Últimas indefectivações

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Sobre o 'timing' certo para o adeus

"A exibição de gala de Gedson Fernandes em Istambul estimulou bastante o apetite dos tubarões europeus e colocou o jovem benfiquista no radar dos milhões. Ao mesmo tempo, o Lyon mostra-se muito interessado em Rúben Dias e ainda num passado recente Rúben Neves rumou a Wolverhampton e um ano depois Diogo Dalot assinou pelo Manchester United. Ninguém terá dúvidas de que é virtualmente impossível a qualquer clube português resistir ao interesse real dos clubes mais ricos, assim estes estejam dispostos a abrir os cordões à bolsa. Mas há uma fronteira que deve ser estabelecida, uma filosofia que case o pragmatismo com o coração e faça com que os nossos emblemas não vacilem logo ao primeiro impulso. Haverá um tempo certo para os jogadores mais dotados cumprirem o seu destino nos principais campeonatos, isso não é, de todo, censurável e a ambição de pisar palcos com maior visibilidade deve ser vista não como mercenarismo, mas com como algo absolutamente legítimo. Mas quando mais os nossos clubes conseguirem vender os direitos desportivos dos seus jogadores mais talentosos numa fase de quase feitos, em vez de o fazerem na fase-projecto (CR7, Bernardo Silva, Cancelo, Diogo Dalot...), melhor será. À atenção de quem de direito...

PS - O SC Braga disse adeus à possibilidade de atingir a fase de grupos da Liga Europa, ao ser eliminado pelos desconhecidos ucranianos do Zorya. Uma desilusão, que se junta ao balde de água fria que tinha sido o afastamento anterior ao Rio Ave às mãos dos incógnitos polacos do Jagiellonia. Não são notícias que indiciem nada de bom para o futebol português."

José Manuel Delgado, in A Bola

Corchia: Pedigree, fenómeno jovem e uma lesão misteriosa para compensar

"Corchia foi sempre tido como o futuro da selecção francesa, mas acabou ultrapassado. Em Sevilha conheceu as lesões.

Clairefontaine é uma escola especial. Uma das doze academias de elite existentes em França, tem sido uma das, senão mesmo a principal academia de formação em França fora dos principais clubes, funcionando como um dos campos de recrutamento mais importante dos principais clubes franceses desde que foi fundada em 1988. Só os melhores jogadores da região da Ilha de França têm lugar na Academia de Clairefontaine e Sébastian Corchia, lateral francês de 27 anos que poderá ser o novo reforço do Benfica, atendendo aos fortes rumores que assaltam a imprensa no dia de hoje, foi um deles.
Nicolas Anelka, Louis Saha, William Gallas, Hatem Ben Arfa, Abou Diaby, Sébastien Bassong ou mais recentemente Mehdi Benatia, Blaise Matuidi, Kylian Mbappé ou Olivier Giroud, nunca esquecendo um dos maiores nomes da história do futebol francês: Thierry Henry. Todos estes nomes passaram por Clairefontaine antes de serem “pescados” por alguns dos maiores clubes do futebol francês e Sébastian Corchia não foi excepção. Outrora uma das grandes promessas do futebol gaulês, talvez Corchia não tenha explodido para o nível que se esperava quando ao serviço do FC Sóchaux - já antes ainda no Le Mans UC, mas principalmente ao serviço do Sochaux - se afirmou como um dos laterais de maior potencial do futebol europeu, de grande competência defensiva ao mesmo tempo que oferecia uma grande profundidade ao seu corredor. Golos e assistências foram quase sempre uma constante ao longo da carreira.
Depois de uma carreira totalmente construída em França, a primeira experiência de Corchia fora do seu país apenas chegou na temporada passada quando o Sevilha FC pagou cerca de cinco milhões de Euros para o retirar de Lille, clube que representara nas três temporadas anteriores após a queda do Sochaux à segunda divisão francesa no final da época 2013/14. Em Sevilha, Corchia teve vida difícil. Numa época atípica do clube andaluz marcada pela instabilidade e pela passagem de três treinadores pelo clube, as leões que assolaram a temporada do lateral francês não ajudaram.
Ainda sob o comando técnico de Eduardo Berizzo, Sébastian Corchia dividiu a posição de lateral direito com Gabriel Mercado durante a fase inicial da temporada. Uma lesão do lateral argentino à décima jornada permitiu que Corchia assumisse a titularidade de forma consecutiva pela primeira vez na época frente a Leganés, FC Barcelona e Celta, sem ter conseguido terminar os encontros frente a Leganés e Celta por opção técnica. O regresso de mercado à 13ª jornada perante Villarreal, porém, voltou a relegar Corchia para o banco e só mesmo na Taça do Rei o lateral espanhol foi opção inesquestionável fazendo os noventa minutos de todos os jogos da equipa do Sevilha na competição até à primeira mão dos quartos de final da prova perante o Atlético Madrid a 17 de Janeiro de 2018.
O encontro frente ao Espanyol, três dias depois, beneficiando da lesão de Kjaer para regressar à titularidade no Sevilha já com Montella no comando técnico e consequente passagem de Mercado para a zona central da defesa, parecia abrir a porta da titularidade para Corchia, já perfeitamente integrado no clube, porém, foi também o último encontro da temporada para o lateral gaulês. Uma lesão no reto femoral da coxa direita durante um treino, que deveria ter deixado Corchia de fora das contas do clube Andaluz somente “para os próximos jogos”, acabou por terminar com a temporada do lateral que só esta época voltou aos relvados. Logo numa altura em que pela primeira vez Corchia estava a conseguir ter alguma continuidade na equipa do Sevilha.
O mistério em torno da lesão de Corchia adensou-se e só meses mais tarde, já perto do final da temporada, se conheceu a verdadeira extensão da mesma. Afinal, Corchia havia feito uma rutura grave do tendão anterior, bem por cima do quadrícep femoral, uma zona cujo tratamento e recuperação é aparentemente complicada. Lesão que também Daniel Carriço sofreu e perante a qual acabou por estar mais de seis meses fora dos relvados. Corchia não quis ser operado à mesma, tendo acabado por debelar a lesão com sessões de fisioterapia, ginásio e trabalho em piscina.
Lesões que, até então, nunca haviam prejudicado a carreira de um jogador que fora em tempos uma das grandes promessas do futebol francês e um fenómeno dos jogos virtuais. Na temporada imediatamente anterior à chegada a Sevilha, ao serviço do Lille OSC, Corchia não falhou praticamente um minuto em toda a liga francesa. Falhou dois. À 17ª jornada quando acabou substituído aos 88 minutos, apenas não tendo jogado em encontros da Taça e da Taça da Liga Francesa. Uma continuidade que não encontrou em Espanha, mas que sempre fizera parte da carreira em França onde foi sempre um indiscutível por onde passou desde que apareceu ao mais alto nível na liga francesa na temporada 2009/10 ao serviço do Le Mans, então, ainda com 18 anos.
Na verdade, a temporada passada foi mesmo a primeira desde a estreia em 2008/09 que Corchia não fez pelo menos 34 jogos na temporada, até então o seu mínimo de época quando na temporada de estreia pelo Sochaux participou em 31 dos 38 jogos do campeonato francês, fez um jogo na Taça e dois na Europa pela equipa gaulesa. Antes de chegar ao Sevilha, Corchia tinha mesmo passado três temporadas em Lille realizando mais de 40 jogos em cada uma delas, facto que atesta a fiabilidade física do lateral gaulês.
A chegada a Lille que não foi igualmente fácil para Corchia, desta vez, devido a questões burocráticas e financeiras às quais foi alheio. Em Janeiro de 2014 o clube anunciou a sua contratação, porém, a inscrição acabou por ser bloqueada pela federação francesa que devido aos problemas financeiros atravessados pelo Lille e após auditorias feitas às contas do clube deliberou que a folha salarial dos Dogues era demasiado elevada e por isso não podia contratar novos jogadores. Corchia regressou então a Sochaux não conseguindo evitar a despromoção do clube, tendo acabado por se juntar ao Lille OSC no verão seguinte.
Nascido em França, nos arredores de Paris, mas também detentor de passaporte italiano - foi ligado à Juventus e ao Inter desde muito cedo -, foi aos 12 anos que Corchia integrou a Academia de Clairefontaine onde se manteve entre 2003 e 2006, altura em que rumou a Camp des Loges, a conhecida academia do PSG, clube pelo qual acabou por nunca jogar a nível sénior mas que há dois anos, segundo a imprensa, pareceu verdadeiramente interessado na contratação de Corchia. A estreia a nível sénior aconteceu na temporada 2008/09 e foi um português que o tornou indiscutível na equipa de Le Mans. Em 2009/10 era, afinal, Paulo Duarte, o treinador do emblema gaulês.
Foi já ao serviço do Lille que Corchia finalmente chegou à selecção francesa. Em Agosto de 2016 foi convocado para os jogos da selecção francesa perante a Itália e a Bielorrússia, este, a contar para a fase de qualificação para o Mundial 2018, mas só meses mais tarde acabou por realmente se estrear pela selecção gaulesa quando substituiu Djibril Sidibé num jogo amigável perante a Costa do Marfim que terminou empatado a zero. Corchia jogou 20 minutos nesses jogo, naquele que foi o culminar de todo um percurso a nível das selecções francesas. Entre os escalões Sub 17, Sub 18, Sub 19 e Sub 21, Corchia foi internacional francês em 50 ocasiões tendo estado presente no Europeu Sub-19 de 2009, bem como no Europeu Sub-21 disputado em 2011.
Durante anos, Sébastian Corchia foi destacado como o futuro lateral direito da selecção francesa, algo que até hoje ainda não se confirmou. A passagem por Sevilha acabou por ser também um passo atrás na carreira, encontrando-se com as lesões que até então nunca o haviam atormentado. A afirmação de Jesús Navas na ala direita bem como a chegada de Aleix Vidal retiraram espaço ao francês no 3-5-2 de Pablo Machín e parece ser ao serviço do Benfica que Corchia se irá tentar reencontrar com todo o seu potencial."

