Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entrada vitoriosa...

Benfica 101 - 85 Terceira Basket

(25-24, 26-22, 18-27, 32-12)



Jogo típico de pré-época, com muitos erros, e praticamente sem 'defesa'!!! Os lesionados Ben, Seth e Betinho ainda não foram opção. O jogo ficou marcado pela lesão do Tomas Barroso, espero que tenha sido só o susto, até porque o Barroso estava a ser um dos melhores do Benfica (sem surpresa para mim...). O único jogador do Benfica, 'desconhecido' era o Scott, e deixou boas indicações... Péssimo terceiro período do Benfica, e um quarto período com um Sérgio 'triplista', a decidir!!!


O Troféu António Pratas, é um troféu de pré-época oficial (organizado pela Federação), o ano passado até correu mal, mas o Benfica entra em todas as competições para vencer... creio que no Domingo contra o Barreirense a oposição será mais forte, isto apesar desta equipa da Terceira ter jogado muitíssimo bem (no ataque), com 4 Americanos inspirados, e o Diogo Gonçalves (ex-Benfica formação) a mostrar qualidade...


Rigoletto e Sparafucile

"Ninguém sabe se veio ou se não veio. Se é autêntico ou um produto da nossa imaginação. A verdade é que a sombra do vigilante pairou sobre o palco como uma maldição de tempos coevos. Eram olhos sobre olhos. Um olhar a tomar conta de todos os olhares. Neves Moreira tremeu como se, de repente, se esquecesse da sua fala. Não deixou, por esse motivo, de ser incompetente. Mas tremeu. Habituando a que sejam permitidas todas as malfeitorias ordenadas pelo Madaleno, sentiu sobre si, e sobre os seus actos, uma atenção inusitada. Inusitada porque isenta. Repito: tenha ela sido um facto ou não. E as pedras e os calhaus??? Ficaram nos bolsos. E as bolas de golfe??? Ficaram guardadas nas lancheiras à mistura com côdeas ressessas e tripas enfarinhadas frias.

Houve quem, por isso, tivesse perdido a viagem. Outros, mais afoitos, debandaram na busca ansiosa de um viaduto sem guarda, cosidos com as esquinas, saco de seixos ao ombro como se carregassem o cadáver de Gilda, filha de Rigoletto. Ah! Porque neste teatro do grotesco também existe um Sparafucile, assassino desta vez assassinado com um golpe nos glúteos. Tudo mentira, tudo falso, tudo ópera, tudo palhaçada! O saco de seixos é, desta vez, atirado às águas barrentas do rio: só a ponte do velho Eiffel ficou sem guarda. O Madaleno faz de Duque de Mântua. Leva jeito no seu jeito de nenhum jeito ter. Troca olhinhos com Madalena e faz-se desinteressado da peça que vai chegando aos fim. É também a ele que vigiam, se é que vigiam. Mantém-se distante, quase mudo. Tem medo! Sim, ele também tem medo. Eras começam a sumir-se no tempo que de eras vem. Sempre foi um poltrão disfarçado de artista. E remói a inveja. Não queria ter o papel de Duque. Queria ser Rigoletto - nasceu para bobo da corte."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (de Luanda...)

"Desde Luanda, onde escrevo esta crónica, ainda se fala do clássico, FC Porto-Benfica, e das queixas de jogadores e treinador sobre a arbitragem de Jorge Sousa. E a indignação das pessoas é audível em todas conversas sobre o assunto.

Como é possível um clube, que tem sido beneficiado escandalosamente com as arbitragens nos últimos 30 anos, vir reclamar de um árbitro que até é conhecido como adepto do FCP e que 'cometeu o crime' de não mandar para rua Oscar Cardozo por se ter desentendido com o fogoso Fucile num lance em que os dois de pegaram?

Já não se lembram das poucas-vergonhas que aconteceram, não apenas nas Antas, mas também em Coimbra, Faro, Portimão, Alvalade, Luz, Setúbal, Aveiro, Guimarães, Braga, Famalicão, Covilhã, etc. etc., ou seja, em todas as cidades que receberam os grandes dominadores do Sistema que durante anos e anos tem sufocado o Futebol português. José Pratas a correr à frente de Fernando Couto, João Pinto e toda a equipa 'azul e branca'. Irmãos Calheiros a harmonizar, a prolongar e a adornar vitórias portistas.

José Silvano, na maior parte das vezes com inqualificáveis decisões, tal como Rosa Santos, Fortunato Azevedo ou António Marçal. Foram tantas, tantas, tantas que até se torna indigno ouvir este pessoal falar de prejuízos de arbitragem!

Aqui, em África, os adeptos do Futebol português, têm uma ideia perfeitamente clara sobre o assunto. Sabem bem o que aconteceu durante anos e anos, e o que ainda vai acontecendo todos os anos com os actuais árbitros de elite apaparicados por quem manda na Liga e na Arbitragem. É só ver quem são, o que fazem e de onde vieram.

É só fazer contas. Não tem nada a saber.

Não têm mesmo vergonha nenhuma!!!"


João Diogo, in O Benfica

A banalidade

"Banalmente, o Benfica empatou no estádio do FCP. Um empate é um resultado banal. O jogo foi banal. E nesta banalidade reside a novidade.

O facto de o Benfica ter ido jogar contra o FCP e ter acontecido apenas a banalidade de um jogo de futebol é algo de extraordinário. Não houve agressões gratuitas, não houve violência bárbara, não houve apedrejamento do autocarro dos nossos, não houve ameaças aos profissionais do nosso clube, não se criou um clima de terror, não se assistiu a espectáculos deprimentes dados por títeres de apito na boca e ninguém se lembrou de inocentemente incendiar o ambiente com ironia dita fina.

Tudo isto deveria ser referido, louvado e dado como a primeira explicação para que o Benfica pudesse sair do estádio do adversário com a ligeira vantagem de ter empatado no terreno do principal rival na luta pelo título. No entanto, e cito as palavras de Eça de Queirós, “Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional” o que serviu de tema para discussão foi (pasme-se!) um imaginado pontapé do Cardozo no rabo do Fucile. Pontapé que não existiu e que provocou em Fucile o acto reflexo de se queixar da cabeça antes de se lembrar que talvez fosse melhor queixar-se do traseiro. Sempre dava mais verosimilhança à encenação. Depois, foi um corre-corre de especialistas em física, cinética, balística e generalidades afins para provarem como a simples deslocação do ar junto à região glútea pode provocar dores imediatas na cabeça e, como tal, o malvado Cardozo deveria ter sido expulso por nunca ter agredido o Fucile.

Afinal, a banalidade manteve-se no pós-jogo. Por cá, já é banal fazer de um não existente pontapé no rabo um assunto de interesse nacional. Por outro lado, a corrupção no desporto, de tão banal, já nem é discutida. É, como tantos outros assuntos, convenientemente esquecida e diligentemente silenciada."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Bilhete para um Outubro feliz

"A dura verdade para o Benfica é que jogou muito abaixo daquilo que sabe no Dragão. Ficar contente com o empate no Dragão seria demasiado pobre para um clube como o Benfica. O empate, pode até saber a goleada psicológica, mas apenas porque os portistas passaram o jogo todo a chorar a perda de Villas Boas, não porque o Benfica tenha deslumbrado. Mortífera aquela foto de um adepto portista a ler um livro de Villas Boas durante o jogo que veio publicada em A BOLA de sábado.

Em bom rigor apenas Jorge Jesus foi muito melhor que Vítor Pereira, em tudo o resto o jogo foi muito equilibrado. Aquela ideia de Vítor Pereira de tirar o melhor jogador em campo a 15 minutos do fim é original. Vítor Pereira ficou tão abanado com o jogo realizado contra o Benfica, que o continuou a 'preparar' nas conferências de imprensa posteriores, esqueceu-se do Zenit e levou três.

Estava a ultimar pormenores do jantar do centenário do meu velho Académico do Porto e não vi o jogo de São Petersburgo, mas diz quem viu que podia ter sido pior. Alguém lhe diga que agora só volta a jogar contra Jorge Jesus na segunda volta (para diminuir o pesadelo), e para que isso aconteça tem que conseguir ainda ser treinador do FC Porto na altura. Os portistas são exigentes, sabem de futebol, e não costumam facilitar.

O FC Porto que jogou contra o Benfica repetiu dez, dos onze jogadores que o ano passado golearam por cinco, a diferença foi mesmo Vítor Pereira, aposta pessoal do presidente portista.

Jorge Jesus sabe que a regularidade é decisiva e amanhã não poderá facilitar frente a um Paços ferido.

Da Roménia o Benfica trás três pontos, uma classificação para os oitavos da Liga dos Campeões mais próxima, mas também muito cansaço. Ganhar ao Paços é por agora o bilhete para um Outubro feliz. Jorge Jesus sabe que podemos fazer ainda melhor e vai exigir isso dos seus jogadores."


Sílvio Cervan, in A Bola

A lusofonia e o Desporto

"Em 1997, Xanana Gusmão, líder da guerrilha timorense, encarcerado na prisão de Cipinang, em Jacarta, Indonésia, desde 1992 (seria libertado em 1999), foi fotografado na companhia de outros detidos e essa imagem, que teve um significado político muito especial, deu a volta ao Mundo. É que, no momento da foto, para mostrar a ligação afectiva a Portugal, que esgrimia argumentos, na ONU, com a Indonésia, pelo direito do povo de Timor Leste à autodeterminação, Xanana decidiu usar um boné do Benfica, o clube do seu coração.

Em Maio do ano passado, Luís Filipe Vieira e Nuno Gomes estiveram em Timor Leste a convite de Xanana, estabelecendo pontes para uma ligação mais efectiva entre povos que se conhecem desde 1702. Foi uma viagem fantástica, que teve no encontro com Xanana Gusmão, em Maubisse, durante uma acção de democracia directa que o líder timorense aí levava a cabo, o ponto mais alto.

Em plena zona montanhosa, a dois passos do Monte Ramelau - durante séculos o ponto mais alto do Império português - depois de ultrapassar centenas de curvas, apenas amenizadas pelo divino cheiro a café que vinha das plantações, a comitiva encarnada ouviu, então, de Xanana, um grito do fundo da alma, «Viva o Benfica!», que comoveu Filipe Vieira mais do que tudo o que viveu do outro lado do Mundo.

