Últimas indefectivações

sábado, 3 de novembro de 2018

Literalmente, no último segundo...!!!

Benfica 4 - 3 Corruptos

Quatro golos em castelhano, com grandes assistências do Chiquinho (que parece-me finalmente com a cabeça no sítio...)!
Como acontece quase sempre estes jogos são sempre mais 'fechados' e menos espectaculares do que as expectativas... Com pouco espaços, as 'bolas paradas' acabam quase sempre por ser decisivas. Desta vez, ao contrário do que é habitual (talvez o duo de arbitragem diferente do que é costume tenha permitido isso...), até tivemos mais 'bolas paradas', mesmo com os Corruptos, mais uma vez a não chegarem à 9.ª falta!!! Nós acabámos por fazer 2/7 e os Corruptos 1/5 entre penalty's e Livres Directos...
Mas a decisão acabou por sair de uma grande jogada, mesmo no último segundo...

A má educação do habitualmente circunspecto treinador dos Corruptos, deixou-me perplexo!!! Então o homem nunca viu um roubo tão grande?!!! A sério... Não devem ter espelhos lá pelo Melão Caixa!!! É preciso ter descaramento, depois de ser treinador dos Corruptos tantas épocas, e vir fazer de virgem ofendida...
Em relação às palavras do Pedro Nunes, só as posso entender como 'fina ironia'!!!

Agora, depois deste início com 3 jogos dificilíssimos, nas primeiras 4 jornadas, não podemos perder o foco, existem muitas armadilhas espalhadas por aí...

Vitória no Faial...

Sp. Horta 17 - 29 Benfica
(6-14)

Primeira parte demolidora, segunda parte gerindo...

 

Certeiros...

Benfica 93 - 88 Corruptos
20-25, 25-22, 19-17, 29-24

Boa vitória, contra o adversário onde provavelmente a ausência do Xavi se sente mais, devido ao Poste do outro lado... E assim, confirmou-se hoje novamente, que temos um 'novo' Cláudio Fonseca na equipa!!! Até parece uma daquelas histórias onde se suspeita que o rapaz foi raptado por Aliens e voltou outro!!!

Estivemos a perder em vários momentos da partida, mas os jogadores reagiram bem às desvantagens, e no final até gerimos bem a vantagem...
Os 5 jogadores que têm estado bem, voltaram a confirmar o estatuto... mas o Hallman e o José Silva têm que contribuir mais... o Barroso tem estado tocado... A questão do Snider é mais complicada: o puto parece-me ter potencial, mas ainda está muito 'verde', e se calhar para os momentos decisivos precisamos de mais...

Uma nota para o aziado Soares: não gostaste da recepção?! Azar, esta coisa de andar a gozar com viagens a Espanha tem destas coisas!!!

Só vitórias...

Benfica 3 - 0 Esmoriz
25-15, 25-19, 25-22

O Esmoriz até já proporcionou esta época, algumas surpresas, mas hoje o Benfica esteve a um nível bastante razoável, não dando hipóteses... e sem as 'brancas' das últimas jornadas!!!

A lesão do Gaspar parece não ser tão grave como poderia ter sido!!! Sendo assim, deverá estar de volta a tempo das decisões, evitando a ida ao mercado... Creio que será o Rapha, o substituto do Théo em caso de necessidade...

Demasiada juventude, ou não...!!!

Benfica 0 - 2 Aves


Muitos júniores de 1.º ano (acabámos com 5!!!)... uma diferença grande em termos físicos entre as duas equipas, mesmo assim os putos tentaram, mas foram traídos no contra-ataque...
É provavelmente a grande vantagem desta nova Liga: a possibilidade de dar competição aos nossos Juniores de 1.º ano... É óbvio, que os resultados se vão ressentir, mas sem a Liga revelação, muitos destes jogadores estavam a disputar a 1.ª Fase do Nacional de Juniores, dando cabazadas com pouco interesse competitivo...

Apesar da derrota, continuamos na liderança (partilhada) e com menos um jogo...

Derrota em Paços...

Paços de Ferreira 1 - 0 Benfica B


Não fizemos um mau jogo, contra uma equipa que já tem praticamente a 'subida' assegurada!!! O Paços tem um plantel recheado de jogadores com experiência da I Liga - vários caceteiros... -, e um treinador que 'nunca' falha!!!
Sem vários titulares desta equipa (Jota, Parks...) e com mais uma daquelas arbitragens típicas do Tugão, estivemos perto do empate...
Incrível a sequência, onde num canto a nosso favor do Kalaica é totalmente agarrado quando está a tentar cabecear e ele dá canto, e na sequência do 2.º canto, murro na bola com o mão do defesa, e segue jogo!!! Já para não falar dos critérios de amarelos e faltas absurdas: o Benny levou um autêntico bodycheck ao melhor estilo da NFL e segue jogo...!!!
A sequência de faltas no final sobre o Saponjic também foram 'engraçadas'!!!

Nota-se organização nesta equipa, os jogadores mesmo com algumas alterações, sabem quais são as posições que devem ocupar, e a saída de bola é feita com preceito... Falta, alguma verticalidade nos últimos 30 metros, mas não é fácil aos nossos putos jogarem entre linhas, com tantas 'marretas' por perto... E nos processos defensivos, nota-se a intenção de pressionar logo a bola... mesmo com alguns jogadores menos agressivos, nesse tipo de jogo - Willock por exemplo - a equipa sabe compensar...

PS: Numa eventual chicotada na equipa principal, o substituto natural é claramente o Bruno Lage. Num momento onde grande parte dos treinadores desejáveis está empregado, não faz sentido outro tipo de solução. E muito sinceramente, a opção Lage, deixara-me descansado...

Mudanças...!!!

"Novas mudanças se anunciam no futebol. De acordo com a edição de hoje do The Telegraph, o International Football Association Board, organização dependente da FIFA que define o regulamento do futebol, está a estudar novas mudanças nas regras da modalidade.
Uma delas diz respeito à marcação de grandes-penalidades e à hipótese de anular as recargas, quando falha a marcação de um penaltie. Ou seja, o que se propõe é que após o remate inicial, se o guarda-redes o devolver, a jogada termina e consequentemente o jogo reinicia-se com pontapé de baliza. 
Outra mexida nas regras diz respeito à eterna discussão em torno das grandes-penalidades assinaladas por mão na bola. Actualmente a lei 12 estabelece que um futebolista que toque “a bola deliberadamente com as mãos” será punido com a marcação de um castigo máximo.
Agora o que se pretende é que se retire a palavra “deliberadamente” e que seja substituída por uma definição do que é a posição natural e não natural do braço. Ou seja, de uma forma ou de outra, não vai acabar a discussão em torno destes lances.
Ainda uma terceira mudança diz respeito às substituições. O International Board pode propor que um jogador substituído saia de campo pela linha mais próxima, ao mesmo tempo que defende uma paragem do tempo de jogo enquanto decorre a substituição.
Estas mudanças serão estudadas na próxima reunião do International Board, terça-feira, em Londres e daí sairá a decisão de as levar, em Março, à reunião anual do organismo."

