Últimas indefectivações

sábado, 10 de março de 2018

Juniores - 4.ª jornada - Fase Final

Sporting 1 - 1 Benfica
Santos


Acho que perdemos dois, mas pronto...

Estamos com 3 pontos de vantagem, após duas das deslocações teoricamente mais complicadas, não está mau...!

Lamento, mas eu gosto é de desporto

"Amanhã vou à Luz ver essa coisa que parece de menor interesse mediático que é um jogo de futebol.

uma tarefa importante no actual Benfica: blindar a equipa de futebol, toda a parte desportiva deste ruído mediático. Julgo ter sido Vasco Pulido Valente que escrevia, há vários anos, que um país que tem ou inventa um escândalo por dia, faz com que já nenhum escândalo escandalize. Devemos estar assim agora. Ninguém quer apurar nada, todos querem conspurcar tudo e todos. Vai chegar, em breve, o tempo de pagar a factura. O presidente da FPF, justiça lhe seja feita, já avisou várias vezes.
Esta semana, por exemplo, só não houve espaço noticioso para o sublime golo de Jonas e para a obra de arte de Zivkovic. Sim, ganhamos 5-0 ao Marítimo porque fomos muito competentes e jogamos bem. Depois de 15 bons minutos de um Marítimo atrevido, que podia ter mudado a sorte do jogo, vimos um vendaval de Benfica.
Mas faz sentido não valorizar este aspecto, porque ampliar muito este facto fazia notar que o Benfica é de longe a equipa que melhor joga futebol em Portugal. O que vende é a lama, o escremento é que interessa, por isso, é muito difícil não andar sujo com tantas ventoinhas em funcionamento.
Ainda assim, amanhã vou à Luz ver essa coisa que parece de menor interesse mediático que é um jogo de futebol contra o renascido Desportivo da Aves. Mais uma etapa da nossa corrida para tentar ser vencida. Nós, os benfiquistas que gostam de futebol, precisamos de uma boa exibição e uma vitória; precisamos de Jonas e companhia dentro do relvado.
 Amanhã todos na Luz, numa casa repleta de apoio, numa inequívoca prova de respeito pelos que envergando o manto sagrado, vão continuar na luta pelos nossos valores e objectivos, rumo ao objectivo de vencer o título de campeões nacionais pela 37.ª vez.
Lamento, mas é de desporto que eu gosto. Gosto de ver Roger Federer chegar a n.º1, a fazer maravilhas com a raquete dos quase 37 anos, de assistir a Phill Mikelson tornar-se o mais velho vencedor de um torneio do WGC, gosto ver o golo do Ronaldo, a finta do Messi e a defesa do Ederson. Gosto de ganhar com honra e perder com dignidade. Gosto muito de desporto, mas detesto esta lavandaria ambulante de traficantes de tudo, mas sobretudo da essência e da verdade dos jogos.
«Eu posso não ser um luxo, mas eu sou um lixo. quero ir noutro contentor»."

Sílvio Cervan, in A Bola

Sobre a caça à toupeira e ao Zivkovic

"Não tenho nada contra a caça às toupeiras empreendida pelo Ministério Público. Tenho, aliás, tudo a favor. A violação do segredo de justiça em Portugal é uma mancha na nossa democracia. Estas fugas de informação são sempre recebidas pela opinião pública de duas maneiras e ambas doentias: trata-se de uma afronta intolerável ao regime quando o segredo sonegado desfavorece o nosso clube ou o nosso partido ou os nossos amigos e é uma festa quando acontece precisamente o contrário. Ou não é assim? Portanto, quanto à caça às toupeiras julgo tê-los esclarecido. Sou a favor. Já quanto à caça ao Zivkovic, sou absolutamente contra. Nos últimos jogos do Benfica tem sido um ver se te avias desta nova modalidade da caça ao sérvio. Tem sido um valente, o Zivkovic. E hoje há mais, vão ver. 
Ter-se-á volvido o futebol uma questão de regime? Não me refiro ao jogo maravilhoso que dura 90 minutos e obedece a dúzia e meia de Leis claríssimas mas ao ‘outro’ futebol, aquele que, de um século para o outro, se viu transformado numa indústria global, numa máquina poderosa que não só gere milhões como também parece gerir ou ser gerida, depende sempre do ponto de vista, por banqueiros, políticos, magistrados, jornalistas e sabe-se lá por mais quem. E gere, não menos inocentemente, as chamadas redes sociais, o novo flagelo público de qual convém fugir a sete pés.
A meio do seu reino de campeão da Europa, o futebol nacional deveria deleitar-se numa clarividência e paz de espírito decorrentes do seu sucesso continental dentro das 4 linhas. Mas não é de todo isso o que se passa fora das 4 linhas. Subsiste actualmente o futebol português na sua mais grave crise institucional de sempre se considerarmos, como é justo fazê-lo, que são os clubes as verdadeiras instituições que promovem o jogo – a essência de tudo – e que, no caso dos ‘três grandes’, são esses os clubes que pomposamente visitam uma vez por ano a Assembleia da República onde se apresentam na cara dos deputados com um extenso rol de lamúrias quando estão em maré de derrotas ou com um certificado de epifanias quando, pelo contrário, estão em maré de vitórias.
Acontece que não podem estar todos os três em maré de vitórias. Que fazer? Com o auxílio das novas tecnologias de comunicação, com a memória fresca de como o processo do Apito Dourado liquidou socialmente o império de Pinto da Costa e com o Ministério Público obrigado a abrir investigações a cada dúzia de denúncias anónimas – será mesmo assim? – somaram-se os ingredientes fatais. Um indício certeiro da decadência moral é a banalização dos anúncios de abertura de processos. Os ‘escândalos’, na realidade, duram meia hora. O anedotário que se lhes segue dura mais porque dura até ao próximo escândalo e até à próxima vaga de graças. A banalização é tramada. É este o regime."

Defender o monopólio de violação do segredo de justiça

"Tenho acompanhado, com algum distanciamento, a investigação do e-toupeira. Ao que parece, um técnico informático do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) tinha acesso a qualquer processo em qualquer tribunal do país. A coisa mais relevante que ficámos a saber é o grau de atraso do sistema judicial quanto à sua segurança informática. Como em muitas outras coisas, o século XXI ainda não chegou à justiça. Há outros dois funcionários judiciários que terão sido corrompidos com camisolas e bilhetes e que se juntam, com o técnico informático, o assessor jurídico do Benfica e um agente desportivo à lista de arguidos. A ser verdade o que se escreve, o negócio saía barato ao Benfica.
Como sabemos, a violação do segredo de justiça é uma constante que parece não ter solução à vista. Até hoje, acreditei que a incapacidade de combater esta realidade, que transforma a investigação num julgamento mediático e impede o arguido de se defender condenação pública organizada por quem apenas devia preparar a acusação ou o arquivamento, resultasse de uma verdadeira dificuldade em encontrar os responsáveis. Como se vê, o acesso aos processos não é assim tão pouco limitado. A violação do segredo de justiça é de tal forma generalizada, que o “Correio da Manhã” publica diariamente informações sujeita ao segredo de justiça. E toda a gente sabe, até pela selecção que é feita dessa informação, que a origem é quase sempre a mesma.
A diferença do caso e-toupeira com outros é que, desta vez, o acesso ilegal a processos em segredo de justiça não contou com a cumplicidade do Ministério Público. Esta investigação só pretende proteger o seu monopólio da violação do segredo de justiça. Violação que, nesta mesma investigação, se continua a exibir de forma totalmente despudorada,
O olhar optimista sobre este processo é o que nos permite dizer que isto pode estar a começar a mudar. Que há, por parte dos poderes judiciais, uma vontade de pôr fim à balda instalada. Que finalmente vamos assistir a uma punição exemplar de quem, no sistema judicial e fora dele, acede a informação que não tem de estar disponível. Acreditar nisto não é optimismo, é ingenuidade.
A diferença deste caso com outros é que, desta vez, o acesso a processos em segredo de justiça não contou com a cumplicidade do Ministério Público. É que o destinatário da informação não era o “Correio da Manhã”, o seu órgão oficioso. O cúmulo das ironias é, aliás, vermos descritas na imprensa as investigações de um processo por violação de segredo de justiça que está, ele próprio, em segredo de justiça. Os mesmos que investigam este caso violam o princípio que supostamente estão a defende.
Não me verão defender Luís Filipe Vieira e o Benfica, muito menos os supostos subornos para ter acesso a processos que não são públicos. Mas esta investigação parece ter, perante o total desprezo que o Ministério Público sempre exibiu e continua a exibir para com o segredo de justiça, um propósito: defender o seu monopólio dessa violação. Violação que, nesta mesma investigação, se continua a exibir de forma totalmente despudorada. E ironia das ironias é ver o Benfica a queixar-se da violação do segredo de justiça num caso em que ele violou o segredo de justiça. É uma autêntica matrioska de violações sucessivas. Um “ganbang” do segredo de justiça."