No Sevilha não confiaram nele

"Sébastein Corchia é um jogador que chegou com grandes expectativas a Sevilha, há pouco mais de um ano. Porque a direcção desportiva, sobretudo com Monchi no cargo, o tinha seguido durante vários anos. Quando chegou, o treinador de então, Eduardo Berizzo, não confiou nele e preferiu escolher Gabriel Mercado para o sector direito da defesa. Tanto é que Corchia jogou muito pouco com Berizzo. E quando chegou o novo treinador, Vincenzo Montella, o francês lesionou-se e esteve seis meses sem jogar. Quando, finalmente ficou disponível para jogar, Jesus Navas era o dono do lugar e Montella não abdicou dele. Do pouco que se viu de Corchia deu para perceber que se trata de um defesa com clara vocação ofensiva e que fazia bons passes. Sinceramente, sai do Sevilha porque com a contratação de Alex Vidal e a permanência de Navas, Corchia ficou sem lugar. Não jogou no Sevilha por não ter qualidade? Não se sabe. Simplesmente jogou pouco por falta de confiança dos treinadores que teve e devido às lesões."

Ignacio Cáceres Dastis, in A Bola

E à volta de Cristiano?

"Começa amanhã uma nova edição da Serie A italiana e a estreia acontece no Bentegodi, em Verona. O Chievo recebe a Juventus e é garantido que os ‘bianconeri’ se lançam para uma das temporadas mais desafiantes da sua história. Manter a supremacia no País da Bota é cláusula obrigatória, mas todas as baterias apontam à Europa.
Desde a final do Olímpico de Roma em 1996, e do olhar matador de Jugovic na altura de converter o derradeiro penalty na baliza de Van der Sar, que a Juventus não se consagra como a formação mais forte do Velho Continente. E esse é um assunto que Agnelli, Marotta, Paratici, Nedved e Allegri querem tratar. Para ontem.
Depois da decisão ganha ao Ajax, houve cinco tentativas falhadas da Juve na final da Champions. E é aí que entra a chegada de Cristiano. A aquisição do Bola d’Ouro traz, em todos os parâmetros possíveis, uma força extra para as zebras, agora ainda mais capazes de se imporem na corrida pela maior competição internacional de clubes, ao mesmo tempo que se extraiu um membro no campeão em título, o Real Madrid.
Allegri tem unhas para esta guitarra e a afinação é a melhor dos últimos anos. O treinador da Juve é dos estrategas mais perspicazes na hora de gerir as nuances durante os jogos e até João Cancelo lhe dá uma projeção atacante muito mais letal no flanco direito. Desde Dani Alves que os ‘bianconeri’ não tinham ninguém tão dominante para a posição. Em teoria, o Inter também ficaria a perder, mas Spalletti conseguiu compensar bem com a aquisição de Vrsaljko, novo elemento para enriquecer a colónia croata do Inter. Falando da concorrência da Juve, o Inter é o plantel que mais pode ameaçar o emblema piemontese. Higuaín fez o Milan subir alguns furos, mas atenção à Roma que está muito bem elaborada. O último a chegar a Trigoria foi um campeão do mundo: N’Zonzi, para o meio-campo.
Uma das notícias mais importantes para a temporada 2018/19 da Juventus foi o regresso de Leo Bonucci à casa que o tornou vencedor. A Juventus sacrificou um defesa-central de futuro como Caldara, enviado para Milanello, e também por aí se comprova que em Turim se ataca a Champions fortemente já nesta época. Com Bonucci, afastando Caldara, não é para ganhar daqui a dois ou três anos. É agora. E o mesmo princípio pode ser aplicado a Cristiano, cuja longevidade não é fácil de definir e, por isso, se tente aproveitar os seus recursos o mais rapidamente possível.
Douglas Costa (centro-esquerda) e Dybala (centro-direita) serão coadjuvantes de Cristiano numa linha DDC no ataque. Brasileiro e argentino deverão começar de posições-base mais interiores no campo, contando que Cancelo e Alex Sandro (caso o PSG não o leve de Turim) marquem presença em zonas adiantadas dos respetivos flancos, ao mesmo tempo que Emre e Matuidi também fornecem apoio com desmarcações verticais para desajustar o aparelho defensivo do oponente ou simplesmente para romper com efeito surpresa e rematar. O ‘quarterback’ é Pjanic, lançador preciso e um dos melhores especialistas mundiais de livres directos, qualidade trabalhada nos tempos do Lyon com Juninho Pernambucano.
Pode acontecer que os três atacantes revelem bastantes trocas posicionais, sem tantas preocupações defensivas posteriores, isto porque ficariam salvaguardados pelos três médios que garantem mais cobertura à equipa no momento da perda de bola e transição defensiva. Em ataque, Cristiano gosta de procurar o lado esquerdo e, com isso, Dybala pode aproximar-se da grande área e Douglas Costa trocar para o lado direito. Mandzukic (força/jogo aéreo/missão defensiva), Cuadrado (sprint), Bernardeschi (remate e improviso) e Kean (desmarcação e golo) dão outras possibilidades de variar a configuração atacante, sem grande perda de qualidade, ao mesmo tempo que Bentancur (perfume), Marchisio (gestão) e Khedira (cobertura e rotura) podem refrescar o meio-campo, todos com perfis complementares.
Para já, até porque Allegri é mais defensor do sistema “4-3-fantasia”, não se perspectiva a utilização de um desenho com três defesas-centrais. No entanto, isso pode acontecer lá mais para a frente na campanha, como já aconteceu no passado mediante a exigência dos jogadores e do conforto que eles procuram para encarar uma determinada fase de menor confiança ou dependendo do adversário em questão.
Daí que não seja uma heresia pensar futuramente na retoma de uma BBC atrás como já aconteceu no sucedeu no passado com Barzagli, Bonucci e Chiellini. Se isso for retomado, se calhar Benatia até jogará em vez de Barzagli, que até é o elemento atual do plantel ‘bianconero’ com mais campeonatos ganhos: 7 pela Juve e outro pelo Wolfsburgo. Trocar-se-ia um ‘B’ por outro. Sem Buffon, Szczesny é o titular, merecidamente depois da grande temporada que havia feito na Roma."

Silly Season: quatro apontamentos

"Eduardo Galeano no seu livro «Futebol: sol e sombra» (2006, Livros de Areia) perguntava-nos quantos teatros estão metidos no teatro do futebol…
Após o jogo entre o Boavista e o Porto, realizado a 6 de Maio de 2006, foi instaurado um processo sumaríssimo ao jogador Ricardo Silva, do Boavista, sendo este acusado de ter agredido com uma cotovelada o portista Anderson. A época desportiva terminou vindo-se a conhecer só em Outubro, 5 meses depois, a decisão da Comissão Disciplinar da Liga: suspensão de um jogo para o agressor. Ficou assim o Boavista impedido de contar com o mesmo para o primeiro confronto perante o Nacional na época de 2007/2008. O comportamento do jogador foi sancionado mas só teve reflexos no campeonato seguinte…
Em Itália, o Parma acedeu à Série A na época 2017/2018, mas no último jogo da Série B, contra o Spezia, um dos seus jogadores pretendeu influenciar o resultado, tendo enviado mensagens a um dos adversários tentando convencê-lo a não dar o seu melhor nessa partida. Resultado: o mesmo foi suspenso por dois jogos e foi-lhe aplicada uma multa de 20 mil euros… e o Parma foi penalizado iniciando a época seguinte com cinco pontos negativos. Mais um caso ocorrido numa época e numa série, com reflexos na época seguinte e numa outra série… Teria o Parma subido se o ilícito tivesse sido sancionado do mesmo modo na época respectiva? Não!
E o mesmo Eduardo Galeano dizia-nos que “a moral do mercado, que é, no nosso tempo, a moral vigente, autoriza todas as chaves do sucesso, mesmo as que tenham a forma de um pé de cabra”.
O COI estabeleceu que, para os Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires 2018, cada país poderia apenas participar com uma selecção, por género (uma equipa masculina ou uma equipa feminina), nas modalidades colectivas que integram o respectivo quadro competitivo – e são quatro as modalidades. O COP definiu como critério prioritário que se mais do que uma modalidade estivesse qualificada, participariam duas modalidades e não apenas uma única, garantindo uma maior diversidade da representação nacional. Acontece que apenas se apuraram para participar as selecções de Portugal de Andebol de Praia (feminina e masculina) e de Futsal feminina.
Curioso é o facto de “género” ser um critério de apuramento…
Foram assim escolhidas as selecções de Portugal de Andebol de Praia masculina e de Futsal feminina, ficando de fora a selecção feminina de Andebol de Praia.
Entretanto, Carlos Resende, treinador de andebol do Benfica e pai de uma das jogadoras desta última, veio a terreiro afirmar (DN, 14.08.2018) que “a FIFA ou a UEFA é que decidiram. Isto do Futsal masculino não se qualificar é uma falácia, porque também se apuraram e depois houve ordens para que fosse retirada a candidatura”.
E o mesmo Eduardo Galeano dizia-nos que “o futebol profissional é intocável porque é popular. «Os dirigentes roubam para nós», dizem, e acreditam, os adeptos”.
Inês Henriques e Nélson Évora venceram, respectivamente, as provas de 50Km Marcha e de Triplo Salto, no recente Campeonato Europeu de Atletismo. Ambos se revelaram os melhores da Europa, a primeira aos 38 e o segundo aos 34 anos.
“Somos porque ganhamos”, disse-nos Eduardo Galeano. “Se perdemos deixamos de ser”, disse-nos o mesmo Galeano…
As excepções vão dando a ideia que tudo está bem! Numa comitiva com 35 atletas para 2 medalhas de ouro (é pouco mas é ouro, exulta-se!) Portugal ficou-se por um 11º lugar no medalheiro e 94,3% dos mesmos não chegaram ao pódio nem perto dele ficaram…
“Todos os sucessos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis” dizia Pangloss a Cândido (sim, o Cândido de «Cândido e o Optimismo» de Voltaire), ao que este retorquia: “tudo isso está certo, mas é preciso cultivar a nossa horta”. Cultivemos pois a nossa horta: como a temos cultivado até aqui, ou de maneira diferente…
E apesar do mesmo Eduardo Galeano nos ter dito que os ideólogos amam a humanidade mas desprezam as pessoas, Tiago Brandão Rodrigues, ministro português responsável pelo desporto, veio declarar que “não é obviamente necessário ter a mesma profundidade de conhecimento quando estamos a treinar jogadores num escalão de iniciados do que quando estamos com equipas seniores”…
Pois não, nem é obviamente necessário ter a mesma profundidade pedagógica…"

Benfiquismo (CMXXII)

Benfica - Paok...!!!

