Últimas indefectivações

sábado, 15 de julho de 2017

Vender e ficar contente

"O campeão voltou para o seu primeiro joguinho da pré-temporada depois de duas semanas de trabalhos no Seixal. O campeão apresentou-se num campo suíço e venceu tranquilamente o Neuchâtel Xamax por duas bolas a zero. O resultado tal como a exibição, a exibição possível nesta fase mais do que prematura, terão agradado ao público benfiquista sem causar, no entanto, qualquer espécie de sobrexcitação no que respeita às expectativas para 2017/2018.
O campeão voltou mas vamos com calma até porque o campeão que voltou não é o mesmo que se viu festejado num sábado de Maio por todas as rotundas do país e, uma semana depois, no Vale do Jamor num final de tarde chuvoso e alegre. Entretanto já saíram, a peso de ouro, o guarda-redes, o lateral direito e um central. Se isto é para continuar – e é – ainda vão sair mais um central, mais um defesa-esquerdo, mais um médio ou dois e ainda uns quantos alas e mais um ou dois pontas-de-lança. O Benfica também é "uma casa portuguesa com certeza", como a que rezava uma velha canção. "A alegria da pobreza é esta grande riqueza de dar e ficar contente…", lembram-se? No caso em apreço é só substituir "dar e ficar contente" por "vender e ficar contente" e logo se nos apresenta, sem distorção, o retrato fiel da realidade financeira dos nossos clubes de primeiríssima água.
Haja alegria! Desde que se mantenham o bruxo, o Fejsa e o Jonas não é de crer que o desmembrar da equipa que foi tetracampeã afecte o espírito indomável da nação benfiquista. Mas importante mesmo é não perder o sérvio, que já vai no seu 9.º título internacional consecutivo, e o grisalho Jonas, esse artista fabuloso que é o nosso Sol da Primavera, ou não é?
Por tudo isto, o jogo na Suíça, para os adeptos benfiquistas, não passou disso mesmo: um jogo na Suíça com suíços que terminou em vitória e simpática invasão de campo. Porém, para os adversários internos do Benfica o desafio com o Xamax foi um escândalo, o primeiro da temporada a anunciar todos os que se avizinham mantendo-se este infame estado das coisas. Vejam bem: no 2.º minuto de jogo, o árbitro, um suíço infecto, anulou um golo ao Xamax. Não é que o jogador que fez chegar a bola ao fundo das redes à guarda de Júlio César não estivesse em posição irregular mas, com franqueza, sendo todo o lance de desenho milimétrico bem poderia o fiscal-de-linha não ter dado pelo adiantamento do fulano.
Como se esta atrocidade não bastasse, o mesmo árbitro decidiu no minuto seguinte, o 3.º minuto do jogo, apontar para a marca de penálti quando viu o guarda-redes do Xamax abalroar o velho Jonas. Não é que não tenha havido falta para castigo máximo. Mas, com franqueza, haveria necessidade de vir um sacana de um árbitro suíço fazer cumprir a Lei só pelo prazer de oferecer a Jonas a autoria do primeiro golo do Benfica no curso de 2017/2018?"

A liberdade de inexpressão

"O futebol julga-se um estado dentro do estado, com os seus tribunais próprios.

O nosso futebol conta com a desajuda de uma regulamentação disciplinar frequentemente idiota que, na sua essência, afronta a própria Constituição.
O futebol julga-se um Estado dentro do Estado com os seus tribunais próprios e não deixa de ser verdade que ao longo de décadas, de regimes e de modas, tem-se imposto imperialmente num patamar de excepções que ninguém se atreve a colocar em causa. Até um dia…
Tomemos os casos das "suspensões" do presidente e do director de comunicação do Sporting e do director de comunicação do FC Porto por força de um uso torrencial de palavreado considerado difamatório para uns quantos "agentes" da indústria.
Um qualquer dos muitos órgãos disciplinares da Liga ou da FPF entendeu suspender os referidos palestrantes das suas funções considerando, abusivamente, que a função de falar em público ou para o público se encontra abrangida pela penalização.
Ora não foi para isto que se fez o 25 de Abril. Os órgãos disciplinares do futebol português têm o dever de salvaguardar o bom-nome da sua tropa mas não podem, em caso algum, mandar calar as vozes e as nozes que, mesmo passando das marcas, se atrevem a atirar para o lamaçal os costumes diários das suas gentes.
O que significa, em termos práticos, a "suspensão" de um dirigente ou de um funcionário de um clube? Basicamente, é ficar calado por lei tal como nos tempos do Estado Novo se silenciavam as vozes discordantes. Nada disto faz sentido no século XXI.
Se há matéria impura nas alocuções dos homens do futebol existem os tribunais civis para se resolverem essas questões. Já terão dado conta, certamente, que a partir do momento em que Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva foram "suspensos" e mandados calar todas as notícias nos três jornais desportivos sobre a vida política e desportiva do Sporting se iniciam com uma frase-truque – "segundo fonte oficial de Alvalade…" – e que é também um insulto à liberdade de expressão em geral, à ética profissional dos jornalistas e à inteligência dos seus leitores.
O director-suspenso de comunicação do FC Porto lamentou há dias no Twitter este estado das coisas citando a Constituição no que diz respeito à expressão livre do pensamento consagrada na lei. Tem razão Francisco J. Marques. À Constituição não escapa nada e ainda bem.
Até dispõe de um artigo dedicado à "violação de correspondência ou de telecomunicações" em que aponta uma "pena até um ano de prisão" para "quem, sem consentimento, divulgar o conteúdo de cartas, encomendas, escritos fechados ou telecomunicações". À bola o que é da bola, à justiça o que é da justiça.

Outras Histórias
Investida castelhana por mar
Resta agora a Ronaldo contratar a padeira de Aljubarrota
As autoridades fiscais espanholas avançaram até ao iate onde Cristiano Ronaldo passa férias com a corte que sempre o acompanha nestas ocasiões estivais e procederam a "buscas" na embarcação.
O jogador e "capitão" do Real Madrid tem vindo a ser acusado de beneficiar de um ardiloso esquema de fuga ao fisco e está sob a mira de uma investigação judicial.
No mesmo dia em que viu a polícia entrar-lhe pelo barquinho, Cristiano Ronaldo publicou uma fotografia dele próprio com toda a sua alegre trupe escalonados numa piscina suficientemente grande para caberem todos. Não se sabe o que o fisco espanhol encontrou no iate.
Sabe-se apenas que as relações diplomáticas entre os dois países peninsulares podem vir a ser abaladas por este incidente que põe em causa uma paz de séculos.
Resta a Cristiano Ronaldo continuar a marcar golos e contratar a padeira de Aljubarrota para que, de pá na mão, impeça a progressão castelhana como o fez há 7 séculos em Aljubarrota. Invejosos."

O fabuloso mercado da Luz

"É sempre mais fácil trabalhar em cima de vitórias. A frase consta naquele manual de instruções básicas que parece acompanhar muitos dos nossos treinadores mas também se pode aplicar a outros níveis deste magnífico espectáculo/negócio que é o futebol. Veja-se o caso do Benfica. Em cima do sucesso desportivo, o clube da Luz soma triunfos no capítulo financeiro, facilitados, lá está, pela tranquilidade dos últimos quatro títulos consecutivos. Não nos deixemos enganar, claro que Luís Filipe Vieira quer ganhar o penta. Mas o tetra dá-lhe créditos suficientes para olhar/encarar o mercado sem medo de deixar sair, supervalorizados, os seus principais activos. Até agora tem-se dado bem com essa estratégia e não há motivos para fazer diferente. Assim se explica que na Luz tenham já entrado mais de 110 milhões de euros, recorde absoluto na história da águia, que até tem fama de vender caro. E o mercado ainda agora está a começar.
Claro que há riscos numa política deste género. O FC Porto já viveu tempos igualmente áureos e agora é o que se vê. Daí que este mercado de transferências estivesse, percebe-se, a preocupar os benfiquistas, que têm visto os rivais (bem, em especial o Sporting) a reforçar-se com nomes de peso, numa espécie de tudo ou nada pela conquista do título. Nesse capítulo, a notícia ontem dada por A Bola de que o Benfica quer fazer regressar Renato Sanches foi recebido com natural entusiasmo. Não porque Rui Vitória ganharia um reforço de peso - veremos se a vontade de clube e jogador chegam para concretizar o negócio -, mas por ter mostrado que na Luz estão atentos ao mercado. Que as vitórias não são sonolência, só tranquilidade. Isto ainda vai mexer muito..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Os políticos, os clubes e o futebol

