Últimas indefectivações

sábado, 21 de novembro de 2015

Eliminação no prolongamento

Sporting 2 - 1 Benfica

Quando as coisas não estão bem, e nós ainda oferecemos golos, é impossível ganhar...
Acabámos por marcar cedo, isso ainda deixou a equipa mais na expectativa... mas mesmo assim, o jogo estava mais ou menos controlado, com o meio-campo mais povoado - sem o Jonas, por opção, ou por inferioridade física?!!! -, mas mesmo antes do intervalo, oferecemos o primeiro brinde...
O início do 2.º tempo, foi na nossa pior fase... mas nos últimos 20 minutos, até fomos a equipa mais perigosa, com excepção a uma jogada nos descontos...
O prolongamento, estava equilibrado, com o Benfica a rematar mais, mas com as duas equipas a pensar nos penalty's... até que apareceu a segunda oferta, e pronto... num jogo geralmente mal jogado, por ambas as equipas (naquele ervado não é fácil jogar bem), acabou por ganhar aquele que ofereceu menos brindes...

A quantidade de 'chouriços' e ofertas, que deram golo, nestes 3 jogos com os Lagartos assusta!!! Existindo muitos outros problemas na nossa forma de jogar, o Júlio César fez nestes últimos dois jogos com os Lagartos, as duas piores exibições ao serviço do Benfica...

Eu também não gosto de ver o Benfica a dar a iniciativa de jogo ao adversário, mas às vezes tem que ser... e por acaso com o Judas na última época neste tipo de jogos fizemos sempre isso, e com algum sucesso, portanto não é novidade desta época... O problema está nas transições ofensivas... Mas mesmo com o resultado negativo desta noite, creio que ficou provado que contra equipas do Judas temos que reforçar o meio-campo... nós temos a obrigação de saber que nas últimas 6 épocas, sempre tivemos muitas dificuldades, neste tipo de jogos, contra equipas que povoavam o meio-campo... E eu até defendo, que o Benfica continue a jogar em 442, mas neste jogos não dá...

E para piorar as coisas, o Samaris ainda foi expulso, ficando fora do jogo de Braga (e o Luisão possivelmente lesionado com alguma gravidade... e vamos ver se o Júlio também não tem algum problema...)! Não ter sido nenhum jogador expulso nos 90 minutos foi um milagre (jogador de campo, porque o Ederson foi expulso no banco!!!)... não ter feito qualquer tipo de gestão de amarelos, foi brincar com o fogo... Já agora, a saga dos penalty's por marcar a favor do Benfica continua alegremente (pelo menos um... o outro...), desta vez, parece que mesmo partindo o braço, a 'intensidade' não chegou para ser marcado o penalty...!!! Talvez, um tiro... mas provavelmente a culpa seria do jogador do Benfica, que se pôs à frente da bala!!!
Além de todos os potenciais lances polémicos, mais uma vez o critério disciplinar foi do mais inclinado possível... O primeiro amarelo para os Lagartos, para um jogador de características defensivas foi aos 70 minutos... Uma das primeira faltas marcadas a favor do Benfica, foi para impedir um contra-ataque do Benfica... A influência que estas decisões têm no decorrer da partida é enorme... o cartão ao André Almeida logo após entrar em campo, é o melhor exemplo... então se compararmos a entrada do Slimani sobre o Júlio César!!!
Eu recordo que o Benfica tem um aproveitamento de 50% em jogos apitados pelo Jorge Sousa!!! O Benfica que em média, faz cerca de 80% dos pontos nas competições internas, com o Jorge Sousa baixa para 50%. Deve ser obra do Espírito Santo...!!!

Agora, vamos para o Cazaquistão sem o Gaitán, e provavelmente sem o Luisão... sendo que espero ficar matematicamente qualificado para os Oitavos, nem que seja com a não-vitória do Gala em Madrid! E depois, aquilo que interessa mais, na Segunda, em Braga, sem o Samaris e o Ederson, e vamos ver quem mais...!!!

Aldeia conquistada...

Turquel 2 - 9 Benfica
Rodrigues(2), Rocha(2), Torra, Nicolia, Valter, Adroher(2)

Jogo teoricamente difícil, na aldeia do Hóquei, que soubemos tornar fácil... e a diferença só não foi maior, porque fartámos de acertar nos ferros!
Curiosamente, foi a '2.ª equipa' a cavar a diferença, quando ficou no ringue o Tiago, o Miguel, o Torra e o Adroher foi quando jogámos melhor. Tanto no 1.º tempo, como na parte final do jogo...

Com o empate da Oliveirense com os Lagartos, ficamos finalmente isolados na liderança.

Complicado...

ISMAI 29 - 31 Benfica
(17-16)

Vitória muito difícil, contra uma das equipas mais acessíveis, não sei se a culpa foi da paragem prolongada do Campeonato, mas as 'férias' parece que não fizeram bem à equipa, principalmente na defesa...!!! Só conseguimos passar para a frente com 'consistência' nos últimos 10 minutos, no resto da partida tivemos sempre a correr atrás do prejuízo, com demasiados golos sofridos...
Destaque para o regresso do Tiago Pereira e do Elledy Semedo, após lesões algo prolongadas.

Empate na ressaca !!!

Braga 2 - 2 Benfica

Depois do triunfo em Bratislava, teria sido melhor um jogo mais 'amigável'! As deslocações a Braga são sempre muito complicadas, e estas transições entre os compromissos Europeus e o Campeonato nem sempre são fáceis... Ainda por cima, sem o Chaguinha, que é o nosso principal desequilibrador ofensivo...
Mas pronto, num jogo muito agressivo, onde os árbitros se perderam a marcar faltas que não existiram e mostrar amarelos em catadupa, acabámos por ficar com 1 ponto, num jogo onde não jogámos bem...

Centena...

Benfica 102 - 56 Eléctrico
23-16, 25-16, 31-5, 23-19

Vitória normal, num jogo onde o Benfica não apresentou nenhum Norte-Americano: nas últimas décadas, deve ser facto único!!!
Uma abraço para o Tomás...

Rotação máxima...

Ac. Espinho 0 - 3 Benfica
14-25, 22-25, 18-25

Com jogo a meio da semana, e jornada dupla no fim-de-semana, tivemos um Benfica com várias novidades, dando descanso ao Duff ao Gaspar e ao Kolev... Mas como tem sido habitual nas últimas semanas, apesar das alterações, o rendimento é muito regular... e às vezes até melhora com as alterações.
Amanhã temos jogo na Luz, com o Leixões.