Um mundo paralelo

"Foi já ao pôr do sol, ainda com a respiração alterada, enquanto me deslumbrava perante a tela que se desenhava à minha frente, flutuando sobre o imenso azul, que me dei conta que passava a maior parte do meu tempo consciente, num mundo paralelo. Nesse mundo, extraordinariamente exigente, cruamente justo, perfeitamente objectivo, a magia acontecia todos os dias. Ela exprimia-se na subtileza dos tons do mar, na força da natureza mas, acima de tudo, na manifestação da necessidade intrínseca de ir mais longe, em busca da perfeição.
Na vastidão do oceano, um pé a menos e já não chegamos lá, um instante depois é já uma oportunidade perdida. Cada onda é um desafio, cada momento o mais importante. E quantas vezes falhamos! Tantas são as vezes que sentimos a água a escorrer por entre os dedos, afogados na ânsia de a reter.
Naquele universo, a alegria segue de mãos dadas com a dor, quais companheiras improváveis. A dor física, no entanto, é passageira. Pode ser por um segundo, por um dia ou por uma vida, mas eventualmente também isso muda. Não há no entanto maior dor, do que aquela que o baixar dos braços carrega. E essa, essa dura para sempre, cravada que fica nas profundezas da alma.
Era um mundo muitas vezes cruel. Sem contemplações pelas fraquezas humanas ou pela inexorável passagem do tempo. Não havia nada que revertesse a frieza dos números, que a alterasse ao sabor dos caprichos do ego. Nada!
Mas era também um espaço onde os sonhos se materializavam, por mais inverosímeis que pudessem ser. É ainda ali que, aqueles que acreditam que podem e que trabalham para isso, que falham e erram e choram e riem tantas vezes, acabam por mudar o sentido da corrente. Começando de novo, a cada sopro, as peças do puzzle encaixam-se por estranhas artes, como se o universo lhes proporcionasse aquela pequeníssima ajuda para, no final, pequenos milagres acontecerem.
Tal como tudo na vida, também esse mundo um dia se extinguiu. E nada mais ficou do que a espuma de uma onda que morreu na praia. O crepúsculo já se anunciava no horizonte, traçado nas linhas da pele, nos cabelos que perdiam a cor e na cada vez mais presente consciência do passar dos anos. O capítulo final foi em Terras de Vera Cruz. Depois, o silêncio reverteu aquele mundo para o plano das memórias...
“Quando daqui saírem, a maioria, praticamente não fará uso do que aqui aprendeu. Não usarão equações diferenciais no vosso dia a dia, a física quântica continuará a ser um mistério fascinante, não precisarão de saber a composição química dos materiais que usarão... mas, mais importante, estarão aptos a aprender qualquer coisa!” Terá sido, quiçá, o ensinamento mais marcante daqueles anos passados no Técnico. Duas décadas depois, lembrei-me dessa frase quando abandonava a Cidade Maravilhosa, terminando a minha carreira Olímpica. Ser-me-ia extraordinariamente útil a partir dali, na transição de atleta para, para algo que, ainda hoje, confesso ter alguma dificuldade em definir! Mas, mesmo sabendo que a engenharia não faz parte do meu dia a dia há alguns anos, aquele período passado em Lisboa, não foi de todo perdido. Ajudou-me a construir uma estrutura mental que permitiu-me encarar os desafios da vida, com uma crença inabalável na capacidade de os ultrapassar. No entanto, para que a vida continuasse a ter significado, era necessário mudar o foco.
A Comissão de Atletas Olímpicos tem, entre outros objectivos mais formais, ajudar os atletas no incrível processo que consiste na criação de condições para que um ser humano possa exprimir todo o seu potencial, no maior palco desportivo do planeta: os Jogos Olímpicos! Composta por atletas Olímpicos, para aqueles que aspiram a sê-lo ou já o foram, a sua essência reside no trabalho voluntário e pro bono de muitos atletas Olímpicos, que encontraram nesta comissão, um meio de devolver ao movimento Olímpico e à sociedade, um pouco do que a experiência Olímpica lhes proporcionou. Para mim, mesmo sabendo que jamais conseguirei retribuir tudo aquilo que representaram sete participações Olímpicas, o meu modesto envolvimento deu um novo significado à minha vida, privilégio do qual estou profundamente honrado e agradecido!"

Benfiquismo (CMXCVIII)

Saudades...

Vermelhão: demasiado mau...

Benfica 1 - 3 Moreirense


Não sei o que vai acontecer nas próximas horas, mas o que se passou hoje na 1.ª parte foi muito grave! Depois dos 'avisos', nada mudou, e continuámos a cometer os mesmos erros, sendo que um dos 'erros' é demasiado evidente: transições defensivas 'inexistentes'!!! Jogadores mal colocados, de forma infantil... sendo que qualquer perda de bola no ataque, se transformava numa aflição, junto da nossa área! É verdade que a má forma do Fejsa explica alguma coisa, mas não é o suficiente... E se o Fejsa está com algum problema, então não deveria jogar (mas quando mudámos para o 442 o Fejsa até jogou melhor!)...
E depois, este tipo de erros, transforma-se numa bola de neve, onde a equipa começa a fazer tudo mal, até aquilo que até à pouco tempo, sabia fazer... Perca de confiança, ansiedade, frustração... etc..
Com tanta fragilidade nas transições defensivas, os jogadores começam a duvidar de tudo: de cada passe, de cada desmarcação... Sem confiança na defesa, não se pode atacar bem...
Não é coincidência o facto do Benfica, nos últimos tempos ter feito os seus melhores jogos, contra os Corruptos e contra o Ajax... Foram jogos, onde tivemos menos posse de bola, jogámos em contra-ataque, jogos onde o 433 até se adapta melhor...
Mas no Jamor e hoje com o Moreirense (já com o Sertanense... se tinha passado algo parecido) dentro de todos os outros problemas, ficou provado que o plano A, do Benfica, tem que ser sempre o 442... Contra este tipo de equipas, no Tugão com todas as outras condicionantes, o Benfica é obrigado a jogar sempre com 2 avançados, sempre...
Depois do 3.º golo, ainda na 1.ª parte, a equipa mudou logo para o 442, e melhorámos imediatamente... Depois com as substituições, ainda ficámos melhor... Mas o 'handicap' era demasiado grande, e a 'desconfiança' já estava instalada, dentro e fora do relvado.. (e depois ainda houve mais um grande empurrão...)!

Uma nota individual: pode parecer deslocado, não fez uma exibição isenta de erros (alguns passes errados), mas no meio do caos, na minha opinião foi gigante: Gedson!
Agora, aquilo que ainda me deixa mais frustrado, é que além de todos os nossos problemas (que eu não me esqueço), tudo isto foi 'preparado' para ter ainda mais impacto na classificação!
Após o Campeonato de 2010, começamos a época seguinte, com uma sequência: Cosme Machado, Proença, Vasco Santos e Benquerença... é à 4.ª jornada tínhamos menos 9 pontos!!!
Em 2012, no final de Fevereiro, início de Março, levámos com uma sequência de Sousa, Hugo Miguel, Xistra e Proença... e a vantagem que tínhamos desapareceu... e passadas algumas jornadas Capela, Soares Dias 'acabaram' com o 'serviço' (com o Benquerença a 'matar' matematicamente o campeonato)!!!
Este ano, houve uma preocupação em sabotar a época do Benfica nas primeiras jornadas (com a eliminação na Champions incluída): falharam... O Benfica manteve-se na luta... e entrou na fase de grupos da Champions! E depois com alguma 'surpresa', venceu os Corruptos na Luz... apesar do Veríssimo!!!
Consequência: Alarme...!!!
Com o Benfica a demonstrar fragilidades dentro do campo (eles cheiraram 'sangue'!!!), manda-se dois dos mais experientes Ladrões no activo, para fazerem o 'serviço'!!! O Benfica 'ingénuo' acaba por lhes facilitar o trabalho... Mas a 'encomenda' estava feita, e foi 'entregue'...
Se no Jamor, na 1.ª parte tivemos a 'não expulsão' do Keita e o 2.º golo irregular do Belém, na 2.ª parte, o nosso treinador, com as substituições, 'sabotou' a equipa... o apitadeiro praticamente não teve de fazer nada, no 2.º tempo; hoje, foi diferente... o Benfica, estava a tentar, bem ou mal, estava a tentar... (e ninguém pode acusar os jogadores de não terem corrido...), mas mesmo com 1-3, o apitadeiro sentiu a necessidade de entrar em jogo, para garantir o resultado negativo e agravar a contestação (alguns até podem dizer, ainda bem: assim ficou mais visível... mas não foi essa a intenção).
Podem dizer que o Jardel teve uma paragem cerebral, mas aquele tipo de lance existe em todos os jogos, em quase todas as 'barreiras'... (nem é preciso recordar a cotovelada do Keita ao Rúben no Jamor); agora os penalty's sobre o Rafa e o Cervi são indesculpáveis, principalmente devido à atitude de nem sequer 'pedir' a intervenção do VAR... e se o do Rafa pode deixar dúvidas a alguns (para mim é claro, porque não é carga de ombro, já que quando o Rafa faz a mudança de direcção, leva com o braço nas 'costelas'), o penalty sobre o Cervi é inacreditável...
E até podia não ter alterado o resultado do jogo... mas demonstra premeditação...!!!
Esta puta Lagarta, é especialista neste tipo de jogos na Luz: foi este cabrão que apitou o Benfica - Estoril de 2013, com uma arbitragem vergonhosa, com influência directa no resultado, mas naquela altura, apesar da qualificação para a Final da Liga Europa dias antes, a 'contestação' contra o Judas (desgaste dos dois campeonatos perdidos... a caminho do terceiro), acabou por abafar o Roubo... algo que vai novamente acontecer...!!!

