Últimas indefectivações

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Hospitalidades...

"Mais uma vez, a ordeira e hospitaleira gente do Porto assombrou o País (e até o estrangeiro) com a sua arte de bem receber. Não importa a modalidade, não importam os intervenientes: calorosos, dedicam ameaças a quem os visita; esforçados, procuram agredir quem, por infelicidade dos calendários das provas desportivas, é obrigado a visitá-los. Não escolhem idades: tanto se insulta um provecto senhor de 90 anos que deseje comprar um bilhete para o Hóquei em Patins como se pontapeia um jovem de 16 que tenha tomado a hedionda decisão de se dedicar ao Futebol em defesa de um emblema que não aquele que há mais de 30 anos se dedica impunemente a estas porcarias. A autoridade, do alto da sua intocável autoridade, autoriza.
Há um lugar em Portugal onde vale tudo! Mas tudo! As leis da República não se aplicam. Os ditames da civilização são desconhecidos. Regras básicas da educação e da urbanidade não fazem qualquer sentido. 
Medrosos, aqueles que no seu íntimo vituperam estes comportamentos, calam-se, ignoram, viram a cara para o lado. Tudo em nome da boa vizinhança, com certeza. Se o resto do País aponta, acusa, exige medidas, erguem-se na sua pastosa imbecilidade os anti-magrebinos, copiadores de livros, enxundiosos infectos, baladeiros cretinos, exigindo o direito à liberdade de insultar e agredir e à qual chamam princípios básicos do regionalismo.
Até quando continuaremos a aceitar passivamente esta nação sem lei que põe em causa todo um Estado de Direito? Até quando aguentaremos o nojo sem resistir ao vómito? Respondam vocês que eu já não sei."

Afonso de Melo, in O Benfica

O renascimento do Benfica

"No último domingo, sentimos a vantagem de sermos adeptos de um grande clube desportivo e não apenas de uma equipa de futebol. Ainda mal refeitos de uma ressaca difícil, que teve no Jamor um dos últimos episódios onde parecia que o mundo acabava, e sentimos até que podia não haver amanhã, o Benfica conseguiu no último domingo uma conquista única na substância e na forma. O Benfica tem este encanto. Consegue mais depressa que a fénix renascer, e trazer a luz da alegria aos seus adeptos. Poucos, talvez Barcelona, Flamengo e pouco mais, são os que conseguem ser tão competitivamente eclécticos. Ganhar sempre é impossível. Tentar ganhar sempre é obrigatório.
O FC Porto, que muito já fez pelo hóquei em patins português, conseguiu no último domingo uma das suas páginas mais notáveis, ao organizar uma prova que permitiu duas décadas depois o regresso a Portugal do título de campeão europeu de hóquei em patins para o Benfica. Vencer o poderoso Barcelona e o rival em sua própria casa fazem desta conquista um feito ímpar. Ser campeão europeu era muito difícil, desta forma era quase impensável. Parabéns a Luís Sénica e aos seus jogadores, mas também a Luís Filipe Vieira e a Domingos Almeida Lima, meus colegas que tudo fizeram para que no domingo o Benfica entrasse no rinque e vencesse. Queria deixar o sublinhado de uma postura no Desporto em que Domingos Almeida Lima acredita, a correcção e o fair play são o único caminho que o Benfica pode seguir. Será assim que temos de vencer. Os heróis que estiveram no Dragão Caixa são parte da história viva do clube.
Nessa mesma manhã, os juvenis de futebol haviam ganho o título de campeão nacional no Olival, o jogo acabou de forma lamentável e ainda assim houve a serenidade de manter o trilho para conquistar o mais importante título do hóquei para as nossas vitrinas, sem provocações ou incidentes. Pior que perder em casa do rival um título nacional dois minutos depois da hora, deve ser perder para o rival na sua própria casa um título europeu três minutos depois da hora."

Sílvio Cervan, in A Bola

Triunfo exemplar

"1. O nosso título europeu de Hóquei em Patins (finalmente!) não apaga as mágoas da azarenta época do Futebol - continuo a pensar que, Taça de Portugal à parte, foi (muito) mais azar que falhanço. Mas soube muito bem aquela vitória no Dragão, para mais depois de tudo quanto se passou no sábado (e ainda no domingo os adeptos do Benfica apenas puderam entrar depois do intervalo!...). Foi uma vitória que fica na história (gloriosa) do nosso Hóquei em Patins.
Vitória que se juntou ao título nacional de Juvenis em Futebol (depois do título de Juniores), também alcançado no campo do FC Porto e que teve um final muito triste, já que a equipa da casa não soube perder.
Curiosamente, Pinto da Costa, que no sábado já dizia que o seu clube iria ser novamente campeão europeu, 'desapareceu' de cena no domingo, após a derrota.

2. A semana passada ficou marcada pela dúvida relativamente ao treinador: Jorge Jesus fica ou não? Ouvi vários benfiquistas e opiniões bem divididas. E até houve quem estivesse contra Jesus no dia a seguir à Final da Taça e já o admitisse como melhor solução um ou dois dias depois. Da mesma forma que muitos daqueles que o assobiaram naquele domingo fatídico o haviam incentivado a ficar uns dias antes. É sempre assim. Com a cabeça quente não se decide bem. E, como disse há uma semana, quem lá está dentro e acompanha o dia-a-dia do Clube está em muito melhores condições para decidir, pois tem dados que o simples adepto não possui. No dia em que escrevo, é certa a continuação de Jorge Jesus. Não sei em que condições mas espero que valorizando mais os prémios e menos o montante mensal a pagar, que parecia manifestamente exagerado.

3. Ao longo de toda a semana, a decisão quanto ao futuro treinador do Benfica foi assunto de 1.ª página: Jesus fica, Jesus não fica, quem lhe poderá suceder, as 'divisões' no interior da SAD quanto à continuidade do treinador. Curiosamente, ao mesmo tempo, o FC Porto (ou Pinto da Costa?) também ainda não tinha treinador (parece que estava à espera de resposta de Vítor Pereira!...) e os jornais nada especulavam sobre o assunto. Dias houve em que nem uma linha foi escrita. Porquê?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Sticada no infortúnio

"O gigantesco mar vermelho já revela águas mais serenas. Depois de duas semanas quase traumáticas, ine´ditas num historial centenário, o universo benfiquista, ainda que sem se demitir de apreciações críticas, como que parece serenar, digerida a desventura e projectado o futuro imediato. Neste período, a serenidade pública revelada pelo presidente Luís Filipe Vieira concorreu, em larga medida, para transmitir sinais de confiança aos adeptos, reconhecidamente agastados com um final de temporada futebolística que redundou num imprevisto suplício.
No pretérito final de semana, a conquista do Nacional de Juvenis, depois de garantido também o Campeonato de Juniores, para mais consolidado do reduto do FCP, ironicamente no derradeiro minuto da contenda, transmitiu motivos de ampla satisfação aos nossos aficionados. A esse propósito, valerá a pena perceber o crescimento do Futebol Juvenil 'encarnado' nos últimos tempos, ao ponto de já não apenas rivalizar, antes superar, a tão propalada academia leonina e esmagar o congénere sector portista, impotente para atingir títulos e para catapultar jovens futebolistas a patamares de consagração.
Mas foi no Hóquei patinado que veio a nota de maior saliência. O título europeu, garantido no cadoz do FCP, esse que estava pintado com as cores da sobranceria e da arrogância, exibiu um magnífico Benfica, justo vencedor, pela primeira vez na posse do principal título europeu de ma modalidade tão estimada pelos portugueses. Foi mesmo uma sticada cirúrgica na descrença, só pode ser ainda uma amostra de novas e grandíloquas sensações vitoriosas."

