Últimas indefectivações

sábado, 22 de dezembro de 2018

Benfiquismo (MXLI)

Bênção...!!!

Jogo Limpo... Rescaldo do 30-0 !!!

Uma Semana do Melhor... João x 4 !!!

Domingo é o dia do presente ideal

"Estamos no sorteio da Taça, mas os títulos só aparecem com qualidade muito superior. Ninguém desconhece esta realidade

O Benfica continua à procura da sua retoma com crescimento moderado. Na Madeira conseguimos os três pontos e não se pedia mais um campo onde temos tradicionalmente dificuldades. Três pontos não era o essencial, eram tudo.
Se é certo que vence os jogos, soma pontos ou passa eliminatória também é realista constatar que nos adeptos mais exigentes paira o espectro da crise que os nosso adversários tanto anunciam.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A verdade é que mais logo estamos no sorteio da Taça, na companhia de sete ex-vencedores da prova e um forasteiro. Não deixa de ser uma curiosidade assinalável, como Benfica, FC Porto, V: Guimarães, SC Braga, Sporting, Leixões, Aves e Feirense estão mais logo a assistir ao sorteio com ambição de voltar ou chegar e vencer no Jamor.
Em Montalegre a temperatura não passou de 1 grau positivo, conseguido na cabeça de Conti. Mesmo com uma equipa (e bem) integralmente remodelada, a verdade é que se esperava mais num jogo de Taça no esplendor das suas mais bonitas raízes. O estádio local cheio fair-play, uma festa sem incidentes, uma lição de bem receber que começou pelo cozido do Ricardo na Casa de Padornelos, uma Câmara que não se poupou a esforços para que o jogo se realizasse na terra.
Certo que estamos hoje no sorteio, mas também é seguro que os títulos só aparecem com uma qualidade muito superior. Ninguém no Benfica desconhece esta realidade, e é nela que se trabalha para domingo frente à equipa que melhor joga neste campeonato poder haver o aceder da luz da esperança encarnada.
Domingo é mais que um jogo, mais que três pontos, domingo é o dia. Uma vitória sobre o SC Braga, rival directo, com os mesmos objectivos do Benfica era o presente ideal para o Natal benfiquista.
Numa altura em que as modalidades têm um comportamento muito bom, numa altura de estabilidade económica e financeira, numa altura de futuro, uma vitória sobre o SC Braga era mesmo o presente que assegurava o presente.
Um Santo e Feliz Natal para todos os leitores de A Bola, qualquer que seja o seu clube de preferência, qualquer que seja o seu credo e as suas opções."

Sílvio Cervan, in A Bola

Arrependimentos !!!

"Um dos rostos da impunidade na comunicação social. Meses a discutir-se o desconhecido. Meses a levantar suspeitas com base em teses criadas à pressa. Nós avisámos que o desfecho seria este. Durante meses existiram manobras nos bastidores do futebol português para serem lançadas variadas suspeitas na comunicação social, desengane-se quem pense que tudo isto não foi nada mais nada menos que uma estratégia de comunicação. O braço armado são aqueles que por ódio e fanatismo saltam os princípios da ética profissional. Que se aprenda com este caso."


PS: Basta comparar o tempo de antena, que foi dado a este caso quando saiu acusação!!! Foram pelo menos 4 dias com programas especiais, à tarde e à noite e de manhã, em todos os canais de noticias, além dos principais jornais do dia terem sido praticamente dedicados em exclusividade a este tema!!!
Hoje, houve alguns directos à tarde e depois, praticamente desapareceu...!!!

E-Nada!

"Total respeito pela justiça, depois de mais uma vitória do Benfica contra quem atingiu a sua reputação. Sobretudo uma vitória contra todos aqueles capangas mediáticos e clubísticos que gastaram horas e horas de transmissões televisivas a discutir e a difundir aquilo que era a versão de uma das partes, ignorando sistematicamente que os factos são uma coisa e o showoff jornalístico é outra coisa.
Uma lição para os justiceiros mediáticos mal intencionados, para quem está por detrás de alguns deles e também, é verdade, para alguns benfiquistas."

Benfica SAD não vai a julgamento

"Decisão foi tomada esta sexta-feira.

A Benfica SAD foi ilibada de todos os crimes de que era acusada no caso E-toupeira. Ana Peres, Juiz de Instrução, decidiu que o Clube não devia ir a julgamento por nenhum dos 30 crimes pelos quais foi indiciado pelo Ministério Público: 1 de corrupção activa, 1 de oferta ou recebimento indevido de vantagem e 28 de falsidade informática.
À saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, Rui Patrício, um dos advogados da equipa de defesa da Benfica SAD afirmou: “estamos satisfeitos. Era o que queríamos e estávamos convictos. É uma decisão que honra a justiça.”"

Obrigado, Pedro Nunes

"Treinador deixa clube após cinco anos de ligação. O Sport Lisboa e Benfica informa que Pedro Nunes deixou de ser o treinador da equipa sénior masculina de hóquei em patins do clube, após cinco anos de ligação.

Com a particularidade de ser sócio do Sport Lisboa e Benfica, o técnico começou a orientar os encarnados na temporada de 2013/14. Três troféus marcaram o seu início desportivo à frente dos destinos da equipa: Taça Continental, Taça Intercontinental e Taça de Portugal.
Na época seguinte, Pedro Nunes conduziu as águias a um feito muito importante para a história da secção, uma vez que não acontecia há 20 anos. Mas a dobradinha – Campeonato Nacional e Taça de Portugal – foi só um dos momentos altos do seu enorme trajecto no Clube.
Em 2015/16, além do Bicampeonato Nacional, o Sport Lisboa e Benfica conquistou a segunda Liga Europeia da sua história, em pleno Pavilhão Fidelidade. Seguiu-se uma Taça Continental em 2016/17 e na temporada transacta a Taça Intercontinental, troféu que levou inclusivamente à distinção do CNID para melhor equipa do ano.
O sucesso colectivo conseguido de águia ao peito fez com que Pedro Nunes fosse eleito o melhor treinador do mundo pelo conceituado site espanhol "HockeyPatines.com" em 2015 e 2016, estando este ano também na lista de nomeados.
O Sport Lisboa e Benfica agradece, profundamente, todo o trabalho desenvolvido e o empenho demonstrado pelo treinador Pedro Nunes nestes últimos anos ao serviço do seu clube de coração, desejando-lhe as maiores felicidades para a sua carreira."

Vira o disco e toca o mesmo

"Mesmo num mundo ideal, os erros de arbitragem continuariam a ocorrer, embota desejavelmente com menor frequência, fruto das inegáveis dificuldades da função. O que nunca aconteceria, passado um terço de uma competição, seria constatar-se um desequilíbrio tão acentuado quanto aos beneficiários desses erros como na presente temporada da Liga NOS.
No dia 10 de Dezembro, o Conselho de Arbitragem divulgou, pelo Twitter, uma análise sobre a utilização do vídeoárbitro nas primeiras onze jornadas do campeonato. Foi revelado que, de acordo com a análise efectuada, identificaram-se avaliaram-se 639 lances, dos quais resultaram nove erros. Até parece que está tudo a correr bem... Porém, lendo os vários twetts, apesar de não haver um único que o revele explicitamente, percebe-se que dos tais 639 lances, só 33 motivaram revisões e que os nove erros, que o Conselho de Arbitragem, sabe-se lá por que razão, entendeu que não deveria revelar quais foram e quem os cometeu ou a quem prejudicou e beneficiou, referem-se às 33 revisões. Ou seja, nove erros em 33 casos (27,3%). Qual terá sido a percentagem de erros nos restantes 606 caso? E quantos lances, além dos 639, terão ficado por analisar?
Um Conselho de Arbitragem exclusivamente focado na verdade desportiva, e não na auto-preservação, responderia a estas questões, ao invés de propalar um hipotético sucesso tão facilmente desmontável. Não há jornada sem casos a favor do FC Porto. Louve-se a coerência, não havendo mais para enaltecer.

P.S. O silêncio sportinguista nesta matéria é ensurdecedor e revelador. Ou se sentem beneficiados, ou não se preocupam assim tanto com o título (desde que não seja o Benfica a ganhá-lo)."

