Últimas indefectivações

sábado, 7 de janeiro de 2012

Goleada

Benfica 13 - 4 Gulpilhares


O resultado engana, o Gulpilhares é uma equipa que joga 'aberto' e enquanto têm pernas atacam com perigo, e o hoje o Ricardo Silva acabou por ter demasiado trabalho, temos que melhorar os processos defensivos...

Triunfo 'jovem'!!!



Benfica 90 - 72 Barreirense

21-20, 21-12, 26-17, 22-23



Sem o Sérgio, sem o Ben e sem o Scott, o Benfica venceu sem dar hipóteses, contra uma equipa que tem surpreendido pela positiva em vários jogos... com vários jovens da formação a serem utilizados com boas indicações, coube ao Carlos Ferreirinho o destaque com vários triplos sendo o melhor marcador da partida (já o afirmei no passado: com a cabecinha no lugar, o Ferreirinho, poderá ser a referência do Benfica nos próximos anos...)!!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Prémios 2011

"Prémio Cadeira de Rodas 2011

Para o autor da frase: 'Ele (André Villas Boas) não vai sair do Porto porque aqui está na cadeira dos seus sonhos'.



Prémio Onde Pará a Justiça?

'PJ investiga luvas de Pinto da Costa', dos jornais. 'O Ministério Público deduziu acusação contra cinco jogadores do FC Porto no âmbito do túnel da Luz', dos jornais. 'A Comissão Disciplinar da Liga instaurou um processo ao incêndio que deflagrou no topo norte do Estádio da Luz no final do derby do passado sábado', dos jornais.



Prémio Fair Play Financeiro

'Afinal, a contratação do brasileiro Danilo custou 17,8 milhões de euros e não 13 milhões como se afirmava no relatório do primeiro trimestre de 2011-12', dos jornais. 'O incumprimento salarial está a gerar indignação nos balneários do FCP de Hóquei em Patins, andebol e basquetebol e há atletas que tiveram de recorrer a empréstimos de colegas de plantel', dos jornais.



Prémio a Arbitragem Portuguesa é Tão Boa Como as Melhores

'No final do jogo com o Real Madrid, o treinador do Ajax, Frank de Boer, abordou logo o assunto: Os golos do Lyon foram rápidos e fáceis. Não se pode sofrer sete golos em meia hora. A UEFA deveria investigar', dos jornais.



Prémio Perdeste Uma Boa Ocasião de Estar Calado

Para a frase de Ruben Amorim: ' Fico feliz por Paulo Bento pensar de outra forma' (em relação a Jorge Jesus). Nota: Convocado para a selecção, o jogador não aqueceu nem para o duche.



Prémio Levados ao Colo dos Jornais

'Jeffren levanto voo... Izmailov volta com tudo... Izmaiolv, Jeffren e Matías ganham embalagem...' (Resultado do encontro: Sporting 0, Pinhalnovense 1).



Cacha Jornalística do Ano

'Jorge Jesus poderia levar para o Atlético de Madrid alguns jogadores do plantel das águias', dos jornais."



João Paulo Guerra, in O Benfica

Balanço para a Marinha Grande

"Em Guimarães, na terça-feira, o que mais me agradou foi o respeito que Jorge Jesus mostrou pela competição. Aquela equipa inicial, recheada dos melhores jogadores foi importante por três razões: primeiro porque permitiu ganhar um jogo decisivo para o apuramento, num grupo muito forte com V. Guimarães e Marítimo. Segundo porque deu um sinal claro que a Taça da Liga é troféu para tentar ganhar, o que sendo a terceira prova mais importante do calendário nacional é bom. Por fim porque permitiu dar minutos, ritmo a competição a jogadores que estavam sem jogos há 18 dias e têm que ganhar domingo na Marinha Grande.

Cardozo mostrou porque está na história do Benfica, golos e pormenores de muito nível auguram uma segunda metade da época em grande estilo.

Com uma primeira parte algo perra e uma segunda de nível, o Benfica ganhou balanço e moral para as dificuldades (muitas) de domingo.

Em semana de Sporting-FC Porto só uma vitória ao Leiria pode fazer deste um bom fim-de-semana para o Benfica.

O presidente portista deu uma boa entrevista esta semana na SIC, não seria justo se não o reconhecesse. No entanto, há uma diferença na forma como veio tentar angariar apoio dos adeptos para o treinador: normalmente o presidente portista respondia com uma renovação de contrato às críticas dos mais exigentes sócios, desta vez ficou-se pelo elogio e pela constatação dos méritos que Vítor Pereira tem. Pinto da Costa foi líder forte em socorro de treinador fragilizado.

Gostava de pegar numa ideia referida nessa entrevista e que também defendo: não compreendo como jogadores que ganham bem aceitam sair de clubes como o Benfica ou o FC Porto para irem lutar pela segunda metade da tabela classificativa noutras ligas.