O Nojo...


"Queremos respostas, queremos explicações"!

"Desde já, e como bom exemplo da fase que atravessamos, quero realçar o facto de ontem termos registado um máximo histórico no valor das acções da SAD do Sport Lisboa e Benfica, que subiram 11,67%, atingindo o valor mais elevado por acção desde 2014.
Este facto demonstra bem a reputação e confiança gerada por esta gestão e pelo trabalho de médio e longo prazo que, desde há mais de 15 anos, tem vindo a ser desenvolvido.
Esta é a melhor resposta a todas as campanhas de manipulação que procuram prejudicar a imagem do nosso Clube.
Indo directamente ao futebol... estamos naturalmente satisfeitos pelos resultados obtidos neste primeiro ciclo do mês de Agosto e pela capacidade competitiva que a equipa já demonstrou no apuramento para o play-off da Liga dos Campeões e no arranque da Primeira Liga.
Enfrentámos dois adversários de peso, o Fenerbahçe e o Vitória Sport Clube, de Guimarães, em três jogos de elevado grau de dificuldade.
Os sucessos obtidos revestem-se, portanto, de significado ainda maior.
Entramos agora em nova fase de enorme exigência, com a decisiva eliminatória em duas mãos que vamos disputar com o clube grego PAOK, de Salonica.
Estamos confiantes que a nossa equipa nos dará o desejado apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Os jogos desta eliminatória são precedidos de mais duas partidas de elevado grau de dificuldade para o campeonato: uma ida ao Bessa e a recepção ao Sporting.
Com o empenho e a humildade de sempre, reafirmamos a nossa ambição, convictos de que esta fase será coroada com vitórias, marcando o ritmo de uma nova época que assumimos ser a da Reconquista.
Já o dissemos e voltamos a repetir: o plantel ainda não está fechado, porque o mercado só encerra no dia 31 de Agosto. Mas, como o presidente Luís Filipe Vieira teve a oportunidade de esclarecer em devido tempo, o Benfica não está vendedor, nem se prevê a saída de qualquer dos nossos principais jogadores. Que isto fique muito claro! Compreendemos o enorme interesse nos novos talentos que, ano após ano, se afirmam na equipa principal, mas não contem com qualquer saída.
O Rúben Dias e o Gedson são duas grandes apostas do Benfica. Repito, o Benfica não está vendedor. Mas há uma cláusula contratual e há regras de mercado. São dois jogadores da nossa escola de Formação. O Benfica é uma enorme empresa, de expressão mundial no futebol. Não há vontade de vender.
O Samaris é um atleta do Benfica que sempre defendeu as cores do Clube e por quem nutrimos o maior respeito. Se se decidir emprestar o Samaris é porque se entendeu que há soluções no meio-campo para suprir essa ausência.
Em relação ao Corchia, o processo ainda não está encerrado. Quando estiver, falaremos sobre ele. Está em curso e entregue ao presidente. A seu tempo, havendo um desfecho positivo, serão informados da aquisição do lateral-direito. Aliás, em relação a aquisições de jogadores há dois/três processos a decorrer. Há dois/três jogadores que podem fazer falta ao Sport Lisboa e Benfica e cuja aquisição pode acontecer.
Tal como sempre se disse, o Benfica fez tudo ao seu alcance para garantir a continuidade de Jonas.
O próprio jogador fez questão de dar público testemunho desse empenho, um empenho de todos os Benfiquistas e do seu presidente em particular, para que o melhor goleador destas últimas quatro épocas continuasse connosco. Ora, como todos sabem, Jonas continua no Benfica.
O calendário de arranque da época, muito apertado e exigente como já disse, requereu um trabalho de planeamento que garantisse uma resposta positiva da equipa na sequência de jogos de enorme apelo competitivo que nos esperava.
Esse trabalho foi feito e está a dar bons resultados. Mas novos desafios se apresentam, há outros adversários a enfrentar e todos não somos demais para os vencermos.
Daqui lanço o apelo aos nossos adeptos para darem todo o apoio à equipa já no próximo sábado, no Bessa. E convoco os Benfiquistas para mais uma enchente da Luz na próxima terça-feira, dia 21 de Agosto, na primeira mão do play-off contra o PAOK.
Logo a seguir, no sábado 25, a nossa casa será o cenário do primeiro grande clássico da época, um jogo contra o Sporting em que estou certo os Benfiquistas voltarão a encher o Estádio da Luz.
Temos depois a decisiva visita à Grécia para o jogo da segunda mão contra o PAOK, a 29 de Agosto, quarta-feira. São quatro jogos muito importantes que estamos certos vamos superar

A aposta na Formação, no feminino e o ecletismo
Os resultados positivos da nova época estendem-se às nossas equipas B e Sub-23, empenhadas em competições muito relevantes no processo de transição de jogadores entre os escalões mais jovens e as equipas principais.
Também são excelentes os primeiros sinais que nos chegam da nossa nova equipa de futebol feminino.
Nas modalidades de pavilhão, chamo a atenção para o reforço efectuado tanto ao nível das equipas masculinas como femininas. Perspectiva-se um salto qualitativo em todas as nossas equipas, graças à contratação de atletas de reconhecido mérito e prestígio, que vieram para o Benfica para somar vitórias e conquistar novos troféus.
Facto a destacar, directamente ligado ao projecto Benfica Olímpico, é o conjunto de extraordinários resultados obtidos por atletas portugueses, muitos dos quais do Benfica, nas recentes grandes competições internacionais de judo, canoagem, badmington, atletismo, ténis de mesa… Estes atletas trouxeram para Portugal medalhas e vitórias que fazem prova do excelente trabalho realizado pelos clubes em prol do desporto nacional. Em nome do Sport Lisboa e Benfica, a todos esses atletas, sem excepção e independentemente dos clubes que representam, os nossos parabéns pelas conquistas e classificações que tanto dignificam o nosso desporto e o nosso País.

Seis questões à espera de resposta
O segundo tema que quero abordar tem a ver com as seis questões e um desafio que lançámos há duas semanas. Ganharam ainda maior anualidade face a alguns sinais que estão a marcar o início da nova época. Primeira evidência: passados 15 dias, repito, 15 dias, tudo o que temos é um manto de silêncio... e total incapacidade em dar resposta a qualquer das questões que levantámos! Por essa razão, importa de forma rápida recordar cada uma delas:
- Porque nada se sabe sobre a invasão ao centro de treinos de árbitros da Maia?
- Porque nada se sabe quanto às queixas referentes a ameaças e coação sobre alguns árbitros e os seus familiares?
- Porque nada se sabe sobre o que justificou o adiamento, fora dos regulamentos, da segunda parte do Estoril-FC Porto da época passada?
- Porque não se sabe ainda como é que uma perícia interna da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal foi parar a um blogue anti Benfica?
- Porque só surgem na praça pública fugas de contratos do Benfica, derivados da falha de segurança de comunicações entre Liga e Federação?
- E, por fim, como se explica que um clube já visado em várias instâncias por divulgar informação confidencial roubada a um outro clube não mereça qualquer tomada de posição por parte das entidades que gerem o futebol nacional?
Este silêncio é ainda mais preocupante quando o confrontamos com os primeiros sinais e indícios já visíveis nesta nova época. Primeiros sinais e indícios que nos levam a juntar duas novas questões ao rol daquelas que aguardam resposta urgente

