Últimas indefectivações

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Benfiquismo (CMLXXXII)

Inauguração do Jamor...

Lanças... Taça e o resto...

Custo em anos e em milhões

"A formação é um tema especialmente querido a Luís Filipe Vieira. Ainda esta semana, no discurso de abertura de mais um ano no Seixal, o presidente dos encarnados voltou a referir o sonho de ser campeão europeu com jogadores formados pelo clube. Uma meta que, de alguma forma, desafia a lógica que o recente histórico da Champions tem mostrado: entre os finalistas dos últimos 10 anos, não se encontra nenhuma equipa que não tenha vertido milhões para cima do plantel (o Barcelona, já em 2008/09, talvez tenha sido a mais poupada, mas tinha no onze da final Henry, Eto'o, Yaya Touré e Sylvinho).
Quer isto dizer que o sonho de Vieira é impossível? Pouca coisa no futebol é impossível, mas será preciso uma combinação rara de factores. Primeiro, que o Benfica consiga juntar, sem o perder (o maior desafio...), talento suficiente num prazo de três a quatro anos que lhe permita construir uma equipa capaz de ombrear com as melhores da Europa. Depois, será preciso um ano atípico, em que os clubes mais ricos passem por dificuldades. Por fim, alguma ponta de sorte, essencial em competições que se decidem em detalhes.
A nova 'geopolítica' do futebol europeu deixou Portugal, e os seus clubes, cada vez mais longe da sonhada 'orelhuda'. Os principais clubes europeus têm receitas que são o quádruplo das do Benfica, o clube português que mais se aproxima dessa realidade. Criar jogadores como Rúben Dias, Gedson ou João Félix custa largos anos; para um qualquer Manchester City custa apenas alguns minutos e muitos milhões."

Vitória em Fafe...

Fafe 22 - 40 Benfica
(13-19)

Jornada antecipada e invertida!!! Este jogo pertence à 11.º jornada (daqui a um mês, mais ou menos!) e trocámos as 'voltas', a 1.ª volta deveria ser na Luz, mas fomos a Fafe!!! Tudo para permitir uma melhor preparação para a decisiva eliminatória europeia, com a Hannover - sorteio efectuado ontem...

O cansaço do fim-de-semana acabou por não ser importante, deu para dar poucos minutos a alguns jogadores: Seabra, Belone, Grilo... O Pesqueira regressou... E o Ristovski nem sequer fez a viagem!

As contas do Porto

"A SAD do FC Porto apresentou contas perante a indiferença dos meios de comunicação e dos comentaristas de plantão, que aparentemente consideram normais as extraordinárias conclusões que qualquer leigo pode extrair da apresentação de Fernando Gomes.
- Desvio de 65% do Orçamento, com um prejuízo de mais de 28 milhões contra uma previsão de 17 milhões;
- Crescimento do Passivo e subida ao 1.º lugar do ranking nacional e, provavelmente, ao 2.º da Europa ultrapassando o Benfica;
- Ultrapassagem em quase 50% do limite de prejuízos imposto pelas regras europeias do fair-play financeiro (28 milhões para limite de 20M), só admissível no âmbito de cláusulas de amortização, infraestruturas e investimento, por benevolência da UEFA;
 Recorde de custos operacionais, ultrapassando o orçamento em quase 15% por cento;
- Custos com pessoal (perto de 80 milhões) mais elevados da história do clube e excedendo o orçamento pelo terceiro ano consecutivo, apesar de ter imposto ao treinador Sérgio Conceição um ano sem contratações de jogadores.
Nada digno de grandes comentários, portanto."

Seis meses de cadeia para ‘ultra’ francês

"No mesmo dia em que a Liga julgou o caso da colagem da tampa da sanita numa divisória do estádio da Luz, no Benfica-Porto, com mais uma multa ridícula, chegava ao fim o processo a dois “adeptos” que lançaram foguetes para o relvado no jogo Metz-Lyon, do campeonato francês em 2016, causando lesão auditiva ao guarda-redes português Anthony Lopes. O chanfrado mais jovem, de 25 anos, que lançou o foguete, foi condenado a seis meses de prisão efectiva e o outro, de 36, a seis meses de cadeia com pena suspensa. Ambos estão proibidos de frequentar estádios durante cinco anos. E saberão em Dezembro quanto terão de pagar de indemnizações pelos danos causados, a todos os níveis, com o Lyon a reclamar 1,2 milhões de euros.
Seis meses de cadeia, 5 anos de interdição, mais de um milhão de euros de indemnização.
Ouço desde 2003 que a lei portuguesa, recriada a propósito do Euro 2004, é das mais avançadas da Europa e, no entanto, vamos com 15 anos de criminalidade semanal, mais grave aqui e acolá, multas de brincadeira, acusações de terrorismo e condescendência vergonhosa. A lei mais avançada da Europa simplesmente não tem aplicação, queima nas mãos das autoridades.
Depois deste julgamento em França a dois ‘ultras' da claque Horda Frenetik, dois “idiotas que mancham o espírito do desporto e dão uma imagem negativa ao futebol” - no comentário do juiz -, fica a expectativa de observar uma alteração no futuro comportamento desta escumalha. Lyon e Marselha tiveram recentemente jogos à porta fechada e os indícios não apontavam para grandes transformações, mas acredito que nos próximos tempos esta sentença vá assustar alguns vândalos e aliviar o ambiente.
E é o que faz falta em Portugal, neste momento: a aplicação rigorosa da lei sobre dois ou três imbecis das claques, nomeadamente os que são apanhados a entrar nos estádios com engenhos pirotécnicos. Segundo os relatórios policiais, nos dois últimos derbis de Lisboa foram detidas 14 pessoas por posse ou lançamento de engenhos pirotécnicos. Na final da Taça de Portugal foram detidas outras quatro. Terão sido todos presentes ao Juiz, mas ninguém sabe o que lhes aconteceu depois, provavelmente andam por aí em acções de guerrilha (e terrorismo) desportiva de fim-de-semana."


PS: A pirotecnia só por si não deve ser crime, mas o Manha tem razão num ponto: a responsabilização individual, por via judicial, daquilo que acontece nas bancadas... algo que em Portugal raramente acontece!!!

Sabe quem é? Até 'pau' deu no 'mister'! - João Cancelo

"O dia em que a mãe adormeceu ao volante e o futuro passou a ser em nome dela; Dani e o 7 que não era de Figo

1. Foi ao Barreirense que o Benfica o foi buscar no segundo ano de iniciado - e não tardou a marcar o balneário pela personalidade forte: irreverente, temperamental, folgazão, destemido «Sobretudo pelo corte de cabelo e o tom de pele», no Seixal chamaram-lhe um dia Cigano - e Cigas ficou. À alcunha respondeu, criando, inventivo, cognomes para alguns colegas - por exemplo: Joanete para Bruno Varela, Cabeça para Bernardo Silva, Portão para Fábio Cardoso.

2. Com ele no Benfica se cruzou o Pedro Torrado - e contou-o: «Detesta tanto perder que até amua. Certa vez, pensando que estava a jogar mal chegou ao balneário, para o balneário chorar, despiu a camisola, mas não: o mister não o tirou - e foi notável a segunda parte que ele fez...»

3. Não o escondia: queria ser como Dani Alves, o seu ídolo e não era só no seu jogo que punha o coração - nos treinos também. E, às vezes soltava-se-lha a rebeldia (e a intrepidez) - como naquela tarde em que Bruno Lage era seu treinador e, na peladinha, se juntou à equipa, para jogar a avançado. Andava pouco utilizado - e num lance entre os dois «fez carrinho às pernas do mister». Tão fogoso e destemperado o fez, que, pelo campo, ao espanto se seguiu o embaraço. Foi, de pronto, mandado para o banho - e a peripécia jamais deixou de andar, de boca em boca, contada como a vez em que ele até «deu pau no mister...»

4. Foi agarrando, fulgurante, o seu destino (umas vezes como lateral, outros como extremo, tanto à direita como à esquerda) - e talvez os dois golos que marcou ao Rio Ave, fazendo, em 2013, do Benfica campeão de Juniores, tenham sido os seus mais emocionais: meses antes, a tragédia colara-se-lhe à vida, num golpe cruel: Filomena, a mão, fora com ele e o irmão, levar o pai, que estava emigrado na Suíça, ao aeroporto. No regresso, coma ambos a dormitarem, Filomena adormeceu também, por Coina, o seu Audi A3 despistou-se na A2, os filhos sofreram ferimentos ligeiros, ela morreu.

5. Destroçado, ele fez-lhe declaração que se tornou o sentido do seu ataque ao futuro: «Perdi a luz da minha vida. Estejas onde estiveres, quero que olhes por mim, protejas o pai e o mano. Estou morto por dentro, vou ser forte e dar-te o maior orgulho do mundo».

6. Num ápice, desatou a cumprir-se-lhe a promessa - e de tal forma que Hélder Cristóvão, seu treinador, haveria de o afiançar (no ano passado à BTV): «É talvez o melhor jogador que já passou pelo Benfica B. Consegue sair de qualquer situação:ou de pé esquerdo ou de pé direito, ou por dentro ou por fora. Teve alguns conflitos internos com ele mesmo - superados no Valência. Fiz aposta com ele de que seria dos cinco melhores laterais do mundo, vai lá chegar...»