O jogador verdadeiramente campeão quer títulos, não que apenas dinheiro. Embora no caso do Falcao, o FC Porto, quando o contratou, já sabia que ele só queria dinheiro...

..."


Sílvio Cervan, in A Bola

Exemplos

"O ano começou com uma boa notícia para o benfiquismo: Saviola renovou o contrato com o Benfica.

Independentemente da melhor ou pior forma que este argentino atravesse, a sua supina qualidade é inquestionável. O pior Saviola é melhor do que a esmagadora maioria dessa cinzenta mediania de caceteiros esforçados que se arrastam pela maioria dos nossos relvados. O melhor Saviola é arte e inteligência em campo. Com Saviola em campo, os colegas percebem que tudo se pode tornar mais fácil, que aquele espaço entre os defesas e o guarda-redes passa a ser uma probabilidade quando muitas vezes parece uma impossibilidade.

Saviola e Aimar são, por mais que custe a muitos dos teóricos do nosso futebol, os únicos futebolistas no futebol português que têm uma dimensão verdadeiramente mundial. E, para exemplo de muitos colegas de profissão que têm uma dimensão meramente mediana, demonstram publicamente uma humildade que apenas os engrandece. Saber que Saviola renovou é sinónimo de que os que são verdadeiramente grandes sabem estar ao serviço dos clubes ainda maiores.

Em sentido contrário, ficamos a saber que Ruben Amorim se sente incomodado no Benfica. Não conheço os motivos que levam a que um benfiquista que tudo teve para se vir a tornar um símbolo, um capitão, uma referência, aparentemente queira sair. Ainda assim, nós, adeptos, vamos sentindo e fazendo sentir na bancada que nos identificamos com aqueles que se identificam connosco e não com os que viram as costas ao Clube.

Ficam os exemplos e a certeza de que há quem saiba reconhecer o bem que tem e outros que insistem em não perceber que estão bem. Ficam os exemplos dos que ficam na memória e dos que caminham para o esquecimento."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Todos a votar no Manto Sagrado!!!!

Está a decorrer uma votação para a a camisola de futebol mais bonita do Mundo e como é óbvio está lá o nosso Manto Sagrado.

Já lá deixei o meu voto e estamos actualmente em 5.º lugar logo atrás, imaginem, as osgas submissas... Porra!!! Toca a votar em massa no Manto Sagrado ou vamos ficar atrás daquele escarro verde?


PARA VOTAR DIRIJAM-SE A ESTE LINK: http://listas.20minutos.es/lista/cual-es-la-camiseta-de-futbol-mas-linda-del-mundo-315596/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Focados na vizinhança como sempre

"João Tomás é um senhor. Ao contrário de Elias, para quem foi Artur sozinho que ganhou ao Sporting, Tomás nem se lembrou de dizer que foi Boeck sozinho que empatou com o Rio Ave


FOSSE eu do Vitória de Guimarães, e amor pela cidade não me falta, e também seria bem capaz de defender veementemente a causa da expulsão do benfiquista Javi Garcia, neste último jogo entre os dois emblemas, a contar para a Taça da Liga, mesmo tendo de admitir que a queda de N'Diaye demorou um bocadinho de tempo a mais do que devia em função do momento da reclamada agressão.

A expulsão de Javi Garcia, à partida, seria uma boa coisa para o Vitória de Guimarães, a perder por 0-1 e com muito, muito tempo ainda para jogar. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria pensado assim, com certeza, e com toda a legitimidade própria de um adepto que se preze.

Há sempre exageros no raciocinar dos adeptos. E não só dos adeptos. Os comentadores da SIC que transmitiram o jogo não tiveram a menor dúvida de que Javi deveria ter sido expulso e não são do Vitória de Guimarães, presumivelmente. Os comentadores da SIC também não tiveram dúvida nenhuma que Maxi Pereira tinha carregado Toscano dentro da área do Benfica e só mudaram de opinião ao intervalo.

Na verdade, houve falta, sim senhores, mas foi fora da área, o que é uma coisa completamente diferente. E corrigiram a sua opinião os comentadores da SIC, estação que abriu o ano com uma grande entrevista a Pinto da Costa. E a entrevista foi ontem mesmo para o ar, 24 horas depois do Vitória de Guimarães-Benfica, 24 horas depois dos comentadores da SIC, à 16.ª repetição, terem finalmente concordado que não era lance para grande penalidade visto que a falta, que existiu, foi cometida fora da área.

Depois houve aquela grande penalidade que ficou por assinalar contra o Vitória, aos 58 minutos, quando N'Diaye derrubou Nolito dentro da área dos donos da casa. Se eu fosse do Vitória de Guimarães teria reagido como os comentadores da SIC.

Pronto, foi penalty, mas não se fala mais nisso.