"Muitos políticos entendem que o futebol é demasiado importante para ser entregue à insanidade de alguns dirigentes desportivos

No final da segunda guerra mundial, quando já não havia dúvidas para que lado iria pender a vitória, a oposição portuguesa, dispersa e pouco respeitada pela lembrança viva da desorganização da Primeira República, acreditava que os aliados não iriam deixar que Salazar continuasse no poder em Portugal e que Franco continuasse no poder, em Espanha. Assim, a ideia quase generalizada era a de que Portugal e Espanha beneficiariam da oferta de um regime democrático, com eleições livres e escolha popular.
A verdade é que, como bem se sabe, tal não aconteceu. Salazar e Franco continuariam, segundo alguns testemunhos históricos, precisamente porque, em Portugal, ausência de uma oposição organizada, que não fosse a do Partido Comunista Português, tal, como em Espanha, o medo de vingança de um republicanismo esquerdista levaram os aliados, em especial os ingleses, a tomarem a decisão estratégica de deixar sobreviver as duas ditaduras, porque poderia ser o mal menor para a Europa.
Também em Portugal, já depois da certeza de que o regime unipartidário iria resistir, Salazar achou por bem justificá-lo em pequenas e confiáveis audiências. Para o chefe do governo da ditadura nacional, as democracias só faziam sentido nos países onde os povos estavam preparados para ela, como era o caso da Inglaterra. Porém, na Europa do Sul, seria demasiado arriscado pedir a um povo inculto e ignorante que decidisse sobre si e sobre os seus países.
Vem esta pequena revisão histórica a propósito da ideia que passou (e passa) por boa parte dos partidos que compõem a nossa Assembleia da República, que passa por propor uma intervenção directa no supostamente autónomo movimento associativo, mudando regras e alterando responsabilidades estatutárias dos organismos que dirigem e organizam o futebol nacional, a Federação e a Liga.
O amplo movimento de deputados que defende uma intervenção directa na regulação do futebol profissional, impondo a passagem das áreas disciplinares e de arbitragem da Liga, ou seja, dos clubes, para a Federação, tem como ideia central que os clubes não sabem autorregular-se. Pensam, mesmo, que não só não se regulam, como desregulam o futebol profissional.
Entende, assim, um número muito significativo de políticos com funções e responsabilidades legislativas que o futebol é demasiado importante para ser entregue à insanidade que alguns dirigentes de clubes têm vindo a exibir.
A questão, porém, é melindrosa. Na verdade, será muito difícil, para não dizer, mesmo, impossível que haja qualquer regulação do futebol nacional sem os clubes profissionais ou, o que vem dar ao mesmo, contra os clubes de futebol profissional.
Podemos, no entanto, estar perante um daqueles impasses em que o país, na sua parte medíocre e mesquinha, é fértil, porque, de facto, e pelo que demonstraram com exuberante desfaçatez, os clubes, como diziam os romanos dos lusitanos, não se regulam nem se deixam regular.
Entre as fórmulas da imposição política e a da bagunça das assembleias da Liga, tem de haver um modo mais inteligente e racional de resolver o futuro do futebol em Portugal. Como sempre, em matérias sensíveis e de dimensão nacional, a melhor solução passa pela responsabilidade política do Estado, que deve trabalhar no sentido de encontrar pontos de convergência para consensos essenciais e por isso deve encontrar um eficaz modelo de discussão, ouvindo e discutindo primeiro, para decidir depois. Uma solução como essa obriga, naturalmente, clubes e outra entidades e assumirem responsabilidades. Coisa a que, aliás, não estão habituados.

Ninguém quer comprar o Luisão?
O Benfica está perto de vender toda a sua defesa. Sejamos rigorosos, toda a sua defesa, menos Luisão. É injusto para o elogiável capitão do Benfica. Luisão tem tantos anos como o Benfica tem títulos de campeão nacional. Pode parecer antigo, mas a longevidade de hoje, não é a mesma de há cinquenta anos. É um jogador experiente e isso tem um valor. Se não em Bayern, ou Barcelona, num clube da China ou das arábias. Assim, o Benfica ficaria no Guiness como o clube que, num ano, vendeu toda a sua defesa. Guarda-redes incluído.

(...)"


Vítor Serpa, in A Bola

PS: Tanta conversa, e bastava recordar a última intervenção directa do Governo nos regulamentos: a redução da I Liga para 16 clubes!
O que aconteceu depois?! Até se criou a Taça da Liga, para 'esticar' a época, mas pouco depois, aproveitando o 'caso Boavista', a I Liga voltou aos 18 clubes, com a promessa que mais tarde iria 'regressar' aos 16, mas isso nunca aconteceu... bem pelo contrário, com o 'caso Gil Vicente' ainda vamos ter a I Liga com 20 clubes!!!
Por estas, e por outras, é que os clubes não tem 'competência' para se auto-regularem...!!!

Proença cada vez mais isolado

"No caso dos emails acordou quando a conversa do bruxo já estava estafada.

O PSD retirou uma proposta de alteração legislativa que visava atribuir às Federações com provas profissionais a regulamentação da arbitragem e da disciplina.
Em teoria, com uma mão dava-se mais poder à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e com a outra tirava-se o pouco que a Liga de Clubes tem.
A proposta social-democrata, doutrinariamente falando, fazia sentido, porque a Liga deve concentrar-se, tão-só, na gestão dos quadros competitivos e na defesa da indústria, por sinal muito maltratada, precisamente por aqueles a quem compete cativar público para encher os estádios.
Em termos substantivos, era igual ao litro, pois a Assembleia Geral da FPF já tem poder de veto sobre os regulamentos disciplinar e de arbitragem da Liga – um exemplo paradigmático é o do ‘chumbo’ da polémica norma para proibir o fumo (do cigarro de Bruno de Carvalho) na chamada zona técnica.
O que também não faz sentido é o cada vez mais isolado Pedro Proença – desta vez, célere nas reacções à abortada proposta do PSD, ao contrário do que sucedeu no caso dos queridos emails, acordando quando a conversa do bruxo já tinha passado à reserva – argumentar com um golpe à autorregulação, pois, com estes dirigentes, ela é impossível.
Por isso, é fácil perceber a razão de as receitas dos clubes portugueses serem quase 13 vezes menores do que as dos ingleses."

Benfiquismo (DXXX)

Ser Benfiquista...
Luís Piçarra e Paulino Gomes Junior

Uma Semana do Melhor... com o 'inimigo'!!!

Atacar o penta com a defesa do tri

"Sem mais de metade dos titulares e com a ferrugem do primeiro jogo-treino, vencemos adversário esforçado. Sporting empatou 0-3.

Ontem já houve bola, começou a pré-época com um bom indicador - um advogado chega seis minutos atrasado a casa e perde logo o primeiro golo da época. Jonas mostrou-se impiedoso com adeptos que se atrasam a chegar ao sofá. Foi merecido. Sem mais de metade dos titulares e com a ferrugem do primeiro jogo-treino, vencemos um adversário esforçado, com a preparação mais adiantada, mas que não resistiu ao perfume de Jonas e a bons indicadores de Diogo Gonçalves.
Há notícias da venda de Nélson Semedo e a maioria dos adeptos não fica satisfeita com negócios porque o negócio dos adeptos é ter os melhores e ganhar títulos. É a parte emocional, sempre difícil de conjugar com a parte racional de quem tem que manter uma gestão equilibrada.
Os adeptos sabem que dos cinco titulares da defesa do tetra teremos vendido três. Podem ter sido €100 milhoes, muito dinheiro, mas deixam saudades. Não tendo a defesa do tetra, teremos de atacar o penta com a defesa do tri. Todos conhecemos a máxima importada do basquetebol, que um bom ataque ganha jogos e uma boa defesa ganha campeonatos.
O sorteio da Liga ditou um caderno de encargos muito duro logo de inicio (Braga, Chaves) e o tempo é pouco.
A pré-época também se joga muita na gestão da expectativas. O FC Porto, com o anúncio mediático do descalabro, com as sanções e condições da UEFA e com as anunciadas dificuldades financeiras , ficou numa situação de muito baixa expectativa. Há um bom aproveitamento de activos, as duas maiores vendas (Rúben Neves e André Silva) são negócios indiscutivelmente bons. Casillas e Maxi são problemas que vêem de trás, tudo que vejo na pré-época deste ano no rival azul e branco me parece fruto de decisão ponderada e de critério (Aboubakar, por exemplo). Teremos um FC Porto a lutar por títulos e pela sua sustentabilidade. Este FC Porto parece menos panfletário e mais eficaz e será candidato. No caso do Sporting vivemos a situação inversa. A expectativa vendida é máxima, as compras, os anúncios e as dispensas fazem com que a única classificação possível aos olhos dos seus adeptos seja ser campeão. Qualquer outro cenário faz com que estes adeptos, dedicados e fieis, não tolerem mais a semântica dos seus responsáveis. Ontem, num treino mais a sério, empataram 0-3 com o Valência, mas também serão fortes candidatos aos mesmos objectivos.
Quase todos, porque dia 5 de Agosto jogo o Benfica e o Vitória de Guimarães."

Sìlvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sempre o mesmo querido

"Num país como Portugal, em que o clubismo é distribuído assimetricamente e concentrado em três clubes, seria impensável que a maioria dos dirigentes das diversas entidades que tutelam e gerem o futebol e as suas competições não fossem adeptos de Benfica, Porto ou Sporting. Impensável seria também que esses dirigentes não se tratassem de adeptos militantes, ou não seriam, de facto, verdadeiros adeptos. Logo, parece-me natural que, anteriormente ao exercício de funções com responsabilidade na gestão do futebol, esses dirigentes, então meros adeptos, tenham exteriorizado o seu amor clubístico sob as mais diversas formas, incluindo a antipatia pelos rivais.
Daí até ao acinte com que Sónia Carneiro, a directora executiva da Liga, se terá referido ao Benfica vai alguma distância. O seu pedido de demissão seria a atitude mais honrada, mas essa não é, do meu ponto de vista, a principal questão.
Preocupa-me muito mais que a Liga e o seu presidente Pedro Proença, um antigo árbitro com uma carreira previsivelmente bem-sucedida na arbitragem - as inúmeras actuações desastrosas em desfavor do Benfica assim o indicavam - tenham saído a terreiro para defender a portista e antibenfiquista Sónia Carneiro quando, há poucos meses, deixou cair o benfiquista João Pinheiro devido, de acordo com o jurista demissionário, à pressão exercida pelo Sporting e, subsequentemente, por não ter sentido, da parte de Pedro Proença, o apoio que entendia merecer.
Estes dois pesos e duas medidas são um claro exemplo de quem é o dono de Pedro Proença. Antes ladrava com um apito, agora fá-lo engravatado. Um querido! E a caravana do tetra vai passando, desejavelmente a caminho do penta."

João Tomaz, in O Benfica

Demitam-se, já!

"Quando foram despachados pelo B. Munique com 12 golos, fiz um post no Facebook sobre isso. E voltei a repetir quando o Ruiz safou uma bola de golo para a bancada e nos deu o campeonato. Ou quando o Tondela os fez voltar à terra, mais uma vez, como sempre nos últimos 15 anos. No momento a seguir aos rabiscos num cavalete, também fui às redes sociais deixar a minha opinião sobre as qualidades artísticas do actual treinador do Wolverhampton.
E sempre que posso, recordo aos adeptos das Antas, o passado de alternadeiras, aconselhamentos matrimoniais, férias pagas no Brasil, fugas para Vigo, associações criminosas - e por aí adiante - dos seus dirigentes. Quando comento alguma coisa na net sobre outros clubes, deixo-me ficar pelos factos. É a melhor forma de ficarem sem reposta. Porque eles sabem o que fizeram nos Verões passados, da década de 80 até agora. É nossa altura que as virgens ofendidas põem a cabeça de fora da toca para escrever sobre mitos como 'clube do Estado Novo', 'Calabote', 'e-mails' e 'vouchers'. Coitados, deve ser tão miserável não encontrar uma única prova de qualquer crime e ter de recorrer à insinuação e à mentira para disfarçar os fracassos desportivos e financeiros. Sou livre para fazer piadas com os meus adversários e pôr o dedo nas suas feridas. Sabem porquê? Porque não sou director-executivo da Liga. E muito menos presidente do organismo. Ninguém me obriga a ser isento em relação a outras equipas, não tenho responsabilidades - nem o desejo - de representar o futebol português. Eu sou um adepto, posso fazê-lo. Já a antibenfiquista que está na Direcção da Liga que engloba todos os clubes que disputam os campeonatos profissionais de futebol deveria saber o que é um cargo institucional. E o seu superior, que correu em desespero para tentar salvá-la, também."

Ricardo Santos, in O Benfica

O calendário

"Sorteio é sorteio. E a menos que duvidemos da temperatura das bolas, há que aceitar o desenlace, tal como diariamente temos de aceitar a meteorologia.
No caso do Campeonato, a relevância da roda da fortuna não é a mesma que numa competição por eliminatórias ou por grupos. Todos jogam contra todos, pelo que a única coisa verdadeiramente sorteada é a ordenação do calendário ao longo do ano. Independentemente daquilo que cada jornada nos reserva (e a primeira é logo a doer), há que questionar alguns aspectos dúbios da calendarização futebolística que teimam em manter-se, e outros que são novidade sem que se perceba bem porquê.
O início do Campeonato a meio da semana é uma excentricidade que carece de explicação. Assim como o facto de, entre dia 2 de Outubro e dia 24 de Novembro, se realizarem apenas três jornadas, para mais tarde encavalitar uma outra (por sinal, com um Benfica-Sporting) a meio da semana que antecede o Natal. Também seria lógico que a mudança do ano civil coincidisse com a passagem da primeira para a segunda volta, mas pedir critério nestas questões seria como bater com a cabeça numa parede.
Quanto às jornadas propriamente ditas, além do Benfica-SC Braga a abrir a competição, e do dérbi natalício (com a penúltima jornada a jogar-se em Alvalade), há que destacar um FC Porto-Benfica a poucos dias do último jogo da fase de grupos da Champions, com tudo o que isso pode significar para cada uma das equipas - o apuramento resolvido poderá fazer a diferença.
Mas primeiro há Supertaça. Começar a temporada com um troféu nas mãos seria o melhor tónico para o que se segue."

Luís Fialho, in O Benfica

Duas finais

"Os tetracampeões começam a Liga NOS 2017/18 na Luz e terminam a prova em casa. Será um Campeonato muito disputado, com o Sport Lisboa e Benfica a querer alcançar um novo desígnio histórico - a conquista do pentacampeonato. Serão 34 batalhas duríssimas, nove meses com imenso sangue, suor e lágrimas para derramar. Vamos ser todos desafiados a dar o melhor de nós próprios, e estou convicto de que nos tem caracterizado nas últimas quatro temporadas, teremos todas as condições para festejarmos no dia 13 de Maio de 2018. O primeiro jogo será muito difícil, frente ao SC Braga, quinto classificado da Liga 2016/17 e que é, neste momento, o terceiro melhor clube português no ranking da UEFA. É verdade!
O SL Benfica volta a ser o melhor clube nacional no prestigiado ranking europeu, figurando no Top 10 (9.º lugar). O FC Porto é o 13.º, e a melhor equipa portuguesa, logo a seguir, é o Sporting... de Braga. Leu bem!
Os minhotos estão dois lugares à frente do nosso eterno rival. O que diz muito acerca da qualidade do trabalho que vem sendo realizado em Braga desde a altura em que o presidente António Salvador assumiu o comando dos bracarenses. Será um início de época frente aos dois poderosos clubes do Minho. V. Guimarães e SC Braga fizeram uma época notável e merecem todo o nosso respeito. Serão duas verdadeiras finais em apenas cinco dias. Quer na Supertaça, em Aveiro, quer na Liga, na Luz, teremos de marcar presença e apoiar os nossos heróis do primeiro ao último minuto. As recentes notícias devem animar-nos, pois já passámos a barreira dos 200 mil sócios. Desde que dizemos a remuneração, entraram mais de 45 mil novos sócios."