Ontem, Xanana esteve em Lisboa e o encontro entre os dois homens era inevitável. Porque Xanana Gusmão é benfiquista e não só: porque o Desporto, seja qual for a modalidade ou o clube, é o mais forte elo da ligação entre os povos lusófonos, um meio privilegiadíssimo para todos nos sentirmos mais próximos, no respeito pela independência de cada um, mas também na comunhão de paixões."


José Manuel Delgado, in A Bola

O primeiro trio de ataque!

"O jogo com o Otelul Galati parece ter despertado certas consciências para um facto que repete no Benfica, desde a época passada, embora com diferentes resultados. Ao perguntar a Jorge Jesus se o recuo de Javi Garcia para assegurar o momento inicial de construção de jogo, em várias fases do jogo, configurava uma nova experimentação táctica do treinador do Benfica, o autor da pergunta ignorou que essa marca já está há muito tempo no perfil de jogo do clube das "águias".

De facto, o que sucede agora é que o encaixe do médio espanhol entre os defesas centrais, no primeiro momento de organização de jogo, está a tornar-se mais eficiente e mais completo. É o primeiro trio de ataque no Benfica, a partir das imediações da sua área. E por isso, também, mais assumido pela equipa. E, além de Javi Garcia, outros dois jogadores são fundamentais para que a solução tenha uma continuidade lógica que vá para além da aparência. São os casos de Garay e Witsel. Ao transformar-se quase num primeiro losango a atacar, o Benfica precisou de resolver dois problemas. Na defesa, com a saída de David Luiz, um central com qualidades técnicas maravilhosas mas com um gosto inadequado para o risco. Quantas vezes o internacional brasileiro foi visto a perder a posse de bola, em situações que expunham imediatamente a equipa ao risco de sofrer um golo?

Quando Javi Garcia recua, esticando Luisão para a direita e Garay para a esquerda, o primeiro fundamento de jogo que deve estar na cabeça destes três jogadores é não perder a bola, até que ela seja entregue num departamento seguinte de construção de jogo. É por isso que Garay, um central sereno, pouco aventureiro e com qualidade de passe, acrescenta segurança na forma como o Benfica inicia as suas jogadas de ataque.

Nas laterais, Maxi Pereira, principalmente e Emerson, dão a latitude necessária à equipa, na forma como o Benfica prepara as suas saídas de bola, com fiabilidade, segurança e critério. Não sendo imune ao erro, este formato acaba por preparar melhor a equipa para uma eventual perda de bola, ao mesmo tempo que assegura que os jogadores se espalham melhor em criteriosas ocupações de espaços, que escapem melhor a uma eventual pressão alta do adversário.

Além de Javi Garcia, a predominância de Alex Witsel, no momento posterior de construção, tornar-se vital para a equipa conseguir ganhos de eficiência na forma como consegue ultrapassar os alertas de pressão dos oponentes. Porque se trata de um jogador que não perde a bola, que a encaminha para o ataque, com diversidade nas soluções que propõe aos companheiros e porque é a nova apólice de seguro de Jesus. Um jogador enorme, destinado a ser, no futuro, um dos médios de referência do futebol mundial e que já transformou a incerteza na segurança, a fraqueza em força motriz do meio-campo do Benfica.

Trata-se de um Benfica menos espectacular do que aquele que venceu o campeonato na primeira época de Jorge Jesus, mas indubitavelmente uma equipa com melhor preparação táctica para enfrentar uma competição como a Liga dos Campeões e o desafio de recuperar o título de campeão nacional."


Canal Sport

"O aparecimento de um novo canal de desporto para fazer concorrência à Sport TV é uma boa notícia. Primeiro, e antes de qualquer outra razão, porque – independentemente da sua natureza – os monopólios são perversos.

O Benfica desencadeou uma luta pelo retorno do seu valor comercial. Com indiscutível habilidade, sempre ao lado de Pinto da Costa, Joaquim Oliveira construiu um império. Com a sagacidade de se mover em todo o tipo de terrenos, a norte e a sul, teve um papel crucial na afirmação do FC Porto no panorama futebolístico nacional, ao mesmo tempo que concorria para o enfraquecimento de Benfica e Sporting. Joaquim Oliveira foi e continua a ser um dos maiores “bastiões” do “sistema”: ao lado do FC Porto; ao lado do Benfica e Sporting; ao lado do Boavista; ao lado da FPF; ao lado da Liga e... “last but not least...”, como cereja no topo do bolo, ao lado do poder político. Chegou o momento de deixar de “jogar”... sozinho.

Os dirigentes dos clubes lisboetas, ou porque estavam amarrados de pés e mãos (no caso do Benfica, durante muitos anos, as consequências resultantes da “guerra” movida por Vale e Azevedo falaram mais alto) ou porque a lógica dos financiamentos antecipados foram a almofada em que muitos clubes se quiseram deitar, nunca trataram de apurar os efeitos nocivos desse monopólio. Ao invés, alimentaram-no.

A sagacidade de Joaquim Oliveira criou a raiz: por cada financiamento antecipado, prorrogava a vigência dos contratos – e assim se chegou ao atual momento em que a solução achada por outros países, no sentido da centralização pela(s) Liga(s) das receitas resultantes dos direitos de transmissão televisiva, não parece mais do que uma miragem.

A Sport TV vende as imagens a quem quer, quando quer, nos horários que mais lhe convêm, faz a administração da relação custo/audiências relativamente aos interesses dos seus parceiros, e ninguém lhe sai ao caminho, porque a luta é difícil e também porque ninguém está para fazer ao negócio do dia-a-dia aquilo que Raul Solnado pedia em relação à guerra, que era qualquer coisa como “parem lá com isso um bocadinho para irmos almoçar”. E, neste impasse, e também com a sagacidade extra de ter marcado terreno na comunicação social (onde se dirimem lógicas de emprego e de alinhamentos vários), foi possível ver florescer um negócio que aparece agora seriamente ameaçado com o posicionamento “premium” de Miguel Pais do Amaral neste sector.

Infelizmente, a regulação, nesta conjuntura, só pode ser realizada através da concorrência. Os monopólios geram poderes diretos e indiretos e o que se paga é excessivo face à qualidade da oferta. A Sport TV não deveria ser o 17.º clube dos treinadores – o 1.º entre os técnicos desempregados – e deveria mostrar-nos as imagens que não nos mostra, porque sabe que o poder da imagem é fortíssimo e na sua (não) divulgação também é um grande negócio. E, também nesse aspeto, convém ter mais atenção ao pormenor e aos ângulos das repetições...

NOTA – Chegou a altura de Pinto da Costa confirmar que André Villas-Boas era, de facto, o “adjunto” de Vítor Pereira."

Rui Santos, in Record

PS: Este deve querer 'tacho'!!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A semana em que Fucile nem sequer devia sair de casa

"Na sexta-feira Fucile atirou com as mãos à cara e ontem atirou com as mãos à bola e das duas vezes as coisas correram-lhe mal...


SEXTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO

JORGE SOUSA apitou para o fim do jogo no Dragão e ao meu lado um familiar mais jovem sai-se imediatamente com esta:

-Razão tinha o Fábio Coentrão... Se tivéssemos jogado alguma coisa tínhamos dado 4-0...

Referia-se à entrevista dada pelo ex-benfiquista ao diário O Jogo e publicada na véspera do clássico com grande e merecidíssimo destaque na primeira página do jornal nortenho. Coentrão, de longe, do estrangeiro, apostava ontem numa vitória por 4-0 da sua ex-equipa na vista à casa dos campeões nacionais.

É verdade que a prosápia de Fábio Coentrão, o nosso cônsul em Madrid, só encontrou nos últimos 15 minutos da exibição do Benfica no estádio do Dragão.

Quarto de hora deveras inspirado que foi bastante para empatar o jogo e para deixar em maus lençóis Vítor Pereira, prontamente acusado de ter mexido mal na sua equipa, retirando do campo Guarín, o melhor portista em campo, para fazer entrar Bellushi, que mal conseguiu ser discreto.

E a discrição é, sem dúvida, um belíssimo atributo na vida social mas é uma qualidade absolutamente dispensável num jogador de bola atirado para a fogueira viva de um despique entre arqui-rivais.

Foi um clássico dividido, equilibrado e nem o quarto de hora à Benfica justificaria outro resultado que não fosse o empate embora, coisa rara, tenha havido um sentimento geral de insatisfação entre os nossos adeptos quando Jorge Sousa se limitou a dar 3 minutos de tempo de compensação num campo onde, normalmente, o tempo custa imenso a passar.

-Malandro! Devias dar 5 minutos!

Queriam mais tempo de jogo os benfiquistas tal era o empolgamento vendo o FC Porto encostado às cordas perante a cavalgada final dos Jesuses.

-Só o Fucile esteve mais de 3 minutos a rebolar no chão!

-Podia perfeitamente dar 7 minutos de compensação!

Em nome do bom senso, estas prosápias são sempre de evitar, mas como evitá-las quando vemos o nosso poderoso adversário a suspirar pela clemência de um duche morno no balneário frio?

De modo geral, o jogo não foi quezilento como quase sempre acontece quando os dois emblemas se defrontam. E Maxi Pereira merece o prémio fair-play do clássico por não se ter deitado ao chão a rebolar e por ter respondido a uma ameaça de cabeçada do incrível Hulk.

E foi precisamente a partir daí que as coisas começaram a correr muito bem.


SÁBADO, 24 DE SETEMBRO

O Sporting de Braga de Leonardo Jardim mostra-se sólido e confiante. Ganhou por 2-0 com um golo do Nuno Gomes e está agora com os mesmos pontos do FC Porto e do Benfica no topo da classificação.

O Sporting dá sinais de recuperação a todos os níveis e produzindo um quarto de hora à Benfica despachou o Vitória de Setúbal com grande limpeza logo na abertura do jogo.

O Sporting é agora o 4.º classificado e tudo indica que o mais tempo já passou.


