquerda precipitaram-se em fúria (e descabelados) para o Palácio de Cristal - onde CDS estava me congresso. Cercados, os seus 700 congressistas barricaram-se lá dentro, em pânico e só saíram 24 horas depois, evacuados pelo COPCON com a ajuda de para-quedistas de Lisboa. Não, ele não passou pelo susto porque, apesar de ser candidato do CDS à Assembleia Constituinte, tivera jogo com o Leixões (entrou aos 62 minutos para o lugar de Nené e o Benfica venceu por 3-0).
6. Falhou a eleição para a Assembleia Constituinte - e Freitas do Amaral chamou-o à sua residência (lá, com ele tinha Amaro da Costa): «Desafiaram-me de novo a candidato, candidato às Legislativas de 76 por Fora da Europa. Ganhei com vantagem extraordinária. Assumi o cargo em São Bento, fui o primeiro futebolista a consegui-lo. O ordenado de deputado? Não me lembro bem, era coisa à volta dos 12 contos (que hoje seria menos de 1500 euros). Uma ninharia comparado com o que recebia como jogador na América, em três meses em Boston recebi mais do que em três anos no Benfica...»
7. Para a América fora - jogar pelo Boston Minutemen: «Procurei o Dr. Borges Coutinho, anunciei-lhe que o meu último jogo pelo Benfica seria o do titulo de campeão (o seu décimo - para além das duas Taças dos Campeões e mais), contra o Tomar. Procurou demover-me, disse-lhe que não se preocupasse com os 650 contos da festa de homenagem que o Benfica teria de me fazer. Recusei isso e mais 500 contos pelas duas épocas que ainda tinha em contrato e poupei assim 1650 contos ao clube (que hoje seriam cerca de 240 mil euros)»."

António Simões, in A Bola

Benfica correu risco

"De início ao fim o Benfica complicou sempre a própria vida. O resultado poderia ter sido outro...

Uma entrada muito desorganizada
1. O Benfica protagonizou uma primeira parte desorganizada, com muitos jogadores que, embora se admita que tenham ligações decorrentes do trabalho que façam nos treinos, na verdade em campo demonstraram não ter esses elos. O rendimento geral, claro, ressentiu-se de toda essa estranheza. Para mais, talvez a piorar até este cenário, note-se que alguns jogadores parecem até actuar fora da posição e isso seguramente deixou os adeptos, a espaços, particularmente ansiosos. O Benfica correu muitos riscos neste jogo...

Krovinovic na esquerda não faz sentido
2. No que respeita aos jogadores fora de posição parece-me natural destacar o caso de Krovinovic, que regressou à equipa, mas não creio que jogar na ala esquerda permita aproveitar-lhe de melhor forma as capacidades. Com tudo isto, de forma natural e crescente o Arouca foi percebendo que podia arriscar, que podia surpreender. Isto porque, sobretudo depois de ter feito o primeiro golo do jogo, os visitantes terão também sentido que entraram no relvado uma série de emoções perturbadoras para o Benfica, que oscila entre bons e maus momentos, entre bons e maus resultados.

A solução de Vitória
3. Rui Vitória resolveu a questão de Krovinovic tirando-o de jogo. Note-se, aliás, que o croata não está ainda em boa forma, o que é compreensível. Nas mudanças operadas pelo treinador do Benfica merece nota especial a aposta em Rafa, que trouxe velocidade, largura, profundidade, trouxe um bocadinho de cada coisa e com isso a equipa encarnada passou a ter uma opção mais enérgica, um caminho novo para chegar à baliza. O golo do triunfo, aliás, disso mesmo resultaria.
É verdade, sim, que o Arouca ainda teve duas grandes oportunidades e que o susto causado ao Benfica poderia ter-se repercutido de forma particularmente grave... Ainda assim, inclino-me a considerar a vitória do Benfica justa, porque as dificuldades criadas pelo adversário foram sendo resolvidas, lentamente, até final. As águias sofreram, mas venceram."

Álvaro Magalhães, in A Bola

E a culpa não é de quem aplica a lei...

"A justiça desportiva em Portugal é altamente ineficaz, por lenta e ronceira, mostrando-se completamente desajustada à realidade que disciplina. E a culpa não é de quem a exerce, que está manietado pelos regulamentos, mas da fórmula encontrada, que replica os procedimentos da justiça comum, numa má adaptação de circunstâncias diversas. À justiça desportiva pode-se que aligeire processos, criando a celeridade adequada à dinâmica das competições. E não é preciso ir muito longe para encontrarmos bons exemplos. Basta pôr os olhos na UEFA ou na FIFA para percebermos como as coisas podem ser feitas de forma muito mais expedita; ou mesmo na Premier League, que também não se deixa afogar em burocracia e decide geralmente em tempo útil. Se quisermos, contudo, ir um pouco mais longe, temos o exemplo dos desportos colectivos profissionais nos Estados Unidos, onde vemos decisões de um dia para o outro, ágeis, rápidas e justas. Por cá, enquanto entenderem que os tempos da justiça desportiva devem ser os mesmos da justiça comum, o arrastar dos pés decorrente cobrirá, inevitavelmente, de ridículo, decisões fora de tempo, cuja eficácia prática acaba por deixar muito a desejar. Exemplos?
Há uma semana o país desportivo deu sonora gargalhada quando foi informado de que Bruno de Carvalho tinha sido punido com 30 dias de suspensão por algo que fez em 27 de Março; hoje soube-se que o pavilhão João Rocha vai ser fechado por um jogo, por incidentes do play-off da época passada. Valerá a pena, creio, que se gaste algum tempo a pensar se não será possível alterar esta apologia da câmara lenta."

José Manuel Delgado, in A Bola

Nem sempre o que parece é!