João Malheiro, in O Benfica

Aquela stickada

"Umas semanas antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos haviam sido insultados por uma turba ululante que distingue o momento da vitória do momento da derrota pela dose de insultos utilizados. Um dia antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos viram o rinque invadido por um punhado de criminosos que, impunemente, perseguiram e agrediram benfiquistas que apenas queriam ver uma meia-final europeia entre o Benfica e o Barcelona. Poucas horas antes, os responsáveis do nosso Benfica viram-se obrigados a anunciar medidas drásticas para que nos garantissem coisas tão simples como segurança para os adeptos e atletas benfiquistas.
Ou seja, teve de se chegar a medidas extremas para que se conseguisse aquela coisa extraordinária de se cumprir a lei naquele pavilhão. Depois, num ambiente infernalmente hostil, mas com árbitros estrangeiros, jogou-se hóquei em patins de forma honesta, e foi quanto bastou para que, naturalmente, tenha acontecido Benfica. Naquela stickada do Diogo Rafael estava uma vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus de hóquei, frente a um adversário que jogava na sua própria casa. Naquela stickada épica, do meio do rinque, estava uma vitória do Benfica, à Benfica, de forma limpa e inequívoca. Simbolicamente conquistada no mesmo pavilhão em que, no ano passado, a nossa equipa de basquetebol conquistou o campeonato nacional. Naquela stickada estava a percepção de que aquela vitória começara a nascer na vontade indómita de provar que não há que temer tigres de papel.
Naquela stickada estava a certeza de que o caminho do Benfica só pode ser este: nunca dobrar nem vergar perante os que fazem do desporto um espaço de violência, ameaças e corrupção. Ou seja, naquela stickada está bem mais do que um merecido e justo título de Campeões Europeus."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A primeira Grande Vitória

"Na Quinta Nova, em Carcavelos, no I Campeonato Regional de Lisboa, o Sport Lisboa e Benfica vence, por 2-1, o Carcavellos Club... Sábado, pelas 10h30, vamos reviver esse dia!

Há 106 anos, em 10 de Fevereiro de 1907, ecoou pela cidade um pregão de regozijo. Os ingleses invencíveis acabaram de ser vencidos, na Quinta Nova, pelo Sport Lisboa só com portugueses. O Futebol em Portugal começava a mudar...

No início de 1907 uma vitória histórica, inimaginável e retumbante que haveria de dar novo nome ao Clube, 'Gloriosíssimo' após uma proeza sem paralelo: derrotar os invictos 'mestres ingleses' do Cabo Submarino, em Carcavelos. No início da segunda volta da Liga, o Sport Lisboa e Benfica desloca-se a Carcavelos...
Havia sempre alguma ansiedade e expectativa para este confronto. Alguns adeptos chegaram cansados, porque se enganaram e meteram-se no comboio que ia somente até Paço de Arcos, tendo de ir a correr até Carcavelos, para chegarem à hora marcada para o jogo.
A expectativa de grande interesse por este encontro resultava, especialmente, da fama de invencibilidade que os 'mestres ingleses' do Cabo Submarino, de Carcavelos tinham e da confiança do Carcavelos em si mesmo. De facto, o Carcavelos apenas duas vezes tinha sido batido num largo período de anos - em 1897 e 1898. E os resultados no príncipio da temporada, para a Liga foram eloquentes, só com triunfos: Sport Lisboa, 3-1; Lisbon C.C., 3-0; Internacional, 4-1 e 6-0, este já em 20 de Janeiro de 1907.
A confiança num novo triunfo no jogo frente ao Benfica tornou-se tão pública que foi referida em 'Os Sports', com a indicação de que o Carcavelos mandara pedir ao Sport Lisboa que levasse, para o desafio, os seus melhores jogadores. Além do que tal atitude pode ter representado de firme confiança nos recursos próprios, deve ser também reflectido o belo espírito desportivo dos ingleses, para os quais interessava sobretudo o brilhantismo da partida como exibição de futebol.
Alinhámos com os mesmos jogadores dos últimos dois jogos: Mora; Henrique Costa e Emílio Carvalho; Fortunato Levy (cap.), António Couto (2.º golo) e Aníbal Santos; Marcial Costa, António Rosa Rodrigues, Daniel Queirós Santos (1.º golo), Cândido Rosa Rodrigues e David Fonseca.
Vencemos o Carcavellos Club, por 2-1, com o golo da equipa adversária a ser marcado nos últimos momentos da partida.

Um feito para a história
O Clube alcançara o maior e mais brilhante de todos os triunfos conquistados desde a Fundação, algo impensável para um Clube só com futebolistas portugueses... que apenas tinha três anos de existência!
O Carcavellos Club estava invencível desde 1898, há nove anos, tendo jogado 18 encontros, com 16 vitórias e 2 empates. Foi a terceira derrota do Carcavellos Club desde a sua fundação em 1976. A notícia correu célere entre os desportistas de Lisboa. O Sport Lisboa embalava rumo ao triunfo como agremiação desportiva. Félix Bermudes, capitão do 2.º 'team' passou a denominar o Clube por 'Gloriosíssimo'.
Depois deste acontecimento os jogos do Sport Lisboa passaram a ser acompanhados por muitos espectadores sempre à espera de nova e retumbante vitória do Glorioso.
Em 1906/07 não conquistámos o título - ficámos em 2.º lugar atrás do Carcavelos - mas tornámo-nos num Clube popular e respeitado. Em 1909/10, no IV Regional de Lisboa, interrompemos o tricampeonato dos 'mestres ingleses' e demos expressão ganhadora ao Clube mais popular de Portugal: o nosso Benfica!
E porque motivo lhe contamos agora esta história? Porque sábado, dia 8 de Junho, pelas 10h30, este momento será revivido e evocado, sendo que para o efeito estarão frente-a-frente os veteranos do Benfica e do Carcavelos, num jogo solidário, a realizar na Linha. Para a semana mostramos-lhe como tudo aconteceu!

A imprensa deu destaque a esta vitória
«O acontecimento da última semana foi a vitória de um grupo desportivo português de futebol, com o primeiro 'team' inglês de Carcavelos, que conseguira manter-se invicto durante doze anos (erro: nove). E o grupo que tão brilhantemente atestou a capacidade e a destreza nacionais, para o jogo atlético favorito dos ingleses, seus inventores, foi o primeiro 'team' do clube Sport Lisboa, o decano dos clubes portugueses de futebol! Viva o Sport Lisboa!»
(Os Sports)

«Há já muitos que o clube inglês, devido ao seu constante treino, perícia no jogo e ataque combinado dos seus 'forwards' (avançados), não era batido por nenhum grupo português; cabe, pois, ao Sport Lisboa a honra de ter acabado com o 'feitiço', e bem o merece, pois é um dos melhores 'teams' portugueses que se apresentam em campo. Ao Carcavelos faltavam três dos seus melhores jogadores, por motivo de doença, o que concorreu (devemos lealmente confessá-lo) para a sua inferioridade no jogo. O 'goal' marcado pelo Carcavelos não foi defendido propositadamente, pelo grupo português, com o pretexto de já passar de hora. Alguns registaram, por isso, o resultado final de 2-0.»
(Tiro e Sport)

«Os valentes e reputados jogadores que constituem esse 'team' (o Sport Lisboa), incontestavelmente o melhor, mais harmónico e o mais unido que, com elementos portugueses, se tem conseguido reunir, são: Manuel Mora, Emílio, Albano, Couto, Levy, Manuel Costa, António Rodrigues, Daniel, Cândido Rosa Rodrigues e David da Fonseca. O desafio em questão foi um dos mais belos que, no nosso País, se têm jogado. Foi uma flagrante demonstração do que podem a tenacidade, a perseverança e a energia postas ao serviço do nosso admirável temperamento, impetuoso e ardente. A vitória do Sport Lisboa não foi um facto acidental: foi consequência da activa preparação e do aturado estudo do brilhante 'team' português. Com efeito, o Sport Lisboa foi vencido no seu primeiro encontro com o mesmo clube, embora na primeira parte a vantagem fosse sua. No segundo encontro, conseguiu empatar. No terceiro, finalmente, alcançou a vitória tão longamente almejada, conquistada tão briosamente. É, pois, digno dos mais calorosos aplausos este valoroso grupo, que tão elevadamente soube representar o País no mais universal dos exercícios atléticos.»
(Os Sports)"

Alberto Miguéns, in O Benfica

Até sempre... El Mago

Despediu-se hoje do Benfica, um dos melhores jogadores do Mundo da sua geração... nas 5 épocas que representou o Benfica, nem sempre pôde dar o seu melhor, devido aos seus problemas físicos, mas tanto dentro como fora do relvado, classe, nunca lhe faltou. Merecia, pelo que fez, ter saído do Benfica, com mais títulos colectivos no curriculum, mas o pior do Futebol Tuga não o permitiu. Os do costume irão tentar recordar os maus momentos, mas os Benfiquistas e os amantes do jogo, irão recordar para sempre a marca do Aimar nos nossos relvados...
Espero que esta despedida seja somente um: até logo... O Pablo terá com certeza algumas ambições pessoais ainda a concretizar, quando finalizar a transição para a vida pós-jogador, tenho a certeza que encontrará o Benfica de portas abertas.... 

A guerra da fruta chegou a Alvalade

"Em Tavira o presidente encontrou-se com Adelino Caldeira, vice-presidente do FC Porto, e a caldeira ferveu em desconsiderações.

