Últimas indefectivações

sábado, 12 de maio de 2018

Vitória e manutenção...

Benfica B 3 - 0 Corruptos B


Manutenção garantida, numa vitória categórica... é verdade que no início os postes ajudaram, mas fomos melhores!

Três pontos: Inacreditável decisão em marcar penalty pelo corte de cabeça do Ramirez...; decisão estranha em dar a titularidade ao Ola John...; obrigado ao Hélder, que apesar das muitas críticas, acabou por fazer um bom trabalho: não é nada fácil o papel de um treinador numa equipa B, onde os jogadores estão sempre a 'subir' ou a 'descer' nos escalões, onde é quase impossível repetir o mesmo 11... onde existem questões de motivação... boa sorte para o resto da carreira...

Além do Félix... o Parks (hoje faltou por causa do 'caso' Rúben Dias) e o Gedson deverão começar a época no plantel principal. E espero que o Willock lhes faça companhia... O Digui, o Joãozinho, o Heri e o Kalaica na minha opinião deveriam ser emprestados...

Na próxima época, ainda existem algumas dúvidas, mas espero que a equipa B se mantenha, em simultâneo com o novo escalão de sub-23...

Juniores - 11.ª jornada - Fase Final


Benfica 3 - 1 Sporting






Um erro parvo no início do jogo deu o golo ao Sporting... e assim ainda se vincou mais a tendência do jogo, o Benfica com bola e o Sporting na expectativa... Algumas oportunidades desperdiçadas e muita porrada permitida pelo árbitro foi atrasando a reviravolta, mas ela chegou na hora certa!!!

Inacreditável como foi tudo permitido sobre o Félix!!! Isto de jogar bem, e vestir de vermelho, mete inveja... Vergonhoso!!! O puto foi convocado para o jogo de amanhã com o Moreirense, terá sido uma forma de premiar o jogador (e dar um sinal que para o ano fará parte do plantel principal!), mas depois de tanta cacetada não deverá ser utilizado...!!!

Faltam 3 jogos, só temos uma deslocação a Braga, e dois jogos em casa para fazer os pontos suficientes para reconquistar o título...

Vitória...

Benfica 31 - 24 Avanca
(15-14)

O Avanca que tem feito um excelente campeonato, ainda passou para a frente, no início da 2.ª parte, mas reagimos e consolidámos o 2.º lugar...

Vitória no 1.º jogo do play-off...

Benfica 88 - 84 Galitos
15-12, 24-21, 24-17, 25-34

Deixámos de defender no 4.º período...!!! Mas ganhámos... num jogo onde o Morais esteve inspirado!!!

Decidido antes de começar...

Benfica 2 - 4 Sporting

Como temia este jogo foi decidido antes de começar... as ausências do André Coelho e do Henmi (ao qual se juntou o Roncaglio) foi fatal...
Sofremos um golo cedo, andámos sempre atrás do marcador... algo que os Lagartos gostam... chegámos ao empate com um grande golo do Robinho, mas pouco depois, novo erro nosso, e ficámos novamente em desvantagem... E depois já não houve frescura mental e física para 'controlar' o jogo!!!

Espero que não aconteça, mas suspeito que quando chegarmos à Final do Play-off vamos ter novamente jogadores castigados... é quase uma garantia!!!


PS: Parabéns às nossas meninas que no final da tarde, conseguiram a reviravolta, e venceram o Sporting por 2-1, também, nas meias-finais da Taça de Portugal... A Final é amanhã com o Novasemente...

A alegre nazificação do futebol

"O tipo que no último mês de Novembro divulgou a fotografia de um árbitro espancado acrescentando à inequívoca brutalidade da imagem o comentário "este não rouba mais" é o mesmo tipo que esta semana foi alegremente acompanhado até Fátima pelas câmaras de uma estação de televisão que não quis perder um instante sequer daquela peregrinação jovial e desportiva. Sem memória, que é a sua essência, o jornalismo torna-se cúmplice e parte interessada nos desacatos das chamadas "claques" do futebol. Tomem-se por exemplo os festejos da conquista do título à porta do hotel onde os novos campeões pensavam pernoitar. As tochas a arder lançadas pela congregação de fieis pegaram fogo ao edifício obrigando os jogadores a mudar de hotel a meio da noite. Foi, assim, proporcionada a extensão das transmissões televisivas em directo preenchendo-se as emissões com aquele bónus de conteúdos provocados pela "alegria" do momento.
Na mesma semana, num outro lugar do país – e o país não é muito grande – ouviu-se um outro bando entoar alegremente cânticos celebrando a morte de um sujeito que "ficou sem cabeça" num confronto entre gangues de cores rivais. Tal como já se tinha ouvido a outros uns quantos cantares sobre a queda de um avião que transportava uma equipa brasileira de futebol quando, segundo a letra da canção, melhor fora que o avião fatal transportasse uma equipa cá do burgo. Gente desta, abusivamente escorada na força social das cores com que se fardam, protegida pela cobardia e inoperância dos legisladores e amparada pela inacreditável condescendência da imprensa, vai tomando o futebol – o jogo – como refém enquanto nos enchem os ouvidos com a sua cultura de ódio e de morte. A ponto de já ser considerado "normal" pelos cidadãos mais incautos todo o aparato que o Estado coloca à disposição para garantir a tranquilidade – de quem? – quando os arruaceiros se deslocam em marchas militarizadas com os seus cânticos odientos e as simbólicas tochas de um lado para o outro para irem à bola.
Há quem jure a pés juntos que o Estado faz lindamente em gastar dinheiro e em dispensar efectivos para proteger a população do contágio com a turba e para pôr o património a salvo da delinquência quando, na realidade, é precisamente o contrário que acontece. São os desordeiros que marcham protegidos pelo esforço cândido de quem não quer ver a besta quando a besta levanta a cabeça. Calma, é só futebol dirá muita gente tranquila. Mas não é só futebol quando o futebol se transfigura em santuário de acolhimento de semelhantes barbaridades, quando o despejar de tochas sobre um jogador num relvado é defendido alegre e oficialmente como "um festival pirotécnico dos melhores já alguma vez vistos em Portugal" e que "devia ser repetido mais vezes". Será, certamente, por uns e por outros, à vez. De que cores se vestem? Tanto faz. São, no fundo, camisas castanhas e colapso do Estado."

Leonor Pinhão, in Record

Ajax, United, Barça e Benfica

" «Com a aposta na formação, o Benfica pode sonhar voltar a ser campeão europeu»
Luís Filipe Vieira, Novembro de 2017

Quando mais confiou no Seixal, o Benfica perdeu o campeonato, as taças de Portugal e da Liga e protagonizou passagem indigna pela Champions. Significará que o projecto de formação falha? Em parte. Do Benfica saíram, entre outros e rendendo acima dos 250 milhões, André Gomes, Renato Sanches, Bernardo Silva, Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Cancelo, André Horta e Gonçalo Guedes. Este ano (mais fraquinho) estavam Varela, Rúben Dias, Diogo Gonçalves, João Carvalho. O problema do Benfica é a incapacidade para preservar ciclos de formação, para a qual não há, nem parece vir a haver, dinheiro.
Consideremos campeões europeus alicerçados nas escolas. No United de 1999 estavam três períodos da academia: Giggs (nascido em 1973) e Scholes (1974); depois Beckham (1975), Butt (1975) e Gary Neville (1975); Phil Neville (1977), o menos cotado Wes Brown (1979) e nomes esquecíveis e quase inutilizados, sim, mas que integravam o grupo e vinham da formação, como Clegg (1977), Curtis (1978) ou Mulrybe (1978). Não era só a prodigiosa Class of 92... Antes, aliás, sucedera no Ajax europeu de 1995 algo semelhante: Frank e Ronald de Boer (ambos de 1970); havia  caso singular de Rikkaard, de 1972; Reiziger e Davids (1973); no final Seedforf, Kanu e Kluivert (1976). Mais recentemente, no Barça de 2011: Puyol (1978), Xavi (1980), Valdés (1982) e Iniesta (1984); depois Messi, Piqué, Pedro (1987) - ainda o não campeão europeu Fábregas, mas da fornada de 1987 - e já um terceiro momento com Jeffrén (1988), Busquetes (1989), Bojan (1990), Bartra, Thiago (1991) e Sergi Roberto (1992).
Para contrabalançar orçamentos, formar pode ser bastante; em todo o caso, para criar equipa destacada parece necessário aproveitar três ciclos. Mesmo os modelos aperfeiçoados não educaram 11 bons num ano. Nem 8. Nem 5. Já com meritório aproveitamento, 2 ou 3."

