Últimas indefectivações

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pereira não dá pêras

"Ao almoço me dão pêras

Ao jantar pêras me dão

Ao lanche pão com pêras

À ceia pêras com pão



Ia assim a lengalenga da nossa infância. Ia assim o enjôo. Mas pior ainda se Pereira não dá pêras e enjoa na mesma. Pereira vomita sentenças, vela ameaças, solta fel. Os frutos é que não se vêem.

Pereira está aflito, tem medo. Atrás de si uivam os lobos famintos e, na escuridão húmida dos túneis, o Madaleno alimenta os fungos que o hão-de devolver à sua tristonha existência de anónimo. Todo um mundo podre está em polvorosa.

O Copiador de Livros Alheios gane incessantemente baba e ranho incontidos; o Merceeiro Aldrabão agita as asas de borboletas e profere tiradas de intelectualidade de pacotilha da qual nada se retira senão a fosforescência do ódio: o Baladeiro Bacoco de Tiques Estranhos esganiça a voz de castrato e irrita-se por tudo e por nada, acentuando o seu ar de fedelho mimado que passou ao lado da bofetada pedagógica. Mas que quer esta canalha? Que pretende esta súcia de analfabetos de pai e mãe? Pedem contas? Querem saber de que lhes vale investir tanto dinheiro em prostitutas baratas e repastos de lagostas se, volta e meia, há um desses gnomos de cócoras que se recusa a fazer-lhes as vontades? Por isso ladram. Não é a injustiça que lhes dói, é a desobediência. Habituados a corromper, a mentir, a forjar, não aceitam o erro, a falha. Pela sua percepção da realidade, tudo está envolto pelo manto diáfano do suborno e da podridão. O Mundo não é, para estes tunantes, nem sequer a branco e preto. É só a preto. Sujo, enlameado, conspurcado, infecto. É disso que se alimentam e não resistem à necessidade de arrastar todos os outros para o universo inquinado que Mestre Palhaço criou. «Nem mil anos apagarão a culpa da Alemanha!», dizia-se no tempo do Julgamento de Nuremberga. Nem 500 anos apagarão a culpa de tais corruptos! Por isso, CALEM-SE!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (Corruptos)

"Os dirigentes e adeptos do FCP não se cansam de insultar o árbitro, Bruno Paixão, culpando-o pela derrota frente ao Gil Vicente. Ainda se ouvem ecos de uma célebre arbitragem em Campo Maior, quando Jardel e José Soares protagonizaram uma vulgar picardia que Bruno Paixão resolveu mandando o intocável Jardel para a rua! Desde esse dia Bruno Paixão passou a «persona non grata» no Porto e teve de se redimir já muitas vezes para ter o perdão do Papa mas, pelos vistos, voltou tudo à estaca zero...

Toda a gente sabe que Bruno Paixão não tem muito jeito para a arbitragem. Não é novidade para ninguém. O que não se percebe é que os «Miguéis Sousas Tavares» que têm a missão de defender o «Sistema FC Porto» para que continue a vigorar eternamente não enxerguem mais que arbitragens más para justificar as MISERÁVEIS EXIBIÇÕES da sua equipa.

Já se esqueceram que antes de Bruno Paixão (que mesmo assim teve o perdão papal um ano depois do caso Campo Maior e nós sabemos o que se passou a seguir...), havia o José Silvano (que nem qualificação tinha), José Guímaro, Fortunato Azevedo, manos Calheiros, Rosa Santos, Francisco Silva, etc. etc. ... dos quais nunca falam porque lhes serviram na perfeição durante mais de 25 anos!

Vou lembra-lhes todos os dias destes nomes para que nunca os esqueçam quando falam de arbitragens! Deviam ter bustos no Estádio do Dragão porque ajudaram a construir a história recente do clube!

E pelos vistos vão continuando impunes. Agora, mais uma decisão recente dos tribunais a querer «lavar» a culpa dos envolvidos no «Apito Final». De facto, aquilo que está gravado nas Escutas Telefónicas sobre a corrupção vergonhosa e miserável no Futebol É TUDO MENTIRA!

A cada decisão de recursos e mais recursos, como é pródigo a Justiça portuguesa, nós vamos ficando a saber quem afinal manda nisto!"

João Diogo, in O Benfica

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma vitória sub-21 !!!



Benfica 3 - 0 Marítimo



Jogo tranquilo, que deu para fazer descansar alguns titulares... mesmo após a exagerada expulsão do Pouga (não vi maldade), continuámos a dar muito espaço nos contra-ataques ao Marítimo. O facto do Aimar ter jogado os 90 minutos no meio-campo, contribuiu para o Javi ter ficado muitas vezes desamparado, e como o Marítimo joga bem, tivemos problemas...

Em condições normais com estes dois jovens talentosos avançados podíamos ficar descansados, sabendo que nas próximas épocas teríamos goleadores no plantel, mas não sendo ingénuos temos que nos preparar para a inevitável venda... principalmente do Rodrigo. Mais 2 anos seria o ideal, espero que exista 'cabecinha' por parte de todas as partes envolvidas!!!

Lá temos que receber em nossa casa a corja da Corrupção mais uma vez... independentemente dos resultados, detesto partilhar recintos desportivos com gente daquela laia, até podemos golear e o meu interesse é mínimo... como não podemos trocar de País...!!!


PS1: Já me esquecia: o Djaló estreou-se!!! Pelo que ouvi na Xic, os Lagartos estão completamente histéricos com o Djaló: mais um trauma!!!

PS2: Depois de uma noite tranquila, já me consegui irritar!!! O Santolas deu o mote, parece que esta expulsão vai ser usada pelos do costume para atacar o Benfica!!! Mas estou curioso, aqueles que quase semanalmente pedem vermelho directo para os jogadores do Benfica em jogadas parecidas como esta do Pouga, agora acham que o vermelho foi exagerado?!!!

PS3: Uma palavra para o Fábio Faria, que ontem teve uma indisposição durante o jogo do Rio Ave... parece que se confirmou uma alteração cardíaca. Na memória de todos nós ainda estão as imagens do Feher, é importante que o Fábio seja submetido a todos os testes, porque não valerá a pena arriscar... à vida para além do futebol...




Campeões Europeus Juniores em Corta-Mato

A equipa masculina júnior da secção de Atletismo sagrou-se Campeã da Europa, em Castellon, Espanha. O triunfo foi ainda mais significativo, já que Emanuel Rolim o nosso atleta com mais potencial foi obrigado a desistir devido a lesão, mas mesmo assim, Adrião Rodrigues, Samuel Barata, Ruben Silva, Bruno Varela e Miguel Borges conseguiram trazer o 'caneco' para a Luz !!!