A fingir que é para a Champions

"Na actual Liga, o mais empolgante que já se viu a este Benfica terá sido aquelas trocas de bola entre Luisão e Renato Sanches nos descontos do jogo com o Boavista. O Benfica ganhava por 2-0 e, sem adversários por perto, o capitão da equipa ungiu o promissor neófito com uma série de passes à laia de baptismo místico.
Em termos essencialmente práticos, ao contrário do insuficiente Benfica de trazer por casa, o Benfica externo exibe uma apresentável folha de serviços onde avultam os nove pontos somados na fase de grupos da Champions. Por tudo isto, quero acreditar que o Benfica passou intelectualmente a semana a preparar-se para o dérbi como se de um jogo da Liga dos Campeões se tratasse.
Uma daquelas noites europeias disputadas em palcos sofisticados contra emblemas que convocam os focos da imprensa internacional será, porventura, o único quadro capaz de motivar a equipa que, nos últimos anos, ganhou quase tudo o que havia para ganhar em Portugal. Mas a verdade é que o nosso país, por ser pequenino e periférico, não empresta a esses magníficos cometimentos visibilidade para lá de Badajoz.
À falta dos espantosos holofotes internacionais, fingir que o jogo de hoje conta para a Champions foi a solução posta em prática no Seixal. Assim se espevitou o ânimo competitivo dos campeões portugueses. Foi preciso meter na cabeça dos nossos jogadores que Alvalade fica lá fora, apesar de ficar no fim da rua. Também que o árbitro é estrangeiro, de preferência italiano, porque são os que se equipam melhor. E, finalmente, que até o Octávio Machado é estrangeiro, de preferência inglês, porque são os que têm melhores maneiras.
E chegou o dia do grande acontecimento internacional! Que ninguém ouse falar da Taça de Portugal, aquela saloiice que termina sempre à base da sardinhada no vale do Jamor. Hoje o patamar é outro. Trata-se de um jogo a fingir que é da Champions, competição que interessa verdadeiramente ao mundo e, como se não bastasse, competição com quem o Sporting de Lisboa mantém um rol permanente de protestos e lamentações. Se o Benfica quiser, é esta a sua primeira vantagem para o jogo de hoje. A segunda vantagem é que na Champions corre-se mais. Com espírito aberto e, pelo menos, uma dúzia de transições rápidas, saúde-se desde já o alteroso poder da imaginação."

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

É importante estar no Jamor

"Um Sporting-Benfica, quer pela sua história quer pelas paixões que movimenta é sempre um jogo interessante mesmo que para o Troféu do Guadiana. Assim sendo, um jogo a eliminar para a Taça de Portugal, não é excepção. Sábado o jogo interessa porque é importante estar no Jamor e não porque se tenha que provar nada, para além da vontade de ganhar a Taça de Portugal.
Esta semana com o Sporting temos o menos importante dos três jogos que disputamos e no entanto é muito importante vencer. No Benfica não se deitam provas fora, para tentar ser menos mau nas outras. No Benfica é obrigatório ganhar, ou tentar ganhar, todas as competições que se disputam. É sempre assim, porque no Benfica a gestão é o êxito e as vitórias, qualquer coisa de diferente não satisfaz os adeptos.
Dito isto, resta esperar uma equipa muito motivada e com a ambição de vencer em Alvalade sem a preocupação de saber se passados três dias estamos nos oitavos de final da Liga dos Campeões ou se conseguimos ganhar em Braga. Este é o único objectivo neste momento, vencer o Sporting e estar no próximo sorteio da Taça de Portugal com os olhos no Jamor.
Nos últimos anos, mais de metade das nossas eliminações na Taça de Portugal ficaram marcadas por erros de Jorge Sousa em prejuízo do Benfica. Estatisticamente o melhor árbitro não pode enganar-se sempre, nem sempre para o mesmo lado, e por isso há uma confiança estatística na nomeação realizada. Porque quando não acreditamos em quase nada resta-nos a estatística para acreditar.
Por mim já fito satisfeito se vir um bom jogo do Benfica, aquele Benfica que esta época apareceu a espaços, e que promete dar alegrias aos adeptos.
Semana cheia de emoções e de competições, porque é assim que se quer, nos clubes grandes com muitos objectivos para alcançar na mesma época."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória em Liverpool

Liverpool B 0 - 2 Benfica B

Santos; Berto, Nunes (Alfaiate, 44'), Dias, Rebocho; Dawidowicz, Gilson, Pêpê (Sarkic, 77'); Dino, Gonçalves (Pipo, 82'); Carvalho

3 jogos, 3 vitórias, excelente primeira fase, na Premier League International Cup de Sub-21.

Hoje, sem o Renato, com um meio-campo reforçado defensivamente, não demos hipóteses. Nem os 0 graus nos afectaram!!!Temos que reconhecer, que este Liverpool foi um adversário fraco (a ingenuidade táctica destas equipas Inglesas, explica muito os fracos resultados das Selecções britânicas...), mas sem qualidade, não teriamos ganho os 3 jogos.

Destaco o Dawidowicz que fez uma excelente exibição... o Dino continua a variar entre o brilhante (1.º golo), e as 'brancas' na melhor oportunidade do Liverpool!!! O Diogo continua a confirmar que é um ponta de lança disfarçado de extremo... espero que a transição para a equipa principal seja feita de forma inteligente. A utilização do Joãozinho a ponta de lança é um desperdício... mas o talento individual está em cada toque na bola. O Gilson será um médio-defensivo à imagem do Danilo... O Pedro precisa de mais minutos (Pêpê?! Como é que isto de pronuncia?!)... O Rebocho é provavelmente o nosso jogador mais competitivo! O Rúben está a crescer bem... A adaptação do Berto não está a dar bom resultados... O Miguel Santos continua a ter 'brancas'!

Vá, Nessa!

"Há quase oito anos, em Pequim, Vanessa Fernandes conquistou a medalha de prata na prova do triatlo. Pela televisão, a muitos fusos horários de distância, os portugueses tiveram a oportunidade de ver uma grande prova da filha do carismático ciclista Venceslau Fernandes. Durante a transmissão, o pai incentivava-a e ficou-me na memória a expressão que ele utilizou - com o seu orgulhoso sotaque - quando viu a distância que a primeira classificada tinha de avanço para a sua filha: "Já num bai lá..." E não foi. Vanessa não conseguiu chegar ao primeiro lugar e aquele acabaria por ser o último grande resultado da sua carreira. Demasiado depressa foi-lhe diagnosticado o fim da vida desportiva. Muito se falou e pouco se soube - e sabe. Vanessa passou os últimos anos a atravessar o deserto, a treinar, a encontrar-se. E no passado fim de semana mostrou a quem pudesse ter dúvidas aquilo de que já se suspeitava: ela está de volta! Na primeira vez que participou numa maratona, Vanessa Fernandes alcançou os mínimos olímpicos para o Rio de Janeiro com 2h31m26s e uma sétima posição na corrida de Valência, em Espanha. Aqui não houve natação nem ciclismo, só corrida e Vanessa conseguiu aquilo que muitos atletas passam uma vida inteira a tentar. Não é líquido que possa representar Portugal no Brasil no próximo ano, já que só podem competir três atletas por país em cada prova (e Sara Moreira, Dulce Félix e Filomena Costa têm melhores marcas), mas alguém pensa que a Vanessa vai ficar "apenas" por aqui? Ela bai lá, ai vai, vai. E eu estou a torcer por ela, como Benfiquista, como português e como desportista. Um campeão nunca baixa os braços."

Ricardo Santos, in O Benfica

Independentemente dos resultados imediatos...