7. Vieira não o escondera: achava que seria o substituto de Maxi, mas Jesus escusou-se a aproveitá-lo: pô-lo titular, contra o FC Porto no último jogo de 2013/2014 (os 62 minutos que esteve em campo valeram-lhe o título de campeão) - e, semanas depois, o Valência o comprou-o por 15 milhões de euros.

8. Desatado rumor de que o Barça pensava nele para render Dani Alves, no verão de 2017 (após a polémica do gesto a mandar calar os seus adeptos na festa de golo ao Corunha) - foi emprestado ao Inter. Em Milão, pediu a camisola 7 - e a quem achava que a razão era uma, explicou que era outra: «Não é por ter sido o número de Figo aqui. Foi um dos melhores jogadores da histórica, mas eu não quero imitar ninguém, quero o 7 por ser o dia de nascimento da minha mãe».

9. O Inter podia ter exercício opção de compra, não a exerceu - Bergomi, um dos seus ícones, largara em remoque: «Nunca pagaria 35 milhões por um lateral como ele: pouco consistente do ponto de vista defensivo». Na Juventus, achou-se o contrário - por 40 milhões o levaram para Turim (e foi através do seu negócio, com Jorge Mendes a tratar dele, que se começou a escancarar a porta por onde Cristiano Ronaldo haveria de entrar).

10. Pela selecção se estreara em Agosto de 2016 com golo a Gibraltar - dois golos marcou no apuramento: a Andorra e às Ilhas Faroe. Porém, Fernando Santos acabou por não o convocar para o Mundial da Rússia. E o que, depois, do Mundial se tem visto na selecção (e na Juventus, também...) é que ele está cada vez mais perto do sonho que atiçou - do sonho de ser como o Dani Alves..."

António Simões, in A Bola

Que fronteira para os clubes?

"O Barcelona congelou a actividade de Ronaldinho e Rivaldo, dois Bolas de Ouro do clube, como embaixadoras, devido ao apoio dos antigos jogadores a Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras. Se Ronaldinho e Rivaldo apoiassem Fernando Haddad, o outro concorrente ao Planalto, não seriam discriminados pelo Barça. Que dizer da posição dos culés? Os clubes devem envolver-se na política e rejeitar ideologias e práticas que considerem erradas? Será essa a sua função? Ou deverão abster-se de comentar as opções dos que professam uma fé clubista comum? Olhando para os estatutos dos três maiores clubes portugueses, Benfica e FC Porto defendem explicitamente a não discriminação em função de sexo, raça, língua, convicções políticas, ideológicas ou religiosas, enquanto que o Sporting opta por um registo ligeiramente diferente, embora dentro do mesmo espírito, vedando na sua actividade e nas suas instalações manifestações de natureza política-partidária e de proselitismo religioso. Mas a grande questão é saber se os clubes - e muitos deles, ao longo da sua história, viveram em ditadura e em democracia - devem ser actores políticos e podem defender (ou combater) uma ideologia, a qual a fronteira que não podem ultrapassar, sob risco de implosão. Este caso do Barcelona (que tem por lema «Mais Que Um Clube») tem pelo menos o mérito de nos fazer reflectir sobre o papel das grandes organizações desportivas de massas, em pleno século XXI, e dos limites a que podem aspirar sem correrem perigo de desagregação, ao envolverem-se em temas que vão para lá do âmbito desportivo strictu sensu."

José Manuel Delgado, in A Bola

Circo

"1. Está a caminho a anunciada revolução no combate à violência desporto. A este propósito, disse Martha Gens, advogada da Direcção da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto: «Ninguém quis ouvir os adeptos antes de os querer enjaular. Não existe qualquer intuito em trazer espírito desportivo saudável e positivo aos recintos desportivos». Está a brincar, dra.?
2. No caso de as suas pretensões não serem ouvidas pelo Governo, os clubes admitem parar os campeonatos. Mais ainda?
3. Frederico Varandas quer que os circo acabe no Sporting, mas já se percebeu que é difícil enquanto houver palhaços a rondar. E o estado de graça durou um mês.
4. Ao confirmar as exigências de Herrera para renovar, Pinto da Costa serviu o jogador aos adeptos como se fosse um prato de nachos. Um erro quase tão grande como o passivo da SAD azul e branca.
5. Luís Filipe Vieira voltou a falar do sonho de ver o Benfica campeão europeu com jogadores da casa. Vai deixar de atender Jorge Mendes?
6. Na entrevista ao jornal A Bola, em que conjugou mais vezes o verbo aglutinar do que o verbo ganhar, disse José Peseiro: «Neste momento não podemos fazer um jogo de querer comer». Ok, mas também não é preciso fazer um jogo de querer ser comido.
7. Dizer que a Selecção Nacional é melhor sem Ronaldo faz tanto sentido como entrar em contramão na Segunda Circular. Quanto muito é diferente e muda a perspectiva: já não se pensa em como adaptar a equipa a CR7, mas sim em como adaptar CR7 à equipa.
8. A presença de elementos dos Super Dragões numa loja do Benfica em Matosinhos (quer comentar, dra.?) foi hiperestúpida e mereceu reacções megaridículas de «fonte oficial» do Benfica e do director de comunicação do FC Porto, ambos misturando alhos com bugalhos (para não variar). Mas pelo menos Francisco J. Marques dá a cara."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Já nem vale a pena comentar o trauma que o Gonçalo tem com a comunicação do Benfica, mas em relação à Dra. Martha Gens, ela tem toda a razão... e esta claque na redacção do jornal A Bola, a favor da nova legislação anti-violência, é das coisinhas mais ignorantes dos últimos tempos!!!

Xiuuuuuuuuuuuu. Não digam nada!

"O futebol português vive acima das suas possibilidades.
A narrativa exige que qualquer análise ao que as finanças dos três grandes nos transmitem a cada três meses comece por uma ideia lapidar: vivem muito acima das suas possibilidades.
No entanto nem todos os três grandes são iguais.
Lembro-me de já há uns dez anos, numa apresentação das contas do FC Porto, o então vice-presidente financeiro Fernando Gomes ter dito que era indispensável, como a UEFA recomendava, que os gastos com pessoal de um clube não ultrapassassem os 60 por cento de receitas operacionais, sem contar nestas com as transacções de jogadores.
Nessa altura, o FC Porto era o que estava mais próximo dessa meta fundamental.
De então para cá muita coisa mudou. A recomendação da UEFA passou a ser mais do que isso, passou a ser um dos critérios de avaliação do fair-play financeiro. Não se deve gastar mais de 70 por cento das receitas em salários (sim, houve um aumento de 10 por cento na margem).
A verdade, porém, é que olhando para os últimos relatórios percebe-se que só o Benfica leva este critério à letra. Os encarnados são os que têm uma folha salarial mais baixa (68 milhões, contra 74 do Sporting e 79 do FC Porto) e são os únicos que conseguem que essa folha salarial não ultrapasse em 70 por cento as receitas operacionais (sem contar com transacções de jogadores).
No caso do Benfica os salários representam 55,8 por cento das receitas, no caso do FC Porto representam 74,5 por cento e no caso do Sporting significam 80,4 por cento.
O que nos diz duas coisas.
Por um lado, o Benfica está a seguir à risca a recomendação da UEFA com mais de dez anos. Por outro, a política desportiva de aposta na formação tem-se traduzido num reequilíbrio das contas, confirmado pela descida do passivo, sem colocar em causa da competitividade desportiva: a equipa lutou até ao fim pelo título e perdeu naquele detalhe em forma de pontapé de Herrera.
No entanto, e mais importante do que isso, como tem sido possível aos clubes continuarem a investir como investem? Basicamente porque as transacções de jogadores reequilibram (ou melhor, aproximam o clube do reequilíbrio) as finanças.
O que nos remete para outra questão.
O futebol português está sobrevalorizado. Há pelo menos quinze anos que está sobrevalorizado. Lembro-me também de, em 2007, ter encontrado um olheiro do Bordéus no Euro sub-21 e lhe ter perguntado que jogador estava a observar.
«Português? Nenhum. Os vossos jogadores são demasiado caros para o futebol francês», respondeu-me ele na altura.
A verdade é que qualquer jovem português que aparece adquire imediatamente um preço muito acima do seu real valor: quinze, vinte, trinta milhões de euros, enfim.
Talvez por isso, a lista de jogadores saídos do futebol português que não corresponderam ao investimento neles realizado está sempre a crescer. João Mário, Gaitán, Jackson Martínez, Adrien Silva, Lindelof, Slimani, Markovic, Quaresma, Mangala, enfim, a lista pode ser grande.
Porquê?
Basicamente porque Portugal lhes dá condições perfeitas. Como dizia um brasileiro não há muito tempo, é normal que os jogadores dos grandes do futebol português deem nas vistas quando custam 5 ou 6 milhões de euros e defrontam adversários que custam 50 ou 60 mil euros.
A verdade é que o desnível do campeonato permite que os melhores jogadores se optimizem. Ao defrontar adversários inferiores, fazem boas exibições, vão adquirindo mais confiança e cada vez fazendo melhores exibições. É uma bola de neve que os deixa no topo de forma. Inclusivamente quando depois defrontam adversários mais difíceis: por exemplo, na Liga dos Campeões.
Portugal anda a enganar? Obviamente que não, os clubes grandes exportam de facto excelentes talentos. Basta ver casos como Ederson, Alex Sandro, Bernardo Silva, Oblak, James, Di Maria ou Rúben Neves. Mas também exportam muitos jogadores sobrevalorizados.
Quando os grandes clubes acordarem para esta realidade, então aquele limite de 70 por cento das receitas operacionais em gastos com o pessoal pode tornar-se dramática.
Mas até lá, xiuuuuuuuu. Não digam nada."

