Últimas indefectivações

sábado, 18 de novembro de 2017

Vermelhão: Obrigação cumprida...

Benfica 2 - 0 Setúbal


Qualificação garantida, afinal o mais importante. Estes jogos, após-Selecções são sempre muito ingratos, muitos jogadores passaram este longo 'intervalo' nas Selecções, os que ficaram tiveram vários dias de folga... e alguns que tiveram a oportunidade de regressar à titularidade não têm o ritmo normal de jogo, por não serem opção principal nos últimos tempos! Tudo somado, uma equipa com muitos 'remendos'...
Discutiu-se no pré-jogo, qual seria a opção do treinador: manter o 433 ou voltar ao 442... Pessoalmente, defendo que neste tipo de jogos devemos jogar sempre com dois avançados... até posso compreender que os próximos dois jogos - Moscovo, Corruptos -, o  433 seja o ideal, e assim o treinador pretendeu reforçar os 'automatismos'. Regressar hoje ao 442 podia 'confundir' os 'mecanismos', mas assim jogámos com pouca presença na área...
Sendo que para Moscovo, ainda ira existir um problema extra: o Krovinovic não está inscrito na Champions!!! E este 433, tem resultado em alguns momentos, muito devido à qualidade do Croata!

O jogo não foi muito entretido, não houve muitas oportunidades... o Benfica atacou mais, a vitória é justa, mas o regressado Varela também teve algum trabalho...
Destaco a estreia do Keaton Parks, o norte-americano tem tudo para ser 'jogador': qualidade técnica, físico, inteligência... Joga simples, não complica, defende e ataca com qualidade, precisa só de ser um pouco mais agressivo...!
O Douglas confirmou que não pode ser defesa-direito no Benfica, pois defensivamente não tem qualidade...
Uma nota ainda para o Capela: péssima arbitragem. Mesmo considerando que as bolas na Mão dentro da área não foram deliberadas, no critério de faltas a meio-campo esteve simplesmente horrível. Se o jogo foi feio, muito se deveu às faltas e faltinhas que ele foi marcando, sempre em favor do Setúbal, assinalando todos os 'mergulhos', mesmo os mais escandalosos... Recordo que o Capela era um dos árbitros, com um critério mais 'largo' no Tugão, e por isso teve problemas em alguns jogos, mas aparentemente está totalmente condicionado pela campanha de coação que tem sido feita contra o Benfica!!! Esta semana, até o Setúbal se queixou da nomeação do árbitro no pré-jogo...!!!

Líderes...

Benfica 27 - 15 ISMAI
(11-9)

O final da 1.ª parte foi um pouco 'estranho', mas depois na 2.ª parte estivemos inultrapassáveis: ganhámos este jogo na defesa, foram cerca de 15 minutos sem sofrer golos!!!

Apertada !!!

Benfica 83 - 81 Ovarense
21-20, 21-14, 18-20, 23-27

Apesar do resultado 'apertado', deu sempre a sensação que se fosse necessário o Benfica teria 'acelerado', e daria o 'golpe final'... mas ao manter o adversário por perto, acabámos por dar esperança à Ovarense, e nos segundos finais tudo podia mudar...
Compreendo que não é fácil gerir o físico e a motivação com sucessivas semanas a jogar na Europa, mas seria mais prudente, gerir vantagens maiores!!!

Apesar do jogo abaixo do nosso potencial, a Ovarense só chegou ao final 'dentro do jogo, porque o trio de arbitragem permitiu uma agressividade defensiva muito 'acima' das regras! É habitual no Basket os árbitros, equilibrarem aquilo que deverá ser desequilibrado, mas hoje exageraram... Critérios completamente diferentes nos contactos, felizmente os jogadores do Benfica já estão 'vacinados' para este tipo de situações, e já nem sequer protestamos, pois só iria servir para os jogadores desconcentrarem-se...!!!

Mais uma...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-16, 25-12, 25-21

Mais uma vitória, nas vésperas da estreia Europeia... contra um adversário acessível, mas que já deu trabalho a muita gente (por exemplo: perderam por 3-2 com o Sp. Espinho!).

Rotação completa na equipa, com a estreia do Winters, e com o Mrdak e o Dusan mais integrados na equipa... Creio que este ano, com mais alguns 'automatismos', vamos mesmo ter 2 equipas, quase ao mesmo nível!!!

1.ª classe e sem classe nenhuma

"Por onde anda António Pimenta Machado? Onde parará o homem que foi presidente do Vitória de Guimarães durante um quarto de século e que ficou para a história ao resumir numa frase a insofismável natureza da verborreia da indústria: "No futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira", disse no século passado. A propósito de quê já ninguém se lembra – talvez do iminente despedimento de um qualquer treinador… – mas a realidade é que o seu axioma não só perdura como se revigora a cada dia. Esta semana, então, tem sido um exagero.
Faz falta aquela verve única e descomprometida de Pimenta Machado que, talvez por não ser presidente de nenhum ‘grande’ e por ter fortuna própria, podia dar-se ao luxo de dizer o que lhe ia na alma antes de haver redes sociais e directores de comunicação. Muitos gostariam de conhecer a opinião que terá hoje António Pimenta Machado, se ainda tiver paciência para estas coisas, ao ouvir "o pior funcionário do Mundo", o ex-futebolista Manuel Fernandes segundo o seu ex-actual-patrão, afirmar que o seu ex-actual-patrão não passa a vida a dizer que "trabalha 24 horas por dia" quando, comprovadamente, passa mesmo a vida a proclamar que trabalha 24 horas por dia? E o que teria a dizer hoje António Pimenta Machado, se é que segue estas aventuras culinárias, sobre "o melhor funcionário do Mundo", Francisco José Marques, publicando sobre cefalópodes neste outono quando ainda no último inverno as paredes das casas, dos escritórios e as montras dos restaurantes dos seus patrões e afins foram pintadas a tinta de choco por adeptos portistas – "híbridos", certamente – em fúria? Em fúria, sim, vá lá saber-se porquê.
Volta o futebol a sério neste final de semana com a Taça de Portugal depois de uma paragem devida a dois jogos amigáveis da nossa Selecção neste período que pode ser chamado de tudo menos de amigável no âmbito alargado do futebol português. Até insultos tem havido. Neste interregno, o presidente do Benfica, por exemplo, chamou "merceeiro" a um comentador afecto ao clube, o que pode ser considerado um insulto. O presidente do Sporting, para não ficar atrás, insultou Luís Filipe Vieira, António Salvador, Augusto Baganha, Octávio Ribeiro, Ribeiro e Castro, Pedro Madeira Rodrigues, Paulo Pereira Cristóvão, Rui Santos e todos os sportinguistas que não o amam a quem chamou "vermes", o que também poderá ser considerado um insulto. O presidente do Porto não insultou ninguém. Está a aprender francês.
A última prestação de João Gobern no programa ‘Trio de Ataque’, da RTP3, foi o melhor momento de comunicação em prol do Sport Lisboa e Benfica desde que Eliseu saltou para a lambreta na festa do ‘tetra’. Que classe, Gobern. Aliás, nestas coisas, só há duas classes: 1.ª classe e sem classe nenhuma."

O lado mais belo do futebol

"As palavras de Abel Ferreira, treinador do SC Braga, deviam fazer-nos pensar. «O segredo é sermos felizes, sendo intensos em todos os momentos da vida. A vida são dois dias e só nos lembramos disso quando acontece alguma coisa às pessoas mais próximas», disse ontem o treinador do SC Braga quando convidado a comentar as infelizes insinuações - de Nuno Saraiva, director de comunicação do Sporting, depois do encontro com os bracarenses. Cada um é feliz à sua maneira, mas querer responder a todos os ataques é (mais que uma perda de tempo) dar importância a quem não tem importância nenhuma. Percebessem todos isso e o ar seria bem mais respirável.
As palavras de Abel Ferreira fazem-nos também lembrar (não devia ser preciso, mas pronto...) aquilo que o futebol tem de melhor - em Portugal então, isso é cada vez mais flagrante: jogadores e treinadores. Isso ficou, de resto, bem claro nas entrevistas de Jonas e Luisão, o primeiro a dizer sem problemas que o FC Porto pratica, neste momento, o melhor futebol na Liga e o segundo a falar sem assombros da importância que Jesus teve na sua carreira. Pena que por cá, ao invés de ouvirmos os verdadeiros protagonistas do jogo, tenhamos de levar, todos os dias, com figurinhas que, com mais ou menos humor, mais não fazem do que tornar feio o que devia ser, sempre, belo. É o que temos. E talvez, se calhar, o que merecemos...