"As equipas principais dos clubes e selecções são, sem qualquer dúvida, os motores de toda a máquina do futebol. O seu sucesso é fundamental para que toda a estrutura tenha condições para se desenvolver. Não só sob o ponto de vista económica e financeiro, mas igualmente na vertente desportiva. Essa estrutura significa o futuro desse mesmo clube, ou federação, e dessa forma o crescimento do futebol nesse País. É bem verdade que a maioria dos adeptos analisam de forma diferente a gestão de um clube ou federação. A importância da equipa principal sobrepõe-se a tudo o resto. Contudo, existe toda uma estrutura, bem sei que diferente num clube ou numa federação, para suportar a equipa AA. No caso português, a FPF organiza 35 competições, não incluindo as competições profissionais, responsabilidade da Liga, tem 21 selecções nacionais em actividade, que disputam cerca de 200 jogos por época, cerca de 1900 clubes activos, 200.000 jogadores inscritos, 16.500 dirigentes, 7400 treinadores, 5100 árbitros, e organiza 9000 jogos por época. Como se percebe a gestão desta grande organização, e estes dados são apenas um exemplo, exige esforço, empenho e competência. Se a isto juntarmos as 22 Associações Distritais, que organizam também elas as  suas próprias competições, chegamos a um número de mais de 122.500 jogos por época, 336 jogos por dia em 2017/18. Ainda há torneios de observação e detecção de talentos durante as épocas. Todos nós vemos as equipas principais, mas a maioria nunca se apercebeu de tantos que trabalham em todos os outros escalões para se atingir o sucesso na equipa sénior. Para reforçar, é importante perceber que poucos participantes chegam a assinar contrato de trabalho. Dados da FIFA indicam que 1 em cada 5000 jogadores registados atingem esse nível. O futebol de alto nível está suportado numa base que ainda é muito desconhecida, e muito menos reconhecido."

José Couceiro, in A Bola

Desmentido

"Face a um conjunto de notícias falsas e boatos que têm circulado em alguma Comunicação Social e Redes Sociais, o Sport Lisboa e Benfica desmente qualquer tipo de utilização do sistema sonoro do Estádio para reprodução de gravações de cânticos ou aplausos.
O facto é facilmente atestado pelo relatório dos responsáveis e delegados da Federação Portuguesa Futebol presentes ao jogo de ontem."

Conversas à Benfica - episódio 44

Treinadores em Portugal (1)

"Muito se tem falado em Portugal sobre treinadores, particularmente dos portugueses que têm brilhado no país e no estrangeiro; desde o início do Séc. XXI, dentro de portas muito raros são os estrangeiros chamados a liderar equipas nacionais; e, no estrangeiro, muitos têm sido os portugueses a conquistar títulos em vários continentes, dando origem ao que se pode apelidar de "escola" de um futebol, ao mesmo tempo original, criativo e eficaz.
Nem sempre foi assim e muitos foram os obreiros que trilharam esse longo caminho desde meados do Séc. XX; seleccionámos aqueles oito que, em nosso entender, balizaram o percurso com modelos, reformas, estruturas, mentalidades e, naturalmente, êxitos: Otto Glória, Bella Gutman, Anselmo Fernandez, Carlos Queiroz, Artur Jorge, Scolari, Mourinho e Fernando Santos (3 estrangeiros e 5 portugueses), em que assinalámos os maiores destaques.
Otto Glória (brasileiro, 1917-1986). Foi, verdadeiramente, quem revolucionou o futebol em Portugal. Aterrou em Lisboa em 1954, foi treinador do Benfica até 1959 e depois entre 1968 e 1970, tendo ganho 4 Campeonatos e 3 Taças de Portugal; não só trouxe uma nova táctica (a "diagonal", 4x2x4), como inovou no treino, nas concentrações e nos estágios, e implantou uma disciplina rígida, que até proibia o Presidente de ir ao balneário... Treinou também o Belenenses (1959-61, 1 Taça), FC Porto (1963/65, finalista da Taça e 2 vezes vice-campeão) e o Sporting (1961/62, logo rendido por Juca, que foi campeão e 1965/66, campeão). No plano internacional foi treinador da selecção que conquistou o 3.º lugar no Mundial 1966 (seleccionador Manuel da Luz Afonso) e em 1982/83, na preparação do Europeu de 1984 (8 jogos).
Bella Gutman (húngaro, 1899-1981). Venceu tudo por onde passou, Holanda, Itália, Brasil, Uruguai, Hungria. Veio para treinar o FC Porto (campeão em 1958/59, com equipa experiente) e logo transitou para o Benfica, onde anteviu largo futuro, tendo sido bicampeão nacional (1959/60 e 1960/61) e levando, pela primeira vez, uma equipa portuguesa a um título europeu, duplo vencedor da Taça dos Campeões em 1960/61 (Berna) e 1961/62 (Amesterdão).
Anselmo Fernandez (1918-2000). Está incluído neste conjunto de grandes treinadores porque também foi um vencedor europeu. Arquitecto, treinou o Sporting na época 1963/64, rendendo o brasileiro Gentil Cardoso à 21.ª jornada (15 de Março) e após a derrota em Manchester para a Taça das Taças (1-4). No Campeonato pouco pôde fazer (1V- 2E-2D nas últimas 5 jornadas), confirmando o 3.º lugar. Mas na Europa conseguiu recuperar, derrotando o Manchester United na 2.ª mão (5-0 em Alvalade) e depois o Lyon nas meias finais; empatou com o MTK Budapeste na final (3-3) e venceu a Taça das Taças na finalíssima (1-0), com o célebre "cantinho do Morais". Ainda treinou na época 1964/65, durante escassos 2 meses (7 jogos), tendo rendido o francês Jean Luciano e sido rendido por Armando Ferreira.
Carlos Queiroz (1953). Criador de um modelo inovador, de base científica, que deixou um legado académico de grande prestígio e viria a traduzir-se na formação dos jogadores e treinadores portugueses, logo projectados para patamares até então inimaginados. Foi bicampeão mundial júnior (1989 e 1991); seleccionador nacional (1992) com projecto de estruturas, não concretizado porque adiantado no tempo e manifesta falta de apoio (falhou o Mundial 94); de novo seleccionador nacional (foi ao Mundial 2010), com êxitos relativos, mas conseguindo montar estruturas no futebol jovem, com treinadores que foram seus jogadores campeões mundiais e ainda perduram, em 2018, dos Sub-15 aos Sub-20: Filipe Ramos, Emílio Peixe, Rui Bento, Hélio Sousa (campeão europeu Sub-17 e Sub-19); também Paulo Sousa, no estrangeiro e Rui Jorge (que não foi daquelas selecções juniores, nos Sub-21). Treinou o Sporting (Taça de Portugal e Supertaça), foi adjunto de Alex Ferguson no Manchester United, treinador do Real Madrid e seleccionador de Portugal, Emirados Árabes Unidos, África do Sul e Irão.
Artur Jorge (1946). Um dos melhores pontas de lança portugueses, tirou o curso de treinador na ex-RDA e, após passagem por vários clubes, chegou ao FC Porto onde foi bicampeão (1984/85 e 1985/86), ganhou 1 Supertaça e a Taça dos Campeões Europeus (Viena, 1987). Treinou depois o PSG (Liga e Taça de França), de novo o FC Porto (1989-91 vencendo outro Campeonato, 1 Taça e 2 Supertaças), Benfica (1994/95) e, no estrangeiro, Espanha, Holanda, Arábia Saudita (campeão), França e Argélia. Foi também seleccionador de Portugal (1996-97, 12 jogos), Suíça e Camarões.
Luiz Filipe Scolari (dupla nacionalidade, Brasil/Itália, 1948). Foi campeão do Mundo pelo Brasil em 2002. Seleccionador português entre 2003 e 2008 (74 jogos), afastou alguns indiscutíveis do passado, investindo na motivação e na mística da bandeira. Foi 2.º classificado no Europeu de 2004 (final com a Grécia) e 4.º no Campeonato do Mundo de 2006 (derrotas com França e Alemanha). Treinou depois em Inglaterra (Chelsea), Uzbequistão, Brasil e China, voltando a ser seleccionador do Brasil no Mundial de 2014.
José Mourinho (1963). Intuitivo, controverso, inovador no treino, protagonista mediático, sempre à frente do seu tempo, marcou decisivamente o futebol do Séc. XXI; tornou-se o mais prestigiado treinador português e um dos maiores a nível mundial, deixando um rasto de admiração nos clubes, adeptos e jogadores com quem trabalhou. Em Portugal, depois do Benfica e União de Leiria, treinou o FC Porto, onde foi bicampeão e venceu uma Taça de Portugal, brilhando depois com a conquista da Taça UEFA (2002/03) e da Liga dos Campeões (2003/04). Foi depois campeão em Inglaterra (Chelsea), Itália (Inter) e Espanha (Real Madrid) e venceu outra Liga dos Campeões (Inter) e a Liga Europa (Manchester United).
Fernando Santos (1954). Começou a treinar o Estoril e o Estrela da Amadora, cujo 7.º lugar o levou ao FC Porto, onde concluiu o ciclo hegemónico de 5 campeonatos, tornando-se "o engenheiro do penta", além de 2 Taças e 2 Supertaças, em 3 épocas. Treinou depois na Grécia (AEK, Panathinaikos e PAOK) e pelo meio Sporting e Benfica, sem títulos. Pelo reconhecimento dos clubes, voltou à Grécia como seleccionador entre 2010 e 2014. Assumiu então a selecção nacional que conduziu até ao inédito título de Campeão Europeu (2016), a que se seguiu o 3.º lugar na Taça das Confederações (2017), a modesta participação no Mundial 2018 (oitavos de final) e a qualificação para a final four da Liga das Nações, a disputar em 2019.
Voltaremos a este tema."

