Últimas indefectivações

sábado, 21 de dezembro de 2013

Grande vitória...

Águas Santas 26 - 30 Benfica

Foi mesmo um grande vitória. Já sabíamos que não contávamos com o Carneiro, o Tiago Pereira não jogou com o Belenenses, e aparentemente jogou hoje limitado... e logo no início do jogo (1-1) o nosso melhor marcador nos últimos jogos, Cláudio Pedroso, lesionou-se, ficando de fora o resto da partida (vamos ver até quando!!!)...
O jogo na Maia, mesmo sem estes problemas já seria difícil, com todos estes obstáculos, só mesmo com muita atitude o Benfica podia ambicionar a vitória... e foi mesmo isso que aconteceu, muita garra, nem sempre bem jogado, com o Álamo um pouquinho abaixo daquilo que já fez no Benfica, quase sempre atrás no marcador, só passámos para a frente no 23-24 (num parcial de 0-5, passámos de 23-22 para 23-27), mas na ponta final, defendemos bem, e vencemos um dos jogos mais difíceis da temporada... Só não gostei dos 2 livres de 7 metros falhados!!!
Nota para os dois melhores marcadores, que na altura de dar a sapatada no resultado não falharam.
Agora até ao final da 1.ª fase, só a deslocação a Braga (26 de Janeiro, espero que os lesionados estejam recuperados...) 'assusta', os outros jogos são todos para ganhar, e os nossos principais adversários ainda têm que se defrontar entre eles...
Tenho a certeza que com esta atitude, o problema recorrente da irregularidade desta equipa, nunca se colocaria...!!!

Agradável

Benfica B 5 - 0 Trofense

Vitória agradável, num jogo fluído, sem muitas paragens. Marcámos cedo, o Lolo 'vingou-se' dos falhanços da Madeira, e desta vez foi eficaz... Admito que fiquei apreensivo quando vi o 11 titular, a defesa parecia frágil, mas o jogo acabou por sair bem...
No 2.º tempo, o Dino voltou a entrar e a marcar, pouco depois um jogador do Trofense foi burro e foi expulso com 2 amarelos em menos de 1 minuto, e o jogo ficou decidido... o Bernardo, numa jogada que o define (grande recuperação de bola a meio-campo pelo próprio Bernardo, na raça, saída rápida, tabela com o Markovic, excelente controle de bola, e remate forte à baliza... golo!!!), já no final, o Cavaleiro 'ganha' um penalty, não deixa o Lolo fazer o hat-trik, e ele próprio marca o penalty, acabando assim com um período de 'seca' alargado!!!
O Lindelof depois da fase Trinco, parece que agora está a passar pela fase Central!!! Gostei de ver o regresso do Nelsinho Semedo (espero que a lesão não seja grave...), fez um excelente jogo, depois da pré-época merecia mais minutos, eu compreendo que o Cancelo também tem que jogar, mas...!!! O 2.º jogo do João Teixeira a titular, e mais uma vez gostei, ainda se agarra demasiado à bola, tem que ser mais rápido na decisão, mas está a fazer uma boa transição para sénior.. O regresso do Rúben Pinto foi muito importante no equilíbrio da equipa, este renascimento do Rúben a '6' (ou '8'), promete!!! O Rojas ainda não provou as razões da sua contratação (e muito menos as convocatórias à selecção principal do Paraguai!!!), mas está a melhorar...

A todo o gás !!!

Boavista 0 - 4 Benfica

Mais uma entrada a todo o gás, com dois golos nos primeiros 3 minutos. Já não é a primeira vez que isto acontece... os problemas normalmente aparecem mais tarde, quando a equipa relaxa, mas desta vez isso não aconteceu, ou pelo menos não se reflectiu em golos sofridos!!!
Voltámos a marcar no início da 2.ª parte... com o jogo controlado, os minutos foram passando. O Boavista apostou no 5x4 a 5 minutos do fim, pouco depois o Bebé foi expulso, ficou 5x3, mas mesmo assim, não sofremos golos, e até 'conseguimos' a expulsão do guarda-redes avançado Boavisteiro, e no consequente Livre Directo o Joel fechou a contagem com o 4.º golo!!!
Fechamos assim o ano civil a vencer na liderança isolada, depois de um bom início de temporada, com uma fantástica vitória em Loures, a equipa baixou um pouco rendimento, algumas lesões atrapalharam, mas a verdade é que a equipa está consistente, apesar de ainda ter uma larga margem para melhorar...

Duas laranjas, três pontos...

Setúbal 0 - 2 Benfica

Não sofrer golos, acaba por ser a nota de maior destaque deste jogo. O Oblak na sua estreia a titular no Campeonato, não foi obrigado a grande trabalho, mas demonstrou segurança, nas poucas vezes que foi chamado... Mas voltámos a 'facilitar' algumas vezes na zona defensiva: mais uma vez as melhores oportunidades do adversário, nascem de erros individuais nossos!!! Nos jogos anteriores, fomos penalizados com golos, hoje isso não aconteceu... Não sei se é por excesso de confiança, ou por falta de confiança, mas existem situações, onde o melhor é o 'chutão' para a frente, não interessa se é feio ou bonito...!!!

Durante muito tempo, exigimos a presença de mais um trinco na equipa, mas o trio Fejsa/Matic/Enzo não está a resultar, retira capacidade ofensiva à equipa, e não acrescenta segurança defensiva... Acredito, que com outro posicionamento este trio pode resultar, mas com o Enzo descaído para as faixas, e com o Matic à frente do Fejsa, os resultados têm sido fracos...

O Benfica foi eficaz, é verdade, mas não teve 100% de eficácia, como os comentadores parece que querem transformar em facto!!! Também é verdade que as oportunidades existiram depois do 1.º golo, mas existiram...

Dou 'meia-razão' ao Jesus nas declarações no final da partida, é verdade que o mau jogo da 1.ª parte, também se deveu à estratégia do adversário, com marcações muito apertadas, muita agressividade, muitas faltas (pelo menos uma delas, muito acima do aceitável!!!), mas também é verdade que o Benfica tinha que jogar essencialmente mais rápido. Algo que não é fácil, quando se joga com 'bolas de praia', em relvados tugas, contra equipas fechadinhas, e com critérios disciplinares largos... mas, devíamos ter jogado melhor.

As exibições do Benfica não têm sido magnificas, temos tido jogos fraquinhos, mas a verdade é que nos últimos meses, a nível nacional, tivemos um mau resultado, e a nível internacional tivemos um péssimo resultado, no melhor jogo da época!!! Todo isto com todas contingências, de lesões e castigos... As dificuldades em formar um 11 são tão grandes, que hoje em dia, antes do jogo começar, ninguém sabe quais vão ser os 11 jogadores escolhidos pelo Jesus, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, nesta altura das épocas...!!! Tenho visto outras equipas, sem problemas de lesões, igualmente eficazes, sem fazer muito mais a não ser os golos, a serem levadas ao colo nas analises, com adjectivos superlativos:
No Benfica após somar mais três pontos, parece que estamos a caminhar para o abismo...!!! Tem que existir algum equilíbrio nas analises, não se pode andar anos a afirmar que se estão marimbando para as exibições, só querem é ganhar, e depois quando se ganha jogando mal, é o fim do mundo...
Como já disse anteriormente, estamos na luta pelo título, e se assim continuarmos, quando tivermos todo o plantel disponível, seremos claramente a melhor equipa, e depois logo se verá...