Miguel Cardaso Pereira, in A Bola

Sabe quem é? No lugar do bêbado - Gustavo Teixeira

"Morte do pai às mãos dos trauliteiros monárquicos fez dele futebolista; Menisco estragado mudou-lhe o destino

1. A estória contou-a Augusto Amaro em A Bola: Luís Costa, defesa do Benfica que estivera na conquista do Campeonato de Portugal de 30/31 ao FC Porto - a caminho de um jogo encontrou amigos em desenfreado que o desafiaram a uma taberna «só para um copito». Um levou a outro e outro a mais outro. O vinho era mais endiabrado do que se imaginara - e, já nas Amoreiras, vendo bola a vir, larga, pelo no ar, largou o grito de socorro a Pedro da Conceição: «Ai que eu vejo duas bolas! Vai tu a uma, que eu vou a outra». O guarda-redes, percebendo-lhe o «desconcerto», não mais deixou de andar à sua beira - para que se ele desse «pontapé na atmosfera», corresse em auxílio e blocasse a bola.

2. Ao dar-se o adeus do Luís Costa, chegou ele ao Benfica - por finais de 1932. Ainda médio fez o campeonato de Lisboa que o Benfica ganhou. Após estrondosa derrota por 8-0 com o FC Porto para o Campeonato de Portugal, Ribeiro dos Reis passou-o a back esquerdo. Foi um espanto, espanto que lhe deu ainda mais eternidade, como defesa antes do seu tempo: capaz de sair com a bola a jogar, não se dando a pontapés para a frente ou a correrias loucas, passando com finura, com finura cortando, marcando golos.

3. Nascera em Vila Real em 1908, chegara a Lisboa por agreste linha do destino: «Aos nove anos, fiquei órfão, trauliteiros monárquicos assassinaram o meu pai, que era republicano. O governo tomou os quatro filhos a seu cargo, a mim e ao António puserem-nos na Casa Pia. Em Vila Real, nunca jogara futebol, nunca vira um desafio. O que sabia bem era nadar, tinha aprendido no Rio Corgo».

4. Foi internacional na natação, antes de o ser o futebol. «Com 13 anos já estava na equipa escolar da Casa Pia. Cândido Oliveira jogava no Benfica mas continuava a aparecer muito pelo colégio, ensinava-nos a marcar os penalties, os livres, os corners, até nos jogos que fazíamos pelo pátio - e lá me levou, também, para o Casa Pia AC»-

5. Em 1928, o Sporting arrancou em digressão pelo Brasil - e, para seu reforço, pediu-o emprestado ao Casa Pia AC. Com «dois pés maravilhosos», fez «golos fantásticos de 30 ou 40 metros». Um jornalista brasileiro tratou-o como Pé de Ouro - e outro tratou-o como Príncipe do Chute.

6. Com Cândido de Oliveira chegara à selecção e jogo com a Bélgica em 1930 foi-lhe cruel: teve de abandonar o campo em braços - por lesão que o deixou largos meses sem jogar. Para voltar a jogar teve de fazê-lo sempre de joelho elástico, havia quem achasse que era superstição, mas não era.

7. Anos antes, ao saber que Jorge Teixeira decidira trocar o Casa Pia AC pelo Benfica - condenou-o, agreste, pela «fraqueza» - «fraqueza» que também o tomou (ou se calhar não): «Estava Ricardo Ornelas como nosso treinador, tive chatice com ele. Havia então, duas facções no clube,uma pelo Ricardo, outro era pelo António Lopes, o 4010. Ganhou a facção do Ricardo e eu, por solidariedade, com o 4010, decidi deixar o futebol - até porque o sofrimento que trouxera de Antuérpia não fugia de mim. Era o menisco, não se sabia nada disso, não se fazia a operação, jogava, inchava, aplicava apenas areia quente até quinta-feira, desinchava, tornava a jogar, a doer...»

8. Ribeiro dos Reis não deixou que  adeus se fizesse tão prematuro, convenceu-o ir para o Benfica: «Como me mostrava renitente, deram-me 8 contos pela assinatura». (6 contos era o que custava, então, rádio de salão) «No Benfica passei a ter massagista, o Dionísio Hipólito tratava-me do joelho estragado em Antuérpia como uma flor de estufa. Não fora isso e não teria sido nada do que fui...».

9. Tinha, além do fulgor do jogo, um carisma impressionante. Por isso, ainda com Vítor Silva em acção, para capitão de equipa o puxaram. «Castigo oficial não apanhei nunca, em 14 anos de bola. Bogalho multou-me uma vez. Por termos perdido com o Belenenses, castigou a equipa, a mim só me multou por o capitão ser eu».

10. Sempre que via companheiro em dificuldades financeiras, era o primeiro a ajudá-lo do seu bolso. Trabalhava como bancário na Rua do Ouro. Aos 31 anos, o joelho não aguentou mais, abandonou o futebol. Levara o Benfica a tricampeão da Liga, foi o primeiro capitão tricampeão da história."

António Simões, in A Bola

Falsas contratações e interesses inexistentes

"A Sport Lisboa e Benfica SAD desmente o interesse pelos diversos jogadores que hoje vários órgãos de comunicação social referem como estando próximos de assinar pelo Clube e não entende os critérios das referidas notícias, quando não têm correspondência a qualquer contacto, intenção ou manifestação de interesse expressa pelo Benfica.
Tendo em conta que estamos em vésperas da última jornada da Liga, destacamos em particular o desmentido sobre os jogadores a jogar em clubes nacionais."

A culpa não é do Rui Vitória

"Não pode o Benfica vender 254M€ em talento nos últimos três anos e achar que o treinador, seja ele quem for, vai conseguir manter ano após ano o elevado rendimento futebolístico da sua equipa. 

Quando as coisas não correm bem, a culpa é do treinador. Foi e será sempre assim no futebol, sobretudo em Portugal. Porém, uma análise mais cuidada permite perceber que no caso do Benfica, esta temporada, a não conquista do campeonato não tem como actor principal Rui Vitória.
Com a entrada de Luís Filipe Vieira no Benfica em 2002, Domingos Soares de Oliveira em 2004, a inauguração do Caixa Futebol Campus em 2006, e a entrada de Rui Vitoria em 2015, o Benfica concebeu e implementou um modelo desportivo que se articula coerentemente com o modelo de gestão financeira: o lançamento de jovens jogadores na equipa A até aos 21 anos, e posterior venda até aos 23/24 anos, a idade de ouro do mercado internacional, com elevadas mais-valias, permite à SAD fazer face aos juros da dívida elevada.
Contudo, esta estratégia empresarial apresenta um risco elevado: primeiro porque coloca muita pressão no departamento de prospecção. Se por um lado é relativamente fácil avaliar se um jogador é bom do ponto de vista técnica e táctico, por outro lado é difícil inferir sobre a sua dimensão psicológica e capacidade de adaptação à vida social num grande clube. Esta estratégia coloca muita pressão nos primeiros jogos do campeonato e na capacidade de o treinador reinventar uma equipa a cada cinco semanas de pré-temporada.
Em 2015/16, o Benfica, à oitava jornada, já tinha perdido 11 pontos. Contudo, já tinha jogado e perdido com Porto e Sporting. Nessa época, até à 34ª jornada, o Benfica só perdeu mais três pontos, curiosamente em casa com o Futebol Clube do Porto. Só um grande Rui Vitória e um pequeno milagre chamado Bryan Ruiz fez desse Benfica campeão. No primeiro terço da presente temporada, o Benfica perdeu sete pontos diante Rio Ave, Boavista e Marítimo, o Sporting perdeu seis pontos diante Marítimo, Moreirense e Porto, e o Porto perdeu dois pontos diante o Sporting. 
A dificuldade em ser-se campeão em Portugal é completamente distinta de outro qualquer país. A média de pontos por jogo do concorrente directo ao campeão português é superior em Portugal (2.36) do que em Espanha (2.17), Inglaterra (2.14), França (2.08) ou Alemanha (1.82).
Aliado à opção estratégica, exclusiva do nosso país, de não centralização dos direitos de transmissão televisiva, a diferença entre os três grandes e do Sporting Clube de Braga face aos restantes 15 clubes, está a aumentar exponencialmente. Actualmente, a diferença pontual na tabela classificativa entre o quarto e o quinto classificados é de 27 pontos, valor superior aos que separam o quinto e o 18º classificados, com 19 pontos.
O aumento das assimetrias entre grandes e restantes clubes encurta a margem de erro para quem queira ser campeão. Só nesta temporada, o Benfica esgotou 50% da margem de manobra em 8 jornadas sem jogar nenhum jogo com Porto, Sporting e Braga.
Todos os anos a pressão para que o treinador do Benfica encontre a sua nova equipa e identidade em pouco tempo, e que a partir daí seja quase perfeita até ao fim da época, é incomportável. A pressão criada pelo modelo de gestão desportivo-financeira de Luís Filipe Vieira e Domingos Soares de Oliveira, e pela pressão dos juros da dívida, tornam essa pressão incomportável.
Na última transição de temporada, centralizou-se, erradamente, as vendas sobre o sector defensivo: três dos cinco titulares mais recuados da equipa abandonaram o clube: Ederson, Nelson Semedo e Lindelof. Entretanto, foi-se testando sem sucesso Svilar, André Moreira (contratação falhada), Pedro Pereira, Buta, Luisão, e Felipe Augusto. O Benfica encontrou-se finalmente no dia 11 de Novembro, jogo que ganha 6-0 ao Vitória de Setúbal, em que aparece a jogar em 4-3-3 com Varela na baliza, Rúben Dias e André Almeida na defesa, o triângulo de sucesso no meio-campo com Fejsa, Pizzi e Krovinovic e Jonas sozinho na frente. Portanto, à 12ª jornada do campeonato, justamente antes do empate no Dragão e da perda do nono ponto na Liga.
Por último, o limite de manobra é ultrapassado, curiosamente, outra vez no Estádio da Luz com o Porto com o célebre golo de Herrera ao minuto 90, verificando-se a perda do 16º ponto na Liga.
Não pode o Benfica vender 254M€ em talento nos últimos três anos e aumentar o passivo em 8M€, e achar que o treinador, seja ele quem for, vai conseguir manter ano após ano o elevado rendimento futebolístico da sua equipa. A boa notícia para os adeptos do Benfica é que a SAD parece ter antecipado receitas da NOS para reduzir divida e diminuir a pressão dos juros, para que não tenha que vender meia equipa de futebol todos os anos e permita que a próxima época seja preparada sem tanta pressão para colocar os resultados financeiros à frente dos resultados desportivos."

