Últimas indefectivações

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Futebol biológico

"No mundo global, as equipas transformaram-se em verdadeiras sociedades de nações, tal a origem dos atletas.
Cada vez é mais difícil memorizar os plantéis, sempre em acelerada rotação. Ao ler, com interesse e curiosidade, os Cadernos de A BOLA, deparei com alcunhas e nomes estrangeiros estrambólicos e impossíveis de reter.
Com os nomes portugueses, resolvi constituir 3 equipas biológicas: uma de nomenclatura animal e duas de botânica (árvores e herbáceas). Como havia mais do que 11, fiz a minha selecção destes 3 grandes. Assim:
De seres animais, o meu onze (treinado por Emílio Peixe) seria: Galo, na baliza (à falta de frango ou peru); defesas: Sapo, Carraça, Coelho e Bicho; médios: Toro (um hondurenho que naturalizei português) e Leão (emprestado pelos leões); nas alas, os artistas Pintassilgo e Grilo e no ataque, Falcão e Pinto (Pintos há muitos, oh Peixe!). Como suplente de luxo (excepto em relva artificial), Minhoca.
Das espécies arbóreas: guarda-redes, Chaparro (para melhores manchas); defesas: Castanheiro, Nogueira, Carvalho e Lenho (quarteto forte para as tacadas); médios, Macieira e Pereira (para dar fruta), nas alas, Oliveira e Palmeira e no ataque, Lima e um Pinheiro (para o jogo aéreo). O técnico seria Carlos Carvalhal.
Das herbáceas: na baliza, o jovem Batatinha; na defesa, Ervões, Silva (com muitos picos), Cravo e Ervões; no meio-campo, Rosa e Viveiros, com os irmãos Horta nas alas; no ataque, Pimenta e Silvestre, uma dupla selvagem. E com Leonardo Jardim a dirigir este grupo.
Os jogos entre estes grandes seriam arbitrados pelo polémico e resistente Manuel Oliveira."

Bagão Félix, in A Bola

Benfiquismo (CCXII)


Inauguração do Estádio das Amoreiras, 1925

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O risco negro do «Garoupa»

"Em Novembro de 1977, num jogo frente ao Chaves, Vítor Martins lesionou-se num menisco. Durante a intervenção cirúrgica, uma embolia atirou-o violentamente para fora de uma carreira que estava no seu auge...

Houve um tempo em que os jogadores de futebol, em Portugal, faziam questão de usar bigode. Agora, assim à distância, pode parecer inestético. Tão inestético como as longas cabeleiras esfiapadas ou os penteados de bola. Eram tempos... Outros tempos.
Vítor Martins era desses tempos. Poucos benfiquistas terão sido vítimas do Destino como Vítor Martins. No dia 13 de Novembro de 1977, no Estádio da Luz, frente ao Chaves, para a Taça de Portugal, o Benfica venceu por 2-0, golos de Pereirinha e Pietra. Vítor Martins perdeu. lesionado no menisco, é obrigado a uma intervenção cirúrgica. Ainda não havia as facilidades das artroscopias de agora. Durante a operação, sofre uma embolia. Fica com diversas partes do corpo paralisadas. A sua carreira chegava ao fim.
E que carreira! Nascido no dia 27 de Março de 1950, Vítor Manuel Rosa Martins esteve nove épocas ao serviço dos encarnados e foi seis vezes campeão nacional. Coleccionava faixas. Era campeão por inteiro, mesmo no momento em que a vida o obrigou a vivê-la pela metade. Campeão, repito. Campeão continuou a ser sem intervalos.
Conquistando o lugar entre os maiores
Nascido em Alcobaça, dando os primeiros pontapés no Nazarenos, Vítor Martins chegou ao Benfica aos 18 anos. Aos 19 já se estreara na equipa principal. A partir daí lutou por um lugar entre os titulares e conquistou-o. Por lá ficou até à idade maldita de 27 anos. Rebelde e ao mesmo tempo compassado. O seu futebol obedecia à regra do rigor, mas tinha também consigo o movimento brusco da criatividade inata. Jogou entre os maiores, de Eusébio a Simões, de Humberto Coelho a Nené, de Toni a Vítor Baptista. Era um pêndulo. Marcava um ritmo e regia-se por ele, ao mesmo tempo que geria o jogo. Fazia mais do que uma posição num meio-campo que, à altura, tinha soluções para todos os problemas. O «Garoupa», como lhe chamavam, instalou-se. Até ao fatídico dia da sua morte como jogador de futebol, tornou-se indispensável, para todos os seus treinadores. Mas desilusão é o outro nome que a vida pode ter.
Recordo Vítor Martins porque a maior injustiça que se lhe pode cometer é esquecê-lo. Tornou-se tão natural a sua presença em equipas do Benfica durante quase dez anos que, muitas vezes, não se reconhece a qualidade que de facto tinha. O seu tempo foi, também, um tempo de exigência. Não apenas um tempo perdido em figuras semi-revolucionárias de longos cabelos e bigodes fora de moda. Era um Benfica capaz de ser campeão por nove vezes em onze anos. No qual só cabiam os melhores dos melhores, ainda que apenas portugueses, alguns vindos das colónias. Vítor Martins era, por isso mesmo, um caso raro. Discreto, trabalhador e artista, homem de passada mecânica sem medo de confrontos físicos, uma imaginação súbita que passava para além da realidade comezinha dos mortais.
Aos 27 anos, o futebol fugiu-lhe dos pés. Infame, a vida traiu-se quando estava, muito provavelmente, no auge da sua carreira. Ele o reconheceu, numa entrevista publicada mais tarde. Tinha ainda muito para dar a recusaram-lhe o que dava. Ficou à margem dos estádios, tal como continua hoje em dia, e existe no seu olhar, inequívoca, uma mancha de saudade, a mesmíssima mancha de saudade que envolve quem pôde usufruir do seu futebol único e irrepetível.
Em Novembro de 1977, Vítor Martins, o «Garoupa», cruzou o risco negro das carreiras interrompidas. Não foi o único, não será o único. Sobre o tempo que se foi, tempo vem. Muitos dos que pertencem às novas gerações não sabem quem foi, nem imaginam o seu futebol difícil de definir, regulado entre a verticalidade e a destreza, seguro no passe, sóbrio na finta, inimitavelmente correcto e positivo.
Vítor Martins foi um daqueles jogadores de todos os tempos e de todos os lugares. Escolham uma equipa, escolham uma época, e ele terá lugar. Desafiou as eras e pagou violentamente esse descaramento divino de estar sempre lá quando a sua presença era necessária. Não o esqueçam, aqueles que o viram jogar, suave e impasível. Não o esqueçam porque não é apenas eles que não merece a crueldade desse esquecimento. É o futebol na sua realidade mais intrínseca.
O mês de Novembro de 1977 foi injusto para muita gente, como são injustos todos os dias da vida, trazendo dádivas e desgraças na mesma mão e espalhando-as por quem menos de espera e tão-pouco as merece. O mês de Novembro de 1977 não foi apenas injusto para Vítor Martins, ao qual chamam o «Garoupa». Foi injusto para com todos aqueles que dividiam com ele o campo, como companheiros ou adversários. E foi mais injusto ainda para com todos nós que nos habituámos a vê-lo no seu posto, vestido de vermelho, com uma águia ao peito, símbolo de que, quando queria, também podia voar."

Afonso de Melo, in O Benfica

O dia em que Amália homenageou o Benfica

"Calado levou um repenicado beijo da fadista, e Costa Pereira envolveu-se num xaile e cantou à desgarrada.

