Últimas indefectivações

domingo, 30 de junho de 2013

Bronze


Esta tarde, em Poznan na Polónia, a Joana Vasconcelos conseguiu conquistar o 3.º lugar na Final da prova de K1 200m, nos Campeonatos da Europa de sub-23. Isto depois, do 5.º lugar na Final do K1 500m.
Tendo em conta a experiência da Joana, e os resultados nas eliminatórias e semi-finais, esperava-se mais!!! Uma medalha é sempre uma medalha, mas...

PS1: Este fim-de-semana na Quarteira, as equipas masculinas e femininas do Benfica, sagraram-se Campeãs Nacionais em Atletismo de Pista em Sub-23. Com alguma facilidade diga-se...!!!
Femininos:
1.º Benfica - 187 pontos
2.º Sporting - 139 pontos 

100m - Eva Vital - 1.º - 11,84s (Rivinilda Mentai (Jun), 2.º, 12,16s)
100m Barreiras - Eva Vital - 1.º - 13,76s (Vera Fernandes (Jun), 2.º, 14,51s)
200m - Rivinilda Mentai (Jun) - 1.º - 25,19s
400m - Neuza Reis - 3.º - 56,70s
400m Barreiras - Neuza Reis - 2.º - 1.02,44min
800m - Marta Pen - 3.º - 2.13,91mim
1500 - Marta Pen - 1.º - 4.26,77min (Susana Godinho, 2.º, 4.35,34min)
3000m - Susana Godinho - 2.º - 10.03,12min
3000m Obstáculos - Diana Almeida (Jun) - 1.º - 10.37,92min (Jessica Matos (Jun), 2.º, 10.40,20min)
10 Km Marcha - Nadia Cancela - 2.º - 51.19,60m
4x100m - Benfica (Vera Fernandes (Jun), Rivinilda Mentai (Jun), Teresa Carvalho (Jun), Eva Vital) - 2.º - 47,20s
4x400m - Benfica (Neuza Reis, Miriam Tavares, Dorothé Évora, Rivinilda Mentai (Jun)) - 1.º - 4.03,26mim 
Martelo - Patricia Penteado - 3.º - 48,05m
Disco - Não participámos!!!
Dardo - Elizabete Silva - 1.º - 49,54m
Peso - Carolina Henriques - 7.º - 10,92m
Altura - Magali Gomes - 3.º - 1,63m
Vara - Não participámos!!!
Comprimento - Teresa Carvalho (Jun) - 2.º - 6,03m
Triplo-Salto - Sara Esteves - 7.º - 10,87m

Masculinos:
1.º Benfica - 190 pontos
2.º Sporting - 118 pontos

100m - Ancuiam Lopes - 1.º - 10,54s (Diogo Antunes, 2.º, 10,57s)
110m Barreiras - André Costa - 2.º - 14,79s
200m - Ancuiam Lopes - 1.º - 21,69s (Luís Neves (Jun), 2.º, 22,00s
400m - Luís Neves (Jun) - 2.º - 49,25s
400m Barreiras - Pedro Cardoso - 1.º - 53,30s
800m - Miguel Moreira - 1.º - 1.50,05min (Emanuel Rolin, 2.º, 1.50,37min)
1500m - Emanuel Rolin - 3.º - 4.00,77min
3000m Obstáculos - Luís Borges (Jun) - 2.º - 9.14,95min (André Pereira (Jun), 3.º, 9.22,43min)
5000m - Rui Pinto - 1.º - 14.36,96min
10 Km Marcha - Não participámos !!!
4x100m - Benfica (André Costa, Tiago Silvestre, Diogo Antunes, José Lopes) - 1.º - 41,18s
4x400m - Benfica (Daniel Reis, Miguel Moreira, André de Sá, Pedro Cardoso) - 2.º - 3.24,63min
Dardo - Tiago Aperta - 1.º - 66, 42m (João Fernandes, 2.º, 63,21m)
Peso - Tsanko Arnaudov - 2.º - 17,24m
Martelo - Não participámos!!!
Disco - Tsanko Arnaudov - 4.º - 43,15m
Vara - Ruben Miranda - 1.º - 5,35m (Icaro Miranda, 3.º, 4,90m)
Altura - Paulo Conceição - 1.º - 2,10m (Tiago Pereira, 2.º, 2,10m)
Comprimento - Bruno Costa - 1.º - 7,32m
Triplo-Salto - Tiago Pereira - Sem Marca

PS2: A equipa de Juniores da secção de Hóquei em Patins acabou de revalidar o título nacional, com uma emocionante remontada, de 0-2 para 3-2, mesmo no final... A boa réplica do Braga só dignificou a nossa vitória, as declarações do treinador do Braga no final da partida, explicam bem a falta de cultura desportiva neste País, um verdadeiro palhaço...!!! Parabéns a toda a secção...

Dirigente e comissionista

"O mecenato e o amadorismo há muito desapareceram da vida dos clubes e do futebol, no seu geral. O tempo das sandes como prémio de vitória e do electrodoméstico como benesse pela marcação de um golo estão hoje tão distantes quando o cumprimento de certos contratos notariais neste século XXI.
O futebol português, nos últimos 20 anos, conheceu profundas alterações ao nível da sua gestão, sobretudo a partir do momento em que os jogadores se foram valorizando e os empresários tomando conta das transações.
Para quem desde então conhece os nossos clubes, a principal mudança, além do betão, é, sem dúvida, a do perfil do dirigente. Enquanto técnicos e atletas ganham valências que dantes não tinam, assumindo a melhoria dos equipamentos, dos métodos de trabalho e da própria competição, do novo dirigente entretanto aparecido em cena sobra apenas a ganância: há o que se liga ao clube por factores meramente comerciais e o que expõe o emblema na lapela mas que no resto do tempo coloca os filhos e amigos no negócio das tão apetecidas comissões. Nada os diferencia, portanto.
Hoje, ao percebermos a economia das SAD, dos clubes e dos organismos de tutela, verificamos que os seus responsáveis funcionam na lógica do lucro, de especulação, da vantagem material e de muitas outras maquinações financeiras que, não enriquecendo as sociedades, como se comprova, sempre dão um certo jeito a quem delas aproveita...
Dir-me-ão que essa é a natureza do mundo em que vivemos. Pois sim. Gerir milhões de euros pagos pelo detentor dos direitos televisivos, mais umas dezenas de milhar provenientes da bilheteira, da publicidade e do merchandising, a que pode sempre juntar-se um saco de dólares de transferências internacionais, é uma tentação para qualquer um. Dizem até que o fazem por paixão e em prejuízo das suas vidas. E o pior é que há quem confie nessa gente!..."

Paulo Montes, in A Bola

sexta-feira, 28 de junho de 2013

À sombra da Torre de Hércules

"É Verão, embora não pareça. Tempo para falar dos famosos «Veraniegos», grandes torneios internacionais de Futebol disputados em Espanha. O Teresa Herrera, na Corunha, é o mais antigo (1946). O Benfica conta com uma vitória e com duas finais perdidas.

BEM sei, bem sei, não parece, mas o Verão está aí. E não há melhor altura do que o Verão para falarmos nos «Veraniegos». O nome não engana: tratam-se daqueles que foram, em tempos que já lá vão, os mais famosos torneios particulares de Futebol do Mundo, se deixarmos de parte uma ou outra honrosa excepção.
Disputados em Espanha, registam-se mais de duas dezenas, de importâncias distintas, desde grande torneios internacionais a outros mais regionais que contam, de quando em vez, com a presença de algum clube estrangeiro.
Falarei de alguns deles, até porque estão profundamente ligados à história do Benfica. Começando, como está bem de ver, pelos de maior estatuto. E começando, dentro dos de maior estatuto, pelo mais antigo, o Troféu Teresa Herrera, disputado desde 1946 na Corunha, Galiza, e cuja taça de vencedor, em ouro e prata, representa de forma impressionante a famosa Torre de Hércules.
O Benfica tem uma dessas taças no seu Museu prestes a ser inaugurado. Conquistou-a em 1987, derrotando o Deportivo da Corunha na final do torneio. Não foi essa, no entanto a sua primeira participação. Em 1962, disputava-se ainda o Teresa Herrera entre apenas duas equipas - foi a partir de 1967 que passaram a participar quatro equipas no sistema de meias-finais e final, embora com anos de regresso aos dois participantes - perde, por 2-4, com o Deportivo da Corunha na sua estreia. Os golos de Simões e José Augusto foram insuficientes para o acerto dos galegos. Depois do FC Porto, em 1948, e do Sporting, em 1961, o Benfica era a terceira equipa portuguesa a estar presente num «Veraniego» que contou, ao longo da sua existência com a presença ilustre do Botafogo de Garrincha, do Santos de Pelé, do Real Madrid de Di Stéfano, do Barcelona de Cruyff ou do Fluminense de Rivelino. Para não falar, claro está, do Benfica de Eusébio da Silva Ferreira.