Benfiquismo (DCCCXXV)

Tuning!!!

Uma Semana do Melhor... do berço...

O Jogo Limpo... Corruptos

Nenhum benfiquista está contente

"É tempo de dar os parabéns a quem ganhou. Outros caminhos não nos devolvem os títulos que não vencemos.

O Benfica fez uma exibição melhor do que o resultado em Alvalade. Foi um jogo em que o Benfica esteve melhor que o Sporting e o Sporting esteve melhor que a arbitragem. Neste momento é importante preparar com rigor e ambição a próxima época e as suas conquistas. Como dizia com ironia e acerto o presidente de um clube rival há cinco anos atrás, «é melhor perder de vez em quando do que ganhar de vez em quando».
Chegados aqui, queremos que seja esta a nossa condição. Nunca é bom perder, mas se acontecer que seja esporádico. Este ano, vivemos um desses epifenómenos ocasionais. Uma Supertaça é pouco para a grandeza do Benfica. Nenhum benfiquista estará contente, sob pena de não ser benfiquista. A próxima época tem mesmo que ser preparada com detalhe, rigor e competência. O plantel tem que ter soluções e qualidade. Não pode haver falhas nem lacunas. O 37.º título de campeão nacional é o objectivo máximo da próxima época. Maio, Junho e Julho, ainda sem a bola a correr, serão decisivos para criar as condições de ataque a esse objectivo, com competência e serenidade. Este é o tempo de dar os parabéns a quem ganhou e tratar já dos nossos próximos êxitos. Outros caminhos nem nos devolvem os títulos que não vencemos, nem nos aceleram os que iremos querer vencer. Por isso contra o Moreirense de Petit (espero que não desça), o grito deve ser «dá-me o 37». Na minha cabeça, e dos benfiquistas, não poderá estar outra coisa.
Palavra obrigatória para João Sousa e para a sua brilhante vitória. Este terceiro título ATP, na sua 10.ª final, por ser em Portugal, foi o mais fantástico. Vencer jogadores mais cotados no ranking, numa prova de superação permanente, foi magnífico. Pode não ser um talento puro do ténis, mas isso só aumenta o seu valor, pois é um puro campeão. Ganhar com esforço, garra, vontade e trabalho aumenta o mérito e deve redobrar os aplausos. Mais que um supercampeão, há ali muito de exemplo num país de habilidosos e cigarras, que desdenha nas formigas e no trabalho.
Sintomático - as capas dos jornais do dia seguinte. Depois desta proeza, foi n'A Bola, verdadeiro jornal do desporto, que foi dado o destaque devido. Se todas as linhas editoriais são respeitáveis, eu tenho orgulho em escolher as minhas."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Casa do complexo

"Os insultos e as palavras de ordem jocosas dedicadas ao Benfica e aos benfiquistas são recorrentes nos festejos dos nossos principais adversários e, como tal, ainda mais por serem estimulados por responsáveis e protagonistas desses clubes, são demonstrativos do sentimento de inferioridade, em relação ao Benfica, de portistas e sportinguistas. Essa forma de estar vira-se contra eles: O Benfica, ganhando ou perdendo, sai sempre por cima. O cântico mais entoado de acordo com a comunicação social, o 'Penta Ciao', é particularmente significativo. Adaptado da canção da resistência antifascista italiana, recordada, em 2018, à escala mundial devido ao sucesso da série espanhola A Casa de Papel, serviu agira de expressão da alegria portista.
Nem sequer preciso de evocar a ironia de adopção de práticas comuns aos regimes fascistas - violação de correspondência privada, deturpação do conteúdo dessa correspondência, propaganda, intimidação, coacção - serem celebradas recorrendo a uma melodia que simboliza o repúdio a esses práticas. Menos ainda os adeptos do clube da inauguração do estádio englobada nas comemorações do Estado Novo cantarem a Bella Ciao... As voltas nos túmulos que grandes dirigentes do FC Porto, como, entre outros, Urgel Horta, salazarentos até à medula, estarão agora a dar...
Basta A Casa de Papel, que, muito resumidamente, é sobre um grupo de marginais que faz um grande assalto. E depois, ainda mais ironicamente, com o Penta Ciao, os portistas tentam esfregar-nos na cara a nossa hecatombe, a nossa crise desportiva sem precedentes, esta coisa de não termos conseguido ganhar, pela quinta vez consecutiva, o Campeonato Nacional...
Está tudo dito!"

João Tomaz, in O Benfica

Duas novas competições internacionais

"Existe em cima da mesa uma proposta no montante de 20 mil milhões de euros, para criar duas novas competições de cariz internacional, uma nova competição mundial de selecções e outra reformulação do campeonato mundial de clubes. Esse monstruoso valor respeita às duas competições ao longo de 12 anos (2021-2033).
Uma parte dos mais de 20 mil milhões de euros também será investida no novo mundial de clubes. Desse valor, cerca de 10,8 mil milhões de euros vão para o mini-mundial de selecções, e mais de 10 mil milhões para o mundial de clubes.
O documento que chegou aos membros do Conselho FIFA, constituído por representantes da UEFA, CONMEBOL, CONCACAF, AFC, CAF e OFC, propõe organizar um mundial de futebol de elite a cada dois anos (sempre anos ímpares), com uma fase final de apenas oito selecções. Poderá vir a ser um mini-mundial por agora designado de 'Final 8'. O modelo desta competição poderá ser idêntico ao da récem-criada Liga das Nações Europeias, e a primeira edição poderá ocorrer já em Outubro ou Novembro de 2021. No documento entregue às confederações, a FIFA garante que a prova não vai colidir com Campeonato da Europa, Copa América ou Taça das Nações Africanas.
A outra competição é o mundial de clubes, igualmente em preparação para anos ímpares, que deverá abranger 24 clubes participantes e realizar-se em Junho. Até agora, esta prova era disputada em Dezembro, por sete clubes.
Se a proposta de Infantino avançar, a FIFA mantém o actual modelo do Campeonato do Mundo de selecções a cada 4 anos, mas acaba com a Taça das Confederações - a prova que se realiza no ano anterior ao Mundial.
A inovação, se é o que podemos assim chamar-lhe, está no facto de a FIFA deixar de ter a totalidade da empresa que exploram as competições e passar apenas a ter a maioria. É o que podemos designar de privatização da exploração das competições.
Na reunião ordinária do Conselho FIFA, realizada em Bogotá, Colômbia, no mês de Março, Infantino não quis dizer quem são os investidores asiáticos que pretendem realizar este investimento.

