Últimas indefectivações

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Prata Europeia!


Em Poznan na Polónia, o João Ribeiro, conquistou a medalha de Prata, nos Europeus de Canoagem, na prova de K1 500m. Estamos num ano atípico, com Jogos Olímpicos, os momentos de forma ideal, acabam por variar de atleta para atleta, mas independentemente de tudo isso, esta medalha de prata é um grande resultado para o João...

Darwin Núñez | Histórico faz soar alarmes na Luz


"Darwin Núñez chegou ao SL Benfica em setembro de 2020. O avançado de apenas 21 anos custou à equipa encarnada 24 milhões de euros, tornando-se assim na contratação mais cara da história do clube e do futebol português. O uruguaio assinou até 2025 e, apesar de ainda só ter cumprido um ano desse contrato, já faz soar os alarmes na Luz. O longo histórico de lesões do jovem avançado parece não ter fim à vista.
Tudo começou quando Darwin tinha apenas 16 anos e representava o CA Penãrol. Num jogo do campeonato do seu escalão, depois de um salto o uruguaio calculou mal a queda, dobrou o joelho e rompeu os ligamentos cruzados. O jogador teve de ser submetido a uma cirurgia e ficou um ano e meio sem jogar. Recuperado da lesão, voltou a trabalhar com a equipa principal, mas quando ia ser lançado na I Divisão, percebeu que não estava totalmente apto – ainda sentia dores.
Em novembro de 2017, foi lançado no jogo frente ao CA River Plate, mas a sua prestação ficou muito aquém do esperado. Deixou o relvado em lágrimas, devido às dores, e foi novamente operado, desta vez à rótula. Em 2018 o ciclo das lesões parecia ter chegado ao fim, tendo, inclusive, sido convocado para a seleção uruguaia de sub-20, pois a Copa Sul- Americana estava à vista. No entanto, as exibições continuavam sem brilho e surgiu outro problema: o psicológico. Darwin não conseguia lidar com as críticas nas redes sociais e começou a receber acompanhamento do psicólogo da seleção.
Em 2019/20, quando representava o UD Almería voltou a ter problemas físicos e teve de parar durante quase uma semana (perdeu dois jogos). No meio deste panorama nada positivo, chegou a boa-nova. A contratação do SL Benfica era a oportunidade perfeita para mostrar o seu valor e, sem dúvida que, foi uma grande motivação que contribuiu para o psicológico.
Tinha um voto de confiança da equipa encarnada, e é certo que a época ao serviço das águias não podia ter começado melhor. Nos primeiros cinco jogos marcou um golo e fez cinco assistências. Para além disso, foi a peça-chave no jogo frente ao Rangers FC: aos 77 minutos assistiu Rafa e, aos 91′, marcou o golo do empate, permitindo, assim, que a equipa continuasse na UEFA Europa League.
Quando parecia que a tempestade das lesões tinha chegado ao fim, o avançado foi forçado a outra paragem, desta vez devido ao surto de Covid-19 que afetou a equipa. A partir desse momento começaram a soar os alertas na Luz. O rendimento do jogador uruguaio já não era o mesmo: os golos, as assistências, a velocidade e a magia estavam cada vez mais escassos. Nos 12 jogos posteriores à infeção, marcou três golos e fez apenas duas assistências.
Se este cenário já era mau, acabou por piorar ainda mais. As lesões voltaram a atormentar o psicológico de Darwin. As paragens para recuperar e a gestão de esforço levaram a que o avançado somasse cada vez menos minutos ao serviço das águias.
A hipótese de ser operado começou a ganhar cada vez mais força e, depois de ser adiada até ao final da temporada, acabou mesmo por acontecer a 24 de maio deste ano. O SL Benfica emitiu um comunicado, onde informou que o atleta tinha sido submetido a uma artroscopia ao joelho direito e que a intervenção cirúrgica tinha decorrido sem intercorrências.
Atualmente, o uruguaio está em processo de recuperação, mas sem tempo de paragem previsto. Esta situação é algo que inquieta e preocupa os benfiquistas. Com apenas 21 anos, tem um historial de lesões maior do que muitos outros.
Para além disso, os adeptos esperavam mais de um jogador que custou tanto ao clube. A fasquia estava elevada, mas o desempenho ficou aquém do esperado, uma vez que, em 44 jogos, marcou apenas 14 golos e fez 11 assistências. A qualidade está lá, resta agora saber se esta recorrente onda de lesões tem um fim à vista."