Pedro Guerra, in O Benfica

Ei-los que partem

"A música de Manuel Freire transformou-se numa ode à coragem dos imensos portugueses que decidiram procurar sustento noutras paragens nos anos 60, fugindo muitas vezes à miséria rural da ditadura. Nos últimos tempos, quando a troika laborava em pleno em Portugal, foram muitos os que tiveram de voltar a fazer-se ao caminho da vida longe de casa. Entre as muitas reportagens que li, talvez a mais tocante tenha sido a de uma filha única que, ao despedir-se da mãe, lhe deixou uma jura para a vida: «Nunca de deixarei morrer longe de mim».
É costume considerar que o futebol é um mundo à parte na sociedade. Não, não é. É verdade que tem regras e idiossincrasias próprias, gera imenso dinheiro, cria ídolos e destrói-os mas, na prática, os futebolistas quando procuram uma vida (ainda) melhor têm de sair do país. Cá no burgo, os futebolistas ganham muito bem para a média dos trabalhadores - sem qualquer dúvida. No entanto, quando vão para o estrangeiro vão auferir salários duas ou três vezes superiores e é quase impossível segurá-los.
O último é Nélson Semedo, que tem o Barcelona como destino. Dos 23 jogadores convocados por Fernando Santos para a Taça dos Confederações, excluindo o já ex-benfiquista, só três ainda não jogaram, já profissionais, no estrangeiro: Rui Patrício, José Sá e Adrien... o leitor pode não se lembrar, mas William Carvalho esteve no Cercle Brugge e Danilo no Parma.
O sucesso dos jogadores portugueses no estrangeiro, aliado aos dos treinadores, tem sido indiscutível, óbvio. Para equilibrar a balança comercial do país, Portugal tem de exportar. Vendemos muita coisa, mas talvez o negócio mais rentável seja a comercialização do talento. Pena que nas outras áreas, quem acolhe os portugueses, não pague a quem os deixa sair. Certamente, estaríamos bem melhor."

Hugo Forte, in A Bola

'Justiça' por sondagem !!!

"Durante várias semanas, o Expresso substituiu o director de comunicação do Porto como denunciante dos famosos emails que estão sob investigação do Ministério Público. Amanhã, o semanário vai prosseguir a sua sanha inquisitória, tentando antecipar-se aos resultados dessa investigação policial. Desta vez, vai publicar uma sondagem que apresentará um resultado que convenientemente serve a narrativa do Apito Furado. Considera essa sondagem que 58 por cento dos inquiridos acreditam que os e-mails apresentados configuram os crimes de corrupção e tráfico de influências.
Mais curioso ainda é que a sondagem foi realizada pela empresa de Rui Oliveira e Costa, conhecido adepto do Sporting e um dos comentadores televisivos que mais tem alinhado pela cartilha portista e do seu director de comunicação. Digam lá que não há coincidências giras no futebol português...."


PS: O Benfica sempre a inovar: agora temos 'justiça' por sondagem!!! Extraordinário...!!!
É preciso ter mesmo muita lata, depois de semanas e semanas de uma campanha de propaganda vergonhosa, com participação activa do Expresso e principalmente do seu funcionário Pedro Candeias, agora com a 'fonte' a secar, e com a 'narrativa' a ruir, temos direito a uma sondagem...!!! Se calhar para aferir o impacto da narrativa mentirosa!!!!

NetPress... pós-jogo

Alvorada... 'problemas' na defesa!

Precisamos do Renato de volta e, sobretudo, precisamos que o Bayern pague parte do salário. “Portanto, vê lá isso”

"Olá, Renato. Não nos conhecemos. Sou apenas um entre milhões de adeptos que amam o Benfica tal como tu. Não nos conhecemos, mas acho que sei algumas coisas acerca de ti.
O Renato que eu conheço é uma força da natureza capaz de levar tudo à frente e deixar qualquer dia mau para trás.
O Renato que eu conheço é uma improbabilidade estatística, mais uma de tantas produzidas pelo nosso futebol, pelo trabalho associado a um talento que não se antecipa mas estava escrito.
Dizem que o Renato que eu conheço faz lembrar o Davids em campo. Eu cá não sei quem é que me fazes lembrar. Não me ocorre o nome de outro jogador exactamente como tu. E isso é bom. Escreve a tua história e marimba-te no resto.
O Renato que eu conheço não se deixa intimidar pela adversidade nem se esconde do adversário. Finta, pressiona, insiste e resiste até a bola ser sua e a derrota dos outros.
Dizem que o Renato que eu conheço foi apaparicado pela imprensa e levado ao colo pelo hype. Chegaram a dizer que o Renato que eu conheço é trintão como eu. Quem dera aos trintões, eu incluído, terem um décimo da tua fúria. Nós trintões não conduzimos as nossas vidas como tu conduzes a bola. Por isso não, não preciso de ver o BI. És um jogador de outro tempo, isso sim, à antiga. À Benfica.
Ainda assim, o Renato que eu conheço nunca deixou de jogar como se fosse apenas mais um. Mais um dos que jogam, um dos que juram pelo manto sagrado. O Renato que eu conheço talvez não chegue a ler isto, mas decidi tentar na mesma. Se eu pudesse pedia ao Chief Keef, ao Future ou ao K-Dot para te passarem este repto em forma de verso, mas nenhum deles me atende o telefone, portanto segue nesta prosa humilde.
O Renato que eu conheço é um miúdo ligeiramente irresponsável que falha os passes do modo mais enternecedor que já vi. Ainda bem. Não é um jogador feito, mas tem tudo para se fazer.
Dizem os especialistas mais despojados que, para sermos felizes, basta o amor e uma cabana. Para um futebolista não é bem assim. A carreira é curta, a pressão mais que muita, e os contratos nem sempre abundam. É aí que entram a estratégia e o planeamento, Renato, essas malditas convenções dos seres pensantes que nunca falharam um passe e teimam em querer saber onde é que nos vemos daqui a 5 anos. Eu sei lá.
O saber acumulado pela estratégia dir-nos-á que um futebolista emigrado aos 19 anos de idade não tem nada que regressar ao clube que o formou um ano depois. Tem que continuar a ganhar mundo, músculo e milhões em ligas mais competitivas. A minha discordância em relação a este ponto é profunda e romântica.
O Renato que eu conheço deve obedecer, antes de mais, ao imperativo emocional. O Renato que eu conheço tem uma oportunidade única de ser o primeiro vencedor do prémio Golden Boy a dar meia volta para regressar ao local onde foi feliz. Tem uma oportunidade de, mais uma vez, fazer aquilo que dele não se espera em campo e ganhar metros ao adversário fazendo um caminho cada vez menos percorrido: o do amor à camisola. É esse que nos traz de volta.
Precisamos do Renato destemido que quase deitou a Luz abaixo com aquele remate fora da área. Precisamos do Renato trabalhador. Precisamos do Renato carismático. Precisamos do Renato impiedoso. Precisamos do Renato no Marquês. Não precisamos do Renato salvador. Como sabes, o Benfica está bem e recomenda-se. Precisamos do Renato temido pelos adversários, que joga sempre um contra onze, acompanhado de pelo menos mais dez futuros pentacampeões. E bom, em nome do realismo, precisamos que o Bayern pague uma parte do salário desse Renato. Vê lá isso com eles.
O teu patrão Rummenigge disse ontem que precisas de mais minutos em campo. Eu concordo. Tu e nós, benfiquistas. Depois foi a tua vez. Disseste nas redes sociais que fica mais difícil se não acreditares em ti. Concordo. Mas olha: fica muito mais fácil quando tens milhões que acreditam em ti. Quero acreditar que o Renato que eu conheço sabe isto. Cá te esperamos, miúdo."


PS: Por acaso, neste momento, o Renato precisa mais do Benfica, do que o Benfica precisa do Renato! Temos vários opções para o meio-campo, alguns vão mesmo ser emprestados... o Renato em boas condições seria sempre uma mais-valia, mas neste momento existem outras posições mais carenciadas...!!!

Benfiquismo (DXXIX)

Saudades...

Aquecimento... Estreia

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vermelhão: E assim começa a história do... !!!

Benfica 2 - 0 Neuchatel Xamax


E finalmente terminou a 'seca': o Benfica voltou!!!
Primeiro jogo da época, com algumas novidades para o adepto começar a tirar a pinta... e ainda com muitos ausentes.