PS: O lado mais belo de futebol mostrou-o ontem também o Portimonense no Estádio do Dragão. Os algarvios foram eliminados, sim, mas a forma como abordaram o jogo merece todos os elogios. Devia ser sempre assim. Talvez de passasse a falar sempre do que de facto interessa."

Ricardo Quaresma, in A Bola

O ordinário e a notícia

"Quando estudava jornalismo, há quase 20 anos, um dos temas era a progressiva rotina dos directos televisivos desinteressantes, com repórteres nos locais sem nada a reportar, por incapacidade ou impossibilidade. Recordo aula em que se debateu um plano do Douro, de minutos, só a água a correr, nas horas seguintes à ruína da ponte de Entre-os-Rios. Lastimo, de alguma forma, já não frequentar a universidade para ouvir especialistas sobre assunto de agora: a cobertura do terrorismo. Antes, esta seria mais consensual, pois em bombas da ETA, do IRA ou de uma máfia qualquer, havia alvos identificados, e, mesmo que moralmente pudesse ser fácil escolher lado, jornalisticamente nem havia debate sobre se deveria um tal ataque ser ou não notícia. Mas hoje, a versão mais patológica do terrorismo jihadista, de tão arbitrária nos alvos, já não ataca, então, qualquer lado, agride tudo e nada e, assim, noticiá-la torna-se a execução final do acto: o terror. De qualquer forma, a multiplicidade de meios editoriais e pessoais tornaria, creio, qualquer concertação de não difusão num frustrado esforço. É matéria que, espero, esteja a ser dada nas universidades.
No futebol português, o terrorismo é outro. Os clubes que há vinte anos queriam ser modernos, ser empresas e nisso extraordinariamente se tornaram, voltaram agora a uma comunicação personificada, habitual e descortês. O ordinário é o ordinário. Já se vai, abordando, também, a questão de não noticiar insultos de canais oficiais de clubes, contrariando que os media sejam veículos últimos, mas não menores de recados destruidores. Jornalisticamente, não obstante, parece-me ilusório um dia assim, pois neste lodaçal há lados identificáveis e ignorar as mensagens seria desconsiderar os que atacam e proteger os atacados. Espero, ainda assim, que também isto ande a ser estudado nas universidades."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Quatro bons exemplos

"O cenário catastrófico que Manuel Machado sentenciou no início da época está cada vez mais longe da realidade. Percebeu-se logo na hora que o ‘professor’ tinha falhado o alvo ("Tirando os três grandes, o resto é carne para canhão"), mas a cada semana que passa o que vai crescendo é a ideia de que há finalmente no futebol português um conjunto de boas equipas capazes de bater o pé aos três grandes como raras vezes tinha sido feito – e não apenas na discussão de resultados.
Uma estratégia mais defensiva, um projecto mais ‘musculado’ e o recurso ao anti-jogo foi sempre uma combinação simplista que ia permitindo a equipas menores travar Benfica, Sporting ou FC Porto em determinados momentos. A questão desta vez é outra. Há quatro emblemas capazes de desafiar os clubes mais poderosos naquilo onde eles sempre foram intocáveis: no controlo do jogo através da posse de bola, na qualidade do seu processo, na estética do futebol produzido e até na ambição revelada.
O caso de sucesso do Sp. Braga nem sequer é uma novidade, porque há vários anos que joga (e ganha) como um grande. O nível qualitativo de Rio Ave, Marítimo e Portimonense é que surpreende e constitui uma enorme novidade no futebol português. Um serviço inestimável que bem merece ser registado. Parabéns!"

Benfiquismo (DCLXI)

Jamor 2017

Jogo Limpo... Estado criminoso...!!!

Uma Semana do Melhor... Modalidades

Esse enorme escultor

"2 mil títulos 'arrebatados' em 17 meses a uma média de 4 títulos por dia podem ter passado despercebidos.

Escrevia, no já distante ano de 1983, Marguerite Yourcenar sobre as "modificações sublimes" que a passagem do tempo inevitavelmente produz sobre as obras dos homens e as intenções dos mesmos sem nunca lhe ter passado pela cabeça como o futebol "au" Portugal se viria a transformar nesta segunda década do século XXI numa espécie de laboratório vivo do seu postulado ‘O Tempo, Esse Grande Escultor’. Tomemos por exemplo o fenómeno dos títulos do Sporting segundo Bruno de Carvalho.
Em Abril de 2016 apontou Carvalho na rede social da sua predilecção para um número de títulos conquistados pelo emblema de que é o mais inspirado representante de todos os tempos: "Quase 110 anos de história ajudam a explicar o porquê de o Sporting ser unanimemente considerado a Maior Potência Desportiva Nacional e um dos Clubes mais vitoriosos de todo o Mundo.
Os números podem falar por nós: temos no nosso património cerca de 20 000 títulos arrebatados." Menos de um ano e meio depois desta incursão ao Facebook, e por ocasião de uma festa interna ocorrida na semana passada em Alvalade, verificou-se que o tempo para o presidente do Sporting não é um grande escultor, é um enorme escultor.
Oiçamo-lo: "Somos o clube do Mundo com mais títulos. Não é de Portugal, não é da Europa. É do Mundo! Temos mais de 22 mil títulos nacionais e internacionais, o que faz de nós a maior potência desportiva nacional e mundial!"
Os 2 mil títulos "arrebatados" em 17 meses a uma média de 4 títulos por dia podem ter passado despercebidos a muita gente de má-fé mas o que não se pode ignorar de todo é como o tempo, esse grande escultor, foi um enorme escultor no caso ainda mais recente do "perdão" a Bryan Ruiz, o costa-riquenho proscrito vá lá saber-se porquê. Por ter falhado um golo de baliza aberta num jogo com o Benfica não terá sido com certeza.
No dia 6 de Novembro, a FIFA e a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais assinaram um acordo que permite automaticamente aos jogadores abandonar os clubes que não cumpram com o pagamento dos salários ou que tenham "condutas abusivas" como é o caso de um clube que obrigue um jogador a treinar-se por conta própria e à parte dos restantes colegas de equipa.
E, posto isto em cima da mesa, não é que 6 dias depois, a 12 de Novembro, foi anunciado o tal "perdão" a Bryan Ruiz depois de um encontro "reconciliatório" com o presidente do clube. Um reencontro adorável, garante a imprensa livre, que só o tempo, esse brutal escultor, poderia finalmente proporcionar. E proporcionou. Qual FIFA, qual carapuça!

Mais um crime de lesa-Porto
Danilo no call center e não obriguem o Catão a ir "mais longe"
Até a selecção nacional tem a sua utilidade para que o combustível pingue para esta fogueira que vai aquecendo e sobreaquecendo o ambiente geral do futebol cá da gente.
Não se atrevendo – por enquanto… – a chamar "lampião" a Fernando Santos, veio o FC Porto protestar contra a "sobreutilização" do seu jogador Danilo Pereira nos tão amigáveis encontros com a Arábia Saudita e com os EUA considerando, certamente, que se tratou de um crime de lesa-Porto à semelhança de tantos outros que fazem furor nas redes sociais.
Prova provada de que o Benfica manda nisto tudo é o facto de Pizzi ter sido convocado não para se cansar jogando mas para se sentar, com toda a comodidade, no call center da Federação Portuguesa de Futebol atendendo telefonemas da linha solidária com as vítimas dos incêndios deste verão.
Estes tratamentos de privilégio têm de acabar. Não obriguem o Catão a ir "mais longe" desobedecendo "às ordens" para não "rebentar mais bombas". Mas ordens de quem?"

Amadores demais

"Decorrido já um terço do campeonato nacional, acho que isto é evidente: deixámo-nos enrolar demasiado nas artimanhas FC Porto.

Decorrido já um terço do campeonato nacional, acho que isto é evidente para todos os benfiquistas: deixámo-nos enrolar demasiado nas artimanhas do FC Porto.
Fomos, por muito que nos custe admitir, passarinhos. Amadores mesmo! A forma como deixámos crescer sem contraditório a novela dos e-mails e como desdenhámos as alegações de corrupção, remetendo-as para algo humorístico, deixou-nos vulneráveis no espaço público.
É uma daquelas lições que aprendemos para a vida: quando a banalidade da calúnia começa a germinar no espaço mediático tem de ser imediatamente afrontada. E, sobretudo, temos de travar o combate com organização e sinergia de esforços.
Chamem-lhe cartilha, irmandade, o que quiserem. O nome do Benfica é que não pode voltar a ser colocado na lama."

Jamor é uma prioridade

"Contra o V. Setúbal, que simula uma crise, só pode entrar a melhor equipa. Não se aceita outra alternativa.