No entanto, o Financial Times revelou que um dos membros do consórcio é o Softbank, a multinacional japonesa que opera o maior fundo de investimento do mundo para tecnologia. Mas há mais!
A forma como será desenhada a nova entidade poderá ter vários contornos, quer quem controlará a parte desportiva, quer quem controlará a parte financeira.

A FIFA ficará incumbida de redistribuir os ganhos das provas pelas federações e confederações, e quanto ao mundial de clubes, que poderá ter uma edição de juniores e em futebol feminino, as ligas nacionais também deverão receber uma parte das verbas."

Pragal Colaço, in O Benfica

Redesenhar o troféu de campeão imediatamente

"Estive a analisar serenamente a época do Benfica e cheguei a uma conclusão: ainda bem que não fomos campeões. Foi agradável erguer o troféu durante quatro anos consecutivos, porém, a ambição não deve nunca transcender a sensatez. O leitor já imaginou o Paulo Lopes, quase a completar 40 anos, a trepar para a trave da baliza e levantar 10 Kg no ar? A idade não perdoa, e a agilidade não é a mesma de outros tempos. Acontecia de o homem dar um tombo, e a festa tinha de se deslocar do Marquês de Pombal para o Hospital da Luz.
Não seria a mesma coisa. Para além disso, as 36 taças de campeão nacional são exactamente iguais. Desde a de 1936 à do 2017. Há, naturalmente, espaço para mais no Museu Cosme Damião, contudo, sou da opinião de que só valerá a pena conquistar o campeonato quando a Liga alterar o formato do troféu. Viaja um benfiquista desde a Suíça, Cabo Verde ou mesmo de Marte até à Luz para visitar as relíquias do museu, na expectativa de contemplar uma considerável variedade de estatuetas e, logo à entrada, depara-se com uma overdose de canecos idênticos? Há um profundo desencanto. Para aqueles clubes que têm, sei lá, somente metade desses troféus, a repetição não cansa tanto a vista. Lembro-me bem de entrar no museu do Benfica em 1971, quando as 18 taças de campeão nacional se ladeavam harmoniosamente entre si (é mentira, em 1971 o meu pai tinha apenas três anos, podia lá eu ser nascido). Concordo que 18 taças iguais ainda é um número aceitável, mas 36 já começa a ser aborrecido.
Espero bem que a Liga contrate um designer o quanto antes. Quero poder torcer pelas vitórias do Benfica sossegado, em ter de me preocupar com a questão estética do Museu Cosme Damião."

Pedro Soares, in O Benfica

Os golos

"Não são as fintas, não são os passes, não são as reviengas, não são as rabonas, não são as chicuelinas. O que decide os jogos são os golos.
Há algum tempo atrás, um conhecido jornalista e comentador desportivo afirmava olimpicamente que o nosso Tacuara Cardozo 'não era um grande jogador, pois só sabia marcar golos'. Lembrei-me disso durante o último dérbi, no qual o Benfica se superiorizou ao adversário, dominou a maioria do tempo de jogo, criou sete ocasiões claras de golo, mas saiu de Alvalade em branco, e a depender de terceiros para alcançar o importante 2.º lugar.
Ronaldo é o melhor do mundo porque... marca golos. A este Benfica faltou alguém que, em frente da baliza, soubesse ser eficaz. Temos esse alguém no plantel: é o melhor marcador do campeonato, lesionou-se num momento crucial, e nesta partida entrou a poucos minutos do fim, ainda sem ritmo, e já sem tempo para procurar a felicidade. Há dois anos saímos do mesmo estádio dominados, mas vencedores. Um pontapé certeiro do também saudoso Mitroglou (outro que só sabia marcar golos...) deu-nos a vitória que havia de valer o título. Desta vez, nem Rafa (duas vezes), nem Douglas, nem Pizzi, nem Zivkovic, nem Samaris, nem Raúl conseguiram meter a bola dentro da baliza, e foram os rivais que acabaram por sorrir.
Por alguma coisa os pontas-de-lança são tão caros e tão valorizados. E também são cada vez mais raros. Temos um dos melhores ataques do campeonato. Mas a verdade é que, sem Jonas, em dois jogos decisivos (FC Porto e Sporting) não lográmos marcar um golo. E, sem golos, tudo o resto não serve para nada."

Luís Fialho, in O Benfica

Onde?

"Life is a roller coaster. Em português:
'A vida é uma montanha-russa'. Sem dúvida.
Quando a única alternativa ao ridículo é fazer de conta que se está a sofrer muito e que se ama um clube, para com isso fazer acreditar os sócios e simpatizantes que se é brejeiro apenas por essa razão, está tudo dito!
Existem muitas razões, todas elas, compreensíveis e inteligíveis, para explicar porque não fomos penta!
- Jonas lesiona-se numa aquecimento prévio e um conjunto de jogos importantes;
- Rotinada para jogar com ele, algo que confesso em tempos não acreditei, mas a realidade fez-me meter a viola no saco, a equipa não tinha mais homens-golo em massa!;
- Benfica tem um futebol extraordinariamente móvel, corre, passa, dribla, mas falha golos atrás de golos;
- André Almeida lesiona-se no princípio de um jogo também ele fundamental;
- Herrera remata uma bola mal aliviada, acerta na baliza nem sabe muito bem como, fazendo lembrar o Kelvin, ou não fosse a crise do minuto 92, ou 93 ou 94;
- Como foi possível alguém ceder, vender um ficheiro Excell, em plena traição, onde constavam os endereços electrónicos e as passwords dos e-mails de todos os trabalhadores, colaboradores do Sport Lisboa e Benfica?;
- Como foi possível tanta ingenuidade?;
- Qual a técnica de comunicação e de marketing inovatória que foi criada, para se apelidar de polvo algo que nem uma sépia é?;
- Como pode existir tanta falta de união onde ela devia mais existir?;
- Como pode alguém candidatar-se a candidato dois anos antes das eleições?;
- Como pode existir tanto ódio pelo presidente do Sport Lisboa e Benfica?;
- Como podem ser afastados os que mais mereciam lá estar só porque o ego de alguns que lá estão (poucos, felizmente) se tornou maior que a Torre Eiffel?;
- Um médio ceifar um jogador longe da baliza não é punível, mas um defesa central habituado a saltar com os braços já o é! Vamos ter defesas centrais manetas?;
- Um ex-árbitro escrever num jornal de tiragem nacional, a propósito de um lance entre o Rafa e Rui Patrício, 'Só uma mente doentia ou uma opinião de uma rola de olhos vermelhos...' poderia dizer que esse lance foi penalty, este brejeiro merece alguma consideração?;

Havia muita coisa para dizer. Uma instituição secular como o Sport Lisboa e Benfica está muito acima de tudo isto. Ela será eterna. As pessoas são mortais! Não se podem caçar monstros com pressão de ar!
A justiça, quando a lei era muito branda, caiu em cima do FC Porto. Agora, com a lei muito complicada, onde tudo o que se mexe é crime, caiu em cima do Benfica. Falta cair em cima do Sporting e obviamente a seu tempo cairá! Nesse momento e altura, estaremos cá para ver. Se eu fosse a eles, começava já a apagar os servidores!

