Últimas indefectivações

sábado, 13 de outubro de 2018

Caminhando alegremente rumo à Liga Panda

"A selecção nacional jogou e ganhou na Polónia com a naturalidade das coisas naturais. São maravilhosamente jovens muitos dos nossos jogadores mas dão conta do recado como gente crescida. Na realidade, dão boa conta de todos os recados. Bernardo Silva, por exemplo, antes do jogo com os polacos enviou a Leonardo Jardim palavras de estima por ocasião do despedimento do homem com quem trabalhou e com quem foi campeão de França no Mónaco. De seguida equipou-se, subiu ao relvado e foi o melhor em Chorzow. Quando acabou o jogo, Bernardo Silva agradeceu os elogios e explicou o que se tinha passado em campo numa frase curta: "trata-se de uma selecção nova com uma forma diferente de jogar." Gente crescida.
Os trabalhos das selecções europeias e sul-americanas levaram do Seixal um forte contingente de jogadores do Benfica. É bom sinal. Rui Vitória continuará, assim, a gozar o estatuto de líder por mais 15 dias até o campeonato regressar e, enquanto não regressa, segue o treinador do Benfica trabalhando com os disponíveis. Nestas circunstâncias tão pouco invulgares é frequente recorrer a jogadores do escalão abaixo para suprir ausências e completar o elenco necessário para a função. E foi isso mesmo que Rui Vitória fez chamando Rodrigo Conceição para se juntar ao treino do remanescente da equipa sénior nesta última quinta-feira. Rodrigo é filho de Sérgio Conceição, o treinador do FC Porto.
A propósito, um bom nome para o campeonato português seria Liga Panda. Sim, Liga Panda. Os seus responsáveis estão a fazer por isso. Depois do castigo aplicado a uma mascote por ocupação de uma área reservada a não-mascotes surgiu agora a notícia de uma multa ao Portimonense por delito artístico do corte da relva. Regressemos rapidamente ao Estádio da Luz.
O próximo jogo oficial levará o Benfica até à Sertã para discutir com o Sertanense uma eliminatória precoce da Taça de Portugal. Por todas as razões, a equipa a apresentar na Beira Baixa vai ser muito diferente da equipa que venceu tangencialmente o clássico no domingo passado com um golo suíço festejado exuberantemente à moda latina. O facto de Rui Vitória ter chamado aos trabalhos o filho do treinador do FC Porto não significa que Rodrigo Conceição se vá estrear na equipa principal na Sertã. Nada garante que tal venha a suceder. O que garantidamente não pode deixar de ocorrer é um vago, vaguíssimo mal-estar no Dragão e nos dragões provocado pela notícia e pelas imagens de Conceição Júnior esforçando-se sorridentemente ao lado de campeões como Jonas e Samaris e logo na semana em que o FC Porto perdeu com o Benfica na Luz e "a culpa não foi do árbitro" tal como disse, com toda a propriedade, Conceição pai. Se Rui Vitória fosse um sujeito maquiavélico chamava todas as semanas Rodrigo Conceição. Mas não é."

Cinco de vantagem...

Benfica 37 - 32 Hafnarfjordur
(19-16)

Somos superiores mas é preciso ter cuidado, estes Islandeses têm bons fundamentos, têm jogadores com remate fácil, e têm cultura de Andebol...
Defendemos mal, é verdade que tivemos demasiadas exclusões, algumas incompreensíveis, mas mesmo com todos os jogadores em campo, podíamos defender melhor...!!!

Fácil...

Benfica 3 - 0 Ac. Espinho
25-10, 25-12, 25-16

Jogo fácil, rodando praticamente todos os jogadores, já que amanhã temos um jogo de grau de dificuldade mais elevado, com o Sp. Espinho (que hoje 'levou' 3 secos do Esmoriz - provavelmente 'pouparam' os titulares todos!!!).
Gostei de ver o regresso do Rapha... e o puto Bernardo tem estilo...

Obviamente

"E ao fim desse azedo domingo mais uma vez senti que há uma coisa que custa ainda mais do que uma derrota injusta: uma derrota justa

Um amigo meu de (quase) toda a vida, engenheiro de almas por vocação e profissão, e portanto sabedor da minha adição ao desporto, aqui há uns tempos interpelou-me nos seguintes termos: «Mas tu diverte-se mesmo com isso? Faz-te sentir realmente melhor? É coisa que te dê mais alegrias do que tristezas?»
Confesso que nunca tinha pensado tal tópico nestes termos quase brutais. Nem tão-pouco jamais havia ensaiado esse espécie de contabilidade analítica reportada a festejos e desânimos. Mas assim como sei bem que nem mesmo os maiores feitos me transportam a estados de euforia, também não ignoro que não consigo sentir-me imune ao mal estar decorrente dos desaires. Por exemplo, adoro futebol, mas sigo também com muita atenção, nomeadamente, a Fórmula 1 e o motociclismo. Pois bem, recapitulamos então agora o sucedido na madrugada do último domingo. O dia começou com o Grande Prémio do Japão corrido em Suzuka. Escusado será dizer que sou um puro ferrarista, incondicional apoiante da Scuderia do Cavallino Rampante. Logo, dispenso-me de confessar o quanto me irritou a derrota dos carros encarnados e a inerente quarta vitória consecutiva da Mercedes através do tetra campeão Lewis Hamilton, o qual desta forma praticamente pôs um ponto final nas esperanças do também tetra campeão Sebastian Vettel em recuperar o título. Saltemos agora das quatro rodas para as duas. Corrida de Moto 2 a disputar na Tailândia. Miguel Oliveira precisava de triunfar para se aproximar do líder do mundial da categoria, o italiano Francesco Bagnaia. Resultado: o transalpino venceu e o lusitano ainda se deixou ultrapassar na última volta, baixando assim para o último lugar no pódio e, necessariamente, ficando ainda mais distante do ceptro de campeão. Foi uma excelente forma de começar o dia, sem dúvida nenhuma. O qual, porém, não poderia terminar sem o maior dos clássicos nacionais em futebol. Toda a gente sabe o respectivo resultado. E no fim desse azedo domingo mais uma vez senti que há uma coisa que custa ainda mais do que uma derrota injusta: uma derrota justa.
Victis honus! (Glória aos vencidos!)"

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Do Mineirão para o Itaquerão