Volta o futebol para dentro das quatro linhas, o que tem a grande vantagem de diminuir o espaço mediático do lixo tóxico que anda fora do relvado. Para quem gosta do jogo, quem quer ver o jogo e não vive dos negócios à sua volta, é uma excelente notícia. Venha a Taça de Portugal, e a sua festa. Venham adeptos, famílias e golos. Venha o fora de jogo mal assinalado, o remate por cima da barra e o passe de trivela, venha tudo, ou qualquer coisa, menos o que temos tido.
O Benfica recebe sábado o Vitória de Setúbal num jogo de todos os perigos. O Setúbal simula uma crise, quando ocupa um lugar dentro do expectável para os seus recursos, na classificação. O Setúbal está nas duas taças com percursos imaculados. O Setúbal é especialista em criar dificuldades ao Benfica, independentemente de estar melhor ou pior classificado. Os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) são os únicos clubes que, no século XXI, venceram nesta prova uma final ao Benfica. Queremos estar no Jamor, é uma prioridade e, por isso, contra o Vitória de Setúbal, só pode entrar a melhor equipa, com a maior motivação e a máxima competência. No Benfica não se aceita outra alternativa, mas convinha fazer a pedagogia das dificuldades, para não haver surpresas.
Por falar em surpresas, vimos o mundo do futebol admirado por ver a Itália fora do Mundial. Não temos Buffon, mas teremos Lindelof na Rússia. Não foi a maior surpresa, nem foi um desfecho injusto. A Suécia mereceu e procurou a sorte nesta eliminatória contra os transalpinos, numa classificação onde para mim o maior alarido se devia fazer com a ausência da Holanda do próximo Mundial. Tantos jogadores de qualidade, tanto talento, tantas soluções e não conseguem fazer uma selecção de top? Posso sugerir dois ou três nomes de treinadores portugueses que punham aqueles jogadores holandeses a lutar pela conquista de um Europeu ou Mundial. Essa, sim, é a grande ausência da Rússia.
Rússia onde estaremos na quarta-feira com vontade de vencer, não para apagar uma má campanha europeia, mas para lutar pela ténue hipótese de continuar na Europa. Para quem chega a Moscovo com zero pontos, os zero graus que nos esperam parecem-me um castigo justo."

Sìlvio Cervan, in A Bola

Com tudo...

Benfica 7 - 3 Valongo

Hoje, entrámos a 200%... ao contrário do que vinha acontecendo, nas jornadas anteriores, entrámos com 'tudo': muita intensidade, muita velocidade, pressão alta... e com golos!!! No 1.ª tempo, só tivemos mal, alguns minutos depois do golo do Valongo...
Curiosamente a meio do 2.º tempo, também tivemos uns minutos de desconcentração... mas rapidamente voltámos a 'forma' original!!!
Boa exibição, com golos bonitos e grandes jogadas... foi pena termos 'acertado' em demasia nos ferros!!!

Com todos os jogadores disponíveis (o Diogo regressou hoje após lesão), temos duas equipas titulares, dá para rodar toda a gente, e manter o nível... A integração do Vieirinha, está feita, e com muito sucesso...

O 5 inicial: Pedro; Valter, Vieirinha, Nicolia e Adroher. Neste momento, estes, são mesmo os jogadores em melhor forma, o João e o Chiquinho têm que melhorar...

Assim vai o mundo da bola...

"Excelente a entrevista a Luís Filipe Vieira na BTV! Foi a voz dos benfiquistas na indignação, incisivo na denúncia e presidencial em tudo o que é estratégico. Se outra medida faltasse para avaliá-la, bastariam as reacções dos adversários:
A gasta ironia de um lado, a patetice grosseira do outro.
Pinto da Costa e os seus acólitos lembram-me o António Mourão: 'Ó tempo, volta p'ra trás, traz-me tudo o que eu perdi, tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi'. O apito, desta feita, é de pechisbeque, mas convém acautelarmo-nos, pois a experiência é um posto. E os soldados? Abominam o YouTube, mas dominam os e-mails de outrem e os perfis do Facebook de quem lhes dá jeito. É coagido e intimidado? Não tome 'Pedroproença', um fármaco composto por inacção, vaidade e oportunismo, concedido para preservação do tacho. Vá antes à Polícia Judiciária, que há quem já sinta saudades de Vigo.
Já Bruno de Carvalho deixa-me dividido. Se me divirto e lhe agradeço o cariz amulético da sua presidência para os nossos intentos, também me importuna. É como ter obras intermináveis no apartamento ao lado. É barulho inconsequente, mas está lá. O que vale é que 'tenho em casa muitos rolos de papel higiénico, cujas folhas têm inscrita uma citação sua adequada à situação'.
Agora e sempre muito bem faz Luís Filipe Vieira em apelar à união dos benfiquistas. Borges Coutinho, há quatro décadas, explicou porquê: 'Os laços de solidariedade que unem todos os benfiquistas têm-se revelado não apenas indestrutíveis, mas progressivamente mais apertados através dos tempos e de todas as vicissitudes. Este é que é o grande segredo da força e da grandeza crescente do Sport Lisboa e Benfica'. Apoiado!"

João Tomaz, in O Benfica

Um benfiquista nunca está saciado

"O próximo obstáculo no caminho para o Jamor é o V. Setúbal, oponente certamente motivadíssimo por defrontar o Glorioso. Se a expressividade da festa da Taça é de proporção equivalente à diferença entre o emblema vencedor e o clube vencido, então quando alguém bate o Benfica é normal que haja um autêntico arraial - independentemente do opositor, a desproporção é sempre, sempre, gigantesca. Como tal, é natural que qualquer eliminatória da Taça esteja carregada de perigo. Seja o Chico Torpedo do Alcains ou o Bas Dost do Sporting, qualquer jogador se transcende quando tem o privilégio de enfrentar craques consagrados e apinhados de títulos como Luisão e Jonas ou futuras estrelas - no clube certo para se apinharem de títulos - como Rúben Dias e Diogo Gonçalves.
As recordações que guardo do último duelo com os sadinos na Taça - e creio que o leitor partilhará deste sentimento - são horríveis. Corria o ano de 2005 e o jejum de 11 anos sem poder gritar 'campeão' tinha acabado. Avizinhava-se a final da Taça de Portugal frente ao V. Setúbal e descobri que 'dobradinha' era um termo que não se aplicava apenas ao bucho de animais cozidos em pequenos pedaços com grande variedade de condimentos e acompanhamentos. Lamentavelmente, após o apito do árbitro e a derrota por 2-1, a única dobradinha passível de contemplar era mesma aquela composta por carnes e feijão - o problema é que já tinha perdido o apetite.
Agora, o apetite é outro - o meu e o do leitor. Não só já degustámos duas dobradinhas como ainda nos deleitámos com três tripletes. Mas não chega. Queremos mais e mais e mais. No fundo, nós, benfiquistas, somos um pouco como o Taarabt: nunca estamos saciados."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Grandes mistérios do futebol

"Este poderia ser o título de uma bela obra para lançar neste Natal, mas uma crónica bata para se desmascarar três situações estranhas naquele que ainda é considerado o desporto-rei.
Em França, há uma vedeta brasileira que, diz-se, estará arrependida de ter assinado pelo PSG. A sério? Neymar sai por dinheiro do histórico Barcelona, muda-se para um campeonato medíocre e só agora sente arrependimento? ele que até terá escolhido os colegas de equipa e quer influenciar a decisão de escolher o treinador. Lá terá de esperar pelas reformas de Messi e Cristiano para poder levar sem qualquer tipo de brilho uma Bola de Ouro para casa.
Em Portugal, o presidente de um clube de futebol que não é campeão há mais de 15 anos afirma todos os dias que é líder da maior potência desportiva nacional e que a sua agremiação é uma das maiores da Europa e do mundo. Apesar de castigado continua a insultar toda a gente a seu belo prazer e não há quem lhe ponha um espelho à frente. O mistério é continuar a ter uma legião de fãs, dentro do clube e na comunicação social.
A FIFA; depois das escandaleiras de Sepp Baltter e Michel Platini, continua a ter no seu calendário um mais que polémico campeonato do mundo no Catar para 2022. E dezenas de trabalhadores, quase escravos, vão morrendo para que o capricho (pago a peso de ouro nas votações) siga em frente.
Amam o futebol, dizem todos eles. Sabemos bem o que é que eles amam."