João Tomaz, in O Benfica

Não entendo

"Se eu fosse crente, diria: 'Juro por Deus que não entendo'. Como não o sou, limito-me a dizer que não consigo mesmo perceber o que passa pela cabeça de alguns adeptos ou sócios benfiquistas. E aqui estou a referir-me ao comportamento demonstrado nas últimas semanas em relação ao treinador e à equipa profissional de futebol. Parece que estou a chover no molhado, mas não. Não tenho nenhuma procuração para defender Rui Vitória ou o presidente Luís Filipe Vieira. Só me move o apoio ao Sport Lisboa e Benfica. Por isso, não entendo como se gasta energia a deitar abaixo a nossa equipa enquanto assistimos a um descarado regresso ao passado da corrupção e mentira no futebol português.
Vou ser ainda mais claro. Nas últimas três jornadas, para não recuar ainda mais no tempo, o FC Porto tem sido beneficiado de forma escandalosa nos seus jogos para o campeonato nacional. E o que é que alguns dos apoiantes do SLB fazem? Enchem as redes sociais e as conversas de café com ataques à falta de qualidade do futebol da nossa equipa, ficando praticamente em silêncio em relação à vergonha tradicional azul e branca. Como é que se explica isto? Má-vontade, em parte, mas também é fruto de uma campanha de desinformação e silenciamento levada a cabo pela maioria dos órgãos de comunicação social.
Acordem, por favor. É verdade que a qualidade do nosso futebol pode melhorar, sem dúvida. E temos de ser exigentes, mas não podemos deixar passar em claro a vergonha que está a ser este campeonato."

Ricardo Santos, in O Benfica

Carta aberta ao Pai Natal

"Querido Pai Natal, bem sei que aos 24 anos já não sou nenhuma criança (pelo menos em anos de vida), ainda assim dirijo-me a ti com o mesmo entusiasmo de um garoto. Há alguns palermas que teimam em afirmar que tu não existes. Disparates. Se há tanta gente a crer em dietas milagrosas que prometem queimar 50 Kg em cinco dias, inocentes iludidos pelos preços da Black Friday, ou até quem se fie no VAR, porque raio não posso eu acreditar no Pai Natal? Tive um comportamento exemplar ao longo do ano. Comi a sopa toda, fui amigo dos meus amigos e juro por tudo que nunca deixei a roupa espalhada pelo quarto para a minha mãe arrumar. Bem, é possível que tenha deixado um dia ou outro, mas não mais do que isso.
Enfim, basta de rodeios.
Vou directo ao motivo que me levou a escrever estas palavras. O presente que mais desejo neste ano é ligeiramente diferente daquele que cobicei há 12 meses: já não faço qualquer intenção de ver o Luisão erguer aqueles quatro troféus que te tinha falado. Ao Luisão, podes antes dar umas bolas simpáticas quando ele for representar o Benfica aos sorteios. Olha, como aquelas que costumas dar ao FCP. Desta vez, quem eu gostaria de ver levantar as tais taças seria o Jardel. Pelo modo como o Jardel eleva a filha ao ar, gesto que acompanho com frequência no Instagram, vê-se bem que ele tem treinado para erguer os troféus que forem necessários. As mãos do Jardel parecem mesmo ter o molde perfeito para agarrar taças. Até reparei, por mero acaso, num curioso detalhe: a menina tem um tamanho bastante idêntico ao do caneco da Liga Europa.
Não acredito que seja coincidência."

Pedro Soares, in O Benfica

Jogo grande

"No momento em que esta edição chegar às mãos do estimado leitor, é provável que o Benfica tenha já ultrapassado mais uma eliminatória da Taça de Portugal, tenha vencido o Montalegre, e obtido desse modo a sexta vitória consecutiva desde a malfadada partida de Munique. Talvez até o tenha feito sem sofrer qualquer golo, e a ser assim, terá somado mais de 550 minutos com as balizas invioláveis.
O futebol vive de resultados, e de acordo com essa premissa, poderíamos afirmar que a 'crise' estaria ultrapassada. E talvez esteja mesmo, mas falta ainda a prova suprema. A prova a partir da qual, então sim, poderemos ter a certeza de a nossa equipa estar no caminho certo, no caminho dos títulos. Essa prova espera-nos no domingo.
O jogo com o SC Braga é um clássico do nosso futebol, que se assemelha cada vez mais às partidas com FC Porto e Sporting. Num passado recente já decidiu Campeonatos, Supertaças e até meias-finais europeias.
Acresce que os bracarenses vivem um excelente momento, sonham legitimamente com a conquista do seu primeiro título nacional, e são, na minha opinião, a equipa que melhor futebol tem praticado no país.
Trata-se, pois, um exame extremamente difícil. Uma prova de luxo, que pode permitir a uma das equipas embalar um resto de campeonato em modo triunfante. Estou em crer que o Benfica, jogando em casa, com o Estádio da Luz cheio e um apoio incessante, não desperdiçará a oportunidade de subir na tabela, e marcar posição na luta pelo título. Poderá ser este o pontapé definitivo na 'crise' que vivemos há meses de um mês,e que tanto entusiasmo gerou entre os rivais."

Luís Fialho, in O Benfica

A união

" 'A nossa união é a verdadeira luz'. Esta frase tão simples, preferida pelo presidente do Sport Lisboa e Benfica, no discurso de Natal, na semana passada, diz tudo acerca do momento que estamos a viver. Luís Filipe Vieira deu uma verdadeira lição de liderança e passou uma mensagem de confiança e ambição.
O principal aspecto de uma boa liderança consiste, desde a primeira hora, em exercê-la de maneira que, mais do que conseguir que as pessoas da organização confiem em nós, sejam capazes de confiar em si mesmas e na suas possibilidades de ter êxito. Todos sentimos um orgulho imenso do percurso, nos últimos anos. Um percurso que foi muito exigente, a pôr à prova tudo em todos e cujo balanço é bastante positivo. Conforme frisou e bem o presidente, do ponto de vista patrimonial, os resultados estão à vista. A estratégia traçada surtiu efeito, com a vantagem de sabermos todos qual é o rumo. Luís Filipe Vieira continua a ver a luz, apostando no reforço das nossas infraestruturas, sobretudo com a conclusão da primeira fase de alargamento e expansão do Caixa Futebol Campus, um verdadeiro presente de Natal e Ano Novo. As apostas na formação, na inovação e na valorização dos nossos recursos humanos são para continuar. Sem nunca esquecer o papel de dois dos principais pilares do SL Benfica - as 297 Casas, Filiais e Delegações e a Fundação Benfica. A obra feita no Benfica só foi possível porque a 'fizemos todos e juntos!' Ter uma visão de futuro e actualizá-la dia a dia é um dever de todos nós, sempre com a mesma ambição, procurando 'ver mais longe para ver melhor'."

Pedro Guerra, in O Benfica

A fábrica do Pai Natal

"Neste Natal, por estes dias, o Estádio da Luz mais parecia a fábrica do Pai Natal espalhada pelos diferentes departamentos, que os enchiam de presentes e embrulhos à espera do destino. Cada secretária encontrou um canto vago, e cada pausa de almoço encontrou um tempo mal comido para trocar pela caça às prendas. Mais que isso, cada colaborador encontrou espaço, disponibilidade e recursos para conseguir corresponder aos pedidos de tantas e tantas crianças. É já uma tradição a recolha pela Fundação dos desejos de Natal de crianças de várias instituições residenciais e a sua distribuição, através dos Recursos Humanos, pelos diferentes departamentos do Grupo Benfica. O processo é mais ou menos assim: uma vez chegadas a cada departamento as diferentes listas com desejos de Natal os colaboradores entram em acção para os transformar em realidade, fazem coletas entre os colegas e procuram no mercado para conseguir rentabilizar ao máximo e proporcionar às crianças o melhor possível. Depois seguia-se uma visita por departamento a cada instituição apadrinhada e o contacto almejado com as crianças. Mas este ano fomos mais longe e decidimos oferecer às crianças uma verdadeira Festa de Natal no estádio organizada com a colaboração de todos. A entrega dos presentes foi feita em festa, e as crianças desfrutaram de um ambiente extraordinário que lhes tornou o dia memorável.
É certo que o Natal é, antes de mais, o tempo de família. É ainda mais certo que não lhes podemos dar a família que queriam e mereciam, mas todos em conjunto, como só o Benfica sabe fazer, lhes demos um acolhimento caloroso e genuíno que transformou este dia num dia feliz. E acredito que, sendo a vida feita de recordações, as pequenas coisas nos marcam quando crianças e que, por isso, este dia das suas vidas será recordado muito para além da infância, nalguns casos madrasta. Mais que os brinquedos recebidos, esta recordação positiva e o bem-estar vivido neste dia alegre, vivido pelo meio destas infâncias carentes e sofridas, é o maior valor que lhes poderíamos dar. Por isso, com toda a modéstia, é orgulho a palavra que me vem à cabeça quando penso no sentimento de todos os colaboradores e benfiquistas perante a obra que fazem com a Fundação.
Feliz Natal!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Estranho modelo, estranho pessoal