"Estamos a meio da final da Copa do Brasil, a prova que oferece ao seu vencedor o maior valor monetário na América do Sul – 50M de reais = cerca de €11M, mais até do que a Libertadores. O Cruzeiro recebeu o Corinthians na primeira mão, no Mineirão, em Belo Horizonte, e Thiago Neves marcou, mesmo antes do intervalo, o golo que atribui vantagem aos azuis. Significa isto que, na próxima semana, em São Paulo, o Corinthians está obrigado a colocar a bola na baliza de Fábio. 
Mano Menezes teve o seu primeiro grande êxito no futebol brasileiro quando, em 2004, levou os gaúchos do 15 de Novembro às semi-finais da Copa. E desde aí nunca teve problemas em reconhecer que tem o seu quê de defensivista. Na madrugada de quarta para quinta (hora portuguesa), o treinador cruzeirense operou uma mudança no alinhamento titular provável. Mas resultou bem. Em vez de jogar com Lucas Silva como médio-transportador, apostou em Ariel Cabral para aumentar a combatividade do eixo do meio-campo ao lado do capitão Henrique. Ainda que se tivesse comprovado que o Corinthians ia jogar na retranca e contra-ataque, à semelhança da primeira mão da semi-final no Maracanã contra o Flamengo, ao Cruzeiro também competia manter a equipa capaz de interromper as ligações apoiadas do Timão. O Corinthians joga sem ponta de lança, mas com muitos “baixinhos” a trocar as voltas nos três quartos do campo.
Ou seja, a Raposa ia atacar e, nesse aspecto, Lucas Silva até seria bem mais adequado para aumentar a definição das combinações perto de Robinho, Thiago Neves, Barcos e Rafinha na aproximação à baliza de Cássio. Mas também era importante ter alguém, como Cabral, que fechasse a porta aos atacantes da equipa de Jair Ventura.
O Corinthians joga sem um ponta de lança. Não tem um Hernán Barcos como tem Mano no Cruzeiro. Isso acontece porque Jô, artilheiro do Timão no ano passado em que foram campeões com Carille, deixou o emblema do Parque São Jorge rumo ao Japão. Rodriguinho foi para o Egito e Roger, que poderia ser esse ‘9’, está impossibilitado de atuar na Copa, por já o ter feito pelo Inter. Por esse motivo, Jair Ventura, filho do lendário extremo Jairzinho, herdou o lugar de Osmar Loss há pouco tempo e nem dez jogos somou como técnico do Corinthians. Jair tem apostado na cristalização do 4-2-4, sem ponta de lança. Mateus Vital e Jadson são as duas unidades mais centradas no ataque, ainda que o ex-Vasco, geração 98, venha defender mais atrás, perto dos outros dois médios-centro - Douglas, centrocampista canhoto com mais rotura (pós-Maycon), estava castigado para o jogo da primeira mão. Mas tanto Mateus como Jadson se misturam muito na zona ofensiva, contando que Clayson e Romero também o fazem. Torna-se um ataque com muitas deambulações, que Mano Menezes respeitou, ao ponto de ter aumentado a cobertura à frente de Leo Santos e Henrique.
Mano Menezes tinha o seu chefe na defesa, Dedé, imperial no jogo de cabeça. Mas não tinha o seu melhor atacante disponível. De Arrascaeta, que costuma ser o extremo-esquerdo, viajou com a Selecção uruguaia (dois particulares na Ásia) e, por causa dessa colisão com as datas FIFA, não pôde jogar a primeira mão da final da Copa e nem é certo que possa actuar no Itaquerão. Mano reza, agora, pela compreensão de Tabárez.
Sem De Arrascaeta, o veloz Rafinha (35 anos!) encostou na faixa esquerda, à frente de outro acelerador (Egídio), enquanto Robinho, com perfil de jogo mais pausado, fugia da direita para o meio para se aproximar de Thiago Neves. Cabral também poderia forçar alguns desajustes no posicionamento de Ralf, o trinco do Timão, mas a permanência de Robinho e de Thiago Neves no centro da zona ofensiva foi determinante para convidar Edilson a avançar pela faixa direita e a criar confusão em Clayson.
Nem Cruzeiro nem Corinthians serão campeões nesta época, mas, para além do prémio monetário elevadíssimo, sabem que o triunfo na Copa do Brasil oferece lugar garantido na Libertadores 2019, razão que os levou a dar prioridade a esta prova, mais do que ao campeonato. No caso do Cruzeiro foi ainda mais flagrante, pois alcançaram os quartos-de-final da Libertadores, tendo sido eliminados pelo Boca Juniors. E até no dérbi de BH contra o Atlético, para o campeonato, jogaram com habituais suplentes.
Apesar de só ter marcado três golos até agora, Barcos tem sido o avançado preferido por Mano Menezes. Fred esteve seis meses parado, Sóbis é mais utilizado como segundo-avançado e Sassá apanhou uma suspensão valente depois do soco a Mayke, do Palmeiras. Não é a conjuntura mais perfeita para o treinador, mas ele tem aprendido a optimizar com o pouco que tem e sobretudo a vincar um tipo de jogo bem calculado, a ponto de há alguns anos ter sido chamado para a Canarinha. 
Foi assim que, com Chicão, Elias, Jorge Henrique e o Ronaldo Fenómeno, que ganhou a Copa de 2009 pelo Timão contra o Inter e não deixa de ser o responsável pela injecção de DNA de marcação na equipa do Corinthians, estilo "europeízado" que depois faria furor com Tite e Carille. Mano teve esse mérito de fundar um tipo de jogo gregário e reactivo que ajudou o Corinthians a subir à Serie A brasileira até ao título de campeão mundial com Tite, em 2012, contra o Chelsea de Rafa Benítez. Já Cristóvão Borges e Oswaldo Oliveira tentaram sair dessa tendência, para desenvolver um futebol mais vistoso, e não se deram bem no Timão.
Agora, para o desfecho desta Copa do Brasil 2018, Mano está do lado do Cruzeiro, exactamente contra o Corinthians. Terá Jair Ventura algum truque na manga ultrapassar o emblema penta-estrelado? É provável que não faça as coisas de forma muito diferente, mas convém que não haja falhas na zona defensiva como houve no golo de Thiago Neves, em que Clayson ficou a pensar na morte da bezerra."

Sexismo

" ‘Sexismo’ tem sido uma palavra muito utilizada nos últimos tempos no mundo do desporto. Basta recordarmo-nos dos dados da FIFA sobre o número de casos de assédio contabilizados com agentes desportivos durante o último Mundial: segundo este organismo, registaram-se cerca de 30 incidentes, mas admite-se que muitos mais terão existido.
Será que este tipo de comportamentos é reflexo dos valores da sociedade actual? Será que no século XXI e a liberdade só veio para o ‘outro’ e não para nós?
Escrevo sobre este assunto a propósito da suspensão de três meses aplicada pelo Conselho de Disciplina (CD) e que deve ser analisada por nós. Não pelo castigo, mas pelo que leva alguém com anos de futebol e, ainda mais caricato, ligado ao futebol feminino a ter uma atitude sexista.
A forma leviana como provocou a árbitra, dizendo-lhe que devia estar em casa a lavar a loiça, é descriminação. Atitudes destas continuam a existir por esses campos fora, o que já é de lamentar, e as árbitras devem sempre mencioná-las nos relatórios. O pior é que tais comentários sejam de um condutor de jovens, de alguém que tem a missão de ser um exemplo e ensiná-los a ser melhores homens e mulheres.
Não nos cabe a nós dizer se o castigo foi justo ou não; cabe-nos contribuir para denunciar estas atitudes que nos devem envergonhar, pois nunca sabemos se um dia não é uma filha nossa a desempenhar essas funções, sendo assediada ou descriminada desta forma. Todos temos direitos elementares, mas tem de haver limites para todos.

Nota: de salientar a postura de fair play e respeito que José Gomes, treinador do Rio Ave, teve no passado domingo depois de ter sido expulso no jogo com o Sp. Braga. Fez um pedido de desculpa aos 110 jovens árbitros que tinham o tinham estado a ouvir na véspera a falar dos exemplos e posturas dos árbitros. Um gesto nobre – e infelizmente tão raro – que nunca é de mais divulgar."

Benfiquismo (CMLXXVII)

Benfica...

Jogo Limpo... Seara, Guerra & Fanha... Tic-Tac...!!!

Uma Semana do Melhor... Boa Disposição!

Sem Lema mas com leme

"Os portistas podem até dizer em balanço do fim de semana que é melhor perder com o primeiro do que com o último

Rui Vitória ganhou o clássico. Se há muito mérito na forma como Sérgio Conceição colocou o FC Porto a pressionar alto e não deixou o Benfica construir jogo na primeira parte, há todo o crédito de Rui Vitória como na segunda parte desmontou o lego portista e construiu uma vitória que só não foi tranquila porque Fábio Veríssimo arrancou uma expulsão anedótica (perdoando as do Maxi, Herrera e Otávio) a Lema. Ficámos sem Lema mas mantivemos o leme na rota da vitória.
Num jogo tranquilo para Vlachodimos, com zero defesas efectuadas, foi na batalha do meio campo, nas conquistas das segundas bolas, na alma de querer vencer que o Benfica conseguiu o êxito. No Benfica não se festejam jogos, festejam-se títulos e, por isso, foram apenas três pontos os que aconteceram na Luz.
Os portistas podem até dizer em balanço do fim de semana que é melhor perder com o primeiro do que com o último. Vistas as contas azuis e brancas ontem apresentadas na CMVM talvez estes três pontos sejam o menor dos problemas, mas essas não são contas do seu rosário.
Há muito a melhorar no Benfica, muito para vencer, muitas alegrias para alcançar, pelo que os outros (adversários) têm para mim interesse circunstancial.
Talvez por ser raro, queria deixar um aplauso pela educação, civismo e exigência interna das palavras de Frederico Varandas, numa altura de maus resultados (perdeu no futebol, voleibol, andebol, hóquei em patins) e instabilidade, onde seria mais fácil inventar uma manobra de diversão. Não sei se tem soluções para salvar o Sporting, mas, por agora, já mostrou ter educação e maturidade, que comparadas com o que existia o colocam no patamar do Olimpo.
O Benfica lidera novamente o campeonato, espera pela viagem à Sertã na Taça de Portugal e segue com exigência e rigor em busca dos objectivos da reconquista.
Referência final obrigatória para mais uma vitória na Supertaça de voleibol. Primeiro pela qualidade do adversário. Contra um Sporting recheado de estrelas houve um colectivo encarnado muito forte. Vi o jogo ao lado do professor José Jardim, a quem me ligam sabidos laços de amizade e consideração. No fim, na alegria da vitória, havia um destinatário desta conquista, como de todas as que temos conseguido anos a fio: Rui Mourinha, o presidente da secção. Embora não se visse no pavilhão, Rui Mourinha esteve lá sempre, em todos os serviços do Zelão, sempre que o Gaspar rematava ou quando o Ivo recebia e, por isso, a Supertaça é desse grande campeão."

Sílvio Cervan, in A  Bola

Polvo à Lagareiro?!!!

Fina hipocrisia...