O Benfica nas últimas épocas, deixou de fazer aqueles jogos com equipas dos Distritais, que acabavam quase sempre em cabazadas... afinal, uma peladinha num treino é sempre mais competitiva! O Neuchatel está na II Divisão, mas como se viu hoje tem uma equipa interessante, e já tinha feito alguns jogos de pré-época...
Com as cargas físicas da pré-época, é sempre complicado tirar ilações destes jogos... mesmo assim aqui vai alguns bitaites:
- o Chrien mostrou qualidade. Ofensivamente era visível nos vídeos disponíveis que o rapaz tinha talento, mas mesmo defensivamente mostrou capacidade para ser um '8' no Benfica. Teve uma férias curtas, e se calhar por isso, fisicamente está melhor do que os outros... mas muito sinceramente, parece-me que temos mesmo jogador. Vai ser importante para o Eslovaco, crescer na 'sombra' do Pizzi, pois nota-se que precisa de ganhar alguma maturidade, pois naquela posição não podem existir perdas de bola evitáveis...
- o Seferovic marcou logo na estreia. Muito sinceramente, estou confiante no seu sucesso no Benfica, desde que foi anunciado... É um jogador inteligente, que se sabe passar e desmarcar-se... não é só força e velocidade. Com o Jonas fará uma grande 'dupla', a minha dúvida é quando jogar com outro tipo de avançado, por exemplo: Mitro ou Rául...
- a titularidade do Rúben Dias também não me surpreendeu... vai ser opção, se tivesse a capacidade 'aérea' do Luisão, seria já titular!!!
- o Digui, fez um bom jogo, mas teve 'azar'!!! A ala direita não é sua posição... Com o excesso de jogadores para as posições mais avançadas, tenho quase a certeza que o Diogo vai ser emprestado, e entre ficar no plantel, e não ser opção, ou ser emprestado, é óbvio que o melhor é ser emprestado! Agora, a qualidade é inegável... teve pormenores muito bons...
- O Hermes é uma das minhas grandes dúvidas! Com o Grimaldo e o Eliseu o mais 'natural' será um empréstimo... Hoje, notou-se melhorias no posicionamento em relação aos minutos do ano passado, mas mesmo assim, ainda não tenho uma convicção sobre a potencial do Hermes...
- Kalica voltou a entrar bem...
- Arango, bons pormenores, mas com tantos jogadores para aquela posição...!!!
- Willock, estava com bastante expectativa para ver o jovem inglês: talento não lhe falta, excelente capacidade de drible... mas nota-se aquela ingenuidade típica dos jovens britânicos... Creio que só ficará no plantel, se algum dos Extremos mais 'experientes' for vendido...
- deixei o Pedro Pereira para último porque continuo a afirmar: não é defesa-direito para o Benfica, muito menos como titular... Neste momento, se o Nelsinho sair, o nosso melhor defesa-direito é o André Almeida...
Dos jogadores que estão na Suíça, o Varela, o Ferro, Pêpê e o Heri... é provável que tenham todos alguns minutos no jogo de Sábado com o Young Boys, mas com a excepção do Varela o empréstimo é muito provável...

PS: Mesmo assim, o primeiro jogo do ano, não deu para 'esconder' alguma 'preocupação' com a provável venda do Semedo ao Barcelona! O Benfica ainda não confirmou (no momento que escrevo), mas...
Com todo o respeito pelo Júlio (esteve em evidencia hoje), o Benfica precisa de um guarda-redes, e se o Semedo sair, precisa de um defesa-direito...!!!

O sucesso dá muito trabalho...

"A Selecção Nacional de sub-19 garantiu ontem, ao derrotar a Holanda, a presença na final do Europeu que decorre na Geórgia. O sucesso dos escalões de formação de Portugal é uma realidade gratificante e em boa hora os clubes decidiram que apostar nos jovens era o caminho certo e, ao mesmo tempo, a FPF criou condições de excelência para o trabalho das muitas selecções que tutela.
O êxito de Portugal deve-se à conjugação de diversos factores: há uma triagem exaustiva dos talentos; trabalham no sector milhares de técnicos em competências cada vez mais elevadas, que ensinam princípios que ficam para toda a vida e criaram-se infra-estruturas suficientes para absorver toda a procura de escolas de futebol. Ou seja, nada caiu do céu, os resultados positivos que vamos somando devem-se à massificação da prática, à competência de quem ensina e aos meios físicos colocados à disposição. Esta é uma fórmula de sucesso em qualquer latitude e em qualquer modalidade.
O que acontece noutros países, que vêem no desporto um investimento e não um custo, é que todas as modalidades são tratadas como tratamos, por cá, o futebol. Por isso, a cada quatro anos, nos Jogos Olímpicos, esses países mostram argumentos que nos passam ao lado.
O Estado quer desenvolver o desporto em Portugal? Adapte, financiando, às diversas modalidades, a fórmula que os clubes e a Federação têm em prática no futebol. Massificando o desporto através da escola, teremos um País mais saudável e, de certeza, por consequência, muitos campeões. A este repto, há muitos anos que os Governos fazem orelhas moucas..."

José Manuel Delgado, in A Bola

É oficial: anda tudo louco

"Turim, 21 de Junho: a Juventus anuncia a saída de Daniel Alves. A imprensa italiana, espanhola e inglesa notícia, sustentada pela entourage do internacional brasileiro, que o Manchester City de Pep Guardiola deverá ser o seu próximo destino. Ontem, o lateral-direito foi apresentado no PSG e Daniel Alves afirmou: «Se Guardiola se sente magoado, lamento. Mas vim para ser campeão».
Milão, 15 de Junho. O administrador-delegado do Milan, Marco Fassone, anuncia que Donnarumma não renovará e que a saída é inevitável. A 11 de Julho, os rossoneri renovam com Gigi, que volta a fazer juras de amor ao clube do coração, que entretanto foi obrigado a contratar o irmão dele, também guarda-redes.
Lisboa, 16 de Setembro de 2016. Confrontado com a possibilidade de regressar ao FC Porto, Aboubakar diz o seguinte: «Não quero voltar». Istambul, 23 de Novembro de 2016. O camaronês volta a ser confrontado por jornalistas portugueses por ocasião de novo jogo frente ao Benfica e é ainda mais taxativo: «Ao FC Porto não volto. Nunca mais». Porto, 10 de Julho. Em declarações à imprensa turca sobre a proposta do Swansea, o avançado confessa: «Não quero perder esta oportunidade». Porto, 11 de Julho. Num depoimento ao Porto Canal, Aboubakar exclama: «É um grande prazer voltar a jogar por esta equipa».
Madrid, 5 de Junho de 2015. Fábio Coentrão assume: «Em Portugal só jogo no Benfica». Lisboa, 5 de Julho de 2017, depois de assinar pelos leões, o lateral-esquerdo dispara: «Já vesti muitas camisolas, mas sempre fui feito de Sporting».
Lisboa, 1 de Julho de 2017. André Moreira aparece vestido à Benfica, para exames médicos. Madrid, 2 de Julho: o Atlético, dono do passe do guardião, prefere emprestá-lo ao SC Braga.
Continuação de um bom verão."

Fernando Urbano, in A Bola

Alvorada... José Nuno e a estreia...

B's e a 1.ª vitória da época...

Partida e Chegada...

Benfiquismo (DXXVIII)

Líder...

Lanças... Escola e o resto...!!!

Futebol profissional: providência cautelar precisa-se!

"O verdadeiro desportista pode passar toda a sua vida de atleta no mesmo clube e sem receber um euro sequer