SEMANA de divórcios, chamemos-lhe assim. Semana de divórcios mais ou menos amigáveis, semana de revelações, consequentemente. Algumas das revelações foram, no entanto, desabridas.
José Mourinho, por exemplo, trocou o Real Madrid pelo Chelsea e assim que pousou as malas em Londres confessou só ter tido duas paixões na vida, o Chelsea, propriamente dito, e o Inter de Milão.
Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Mourinho passou num ápice pelo Benfica, não teve tempo para se apaixonar. O facto de ter sido no Benfica que, pela primeira vez, ascendeu ao posto de treinador principal também não foi suficiente para lhe despertar qualquer tipo de sentimento benévolo que possa apresentar em público tantos anos depois.
Já do ponto de vista portista, esta confissão de José Mourinho é bem mais difícil de digerir. Foi no FC Porto que o treinador se consagrou como especial, vencendo títulos em Portugal e no estrangeiro, dando-se a conhecer ao vasto mundo. Mas não foi paixão. Fica registado.
João Moutinho, outro exemplo, trocou o FC Porto pelo Mónaco e inspirado pela brisa do Mediterrâneo veio também, à semelhança de Mourinho, evocar sentimentos pessoais. Confessou o jogador ter sido do Benfica «em pequenino» por causa da família e, sobretudo, do pai benfiquista. «Mas depois cresci e agora sou e serei sempre do Porto». acrescentou. Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Por uma razão muito simples. É que, na verdade, João Moutinho não cresceu muito desde os tempos em que era pequenino e benfiquista. Basta olhar para ele, embora não lhe falte sequer um palmo para se rum excelente futebolista, talentoso e trabalhador como poucos.
Com toda a sinceridade, João Moutinho, crescer, crescer..., cresceste alguma coisa que se veja?
Não. Não cresceu.
Já do ponto de vista sportinguista estas confissões amorosas de Moutinho serão mais difíceis de suportar. Na história sentimental de Moutinho não teve cabimento nem uma palavrinha doce, nem um bilhete postal para o Sporting Clube de Portugal que lhe deu o pão e a formação com que se fez profissional da bola.
A semana das separações, dos novos rumos de vida, não se esgotou nos palcos cosmopolitas de Londres e da Côte d'Azur.
De Paços de Ferreira para o Porto seguiu Josué e do Estoril para o Porto seguiu Licá. Ambos professaram imediatamente os seus votos de castidade. São do Porto desde pequeninos e odeiam o Benfica.
Ambos fecharam os seus novos contractos nupciais e assinaram de cruz e de cara alegre a obrigatória cláusula do ódio em que se sustenta todo o seu amor.
Estes, sim! Entraram bem.

QUEM entrou mal foi o presidente do Sporting de acordo com a opinião de um vice-presidente do FC Porto. Está consumado o divórcio mais improvável do futebol português das últimas décadas.
E porquê? Por causa da fruta. Finalmente, por causa da fruta.
O recém-eleito Bruno Carvalho, nunca é demais repetir, foi o primeiro dirigente do Sporting a dizer «fruta», palavra proibida do léxico desde que as escutas do Apito Dourado passaram a ser um sucesso no Youtube.
Em Tavira, à pala da final da Taça de Portugal de andebol, o presidente do Sporting encontrou-se com Adelino Caldeira e a caldeira ferveu em desconsiderações várias. A sensacional notícia é que o presidente do Sporting não gostou do que ouviu.
Recorde-se que ainda há pouco tempo, por ocasião do Sporting-FC Porto em futebol, um ex-dirigente do Sporting pegou-se em palavras com Reinaldo Teles na tribuna VIP de Alvalade. O teor da discussão nunca foi tornado público. Terão vindo os quinhentinhos à baila? Mas não faltou um coro leonino de ofendidos com o alegado destrato aplicado ao famoso Reinaldo Teles.
Que era falta de educação, disseram. Lembram-se?
Noticiaram os jornais no dia seguinte o incidente diplomático, coisa sem expressão política de monta até porque o líder dos Super Dragões tinha sido recebido como um príncipe em Alvalade.
As relações entre Sporting e FC Porto dizem respeito aos dois emblemas mas é grande cobardia não ter opinião sobre o assunto. Há coisa de um século Lenine inventou a expressão «idiotas úteis» para categorizar os ingénuos que ardiam de entusiasmo por um movimento que era contrário aos seus interesses.
Parece que Bruno Carvalho se recusa a ser mais um idiota útil. E terá sido por isso que Adelino Caldeira, fazendo fé no que se leu nos jornais, o deixou de «mão estendida» em Tavira e lhe disse, paternalmente, «você entrou mal».
Esperem, esperem amigos, que ainda vão ouvir dizer a gente importante da fruta que Bruno de Carvalho, tal como João Moutinho, é benfiquista desde pequenino. Mas depois se perdeu...

QUEM é benfiquista desde pequenina também é a CMVM. Só assim se explica o interesse desmedido em ter notícias da renovação dos votos ou do divórcio entre o Benfica e Jorge Jesus. É que, como qualquer sócio mais enfurecido ou desesperado por notícias, andou a CMVM a semana passada a pedir esclarecimentos ao Benfica sobre o nome a pôr no contracto do novo treinador.
Isto é paixão.
No que diz respeito ao contracto do novo treinador do FC Porto, a CMVM está-se perfeitamente marimbando para o assunto. E faz muito bem. O presidente do FC Porto anunciou que é no dia 12 que divulga o nome do sucessor de Vítor Pereira pelo que o melhor é não fazer ondas. É no dia 12 e não se fala mais nisso.
Isto é razão.

COM a alegria de um ressuscitado, o presidente do FC Porto discursou na Afurada celebrando as derrotas do Benfica nos descontos que é como lhe dá «mais gozo». Pela boca morre o peixe, não é verdade? Nem foram precisas 24 horas para o Benfica ganhar nos descontos dois títulos ao FC Porto na sua própria casa.
Deus me livre de vir para aqui glorificar o título nacional de juvenis em futebol e o título europeu de seniores em hóquei em patins. Foram saborosos, justíssimos, apenas isso.
O treinador de hóquei em patins do FC Porto disse no fim de tudo: «A incerteza sobre a realização do encontro prejudicou-nos». Fez bem o Benfica em ameaçar não comparecer se as condições de segurança do recinto não fossem garantidas, tratando-se para mais de um jogo de importância internacional, superentendido por uma organização internacional.
Sendo estrangeiros na organização, mete logo outro respeito.
Fez bem em ameaçar não ir a jogo e fez melhor ainda indo a jogo e ganhando-o. Assim é que foi bonito. Também foi bonito ver o fair play dos jogadores de hóquei em patins do FC Porto que se mantiveram em campo assistindo à entrega da taça ao rival. Gostaria de poder dizer o mesmo dos jogadores de futebol do Benfica a propósito da final da Taça no Jamor.

PARA os que explicam o sucesso europeu no hóquei em patins com o facto de o árbitro do jogo ter sido um estrangeiro, recorde-se que o árbitro do jogo decisivo do campeonato de juvenis era português. Nestas coisas, mais fruta ou menos fruta, o importante é sempre marcar mais golos do que o adversário.

NÃO há muito a dizer sobre a renovação de contracto com Jorge Jesus por mais duas temporadas. Não há, aliás, nada a dizer neste momento. Para haver conclusões falta bola, faltam jogos, faltam resultados. Daqui a duas temporadas, talvez uma, já haverá muita coisa para se dizer."

Leonor Pinhão, in A Bola

Josué e Joshua

"O futebol está sempre a surpreender-nos. Desta vez por causa de um promissor jogador do Paços de Ferreira, de seu nome Josué. Outro Josué (em hebraico, Joshua) foi o sucessor do profeta Moisés e responsável por conduzir os israelitas à Terra Prometida. Este contemporâneo Josué veio de Paços, de passo em passo, para chegar à frutuosa terra desejada.
Feliz e contente, o jogador proclamou, no canal do novo clube, em jeito de sentença: «Tinha duas certezas na minha carreira: a primeira é a que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é que nunca jogaria no Benfica.» E remata fulminante: «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica. E eu não fujo à regra.» Assim se distinguiu do colega Licá que, do Estoril, veio dizer a habitual banalidade de ser do clube contratante desde pequenino. Ora aí está, uma novidade nas contratações. Um jogador assina pressurosamente por dois clubes: pelo Porto e pelo anti-Benfica. Com o aplauso vibrante dos prosélitos e o tão sincero quanto interesseiro desejo de agradar ao chefe. Não sei se a parte do contracto anti-Benfica vem em letra gorda ou se, como nas apólices de seguros, vem em letra miudinha. Sim porque é de um seguro que se trata. Só não sei se de seguro de caução, seguro contra terceiros, seguro multirriscos ou, mais simplesmente, seguro de vida.
Imagino como deve ter sido cruel para Josué ter jogado contra o seu clube que precisava de ganhar na última jornada em Paços de Ferreira.
Josué disse que tinha duas certezas neste seu tão vibrante e elegante modo de mudar de clube. Mas, ao contrário do bíblico Joshua, não estou certo que alcance a Luz."