Quanto ao resto deixem a Justiça trabalhar! Os processos discutem-se nos tribunais!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Saraiva

"Esta foi uma semana muito triste. Partiu mais uma das nossas glórias. António da Cruz Pinto Saraiva tinha 84 anos e deixou-nos nesta segunda-feira. Ele era um dos 17 Magníficos que escreveram as páginas mais brilhantes da história do nosso Clube. Natural do Peso da Régua, Saraiva chegou ao SL Benfica proveniente do Caldas e logo na primeira época, em 1959/60, sob o comando de Béla Gutmann, conquistou o Campeonato Nacional. Saraiva participou em 10 dos 26 jogos. Mas seria na época seguinte que este médio se notabilizaria. Além de ter contribuído para a conquista do Bicampeonato, Saraiva e mais 13 briosos atletas levaram o nome do Sport Lisboa e Benfica por essa Europa fora, conquistando a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Saraiva jogou 5 dos 9 jogos da mágica campanha de 1960/61. Estreou-se frente ao Hearts, em 29 de Setembro, em Edimburgo, jogo que vencemos por 2-1 com golos do capitão José Águas e do extraordinário José Augusto. Seguiram-se os jogos frente aos húngaros do Ujpest, aos austríacos da Rapid Viena e a ambicionada final, frente ao Barcelona. Em Berna, ganhámos por 3-2, e Saraiva sofreu por fora. Mas o seu nome ficou na história. Infelizmente, dos 17 Magníficos restam vivos apenas Artur Santos, Cruz, Ângelo Martins, Mário João, José Augusto e Simões.
Nesta hora de dor, invoco a memória de Costa Pereira, Cavém, Germano, Neto, Serra, Humberto Fernandes, Coluna, Santana, José Águas e Eusébio. Foi graças a este naipe de briosos e dedicados atletas que o SL Benfica atingiu o mais alto patamar do futebol internacional. Elas acreditaram sempre!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Vida

"Todos sabemos que sangue é vida. Crescemos a ouvir dizer e sabemos que ser dador é simples e muito importante, mas talvez a maioria das pessoas tenha dado sangue apenas a propósito da cirurgia de um amigo ou familiar. Por outro lado, às vezes damos connosco a pensar que pouco podemos fazer pelo mundo, enorme e problemático, fora de escala para que a intervenção de um único individuo possa fazer a diferença.
Ora, se há coisa que podemos fazer e com grande impacto na humanidade, é dar sangue ou medula.
Às vezes, ser um no meio da multidão pode ser uma vantagem, e, se é verdade que cada um de nós é um ser único e insubstituível, não é menos verdade que a massa de que somos feitos é comum a toda a humanidade. É por isso que o sangue que nos circula nas veias pode facilmente tornar-se num sopro de vitalidade para os nossos semelhantes. Às vezes, mesmo, na sua última esperança. Quando damos sangue, o que fazemos é permitir que outros possam viver mais e melhor simplesmente porque partilhamos com eles um pouco da nossa energia vital.
Mas se os programas de doação de sangue são dos processos de cooperação e partilha mais bem-sucedidos da nossa vida em sociedade, isso fica a dever-se à adesão das pessoas e à elevada compatibilidade que a natureza determinou para nós.
Infelizmente, essa mesma natureza não foi tão generosa com a medula e tornou-se num bem tão precioso e raro, que é mais fácil encontrar uma agulha no palheiro que um dador compatível com cada um de nós. Tantas e tantas famílias conhecem esse drama de saber possível a cura dos seus entes queridos, mas nada poder fazer por incompatibilidade. Ansiedade, impotência e revolta são muitas vezes coroados pela tristeza da perda, mas há cada vez mais esperanças e sucessos nesta luta desigual. Hoje, felizmente, os avanços da medicina, dos tecnologias de informação e da mobilidade tornaram possível a constituição de bases de dados com grandes números de dadores de medula e a sua disponibilização a toda a humanidade. Mais uma vez a cooperação entre todos e o somatório das contribuições individuais produzem um resultado virtuoso, e a esta escala, sim, é possível encontrar mais e mais dadores, salvando mais e mais vidas.
Ser dador é, pois, uma oportunidade única para cada um de nós contribuir de forma decisiva para a vida. E a vida é um bem tão escasso e preciso, que só aproveitaremos bem a nossa se a colocarmos também ao serviço dos outros.
Seja dador... dê vida!"

Jorge Miranda, in O Benfica

A competência como medida...

"A cimeira de presidentes, que juntou 32 dos 33 emblemas do futebol profissional em Portugal (faltou o Sporting), tratou do caso da integração do Gil Vicente na Liga de forma responsável, recusando a tentação da via mais fácil, a do alargamento, que traria a tiracolo um decréscimo da qualidade média da competição. A solução para que apontam os clubes, três lugares de descida, excepcionalmente, na época de 2018/19, para acolher duas subidas por mérito e uma outra por via administrativa, parece razoável.
Indesejável, sem dúvidas, será a época do Gil Vicente no terceiro escalão, na próxima temporada, onde jogará para aquecer, sem pontuar. Pelo menos não vai prejudicar a integridade da competição, valha-me isso...
No lavar dos cestos desta época, um primeiro balanço à principal novidade, o VAR, remete-nos para alguns pontos interessantes, que deverão ser aprofundados nas próximas semanas. O primeiro tem a ver com a forma cruel como o acesso às imagens pôs a nu a incompetência de vários árbitros, privados da desculpa de que não decidiram bem porque não tiveram meios para tal. A seguir, fica por saber quais as consequências para os árbitros que não se mostraram minimamente à altura da função (particularmente quando chamados à cadeira do VAR). Depois,  Conselho de Arbitragem da FPF comportou-se, ao longo da temporada, como uma sociedade secreta, o que só serviu para aumentar o descontentamento (e a desconfiança, porque não?) de jogadores, clubes e adeptos. Mesmo dando o desconto de estarmos no ano zero, não será abusivo concluir que se não houver competência humana, não há VAR que nos valha."

José Manuel Delgado, in A Bola

Carrick: honra ao anti-herói

"Michael Carrick vai sair de cena. Percebe-se a inexorabilidade do tempo e, neste caso, os cuidados cardíacos após o susto contra o Burton Albion, em Setembro, diminuíram o número de presenças no Manchester United nesta época.
Estes são os últimos dias da temporada e, tal como Carrick, outros vão-se preparando para os últimos minutos de competição nas carreiras. Em Portugal, Luisão ainda não anunciou o que pretende fazer no Benfica e, em Espanha, para além de Iniesta ter feito o seu último Clássico, Xabi Prieto motiva manchetes inspiradoras na imprensa basca para o próximo fim de semana.
Xabi Prieto é uma verdadeira lenda 'donostiarra' e só conheceu um clube: a Real Sociedad. Será que, algum dia, o Athletic vai homenagear o capitão 'txuri-urdin', do maior emblema rival, com o prémio atribuído desde há quatro anos intitulado “Homem de um só clube”, como fez com Le Tissier (Southampton), Sepp Maier (Bayern), Paolo Maldini (Milan) e, na semana passada, com Carles Puyol (Barcelona)? Xabi Prieto preenche os requisitos e eu gostava de assistir a isso.
Mas voltemos a Carrick, que talvez seja um dos médios-centro mais subvalorizados dos últimos tempos. Podia ter sido mais rentabilizado num alinhamento em simultâneo com Gerrard e Lampard na seleção inglesa. Tinha de ser num triângulo, mas a obsessão britânica pelo 4-4-2 tirou-lhe contexto para se afirmar com a camisola dos Três Leões com maior assiduidade. “Só” completou 34 internacionalizações.
Em Manchester, ficou com o número 16 de Roy Keane nos Red Devils, mas é melhor deixar os pontos em comum por aí mesmo. Carrick precisava de garantir eficácia na recuperação da bola ao lado de Paul Scholes. Mas caçava a bola sem fazer peito ou carrinhos a matar para intimidar e a partir daí controlar o meio-campo. Esse até podia ser mais o ‘modus operandi’ de Keane, salvaguardando, ainda assim, que o irlandês nem era propriamente desprovido de técnica.
Em todo o caso, Carrick era diferente. O 'playmaker geordie' (era adepto de infância do Newcastle e foi polido pelo West Ham, em Londres) impunha-se, antes, pela leitura de jogo, que era mais avançada do que a maioria dos centrocampistas ingleses na segunda metade da década de 2000. E Ferguson percebeu o que tinha em mãos, até já numa fase em que recorria mais vezes a um desenho com três médios, rascunho que já tinha imaginado quando adquiriu Verón em 2001 para que a equipa não manifestasse inferioridade no meio-campo em provas europeias.
Carrick tinha a particularidade de chegar muito bem à baliza para marcar golo. Procurava a tabela e a rotura com movimentos objectivos, ao mesmo tempo que a sua manobra em zona de construção teve sempre alguns traços de Busquets, acrescentando mais ideias na elaboração das jogadas de ataque. 
Mourinho prometeu que, domingo à tarde, Carrick jogará a titular em Old Trafford, contra o Watford, no seu último jogo na Premier League, antes de abraçar a carreira de treinador. Acredito que vai entrar e sair com o recato do costume, com toda a pinta de anti-herói. Mas será exactamente desse modo que o vamos glorificar."