Manifesto pela união dos benfiquistas


"A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima.

Uma parte fundamental da nossa história como adeptos é dor. Em qualquer equipa, em qualquer desporto. Claro que todos recordamos melhor as vitórias, os golos, os títulos, a festa – mas a seriedade, a tristeza com que vivemos as derrotas, as finais perdidas, a lesão do grande jogador, a goleada humilhante, dizem, pelo menos, tanto ou mais de como verdadeiramente somos do clube que somos.
Os gauleses de Astérix fingiam que não sabiam de nenhuma Alésia – e eu, às vezes, também juro a pés juntos que nunca ouvi falar de Vigo – mas é impossível negar uma época inteira de fracassos. Simplesmente fingir que ela não existiu, ou que é aceitável acabar em terceiro, ser eliminado sem apelo nem agravo da Champions, eliminado sem apelo nem agravo da Liga Europa, eliminado sem apelo nem agravo da Taça da Liga, derrotado sem espinhas na Supertaça e na final da Taça, derrotado sem espinhas pelo Gil Vicente, goleado pelo Boavista, sofrer para ganhar ao Paredes – e tudo depois de fazer o maior investimento de sempre. Isto não é aceitável para um adepto; muito menos para um treinador. Muito menos para um Presidente. Não é aceitável – e não é esquecível.
Se o Benfica pretende ganhar alguma coisa em 2021/2022, convém que comece a reconhecer o mais depressa possível o desastre que foi 2020/2021. Porque, ou aceita o que esteve mal e procura corrigi-lo, ou vai acontecer tudo outra vez. Pior: não terá dois jogos de tolerância, duas conferências de imprensa estapafúrdias de paciência.
O primeiro a assumir as suas responsabilidades tem de ser quem mais responsabilidades tem: o Presidente. Um Presidente do Benfica tem de estar no Benfica – e só no Benfica. O Benfica não é um part-time, nem um passatempo, nem uma medalha que se põe ao peito, nem muito menos um escudo e ainda menos um fardo. Luís Filipe Vieira foi eleito há menos de um ano. Como é público, fui um dos muitos milhares que contribuíram para a vitória. Mas apoiar não significa falta de autocrítica ou exigência; pelo contrário.
Em segundo lugar, o número dois Rui Costa é uma figura maior do universo benfiquista, um ídolo, uma referência. O seu primeiro ano como vice-presidente soube a muito pouco. Rui quer mesmo ser vice-presidente ou continua apenas diretor desportivo? Quer suceder a Vieira ou apenas seguir Vieira? Pelo seu passado, pelo seu carisma, pelo seu exemplo, Rui Costa habituou-nos a esperar e a exigir muito mais dele e se pretende unir os benfiquistas, como talvez só uma figura como ele possa fazer nos próximos anos, tem de liderar.
Em terceiro lugar, Jorge Jesus – e o terceiro lugar foi mesmo tudo o que Jesus conseguiu. Um 11 do Benfica tem que ter sempre três tipos de jogador: o jogador português consagrado, que gostamos de ver enquanto orgulho e símbolo do país; o jogador formado na casa, que carrega o ADN e a mística do clube, a reputação da formação do Seixal e que serve de modelo às gerações posteriores; e o jogador maduro, que acrescenta classe, experiência e nos faz sonhar.
Num ano, Jorge Jesus destruiu tudo. Interrompeu anos de aposta bem-sucedida no Seixal, devolveu-nos aos piores tempos de um onze sem portugueses, sem identidade, sem referências, desprestigiou a braçadeira de capitão e andou de desculpa em desculpa e desastre em desastre, como se não tivesse qualquer responsabilidade. Mas Jesus só não tem todas as responsabilidades pelo que se passou nesta época porque tem de dividir pelo menos algumas com a direção que o deixou sempre à vontade para ser a pior versão dele mesmo. Pela primeira vez em 10 anos, não fomos à Champions e estamos longe de a ter garantido para o ano, mas não vimos Jesus assumir uma só pequena parte de responsabilidade por isto. A sua arrogância é insuportável, as suas desculpas ridículas. Nunca será a pessoa certa. O Benfica precisa, agora mais do que nunca, de um treinador de futuro, de um líder que queira ganhar e não de um que se compraz em já ter ganho.
Só as vitórias unem. O Benfica está dividido e qualquer temporada que não passe por conquistas só o vai fraturar ainda mais. Os descontentes têm de ser pacientes e não abrir ainda mais feridas que só prejudicarão mais o clube, mas a maior responsabilidade cabe a quem está do lado de dentro. Presidente, vice-presidente, treinador – quem quer que ele seja – têm de fazer mais, muito mais, pelo Benfica. A Covid não explica todos os problemas do Benfica 2020/21.
A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima! Estamos a entrar num círculo vicioso: a falhar o acesso à Champions, a perder as suas receitas e a oportunidade de ali mostrar os jogadores. E menos receita significa menos capacidade de investimento, menos capacidade de construir uma equipa capaz de sucessos desportivos.
Por outro lado, urge democratizar a vida interna do clube. O contínuo adiamento da revisão dos estatutos só vai conseguir uma coisa: cada vez mais crispação, cada vez mais fraturas, cada vez mais um ambiente de guerra que não aproveita a ninguém, muito menos a quem mais importa: o Benfica.
Enquanto adepto, e um que tem voz pública e apoiou e apoia assumidamente esta direção, não perdi o meu grau de exigência por isso. O mínimo que a direção tem de fazer é assumir o que de errado aconteceu nesta época e apresentar um plano claro do que será diferente para a próxima.
O Sport Lisboa e Benfica é a maior instituição portuguesa. Adeptos ou dirigentes, ou estamos cá para a unir ou dividimo-la. Ou estamos cá para a servir ou não servimos.
* Sócio nº. 25768"