Bagão Félix, in A Bola

CaboPolvo !!!


(A partir do minuto 3.58)

Já não temos uma fantástica Selecção

"Continuamos a assumir como verdade indiscutível que temos uma das melhores selecções de futebol do mundo. Já tivemos, de facto, selecções de altíssima qualidade e suficientemente equilibradas para nos darem confortantes garantias de que era pelo menos razoável aquela tão generosa quanto assídua presença no top mundial no ranking da FIFA. A verdade - e é bom que todos tomemos consciência disso - é que, neste momento, Portugal estará no início de uma transição que pode vir a ser dolorosa.
Olhe-se com algum distanciamento e com sentido de objectividade para a última convocatória de Paulo Bento para um jogo decisivo com a Rússia. Abstraindo - o que nem sempre é fácil - a natureza da teimosia humana de que Paulo Bento não prescinde no momento da escolha, a verdade é que de vinte e cinco jogadores convocados, metade (para sermos simpáticos) não tem classe para estar numa selecção de topo. Seria menos mau se os que sobravam se pudessem arrumar cada um num dos onze lugares diferentes da equipa. Claro que não podemos ambicionar a tal sorte. Há lugares preenchidos por jogadores de altíssimo nível, outros de nível médio e outros ainda de nível baixo, o que torna a Selecção, em si mesma, numa equipa com limitações que só o engenho do treinador, a disciplina táctica e - mais importante de tudo - a vontade de ganhar pode ultrapassar com sucesso.
Tudo piora se pensarmos que os vinte e cinco jogadores chamados pertencem a um total de dezoito clubes, o que transforma a Selecção numa Babel futebolística (tanto mais que só estão três clubes portugueses representados) e aumenta, drasticamente, o grau de dificuldade do seleccionador nacional. Ganhar à Rússia será fundamental, mas deixou de ser uma obrigação."

Vítor Serpa, in A Bola

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ressaca vitoriosa !!!

Benfica 10 - 4 Sporting

Início perro, com um Sporting a dar tudo (mas a caminho da 2.ª Divisão!!!)... já na 2.ª parte, a diferença de qualidade acabou por se traduzir naturalmente no marcador. Com o Zorro especialmente inspirado - com 5 golos -, e ainda lhe anularam - mal - outro !!!
Agora, é concentrar todas as forças na Taça de Portugal - ainda temos o jogo em Vale de Cambra no próximo sábado para o Campeonato -, o jogo em Valongo não vai ser nada fácil...

Este jogo, foi o último da época na Luz, devido à indefinição no plantel para a próxima época, e a todas as notícias postas a circular, não existe certeza - pública - de nada, mas este jogo soube a despedida, principalmente para o Mister e para o Viana...
Deixo o aviso: não será nada fácil substituir os dois, venha quem vier. O mediatismo, a exigência, e a critica interna é algo pouco comum em qualquer equipa de Hóquei a nível Mundial, não haverá muitos treinadores competentes, e com essa capacidade no mercado. Em relação ao Zorro, espero que não seja cometido um grande erro: goleadores são uma raça rara...

PS: Uma nota sobre o adversário: parece que o hábito de se atirarem para a piscina é transversal a várias modalidades!!!

Cereja em cima do dragão

"No hóquei não há a maldição Guttmann. Nos últimos anos, o Benfica ganhou a Taça CERS (a Liga Europa do hóquei), a Supertaça Europeia (ainda que por desistência do oponente) e - cereja em cima do dragão - é agora campeão europeu.
Sou de uma geração em que o hóquei rivalizava com o futebol como desporto mais popular. Era o tempo da magia da rádio. Com a hegemonia do futebol e da televisão foi perdendo o seu lugar. Também por culpa própria. Vem, agora, melhorando com novas regras.
Na final-four, o Benfica venceu com mérito. Tinha tudo contra ele: nas meias-finais, o campeoníssimo Barcelona e na final, o rival português em casa deste. Sim, em casa do FCP, pois o recinto era tudo menos neutro, como é regra geral em finais em que a lotação é dividida entre os clubes. Os corajosos benfiquistas - uma minoria (150 bilhetes disponibilizados pelo neutríssímo anfitrião...) - só viram a 2.ª parte. E julgava eu que uma final destas era preparada pela federação europeia...
Felizmente o Benfica acabou por jogar. Felizmente venceu aos... 2m do tempo extra. Felizmente não houve escaramuças entre vencedores e vencidos. Felizmente os jogadores respeitaram-se. Felizmente a arbitragem foi bem melhor da que, por cá, vamos vendo.
Com esta vitória, o Benfica está apenas atrás do Barcelona no que se refere à conquista de títulos europeus de 1.ª ordem em diferentes modalidades. No caso do Benfica: futebol, futsal, atletismo (5 taças dos Campeões Europeus de estrada entre 1988 e 1992) e agora hóquei. Obrigado ao Benfica pelo seu vasto e vitorioso ecletismo e por nunca ter renunciado ao hóquei em patins. Parabéns a Luis Sénica e jogadores."

Bagão Félix, in A Bola

Jota Jota remix !!!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Renovação e recado...


É oficial, Jesus renovou por 2 anos. Acho que a renovação deveria ter ficado no papel a meio da época, tinha-se poupado muitas perguntas... Em momento algum, deixei de defender esta decisão, inclusive à saída do Jamor, quando era audível a raiva nas palavras dos Benfiquistas pelo cruel desfecho da época.
Dito isto, quero fazer uma declaração de interesses:
O Jesus é neste momento o melhor treinador para o Benfica, mas não está numa posição de fazer muitas exigências. A ser verdade, as notícias sobre a vontade do Jesus em não ter o Cardozo no plantel, é bom que alguém da Direcção do Benfica, lhe diga, que a decisão sobre a formação do plantel é da Direcção e não do treinador. E muito menos do empresário do jogador: talvez o mais irritante que tenho memória!!!
Como eu já escrevi, e tal como o próprio Jesus afirmou no final da partida do Jamor, estas situações desagradáveis, com os jogadores de cabeça quente, podem acontecer, e têm que ser relativizadas. Principalmente quando envolvem jogadores, que já deram provas de pouca inteligência nas reacções em público, algo que o Cardozo já nos habituou. Mas ele é jogador do Benfica, porque marca golos, ninguém lhe exige um curso de boas maneiras...
O pedido de desculpas em público já foi feito, falta um pedido de desculpas em privado ao Jesus e ao André, e um pedido de desculpas perante o resto do plantel... Uma multa pesada. E o problema está resolvido.
Com a publicação desta suposta noticia, mesmo sendo verdadeira, enfraquece a posição negocial do Benfica. Portanto, um desmentido oficial, não ficava nada mal...
O Tacuara pode ter muitos defeitos, mas marca golos. O Benfica, nesta altura do 'campeonato' não pode estar aberto a experiências... O mercado é caro, o dinheiro não abunda, e os jogadores que fazem aquilo que o Cardozo faz, estão quase todos fora do nosso alcance...
Se alguém pensa (treinador incluído) que o Lima ou o Rodrigo podem substituir o Cardozo, estão redondamente enganados. O própria Lima marcou grande parte dos seus golos, com o Cardozo ao seu lado. Quando o Lima jogou sozinho na frente (ou com o Rodrigo), teve um rendimento muito inferior. E nem o Nelson Oliveira, nem o Rodrigo Mora, nem o Jara são opções válidas...
O ideal mesmo, seria contratar um avançado 'parecido' com o Cardozo (terá que ser um jovem, porque os consagrados estão fora do alcance da nossa bolsa), alto, possante, mais rápido, e principalmente com faro de golo (Zapata, Alex Mitrovic por exemplo!!!), manter o Tacuara, e ir dando minutos ao mais jovem...

Glória ao Futebol moderno

"No dia 15 de Junho de 1952, Benfica e Sporting foram intérpretes da que terá sido a mais emocionante Final da história da Taça de Portugal. 5-4 foi o resultado. Rogério «Pipi» resolveu o encontro no último minuto...