Ricardo Santos, in O Benfica

Serenidade

"Ao contrário de outros dirigentes desportivos que por aí vemos, Luís Filipe Vieira sempre foi um homem mais de fazer do que de falar. Não vai para o Facebook destilar ódio, não faz intervenções inflamadas dia sim, dia não, não precisa de se pôr em bicos de pés para aparecer, nem busca protagonismo pessoal. Vieira conquista títulos, realiza obra, e é sobretudo isso que fala por ele.
Há todavia momentos em que se justifica uma intervenção mais política junto da família benfiquista, e na semana passada assim aconteceu.
Numa entrevista notável (e notavelmente conduzida por um grande profissional, que, independentemente de estar numa canal de clube, perguntou tudo o que o interesse dos sócios impunha), o nosso Presidente serenou definitivamente os ânimos, quer quanto ao momento da equipa principal de futebol, quer em relação aos ataques de que o clube tem sido alvo desde há uns meses para cá. Nada ficou por dizer. E tudo foi dito com uma genuinidade quase tocante, de quem se sente completamente seguro quanto ao que está a dizer, e quanto ao que está a fazer.
Todas as opções seguidas no futebol foram explicadas cabalmente, não se escondendo que as coisas nem sempre correm como esperado. E a afirmação clara de que o Benfica é um clube sério, mesmo que não fosse necessária, ajudou a marcar uma posição firme face àquelas que cobardemente nos tentam derrubar dia após dia.
Foi uma das maiores, e seguramente também uma das melhores, entrevistas televisivas dadas alguma vez por um dirigente desportivo em Portugal. Foi tranquilizadora, aglutinadora e revitalizante. Própria de um verdadeiro líder."

Luís Fialho, in O Benfica

A entrevista

"A longa entrevista do Presidente do Sport Lisboa e Benfica à BTV tem marcado a agenda mediática dos últimos dias e merece reflexão. Frontal e sem temer abordar os temas mais explosivos da actualidade. Luís Filipe Vieira esclareceu tudo o que tinha de ser esclarecido. Quanto à corrupção, o Presidente não podia ter sido mais clarificador:
- 'Não há nem nunca haverá corrupção no Benfica'.
Eu bem sei que a estratégia dos mentirosos compulsivos é desvalorizar esta afirmação. Já todos percebemos que os autores desta campanha caluniosa irão responder no sítio próprio por todos os crimes que têm cometido. Assustados com o apuramento da verdade e percebendo que a declaração peremptória do Presidente matou todas as acusações falsas, os mesmos que nos têm difamado de forma torpe decidiram mudar de estratégia. Os caluniadores querem agora que se apure se os e-mails são ou não são verdadeiros. Conhecemos bem o estratagema dos cobardes - quando são apanhados nas mentiras que plantaram, mudam de plano. Escusam de tentar fugir, pois todos serão chamados a responder por tudo o que disseram ou escreveram. Todos sabemos quem são os autores da grande farsa que pôs em causa a honorabilidade do Maior Clube Português e da classe da arbitragem. Sporting e FC Porto têm feito dos ataques à arbitragem uma das suas principais políticas para justificar a seca extrema de resultados desportivos e financeiros.
Mais preocupado com o futuro do Clube, o Presidente pediu dedicação e união da Família Benfiquista. A aposta na formação será a principal política de quem sonha ser Campeão Europeu. Eu acredito. E você?"

Pedro Guerra, in O Benfica

Testemunho para a História

"A exploração hoje em dia exercida pela generalidade dos media sobre a competição desportiva deixou se se auto-regular com o uso dos critérios neutrais e objectivos de outrora.
Os jornalistas tomam parte: ou, pior, são obrigados a afinar estritamente pela bitola do que melhor convenha ao editor; e este, antes daquele, já baixara a cerviz, segundo o que lhe havia determinado o chefe de redacção; o qual, por seu turno, oportunamente tinha amochado aos códigos do director da publicação que, pusilânime no topo da escala da indignidade, se sujeitara aos ditames da administração do grupo editorial, toda ela estando convenientemente alinhada conforma os seus (mais ou menos inflexíveis) interesses políticos e económicos particulares que, no tempo corrente, representam a repelente carcaça da comunicação, dita 'social'.
Mas a esta actual e generalizada traquibérnia mediática assim moldada em pirâmide já não podemos chamar 'jornalismo', nem sequer 'informação' nem - muito menos - 'comunicação social'. A cada dia, o que por aí vemos, ouvimos e lemos não é senão mais do que uma repugnante mistela de misérias repetidas até à náusea, sistematicamente tratada por indigentes sem espinha, como se todos os seus destinatários fossem indistintos consumidores desprovidos de senso crítico.
No jornal O Benfica - há quase 75 anos - escolhemos uma via bem diferente e que ainda hoje procuramos manter saudável e justa, como nos ensinaram os nossos antigos Mestres: damos as notícias, registamos os factos, narramos os acontecimentos e fixamos os protagonistas. Sem perdermos o sentido positivo da opinião crítica que sempre nobilitou as nossas páginas. fazemos o que nenhum outro jornal sabe fazer: contribuir para a evolução de um Benfica maior e mais forte do que todos o outros juntos e assegurar esse simples testemunho para a História."

José Nuno Martins, in O Benfica

Dificuldades acrescidas

"Vivemos numa sociedade de comunicação, informação, imagem, uma sociedade com novas tecnologias que permitem o acesso imediato ao outro lado do mundo. A estrutura económica está a alterar-se, os processos de gestão são influenciados por esta revolução. Mesmo em actividades no campo das ciências humanas. Hoje, quando um treinador chega ao balneário após, pode ter menos informação sobre esse mesmo jogo do que um jogador. Basta ter que marcar presença na zona de entrevistas rápidas, para que todos os restantes elementos da equipa passam ter acesso aos seus smartphones, e assim terem informação a que o treinador ainda não chegou. Os tempos são diferentes, e todos temos que perceber isso mesmo. Neste quadro, os factores que influenciaram o rendimento dos jogadores e das respectivas equipas foram alargadas a tudo o que as novas tecnologias proporcionam. E o rendimento de todos os outros intervenientes. Esta realidade ainda influencia e pressiona mais todos os que estão envolvidos num jogo de futebol.
O foco deve ser o jogo em ci, o que temos que fazer para uma boa prestação e vencer. Contudo, as condicionantes internas e externas criam obstáculos difíceis de ultrapassar. Não é fácil vencer a constante conversa sobre a credibilidade, ou falta dela, existente no futebol. Todos desconfiam uns dos outros, principalmente no que diz respeito à arbitragem. Quem dirige tem que ter sensibilidade para perceber se as suas decisões influenciam ou não a qualidade do jogo. Ou somos sérios ou não somos sérios, não há meio termo. Temos que ser e temos que o parecer, questão essencial para a credibilização. Não é, como todos, concordamos, cada um com as suas razões, o que se passa neste momento. E assim é muito difícil que o foco seja exclusivamente o que é importante, jogar futebol e, se possível, com qualidade. Mas vai ter que ser!"

José Couceiro, in A Bola

PS: O cronista, é uma daquelas pessoas, que se deve tomar atenção naquilo que escreve, mas deve-se ignorar aquilo que diz nos finais das partidas, pois são quase sempre contraditórias...!!!
Ainda esta semana, a equipa treinada por este senhor, queixou-se da nomeação do Capela para o Benfica - Setúbal...!!! Com os Corruptos ou com os Lagartos, estariam calados, seguramente?! E mesmo após os jogos, se fossem roubados, ficariam na mesma calados...!!!

Insubstituíveis e cemitérios...

"A justiça do Paraguai aprovou a extradição de Nicolás Leóz, 89 anos, antigo presidente da Conmebol, para os Estados Unidos, onde deverá responder pelo alegado desvio de 25 milhões de euros entre 1986 e 2013. Tive a oportunidade de entrevistar Leóz em 1987, em Assunção, quando o dirigente paraguaio era uma das figuras mais importantes da cúpula do futebol mundial e testemunhei o real poder que detinha e a forma subserviente como era tratado por quem rodeava e dele dependia. Hoje, já na recta final da vida, Nicolas Leóz exemplifica na perfeição quem se confundiu com as funções que exercia e se sentiu maior do que a instituição que sentiu maior do que a instituição que servia. Quando assim é, quando falta a medida certa, quando as pessoas pensam que não houve nada antes delas e nada resistirá à sua saída, abrem-se as portas do abismo, porque se há algo que a vida nos ensina é que os cemitérios estão cheios de insubstituíveis.
A paragem longa da I Liga para jogos da Selecção e da Taça de Portugal deu palco a personagens que pouco ou nada adiantam à causa do futebol e permitiu a amplificação de uma lavagem de roupa suja absolutamente imprópria numa sociedade civilizada. Com o regresso do futebol - Taça primeiro e competições europeias a seguir, antes da I Liga - fica a esperança de se ver atenuado um ruído que ameaça minar os alicerces dos clubes. Oxalá a justiça seja célere na resolução dos casos que tem em mãos...