"Crê-se que a Justiça defenda os justos e os honrados. E não que poupe os desonestos. Acredita-se que a Justiça seja justa, célere e competente. E que não se deixe enredar nos seus próprios engulhos, como a deusa Lilith, feita demónio. Fiamo-nos de que a Justiça cumpra o que os homens lhe determinaram: e não que apenas aprendesse a de defender (sem êxito) dos seus males e cada vez mais, a se deixar esgotar corporativamente em si própria, sem se preocupar em cuidar devidamente daqueles que a pagam e por ela ainda chamam, acreditando, pelo menos, numa razão universal.
Temos confiado em que a Justiça seja sempre exercida de acordo com os rigores da Lei. E até acreditamos na Lei. Mas também sabemos que os legisladores, menos sóbrios e mais prolixos do que a sabedoria recomenda, tradicionalmente se dão, no nosso país, a legislar nos gabinetes, com a mesma loquacidade, que usam em tribunas parlamentares e no espaço público, onde tanta e tanta vez os vemos defender, também corporativamente, o indefensável, o impróprio e indesejável.
Em Portugal, somos mansos. Aceitamos tudo, acreditando sempre. E de tal forma é assim, que todos nós temos visto, com passiva perplexidade, as absurdas reivindicações patrimoniais e as greves dos juízes, assim como as bravatas dos funcionários judiciais; os lamentos, os avisos e as paragens das polícias e dos investigadores; e os protestos e ameaças de procuradores e magistrados do universo do Ministério Público. Todos assistimos incrédulos e pasmados e inquéritos sob sigilo que as televisões reproduzem integralmente; a medidas de coação ridiculamente ineficazes; e constantes fugas, partilhas e violações do chamado segredo de justiça, com alguns órgãos de comunicação privilegiados pelos funcionários públicos, nisso parece, interessados; e a fases de instrução que depois desdizem as 'sentenças' previamente encomendadas à opinião pública. E todos sabemos de julgamentos com dezenas ou centenas de testemunhas que se arrastam por meses e meses, fora os anos depois somados, com as manobras dilatórias que os códigos (também parece que) incentivam. E por fim, ainda ficamos só de boca aberta, perante a infinidade de processos de colarinho branco e de colarinho escuro, em que ex-políticos velhacos e ex-banqueiros bandidos impunemente se passeiam e vangloriam com os atrasos, e com a bandalheira a que, enfim, o sistema (que os não pune) aparenta ter-se reduzido.
Infelizmente, é, de facto, à mercê deste estranho modelo e deste estranho pessoal que todos estamos."

José Nuno Martins, in O Benfica

Taça...

Vamos a Guimarães, em mais um 'sorteio' cozinhado da FPF, nos Quartos-de-final da Taça de Portugal... Em caso de vitória, jogaremos a Meia-final, a duas mãos, com o vencedor do Feirense - Sporting, com o primeiro jogo a ser realizado na Luz...

Guimarães - Benfica
Feirense - Sporting
Aves - Braga
Leixões - Corruptos

Benfica, entre sexta e domingo

"O fim do ano é normalmente uma altura propícia a balanços e Luís Filipe Vieira, a passar pelo momento menos confortável em quinze anos de presidência, deverá avaliar as circunstâncias que levaram o Benfica a estar distante do que devia, no âmbito desportivo, e a viver sob acosso, no campo judicial.
Quanto ao segundo, hoje ficar-se-á, finalmente, a saber se a SAD irá ou não a julgamento no caso e-toupeira. Sendo que a presunção de inocência é um direito inalienável, a decisão da juíza de instrução valerá sobretudo pela percepção que será criada e pelas ondas de choque num espaço mediático que o Benfica domina mal.
Do primeiro, vários considerandos serão válidos, nomeadamente sobre a política de contratações (quem avaliou Ferreyra e Castillo, cujos contratos oneram o clube em 40 milhões de euros e qual a explicação do treinador para não contar com eles? Quem decidiu emprestar Jiménez ao Wolverhampton?); sobre o longo processo de fragilização de Rui Vitória, cozinhado em lume brando pela entrada em cena, sem desmentidos oficiais ou oficiosos, do nome de Jorge Jesus; sobre a medíocre qualidade do futebol que vem a ser praticado; e, ao dia de hoje, sobre a transcendente importância do jogo de domingo, com o SC Braga.
É certo que Rui Vitória pode brandir os seis triunfos consecutivos que obteve desde que ressuscitou para o cargo de treinador do Benfica. Mas ninguém terá dúvidas de que o técnico encarnado vive sob tolerância zero e nunca terá dependido tanto de um só jogo como depende do que acontecer nos noventa minutos do próximo domingo, frente aos arsenalistas."

José Manuel Delgado, in A Bola

Confiança no futuro

"Somos soma de muitas vontades, de muitas convergências e de uma enorme história de conquistas. 
O Natal é um tempo de tradições e de reencontros. É um tempo de confiança nas nossas capacidades e do sentido das nossas acções, individuais e como parte da comunidade.
A Família Benfiquista é hoje um dos maiores acervos de memória, de afectos e de força positiva, presente em Portugal e nos cinco continentes.
Uma Família que foi sempre grande quando se manteve coesa, focada e determinada. Uma Família que já conquistou muito, mas ambiciona ir mais longe.
Ir mais longe com autonomia na gestão, com sustentabilidade das opções e com o sentido de futuro sempre presente.
Valorizamos quase duas décadas de afirmação do Benfica como maior de Portugal e referência global, mas queremos mais.
Mais e melhor formação sustentada num Caixa Futebol Campus cada vez mais reconhecido em Portugal e no Mundo como viveiro de talentos. Em breve, damos mais um passo com a inauguração da primeira fase de alargamento do Caixa Futebol Campus.
Mais e melhor participação nas competições desportivas e nas dinâmicas da sociedade portuguesa. 
Mais e melhores condições de gestão financeira e desportiva para sermos donos do nosso futuro.
Este é um caminho para continuarmos a percorrer em conjunto, como família de uma grande instituição e como parte da mesma comunidade de valores e de destinos, o nosso Sport Lisboa e Benfica.
Desejo a todos os Benfiquistas em Portugal e no mundo um Feliz Natal e um óptimo Ano de 2019, com confiança, força e ambição. Juntos vamos ganhar. Juntos vamos reconquistar.
Com a estima e gratidão do Luís Filipe Vieira
Presidente do Sport Lisboa e Benfica"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Toni & Seara...

Conversas à Benfica - episódio 48

Volta depressa, Zé

"Mourinho em período de reflexão

José Mourinho nunca foi de consensos. Nem nos momentos de consagração, quanto mais nas ocasiões em que teve de fazer a mala. Daí que agora, que foi despedido pelo Manchester United, seja tão válido destacar os três títulos conquistados em dois anos e meio como o mau futebol praticado pelos «red devils» durante quase todo este período.
O técnico português foi quem mais honrou a herança de Sir Alex Ferguson no que aos títulos diz respeito, mas ainda assim ficou muito distante da exigência cultivada pelo mítico técnico escocês em Old Trafford. Mas neste período de natural reflexão, junto da família, Mourinho deve concentrar-se sobretudo naquela que é a sua herança: a do treinador que mais fez pelo futebol português. 
Consumado o pior registo de vitórias desde que deixou Leiria, deve analisar a forma como se afastou do seu próprio legado.
A ideia que fica é que, ali entre 2010 e 2013, Mourinho deixou-se levar pelo lado mais submisso do jogo. A festa em Camp Nou, na antecâmara do título europeu conquistado pelo Inter, serviu de guia para depois, ao serviço do Real Madrid, encarar os duelos com o melhor Barcelona da história.
É verdade que esse sempre foi um dos principais trunfos de Mourinho - a capacidade para condicionar o adversário a partir de um estudo pormenorizado -, mas o técnico setubalense não se tornou especial só por isso. Elogiava-se também uma identidade bem vincada, que não estava dependente do opositor, e patente em todos os momentos do jogo. Em todos os lances do jogo.
José Mourinho foi reduzindo essa marca ao longo dos anos, também por culpa da forma como foi olhando para o mercado. Por ter deixado que, em alguns casos, a ambição de uns fosse dominada pelo conformismo de outros. E se antes o técnico português parecia escolher as lutas de egos a dedo, dada a forma como saía reforçado interna e externamente, os últimos anos têm revelado diferendos inultrapassáveis.
Esta pausa forçada permitirá também repensar a composição da equipa técnica e avaliar o impacto da saída de Rui Faria, braço direito durante quase duas décadas. É que nenhum treinador se torna especial se não estiver bem rodeado.
E Mourinho continua a ser especial. Precisa é de recuperar os passos que lhe deram esse estatuto. Que volte depressa. Aos bancos, e a esse caminho de sucesso."

