Últimas indefectivações

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Vitória...

Benfica 90 - 74 Oliveirense
23-15, 18-18, 27-23, 22-18

Vitória fácil, contra um adversário muito longe da qualidade das últimas épocas.
A grande notícia do basket é mesmo a saída confirmada de dois americanos, o Lindsey e o Walker... e não me admirava que o Jackson também fosse embora!!!
Apesar da boa atitude defensiva em alguns jogos, era notório que a qualidade ofensiva da equipa nas partidas de grau de dificuldade mais alto, ficava abaixo do expectável ... portanto esta revolução a meio da época, acaba por não ser surpresa!
O 'problema' é que para o basket parece existir sempre dinheiro para estas 'aventuras'! Seja ou não seja o orçamento ultrapassado, fica sempre a ideia de que a secção é 'favorecida' em relação às outras!!!

Praticamente de fora...!!!

Benfica 1 -3 Estoril


Já sabíamos que ia ser complicado, o Estoril tem uma boa equipa, e a diferença de maturidade é evidente! Esta Liga Revelação serve essencialmente para o Benfica dar tempo de jogo a jovens ainda Juniores, ou seniores de 1.º ano, num contexto competitivo difícil, contra adversários normalmente mais experientes. Por um lado é exactamente isso que se pretende, mas depois é complicado 'exigir' vitórias, quando existem diferenças etárias significativas para estas idades...
Agora, só um milagre dará a qualificação para a fase final...

PS: Não creio que exista uma regra, que determine um número limite de penalty's sofridos por jogo! O Samu sofreu um, o árbitro marcou, correcto! O Samu sofreu o segundo, o árbitro expulsou o jovem benfiquista!!!

Missão Gil Vicente


"O calendário competitivo não permite descanso e avizinha-se rapidamente mais uma partida da Liga NOS, desta feita em Barcelos (domingo às 17h30), frente ao Gil Vicente, o atual 12.º classificado a apenas dois pontos do oitavo posto.
Como não poderia deixar de ser, o objetivo da nossa equipa passa por vencer a partida, ciente de que terá pela frente um adversário motivado e capaz de tentar contrariar as nossas pretensões.
Nos 19 jogos que disputámos no Campeonato Nacional, na qualidade de visitante, com o Gil Vicente, vencemos 13, empatámos quatro e perdemos dois. São números reveladores da forte tendência de vitória benfiquista neste confronto, mas que, no entanto, escamoteiam as habituais dificuldades criadas pelo nosso adversário no seu reduto, no qual vencemos cinco vezes pela margem mínima, como foi o caso na temporada passada.
Estamos certos de que, no próximo domingo, a nossa equipa se apresentará, como sempre, focada na obtenção do triunfo e tudo fará para conquistar os três pontos.
De Todos Um, o Benfica!

P.S.: Infelizmente fomos hoje confrontados com várias mentiras no editorial do diretor do Record. E mentiras graves porque demonstram desleixo e falta de profissionalismo.
Bernardo Ribeiro refere ataques de que teria sido objeto no programa "Aquecimento", da BTV, por parte de um dos comentadores ali presentes. Acontece que nenhum deles mencionou qualquer jornalista, do Record ou outro órgão de comunicação social, nem sequer a palavra jornalista foi mencionada. Diz que lhe disseram, mas no mínimo deveria ter tido o cuidado de verificar se tal corresponderia à verdade.
Por outro lado, procurar confundir a livre expressão de opiniões de comentadores com a comunicação oficial dos clubes é mais um exemplo da falta de seriedade que tanto se invoca. Escrever um editorial com tão graves insinuações e acusações sem cuidar de comprovar os factos é sinal de um tempo em que as "fake news" são usadas por quem mais as deveria combater. Lamentável!"