DOMINGO, 25 DE SETEMBRO

O Sporting desceu para o 5.º lugar porque o Marítimo, sem o Kléber, ganhou hoje ao Vitória de Guimarães por 2-1, deu um salto na tabela e ultrapassou os leões.


SEGUNDA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO

O Sporting, sem jogar, desceu mais um lugar na tabela. Hoje é o 6.º classificado porque a Académica de Pedro Emanuel ganhou ao Feirense por 4-0 e roubou a anterior posição aos Paciências.

Mudando de assunto...

Está instalada uma pequeníssima polémica entre Vítor Pereira e Jorge Jesus. Pereira acusou Jesus de ter ido jogar para o empate ao Porto e Jesus respondeu dizendo que não foi ele que fez substituições para «garantir um ponto».

De qualquer modo, ouvindo falar os adeptos das duas equipas, fica-se com a sensação de que os portistas estão mais aborrecidos com o seu treinador do que os benfiquistas estarão com o seu. Mas uma coisa é certa, os portistas podem desconfiar de Vítor Pereira mas continuam a confiar a mil por cento no seu presidente.

Por exemplo, um muito querido amigo meu portista, David Almeida, disse-me hoje, sem se desmanchar, ter a certeza absoluta que o presidente Pinto da Costa já tinha José Mourinho, em apuros em Madrid, «de prevenção» para substituir Vítor Pereira a qualquer momento. E terminou assim: «E ainda vamos ganhar este ano mais uma Liga dos Campeões com o Mourinho!»

Gosto tanto de futebol.


TERÇA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO

O milionário madeirense Joe Berardo deu uma entrevista ao Diário Económico que fez uma bonita primeira página com a declaração mais interessante do grande patrono das artes.

Berardo, que se confessa desde sempre benfiquista, disse ter chegado ao ponto do desespero na sua paixão pelo clube quando, há uns anos, via o Benfica fraquinho e sem condições de lutar por títulos. E, vai disto, afirmou-se como autor de uma proposta invulgar: Berardo, diz ele, ofereceu 500 mil contos a Pinto da Costa para trocar a presidência do FC Porto pelo Benfica.

Isto ainda se passou no tempo dos contos, naturalmente.

Pinto da Costa ainda não comentou, com a ironia do costume, esta proposta do madeirense mas, certamente, deve ter ficado chocado com o preço.

Desportivamente, esta história não oferece grandes lições. Já do ponto de vista da troika, trata-se apenas de mais uma achega que pode ajudar a explicar o buraco financeiro destapado na Madeira.

Sim porque, ficou definitivamente, provado que estes madeirenses são loucos.

Hoje o dia acabou com uma vitória do Benfica na Roménia contra os coisos, foi assim que passámos todos a semana a tratar a equipa campeã romena porque, na verdade, tem um nome que não é nome nenhum em termos de historial internacional.

Por isso mesmo foi particularmente saborosa a vitória, mais os 3 pontos, mais os 800 mil euros, tudo arrecadado com um só pontapé de Bruno César que respondeu, uma vez mais, muito bem à confiança que Jorge Jesus tem nas suas capacidades de jogar, lutar, correr e fazer golos.

O empate do Basileia em Manchester foi a sensação desta terça-feira de Liga dos Campeões. Os comentadores, os relatadores, os analistas de serviço viram nesta semi-proeza suíça uma grande complicação para o Benfica. E os adversários internos do Benfica olham agora para o Basileia com grande carinho e simpatia.

É caso para se dizer que até parecem que são do Basileia desde que nasceram porque foi com grande desgosto que assistiram ao golo do empate do Manhester United já bem pertinho do fim do jogo.

Mas que grande falta de patriotismo, francamente.


QUARTA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO

O FC Porto faz hoje 118 anos de vida segundo o calendário papal e 105 anos de vida segundo o Borda d'Água.

E, em São Petersburgo, não teve o presente de que certamente estava à espera. Um Zenit menos perdulário poderia ter alcançado um resultado ainda mais surpreendente embora perder 1 golo ou perder por 3 ou perder por 5 seja exactamente a mesma coisa no que diz respeito aos interesses do país: são menos 800 mil euros que entram no tesouro nacional e que tanta falta nos fazem.

O árbitro não foi Jorge Jesus, foi um inglês qualquer que se atreveu a expulsar o Fucile que está a viver uma daquelas semanas em que melhor seria nem sair da casa."


Leonor Pinhão, in A Bola

O minuto de (não) silêncio

"Há dias, num jogo de futsal foi anunciado que se iria guardar um minuto de silêncio por uma pessoa falecida. Não interessa, aqui, em que jogo e por quem. Porque o que importa é o gesto, a homenagem, o sentido universal do respeito pelo outro. O silêncio na morte diz tudo no respeito de nada dizer.

Mas que vi e ouvi eu? O mesmo que, há muito, em Portugal, e em qualquer estádio: um inqualificável e triste momento. O insuportável grunhido de quem não é capaz de ter a sensibilidade e o respeito pela morte de alguém conhecido ou desconhecido como se um minuto cronológico fosse uma prisão perpétua para os javardos. Às vezes ainda se dissimula (disparatadamente) a incapacidade do silêncio com palmas, como se fossem seus sucedâneos ou substitutos.

Ao contrário, nestas últimas semanas no Reino Unido, Dinamarca e Holanda, pude ver o respeito absoluto pelo minuto de silêncio, em estádios de futebol.

Sinal dos tempos. O silêncio é, hoje, motivo de chacota. Já não é de ouro.

O silêncio já não é de ouro. Numa reunião de trabalho ficar em silêncio desqualifica, mesmo que nada se tenha para dizer. Num debate o que perde é o que fala menos, mesmo que no intervalo do seu silêncio, tenha sido o que disse mais.

A nossa sociedade incomoda-se com o silêncio. O silêncio não é comercial, não é televisionado, não enche jornais, não se associa ao sucesso, e chega às novas gerações como um fúnebre desconforto.

Por isso, o silêncio é ameaçado mesmo onde, no simples quotidiano, deveria existir: na espera do telefone, no elevador para compensar a má-criação de quem não tem a educação mínima de cumprimentar, nos transportes, no consultório, em toda a parte.

O silêncio incomoda porque interpela."


Bagão Félix, in A Bola

100 anos de vida, 89 de felicidade !!!



Tenho a certeza absoluta que o consócio José Gonzaléz Oliveira, sócio número 1 do Sport Lisboa e Benfica, tem a consciência total, que o cartão que merecidamente detém, é a inveja de mais de 14 milhões de almas gloriosas...!!!

História

Os rankings são sempre subjectivos, as formulas encontradas para qualificar o palmarés clubístico ao longo dos anos, são sempre discutíveis... Normalmente não daria importância a mais um ranking, mesmo que viesse de uma instituição respeitada, mas em Portugal nos últimos tempos, temos sido atacados, de forma premeditada, de várias classificações, rankings, ou comparações totalmente ridículas. Algumas delas tão absurdas, que até são difíceis de adjectivar!!! Tudo isto feito, com a participação activa de muitos, e a omissão - criminosa - silenciosa de muitos outros... deitando para o lixo a sua integridade profissional, a sua dignidade pessoal e a dignidade das instituições que actualmente servem e mereciam mais respeito... o revisionismo histórico de alguns, misturado com a ignorância da plateia, é um cocktail explosivo... O descaramento é tanto, que os autores de tais dislates, são conhecidos avençados de verdadeiras organizações criminosas, que nem sequer a história da sua agremiação souberam respeitar - por motivos totalmente mesquinhos, diga-se... - e que agora, pretendem reescrever a história dos outros...!!! Normalmente isto não passaria de latidos, barulhentos, mas totalmente inofensivos, mas a máquina de propaganda da tal Camorra, e a ignorância cúmplice dos felinos mansos, em muitos casos, acaba por transformar mentiras mal construídas, em dogmas indesmentíveis... que as gritarias semanais televisivas ajudam a perpetuar...
Hoje, em sentido contrário, uma entidade respeitada internacionalmente, nacionalmente imparcial, usando um critério aparentemente justo e simples, publicou um ranking onde determina quais os melhores Clubes na história da Taça dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões (30 pontos para os vencedores da LC, 15 para os finalistas, 10 para os semi-finalistas...). O L'Equipe, parece não ser susceptível a Fruta, Marisco, Café, Chocolate... O L´'Equipe foi só o mentor e organizador daquela que hoje é considerada por todos, a primeira edição da Taça dos Campeões Europeus... O L'Equipe aparentemente dá uso útil aos seus arquivos...!!!

É também curioso (mas não é surpresa) que este trabalho do L'Equipe tenha 'chegado' a Portugal, através da primeira página de um jornal Espanhol - AS !!!
Uma sociedade, onde a História é sistematicamente adulterada - da maneira mais conveniente para os mais 'barulhentos' -, é bem demonstrativo de um significativo atraso civilizacional. Normalmente imposto por caciques autoritários que rodeados de lambe-botas impõem os seus caprichos.

Felizmente o nosso Benfica, nos últimos tempos - com mais 'ânimo' -, tem sido um interprete activo na defesa da nossa História e da História do desporto Português, porque o silêncio nesta altura seria altamente lesivo... Seria compactuar com a mesquinhez criminosa que alastra neste desgraçado canto...


Aqui fica o ranking da TCE/LC, do L'Equipe:

1. Real Madrid. 483 pontos
2. Milan, 330
3. Bayern, 288
4. Barcelona, 250
5. Liverpool, 237
6. Manchester United, 229
7. Ajax, 220
8. Benfica, 217
9. Juventus , 215
10. Inter, 184
(...)
11. FC Porto, 138
48. Sporting, 39

Nova campanha

"Está visto: chegou a hora de Javi García. À falta de melhor, descurando o facto de o murciano que impressionou Capello e Del Bosque já estar a cumprir a terceira temporada em Portugal, coincidindo na chegada ao Benfica com o treinador Jorge Jesus e desmentindo (logo à primeira época) a tão propalada loucura que teria afetado os corpos gerentes do clube que o foi buscar aos quadros do Real Madrid, fica designado o sucessor de Katsouranis, Bynia e David Luiz no “esquadrão da morte” recrutado pelos encarnados. Javi García terá, no dizer de pelo menos um adepto portista indisposto com o resultado do clássico da passada sexta-feira, um pacto com os árbitros que lhe permitem o “jogo mais sujo da Liga”. Um caceteiro, um violento. Mas porquê ficar por aí? Pirata, sevandija, assassino, que sei eu?