Estranha-se mas entranha-se


"Isto não é bem um Europeu, festa num país só, seleções em quarteis generais previamente adaptados, repórteres em correria em redor dos relvados de treino, adeptos aos magotes que pintam de cachecóis nacionais os aviões fretados, toda essa gente apinhada depois, copos de cerveja numa fan zone sem máscaras, dá saudade sim, discutia-se o país anfitrião, se era o certo, a tecnologia acrescentada em estádios, as regras de segurança mas só as da polícia, não contavam as das autoridades de saúde, que agora são as que mais contam neste torneio estranho de um tempo estranho, em 2021 mas ainda Euro 2020, como roupas que mantêm a etiqueta da Primavera/Verão anterior, tanta coisa adiada na vida de todos, já nos vamos habituando, mas agora também jogos de longitude incerta numa fase final, ao mesmo tempo em Sevilha e Baku, outros em Copenhaga, São Petersburgo, a Itália joga com a Turquia em Roma e não se pode dizer que a recebe, como Portugal vai ao Puskas de Budapeste defrontar a Hungria mas não joga fora, é outro Europeu, o mais estranho de que temos memória, mesmo se já pouco se estranha. E sabemos que depois se entranha, mal a bola role.
São muitas seleções, 24, lembro-me de quando eram só 8, em 1984 ou 88, só lá chegavam mesmo as melhores, uma elite, vale sempre a pena lembrar isso para reforçar o feito que era a qualificação, e o porquê de tantos craques que nunca lá foram, conseguiram-no por uma vez os nossos Chalana e Jordão, nunca o Futre, como é possível? o Futre nunca foi a um Europeu, ele e outros génios dessas dezenas de anos, Litmanen aguentou-se a jogar até aos 40 mas só agora vai ver a Finlândia num momento assim, a partir do sofá, provavelmente vacinado que já tem idade para isso, mas merecia lá estar, mesmo reformado, talvez pudesse haver sempre um jogador histórico, mais velho, um número suplementar nos plantéis, a quem fosse autorizado reviver o melhor da vida, mesmo a baixa rotação, nunca lá chegou Litmanen como nunca chegou Giggs, quantos houve ao nível de Giggs nas últimas décadas? e que jeito daria a Gales tê-lo no campo, ao menos Bale já vai para o segundo Europeu, e bem merece, os craques maiores devem estar sempre, há cinco anos chegou à porta do jogo decisivo, lembrámo-nos todos, Ronaldo e Nani travaram-no, a história era outra e outro seria o vencedor em estreia, também ninguém esquece, ficou-nos entranhado o pontapé do Eder.
Como sempre faço desde a infância, olho as escolhas, jogador a jogador, espécie de scouting caseiro que a internet elevou de nível, celebro o regresso de Benzema, o melhor jogador francês da geração que perdeu duas finais nos seis anos de ausência, como assumo o desconsolo pela lesão do miúdo húngaro Szoboslai, talento maior da geração de 2000 na Europa, mesmo que isso facilite a vida a Portugal no jogo de arranque, vou querer ver Soyuncu, o central que poderia ter saído da Guerra dos Tronos para liderar o regresso da Turquia, e perceber se Shaqiri ainda se transcende em torneios assim, Shaqiri e Xhaka, segue ao mesmo ritmo dos últimos anos a Suiça, e volta a República Checa guiada por Soucek após um ano de estouro em Inglaterra, não se nota é o talento hereditário dos Berger, Poborsky e Nedved, e a Escócia, caramba, finalmente a Escócia outra vez, aqui já com os “netos” de Souness, Strachan e Archibald, algo me diz que vou torcer por eles inconscientemente, carregado de cromos de camisola escura de 82 e 86, também Leighton, Gough, McStay, Graeme Sharp, só não torcerei mais porque não vai Gauld, bastavam uns highlits a Steve Clarke, para perceber quanto vale Gauld, ouro do pouco que ainda dá para garimpar em equipas menores do campeonato português. Nesta hora repetem-se as perguntas que nos motivam para horas seguidas em frente a televisores com fundo verde: como será a Áustria, guiada por Alaba em trânsito para Madrid? Pukki, o finlandês goleador, fará do Euro um Championship? Irão a Rússia e a Ucrânia revelar já os talentos que nascem entre postes, Trubin e Safonov, agora que Pyatov se despede e Akinfeev já nem está? E que esperar da Macedónia do Norte, nome acrescentado e equipamento mudado, que há sempre mais uma história política dentro do jogo?
A Macedónia traz Elmas e Bardhi, mas sei que o meu olhar vai sempre procurar Pandev, a marcar golos no calcio desde 2004, campeão da Europa pelo caminho com o Inter mas empurrado para uma seleção menor na desagregação da Jugoslávia, combateu o tempo e ganhou, vinga-se agora, que não há melhor palco que o de uma fase final para quem projeta um adeus glorioso. Eidur Gudjohnsen fê-lo, em 2016, na saga empática da Islândia e quando já tratava da papelada para a aposentação, destes torneios guardarei sempre os que deixaram marca nos últimos dias no escritório: Morten Olsen, Peter Shilton e Pat Jennings, El Hadary no último mundial, acima de todos Roger Milla, como se eterna juventude existisse mesmo. E talvez exista, o que não existe é justiça definitiva. Ibrahimovic ainda joga como poucos, aos 40 anos. Decidiu voltar à nacional sueca para fazer deste o Europeu do adeus. A lesão que lhe roubou o momento prova como o futebol é metáfora da vida, como ela injusto tantas vezes. A menos que haja Suécia no Mundial para o ano. E começa tudo outra vez.

PS: A selecção de sub-21 portuguesa está na final do Europeu, com uma geração incrível de talento multiplicado e sob a liderança competente e tranquila de Rui Jorge. Fez o jogo menos inspirado e ousado, foi feliz frente à Espanha, não há como negar, mas ganhou, em boa parte porque beneficiou das substituições bizarras do técnico espanhol. Escrevi aqui há umas semanas sobre o que chamei a síndrome do criativo cansado, ou a facilidade absurda com que os treinadores retiram dos jogos os futebolistas mais talentosos, como se os burocratas não se cansassem. Luis De La Fuente retirou os melhores, e os que estavam mesmo a jogar melhor, a desequilibrar a cada jogada, Bryan Gil e Brahim Díaz, com a intenção, disse depois, de “refrescar os corredores”, e no fim queixou-se de… não haver VAR. Muito do disparate do futebol está condensado nestas ações e explicações."

