Últimas indefectivações

sábado, 10 de janeiro de 2015

Dominadores...

Benfica 3 - 0 Guimarães

Foi claramente um dos melhores jogos da época (o jogo no antro da Corrupção teve outras condicionantes tácticas), desde do primeiro minuto a 'intenção' do Benfica foi clara... e só não houve uma daquelas cabazadas históricas, porque os ferros (3) e alguma falta de eficácia, nos 'roubou' alguns golos!!! A melhor homenagem que hoje se fez no Estádio da Luz, ao Eusébio - 1 ano depois... -, nem foram os 3 pontos conquistados, a melhor homenagem, foi a qualidade de jogo e a atitude ofensiva, dominadora, que o Benfica ofereceu aos adeptos... o King sorriu, seguramente.
O Campeonato Português nas últimas temporadas perdeu qualidade, com o aperto financeiro de vários Clubes, os plantéis das equipas de meio da tabela para baixo, estão muito mais fracos... E só por isso é que este Vitória de Guimarães, está no lugar que está... Isto não é uma critica ao Vitória, ou ao seu treinador, bem pelo contrário, mas hoje foi bem visível, a diferença abismal que existe entre o 1.º e o 3.º classificado.
Com um Benfica, ainda com muitas ausências forçadas (lesões, recuperações, castigos), além das vendas... um Benfica ainda em construção, mesmo assim fomos completamente demolidores. Só após o 2.º golo baixámos um pouco o ritmo, e mesmo assim o Vitória só criou algum perigo, em algumas desconcentrações nossas...
Apesar do MVP do jogo ter sido o Gaitán (pessoalmente até acho que ele não fez um grande jogo!!!), o meu destaque vai todinho para o Talisca. Acho mesmo que fez a melhor exibição a '8' desde que chegou ao Benfica. Não marcou nenhum golo, ainda falhou um ou outro passe, mas recuperou bolas, acompanhou os adversários nas marcações, pressionou, esteve muito melhor no 1.º toque, distribui muito jogo, rematou ao poste, e foi substituído completamente esgotado... Ainda tem que melhorar, mas este jogo deu-me esperança, que está no bom caminho para se tornar no '8' do Benfica. Algo que eu no início da época defendi que seria a sua melhor posição, mas nos últimos jogos já estava a perder a esperança...!!!
O Júlio César com pouco trabalho, também foi decisivo, já que a falta de eficácia no nosso ataque, permitiu ao Vitória 'acreditar' no empate... 3 defesas difíceis, uma muito complicada, excelente jogo com os pés, muita tranquilidade. Sem lesões será o nosso guarda-redes no futuro próximo... 2 ou 3 épocas provavelmente. A este nível, nos últimos anos, só o Preud'homme!!!
Estava desconfiado com o regresso do Eliseu neste jogo, mas a experiência do Açoriano acabou por ser decisiva... não arriscou muito no ataque, mas conseguiu controlar muito bem a velocidade do Hernâni. No outro lado, o André Almeida, no regresso à sua melhor posição, fez uma exibição certinha, sem arriscar nas subidas, e somente com uma passe disparatado no início do 2.º tempo!!! Parece que o André faz questão em ter uma 'branca' por jogo!!!
Na ausência do Luisão, o Jardel tem comandado a nossa defesa, e hoje voltou a estar muito bem nas tarefas defensivas... nunca irá ter a classe do Luisão a sair com a bola, mas a defender cumpre muito bem... O César voltou ao onze, com a lesão do Lisandro, voltou a ter algumas intervenções precipitadas, mas já está entrosado com as movimentações da equipa, e com a sua velocidade, disfarça muito bem os erros!!!
Nas conversas antes do jogo, defendi a titularidade do Cristante a '6', mas não tenho problema em admitir que fiquei bastante satisfeito com a exibição do Samaris. Não é tão brilhante no passe, mas é mais móvel... É outro caso, onde é notória a melhoria acentuada... actualmente já percebe, sem problemas, o que o Jesus quer que ele faça.
O Ola John, voltou a fazer um jogo, onde fez coisas muito boas, e coisas muito más!!! Creio que o golo acaba por ser uma boa imagem do seu jogo: um falhanço no remate (ou talvez uma 'simulação'!!!), para depois fuzilar a baliza adversária!!! Mas independentemente das fintas ou dos passes, nota-se uma tentativa em ser mais agressivo, é óbvio que nunca será um Maxi, mas está a tentar... Na parte final do jogo, com o cansaço, e alguma descompressão, cometeu mais erros... Também é preciso trabalhar a parte psicológica nestes pormenores. O Nico não fez um mau jogo, fez algumas jogadas brilhantes, mas como disse atrás, num Benfica com tantas ausências, as minhas expectativas ainda são mais altas...
O Lima continua sem marcar, mas o 1.º golo é uma falta sobre ele, e no 2.º golo fez a assistência. Hoje também foi óbvia a melhoria acentuada do Lima no jogo de costas para a baliza, principalmente nas recepções de peito... Quando chegou ao Benfica, o Lima não estava habituado a jogar assim... melhorou muito. O Jonas continua a espalhar classe, e a marcar golos. Mas como eu também já alertei, o Jonas no Campeonato é poupadinho, pois marca 1 golo, e depois falha alguns escandalosos: hoje, no 1.º minuto deslumbrou-se!!! Também merece destaque o trabalho defensivo do Jonas, talvez inspirando-se no 'trabalho' do Lima, o Jonas acaba por recriar defensivamente a dupla do ano passado Rodrigo/Lima!!!
O Salvio tem sido martarizado por lesões, um jogador tão jovem, e já perdi conta aos ossos que já partiu, mas mais uma vez, está de regresso, muito antes do que seria normal... e logo com uma assistência!!!
Num jogo calmo, onde os jogadores não complicaram, é extraordinária a quantidade de merda que o apitador Rui Costa consegue fazer!!! O critério disciplinar foi um absurdo, mais uma vez...

7

Sporting 0 - 7 Benfica

Não vi o jogo, mas o resultado é esclarecedor. E se nos lembrarmos das dificuldades que tivemos na 1.ª volta em vencer os Lagartos na Luz, é fácil concluir que o Benfica está num excelente momento de forma... e que aparentemente as mini-férias de Natal, não mudaram a tendência.