PS - É pena que a dependência que a maior parte dos restantes clubes primodivisionários tem dos três grandes os impeça de acções concertadas que fizessem realmente a diferença. Na presente conjuntura, não dá..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Oficiais e cavalheiros

"O futebol português há muito que convive mal com a liberdade de expressão. Em primeira instância, com a externa, pois está cada vez mais na moda digital fritar no espaço internáutico quem tem uma opinião contrária à oficial - e há quem ganhe a vida só a fazer isso. Depois, em segundo lugar, os clubes têm imensas dificuldades em conviver com a liberdade de opinião dos seus jogadores. As entrevistas aos futebolistas, que não as intervenções obrigatórias, são cada vez mais raras e escrutinadas pelos respectivos departamentos de comunicação.
Bem sei que quem passa muito tempo a olhar para o seu umbigo raramente consegue ver a linha do horizonte, mas, neste caso, convinha. O exemplo veio de Itália e de dois grandes que disseram adeus à squadra azurra depois de hecatombe de não terem conseguido abrir a porta do Mundial da Rússia. Um deles, então, é um monstro: Gigi Buffon. Numa era em que olha mais para a forma e pouco para o conteúdo, muitos olharam para o choro convulsivo e não discerniram os motivos. Mas, ele, em palavras, explicou. «Não estou a chorar por mim mas por toda a gente e pelo impacto social negativo que este falhanço pode ter», disse, quem, 175 jogos depois, se despedia da selecção italiana.
Daniele De Rossi também mostrou que pensa pela sua cabeça. Primeiro, disse ao seleccionador que não fazia sentido ser ele a entrar quando ao lado estava Insigne. Era mais ou menos óbvio que a Itália precisava de ganhar o jogo e de criatividade no ataque para derrubar a muralha sueca e um médio, como ele, pouco acrescentaria. No final do jogo, foi ao autocarro dos suecos, deu-lhes os parabéns pelo apuramento e pediu-lhe desculpa pelos assobios ao seu hino.
Dois generais de campo deram o exemplo. E é só aí que se ganham as divisas. Não é fora dos relvados, com exércitos de soldados rasos televisivos ou digitais."

Hugo Forte, in A Bola

Coração, cabeça e estômago

"Existe um legado a defender, um legado de respeito, de elevação, de educação, que nos catapultou para uma posição ímpar.

Não, não, caro leitor. Longe de mim a ideia de me embrenhar no domínio literário nacional, em particular, na obra camiliana, muito embora tenha de reconhecer que o título da crónica de hoje me surgiu quando, há dias, dei por mim em arrumações de livros, tendo, nessa tarefa, surpreendido uma das obras mais emblemáticas de Camilo Castelo Branco (infelizmente pouco conhecida do grande público) recentemente reeditada pelo semanário Expresso e que tive oportunidade de ler na juventude. Trata-se de um livro surpreendente, cuja leitura aconselho vivamente e que, de um modo inteligente, faz o retrato, pleno de sarcasmo e ironia, do homem português.
Tenho de confessar, porém, que o título da obra em apreço, longe de conduzir unicamente às misérias e grandezas do género humano, acabou também por suscitar a minha atenção em termos do posicionamento passado, actual e futuro do Sporting Clube de Portugal, sobretudo, por força do deplorável clima em que se acha mergulhado o futebol nacional desde há algum tempo. Com efeito, pressupondo toda e qualquer actividade desportiva empenho, devoção e entusiasmo, as cores verde e branca sempre evidenciaram uma extraordinária atitude, mesmo em situações de prolongado jejum de sucesso (como vem acontecendo com o desporto-rei) sendo, pois, indesmentível o seu enorme coração que permite manter a força alcançada no panorama desportivo nacional.
Importa, no entanto, estarmos cientes de que esse querer, essa vontade de vencer não são suficientes por si só. É fundamental termos a cabeça no sítio próprio, sermos nacionais, percebermos que não estamos sozinhos no mundo e que não valerá a pena descobrir inimigos ao dobrar de cada esquina e abrir guerras um pouco por toda a parte. Existe um legado a defender, um legado de respeito, de elevação e de educação que nos catapultou para uma posição ímpar no desporto, sempre com uma identidade muito própria e especial.
Os sportinguistas - únicos e exclusivos donos do Clube - sabem-no e têm orgulho da sua história. A unidade dos sócios conquista-se, constrói-se em cada dia que passa, com firmeza mas sem ódios ou divisões, com humildade, sem bravatas ou prepotências. Se coração e cabeça não estiverem em sintonia, o estômago revolver-se-á. Mais tarde ou mais cedo. Disso não tenho dúvidas. Os sócios do Sporting Clube de Portugal também não."

Abrantes Mendes, in A Bola

A Liga das Justiça

"Andam por aí cartazes a promover a Liga da Justiça mas qualquer semelhança com o nosso futebol é pura coincidência. Esta Liga é um filme de super-heróis que combatem uma legião de demónios que ameaça a Terra. Ora, é bem verdade que o nosso futebol também está a sofrer ameaças diabólicas e se fosse possível a Fernando Gomes equipar-se à Batman, Pedro Proença vestir a pele do Flash, e a líder da comissão de instrutores, Cláudia Viana, transformar-se na Mulher Maravilha e José Manuel Meirim no Ciborgue, talvez houvesse a esperança de ser possível impor ordem e ter alguma paz.
É cada vez maior a intervenção da Justiça no futebol, sendo que esta não se reduz aos castigos sumários aplicados aos jogadores, mas dedica-se a questões mais profundas e delicadas como o tráfico de influências, a corrupção, a violência. Andamos a época inteira a ‘atacar’ os árbitros, a ouvir falar de emails e polvos, passámos a comentar o que dizem os directores de comunicação e agora foi aberta a caça ao juízes do TAD…
Neste contexto, o regresso da competição é um alívio. Deseja-se que com a bola a rolar, as atenções voltem-se mais para o rectângulo de jogo e menos para o jogo… sujo. O Sporting-Famalicão foi um bálsamo, pela seriedade leonina e pela réplica minhota. Queremos mais... disto."

Será possível?

"Será mesmo possível?

O que eu estranho, nesta fase, já não é a linguagem de Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho deixou-se escorregar para um regime de roda-livre e, agora, qualquer redução de tom, qualquer atitude de homem de Estado - no fundo, qualquer intervenção consentânea com a que deve ser a pose do presidente de um clube com dezenas de milhares de sócios e milhões de adeptos, com desafios exigentes e uma bomba nas mãos - poderia ser entendida como um recuo.
O que eu estranho é que, aparentemente, não haja ninguém no Sporting, entre titulares de órgãos sociais e funcionários de alto perfil, a quem esta linguagem incomode. Será mesmo possível que ainda não tenha havido um só a manifestar o seu desconforto por este tom? Será mesmo possível que ninguém exija ao menos que a direcção de comunicação tenha uma palavra a dizer nas intervenções do presidente, quando estas vinculam tão claramente o clube?
Onde é que isto vai parar? Essa é a pergunta seguinte. Mas, se a resposta à primeira persiste a que parece, "Sim, está tudo confortável", a segunda fica parcialmente respondida: não vai parar em bom lugar.

Surfando a onda
Tudo corre bem a Sérgio
Posso perceber que, em abstracto, Lopetegui e Sérgio Ramos estranhem a presença de Casillas no banco do FC Porto. O que já é mais difícil de perceber é que a estanhem quando, em concreto, o próprio guarda-redes elogia o treinador.
De cada vez que alguém se pronuncia, Sérgio Conceição vê reforçado o êxito da sua opção. Se o FC Porto se conseguir manter na frente da Liga, haveremos de identificar nela a semente do milagre."

O "cartel" do futebol

"Guido Infantino era suposto pôr fim a uma era de corrupção na FIFA. Vários indícios sugerem que a corrupção se mantém a vários níveis.

