Últimas indefectivações

sábado, 26 de novembro de 2011

As ausências não se fizeram sentir...

Académica 66 - 74 Benfica
15-20, 14-15, 14-16, 23-23



O Heshimu e o Betinho estiveram no banco mas não jogaram, mesmo assim apesar da menor rotação, a vitória esteve sempre controlada... O Scott desta vez esteve imparável nos lançamentos de 2 !!!

Desperdício...

Benfica 3 - 1 Académica



Não conseguimos marcar um golo num livre de 10 metros!!! Muito estranho...

Sporting...

Sporting Cagões de Portugal, também conhecidos como Lagartos, ou Leões De Esparguete, são um clube nacional de jantares em Lisboa, Portugal, que têm uma pequena equipa de futebol posta de parte.


O INÍCIO

O Sporting nasceu em 1902, apesar de declarações em que dizem que realmente nasceram em 1906. 1906 foi o ano em que o Sporting mudou de nome, já que só nesse ano é que se aperceberam da sua capacidade natural de defecarem largas quantidades de esparguete. Eles criaram a equipa de jantares em 1911, depois de um brilhante trabalho em 1910 em criar sanitas domésticas. Isto deu-lhes uma capacidade natural de defecar sem dores e com muita facilidade em evacuar os intestinos.


APARÊNCIA

Os leões são tipicamente vistos como gay's. Após avistarem um, é-vos recomendado que gritem "JESUS CRISTO!!!" e que se enfiem no carro mais próximo. Durante o dia (ou noite), os leões não parecem nada gays. Isto deve-se aos próprios mudarem a sua aparência conforme a sua disposição em parecerem gays ou não. Um leão nunca vos diria que ele foi (ou é) gay, a não ser que realmente não tenha sido (ou seja). Tal é a mente manipuladora do leão gay.


ACADEMIA

O Sporting tem o mau hábito de escolher as mais jovens máquinas de comer para as suas competições de jantares. E mesmo quando eles encontram uma pérola dessas, eles têm de a vender imediatamente para se manterem vivos. É a tradição do SCP de urinar num lagarto quando se formam da academia, para ficarem desde cedo habituados à quantidade enorme de xixi no Estádio José Lucozade.


TEMPERAMENTO

Recentemente os leões ofendem-se mais facilmente. A sua presa mais recente perdeu toda a consideração pelos outros. Isto levou os leões a ficarem mais gordos já que quando estão tristes eles comem mais.


O ESTÁDIO URINOL

A equipa de futebol joga no Estádio José Lucozade, mais conhecido como o urinol, já que é conhecido pelos jogadores fazerem uma mijita nos intervalos após beberem largas quantidades de Lucozade. Também se veio a comprovar ser um enorme catalisador para algumas das piores prestações do Sporting, tal como foi provado quando um bando de russos nojentos apareceram em 2005. Este foi o dia em que o Sporting realmente ganhou a sua reputação de "cagões".


CLUBE NACIONAL?

Tem havido alguma disputa por causa do estatuto do Sporting como a equipa 'nacional' de Portugal, já que a equipa tem deixado o país ficar mal em competições de jantares e futebol. Tem havido conversações para lhes negar o nome de Sporting de Portugal e passarem a chamar-se Sporting de Lisboa, mas isso também não deve surtir grande efeito já que 99.99% da população mundial lhes chama de Sporting de Lisboa. O Sporting simplesmente gosta do seu ego tal e qual como está (que é gigantesco).

Após a possível mudança de nome, existe especulação em que o nome do Sporting devia ir ainda mais longe e chamar-se "Sporting de Lucozade" ou até "Sporting de Sanita". Claro que o Sporting nega isto, embora tenha sido dito recentemente que o seu treinador, Domingos Paciência, teve de ser transportado de emergência para o hospital após quase ter sufocado com uma pastilha elástica.


SUCESSOR

Por enquanto não existe nenhuma indicação de que um sucessor ao leão está a ser fabricado. Algumas corporações lançaram leões de imitação, em que todos eles foram destruídos 10 minutos após o seu lançamento já que as tendências defecais da equipa no relvado os levaram ao suicídio.


PRESENTE

Presentemente, o Sporting ocupa o terceiro lugar na liga, já que eles não conseguem ser iguais aos seus rivais; os Tripeiros (já que o SCP não consegue subornar os árbitros) e os Benfiquistas (já que o SCP não consegue subornar os media), no entanto, mais ninguém na liga tem dinheiro, por isso não se podem equiparar à equipa dos Cagões. A conta do hospital do Sporting está a chegar ao 1 milhão de euros, já que em todas as competições em que estão inseridos, defecam em todos os campos e escorregam na relva, o que origina a lesões graves e lavagens cirúrgicas ao relvado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A conquista de Old Trafford

"Na passada terça-feira, o Benfica não ganhou em Old Trafford, mas conquistou Old Trafford. Empate inesquecível, que entra como uma página brilhante da nossa história.

Há empates assim, como o 4-4 de Leverkusen, nunca mais se esquecem.

Absolutamente impressionante o momento do segundo golo inglês, onde segundos depois se ouvia no estádio «SLB, SLB, SLB», como que a gritar estamos juntos.

Eram três mil heróis, foram três mil felizardos que dirão até morrer Nós vimos o Benfica calar o 'teatro dos sonhos'. Nós vimos o Benfica conquistar Manchester.

Qualquer que fosse o resultado do jogo seria positiva aquela prestação, impressionou a forma como jogamos a nossa personalidade. Onze inicial muito bem escolhido e substituições de mestre.

Jesus foi altivo nas declarações que fez antes do jogo, mas foi imperador na forma como o comandou.

Matic e Rúben seguraram um apuramento merecido e deixaram os adeptos a fazer contas aos adversários.

Terça-feira passada, apesar do apuramento, foi dia aziago para o Benfica. Primeiro um sorteio padrasto na Taça de Portugal, colocando no nosso caminho os dois mais difíceis adversários em prova e logo no terreno destes.

Vencendo Marítimo e Sporting arrisco que ganhamos a Taça de Portugal. Os protagonistas do dilúvio da Figueira mereciam um sorteio mais simpático.

Depois, o jogo de Inglaterra trouxe-nos a lesão do nosso capitão. Luisão faz muita falta, é o jogador que mais falta faz nesta equipa onde é capitão. comandante, xerife e patrão.

O amarelo que exclui Maxi e o golo fora de jogo do United são coisas insignificantes quando comparados com a falta do Luisão.

Que Luisão volte rápido, porque a jogar assim há vários troféus para ele levantar este ano e sem ele é muito mais difícil."


Sílvio Cervan, in A Bola

Um 'derby' sem fronteiras

"Amanhã, uma dúzia de jogadores de seis países vão estrear-se no derby dos derbies do futebol português, um jogo que pede meças a qualquer Inter-Milan, Boca-River, Celtic-Rangers ou Manchester United-Manchester City. São 104 anos de confrontos directos (para ser mais preciso completam-se apenas no próximo dia 1 de Dezembro...) entre os dois clubes que nasceram em berços diferentes e implantaram-se, cada um à sua maneira, na sociedade não só portuguesa mas também de língua portuguesa. Esta é, a um tempo, uma realidade e uma responsabilidade. É verdade que especialmente nos países africanos de língua oficial portuguesa e em Timor (no Brasil o impacto, face à dimensão do país e à circunstância histórica, é pequeno) o Benfica-Sporting é visto com a paixão de uma partida local, entre clubes do coração, ou não fosse até capaz de parar a guerra colonial, como descreve Lobo Antunes com a mestria que Deus lhe deu, quando era hora de relato radiofónico.

Significa isto que todos os agentes ligados directa ou indirectamente ao derby têm sobre os ombros a responsabilidade acrescida do exemplo, a obrigação de tudo fazerem para que a partida decorra sem incidentes dentro e fora das quatro linhas, afinal aquilo que deve ser a normalidade...

O desporto, mais especificamente o futebol, é neste momento um dos principais veículos de aproximação de Portugal aos países que falam a língua de Camões. É fundamental que, nesta fase complicada que Portugal atravessa, todos percebam esta verdade e que todos estejam à altura do momento. Porque o Benfica-Sporting, o jogo mais belo do calendário nacional, só faz sentido se for entendido como o fazem hoje, em A BOLA, Eusébio e Hilário. Rivais, sim. Amigos, sempre."



José Manuel Delgado, in A Bola


PS: A entrevista publicada hoje n'A Bola, ao King e ao Hilário é de facto muito boa, uma delícia de pequenas histórias... Sendo que a oportunidade desta entrevista foi 'definida' pela velhaca e mentirosa máquina de propaganda Lagarta:

O jornal oficial dos Lagartos, desesperados, numa tentativa de responder às declarações do Eusébio ao Expresso, fizeram uma entrevista ao Hilário, supostamente negando as afirmações do King. Não só falharam o objectivo principal, porque uma cuidada leitura de toda a entrevista, confirma tudo o que o King disse, como ainda mais grave, 'puxaram' para título da entrevista, uma frase do Hilário completamente fora do contexto, tentando provocar uma desavença entre os dois 'irmãos'!!! Desrespeitando o seu ex-jogador...