Corria o ano de 1957 quando o Benfica partiu para Madrid para participar na última edição da Taça Latina, ainda com a vitória frente aos Girondinos de Bordéus, sete anos antes, bem fresca na memória.
A viagem foi atribulada. Saíram atrasados do Lar do Jogador e a meio do percurso uma avaria no motor do autocarro obrigou-os a trocar para outro mais pequeno que só andava a 65 Km/h. Chegaram a Madrid às 3h da manhã mas a comitiva esteve sempre animada graças aos cantores de serviço. Ângelo cantou fado castiço, as canções espanholas ficaram a cargo de Cavém, a voz mais desafinada de que há memória, 'que nem consegue acabar as cantigas', e Costa Pereira, o 'guarda-redes-cantor' com 'a sua voz bem timbrada', agitou o ambiente com sambas.
Quem também andava por terras madrilenas era Amália Rodrigues, que, assim que soube que os portugueses do Benfica iam participar na competição internacional, fez-lhe chegar uma mensagem de motivação: apesar de adepta do Belenenses, tinha muita confiança nos 'encarnados' e queria muito que ganhassem a Taça Latina. A equipa acabou por ficar em segundo lugar, mesmo tendo começado com o é direito. Venceu o primeiro jogo, frente ao Saint-Étienne, por 1-0, com golo de Calado que lhe valeu um repenicado beijo da fadista nessa noite. 'Ó meu malandro, dê cá um beijo!' Caiado tentou envergonhar o colega: 'Já não lavas a vara durante toda a vida!', mas Calado confessou: 'Realmente fiquei vaidoso...'
A classe e luta que os jogadores imprimiram nos jogos dignificaram, uma vez mais, o futebol nacional, e Amália, comovida com o desempenho dos 'encarnados', decidiu homenageá-los num almoço no restaurante da sua irmã, Celeste Rodrigues, em Lisboa. Nessa tarde, a fadista belenense catou de improviso um poema dedicado ao Benfica: 'Futebol e fadistagem unem-se neste momento. Dum lado a força, a coragem. Doutro o fado, o sentimento', e Costa Pereira, imbuído do espírito, envolveu-se num típico xaile e soltou o fadista que havia em si. Amália gostou e felicitou-o. Afinal o rapaz tinha talento! As desgarradas continuaram e, no início da noite, ainda se ouviam na rua os acordes das guitarras e as vozes desafinadas de alguns jogadores.
A inconfundível voz de Amália também está presente no Museu Benfica - Cosme Damião e pode ser ouvida na área 15. No caminho do tempo."

Marisa Furtado, in O Benfica

Benfiquismo (CCXI)

Mais um remate do King...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O nosso futebol e o restante desporto

"A partir de amanhã Portugal passa a ser, oficialmente, um alvo a abater, porque todos vão querer bater o pé ao campeão da Europa.

Na última quinta-feira, no Bessa, o particular com Gibraltar marcou o fim das festividades pela conquista do Campeonato da Europa. Amanhã, em Basileia, frente à Suíça, tem início uma nova era, mais exigente, para a equipa de todos nós. Quando perguntado se os jogadores de Portugal iam sentir alguma pressão adicional por serem campeões europeus em título, Fernando Santos respondeu com uma negativa veemente. Provavelmente tem razão. Mas há outra verdade que não pode ser escamoteada, que se prende com a forma como passámos a ser vistos de 10 de Julho para cá. E disso não tenho dúvidas: os nossos adversários vão ter uma motivação especial quando defrontarem Portugal e, por isso, o grau de dificuldade, para a turma das quinas, vai aumentar, a começar já amanhã, na Suíça.
Estaremos preparados para a responsabilidade? Francamente, creio que sim. Ainda sem Cristiano Ronaldo, a alma mater, Portugal encontrou uma forma pragmática de jogar que deve manter, permanecendo aquela equipa vista ao longo do consulado de Fernando Santos, que muitas vezes não joga bonito mas joga quase sempre bem e, por isso, é muito difícil de derrotar. A esta matriz ganhadora podemos ir acrescentado novos valores, numa renovação em marcha que promete muito. João Cancelo, Bernardo Silva e André Silva espreitam a titularidade e a sua juventude juntar-se-á em breve a Renato Sanches, formando um núcleo fortíssimo.
Ao contrário do que acontece em quase todas as outras áreas do nosso desporto, o futebol tem meios e competência e por isso regenera-se com sucesso. É essa a diferença fundamental. E enquanto não houver, para o desporto em Portugal, uma visão de conjunto que altere o paradigma miserabilista existente, não passaremos da cepa torta, um bronze aqui, dois diplomas acolá, numa mediocridade confrangedora que não é culpa nem de dirigentes, muito menos de atletas, mas que radica na falta de política desportiva no nosso país. Francamente, não tenho grandes ilusões de ver alguém sugerir e avançar com reformas profundas, que nos dêem a esperança de, daqui a 20 anos, sermos um país desportivamente melhor.
Enquanto o desporto for visto como um custo e não como um investimento, valha-nos o futebol e os meios que tem...

Quando se apagam os holofotes da fama
«Vai às compras, ajuda a descascar batatas, a levar a louça, faz o que aparece... ele é o Isaías, o que fez no Benfica ninguém esquece»
Sílvio Ramos, restaurante 'O Pote', Pombal
A excelente reportagem da Elsa Bicho, na edição de ontem de A Bola, revelou ao mundo a situação de Isaías, um dos melhores estrangeiros que passaram pelo futebol português, figura de proa do Benfica de há duas décadas e meia. Fica a bola agora nas mãos de quem pode devolver Isaías ao meio do futebol. Porque, pese embora a solidariedade de Pombal, é aí que ele pertence...

Rafa Silva
Nasceu no Barreiro, como dois dos maiores extremos da história do Benfica, José Augusto e Fernando Chalana, e chegou à Luz para fazer esquecer o mago Nico Gaitán. Mas não é a fasquia alta que o ex-jogador do SC Braga vai encarar que aqui mais interessa. Relevante, neste momento, é sublinhar a forma personalizada como manteve a escolha que fez de jogar no Benfica, indiferente a pressões e outras ofertas aliciantes. Hoje em dia, entalados entre empresários, gurus e mental coaches, é cada vez mais raro encontrar jogadores assim...
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCX)

Pé-canhão...

domingo, 4 de setembro de 2016

A queda de Isaías

"Isaías está de volta a Portugal para encetar nova vida. Habituado a muito, vivia já sem condições no Brasil. Ajuda agora no restaurante do amigo Sìlvio, em Pombal.

Já não usa a barba que o alcunhou de Profeta nos tempos do Rio Ave, seu primeiro clube em Portugal, mas o tempo parece não deixar marcas em Isaías. Pelo menos fisicamente.
«52 anos? 25 ao contrário! Eu sei cuidar-me!», diz, o Pontapé Canhão que voltou a Portugal dia 12 de Julho. E veio para ficar. Aliás, para recomeçar. Como só os campeões conseguem.
No Benfica, de 1990 a 1995, viveu anos de glória. Ganhou dois campeonatos, uma Taça de Portugal e milhares dos antigos contos. Mas a vida dá voltas e prega rasteiras.
A conta que dele fez um rei no Brasil - sobretudo após o vantajoso contrato com o Coventry City para onde se transferiu depois do Benfica -, esvaziou-se em investimentos e ofertas, em compras e imóveis, em fazendas e aquisições de que pouco desfrutou.
Mal aconselhado e rodeado de amigos que dele se aproveitaram, Isaías nem foi dando conta de que o mealheiro se esvaziava. Irmãos tentaram alertá-lo e fazer ver ao jogador com nome bíblico que a inveja e cobiça eram pecados mortais que o estavam a fragilizar. Passaram os anos e com eles a ostentação. A ponto de Isaías viver nos últimos tempos numa casa sem condições, bem diferente da majestosa vivenda onde fazia churrascadas, num bairro que pouco fazia lembrar os tempos áureos em que jurou nunca mais ser pobre. Foi-se a abundância, ficou a necessidade.
Há oito anos que Isaías não saía do Brasil onde se entretinha, a pescar e a rezar por melhores dias. Mas os filhos - Isaías, de 24 anos; Lucas, de 20 que se encontra à experiência na equipa B do Benfica, e agora também a pequenina Maria, de 4 - , precisavam que o pai tentasse novo remate. De longa e para bem longe, cheio de força, como antigamente. Um remate à Peito de Galo, como também o alcunharam. Por isso Isaías voltou e vive agora em Pombal. Deu-lhe a mão o amigo de há 30 anos, Sílvio Ramos, dono do restaurante O Pote, onde o leitão força a paragem obrigatória.
Isaías é humilde, sempre o foi, e ajuda agora na copa do restaurante enquanto a vida não lhe mostra nova baliza para acertar.
«Vai às compras, ajuda a descascar batatas, a lavar loiça, faz o que aparece. O problema deste homem é ter um coração maior do que alguma vez teve o pé. Todos o levam na certa, ele não sabe dizer que não a nada ou a ninguém e agora não quer pedir ajuda. Mas tem mais é que pedir. Não é vergonha nenhuma assumir que precisamos de um empurrão, assumir que estamos no fundo. Ele é o Isaías. O que fez no Benfica ninguém esquece. E tenho a certeza que o clube também não. Luís Filipe Vieira é presidente para ajudá-lo. E ele merece», assegura o empresário, cujo restaurante, onde Isaías é, por estes dias, relações públicas, está repleto de cachecóis, fotografias, camisolas de clubes e jogadores de futebol e um cartaz de Eusébio.
«Claro que ainda o reconhecem. Outra noite fomos aqui a uma aldeia próxima ver um concerto do Mickael Carreira e ouvíamos as pessoas cochicharem' É ele? Não é ele?' Claro que pensavam: mas que raio faz aqui o Isaías no meio da aldeia?», ria-se Sílvio, amigo do Pé Canhão desde da sua chegada a Portugal, com 24 anos.
«Os benfiquistas deliram ainda com ele mas tem graça que são os rivais que mais o confrontam. Lembram-no de golos que marcou a Sporting e FC Porto. Todos reconhecem que era jogador excepcional», prossegue Sílvio, vingando-se no leitão que cortava sem parar.
«É... esse aí o meu irmão. O futebol dá-nos coisas maravilhosas e amigos como o Sílvio. Sempre pude contar com ele e nesta altura tem sido... nem sei o que dizer!!»
O assunto é delicado.
Isaías franze o queixo, engole em seco e recusa-se a assumir que precisa de ajuda para voltar a ouvir um apito inicial.
«A vida às vezes não nos corre da melhor maneira. Tive decepções, tive coisas boas e coisas ruins, hoje as coisas não estão boas mas aprendi uma coisa em Portugal: velhos são os trapos e eu não me sinto um trapo!»

