Últimas indefectivações

sábado, 2 de junho de 2018

Bicampeãs

Pelo segundo ano consecutivo o Benfica sagrou-se Campeão Nacional de Futsal feminino, vencendo a Quinta dos Lombos, em Carcavelos por 1-4. Mesmo com algumas ausências importantes nesta ponta final do campeonato, o título não fugiu...
Parabéns a toda a secção, jogadoras, treinadores, staff e dirigentes...

Vitória em Braga

Braga 2 - 3 Benfica

Acabaram por ser os nossos ex-Braga a decidir o jogo a favor do Benfica, numa partida que seria sempre mais complicada do que os anteriores jogos do campeonato este ano contra o Braga, mas até foi mais 'tranquila' do que eu estava à espera!!! Estivemos quase sempre com 2 golos de vantagem, praticamente desde do início da partida... aquele 2-3 perto do final foi escusado!!!
Falta uma vitória para garantir a Final... e a 'champions' para o ano!!!

Juniores - 14.ª jornada - Fase Final

Benfica 0 - 0 Leiria


Final de temporada, com muitas alterações, num jogo morno... mas com alguns 'aperitivos' para a próxima época!



PS: Os Iniciados C, sagraram-se hoje Campeões Distritais...!

Difícil aceitar tão clamorosa distracção

"O mais surpreendente é tudo isto ser uma surpresa para muita gente. É difícil aceitar tão clamorosa distracção. Se, por absurdo, considerarmos a gerência do actual presidente como uma sucessão de cinco temporadas de um "reality show", são claros, desde os episódios iniciais da 1.ª temporada, os múltiplos indícios que haveriam de conduzir ao desfecho patente nestes derradeiros episódios da 5.ª temporada. Como diriam os americanos desta nobre indústria, utilizando o jargão do sector, este só pode ter sido o melhor "season final" de sempre na história do entretenimento em directo e "ao vivo". De tão bem iludido que estava, o público não se deu conta de nada. Só por isso se explica como ficou positivamente atónito com o evoluir dos acontecimentos. Agora, que está desfeito o mistério, a coisa irá lentamente deixando de ter interesse e dúvidas há se haverá sexta temporada. Mas nesta vida não se pode ter certezas.
Uma vez mais, durou pouco o mal-estar do Benfica nas manchetes dos jornais. A rescisão de contrato do capitão da equipa rival apoderou-se hegemonicamente dos dias. De facto, o caso não é de somenos. Embora para os benfiquistas fosse óbvio que todo aquele noticiário impiedosamente comprometedor sobre o tal jogo no Funchal não passava de uma manobra do inimigo para tentar abafar o que de verdadeiramente importante vinha a caminho. É esta a maneira de ser dos adeptos de futebol de todas as cores, acreditam em tudo que lhes conceda vantagem – qualquer espécie de vantagem – e não acreditam em nada que lhes seja desagradável ouvir. Chega de filosofias.
- O Benfica tem dois traumas, o Vale e Azevedo e o Jorge Jesus – disse o presidente rival (em exercício) na televisão há três temporadas atrás. Depois tentou desenvolver a sua ideia mas explanou-a com pouco detalhe.
Ora, uma coisa destas não vos deu logo que pensar? Não, aparentemente não.
Reveladas na carta de rescisão do capitão da equipa, as admoestações do presidente aos jogadores por desrespeitarem a claque chocaram a grande maioria do público porque, na realidade, não passa pela cabeça de ninguém que situações destas possam ocorrer mesmo num "reality show". Quando o presidente pergunta a um jogador "porque fizeste aquilo ao chefe da claque? Logo a ele, tenho um problema tremendo, estiveram a ligar-me a noite toda, todos os gajos da claque, a dizer que te queriam apanhar, que queriam a tua morada..." está-se logo a ver que quem tem um "problema tremendo" não é o presidente, é o clube. Mas ninguém viu problema algum quando, numa das primeiras temporadas, o presidente encabeçou uma marcha conduzindo os prosélitos em direção a um estabelecimento de comida rápida numa bomba de gasolina. Os motivos não foram apurados. Nem nunca mais se falou no assunto. Foi pena. Ter-se-ia poupado, talvez, o desesperado apelo "às autoridades públicas" com que ontem presidente da mesa da assembleia geral confessou, também ele, a sua estupefacção."

Ainda há tempo?

"O Sporting aproxima-se do seu ponto de não retorno. A Caixa de Pandora aberta por Rui Patrício (seguido por Daniel Podence) quando avançou para a rescisão por justa causa ameaça provocar o mais violento terramoto da história do clube de Alvalade e coloca (é bom que disso se tenha noção) em causa o futuro do próprio Sporting como o conhecemos. Os prejuízos causados à SAD seriam, mesmo que só estes dois jogadores avançassem para as rescisões unilaterais (afinal não eram invenção do imprensa para tramar BdC...), catastróficos. Mas o mais certo é que não fiquem por aqui. Porque se jogadores como Patrício e Podence, com ligação de anos ao Sporting, chegaram a este ponto, é fácil adivinhar que outros não demorem a ir pelo mesmo caminho. Estaremos, pois, a falar de centenas de milhões de euros de prejuízo, que deixarão o Sporting numa posição aflitiva e de contornos imprevisíveis.
Com Alvalade a arder, Bruno de Carvalho segue, impávido, como se nada se passasse diz não estar agarrado ao poder mas recusa-se a ver a sua presidência validada pelos sócios; põe e dispõe, como se do clube fosse dono, inventando mecanismos para perpetuar o poder; culpa tudo e todos pelo desastre, com explicações que não demoram a ser desmentidas. O mais incrível de tudo, ainda assim, é que continue a haver quem nele veja a solução, não sendo capaz de (ou não querendo) perceber que é ele a origem de todos os problemas.
BdC pediu ontem a Patrício que pensasse bem no que estava a fazer. O contrário também é válido. Aqueles que o mantêm na presidência têm, e depressa, de decidir se manter essa posição é o melhor para «os superiores interesses do Sporting», que e frase muito em voga. Se entenderem que sim, serão, também eles, julgados pelo que acontecer. Não parece ser bom."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Linha vermelha

"A discrição a que obriga o cargo de PMAG da SCP SAD tem justificado o meu silêncio sobre o momento actual da Sociedade, apenas interrompido no domingo (dia 20) para revelar as razões pelas quais decidi manter-me em funções.
Essa decisão não se alterou, por várias razões, mas sobretudo porque os mandatos não são direitos, são deveres que se exercem perante e em homenagem aos eleitores.
O momento do Clube é demasiado grave para permanecer em silêncio e são os meus deveres de sócio do Clube há 47 anos – e de cidadão - que impõem que quebre esse silêncio, ultrapassados que estão todos os limites.
O despojamento com que a realidade (?!) do Clube tem sido revelada, com relatos parciais de reuniões internas, com porta-vozes de um dos órgãos sociais e a degradação evidente das relações entre membros dos órgãos sociais são, obviamente, intoleráveis.
Intolerável é, também, a afirmação pública, por parte de um órgão social, de que não colaborará - logo, obstaculizará - com a MAG na organização logística da assembleia geral que aquela Mesa anunciou.
E, para agravar, eis que o Conselho Directivo anuncia a substituição da Mesa da Assembleia Geral e a nomeação de uma Comissão Transitória da MAG que, ufana, se apressou a nomear uma Comissão de Fiscalização, convocar duas assembleias gerais (uma delas eleitoral!) e anunciou que "não se realizará qualquer assembleia geral no dia 23 de Junho". Tudo para que não restem dúvidas, decisões flagrantemente ilegais e que implicam um profundo desrespeito pelos Estatutos do Clube e, portanto, pelos Sócios.
É, pois, uma exigência urgente afirmar que, tal como o CD, o PMAG e a MAG também foram eleitos pelos sócios, pelo que, independentemente de estes se terem demitido ou não, conservam toda a sua legitimidade e poderes.
A legitimidade dos titulares dos órgãos tem exactamente as mesmas fontes: os estatutos e os sócios. 
O CD pode, evidentemente, ter opiniões, as melhores ou as piores, sobre as decisões da MAG; mas não deve, em momento algum, usar o dever de gerir o Clube - e de, por isso, dispor do livro de cheques e do poder sobre os funcionários - para impedir outro órgão social de exercer os seus poderes, decidindo nomear outros membros dos órgãos para substituir aqueles que ainda se mantêm em funções.
Essa é a linha vermelha."