Não é a primeira vez que isto acontece no panfleto propagandista Lagarto, têm todo o direito em serem parciais, não têm é o direito de entrevistarem pessoas, e depois como as respostas não são totalmente do seu agrado, habilmente, colocam frases na boca das pessoas, que nunca foram ditas...

Ainda recentemente quando tentaram branquear a história do Góis Mota no balneário do Atlético, ameaçando a equipa de arbitragem, fizeram exactamente a mesma coisa: alterando as respostas do entrevistado!!!

Lagartices!!!

À Capela

"Uma boa intenção devia ser suficiente para resolver um problema? Devia, mas não é. Ou é?!


Na semana em que Vítor Pereira ficou, enfim, menos mal, e André Villas Boas, por ironia, se vê agora bem pior, no momento em que Jorge Jesus pode, por fim, celebrar a sua primeira qualificação para os oitavos-de-final da Champions e emendar assim a vergonhosa campanha na prova da época passada, e mesmo quando estamos a poucas horas de confirmar a grande expectativa criada em torno do maior derby do futebol português, muito graças ao forte dispositivo anímico que o Sporting vem revelando para não falar da sua crescente intensidade competitiva, há quem pareça muito mais interessado em fazer de um outro dispositivo, neste caso de segurança, o assunto principal da semana.

Não têm mais nada com que se preocupar.

Estamos a falar da colocação de uma rede, já instalada em muitos dos grandes estádios europeus com objectivos bem cumpridos, aprovada neste caso pela Liga de Clubes e avaliada pelas forças de segurança, e que é a melhor solução especialmente para todos os estádios submetidos a maiores enchentes e palco dos mais escaldantes desafios.

Trata-se, grosso modo, uma rede de fibra não inflamável, sem qualquer perigo para os espectadores e com fortes vantagens no controlo do arremesso de objectos, por exemplo, e também, claro, dos indesejáveis encontros físicos de primeiro grau entre os adeptos dos clubes em jogo ou com as forças de segurança.

É o cenário ideal? Claro que não. Mas estaremos nós em condições de aplicar cenários ideias quando se vêem por aí tantas cenas eventualmente chocantes?

Ideal seriam estádios sem fossos e sem redes. E não seria também ideal não se ver violência nos campos? E o arremesso de perigosos objectos e tochas? E cadeiras incendiadas, arrancadas ou atiradas?

Alguns sportinguistas parecem agora ter-se indignado muito mais do que quando no seu próprio clube se decidiu construir um disparatado fosse a toda a volta do relvado do novo estádio - como hoje reconhecem, aliás, os seus dirigentes.

Do polémico fosso de Alvalade à polémica instalada pela história da rede na Luz vai, agora, a distância entre o desnecessário e o ridículo.

OK, os leões estão a fazer uma tempestade num copo de água diante do desaconselhável silêncio encarnado. Na verdade, não custava nada aos responsáveis da Luz ter explicado os benefícios prováveis do novo dispositivo de segurança em qualquer estádio de futebol, sobretudo em jogos de tão forte tensão emocional.

Imagine-se, entretanto, que por causa do novo dispositivo, os dirigentes dos dois clubes já nem sequer se vão sentar à mesa antes do jogo, e os do lado leonino - rejeitando o convite para o tradicional almoço - retaliam ainda com a ausência do camarote presidencial dos encarnados.

Vão juntar-se na bancada ao coro dos que falam em sentir-se enjaulados ou engaiolados (expressões ouvidas apenas da boca de alguns sportinguistas...) por um dispositivo de segurança que é apenas isso, um dispositivo de segurança, e que amanhã à noite não trará, acredito, nada de anormal ao jogo grande da jornada, que todos esperam ver chegar ao fim como um grande jogo.

Vão ver.

Na noite de estreia no maior derby português para muitos dos jogadores estrangeiros das duas equipas e na noite de estreia em clássicos até do próprio árbitro, os dirigentes leoninos julgarão estar, com aquela medida, a dar a melhor resposta à natural ansiedade dos seus adeptos.

A diferença é que aos adeptos não se exige que vejam claro; mas aos dirigentes deve impor-se que não sejam cegos.

Nas polémicas, não há nada pior do que ficarmos a falar à capela. Ou seja, sozinhos."


João Bonzinho, in A Bola

Palco dos Sonhos

"Nada melhor do que um palco mítico do Futebol, como é o de Old Trafford, em Manchester, para o Benfica alcançar mais um feito glorioso. O Futebol internacional rendeu-se, uma vez mais, ao Futebol pragmático do Benfica, que fez em Manchester uma grande partida e que o coloca, desde já, nos oitavos-de-final da prova rainha do Futebol europeu. Mais do que destacar as individualidades, penso que o que importa realçar é o espírito do colectivo que soube impor-se nos momentos de maior adversidade. Fomos grandes a sofrer, fomos enormes a atacar, fomos práticos na abordagem ao jogo e, raramente, deixámos os de Manchester jogar à vontade. Estivemos muito bem em todos os sectores, mas foi o guarda-redes, Artur Moraes, o jogador mais influente no desfecho do resultado. Um punhado de excelentes defesas em momentos críticos permitem-me afiançar que, depois de Preud'Homme, foi a contratação mais acertada de um passado recente para a baliza 'encarnada'.

Jorge Jesus está, igualmente, de parabéns pois não se encolheu. Fez alinhar uma equipa de cariz ofensivo, mas equilibrada em todas as fases de jogo... e aqui residiu a grande força da nossa equipa. O Benfica nunca se partiu, nunca desfez a coesão do grupo, e com um espírito de coragem, entrega e solidariedade que caracteriza este grupo de trabalho, conseguiu-se alcançar o objectivo da qualificação.

Uma palavra final para os três mil adeptos que encheram um dos topos de Old Trafford. O Benfica é grande porque tem, de facto, uma massa adepta invulgarmente dedicada, que acarinha e apoia os seus atletas como se da família se tratasse. Fomos grandes também a cantar, fomos enormes em empurrar os ingleses para o silêncio, fomos correctos nas celebrações, fomos inexcedíveis no apoio. No final, os ingleses aplaudiram-nos, porque não só fomos melhores dentro de campo, mas porque também fora dele, soubemos fazer parte de um espectáculo inolvidável."


Luís Lemos, in O Benfica

Old Trafford

"Não fui ver o Benfica a Old Trafford. O Benfica não ganhou em Old Trafford. Ouvi o Benfica desde Old Trafford. O Benfica ganhou Old Trafford.

Eu sei que estava lá o Aimar e o Luisão, o Artur e o Javi, o Jorge Jesus e o Pietra, mas o Benfica que ganhou Old Trafford foi um Benfica de adeptos, sócios, simpatizantes, portugueses e benfiquistas. Foi um Benfica nascido na vontade e expressado na voz e na emoção de quem gritou a alma benfiquista durante mais de noventa minutos. Foi o Benfica de quem não renova contratos, pois assinou no benfiquismo um compromisso para a vida, um compromisso incondicional e intemporal. O Benfica que ganhou Old Trafford foi o Benfica de três mil vozes que deram voz a milhões de vontades. No Benfica que venceu Old Trafford estava a eficácia de Rogério Pipi, a elegância de José Águas, o magnetismo de Coluna, a rapidez de Simões, a abnegação de Toni, a determinação de Bento, o génio de Chalana, o benfiquismo de Rui Costa, a magia de Aimar… Mais do que tudo, estavam também as lágrimas do benfiquista desconhecido a quem me abracei no Bessa, no jogo do título no ano de Trapattoni; o sofrimento do benfiquista de pelo menos sete décadas que se senta atrás de mim no Estádio da Luz e que, sempre em silêncio, festeja os golos do Benfica apertando as mãos (fundindo as mãos) como se naquele aperto estivesse a capacidade de transformar o caos em cosmos. No Benfica que venceu Old Trafford estavam os sorrisos, as lágrimas, os abraços, os impropérios, as injustiças, as esperanças de todos os que sabem que, se não fossem benfiquistas, não seriam as pessoas que vieram a ser.

Dizem os jornais que o Benfica empatou em Old Trafford. Mentira, o Benfica ganhou Old Trafford, porque, durante mais de noventa minutos, o que se ouvia era a voz do Benfica cantando bem alto o nome do Glorioso. O resto foi um teatro de sonhos a silenciar-se perante a voz do Benfica, a nossa voz."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Há de tudo na Liga...

"1. O Benfica já teve de tudo este ano. Um jogo debaixo de um nevoeiro intenso, que em certas alturas nada deixava ver, num estádio (do Nacional da Madeira) aliás impróprio para uma I Liga. Um jogo (em Braga) de constantes (e estranhos...) apagões. Agora, um jogo numa autêntica piscina, sem que, desta feita, a equipa da casa, da Naval 1º de Maio (que aliás se bateu muito bem até final), tivesse qualquer culpa no sucedido. Foi pontapé para a frente, à espera que o golo surgisse. Felizmente, surgiu a tempo de se evitar o prolongamento e um desgaste suplementar. Foi a única coisa positiva (para o Benfica) deste jogo da Taça.