O curioso é que toda esta indignação nasce na sequência de uma partida que o FC Porto não conseguiu ganhar por duas razões: primeira, porque não estava sozinho em casa e se deixou iludir perante uma metade de jogo aparentemente passiva do adversário; segunda, porque mesmo os habituais pulmões do campeão foram lestos a pedir sopas e descanso muito antes do cronómetro chegar ao fim. Exemplos? Hulk (com a atenuante de vir de uma lesão) e João Moutinho (caso verdadeiramente invulgar). Para não falar de Fucile, aparentemente mais empenhado em exibir o que aprendeu nas suas aulas de expressão dramática (a dor fulminante mas incompreensivelmente efémera, anatomicamente deslocada, que o atinge quando é “agredido” por Cardozo, ficará como um dos momentos de tragédia desta época, já devidamente caricaturado em televisões internacionais) do que em correr ao lado de Gaitán, e assim evitar o golo do empate do Benfica.

Custa-me a perceber que, perante um jogo que teve a arte e o condão de deixar silenciados os pirómanos do costume (de um lado e do outro), em que se trocaram – de vez? – as bolas de golfe pela bola de futebol, em que houve emoção e incerteza no resultado, em que ninguém ficou arredado da corrida ao título, um empate caseiro motive tamanhas palpitações de fígado. E acredito sinceramente que os verdadeiros adeptos do FC Porto estarão mais preocupados com a falta de alternativa a Kléber, com a resistência dos atletas e com a aferição do que vale realmente Vítor Pereira do que em crucificar um adversário que é viril mas não demonstra prática ou conhecimento de artes marciais. Quem fez a defesa do pior Bruno Alves não deve querer falar alto. Se o fizer, arrisca-se a falar sozinho.
NOTA – Em nova semana europeia, o Benfica cumpriu – sem brilho – a parte que lhe tocava. Que os deuses voltem a estar com FC Porto, Sporting e Braga. Boa falta nos faz à autoestima e à bolsa."


Empate no Dragão

"Como seria normal, para quem goste de futebol, nos últimos dias discutiram-se as incidências desportivas do grande clássico de sexta-feira passada. Argumentou-se à volta dos golos, das boas defesas, das jogadas, da táctica, das substituições, e de um ou outro jogador que se destacou no Futebol Clube do Porto e no Benfica. Pessoalmente, impressionou-me o magnífico golo do Gaitán, cada vez mais em forma, e muito eficaz.

Mas escusado, francamente, pareceu-me a pseudo polémica à volta do Cardozo, da agressão imaginada, e do amarelo decidido pela arbitragem, sob pretexto de que consumada uma expulsão, um dos golos do Benfica não aconteceria, e o resultado seria outro. Em primeiro lugar, porque uma expulsão do Cardozo teria sido um escândalo. Depois porque essa mesma decisão não teria permitido o que acabou por acontecer. Um jogo bem disputado, duas equipas esforçadas e empenhadas, e um resultado que no essencial foi justo.

De resto, fácil seria encontrar argumentos equivalentes em favor das hostes benfiquistas. Por exemplo: no mesmo jogo aconteceu ou não uma tentativa de agressão do Hulk ao Maxi Pereira, com encosto de cabeça à mistura? E que teria sucedido se o Hulk tivesse sido expulso? Fico-me por isso pelo que, tudo ponderado, me parece mais relevante:

– Há muitos anos que não víamos o Porto contestar decisões da arbitragem;

– Há muito tempo que não se percebia de forma tão nítida, perante um adversário assim temível, e no Dragão, o Benfica recuperar por duas vezes da desvantagem no marcador.

E quem sabe não teremos nisso um bom prenúncio para o que sucederá no final do campeonato. O Benfica campeão!"


Os comediantes

"Escrevi há oito dias que Nolito tem nome de palhaço. Ora Fucile, sem desprimor, tem ar de palhacinho. E foi ele, de facto, o protagonista da cena mais cómica do “clássico”.

Cardozo corria com a bola pela esquerda quando Fucile entrou a varrer, como se fosse uma automotora, levando tudo atrás. Ele e Cardozo embrulharam-se no chão, Fucile agarrou-se à cara, como se tivesse levado um soco – e o árbitro acabou por mostrar amarelo aos dois.

No fim do jogo, o treinador do FC Porto garantiu que Fucile fora agredido e alguns comentadores afetos aos portistas juraram a pés juntos que Cardozo lhe batera na cara. Para todos, o amarelo a Fucile fora injusto e Cardozo deveria ter sido expulso. E sendo assim, o primeiro golo do Benfica, marcado por Cardozo, não teria acontecido.

Eu não vira nenhuma agressão, mas confiei no que ouvia: se Vítor Pereira e os comentadores eram tão afirmativos, com certeza tinham visto mais do que eu.

Sucede que, depois de tudo terminado, Fucile veio dizer que Cardozo lhe deu um pontapé... numa nádega! De uma penada, Fucile desmontava o teatro que tinha feito em campo ao agarrar-se à cara (que não fica propriamente perto da nádega) e desmentia os comentadores do seu clube e o seu próprio treinador.

Este episódio não foi um fait-divers. Ele põe em causa a seriedade dos jogadores, a seriedade dos comentadores e a seriedade dos treinadores. Como se admite que um jogador finja ter sido agredido para prejudicar maldosamente um adversário? Como se admite que um treinador e comentadores garantam uma coisa que não viram, pois não existiu?

A bem do futebol, é preciso desmascarar estes comediantes."


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os imortais no 'glamour' da Pequena Paris

"BUCARESTE - O Benfica tem um enorme prestígio a defender. Os palcos da Champions, os maiores europeus, coabitam bem com a sua rica história, ontem enriquecida com mais uma vitória. Constatei toda a dimensão internacional do Benfica aqui em Bucareste. A Paris do Leste já não é propriamente a Pequena Paris. A capital romena continua a não dormir, mas já não só pelo encanto de todos os mistérios da noite. A lua junta-se ao sol ao som das máquinas, a grande urbe, hoje com mais de dois milhões de habitantes, vive em constante azáfama. O progresso é insaciável. A influência francófona, o glamour, ainda irradia, mas a arquitectura moderna já se sobrepõe a uma construção nitidamente comunista. No ar, um fino e sedutor perfume francês rivaliza com uma ardente paixão: o futebol. Os romenos adoram futebol e não esquecem as lendas. Eusébio, Germano, Coluna, Torres, Graça, Simões... Assim mesmo, com todas as letras e pronúncia bem aceitável, ouvi algumas vezes em Bucareste na imediata associação à deslocação da águia. São estes os imortais, do Benfica, de Portugal, do Mundo."

Hugo do Carmo, in A Bola

Obstáculos Olímpicos !!!

Mais uma contratação Olímpica!!! Alberto Paulo, recente finalista nos Mundiais de Atletismo, nos 3000m Obstáculos, vai passar a vestir o Manto Sagrado. O Madeirense é uma excelente mais valia nos Campeonatos colectivos internos, e para o ano em Londres, terá como objectivo a presença na final da sua prova favorita....

Depois do túnel, o funil

"Considero justo o resultado do Porto-Benfica. E considero que a arbitragem terá errado menos que os outros intervenientes.

No entanto, acabando o jogo, haveria que explicar a desilusão portista. À míngua de melhor argumentário, todos os que faltaram alinharam - disciplinadamente - pelo mesmo diapasão. A culpa foi do Cardozo (não se referiam, todavia, ao golo que ele marcou).

No tão citado enlace entre Cardozo e o contumaz fiteiro Fucile, a farsa foi de tal monta que o pobre lingrinhas levou uma pseudo joelhada no traseiro... e logo se queixou... também da cabeça, certamente por osmose sabe-se lá de quê!

Os iluminados do costume, perante uma infinidade de ângulos e velocidade das câmaras, conseguiram inventar uma agressão. Os mesmos que também acharam que, em Aveiro, o jovem talentoso James se limitou, não a socar, mas a afagar o apêndice do adversário, não merecendo a expulsão! Ou que, com Jorge Sousa, na final da Taça da Liga (Benfica, 3 - Porto, 0), não se admiraram de Bruno Alves ter acabado o jogo depois de uma série de investidas com todo o seu arsenal anatómico?

Sei que no futebol, nós adeptos temos dificuldades em levar a coerência até ao limite, mas que diabo - tanta incoerência cheira a mau... empatar.

A indigente ladainha de desculpa virou Takuara e, durante uns tempos, vai municiar a acefalia futebolística. Mas, não nego que esta inventona de agressão no traseiro do Fucile - se persistir - é bom presságio para os benfiquistas... Depois do túnel, virá o funil, perdão, o Fucile.


PS: Ó Maxi, por que razão não te atiraste para o chão quando o Hulk te acariciou cabeça contra cabeça? Para a outra vez tem juízo e perder a cabeça (no relvado)."




Bagão Félix, in A Bola

Ser grande é...

"FC Porto e Benfica empataram 2-2 e, como é hábito, houve queixas da arbitragem. Fucile, por exemplo, disse que tinha sido agredido por Cardozo e estranhou o facto de o paraguaio não ter sido expulso. Vítor Pereira, treinador do FC Porto, assumiu as palavras do seu jogador como verdadeiras e defendeu-o na hora. Não teria ainda visto na TV que Fucile sentiu o pé do adversário numa nádega e se agarrou à cabeça - só depois se lembrando que nenhuma dor, por mais reflexa que fosse, saltaria da nádega para o rosto.

Mentir poderia até ser um problema só de Fucile, não se desse o caso de ter enganado quem nele confia.

Lembro-me bem do dia em que Paulinho Santos agrediu João Vieira Pinto num jogo entre FC Porto e Benfica e o lesionou. Jurou inocência e logo o FC Porto em peso o defendeu. António Oliveira, então treinador do clube, tomou as dores de Paulinho e só faltou dizer que tinha sido João Pinto a agredir o seu rapaz.