Amor ao Benfica
Ao perspectivar o que pode ser o seu amanhã apenas um nome assalta a mente do antigo avançado da Luz: Benfica.
«Sentir-me-ia muito honrado se pudesse continuar a representar o meu clube. Se o Benfica me convidasse para trabalhar ficaria muito orgulhoso. Para que funções não seu mas de futebol percebo eu e tenho a minha experiência. Faço parte da história do Benfica. Dei muito ao futebol português e ainda sinto ter condições de continuar a dar. Claro que não chutando, mas sim a partilhar o que aprendi. Até mesmo o trabalhar nas categorias inferiores», vinca Isaías, esboçando sorriso mais aberto ao ouvir novo elogio. Desta vez de Rogério Santos, o assador de leitões do restaurante: «Há anos que o Benfica não tem um avançado como ele, que faça aquelas arrancadas e pás, meta-a lá dentro!»

«Hoje valeria €50 milhões»
Ao falar-se de Isaías não há quem não recorde os fortíssimos remates de longe que lhe valeram a alcunha de Pé Canhão. Muitos elegem-no como um dos antigos jogadores que mais faziam vibrar os adeptos.
«E sinto-me orgulhoso por isso. Sobretudo porque cheguei um 'zé ninguém'. Fui uma peninha que caiu no oceano e que conquistou muito num cube como o Benfica», acentua o antigo atacante,de 52 anos, que no Brasil, até aos 19, ajudava o irmão Ismael, que era ladrilhador. «Não gostava do que fazia mas precisava, claro!», recorda Isaías cuja carreira terminou aos 39 anos.
«Vou dizer o que nunca contei a ninguém. Foi um sportinguista que me trouxe para o Benfica. Acabou sendo o meu padrinho de casamento!» Quem? Isaías não diz.
Há assuntos que apenas consegue comentar com um esconder de lábios. Ao invés, outros há que o fazem abrir, ainda mais, os olhos.
«Penso que cheguei um pouco tarde ao Benfica, já com 27 anos, saí com 33. Acredito que poderia ter escrito história ainda mais marcante», confidencia, com resposta célere quando confrontado sobre o que não voltaria a fazer se voltasse atrás: «Sair do Benfica em 1994».
«Na época havia uma lei que, se o clube nos mandasse uma carta, o jogador tinha direito a mais um ano de contrato. Na altura o novo treinador, Artur Jorge, não queria manter a espinha dorsal da equipa anterior, campeã. Eu vi logo que não ia funcionar. Fui o melhor marcador e nem joguei todos os jogos mas ele não queria que eu ficasse, eu e outros que éramos a mística do clube. Fiquei frustrado. Mandaram-me a carta, ainda tinha um ano mas um director disse-me que se não saísse ia ficar a treinar-me sozinho. Isso magoou-me tanto que saí. Poderia ter batido o pé e ficado porque tinha a certeza de que passados três meses iam mandar embora o treinador para a casa não cair. Sentei-me com o presidente Manuel Damásio e disse-lhe 'vou sair, mas você vai ter de mandar embora o treinador muito em breve'. Fui para o Coventry, fui o primeiro brasileiro a jogar na Premier League. Entretanto, tal como eu dissera, o Artur Jorge saiu e quando o Paulo Autuori assumiu e equipa liguei-lhe de Inglaterra e dizer que não estava satisfeito lá. Ele prometeu que quando chegasse a Lisboa ligava. Mas nunca contactou. É o meu único arrependimento. Não devia ter saído».
De temos idos para o futebol da actualidade, Isaías encurta a distância. «Hoje? Valia €50 milhões! O futebol agora está inflacionado. Se analisarmos, por tudo o que fiz, pelo patamar que atingi e que nunca pensei alcançar... esse número é um cálculo meu. Posso estar errado mas lemos os jornais e vemos jogadores medíocres com clausulas de rescisão absurdas», opina o Pé Canhão, negando que os disparos que o celebrizaram fossem talento natural.
«Trabalhava muito isso. Ainda no Boavista, a equipa treinava de tarde e os guarda-redes de manhã. Eu pedia para treinar-me com eles logo cedo. No Benfica a mesma coisa. Quando todos saíam eu pegava em 10 bolas, colocava à direita, outros 10 no meio, outras à esquerda e ficava ali a rematar. Sentia que precisava de render. A verdade é que o clube pagava 24 horas mas na prática trabalhávamos quatro e tinha de dar sempre o máximo no campo. Sempre tive essa consciência. Era colega de jogadores de selecção e eu um natural de Cabo Frio! Era dos primeiros a chegar e dos últimos a sair. Todos falavam dos remates de longe, da força do Isaías mas o Isaías trabalhava para isso. Se todas as bolas que eu chutasse fossem golo, imaginem quantas bolas de ouro eu não teria em 10 anos de profissional? Hoje então com essas bolas e botas diferentes eu era... jogador de 50 milhões! Tudo na vida é trabalho. O sinónimo de perfeição é a insistência», lembra o Profeta.

Comparado a Eusébio, elogiado por Beckenbauer; o enguiço da 8 e da 11
-Brinca ao dizer patentear as alcunhas que ganhou; emociona-se ao recordar jogos especiais
Isaías esteve longe tanto tempo que confessa estar já desabituado de sentir toda a gente a olhar para si.
«No meu tempo ia ao marcado, à lota comprar peixe, adorava o convívio com os benfiquistas. No estádio, no final do treino, chegavam autocarros e eu parava sempre para dar autógrafos, comer castanhas e beber uma cervejinha com os adeptos», ri-se Isaías, concordando que tal, hoje em dia, seria impossível.
A conversa flui solta, para trás e para diante, do passado para o presente. «Melhor elogio? Ser comparado a Eusébio. Ainda agora no jantar de recandidatura de Vieira, António Simões disse-me: quando o via jogar lembrava-se logo do nosso grande Eusébio. A sua forma de actuar, de encarar o adversário. Não é para qualquer um. E não foi a primeira vez que ouvi a comparação».

Grandes figuras
«Apanhávamos sempre o Barcelona na Champions e o Guardiola que jogava na frente do Centrais, apanha com o Isaías. Nos jogos vinha abraçar-me. Bobby Robson? Sempre quis tanto trabalhar comigo, tinha verdadeira paixão pelo futebol de Isaías. Beckenbauer? Foi ver um jogo com o Boavista porque queria observar o Schwartz. A imprensa do dia seguinte dizia 'Beckenbauer foi ver Stefan mas encantou-se com Isaías».

Dia especial na Luz
«Nas meias-finais da Taça de Portugal frente ao FC Porto, em 1992/93. Tínhamos jogado nas Antas e já tinha dito ao Toni que tinha de ir ao Brasil resolver uma situação. Queria embarcar logo desde o Porto. Ninguém esperava que o conseguíssemos trazer o segundo jogo para a Luz. Quando acabou o jogo disse ao mister: vou embarcar. Ele disse não, não, não podes. Insisti: não adianta ficar aqui com o problema lá. Não vou estar bem psicologicamente. Ok, vais mas voltas, concordou. Assim fiz. Resolvi a minha pendenga e segui para estágio. Mas estava preocupado porque tinha passado dias sem treinar. Os meus amigos do Brasil disseram-me: vais jogar, vais resolver, vai assinar a bola com toda a equipa e trazes-nos a bola nas férias. No jogo fiz um golo, sofri penalty e ganhámos 2-0!».