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Alvorada... do Guerra

Contra-informação !!!

Realidade distorcida

"Mais uma vez no Porto Canal se assistiu ao distorcer da realidade. Infelizmente, há quem ache isto correto e acredite em personagens que há muito perderam a credibilidade. Dar audiências a estas personagens é também matar o futebol português, estes senhores não querem a verdade e já é habitual distorcerem a realidade e manipularem a opinião pública. É triste tudo isto ser feito com o apoio do Futebol Clube do Porto, uma instituição que merecia outro tipo de pessoas na sua comunicação que abriram uma guerra sem precedentes no futebol nacional onde literalmente vale tudo.
A imagem que está anexada é do programa de ontem. Podemos ver no título que a justiça americana teria rejeitado a queixa do Benfica. É interessante notar que esta noticia foi dada pelo JN na manhã de ontem, mais uma vez o JN serviu como ferramenta comunicacional de um clube, e isto é demasiado evidente com tudo aquilo que temos publicado nos últimos largos meses que prova a existência da promiscuidade entre algumas pessoas do jornal e pessoas ligadas ao Futebol Clube do Porto.
A verdade é só uma, a queixa do Benfica não foi rejeitada pela justiça americana, como aliás veio hoje a público. O Benfica é que retirou a queixa por ter chegado a acordo com a Google. Desde o inicio que defendemos que o Benfica nunca iria com este caso para a frente quando o seu maior interesse era colaborar com a Google e identificar os bloggers que divulgaram correspondência privada do clube. Ficou provado mais uma vez que tínhamos razão. Vamos ainda assim esperar pelos próximos dias, porque sabemos que vão haver mais informações sobre o caso."

Transfer desporto-vida: aprendizagens a retirar e seus reflexos

"O contexto do desporto de alto rendimento tem sido, desde sempre, um enorme laboratório de estudo e treino de "mental skills" para o sucesso.
Tratando-se de um "setting" onde a intensidade se vive um (ou alguns!) nível(eis) acima do que é comummente experienciado no quotidiano tradicional, acaba por se transformar num curioso espelho da manifestação dos padrões de funcionalidade ou disfuncionalidade de quem por lá anda - estamos a falar, no caso, na exibição de comportamentos que nos aproximam do sucesso... ou do insucesso.
A similaridade com outros contextos de performance tem sido sobejamente explorada, nomeadamente na área empresarial tendo, por exemplo, Jim Loher e Jack Groppel (respectivamente, Psicólogo e Nutricionista a trabalhar, há mais de 20 anos, no contexto do desporto e das empresas de alto rendimento), desenvolvido um conceito muito intuitivo designado por: Corporate Athlete (2001).
Algumas características parecem, de fato, distinguir os "Atletas" (sejam eles do contexto desportivo, artístico, empresarial ou outro) dos demais e, invariavelmente, e para além de um conjunto de competências psico-emocionais que parecem dominar acima da média (ex: motivação, resistência à frustração, controlo de stress e ansiedade, entre outros), os que alcançam um desempenho excepcional, partilham de uma característica quase "invisível" aos olhos do grande público:
Gerem extraordinariamente bem os seus recurso energéticos.
Este aponta ser, sem dúvida, o ponto de partida que os alavanca para o sucesso, enquanto processo contínuo e consolidado de forma sustentada.
Referimo-nos, por isso, a uma espécie de "long-runners", ou seja, pessoas que mantém níveis de sucesso consideráveis ao longo do tempo e não aqueles que aparecem pontualmente para não se voltar a ouvir falar deles.
Parece, então, ser perentório que, uma gestão eficaz dos nossos recursos de energia, permite-nos não só explorar todo o nosso potencial mas, fazer com que "naquele momento onde tudo tem que correr bem"... realmente, as melhores probabilidades estejam do nosso lado.
Em suma, estamos a falar da instalação de um conjunto de hábitos que nos permitem ter os recursos energéticos ideais para podermos activar as nossas competências cognitivas e emocionais em pleno, para os desafios que nos aguardam.

Hábitos que determina um desempenho eficiente
Podemos, de uma forma lata, identificar um conjunto de hábitos que se tem revelado determinantes para a elevação dos indicadores de performance e bem-estar:
1) um padrão de sono regular e com a qualidade desejada. Idealmente, é importante que se cumpram entre 7h a 8h de sono diárias e, para conseguirmos estes níveis de eficiência, é importante haver uma boa gestão dos níveis de stress, um plano alimentar adequado e, preferencialmente, sem dor ou desconforto físico.
2) um padrão alimentar que corresponda às necessidades energéticas do individuo. Os planos alimentares "pré-feitos", porque não foram desenhados para a nossa antropometria, nem em função de um correto diagnóstico das nossas necessidades energéticas diárias (que são completamente distintas para um gestor de topo na banca, no sector privado, para um médico ou um professor, por exemplo), muitas vezes, contribuem mais para o nosso corpo se tornar ainda mais "disfuncional".
3) um padrão de prática de exercício físico nunca inferior a 3 a 4 momentos por semana, de intensidade moderada a elevada. A generalidade dos estudos produzidos nesta área revela, não só ganhos na nossa qualidade fisiológica mas também, consequentemente, na nossa eficiência cognitiva e emocional.
4) Integrar a noção de treino no seu dia-a-dia. Na realidade, em qualquer uma das dimensões anteriormente apresentadas, estamos também a falar em processos de treino e de especialização - Especialização da nossa capacidade (e consciência) em identificar os padrões certos que nos ajudem a ter os recursos vitais à maratona que se pode vivenciar em BUSCA do SUCESSO (seja qual for a forma do mesmo que escolhermos para nós).

Impacto no treino de competências psicológicas
A própria área do desenvolvimento e optimização de competências psico-emocionais, que se traduz no treino avançado de competências para a performance (em diferentes contextos de realização – desporto, artes, empresas, escola...), onde as pessoas procuram uma maior especialização, desempenho e qualidade de vida, entende este tipo de "treino" igualmente fundamental para que todo o treino psico-comportamental possa ser bem sucedido.
Sem "energia", toda a informação que possa ser "coleccionada" do ponto de vista cognitivo e emocional, terá sérias dificuldades em ser activada, sob a forma de comportamento. Muito menos em contexto de adversidade.
Acontece que, para um qualquer "performer", a noção de treino é algo que se encontra enraizada desde tenra idade e, para o cidadão comum (entenda-se, para o efeito, alguém que não é sujeito a um processo de treino sistematizado e continuado) essa não é a realidade.
De fato, todo e qualquer contexto de realização (escola, artes, desporto, empresas...) pode assumir-se como um contexto de especialização de “boas práticas” ou, por oposição, de consolidação de erros – em boa verdade, sempre que não traçamos metas de aprendizagem planeada e sistematizada, esta pode assumir um carater aleatório (logo, com elevados níveis de ineficiência), resultante mais do acaso do que da sistematização.
Assim se consolida (entenda-se, treina), involuntariamente, tanto os padrões funcionais (que nos aproximam do que desejamos) como disfuncionais.
Importa, então, equacionar de que forma a podemos integrar na Vida das nossas Escolas, Empresas e, inclusive, na nossa Vida Pessoal esta perspectiva de treino e superação.
Importa, acima de tudo, activar curiosidade e vontade de fazer diferente e melhor – só assim se inova e evolui e constrói confiança."