"Na semana passada, Pinto da Costa afirmou que 'o futebol não pode ser uma guerra, tem de servir para unir o país'. Logo o acusaram de hipocrisia, o que se compreende. Porém, justiça lhe seja feita, é sobretudo uma vitíma da sua megalomania e incompetência e, verdade seja dita, da incapacidade dos seguidores do desporto português em lhe reconhecerem, simultaneamente, o empenho em prol de tamanho desiderato e a obstinação pela perseguição de um objectivo nobre e porventura inalcançável, exigindo-lhe permanente pragmatismo e a constante prevalência do bem maior, mesmo que por vezes se veja na contingência de tomar caminhos enviesados. Em poucas palavras, o homem não só é um papa, merece a canonização.
Ciente da enorme empreitada a que se dedicou, começou por dar pequenos passos, alcançando sucesso, embora parcial por não ter percebido que já os romanos diziam que neste canto da Ibéria havia um povo que nem se governava nem se deixava governar. Enfim, somos muitos, demasiados para sermos unidos por um homem só.
Nem Alberto João Jardim o conseguiu com os madeirenses, uma pequena parcela do país.
Alguns árbitros, dirigentes associativos (até de clubes), jornalistas, autarcas e muitos outros viram-se subitamente unidos, o que não é despiciente. Afinal de contas são portugueses e tinha de começar por algum lado. A meio do caminho desviou-se e procurou, talvez fruto de um inusitado fervor pós-colonista, incluir cidadãs brasileiras. E depois destas, sportinguistas em cargos directivos apoiados por uma turba desesperada.
Falhou clamorosamente, o 'país' continua desunido e o futebol é, infelizmente, uma guerra. Ou então é mesmo hipócrita.

P.S. É fácil expulsar um jogador do Benfica..."

João Tomaz, in O Benfica

Culpas e ilicitudes

"Eu sei, porque já me disseram amiúde, que as letras que reproduzo nos meus artigos deveriam ser todas em português.
Confesso, que tenho feito um esforço enorme em conjugar essa vontade dos leitores com o significado da letra e com o momento emocional que sentimos quando escrevemos.
Tal conjugação tem sido muito difícil, até porque as letras portuguesas com estas características todas não são abundantes.
Mas a questão agora é outra. Os Ditch Days são uma banda de Lisboa, e as suas letras em inglês. Daí ter inserido esta semana uma dessas letras. É mais um exemplo de que o que parece não é, e o que é deixa de o ser porque a informação faz que nunca tivesse existido!
Fake News são um meio muito perigoso de se noticiar que alguém é arguido, quando não o é, agravado pela forma destemida e irresponsável como é divulgado.
Não se podem lançar notícias falsas que destroem as pessoas, sem que estas possam sequer desmentir. Isso não é bom jornalismo e nunca será!
Mas contra tudo isto, o povo continua a exigir e quer é mais 'sangue'!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Paso doble

"Não sei se já vos disse, mas não gosto de touradas. E não é coisa nova, fruto do politicamente correcto deste século. É coisa que não aprecio desde criança. Sim, pelos direitos dos animais, que me merecem todo o respeito. Não tiro qualquer prazer de ver um boi a ser espetado com bandarilhas e a sangrar abundantemente no meio de uma arena, esgotado, confuso, indignado com a sua sorte, por mais razões culturais a favor que me possam apresentar. Nem dou espaço a discussões sobre isso. Para mim, não dá. No universo das touradas, consigo respeitar a coragem dos forcados, apesar de serem oito contra um. Tudo o resto - cavaleiros e matadores - faz-me confusão e não gostaria que continuasse a acontecer.
Mas há uma coisa que eu adora nas touradas - o folclore. Gosto da estética dos marialvas com patilhas, dos bonés axadrezados de ir à caça, gosto do brilho das lantejoulas dos toureiros e das madeixas das aficionadas nas bancadas, gosto dos ramos de flores atirados para o recinto mas, acima de tudo, do que eu gosto mesmo é da música e dos olés. Um paso doble será sempre um paso doble, independentemente da conotação negativa da tourada. E quando é tocado como provocação a quem nunca nos respeitou, ainda sabe melhor. Já sei que os bem-pensantes não se reveem na música que tocou no final do clássico, mas eu continuo a achar que é bem mais simpático do que agredir gente nos túneis, cuspir em presidentes de outros clubes, atacar stewards ou ter um adepto da casa a bater num internacional português da equipa adversária. Olé!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Que fim de semana tão bonito

"Hoje, dia da publicação semanal do jornal O Benfica, é sexta-feira, e amanhã, se tudo correr bem, será sábado. Está à porta um sempre bem-vindo fim de semana, mas posso garantir ao leitor: este não será melhor do que o anterior. Empolgante, não foi? Ganhar pontos a toda a concorrência e ascender ao lugar que nos é devido. Ah, que maravilha. Ganhar pontos a toda a concorrência e ascender ao lugar que nos é decido. Ah, que maravilha. Não, não me repeti por lapso. A jornada foi tão agradável, que me apeteceu reproduzir a mesma ideia duas vezes. E a alegria não fica por aqui. Tenho boas notícias para os benfiquistas preocupados com dietas e manutenção de uma boa forma física: Seferovic continua a provar que o chocolate está longe de ser a única exportação suíça capaz de nos fazer felizes.
O clássico pautou pelo rigor táctico e ficou bem vincada a estratégia de cada um dos treinadores. Inicialmente, confesso que fui completamente apanhado se surpresa pro Sérgio Conceição. A ideia de colocar Felipe mais subido no terreno, a jogar no meio-campo, parecia ter tanto de inesperada como se ousada. Só à passagem do minuto 52, quando vi o quarto árbitro levantar a placa com o número 25 para ser substituído no FCP, é que eu percebi que aquele sacana que andava a dar uns valentes açoites nos jogadores do Benfica não se tratava de Felipe, mas do Otávio. Por um lado, o tesoureiro do Benfica viu-se obrigado a desembolsar alguns trocos para comprar três ou quatro canelas novas para Cervi e companhia, por outro não será necessário investir dinheiro em madeira para acender a lareira do Seixal no próximo inverno: o Otávio distribuiu lenha suficiente para abastecer o estádio inteiro."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sabor a chocolate

"Como a conhecida lenda do frango nos mostra, existem estatísticas para todos os gostos. E se o FC Porto tinha sido feliz nas últimas deslocações à Luz, também o Benfica só perdeu um dos últimos quatro jogos que realizou no Dragão (derrota que, aliás, nem merecia!).
Desta vez, com o nosso estádio vestido de gala, fomos claramente mais fortes durante a maior parte do tempo de jogo, obtendo um triunfo que só se revelou sofrido porque, a dada altura, Fábio Veríssimo viu algo que mais ninguém viu, deixando-nos pela terceira vez consecutiva a jogar em inferioridade numérica.
Não houve problema. Mesmo com dez, ganhámos, e soube-nos a... chocolate suíço.
Diante de um adversário que fez na capacidade atlética e do rigor defensivo (por vezes também do antijogo) as suas principais armas, o Benfica teria de vestir o fato-macaco para alcançar a vitória. Assim foi, lutando bravamente por cada posse de bola como se fosse a única, e disputando cada lance como se fosse o último.
Além do autor do golo, que está a atravessar um excelente momento, justificando plenamente a titularidade, há que destacar mais dois elementos neste clássico: Rúben Dias e Lema.
Muito se falou de centrais, e de ausências. O que é certo é que o jovem português foi o melhor em campo, e o possante argentino em nada comprometeu, acabando expulso num devaneio do árbitro após exibição consistente e ao longo da qual mostrou atributos. 
Agora, depois de saborear este doce triunfo, há que retomar o combate pela reconquista. Afinal, apenas ganhámos três pontos, e precisámos de muito mais vitórias para alcançar o nosso supremo objectivo."

Luís Fialho, in O Benfica

A Comunicação

"A justíssima vitória frente ao FC Porto começou antes de domingo à noite, e o mérito tem de ser também associado à Direcção de Comunicação do Sport Lisboa e Benfica.
Na passada sexta-feira, a BTV emitiu uma importante e oportuna entrevista a Luisão. Quem viu percebeu que, no domingo à noite, o dia seria de êxito. O nosso eterno capitão aproveitou este momento único para passar várias mensagens aos Benfiquistas. Luisão falou directamente ao coração dos adeptos:
'O Clube deu-me quase tudo, e eu tenho a obrigação de continuar com garra, determinação, respeitando o Benfica e fazer com que as pessoas também respeitem. A Mística também é feita pelo adepto. Ele tem a obrigação de fazer com que o Clube seja respeitado, esteja onde estiver. Os outros têm de perceber que está ali um Benfiquista'.
Estou convicto de que o apoio que veio das bancadas se deveu muito ao apelo de Luisão, que destacou a honestidade de Rui Vitória, a quem revelou gratidão. Sublinho a revelação feita sobre o papel do presidente. O capitão explicou que a fortíssima ligação de Luís Filipe Vieira ao plantel ajuda a explicar os 20 êxitos nos últimos 15 anos.
É conhecida a preocupação do presidente para que nada falte ao grupo de trabalho que tão meticulosamente construiu, juntamente com Rui Costa, Domingos Soares de Oliveira, José Eduardo Moniz e Nuno Gaioso Ribeiro. A vitória do passado domingo não foi apenas o triunfo da equipa técnica liderada por Rui Vitória e da equipa capitaneada por André Almeida. Foi também a vitória da administração da SAD, que criou um plantel que nos permite sonhar com um novo ciclo que nos levará ao penta."