Violência no desporto: a responsabilização dos clubes pela conduta de adeptos

"O legislador não tem dúvidas sobre qual deve ser a resposta a dar pelo Direito. O regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância no desporto (actualmente em revisão), responsabiliza os promotores pelo esforço da segurança, tornando-os para além disso responsáveis pela formação de associados e adeptos com vista à adopção de condutas conformes com a ética desportiva, prestando especial actuação normativa aos grupos organizados. Segue, de resto, as orientações dos organismos internacionais.
No mundo do futebol, onde o fenómeno da violência adquire maior expressão, também os clubes parecem não ter qualquer dúvida quanto à responsabilidade que lhes cabe na prevenção deste tipo de violência. Os regulamentos federativos enunciam um conjunto de deveres impostos aos adeptos, cujo desrespeito, sem embargo da responsabilidade individual de natureza criminal, sujeita os clubes à interdição do recinto desportivo, à realização de jogos à porta fechada ou a multa consoante a gravidade dos factos a apurar em due process. E foram os próprios clubes que aprovaram em Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional normas que não se afastam, antes reforçam, a prevenção como arma, seja conseguida por acções de formação e educação nos princípios de sã convivialidade no ambiente desportivo, seja obtida pelo efeito de prevenção geral da sanção disciplinar.
Como noutros domínios da sociedade, e ao contrário do que amiúde se ouve por aí, não falta lei, nem a lei que existe é particularmente imperfeita. Imperfeita tem sido a sua utilização. Como explicar, então, os parcos resultados traduzidos na sucessão de casos de violência na rua e nas bancadas? Entre o conjunto de distintas razões – onde figura o fraco nível de severidade das sanções disciplinares - explica-se pela falta de efectividade da justiça desportiva perante a constante fuga dos clubes a essa responsabilidade.
O ainda jovem Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e o Tribunal Central Administrativo Sul, instância competente para conhecer dos recursos das decisões do TAD em matéria disciplinar, perante situações factualmente equivalentes, ora anulam sanções impostas aos clubes tomadas com base nos relatórios dos jogos, entendendo-se que essas decisões chocam de frente com princípios transpositivos da ordem jurídica como são a presunção de inocência e a culpa em direito sancionatório; ora, em sentido diametralmente oposto, confirmam tais decisões sem verem qualquer lesão do direito de defesa dos clubes. É claro que a falta de uniformidade decisória contribui para enfraquecer o efeito de prevenção geral, essencial ao combate à violência em ambiente desportivo. Por isso, assume particular relevo o recente acórdão do Supremo Tribunal Administrativo que reconhece a suficiência do valor probatório dos relatórios dos jogos.
O acórdão não constitui credencial para valorações definitivas dos factos com base nesses relatórios. Os clubes podem sempre questionar a veracidade dos factos e a legitimidade de inferências que através deles se extraiam. Pode ser que, quebrando um daqueles dogmas em que o Direito é fértil, esta decisão venha ajudar à mudança."

Lanças... Manipulações !!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Muito mau...

Oeiras 4 - 4 Benfica

Algo tem que mudar, não podemos continuar a perder pontos com este 'tipo' de equipas. O Oeiras está em último lugar da classificação... A ausência do Nicolía não pode ser desculpa.
Independentemente dos apitadeiros (mais uma arbitragem surreal), a ganhar 0-2 e depois 2-4, nunca poderíamos permitir o empate...

O tempo das vitórias

"O Benfica conquistou ontem a 6.ª vitória consecutiva, com a particularidade de ter alcançado triunfos, nesta fase, em quatro competições diferentes: Campeonato, Liga dos Campeões, Taça da Liga e Taça de Portugal.
Este ainda não é o mais longo ciclo vitorioso desde que Rui Vitória é treinador do Benfica. Entre 20 de Dezembro de 2015 e 5 de Fevereiro de 2016, a equipa esteve 11 jogos a ganhar. Com o actual técnico, aliás, a equipa tem mais duas séries de nove vitórias consecutivas, duas de oito e uma de sete.
Foram estes períodos alargados de conquistas que permitiram ao Benfica vencer dois Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e mais duas Supertaças sob a orientação de Rui Vitória: seis títulos em três épocas!
Outro facto a destacar é que o Benfica está há 554 minutos sem sofrer qualquer golo. O último já foi a 27 de Novembro, em Munique, apontado por Ribéry. É preciso recuar dois anos (até dezembro de 2016) para se encontrar um registo melhor: 665 minutos com a baliza intocável.
Com o forte apoio dos benfiquistas, no próximo domingo, no Estádio da Luz, poderemos cumprir com sucesso mais uma etapa rumo à Reconquista do lugar que nos pertence."

Mourinho. As vitórias do passado estão no museu

"“No dia que for despedido e que tenha de sair de um clube e de uma cidade, não vou chorar nem dizer mal, nem arranjar desculpas nem bodes expiatórios"

José Mourinho é um homem que já ganhou muitos títulos e mesmo no Manchester United conseguiu ganhar uma Liga Europa - uma competição que o técnico setubalense dizia ser menor e sem qualquer interesse. Só que, nos últimos anos, Mourinho tem vindo a perder a estrelinha de campeão e para onde vai só arranja problemas com jogadores, treinadores e dirigentes. O técnico português julga-se acima de todos e, quando os resultados começam a dar para o torto, culpa toda a gente menos a si próprio. Há 14 anos, aquando da sua primeira passagem pelo Chelsea, Mourinho dizia que havia muitos treinadores que tinham ganho muitos títulos, mas isso tinha sido no passado, dando o exemplo de Trapattoni e Fabio Capello, entre outros.
Como estava na mó de cima e nunca tinha sido despedido, gostava de anunciar que era pago para ganhar: “É o que esperam de mim, conseguir resultados. Quando não conseguir resultados, sou despedido. O futebol é isto. Cada um, à sua dimensão, é pago para ter sucesso.” E acrescentou: “No dia que for despedido e que tenha de sair de um clube e de uma cidade, não vou chorar nem dizer mal, nem arranjar desculpas nem bodes expiatórios.”
Catorze anos depois desta entrevista, Mourinho foi ao cume da montanha do sucesso desportivo, mas nos últimos tempos tem andado mais pelo sopé. Nessa mesma ocasião, Mourinho anunciava que por volta dos 50 anos, o mais tardar aos 55, queria treinar a selecção portuguesa, pois já teria conquistado tudo o que queria a nível de clubes. Não se sabe se o técnico que venceu duas Ligas dos Campeões está a pensar em abandonar os clubes, mas não parece. Afinal, Mourinho tornou-se um verdadeiro campeão das indemnizações e haverá sempre mais um clube onde poderá entrar em conflito com os jogadores, para lhes dizer que já ganhou mais títulos do que eles todos juntos. Só que o treinador português se esquece que viver do passado não dá vitórias no presente nem no futuro. O passado, como gostam de dizer os homens da bola, é museu."