Uma nova agenda para o desporto em Portugal: uma prioridade

"Não pretendo mimetizar o padre António Vieira, pregador do acutilante sermão de Santo António aos Peixes, no qual verbera, com aspereza destemperada, os peixes graúdos desta era: os soberbos e arrogantes (roncadores); os pregadores (parasitas e oportunistas); os ambiciosos (voadores); os hipócritas (polvos), estes na essência traiçoeiros e maldosos.
Neste particular, a culpa, na óptica do Padre Vieira, ou responsabilidade, na minha, da falta da prioridade dada ao desporto, enquanto fenómeno de importância social, é das pessoas e organizações do desporto, seja porque não se prega a verdadeira doutrina, difusa, ou porque se diz uma coisa e se faz outra, ou porque se tende a pregar não aos fiéis, sociedade e outros acólitos (políticos), mas a dar resposta a outros interesses paladinos.
Se quisermos ser benévolos e sacudir a nossa responsabilidade objectiva, podemos sempre dizer que a culpa está na água, porque os ouvintes, peixes, não querem receber a doutrina, ou antes preferem imitar os pregadores e não o que eles dizem, servindo os seus apetites vorazes o que não me parece justo, para estes.
Aproxima-se uma nova legislatura e é com responsabilidade de cidadania activa, de cada um de nós e de todos institucionalmente, que devemos contribuir para este processo com propostas concretas, sustentadas, alicerçadas no conhecimento que temos da realidade que diariamente assistimos, sensibilizando os partidos políticos com propostas fundamentadas a serem inscritas nos programas de e para a legislatura de quem governar.
O diagnóstico está feito. Continuar a reforçar a importância social do desporto é mais do mesmo. Todos (ou quase) entendem que em termos educativos; de saúde pública; de sentido gregário; de penetração e mobilidade sociais; de identidade e exaltação da diáspora; económicos, isto é, nos termos, prisma e contexto em que se queira analisar, o desporto é de facto um dos mais, senão o mais importante, fenómeno social, pela sua transversalidade e abrangência.
O desporto confere a oportunidade, perante a sociedade globalizada, de se afirmar como um factor pacificador e promotor de grandes causas sociais de desenvolvimento sendo, definitivamente, um factor promotor do principal desafio que decorre do aumento da esperança de vida: a qualidade desta vida. No desporto, mais do que em qualquer actividade, o progresso para além de relevância técnica tem relevância ontológica: a potenciação de um ciclo de vida.
Então, se assim é:
1. Porque é que o desporto é constantemente desvalorizado em termos políticos, com um investimento residual para além do que resulta das receitas com os jogos sociais?
2. Porque é que o mesmo estado insiste em tutelar o desporto, subalternizando-o a outros domínios sociais, como se per si não tivesse a consistência suficiente para ser uma prioridade com actores próprios?
3. Porque é que não resolvem os problemas óbvios que obstaculizam o desenvolvimento desportivo e que são a causa dos nossos índices de prática deficitários e resultados pouco sistémicos?
Estes são os sinais gerais, para além dos que todos sentimos diariamente, de que o desporto não é uma prioridade!
Isto sucede, também, porque ainda não há uma agenda concertada! Os principais interlocutores institucionais, dirigentes das organizações desportivas, agem isoladamente, não reivindicam, adormecem (desa) sossegados com medo de à acção, hábil, se seguir uma reacção que os possa prejudicar por parte de quem nos tutela.
Vamos então, como estamos na era dos roncadores, roncar e voar com a ambição que sempre caracterizou os desportistas.
Compete às organizações desportivas, que são o elemento central da organização das modalidades desportivas no contexto nacional e internacional, passando por elas o essencial da actividade desportiva quanto à regulamentação e organização competitiva, assumir esta responsabilidade, porque são os principais parceiros do Estado na garantia do direito ao desporto.
O sucesso e as conquistas internacionais dos nossos melhores atletas são autênticos milagres, num país sem sistema desportivo alicerçado por políticas desportivas desagregadas que adiam o assumido, descuram o óbvio e esquecem o prospectivo. São autênticos milagres que resultam do esforço muitas vezes isolado de atletas, treinadores, árbitros, clubes, associações, federações e organismos que tutelam e dão corpo ao Desporto nacional.
Estamos no momento em que as organizações desportivas (federações; associações, clubes), seus agentes (atletas, dirigentes, treinadores, árbitros) e outras organizações da sociedade civil (sistema saúde, autarquias, sistema educativo, partidos políticos, comunicação social) têm obrigatoriamente de cooperar para criar a massa crítica tão almejada colocando na ordem do dia os aspectos que sufocam o desenvolvimento do desporto diariamente, com soluções pautadas pela exequibilidade para que quem tenha de decidir as possa assumir.
Precisamos, por isso, de uma agenda própria que resulte de e num movimento concertado, por uma vez consequente nos seus objectivos, estratégia e acção, em prole do desporto, contando como é óbvio com o Estado central, mas devidamente coordenado. Sem esse esforço sinérgico acrescido, não haverá desenvolvimento para além do que tem sido conseguido até agora.
Não é contra ninguém, é a favor do desporto. Esqueçam por isso os, pouco, argutos arautos das teorias conspirativas que o “tiro livre” com arma de caça, desta vez, não nos assustará. Já somos alguns."

Quem 'matou' mudança? Suspeito n.º 5 - estratégia e critério de decisão

"“Quero mudar as coisas, mas como garantir que as decisões tomadas são realmente implementadas?” – esta era a questão que Mark Angie o Presidente do F.C. Galácticos colocava a si mesmo. Já tinha recolhido informação sobre alguns dos suspeitos de estarem a “matar” a mudança no Clube, entre eles, a qualidade: da visão, da cultura, das normas e da motivação na organização.
O seu comprometimento já ultrapassava a simples consciência das causas para os problemas, ele queria mesmo alterar o estado da situação do Clube. Contudo, as decisões que tinha tomado, com a melhor das intenções, para melhorar a vida, experiência e resultados do Clube, não estavam a ser implementadas. O que poderia estar a impedir as pessoas de executarem as decisões da Direcção do Clube, questionava-se.
Depois de culpar os outros e a sua competência, decidiu “ir mais longe” e procurar eventuais causas de que não se estivesse a aperceber. Não vislumbrando o porquê, decidiu convidar o Detective Colombo, para tomar um café, na esperança de descobrir o problema-solução. 
Já se encontrava sentado, numa esplanada voltada para uma praça, com árvores centenárias, rodeadas por relva e, entre elas, como estradas no meio da floresta, caminhos de terra batida e alguns bancos. A calma e tranquilidade reinava naquela praça. Ao fundo, como que em segundo plano, na estrada, via a agitação dos carros, semáforos, do para e arranca, até que é interrompido … - “Presidente Angie” – saudava-o o Detective Colombo – “como está?”. “Bem, obrigado, Detective Colombo, agradeço-lhe a disponibilidade para conversarmos” – respondeu o Presidente Angie.
Depois do Detective Colombo pedir o seu café 3/4, o Presidente Angie abordou-o com a frontalidade que o caracterizava - “vou directo ao assunto, nas últimas semanas e fruto da sua investigação, descobri que a qualidade da visão, cultura, normas e motivos do Clube estavam a “matar” a sua mudança, o seu desenvolvimento. Apercebi-me do muito conhecimento sobre estas temáticas, das várias alternativas sobre estes assuntos e decidi mudar as coisas com a melhor das intenções, mas as situações não só não estão a melhorar e as decisões não estão a ser implementadas, como estamos mesmo a piorar. O que poderá estar a acontecer Detective Colombo?”
“As coisas estão a piorar, como assim?” – perguntou o Detective Colombo. “As decisões que tomámos criaram muitos problemas: há pessoas descontentes, há resistências, há alguns boicotes e já começaram os protestos de uma parte da massa associativa” – respondeu o Presidente Angie. 
“Presidente, explique-me como tomou essas decisões?” – indagou o Detective Colombo. “Reuni com a Direcção, apresentei os problemas, as respectivas alternativas, a melhor resposta para a situação e depois distribui responsabilidades, pelos vários departamentos, para que as soluções que apresentei fossem implementadas” – relatava o Presidente Angie.
“Presidente Angie, deu a possibilidade dos colegas de direcção acrescentarem alternativas?” – verificava o Detective Colombo. “Não, tinha conversado com o Detective e já possuía um amplo conhecimento quer sobre o problema, quer quanto às alternativas” – replicou o Presidente Angie. 
“Como é que se sentia e reagia se fizesse parte de uma Direcção em que o Presidente informava do problema e a apresentava a solução, sem lhe dar a oportunidade de contribuir?” – questionou o Detective Colombo. “Sentiria algum desconforto, inquietação e provavelmente iria reagir com passividade, no início e com alguma irritação, se a situação se voltasse a repetir” – devolveu o Presidente Angie.
“Muitas vezes os líderes acreditam que já perceberam tudo, esquecem-se de escutar as outras pessoas, potenciais alternativas e contributos e depois esperam que o que decidiram sozinhos seja concretizado pelos outros. Presidente Angie acredita que toma sempre a melhor decisão?” – questionou o Detective Colombo.
“Sim, tomo sempre as decisões com a melhor das intenções” – respondeu o Presidente. “Acredito que sim” – respondeu o Detective Colombo e de imediato perguntou – “Presidente, costuma envolver as pessoas afectadas pelas decisões no processo de decisão?”.
“Como assim?” – tentava perceber o Presidente. “Imagine que vai tomar uma decisão que irá afectar os treinadores, é habitual chamá-los, apresentar-lhes os problemas e solicitar-lhes soluções, antes de decidir? Quando toma uma decisão que afecta os jogadores, costuma chamá-los e escutar as suas propostas, antes de decidir?” – perguntou o Detective Colombo.
“Não, reúno com a direcção e decido” – devolveu o Presidente. “Compreendo, Presidente acredita que o processo ou estratégia que utiliza está a produzir os resultados que procura?” – questionou o Detective Colombo.
Fez-se silêncio, os segundos que passaram pareciam minutos, o Detective Colombo aguardava e até conseguia perceber o contraste entre a tranquilidade da praça e agitação da estrada ao fundo. 
“Presidente, o que é que acabou de descobrir?” – Perguntou o Detective Colombo. “Apercebi-me de três coisas: uma, que o líder pode envolver as pessoas afectadas pelas decisões, antes de decidir; a segunda, que o líder é responsável por encontrar a melhor decisão, mesmo que essa não seja a sua decisão inicial e que para isso acontecer, ajuda escutar as alternativas e soluções das outras pessoas; e por fim, que uma coisa é termos a melhor intenção e outra é produzir a melhor solução” – respondeu o Presidente Angie.
“Excelente Presidente e a propósito, utiliza alguma estratégia para tomar as decisões do Clube?” – inquiriu o Detective Colombo. “Não estou a perceber?” – devolveu o Presidente Angie.
O Detective Colombo fez novamente uma pequena pausa, como se estivesse a organizar as suas ideias e disse – “num Clube com a dimensão do F.C. Galácticos a Direcção toma decisões que envolvem milhões, como por exemplo: construir ou recuperar instalações, contratar treinadores e jogadores, mas também sobre desenvolver uma visão, cultura, normas e motivos, entre muitas outras situações. Que estratégia é que o Clube utiliza, para tomar as melhores decisões?”.
“Analisamos as vantagens e desvantagens de cada uma das possibilidades” – respondeu o Presidente. “Sim” – começou por dizer o Detective Colombo – “imagine que tem que decidir entre: contratar um astro em fim de carreira para a equipa principal, que irá comprometer a viabilidade financeira do Clube durante 2 anos, mas que agrada aos sócios, no imediato e lhe irá garantir a reeleição, dentro de um mês; ou criar condições – infraestruturas, técnicos, (…) - para transformar os jovens jogadores do presente em Campeões no futuro, mas que para isso terá que esperar 3 a 4 anos pelos resultados. Que decisão tomava?”.
“Bem, isso introduz uma nova variável, o tempo ou o impacto das decisões no curto e longo-prazo” – observou o Presidente, ao que o Detective devolveu – “Presidente considere agora as seguintes perspectivas, para a mesma decisão (canalizar o investimento para o astro ou os jovens): o que é melhor para si pessoalmente; o que colhe a aprovação dos outros e o que é melhor para todos, ao longo do tempo. Que decisão tomava em cada uma destas três perspectivas?”.
“O melhor para mim era ser reeleito e nesta perspectiva decidia contratar o Astro. O que acolhe aprovação dos sócios já é mais complicado. Estou certo de que uns ficariam agradados com a contratação do astro, enquanto outros prefeririam o investimento de médio-prazo nos jovens. Quanto ao que é melhor para todos, estou em crer que escolheria o que fosse melhor para a maioria” – respondeu o Presidente e, depois de uma breve pausa, continuou – “está a dizer-me que no processo de decisão há um factor moral e ético a ter em conta?”.
“Presidente” – devolve o Detective Colombo – “está o Presidente e há uma situação que gostaria de clarificar. Muitas vezes, confunde-se o melhor para todos com o melhor para a maioria, mas isso considera apenas o que a maioria entende que é melhor e desperdiça a quantidade e qualidade de informação que a minoria detém …” – ao que é de imediato interrompido pelo Presidente Angie – “… ok isso é muito bonito, mas é impossível conseguir decisões consensuais, que agradem a todos”
“Será que é mesmo impossível Presidente? Será que o problema está no consenso ou no critério de consensualidade?” – perguntou o Detective Colombo. “Não estou a perceber!” – devolve o Presidente Angie.
“Vou tentar explicar-me melhor. Concordo consigo, será provavelmente impossível chegar a decisões em que 100% das pessoas estejam de acordo, mas já explorou a possibilidade de decidir pelas opções em que ninguém esteja completamente em desacordo, em vez de estarem 100% de acordo?” – devolveu o Detective Colombo.
“Estou a ver Detective: não envolvermos as pessoas que são afectadas pelas decisões, considerar que a melhor decisão é a minha, considerar apenas as vantagens e desvantagens, ignorando o impacto das decisões no tempo e descartar a razão moral e ética implícita nas decisões, ou seja, não utilizar uma estratégia e um critério de decisão, que provoque os resultados desejados, estão a “matar” a mudança do Clube. Necessitamos de melhorar a estratégia e o critério de decisão, se quisermos fazer melhores escolhas, se desejarmos gerar soluções em vez de problemas e se pretendermos que as decisões sejam realmente implementadas, em vez de ignoradas” – resumiu o Presidente.
O café estava tomado, a conversa tinha sido extremamente rica, o Presidente agradeceu a disponibilidade do Detective Colombo e despediu-se. Enquanto caminhava para o carro, recordava-se de tantas decisões que tinha tomado sem uma estratégia e um critério que tornassem reais as boas intenções e das consequências extremamente negativas, quer para a organização – Clube, quer para a vida das pessoas que trabalhavam e apoiavam o Clube. Ao entrar no carro, sentou-se e imaginou as situações em poderia utilizar uma estratégia e um critério para tomar boas decisões – “quando vou votar para as eleições locais ou nacionais; quando estou na assembleia municipal, enquanto deputado, e tenho que escolher; quando escolho a casa onde vou viver; quando apoio o meu filho a escolher o curso que quer tirar; quando vou negociar, quando estou a contratar um treinador ou um jogador, quando …” "