Dias depois, já tendo visto as imagens na TV, António Oliveira disse aos jornalistas que tinha sido enganado por Paulinho Santos. O gesto enobreceu-o e não foi por isso que o dragão deixou o hábito de vencer. Ser grande, afinal, não é só saber ganhar.

..."


Nuno Perestrelo, in A Bola

O milagre

"No FC Porto-Benfica da semana passada atuaram apenas três jogadores portugueses e no dia seguinte o Sporting apresentou mais dois frente ao Vitória. Cinco portugueses entre 42 utilizados pelos três clubes principais – uma realidade que provoca reações demagógicas, em particular ao núcleo de juristas da bola que ao longo de anos foram criando as condições regulamentares para esta descaracterização.

Enquanto o núcleo duro da Seleção Nacional se deslocava dos clubes principais do país para o “eixo Mourinho” (primeiro o Chelsea, agora o Real Madrid), foram chegando jogadores cada vez melhores a Portugal, internacionais de vários países, incluindo as potências sul-americanas. Deste movimento, aproveitador de alguns negócios de oportunidade e de um “scouting” bem entrosado com os interesses dos principais mercadores internacionais, resultou um real desenvolvimento desportivo, refletido nos bons resultados nas provas europeias dos últimos anos.

O futebol português apresenta, assim, duas faces no panorama internacional e ambas dignas de orgulho. Uma Seleção excecional, que resistiu pela qualidade aos maus tratos de que foi vítima durante dois anos nas mãos do catedrático Queiroz, e clubes competitivos e reveladores de jogadores fantásticos, como Falcão ou Di María.

Esta fase coincide com o interesse mediático, que vem abrangendo novos conteúdos nas plataformas globais, levando agora os jogos de maior cartaz a mercados tão distantes como o asiático, mas tão importantes como o espanhol. Ao longo de décadas, nunca o campeonato português conseguiu interessar aos adeptos de outros países, mas esse panorama está mudando, precisamente em consequência da internacionalização dos clubes principais.

O último FC Porto-Benfica, por ter sido disputado numa sexta-feira, desdobrou-se em dezenas de horas de televisão e suscitou discussões em todos os continentes, sobretudo pela qualidade do jogo e, numa escala mais anedótica, também pelas fantochadas sul-americanas. Tem muita graça e é didático comparar como outros observam as “polémicas” draconianas – meros “faits divers” em função do êxito que o jogo alcançou e do prestígio que aduziu ao campeonato português.

Dias depois, corre mundo proclamando o final feliz, a dramática e cómica cena dos maqueiros de Olhão, que perderam, pelo caminho, um jogador inanimado por não terem tomado as precauções de socorro obrigatórias, como se neste país nem aquilo que parece correr mal chega, de facto, a correr mal. Numa Liga bem organizada, nunca um jogador cairia de uma maca, mas o que conta é o resultado: acabou tudo bem.

Este sucesso internacional é tipicamente português: ninguém planeou, ninguém executou, ninguém retificou, mas está a acontecer. A Liga portuguesa, minada pelo tráfico de influências, pelo improviso e pela iminente falência técnica, é considerada a melhor depois das “majors” do futebol europeu, como retrato fiel de um país que sobrevive e acha que tem futuro, numa conjuntura de bancarrota. Milagre!"

João Querido Manha, in Record

Fizram a força

"Comecei a ver o jogo em sofrimento. São as más memórias, é a dificuldade inerente ao clássico, era jogar no Dragão. Mas Jesus fez o que lhe pedi: não inventou. Entrámos em campo com o nosso onze desta época, e não vencemos mas não falhámos. Sem medos do monstro verde ou do azul.

Na primeira parte deu Porto, que apostou na ala esquerda do Benfica e nas diagonais lá à frente. Secaram Nolito – tiveram medo dele, muito marcado – e obrigaram Javi e sobretudo Witsel a trabalho redobrado à boca da área. Jesus não inventou, mas na primeira metade a estratégia não colou. Na segunda? Era dar consistência ao miolo, matar o nervosismo e esquecer os amarelos. Mas criar condições para os alas respirarem e serem inventivos. A muralha Javi/Witsel ao centro obrigou o FCP a procurar os corredores. Era fazer entrar o Chuta-Chuta, que estava a fazer falta. Só que entretanto Nolito solta-se e dá a Cardozo, que marca. Dragão? Caladinhos. Por pouco tempo: a nossa defesa teve uma das suas “brancas amnésicas” e Varela não perdoou. Calei-me eu. Depois chegaram as substituições e Cardozo ficou sozinho lá à frente, à espera do erro. Mas abriram-se as alas. E Saviola deu um cheiro do que já o vimos ser, naquele passe de matador para Gaitán. E sofreu-se, mas vamos em primeiros.

Lições a retirar? Não vale a pena ter medos excessivos de jogadores determinados. Emerson resolveu-me o mistério de como travar Hulk, coadjuvado por Javi e Witsel (como eu tanto pedi). Não foi um jogo exemplar do ponto de vista da disciplina, mas em Roma sê romano. E quando vejo o tal monstro verde dizer que nunca viu um vermelho direto ser amarelo para a “vítima”, agarro-me à barriga a gargalhar, e só tenho uma pergunta: mas em que clube é que tu jogas, rapaz?"


Mais perto do objectivo...



Otelul Galati 0 - 1 Benfica
Bruno César


Exibição 'poupadinha', com muita posse de bola (para tanto domínio até acabamos por rematar pouco). Completamente desnecessário manter a sempre perigosa vantagem mínima até ao fim... O adversário é sem dúvida limitado, mas defensivamente são 'chatos'... Desta vez conquistámos os 3 pontos sem deslumbrar, quantas vezes até jogámos 'benzinho', mas faltou o 'resultado'?!!! Inaceitável as condições do relvado.
Podem discordar, mas o empate do Basileia em Manchester é um mau resultado para o Benfica... Os 6 pontos, dos dois jogos em casa, que ainda temos que disputar, podem não chegar!!!
Mas agora, o mais importante, é o jogo de Sábado com o Paços...


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Lixívia Extra-Forte VI

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......14 ( 0)...14
Corruptos...14 (+3)...11
Braga........14 ( +3)...11
Sporting....11 ( 0)...11




Para grande surpresa minha (e da grande maioria...) nesta semana não houve erros graves de arbitragem, com influência nos resultados... O observador que a UEFA mandou para o Dragay, foi 'acusado' por muitos Benfiquistas, de ser o principal responsável por esta raridade estatística (não ter havido roubos de igreja!!!), pessoalmente, como afirmei antes do jogo, acho que o Jorge Sousa, ficou 'magoado' com a 'espera' que teve em sua casa (com a família presente), após o Leiria-Benfica em 2009, tendo-se 'afastado' da Camorra desde aí... é um afastamento relativo, porque não passou a prejudicar o seu Clube de coração (nem a beneficiar o Benfica...), mas pelo menos deixou de ser tão descarado, passou a ser mais 'moderado'... como nós sabemos, às vezes, as comadres zangam-se!!! (nem que seja ligeiramente!!!)...
No jogo do Dragay não houve de facto 'casos' graves, mas não deixou de existir as habituais ajudas 'subliminares'!!! A primeira parte acabou com 14 faltas contra o Benfica, e 2 a favor!!! Este número é esclarecedor, quando se fala que os Corruptos dominaram a primeira parte, muito desse 'domínio' deveu-se a este critério torto (mesmo assim o jogo acabou com 51% contra 49% na posse de bola!!! 4 oportunidades claras de golo, contra 3!!! A avalanche Corrupta não passou de uma ilusão!!!). Obviamente as más representações teatrais dos jogadores Porcos Azulados, ajudaram à festa, mas o árbitro não tinha que ser tão 'ingénuo', por exemplo logo no início do jogo, após um mergulho descarado do Fuzil, transforma um pontapé de canto favorável ao Benfica, num livre 'contra', por suposta falta do Gaitán!!! Este lance é um excelente 'resumo' do que se passou na primeira parte. Pouco depois, após mais um mergulho do Guárin, deu Amarelo ao Javi, e ao Luisão por protestos...!!!
No primeiro golo Corrupto, a falta do Maxi existe, é uma faltinha com o braço, o facto do Álvaro Pereira ter desistido do lance, ajudou à 'festa', mas o contacto existe...
Mas o grande destaque deste jogo foram as simulações dos jogadores dos Corruptos, Além do Fuzil, o Varela, o Guárin, o Kléber, o Hulk, entre outros, fartaram-se de atirar para a piscina... não é nenhuma novidade, mas desta vez exageraram. Foi ainda mais notório, porque este comportamento, não foi seguido pelos jogadores do Benfica. Por exemplo o Maxi, depois de levar uma cabeçada do Givanildo, não se atirou para o chão...!!! Respondeu à Benfica: com um sorriso!!!
Infelizmente os vídeos com o Circo do Dragay, como seria de esperar já foram bloqueados, pois as simulações mereciam ficar em arquivo... de todas, a mais discutida, deu inclusive para os Brasileiros gozarem com o Futebol Português!!! De todas as frases escritas sobre o lance entre o Fuzil e o Cardozo, aquela que melhor descreve os acontecimentos foi feita pelo 'nosso' Jotas na Catedral do Desporto: «...mas só apetece dizer que levou um pontapé no rabo com tal violência, que só lhe saiu merda pela boca.». Além das possíveis discussões 'desportivas', o comportamento do Fuzil (simulações, declarações), do Givanildo (cabeçada, e declarações) e do treinador, são bem demonstrativas da falta de carácter desta gentalha... É caso para dizer, que o cuidado, que o Cardozo teve para não cair em cima do Fuzil, foi totalmente desnecessário, para a próxima, é 'ferrar' os pitons, na 'descendência' do Fuzil, talvez ele fique com uma sonoridade diferente na voz!!!


Relembro que este 'caso' só é 'caso', para desviar as atenções sobre a intranquilidade dentro da casa dos Corruptos, e as 'acusações' que começam a 'cair' em cima do Vitinho Adjunto!!!