2. Portugal confirmou a presença na Fase Final do Campeonato da Europa, eliminando a Bósnia na nossa Catedral, naturalmente escolhida face à sua lotação (mais 15 mil lugares que Alvalade) e ao apoio que, ali, o público podia dar à Selecção Nacional. Tudo normal, tudo lógico. Mas nem sempre foi assim. Inaugurado em 1954, o nosso antigo Estádio, que também era o que tinha maior lotação, apenas em 1971 foi pela primeira vez utilizado pela Selecção, numa altura em que o Estádio de Alvalade já recebera três jogos e o do Restelo um jogo (nas Antas haviam sido realizados oito, mas no Porto não havia a alternativa-Estádio Nacional). E depois ainda há quem diga que o Benfica era o Clube do Antigo Regime. Antes pelo contrário, muito antes pelo contrário...

Eusébio, sem o dizer abertamente, confirmou-o com o exemplo da sua juventude em Moçambique. Não terá sido 'politicamente correcto' mas foi sincero e disse uma verdade: 'Não gosto do Sporting. No meio bairro, era o clube da elite, da polícia e dos racistas.' Claro que os sportinguistas não gostaram de ouvir as verdades, mas bastará citar dois dos seus mais emblemáticos presidentes (Góis Mota e Casal-Ribeiro) ou ver a composição da Conselho de Estado à data do 25 de Abril de 1974, recheado de altas figuras deste clube. O Sporting foi mesmo o clube do Regime. O Benfica e Eusébio, graças aos seus êxitos, foram aproveitados pelo Regime nos seus últimos anos. Sem nada poderem fazer para o evitar.


3. Carlos Martins passa por momentos dificílimos. Já não tenho idade para tentar salvar a vida do seu filho, Gustavo. Mas também eu faço um apelo aos benfiquistas para se dirigirem aos postos de rastreio."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Talentos

"Incrível! Um jogador de Futebol de 20 anos precisou apenas de 66 segundos em campo e de dois toques na bola para resolver um encontro, jogado num atoleiro, e assim resolver uma eliminatória da Taça de Portugal. O atleta em questão, Rodrigo Moreno, brasileiro de nascimento, espanhol de nacionalidade, faz parte do plantel do Benfica: transitou há dois anos do Real Madrid e está agora à disposição do treinador do Benfica após um ano de empréstimo ao Bolton. O golo de Rodrigo foi o sexto com a camisola do Benfica, cinco dos quais em quatro jogos. Na equipa de Sub-21 de Espanha, Rodrigo Moreno tem sido o marcador de referência dos últimos tempos.

Este é um talento descoberto e valorizado no Benfica. E vários outros têm despontado nos anos mais recentes. Angel Di Maria era um jovem predestinado, mas sem massa muscular nem sentido de equipa, quando chegou ao Benfica. Fábio Coentrão era um médio contratado ao Rio Ave e rodou por outras equipas antes de assentar no plantel do Benfica e se afirmar como o melhor defesa esquerdo do Mundial de 2010. David Luíz era um esperança do Futebol brasileiro e no Benfica fez-se uma realidade do Futebol mundial. E Bruno César, craque do Brasileirão, precisou de se exibir no Benfica para ser chamado à canarinha. Prontos a dar muito que falar, no plantel do Benfica, estão jovens atletas como o belga Axel Witsel, o sérvio, Nemanja Matic, ou os portugueses da estirpe de Mika, Luís Martins, David Simão ou Nélson Oliveira.

Juntando a todos estes talentos que agora despontam, a sabedoria, a experiência e a criatividade de jogadores feitos que o Benfica soube encontrar e trazer para o plantel, bem se pode dizer que a equipa está bem servida de talentos e bem provida de activos. Mas tal como a vida, a roda da fortuna também não deixa de rodar."


João Paulo Guerra, in O Benfica

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Campanha do Amendoim !!!

Acho que as reacções dos Benfiquistas, à indignação Lagarta devido ao novo sistema de segurança instalado no Estádio da Luz, não têm sido as mais compreensivas!!! Sendo assim venho por este meio apelar à mobilização de todos os Benfiquistas que vão assistir ao jogo, ao vivo:

O Benfica sempre foi um clube universal e solidário, assim para não sermos acusados de xenofobia, nem de tratar mal aqueles que nos visitam...!!! E, como os Lagartos baptizaram, a nova estrutura de segurança montada na Catedral, para a segurança deles, como Jaula, acho que cada um de nós, deveria levar para o Estádio, um saco de amendoins...!!! (de qualquer variedade, ou até milho!!!) Quando visitamos o Zoo, e observamos os animais enjaulados, a tentação é lhes dar sustento... devido ao tamanho dos buracos das redes, duvido que se possa levar algum alimento de maiores dimensões, assim creio que todos ficavam satisfeitos!!! Nós a atirar os amendoins através das redes aos Lagartos e eles de boca aberta...!!!

Recordo que esta Campanha tem como objectivo atender às necessidades dos adeptos Lagartos, os jogadores não precisam deste suplemento alimentar, aliás com a confirmação da presença da Direcção Lagarta dentro da Jaula, acho que o Amendoim é definitivamente o alimento mais indicado...!!!

Divulguem...

Afinal, o Schaars tem razão

"O semi-sucesso do Benfica em Manchester começou por onde começam todos os êxitos das grandes equipas de futebol: pela baliza



O Holandês Schaars vai viver este sábado o seu primeiro derby. Ontem falou publicamente sobre o assunto. Schaars sente que «o ambiente está tenso». Schaars é novato nestas rivalidades da Segunda Circular, está visto.

Na verdade, o ambiente não está tenso. Pessoal mais exprimentado nestas coisas dirá, sem sombra de dúvida, que já houve centenas de derbies com ambientes mais absurdos e pesados a antecedê-los.

Mas Schaars fala do que sabe e do que sente e lá terá as suas razões. À semelhança de muitos estádios europeus, o Benfica vai passar a dispor de um reforço do sistema de segurança para os adeptos visitantes. A delimitar os espaços, no lugar onde se colocavam os cordões de polícias a desempenhar esse papel, passa a haver grades. O procedimento recebeu a aprovação da Liga e da PSP e vai estar montado já no sábado no jogo com o Sporting. E é assim que vai ficar para os jogos futuros.

Perante a afabilidade do momento entre os rivais, não houve em tempos recentes nenhum acontecimento insólito que indispusesse as respectivas administrações, este assomo de indignação por parte de alguns responsáveis de Alvalade tomba um bocadinho para o ridículo. Trata-se da manipulação de uma coisa que não é nada com o aparente intuito, muito dispensável, de criar um ambiente, enfim, tenso.

Olhem, afinal o Schaars tem razão.



O semi-sucesso do Benfica em Manchester, assegurando a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, começou por onde começam todos os êxitos das grandes equipas de futebol: pela baliza.

E, que ninguém se ofenda, mas foi Artur o único dos benfiquistas a aguentar os 90 minutos sempre ao mesmo nível, altíssimo, respondendo às exigências da ocasião sempre da mesma maneira, 100 por cento impecável. O belga Witsel não esteve a 100 por cento mas terá estado aí a uns 82 por cento, o que também não é nada mau considerando a sua extrema juventude e inexperiência.

Os outros foram inexcedíveis em aplicação, correram quilómetros, calaram Old Trafford mas a verdade é que o Benfica esteve largos momentos do jogo em aflição. Nada de mais, obviamente, porque o Manchester United é um gigante de créditos firmados e o Benfica anda valentemente a tentar elevar o seu futebol ao nível do seu prestígio internacional.



OS jornais deram conta fortes medidas de segurança que, no sábado, protegeram o autocarro do FC Porto à chegada ao Porto depois do jogo de Coimbra e do reforço, na segunda-feira, dessas já de si fortes medidas de segurança que protegeram o mesmo autocarro quando levou a equipa ao aeroporto para apanhar o avião para a Ucrânia.

O autocarro não sofreu nem uma beliscadura. O que prova que as medidas de segurança foram bem executadas o que não admira. No aeroporto, por exemplo, o aparato policial foi de monta que não houvesse por lá nenhum indigente disposto a insultar os jogadores, os técnicos ou mesmo os dirigentes nem nenhum voluntário com predisposição para partir os vidros do autocarro do FC Porto.

Mais vale prevenir do que remediar, pensaram as autoridades policiais locais e é assim mesmo que se tratam destes assuntos.

Da próxima vez que o Benfica for ao FC Porto, está finalmente o problema do Vermelhão resolvido.

Basta que os dirigentes da Luz solicitem respeitosamente às autoridades locais a mesma protecção policial para o seu autocarro (com recheio de pessoas e bens).

E, assim, com esta eficácia e empenho, nunca mais o Vermelhão regressará do Porto com um risco na pintura, com um farolim partido ou com uma escova de limpar o pára-brisas pendurada ao Deus-dará pela auto-estrada abaixo até à garagem do Estádio da Luz.