«Pep Guardiola, amo-te»

"Para desmanchar já eventuais equívocos, esclareço que o autor da frase em título não é este que vos escreve.
Não que haja algum mal nisso, como diria Jerry Seinfeld. O amor entre humanos é uma via de dois sentidos e na minha consciência não há sinais de proibição.
Bom, na verdade, o título deste Chuteiras Pretas foi disparado por um grito, já há alguns anos, no Bonaparte, casa obrigatória para quem gosta de cerveja e conversa boa, ali na Foz do Douro.
O Barcelona de Guardiola acabara de esmagar o Real Madrid por 5-0, Novembro de 2010. Na mesa ao lado, um puto de 20/25 anos levantou-se a esbracejar e prometeu amor eterno, uma casa e uma família ao criador do tiki taka catalão.
Por esses dias, Pep ainda era para mim uma fonte de fascínio de fiabilidade duvidosa. Numa equipa com Xavi, Iniesta e Messi parecia-me mais simples, e até mais sensato, gritar «Leo Messi, amo-te» ou «Xavi, quero um filho teu».
Informo os incautos que não sei se alguém já decretou publicamente estas paixões, mas reclamo aqui e agora a minha inocência.
Recupero o episódio no pub mais alemão da cidade do Porto porque acabei de ver o documentário All or Nothing. E as imagens de Guardiola no balneário/banco de suplentes/sala de reuniões não me saem da cabeça.
Guardiola é tudo o que um líder e um treinador de futebol devem ser. Tem um discurso cativante, olha os jogadores nos olhos, transporta emoção e sabedoria. Bebe o jogo num trago e nunca está satisfeito.
O catalão é a materialização moderna e definitiva do treinador-modelo. O homem que desenha uma ideia e replica-a no relvado, letra por letra, linha por linha. Não é isso, afinal, o que se espera de um técnico? Obrigar as equipas a jogar da forma como ele pretende. Parece simples.
É o melhor do mundo? Seguramente. Wenger foi um coito interrompido no Arsenal; Mourinho é um monstro gasto pelas suas guerras interiores; Klopp é o rock n’roll tocado numa nota ao lado; Pochettino foi capaz de perder um campeonato para o Leicester; Allegri é um Conte 2.0; Simeone é um durão sem a harpa dos sorrisos; Sarri é só uma boa ideia pensada num cigarro no canto da boca e um copo de whisky quase vazio.
Por isso, sim. O rapaz do «Pep Guardiola, amo-te» é que estava certo e eu era só mais um ridículo incrédulo.
Pep nunca terá o meu amor, porque esse está reservado para a minha esposa Catarina, os meus bebés Ema e Santiago, e os meus pais. Mas terá eternamente a minha profunda admiração desportiva.
Só ele poderia chegar a Inglaterra e tornar os brutos carregadores de menires em polidores de diamantes.