Neste momento, quando se fala da FIFA fala-se sobre o Mundial de 2018, os jogos de preparação, o sorteio dos grupos, os jogadores que serão escolhidos, etc.
Muito menos importante no imaginário colectivo e na atenção dos media são os problemas de ética e de governação que se mantêm no órgão máximo do desporto máximo do planeta. É pena que assim seja, pois trata-se de problemas graves.
Em Maio de 2016, o Congresso da FIFA decidiu atribuir ao Conselho da FIFA os poderes de eleger e remover os membros dos corpos de supervisão, incluindo os comités de ética e de supervisão. Domenico Scala, então chefe do Comité de Auditoria e Conformidade, demitiu-se em protesto contra uma medida que efectivamente punha a faca e o queijo na mesma mão.
A FIFA retorquiu então que Scala interpretou mal uma proposta que, diziam os dirigentes, tinha como função tratar dos períodos de transição e remover os membros acusados de qualquer contravenção.
A proposta da FIFA (que, ao que parece, não foi circulada antes do Congresso) foi aprovada por 186 votos contra 1. O tempo veio a dar razão a Scala.
Miguel Poiares Maduro, que no mesmo Congresso foi escolhido para chefe do Comité de Governação, foi despedido há alguns meses pelo Presidente da FIFA, Guido Infantino. Embora não conheçamos todos os pormenores, parece claro que o motivo para o afastamento foi a oposição de Maduro à presença nos órgãos da FIFA de Vitaly Mutko, vice-primeiro ministro russo, pois tal violaria uma regra central da FIFA: a independência política.
Infantino era suposto pôr fim a uma era de corrupção na FIFA. Vários indícios sugerem que a corrupção se mantém a vários níveis. Mais importante ainda é o facto de a governação da FIFA se manter essencialmente dominada por um grupo de "insiders".
O "cartel" do futebol mantém-se em grande força."

Com contra, peso e medida

"Uma das características dos grandes campeões é que sabem qual é a sua verdadeira capacidade. Isso obriga a um conhecimento muito profundo de si próprio e a ter uma disciplina invulgar em tudo. O ter talento é algo muito específico, que nasce com a pessoa e que pode ser melhorado e é na conjugação destas valências que aparecem aqueles campeões que dominam anos a fio a sua modalidade.
No caso de Miguel Oliveira viu-se desde muito novo que o rapaz não se contentava em brilhar apenas nas provas nacionais. Não foi difícil descortinar a sua ambição para outros voos e se ele não sentisse que tinha essa capacidade também não iria falar de cenários utópicos. Pois bem, Miguel Oliveira só tem confirmado todas as previsões.
O piloto de Almada não foi daqueles que tivesse muitos falhanços na carreira. Nada disso, bem antes pelo contrário. Tudo foi projectado com conta, peso e medida, bem ao jeito de Miguel Oliveira. E, ao fim e ao cabo, parece que tudo se tornou tão fácil porque, na verdade, fez tudo também com muita facilidade em tão pouco tempo.
O capítulo de Miguel Oliveira em Moto2 ainda vai durar mais um ano. A seguir dar-se-á a passagem à classe rainha, o MotoGP, e aí Miguel Oliveira poderá ter uma palavra a dizer dentro de 4/5 anos. Até agora tem deslumbrado e cumprido o seu papel, mas ele tem talento e ambição para não se ficar por aqui.
E todos podem ficar a ganhar. O piloto e a KTM, que tem investido muito dinheiro e tem um projecto a longo prazo com o jovem português. Miguel Oliveira pode colocar a KTM num patamar elevado. À partida reúne todas essas condições para dentro de poucos anos ter um estatuto ímpar no motociclismo mundial."

Alvorada... do Pragal

Benfiquismo (DCLX)

Dois grandes Benfiquistas..!!!

Aquecimento... Vicente... e o resto!

Tirania...

Manuel, nem o Mundial me faz mudar de opinião

"O regresso do médio à Selecção

Manuel Fernandes conseguiu aquilo em que já nem o próprio acreditava: voltou a jogar pela Selecção, cinco anos depois, e fez duas exibições que alimentaram o debate em torno da possível convocatória para o Mundial2018.
As aspirações são legítimas, não só tendo em conta o rendimento recente do médio no Lokomotiv de Moscovo, mas também a condição actual de André Gomes, Adrien, Renato Sanches ou Pizzi.
Manuel Fernandes pode ainda conseguir um lugar na convocatória final. Já não vai é a tempo de fazer-me mudar de opinião. De convencer-me que a carreira dele não podia ter ido mais além do que foi.
É certo que ainda tem 31 anos - na altura do Mundial terá 32 -, mas a expectativa era demasiado alta para o balanço entre o que já lá vai e o que está para vir.
Isto não é pretexto para uma crítica, até porque o próprio assume responsabilidades no rumo que a carreira levou. É antes a inquietante memória daquilo que prometeu um jogador que acompanhei na formação e que até tive oportunidade de defrontar naquele que (se não me falha a memória) foi o seu último jogo pelo Benfica B antes da estreia pela equipa principal.
Um médio com uma combinação rara entre potência e técnica. Um poço de força, naquela postura “quinze-para-as-três” que lhe permite proteger a bola como poucos e entregá-la com a firmeza de quem tem duas raquetas nos pés.
Altivez no desarme, vigor no passe, poder na meia-distância. Um perfil tão completo que a carreira parece incompleta.
Manuel Fernandes andou pelos dois principais campeonatos europeus. Representou grandes clubes, como Benfica, Everton, Valência, Besiktas ou Lokomotiv. Tem construído uma carreira de fazer inveja a muitos, mas poucos são aqueles que não pensam que podia ter sido ainda mais.
A começar pelo próprio."

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

As novas 'estrelas'

"Dizia Paulo Futre ontem à noite no programa ‘Liga D’Ouro’, da CMTV: "Espanha acaba de confirmar que também vai ter o VAR na próxima época. A seguir a esta, a próxima ideia que vão copiar de nós são os directores de comunicação."
O antigo craque e agora comentador televisivo defendia o seu argumento a partir da polémica em torno da redução do castigo de Nuno Saraiva de 45 para 9 dias, por decisão do TAD, na qual participou um juiz que – soube-se entretanto – é adepto do Sporting e daqueles que usa cachecol e publica fotos no Facebook. Nada que já não se tenha visto noutros clubes, mas que os rivais nunca deixam de aproveitar para os habituais acertos de contas. 
Paulo Futre estava espantado (como não estar?) com o ruído à volta da redução do castigo de um director de comunicação – não de Bas Dost, nem de Rui Patrício ou William. Era ‘apenas’ Nuno Saraiva. À mesma hora em que Paulo Futre falava na CMTV, o director de comunicação dos ‘leões’ falava na Sporting TV. Como faz, aliás, todas as semanas.
No Benfica, Luís Bernardo utilizou ontem uma conta de Twitter para explicar uma falha no sistema de videovigilância da Luz. No FC Porto, Francisco J. Marques preferiu criticar o seleccionador nacional, Fernando Santos, por causa de Danilo e José Sá. Um porque jogou muitos minutos. O outro porque não jogou minuto nenhum. São os tempos que vivemos."


PS: Sinceramente não percebo como é que o comunicado assinado pelo director de comunicação do Benfica, Luís Bernardo, esclarecendo mais uma falsa-notícia sobre o Benfica, pode ser comparado com as palavras e atitudes dos outros...

A única religião com Olimpo para todos

"Do que mais gosto no futebol é a sua democracia. Quer dizer, o que o marca não é só a universalidade dos seus adeptos, mas a diversidade dos seus melhores praticantes. Se poucos acabam por ser os escolhidos, a nenhum miúdo de 8 anos é retirada a ilusão de um dia, quem sabe...
Porque deuses do futebol podem ser gordos sem pescoço, como Maradona, com as pernas tortas de Garrincha ou o único pé de Messi. É raro um desporto em que o corpo não é imposição. Repito, o futebol é democrático.
Até um jogador simplesmente razoável, mas não mais, como o nosso querido Eder pode protagonizar não um acontecimento internacional histórico, mas dois. O primeiro está na nossa galeria de ex-miúdos iludidos e adultos, enfim, satisfeitos - o golo que nos fez campeões europeus. Aliás, momento em que Eder foi pessoalmente ele, a caminho da baliza fez três toques desajeitados, até à glória colectiva.
Agora, o jornal inglês Mirror (soube-o pelo nosso O Jogo) diz que foi Eder quem iniciou a histórica não ida da Itália a um Mundial, com 60 anos de nunca visto! Em 2015, num jogo particular Itália-Portugal, Eder marcou a nossa vitória (0-1), o que levou as estatísticas da FIFA a rebaixar os italianos do pote 1 para o 2, nos grupos para o apuramento do Mundial. E isso foi fatal, como agora se consumou.
Volto à minha: a pesquisa que levou a esta descoberta só foi possível porque (aposto) o jornalista inglês, aos 8 anos, gordinho e caixa-de-óculos, sonhou que talvez ele, um dia...
O futebol é grande."