O Expresso on line garante que João Moutinho é o «líder dos rebeldes» que no balneário portista se têm dedicado a fazer a vida negra a Vítor Pereira colocando em causa o seu estatuto de autoridade.

-É uma maçã podre, sempre foi uma maça podre! - disse-me um amigo sportinguista preocupado com a eventual demissão do treinador do FC Porto.

Tenho, no entanto, um amigo portista que vê as coisas de outro modo.

-O Moutinho está a fazer em grande trabalho, deixem o Moutinho trabalhar!

É muito difícil entenderem-se os adeptos dos clubes rivais.



ENTREVISTADO pela Rádio Monte Carlo, a jovem esperança Mangala afirmou ser do Paris Saint-Germain desde pequenino e acrescentou que o seu sonho é jogar no Parque dos Príncipes. «PSG? Ia já...» Considerou-se, no entanto, contente por estar no futebol português visto que considera o FC Porto «um trampolim» para outros voos.

O mundo anda todo às avessas.



ANDAM também os irmãos desavindos e isso não é bom. Nascida em África, a amizade entre Eusébio e Hilário resistiu galantemente à rivalidade entre os dois emblemas que os jogadores haveriam de representar na Metrópole - era assim que se dizia, naqueles tempos - mas, mais de meio século depois de ambos terem aterrado em Lisboa, parece que a tão badalada entrevista de Eusébio ao Expresso causou mossa e obrigou Hilário a responder, também em forma de entrevista através do jornal do Sporting.

Eusébio e Hilário são duas pessoas adoráveis e não mereciam, de forma alguma, este desencanto, pelo menos aparente, na sua relação.

Eusébio disse ao Expresso que nunca gostou do Sporting porque quando era jovem em Lourenço Marques «o Sporting era o clube da elite, da polícia e dos racistas». Esta frase causou indignação entre os sportinguistas.

A resposta de Hilário, no entanto, não ajudou nada a contrariar a opinião de Eusébio. Antes pelo contrário.

Hilário recorda que quando assinou pelo Sporting de Lourenço Marques «diziam que eu ia para um clube de brancos, um clube racista».

Diziam? Mas quem é que dizia uma coisa dessas? Seria já o Eusébio?

Hilário diz também, com justificado orgulho que foi «o primeiro preto a jogar no Sporting de Lourenço Marques». De acordo com wiki-Sporting, fonte fidedigna de informação, o Sporting Clube de Lourenço Marques foi fundado em 1920 pelo que, de acordo com as palavras de Hilário, não albergou um único «preto» durante as primeiras quatro décadas da sua existência como associação desportiva.

Ainda citando a informação disponível na Wiki-Sporting, de acordo com «os testemunhos de antigos jogadores do Sporting de Lourenço Marques, era um clube selectivo». E «para os negros jogarem no Sporting ou tinham que ser jogadores com a qualidade de Eusébio da Silva Ferreira ou então tinham que ter alguém que os apadrinhasse».

Um clube selectivo? Lá está a elite, não é?

Sempre citando a Wiki-Sporting, o Sporting de Lourenço Marques tinha uma base social bem definida: «Os seus dirigentes e atletas proviriam principalmente da Polícia e do Serviço Municipalizado de Água e Electricidade», reza o documento.

Lá está a Polícia, não é verdade?



O Shaktar-Porto foi divertido. Como o empate não servia a nenhuma das equipas tivemos um espectáculo aberto, corrido, bola cá, bola lá, às vezes parecia um jogo de hóquei em patins de tão disparado que foi. O FC Porto, por ter melhores jogadores, foi mais feliz e ganhou por 2-0. Agora basta-lhe vencer o Zenit de São Petersburgo e de São Bruno Alves para seguir em frente na Liga dos Campeões.

Vítor Pereira, o mal-querido treinador dos campeões nacionais, festejou a vitória com uma exuberância que se compreende.

Nós aqui em Portugal, compreendemos. Lá fora, não sei..."


Leonor Pinhão, in A Bola

Preservativos à Benfica

"Li que o SLB pôs à venda uma colecção de «preservativos à Benfica». Apresentada como «abrangente e apelativa» de »um produto contemporâneo e atractivo, para fortalecer e complementar o portfolio». Sem comentários.

Vai um dérbi?, A melhor defesa é jogar ao ataque, Esta vai ser à Benfica são algumas das lapidares frases das embalagens.

O Benfica potencia, assim, a venda de novos equipamentos alternativos: depois das camisolas, camisas e camisetas, é a vez das camisinhas. Sabendo-se do expressivo universo benfiquista, sugiro que se faça uma sondagem sobre o seu uso no contexto futebolístico. Há mais ou menos procura: quando o Benfica ganha? Se o jogo é à tarde ou à noite? Fora de casa ou em ambiente caseiro? Para cumprir calendário ou amigável? No defeso com fome de bola ou quando a época já vai alta? Se o jogo é mais com o coração do que com a cabeça ou o contrário? Antes ou depois de chicotada psicológica? Quando o par é águia ou leoa ou dragona?

Antevejo novos nomes e slogans. Uns, pela posição: pivô, trinco, ponta de lança, falso lento. Outros, ligados à arbitragem como fora-de-jogo, penalty, bola na mão ou mão na bola, área de rigor. Ou ainda, terceiro anel, inferno da Luz, linha de cabeceira, 3 minutos à Benfica, ou tempo extra. Mas, espero que jamais haja um com a frase que ouvi do treinador do FCP: sem ponta por onde se lhe pegue. E por que não nomes de jogadores? De alguns que jogaram no Benfica: Paredão, King, Pipi e Okunowo. Ou Kmet e Caicedo para atrair outras preferências.

Um amigo sportinguista, maliciosamente, dizia-me quão bom seria que o seu uso de generalizasse entre benfiquistas para que a «espécie» tivesse os dias contados. Cuidado, malta!"


Bagão Félix, in A Bola

Missão cumprida

"Claro que houve ocasiões de sufoco e – vários – suspiros de alívio, o último dos quais quando Berbatov, sedento de mostrar serviço ao patrão, fez a bola rasar a barra da baliza de Artur. Claro que a percentagem de posse de bola, o número de remates, a ideia de um caudal ofensivo dominante (embora se misturassem os momentos de mérito dos ingleses com as ocasiões em que o Benfica oferecia metros para cerrar fileiras, alternando sabiamente com a pressão alta, toca-e-foge que lhe permitiu chegar ao fim da partida sem bancarrotas na componente física) tombam para os habituais frequentadores do Teatro dos Sonhos. Daí a dizer que o empate da equipa portuguesa foi mera questão de sorte só revela desconhecimento ou má vontade.

Desde logo por ignorar ostensivamente que o adversário do Benfica é campeão inglês, finalista vencido da última edição da Liga dos Campeões, dono de um palmarés que brilha tanto como a estabilidade (por favor, não confundir com pasmaceira ou imobilismo) garantida por um quarto de século com sir Alex Ferguson como condutor. Depois, por procurar desvalorizar uma missão de sacrifício que, tantas vezes, é o nosso (dos clubes nacionais e da Seleção, se quisermos falar verdade) antídoto quando confrontados com meios e poderes desmedidamente maiores do que os nossos. Ontem, essa sobrecarga, que se confunde com desempenhos de missões que favorecem o coletivo e prejudicam os indivíduos, acabou por haver alguma justiça poética no facto de Pablo Aimar, artista e maestro, ter podido faturar, numa rápida resposta ao golo da efémera vantagem do Manchester.

Especulações à parte, foi bonito ver os apoiantes lusitanos a conseguir calar Old Trafford. Agora, o Benfica depende apenas de si próprio – e de uma vitória face aos romenos – para chegar ao primeiro lugar no grupo, algo com que os mais otimistas dificilmente sonhariam. Vantagens? “Só” estas: jogar em casa a segunda mão dos oitavos-de-final da Champions e evitar, para já, confrontos com Real Madrid, Bayern Munique, Inter Milão e, provavelmente, Barcelona, Chelsea e Arsenal. Compensa…

Segue-se um dérbi lisboeta, invulgar pela proximidade pontual das equipas (diferença mínima) e pelo ânimo empolgado com que vão entrar em campo. Daqui até lá, que haja cuidados nas declarações e respeitinho entre as claques. Os craques hão-de fazer o resto.

NOTA – Mais logo, na Ucrânia, o FC Porto tem a primeira de várias finais – e não só para a Liga dos Campeões. Confesso: como adepto de futebol, é-me indiferente o destino de Vítor Pereira, que pode estar à beira da sentença. Mas deixo claro: como adepto de futebol, é fundamental ver renascer o campeão nacional. A caminho da ressurreição, que faz falta a todos."


Dreamland Tour






















Boa segunda parte...

Benfica 9 - 2 Porto Santo



...má primeira parte!!! Mas depois, até deu para o estreante júnior marcar um golinho!!! No Domingo, com o Espinho, temos que jogar melhor.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Obrigado a todos!