PS1: imagino Guardiola em Portugal. O que conseguiria Pep ao volante deste FC Porto? Não seria fácil fazer melhor do que Sérgio Conceição, extrair tanto do plantel azul e branco.
E no Benfica? Faria definitivamente melhor do que Rui Vitória. Não me esqueço de uma conversa com um antigo adjunto do ribatejano, já há uns anos. Confidenciou-me que Vitória era o treinador mais competente e conciliador que conhecera dentro do balneário, nas palestras motivacionais. E o pior no trabalho de campo, nas definições estratégias e nas reacções ‘ao minuto’ no banco de suplentes. Talvez isto explique o actual Benfica.
Já agora, e neste Sporting? Ninguém pode ter uma boa resposta a esta questão."

Intermediário desportivo

"Quem pode exercer a actividade de intermediário desportivo, e qual a sua utilidade?
À luz do art. 36º da Lei nº 54/2017, de 14 de Julho, que regula o Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo, Contrato de Formação Desportiva, e Contrato de Intermediação, só podem exercer esta actividade as pessoas singulares ou colectivas devidamente autorizadas pelas entidades desportivas competentes.
Neste sentido, a pessoa interessada só pode exercer esta actividade mediante registo junto da Federação Portuguesa Futebol, conforme o art. 6º/1 do Regulamento de Intermediários da FPF.
Com efeito, não obstante a reputação algo questionável desta profissão – comportamentos que atentam à ética desportiva, práticas especulativas, ou falta de transparência – a mesma recapeia de elevada importância na defesa e promoção dos interesses profissionais do atleta.
Na verdade, um atleta não se encontra apto a negociar, ele próprio, o conteúdo do seu contrato de trabalho desportivo, desde logo por ser jovem e inexperiente, e desprovido do conhecimento exigível em matérias jurídico-laborais, por exemplo.
Ademais, a maioria dos processos negociais são desgastantes, intrincados e morosos, e pouco convidativos à participação do atleta, que se quer empenhado nas suas funções estritamente desportivas.

Existem limites à sua actividade?
A lei aduz que está vedada ao empresário desportivo a representação de praticantes desportivos menores de idade. Esta é uma das principais novidades consagradas no nº 3 do art. 36º da citada Lei nº 54/2017, no seguimento do já estabelecido no Regulamento de Intermediários da FPF (art. 5º, nº 4), embora em sentido contrário ao previsto no Regulations on Working with Intermediaries da FIFA, que permite a representação de menores por intermediários, mas não a sua remuneração (art. 7, nº 8). 
Significa que, pode ocorrer um conflito entre o regulamento da FIFA, e o da FPF, cuja solução conheceu estribo directo na lei: prevalência do regulamento da FPF (art. 1º, nº 2)."

Os anónimos excelentes no Portugal das gravatas

"Faltam 610 dias para o início dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Dezenas de atletas portugueses trabalham para franquear as portas de um sonho irreprimível: participar na manifestação cultural global que marcará o resto das suas vidas. O resultado final de cada um será diferente, mas o nível de empenhamento na busca da excelência idêntico. Mais algumas dezenas de treinadores e equipas multidisciplinares trabalham lado a lado com o objectivo último da superação, independentemente das condições que cada um consiga reunir.
Hoje, sexta-feira, se ler este texto por volta das 10h00, os nadadores portugueses aspirantes aos Jogos já estiveram na piscina duas horas, para cobrir os sete quilómetros do treino da manhã. Há tarde nadam mais sete. E pelo meio fazem uma hora de ginásio. É assim todos os dias. Também atletas, atiradores, canoístas, cavaleiros, ciclistas, futebolistas, golfistas, ginastas, judocas, karatecas, mesa-tenistas, remadores, surfistas, taekwondistas, tenistas, triatletas e velejadores trabalham a um ritmo e com uma dedicação invisíveis num Portugal toldado por gravatas e colarinhos brancos, submetido a agendas casuísticas disseminadas pelo espaço público fragmentado e gerido nas redes sociais.
Não é este Portugal mascarado de modernidade, onde os valores sociais expressos na comunicação global estão de-pernas-para-o-ar, que tira do sério os aspirantes a Tóquio 2020. O atleta que divide o 11.º ano de escolaridade em dois e faz o mesmo com o 12.º, para não abrandar na exigência autoimposta de dar o melhor de si mesmo sem desfocar de cada objectivo, e assim consegue a entrada na faculdade, não desmobiliza, não desanima perante um país que o desconhece. Mesmo sabendo que no apuramento de contas a multidão não quer saber do que fez da sua vida e em que condições. E o mesmo fazem atletas que têm uma profissão – treinando antes e depois -, na conjugação de exigências de trabalho elevadíssimas para tentarem chegar a um objectivo último que faça valer a pena todos os sacrifícios. Com os seus treinadores, fisiologistas, nutricionistas, psicólogos, médicos, fisioterapeutas.
Em 2019, alguns atletas e equipas já terão ficado para trás, mas muitos estarão em linha com o objectivo e outros ainda irão a tempo de fazer as correcções necessárias para lá chegar. O país seguirá ao seu ritmo, dando palco à mediocridade, expondo todos os dias casos de como não se deve fazer, tornando tendência a anedota e o ridículo, corporizando a agenda do fútil e da superficialidade, lado a lado com quem trabalha pela superação, na busca da excelência, protagonizando histórias inspiradoras, desconhecidas, no silêncio, no anonimato. E todos os dias é assim. Pela bandeira, pelo hino, por Portugal."

Benfiquismo (MXIII)

Super-Atleta:
Guilherme Espírito Santo

Vermelhão: mais um susto !!!

Benfica 2 - 1 Arouca


Mais um jogo onde ficou demonstrado as nossas dificuldades nas transições defensivas: contra uma equipa a jogar com as linhas muito recuadas, não conseguimos evitar os contra-ataques perigosos... não só no golo sofrido, como naquelas duas oportunidades na entrada do último quarto de hora...!!!
É verdade que tivemos muita bola, é verdade que desperdiçamos alguns golos, é verdade que o adversário usou a falta estrategicamente sempre que o Benfica se aproximava da zona de perigo impunemente, mas deveríamos ter resolvido o jogo mais facilmente...
Destaco os primeiros minutos do Krovi, após muitos meses... ainda está perro, nota-se, mas só ganhará ritmo com minutos em campo...

