Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Acabou por ser semana positiva

"Não me queixo da sorte, o Benfica teve uma semana positiva. A vitória sobre o Chaves teve mérito na segunda parte, mas não foi isenta de alguma sorte na primeira. Mesmo com um golo mal anulado (sempre prejuízo do Benfica desde a primeira jornada), foram do Chaves as melhores ocasiões dos primeiros 15 minutos. Quando marcamos e vencemos o Chaves, cumprimos mais um objectivo neste calvário de lesões e erros arbitrais que nos perseguem.
Em Nápoles (sem 6 jogadores) tínhamos o jogo mais complicado do grupo, aquele no qual seria mais difícil de pontuar. Estávamos à porta do inferno, com os comentadores a festejar a mais pesada derrita de sempre do Benfica na Liga dos Campeões, e vieram três golos mudar a sorte do grupo (e a sorte do comentário). Dois golos do Benfica com valor meramente simbólico, detesto vitórias morais, e o resultado pouco desnivelado ficou. Foi uma derrota contra a melhor equipa do grupo, apenas isso. Mas houve também um golo do Dínamo Kiev, caído do céu de Istambul, que transformou a quarta-feira. O Benfica está mais perto do apuramento agora do que antes da jornada. O Benfica teve sorte, o Porto teve azar (mas pode passar) com os golos do Copenhaga, e o Sporting também com o Dortmund no fim do jogo. Dependemos de nós, estou convencido que bastam (e não é pouco) duas vitórias em casa e dois empates fora para qualificar Nápoles e Benfica. Veremos a validade das minhas projecções.
Domingo é difícil o jogo que teremos com Luís Ferreira na Luz. Todos os cuidados são poucos, ou marcamos cedo, e vários golos, ou ficamos ao alcance de várias vontades conjugadas, e no Benfica sabem quais são. Domingo é o ponto e vírgula que precisamos para regressarem as novas compras de Outubro; Rafa, Jonas, Jiménez, Jardel, Danilo, Samaris. 1 de Dezembro não é só o meu feriado preferido, é também o adversário da Taça de Portugal. Que seja rumo ao Jamor."

Sílvio Cervan, in A Bola

A sorte

"Bela equipa a do Chaves, a mostrar que é possível dar luta ao Benfica sem que se recorra sistematicamente ao antijogo.
E bem a nossa equipa, a demonstrar, mais uma vez, que sabe adaptar-se às contingências das partidas e ultrapassar, quando necessário, a desinspiração colectiva.
No entanto, apesar dos méritos e deméritos de cada equipa, só o Benfica poderia sagrar-se vencedor. A tripla oportunidade de golo flaviense numa única jogada foi caso único, cabendo à nossa equipa as despesas do jogo e as restantes oportunidades. Logo se apressaram os críticos a referir a sorte e a estrelinha, ignorando que a primeira procura-se e a segunda conquista-se. Mas falemos da nossa sorte que os nossos adversários têm o azar de serem incapazes de reconhecer e, com isso, estimularem inadvertidamente a nossa ambição pela conquista de títulos.
Comecemos pelo golo de Mitrolgou mal invalidado, antes da tal tripla  oportunidade do Chaves. Continuemos com a excessiva agressividade do nosso adversário sob a complacência de um árbitro permissivo até decidir (bem) admoestar Lisandro López no final da primeira parte. Recuperemos a lista de ausentes: Jonas, Jiménez, Jardel, Samaris, Rafa, Danilo. Prossigamos com a consistência fora: 15 vitórias consecutivas fora; 27 partidas sempre a marcar; 17 vitórias e um empate nos últimos 18 jogos. E terminemos alegando que Lindelof, com alguma sorte, não teria desperdiçado uma oportunidade flagrante de golo frente ao Vitória de Setúbal e teríamos, então, conquistado 18 pontos em seis jornadas. Muita sorte, portanto...
P.S. Ainda não foi esta semana que se voltou a falar em videoárbitro lá para os lados do Lumiar."

João Tomaz, in O Benfia

Miúfa!

"A sexta jornada do campeonato nacional de futebol só começa este fim de semana, mas o desespero já anda no ar. Nas férias de verão já se sentia o perfume da dor de cotovelo, mas hoje não restam dúvidas. Dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos do clube que há 15 anos não conquista um campeonato já não escondem que estão dispostos a tudo para conseguir o impossível. E só acredita neles quem quiser.
Esta semana, foi a vez de o segundo presidente do Sporting CP (o principal costuma orientar a equipa desde o banco, sempre que não está a cumprir castigo) publicar um artigo de opinião num jornal nacional escrevendo - ou aproveitando o que alguém escreveu por si - sobre... adivinhem! Isso, o SL Benfica. Uma vez mais lá vem o nome do Tricampeão à baila. Falam das nossas operações financeiras, das nossas vendas, do nosso número de sócios, tentam imitar as nossas parceiras, colocam-se em bicos de pés. Como se fosse possível alguma vez chegarem ao nosso nível de impacto social, desportivo e patrimonial.
Como se fosse possível esconder 32 milhões de euros de prejuízo nas contas do clube do Lumiar para baixo do tapete. Como se não houvesse temas interessantes na actualidade esverdeada para analisar, do tipo Doyen, fair-play financeiro da UEFA ou - quem sabe? - processos jurídicos a sócios e antigos dirigentes, ao melhor jeito da Inquisição.
Quando eu era miúdo, sempre que alguém mudava de assunto numa discussão de rua ou ameaçava ir chamar o pai ou o irmão mais velho, havia uma expressão que fazia todo o sentido. E continua a fazer agora com estas provocações de baixo nível que se repetem vezes sem conta - «Estás é com miúfa! Medo. Medinho'."

Ricardo Santos, in O Benfica

O diabo vermelho

"Noutras ocasiões, já aqui falei da minha grande admiração por pontas-de-lança. Ou seja, por quem, na verdade, me faz levantar da cadeira e vibrar de alegria.
O futebol é um desporto colectivo, onde todos são importantes. Uma peça a menos pode causar derrotas e comprometer títulos. Mas, enquanto adepto, a minha grande devoção vai mesmo para quem faz os golos. Mais até do que para os artistas do passe, da finta, ou do estilo, normalmente muito apreciados.
Nunca entendi, por isso, os assobios a Óscar Cardozo, ou, muito anos antes, as críticas a Nené. Um e outro são, juntamente com Nuno Gomes (também ele, nem sempre consensual), os que mais golos marcaram no clube desde que vejo futebol. Cada um a seu tempo, foram ídolos que venerei, e ais quais estarei eternamente grato pelos momentos de alegria que me proporcionaram.
Serve isto para destacar, agora, o nosso Mitrolgou. O grego, em pouco mais de uma época, já está à porta do top-dez dos goleadores do Benfica do séc. XXI, superando avançados com o simbolismo de Mantorras ou Miccoli. E caso tivesse convertido os penáltis que Jonas converteu na temporada passada, teria sido ele o 'Bola de Prata' - isto sem melindre para o extraordinário avançado brasileiro, tão somente o melhor e o mais completo jogador a actuar em Portugal. Recordemos que o Sporting fez tudo para contratar Mitro.
Veio para nosso casa in-extremos, e foi também dele o golo que, em Alvalade, acabou por decidir o título. Em bom momento, o clube adquiriu o seu passe.
A barba dá-lhe um certo ar de diabo. Mas são os golos que fazem dele um ponta-de-lança dos diabos."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfiquismo (CCXXXV)

O Benfica estrada fora...

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Afinal, a verdade desportiva... é relativa!

"Não percebo o barulho que os adeptos do Porto fizeram com o golo do Boavista quando há quatro anos defendiam o contrário.