Leonor & José Nuno... Playlist's autorizadas!!!!!

Sonho europeu de Vieira que não é sonho

"Foi em Amesterdão, onde agora volta, que o humilde Benfica travou o invencível Real Madrid e se assumiu como a mais importante referência europeia

É natural que os adeptos do emblema da águia queiram marcar presença massiva no jogo da Liga dos Campeões, na próxima semana, no estádio do Ajax, o mesmo da final da Liga Europa em 2013, perdida frente ao Chelsea (1-2), embora a oportunidade lhe permita, igualmente, recordarem o mais dourado acontecimento que o Benfica viveu, quando, a 2 de Maio de 1962, também em Amesterdão, na final da Taça dos Campeões Europeus, derrotou o poderoso Real Madrid, por expressivo e inimaginável 5-3.
No ano anterior, em Berna, vencera, igualmente na final, o não menos temido Barcelona, tendo erguido pela primeira vez o tão valioso troféu e com essa proeza mostrado ao mundo a magia e a qualidade do jogador português. Mas foi na cidade holandesa que se virou uma página da história do futebol europeu, com a queda de venerado Real Madrid, de Di Stéfano, Puskas, Gento, Santamaria, Del Sol e outros: vencedor da Taça dos Campeões cinco vezes seguidas, entre 56 e 60, viu o seu incrível ciclo travado pelo humilde Benfica.
Há 56 anos (Costa Pereira; Mário João, Cavém, Germano, Ângelo Martins, Fernando Cruz, Coluna, José Augusto, Eusébio, Águas e Simões), inequivocamente, o Benfica colocou ponto na final na hegemonia espanhola e ele próprio se transformou na mais importante referência europeia durante toda a década de 60, como atestam as presenças na finais de 63 (Milan, 1-2), de 65 (Inter, 0-1) e de 68 (Manchester United, 1-1 e 1-4 no prolongamento).
A notoriedade encarnada criou raízes e resistiu até 1990, quando pela última vez participou numa final dos Campeões Europeus (Molan, 0-1, em Viena), a seguir à de 88, com o PSV (0-0, decidido por penáltis 5-6, em Estugarda), o que, além de traduzir o ressurgimento do Benfica europeu trinta anos depois da primeira conquista, dá alento à ambição de Luís Filipe Vieira de recolocar o clube no patamar de excelência que ocupou e que a sua grandeza lhe impõe. Mais do que um sonho, como lhe chamam, é um objectivo desportivo alcançável, sendo certo que, a repetir-se o intervalo temporal, está na hora de a águia voltar a voar pelos céus da Europa.
Os adeptos querem muito, o presidente mais ainda e por diversas vezes tem abordado o tema através de mensagens para dentro, e para fora, absolutamente convencido de que é possível chegar lá acima, e Domingos Soares de Oliveira, administrador, por estes dias, abriu a porta a todos os entusiasmos, em Londres, numa cimeira Sport Business, ao declarar que estão identificados os princípios e os fundamentos do clube que irão orientar a estratégia global durante a década vindoura. Prova de que o trabalho de casa está feito, sendo altura, por isso, de passar da teoria à prática, tanto mais que a decisão superiormente tornada, antecipando os desafios do futuro, vai ter consequências na vida da instituição, inclusive no futebol profissional, ao nível de «estilo de jogo, tipo de equipas e de jogadores».
A estrutura existe, enfrenta as dificuldades e encara o presente com a confiança de quem tem a perfeita noção de que o caminho escolhido vai permitir ao Benfica recuperar tempo desperdiçado, por motivos sobejamente conhecidos, e reclamar o lugar que lhe pertence na elite do futebol internacional.
Neste sentido, o treinador tem de fazer parte da solução e em circunstância alguma ser um problema. Não é minha intenção sugerir sequer que Rui Vitória o seja, mas convém que nenhuma dúvida fique por esclarecer, tanto mais que não são assim tão poucos os pontos de interrogação que se vislumbram entre o universo benfiquista sobre o seu desempenho, e só não os vê quem não quiser ver.
Vieira tem defendido Vitória em todas as situações, sobretudo nas de maior tensão. Na sua mais recente intervenção, elogiou-lhe a audácia e a coragem no lançamento de jovens praticantes. Mas um treinador tem de ser mais do que isso, de ái a dúvida suscitada por Domingos Soares de Oliveira na capital inglesa. Admitindo-se alguma dissonância na divulgação da mensagem, afirmou ele que o facto de Rui Vitória ter sido contratado numa perspectiva de longo prazo não inibe que se questione se o Benfica tem «o treinador certo».
Excelente questão para a qual não tenho resposta, apenas uma opinião e mesmo essa de fraco valor porque não frequento a academia do Seixal, não vejo os treinos nem tenho acesso ao balneário, obviamente.
Parece-me, no entanto, que os adeptos veem nele mais uma boa pessoa do que um bom treinador. Não é pecado, mas creio que o Benfica precisa mesmo é de uma personalidade que empolgue, que aglutine, que lidere. Como a do treinador que, em reunião na UEFA, faz poucos anos, aplaudiu o papel de Vieira e mandou dizer-lhe que com aquele plantel jogaria para ser campeão europeu.
Creio que é alguém com esta forte determinação que faz falta. Para abanar, fazer acreditar e, talvez, ganhar. Porque não é sonho. É real."

Fernando Guerra, in A Bola

Benfiquismo (CMLXXXI)

Senhores...