"Considerado o clube melhor sucedido na Formação, o Barcelona alia sucesso desportivo a uma presença elevada de jogadores da "cantera" na sua equipa principal. Goza, no entanto, de uma especificidade exclusiva de um grupo restrito de clubes, que passa pelo capacidade de investimento que lhe permite não só manter a maior parte das pérolas da sua Formação, como dispor de alguns dos melhores executantes a nível mundial.
A lógica é a seguinte: detectar talentos; formar jogadores com elevado potencial; ter espaço para, sem detrimento da competitividade da equipa, lançar os jovens mais promissores; adiar, tanto quanto possível, a alienação dos passes desses atletas.
O Benfica cumpre exemplarmente os primeiros dois passos deste modelo. Implementa agora o terceiro. O seu sucesso, que não implica ganhar sempre, mas regularmente, permitirá o quarto que, num mundo ideal, corresponderia ao patamar do Barcelona. Contudo, poderá resvalar para um Ajax, quase irrelevante no contexto europeu e dependente das fornadas de novos jogadores no desempenho a nível interno.
A saúde financeira é essencial, baixando o passivo e os custos financeiros, redirecionando estes para o pagamento de salários e a compra de passes de atletas para posições carenciadas, porventura aumentando significativamente o custo médio de aquisição, mas diminuindo o montante global do investimento. Por outras palavras, comprar menos, mas melhor.
É certo que, nesta política, os riscos desportivos são maiores. Por conseguinte, importa evitar atalhos e inflexões na implementação desta estratégia. Em suma, o rumo está definido e terá que sobreviver a uma eventual conjuntura adversa."

João Tomaz, in O Benfica

Queremos a Taça

"Amanhã há Taça, e talvez estejamos perante o primeiro dérbi lisboeta da última década em que o favoritismo pende para o lado de lá. Três ordens de razões concorrem para tal. Em primeiro lugar (com menor grau de importância) o factor "casa" sempre confere a quem dele beneficia uma certa vantagem relativa - basta consultar as estatísticas históricas. Em segundo lugar, há que dizer que teremos pela frente o líder do Campeonato, com toda a confiança que esse estatuto lhe confere, enquanto nós, com muita juventude na equipa, ainda andamos à procura de um ritmo cruzeiro que se enquadre na identidade competitiva que recentemente adoptámos. Por último, e com grande relevo num "tête-à-tête" desta natureza, teremos de admitir que vai estar do lado oposto um técnico que conhece as forças e fraquezas da nossa equipa como a palma das suas mãos, aspecto que, a meu ver, pesou decisivamente, quer no jogo da Supertaça, quer na partida da Luz para o Campeonato, com os resultados que conhecemos.
Partir com menos favoritismo pode influenciar as casas de apostas, mas não deve inibir o Benfica de jogar para ganhar. Um dérbi é um dérbi, e o Benfica é o Benfica. A quem já venceu no Vicente Calderón (onde o favoritismo do adversário era muito mais acentuado), tudo é possível. Recorde-se também a excelente primeira parte feita no Dragão, à qual só faltaram os golos. Jogando com a intensidade evidenciada nessas ocasiões, contando com a inspiração dos principais artistas (falo de Gaitán e Jonas), e tendo do nosso lado a pontinha de sorte que protege os campeões, creio que ultrapassaremos esta eliminatória."

Luís Fialho, in O Benfica

A treta da posse

"A obsessão pela posse de bola tomou conta do estilo de vários treinadores nos últimos anos, na tentativa vã de imitar o sucesso do Barcelona de Pep Guardiola, a equipa que conseguia aliar 75% de posse a goleadas de cinco, seis ou sete golos.
É, precisamente, na busca desse el dorado tático que todos os anos surgem equipas mais preocupadas com ter sempre a bola, mesmo que isso, muitas vezes, signifique andar longe da baliza. Conclusão? Jogos chatos, bola para o lado, para trás, da defesa para o meio-campo e novamente para o lado e para trás; muitas movimentações, pouca (ou nenhuma) eficácia.
Aconteceu, por exemplo, na época passada com o FC Porto de Lopetegui - num estilo (admita-se) melhorado este ano. E está a acontecer com o Chile de Jorge Sampaoli, cuja obsessão, mais notória em tempos recentes, pela posse de bola - não há conferência de imprensa na qual o seleccionador não se refira a ela - transformou a equipa sedutora, veloz e apaixonante que conquistou a Copa América numa sombra em câmara lenta de tudo isso na atual qualificação para o Mundial-2018. Os resultados estão à vista: derrota no Uruguai por 0-3, o pior resultado da era-Sampaoli, e uma ineficácia gritante apesar dos 71% de posse de bola (!)e dos 356 passes certos (contra 55 uruguaios), os avançados chilenos Sanchez e Vargas não remataram uma única vez à baliza!
No final, Sampaoli considerou a derrota «pesada» mas estava «feliz porque o objetivo da posse de bola foi cumprido». A resposta dos adeptos não se fez esperar e, nas redes sociais, logo se espalhou uma anedota com Sampaoli na primeira pessoa: «Uma noite, fui a um bar. Sentei-me ao balcão, ao lado de uma mulher lindíssima. Conversámos a noite toda, rimo-nos, trocámos olhares e piropos e paguei-lhe uns copos. Porém, por volta das cinco da manhã, chegou um tipo, piscou-lhe o olho e ambos saíram de braço dado. Mas não importa porque, nessa noite, quem possuiu a maior parte do seu tempo fui eu.» Pois..."

João Pimpim, in A Bola

Sensibilidade e bom senso

"O fundamentalismo clubista sempre foi o principal inimigo da Seleção Nacional de futebol. A ele se devem inúmeros fracassos internacionais de gerações talentosas que acabaram por não ter expressão para lá de Badajoz. É um mal, velho de décadas, que emerge cada vez que os clubes têm condições de fornecer mais elementos à turma das quinas. Aquilo a que se está a assistir hoje, embora lamentável, não é inédito, e devo assinalar que neste particular, puxando bem atrás o relógio do tempo, todos têm telhados de vidro.
Como é que se combate este vírus, que ameaça a coesão social em torno da equipa de todos nós? Com sensibilidade e bom senso. Felizmente, nenhum destes atributos falta a Fernando Santos, que enquanto ex-treinador de FC Porto, Sporting e Benfica, conheceu as motivações subjacentes neste processo. O selecionador nacional sabe bem o que deve pedir a cada jogador e quando deve fazê-lo. Nesta gestão, ditada essencialmente pelo bom senso, está o segredo do êxito, e neste particular, com sete vitórias em sete jogos oficiais, Fernando Santos é incontestável.
Ser sensível à proximidade de um Real Madrid-Barcelona ou de um Sporting-Benfica não é um ato de favorecimento, é um momento de grande lucidez e enorme inteligência.
Na vida, há alturas para tudo e só por desonestidade intelectual pode colocar-se em causa a dispensa de Cristiano Ronaldo dos particulares da Rússia e do Luxemburgo. CR7 tem sido exemplar na Seleção Nacional.
PS- Rápidas melhoras a Fernando Gomes. Para que possa continuar o excelente trabalho à frente da FPF."

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Formação tem de ser compatível com vitória

"No Seixal estão a nascer os melhores jogadores da Europa e, até mesmo, arriscaria dizer, os melhores do Mundo. A formação não é incompatível com a vitória...