Regressemos ao Jamor. Não para resolver os confetis da festa recente do Vitória de Guimarães, que tanto doeu na alma benfiquista, mas para retomar a recordação daquele quádrupla vitória na Taça de Portugal, com o intervalo de uma época pelo meio, precisamente a de 1949/50, ano em que por se ter disputado em Lisboa a Taça Latina não houve lugar à habitual festa da Taça.
Vimos, na passada semana, como o Benfica destroçara a Académica do Dr. Bentes, o «Rato Atómico», por expressivos 5-1, com quatro golos de Rogério «Pipi». Foi a primeira vitória das três consecutivas após o tal interregno de 1950. Seguir-se-iam duas finais contra rivais de estadão, aqueles que mais marcam a história do Clube da Luz: Sporting e FC Porto. E assim mesmo, por esta ordem.
No dia 15 de Junho de 1952, o Estádio Nacional engalanou-se para uma Final a cheirar bem, a cheirar a Lisboa, entre Benfica e Sporting. Jogo de estalo! E não adivinhavam os adeptos de ambos os clubes que demandaram o Vale do Jamor naquela tarde o espectáculo emocionante a que iriam assistir. Chamaram-lhe «A Apoteose do Jamor». E ia assim, linha a linha: «Quando, ao faltar um minuto para acabar o maravilhoso conto do Jamor, uma história fantástica e emocionante do Futebol português, Rogério marcou a 5.ª bola em remate feliz, roçando o poste, e depois desmaiava na alegria do feito e da vitória, o Benfica conquistara a Taça de Portugal na Final mais rica de que há memória, mas o grande triunfador era verdadeiramente o Futebol, tanto na expressão benfica como sportingue, que nos dera a melhor Final de todos os tempos!»
Ah! Palavras ufanas, cheias de entusiasmo. E não era para menos. Esse mesmo Rogério, o Rogério Lantres de Carvalho, o Rogério «Pipi» como ficou popularmente conhecido, que ao minuto 43, desperdiçara um penálti, fechava um 5-4 as contas de um dérbi excepcional que manteve os olhos dos milhares e milhares de espectadores que enchiam as bancadas do Estádio Nacional presos a todo aquele teatro trágico que se desenrolava sobre o relvado.

Arte e harmonia
O marcador, foi, ao longo dos 90 minutos, saltando de um lado para o outro, provocando os nervos e os histerismos ora destes ora daqueles, sempre sem que ninguém fosse capaz de antever para que lado o resultado iria cair. Reparem: 0-1 por Albano, de penálti, aos 9 minutos; 1-1 por Rogério, de penálti, aos 23 minutos; 2-1 por Corona, aos 49 minutos; 2-2 por Rola, aos 51 minutos; 2-3 por Martins, aos 56 minutos; 3-3 por Rogério, aos 69 minutos; 3-4 por Rola, aos 71 minutos; 4-4 por José Águas, aos 73 minutos; 5-4 por Rogério, aos 89 minutos. UFA! Só escrever já cansa, quanto mais jogar...
Tavares da Silva, grande jornalista do seu tempo, que chegou a ser Seleccionador Nacional, desenrolou no «Diário de Lisboa» uma prosa brilhante sobre este encontro e que começava, precisamente, com as linhas que mais acima reproduzimos. E vale a pena dar-vos a conhecer mais alguns dos adjectivos com que o célebre colunista pintalgou a final do Jamor de 1952. Aproveitem.
«A todos os títulos, a Final da Taça de 1951/52 representou uma lata expressão de Futebol moderno, de uma velocidade outrora desconhecida e de movimentação sintonizada, com espaço suficiente para as manobras individuais, empenhando-se os jogadores exclusivamente nas boas normas do fair-play. O desafio teve interesse, graça, animação e ansiedade! Viram-se, na base da referida movimentação e velocidade, golpes estupendos de arte e harmonia, atitudes escultóricas, figuras acrobáticas, todo um mundo de riqueza no campo desportivo! (...) Os dois mais famosos grupos portugueses contaram-nos, no Jamor, uma bela história que, daqui a tempos, quando se falar ou relembrar as grandes manifestações do Futebol português, será sempre recordada: - Ali, no Vale do Jamor, uma vez, em fim de época de 1952, assistimos a uma Final da Taça como nunca tínhamos visto e não mais pelos tempos fora havíamos de ver...»
Para nós, os outro, os que não vimos, resta a memória indelével das palavras escritas."

Afonso de Melo, in O Benfica 

Para quando, a palhaçada?

"Já haverá data marcada? E ementa? Que irão os nossos tão bem pagos quanto mal empregues deputados oferecer no almoço de subserviência àquele senhor que acha, por exemplo, que o Ministério Público é a PIDE dos novos tempos?
Não seria de bom tom convidar para o almocinho da ordem um dois representantes do dito Ministério Público?
Excitado, o hemiciclo já se vai rindo, antecipadamente, das piadolas brejeiras, dos insultos baratos, das casquinadas e dos flatos...
Afinal, ele e os amigos mais próximos tratam-se distintamente por «filhos da puta» (sic), expressão que o povo, na sua tal infinita sabedoria (a meu ver ainda por comprovar), utiliza com frequência para brindar os políticos, sejam eles ou não deputados pela nação.
Para quando, portanto, a palhaçada do costume?
O dia 7 de Junho seria, certamente, um belo dia para que a Assembleia Constituinte abrisse as suas portas de par em par para receber afectuosamente aquele senhor que gostava de ver Lisboa e arder, e com ela, presume-se, a dita Assembleia.
Encheriam todos a pança alarvemente, diriam porcarias e piadas obscenas, soltariam gases enquanto distribuíam palmadas nas omoplatas (chamando-se, presume-se, nomes uns aos outros e às suas respectivas mães), e depois poderiam ver o jogo da Selecção Nacional contra a Rússia.
Em caso de derrota portuguesa, o tal senhor abriria uma garrafa de champanhe. Parece que a isso está habituado..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Filip Djuricic