O espelho

"O espelho tem um formidável valor metafórico, de consciência. O homem que se vê ao espelho não o fará, nesse sentido supremo, por vaidade, antes por introspecção. Repare o leitor a força destas alusões usuais da cultura popular de percepção:
- «Espelho meu, haverá alguém mais bela do que eu?», pergunta a Rainha Má da Branca de Neve.
- Todo o Do Outro Lado do Espelho, de Lewis Carrol, tormento constante da consciência de Alice.
- O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, no qual Gray vai comparando a sua imagem com o retrato, enfeitiçado e progressivamente monstruoso, que dele pintaram.
- Drácula, de Bram Stoker, no qual a perversidade vampírica do monstro é de tal extremo que nem no espelho o outrora homem se reflecte.
Bruno de Carvalho conhecerá estas menções. Pelo menos uma destas quatro. Considero inconcebível ignorar todas. Em todo o caso, parece-me que lhe terá escapado o valor simbólico do espelho. Quando alguém perde o apoio dos sportinguistas depois das demissões em barda nos órgãos sociais que os sportinguistas representativamente elegeram é porque não se viu ao espelho. Ou os sportinguistas votam e depois têm de se debruçar sobre toda e qualquer questão do Sporting? Não é para não o fazerem que elegem  representantes? Não são assim as democracias? Quando Bruno de Carvalho vê Rui Patrício (além de William, Podence...), homem com mais jogos que Damas e a um passo, agora por dar, de alcançar Hilário, fugindo (sim, fugindo) do clube que sempre foi o dele, mesmo assim Bruno de Carvalho não consegue contemplar, no espelho, o que essencialmente se passa: está a tornar-se um personagem de fantasia, de extravagância, de devaneio. Um qualquer daqueles quatro, não sei bem qual."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

O presidente e o adepto

"Há um vídeo de Bruno de Carvalho a ser entrevistado ainda jovem líder em que dizia que se o Bruno presidente se portasse mal, o Bruno adepto o colocaria em sentido. Passe a referência à saudosa Ivone Silva, na ‘Olívia patroa, Olívia costureira’, era bom que o Bruno adepto desse prova de vida rapidamente. Está nas mãos de BdC salvar o que resta de um Sporting que desde Madrid é motivo de chacota ou pena dos adversários e de vergonha, mais ou menos assumida, de muitos adeptos.
Foi no clube do Bruno presidente que a Mesa da AG se demitiu e voltou atrás, Conselho Fiscal idem aspas, que o director do futebol foi indiciado por 18 crimes de corrupção, que a equipa jogou a final da Taça com um treinador despedido, que o plantel foi agredido de forma bárbara no próprio local de trabalho como nunca tinha acontecido, que dois jogadores com mais 10 anos de casa rescindiram e o Conselho Directivo usou um expediente ilegal para marcar uma AG também ilegal. Um líder que vê isto acontecer na sua gestão e não tem um pingo de vergonha para se demitir e ir a votos precisa de... ser alertado pelo Bruno adepto. Está nas mãos desse, o adepto, a ‘salvação’ do Sporting.
Os jogadores não querem sair a mal. Como não acredito que o adepto ainda respire, o presidente vai ficar agarrado ao lugar com medo de ir a votos. E sem pensar nas consequências."

Coro dos tribunais

"Os estatutos, as leis e os contratos assinados não se alteram com sessões de esclarecimento do presidente do Sporting

A Doyen, os ex-presidentes, Marco Silva, a Gestifute, os sportingados, as televisões, os jornais, os comentadores, Octávio Machado, Jorge Jesus, a Holdimo, a Liga, a FPF, José Meirim, a banda do Sporting, os jogadores, os médicos, os fisioterapeutas, o fulano do catering, Marta Soares, António Salvador, os membros da mesa da AG, os membros do Conselho Fiscal, os membros do Conselho Leonino e alguns eteceteras de que não me lembro agora. O problema não pode estar nesta gente toda, por mais sessões de esclarecimento que o presidente do Sporting faça para abater cada um. Ao contrário do que Bruno de Carvalho parece pensar, a chegada dos tribunais ao problema sportinguista não é uma boa notícia para ele, porque os estatutos dos clubes, as leis e os contratos assinados não se alteram com a retórica, nem com pequenos truques de manipulação (é para isso que lá está Nuno Saraiva?) como a repetida divulgação de comunicados em cima da hora de fecho dos jornais, para não serem mitigados pelo contraditório. O presidente não faz o que quer, por muito que ele o tenha repetido aos jogadores, segundo a carta de rescisão de Rui Patrício. Por outro lado, a retórica funciona junto de quem já está arregimentado, mas todos os outros (e são muitos) veem facilmente para lá das artimanhas, ou foram eles próprios alvos das constantes vagas de insultos, insinuações e, pelo menos no caso da Imprensa, de algumas mentiras. Bruno de Carvalho pode esperar justiça, como qualquer cidadão, mas seria pouco inteligente esperar também boa vontade. Os tribunais não o verão pelos olhos do público de uma sessão de esclarecimento."

A Republicana Bolivariana de Alvalade

"Cada vez que um órgão de soberania da Venezuela delibera contra o Presidente Nicolás Maduro, este arranja maneira de substituir os elementos a si desafetos e tornear as deliberações, permanecendo no poder, mesmo ao arrepio das disposições constitucionais.
Não há paz, segurança, nem pão na Venezuela, mas isso não parece inquietar Nicolás Maduro, que se autoproclama investido na profética e indeclinável missão de conduzir o país ao radioso destino dos amanhãs que cantam. Há uma irresistível similitude com o que se passa no Sporting e que importa detalhar.
1. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, e restantes elementos da Mesa, não tendo apresentado, por escrito, ao Presidente do Conselho Fiscal, a sua renúncia, permanecem em funções.
2. Mesmo que Marta Soares tenha dito verbalmente que se demitia, tal declaração não produz efeitos legais.
3. Mesmo que, por absurdo, se considere que Marta Soares se demitiu, ao abrigo do n.º 3 do art.º 37.º dos estatutos do SCP, está na plenitude das suas funções, até à tomada de posse dos seus sucessores. 
4. Nos termos do n.º2 do art.º 46.º dos estatutos do SCP, Marta Soares tem de convocar a reunião da Assembleia Geral - no caso de se ter demitido - para data não posterior a 45 dias sobre a ocorrência - neste caso a sua pretensa demissão - pelo que não estará em falta, mesmo nesta perspectiva.
5. Marta Soares tem toda a legitimidade e competência para nomear uma comissão de fiscalização, nos termos do n.º 1 do art.º 41.º dos estatutos do SCP.
6. Marta Soares tem toda a legitimidade de convocar a assembleia geral de dia 23, por sua iniciativa e face aos requerimentos que recebeu da Direcção e de sócios do Sporting, nos termos da alínea c) do n.º 1 do art.º 51.º dos estatutos do SCP.
7. A Direcção do Sporting tem o dever estatutário de garantir a logística da reunião da Assembleia Geral e facultar os elementos de que a Mesa careça para a boa condução dos trabalhos.
8. Em circunstância nenhuma, a Direcção do SCP tem competência legal ou estatutária, para nomear uma comissão transitória da Mesa da Assembleia Geral ad-hoc, ou uma comissão de fiscalização. Esta é uma barbaridade jurídica.
9. Igualmente, não assiste à Direcção do Sporting convocar uma reunião da Assembleia Geral e estabelecer a respectiva ordem de trabalhos. Esta é outra barbaridade jurídica.
10. Tal como as coisas estão, só o tribunal vai conseguir desenvencilhar este enredo.
A Venezuela, para além das piores razões, é conhecida pelas suas intermináveis telenovelas. Será aqui também o caso?"