O Benfica permitiu que o Crime Organizado tomasse novamente conta de todas as instituições do Tugão! O Presidente, não pode pensar que ter a melhor 'gestão', as melhores 'contas', as melhores 'infra-estruturas', até o melhor 'plantel', é suficiente para ganhar no Tugão!!! Se ele pensa mesmo assim, é porque apanhou algum 'vírus' da ingenuidade, algo que nunca pareceu ter anteriormente...
Como eu já digo à muito tempo, o Benfica para ser Campeão, tem que ser muito, mas mesmo muito melhor que todos os outros... tal com o saudoso Manuel Seabra o disse repetidamente na BTV...
E não será com alguns tweets semi-engraçados, que vamos mudar alguma coisa... Tanto o Conselho de Arbitragem, como o Conselho de Disciplina... como a comissão executiva da Liga, têm que ser denunciadas... inclusive, se for necessário, com processos cíveis contra estes corruptos...

A questão nem sequer está na qualidade de Rui Vitória, comparada com os principais adversários, muito provavelmente, se Rui Vitória fosse treinador dos Corruptos, com golos como aquele que foi validado contra o Feirense, os Corruptos seriam Campeões com 20 pontos de avanço!!!
Mas Rui Vitória, não é treinador dos Corruptos, é treinador do Benfica, e para ganhar no Benfica não se pode dar abébias...
Todas as equipas têm más sequências durante uma época (e o Benfica este ano até pode usar a desculpa do início carregadíssimo, e estar agora a sentir as consequências físicas... algo que não me parece estar a acontecer...), e normalmente a diferença no final das épocas, está exactamente na forma como se ultrapassam os maus momentos!!! Se os Corruptos, por exemplo nesta nova era do VAR, podem ter golos bem anulados, validados pelo VAR, nós não temos essa 'rede', portanto a margem de erro não existe...
Não perdemos o Campeonato hoje, mas tudo ficou muito complicado... e se somarmos a 2.ª volta com deslocações complicadíssimas... tudo fica muito difícil! Raramente sou a favor de chicotadas psicológicas, até porque no Benfica não costumam resultar... mas cada vez 'cheira' mais a isso, mesmo com a habitual intransigência do Presidente nestas situações...

Em condições normais, o jogo de Quarta até podia ser o jogo da 'recuperação' da confiança, até porque é um dos tais jogos, onde o 433 se adapta bem, porque o Ajax vai jogar da mesma forma que jogou em Amesterdão... mas como estão as coisas, é um jogo muito perigoso!

Uma nota final para o comportamento de alguns nas bancadas: Nunca assobiei uma equipa do Benfica, muito menos durante os 90 minutos... Até aceito, que no final, os adeptos podem demonstrar a sua insatisfação... Mas durante o jogo é inaceitável! Principalmente, quando foi perfeitamente visível que não foi por falta de vontade dos jogadores que as coisas não correram bem...

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Estreia na Taça...

Palmelense 0 - 20 Benfica


Estreia na Taça de Portugal, com mais uma goleada... a competição 'mais importante' desta época!

Luís Filipe Vieira: a palavra e a obra

"Luís Filipe Vieira completou 15 anos de presidente do Benfica. Não deixa de ser curioso verificar que os casos de maior sucesso nos clubes de futebol, em Portugal, têm a ver com aquilo a que o próprio Vieira chamou de «estabilidade directiva». Pinto da Costa, o mais estável presidente dos clubes portugueses, já leva 36 anos de presidência e António Salvador lidera o SC Braga, tal como o presidente do Benfica, há 15 anos, ganhando-lhe, até por mais oito meses. Os três, apesar das óbvias diferenças de personalidade e de estilo, são da escola centralista. Como se viu e ouviu na entrevista, mesmo que seja para assinar de cruz, os papeis têm de passar pela mesa do presidência. É assim com Vieira e não é mais democrático com Salvador. Com Pinto da Costa, como é público e notório, também não.
Há, no entanto, na entrevista à TVI, um público reconhecimento do mérito profissional de algumas personalidades que rodeiam o presidente. Neste mérito, Vieira foi suficientemente generoso para incluir Paulo Gonçalves (não se deixa cair um amigo) e o, agora muito criticado Rui Vitória.
Percebeu-se o conceito, o princípio e a regra de defender, por junto, toda uma equipa que pretende remar para o mesmo lado, tanto mais que ninguém perguntará quem é o timoneiro.
Verdade se diga que o Benfica de 2018 não tem comparação com o Benfica de 2003 e isso abona, e muito, o trabalho realizado por Luís Filipe Vieira. Não sei se, dentro de anos, como dizia Domingos Soares de Oliveira, o Benfica estará entre os dez melhores da Europa, mas a obra, que não se esgota nos resultados desportivos, merece respeito e reconhecimento."

Vítor Serpa, in A Bola

Dilema táctico...

"Só 1 ponta de lança, tendo 4! E os 7 médios? Pizzi, ou Gedson, Gabriel, Krovinovic... de fora?! E Fejsa que só defende... Tanto criticaram 4-4-2!

Ia o Benfica bastante bem - ultrapassara 4 jogos rumo à Champions e a mais de €40 milhões; vencera FC Porto, ganhando-lhe avanço de 2 pontos - e eis que, de súbito, lhe é anunciada crise!: derrotas consecutivas, perante Ajax e Belenenses.
Nadinha uma tem a ver com a outra. Em casa do Ajax - este empatara (1-1) na visita ao Bayern... que fugiu a derrota graças ao excepcional Neuer -, o Benfica jogou bem, soube defender e atacou com desenvoltura, perdendo, ao minuto 90+2, por erro individual (fífia de Conti) e sorte holandesa no remate que, batendo em Grimaldo, mudou trajectória. No Jamor, face a Beleneneses muito bem dirigido por Silas, calamidade benfiquistas! Absurda, após 35 minutos com Benfica embalado para categórica exibição (por 4 ou 5 vezes, deveria ter marcado; não só no penálti que Salvio esbanjou...). De súbito, Belenenses saiu de sufoco, lançou 2 contra-ataques e... 2-0! Mérito ao provocar erros individuais: primeiro, precipitação de Odysseas deu penálti; de seguida, centro defensivo a dormir... Já em Chaves - mau Benfica, friso -, 2 pontos cedidos, ao minuto 90+6, em larga medida porque Conti se fez expulsar...
Eis Rui Vitória como grande réu. Ponto de ordem à mesa: nunca com ele falei. Quiça muito estranho, mas pura verdade. Somo décadas, desde logo profissionalmente, a analisar futebol pela minha cabeça - às vezes, contra ventos e marés... Neste caso, eis o que penso:
- Ao intervalo, Rui Vitória mudou sistema, lançou Jonas, juntando-o a Seferovic (adiante abordarei dilema 4-3-3 ou 4-4-2). E não vi erro na saída de Salvio, passando Pizzi para extremo. Jonas e Salvio, a dupla com classe no Benfica, têm problemas físicos...; e Salvio, na Holanda, jogara todo o tempo, o que, por algum motivo, nele vem sendo raridade. Que aconteceu? Precisando o Benfica de rápida redução da desvantagem, de imediato também Jonas, até ele!, falhou golo tendo baliza escancarada. E mais veio a falhar. Total recuperação de longuíssima baixa clínica não se faz num ápice.
- A meio da 2.ª parte, prosseguindo péssima finalização, entrou 3.º ponta de lança: Castillo. Sim, desespero! Raríssimo os problemões assim se resolverem (e fabulosa exibição de Muriel merecia nota máxima: 10!). Mas o Benfica não ficou sem extremos (Rafa e... Grimaldo). Acabou, vai ou racha, em 3-5-2.
- Penso que André Almeida deveria ter saído; e, sobretudo, retirada do médio defensivo, Fejsa, bem antes dos 84 minutos!
Nada disto anula estas realidades:
- Benfica de Agosto (8 jogos) foi firme bloco, com fortíssima pressão sobre adversários/bola e rápida recuperação desta. Continua a saber fazê-lo - mas, agora, isso dura meio jogo, ou meia hora, posto o que... equipa partida Quebra física após duro Agosto?
- Mantém mérito de construir muitíssimas oportunidades de golo (logo, o trabalho de treino está lá). E agrava-se o demérito de tanto as falhar. Impressionante Amesterdão + Jamor: pelo menos uma dúzia de flagrantes oportunidades criadas, rotundo zero em certeira finalização! Culpa do treinador, que põe a equipa a tanto construir? Clara imperícia de não bons finalizadores. Médio Pizzi tem 6 golos, seguido por Rafa (5) e Salvio (4), extremos...