PS: Em Espinho, as nossas equipas de sub-23 (Masculinos e Femininos), sagraram-se novamente Campeões Nacionais de Pista Coberta. Depois dos títulos juniores continuamos a dominar...

Despedida vitoriosa da Pérola do Atlântico



Machico 0 - 3 Benfica

10-25, 18-25, 14-25

Vira o disco e toca o mesmo !!!

Corruptos 6 - 5 Benfica



A farsa continua... Os Corruptos entre penalty's e livres directos marcaram 4 golos (sendo que ainda beneficiaram de um auto-golo!!!), o Benfica marcou somente 1 de livre directo (ambas as equipas falharam 2 LD/Penalty)... Sempre que o Benfica ficava na frente do marcador, logo de seguida aparecia o apito 'salvador'!!! Para cumulo o asqueroso treinador Corrupto, no final da partida, ainda se queixou do 'sistema'!!!

Hoje, terá sido um dos melhores jogos do Benfica no antro da Corrupção, dos últimos anos, ao contrário de anos anteriores os jogadores não perderam a cabeça, mantiverem-se concentrados, apesar das decisões 'frutadas'... Agora gostava de ouvir era declarações indignadas de jogadores, treinadores, dirigentes e jornaleiros, tal como ouvi-mos após a eliminação de Portugal no Mundial depois do jogo com a Argentina, agora está tudo caladinho!!!

A partir de agora só temos que ganhar todos os jogos, e esperar por uma improvável escorregadela dos Corruptos, entretanto vamos ter os jogos Europeus em casa, onde temos tudo para garantir a qualificação para a Final 8 da Champions.

Não defendo o fim da secção, mas sempre defendi que o Benfica deveria fazer tudo ao seu alcance para jogar o Campeonato Espanhol... as últimas indicações apontam para uma aposta cada vez mais forte na secção, mas muito sinceramente ou os Corruptos 'implodem'... ou nunca mais seremos Campeões. É impossível. Uma verdadeira farsa competitiva...

Abrolha

"O jogo que o Benfica venceu no Estádio Marcolino de Castro, distanciando-se da Liga, fez-me lembrar uma série de crónicas de Raul Solnado nas quais tive a feliz oportunidade de colaborar. O paralelo entre o jogo da Feira e as crónicas da Abrolha - a terreola imaginária desses sketches do Solnado - é que nestas também havia uma espécie de estádio. E em dado episódio, a Junta de Freguesia, propunha-se mesmo levar para a aldeia a final da Taça. O filho do presidente da Junta mexia os cordelinhos em intermináveis conversas telefónicas.

«O campo do Abrolha é um bocado inclinado, mas como as equipas mudam ao intervalo também não há problema: cada uma joga 45 minutos a subir e outros 45 minutos a descer. O relvado tem alguns buracos, mas o queijo suíço também tem e ninguém se queixa. Vai da baliza encostada ao muro do cemitério, à outra que dá para o quintal da casa do meu pai, o Benevides, presidente da Junta. Ele até já deu autorização ao nosso guarda-redes para tomar balanço no quintal para marcar os pontapés de baliza.

«Bancadas? Temos um talude que dá aí para umas duas mil pessoas. E a gente até está a pensar pôr uns rolos de arame farpado para os adeptos não caírem para o campo. E mais uns 500 lugares nas varandas, para as claques se sentirem em família. Mas como a televisão vai transmitir o jogo não são precisos mais lugares. É preciso é arranjar lugar para a televisão para que se veja alguma coisa de jeito.»

O que não passava pela cabeça de ninguém, nem mesmo para uma história do Solnado, era a figura de um jogador que marcou um golo para cada lado e depois fez um penálti para desempatar. Coisas da Abrolha. Como um galo de barro a depenar um dragão."


João Paulo Almeida, in O Benfica

Ainda falta muito!

"1. Fim-de-semana sofrido mas saboroso. Primeiro, na sábado, a nossa vitória em Vila da Feira, num campo pequeno, com relva em mau estado e frente a uma equipa muito lutadora. Criámos oportunidades suficientes para não andarmos com o coração nas mãos até ao final, mas, tal como uma semana antes frente ao Gil Vicente, não gostei de ver os jogadores adversários a chegar primeiro à bola que os nossos e o Benfica a não conseguir segurar na parte final. Mas acabámos por ganhar bem, demos mais uma vez a volta ao marcador e continuamos na frente.

No domingo, a derrota do FC Porto em Barcelos fez com que tenhamos ficado com 5 pontos de vantagem. É bastante face ao equilíbrio habitualmente existente, é pouco face ao que falta do Campeonato. Muito importante é chegarmos ao desafio com o FC Porto com essa vantagem. Mas, até lá, para além de receber-mos um sempre difícil Nacional, teremos que ir a Guimarães e a Coimbra. Nada fácil... É preciso é ir ganhando jogo a jogo.

2. Na Comunicação Social, dá-se muitas vezes este exemplo: 'o cão morder a homem não é notícia; notícia é o homem morder o cão.' Está justificado o relevo dado à arbitragem do jogo de domingo passado, em Barcelos. Pode bem dizer-se que 'notícia não é o FC Porto ser beneficiado pelos árbitros; notícia é o FC Porto ser por eles prejudicado...'

3. Miguel Sousa Tavares não é um modelo de rigor. Mas tem uma virtude: não tem medo de afrontar o presidente do seu clube. Na semana passada, escreveu n'A Bola: 'Muito gostava que alguém da direcção do FC Porto viesse explicar o estranho e nebuloso contrato de compra do Danilo ao Santos, envolvendo 18 milhões de euros, seis meses de espera e a cedência, gratuita do Fucile por um ano.' Estranho e nebuloso escreveu ele.

4. Li no Record: o clube suíço Neuchatel, declarou falência. Um seu investidor russo foi processado por envolvimento em casos de corrupção e o proprietário checheno detido por gestão danosa. É por estas e por outras que não quero cá investidores estrangeiros na nossa SAD. Que outros, aflitos, andem à procura de investidores seja na Rússia, em Angola ou no Qatar o problema é deles..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

...entretanto em Luanda

O Glorioso bem representado

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ouro

Além dos grandes Campeonatos (Jogos Olímpicos, Campeonatos da Europa e do Mundo), a etapa da Taça do Mundo em Paris é a competição mais importante do ano. Assim, a vitória da Telma hoje em Paris, derrotando uma Japonesa na final em nove segundos, foi um enorme triunfo, nas vésperas dos Jogos Olímpicos, e após uma lesão bastante dolorosa, resultados destes fazem-nos acreditar num futuro Glorioso...!!! Parabéns Telma...