Como sociólogo do desporto e com formação académica em Ciência Política e em Antropologia, ou seja, conhecendo a acção do homem em questões sociais e políticas e ainda a sua origem – recentemente acrescentaram mais 100 mil anos de antiguidade ao Homo sapiens –, de facto parece, como é sabido, que a evolução do ser humano actual, e não só, só pode ser explicada por dois factores essenciais, que o homem não controla: o tempo e a mutação. Mas lendo as notícias da Terra – sim, não se trata de outro planeta –, ficamos com a impressão de que a evolução de certos seres vivos na Terra não foi igual à de outros, e isto fruto apenas e tão--só de uma actividade chamada “futebol profissional”, que possivelmente, devido às grandes tensões psicológicas, às grandes variações no sistema humoral e hormonal a que os seus praticantes estão sujeitos, lhes afecta também o sistema nervoso, e, consequentemente, a integração humana, ou seja, a forma como é feita a recepção de toda a informação, que depois é processada e interpretada, para ser elaborada uma resposta inteligível, adequada e racional.
De facto, lendo o “Correio da Manhã” dos dias 14 e 15 de Junho de 2017, um jornal obrigatório para qualquer sociólogo, ficamos com a certeza de que as pessoas vinculadas ao futebol profissional vivem num mundo que não é real e sofreram uma evolução diferente dos outros humanos, normais, e tentam tirar partido, em seu proveito próprio e exclusivo, da estupidez humana normal, que abraça o futebol profissional como uma droga para poder resistir à vida de trabalho árduo, e mal pago. Antes do 25 de Abril, alguns apelidavam-no de ópio do povo (para que o poder político pudesse governar tranquilamente, sem ser incomodado), mas continua exactamente na mesma, ou seja, as pessoas ignoram os verdadeiros problemas da grei e vivem num estado de permanente alienação.
Mas agora do que se trata é da confusão de certa comunicação social, que chama desporto e atletas, respectivamente, ao futebol-espectáculo profissional e aos seus trabalhadores, com leis, regulamentos e normas tão bizarras que levam a pensar no “Planeta dos Macacos”, dizendo mesmo que não se pode cuspir em certas pessoas em túneis nem expelir fumo de cigarros electrónicos para a cara das pessoas, etc., e têm ainda o descaramento de chamar àquela actividade comercial e industrial “desporto” e acrescentar que estão muito preocupados com a verdade desportiva...
Como sociólogo, pensamos que o futebol-espectáculo é importante para a catarse do povo e para o seu equilíbrio psicológico, mas seria bom aproveitar este momento da verdade de certo futebol profissional para separar as águas: é que o verdadeiro desporto não é nada disto! Então pede-se à comunicação social, e aos seus agentes, que tenham a lucidez de dizer a verdade, e a verdade é que o futebol-espectáculo profissional não é desporto, é tão-só a actividade profissional de alguns que se comportam como mercenários: vão sempre trabalhar para quem lhes pague mais!
O verdadeiro desportista pode passar toda a sua vida de atleta no mesmo clube e sem receber um euro sequer.
O que nos espanta ainda mais é que a tutela nada diga, demonstrando uma enorme falta de autoridade e incapacidade gritante de separar o trigo do joio, levando a que o cidadão comum comece a duvidar de certa actividade governativa..."

Mário Bacelar Begonha, in i

quarta-feira, 12 de julho de 2017

No gastar é que está o ganho

"Milhões para cá, milhões para lá, num frenesim financeiro onde se misturam trocas e baldrocas, comissões, remissões e demissões.

O defeso sem defesa
1. Estive fora do nosso país durante alguns dias, mas exultei com o folguedo ínsito nos títulos da antecâmara da próxima época de futebol. Tempo de vésperas, onde o sonho ainda teima em sê-lo a esperança é um empréstimo de felicidade sem juros, sobretudo para perdedores da época terminada.
O defeso é, naturalmente, a matéria-prima a que se agarra a informação desportiva, agora que, no Verão, o ciclismo já não desperta a paixão de outrora.
Um defeso tão longo que quase só suscita uma explicação, que não necessariamente justificação. De intermediários, os únicos que recebem sem risco. De clubes que arriscam, pondo - em jargão futebolês - «toda a carne no assador», mesmo a que ainda não pagaram ao talho. De campeonatos glutões que, com vantagens incomparáveis e dirigentes da Arábias, de multimilionários-cometa russos, chineses e outros asiáticos tudo compram e, assim, cavam um enorme fosso num desporto onde o equilíbrio de condições sempre constituiu parte do seu fascínio e beleza.
E a FIFA e a UEFA o que dizem? Nada. Mais preocupados em castigar um atleta porque festeja exuberantemente a festa do golo, do que em restringir o tempo transaccional e apertar as regras negociais. Porquê mercado em Agosto, com os campeonatos e eliminatórias europeias já iniciados? E porquê outra enxurrada em Janeiro de cada ano, que só percebe para fazer movimentos, passes e automatismos de tanta coisa, menos de futebol?
E, depois, tudo é permitido no mar de negócios de transferências de jogadores. Compras e vendas, simples ou por atacado, com dinheiro à vista ou a pagar em prestações, com metal luminoso ou branqueado, com divisão percentual do passe (que raio de designação para o homem!) entre clubes, agentes, familiares, fundos e... o próprio, e com essa peregrina ideia de distinguir direitos económicos e direitos desportivos sobre um jogador.
Tudo entre um quase infinito caudal de jogadores sinalizados, acompanhados, oferecidos, apalavrados, pré-contratados, quase firmados, recusados, descartados, trocados. Tudo com o condimento excitante da utopia da caça grossa e o realismo sortido da caça miúda, enquanto se espanta a caça alheia, à espera do milagre de uma qualquer maquineta caça-niqueis. Tudo em ambiente de época alta da intermediação de substanciais prebendas comissionistas.
Milhões para cá, milhões para lá, num frenesim financeiro onde se misturam trocas e baldrocas, comissões, remissões e demissões, familiares dos intermediários dos familiares, dirigentes e dirigíveis, novos-ricos e velhos pobres, plutocracia e meritocracia.
Quantos milhões ficam algures entre o alfa e o ómega das compras e vendas? Quantas ilusões são oferecidas no mercado das expectativas? Quantos paraísos fiscais beneficiam do efeito multiplicador proporcionalmente inverso ao rigor, exactidão e transparência? Onde chegará a contabilidade criativa para se adaptar aos negócios sul-americanizados?
Tudo com o cretino beneplácito da UEFA e seus derivados, sempre a enfatizar os fair-play dos jogos e das finanças!
Por esta Europa fora, encaram-se com a maior das normalidades os milhões de transacções e de salários de craques, ao mesmo tempo que minguam os rendimentos das famílias e se critica asperamente o que pessoas com funções públicas ganham por ano e que não chega ao que alguns jogadores ganham em menos de uma semana.
Mesmo assim, entre os países importadores há uns mais iguais do que outros. A polémica Turquia virou paraíso de jogadores em pré-reforma. Na Espanha invariavelmente numa boa, apesar de milhões no desemprego. Na Inglaterra, se for preciso muda-se o câmbio da libra esterlina. Em França, é à grande e à russa! Da China, manda o decoro não falar. Só na Alemanha a racionalidade não se perdeu completamente... Sempre com uma praxis insondável: a de um mesmíssimo jogador valer não tanto por si mesmo, mas pelo clube vencedor. Quer dizer, se quem vende é, por exemplo, um clube grande espanhol, inglês, francês ou italiano o valor a facturar é muito superior ao que receberia pelo mesmo atleta um clube de outro país, quase numa relação directa entre ganhos e ranking da UEFA (bem, para alguma cisa servirá...).
Defeso em Portugal? Vou esperar mais um tempo para ver no que dão as tão badaladas transferências. E, já agora, no que dão as juras eternas de amor a um clube!
Em qualquer caso, seja o defeso mais onírico ou simplesmente mais modesto, prefiro sempre a qualidade concentrada à embriaguez da quantidade liofilizada.

Sorteio à defesa
2. «O sorteio das competições nacionais foi o melhor para este e pior para aquele». «O programa do computador está viciado, porque sempre a minha equipa é prejudicada ou a do rival é beneficiada». Eis duas frases que se ouvem, amiúde, depois de conhecido o calendário e os jogos.
Cá para mim, tanto se me dá. O meu Benfica tem de jogar com todos, dentro e fora, como todas as equipas. O resto é fantasia. Aliás, devo dizer que acho um disparate as chamadas condicionantes do sorteio, com excepção da que impõe que equipas da mesma cidade joguem em casa na mesma jornada. Afinal, qual é o problema do Benfica, Porto e Sporting se defrontarem na primeira ou última jornada, ou haver clássicos seguidos, ou terem de jogar em casa ou fora em cada volta? Além disso, trata-se de mais uma injusta consideração por outros clubes (por exemplo, Sp. Braga e Guimarães), assim contribuindo para a cristalização hierárquica do nosso futebol. Criticamos a Europa porque funciona por anéis (o dos fabulosos, o dos remediados e o dos indigentes) e, por aqui, queremos salvaguardar a mesma lógica?
Há até um aspecto do futebol inglês (aquele com que, ainda, mais temos a aprender em torno de regras e tradições) que acho interessante considerar num sorteio de um campeonato. Falo de os jogos da segunda volta não serem a cópia inversa dos da primeira volta. Ou seja, há dois sorteios para cada uma delas. Para mim tudo o que seja introduzir (bons) factores de imprevisibilidade desportiva só favorecem o futebol jogado, o único que verdadeiramente me interessa.