Pedro Guerra, in O Benfica

Portugal... Que país espectacular!

"Não estamos habituados a ouvir esta frase, muito menos a dizê-lo entre portugueses, mas quando alguém de fora entra a desfazer, aí puxamos pelo argumentário e vamos desfilando vantagens de invejar meio mundo.
No entanto, é bem diferente quando falamos com imigrantes de várias partes e ouvimos dizer que nos queixamos muito e sobre quase tudo, mas que temos uma vida tranquila, pacata e boa como há em poucas partes.
Estas considerações vêm a propósito da forma como somos vistos por aqueles que procuram o nosso país em desespero porque a guerra, o ódio ou o radicalismo já não lhes permite serem cidadãos na sua própria pátria.
Na nossa memória colectiva estão os exilados políticos do Estado Novo e os refugiados dos novos países africanos que nasceram com o fim do império colonial. Foram acontecimentos duros e traumáticos, para os próprios e para a sociedade portuguesa, mas, apesar de tudo, não atingiram os patamares de violência e crueldade que enchem diariamente os telejornais, mesmo descontando a diferença abissal face aos nossos dias em termos de exposição mediática. Quem vem de regiões exangues pela guerra como o Magebe e o Médio Oriente ou da África Subsariana, para  ficarmos só por África, encontra em Portugal a mais saborosa das recompensas: a segurança!
Para os portugueses, no entanto, é difícil imaginar a vida truncada de um dia para o outro pelos acontecimentos da guerra, a família destroçada, filhos perdidos, vizinhos desaparecidos, empregos desfeitos, lutas diárias pela água e pelo pão que há muito deixaram de estar garantidos. Para os jovens e crianças, a fragilidade da sua condição amplia os problemas, interrompe-lhes os estudos, leva-lhes os amigos, obriga-os a fugir e a sobreviver sem lançar raízes em parte nenhuma quando a idade pede sonhos e a realidade impõe pesadelos.
Fugiram a pé, em contentores e caixas de camiões, apanharam boleias, subornaram, trocaram haveres, passaram por situações que querem esquecer, mas chegaram ao mar e reuniram o necessário para comprar meio metro quadrado em qualquer coisa que flutuasse e navegaram com o coração nas mãos à espera do milagre da chegada.
Mas chegaram, e o destino trouxe-os a Portugal, muito vezes sem que esse fosse o seu objectivo principal. E então descobriram um país onde a violência não é regra, onde o clima é ameno e as pessoas querem e sabem acolher. Como qualquer rosa tem espinhos, mas esses são de pouca monta depois do calvário que passaram, por isso abrem sorrisos e dizem à boca cheia 'Portugal é espectacular!', ganham crescentemente um sentimento de gratidão e de pertença, reganham confiança e voltam a sonhar. Muitos querem ser portugueses,  e, para além da escola, o desporto é uma grande máquina integradora que pode ajudá-los a tirar partido do privilégio que foi terem aportado ao nosso país e pode também ajudar Portugal a tirar da sua gratidão e do seu potencial o melhor partido. Afinal somos um país feito de mundo e temos no nosso universalismo a nossa maior força. Só assim se explica que um país tão pequeno tenha um fenómeno clubístico como o Benfica e que um clube desta grandeza abra as portas e dedique atenção desta maneira a um punhado de jovens. Merecem-nos tudo, e nós sabemos disso: Carrega, Benfica!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Os conselheiros (musicais) da FPF

"Os conselheiros de disciplina, pelos vistos, autoconsideram-se, agora e também, especialistas em música.
Curiosa peritagem adicional, para alguém de quem se esperaria tudo, menos isso. Mas obviamente que, desde já, com a recente investida em que baralharam factos e conceitos tão secantes como futebol profissional, regulamentação, espectáculo, entretenimento, festa e público, eles próprios chumbam rotundamente no que terá sido, historicamente, o seu primeiro 'exame de admissão à especialidade'...
É que nem eles, nem o delegado que terá escrevinhado o relambório sobre o clássico de domingo, sabem, sequer, o que é um 'pasodoble'. Ponto e vírgula. Ou para que serve, essencialmente, o género musical em questão e, em especial, aquela lindíssima e vibrante música de dança de Pascual Marquina, com as suas inesquecíveis oito barras de acordes em arpejo, que vão de mi menor para fá menor e levam a sol maior, antes de voltar à coda. Ponto. Nem imaginam. Ponto, parágrafo. Nem eu lhes vou explicar: não valeria a pena gastar, nisso, o meu latim.
Evidentemente que, a um conselheiro de disciplina, não se pode exigir que saiba tudo. Que perceba tudo. E, de tudo, ainda menos. Mas, pelo menos, impõe-se que a um conselheiro (e, ainda mais, a um grupo deles) seja reclamado o permanente uso do bom senso, de quilate naturalmente diferente daquele que poderá exigir-se a um qualquer delegado da bola, de ouvidos tornados oclusos pela cegueira da censura.
Desta vez, devo confessar que, a propósito deste assunto, aproveitei para me actualizar e li, de cabo a rabo, todas as cento e quarenta e tal páginas da última versão do Regulamento disciplinar da FPF, publicada no início do passado mês de Julho. E evidentemente que, por bom senso dos autores, nada lá está escrito sobre escolhas musicais nos sistemas sonoros dos estádios. Nada se diz sobre fados, valsas, marchinhas brasileiras, mazurcas, pasodobles ou rockalhadas que, putativamente, possam ferir as delicadas sensibilidades de multidões em festa. Era só o que mais faltaria, neste clima em que a boçalidade das trevas parece prevalecer sobre as subtilezas da alegria. Também o regulamento da instituição dirigida por Fernando Gomes é, obviamente, omisso, acerca de playlists recomendadas aos clubes, ou relativamente aos indexes da execrável censura que implacavelmente tive de sofrer no exercício da minha profissão, antes do 25 de Abril.
Na minha opinião, decisões desta natureza são impuras, espúrias e não mais que sujas. Ofendem o bom senso e o pensamento livre. São mesquinhas e impróprias. Merecem indignação, repúdio e, elas, sim, castigo exemplar para juízos destes. Do alto do seu 'conselheirismo', põem-se a pensar por outros, impedindo-lhes a liberdade inócua da festa, de alegria e bom humo e, sobre o que não conhecem, julgam, mas, eles, sim, ainda impunes.
Decisões destas não só não fazem nenhuma falta à 'indústria' do futebol como são exemplarmente próprias do espírito censório e pacóvio, que não faz falta nenhuma à sociedade portuguesa do século XXI."

José Nuno  Martins, in A Bola

'The Gray Lady'

"O New York Times (NYT), um dos mais influentes jornais do mundo, fundado em 1851, não é propriamente conhecido pelo espaço que dedica às notícias sobre Portugal. A eleição de um Presidente da República cá do burgo vale, quando muito, uma breve, um novo governo, o mesmo, ou nem tanto. Por isso, nunca o diário nova-iorquino, conhecido como The Gray Lady, gastaria tempo e espaço com os bastidores do futebol português. Para perceber a razão de um artigo no NYT sobre os emails do Benfica, é preciso olhar mais longe, para um problema global, que está na ordem do dia, e interessa à generalidade dos cidadãos utilizadores da Internet: a segurança. Foi esse tem a que levou o jornal do 620 da oitava avenida da Big Apple a interessar-se pelos emails do Benfica, os blogues que os divulgaram e o hacker que os roubou. Se juntarmos à equação uma ordem judicial de um tribunal da Califórnia e ainda a Google e outros gigantes, que acolheram, nas suas plataformas, os divulgadores do material subtraído dos servidores da Luz, temos uma notícia importante à escala mundial, que interessa a quem quer usar o emails como ferramenta segura, e também a quem precisa de estabelecer critérios para trazer as notícias até à opinião pública.
A evolução da Internet foi exponencial nas últimas duas décadas e muitas áreas da sociedade não acompanharam esse desenvolvimento. Continuam a existir demasiadas zonas sem lei, que vão sendo aproveitadas enquanto não forem devidamente enquadrados. Mas é uma questão de tempo e estes leaks à portuguesa acabaram por conhecer a ribalta planetária, quiça como exemplo de como a exigência de transparência dos tribunais norte-americanos se sobrepôs ao anonimato que vinha sendo permitido pelas empresas multinacionais de serviços on-line."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Aquilo que deveria deixar o Delgado preocupado, é como uma empresa portuguesa (YoungNetworks) - criminosa - tem a capacidade de 'plantar' uma notícia no New York Times!!!