Vitória 'normal' com um regresso em grande do Ferreirinho...



Vitória no 'jardim' !!!

Marítimo 0 - 3 Benfica
15-25, 9-25, 21-25

Cinco pontos

"1 – Ganhámos ao Feirense, num campo difícil, num areal pejado de relva (pelo menos não pintaram, como outros, a areia de verde), com uma grande galhardia, muita abnegação e com as bancadas plenas de benfiquistas que, apesar dos preços pornográficos e do oportunismo do adversário, ajudaram a criar uma vitória no dia e no local onde outros nos tinham preparado a cama.

2 – A vitória do Benfica foi justa, merecida e limpa. Apesar disso, alguma comunicação social apressou-se em inventar factos, retorcer a realidade, manipular a informação, envenenar a opinião pública… em suma, mentiram, tentaram agradar à irónica voz do dono e não esconderam o incómodo perante a vitória do Benfica. No que respeita à mentira, a TVI e a SICN têm muitas desculpas a pedir.

3 – As declarações de Jorge Jesus no pós-jogo foram de grande dignidade. Respondeu à altura a todas as provocações que alguns jornalistas, maldosamente, mascararam de perguntas e demonstrou um pragmatismo que se saúda e se deseja que continue até ao final da época.

4 – Olho para um dos nossos adversários, vejo a balbúrdia que por lá reina e pergunto-me o que diria a comunicação social se estivéssemos na situação em que eles estão: adeptos e futebolistas envolvidos à pancada após mais uma derrota, atletas de modalidades ditas amadoras a protestarem pelo facto de terem ordenados em atraso, presidentes de clubes estrangeiros a acusarem, sem ser com ironia, um presidente de querer pagar dívidas com “dinheiro da treta”… Tudo isto é branqueado e silenciado.

5 – O Benfica lidera o campeonato com cinco pontos de avanço para o segundo classificado. Nos próximos quatro jogos do campeonato pode estar o destino do mesmo. Dependemos de nós e da nossa capacidade de saber ultrapassar dentro do campo todas as armadilhas que nos preparam fora dele."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

17 horas

"Não dou para o peditório das arbitragens. Ouvir o Porto a queixar-se de quem é levado ao colo é como ouvir o Presidente da República a lamentar-se das suas reformas. Haja, pelo menos, algum decoro. Quero, por isso, falar-vos de um outro acontecimento desta semana. Daqueles que dá menos manchetes mas faz muito mais pelo futebol.

Ao intervalo do jogo do Sporting com o Beira-Mar olhei para o espaço onde costuma estar a Torcida Verde. Sendo civilizada, mostra como o apoio organizado pode estar a léguas da violência. Costumam dar voz, através dos seus cartazes no estádio, a reivindicações dos sócios. No último domingo fizeram um merecido elogio à direção. Era qualquer coisa como isto: “17h, finalmente um horário decente”.

Já defendi aqui que uma alteração simples pode fazer toda a diferença. Jogos à tarde trarão mais gente aos estádios. Mais importante: trarão gente diferente. Famílias, mulheres, crianças. Numa noite de domingo só aparecem os indefetíveis. O que muitos têm defendido ficou provado no último jogo. Num péssimo momento do Sporting e num jogo que não era o mais importante, estavam mais de 38 mil pessoas em Alvalade. Muito mais mulheres e crianças. Terão ajudado os bilhetes gratuitos para menores de 11, uma experiência a repetir muitas vezes. O ambiente, sentia-se, era logo outro. Se os clubes querem depender menos dos operadores de televisão, ter estádios cheios, ter mais receitas de bilheteira, ganhar mais adeptos (desde cedo) e ter menos violência nas bancadas, mudem todos os jogos de fim-de-semana para as tardes de sábado e de domingo, baixem um pouco o preço dos bilhetes e criem condições para os miúdos irem à bola com frequência. A experiência está feita. Resulta."


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mesquinhez

"Não quero ir tão longe como Ramalho Ortigão num escrito do século XIX. 'A opinião pública é a coisa pública mais estúpida que em Portugal existe'. Não quero ir tão longe como o meu amigo Manuel José, antigo jogador e treinador do nosso Benfica. 'Em Portugal, há dezenas de inteligências e milhões de cotovelos'. Não quero ir tão longe, mas ando lá perto. E não posso mesmo é deixar de refutar, com veemência, uma acusação ao grande Eusébio, proclamando que este contribuiu para inquinar a Verdade Desportiva e que terá ajudado a que o Benfica vencesse o Campeonato de 76/77.

Eusébio confessou, recentemente, que se recusou a marcar um livre, na defesa das cores do Beira-Mar, num embate frente ao Benfica. Foi verdade. Havia-o dito já antes do jogo. Eusébio jamais admitiria apontar um golo ao seu Benfica. Na altura, estava de férias na sua aventura americana, já na fase de veterania, quando assinou um vínculo com o Beira-Mar. Era sobretudo um contrato de marketing como na actualidade sói dizer-se. Pago jogo a jogo, nem sequer treinava em Aveiro, onde só se deslocava aos fins-de-semana para actuar.

Ainda assim, o treinador, Manuel Oliveira quis inclui-lo no onze inicial.

Saibam aqueles que querem denegrir a imagem do nosso Eusébio que esse Beira-Mar - Benfica até terminou empatado (2-2) e que o nosso Clube arrebatou o título com nove pontos de avanço (na actualidade seriam quinze) numa demonstração categórica de superioridade.

Eusébio mais não fez do que exibir uma manifestação de amor ao Benfica. Será muito custoso admiti-lo? Ao que parece sim, para um punhado de idiotas, ressabiados, que procuram de forma malévola aproveitar a sinceridade de Eusébio. Só que esses, ao invés de Eusébio, só sabem marcar golos na baliza da imbecilidade."



João Malheiro, in O Benfica


Em anexo, para ilustrar a parvoíce, deixo aqui a compilação dos arquivos dos jornais da época feita pelo insubstituível Alberto Miguéns, para o Em Defesa do Benfica:












Muito mau...

Sampaense 90 - 84 Benfica

23-22, 25-20, 17-19, 25-23



Este resultado altera pouco 'coisa', com a derrota nos Açores já estávamos obrigados a ganhar no antro da Corrupção para manter o primeiro lugar na fase regular, e com mais esta derrota o cenário não se alterou...!!! O problema é que a equipa está a jogar cada vez pior, principalmente a defender... Continuamos a jogar com muitas ausências, mas só isso não pode ser usado como desculpa: não se pode sofrer 90 pontos de uma equipa como a Sampaense!!! Hoje, depois de estar sempre em desvantagem, no último período ainda conseguimos passar para a frente, para depois, rapidamente, por culpa própria, com várias perdas de bola infantis, 'oferecer' a vitória ao adversário...!!!