Agora em Munique, tudo será diferente. Vão regressar muitos jogadores, e a dinâmica será diferente, porque seremos nós a jogar com o bloco baixo... Mas se a intenção é não ter a bola no pé em Munique, então serão 90 minutos, muito longos!!!!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Cadomblé do Vata ('coisas estranhas')!!!

"Uma equipa de "Coisas Estranhas" que aconteceram ao plantel do SL Benfica:
GR: Zack Thornton - em 03/04 Camacho pediu um guarda redes a LFV. Teve este americano como resposta. No final do ano não aceitou renovar... coincidências?
DD: Oleg Luzhny - um dos maiores "cabelinhos à fodasse" do futebol mundial foi apresentado e treinou no SLB. Acabou por não ficar por divergências sobre a forma de pagamento: numa fase pré-euro, o Dinamo Kiev pensava que ia ser pago em dólares; o SLB não pensava pagar... simplesmente. 
DC: Simanic - Ailton foi contratado como reforço da equipa para 93/94 e este armário foi comprado para ir com Jorge de Brito a Espanha buscar o JVP... ou deixá-lo incapaz de jogar no Sporting.
DC: Abazaj - albanês que participou numa tournée pelo Brasil onde levamos pancada da grossa de toda a gente. Fez parte duma época em que parecia que o nosso scouting era um autocarro que apanhava pessoal em descampados.
DE: Lúcio Wagner - esteve no SL Benfica, vindo do Corinthians Alagoano na fase brasileira da sua vida. Mais tarde tornou-se búlgaro e chegou a internacional. Podíamos estar aqui a falar de um Lúcio Wagnerov. Andou pelo Alverca, onde foi colega de equipa de... Rui Vitória.
TR: Eydelie - foi um dos pontas de lança do suborno do Marselha aos jogadores do Valenciennes. Esteve no SLB com Artur Jorge e analisando à distância, pode muito bem ter tido a ver com aquela frase poética "quero o Benfica a jogar à Porto" do bigodes.
MD: Leónidas - fez parte da equipa mais feminina do SL Benfica, antes da actual equipa feminina. Tinhamos com o nº 14 o Leônidas Ferreira de Paula Júnior, com o 7 o Arílson de Paula Nunes e com o 21... o Maria Amélia.
MC: Marques - internacional brasileiro contratado ao Atlético Mineiro, chumbou nos testes médicos: acusou um parafuso no pé, quando o que nós precisávamos era jogadores com parafusos na cabeça. 
ME: Washington Rodríguez - um mimalho uruguaio que encontramos nos Estado Unidos. Jogou um particular contra o Real Madrid no Bernabéu onde milagrosamente, só levamos 4 secos e 10 bolas no poste. A equipa utilizada nesse jogo, merece uma pesquisa na internet para todos os que acham que actualmente estamos ao nível dos anos 90.
AV: Camataru - apresentado como um ponta de lança com média de 97 golos por época (ou mais), jogou na comemoração do fecho do Terceiro Anel e foi embora... possivelmente terá sido a primeira vítima da pressão de 120 mil adeptos.
AV: Cláudio Adão - outro atacante de médias de facturação bombásticas, foi apresentado, treinou e fez-se à estrada... literalmente. Depois do Glorioso, passou por mais de 20 clubes.
Suplentes:
André Moreira - uma pré época inteira a treinar e foi para Braga. Por tudo o que se seguiu na carreira dele, foi o melhor que nos podia ter acontecido.
Diaz - Di Maria era muito novo para fazer uma viagem de avião sozinho e por isso tivemos que lhe arranjar um hospedeiro.
Filip Markovic - veio com o mano Lazar. Por sorte, o pai e a mãe já tinham mais de 40 anos, senão tinham assinado também.
Deco - nos tempos áureos do import/export Alagoano, veio com mais meia dúzia. Era o único de jeito e foi o único que baldeamos. Diz-se que foi parar ao FC Porto com a ajuda de alguém que hoje está no SLB... deve ter sido o Rui Vitória. Jung-Won Seo - o popular Tamagochi. Fez uma pré época, ninguém o viu jogar, mas todos ficaram tristes por ter ido embora... no Estrasburgo, que o recebeu, também não acharam piada à nossa dispensa e rapidamente lhe meteram os patins.
Iliev - à primeira vista, não tinha lugar aqui. Era só mais um cepo que por cá andou 2 épocas. Mas foi contratado após um período de treinos à experiência, como se o SL Benfica fosse o Salgueiros. 
Rushfeldt - talvez o mais famoso exemplar da prateleira dos "Ah bom, se é preciso pagar, já não o queremos". Dele ficaram 2 fotos famosas: uma na apresentação com a camisola do SLB vestida à chegada e outra sentado à porta do hotel, carregado de malas, enquanto esperava pelo transfer, à partida."

Isto está muito mal explicado

"Alguém se chateou com a UEFA e decidiu avançar com uma ideia conhecida pela primeira vez em 2016, a criação de uma Superliga Europeia. E não, não foi uma zanga por dá cá aquela palha.
É uma tremenda ameaça à galinha dos ovos de ouro da organização: a Liga dos Campeões. Apesar do aumento de 500 milhões de euros em prémios para o triénio 2018-2021, os clubes mais ricos e poderosos mostram-se insaciáveis.
Querem, basicamente, construir o maior condomínio de luxo da Europa do futebol, afastando os emblemas de liga secundárias para uma periferia rural. Querem ser eles a mandar, querem ser eles a gerar e distribuir as receitas. Numa frase, sabem que com o controlo do negócio podem fazer crescer ainda mais as suas contas bancárias.
O Arsenal confirmou a veracidade dos documentos revelados pelo Football Leaks, mas defende que é apenas um rascunho. O e-mail enviado a Florentino Perez, agora divulgado, aponta para um acordo preliminar. Apesar do financiamento da nova competição ter falhado, os clubes envolvidos neste processo não chegaram a este ponto para abandonar a ideia.
É verdade que todos têm um acordo com a UEFA, mas a resposta de Aleksander Ceferin foi discreta, o tema é tão delicado que justificava uma reacção enérgica. O presidente disse apenas que tudo o que tem sido falado é ficção e acrescentou ser possível que a partir de 2024 passe a haver mais jogos europeus e menos das competições nacionais.
Ou seja, para desmontar a Superliga Europeia, Nyon passou a mensagem que aumentaria os número de jogos europeus, provavelmente criando uma nova competição, e que passaria os dias dos jogos da Liga dos Campeões para o fim de semana, enquanto as partidas dos campeonato nacionais aconteceriam às terças e quartas-feiras.
É pouco. É muito pouco.
É no fundo contrariar a Superliga Europeia, indo de encontro ao que ela quer. Não é bem um não, portanto.
É certo que tão depressa não vai sair fumo branco dos gabinetes, mas fica o aviso do que aí vem. Com uma preocupação evidente para os clubes portugueses."