"Algumas horas depois do nosso apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, senti necessidade de expressar publicamente o meu agradecimento aos milhares de adeptos e sócios do Sport Lisboa e Benfica que ontem, em muitos momentos do jogo, nos fizeram duvidar se estávamos a jogar em Manchester ou na Luz.
Quero agradecer-lhes o esforço, o exemplo e, acima de tudo, a forma como durante todo o jogo apoiaram a equipa. São momentos como este, e não falo sequer do resultado desportivo, que me fazem sentir um tremendo orgulho por liderar este Clube.
É um orgulho ser presidente de um Clube com uma massa associativa que consegue fazer o que ontem fizemos em Manchester. Obrigado a todos os que estiveram no estádio, obrigado pela forma como sempre “empurraram” a equipa, obrigado por deixarem bem claro em Manchester a imagem do Clube que somos!"


Luís Filipe Vieira, in Site do SLB


Finalmente... consegui!

"Depois de quase 60 anos de sócio, fiz parte da comitiva do nosso SLB que se deslocou a Entschede, na Holanda, para jogar com o Twente. Bem, não foi bem parte integral, mas sim só meia dose, ou seja, fui ter a Entschede na véspera do jogo, fiquei com parte da comitiva no hotel escolhido pela Benfica Viagens, fui ao jogo e voltei no avião da equipa e acompanhantes.

Isto até nem é história, não tem o mínimo de interesse, milhares de outros benfiqusitas já o fizeram e muitos outros o irão fazer futuramente. Simplesmente há algumas particularidades que são interessantes de contar. Primeiro, é preciso ser mesmo muito, mas muito benfiquista para, depois de dois dias de reuniões importantes na Alemanha, escolher um jogo do Benfica e logo contra um adversário forte, como o Twente, para tentar relaxar um pouco um pouco. Mas a fé na nossa equipa foi superior a qualquer receio e lá fomos. Fizemos 650 Km nas grandes autoestradas alemãs e chegámos ao destino. Estávamos contentes, encontrámos amigos benfiquistas que não víamos há anos, outros que nem conhecíamos, a não ser de nome, voltámos a rir com as piadas habituais quando estes grupos se reúnem, ouvimos histórias mais ou menos verdadeiras - assim a modos que contos de grupo de pescadores -, enfim, descontraímos mesmo e sentimos que a família benfiquista tem o seu quê de especial.

No meio de tudo isto, lembrei-me da minha mãe. Bem, eu lembro-se dela todos os dias, pois com os seus 86 anos superlúcidos tem de saber todos os dias onde eu ando, o que faço, em que país estou, e isto há dezenas de anos que todos os dias - independentemente de onde estiver, em qualquer parte do mundo - falamos ao telefone, nem que seja só para dizer que está tudo bem. Mas desta vez lembrei-me dela por causa do Benfica.

Após o meu pai ter falecido muito cedo, com apenas 50 e poucos anos, a 'velha', como sempre a tratei carinhosamente, por influência dos meus contactos com os Fittipaldi nos anos 70, começou a viajar com o Benfica, indo para todo o lado com a equipa, assistindo aos jogos do nosso clube...

Bem, a minha mãe desde sempre nos acompanhou, a mim e ao meu pai, aos jogos no Campo Grande e na Luz, não tendo ainda visitado a Catedral por questões de saúde. Portanto, a avó Linda é uma entendida no futebol. Lembro-me de que tinha muito mau feitio quando assistia aos jogos em Lisboa, participava nos insultos, nos assobios, mandava vir com os árbitros e com quem quer que fosse que não estivesse de acordo com a sua forma de interpretar as regras deste jogo de paixão. Mas a recordação de hoje tem a ver com um telefonema da minha mãe, há já muitos anos. Eu estava na Alemanha, a estudar em casa para exames de meio de curso. O telefone tocou, já tarde, atendi e a 'velha', do outro lado da linha, dizia, toda contente, ter visitado nessa tarde um vulcão e as terras cinzentas da Islândia, pois tinha ido a Reykjavik ver o nosso Benfica. E estavam lá várias pessoas nossas amigas, que me mandavam um abraço e força para os exames. Passei-me! A minha mãe na Islândia, para ver o Benfica (sim, a minha mãe só via o Benfica, OK?) em terras vulcânicas! Desde então, aqui na Europa, quando, já mais recentemente, e por telemóvel, nos falávamos, perguntando sempre onde estava, respondia: 'Conheço, já antes aí estive, fui ver o Benfica!' Desde Praga, Moscovo, Kiev, etc., a 'velha' tinha lá ido já antes de mim ver o Benfica. Hoje, liguei-lhe do Estádio do Twente para a Casa de Repouso de Vale de Lobos, tinha acabado de jantar. «Olá 'velha', estou na Holanda, em Enschede, para o jogo do 'glorioso' contra o Twente. Está tudo bem?», disse-lhe meio a gritar, porque o jogo estava quase a começar. Pareceu-me triste, achei eu. Mas não, não estava, disse-me: «É que eu aí nunca estive, tenho pena.» Pois eu não, disse para comigo, finalmente vou ver um jogo do Benfica fora de casa a um sítio a que a minha mãe nunca foi. Foram precisos quase 60 anos de sócio para conseguir tal feito. Viva o Benfica! E a minha mãe também...!"


Domingos Piedade, in Mística

Ser ou não ser 'penalty'

"Ou é impressão minha ou há uns bons anos não existia a costumeira querela dos penalties por bola na mão. Uma possível explicação (que não justificação) para esta avalanche de casos duvidosos residirá na exuberância tecnológica dos mil ângulos das câmaras.

Daí advém a diversão semanal se foi mão na bola ou bola na mão (e já agora braço e antebraço, usualmente esquecidos nesta frase feita...), se foi à queima-roupa ou se queimou a equipa, se embateu ou simplesmente raspou, se houve ou não intenção, se o braço estava dentro ou fora da área, se o jogador se mexeu, estava inerte ou de costas voltadas... Curioso é que se tudo isto for no meio-campo, já não há discussão sobre a anatomia do crime.

Discute-se até a subtil dança de palavras nas leis do jogo, tal como deliberadamente ou intencionalmente.

Esta nebulosa faz as delícias de comentadores que dissecam as imagens até um grau superlativamente antinatural. E é um domínio perfeito para o subjectivismo oportunista de certos árbitros e assistentes. Situações idênticas, umas vezes, assinalam-se por excesso, outras não se marcam por defeito. De memória ainda fresca, uma mão visível não dá penalty contra o Basileia na Luz, um braço colado ao corpo dá penalty no Braga-Benfica.

Tudo ficaria mais claro e objectivo se o penalty só fosse assinalado se a mão e o braço tivessem aumentado o espaço de intercepção da bola e esta tivesse alterado a rota. Evitava-se o penalty dos braços colados ao corpo que só um maneta evitaria. Eliminavam-se as apreciações sempre dúbias da intenção, bem como da distância de um remate muito perto afastado do faltoso. Ou seja, diminuía acentuadamente o caldo ideal para aldrabices e batota."


Bagão Félix, in A Bola

Francisco Ferreira - O verdadeiro atleta benfiquista



"Desde pequeno com a 'águia' empoleirada no coração, o eterno capitão do Benfica brilhou de 'encarnado' com a alma de lutador que lhe viria a garantir um lugar na história do clube e do País.

1949. Nesse ano, o Benfica comemora o seu 45.º aniversário e tem cerca de 15 mil sócios. A equipa de futebol é, então, comandada por Ted Smith, técnico inglês vindo do Charlton em 1948. As alterações na equipa técnica não produzem, porém, resultados imediatos, e as 'águias' quedam-se pelo segundo lugar no campeonato.

Já na Taça de Portugal, a história seria outra, com o Benfica a registar o seu quarto triunfo na prova, após vitória, por 2-1, sobre o Atlético. O jogo disputa-se no Jamor, palco onde todos os benfiquistas e, em particular, o capitão Francisco Ferreira sentem ainda, bem viva, a memória do 'Grande Torino'. E quem era, então, Francisco Ferreira?

O TIGRE DO TELHEIRO

'O mais popular jogador português do momento actual e aquele que melhor sabe encarnar as virtudes do verdadeiro atleta benfiquista', assim se descreve, à época, no jornal do clube, o capitão do Benfica e da Selecção Nacional.

Jogador que encarna a genica e a alma, o apurado espírito de camaradagem de Francisco é um dos seus traços distintivos. Na revista Stadium, em publicação na altura, é apelidado de 'o mais popular e simpático jogador do futebol português'. Num plano mais vasto, é um ídolo e um símbolo do clube e do desporto nacional. Xico, diminutivo por que era tratado, nasce em Guimarães a 28 de agosto de 1919. Aos 12 anos passa a viver com a mãe em S. Mamede de Infesta. Mas as dificuldades económicas da família empurram-no para o mundo do trabalho, ficando, no entanto, livre para o futebol no tempo excedente. Por essa altura incita os camaradas de jogo a fundarem com ele um clube, para o qual propõe o nome de Tigres do Telheiro.