Formação não como objectivo, mas como meio para um Benfica mais forte
Tenho a perfeita convicção, como sempre tive, que a formação de jogadores é um meio para - face às realidades portuguesas - ter um Benfica mais forte.
Não posso, por isso, subscrever nem calar a minha total discordância com algumas vozes que ouço (ou vejo) que ficam contentes com o facto de o Benfica, esta época, se limitar a incluir na equipa principal alguns jogadores oriundos do Seixal, como se isso bastasse para termos um bom ano desportivo. Já não falo de algumas vozes - responsáveis (sim, existem...) - que acham que este hipotético cenário pode durar alguns anos seguidos...
Ou seja, que seria possível limitar-nos a ganhar jovens jogadores da formação, o que tornaria cada época em que isso acontecesse como uma época muito positiva!!!
Nada mais errado!
FORMAR tem de ser compatível, este ano, como sempre, com GANHAR.
Admitir ou aceitar o contrário, é prestar um péssimo serviço ao Benfica.

'Made in Seixal'... a ganhar!
O Benfica tem apostado na formação de jogadores de alta competição. Situação natural, face à dimensão do clube e do projecto que foi idealizado.
Mas isso - repita-se - não é compatível com um discurso que criticamos e de que sorrimos, nos últimos anos, de outros, que não se importavam de perder só porque tinham mais um jogador da sua Academia na equipa principal, ou porque o conseguiam vender razoavelmente...
A formação não é incompatível com a vitória... e, por maioria de razão, com títulos...
A formação não pode ser vista como formação pela formação, que até admite perder... campeonatos. Na formação temos de preparar jovens jogadores para serem integrados com outros mais velhos e experientes. 
O Benfica, digo-o sempre, deve a sua grandeza à mística dos seus adeptos, mas sobretudo aos grandes resultados alcançados ao longo da sua história.
Ora, essa grandeza do Benfica não é compatível com a mentalidade de abdicação de títulos...

Luís Filipe Vieira, o homem do projecto da formação!
Subscrevo, por isso, na íntegra, o que pensa Luís Filipe Vieira (muito diferente do que dizem alguns, tentando, com isso, julgar agradar-lhe).
Estamos, efectivamente, a desenvolver um trabalho fantástico!
No Caixa Futebol Campus estão a nascer os melhores jogadores da Europa e, até mesmo, arriscaria dizer, os melhores do Mundo.
Estou certo disso!
E temos de defender essa ideia com a força que a convicção de estarmos certos nos dá. Mas para que isso se concretize e para que o projecto de formação seja rentável, em termos desportivos, teremos de fazer com que esses jogadores fiquem durante alguns anos no Benfica.
Para que o balneário tenha memória e experiência de espírito de conquista, para que saiba o que significa vencer, para que a tradição de comemorar títulos não se esgote em poucos jogadores. Sei que um modelo de grande competitividade em termos europeus tem de aceitar e incluir nas suas premissas a possibilidade (infelizmente real) de termos de vender alguns atletas da formação sem que tenham estado alguns anos na equipa principal.
Mas teremos de fazer todos os esforços - como sei que o Presidente fará - para que o que aconteceu nas últimas épocas seja a excepção, apenas e só, fruto das... circunstâncias!
Circunstâncias essas que toda a gente sabe e conhece (e que teve um nome...).
Essa mentalidade, felizmente, está a mudar.
O que não poderá significar pensar que só a formação conseguirá ser responsável por equipas muito competitivas na Europa e absolutamente vencedoras, em Portugal.
Teremos de comprar menos, mas não poderemos abdicar de reunir esforços e conjugar a excelente e exemplar política de formação com os meios necessários à conquista de títulos.
Temos de nos convencer que apostar só na formação não chega para ganhar.
Muito menos, no imediato...
Essa aposta é necessária mas não suficiente.
Por mais que um jovem da formação acredite e tenha a ambição de ser jogador do e à Benfica...
Uma equipa vencedora será feita de bastante experiência no balneário, mesclada com jovens da formação, e com compras cirúrgicas que sejam evidentes mais-valias para reforçar áreas onde o Seixal não tenha cumprido a sua função.

O Benfica do futuro
Esse será, com toda a certeza, o Benfica do futuro. Sem cedências a treinadores egocêntricos, a empresários ávidos de lucros imediatos, ou a dirigentes acomodados.
É por isso nossa obrigação dar ambição a cada um desses jovens... para que sejam os melhores.
Aqueles que me acompanham há muitos anos sabem o que defendo e as ideias pelas quais sempre me debati.
Relembro, por isso, um pequeno excerto de um texto que escrevi no já longínquo ano de 2000:
Quero um Benfica com os melhores jogadores portugueses, de forma a que a juventude se identifique com o clube e com as suas vitórias.
Quero um Benfica que não tenha necessidade imediata de vender jogadores - pressa que sempre se torna inimiga dos bons negócios - assumindo o princípio de que o futebol é, cada vez mais, neste mundo dominado pela televisão, o espelho do clube.
Quero um Benfica com um modelo de jogo (ataque planeado e continuado) verticalizado, desde as escolas de jogadores à equipa principal, recusando ser uma mera montra de passagem para o futebol europeu ou o último reduto de uma qualquer pré-reforma dourada.
Para o bem e para o mal, escrevo o que penso e nunca me arrependo do que digo, porque o pensei, sempre muito, antes de o dizer!
Tal como Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, «tenho em mim todos os sonhos do mundo»...
Por isso, tenho o sonho - que, acredito, ser possível de concretizar - de ser campeão europeu com uma equipa com alguns jogadores da formação.
Mas não se enganem!
Temos inevitavelmente de obter a capacidade de saber e conseguir conciliar a formação com a experiência inegável das aquisições, para que o percurso seja de vitória!
Porque quero ganhar!
E porque ganhar é o que faz evidenciar o resultado da nossa formação...
E, por isso, tempo de mudança - cujos sinais já são visíveis - sem comprometer, nunca, aqueles que são os grandes objectivos para um clube com a grandeza do Benfica.
Até porque, qualquer ideia que não coincida com essa política, que julgo ser a melhor para o caminho da vitória, é ir contra aquilo que é o Benfica...
Quero o Benfica campeão!
... E para que não restem dúvidas, mesmo não sendo para o campeonato... «acho que vou ganhar no sábado»...
Percebido????"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Batota no desporto e não só

"Há uma estranha constatação quando se fala de batota. Seja no plano desportivo ou noutro qualquer. Se a batota tem um alcance restrito, não direi que é aceite, mas acaba por ser enquadrar num plano de reduzida importância. Verdadeiramente, ela só é tornada importante e maléfica quando abrange uma magnitude com consequências severas. É agora o caso conhecido dos esquemas de sistemática dopagem no atletismo russo.
A mais pérfida batota nos desportos de alta competição é a dopagem associada a todas as técnicas para a encobrir ou dissimular, num enredo de crescente complexidade tecnológica e científica, e que envolve muita gente em teias organizadas.
No tempo da URSS e seus satélites havia a batota de Estado, ou seja usavam-se meios ilegítimos para se alcançarem resultados de pretensa superioridade de ideologia, ainda que usando até ao tutano jovens atletas.
Agora,  doping é transversal. Não depende de ideologias, regimes políticos, desportos. E sobretudo advém de uma obsessão competitiva que tudo leva à frente, em função de interesses de momento, de dinheiro e de vãs ilusões.
Mais conhecidos publicamente são os casos no ciclismo e no atletismo. Mas muitos outros desportos olímpicos traem esta sua qualificação. Rio de Janeiro 2016 pode ser mais uma oportunidade para repristinar o ideal olímpico de Coubertin.
Vive-se cada vez mais entre a verdade real e a mentira virtual. Basta ver o que se passa nas redes sociais. Hoje, lamento olhar para uma fotografia ou um vídeo, e ter passado a inverter o principio que me orientava: agora desconfio, antes acreditava."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Em frente na Europa

Benfica 3 - 1 Nafels
25-19, 25-15, 16-25, 25-20

Até começamos mal (3-8) no 1.º Set, mas rapidamente restabelecemos a normalidade... Depois do 0-3 na Suíça, só era preciso ganhar 2 Set's na Luz, e foi isso que fizemos... Destaco o Kolev, que muito sinceramente está a jogar muito melhor do que eu estava à espera, pois os jogos que assisti da Fonte, parecia-me um bom Servidor e pouco mais...
Após o 2-0, rodámos todo o plantel, e entrámos muito mal no 3.º Set, com destaque para o Roberto!!! Os vice-campeões Suíços e actuais líderes da Liga Suíça, também trocaram vários jogadores, mas mantiveram o Sérvio... e assim acabaram por ganhar facilmente o 3.º Set.
O 4.º Set, com os mesmos jogadores, foi totalmente diferente, com o Ché e o Gelinski em destaque.