Ao lote apresentado, Varandas Fernandes juntou mais uma série de questões sobre assuntos que preocupam o Benfica
- Sabendo nós o que dizem os regulamentos, perante as imagens que todos pudemos ver e as palavras que todos pudemos ouvir ao treinador do Futebol Clube do Porto, dirigidas ao árbitro do jogo da Supertaça, qual o critério que sustentou a decisão de só o punir com uma simples multa?
- Como se explica que, por situação bem mais discreta e sem insultos, o treinador Rui Vitória tenha sido castigado com uma suspensão de 3 jogos na época passada?
- Perante o recorrente gesto do jogador Brahimi, o que justifica que pela segunda vez tal gesto não tenha merecido qualquer atitude pro activa das entidades jurisdicionais e tenha sido necessário o Benfica requerer a sua análise?
- E que em situação idêntica o jogador Samaris fosse de imediato objecto de processo e consequente punição com 3 jogos de suspensão?
Fomos hoje informados do arquivamento do processo pela justificação que da visualização das imagens não resulta claro, evidente e inequívoco o comportamento denunciado. Ou seja, o recorrente gesto do jogador Brahimi a apertar o pescoço dos jogadores das equipas adversárias passa a ser um gesto de difícil interpretação quanto à sua agressividade. E tão mais grave é quando sabemos que esta decisão foi tomada sem ouvir nenhum dos intervenientes e nem sequer o árbitro do referido encontro O arquivamento do processo ao Brahimi não nos deixa satisfeitos. E porquê? Porque não está a ser feita justiça. Está-se a decidir com dois pesos e duas medidas. Em relação a atletas do Benfica, foram punidos com três jogos com atitudes mais leves do que o gesto praticado pelo Brahimi. Queremos que todos sejam julgados de forma igualitária. O arquivamento é mau para o desporto e para as instituições. Se este é o exemplo após a 1.ª jornada, então prevêem-se tempos difíceis.
Este episódio está ao nível dos históricos episódios das fugas dos árbitros à frente dos jogadores, de tão triste memória, e que colocam a autoridade das instituições na rua da amargura. Queremos deixar muito claro que não nos vamos calar. Não é possível existir uma competição com regras claras e idênticas para todos os clubes da Primeira Liga, com uma única excepção. Excepção, curiosamente, para quem invade centro de treinos de árbitros, tem processos em análise do seu director desportivo precisamente por ameaças a árbitros, é porta-voz do roubo de informação confidencial de outros clubes, insulta com total impunidade logo no primeiro jogo da época a equipa de arbitragem.
E, perante isto, ainda beneficia de critérios difíceis de entender e de justificar. O ambiente de coação e ameaças sobre os árbitros tem de acabar, mas para isso eles precisam de sentir que têm quem os defenda nos órgãos que gerem o futebol português. Queremos regulamentos e regras iguais para todos. Nada mais do que isso. As ameaças e as coações não podem ser premiadas. Queremos respostas, exigimos explicações

Um desafio em prol da transparência
Convidámos, então, os dirigentes e os quadros de todas as entidades relacionadas com o futebol a tornar público o seu passado profissional e ligações clubísticas. Fizemos este desafio em nome da máxima transparência no sector. O incómodo foi notório. E o incómodo foi notório pela simples questão que, ao ser efectuado, acabava de uma vez por todos com o mito de que o Benfica supostamente dominaria as principais estruturas do futebol português. E mais ridículo tem sido assistir a alguns que publicamente defendiam essa tese virem agora tentar minimizar esta iniciativa com as teorias mais absurdas, precisamente porque isso desmentia de forma perentória o que andaram a tentar plantar de forma caluniosa e falsa.
Não se pode é dizer que o Benfica domina, quando se sabe que em alguns cargos até estão pessoas que foram apoiadas por outros clubes, contra a vontade do Benfica. E, porque sabem que se entrarmos numa análise minuciosa sobre cada entidade e cada nome que o compõem, o que diziam era totalmente falso.
Andaram a alimentar uma tese durante mais de um ano, agora que avançamos com factos concretos, uns assobiam para o ar, os outros encontram as explicações mais delirantes só porque sabem que tinham de assumir que esse pretenso domínio não é justificável em nenhum facto concreto. E, porque tinham que assumir que nos últimos anos, o Benfica ganhou mais, pela simples razão porque trabalhou melhor, teve melhores treinadores, jogadores como se comprova inclusive pela sua procura e cobiça no mercado internacional. Curioso, quando fazemos um apelo em nome da transparência total e escrutínio total, surja quem procure desvalorizar esta iniciativa.
Agora que o campeonato se inicia, e tal como prevíamos, bem podem plantar notícias de pretensas suspeitas com base em denúncias anónimas que nada nos vai desviar de desmontar uma a uma e nos locais próprios, cada cabala e cada mentira. E mais uma vez não deixa de ser sintomático verificar que só surjam notícias com fugas ao segredo de justiça de processos que envolvem e são contra o Benfica."

Voleibol 2018/19

Começaram hoje os treinos da nova época. Ainda com alguns jogadores ausentes, por compromissos com as Selecções, e com a grande novidade da secção: o novo treinador Marcel Matz.
O professor Jardim foi muitas vezes o bode expiatório da crítica sempre que tínhamos um resultado negativo... Nunca foi dessa opinião, o Marcel tem experiência de campeonatos mais competitivos e com mais qualidade do que os nossos, mas cuidado com as armadilhas!

Oposto:
Theo Lopes (ex-Bolivar Voley)
Hugo Gaspar

Zona 4:
Rapha (ex-Jeopark Kula Voleybol)
Winters
Lopes
Bernardo Martins (ex-Sp. Caldas)

Central:
Wohlfahrtstatter (ex-Tourcoing Lille Métrople)
Honoré
Flip
Zelão
Sinfrónio (formação)

Distribuidor:
Violas
Pinheiro (ex-Paris Volley)
Manuel Rodrigues (formação)

Líbero:
Casas
Simões (formação)

Várias alterações, mas parece-me que o Benfica mexeu-se bem no mercado. A grande variável, na minha opinião, será o nível do Theo Lopes. Com o Gaspar cada vez mais veterano, o nível com que o reforço brasileiro - com grande curriculum -, se apresentar, será decisivo... O Mrdak no final acabou por actuar a nível elevado, mas notava-se que era um jogador com muitas oscilações, precisamos de um Oposto dominador e regular...
Mas outras posições, o regresso do Rapha e a contratação (finalmente) do Nuno Pinheiro, são garantias de qualidade. Ficamos mais fortes... e até o Peter nome complicado parece ser uma mais valia...
Com a oposição, a manter um orçamento impossível de competir (e lá para Janeiro se calhar ainda vão contratar mais alguém...), fizemos o que tinha de ser feito: se tudo correr bem, estamos mais fortes.

Mas muito cuidado, porque apesar de tudo o que se passou, a negra foi decidida pelo apito... mesmo com o Geraldes de fora, os hábitos devem-se manter...!!!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Alvorada... do Vicente



PS: Ontem foi feriado, talvez por isso os canais do YouTube que costumam 'ripar' os programas desportivos nas televisões, não terem feito o upload do Benfica 10h com o Pedro Guerra (com uma intervenção muito 'forte'...)! Mas ultimamente, tenho reparado que vários programas da BTV têm vindo a ser 'censurados'!!! É verdade que a NOS começou a denunciar os conteúdos protegidos na BTV (jogos e alguns dos documentários ou programas de entrevistas), mas o Uma Semana do Melhor, ou as Contas Feitas, Duvidas Desfeitas, p Aquecimento, o 105x68 não estão protegidos, e cada vez são menos as semanas que aparecem no YouTube, já para não falar por exemplo da Conferência de Imprensa do Varandas Fernandes, que até ao momento que estou a postar este video, ainda não apareceu na Net...!!! Estranho...
Sendo que defendo desde do início que o Canal do Benfica no YouTube deveria ter os Noticiários, o NetPress e todos os outros programas de Debate... entre outros, bastava darem uma janela de 24h entre a transmissão do programa e o upload...

Diário... e anúncios!!!


Gedson face a Renato

"Tacticamente, muito superior, enraíza 4-3-3 (Jonas, Ferreyra, Castillo, que se engalfinhem!). SOS: deixem jogar Rúben Dias e Diogo Leite!

Na justíssima passagem do Benfica ao play-off da Champions - sobretudo porque, após tangencial triunfo em Lisboa, soube ser muito melhor em Istambul -, unanimidade de opiniões: Gedson saltou para ribalta e na primeira fila. Já dera muito boas indicações de qualidade competitiva, mas impressionante, mesmo, foi a afirmação de personalidade que este menino com 19 anos impôs naquele inferno tão característico dos estádios turcos.
Gedson assemelha-se a Renato Sanches? Em boa parte, sim. Poderá assumir o peso decisivo que Renato teve, impulsionando cavalgada, no Benfica campeão de há 2 anos? Poderá. Se não se deslumbrar e evoluir na correcção de naturalíssimas lacunas (tempo de passe na ponta final de ofensivas, convicção no remate de longe), estará em autoestrada para craque. Boa técnica, poder atlético, ímpeto atacante e, importantíssimo! sentido táctico - defender, atacar - invulgar nesta idade e muito superior ao de Renato Sanches. Já agora: muita atenção a outro menino - Elmas, médio do Fenerbahçe (uau!).
Gedson está dando ao meio-campo benfiquista a estrutura competitiva, leia-se qualidade com solidez nos desdobramentos tácticos, que lhe faltava. Com ele, Fejsa e Pizzi - o que, na longa baixa clínica de Krovinovic, não invalida anunciada busca de outro médio, capaz de firmeza superior à de Samaris e de Alfa Semedo, jovem em promissora fase de crescimento -, muito dificilmente Rui Vitória sairá do 4-3-3, ora elogiado, ora criticado por meter pouca gente na grande área contrária (sim, os médios muito mais aí têm de surgir, rumo à baliza, depurando excesso de tabelas e dribles - processo que parece ir evoluindo, mas lentamente, ainda longe de perfurante vigor à FC Porto). Evidente: crescimento que este Benfica denota também muito tem a marca de... Pizzi - aproximando-se do brilhante, crucial!, Pizzi de há 2 anos.
Ou seja: face a clara tendência para 4-3-3 enraizado, ficam 3 pontas de lança para um lugar... Aquisições Ferreyra e Castillo pedindo meças - por enquanto, longínquas - a Jonas... Isto se Seferovic for descartado, como é previsível.