Ainda mais vergonhoso que as declarações no final do jogo, obviamente concertadas, dos responsáveis e jogadores Corruptos (chegando ao ridículo de 'acusar' o Benfica de jogar para o ponto!!!), foi o alinhamento dos Programas de Paineleiros de Segunda-feira!!! Num jogo praticamente sem casos (tirando as simulações constantes dos jogadores Corruptos), tiveram que inventar faltas, cartões, expulsões... hoje, conseguiram baixar ao cumulo do ridículo, até os paineleiros Lagartos admitiram o ridículo dos pseudos-casos!!! Obviamente os erros contra o Benfica foram censurados, mais uma vez...


Concluindo, na primeira edição da Lixívia, este jogo seria classificado com 'nada a assinalar de significativo', mas como acabei com essa categoria, fica: Nada a assinalar!!!








Não vi os jogos dos Lagartos, nem do Braga, mas em ambos os casos, parece não ter existido lances complicados, pelo menos ninguém se queixou...!!!




Uma nota para algo que aconteceu em Olhão: a maneira como foi tratado do Salvador Agra após ficar inconsciente, é inacreditável!!! Nem num país do 4º Mundo, se trata uma pessoa inconsciente, com uma lesão desconhecida, daquela maneira. Vergonhoso!!! E a maneira como ninguém denuncia a falta de profissionalismo, é bem demonstrativo do espírito 'omerta' que se vive em Portugal... Espero que o jovem Salvador recupere, o embate com adversário foi forte, mas estar vivo, após um 'salvamento' daqueles, é uma sorte...

Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) (2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) (3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) (0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) (2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) (4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) (2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar

Corruptos
1º-Guimarães(f) (0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) (1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) (3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) (0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) (2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar

Sporting
1ª-Olhanense(c) (1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) (0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) (2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) (2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) (2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) (3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar

Braga
1ª-Rio Ave(f) (0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) (2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) (0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) (1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c), Xistra, Nada a assinalar

Confissões

"O início da temporada europeia trouxe de novo uma questão recorrente: devem, ou não, os adeptos de um clube apoiar os rivais do mesmo país, quando em provas internacionais?

Não será certamente o debate mais importante do Mundo, mas não deixa de ter algum interesse, até para percebermos o que é efectivamente o Futebol.

A minha posição sobre o assunto nem sempre foi a mesma. Cresci com a ideia bem vincada de que, entre portugueses e estrangeiros, devia apoiar os portugueses, quaisquer que fossem as camisolas que vestissem, quaisquer que fossem as circunstâncias que rodeassem a ocasião. Tanto quanto me lembro, vivi assim as primeiras epopeias internacionais do FC Porto, nomeadamente a derrota na final da Taças das Taças, em 1984 (tinha eu 14 anos), e a vitória, três anos mais tarde, na Taça dos Campeões Europeus. Não chorei a primeira, nem festejei a segunda, mas recordo-me de, durante esses jogos, ceder às emoções manifestadas pelos narradores e comentadores televisivos, embarcando no apoio à equipa portuguesa.

Hoje não penso da mesma forma. Embora entre um estrangeiro honesto e um português corrupto, não hesite em escolher o primeiro, nem sequer estão em causa os métodos - entretanto expostos - que levaram o FC Porto ao seu crescimento competitivo dentro e fora de portas. O que sinto não se limita ao FC Porto, estendendo-se a Sporting, e , mais recentemente, a Sp. Braga. Creio que a representação nacional por excelência, aquela que une os portugueses em torno das bandeiras do seu pratiotismo, é a Selecção Nacional, pela qual torço incondicionalmente. Os clubes representam-se a si próprios, e apesar de compreender a posição politicamente correcta de jornalistas que se querem isentos, não me parece que aos adeptos deva ser exigido tamanha magnanimidade.

Não sou nacionalista, mas sou patriota. Sou do Benfica, e, enquanto português, da Selecção Nacional. Em termos de Futebol ninguém mais me representa."


Luís Fialho, in O Benfica

Choque frontal

"Decorridas cinco jornadas, aí temos o primeiro grande 'Clássico' do futebol português. FC Porto e Benfica, igualados no topo da tabela classificativa, defrontam-se esta noite no Estádio do Dragão, para uma partida que, não sendo propriamente decisiva, pode no entanto servir de preciosa alavanca a quem a vencer. Três pontos a mais para um, três pontos a menos para outro, e assim teremos um jogo que, objectivamente vale seis pontos.
As visitas ao Porto não têm sido fáceis para o nosso Clube. Quer pela violência organizada que nos tem atingindo fora do campo (com particular ênfase nas duas últimas temporadas), quer pelos resultados que se têm verificado dentro dele, este é um jogo que, nas últimas décadas, raramente nos correu de feição. Em 35 anos, só de lá conseguimos trazer duas vitórias em jogos do Campeonato - curiosamente ambas por 0-2, e ambas com um só jogador a marcar os dois golos, primeiro César Brito, em 1991, depois Nuno Gomes, em 2005 -, e ainda na última temporada de lá saímos vergados ao peso de uma goleada dolorosamente histórica.
Épocas houve (particularmente nos finais dos século passado) em que não tínhamos uma equipa à altura de nos batermos contra a fúria competitiva com que o FC Porto nos recebia e nos enfrentava. Noutras ocasiões, ter-nos-á faltado a sorte que sempre acompanha os vencedores. Mas, infelizmente, na maioria dos casos, houve também factores externos a condicionar os resultados, pelo que as razões de tão negro registo estatístico estão muito para além da pureza genuína do futebol jogado em campo.

Clássicos polémicos
Constitui já uma triste tradição sermos prejudicados pelas arbitragens no Estádio das Antas, primeiro, e no Estádio do Dragão, depois. Em 35 anos, é fácil lembrarmo-nos de mais de uma dezena de Clássicos em que a influência dos senhores do apito determinou o rumo dos acontecimentos - fosse com penáltis mal assinalados a favorecer a equipa nortenha, fosse com penalidades escamoteadas à nossa equipa, fosse com golos mal anulados, fosse com expulsões injustificadas de jogadores do Benfica.
O penálti assinalado por Pedro Proença em 2009, perante simulação mal ensaiada de Lisandro Lopez em lance com Yebda, foi apenas a última das muitas situações de gritante prejuízo a que fomos sujeitos em deslocações ao Porto. Esta página não daria certamente para descrever, lance por lance, toda a mentira que quase sempre acompanhou estes Clássicos (e, por consequência, os respectivos campeonatos), sendo que alguns desses lances, pela extrema desfaçatez com que foram ajuizados, dificilmente poderiam sair dos portões da nossa memória. Os golos anulados a Amaral (com expulsão escandalosamente perdoada a Vítor Baía no mesmo lance), em 1994, e a Kandaurov, em 1998, bem como um penálti fantasma assinalado a Mozer em 1993 (pelo sinistro Carlos Calheiros), são alguns deles. Mas talvez o número que melhor defina aquilo de que estamos a falar seja o dos incríveis 30 (!!!) cartões vermelhos exibidos a jogadores do Benfica em Clássicos com o FC Porto nos últimos 23 anos, muitos deles totalmente abusivos, e reveladores de uma parcialidade sem limites.

Desconfianças
Desconfio, porém, que não resida exclusivamente na arbitragem a adulteração de todo este obscuro balanço. Particularmente nos jogos contra o Benfica - em que o ódio, a extrema hostilidade, e os recalcados complexos em relação ao peso social e histórico do nosso Clube, têm também entrado em campo -, não tenho a certeza que o grau de superação física demonstrado habitualmente pelas equipas do FC Porto se deva exclusivamente ao treino, ou à simples, e legítima, vontade de vencer. De quem nos habituou a fazer-se valer de todos os meios para atingir os objectivos, de quem nos habituamos a ver atropelar reiteradamente a verdade e o desportivismo, devemos esperar tudo, independentemente de limites éticos ou legais, que nunca se lhes colocaram no horizonte. É uma pena que a regulamentação existente não permita dissipar cabalmente este tipo de desconfianças, mas, enquanto assim for, ninguém nos pode impedir de as sentir, nem de as manifestar.
Independentemente de tudo isto, e contando com tudo isto, os nossos jogadores não vão seguramente deixar-se atemorizar. As nossas armas são o talento, a organização, a concentração, o trabalho e a entrega total ao jogo. Temos grande jogadores, temos um grande treinador, e, contra adversários, árbitros, ambiente e sabe-se lá mais o quê, podemos vencer, como de resto fizemos na última deslocação ao Dragão - então para a Taça de Portugal, em eliminatória depois ingloriamente desperdiçada em nossa casa.
Sabemos que temos mais do que uma simples equipa de futebol pela frente. Mas é justamente esse o desafio que nos pode estimular a ser superiores e a vencer."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 25 de setembro de 2011

O coro

"Minutos depois do jogo, percebi que o coro começou a funcionar: é uníssono e será o essencial das homilias das próximas semanas

1. Todos conhecemos, quer ao nível da arquitectura, quer ao nível da música, o que é o coro. Nas igrejas, é aquele espaço do altar-mor onde ficam os clérigos que cantam, em comum, os hinos religiosos. Em termos musicais, o coro é o canto simultâneo de muitas vozes. E sendo certo que, até ao aparecimento da polifonia, o coro cantava em uníssono. Muitos de nós já assistimos aos coros religiosos ou até já participámos em momentos musicais em que cantámos em uníssono. Na sexta-feira passada, assisti a um novo tipo de coro no final de um renhido Futebol Clube do Porto-Benfica. Logo após o apito derradeiro de Jorge Sousa, e naquelas que são designadas entrevistas rápidas, escutei, tão só, a apreciação dos intervenientes e, em particular, dos dois treinadores à boa primeira parte do Futebol Clube do Porto e à indiscutível capacidade do Benfica na segunda parte. E percebi, assim, que o domínio foi partilhado e que os dois treinadores, nesta matéria, estavam de acordo. Mas, alguns minutos depois, percebi que o coro começou a funcionar. Vítor Pereira, Fucile e Hulk atiraram-se ao árbitro, tendo todos visto o mesmo acto de Óscar Cardozo em relação a Fucile junto à linha lateral. Percebemos todos que Fucile, em criança, apanhou, tal como muitos de nós, algumas vezes, no traseiro. E sentiu ter necessidade de o expressar em voz alta, acompanhando alguns relatos da comunicação social que escutávamos a partir do Estádio do Dragão. O coro é uníssono. Diríamos que teocrático. Será parte integrante e essencial das homilias das próximas semanas. E, desta forma, está determinada, a partir das orientações do túnel do Dragão, a agenda comunicacional neste início de Outono. Que ajudará, como sempre nos últimos anos, na disputa pela ocupação dos lugares n futuro Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