Qualificação garantida, como era esperado... Agora, vamos encontrar os Belgas de Antuérpia, equipa que 'baixou' da CEV Cup, após derrota com os Gregos do Syros, no Golden Set!

Mau...

Cibona 74 - 66 Benfica
25-13, 19-16, 14-21, 16-16

Talvez o pior jogo na Europa este ano. E para isso muito ajudou, o péssimo jogo do Wilson. Mas além disso, tivemos mal no ataque (39% FG), com pouco jogo colectivo e perdemos claramente a luta nas tabelas (44/31)...
Começamos muito mal, tivemos a perder por muitos no início do 2.º período... Melhorámos no 3.º período, estivemos muito perto, mas os lançamentos que podiam ter 'apertado' com o Cibona nunca entraram. E no início do 4.º período voltámos a dar tiros nos pés... e o jogo ficou decidido.

Estamos praticamente eliminados, matematicamente podemos ser um dos 4 melhores 3.ºs, mas para isso além de ganhar ao Sopron (provável), temos que ganhar ao Antuérpia (improvável) na última jornada.
O Basket português, está num nível muito baixo, aliás os resultados da Selecção são excelentes indicadores... Este Cibona é uma equipa bastante acessível, mas a falta de experiência/calo da maior parte do plantel, não permitiu a vitória

A maldição lateral esquerda

"De há muitos anos a esta parte, o Benfica tem - salvo períodos limitados - um problema que até já parece mais próprio da genética do clube. Refiro-me ao lugar de defesa-esquerdo. Um mistério que, melhor ou pior, outros resolvem (o FCP com assinalável êxito desportivo e financeiro), mas que, no Benfica, parece insondável. No meio disto tudo, o curioso é que o titular encarnado (Eliseu) até é o escolhido na Selecção, bem sei que por lesão de Coentrão.
Depois da saída do magnífico sueco Stefan Schwarz (1994}, já passaram por esta posição dezenas de atletas. Não pretendendo ser exaustivo (nem o conseguiria), recordo aqui alguns dos fiascos pós-Schwarz (por ordem alfabética e com níveis diferentes de decepção): Bruno Basto, Caneira, Capdevila, Carole, Cristiano, Diogo Luís, Dos Santos, El Hadrioui, Emerson, Escalona, Jorge Ribeiro, Luís Martins, Luisinho, Miguelito, Nelo, Pedro Henriques, Pesaresi, Rojas, Schafer, Scott Minto, Sepsi, Simanic. Houve também jogadores-cometa que, uma vez contratados, logo ou pouco depois foram cedidos: Benito, Bryan, Bruno Cortez, Djavan, Marçal.
No meio desta pletora, não deslumbraram mas cumpriram os mínimos o grego Fyssas e o adaptado Melgarejo. Por falar em adaptados, não podemos esquecer David Luiz, André Almeida e César Peixoto, mas sobretudo o notável êxito alcançado com Coentrão.
Li, sem poder confirmar, que só nos 6 anos de J. Jesus, houve 18 laterais. Uma média de 3 por época! Em suma: de tantos jogadores só três estiveram ao nível da exigência de um clube como o Benfica: Fábio Coentrão, Léo (injustificadamente dispensado por Quique Flores) e talvez Siqueira."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 17 de novembro de 2015

CÊ-Ó-ELI!

"O Benfica vai regressar em breve à Azinhaga do Alfinetes para defrontar um dos mais castiços clubes de Lisboa. Pelo que vem a propósito recordar dois confrontos de 1946, um deles com Rogério Lantres de Carvalho a receber uma homenagem dos que não o esquecem em sua casa.

Era assim que se gritava nas bancadas do Engenheiro Carlos Salema, à Azinhaga dos Alfinetes...
Muitas vezes já se encontraram Benfica e Oriental para as mais diversas competições - Campeonato de Portugal, Taça de Portugal, Campeonato de Lisboa -, mas nenhuma para a Taça da Liga, o que se compreende, a competição é nova e carece ainda de uma afirmação completa, embora tão profundamente marcada pelas vitórias 'encarnadas' que não é fácil perceber-lhe outras cores.
Então, vai daí fiquei com a folha em branco na frente, à espera de teclar no QWERT meio sem saber que confronto entre vizinhos da mesma cidade e de bairros tão populares iria trazer até estas páginas que são mais vossas do que minhas.
Vários se perfilavam. Um da época de 1974/75, para a Taça, vitória gorda do Benfica por 8-0; um 9-0 para o Campeonato na época de 1950/51; certo empate renhido em Marvila (0-0) para o Campeonato de 1953/54???
Mas, enfim, Lisboa é Lisboa, fui deitar o olho a um encontro para o Campeonato de Lisboa, nos idos de 1946, tinha o CÊ-Ó-ELI acabado de nascer da fusão entre Chelas, Fósforos e Marvilense, pelo que a curiosidade gritou mais alto e até me lembrei do velho Carlos Pinhão que tinha uma ternura muito particular pelo clube da Azinhaga dos Alfinetes e acabou por ter uma rua com o seu nome exactamente nos caminhos que vão das Olaias para Oriente.
Depois, tal como as conversas e as ginjas, fui de um jogo a outro, isto é ao da primeira volta e ao da segunda.
Mas calma na enfileiração das letras. Um de cada vez.
No dia 6 de Outubro, o Clube Oriental de Lisboa apresenta-se no Campo Grande tendo como base o esqueleto da equipa do «engolidos» Fósforos, conhecida pela forma enérgica com que se batia em todos os minutos do jogo. Mas era uma energia falha de gana, acentuava quem lá esteve e viu como um meio-campo lento se deixava dominar e como Rogério «Pipi» e Julinho exploravam as falhas de um defesa desatento. França era o centro da tempestade. E, se ao golo de Rogério logo aos três minutos, ainda respondeu Isidro com o empate, Julinho(2) e Vítor Baptista, acabado de chegar da Sanjoanense, trataram de levar para o intervalo uma vantagem tranquila.
No segundo tempo, os golos vieram em catadupa - 8-1. Sublinho as palavras de Manuel Mota: «Sob o ponto de vista técnico, o Oriental continua a firmar escasso poder realizador. Os avançados, quando em posição de remate, perdem a calma e apontam mal. Recorde-se como Moura, sem ninguém nas balizas do Benfica, perdeu uma oportunidade. O remate saiu a metros de um poste, para fora, simbolizando bem a ineficácia dos 'orientais'...»