Bons e maus momentos (e exemplos)

"Mais uma semana 'des-liga-da'. Tempo para, em miscelânea, passar por alguns e variados assuntos

1. Excelente jogo da nossa selecção na Polónia, sem a estrela maior, mas estrelada no conjunto. Desta e de anteriores partidas antevê-se uma equipa de futuro, com jogadores que têm tanto de juventude como de um já apurado grau de maturidade. E não são apenas 11, pois Fernando Santos pode escolher de entre uns 25 seleccionáveis. Sem Ronaldo temos equipa de futuro. Não está em causa o valor acrescentado da genialidade deste jogador, mas a sua ausência em vários dos últimos jogos proporcionou um jogo associativo mais aprofundado e solidário, onde os atletas parecem menos condicionados por uma aparente obrigatoriedade de jogar com e para Ronaldo.
Já como benfiquista, notei, com particular satisfação, que no onze inicial só havia três jogadores que jogam actualmente em Portugal. Pura coincidência (ou talvez não) todos eles são da equipa do Benfica: Rúben Dias, o provável novo patrão da defesa da selecção por muitos e bons anos, Pizzi  Rafa que, em bom tempo, regressam à equipa nacional com todo o merecimento. A estes titulares juntam-se Bernardo Silva e João Cancelo e os suplentes Renato Sanches e Hélder Costa que começaram a despontar nos encarnados. Sete ao todo, número há uns anos impensável e que significa a forte aposta benfiquista em jovens jogadores.
Por fim, o jogo com a Polónia não terá simbolizado o Dia de Todos os Santos (apenas de Fernando Santos, aniversariante), mas foi, gostosamente, o Dia de Todos os Silva (Bernardo, André e Rafa).

2. Ainda o clássico da semana passada, ganho com justiça pelo Benfica. Acontece que assim como é imperativo saber perder, também o é saber ganhar. Não me refiro aos intervenientes directos dos dois lados da contenda. Mas ao mau-gosto e carácter gratuitamente provocatório da 'música tauromáquica'. Estive no Estádio, mas saí após o fim do jogo, depois de, com emoção, voltar a ouvir o inigualável hino do Sport Lisboa e Benfica. Felizmente, já não ouvi o passo doble e só viria a saber da sua reprodução sonora no dia seguinte. Num primeiro momento de clubismo até poderemos achar piada, mas, no fundo, trata-se de uma idiotice que merece o meu repúdio. Nem se pode, desta vez, dizer que foi obra de adeptos excessivos na sua conduta ou de gente que não merece estar no clube (para citar uma recente expressão do presidente Luís Filipe Vieira). Foi uma graçola de alguém dos quadros do clube que deveria merecer a devida sanção pública crítica por parte dos dirigentes.
Os benfiquistas bem podem dizer - com justificada repulsa - que, dos outros lados, em particular dos rivais - se vê igual ou pior comportamento. Bem podemos sorrir perante a multa da FPF de pouco mais de 700 euros, não sei se tabelada pela música ser uma ou outra qualquer (por exemplo, a Ramona custaria 500 euros? 1000 euros?...). Bem nos podemos recordar dos festejos do título do ano passado no Estádio do Dragão, em que os jogadores do FCP Gonçalo Paciência e Sérgio Oliveira levaram um polvo avermelhado de peluche para o relvado e o 'mataram' com o pau da bandeirola de canto, para gáudio dos adeptos presentes, ou de o facto de Alex Telles ter ostentado orgulhosamente um cachecol que injuriava o Benfica (neste caso, porém, pedindo depois desculpa). Aqui não me lembro de qualquer castigo ao FCP e seus jogadores, pelo que custa a perceber a gritante falta de equidade. É que se agora a responsabilidade foi não dos sócios, mas do próprio clube, também no Dragão aqueles actos foram praticados por empregados do FCP.
Mas a desculpa acriançada de se poder fazer assim porque outros fizeram assado não colhe. A atitude de quem fez tocar a música é, além de mais, estúpida e lesiva do clube. Acaba por alimentar uma raiva e um sentimento de retaliação que podem ser prejudiciais quando a equipa tiver de ir ao Dragão.
Em suma, continuamos a viver um clima bastante hostil de ódio e incapacidade de conviver na diferença, e em que ninguém está em estado de pureza. Depois, não nos admiremos que estas atitudes venham a ser multiplicadas pelas claques e por comentários públicos incitadores de vingança e respectiva réplica sem limites éticos.

3. Passando agora para um lado mais virtuoso no mundo do futebol - que ainda o há, embora escassamente - quase me limito a transcrever uma notícia de há dias em A Bola. Rezava assim: Os três principais clubes do campeonato holandês juntaram-se para fazer uma proposta ao organismo que rege a competição, Ajax, Feyenoord e PSV Eindhoven querem que 10% de todo o dinheiro angariado na Liga dos Campeões seja destinado às restantes equipas do principal escalão. O jornal ADS fez uma estimativa e aquilo que consideraram uma boa campanha (dois clubes na fase de grupos da Champions com pelo menos dois triunfos e um empate) renderia cerca de 10 milhões de euros de receita adicional para as outras equipas. Em troca, os três grandes exigem que sejam abolidos os relvados sintéticos no campeonato holandês. O objectivo, explicam os proponentes, passa por dotar todos os clubes de uma capacidade financeira mínima de forma a tornar a competição mais competitiva e elevar o nível do futebol holandês. A proposta vai ser agora votada e discutida em Assembleia-Geral de forma a ser aprovada para entrar em vigor na próxima temporada.
Quando comparado com o que por cá se passa, serão precisas mais palavras?

4. Já estou saturado de tantos jornais televisivos, tantas explicações, tantas tecnicalidades por causa do sarilho que - alegadamente (advérbio agora obrigatório) - Cristiano Ronaldo se meteu há quase uma década. Toda a gente bota faladura, numa qualquer conferência de imprensa (o seleccionador quase jurou pela boa conduta do nosso jogador), numa qualquer ruela ao virar da esquina, ou numa pose mais de Estado que levou Marcelo Rebelo se Sousa e António Costa a opinarem obviamente não sobre a alegada sodomia alegadamente não consentida, mas sobre a heroicidade patriótica do jogador da Juventus. Comentadores de futebol por todas essas estações falando de questões de direito internacional e norte-americano como novéis sábios, advogados - quase sempre os mesmos - a darem dicas de toda a sorte. Só faltou mesmo reunir o Conselho de Estado!
Como português, desejo que Cristiano Ronaldo saia desta situação complicada com o menor estrago para a sua vida e reputação. Aparentemente, dez anos volvidos, a atitude do lado posto é despudoradamente oportunista. O jogador tem ao seu dispor os melhores advogados numa disputa 'fora de casa' (e logo nos EUA), para utilizar uma linguagem futebolística.
Mas há um ponto sobre o qual importa reflectir. Seja no futebol, seja onde for mediaticamente avassalador, os ídolos têm de perceber que essa sua característica tem o lado magnanimamente bom e o lado perversamente mau. Não se podem usar (ou abusar) do aconchego e multiplicador mediático, à escala global, para disseminar a fama, o poder, os interesses e os contratos e esperar a sua complacência quando algo corre negativamente. Uma medida é função da outra. Ora, os grandes atletas da 'aldeia global' têm de saber lidar com isso, o que implica reforçar a sua autoridade iconográfica por via da sua exemplaridade cívica. E, por muito que seja politicamente e 'patrioticamente' incorrecto, Ronaldo tem dado várias vezes o flanco com danos não despiciendos. É agora o caso e foi-o depois do processo fiscal que lhe foi movido em Espanha e pelo qual foi condenado a pagar 18 milhões de euros e a pena de prisão suspensa. A sua inigualável carreira desportiva, que tanto tem levado o nome de Portugal a todo o lado, dispensa estas atribulações.

Contraluz
- Exemplar: o cartão branco do fair-play. Inserido no Programa Nacional de Ética no Desporto, tem sido nos últimos anos experimentado, com sucesso, em provas de futebol distrital e das camadas jovens. Apenas um exemplo para o ilustrar: numa das competições, o número de cartões brancos mostrados foi praticamente o dobro da soma dos vermelhos e amarelos. As minhas felicitações ao seu principal impulsionador e coordenador, Dr. José Carlos Lima. Por que não se analisam estes assuntos nos programas televisivos de 'peixeirada'?
- Expectativa: Pude ler a semana passada que vai ser discutida na AR importante legislação sobre a violência no desporto. Em geral, gostei do que li e fico na esperança de que, com eventuais aperfeiçoamentos, se produza uma lei que, sobretudo previna e dissuada comportamentos nocivos no desporto."