Falsa notícia do Expresso

"A Sport Lisboa e Benfica SAD esclarece que é falsa a informação veiculada pela notícia hoje publicada pelo jornal “Expresso”, sob o título com destaque de chamada de capa “Benfica foi avisado de todas as buscas”.
A Sport Lisboa e Benfica SAD reafirma que nunca recebeu essa ou outras informações sobre qualquer um dos processos que estejam em curso na Justiça e que envolvam a sua instituição ou qualquer outra.
A Sport Lisboa e Benfica SAD não pode também deixar de manifestar a sua estranheza e repúdio por nessa como noutras notícias, saídas nas últimas semanas em diversos órgãos de comunicação social, serem citadas de forma sistemática pretensas fontes judiciais ou fontes da Polícia Judiciária ligadas ao processo, numa assunção clara de violação do segredo de justiça, perante a total ausência de qualquer posição por parte dos responsáveis da investigação criminal e justiça sobre estes eventuais crimes cometidos por quem, em todos os momentos e circunstâncias, deve ser o primeiro e maior garante do escrupuloso cumprimento da lei e da legalidade num Estado de Direito.
Finalmente, a Sport Lisboa e Benfica SAD expressa a sua profunda indignação pela forma leviana e soez como o jornal “Expresso” ofende o seu bom-nome e reputação com permanentes insinuações gratuitas e difamatórias, e, em conformidade, reagirá de imediato e pelos meios próprios contra os seus autores e cúmplices e exigirá que a gravidade destas condutas mereça a devida punição."

Declarações injuriosas e difamatórias

"A Sport Lisboa e Benfica SAD determinou a instauração imediata dos competentes processos cíveis e criminais, no âmbito da justiça desportiva e civil, ao director de comunicação do Sporting Clube de Portugal, pela gravidade das suas afirmações em relação ao jogo realizado ontem, para o Campeonato da Segunda Liga, entre o Sport Lisboa e Benfica e a Associação Académica de Coimbra.
Declarações totalmente absurdas, injuriosas e difamatórias que ofendem a reputação das instituições em causa e de todos os profissionais dos dois clubes, e que devem merecer a máxima atenção por parte dos responsáveis das competições desportivas."

Benfiquismo (DCCLXXII)

Benfica...

Uma Semana do Melhor... com a Joana

Inconsistência...

Benfica B 0 - 4 Académica


Depois da vitória na Covilhã, esperava-se mais, mesmo com o Kalaica a defesa direito (não percebi!!!), e sem o Florentino e o Parks...

O Benfica aparentemente quer continuar a competir com a equipa B na II Liga, e não está disposto a participar num suposto campeonato sub-23! A opção parece-me correcta... agora é preciso ter cuidado, porque ainda corremos o risco de ir jogar para o CNS!!!

A falência de um posicionamento

"O Sporting tem sido useiro e vezeiro nas críticas à arbitragem, não obstante as inúmeras decisões que o têm beneficiado. Acresce que encontra sempre no Benfica a razão de todos os males, os seus e os do sector da arbitragem. Não sei se será feitio ou estratégia, mas parece-me que tem resultado, pois a ilusão do término de mais um longo período de seca do título máximo do futebol português durou mais que o expectável e foi alimentada, em parte, por arbitragens favoráveis, e não pela qualidade de jogo patenteada pela sua equipa. Esta, reconheça-se, tem estado longe da exigível a um candidato ao título e enormemente distanciada da apregoada. Nesta temporada houve, no entanto, uma nuance que não é despicienda. A liderança da cruzada anti-Benfica situa-se a norte, e o Sporting, apesar do discurso costumeiro e bafiento dos seus protagonistas, deixou-se secundarizar na esperança, crio, que colheria os benefícios de uma estratégia comunicacional implacável e sórdida, porém sem se desgastar nessa demanda. Mas não perceberam o óbvio: Quando se juntam mal-intencionados com voluntaristas, os eventuais frutos da parceria cabem sempre aos primeiros, gozando ainda estes da conivência e solidariedade dos segundos. Só assim se entende que o caso do Estoril - Porto não tenha merecido a atenção leonina que seria considerada normal. E depois no momento certo, Artur Soares Dias, que nem com recurso a imagens televisivas conseguiu descortinar aquela grande penalidade monumental sobre Doumbia, mostrou aos voluntaristas, porventura inconscientemente, que quem não treina em paz no Centro de Alto Rendimento da Maia não pode, nem deve, incomodar os mal-intencionados."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 9 de março de 2018

Vale tudo

"Com o campeonato a entrar na recta final e as duas equipas mais fortes a mostrarem do que são feitas, vão começar os números de malabarismo e de contabilidade criativa. Aqueles que se assumem sempre como candidatos, mas que nunca chegam a lado nenhum já apontam a mira a uma improvável conquista europeia no futebol. Diz-se 'areia para os olhos' quando assim acontece. É a melhor forma de desviar atenções de cerca de 20 milhões de euros desbaratados em três épocas numa equipa técnica que não alcançou o objectivo de um clube que vai para 17 anos de jejum no campeonato nacional. Já para não falar do circo do 'quero, posso e mando' que aconteceu na mais recente reunião geral do rebanho desta quase igreja circunstancial do reino da fantasia. Do lado do ainda líder da tabela classificativa começam os problemas. O banco de suplentes está cada vez mais curto devido a surtos gripais colectivos e lesões de fadiga - mas a equipa médica do SL Benfica é que está sempre sob escrutínio.
No outro banco, o do departamento financeiro, já ninguém sabe o que fazer quando, no fim desta época, perceberem que não terminam (pelo quinto ano consecutivo) no primeiro posto da Liga. E, para piorar a situação, as dívidas surgem de todos os lados. É que nem a meio de um jogo de futebol eles podem estar sossegados, tal a urgência de liquidar uma dívida a um clube amigo. A meio do jogo estavam a perder, no intervalo desembolsaram 784 mil euros, e no final, já estavam a ganhar. Isto, sim, é engenharia financeira ao mais alto nível. Daquela a que já nos habituaram em cheques para pagar viagens a árbitros com nomes mascarados ou quando assobiam para o lado sempre que a UEFA fala em fair play financeiro. Não perdem pela demora."

Ricardo Santos, in O Benfica

O segredo de uma vida saudável: Jonas

"Peço desculpa desde já ao estimado leitor, que naturalmente se está borrifando para os meus agradecimentos pessoais, mas não resisto a aproveitar-me deste espaço no jornal O Benfica para proclamar a minha eterna gratidão a duas nobres pessoas, certamente abençoadas em algum momento das suas vidas por uma mão divina: Ismael Oliveira e Maria Luiza Gonçalves Oliveira. Para quem não sabe, são os pais do Jonas. A evolução da medicina tem o dedo destes dois senhores.
Como é do conhecimento público, o conselho de qualquer bom médico no que diz respeito ao acto de contemplar as habilidades do Jonas e ao simples acto de dormir é exactamente o mesmo: devemos fazê-lo entre 7 e 10 horas por dia. Cumprir estes dois mandamentos é meio caminho andado para uma vida recheada de saúde. Gerir os compro do dia-a-dia no tempo que sobra até pode ser complexo, mas a saúde é como o Benfica: tem de estar sempre em primeiro.
A baixa esperança média de vida que se verificava até bem perto do final do século XX é simples de justificar. Cumprir um exemplar horário de sono era fácil, no entanto, como podiam as pessoas apreciar um bom drible do Jonas de Ele ainda nem sequer era nascido? É evidente que, volta e meia, o mundo era afligido pela peste negra e outra epidemias.
Agora é possível tomar precauções. Observar o Jonas fortalece o sistema imunitário. Produz paz de espírito, controla o açúcar no sangue e dá vitamina C. Eu descobri este remédio há quatro anos e, desde então, não há gripe que me assuste. Quando é que o Sr. Ismael e a Sra. Maria Luiza recebem o Nobel da Medicina?
Até para a semana, se Jonas quiser."