"(...)
Amesterdão - Estava no ArenA de Amesterdão quando viu o seu companheiro Ivanovic marcar um golo pelo Chelsea e destruir o sonho do Benfica em vencer a Liga Europa. O que sentiu naquele momento?
- Um golo do meu colega de selecção... Senti uma enorme pena. Fiquei logo com medo porque foi um canto estúpido: o lateral-direito do Chelsea enviou a bola longe, pensou-se que a bola iria para fora, mas o Ramires chegou a tempo e chutou-a contra um jogador nosso. Logo ali disse a uma amigo: 'não, outra vez não! É impossível!'. É incrível em sete dias perder dois jogos no último minuto.
- O facto de ter visto aquele jogo na condição de futuro reforço do Benfica foi suficiente para sentir alguma dor?
- Nem sei o que senti porque foi um choque, nem acreditava. Tinha visto o jogo com o FC Porto, depois seguiu-se a final... Mas temos de encarar isto como parte do futebol e seguir em frente.
- Teve a oportunidade de ver os adeptos em acção pela primeira vez. O que achou?
- Eu estava na parte destinada aos adeptos do Benfica. Foi um momento triste porque vi muita gente a chorar. Mas fiquei a saber o que significava um troféu daqueles para os adeptos do Benfica. Quem sabe se não vencemos na próxima época...
- Eles reconheceram-no?
- Sim. De início foi desconfortável porque todos queriam tirar fotografias, mas não ficavam muito tempo.
- O que lhe disseram?
- Coisas do género: 'foste para o clube certo', 'é um clube grande'. Foi bom. Faz parte da profissão, é bom sentir os adeptos. Fiquei muito triste por eles. Mas gostei muito da reacção que eles tiveram após a derrota. Mesmo perdendo, aplaudiram a equipa, adorei ver, é um grande clube.
- Que consequências provocarão o final de época do Benfica?
- Há que ver um lado bom: não vencemos o campeonato há três anos e, para mim, será um prazer jogar num clube que terá ainda mais vontade de ser campeão. Esta é a prioridade, acho, do Benfica para a próxima época: ganhar o campeonato. Escolhi ir para o Benfica porque quero ganhar, pois até agora joguei num clube com menos ambições, o Heerenveen. A pressão será maior, tudo será em grande, isso já eu sei, mas jogo futebol justamente por causa disso. Estou ansioso por começar.
- Lida bem com a pressão?
- Sim. Eu tinha 17 anos quando fiz o meu primeiro jogo pelo Heerenveen e estreei-me pela selecção da Sérvia aos 16. Na altura a pressão era grande, não ao nível que vou encontrar no Benfica, é certo, mas era grande. Lembro-me que nos meus jogos de campeonato na Sérvia tinha cinco mil pessoas, no Heerenvenn tive logo 35 mil. Antes só via esses jogos pela televisão.
- Qual foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça quando assinou pelo Benfica?
- Entusiasmo. Eu tive de escolher entre várias propostas que me surgiram.
- Foram muitas?
- Sim. Partia para o meu último ano de contracto e o preço de mercado desceu. Estudámos o que tínhamos em mãos e decidimos pelo Benfica.
- O que pesou na decisão?
- Decidi-me pela equipa que melhor joga futebol, de princípio ao fim. Se tivesse de escolher entre o Chelsea ou o Benfica escolhia sempre o Benfica pelo seu estilo de futebol que joga. Mesmo que o Chelsea seja um clube maior. Mas eu quero jogar esse futebol.
- Que futuros colegas lhe levam a pensar: 'com aqueles vou dar-me bem'?
- A equipa toda! Desde o guarda-redes até ao avançado, todos sabem o que fazer com a bola. Não posso apontar apenas um ou outro porque não tenho o conhecimento perfeito da equipa, mas pelos jogos que vi, percebo que todos os jogadores querem jogar futebol e isso é incrível. Quero fazer parte de uma equipa dessas.
- Está preparado para substituir Aimar?
- Estou preparado para grandes coisas, é o que sempre pensei quando comecei a carreira. Ser futebolista é tentar subir de nível, de forma constante. Vou para um clube maior e sei que terei outras responsabilidades. Sei que serei o substituto de Aimar. Por um lado é um grande pressão, por outro é um prazer. Mas o prazer de substituir uma lenda será maior que a pressão.
- Assume-se como um clássico número 10?
- Sim. É a posição onde melhor me sinto. Já joguei como segundo avançado ou descaído para uma das alas, mas sou um número 10. O facto de o Benfica ter a tradição de jogar com um número 10 foi outro dos factores que me levaram a escolher o Benfica. Aimar vai-se embora, mas há Gaitán. Antes houve outros...
- ... como Rui Costa.
- Espero vir a ser como ele. Sou um 10 como ele foi, tenho características parecidas às de Rui Costa. Sei que ele já me elogiou e quero retribuir. Fiquei muito feliz por ele ter dito boas coisas sobre mim.
- Matic é seu compatriota e amigo. O que lhe disse?
- Falei como ele antes de assinar pelo Benfica. Somos amigos, jogámos na mesma escola de futebol quando éramos miúdos, apesar de ele ser três anos mais velho que eu. Falei com ele algumas vezes, ele aconselhou-me e disse-me: 'És um jogador com condições para jogar aqui, tens de vir'. Depois foi mais fácil dizer sim ao Benfica.
- Diz que o tipo de futebol praticado foi fundamental para a sua escolha. Mas alguma vez pensou no Benfica como um trampolim, tendo em conta o histórico do clube em vender jogadores para clubes de maior poder financeiro?
- Não. Quando tomamos uma decisão pensamos em vários aspectos: futebolístico, o tipo de clube, o tipo de adeptos, a questão financeira, obviamente, e a vida do país e da cidade. Portugal é um óptimo país para viver e tudo isso contribuiu. Foi, por isso, fácil chegar a acordo.
- Como reagiram os seus colegas à notícia?
- Tendo em conta que foi oficial apenas há pouco tempo, não houve tempo para isso. Quando me perguntavam se era verdade eu dizia 'não sei, vamos ver' (risos). Quando se tornou oficial, deram-me os parabéns.
- Acha que vai demorar a adaptar.-se?
- Não quero esperar, pretendo adaptar-me o mais rapidamente possível e entrar de imediato na dinâmica da equipa.
- A final da Liga dos Campeões da próxima época é no Estádio da Luz. Imagina-se lá?
- Podemos sempre sonhar, os adeptos também. Mas o Benfica não vence campeonato há três anos e ganhar essa competição será o principal objectivo. Mas é claro que gostaria de jogar uma final pelo meu novo clube, especialmente na Luz.
- Já traçou algum objectivo pessoal? O que será, para si, um bom começo?
- Não gosto de falar sobre os meus objectivos pessoais, quero adaptar-me o mais rápido possível e depois veremos como corre. O que mais desejo é vencer títulos no final da época.
- Das várias análises feitas à sua forma de jogar, retive uma: que pelo facto de, fisicamente, ainda não ser muito forte, Djuricic tenta estar sempre um passo à frente nas jogadas. É mesmo assim?
- Eu apenas jogo. Claro que temos de pensar no que estamos a fazer, mas devemos acima de tudo relaxar. Não é bom quando, em campo, pensamos em demasia. A intuição é o mais importante, tal como a antecipação do que vai acontecer. Sei que, entretanto, terei de melhorar a parte física e outras situações. Sei que vou apreender isso no Benfica, daí que seja um grande passo para mim.
- Gosta mais de uma boa assistência ou de um golo feio?
- De uma boa assistência, mas um golo é um golo e isso é o mais importante no futebol.
- Marcou 23 golos nas duas últimas épocas pelo Heerenveen...
- Tenho feito 14/15 golos por temporada, contando com os jogos da selecção. Em média, marquei sete/oito por época no Heerenveen, mas trata-se de uma equipa do meio da tabela, que não tem o objectivo de vencer todos os jogos. No Benfica será diferente, terei mais oportunidades para marcar. E para fazer assistências.
- Para Cardozo?
- Sim. Ou para Lima ou Rodrigo. Todos eles são grandes avançados.
- Vai estar sozinho em Portugal?
- Os meus pais estarão comigo boa parte do tempo, tal como a minha namorada. A minha irmã também irá de vez em quando, mas nem sempre. Tem 18 anos e os meus pais têm de apoiá-la agora.
- Que objectivos tem na carreira?
- Jogar o meu futebol, ser um dos melhores. Quero chegar ao topo. Acho que sou um jogador que faz a diferença. Sempre tive essa ideia na cabeça desde cedo.
- Quem é o seu ídolo?
- Kaká. Aquele do Milan. Espero ainda vir a jogar na mesma equipa dele.

A HISTÓRIA DA ALCUNHA DE CRUYFF DOS BALCÃS
- Aproveitou a embalagem, no início; depois tentou afastar-se da imagem
Amesterdão - Quando chegou à Holanda, em 2009, já vinha catalogado como Cruyff dos Balcãs. Foi uma sensação boa?
- (pausa) Foi bom no início.
- Quem é que lhe pôs a alcunha?
- Foi a imprensa (o pai, Dusan, interrompe e diz: foi o olheiro do Ajax que jogou com Cruyff. Quando viu Filip jogar na Sérvia, disse que ele jogava como Cruyff. Há quatro anos fez tudo para ele ir para o Ajax, mas não foi possível. Só que ele disse isso aos jornais e a moda pegou). Foi uma grande pressão para mim. Porque é um nome muito respeitado na Holanda, não gostam de comparações. Não se pode ter esse nome se não se for bom jogador.
- Pressão grande...
- Sim. Mas de início até aproveitei. Deram-me a escolher entre os números 14 ou 18 e escolhei o 14 (eterno número do antigo astro), o que pôs todos os meus colegas a rir. Até diziam que eu era parecido com ele: deixei o cabelo maior e tudo (risos), festejava como ele. Mas isso durou pouco e passado um tempo passei a ter a minha marca. Deixei de ser o 14 e passei a ser o 9.

«SEI LIDAR COM TREINADORES COMO JESUS»
... Os gestos, a pose, a linguagem fazem do treinador português um «entusiasta», na.... «Já tive treinadores como ele no passado. Mas agora sou mais inteligente e maduro e sei lidar melhor com treinadores assim.»
Percebe-se, pois, que houve experiências difíceis anteriores. De acordo com o ex-jogador do Heerenveen, é tudo uma questão de «adaptação» sobre os métodos de Jorge Jesus, frisando o jogador de 21 anos que o técnico é «conhecido por potenciar jogadores». «Há muitos, e bons exemplos disso», salientou, adiantando: «As questões pessoais é o menos importante, o profissionalismo acima de tudo.»
Questionado se gostaria de ser mais uma dos talentos trabalhados para exportação, Djuricic encolheu os ombros: «Porque não? O Benfica já vendeu jogadores para grandes clubes.»

«SULEJMANI VAI AJUDAR MUITO»
Amesterdão - ... «Aos 18 anos era um dos melhores jogadores da Europa», recorda Djuricic. «O Ajax comprou-o por 16 milhões de euros ao Heereveen. Infelizmente ele não esteve tão bem nos últimos anos, mas continua a ser um grande jogador»,...
«Jogamos juntos na selecção sérvia. É muito tecnicista, bom passador, chuta muito bem com ambos os pés, pode jogar nas alas ou como avançado», é a análise personalizada ao compatriota, de 24 anos. «Sulejmani vai ajudar muito o Benfica», garantiu Djuricic, assumindo que ainda não falou muito com o compatriota sobre o novo clube. «Haverá tempo, mas vai ser muito bom jogar com ele»."