Polémica: 4-3-3, ou 4-4-2? Absurdo sistema com 1 ponta de lança, havendo 4 no plantel? Pois... Só que... primeiro: Jonas permaneceu eternidade em baixa clínica; e parecem esquecer-se (muitos) de que também Castillo esteve lesionado, até há pouco tempo, e Ferreyra - li - ainda com lesão se debate. Assim Seferovic subiu a titular (está jogando bem, mas... goleador nunca foi - em toda a carreira).
Segunda questão: e os médios? Plantel tem 7: Fejsa, Pizzi, Gedson, Gabriel, Alfa Semedo, Samaris e... Krovinovic (talento prestes a regressar de quase um ano KO). Com 2 pontas de lança, só 2 médios centrais... Quem com Fejsa? Pizzi? Gedson? Gabriel? Krovinovic? Sempre Fejsa? Dois problemas: o de não haver boa alternativa para n.º 6 (ai quando o titular tem lesões, frequentes); e o Fejsa, pilar na protecção defensiva, aí esgotar as suas boas características. Nada a ver com William Carvalho, ou Danilo, ou Rúben Neves. Sem a versatilidade deles, só defende - em 11 anos de carreira (esta é a 6.ª no Benfica), apenas 4 golos marcou (difícil lembrar 2 no Benfica)! -, daí jogar muito atrás. Centro do meio-campo Fejsa-Pizzi, por exemplo - Gedson, Gabriel, Krovinovic... de fora? -, dificilmente não abrirá crateras. Por isso - caramba, haja memória! -, treinador tão criticado foi por só a meio da época anterior ter segurado a equipa, mudando para... 4-3-3 (Jonas ponta de lança único). Convém pensar um bocadinho..."

Santos Neves, in A Bola

Alvorada... do Zé Nuno

O problema do Sporting não é Peseiro, é estrutural

"A demissão de José Peseiro parece uma tentativa imatura e precoce de conquistar tempo e espaço de manobra junto da opinião pública sportinguista, procurando esconder os reais problemas estruturais da Sporting SAD.

Peseiro foi bem mais do que se podia esperar de Peseiro. Exactamente quatro meses depois de ter sido apresentado como treinador do Sporting, e com algumas exibições titubeantes e um par de resultados mal conseguidos, Frederico Varandas parece demitir à primeira oportunidade um treinador que apurou a equipa para a próxima eliminatória da Taça de Portugal, tem todas as condições para garantir o apuramento para os 1/16º de final da Liga Europa, depende de si próprio na Taça da Liga e está a dois pontos da liderança na Liga NOS.
E se compararmos concretamente com as duas épocas anteriores, nunca o Sporting esteve mais perto da liderança da liga NOS à 8ª jornada (2 pontos em 18/19 e 17/18, e 5 pontos em 16/17), sendo que foi com Peseiro que teve o calendário mais difícil (já jogou fora com Braga e Benfica, e nas duas épocas anteriores recebeu apenas o Porto). E tudo isto com Bas Dost lesionado…
Daí que se possa inferir que esta foi uma decisão injustificada que coloca em causa o verdadeiro e honesto apoio de Frederico Varandas a José Peseiro. Nunca a expressão “este é o meu treinador” pareceu ter um cariz mais populista e eleitoralista do que a proferida pelo presidente do Sporting aquando da sua campanha. Lembre-se o leitor que o único candidato que não o fez e apresentou Claudio Ranieri como treinador, veio a retroceder mais tarde nessa decisão tendo inclusive retirado a sua candidatura.
A demissão de José Peseiro parece uma tentativa imatura e precoce de conquistar tempo e espaço de manobra junto da opinião pública sportinguista, procurando esconder os reais problemas estruturais da Sporting SAD:
1. Instabilidade na(s) liderança(s). Nos últimos cinco meses, o Sporting teve três presidentes, prepara-se para contratar o terceiro treinador, e ficou sem o seu capitão e sub-capitão.
2. Ausência de cultura sporting. Dos vinte e dois jogadores mais utilizados este ano na liga NOS, apenas quatro são portugueses e dois são oriundos da formação. Comparativamente aos mais recentes jogadores exportados, nenhum tem sequer cem jogos na competição pelo Sporting (Rui Patrício #327, Adrien #169, William #143, e Nani #82).
3. Ausência de planeamento. Os grandes clubes preparam a construção dos seus planteis com três anos de antecedência. O Sporting começou a preparação da presente temporada já depois do seu início.
4. Falta de talento. Se compararmos os onze jogadores mais utilizados esta época com os da época passada, o Sporting perdeu Rui Patricio, Piccini, William Carvalho, Gelson e Fábio Coentrão, e contratou Gudelj, Raphinha e Nani.
5. Pressão em excesso. Quando a experiência entregue ao adepto não é (no mínimo) igual à expectativa criada, a sua satisfação é negativa (manifestada através de lenços brancos). Sousa Cintra começou a temporada afirmando que o Sporting iria ser campeão, negligenciando o actual momento do clube e o facto de não ter conquistado qualquer campeonato nos últimos 16 anos (e apenas dois nos últimos 36 anos)."

O filho português de Mrs. Barnett

"Toda a gente sabe que os ingleses são essencialmente práticos, até no momento de darem nome a um cavalo de corridas

Acabado de chegar de Paris, o jornalista e poeta brasileiro Cláudio Mello e Souza soltou esta expressão meio inconveniente: «O francês é um cavalo». Instado a explicar-se melhor, viria a concluir que se deve medir sempre a vitalidade histórica de um povo pela saúde e pujança dos seus coices. Claro que isto foi no tempo dos confrontos sociais de 1968 e, hoje em dia, o francês já não é assim tão cavalar. Sinal dos tempos.
Recordam-se do sr. Sousa Neto, d’Os Maias? Numa daquelas noites em casa dos Gouvarinhos, acercou-se do Carlos, curioso. E perguntou: «Encontra-se por lá, em Inglaterra, desta literatura amena, como entre nós, folhetinistas, poetas de pulso?». E o Carlos, com um descaramento divino: «Fique V. Exa. sabendo que em Inglaterra não há literatura». O outro cerrou as pálpebras, meditabundo: «Logo vi..., logo vi... um povo essencialmente prático».
Ora bem, toda a gente sabe que em Inglaterra não há putas, se me perdoam a expressão, mas já volto à vaca fria que, neste caso é um cavalo. Escreveu, numa das sua obras, o sociólogo Arthur Sherwell: «É do conhecimento público que, pelo menos no West End, as modistas, as costureiras e as ajudantes recorrem frequentemente à rua, durante a estação morta, e retomam as suas boutiques quando a saison recomeça. Por outras palavras, a moralidade acompanha as flutuações do comércio». Como veem, tenho razão. Em Inglaterra há, quanto muito, uma enorme massa de mulheres desafortunadas. E essencialmente práticas. Cláudio Mello e Souza exclamaria triunfante: «O inglês é um cavalo». Ora era precisamente aqui que eu queria chegar.
Um cavalheiro português, bem relacionado na corte inglesa e apaixonado pelo turf, vivendo há vários anos em Inglaterra, resolveu comprar um animal com o qual pudesse participar nas corridas. Decidiu-se por uma égua thoroughbred à qual deu o nome da amante, uma viúva inglesa de ancas igualmente equinas à qual devotava uma afeição carnal e enciumada: Mrs. Barnet. Catherine Bergen Johnson de solteira.
Passa o tempo. Ao contrário da viúva, Mrs. Barnet, a égua, nunca revelou dotes físicos capazes de impressionar quem quer que fosse. O nosso cavalheiro português, que merecidamente conservarei num confortável anonimato, viu-se de repente a braços com uma Mrs. Barnet, a égua, muito pouco útil para a finalidade que inicialmente lhe estabelecera. Perante o facto, resolve entregar a outro a Mrs. Barnet de quatro patas. O feliz contemplado era um baronete das suas relações, Sir William Stirling-Maxwell of Pollock.
Sir William, não de todo insensível aos quadris da quadrúpede Mrs. Barnet, nomeou a oferta do seu amigo português como candidata ao cruzamento genético com um dos seus campeões, o também puro-sangue thoroughbred, Haphazard. Deste enlace nasceu um potro com todas as características de rei do turf.
Prossigo a historieta com a divulgação de uma desenxabida inconfidência: Mrs. Barnet, a viúva, resolveu igualmente entregar-se a outro. Por causa de um oficial da Royal Navy, o cavalheiro português viu-se despojado de ambas as Mrs. Barnet. E não aceitou o facto com bonomia. Convidado pelo seu amigo Sir William para assistir ao nascimento do jovem filho de Mrs. Barnet com Haphazard e, num gesto de generosidade próprio de um baronete, a atribuir-lhe um nome, o nosso amigo não hesitou:
- Um filho de Mrs. Barnet só pode ser um filho da puta!
Filho da Puta ficou. À portuguesa.
Tudo isto se passou sob a prodigiosa civilidade inglesa que, como sabemos, deveria ser exportada para o resto do planeta sem custos adicionais de transporte.
O filho da Mrs. Barnet cavalar (e a este momento da crónica já o leitor saberá distingui-las) tornou-se famoso por vencer, em 1815, a St. Leger Stakes, em Doncaster, a mais antiga das British Classic Races. Precisamente uma milha, 6 furlongs e 132 jardas. Se tomarmos em conta que uma milha são exactamente 5280 pés e cada pé tem 12 polegadas; que cada furlong representa um oitavo de milha e, portanto, 660 pés ou 220 jardas; e que cada jarda é igual a 0,9144 metros, chegamos à conclusão fácil de que o Filho da Puta percorreu 2.937 metros na sua galopada para a vitória. Tinha sido montado até ao retumbante triunfo pelo jockey John Jackson às ordens do treinador James Croft.
Quanto ao nosso compatriota, que oferecera Mrs. Barnett tão graciosamente ao seu amigo baronete, consta que fazia espalhar de forma liberal pela sociedade londrina de então a explicação cabal para o estranho nome do cavalo campeão, recebendo em troca amplas gargalhadas. Aprendeu em Inglaterra uma lição importante: um cavalheiro nunca se enfurece; apenas se desforra. Era essa a razão pela qual o sol nunca se punha no Império Britânico."