Hoje, destaco os nossos dois avançados, que na ausência do nosso abono de família, têm marcado o ponto em quase todos os jogos. Jogando melhor, ou pior, Lima e Rodrigo têm marcado, e isso é que importa.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Com rumo e na rota

"O Benfica foi classificado como o 15.º mais valioso clube do mundo. Discordo. Se aplicassem os meus critérios chegariam à conclusão que era o mais valioso do mundo, ou pelo menos, do meu mundo. Mas prometo não me detalhar com os 14 emblemas, que transitoriamente ocupam os lugares cimeiros.
Assim temos o nosso humor natalício dependente da difícil deslocação a Setúbal. Tradicionalmente difícil, o Bonfim se ainda não é o cabo da Boa Esperança do nosso campeonato, é pelo menos o cabo Bojador.
A rota não continua igual se não se vencer em Setúbal. O caminho para o título não permite mais andar à deriva. Muito tempo fora da rota, cansa a tripulação, desmoraliza os marinheiros e aumenta o risco de naufrágio.
Sporting tem um adversário de dificuldade pequena, o FC Porto tem um opositor de dificuldade nula, por isso resta ao Benfica cumprir a sua parte.
Embora vencendo no Algarve, o Benfica ficou muito aquém daquilo que espero, desejo, e sei que são capazes de fazer. Gostei particularmente de ver jogadores a assumir que o jogo foi mal conseguido, e que apesar da vitória deviam ter jogado melhor.
Gostei de ver declarações de desagrado mesmo vencendo. Gosto quando sobe a exigência e a ambição, e quando baixa a justificação e as desculpas. Assim ficamos mais perto de conseguir alguma coisa de válido.
O sorteio da Liga Europa deu a Benfica e FC Porto boas (muitas) hipóteses de vencer a próxima eliminatória e poucas (menos) de vencer os oitavos de final. Para mim Nápoles e Tottenham são as duas equipas mais fortes em prova.
Um bom Natal e óptimas rabanadas para todos, que as minhas dependem, em boa parte, do Lima, Enzo e companhia logo à noite..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Lesões e árbitros

"Numa jornada sem surpresas, vou falar de três situações estranhas. A primeira é a continuação das lesões no Benfica. Pergunto: o que seria do FC Porto sem Jackson Martínez ou do Sporting sem Montero? Pois Cardozo não joga há 4 jogos na Liga (e no início já não tinha alinhado em dois). Agora, até o guarda-redes se lesiona. Já não sei o que dizer.
A segunda situação é o castigo aplicado a Enzo Pérez. Que revela pouca inteligência de quem o decidiu. O que levou à suspensão foi um gesto do jogador contestando uma falta: “Esta foi roubada”, disse Pérez com a mão. Mas quantas vezes os jogadores contestam faltas, através de gestos (agitar os braços) ou de palavras (bem visíveis através do movimento dos lábios)? Ora, por que razão uns protestos dão suspensão e outros não? Porque Enzo foi mais “criativo” no gesto e usava luvas pretas? Não brinquemos.
A terceira situação é o penálti a favor do Sporting que desbloqueou o jogo com o Belenenses. Como explicá-lo? O árbitro auxiliar não deve ver jogos de futebol, pois lances daqueles acontecem às dezenas: o defesa e o avançado a correrem lado a lado, ombro com ombro, o avançado (que corre do lado de fora e portanto vai em desequilíbrio) a escorregar e cair.
Como todos viram, não houve qualquer falta. Mas, mesmo que houvesse, nem era fora da área – era fora do campo! Como pode o árbitro ter marcado penálti?
Gostava de fazer uma sugestão: quando ocorrem estes erros primários e incompreensíveis, o organismo dos árbitros deveria promover uma reunião entre o responsável pelo erro e um formador. Veriam o vídeo da jogada quantas vezes fossem precisas e o árbitro explicaria o porquê de ter assinalado a falta. Diria o que viu… ou “adivinhou”. E o formador assinalaria os erros de avaliação cometidos, e explicaria como proceder para não se repetirem. Julgo que esta pedagogia seria muito útil e faria bem à arbitragem.
É que há erros dos árbitros que nós percebemos: um fora-de-jogo milimétrico, uma mão na bola que passou em claro. Mas pode um árbitro ver algo que nunca existiu? Para esse tipo de erros é que os árbitros têm de ser alertados."

António Simões

"Nunca vi jogar o Simões. Tenho do Simões uma memória construída no imaginário das mil e uma histórias que dele sempre ouvi contar pela geração dos meus pais, a geração do Simões. Aquela geração dos que, do alto da autoridade dos seus 70 anos, olham para os miúdos de 40 com a incompreensão de quem nos ouve falar do Benfica sem termos visto o Eusébio, o Zé Águas, o Germano ou o Simões. Como é que eu poderei algum dia expressar o quanto devo (devemos) ao Simões, se nunca o vi jogar? 
Como é que poderei algum dia explicar que o primeiro e mais duradouro imaginário que construí do Benfica é mítico exactamente porque se baseia na narrativa de heróis míticos?
Terá o Simões a noção de que ele surgia nas narrativas do cimentar do meu benfiquismo no mesmo patamar em que Gama ou Ulisses surgem como semente de impérios sonhados pelos épicos de outrora?
O Simões será sempre o protótipo do pequeno que se fez gigante pela esquerda do campo, pela esquerda da vida, desafiando defesas e ultrapassando adversários no campo com a mesma ousadia com que, fora dele, desafiava as injustiças pela força do verbo e do exemplo.
Dizem que está a comemorar 70 anos. No meu imaginário, o Simões já não tem idade, porque a lenda quando escorre para a realidade deixa de ter idade, passa para o patamar da intemporalidade. Sabemo-lo o mais jovem benfiquista a ser sagrado campeão europeu. Já nesses tempos tinha a marca dos heróis, dos que perduram para além da ditadura dos anos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Critérios

"Entre as muitas frases que fazem parte do futebolês, há uma que me irrita solenemente. Perante um indisfarçável erro da arbitragem é comum ouvirmos a eloquência da análise equivocamente benevolente: «É um critério que se aceita.»
Ora aí está a frase ideal para tomar posição sem tomar posição. Quer dizer, o erro existe mas não é. Ou é, mas aceita-se que não seja. Afigura-se útil e oportuno expressar o princípio in dubio pro árbitro. Claro que «o critério se aceita» em função do coração clubista de quem fala ou escreve. Por vezes por favor, outras vezes por temor. Uma frase que vem mesmo a calhar como o espaço por onde passa a falta de coragem ou o instinto de sobrevivência.
Corresponde no futebol ao compulsivo «mais ou menos» com que convivemos a toda a hora. Ou ao «talvez» que... talvez seja necessário para estar bem com Deus e o diabo.
Por isso, se aceita o critério da mão ou a mão do critério, o fora-de-jogo milimétrico ou o infinitéssimo dentro-de-jogo, o toque ligeiro no adversa´rio ou a carga sem dó nem piedade, o cartão alanrajado que tanto dá para aceitar o critério do amarelo como do vermelho. E tudo dependendo do árbitro em concreto: para uns nada se aceita, para outros tudo é aceitável.
Também nos treinadores está instalada esta frase-regra. «O critério aceita-se» se o erro for a favor da sua equipa (numa versão mais apurada, o técnico dirá que «não comento a arbitragem»).
Sugiro, apesar de tudo, alguma variedade nas palavras. Usando outros «advérbios de dúvida». Além do já referido talvez, porque não porventura, quiça, se calhar, possivelmente. Enfim, critérios há muitos..."

Bagão Félix, in A Bola

Resta esperar com tranquilidade

"Oblak vai ficar dono da baliza do Benfica e André Villas Boas vai ser o próximo treinador do FC Porto. Na arte das profecias rápidas os adeptos dos dois clubes têm muito em comum.