A vitória de 1987!
PASSARAM-SE os anos. Em 1987, o Benfica regressa à Corunha. O torneio tem como outros participantes, o Deportivo da Corunha, como não poderia deixar de ser, o Sporting de Gijón e o Everton, de Inglaterra. Enquanto o Deportivo bate o Gijón no desempate de grandes penalidades (4-2) após um empate a um golo, o Benfica livra-se do Everton, também no recurso às grandes penalidades (5-3) após um empate a zero. Na Final, no Estádio Riazor, com o Corunha, mais um empate, 1-1, golo de Rui Águas (76 minutos) a responder ao golo de Aspiazu (27 minutos). Foi preciso voltar às grandes penalidades: Chiquinho Carlos E Veloso falharam as suas oportunidades, mas Rui Águas, Nunes, Bento e Edmundo resolveram a questão com um 4-3 final.
O Benfica levantava a taça e trazia-a para Lisboa. Era uma questão de prestígio registar o seu nome na lista dos vencedores daquele que é, muito provavelmente o torneio internacional mais antigo do Mundo. E, porque o nome do Benfica também é fundamental para qualquer torneio de grande dimensão, como teremos oportunidade de ver nos próximos artigos, eis que os 'encarnados' estão de novo na Corunha em 1990. Um torneio fortíssimo, com o Deportivo da Corunha a receber o Barcelona de Laudrup, Koeman, Begiristain e Goikoetxea, e o Benfica a defrontar o Bayern de Munique de Aughentaler, Effenberg, Strunz e Laudrup (o outro, o irmão Brian). O golo de Schwartz, logo aos nove minutos, lançou o Benfica para uma exibição de categoria e para a vitória indiscutível, embora houvesse indecisão sobre o resultado até à beira do fim. Rui Águas fez o 2-0, aos 84 minutos, e Mclnnaly reduziu pouco depois, aos 89 minutos, sem pôr em causa a presença benfiquista na Final onde viria a encontrar o Barcelona, vencedor do Deportivo da Corunha, por 2-0.
O mesmo resultado repetiram os catalães contra o Benfica. Neno, Ricardo Gomes, Veloso, Paneira, Paulo Sousa, Isaías ou Rui Águas nada puderam fazer contra os golos de Bigiristain (27 minutos) e Goikoetxea (68 minutos). Não voltariam os 'encarnados', ate hoje, a conquistar o Troféu Teresa Herrera. Mas voltaram a estar presentes, em 1995, juntamente com o Real Madrid, com o Flamengo, e o inevitável Deportivo da Corunha. Duas derrotas, a primeira frente ao Real Madrid de Raúl, Michel, Luis Enrique e Michael Laudrup (golos de Amavisca e Raúl, já na segunda parte) afastava o Benfica da Final. A segunda frente ao Flamengo de Edmundo, Sávio e Romário atirava o Benfica para o quarto lugar. Mas, fica o registo de 13 minutos iniciais impressionantes, com golos de Romário (aos 3'), de João Pinto (aos 12') e novamente de Romário (aos 13') e fixaram o resultado.
O Benfica despedia-se do Teresa Herrera com derrotas, mas com espectáculo."

Afonso de Melo, in O Benfica

A partir de 1 de Julho

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD chegou a acordo com a PT, ZON e ZAP para emitir nestas plataformas - a partir da próxima segunda-feira dia 1 de Julho - a Benfica TV como canal premium.
A história que começou em 10 de Dezembro de 2008 e que teve a Benfica TV como canal fundador da MEO, ganha agora uma nova dimensão. Passa a canal premium, por subscrição e ganha novas plataformas de distribuição.
A Benfica TV será o canal que irá oferecer, em exclusivo, os jogos da Primeira Liga do Sport Lisboa e Benfica realizados no Estádio da Luz. Em directo, em exclusivo, naquele que é um marco da televisão mundial: será a primeira televisão de clube a exibir os jogos da sua equipa profissional.
Mas as novidades não acabam aqui, a Benfica TV vai ser o canal de televisão português detentor dos direitos da Premier League, o campeonato mais competitivo e mediático do planeta, com destaque para Manchester United, Liverpool, Arsenal, Manchester City e o Chelsea que será treinado novamente por José Mourinho.
A somar, existem ainda outros conteúdos exclusivos com o selo SLB: Equipa B, Juniores e futebol de formação, Modalidades de Futsal, Basquetebol, Andebol, Voleibol, Hóquei em Patins, tudo em HD a partir dos campos e pavilhões do Benfica.
A Benfica TV exibe ainda outras competições internacionais, entre jogos a contar e encontros de preparação. Na Benfica TV pode assistir ao Brasileirão, campeonato grego e norte-americano (MLS). Um canal 24 horas como a Benfica TV não se fixa apenas na competição, privilegiando também a informação, o documentário, a entrevista e o entretenimento. Nesse contexto, como complemento à transmissão de jogos teremos para divulgar um conjunto de programas originais, diferentes dos que até aqui o canal tem exibido, para assegurar a originalidade da oferta deste canal pioneiro"

A narrativa de um embuste

"A narrativa é simples e desconcertante na actuação flibusteira das personagens da trapaça.
O Benfica, essencialmente por razões estratégicas, decidiu, em boa hora, terminar com uma espécie de oligarquia das transmissões televisivas de futebol em Portugal. Os passos foram simples, legítimos e a contento da esmagadora vontade da gigantesca massa adepta do Glorioso: cumpriu integralmente o contrato de cedência dos direitos televisivos da sua equipa sénior de futebol e, findo esse contrato, optou por não renegociar com o monopolizador dos mesmos, optando por transmitir os jogos no seu próprio canal televisivo, a Benfica TV. Conjuntamente com essa decisão, o Benfica adquiriu os direitos de transmissão, em Portugal, do jogos do campeonato inglês. Ou seja, legitimamente, sem atropelar a lei, a ética ou a moral, o Benfica terminou com uma posição de monopólio de uma outra entidade dirigida por Joaquim Oliveira, de quem o seu irmão António (e também seu ex-sócio) garante ser um dos principais manipuladores da grande teia de influências que minam o futebol português.
A resposta veio à sorrelfa e numa espécie de esquema engendrado com base na “chico-espertice” de quem confunde a geometria, confundido a tangente com a secante da circunferência. Ou seja, garantir que as duas principais plataformas de difusão televisiva (Zon e Meo) não poderão apresentar canais com conteúdos que concorram com os do canal do Sr. Oliveira é muito mais do que um mero contorno da lei. É um atropelo dos valores, da moral, da ética e da justiça que estão (ou deveriam estar) subjacentes à elaboração de qualquer lei. É, enfim, um esquema ardiloso que deveria envergonhar os cidadãos e as empresas que o patrocinaram.
Em suma, estamos perante mais uma luta que temos de travar, contra os mesmos de sempre e em nome dos valores que sempre nos nortearam."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Museu...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Em 104 jogadores haverá, certamente, um defesa-esquerdo

"Surandí chora por Lisandro Lopez. Mas chora mesmo? Beto abandona o Sporting e já pode, finalmente, ir para o Real Madrid

1. FOI o próprio Beto quem anunciou que estava de saída do Sporting por «razões pessoais». Beto jogou dez anos em Alvalade o que faz dele uma figura com importância no clube. Roberto Severo de seu nome verdadeiro fica conhecido por Beto para todo o sempre.
Espanta-me, aliás, como o antigo defesa central do Sporting foi na conversa de trocar um nome tão importante e romanesco como Roberto Severo por um diminutivo que, sendo muito respeitável, nada tem de singular.
Esclareça-se que o Benfica também teve o seu Beto, um brasileiro pouco dotado mas batalhador que durou duas épocas na Luz e que nunca caiu no goto dos adeptos, excepção feita a uma noite de Dezembro de 2005.
Num momento raro de inspiração, o nosso Beto acertou em cheio no pontapé e marcou o golo sensacional com que afastou o fabuloso Manchester United da Liga dos Campeões. Foi uma festa.
Quero eu com isto tudo dizer que há muitos Betos. E que há poucos Robertos Severos.
O Beto do Sporting teve a sua noiva negra num jogo com o Benfica do campeonato de 1998/1999. Fez dois autogolos, é obra.
Como o Benfica ganhou a partida precisamente por 2-1, imagine-se o impacto que o duplo infortúnio do defesa do Sporting causou em todos os segmentos da vida nacional nos dias que se seguiram ao derby. Já lá vão alguns anos.
Nem o presidente do Benfica à época se conteve como lhe competia. Pouco tempo depois do dito clássico, visitando os jogadores do Benfica num estágio da Selecção Nacional, Vale Azevedo cruzou-se com Beto, também ele convocado, e atirou-lhe com esta impiedade:
- Então como é que está o nosso goleador?
Foi um escândalo muito comentado no momento e o presidente do Benfica não se livrou de mil justas censuras pelo seu acto reflectido. Sim, reflectido.
Beto voltou a ser notícia no início desta semana quando tornou público o ponto final na sua relação com o Sporting. O ex-jogador desempenhou até à última segunda-feita as funções de director de relações públicas e internacionais. Foi suficientemente claro na sua breve alocução de despedida: «Esta decisão é da minha inteira responsabilidade», disse. Como quem diz que saiu porque quis.
Não resisto a partilhar o comentário de um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista até mais não, quando se soube que Beto ia sair do Sporting.

- Pronto! Agora já pode ir finalmente para o Real Madrid!
Os mais novos provavelmente não se lembram mas durante defesos a fio, ano após ano, os jornais foram noticiando em maiores ou menores parangonas que Beto estava à beira de assinar pelo Real Madrid, o que nunca acabou por se verificar.

Vem tudo isto a propósito disso mesmo. Das notícias do defeso e do desfilar de nomes de jogadores a contratar pelos clubes, sendo que a resolução dos hipotéticos negócios está quase sempre presa por detalhes, pelo menos até ver.
Lisandro López, por exemplo, um defesa central argentino que o Benfica procura contratar que já contratou tem sido protagonista de mais uma novela de Verão. Durante três semanas a transferência esteve presa por detalhes causando natural apreensão nos adeptos, por experiência própria acostumados a reviravoltas de última hora.
Por isso o melhor sempre é esperar para ver Lisandro López chegar à Luz e começar a jogar o seu futebol. Dizem os adeptos do Arsenal de Sarandí nos desabafos de o ver partir que Lisandro López é um grande jogador.
Por norma, quando se trata de definir a competência ou mesmo a categoria de um jogador, acredito mais no coração dos adeptos a falar ao pé a boca do que nas radiografias técnico-tácticas dos especialistas todos juntos, incluindo os empresários da bola. Sendo parte interessada, não se lhes pode exigir imparcialidade sobre os produtos que colocam no mercado, não é verdade?