Em Novembro Rogério regressou a casa
Não foi um campeonato brilhante para o Benfica, segundo classificado atrás do Sporting com dois pontos menos que os rivais do Lumiar. E também não o foi para o Oriental, no quinto e penúltimo lugar, apenas à frente da CUF.
No dia 10 de Novembro, o Benfica visitou Marvila. O Oriental ganhara, entretanto, fama de equipa resistente capaz de bater até o Belenenses, proeza que não era de deitar fora. Portanto, cautelas!
E, rapidamente, cautelas para que te quero. Com mais de meia-hora para o apito final, a vantagem dos encarnados sobre os cor-de-vinho era escandaloso: 5-1.
Francisco Ferreira, era imperial. Arsénio, Julinho, Rogério e Vítor Baptista imparáveis.
Do lado oriental, um desacerto bem mais similar ao que fora exibido no Campo Grande, na primeira volta, do que a fiabilidade das últimas exibições. Os repórteres presentes no Carlos Salema eram de opiniões claras e concatenadas: «A linha atacante do Benfica manobrou os sectores atrasados do adversário com desenvoltura, progredindo rapidamente no terreno e variando o modo de fazer a ofensiva: tão depressa o jogo era desenvolvido em passes curtos como em longos, num sistema que se opunha à intercepção».
Mas, de repente, o jogo abana. Sobre os 60 minutos, Leitão faz 2-5 e, sete minutos depois, de «penalty», Bettencourt reduz para 3-5.
A diferença encolhe significativamente. Mas de pouco serve. A alma dos jogadores do Oriental, clube de um velho bairro de gente operária, é enorme. O seu estilo improvisado e valente e pormenores de entendimento colectivo.
A dez minutos do fim, o golpe fatal numa esperança que não deixara de ser ténue como as fitas de nevoeiro que sobrevoam o Tejo: Rogério, também na conversão de uma grande penalidade, faz o 6-3 para o Benfica.
É ele que encerra a resistência marvilense e recebe das mãos dos adversários uma camisola que entra para a história do futebol em Portugal: é grená com o escudo do Marvilense encimado pela águia do Fósforos e com a bola do Chelas. Ninguém se esquece que Rogério foi o primeiro jogador da zona oriental de Lisboa a jogar pela Selecção Nacional.
É a oferta simbólica de um breve regresso a casa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Putin dobra a cerviz


"1. A sentença aplicada a todo o atletismo russo pela prática indiscriminada de doping de estado, com as consequências daí advenientes para a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, dão-nos ideia da difusão e sofisticação deste flagelo. Por uma vez, até Vladimir Putin teve que dobrar a cerviz. Do mesmo modo que a revelação de que a realização do Campeonato do Mundo de Futebol em 2006 foi objecto de vários subornos - já depois de se saber que também as próximas edições da prova (na Rússia em 2018 e no Catar em 2022) o haviam sido - mostra até que ponto a corrupção impera na modalidade. Ou seja, doping e corrupção, que no fundo são a mesma coisa, andam e sempre andaram de mãos dadas. Não se pense, porém, que o fenómeno se reduz às altas esferas e não atinge em igual medida os patamares inferiores, tanto profissionais como amadores. O andaço é global e abrange, em maior ou menor grau, todos os desportos, sem excepção.
2. Só depois de muitos anos e ao fim de uma carreira modesta é que Jorge Jesus entrou na galeria dos bons treinadores. Ao contrário, por exemplo, de Marco Silva que ainda com os dentes de leite já dizia a olho nu ao que vinha. Para ser campeão foi necessário chegar ao Benfica onde tinha à sua disposição um plantel de luxo. Se esta época vier a repetir a proeza com o Sporting, o que duvido, então sim a sua cotação dará um salto. Sempre, naturalmente, ao nível caseiro porque no campo internacional o reconhecimento de que goza é muito pouco. Nenhum grande clube inglês, italiano ou espanhol o contrataria e muito menos lhe pagaria o salário que aufere em Alvalade. Ponha os olhos em Paulo Sousa, treinador da Fiorentina, que poderia ser seu filho e já é um nome respeitado na Liga dos Campeões. Só a prosápia de Jesus, que sabe de antemão que nunca treinará na Europa dos grandes, é que o leva a dizer que se estivesse à frente de uma dessas equipas de maiores recursos seria campeão europeu logo na sua temporada de estreia. Enfim..."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Sentimento de um ocidental

"Muitos já terão visto o momento do França-Alemanha em que uma das bombas explode à porta do Stade de France. Evra, que conduz a bola, no seu meio campo, faz um ar de espanto, que se transforma numa expressão de um certo desdém, para logo depois atrasar a bola. O jogo prossegue e a França acaba por sair vitoriosa. Hoje, o resultado não importa, o que não quer dizer que o jogo não tenha sido relevante. Pelo contrário.
Tendo em conta o que se sabia estar a acontecer, pode ter sido tentador interromper a partida ou até cancelar os jogos de selecções no dia seguinte. Teria sido um erro. Se houve uma intenção clara nos atentados foi impedir que desfrutemos em conjunto do prazer de ver um jogo de futebol num estádio, de assistir a um concerto de rock numa sala irrespirável ou que nos juntemos, homens e mulheres, a beber uns copos.
É um daqueles casos em que a vida pode aprender como desporto. No futebol, o melhor que uma equipa pode fazer se quiser ajudar o adversário é adaptar o seu sistema de jogo. Com o terrorismo não é diferente: não há pior sinal do que ceder a quem se rege pelo culto bárbaro da morte.
Podemos, como o Evra, por momentos atrasar a bola; só que, logo depois, com a mesma expressão do francês, resta-nos voltar a atacar e impor a superioridade do nosso modelo de jogo: encher estádios, beber álcool e gostar de rock' n roll. Prazeres que o fanatismo religioso veda a alguns; mas que fazem parte do culto da alegria, um dos alicerces da nossa civilização."

Pura irracionalidade

"O Mundo está de luto. Os trágicos acontecimentos vividos na passada sexta-feira em Paris causaram em todo o Mundo dor, tristeza e revolta. Decorria o encontro particular entre as selecções da França e da Alemanha quando se ouviram explosões nas imediações do Stade de France. Os ataques terroristas voltaram a causar o pânico na capital francesa depois dos ocorridos no início do ano na redacção_do jornal 'Charlie Hebdo'. Desta vez, o atentado terrorista verificou-se em vários pontos da cidade, de forma concertada, e o número de vítimas mortais já supera a centena. A irmã do internacional francês Antoine Griezmann estava no Bataclan, a sala de espectáculos onde ocorreu a maior parte da tragédia e, felizmente, saiu ilesa desse verdadeiro filme de terror. A mesma sorte não teve a prima de Lass Diarra, outro internacional gaulês que estava em campo neste França-Alemanha de má memória.
Um dos bombistas tentou mesmo entrar no estádio e, não fosse agarrado pelos seguranças, estaríamos perante um cenário bem mais negro. O número de vítimas seria bem maior e, com o jogo a ser transmitido para milhões de pessoas, o impacto televisivo da tragédia teria um efeito devastador.
Não foi a primeira vez que o terrorismo e o desporto se cruzaram. Basta lembrarmos os ataques nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Depois de sequestrados, 11 atletas da equipa israelita acabaram por perder a vida. Em 2012, em Port-Said, no Egito, mais uma tragédia, 74 mortos, quase mil feridos. Mais recentemente. em 2013, um atentado durante a Maratona de Boston, a mais famosa à escala global, resultou na morte de três pessoas e 264 feridos.
Neste contexto, o desporto, o futebol, deve reagir, assumindo e promovendo os seus valores junto dos mais jovens, junto da comunidade. O desporto deve reforçar a sua dimensão social, promovendo espaços de tolerância e afectos educar, formando a personalidade humana. O desporto deve ser factor de inclusão, de integração, promotor da interculturalidade. Os dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros, a família do futebol, devem nesta hora de incerteza para a Europa e o Mundo dar um sinal maior. Um sinal de esperança."