Pedro Soares, in O Benfica

Vê-lo jogar

" 'Eu vi-o jogar!' Muitos benfiquistas enchem o peito, e dizem orgulhosamente este frase referindo-se a Eusébio. Eu poderia aplicá-la, por exemplo, a Chalana. Um dia mais tarde, se por cá andarmos, também iremos falar assim de Jonas. É de facto um privilégio ver este craque no relvado da Luz, de Manto Sagrado, a jogar, a marcar e a encantar. E qualquer adjectivo elogioso que se possa acrescentar ao seu nome será, neste momento, uma redundância. Fiquemo-nos pelos números: com 118 golos em quatro temporadas, e uma correspondente média de 29,5 golos/ano, Jonas é já o segundo artilheiro da história do Benfica, só atrás do Rei Eusébio (32,1) e à frente de José Águas (29,2) e Óscar Cardozo (24,7). Tendo nove partidas por disputar em 2017-18, o astro brasileiro ainda vai certamente melhorar este já espantoso registo. Não fosse ranking do campeonato português, e Jonas estaria a liderar a corrida à Bota de Ouro. Penalizado por um coeficiente de 1,5, face ao 2,0 das cinco principais ligas, o nosso avançado está, ainda assim, na luta por esse prestigiado troféu individual. E por muitos e bons jogadores que haja no Brasil, não me parece lógico que não venha a caber nos 23 escolhidos por Tite para o Mundial da Rússia. A história prossegue amanhã.
Nós vimos jogar Jonas!

PS: Infelizmente, o Hóquei em Patins português continua uma farsa. Clubes profissionais coexistem com uma federação amadora e arbitragens ostensivamente tendenciosas. Em Valongo tivemos mais um um exemplo, com o inqualificável Joaquim Pinto a retirar-nos dois pontos. Até quando vão continuar a maltratar esta belíssima modalidade?"

Luís Fialho, in O Benfica

Futebol Andante

"É de estranheza a primeira reacção ao Walking Football, mas essa reacção logo dá lugar a um quase espanto de 'como é que não pensei nisto antes?', quando nos apercebemos de que, apesar da idade, o jogo da infância está ali de novo à mão de semear, não para ser visto, mas para ser jogado, de novo!
Só podia ser futebol: que outra coisa no mundo mistura gente de todas as qualidades e idades tão diferentes acima de 50 anos? O que tem a Maria, de 93 anos, reformada (mas não retirada), em comum com o José, de 55, ainda a trabalhar pelo bem comum no Exército Português? Por incrível que pareça, jogaram juntos no sintético da Luz, e a equipa trouxe da Holanda um fantástico troféu 'Fair Play' conquistado em pleno campo do SBV Vitesse. Foi uma ocasião especial, na realidade os dois jogam regularmente em equipas separadas: a Maria num grupo mais heterogéneo em que a camaradagem e o desporto espalham saúde e combatem a solidão e as agruras da vida. O José numa equipa competitiva, que evoluiu a cada treino e exige aos atletas que façam o mesmo a andar que os jogadores a correr em campo: jogar, dar espectáculo e marcar golos.
E desengane-se quem ficar a pensar que não há futebol nisto, só porque é a andar e o campo, como as balizas, é menor. Há futebol, sim, senhor... E muito!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Serenidade

"Os ataques ao Sport Lisboa e Benfica e à idoneidade dos seus profissionais e dos seus dirigentes não param. Já todos percebemos que está a valer tudo para travar o grande desígnio de 2017/18 - a conquista do Penta. Os autores destas investidas torpes são conhecidos. Primeiro, foi o presidente do Sporting que disse que o SL Benfica comprou árbitros e observadores com vouchers e teriam sido essas práticas que permitiram conquistar os títulos que conquistámos. Rapidamente o caso foi esclarecido pelos órgãos próprios da justiça desportiva e, como era de prever, foi tudo arquivado, com os árbitros o observadores a garantirem que nunca lhe foi pedido nada em troca do 'Kit Eusébio'. Depois, surgiu em cena o patético director de comunicação do FC Porto. Num ataque feroz e criminoso, inventou a tese do que o SL Benfica foi tetracampeões porque urdiu um esquema de corrupção que passava pela compra de árbitros. O 'caso dos e-mails' continua em investigação e, passados tantos meses, não foi detectado nenhum caso de corrupção desportiva. Resultados viciados em jogo do SL Benfica? Zero! Recentemente, um empresário de futebol fez denúncias graves, com nomes e práticas, incluindo a abordagem por parte de um administrador da SAD do FC Porto para mentir sobre resultados viciados. Estranhamente, nada aconteceu! Nesta semana somos brindados com mais uma denúncia anónima sobre uma eventual violação de segredo de justiça que terá sido cometida por um director encarnado a troco de bilhetes e de camisolas.
Tudo isto dá vontade de rir! A nossa preocupação deve ser a mesma de sempre - união."

Pedro Guerra, in O Benfica

Perversidade

"De um ponto de vista teórico, a função arbitral representará, porventura, a mais nobre missão num cenário desportivo ideal. O árbitro representa a autoridade decisória perante o desempenho competitivo dos atletas e das equipas, em todos os momentos e em quaisquer incidências de um desafio. Tendo previamente frequentado exigentes programas sequenciais de formação e de treino técnico, físico e psicológico adequados, hoje em dia e em qualquer modalidade, disciplina ou escalão, um árbitro conhecerá de modo profundo, as leis do jogo e as práticas próprias da performance. Por princípio, o árbitro de um jogo estará mais apto e apetrechado do que algum dos praticantes, a fazer respeitar em campo a aplicação daquele conjunto de normas próprias que regem uma competição específica e até, mais genericamente, o torneio da sua especialidade. Ser-se árbitro de um desporto federado, nos dias que vivemos, é uma função cada vez mais difícil e desgastante. O ritmo dos desafios e a cadência das competições exigem esforço, performance e resistência física excepcionais. E no plano intelectual, não são menos necessários os índices extraordinários de percepção e acuidade, de capacidade de raciocínio e decisão em pleno esforço, perante as miríades de incidências características da disputa atlética. Tudo isto, de per si, ou num mix de recursos conjugados, constitui matéria tanto mais indispensável quanto, por exemplo, à medida em que se exacerbam as manifestações dos espectadores nos anfiteatros, a própria capacidade de contenção temperamental do indivíduo-juiz, caso a caso, no campo do jogo, tem de ser dialecticamente compatibilizada com a firmeza e com a frieza de raciocínio, em cada momento do jogo. Mercê do desenvolvimento mediático hoje dominante na sociedade humana, a circunstância, a entourage e o ambiente competitivo expandiram-se a limites outrora inimagináveis, o que ainda acentua mais as características de excepcionalidade que agora se tornaram absolutamente indispensáveis à personalidade de um árbitro para arbitrar um qualquer desafio desportivo. Com esse perfil um árbitro deveria merecer o inquestionável respeito dos jogadores e das bancadas. Mas, na verdade, tudo aquilo não basta. Um árbitro só pode merecer respeito e consideração se, além de patentear todos os atributos que enunciei, se conservar sempre imparcial e neutro em todo o seu desempenho, durante todo e qualquer jogo que arbitrar. E este acaba por ser o factor essencial e decisivo para o correcto desempenho do árbitro. Ora, há anos, há demasiado tempo, que isto não se verifica praticamente em nenhum jogo do campeonato da primeira divisão de Hóquei em Patins em que participe a equipa do Sport Lisboa e Benfica. Há muito que, talvez por mera perversidade, os árbitros escalados para arbitrar as nossas equipas do Hóquei deixaram de se manter neutros e imparciais."

José Nuno Martins, in O Benfica

Francisco J. Marques, os teus e-mails são meus

"«Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito à protecção da lei»

Como não sou exibicionista, vou poupar pormenores sobre aquilo que se pode encontrar na minha caixa de e-mail profissional:
- alguns e-mails de pessoas que me deram informação sob anonimato;
- Um ou outro secretário de estado; e penso que até um ministro antes de o ser - pouco mais de uma dezena de mensagens onde descomponho alguém que me pareceu incompetente na hora de me dar informação e um pouco mais de uma dezena de e-mails em que essas pessoas justamente me retribuem na mesma moeda;
- alguns poemas ridículos que me hão de envergonhar até ao último torrão de terra cair sobre o meu caixão; - cartas para os meus filhos e para a mãe dos meus filhos;
- confirmações de serviços online relacionados com o fornecimento luz, gás e sei lá que mais;
- cópias de comprovativos de morada, transacções, números de contribuinte e cartão de cidadão que enviei no passado para alguém que agora não interessa mencionar;
- um número indeterminado de piadas enviadas por amigos ou colegas de redacção – algumas dessas piadas são escabrosas e têm palavrões;
- um ou outro e-mail com uma foto de uma miúda que notoriamente só se tornou motivo de interesse pela sensibilidade, a delicadeza, a profundidade intelectual, a simpatia e o arrojo artístico;
- várias mensagens em que critico e/ou insulto o governo, a oposição, o Isaltino e o Medina, colegas de profissão, uma pessoa que me desiludiu, chefes, a concorrência, o capitalismo selvagem e até a humanidade em geral;
- Incontáveis e-mails em que proponho reportagens, procuro notícias, tiro dúvidas, pergunto por nomes mal redigidos, troco imagens e cumprimentos;
- Um número indeterminado de convites para almoço de trabalho que em 90% dos casos não aceito;
-Um número indeterminado de convites para jantar que enviei no passado e que, invariavelmente, me são devolvidos com respostas negativas das destinatárias. Minto: num ou noutro caso não houve sequer resposta; e uma das interlocutoras chegou mesmo a responder: «ahahahaha, a sério?»;
- Dezenas de milhares de comunicados e sei lá quantas tentativas de me convencer a escrever sobre alguma coisa – tudo com contactos pessoais e moradas bem legíveis;
- Um chorrilho de coisas que as pessoas que têm família, amigos, inimigos, colegas, entrevistados, tempos de lazer, obrigações e trabalho costumam ter na caixa de correio electrónico.
Terminada esta descrição resumida, é chegada a hora de invocar o homem a quem dou honra de título nesta crónica para lhe colocar uma questão: Francisco J. Marques, achas mesmo que tens o direito, a legitimidade, ou apenas a moralidade para usar a minha caixa de correio eletrónico, e desatar a ler os meus e-mails num programa de TV?