2. os adeptos falam por amor e não por interessar. E raramente falham nas suas apreciações porque sabem bem quem dos seus lhes deu alegrias. E o número de vezes também. Os adeptos contabilizam tudo e, por isso, são o único poço válido de informação.
A questão é que através das redes sociais e de sites do clube argentino, muitos foram os adeptos do Arsenal de Sarandí que lamentaram a saída do jogador tecendo-lhe os maiores elogios. Nem os vou transcrever para não dar galo. É que estas coisas, por muito que me custe admiti-lo, nem sempre são certas.
Querem um exemplo? Quando Xandão saiu do São Paulo para o Sporting, os adeptos paulistas festejaram o acontecimento sem dó nem piedade fazendo prever o pior para a carreira europeia do longilíneo defesa central em quem, decididamente, não acreditavam.
Muito espantados devem ter ficado os más-línguas paulistas, poucos meses depois, quando viram o mesmo Xandão marcar um golo de calcanhar ao Manchester City, uma habilidade que correu o mundo e ajudou o Sporting a afastar da Liga Europa o iminente campeão inglês de 2011/2012. E, nesse preciso instante de calcanhar, naquele raro segundo, lá se foi também por água-abaixo a minha teoria de que os adeptos é que percebem de futebol e de futebolistas. E nunca falham.
Conclui-se, com o devido respeito, que os adeptos às vezes falham e que há jogadores que às vezes acertam.
Julgo ter explicado este meu desinteresse metódico por notícias de contratações de jogadores no período do Verão. São muitos nomes, muitas caras, e uma pessoa, inevitavelmente, baralha-se. Até porque não podem vir todos. Ou podem?
Pelos vistos podem. Na sua manchete de terça-feira, A BOLA anunciava que Lisandro López, o tal que deixou os adeptos do Sarandí em lágrimas, é o 104.º jogador com contrato com o Benfica para além de 30 de Junho.
Que excelente notícia para a temporada que se aproxima. Em 104 jogadores haverá, certamente, um defesa-esquerdo.

3. JOSÉ ANTÓNIO CAMACHO foi despedido da selecção da China. É caso para se dizer que nem chegou a aquecer verdadeiramente o lugar, tal como aconteceu na sua funesta segunda passagem pelo Benfica.
As agências internacionais que veicularam a notícia acrescentaram o facto de o treinador espanhol não ter somado nenhum triunfo nacional ou internacional ao seu currículum desde a já distante temporada de 2003/2004 em que, no comando do Benfica, conquistou uma Taça de Portugal e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen.
Esta parte do e logo numa final com o FC Porto que dali a poucos dias viria a sagrar-se campeão europeu em Gelsenkirchen foi um acrescento meu, não constava do texto dos telegramas da agências noticiosas estrangeiras. Trata-se de uma questão de pormenores que só para nós, portugueses, se reveste de algum interesse.
Camacho é um tipo bastante simpático que passou pelo Benfica e pelo futebol português sem deixar rasto de animosidade de espécie alguma. Mas confesso que o que me impressiona não é o caso de Camacho não ganhar nada desde a final do Jamor de 2004. É um problema dele.
O que me impressiona é o caso de o Benfica não ganhar uma Taça de Portugal desde 2004 tendo apenas conseguido duas presenças em finais que perdeu, e muito justamente, para o Vitória Futebol Clube, em 2005, e para o Vitória Sport Clube, no mês passado.
No ano de Trapattoni, o Benfica perdeu a final da Taça para o Vitória de Setúbal depois de uma semana intensa de festejos pela conquista do título nacional.
Este ano, de novo no Jamor, o Benfica de Jorge jesus perdeu a Taça para o Vitória de Guimarães exactamente pela razão contrária, isto é, depois de uma semana depressiva assistindo aos festejos do campeão nacional FC Porto.
Falta meio-termo ao Benfica, é o que me parece."

Leonor Pinhão, in A Bola

162 lamentos

 " “Golo do Benfica! Marcou, com o número sete, Óscar….,Óscar…”
Este é o som que nos habituámos a ouvir, com frequência, na instalação sonora do Estádio da Luz. Este é o som que tem acompanhado os nossos principais momentos de euforia. Segundo a imprensa, é possível que não o voltemos a ouvir. Se muitos benfiquistas há que, com inteira justiça, lamentam a despedida de Aimar, permitir-me-ão que – caso venha a confirmar-se - lamente também eu a perda daquele que é, de longe, o maior goleador encarnado do Século XXI, e, seguramente, o jogador que mais vezes me fez levantar da cadeira ao longo dos últimos seis anos.
Cardozo marcou 162 golos vestindo o Manto Sagrado (quase 200, se contarmos jogos particulares). É, na minha modesta opinião, o melhor ponta-de-lança do Benfica desde os tempos de Magnusson. Aos 30 anos, será doloroso vê-lo partir por uma simples e fria cotação de mercado – valor substancialmente abaixo daquilo que já representa na história desportiva do nosso Clube, e da importância que ainda tem para a equipa.
Dir-me-ão que foi ele próprio a abrir a porta da saída. É verdade. Não é aceitável que um profissional desrespeite a figura do seu líder. Mas devo também dizer que, enquanto adepto sofredor, engulo com maior dificuldade imagens de atletas sorridentes e passivos na hora da derrota, do que reacções a quente de quem não gosta de perder – afinal de contas semelhantes às de muitos benfiquistas que, naquela tarde, se deslocaram ao Jamor.
Nunca tive contacto directo com um balneário de uma equipa profissional de futebol. Não sei até que ponto tal tipo de atitude é tolerada na escuridão dos bastidores. Ainda menos se ela foi meramente extemporânea, ou antes corolário de algo já latente. Em suma, não consigo avaliar, com rigor, a gravidade do caso.
Mesmo sabendo que nem Eusébio foi insubstituível, espero e desejo, porém, que sejam esgotadas todas as hipóteses de manter um jogador que, juntamente com Luisão e Maxi, é uma das grandes referências do Benfica dos novos tempos."

Luís Fialho, in O Benfica

Macacos chineses

"Há muita gente que não sabe onde fica Valongo. É perfeitamente natural, não é terra muito importante. Eu, por exemplo, sei bem melhor onde fica Valongo do Vouga, ali para as minhas berças, terra de gente de bem.
De há uns anos a esta parte, qualquer aglomerado de casas com dois prédios no meio e uma farmácia na esquina passou a ser cidade. Não fazia a mínima ideia que Valongo era cidade, como não fazia a mínima ideia de que Alfena era cidade (Alfena??? Logo Alfena???), embora desconfiasse que Ermesinde era cidade porque também de há uns anos a esta parte virou moda transformar todos os abortos suburbanos nascidos da ganância dos empreiteiros em cidades de Portugal. Enfim... Calculo que, tendo em conta a tal sabedoria popular tão endeusada por aqueles que são mais ou menos populares conforme as conveniências, Valongo (e Alfena, e Ermesinde e o Sobrado e todas as outras freguesias locais) seja uma terra de gente ordeira e hospitaleira que sabe receber quem a visita com a distinção devida.
Em redor de um rinque de Hóquei em Patins é que parece que a tal hospitalidade mais própria de hospital deixa de ser ordeira e passa a ser de hordas... Valongo não é caso virgem.
Os maus hábitos multiplicam-se, e este ano já vamos num nunca mais acabar de poucas vergonhas que não olham às modalidades que se disputam. Curiosamente, o talvez não, as tais poucas vergonhas têm tendência a arrumar-se geograficamente a norte do Douro, ou se não a norte, pelo menos nas imediações. Talvez porque lá, a polícia faça como os macacos chineses: não vêem, não ouvem, não falam. E os jornais também."

Afonso de Melo, in O Benfica

O defeso

"1. Tenho saudades dos tempos tem que os jogadores permaneciam praticamente toda a sua carreia no mesmo clube - e seu clube -, em que as equipas eram formadas quase exclusivamente por jogadores nacionais, me que não havia magnates russos, fundos mais ou menos obscuros, empresários gananciosos. Tempos em que o Futebol era mais puro.
Claro que não penso que seja possível regressar a essas épocas. Mas seria importante que a FIFA e a UEFA, bem como as federações nacionais, tentassem, pelo menos, 'moralizar' a situação actual. O 'fair-play' financeiro é importante mas muito insuficiente. Permitir que as equipas sejam maioritariamente compostas por jogadores estrangeiros é triste e ajuda a criar grandes diferenças entre clubes ricos e pobres. Em suma: muito haveria a ganhar se fosse possível 'moralizar' toda a situação. Mas, para isso, era preciso que todos os países quisessem e que a FIFA e a UEFA actuassem...

2. Estou na época em que leio as páginas de Futebol dos jornais desportivos em meia dúzia de minutos e nem ligo aos noticiários sobre a modalidade. Sei que têm chegado ao Benfica vários jogadores sérvios, uns para a equipa A, outros para a B, li com satisfação as declarações de Matic, dizendo que quer  ficar, também li que o Chelsea de Mourinho parece estar interessado nele, tenho lido (com pena) que Cardozo está mais lá do que cá. Mas não ligo. Neste caso (ainda mais que noutros), o que hoje é verdade amanhã é mentira e vice-versa. Custa-me ver sair os melhores jogadores (mas reconheço que é impossível mantê-los no Futebol actual) e não me entusiasmam as dezenas de nomes anunciados como grandes reforços. E já perdi a esperança de ver os nossos Juvenis e Juniores de hoje como os nossos Seniores de amanhã. Prometem muito mas, depois, acabam por perder-se em clubes secundários, por cá ou no estrangeiro. É o Futebol que temos hoje.

3. O que vale é que, quando a bola começa a rolar e os campeonatos se iniciam, esquecemos tudo, voltamos a sofrer pelo nosso Benfica e a entusiasmarmo-nos com as nossas vitórias."

Arons de Carvalho, in O Benfica

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Mitrovic

De todos os jogadores anunciados (Sérvios!!!) como reforços do Benfica, este é aquele que me deixa mais confuso. Creio que ele não ficará ofendido, quando os Benfiquistas questionarem a sua contratação. O curriculum do Stefan Mitrovic não é espantoso. Dito isto, nos vídeos no YouTube, pareceu-me ser rápido, e ter boa leitura de jogo, jogando muito na antecipação. Mas o nível do Benfica é outro... Creio mesmo que vai ter que fazer uma grande pré-época para ficar no plantel principal. Isto apesar da apresentação ter sido de jogador para a equipa A !!! Fica a dúvida, que só os jogos vão puder tirar.