Magoado e esquecido?
«Não. As pessoas ainda se lembram do Isaías. Valorizei o futebol português. Se não me falha a memória ainda sou o brasileiro com mais golos marcados no Benfica: 71. Jonas está muito perto e quero que ele me ultrapasse. Significa que o Benfica vai atingir os seus objectivos. Eu faço parte da história mas não sou a história. O Benfica é que não pode parar. E não vai parar.»

Outro pé-canhão?
«Ainda não vi algum parecido. Eu jogava com os dois pés. O direito era o preferencial mas curiosamente foi com o esquerdo que fiz os golos mais importantes. Frente ao Arsenal lá (jogo de Champions 1991/92) que marcou a minha carreira, o do FC Porto do 2-0, da meia-final da Taça, frente ao Sporting no 6-3. Do pés esquerdo, quando saía era fatal! Se ainda está para nascer um pé-canhão assim? Pois, mas todos os dias nascem!»

Enguiço com a 8 e 11
«No Benfica só não joguei com a camisola 2, 3, 4... Da 6 para a frente, até à 11, usei todas. Nunca fui supersticioso mas a camisola 11... quando acontecia, acontecia mesmo, mas quando não acontecia não tinha jeito. Com as outras isso não acontecia. Por exemplo quando vestia a 6 marcava sempre. Com a 11 fiz jogos maravilhosos, coisas bestiais mas havia jogos em que não saía nada. Com a 7, a 8, a 10 fiz bons jogos mas a 8 e a 11... A 6 era sinónimo de golo!»

Alcunhas
«Colocaram-me tantas, vou até patenteá-las! No Rio Ave era o Profeta por causa da barba e do nome bíblico. A minha família é cristã. Meus irmãos têm nomes com i: Ismael, Irene, Iúsa e Itamar. Naquela época não havia televisão! Meu pai era Isaú. A minha mãe conta que o meu pai andou três horas num jumento para poder registar-me. Morávamos fora da aldeia. Pé-canhão apareceu no Benfica, tal como o Peito de Galo, devido ao modo como corria. Chamavam-me homem golo mas Pé-canhão foi sempre a de que mais gostei».

Rituais
«Havia duas coisas de que não abdicava: entrar com o pé direito e usar o meu escapilarzinho do senhor do Bonfim. Não uma pulseira mas um colar. Como não podia usá-lo ao pescoço prendia-o no elástico dos calções.»

Belenenses
«Antes de vir para o Rio Ave (1987) estive um mês em testes no Belenenses. Passei cá o mês de Novembro, faço anos a 17, passei o aniversário sozinho e depois mandaram-me embora. Disseram-me que era muito lento. Cheguei cá magrela, passando fome...»

Primeiro golo em Portugal
«Frente ao SC Braga pelo Rio Ave: foi um chapéu ao guarda-redes! Chovia tanto...»

Golaço
«Na Luz, frente ao Estrela da Amadora. Estávamos a perder, fiz o 1-1, chutei a uns bons 40 metros. Foi o jogo antes do 6-3, com o Sporting. O mister Toni ficou irado de empatarmos antes do jogo com o rival. Eu disse-lhe tranquilo, vamos ganhar ao Sporting!»

Campeonato
«Vai ser bera mas é bom assim. Bom que também V. Guimarães, o SC Braga e outros estivessem na luta. Depois da conquista do Europeu, é momento do futebol português deixar de ser o patinho feio e começar a acreditar que pode comparar-se aos outros. Chega de ser o menino pobre. Há aqui qualidade. Nos grandes da Europa há sempre portugueses».

Conselho
«Dediquem-se ao máximo. Hoje a juventude e a adolescência são muito difíceis. Muitas redes sociais, muitas aplicações que lhes roubam tempo. Deixem as redes sociais e vão trabalhar para o campo. Quando mais de trabalhar, mais se aprende. Hoje em dia, com tanta concorrência, há que sair na frente e correr atrás».

Jonas
«É jogador diferenciado. Vi-o a jogar frente ao Torino, é parecido ao Nené. Muita pluma, elegante, quando não tem a bola parece que ninguém dá por ele mas quando a apanha... já fez, já criou desequilíbrios. Faz leitura muito boa antes da bola chegar. No futebol de hoje, que é tão rápido, não há tempo de dominar a bola e ficar olhando. Há que antecipar e ele faz isso muito bem.»

Sonho
«Sempre tive o sonho de ver um filho meu jogar a nível profissional com o meu nome nas costas. Lucas está à experiência na equipa B do Benfica. Tem 20 anos, é médio ofensivo, mais criativo que o pai. Isaías está em Campo Maior. É mais defensivo, joga também pelas laterais, já tem mais a minha força. Está com 24 anos, a idade que tinha quando vim para Portugal e as coisas aconteceram para mim. Ficarei em Portugal se tudo resultar para eles.»

Museu
Já fui, tenho lá as minhas coisas. Adorei os telões e o elevador com vídeos de jogos e momentos importantes. É muito bom.»

Cara fechada
«Sempre fui assim. As pessoas falam que antes de me conhecerem têm outra impressão. Não sou muito de conversar. Sou mais de observar. Quem fala muito sabe pouco. Dentro de campo era diferente. Quando se trabalha com alegria e se é apaixonado pelo que se faz...»

Velha guarda
«Temos de resgatá-los. Os jogadores dos anos 90 onde andam? Paulo Madeira, Veloso, Schwartz... As pessoas procuram-nos, recordam-se de nós, lembram-nos de jogos e ocasiões. Devíamos criar o hábito de reunir o pessoal e fazer uns jogos. Estou precisando fazer alguma coisa e treinar-me. Voltar a fazer uma equipa com aquele grupo ia ser bom, até para os adeptos».


Vieira e o sonho da final da Champions
-Isaías acredita que o Benfica vai chegar à discussão da liga milionária num futuro bem próximo
Isaías conheceu Luís Filipe Vieira na inauguração da nova Luz (2003). «Do estádio anterior conhecia todos os cantos. Se me soltarem neste perco-me! Fiquei maravilhado. Estrutura de clube grande, com condições e capacidade para chegar a patamares acima a nível de competições europeias. O presidente tem pulso e tem o sonho de levar o clube a uma final da Champions e pode pensar nisso. Num futuro bem próximo isso vai acontecer. Vibrei com o 35 no Brasil, quem sabe vem aí o 36 e a concretização do sonho do presidente», acredita o brasileiro, identificando-se com o percurso do líder encarnado. «Também veio de baixo e chegou bem longe. Para tudo na vida é preciso trabalho. Todos os benfiquistas, e não só, reconhecem a sua obra», elogia.

Isaías Marques Soares
Data de Nascimento: 1963-11-17 (52 anos)
Naturalidade: Brasil
Nacionalidade: Brasileira e Portuguesa
Peso: 80 quilos
Altura: 1,80 metros
Posição: Avançado
Alcunhas: Pé-canhão, O Profeta e Peito de Galo
Clubes: Vitória, Cabofriense, Rio Ave, Boavista, Benfica (1990/95), Coventry City, Campomaiorense, Cabofriense e Friburguense
Jogos pelo Benfica: 178
Golos pelo Benfica: 71

Revolução e vírus

"Vivemos, agora sim, os dias do denominado vírus da FIFA. Um período que acompanha os últimos dias do mercado e que tudo agita.

1. Internet e futebol são hoje em dias realidades universais. Se em 1960 já estava no ar a ideia de uma rede global de computadores só no arranque do século XXI sentimos o carácter genérico da Internet. E foi nesse inicio de século que a FIFA, já realidade bem universal, levou, em conjunto, ao Japão e à Coreia do Sul um Mundial de futebol. E ao mesmo tempo em múltiplos estados a difusão da internet provocou revoluções, como as denominadas, e por vezes arrepiantes pelas suas consequências, revoluções árabes.

Agora já vivemos o tempo da chamada internet contingente. O seu futuro está nas mãos da indústria, dos utilizadores, da comunidade científica e dos estados. E estes podem provocar muitos e diferentes vírus. E tendo consciência que ela foi e é uma imensa e intensa revolução!