Liga das Nações

"Críticas que não entendo! Estupendos espectáculos, não joguinhos particulares. Federação e clubes... Sub-21: lição! E a diferença entre habilidade e... técnica

Bem-vinda Liga das Nações. Exactamente assim: bem-vinda! Antes do arranque desta nova competição lançada pela UEFA, e mesmo agora com Portugal entre os 4 finalistas e organizador dessa final four, li e ouvi veementes críticas ao disparate de mais uma prova. Não as entendo.
Primeiro: não há sobrecarga de jogos; toda a fase de grupos decorreu nas datas sempre calendarizadas por FIFA e UEFA para jogos de preparação das selecções.
Segundo: tão óbvio que substituir jogos particulares - amiúde, chachada - por competição a doer é muitsíssimo mais interessante/estimulante para adeptos, jogadores, treinadores, comunicação social! Quem viu Espanha - Inglaterra (2-3), Croácia - Espanha (3-2), Suíça - Bélgica (5-2), Inglaterra - Cróacia (2-1), Alemanha - Holanda (2-2), como exemplos, viu estupendos espectáculos! Todos com ganas de vencer.
E os clubes que mais jogadores dão às selecções também beneficiam: o tempo em que ficam sem eles é o mesmo; e da Liga das Nações advêm notórias mais-valias financeiras (sim, o futebol também é negócio), parte das quais são repartidas pelos clubes.
A nossa Federação está rica? E, se estiver, é mau?! Os seus encaixes financeiros são fruto de excelente trabalho rumo a consecutivas fases finais de Mundiais e Europeus - com pouquíssimos jogadores ainda nos nossos clubes...; nos últimos 25 convocados, apenas 6: Pizzi, Rúben Dias e Rafa (Benfica), Danilo (FC Porto), Bruno Fernandes (Sporting), Cláudio Ramos (Tondela). Todos os outros já proporcionaram enormes receitas... a clubes. Acresce: a Cidade do Futebol - para as selecções de todos os escalões, desportiva e administrativamente - não foi novo-riquismo, sim obra fundamental (sem um cêntimo do Estado); e a FPF é responsável, de lés a lés do país, por todo o futebol não profissional...; e paga o VAR no profissionalismo.
Já agora: FPF está na raiz desta nova prova. Porque o seu líder, Fernando Gomes, é vice-presidente da UEFA; e, sobretudo, porque o seu director-geral, Tiago Craveiro, vice-presidente do Comité de Competições de Selecções da UEFA, é mesmo, o pai da Liga das Nações - ideia que apresentou há 4 anos (na presidência de Platini) e pela qual se bateu até ter êxito.
Para já, competição com sucesso. Dúvidas sobre o próximo ano.. Porque dois ilustres, Alemanha (penúltima campeã mundial) e Croácia (actual vice-campeã do mundo), foram despromovidos à Liga B. Entre tantos de pura elite (só Islândia e Polónia estavam a mais), alguém teria de cair. Vão entrar Suécia, Dinamarca, Bósnia e Ucrânia.
Em Junho, Guimarães e Porto palcos europeus, Portugal, Inglaterra, Suíça e Holanda (França, campeã mundial, e Bélgica falharam por um triz...) irão discutir dirimir conquista da 1.ª Liga das Nações. Excelente aperitivo para imediato arranque de qualificação rumo ao Europeu. Magnífico o já firme hábito de Portugal, campeão da Europa, estar na alta-roda.

Sub-21, que decepção! E, oxalá, que lição! Meninos esqueceram-se que a prova de talento é feita, ou falhada, nos jogos, sobretudo nos decisivos. Atirados para play-off por fracassos face a Bósnia e Roménia, foram ganhar à Polónia, estavam quase no Europeu - aí podendo qualificar-se para os Jogos Olímpicos - e, absurdo!, ficarão em casa, levando 1-3 em Chaves! Sem espinhas, face a polacos com ganas, muito superior capacidade atlética e eficácia. Há décadas digo haver substancial diferença entre habilidade e qualidade técnica. Habilidade exprime-se com 2 ou 3 dribles. Qualidade técnica é não falhar, consecutivamente, passes a curta distância; é fazer, por regra, bons cruzamentos; é saber concluir oportunidades de golo (i o imenso rol de azares nos remates que saíram tortos!); e é, cada vez mais importante, ter boa técnica de cabeceamento (outra raridade nos nossos jogadores). E, claro, há isso de mentalidade, decisiva!
Eis verdades também para os já crescidos, portugueses ou estrangeiros, nas nossas melhores equipas. Que tão frequentemente se queixam de ter falhado um nadinha assim... (alta competição, exige firme qualidade técnica + forte mentalidade/concentração + velocidade e vigor atlético = eficácia).
Oxalá frustração dos sub-21 lhes sirva de lição para excelente carreira que vários deles prometem ter... se aprenderem os motivos deste tremendo falhanço.
Ah!, porquê as nossas escolas de futebol não conseguem formar bons pontas de lança? Há largos anos não sai um, para além de André Silva. Eis um tema que muitíssimo justificam debate e, sobretudo, profunda análise."