44

Benfica 95 - 51 Oliveirense
21-10, 22-12, 29-16, 23-13

Exibição tranquila... num dos jogos, onde o nosso domínio, foi mais acentuado, esta época (44 pontos de diferença!!!).
Interessante ver o Fábio Lima a ganhar minutos... assim como o Diogo Gameiro e o Castela. Também não deixa de ser curioso o Doliboa ter sido o melhor marcador, sendo que na última Quarta-feira em Ovar, conseguiu a 'proeza', de ter feito 0 pontos!!!
Mesmo com os 3 lesionados: Andrade, Ferreirinho e Carreira, o Benfica está vários patamares acima de qualquer um dos adversários. Como ficou provado nesta 1.ª volta, só o Barcelos e o Guimarães, num dia muito mau do Benfica, podem equilibrar...!!!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FC Porto é o único rival

"Ainda é muito cedo para estabelecer um relógio de countdown para o fim do campeonato. Mas a verdade é que no subconsciente de cada benfiquista então, por um lado, os seis pontos de vantagem sobre o rival e, por outro, os cinquenta e sete que distam do final da prova. Eu saí de Penafiel e exclamei: «Faltam menos três pontos!».
Jorge Jesus tem razão quando diz que os principais reforços do Benfica deviam vir da enfermaria. Fejsa, Rúben Amorim, Luisão, Sílvio, Eliseu, Salvio e, agora, parece que Talisca. Bem, é quase uma equipa que lutava pelo título aos cuidados do departamento médico. Os adeptos esperam a chegada de alguns destes reforços que tanta falta fazem e tanta qualidade têm.
Em Penafiel, gelados pelo frio, foi uma equipa quanto baste, para vencer um dos últimos, mas só um Benfica muito mais forte vencerá o surpreendente Vitória de Guimarães. Entramos num Janeiro com um calendário muito complicado para o Benfica e, por isso, não há grande margem para erros, se queremos manter esta vantagem.
Enquanto no FC Porto se proclama (mais adeptos que responsáveis) todos os dias terem a melhor equipa, a nós, Benfica, resta-nos com humildade ir vencendo os jogos, para manter a melhor equipa a boa distância. O FC Porto tem uma boa equipa e vai ser rival até ao fim. Não há outro. Haverá adversários de valor, mas não capazes de chegar ao título, reservado a dois candidatos.
Sábado, na Luz, só espero dificuldades. Tributo a Eusébio seria vencer, era isso que ele mais gostava no Benfica. Será um dos jogos mais difíceis do Benfica até ao fim da época. Rui Vitória é um excelente treinador e está no Vitória de Guimarães a fazer um excelente trabalho, como aliás fez em todos os clubes por onde passou.
O meu desejo é chegar ao fim do jogo e poder voltar a dizer: «Faltam menos três pontos para o 34»."

Sílvio Cervan, in A Bola

Um ano inesquecível

"O ano de 2014 entrou para a galeria dos mais empolgantes da história recente do Benfica.
É verdade que começou de forma triste, com o desaparecimento de duas lendas do futebol português e mundial, que tantas saudades nos deixaram. Eusébio e Coluna partiram, e, infelizmente, já não puderam desfrutar dos triunfos com que o clube que tanto amavam, e ao qual tanto deram, varreu o país. Certamente que a magnitude do seu legado serviu de inspiração aos atletas encarnados que, ao longo dos meses seguintes, nas várias modalidades e escalões, fizeram de 2014 um ano para recordar. Desde logo, no Futebol.
Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça. Tudo ficou nas nossas mãos. Mais títulos nacionais houvesse, mais títulos seriam conquistados. Foi, como se costume dizer, uma limpeza.
Só um árbitro alemão de má memória impediu a nossa equipa de alcançar a consagração internacional que tanto merecia. Os penáltis de Turim foram, sem dúvida, o momento desportivo mais doloroso de 2014, não só pela perda de algo que parecia estar perfeitamente ao nosso alcance, como pelo sentimento de injustiça face à forma obtusa como tal desfecho se concretizou.
Já na nova temporada, as treza vitórias em quinze jogos do Campeonato, a clara vitória no Estádio da Dragão, e os seis pontos de vantagem na tabela classificativa, indiciam que o sonho do 'Bi' está bem vivo. É esse o grande desejo de todos nós para 2015. É esse o desígnio que terá de nortear a família benfiquista durante os próximos cinco meses. Unidos, enchendo estádios, criando uma avassaladora onda vermelha em torno da equipa e de cada partida, estou seguro de que voltaremos ao Marquês.
Também nas restantes modalidades o Benfica deu cartas em 2014. Campeão de Basquetebol, Atletismo e Voleibol, vencedor da Taça de Portugal em Hóquei em Patins, líder nas várias frentes em que participa nesta nova época, o último ano evidenciou um Benfica altamente competitivo, e predominamente ganhador. Também no ecletismo, 2015 promete."

Luís Fialho, in O Benfica

Um grande 2014

"Não se podia pedir muito mais ao Benfica na entrada em 2015. Não compreendo as críticas que têm surgido na imprensa nas últimas semanas em relação à prestação do plantel de Jorge Jesus nesta primeira metade da temporada 2014/15.
Que fomos eliminados prematuramente das competições europeias, ninguém o negará. Que, em relação à equipa do ano passado, perdemos alguns activos de grande valor, também não restarão dúvidas. Que o Benfica está sempre na Taça de Portugal para vencer e este ano não conseguiu ultrapassar os adversários, é uma verdade. No entanto, também verdade é que tivemos o melhor início de Campeonato dos últimos 20 anos e nos encontramos a seis pontos do segundo classificado e a dez pontos de um dos mais importantes adversários directos.
Também é verdade que começamos com o pé direito a defesa da Taça da Liga. E, ninguém o poderá negar em boa-fé, Jesus tem conseguido encontrar substitutos à altura de todos os grandes nomes que se ausentam do plantel, construindo hábeis esquemas tácticos em função dos recursos que tem disponíveis. Não é isso que queremos de um treinador? Não é isso que queremos de um presidente?
Ignorar o facto de que o mercado do Futebol não se coaduna com fechar os olhos ao seu funcionamento e à circulação do dinheiro é vetar o Benfica ao isolamento internacional. Ignorar o facto de que é impossível a uma equipa portuguesa manter indefinidamente os seus jogadores face ao mercado internacional de jogadores é continuar a gritar para o vento.
Deixo a pergunta aos Benfiquistas, numa altura em que tanto se fala da saída de Enzo e da chegada do mercado e inverno: líderes isolados do Campeonato a seis pontos do segundo classificado; um treinador que já deu evidentes provas da sua maleabilidade e um presidente que tem feito um esforço hercúleo para nos manter à tona, não obstante as dificuldades óbvias do mercado financeiro actual: Poderíamos querer mais na entrada do novo ano?"