Regresso...

O que é bom acaba, quase, sempre !!! Férias praticamente terminadas, é tempo de regressar ao Glorioso. Admito que ao contrário de outros defesos, estas foram umas férias estranhamente tranquilas, sem grandes novelas, e nem as garantias diárias da vinda (ainda não concretizada) do Lisandro, me tirou o sono!!!

Nestes últimos 10 dias a derrota na Final do Futsal, foi o resultado mais significativo. Não vi os jogos, mandaram-me uns SMS's com o habitual festival dos apitadeiros (algo normal), mas não vou comentar... Recordo só, que em épocas anteriores, onde o Benfica dominou a época regular, quando se jogou as Finais,  bastou alguma agressividade extra dos Lagartos, e uns empurrãozinhos nos momentos certos, e o dominador da época, não foi Campeão!!! Como acontece noutras modalidades, no Benfica ser melhor não chega, é preciso ser muito melhor, e quando por vários motivos não fomos melhores (durante a época), é impossível equilibrar, porque as regras não são iguais... Qual foi o último livre de 10 metros marcado a favor do Benfica num derby (num jogo da Final do Campeonato)?!!! Provavelmente falharíamos, mas será difícil saber...!!!

A semana também ficou marcada pelos anúncios de renovações em várias modalidades. Concordo com todos os que foram anunciados. Espero que no Andebol, o Carmo e o Carneiro fiquem... Espero que se confirme a contratação do João José no Volei (além de um Zona 4 e que se clarifique a situação do Tavares)... Espero que a saída do Viana no Hóquei seja acautelada. Espero que o Futsal, não entre numa política de terra queimada, os melhores são para manter, como é óbvio (as contratações anunciadas tem a minha aprovação). O Basket consome a maior fatia no orçamento das modalidades, o corte anunciado em todas as secções é a consequência natural da situação económica do País, e o Basket não pode fugir à regra, dito isto, não podemos perder o domínio no jogo interior, e temos que melhorar, muito, o jogo exterior.

Parabéns ainda, para a secção de Atletismo, com os títulos Nacionais de Juvenis, tanto em masculinos como em femininos. O futuro é nosso... Espero que as mudanças de treinador dos nossos triatletas: João Silva e João Pereira, não implique 'guerra' na Federação, algo que infelizmente é comum em Portugal.

domingo, 16 de junho de 2013

Continua a voar sobre patins...

"António Livramento teve, ao longo da sua carreira, uma grande frustração - nunca ter ganho a Taça dos Campeões pelo Benfica. Jogou três finais de encarnado, perdeu-as todas. Talvez agora lhe tenha sido feita justiça.

UMA  vez, no aeroporto de Narita, em Tóquio, regressando a Portugal após a Final do Mundial de 2002, encontrei o extraordinário cronista brasileiro, Luís Fernando Veríssimo, que regressava, por sua vez ao Brasil. Falámos sobre a vitória do Brasil sobre a Alemanha, na véspera, em Yokohama, e então ele soltou um lamento: «Por mais Campeonatos do Mundo que ganhemos, nunca ganharemos o de 1950...» Há dores antigas que jamais se esquecem.
O Benfica pode nunca mais ganhar as finais da Taça dos Campeões de Hóquei em patins de 1969, de 1973, de 1980, de 1983 e de 1985. Mas finalmente foi Campeão. E talvez ninguém merecesse tanto este título como o meu velho amigo António José Livramento.
Livramento morreu cedo, em 1999, aos 56 anos. Mas não precisou da morte para entrar na lenda. Já tinha entrado. Dispensava-a até largamente porque, tal como o reconheceu outro dos grandes nomes do Hóquei em Patins, Jesus Correia, naquele fatídico dia 7 de Junho, tinha ainda muito para dar à modalidade,à família, à sua mulher e às suas duas filhas, aos amigos que, espalhados por todo o Mundo, apreciavam as suas qualidades e lhe dedicavam uma solidariedade e um carinho especial.
Reconheça-se: António Livramento merecia mais do que a nota de rodapé que anunciou a sua morte na grande maioria dos jornais. Poucos, mesmo muito poucos desportistas portugueses terão conseguido atingir uma tal dimensão mundial nas modalidades que abraçaram. Dirão os cultores da inveja que o Hóquei em Patins nunca foi capaz de conquistar a universalidade e, desse modo, a arte de Livramento se restringiu às fronteiras da diminuta propagação que a sua modalidade atingiu. Não deixarão, infelizmente, de ter alguma razão.
Desde sempre se disse que o Hóquei em Patins era um Desporto praticado num país, numa região, numa cidade e numa rua. O País era Portugal, a região era a Catalunha, a cidade era Milão, em cujos arredores se situam Novara e Monza, e a rua era em San Juan, onde estão sediados os grandes clubes do Hóquei argentinos. Em todos esses lugares, o talento de António Livramento deixou uma marca indelével. Que perdura nas nossa memórias.

A sua enorme frustração
LIVRAMENTO jogou pelo Benfica de 1959 a 1970 e, depois, uma passagem breve pelo Monza, de 1971 a 1974. Numa entrevista concedida a Rebelo Carvalheira explicava com clareza o segredo do seu sucesso: «Não conheci no Mundo hoquista mais sério do que eu! Jogava contra o Sporting, o Benfica ou a selecção de Espanha com a mesma alegria e a mesma aplicação com que fazia contra o Estremoz». Sábias palavras. E anunciava: «Durante a minha carreira joguei cerca de 1700 partidas e marquei mais de 3500 golos». Juntem-se-lhe três títulos de Campeão do Mundo, sete de Campeão da Europa, nove de Campeão Nacional, uma Taça dos Campeões, sete Taças das Nações. Ufff!!! Quem se pode gabar de ter melhor? Ainda por cima se a sua carreira como treinador foi igualmente brilhante e vitoriosa. «Tenho alguns orgulhos na vida», costumava dizer, «sobretudo o de ter sido Campeão Nacional aos 16 anos e Campeão do Mundo aos 17». Falava com a voz rouca dos fumadores e era difícil vê-lo sem um cigarro entalado entre o dedo grande e o indicador.
Uma vez, numa noite de Inverno rigoroso, em Turquel, num jantar que começou depois do treino e se prolongou pela madrugada, desabafou-me: «Já não é a primeira vez que me perguntam se me sinto como o melhor jogador de Hóquei em Patins de todos os tempos, muitas vezes dei comigo a pensar se o terei sido de facto. No entanto, tenho a firme opinião de que o maior de sempre foi o Fernando Adrião. E, a seguir a ele, foram o espanhol Nogué, e o holandês, Holtoff. Eu fui dos melhores». Discordo. Para mim, como para muitos da nossa geração, Livramento foi o melhor e ponto final. E isso deveria ser indiscutível, tão indiscutível como um fenómeno da natureza. Para ele não era.
Muitos dos episódios da carreira de Livramento ouvi-os da sua própria boca, a última vez numa esplanada da Costa da Caparica, quando nos deu conta de uma das suas frustrações da sua carreira, a de não ter conseguido ganhar a Taça dos Campeões pelo Benfica: «Chegámos a ter uma equipa temível, com o Ramalhete, o Jorge Vicente e o Garrancho, entre outros, fomos por três vezes à Final mas havia sempre alguém a cumprir o serviço militar e nunca conseguimos apresentar o cinco base». Um desgosto que milhares de alegrias posteriores trataram de apagar. Como apagaram o desgosto de não ter sido jogador de Futebol, esse sim o Desporto da sua paixão: «Até aos 15 anos joguei as duas modalidades simultaneamente, embora fosse do Futebol que eu mais gostava. Vivi muito tempo indeciso entre optar por uma ou por outra. Foi Torcato Ferreira que me obrigou a decidir pelo Hóquei dizendo-me: 'No Futebol podes ser um jogador como os outros; no Hóquei serás um dos melhores do Mundo'». Provou-se que tinha razão.
António Livramento, nascido em S. Mansos, conselho de Évora, no ano de 1944, morreu no dia 7 de Junho numa cama de hospital, que não é, seguramente, o melhor lugar para se morrer. Lá, onde estiver, uma coisa é certa: ninguém patinará como ele. Por sua causa, muitos de nós gastámos tardes a empurrar, com paus, bolas de pedras para dentro de balizas de sarjetas.
Quem se lembra, lembra-se: deslizava na frente, como se voasse, ligeiramente inclinado, o stick no prolongamento do braço, os cabelos voaram atrás, apenas ligeiramente à frente de uma legião furiosa de espanhóis que o perseguia, a bola invisível, escondida, imperceptível na televisão a branco-e-preto, a única maneira de se ver a bola era nos relatos do Artur Agostinho, ou então quando ele, António José Pereira do Livramento a levantava, redonda e negra, para a enfiar «em colher» na baliza pequenina do Trullols. A gente percebia, então, que era golo porque havia um homem escondido detrás das balizas com uma bandeirinha na mão a confirmá-lo. O Assis Pacheco defendia que, por uma questão nacional, o rematador devia gritar com ganas - «que te mate, coño!» Mas isso era algo que Livramento não seria nunca capaz de fazer. Continuava entretido a voar sobre os patins."

Afonso de Melo, in O Benfica

PS: Vou tirar umas férias nos próximos dias. Portanto isto vai ficar um pouco monótono por aqui. Regressarei com as baterias carregadas.