Bagão Félix, in A Bola

Mulher de César

"Um árbitro profissional ou dos escalões inferiores tem de ter noção de que representa a classe

O Conselho de Arbitragem da Federação Portugeusa de Futebol publicou o Código Conduta, documento que compila algumas das regras pelas quais se deve reger o sector da arbitragem.
A medida visa impor a todos os seus elementos um comportamento adequado nos campos ético e moral.
A função desempenhada pelos árbitros pode ter influência nos resultados das competições que dirigem. A força dessa evidência e o impacto crescente que o futebol tem na sociedade, deve exigir dos seus actores uma conduta irrepreensível, definida através de uma linha de orientação que defina as boas práticas que devem adoptar.
Dos vários pontos que compõem o documento, alguns merecem destaque pela força positiva da sua mensagem:
- Os árbitros devem evitar incorrer em situações de conflito de interesses e ter uma conduta credível em campo, actuando com seriedade. Devem ser imparciais, educadas e leais à sua estrutura. Devem ainda tratar, com respeito e elevação, todos os intervenientes no jogo, ainda que estes não respondam de igual modo.
A outro nível, devem recusar prendas ou benefícios que excedam o «valor razoável» daqueles que são os hábitos culturais locais e devem também denunciar qualquer tipo de fraude ou tentativa de manipulação de resultados.
Por último, devem na sua vida pessoal ser um exemplo público, de modelo ético para todos.
Este último ponto parece-me extremamente importante.
Um árbitro de futebol profissional ou dos escalões inferiores tem que ter noção que representa a classe. Tem que entender que muita da sua credibilidade assenta na imagem que os outros têm de si. Essa imagem resulta, quase sempre, da forma como se posiciona perante todos.
Não basta que sejam competentes em campo. É também fundamental que saibam adoptar comportamento elogiável fora dele.
Há quem desconheça ou escolha ignorar essa premissa importante.
As redes sociais estão inundadas de árbitros que acham que lhes fica bem usar, na foto de perfil, a camisola do clube da sua preferência. Há outros que não se abstêm de insultar colegas de profissão, devido a arbitragens que entendem lesar a equipa do seu coração.
Há também os que tiram selfies na vistoria do terreno de jogo ou, pior, levam o telemóvel para o campo, para ponderem enviarem SMS sempre que a partida estiver paradita. Há poucos dias, um árbitro, assistente mais jovem passou o jogo nisso, embora tivesse o cuidado de só o fazer quando a bola estava no meio campo contrário. Sensatez no meio de profunda estupidez.
Não é mau. É inaceitável.
Para exigimos dos outros, temos que dar o maior dos exemplos e estes são a pior propaganda que a arbitragem podia ter.
É importante que os responsáveis do sector estejam atentos a estes fenómenos emergentes. É também a sua imagem e competência que estão em causa.
O recrutamento é difícil mas para ter qualidade deste calibre, mais vale contar com os que cá estão.
Dá muito trabalho construir um edifício, mas para destrui-lo basta um abanãozito qualquer.
A arbitragem é como a mulher de César..."

Duarte Gomes, in A Bola

Do Seixal às vitórias

"Quando o Benfica inaugurou uma nova senda vitoriosa, conquistando o primeiro campeonato com Jorge Jesus, a formação do plantel obedecia a uma lógica diferente da actual. À época, a aposta foi numa combinação de valores firmados (Aimar e Saviola), jogadores emergentes, mas já com futebol de selecção (Cardozo e Maxi) e jovens talentos, detectados pelo scouting, e cuja qualidade antecipava pouca probabilidade de insucesso (Ramires e Di María).
Agora, o contexto é outro e a aposta estratégica tem de ser distinta.Parte da explicação está nos constrangimentos: o negócio do futebol está a mudar de forma acelerada e o lugar periférico do campeonato português acentuou-se, retirando capacidade de investimento; ao que acresce que, depois da crise, a alavancagem financeira dos clubes nacionais deixou (felizmente!) de ser possível. Sem dinheiro e sem recurso ao endividamento, resta, por isso, aos clubes portugueses apostar em talento nacional ou formado localmente. É o que o Benfica tem feito com sucesso, mas, também, com riscos competitivos que convém não ignorar.
É óbvio que a necessidade é uma explicação poderosa para a renovada aposta na formação. Pura e simplesmente não há alternativas para um clube português que queira manter-se financeiramente à tona. Mas, por si só, as oportunidades não dão garantias de chegada ao plantel principal de jogadores com qualidade. É preciso um trabalho duradouro, que forme talentos. Quando se olha, hoje, para as selecções jovens e para a principal, salta à vista o número de jogadores que passaram pelo Seixal. 
Apostar na formação deixou de ser um risco em termos de qualidade de jogadores. Os desafios são, por isso, outros: reter o talento e permitir a sua maturação.
Quando Luís Filipe Vieira recuperar o sonho de voltar a vencer uma Liga dos Campeões há, é evidente, um lado aspiracional, que aparenta não passar de uma quimera. Contudo, se pensarmos bem, não fora a sangria de jogadores – muitos deles que nem sequer tiveram oportunidades na equipa principal –, o Benfica tinha hoje condições para ser uma equipa de topo na Champions. Bastava, apenas, não ter deixado sair alguns de entre esta geração de sub-25: Ederson, Nelsinho, Cancelo, Lindelöf, Renato, André Gomes, Hélder Costa e Bernardo.
É, por isso, imperioso não repetir o erro, voltar a fazer promessas vãs e, depois, deixar que aconteça com o Gedson, o Rúben, o Félix, o Jota, o Florentino e, logo a seguir, com o Tiago Dantas o que sucedeu com as fornadas anteriores saídas do Seixal. Sobra, contudo, um problema fundamental. Por muito talento que exista, uma equipa de sub-21 dificilmente é muito competitiva e enfrentará sempre dificuldades em provas longas (Liga) ou em contextos internacionais. Não basta, por isso, reter talento: é preciso deixar maturá-lo e garantir que ficam alguns anos no Benfica, acompanhados por jogadores experimentados e vencedores."

105x68... Selecção e o regresso daquilo que importa...!!!

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Nesse tempo vermelho em flor...

"O União de Coimbra só passou uma época na I Divisão. E Reis foi o único jogador do clube a marcar um golo ao Benfica. Na primeira volta, em Coimbra, 4-0 para os encarnados; na segunda volta, na Luz, 6-1. Era uma equipa impressionante!

Cáspite! Como chovia em Coimbra! Uso a expressão porque vez moda. Em Coimbra sobretudo, por isso vem a propósito. Mais entre a estudantada do que entre os futricas, e por acaso são os futricas que estão aqui em causa.
Dia importantíssimo para o União. Pela primeira vez na I Divisão, recebia o Benfica. Pela primeira e última vez na I Divisão. Época de 1972-73: dia 1 de Outubro de 1972.
Por estas e por outras é que a malta da Académica costumava recitar, manhosamente:
'Se não houvesse União
Não havia II Divisão'.
Pois, pois. Mas, nesse ano, a Académica é que estava na segunda. Orgulhoso, o União representava a cidade na primeira.
Vamos aos factos, para lá da chuva.
Jogo fácil para o Benfica. Não basta ser histórico para ser complicado.
'Onze jogadores de camisola encarnada passearam classe pela relva triste (e empada) de um estádio de recordações. A dar-lhes as boas-vindas esteve o modesto União, unido e pouco mais, lento e desinspirado, de futuro inquietante ou pouco menos'.
Do futuro unionista já nos sabemos, agora que se tornou passado.
Desceu no fim do campeonato e nunca mais voltou.
Este ano, nem União nem Académica. Tristemente, não há Coimbra na I Divisão.

Pobre União...
Os jornais desancaram nessa exibição do União como se do outro lado não estivesse um Benfica fortíssimo. Ora vejam o exemplo que aqui deixo: 'A turma de Coimbra promete muitos sustos aos seus adeptos. Luís Pinto é mais lento do que as suprimidas locomotivas do ramal do Vouga, e barros, uma sombra do passado bem passado. Na frente não há quem caminhe para o golo e a meio da nau ninguém se entende'.
Justificações mais do que alargadas para o triunfo encarnado por 4-0.
Toni marcou um golo fantástico de força e colocação: devia estar a recordar-se dos tempos em que, com a camisola negra da Briosa, disputava dérbis acesos contra o União. Os outros golos foram de Jordão, Eusébio e Adolfo. Que equipa aquela, meus senhores!
Campeão fácil, mas fácil: trinta jogos, vinte e oito vitórias e dois empates, assim mesmo por extenso. Derrotas: nem uma para amostra. Golos marcados: 101; sofridos: 13.
Sabem quem ficou em segundo? Ah! Pois é! O Belenenses. E, já agora em terceiro? Pois, pois... O Vitória de Setúbal.
No dia seguinte à carga de águia de Coimbra, lá voou a águia, como era seu costume: para Luanda, para participar nas bodas de ouro do Sport Luanda e Benfica.
Chegamos a Janeiro, passou mais um ano na ampulheta dos grãos de areia das nossas vidas.
É a vez de o União de Coimbra ir à Luz, não pode esperar nada que não seja ser goleado, espancado por um adversário que vai para a sua 19.ª vitória consecutiva. Do quilé!, como diria o meu velho amigo Fernando Assis Pacheco.
Eusébio ainda ali numa fona na luta pela sua segunda Bola de Ouro.
Por isso não se estranhou: nem um minuto foi preciso para que fizesse o 1-0. Prometia uma tarde de fome, a Pantera Negra. Mas o seu apetite foi-se esgotando com o decorrer dos minutos. Ninguém o adivinhava quando, pela meia gora, bateu Melo pela segunda vez num remate tão bonito, que abriu Ooohs! De espanto na boca dos espectadores tão atentos como descontraídos.
Mas antes de Eusébio fazer o seu segundo golo da tarde, já Simões (aos 2 minutos) e Vítor Baptista (aos 20) assinavam o inevitável correctivo. O facto de Reis ter-se tornado o único jogador do União de Coimbra a marcar um golo ao Benfica na história de todos os campeonatos nacionais não evitou o 6-1. No segundo tempo, Humberto Coelho e Nené assinaram o ponto e terminaram com o desespero coimbrão.
Oito dia depois, confirmando que não havia adversários à sua altura da fronteira do Caia para dentro, o Benfica foi a Alvalade vencer por 2-1.
Vivia-se um tempo vermelho em flor!"