DOMINGOS PACIÊNCIA é um treinador com provas dadas no futebol português. Num passado recente, a Académica e sobretudo, o Sporting de Braga cresceram com Domingos até níveis competitivos muito acima do suposto.

Presentemente é o Sporting quem beneficia das qualidades do treinador Paciência no seu trabalho de diligente construtor de uma equipa de futebol. Ninguém duvida que o problema do Sporting é falta de paciência e, assim sendo, está encontrado o treinador ideal com o nome a condizer e tudo.

A trabalhar, Domingos é inquestionável. Já a falar, o treinador peca nas metáforas e expõe-se a riscos desnecessários. Com esta última, a das papas Cerelac, deu o mote para todas as análises e comentários ao que vier a ser a produção da sua equipa até ao final da temporada.

Como ficou provado depois do empate de segunda-feira, em Vila do Conde, com os incontáveis títulos dos jornais versando o tema das papas, a liquidez das mesmas, a imaturidade do infante e por aí fora, sempre no campo da puericultura.

Querendo definir o estado da construção da sua equipa através de uma imagem que fosse facilmente apreendida por todos, desde a mais tenra idade, Domingos Paciência pôs-se a jeito para jocosidades sem fim.

E agora, resta-lhe compenetrar-se de que, ganhando ou perdendo o Sporting, este campeonato ficará para sempre marcado em Alvalade e arredores como o campeonato do Cerelac.

Também é verdade que podia ser pior.


É incrível o João Tomás. E continua a marcar golos ao Sporting. E a falar também não é tolo nenhum.

No fim do jogo da Taça da Liga, João Tomás não caiu em lamentos pelo empate sofrido nos derradeiros instantes, não apresentou queixas contra nenhuma entidade, não contestou o trabalho do árbitro por ter poupado o cartão vermelho a Polga ou por não ter poupado o cartão amarelo a 8 jogadores do Rio Ave.

Com humildade, João Tomás só se queixou de si próprio. «Foi pena não ter conseguido concretizar a outra oportunidade de golo de que dispus», limitou-se a dizer. Referia-se a um lance, ainda na primeira parte mas com o resultado já em 1-0 favorável aos donos da casa, em que lhe saiu torto um chapéu que poderia ter sido fatal para as aspirações dos visitantes na Taça da Liga.

O João Tomás é um senhor. Ao contrário das desculpas de Elias, para quem foi Artur sozinho que ganhou ao Sporting na Luz, João Tomás nem se lembrou de dizer que foi o Marcelo Boeck sozinho que empatou com o Rio Ave em Vila do Conde. E não estaria a dizer mentira nenhuma.


O jogo com o FC Porto «não é nenhum drama» para o Sporting. Quem o garante é Carlos Freitas, director do clube de Alvalade, para quem o clássico de sábado «não é mais importante do que a Académica ou o Feirense», diz Freitas sabendo do que fala.

Folga-se em saber que o Sporting arrepiou caminho nos dramas em redor dos clássicos. Fez bem. Aquele drama da gaiola a carburar antes, durante e depois do último clássico da Luz terá servido de lição.

E pronto, está visto. Com o Benfica houve drama, mas com o FC Porto não vai haver drama nenhum. Assim é que é bonito.


FOCADOS na vizinhança como sempre, não nos preocupámos em saber que impacto causou em Inglaterra a declaração de amor de José Mourinho ao futebol inglês. Também é verdade que o impacto causado em Madrid foi de tal monta que dificilmente haveria condições para olhar com a mesma atenção para lá do Canal da Mancha.

A possibilidade de deserção de Mourinho preocupou os adeptos do Real Madrid, como não poderia deixar de acontecer. Mas alguém se deu ao trabalho de saber se a possibilidade de Mourinho regressar a Inglaterra preocupou de alguma forma os grandes treinadores da Premier League?

Para Mourinho entrar, um deles tem de sair, não é verdade?

E há motivos para acreditar que o impacto da declaração de amor de José Mourinho ao futebol inglês foi bem mais forte em Inglaterra do que nas imediações do Estádio Santiago Bernabéu.

A coberto da velha e impecável fleuma britânica que a todos obriga, não se ouviram dislates nem remoques contra Mourinho de treinadores consagrados com posições apetecíveis como Sir Alex Fergunson, Arsene Wenger ou Roberto Mancini.

Nenhum deles abriu a boca. Mas, curiosamente, todos perderam os seus últimos jogos desde que Mourinho os ameaçou com o regresso.

São os nervos.


O Manchester United perdeu o seu jogo com o Blackburn por causa de um deslize fatal do seu guarda-redes, o espanhol De Gea. Também no jogo com o Benfica, em Old Trafford, o mesmo De Gea prestou grande colaboração no lance do golo de Aimar que haveria de empatar a partida.