Duelo com Fenerbahçe, primeiro passo para Portugal ter 2 equipas na Champions - e não se desvalorize imenso o 2.º no campeonato turco e vencedor da Taça -, confirmou ideias de polos positivos e negativos no Benfica.
Positivo (para além da afirmação de Gedson):
- Odysseias Vlachodimos rumo a desfazer insólito dilema, pós Oblak e Ederson, sobre quem é o guarda-redes. Está impondo-se a Svilar, grande promessa, mas ainda imberbe, e a Bruno Varela, quanto a mim, o grande injustiçado da época anterior.
- Rúben Dias não pede licença aos recém-chegados Conti e Lema, tal como já fizera perante... Luisão, para se impor ao lado de Jardel (que exibe grande forma). A sua cotação terá subido de 30 para €40 milhões. Luís Filipe Vieira irá resistir?
Negativo:
- A mais cotada aquisição, Ferreyra, soma e segue a falhar. Não tenho dele a ideia de flop que sempre tive, e frisei, quando Seferovic foi contratado. Do que vi a Ferreyra no Shakhtar, avançado inteligente e eficaz. Agora, parece acomodado a descrença! Ponta de lança em SOS por golo.
- Grimaldo, as suas virtudes e as suas deficiências. Ataca excelentemente. E é o melhor marcador de livres directos no Benfica. Contraponto: um defesa tem de, prioritariamente, muito bem defender. Defesa franzino, medindo tão-só 1,70m e com escasso poder de choque, é bicudo problema em alta competição (golo turco, mas não só...). Problema extensivo a Cervi, extremo tão raçudo quanto frágil. Ou seja: a toda a ala esquerda benfiquista.
Rajada de puros testes prossegue já: Bessa, decisivos confrontos com Paok, Sporting pelo meio. Oito jogos em Agosto, quase não alterando o onze - bem duro!

Rúben / Diogo. SOS a Benfica e FC Porto: não transfiram, prematuramente, Rúben Dias e Diogo Leite (como aconteceu com Dalot: oxalá me engane!) e deixem-nos jogar. A Selecção Nacional - não peço desculpa aos, tantos!, cujo qguuase exclusivo enlevo está no clube - muitíssimo necessita do nível dos jovens Rúben Dias - Diogo Leite como próxima dupla de defesas-centrais.

Paz? Recente apelo a ela, no futebol português, feito pelo Benfica não passa de monumental hipocrisia. Logo seguido por rajada de twiters e formais queixas que de paz são o oposto. Ridículo apelo!"

Santos Neves, in A Bola

PS: A velha argumentária: estás há mais de 2 anos a levar tiros e pontapés de todos, com total cumplicidade dos mérdia; respondes com um tweet; perfeitamente legitimo, sem inventar fake news; és um incendiário!!! Realmente, ridículo...!!!

A janela indiscreta do futebol europeu

"Faltam sensivelmente duas semanas para o fecho do mercado de transferências, a chamada janela de Verão. Não faz qualquer sentido. Muitos países, incluindo Portugal, têm os seus campeonatos profissionais a decorrer e a UEFA já tem em marcha provas europeias. A data de fecho do mercado de Verão é despropositada e, mesmo assim, bem menos despropositada do que essa aberração desportiva que é a janela de Inverno.
Muitos serão os interesses em jogo, mas seguramente que nenhum desses interesses se prendem com qualquer valor desportivo.
Nestes próximos quinze dias assistiremos a uma frenética dança de nomes. Muitos deles lançados pelos próprios empresários, que tentem uma última oportunidade para ganhar dinheiro antes do desmanchar da feira.
Nesta fase, o leilão de jogadores atinge patamares indecorosos e os clubes pequenos e médios, que vivem no anseio de vender caro e comprar em saldo, espreitam novas oportunidades, perante o desespero, mais ou menos conformado, dos seus treinadores que temem o desequilíbrio das suas equipas, numa fase onde o treino já se confunde com o jogo a sério.
O mercado português é dos mais agitados. Fala-se no último lance de vendas de jogadores como Brahimi (FC Porto) ou Rúben Dias (Benfica). Não são, ambos, jogadores que facilmente se possam substituir. O portista é o maior desequilibrador do ataque do FC Porto e o benfiquista é, hoje, um pilar sólido da defesa. Se, eventualmente, o negocio de ambos viesse a concretizar-se, Sérgio Conceição e Rui Vitoria teriam um problema de muito difícil solução, a curto ou a médio prazo."

Vítor Serpa, in A Bola

Sacos de euros

"Gedson é melhor agora do que Renato Sanches quando apareceu e a Liga dos Campeões vale mais do que Rúben Dias.

A passagem benfiquista pela Turquia deixou uma certeza: no tempo certo os responsáveis blindaram o miúdo Gedson com um contrato até 2023 e uma cláusula de 60 milhões de euros. Num estádio complicado e sob pressão, o rapazola Gedson comportou-se como um jogador feito, mostrou ao que vem, jogou até não poder mais, marcou com classe o verdadeiro golo da eliminatória e acabou de rastos, mas a querer mais. Mesmo quando o cansaço já toldava o discernimento, a bola continuava agarrada ao pé, levada para longe da zona de aflição.
Gedson vai debater-se com uma questão iniludível: a comparação com Renato Sanches, a última pérola da formação a saltar para a ribalta ainda mal tinha largado as fraldas. A capacidade física, o gosto pelo jogo, o descaramento próprio da idade assemelham-nos, mas Gedson chega à primeira equipa mais trabalhado, mais adulto. Quando apareceu, Renato passava períodos perdido da táctica e da equipa, a jogar à bola, a persegui-la como um menino da rua; Gedson tem jogado futebol e quando se livrar das amarras do espanto, será ainda melhor. Assim o acompanhem sem ver nele mais um enorme saco de euros.
Para o Benfica, sair vivo de um inferno turco significa ficar bem posicionado para chegar à Champions. Em termos teóricos, terá de defrontar a seguir o mais fraco dos oponentes possíveis. O Fenerbahçe seria sempre mais perigoso do que o vencedor da eliminatória entre Spartak e PAOK, sendo os russos, apesar de terem ficado para trás, potencialmente mais complicados de passar do que os gregos. As portas da fase de grupos estão abertas, falta a confirmação.
Outra coisa. A Champions vale mais do que a venda de Rúben Dias. Se ele quiser ficar..."

É tempo de colocar os jogadores no respectivo lugar

"A cada dia que passa tem-se assistido ao crescimento de uma tendência muito perigosa para o futebol: o poder dos jogadores dentro dos clubes. Apesar de a teoria dizer que são meros funcionários, os homens que entram em campo gostam de mandar mais do que os próprios presidentes, dirigentes ou treinadores. Por isso mesmo, está na hora de os voltar a colocar no lugar a que pertencem. Os jogadores não podem passar disso mesmo e têm de perceber que por cima deles estão muitas pessoas e está um clube. E o símbolo tem de ser sempre mais importante que o nome nas costas da camisola.
Olhe-se para o recente caso de Marega no FC Porto. O avançado, como se sabe, tem pressionado a saída quando tem contrato e, segundo o próprio Pinto da Costa, até já tinha negociado uma renovação. Esta atitude tem valido a Marega o afastamento neste início de temporada, não se sabendo ainda como tudo se vai resolver, podendo ainda ser vendido ou reintegrado no plantel. O FC Porto, neste caso, actuou bem e não cedeu às pressões de Marega, tomando uma posição clara e correta ao não deixar o jogador sair impune.
No Benfica, o braço de ferro entre as águias e Jonas foi mais um exemplo do que os jogadores podem fazer aos clubes. O brasileiro tinha todo o direito de não estar satisfeito com o salário que auferia ou com as condições do contrato, mas a verdade é que o tinha assinado. Mesmo assim, Jonas ganhou o 'duelo' com o Benfica, que cedeu e fez a vontade a um ponta-de-lança que tem sido o maior responsável pelos títulos dos encarnados nos últimos anos. Mas, mesmo com essa importância, não deixa de ser apenas um jogador.
Do outro lado da segunda circular, os jogadores ajudaram a fazer cair um presidente. Se a equipa de Jorge Jesus não tivesse tomado a posição que tomou e se não tivessem havido rescisões unilaterais, muito dificilmente Bruno de Carvalho teria sido destituído, o que levanta uma nova questão: devem os jogadores intrometer-se em questões directivas do clube? No caso do Sporting, foi isso que aconteceu. Não quero com isto dizer que o plantel não tinha motivos para estar desiludido (isso é outra questão completamente diferente), mas tenho sérias dúvidas que tivesse credibilidade para influenciar a opinião pública da forma que influenciou.
 Felizmente, há uma coisa que me dá razão neste tema: os contratos. Os jogadores, por vezes, esquecem-se que os assinaram e actuam como se fossem completamente livres de tomar as decisões que bem entenderem sem qualquer tipo de consequência. E isso não pode acontecer."

Benfiquismo (CMXXI)

O joelho...

Lanças... nadar no lamaçal!

Campeonato: quase tudo 'à condição' (até Jonas...)