A sério?
Então por que não fazes o mesmo com a tua caixa de correio electrónico? Fico a aguardar pela resposta, mas digo-te já: enquanto não disponibilizares a tua caixa de correio electrónico - e do plantel, equipa técnica e administração do FC Porto, por que não? - para bodo da populaça num canal de TV, nunca vou acreditar que realmente achas que aquelas descrições de e-mails de dirigentes do Benfica, possivelmente obtidas após intrusão informático, são legais e merecem uma ida ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Mas antes de tomares uma decisão mais drástica quero explicar-te uma coisa e fazer uma declaração de interesses, porque sei que estou a falar com alguém do futebol e tenho de eliminar à nascença o argumento obtuso do 'só dizes isso porque é do clube x ou y': eu sou do Sporting. Quase maluquinho, admito, mas não sou parvo. Acho que o FCP vai mesmo ganhar esta noite e é a equipa que joga melhor no campeonato. E também não sou parvo para achar que a rivalidade futebolística chega para suprimir liberdades e garantias de um cidadão, seja ele do Benfica, do Sporting ou do Alguidares de Baixo.
Por isso, era bem capaz de fazer este mesmo texto com o nome dos teus congéneres do Sporting ou do Benfica, se um desses senhores tivesse o desplante de anunciar que iria ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos queixar-se de que a justiça portuguesa aceitou, em segunda instância, uma providência cautelar interposta por outro clube para impedir os programas semanais com a revelação de correspondência alheia. (Eu sei que é um aparte escusado, mas nunca percebi por que é que não fazem o programa junto a uma lareira para dar uma aura mais intimista. É apenas uma sugestão...).

Antes de comprares os bilhetes para Estrasburgo, peço-te que atentes nas seguintes frases: «Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito à protecção da lei».

Este excerto consta na Carta Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1948, quando a GESTAPO já se finara, mas a STASI, a KGB e a CIA trocavam galhardetes e espiões e a PIDE passeava-se sorridente sem receber insultos dos transeuntes. Sim, há uma discrepância entre serviços secretos que se intrometem em tudo e as garantias previstas com a aprovação da Carta Universal dos Direitos Humanos, mas basicamente o princípio sobreviveu até aos dias de hoje - ao contrário da PIDE e da STASI.

Sou um sonhador, mas quero acreditar que, se foi assim, é porque o princípio da inviolabilidade da correspondência é um direito humano importante numa democracia.

É de resto a importância desse mesmo princípio que leva a crer que, no passado, um qualquer jurista verteu para a nossa legislação os seguintes artigos:

«Artigo 193.º
Devassa por meio de informática
1 - Quem criar, mantiver ou utilizar ficheiro automatizado de dados individualmente indentificáveis e referentes a convicções políticas, religiosas ou filosóficas, à filiação partidária ou sindical, à vida privada, ou a origem étnica, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
2 - A tentativa é punível.

Artigo 194.º
Violação de correspondência ou de telecomunicações
1 - Quem, sem consentimento, abrir encomenda, carta ou qualquer outro escrito que se encontre fechado e lhe não seja dirigido, ou tomar conhecimento, por processos técnicos, do seu conteúdo, ou impedir, por qualquer modo, que seja recebido pelo destinatário, é punido com pena de prisão até 1 anos ou com pena de multa atée 240 dias.
2 - Na mesma pena incorre quem, sem consentimento, se intrometer no conteúdo de telecomunicações ou dele tomar conhecimento.
3 - Quem, sem consentimento, divulgar o conteúdo de cartas, encomendas, escritos fechados, ou telecomunicações a que se referem os números anteriores, é punido com pena de prisão até 1 anos ou com pena de multa até 240 dias».

Os dois artigos estão presentes no decreto-lei 48/95 que está actualmente em vigor. Diria que estas frases seriam suficientes para qualquer juiz te impedir, caro J. Marques, de publicar os e-mails do rival do teu clube, mas a verdade é que houve um juiz de primeira instância que considerou que terias legitimidade para divulgar correspondência privada de outra pessoa, através de um canal de TV liderado pelo FC Porto, cujo estatuto editorial desconheço.
Talvez as leias que transcrevi aparentem apenas estar em português, quando eventualmente estarão num jurisdiquês que eu não entendo; ou o juiz de primeira instância tenha indeferido a providência cautelar interposta pelo Benfica por ter sido usado o ridículo argumento de concorrência desleal, quando o que estava em causa eram direitos fundamentais de pessoas (acredita J. Marques, os benfiquistas também são pessoas, tal como os portistas ou qualquer adepto de outro clube).

Claro que poderias alegar o interesse público desta divulgação. Só que há um pormenor insuperável: tu não és jornalista, Francisco J. Marques (já foste, e dos bons, mas agora não és, lamento). Além disso, as passagens dos e-mails que costumas ler não são sujeitas a contraditório - e ninguém garante que não são extraídas sem contexto. Até posso admitir que aquela informação possa ter indícios de corrupção, mas acho que só um magistrado pode fazer esse juízo. Também podes argumentar que há treinadores e jogadores de equipas rivais que são obrigados a responder aos flash interview dos jornalistas da Benfica TV, e até podes questionar o facto de haver profissionais da Benfica TV com carteira profissional de jornalista - e, nesses casos, concordarei contigo. Trabalhar numa TV de um clube deveria ser motivo suficiente para a entrega da carteira de jornalista - mas não nos vamos afastar do tema da privacidade que não é a Benfica TV que está em causa nesse texto.

Voltemos ao apito dourado. Lembras-te como é que tudo acabou? Eu ajudo: Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, foi absolvido porque as escutas realizadas pela Judiciária e lideradas pelo Ministério Público foram consideradas ilegais. Nota bem: foram as autoridades do Páis que fizeram as escutas - e mesmo assim foram consideradas ilegais.

Presumo que até um defensor da liberdade de expressão, como tu, sabe disto, mas de qualquer modo aproveito para relembrar: é por uma questão de sanidade democrática social e política que a lei nacional exige que buscas e escutas sejam feitas a preceito e precedidas por mandado de juiz - e não possam derivar apenas de um link qualquer que se encontra no Facebook depois de um qualquer hacker colocar na Net todo os GB dos e-mails da direcção do Benfica.

Também podes argumentar que há jurisprudência de 2013 que não penaliza quem descarrega ficheiros privados em links públicos - mas basta ler notícias que dão conta do bloqueio de sites que disseminam imagens de pessoas abusadas ou de jovens que se suicidam depois de situações bullying para perceber que esta jurisprudência tem mais buracos que a rede de uma baliza. E dificilmente pode ser levada a sério: até porque se eu me apoderar de uma carta alheia que os correios me entreguem posso estar a cometer um ilícito e eventualmente acontecerá o mesmo se colocar uma tabuleta na rua a dizer «venha aqui ver os e-mails impressos do Benfica»-

Por que é que ter um link que direcciona para uma violação de correspondência ou descarregar essa correspondência não foi considerado crime ou ilícito pela tal decisão de um juiz português em 2013 é algo que me escapa, confesso. Ok, é sempre possível dizer que, na Internet, são tantos os downloads e olhos indiscretos que se torna impossível punir os infractores. E eu respondo: acontece o mesmo com as beatas dos cigarros e não passa pela cabeça de ninguém legalizar o lançamento da beata, pois não? E acrescento ainda: hoje temos um memorando de entendimento para o bloqueio de música pirata, mas a lei não proíbe o acesso e a promoção da divulgação da correspondência privada?