2. Daqui a dois dias, na Suíça de muitas línguas e com milhares de empenhados e dedicados portugueses, começa a nossa ambição pela presença no Mundial de 2018, pela presença no Mundial da Rússia. Será, acredito, a quinta presença consecutiva da selecção das quinas num Mundial de futebol. Desde aquele Mundial do Japão e da Coreia do Sul em 2002 marcamos presença sistemática na grande festa do futebol universal. Na Alemanha, na África do Sul e no Brasil. E sabendo com Christian Bomberger que o «futebol é o único e verdadeiro idioma universal» - a par da Net! - e antecipando que a República Popular da China tudo está a fazer para organizar,e dignamente disputar, o Mundial de 2030! E tendo consciência que Catar - 2022 é, ainda, um imenso desafio! Daqui a dois dias começa um sonho que se concretiza daqui a dois anos. Dois dias são um instante. Dois anos uns momentos. Bem curtos. Sabendo igualmente que quase não damos conta que o nosso neto mais novo, o João Maria, já caminha sozinho ou que o mais velho já chegou, de verdade, à idade da imagem. E que o do meio adora o meio ambiente e vibra com natureza. Mas sendo certo que com eles, com os mais velhos, aprendemos, num instante e naquele momento, que o «teu computador está com vírus»!

3. Vivemos, agora sim, os dias do denominado vírus FIFA. É um vírus novo e diferente. É o vírus derivado de convocatória de um número significativo de jogadores internacionais pertencentes ao mesmo clube. Este, o clube, também sociedade desportiva, cotada ou não na bolsa, investiu verbas significativas em grandes nomes e, num momento, vê que eles são chamados para os compromissos das respectivas selecções nacionais. Ausentam-se, sem muitos custos para as selecções, por dez ou mais dias. E este vírus é particularmente sentido neste primeiro período de calendário para as selecções que ocorre entre o final de Agosto e o princípio de Setembro. É o período que acompanha os dias derradeiros do mercado de transferências e que antecede os primeiros jogos das competições europeias. Os treinadores vão conhecer alguns dos seus novos jogadores - mesmo que, em certos casos, velhos conhecidos - quase que na antevéspera dos jogos da respectiva liga nacional e do primeiro confronto da Liga dos Campeões e da Liga Europa. E pedindo a todos os deuses que nenhum se lesione ao serviço de qualquer selecção nacional. Seja europeia, americana ou africana. Ou, até, asiática! E, entretanto, alguns jovens jogadores vivem dias felizes. São chamados para treinar com os grandes nomes - os não convocados - do plantel principal do seu clube do coração. Sabendo todos com Nelson Rodrigues que «o futebol é a pátria das chuteiras»!

4. Na passada quinta-feira, na cidade italiana de Bari, ocorreu uma verdadeira revolução no futebol mundial. Pela primeira vez na história do futebol, e no âmbito de um relevante jogo oficial - o Itália-França - foi efectivamente utilizado o vídeo-árbitro! O novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, acompanhou este momento revolucionário, que foi logo utilizado aos quatro minutos da partida e permitiu esclarecer que, em razão de uma falta grave, o cartão a exibir justamente deveria ser o amarelo e não o encarnado. Foi quando Djibril Sibidé cometeu uma falta dura sobre o italiano De Rossi. Arrancou, assim, a fase experimental de dois anos aprovada, em Março passado, pelo International Board. Para que a avaliação seja feita a tempo da sua plena utilização no Mundial da Rússia.

Sabemos que a nossa Federação - e bem - a par das da Austrália, Brasil, Alemanha, Holanda e EUA será uma das que vai realizar experiências concretas acerca de uma situação que levou o Presidente da FIFA a dizer não só que «passámos das palavras aos actos» como também que «escrevemos uma página na história do futebol». Mas quase ao mesmo tempo, a milhares de quilómetros de distância, o Japão perdeu por duas bolas a uma frente à Selecção dos Emirados Árabes Unidos sabendo que, nos instantes finais do encontro, um remate do japonês Takuma Asano ultrapassou a linha de balzia mas não foi validado pelo árbitro. Se houvesse vídeo-árbitro teria alcançado o empate. Conquistado um ponto. E a polémica no Japão não seria intensa. Em Novembro, no confronto entre a Itália e a Alemanha, o vídeo-árbitro vai regressar aos bastidores dos relvados. E, entretanto, a partir de 1 de Outubro começará a ser utilizado, em certos lances, em três partidas de cada jornada da Série A da Liga italiana! Que revolução!


5. Neste período final da intermediação global de verão - e depois lá virá a de inverno em Janeiro - e tendo consciência da sua importância - incluindo os inúmeros postos de trabalho que dela já dependem - recordei uma parte de um interessante texto que li de uma grande jornalista brasileiro, Armando Nogueira: «Os dirigentes pecam por acção, por omissão e por confissão». E,acreditem, recordei esta frase tão só ao somar os larguíssimos milhões que os diferentes clubes europeus gastaram neste período estival. Dos mais de mil milhões ingleses às largas centenas de italianos, espanhóis, alemães, turcos russos ou franceses. Sem esquecermos as compras e vendas de Benfica, Sporting e Porto. E, também, as vendas relevantes de outros emblemas nacionais que, em certos casos, e sem nos apercebemos, significaram um terço ou um quarto do seu orçamento para a presente época desportiva. Um verdadeiro presente! Uma revolução de e na intermediação!"

Fernando Seara, in A Bola

Benfiquismo (CCIX)

Duo...

sábado, 3 de setembro de 2016

Susto !!!

Arsenal Devesa 29 - 30 Benfica
(15-14)

Muito apertado! Jogámos mal, em vários momentos do jogo, mas deu para vencer...
Tivemos na 1.ª parte e na 2.ª parte, boas vantagens, parecia que íamos embalar, mas acabámos por facilitar...
Nos últimos minutos, com alguns jogadores lesionados, com vários 7 metros contra, e com jogadores excluídos, metemo-nos a jeito!!!

Com o fim dos play-off's voltámos a esquema antigo, que penaliza todas as 'brancas' que a equipa tem durante a época... Creio que esta partida, acaba por ser um bom aviso...

Benfiquismo (CCVIII)

Esgotado...

Digo 36

"Finalmente acabou o inferno de um mercado que este ano prometia ser ainda mais desestabilizador. Este mercado aberto, com as provas a decorrer, é um disparate onde quem ganhar não são nem os clubes, nem os jogadores, nem as competições.
Sempre discuti com os meus amigos sportinguistas argumentando que Jorge Jesus substituía com razoável eficácia João Mário e até Slimani, e que só a venda de Adrien seria problemática (que o digam os grandes sportinguistas José Alberto e Luís Coutinho). Os jogadores excepcionais são os que jogam sempre bem, e não os que aparecem mais vezes nos títulos dos jornais. Bas Dost é melhor que Slimani. Markovicé tão bom como João Mário. O Sporting sai muito forte deste fecho de mercado.
O Benfica ganhou sem deslumbrar na Madeira, mas os três pontos eram essenciais. Não há razões para euforia nem para alarmismo. O Benfica tem bons jogadores, há muita qualidade e matéria-prima para se fazer uma temporada em linha com as exigentes expectativas dos adeptos. A contratação de Rafa, nos últimos minutos de mercado, acrescenta qualidade e soluções. Mas como foi o próprio jogador que quis ir para o Benfica acrescenta também alma e vontade que serão decisivos na luta pelos títulos este ano.
Estranho esta massa adepta do FC Porto, que no último ano festejava a derrota com o Sporting em casa, num jogo onde foi bem mais prejudicado, e este ano atira-se ao árbitro por ter perdido com o mesmo Sporting. Nunca sabemos quando os portistas querem ganhar ou quando querem que o Benfica não ganhe. Por mim, não me desvio, continuo a considerar o FC Porto candidato ao título, mesmo sem os desejados e falhados Rafa e Mangala, até porque sem Aboubakar, Reyes, Indy e Licá, que saíram, o FC Porto fica mais forte.
Pode ser um grande campeonato. Espero que sim e de preferência que termine tetra... Digo 36..."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Lista para a Champions

Como era expectável, a Lista de jogadores para a Champions ia levantar alguma polémica (no Benfica é sempre assim...!!!).
Recordo que existe a obrigatoriedade de ter jogadores Formados no Clube (Lopes, Lindelof, Guedes) e Formados Localmente (na respectiva Federação...), sobrando somente 17 lugares para os 'estrangeiros'!!!!
O Ederson e o Horta ainda não são considerados Formados no Clube, porque não têm 3 anos de contrato, entre os 15 e os 21 anos.
Sendo assim, era só fazer as contas!!!!!!!!
Além dos esperados Kalaica e Jovic, os poucos utilizados neste início de época Danilo e Zivkovic também ficaram de fora!
Continua a julgar, que ambos, vão ser figuras importantes do Benfica esta época, mas tendo em conta a lesão do Zivkovic e o 'problema' que tem impedido o Danilo de ser convocado, acaba por ser normal estas opções.
Se tudo correr normalmente, após a Fase de Grupos, o Benfica poderá alterar as Listas...