Santos Neves, in A Bola

Portugal na "Final four"

"Portugal conseguiu um empate ante a Itália, mas não jogou nada bem. A 1.ªparte foi para esquecer defendendo muito atrás, e não conseguindo sair com bola, foi dominado e subjugado ao domínio italiano, que jogava e procurava pressionar o árbitro para marcar faltas.
O meio campo mostrou debilidade de marcação e capacidade de choque. Na 2.ªparte as coisas compuseram-se e até poderíamos ter marcado. Portugal nota-se que sente a falta de Ronaldo no jogo em profundidade e há uma coisa que não é despicienda, as equipas quando Ronaldo joga, colocam-se em campo de uma forma mais retraída e com mais receio, pois num contra-ataque podem ser aniquiladas.
Estamos na "Final Four", que para nossa alegria vai-se realizar em Portugal e temos mais uma chance de ser apurados para o próximo europeu se não conseguirmos o apuramento directo.
As coisas estão a compor-se para termos Portugal de volta ao topo e Ronaldo brilhar. Vamos ver se para a Bola de Ouro Ronaldo consegue vencer apesar do chauvinismo francês que é de bradar aos céus, ainda recentemente na contagem dos votos estava Modric em 1.º lugar e Varane em 2.º lugar, o que me espanta, pois tem sido um jogador irregular e incapaz de se afirmar , somente pela saída sem nexo de Pepe do Real Madrid conseguiu a titularidade.
Portugal venceu o Euro 2016, quanto a mim sem o merecer, a França foi superior, mas conseguiu-o à custa de uma estratégia bem delineada por Fernando Santos com segurança defensiva, sem excesso de ofensivas vivendo à custa de Ronaldo, até se lesionar e o milagre Éder.
Conseguir o apuramento para a "Final Four" sem Ronaldo e à custa de pragmatismo, só por si, é um êxito.
Portugal soube sobreviver no fio da navalha, desta vez correu bem, mas pode para a próxima correr mal. Perante o que se viu no jogo tinha que seguir esta estratégia, mas sem tanto nervoso miudinho no início do jogo e a tremedeira em que a bola parece que tinha picos. Portugal é um controlador de jogo e sem bola sofre muito. Portugal no jogo com a Polónia teve mais posse de bola, controlou o jogo e cumpriu, mas nota-se a falta de Ronaldo.
A "Final Four" deixou várias vítimas pelo caminho: Itália, Espanha, Alemanha e França. Os finalistas são Portugal, Inglaterra, Holanda e Suíça.
Dia 3 de Dezembro saber-se-á quem calha a Portugal que soube reinventar-se sem Ronaldo, depois de um Mundial pouco conseguido, volta à ribalta do futebol europeu."

Lanças... Atrasos em Pecos e afins...!!!

Benfiquismo (MXVII)

Mãos à obra...!!!

Vitória, mas...

Benfica 4 - 2 Marinhense

Ganhámos, mas estamos a jogar mal, com 2-0 ao intervalo, permitimos o empate no início do 2.º tempo, e só nos últimos minutos garantimos a vitória! Parece que aquele golo no último segundo com os Corruptos fez mal à equipa...!!!
Curiosamente, os nossos golos, foram todos 'grandes' golos!!!

Na próxima jornada, vamos a Barcelos, deslocação sempre complicada, e com a equipa a jogar assim...!!!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Futebol em forma de 'chouriço' mediático

"Uma demoníaca atrofia mediática onde todos transmitem o mesmo. Uma estupidificação alimentada e alienante. Basta!

1. Não havendo jornada do campeonato de futebol, não há conferências de imprensa dos técnicos das principais equipas e escapamos aos respectivos resumos nos fartos e repetidos noticiários televisivos. Há uma semana, vinha de Beja de automóvel e liguei o rádio para ouvir as notícias. Mal o fiz, apanhei com um desses momentos imperdíveis que consistem nas perguntas e respostas de técnicos e/ou jogadores antes da realização de um jogo. Talvez porque viajasse sozinho, mantive-me escutando um ou dois minutos da conversa, ao contrário do que costumo fazer com a notável invenção tecnológica do controlo remoto dos televisores que sempre me facilita um fulminante dedilhar no dito aparelho. Foi o tempo suficiente para ouvir duas ou três respostas, a última das quais me impediu a remeter a rádio ao merecido silêncio. Fixei-a e aqui a reproduzo textualmente: «Para este jogo, só temos uma maneira de o enfrentar. É enfrentá-lo». Fiquei atordoado com tanta sapiência e pus-me a pensar em formulações retóricas equivalentes. Assim me surgiu a ideia luminosa de que num jogo, seja ele qual for, só existe uma maneira de o ganhar. Sabem qual é? É ganhá-lo. Ler A Bola na versão IPAD tem, entre outras, a vantagem de se ter um arquivo fácil, limpo e rápido para encetar uma procura de um resultado, de uma notícia, de uma entrevista ou de uma conferência de véspera.
Partilho aqui com o leitor, algumas das pérolas ditas por diferentes treinadores nas últimas semanas. Não é minha intenção criticar o que se diz (ou não diz), é antes pôr em causa o interesse da própria liturgia de vésperas. Imagino até quão aborrecido e pouco atractivo é para um treinador repetir-se ad nauseam e quão difícil é dizer algo de novo ou interessante para além dos lugares-comuns e (para alguns) de umas piadinhas ou graçolas na busca de uma manchete. Porque não se trata de individualizar, mas de abordar este sempre maçudo, desinteressante e recorrente evento (como agora se diz para tudo), limito-me a transcrever algumas frases sem referir o seu autor e evitando nomes de clubes (dos próprios ou dos adversários). E parto do princípio que o que vem transcrito no jornal é, selectivamente, o considerado mais importante ou interessante (!) dos muitos minutos que as televisões informativas despendem aos seus directos. Ora vejamos alguns dos muitíssimos exemplos de truísmos e tautologias discursivas que encontrei:
«Os treinadores vivem dos resultados»; «Temos de conhecer o adversário, as suas individualidades, o seu colectivo para percebermos a exigência do jogo»; «Estou agarrado a uma série de conceitos e esses conceitos levo-os para todo o lado, independentemente do sistema táctico»; «Os jogadores sanem o que temos a fazer e qual a nossa filosofia»; «Se não tivermos a bola, temos de ir rapidamente à procura dela e quando a tivermos não a podemos perder porque esta é uma máxima que defendemos»; «Se tivermos de alterar peças, alteraremos»; «A equipa tanto pode jogar de uma maneira como de outro»: «Passo a passo vamos tendo pontos»; «Resultados são resultados, e de qualquer maneira queremos vencer»; «Para ganhar, nós não queremos sofrer golos e queremos pelo menos fazer um»; «Nunca podemos dizer quais os jogos decisivos, porque todos são vistos como finais»; «É um jogo muito importante para nós. Queremos vencê-lo»; O que temos na nossa cabeça são os três pontos»; «Não podemos entrar no jogo a pensar que as coisas se vão resolver só porque se vão resolver»; Temos de escolher os caminhos para desequilibrar a equipa contrária»; «No final é que se fazem as contas»; «Todos os que viajaram estão disponíveis para ir a jogo»; «Vamos ter onze jogadores a jogar e mais sete no banco»; «O jogo teve coisas positivas e menos positivas»; «Sabemos onde estamos»; Não ficamos contentes por perder»; «Nós a querer muito ganhar e, do outro lado, também uma equipa que nos quer ganhar»; «Qualquer jogador tem de estar bem fisicamente»; «Se joga hoje ou se vai para o banco, saberão amanhã». Por aqui me fico, sob pena de não ter mais espaço para outros assuntos.
O futebol jogado conviveu muitos e bons anos sem estas situações e nada de mau lhe aconteceu. Percebo que haja jogos, partidas decisivas, momentos de esclarecimento prévio que até justifiquem um contacto interessante com os media. Mas sempre e a todas as horas, seja o mais insignificante encontro ou o mais decisivo jogo, é que é uma fartura que julgo cansar os protagonistas e nada acrescentar ao que já se sabia. É claro que num pequeno país como o nosso em que há vários jornais desportivos diários (que saudades tenho do tempo em que suspirava para imergir em A Bola!), canais televisivos de notícias que mais são canais de futebol, jornais diários com extenso noticiário da bola, etc. há a necessidade de preencher o aparente vácuo e estas conferências são um oportuno adubo para os chouriços diários, sobretudo nas televisões.
Tenho perguntado a quem trabalha nestes meios por que razão há esta prática conferencista de antes dos jogos. Respondem-me invariavelmente que é por causa das audiências e do respectivo share. «Audiências?», pergunto de seguida. «Sim», é-me respondido. Há muita gente que fica colada ao ecrã a absorver tal matéria. «Talvez seja», remato eu, o que é ainda mais preocupante. Ou talvez seja eu que esteja a ver mal...