Ronaldo e Bale iniciam o fogo cruzado no Real Madrid, já com uma baixa: Zidane

"Os anos pares, e este é um deles, caracterizam-se pela celebração do Europeu, do Mundial e dos misteriosos planos de Cristiano Ronaldo em relação ao Real Madrid. A sua críptica mensagem depois de ganhar a Liga dos Campeões - nem tardou cinco minutos a referir-se à sua relação com o clube no passado - teve efeito de uma bomba atómica. Destruiu com um golpe o festejo madridista e converteu em notícia universal o descontentamento do jogador português.
O comentário de Ronaldo teve um efeito contagioso: imediatamente depois, Gareth Bale, o primeiro jogador de 100 milhões de euros da história do futebol, utilizou o seu golo prodigioso na final da Champions para atacar Zinedine Zidane, o técnico que tinha conseguido o título pelo terceiro ano consecutivo, e ameaçar com a sua própria saída do Real Madrid caso não tenha garantida a titularidade. O alvoroço foi de tal magnitude que o êxito foi enterrado pelos caprichos dos craques, cada um deles disposto a privilegiar a sua agenda pessoal em vez do espírito colectivo.
O foco da imprensa centrou-se em Ronaldo. Por muito que tente, Bale é, ainda assim, uma figura lateral no panorama madridista. Desde a sua chegada a Madrid, no verão de 2009, Ronaldo tem sido o centro da gravidade absoluto da equipa. Não há memória de nada semelhante desde os tempos de Alfredo Di Stéfano e desde então passaram 60 anos. As suas inoportunas declarações em Kiev apenas deixaram uma dúvida: se eram motivadas por uma birra infantil - Cristiano não marcou na final, ao contrário de Bale e Benzema - ou por uma rotura nas relação com o presidente Florentino Pérez. Ou seja, pelo pedido urbi et orbi de uma transferência para outro clube.
Não é preciso ser Freud para observar a natureza narcisista de Ronaldo. As suas manifestações intempestivas confirmaram a sua vertente vaidosa, mas isso nunca impediu de pensar que o seu peso na história do Real Madrid é quase inigualável. Ou Di Stéfano, ou Ronaldo. Todos os outros, e isso inclui Puskas, Gento, Pirri, Amancio, Butragueño, Hierro, Raúl, Casillas, Figo, Zidane e Sergio Ramos, ficam muito distantes do legado do avançado português. A partir desta perspectiva, Cristiano sente-se amparado pela sua formidável contribuição para o êxito e prestígio do clube, com o qual mantém uma peculiar relação desde há nove anos: parece que vai sair a cada época, mas acaba por ficar. A questão essencial encontra-se no dinheiro, claro.
Ronaldo tem 33 anos, mas acabou de dizer que tem uma idade biológica de 23, um motivo de optimismo que resultaria como piada não fosse a máquina goleadora que é. Sem ele, o Real Madrid apenas se converte numa equipa com menos apetite e com bastantes menos recursos ofensivos. A influência de Ronaldo é esmagadora. Os adeptos sabem-no e também o sabe o presidente, mas acima de tudo sabe-o o próprio jogador. Essa capacidade de influência no destino da equipa dispara a sua vaidade, mas também aumenta os seus méritos. Falamos de um jogador que ganhou quatro vezes a Bola de Ouro e é, com muita diferença, o máximo goleador da história do Real Madrid. Isso não se paga com dinheiro, mas sim com muitíssimo dinheiro.
É muito provável que Ronaldo mantenha contacto com as poucas equipas que podem assegurar a sua contratação. A sua mãe, figura chave no trajecto e na personalidade do jogador português, manifestou a sua gratidão a França, onde disse que o seu filho recebe um tratamento requintado. São declarações que fazem parte da estratégia montada por Ronaldo e pelos seus conselheiros. Outra coisa é o objectivo dessa estratégia: melhor o seu contrato no Real Madrid e superar o de Messi no FC Barcelona? Receber do Real Madrid o dinheiro que lhe permita pagar a sua dívida milionária com o fisco espanhol? Impulsionar uma transferência para o Paris Saint-Germain ou para a Liga Inglesa? 
Nenhuma destas variáveis é novidade. Aparecem periodicamente, geralmente a cada dois anos, quando o interesse do futebol se dirige para o Europeu e o Mundial. Isso significa uma sequência constante de notícias e especulações, território no qual Ronaldo se move como ninguém, mais ainda quando Portugal se encontra no mesmo grupo que a Espanha. “Falarei em breve”, disse durante a explosiva declaração em Kiev. Ronaldo, que tem visível um lado teatral, desfruta como ninguém destas situações. Sabe manter em suspenso o clube, os adeptos, a imprensa e esse novo fenómeno dos nossos tempos: as redes sociais.
O madridismo sabe que o caso Ronaldo levará à especulação durante todo o Mundial e quiçá mais além. Será um verão longo, mas com um cenário imprevisível. Zidane não estará à frente da equipa. Sem mais experiência do que duas temporadas no Real Madrid B, filial que milita na terceira categoria espanhola, Zidane, sucedeu a Benítez em Janeiro de 2016. Neste breve período, conquistou três Champions, uma Liga Espanhola, dois Mundiais de clubes, duas Supertaças Europeias e uma Supertaça de Espanha.
A este impressionante palmarés futebolístico juntou o seu exemplar comportamento e uma habilidade incomparável de gerir os egos, muitos deles monumentais, do plantel. Três temporadas com Zidane serviram para que o Real Madrid fechasse muitas das feridas que deixou abertas o violento e divisório mandato de José Mourinho entre 2010 e 2013.
A decisão de Zidane ficou conhecida quatro dias depois da final de Kiev e das declarações de Ronaldo e Bale. Enquanto que o conflito de Ronaldo está relacionado com a direcção do clube, as queixas de Bale foram dirigidas a Zidane. Aproveitou os seus golos para criticar o treinador. Foi um ato de egoísmo supremo, mais feio do que o de Ronaldo.
Bale sabe que é um dos jogadores predilectos do presidente, que estava disposto a despedir Zidane se o Real Madrid não ganhasse a Champions. O triunfo colocou o treinador numa situação de vantagem, mas com numerosas rachas ao seu redor: o caso Ronaldo, a veterania da Benzema, Modric e Sergio Ramos, a crescente desconfiança que percebia do presidente e o desgaste natural num clube que tende para a autofagia. As lamentáveis declarações de Bale foram o culminar de tudo. Zidane foi embora. De facto, o primeiro treinador que não é despedido por Florentino Pérez."

Benfiquismo (DCCCXLVI)

Adolfo...

Uma Semana do Melhor... Off-Side

Jogo Limpo... Guerra & Diogo

Circus Lagartus - XVI episódio

Bem encaminhado...

Corruptos 90 - 96 Benfica
19-17, 20-26, 21-24, 30-29

Excelente vitória, recuperámos a vantagem da potencial negra, numa partida, onde finalmente os nossos jogadores mais talentosos 'pegaram' no jogo!
Agora, estamos a uma 1 vitória da Final com dois jogos pela frente... mas será preferível resolver a 'coisa' já no Domingo... Até porque a Oliveirense, já está qualificada...

A cereja no topo do jogo desta noite, foi a choradeira corrupta no final do jogo, após mais uma partida onde foram beneficiados escandalosamente!!! Nada de novo...

Oposição desastrada

"Bruno de Carvalho pode não saber ganhar campeonatos, mas já mostrou ser especialista em ganhar eleições e em ganhar tempo.

Engana-se quem pensa que é positivo para o Benfica o clima de guerra civil no Sporting, como também se engana quem pensa que Bruno de Carvalho irá ser obrigado a sair pelos sportinguistas. Bruno de Carvalho pode até nem ter razão alguma, pode até a sua oposição ter todos os motivos para se querer ver livre do presidente, causa de quase todos os problemas que preocupam o Sporting, mas a verdade é que Bruno de Carvalho, mesmo sem a razão, tem feito tudo bem e a sua oposição, com toda a razão, mas feito quase tudo mal. Não me custa a acreditar que, na massa adepta do Sporting haja uma ampla maioria contra Bruno de Carvalho, mas não tenho dúvidas de que, nos sócios, há uma clara vantagem e sintonia com o presidente. Diminuindo a base de incidência, prevalecem os sectores radicais. Não sabemos se há assembleia. Não sabemos quem ganha se houver assembleia e vencer a destituição. Em resumo, ao levar para o plano jurídico, Bruno de Carvalho ganha sempre, porque tem o tempo a seu favor.
Bruno de Carvalho pode não saber ganhar campeonatos, mas já mostrou ser especialista em ganhar eleições e em ganhar tempo. Uma oposição desastrada pode ser o desastre do Sporting, mas Bruno de Carvalho mostra características de liderança a uma tenacidade que os seus adversários internos não deviam subestimar.
Num ano em que as modalidades não têm ganho, aquilo que os benfiquistas desejavam, a vitória na Taça de Portugal de andebol foi uma conquista com um relevo especial. Primeiro porque seria a modalidade em que a generalidade dos analistas reconhecia que temos um plantel de futuro, mas com menos recursos que os adversários; depois porque vencemos de forma esmagadora um adversário em alta de motivação. Parabéns ao Carlos Resende que está a fazer um trabalho fantástico e conseguiu um grupo que pratica andebol de muita qualidade. Terminar como vice-campeão e vencer a Taça de Portugal faz deste um ano positivo no andebol do Benfica e deixa um sabor doce com os olhos na próxima época. Na Régua, vencemos mais do que uma Taça, dobrámos o Bojador numa modalidade onde acreditámos num futuro de títulos permanentes do Benfica.
Última palavra para o episódio Ronaldo no final da Champions. Cristiano pode, pelo seu talento, arranjar um clube onde ganhe mais dinheiro do que no Real Madrid, mas não arranjará um clube onde ganhar mais títulos como nos merengues."

Sílvio Cervan, in A Bola

Rua da Constituição

"Nesta semana dei por mim a passear no Porto, na Rua da Constituição. E lá ia Pedro Proença, trajado com um fato da moda, camisa aprumada, gravata vistosa com nós exemplar e penteado impecável, brilhantina quanto baste.
Decidi seguir no seu encalço e tive a sensação de que reparou em mim. Disfarcei como pude e meu benfiquismo para não afugentá-lo, quase lhe elogiei a carreira na arbitragem numa tentativa de me passar por portista, que certamente revelaria frutífera, mas pareceu-me distraído. Depois vi vários jornalistas à entrada de um edifício moderno, Proença cumprimentou-os, atravessou a porta, e os tais jornalistas repetiram o movimento. Juntei-me ao séquito, seria uma conferência de imprensa na sede da Liga.