Risco e acaso


"O desporto comporta o factor risco. Tal como comporta o factor acaso. Sendo uma actividade humana, estes dois factores estão e estarão sempre presentes no mesmo. O necessário é que nos compenetremos disso porque só compreenderemos o desporto se reconhecermos a existência do risco e do acaso no mesmo – e sabermos onde e quando nele interferem.
O desporto foi atingido por mais uma morte: factor risco – neste caso, risco máximo. Jason Dupasquier, piloto luso-suíço de apenas 19 anos, foi a vítima em MotoGP – a 26ª vítima nesta modalidade (considerando-se MotoGP uma modalidade desportiva). Morte por acidente, tal como tem acontecido em inúmeras outras modalidades (e separamos já aqui estas mortes dos casos de morte súbita).
Se há modalidades em que o factor risco tem um maior peso – o boxe, onde entre 1945 e 1995 morreram cerca de 500 pugilistas, e as Mixed Martial Arts, em que de 1993 até 2016 morreram 14 competidores, ou a Fórmula Um (em 40 anos, de 1954 a 1994, ano da morte de Ayrton Senna, morreram pelo menos 41 pilotos) – outras há onde nem se equaciona tal… mas no entanto acontecem nas mesmas mortes por acidente: ciclismo, esgrima, desportos na neve, hipismo, futebol, alpinismo, basquetebol e surf entre outras.
Mas não se pense que quando falamos de risco estamos somente a focar esse bem supremo que é a vida, ou que só abordamos a questão em termos de se colocar em perigo a saúde. Risco é fazer uma opção sem se ter a certeza do resultado e depois ter de se viver com ela. Falamos de risco quando conseguimos traduzir uma incerteza que se pode expressar por um número recorrendo a dados empíricos. E sendo o desporto um palco de incertezas, inúmeras vezes estas são controladas pelo acaso.
Na Taça das Confederações de 2017, competição intercontinental realizada na Rússia, no jogo das meias-finais entre Portugal e o Chile chega-se ao final deste sem golos. Parte-se para o prolongamento e aos 119 minutos Arturo Vidal remata a bola ao poste e na recarga Martín Rodríguez acerta na trave. “Sorte” para Rui Patrício, “azar” para os chilenos… mas se fosse na baliza contrária seria “azar“ para a selecção portuguesa... Conveniente não esquecermos que os ferros também fazem parte do jogo.
Nas grandes penalidades (0-3 a favor do Chile) “azar” para Quaresma, Moutinho e Nani na marcação das mesmas e “sorte” para o guarda-redes chileno Claudio Bravo… No final do jogo Cédric declara que nos penalties existe sempre “alguma sorte”. Errado!!! O que existe é falta – ou não – de técnica do marcador (ou de concentração… ou de outra coisa qualquer) e mérito – ou não, ou outra coisa qualquer – do guarda-redes. O que existe é acaso! Bernardo Silva, sintonizado pelo mesmo diapasão, afirma também erradamente que “os penalties estão relacionados com a sorte”. A “sorte” ou o “azar”, termos banalizados e introduzidos de modo frequente no nosso vocabulário, são termos inventados pelo homem para justificar os sucessos ou os fracassos em que o acaso é determinante. O que prova a necessidade humana de constante atribuição causal…
No futebol americano cerca de 1,5 milhões de jovens praticam esta modalidade e todos os anos ocorrem, em média, 30 acidentes que resultam em morte, invalidez parcial ou total e danos cerebrais irreversíveis. Segundo uma estimativa de 1993, a duração média da carreira destes jogadores está estimada em 3,2 anos (1). Quanto de risco e quanto de acaso nestas situações?
O desportista, o competidor, é então apresentado à sociedade como um mártir e não como herói. Foi inculcado nele o fazer sacrifícios pelo “jogo”, o esforçar-se ao máximo para alcançar pódios tal como atingir prémios e distinções, o aceitar riscos e jogar ou competir através da dor e o aceitar não haver limites na perseguição dos objectivos mesmo que utópicos, porque, para além da vitória ou do ganho pecuniário, é lapidado na crença de que ser um “verdadeiro atleta” significa assumir riscos, fazer sacrifícios e jogar o preço de ser tudo o que se poderá ser.
A mercantilização do desporto transformou a sua matriz inicial e tornou-o numa actividade em que os fins parecem justificar os meios. Como nos dizem Miguel Nery e Carlos Neto (2), “o aumento de competitividade, associado à determinação económica dos objectivos, contribuiu para tornar a acção desportiva incompatível com a ética e fair play nos níveis mais elevados de competição”, o que fez aumentar ainda mais o risco e o acaso no desporto."