PS: Acompanhei os comentários que foram feitos em directo no Fórum Ser Benfiquista, estou triste com esta derrota, mas estou muito mais triste com a qualidade de alguns Benfiquistas nojentos que não merecem ser do Benfica... não é novidade, na única vez que comentei nesse Fórum fui expulso (por ter chamado os nomes pelos bois!!!), hoje contive-me, mas isso não apaga a tristeza...!!!

Momentos...

O nosso Eusébio

"Eusébio fez 70 anos e houve festa, dentro e fora do Universo Benfiquista, porque o aniversariante tem, e continuará a ter, uma invulgar capacidade de gerar consensos, num País onde eles são cada vez mais raros.

Na verdade, Eusébio está acima das querelas que envenenam, das polémicas, dos confrontos clubísticos e das picardias de circunstância. E porquê? Porque conquistou em vida o estatuto de mito, não só por ter sido um jogador genial, mas também por ter imposto, enquanto jogador, uma qualidade humana a que nunca deixou de estar associado o espírito de sacrifício, o brio profissional e o respeito pelo outro. Num País onde dia a dia se multiplicam os factores de tensão e atrito, é importante que existam personalidades e áreas de convergência e consenso que nos podem unir e mobilizar. Eusébio inscreve-se há muito nesse patamar que é uma espécie de panteão no qual muito poucos têm lugar cativo.

De Eusébio não há quem diga mal, porque ele está acima das 'doenças' colectivas de inveja e da maledicência que tanto nos fragilizam. Numa época em que todos procuram culpados para quase tudo e julgam os outros por tudo e mais alguma coisa, deixando apenas de fora a sua própria consciência, é gratificante saber que há figuras que juntam o respeito, a admiração e o afecto.

Dito isto, acrescente-se que não estamos a falar de beatificações ou de entronizações. Estamos, sim, a falar da unanimidade de que resulta da excelência de uma carreira em que várias gerações se reviram e em que algumas outras, em tempo de excesso de fama e fortuna com volúpia mediática, também gostariam de se rever.

As lágrimas de Eusébio em Wembley, em 1966, foram as nossas lágrimas. Quando chorou após a derrota na final do Euro 2004 também fomos nós que chorámos, porque ele representa a pureza e a constância de uma emoção que todos sabem ser genuína e constante. Por isso foi bonita a festa dos 70 anos de Eusébio, como se um povo angustiado e triste lhe dissesse: 'Vê, consegues marcar o golo que falta neste jogo decisivo contra a adversidade e a incerteza'."


José Jorge Letria, in O Benfica

Não há razões para euforias

"O Benfica tem cinco pontos de vantagem, o que reflecte aquilo que foi até ao momento a melhor equipa nacional. Este fim-de-semana ganhou onde o FC Porto havia empatado e viu o seu adversário perder onde até agora o Benfica tinha feito o seu pior resultado.

O FC Porto fez pior que o pior Benfica havia feito desde o início do campeonato. Vítor Pereira queixava-se do árbitro enquanto milhões de portistas se queixavam dele.

É bom ter cinco pontos de avanço se a mentalidade for a mesma, caso contrário esta vantagem que demorou 17 jornadas a conseguir pode perder-se em duas. Há razões para confiar (na equipa) mas é bom desconfiar do adversário, que estará mais forte e com vontade de ficar mais perto...

O FC Porto queria o Ganso do Brasil, mas acabou a ficar com o Galo de Barcelos, o que foi duplamente bom para o Benfica. Não terá sido tão positivo para a concorrência o regresso de Lucho Gonzales, um jogador muito bom, que fará um FC Porto seguramente mais forte. Foi, no entanto positivo, que tivesse vindo Janko em vez de Diego Forlán.

O Sporting ganhou um jogo, o que não deixa de ser também uma novidade. SC Braga, pé ante pé, está mais perto do FC Porto, que o FC Porto do Benfica. Em suma só um Benfica de topo nos põe a cobro das vicissitudes e capacidades da concorrência.

Domingo jogamos contra o Marítimo, única equipa que nos colocou fora de uma competição este ano, e que pode, caso vença, tirar-nos outra. Não podemos dizer que não estamos avisados, domingo queremos carimbar passagem às meias-finais da Taça da Liga. Grandes equipas são apenas as que conquistam muitos títulos.

Há pois razões para os adeptos do Benfica estarem satisfeitos, para estarem orgulhosos e até confiantes, mas não vejo espaço para fanfarronices nem para euforias."


Sílvio Cervan, in A Bola

Uma lição

"A derrota do FC Porto em Barcelos constituiu uma lição para muita gente. Depois das dificuldades do Benfica para vencer o Gil Vicente na Luz, alguns portistas diziam arrogantemente que o Gil tinha dado “um banho de bola” ao Benfica.

Simultaneamente, os comentadores afetos ao Porto diziam que o seu clube tinha feito contra o Guimarães um dos melhores jogos da época, querendo convencer-se a si próprios de que, sem Hulk, o FC Porto ainda podia ser mais forte.

Ora, viu-se.

E isto devia servir de lição a todos os adeptos do futebol, aconselhando-os a ser mais comedidos. De que vale estar, num domingo, a atirar pedras aos adeptos do rival para, no domingo seguinte, as pedras estarem a cair-nos em cima?

Um adepto do Sporting dizia-me no princípio de dezembro que Jesus não chegaria ao Natal, pois perderia com o Manchester United, perderia a seguir com o Sporting, e ficaria com a época estragada. Ora, se cheirava a heresia dizer que Jesus não chegava ao Natal, o que se passou foi o contrário e quem veio a ficar na berlinda foi o treinador do Sporting.

O Benfica está hoje no topo. Mas os benfiquistas também não deverão cantar de galo (ou de águia).

Até porque 5 pontos podem ser imenso ou muito pouco. Se o Benfica derrotar o Porto na Luz, os 5 transformam-se em 8 e equivalem a 9 (porque em caso de desempate o Benfica ganhará). Mas se o FC Porto vencer na Luz, os 5 serão apenas 2 – e valem por 1.

O jogo de Barcelos foi uma lição para todos: não humilhes hoje o teu adversário, porque essa humilhação voltar-se-á amanhã contra ti."