André Ventura, in O Benfica

E Eusébio ouvia-os cantar «We all live in the Oval submarine»

"Em 1967, o Benfica joga em Belfast, para a Taça dos Campeões com o Glentoran. Um jovem adepto estás nas bancadas - chama-se George Best. A visita dos campeões portugueses torna-se motivo de sensação. Os elogios não se esgotam.

Voltemos a Eusébio. Promessa feita, promessa sendo cumprida, semana a semana, agora que está a dobrar um ano sobre o seu «encantamento», como diria Guimarães Rosa: «A gente não morre, fica encantado».
Aí onde ele estiver, encantado, Eusébio da Silva Ferreira merece que o recordemos sempre, continuadamente. Eu faço-o com gosto, como um tributo à amizade, às muitas conersas longas que tivemos, muitas por todo o mundo, atrás do Benfica e da Selecção Nacional, outras à sombra do carinho do grandíssimo Ti' Emílio que foi para Eusébio como um pai.
Escrevo e reescrevo sobre Eusébio. Repito-me por vezes, mas as lembranças também são mesmo assim, repetições de tempos que não voltam mais.
Vocês sabem, em Inglaterra há uma paixão monstra por Eusébio. Que digo eu? Em Inglaterra? Em toda a Grã-Bretanha, Irlanda e tudo.
Na Irlanda e Norte também há um fascínio por Eusébio. Uma vez estive lá como ele, em Belfast, talvez há uns dez anos. Quando o viram subir ao relvado, os adeptos do Windsor Park explodiram de entusiasmo. Assisti a outros episódios iguais: em Dublin, por exemplo, em 1996, nas vésperas do início do Campeonato da Europa.
Pouco lhes importa que Eusébio já não jogasse. Era a lenda. Viva.
Uma admiração forte, genuína. Como se lhes estivesse no sangue.
Há milhares de episódios que se podem contar sobre esse fascínio britânico por Eusébio. Já contei tantos e tantos, nas páginas de jornais, em livros, em conversas descontraídas.
O próprio Eusébio me contou tantas vezes que fiz questão em guardar preciosamente.
Falemos então da Irlanda do Norte. De Belfast.
Eusébio está profundamente incrustado no coração de Belfast: um diamante preso na sua cela negra de carvão.
Belfast: cidade escura - barro, fumo, cimento...
Em Setembro de 1967, o Benfica foi a Belfast jogar com o Glentoran para a primeira eliminatória da Taça dos Campeões.
«September 13, 1967... an historic night in Irish soccer history. Many moments from this game will always remain imprinted in the memory».
É assim que Malcolm Brodie, antigo jornalista do «Belfast Telegraph», começa a descrever essa noite extraordinária no Oval Stadium no seu livro «The Story of Glentoran». Não se tenha sido um jogo fora do comum.
Não foi. Havia, isso sim, em Belfast, a expectativa de ver jogar o famoso Benfica com Eusébio e Coluna, e José Augusto e Torres e Jaime Graça. O Campeonato do Mundo de Inglaterra decorrera há pouco mais de dois meses, Eusébio estava no auge da sua popularidade mundial. «Mighty Benfica and its glittering array of stars including the incomparable Eusébio», chama-lhes Brodie.

E Eusébio rematava e rematava e rematava...
O Glentoran fez um golo cedo, de «penalty», logo aos 9 minutos, por Colrain; Tmmy Jackson foi a sombra de Eusébio; Albert Finlay parecia feito de borracha nas suas defesas contínuas.
O público cantava: «We all live in a Oval submarine». 40.000 vozes ao soim da música dos Beatles.
Eusébio multiplicava os remates: dois ao poste, vários outros passando bem perto da baliza, ao lado, por alto, desviados pelas mãos de Finlay.
Murmúrios de admiração e espanto perpassavam as bancadas. O Benfica atacava com fúria mas com pouco método, insistindo nos remates de Eusébio e no jogo de cabeça de Torres. Os minutos escorreram: grãos de areia por entre dedos de uma mão aberta. Torres vê um golo anulado e, ao minuto 60, uma carga brutal sobre Eusébio dá ao Benfica um «penalty» a possibilidade do empate. Eusébio queixa-se com dores, está fora de campo, é Jaime Graça quem marca: falha.
O final do jogo é penoso para Eusébio. Coxeia; sofre a dureza dos homens do Ulster. Falam cinco minutos: um passe de José Augusto e Eusébio remata: poderoso, insensível, devastador. Inevitavelmente golo.
Para os jogadores do Glentoran, o empate é uma festa. Eusébio é grande! «Amazing!». dizem eles. O público invade o relvado, leva os seus em ombros, rodeia aquele atleta vigoroso de Moçambique que dominou o campo com a sua imagem soberba.
George Best é um dos adeptos que aplaudem Eusébio com entusiasmo.
Mal sabiam, ainda, que aquele golo de Eusébio valeria a eliminação: na Luz novo empate, 0-0.
Quatro anos antes, no mesmo Windsor Park, Eusébio já tinha marcado um golo vistoso, frente ao Distillery, num empate de 3-3 para a 1.ª «mão» da primeira eliminatória da Taça dos Campeões.
Eusébio não falhava os seus compromissos com o Ulster.
Por isso continuou idolatrado na sangrenta Belfast de tantas batalhas. Eles, lá, também não se esquecem. Eles que tiveram igualmente o seu herói único e irrepetível - George Best.
«Mighty Eusébio!?» escreveu-se. A tinta também não se apaga."