Os Jogos da paciência


"A contagem decrescente para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 continua - ao meio-dia desta sexta-feira faltarão 49 dias para o início da Cerimónia de Abertura, agendada para as 20 horas do dia 23 de julho segundo o “Japan Standard Time”. Tem muito que se lhe diga, este JST. Não propriamente o “Time”, mas o “Standard”…
Apesar das questões que se multiplicam e das respostas que chegam, lentas e difusas, todos se preparam para uns Jogos Olímpicos únicos, também na receção que os autóctones farão aos forasteiros e na ausência de liberdade que estes terão.
A caminho de Tóquio vão a esta hora muitos contentores preparados meticulosamente por cada Comité Olímpico Nacional, carregados de muito material, desportivo, médico, logístico. Outros já chegaram. Vão de todas as partes do Mundo. Nada deve faltar para que tudo corra bem e responda às necessidades dos participantes. Mas dentro desses caixotes metálicos gigantes que atravessam oceanos vai também um ponto de interrogação enorme: como será? Nunca é demais lembrar que os Jogos Olímpicos são grandiosos, únicos, apetecíveis, gloriosos, mas estes serão muito diferentes. Quanto?
Não haverá quarentena, mas nos primeiros 14 dias o “standard” obriga a rotinas muito especiais para as quais é necessária paciência, tolerância, saber estar; haverá muitos testes, todos os dias; janelas abertas a cada 30 minutos; refeições que só podem ser tomadas no sítio Y, nunca no X; viagens assim e assado; sem devaneios libertinários acelerados pela curiosidade de quem vai ao Oriente, mas o Oriente ficará a (des)conhecer à medida das regras impostas por ela, a Covid… ou o Covid, tanto faz.
Abrigada neste ponto de interrogação, uma classe especial já é vencedora neste “time”, segundo este “standard”: os atletas. São tantas horas de trabalho, de esforço, de dificuldades, que lhes saiu ao caminho uma variável com que não contavam para tornar o desafio ainda mais exigente. Muitas vezes até parece impossível como são capazes. Mas eles são-no. Sempre e à medida de cada um.
Há umas semanas, a Joana foi à Sibéria e arrancou a qualificação na Canoagem. Como ela ficou feliz! O José Paulo nadou tanto e com tanto afinco, em Budapeste, que tirou mais de dez segundos ao recorde nacional dos 800m livres e qualificou-se para Tóquio. Foi bonita, a festa. Antes deles tinham sido o Jorge, o José, o Marco, o Tiago, o João, a Fu, a Maria, o Frederico, a Patrícia, a Evelise, o Pedro, a Ana, o João, tantos. Eles já são muitos e serão ainda mais, e estarão prontos para uma competição dura, limpa, frente ao William, à Tamara, ao Shawn, à Mary, Lucy… e muitos outros, de todo o Mundo, que se prepararam em condições tão únicas, tão difíceis.
Os relatos que chegam de Tóquio são valiosíssimos e devem fazer parte do treino de cada um: as esperas de muitas horas nos aeroportos, para controlos, testes; as deslocações para treinos controlados, vigiados; a permanência nos hotéis, mais uma vez controlada e outra vez vigiada.
É, estes serão uns Jogos Olímpicos únicos, especiais. Diria que vão ser os Jogos da Paciência, e quem melhor estiver treinado, desta vez para competir segundo um novo “Standard”, mais uma vez ganhará vantagem. Faltam 49 dias. Há tempo."