2. Também na passada sexta-feira, Sintra acolheu mais um aniversário da Associação de Futebol de Lisboa. Infelizmente, um fogo perturbante obrigou-me a marcar presença junto dos bombeiros e das forças de segurança que, com a competência a que já nos habituarem, combateram as chamas e garantiram total segurança às pessoas e à circulação rodoviária. Não tive nenhuma dúvida e não hesitei um segundo. Fiquei ali, em São Marcos, como era minha obrigação. Constatei, pelos relatos, que marcaram presença no jantar três anunciados pré-candidatos à Federação Portuguesa de Futebol. Como falta, ainda, um mês para a data limite da apresentação das candidaturas, vou aguardar, pelo resultado final, ou seja, aguardar pela capacidade que alguns desses pré-candidatos terão para alcançarem o número mínimo de assinaturas para uma efectiva candidatura. Mas sendo inequívoco que a eleição do Conselho de Arbitragem e do Conselho de Disciplina - entre outros - pelo método hondt vai proporcionar, porventura, uma multiplicação de listas e tais órgãos serão, no próximo mandato, quase que um verdadeiro parlamento. E é bom que o conjunto da comunidade do futebol discuta o modelo eleitoral e faça, antecipadamente, uma serena reflexão acerca da governabilidade próxima do futebol português. É que, com uma crise de tesouraria que se antecipa, uma incapacidade de governação é meio caminho andado para uma instabilidade orgânica. Algo que não se discute, nem se escuta, nestes jantares de aniversário, por mais extensos e reivindicativos que sejam os discursos neles proferidos. É que, também nesta sede, há coros que, de tão repetitivos, se tornam cansativos.

3. No espaço europeu, há uma nova disputa jurídica-desportiva que importa acompanhar com cuidado. Um tribunal suíço determina a reintegração imediata do Sion na Liga Europa. E a UEFA, obviamente, recusa aplicar tal decisão. A questão aqui é que a UEFA tem a sua sede em território suíço e algumas das facilidades que detém resultam de decisões jurídico-políticas desse Estado singular no conjunto da Europa. Singular, em termos políticos, com a sua neutralidade - bem importante noutras épocas - e singular, em termos financeiros, em razão da especificidade do seu sistema bancário. Mas, nesta sede, o mundo também é feito de mudança. Se a neutralidade suíça é hoje em dia irrelevante, o seu sistema bancário também sofre de duros revés. Se a crise chega às instâncias do futebol, seja à FIFA ou à UEFA, não há coro que lhes valha. Daí a importância de acompanhar a presença, no próxima dia 19 de Outubro, de Michel Platini junto do Procurador do Cantão de Vaud.

4. Na última jornada da Liga dos Campeões, o Real Madrid estreou uma nova camisola. A cor encarnada tem sido um êxito de vendas. Nos três dias seguintes ao jogo contra o Dínamo de Zagreb, o Real Madrid e a Adidas chegaram a vender uma camisola por minuto. Percebemos, assim, que, quer em Espanha, quer nesta aldeia global em que vivemos, deixou de haver fidelidade às cores. O que agora há é a fidelidade aos coros do momento.

5. Hoje, dará o tiro de partida para a Meia Maratona de Portugal um dos desportistas que é um dos exemplos da determinação pessoal por um objectivo. Oscar Pistorius, o sul-africano deficiente que conquistou, através de uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto, o direito de participar contra atletas normais, é uma das grandes referências deste arranque de milénio. Quando o vi correr, nos recentes Mundiais de atletismo de Daegu - onde conquistou, apesar de não ter corrido a final, a medalha de prata na estafeta 4x400m -, senti que há momentos da vida que importa desafinar. Ou seja, lutar contra os coros. E a luta de Oscar Pistorius foi uma luta imensa e politicamente incorrecta. Mas, sempre com a consciência tranquila de quem, desde os onze meses de idade, sabe o que é não ter pernas a partir dos joelhos. Está de parabéns Carlos Móia, e um Maratona em reformulação para crescer, por nos proporcionar, em Lisboa, um homem e um desportista que é uma referência para todos aqueles que acreditam, de verdade, que o desporto é um verdadeiro espaço de inclusão."

Fernando Seara, in A Bola

Mais um empate com sabor a vitória !!!




Sporting 4 - 4 Benfica



Não vi o jogo, mas como tivemos a perder por 0-2, 1-3 e 2-4, o empate acaba por ser um bom resultado...

Este campeonato parece ser mais desequilibrado que os anteriores, não sei quando vale o Operário, mas as outras equipas, que normalmente retiravam pontos ao Benfica e ao Sporting, estão mais fracas, assim os confrontos directos com os Lagartos são decisivos para decidir a posição na época regular... vai ser uma época longa, com poucos objectivos intermédios, temos que manter a concentração, e preparar um Paly-Off sem lesões. O Joel mesmo debilitado é fundamental, ainda por cima sem o César...

Perfeito !!!

5 jogos, 5 vitórias, é o resultado de um excelente fim-de-semana para a nossa formação, contra algumas das melhores escolas Europeias. Benfica Youth Cup, uma boa ideia, que merece repetição...



Benfica 2 - 1 Sevilha

Jorginho, Guimarães



Benfica 2 - 1 Ajax

Gilson, Gonçalo Guedes

Derrota...



Benfica 25 - 27 Madeira SAD



Só vi alguns momentos da segunda parte, quando vi a dupla Nicolau/Caçador com o apito na boca, pensei logo que seria muito difícil dar a volta!!! Hoje, parece que se esqueceram da lei do jogo passivo, entre outras das habituais habilidades...!!!

O Benfica parece que continua a manter a 'coerência' na irregularidade!!!

sábado, 24 de setembro de 2011

Juventude de parabéns !!!

No 1.º dia do Benfica Youth Cup, três jogos, três vitórias, para o Benfica, e os adversários demonstraram bastante valia:



Benfica 2 - 1 Barcelona

Hugo Santos, Pedro Rodrigues


Excelente jogo, contra um Barça que já joga num estilo parecido com a equipa principal!!! Podíamos ter 'matado' o jogo mais cedo, com vários contra-ataques perigosos, faltou 'calma'!!! Ainda tivemos um golo mal anulado ao Benfica, por fora-de-jogo inexistente... Destaco o Pedro Rodrigues, tanto a trinco, como a central, excelente jogador. O Diogo Gonçalves hoje não marcou, mas o talento não engana...



Benfica 3 - 2 Real Madrid

João Gomes, Romário, Monte


Este foi o adversário mais forte da tarde, o filho do Zidane é jogador!!! Mas a equipa do Benfica acreditou na vitória, e esta é provavelmente a nossa melhor equipa na formação Benfiquista, esta época...



Benfica 3 - 1 Fulham

Dino, Cancelo, Hélder Costa


Contra uma equipa tipicamente britânica, com força, velocidade, muito aguerrida, mas algo limitada tecnicamente, o Benfica podia ter resolvido o jogo mais cedo, assim só no último minuto chegou o golo da tranquilidade. Numa equipa com vários Juniores de primeiro ano, depois de um início de época desastrado, parece que a equipa está a evoluir, e a ganhar confiança...

Objectivamente (descarados)

"Basta um empate do FC Porto para que os críticos do costume saiam da toca a reclamar contra tudo e contra todos e até com... árbitros, imaginem!!!

O fanático comentador tripeiro, MS Tavares diz, num dos jornais em que é comentador, que o Benfica «embalado pela arbitragem de Duarte Gomes e pelas 'minudências' de três SUPOSTOS penalties de mão na bola contra o V. Guimarães, também apostaram mais nessa táctica do que em tentar ganhar o jogo pelas vias normais».

É preciso ter muito descaramento! O que é que este sujeito quer? Provocar. Provocar, claro, todos os adeptos do Futebol que têm o mínimo de racionalidade! Ele que não pense que são todos burros e que não sabem ver o que é um penálti num jogo de Futebol!

É claro que eu sei porque é que ele fala assim. Quem anda desde 1974 a servir-se das arbitragens para ganhar títulos atrás de títulos é normal que estranhe, por vezes, que haja um ou outro árbitro que marque um penálti contra os adversários do Benfica. Ele sabe que agora a elite dos Olegários, Sousas, Batistas e Xistras têm mais dificuldades em passar despercebidos que os Garridos, Pratas, Calheiros, Silvanos, Gímaros e Silvas dos gloriosos anos 70, 80 e 90!

E por isso reclama sem vergonha! Ele acha que não foram penalties os lances com o V. Guimarães? Tanta ignorância!

É que ainda ficou um por marcar contra o Vitória de Guimarães e não deve ter visto os minutos finais do jogo com o árbitro a empurrar os vimaranenses com uma série de faltas inexistentes, provavelmente para tentar agradar aos chefes!

Este MST é um provocador que não percebe rigorosamente nada de futebol. Ainda por cima deixam-no dar opiniões fanáticas e estapafúrdias em locais que deviam ser preservados... Nessas 'reservas naturais do Futebol' não deviam entrar certos bichos do mato porque não se dão com nada!!!"


João Diogo, in O Benfica

Obra de arte

"Eles já tinham ameaçado: Nicolás Gaitán, aos 13 e aos 16 minutos, com disparos de fora da área; Óscar Cardozo, aos 19 com um remate encaixado pelo guarda-redes adversário. Mas, aos 24 minutos juntaram-se para realizar uma verdadeira obra de arte, um hino à beleza dinâmica do Futebol.