Alcoolismo académico

"Uma reportagem televisiva sobre excesso de bebidas alcoólicas mostrou uma competição de caloiros sob tutoria (?!)de veteranos universitários. Deveriam entrar em locais de venda de bebidas para as ingerir, somando pontos. Quanto maior a graduação alcoólica mais pontos obteriam. Ganharia a equipa mais pontuada, isto é, mais alcoolizada!!!
Professor universitário há 40 anos, conhecendo a evolução das atitudes estudantis, seguidor da imprensa, não me surpreendeu a insanidade da prova. O que me chocou foi o ar assertivo da jovem veterana travestida de líder que se julga importante, ao explicar o que se passava como algo perfeitamente normal e adequado. Alguma centelha de (má) consciência haveria nos que se esconderam das câmaras por detrás das capas do traje académico, ali muito mal honrado. Este caminho para o estado alterado de consciência, via bebedeira, visava a socialização dos recém-chegados à Universidade! Não é preciso ser Doutor, nem Mestre, nem Licenciado para saber que constitui agressão à saúde...
Se os organizadores socializassem discutindo livros, temas sérios, procurando elevar a cultura, talvez descobrissem que o passatempo que promovem não está ao nível de quem aspira a ser elite por via do conhecimento que é suposto adquirirem pela via académica. Reconheço que há grande quantidade de estudantes muito acima daquele estádio cultural. Receio que a colocação dos alunos em função das médias, tendo virtudes, tende a hierarquizar o tipo de cidadãos que chegam às diversas faculdades. As que exigem médias superiores tenderão a receber cidadãos mais preocupados com o conhecimento e valorização, relegando as acessíveis a médias mais baixas para o risco de acolher quem mais dificilmente será elite cultural de referência.
Assim, talvez os primeiros emigrem para paragens onde a sua preparação seja mais valorizada e os segundos se quedem, acabando por gerir o País.É a lógica da nossa História."

Sidónio Serpa, in A Bola

Uma peregrinação a Coimbra para ver a bola

"Era a primeira final entre o Benfica e o FC Porto e Júlio Barbosa, que não a podia perder por nada, fez-se à estrada a pé...

Disputava-se, a 28 de Junho de 1931, a final do 10.º Campeonato de Portugal, que marcava o primeiro embate entre o Benfica e o FC Porto no derradeiro jogo de uma prova nacional. Foi uma final marcada por estreias: pela primeira vez era disputada no Campo do Amado, em Coimbra, e, com grande surpresa, o jogador benfiquista João Correia estreava-se na equipa de Honra.
Um desafio que nenhum benfiquista poderia de perder, terá pensado Júlio Pinto Barbosa, engraxador e grande benfiquista. Não tendo rendimentos para comprar uma viagem de comboio de Lisboa a Coimbra, decidiu fazer o percurso a pé. Estudou o itinerário e partiu de Lisboa, a 23 de Junho, 'munido dos seus utensílios de engraxador para ir ganhando o pão e a pousada de cada dia'. Chegou a Coimbra a 27 de Junho e já a cidade universitária vivia um ambiente de grande agitação.
No dia seguinte, chegaram ainda mais pessoas e mal se conseguia andar na baixa da cidade. 'Além dos comboios especiais que conduziam muita gente, a todo o momento, dum lado para outro, chegavam automóveis transportando desportistas. Viam-se bandeiras azuis e vermelhas por toda a parte. E por toda a parte se ouvia gritar: Viva o Benfica! Viva o FC Porto!'
Marcaram presença mais de 6 mil espectadores, entre eles Júlio Barbosa, que teve a alegria de ver o seu clube sagrar-se bicampeão de Portugal, feito inédito até então, ao derrotar o FC Porto por 3-0.
A equipa do Benfica, ao ter conhecimento da sua peregrinação e 'rendidos por tão extrema devoção (...) trouxeram o heróico Júlio Pinto Barbosa para Lisboa, de comboio'. Foi caso para dizer que 'Coimbra tem mais encanto na hora da despedida'!
Na chegada a Lisboa, em véspera de São Pedro, o Benfica teve uma recepção apoteótica. Até altas horas, ainda 'os adeptos davam largas à sua alegria. Uma marcha (...) entoava em estrilho, a seguinte quadra: Olha o balão, Olha o arraial! Viva o Benfica - Campeão de Portugal!'
O troféu conquistado pode ser visto na área 5. A 'Taça' do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Paris: o que vai mudar daqui em diante

"A evidência dos acontecimentos obriga a que estejamos dispostos a aceitar viver numa sociedade cada vez mais securitária

Os eventos desportivos têm sido, ciclicamente, visados em atos de terrorismo. Em 1972, o ataque dos palestinianos do Setembro Negro à aldeia olímpica de Munique fez onze mortos entre a comitiva israelita; uma bomba, colocada por um fundamentalista norte-americano de direita, no parque olímpico de Atlanta, provocou dois mortos durante os Jogos de 1996; em 2002, a ETA fez deflagrar um carro-bomba nas imediações do Santiago Bernabéu, antes de um Real Madrid-Barcelona e dois anos mais tarde o estádio merengue teve de ser evacuado, por ameaça de bomba, durante um Real Madrid-Real Sociedad; o Grand National, a mais prestigiada corrida de cavalos inglesa, foi abandonada em 1997 depois de o IRA ter feito duas ameaças de bomba; em 2008, uma maratona no Sri Lanka foi alvo de um bombista suicida dos Tigres Tâmil, que se fez explodir, matando doze pessoas; o Lisboa-Dakar de 2008 foi cancelado na sequência de ameaças da Al Qaeda; e a maratona de Boston de 2013 ficou marcada pela detonação de dois engenhos explosivos, obra de extremistas islâmicos, causando três mortos.

O que mudou com Paris 2015
No atentado da última sexta-feira em Paris, a eleição de um evento desportivo como alvo não representou, pois, uma novidade; o que foi novo foi a tentativa dos bombistas entrarem no estádio e aí, com uma audiência televisiva de centenas de milhões, levarem a cabo a sua ação. Este é um patamar nunca antes atingido e que merece cuidada atenção. Qual foi a diferença entre o Stade de France e o Bataclan? A segurança. Enquanto que os terroristas entraram sem problema na sala de espectáculos da Avenida Voltaire, as bancadas do estádio de Saint Denis foram-lhes vedadas pela acção da segurança. A menos de um ano do Campeonato da Europa de futebol, que terá a França como sede, são, pois, absolutamente legítimos, os receios quanto à segurança do evento. Não sendo opção que os franceses abdiquem da organização do evento - isso seria capitular perante o terror - e sendo previsível que em Junho do próximo ano a guerra ao Estado Islâmico tenha conhecido uma significativa escalada, aquilo que todos teremos de aprender a conviver é com uma nova realidade securitária. Provavelmente o preço que temos de pagar para a defesa dos nossos valores.