GR: Ederson, Júlio César, Paulo Lopes
DC: Jardel, Luisão, Lindelof, Lisandro
DD: Almeida, Semedo
DE: Grimaldo, Eliseu
MC: Fejsa, Celis, Samaris, Horta
MD: Pizzi, Salvio, Carrillo
ME: Cervi, Rafa
AV: Jonas, Mitroglou, Jiménez, Guedes

Ainda não foi anunciada a Lista B, que vai incluir praticamente todos os jogadores da equipa B.

Cuidados redobrados

"1. Sorteios são sorteios. Não há que lamentar, nem rejubilar. Mas o grupo da Champions que nos calhou não é nada fácil, sobretudo tendo em conta que o Benfica saltava, com todo o mérito, do pote 1. Nápoles, Besiktas e Dínamo de Kiev são adversários a quem podemos ganhar, mas com quem também podemos perder. A afirmação parece um tanto lapalissiana, mas a verdade é que entre estas quatro equipas qualquer classificação será, digamos, normal. É o chamado grupo traiçoeiro, acessível na aparência, mas perigoso a cada esquina. A última vez que algo semelhante nos tocou em sorte (há dois anos, com Zenit, Mónaco e Leverkusen), correu-nos mal. Não há 'pêras doces', como noutros grupos. Não há tubarões que possam retirar todos os pontos a todos os adversários. Cada jogo é decisivo, e pode não haver margem de erro.
Acresce que todos os adversários (dois campeões e um vice-campeão) estão em excelente momento da sua história recente. Dito isto, é óbvio que acredito no Benfica, e em mais um apuramento para a fase seguinte.

2. A arbitragem portuguesa parece estar a mudar... mas para pior. Podem ser apenas sinais. Pode ser precipitado fazer já uma avaliação. Mas o que se percebe destas primeiras três jornadas, quer em termos de nomeações, quer em termos de desempenhos, não augura nada de bom. Estejamos atentos, e não permitamos o regresso a um passado negro, agora com outros protagonistas.

3. A época das modalidades começou da melhor forma, com um triunfo na Supertaça de Andebol. Será certamente o primeiro de muitos títulos, pois a infelicidade que tivemos nas últimas finais não durará para sempre."

Luís Fialho, in O Benfica

Bazófia

"Esta semana aconteceu-me um episódio curioso que quero partilhar convosco e que espelha como vai ser esta temporada no futebol português. Apanhei um táxi em direcção ao Rossio, em Lisboa, e da tagarelice habitual passámos - o condutor e eu - para uma conversa animada sobre futebol. Imaginem vocês que o senhor taxista era adepto do Sporting CP - afinal também os há... - e mostrou a sua filiação clubística com a seguinte expressão: 'O que eu sei é já não vejo ninguém à frente'.
Não resisti e soltei uma bem-disposta gargalhada desde o banco de trás. 'O ano passado também era assim e foi o que se viu', respondi-lhe. A conversa encaminhou-se para uma discussão quando o idoso senhor me perguntou qual seria então o campeão se não fosse o seu clube. Naturalmente atirei-lhe com um lacónico 'o campeão dos últimos anos'. Após alguns momentos de silêncio, o taxista voltou à carga com os negócios de milhões de Alvalade, com a excelência dos dirigentes, com o facto do Adrien ter de 'estar mas é caladinho e cumprir o contrato'. Foi assim que percebi que estava perante um senhor de idade com claros problemas de visão e a sofrer de um mal que assola há quase 15 anos uma pequena franja da sociedade portuguesa: a azia.
A conversa azedou de vez quando lhe fiz ver que a bazófia não leva a lado nenhum, como se provou a temporada passada. Nada. O taxista, sem argumentos, continuava a relembrar que a sua equipa está à frente do campeonato. Estávamos a chegar ao Rossio quando lhe disse: 'Lembre-se de que ainda vamos na terceira jornada e que não há campeões em Setembro'. No fim da corrida deixei um euro de gorjeta, não vá ser preciso uma ajuda para pagar ordenados."

Ricardo Santos, in O Benfica

Previsíveis

"Tanto Rui Vitória como a nossa equipa de andebol são previsíveis, no sentido em que o primeiro procura sempre alterar o que terá contribuído para uma exibição menos conseguida e a segunda nunca se dá por vencida.
Na Choupana, Cervi e Mitroglou deram o lugar a Jonas e Jiménez, e Pizzi alinhou noutra posição. O Benfica surgiu mais solto, dinâmico e esclarecido. O regresso de Jonas fez toda a diferença, todavia as melhorias extravasaram a influência do nosso formidável atacante. Talvez, também, por outra das facetas do Benfica liderado por Rui Vitória ser uma certa previsibilidade na reacção positiva a um desaire recente. Não o esquecemos na próxima infelicidade.
Em Setúbal, frente ao ABC, os nossos andebolistas recuperaram de uma desvantagem de quatro golos a seis minutos do final da partida. O triunfo nesta Supertaça deveu-se à qualidade, à entrega e à recusa em aceitar uma derrota que chegou a parecer inevitável.
'À Benfica', portanto, o que começa a tornar-se previsível na nossa equipa de andebol, independentemente do desfecho final, poderemos sempre depositar nela a confiança de que tudo fará para engrandecer o nosso palmarés na modalidade.
E já que refiro a previsibilidade, uma última palavra para o clássico dos antis disputado na última jornada. Os portistas queixaram-se do árbitro, os sportinguistas não reivindicaram a necessidade da implementação do uso do vídeo-árbitro, e ambos, alegres e contentes numa espécie de irmandade, insultaram os benfiquistas. Não duvido de que sejam rivais... na disputa pelo ceptro do antagonismo ao Benfica. Eles lá saltam para ver quem não é lampião, e nós, sentados em frente ao televisor, sorrimos."

João Tomaz, in O Benfica

Sonhar Tóquio - 2020

"Terminados os Jogos Olímpicos do Rio - 2016, as modalidades ditas amadoras regressam à sombra. Serão desenterradas daqui a quatro anos. Com Tóquio - 2020 no horizonte, voltaremos a falar de medalhas, de resultados de excelência, de apoios, de projectos, de cultura desportiva, da necessidade de reforço do desporto escolar.
Sonhar Tóquio - 2020 deveria ser uma preocupação nacional, desde a tutela a todos os agentes desportivos: dirigentes, atletas e treinadores. A invés de navegação à vista, um projecto com objectivos quantificáveis, mensuráveis, um plano de acção claro e concreto, responsabilidades (bem como direitos e obrigações) distribuídas e bem definidas e um sistema de avaliação continua.
Mas como quem ama o desporto também pensa em 2024, 2028 (...) também espera um trabalho sério - estrutural e estruturante - na aposta de uma verdadeira elevação da prática desportiva dos portugueses, ao nível qualitativo e quantitativo. Só com profundidade de acção no nosso sistema desportivo podemos ambicionar (e exigir) medalhas olímpicas com naturalidade. Sem um presente consciente da importância do futuro, vamos continuar a hipotecar sonhos e ambições.

Tóquio - 2020 já há muito começou para imensos atletas. Mesmo que os objectivos sejam diferentes, todos procuram o seu melhor, a superação. O sonho olímpico dá vida!
Sonhar Tóquio com medalhas? Claro! Temos que ter ambições. Sabemos que há uma relação directa entre os recursos financeiros disponibilizados e os resultados desportivos e que Portugal os tem muito limitados, tal como o seu nível de prática desportiva. E depois? O conhecimento aliado a competência, talento, estratégia, eficácia, eficiência e perseverança, resultaram numa poção mágica que leva muitos países a surpreender. É possível transformar o sonho em realidade."


Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CCVII)

Braço no ar... golo !!!!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A velhice do Padre Eterno

"Bastou que o Porto perdesse para que logo viessem falar das arbitragens. Eu sei que deve ter custado perder assim.