É preciso ter lata
Pois ainda assim, e repetindo um lamento que só visa tentar ocultar os erros cometidos ao longo dos últimos anos, vieram queixar-se da arbitragem, por - imagine-se - o golo do Boavista ter sido irregular.
De facto, o golo do Boavista - que tantas vezes tem sido prejudicado pelas arbitragens (para já não falar do que alguns queixinhas, de hoje, lhe fizeram no passado) - é precedido de um evidente fora de jogo.
Tão evidente porque, apesar de ser de um só jogador, e de ser de meio metro, é obtido numa bola parada e, assim, de fácil leitura para o árbitro assistente.
Independentemente disso, confessamos a surpresa perante a ofensa destas virgens...
As mesmas que no passado defenderam a legalidade da jogada de um golo do Porto (ou, no limite, uma dificuldade enorme de leitura do lance pelo árbitro assistente) que lhes deu um campeonato (como eles gostam de ganhar).
Não temos memória curta!
Porque todos - nós e eles - nos lembrarmos do golo que o Benfica sofreu, no Estádio da Luz, frente ao Porto, na época 2011/12.
Sim, esse mesmo, o golo do Maicon!
Em claro, diria escandaloso, fora de jogo!!!
Do tamanho... da Torre dos Clérigos, antevendo um roubo de... Catedral.
A verdade é que foi um golo que fez muita diferença!
Um golo, irregular, que implicou que o Benfica não fosse campeão.
Não percebo, por isso, o enorme barulho que os adeptos do Porto fizeram na sexta feira, quando, há quatro anos, defenderam o inverso, perante as mesmas evidências.
De facto, a «verdade desportiva» - esse conceito vago e quase indeterminado - é relativa e só existe para determinados clubes...
É preciso ter lata!

Saber liderar
A jogada em fora de jogo que originou o suprarreferido golo de Maicon foi tão escandalosa que Pedro Proença, árbitro desse clássico, admitiu posteriormente - ainda que dois anos após esse episódio - numa entrevista que concedeu, o erro crasso e fatal ao validá-lo.
Pedro Proença sabia - como afirmou - que esse golo poderia ter marcado (como marcou) o título nacional.
Não obstante a sinalização desse fora de jogo não ter sido originariamente sua, mas antes do seu auxiliar, assumiu o erro da equipa de arbitragem que chefiou.
Aliás, o próprio árbitro-assistente desse jogo, que o auxiliou, também assumiu tratar-se de um... «erro de avaliação»... provocado por um «momento de desconcentração».
Erros e desconcentrações que nos custaram títulos e campeonatos (em benefício dos mesmos).
Neste caso, na época 2011/12, custou-nos um campeonato nacional (e deu mais um aos outros).
Reconheço que essas confissões - sobretudo a de Pedro Proença enquanto responsável máximo - foram uma grande atitude, não obstante a surpresa subjacente.
Por mais escandaloso que o fora de jogo fosse...
Porque, noutros tempos, a vitória conseguida nesses exactos termos seria um não assunto.
Também por isso, a confissão de Pedro Proença foi uma atitude de líder.
Porque um grande líder assume os seus erros, as suas decisões, as suas escolhas...um dos princípios fundamentais de qualquer liderança.
Só os líderes sem carácter se refugiam nos mitos.
Pois, independentemente das muitas dúvidas que me levanta com possível grande treinador (pese embora o esforço do seu empresário) e nunca me poder esquecer que foi ele o porta voz do «somos Porto» (esta memória...), Nuno Espírito Santo tem demonstrado que sabe isso!
Quanto confrontado com a tese de José Mourinho - a propósito da necessidade de existência de paciência antes do Porto voltar a ganhar - Nuno Espírito Santo foi perentório!
Para ele, a paciência não existe no futebol.
Porque sabe também ser sua a responsabilidade de disfarçar, ou atenuar, a má gestão até então feita de uma equipa que tarda em ganhar!
Se, por um lado, Nuno Espírito Santo me deixa algumas dúvidas, como treinador, esperando, por isso, que continue durante muitos anos no Porto, por outro lado, não consigo deixar de gostar de alguém que dá a cara por aquilo em que acredita.
O problema, para Nuno, é que atrás dele não me parece existir outra coisa que não a versão futebolística do Titanic.
Um barco grande em que o comandante continua a achar que os velhos métodos impedirão o naufrágio... onde não faltam, sequer, os solos de violino de uma orquestra que já não existe, aqui substituídos por solilóquios em jantares de Casas onde os presentes batem palmas aos disparates que só servem para disfarçar a falência de um modelo do tempo dos quinhentinhos.
Um conselho?
Talvez pirar-se,... antes que acabe como acabaram os últimos 4...

Somos o que fazemos repetidamente
Por isso, apesar de haver quem peça para escrever e publicar um artigo de opinião, cujo objectivo ainda hoje se desconhece, continuemos a não dar palco a quem - seguindo os velhos manuais da guerra e da política - tenta arranjar um inimigo externo para desviar as atenções dos resultados do último ano.
Desportivos e financeiros!
No Benfica, temos assuntos que cheguem par falarmos de nós... o Tricampeonato... as 15 vitórias fora de casa consecutivas,... os 277 dias sem derrotas,... a existência de lucros por parte da SAD,... os êxitos da formação...
Mas que estranhamos, lá isso estranhamos... não haver - no artigo e causa - qualquer referência ou explicação sobre os avultados prejuízos do último ano,... nenhuma palavra perante a possibilidade de não conseguirem cumprir as regras e critérios do fair play financeiro, impostas pela UEFA,... nem uma linha sobre os previsíveis resultados das acções judiciais em consequência do não cumprimento de determinadas obrigações,... uma nota sobre o provisionamento (ou não) da dívida,... uma linha sobre o perdão (da parte) da dívida bancária,... ou sobre os juros bem mais baixos que os outros clubes,... ou ainda sobre qual o proveito real (encaixe efectivo) do clube com a venda de jogadores.
Entre estes ou tantos outros temas... nada!
Mas sobre o Benfica sabem eles escrever.
Porque o Benfica... pode não lhes preencher o coração, mas dá-lhes a volta à cabeça!

Os golos dos outros
Na terça-feira, em Alvalade, bateram palmas ao golo que determinou a derrota do Porto, em Leicester.
Os Dragões Marcoenses que se preparem, pois vão ter que ouvir uma nova intervenção - vocês sabem de quem - sobre os contratos de trabalho dos sócios do Sporting que ousaram ficar felizes com a vitória dos campeões ingleses.
E, no dia seguinte, um jornal independente fará primeira página com os contratos da polémica...
Ou talvez não,... porque, de tanto festejarem, no ano passado, os golos de Slimani, na esperança de que o Benfica não fosse campeão, talvez nem tenham reparado que, desta vez, os golos do argelino não lhes alimenta a inveja.
Porque, quando a lucidez começa a faltar e o sistema continuara a não responder, nem o apoio dos últimos fiéis nem os fretes do que deveria ser uma comunicação independente os salvará...
Sem medo deles e dos outros (mesmo com um lei aprovada só contra mim)!!!
Percebido???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Vitória muito ingrata...!!!

Varese 70 - 72 Benfica
(145 - 144)
23-20, 16-19, 14-15, 17-18

Ser eliminado da Champions por 1 ponto, contra uma equipa teoricamente muito superior... não é fácil de 'encaixar'!!! Ainda por cima com o Raivio a pisar milimetricamente a linha de 3 pontos no último lançamento... que poderia ter dado, pelo menos, o prolongamento!!!!

Tal como no jogo de Terça, voltámos a estar mal nos últimos minutos, com várias perdas de bola, perfeitamente evitáveis... algo que nem o lançamento do Raivio conseguiu remediar!!!

A boa notícia da noite, é que temos mesmo melhor equipa do que ano passado... Arrisco mesmo: comparando com as recentes participações europeias, esta foi mesmo a eliminatória onde o Benfica se apresentou melhor... tendo em consideração inclusive a grande valia do adversário!
Espero que a atitude seja para manter quando os adversários serem de menor qualidade...

Como prémio de 'consolação' vamos jogar a FIBA Europe Cup... mas mais uma vez, o sorteio não foi muito agradável... vamos ter alguns adversários, 'parecidos' com o Varese (orçamentos ligeiramente mais baixos, mas...)!
Vamos para o Grupo A com:
Bruxelas Basketball (Bel)
Alba Fehevar (Hun)
Elan Chalon (Fra)

1.ª Dezembro

A melhor notícia no sorteio da Taça de Portugal, foi a deslocação curta: Sintra. Após os jogos das Selecções, uma viagem longa é sempre complicado... Ainda por cima a data do jogo deve ser antecipada, para Sexta-feira, já que a seguir temos jogo em Kiev!!!
Falta saber se o jogo será mesmo no campo do 1.º Dezembro (sintético), ou se vai ser noutro recinto (Estoril, por exemplo...). Esta questão do sintético é importante, até porque muito provavelmente este jogo será aproveitado pelo Rui Vitória, para fazer regressar alguns dos lesionados... e jogar num sintético, é sempre perigoso, nas questões musculares!!!!