Contraluz
- Palavra:
Portugal. O primeiro ano de uma efeméride para sempre. A de campeão europeu.
- Número:
60. os contumazes milhões de cláusula de rescisão no SCP. Desde um qualquer imberbe iniciático até ao adiantado trintão Mathieu...
- Frase:
«Sempre fui feito de Sporting» (Fábio Coentrão). Uma frase equívoca, mas que talvez explique a inconstância verbal do rapaz.
- Árvore:
Acácia (com o seu Acácio).
- Pensamento:
«Antigamente no futebol ganhava-se jogando bonito. Depois veio a fase do perder jogando bonito. Em seguida, passámos a ganhar jogado feio. E hoje jogando feio e perdendo» (adaptação de uma frase de um adepto brasileiro)."

Bagão Félix, in A Bola

Como se vivessem na idade da pedra

"Ontem, Fernando Santos dispôs-se a falar abertamente com os jornalistas, em ambiente informal e descontraído, com benefícios triplos: para o seleccionador nacional, que passou a mensagem que desejava com eficácia; para os meios de comunicação, que tiveram acesso a conteúdos muito relevantes; e para os adeptos, que através dos media tomaram contacto com a realidade segundo Fernando Santos.
Infelizmente, este comportamento moderno, arejado e civilizado da FPF não chega aos clubes (há sempre uma ou outra excepção, que mais não serve do que para confirmar a regra) e na época que agora começa as más práticas prometem continuar, num triunfo do obscurantismo, absolutamente nefasto para a promoção do futebol. Seria bom que, de uma vez por todas, de desmistificasse a importância da lei da rolha no sucesso desportivo. Que é igual a zero, embora lhe seja atribuída uma relevância que não possui, apenas porque, por arrastamento, também é conferida transcendência a quem a promove. Este ciclo vicioso - tantas vezes difícil de explicar em países onde a indústria do desporto é levada a sério - acaba por abrir portas a quem nada tem a ver com o futebol e que se aproveita da impossibilidade de ser dado palco aos verdadeiros protagonistas, para brilhar em reality shows que têm o clubismo fundamentalista como tema e única razão.
Esta matéria devia estar na primeira linha das preocupações da Liga de Clubes, juntamente com uma série de medidas que regulassem a relação entre clubes. Devia ser essa a vocação de quem tem por razão de existência a promoção do futebol profissional..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A caminho da Suíça...


Júlio César, Varela, Lopes

Lisandro, Jardel, Kalaica, Dias, Ferro

Pereira, Hermes, André Almeida

Fejsa, Augusto, Pêpê

Horta, Chrien

Carrillo, Cervi, Heri, Willock

Jonas, Rafa, Digui

Seferovic, Arango

Com Krovinovic, Luisão e Sálvio lesionados. Com Grimaldo, Joãozinho, Zivkovic, Semedo, Pizzi, Jiménez ainda de férias... além do Eliseu... com o Mitroglou a juntar-se à equipa na Suíça, temos uma convocatória normal...
Sendo que o anuncio da lesão do Sálvio, e o 'corte' negocial com o Atlético de Madrid - devido ao André Moreira -, foram mesmo as notícias do dia!
Em relação ao guarda-redes, achei estranho as fotografias no Facebook oficial do Benfica, durante os testes médicos, terem sido publicadas...! Enganaram-me, já que anunciei aqui, o ingresso do André Moreira! Não sei se foi uma 'estratégia' ou se foi simplesmente uma descoordenação de departamentos!!!
O Benfica não podia prolongar o impasse... com os dias a passar as opções no mercado iriam ser cada vez menores! Ainda existem alguns guarda-redes 'livres' no mercado, com capacidade por lutar pela titularidade no Benfica! Com o Bruno Varela e com o Júlio César, precisamos mesmo de alguém com experiência e qualidade para lutar pela titularidade...

Novidades online...

Novo Site e nova App para dispositivos móveis... Benfica de cara lavada e com mais 'facilidades' online!

Vermelhão...

Alvorada... atestado de incompetência!

B's nos Algarves!

Jardel...

Ciência...

Juniores também de regresso...

Benfiquismo (DXXVII)

Mais um?!

Vieira em modo informal...

105x68... Início

terça-feira, 11 de julho de 2017

Os jogos ganham-se no campo

"O presidente benfiquista falou aos seus, prometeu respostas «no local próprio» e colocou o acento tónico na conquista do pentacampeonato.

Fez ontem um ano que se assinalou o feito mais brilhante do futebol pátrio. A 10 de Julho de 2016, em Paris, Portugal venceu a França em frenética final e sagrou-se campeão da Europa. Nesse dia, os portugueses em todo o mundo sentiram-se orgulhosos de o serem e, por aí adiante, como nunca aconteceu, expressaram a sua vaidade na exibição da bandeira como símbolo de identificação de um povo de longa história que o futebol uniu.
Passou um ano e, no entanto, por cá pouco mudou quanto à tacanhez de uma classe dirigente claramente em contramão, embora no futebol jogado sejamos cada vez mais admirados lá fora por conseguirmos fazer tanto com tão pouco.
A nossa Selecção desde há muito é presença frequente nos topos dos rankings. Temos os melhores do mundo, a jogar e a treinar, representados por Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Fernando Santos. Contrariamente ao que se tem pretendido espalhar, a nossa arbitragem é, igualmente, apreciada além fronteiras e Pedro Proença foi o expoente máximo ao ser apontado como número um no universo da FIFA.

O grande problema reside, sim, no défice de formação que é notório entre administradores e directores das estruturas profissionais de clubes. A FPF está a desenvolver esforço notável com o objectivo de eliminar essa discrepância e tem-no feito exactamente de dentro para fora, através da criação de um edifício organizativo irrepreensível que valoriza o modernismo e a legítima pretensão de ser vista como referência para as federações de outros países, as quais começam a perceber que o futebol luso tem muito para oferecer, além de excelentes praticantes: credibilidade e qualidade, garantidas pelo seu presidente e pela equipa que lidera.
Com Fernando Gomes, como já escrevi, fechou-se o quadrado: melhor jogador, melhor treinador, melhor árbitro e... melhor dirigente.
Dispomos de tudo para ser felizes, mas há quem veja nessa felicidade o princípio do fim da chafurdice intelectual que continua a ser arma preferida para bloquear a renovação de mentalidades e consequente arejamento de ideias. Insinua-se, ofende-se, acusa-se, é o vale tudo sem olhar a meios para aliviar as dores de fracassos desportivos. Por isso, usa-se a imaginação para distrair os adeptos e desviar-lhes a atenção daquilo que os mandantes não estão interessados em mostrar.

A poeirada tóxica que se levantou neste princípio de defeso teve o propósito de confundir e influenciar a discussão. Provocou tosse nervosa a uns, outros fez-lhes lacrimejar os olhos, de riso, mas também agitou mentes sensíveis que logo enxergaram culpas e culpados. Em concreto, sem saberem o que estava em causa: é a nova corrente purista no seu melhor, ora exaltada, ora benevolente, dependendo da tonalidade da coisa.
Luís Filipe Vieira sossegou a nação da águia ao afirmar que o clube irá responder a toda gente «no local próprio». E disse mais: «(...) deixem os outros falar, deixem-nos distraírem-se. O que é importante para nós chama-se Benfica e não vale a pena falarem de e-mails, bruxos e contra-bruxos. Nem o Benfica irá responder a isso».
O presidente benfiquista falou aos seus e colocou o acento tónico na conquista do penta. Esse é o alvo principal. O resto segue os seus trâmites, tanto mais que o caso dos e-mails se viu de repente despromovido em termos de alarido comunicacional, primeiro por desinvestimento dos fautores da iniciativa, depois pela eventual imprudência da directora executiva da Liga que procurou ridicularizar o Benfica com uma piadola, como lhe chamou o meu camarada António Simões, em A Bola TV, na conversa que tivemos no Domingo à noite, publicada nas redes sociais.
Deu para saber, porém, que a senhora aprecia pouca a cor encarnada, mas não mais do que isso. Deve ser avaliada, sim, pelo trabalho, pela competência e pela isenção nas funções que exerce na Liga de Clubes. Além de se lhe pedir mais moderação e sensatez na gestão desse espaço dito social em que os utilizadores, sem se darem conta, costumam abrir portas à devassa da sua privacidade.