Benfica, um Ferrari de duas velocidades


"Caos. Uma palavra que pode ter vários significados. No dicionário, “desordem” e “confusão” são alguns do sinónimos, numa conotação que pode soar negativa. Já num tom mais enciclopédico, podemos ver uma estreita ligação à Teoria dos Sistemas. Desengane-se quem pense que isto é mais uma metáfora, qual rodeio, para tornar lírico um mero artigo de opinião. De facto, é necessário entender algumas das características destes sistemas para se desmistificar aquilo que todos procuram saber desde meados do reinado de Lage até aos dias de Jesus: qual é, de facto, o grande problema do Benfica?
O mistério que paira sobre o Benfica, desde os tempos de Bruno Lage, parece estar por desvendar. No meio de todas as razões que se podem apontar numa simples conversa de café, certamente que o fator psicológico e a dita “estrutura” são dois deles, mas a raíz poderá estar precisamente no relvado. Recentemente, no Canal 11, Nuno Presume apontou “a procura excessiva do corredor central” como um dos problemas do Benfica. A crítica chamou-me a atenção, pois raramente se identificou este “vício” em praça pública como sendo um defeito das águias.
Desde que Bruno Lage assumiu o comando, que o Benfica passou a sobre-explorar o jogo interior, talvez levado pelas tendências contemporâneas do mundo do futebol. Quando o técnico setubalense assumiu as rédeas da equipa, talvez a maior chave para o sucesso tenha sido a introdução de João Félix nas entrelinhas do corredor central, contrastando com as combinações exteriores do 4-3-3 que atirou Rui Vitória para fora da Luz – quem não se lembra dos “três anões” Grimaldo, Zivkovic e Cervi a desequilibrarem pela asa esquerda? Nessa altura, o Benfica passou a jogar mais por dentro, e a novidade transformou-se em sucesso. Terminada a época, o conto de fadas parecia ter tudo para continuar.
Decorria já 2019/20 quando Sérgio Conceição deixou a nu as fragilidades do adversário. O corredor central, que tinha catapultado o Benfica para o título na época anterior, foi selado a sete chaves, e Lage acabaria por conhecer o sabor da derrota no campeonato, precisamente na casa do rival. A partir daí, várias equipas montaram a sua estratégia defensiva tendo por base a ocupação desse espaço. À medida que o tempo ia passando, o Benfica foi-se ressentindo da falta de soluções. Em momentos de desespero, Lage até deu sinal à equipa para que cruzasse – ou, melhor dizendo, despejasse – bolas para área, sem nexo, sem timing e, arriscaria eu, sem treinos que tivessem servido de ensaio a tal aberração. O seu Benfica foi, por isso, desvanecendo aos poucos, viciado no seu próprio veneno que, outrora, havia sido a cura.

“Temos inteligência suficiente para perceber que o jogo está sempre em evolução. Se pararmos no tempo, ficamos iguais aos outros e nós não queremos ser iguais aos outros, queremos ser diferenciados”. É assim, também, que o novo treinador do Sporting Clube de Braga vai encarar a época 2020/21, em busca de construir uma “equipa completa”, que não se baseia num sistema de jogo e em que “a identidade é a flexibilidade“.
Carlos Carvalhal in Tribuna Expresso

As equipas de futebol não são nada mais, nada menos, que sistemas caóticos determinísticos, pois apresentam padrões de (inter)ação que se repetem no tempo, denominados invariantes ou regularidades (Oliveira, 2004). Isto significa que, no meio da desordem (caos), as equipas devem tentar impor (a sua) ordem, procurando jogar dentro dos seus macro-referenciais. Simultaneamente, é fundamental respeitar o caráter caótico do jogo e as situações que deste emergem e, em função das circunstâncias, tomar uma decisão de entre várias possíveis, sendo que esta modelação se dá através do processo de treino. Tal como referi num artigo recente, procurar atingir a máxima variabilidade na máxima redundância.
Quem nunca se debateu sobre a melhor forma de passar a sua ideia de jogo do papel para a prática? Existem jogadas totalmente mecânicas, sub-dinâmicas predefinidas e outros métodos que eu possa não estar agora a vislumbrar. Contudo, permitam-me discordar da vossa visão, se esse for o caso, mas estão a fazer do futebol um jogo de Tétris. Quadrado. Matemático. Exato. O desrespeito pelo caos é por demais evidente, e reduzir uma infinidade de caminhos para se jogar apenas de determinada forma é o primeiro passo para o abismo. Para fazer face às adversidades, é fundamental que, cada vez mais, o nosso jogar englobe vários tipos de jogares!
Disse recentemente o Brian Laudrup (um dos autores do Lateral), que “não é crime fazer cruzamentos”. Ora, se olharmos para a declaração de Carvalhal, que define a identidade do Braga como sendo a flexibilidade (e eu juro que, numa das recentes entrevistas, ele até usou mesmo o termo “variabilidade”!), podemos perceber que o grande problema tático do Benfica passa por não conseguir arranjar outras formas de desequilíbrio para além do jogo interior. No fundo, é tudo menos flexível, variável.

"Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente."
Einstein

De facto, este fetiche tem repercussões a vários níveis. Com as organizações defensivas cada vez mais fortes nos dias que correm, o preço por metro quadrado ficou mais caro. O Vitória SC que vimos neste último jogo para a Taça da Liga foi uma autêntica muralha – ou, se preferirem, um castelo – que o Benfica nunca conseguiu superar em jogo corrido. O que não se entende é a insistência em jogar pelo meio quando este se encontra tão povoado. Parece que o jogo interior, com passes entre linhas, apoios frontais e as dinâmicas do terceiro homem, é o caminho único para a baliza. Mesmo quando a bola vai fora, todos os caminhos vão dar… ao meio. É como se o Benfica pudesse abrir várias portas, mas o treino só lhes dá uma chave, e isto tem impacto no subconsciente dos jogadores e, consequentemente, nas decisões que estes tomam em jogo.
Apesar do vício ter iniciado com Lage, é óbvio que Jorge Jesus não está isento de culpas. Como desculpa, tem o facto de, nos tempos em que vivemos, os microciclos se reduzirem quase que exclusivamente a treinos de recuperação, não dando grande margem para momentos aquisitivos e um acrescentar/potenciar da forma de jogar. No entanto, desde o início da época, o técnico campeão em título da Libertadores ainda não foi capaz de aportar ao jogo do Benfica outro tipo de soluções, de maneira a aumentar essa tal variabilidade de jogo que se veio a “afunilar” desde os tempos de Lage. O Benfica continua a ter os extremos por dentro (ou a virem de fora para dentro), os avançados por dentro, os laterais geralmente por fora (mas que raramente cruzam) e, mesmos os passes dos médios que tentam fazer a equipa chegar à frente, acabam por ser tentativas de rasgar o bloco do opositor, sendo Taarabt o caso mais paradgimático, ainda que com salpicos de qualidade. Quando a oportunidade para furar não surge, o Benfica faz a bola circular… e circular… e circular… Os espaços vão-se fechando, o ritmo do jogo baixa de primeira para ponto morto e, não raras vezes, chega a fazer marcha atrás. No final, a intenção mantém-se: tentar tabelas em verdadeiras cabines telefónicas, onde o espaço não existe. Não me ocorre outra palavra para descrever o atual futebol do Benfica que não seja “aborrecido”. Se nos lembrarmos que, em tempos, Jorge Jesus disse que este Benfica era um Ferrari, então parece que o Ferrari só alterna entre duas mudanças: o lento e o muito lento (e, nalguns dos momentos em que Gabriel pega na bola, chega mesmo a ficar parado).