ENZO PÉREZ, jogador com quem mais me vejo a simpatizar cada dia que passa, foi suspenso um jogo pela Liga na sequência de um processo sumaríssimo aberto pelo departamento disciplinar da citada entidade.
Nada a obstar. O polivalente médio argentino do Benfica... Ou será trinco?... Ou será ala?... E o que importa?... Adiante: dizia eu que o polivalente argentino rodopiou com a mão bem perto da cara do árbitro do inesquecível Benfica-Arouca sugerindo, pelo menos foi essa a ideia com que todo ficámos, que Rui Costa, o árbitro do Porto, estava a gamar descaradamente a equipa da casa.
Questionável? Sem qualquer espécie de dúvida. Há quem tenha concordado logo com Enzo Pérez e outros há, entre os quais me incluo, para quem a desculpa com o árbitro é quase insultuosa tendo em conta a indigência de uma exibição colectiva de fazer corar de vergonha as pedras da calçada, se é que ainda há pedras da calçada.
O gesto rodopiante de Enzo Pérez aconteceu já nos descontos e, aparentemente, sempre aparentemente, pretenderia ser um protesto contra a decisão do pobre árbitro que, instado a decidir pelos extras de um jogo com mil paragens, não mais deu do que 4 minutos de tempo suplementar.
Esteve mal o árbitro? Provavelmente, sim. Mas quereria Enzo Pérez dizer aos adeptos do Benfica que, se não fosse o árbitro forreta, em mais dois ou três minutinhos certamente que os jogadores acabariam finalmente por resolver o jogo e o resultado a favor das nossas cores? Tenham vergonha, pá!
Esta coisa de protestar pelo tempo de descontos deu tanto que falar durante a semana que, inevitavelmente, o Benfica acabaria por provar, logo na jornada seguinte, o sabor do seu próprio veneno.
Em Olhão, sem Enzo Pérez, como determinou o castigo, depois de uma exibição aflitinha e com um tangencial 3-2 a sorrir-nos debilmente, outro árbitro do Porto - e eles são muito unidos - olhou para o relógio e comunicou à organização do jogo que seriam 10 os minutos extra do referido encontro.
Registou-se logo uma grande indignação.
Julgo, no entanto, que a maioria das pessoas de bom sendo reagiu como eu:
Nada  a obstar.
Foram oito minutos a mais pelas interrupções do jogo do Algarve e mais os outros 2 minutos que nos ficaram a dever pelas interrupções do jogo da jornada anterior, o tal jogo inesquecível com o Arouca. No fim de contas, faz-se justiça.
No entanto, aqueles 10 minutos suplementares à beira da Via do Infante foram duros de suportar. Mas acabámos por ser felizes porque nos instantes finais ainda o Benfica sofreria praticamente dois penalties - um canto e um livre à maneira de canto curto - e saiu ileso do perigo que sempre representam esse tipo de lances de bola parada.
O importante, no entanto, foi a vitória sobre o Olhanense que permite ao Benfica manter-se na discussão pela título, isto se houver interesse em tal discussão, o que, francamente, vendo-os jogar, às vezes não parece.
Na próxima jornada o Benfica vai a Setúbal e já leva o Enzo Pérez. Menos rodopios com as mãos e mais rodopios com os pés, é o que te desejamos, querido amigo argentino, mouro de trabalho que não mereces, tu especialmente, algum azedume das linhas anteriores.
Para terminar, uma boa notícia para todos e, sobretudo, para todos os amantes da verdade desportiva que, no início da temporada, manifestaram a maior preocupação pelo facto de ser a Benfica TV a assegurar a transmissão dos jogos do Benfica na Luz a contar para o campeonato.
Um dos graves óbices à verdade desportiva era, então, a eventualidade de servir à Benfica TV como cortina em lances e em situações de jogo que pudessem virar-se disciplinarmente contra os interesses do clube operador.
O caso Enzo Pérez veio provar o contrário. Não há censura na nossa televisão mesmo quando tal pecado nos daria imenso jeito.
O câmara da BTV apanhou Enzo Pérez a insinuar que o árbitro tinha gamado, o realizador colocou a imagem no ar e a Liga suspendeu o jogador. Maior transparência não se pode exigir.
E nada a obstar.

OS adeptos têm todos a mania de que o seu clube é especial, o seu clube é muito diferente dos outros clubes que, desprezivelmente, são todos iguais.
Nada mais errado. Os clubes são todos diferentes uns dos outros. Os adeptos é que são todos iguais. Mas isto, compreende-se, custa muito a aceitar.
Acontecimentos do último fim de semana desportiva em Portugal e no estrangeiro atiraram-me para esta conclusão. Os adeptos são todos iguais. E quando a coisa diz respeito a profecias rápidas, ainda mais iguais são. Sobretudo quando grassa um sentimento de insatisfação, chamemos-lhe assim.
No capítulo das ditas profecias, ouvi precisamente o mesmo género de atrevimento pitoniso a adeptos do Benfica e do FC Porto - e logo estes, tão rivais que são - a propósito de situações que, mais ou menos, lhes dizem respeito.
No momento - longuíssimo - em que Artur Moraes se lesionou dando o lugar na baliza do Benfica ao jovem esloveno Oblak, ouvi logo a um benfiquista perentório:
- Este tipo nunca mais sai da nossa baliza!
E não foi o Manuel Cajuda quem disse isto.
No dia seguinte, naquele momento - brevíssimo - em que o Tottenham despediu André Villas Boas, ouvi logo um portista, daqueles portistas que nem admitem discussões:
- Este tipo daqui a uma semana é treinador do Porto.
E agora? Agora resta esperar com toda a tranquilidade. A ver o que acontece.

VOLTANDO ao jogo de Olhão me que a culpa não foi do árbitro mas da relva . Havia o fantasma do jogo com o Arouca, pois havia. Será que aquilo se ia repetir? A verdade é que se repetiu. Mas em rápido, em rapidinho.
Com pouco mais de meia hora de jogo o Benfica já tinha conseguido imitar-se a si próprio no confronto com os arouquenses: sofreu um golo e conseguiu empatar (graças a um golo à Montero de Lima); depois sofreu o segundo e voltou a conseguir empatar.
Em Olhão bastaram 37 minutos para chegar ao 2-2 que foi o resultado obtido na jornada anterior.
Em Setúbal, ninguém sabe como vai ser. É esse o encanto do futebol.

ESTRANHO panorama europeu no que ao futebol português diz respeito. Do arranque das duas competições de clubes até à semana passada. Portugal perdeu tudo o que tinha para perder.
De uma assentada, ou melhor de duas assentadas, o nosso país perdeu todos os seus clubes que participaram na fase de grupos da Liga Europa e perdeu todos os seus clubes que concorreram na fase de grupos da Liga dos Campeões.
Seria escandaloso se não fossemos quem somos, pobretes mas alegretes.
A culpa do desaire nacional na Liga Europa é do Sporting.
Se o Sporting tivesse feito um campeonato minimamente normal em 2012/2013 seria, certamente, um dos representantes de Portugal na segunda competição europeia de clubes e, a jogar como hoje está a jogar, não é exagerado considerar que teria seguido em frente na competição.
Por falar em culpa, diz-se que a culpa do Sporting ser actualmente líder isolado do campeonato de 2013/2014 também é do Sporting, mas do Sporting de 2012/2013, o tal que ficou isento da aventura europeia tendo, por isso mesmo, mais dias para treinar e para descansar na temporada em curso.
Quanto à Liga dos Campeões, o Sporting não teve culpa nenhuma dos insucessos do Benfica e do FC Porto nos seus respectivos grupos.
Os dois grandes rivais só podem queixar-se de si próprios porque perderam o tino nesta Champions deixando-se engolir, respectivamente, pelo Olympiakos e pelo Zenit, equipas medianas que, valha-nos isso, não vão reencontrar na actual edição da Liga Europa para onde foram justamente relegados.
O Zenit e o Olympiakos jogam poucochinho mas, tendo em conta os figurinos actuais da Luz e do Dragão, mais vale não terem de os defrontar outra vezes nesta temporada, ainda que mais lá para a frente, sejamos optimistas.
Na Liga dos Campeões estamos a zero. A final será na Luz e não haverá rega automática, essa  é uma certeza muito reconfortante. Na Liga Europa, já houve sorteio. O Benfica e o FC Porto estão cientes do nome dos seus próximos adversários. Melhor será que não embandeirem em arco."

Leonor Pinhão, in A Bola

Mensagem de Natal

"Natal é tempo de família, é tempo de reunião e solidariedade. É também um tempo de reflexão e de memória.
Espero que todos possam celebrar esta data em família.
Vivemos tempos difíceis, tempos em que muitos portugueses enfrentam situações que nunca viveram, em que o desemprego não pára de crescer e as limitações financeiras são cada vez maiores.
Para eles - benfiquistas ou não - vai uma palavra de esperança e de coragem num novo ano que necessariamente tem de ser melhor.
2013 acaba para todos nós com um sabor amargo que não deve ser esquecido, o final de época representa uma lição de futuro que não podemos voltar a repetir. É tempo de olhar em frente e de renovar forças para os novos desafios.
Estamos fora da Liga dos Campeões e isso é, evidentemente, uma desilusão para quem, como eu, aspirava chegar mais longe. Muitos acusam-me de ser demasiado optimista, mas liderar é transportar optimismo para dentro de qualquer organização. É isso que sempre tenho feito, com a perfeita consciência de que coloco muitas vezes a fasquia demasiado elevada, mas a verdade é que a exigência tem de fazer parte da cultura do Benfica. Foi por essa exigência que chegamos até aqui.
Fui sempre assim ao longo da minha vida e assim vou continuar a ser!
Quando se ganha não significa que tudo esteja bem. Também quando se perde não significa que tudo esteja mal. Temos de melhorar no que fizemos mal, temos de persistir no que fizemos bem, mas acima de tudo não podemos deitar fora todo o trabalho que até aqui realizámos.
Temos o Campeonato, a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Taça da Liga – quatro objectivos em que temos de nos empenhar para ganhar, mas para isso o vosso apoio é fundamental.
Desde o futebol às modalidades, todos nesta casa, sabem a responsabilidade que têm, mas é evidente que o apoio que recebem das bancadas é fundamental. Esse é o meu desejo para 2014. Apoiem os jogadores e façam-nos sentir a responsabilidade que tem de vestir esta camisola.
A história é aquilo que nos conseguirmos fazer no presente, e essa história só pode ser desenhada com a vossa participação.
Feliz Natal e um excelente ano de 2014!"