Santo Dio, Allegri

"Passou por mim mais de uma dezena de vezes. Em passo acelerado, devagar com as mãos nos bolsos, a gesticular ou a gritar.
Quando pelas 17:30 do dia do jogo, Martin O´Boyle, Media Officer e VOBM da UEFA, no estádio me entregou os observer seats e a estrela autocolante que dá acesso à flash interview, estava longe de imaginar que iria dividir a atenção do jogo com o espectáculo particular do treinador da Juventus, Massimiliano Allegri.
Percebi que estava num ambiente de showbiz durante a reunião com as televisões detentoras de direitos da Champions na minúscula sala de conferências de Old Trafford.
Martin mostrou-se de início um verdadeiro entretainer. Apresentou os elementos que estavam com ele na mesa como se fossem artistas, pedindo aplausos às equipas de produção e aos representantes do Manchester United e da Juventus.
Quando tocou a falar a sério disse que a UEFA e os clubes estavam ali para ajudar mas quando chegasse a hora das entrevistas rápidas não fossem pedidos jogadores expulsos ou a quem o jogo tivesse corrido mal.
Depois de ter informado que uma câmara da transmissão do jogo tinha mudado de posição e de ter saudado a presença de uma televisão da Austrália, Martin terminou a reunião com um quiz dirigido à plateia. Canetas e pins da Champions League para as respostas corretas. Tudo como se estivéssemos num programa de entretenimento na televisão.
Os observer seats colocaram-me nas primeiras filas de Old Trafford ao nível do relvado, ao lado do banco da Juventus. Passei de um entretainer na sala de imprensa para uma peça com Massimiliano Allegri no Teatro dos Sonhos.
Foi assistir a um quase monólogo em que toda a gente o via mas poucos o ouviam. Berrou com o adjunto, que gritou para o campo. Berrou com um elemento do staff, estrategicamente colocado na primeira fila, que gritou para campo.
Caixas de ressonância mesmo ao meu lado e desabafos em tempo real.
Estão 76 mil pessoas no estádio, o ruído é tanto que os jogadores não ouvem nada. Allegri subiu e desceu as escadas de acesso ao banco vezes sem conta. Sempre com os mesmos lamentos, sempre sublinhados como o mesmo sonoro desabafo. «Santo Dio»."

Jogadores e... jogadores

"Além das respectivas selecções, há jogadores que vestiram sempre a camisola do mesmo clube; e outros (muitos outros) que brilharam em campeonatos diferentes em representação de clubes distintos. Na discussão de quem foi o melhor, este vector "fidelidade" é muitas vezes determinante das escolhas feitas.
Vamos fazer uma análise alargada: a nível mundial entre as duplas que mais polémicas proporcionaram – Pelé e Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo – sem esquecer alguns dos que, ao longo dos anos, proporcionaram os maiores espectáculos futebolísticos, Eusébio, Cruyff, Ronaldo Nazário, Ibrahimovic, Zidane, Modric, Neymar e, para aqueles que ainda os puderam ver em directo, vamos citar (apenas citar) Di Stefano, Kubala, Garrincha, Kopa, Gento, Platini, Van Basten ou Puskas, entre tantos outros; e, a nível nacional, os que consideramos terem sido os maiores nas suas épocas, José Travaços, Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo.
Certamente já repararam que, entre tantos nomes, não surge nenhum guarda-redes (os golos marcados contam mais que os sofridos...), nem aqueles que, apesar de ainda muito jovens (Mbappé, Dybala, Hazard, Pogba, Bernardo Silva), há muito que deixaram de ser promessas mas não é justo ficarem, por ora, a perder na comparação com as gerações dos que podiam ter sido seus pais ou avós. 
Comecemos pelos maiores rivais de sempre.
Pelé nasceu em 1940 e praticamente só jogou no Santos ou pelo Brasil (três vezes campeão do Mundo); enquanto Maradona (1960) foi campeão do Mundo pela Argentina (também de juniores), brilhou em Espanha (Barcelona) e, principalmente, em Itália, onde fez bicampeão o modesto Nápoles.
Já Cristiano Ronaldo (1985) começou no Sporting e brilhou no Manchester United e no Real Madrid (onde conquistou tudo, interna e internacionalmente) e prepara-se para fazer o mesmo em Itália depois de ter levado Portugal a campeão europeu; enquanto Messi (1987) chegou ao Barcelona com 13 anos, onde sempre jogou e também ganhou tudo e, na selecção argentina, ficou-se por um título olímpico e outro mundial de Sub-20.
As performances individuais são impressionantes: Maradona disputou 588 jogos e marcou 446 golos (91 e 34, respectivamente, na selecção argentina); Pelé marcou bem mais de mil golos, embora nos registos oficiais se fique pelos 757 em 812 jogos (92-77 pelo Brasil); até agora Messi regista 648 jogos e 565 golos (128-65 pela selecção); Cristiano Ronaldo, respectivamente 773-580 (154-85 pela selecção).
E não nos alongamos na pormenorização dos títulos colectivos e prémios individuais que todos conquistaram, deixando aos nossos leitores a escolha daquele que acharam ter sido o melhor.
Outros nomes – escolha nossa, naturalmente discutível.
Zlatan Ibrahimovic (nascido em 1981), para nós um dos expoentes máximos, jogou na Suécia, Holanda (onde marcou, aos 19 anos, no Ajax, o que foi considerado o 2.º melhor golo de sempre), Itália (3 equipas), Espanha, França, Inglaterra, 756 jogos, 446 golos (116-62 na selecção sueca), campeão e melhor artilheiro em vários países, tendo gerado negócios superiores a 170 milhões de Euros nas várias transferências.
Johann Cruyff (1947-2016), jogou no Ajax e no Barcelona, 4 títulos de campeão europeu (3+1), 660 jogos, 514 golos (48-33 na selecção).
Ronaldo Nazário (1976, "Fenómeno"), jogou no Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians, 518 jogos, 352 golos (105-67 pelo Brasil), campeão e melhor marcador em vários países e mundial, pelo Brasil, em 2002.
Zinedine Zidane (1972), Cannes, Bordéus, Juventus e Real Madrid, 724 jogos, 154 golos (108-31 pela França), campeão em Itália e Espanha, campeão do mundo.
E que dizer de Ronaldinho Gaúcho (outro "globetrotter"), Bale (a transferência mais cara de então), Neymar (a mais cara de sempre), Modric, Salah e tantos mais?
E a nível interno: José Travaços (1926-2002, o "Zé da Europa"), o melhor da sua geração e o mais internacional até então (35 vezes), 8 campeonatos nacionais, 2 taças de Portugal, 457 jogos e 172 golos marcados, jogou sempre no Sporting.
Eusébio (1942-2014), penalizado na apreciação internacional por ter jogado sempre no Benfica, 718 jogos e 727 golos (64-41 pela selecção), 10 campeonatos nacionais, 5 taças de Portugal, 1 taça dos campeões europeus, 1 "bola de ouro" (1965), 2 botas de ouro e 7 de prata, considerado em várias eleições um dos 10 melhores jogadores do Séc. XX.
Luís Figo (1972), começou no Sporting (1 taça de Portugal) e foi campeão no Barcelona (4), Real Madrid (4) e Inter, 789 jogos e 173 golos (127-32 pela selecção); vencedor da Liga dos Campeões, Taça das Taças, Supertaça europeia e Copa Internacional; "ballon d’or" 2000, melhor jogador FIFA 2001, 2.º em 2002.
Cristiano Ronaldo (1985), 4 vezes campeão do mundo de clubes, 5 ligas dos campeões UEFA, 2 supertaças UEFA, 3 campeonatos de Inglaterra, 2 campeonatos de Espanha, 8 taças e supertaças (4+4), campeão da Europa (selecção, 2016), torneio de Toulon (esperanças, 2003), 10 prémios individuais do melhor da FIFA e 8 prémios individuais da UEFA.
Qual o melhor português de sempre? Escolha o leitor..."