"O Todo é maior que a soma das partes."
Aristóteles

Outro dos pecados de Jesus é a forma como este ignora aquilo que os jogadores lhe podem dar – e, pior ainda, aquilo que eles não lhe podem dar! Pedir a Otamendi e a Vertonghen para estarem constantemente numa linha subida é, no mínimo, um sinal de atrevimento, já que baixar o bloco não parece sequer ser opção. Mais irreal é tentar que Weigl, Samaris ou Gabriel “comam” metros como faziam Matic ou Fejsa – que erro tremendo foi emprestar Florentino! – quando esse equilíbrio podia perfeitamente ser garantido num meio-campo a três, onde até Taarabt e Pizzi se sentiriam mais confortáveis para viverem no risco em zonas de criação, pois teriam dois “guarda-costas” a atuarem logo após a perda. Às vezes, o Todo pode ser menor que a soma das partes, pois a complexidade inerente ao futebol tem o condão de fazer de André Almeida um lateral direito muito bom para o nosso campeonato quando a sua equipa está bem, como, ao invés, banalizarem um Darwin ou apagarem um Waldschmidt quando o coletivo se mostra enleado numa desinspiração profunda.
Do ponto de vista individual, também existem várias lacunas. Além da qualidade técnica duvidosa de Gilberto e Nuno Tavares, Darwin Núñez só se sente como peixe na água quando é solicitado no espaço, pois erra as ações mais básicas – passe e receção – sempre que recebe nas apertadas entre linhas. A má definição de Rafa nos momentos de finalização, um retraído Cebolinha e um Waldschmidt cada vez mais desorientado também agravam a crise das águias. E, se pensarmos mais um pouco, exemplos não faltarão.
No meio de tantos palpites, talvez a resolução do grande problema tático do Benfica possa vir a refletir-se positivamente noutros aspetos. Prioritário, neste momento, é procurar outras formas de agredir a defesa contrária para além do jogo interior, que só permite a este Ferrari (ainda que com várias peças de marcas mais humildes) andar a duas velocidades. Porque não tirar partido dos espaços livres para “soltar” Rafa ou Darwin, destravando este Ferrari e conferindo-lhe mudanças com mais adrenalina? Poderá o uruguaio transformar cruzamentos em golos se for mais vezes solicitado pelo ar, assim como Seferovic? Será que Nuno Tavares, Diogo Gonçalves, Cebolinha e Pedrinho conseguiriam aumentar o seu número pessoal de assistências se o Benfica criasse mais situações de desequilíbrio pelos corredores laterais? Quando foi a última vez em que o Benfica contra-atacou com sucesso? Quem tem a ousadia de ir no um para um? São questões para as quais Jesus ainda não forjou qualquer resposta.
Se o seu modelo contemplar “vários tipos de jogares”, certamente que os seus intérpretes vão conseguir manifestar o que têm de melhor, alcançando assim a simbiose perfeita entre a ideia do treinador e a potenciação do talento dos jogadores. Neste momento, o Benfica continua à procura duma saída para este labirinto. Mas é melhor Jesus acelerar, ou este Ferrari corre sérios riscos de ter novo acidente."

O futebol já foi mais técnico


"Hoje não se discute o jogo em si e, enquanto isso, os Felix são amarrados pelos Simeones da vida. Arranjem-se novas fórmulas ou as pessoas vão continuar a mudar de canal.