Fim de semana de decisões


"A época corre a enorme vapor para o seu epílogo, mas há ainda competições por decidir, nas quais podemos conquistar títulos.
Ontem teve início a final do Campeonato Nacional de futsal. Ante o Sporting, em Alvalade, perdemos por 3-1 numa partida decidida nos detalhes, valendo ao nosso adversário a maior eficácia no aproveitamento das situações de golo criadas. Domingo, às 14h00 na Luz, terá lugar a segunda partida. Hoje os comandados de Joel Rocha já preparam a próxima contenda com o intuito de vencer e, assim, empatar a final.
No andebol, a época fechará com a realização da final four da Taça de Portugal em Pinhel. No sábado, às 15h00, defrontaremos o Sporting. Cada jogo tem a sua história, mas que sirva de inspiração à nossa equipa o triunfo obtido no dérbi do passado dia 29, por 34-32, na penúltima jornada do Campeonato. Se chegarmos à final da prova (domingo, 17h00), a qual vencemos duas das últimas quatro edições, mediremos forças com o vencedor do FC Porto – Águas Santas.
Ainda no andebol, mas na vertente feminina, a nossa equipa tem duas jornadas pela frente para tentar chegar ao título nacional, nesta que é apenas a segunda época no regresso ao escalão maior. As probabilidades não jogam a nosso favor, porém esta tem sido uma temporada de superação, com um desempenho acima das expetativas. No domingo, às 18h00, visitaremos o Colégio de Gaia, atual quinto classificado.
Por fim, nota para o fecho da temporada para a nossa equipa masculina de hóquei em patins, após a eliminação, na negra realizada no rinque do FC Porto, nas meias-finais do Campeonato. O treinador Alejandro Domínguez lamentou os dois golos sofridos no final da primeira parte do jogo, numa partida caracterizada pelo equilíbrio entre as equipas. "No segundo tempo, tentámos reagir de todas as maneiras e ir atrás do resultado, mas não o conseguimos fazer", reconheceu Alejandro Domínguez. Para a história fica a eliminação do Benfica, mas não deverá ser esquecida a péssima arbitragem no jogo 4 (e as do primeiro e segundo) que acabou por se revelar determinante para o desfecho da prova. Exigem-se boas arbitragens no "melhor Campeonato do mundo"."