Aqui fica a lista dos jogos:

Gafanha - FC Porto
AD Oliveirense – SC Braga
Sertanense – Tondela
Real - Arouca
Nazaré - Feirense
Académica - Belenenses
1.º Dezembro – SL Benfica
Trofense - Vitória
Santa Clara - Rio Ave
Santa Iria - Vitória
SC Naval - Marítimo
U. Leiria – Boavista
Estarreja - Nacional
Aves - P. Ferreira
Caldas - Estoril
Vizela - Moreirense
União - Chaves
Famalicão - Sporting
Mortágua - Cova Piedade
SC Covilhã - Freamunde
Penafiel - Amarante
Praiense - Farense
Gil Vicente - Casa Pia
Mineiro Aljustrelense - Limianos
Cinfães - Benf. Castelo Branco
Torreense - Ac. Viseu
Oriental - Barreirense
Varzim - Rec. Águeda
Merelinense - Leixões
Sanjoanense - Lusitano VRSA
Vitória Sernache - Vilafranquense
Fátima - Olhanense

A tramóia europeia

"Decorre a 1.ª fase da Champions e as equipas portuguesas lutam por um bom lugar e por vitórias que permitam manter um dos melhores rankings, apesar de se aproximar a vergonhosa tramóia - orquestrada pelos tubarões e consentida pela UEFA - de as 4 ligas (Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália) passarem a ter os 4 primeiros classificados apurados por via administrativa. Assim, mais de cavará a cisão entre a Champions de 1.ª classe e a Champions dos leftovers.
Talvez o mais elucidativo exemplo de nefastas consequências mesmo já do actual modelo seja o campeonato holandês. Os Países Baixos deram, durante décadas, provas insofismáveis de que como uma liga menor pode gerar grandes equipas e campeões (Ajax, Feyenoord, PS Eindhoven), desde que estejam garantidas as mínimas condições de igualdade de oportunidade. Não me refiro ao diferencial de poderio monetário dos clubes, que isso é um dado adquirido. Mas acentuar a divergência em tudo o resto será o caminho certo para uma competição com (poucos) protagonistas e (muitos) figurantes. A escola holandesa esfumou-se e a própria selecção disso se ressentiu. Em diferentes gradações, poderíamos também falar da Escócia, da Bélgica, de países eslavos e da Suécia.
Perante esta macrocefalia dos 4 magníficos (falta a França, mas o seu campeonato é um sonolento torneio), Portugal vê, à sua frente, semáforos de um amarelo intermitente, correndo o risco de passar a quase vermelho. Tal qual como na questão da zona euro da UE, também as federações dos países médios deveriam acentuar não só o seu protesto, como lutar contra esta alteração descarada dos pesos na Champions."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Existem razões para as federações 'médias' e 'pequenas' estarem preocupadas, mas por acaso nesta medida específica, o 'impacto' será reduzido.
Não tenho números oficiais, nas as 'eliminações' de equipas dos Big4, nas pré-eliminatórias são raras (o caso do Roma este ano com os Corruptos, é uma excepção...)... Para as equipas portuguesas, o grande receio antes dos Sorteios das pré-eliminatórias era encontrar uma destas equipas!!!
Assim, iremos sempre jogar com Clubes de federações do nosso 'nível'... Creio que as nossas possibilidades de apuramento, irão aumentar...

Screw you, Sam!

"Partiste-me o coração
Não interessa se Allardyce foi demitido por decreto da FA, se se demitiu por decreto da sua própria consciência ou se alguma das partes pediu à outra que a desobrigasse do compromisso, como agora se tornou moda dizer. Interessam três coisas: uma concreta, uma abstracta e uma estética (e, portanto, filosófica). A concreta: é um corrupto. A abstracta: leva-nos a perguntar quantos outros o serão, se se pode afinal sê-lo tão fácil e descontraidamente. A estética: de um homem com o seu carisma, torna-se particularmente duro receber a notícia de um ato de corrupção. Creio que é isso que me choca tanto no caso: gosto de loucos como ele e parto do princípio de que loucos como ele só podem dar-se ao luxo de serem loucos como ele porque são moralmente inatacáveis. Que se possa ser assim louco (noutro tempo eu diria "deliciosamente louco") e corrupto ao mesmo tempo é sinal de que algo está mesmo muito podre no futebol. Ou então de que a loucura é simplesmente o melhor disfarce para a corrupção. Mas essa é uma possibilidade que alguém como eu, apaixonado por personagens, não está preparado para aceitar.

A Luta Impossível
Zizou é intocável
Sim, talvez se possa interpretar os últimos atos de Ronaldo como o início de uma ruptura com Zidane. Mas nesse caso, devo dizer, Ronaldo vai perder. E tem mesmo de perder. Zidane é um deus do Olimpo. Como ele também já é, sim. Mas quebrou uma barreira que nem ele nem mais ninguém - nem sequer Beckenbauer - quebrou: também triunfou, em absoluto, como treinador."

A menosprezada arte do vilipêndio

"Por onde andam os oradores de bancada, os gentis trituradores de árbitros e adversários, os relampejantes trovadores do impropério cuidado nas tardes de domingo?
Gente honrada, capaz de atingir a audição da vítima escolhida, sim senhor, mas sem desonrar os códigos mais nobres da honra. Gente criativa, no fundo, gente da estirpe do senhor Leite, meu saudoso catequista.
Falo nisto depois de nas últimas semanas me ter chocado com a boçalidade reinante no lançamento do insulto. Tudo primário, previsível, sem uma marca pessoal registada, sem a capacidade de abrir um sorriso na cadeira ao lado.
Onde anda o adepto que perturba o árbitro com sentido de humor e o adversário com ironia fina?
Nas idas tardes de domingo, toda a bancada onde eu me sentava parava para escutar o senhor Leite. Catequista nas manhãs de missa, fiel cruzado na evangelização da criançada, cabelo aprumado e camisa abotoada até trilhar o pescoço. Servil e cavalheiro, um homem manso e adorador do Senhor. 
À tarde, meus amigos, o senhor Leite transfigurava-se.
Assim que as chuteiras pretas pisavam o pelado e as camisolas verdes começavam a correr, o ar de funcionário público servil e beato tornava-se sanguíneo mas, ao mesmo tempo, incapaz de um palavrão ou de uma ordinarice.
O árbitro aproximava-se da grade e o senhor Leite, empoleirado, gritava «Oh excelso juiz, que a tua visão não me atraiçoe!» ou, a minha favorita, «Que o Senhor tenha piedade de ti, pois esta bancada não terá!».
Enfim, coisas inofensivas e que dispunham bem. Mas onde anda esta abertura de alma, esta espiritualidade? Será que o futebol é para ser levado tão a sério e de forma tão odiosa?
Responsáveis somos todos. O Governo, a sociedade deseducada, os pais sem paciência, os dirigentes incendiários e os comentadores irresponsáveis.
Perdeu-se (para sempre?) a maravilhosa arte do vilipêndio leve, apenas trocista, sem ponta de rudeza ou má educação.

Rafael Assis: um resistente da chuteira preta
Um dos objectivos deste espaço é apresentar - de duas em duas semanas - um futebolista profissional que resista ao avanço do mau gosto na escolha das chuteiras. Alguém que renegue o colorido bacoco e mantenha o preto como cor principal nas suas botas de futebol.
Um simpático leitor chamou-me a atenção para Rafael Assis, médio defensivo do Desp. Chaves. Nas primeiras jornadas da Liga, como atesta a foto, usou calçado apropriado para entrar neste chuteiras pretas. Infelizmente, contra o Benfica, desonrou as escolhas anteriores e calçou um par de coisas levemente vermelhas.
Assis, volta ao preto, rapaz."

Benfiquismo (CCXXXIV)

Outro postal Imortal...

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Diagnosticar... e seguir em frente!