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Confirmação...

Benfica 12 - 2 Física

É verdade que a Física neste momento não está no seu melhor, mas apesar do calendário carregado, com algumas viagens, apesar do facto de esta época a rotação dos jogadores ser feita com 'menos' um jogador, apesar de tudo isto, o Benfica continua a jogar bem, e a ganhar.
Confirma-se o bom momento... sendo que esta noite, conseguimos mesmo uma vitória folgada. Também é verdade que os verdadeiros testes internos, ainda estão para vir (já falta pouco), mas até agora os sinais são bons...

Bom jogo... pena não ser sempre assim!!!

Belenenses 19 - 26 Benfica

Dentro de todas as condicionantes, foi um bom jogo do Benfica. Com o Carneiro, e o Tiago Pereira de fora (além do Davide Carvalho), com o Chernov a Central, contra uma equipa que nas últimas jornadas do Campeonato subiu bastante de rendimento, o Benfica acabou por efectuar uma excelente 1.ª parte... matando praticamente o jogo com um 8-15 ao intervalo.
O Belenenses ainda simulou uma reacção, mas o Benfica controlou bem o jogo...
Estamos nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal, venha o próximo.

PS1: Hoje, curiosamente o critério do jogo Passivo, foi o correcto (apesar de um exagero na 1.ª parte, onde com 20 segundos no ataque do Benfica já estavam com a Mão no ar!!!), só é pena, nos jogos do Sporting, ninguém ter a coragem de utilizar o mesmo critério...

PS2: Assisti ao jogo através do YouTube, na AndebolTV, um canal disponibilizado pela FPA, mas curiosamente todos os comentários que foram feitos, tanto pelo narrador, como pelo comentador, era como se tivesse a assistir a uma transmissão da Belém TV!!!
Quando oiço Benfiquistas a protestar com a nossa BenficaTV, por acharem que é demasiado papista, e depois oiço (e vejo) transmissões de outros canais, com a obrigação de serem independentes, e não o são, de forma descarada, fico possesso!!!

Semana pré-natalícia

"1. Frases da semana: «Não é difícil tirar pontos ao Benfica» (Paulo Alves, treinador do Olhanense, antes do jogo). «Os árbitros não têm influência nos jogos do Sporting» (Leonardo Jardim, depois do jogo).
2. Silêncio da semana: de Espírito Santo (Nuno) sobre a falta que originou o 1.º golo do FCP. Mas, semanas antes, foi lesto a falar por achar que, no livre do qual resultado um golo do Benfica, a bola estava adiantada 0,5m (até terá invectivado o árbitro depois do jogo). Lá está, é o respeitinho do costume...
3. Presentes da semana: o Benfica permitiu a débeis adversários matarem um qualquer borrego estatístico. Depois do Arouca que marcou na Luz quantos golos havia feito fora de casa em 11 jornadas, o Olhanense que finalmente à 13.ª jornada marca num jogo mais do que um golo. É obra!
4. Decepção da semana: o Benfica não consegue com 10 pontos na Champions o que o medíocre Zenit conseguiu com 6 pontos e um copiosa derrota contra uns austríacos de 2.ª Liga.
5. Estatística da semana: as equipas europeias (incluindo o Braga) obtiveram 6 vitórias (3 do SLB), 11 empates e 17 derrotas. Dos 102 pontos em disputa, quedaram-se por 29 no fim (28%). Marcaram 28 golos (0,8/jogo) e sofreram 46 (1,4/jogo).
6. Semana de Jesus: Jesus volta ao banco na semana em que o Menino Jesus volta à manjedoura.
7. Bolo-rei da semana: para B. Cortez e Ola John que, antes de abalarem, treinaram-se na Liga...
8. Penálti da semana: depois de grandes penalidades assinaladas mas não cometidas dentro da área e de penáltis fora da área em certos palcos, só faltava mesmo um penálti fora de campo. Sempre a inovar a nossa arbitragem!"

Bagão Félix, in A Bola

O Bernardo

"A forma como avaliamos um jogador do nosso clube é sempre uma projecção de nós próprios como adeptos. É isso que faz com que queiramos jogadores que suem a camisola com a intensidade com que sofremos pelas nossas cores. É tanto assim que os anos vão passando e continuamos a alimentar ilusões infantis: podemos nunca ter tido qualidades técnicas, mas, quando fechamos os olhos, vemo-nos a agarrar a bola para marcar o golo decisivo, sob os aplausos do estádio. Quem sofre com futebol, sofre com o seu clube e, nessa indistinção, exigimos dos jogadores o que nós daríamos se, por fortuna, pudéssemos estar no seu lugar.
De quando em quando surge um jogador adepto como nós, mas com o talento que ambicionámos ter. Um sofredor que tem a sorte de poder sofrer no relvado, de camisola ao peito. Há jogadores profissionais que honram a camisola; mas uma coisa é jogar com afinco, outra é jogar com afinco com a camisola do clube do coração. Momentos há em que, numa espécie de epifania, ao adepto se junta o empenho e o talento. É desta conjugação que nascem os jogadores que nos fazem sonhar.
No futebol em que as equipas são cada vez mais “selecções do resto do Mundo”, o jogador-adepto é uma raridade. É essa natureza rara que o torna precioso.
O Bernardo Silva é ainda um projeto de jogador, que deve ser acarinhado e protegido. Mas é um jogador-adepto como, nós benfiquistas, não víamos há muito. Não só a sua paixão pelo Glorioso é, em tudo, igual à de quem se senta nas bancadas, como tem um virtuosismo como aquele que idealizámos para nós, caso vestíssemos as camisolas vermelhas. Com o Bernardo, a bola parece ter sido feita para o servir, colando-se-lhe aos pés para ganhar um sentido que não vislumbrávamos. No meio da monotonia mecânica em que se tornam os jogos, as suas jogadas são fragmentos poéticos que simplificam tudo, revelando como o futebol pode ser fácil.
O Bernardo é a matéria de que são feitos, hoje, os sonhos benfiquistas. Ora se o futebol não servir para alimentar sonhos, serve exactamente para quê?"

Jardel emocionado!!!

Os ensinamentos de António Simões

"António Simões, inesquecível Magriço e ainda o mais jovem campeão europeu de todos os tempos, apresentou ontem, no Museu Cosme Damião, um livro que fica como registo de impressões pessoais após uma vida dedicada ao futebol.
Simões, como sempre fez ao longo dos anos, não teve medo de se expor e contribuiu com um legado que enriquecerá a nossa memória colectiva.
Pensando em António Simões, assalta-me uma dúvida que rapidamente, porém, se desvanece: será que o futebol português aproveitou devidamente o que este Magriço, tinha para dar? A resposta é não, não aproveitou, não foi capaz de perceber que Simões sempre viu mais além...
A experiência que o antigo extremo-esquerdo do Benfica e da Selecção Nacional colheu nos Estados Unidos a partir de meados da década de setenta do século passado teria sido importante para um melhor desenvolvimento do nosso futebol. Porém, aquela mania de ser bem portuguesa, periférica, mais aberta aos ensinamentos dos estrangeiros do que àquilo com que os nacionais pudessem contribuir, não permitiu que António Simões tivesse outra relevância.
É certo que esteve no Benfica e na Federação Portuguesa de Futebol, mas nunca lhe foi dado o protagonismo que justificava. Carlos Queiroz terá sido das pessoas que melhor percebeu o que Simões tinha para dar e quem melhor o aproveitou, mantendo-o numa equipa técnica do Irão que acabou por fazer história. Queiroz, tantas vezes tão desnecessariamente complicado, tem tido, ao longo da sua vida desportiva, rasgos brilhantes a que a história inevitavelmente fará justiça, uma vez assente a poeira de algumas polémicas menores. Escolher Simões para a sua equipa foi um acto de inteligência..."