Bem sei que não és juiz, J. Marques, mas uma coisa te garanto: também não és Julian Assange. Bem sei que, à semelahnça do líder do Wikileaks, sentes a tentação de publicar o que alguém esconde. Mas olha bem: Assange e Wikileaks; J. Marques e Porto Canal. Vês semelhanças?"

Comunicado...

"A Direcção do Sport Lisboa e Benfica e o Conselho de Administração da Benfica SAD vêm comunicar aos seus sócios, adeptos, parceiros e colaboradores o seguinte:
- Após tomarem conhecimento da notícia pública da decisão proferida no passado dia 7 de Março pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, reuniram no dia de hoje;
- Depois de analisada toda a informação disponível, reuniram com o Departamento Jurídico e posteriormente com os advogados do Sport Lisboa e Benfica.
Realizadas as referidas diligências, deliberaram, por unanimidade, manter a sua integral confiança em Paulo Gonçalves, aguardando com serenidade a conclusão do processo e reiterando uma vez mais a sua total colaboração para com as autoridades judiciais."

Alvorada... do Fanha

Conversas à Benfica - Esp. Modalidades: Ricardo Solnado

Conversas à Benfica 34

Benfiquismo (DCCLXXI)

Três grandes...

Aquecimento... Futebol

quinta-feira, 8 de março de 2018

Novidades no feminino...



Foi hoje apresentada a nossa equipa técnica que na próxima época irá tomar conta da nossa equipa feminina de futebol... além de outros pormenores:
- João Marques será o treinador principal.
- Vamos ter entre 8 a 10 jogadoras estrangeiras (provavelmente Brasileiras).
- Vamos apostar em jogadoras portuguesas Internacionais, principalmente sub-19.
- Já se sabia que vamos começar na II Divisão...
- Além da subida à I Divisão, o outro grande objectivo será a Taça de Portugal.
- A equipa irá treinar na Cidade Universitária, mas os jogos serão o CFC... os de maior 'risco' serão na Luz.
- Neste momento já temos 4 jogadoras com contrato: Dani Neuhas (GR), Daiane Rodrigues (DD/MD) oriundas do Brasil, e as portuguesas: Carlota Cristo e a Jassie Vasconcelos.

Alvorada... do Martins

Benfiquismo (DCCLXX)

Família...

Lanças... Lixívia...

Reafirmação da total disponibilidade de colaboração com a Justiça

"A Sport Lisboa e Benfica SAD reitera a sua total disponibilidade para colaborar de uma forma empenhada com as autoridades judiciais para o cabal esclarecimento deste processo, que desde ontem foi tornado oficialmente público, e reafirma a sua convicção e confiança de que o Dr. Paulo Gonçalves poderá no decurso do processo demonstrar a licitude de todos os seus procedimentos e condutas."

quarta-feira, 7 de março de 2018

Eficácia e (in)coerência

"E o sempre tão fulmíneo Sporting dos 'vouchers' e outros vales que, desta vez, se tem quedado pelo silêncio acorrentado.

Ainda e sempre Jonas
Desculpem-me a insistência. Não me canso de escrever sobre Jonas, um atleta soberbo que ficará entre os eleitos da história de um Benfica que acabou de completar 114 anos. Um jogador que, aos 33 anos de idade, joga como um menino que, concluída a primeira comunhão, quer provar que tem o futuro todo à sua frente. Admito a sua arte, elejo o seu inabalável profissionalismo, delicio-me com o prazer que me oferecem os seus golos (dois notáveis contra o Marítimo) e a cristalinidade dos seus passes e movimentos, sinto-o tão benfiquista como eu em função do coração e não transitoriamente por via da carteira. Sem dúvida,  melhor jogador deste campeonato, batendo recordes só ao nível de lendas como Eusébio. Ainda estamos na luta pelo título muito se deve a ele e se há quem mereça o pentacampeonato é Jonas. Há tempos, falava-se muito na sua adaptação a sistemas diferentes e o que se vem verificando é que são estes sistemas em jeito de números x-y-z que se abraçaram a Jonas. É sempre assim com os maiores jogadores, aqueles que superam os esquemas gizados em papel, evidenciam o seu virtuosismo e, no entanto, reforçam a ideia de futebol como desporto association.
Aqui insisto na injustiça de, por causa da bitola inferior da contagem dos golos em razão da descida do ranking na UEFA nesta época, Jonas não pode ser, muito provavelmente, o artilheiro vencedor da Bota de Ouro, ele que tem mais 6 ou 7 golos do que os principais craques do primeiro anel europeu. Já agora, a este propósito, se o ranking conta, porque não acontece o mesmo com a ponderação do número total de jornadas das principais ligas? Nestas, os marcadores de golos têm mais 4 jornadas (são 20 clubes e não 18, como cá) para facturar. Enfim, critérios uefeiros sempre em favor dos mesmos, aqueles que lhes dão dinheiro e outras mordomias...
Uma última nota sobre Jonas: gostei de o ver converter o penálti contra o Marítimo, assim interrompendo a série de 3 penáltis não alcançados. É claro e óbvio que Jonas não leu o que aqui escrevi a semana passada, mas o certo é que, desta vez, o benfiquista marcou a meia-altura e com força, que é muito caminho andado para um guarda-redes nunca lá chegar. Talvez seja a minha embirração com os chutos marcados junto à relva, mas, como já escrevi, esses são os que estão ao alcance do guardião que adivinha o lado...

Benfica, a obsessão que une SCP e FCP
Tão amigos que eles são. Tão candidamente silenciosos que aparentam ser. Tão escassa a produção de palavras soltas (ou à solta) nas redes sociais. Compreendo a razão: isto de não ler jornais e não ver televisão, expecto o dedicado canal do clube, não poderia dar noutra coisa. Num jogo bem disputado em que, em boa verdade, o Sporting não mereceria ter perdido no Dragão, tudo foi de uma alvura imaculada na apreciação (ou no silêncio) das contingências da partida. Abreijos (abraços e beijos) por todo o lado, rasgados elogios em regime de economia de troca, silêncios eloquentemente enviesados. Só dois exemplos para ilustrar o inocente ambiente entre Alvalade e Dragão. O primeiro relacionado com um eventual penálti a favor do SCP, na primeira parte. Honestamente, acho que foi daqueles lances em que sua marcação ou não é igualmente defensável, ou seja, é um lance em que na falta de completa objectividade factual, reina a suficiente subjectividade pessoal, neste caso da arbitragem. O árbitro foi visionar o lance, o que pressupõe que o próprio VAR estaria indeciso. Fez bem Artur Soares Dias que soube assumir a plena responsabilidade.
O certo é que os dirigentes leoninos, sempre tão afoitos em casos como este a espalhar brasas nas redes sociais e quejandos, se tenham remetido a um silêncio ensurdecedor. Imagine-se exactamente a mesma jogada em que em vez do FCP o opositor tivesse sido o Benfica... Ui, que gritaria e um milhão de insinuações. Já agora, a propósito de mãozinhas, foi interessante ver um golo anulado ao Moreirense em Alvalade porque a bola terá raspado ao de leve no braço do seu jogador. Nessa altura, lembrei-me da braçalhada em dose avantajada de jogadores do SCP na Luz. Ah! logo me lembrei, porém, que o árbitro foi Hugo Miguel.
O segundo ponto tem a ver com notícias sobre um inquérito decidido pelo Ministério Público a uma denúncia anónima ainda relacionada com a segunda parte do Estoril - Porto que, como se sabe, foi interrompida por causa de umas fissuras sanitárias e consequente invasão de campo. Devo começar por dizer que abomino o anonimato em situações similares e não faço qualquer juízo de valor sobre o que não conheço. Aguardarei, como sempre entendo, que tudo seja esclarecido para bem do futebol nacional. Mas, há sempre um mas. E este as e tão-só o da incoerência fétida que se espalha virulentamente. Anda há largos meses um funcionário do FCP a verter documentação surripiada ilegal e ilegitimamente sobre o Benfica, tirando fulminantes ilações de frases e textos criteriosamente truncados e sentenciando do alto da sua douta infalibilidade, chegando-se ao ponto de insinuar combinações de resultados por via de jogadores que não jogaram nem eram do clube (caso Rio Ave - Benfica) e eis que agora é tudo uma farsa de raiz anónima e de carácter bufão quanto ao seu clube diz respeito. Bom teria sido ter a mesma bitola quando falou de todas as insinuações à volta do Benfica.
Ah, já me esquecia. E o sempre tão fulmíneo Sporting dos vouchers e outros vales que, desta vez, se tem quedado pelo silêncio acorrentado. Esqueçam, a razão é simples: em Alvalade nada se lê, nada de ouve, nada de vê, tudo (excepto SLB) se esquece.
São patológicos o ódio e a raiva (não encontro, infelizmente, palavras mais suaves) que a espúria coligação Alvalade - Dragão evidencia sobre o Sport Lisboa e Benfica. Até tento compreender tal obsessão que se veio fortalecendo com a conquista de quatro campeonatos consecutivos pelo Benfica. Um eventual pentacampeonato é o terror na cabeça de certas pessoas. Mas, alcançado-o ou não, acho que, paradoxalmente, tudo isto evidencia a força inquebrantável do meu clube e a sua enorme presença na sociedade portuguesa. Veja-se a atitude dos seus adversários em campo e como os jogadores de qualquer equipa sempre sonham bater o Benfica, porque esse feito o inscrevem no seu curriculum. O Benfica faz sempre o pleno, ganhando os não ganhando. Não gera indiferença, não permite a abstenção, não provoca omissão. Essa é a sua grande força!