Bernardo Ribeiro, do Record, por estes dias algo desocupado por não lhe ser conveniente escrever sobre o Sporting era um dos escribas presentes. Perguntei-lhe sobre Bruno de Carvalho, amuou e sugeriu-me que entrasse na sala da conferência, pois Proença anunciara medidas importantes para o futebol português. Será que, passadas quatro semanas, a Liga castigaria, ou pelo menos censuraria, os jogadores portistas que, nos festejos do campeonato, insultaram o Benfica e os benfiquistas? Acordei quando Proença tomou a palavra. Ao contrário do pintor Piskariov, emanado da mente brilhante de Nikolai Gógol, que se apaixonou por uma mulher que sonhara ter visto na Avenida Névski, em Sampetersburgo, não sofrerei insónias. Piskariov, desesperado por não controlar os sonhos, tornou-se incapaz de adormecer por ansiar o contacto com a mulher sonhada. Já eu cairei no sono sem qualquer dificuldades. De Proença, positivo para o futebol português, nada espero..."


João Tomaz, in O Benfica

Sol, praia e... reforços para o Benfica

"Está aí à porta a estação mais quente do ano. Falar em verão é o mesmo que falar em calor, praia e, claro, reforços para o Benfica. Se o inverno ideal se traduz em estar deitado no sofá a ver o Sozinho em Casa, enquanto o balde de pipocas esvazia, a lareira flameja e a chuva esbarra no telhado, o verão perfeito não dispensa um bom banho de sol na praia da Rocha, de papel e caneta na mão para esboçar a nova equipa titular do Benfica. 
De há alguns anos a esta parte, um dos meus passatempos predilectos baseia-se na construção de um onze composto exclusivamente por guarda-redes. Só um pode ser o dono da baliza, pelo que o lado desafiante consiste em distribuir guardiões como Ochoa, Romero ou Karnezis pelo resto do campo. Para azar do Benfica, mas especialmente do Liverpool, este desenho táctico nunca passou de pura ficção. Se o esquema onde eu colocava o Karius a formar dupla de ataque com o Keylor Navas tivesse ido avante, talvez o Benfica tivesse ganho um ataque ainda mais demolidor... e talvez o Liverpool tivesse ganho a Liga dos Campeões.
Olhando só para os guarda-redes já é possível preencher o tempo, porém o entretenimento não se esgota neste posto. Também é possível estruturar plantéis apenas com laterais-esquerdos - Ansaldi costuma ser o capitão - ou encher por completo o Estádio da Luz unicamente com extremos - Robinho senta-se na bancada central.
Contudo, também eu já me deixei embalar pelos jornais, e a minha carteira acabo por sofrer. Sempre que foi noticiada da saída de Jonas para a China, meti-me de imediato num avião em direcção a Pequim para homenagear o Pistolas na chegada ao aeroporto. Esbanjei uns valentes trocos, mas este ano já não me apanham."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Andebol

"A conquista da Taça de Portugal de andebol é mais um grande feito da nossa equipa sénior masculina. Sustentada em 11 talentos da formação, os vice-campeões nacionais deram uma lição, no passado fim de semana, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Superiormente orientada por Carlos Resende, a nossa equipa preparou bem esta final four. Estudando muito bem os dois adversários, nunca menosprezando a combativa equipa do FC Gaia, os nossos andebolistas mereceram a festa. E mereceram, sobretudo, o colinho dos benfiquistas, que deram uma verdadeira lição na arte de bem apoiar. Do início ao fim, os benfiquistas empurraram Paulo Moreno e seus pares para a vitória.
Com Hugo Figueira em grande forma e com dois laterais (Davide Carvalho e João Pais) letais, e com Belone Moreira, Pedro Soares, Alexandre Cavalcanti e Ricardo Pesqueira a imporem a sua classe, só restava uma saída - o triunfo. Este projecto do andebol está alicerçado em jovens da nossa formação - Miguel Espinha, André Alves, Alexandre Cavalcanti, Davide Carvalho, Paulo Moreno, Francisco Pereira, João Pais, Tiago Ferro, Gonçalo Nogueira, Diogo Valério e Pedro Santana. Carlos Resende soube, com a mestria habitual, casar a juventude com a experiência de Hugo Figueira, Pedro Seabra, Nuno Grilo, Fàbio Vidrago, Ricardo Pesqueira, Belone Moreira, Ales Silva, João Silva, Stefan Terzic e Arthur Patrianova. Se levarmos em linha de conta que jogámos sem um dos melhores andebolistas portugueses - Fábio Vidrago -, a proeza foi ainda maior.
Acredito que o tão ambicionado título de campeão chegará em 2018/19."

Pedro Guerra, in O Benfica

Meio cheio, meio vazio

"Intercontinental de hóquei; Taça da Liga e Supertaça de básquete; Taça da Liga de futsal; Taça de andebol; Taça de vólei; Campeonato de pista coberta; Campeonato e Supertaça de hóquei feminino; Taça e Supertaça de futsal feminino.
São estas, para já, as principais conquistas das modalidades do Benfica em 2017-18, às quais ainda podemos ver acrescentados os Campeonatos de básquete, futsal e atletismo, bem como o de futsal feminino (apenas a um empate de distância), a Taça de hóquei feminino, além de todos os campeonatos de juniores (o de voleibol já cá canta).
Não é mau. Mas ainda assim sabe a pouco à maioria dos benfiquistas, habituados a ganhar tudo ou quase tudo, pois tinha sido esse o padrão das temporadas anteriores.
A forma dolorosa como perdemos o título de vólei, a derrota na Taça de básquete diante do Illiabum, bem como o último, e único, desaire no nacional de hóquei, que comprometeu todas as nossas hipóteses de sucesso, transmitiram uma sensação de fracasso, que está longe de se ajustar à realidade. Lembro-me de não chegarmos sequer ao playoff de básquete, de não termos andebol nem futsal, de ficarmos em 7.º no hóquei, e de andarmos pelas divisões secundárias em vólei. Isso, sim, era impróprio do Benfica.
Chegar às finais e discuti-las, mesmo perdendo-as, não pode envergonhar ninguém. Significa isto que tudo está bem nas modalidades? Não. Há aspectos a rever, desde logo quanto à estratégia para lidar com os investimentos megalómanos feitos do outro lado da 2.ª Circular. Não podemos ir atrás, nem ficar para trás. Há que ponderar criteriosamente onde e como investir."

Luís Fialho, in O Benfica

"O Benfica é um drapeau"

"Assim fala quem deixou Portugal há muitos anos e saiu pelo mundo a governar a vida e a enriquecer outros países. Bem entendido que deixar Portugal não é deixar de ser português e muito menos de ser benfiquista. Isso, pelo contrário, está lá sempre bem enraizado no coração e na razão e exacerba-se com o tempo e a saudade.
Foi, portanto, com esta frase, significando 'o Benfica é um bandeira', que este adepto emigrado há décadas sintetizou o que sentia pelo clube a propósito da Fundação. Explicou que correu diversos países em três continentes e de tanto tempo que passou já se lhe misturam com naturalidade as diferentes línguas que fala, incluindo o português. Queria o nosso amigo dizer que não podia ficar calado sem manifestar a sua satisfação solidária e o seu orgulho no trabalho feito pela Fundação, em nome de todos os benfiquistas, na sequência dos trágicos incêndios de 2017. A BTV mostrou por esse mundo fora imagens da visita do presidente Luís Filipe Vieira às obras de reconstrução de uma habitação em Pedrogão Grande e o lançamento dos projectos 'Fica Bem Seguro' e 'Faz da tua Escola um viveiro!' em Castanheira de Pêra. O primeiro, de alcance nacional, consiste num jogo de educação para a prevenção com a colaboração do Ministério da Educação que estará em todas as escolas do país a partir do próximo ano lectivo.
O segundo, implementado nos dezasseis municípios mais afectados nos distritos de Coimbra e Viseu, é um projecto de reflorestação e educação ambiental envolvendo crianças, escolas e famílias das áreas ardidas. Estas imagens mostraram a quem quis ver um Benfica solidário e consequente, com uma Fundação atenta e actuante, como não podia deixar de ser.
Esse Benfica que agrega e motiva é lugar da identidade e da pertença de tantas e tantas pessoas, mas é também um símbolo da extraordinária solidariedade do povo português. Por isso me associo com justiça à extraordinária frase deste adepto:
O Benfica é uma bandeira!
E que bandeira..."

Jorge Miranda, in O Benfica

Se não fosse dramático...