Lanças... Douradinhos !!!

Benfiquismo (CMXCVI)

Romaria...

Discurso dos 15 anos...

Haja paciência! ou não?

"Não ficaria bem comigo próprio se me limitasse ao conformismo e passividade, perorando sobre o azar, a contingência, o dia não

1. Nunca percebi a charada das conferências de imprensa no futebol por tudo e por nada. Não me refiro tanto às que se seguem aos jogos, pois aí até há matéria para perguntar e para responder. Foco-me sobretudo nessas pasteladas aborrecidas e sem conteúdo que precedem os jogos, com direito a longos e sonolentos directos de 3 canais temáticos (Bola TV, Sport TV e canal do clube) e - imagine-se - de mais 4 canais noticiosos, ainda que cada vez mais se deva pôr a palavra noticiosos entre aspas (RTP 3, SIC N, TVI 24 e CMTV). Uma fartura para um zero de interesse. Do lado das perguntas, há-as de dois tipos: as absolutamente dispensáveis e sem qualquer sentido jornalístico e umas poucas que até poderiam ter interesse informativo (a equipa, as lesões, a táctica, etc.). Do lado das respostas, às primeiras responde-se na mesma moeda de coisa nenhuma num conjunto entediante de frases feitas, tautologias gastas e ligares-comuns. Às segundas, a resposta - evidentemente - é a expectável, ou seja, de nada revelar, como, aliás, o próprio perguntador já sabe de antemão.
Destas sessões o que, no fim, é noticiado e comentado é uma de três situações: picardia entre técnicos sempre sugerida e estimulada até o titular da conferência cair que nem um patinho; um lapso ou uma gafe que, ao virar da esquina de palavras sobre palavras, se cometa; o estilo mais grandiloquente de tontos mind games de quem já sabe que se disser isto ou aquilo tem parangona assegurada, que faz 'escola'.
Não creio que faça parte de contrato dos treinadores a obrigação de fazerem tais ditas conferências de imprensa a toda a hora, com mais tempo de antena e direito a fartas repetições que nenhum outro poder de outra qualquer natureza alguma vez atinge.
Ora, no passado fim-de-semana, e no caso do Benfica, que é o que verdadeiramente me interessa, Rui Vitória - como ele e os outros quase sempre - falou, falou, falou e pouco ou nada disse. Mas, no meio do deserto da temática da antecipação de um jogo, mordeu o isco lançado por jornalistas e lá foi ele falar, outra vez, do jogo de Amesterdão, reagindo algo enervado. Rui Vitória resolveu recorreu aos rácios para dizer que era ele quem tinha o melhor registo a nível europeu, não sei se por sua alta recreação, ou por informação de alguém da 'estrutura'. Além de não soar bem para quem se lembre ainda da campanha totalmente desastrosa da época passada, pôs-se a jeito para ser desmentido pelos media. Foi fatal: no dia seguinte, o do jogo de que supostamente foi falar, a comunicação social não largou mais a afirmação precipitada do técnico benfiquista. E, por arrasto, o minuto 92 da Arena Johan Cruyff voltou à cabeça da equipa e a derrota europeia (injusta, é certo) entrou no Estádio Nacional, no meio da ventania e da chuva.
Que diabo! Não será possível acabar com esta fantochada das conferências antes dos jogos? Não creio que sejam obrigatórias, como acontece com as flash interview depois das partidas. Bem sei que há aquelas imagens por trás com a publicidade à qual importa dar retorno, embora seja previsível que quem vê tais longos minutos não se lembre de nenhum desses logótipos ou coisas parecidas.

2. O jogo contra o Belenenses SAD foi ingloriamente desperdiçado. Os azuis do Restelo, perdão do Jamor, não tiveram culpa nenhuma. Jogaram com todas as suas armas possíveis, tiveram um guarda-redes com uma exibição soberba, e até não fizeram nenhum anti-jogo. Conseguiram o feito de derrotar o SLB 11 anos depois em jogo realizado em casa. Em casa, é um modo de dizer. Fora, verdadeiramente tanto ou mais do que para o Benfica, no Estádio Nacional onde só quase havia benfiquistas.
Uma derrota comprometedora e nada expectável. Poderia escrever quanto lamentei o desperdício e a falta de eficácia na primeira parte. Poderia falar do segundo golo do Belenenses precedido de uma falta clara nas barbas do árbitro e facilmente analisável pelo VAR. Poderia desculpar mais um penálti falhado que, se tivesse sido convertido, ditaria quase certamente uma vitória folgada do Benfica.
No jogo na Holanda, a equipa até teve uma boa primeira parte, desinibida, mas, uma vez mais, a desperdiçar golos de uma maneira algo amadora, acabando por perder pela oitava vez nos nove últimos jogos da frase de grupos europeia. E não esqueçamos que, nos principais jogos europeus desta época, contra o Bayern, o AEK e o Ajax, o melhor jogador foi sempre o guarda-redes Vlachodimos.
O certo é que nos dois últimos jogos - Ajax e Belenenses - não se podem desperdiçar tantas ocasiões de golo cantado. Uma equipa com jogadores, alguns deles pagos a peso de outro, tem de ser competente. De que servem boas jogadas e oportunidades (e até penáltis) se dão em nada. Se no futebol o resultado é o que vale e o que fica registado, a verdadeira medida da competência é meter a bola lá dentro. O resto são cantigas...

3. Procuro ser fiel a ma regra: a de apoiar os treinadores que o meu clube tem, procurando não contribuir para situações de precariedade e de deterioração das suas posições e não perdendo de vista que, no futebol, há contingências que a acção humana não controla.
Sei que sou apenas um mero e curioso 'treinador de bancada' que, apesar de tudo, procura não perder lucidez e o discernimento num momento de desalento e irritação por uma derrota como a de sábado passado. Mas, não ficaria bem comigo próprio, se hoje e aqui me limitasse ao conformismo e passividade, perorando sobre o azar, a contingência, o dia não, o poder-estar-dez-horas-a jogar-que-a bola-não-entraria-etc.
Até poderia ser que nada de diferente tivesse acontecido, com outras formas de abordar o jogo. Mas não compreendo que, com quatro pontas de lança (cuja folha mensal de salários excede largamente a folha anual de todo o plantel do Belenenses!), se vá para este jogo apenas com um deles, num 4-3-3 timorato, para não dizer medroso, tal como contra o... Sertanense. Não compreendo que Zivkovic não tenha entrado na última meia-hora em Amesterdão quando começou a faltar bola nos pés da equipa e a recorrente distância entre linhas se alargou. Não compreendo como um menino como João Félix nem sequer para o banco de suplentes tenha ido nestes dois jogos. Não compreendo como, a perder por 2-0, se tira um flanqueador em vez de um lateral. Não compreendo o motivo por que se faz uma substituição aos 84 minutos (!) num jogo já perdido, à espera não sei de quê. Não compreendo como se tirar Pizzi para fazer entrar mais tosco calmeirão para a grande área, assim deixando de se jogar pelos dois flancos e nem se quer se passar a fazer jogo directo. Não compreendo a razão por que não entrou Cervi com o resultado em 2-0 e mantivemos os dois laterais sempre em jogo. Assim sendo, o Benfica que tem sempre jogado com um só ponta-de-lança acabou com uma fartura de três (até parece que só não entrou Ferreyra porque não estava no banco), só que sem jogo e jogadores (à excepção de Rafa) para lhes fazer chegar a bola em melhores condições. Custa-me também compreender que, com um plantel tão rico, não haja ninguém que chute fora da área, hoje uma das maneiras mais eficazes de fazer golos em determinadas circunstâncias das partidas.
Talvez esteja errado. Talvez renha sido só um pesadelo meu. Na próxima sexta-feira haverá mais uma conferência de imprensa, excitante como sempre. Já adivinho o remédio para o meu pesadelo: dir-se-á, então, que o jogo contra o Belenenses já está esquecido, que estamos focados na vitória, que entraremos no nosso Estádio com toda a vontade para retomar o caminho das vitórias, que não pensaremos no jogo seguinte contra o Ajax, mais blá, blá, blá e, como de costume em todos os nossos técnicos, que o clube oponente da ocasião pratica bom futebol, que não vai ser um jogo fácil, que estamos de sobreaviso, etc., etc.,seja contra o Bayern, o Barcelona, o Moreirense, o Sertanense ou o Carcavelinhos.
Vai-me custar a 'engolir' esta derrota e a incapacidade para ficarmos isolados na liderança. O que vale é que, nesta paixão do futebol, resiste dentro de mim o sonho do mistério e a esperança do crente.