"Admiro bastante Jonas e recebi com natural satisfação a notícia da sua continuidade, mas não havia necessidade do tempo de (in)decisão

1. Começou o campeonato nacional, como gosto de continuar a dizer apesar de saber que agora se intitula liga. E, compulsivamente, vai começar também o tudo e mais alguma coisa 'à condição...0, esse modismo de erro linguístico (o 'à') e de insuficiência argumentativa (que condição?). Eu, por exemplo, posso sempre dizer que escrevo 'à condição'. Poder-me-ão perguntar, qual é a condição. Respondo tal e qual como se usa no futebol: simplesmente 'à condição'.
Continuando neste condicionalismo incondicional do 'à condição', na noite de sexta-feira, depois da vitória do Benfica sobre o Vitória de Guimarães, virei-me para a minha neta mais fervorosamente benfiquista e disse-lhe que, naquele momento, o Benfica era o campeão 'à condição' e Pizzi era (e ainda é) o 'Bola de Prata', também 'à condição'.
'À condição', na sexta-feira passada, vários profissionais deste jornal revelaram o seu prognóstico classificativo para este campeonato. O Porto com mais votações para campeão, seguido do Benfica e até do Sporting. Não sei qual a condição (ou as condições) para tais palpites, mas achei curioso que um dos respondentes tenha colocado o Benfica na 4.ª posição, precedido pelo campeão que seria o Sporting, pelo Porto e pelo Sp. Braga. Cá estaremos, no fim da caminhada, para confirmar ou infirmar tão preclaro prognóstico, nessa altura já sem quaisquer devaneios de 'à condição'. Por mera curiosidade, fui ver quem comentou o jogo Moreirense - Sporting e verifiquei que era o mesmo jornalista, Nuno Saraiva Santos (não confundir com um outro Nuno Saraiva desaparecido em combate). A sua crónica iniciou-se deste modo: 'Começou uma nova era no Sporting. Com esforço, com dedicação, com glória. Pela mão de José Peseiro (...) que saiu justamente em ombros'. Profético, sem dúvida.
Ainda a propósito da expressão com que iniciei esta crónica, felicito A Bola por, finalmente, ter deixado de publicar os sempre aguardados 'Cadernos de A Bola' no início do mês de Agosto. De facto, com a informação disponível até essa altura, líamo-la em Setembro, já desactualizada pela efervescência do inexplicável defeso num tempo em que já se joga em toda a parte. Assim, a disponibilização na primeira semana de Setembro é bem-vinda porque como se lê no seu anúncio, passará a ser «o único guia de futebol sem enganos para 2018/2019», ou seja, sem ser 'à condição' da superveniente transumância clubista medida em euros.
Ainda no capítulo do nosso idioma, eu que, menino e moço, aprendi a dele gostar por via do puro e brilhante português que me habituei a ler neste jornal, dói-me a alma deparar, agora, com erros de palmatória como aconteceu, na segunda-feira (página 10), com o título «Polícia interviu» em em vez de «Polícia interveio».

2. Hoje (ontem) o Benfica jogou na Turquia a segunda mão de uma eliminatória preliminar de acesso à Liga dos Campeões. Também desta vez escrevo antes do resultado, mas não 'à condição', depois de ter ganho por 1-0 em Lisboa, desfecho que tem tanto de sucesso relativo como de insucesso diferentemente relativo.
O jogo inaugural do campeonato mostrou-nos o Benfica no seguimento da época passada: bipolar, capaz de tempos de excelência, alternando com desesperantes momentos de apatia ou de desconcentração. Os jogos duram 90 minutos e há sempre outra equipa a jogar. Tão simples como isto. Contra o Vitória de Guimarães uma magnífica primeira parte a rondar a goleada e uns penosos 20 minutos finais com um futebol inconsequente e baço. Não me parece que seja um problema físico porque, além de bipolar, o futebol encarnado é alternante: umas vezes é na primeira parte que se joga melhor, outras tantas acontece na segunda metade. Eu, observador leigo quanto baste, gostaria que alguém me explicasse por que razão isto acontece com inusitada frequência.
Neste jogo, houve um ponto que explica, mas não justifica, a recuperação do Vitória (não desmerecendo a boa atitude desta equipa): as substituições, em particular a de Fejsa. Está visto que sem ele no relvado, não há substituto à altura, ainda que pense que, do mal a menos, Samaris é o que melhor o faz.
Gostei bastante de Gedson Fernandes. Joga com maturidade superior à ideia, tem capacidade física e técnica para desenvolver e, em relação a Renato Sanches, talvez perca no confronto das cavalgadas que lhe vimos no SLB, mas ganha na consistência e maior regularidade ao longo de todo o tempo.
Por fim, o sistema de jogo. Sei que não tenho competência para discutir, como leio e ouço alguns sábios, a maior ou menor valia de 4-3-3, 4-4-2 ou 4-1-4-1 ou ainda outro qualquer. Todavia, parece-me que jogar com um só ponta-de-lança nem sempre se adequará às características dos jogadores ou de cada jogo concreto. Julgo que, por exemplo, Facundo Ferreyra é bom jogador, mas perdido lá à frente e afastado de alguns municiadores, é presa fácil para defesas fortes. O mesmo acontecia quando, antes, jogava só Jiménez ou Mitroglou. Até por isso, gostei da noticia da continuação de Jonas no Benfica. Criou um bom problema que antevejo como interessante para Rui Vitória resolver (e já agora para rendibilizar salários elevados de três atacantes, já não contando com o suíço).

3. Jonas fica, Jonas sai. Houve de tudo nesta longa e talvez escusada 'estória'. A comunicação do Benfica deixou-se adormecer (ou enternecer?) perante tanta notícia e contra notícia, quase tudo - creio - em versão lusa de fake news. Ele era a Arábia, ele era o Al-Nassr, ele era o ministro saudita do desporto que o queria desviar para o Al-Hilal, ele era um ou mais clubes chineses, ele era Scolari em trânsito para o Brasil, ele era o Palmeiras e mais uns tantos clubes falidos do Brasil. Ele era o ordenado do Facundo que deveria ser o segundo. Ele era o mano do Jonas, por sinal seu empresário (!). Ele era a gravidez da mulher. Ele era o Pai e a família. Ele era o problema das costas. Ele era a cervicalgia. Ele (não) era nas conferências de imprensa do treinador. Uf!
Mas, pronto, tudo se resolveu. Um beijo no emblema, uma folha salarial bastante melhorada, trabalho até aos 36 anos, as costas tratadas. Admiro bastante Jonas e não cometo a ingratidão de esquecer o quão decisivo foi nestas suas quatro brilhantes épocas ao serviço do meu clube. Penso, aliás, que se Jonas estivesse apto nas últimas e decisivas jornadas no último campeonato, talvez o Benfica tivesse alcançado o pentacampeonato. Por isso, recebi com natural satisfação a notícia da sua continuidade no plantel encarnado. Mas não havia necessidade de todo este longo e demolidor tempo de (in)decisão. Agora, tudo clarinho, Jonas é grande reforço, mas 'à condição' das suas costas. Têm a palavra o médico e o fisioterapeuta.

Contraluz
- Eleições: No Sporting (os sportinguistas que me desculpem escrever a vermelho o nome do clube...). Muitos candidatos, ainda que nem todos iguais, num período em que Sousa Cintra vem fazendo com a eficácia possível o seu trabalho. Eu, se fosse sportinguista, votaria no candidato que há mais tempo percebeu o que se passava na anterior direcção. E nunca em candidatos ou ajudantes que, coitados, só na 25.ª hora entenderam tudo, depois de abraços, beijos, declarações de amor (algumas em jeito de capataz) a toda a hora e mesmo depois da célebre AG de Fevereiro.
- Notável: o feito de Inês Henriques, agora campeã mundial e europeia de 50 Km Marcha, e de Nélson Évora, que juntou o europeu aos títulos olímpico e mundial. Exemplos de perseverança, muito trabalho e capacidade de sacrifício.
- Dispensável: A 'bicada' de Nélson Évora no seu colega de profissão Pedro Pichardo, cubano, naturalizado português em 2017, e que compete pelo SLB, tendo-lhe vencido os últimos confrontos directos. «Comprar atletas, naturalizar atletas... isso é ridículo», observou Évora após mais uma notável medalha de ouro. Nunca o vi dizer o mesmo do antes nigeriano Obikwelu e de outros companheiros naturalizados. E o próprio Nélson Évora nasceu na Costa do Marfim, foi cabo-verdiano e naturalizou-se português aos 18 anos, já competindo antes..."

Bagão Félix, in A Bola

Novo diário...!!!

Iogurte

"1. Num dia Luís Filipe Vieira apela à pacificação no futebol português, nos outros aparecem dirigentes do clube em briefings de trazer por casa, tweet a questionar o castigo de Sérgio Conceição e os lances do FC Porto - Chaves e é apresentada queixa contra Brahimi. A hipocrisia tem limites.
2. Seria realmente interessante que a Volta a Portugal conseguisse atrair alguns craques, mesmo que não gostem de cicloturismo.
3. Sei que vai com atraso, mas ainda não tinha tido oportunidade: parabéns aos campeões da Europa de sub-19 e ao seu treinador Hélio Sousa. O problema das nossas gerações de ouro são os estrangeiros de lata.
4. José Mourinho já foi o special one o happy one, mas tornou-se definitivamente no crying one. Ou, se preferirem, o treinador da lágrima.
5. Só tenho uma dúvida: se o Marítimo - Santa Clara se realizasse na ilha das Berlengas, a Liga enviaria o árbitro só na noite da véspera, num bote de borracha? Uma coisa são imprevistos, outro
é correr riscos estúpidos.
6. Sturaro é reforço do Sporting e volta daqui a dois meses, quando estiver recuperado. O meu filho de dois anos é reforço do Real Madrid, volta daqui a 16 anos quando deixar das fraldas e chupeta e aprender a jogar à bola.
7. Não percebi o porquê de existirem uns Gay Games se os Jogos Olímpicos não fazem exclusão por orientação sexual. É como criar uma Liga dos Campeões da Europa para jogadores africanos. A boa notícia é que Portugal ganha mais medalhas assim.
8. Tenho lido muito para tentar entender cada um dos candidatos à presidência do Sporting. O que não consigo mesmo perceber é o penteado de Rui Jorge Rego.
9. Não mando fora iogurtes à terça-feira só porque o prazo de validade acaba na quarta ou na quinta. Fez bem o Benfica em lutar por Jonas. Só não convém pagar-lhe o novo salário todo de uma vez, por causa das costas."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Lá está mais uma vez, a estratégia de meter tudo no mesmo saco: senhor Gonçalo, se o senhor e os seus colegas de trabalho, fizessem o vosso trabalho, o Benfica não precisaria de 'responder' com tweets... nem de fazer briefings, que só são de trazer por casa, porque vocês são cúmplices do estado mafioso em que o Tugão caiu e parece que não quer sair...