Nestes últimos dias (independentemente das polémicas, dos objectivos da obra original e do momento da sua publicação), veio-me à memória 'A velhice do Padre Eterno', de Guerra Junqueiro.
A história conta-se, como em todas as ligadas ao futebol, em poucas palavras, porque, normalmente, por aqui há mais acções (não confundir com boas acções) que pensamentos.
Recentemente, a propósito de um jogo do Benfica, em que não participava nenhum dos clubes da velha aliança, um presidente, com o sarcasmo (e a impunidade) a que há muito nos habituou, afirmou que «arbitragem vai ser discutida sempre que o Benfica não ganhar».
Sabem o que aconteceu, no fim de semana seguinte, com a derrota do seu clube, com lances polémicos em seu claro prejuízo.
Com a sem vergonha a que nos habituou, por dizer tudo e o seu contrário, sem ninguém ter coragem de o questionar sobre tanta incoerência, o tal presidente lá mandou arrasar a arbitragem, apesar de o Benfica ter ganho.
Uma semana foi o tempo que mediou entre essa declaração e a quebra dessa convicção!
Bastou que o Porto perdesse para que logo viessem falar de arbitragem.
Eu sei que deve ter custado perder assim!
Como a mim me custa perder (ou empatar, como foi o caso da jornada anterior) com erros gritantes dos árbitros.
Mas quem, na época passada afirmava que o Sporting é que devia ser campeão, não pode estranhar, agora, que julguem que a declaração ainda estará em vigor.
O ódio ao Benfica turva-lhes o pensamento.
E as vitórias, que «não soem já como soíam» (o Camões dá sem jeito para responder a um intelectual que se julga superior num mundo pouco dado a essas coisas) agravam-lhes a hipocrisia.
Eu devo preocupá-los muito.
Porque de uma previsão (iguais às deles, mas sem a disfarçar com posturas pensativas, para esconderem os risos alarves do desejo das nossas derrotas) fazem um caso de lesa majestade.
E porque sabem que os lambe botas do costume, os que precisam deles para sobreviver, lhes servirão fatias de subserviência disfarçadas de solidariedade.
Estou tranquilo quanto sem medo de os voltar a desafiar.
Tentarão uma e outra e outra vez a minha saída dos lugares que ocupo, na comunicação social, na estrutura do Benfica, em tudo quanto a minha imagem e as minhas posições os possam ameaçar, com a conivência dos que estão sempre dispostos a fazer-lhes a vontade.
Aprendi, lá dentro, em muita conversa, mas com muitos factos, tudo o que sei hoje sobre esta realidade (e, já agora, que não conhecia em 2004, quando era Ministro, como alguns gostam de relembrar).
Por isso recordei, perante tanta virgem ofendida e tanta hipocrisia, 'A velhice do Padre Eterno', de Guerra Junqueiro.
Reli, citando o autor, a suspeita de que «o velhote dança e sabe assobiar».
Ao toque desse assobio, lá vieram os do costume com a solidariedade bacoca e provinciana, mesmo que alguns sejam da capital (que não a de Eça).
Guerra Junqueiro alude ao pisar do «dragão pecado», com um «sorriso divino» e um leão.
Por mim, nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Bem sei que as pessoas, talvez com a idade, tenham menos percepção da inconsequência e da incontinência verbal em que, não raras vezes, incorrem.
Sei, também, que o que defendem hoje nada têm a ver com o que disseram anteriormente.
Talvez porque julguem - e bem - que o futebol é a área da vida onde mais vemos aplicados os ensinamentos de Nicolau Maquiavel: «os fins justificam os meios».
Bem sei que a falta de carácter potencia a inteligência, e por isso não me preocupo com o que vão dizendo e fazendo.
Excepto quando, sob a capa da «graçola e da parolice», passam os dias a dizer reiteradamente mal do meu clube.
Durante a época passada foram sucessivos os ataques, semana após semana, para tentar desestabilizar o Benfica, para evitarem o tricampeonato.
Este ano vão pelo mesmo caminho.
Por isso, poderão continuar os ataques cerrados que me fazem.
Poderão, até continuar a aprovar leis na Liga contra mim, por iniciativa de clubes que só querem que o Benfica perca, fazendo tábua rasa da liberdade de expressão e correndo o risco de serem publicamente envergonhados - se a aplicarem - quando virem anulada a iniciativa por um tribunal, por manifesta inconstitucionalidade.
Até porque ao julgador se exige um juízo prévio de conformidade da norma com as que lhe são superiores. Ou não será?
Já agora (e para ver se eu tenho mesmo medo) porque não sancionar a minha presença no 'Dia Seguinte', na SIC, com a pena de morte?
Era tão inconstitucional como a norma que aprovaram e resolviam o problema que têm comigo de vez.
Por mim, e se o não fizerem (vontade e ameaças nesse sentido, nas redes sociais, não faltam), cá continuarei e lutar e a defender, de forma intransigente, os interesses do Sport Lisboa e Benfica.

A velha aliança
Na época passada,«ambos os dois» (o futebolês não me sai da cabeça) decidiram adoptar uma estratégia de comunicação em que reinava a maledicência e a insinuação, com várias manobras de desestabilização do Benfica.
Sabemos, hoje, que essa estratégia não chegou para nos derrotar.
Esta época não será diferente, com os meios a serem os mesmos, já que o importante será atingir os fins: que o Benfica não ganhe.
Nós continuaremos a querer ganhar, apenas e só.
Não obstante, e depois do primeiro confronto da época entre os membros da velha aliança, será que a estratégia - e, por maioria de razão, velha aliança - cedeu perante o resultado?
Em circunstâncias normais, diria que tudo cede perante o resultado, porque, como diria José Mourinho, «o resultado é que faz o espectáculo».
Terá sido assim, no domingo passado?
Em Alvalade, como todos suspeitávamos venceu o elogio recente o desesperado.
Confesso que, durante o jogo, temi que o tempo em que a equipa do Porto corria atrás dos árbitros quando se sentia prejudicada voltasse.
Velhos tempos (sem qualquer graça à velhice do padre eterno) que, afinal, não voltaram.
Uma certeza apenas: a não perder as cenas dos próximos capítulos.
Até porque ainda vamos ver uns a queixarem-se de as reuniões de pais de uma equipa de um escalão de formação dos outros se confundir com uma cimeira da arbitragem portuguesa.
Mas, como isso não se passa no Benfica, «ditosa pátria, que tais filhos tem»!

Filhos e enteados
desconfiávamos. Os outros presidentes, podem dizer tudo o que quiserem, contra o árbitro e tudo à volta. Vale tudo e tudo lhes é permitido.
Quem não pode - sequer - desabafar, depois de um jogo em que o árbitro prejudicou (como já o havia feito anteriormente, em 2 jogos da época passada) o Benfica, é Luís Filipe Vieira.
Uns são corruptos, outros são invejosos, outros são obedientes por não terem cabeça para mais, mas todos eles coincidem num só objectivo: vale tudo, mesmo tudo, para o Benfica não ganhar!
Ele há filhos e enteados!
E depois querem que me cale???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Gibraltar aqui tão perto

"Com o habitual interregno setembrista para dar lugar a jogos particulares e de apuramento das selecções, interrompe-se a preparação consistente dos clubes que, pelo mundo, mais atletas dão às formações nacionais. Por cá, Benfica, Sporting e Porto socorrem-se de jogadores secundários para garantir o número mínimo necessário para treino colectivo e rezam para que não haja lesões dos seleccionados. Entretanto, os clubes mais modestos, passam mais um tempinho sem receitas de bilheteira por ausência de jogos.
Não é fácil compatibilizar tudo, evidentemente. Todavia, não percebo por que razão é necessário interromper os campeonatos europeus por causa de um jogo oficial de apuramento, para o Mundial de 2018. Poderiam fazê-lo a meio da semana, tal qual as competições europeias de clubes, não houvesse a obrigatoriedade de um jogo dito de preparação.
No caso de Portugal, o tal jogo prévio só pode ser entendido como piada. Hoje, vamos defrontar a poderosa selecção do rochedo de Gibraltar, em 2013 admitida na UEFA! Os gibraltinos têm jogado em casa no Algarve e nos 10 encontros do seu grupo para o Euro 2016, somaram zero pontos... 56 golos sofridos e... 2 marcados. Não sendo certamente um adversário representativo para homenagear os valorosos campeões europeus, nem parecendo ser o oponente ideal para preparar o jogo com a Suíça - louvando, todavia, a consignação parcial da receita para o IPO - só vejo duas explicações futebolísticas: inchar as internacionalizações e municiar tacticamente o nosso plantel para defrontar dois temíveis adversários na poule para o Mundial: Ilhas Faroé e Andorra!"