Nápoles 4 - 2 Benfica


Vai-se falar de muita coisa nas próximas horas, mas o mais importante, é diagnosticar correctamente o que passou esta noite em Nápoles:
- Precisamos urgentemente do regresso dos lesionados. Para consumo interno, até dá para disfarçar, mas na Champions é impossível esconder o défice!
- Ederson tem que ser titular. Na recta final do Tricampeonato, o Ederson foi decisivo, e só não é neste momento titular indiscutível, devido à lesão na pré-época. Ainda por cima, uma das suas melhores características são as saídas da baliza, tanto pelo ar, como aos pés dos avançados... exactamente aquilo que o Júlio César neste momento não tem... Todos podem cometer erros, ninguém é infalível, mas neste momento aquele que dá mais garantias é o Ederson...
- Lisandro está num mau momento de forma. O ano passado, após a lesão do Luisão foi fundamental... Neste momento, tem demonstrado muita desconcentração, tanto no passe, como nas tentativas de antecipação... Já com o Braga tinha estado em destaque pela negativa.
- A equipa está a sofrer demasiados golos de bola parada, especialmente de Cantos... É verdade que a média de altura baixou, mas quando se defende à zona, tem-se que ser mais 'agressivo'...

Em relação ao jogo de hoje, foi uma daquelas partidas onde pude reforçar a minha superstição, especialmente nos jogos 'grandes', onde entrar 'bem' no jogo, dá quase sempre 'mau' resultado!!!!
O Mitro, que tem estado muito bem, desperdiça duas oportunidades nos primeiros minutos... e os Italianos, praticamente nos primeiros 4 remates que acertam na baliza, marcam golo... Sendo que os primeiros 3 foram de bola parada!!! E o outro é 'frango'...
Os números são cruéis, mas a verdade é que o Nápoles pouco fez para marcar golos esta noite... o Benfica acabou por oferecer-los praticamente todos... Um Benfica sem lesões, e sem grandes factores estranhos, ganhará naturalmente na Luz a este Nápoles.

Como também é tradição, as alterações ao 'onze', vão ser muito criticadas. Antecipei na crónica ao jogo de Chaves, que haveria mudanças da equipa em Nápoles: acertei algumas e falhei outras... Mas não condeno, as opções do Rui Vitória! Com tantos ausentes, especialmente no ataque e no meio-campo, as probabilidades de 'falhar' eram muitas!!!
Era óbvio que tínhamos que reforçar o centro do campo, e o Almeida era a escolha 'normal' (o Celis não tem transmitido confiança), apesar do André se calhar, em condições 'normais', com todos os jogadores disponíveis, teria jogada na Lateral... O Salvio tem jogado mal, portanto era esperada a titularidade do Carrillo... A 'subida' do Horta era uma das opções disponíveis...
Com os problemas no jogo aéreo defensivo que temos tido, 'previ' uma possível 'entrada' do Luisão, acabou por ser a minha 'previsão' falhada... Mas repito, os treinadores de bancada (ou teclado) têm o trabalho facilitado!!!

O Benfica deu vários tiros nos pés esta noite, mas a nomeação deste cabrão alemão foi mais uma provocação dos Ladrões da UEFA... Hoje, o Benfica facilitou-lhe o trabalho, mas ficou sempre a sensação, que caso fosse necessário o 'empurrão' ele iria aparecer!!!

Além da derrota a outra má notícia da noite, foi a saída aparentemente por lesão do André Horta! Com o Samaris e o Danilo lesionados, as nossas opções para aquela posição são muito reduzidas! A confirmar-se uma lesão, a única opção parece ser o 'regresso' do Pizzi ao meio... situação que não me agrada!!!

As derrotas são sempre negativas, mas independentemente dos números exagerados, não vai ser por causa da derrota de hoje, que vamos ser eliminados da Champions! Após o empate com o Besiktas, antevi que os jogos decisivos vão ser os dois confrontos com o Dínamo de Kiev... e nada mudou! Aliás a única notícia positiva desta noite, foi mesmo o empate no Besiktas-Dínamo!!!!

Antes da prolongada paragem do Campeonato, temos o jogo de Domingo com o Feirense. Neste momento, e com todos os condicionalismos, vamos ter uma final da 'Champions' no Domingo à tarde na Luz!!!! Aparentemente dos 6 lesionados, ninguém vai recuperar... se o Horta de juntar a eles, será mais um... O Feirense teve um mau resultado na última jornada, mas tem estado bem, nos jogos onde tem menos responsabilidades... jogando em contra-ataque! Antes da 'janela de transferências' de Outubro, é obrigatório ganhar os 3 pontos!!!

Vitória com dedicatória...

Olhanense 1 - 2 Benfica B


Mais uma excelente vitória, mais uma vez num jogo complicado, comprovando a evolução da equipa, no que respeita à maturidade...
Tudo isto com muitas ausências: parece que o 'vírus' das lesões contagiou a equipa B (além do Rúben Dias, que estava castigado, e assim viajou até Nápoles)!!!
O Guga já tinha 'anunciado' uma lesão grave (6 meses...), mas o Yuri e o Saponjic também estão lesionados, e o Joãozinho saiu de maca, esperamos que não seja grave...!!!

Destaque para o regresso do Romário, que após não encontrar clube para empréstimo, voltou a jogar na B, e acabou por marcar o golo da vitória....

Vitória, com final de loucos...!!!


Nápoles 2 - 3 Benfica


Fomos sempre superiores, vitória mais do que justa, mas como não podia deixar de acontecer, tivemos que acrescentar uma dose de masoquismo totalmente dispensável, só para dar mais emoção ao jogo!!!
Explico: 0-2 para o Benfica, jogador do Nápoles é expulso ao minuto 73'; apesar da vantagem numérica, nos dois primeiros remates que o Nápoles acertou na baliza, marca 2 golos, e empata a partida ao minuto 85'; reposição de bola, e o Benfica volta a marcar...!!! Nos descontos, outro Napolitano foi expulso...!!!

Curiosamente no outro jogo do grupo, o Besiktas estava a vencer 3-0 ao intervalo, e a partida terminou 3-3!!!

Ronaldo substituído!

"Ninguém, sendo bom profissional, gosta de ser substituído. Há profissões, porém, onde a substituição é não só natural, como recorrente. Refiro-me ao futebol, onde, durante os 90m., trocar ed jogadores faz parte da normalidade. Seja por lesões, seja para melhorar a eficiência, para alterar a disposição táctica, para evitar punições, para fazer descansar um atleta, seja até para premiar com aplausos uma exibição... Ainda me recordo do tempo em que tal não fazia parte das regras e logo me vem à memória a derrota do Benfica na final dos campeões Europeus contra o Inter (no seu estádio) e com o defesa Germano na baliza em vez do lesionado Costa Pereira.
Agora está na moda haver amuos, atritos, gestos irreflectidos, deselegâncias nos cumprimentos, garrafas de água atiradas ao chão, por um jogador sair por ordem de quem manda. As câmaras televisivas são, neste aspecto, juízes implacáveis de detalhes, que passam despercebidos aos olhos de quase toda a gente.
Ora, vem todo este arrazoado, a propósito do agastamento com que Cristiano Ronaldo, em Las Palmas, reagiu à substituição ordenada por Zidane aos 72m. Foi de tal modo, que o chefe teve de justificar que substituiu o craque português para o poupar para a Liga dos Campeões.
Percebo que Ronaldo, notável profissional e que nunca vira a cara à luta, se tivesse sentido incomodado com uma decisão a que não está habituado. Só lamento que o estatuto que tão brilhantemente alcançou não lhe dê a serenidade para se conter perante a decisão e a elegância de não desconsiderar quem o foi substituir. Como em tudo na vida, ninguém é insubstituível. Basta visitar um cemitério."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CCXXXIII)

A velhinha Luz...

Foi por pouco...

Benfica 72 - 75 Varese
28-25, 13-16, 14-13, 17-21

Após o sorteio nos ter destinado o Varese, todos pensaram que seria impossível passar... e muito provavelmente iríamos levar 'capote'!!! Eu não pensei de modo diferente... Mas a pré-época deu boas indicações, e o recente torneio da Luz, confirmou as excelentes indicações... mesmo sem o Raivio lesionado!