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

105x68... pós-Istambul

Benfica de continuidade

"Águia é melhor e esteve melhor; a importância defensiva do triângulo; os sinais dos tempos

Dentro do campo
1. Viu-se um Benfica de continuidade na composição do onze (apenas uma alteração, com Castillo no lugar de Ferreyra), no modelo táctico e na ideia de jogo. Uma equipa estável, com níveis de confiança assinaláveis, previsivelmente resultantes das vitórias nos dois jogos oficiais anteriores, diante do mesmo Fenerbahçe, na primeira mão, e do Vitória de Guimarães.
O Benfica é melhor equipa do que o Fenerbahçe e esteve melhor no jogo, com superioridade em todos os parâmetros. Soube explorar de forma positiva a vantagem numérica no corredor central, trÊs contra dois - Fejsa, Gedson e Pizzi para Topal e Elmas -, e a falta de cobertura nos corredores por parte de Valbuena e Ayew, que não acompanhavam André Almeida e Grimaldo, assim como a indecisão do adversário na reacção à perda da bola (hesitação entre pressionar alto ou baixar, não fazendo bem nem uma coisa nem outra), o que deixava muito espaço entre linhas para aproveitar. O Benfica chegou ao golo com naturalidade e devia também chegar em vantagem ao intervalo, não fora a desatenção defensiva da dupla Salvio e André Almeida na direita (que, aliás, já tinha antecedentes), da qual acabou por resultar o golo do empate.
No segundo tempo, reacção previsível por parte do Fenerbahçe, com as alterações feitas, surgindo com linhas mais curtas, capacidade de pressão mais próxima da baliza e algumas tentativas de finalização que acabaram por não resultar. A resposta do Benfica foi inteligente, quebrando o jogo, baixando o ritmo e tentando ter a bola o maior tempo possível, perdendo com isso, naturalmente, profundidade ofensiva. Foi uma segunda parte menos conseguida do que a primeira, mas o objectivo foi alcançado.

Destaques genéricos
- Excelente trabalho defensivo da equipa benfiquista, que defendeu muito melhor do que atacou.
- O triângulo constituído por Jardel, Rúben Dias e Fejsa, os primeiros muito concentrados e eficazes, o último muito inteligente ao nível das coberturas à frente dos centrais.

Destas individuais
- Gedson, uma jovem surpresa que se vai afirmando, com o particular de ter conseguido o golo.
- Alfa Semedo, uma aposta de continuidade na ousadia da juventude.

Fora do campo
2. O campeão europeu, Portugal, vê um dos seus mais ilustres representantes, o Benfica, vice-campeão nacional, obrigado a duas eliminatórias para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Sinais dos tempos. Ano após ano, como que atacado por um mal que parece não ter cor, sabor ou cheiro, as nossas melhores equipas vão soçobrando cada vez cada vez com maior frequência aquando dos seus confrontos internacionais. O desequilíbrio orçamental, disparidade de meios e baixa competitividade interna que daí resulta são factores determinantes para a galopante redução dos resultados desportivos, que na Champions, quer na Liga Europa. As tais cores, sabores e cheiros são de há muito conhecidas, só aqueles que beneficiam de situação de privilégio e cujos horizontes são curtos e fazem por não ver. A não ser alterado o quadro interno, serão eles, a curto prazo, os maiores prejudicados. Pena..."

Manuel Machado, in A Bola

Turco já está, falta o grego...

"O Benfica cumpriu com o que lhe era pedido e eliminou o Fernerbahçe na terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Pouco importará, neste momento, se se devia esperar mais dos encarnados, perante um adversário que ficou, em termos futebolísticos, aquém do esperado; ou mesmo se Rui Vitória que só fez duas substituições em cada uma das partidas com os turcos, não estará a pedir ajuda à SAD benfiquista, ou seja, reforços.
Para além da boa noticia que é termos uma outra equipa portuguesa com hipóteses de aceder à Champions, não pode passar sem destaque a extraordinária exibição de Gedson Fernandes, nascido em 1999, que está a revelar-se um box-to-box com asas para voar muito alto. E Rui Vitória, tantas vezes alvo de críticas, umas justas outras nem tanto, deve, neste particular, colher os louros não só pela identificação dos talentos mas essencialmente pela coragem de lhe abrir o palco principal, Gedson em Agosto de 2018, Renato em Outubro de 2015...
Cumprida esta fase, seguem-se os gregos do Paok, a grande surpresa desta fase preliminar da liga milionária, depois de terem eliminado Basileia e Spartak de Moscovo. Com jogos marcados para 21 e 28 deste mês, e com a possibilidade de aceder a meia centena de milhões de euros, não fará sentido que o Benfica não se esforce para dotar a equipa, para além de Jonas (assim as costas o deixem jogar), de mais trunfos para posições identificadas. Já agora, que ninguém espere facilidades em Salónica, num estádio onde o Benfica de Heynckes e o de Jesus já foram muitos felizes. Resta esperar que o de Rui Vitória lhes siga os passos..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O bloco central do Benfica

"O caminho até à fase de grupos da Liga dos Campeões é longo, mas o Benfica acaba de tirar da frente o vice-campeão turco, o dono de uma casa onde vencer se torna num trabalho pesado (o Fenerbahçe perdeu apenas três jogos na condição de visitado na época passada).
O golo de Gedson Fernandes foi uma espécie de salvo-conduto para o “playoff” da Liga dos Campeões, porque a partir desse momento o Fenerbahçe precisava de marcar por três vezes para afastar a equipa portuguesa. Essa matemática positiva para os encarnados acabou por permitir à formação de Rui Vitória respirar de forma menos descompassada perante o ambiente de fervoroso apoio à equipa turca.
O Benfica já mostra, neste início de temporada, um eixo central com opções fortes, um bloco que está bem definido e que sai reforçado com a continuidade de Jonas, um jogador que continua a ser a maior das referências da equipa.
Na baliza, Odysseas Vlachodimos agarrou o lugar e tem condições para afastar o “fantasma” de Ederson, algo que os ocupantes do lugar na época passada não foram capazes de fazer. Apesar de ter apenas 24 anos, o guardião germânico (com raízes gregas) traz um lastro de duas temporadas ao mais alto nível, na baliza do Panathinaikos. E isso faz toda a diferença.
O centro da defesa comporta uma dupla que já exibe boas rotinas e que será, em circunstâncias normais, titular durante toda a temporada. Jardel e Rúben Dias formam uma sociedade sólida, capaz de dar confiança a quem está atrás e à frente no campo, mas a permanência do internacional português não é ainda uma certeza absoluta (é cobiçado pelo Lyon).
No coração do jogo, no meio-campo, Fejsa mantém o estatuto de intocável. O médio sérvio faz um trabalho cada vez mais visível e fundamental de proteção defensiva do Benfica e de arranque da construção de jogo. O “guarda-costas” da equipa não tem (e não tem tido) um substituto à altura no plantel encarnado, mas parece apresentar agora uma saúde física que lhe faltou noutros tempos. Fejsa foi, como sempre, fundamental para a boa organização defensiva do Benfica, sendo extremamente eficaz no bloqueio aos avançados turcos.
Alfa Semedo saiu do banco nos últimos dois jogos, mas encontrou contextos completamente diferentes em campo. No encontro frente ao Vitória de Guimarães, o jovem médio trocou de lugar com Fejsa e sentiu muitas dificuldades para colocar travão à reação dos minhotos (que acabaram por marcar dois golos na parte final do encontro). No embate com o Fenerbahçe, Alfa coincidiu no relvado com Fejsa e não precisou de ser um 6 puro, percebendo-se claramente que andou em campo mais confortável do que no registo anterior, quando ficou sozinho a fazer a cobertura defensiva àquela zona fundamental do jogo.
Gedson Fernandes surge neste setor com entrada direta no “onze” e com capacidade para “assinar” um compromisso com a titularidade durante toda a época. Frente ao Fenerbahçe, Gedson foi um dos motores da equipa, demonstrando capacidade para equilibrar defensivamente, mas principalmente para a condução de bola e para o lançamento do Benfica em processo ofensivo. Marcou o golo, tentou servir os avançados e será capaz de aprimorar alguns pequenos problemas de definição que ainda subsistem aos 19 anos. Gedson é a face mais visível de mais uma vaga de talentos do Seixal, mas João Félix e Jota também já batem de forma insistente à porta da primeira equipa.
A dupla Gedson-Pizzi permite ao Benfica ter em campo dois médios com capacidade para equilíbrios e desequilíbrios. No encontro com o Vitória minhoto, Gedson Fernandes permitiu que Pizzi se libertasse muitas vezes para o ataque, ajudando a construir o primeiro “hat-trick” do médio português ao serviço do Benfica. Em Istambul, o golo foi de Gedson, que surgiu mais vezes perto da área adversária, enquanto Pizzi se destacou pelas recuperações de bola e pelo acerto no passe. Muito do sucesso da ideia de jogo de Rui Vitória passará pelo bom entendimento deste duo ao longo da temporada. Neste jogo, os encarnados também beneficiaram do facto de haver muito espaço no início de construção.
Na zona central do ataque, o Benfica tem agora três opções principais muito diferentes (Seferovic ainda está no plantel, mas com espaço reduzidíssimo), todas com capacidade para resolver jogos.
No duelo com o Fenerbahçe a primeira escolha foi Castillo, um avançado que vestiu a titularidade pela primeira vez e que tem (mais do que qualquer outro no plantel) capacidade para um futebol de choque e para jogar de costas para a baliza. O atacante chileno foi decisivo na combinação com Gedson para o golo e estava com capacidade para dar mais ao jogo, até sair lesionado.
Com a entrada de Facundo Ferreyra, surgiu em campo outro perfil de avançado. O Benfica deixou de ter Castillo, que tenta um ataque mais frontal à baliza, para ter um avançado que procura movimentos diagonais, na busca da bola e do espaço para finalizar. Este tipo de jogo exige maior entendimento com os companheiros de equipa e por muito que Ferreyra tenha procurado dar soluções de passe, percebe-se que o processo de adaptação do argentino ainda não está terminado.
A opção mais forte para a zona central do ataque continua a ser Jonas. Não apenas pelos golos que vai “empilhando” ano após ano, mas pela forma como joga e faz jogar. Jonas permite ao Benfica ligar melhor o futebol ofensivo, fazendo de forma perfeita o “enganche” com os médios (como faziam Aimar ou Saviola há alguns anos). Se o cenário físico o permitir, a presença de Jonas no plantel oferecerá a Rui Vitória, no imediato, solução para algumas dificuldades nos momentos de definição atacante."