"De repente, aqui há umas semanas, com o furacão que se abateu sobre o eixo Campo Grande - Alcochete, o que era 'verde-erva' passou a ser preto-escuro. De súbito, os debates e as redacções dos jornais, das TV e das rádios dedicados ao futebol pareciam ter ficado todos baralhados: no plano pessoal e, sobretudo, nos campos institucionais, durante uns diazinhos, tudo o que era opiniões e tomadas de posição firmes e irrevogáveis de ex-indefectíveis deixou de o ser e, num ápice, transformou-se no seu contrário.
Logo nos primeiros dias das escandaleiras de cor de verde, instalava-se a mais generalizada e acabada traquibérnia nas discussões, deixando às escâncaras a perplexidade, a ruborisada gaguez ou, até, uma farisaica indignação dos que, ainda dias antes, se mostravam como os mais prolixos e intransigentes apóstolos evangelistas de um deus menor e maluco.
O certo é que, a pouco e pouco, com falas mansas e muita esperteza, o insano - agora ainda mais agarrado à tripeça em que, por mais de uma vez, o puseram sentado, eleito e assentado - já volta a baralhar tudo e todos e embrulhou mesmo, num saco de papel-manteiga, os pobres desgraçados que (pelo menos institucionalmente) têm de lhe ir fazendo frente num combate inglório, sem tino, sem regra, sem lei nem esperança, enquanto já parece também voltar a arrastar no seu rojão os mesmíssimos repórteres comentadores, editores, chefes de redacção e directores das mesmas televisões, rádios e jornais que, como dantes, não se importam de continuar a fazer o papel de marionetas. Tarde piaram, os deploráveis ingénuos que agora chamam por polícias e bombeiros...
Quando, há muitos meses atrás, em muitas reiteradas ocasiões, o menor bom senso comum já recomendava precaução e sentido de responsabilidade, tudo 'aquilo' era um mundo de ilusão e de euforia irresponsável, em que andavam todos aos pulos, nos abraços e aos beijos, numa festa permanente, de jantaradas, casamentos e baptizados, como nos velhos filmes do cinema português com António Silva, Vasco Santana e Óscar Acúrcio... Hoje, é tarde demais. E só por um milagre se poderão ver livres do inferno em que se meteram, de boa vontade e culpas próprias. Seria para rir, se não fosse verdadeiramente dramático. Para eles todos.
Quanto a nós, vamos ganhando, vamos perdendo também, e às vezes empatamos. Mas não nos desviaremos do rumo traçado há quinze anos e continuaremos a fazer o nosso caminho, a crescer e a blindar o nosso querido Benfica relativamente a todas as aventuras e a todos os aventureiros que cada vez mais olham para nós com cobiça e com complexos."

José Nuno Martins, in O Benfica

A verdade da mentira

"Mas, por acaso, existirão dúvidas quanto à irresponsabilidade do nosso presidente e dos gloriosos resistentes em toda esta convulsão?

Pessoas existem por esse mundo fora que na mentira vão encontrando o adubo para a sua triste existência, acontecendo, por vezes, que o mundo por elas construído, embora nada tendo a ver com a realidade, acaba por assumir comportamentos que a psiquiatria analisa e observa com especial atenção. Ao longo de décadas tive oportunidade de ser confrontado, no meu quotidiano profissional, com situações diversas onde a verdade e a mentira assumiam contornos de acrescida complexidade. Nessas ocasiões, sindicar o real e o fictício obrigava a um esforço acrescido já que, em muitos casos, éramos confrontados com tipologias muito diversas de mentirosos compulsivos/esquizofrénicos (com e sem maldade), manipuladores de informação, burlões (sempre educados) e charlatães (envergonhados ou desassombrados) cujo escopo era unicamente o interesse pessoal. Perguntará o leitor com toda a propriedade: mas o que é que tudo isto tem a ver com o Sporting Clube de Portugal? Nada, absolutamente nada, respondo de modo peremptório, embora reconhecendo que, com um pouco de esforço, poderia estabelecer algum paralelismo com situações delicadas vividas nos últimos tempos pelo universo leonino. Porém, não é essa a minha intenção, pois, no fundo, sou dos poucos que sempre reconheci Bruno de Carvalho e todos aqueles que, desinteressadamente, ainda o acompanham como os arautos da lisura, da verdade e da elevação com vista a um patamar de excelência. Tenho de acreditar que apenas o amor ao Clube os faz mover, não sendo, assim, verdade que, por qualquer razão, estão agarrados ao poder. Assembleia-Geral, Conselho Fiscal e Disciplinar, integrantes da Comissão de Honra à reeleição de Bruno de Carvalho, apoiantes de sempre, enfim, todos os que agora clamam por eleições não passam de traidores e desertores ávidos de poder. E que dizer dos jogadores, esse bando de garotos malcriados que recusam um simples tau tau paternal do nosso grande leader quando este, com delicadeza e ternura, os chama à razão como se de um pai se tratasse? Que ingratidão, meu Deus! E que dizer das actas trazidas a público (ainda que não assinadas), relatórios da PGR, mesmo que inexistentes? E a cabala de Alcochete onde tudo foi cozinhado com o único propósito de afastar o nosso grande timoneiro. Mas, por acaso, existirão dúvidas quanto à irresponsabilidade do nosso presidente e dos gloriosos resistentes em toda esta convulsão? Abaixo os Estatutos, os sócios mal esclarecidos, os accionistas ressabiados, a comunicação social! Longa vida a Bruno de Carvalho e ao seu facebook. Que volte rapidamente ao banco de suplentes para alegria e júbilo de treinador e jogadores. A sério? Claro que não. Trata-se apenas da verdade da mentira."

Abrantes Mendes, in A Bola

PS: Curioso como a descrição feita no início desta coluna de opinião, se encaixa perfeitamente na campanha propagandista anti-Benfica, com a cumplicidade (activa e/ou passiva) de toda a descomunicação social desportiva...!!!

Futebol nacional rumo à perdição

"Na semana em que ficou a saber-se que os direitos televisivos da Liga francesa vão passar a valer 1163 milhões de euros, em vez dos 762 que actualmente rendem (depois da Série A italiana ter conhecido, há escassos meses, um incremento de calibre semelhante), a Liga portuguesa continua a sistemática queda no vazio, perdida em acusações e escândalos, sem que haja quem saia a terreiro em defesa do futebol nacional. O resto do mundo, que nos admira pela selecção campeã da Europa, pela formação extraordinária e pelos treinadores de elite, arrepia-se quando é confrontado com as imagens do assalto a Alcochete e assustá-se com os caos que se sucedem a ritmo impressionante, uns já sob a jurisdição da justiça, outros em investigação e muitos mais a voar por aí nas asas da especulação. Tornar-se difícil, nesta nave de loucos, distinguir entre o trigo e o joio, daí que a fórmula mais segura de aferição seja aguardar pelas decisões dos juízes, que já intervieram em dois casos, o E-toupeira e o Cash-Ball; nos restantes, a poeira ainda está muito longe de assentar e a guerra de comunicação gerada em torno deles torna ainda a nitidez mais difícil.
Tudo o que se deseja (no futebol como em todas as restantes áreas da sociedade) e dura lex, sed lex, doa a quem doer. Mas para além dos procedimentos legais, a percepção que o país está a ter do futebol, de quem anda no futebol, é terrível e deverá ser causa de afastamento, por pudor, das pessoas mais capazes, que pura e simplesmente não se querem misturar com tanta indignidade e que se recusam a frequentar uma casa que aparente ser sumamente mal frequentada."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Errado Delgado.
A responsabilidade do jornalista é exactamente separar o trigo do joio... e não meter tudo no mesmo saco, como A Bola continua a fazer, como a capa na sequência da encenação do SIC, demonstrou! E essa coisa, de ficar à espera da decisão final da Justiça, é inaceitável... Primeiro porque o tempo da Justiça não é compatível com a defesa da dignidade dos falsamente acusados; segundo porque muitas vezes as questões técnicas da Justiça, nada têm a ver com o viciação de resultados desportivos na prática...
É confortável não tomar posição, seja por preguicite intelectual, seja por incompetência, seja por má-fé, mas quando a Imprensa se demite das suas responsabilidades, os criminosos ganham...

O estado a que isto chegou

"Fernando Salgueiro Maia morreu novo, aos 47 anos, mas deixou obra indelével e uma coragem imortal. O discurso que fez na madrugada de 25 de Abril de 1974, na Escola Prática de Santarém, quando anunciou às suas tropas que iam executar um golpe de Estado, ainda hoje ecoa na memória colectiva. «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os estados corporativos e o estado a que isto chegou. Ora, neste noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem não quiser sair, fica aqui», disse.
As tropas ficaram surpresas com o discurso do então capitão, de 29 anos, mas todos decidiram acompanhá-lo na coluna militar, que, nessa tarde, acabou por aceitar a rendição de Marcelo Caetano no Quartel do Carmo e a entrega do poder a António de Spínola, que viria a ser o líder da Junta de Salvação Nacional.
O 25 de Abril acabou com a guerra nas então províncias ultramarinas, acabou com o Estado Novo, deu a democracia aos portugueses e contribuiu para a maior revolução sociológica de Portugal do último século. Depois dos primeiros tempos de euforia, viveu-se o Período Revolucionário em Curso (PREC) e apenas o 25 de Novembro de 1975 trouxe a normalidade.
Nos últimos dias, cada vez que me deparei com algumas notícias relacionadas, sobretudo com os dois grandes de Lisboa, lembrei-me mais uma vez das palavras de Salgueiro Maia. «O estado a que isto chegou; o estado a que isto chegou; o estado a que isto chegou; o estado a que isto chegou», foi uma frase que ecoou quase como um refrão do mais tristes dos fados.
Salgueiro Maia morreu há 26 anos. Ninguém herdou o seu espírito?"