Assim, o bom jogo desta noite, acabou por não ser tão 'surpresa' como seria normal! Estivemos sempre dentro do jogo, defendemos muito bem... mesmo com o habitual défice de qualidade nas posições interiores no contexto Europeu (dito isto: ganhámos a 'guerra' dos ressaltos)!!!
Foi pena as más decisões nos últimos 2 minutos!

Se repetirmos a 'dose' em Itália, vamos discutir a eliminatória. Com o Raivio mais tempo dentro do campo (hoje, só fez 12 minutos...), as nossas possibilidades vão aumentar... e já agora, temos que ser mais eficazes nos Triplos!
Creio que para quem não conhecia, o jogo de hoje provou que o Carlos Morais é mesmo um grande reforço...

Recordo que a não qualificação para a Champions, dará repescagem para a Europe Cup.

O Chaves bom e o mau

"Em cada temporada desportiva, os clubes esperam pela visita da águia para receberem o 'abono de família anual'.

À Liga cabe regulamentar as competições e zelar pelo seu normal desenvolvimento e aos clubes compete a responsabilidade pela organização dos jogos em respeito com as regras aprovadas, de aí que não deve ficar sem censura a situação registada no estádio flaviense, no último sábado, que pôs em perigo a segurança dos espectadores devido a um estratagema inaceitável e que não deixou bem na fotografia o emblema anfitrião.
Admite-se que os mandantes do Desportivo de Chaves, afastado da Primeira Liga desde o ano de 1999, não se tenham apercebido de que, entretanto, as coisas mudaram muito, para melhor, com generalizado esforço no sentido de profissionalizar e modernizar o edifício organizativo do futebol português.
Sabe-se que é o Benfica que mais receitas gera para os clubes de pequena e média dimensão em cada deslocação que faz. Não estou a dar novidade alguma. Apenas a fazer eco de constantes e repetidas confissões de dirigentes desses mesmos clubes, os quais, em cada temporada desportiva, esperam pela visita de águia para receberem o abono de família anual, mais gratificante ainda se ela estiver pujante e a liderar a classificação, como sucede. Motivo por que os tais mandantes flavienses, não sei se por ignorância ou se por aproveitamento, ou um pouco das duas coisas, mas sem avaliar as consequências da medida, ousarem entrar em sentido proibido, adulterando a interpretação de uma generosidade regulamentar que autoriza o recurso a um ingresso para acompanhantes de sócios, pensada, julgo eu, para facilitar os mais necessitados dentro dos limites da razoabilidade, como sugerem as boas práticas numa sociedade civilizada.
Não foi a primeira vez que o Chaves e outros clubes se respaldaram nessa escapatória para aconchegarem o lado da receita, mas agora foi-se longe de mais  e a Direcção executiva da Liga, como é hábito e costume, não me parece em condições de virar a cara para o lado à espera que a tempestade passe.
Houve absurda especulação no valor dos ingressos mais caros. Houve desrespeito pelo bem-estar de quem os adquiriu. Houve um problema de segurança que só não assumiu dimensão mais abrangente devido à presença e intervenção da força da PSP. Houve relatos de cenas inadmissíveis em jogo de Liga profissional em que participou o campeão nacional do país que é o actual campeão da Europa. Houve bastante para impedir o doutor Proença de dizer que não sabe ou nada pode fazer. A ignorância e a incapacidade são más conselheiras. Juntas são o prenúncio da desordem...
Depois do escândalo no Salgueiros-Sporting, na última jornada do campeonato de 2000, em que, na ausência de impedimento legal, a Direcção do clube de Paranhos exigiu aos adeptos leoninos valores que chegaram a dezenas de milhares de escudos, a Liga percebeu que tinha de colocar um travão na selvajaria bilhética em nome da credibilização do negócio, com a divisão dos estádios por categorias e balizando as tabelas de preços para cada uma delas.
Dezasseis anos decorridos verifica-se, contudo, que há mentalidades entranhadas na classe dirigente que não se recomendam. Por isso, é preciso mais controlo e rigor.
Não se confunda, porém, o excelente trabalho que o treinador Jorge Simão está a fazer em Trás-os-Montes e o fantástico desempenho de todos os seus jogadores com o resto... Porque do jogo com o Benfica no passado sábado emergiram dois Chaves: o bom, que merece ser elogiado; o mau, que deve ser penalizado. Como escrevia Carlos Pinhão, ai que saudades dos tempos em que Emílio Macedo era a referência elogiada e respeitada do Desportivo...
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O homem que tinha pés de veludo

"Figura única do Benfica desde que chegou a Lisboa, em 1970, para jogar nos juniores, Shéu Han não mais deixou de fazer parte do clube, até hoje, tal como fará sempre parte da nossa memória.

Tem um nome simples e redondo. E tinha pés de veludo que acariciavam a bola como se fossem mãos. Lembro-me dele em momentos únicos. Ao vivo e a cores: o golo fantástico ao Anderlecht, no Estádio da Luz, segunda mão da final da Taça UEFA - pontapé certeiro no disparar da esperança mais tarde assinada por Lozano, mais de oitenta mil pessoas espremidas nas bancadas, um ambiente único de comunhão vermelha de temos que não voltam mais. E depois no Estádio Nacional, três passes perfeitos, lá está - aveludados, a bola deslizando sobre a relva como se fosse num pano verde de bilhar, três golos de Nené frente ao FC Porto na final da Taça de Portugal.
Vi Shéu jogar tantas e tantas vezes, que, infelizmente, já não me recordo de todas. Mas não esqueço a finura do gesto, a elegância do movimento, a tranquilidade expansiva de uma personalidade ímpar.
Shéu: Shéu Han.
Nascido nessa terra estranha de Inhassoro, lá na província de Inhambane, em Moçambique, não longe das maravilhas já descobertas de Bazaruto, no ano de 1953.
No Benfica foi oito vezes campeão nacional e venceu seis Taças de Portugal. Como jogador, claro! Ainda hoje continua a ser campeão, embora noutras funções. Até treinador já foi.
Chegou à equipa principal em 1972 (veio para Lisboa, dois anos antes para jogar nos juniores). Essa equipa que era um não mais acabar de grandes jogadores, de Eusébio a Jordão, de Humberto Coleho a Simões, Nené, Artur Jorge ou Rui Rodrigues.
Estava onde devia estar. O lugar era seu.
Figura de bronze
Despediu-se dos relvados no fim da época de 1988/89. O treinador era Toni, que viria a ser substituído no cargo por Eriksson, ficando como adjunto do sueco. Só entrou em quarto jogos para o campeonato e em um para a Taça. A veterania não perdoava a figura esguia, de bronze, que parecia jogar como um fantasma, sem ruído, surgindo e desaparecendo ao vogar das necessidades da equipa.
Nesse dia de despedidas, o Benfica festejava o título, frente ao Boavista, na Luz, empate 2-2 com dois golos de Vata, que conquistou a «Bola de Prata». Shéu jogou até ao intervalo - para o seu lugar entrou Mariano. Disse adeus e ficou, porque o Benfica não prescindia do seu trato único, até hoje presente quase sem se dar por ele em todos os jogos dos «encarnados».
Era chegado um tempo de outro tempo: jogadores como Shéu foram deixando de ter espaço num futebol mais musculado, mais faltoso, mais bruto. Sobretudo no meio campo, onde ele foi sempre senhor dos seus terrenos.
E, no entanto, como esquecê-lo? No turbilhão de uma carreira longa, longa; em quase quinze anos de preponderância nos onzes imaginados pelos muitos treinadores que tiveram o prazer de o ter às suas ordens; por entre jogos inconfundíveis e momentos que se pregam nas paredes como fotografias que jamais perdem o brilho.
Os seus traços asiáticos transparecem o Índico onde se cruzam as culturas de Ocidente e Oriente. Talvez haja também muito deles na sua personalidade contemplativa e introvertida. No campo foi também assim e, por isso, era diferente. Trazia consigo aquela diferença que não se explica. Tal como no nome, a soar a Salgari e Mompracem, a ilha que desaparecia.
Shéu Han: o homem que tinha pés de veludo..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Pizzi didas!!!

"Atletas do espírito"

"A estreia do orfeão e a prova que desporto e cultura não são termos incompatíveis.