Tempestade ou “bons ventos”? O desafio da “janela de transferências” em janeiro

"Janeiro traz, desde sempre, a hipótese de inovação e recriação nos plantéis em futebol (profissional ou não). Treinadores e Atletas vivem este período em “modo desafio” se estiverem a antecipar a possibilidade de uma nova oportunidade ou, inversamente, em “modo ansiedade” se, por alguma razão, percepcionarem o seu lugar em risco.
É, por esta razão, uma janela temporal onde os plantéis se encontram naturalmente instáveis, com a insegurança a pairar na cabeça dos atletas: se alguns sabem ter o seu lugar garantido, outros tem a certeza da imperatividade da saída (vivendo a incerteza da nova colocação) e, os restantes, permanecem na dúvida por não terem certezas de nada – tudo isto contamina, naturalmente, a dinâmica da equipa.
Concomitantemente, é um período onde a competição não pára e que, por esta razão, pode traduzir-se na obtenção (ou não) de 12 pontos - determinantes de um título, de um acesso à Europa, ou de uma descida de divisão.
Doze pontos fundamentais.

Missão
O Propósito é, sem dúvida, ter a hipótese de fazer “aquele ajustamento” que se imagina que irá resolver os problemas de finalização, meio campo, de defesa ou até de balneário.
O Desafio é, ter uma correta monitorização dos indicadores de rendimento, comportamentais e sociométricos (recolhidos durante a época) para, tal qual um tabuleiro de xadrez, se saber mover a peça certa – informação e fundamentação vitais para escolher o elemento certo que serve as necessidades da equipa (e não apenas o elemento certo que irá “salvar” a equipa) e, às vezes de forma ainda mais determinante, a forma mais eficiente da sua integração.
A missão é, por isso, muito difícil.

Possíveis Obstáculos ao Sucesso
A listagem exaustiva de variáveis que podem contaminar este processo é infindável e, por esta razão, este artigo abordará apenas três, possivelmente menos equacionados no dia-a-dia dos clubes. 

Dinâmica interna da equipa existente
Uma equipa é um “organismo vivo” que adquire o seu DNA de forma natural ou planeada pela sua equipa técnica (este fenómeno, com todas as suas qualidades e “defeitos”, acontecerá inevitavelmente com ou sem intervenção intencional da equipa técnica). Por esta razão, ao removermos ou acrescentarmos “peças” estamos a interferir na dinâmica existente.
Importa assim, entender que o funcionamento natural da mesma poderá apresentar disfuncionalidades a breve trecho e que, para além das características técnico-tácticas de quem entra, se deve considerar também o tipo de “energia” que trará para a equipa existente.
Pela mesma razão, e sem entrar aqui em modelos teóricos muito aprofundados sobre dinâmica e gestão de equipas, há que, intencionalmente, procurar ajudar a equipa a retomar ou elevar a sua performance o mais rapidamente possível, através de medidas específicas.
Considerando o “alto rendimento”, qualquer medida que antecipe a chegada a estados óptimos de performance (em termos da dinâmica que se pretende) é, por esta razão, perfeitamente indispensável nesta fase.

Adaptabilidade precisa-se!
Demasiadas vezes quem chega vem com o enorme peso de “resolver”... resolver o que não se resolveu em meses de trabalho – de forma auto-imposta (próprio atleta) ou através da expectativa criada pela própria equipa que acolhe (colegas e pares), esta é uma variável a considerar.
Por esta razão, “casting” deste elemento deve englobar, para além dos seus indicadores e qualidades de rendimento e atitude em campo, informação referente à rapidez com que conseguiu, em experiências anteriores, transformar o seu potencial em rendimento em campo – esta informação permitirá ao clube, criar medidas suplementares em termos do “acolhimento”, que ajudem, a título de mero exemplo, este atleta a ultrapassar rapidamente a adversidade de “não se sentir em casa” e/ou de poder estar a “roubar o lugar” a algum colega que tenha peso informal significativo no balneário (entre muitas outras).
De extrema importância, a clarificação objectiva do seu papel na equipa (com o próprio e a equipa) como mais uma peça na engrenagem, diluindo responsabilidades para o sucesso e insucesso. 

Acolhimento
Muito mais frequentemente do que se pensa, um atleta que chega vê a sua vida virada do avesso: sem casa, às vezes sem família (que tende a vir mais tarde) ou outro suporte social, sem conhecimento da cultura e até gastronomia que o acolhe – curiosidade: só a adaptação a uma nova “gastronomia” (ex: dificuldade em ingerir os nutrientes que necessita por má adaptação a temperos/alimentos ou alterações gastrointestinais) pode justificar alterações fisiológicas que comprometam a sua capacidade de produzir intensidade máxima do ponto de vista das suas qualidades físicas e psicoemocionais.
Ainda mais frequentemente, permanece neste tipo de situação porque não comunica com a equipa técnica/médica (às vezes, meramente por não querer demonstrar fragilidade) ou porque o clube, pura e simplesmente, demora mais tempo do que o desejável a encontrar um local de residência onde se possa sentir “em casa”, não providenciando o indispensável suporte necessário a uma adaptação bem sucedida.

Em suma: há que melhorar a Performance de um clube fora das quatro linhas.
Em boa verdade, e de um ponto de vista sistémico, é preciso planear todos os passos e variáveis que possam, mesmo de forma indirecta, influenciar a efectivação do potencial dos reforços adquiridos, traduzindo-se no desempenho de quem chega e na elevação do funcionamento da Equipa."

Responsabilidade...

"O que se passa na arbitragem em Portugal, de forma pública, televisionada, descarada, todas as jornadas, não é mais apenas um assunto de discussão entre adeptos do Benfica, de um lado, e do FCP e do SCP, do outro lado. A perseguição ao Benfica e o favorecimento dos rivais é de tal modo chocante que convoca as pessoas de bem, com responsabilidades e poder de intervenção no fenómeno, para uma tomada de posição clara, firme e inédita sobre o tema, sob pena de, a não acontecer rapidamente, ser previsível uma catástrofe de dimensão bíblica, em termos que ignoro, mas que pressinto.
Está demonstrado que os poderes institucionais do futebol em Portugal - a FPF, a Liga, os seus Conselhos de Arbitragem e de Disciplina - querem banir o Benfica da disputa séria das competições que organizam e supervisionam, custe o que custar, e aderiram à causa dos 2 rivais históricos, despudoradamente e de forma obscena.
Os dirigentes do Benfica têm a responsabilidade histórica de "abrir o jogo" perante o poder político, perante o que resta com uma centelha de dignidade e deontologia na comunicação social, perante as pessoas de bem, para que aconteça algo de efectivo na alteração deste estado de coisas!
Os árbitros assumem sem rodeios o seu papel de instrumentos de consumação da fraude que foi montada, por simpatia / antipatia clubística, por receio, por cobardia, por tudo junto! A comunicação social está, quase toda, capturada pelas mesmas razões! Do poder político, nem sei que dizer!
O autor do texto sob comentário é um jurista emérito, sério e combativo, benfiquista como devem ser os benfiquistas! Tem razão no seu brado de alerta, estruturado e informado, lúcido e oportuno.
Não pode ser ignorado, tem de ser escutado!"

Benfiquismo (MXL)

Magnificient...

Vermelhão: Vitória no gelo de Montalegre!!!

Montalegre 0 - 1 Benfica


Muitas alterações (só Jardel e Zivkovic dos actuais habituais titulares...), deu em vitória, com um golo de Canto (algo raro esta época...). Voltámos a ter dificuldades, na circulação de bola ofensiva, sendo que o estado do relvado, desta vez, até pode ser usado como desculpa... Mas mesmo assim, se não fossem os golos feitos desperdiçados (o do Félix 'assusta'!!!), podiamos ter tido uma noite mais descansada...

Ao contrário da 'maioria' não esperava facilidades, o jogo com o Sertanense por exemplo já tinha sido 'esforçado' e este, com o jogo no relvado do adversário, com as condições atmosféricas a não ajudarem, com a habitual motivação extra do Montalegre, com os nossos não-titulares com pouco ritmo... e até esta sequência de viagens, entre o Funchal e Montalegre, tudo apontava para um jogo 'apertado'!!!

Além da vitória, o mais importante desta noite, terá sido o facto de aparentemente ninguém se ter lesionado...

Incrível, como num jogo destas características, mais uma vez, o apitadeiro não foi capaz de despir a camisola!!! Manuel Oliveira é um dos mais anti-Benfica... o 'grupo' é grande, mas este é um dos piores!!!