2. Ainda à volta da televisão. O que nos foi oferecido, em doses cavalares, a propósito da detenção do ex-presidente do Sporting, é um caso de patologia comunicacional. Foram horas e horas intermináveis entre Alcochete, Barreiro, Montijo, a perorar em contínuo sobre suposições, reposições, maldições. Directos sobre directos, imagens de arquivo repetidas às centenas, notícias de manifestações pró e contra de multidões de dez ou uma dúzia de entusiastas crentes e descrentes. Houve até momentos absolutamente indecorosos e humana e profissionalmente indignos quando foram seguidos confusa e atropeladamente familiares (designadamente os pais) de um dos detidos para lhes perguntarem como se sentiam (!), não respeitando sequer o seu inalienável direito ao silêncio, ou o caso de uma jornalista que perguntou ao advogado do detido junto à porta da polícia... o que é que ele estava ali a fazer! Definitivamente a CMTV passou a comandar esta geringonça mediática. É, agora, o benchmarking dos outros canais (com a excepção da RTP, apesar de tudo mais comedida e selectiva). Em estúdio, comentadores residentes (quase literalmente, se é que não dormem lá) que estão horas e horas a encher o chouriço e - uns mais do que outros - transformados em verdadeiros tudólogos pronunciando-se sobre a bola corrida, a bola parada, a legislação penal, o império da lei, a psicologia social e clínica, a economia clubista, e muito mais. A estes juntam-se uns tantos convidados que andam a saltitar de estação em estação a uma velocidade mais elevada que a minha capacidade de zapping. O país fica suspenso de tão longos e profícuos debates, como se mais nada houvesse de importante. Em especial, dos que metem escárnio e mal-dizer ou destilam golfadas de sangue. O alinhamento dos noticiários afasta para o rodapé pequenas minudências e questões irrelevantes como o Orçamento, o problema do Brexit, o desconchavo da saúde, as questões laborais, etc., etc.
Uma lástima sobre lástimas. Casos judiciários, futebol e actividades criminosas, numa mistura quase monopolista como se o país e o mundo fossem apenas isto. Uma demoníaca atrofia mediática onde todos estão simultaneamente a transmitir o mesmo, sem quase haver direito a uma oferta de diferença. Uma estupidificação alimentada e alienante. Basta!

Contraluz
- Erro crasso:
Um surreal penálti assinalado a favor do Manchester City no jogo da Champions contra o Shakhtar Donetsk em que o avançado da equipa inglesa deu sozinho um pontapé na relva e caiu. Faltou fair play à equipa que melhor joga actualmente no planeta e que ganhou por 6-0 (há dias, aconteceu outro a favor da Sérvia contra o Montenegro). Não havia necessidade... Valha-nos que, depois disto, a UEFA diz estar a ponderar a introdução do VAR nas provas europeias (espero que sem refugo de árbitros, como parece ser aqui o caso).
- Comparação:
Na sua crónica, Miguel Sousa Tavares referiu que eu considerei o Lokomotiv um «adversário fácil», argumentando que não lhe parecia que «fosse mais fácil, ou assim tanto mais, que o Ajax». Tenho de concordar com ele. Todavia, não foi essa a comparação que fiz, entre os adversários do Benfica e do Porto, mas sim relação aos potes do sorteio. Assim sendo, o confronto é entre o Lokomotiv e o Bayern e entre o Schalke e o Ajax. E, se neste último par há algum equilíbrio, é por demais evidente que não o há no primeiro par."

Bagão Félix, in A Bola