Entrevista a Filip Djuricic por Fernando Urbano, in A Bola

PS: Posso estar enganado - acho que não estou!!! -, mas temos aqui um grande jogador... de todos os que foram anunciados (apesar do Djuricic ser o único confirmado pelo Benfica), este é aquele que me dá maior confiança, que tenha um impacto imediato no Benfica... até a confiança com que fala - confundida com arrogância por alguns -, me fortalece a convicção.

domingo, 2 de junho de 2013

Campeões Europeus - Histórico (III) !!!


Corruptos 5 - 6 Benfica

Lindo, seria impossível imaginar um argumento mais épico. Depois de tantas tentativas, algumas ingloriamente perdidas (Igualada...), o Benfica, quando se calhar poucos acreditavam (onde eu me incluo), conquistou finalmente o titulo máximo das competições de Hóquei em Patins, a nível de Clubes... Glorioso título, conquistado arduamente, por verdadeiros Campeões. Um trajecto extraordinário, derrotando equipas como o Réus, Viareggio, Noia, Barcelona e Corruptos, sem derrotas, só cedemos 2 empates, de resto só vitórias!!!
O jogo foi equilibrado, o Benfica até entrou a perder (2-0), mas manteve a cabeça fria, não baixou os braços (ao contrário do jogo do Campeonato), como a impunidade Corrupta, com os árbitros Espanhóis, foi menor do que é costume, o Benfica até beneficiou de algumas situações de bola parada... e para ironia do destino, depois de uma época inteira a falhar estas oportunidades, hoje, não falhámos uma: 1 Livre Directo (Cacau) e 2 penalty's (Zorro, Matador: tal como os tapetes que nos patrocinam!!!). Mesmo assim, e apesar de uma arbitragem, melhor do que o expectável, não deixa de ser estranho que os Corruptos tenham terminado o jogo com 9 faltas!!! A uma do Livre Directo respectivo... isto num jogo, onde os mergulhos para a piscina dos Corruptos - principalmente pelo Jorge Silva - foram mais do que muitos!!!
Tal como na vitória da Taça Cers, em 2011, vencemos no campo do adversário, com um ambiente adverso, e com o Diogo Rafael em grande destaque, hoje marcou um golo, e fez a assistência para os últimos 2 !!! Mas mais uma vez, o Pedro Henriques voltou a ser fundamental, defendendo um LD e um penalty!!!
Se calhar este não é o momento indicado, mas eu não consigo esquecer as muitas ofensas que foram escritas nas redes sociais Benfiquistas, durante esta época, sempre que tivemos um resultado negativo. O Benfica é realmente um Clube peculiar, temos mesmo Benfiquistas profissionais nas ofensas e calúnias sobre os nossos jogadores, treinadores e dirigentes!!! Estes jogadores, nas últimas 4 épocas, têm feito um trabalho notável, sempre a crescer... a vitória de hoje, é prova disso... A perda do Campeonato desta época, foi sentida por todos, mas isso não justifica a ingratidão para com aqueles que ainda o ano passado, nos tinham oferecido um título, que muitos pensavam ser impossível de conquistar!!!
Nas últimas semanas, muitas coisas têm sido ditas, são vários os jogadores ligados ao Benfica pelos jornaleiros, creio que o Trabal e o Miguel Rocha vão de facto fazer parte do plantel da próxima época, mas não precisamos de revoluções... e como é óbvio o Sénica é para continuar...
Não posso deixar de falar dos Comunicados, só foram 4 (aqui)(aqui)(aqui)(aqui)!!! Eu defendi a não participação do Benfica neste jogo. Mesmo, sendo neste momento Campeão Europeu, continuo a achar que a não presença teria sido a melhor decisão. Disse ontem, que compreendia a frustração dos jogadores... Parece, que foram mesmo os jogadores a pressionar a Direcção do Benfica, a voltar atrás com a decisão. Felizmente tudo correu bem... Mas que ninguém tenha dúvidas, sem os Comunicados, sem a Ameaça de não jogar, o jogo teria sido completamente diferente: a arbitragem teria sido diferente, e principalmente o ambiente teria sido diferente. Sem os Comunicados, não teríamos recebido a Taça no ringue, sem os Comunicados não teríamos adeptos no Pavilhão, sem os Comunicados não teríamos festejado o título com os nossos adeptos...
Os ambientes terroristas, são premeditados, o Benfica não pode continuar a aceitar passivamente, comportamentos animalescos... aceito que seria injusto para os jogadores, perderem a hipóteses de lutar pelo título máximo Europeu, só para marcar uma posição, que envolve muitas outras modalidades, incluindo o Futebol... Para os mais distraídos, deixo aqui para memória futura, que hoje de manhã, a primeira pessoa a afirmar que iria haver jogo foi o Macaco!!! Sim, Fernando Madureira, marginal com biografia publicada e tudo... Logo pela matina, afirmou nas redes sociais, algo parecido: «...vai haver jogo, EU garanti a segurança...»!!! Isto antes, de qualquer anuncio oficial...!!!
Uma nota ainda para a RTP. Parece que sentiram o toque... Quando o jogo chegou aos momentos decisivos, voltaram a esquecer-se do local onde estavam... mas comparado com outras ocasiões!!! Só não percebi, a ausência das repetições, no 3.º golo dos Corruptos, onde o Carlos López partiu a cabeça!!!

Juvenis - 5.ª jornada - Fase Final - Campeões


Corruptos 1 - 1 Benfica

E pronto, já está... podíamos ter sofrido menos, podíamos ter marcado mais cedo - não era Romário?!!! -, mas assim, com o golo, no primeiro minuto das compensações, até soube melhor!!! Ainda por cima, com uma vergonhosa arbitragem do André Gralha e dos seus assistentes, onde tudo foi permitido aos Corruptos... com agressões claras a passar impunemente.

Com vários reforços dos Juvenis B (1.º ano), esta equipa acabou por se transfigurar nesta Fase Final, depois de um início de época algo irregular... sou daqueles que defende, a importância do Torneio realizado na Holanda, a equipa veio mais forte...

São vários jogadores nesta equipa, com talento para triunfarem, mas também são muitos os jogadores nesta equipa com uma cabezinha demasiado oca... O Guedes, é de facto, em termos de talento puro o jogador de maior destaque, mas eu pessoalmente gosto muito dos Centrais (Dias, Lima) e do Guga...

Este duplo triunfo - Juniores/Juvenis -, creio que já não acontecia à 17 anos no Benfica - e o de Iniciados só fugiu devido ao golo mal anulado em Alcochete -, é a prova que o trabalho na Formação está a ser bem feito. Agora só falta, o último passo, levar estes miúdos à equipa principal... creio que daqui a 2, no máximo 3 anos, vamos 3 ou 5 jogadores da Formação, bem estabelecidos na equipa principal.

Infelizmente, não posso de comentar o que se passou no final da partida. Mais uma vez, são sempre os mesmos. Recordo que sempre que o Benfica vence um jogo da Formação, no Olival ou no Seixal, são sempre os mesmos que iniciam o festival do pontapé no adversário... basta recordar o jogo de Juniores no Seixal deste ano. Hoje, ainda houve uma agravante: é visível nas imagens, gentalha adulta, treinadores, e seguranças dos Corruptos, a agredirem os nossos miúdos... tudo isto perante a passividade da equipa de arbitragem, que aparentemente no relatório nada vai escrever!!! O espectáculo da baixaria não podia ficar terminado, sem a colaboração dos jornaleiros da PorkoTV, que assistindo a tudo, afirmaram que o simples facto dos miúdos do Benfica, celebrarem um título nacional, é considerado por eles como Provocação; ainda mais cómico, quando um dos porcos, afirmou alto e bom som, que no meio daquela confusão toda - com agressões bem visíveis aos jogadores do Benfica -, viu um jogador do Benfica a agredir um adversário!!! Afinal o porco estava com o olho aberto!!!
Também já não é novidade, mas a incapacidade dos jornaleiros - os ditos imparciais - em distinguirem os agressores, dos agredidos é notável!!! Como sempre acabam por descrever a palhaçada como agressões mútuas... É um fartar de vilanagem...

Histórica (II) !!!

Foi anunciado na Benfica TV, que o Benfica não se irá apresentar amanhã, no Final da Liga Europeia.
Justificando esta atitude, pela resposta do Comité organizador da prova, ao comunicado anterior do SL Benfica, onde exigia serem reunidas as condições de segurança necessárias, para que os nossos adeptos pudessem assistir à partida.