Contraluz
- Frase: «O meu segredo? A renúncia» (La Repubblica, 1 de Março)
... disse o notável campeão Roger Federer que, o caminho dos 37 anos, bate todos os recordes e volta a ser o primeiro no ranking do ténis mundial.
- Disparate: «Gelson Martins viaja à condição...»
Assim se referia alguma comunicação social à viagem para o Porto do jogador com a restante equipa: o indigente 'à condição' em todo o seu esplendor, agora não em termos de classificações, mas de viagens. À condição de quê? Ou será que a condição não é condicional?
- Recorde: 7 faltas
Na antepenúltima jornada o Chaves recebeu o FC Porto perdendo por 0-4. O clube flaviense terá batido o recorde mínimo de faltas assinaladas num jogo com um grande. Apenas 7 (3 na primeira parte!), contra 20 do adversário. Uma falta por cada 14 minutos é obra! Disse o seu treinador Luís Castro no fim do jogo: «não podemos terminar o jogo com oito (de facto, foram sete) faltas».
- Repetição: a famosa dupla de árbitros do hóquei Pinto & Rainha
meses resolveu tirar o título ao Benfica. No domingo, voltou à carga com uma arbitragem deplorável contra o Benfica em Valongo. Vale tudo. Por que não atribuir já a Federação o título administrativamente?"

Bagão Félix, in A Bola

Sombras na Luz

"O Benfica está novamente no olho do furacão, pelas piores razões. Enquanto a poeira não assentar, alguns abutres, adeptos ou não do clube da Luz, já estão na fila para se banquetearem com os despojos que adivinham e a nação encarnada aguarda, com ansiedade, por explicações ao mais alto nível.
Neste contexto, talvez seja importante relembrar alguns princípios. Ninguém está acima da lei e as autoridades judiciárias têm todo a legitimidade, na prossecução do interesse público, para levarem por diante as acções que entenderem relevantes. E há que confiar na diligência e competência das autoridades, também elas sob apertado escrutínio, na busca da verdade. Da mesma forma, há que respeitar o princípio da presunção da inocência, independentemente da percepção pública, igualmente relevante.
Tudo isto é geneticamente válido, neste caso como em qualquer outro que, por se revestir de grande mediatismo, seja susceptível induzir conclusões precoces.
Dito tudo isto, parece evidente que o Benfica vive dias sem paralelo em 114 anos de história, que exigem uma posição pública mais assertiva.
Perante danos reputacionais evidentes, o silêncio (mesmo que seja dos inocentes) não é a melhor estratégia, não une o clube nem aplaca a opinião pública.
É chegado o momento de serem dadas explicações cabais, à altura de todas as suspeições que derivam muito particularmente dos acontecimentos do dia de ontem.
Para o Benfica, creio, o mais importante, a partir de agora, não é qualquer resultado desportivo, mas sim a defesa do bom nome de uma instituição nuclear na vida do País."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Óh Delgado não sejas ingénuo, é óbvio que o penta é muito importante, nem que seja para os fazer estrabuchar mais um bocadinho...!!! Sim, a defesa do bom nome é muito importante, mas isso não invalida o resto...

Três videorreflexões

"A introdução do VAR é, provavelmente, a maior alteração já realizada na história do futebol.

Primeira
1. Nasceu em 2016 e foi aprovado, por unanimidade, em 2018. É caso para dizer, foi chegar, ver e vencer. A introdução do VAR é, provavelmente, a maior alteração já realizada na história do futebol.
Há muito que a limitação humana estava sufocada pelo crescimento vertiginoso dos diferentes meios de escrutínio. A criação deste sistema foi a resposta perfeita a tamanho condicionamento. O jogo já precisava e os árbitros já mereciam.

Segunda
2. Esqueçamos a utilidade da ferramenta e foquemos em quem a utiliza. Em que a opera.
Apesar da função de VAR ser actualmente desempenhada por árbitros, a verdade é que é uma missão totalmente diferente, que requer competências distintas.
O juiz de campo dirige um jogo dinâmico, intenso e veloz. Um jogo com adrenalina, stress físico e emotividade constantes. Um jogo onde cada decisão está limitada ao instantâneo que retém, de determinado ângulo, em determinado momento. Os homens que ajuízam em sala não.
Estão confortavelmente sentados em frente a vários écrans, sem cansaço nem visão limitada. Têm meios privilegiados, imagens ampliadas e repetições sucessivas.
No entanto, a análise técnica exige-lhe distanciamento terreno e pragmatismo absoluto. Percepção televisiva do jogo. Foco generalizado.
Em termos humanos, requer velocidade de raciocínio e reacção, segurança e confiança. O bom VAR tem que ter personalidade forte e coragem para intervir no momento oportuno, de forma clara e assertiva.
Os árbitros são pessoas com características diferentes entre si. Alguns conseguirão balizar as suas funções e vestir, em cada uma, o traje mais adequado. Outros não.
Como em tudo na vida, há que filtrar. Há que começar a seleccionar os que têm mais vocação e afastar os que têm menor sensibilidade para a função.
A carreira, específica de VAR será inevitável a curto prazo. A sua especialização fará com que apenas os mais aptos possam exercer a função, para bem do jogo.

Terceira
3. Os árbitros devem assegurar a verdade desportiva. São, portanto, um meio que garante um fim.
Quando uma partida termina com excelentes decisões, a equipa de arbitragem tem que ser elogiada. Não penalizada. Nunca penalizada.
O que hoje acontece não privilegia esse princípio: os árbitros que alterem uma decisão errada por outra claramente correcta, garantindo justiça, são punidos na sua avaliação.
Este principio - que existe em vários modelos avaliativos de arbitragem - está desajustado, inibe o subconsciente do decisor e afecta indirectamente a sua capacidade/vontade de alterar decisões.
O prejuízo na nota não pode ser mais importante do que o prejuízo do jogo. Isso subverte aquilo que, na verdade, fundamentou a introdução de videotecnologia: a possibilidade de rectificar decisões difíceis em tempo real.
A equipa de arbitragem é um todo e funciona como tal. Quando a decisão final do todo é boa, a avaliação também tem que ser.
Neste momento, o mais certo é que um árbitro que seja unanimemente elogiado por ter revisto, com sucesso, duas ou três situações de jogo... é punido individualmente por cada uma dessas opções. Fará sentido?!?
Um sistema de avaliação justo não pode punir quem te a coragem, dignidade e humildade de trocar um erro pelo acerto. De transformar a injustiça em justiça.
Criar um processo avaliativo é algo que dá muito trabalho e que jamais colherá consensos, mas há uma premissa básica que nunca deve ser desvirtuada: premiar o acerto, não o pontual mais o global.
É o que o futebol espera.
Em ano de testes e para bem da verdade do jogo, esta é uma situação que deve ser equacionada e revista com urgência."

Duarte Gomes, in A Bola

Dois candidatos e meio

"É verdade que granjeou estatuto de grande 'mister' enquanto esteva na Luz, mas será que Jorge Jesus conseguirá, algum dia, ser campeão fora do Benfica?

Quando faltam realizar nove jornadas para completar o campeonato admito que haja adeptos leoninos ainda esperançados em ver o Sporting campeão. Porque é um cenário possível, como teve o cuidado de referir Sérgio Conceição, antes e depois do clássico.
Posição aconselhada ao treinador portista por sábia prudência. Em rigor, sobram 27 pontos por discutir, mas se nas rondas disputadas ninguém foi capaz de bater o líder da classificação, será improvável que este, no tempo que falta, acumule três derrotas e, em contraposição, Jesus consiga uma ponta final imaculada, cem por cento vitoriosa.
No entanto, nem assim o título poderá sorrir ao emblema de Alvalade, na medida em que, a partir de agora, Jesus vê-se igualmente obrigado a rectificar o discurso quando olhar para cima. Além de passar a ver dois em vez de um, como repetida e vaidosamente tem alardeado, deixa também de fazer sentido a sua retórica sobre a arte de bem jogar. São os números que o dizem. Ficou sozinho no terceiro lugar. Contra os 49 golos marcados e 16 sofridos (+33) pela sua equipa, o FC Porto apresenta 68-13 (+55), o Benfica 67-16 (+51). Até o SC Braga (55) marca mais golos do que o Sporting.