Esta semana, as transmissões televisivas dos jogos Sporting-Paços e Benfica-Vilafranquense perderam, nas audiências de televisão. Sim, mesmo o jogo do Benfica, tradicional rolo compressor de audiências televisivas, perdeu esse duelo com o que quer que fosse que estivesse a dar no canal que ganhou. O facto de a equipa encarnada ter chegado facilmente a uma vantagem de 3-0, contra um adversário frágil, ajudou, claro, mas é, ainda assim, um sinal.
Um sinal de que o futebol, assim como está, tende a ser menos interessante, mesmo para espectador de sofá, quando já não tem gente nas bancadas, em grande parte das Ligas.
O mesmo espectador de sofá que se tornou alfa e omega de quem manda no jogo, deixou de ter pachorra. O adepto de sofá que, nos últimos anos, terá sido endeusado pela «indústria» do futebol, principal foco de todas as opções estratégicas à volta deste desporto, desde o horário dos jogos (definido de acordo com os hábitos de espectador de sofá, e não do espectador da bancada, de acordo com o mapa de planeamento de programação das televisões), o VAR (em casa é que aparecem as linhas do fora do jogo, no estádio, fica tudo espreitar as televisões dos camarotes e corredores, ao fundo - e atualmente nem isso, a não ser nos bancos de suplentes, tudo a procurar a verdade desportiva num ecrã de um telemóvel, enquanto o jogo para cinco minutos, mesmo ali a pedir zapping a quem está... no sofá), à da carga de competições e jogos (quanto mais futebol em prime time, de preferência todos os dias da semana, melhor).
Como acontece numa consola, é só ligar a televisão e eles desatam a correr. 
Problema: mal se mexem.
Olhando para o Futebol em 2020, depois de uma paragem forçada pelo confinamento, sem tempo para os jogadores recuperarem dessa paragem de meses, com uma pré-época de duas semanas e, desde o final do verão, esta absurda voragem de jogos de três em três dias... o que fica são equipas de rastos. E ainda estamos em dezembro. Se a isto juntarmos estádios vazios como regra, é tudo mau.
E o pessoal desliga, sim. 
Há quanto tempo não vê um grande jogo de bola? Como pedia o outro: «Diga-me um, um!»
Este fim de semana então foi emblemático do pouco que se joga: Real-Atletico e United-City foram espetáculos pobres, forjados no cansaço precoce dos jogadores e noutro fator desencorajador que lhe está, creio, diretamente ligado: o medo.
As equipas não partem para o jogo. Ficam à espera do que ele dê.
Toda a gente joga com medo. Tudo a jogar no erro do adversário. Aqueles 56 passes curtos, para o lado e para trás, longe da área adversária. Que inclemente secador!
Os treinadores queixam-se que não têm tempo para treinar, os jogadores sentem-se de rastos, os espectadores ficam também saturados com o que veem, porque, mesmo quando o cartaz promete, o jogo depois, inevitavelmente, desilude.
Acho que, no subconsciente do adepto, seja qual for o clube, instala-se uma frustração intransponível: por um lado, não pode voltar aos estádios, com a agravante de perceber que há países em que sim, outros em que nem pensar, e não entende.
Depois, este cenário bate de frente, na minha opinião, com outros dois aspetos que moldam o futebol atual e não prometem nada de bom. Já se faziam sentir, estes fatores, antes da pandemia, mas agora tudo ficou ainda pior.
A crescente falta de paixão pelo jogo, da parte dos novos jogadores, e uma nova tipificação do jogo individual dos atletas, por outro.
Por partes.
Recentemente, um treinador da formação de um dos grandes clubes portugueses contou-me, espantado, que, numa segunda-feira, após um fim de semana de clássico em Espanha, ainda no tempo Messi vs Ronaldo, chegou ao primeiro treino da semana, e, entre os miúdos, só dois ou três tinham visto o jogo. Dezenas de outros jovens jogadores, que supostamente sonhavam em ser jogadores de futebol e deveriam ser apaixonados pelo jogo, não, não tinham visto. Alguns até responderam com um desconcertante: «Ah, houve um Barcelona-Real Madrid? Não sabia. Quem ganhou?»
Pergunto: para um jovem de 16 ou 17 anos, na antecâmara de subir a sénior num clube grande, o que foi mais importante, à hora do El Clasico, nesse fim de semana?
Ir ao Instagram? Jogar Playstation? Namorar? Dormir? Ir ao cinema?
A falta de nervo, o pouco adeptos que os jovens jogadores são, cada vez mais, é alarmante.
É que isso reflete uma ideia subjacente ao seu comportamento: querem ser jogadores, não porque amam o jogo - ou, loucura, o clube onde têm a sorte de jogar! - mas porque querem tão somente, tudo o que aquilo que o ser jogador profissional de um clube grande pode trazer: dinheiro e notoriedade. Nada a ver com o jogo, só com o ser jogador.
Entre a vaidade e um plano financeiro, a muitos destes jovens falta sentimento. E isto vai casar, na perfeição, com outra praga do futebol atual: a normalização absoluta dos sistemas táticos. Não há um jogador que faça uma finta. Ninguém improvisa nada.
Aos 7/8 anos já estão a ouvir, nos treinos, os misters a falar de tática. Tática!
Aos 7 ou 8 anos de idade! Devia ser proibido. Até aos 12, devia ser só jogar à bola mesmo. Tu és defesa, tu médio, tu avançado. A baliza é ali. E é tudo: joguem.
Hoje, olha-se para os jogos, e são todos a régua e esquadro. Ninguém improvisa. Não há outra malandrice que não seja com o intuito de enganar o árbitro: sacar um penálti, fazer falta sem ser apanhado, aprender a queimar tempo, simular uma lesão.