Afonso de Melo, in O Benfica

Prenda de Natal

"O anúncio foi demorado, sofrido, cansativo e com muitos episódios pelo meio, mas finalmente proclamou-se no último Domingo: o Sport Lisboa e Benfica é o campeão incontestável de inverno 2014/15. Depois de um atribulado período de transferência de jogadores e da saída de nomes importantes como Oblak ou Cardozo, muitos vaticinavam, outros desejavam, uma desastrosa época para os encarnados. Eis que o plantel comandado por Jorge Jesus personalizou uma verdade incontornável: o Benfica foi a equipa mais regular e tacticamente melhor organizada nestes primeiros meses de Liga Portuguesa de Futebol.
Desde equipas extremamente consistentes defensivamente até aos colectivos com melhor eficácia ofensiva (como o FC Porto), a todos o Benfica deixou a marca de vitórias sólidas e tranquilas, nem sempre ostensivas, mas consensualmente reconhecidas.
O onze liderado por Jorge Jesus tem ainda demonstrado duas características essenciais que o definirão, em Maio, como campeão nacional 2014/15: a perseverança e a capacidade de adaptação táctica. Nenhuma equipa tem acreditado tanto como o Benfica que cada vitória é fundamental e que em todos os jogos é possível vencer, independentemente do adversário ou do resultado que o jogo leva num determinado momento. A derrota frente ao SC Braga e também a vitória frente ao Mónaco para a Champions são a prova desta mesma perseverança. Por outro lado, o Benfica tem dado verdadeiras lições de táctica aos seus adversários, que se mostram surpreendidos e desarmados frente às 'inovações' e ao jogo complexo dinamizado por Jesus. Que o diga Lopetegui que ainda deve estar a estudar os movimentos dos encarnados no Dragão.
Ser Campeão de Inverno é uma óptima prenda de Natal para todos os benfiquistas. Não apenas pelo título informal, mas pela substância das coisas que ele encerra: o Benfica é a melhor equipa a jogar em Portugal nesta altura... mesmo sem Rúben Amorim, Eliseu e Fejsa."

André Ventura, in O Benfica

PS: Após 3 semanas de mistério, descobri a razão porque o jornal d'O Benfica (edição Natal) não me chegou à caixa de correio: o carteiro enganou-se na caixa, e meteu o jornal, na casa do meu vizinho!!! Que por acaso, está actualmente vazia, e assim só 3 semanas depois, com a visita ocasional do proprietário, descobri a sua localização!!!
Apesar do atraso, fica aqui as crónicas da edição de Natal em falta... Esta do Ventura, e a próxima do Afonso de Melo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

'Pragmático' será a palavra de 2015

"Do Benfica 'pragmático' é Maxi Pereira o coração, a cabeça e as pernas. Ao que se soma a anca do Lima, o peito do Jonas e as mãos do Júlio César, imbatível para a Liga há 539 minutos.

ARRANCOU Janeiro com a vitória em Penafiel. Foi tal e qual como o treinador do Benfica tinha previsto. O cabo dos trabalhos para superar o honrado adversário que ocupa na tabela da Liga um dos lugares com direito à despromoção. Terminado o jogo com um resultado bem melhor do que a exibição, o treinador do Benfica acentuou que só um Benfica «pragmático» poderia ter levado de vencida o obstáculo acabadinho de contornar.
'Pragmático', pode-se já adiantar, vai ser a palavra do ano de 2015. Pode-se não gostar, é verdade, mas sempre dá menos mau aspecto ao país do que 'corrupção', eleita pelos portugueses como a palavra do ano de 2014.
O próximo jogo do Benfica é já no sábado contra o Vitória de Guimarães no Estádio da Luz que não mudou de sítio mas que mudou de morada. Agora fica na Avenida Eusébio da Silva Ferreira.
Fez agora um ano que Eusébio mudou de morada. No entanto, nunca mudará de sítio. Nunca, jamais. 

HOUVE, já agora, coisinhas que deram gosto ver no jogo esmifrado que o Benfica cumpriu em Penafiel no último domingo.
Maxi Pereira com a braçadeira de capitão, na ausência de Luisão, foi uma delas. A estreia de Gonçalo Guedes foi outra ainda que simbólica, para já. Todo o desenho do lance do primeiro golo foi outra. E a imagem de Jardel preso nas redes do 25 de Abril de tão feliz por ter marcado um golo foi outra coisa que também deu gosto ver.
Voltemos a Maxi Pereira.
Fica-lhe bem o distintivo, muitíssimo bem. Fez, sem qualquer espécie de dúvida, por merecê-lo ao longo da meia-dúzia de anos que já leva na casa.
O uruguaio não é propriamente um solista da categoria dos 'virtuosos'. Mas não deixa de ser um empolgante futebolista e um profissional da mais alta craveira. Do ponto de vista dos legítimos interesses dos adversários do Benfica, Maxi Pereira deveria ser expulso em todos os jogos antes de se esgotar o primeiro quarto de hora no relógio do árbitro.
E é este, aliás, o maior elogio que lhe chega das cores rivais. Cá para mim é inveja.
90% de pura inveja e 10% de velada admiração pelo extraordinário contributo do uruguaio em prol do jogo colectivo do Benfica.
Nesta temporada, que pode ser a sua última na Luz, Maxi Pereira até está a exagerar quando se trata de pôr em prática a surpreendente versatilidade do seu reportório prático. O uruguaio parece querer especializar-se em assistências improváveis para golos exóticos, o que não é para todos.
Aconteceu no Porto com a assistência à mão para o golo de anca de Lima e aconteceu mais recentemente, em Penafiel, com a assistência ao pé para o golo de peito de Jonas.
A crítica, sempre muito exigente, insiste em não atribuir nota artística para estes momentos raros mas, até por uma questão de modéstia, faria bem em reconhecer ao nosso uruguaio a soberba intenção com que mete a bola na área adversária de modo que qualquer parte anatómica de um colega de equipa lhe serve de tabela para o golo.
É o bilhar de Maxi. Será bilhar artístico ou bilhar pragmático?
A verdade é que se todos os pragmáticos fossem como Maxi Pereira não haveria adepto do Benfica excessivamente preocupado com a escassez que representam os 6 pontos de avanço sobre o segundo classificado quase à entrada para a segunda volta do campeonato.
Neste Benfica de 2014/2015, que se tem vindo a despejar dos talentos puros que marcaram a lindíssima temporada de 2013/2014, Maxi Pereira reúne todas as qualidades para ser o exemplo a seguir pelo grosso da equipa que pretende revalidar o título nacional num cenário de contracção do investimento.
Do Benfica 'pragmático' é Maxi Pereira o coração, a cabeça e as pernas. Ao que se soma a anca do Lima, o peito do Jonas e as mãos do Júlio César, imbatível para a Liga há 539 minutos, o que também ajuda a explicar a razão pela qual o Benfica é hoje o líder isolado da prova para desgosto imenso dos seus rivais.

A contar para a II Liga, o Benfica B foi a Alcochete vencer o Sporting B por 1-0. Como é da tradição foi um Cardoso o autor do golo da vitória benfiquista sobre o eterno rival. Cardoso, desta vez Fábio Cardoso não perdoou.