É um facto que os adeptos do Manchester United não têm grande confiança nas capacidades do guarda-redes contratado ao Atlético de Madrid e que não foi barato. Um dia destes o Atlético de Madrid começa a ter má fama no mercado dos guarda-redes.

Roberto vendido ao Benfica, De Gea vendido ao Manchester United... onde é que uma coisa destas pode ir parar?


DEPOIS de uma época triunfal, o presidente do FC Porto recebeu uma consagração internacional. Rima e é verdade.

Numa cerimónia realizada no Dubai, rodeado de sheiks das Arábias, Pinto da Costa venceu na categoria de melhor dirigente do ano um Globe Soccer Award, troféu de prestígio que, no entanto, não lhe mitigará o desgosto de nunca ter visto os seus méritos devidamente homenageados em Portugal.

E mesmo este Globe Soccer Award, vindo do Dubai, não teve o impacto devido na sociedade portuguesa. O que se compreende porque tratando-se de um prémio dado por mouros, é sempre de desconfiar."


Leonor Pinhão, in A Bola

Objectivamente (Guiné)

"Numa época em que se tanto se fala de solidariedade, hoje não poderei deixar de salientar a digressão da equipa de Futebol Júnior do Benfica à Guiné Bissau, entre 18 e 23 de Dezembro.

Foi uma jornada magnífica, onde pouco se relevaram os resultados desportivos - uma derrota e uma vitória - mas, fundamentalmente, o estrondoso êxito social! Foi um convívio inesquecível com a presença de milhares de pessoas nas ruas e nas deslocações aos lugares previamente programados - Primeiro-ministro e diversos órgãos de soberania.

A viagem ao norte do Pais, cidade de Gabu, ficou na memória de todos, e os veteranos, Chalana e José Henrique, que já passaram por grandes momentos de exaltação benfiquista, disseram nunca ter visto coisa semelhante com mais de 19 mil pessoas(!) em duas longas filas, correndo a par do autocarro, só para tocarem nos ilustres convidados benfiquistas.

Outro ponto alto foi a visita a uma creche, com meninos carenciados, em Bissau, onde os nossos jovens futebolistas se perderam de paixão. Deram prendas, brincaram com as crianças e sentiram um carinho especial que quiseram repetir depois do seu ultimo compromisso desportivo na capital guineense.

Juntaram-se ainda à comitiva benfiquista os antigos ídolos, Reinaldo e Samuel. Como devem imaginar eles foram o centro das atenções muitas vezes durante esta visita. Que orgulho eles sentiram ao ver toda esta festa num país tão carente mas com tanto amor para dar!

O Benfica está no caminho certo e, no início do ano, irá passar por Cabo Verde e Angola, levando o emblema do Clube bem alto!

Em momentos como este é importante sabermos como deveremos viver com muita paixão certos momentos da nossa vida."

João Diogo, in O Benfica

Alarme

"O futebol italiano está a ser varrido por um novo tsunami. Depois do vendaval que o fustigou no Verão passado e que teve consequências funestas para oito jogadores, quatro treinadores, três dirigentes e 15 clubes, agora o que aí vem é um autêntico terramoto. Não só porque desta vez atinge em cheio o escalão principal e vários dos seus protagonistas mas também e, sobretudo, pelas proporções assustadoras que irá ter. O motivo é sempre o mesmo: resultados combinados e apostas clandestinas. Das 20 equipas da Série A só três (Juventus, Milan e Inter) não estão envolvidas no escândalo, enquanto os jogos sob suspeita são nada menos do que 20, alguns do campeonato ainda em curso. Tudo isto veio à tona porque Carlo Gervasoni, ex-defensor do Piacenza (já punido com cinco anos de suspensão na sentença do primeiro processo), apertado pelo juíz de investigação do tribunal de Cremona, despejou o saco. Do que não há dúvida, a fazer fé na opinião dos entendidos em direito do desporto, é de que ocorrerão irradiações e despromoções. Os próprios Buffon (que aposta, no mínimo, 200 mil euros/mês!), Cannavaro e Gattuso, viciados no jogo, não ficaram imunes a alguns salpicos da lama.