Mas faz lá uma finta... tá quieto. Deus nos livre de tentar qualquer coisa que possa levar a uma perda de bola. Problema: pode ser o lance que define o jogo, em bom. E, não menos importante: podia ser o lance que inspira. O que levaria à vontade de imitar, fazer melhor ainda, no olhar encantado de uma criança que estivesse a ver.
Uma pessoa vê as equipas, de topo ou não, e jogo transformou-se numa inevitável seca. Sim, uma pessoa muda de canal, fácil.
Não raras vezes, olhamos para os nomes dos jogadores e antecipamos espetáculo. Só que não. Sai mais um jogo que dá na televisão, mas depois perde para outra forma de entretenimento qualquer. Porque os últimos heróis do futebol, a sério, ou estão no fim das suas carreiras ou estão no Youtube ou no cemitério. Quando acabarem Messi e CR7, vai ser pior. Porque, fora, talvez, Neymar, a nova geração de craques, está toda formatada ao futebol absolutamente asséptico, calculista, defensivo, seguro. Os Felix são amarrados pelos Simeones da vida.
Quando a paixão pelo jogo nasceu da vertigem, da malandrice do craque da nossa rua, que fazia fintas incríveis, do tipo de marcava mais golos, do artista do meio campo que distribuía jogo como um maestro conduz uma orquestra. Mas era quando marcar golos era o Santo Graal. Agora é só se der. O principal é não perder. Rouba-se a bola para a guardar, não para avançar com ela. Que seca. A ultima vez que alguém tratou de roubar a bola melhor que os outros, ainda foi para pegar nela, inventar espaços e sim, ir direito à baliza: foi o Barça de Guardiola. Era uma seca, exasperavam muitos, na altura.
Não. À luz do que se joga hoje, incluindo o City de Guardiola, aquilo era emocionante como uma montanha russa. Hoje é que é uma seca. Juntas Bernardo Silva, Aguero, De Bruyne, Mahrez e Sterling e tens o quê? Pouco.
E os exemplos continuam.
Quero é que apareça um treinador que revolucione isto: alguém que arranje uma tática que destrua esta malha fina do jogo entre linhas, como agora se diz, essa zona do campo que parece um campo minado, cuidado, cuidado aí.
Um treinador que arranje uma tática nova para, pasme-se: ganhar jogos sem ser no erro do adversário. Correr riscos, sim! Mas ir para cima do adversário, perdendo o medo.
Este futebol que temos, todo ele preso de movimentos, são onze coletes de força de cada lado. Ora isso, somando à falta de paixão de muitos dos novos craques, leva a um jogo chato. O futebol nunca foi tão mediático, tão bem pago, gerou tanto dinheiro... e foi tão aborrecido.
Maradona adorava jogar, queria sempre ter um novo truque na manga. Não ia para o campo e esperava para ver, não. Ia para ganhar. Bola para a frente, que esse é que é o sentido inicial do jogo.
O que temos hoje é medo. De errar, de arriscar um passe a rasgar, de rematar de longe ou de um lugar ou forma inesperada, de ser apanhado no contragolpe. Temos equipas em que os jogadores não têm, na sua maioria, nenhuma ligação afetiva ao clube, cidade ou adeptos. As equipas são trituradoras de talento. Tudo num cenário de exaustão precoce dos jogadores, faz antever uma longa e penosa temporada de maus espetáculos, que culminará com um Europeu de craques a desesperar por um mês de férias.
E, no entretanto, tudo como se nada tivesse mudado: todas as competições estão on. Prolongamento nos jogos da Taça, se for preciso. Taças da Liga a bombar. Seleções com calendários como se o futebol estivesse com tempo. Não está. Precisa de descansar mais. Precisa que os adeptos tenham saudades dele. Porque, depois do confinamento, o regresso do futebol desiludiu. E continua a desiludir.
Tal como a invenção do 4x4x2 renovou o espetáculo, arranjem-se novas fórmulas. As Academias que não se fechem em power points e medição de massa muscular dos miúdos, e os deixem jogar à bola. Essa coisa maravilhosa que é jogar à bola, por puro prazer, na idade em que isso é tudo. Porque, acredito, o melhor presente de Natal, para muitas crianças, continua a ser uma bola. Deixem-nos jogar à vontade e não comecem logo a dar cabo de tudo com os momentos do jogo, a basculação e o jogo entre linhas.
Porque senão, vai acabar por se perder a magia e a vontade dos miúdos que melhor brincam com a bola de serem jogadores. O futebol vai sobrar para aqueles que, tendo jeito, traçam, não poucas vezes por via dos pais, ou, pior, de empresários, um plano de investimento, que de desportivo nada tem.
O futebol está chato. Na tática, na atitude, no cansaço evidente dos jogadores, no excesso de competições, nas bancadas desertas... e agora também no enfado que tomou conta do adepto de sofá, em nome do qual foi erigido o edifício do futebol tal como ele é hoje.
Hoje, só se discutem penaltis, boatos sobre transferências, ligou-se a fábrica de polémicas que nada são, na verdade. E não se discute o que vai mal no jogo em si. E, à entrada para 2021, o jogo de futebol está doente. Não se joga nada. Normalizou-se as equipas encaixadas. Desencaixe-se as peças deste tetris de tédio, por favor. O futebol precisa que cuidem dele e voltem a torná-lo excitante. Um dia destes, as pessoas mudam mesmo todas de canal. E é uma pena, porque, ainda hoje, não encontro nenhum outro desporto mais apaixonante, na sua essência.
E mesmo para mim, à beira dos 50, uma bola ocupa sempre o primeiro lugar, numa carta ao Pai Natal."