Bagão Félix, in A Bola

PS: O problema das interrupções dos Campeonatos, devido aos jogos das Selecções resolvia-se facilmente:
- Criação no final da época, de uma 'season' das Selecções, como acontece no Rugby! Um mês, ou um mês e meio, seria suficiente para cumprir todos os compromissos com as qualificações, no final da cada época... Até a questão das lesões seria atenuada, já que as 'pequenas' lesões, seriam recuperáveis, antes do início da época seguinte...
Além disso o quadro competitivo das Selecções também devia ser alterado, realmente não faz sentido estes jogos com Gibraltar, Andorra, Ilhas Faroé, São Marino...

O Circo visto por dentro...


A personagem no video, não tem muita credibilidade é verdade, mas neste assunto, até não tem muitas razões para inventar...
Depois de alguém dizer isto em público, num País a sério, no dia seguinte, haveria uma investigação para se saber, quem são os proprietários do tal fundo, que comprou ao Braga uma percentagem do passe do Rafa, por €250 mil... e depois vendeu a mesma percentagem por €4 milhões!!!
E ainda o gajo a trabalhar...

Benfiquismo (CCVI)

Alguns estavam com frio...!!!

Rafa

Fechou a loja!!!
Finalmente, o Mercado fechou (pelo menos nas principais Ligas...)!
Sendo que é provável aparecerem alguns jogadores livres (sem contrato), estilo Jonas, disponíveis para assinar...!!!

Como era espectável a novela Rafa, só terminou a poucos minutos da meia-noite, tal como já tinha acontecido com o Lima...!!! Muito sinceramente. tenho dificuldade em compreender o facto do Benfica continuar a fazer negócios com o Braga... as más recepções que o Benfica tem sido brindado, repetidamente em Braga, por parte da 'estrutura' (já existiu a tentativa de 'separar' o Salvador dessa animosidade, mas a mim, não me enganam...!!!), parece que não fazem mossa na 'estrutura' do Benfica...!!!
A novela Rafa foi vergonhosa, a constante ameaça e alterações das condições, foi brincadeira de mau gosto, e deverá servir de lição para o futuro...
O Benfica neste defeso, até conseguiu definir o plantel bastante cedo... independentemente do valor do Rafa, tinha sido preferível encontrar outro jogador parecido no Mercado internacional, tenho a certeza que com os €16 milhões, havia jogadores disponíveis... e tínhamos poupado o nome do Benfica, a esta novela...

A tolerância no Benfica é sempre curta, mas a favor do Rafa nesta 'confusão' toda, a vontade do jogador, deve ser realçada! Os jogadores não tem Clube (como hoje ficou provado, noutro negócio...!!!), o Rafa até parece ter tido uma infância 'difícil' como adepto do Sporting... mas, nestes últimos dias, e horas, acabou por manter a sua palavra, e mesmo com a intromissão de terceiros, não mudou de opinião (como outros já o fizeram...)! Independentemente de tudo o resto, esta posição do jogador, é sinal de integridade...

Futebolisticamente falando, o Rafa é claramente um bom reforço. Pode parecer estranho, já que o Benfica tem muitos extremos... mas extremos com rotinas a jogar na esquerda, não temos ninguém!!! O Cervi jogava essencialmente no meio, o Zivkovic sendo canhoto, joga preferencialmente na direita, o Carrillo e o Pizzi nunca jogaram na esquerda!!! Mesmo jogando na esquerda com o 'pé trocado', o Rafa é partir de agora, o jogador com mais rotinas para a posição!
Mais: a utilidade do Pizzi no onze do Benfica, na última época, deveu-se essencialmente ao seu jogo 'interior'! Jogando muitas vezes como falso-ala, aparecendo 'entre-linhas' no meio... dificultando as marcações adversárias, e ajudando muitas vezes a nossa zona central do meio-campo (que joga quase sempre em 'inferioridade' numérica...!). Pois bem, o Rafa pode fazer o mesmo, mas na esquerda... abrindo assim espaço no onze, para ter um Salvio 'encostado' à linha no flanco oposto! Defensivamente, o Rafa dá menos que o Pizzi... mas ofensivamente dá mais!!!
Agora, este jogo 'interior' do Rafa (com o Grimaldo a descer no flanco, até faz sentido...), não pode ser confundido com a capacidade para substituir o Jonas, como alguns expert's defendem!!! Uma coisa é 'começar' no flanco e 'aparecer' no meio, outra coisa é jogar no 'meio' ficando exposto a marcações mais cerradas. Além disso Rafa não tem o 'faro' pelo golo do Jonas (dentro da área...), aliás poucos no Mundo têm... a jogar em 442, o Guedes e o Jiménez são claramente as melhores opções no plantel para o lugar do Jonas.
E mesmo num possível Plano B (um 433, nos jogos mais difíceis...), o Rafa nunca será o 3.º homem do meio-campo! Nessa situação o André Horta é claramente a melhor opção, e dos extremos o Carrillo será aquele com melhor perfil para ser adaptado!

Os detalhes completos da negócio ainda não são oficiais, mas se se confirmar os €16 milhões, por 90% do passe, mais 50% do Rui Fonte, mais o empréstimo do Benitez, acho o valor inflacionado, mas tendo em conta a contra-informação dos últimos dias, temi ser bastante pior!!! Ainda se falou de um possível empréstimo do Celis... É verdade que o Colombiano ainda não me convenceu, mas tendo em conta o potencial de lesões do Fejsa, fiquei contente com a permanência do Celis.

Agora, que terminou as novelas (até Janeiro), em jeito de balanço, considero este defeso um dos melhores para o Benfica, nos últimos tempos!!!
Primeiro resolvemos as contratações, muito cedo...
Em segundo lugar, contratámos bons jogadores...
Em terceiro lugar, e se calhar mais importante, conseguimos segurar: o Ederson, o Lindelof, o Jardel, o Fejsa e o Jonas! Além do regressado à boa forma: Salvio!
Todos jogadores que foram dados como certos fora do Benfica, durante o defeso!!!
Acrescento ainda os nomes de Samaris, Jiménez, Mitroglou, jogadores com mercado, e que são grandes mais-valias no plantel...
Juntamente com o Samaris, ainda ficámos com o Luisão e o Eliseu, jogadores experientes, e com voz de comando no balneário!
A minha posição sobre o Luisão é conhecida, desportivamente acho que já não deverá ser titular no Benfica, mas a liderança no balneário é indiscutível. E tenho a certeza, que não sendo primeira opção, não fará disso, um escândalo! O ordenado já é outra conversa...!!!

Tal como o ano passado, a grande 'esperança' de muitos Benfiquistas para este final de mercado, era a contratação de um '8' !!! Mas isso não aconteceu (apesar da hipótese Hernanes ainda não estar totalmente descartada, já que o mais provável é o Brasileiro rescindir com a Juventus, e ficar livre...!!!)... Tal como tenho escrito nas crónicas dos jogos, tenho muitas esperanças no Danilo... mas este 'treino' invisível está a deixar-me nervoso!!!
Recordo também, que aquela que considero a melhor contratação do defeso, foi a do Zivkovic! Jogador que ainda não jogou devido a lesão...!!!

GR: Ederson, Júlio César, Paulo Lopes
DC: Jardel, Lindelof, Luisão, Lisandro, Kalaica
DD: Almeida, Semedo
DE: Grimaldo, Eliseu
MD: Fejsa, Samaris, Celis
MC: Danilo, Horta
ED: Salvio, Zivkovic, Pizzi, Carrillo
EE: Rafa, Cervi
AV: Jonas, Mitroglou, Jiménez, Guedes

Este será o plantel para atacar o Campeonato, prevejo alguns 'sacrificados' para entrar na Lista da Champions...!!!

Das saídas confirmadas hoje, destaco o Carcela! Fez uma boa época, demonstrou profissionalismo, quando foi chamado, jogou bem... foi mesmo decisivo em alguns jogos, e sempre com 'boa cara'!!! Falta-lhe alguma 'chama' para ser um jogador de altíssimo nível, desportivamente a saída não me afecta, mas deixa boas recordações...

Infelizmente, o maior cancro na nossa folha salarial, ficou (para já...), e temo que vai ficar por muito tempo... A situação do Taarbat é grave, e não sendo advogado, acho que o Benfica deveria tomar medidas mais radicais...!!!
Além do Franco-marroquino, ainda ficámos com várias situações indefinidas, com o Jovic à cabeça!!! Mas também Vera, Bilal, Romário, Lima, Scholl, Amorim... e o lesionado Pelé! Creio que alguns serão integrados na equipa B, mas seria importante encontrar colocação para os outros...