A concretizar-se, esta decisão, é Histórica. Posso compreender que os jogadores, depois de todo o esforço de ontem, se sintam frustrados, mas a pouca vergonha tem que acabar algum dia, não podemos continuar a ser cúmplices por omissão, dos ambientes terroristas patrocinados pelas autoridades, na Faixa de Gaza...!!! Se o responsável do CERH diz nada poder fazer, então fica a pergunta: quais os argumentos que fizeram o CERH atribuir aos Corruptos esta Final 4?!!!

Aqui fica o comunicado na integra:
"Após o que se viveu na tarde deste sábado no Dragão Caixa, com condições de segurança ao nível de uma competição amadora a permitirem a ameaça a adeptos, sinal de desrespeito por todos os clubes presentes na final four da Liga Europeia de Hóquei em Patins, o Sport Lisboa e Benfica realizou contactos no sentido de serem garantidas para amanhã [domingo] as condições de segurança que a PSP não garantiu no dia de hoje [sábado] e, bilhetes para os seus adeptos, tendo em conta que o SL Benfica é um dos finalistas e pelo facto de se tratar da principal prova europeia de clubes.
A resposta do comité europeu (CERH) responsável pela organização não podia ser mais surpreendente: não pode garantir a cedência de ingressos para a Final. Mais surpreendente é o facto do presidente do Comité Europeu (CERH) dizer aos responsáveis do Benfica que as pretensões são totalmente legítimas, mas que nada pode fazer.
Perante tudo isto, o Sport Lisboa e Benfica não se vai apresentar em campo para a Final da competição. Será, para o clube vencedor, a vitória da intimidação, da violência, e da quebra das mais elementares regras de ética numa competição desta dimensão.
Da Policia de Segurança Pública ficou, uma vez mais, provado que há duas instituições diferentes. Uma a norte, apenas preocupada com os interesses de um clube, e outra PSP a sul, essa sim orientada apenas para a salvaguarda da ordem pública. Um caso, mais um, para o Ministério da Administração Interna analisar.
O Clube tudo tem feito para dignificar e desenvolver a modalidade, mas não pode pactuar mais com este tipo de situações.
Já que o CERH parece manietado e disposto a permitir que um dos competidores infrinja as regras mais básicas do desportivismo, o Clube vê-se forçado a agir, de acordo com a protecção dos interesses e segurança dos seus adeptos. Fica também a perder a modalidade."

Comunicado SL Benfica

sábado, 1 de junho de 2013

Histórica !!!


Barcelona 4 (1) - (2) 4 Benfica

Enormes. Finalmente um pouquinho de fortuna. Independentemente do que acontecer amanhã, esta vitória sobre o Barcelona é histórica. Estamos a falar basicamente da Selecção Espanhola, com alguns dos melhores Argentinos!!! Uma equipa que tem dominado por completo o Hóquei Espanhol e Europeu. Com jogadores, que na Selecção, e no Clube, são praticamente imbatíveis...
A estratégia do Benfica foi perfeita. O Benfica não se deixou entusiasmar num jogo de parada e resposta, com muitos contra-ataques, preferiu cortar o ritmo ao jogo. Fazer ataques planeados, longos. E não permitir que os jogadores do Barça ficassem isolados perante o Ricardo. Neste tipo de jogo o Diogo foi muito importante, com as suas habituais acelerações, e o López ao congelar a posse de bola quando foi preciso.
O plano até deveria ter resultado no tempo regulamentar, mas os apitadores Italianos, não gostaram muito da situação: na 1.ª parte só viram faltas contra o Benfica; o Tuco foi travado 2 vezes com muito perigo, na 1.ª fora da área, na 2.º dentro da área, e nada foi marcado, sendo que na 2.ª situação o Barça marcou golo na resposta; ainda na 1.ª parte ficou mais um penalty por marcar a favor do Benfica, após corte com um patim dentro da área do Barça, num dos poucos contra-ataques do Benfica; na 2.º parte lá começaram a marcar faltas para os dois lados, mas enquanto o Barça podia fazer bloqueios, os Benfiquistas não podiam; perto do final, mostraram um cartão azul, completamente absurdo, ao Viana: livre directo que o Pedro Henriques defendeu, mas o Barça acabou por marcar mesmo no final dos 2 minutos em superioridade numérica!!!
O Benfica fez um jogo bastante concentrado, o Ricardo esteve quase sempre bem (no 1.º golo foi bem enganado, e no 2.º golo do Barça a bola passa pelo meio das pernas do Tuco... algo que não ajuda nada), e não demos muitas abébias na defesa... no ataque, não tivemos muitos remates, ainda assim falhámos duas oportunidades escandalosas (Cacau, Diogo), mas mesmo assim, fomos mais pragmáticos do que o costume...
Voltámos a falhar os Livres Directo, não compreendo como o López continua a marcar os Livres, é que além de falhar, com o seu estilo descontraído, ainda passa a ideia que os falhanços são por desleixo!!! Felizmente, o Viana desta vez, esteve impecável nos penalty's (2), e já no último minuto do tempo regulamentar, após o López falhar mais um Livre Directo, poucos segundos depois (a 40 segundos do final!!!), o mesmo Carlos López, com um remate à meia-volta, fez o golo do empate, a 4 !!!
O prolongamento foi calmo, com as equipas a arriscar pouco... mas já perto do final, novo cartão azul para o Benfica, desta vez foi o Carlos López (muito forçado... pouco discernimento), no Livre Directo o Pedro Henriques voltou a ser gigante, e defendeu (já tinha defendido outro Livre, quando o Barça podia ter feito 5-3, e matado a partida)!!!
Com o Pedro Muro Henriques na baliza, fui para os penalty's estranhamente confiante... e só me enganei uma vez, quando a bola passou por baixo do corpo do Pedro... mesmo assim, o folclore dos árbitros continuou nos penalty's, quando o João Rodrigues foi 'impedido' de marcar o seu penalty!!! Mas não foi preciso, o Pedro resolveu !!!
Depois da desilusão no Campeonato, uma excelente vitória, que infelizmente, só por si, não representa um título. As criticas a esta equipa têm sido muitas. A forma como perdemos no antro Corrupto para o Campeonato não ajudou. Creio que muita gente, não compreende o feito notável, verdadeiramente excepcional, que foi o triunfo no Campeonato o ano passado. Esta é claramente a modalidade mais Corrupta, das muitas modalidades Corruptas, em Portugal. Os empates em Valongo e em Oliveira de Azeméis, são só dois bons exemplos. Acho que a equipa deve ser reforçada para a próxima época, mas não subscrevo à tese da revolução... estamos muitos melhores, e os resultados Europeus são prova disso. Depois da desilusão que foi a derrota o ano passado nos Quartos-de-final da Champions, com o Valdagno, este ano estamos na Final... o percurso Europeu tem sido sempre a subir... se esta Final fosse jogada em qualquer outro pavilhão, a vitória dificilmente nos escaparia, depois da confiança que a vitória de hoje transmitiu...
Reconheço, que para a Final, amanhã, tenho pouco confiança (ao contrário do João Coutinho). A outra Meia-final, Corruptos-Valdagno, teve uma arbitragem miserável, foi praticamente de penalty/LD em penalty/LD até à vitória final !!! A marcação desta Final 4, para este recinto é o cumulo da sem-vergonhice... O meu não acreditar, não está ligado à qualidade do nosso plantel, ao nosso treinador, ou a outra qualquer 'culpa' própria... são muitos anos a assistir à impunidade Corrupta, dentro e fora das quatros linhas...
Antes da partida do Benfica começar, vários adeptos do Benfica foram impedidos de assistir ao jogo, foram mesmo obrigados a fugir para o recinto, já nas bilheteiras, havia uma guarda-pretoriana à espera dos Benfiquistas mais incautos!!! Uma Final Europeia, em qualquer modalidade, ter um tratamento destes, é escandaloso... Tudo isto, com a cobertura das autoridades, e da descomunicação social... Já no final da 2.ª Meia-final tivemos mesmo direito a mais uma pérola, de funcionários pagos pela RTP !!! Toda a gente sabe quem foi, e quem é o Vìtor Bruno, agora na RTP não tem o direito de se comportar como o fez. E não foi só na declaração final, onde desejou a vitória Corrupta na Final de amanhã. Durante a transmissão do jogo do Benfica, ele o companheiro Baila tiveram várias afirmações surreais (o Baila disse mesmo que os Corruptos, este ano recuperaram o Título nacional, ROUBADO pelo Benfica no ano anterior!!!)... mas como é costume, a impunidade reina... e amanhã, deveremos ter outro festival, e se por acaso o Benfica discutir o resultado até ao final da partida, vamos ter Circo: dentro e fora do ringue!!!