Todos os benfiquistas rumaram ao Coliseu dos Recreios no dia 26 de Junho de 1957. A grande sala de espectáculos da capital recebia a festa de consagração dos atletas do Benfica que, na época 1956/57, conquistaram títulos. A organização do evento coube à Secção Cultural do Clube, que preparou um programa com uma forte componente artística, promovendo 'à união palpável (...) entre os primores da educação física e os da valorização cultural'.
A Orquestra Típica Escalabitana, que interpretou meia dúzia de números do seu reportório, foi responsável pela primeira actuação da noite, a que se seguiu um grupo de dezasseis rapazes e raparigas da Classe de Bailados Regionais da Secção de Ginástica do Benfica. Para o fim, reservaram o 'principal atractivo do espectáculo': a actuação do Orfeão.
Era a estreia do grupo coral do Benfica. A expectativa era grande. Desde a notícia da sua criação, muita curiosidade de levantou em torno do orfeão. De um clube desportivo esperam-se mais facilmente iniciativas relacionadas com os atletas do corpo que com os 'atletas do espírito'. Mas, como se podia ler n'O Benfica, 'entre o desporto e a cultura artística não há, nem pode haver antagonismo'.
O conjunto de 116 vozes (84 masculinos e 32 femininas), 'de timbres e maviosidades diferentes' que 'o «maestro» conseguiu burilar', conquistou o público no primeiro minuto. Sob o comando da batuta do maestro Casimiro Silva e primorosamente trajados - 'as senhoras elegantemente vestidas de branco e no peito uma flor vermelha; os homens de «smoking»', como se vê na fotografia - os orfeonistas brindaram todos os presentes com um 'espectáculo extraordinariamente encantador'.
Mas, como o melhor fica sempre para o fim, para terminar a sua actuação o orfeão maravilhou a assistência com a interpretação do Hino do Sport Lisboa e Benfica, da autoria de Félix Bermudes e Alves Coelho. 'Ninguém esperava tanto! Cada número punha a assistência, de pé, rendida, emocionada, delirante'. 'Foi o epílogo triunfal'!
Esta e outras fotografias da autoria de Roland Oliveira podem ser vistas na exposição com o seu nome, até 15 de Outubro na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CCXXXII)

Mais um Postal...!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Lixívia 6

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.......... 16 (-2) = 18
Corruptos...... 13 (-2) = 15
Sporting........ 15 (+3) = 12

Para aqueles que só 'acompanham' os resultados do Tugão (são mais do que se pensa!!!), tivemos uma jornada 'calma', mas quem vê os jogos, com olhos de ver, e conhece as manhas e esquemas das operárias 'formiguinhas', percebe que em Chaves houve mais uma tentativa descarada de alterar a verdade desportiva...

E nem sequer estou a falar do golo mal anulado ao Mitro (a decisão errada foi do bandeirinha). E sendo uma decisão errada, é uma decisão difícil... Agora, o critério disciplinar usado durante os 90 minutos, não foi uma decisão, foram um conjunto de muitas decisões, consistentes, sempre a 'cair' para o mesmo lado!!! Inacreditável o Chaves terminar o jogo com 2 Amarelos...
Uma das 'técnicas' usadas foi a Lei da Vantagem, contabilizei pelo menos 4 contra-ataques perigosos do Benfica, parados em falta, cínica, algumas vezes de forma violenta, onde a Lei da Vantagem foi dada (bem), mas depois, quando o jogo parava, o apitadeiro fez-se 'distraído'!!! Curiosamente, foi exactamente numa destas jogadas que o Lisandro levou Amarelo... o único da 1.ª parte!!!
Mesmo a terminar a 1.ª parte, Rafa agrediu o Grimaldo, pontapé descarado às pernas do Espanhol... com 45 minutos jogados, marcou falta, e pediu 'calma'!!! Ridículo...
Sobre o golo mal anulado ao Mitro, tenho uma 'certeza' e uma 'dúvida':
- A 'certeza' é que no momento em que a bola 'bate' no Guedes o Mitro está em jogo;
- A dúvida é mais complicada: a semana passada, andou-se a discutir o que era um ressalto de bola, um corte, ou um passe... Tudo para determinar se o golo do Pizzi na Luz, contra o Braga era, ou não, legal!!!! Chegou-se à conclusão que se fosse um ressalto de bola, aquilo que contava era o momento do 'passe' do Mitro!
Pois bem, esta semana, o defesa do Chaves pontapeou a bola violentamente contra o Guedes, houve um claro ressalto de bola (não foi corte, não foi passe...), como é que o Mitro poderia estar em fora-de-jogo, se a bola foi 'passada' pelo defesa do Chaves, o Guedes não foi mais do que o poste ou o árbitro?!!!!
Esta minha 'dúvida' não é nova, é uma das 'contradições' na aplicação da Lei do Fora-de-Jogo: se a bola 'ressalta' num defesa (batida ou passada por um avançado) e vai ter com um avançado em posição irregular, todos acham que se deve marcar Fora-de-Jogo e o momento em que se deve medir o fora-de-jogo é o momento do passe;
Se a bola 'ressaltar' num avançado (batida ou passada por um defesa), e ir ter com um colega de equipa também deve ser fora-de-jogo, mas o momento que conta é o momento do ressalto no avançado e não o momento do passe do defesa...!!!!

Dúvidas à parte, Tiago Martins, provou ser um digno discípulo do seu 'padrinho': o Desdentado Proença! O estatuto e a forma como Tiago Martins e Fábio Veríssimo chegaram à Internacional, deixa-me muito preocupado...


Não sei se já repararam mas estamos a assistir à Sportinguização dos Corruptos!!! É um fenómeno curioso, ouvir e ler, todas as semanas, minutos após o final das partidas, ao choradinho das arbitragens por parte do Clube mais corrupto de Portugal e arredores...
Por um lado, até é bom sinal... É sinal que não está a jogar um chavo!!!!!!
Tal como a semana passada, apesar de todo o choradinho, o maior erro de arbitragem no jogo dos Corruptos, foi em seu beneficio!!!! É verdade que o golo do Boavista no início da partida foi em ligeiro fora-de-jogo, mas tal como em Chaves, a grande diferença esteve no critério disciplinar...!!!
A não expulsão do Filipe é absurda: agrediu um adversário violentamente, na minha opinião era Vermelho directo, e logo a seguir nova falta por trás claramente para Amarelo! Resultado: nenhum cartão!!!! Estamos a falar de Nuno Almeida, o mesmo árbitro que no Alvalixo expulsou nos primeiros 30 minutos, no Sporting-Moreirense, um Médio dos visitantes, por duas faltas de gravidade muito menor...!!!

O penalty marcado a favor dos Corruptos, foi bem assinalado!
Dos outros lances reclamados nas duas grandes áreas, só tenho dúvidas numa disputada na área dos Corruptos entre o Alex Teles e o Digas, mas mesmo com as repetições não tenho a certeza... os outros lances, são jogadas normais, sem falta...


O regresso do Lagarto Capela a Alvalade, teve direito a grande espectáculo de 'pressão' nos dias que antecederam a partida!!! Nada de nova por aqui...
O jogo foi calmo, e o árbitro não influenciou o resultado, mesmo assim, já nos descontos, na minha opinião o Coates fez um daqueles típicos penalty's de quem não tem 'rins' para jogar à bola...



Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Portugal e as competições europeias

"O futuro aponta para menos clubes portugueses na Liga dos Campeões. E continua a pairar o fantasma da NBA do futebol...