PELOS muitos e importantíssimos títulos que ganharam ao longo da carreira, há grandes treinadores que atingiram merecidamente o cume dos cumes sentando-se hoje nos bancos dos mais ricos e poderosos emblemas europeus.
José Mourinho e Carlo Ancelotti, são dois deles.
No Chelsea e no Real Madrid, gerindo colectivos de estrelas a preços exorbitantes para a nossa muito particular modéstia, ninguém exige a Mourinho e a Ancelotti que sejam 'pragmáticos' a não ser no momento decisivo de ir às compras.
- Quero o Bale, quero o Kroos e quero o James Rodriguez! – disse o Ancelotti e logo viu satisfeitos os seus desejos.
- Toma lá, desembrulha-os! – respondeu-lhe o presidente Florentino com um grande sorriso.
- E agora quero o Marco Reus! – diz agora o Ancelotti e verá provavelmente atendida mais esta prece até ao final deste mês de Janeiro.
Em Londres passa-se quase a mesma coisa.
- Quero o Matic, quero o Diego Costa e quero imediatamente o Courtois e o Drogba de volta e depois ainda vou querer o Talisca! – diz o Mourinho sabendo que vai ter sorte com a disponibilidade de Abrahmovic para alinhar nestes pragmatismos de eleição.
Felizmente o futebol não é uma ciência certa.
É o que me ocorre vendo os açambarcadores Real Madrid e o Chelsea, que chegaram a ter uma obscenidade de pontos de vantagem nas respectivas Ligas, a desbaratar paulatinamente os seus avanços, não tendo perdido jogadores importantes, não perdendo rotinas nem sistemas de jogo mas perdendo pontos aqui e ali…
E para reforçar o Chelsea, a sentir-se apertado pela concorrência, José Mourinho pede agora um cúmulo de pragmatismo no valor de 250 milhões de euros:
- Quero o Messi a ver se ganhamos o campeonato!
E quem sabe se não o vai ter?
Perante esta realidade do futebol mundial do topo do mundo, mais insólita e digna de elogio me parece esta persistência do depauperado Benfica em comandar com alguma (não muita) folga a Liga portuguesa graças a uma equipazinha permanentemente em obras e semanalmente desacreditada por analistas de todos os quadrantes.
Curiosa teimosia. Veremos, lá mais para diante, como isto tudo vai terminar.

O que já terminou foi a alegada crise de Alvalade. Terminou com a vitória do Sporting é a conclusão oficial que nem se discute em prol do sossego e do respeito devido a casa alheia.
O importante é que não se perdeu nada de significativo nessa turbulência. A única coisa que se terá perdido foi aquela declaração do presidente do clube dois dias depois do Natal elogiando José Eduardo e Eduardo Barroso pelo «elo de ligação» estabelecido depois da primeira e infundada vaga do ataque ao treinador. 
Acabou por ser a notícia mais efémera de sempre. Tal como veio, foi-se como se não tivesse existido. Era sobre a patente precariedade do dito «elo de ligação» que o José Eduardo deveria ter reflectido antes de se abalançar de peito feito à segunda vaga."

Leonor Pinhão, in A Bola

Estatuária estatutária (II)

"Cristiano Ronaldo tem qualidades pouco frequentes, se comparadas com a idiossincrasia do português-padrão: trabalhador incansável, perfeccionista até ao limite, exemplarmente determinado, saudavelmente ambicioso, profissional de mão-cheia. Além disso, não esquece nem secundariza as suas humildes origens, a sua família e a sua terra. Na globalização sem limites em que hoje se vive, Ronaldo tem no fascínio e desafio da sua profissão o que outros eleitos como Pelé, Eusébio, Di Stéfano e mesmo, mais recentemente, Maradona ou Cruyff nunca tiveram com a mesma magnitude: fama e iconografia planetárias, apreço universal, dinheiro a jorro, mercado publicitário à discrição. Mas, dia a história, há sempre o risco, com o decurso do tempo, de dissolvência de algumas destas expressões de sucesso quando lhe está associada uma overdose de presentismo e de vedetismo.
Alguns leitores estarão agora a perguntar por que razão, e neste contexto, teve Eusébio (em vida) uma estátua. Direi, apenas, que há, pelo menos, duas grandes diferenças: uma estátua erigida já o jogador do Benfica não estava no activo; uma estátua não publica, mas na propriedade e junto no estádio do clube que sempre teve no seu coração.
Apetece-me, neste contexto, alargar, metaforicamente, o que, sabiamente, Michelangelo disse há cinco séculos: «Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo que não é necessário?. Em conclusão, Ronaldo já tinha estatuto mesmo que sem estátua que responsabiliza mais o estatuto. E que, no futuro, esta união estatuária-estatutária se fortaleça na raiz da exemplaridade."

Bagão Félix, in A Bola

Estatuária estatutária (I)

"Cristiano Ronaldo tem, ainda antes de completar 30 anos de idade, uma imponente estátua de bronze no Funchal, sua cidade natal. Muito se tem escrito sobre o tamanho, o material, o financiamento, a maior ou menos parecença com o homenageado. Em particular, por cá e sobremaneira nalguns media estrangeiros, disserta-se sobre derivados falicamente muito generosos que, no contexto da hoje impositiva globalização pansexual, muito irá contribuir para o falatório, o anedotário e a profusão de selfies certificadoras da protuberância a três dimensões.
Lembro-me de um frase de Carlos Drumond Andrade que li algures: «A estátua não faz reviver o grande homem, porém serve de ponto de referência para transeuntes». Neste caso, porém, Cristiano Ronaldo está bem vivo e activo. Já quanto à referência aos transeuntes está garantido o sucesso.
Mas não é tanto desses aspectos que agora escrevo. Refiro-me, antes, à oportunidade desta estátua no tempo. Claro que o nosso grande jogador - que orgulha Portugal - merece todos os encómios e galardões. Tem (e terá, por certo, ainda mais) troféus, bolas e botas de ouro, ordens honoríficas, acervos museológicos, esculturas de cera, biografias e muito mais. Mas, na minha opinião talvez a enorme estátua venha antes do tempo certo. A norma (que embora o sendo, também é passível de excepções) na estatuária e na toponímia é que a eternização de um vulto a celebrar se faz após a sua morte. E mesmo em vida, haverá melhores momentos para exaltar uma notável carreira que ainda está bem longe (esperamos) do fim. Por exemplo, depois de terminada a sua carreira de futebolista."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Vitória em Ovar