Pensar a igualdade de género no desporto: questionemos a forma como aceitamos as diferenças de tratamento entre géneros


"“Todos têm o direito a praticar desporto. O desporto pertence a todos, independentemente da etnia, da cultura, da religião, do sexo ou da classe social”. Estas são as palavras da Birgitta Kervinen, presidente honorária da Organização Europeia Não Governamental de Desportos (ENGSO), uma das poucas mulheres presidentes de organizações europeias do desporto. Foi a principal palestrante no “Forum Nacional ALL IN Rumo à Igualdade no Desporto”, realizado nos dia 11 e 12 de dezembro pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, inserido no âmbito das celebrações do 75.º Aniversário da Organização das Nações Unidas.
Apesar de estarmos todos de acordo com esta afirmação, o resultado do Inquérito ALL IN chama a atenção para o facto de 78% das mulheres portuguesas nunca terem efetuado qualquer atividade física e de a prática feminina, em termos de desporto federado, se limitar a 30% do total dos atletas federados. 
Estes números não nos causam admiração. Apesar de estarmos conscientes de todos os benefícios do desporto, a realidade portuguesa parece não ter tendência a mudar. A Comissão Europeia estabeleceu metas, desafiou todos os organismos relacionados com o desporto a tomar medidas que visassem o aumento do número de mulheres no desporto, mas, em Portugal, estas continuam a estar em minoria. 
Ora, este fórum teve, exatamente, por objetivo provocar uma reflexão sobre o assunto e levantar algumas questões pertinentes, desafiando todos a pensar em medidas concretas que possam contribuir para melhorar e aumentar a participação desportiva das raparigas e mulheres, reduzindo as barreiras à sua participação, aumentando a oferta desportiva para a sua prática, melhorando os espaços e locais dessa mesma prática. Que medidas seriam suscetíveis de serem postas em prática para aumentar o número de mulheres em cargos de liderança no desporto, dentro e fora do campo?... Para capacitar as organizações dos benefícios do aumento do número de mulheres em posições de liderança?… Para aumentar a cobertura mediática, para eliminar o sexismo, para atrair e estimular o investimento no desporto para mulheres?… Enfim, foram discutidos todos os aspetos com o objetivo de criar um Plano Nacional a ser posto em prática por todas as entidades desportivas e que visa, exatamente, a igualdade de género no desporto.
Mais um plano, mais um texto para ser lido e esquecido imediatamente?! Esperamos que não! Esperamos que tenha sido dado mais um passo para a mudança.
Sabemos que a desigualdade de género resulta de uma profunda herança cultural e que a mudança de mentalidades não é fácil. Precisamos de leis, de regras, de quotas… sim, precisamos de um “motor de arranque” que chame a atenção, que nos faça pensar. É que a mudança, realmente, está nas nossas mãos. Na consciencialização de que ainda não vivemos numa sociedade igualitária e que é a nossa capacidade de intervenção no “pequeno” mundo de cada um de nós que faz a diferença. Questionemos os ensinamentos que nos foram dados quanto à forma como aceitamos as diferenças de tratamento de ambos os géneros, questionemos a forma como ensinamos e educamos os nossos filhos…. Pensemos no assunto. Esse é o desafio que vos deixo: vamos pensar, questionar, agir!
Como dizia Birgitta Kerviven na sua conferência, cada um de nós pode originar a mudança, mas um grupo de pessoas pode criar um movimento e definir os padrões para um novo normal, aquele em que mulheres e homens marcam presença no desporto de uma forma igualitária."

Mais uma vitória...

Benfica 5 - 2 Fundão

Sem o Fits, o Chishkala e o Jacaré, conseguimos mais uma vitória segura, contra um adversário tradicionalmente complicado...
Muito bem, nas 'bolas paradas'... acabámos por sofrer 2 golos, que numa época onde a consistência defensiva tem sido excelente, parece uma 'goleada'!!!