Para já, o caso está ainda no âmbito da justiça ordinária, que promete facultar à sua congénere desportiva o dossier com o resultado de todas as diligências efectuadas. Lá para o início da Primavera, o mais tardar, conheceremos as primeiras sanções e o alvoroço que irão provocar. O mais curioso é que o epicentro do ciclone está em Singapura e, pelos cálculos mais optimistas, haverá pelo menos 200 jogos sob suspeita, incluindo da Liga dos Campeões, disputados em países como Alemanha, França, Suíça, Hungria, Bósnia, Eslovénia, Croácia e, obviamente, Itália, que nestas coisas está sempre na primeira linha. Até na busca dos delinquentes."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Real politik

"Ficou célebre o comentário do professor universitário sobre a tese do aluno. Esclareceu o docente que a tese continha ideias boas e ideias originais – pena que as boas não fossem originais e que as originais não fossem boas… É deste episódio lapidar que me recordo sempre que assisto ao triste espectáculo das fúrias legislativas, de febres que atacam homens de bem que se transformam rapidamente em pistoleiros normativos, capazes de disparar em todas as direções. Estudam pouco e sabem menos, conseguindo aquele extraordinário tempero português que é colocar académicos e teóricos de um lado e agentes e técnicos do outro, como se não fossem todos indispensáveis. Depois, quando é preciso um álibi final, nomeia-se um grupo de trabalho que se limita a repetir os desejos do poder ou que tem o seu trabalho condenado ao lixo.

Infelizmente, esta epidemia ameaça chegar ao mundo do futebol. Soubemo-lo através de Jorge Jesus, que veio trazer a público um estudo ou uma proposta ou uma ideia ou lá o que é, com o objetivo de valorizar o jogador português. Tenho como bom o conceito de que o campeonato nacional só é competitivo, respeitado e suscetível de atenção externa, por causa das mais-valias internacionais que por aí andam e às quais se juntam os talentos portugueses, muitas vezes ávidos de emigrar, não para clubes de primeira linha mas para ordenados com que dificilmente podem sonhar (em média) por cá.

Haverá certamente formas de regulamentar a utilização dos homens da casa. Mas querer restringir a contratação de estrangeiros aos atletas internacionais parece apenas um assomo de arrogância, demonstrativo de que as palavras austeridade e contenção ainda nos não são familiares e capaz de confundir a nossa capacidade de contratação com a dos ingleses, o que é um desvario.

Jorge Jesus teve o cuidado de dizer que, por cá, somos também formadores de jogadores estrangeiros. Os exemplos a favor deste argumento são muitos. Mas basta pensar em Hulk, que só chega a internacional brasileiro graças ao crescimento e à exposição no FC Porto. Luisão e David Luiz são contabilidade positiva para o Benfica. Van Wolfswinkel precisou do Sporting para aparecer nas cogitações dos responsáveis holandeses para o Euro que aí vem. Mais: alguém duvida que gente como Belluschi, Javi Garcia, Nolito, Ínsua, Rinaudo traz mais perfume e mais combatividade ao futebol nacional?

Acredito muito mais no bom senso – e, já agora, na negativa ao alarmismo que faz do jogador português uma espécie em extinção, algo que é desmentido pelo bom comportamento das selecções – do que na regulamentação por iluminados. Espero que o tempo do “orgulhosamente sós” tenha passado de vez. E desejo que outras vozes se juntem à de Jorge Jesus, antes que se mate a galinha dos ovos de ouro."


Os protetores

"Uma manobra clássica dos ciclos políticos é a incursão legislativa nos meandros do futebol profissional, confundido com desporto apesar de há um século a canibalizar recursos e paixões dos portugueses pela coisa desportiva. Desde meados dos anos 80, embora sem nunca justificar um ministério, o frenesi partidário produziu contraditórias Leis de Base, interferiu no livre associativismo e, certamente pelas piores razões, nunca atinou com um rumo estável que permitisse o crescimento concertado da atividade, nem um paradigma de educação pelo desporto, ao contrário dos parceiros europeus.

Ainda agora terminou, com as sofridas eleições da FPF, o enquadramento à última lei orientadora, com impacto negativo em praticamente todas as outras federações que a ela só se sujeitaram pela dependência extrema das migalhas do OE, e já os novos governantes saem a terreiro com, não um, não dois, mas três estudos de mudanças estruturais, escorados na ambição partidária de realizar “obra”.

Pela mediatização e pelo interesse público as recomendações dos “grupos de trabalho” assestaram pontaria a temas fervilhantes e tão conclusivos como o sexo dos anjos. A profissionalização dos árbitros (de futebol, mas por que não dos outros?) é a senha de entrada no clube restrito dos que sempre dão mais um nó nos emaranhados regulamentares para assegurarem que tudo fica como acham que deve estar, sob controlo deles.

Regimes fiscais e de segurança social de exceção, totonegócio, sociedades anónimas para disfarçar as falências, por um lado, condicionamento dos arquétipos competitivos e do estatuto dos atletas, por outro, praticamente todos os modelos foram alvo de investidas de políticos espertos, incluindo no domínio da segurança e da indústria do espetáculo. Não raro, o rótulo de legislação “mais avançada” da Europa surgia no rodapé propagandístico das inovações, o que torna tudo mais difícil de entender quando, nos balanços, acabam por chegar sempre à conclusão de que as coisas ficam piores do que estavam.