Ovarense 71 - 78 Benfica
9-19, 23-20, 16-17, 23-22

Início muito bom, mas no 2.º período deixámos o adversário aproximar-se... Já no 3.º, chegou mesmo ao 43-46, mas foi o mais perto que a Ovarense conseguiu... Acabou por ser um daqueles jogos controlados, mas com uma vantagem relativamente escassa, que numa 'branca' podia virar o resultado!!! Insistimos demasiado nos Triplos, mesmo quando eles não estavam a entrar!!!
O Fábio Lima estreou-se, jogou poucos minutos, não deu para fazer uma avaliação...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A hora de Gaitán

"O futebol é fantástico. De onde quer que o observemos, revela-nos sempre um ângulo interessante. O futebol baseado numa vertigem atacante fascina, mas podemos bem desfrutar com igual entusiasmo do ataque organizado em toada lenta - da mesma forma que não devemos menosprezar uma organização defensiva monotonamente compacta. Quem só aprecia um estilo de futebol e se convence que a virtude está, apenas, em ataque estonteantes, ainda não entrou na maturidade da relação com o desporto-rei.
Todas as vitórias têm um encanto particular. Sim, deixei-me levar pelo título ganho pelo carrossel alucinante montado por Jesus no primeiro ano; mas guardo igual memória de campeonatos conquistados por equipas burocráticas que exibiam um modo administrativo de jogar: uma tarefa para cumprir (vencer jogos), alcançada com o máximo de eficiência. Foi assim em 86/87, aquando da segunda passagem de Mortimore; em 04/05 com Trappatoni e, sejamos, realistas, é este o caminho possível para o título este ano.
Bem sei que as vitórias trazem confiança e uma margem pontual confortável é o tónico perfeito para boas exibições. Tudo isso é verdade, mas o Benfica de 14/15, em reconstrução permanente, só será ganhador se for uma equipa em modo administrativo.
Há, contudo, mais paralelismos entre esta temporada e as de 86/87 e 04/05. Agora como então, a organização burocrática da equipa exigiu de um só jogador um esforço adicional. Diamantino e Simão tiveram de ser jogadores desequilibradores, capazes de dar o suplemento de criatividade que as equipas não tinham. Hoje, o Benfica dependerá de Gaitán para a mesma função. O que exige mais do argentino. Não lhe bastará ser o extremo talentoso que conhecemos. Nesta segunda metade do campeonato, Gaitán terá de ter maior versatilidade táctica e a responsabilidade acrescida de ligar sectores. Com a saída de Enzo e com um plantel menos forte é a hora de Gaitán."

Golos, golos, golos e mais golos!

"1973 foi um ano importante para Eusébio. Ganhou a sua segunda «Bota de Ouro», foi figura de uma vitória arrasadora do Benfica no Campeonato Nacional, despediu-se da Selecção Nacional...

Atrasemos o calendário. Vamos até 1973, falando de Eusébio, claro está, prometi aos meus pacientes e benignos leitores que aproveitaria estes dias que fazem correr a cortina negra de um ano sobre a sua morte para escrever em sua homenagem.
É isso que faço. Trago-vos história, factos, números.
Trago-vos Eusébio da Silva Ferreira correndo com o braço no ar pela verde planície da eterna saudade.
1973 foi um ano marcante na carreira de Eusébio. Profundamente marcante!
Marcou 40 golos no Campeonato Nacional.
O Benfica foi Campeão com apenas dois pontos perdidos: 28 vitórias e 2 empates; 101 golos marcados e 13 sofridos. Só num jogo não marcou golos: na Tapadinha, com o Atlético, na penúltima jornada (0-0). Nenhuma outra equipa faria melhor.
Na Luz, foi infernal:
Leixões: 6-0 (3 golos de Eusébio)
Beira-Mar: 9-0 (3 golos de Eusébio)
Sporting: 4-1 (4 golos de Eusébio)
Belenenses: 5-0 (3 golos de Eusébio)
FC Porto: 3-2 (Eusébio não jogou)
Farense: 3-0 (Eusébio não jogou)
Atlético: 2-0 (1 golos de Eusébio)
Boavista: 4-1 (1 golos de Eusébio)
U. Coimbra: 6-1 (2 golos de Eusébio)
Barreirense: 3-0
V. Setúbal: 3-0 (1 golos de Eusébio)
U. Tomar: 2.1 (2 golos de Eusébio)
V. Guimarães: 8-0 (3 golos de Eusébio)
CUF: 2-0 (2 golos de Eusébio)
Montijo: 6-0 (4 golos de Eusébio)
A linha avançada do Benfica era, provavelmente, a melhor desde o tempo das vitórias na Taça dos Campeões: Nené, Eusébio, Vítor Baptista, Artur Jorge, Jordão e Simões. Ufa! Mas alguém podia pôr em causa tanta qualidade?