Como serão, num futuro próximo, as competições europeias de futebol? Esta pergunta, muitas vezes repetida nos últimos tempos, continua sem ter resposta definitiva. Apesar do princípio de acordo alcançado entre a UEFA e os clubes mais poderosos, persistem correntes fortes que apontam para uma Liga fechada, tipo NBA, capaz de gerar muito mais riqueza, garantindo um sucesso planetário à competição. Por mais que os pequenos países tenham sido decisivos na recente eleição do novo presidente da UEFA, será muito duvidoso que tenham força para impor a sua vontade aos emblemas mais ricos. Numa conjuntura de competição elitista, baseada sobretudo no mercado televisivo, que hipóteses terão os clubes portugueses? Quantas vagas conseguirão? Uma? Duas? E como? Por convite? Estas questões não são teóricas,são feitas sobre cenários plausíveis que muito provavelmente condicionarão o futuro do futebol nacional. Há uma guerra surda, de bastidores, em curso, que obedece a premissas economicistas e apresenta francas hipóteses de vingar.
Enquanto esse tempo novo não chega, as preocupações portuguesas viram-se para um horizonte conhecido e ainda assim preocupante. Parece muito difícil, aos emblemas nacionais, a manutenção do actual estatuto que permite ter dois clubes com entrada directa na Champions e um com acesso ao play-off. Quer isto dizer que daqui a dois anos o mais provável é que Portugal envie o campeão à Liga milionária e tenha o segundo classificado no terceira pré-eliminatória de acesso aos milhões. Ou seja, dos três grandes só um terá direito ao jackpot. Este cenário, que nos bate à porta, altera a correlação de forças existentes e acentua a guerra por um espaço absolutamente vital, entre os três grandes, Benfica, Sporting e FC Porto precisam das receitas directas da UEFA, ao mesmo tempo que necessitam da montra de luxo que é a Champions para realizaram transacções milionárias.
Amanhã, quando iniciaram a segunda jornada da fase de grupos das competições europeias, os clubes portugueses entram em campo com a necessidade premente de somarem pontos-UEFA que evitem/retardem a despromoção. Uma tarefa difícil, perante as forças em presença, num quadro global com mais sombras que luzes para o futebol nacional.

ÁS
Kostas Mitrolgou
O goleador grego do Benfica está a atravessar uma excelente fase e mostra ser uma peça fundamental na equipa de Rui Vitória. Mitrolgou está incomparavelmente melhor física e tecnicamente - quando comparado com o jogador que chegou à Luz há pouco mais de um ano. Está bem enquadrado e promete bastante.
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCXXXI)

Bigode inconfundível...!!!

domingo, 25 de setembro de 2016

Sonho e ambição

"Benfica tem em Outubro e inicio de Novembro uma sequência de jogos que importa ultrapassar. Vencendo. Tendo ambição.

1. É um fim de semana futebolístico bem singular. Sporting e Porto jogaram na sexta e, ontem, o Benfica regressou a Chaves, onde conseguiu esforçada vitória. Agora, e graças às nossas múltiplas e novas auto-estradas, de Lisboa a Chaves é, de verdade, um salto médio. Serão poucos mais de quatro horas. Recordo bem o meio dia que levei em Dezembro de 1998 para ir ver o Benfica ganhar ao Chaves por quatro bolas a zero, com três golos do Nuno Gomes e o outro do Tahar. O capitão era o João Pinto, o treinador Souness e o árbitro José Leirós. E este fim de semana singular leva-nos, de empurrão, à segunda jornada da Liga dos Campeões e à difícil visita do Benfica a Nápoles. Porventura sem a generalidade dos seus reforços de Outubro como sugestivamente referiu Rui Vitória ao abordar, sem dramatismos e com total sinceridade, o conjunto de jogadores lesionados do Benfica. Durante todo o mês de Outubro - que terá outra pausa para jogos das selecções nacionais e para jogos particulares de clubes, como aquele que o Benfica disputará a 8 de Outubro frente ao Santos na despedida do Léo! - o Benfica realizará cinco jogos, entre eles um jogo, da terceira eliminatória, da Taça de Portugal. E logo arranca Novembro, com o jogo, na Luz, frente ao Dìnamo de Kiev. E é esta sequência que importa ultrapassar, vencendo. Lutando. Tendo ambição. Na certeza que em cada jogo tomamos ar. Já que cada jogo é uma final. Bem importante para as contas das duas Ligas em que competimos e para as contas da sociedade desportiva que apresentamos. E como bem percebemos ao ver as contas da SAD no Benfica da última época desportiva há resultados significativos: tri campeão e tri lucro. Ou seja terceiro ano consecutivo de resultados positivos, tanto nos relvados como nas contas. E com a participação na última Liga dos Campeões a dar um forte alento financeiro! Que alento!

2. Ontem e hoje vive-se, em todo o Portugal, a segunda eliminatória da Taça de Portugal. Já estão em prova os clubes da segunda Liga. E cada um dos 92 clubes em prova sabe que receberá três mil euros e sonha, com total legitimidade, com o possível sorteio da terceira eliminatória e com o encontro com um dos grandes do nosso futebol. Tendo, então, acrescidas possibilidades de somar aos quatro mil euros que então arrecadará um valor bem mais elevado com uma possível transmissão televisiva. Mas hoje temos o futebol de todos em todo o Portugal. A equipa de Rabo de Peixe - uma freguesia linda e com orgulho da Ilha de São Miguel - defronta o Gil Vicente. O jogo realiza-se na Ribeira Grande e será, de verdade, um encontro histórico. Em Leiria o União recebe o Portimonense e Vítor Oliveira reencontra um clube, que não o Estádio, que liderou durante duas épocas. E em Sacavém o histórico Sacavanense acolhe um Olhanense que parece esquecer, no presente, parte relevante da sua história, dos seus compromissos e, também, da sua identidade. Em Sintra há um confronto local. O 1.º de Dezembro joga contra o Lourel. É um encontro de amigos. Na zona oriental de Lisboa o Loures confronta-se com o Oriental. É um encontro de vizinhos. Na Figueira da Foz, a Naval, também em total crise, recebe o Fafe. E o que mais me impressionou foi ler declarações do capitão da Naval, Sérgio Grilo: «Aqui na Figueira estarão mais adeptos do Fafe do que nossos. Já era bom ver um ou dois cachecóis verdes na bancada. Era sinal que não estávamos sozinhos». Um clube é um espaço de identidade. Com a sua história e com a comunidade a que pertence-

3. E é também esta identidade que marca os dez anos do Caixa Futebol Campus. Os dez anos da Academia do Seixal. Onde importa não esquecer o contributo, relevante, do respectivo Município. A Academia é um espaço também ele singular. Pelas infra-estruturas construídas e desenvolvidas. Pelos êxitos conquistados. Cinquenta e um títulos nacionais e distritais. Pela repercussão financeira. Gerou em vendas já cerca de 100 milhões de euros e custou em dez anos cinquenta milhões. Pela consagração do conceito de quadro de honra e em que a distinção aos atletas implica necessariamente a componente desportiva mas envolve também a escolar e a comportamental. E, aqui, acredito que a Academia do Seixal pode alargar as ferramentas ao conjunto dos jogadores que acolhe diariamente ao proporcionar novos conteúdos relacionados com esta nova e ampla sociedade de informação que nos domina e condiciona. Ferramentas complementares àqueles que o sistema formal de educação está, nos seus conteúdos, a concretizar. Na certeza como nos ensina John Dewey que «a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é preparação para a vida, é a própria vida»!

4. Duas notas complementares. No futsal lutamos, na próxima madrugada, na Colômbia, pelo acesso às meias-finais do Mundial. Com a ambição, bem legitima, de alcançarmos a final! Defrontamos o Azerbeijão que apenas tem seis brasileiros na respectiva selecção. Porventura percebemos a razão da eliminação do Brasil pelo Irão! E marca presença neste Mundial o árbitro português Eduardo Coelho, o que importa aqui realçar. A segunda para sublinhar a presença do futebol feminino no play off de acesso ao Europeu. O confronto será com a Roménia e vale a pena sonhar. Sonho e ambição, também no futsal e no futebol feminino. Como aconteceu, concretizado, a 10 de Julho em Paris!
(...)"

Fernando Seara, in A Bola

PS: Aconselho a entrevista do Domingos Soares de Oliveira à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, fica aqui o Link.