Sinais de fumo

"Já tinha havido sintomas de que as exigências do lugar de treinador principal do FC Porto iam muito além da couraça psicológica de Vítor Pereira. Agora, mesmo diante de uma arbitragem infeliz, o antigo adjunto de Villas-Boas começou por assumir responsabilidades para depois derrapar sem remédio, ao referir as faixas de campeão para “a outra equipa”. Não há memória de, a cinco pontos de distância e a quatro meses da meta, alguém com responsabilidades neste clube, ter assinado assim, unilateralmente, os papéis para a rendição.

Em defesa do técnico, mantenho a ideia de que os dois maiores catalizadores da época cinzenta do FC Porto – que, em boa verdade, ainda pode ser campeão e importar de novo a taça da Liga Europa, mas não se livra do justificado amuo de muitos adeptos – se deve a teimosias da “estrutura”. O que, neste universo, equivale a dizer duas iniciativas presidenciais demasiado prolongadas, sobretudo porque já se provaram sobejamente calamitosas.

Uma nasce da incapacidade de Pinto da Costa perder a face em público – agora, fica à vista que Pereira foi um remendo para tapar a cratera aberta por Villas-Boas, que deixou descalço o patronato. Como o poder nunca pede desculpa pelos enganos, é o que se vê: um apoio “incondicional” que parece contar as horas que faltam para poder fazer a limpeza ao homem que escolheu.

A segunda provém da falta de força do treinador, que não conseguiu impor a contratação de um ponta-de-lança com as caraterísticas do muito recordado Falcão, deixando a tarefa nos pés de um Kleber sem estatuto, de um Walter sem velocidade e de um Hulk sem o dom da omnipresença. Sem referência de área e sem um matador, o FC Porto somou outros problemas: se foi capaz de integrar Defour e Mangalla, cuja remoção para o banco é incompreensível no ano negro de Rolando, não conseguiu potenciar Iturbe nem Alex Sandro. E Danilo, a menos que haja emenda rápida, vai pelo mesmo caminho. Guarín perdeu-se cedo na época e Belluschi foi queimado antes deste despacho pouco honroso para Génova. Moutinho está longe dos expoentes da última época. Fucile e Sapunaru ainda não devem perceber o que lhes aconteceu.

Tal como na “crise Villas-Boas”, quem manda no FC Porto foi rápido a responder à “crise Gil Vicente”. Resta saber se a cortina de fumo vai além disso mesmo. Lucho? É um grande jogador, cujo regresso ao futebol português se aplaude, é um Comandante. É capaz de desenovelar esta equipa? A ver vamos. Janko? Salvo melhor opinião, nunca vi nenhum ponta-de-lança deste tipo deixar boas lembranças no FC Porto. Pode dar certo. Mas não me espantava se os sinais de fumo resvalassem para um fogo em casa – acontece muito, com a pressa de provar que tudo vai bem."


Sporting falido

"O Sporting andou 13 anos a construir uma mentira e a esconder uma verdade. A mentira foi a imagem de um clube com tanta ambição nas palavras como falta de resultados desportivos face às expectativas. A verdade foi a perdição nas suas contas, que o condenam a um lento estertor ao longo dos últimos anos.

Isto tem sido dito e escrito, aqui e noutros lados, há muito tempo. Há anos que o Camilo Lourenço diz isso do Sporting, e de outros clubes, o que lhe foi valendo reprimendas mais ou menos públicas. Não deixa, pois, de ser surpreendente que a auditoria que hoje vai ser apresentada pela direção do clube esteja a produzir tanto frémito. Só não sabia que o Sporting estava falido quem nunca quis saber. E as últimas eleições prolongaram o logro, com as promessas costumeiras de sacos de dinheiro que depois nunca ninguém vê.

Se o Sporting vendesse tudo o que tem (o ativo) para pagar tudo o que deve (o passivo), ainda ficariam por pagar 183 milhões de euros. É isso que quer dizer falência técnica, ou ter capitais negativos. Em linguagem coloquial diz-se “buraco”. E esse buraco foi crescendo em cima de dívida bancária, sobretudo do BCP e do BES, que sustentou alegremente a inviabilidade crónica de um clube que tem cabeça de leão mas pés de gato.

A tudo isto chama-se má gestão. Se fosse uma empresa, não haveria apelo nem agravo: fechava, era liquidado e os credores tomavam conta dos ativos. Mas no futebol a massa associativa vale mais que a massa falida, o que aponta para novas necessidades. O Sporting não pode ter resgates do Estado, precisa, sim, que os bancos perdoem parte da dívida, que acionistas (angolanos?) aumentem capital e que a gestão desenhe um modelo em que receitas sejam pelo menos iguais a custos. Ou arruma as contas ou arruma as botas."


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Querem ver que os árbitros já não são heróis?

"Quanto menos Vítor Pereira falasse menos hipóteses haveria de responder a perguntas como: 'não acha que com o que a equipa produziu nem com o Carlos Calheiros a apitar?'

«Estes indivíduos não percebem nada. Não têm noção do ridículo em que caem. Estão a dar cabo do futebol e a criar um sistema insustentável para os árbitros que têm sido uns heróis»
Pinto da Costa, 24 de Agosto de 2011

SE o futebol se decide com golos então é caso para se dizer que em Santa Maria da Feira houve Varelas e mais e em Barcelos houve Varelas a menos.
Este é um modo objectivo de resumir em poucas palavras o que foi a última jornada do campeonato para o Benfica e para o FC Porto no momento em que o zodíaco chinês festejou a chegada do Ano do Dragão.
O zodíaco chinês deve estar avariado porque o Dragão não só perdeu o jogo como reclama ter sido gamado em duas grandes penalidades pelo árbitro Bruno Paixão que, de certeza absoluta, também devia estar um bocado para o avariado.
O treinador do FC Porto queixou-se da «vergonhosa» arbitragem. Compreende-se. Vítor Pereira, por razões óbvias, não ia desatar a queixar-se do treinador porque é ele o treinador e ficava-lhe esquisito.
Foram breves as palavras de Vítor Pereira. Foi uma boa opção. Quanto menos falasse depois do jogo menos hipóteses haveria de ter de responder a perguntas atrevidas, como então, mister, agora o Helton já não é o capitão e passa a ser Rolando, mas porquê? Ou mesmo a perguntas muito atrevidas como mister, não acha que perante aquilo que a sua equipa produziu nem o Carlos Calheiros a apitar a vitória seria certa?
Mas Vítor Pereira nem deu hipótese. Disse mal do árbitro mas não disse mal de si próprio. Assim, acabou Vítor Pereira a destoar, por razões compreensíveis, da esmagadora maioria dos adeptos portistas que se queixam tanto do árbitro como do treinador.
Uma pessoa também se sente estranha ao ouvir o FC Porto a queixar-se dos árbitros. Não é costume. Raramente há razões para tal, o que tem permitido ao presidente do clube uma abordagem exclusivamente de índole desportiva aos problemas que atormentam o sector.
Os árbitros são uns heróis e ridículos são aqueles que se queixam dos árbitros, não é verdade?
É verdade que sim. Daí o silêncio de Pinto da Costa. O presidente sabe de árbitros mas também sabe de futebol. E por isso sabe fazer contas: mesmo que Bruno Paixão tivesse assinalado os dois castigos máximos e mesmo que Kléber os convertesse a preceito, mesmo assim não dava para ganhar o jogo em Barcelos.
Ficava a coisa num 3-3 sem graça nenhuma.