Em vez de três candidatos, depois do jogo no Dragão passou a haver dois e meio, atribuindo-se esta metade ao Sporting em razão das circunstâncias de quem ficou a enxergar mal o primeiro lugar e passou a balançar entre o segundo (que é o Benfica) e o quarto (que pertence ao Braga).
Aquelas diferenças entre golos marcados e sofridos são esclarecedoras e espelham a realidade. Apenas se deu o caso de, estranhamente, Rui Vitória ter dado meia volta de avanço ao arrepio das expectativas dos seus adeptos, entusiasmados pela hipótese de proeza desportiva inédita na história do clube, o penta, agora iniludivelmente distante.
Excluído esse nebuloso período exibicional da águia não foi preciso esperar muito para verificar que o título da presente temporada, à semelhança do anterior, voltaria a concentrar-se numa discussão Benfica - Porto.
Será, então que valeu a pena ao Sporting ter suscitado tamanha barulheira com o roubo do treinador ao Benfica? As dúvidas acumulam-se, como os resultados dão a entender, mas, sobretudo, por causa do bruto contrato que lhe é devido a troco de quase nada em termos de conquistas.

Uma Supertaça e uma Taça da Liga representam coisa pouca quando comparadas com o investimento feito em revolução dispendiosa. Embora não completamente falhada, porém. Basta que, depois de na praça pública ter colocado o presidente entre a espada e a parede ao afirmar que ou lhe dava prendas natalícias ou teriam de ser riscados alvos do projecto, Jesus tenha coragem de proclamar a candidatura leonina ao triunfo na Liga Europa. Com a clareza de quem deve sentir-se obrigado a acreditar na qualidade do plantel que o clube lhe permitiu formar. Que assuma essa pretensão de uma forma inequívoca e não com os rodeios, os ses e os autoelogios com que o tem feito.
Não é nada contra Jesus. Faço esta chamada de atenção só para elucidar os autores de recados taberneiros nas ditas redes sociais.
Pretendo, tão somente, sublinhar uma distorção que para mim constitui indecifrável mistério: continuar a ouvir gente próxima do Sporting estabelecer uma ponte entre a contratação de Jesus e a falência imaginária que ela terá provocado no vizinho da Segunda Circular, sem haver o cuidado de reflectir sobre uma questão que é básica. Isto é, ao contratar Jesus, será que o Sporting prejudicou o Benfica ou, pelo contrário, livrou-o de um estorvo desportivo e financeiramente insuportável?
Como já escrevi, entendo que lhe resolveu um problema: Jesus saiu da Luz e o Benfica foi campeão sem ele; Jesus entrou em Alvalade e, em terceira época, o Sporting ainda não foi campeão com ele.

Em seis anos de trabalho no Benfica Jesus ganhou três campeonatos e perdeu três, não tendo o Sporting acautelado as consequências da sua decisão nem avaliado como devia o porquê das diferenças entre as duas faces do mesmo treinador: a que ganha e a que perde.
Quando chegou à Luz, na sequência de conjuntar especialíssima, não registava títulos no seu currículo. É verdade que granjeou estatuto de grande mister enquanto lá esteve, mas permito-me terminar com uma pergunta: será que Jorge Jesus conseguirá, algum dia, ser campeão fora do Benfica?
Não tenho a resposta, mas tenho uma ideia."

Fernando Guerra, in A Bola

Uma questão de liberdade

"Miguel Sousa Tavares vem, como diz hoje na sua página de opinião, juntar-se ao rol de nervosos comentadores portistas, onde já figurava, com assinalável destaque, Pedro Marques Lopes.
Aqui, em A Bola, tanto MST como qualquer colunista do jornal tem, como é público e notório, a maior ampla liberdade para comentar e analisar factos e acontecimentos com os olhos da cor do seu clube. É assim que se garante a visão do adepto e se garante o contraditório, com a responsabilidade do rosto e da assinatura de quem publica e sua opinião. É isso, aliás, que distingue um jornal sério, respeitável e digno de uma democracia, de uma qualquer folha ou canal oficial de clubes ou de qualquer texto na chamada comunicação informal, que, muitas e muitas vezes, não vive do contraditório, mas do ruído ensurdecedor, e não vive da responsabilidade assinada, mas de uma incógnita covardia.
Eu percebo que muita gente se confunda com esta tão ampla dimensão de liberdade de opinião e não têm sido poucos os que nos aconselham a menos tolerância democrática. Não seguimos, porém, esses conselhos, porque, para nós, a liberdade é como a gente séria. Não há gente muito ou pouco séria, há apenas gente séria e gente que não é séria. É assim com a liberdade. Não há lugares de muito ou pouca liberdade. Há lugares de liberdade e lugares sem liberdade.
A Bola é, sempre foi, na sua imensa e única dimensão histórica, um jornal de liberdade. Tem custos? Evidentemente que sim. Mas vale a pena, porque não hipotecamos a nossa dignidade a ninguém e mantemos o respeito pela inteligência dos leitores."

Vítor Serpa, in A Bola

Ascenção notável do Aves vai a exame na Luz

"No final da jornada 20, depois da derrota em Braga (0-2), o Aves estava em último na classificação, com apenas 14 pontos. A situação era complicada – a equipa conquistara somente um empate nas derradeiras sete partidas –, apesar da distância para o 16.º posto – o derradeiro a garantir a permanência no escalão – ser apenas de 1 ponto.
De repente, tudo se alterou. Tanto que, nesta altura, a formação avense é a única – à excepção dos dois da frente, FC Porto e Benfica – a ter sido capaz de pontuar nos últimos cinco compromissos. Sim, por improvável que possa parecer, mais ainda face ao período difícil que a equipa vivera recentemente, o Aves vai numa inesperada sequência de cinco partidas sem sofrer o amargo sabor da derrota. Mas, o feito do conjunto agora liderado pelo experiente José Mota não se fica por aí. Podemos acrescentar que nos tais 15 pontos disputados a equipa amealhou 11 – apenas menos três do que conseguira nas 20 rondas anteriores –, o saldo de golos foi de 11-2 e nas derradeiras três partidas nem um golo encaixou, algo que também Sp. Braga e Belenenses lograram.
Contas feitas, depois desta reviravolta – que até englobou uma sensacional goleada de 5-2 no Restelo –, o Aves já respira muito melhor. Com efeito, os atuais 25 pontos colocam a equipa nortenha em 13.º, mais próxima do 10.º lugar do Tondela (tem 28 pontos) do que dos postos que ditam a descida, nesta altura ocupados por P. Ferreira e Estoril (ambos com 21 pontos). Ainda assim, claro, todos os cuidados são poucos. Faltam 9 embates (equivalentes a 27 pontos) e tudo pode acontecer. De resto, o calendário não é propriamente o mais simpático para o Aves, pois ainda contempla, por exemplo, duelos com Benfica e FC Porto, para além de eventuais ‘finais’ com V. Setúbal (jornada 28), Feirense (30), Estoril (32) e Moreirense(33). Para já, no sábado, a deslocação ao Estádio da Luz servirá como um autêntico exame a este ‘estado de graça’, pois o adversário tem um imenso potencial ofensivo (com destaque para Jonas) e a história diz-nos que as viagens ao reduto das águias acabam sempre em derrota. Será assim de novo?

Sabia que...?
O Estoril é a única equipa que já sofreu 6 golos duas vezes?
Antes da derrota caseira com o Sp. Braga (0-6), os canarinhos haviam encaixado meia dúzia de golos na jornada 8, quando perderam pelo mesmo resultado... em Braga. Os minhotos são responsáveis por 23% dos 52 golos sofridos pelos estorilistas.

A jornada 25 foi a que teve mais remates na temporada?
Foram contabilizados 224 ‘disparos’, marca que ultrapassa os 212 verificados aquando da ronda 23. 

Foi estabelecido um novo recorde mínimo de foras-de-jogo?
Nos oito encontros desta ronda 25 só foram assinaladas 21 situações de adiantamento. Antes, o registo mais baixo estava em 27 (jornadas 4 e 23).

O Marítimo está com problemas nos penáltis?
A equipa só foi castigada uma vez em 19 jornadas, mas nas derradeiras seis ‘levou’ com quatro penáltis.