Coincidindo com a festa do primeiro aniversário do título de campeão europeu, um assunto que o cidadão comum pensava morto, enterrado e esquecido - confesso que já não me lembrava -, a Justiça, todavia, manteve-o vivo e as consequências aí estão: três secretários de Estado pediram a demissão, e o primeiro-ministro aceitou, por terem assistido a jogos do Europeu à conta da Galp.
Afinal, a Justiça funciona. À velocidade em que mais jeito lhe dá, mas funciona. Estejam, pois, tranquilos os intrépidos embaixadores da verdade. A seu tempo tudo se esclarecerá, no local próprio, como sublinha Vieira, jamais em programa de canal televisivo ligado ao FC Porto, como é óbvio... Entretanto, façam o favor de deixar treinadores e jogadores trabalharem em paz. Porque são eles os actores e é no campo que os jogos se ganham."

Fernando Guerra, in A Bola

Trote português no meio da cavalaria alemã

"Preocupante a forma como o videoárbitro não serviu, na maior parte das vezes, para esclarecimento inequívoco das dúvidas, até com benefícios evidentes para a selecção nacional que conquistou o terceiro lugar nesta Taça das Confederações.

Chove sobre a cidade, agora que o Portugal-México, a contar para esse sempre irritante e meio incompreensível jogo para definir o terceiro e o quarto lugar desta Taça das Confederações, Rússia 2017, chegou ao fim é é tempo, ao fim de quinze dias passados a saltar entre Kazan, Moscovo, São Petersburgo, e depois Kazan e Moscovo outra vez, de regressar a casa com a ideia clara de que, apesar de tudo, a selecção nacional ficou um bocadinho (não grande, mais ainda assim um bocadinho) aquém das expectativas que nela foram depositadas, sobretudo sendo, como é, a campeã da Europa em título com todas as responsabilidades que isso, evidentemente, acarreta. Vitória final dos alemães, com golpes de uma jovem cavalaria, sempre capaz de tirar proveito dos erros alheios, e de que maneira!
Cinco jogos disputou Portugal - aí o máximo possível - e não tendo enchido o olho aos que seguiam a equipa de perto e com entusiasmo (os russos trouxeram-na, positivamente, nas palminhas, tirando, vá lá, o último jogo com o México), como aliás é apanágio do tal pragmatismo que o seleccionador, Fernando Santos, implementou desde o seu primeiro dia no cargo, fez o suficiente para estar entre os quatro melhores de um torneio que serviu, principalmente, para testar a organização que levará a cabo o empreendimento de pôr a funcionar a próxima fase final do Campeonato do Mundo, daqui a um ano. E, quanto a isso, só há que retirar ilações positivas. Estádios regularmente cheios - muito à custa de convites, mas tudo bem, afinal os testes fazem com estádios compostos e não às moscas -, uma forma clara de responder às questões colocadas, rapidez e método em qualquer problema que foi preciso resolver na área da imprensa, que é a que me diz mais directamente respeito.

Uma despedida rija!
O terceiro lugar de Portugal, depois da desilusão chilena de Kazan, aguentada até aos penalties à custa de muita fortuna e boa estrela, que foi desde a bola dupla ao poste e à barra de Rui Patrício, ao penálti claro perdoado a José Fonte, acabou se afirmar à custa de um México que até tinha sido ligeiramente superior à equipa de Fernando Santos no jogo de estreia desta prova. É um facto que, tal como aconteceu com a selecção portuguesa, a mexicana se apresentou sem alguns dos seus nomes mais sonantes. Isso não invalidou que tivéssemos assistido a um jogo rijo, de peito a peito, como se, afinal, estivesse em causa bem mais do que a consolação do triunfo na final dos pobres. A vitória lusitana não sofre contestação por aí além, baseou-se mesmo num folgo final meritório quando já tudo parecia perdido e com nova sessão perdulária de remates à baliza de Ochoa, que se deu ainda ao luxo de defender um penálti.
Beneficiaram, na generalidade, os nossos compatriotas do recurso ao videoárbitro. Que começou nesta competição, como uma epidemia e terminou, felizmente como uma mera constipação: deixando de ser um recurso constante.
Por acaso, ou talvez não, e vou bem mais pela segunda hipótese, ambos os jogos das meias-finais não foram interrompidos para opiniões televisivas. E confesso: não senti falta desses intervalos maçadores de expectativa irritante. Sobretudo depois de ter visto a forma dúbia como os foras-de-jogo são tratados com recurso a esta nova técnica: é fácil repor a situação de um lance ilegal que deu golo (volta-se ao local de partida), mas é impossível repor a situação de um lance anulado por um off-side mal assinalado, já que não pode desenhar-se o movimento outra vez. Talvez fosse bom repensar a forma de intervir. Sob o risco de entrarmos num tempo de injustiças informáticas.
No entanto para o terceiro e quarto lugares, o fraquinho árbitro da Arábia Saudita foi buscar aos ecrãs o penálti de Rafa Marquez sobre André Silva (que foi, de facto), mas não exerceu essa vantagem em outros casos e em prejuízo do México. Não se livrou, por isso, de um final de partida embrulhado em confusões, com muitos insultos e meia-dúzia de 'chinga-te!' à mistura. Na final, outra macacada: o árbitro foi ver na pantalha a repetição de uma agressão de um jogador chileno para depois lhe mostrar um amarelo. Ridículo! Para não dizer grotesco. É preocupante imaginar o charivari que se vai espalhar pelos campos de futebol de Portugal na próxima época, com adeptos a reclamarem do uso do não uso do videoárbitro por tudo e mais alguma coisa, razão porque, na minha opinião, e só minha, a imposição desta regra é manifestamente precipitada.
Aquilo que se viu durante a Taça das Confederações a que assistimos, ao vivo, nas cidades russas pelas quais Portugal passou, não oferece quaisquer garantias nem de isenção absoluta nem de diminuição dos erros arbitrais. Quanto muito passarão a ser escalpelizados praticamente, em directo ao invés de termos de esperar pelos programas da noite.
Fecha-se um capítulo. Outro se abrirá no próximo Verão. Até lá, regressa o futebol muito lá de casa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma cidade a fervilhar de futebol

"Com histórias, cartooms e cartografia se revela a evolução de 20 clubes lisboetas, unidos numa história comum.

Campos enlameados, elementos do público a substituir árbitros que não compareceram, jogadores ou equipas completas atrasadas para jogos. Histórias de um tempo em que o futebol era mais espontâneo, menos organizado, trazem-nos o caricato de uma modalidade tão diferente a um século de distância. Mas também há situações ainda actuais, como os desmaios perante a emoção da partida e os comportamentos menos adequados dos adeptos, mesmo que noutro tempo isso significasse ver um jogo 'em mangas de camisa'.
Com estas e outras histórias curiosas se construiu a relação do Benfica com os clubes de Lisboa. Inseridos numa cidade fervilhante de futebol, os clubes, simultaneamente irmãos e adversários, cresceram lado a lado. As provas da Associação de Futebol de Lisboa, as mais importantes do país no dealbar do desporto-rei, uniram os clubes numa história comum. Algumas das colectividades do início do século não sobreviveram mais do que uma não-cheia de anos. Outras consolidaram-se ao longo do tempo, passaram por dificuldades, mas sobreviveram até hoje. Outras ainda, unindo-se, deram origem a novos clubes que se transformaram em grupos emblemáticos da cidade.
A história destes clubes está intimamente ligada não só à evolução do futebol mas também aos seus campos desportivos. No início do século XX, a maioria dos campos eram terrenos públicos, muitas vezes utilizados também para outras actividades, como feiras, que deixavam os terrenos pouco próprios para o prática do futebol. Depois, vieram os simples campos, com modestas vedações, ainda pelados. Com o crescimento da cidade, alguns campos desapareceram. Os grandes estádios surgiram na paisagem urbana nas décadas de 40 e 50 e, hoje, a cidade conta com modernos estádios do século XXI.
Esta é a evolução de um século de paixão pelo futebol, de paixão pelos clubes e de paixão pela cidade. Na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, celebramos essa paixão. Com traço de Ricardo Galvão, cartoonista de A Bola, damos a conhecer 20 histórias de 20 clubes lisboetas, recorrendo a uma das grandes tradições na comunicação do desporto, o cartoon. Objectos do acervo dos clubes lisboetas mostram a sua identidade. Através da cartografia da cidade, relembramos a Lisboa de outros tempos. Para visitar até 30 de Setembro, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Rita Costa, in O Benfica