12 meses de TAD (parte I)

"No dia 1 de Outubro de 2015 entrou em funcionamento do Tribunal Arbitral do Desporto.
(Praticamente) um ano volvido, cumpre deixar algumas notas relativas à informação disponíveis no site do site do Tribunal acerca da respectiva produção jurídica, na vertente das decisões arbitrais produzidas pelos árbitros:
- Foram proferidos 9 Acórdãos, dos quais 7 se encontram disponíveis para consulta (as partes podem opor-se à publicação das decisões, sem necessidade de fundamentar tal oposição);
- Tais Acórdãos referem-se a pedidos de arbitragem necessária, donde resulta que a arbitragem voluntária ainda não ganhou, tanto quanto se sabe, espaço no TAD;
- Verifica-se que os litígios são essencialmente relacionados com futebol (em 9 casos, apenas um não diz respeito a esta modalidade);
- A maioria dos processo opõem atletas, SAD's e Clubes, às respectivas federações;
-Tratam-se, essencialmente, e como era previsto, de recursos de decisões disciplinares que caem sob jurisdição deste Tribunal;
- Foram proferidas fundamentalmente decisões de mérito, isto é, que abordem e julgam o fundo de causa e não se limitam a resolver a acção por recurso a questões formais;
- Constata-se ainda que as partes não têm divergido quanto à indicação dos árbitros e nem colocado em causa a composição dos colégios arbitrais."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

A noite em que o Benfica fez lembrar os tempos do Souness

"Os autores de Um Azar do Kralj entraram numa máquina do tempo e recuaram aos anos que nenhum benfiquista quer relembrar: os de Scott Minto e os de Michael Thomas

EDERSON
Protagonizou uma das maiores desilusões da noite ao surgir no onze titular, logo hoje que Guardiola viera à socapa do aeródromo de Bragança para observar Júlio César. Teve a seu favor a participação pouco activa numa das piores exibições do Benfica esta época. Acompanhou com segurança a trajectória da bola aos 41 minutos, em dois remates ao poste, o melhor dos inanimados em campo. 

SEMEDO
A poesia portuguesa não tem perdido muito tempo com o drama da actividade laboral. É na boa, porque para descrever a exibição de Nélson Semedo em Chaves basta-nos “o poema dum funcionário cansado”, de António Ramos Rosa. Os versos dão-nos a conhecer um sujeito saído de uma repartição de finanças, perdido no aparente crepúsculo da sua existência, vencido pelo mantra mais depressivo de sempre: “débito e crédito”, “débito e crédito”, ou, no caso de Semedo, “defender e atacar”, “defender e atacar”. Demonstrou o estado anímico de quem pergunta “porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?” e a qualidade futebolística de alguém “cansado dum dia exemplar” que, para nossa angústia, a presente época teima em nos negar.

LINDELOF (OU PAULO MADEIRA)
Uma primeira parte em que pareceu estar a recuperar de um almoço bem regado, vá, totalmente submergido, numas garrafinhas de Muralhas. Surge na segunda parte já com um guronsan no bucho e a coisa corre um pouco melhor, tendo até cometido a proeza de, em alguns momentos do jogo, penetrar o meio-campo adversário com maior clarividência do que os colegas pagos para a realização dessa mesma tarefa.

LISANDRO (OU RONALDO)
Exibição salva pelos regulamentos aos 18 minutos, num fora-de-jogo que benfiquistas menos dados à objectividade descreverão como “não digas disparates, o Lisandro subiu para colocar o gajo em posição irregular”. Foi, ainda assim, sintomático do estado de sítio em que o meio-campo e o ataque flavienses conseguiram colocar os jogadores mais recuados do Benfica, em especial nos primeiros 45 minutos. Acertou o passo na segunda parte e foi um dos onze melhores em campo nos últimos 15 minutos.

GRIMALDO (OU SCOTT MINTO)
Os seus anos na cantera revelaram-se hoje cruciais, tendo sido o único jogador do Benfica em campo que não terá confundido a camisola do Chaves com a do Barcelona. Foi frequentemente prejudicado pela presença de alguns colegas em campo, nomeadamente Pizzi, mas fez os possíveis por ignorar a situação de inferioridade numérica e terminou em grande, com uma assistência para o primeiro golo e um livre mal marcado para o segundo.

FEJSA
Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na Luz e #sejaondefor. Os leitores mais atentos saberão que já aqui se citou Sophia de Mello Breyner para descrever o profundo afecto que sentimos por Fejsa. Por isso, e não obstante ser o segundo jogo consecutivo abaixo daquilo a que nos habituou, também não vamos desatar a dizer mal do homem. Relembre-se apenas que, na última visita do Benfica a Chaves para o campeonato, há 18 anos, o titular nesta mesma posição foi Michael Thomas. 

ANDRÉ HORTA
Todos sabemos que os benfiquistas são uma grande família, mas a verdade é que não vimos André Horta abraçar nenhum familiar no final do jogo, o que talvez explique a sua pior exibição esta época. Felizmente, a solução é simples. Ao cuidado da SAD do Benfica: comprem uma Sharan, uma Ford Transit, eh pá, não sei, o que vocês acharem melhor, desde que enfiem lá os pais, os tios, os primos, a avó, o caniche e quem mais couber. O miúdo irá certamente retribuir com um regresso às boas exibições e 14 milhões de abraços e beijinhos.

SALVIO
uns tempos, após algumas semanas a tentar disfarçar desânimo, o meu chefe veio ter comigo e perguntou-me se estava tudo bem. Eu expliquei que não andava contente com as minhas funções, que tinha alguma dificuldade em perceber que lugar ocupava na empresa. O meu chefe foi cinco estrelas: disse-me para tirar os dias de férias que precisasse e que pusesse as ideias em ordem, porque a empresa precisava muito de mim. Ora bem. Esqueçamos o facto de ter sido despedido entretanto. Eu não sei se é assim que estas coisas se passam no plantel no Sport Lisboa e Benfica, mas seria interessante Rui Vitória ter uma conversa honesta com Salvio no sentido de garantir que o nosso argentino favorito passe a entregar a braçadeira de capitão a Fejsa antes do início do jogo.

PIZZI
Tremeu que nem varas verdes perante Rakitic, Mascherano e companhia. Uma primeira parte sofrível de um jogador amado e odiado cujos passes falhados são automaticamente multiplicados por dez, o que perfez quatrocentos e trinta sete, isto na primeira parte. As jornadas anteriores pareceram indicar um princípio de acordo com Grimaldo para a execução de inúmeros ataques mortíferos com o espanhol encostado à linha e o português em zona interior, por isso não dramatizemos. Aliás, à hora em que escrevemos estas linhas, já Pizzi se tinha redimido com mais um golo na liga. Eu não vos disse para terem calma? #pissi não falha.

GUEDES
As suas exibições começam a parecer uma espécie de Operação Coração do século XXI benfiquista. Neste caso, espera-se que os donativos venha do Valência ou de qualquer outra entidade legalmente detida por Peter Lim. Enfim. É verdade que Guedes tem passado mais tempo em campo devido às inúmeras lesões dos colegas, é inquestionável a sua entrega ao jogo, e ninguém duvida da sua vontade de celebrar golos e vitórias connosco, portanto, hoje evitaremos culpar o estagiário. Até porque ganhámos.

MITROGLOU (OU NUNO GOMES)
Sófocles, pensador grego que não terá ficado fã do Twitter, disse que nenhuma mentira chega a envelhecer no tempo. Apesar de não perceber um charuto de futebol, a bojarda de Sófocles aplica-se lindamente à exibição do compatriota Mitroglou. Depois de lhe negarem um golo em posição legal aos 37 minutos, Mitroglou reagiu com a tranquilidade de quem, como nós, visita regularmente o citador.pt. Só mais tarde vingaria a verdade desportiva, com um golo pleno de oportunismo que colocou o Benfica na frente e alguns dos seus colegas fora da unidade de cuidados intensivos. Ao invés do vagamente insultuoso "sem saber ler nem escrever", deveríamos adoptar a expressão “uma vitória com a escolaridade obrigatória” - à imagem, aliás, deste cronista.

CERVI
Tentou cumprir o papel de desfribrilhador do ataque benfiquista e até cumpriu, na medida em que conseguiu não irritar nenhum adepto e perturbar alguns adversários. Tem tudo para vir a ser um belo suplente de Salvio, assim que Salvio se tornar suplente de Carrillo. Parece pouco, amigo Cervi? Se fosse fácil não era para nós.

CELIS
Substituiu André Horta e continua a parecer alguém que conquistou a oportunidade de entrar no relvado depois de ter enviado 4 códigos de barras de Tulicreme para um apartado postal. Mais uma vitória #rumoao36, mais uns minutinhos #rumoàequipaB.

CARRILLO
Ia marcando. Toda a gente sabe que o rapaz é habilidoso, mas nem sempre se entende com os colegas, como se de repente o António Zambujo fizesse uma canção com o Regula – o que, infelizmente, acabará por acontecer."