Mesmo sem convencer, continuamos com a sequência de vitórias, sem sofrer golos, na véspera do jogo mais complicado desta altura da época: o Braga no Domingo! Ao contrário do Braga (e dos outros candidatos ao título), que tiveram adversários da I Liga, nós hoje rodámos praticamente todo o onze. Os outros jogaram praticamente com onze titular, sendo que o Braga até 'sofreu' uma expulsão, e aparentemente também teve pelo menos um jogador lesionado... Vamos ver se esta 'vantagem' nos pode ajudar no Domingo...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Paracetemol

"1. Dá gosto de ver jogar o Sporting de Keizer. Aquela miúda dos tempos de liceu, com aparelho nos dentes e óculos com lentes de fundo de garrafa (o Sporting de Peseiro) é hoje uma mulher deslumbrante e confiante. Claro que este romantismo tem riscos defensivos, já se percebeu - em três jogos da Liga, por exemplo, quatro golos sofridos e 68 faltas (média de 22,6 por partida) -, mas mais vale um 3-2 com paracetamol do que um 1-0 anémico.
2. Em lance corrido, Soares não fez falta sobre Patrick. Em slow motion fez. Vou pelo corrido. Antes do Mundial Massimo Busacca (chefe de arbitragem da FIFA) já tinha alertado para os perigos do slow motion. É que aí até um abraço amigável pode parecer tentativa de homicídio por asfixia.
3. Não deixa de ser, porém, mais um lance de dúvida que caí para o lado do FC Porto. Sim, tem sido a melhor equipa; sim, tem sido beneficiado. É como meter molas num canguru.
4. Se a isto somarmos os proveitos do Sporting, sobretudo através de discutíveis e/ou incompreensíveis penáltis (a conta vai em oito na Liga, quase 27 por cento dos golos dos leões), é legítimo pensar que o Benfica, através de benefícios a terceiros (e não tanto prejuízos próprios), pode estar a pagar no campo por aquilo que fez (se fez) e não fez (se não fez) fora dele. Como se todos quisessem fugir do lado negro da força. A mente, às vezes, é um cão perigoso sem trela.
5. O problema dele foi achar que BdC significava Bruno depois de Cristo. Felizmente que há Frederico Varandas: a Bonança depois do Caos.
6. Discordo de Rui Vitória: deve contratar-se sempre para roubar o lugar aos titulares. É a única forma de ter bons suplentes (sejam os que chegaram ou os anteriores titulares) e, por consequência, um plantel mais forte.
7. Disse recentemente José Mourinho que se fosse multimilionário afastava-se do futebol. Algo que, seguramente, não diria há 20 anos e talvez ajude a perceber muita coisa. Ou tudo."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Hoje, para um Benfiquista ter lugar na redacção de um jornal desportivo, tem que escrever assim, senão vai para a rua...!!!

Um outro olhar

"Ao verificar a forma de actuação das equipas de arbitragem na relação com o videoárbitro (VAR), verificamos que houve uma alteração com algum significado no modo de intervenção.

Ao analisar os jogos desta jornada, e ao verificar a forma de actuação das equipas de arbitragem na relação com o videoárbitro (VAR), concluo que houve uma alteração com algum significado no modo de intervenção, daí que o desafio seja olhar de forma diferente para os casos, não tanto pela perspectiva da decisão correcta ou errada, mas para verificarmos quer o grau de dificuldade dos lances, quer os indícios presentes em cada situação e que servem de base para a actuação e consequente decisão.
O que mudou mesmo foi que tivemos o VAR a intervir em diversas situações, quando em jornadas anteriores acabava por não solicitar a revisão no monitor por parte do árbitro. No jogo Santa Clara-FC Porto, ao minuto 21, há um lance de possível penálti de Marco Pereira (guarda-redes) sobre Herrera, mas como no início da jogada há uma carga nas costas de Brahimi sobre Patrick, o resto do lance acaba por ser anulado.
O VAR, bem, em vez de verificar apenas o penálti, que acabou por considerar, e o início da transição ofensiva, que foi a tal falta de Brahimi (e com isto abster-se de comunicar ao árbitro, o que em termos de produto final estaria certo mas iria levar a reclamações, pois passava a ideia de um penálti não assinalado e da não verificação do mesmo pelo VAR), solicitou a ida do árbitro ao monitor.
Revista a jogada, o árbitro recomeçou o jogo com livre directo a favor do Santa Clara e assim se passou uma imagem de verificação e de intervenção do VAR, “vendendo” claramente ao público em geral todo este processo. Ou seja, toda a forma de comunicar para o exterior foi assim entendida no estádio e em casa.
O mesmo sucedeu no minuto 57, quando o FC Porto fez o segundo golo. Uma vez mais, o VAR levou o árbitro a ir ao monitor para verificar se Soares tinha cometido infracção sobre Patrick e, concordemos ou não com a decisão final, esta pertenceu por inteiro ao árbitro do jogo, validando assim a utilidade do VAR, que cumpriu o seu papel. Ao chamar a atenção para um lance que não sendo de todo claro e óbvio, mas que teve importância extrema no resultado, evitou que a questão morresse na apreciação e análise solitária e exclusiva do VAR, validando a decisão final do árbitro. 
Em Alvalade, no Sporting-Nacional, por diversas vezes houve a intervenção do VAR e a deslocação do árbitro ao monitor para constatar, ele próprio, se mantinha ou alterava a sua decisão inicial. Foram alguns os lances de análise, nomeadamente ao minuto 64, no possível penálti de Júlio César sobre Diaby que o árbitro não assinalou, e ao minuto 73, no eventual cartão vermelho a Vítor Gonçalves pelo toque com o pé na cabeça de Gudelj. Curiosamente, em ambos o árbitro não alterou a decisão inicial.
Nos outros casos, minuto 18, golo anulado ao Sporting por fora-de-jogo de Diaby, e nos penáltis assinalados aos minutos 35 (falta de Vítor Gonçalves sobre Bas Dost) e 85 (infracção de Kalindi sobre Bas Dost), o VAR limitou-se a verificar e validar as decisões iniciais quer do assistente, no fora-de-jogo, quer do árbitro nos penáltis.
No jogo Marítimo-Benfica, houve menos casos de jogo. O VAR interveio, obviamente, verificando os lances de acordo com o protocolo, mas não levou o árbitro a recorrer ao monitor. Houve, no meu entender, dois momentos importantes do jogo que poderiam ter, contudo, levado o árbitro a verificar essas ocorrências.
Aos 45+1', aquando do penálti de Amir sobre Jonas, pois há três momentos importantes nesse lance - se Jonas dominou a bola com o braço ou com o peito, se Amir tocou com o pé e depois com a mão no pé de Jonas e se o derrubou nessa acção, e se a acção disciplinar correcta era, como o árbitro mostrou, apenas o cartão amarelo; e aos 65', aquando da entrada de Fabrício sobre Gedson, no sentido de saber se era merecedora de algo mais que cartão amarelo.
Como sabemos, os penáltis e os cartões vermelhos directos fazem parte do protocolo e o VAR obviamente que verificou os lances e que os validou, ou por concordar com ambas as decisões, ou por achar que em nenhuma delas havia um erro claro e óbvio. Se o primeiro lance me parece me mais pacífico, já no segundo defendo que deveria ter ido ao monitor confirmá-lo.
Em resumo, há uma mudança e uma maior amplitude na intervenção do VAR e um aumento do recurso ao monitor. O que eu penso sobre isto? Gosto. Mas mais do que gostar, acho que torna mais válida e útil esta ferramenta, pois o que todos queremos é uma arbitragem com menos erros e sobretudo um futebol com menos polémica e com mais verdade desportiva. E um uso mais assertivo do VAR pode, e de que maneira, contribuir para isso mesmo."