4. Uma última nota, referente às transmissões televisivas que nos 'oferecem' para ver o Benfica. Há cinco 'ofertantes': a BTV, para os jogos da Liga na Luz; a RTP em jogos da Taça de Portugal; a TVI em jogos da Taça da Liga (e alguns da Champions); a Sport TV nos jogos da Liga fora de casa e a Eleven na Champions. Se o Benfica passar para a Lig Europa, temos um sexto interveniente: a SIC. Imaginemos, então, a factura de um fervoroso sócio que não quer perder nenhum jogo: paga a quota do clube, para o lugar do Red Pass, paga para ver a BTV, para para ver a Sport TV e paga se quiser ver todos os jogos do SLB na Liga dos Campeões! Uma verdadeira fartura! Ainda dizem que o futebol é o desporto do povo!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Onde esbarra o sonho Europeu português

"Por diversas vezes nos últimos anos, e sobretudo referente ao Benfica, ouvimos falar de um sonho Europeu, e de como a retenção dos jovens talentos poderá viabilizar tal desiderato.
É comum vermos os adeptos a formar 11’s com um sem número de jogadores de nível fabuloso, garantindo que se ainda permanecessem, no caso, no Benfica, haveria possibilidades para sonhar com uma conquista Europeia.
O que poucos parecem perceber, é que as próprias possibilidades de desenvolvimento individual dos jogadores, ficam coarctadas se por Portugal permanecerem. Não adianta crer que com Bernardo Silva seria possível ao Benfica ser campeão europeu, porque Bernardo Silva, nunca seria Bernardo Silva se não tivesse emigrado e experimentado contextos muito mais valorosos, e que contribuem e contribuíram de sobremaneira para o seu desenvolvimento.
Da mesma forma que no momento actual, a formação do Benfica trabalha com uma qualidade incrível, e potencia ao máximo as capacidades dos seus jogadores, pelas condições que lhes proporciona, pela qualidade dos seus treinadores, e pela forma como pensa o processo, nomeadamente o contexto competitivo em que insere os seus jogadores, garantindo sempre um estímulo elevado, que lhes permite um desenvolvimento próximo do óptimo, a chegada ao futebol sénior e à Liga NOS dos mais talentosos, só será um estímulo adequado ao seu desenvolvimento nos seus primeiros anos na competição.
Posteriormente, o ritmo lento com que as situações se sucedem, a falta de qualidade comparativamente com o nível alto europeu, quer de colegas, mas sobretudo até dos adversários, inibe uma evolução mais efectiva.
Em Portugal continuarão a formar-se jogadores de qualidade fabulosa. Porém, estes só atingirão o patamar dos melhores num contexto Europeu, se para lá se mudarem. Porque a própria evolução do jogador relaciona-se com o nível que enfrenta.
De uma forma simplista, se a Liga Portuguesa é um 6 em 10. Os melhores não passarão do 7. O suficiente para terem sucesso no contexto em que competem.
O sonho Europeu seja de Benfica, Porto ou Sporting, passa antes de tudo o mais por ter uma Liga com adversários muito fortes. E não parece que alguém se esteja a preocupar com tal premissa…"

Erradique-se a incompetência

"O VAR representa a possibilidade de diminuir substancialmente o número de erros de arbitragem no futebol. Munidos de meios tecnológicos, os árbitros deixam de padecer dos males da decisão instantânea e ficam habilitados a não falhar nas questões meramente factuais, nomeadamente na validação de golos, no local exacto onde foi cometida uma infracção ou na aferição da posição dos jogadores para fins de aplicação da lei do fira de jogo. Nesta altura, mais de um ano depois do corajoso arranque rumo ao futuro, patrocinado pela FPF, há coisas que não são entendíveis, muito menos explicáveis, aos olhos do adepto que conhece as leis e quer acreditar no que vê dentro das quatro linhas. Por isso, novamente o Conselho de Arbitragem deve vir a terreiro dar satisfações sobre o que aconteceu no Estádio do Dragão no primeiro golo do FC Porto contra o Feirense. Para benefício da discussão, esqueça-se quem estava frente a frente e foquemo-nos apenas no lance. Como foi possível o VAR insistir na reversão de uma decisão certa, e, a seguir, o árbitro, que tem a última palavra, voltar atrás depois do visionamento das imagens? Estamos perante uma situação muito grave, que põe em xeque a qualidade técnica do VAR (e que ninguém queira convencer-me que um mau árbitro, que percebe e interpreta mal o jogo, pode dar um bom VAR...) e a personalidade (para dizer o mínimo) do árbitro, e lança dúvidas sobre a pertinência do sistema implantado. Sejamos absolutamente claros: a tecnologia funciona, e o método é comprovadamente eficaz. Porém, se não cuidarmos, enfrentando o problema sem tibiezas, da qualidade técnica da componente humana, estaremos condenados ao fracasso."

José Manuel Delgado, in A Bola

Alvorada... do Guerra

Justiça em causa na escuta a Vieira

"Foi ontem revelada uma conversa telefónica entre o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o empresário César Boaventura que tratava, em finais do ano passado, da negociação do treinador do Benfica, Rui Vitória, para o Everton. O próprio empresário confirmou ontem à noite tratar-se de uma conversa verdadeira, embora, segundo ele, descontextualizada e manipulada.
O tema, sobretudo nesta fase em que o treinador do Benfica tem sido muito criticado por adeptos do clube, insatisfeitos com recentes resultados e exibições, ganhou, desde logo, contornos de escândalo. Afinal, para o presidente do Benfica, não apenas Rui Vitória era negociável em plena época em que o Benfica lutava pela penta, como dispensável.
A conversa acontecer depois de o Benfica ter sido eliminado da Champions, numa campanha desportivamente desastrosa e numa altura em que o treinador tinha a sua imagem fragilizada, mas conhecendo-se melhor o contexto e a data em que ocorreu, apesar de ser reveladora de uma abertura para negociar o seu treinador, não se pode dizer que a posição de Vieira fosse criticável.
Mais questionável e preocupante é a revelação em si mesma. Se não foi Vieira, nem Boaventura quem divulgou a conversa, quem foi? Com que intuito? Pior: com que obscuros interesses? Fará parte, como aventado, de uma peça processual, da qual foi extraída parte que a terceiros interessava publicar? Será que o sistema judicial pode, mesmo, estar tão grosseiramente infiltrado pelo crime organizado no futebol português? Grave de mais para que se mantenha a dúvida."

Vítor Serpa, in A Bola

A nova PGR, as toupeiras e as doninhas

"Paulo Gonçalves e a Benfica SAD estão indiciados pela prática de não sei quantos crimes no caso designado como e-toupeira, por terem alegadamente aliciado funcionários judiciais a darem-lhes acesso a um conjunto de informações sobre processos em curso na justiça.
Acontece que desse próprio processo em que Paulo Gonçalves e a Benfica SAD são arguidos ficaram este fim de semana a conhecer-se peças integrais - como o “Apenso F” - através de um dos blogues que andou meses a fio a pôr no ar emails do clube da Luz e de seus dirigentes e funcionários. Ora, aqui é que a porca torce o rabo: então Paulo Gonçalves e a Benfica SAD estão a responder por alegados crimes e depois são vítimas de crimes iguais e, neste caso como noutros, perante o flagrante delito, nada nem ninguém ousa fazer coisa nenhuma?
Não se compreende.
Se as chamadas toupeiras de Paulo Gonçalves ou do Benfica, segundo a acusação, prestavam informações a troco de bilhetes para os jogos no Estádio da Luz, acesso às chamadas zonas VIP e ainda camisolas assinadas por jogadores, o que será que darão em troca tais blogues, ou quem estará por trás deles, às doninhas que lhes libertam estes documentos?
Ou não há toupeiras nem doninhas e há para aí hackers que, além de violarem os emails do Benfica, pelos vistos agora também conseguem aceder à base de dados do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP)?
E, já agora, como vem a público uma escuta em que o presidente do Benfica surge a falar com um empresário sobre a eventual disponibilidade do clube para receber uma proposta pelos serviços do treinador Rui Vitória?
A justiça desportiva sempre esteve sob suspeição popular por ser, de um modo ou de outro, associada aos interesses dos chamados três grandes, com maior predominância de um ou de outro, dependendo das épocas.
Ora, seja pelo “sistema” ou por simples clubite, a verdade é que a justiça civil parece estar também, e cada vez mais, contaminada pelo mesmo mal.
Assim não sendo, já há muito que estes blogues anónimos teriam rostos e responsáveis. Porque, como diz o povo, ou há moral ou comem todos.
Daí que, perante estes novos desenvolvimentos, seja estranha a inacção do Ministério Público e o silêncio da nova procuradora-geral da República, Lucília Gago. Não é, de facto, um bom prenúncio para o mandato que ainda agora está a começar."