É neste ponto que nos encontramos, no dealbar de mais uma transição rápida, agora pelo flanco da direita: liberal através da alienação das sociedades desportivas, populista pela profissionalização dos árbitros e com laivos de nacionalismo contra o “excesso de estrangeiros”. Para o quadro ser completo só faltaram um grupo de trabalho pela introdução das “novas” tecnologias da bola e outro pelo reconhecimento e legalização das apostas online.
Assustador é que, desta vez, surgem associados ao poder político os novos dirigentes do futebol, entusiasmados com a vontade de aumentar os campeonatos com mais emblemas falidos, porque acham que há muitos fins-de-semana sem futebol, e gulosos pela visão quimérica de inesgotáveis dinheiros da televisão. Sempre com um protecionismo benigno em pano de fundo, que teria, como derradeiro objetivo, a felicidade coletiva em torno de uma atividade transparente, equilibrada e justa, mas também promessa de uma seleção nacional melhor do que a melhor da história. Política sem vergonha."


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pela boca morre o peixe!!!



"Sapunaru: «Não devia ter agido daquela forma na Luz»
«caso do túnel»

Na longa entrevista ao jornal romeno “Prosport", Sapunaru abordou o caso do túnel, lembrando que o seu gesto caiu bem junto dos adeptos portistas, embora se mostre arrependido pelo que fez.

"É certo que os adeptos apreciaram, visto que ninguém me acusou de nada, mas eu sei que não devia ter reagido daquela forma. É um gesto que fica mal a qualquer atleta", refere."

Penso que com estas declarações ficou absolutamente claro o que se passou, se é que havia alguma dúvida. Lá se vai a teoria dos corruptos em que o Benfica ganhou o campeonato por causa do túnel. Afinal existiram as agressões e os castigos eram mais que justificados mas o CJ sempre amigo da corrupção assim não o entendeu.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

...e até podiam ter sido mais !!!

Guimarães 1 - 4 Benfica



Após a longa paragem natalícia, um regresso com o sal dos golos... mesmo com um início perro, obtivemos uma vitória indiscutível... que os comentários maliciosos feitos em directo (e no rescaldo...) não podem manchar: existem animais que só sabem marrar no vermelho, e já não têm cura!!!


Mais um reforço Olímpico, desta vez para a Canoagem

João Ribeiro, reforça o Benfica. Campeão Europeu em K4 1000m em 2011, e Vice-Campeão Europeu em K2 500m em sub-23, no ano de 2011. Objectivo Londres 2012...

Ricardinho

É oficial, Ricardinho vai ser jogador da equipa de Futsal, do Benfica, até final da época... a caminho do título.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mercado de inverno

"Nos últimos tempos, à medida que se aproximava a abertura do mercado de Inverno, jornais portugueses e estrangeiros - ou jornais portugueses citando jornais estrangeiros - 'apontavam' 29 jogadores como possíveis, prováveis, potenciais e iminentes contratações do Benfica. Estariam a caminho da Luz, ou em vias disso, um guarda-redes, um defesa-direito, seis centrais, deis defesas-esquerdos, dez médios e cinco avançados. Entre muitos outros, estariam 'apontados' ao Benfica, ou 'referenciados' pelo Clube, o consagrado ' Messi indonésio' e um 'potencial Fábio Coentrão'.

Porém, ao mesmo tempo que provocavam um congestionamento no balneário da Luz, com a chegada de um contingente de jogadores superior ao que já lá está a preparar-se para treinar e jogar - com muito bons resultados, aliás -, jornais portugueses e estrangeiros cuidavam de nos roubar algumas das mais cintilantes estrelas da companhia. E seria assim que poderiam estar de saída vários titulares, entre os quais, um guarda-redes, dois centrais, um médio defensivo, dois médios ofensivos, dois atacantes.

É assim todos os anos, porque nenhum outro Clube, como o Benfica, desperta tanta curiosidade e paixões. Mas, desta vez, alguns jornais excederam-se e davam como provável até mesmo a saída do próprio treinador que, saindo, levaria consigo parte do plantel.

Havia também o estranho caso de um atleta que saía do Benfica para um equipa de Manchester, sem nunca ter chegado a entrar na Luz nem assinar pelo SLB.

Habilidades. Bastaria um telefonema para confirmar ou desmentir, como mandam as regras do ofício, estas supostas 'notícias'. O problema é que o telefonema poderia estragar a cacha e lá sobravam mais uns quintais de papel. Manigâncias.