Um desafio que ninguém poderá ganhar sozinho
«O risco que havia aumentou, mas vamos tomar as medidas necessárias para que o Euro/16 seja realizado nas melhores condições...»
Jaques Lambert, Presidente do Euro 2016
O presidente do comité organizador do Euro-2016 sabe que tem em mãos uma tarefa gigantesca - garantir a segurança - que só poderá levar a cabo com sucesso com o envolvimento de todos. Nada será fácil durante o Campeonato da Europa, tudo e todos terão de ser controlados e, mesmo assim, os riscos vão existir. É o mundo em estado de guerra, proclamado por Hollande.

ÀS
Cristiano Ronaldo
«Não posso ficar indiferente ao horror dos atentados de Paris. Os meus pensamentos estão com as vítimas e respectivas famílias», disse o capitão da Selecção Nacional, chegando-se à frente, como o mais influente desportista do mundo nas redes sociais. Uma tomada de posição adulta, que mostra que a vida não é só futebol.

ÀS
Zlatan Ibrahimovic
«É triste, é trágico. Estas coisas não devem acontecer. Todos os meus pensamentos estão com as pessoas que morreram e com os familiares. Tentei estar concentrado no jogo de hoje, mas foi muito difícil», afirmou o internacional Sueco e estrela maior do PSG. Também não faltou à chamada da responsabilidade.

ÀS
Rafael Nadal
«Estou devastado pelo que aconteceu em Paris e não quero deixar de transmitir todo o meu carinho e apoio à França e aos parisienses». Nove vezes vencedor de Roland Garros (de 2005 para cá só não ganhou em 2009), o tenista de Manacor não faltou à chamada e enviou a palavra solidária que se impunha, a quem tanto o acarinhou.

O mundo fez luto com azul, branco e vermelho
Os atentados de Paris relegam para segundo plano a restante actualidade (quem diria que passaríamos o fim de semana sem que se comentasse a viagem de Cavaco e Silva à Madeira?). O LÉquipe fez uma manchete exemplar, dramárica, como se justificava, mas ao mesmo tempo sóbria e digna.
Sexta-Feira 13
Algumas imagens do Stade de France, na última sexta-feira, que me irão acompanhar: a dúvida dos jogadores perante as explosões, seriam petardos ou algo mais?; espectadores e jogadores reunidos no relvado no final do França-Alemanha; adeptos gauleses num túnel, saindo do estádio, entoando A Marselhesa. O futebol, cada vez com maior visibilidade na sociedade mediatizada do século XXI, esteve no olho do furacão e haverá, por certo, um antes e um depois relativamente aos atentados de Paris, para quem demanda os estádios."

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 15 de novembro de 2015

Provas dos nove

"Pelo andar da carruagem, a presente época do futebol profissional promete ser muito animada em matérias do foro disciplinar desportivo. Não faltam situações merecedoras de averiguação e prognosticam-se processos e mais processos. Pelo ambiente de conflitualidade permanente que se pressente e se traduz nas tribunas da 'comunicação', é verosímil um elevado grau de 'intensidade' na consulta de relatórios e boletins dos jogos, fornecimento de documentos, realização de inquirições e acareações, assim como demais provas habilitadas a contribuírem para a 'descoberta da verdade material' e os possíveis enquadramentos jusdisciplinares. A animação andará pelos gabinetes da Comissão de Instrução e Inquéritos da LPFP (que não dá apenas 'pareceres não vinculativos' no seio da justiça desportiva...), da Secção Profissional do Conselho de Disciplina da FPF e, em sede de recurso, do novel Tribunal Arbitral do Desporto (em sede de arbitragem necessária 'per saltum', isto é, sem intervenção do Conselho de Justiça).
Tudo começa na instauração dos processos e nos 'meios de prova' que se neles se depositam e produzem para demonstrar a 'realidade dos factos'. Nos processos disciplinares desportivos rege um princípio de liberdade de produção e utilização de todos os meios de prova em Direito permitidos (declarativa, documental pura ou por reprodução mecânica, testemunhal, pericial, inspectiva, assim como a obtenção da transcrição documental, em sede judicial e migrada legitimamente para os processos desportivos, de meios de 'obtenção de prova', como os exames, revistas, buscas, apreensões, escutas telefónicas ou sistemas de videovigilância). Porém, a prova 'desportiva' no futebol profissional tem uma ou outra particularidade. Entre elas, avulta a presunção de veracidade dos factos constantes das declarações e relatórios dos árbitros e dos delegados da LPFP no exercício das suas funções, o que significa que estes agentes são titulares de um valor probatório 'reforçado' perante outros meios de prova. Bem como avulta novamente a faculdade legal de se aceder às imagens gravadas pelos sistemas de videovigilância instalados e legalizados nos estádios (e obrigatoriamente guardadas durante três meses) para apuramento de qualquer infracção disciplinar - algo que tinha sido inexplicavelmente limitado em 2009 apenas aos ilícitos de violência dos adeptos.
Com toda ou alguma dessa prova se decidirá esta 'gritaria'. Absolvendo ou condenando, como é próprio quando os órgãos próprios actuam e decidam. Como é dever."

Alterações às leis do jogo?

"1. As leis do jogo são o verdadeiro ADN de qualquer modalidade ou disciplina desportiva, aquilo que diferencia o futebol do râguebi, a canoagem do remo ou o ténis do basquetebol. No futebol, ao contrário do que se possa pensar, quem manda no jogo não é a respectiva federação internacional (a FIFA) mas antes uma entidade - que agora, pois nem sempre foi assim, conta com a representação da FIFA -, o IFAB, muito ligado à propriedade britânica do futebol.
2. Sucede que essas leis do jogo não são imunes a outras regras que comandam a nossa vida, para o bem e para o mal, neste caso as estatais. A Copa do Brasil já nos tinha oferecido uma decisão judicial que tornou bem efectiva a pausa nos jogos em que as temperaturas pudessem atingir valores bem elevados. Em nome, claro está, da saúde dos trabalhadores.
3. Um novo exemplo chega-nos agora dos EUA. Por via de um acordo alcançado em tribunal, a federação americana de futebol (USSF), adoptou todo um plano de segurança para a prática do futebol por crianças, tendo como foco principal as lesões na cabeça.
4. Assim, a partir de 1 de Janeiro, os miúdos com 10 ou menos anos de idade estão proibidos de jogar com a cabeça. Limitação existirá, para os golpes de cabeça, para miúdos entre os 11 e 13 anos. E para permitir atenção imediata na detecção de lesões, os jogadores que sofram lesão significativa na cabeça, podem ser substituídos, sendo a substituição reversível (e de novo disponível), no caso de a gravidade não se confirmar.
5. As leis do jogo não são assim, bem se vê, resistentes às normas jurídicas públicas e ao lado do IFAB há que contar ainda com outros valores - que tais leis protegem - como seja, no caso, a saúde das crianças que jogam futebol."

José Manuel Meirim, in A Bola