Hugo Forte, in A Bola

PS: Como nunca conheci o Benfiquista Salgueiro Maia não posso testemunhar se alguém lhe herdou o espírito, agora uma coisa tenho a certeza, hoje, se ele estivesse vivo, seria um dos muitos, que lutaria contra a manipulação da informação, que a má-fé ou ignorância de muitos escribas, ajuda a alastrar - inclusive até à redacção de A Bola!!! -, colocando em causa, o Estado que ele ajudou a criar...!!!

Investiguem e não parem!

"Tenho saudades do velho futebol de que tanto gosto e que me levava em garoto a qualquer estádio lisboeta. Daquele futebol limpo e transparente, em que quem fosse melhor vencia. Sem vendidos, sem gente manhosa, sem dinheiro sujo, sem escutas, sem… O futebol que levou Portugal a campeão da Europa, que o coloca em patamar de destaque no Mundial, que tem o melhor jogador da Terra, alguns dos melhores treinadores da actualidade e foi, será e continuará a ser a alegria de milhões de portugueses. Porém, os últimos tempos têm sido aterradores e dizem-me que está para vir o pior. O pior? Então, caminha-se para onde? Para quando, pergunto, o regresso do jogo puro e duro? Nesse quadro, com a permissão do meu amigo Bernardo Ribeiro transcrevo uma ideia defendida por ele na edição de ontem do nosso jornal: "Uma coisa me alegra – a PJ ter finalmente metido as mãos na massa e ter deixado de haver poderosos que escapam ao escrutínio". Por isso, mais uma vez, o meu apelo: investiguem e não parem! A integridade de um País também advém da sua Justiça. Doa a quem doer. Em defesa do velho futebol.
Impostos à parte, pois são tantos os milhões e não consigo entender quem tem razão, é bem possível que CR7 possa estar de saída de Madrid para Paris. A confirmar-se, vai ser giro vê-lo ganhar outra ver a Champions.
Admiro Rui Patrício. Não é de agora, é desde sempre. Porque é um guarda-redes fantástico e tem um carácter brutal. E não acredito que a esmagadora maioria dos sportinguistas não tenha por ele o respeito que lhe tenho."

A moda dos altos e espadaúdos

"Numa das entrevistas que deu nos últimos dias e falando do que mais gosta, que são as diferentes variantes técnicas e tácticas que envolvem uma partida de futebol, Sérgio Conceição abordou uma tendência do futebol moderno que é a aposta das equipas em colocarem um maior impacto físico no jogo, sustentando a sua dinâmica em jogadores com características apropriadas para isso, de modo a obterem daí uma maior vantagem competitiva. Uma questão pertinente que se tem observado na maioria das grandes equipas europeias.
Segundo o técnico do FC Porto, o futebol actual traz mais intensidade e agressividade, pelo que as equipas procuram atletas com capacidade física para ganhar duelos dentro de campo nos diferentes raios de acção. "O jogo é feito de duelos e a equipa que ganhar mais está mais próxima de vencer o jogo", referiu Sérgio. É algo que faz sentido e mostra como a componente física tem um papel importante na hora de preparar uma equipa.
Basta pensar na estampa de uma selecção como a Alemanha, campeã mundial, e na forma como esta exerce o seu poder físico para controlar os jogos e manter a bola. A robustez é uma arma dentro da própria componente táctica, uma forma de desgastar o adversário que, perante esta dificuldade, tem também de tentar correr mais e sair da sua zona de conforto.
Na composição dos plantéis, esta realidade pesa também na escolha dos atletas com as características certas para colocar em prática uma ideia de jogo assim. Nas ligas de Inglaterra, Alemanha e França, este é um cenário comum a vários emblemas. Por seu lado, este tipo de jogadores consegue dar resposta a partidas mais intensas, que peçam maior disponibilidade ao longo dos 90 minutos. Trazem equilíbrio às equipas nos momentos defensivo e ofensivo e abrem igualmente espaço para que outros companheiros, mais franzinos, possam ganhar duelos através dos seus atributos técnicos e tácticos. 
Uma equipa que bloqueia as movimentações do adversário, fazendo uso da sua força, no bom sentido, tem a possibilidade de criar mais oportunidades para que os jogadores mais criativos possam alimentar a dinâmica da equipa. Pode parecer fácil na teoria, mas é algo que implica um grande trabalho de laboratório para que a equipa possa afinar a máquina com toda a eficiência. É um trabalho de pormenor em que todos devem compreender as funções de cada um.
O campeão europeu Real Madrid, na final da Liga dos Campeões, utilizou 9 jogadores (em 14) com mais de 1,80m de altura, fazendo uso precisamente de jogadores como Sérgio Ramos, Varane, Casemiro, Kroos, Cristiano Ronaldo, Benzema ou Gareth Bale, para a conquista de duelos nas várias zonas do terreno.
Olhando 15 atletas mais utilizados pelos clubes que venceram as principais ligas europeias, encontramos uma maioria de jogadores ‘altos e espadaúdos’. Juventus (11 jogadores com 1,80m ou mais), Bayern (11), PSG (11), Barcelona (8) e Manchester City (8) tiveram atenção a este detalhe. E o mesmo acontece em Portugal, com FC Porto (11), Sporting (10), Benfica (9) e Braga (8) a optarem por esta via.
O sucesso de uma equipa de futebol está longe de se limitar a uma questão de altura ou robustez física. A história conta inúmeros artistas da bola, pequenos e franzinos (Lothar Matthäus, Franco Baresi, Maradona, Messi...) que brilharam a defender e a atacar. Mas o futebol evolui para um patamar em que o poder físico desempenha um papel importante na componente táctica das partidas, cada vez mais intensas nas grandes competições. Moda ou não, é uma vertente da qual a maioria das equipas de topo não prescinde.

O Craque – O elemento mais novo
Rúben Dias é talvez a principal surpresa e o mais jovem elemento entre os 23 convocados da Selecção Nacional, tendo acabado de se estrear como internacional no último jogo frente à Tunísia. O defesa central afirmou-se como titular na equipa do Benfica ao longo da temporada e surge agora como solução para a equipa das quinas numa posição em que a renovação tem sido mais difícil para Fernando Santos. É um jogador forte no jogo aéreo e na marcação, com bom posicionamento e que também contribui nas bolas paradas ofensivas com golos.

A Jogada – A atracção das grandes ligas
No actual mercado de transferências, a questão financeira tem um peso muito alto nas decisões dos agentes desportivos envolvidos (clubes, jogadores, empresários e intermediários). Para quem aposta na formação, há um grande risco de ver as pérolas saírem de forma precoce para outro clube europeu sem cumprirem todas as etapas de desenvolvimento. E isso tem impacto a nível desportivo, porque muitos atletas nem sempre têm depois o espaço competitivo para evoluírem. Renato Sanches foi um exemplo. Com apenas 8 jogos na equipa principal, o portista Diogo Dalot pode ser o próximo jovem a sair "antes do tempo".

A Dúvida – Ir ou não ao mercado?
Com a possível saída de Dalot e depois da venda de Ricardo Pereira, o FC Porto fica com um problema para resolver na asa direita. A solução até pode estar nos quadros do clube, embora a continuidade de Miguel Layún e Maxi Pereira ainda esteja em dúvida, havendo ainda a possibilidade de contar com o jovem Fernando Fonseca, que esteve emprestado ao Estoril. Poderá estar aqui o primeiro desafio de mercado dos dragões. Qual será a opção de Sérgio Conceição: olhar para os recursos existentes ou avançar para a contratação de um novo lateral?"