A despedida da Selecção Nacional
Em 1973, Eusébio marcou o seu último golo pela Selecção Nacional. E Coventry, em Inglaterra, por causa dos conflitos que se viviam em Belfast, na fase de apuramento para o Campeonato do Mundo de 1974, na República Federal da Alemanha, frente à Irlanda do Norte.Resultado: 1-1. Eusébio converteu um «penalty», aos 84 minutos. O guarda-redes era Pat Jennings, do Tottenham.
Em 1973, Eusébio fez o seu último jogo pela Selecção Nacional. No Estádio da Luz, frente à Bulgária (2-2). Lesionado, foi substituído por Jordão, aos 28 minutos. Eliminado do Campeonato do Mundo, Portugal trocaria de seleccionador: saiu José Augusto e entrou José Maria Pedroto. A selecção portuguesa bateu no fundo: Pedroto inventou a renovação e ficou para a história como o seleccionador que só ganhava ao Chipre.
José Maria Pedroto já morreu e, em Portugal, é crime apontar defeitos aos mortos. Não tem mal. Levem-me preso: nunca houve tão medíocre treinador nos registos da Selecção Nacional. Um completo desastre! Como seria de esperar de alguém que sempre devotou à Selecção um ódio miudinho que, por osmose, se transferiu para determinada classe dirigente do FC Porto. Se a grandeza humana não tem limites, a pequenez também não.
Em 1972/73, a época na qual Pedroto decidiu que Eusébio já não servia para a Selecção Nacional, Eusébio marcou 76 golos. Sete-seis: 76. Por extenso: setenta e seis!
3 na Taça de Honra: Belenenses 1; Atlético 2.
40 no Campeonato: Leixões 4; Beira-Mar 3; U. Coimbra 3; Sporting 4; Belenenses 4; U. Tomar 3; CUF 3; Atlético 1; Montijo 5; V. Setúbal 1; FC Porto 1; Farense 2; V. Guimarães 3.
2 na Taça dos Campeões: Malmo 2.
3 na Selecção Nacional: França 2; Irlanda do Norte 1.
28 em jogos particulares: Selecção da Indonésia 4; Benfica Luanda 1; Sporting Luanda 2; Selecção Frankfurt 1; Selecção Hong-Kong 3; Selecção Chinesa 2; Misto Macau 2; Marítimo 1; Seiko 2; Caroline 1; Anderlecht 2; Nottingham Forest 1; Boavista 1; Málaga 2; Estrela Vermelha 3.
Eusébio tinha 31 anos. E marcava golos como nunca. Só por uma das sessanta e quatro vezes que jogou com a camisola dos cinco escudos azuis de Portugal, Eusébio esteve em Paris. Mas, nessa noite de Março de 1973, Eusébio ofereceu a Paris todo o seu esplendor: o esplendor de Portugal!
Imaginem a fotografia nítida perfeita. De costas, na sua passada larga, imponente, Eusébio fura pelo meio de dois adversários, o 2 e o 4; Eusébio tem a braçadeira de «capitão» na manga esquerda, e o 10 nas costas; dir-se-ia em 2014 em movimento tripartido. Data: 4 de Março de 1973. Local: Parque dos Príncipes, em Paris.
Estava anunciada guarda negra para Eusébio. Negra ou branca, a verdade é que o 'capitão' português foi estreitamente vigiado durante todo o encontro, como nesta fase em que aparece entre Broissart e Adams.
Guarda negra: os franceses tinham avisado que, contra Eusébio, utilizaram dois centrais altos, fortes e negros - Adams e Marius Trésor. A defesa direito, outro homem das colónias: Broissart.
Eusébio nem ligou aos avisos. Também não ligou ao facto de a França se ter adiantado no marcador, aos 36 minutos, por Molitor. Dois minutos depois, empata, num «penalty» a castigar falta de Trésor sobre Abel. No último minuto do jogo, como que para assinar o «grand finale» ao seu estilo único, um centro de Pavão, na esquerda, apanha de surpresa todos os habitantes da grande-área francesa menos... Eusébio: um mergulho, um desvio de cabeça, um golo bonito, suave, irretocável.
Cornus, o guarda-redes francês, conforma-se: «Aquele golo de Eusébio deixou-me siderado! Na posição em que ele se encontrava esperei que ele fizesse o remate com o pé e nunca com a cabeça. É claro que, quando ele meteu a cabeça, fiquei logo batido. Não tive qualquer hipótese! Não foi golo - foi um golão!»
Nada em Eusébio nos espanta..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Investimento a longo prazo...


Reportagem Especial BTV - A Visão - Caixa... por AsPapoilasSaltitantes

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Eusébio para sempre...


Fez hoje 1 ano, que o Eusébio nos deixou... mas felizmente nunca será esquecido. O Benfica a partir de hoje, passou a ter a sua sede, na Avenida do Eusébio, nada mais adequado, pois o Eusébio sem o Benfica não teria sido aquilo que foi, e o Benfica sem o Eusébio, também não teria chegado a tantos títulos como chegou... Um caso típico de um casamento que irá durar para sempre!!!

Lixívia XV

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica............... 40 (+1) = 39
Braga................ 28 (+2) = 26
Sporting............ 30 (+4) = 26
Corruptos......... 34 (+8) = 26


Jornada sem casos, algo raro... Assim, deixo só para reflexão a forma como uma expulsão ajustada nos jogo dos Corruptos (1.º Amarelo ao Jander mal mostrado, mas o 2.º Amarelo podia ter sido Vermelho directo) aos 38 minutos, parece que não teve influência num jogo que estava 1-0 para os Corruptos, mas onde o Gil tinha até tido as melhores oportunidades inclusive com uma bola na barra... E no jogo do Benfica, uma expulsão justa, à 8.ª falta do Tony, com duplo-amarelo, aos 65 minutos, num agarrão cínico, sem qualquer intenção de jogar a bola, se tornou decisiva, num jogo onde o guarda-redes do Benfica não fez uma única defesa!!!
Aliás esta 'estranha' unanimidade opininativa, que se vive nos avençados, onde o Benfica está constantemente sobre pressão, porque está à frente, com 6 pontos de avanço, e os restantes supostos candidatos, que correm constantemente atrás do prejuízo, apesar dos discursos onde se acham os 'melhores do mundo e arredores', com investimentos brutais, estão a 6 pontos e o outro a 10...!!! Repito esta 'estranha' unanimidade, é a prova que as sanguessugas que vivem em redor da industria do Futebol português, não merecem um único tostão de qualquer Benfiquistas que se preze. Comprar pasquins, ou dar audiências nas TV's e nas rádios (principalmente a programas de debate), é um acto de anti-Benfiquismo.

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar
5.ª-Moreirense(c), V(3-1), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Estoril(f), V(2-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Arouca(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Braga(f), D(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-3), (-3 pontos)
9.ª-Rio Ave(c), V(1-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
10.ª-Nacional(f), V(1-2), Bruno Paixão, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
11.ª-Académica(f), V(0-2), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
12.ª-Belenenses(c), V(3-0), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
13.ª-Corruptos(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Gil Vicente(c), V(1-0), Capela, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
15.ª-Penafiel(f), V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar
5.ª-Gil Vicente(f), V(0-4), Xistra, Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
6.ª-Corruptos(c), E(1-1), Benquerença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Penafiel(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Marítimo(c), V(4-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
9.ª-Guimarães(f), D(3-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
10.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
11.ª-Setúbal(c), V(3-0), Soares Dias, Beneficiados, Impossível contabilizar
12.ª-Boavista(f), V(1-3), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Moreirense(c), E(1-1), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
14.ª-Nacional(f), V(0-1), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
15.ª-Estoril(c), V(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
5.ª-Boavista(c), E(0-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
6.ª-Sporting(f), E(1-1), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Braga(c), V(2-1), Proença, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
8.ª-Arouca(f), V(0-5), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, (1-6), Sem influência no resultado
9.ª-Nacional(c), V(2-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
10.ª-Estoril(f), E(2-2), Soares Dias, Beneficiados, (3-2), (+1 ponto)
11.ª-Rio Ave(c), V(5-0), Benquerença, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
12.ª-Académica(f), V(0-3), Manuel Mota, Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), D(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Setúbal(f), V(4-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
15.ª-Gil Vicente(f), V(1-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(f) E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Corruptos(f), D(2-1), Proença, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
8.ª-Benfica(c), V(2-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (2-3), (+3 pontos)
9.ª-Académica(f) E(1-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
10.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Penafiel(f), V(1-6), Hugo Miguel, Nada a assinalar
12.ª-Guimarães(c), E(0-0), Xistra, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
14.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Nada assinalar

Mais uma vitória em Alcochete...