BEM vistas as coisas até parece que a vitória do Benfica na casa do Feirense não estava incluída no programa das festas. Mas de nada valeu o sacrifício económico dos altruístas responsáveis do Feirense nem de nada valeu o consentimento da Liga para que o jogo se realizasse num tapete honesto mas impróprio.
O Benfica ganhou por 2-1, trabalhou, melhor dito, lavrou no campo todo, criou inúmeras oportunidades e só um guarda-redes muito inspirado como esteve Paulo Lopes na noite de sábado impediu que só Rodrigo à sua conta marcasse por duas vezes.
É uma pena que os árbitros não falem depois dos jogos. O árbitro Rui Costa, que esteve na Feira, poderia assim explicar se invalidou um golo ao Gil Vicente por um fora-de-jogo que não existiu ou se por ter visto o pé em riste de Ludovic sobre Luisão no início do lance.
Na verdade, nem fez grande diferença. Ficava a coisa num 2-2 a ser desempatado por aqueles dois penalties que os benfiquistas juram que o Gil Vicente cometeu.

O Benfica saiu da última jornada com 5 pontos de avanço sobre o 2.º classificado o que é animador mas está longe de significar mais do que isso: uma agradável animação e mais nada.
Ver os rivais tropeçar é sempre motivo de contentamento para os adeptos de qualquer clube, em Portugal e na Cochinchina, mas esta derrota do FC Porto foi muito saborosa para os benfiquistas que veem assim posto em paz o velho recorde de John Mortimore: 56 jogos invictos para o campeonato.
O FC Porto teve o grande mérito de perseguir essa marca, chegou ao jogo 55 mas sucumbiu ao jogo 56, que era o tal do gostinho especial. Muito mais do que os tais 5 pontos de avanço, que neste momento não valem nada, continua gloriosamente a valer o recorde do Benfica de Mortimore.
Agora, quem quiser lá chegar, vai ter de começar pelo princípio.
Diz que dá uma grande trabalheira.

FOI um excelente fim-de-semana para dois antigos jogadores do Benfica que deixaram um mais do que respeitável bom nome na Luz. Em Sevilha, contra o Bétis, Carlos Martins assistiu para o primeiro golo da sua equipa e fez o segundo golo, o da vitória por 2-1, vitória importantíssima porque o Granada luta para não descer.
No Funchal, contra o Marítimo, Nuno Gomes fez exactamente a mesma coisa com a camisola do Sporting de Braga. Assistiu primeiro e marcou depois, estabelecendo o resultado em 2-1 favorável à sua nova equipa. Tratou-se de uma vitória importante na luta do Sporting de Braga pelo acesso à Liga dos Campeões.
Os sucessos de Carlos Martins e Nuno Gomes só podem provocar alegria entre os benfiquistas. É gratidão.

JOSÉ MOURINHO garante que não têm grande significado para ele os 7 pontos que leva de avanço do Barcelona e faz bem em dizê-lo para desdramatizar a vantagem em seu favor e manter os seus jogadores atentos e focados na competição.
No entanto, porventura ou desventura, o Real Madrid não ganhar esta Liga a reputação portuguesa na capital espanhola vai ficar pelas ruas da amargura e torna-se difícil até imaginar qualquer pacato turista nacional a passear-se pela Gran Vía sem ser instado a regressar rapidamente a casa porque de portugueses não querem os madrilenos-madrilistas nunca mais ouvir falar.
Só por uma vez na história, teve o Real Madrid 7 pontos de avanço e acabou por perder o título. Aconteceu na época de 2003/2004, era o português Carlos Queiroz treinador dos merengues, coadjuvado por José Peseiro. O Real acabou por perder essa vantagem, aparentemente enorme, e foi o Valência de Rafa Benitez o campeão espanhol com 7 pontos de avanço sobre a equipa de Madrid.
Conclusão 1: muito deve Rafa Benitez a Carlos Queiroz a sua posterior carreira internacional.
Conclusão 2: muito deve Mourinho à nação portuguesa o favor de se sagrar campeão de Espanha este ano.
E longe vá o agouro de tal coisa não acontecer.

FECHOU o mercado. De agora até aos Santos Populares não se fala mais de contratações. Mas dificilmente não se falará de outra coisa até lá do que da contratação de Yannick Djaló pelo Benfica, dê para onde der.
Uma amigo, benfiquista, reagiu assim quando soube da contratação de Djaló:
-Mas para quê, para quê chatear os nossos amigos lagartos se já tínhamos o Bojinov?...
Outro reagiu assim:
-O Jesus vai fazer dele o melhor lateral-esquerdo da Europa!
Pela minha parte, reagi assim:
-O Benfica é muito mais do que um clube, é uma obra social.
E depois se verá se o Yannick Djaló é uma mais-valia ou uma mais-não-valia.
A verdade é que o Benfica é uma obra social na qual se insere também, em lugar de grande destaque, a cedência de Rúben Amorim ao rival Sporting de Braga. Com o nosso Rúben Amorim na Pedreira é certo e sabido que nunca mais teremos de jogar às escuras."

Leonor Pinhão, in A Bola

Capas e audiências

"Em 2011, houve 130 capas de jornais desportivos pré-anunciando jogadores para o Benfica, que nunca lá ingressaram. Ao todo, 47 putativos jogadores. Mais de quatro equipas completas. É obra!

O Benfica é, pela sua força, o abono de família das notícias desportivas. Mesmo dos media mais conotados com os seus adversários. Primeira página sem Benfica e notícia da rádio ou TV sem Benfica são como comida sem sal. O Benfica noticiado é o aperitivo, o prato principal e a sobremesa. Que o digam o registo das audiências e a contabilidade das vendas.

Assim, não admira que tudo se misture no frenesim do pretenso efeito das notícias e da sofreguidão da sua leitura. Ou desde a imaginação fértil à manobra de um qualquer agente que depois de assegurar a internacionalização de um vulgar jogador lhe quer subir artificialmente a cotação, via pretenso interesse do SLB.