Steven Vitória

Foi hoje anunciado a contratação do jovem central Steven Vitória. Depois de tanta conversa, ainda durante o Campeonato, com o silêncio das últimas semanas, pensei que esta opção tinha sido colocada de lado.
É um central, com as medidas do Jesus!!! Tem as características físicas que o Jesus gosta para Central. Além disso, marca golos: penalty's, livres directos, e em pontapés de canto ofensivos. Não creio que vá ser a primeira opção, mas poderá ser útil...
Com a falta de valores a nível nacional, creio que o Steven tem ambições para chegar à Selecção, e isso poderá ser bom para não se acomodar ao contrato!!! Mas muito sinceramente este é daqueles jogadores, que ainda não me convenceu, terei que o observar primeiro, com o Manto Sagrado vestido, para retirar uma conclusão, mas para já como Português (nascido no Canadá), formado localmente (nos Corruptos), acaba por ser uma boa opção. Recordo que para a UEFA só podemos inscrever 17 jogadores, que não sejam formados no clube ou no País.
Especulando: com as notícias sobre o Lisandro López, que ainda não foi desmentido - e o Benfica tem desmentido muita coisa -, com as noticias sobre o Garay - que eu continuo a considerar intransferível -, com a chegada do Mitrovic - para a equipa A ou B, ainda não sei -... estamos perante um cenário de quase revolução total nos nossos Centrais:
O Miguel Vítor não vai renovar - a tal questão de não encaixar nas medidas do Jesus!!! -, e o Jardel muito provavelmente será vendido. Mas isto tudo é especulação. Além do Garay, também existe a possibilidade do Luisão sair, com um daqueles contratos das Arábias (ou das Rússias!!!) - solução que me agradava mais, admito!!! Não sou favorável, a grandes mudanças, ainda por cima numa zona tão critica, mas o melhor esperar...

João Ribeiro de Prata

O João Ribeiro ganhou hoje a sua primeira grande medalha sénior, no Europeu de velocidade, realizado em Montemor-o-Velho. Participando na prova de K4 1000m, com o Fernando Pimenta, com o Emanuel Silva, e o David Fernandes, conseguiram a excelente medalha de Prata.
Na primeira grande competição no arranque deste novo ciclo Olímpico, quando todas as equipas começam a procurar as tripulações para os próximos 3 anos, até aos Jogos do Rio, este resultado é um excelente indicador.
É natural que os atletas tenham ambições pessoais, e queiram testar as suas capacidades no K1, e nestes 3 anos haverá tempo, e provas, para se experimentar, mas todos devem ter consciência, que este K4 tem excelente potencial para ganhar medalhas.

Como eu já tinha previsto ontem, a Final do K2 200m não correu muito bem para as nossa meninas. Teresa Portela e Joana Vasconcelos não foram além do nono e último lugar da final. Desconheço a existência de algum problema físico, na prova, ou na preparação do Europeu. Creio que a Teresa no K1 tem aspirações válidas... com a Helena Rodrigues de 'baixa' o K4 está incompleto... este resultado, tendo em conta o curriculum das duas canonista, não é positivo. É o que faz habituarem-nos mal...!!!

Isto ainda não acabou !!!


Sporting 3 (2) - (3) 3 Benfica

Tal como tenho defendido, a diferença entre as duas equipas, não é tão grande como alguns 'gritam', e hoje, ficou provado isso mesmo...
A época tem sido atribulada, para os nossos lados: troca de treinadores, troca de dirigentes, muitas lesões, muitos castigos, maus jogos, pré-anúncios de saídas, anúncios de entradas... tudo isto pesa quando se olha para a época regular. Além disso tudo, chegámos a esta Final, com três jogadores importantíssimos fisicamente limitados: Joel, Gonçalo e até o César... além do Teka. Hoje, ainda fomos obrigados a jogar sem o Diece (que não deve ter feito 10 jogos toda a época!!!)... Pelo Futsal jogado dentro das quatro linhas esta época, o Sporting merece ser considerado favorito, mas ninguém deverá esquecer-se que a maior parte dos jogadores do Benfica, já venceram tudo... e neste momento, são os ainda Campeões Nacionais. Os jogadores do Sporting têm todo o direito de pensar e dizer que são favoritos, mas aquilo que eu esperava numa situação inversa, é que as declarações dos nossos jogadores e treinadores, fossem neste sentido: «... somos favoritos, mas a bola é redonda, e do outro lado está o actual Campeão, muito experiente, e com bons jogadores...»!!! Era este o discurso normal. Mas os Lagartos vivem mesmo num Mundo à parte... Admito, as minhas esperanças para esta Final eram baixas, mas durante a semana, quando comecei a ler as declarações dos Lagartos, comecei a pensar: «...queres ver que os Lagartos, ainda vão perder isto, com a sua habitual falta de humildade?!!!...»
As absurdas e hipócritas do incendiário dirigente Lagarto no final da partida, só confirma as minhas ideias. Não sei se a culpa foi do Oliveira e Costa - por ter dito antes do tempo que o Sporting tinha ganho a dobradinha no Futsal, quando de facto só tinha vencido a Taça!!! -, eles pensavam mesmo que isto ia ser 3-0, e com goleadas em todos os jogos... Vir queixar-se de uma suposta conversa do Marcão com os árbitros no túnel (local público) antes do jogo, vir queixar-se de supostas simulações de lesão dos nossos jogadores - quando os jogadores Lagartos passam os jogos todos, a simular faltas constantemente... -, quando no Futsal o relógio pára, num jogo onde já no prolongamento foi perdoado ao Sporting a 6.ª falta... vir afirmar que eles nunca que se queixam das arbitragens, quando o próprio não faz mais nada na vida do que se queixar dos árbitros, e afins... É preciso ser mesmo muito hipócrita... Este senhor desde que assumiu o cargo de director das modalidades Lagartas, tem usado e abusado, das provocações... com declarações incendiárias, antes e depois dos jogos. Além de algumas acções de xico-esperto no mercado de transferências!!! Ser dirigente, não é a mesma coisa, do que ser adepto... Se calhar, se o Benfica vencer mais uma partida, ainda vai apelar à FPF para castigar todos os jogadores do Benfica, no inquérito sobre a Final do ano passado, que ainda não está encerrado!!!

O jogo não foi espectacular, houve muitas falhas nas duas equipas, tanto a defender, como a atacar, no lado do Benfica o Joel falhou golos em catadupa... Mas o Benfica lutou, e foi humilde... Neste momento, com todos os contratempos físicos, não temos equipa para discutir o jogo taco-a-taco com o Sporting, portanto temos que defender com as linhas mais baixas, sendo assim temos menos posse de bola... mesmo assim, em ocasiões claras, equilibramos a partida. Pela primeira vez nestes dois jogos tivemos um 'chouriço' (golo do Vítor Hugo), e foi com muita injustiça que a 5 segundos do fim sofremos o golo do empate. Nenhuma equipa arriscou no prolongamento, e tivemos um Bebé inspirado nos penalty's. Vitória totalmente merecida, pelo que fizemos dentro da quadra, e pelas atitudes de merda de gentinha como o Leitão...

Nada está ganho, muito pelo contrário, hoje perdemos o Vítor Hugo que estava a ser um dos melhores, e o Marcão também está em dúvida. Tudo isto, para juntar a todos os outros problemas físicos...

Inacreditável, como num jogo desta importância, não existia uma maca para transportar o Vítor Hugo, com o perónio e a tíbia partidos. Se por acaso a lesão fosse de um jogador do Sporting, com o curriculum que o Benedito tem, não se falaria doutra coisa durante a semana, mas como o jogador com a carreira em risco é do Benfica, e o causador da lesão é do Sporting, nada se passa...

Pablo Aimar

"Não esqueço o Pablo Aimar e tenho a certeza de que o Benfica não o esquecerá e lhe prestará a devida e merecida homenagem

(...)

2. No futebol contemporâneo não há pausas. Acabam as competições de clubes e arrancam as competições de selecções. Mas este é o tempo da intermediação da indústria. Da intermediação e, até, de notícias respeitantes a novos e desconhecidos investidores que vão entrar no capital de algumas recentes sociedades desportivas portuguesas. Criadas em necessidade da lei. E para permitir a manutenção de alguns nas competições desportivas profissionais de futebol. Mas, nesta sede, importava que, quer a Federação, quer a Liga, se recordassem de um dos princípios fundamentais que norteava a educação ateniense e que ontem, como hoje, se chama prudência. É que alguns sinais que nos chegam apenas sugerem a entrada de alguns euros. Mas, o momento é, de verdade, o da circulação de milhões. De jogadores e, já, de treinadores. É o que estamos a assistir. Os milhões até nos assustam. São verdadeiros euromilhões!!! Chegam  de todos os lados. Aos diferentes territórios do futebol. Aos ricos e aos remediados. E, mesmo, àqueles que se julgavam em crise e que num ápice, parecem viver a abundância! Todos os jogadores que se anunciam serão brilhantes ou serão, a curto prazo, extraordinários. O que vale é a paciência. Que se casa, por vezes, com o esquecimento. Ou, então, com uma falta cirúrgica de memória.
Os vídeos que nos mostram evidenciam o instante da glória. Da jogada brilhante. Mesmo que tenha sido caso raro. Do golo fantástico que se marca. Mesmo que tenha sido o único! E, assim, vamos assistindo, em todo este período de pausa competitiva de clubes, a contratações anunciadas, desejadas, concretizadas. Mas, ao mesmo tempo, temos jogadores que partem. Uns sem nos deixarem particular saudade. Outros que nos deixam uma saudade imensa. Pelo seu perfume de jogo. Pela entrega e dedicação. Pelo seu amor à camisola e pela sua entrega ao clube. Seja nos relvados, seja no banco.
Pablo Aimar deixa o Benfica e já temos imensas saudades. Do primeiro adversário (Rio Ave) ao primeiro golo (Vitória de Guimarães, numa vitória do Benfica por duas bolas a uma) e até à despedida temos múltiplas recordações. Foram largas dezenas os jogos. Poucos os golos. Mas foi, acima de tudo, um perfume único. Momentos de tango com fado. Momentos em que o futebol se exaltava e em que nós, nas bancadas, ficávamos com vontade para vermos mais. E, depois, em casa, na televisão, revíamos a jogada, o passe, a abertura, o toca e passa, o momento genial.
Não esqueço o Pablo Aimar. E tenho a certeza que o Benfica não o esquecerá. E lhe prestará, no momento adequado, a devida e merecida homenagem. Ao homem, ao cidadão e ao jogador."

Fernando Seara, in A Bola

sábado, 15 de junho de 2013

Na final...

Tal como eu previ, ontem, a dupla Benfiquista Teresa Portela e Joana Vasconcelos, tinha mais hipóteses nos 200m do que nos 500m da véspera.
Amanhã vamos ter as nossa meninas na Final do K2 200m. A prova é curta, a largada será muito importante, mas muito sinceramente acho que é melhor não esperar medalhas... Eu sei que estamos no início do novo ciclo Olímpico, mas para já não estou a gostar da 'química' desta embarcação. É uma opinião perfeitamente subjectiva, mas temos que encontrar a melhor combinação possível, entre os K1, K2 ou K4, não é fácil fazer várias provas no mesmo fim-de-semana... a Teresa Portela em Londres sabe bem disso!!!
Amanhã também vamos ter o João Ribeiro na final do K4 1000m.

PS1: Parabéns ao João Pereira pelo 8.º lugar no Europeu de Triatlo, excelente resultado, condizente com a boa temporada que está a efectuar. Foi pena a ausência do João Silva lesionado. O Miguel Arraiolos foi 13.º, o Hugo Ventura 29.º, e o Bruno Pais 36.º...

PS2: Muitos parabéns ao Jean-Jaques pela entrada no Hall Fame da FIBA. Reconhecimento totalmente merecido, a um dos melhores Basquetebolistas de sempre a actuar em Portugal... que tivemos o privilégio de observar ao vivo, no antigo Pavilhão n.º2 !!! Pessoalmente, o afundanço na cara do Dominique Wilkins em Almada, será eterno!!!

Eliminados - Fim de época

Valongo 6 - 5 Benfica

Mais uma exemplo de como as regras, em Portugal, em alguns locais, são suspensas temporárias... isto acontece em situações extra-desportivas, e como não podia deixar de acontecer, durante os jogos de várias modalidades, principalmente se a modalidade tiver árbitros!!! Nada de novo portanto... Desde do sorteio da Taça, que era previsível este ambiente... Hoje, começou no aquecimento!!! O álibi para todo este terrorismo, foi o jogo da Luz para o Campeonato, onde vários jogadores do Valongo se lesionaram... mas só acredita nessas histórias quem quiser. Como já escrevi noutras ocasiões, com este adversário: vomitam ódio ao vermelho... Hoje o comportamento animalesco (sim, animalesco) começou no treinador... se por acaso jogarem com os Corruptos na Final 4, vão perder por mais de 8-0, passivamente, como tem sido normal...!!!
Hoje valeu tudo, tudo com a permissividade dos apitadeiros, a quantidade de faltas longe da bola, com cotoveladas, agarrões, rasteiras... jogarem constantemente a bola com os patins (deitarem-se à frente da bola dentro da área...), mais de uma vez, foi sempre a andar... O Benfica foi obrigado a apresentar uma estratégia passiva defensivamente, chegámos mesmo a defender em quase quadrado na 1.ª parte, para evitar contactos, por isso chegámos em vantagem ao intervalo nas faltas (mesmo com todas as faltas perdoadas...), mas no início da 2.ª parte, começou o festival do mergulho e do penalty, e a vantagem das faltas foi-se rapidamente... Nunca conseguimos passar para a frente do marcador, tivemos sempre a correr atrás do marcador. Como hoje o aproveitamento nas nossas bolas paradas foi menor do que no fim-de-semana do título Europeu, perdemos... confirma a tese que para ganhar estes jogos, só sendo perfeito...  Pelo menos 3 dos golos do Valongo (outro foi um auto-golo do Cacau), resultaram de erros dos apitadeiros !!! Metade... Contratem jogadores, treinadores, mudem de dirigentes, e o resultado será o mesmo...

É um fim de época, imerecido, para uma época com o título máximo Europeu, é uma despedida imerecida para alguns jogadores... mas este é desporto que temos. Não basta ser melhor, temos que ser 1000 vezes melhor, e mesmo assim, não sei...

Em países civilizados, gente com comportamentos animalescos na bancada, é identificada, e expulsa dos recintos desportivos, em Portugal dão graça ao jogo!

Adenda: Deixo aqui uma amostra do que se passou... antes, durante e depois do jogo. Repito animais, e podem vir queixar-se para a caixa de comentários à vontade.

1.º jogo da Final


Sporting 5 - 1 Benfica

Jogo equilibrado (0-0 até aos 27min), onde o Benfica demonstrou as debilidades que já se esperava. Defendemos bem, mas não conseguimos ser tão ofensivos como podemos ser... O favorito continua a ser o Sporting, mas como foi provado a diferença não é tão grande como alguns querem fazer passar.
O jogo foi decidido na expulsão do Diece (minuto 33). O nosso jogador perdeu a cabeça, num lance onde ele se esqueceu da nova regra do Futsal: faltas contra o Sporting só nos primeiros 4 minutos, depois vale tudo!!!
Tal com o ano passado, mais um jogador expulso na Final do Play-off... é fácil expulsar jogadores do Benfica, esta época tem sido um festival... se juntarmos os castigos, às ausências por lesão, ou aos jogadores como o Joel que tem jogado bastante limitado, não é fácil de montar uma equipa competitiva.
Voltámos a demonstrar muitas dificuldades no 5x4 a nosso favor. Erros infantis. O último título dos Lagartos, foi ganho, neste pormenor do jogo. Mesmo sendo muito inferiores ao Benfica em jogo jogado na altura - e com muita ajuda dos apitadeiros!!! Hoje, em situação inversa, podendo equilibrar os resultados nesta situação, não conseguimos... Admitindo que nos próximos jogos, vamos levar as decisões para os últimos minutos, sem eficácia no 5x4, ofensivo, ou defensivo, será impossível triunfar...

PS1: Uma nota para o comportamento dos adeptos lagartos, que tiveram mais preocupados com os adeptos do Benfica no Pavilhão, do que em apoiar a sua equipa... típico!!!

PS2: Só para deixar registado, que não mudei de opinião: sou contra o 5x4, uma equipa que em 4x4 não consegue ganhar o jogo, não o devia ganhar em 5x4. Mas como a regra o permite, temos que o saber aproveitar... ou pelo menos devíamos saber.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Salazaritos

"Cerrando-se o pano sobre mais uma época do Futebol português, reina a ordem em todo o País. Estamos habituados a esta ordem desde que os Senhores do Sistema ganhem. Quando não ganham, reina a desordem, voam pedras, afiam-se facas, lançam-se boatos, levantam-se falsos testemunhos, espalham-se suspeições. Assim funciona a lei dos Salazaritos. Obscuros e infames. Antigamente, havia uma voz que gritava: «Quem manda?» E, obedientes, as outras respondiam: «Salazar! Salazar! Salazar!»
Agora não faz falta nem a voz nem a obediência. Todos sabemos quem manda. Todos sabemos a quem eles obedecem.
Ainda há alguns que falam, que lutam, que recusam o silêncio. Ah! O silêncio... Lembram-se: «A uns convinha que falasse. A outros haveria de convir mais o silêncio que só a morte poderia com segurança guardar». A voz, tremida e metálica, ainda fere os ouvidos da gente de bem. E a ameaça velada, sobretudo a ameaça. Reina a ordem em todo o País e o silêncio também. prepara-se a festa canalha na Assembleia Prostituinte e tudo parece estar bem quando acaba bem. Isto é, ganhando aqueles que é suposto ganharem, perdendo aqueles que é suposto perderem. Já ninguém pergunta: «Quem manda?» Todos sabemos quem manda e todos sabemos os nomes dos seus lacaios. Reina a ordem em todo o País...

P.S. - José apresenta-se e diz: «Sou como os descobridores portugueses...» Não sei se Vasco da Gama ganhava 16 milhões por ano, mas tenho a certeza do que o ridículo não mata."

Afonso de Melo, in O Benfica

1.º dia do Europeu de Canoagem

Podia ter corrido melhor o 1.º dia do Europeu de Canoagem, que está a decorrer na Pista de Montemor-o-Velho.
O João Ribeiro, fazendo parte da tripulação do K4 nacional, conseguiu a qualificação directa para a Final do K4 100m, numa prova onde os portugueses saíram muito rápidos, lideraram quase toda a prova, e no final controlando o esforço (aparentemente), conseguiram o 3.º lugar, que nos deu o direito a disputar a Final.
As nossa meninas, Teresa Portela e Joana Vasconcelos, não conseguiram a qualificação para a Final no K2 500m, tanto nas Meias. como na repescagem, ficámos longe... é certo que as provas dos 200m é onde a dupla é mais forte, mas...

O FC Porto perdeu

"Jorge Jesus renovou com o Benfica, a despeito de uma temporada que fica marcada pela negativa na sua fase terminal, de resto a mais dolorosa de que há memória no historial centenário do Benfica. Às vezes, no Futebol, ganha-se milagrosamente; outras vezes, perde-se... milagrosamente. Foi o que aconteceu no Campeonato, dado por sumido, de forma irremediável, pelo nosso principal antagonista.
Vítor Pereira, técnico bicampeão do FC Porto, sem surpresa, recebeu guia de marcha, já substituído pelo treinador que guindou, de forma competente e não menos imprevista, o Paços de Ferreira à Champions, justamente o mesmo adversário que o FC Porto defrontou na derradeira e decisiva jornada da competição. Mera coincidência...
Só que Paulo Fonseca entra no Dragão como segunda escolha. A primeira era Jorge Jesus. Ainda a temporada decorria, ainda as contas não estavam saldadas, já cantos de sereia foram dirigidos ao responsável técnico do Benfica, oriundos da capital nortenha. O FC Porto queria Jesus, fez tudo para recrutá-lo, acenou-lhe com um contrato fabuloso. O fito, mais uma vez, era embaraçar o Benfica e desferir um golpe na auto-estima vermelha. Jesus não foi, Jesus ficou.
Mesmo com a contestação de alguns adeptos, sobretudo após a perda da Taça de Portugal, o treinador manteve-se fiel ao que supostamente terá apalavrado com o presidente do Clube.
Conclusão? O FC Porto perdeu. Só falta mesmo que o Benfica, na próxima temporada, saboreie a vitória. Mas no campo, não nos sombrios, nos infaustos corredores da peguilha, da confusão, da promiscuidade."

João Malheiro, in O Benfica

Paulo Fonseca é escolha acertada

"Definida que foi a renovação com Jorge Jesus sabemos aquilo que podemos esperar. Temos como certo que vamos jogar bem (jogámos quase sempre bem no consulado Jorge Jesus), temos por adquirido que o nosso futebol será bonito, mas ficamos com esperança de ganhar ainda mais vezes. O Benfica precisa de títulos. O Benfica quer mais títulos. Quais? Todos, de preferência. Jorge Jesus é dos primeiros a ter esta consciência e vontade.
Esta semana foi pontuada com várias contratações, a Sérvia parece ser a proveniência de eleição, nada contra, os sérvios são genericamente desportistas com garra, habilidade e muito competitivos (em todos os desportos). Há até um simpatizante do Benfica a liderar o ranking ATP do ténis mundial, e é sérvio. O melhor jogador encarnado na presente época foi um sérvio, mas quanto aos que chegaram só quando os vir jogar, não é o dia da apresentação o que mais me motiva.
As contratações são sempre incertas. Nas saídas há uma despedida obrigatória. Ver Pablo Aimar jogar foi um gosto, ver Pablo Aimar jogar com a camisola do Benfica foi um orgulho. Dos míticos jogadores que vestiram a nossa, Aimar estará para sempre nos escassos números dos mágicos, dos que inebriam, dos que já mais nos esqueceremos. Um dia gostaria de poder dizer aos meus netos: «Mas eu vi Pablo Aimar jogar no Benfica». Aimar foi um exemplo como jogador, exemplo desde o dia em que chegou até ao dia em que partiu. Deixa saudades, deixa um legado e deixa um exemplo.
Não sei se o FC Porto queria Jorge Jesus, não sei se é verdade que o Sporting se antecipou na contratação de Leonardo Jardim, não sei quais os detalhes que faltaram para Mano Menezes ser o treinador azul e branco, mas sei que a escolha de Paulo Fonseca é muito acertada. O futebol que defende, a forma como jogam as suas equipas dá gosto ver. Apostaria que para os seus adeptos será melhor que Vítor Pereira. Uma boa escolha."

Sílvio Cervan, in A Bola

História e historietas

"1. Por motivos de força maior, na semana passada não me foi possível partilhar este espaço com os estimados leitores. Nunca é tarde, porém, para relembrar, e enaltecer, a extraordinária conquista da Liga Europeia de Hóquei em Patins, ocorrida há quase quinze dias, mas ainda bem presente na nossa memória, e no nosso orgulho.
Tratou-se, porventura, do momento mais alto e significativo em mais de um século de ecletismo benfiquista. É verdade que também comemorámos um título europeu de Futsal, mas em Lisboa. É verdade que Nélson Évora foi Campeão Olímpico, mas vestindo as cores do País. No caso do Hóquei, fomos Campeões contra todas as circunstâncias, contra todas as adversidades, contra todas as previsões, e em pleno reconto do nosso grande rival, numa histórica Final entre clubes portugueses.
Tudo estava devidamente preparado para outros festejarem. Mas fomos nós, com crença, e, direi mesmo, com heroísmo, que trouxemos um troféu que ainda não constava na vasta colecção 'encarnada'. Por variadíssimas razões, nunca esquecerei esta vitória, que leva o Benfica ao topo da Europa, numa modalidade que me é tão querida.

2. As últimas semanas foram também marcadas por definições no comando técnico das principais equipas portuguesas de Futebol. No Benfica, saúde-se a coragem de Luís Filipe Vieira ao reconduzir um treinador que nada venceu, mas que tão bem trabalhou a equipa, e tão perto nos deixou da glória. É este o caminho certo, e não aquele para o qual certa comunicação social, sem pingo de inocência, nos queria empurrar. No FC Porto, anote-se a contratação do treinador que orientou o respectivo adversário, na partida que decidiu o título nacional. A tal, some-se a disponibilização do estádio a esse mesmo clube para os jogos internacionais, e a contratação de (pelo menos) um dos seus principais jogadores. Não são insinuações. São factos, que cada um poderá interpretar como muito bem entender. Espero, contudo, que, depois disto, não venham mais falar-nos de Jardéis ou Djaninys."

Luís Fialho, in O Benfica

A nossa Catedral

"1. Muito agradável o Portugal-Rússia de apuramento para o Mundial. Não só pela vitória portuguesa mas também pela forma como a equipa jogou - com grande determinação - e o público apoiou. Foi uma festa... só possível no nosso Estádio, onde couberam mais de 54 mil espectadores. Felizmente, agora, os tempos são outros e a Federação distribui os jogos da selecção nacional pelos vários estádios, consoante a importância dos jogos. Ao ver aquela festa, não deixei, mais uma vez de recordar que apenas 17 anos depois da sua inauguração, o nosso antigo Estádio da Luz, de longe o maior do País, foi pela primeira vez utilizando em jogos da Selecção, enquanto os estádios do Sporting, FC Porto e Belenenses a receberam várias vezes. E isso nas décadas de 50 e 60, quando a maioria dos jogadores da Selecção era do Benfica! E ainda dizem que o Benfica era o Clube do antigo regime...

2. João Moutinho: 'Já fui do Benfica, depois cresci.' Ainda bem que mudou, digo eu. Não queremos como benfiquistas quem tão tristes exemplos tem dado. Acarinhado no Sporting, onde fez grande parte da Formação, fez tudo para sair, com a 'ajuda' do FC Porto, que o foi seduzindo quando ele ainda tinha contrato com o clube de Alvalade. Saiu como 'maça podre'. Agora, diz-se portista desde pequeno, ou quase...

3. Finalmente, surgem no Sporting dirigentes que não se subjugam aos do FC Porto e defendem os interesses do seu clube, não tendo medo de, face à 'habilidade' feita com o transferência de João Moutinho e aos insultos de um vice-presidente portista ao presidente do Sporting, cessarem as relações com a Direcção de Pinto da Costa. Este, para já, está em silêncio mas não tardará muito que tente um gesto de simpatia para com o Sporting. Não lhe interessa mesmo nada ter contra si os dois grandes de Lisboa e o seu verdadeiro problema é mesmo o Benfica...

4. Depois do título europeu de Hóquei em Patins e dos títulos nacionais de Voleibol e Basquetebol, agora foi a vez do Atletismo se sagrar Campeão Nacional pelo terceiro ano consecutivo. O Sporting deu boa réplica, mas o Benfica demonstrou a sua superioridade, ganhando com sete pontos de vantagem. No sector feminino, o Sporting é ainda superior, mas a diferença vai diminuindo ano a ano: 44 pontos em 2011, 37 em 2012, 19 agora. Vamos aguardar..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Pablito

"Sabemos que, nos dias que correm, é cada vez mais difícil traçar os limites da obra de arte. Aceitamos que um objecto não é uma obra de arte que se esgote em si e que a obra de arte transcende o objecto.
O nosso Pablito entrava em campo e todos éramos colocados diante da promessa do desconhecido, do nunca visto, do imprevisível, do incompreensível para quem espartilha o futebol na mediania do diminutivo, do “certinho”. Nas bancadas competia-nos decifrar e compreender a arte assinada pelo nosso Pablito. Ver Aimar a jogar foi ver a possibilidade de observar como a criação artística ultrapassa o objecto artístico. Para nós, na bancada, a assinatura da “obra de arte” dizia apenas Pablito.
Aimar é o nome que fica na história, nos registos escritos. Pablito é o nome dado nas bancadas, nas conversas entre os que, durante cinco anos, tiveram o privilégio de o ver com o “manto sagrado” do Benfica. Aimar é o nome que aparece no placard dos estádios e nas fichas de jogo. Pablito é o nome com que a bancada respondia ao sorriso franco com que concluía a sua participação no jogo. Só quem viu jogar o Pablito pode perceber que, apesar de a bola ser redonda, só alguns a conseguem repetidamente fazer sair redonda dos seus pés. Pablito foi durante cinco anos o maestro com a função de harmonizar o caos. Sucedeu ao nosso Rui Costa, irmanando-se os dois nessa arte suprema que é a de serem individualmente os melhores, exactamente porque eram os que melhor serviam as individualidades que tinham o privilégio de jogar com eles.
Para nós, na bancada, aquele número 10 chamado Pablito foi um dos nossos, um dos benfiquistas. E os nossos ficam sempre connosco."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Chuva de milhões no futebol europeu

"Para onde quer que nos viremos, só se fala em milhões. Ainda ontem, folheando os jornais, ficávamos a saber que o FMI libertou nova tranche de 657 milhões de euros, o Tribunal de Contas recusou visto a 1900 milhões em contratos, o Estado português tem 11 mil milhões no banco e o crédito malparado de famílias e empresas portuguesas vai em 16,57 mil milhões.
Se calhar por estarmos, de certa forma, anestesiados pelos valores que nos são diariamente apresentados, não estamos a levar em devida conta o fenómeno que está a mudar a face do futebol no Velho Continente e que tem como protagonistas os seguidores de Roman Abramovich (Chelsea). São eles, chamando para aqui apenas os de maior relevo, Dmitry Rybolovlev (AS Mónaco), Mansour bin Zayed Al Nahyan (Manchester City), e Tamin bin Haman al-Thani (PSG). Com meios quase ilimitados, alguns dos homens mais ricos do planeta estão a criar uma realidade virtual que, para já, inflacionou preços e fez disparar o mercado de transferências. O Mónaco, depois de Falcao, Moutinho e James Rodriguez está de mira assestada em Cristiano Ronaldo, por uma bagatela (para começo de conversa, 100 milhões...); o PSG, ciumento, aponta a Gareth Bale e a verba referida também é de 100 milhões; o Chelsea vai dar a Mourinho o que o happy one pedir; e o Manchester City também vai abrir os cordões à bolsa para reconquistar o ceptro inglês. Perante isto, os clubes que mais riqueza geram no Mundo - Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique - vêem a sua (sustentada) hegemonia ameaçada por sugar daddies que não há fair play financeiro que detenha.
E os clubes portugueses? Comprar barato, valorizar e vender caro. É a única via..."

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Transitam, sim senhor !

"Paulo Fonseca, se pensarmos bem, vai ser o Guardiola do FC Porto. Terá de fazer, no mínimo, igual a Vítor Pereira, que ganhou dois campeonatos seguidos. Menos do que isso é estragar.

VÉSPERA de Santo António em Lisboa. Enquanto vão comendo sardinhas, dois populares conversam sobre coisas do futebol. É tudo gritado porque a música do arraial impera e abafa. É tempo dela.
- O que me dizes ao novo treinador do FC Porto?
- Os novos treinadores do FC Porto, quererás tu dizer…
- Como?
- Ouviste muito bem. Os novos treinadores do FC Porto…
- Mas estás a contar com os adjuntos do Paulo Fonseca?
- Não, de maneira nenhuma.
- Oh pá foi o acontecimento desportivo nacional da semana. O novo treinador do FC Porto, o sucessor de Vítor Pereira. Andas a dormir?
- Compreendi-te. Mas o FC Porto esta semana não foi o único clube a ter novos treinadores do FC Porto. 
- Charadas a esta hora é que não, por favor, não me atrases a paciência.
- Por exemplo, o Arouca também teve um novo treinador do FC Porto, o Pedro Emanuel.
- Isso não conta, por amor de Deus.
- E o Paços de Ferreira também teve um novo treinador do FC Porto, o Costinha.
- O Costinha é do Sporting desde pequenino tal como fez questão de o afirmar na sua não muito longínqua passagem por Alvalade.
- Sim, é do Sporting desde pequenino mas, para todos os efeitos, não deixa de ser o novo treinador do FC Porto em Paços de Ferreira.
- Diziam que ia para lá o Jorge Costa.
- Outro, está a ver? Ó próximo campeonato já está todo minado.
- Essa é uma análise que enferma de fanatismo.
- Chama-lhe fanatismo, chama-lhe. E vai o levar o Maniche.
- Quem? Para onde?
- O Costinha vai levar o Maniche como adjunto para a Capital do Móvel.
- Pela tua ótica, portanto, o Maniche engloba-se na categoria de novo treinador-adjunto do FC Porto.
- Sem tirar nem pôr.
- Então nesse caso como classificas profissionalmente o Sérgio Conceição e o Nuno Espírito Santo?
- Transitam para a próxima temporada?
- Transitam, sim senhor.
- Então nesse caso o Sérgio Conceição é o antigo treinador do FC Porto em Olhão e o Nuno Espírito Santo é o antigo treinador do FC Porto em Vila das Aves.
- Oh demência.
- Se calhar devíamos ameaçar desistir do próximo campeonato como fizemos em relação à final da Taça dos Campeões Europeus de hóquei em patins.
- Agora interessas-te por hóquei em patins?
- Somos campeões europeus porque, segundo o próprio treinador do FC Porto, os seus jogadores passaram em claro a noite da véspera da final a ir à internet para ver se o Benfica desistia ou se desistia de desistir.
- Olha que bem pensado.
- E, pensando bem e melhor, o professor Jesualdo Ferreira é o antigo treinador do FC Porto em Braga.
- Basta!
- E o Jorge Jesus é o ex-novo treinador do FC Porto no Estádio da Luz.
- Francamente…E o que me dizes ao antigo treinador do FC Porto ir para a Arábia Saudita treinar o Al-Ahli, um clube mouros…
-… ainda não rescindiu!
- Provavelmente até lhe renovaram o contrato e esqueceram-se de o avisar.
- Provavelmente foi isso mesmo.
E continuaram a conversar pela noite fora sem necessidade de mudar de assunto e quase sempre em desacordo embora fossem do mesmo clube.

O recente sucesso de Jupp Heynckes no comando do Bayern de Munique tem dado pano para mangas. Mourinho citou-o para justificar o seu regresso ao Chelsea e a possibilidade de se voltar a ser feliz onde já se foi feliz.
Também ouvi a muitos benfiquistas, em defesa da continuidade de Jorge Jesus, dar o exemplo do treinador alemão que, depois de ter perdido tudo no final da época de 2011/2012, acabou por ganhar tudo no final da época de 2012/2013.
E ainda ouvi benfiquistas que, antes pelo contrário, viam em Jupp Heynckes o substituto ideal de Jorge Jesus.
- Ele até fala bem castelhano – foi um dos argumentos apresentados.
- Mas para quê contratar um treinador que fala castelhano se agora o nosso plantel é sérvio? – logo houve quem contrapusesse com mau humor.
No entanto, a mais troante de todas as justificações que ouvi para a aposta do Benfica em Heynckes foi esta:
- Para ele era ótimo porque nem sequer tinha de sair do seu país.
- …
- Sim, ou não somos actualmente um amável colonato da Alemanha?
Adiante para não se meter política no assunto.
O futuro próximo de Pep Guardiola presta-se também a boas e a más comparações com as nossas coisinhas. O treinador catalão vai, precisamente, substituir Jupp Heynckes no Bayern de Munique e tem pela frente a tarefa de, pelo menos não fazer pior do que o seu predecessor.
O que é francamente difícil, para não dizer quase impossível.
- Aliás, o Paulo Fonseca, se pensarmos bem, vai ser o Guardiola do FC Porto – ouvi dizer assim que o antigo treinador do Paços de Ferreira se transformou no novo treinador do FC Porto.
- O Guardiola do FC Porto? – espantei-me naturalmente.
- Sim, vai ter fazer, no mínimo, igual ao Vítor Pereira que ganhou dois campeonatos seguidos sofrendo apenas uma única derrota. Menos do que isto é estragar.
- Está bem visto, sim senhor.

DO século XX português o estadista, o homem político que mais me encanta foi o diletante, sofisticado e helenista republicano Manuel Teixeira Gomes, presidente da República entre 1923 e 1925. Um período curto que o reteve, nas suas próprias palavras, «prisioneiro, aborrecido e enjoado» de um bando de «políticos intoleráveis» que não serviam o país mas que, ainda assim, serviram a Manuel Teixeira Gomes como fonte de inspiração: «procurei estudá-los mais como romancista do que como Chefe de Estado». Sim, o nosso presidente também era escritor.
Teixeira Gomes renunciou ao cargo, foi de Belém a São Bento entregar a sua demissão à assembleia, depois foi de São Bento até casa, fez as malas, meteu-se no primeiro barco que saía do porto de Lisboa – o “Zeus” – e desembarcou no norte de África, em Oran, «iniciando aí, mau grado a velhice, esta grande primavera de liberdade e felicidade qua ainda agora dura», como escreveu numa carta a António Patrício.
Nunca mais pôs os pés em Portugal. Viajou muito e fixou-se, por fim, em Bougie, na antiga Argélia francesa, onde viria a morrer em 1941 na suspirada qualidade do total anonimato que pertencia ao hóspede do quarto n.º 13 do Hotel de L’Etoile, com ampla vista para o Mediterrâneo.
Descobri recentemente num alfarrabista da Rua do Poço dos Negros um livro sobre este nosso Estadista publicado em Lisboa no ano da sua morte e da autoria de Norberto Lopes. Chama-se O Exilado de Bougie e logo me apressei a lê-lo certa de que iria encontrar novas razões para alimentar a minha estima e quase fascínio pela soberba figura paradoxal deste patriota português a quem o país amado aborrecia, aprisionava e enjoava ao ponto de zarpar para sempre e sem remorsos.
E encontrei, claro, muitas das novas razões que procurava. Entre elas, se me permitem, esta: Manuel Teixeira Gomes era fã do Tamanqueiro!
Do antigo presidente da República que bendizia cada final de dia passado longe da Pátria e da I República com um «este já ninguém mo tira!» já falei o suficiente. Do Tamanqueiro vou falar agora. Chamava-se, na verdade, Raul Soares Figueiredo e foi um excepcional futebolista algarvio, primeiro do Olhanense e, depois, do Benfica. Numa carta a José Pontes, Manuel Teixeira Gomes, refere-se-lhe assim:
«Diante dos olhos ainda me perpassam as tardes heróicas; aclamada pela multidão imensa, destaca-se, na luz vermelha do poente, a forma tão juvenilmente obstinada, na sua ubiquidade inverosímil, do Tamanqueiro caindo, erguendo-se, pulando como se a terra lhe servisse de trampolim, sem deixar nunca de sorrir.»
Manuel Teixeira Gomes era também algarvio, nascera em Portimão, e provavelmente o seu alto apreço pelo Tamanqueiro tinha uma forte componente de amor regional. Quero eu dizer que das palavras do Estadista não se pode concluir que fosse um benfiquista de alma e de coração.
No entanto, mais adiante no livro, quando Teixeira Gomes já está instalado no norte de África para nunca mais voltar e escreve a Columbano Bordalo Pinheiro as suas impressões magrebinas, aí é que, na minha enfermada opinião, se desnuda todo um benfiquismo atávico e genial.
Ouçamo-lo:
«A afinidade congénita mais se avigorou e hoje, velho como estou, se tivesse de mudar de nacionalidade, era entre sarracenos que de preferência a buscaria. E tudo me incita a tomar tal resolução!»
A este homem não me importaria de chamar presidente.

PS - Carrega, Toni!"

Leonor Pinhão, in A Bola