José Manuel Delgado, in A Bola

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Solta-se o beijo...

"1. Havia gente nervosa no Estádio Municipal de Coimbra no final do jogo entre a Académica e o FC Porto. Normal. Há gente que não sabe o que é perder, sobretudo quando o árbitro (orgulhosamente profissional!) faz o seu trabalho e esse trabalho se resume em contribuir de toda a forma que está ao alcance do seu apito para que aqueles que não sabem perder nunca percam. Anda assim, de 60 em 60 jogos, lá vem uma derrota. E o povo, esse, enerva-se.

2. O presidente do FC Porto não foge no apoio ao seu treinador em desgraça. Saiu do Estádio Municipal de Coimbra de braço dado com a infeliz figura. Ao ouvir os primeiros insultos, consta que lhe terá dado no pescoço um beijo significativo. Depois, o treinador entrou no autocarro que seguia para as Antas e o presidente do FC Porto subiu para a sua limusine presidencial. Aqui, os caminhos separaram-se...

3. Nas Antas, o povo enervado recebeu a equipa e o pobre treinador com insultos, pedras e tochas acesas. Parece que, por falar em tochas acesas, apareceu um iluminado a jurar que há por todo o Portugal treinadores aflitos para serem recebidos com insultos, com pedras e com tochas acesas. Por seu lado, o presidente do FC Porto, pode não ser o «Lone Ranger», mas também não é tonto. Dispensa insultos, dispensa pedras e dispensa tochas acesas. Fica-se pelo beijo que se solta...

4. Quem, de facto, parece gostar de insultos, de pedras e de tochas acesas são os polícias que guardavam esse local pacífico que se chama Antas e não por acaso foram em tempos locais de descanso eterno. Pelo menos desta vez não se queixaram. Nem moveram processos..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia 13

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......30 (-7) = 37
Sporting.....32 (-1) = 33
Corruptos...30 (+7) = 23
Braga.........18 (+2) = 16


Jornada curiosa, onde os três clubes 'grandes' foram beneficiados com - pelo menos - um golo ilegal!!! A diferença foi depois, enquanto o Benfica pouco tempo depois foi prejudicado várias vezes pelo mesmo fiscal-de-linha; enquanto o Sporting logo a seguir ao benefício também foi prejudicado; os Corruptos foram beneficiados do princípio até ao fim do jogo!!! É uma questão de consistência...!!!

Como já escrevi na crónica ao jogo, o 1.º golo do Benfica, foi irregular, o Lima está em fora-de-jogo. Mas, a 'linha' que a Sport TV colocou em directo também não está correcta, pois em vez de usarem a bola como 'marca' usaram o pé do penúltimo defesa do Olhanense, e assim até a bola de jogo, está em fora-de-jogo!!!

Mas ainda na 1.ª parte o mesmo fiscal-de-linha errou pelo menos 2 vezes, ao marcar dois foras-de-jogo inexistentes ao Benfica, ambos em situações de golo (e ainda houve mais dois que me deixaram dúvidas):

No penalty pedido pelo Gaitán, acho que a decisão foi correcta. O Nico teatralizou a queda, é verdade que o Celestino 'esticou' a bunda, mas não foi o suficiente para ser marcado penalty...
Disciplinarmente ficou um amarelo por mostrar ao Maxi, é verdade... Mas quem quiser discutir este lance, tem que discutir os vários amarelos que ficaram por mostrar ao Celestino, ao Pelé, ao Diakéte, etc... com um critério apertado, o Olhanense não acabava com 11...


Os erros têm graus diferentes. Por exemplo, o fora-de-jogo do Lima, é uma lance complicado para o Fiscal... porque 1 segundo depois da bola sair dos pés do Nico, dois jogadores do Olhanense recuam e colocam o Lima em jogo.
Agora o penalty marcado a favor do Sporting, é um história diferente. Uma coisa é o árbitro ser enganado por uma simulação, ou simplesmente não ver a falta, agora inventar uma falta que não existe, com a visibilidade totalmente desimpedida, é muito grave. E discutir se a suposta falta é fora da área ou fora do campo é um absurdo, porque pura e simplesmente não existe falta... essa discussão foi inventada pelos Lagartos para tentar amenizar as criticas ao árbitro!!!
Sporting vs Belenenses - penalti escandaloso - falta fora de campo ?

O penalty que pouco depois ficou por marcar a favor do Sporting, e totalmente diferente: o Montero até remata à baliza, e existe sempre a questão da intensidade do agarrão... é daqueles lances que raramente são marcados... e ainda por cima o resultado já estava desbloqueado.
Este é um dos problemas destas Tabelas da Verdade, é sempre complicado calcular as consequências dos erros, conforme o momento do jogo, onde eles ocorrem...

Em Vila do Conde, mais empurrão gigantesco, que passou ao lado das grandes parangonas dos avençados. O 1.º golo dos Corruptos nasce de uma falta inexistente, aliás a falta devia ter sido marcado contra os Corruptos!!! E o 2.º golo é precedido de fora-de-jogo... Só o 3.º golo é que é legal!!!
Nos últimos minutos ainda ficou por mostrar um Vermelho directo ao Alex Sandro, que quis provocar um amarelo, mas ia partindo a perna ao adversário... Nos últimos minutos, também tivemos oportunidade de observar as capacidades de 'mergulho' do Kelvin!!!

Em Braga nada a assinalar...



Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenense(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado 

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Desembarcaram incógnitos no Rossio...

"O Paris Saint-Germain chega a Lisboa e é boa altura para recordar que a primeira equipa estrangeira a visitar a velha «capital do Império» foi precisamente francesa, já lá vão mais de 100 anos. E também foi sobre um clube francês a primeira vitória internacional do Benfica.

está o Paris Saint-Germain de regresso a Lisboa. «Soyez les bienvenus». diremos nós a quem a hospitalidade só fica bem, ainda que não haja grandes recordações da última visita do Benfica a paris, mas enfim, é mesmo assim o Futebol, feito de vitórias e derrotas, umas mais bonitas, as outras mais feias.
Nestas páginas que levam quase o título de «Se bem me lembro», não fora o caso da maior parte das vezes não me lembrar e ter de jogar mão aos jornais antigos e às memórias alheiras, e de tal frase já estar de há muito tomada pelo inesquecível Vitorino Nemésio, cabem desta vez recordações das primeiras visitas de equipas francesas a Lisboa e ao Benfica, já lá vão mais de 100 anos, vejam bem.
Em Maio de 1911, na Estação do Rossio, desembarcavam os quase desapercebidos representantes do Stade Bordelais Université Club, fundado a 18 de Julho de 1889 sob o nome de Stade Bordelais, «tout simplement», se me é permitido o francesismo.
Uma união com os clubes universitários da sua zona de Bordéus, Sainte-Germaine, ofereceu-lhe o Université Club. Dedicados sobretudo ao Râguebi, os jovens do Stade Bordelais também tinham orgulho da sua equipa de Futebol, campeã de França precisamente nesse ano de 1911 em que se apeavam à beira Tejo. Antes desse título, que seria o último, já tinham sido campeões em 1899, 1904, 1905, 1906, 1907 e 1909. Isto é, uma equipa de respeito. Que repartia com o Racing Club, o Stade Français e o FC Lyon a supremacia do futebol francês do período pré- I Grande Guerra.
Ora, foi este clube francês que agora vegeta pelas profundezas das divisões secundárias sob o nome pouco menos do que ininteligível de Union Stade Bordelais - Clube Athlétic Vordeaux - Bègles Gironde, o primeiro adversário internacional do Benfica. Matéria que aprofundei aquando da escrita do livro «Se Mais Mundo Houvera...», dedicado à vocação internacional dos 'encarnados', que já contam com mais de 700 jogos realizados fora de Portugal (entre oficiais e particulares, como está bem de ver), num registo de fazer inveja a qualquer clube do Mundo.

Um pontapé no peito de Cosme Damião
MUITO bem, regressemos a 1911. Pela primeira vez um clube estrangeiro visitava Lisboa. O jornal «Os Sports Ilustrados» era o mentor da ideia, o patrocinador do convite. Estávamos perante a oportunidade única de trazer até Lisboa um «team» de inegável categoria, habituado a receber no seu campo mais de 10 mil espectadores. Não se olhou a custos. Nas páginas de «Os Sports Ilustrados» podia ler-se: «Os desportistas de Lisboa assistiram, realmente, a três belíssimos desafios, jogados com ardor, mostrando os berdeleses uma técnica perfeita do Futebol. A concorrência aos desafios foi bastante grande para o nosso meio, mas pequena ainda para compensar monetariamente os organizadores. Estes, porém, desde começo tinham feito o sacrifício completo dos seus interesses, na intenção benemérita de favorecer desportivamente o nosso meio, o que não pode deixar de ser reconhecido pelos portugueses, pois, de contrário, cometeriam uma revoltante injustiça».
Dia 19 de Maio instalavam-se os franceses em Lisboa. E logo um azar, uma contrariedade, os debilita para o primeiro encontro aprazado, contra o CIF, Clube Internacional de Futebol, campeão de Lisboa, primeira equipa portuguesa a deslocar-se ao estrangeiro, a Madrid, em 1906. Um acidente de automóvel, ainda que sem grande importância, incapacita três jogadores do Stade Bordelais. O Internacional aproveita e vence, por 2-1. Em seguida é a vez da selecção da Associação de Futebol de Lisboa jogar contra os franceses. Vitória mais gorda, 5-1, com participação de três jogadores do Benfica: Henrique Costa, Cosme Damião e Artur José Pereira. Todos os jogos se disputaram no campo da Feiteira, propriedade do Benfica, e coube aos 'encarnados' fechar a ronda.
Dia 22 de Maio, o Stade Bordelais vence, por 4-2, num encontro capaz de entusiasmar o público presente. As vedetas francesas exibem-se ao seu nível. Cazeaux, Ribot, Lassalle e Harders arrancam os aplausos das bancadas. Reza a história que fazia parte da equipa do Bordéus um italiano de «marca raspadeira» que terá desferido um pontapé no peito de Cosme Damião, deixando-o sem sentidos. Ainda assim, o Benfica chega ao intervalo em vantagem: 2-1. Não basta. Os franceses são mais organizados. José Domingos Fernandes vinga o seu «capitão» momento de um canto contra o Benfica: desfere-lhe uma cabeçada nos queixos que o faz perder uns dentes. O italiano reclama, em castelhano: «Usted nos és un hombre - és um cafre!» O árbitro Merik Barley dá o jogo por terminado. Está cumprido o primeiro passo de uma gigantesca história internacional que levaria o Benfica a defrontar todos os grandes clubes do Mundo e a viajar por todos os continentes.
E, já agora, que ainda sobra espaço na página, recordemos que datou do início de Abril de 1912 a segunda visita de uma equipa francesa a Lisboa. Desta vez o patrocínio do convite pertenceu ao Clube Internacional de Futebol e a escolha recaiu sobre o novo campeão de França, o La Vie au Grand Air du Médoc, de Mérignac, nos arredores de Bordéus. O La Vie au Grand Air du Médoc já havia visitado Portugal no ano anterior, deslocando-se ao Porto onde bateu o FC Porto por 1-0.
Em Lisboa, estreou-se a 7 de Abril, no campo das Laranjeiras, propriedade do CIF. Adversário: o CIF. Vitória lusitana, por 1-0. No dia seguinte, como acontecera no ano anterior, é a vez de entrar em campo a selecção da Associação de Futebol de Lisboa. A vitória foi gorda: 5-0. Nela participaram dois jogadores do Benfica: Henrique Costa e Artur José Pereira. Finalmente, no dia 11 de Abril, o Benfica goleou o La Vie au Grand Air, por 6-1, sob chuva intensa e num confronto quezilento e cheio de interrupções. Pela primeira vez o Benfica vencia um conjunto estrangeiro. Hábito que saberia manter ao longo da sua história."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Traiçoeiro...

O sorteio da Liga Europa, realizado esta manhã, foi traiçoeiro... O PAOK pode parecer um adversário acessível, mas não é. Na minha antevisão ao sorteio, avisei para isso mesmo.
Acompanhei com atenção os jogos do Play-off de acesso à Champions, onde os Gregos defrontaram o Schalke 04, e em ambos os jogos deram muita luta... No Campeonato Grego estão em 2.º lugar, logo atrás dos nossos conhecidos Olympiakos.
São treinados por um experiente treinador Holandês - Hubb Stevens, que como treinador fez carreira na Alemanha... -, que conseguiu montar uma equipa, colectivamente forte...
No plantel além do 'nosso' Miguel Vítor, temos ainda o Katsouranis. Aliás, antes da lesão do Miguel esta era a dupla de centrais!!!
O defesa-esquerdo é o Dino (ex-Académica e ex-Corruptos!!!)... O capitão é o Salpingidis, experiente internacional Grego (ex-Panathinaikos)... Contam ainda com o veterano Pablo Garcia (ex-Real Madrid e ex-Milan), o Tziolis (ex-Panathinaikos, e ex-Weder Bremen), o Ninis (ex-Panithinaikos), Vukic (internacioanl Sérvio, ex-Partizan, e ex-Shakhtar), Necid (internacional Checo), o Oliseh (ex-CSKA Moscovo), mas a grande estrela é o Miroslav Stoch (eslovaco, que o ano passado jogava no Fernebache... e que já jogou no Chelsea). Têm ainda no plantel alguns jogadores Espanhóis, que jogaram em equipas 'secundárias' em Espanha, sendo o Lucas Martinez o mais perigoso (ex-Dinamo Kiev, ex-Karpaty Liev, ex-Rayo Vallecano)...

Recordo-me da eliminatória que jogámos contra eles, em 1999/2000, foi mesmo antes do pesadelo de Vigo!!! Vitória muito suada em Salónica, por 1-2, e depois derrota na Luz pelo mesmo resultado, e eliminatória resolvida nos penalty's!!! No dia do jogo em Lisboa, acordei essa manhã em Santiago de Compostela, foi uma longa viagem até à Catedral para ver 120 minutos, mais penalty's!!! Enke na baliza do glorioso, e Sabry do lado de lá...!!!



Em caso de vitória, nos Oitavos-de-final vamos defrontar o vencedor da eliminatória entre os Ucranianos do Dnipro e o Tottenham, que hoje despediu o Aldeias-Reles!!!
Os Ingleses, foram a equipa que mais dinheiro gastou em contratações no Verão em Inglaterra, no meio-campo, e na avançada têm muitas opções, na defesa nem por isso, ainda por cima neste momento estão quase todos lesionados, é uma incógnita o que o próximo treinador vai conseguir fazer, com este plantel... Com o Aldeias-Reles, tinham muita posse de bola, mas não marcavam golos, em Fevereiro logo se verá...
O Dnipro tem um forte colectivo, e alguns bons jogadores, muito perigosos no contra-ataque, preferia jogar com o Tottenham, até porque a viagem à Ucrânia é cansativa...

PS: Hoje também foi o sorteio da UEFA Youth League. O nosso adversário nos Oitavos-de-final será o Áustria de Viena, que ficou em 2.º lugar no grupo dos Corruptos. Nós fizemos os melhores resultados fora de casa, mas creio que além do caparro, estes Austríacos não nos devem trazer problemas...!!!
Em caso de vitória vamos jogar - fora -, com o vencedor do Atlético de Madrid-Manchester City (equipa do Ronny)...
O trajecto até à final ficou totalmente definido, assim em caso de vitória nos Quartos-de-final, na Final 4 que vai ser realizada na Suíça, vamos defrontar nas Meias-finais, o vencedor das eliminatórias entre o CSKA-PSG ou Real Madrid-Nápoles...
Jogar os Quartos-de-final fora, poderá ser um problema... mas fugimos às duas equipas mais fortes - na minha opinião -, o Barcelona e o Chelsea, que só podemos encontrar na Final!!!

António Simões confessa-se

"Esta minha experiência de escrever sobre outros foi extremamente agradável e gratificante, deu-me saúde mental, prazer, sobretudo conferiu-me o bonito sentimento de fazer justiça. Falar sobre mim, reconheço, foi algo esquisito, nunca tive semelhante prova, não me parecia (nem parece) adequado ao meu feitio, à minha sensibilidade. De facto, algo que nunca pensei, muito menos me preparei para o efeito. E continua a parecer-me um tanto descabido.
Este desafio, que o meu grande amigo João Malheiro me propôs, de escrever 'coisas' sobre pessoas que fui conhecendo, numa altura em que a vida me conduziu (im)piedosamente para os 70 anos, afigurou-se-me irrecusável, apesar de alguma teimosia inicial. Conheci, trabalhei e associei-me a muita gente ilustre da bola e de outras sensibilidades. Aceitei o repto com paixão, dediquei-lhe algumas horas, nas mais diferentes latitudes, sempre com alegria, até com entusiasmo crescente. Eu e muitos outros, escritos pela minha pena, resultou num testamento de vida(s), cujo interesse só o leitor pode avaliar, mas o meu apego, confesso, foi inquestionável.
Talvez não saiba falar de mim, mas recordo e tenho bem presente opiniões de outros, em circunstâncias e pretextos diferentes, que me parecem de todo oportuno aproveitar para este documento. Efectivamente, gente com visão, gente com experiência, gente ilustre. Gente para quem o jogo ao mais alto nível proporcionou opiniões do... mais alto nível. Gente, do Futebol, no Futebol que eu amo, da melhor de sempre, da que fez história, da que cativou lugar na história.
Uma deles, logo à cabeça, o nosso Eusébio, passo a citar, com proximidade, quase absoluta: 'Simões foi, para mim, aquele que melhor compreendeu e se relacionou com a minha capacidade, cultura e inteligência de jogo; aquele que melhor percebeu o meu futebol, o que que queria e, por vezes, até o que eu não queria; Simões foi o companheiro cujo Futebol pensado e bem jogado pertenceu à minha universidade, a do bom futebol'. Agora, acrescento eu, António Simões da Costa: privilégio foi para mim ter estado à altura de o perceber, de vir a ter o reconhecimento público do Senhor Futebol, o enorme senhor Eusébio.
Outra enorme figura, Pelé, um dia, algures nos Estados Unidos, quando por lá jogámos, em tom amistoso, teve um impulso carregado de genuidade, afirmando, na minha frente, dirigindo-se também aos seus companheiros do Cosmos, equipa que representou e na qual terminou a sua fantástica carreira, concretamente dizendo: 'Cuidado com este 'baixinho', não deixa chegar bola nele, não deixa organizar, não deixa pensar o jogo'. E, voltando-se para mim, olhos nos olhos, rematou: 'Tá baixinho? Vou mandar cair em cima de você'... Considerei aquele momento, e ainda hoje considero, uma observação gostosa e lisonjeira do reconhecimento, da valia, da competência que porventura eu patenteava. Foi na Califórnia, corria Julho de 1976.
Artur Jorge, o homem académico, da criativa Coimbra, da Académica e do Benfica, esse reconhecido intelectual do Futebol, celebrizado pelo seu singular pontapé-moinho nos relvados ou até pelados. Foi um estimado companheiro dos melhores anos do esquadrão vermelho. Um dia, numa atitude de reconhecimento, para com a minha carreira, não dirigindo-se a mim, mas a outros, que por sua vez me fizeram eco da mensagem, afirmou: 'Simões foi o número dois; depois do Eusébio, tratou-se do melhor'. Testemunho de um homem que sabe cultivar a independência, conhecedor como poucos, e já muito depois de ambos termos terminado o nosso trajecto de jogadores profissionais.
Referência também, se calhar a maior testemunha, refiro-me imodestamente, não na voz de ninguém, mas devido à minha presença honrosa em jogos de carácter único, de fisonomia muito especial. Ter participado em desafios, nos quais estiveram os melhores executantes da minha época, alguns reconhecidamente considerados os maiores de sempre, casos de George Best, Bobby Charlton, Yáshim, Becknbauer, Cruijff, Pelé e, claro, o nosso querido Eusébio, entre muitos outros. Diria que fui a julgamento, o julgamento da competência e do saber. Dai-me conta de que fui bem aceite e não menos bem aprovado. Por um simples gesto, razão, talvez efeito. Percebi que não houve reservas em me passarem/darem a bola e perceberem, todos eles, que seguramente teriam de volta a bola em condições jogáveis. A bola aprumada, a bola bonita, a bola de qualidade que todos exigiam, como o mais elementar e fundamental sinal (para eles), da mesma forma o mais simples ou reconhecimento para quem sabia jogar com ADN do verdadeiro bom Futebol. O Futebol bem jogado, o Futebol de todos esses monstros consagrados da bola universal."

António Simões, in O Benfica

Estratégia errada !!!

Marítimo B 1 - 0 Benfica B

O Benfica demorou demasiado tempo a compreender que neste relvado, com esta bola, a única estratégia devia ter sido pontapé para a frente, e apanhar a 2.ª bola!!! Tentar sair a jogar com passes laterais entre os centrais, além de ser ofensivamente inútil, defensivamente, é muito perigoso!!!
Apesar de Varela ter feito pelo menos 4 defesas de grande nível, as melhores oportunidades foram do Benfica, o problema é que na maior parte das vezes nem acertámos na baliza!!! Neste aspecto o Lolo esteve em destaque, por 3 vezes, com falhanços incríveis... e outro do Filip Markovic!!!

Foi interessante ouvir os comentadores da Marítimo TV: o grau isenção foi tão alto, como o 'grau' que devem ter bebido ao almoço!!!
Nas últimas 7 jornadas, 6 jogadores do Benfica expulsos!!! Parece que os árbitros descobriram o 'truque' para obterem uma boa nota: expulsar um jogador do Benfica, hoje foi o Urreta... Isto depois de nos primeiros minutos, o Filip Markovic sofrer uma entrada assassina, e o árbitro, pedir calma ao assassino, ficando os cartões no bolso!!!

PS: Já tinha notado no jogo da equipa principal. Nesta jornada, a bola de jogo, foi a Brazuca, a nova bola da Adidas, especialmente produzida para o Mundial. E pelo que se viu, é uma boa merda!!! Consegue ser pior que as anteriores...!!!
Acho que aquelas bolas de borracha para os putos, que chamamos Saltitonas, saltam menos que estas!!! O Futebol deve ser o único desporto que permite às marcas desportivas, mudar regularmente a bola do jogo. Esta mania de tornar a bola mais leve, é um absurdo... Como a maioria dos relvados são maus, na maior parte dos jogos, vamos assistir a jogos de 'ténis', em vez de futebol... Hoje, o Bernardo, tecnicamente o melhor jogador em campo, foi incapaz de dar três passos com a bola controlada...
Como tanto os jogadores, como os Clubes estão dependentes dos patrocínios das marcas, este forrobodó vai continuar...
No final dos anos 90, cheguei a jogar com uma bola da Le Coq Sportif (era a bola oficial dos Lagartos) - a bola da Adidas no Mundial de 86 também era muito boa... -, para mim, ambas, são o modelo do que uma bola de Futebol deve ser.
A continuar assim, vamos ter jogos cada vez mais atabalhoados, com poucos passes com nexo, facilitando a vida aos defesas e caceteiros... Viva ao pontapé para a frente e fé em Deus!!!

domingo, 15 de dezembro de 2013

3 pontos complicados !!!

Olhanense 2 - 3 Benfica

Mais um jogo cheio de sofrimento, um jogo com erros defensivos evitáveis... mas felizmente desta vez, tivemos um final feliz.
Apesar dos 5 golos, o jogo foi fraquinho, muito por culpa do relvado: escorregadio, com a relva a levantar, com buracos... muito complicado fazer recepções de bola, e passes simples. Muitas perdas de bola irritantes. E como é óbvio, estas condições beneficiam quem defende... a melhor opção muitas vezes é pontapé para a frente, nós não estamos habituados a fazer isso... e assim, os dois golos sofridos nascem de perdas de bola absurdas: no 1.º foi o Sílvio/Garay; no 2.º a culpa repartiu-se entre o Matic e o Nico!!!

No Benfica, as analises resultadistas, chegam sempre à conclusão, que quando o Benfica não ganha, o problema é da atitude... Não sou desses, este jogo creio que prova isso, independentemente do valor do adversário, não é fácil, dar a volta ao resultado por duas vezes!!! O Benfica neste momento tem claramente um problema na defesa, o nível de eficácia dos nossos adversários é altíssimo, foi assim nos últimos dois jogos para o Campeonato. Esta coisa de entrar nos jogos a perder, tem que acabar... Agora, bem ou mal, os jogadores tem tentado sempre dar a volta aos resultados, às vezes resulta, e algumas vezes não...

Hoje, foi ainda mais notório o problema das ausências - além do Jesus!!! Se para mim o Salvio e o Cardozo são os dois jogadores mais importantes da equipa, hoje com a ausência do Enzo, os nossos problemas na zona de construção ofensiva aumentaram... O Matic, ainda em fase de adaptação a jogar mais adiantado - falhou demasiados passes na 1.ª parte (apesar do grande golo) -, juntamente com os nossos defesas: Luisão, Garay e Maxi são a espinha dorsal que não está lesionada ou castigada... 4 jogadores, é muito pouco. Repito aquilo que já disse anteriormente: se o Benfica conseguir recuperar todos os lesionados, para os últimos 3 meses da época - e mais ninguém se lesionar -, se ainda tivermos na luta pelos títulos, então seremos claramente os principais favoritos.
Não fiquei 'contente' com a lesão do Artur (mais um!!!), queimámos a última substituição, e podia ter sido necessário alterar alguma coisa, no final da partida... O Oblak tem um potencial enorme, mas tem ainda que melhorar em alguns aspectos. Desconheço a extensão da lesão do Artur, mas antes de acontecer alguma coisa, acho que neste momento, a maneira como o Benfica está a sofrer golos, pode ser perigoso dar a titularidade ao Oblak: ou ele engata grandes exibições, porque provavelmente vai ter muito trabalho, ou pode começar a ser queimado pelo 3.º anel!!!

Os treinadores de bancada esta noite tiveram uma prova do seu veneno!!! Nas últimas 48 horas, falava-se da titularidade do Sulejmani; os treinadores de bancada discordavam (onde eu me incluo!!!); todos queriam o Cavaleiro a titular...; o Jesus fez a vontade, o Ivan não esteve muito bem; o Jesus corrigiu ao intervalo; e o 'Mickey' Sulejmani entrou e resolveu o jogo!!! Pois é, prognósticos no fim, é fácil...!!!

Para terminar, uma referência estatística: o 1.º golo do Benfica, marcado pelo Lima, foi marcado em ligeiro fora-de-jogo. A 'linha' da Sport TV mete a 'bola' também em fora-de-jogo, mas mesmo com a 'linha' no sitio certo, o ligeiro adiantado é evidente... não é um fora-de-jogo fácil de marcar, porque logo a seguir ao cruzamento do Nico são vários os defesas que recuam, mas devia ter sido assinalado. Agora a estatística é engraçada!!! O último golo do Benfica, para o Campeonato, marcado em fora-de-jogo, tinha sido na 16.ª jornada, da época de 2010/11, na primeira jornada da 2.ª volta, em Janeiro de 2011, marcado pelo Saviola, numa jogada onde ainda jogou a bola com o braço!!! Praticamente à 3 anos!!! É obra...!!! Existem equipas que semana sim, semana não, beneficiam de um golo em fora-de-jogo, o Benfica parece que é de 3 em 3 anos!!!

Bernardo Silva

"De apanha-bolas a jóia da formação
Renovação e melhoria salarial - O trajecto invulgar de quem andou sempre na sombra - Só quer fazer carreira no clube do coração

QUINTA-FEIRA, 2 de Outubro de 2008. O Benfica recebe o Nápoles para a segunda mão do play-off da Taça UEFA e vence por 2-0. Na celebração do segundo golo, marcado por Nuno Gomes, dois apanha bolas pulam de alegria. São eles Ricardo Horta, hoje no V. Setúbal e Bernardo Silva.
Cinco anos depois, o jogador da equipa B faz pular outros apanha bolas. E já começa a ter o devido reconhecimento da cúpula encarnada - ontem renovou contrato até 2019, com a devida melhoria salarial, tendo Luís Filipe Vieira ao lado dele.
Não foi um trajecto fácil. No caso de Bernardo Silva, foi mesmo muito difícil. Porque ao contrário da maioria dos casos do género, o médio ofensivo só explodiu há um ano. Até lá, via os outros passarem-lhe à frente, porque mais altos e mais fortes fisicamente. Como André Gomes, Diego Lopez (Rio Ave), Luciano Teixeira (Metz), Cafu (V. Guimarães B), Paulo Teles (Corunha) e Marcos Lopes (Man. City.
Diz a A BOLA fonte do clube que conhece a fundo o processo de desenvolvimento do jogador: «Ele é o caso típico de quem sempre foi bom mas obrigado a esperar, estando na sombra. Mas nunca perdendo a esperança porque é persistente e psicologicamente muito forte.»
Para se perceber melhor: Bernardo está no Benfica desde os sete anos mas só aos 18 passou a ter estatuto de titular, no segundo ano de júnior. Para não ficar apenas a ver os outros jogar, ia actuando pelas equipas secundárias de cada escalão. «Para ganhar volume de jogo», explicam-nos. Mas a qualidade sempre esteve lá. Numa das poucas vezes em que teve papel de protagonista principal, deixou a marca: um golo ao Barcelona na final de um torneio internacional sub-13 realizado em Tenerife (derrota por 1-2 com golo de ouro), Particularidade: marcado de cabeça, ele que sempre foi dos mais baixinhos.

Pediu a camisola de Di Maria
NO clube também houve a paciência de esperar, algo que não acontecia no Benfica de antigamente. «Era uma questão de tempo», conta-nos Ricardo Horta, avançado do V. Setúbal, amigo de Bernardo Silva desde os sete anos, continuando a narração: «Ele divertia-se a treinar, porque fazia-o no clube do coração.»
O benfiquismo ferrenho é outra das características mais conhecidas do prodígio. Conta-me um amigo da família que o jogador «nunca se interessou por saber que estava a ser observado por outros clubes europeus, porque o sonho dele é jogar na equipa principal e fazer carreira apenas no clube dele». Ricardo Horta confirma: «Por ele, jogará sempre pelo Benfica.»
Voltando a Outubro de 2008: no final dessa época, os apanha bolas tiveram direito a pedir camisolas dos craques, Bernardo ficou com a de Di Maria. Um dos ídolos? Responde o amigo Ricardo Horta: «Ele gostava de todos os jogadores. Desde que fossem do Benfica...»

A viagem ao Dragão
BERNARDO Silva sofre pelo clube e, na época passada, planeou ir ao Dragão ver o jogo do título. O plano saiu furado porque Ricardo Horta, com quem iria ver o clássico (e também com o júnior Filipe Nascimento), teve um jogo frente ao Moreirense, pelo V. Setúbal. O Benfica é mesmo uma das paixões deste número 10 «à antiga», (como nos garante Horta), que terminou o 12.º ano com 17 anos, sem negativas, bom aluno a matemática, que não liga a consolas e gosta de ouvir jazz. Bernardo faz parte da primeira geração de jogadores criada de raiz (a partir das escolinhas) desde a transformação de departamento de formação, em 2005, e é considerado o «maior talento» dessa fornada. Ricardo Horta, que fez percurso semelhante na Luz, não tem dúvidas: «Vai fazer uma grande carreira. Tem muita técnica e visão de jogo fora do comum.»

Preso a cláusula de €30 milhões
Médio ofensivo assinou novo contrato; diz que «é um bom presente de Natal»
BERNARDO Silva, 19 anos, assinou, ontem, um novo contrato, válido até 2019, com consequente melhoria salarial e preso a uma cláusula de rescisão de €30 milhões. Em declarações à Benfica TV, o médio ofensivo deu conta da satisfação pelo momento: «Estou muito contente por prolongar o meu contrato por mais um ano. Sinto um grande apoio do Benfica e é um sinal de confiança que o clube me está a dar. Estou muito orgulhoso e muito feliz, é um bom presente de Natal.»

(...)"

Fernando Urbano, in A Bola