Quanto aos direitos televisivos, parece que os valores a receber pelo Porto e Sporting estão indexados ao que o Benfica receberá. Bela boleia... que fala por si. Ou seja, a negociação do monopolista com o SLB implica (1+2) contratos novos com custos acrescidos. Assim se prejudica o Benfica neste estranho ajuste a três dimensões.

PS - Fechado o mercado de inverno, desta vez (e bem) não foi o Benfica o principal animador dos sortidos de transferências. Apesar disso e compreendendo as dificuldades, fico preocupado com as alternativas para defesas-laterais. Agora sem Amorim (!), fica o turista Capdevila e os jovens André Almeida e Luís Martins, talvez jogadores de futuro, mas ainda longe de que, agora, é necessário. Muito arriscado..."


Bagão Félix, in A Bola

Coitadinho do João

"«(João Pereira) parece alvo de campanha completamente persecutória. Tenho a sensação nítida de que sofreu mais faltas do que as que cometeu»

Carlos Freitas, Director-Geral do Sporting


Treino da Selecção Nacional, preparação para o Euro-2004, no Jamor: Scolari quer fazer um treino de conjunto mas não há convocados suficientes; por isso, chama juniores do Benfica (como mais tarde faria com seniores do Belenenses, por exemplo) para completar o onze para onze.

Entre esses juniores que surgem no Jamor está um lateral-direito pequeno, em altura e em largura, chamado João Pereira. Sim, aquilo de ter começado a jogar na equipa principal do Benfica como médio, à frente de Miguel, foi um acidente, fez a formação como lateral, nunca foi uma adaptação à defesa como quiseram fazer crer.

Nesse onze para onze, a extremo-esquerdo da equipa que Scolari testa está Luís Figo, que na altura já tinha consagrado como melhor jogador do mundo. Num lance do treino o jogador do Real Madrid faz falta sobre o lateral dos juniores do Benfica, que se levanta de repente e cresce para o adversário, questionando-o na cara. João Pereira tinha, na altura 17 ou 18 anos.

Dizer-se que João Pereira é perseguido pelos árbitros é não querer ver a realidade; não deve haver jogador que tanto refile como ele; apresentar como argumento o facto de sofrer mais faltas do que as que faz é querer enganar as pessoas; não é pelas faltas que faz mas pelo que diz aos árbitros depois de as fazer (e foi isso que aconteceu frente ao Beira-Mar) que está sempre a ver cartões.

Atenção, isto não é uma crítica a João Pereira. Refilar está-lhe no sangue, desde pequenino. E até pode ser bom para a equipa, quando ele está amorfa, embora possa ter um efeito perverso se ela já estiver enervada.

Coitadinho do João é que não!..."


Hugo Vasconcelos, in A Bola

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A outra equipa

"«Se quiserem levar a outra equipa ao colo...», afirmou peremptoriamente o técnico do Porto, após o galo cantar três vezes em Barcelos.

A outra equipa? Primeiro pensei no Gil Vicente. De facto, era a outra equipa, só não entendi o colo. A seguir lembrei-me do cipriota Apoel. Mas logo achei quão impossível é ganharem a Champions, mesmo que num colo de ouro. Depois surgiu-me na mente a Académica, que está a um passo de chegar ao Jamor, ao colo da Oliveirense.

Mas não. A outra equipa tem um nome que escalda a língua do até aqui envernizado Vítor Pereira: Sport Lisboa e Benfica. Um fulminante ataque de amnésia que, por paixão ou galo, o impediu de se lembrar de tão ignoto adversário. É assim a memória: selectiva, abrasiva e reprimida.

Já quanto à costumeira expressão «levar ao colo», o treinador ficou-se pela vulgaridade contumaz. Prejudicado pelo árbitro no jogo de domingo (o que, só por si, não justifica o desaire), recai nas amnésias. Por exemplo, esquece o conveniente penalti na 1º jornada em Guimarães, obra de Benquerença, assim como, em casa e contra o incómodo Gil Vicente, olvida um penalti inventado por um tal Rui Silva e um vermelho directo transformado num pálido amarelo para Otamendi aos 5 minutos.

Por fim, percebo a frustração de o Porto não ter igualado o recorde (da «outra equipa») de jogos consecutivos sem perder. Tal e qual como no ano passado e depois de notável liga sem derrotas, ter também ficado aquém do recorde de 38 vitórias e dois empates da mesma «outra equipa», então por força de um intruso Paços de Ferreira.

Sempre a obsessão com a tal «outra equipa»..."


Bagão Félix, in A Bola

Novo começo !!!

A encomenda

"A temporada do FC Porto é um desastre. Até ao Ano Novo, quando alguém ousava questionar a cronologia decadente da equipa supercampeã, comparando implicitamente e muito ao de leve com o ano anterior, logo surgiam as vozes oficiais recordando, factualmente, que continuava nas diversas frentes, que estava à frente do campeonato, que não tinha perdido, etc.

Mas por essa altura a Liga dos Campeões já se tinha ido perante adversários menores, a Taça de Portugal idem após 25 eliminatórias consecutivas e a liderança da Liga era uma mera formalidade, pois o cotejo semanal com o Benfica há muito pendia para os encarnados. Com regularidade assustadora, os resultados iam desfazendo o mito, num cenário de desorientação e amolecimento da temida “máquina” portista.

A gestão de um plantel campeão e cheio de ambição exigia uma liderança muito competente, muito personalizada, muito decidida. A ganância dos jogadores e seus agentes, o ego das vedetas, a vertigem dos grandes negócios e, consequentemente, o eterno confronto entre o comodismo e a alta competição impunham um casting mais elaborado da sucessão de Villas-Boas.

E a precipitada aposta em Vítor Pereira, selada com uma cláusula de rescisão magnânima, contrastava logo à partida com aqueles objetivos. Não pela comparação, impossível de realizar de forma honesta, mas pela falta de garantia de rendimento num quadro de competição previsivelmente mais apertado. O FC Porto de 2012 justificava um senador, mas foi entregue a um iniciado – o cenário propício a que tivesse de correr mal o que podia correr mal.

Para a materialização da lei de Murphy na pauta dos resultados, as hesitações, deambulações e cambalhotas do treinador foram em gravidade e quantidade suficientes para provocar uma enorme ebulição em qualquer clube com uma vida associativa pouco menos do que vegetal.

Fucile, Sapunaru, Guarín, Fernando, Cristian Rodríguez e Belluschi em instabilidade permanente. Iturbe desamparado. Defour, Mangala, Alex Sandro e Danilo difíceis de pagar e de integrar. Kléber e Walter imolados no altar de Falcão. Hulk sacrificado e em depreciação galopante. Um naufrágio em larga escala, com um comandante à deriva, agarrado aos quatro ou cinco sobreviventes que ainda vão mantendo a barca à tona, incluindo Helton, o capitão despromovido na noite da desgraça.