Afonso de Melo, in O Benfica

As 'Papoilas Rubras'

"O andebol feminino surgia timidamente em Portugal, quando o Benfica se estreou na modalidade

Em Abril de 1972, o jornal O Benfica lançava o convite para que as jovens adeptas ou associadas comparecessem no pavilhão do Clube, se desejassem 'praticar uma modalidade que como muitas outras oferece vastas possibilidades se der praticada pelo sexo feminino'. Aos poucos, foi possível a formação de uma equipa de andebol, que ficou, desde logo, apelidada de 'papoilas rubras'.
A iniciativa partiu da capitã de equipa, Isabel Dolores, uma jovem que já havia praticado a modalidade. A grande vontade em voltar a jogar fê-la propor ao Benfica a constituição de uma equipa, ideia que foi prontamente aceite. De início tiveram 'sérias dificuldades em convencer as raparigas a praticarem handebol, pois era assim, a modos que, um desporto inaceitável'. Um dos grandes entraves era os pais e os próprios namorados, por este desporto estar associado a uma certa masculinidade.
Mas não cruzarem os braços e, em menos de um mês, a equipa estava pronta a participar num torneio organizado pela Associação de Andebol de Lisboa (AAL), que foi uma das primeiras iniciativas de andebol feminino em Portugal. Inscreveram-se 18 equipas, um número que demonstrou o interesse que começava a despertar pela modalidade. 'O Benfica, naturalmente, está presente. Como é hábito e timbre de uma colectividade que tem de estar sempre presente nos grandes momentos. E ninguém duvide, o aparecimento do andebol feminino em Portugal é um momento grande deste desporto'.
Treinadas por Pedro Reis, as benfiquistas tiveram a sua estreia a 14 de Maio de 1972. A primeira vitória surgia pouco dias depois, a 28 de Maio, no seu terceiro jogo para o torneio da AAL. A equipa venceu o Cabanas de Viriato com uma goleada, por 12-4. As 'encarnadas' foram 'sem dúvida superiores e «maravilharam» a claque com os seus fulminantes remates, mesmo «à Benfica»!'
O empenho das benfiquistas viria a dar frutos e, nas épocas seguintes, a modalidade ganhava novo fulgor, com a constituição de mais equipas e a participação nos campeonatos regionais. Porém, a pioneiras tiveram um duro caminho a desbravar, pois o andebol feminino só viria a consolidar-se após a revolução de 25 de Abril de 1974. A primeira prova nacional oficial, a Taça de Portugal, seria somente disputada em 1975/76.
Pode descobrir mais sobre o andebol feminino no Benfica na área 3 - Orgulho Ecléctico, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Alvorada... do Queirós

Aconteceu nas distritais: árbitros e agentes da GNR foram insultados, socados e pontapeados

"As más notícias estão de volta...
No passado fim de semana, foi pintada de negro mais uma página do futebol distrital, em Portugal. Desta vez, a mancha veio do Estádio Municipal Dr. Costa Lima (na Maia), onde se disputou o SC Salgueiros/CF Oliveira Douro, da 8ª Jornada da Divisão de Elite da AF Porto.
A partida terminou com insultos, ameaças e agressões (à equipa de arbitragem e a alguns agentes das forças de segurança).
Vamos então à sequência cronológica dos acontecimentos:
1. Após contestar, de forma ofensiva e insultuosa, uma decisão do árbitro (por este entender não ter havido infracção num lance que resultou na lesão temporária de um atleta da casa), o fisioterapeuta do SC Salgueiros recebeu ordem de expulsão.
2. Insatisfeito com a decisão, acabou por dirigir-se ao árbitro da partida e, já dentro do terreno de jogo, colocou as duas mãos no seu peito, empurrando-o de forma ostensiva. A atitude foi testemunhada por todas as pessoas que estavam presentes no estádio.
3. Apesar do contacto físico ter sido evidente, o juiz do encontro entendeu que o gesto, em si, não configurava uma verdadeira "agressão física". Como tal e depois de auscultar um colega e falar com um agente policial, achou que tinha condições para prosseguir a partida. E assim fez.
4. Desde aí e até perto do apito final, tudo decorreu dentro da normalidade.
5. Quase no final do período de descontos, a equipa de Oliveira do Douro marcou o único golo do encontro, na sequência de uma jogada que motivou fortes protestos: alegaram os da casa que, no início do lance, o guarda-redes adversário tocara a bola com as mãos fora da sua área de penálti.
6. Na sequência de muita exaltação, um atleta da equipa visitada foi expulso, após exceder-se na linguagem.
7. Mal terminou o jogo (0-1), instalou-se a confusão, com a equipa de arbitragem a seguir em direcção ao túnel de acesso aos balneários. Segundo testemunhos, o referido fisioterapeuta terá dito que aquele seria o local ideal para o "acerto de contas".
8. O que supostamente aconteceu ali foi de enorme gravidade para o futebol e para o desporto português.
Então vejamos, com os devidos 'alegadamentes':
- Já na zona de acesso aos balneários, o árbitro da partida foi agredido, (alegadamente pelo massagista que antes fora expulso), com dois socos na cabeça. Ficou com uma ferida aberta e ensaguentada, visível para todos.
- Cada um dos dois árbitros assistentes - ambos muito jovens - foram também agredidos (pontapeados nas pernas), resultando daí as respetivas mazelas físicas (as marcas continuam lá e estão à vista de toda a gente).
- Dois dos oito guardas da GNR presentes no local foram, entretanto, agredidos por alguns adeptos exaltados.
- No final, os cinco (os três árbitros e os dois guardas) dirigiram-se ao Hospital de São João, no Porto, para serem examinados e tratados. As perícias posteriores, no Instituto de Medicina Legal - entretanto realizadas -, comprovarão o que tiver que ser comprovado.
9. Foi depois apresentada queixa-crime contra aqueles que (alegadamente) foram identificados como os autores das agressões: além do dito fisioterapeuta, também um treinador e um delegado ao jogo, ambos do SC Salgueiros.

Agora vamos a factos. Ao que verdadeiramente importa, no meio de uma história em que, como sempre, cada um terá "a sua verdade" para contar e defender:
Facto 1 - Enorme respeito pelas duas instituições - SC Salgueiros e CF Oliveira do Douro - bem como por todos aqueles (agentes desportivos e adeptos) que se demarcaram/não se revêem neste tipo de condutas ou comportamentos.
Facto 2 - É importante não confundir a parte com o todo, tal como o é não esquecer que a presunção de inocência vale até prova em contrário.
Facto 3 - Dito isto, é absolutamente real e verdadeiramente indesmentível que, após aquele jogo, cinco intervenientes ali em serviço foram agredidos. Todos receberam tratamento hospitalar.
Facto 4 - Neste caso, é justo sublinhar que não há nada a apontar à entidade que organiza a competição (AF Porto), uma vez que a partida tinha, como era suposto ter, policiamento assegurado desde o seu início.
Facto 5 - O árbitro, seguramente bem intencionado, cometeu um erro grave: não terminou a partida no momento em que foi empurrado por aquele que foi, aos olhos de todos, o instigador do que aconteceu: o fisioterapeuta do SC Salgueiros.
Quicá surpreendido por aquela atitude inesperada, o juiz não considerou - como devia - que o gesto irresponsável daquele técnico poderia contribuir para inflamar o ambiente e ser, como foi, o rastilho para algo potencialmente mais grave.
Facto 6 - Nenhum erro de árbitros, jogadores, treinadores ou dirigentes, justifica o crime que é alguém agredir alguém.
Nenhum penálti mal assinalado, nenhum golo falhado, nenhuma substituição mal efectuada e nenhum ordenado em atraso legitimam a agressão física.
Bater não faz parte do espectáculo. É apenas a evidência do descontrolo total, da menoridade intelectual, o lado mais medonho e execrável do ser humano.
O argumento provinciano (e muito feio) de que "eles põem-se a jeito" é quase tão mau como o que sustenta que a violação de uma mulher é desculpável porque ela usa mini-saia.
Facto 7 - Apesar do esforço financeiro louvável de algumas associações de futebol/clubes (no que diz respeito à melhoria das condições segurança nos recintos desportivos), há um problema de base que só a prevenção maciça, a persistência e o tempo ajudarão a superar: a falta de educação, civismo e cultura das pessoas. De muitas pessoas.
Facto 8 - Neste caso concreto, a justiça desportiva, tal como a civil, farão (já estão a fazer) o seu trabalho. O que se espera e deseja é que este seja célere e transparente, que ilibe e limpe o bom nome de quem nada fez... e que seja absolutamente implacável e exemplarmente punitiva para quem for considerado culpado.

O plenário da Assembleia da República deverá aprovar, em breve, um diploma que promete revolucionar o combate à violência no desporto.
Até lá, fica a promessa: cada vídeo, cada imagem, cada relato fidedigno de actos violentos no desporto (no futebol em particular) serão expostos e denunciados publicamente, de todas as formas possíveis, com todos os meios disponíveis.
O que não se aprende com a prevenção, aprende-se com a humilhação. Quem vai a um recinto desportivo e, mais importante, quem é um seu actor directo, tem o dever e a responsabilidade ética, moral e social de se comportar como um ser humano.
Sem desculpas. Sem atenuantes. Sem ses nem mas. Um dia isto tem que acabar. Um dia vai acabar."