Que 2012 nos traga mais verdade. No Futebol como nas notícias."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Um mau ano

"1. O ano de 2011 não deixa saudades, visto no seu conjunto. A época futebolística de 2010/11 acabou muito mal, o mesmo acontecendo nas várias modalidades de Pavilhão, em algumas das quais o Benfica esteve muito bem até quase ao final. Tal como aconteceu, por exemplo, nas futebolísticas Liga Europa e Taça de Portugal. Na altura decisiva, falhámos. 'Salvou-se' o Atletismo, com o regresso ao título nacional absoluto e um completo domínio nos escalões jovens.
Já a parte final do ano tem sido excelente, no Futebol e na generalidade das modalidades, enchendo-nos de esperança relativamente a 2012. O trabalho que foi feito ao longo da última década só pode trazer sucesso para o Clube. Há 10 anos estávamos ainda a curar as feridas, estávamos ainda a recuperar do 'coma'. Agora, só poderemos estar optimistas. Mesmo que as esperadas vitórias não tenham aparecido ainda com a frequência espectável.
2. Na semana passada, Pinto da Costa falou de árbitros (e pode fazê-lo com toda a moralidade, não há dúvida...), Eduardo Barroso respondeu-lhe (aproxima-se o jogo de Alvalade...) e o Sporting estranhou que, face ao que disse o presidente do FC Porto relativamente a Duarte Gomes, os árbitros não tenham feito greve. Esquecem-se que os árbitros não fizeram greve aos jogos do Sporting devido aos protestos do clube face a algumas arbitragens no início da época, mas às desconfianças públicas que, através de alguns jornais, manifestaram relativamente a João Ferreira, antes de um jogo que seria por ele arbitrado. Como voltaram a fazer agora relativamente ao 'bandeirinha' José Cardinal que entretanto se 'indisponiblizou' para estar no jogo com o Marítimo...
3. O Sporting contratou um internacional de Canoagem. A que propósito refiro o facto no Jornal, perguntar-se-ão os leitores? Simplesmente porque é mais um exemplo das novas iniciativas do nosso rival, que continua a copiar o que de bom o Benfica tem feito nos últimos anos. Em tempos, arranjou patrocinadores para os vários sectores do seu estádio; agora, procura parceiros (nomeadamente a nível de gasolineiras) para arranjar novos sócios; realizou uma corrida pedestre; começou a contratar atletas candidatos a olímpicos em várias modalidades, só não lhe chamando Projecto Olímpico; tentou (pelos vistos sem êxito) lançar um canal de televisão, mas neste caso teve o azar de não haver um qualquer 'Lisboa canal' que lhe faça o jeito."

Arons de Carvalho, in O Benfica

O da Joana

"Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Boa notícia

Benfica exerce o direito de opção por mais uma época, com Javier Saviola. Além de todas as qualidades futebolísticas, um exemplo de comportamento para todos os colegas... um jogador que tem altos e baixos, mas que jogando ou ficando no banco, não amua, não discute com os seus superiores, nem entra em jogos de pressão na comunicação social...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sempre com Eusébio

"Escrevo esta crónica num momento em que ainda se desconhece quando estará Eusébio em condições de abandonar o Hospital, já recuperado da pneumonia que lhe veio ensombrar o Natal e o da família. Sei apenas que a situação está controlada e irá ser superada com êxito. Já é uma boa notícia. Tudo o que afecta Eusébio não pode deixar os portugueses indiferentes, sejam ou não benfiquistas, porque o seu estatuto é o de mito. De um mito vivo que nos mobiliza e congrega. É por isso que Eusébio é embaixador vitalício da Selecção Nacional e, naturalmente, do Benfica. Quando o vemos na tribuna, nos jogos decisivos, sentimos que o nosso coração também está ali a bater e que a sua presença é uma constante fonte de inspiração para quem está em campo a lutar por um bom resultado. Eusébio é isso mesmo: um símbolo sempre presente de uma vontade colectiva. Como ele, em Portugal, depois de ter desaparecido Amália Rodrigues, a verdade é que não existe outro.

Eusébio tornou-se uma referência do Futebol mundial numa época em que tudo era muito diferente do que é hoje. O Futebol já era um espectáculo de raro poder de atracção, mas ainda não era a indústria poderosa que é actualmente, sobretudo por força da omnipresente cobertura mediática e da sua projecção à escala global.

Tendo sido grande entre os grandes na época em que se tornou ídolo internacional, Eusébio gozou da fama mas não da fortuna que hoje premeia as vedetas mundiais, designadamente porque a televisão ainda não era o que é agora. Também por isso, todos imaginamos o que seria Eusébio se jogasse hoje e não há mais de quatro décadas. Se esse exercício de ficção se pudesse materializar, ele estaria no topo ou sempre muito perto dele. Por isso se tornou herói e mito e todos nos afligimos quando a sua saúde claudica e momentaneamente o derrota. Mas Eusébio vai recuperar, porque, tal como acontece com países como Portugal, depois dos momentos sombrios e amargos, outros mais luminosos hão-de chegar."