A propósito de Bas Dost e Jonas, (...) dá-nos uma lição sobre uma mão cheia de “lances valha-me Deus”

"Para quem não reparou, a jornada treze teve duas particularidades: uma resultante de uma coincidência de calendário; a outra por opção estratégica.
Vamos à primeira.
FC Porto, Benfica e Sporting jogaram com três ilustres representantes dos Açores e Madeira, respectivamente.
As ilhas portuguesas estão, há muito, enraízadas nos escalões profissionais, mas esta época contaram com um reforço de luxo: o Santa Clara, que subiu com mérito e competência e juntou-se à montra maior do futebol português.
Para que tudo fosse perfeito (além de bonito, merecido e justo), só faltava que a Liga NOS pudesse contar com equipas de todo o país. Norte e sul, litoral e interior.
Um dia, quem sabe?
A segunda particularidade diz respeito ao número de intervenções do VAR.
Não sei se estiveram atentos, mas a maioria dos jogos teve vários momentos em que o videoárbitro sugeriu ao colega de campo que visse as imagens nos ecrãs, junto ao relvado.
Nalguns casos a decisão inicial manteve-se (não esqueçamos que isso acontece quando o árbitro entende não ter cometido um erro claro e evidente, ainda que aceite que o lance seja dúbio)... noutros aceitou a indicação do seu "assistente de sala" e alterou a primeira decisão.
Mas o que realmente ficou na retina foi esta aparente mudança de paradigma.
Os VAR parecem agora ter deixado de actuar em situações de excepção (só o faziam perante a evidência de um erro claríssimo), para usarem o bom senso e aplicarem o espírito do protocolo: sempre que exista um lance de pura interpretação, susceptível de criar dúvidas ou, pior, de originar polémicas desnecessárias (que se podem arrastar por semanas), o melhor mesmo é dar aos árbitros a oportunidade de reverem o lance e assumirem a decisão.
Esta opção, naturalmente, tem prós e contras.
Por um lado, irá potenciar mais paragens e, com isso, alguma quebra na dinâmica da partida; por outro, afunilará o critério e trará mais verdade a lances cinzentos. Acima de tudo, permitirá ao árbitro chamar para si a responsabilidade de uma decisão, depois de a confirmar nos ecrãs. Essa opção resulta, quase sempre, no apagar de fogos posteriores, no encerrar imediato de contestações e ruídos (goste-se ou não, concorde-se ou não).
O que se espera, nesta mudança de estratégia é que haja uniformidade e consistência, para que todos os jogos tenham o mesmo tipo de abordagem.
No que me diz respeito... a minha vénia.
Esta "evolução" mostra inteligência, sensibilidade e visão do Conselho de Arbitragem, que percebeu que a mera aplicação da letra do protocolo era demasiado curta para o potencial da ferramenta. Demasiado curta, sobretudo, para aquilo que o futebol precisa, no campo e em campo.
Quanto aos jogos em si - e centrando esta análise na partida dos ditos três grandes - nota transversal: houve uma mão cheia de "lances valha-me Deus".
Não conseguem a expressão? Os árbitros usam-na, com frequência, para se referirem às jogadas cuja análise (até com imagens) irá sempre dividir opiniões.
O contacto foi suficiente? Caíu pela ação do adversário ou simulou? Foi tocado ou provocou? Está a fingir ou não? Peito ou braço? Valha-me Deus!
Nestes lances, há apenas uma certeza: saia dali o que sair, haverá sempre uma alminha (geralmente com lentes de cor diferente) que há-de achar a coisa um roubo, um escândalo, uma vergonha.
Onde os juízes vêem dúvida, os outros vêem certeza inabalável. Vá se lá saber.
A única alternativa? Decidir em consciência. Decidir com honestidade intelectual, com base no que se viu, intuiu, sentiu e leu.
Às vezes, a linha de visão está obstruída e é o som da pancada que define a decisão. Outras vezes, actua-se porque se vê o sangue a escorrer pela perna ou o buraco dos pitons cravados na coxa.
Há ainda aqueles momentos em que a expressão de dor de quem está no chão diz tudo. O ar de "culpado" de quem está, logo ali, de pé... também ajuda.
Com tanta lenga lenga, nem chegámos aos tais lances. Assim, muito sucintamente:
1 - Jonas foi derrubado pelo GR do Marítimo? Sim, parece mesmo que sim.
Apesar da repetição em slow motion indiciar alguma chico-espertice do avançado, o movimento dinâmico não deixa dúvidas.
Além disso, o braço/mão de Abedzadeh também tocou na perna do avançado brasileiro.
Ah! E ele dominou mesmo a bola com o peito e não com o braço (esta tem prova real nas imagens pós-jogo, que foram totalmente esclarecedoras).
2 - Primeiro penálti para o Sporting: aquele tropeção de um pé no outro (de Bas Dost) foi provocado pelo próprio ou só aconteceu por ter havido um toque muito ligeiro, na passada, de Vitor Gonçalves? 
As imagens são assim, cinzentas.
A minha opinião? Ponho as mãos no fogo que o jogador do Nacional, ainda que inadvertidamente, tocou ao de leve - com o joelho esquerdo - no pé do holandês. Não vos posso pedir que acreditem em mim, mas quase jurava...
Há momentos, no futebol, que vão bem além do que as imagens mostram. Quem jogou (e arbitrou) sabe disso.
3 - Diaby estava fora de jogo antes de servir Bas Dost para o golo, entretanto anulado? Mais uma das tais. A minha opinião a 99,9%? Sim. Estava.
Olhem para as marcas na relva e comparem a posição dele com a de Filipe Lopes, último defesa.
4 - Segundo penálti sobre Bas Dost bem assinalado?
Honestamente, não sei. As mãos do madeirense estavam nas suas costas, portanto o árbitro estava legitimado a ter a sua interpretação.
Com as imagens que vimos, pareceu mais aproveitamento e menos falta. Além disso, a regra é "na dúvida, não punir".
Mas perante tamanha incerteza, quem sou eu para garantir o que quer que seja?
5 - Marco Rocha, GR açoriano, derrubou Herrera?
Difícil. A linha entre a colisão/choque, fruto do movimento de ambos e a infracção foi, ali, muito ténue.
O VAR entendeu que sim, o árbitro foi confirmar e também achou o mesmo.
Depois, o que decidiram foi perfeito: recuperar o início da jogada e assinalar a carga inicial que Brahimi fizera sobre Patrick.
6 - Soares carregou o seu adversário antes do golo de Marega?
Mais uma de "valha-me Deus".
Houve contacto mútuo inicialmente. Sem dúvida. Depois a mão direita do brasileiro aterrou no pescoço do açoriano até provocar a sua queda.
Se eu tivesse que decidir, diria que sim. Que houve falta atacante.
A mão de Patrick nunca teve efeito ou consequência evidente na acção de Soares; a mão deste teve claro benefício na continuidade do lance, além de ser bem mais visível e ostensiva.
Entendo que, na dúvida, Godinho tenha mantido a decisão.
Outros lances havia, mas a ideia é lerem esta crónica antes da meia noite do dia 31 de Dezembro.
Em boa verdade, todos os lances - estes e tantos outros - já lá vão. Já foram decididos e o assunto arrumou-se logo ali. O que aqui se faz, à posteriori, é tentar perceber o que se passou, explicar, opinar.
Não muda nada. Certo?
Boas Festas!"