Um pequeno presidente

"Perante um recente ataque rasteiro de um presidente de um grande clube a este vosso servo de há muitos anos, disse o director deste Jornal, na CMTV, instado a comentar as alarvidades de então, que sou um jornalista com quem se cruza nos corredores. E é verdade. Nunca gostei de me colocar em bicos de pés. Para além de estar Director-Geral Editorial do grupo a que pertence este grande Jornal, sou jornalista. Gosto de notícias. Adoro a novidade. A coragem de noticiar o que é relevante, seja quem for que esteja em causa. E gosto também da Liberdade de Informação. E da Liberdade de Expressão. Prezo-as tanto, que, em trinta anos de carreira, só a manipulação de factos objectivamente verificáveis, e falsos, me levaram a processar alguém. Nestes casos. Nestes pequenos crimes cometidos por um pequeno presidente de um grande clube, estamos perante a injúria soez, muito para lá do excesso verbal natural na defesa de pontos de vista diferentes. Estamos perante crimes.
Talvez por falta de ameaça de resposta, pois parece ser alguém muito imaturo e cobarde, o presidente em causa voltou ao ataque nos últimos dias. Subiu o tom dos insultos a este vosso escriba. Esse pequeno presidente de um enorme clube não merece resposta directa. Porém, garanto a esse pequeno presidente de um grande clube, que nunca nenhum presidente de clube, de empresa, de governo ou da República me meteu medo. Continuarei a andar pelos corredores muito depois de qualquer Bruno de Carvalho ir fazer companhia aos da sua igualha. Como bem sabem os que tentaram estrangular-me, profissionalmente, na política, na economia, no desporto. São os que se cruzam comigo nos saudáveis corredores das notícias independentes e livres, são os que não têm medo de pequenos e podres poderes, os que me têm apoiado neste caminho da notícia. Doa a quem doer. E é nessa gente corajosa e livre que me revejo.
Até mais ver, sr. Bruno de Carvalho."

O admirável Miguel

"Miguel Oliveira terminou a época de Moto2 de forma brilhante, vencendo as últimas três corridas. O feito é admirável, mas daí a apontar o piloto português como futuro campeão do Mundo em MotoGP (a 1.ª divisão), como ouvi a um comentador, num programa televisivo, no intervalo de mais uma discussão sobre arbitragem no futebol, é um salto para ‘fora de pé’. Desde logo porque Oliveira ainda nem chegou a esse patamar e quando o atingir (é provável que o consiga em 2019) terá de obter grandes resultados de forma rápida para poder figurar na ‘short list’ de candidatos aos lugares que valem títulos: os das equipas oficiais da Honda e Yamaha (e Ducati, talvez). O MotoGP é dominado desde há largos anos pelas ‘armadas’ espanhola e italiana. A força conquistadora do eixo USA-Austrália (décadas de 1980 e 1990) acabou com o início do novo século e na actualidade existe o fenómeno catalão de 24 anos chamado Marc Márquez, que ainda tem muito tempo pela frente para ultrapassar Valentino Rossi em número do campeonatos ganhos na categoria (7 contra 4).
Apontar já Miguel Oliveira ao título de MotoGP é desconhecer o contexto em que o Mundial se disputa hoje: quase um terço das corridas faz-se em circuitos espanhóis (4) e italianos (2); os patrocinadores da Honda e da Yamaha são espanhóis; a Ducati é italiana. Logo, os pilotos dessas nacionalidades são escolha normal e prioritária se igualarem os outros em qualidade. De momento, não só igualam como superam: vejam quem figurou no top 5 de MotoGP/Moto2/Moto3 em 2017 - 7 espanhóis, 6 italianos, um suíço e um português nos 15 melhores.
As principais equipas têm pilotos sob contrato até 2018. Valentino Rossi (Yamaha) e Dani Pedrosa (Honda) já não estão em idade de ganhar, pelo que poderão abrir aqui duas vagas. Mas Marc Márquez (Honda) e Maverick Viñales (Yamaha) terão lugar garantido no topo. O futuro próximo será deles. E mesmo no Mundial de Moto2, em 2018, Miguel Oliveira terá de ser (quase) perfeito para superar (principalmente) a concorrência de Alex Márquez e Brad Binder."

Interdição de acesso a recintos desportivos

"1. O que é a interdição de acesso a recintos desportivos?
A pena de interdição de acesso a recintos desportivos aparece prevista na Lei de combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos (Lei 39/2009 com a redacção da Lei 52/2013), nomeadamente no seu art. 35º, sendo caracterizada como uma pena acessória. Quer isto dizer que será um "complemento" a uma sanção já aplicada, pela prática de um crime. Diz esta norma que só pode ser aplicada nos casos em que o prevaricador seja condenado por um crime de dano qualificado, participação em rixa, arremesso de objectos, invasão de campo ou ofensas à integridade física de agentes desportivos ou outros participantes do espectáculo. Sendo o elenco de crimes fechado, não se prevê esta sanção para comportamentos social e moralmente reprováveis, pelo que não cremos que seja de aplicação a condutas que possam ser tidas como racistas, xenófobas ou intolerantes.

2. Uma lei de aparências?
Cremos que o problema é mais complexo do que à primeira vista parece pois que, analisado o diploma legal, facilmente chegamos à conclusão que está directamente vocacionado apenas para situações de violência, especialmente física, não prevendo, em igual medida, sanções para comportamentos que, ainda que não violentos, contendam com qualquer outra das condutas censuráveis que a lei, supostamente, visa evitar.De facto, apesar do seu nome e objecto, não existem normas específicas para comportamentos xenófobos, racistas ou intolerantes, ocupando a violência todo o espaço legislativo que a lei prevê. Sendo que, as únicas referências encontradas, reportam a grupos organizados de adeptos e de um modo bastante genérico. Para uma lei que se quis mais além, ficou assim muito aquém do que seria desejável."

Como é que o Juiz Falcato preencheu a declaração de independência e imparcialidade

"José Manuel Gião Falcato, confesso fervoroso entusiasta do Sporting, é o árbitro do Tribunal Arbitral do Desporto que analisou e foi relator de processos que conduziram à despenalização de castigos aplicados ao presidente e ao director de comunicação... do clube do qual é adepto. Os factos são claros e indicam que só há um caminho para um juiz em causa própria: o da demissão.
Confesso adepto do Sporting, preferência que partilha sem pejo nas redes sociais, José Manuel Gião Falcato é também um dos juízes do Tribunal Arbitral do Desporto, cujos membros estão obrigados ao preenchimento de uma declaração de independência e imparcialidade, em respeito às regras e aos princípios do Estatuto Deontológico do Árbitro do TAD.
Apesar do assumido fervor clubístico, este juiz analisou processos de recursos interpostos pelo Sporting e que, concretamente, resultaram em despenalizações de castigos aplicados ao presidente, Bruno de Carvalho, e ao director de comunicação. Mais: na polémica decisão que despenalizou Bruno de Carvalho não só foi juiz como relator do processo, contrariando a decisão tomada pelo Conselho de Disciplina e considerando que os insultos proferidos pelo dirigente a um funcionário do Gil Vicente configuraram uma "simples violação do dever de urbanidade".
Enquadrado o caso e as circunstâncias, uma questão que se coloca com gravidade neste contexto é: como é que José Manuel Gião Falcato terá preenchido a referida declaração de "independência e imparcialidade"?
Os factos são conhecidos e o disposto no artigo 4.º do Estatuto Deontológico, onde se detalha o dever de revelação de um árbitro do TAD, só torna ainda mais óbvio que José Manuel Gião Falcato não tem condições para continuar a exercer funções de juiz e deve ser imediatamente destituído.
Vejamos então o que está consagrado nos três primeiros pontos do artigo 4.º do Estatuto Deontológico sobre o dever de revelação de um árbitro do TAD. O ponto 1 indica que "o árbitro e o árbitro convidado têm o dever de revelar todos os factos e circunstâncias que possam fundadamente justificar dúvidas quanto à sua imparcialidade e independência, mantendo-se tal obrigação até à extinção do seu poder jurisdicional".
Já o ponto 2 refere que, "antes de aceitar o encargo, o árbitro convidado deve informar quem o houver proposto quanto ao seguinte:
a) qualquer relação profissional ou pessoal com as partes legais que o árbitro convidado considere relevante;
b) qualquer interesse económico ou financeiro, directo ou indirecto, no objecto do litígio;
c) qualquer conhecimento prévio que possa ter tido do objecto do litígio".
O ponto 3 aponta que, "após aceitar o encargo, o árbitro deve informar por escrito as partes e, tratando-se de tribunal colectivo, os restantes árbitros, bem como a instituição responsável pela administração da arbitragem que o tenha nomeado, sobre os factos e circunstâncias previstos no n.º 2, quer preexistentes à aceitação do encargo, quer supervenientes".
Por muito menos houve quem assumisse de imediato a decisão de se demitir, sendo que no caso que diz respeito ao juiz Falcato é completamente posto em causa o princípio da isenção e idoneidade sobre as suas decisões. A credibilidade daquele tribunal exige a cessação de funções."