Nico Gaitán recebeu a bola em cima da linha de meio-campo; Emerson conseguira fazer sobrar para ele de um despique junto à lateral com Fábio e Valencia; o argentino deu dois passos, ajeitando a bola em andamento, tirou Flectcher do caminho e cruzou, com o pé esquerdo, de trivela, para Óscar Cardozo. O paraguaio estava em posição frontal e bem perto da grande área do adversário, pelo que a bola cruzada por Gaitán terá percorrido uns 40 metros, até que Tacuara a parou no peito, de costas para a baliza e com dois adversários à ilharga. O francês Evra foi o primeiro a ficar fora da jogada, com a rotação de Cardozo, e Evans perdeu a oportunidade de chegar à bola, que o ponta-de-lança do Benfica protegeu no seu flanco direito. O defesa norte-irlandês ainda tentou pressionar Cardozo, cobrindo o lado da baliza mas perdeu em velocidade e o número 7 do Benfica atirou, com força, cruzado, a meia altura, de pé direito, às redes de Lindegaard. De nada valeu a estirada para o sítio certo do guarda-redes dinamarquês que, em diversas outras ocasiões, salvou a sua equipa.

Foi uma jogada admirável, um golo magnífico, que só uma comunicação social vesga e dominada pelo ciúme clubista e pela dependência em relação ao Sistema, não glorificou e elegeu como um monumento ao Futebol bem jogado, com arte, espectáculo e eficácia. Tenho décadas de memórias de bom Futebol não vou esquecer este golo."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Um Benfica europeu

"O resultado podia ter sido melhor e, caso tivesse sido, corresponderia à preponderância do Benfica frente ao Manchester United no início desta exigente Fase de Grupos. Porém, pode dizer-se que correspondeu ao equilíbrio entre duas grandes equipas europeias em fase de consolidação de forma e de afirmação plena nos planos nacional e internacional.

Vindo o Manchester moralizado por um fulgurante arranque de época, havia quem tivesse expectativas menos optimistas, que felizmente não se confirmaram. O Benfica mostrou estar à altura desta ou de qualquer outra equipa, por ter jogadores de grande nível, soluções tácticas eficazes e, acima de tudo, a convicção de que pode e deve vencer.

Houve, da parte do Benfica, uma intensidade atacante marcada pela criatividade e pela constância que teve na jogada de golo, envolvendo Gaitán e Cardozo, o seu momento cimeiro. E convém que se diga que foi uma jogada soberba, daquelas que são capazes de encher os olhos e o espírito do espectador mais exigente.

Mas houve, para além do relvado, um espectáculo sempre digno de registo e de congratulação de um estádio cheio a torcer pela equipa da casa, com alegria, confiança e força colectiva. É isso que faz do Futebol um poderoso espectáculo de massas que não tem paralelo. E foi bonito de ver, nunca noite quente de final de Verão, famílias inteiras e partilharem a festa, deixando de lado, momentaneamente, as angústias legítimas de um tempo marcado pela incerteza, pela austeridade e pelas dúvidas quanto ao que o futuro nos reserva em termos sociais e económicos. É sabido que o Futebol não está nem poderia estar, à margem dessa realidade inquietante, mas é também sabido que enquanto espaço de partilha e de paixão é gerador de emoções e de momentos de serena exaltação que podem ajudar a elevar o ânimo de quem sofre as dores deste tempo conturbado. Um Benfica vencedor sempre foi e será um antídoto contra o desânimo colectivo."


José Jorge Letria, in O Benfica

Claro que sim

"17 de Setembro, 9h 15, Estocolmo, Suécia. Dia de sorte, dia de feliz acaso, dia do imponderável encontro entre uma estrela de Futebol e o fã vulgar. Saía eu do meu quatro, minutos antes de descer ao piso térreo para fazer o check out no hotel onde estivera hospedado, quando dou de caras com um dos jogadores suecos do Sport Lisboa e Benfica. Pers Anders Andersson, 37 anos, natural de Tomelilla na Suécia, três épocas de 'águia ao peito', ali estava à espera do mesmo elevador que eu, ali tal e qual quando jogava pelo SLB, igualzinho. Ficou a saber que o Clube tem uma televisão quase com três anos de existência, fiquei a saber que vem a Portugal todos os anos, ficou a saber que o Clube está forte e a praticar um Futebol de encher o olho, fiquei a saber que sente falta do público e do relvado da Luz.

«Como dos o Mats (Mats Magnusson), quem joga no Benfica nunca mais esquece. Saudades?! Claro que sim?. Há dias assim, nunca antes tinha estado na Suécia e naqueles minutos especiais de despedida do país logo haveria de dar de caras com um craque de que me lembro perfeitamente de ver jogar, no Benfica e na selecção sueca. A meio da semana Andersson havia estado presente numa emissão especial num dos canais de desporto suecos, a debater o jogo da Liga Europa entre o seu Malmo (derrotado por 4-1) e o AZ Alkmaar.

Bem melhor do que o Malmo esteve o SLB que empatou frente ao Manchester United, o verdadeiro afortunado da jornada inaugural com o inesperado golo de Ryan Giggs. O Sport Lisboa e Benfica foi melhor, merecia ter triunfado e protagonizou ainda melhor exibição frente aos comandados de Pedro Emanuel, a Académica de Coimbra. 4-1, vitória sem contestação no Domingo passado. Bruno César, Pablo Aimar e Nolito foram os artilheiros de serviço e colocaram-nos no topo da classificação do Campeonato. Excelente semana esta, começada às 9h 15 em Estocolmo."


Ricardo Palacin, in O Benfica

Venha o empate

"O FC Porto venceu 85 vezes e o Benfica 82. Empataram 53. Das 101 vezes que foi ao estádio do FCP, o Benfica só venceu 14 e empatou 25. A maior vitória do Porto em casa foi em 1933, com uma goleada de oito a zero. A maior derrota foi em 1952, no dia 28 de maio, em que perdeu dois a oito. Foi na inauguração do Estádio das Antas. Gosto de estatísticas. Dão-nos a ilusão de alguma racionalidade e previsibilidade no futebol. Mas, na realidade, são um amontoado de números mais ou menos inúteis. Basta ver a importância que Carlos Queiroz sempre lhes deu e olhar para as estatísticas da sua carreira para perceber o que valem. Ainda assim, se olharmos para estas, o FCPorto vai vencer amanhã.

Tento então fazer as minhas próprias estatísticas para perceber o que quero. Não tendo feito um levantamento exaustivo, posso garantir que a maioria dos meus amigos são do Benfica, quase todos os meus familiares são do Sporting e conheço, porque sou de Lisboa, pouca gente do FC Porto. Não me cruzo com muitos portistas. Tirando quando gritam que querem ver a minha cidade em chamas e quando tentam vencer na secretaria, não me aborrecem. Nunca estou por eles, nem quando jogam no estrangeiro. Pelo menos até Pinto da Costa ser o seu presidente. Já qualquer resultado do Benfica me traz problemas. Se vencem, ninguém os atura. Se perdem, não tendo um portista à mão, viram-se para este desgraçado. Assim, consultadas as minhas estatísticas pessoais e pensando exclusivamente no meu conforto, apostava num empate. O que, sendo no Dragão, além de improvável (25 por cento de probabilidade, para ser rigoroso), não me livra da arrogância encarnada. Ainda assim, uma arrogância moderada. Se é que isto existe num benfiquista."


Ben-u-ron

"Há já vários anos que assentei a minha vida em Vila Nova de Gaia, e tenho acompanhado de perto os sucessos do Futebol Clube do Porto, e o quanto eles mobilizam os seus simpatizantes, a ponto de alguns esquecerem a noção do que é empatar ou sair derrotado de um jogo. Imaginem, portanto, a semana que passou após a igualdade com o Feirense. Incompreensível a falta de paciência para o desacerto, quiçá falta de talento, para repetir outra época com idêntico sucesso como a do ano transato. Mesmo confessando uma inusitada desconfiança, os adeptos azuis e brancos acorreram em massa a garantir o bilhete, ou a cravar os amigos mais influentes para conseguirem o tão desejado ingresso. Em contraciclo, os adeptos encarnados levantaram a crista. Estão de peito feito, ainda que o recalcamento pela goleada da época passada não lhes largue a memória. Sente-se um fervor social. Nem mesmo o facto de o campeonato só ter visto cinco jornadas disputadas retirou ao clássico o entusiasmo dos confrontos de tudo ou nada. Até os insensíveis deste fenómeno de massas estão a apurar os conhecimentos, e intrometem-se nas picardias dos fiéis de ambos os clubes.

Em conversa com um adepto VIP de um dos clubes envolvidos, discutíamos as recentes incidências do jogo. Acabámos refletindo sobre a importância terapêutica destes momentos. Com tamanhas privações a que estamos sujeitos, imaginando as que aí vêm, e nem sequer supondo o que possa advir, a descarga emocional proporcionada, e a transferência, apesar de momentânea, das preocupações para um mero jogo de futebol contribui para um equilíbrio dos estados de alma de milhões de portugueses. Dir-me-ão que este ópio nos remete para uma letargia, que acentua, após os 90 minutos, a dor a uns, e que serve de antipirético a outros. Somente alivia a dor e não cura a causa da mesma.

Por muito que custe admitir, a paixão que comove milhares de adeptos de todas as cores, jogo após jogo, ano após ano, procede a uma terapia gratuita à população, que qualquer dirigente político respeita e anseia. Mesmo que alguns vândalos persistam em comportar-se como animais, deslocados em rebanho, por não terem a mínima noção do ridículo e de urbanidade. São marionetes ao sabor de extremismos bacocos e provincianos. Felizmente ainda não chegamos às dastricíssimas medidas da federação turca de futebol, que para erradicar a violência dos estádios proibiu os homens de assistir aos jogos das equipas que tenham sido punidas devido a atos violentos dos adeptos. De acordo com o novo regulamento, apenas as mulheres e as crianças com idade inferior a 12 anos serão autorizadas a assistir, gratuitamente, aos encontros dos clubes prevaricadores.

Que o futebol permaneça um escape, com um filtro de partículas de bom senso, para manifestarmos o nosso descontentamento em local certo, longe dos estádios, dando ao mundo um exemplo civilizacional que nos distinga no mundo."