Nuno Tavares | Um pedido expresso de Mourinho


"Há futuro otimista para o jovem encarnado, apesar da época menos conseguida em termos individuais, proporcional ao abjeto rendimento coletivo. Nuno Tavares não melhorou os números em comparação com o ano transato e um rol de más exibições atirou-o para as catacumbas da opinião pública – situação que se deteriorou com o esfaqueamento reputacional resultante da partilha de vídeos inapropriados nas redes sociais – , azares que representam contexto adverso para o bem-estar do internacional sub-21 português.
No meio deste caos, surge a figura de José Mourinho, segundo se noticia por Itália, interessando-se pelo seu talento, tendo-o em conta para o novo projeto romano no qual Tiago Pinto tem responsabilidades: e é por estas duas figuras que passará a definição duma nova etapa na carreira do Nuno Tavares.
No entanto, até agora, certezas apenas uma: o desgaste que apresenta no SL Benfica torna-se, em certos momentos, obstáculo intransponível para o desenvolvimento do seu futebol, sendo uma mudança de ares fundamental para a sua evolução. Apesar da confiança de Jorge Jesus, as oportunidades escasseiam na sombra de Grimaldo, impedindo sequência consistente de minutos jogados.
Na Série A, o contexto tático transalpino seria lugar ideal para almejar a afirmação plena enquanto futebolista, ambiente propício para a correção das principais lacunas do seu jogo – a parte mental e as capacidades defensivas – e dar o passo em frente na caminhada prevista pelo atual técnico das águias, quando afirmou que Nuno seria o “futuro lateral da Seleção Nacional”.
Depois de uma época de estreia onde completou 24 jogos sob orientação de Bruno Lage e Nélson Veríssimo (acumulando dois golos e seis assistências), Nuno partiu para 2020-21 com estatuto reforçado, principalmente depois de ser um dos únicos elementos nascidos e criados no Seixal a merecer a confiança de Jorge Jesus.
Além de Nuno Tavares, apenas Ferro e Gonçalo Ramos resistiram à transição entre gerências no banco. O lateral acumulou quase a mesma dose de minutos (1302′ contra os 1376′ de 19/20), dispersos por 25 jogos – 14 dos quais a titular, o que lhe permitiu assistir para golo três vezes.
Se a lógica fazia prever uma melhoria significativa das estatísticas, que não aconteceu, muito mais preconizava o desenvolvimento das capacidades técnico-táticas do atleta: as potencialidades físicas do seu jogo foram úteis em determinados momentos da época (o jogo no Dragão, por exemplo), mas em causa estiveram quase sempre as suas debilidades ao nível da concentração nos momentos defensivos, com erros caricatos a marcarem muitas das suas exibições, nunca sendo possível discernir uma melhoria significativa nessa vertente ou mesmo em questões técnicas, nos capítulos do controlo de bola ou do passe, aspetos onde há muito a melhorar.
O potencial, porém, continua intacto. Há muito por explorar no talento de Nuno Tavares e Tiago Pinto, melhor do que a grande maioria, sabe-lo. No comando da AS Roma desde janeiro, como diretor desportivo, olha agora para a antiga equipa como fornecedora de talentos para o projeto que promete revitalizar o clube de Rómulo e Remo.
A escolha de José Mourinho não é alheia a essa vontade de revolucionar toda a equipa de futebol profissional, e a dupla portuguesa olha para o lateral esquerdo encarnado como opção muito viável enquanto concorrência para Spinazzola, o italiano titular do flanco esquerdo giallorossi.