Apenas um mau sinal entre elogios ao Sp. Braga

"Equipa comandada por Abel Ferreira bateu recorde de pontes do clube

Ainda não foi desta que o Sp. Braga foi campeão, um desejo reforçado internamente para assinalar o centenário do clube, em 2021. O emblema minhoto não conquistou nenhuma taça e até pode nem conseguir intrometer-se entre os «grandes» na tabela classificativa da Liga, mas ainda assim o balanço da época só pode ser positivo.
Com 75 pontos à entrada para a última jornada, foi até batido o recorde pontual do clube, que reportava a 2009/10 (71 pontos), embora num campeonato com apenas 30 jornadas.
Abel está de parabéns por aquela que foi – convém lembrar – a sua primeira temporada a treinar no principal escalão. Apresentou resultados, e ainda para mais a praticar um futebol atractivo, que valoriza o clube e os jogadores que integraram um plantel construído com muito equilíbrio. Basta pensar no rendimento apresentado por Raúl Silva, na notável temporada de Ricardo Esgaio, que não se deixou abalar pela saída do Sporting, e a surpreendente campanha de Paulinho, provavelmente o melhor marcador português da Liga (parte para a última ronda com dois golos de vantagem sobre Bruno Fernandes).
A temporada bracarense voltou a ficar muito marcada por lesões (Marafona, Ricardo Ferreira, Fransérgio ou Wilson Eduardo), mas Abel fez bom proveito dos recursos à sua disposição. E quando pensamos ainda na influência assumida também por jogadores como Matheus ou Ricardo Horta, por exemplo, torna-se difícil eleger uma figura maior.
Há quem defenda que é essa “estrela” incontornável que carrega as equipas para um patamar superior, mas o campeão FC Porto até veio contrariar essa teoria, por mais impressionante que tenha sido a campanha de Marega. Isso por vezes é sintoma de um plantel desequilibrado, e isso o Sp. Braga não teve/tem.
Mas falar de desequilíbrio é falar do único aspecto negativo da campanha do Sp. Braga. Um mau sinal para a Liga, e não propriamente para o emblema «arsenalista». É que ao andar tão colada aos três crónicos candidatos ao título, a equipa de Abel Ferreira “destapou” o fosso existente no principal escalão, deixando quase trinta pontos de distância para o quinto classificado. E já é tempo de se perceber que a forma de lidar com este buraco não é esperar que alguns clubes façam de ponte.
O Sp. Braga quer mais do que isso, e ainda bem."

Controlo antidoping

"1. Como se processa o controlo antidoping?
Um dos meios cruciais de combate à dopagem passa pelo controlo e fiscalização dos praticantes desportivos, em especial os de elevado nível competitivo. Para efectivar essa fiscalização revelou-se necessário ter um conhecimento real da localização dos praticantes desportivos inseridos nos grupos alvo (que, na prática, são todos os praticantes de alto rendimento de todas as modalidades desportivas). Para tal, diz o art. 31º da Lei 38/2012, de 28/08, com as alterações da Lei 93/2015, de 13/08 que todos os praticantes desportivos que participem em competições oficiais estão obrigados a submeter-se ao controlo antidopagem, aplicando-se este regime a controlos fora de competição e em acções de controlo que não estão sujeitas a aviso prévio. Para que os praticantes desportivos sejam alvo destas acções "inesperadas", têm os mesmos de fornecer trimestralmente informação precisa e actualizada sobre a sua localização.
2. Que implicações práticas tem este quadro legal?
Na prática quer isto dizer que qualquer atleta de alto rendimento poderá ser alvo de controlos antidoping surpresa, estando em qualquer lugar ou situação, seja ela pessoal, social ou profissional, o que significa abdicar de direitos fundamentais que a maioria de nós tem como garantidos, pela prossecução do que é encarado um bem maior, ou seja, a verdade desportiva. Não retirando qualquer mérito deste valor que deve ser o expoente máximo de qualquer competição desportiva, parece-nos que o actual sistema antidoping extravasa aquilo que seria desejável no âmbito dos direitos privados e intrínsecos de qualquer cidadão, seja atleta ou não, uma vez que condiciona as liberdades dos atletas de uma forma que o poder público não se atreve a fazer."

O jogo online: o bom, o mau e todos os outros

"Dizer que qualquer comerciante quer enganar o “freguês” pois o seu único objectivo é obter lucro soa mal não soa? Tratar o jogo online como uma fonte do mal também.

Existem verdades com as quais não gostamos de ser confrontados. Perceber que temos uma veia radical é uma delas. No entanto existem temas que revelam isso mesmo, a nossa incapacidade de ver áreas cinzentas e que nos remetem directamente para o oito ou oitenta, para o bem vs. mal, sem nada pelo meio…
Assim, assumo que a maioria dos leitores já tenha irremediavelmente “vilanizado”a indústria do jogo online, actividade legalizada em Portugal a 29 de Abril de 2015.
Esta percepção generalizada resulta de elementos históricos, da informação disseminada acerca do impacto da actividade na vida de alguns jogadores, da existência de um mercado negro (não regulado) que poucas ou nenhumas garantias oferece aos jogadores, e ao facto de os comportamentos de jogo disfuncionais serem equiparáveis a dependências como a do abuso de álcool ou de drogas. 
Onde quero, afinal, chegar com tudo isto? A um meio-termo. À desmistificação da actividade do jogo online num ambiente regulado, enquanto actividade comercial que visa o lucro e que tem os seus riscos, como tantas outras actividades de mercado, mas na qual tudo é feito, quer pelo Regulador quer pelas entidades exploradoras, para proteger a integridade do jogo e os jogadores. Tal como todas as outras actividades de mercado reguladas, também nesta existem regras para garantir a qualidade dos bens e serviços vendidos, e a protecção dos consumidores.
Aliás, foi provavelmente a reputação do jogo que fez desta uma das mais reguladas actividades da actualidade. Focando-me única e exclusivamente no mercado do jogo online em Portugal, e independentemente da imagem que se tende a associar a esta actividade, a indústria não tem como não ser o aluno bem comportado do mercado, senão vejamos:
1. Os menores de idade estão impedidos de jogar online. O registo num website licenciado obriga ao fornecimento de diversos dados de identificação. Esses dados são efectivamente verificados (nomeadamente a data de nascimento) junto de uma base de dados oficial;
2. Temos uma Entidade Reguladora que de facto pratica, diariamente, o seu poder de monitorização sobre os websiteslicenciados, os quais, para estarem operacionais, tiveram de passar por um exigente processo de licenciamento;
3. Deste processo, o que provavelmente mais interessará saber ao jogador é que, associado aos jogos de fortuna ou azar, existe um Gerador de Números Aleatórios (“GNA”) que ditará os resultados de jogo. Este GNA é sempre testado e certificado por um laboratório creditado, independente, e reconhecido pelo Regulador nacional;
4. Os jogadores podem, a todo o tempo, rescindir o seu contrato de jogo e optar por sair do website; 
5. Os jogadores que queiram restringir a sua actividade de jogo, podem definir um valor máximo para depósitos e apostas, impor curtos períodos de pausa, optar pela auto-exclusão por tempo determinado (mínimo 3 meses), ou por tempo indeterminado;
6. As coimas aplicáveis às entidades exploradoras podem ser superiores a 1.000.000,00 de euros, podendo ascender a 10% do volume de negócios (e não do lucro) da entidade;
7. Antes de obterem a licença, as entidades exploradoras são obrigadas a prestarem duas garantias bancárias de valor elevado, uma para garantir as obrigações de pagamento aos jogadores, e outra para garantir o pagamento do imposto especial de jogo online (“IEJO”);
8. Os infractores podem ver suspensa ou perder a sua licença de jogo;
9. Estas entidades são expressamente visadas pelas leis de combate ao branqueamento de capitais e financiamento de terrorismo.
Acresce ainda que, um dos principais requisitos de entrada nos mercados regulados (pelo menos a nível europeu) é o da idoneidade. A infracção num país é facilmente punida noutro, quer através da revogação da licença, quer mediante o impedimento de entrada no mercado. Pior, muitas destas entidades estão cotadas em bolsa, e quaisquer infracções registadas, independentemente do mercado, podem ter um impacto negativo no valor das suas acções.
Logo, nenhuma entidade quer, voluntariamente, colocar-se numa posição de não cumprimento.
Por fim, as entidades exploradoras do jogo online são boas pagadoras de impostos. Conforme dados divulgados pelo Regulador em 2017, no primeiro ano completo de actividade regulada, 54,3 milhões de euros foram tributados como IEJO. E estamos apenas a começar.
Portanto, cá estamos nós numa de tantas áreas cinzentas. As entidades exploradoras do jogo online licenciadas, e como quaisquer outras empresas privadas, têm um objectivo principal, que é o de fazer lucro, neste caso através da prestação de serviços de entretenimento. Para alcançar o lucro há regras a cumprir, é necessário satisfazer os clientes, e ainda zelar pelo bom nome das marcas sob as quais operam.
Dizer que qualquer comerciante quer enganar o “freguês” pois o seu único objectivo é obter lucro soa mal não soa? Tratar o jogo online como uma fonte do mal também."