Alvorada... do Zé Nuno

Benfiquismo (DCLIX)

Talento a transbordar...!!!

Lanças... Falta de vergonha!!!

NetPress... Pistolas, Diabos, Javi...

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O lado bom do nosso futebol

"É preciso repetir que não há clubes imaculados. Todos têm telhados de vidro, ainda que não feitos do mesmo material.

Bendito fim-de-semana, este que aconteceu. E tenho esperança que também o próximo, embora já haja jogos da Taça de Portugal. E porquê? Não houve fake golos, meios-golos, foras-de-jogo milimétricos, encostos e encostas, erros e desacertos, logo, menos matéria-prima para a discussão que alimenta e atormenta o nosso futebolzinho...
Neste domínio, é preciso repetir que não há clubes imaculados. Todos têm telhados de vidro, ainda que não feitos do mesmo material. A ideia pateta que o clube A dá lições ao clube B e vice-versa não resiste ao mínimo teste de coerência e sensatez. O que hoje se defende, amanhã se contraria. O que hoje se nega, amanhã se afirma. O que agora é notável, depois é reprovável. O que então se afastou, mais tarde se aproximou. Nunca como agora se sente que estamos mais perto do precipício. É imperativo afastar esse perigo, sem que tal anule ou esbata o elemento genético desportivo que é vencer e reduza o natural apego e defesa civilizada dos clubes.
Hoje, no meio de tanta poluição visual, sonora, campal e retórica, olho para o que, para mim, ainda há de bom no futebol cada vez mais autofágico, senão mesmo patológico. Eis fez exemplos:

1. Os pequenos clubes, mesmo na divisão principal, que, tantas vezes, lutam silenciosamente por não desistir, apesar de ignorados, marginalizados e condicionados. Para eles não há lugar a lamúrias de arbitragem, de marcações dos dias dos jogos. Ou se as houver, não chegam a lado nenhum, a não ser a um ignorado rodapé perdido na selva do totalitarismo dos maiores clubes.

2. A larga maioria dos jogadores de futebol profissional em Portugal que, abnegadamente, são dignos do ofício que sonharam e escolheram no apogeu da sua juventude, tantas vezes com atrasos no recebimento dos seus magros proventos quando comparados com as (poucas) dezenas de ordenados fabulosos. São estes atletas que correm tanto ou mais do que a elite, ora preocupada com a carteira, ora com a transferência, ora com a vida social, ora com as tatuagens, acessórios e penteados, sempre mimada e apaparicada.

3. A maioria dos árbitros portugueses que, com erros, como é inevitável, dão prova de serem muito mais sérios e profissionais do que a maioria dos dirigentes dos clubes. Elogio a sua coragem num tempo em que só o facto de se ser árbitro é motivo de desconfiança, insinuação e soezes ataques pessoais. Imagino o que sentirão, depois dos jogos, ouvindo entre críticas legítimas e serenas, a atoarda ininterrupta sem o mínimo de respeito e cautela.
Aliás, quando vejo jogos lá fora, observo erros por vezes muito mais gritantes e até difíceis de entender, como por exemplo nos campeonatos espanhol, italiano e até inglês. E nas provas europeias, o que se diria por cá se erros como os que prejudicaram o Benfica na final contra o Sevilha, numa eliminatória na Luz contra o Chelsea ou, está época, em Manchester ou contra o CSKA, ou contra o Sporting em Schalke e muitos outros fossem reproduzidos no nosso campeonato?

4. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol que, contra ventos e marés, escolheu um itinerário sério para credibilizar o futebol nacional, infelizmente logo rasgado por quem se deveria preocupar mais com a sustentabilidade da actividade e o reforço ético do seu desenvolvimento do que com constantes atoardas para consumo mediático.

5. Os dois estádios mais bonitos de Portugal - a Luz e o Dragão - candidatos a acolherem finais europeias de clubes. Através deles, o nosso país futebolístico mostra ao mundo que não é por falta de infraestruturas bem concebidas, apetrechadas e seguras que atravessamos uma fase deprimente do ambiente em redor deste desporto.

6. A grande maioria de quem vai aos estádios que merece ser respeitada pelo seu desportivismo aliado a uma saudável militância clubista, isto apesar de uma sempre presente escassa minoria de energúmenos que espalham impropérios, insegurança e acirram os ânimos de uma maneira por demais desproporcionada.

7. Alguns poucos programas de televisão sobre o futebol português (sobretudo na televisão pública e em canais temáticos de desporto) que vão para além da semana, que são contidos sem amordaçarem o natural entusiasmo dos comentadores e têm jornalistas com a sageza da equidistância, e equilíbrio da contenção e a competência de nos porem a reflectir e a ver mais longe.

8. O Plano Nacional para o Ética no Desporto liderado por José Carlos Lima, que teima em, pedagogicamente, tomar iniciativas louváveis, fomentadoras de exemplaridade desportiva, e de boas práticas seriamente estudadas. Refiro-me, por exemplo, ao Cartão Branco Fair Play e, ao projecto Bandeira da Ética, apresentado na segunda-feira, como «um processo de certificação dos valores éticos no desporto, dirigido a clubes, escolas, projectos ou qualquer outro tipo de iniciativas e entidades que queiram ver reconhecido e certificado o seu trabalho no âmbito da promoção dos valores éticos através do desporto». Pena é que iniciativas destas tenham um milésimo da atenção dos media face a uma qualquer bojarda na oralidade futebolística.

9. A política de formação dos principais clubes, que tem proporcionado bons resultados desportivos e humanos, e que tem demonstrado cabalmente que esta aposta é, a prazo, retribuidora e ganhadora.

10. E, the last but not the least, o notável trabalho e resultados da selecção portuguesa de futebol, liderada por Fernando Santos, um senhor, um homem bom e eticamente irrepreensível, um português exemplar e um líder com elevado sentido humanista.

Não sei se o desporto, futebol em particular, está de pernas para o ar ou de cabeça perdida. Seja qual for o diagnóstico ajustado para o momento, uma coisa é certa. Precisa que quem tem responsabilidades directivas, técnicas, desportivas, mediáticas, associativas, cívicas não atire mais achas para a fogueira. É que haverá o dia em que já não há retorno e, com a esperteza do oportunismo, os causadores da desgraça desaparecerão como se nada tivesse sido com eles.

Contraluz
- Palavra I: Matematicamente
Embirro com este advérbio pouco matemático. Acho-o até depreciativo para quem o diz e para quem se dirige- «Enquanto for matematicamente possível...» está para as competições como as sondagens para os derrotados. Acontece que a suposta possibilidade da matemática é o modo não assumido da impossibilidade da realidade. Como alguém disse, «na matemática, para saborear com prazer o fruto é preciso conhecer bem as suas raízes». Mesmo que raízes quadradas...
- Palavra II: Toalha
«Ainda não atirámos a toalha ao chão» é a medida higiénica da não aparência de desistência. Não atirar a toalha ao chão, pressupõe, desde logo, que haja toalha. E que haja toalheiro. É uma frase para se evitarem outras formas de se atirar. Por exemplo, atirar a primeira pedra, ser atirado às feras, ou atirar à cara dos jogadores o insucesso, embora os adeptos não possam atirar o dinheiro à rua, mesmo que, às vezes, atirem com tudo ao ar (incluindo a toalha). No fundo, diferentes modos de atirar o barro à parece...
- Número I: Mais cinco!
Nada melhor que as Arábias (neste caso Saudita) para mais uma catrefada de neófitos internacionais. A (escrevi propositadamente A, porque me lembrei das antigas selecções B, onde muitos agora A nem a ela teriam chegado). Edgar Ié, Kevin Rodrigues (certamente por falta minha, não sabia da sua existência), entre outros, eis os novos A.
- Número II: 127
Segundo li no Público, chegámos aos 600 internacionais, dos quais 127 só o foram uma vez. É caso para se dizer, mais vale ser internacional A uma vez do que apenas nacional toda a vida. 127 jogadores dariam para constituir quase 12 selecções! É obra.
- Moda: Lesões (?) antes de jogos das diversas selecções...
... estão a fazer escola. Lesões tão aparatosas e oportunas no campo, como logo tão misteriosamente recuperáveis no ginásio"

Bagão Félix, in A Bola

PS: Duas notas:
- verdade não há clubes imaculados, mas cuidado com as comparações... passar uma estrada fora da passadeira é crime, mas não está, nem nunca estará, no mesmo patamar de um assassino!
- José Carlos Lima, pode ser muitas coisas (não o conheço pessoalmente), mas a sua participação como colunista neste jornal durante alguns anos, deixou um registo pejado de anti-Benfiquismo primário, ao nível de um qualquer Babalu...!!!