A devastação duma avalanche

"O reinado de cinco anos e meio de Bruno de Carvalho no Sporting foi uma avalanche. De emoções, de palavras, de actos, de esperanças, de ilusões, de títulos (nas modalidades), de desilusões, de processos judiciais, de publicações nas redes sociais, de guerras, de - muitas vezes - vergonhas próprias e alheias. E esta avalanche que parecia arrastar, enrolado, o país para um sítio muito recôndito, só parou perante a imponência de uma Assembleia Geral destitutiva, quando os sócios decidiram que não queriam mais aquele caminho.
As avalanches são um fenómeno natural e, por norma, demora-se algum tempo até que se consiga descortinar toda a devastação causada. Transpondo para o Sporting, também se pode aplicar esta análise. Agora, paulatinamente, o clube promete começar a reerguer-se. Todos os efeitos da avalanche-Bruno de Carvalho ainda estão por detectar. No entanto, já há muitos sinais de que, nessa torrente, também se foi a qualidade de excelência da formação.
O Sporting, durante muito tempo -retirando os últimos três anos - quando não teve os mesmos recursos financeiros dos rivais, recorreu à formação para equilibrar o plantel. Muitas vezes, com sucesso. Apesar de não ganhar o Campeonato Nacional há 16 anos, de Alcochete brotaram talentos inquestionáveis - a base da Selecção campeã europeia foi made in Sporting.
Agora, os sinais que chegam é que a fonte secou. É certo que há Jovane Cabral e Miguel Luís pode estar na calha, mas basta olhar para a classificação da equipa de sub-23, com os leões em oitavo, para se perceber que a excelência não afunda. A isto pode-se juntar a descida de divisão da equipa B na época passada. São só dois sinais, mas muito preocupantes. Sem os milhões da Champions, quase sem margem negocial e com pouca formação, o caminho pode ficar repleto de gelo. E gelo fino."

Hugo Forte, in A Bola

Alvorada... do Santos

O sonho continua

"Os escolhidos por Fernando Santos produziram uma exibição de classe com resultado final a confirmar a nossa superioridade.

Não era excessivo pensar que a selecção portuguesa poderia regressar da sua viagem à Polónia com proveitos consideráveis e susceptíveis de contribuir de forma decisiva para a entrada na final “four” do campeonato da Europa que vai ter lugar no próximo ano de 2020.
Como escrevíamos ontem, feitas as necessárias comparações quanto à qualidade das duas selecções, a nossa apresentava-se claramente em vantagem, por todas as razões. E isso ficou demonstrado na última noite, na Polónia, onde os escolhidos por Fernando Santos produziram uma exibição de classe com resultado final a confirmar a nossa superioridade.
Em função da vitória alcançada, Portugal manteve o primeiro lugar, agora com seis pontos, a uma distância considerável de italianos e polacos que, à vista, não parecem reunir possibilidades de recuperar o espaço perdido até aqui.
Recordemos que os dois próximos jogos se vão disputar em Novembro, com a Itália lá, e com a Polónia num dos estádios portugueses.
Para além da vitória obtida, ficou a garantia de que temos selecção capaz de assegurar o futuro, ou seja, com condições bastantes de estar presente nas fases finais dos próximos europeu e mundial.
E, se foi possível poder contar a curto prazo com Cristiano Ronaldo as hipóteses aumentam substancialmente.
Sem o melhor do mundo foi possível vencer a Polónia na sua própria casa. Com a sua importante colaboração aumentam as probabilidades de estarmos em condições de fazer boa figura nos próximos cotejos internacionais."

A mais-valia da Liga das Nações

" se joga a Liga das Nações. Uma nova competição de selecções organizada pela UEFA (a primeira em quase 60 anos), concebida para substituir as datas FIFA até agora preenchidas por jogos particulares, que visa o aumento de receitas e um maior interesse dos adeptos nas partidas das suas selecções. Além disso, surge aqui o atractivo de haver mais uma prova para se tentar conquistar e uma via alternativa para se garantir uma qualificação para o próximo Europeu de Futebol, que se disputa em 2020.
A criação desta nova prova teve dedo português. É bom lembrar. Foi o director-geral da FPF, Tiago Craveiro, que em 2014 começou a pensar e a trabalhar na ideia, pouco tempo depois mesmo apresentada aos responsáveis máximos do futebol europeu. A UEFA recebeu bem a proposta e convidou as principais federações europeias para discutir o assunto. E apesar das várias reticências e críticas apontadas por alguns países (Alemanha, Holanda ou Espanha, por exemplo), o projecto foi mesmo para a frente.
No fundo, esta ideia de dividir as 55 selecções em 4 divisões, fazendo com que as principais selecções joguem entre si, permitiu atrair o interesse das televisões. Jogos como Alemanha-França ou Portugal-Itália, por exemplo, valem mais se tiverem um carácter oficial, em vez de serem meramente partidas particulares em que se dão oportunidades a jogadores menos utilizados. E a verdade é que a venda dos direitos da competição veio mesmo a gerar receitas de milhões para a UEFA.
E mesmo para as selecções mais fracas, nas Ligas B, C, D, esta é uma excelente oportunidade para gerarem receitas e ganharem rotinas internacionais com adversários do mesmo nível competitivo, sempre com a ambição de subir de patamar. Ainda ontem a UEFA anunciou um aumento de prémios da Liga das Nações na casa dos 50%, com o prémio de participação na Liga A, onde Portugal está presente, a crescer de 1,5 para 2,25 milhões de euros.
A Liga das Nações, goste-se ou não do formato da competição, acaba por ser uma óptima ideia, porque eleva a fasquia competitiva para todas as selecções, durante uma fase que, no passado, sempre foi de maior descompressão, com imensos jogos amigáveis pelo meio. Os adeptos passam assim a ter a oportunidade de ver as suas selecções a disputarem mais jogos oficiais, perante equipas de exigência máxima, existindo a possibilidade de conquistar uma nova competição e adquirir uma segunda oportunidade de qualificação para os principais torneios internacionais. Assim, a cada ano ímpar, surge um novo campeão, que se juntará aos vencedores do Mundial e do Euro nos anos pares. 
Fernando Santos já salientou que para os seleccionadores esta prova acaba por ser bem-vinda porque permite avaliar os jogadores num cenário mais realista e exigente, o que ajuda a perceber ainda melhor que papel podem desempenhar pelas suas selecções. Por seu lado, para os clubes, o facto de existirem ainda mais jogos oficiais de selecções acaba ser visto, talvez, de forma mais negativa, já que os seus atletas acabarão por ter um maior nível de desgaste físico do que acontecia até aqui.
Resta saber também como é que as federações vão encarar a competição. Vão usar os melhores atletas ou aproveitar a Liga das Nações para rodar novos atletas? Temos observado casos distintos. O grande desafio da prova será a sua competitividade e a qualidade dos espectáculos que conseguir gerar. Se isso for garantido, o seu sucesso estará mais próximo.

O Craque – Génio do Oriente
Comandado dentro de campo por um pequeno talento japonês, o Portimonense foi protagonista de um fenómeno raro: marcar 4 golos a um grande do nosso futebol na liga. Shoya Nakajima já tinha mostrado valor na temporada transacta, com 10 golos e 10 assistências. Este ano já leva 4 golos e 3 assistências, afirmando-se como um dos jogadores mais influentes do campeonato. Leitura de jogo acima da média, remate fácil e muita velocidade. Qualidades que fazem dele um activo desportivo e financeiro muito importante para a equipa de Portimão.

A Jogada – Clássico pobre na nota artística
O Benfica ganhou o clássico com o FC Porto e foi o grande vencedor da jornada, conquistando pontos às outras equipas do top 5 da liga. Um jogo com raras oportunidades de golo, muitas faltas (44) e inúmeras perdas de bolas (221) indicia que as equipas se tentaram anular e que dificilmente conseguiram ter espaço para criar. Acabou por ser um pormenor, numa desorientação da defesa portista, que fez a diferença a favor dos encarnados. Vitória justa, pela eficácia e vontade que o Benfica demonstrou na 2.ª parte. Mas face à qualidade dos intervenientes, este jogo podia e devia ter sido muito melhor.

A Dúvida – Chaves em modo duplo na Taça
O mundo do futebol por vezes gera situações bizarras. Na Liga Europa, o Leipzig e o Salzburg, clubes que são propriedade da uma mesma empresa, foram sorteados no mesmo grupo e já se defrontaram entre si, um tema que tem gerado polémica. E em Portugal temos o insólito de duas formações do Desp. Chaves terem marcado presença no sorteio da Taça de Portugal: a equipa principal e a equipa satélite. O próprio clube flaviense mostrou-se surpreendido com esta realidade, que as regras possibilitam, ao contrário do que acontece às equipas B. Faz sentido que assim aconteça?"