Madrid sentirá falta de Ronaldo

"Um dia, quando se contar o que foi este tempo, será feita justiça em Espanha a Cristiano Ronaldo. Não a justiça das muitas capas de jornais ou (enfim) do aplauso geral da exigente bancada do Bernabéu, mas o reconhecimento que lhe é devido por ser o jogador que mudou o curso da história do Real Madrid e devolveu um gigante adormecido aos títulos e à glória.
Sendo o futebol um jogo coletivo, com certeza que não o fez sozinho, mas será bom regressarmos ao ano em que Cristiano chegou à capital espanhola e pensar há quanto tempo o clube estava fora da fase decisiva da Liga dos Campeões, de que como era dominador na época "o melhor Barcelona da história", liderado por Pep Guardiola, e como brilhava a estrela de Leo Messi, então com 22 anos.
O que Ronaldo fez nesta década em que teve Messi do outro lado (nunca nos podemos esquecer desse extraordinário acontecimento) foi liderar pelo exemplo, marcar 450 golos em 438 jogos, ser decisivo quando teimavam em dizer que era banal, renascer sempre que o davam como morto. Ganhar, ganhar, ganhar tudo. E nunca se cansar. Quando se escrever a história do Real Madrid há um antes e um depois de CR7.
O Madrid de 'leyenda' - a equipa para a história que hoje temos - é a invencível armada dos grandes momentos, mesmo que vacile nas provas domésticas, onde Cristiano Ronaldo foi invariavelmente a figura maior. Com certeza que a sua questão com o clube é também uma questão financeira porque, perante tantas aparentes promessas e num mercado em tão galopante transformação, o que Florentino Pérez fez foi ter o seu astro sempre à prova, permitindo que ele ganhe hoje quase metade do que ganha Messi, quando a dimensão planetária de um e outro (o futebol é outra coisa) não tem comparação.
Mas, muito pior, desconsiderou-o. No tratamento, na falta de apoio, na forma como permitiu que a imprensa hostil o atacasse sem defesa, na maneira como fomentou o aparecimento de sucessores - Bale, esqueçamos por momentos Neymar, foi contratado há cinco anos para ser o novo Ronaldo; afinal, o português estava a caminho dos 30. É comparar o que fez um e o que fez o outro, queda para os idiomas à parte. Por isso Cristiano falou. E não, não falou por acaso nem egoísmo. Todos sabiam o que ele pensava. Falou e teve intencionalmente eco. E, no entanto, ficar em Espanha, desde que haja um entendimento, que é possível, parece ainda um caminho. Ronaldo gosta do clube, adora a cidade. 
As saídas só podem ser duas: à cabeça a Premier League e Manchester. Mais do que Bale, Cristiano Ronaldo seria o detonador de que José Mourinho precisa para devolver o United à primeira linha. Com cedências, com certeza, mas por vezes é precioso ceder para ganhar. Paris também pode ser um desafio. Uma época sem grandes correrias na Liga francesa e, enfim, todas as fichas na Champions, mas parece - mesmo que o dinheiro seja muito - um desafio mais morno. O verão tem de aquecer.

A selecção como prioridade
Sem Ronaldo, mas também sem Gelson e Bruno Fernandes, que podem ser importantes no desdobramento das acções ofensivas, Portugal claudicou onde todos tememos que tal possa acontecer : na defesa. Ora, é dos livros que defender é um processo colectivo e os erros do jogo de Braga são também o resultado de uma equipa que pressionou pouco, jogou muitas vezes devagar, mesmo tendo (lá está) movimentos de ataque muito bem conseguidos e com aquele toque de classe que faz a diferença.
No final, Fernando Santos dramatizou mais do que é hábito e, mesmo que tenha sido só para criar impacto, julgo que o terá conseguido junto dos jogadores.
O seleccionador, um mestre na gestão do grupo, não ignora que muita gente chegou com a cabeça cercada de preocupações e, não sendo possível eliminar esse facto porque o Mundo é só um, é imperioso que a prioridade seja Portugal.

Diogo Dalot
A anunciada mudança de Diogo Dalot para o Manchester United é um negócio que surge cedo de mais. O FC Porto quereria renovar com o jogador, utilizá-lo com frequência, porque tem potencial para isso, porque iria precisar, e vendê-lo mais tarde. Dito isto, 20 milhões de euros, ou mais, por um jogador que fez meia dúzia de jogos na primeira equipa é um bom encaixe. Em Manchester o desafio de Dalot não é o seu futebol e sim a sua mentalidade. Todos dizem que é forte. Suficientemente forte?  
Renato Sanches
Entre muitos fracassos de jogadores portugueses fora de portas, o mais retumbante é o de Renato Sanches. Será para a vida? Ora, sendo ele tão novo e tão talentoso, merece mais do que o benefício da dúvida, mas - mais do que o seu futebol - foi a sua cabeça que não esteve à altura da exigente mudança. Ainda que o Bayern lhe queira dar uma segunda oportunidade neste verão, voltar ao Benfica seria o melhor no imediato. Ao menos isso ele percebeu."

Talvez no dia de São Nunca

"A assembleia geral destitutiva do Conselho Directivo do Sporting está marcada para dia 23, mas são cada vez em maior número aqueles que têm a convicção de que ela não se realizará. As manobras dilatórias do CD e as dificuldades que a Mesa da AG está a ter para efectivar os procedimentos relativos à reunião magna, avolumam-se diariamente com as posições a extremarem-se, ficando cada vez mais longe o ponto de encontro. A exemplo do que aconteceu há dias quando Jaime Marta Soares quis validar as assinaturas dos sócios que subscreveram o pedido para a realização de uma AG e não encontrou os funcionários competentes para efectuar essa tarefa, quem garante que no dia 23 os serviços do clube estarão à disposição da MAG ou até que seja possível verificar a condição de cada sócio? Em suma, é bem provável que por este andar a AG se realize no dia de São Nunca…
Rui Patrício fez questão de sair a bem do Sporting, permitindo um interessante encaixe financeiro ao clube que o formou. À última hora, porém, Bruno de Carvalho fechou-lhe a porta e comprometeu essa possibilidade. Rui Patrício até pode encontrar nova solução, mas não se sabe quando nem se será pela via mais pacífica. Perde o Sporting, perde o guarda-redes e espera-se que não perca a Selecção face ao estado de espírito em que o jogador se encontrará."

O lado brilhante

"Diogo Dalot é o último exemplo de que o futebol português continua a produzir pedras preciosas. Aos 19 anos, está de partida para o Manchester United a troco de 20 milhões. É o negócio possível para o emblema do dragão com um jogador que terminava contrato na próxima época e que seguramente iria valorizar-se ainda mais. Dalot vai trabalhar com um treinador especial e num clube que projecta os jovens que têm não apenas talento mas muita vontade de aprender. O futuro é risonho. 
A entrevista de Bernardo Silva a Record é como um bálsamo nestes dias em que a agenda mediática é marcada por notícias que nada têm a ver com o jogo jogado. Como diz Guardiola e Mourinho confirma, Bernardo é uma jóia de pessoa. Mas é mais do que isso. É um óptimo entrevistado, que sabe do que fala e gosta de falar de futebol. Foge aos clichés, evita os lugares-comuns, partilha conhecimento e histórias – nós agradecemos, os leitores também.
José Couceiro foi homenageado pelos vitorianos, que lhe estão reconhecidos pelo trabalho que desenvolveu nos dois últimos anos e pela marca que deixa em Setúbal após duas passagens pelo clube. Há adeptos para quem a gratidão não é palavra vã e demonstram-no. Rui Patrício seria merecedor de uma despedida assim."

Marco Silva: o treinador que falha objetivos e continua a subir na carreira

"O ex-Estoril Praia e Sporting é o novo líder da equipa técnica do Everton, da Liga Inglesa

O percurso de Marco Silva como treinador tem sido tudo menos calmo e tranquilo. Desde que pendurou as botas, em 2011, o lisboeta passou por vários clubes. Teve sucesso em alguns deles, mas, nos outros casos, falhou os objectivos a que se propôs. Assinou por três anos pelo Everton esta quinta-feira com o objectivo de ter "ambição, comprometimento e atitude", segundo o próprio em declarações ao site dos 'toffees'. A segunda destas três palavras, ainda assim, é a mais complicada de integrar na carreira de Marco Silva, técnico que tem um histórico de entrar em conflito com as direcções dos emblemas que representa.
Depois das três épocas de grande nível no Estoril Praia, clube que lhe diz muito e onde esteve quase dez anos como jogador e treinador, Marco Silva assinou pelo Sporting. Mas as coisas em Alvalade começaram logo com o pé esquerdo: em Agosto de 2014, foram instaurados processos disciplinares pelos leões a Marcos Rojo e Islam Slimani. Confrontado com a situação, Marco Silva mostrou o seu desagrado e negou qualquer tipo de culpa no que se passou. "Nem eu, nem os jogadores nem o Sporting queríamos que isto acontecesse. Era uma situação que ninguém queria. (...) O que se passou não teve nada a ver comigo. A decisão foi Sporting. Um decisão que teremos de assumir. Na parte técnica os jogadores não tiveram mau comportamento. De mim, vão sempre ouvir a verdade. Sobre este assunto o presidente falou e eu não vou comentar", disse Marco Silva aos jornalistas.
Na sequência de uma derrota pesada em Guimarães (3-0), Bruno de Carvalho criticou a equipa no Facebook. A relação entre os dois começou a ficar menos saudável e Marco Silva, novamente aos jornalistas, repreendeu o dirigente. "É balneário, quatro paredes, não falo, nem ninguém deve falar", referiu. Outro dos casos que demonstrou a diferença de visão entre treinador e direcção foi quando Marco Silva, em Novembro, disse que Bruno de Carvalho sabia o que o técnico pretendia para o mercado de inverno "desde Agosto". Quatro dias antes, o presidente verde e branco havia dito que "a SAD não está à procura de reforços". Bruno de Carvalho e Marco Silva continuaram de costas voltadas, mas a saída do treinador só se verificou no final da temporada, depois de um campeonato decepcionante e abaixo das expectativas e da conquista sofrida da Taça de Portugal.
Seguiu-se o Olympiacos, clube habituado a ter portugueses na frente da equipa técnica. A temporada correu bem e, como esperado, o conjunto de Marco Silva conquistou a Liga Grega e participou na Liga dos Campeões, chegando a bater o Arsenal por 3-2. Saiu no final de Junho de 2016 de forma surpreendente, visto que a temporada seguinte estava prestes a começar, e alegou "razões pessoais". A imprensa grega garantiu que Marco Silva abandonou o Olympiacos em conflito com a direcção, que sentiu que o técnico "não estaria 100% comprometido com o clube", principalmente no que diz respeito a objectivos nas competições europeias.
Em Janeiro de 2017, Marco Silva pegou na equipa do Hull City com a meta de conseguir a permanência na Liga Inglesa. Apesar de ter aumentado o rendimento da equipa e de ter conseguido várias vitórias, o Hull City desceu de divisão e Silva, mais uma vez, esteve em litígio com a direcção. Tudo graças à equipa de... râguebi. Em Março, Marco Silva exigiu que a equipa de râguebi que partilhava o estádio com o Hull City deixasse de jogar no recinto dos 'tigers' devido ao mau estado em que o relvado ficava. Acabou por sair no final da temporada após não cumprir com o objectivo. 
Finalmente, Marco Silva iniciou a temporada 2017/18 como treinador do Watford FC. Os 'hornets' amealharam quatro vitórias e apenas duas derrotas nos primeiros nove encontros, figurando nos lugares cimeiros da Liga nas jornadas iniciais. Contudo, Marco Silva foi abordado pelo Everton em Novembro e, curiosamente ou não, o Watford FC baixou drasticamente de qualidade e começou a perder jogos atrás de jogos. O técnico foi despedido em janeiro deste ano e a justificação do Watford FC foi dada em comunicado. "O catalisador desta decisão é a abordagem injustificada de um clube da Premier League [Everton], algo que a direcção acredita que teve uma deterioração significativa tanto no foco como nos resultados a ponto de comprometer o futuro do Watford a longo prazo. Para a segurança e o sucesso do clube, a direcção acredita que tem de mudar", podia ler-se.
Quando estava no Watford FC, Marco Silva nunca soube dizer que não ia sair do clube para se mudar para o Everton. A mudança acabou mesmo por não acontecer na altura, mas verifica-se agora. Liverpool é a nova casa de Marco Silva, um treinador que está a precisar de ter uma experiência como treinador em que os seus interesses se alinham com os da direcção do clube em que trabalha."