Benfiquismo (DCCCXXIV)

Sentimento...

Aquecimento... Tugão a chegar ao fim...

Benfica Podcast... dos Stades - 283

Vitória... em mais uma roubalheira monumental!!!

Benfica 4 - 2 Burinhosa

O vírus da lama continua a alastrar-se... É verdade que hoje ganhámos, mas ficámos muito 'condicionados' para a Meia-final com os Lagartos. Sem o Hemni e agora sem o André Coelho..
A Burinhosa é de longe a equipa que mais porrada dá... e hoje sabiam à partida que teriam impunidade total (mais uma vez)!!! Por incrível que pareça, o jogo acabou com o Benfica a levar: 3 Amarelos e 1 Vermelho, enquanto o adversário levou 1 Amarelo!!!
O Benfica não pode continuar em silêncio após estas situações recorrente... vir falar depois dos 'factos' não resolve nada!

Muito mérito aos jogadores, que a perder 0-2 e com a quadra totalmente inclinada, não perderam a cabeça...!!!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Sabe quem é? - Entre metralhadoras - Saraiva

"1. Por vários sítios aparece como tendo nascido a 13 de Julho de 1934 no Peso da Régua. Mas não, não foi: «Foi a 3 de Maio, nessa altura eram normais essas diferenças nos registos». O seu primeiro ídolo foi Pinga e aos 12 anos, lembrou-se de aprender o ofício de torneiro-mecânico: «Ao fim de oito dias, entalei o dedo médio da mão esquerda numa máquina, ficou esmagado, tiveram de mo amputar...»

2. Aos 15 anos foi para o Reguenses - e tinha outra paixão: o cinema. Sobretudo, Greta Garbo. «Para ver um filme numa esplanada não comprei bilhete, fui empoleirar-me numa árvore. A certa altura a pernada caiu, partiu-se-me a perna, a costela...»

3. Famoso pelo seu pontapé canhão, aos 17 anos tornou-se jogador do Sport da Régua. No ano seguinte, a Lisboa o chamaram-no para a tropa. Leôncio, seu companheiro de caserna, jogava pelo Palmense - e desafiou-o para lá.

4. Os golos a fio no Palmense aqueceram-lhe o sonho - pelo que se atreveu a aparecer no Benfica para um teste. Otto Glória chegara do Brasil mas foi Valdivieso quem lhe fez a prova. Mandou-o passar pela secretaria, Albino Rato afirmou-lhe: «Veja se, na Régua, arranja a carta de desobrigação e, depois, volte cá». Não gostou do tom - e no Palmense continuou.

5. Tropa feita, foi oferecer-se ao Braga, Imbelloni não o quis. Apanhou a camioneta para Guimarães, ao cabo de 15 dias, Galloway revelou-lhe: «Não, rapaz, não serves para nós...»

6. Tinha amigo no Salgueiros, falou dele a Alfredo Valadas, que o treinava - e ao segundo treino acertou-se a sua contratação, dando-se 3000 escudos ao Sport da Régua.

7. Meses depois, o FC Porto foi buscá-lo à Régua, hospedou-o no Lar do Jogador, dizendo-lhe que a prova decisiva para ficar era jogo na Póvoa, contra o Varzim. Não chegou a fazê-lo, tio da mulher desviou-o para o Caldas, que subira à I Divisão.

8. Com Fernando Vaz a treinador arrancou para 55-56 como avançado-centro. Magoando-se Abel, passou ele para central. O FC Porto voltou à carga - a resposta do Caldas foi: «Não demos mais de 100 contos por um jogador para o utilizar só uma época». Num choque, com Cavém partira a cabeça - e na jogada seguinte mais um choque com Cavém voltou a parti-la: «Andei uma semana maluco, com tonturas quando andava na rua, chegando até a cair - mas não, não deixei de jogar nem um dia». Em 1958-59 foi médio-centro - e pelas Caldas apareceu-lhe Gastão Silva a dizer que Guttmann o queria na Luz. «Assinei, desci as escadas da sede a gritar: Já sou do Benfica. Com copo de três o comemorei numa tasca ao lado e, de braços no ar, continuei até ao Rossio, a gritar: Já sou do Benfica!»

9. Esteve na batalha de onde o Benfica saiu para a final da Taça dos Campeões. Vencera o Rapid na Luz por 3-0. 15 dias depois no Prater, havia 1-1, à beira do fim. Skocik caiu na área, o árbitro mandou seguir, Guttmann pôs as mãos à cabeça, pressentindo a ira. Águas também - e correu para o jiz a suplicar-lhe que assinalasse o penalty contra o Benfica, disse-lhe que não, que não fora nada. Após soco a um benfiquista, Skocik agrediu o árbitro a pontapé, ele deu o jogo por findo. Fugiu para a cabina, aconselhou os benfiquistas a fazerem o mesmo.

10. Espectadores rasgaram redes, saltaram das bancadas, desmontaram o placard do relógio, arrancaram cadeiras, precipitaram-se para o balneário onde os benfiquistas se barricaram. Ouviram-se gritos, vidros a estilhaçarem-se, pontapés na porta - e José Augusto contou-o: «Lá dentro, tínhamos martelos, ferros de bater nos pitons, navalhas de raspar as pernas. Os primeiros a entrar caíam. Depois era uma avalanche». O autocarro que levara o Benfica foi quase destruído por chuva de pedras, a comitiva teve de voltar ao monte nas carrinhas da polícia, protegidos por metralhadoras.

11. Por se ter lesionado num joelho, em Berna, nos 3-2 ao Barça, o médio esquerdo não foi ele - foi o Cruz. Deixou o Benfica em 1963, três vezes campeão. Esteve dois anos jogador-treinador no Benfica de Castelo Branco. Treinador deixou de ser no Torralta em 1976, ficou responsável por piscinas no Alvor - e morreu, em Portimão, na segunda-feira."

António Simões, in A Bola

O Gil Vicente e a barca do inferno

"Um dos nossos maiores vultos da literatura, Gil Vicente, escreveu, no século XVI, o auto das barcas. Uma alegoria de imensa criatividade e que representava mais as misérias (muitas) do que as grandezas (poucas) do seu tempo.
No Auto da Barca do Inferno, talvez o seu texto mais reconhecido, mestre Gil Vicente embarcava as classes sociais da época, fazendo-se desfilar num enredo de imaginação genial. Todos os personagens estão mortos, mas nem por isso deixam de procurar o seu destino, quando se aproximam e tentam seduzir os seus barqueiros para ganhar lugar nas suas barcas.
O parvo é, sem surpresa, o povo. O que acredita e se deixa embarcar. Não que sem, antes, se anuncie ao Diabo:
«Furta-cebolas! Hiu! Hiu!
Excomungado das igrejas!
Burrelas, cornudo sejas...»
Gil Vicente mostra-nos que sempre soube que o povo se deixa facilmente enganar por quem tem artes de manipular e por quem tem o privilégio de mandar. Mas, sendo parvo, nem por isso é cego ou incapaz de entender as razões de quem o não deixa embarcar na barca do Anjo, que leva ao paraíso.
Leva bem mais gente a barca do Diabo, a tal que tem por destino o inferno. O que, apesar de tudo. Gil Vicente não nos diz, até porque se trata, sempre, de uma alegoria, é quando custa a viagem, qual o valor do bilhete para o paraíso e o preço da navegação até ao porto do inferno. Mas seria, muito provavelmente, incomportável o preço para chegar já ao paraíso. Por isso, Gil Vicente tem de ter a paciência de esperar. Um ano inteiro na barca do purgatório para, enfim, ser autorizado a entrar no céu há muito prometido."