Profissão: treinador

"O desporto é uma das actividades que reúne a capacidade de despertar grandes emoções nas sociedades modernas. Mesmo aqueles que se dizem indiferentes não deixam de manifestar uma opinião sobre um ou outro acontecimento desportivo.
Os Jogos Olímpicos são a expressão máxima da grande evolução do Homem e local privilegiado para avaliação das políticas desportivas de uma Nação. Neles sucedem-se os recordes Olímpicos, mundiais e europeus. Aprecia-se a evolução das capacidades físicas, técnicas, tácticas e psicológicas dos atletas.
Estranha-se que, sendo os resultados obtidos pelos atletas uma consequência do trabalho desenvolvido pelos treinadores, de forma muito frequente não seja feita qualquer referência ao importante papel do treinador. A realidade é que sendo o treinador a figura central do processo da preparação desportiva dos atletas é urgente que se reconheça, em Portugal, a importância social e desportiva desta profissão.
As funções desempenhadas pelos treinadores têm um inequívoco impacte nas pessoas que treinam, na sociedade, nas actividades económicas e do mundo do desporto em geral.
Os treinadores só conseguirão um reconhecimento social pela competência e princípios éticos que demonstrarem possuir.
Esta competência resulta do seu Saber. Este Saber consegue-se através do estudo contínuo e pela participação em cursos e acções de especialização.
Ser treinador de Alto Rendimento e preparar candidatos e candidatas a participarem em Jogos Olímpicos, e aí classificarem-se para as meias-finais e finais, exige que possua sólidos conhecimentos científicos e profissionais. Devem possuir competências para gerir e liderar as equipas multidisciplinares com o objectivo de manterem um controlo na evolução positiva do rendimento desportivo dos atletas e das atletas. O Saber deve ser partilhado por treinadores de grande sucesso olímpico, em iniciativas específicas.
De forma sistemática, a formação dos treinadores que preparam atletas de Alto Rendimento e aqueles integrados nos Projectos da Preparação Olímpica, não são considerados no quadro nacional da formação de treinadores. Iremos continuar a assistir às exigências de resultados de topo, esquecendo que um dos pilares fundamentais para que os mesmos possam surgir, de forma regular e consistente, é a boa formação dos treinadores para as diferentes funções que desempenharão no sistema desportivo português.
Até agora e apenas nos últimos anos têm valido as formações dinamizadas pelo COP no sentido de capacitarem os treinadores com conhecimentos de dimensão olímpica.
Mesmo com esta ausência do reconhecimento, mesmo perante o facto de não serem referidos nos discursos oficiais, os treinadores portugueses continuarão a desempenhar as suas funções levando a que as equipas e os atletas individualmente dêem alegrias aos portugueses com as suas vitórias, coisa que, até agora, só esses o têm conseguido nas várias frentes nacionais e internacionais."

O Tribunal Arbitral do Desporto três anos depois

"Desde o dia 1 de Outubro de 2015 que podemos contar em Portugal com um centro de arbitragem especializado na resolução de conflitos desportivos. A arquitectura deste centro assenta num bom postulado: a competição desportiva necessita de uma jurisdição célere e especializada e, assim, adequada ao sistema desportivo português. Sucede, porém, que decorridos três anos sobre a entrada em funcionamento do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) muitos são as dúvidas que atingem o regime jurídico que o rege. Entre outras perplexidades, não podemos ignorar as questões em torno da independência do centro e da independência e imparcialidade dos árbitros.
Com efeito, se o TAD não proceder ao recrutamento de novos árbitros para integrar a sua lista, aqueles que nela se encontram e que são sucessivamente nomeados pelas mesmas partes colocam em causa os deveres de independência e imparcialidade, designadamente os que resultam das IBA Guidelines on Conflict of Interest in International Arbitration, às quais este centro aderiu por intermédio de recepção através do estatuto deontológico dos árbitros. Deste modo, as sentenças arbitrais proferidas por colégios arbitrais compostos por árbitros, nas condições acimas apresentadas, poderão vir a ser hipoteticamente anuladas, a breve trecho, com fundamento na violação de princípios fundamentais, tais como o direito ao processo equitativo que, a este respeito, não se encontra assegurado. Como tal e a suceder, esta circunstância assume-se como um péssimo agoiro para a justiça arbitral desportiva e, acima de tudo, para a credibilidade no Desporto.
Trata-se de um problema real que só pode ser ultrapassado com um novo recrutamento de árbitros (e substituição de parte dos actuais) ou o alargamento da lista de árbitros, tal como sucede, regularmente, noutros centros de arbitragem de referência. Não podemos ignorar que a anulação das sentenças arbitrais pode ter efeitos devastadores na confiança das partes na credibilidade da instituição arbitral.
Todavia, esta questão mais imediata não permite ignorar que os escândalos do futebol também chegaram ao TAD, levando a descredibilizar – pelo menos publicamente – algumas das suas decisões, o que, por sua vez, em nada contribuiu para a confiança no sistema desportivo. Se retivermos um contexto estrutural da falta de independência do centro de arbitragem, o problema da independência e imparcialidade dos árbitros deve ser uma questão fulcral a discutir numa futura reforma.
Por outro lado, as custas do TAD – que até são a nosso ver inconstitucionais – foram o pecado mortal da falta de sucesso do mesmo. Na verdade, é conhecido que este centro arbitral necessita que lhe sejam submetidos mais de cem processos por ano para ser financeiramente auto-sustentável. Sucede, porém, que este número nunca foi atingido em nenhum dos anos (fixando-se em seis processos em 2015, em 31 processos em 2016, em 76 processos em 2017 e, até à data, nos 66 processos em 2018) sendo, como é sabido, o Estado (todos nós) uma das entidades a apoiar economicamente o TAD. Podemos, com alguma segurança, concluir que a sustentabilidade económica do centro muito dificilmente será atingida ainda este ano.
Assim sendo, o TAD regista dificuldades estruturais ao nível da sua independência e imparcialidade e, em geral, da sua transparência, mas, acima de tudo, no que concerne à viabilidade financeira do desenvolvimento da sua actividade, o que deveria, por si só preocupar todos os cidadãos. Com efeito, não existe uma justificação para que o Estado se demita do exercício da função jurisdicional (pelo menos num primeiro momento) e não se preocupe com a qualidade (em sentido amplo, compreendendo todos os problemas acima referidos) dos serviços de arbitragem (e de mediação) que são oferecidos por este centro.
Tal como não se percebe que, aparentemente, inexista uma intenção legislativa de discutir uma reforma do TAD, principalmente, quando a maioria dos seus problemas são mais do que conhecidos. Não se pode esquecer, neste contexto, que a arbitragem é um excelente meio de resolução de litígios, mas, como tudo na vida, a distorção deste meio quando adaptado a um sector social “especial”, que exige, por exemplo, maiores garantias de independência e imparcialidade, pode vetá-lo a um destino inevitável. É isto que pretendemos evitar ao reivindicarmos uma reforma do TAD.
Passados três anos podemos concluir que ao TAD só restam duas alternativas: ou existe uma reforma abrangente ou, em alternativa, deve pensar-se no seu encerramento. Da minha parte, aposto na primeira solução, mas se a segunda hipótese não estiver a ser ponderada e se esta configuração se mantiver, o encerramento será uma realidade fatal. A finalizar e para evitar esta circunstância, lanço o desafio a todos os operadores do sistema desportivo para que se unam em torno de uma justiça desportiva, verdadeiramente nova, aproveitando, assim, todas as potencialidades da arbitragem como um mecanismo de resolução de conflitos credível."

Aquecimento... Selecções e o resto...

Conversas à Benfica - episódio 39

Benfiquismo (CMLXXVI)

Preparados...

Dedicado às virgens...!!!

O filho do carroceiro

"Tuberculose matou-lhe o pai, carta dum padre mudou-lhe o destino; Não quis assinar acta, nunca quis ser presidente

1. Nasceu, por Novembro de 1885, num casebre pobre da Travessa do Alqueidão, ao Lumiar, filho de um carroceiro - que haveria de morrer, tuberculose, 10 anos depois. Tinha então cinco irmãos - e a mãe, num ardume de lágrimas, pediu ao padre da freguesia que a ajudasse no que pudesse - para fugir à miséria...

2. A primeira ajuda do padre foi lembrar-se da Casa Pia - e em carta que de pronto escreveu (falando da «extrema pobreza? da viúva) suplicou ao Paço Real que providenciasse no sentido de lá lhe acolher o mais novo dos rapazes «para lhe dar educação que a desgraçada Rosa não podia».

3. Na CPL admitiram-no em Abril de 1896, atribuindo-lhe o número 2545 - e, do exame para lhe detectar o grau de instrução saiu como não sabendo ler e escrever - analfabeto como pai e mãe. Outra coisa se lhe percebeu depressa, porém: o jeito para «aprender bem tudo o que lhe ensinavam na escola».

4. Não tardou aperceberem-se-lhe outros jeitos - e empolgante espírito de iniciativa e de liderança. Arrastado por isso, em finais de 1901, entregou, a um director da Casa Pia, documento a requisitar «autorização para comprar uma bola de futebol» - juntando-lhe «lista de subscritores de 200 réis cada e de um regulamento para a prática do futebol por esse grupo de 14 alunos».