Sporting B 0 - 1 Benfica B

Jogo condicionado pelo golo obtido logo nos primeiros minutos, a partir daí o Benfica jogou sempre na expectativa, optando pelo contra-ataque. Só nos últimos minutos perdemos um pouco a calma, e permitimos várias oportunidades ao Sporting... Até aí, estivemos razoavelmente bem a afastar a bola da baliza do Varela, mas faltou mais competência nas saídas para o ataque.
Tivemos um golo anulado ao Benfica, que sem imagens decentes não é possível ter certezas absolutas, mas pareceu-me legal. Aliás a arbitragem mais uma vez teve algumas decisões 'peregrinas': o Hélder Costa sofre uma 'tesoura', por trás, junto ao banco Lagarto, todo o banco se levanta, e o apitador marca falta contra o Benfica!!!! E na resposta só não foi golo do Sporting porque o Varela e o Cardoso 'safaram' a bola, quase em cima do risco...!!!

Varela; Semedo, Cardoso, Valente, Nunes; Lindelof (Sanches, 59'), Pinto; Teixeira, Andrade (Menga, 79'), Santos (Amorim, 69'); Costa.

Foi provavelmente o último jogo de vários jogadores nestas equipa, entre empréstimos e subidas ao plantel principal, a equipa B, vai ficar bastante desfalcada... Será a oportunidade, para os menos utilizados e se calhar mais alguns juniores mostrarem serviço. Com esta opção creio que as esperanças por uma classificação (Campeões!!!) melhor, são demasiadas optimistas... Mas a evolução dos mais novos, ficará com mais espaço. Já agora, o Menga foi uma contratação totalmente falhada!!!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Três pontos... e liderança mantida.

Penafiel 0 - 3 Benfica

Não me cansarei de recordar, até porque aparentemente, muita gente premeditadamente quer esquecer, nas analises às actuais exibições do Benfica: voltámos a jogar com 3 titulares da equipa Campeã; e 6 caras novas!!! Além dos lesionados (Fejsa, Amorim, Salvio, Luisão, Eliseu - suspeito que as ausência do Bebé das últimas convocatórias, seja também por lesão), temos ainda dois jogadores a fazer a 'pré-época' (Sílvio, Sulejmani), hoje ainda tivemos o castigo do Samaris.

Neste momento, mais importante do que jogar bem, são os 3 pontos. Se passarmos esta fase, com aproveitamento máximo, quando os ausentes regressarem, estaremos muito mais próximo do nosso grande objectivo.

Esta noite em Penafiel, voltámos a não fazer ma grande exibição, mas mais uma vez o Júlio César foi praticamente um espectador, e as oportunidades do jogo, foram quase exclusivamente, nossas. Falta consistência na pressão alta do Benfica, estamos a recuperar poucas bolas, em condições de fazer conta-ataques; e temos dificuldade em gerir o ritmo do jogo mais conveniente...
Hoje, o Cristante voltou a ser o melhor. O crescimento do Italiano é notório. Neste momento é ele o líder do meio-campo, mais do que um substituto do Enzo, é o substituto do Matic (a '6'). A surpresa do onze, acabou por ser a presença do Lisandro, no lugar do César. O Brasileiro até vinha a jogar benzinho, mas o Argentino esteve bem esta noite. O Talisca, esteve um pouquinho mais agressivo na recuperação (a '8'); e voltou a marcar após uma seca, que já estava a preocupar muita gente. Outro que não marcava à muito tempo era o Jardel, que no Olhanense e nos primeiros tempos no Benfica até marcava com alguma frequência!!! O Lima continua sem marcar, mas voltou a ser importante, principalmente nas recepções de bola, que acabaram por dar assistências... O Ola John entrou muito bem no jogo, mas foi perdendo gás com o decorrer do jogo. O Maxi voltou a ser dos melhores, mas levou um amarelo, que o vai afastar do próximo jogo com o Guimarães. Com este castigo, o André Almeida irá para a direita (onde joga melhor)... vamos ver quem vai entrar para esquerda: Benito, Sílvio ou Eliseu. Não esquecer que o Vitória tem extremos muito rápidos... Mesmo sem ter sido dos melhores jogos do Jonas, continua a marcar, é importante manter a onda...!!! O Nico também não fez um dos seus melhores jogos, mas mesmo assim foi decisivo na construção das nossas jogadas mais perigosas....

O Jesus voltou a retardar as substituições até ao 'máximo'. É verdade que em Inglaterra muitas vezes não fazem as 3 substituições, mas não havia necessidade... até porque o Ola John estava em clara queda, o Sulejmani precisa de minutos; o Derley também já demonstrou utilidade na frente, quando é preciso pressionar alto, e fustigar os centrais adversários... e o nosso meio-campo Cristante/Talisca também estava bastante desgastado.
Não me admirava nada, que a expulsão do Tony fosse posta em causa, pelos avençados do costume (ou até o golo bem anulado ao Penafiel!!!), mas a única base válida de argumentação do Tony é: "então o Vítor Bruno fartou-se de dar pau, e não foi expulso, nem amarelo levou, e eu é que sou expulso?!... O árbitro deve ter alguma coisa contra os carecas!!!"
Também será 'engraçado' verificar a ginástica ética, que se vai fazer no rescaldo desta jornada. Já que tanto o Benfica, como os Corruptos, golearam sem jogar bem, e ambos beneficiaram de uma expulsão, com os Corruptos a jogarem 1 hora em vantagem numérica (e mesmo assim sofreram um golo contra 10), sendo a grande diferença, o facto do Benfica estar a jogar com mais de metade dos titulares no estaleiro... Mas mesmo assim, o Benfica (líder, com 6 pontos de avanço), está em crise, e os Corruptos vencem e convencem!!!