Supermario abre o horizonte

"Acabou-se o exílio: Mario Balotelli foi convocado por Roberto Mancini, jogou, marcou um golo à Arábia Saudita e foi aplaudido de pé em St.Gallen quando foi substituído por Andrea Belotti. Para quebrar o gelo, não há como o Supermario.
‘Balo’ não punha os pés na Seleção italiana há quatro anos, pelo que, antes deste encontro de preparação realizado na Suíça, a ocasião anterior em que o atacante vestira a ‘maglia azzurra’ havia sido no descalabro contra o Uruguai, no Estádio das Dunas, em Natal, na terceira jornada da fase de grupos do Mundial do Brasil.
A chegada de 'Mancio' mudou o panorama. Obrigados a reestruturar o projecto da Itália depois de terem levado um chuto da Suécia e de não terem suportado uma série de meses de futebol desesperante, os dirigentes afastaram Giampiero Ventura mediante toda a insustentabilidade da situação. Mancini deixou o Zenit (5.º lugar na liga russa) e foi convidado para tratar as feridas da ‘Azzurra’, nesta fase de pós-Buffon e De Rossi.
A medida de maior impacto para abrir o horizonte foi ter promovido o regresso de Balotelli, com quem já tinha sido campeão no Inter e em Manchester. Os 43 golos marcados nos 66 jogos pelo Nice reforçaram a boa condição de ‘Balo’, cujo retorno à Selecção até ficou bastante mais fortalecido pelo facto de Mancini lhe ter atribuído o rótulo de vice-capitão, a par de De Sciglio, imediatamente atrás do novo dono da braçadeira: Leo Bonucci, com quem, por acaso, Balotelli já tinha jogado nos juniores do Inter, era Mancini treinador da equipa principal dos 'nerazzurri'.
Balotelli não deixou completamente o lado Peter Pan. Isso é impossível. Mas atrevo-me a dizer que está na fase mais consolidada da carreira. E as palavras de uma autoridade como ‘Billy’ Costacurta até são sugestivas, referindo as vantagens de o ter na Casa Italia, em Coverciano: «Faz grupo (…) É uma figura positiva».
Nice fez-lhe bem depois da desilusão em Anfield e do regresso a Milanello. E Lucien Favre sabe que o trabalhou na perfeição, tanto que o quer levar para Dortmund para dar continuidade àquilo que o avançado foi exibindo nas últimas duas épocas. De acordo com as notícias mais recentes, ‘Balo’ quer deixar a Côte d’Azur e voltar para Itália, mesmo que Rudi Garcia esteja a acenar-lhe um óptimo contrato em Marselha. O ordenado anual de €4M limpos que aufere no Nice não é fácil de ultrapassar e talvez seja esse o empecilho para o recém-promovido Parma, que jogaria com o trunfo de estar baseado perto de Brescia, onde Balotelli tem a família mais próxima.
Ainda assim, convenhamos que o nível do ponta de lança exige um clube mais adequado. Di Francesco já o queria no Sassuolo em 2016, depois do regresso falhado a Milão, mas Balotelli escolheu o Nice. Quem sabe se não vai mesmo treiná-lo na Roma? Estará completamente excluída a opção de uma terceira etapa no Milan, o clube por quem tem mais afinidade e onde jogou muito bem na vigência de Max Allegri? Para já, De Laurentiis não mostrou publicamente o propósito de o levar para Nápoles, ao mesmo tempo que o Arsenal e a Puma podem ter interesse em fazê-lo viajar para Londres.
Mino Raiola, o agente, quer movimentar dinheiro. E o Nice pode libertá-lo por €10M, atendendo ao facto de só ter mais um ano de contrato com o clube do sul de França. Recordo-me de Raiola na altura em que Balotelli estava preso nas areias movediças de Liverpool. Chegou como um craque mediático para os Reds esquecerem Luis Suárez, então transferido para o Barça. Mas nem sequer houve possibilidade de comparar seriamente um e outro. O “charrúa” era, provavelmente, o melhor 9 do mundo e ‘Balo’ parecia ter desaprendido de jogar.
Balotelli tinha os seus problemas pessoais, que nunca foram o enfoque dos tabloides. E Raiola insistia que o jogador tinha de se empenhar para os resolver, que mais ninguém podia fazer isso por ele. Para além disso, o agente elencou outros pormenores, como o facto de, no Liverpool, ser um entre muitos. No Milan, com Allegri, ele era o máximo e todos jogavam para ele. E essa sensação tornou-se relativamente prejudicial porque ele não tinha natureza de líder, mas sentia-se intocável e isso desencadeou alguns comportamentos desviantes, muitos deles empolados a torto e a direito nos ‘media’ mais sensacionalistas. Este percurso permite entender por que razão Raiola admitiu, mais tarde, que devia ter insistido para ele ter permanecido no Manchester City, para ir à luta quando teve os primeiros obstáculos, evitando-se que ganhasse uma soberba residual quando se tornou “rei” nos ‘rossoneri’.
Hoje, o atacante que outrora também teve algum relevo no Inter, com Mourinho, agarrou a mão estendida por Mancini, quatro anos depois da debacle com o Uruguai. Perdeu muitas vezes o comboio, mas não este. As últimas duas épocas com Favre limparam-lhe a cabeça e este é o resultado: marcou, contra os sauditas, o seu 14.º golo na contabilidade pela ‘Azzurra’, igualando o registo de Rivera e ficando a dois de Vialli e Toni.
Balotelli é diferente dos outros. Age diferente e imagina diferente. Tem um talento fabuloso e uma força muito caraterística. Num ápice, inventa um movimento e resolve com um remate que pode ser subtil ou fulminante, como aquele que esmagou a baliza de Neuer, na semi-final de Varsóvia, no Euro 2012, na altura de Prandelli.
Esse Europeu de há seis anos foi a prova mais bem conseguida na carreira. Fez um torneio estupendo na dupla com Cassano e agora é Insigne que se candidata a fazer uma óptima sociedade no ataque desenhado por Mancini. Contra a Arábia Saudita, em St.Gallen, nas primeiras notas que se escreveram da nova etapa com 'Mancio', viu-se Insigne e Politano a atuar como extremos a aparecer em diagonal em direção à grande área, aproveitando as deslocações de Balotelli para zonas exteriores, também lidas pelos centrocampistas Florenzi e Pellegrini, que aproveitavam para desferir roturas.
Hoje, contra a França, há um teste mais exigente. Será o segundo desafio de Mancini no comando ‘azzurro’. E será também bastante especial para Balotelli, por se realizar em Nice, evento onde ele vai ligar o modo Supermario no ataque. Provavelmente, não terá Insigne no alinhamento titular porque Mancini pode querer experimentar Chiesa e Bonaventura como os extremos do 4-3-3, mantendo-se Jorginho a pivô do meio-campo para libertar os outros dois centrocampistas incursores: um deles deve ser Cristante, bem transformado por Gasperini em Bérgamo.
'Balo' está de volta. E ainda bem."