O Feirense só viu dois amarelos nos últimos dois jogos?
Esta é a equipa com mais cartões (82) da prova..."

Alvorada... do Guerra

Jonas, o escrete e as pistolas encravadas

"Mais que perceber quanto de Jonas há nos resultados do Benfica, há que perceber quanto do Benfica há nos golos de Jonas.

Jonas está a fazer um campeonato extraordinário. O jogo com o Marítimo, no sábado, foi disso exemplo. O adversário até entrou melhor, estava a criar dificuldades ao Benfica, mas assim que o “Pistolas” teve uma bola na área fez o primeiro golo. A história repetir-se-ia mais à frente, até retirar qualquer interesse competitivo que o jogo ainda pudesse ter para os observadores neutros. O hat-trick que o brasileiro completou na primeira parte do jogo, aumentando o seu total para 30 golos em 25 jogos, relançou dois debates. Um acerca do peso de Jonas no rendimento do Benfica. Outro acerca dos méritos do avançado, em contraponto com o demérito dos adversários. Afinal, Jonas é jogador para o a selecção brasileira? Ou só marca aos pequeninos e encrava as “pistolas” sempre que aumenta o grau de dificuldade dos jogos? As duas coisas estão ligadas.
Os benfiquistas não gostam que se diga que a equipa é excessivamente dependente de Jonas e a minha opinião é que, apesar de os números sugerirem um aumento da percentagem dos golos do número 10 no bolo global, já houve mais dependência daquilo que ele era capaz de dar ao onze. Sobretudo há dois anos, quando aquilo que a equipa jogava era incontestavelmente menos. Mas depois, os mesmos benfiquistas já se reveem na afirmação laudatória, segundo a qual uma bola na área em Jonas é golo certo. Aliás, até fundam nela a candidatura do jogador a uma vaga na fase final do Mundial, com a camisola canarinha. Afinal de contas, quem pode desprezar um avançado que garante um golo a cada vez que tem a bola na área? Ninguém. Nem o Brasil.
O problema é que as coisas não são bem assim. E, mais uma vez, as coisas estão ligadas. Jonas é, de facto, um finalizador temível, mas não possui o segredo da pedra filosofal futebolística e não transforma bolas quadradas em golos. O que acontece é que todo o processo da equipa do Benfica contribui para que a maior parte das bolas que chegam a Jonas na área sejam bolas de golo. Ao contrário do que sucedia, por exemplo, há dois anos, quando um Benfica em claro processo de mudança ganhou o campeonato sem futebol para isso, mas muito suportado na categoria individual de alguns dos seus jogadores, neste momento a equipa tem argumentos colectivos. Troca a bola a grande velocidade no meio-campo ofensivo, em tabelas que, por manterem a certeza de passe, vão tirando as defesas do caminho. O segredo de Jonas é o de conseguir participar nas tabelas – porque manteve a mobilidade, apesar de ter passado a ser a principal referência posicional do ataque – e aparecer depois no final das jogadas a finalizar e a fazer golos.
Ora é aqui que entra a outra “escola de pensamento”. Os adeptos mais radicais dos rivais na luta pelo título chamam a atenção para o facto de Jonas sumir sempre que o grau de dificuldade dos jogos aumenta. Fazem-no, até, de forma irreal, insinuando que os adversários facilitam – como se fosse possível um jogador marcar em 21 das 25 jornadas que leva o campeonato porque teve a tarefa facilitada por uma espécie de conspiração que envolveria 16 das 18 equipas do campeonato. A verdade é que, apesar de levar 30 golos em 25 jogos de campeonato esta época (e 95 em 98 jogos nos quatro campeonatos que fez na Luz), Jonas só marcou uma vez ao FC Porto e outra ao Sporting, ambas de penálti. E em três edições da Liga dos Campeões, fez apenas dois golos, ao Zenit e ao Galatasaray, que não são propriamente potências do nível das que a selecção brasileira terá de defrontar num Mundial.
Parece evidente que há um encravamento das pistolas de Jonas quando o nível dos duelos tende a elevar-se. No entanto, admito que isso não tenha a ver com a sua qualidade enquanto jogador, mas sim com a maior qualidade dos adversários na forma (colectiva) como se opõem ao processo do Benfica. No futebol português, vai tudo dar ao mesmo: a competitividade, quando se baixa daqueles quatro que estão no topo da tabela, é cada vez menor. Os golos de Jonas, aqui, são um efeito secundário, agradável para os benfiquistas, irritante para os rivais. Mas uma observação fria e neutra da realidade diz-nos que Jonas não é um alquimista imparável nem um atacante inútil noutras realidades. Neste momento, mais do que saber quanto de Jonas há nos resultados do Benfica, seria necessário entender quanto do Benfica há nos resultados de Jonas. E se o facto de ele falhar no degrau superior não tem a ver, sobretudo, com a equipa."


PS: É difícil perceber que os grandes goleadores, das principais equipas Europeias, além do talento natural, têm quase sempre características de força e/ou velocidade?!!!
Quando o Benfica joga contra os Marítimos desta vida, o Jonas não precisa de fazer um 'pique' de 15 ou 20 metros para chegar à área...

O futebol já não é isto: é uma soma de tudo isto

"Uma data de homens a correr atrás de uma bola.
Já foi um dos maiores insultos ao futebol. Uma frase de quem o queria desvalorizar. Resumi-lo assim, hoje em dia, acaba por ser um elogio. Até porque o futebol é mais complexo. Há uma velha frase da gíria da bola que diz «o futebol é isto» e que pode ser colocada no final de praticamente qualquer discurso. Mas o futebol já não é só isto: é uma soma de tudo isto. 
O futebol é cada vez mais Política.
Uma data de homens a correr atrás de uma bola antes de outra data de homens se sentar em debates de «Olhe que não» e «Ouça» e «Veja aqui este frame porque essas cinquenta repetições não mostram tão bem quanto esta imagem pixelizada e estática». Debates onde nunca se perde: por vezes não se ganha. Ou, como um dia disse Narciso Miranda, ganha-se perdendo. O rival pode marcar mais ou ter mais pontos, mas há sempre uma boa explicação que não o ter marcado mais ou somado mais pontos.
O futebol é, provavelmente, a única área que dá azo a horas e horas de programação sem que se fale de si próprio. Apenas de tudo o que está à volta. Há gente a falar nas televisões que nunca comentou uma jogada, que não de bastidores, um ataque, que não verbal, uma defesa, que não de honra, ou um drible, que não à verdade.
O futebol é cada vez mais Finanças.
Uma data de homens a correr atrás de uma bola antes e depois de outra data de homens se debruçarem sobre Relatórios e Contas, comunicados à CMVM, balanços e balancetes. Os lucros que não esticam, os passivos que não descem, os credores que não desaparecem, os salários que não encurtam.
Grita-se «Vendaaaaaa!» como quem grita «Goloooooo!», diz-se adeus, faz-se a conta ao que sobra e ao que dá para investir. Traça-se projectos, atiram-se ideias, faz-se F5 à procura de novidades.
O futebol é cada vez mais Geometria.
Uma data de homens a correr atrás de uma bola antes de outra data de homens traçarem linhas em cima das imagens dos primeiros. Paralelas, perpendiculares, pontos de fuga. O jeito que deram as aulas de EVT.
Nunca nenhuma linha terá o encanto do ziguezague de Maradona entre os ingleses ou da curva da bola chutada por Roberto Carlos antes de entrar na baliza da França.
O futebol é cada vez mais Direito. Mas torto. Direito com D grande.
Uma data de homens a correr atrás de uma bola enquanto outra data de homens desafia a justiça. Os colarinhos brancos de Cantona mereciam continuar a ser os únicos com espaço no futebol. As fugas que interessam deveriam ser as de Ronaldo.
O problema não é o futebol ser isto. Porque o mundo também tem o negro e o cinzento na palete de cores. O problema foi terem levado o futebol a ser isto.
O futebol é cada vez menos a data de homens que corre atrás da bola.
É cada vez menos o verde da relva.
É cada vez menos o cachecol esticado.
É cada vez menos o grito de apoio.
É cada vez menos o remate ao ângulo.
É cada vez menos o som da bola a bater na trave.
É cada vez menos o golo no último minuto que arrepia a pele.
É cada vez menos o túnel que faz soltar um ui.
É cada vez menos o defesa que salva em cima da linha.
É cada vez menos o resumo alargado, o golo da semana, a Bola de Ouro, a chuteira preta.
É cada vez menos o amigo de sempre que só conheço do estádio.
É, enfim, cada vez menos bonito.
O futebol hoje é tanta coisa que é cada vez menos o futebol."