Boaventura na SIC...

Cadomblé do Vata (especial prosa...)

"Continuam a suceder-se a velocidade galopante os episódios embaraçosos envolvendo o Benfica, que colocam em causa toda a transparência e legalidade das competições futebolísticas nacionais. O mais recente capítulo desta demanda encarnada pela viciação de resultados, foi revelada esta semana, quando se ficou a saber que em Dezembro do ano passado, Luis Filipe Vieira descontente com a prestação de Rui Vitória ao comando da equipa principal de futebol do clube, terá mandatado um agente desportivo para tentar arranjar colocação para o treinador no melhor campeonato do Planeta, em vez de despedir sumariamente o ribatejano, deixando a cargo dos tribunais a decisão de definir uma eventual indemnização.
O que poderia ser já o ponto alto da infâmia, é apenas o início. Não conseguindo um clube interessado em receber o técnico, LFV olhou para o contrato em vigor e (cuidado que o que vou escrever a seguir pode ser susceptível de impressionar as mentes mais sensíveis) em vez de proceder à rescisão natalícia, respeitou-o, dando-se ao desplante de o renovar, sem que esta vergonha tenha custado ao clube a perda de 6 pontos, como por exemplo aconteceu ao FC Porto, devido a situações muito menos gravosas, envolvendo visitas ao economato a altas horas da noite, que é quando dá aquela larica que provoca insónia.
Perante o desprezo benfiquista pela instituição do "chuto no cú", causa estranheza o silêncio da FPF, da LPFP e especialmente da ANTF, cujo presidente sempre solícito quando estão em causa outros clubes, está a deixar cair nas malhas do esquecimento o inenarrável respeito que o Sport Lisboa e Benfica exibe por um membro de uma classe profissional, bem habituada a ser o parente pobre da tabela classificativa. Mais grave ainda é que este caso é apenas mais um sintoma do psicótico comportamento do Glorioso para com a classe técnica futebolística. Se mais dúvidas houvessem, basta ver que nos últimos 10 anos apenas 3 treinadores passaram pelo SLB, muito diferente dos casos dos seus rivais que contaram 10 personalidades no banco, no caso do FCP e 14 génios tácticos no que diz respeito aos de Alvalade. A "partilha" é um valor que nos ensinam desde crianças, mas quando o tema é o cargo de treinador, no Benfica faz-se tábua rasa dos mais básicos princípios da vida em sociedade.
No Clube da Luz, o monopolismo do banco tornou-se lei, numa prática que muito envergonha os apaniguados dos encarnados e brancos. Qual conglomerado industrial e multinacional, na Luz não se deixa o estofo do banco disponível para qualquer nádega, açambarcando centenas de jogos em apenas 3 exemplares de traseiros. Felizmente vivemos num estado de direito onde a correspondência e o diálogo privado não têm lugar. O colectivismo intelectual do país obriga à partilha de informação para que todos saibamos de todos. O grito de Morte aos Xibos dos Peste & Sida não vingou e cabe-nos demonstrar gratidão à xibaria, por tornar este e outros casos dignos de constrangimento glorioso, em revelações ilegais, legalizadas pela capota do "interesse público"."

Cadomblé do Vata (especial meio da semana!!!)

"1. Foi divulgada uma escuta telefónica, onde LFV pede 10 milhões ao Everton, para libertar Rui Vitória... as finanças do SLB andam tão mal que o mínimo exigido para formados no clube já baixou a barreira dos 15 milhões de euros.
2. Continuam os protestos por Rui Vitória não ter substituído Almeida ao intervalo, colocando Sálvio na lateral direita... ninguém entendeu ainda que o treinador do SLB poupou o internacional argentino a uma lesão no menisco, caso o André sentisse o seu lugar ameaçado pelo 18 Glorioso?
3. Trofense 0-2 fora em 2009; Arouca 2-2 na Luz em 2013; Jamor SAD 0-2 em 2018... desconte-se o Tondela e o histórico de estreia do SLB contra equipas que disputam a 1ª Liga pela primeira vez, não é nada agradável.
4. O primeiro golo do FCP contra o Feirense daria uma excelente publicidade para a ciência da pedicure... "se o Tiago Mesquita tivesse cortado as unhas, o Feirense hoje só tinha 4 golos sofridos no campeonato".
5. Domingos Soares Oliveira diz que daqui a 15 anos o SLB será um dos 10 melhores clubes europeus... já não bastava o Rui Vitória dizer que temos que saber lidar com o insucesso, agora vem este avisar que nos devemos preparar para cair 9 lugares na lista dos melhores clubes europeus em apenas dezena e meia de anos."

Halloween Luz !!!

A venda da justiça

"Por favor, doutora.
Por favor. É um homem a implorar.
A doutora é uma magistrada. Juíza, procuradora, não sabemos; nem o seu nome. Já o do homem, sim. É suspeito de homicídio.
Desde 2013, o Código de Processo Penal decreta que o interrogatório dos arguidos deve ser gravado em áudio ou vídeo. Neste não houve vídeo. Houvesse, e teríamos também, além da voz, a imagem deste homem divulgada às oito da noite, na abertura de um bloco dito noticioso de um canal de TV. 
Porque é num canal de TV que ouvimos a voz deste homem a implorar. Num canal de TV, no início de um bloco de notícias.
Mas não, não há notícia nenhuma.
Só voyeurismo. Só comprazimento nesta humilhação. Só o deleite de ter acesso a algo que não era suposto ser conhecido, cuja divulgação é proibida. Um "exclusivo", diz o pivô.
Só a destruição da dignidade de uma pessoa e da sua presunção de inocência.
Sim, eu sei: este conceito, o da presunção de inocência, não é popular. O que é popular é acusar, é exibir, é usar os processos judiciais e as suas peças processuais reservadas, cuja divulgação é interdita, como fonte de audiências, de cliques, de vendas. O que é popular é arrastar pessoas pela lama, já que já não - ou ainda não - podemos desmembrá-las no Terreiro do Paço.
O que é popular é dizer "temos o direito de saber tudo, de ver tudo, de vender tudo".
Porque o que vende é pôr a justiça à venda.
Corromper os seus princípios, usá-la como instrumento de perseguição e linchamento. Fazer da justiça exactamente o contrário do que ela é suposta ser.
Usar os seus recursos ao serviço de interesses privados, de lucros privados. E os seus intervenientes como actores de novela - uns com gosto, certamente, outros como coisas.
Não há nenhuma diferença entre esta indignidade - a da divulgação da voz deste homem que implora - e a da célebre fotografia dos foragidos do Porto tirada por um polícia e posta a circular como troféu. O abuso de poder é igual, o propósito de humilhação idêntico. E tudo ilegal.
No caso da fotografia tivemos a imediata reacção do ministro que tutela as polícias. Reputou de inaceitável a divulgação e ordenou um inquérito para descobrir os culpados. Tivemos o Presidente a fazer coro com o ministro. Tivemos a certificação de que há Estado de Direito em Portugal e de que abusos de poder não podem ficar impunes.
Sobre a divulgação dos áudios, porém, nem um 'ai'. Nem da ministra da Justiça, nem do PR. Nem sequer da Procuradoria-Geral da República, que, além de ser a detentora da acção penal em nome do Estado, é também a detentora - a dona, portanto - do processo de onde vieram aqueles áudios.
Temos, pois, de concluir que o que é inaceitável nas polícias aceita-se, bico calado, olhando para outro lado, na justiça.
Ou seja, na justiça o inaceitável torna-se aceitável.
Talvez devêssemos então dar-lhe outro nome. Justiça é que não pode ser."