Breve teoria dos semáforos

"Aquela teimosia do semáforo que ficava vermelho a maior parte do tempo, caindo muito rara e rapidamente para verde, começou a encanitar os habitantes da rua Rodriguez Arias, em Bilbau, não longe da Vizcaya Plaza. Quando perceberam que a culpa era de um sem-abrigo, que insistia em carregar no botão do vermelho de forma a ter mais automóveis parados às janelas dos quais mendigar uns tostões, resolveram atribuir-lhe uma espécie de avença, desde que ele pusesse fim à pilhéria. Ele recebia a tal verba semanal mas não deixava o semáforo. Enfim, multiplicava os proventos. Depois, um tipo mais bruto, com sentido de humor a roçar o alemão, partiu-lhe os indicadores. Reacção exagerada que ainda assim terá posto o malandrim na ordem. Desapareceu da zona. Não tardaria a morrer vítima de tifo. Jovem como o Menino de Sua Mãe de Fernando Pessoa. Mas sem cigarreira breve. Tinha uma alcunha: Pijiji.
Bilbau chora quando a palavra se espalha de boca em boca: tifo. Os italianos utilizam-na com determinada ligeireza: «Ma lei per quale squaddra tifa?». Daí o «tifoso»; um ou dois degraus abaixo do fanático. O ano de 1922 foi absolutamente assassino. O tifo veio lá da União Soviética num epidemia que acabaria por assolar o País Basco. Mortos, mortos e mortos. Miguel de Unamuno, uma das mais extraordinárias figuras da cultura castelhana, escreveu:
«¡Pobre corral de muertos entre tapias
hechas del mismo barro
sólo una cruz distingue tu destino
en la desierta soledad del campo!».
E Unamuno vem absolutamente a propósito. Ele sobreviviu ao tifo, mas o seu sobrinho-neto Rafael Moreno Aranzadi, não escapou ao quarto cavaleiro do Apocalipse. E Unamuno tratava a morte por tu:
«Este buitre voraz de ceño torvo
que me devora las entrañas fiero
y es mi único constante compañero
labra mis penas con su pico corvo».
Rafael Moreno tinha duas grandes paixões. As ostras e o futebol. Há quem sustente que o tifo que lhe roubou a vida terá sido transmitido por bactérias do tipo rickettsia, que se encontram precisamente nas ostras menos frescas, mas isso seria entrar por um daqueles túneis obscuros e maçadores dos quais fujo a sete pés.
Quando o abutre voraz de Unamuno se ergueu no infinito levando nas garras o seu sobrinho para um desses quaisquer locais eternos, Bilbau voltou a chorar. Rafael tinha 29 anos. E uma alcunha como a do sem-abrigo que avermelhava semáforos na rua Rodriguez Arias: Pijiji. Ou Pichichi. Ou Pato Silbón, pato barulhento, ou pato que assobia, em termos mais populares.
Os Aranzadi eram uma família com peso na sociedade bilbaína. Não lhes apetecia ter um dos seus filhos por aí, meio à balda, a dar pontapés numa bola no mais pequeno pedaço de terreno que pudesse ser utilizado como campo de futebol. Ainda por cima com casamento marcado com outra das criaturas mais estimadas da cidade, a filha dos Merodi. Mas Pichichi, o magrinho Rafael Moreno, que era praticamente pele e osso, ouvia as palavras do pai por um ouvido e elas saíam pelo outro com a mesma velocidade com que ia marcando golos em bica. Entre 1911 e 1921, com a camisola do Athletic, somou a barbaridade de 200 golos em 170 jogos.
Se Miguel de Unamuno foi sempre um homem livre - «Não! Nunca trairei a causa da Liberdade! Não falta muito para que me levante e lute. Não, não sou fascista nem bolchevique - sou sozinho!» - o seu sobrinho, pai de Rafael, era um situacionista que chegou a alcaide de Bilbau no tempo do regime de Primo de Rivera. Já Pichichi mandava a política às urtigas e, apesar do seu peito de tísico e do seu pouco mais de metro e meia, dedicava-se a meter bolas dentro das balizas contrárias. Até certo ponto, era um vício muito seu. E passou a ser vício alheio a partir do momento em que o prémio para o melhor marcador do campeonato espanhol se tornou Troféu Pichichi.
O casamento amoleceu a rebeldia de Rafael. O peso de ser um menino-família foi-lhe retirando a raiva assassina que existe na alma de um avançado-centro. Depois de ter ido com a selecção espanhola aos Jogos Olímpicos de 1920, foi perdendo vertiginosamente o amor da populaça. Decididamente, nunca fora um deles. Nunca fora proletário, nunca tivera fome, tornara-se um dos primeiros jogadores profissionais do País Basco, e não renegava o sangue de Grande de Espanha. Do desagrado ao insulto o caminho foi curto. Desistiu de jogar e tornou-se árbitro. Para quem não queria ser aporrinhado, não parece escolha lógica. Um ano depois estava morto.
A morte é a mais perfeita das redenções. Sobretudo quando se cruza connosco antes dos 30 anos. Aurelio Arteta pintou-o: ‘El cuadro de Pichichi e su novia’. Juan Antonio Zunzunegui fez dele personagem do seu romance Chiripi. O tio, Unamuno, sentiu-lhe a falta:
«Alza los ojos y tu pecho anima;
conócete, mortal, mas no del todo»."

Dar a volta por baixo

"Sempre associei o termo “chicotada psicológica” ao despedimento de treinadores bigodudos e indistintos em equipas do fundo da tabela. Aparentemente, agora até o José Mourinho está ao alcance dessas chicotadas psicológicas, dessa execução vulgar dos vulgares. Dantes ele tinha as costas largas, protegido pelo talento, pelas vitórias, pela aura triunfante. Agora tem as costas mais largas – tão largas que estão ao alcance de chicotes psicológicos mais curtos.

José Mourinho continua a ser o “melhor treinador” - defende Rui Vitória. Haverá critérios técnicos insondáveis que justifiquem essa asserção, talvez os mesmos critérios que ainda justificam Rui Vitória no Benfica. O meu crivo é outro: se o Mourinho de 2018 aterrasse em Lisboa, será que interrompiam uma entrevista em curso ao Santana Lopes de 2007? Supondo-se que não, questiono seriamente o epíteto de “melhor” treinador.
E se fosse o Mourinho de 2018 a chegar durante uma entrevista ao Santana Lopes de 2018? Neste cenário, a não interrupção teria contornos ainda mais drásticos. Um “Special One” incapaz de roubar tempo de antena ao “not so special anymore” do Partido Aliança, permanece assim tão especial? Ao dar-se este episódio, a grande dúvida para a carreira futura de Mourinho passaria a ser qual o patrocínio do seu boné nas conferências de imprensa (os amigos pacenses não se sintam amesquinhados; estou seguro de que há mais clubes a usar a estratégia do sponsoring achapelado). 
Nos tempos áureos no Chelsea, José Mourinho chegou a referir George Clooney como o actor ideal para retratá-lo no cinema. A escolha pode parecer estranha, tendo em conta que Clooney é um par de anos mais velho que Mourinho, e que uma biografia cinematográfica, à partida, cobriria sempre períodos de maior juventude do treinador (o que requereria muita maquilhagem na meia-idade do Clooney). Mas, tenho de admitir que o casting não é descabido. Faz sentido que, ali em meados da década passada, o grisalho-precoce mais charmoso do futebol inglês se equiparasse ao grisalho-precoce mais charmoso do cinema mundial. Agora que os cabelos brancos do português já não são precoces, e que o desaire profissional desafia qualquer charme, talvez a Mourinho restasse um Diogo Infante cabisbaixo, ou um Luís Esparteiro emperucado.
Ainda sobre cinema, lembrei-me do Manoel de Oliveira – o mais consagrado dos nossos cineastas cabe nesta crónica sobre o mais consagrado dos nossos treinadores. Há a mania de pensar-se em Oliveira como um realizador enfadonho – e esse equívoco é normalmente propagado por quem nunca lhe seguiu a carreira. Com Mourinho, temos o inverso: há a mania de não se pensar que ele é um treinador enfadonho, e só quem lhe tem ignorado a carreira recente é que cai em tal esparrela. À partida, nunca haverá nada de errado em levar-se contenção e aborrecimento para as tácticas de um jogo de futebol, mas o Mourinho (e o Manoel) são a prova de que Portugal é dos países mais inconscientes no capítulo dos bocejos.
Acreditem que a única crueldade deste texto reside no tipo de escrita a que me concedi, como se uma rotina estafada de stand-up se tratasse. A crueldade não está em bater no Mourinho numa semana em que ele se encontra em baixo; basta olhar para os últimos meses do treinador - as atitudes explosivas, os papos nos olhos, a vida anacoreta, o desdém dos seus jogadores, o desapoio institucional - para perceber que esta não é particularmente a semana em que Mourinho se encontra em baixo. Creio até que a semana lhe tresanda a liberdade (e a indemnização avultada).
No fundo, o meu texto vem com o seu quê de terapêutico. Um texto de inoculação. A Mourinho não faltava humildade, faltava humilhação. Foi fanfarrão, arrogante, bully, poço de deselegância, e não há cura para tais maleitas quando se está acobertado por esta condição: ser-se o melhor do mundo. Em tempos, não só Mourinho foi o melhor do mundo como, ainda por cima, estava bafejado pela confiança dos que sabem bem o que são. Há que aproveitar a dúvida, estes momentos de mortalidade, não para bater no ceguinho, mas para surrar o mourinho. Aproveitar para uma moção de censura em jeito de voto de confiança.
José, estou aqui a vaiar-te porque torço por ti. Volta a ser o excitante Mourinho do Leiria, o intratável vitorioso do Porto, ou até o timoneiro por quem os jogadores do Inter de Milão estavam dispostos a morrer. Volta mesmo a ser o escudeiro linguístico dum Bobby Robson. Volta até a perder a cadeira vermelha para sebastianismos em torno do Toni, ou a ganhar sebastianismos que levantem Santana Lopes da cadeira. Mas, por toda a estima que te tenho, não dês a volta por cima. Volta por baixo, rumo ao topo."