José Manuel Delgado, in A Bola

Desmentido

"A Sport Lisboa e Benfica SAD desmente de forma veemente o conteúdo de uma denúncia anónima, hoje tornada pública, que afirma que o Benfica terá comprado parte dos bilhetes do jogo Marítimo-Sporting.
Essa denúncia é falsa, absurda e ridícula pelos próprios factos que descreve. Mas mesmo assim o Benfica exige que se reponha a verdade sublinhando que jamais se revê nessas práticas."

Quando as paredes falam

"Em 1952, Sugar Ray Robinson trocou o boxe pela dança. Sapateou com Gene Kelly e aborreceu as parisienses

Gosto de ler paredes. Isto é: no tempo em que as paredes falavam, agora limitam-se a grafittis baratos e sem sentido que nada revelam que valhe verdadeiramente a pena. Por exemplo, certa vez em San Salvador, dei com letras negras num muro impecavelmente branco: «Salvadoreños, tanta tranquilidad me da miedo». Como se a violência fosse uma espécie de droga e obrigasse a uma dose habitual.
As paredes, às vezes, eram as cicatrizes do Erasmo Carlos: «Eu sei que as cicatrizes falam/Mas as palavras calam/O que eu não me esqueci». Em Belfast, havia uma que gritava uma pergunta: «Is there death after life?». Um recado que vinha da morte? Ainda uma esperança de sossego? Na Avenida de Berna, alguém escreveu uma sentença irreversível: «De Auschwitz a Beirute só a memória é curta». Em Londres, no Soho, citaram Sugar Ray Robinson: «Every move you make starts with your heart». 
Na verdade, a frase completa de Sugar foi: «Rhythm is everything in boxing. Every move you make starts with your heart, and that’s in rhythm or you’re in trouble». Um ensinamento sábio que nada lhe valeu no momento em que resolveu apresentar-se ao público parisiense como bailarino. Um desastre. O ritmo só lhe entrava no coração se estivesse no ringue. Há quem diga que foi ele que elevou o boxe a uma forma de arte. Há quem diga que foi o maior pugilista de todos os tempos. Até Mohammad Ali conseguiu dirigir-lhe elogios embora os tivesse quase todos guardados exclusivamente para si próprio.
Sugar começou por ser Walker Smith Jr. Mas não havia lugar no boxe para um Walker, muito menos Smith. Ainda por cima Jr. como qualquer candidato a governador do Arkansas. Então entrou o açúcar. Ou seja, Sugar.
Eduardo Ohata publicou no Jornal de São Paulo uma crónica que começava assim: «Hoje em dia é comum esse ou aquele pugilista preceder seu nome com o apelido Sugar. Pode ser por pura vaidade, um truque de marketing de seu empresário ou um apelido dado por membros da imprensa (geralmente precocemente). Há tantos que corre-se o risco de adquirir diabetes: Sugar Shane Mosley, Sugar Ray Leonard, talvez o mais popular, e Sugar Ray Seales estão entre os mais notáveis». Depois, como é óbvio, dedicou-se a falar sobre Sugar Ray Robinson.
Um artigo sobre Sugar Ray saído no The Ring, considerado a ‘Bíblia do Boxe’, dizia que ele só poderia ser melhor se andasse sobre a água. E foi mais ou menos isso que ele pretendeu fazer ao trocar o boxe pela dança em 1952.
Chegou a gravar umas cenas com Gene Kelly, o homem de Serenata à Chuva, e continuou a molhar-se quando fez uma digressão com a Count Basie Orchestra. Em Paris, o público não lhe foi simpático. Com alguma razão. Afinal fazer sapateado e saltar à corda ao mesmo tempo era mais coisa de circo do que de verdadeiro music-hall. É verdade que, durante o Maio de 68, foram as paredes de Paris que nos ensinaram várias lições importantes. Uma delas era «Il est interdit d’interdire», coisa que Sugar Ray levou à letra mais de dez anos antes. Outra, atribuída a Marguerite Duras, que viveu esse mês com uma dedicação infinita, alertava: «Não sabemos para onde vamos, mas isso não é motivo para não irmos».
Não terá sido completamente por acaso que casou com uma bailarina, Edna May Holly, que actuava no Cotton Club e fez uma famosa digressão pela Europa na companhia de Duke Ellington. Quando regressou ao boxe, em 1955, declarou que se encontrava em plena forma. Afinal, durante a sua temporada em França, corria dez quilómetros por dia e passava cinco horas consecutivas a dançar. Nunca fora habituado a perder. Os seus números eram impressionantes no dia da sua retirada, em 11 de Novembro de 1965: 173 vitórias, 9 empates e 6 derrotas. Gastou todo o dinheiro que ganhara e, tal como sugeria Eduardo Ohata, adquiriu diabetes. Afinal não se é Sugar por dá cá aquela palha. A insulina passou a fazer parte do seu dia a dia.
Nos Olivais Sul da minha adolescência, ali a caminho do inesquecível Porco Sujo onde passei muitas horas a falar de futebol com o meu amigo Aventino Teixeira, houve quem tivesse o cuidado de avisar nas traseiras de um prédio: «Ò drogado, olha a parede!»
Não faço ideia de quantos terão chocado com ela antes de a lerem. Ou se o berro urbano evitou cabeças rachadas e narizes partidos. Sei que Sugar Ray Robinson se movia ao ritmo do coração nos ringues, mas nos palcos punha-se, por falta de jeito, a jeito da ferocidade da crítica. As paredes falam e as cicatrizes calam. Sugar dançava como uma fera ferida no corpo, na alma e no coração. Erasmo Carlos tinha razão: «Animal arisco/Domesticado esquece o risco»."

Porquê três pontos?

"À partida todos os jogos são iguais, mas uns valem 3 pontos e outros apenas 2. Porquê?
Porque foi entendido que, face à postura super defensiva de muitas equipas, era de privilegiar o jogo de ataque bonificando os vencedores com mais um ponto.
A ideia até pareceu lógica: face à incapacidade (ou falta de vontade) de penalizar o jogo passivo e o anti-jogo, a solução seria atribuir mais um ponto a cada vitória.
Acontece que, com essa decisão, os jogos empatados – mesmo que seja a 5-5 ou 6-6, em que todos jogaram abertamente ao ataque –, traduzem-se no paradoxo de as equipas amealharem um ponto e perderem dois! Além de nunca ter ficado provado que as vitórias resultam sempre de mais e melhores ataques (relembro um célebre União da Madeira-Sporting, 1-0, de há uns anos atrás...), quer-nos parecer que o princípio da igualdade levou aqui um grande abanão...
Vejamos o que acontece noutras modalidades.
Em Portugal, apenas o hóquei em patins utiliza o sistema 3-1-0 (V-E-D) idêntico ao futebol; no basquetebol não há empates e utiliza 2-1 (V-D), isto é, cada jogo vale 3 pontos e penaliza com zero a falta de comparência; e o andebol utiliza 3-2-1 (V-E-D), valoriza o empate com 2 pontos e a derrota com 1, pelo que cada jogo vale 4 pontos; haverá aqui alguma discrepância, já que 3 empates (6 pontos) equivalem a 2 vitórias, enquanto no futebol e no hóquei os 3 empates (3 pontos) equivalem a uma única vitória. Não nos referimos ao râguebi, pois estava em vias de aplicação (julgamos que ainda a título experimental) um sistema para valorizar também o número de ensaios.
Mas voltando ao futebol: como tantas vezes acontece, a necessidade aguça o engenho, pelo que um pontinho ajuda muito na contabilidade das equipas mais modestas, ainda que seja com o autocarro à frente da baliza; e se para alguns um ponto é ganho, para quem quer ser campeão dois pontos são enorme perda!
Que fazer, então, para repor o tal princípio da igualdade?
O mais lógico seria voltar ao sistema antigo (2-1-0 para V-E-D) e acabar com os 3 pontos por vitória; que passaria apenas a funcionar como forma de desempate na classificação final, bastando considerar o número de vitórias como primeira regra.
Outra maneira seria acabar com os empates: cada jogo valeria sempre 3 pontos, atribuídos à vitória; em caso de empate ao fim dos 90 minutos, haveria desempate por pontapés de penalti, sendo atribuídos 2 pontos ao vencedor do desempate e 1 ao derrotado.
Em jeito de conclusão, esta crítica ao sistema de 3 pontos centra-se nos campeonatos longos, com mais de 12 equipas, por se nos afigurar desnecessário e injusto; mas reconhece-se que é muito útil nas poules mais pequenas – com 4 equipas, a uma ou a duas voltas, por exemplo – já que oferece muito mais opções para os desempates."