A formação em Portugal

"Depois das vitórias nos mundiais de juniores de 1989 (Riade) e de 1991 (Lisboa) os chamados "grandes" (Benfica, FC Porto e Sporting) passaram a investir de forma mais assertiva na formação de jogadores.
A par das equipas de "scouting" visando o recrutamento, cada vez mais cedo, dos jovens mais prometedores que fossem localizados em qualquer ponto do país e no estrangeiro, criaram estruturas modelares, no Seixal, em Gaia e em Alcochete.
O mesmo aconteceu com clubes que já tinham histórico na área (Belenenses, Vitória de Setúbal, Boavista, Marítimo, Académica) e também se actualizaram, a par de outros que rapidamente começaram a tirar proveito das estruturas que entretanto criaram, como sejam o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães, entre outros.
O Sporting foi, sem dúvida, o que começou mais cedo a aproveitar-se desse trabalho em profundidade, que não se pode dissociar da figura ímpar de Aurélio Pereira, verdadeiro mentor da formação leonina e justamente distinguido com a colocação do seu nome nas instalações de Alcochete.
Rapidamente atingiram projecção internacional alguns dos seus formandos, nomeadamente pela qualidade dos seus extremos, certamente dos melhores do mundo – Futre, Simão, Figo, Quaresma, Ronaldo e Nani – citados pela ordem em que foram aparecendo.
Mas também pela quantidade de convocados para as fases finais das últimas competições em que participámos.
Na selecção que venceu o Europeu (2016), 10 dos 23 eram da formação do Sporting – Patrício, Cedric, Fonte, William Carvalho, Adrien, Moutinho, João Mário, Quaresma, Nani e Ronaldo; jogaram 63% dos 7.920 minutos dos 7 jogos (3 com prolongamento), foram todos utilizados na final e marcaram 7 dos nossos 9 golos.
Na Taça Confederações (2017, 5 jogos, 3.º lugar sem derrotas) foram convocados 11 (saíu João Mário e entraram Beto e Gelson), que marcaram 6 dos 9 golos conseguidos.
E no Mundial (2018, 4 jogos, até aos oitavos de final, uma derrota), foram convocados 12 (saíu Nani, voltou João Mário e entrou Ricardo), tendo sido todos utilizados (excepto o guarda-redes Beto), em 64% dos 3.960 minutos jogados e marcado 5 dos 6 golos.
Mas a situação está rapidamente a mudar. Não só porque o Sporting inverteu o seu esforço na formação (de que a extinção da Equipa B, após deliberado apagamento na II Liga, terá sido a decisão mais gravosa), mas porque o Benfica já está a colher dividendos do excelente investimento que fez no Seixal, aliás complementado por vendas milionárias dos passes de muitos jovens, nalguns casos muito acima do seu valor aparente.
A título de exemplo, da ficha do jogo Sp Braga-Benfica do Campeonato Nacional de Juvenis de 2012/13 (Record de 20-05-2013) constam 3 futuros internacionais A, Renato Sanches (2016, campeão europeu), Gonçalo Guedes (2017) e Ruben Dias (2018), dois dos quais já renderam ao clube bem mais de 65 milhões; mas dessa equipa constavam também o defesa Iuri Ribeiro (titular do Rio Ave na época passada) e o guarda-redes André Ferreira (idem do Leixões), que integram o plantel desta época, e outros que certamente vão emergir.
E os reflexos nas equipas nacionais são evidentes: nos campeões europeus de Sub-17 (em 2016), 5 ou 6 eram da formação do Benfica; nos campeões europeus de Sub-19 (já em 2018) 6 eram do Benfica e apenas 3 do Sporting; e nos Sub-18 que disputaram as eliminatórias do Mundial de 2017 (sem conseguirem o apuramento), do elenco de 25 jogadores da penúltima convocatória, constavam 14 da formação do Benfica.
Voltaremos a este assunto.
Em tempo: Gedson Fernandes será este ano tão importante como foi Renato Sanches quando foi lançado no Benfica?"

Uma história de canalhas

"O murro de Jack Johnson em Stanley Ketchel foi tão potente que ficou com dentes do adversário cravados na luva

Walter Dipley foi um daqueles canalhas que devia ser condenado às catacumbas do olvido mas a verdade da literatura manda dizer que grandes canalhas dão sempre grandes personagens. Vejam, por exemplo, o Dudu. O Dudu é um dos canalhas inimitáveis de Nelson Rodrigues: «Talvez o único canalha vivo do Brasil. Todo o mundo tem defeitos e qualidades. O Dudu só tem defeitos!». Ou o Genival, do Chico Anysio, canalha infatigável: «Rouba o delicioso pirulito de uma criança, salga toda a comida de um banquete, sugere omeletes aos fregueses de um restaurante abarrotado de ovos estragados e coloca no ónibus do Méier um gringo desesperado que procura o Copacabana Palace». Ou o Thomas Spencer, de Julia Navarro: «Menti, enganei e manipulei à vontade, sem me importar com as consequências. Destruí sonhos e reputações, traí os que me foram leais, causei dor àqueles que me quiseram ajudar. Brinquei com as esperanças dos que pensaram que poderiam mudar quem eu sou».
Pois bem, Walter Dipley foi um canalha tão canalha ou ainda mais canalha do que eles.
Quando lhe ofereceram emprego no Dickerson Ranch, no Missouri, em outubro de 1910, fazia-se passar por Walter Kurtz. Afinal, o homem para quem ia trabalhar era Stanislaw Kiecal, ou melhor, Stanley Ketchel, o Assassino do Michigan. Valia a pena.
Kiecal fora, por sua vez, um adolescente canalha, filho de emigrantes polacos, sempre envolvido em cenas de pancadaria nas ruas de Grand Rapids, no Michigan, que fugira de casa e acabaria por se dedicar ao boxe. Foi então que mudou de nome.
Apesar de ser um peso médio, tinha a farronca de desafiar vários pesos pesados, alguns com mais 15 ou 16 quilos do que ele. Por isso, um ano antes da sua morte, foi com alegria que subiu ao ringue para defrontar Jack Johnson, o Gigante de Galveston, campeão do mundo de pesados e que media, tranquilamente, mais 20 centímetros do que o seu metro e setenta. E, também nesse momento, foi canalha. A canalhice é mesmo assim: faz comichões no sangue.
Jack Johnson e Stanley Ketchel tinham combinado que o combate seria de exibição. Onze rounds para agradar os mais de 10 mil espetadores presentes no Mission Street Arena de Colma, Califórnia, mas sem excessos. Há várias versões sobre o que aconteceu na realidade, com mais destaque para a versão de Johnson, mas este também não era flor que se cheirasse. Há um filme que mostra Ketchel a lançar-se furiosamente sobre Jack fazendo-o cair. A raiva tomou conta do gigante: com a direita desferiu um potente soco no adversário. Tão potente que, para além do KO, o Assassino do Michigan deixou vários dentes presos à luva de Johnson. Humilhante por demais, até mesmo para um canalha. 
Stanley Ketchel teve uma vida curta: só faria mais cinco combates. A derrota frente a Jack Johnson abalou-o muito. Foi um dos motivos porque decidiu pedir o Dickerson Ranch emprestado a um amigo e preparar-se aí para exigir a desforra. Encontrou no rancho a cozinheira Goldie Smith e o seu marido Walter Dipley. Gente pouco aconselhável. Mas que podia isso incomodar um tipo que passara a maior parte dos seus 24 anos a distribuir pancada?
Certo dia, Ketchel ouviu um ruído absurdo vindo dos estábulos. Dipley, o canalha, entretinha-se a chicotear sadicamente um cavalo. A discussão entre ambos foi dura. Stanley ameaçou Walter de que o correria a pontapé se o episódio se repetisse. Assinou a sua sentença de morte.
Na manhã seguinte, Dipley entrou na cozinha onde Ketchel tomava o pequeno-almoço de costas para a porta. Trazia na mão um rifle e gritou: «Hands up!».
No momento em que Stanley fez menção de se virar, uma bala atravessou-lhe o ombro e alojou-se-lhe no pulmão. Depois Walter Dipley desfez-lhe a cara a coronhadas e fugiu.
Goldie Smith afirmou, mais tarde, que Ketchel tinha tentado violá-la e que fora essa a razão da tranquibérnia. R. P. Dickerson, o dono do rancho, ofereceu 5 mil dólares a quem lhe trouxesse Dipley, vivo ou morto, de preferência morto.
Foi capturado pouco depois. Tanto ele como Goldie foram condenados a prisão perpétua.
No dia 14 de Outubro, pelas sete e meia da tarde, o ‘Assassino do Michigan’ soltava uma súplica sussurrada: «I’m so tired. Take me home to mother».
Quando anunciaram a sua morte a Wilson Mizner, o seu treinador, este limitou-se a aconselhar: «Comecem a contar até dez. Antes de terminarem, ele levanta-se!».
Nada a fazer: a bala do canalha fora bem mais poderosa do que a direita de Jack Johnson. Não deu sequer para começar a contar..."

Afonso de Melo, in Sol