O então treinador húngaro do FC Porto, Jesef Szabo, assiste um dia a em encontro dos Tigres e não consegue desviar os olhos do extremo esquerdo. No fim do embate, lança-lhe o isco da camisola azul e branca e o jovem jogador, então com 15 anos, é incorporado nos escalões inferiores. Em 1937, é promovido à categoria de reserva. Metódico, disciplinado e cultivador de uma vida regrada, só não alcança a titularidade na equipa de honra porque tem três internacionais a taparem-lhe o caminho. Mas estrear-se-á ainda nesse ano, no Campo do Ameal, em jogo com a Académica de Coimbra para o Campeonato de Portugal. Em breve disputará a final da prova, contribuindo para a vitória, por 3-2, sobre o Sporting e conquistando, assim, o seu primeiro título.

Quando se reconhece como uma aposta ganhar, tenta, junto dos responsáveis do clube, melhorar as suas condições. Os dirigentes portistas não mostraram, porém, grande abertura nesse sentido. A sua atenção acaba por se focar no Benfica, emblema que desde pequeno o atrai. E é depois de ver gorada nova tentativa de acordo com os nortenhos que acaba por se transferir para o grémio encarnado.

A perda do promissor Francisco Ferreira para o Benfica é vista como uma falha de gestão do FC Porto. Na tentativa de colmatar o erro, o jogador portista Carlos Pereira desloca-se a Lisboa para demover o jovem Xico. Mas este não cede. E nem mesmo uma posterior tentativa do Sporting é bem sucedida. Cativa-o a 'águia'. Tem-na altivamente empoleirada no coração. De vermelho vestido, Francisco Ferreira faz a sua estreia no Campo Grande, em 18 de setembro de 1938, num jogo frente ao Belenenses para a Taça Preparação, torneio que visava a 'afinação' dos clubes para o Campeonato de Lisboa.

Depressa cimenta o seu lugar na equipa, de que não tarda a tornar-se ídolo.

A 'camisola das quinas' veste-a ainda na plenitude dos seus 20 anos. Algo que não estranha, pois nessa altura tem já lugar na Selecção de Lisboa.

Em fevereiro de 1942, diz-se dele no jornal do clube que 'foi um jogador feito para o Benfica, porque tem (...) todos os predicados que recomendam um atleta que sabe vestir uma camisola encarnada: energia que não cede, vontade que não quebra, dedicação que não cansa, generosidade que não hesita. Francisco Ferreira é o tipo verdadeiro do atleta do Benfica. Luta enquanto dura a competição. Não sente o esforço, nem recua diante das dificuldades. Finca os dentes - e marcha em frente'.

Efectivamente, o popular Xico veria, com natural justiça, a sua carreira reconhecida em todo o País. E, 1952 abandonaria os relvados, depois de conquistar, no Jamor, a Taça de Portugal, numa final considerada ainda hoje, a mais emocionante de sempre, com o Benfica a vencer por 5-4 o arquirrival Sporting.

Feitas as contas, Francisco Ferreira somou com a camisola do Benfica um total de 522 jogos e marcou 60 golos. Venceu quatro vezes o Campeonato Nacional e seis vezes a Taça de Portugal. A estes títulos acrescentou ainda 25 internacionalizações, número significativo para a época e que constituiu recorde durante alguns anos."

Luís Lapão, in Mística

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Orgulho, no campo e nas bancadas !!!



Manchester United 2 - 2 Benfica



Qualificação garantida, e o 1º lugar está somente dependente da nossa vitória contra o Otelul. Admito que estava com bastante receio deste jogo. Uma derrota por mais de um golo podia retirar das nossas mãos o apuramento. O dia começou mal com um sorteio da Taça de Portugal bastante madrasto, e as minhas superstições parvas aceleraram os meus receios... Felizmente tudo acabou bem!!! Espero que a fortuna que hoje tivemos nos golos, se mantenha até sábado com a equipa!!!

Excelente o espírito colectivo de toda a equipa... a vitória esteve muito perto... é verdade que o Artur 'tapou' alguns buracos, mas o 1º golo do Berbatov é em fora-de-jogo (e houve mais foras-de-jogo não assinalados), e tenho muitas dúvidas no início da jogada do 2º golo do Manchester, o mesmo Búlgaro, parece controlar a bola com o braço!!!

A única nota negativa para o nosso lado foi a lesão do Luisão, espero que não seja nada de grave, sabendo que o nosso capitão costuma demorar bastante tempo a recuperar de problemas musculares... O Miguel entrou bem, mas como é óbvio não é a mesma coisa, e até ao Natal vamos ter vários jogos complicados...

Pronto, lá obtivemos mais um resultado positivo com uma grande equipa Inglesa (vice-campeã Europeia), mais uma vez não fomos vergonhosamente goleados, como tradicionalmente acontece com outros... provavelmente este Manchester é muito fraquinho, afinal o Giggs e Park não jogaram!!! E já agora, o 'atrasado mental' (além de incompetente) do nosso treinador lá obteve outro bom resultado!!!




PS: No último Domingo estive em animada cavaqueira com um grupo de Ingleses, quase todos adeptos do Man United, obviamente o tema da conversa foi o jogo desta noite... já com muitos copos em cima a troca de galhardetes foi animada... alguns (os mais novos), os menos informados (que estiveram a ver o jogo ao vivo), demonstravam a habitual ignorância/snobismo sobre o verdadeiro valor do Benfica. Esta noite, além do resultado, para as adeptos do Manchester que tiveram no Estádio, o comportamento exemplar dos Benfiquistas presentes, deve ter mudado definitivamente a percepção destes Ingleses sobre o Benfica.
Como não podia deixar de ser um dos Ingleses, que com 8 anos acompanhou o Mundial de 66, confessou-me que Eusébio foi o seu grande ídolo da juventude, futebolisticamente ao mesmo nível do Pelé, hoje, com uma casa de férias em Portugal, este adepto do Manchester, vai à Catedral da Luz várias vezes por ano apoiar o nosso Benfica... e é assim que se ganha adeptos e prestígio!!!

Uma ostensiva indiferença

"Manchester - A ostensiva indiferença com que os jornalistas ingleses receberam o Benfica tornou-se num agressivo sinal de espírito superioridade. Todos os jornalistas ingleses acreditam tanto na vitória do United - especialmente os jornalistas de Manchester - que na chegada do Benfica não havia um único fotógrafo ou um único repórter inglês. Para eles, o Benfica não é notícia, porque é o clube suposta e inevitavelmente perdedor. Nem mesmo na conferência de imprensa de Jorge Jesus houve o mais pequeno interesse. Apenas um jornalista, tão mudo quando enfastiado, se incomodou a fazer, enfim, uma pergunta, porque Jorge Jesus dissera que não considerava a liga inglesa como uma das melhores do mundo. «Porquê?» - quis saber, quase ofendido, o jornalista. Jesus comprou a guerra e disse que, para ele, a liga espanhola, alemã e italiana eram melhores e que por isso é que na tentativa de melhorar a liga inglesa vêm tantos treinadores e jogadores estrangeiros.

O olhar do jornalista fulminou o técnico e nem mais uma pergunta inglesa se ouviu em toda a conferência de imprensa.

Dizem alguns que por cá vivem que essa é uma maneira do United começar a ganhar os jogos. Tentar demonstrar como o adversário é insignificante e, por isso, incapaz de poder fazer outra coisa que não seja conformar-se com o podre destino dos derrotados.

A questão é saber se Jorge Jesus será capaz de convencer a sua equipa a fazer engolir a soberba britânica e surpreender, de uma vez, a Inglaterra e o mundo. Não se pode dizer, pelo menos, que o projecto não seja aliciante..."


Vítor Serpa, in A Bola

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A questão central

"Marcadas para o próximo mês de Dezembro, as eleições para a Federação Portuguesa de Futebol têm feito correr muita tinta. Primeiro foram as candidaturas, concretizadas e abortadas; os apoios, concedidos e negados; e a muita especulação que sempre acompanha este tipo de processos. Agora está em cima da mesa a arbitragem, elemento para onde confluem quase todos os interesses, declarados ou não, dos principais clubes profissionais.

Há, no entanto, um assunto que, enquanto benfiquista, me preocupa ainda mais do que as mãos onde vai cair a arbitragem no novo elenco federativo. Falo dos direitos televisivos, e dos rumores que se vão ouvindo, aqui e ali, sobre a eventualidade da respectiva negociação poder passar a ser centralizada. Pior do que Paulo Costa do Conselho de Arbitragem, só mesmo a concretização desse intento, que constituiria um profundo golpe nas legítimas aspirações do Benfica a fazer valer a sua maior popularidade.