A época está a ser um desastre, mas o FC Porto como o conhecemos nunca renunciaria a cinco meses do fim. A aposta firme da SAD neste treinador, contra todos os prognósticos, não merecia, por isso, uma declaração de desistência como a proferida em Barcelos, ao admitir implicitamente que o outro clube estaria a ser conduzido ao título e, a 13 jornadas do fim, podia até encomendar as respetivas faixas.

De todos os erros, este foi o maior, só comparável à desistência de Quinito em 1987. Porque acusar o abalo de duas derrotas copiosas sob supervisão de Bruno Paixão em pouco mais de dois meses diminui a “organização portista” para um nível de incompetência que a desvaloriza e descaracteriza: resumiu Vítor Pereira ingenuamente que, afinal, não só não há dinheiro, como nada está tratado."


Obrigado, Eusébio

"Esta foi a semana do Eusébio. Só podia ser a semana do Eusébio. O aniversário do Eusébio, para mais o seu septuagésimo, só podia ser o destaque da semana, só podia colorir a semana informativa. O aniversário do Eusébio, para mais depois de duas hospitalizações consecutivas, só podia ser o relevo da semana, só podia colorir a semana emocional!

Quis participar na semana do Eusébio. Participo em todas as semanas do Eusébio, mas esta foi ma semana especial. Escrevo muito sobre o Eusébio, escrevo sempre sobre o Eusébio, mas esta semana com mais diletantismo, mais militância, mais prazer.

'O menino Eusébio, há meio século, chegou a Lisboa. Pouco mais que bebé, já injectado de benfiquismo pelo popular Zé das Barbas do Ponte da Barca, havia um João, que não sabia ainda que era Malheiro, mas logo ficou fascinado pelo seu novo ídolo. A aptitude emocional prosseguiu, até recrudesceu. Eusébio deleitava tudo e todos. Era hipnose, era rajada, era batuta, era sedução. Era o que os outros não eram, o que os outros não conseguiam ser. Era um deus da bola.

Anos volvidos, para aí duas décadas, a cumplicidade entre nós começou, também recrudesceu. Tantas e tantas horas de convívio, tantas e tantas horas de confidências, tantas e tantas partilhas. Mais emoções, algumas fúrias, sempre sintonias. Agora, Eusébio tem setenta anos. Ele diviniza a palavra saudade, ele é lenda, ele é mito. Agora, Eusébio tem setenta anos? É porque está ainda mais próximo da imortalidade."


João Malheiro, in O Benfica

O nosso Rei

"Cumpriu-se esta quarta-feira mais um aniversário do nascimento do melhor jogador português de todos os tempos.

Eusébio da Silva Ferreira marcou o Futebol nacional, marcou o futebol europeu, e ficou na história como a referência máxima do Benfica e do Benfiquismo.

Não é fácil descrever, em palavras, aquilo que Eusébio representou, e representa, para o nosso Clube. A sua influência histórica só é comparável à de Pelé, no Santos ou à de Di Stefano, no Real Madrid. E mesmo para quem, como eu, já não tenha chegado a tempo de o ver jogar, a estatística, por si só, é arrebatadora.

Quando ele aterrou em Lisboa, o Benfica tinha dez títulos nacionais no seu palmarés, enquanto o Sporting contava outros dez, o FC Porto cinco, e o Belenenses um. Quando partiu para uma reforma americana, deixou-nos com vinte títulos, tantos quantos todos os restantes clubes juntos. Isto sem falar nas quatro finais da Taça dos Campeões Europeus que disputou (uma delas ganha ao Real Madrid, com dois golos seus), ou nas Botas de Ouro e Bolas de Ouro com que prestigiou o Clube e o Futebol português.

Também na Selecção Nacional Eusébio foi Rei. A melhor classificação portuguesa de sempre num Campeonato do Mundo deve-se, em larguíssima medida, ao Pantera Negra. Uma cintilante presença no Inglaterra-66 catapultou o seu nome para a dimensão universal que mantém intacta até hoje. Até à eternidade.

Além de excepcional Ser Humano. Congregou simpatias no Mundo inteiro, e não há adversário que não fale respeitosamente do seu desportivismo, e de uma diplomacia que nunca tolheu a ambição de vencer que manifestava em campo. Foi essa humildade que tornou ainda maior do que o seu já enorme talento.

Uma saúde debilitada não tem deixado em paz nestes últimos tempos, preocupando todos aqueles que o estimam e admiram. Mas Eusébio está aí, e o seu exemplo continua a inspirar a nossa equipa. Lá para Maio, esperamos vê-lo a festejar mais um título nacional ao nosso lado."


Luís Fialho, in O Benfica

A corrupção global

"As pessoas de boa-fé, honestas, pensam que o futebol é limpo e que os vários casos de corrupção que aqui e ali se vão conhecendo não passam de excepções à regra. Reduzem tudo à dimensão do Apito dourado português, em que meia dúzia de árbitros e dirigentes foram apanhados em escutas, e que, além disso, foi um episódio circunscrito no espaço e no tempo. Piedosa ilusão. A demolir essa quimera é o australiano Chris Eaton, alto responsável da Interpol que, em Zurique, coordena a task force da FIFA contra as apostas clandestinas e a corrupção. Diz ele: «Não julguem que os jogos viciados são poucos e que não há motivo para alarme. Pelo contrário. Há organizações transcontimentais que investem milhares de milhões a longo prazo para desenvolver este negócio. Há programas para ensinar jogadores e árbitros a falsear resultados. É precisa a ajuda das Polícias e dos Governos, à semelhança do que se fez contra o terrorismo depois do 11 de Setembro. Basta dizer que as apostas efectuadas em jogos manipulados já atingem por ano a incrível verba de 15 mil milhões euros! Na Coreia do Sul houve jogadores que se suicidaram depois de terem sido descobertos e outros que foram mortos por não se terem vendido.

Como se não bastasse e como já acontece com a economia, também o futebol europeu está a ser devorado pelos asiáticos. Sheiks, emires e sultões compram clubes a eito. Do porfólio destes nabados já fazem parte Arsenal, Manchester City, Fulham, PSG, Málaga, Getafe, entre outros. Na mira estariam agora Manchester United e Vitória de Guimarães, este a preço de saldo: 15 milhões. Com este cenário como pano de fundo, onde irá parar o fair play financeiro decretado por Platini?"


Manuel Martins de Sá, in A Bola