5. Aos 17 anos a Casa Pia de Lisboa achou-o «apto a ganhar os meios de vida», empregou-o como funcionário da administração da Casa Palmela. E ele fundou a Associação do Bem, para nela congregar os antigos alunos da CPL «com simpatia pelo desporto».

6. A Mário de Oliveira contou-o em Março de 1945 em A Bola: «Pensou-se, desde o princípio, nos jogadores que deram à Casa Pia a vitória estrondosa de 1897 contra os ingleses do Carcavelos, julgando-os dispostos a voltar ao jogo. Veio o primeiro treino,  marcado para o campo do Hipódromo de Belém, nele compareceram 24 jogadores. Ao segundo, no domingo imediato, apenas 18 - e ao terceiro 12 ou 13. E quando os treinos fundavam, os que podiam reuniam-se em almoço, na casa do António das Caldeiras, à esquina do Largo de Belém...»

7. Num desses treinos surgiu, afoito e exótico, figura que o espantou: «Apareceu como apareceria sempre depois: equipado por completo: Kepi preto, camisa branca, calção preto, meias e botas de futebol. Mas o que dava mais nas vistas era uma grande faixa sobre a camisa, a tiracolo, com as três cores da bandeira francesa. Não jogava, dava apenas uns pontapés». Era Manuel Gourlade, funcionário da Farmácia Franco - e a Associação do Bem transformou-o no seu treinador.

8. Querendo a Associação do Bem fazer partida contra o FC Lisbonense dos Pinto Basto - faltavam jogadores para equipa completa. Foi, então, que Gourlade se lembrou de que, no andar de cima da farmácia, viviam os irmãos Rosa Rodrigues, que tinham formado grupo de futebol com a alcunha do pai, armador de pesca: Os Catataus - e ao desafio os chamou. No primeiro jogo perderam, no segundo ganharam.

9. A vitória atirou-os para «festa rija» na cervejaria em frente à Farmácia Franco - e, ao soltar-se, num brado, a ideia: «Vamos fazer um novo clube» - foram fazê-lo para a sala da farmácia. Primeira sugestão de nome foi Grupo de Football Lisboa. José da Cruz Viegas (militar de na I Guerra Mundial, penaria, prisioneiro, nas masmorras alemãs), contrariou-a com curioso argumento: «As iniciais dariam GFL, talvez suasse Guarda Fiscal de Lisboa». Falou-se, então, em Grupo Sport Lisbonense - em Grupo Sport Lisboa se ficou (mas o Grupo caiu...)

10. Também foi ele quem o revelou nessa edição de A Bola de 1945: «A primeira manifestação de actividade do Sport Lisboa foi treino marcado para 28 de Fevereiro de 1904. Para a compra da bola fizemos empréstimo de 4500 réis - e o treino fez-se num terreno nas Salésias». A ele coubera-lhe a redacção da acta da fundação do SL - mas, por modéstia, esquivou-se a escrever o seu nome nela. O resto é o que se sabe - e o que se sabe (além dos ganhos de glória farta) foi o que aconteceu quando, por falta de campo, para evitar que o Sport Lisboa se esfumasse, ele teve a ideia de o fundir com o Sport de Benfica. Deu Sport Lisboa e Benfica (seu presidente não quis ser nunca - como não quisera ser do Sport Lisboa, antes já...)"

António Simões, in A Bola

Sabe que é? O FC Porto na vida dele - Eusébio

"Depois de a Juve o querer levar para Itália, aos 15 anos, o ataque portista; Única expulsão, nas Antas (e ridícula...)

1. Antes ainda do Benfica, embeiçou-se o FC Porto por ele: «É verdade que disse que se não fosse futebolista seria bailarino na Broadway, mas sabia: o meu futuro era o futebol - e aos 15 anos a Juventus quis contratar-me. Foram falar com a minha mãe, ao ouvir falar de Itália, ela não quis conversa».

2. Depois da tentação da Juve, foi o Belenenses a Moçambique: «Também me quiseram, davam 110 contos por mim - e foi logo a seguir que apareceu o FC Porto a oferecer 150». Nesse torneio participou a Ferroviária de Araraquara, treinada por José Carlos Bauer. Mandou telegrama para o Brasil a perguntar se podia tentar levá-lo para lá (e de lá não lhe responderam...)

3. Ao passar por Lisboa, Bauer fez visita a Béla Guttmann (que o treinara no São Paulo). Falou-lhe do «menino tímido» de Lourenço Marques em tal fervor que Guttmann suplicou ao seu presidente que pagasse o que fosse preciso por ele - e o Benfica, sabendo do assédio do FC Porto, mandou entregar 250 contos (só para eles) à casa de zinco e colmo onde vivia (250 contos hoje seriam 91530 euros).

4. O Sporting entrou na jogada, perdeu-a nos 400 contos que levaram o Sporting de Lourenço Marques a mandar para o Benfica a sua carta de desobrigação. Já a caminho da eternidade, o primeiro golo ao FC Porto marcou-o em véspera da final da Taça dos Campeões (que venceu) - acabou 3-1 e Carlos Pinhão escreveu: «Tanto o procurou, perante sucessivos malogros, que o alcançou, festejando-o como se se tratasse já de golo ao Real Madrid». (Foi jogo para a Taça - que o Benfica ganhou ao V. Setúbal).

5. Em 15 épocas no Benfica, só perdeu oito jogos oficiais na Luz - e o primeiro, me Novembro de 1962, para o FC Porto: 1-2 (sendo dele o golo). Já Desmond Hackett lhe chamara Black Panther - e ele não lhe achou graça: «Havia um bando de assaltantes na América que se dominava assim, por isso custou-me engolir essa historia da Pantera Negra. Mas com o tempo passei a gostar. E muito...»

6. Nas Antas, sofreu sete derrotas - a primeira, na primeira vez em que lá jogou, foi a 8 de Dezembro de 1961: 1-2 (e não marcou) - atormentado pelo joelho, teve de ser injectado, largou o campo a coxear. 11 dias operaram-no ao menisco, abriu-se-lhe o calvário: o Departamento Clínico lançou-lhe: «40 baixas por lesão» só entre 1964 e 1974 - o ano em que voltou a perder com o FC Porto na Luz. Jogou outra vez massacrado em dor, fizeram-lhe logo depois a sexta operação ao joelho.

7. Em 1964 jogou-se a única final de Taça entre ele e o FC Porto. O Benfica treinado por Lajos Czeiler, venceu por 6-2 - e Américo, o guarda-redes portista contou-o: «Um escândalo... A partir de certa altura passámos a insultar o árbitro de tudo, a perguntar-lhe se não tinha vergonha na cara de estar a arbitrar daquela maneira - e até na tribuna à frente do presidente da República, fizemos o mesmo. Ele, comprometido, não foi capaz de expulsar mais nenhum de nós, já tinha expulso o Jaime, posto o Benfica a vencer com penalty incrível».  (Foi ele que o marcou, ao longo da sua vida quatro falhou - e nenhum com o FC Porto).

8. Vezes sem conta o afirmou: «Comigo no Benfica, o FC porto nunca foi campeão». É verdade. Mas foi o FC porto que lhe aplicou a derrota mais pesada que equipa portuguesa lhe aplicou: 4-0 (nos quatro golos de Lemos). E foi contra o FC Porto que sofreu a única expulsão: «Antes dum livre, o árbitro disse-me para não mexer na bola, precisava de a ajeitar, ajeitei - e ele expulsou-me. Foi de tal forma injusto que o público todo desatou a aplaudir-me e Otto Glória, o treinador portista, me foi abraçar».

9. O futebol acabará de ganhar nova regra: as substituições - e foi nas Antas a primeira vez que tal lhe aconteceu, a 15 de Setembro de 1968: Otto Glória pôs Jacinto por causa de lesão que se diria podia ter-lhe arruinado de vez a carreira (e não...)

10. O último golo como benfiquista marcou-o ao FC Porto - a 31 de Março de 1975 em Paris (na vitória por 5-1). A camisola do Benfica voltou a vestir na festa de homenagem a Carlos Lopes - quando já andava pela América. Foi a Alvalade numa «equipa de miúdos», na cabina lançou-lhes em brado: «O futebol, para mim, nunca pode ser uma brincadeira. Mais: não gosto de perder! Portanto, vamos lá ganhar este jogo!» - e o Benfica ganhou por 3-2..."

António Simões, in A Bola

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Alvorada... do Gonçalves

Benfica, nº 1

"Evidência de 2 meses. Também canalhice, Leis antiviolência, árbitros, Selecção e Sporting

Justiça no desfecho do Benfica - FC Porto. Superioridade imposta nas ganas de vencer e na melhoria de qualidade técnica em toda a 2.ª parte - num confronto em que tal qualidade foi, globalmente, fraquinha, substituída por dura intensidade nos sucessivos duelos atléticos. O que deveria ter dado vantagem ao FC Porto, muito mais poderoso nessa área. Não deu, porque, pós-intervalo, o Benfica teve mais raça e muitíssimo melhor estratégia para vencer. Só ele quis mesmo ganhar - e aí esteve a grande surpresa/decepção portista.
Rúben Dias, excepcional, foi, para mim, o melhor em campo. Seguido por Grimaldo, Pizzi, Seferovic (neste, para além do golo, a melhor exibição que lhe vi: segurar posse de bola, executar certeiras tabelas, hábeis movimentações). E Gabriel, derradeira aquisição, muito menos brilhante, mas dando à linha média mais rigor táctico e superior capacidade atlética. Nenhum portista se aproximou do nível do melhor quarteto benfiquista (mas mantenho que o recém-chegado Militão é craque) e Marega, habitual forte trunfo, fez exactamente o oposto do que, certamente, o treinador lhe pediu: quiça em má forma física - às tantas, magoado -, os seus dotes de pujança atlética e velocidade não conseguiram ultrapassar o pequenino Grimaldo (!) e foram impressionantemente incapazes de lhe travar avalanches de ímpeto atacante.
Benfica confirmou ser a melhor equipa portuguesa nos 2 primeiros meses da época. Não de forma espectacular - o que muito desabona FC Porto e Sporting... Sim, SC Braga reparte 1.ª lugar no campeonato; mas eliminação europeia foi tremenda nódoa! - enquanto o Benfica teve Agosto duríssimo, ultrapassando 4 jogos para entrar na Champions. Nesse período, merecia ter ganho o dérbi, claramente superior a Sporting hiperdefensivo. Depois, fortes solavancos: incontestável derrota com Bayern e precipitadíssimas expulsões, justas, provocaram empate em Chaves (Conti) e tremendo calafrio em Atenas (Rúben Dias). Fica o balanço de 2 meses - do qual ninguém deveria dizer não ser bem positivo...
(...)

Violência. Há 3 semanas, aqui festejei estarem a chegar, finalmente!, Leis, estas firmes, para lhe pôr cobro no Desporto. Anteontem, A Bola muito as pormenorizou - e são bem duras, como se tornou obrigatório. Repito: Eureka, aplaudo um Governo! Desejando o mesmo vir a fazer a aprovação no Parlamento.

Árbitros. Tenho imenso respeito pela sua espinhosa função. E elogio grande progresso com chegada do VAR (cujo protocolo, creio, precisa de ser corrigido). Mas é esta estupenda tecnologia que não permite desculpar erros de palmatória. Expulsão de Lema foi disparatada de Fábio Verísssimo, não corrigido por bom árbitro (Jorge Sousa) no VAR! Penálti não assinalado a favor do Rio Ave, no último minuto em Braga, foi... barbaridade (!) de Tiago Martins e, ainda maior, do VAR, Bruno Paixão!!! Aliás, tem-se verificado a regra de árbitros medíocres no campo não passarem a bons no VAR...

Selecção. Palavra de ordem: manter, agora na Polónia, o vitorioso rumo redesenhado frente à Itália. Expectativa em pormenores. Rúben Neves justificou estreia a titular, mas... regressado Danilo tira-lhe o lugar? William irá bisar na nova função (n.º 8) que tão bem desempenhou? Pizzi ou Bruno Fernandes, qual deles completando trio de médios centrais?

Sporting. O tempo passa, já deveria ter-se libertado do stress pós-traumático. Perdeu Patrício, William e Gelson, tem Bas Dost e Mathieu lesionados, mas aquilo que não jogou em Poltava e em Portimão foi... chocante! Arrepia caminho num ápice, ou caldo ficará efervescente, ameaçando explodir!"

Santos Neves, in A Bola

Um golo que valeu por dez

"O campeonato português tem-se revelado perfeito para avançados que, sem historial goleador, se tornam especialistas indiscutíveis; também acontece o contrário, jogadores que chegam com o suporte de uma carreira feita de números eloquentes e perdem o hábito – Ferreyra é apenas o exemplo mais à mão. Seferovic constitui, ele próprio, uma contradição: avançado possante, de entrega total, com argumentos interessantes, mas que revela incompatibilidade surpreendente com o último toque. Começou bem a época passada, fez alguns golos mas acabou preterido por Rui Vitória no momento em que optou por jogar em 4x3x3 – o suíço foi vítima da entrada de Krovinovic e nunca mais recuperou a aura.
Seferovic encarna a diferença entre técnica (que revela nos gestos mais importantes, como recepção e passe) e habilidade (que não tem). De costas para a baliza, mesmo quando está pressionado, revela talento suficiente para dar seguimento automático às acções; utiliza bem o corpo, esconde a bola dos adversários, é forte pelo ar e eficaz no jogo combinado. Não é um predestinado mas está longe de ser um tosco e é muito útil quando se desmarca em grande velocidade e abre linhas de passe. O problema é não acrescentar a essa utilidade evidente um número de golos significativo.
Jogador de perfil lutador, com vastíssimo raio de acção e enorme amplitude de movimentos, Seferovic é perfeito para um estilo de jogo mais directo, embora também mais impreciso e menos eficaz. É complicado pedir-lhe que participe nos diálogos que antecedem o último toque ou que alimente lengalengas muitas vezes sem sentido e que só o diminuem nas qualidades mais expressivas. Se o toque está para o futebol como a palavra para a sociedade, o suíço é um jogador austero, silencioso, inexpressivo, em suma, de poucas conversas. Quando chegou a Portugal deu sinais de que poderia fazer upgrade às qualidades consolidadas ao longo da carreira, mas a torneira fechou e as dúvidas foram mais fortes do que a esperança. Agora, tudo mudou: como quarto avançado do plantel (atrás de Ferreyra, Castillo e Jonas) conquistou a titularidade e marcou o golo que decidiu o clássico. Um golo que valeu por dez.
Sendo ponta-de-lança, Seferovic não tem a contabilidade em dia; é desprendido com a estatística e pensa mais no todo do que no bem-estar pessoal; não corre quilómetros e entrega-se a lutas acesas com os defesas para tirar partido individual desse esforço, antes encara essa entrega como arma colectiva. É uma opção que o desgasta e que, a partir de certa altura dos jogos, o enfraquece nos despiques em zona de finalização, onde é conveniente chegar fresco, lúcido e sereno para tomar as decisões mais contundentes.
Seferovic tem e terá sempre melhor relação com o jogo do que propriamente com o golo e é muito mais relevante para a equipa do que temido pelos adversários. Mas é avançado e, no limite da apreciação exterior, é medido pela pontaria ou falta dela – um médio pode ser admirado pela subjectividade dos requintes técnicos, um atacante é medido pelos golos que marca. A generosa entrega e o espírito solidário são qualidades que perdem significado ao fim de longos jejuns sem marcar. O golo torna-se prova de vida para conquistar a tranquilidade e o reconhecimento universal; sem ele, os parâmetros de avaliação por ser o primeiro defesa da equipa e a noção de equilíbrio perdem relevância. Por isso o tiro que derrotou o FC Porto foi muito mais do que um momento: foi o golo mais importante da carreira; um instrumento precioso para consolidar o estatuto abalado na preparação da época; o argumento final para o tornar herói definitivo no reino da águia, mesmo que a distinção belisque o seu perfil discreto e as suas profundas convicções de que o futebol é um desporto colectivo.

Nakajima com aura de fenómeno
O Portimonense teve uma vantagem indiscutível no jogo com o Sporting
Nakajima confirmou a aura de fenómeno O japonês escolheu bem o dia para explodir e mostrar-se na plenitude de um talento grandioso: fê-lo perante uma potência, num jogo altamente mediático. Com a bola dominada, em velocidade, no ataque ao espaço, tomando decisões sempre com sentido prático, poucos em Portugal o suplantam. Caso ainda não tenham percebido, é um craque.

Militão adaptado ao jogo europeu
O FC Porto teve capacidade de resposta notável à saída de Iván Marcano
Éder Militão chegou e, pouco depois, foi colocado perante exigente teste, na Luz, perante o Benfica. Aos 20 anos, não deixou créditos por mãos alheias e assinou exibição que sustentou a ideia de que estamos perante um dos melhores jogadores do Brasil da actualidade, candidato seguro a patrão da canarinha para a próxima época. Chegar à Europa e adaptar-se com tanta facilidade tem muito que se lhe diga.

Nani não evitou apagão leonino
Nas equipas em estado de desgraça, todos parecem pior do que são realmente
O Sporting foi manta de retalhos em Portimão. Os melhores jogadores, que têm sido decisivos em várias situações durante a época, foram arrastados pela desinspiração colectiva e não deram a volta ao texto. Tudo o que podia correr mal, correu – incluindo a lesão de Salin. Nani ainda trouxe uma corrente de ar fresco, depois do intervalo, mas não conseguiu contagiar os outros. O apagão foi grave a esse ponto."