Todos sabemos que o contrato que ainda vincula o nosso clube à Olivedesportos foi assinado em circunstâncias muito peculiares, e não reflecte minimamente o peso social e comercial do Benfica. Não podemos culpar outros por isso. Foram três anos de gestão calamitosa que levaram a que tivéssemos de negociar com a corda já bem apertada ao pescoço. Findo o prazo a que estamos contratualmente obrigados, chegaria por fim a ansiada liberdade de, num contexto completamente diferente, de boa saúde e com voz grossa, fazer ouvir os nossos interesses, e cobrar o justo valor pelos nossos jogos, dando início a uma nova fase na nossa história. Os que pretendem centralizar a negociação dos direitos televisivos, pretendem anular essa possibilidade. Pretendem manietar o Benfica, e fazer dele um instrumento ao serviço de outros, inclusivamente daqueles que o hostilizam.

Alega-se que essa centralização tornaria o Campeonato português mais equilibrado. Nominalmente talvez fosse verdade, mas esse equilíbrio seria necessariamente estabelecido por baixo. Puxando os pés aos que maiores condições têm para voar fora de portas, teríamos um equilíbrio alicerçado na mediocridade.

O verdadeiro mercado onde o Benfica tem de concorrer é o mercado europeu. É na Liga dos Campeões que o Benfica tem de se afirmar como grande clube português, representante legítimo de um Futebol que, muitas vezes, nem sequer o merece. As suas receitas têm de ser compatíveis com as dos emblemas que competem no mesmo espaço, e buscam semelhantes objectivos. Não necessitamos de equiparar o Benfica com o Feirense ou com o Rio Ave. Queremos é um Benfica, tanto quanto possível, no mesmo plano do Manchester United, do Real Madrid ou do Chelsea. É isso que o futebol português deve procurar para os seus mais representativos clubes - à cabeça dos quais figura claramente o nosso.

Há países onde as coisas não funcionam deste modo. Nesses, além do bolo televisivo ser muito maior, a dimensão e diversidade do mercado também o são, existindo vários clubes capazes de polarizar regiões, e agregar multidões. Sabemos que não é o caso de Portugal, onde uma alteração dessa natureza traria necessariamente consigo o pecado da artificialidade, e mesmo da concorrência desleal.

Ao contrário do que acontece com a vida, com a economia e com a política, não creio que no Futebol profissional tenha de haver especiais preocupações em proteger financeiramente os mais fracos - leia-se, aqueles que não têm adeptos, não geram receitas, e não conseguem sustentação para manter os níveis competitivos a que os seus dirigentes, muitas vezes por propósitos extra-desportivos, aspiram. Não estamos a falar os seres humanos, nem de empresas particularmente geradoras de emprego, mas sim de SAD's ou afins, que só devem existir e competir se tiverem condições para o fazer, respeitando as regras e os profissionais que contratam.

Dir-me-ão que, sem discriminação positiva, muitos clubes deixariam de ter condições para competir ao mais alto nível, e que, cingindo-se às receitas que cada um conseguisse realizar, não sobrariam mais de dez para uma primeira divisão. Pois é isso mesmo que defendo (uma drástica redução de clubes profissionais, e, como consequência, um Campeonato a quatro voltas), por me parecer que o nosso pequeno país, com as suas limitações geográficas, demográficas, e (sobretudo) económicas, não tem condições para mais.

Não devem ser os grandes clubes - neste caso o maior de entre todos eles - a pagar, com a perda da sua competitividade internacional, o preço de uma desmesurada e artificial dimensão do panorama desportivo nacional. Não é esse o nosso problema, e não pode ser resolvido à nossa custa.

Por tudo isto, creio que a manutenção da liberdade de negociação dos direitos televisivos é algo de que o Benfica nunca poderá abrir mão. E qualquer candidato que não se comprometa firmemente com esse princípio, nunca poderá ter o nosso apoio."


Luís Fialho, in O Benfica

Decisivo?

"Na próxima terça-feira, em Old Trafford, o Benfica pode já definir o seu destino na fase de Grupos da Liga dos Campeões.

O indigesto empate cedido em casa na jornada anterior não inviabilizou as esperanças no apuramento, mas complicou as contas, abrindo algumas possibilidades pouco simpáticas. Se, por um lado, ma vitória em Manchester, qualquer que ela seja, garante matematicamente o primeiro lugar do grupo - aspecto extremamente importante para reforçamos as nossas aspirações na fase seguinte -, por outro lado, ma eventual derrota por mais de um golo de diferença (que o diabo seja cego!) deixa o Benfica, desde logo, dependente de terceiros. Na verdade, se esse resultado acontecesse, e, paralelamente, o Basileia vencesse na Roménia (combinação que não é difícil de imaginar), suíços e ingleses entrariam na última jornada com a certeza de que um 2-0 serviria para os apurar a ambos, deixando o Benfica de fora (independentemente do número de golos que marcasse ao Otelul, pois com três equipas empatadas a onze pontos, só os golos marcados entre elas seriam considerados).

Não pensemos nessa possibilidade, e aguardemos que a nossa equipa consiga trazer um resultado positivo, que pode ser a vitória, como pode também ser um empate - situação em que o apuramento ficaria muito perto de se concretizar, e em que o primeiro lugar do grupo estaria em aberto para a última jornada (então sim, com os golos ao Otelul a contarem para efeitos de desempate).

Em 17 anos, só por uma vez ultrapassámos a Fase de Grupos de uma competição onde, antes, havíamos alcançado grandes feitos. Depois de épocas de amargura (chegámos a ficar fora de todas as provas europeias), o Benfica tem seguido o seu caminho, e o actual posicionamento no ranking da UEFA já reflecte essa viragem ao encontro da história. Em 2002 éramos 91ºs, agora somos 14ºs, muito por via das boas prestações na Liga Europa. Falta que, na cintilante Champions League, possamos dar o passo definitivo capaz de nos recolar entre os grandes."


Luís Fialho, in O Benfica

Rodrigo e a memória de Ruy Belo

"Rodrigo tem tudo para fazer história no Benfica. É muito jovem, é possante, tecnicamente irrepreensível, possui um remate poderoso e tem um invejável poder de concretização.

Dois jogos bastaram para confirmar aquilo que já muitos tinham percebido. Para além disso, tal como Nolito, tem a capacidade invulgar de muitiplicar as energias da equipa, pela forma como está em campo e se entrega plenamente ao jogo.

Esta foi mais uma das escolhas certas do Benfica para a presente temporada. O importante é que a solidez do colectivo não gere o excesso de confiança que, por vezes, leva os jogadores a darem como certos resultados que ainda o não são. Esse é um dos riscos decorrentes dos golos iniciais que parecem anunciar expressivas goleadas que depois não se concretizam.

Ao ver Rodrigo a jogar nestes dois jogos lembrei-me, por estranho que possa parecer ao leitores, de um poeta, de um maiores nomes da poesia portuguesa do século XX. Chamava-se e chama-se Ruy Belo, morreu com apenas 45 anos no final dos anos setenta, era fervoroso adepto do Benfica e também gostava de jogar Futebol. Com a rara sensibilidade dos poetas, Ruy Belo conseguia ver num jogo de Futebol e estética para além da táctica, a beleza para além da estratégia.

A sua vida e obra foram agora celebradas num colóquio internacional na Fundação Gulbenkian, que assinalou os 50 anos da publicação da colectânea 'Aquele Grande Rio Eufrades', título de referência obrigatória da poesia portuguesa comtemporânea. Conheci Ruy Belo em Lisboa, fomos vizinhos em Queluz e encontrei-me duas vezes com ele em Madrid, onde era leitor de Português na Universidade Complutense. Sempre que podia, também falava de Futebol e do nosso Benfica, paixão a que nunca renunciou.

Tendo partido prematuramente, dou por mim a pensar nas muitas alegrias e tristezas que o Benfica não chegou a dar a Ruy Belo. Uma das formas de o homenagear, poderia ser dedicar-lhe o golo de Rodrigo contra o Basileia."


José Jorge Letria, in O Benfica

domingo, 20 de novembro de 2011

Inspiração Davi(na) !!!

Olivais 1 - 4 Benfica
Davi(3), Vitor Hugo



Jogo complicado: primeiro remate do Olivais deu golo!!! Bolas nas barras, muitos remates de longe. Até que o Davi resolveu abrir o 'livro': grande golo de calcanhar (ao segundo poste, como manda as regras. Estranho, o Benfica, quando remata, raramente colocar um jogador ao segundo poste); grande golo de 'bico'; grande golo, com um remate 'à Cardozo' com o pé direito!!! Tivemos alguma sorte durante o jogo, já que defensivamente estivemos mal, deixámos demasiadas vezes o Olivais aproveitar as costas da nossa defesa alta, a rectificar...

Misturas !!!

Hoje, a meio da tarde, na minha santa terrinha, tudo estava calmo, até que apareceu um grupo colorido, com pronuncia acentuada, com novos e menos novos, homens e mulheres, gente de grupos organizados e outras nem por isso, mas tudo na paz dos anjos... era a comitiva Bracarense a caminho do Alvalixo (ainda estive para perguntar se havia algum electricista na comitiva, mas não fui a tempo!!!)... Foi só uma paragem para esticar as pernas... Portanto tudo normal. Mas lá no meio dos cachecóis, e das camisolas vermelhas, houve uma cor que me encadeou o olhar!!! Pois é, um casaco azul, com o sinonimo de Corruptos escrito nas costas!!! E não era um casaco normal, usado por uma pessoa qualquer, era claramente um produto usado exclusivamente pelos subordinados do Macaco!!!