José Jorge Letria, in O Benfica

Natal com Eusébio

"Telefonemas há que não gostamos de receber. 'O Eusébio foi internado', ouvi do outro lado da linha. Dois dias depois, as televisões deram a notícia com alvoroço, suscitando enorme alarme. Durante horas, os meus telefones não pararam de tocar. Amigo e biógrafo de Eusébio, por esse motivo reiteradamente solicitado, vi-me compelido a fazer as despesas de comunicação sobre o estado da maior referência da história do Benfica e do Futebol português.

Se dúvidas tivesse sobre a importância do grande Eusébio na vida nacional tê-las-ia dissipado naquele momento e nos dias subsequentes. A Comunicação Social, ávida de notícias, continuou a questionar-me amiúde, na expectativa de ouvir os meus comentários no rescaldo dos contactos que, dia a dia, fui estabelecendo com o meu ídolo da infância e da adolescência. Falar sobre o Eusébio às TV's, rádios, jornais, revistas e sites, a despeito da razão, foi algo que me gratificou.

Digo-o imodestamente. Digo-o, também, com a fortuna de saber que o problema foi debelado. Digo-o, ainda, com a convicção de saber que o trono do Futebol nacional continua e continuará ocupado na sua melhor expressão.

Para além de jornalistas, é irreproduzível, mercê da sua amplitude, a lista daqueles que me abordaram com o fito de se inteirarem do estado de saúde do Eusébio. António Simões, Manuel José, António Oliveira, Artur Jorge, Fernando Gomes, Manuel Fernandes, João Alves, Jaime Magalhães, Bernardino Pedroto, tantos e tantos mais. Também personalidades de outras áreas da sociedade, exemplos de Manuel Alegre, Paulo de Carvalho, Fernando Mendes, tantos e tantos mais.

Numa quadra específica, senti (ou será que aprendi?) que o Eusébio é mais importante para mim do que o Natal. Esta será, talvez, a homenagem que me faltava fazer-lhe."


João Malheiro, in O Benfica

O grande líder

"Estes dias de trégua servem para arrumarmos as despedidas, para pacificarmos as lembranças e para listarmos os desejos para o que aí vem. A mim, por exemplo, deu-me para recordar uma noite quente de junho de 2009 em que, com surpresa, vi o dirigente de um grande clube desportivo, homem tido como poderoso, sagaz, irónico e implacável, atravessar toda a sala de um restaurante – adequadamente chamado Líder –, da mesa em que jantava até à minha, estender-me a mão, sentar-se diante de mim e ficar à conversa comigo e com os meus (seletos) parceiros de circunstância.

O meu espanto era ainda mais compreensível quanto, nas semanas anteriores, tinha havido um bate-boca público entre mim e esse agente desportivo, hoje cada vez mais próximo do estatuto “vitalício”. Tivemos, de resto, um rápido diálogo a respeito desses “confrontos”. Começou ele: “O senhor chamou-me obtuso”. Respondi eu: “E o senhor, presidente, chamou-me obeso”. Rematou ele: “Não se preocupe. A maioria das pessoas que nos ouviu ou leu não sabe o que nenhuma delas quer dizer…”.

Julguei que o assunto estava encerrado e o machado de guerra enterrado. Afinal, tudo se passara na mesa do grande Líder, o restaurante, que, na circunstância, era a minha casa. Puro engano: no final do jogo FC Porto-Marítimo, o homem que até há pouco olhava para um árbitro e via um herói, quis crucificar Duarte Gomes (e não só), por causa de um penálti não assinalado sobre Belluschi. No seu estilo gongórico, pediu que as imagens desse lance e de outros presenciados pelo juiz em questão fossem exibidos para essa espécie terrível dos comentadores, em especial “o senhor obeso da RTP Informação” – eu. Acontece que eu, que me orgulho de não usar palas nos olhos, tinha acabado de dizer que Duarte Gomes deixara por marcar um penálti evidente. Mais: o senhor obtuso do Estádio do Dragão ainda voltaria a dirigir-se a mim, mencionando a imagem que usei relativamente a Vítor Pereira, que deveria ter-se apresentado aos sócios e adeptos do FC Porto “de corda ao pescoço” (as aspas já lá estavam) e assim assumir a responsabilidade pela queda dos campeões nacionais na Champions. Qual é a dúvida, se pararmos de vez com as hipocrisias? Houve ou não falhanço, para o qual contribuiu o demérito do técnico? A exigente massa associativa do FC Porto está com Pereira? E este ainda estaria na cadeira dos sonhos de outrem se não resultasse de uma aposta pessoal (de emergência, é certo) do presidente?

Quando fui informado, dias depois, do novo raid do senhor obtuso, lamentei que, num mundo em mudança, haja quem já nada aprende... Sei, isso sim, é que tenho saudades do querido Líder – o restaurante, claro. E aproveito para desejar Bom Ano a todos. Até a Jorge Nuno Pinto da Costa."


João Gobern, in Record


PS: A última frase era escusada, mas...