Numa época marcada por lesões em catadupa, a posição foi um dos principais problemas do conjunto treinado por Paulo Fonseca, que teve que imaginar todo um leque de substitutos: desde as adaptações de Karsdorp ou Bruno Peres, passando pelo recurso a talento de origem caseira, de nome Calafiori, canhoto de 19 anos, que ascendeu à equipa principal em alturas de maior necessidade.
O contexto não foi o mais indicado e o peso da responsabilidade mostrou-o ainda frágil para aquele patamar competitivo, sendo essa a opinião generalizada dos superiores romanos segundo o La Gazetta dello Sport, decididos a ceder o jovem por empréstimo para facilitar a adaptação à competitividade sénior. O jornal aponta outros nomes além de Nuno Tavares, como Biraghi (ACF Fiorentina) ou Dimarco (Hellas Verona FC), enquanto hipóteses para o próximo plantel.
Porém, há concorrência a sul da ‘bota’ peninsular, onde o interesse é replicado: em Nápoles, o valor de mercado de Nuno é aliciante (7 milhões) para De Laurentiis, presidente do clube, que procura desesperadamente um reforço à esquerda para suprimir a ausência de Ghoulam, por lesão – Mário Rui é, neste momento, a única alternativa disponível.
A outra opção de mercado, muito mais complicada, é Alfonso Pedraza, uma das figuras do campeão da Liga Europa, o Villarreal CF. O “Submarino Amarelo” pedirá, segundo o mesmo periódico, um valor a rondar os 12 milhões de euros – também acessível aos cofres napolitanos, mas que exige confronto muito mais demorado à mesa de negociações.
Acontece que, perdendo Pedraza, os espanhóis comandados por Unai Emery olham para Tavares como forte hipótese para reforço da lateral, informações desvendadas por Nicólo Schira, reputado jornalista italiano que colabora com o jornal supracitado.
Efeito dominó que se espera como último recurso do destino em relação à carreira do lateral português. A dupla portuguesa que prepara a AS Roma 2021-22 seria fator determinante na vontade e desenvolvimento de Nuno Tavares.
Além disso, a aquisição do jogador encarnado representaria operação de baixo vulto para Dan Friedkin, CEO do clube, e encarada como de fácil e rápida resolução. Resta esperar pelas ideias dos encarnados e de Jorge Jesus no planeamento da sua época.
Grimaldo é sempre peça aliciante para o mercado internacional e poderia representar encaixe significativo, tão necessário para as contas defraudadas do clube. Nesse caso, Nuno seria obrigado a manter-se por Lisboa, ascendendo na hierarquia e tendo oportunidade de se consolidar finalmente no onze das águias."

Lanças...

Derrota no 1.º jogo...

Sporting 3 - 1 Benfica

Esta época nos diversos confrontos directos com o Sporting, só fomos inferiores na Taça da Liga (muitas ausências...), em todos os jogos repartimos o jogo e até fomos superiores em alguns, mas em todos, fomos bastante ineficazes... E nem dou para o peditório do Guita, porque os guarda-redes adversários do Benfica, são quase sempre os melhores em campo, portanto contra os Lagartos, acontece o mesmo...!!!
A marcação do Chishkala ao Zicky acabou por 'resultar', mas 'perdemos' uma das nossas melhores armas ofensivas... Mas construir um plantel sem um Fixo forte, dá nisto... ainda por cima com o Cecílio de fora...!!!