Tudo normal, provavelmente um dos distribuidores de bolas de golfe!!!

O Maior

"Luís Filipe Vieira foi judicioso. 'Eusébio está acima de todos, está também acima de mim'. O presidente do Benfica homenageou, através de uma frase simples, mas de grande conteúdo substantivo, o melhor jogador português de todos os tempos, a mais emblemática figura do historial centenário do nosso Clube.

Por ocasião do lançamento da obra 'Eusébio Enciclopédia', excelente trabalho assinado pelo jornalista Afonso de Melo, Luís Filipe Vieira, não apenas com o peso institucional que possui, disse o que todos poderiam e deveriam dizer. Eusébio, património singular do Benfica, é o maior motivo de orgulho numa longa e tantas vezes vitoriosa trajectória vermelha.

Com aquele traço de humildade que lhe é apanágio, sempre que ocorre uma homenagem pública ou privada, Eusébio agradece invariavelmente ao Clube. 'Devo tudo ao meu Benfica', já o declarou pela enésima vez. A gratidão é um dos sentimentos mais bonitos, jamais refutado pelo maior goleador português de sempre.

Eusébio orgulha-se do Benfica, o Benfica orgulha-se de Eusébio. Dito de outra forma, Eusébio é Benfica, Benfica é Eusébio.

Quantos clubes a nível internacional podem exibir como sua uma personalidade do jaez de Eusébio no universo do Futebol? Poucos, muito poucos. E em termos nacionais? Nenhum, rigorosamente nenhum.

A importância de Eusébio não pode ser subestimada, não pode ser questionada. Eusébio, anos a fio, foi todos nós. Eusébio anos a fio, fez por nós aquilo que mais ninguém fez. Eusébio continua a ser uma referência primacial, uma referência inigualável. Por isso, como bem precisou o presidente Luís Filipe Vieira, 'Eusébio está acima de todos'. O trono não vagou, o trono não vagará."

João Malheiro, in O Benfica



PS: Na sequência das declarações do King desta última semana, primeiro sobre os Lagartos e depois sobre o Palhacito Alan, a comunidade Lagarta (com raríssimas excepções) tem reagido da forma mais rasteira possível (aliás outra coisa não seria de esperar!!!). No meio de tanta nojeira, sou obrigado a realçar o texto do vagabundo intelectual Ernesto n'A Bola: usando uma prosa pseudo-comíca, pseudo-intelectual, historicamente ignorante (como é tradicional!!!), tenta minorar a figura do nosso Eusébio da Silva Ferreira... Não tem a coragem de o dizer directamente, mas usa indirectas, cobarde até ao fim... Um digno Lagarto Porco Mentiroso, cada um tem o que merece, nós temos o King, eles têm o Ernesto!!!

Preto e branco

"1. Ainda o Sp. Braga-Benfica da semana passada e mais um episódio lamentável: o das acusações de Alan, aquele mesmo jogador que tocado no peito por Javi García no jogo da época passada, se rebolou no chão agarrado ao pescoço, levando o árbitro a expulsar o nosso jogador. Alan acusou Javi de lhe ter chamado 'preto de m...'. E, à Renascença acrescentou: 'Não sou preto. Sou negro com muito orgulho.' Nunca mais me esqueci de uma conversa tida com o meu antigo colega no Atletismo do Benfica, Rui Mingas, há uns 45 anos. Já não me lembro a que propósito, disse-lhe que ele era negro. E ele respondeu-me, prontamente: 'negro não, sou preto; e tu és branco'. Que é como que diz: eu sou preto, tu és branco, tal como este é alto e aquele é baixo. Nascemos assim e não há diferenças.' Não sei se acrescentou ou não, mas estava implícito: '...e tenho muito orgulho em ser preto, tal como tu te deverás sentir bem em ser branco.' Esta conversa aconteceu no Portugal de Salazar. Nunca mais a esqueci. E estas tristes declarações de Alan fizeram com que a voltasse a recordar.

2. Realizou-se esta semana o último jogo da Selecção do mandato deste elenco federativo, que em breve será substituído. Com a sua saída, Amândio de Carvalho deixa cargos na FPF. Ele voltou a ter que dar a cara nos momentos maus, em virtude da doença do presidente Gilberto Madaíl. Lamentavelmente, e a (des)propósito, foi muitas vezes recordado o caso-Saltillo, em que Amândio de Carvalho foi vítima da incúria do presidente de então, Silva Resende, que sucessivamente adiou o diálogo com os jogadores e depois não apareceu no México quando se impunha a sua presença, deixando a 'batata quente' nas mãos do saudoso José Torres e de Amândio de Carvalho. Depois, Silva Resende 'vendeu-se' à Associação do Porto para se manter no cargo, à custa da 'cabeça' de alguns dirigentes. Foi o princípio do estado a que chegou o Futebol português.

3. Dá-me gozo sempre que leio notícias sobre o desesperado esforço dos dirigentes do FC Porto em 'despachar' o Cristian Rodriguez, que há três anos, para o desviarem da rota do Benfica, lhes custou sete milhões de euros e mais um ordenado milionário, ao nível dos mais caros. Foi um 'flop' completo. Está a chegar ao fim do contrato, o clube está em risco de nada lucrar com a sua saída e agora, diz-se, está disposto a cedê-lo por três milhões."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Presente futuro

"Ainda bem que o mister reafirmou como propósito do Benfica «ter mais jovens formados no Clube» e que o fez na sequência de alertas sucessivos do presidente para a tempestade financeira que aí vem. O Benfica tem um plantel consideravelmente jovem - média de idades de 23,4 anos - mas hoje pensar no futuro implica ter os pés assentes na terra e fazer contas, não de mercearia, mas no âmbito de uma economia moderna e aberta, num sector de enorme e nem sempre leal concorrência. O plantel de uma grande equipa como é o Benfica é uma realidade de geometria variável: saem uns, levados pelo mercado e pela necessidade de equilibrar despesas com receitas, entram outros, não sendo razoável imaginar o Benfica a fazer aquisições milionárias. Aliás, o Clube tem sido mestre na arte da contenção e do equilíbrio, através da valorização. Em duas épocas sucessivas o Clube vendeu alguns anéis, realizando receitas de vulto, mas não desfez a equipa. E aí está um Benfica, reforçado, a dar cartas em todas as competições.

No passado fim-de-semana, futebolistas do Benfica brilharam em relvados de diversos continentes. Mas, sem desprimor, permitam-me que destaque as prestações, nas respectivas selecções Sub-21, de Nélson Oliveira e de Rodrigo Moreno. Esta dupla atacante confirmou-se como arma mortífera nas selecções de Portugal e Espanha em partidas de qualificação para o Europeu do escalão: hat-trick do espanhol em dois jogos sucessivos, bis do português, frente à Moldávia, confirmando as razões que levaram a revista Tuttosport a nomeá-lo para o prémio de melhor jovem futebolista do ano. E é caso para dizer que, de onde este veio, há mais prontos a sair.

Temos em campo o Benfica do presente com vista para o Benfica do futuro."


João Paulo Guerra, in O Benfica

O lamaçal

"A Selecção da Federação Portuguesa de Futebol foi obrigada a jogar num campo de futebol bósnio que tinha um relvado num estado miserável e, para o piorar, os malvados bósnios até ousaram regar os poucos tufos de relva antes do jogo.

Não houve alma ligada ao futebol luso que não se tivesse indignado. Todos foram profícuos na adjectivação da situação: vergonhoso, ultrajante, inaceitável… Todos, sem excepção, condenaram o crime de lesa futebol, lesa verdade desportiva e lesa virilidade lusitana que os bósnios perpetraram. Houve jornalistas e opinadores que se revoltaram contra o facto de a Direcção da FPF se revoltar apenas nas entrevistas e não se revoltar formalmente, em documento próprio e enviado à UEFA, FIFA, ONU e Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Madaíl, antes que os indignados o atolassem no lamaçal bósnio, lá preencheu a papelada e, formalmente, lavrou protesto. Os indignados suspiraram de alívio e o Madaíl também. Jogaram, mas jogaram sob protesto. Foi comovente ver tamanha indignação, tamanha revolta e tamanha luta pela dignidade que deve ser inerente a qualquer partida de futebol.

Assim, percebemos todos que um ervado mal semeado e abundantemente regado é, obviamente, algo de inaceitável para quem manda no futebol português e para os jornalistas desportivos lusos. Pelo contrário, apedrejar selvaticamente um autocarro com os futebolistas lá dentro, obrigar a equipa adversária a equipar-se fora do balneário, agredir os jogadores adversários com bolas de golfe durante os jogos, interromper sucessivamente um jogo com apagões de luz, receber árbitros no domicílio na antevéspera de um jogo, oferecer prostituas a árbitros depois dos jogos ou aliciar futebolistas adversários com futuros contratos… são práticas consideradas normais.

Abençoado futebol bósnio."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica