Últimas indefectivações

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Estava difícil...!!!

Pronto, não era difícil, pois não?!!!
Muito sinceramente, ainda não percebi porque é que este pedido de desculpas do Cardozo, não aconteceu - no máximo -, no regresso dos jogadores aos treinos... o processo de venda do Cardozo deveria ter sido completamente independentemente (e o processo disciplinar também!!!). Mas cuidado, quem pensa que com esta entrevista o Cardozo já não vai sair, tenham calma, porque a venda continua em cima da mesa...!!!
Acredito mesmo, que no caso do Benfica e do Fenerbache terem chegado a acordo nas últimas semanas, o Vieira só aceitaria a venda depois de um pedido público de desculpas do Cardozo!!!
Como já escrevi várias vezes espero que o Tacuara fique, todos os potenciais problemas com a sua permanência podem ser ultrapassados, só fico chateado, porque perdemos mais de 1 mês... com o primeiro jogo oficial, daqui a 10 dias, e sem mais nenhum jogo particular para o Cardozo ganhar ritmo - não acredito que seja convocado para Sexta-feira... -, arriscamos muito, sem necessidade. Sendo que no Funchal, além de um possível Cardozo a fazer a 'pré-época', vamos ter vários jogadores, que a meio da semana, vão ser obrigados a efectuar jogos particulares pelas suas Selecções.

A confirmar-se a permanência do Cardozo, levanta-se uma pergunta: então o Clube não vende 'ninguém'?!!! Repito aquilo que disse no final da época anterior: Garay, Matic, - e o Cardozo - na minha opinião, são intransferíveis... e a eles acrescento o Salvio (e o Enzo)!!!
Agora o importante é deixar o Cardozo treinar, e evitar todo o ruído desnecessário... Na formação do plantel, na minha opinião, o importante é virar as atenções para outro lado: uma opção defensiva ao Matic, digo eu...!!! 

Soluções e problemas (I)

"Os jogos da pré-época do Benfica não me têm entusiasmado. Houve momentos promissores, mas também preocupantes falhas e omissões. Com apenas mais um jogo de preparação em Nápoles, existe a percepção de que há muita coisa por definir ou redesenhar.
O jogo com o São Paulo - o único na Luz - reforçou esta ideia. Porventura até injusta, mas que começa a estar na cabeça de muitos adeptos.
A primeira questão prende-se com a mudança profunda do plantel de época para época. Bem sabemos que as razões financeiras assim o determinam, mas será ou não possível um melhor ajustamento entre a vertente monetária e a desportiva? Recordo a saída de Ramires que mal aqueceu o lugar, de Di Maria, de Coentrão depois do notável investimento em nova posição, de David Luiz a meio de uma época, de Javi Garcia e de Witsel (um só ano trocado pela magia dos rublos). Todas em lugares-chave.
Está-se sempre a recomeçar. Não seria a altura de passar de um círculo vicioso (comprar, mudar, não ganhar, vender, voltar a comprar...) para um círculo virtuoso (estabilizar, ganhar, reajustar qb, voltar a ganhar...). O dinheiro, só por si, não assegura vitórias, mas estas contribuem para assegurar meios financeiros e não só.
Não estou a pôr em causa o enorme esforço destes últimos anos, mas esta pré-época está a indiciar a necessidade de rectificar algumas trajectórias.
A enorme frustração da temporada transacta (e também de 2011/2012) não está digerida. O grau de tolerância não é zero, mas é manifestamente mais baixo do que antes. Que o diga algum mal-estar depois do São Paulo, equipa que não ganhava há 14 jogos e não marcava um único golo há 6 partidas."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eterno Capitão...



O nosso eterno Capitão, está de Parabéns...

O lento esvaziar do balão 'encarnado'

"Em Maio de 1915, disputou-se a primeira Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa. Benfica (depois de bater o Cruz Quebrada por 7-0) e Sporting chegaram à Final. E, apesar do entusiasmo 'encarnado', os 'leões' venceram (3-1).

A Taça de Honra da AFL está de volta, como vimos. Sem a dignidade que merece por via de regulamentos excessivamente liberais, mas de regresso mesmo assim, resta saber por quanto tempo mais. Por isso, talvez valha a pena regressar por momentos a 1915 e à primeira edição da prova, criada pela Associação de Futebol de Lisboa no intuito de 'prolongar a actividade das primeiras categorias dos seus clubes'. Ao contrário do que sucedia com o Campeonato de Lisboa, disputado no sistema de 'poule', como era prática dizer à época, a Taça de Honra jogava-se a eliminar, sendo a inscrição facultativa. E assim, na época 1914/15, participavam na prova cinco clubes, a saber: Benfica, Sporting, Cruz Quebrada, Lisboa e Império. O Internacional declinou a presença.
Por via do número ímpar de clubes, procedeu-se a um sorteio, tendo o Sporting ficado isento do primeiro jogo. E, assim sendo, o Benfica defrontou o Cruz Quebrada e o Lisboa jogou contra o Império. Depois, seria a vez do vencedor deste último jogo decidir frente ao Sporting quem iria à Final.
Sorteio conveniente, não há dúvidas. Tudo se preparava para uma Final entre Benfica e Sporting, algo obviamente importante para a popularização da Taça de Honra. E assim seria...
O Lisboa venceu o Império no primeiro jogo, disputado no dia 9 de Maio de 1915, um domingo, a mesma data aliás do que a do Benfica-Cruz Quebrada: 2-1 foi o resultado a favor do Lisboa.
Vida complicada a do Cruz Quebrada frente ao Benfica. No início da partida não havia gente para perfazer a equipa. Apenas seis jogadores se perfilaram para iniciar a contenda, tendo os restantes surgido já no final do encontro. Questões típicas do amadorismo de então.
Venceu o Benfica, claro está! De forma fácil, tal a debilidade do opositor, que não ofereceu resistência nem podia fazê-lo. 7-0 esclarecedores. Golos de Francisco Pereira(3), Cândido, Herculano, Aníbal e Rio.
O Benfica garantia o seu lugar na Final. E o Sporting também, tal como se esperava, já que, no domingo seguinte, bateu o Lisboa.

A maré verde
A 30 de Maio, em Sete Rios, Benfica-Sporting estiveram frente-a-frente para disputar a primeira Final da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.
Havia muita gente, mesmo muita gente, em redor do rectângulo.
Dizem as crónicas da época que sobrou entusiasmo mas escasseou talento e beleza ao confronto. E, graças a um golo de Francisco Stromp, aos 28 minutos, o Sporting chegou ao intervalo na posição de vencedor.
Mas eis que, no segundo tempo, o Benfica reagiu. Francisco Pereira e Herculano desenharam bonitos movimentos de golo, o público entusiasmou-se a e apoiou a equipa, Alberto Rio ultrapassou Jorge Vieira e, frente a Morice, aplicou um remate certeiro que assinalou o empate.
Já era um Benfica dominador. E, do outro lado, o Sporting esmorecia e sujeitava-se ao adversário.
Puro engano. Num movimento de contra golpe, após várias oportunidades desperdiçadas pelo ataque do Benfica, cria-se confusão na área de Picoto. Durante semanas discutiu-se o autor do lance. A verdade é que a bola entrou e de nada serviram os protestos benfiquistas em relação à irregularidade do golo. O árbitro, Augusto Sabo, não teve dúvidas. 2-1 para o Sporting.
O balão 'encarnado' esvaziou-se a partir daí. O Benfica voltou a jogar mal e sem conjunto, apenas Alberto Rio remava contra a maré verde. Armour, o extremo-esquerdo do Sporting, fez o 3-1 e resolveu o jogo. Os 'leões' venceram a primeira Taça de Honra. Mas era só a primeira. Tantas outras venceria o Benfica a partir daí.

Benfica: Jorge Picoto; Henrique, Mocho; Figueiredo, Cosme Damião, Jaime Cadete; Aníbal, Herculano; Francisco Pereira, Cândido, Alberto Rio.
Sporting: Mocho; Amadeu Cruz, Jorge Vieira; Boaventura, Artur, Raul Barros; António Stromp, António Rosa Rodrigues; Francisco Stromp, Jaime Gonçalves, Armour."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Novos tempos...

"1. Nas Antas, golos em fora-de-jogo a favor do Porto continuam a ser um hábito. Caçar adversários às patadas como se fossem ratazanas também. E para que a festa seja verdadeiramente uma festa não faltam os salsifrés provocados pelos que se sentam no banco e uma chuva de objectos vários para o relvado. Enfim, um exemplo de educação e civismo desta vez abençoado por mais um árbitros amigo chamado Hugo Pacheco. Que quer ser profissional, claro!

2. Hugo Pacheco e todos os outros... Não basta que sejamos agredidos semanalmente pela sua quase universal incompetência; não basta que na sua maioria os árbitros internacionais recebam verbas que fazem corar de vergonha um País miserável como o nosso. Exige-se a profissionalização. Com ordenados a rondar os 4000 euros/mês. Imaginar Hugo Pacheco a embolsar mensalmente tal quantia é de fazer revolver as entranhas. Já para não falar de Benquerença, de Proença, de Hugo Miguel, de Soares Dias e por aí fora. Enfim, nada de novo, em Portugal o Futebol não tem vergonha.

3. Sabia-se, que para o Madaleno, o presidente dos árbitros estava de cócoras. Ficou a saber-se para os próprios árbitros o presidente dos árbitros está de cócoras. A demissão parece nunca lhe ter passado pela cabeça.

4. Depois de o Benfica ter inaugurado o seu Museu, o F.C. Porto ameaça fazer o mesmo. Terá penduradas nas paredes fotografias dos árbitros amigos? Pedro Proença terá uma ala só para si? E Casagrande? A chávena do famoso cafézinho será exibida na sala de taças? Haverá distribuição gratuita de café com leite aos visitantes? E descontos para prostitutas? E uma exibição especial de várias qualidades de fruta? Será certamente um Museu muito especial..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sem palavras

"1. 26 de Julho de 2013 foi mais um dia histórico para o nosso Clube. Foi oficialmente inaugurado o Museu Benfica Cosme Damião, feliz designação que homenageia um dos nossos primeiros grandes dirigentes. Tive a feliz oportunidade de visitar o Museu dois dias antes. Tinha a ideia, pelo que me diziam os responsáveis, que ia ser algo espectacular, de diferente. Pois, pelo que vi (e não consegui ver tudo nem pouco mais ou menos...), o nosso Museu excede em muito o melhor que eu poderia imaginar. Não tenho palavras para descrever a alegria, a emoção, o orgulho benfiquista, que senti. Saí de lá com a sensação de que me faltarão mais umas três ou quatro visitas de várias horas para ver tudo, para experimentar tudo. Vi um filme de recorde nacional do salto em altura do nosso Guilherme Espírito Santo em 1940, ouvi a Amália a cantar, vi um 'marco de correio' dos primeiros anos, procurei, trocando num écran, as equipas campeãs das mais diversas modalidades e em vários anos, vi o Eusébio ali sentado à minha frente, a falar (mas, afinal, era um holograma!). Isto para já não falar no excepcional filme 'O Voo da Águia', que tão bem retrata o que é o Benfica de hoje e de sempre; na espectacular subida no elevador, ali no meio dos nossos adeptos; ou até nos penálties que podemos marcar quase no final de visita, que acaba, de forma muito simbólica, homenageando todos os clubes com quem já nos defrontámos em Futebol e que ali são referidos, um a um. Realmente, é impossível ver tudo numa só visita.
Está de parabéns o Benfica por este empreendimento, na linha das grandes realizações dos últimos dez anos: estádio, pavilhões, piscinas e tudo o mais, na Luz; centro de estágio, no Seixal; Benfica TV; agora o Museu. Está de parabéns os benfiquistas. E estão de parabéns todos os responsáveis pela edificação do Museu, desde o presidente, Luís Filipe Vieira, ao vice-presidente, Alcino António, e todos quantos nele trabalharam, dos quais, destaco, pelo que tive oportunidade de conhecer, António Ferreira, Luís Lapão, Rita Costa e, claro o indispensável Alberto Miguéns. Obrigado a todos!

2. Triste notícia dois dias depois: o falecimento do presidente Fernando Martins. Nem sequer estive de acordo com ele e sou algo crítico das suas gerências. Mas reconheço o mérito do fecho do Terceiro Anel, obra que recebi inicialmente com reservas mas acabei por aprovar sem reticências mais tarde. Foi um dos presidentes que ficou na nossa história. Sem dúvida..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (Fernando Martins)

"A morte de Fernando Martins deixou tristes os benfiquistas. Todos nós, os que tivemos o privilégio de ter lidado com ele, temos lembranças que nos abraçam a alguma saudade, pela forma bem característica do «velho», como carinhosamente lhe chamávamos.
Todos, desde os empregados do Altis, aos funcionários e colaboradores do Benfica, têm histórias passadas com este homem com uma larga experiência e sabedoria de vida. E nem todas eram contos de fadas! É que o rigor e a forma como ele gostava que os assuntos fossem tratados nem sempre tinham boa receptividade do outro lado!...
Os seus vice-presidente (ainda agora Marcel de Almeida se referia a isso) e até Eusébio tiveram com ele os seus «qui-pro-quos» mas tudo foi ultrapassado sem rancores com o seu enorme espírito de RECONCILIAÇÃO.
Era esta a palavra que lhe marcava a vida. Mesmo com as suas posições e a dureza a negociar, havia sempre um final feliz porque ele sabia até onde podia ir! Com ele falei muitas vezes por altura das eleições e ele ouvia com atenção, SEM COMENTÁRIOS, as nossas opiniões. Ele assimilava, mas nunca dizia o que ia fazer... Mas ouvia. Ouvia sempre e lá fazia a avaliação à sua maneira.
Deixou, sem dúvida, uma marca no comando do Benfica durante os seis anos em que dirigiu o Clube. Ao seu estilo não deixou que houvesse intromissões na liderança do Glorioso. Teve vitórias e derrotas como todos, mas recordarei sempre aquela final da Taça UEFA a duas mãos, perdida na velha Luz, com um golo de cabeça de Lozano, oito minutos depois de Shéu ter marcado o golo da esperança! Não deu vitória. Mas, como dizemos agora, nem sempre se pode ganhar!..."

João Diogo, in O Benfica 

Resolver Cardozo é para ontem...

"O tema Cardozo é fraturante para a família benfiquista. Por isso deve ser resolvido com celeridade. Seja para sair, seja para ficar...

O Benfica exige garantias de que vai receber o preço estipulado pela transferência de Cardozo para o Fenerbahçe. Até este momento, os turcos não quiseram (ou puderam) prestar essas garantias - nem arranjar quem por elas se responsabilizasse, nomeadamente a Federação local - e as negociações entre Lisboa e Istambul chegaram a um beco sem saída. Deve o Benfica facilitar e colocar-se a jeito de vir a receber lá para as calendas, depois de múltiplas acções judiciais? Não, isso não será defender os interesses do clube. Então, aqui chegados, que fazer? Óscar Cardozo pode vir a ganhar na Turquia (onde os impostos são cerca de três vezes mais baixos que em Portugal), praticamente o triplo do que aufere na Luz, o que explica o forcing que o Tacuara e o seu empresário estão a fazer, criando pressão para que a transferência se efective. Mas, amigos, amigos, negócios à parte e das duas uma, ou há acordo entre clubes ou ao melhor goleador encarnado dos últimos anos não restará senão continuar na Luz. 
Então e Jesus, poder-se-á perguntar, que foi confrontado pelo jogador após a final da Taça, o que deve fazer o treinador encarnado? Tanto na entrevista à Benfica TV; quanto anteontem, após a derrota com o São Paulo, Jorge Jesus remeteu para a administração da SAD (leia-se para Luís Filipe Vieira...) a resolução do imbróglio, o que significa que, se a decisão, concluído o processo disciplinar em curso, passar por reintegrar Tacuara, não lhe restará outra alternativa do que dar o incidente por encerrado e tratar o paraguaio como trata todos os restantes elementos do plantel. Ou seja, se Cardozo regressar (e porque são os interesses do Benfica que devem ser colocados acima dos egos), Jesus deverá acolhê-lo numa normalidade que só será ferida se houver ostracização do bi-Bola de Prata. Indo mais longe, se nada se alterar no plantel encarnado, se Cardozo for integrado, as contas do onze do Benfica devem ser feitas na base de Tacuara mais dez. Porque, realmente, não há quem lhe tire o lugar; se Cardozo rumar a outras paragens, Jesus precisa de encontrar no mercado um matador com as características do paraguaio, sob pena de ver repetido amiúde o filme visto no passado sábado na Luz ante o São Paulo, de muita parra e pouca uva.
No meio de tudo isto - e porque ficou à vista que estamos perante um tema fraturante na família benfiquista - há um carácter de urgência associado à definição deste problema, se Cardozo é integrado, ou se vem outro para o seu lugar.
Tem sido assumido de forma mais ou menos consensual que este vai ser um campeonato em que os dois principais candidatos deverão perder poucos pontos. Até 1 de Setembro, o Benfica viaja aos Barreiros e a Alvalade e recebe o Gil Vicente. Quaisquer contas de cabeça são suficientes para que se perceba porque as decisões encarnadas devem ser para ontem...

Seis meses depois: e a polícia não descobre nada?
«Informaram de que tinham sido furtados computadores do presidente da FPF e da secretária, mas houve furto de um terceiro portátil, do presidente do Conselho de Arbitragem»
Fonte Policial, Lusa
Insisto: em Fevereiro passado, um ladrão entrou na FPF, cortou-se e deixou sangue e impressões digitais espalhados e o rosto do captado pelas câmaras de videovigilância. Furtou os computadores de Fernando Gomes e da secretária e ainda de Vítor Pereira. Para quê? Mistério. E mais misterioso é que se tenha evaporado. Com tantos indícios e as autoridades policiais nada apuram?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola 

domingo, 4 de agosto de 2013

Joana de Prata

Em Welland, Ontário, no Canadá, próximo das cataratas do Niágara, a Joana Vasconcelos ganhou a medalha de Prata, na Final dos Campeonatos do Mundo de Canoagem de Velocidade, em Sub-23, na regata de K1 200m.
Na Sexta a Joana tinha-se qualificado para a Final no K1 500m e K2 500m, no Sábado fez o mesmo no K1 200m. Hoje, Domingo, foi o dia das Finais, e a primeira a ser realizada, foi a de K1 200m onde a Joana só foi batida pela canoista da casa... não sei se os festejos, ou a ida ao pódio.... atrapalhou as outras duas finais: no K1 500m a Joana não fez melhor que o 7.º lugar, e no K2 500m acompanhada com a Francisca Laia, ficou à beirinha do pódio, no 4. lugar...
Parabéns Joana...

Má 2.ª parte, mau resultado...

Benfica 0 - 2 São Paulo

Só vi alguns minutos já na segunda parte, mas fui recebendo algumas informações de como o jogo estava a decorrer...
Demasiadas falhas de concretização na 1.ª parte (basta ver o resumo), o Lima o ano passado foi uma grande contratação, marcou vários golos decisivos, mas na Luz, marca pouco, demasiado pouco, não sei se é sina, ou se é outra coisa, mas estes 'borregos' costumam ser difíceis de matar... pode até não existir uma explicação racional - futebolística -, mas acontece!!! Quem pensar que o Benfica pode atacar a época, com o Lima e o Rodrigo como os nossos únicos avançados, está redondamente enganado... Como eu sempre fui um grande defensor do Cardozo, não vou entrar na lenga-lenga que hoje faltou lá o Cardozo, mas reafirmo: o Benfica precisa de um jogador com as características de jogo - faro... - do Cardozo. Seja ele, ou seja outro qualquer... agora tem é que vir. Acrescento: a novela Cardozo já cheira mal, é preciso uma decisão rápida. Não tenho a estatística, mas com o Jesus, o Benfica ficou em 'branco' muito poucas vezes, e no Estádio da Luz, se calhar foi a primeira vez!!!
Na segunda parte, tudo mudou... com a substituição do Rodrigo pelo Djuricic, perdemos a posse de bola, falhámos na defesa e os Brasileiros foram eficazes... A dupla Rodrigo/Lima na época anterior raramente - ou nunca - resultou. O Rodrigo em Elche jogou bem, marcou, jogando claramente a '9' - tal como acontece na Selecção Espanhola. Dos poucos minutos que vi, notou-se claramente a dificuldade do Benfica em recuperar a bola, com o povoamento do meio-campo do adversário, não sendo o Barça, o São Paulo sabe trocar a bola, e sempre que perdíamos a bola, não era fácil recuperá-la, este é o antigo problema de quando jogamos com 2 avançados, nos jogos com equipas de qualidade...
Além do problema Tacuara, parece-me que na posição '6' está o outro problema do plantel: está quase a fazer um ano, quando perdemos o Javi e o Witsel... o Matic e o Enzo acabaram por tapar os buracos - surpreendentemente bem -, quando chegou a Janeiro, pensou-se que o Benfica ia comprar alguém para aquela posição, mas nada aconteceu. Agora, na janela de transferências do Verão, regressou o Amorim - que em Elche por exemplo, fez um excelente jogo -, mas pessoalmente acho que é curto, demasiado curto. Deveríamos ter outro jogador defensivamente forte no meio-campo. Ainda por cima, ainda existe a possibilidade do Matic sair...

Curiosamente o palmarés da Eusébio Cup, não é muito favorável ao Benfica... Seria fácil, vencer a Eusébio Cup, convidando adversários mais fáceis... e se é verdade que este São Paulo estava ao nosso alcance, também é verdade que os Brasileiros estão a meio da época, e com uma chicotada psicológica recente, os jogadores querem mostrar serviço. Por acaso vi as últimas duas derrotas do São Paulo na Audi Cup, com o Bayern e o Milan, e eles até nem jogaram muito mal... Podíamos fazer uma pré-época, estilo Lagartos, com adversários de segunda, e estávamos todos contentes... É preciso separar a histeria dos anti-Vieira e anti-Jesus, do que se passa dentro do campo. Infelizmente isso nem sempre é fácil, pelo que me disseram, aqueles que nas últimas épocas, andaram a assobiar e apupar o Cardozo, hoje começaram a cantar por ele!!! Como se diz em bom Português: vão para o caralho... Detesto quando o Speaker da Luz começa com a cantiga que somos os melhores adeptos do Mundo. Porque, não somos... Bem pelo contrário. Estamos muito longe de alguma vez, o ser... Se alguém pensa que o Lima e o Rodrigo vão começar a marcar golos, quando começarem a ouvir a música do Cardozo, é porque são atrasados mentais - profundos - e isso todos os clubes os têm, é um mal transversal a todos, nem o Benfica escapa...!!!

PS: Nos jogos do Algarve, os jogadores do Benfica andaram a levar porrada de enfiada, principalmente com o Peñarol e o Nice e nada aconteceu aos adversários: o Salvio é que ficou lesionado!!! (e hoje fez falta) No jogo com o Nice o Artur não toca no adversário, mas foi expulso, e o penalty foi marcado... Hoje, o São Paulo, marca o 2.º golo em fora-de-jogo, claro, a repetição foi só uma, mas o Cortez não coloca o Toloi em jogo. E tudo isto até agora foi a feijões... quando começar a sério vai ser bonito!!!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A dignidade

"O comportamento dos benfiquistas perante o presidente do FC Porto no funeral de Fernando Martins e ainda o novo museu do clube.

A morte do antigo presidente do Benfica Fernando Martins não podia deixar de enlutar o futebol português. Amigo pessoal de longa data do empresário e líder benfiquista na década de 80, o presidente do FC Porto fez o que todos esperavam e deslocou-se a Lisboa para prestar uma última homenagem ao homem que fechou o Terceiro Anel do antigo Estádio da Luz.
A presença em Lisboa do líder dos azuis e brancos - acompanhado do director-geral portista, Antero Henriques - quase se tornou a notícia principal do dia do último adeus a Fernando Martins.
O presidente do FC Porto chegou cedo à Basílica da Estrela, sem guarda-costas, e permaneceu sentado na igreja durante toda a missa de corpo presente, conduzida pelo padre Vítor Melícias, um conhecido sportinguista também ele amigo pessoal de Fernando Martins.
A presença do líder portista não foi uma surpresa. Era pública a extraordinária relação de amizade entre os presidente dos dragões e o antigo dirigente encarnado e surpreendentemente teria sido se o primeiro faltasse ao funeral do segundo.
Claro que tendo Fernando Martins sido presidente do Benfica - e sido sempre, ainda, uma personalidade próxima do actual líder das águias, Luís Filipe Vieira - é evidente que esperaria o presidente do FC Porto em Lisboa um ambiente e um cenário maioritariamente benfiquista e, portanto, adverso, tendo em conta as péssimas relações entre as duas famílias.
À dignidade da decisão do presidente portista de estar presente no adeus ao amigo - e outra coisa não seria de esperar -, responderam os responsáveis do emblema encarnado e restantes adeptos benfiquistas presentes na triste cerimónia com um comportamento de uma dignidade ainda maior, pela clara serenidade (e naturalidade) com que souberam reagir à presença do mais alto responsável azul e branco.
Fizeram os benfiquistas o que deviam? Evidentemente.
Um ou outro comenta´rio impróprio de um ou outro anónimo presente não apenas não teve qualquer significado como de todo poderia vincular a imagem institucional do Benfica e a forma como a larga maioria de benfiquistas (anónimos ou não) soube conviver com a presença de mais um amigo de Fernando Martins, por acaso também presidente do maior rival desportivo dos encarnados.
O que muitos - legitimamente - se interrogam é se o contrário também seria verdade. Duvido.

ALCINO ANTÓNIO é (e será, para a história) um dos grandes responsáveis pela mais notável obra do Benfica neste século depois da construção do novo estádio.
Pôr de pé o Museu do Benfica foi trabalho de uma equipa, naturalmente, mas nos rostos das equipas serão sempre os líderes, e ao rosto de Alcino António junta-se naturalmente o de António Ferreira (como aliás escrevi neste jornal logo no dia da inauguração) e, porque os últimos são os primeiros, o do presidente encarnado, porque, é fácil compreender, sem o sonho de Filipe Vieira dificilmente a obra nasceria.
Não me levem a mal os leitores a confissão, mas sou amigo pessoal de Alcino António há quase 30 anos. Ele é um dos mais antigos dirigentes do actual elenco encarnado e também, como é fácil concluir, um dos mais discretos, desde que na década de 80 assumiu as primeiras responsabilidades, na gestão do também já desaparecido João Santos.
Quando a minha relação (agora, repito, de quase 30 anos) com Alcino António se transformou numa relação de profunda amizade nunca mais escrevi uma linha que fosse sobre o antigo e o actual dirigente encarnado, nunca Alcino António me forneceu (no passado ou agora) uma única informação que fosse da vida interna do clube, e as nossas conversas sobre futebol (para lá de uma normal relação entre amigos) são isso mesmo, conversas de duas pessoas que gostam de futebol e de desporto e que partilham, concordam e discordam nos seus pontos de vista.
Uma amizade sem complexos e sem falsos compromissos.
Agora, com a história do museu, vi-me perante a decisão:
- Continuar sem escrever uma linha sobre Alcino António sob o velho pretexto de sermos, simplestemente, amigos;
- Ou elogiar o trabalho da equipa do dirigente responsável pelo museu (e portanto elogiá-lo a ele próprio), por imperativo profissional de consciência jornalística e por ter visitado o museu e considerado, francamente, estarmos perante uma obra notável.
Optei, como sempre, pela minha consciência jornalística e pelo dever profissional da crítica honesta, como lhe chamaria o velho mestre Vítor Santos, porque (não se confunda)  criticar não tem de ser dizer mal...
Fica o desabafo. E os leitores que não me levem a mal...

'PENALTY'
HUGO PACHECO, árbitro da 1.ª categoria, ainda deve estar a esta hora às voltas com a insólita decisão que tomou: viu, claro que viu, o portista Kelvin ao pontapé (por quatro vezes) ao ex-benfiquista Nolito, agora no Celta, e foi mostrar o cartão amarelo a quem, quem? A Nolito! Insólita decisão? Bem...

LIVRE DIRECTO
A vida de Jorge Jesus advinha-se difícil. Não sabe ainda quem sai, não sabe quem pode chegar, não sabe se conta (por exemplo) com Salvio, Matic, Garay ou Gaitán, não sabe quem substituirá Cardozo, enfim, não sabe ainda demasiadas coisas para um candidato ao título. Não é fácil.

(...)"

João Bonzinho, in A Bola

O King merece...!!!

Obrigado, Fernando Martins

"Quando eu tinha 12 anos Fernando Martins era presidente do Benfica. Quando eu tinha 18 anos Fernando Martins era presidente do Benfica. Fácil é perceber que foi sob a presidência de Fernando Martins que vivi, com consciência, as minhas primeiras alegrias como adepto. Os títulos, as taças, a minha primeira final europeia contra o Anderlecht. Foi até sob a presidência de Fernando Martins que António Leitão ganhou a medalha olímpica, nos 5000 metros, em Los Angeles. Primeiro atleta do Benfica a consegui-lo.
Isto bastava para Fernando Martins ter marcado uma geração de benfiquistas. Mas o meu testemunho é maior e mais profundo. Durante quase sete anos, vivi durante a semana num dos seus hotéis e durante esse tempo conversei muito sobre o nosso Benfica e privei com um benfiquista fantástico. Fernando Martins tinha uma paixão pelo Benfica. Esse tributo e agradecimento é-lhe devido. Faz parte da nossa história, e ficará na nossa memória. Deixo-lhe aqui o meu reconhecimento e a minha grande saudade.
Esta pré-época trouxe o primeiro troféu de terras espanholas para o nosso museu, a enorme Senhora de Elche tem de ser a primeira de muitas conquistas. Não há margem para não encher os adeptos de alegrias, esses mesmos que em número superior a 100 mil já subscreveram o canal do seu clube, esses mesmos que esperam vitórias e títulos, esses mesmos que na sua generosidade merecem a alegria das vitórias. Muito bem Fran Escribá na sua relação com o seu ex-clube, categoria e classe de quem se move por sentimentos e reflecte-os nas suas atitudes.
Amanhã na festa de Eusébio saibamos fazer uma festa e homenagem bonita, pela primeira vez contra um clube não europeu. Em certo sentido é justo para Eusébio que tinha e tem prestígio mundial e não apenas europeu."

Sílvio Cervan, in A Bola

Universal

Making of... (versão longa!!!)

Joana a dominar nas cataratas do Niágara!!!

Boa entrada no Campeonato do Mundo de sub-23 para a Joana Vasconcelos, que conseguiu a qualificação directa para as finais do K1 500m e no K2 500m (com a companhia da Francisca Laia). No K1 venceu mesmo a regata, enquanto no K2 qualificou-se após terminar em 2.º lugar...
O Campeonato do Mundo está-se a disputar em Welland, Ontário, Canadá, perto das cataratas do Niágara!!! As Finais decorrem no Domingo.

O Presidente Fernando Martins

"Fernando Martins é o primeiro presidente do Benfica de que, efectivamente, me recordo. Foi o homem que presidiu o Benfica durante grande parte da minha adolescência. Durante aquela época em que começamos a ganhar consciência e sentido crítico.
A imagem que guardo de Fernando Martins é a de um presidente determinado, um homem que liderava de acordo com as suas convicções e de poucas cedências ao caminho mais fácil, mais popular e mais óbvio. Recordo que durante o seu mandato saiu o Chalana para o Bordéus e os benfiquistas gritaram “aqui d’el Rei” que isto não pode ser. Recordo que, além do Chalana, o Filipovic e o João Alves também saíram e que se dizia à boca cheia que o nosso Benfica precisava de jogadores e não de sacos de cimento para fechar o mítico Terceiro Anel. É impossível esquecer o quão ofendido foi Fernando Martins depois do famosos 7-1 de Alvalade. Já depois de ter terminado o consulado, Fernando Martins continuou a ser criticado por dar a mão a gente que tudo fazia para, à margem da lei, derrotar o Benfica. Da mesma forma que é impossível não recordar que Fernando Martins fazia questão de lembrar aos benfiquistas, que o criticavam no calor da paixão e da emoção imediata, que era importante não ser míope e perceber que os jogadores passam e a obra fica. Da mesma forma que recordo a lição que nos dava quando dizia que preferia abdicar de um jogador “vedeta” do que assumir compromissos individuais que, para serem cumpridos, comprometeriam o bem comum. Da mesma forma que, até ao fim, se mostrou intransigente na escolha das suas companhias, independentemente de serem mais ou menos agradáveis à opinião pública benfiquista.
Ou seja, o que Fernando Martins nos deixou como herança foi o testemunho de que quem lidera o deve fazer de acordo com as suas convicções e nunca ao sabor dos ventos e das paixões de momento. Se assim não fosse, não teria deixado obra feita, não teria deixado a vincada marca que deixou no nosso Benfica e à qual ninguém pode ser indiferente."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica 

Um homem para a história

"Quis o destino que apenas dois dias após a inauguração do nosso Museu, desaparecesse do mundo dos vivos um dos nomes que bastante contribuiu para a riqueza nele depositada. Fernando Martins assumiu a presidência do Sport Lisboa e Benfica em 1981, e esteve ligado a um dos períodos mais importantes da história do clube.
Não só pelos títulos conquistados (dois Campeonatos, três Taças e uma Supertaça, para além da presença na final da Taça UEFA), mas sobretudo pelas bases estruturais deixadas, que pouco depois permitiriam o ansiado regresso à alta-roda do futebol internacional – arredia desde meados da década de sessenta.
As finais europeias de Estugarda e Viena, pese embora se situem já fora do âmbito temporal dos seus mandatos, e sem retirar mérito à equipa directiva que lhe sucedeu, tiveram também o “dedo” de Fernando Martins.
Foi a sua gestão criteriosa, e sempre pautada pela defesa intransigente dos interesses da instituição, que deixou o Benfica em condições de vencer em Portugal, e de se bater com os melhores fora de portas. Foi Fernando Martins que, por exemplo, trouxe Eriksson para o Benfica, numa aposta que teve tanto de ousada como de bem sucedida. Foi Fernando Martins que transformou o antigo Estádio da Luz no maior da Europa. Foi Fernando Martins que, depois de um período relativamente incaracterístico, marcado pelo fim da Era-Eusébio, devolveu a Mística aos benfiquistas, fazendo crescer o número de sócios, levando-os para o Estádio, e apaixonando-os pela equipa. Foi com Fernando Martins na presidência que, em 1986, me tornei sócio do Clube.
Embora as palavras sejam muitas vezes menores do que os Homens, quem viveu esses anos sabe bem do que falo. Infelizmente, nem todos os sucessores estiveram à altura do seu legado. Porém, dada a vitalidade que o Clube tem demonstrado nesta última década – diga-se até que com algum paralelismo face ao seu tempo -, Fernando Martins terá certamente partido tranquilo quanto ao futuro do clube que tanto amou, e ao qual tanto deu."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

As leis do futebol a sério e a feijões

"No Dragão, leis são leis, a sério ou a feijões. E que árbitro idiota se atreveria a expulsar Kelvin por se ter atirado em pontapés às canelas no Nolito que ainda tresanda a Benfica?

DE todos os estádios construídos propositadamente para o Euro 2004, confesso que, até ao passado sábado, só conhecia o Estádio da Luz. Agora também conheço o Estádio do Algarve porque fui lá ver o Benfica-Nice, um joguinho de Verão que começou muito animado, graças sobretudo às prometedoras agitações causadas por Lima e por Markovic na confundida defesa dos franceses, ao ponto de dar por bem empregue o dinheiro do bilhete.
Durou pouco, no entanto, o prazer do público. Coisa de meia-hora, apenas. Isto porque o árbitro, rigorosíssimo, entendeu ser merecedora de castigo máximo e de expulsão uma acção atabalhoada de Artur que terá atirado ao chão um adversário na sua área.
O árbitro foi pronto a mostrar o cartão vermelho ao guarda-redes do Benfica e Jorge Jesus também não pensou duas vezes. Tirou de campo Markovic para que Paulo Lopes pudesse substituir na baliza o infortunado Artur. E ali terminou o gáudio da significativa assistência porque Markovic, no esplendor dos seus 19 anos, é aquele tipo de jogador que leva gente aos estádios.
Foi, com certeza, em ensaio útil para Jorge Jesus ver a sua equipa jogar uma hora inteira com menos um em campo, lutando para segurar a magra vantagem de 2-1 e não descurando as oportunidades para dilatar o resultado a seu favor, o que poderia muito bem ter acontecido pela forma como o Benfica, mesmo em inferioridade, mandou no jogo.
Assim que Markovic abandonou o relvado, muito aplaudido como fez por merecer, apeteceu-me pedir ao árbitro a devolução de, pelo menos, o custo de meio bilhete. No entanto, nem todos os espectadores do Benfica-Nice terão pensado assim tão mesquinhamente.
- As leis são para se cumprir em jogos a sério ou em jogos a feijões - logo ouvi dizer, judiciosamente, a um consócio de bom sendo.
E, assim, fui levada a concordar com a decisão do árbitro, ainda que contrariada. O jogo perdeu muito do seu interesse, é verdade, mas não dei o dinheiro por deitado à rua porque com menos que ver no relvado havia oportunidade para melhor apreciar o dito Estádio do Algarve.
Trata-se de um imponente mono com velas, plantado num ermo que não serve nem a população farense nem a louletana e que, incluindo as derrapagens dos seus custos de construção, custou uma fortuna ao erário público em nome do inquestionável «desígnio nacional» em que se transformou ideologicamente a organização do Europeu de 2004 pelo nosso país.
Perante a obscenidade de semelhante desperdício enfunado, que terá feito glória dos seus promotores e construtores, passou imediatamente incólume a decisão do árbitro de expulsar Artur a meio da primeira parte, estragando o espectáculo ao roubar-lhe um artista.
- Leis são leis, em jogos a doer ou em jogos a brincar!
Isto é que é ser bom cidadão.

NO dia seguinte, 600 quilómetros mais a Norte, voltou a acontecer coisa semelhante. No jogo de apresentação do FC Porto com o Celta de Vigo, ficou provado que, a doer ou a brincar, há leis que serão sempre leis do Estádio do Dragão.
Os campeões nacionais averbaram a sua enésima vitória nesta pré-temporada. Foi um triunfo tangencial de 1-0 com um golo de Jackson Martínez que partiu de posição irregular à vista desarmada, legalmente sancionada pela bandeirola de serviço.
O jogo terminaria em grande espectáculo e com 11 de cada lado. No Dragão, leis são leis. E que árbitro idiota se atreveria a expulsar Kelvin - o herói do último campeonato - por se ter atirado em pontapés às canelas do Nolito que ainda tresanda a Benfica?
Leis são leis. Não se brinca em serviço. Isto é estrutura.

O pedido de explicações da CMVM ao Benfica no que diz respeito - ainda... - aos direitos sobre o guarda-redes Roberto poderá, certamente, ajudar a esclarecer os benfiquistas, entre os quais me encontro, para quem este vai-e-vem de grossos trocos entre o Benfica e o Atlético de Madrid causa alguma perplexidade.

O Museu Cosme Damião foi inaugurado e a Benfica TV chegou aos 100 mil assinantes. É obra. melhor dito, são obras. E em progresso. Porque um Museu para se afirmar como atracção permanente precisa de renovar o seu espólio com taças frescas e um canal pago de televisão para se impor precisa de ver crescer o seu número de assinantes até sabe-se lá onde.
O Museu Cosme Damião, na sua concepção e imagética, está ao nível de um clube como o Benfica. Maior elogio não se poderá fazer. A Benfica TV para lá parece caminhar, embora o seu sucesso enquanto projecto dependa sempre do percurso da equipa principal de futebol.
Assinar um canal de televisão por cabo é tão fácil como cancelar a dita assinatura. Faz-se tudo através do comando. Que os comandos da equipa de futebol - os desportivos e os políticos - entendam isto como um facto incontornável.
Negócios, negócios, vitórias à parte é coisa que não existe no futebol. Ou não devia existir.

FERNANDO MARTINS foi-se embora aos 96 anos. Como presidente do Benfica sucedeu, um tanto inesperadamente, a Ferreira Queimado em 1981. Depois de perder duas eleições para Borges Coutinho (em 1969) e para o mesmo Ferreira Queimado (em 1977), Martins chegou finalmente à presidência do clube. Para a sua vitória eleitoral contribuiu de alguma forma decisivamente a festa do título de 1980/1981 no Estádio da Luz.
À tradicional invasão de campo sucedeu-se uma inaudita carga policial sobre os adeptos que custaria a reeleição de Ferreira Queimado, castigado nas urnas pelos benfiquistas ainda doridos da pancada que apanharam naquela hora festiva. Martins não era de todo favorito naquele despique eleitoral mas venceria Queimado pela margem mínima (51% contra 49%) e, à terceira, viu-se finalmente presidente do Benfica.
Fez três mandatos. Viria a perder as eleições de 1987 para João Santos, também um vencedor altamente improvável visto que com Fernando Martins na presidência campeonatos nacionais e Taças de Portugal foi coisa que nunca faltou ao Benfica. No ano em que abandonou o cargo, Fernando Martins deixou a equipa a caminho de mais um título nacional e de mais uma final do Jamor.
No entanto, os benfiquistas, habituados ao bom e ao melhor, nunca perdoaram ao presidente Martins os 7-1 em Alvalade e exasperavam-se contra o treinador John Mortimore, acusado de ganhar campeonatos com um rol de intoleráveis vitórias por 1-0. Eram outros tempos, sem dúvida.
Fernando Martins foi eleito porque os sócios do Benfica penalizaram o presidente anterior por não terem gostado da intervenção policial na festa do título de 1981 e foi destronado porque os sócios do Benfica não gostavam do futebol que a equipa campeã praticava em 1986 e em 1987, sob o comando de John Mortimore, um treinador chato.
Que luxo!
Martins deixou a sua marca no Benfica, esse é um facto. Fechou o Terceiro Anel ainda que para isso tivesse de vender Chalana e Stromberg: contratou Eriksson que revolucionou o Benfica e, por contágio, o futebol português; manteve um pacto de não-agressão com Pinto da Costa porque o rival da altura era o Sporting.
O tempo e o andar da carruagem deram-lhe razão numas coisas e não lhe deram razão noutras coisas.
Foi, sem dúvida, um presidente carismático, da linhagem dos não-doutores. Fernando Martins, uma figura histórica do Sport Lisboa e Benfica."

Leonor Pinhão, in A Bola

Sobre nomes dos clubes (IV)

"É sobretudo na Europa de Leste (ex-URSS e seus satélites) que há os gloriosos, bélicos e propagandistas genéricos de regime: CSKA (Clube do Exército), Lokomotiv, Torpedo, Spartak, Sparta, Dínamo (Dínamo de Kiev, de Tbilissi, Zagreb e até de Dresden na antiga RDA), Zenit, Estrela (Vermelha de Belgrado ou Steua de Bucareste) Partizan, Rapid (de Bucareste e até de Viena).
Acrescem os relacionados com a origem eslava como Slavia, Slovan assim como Levski, Dukla e Shatar (nome de um antigo sindicato da URSS). Só a Polónia - não por acaso - resistiu a esta avalanche de nomes (apesar de ter o Legia que quer dizer legião) e os magiares pelas características não eslavas do seu idioma (mas tem Vasas...).
Na Europa Central, incluindo a Alemnha há Viktoria e Viktorie para todos os gostos.
Por fim, regista-se a circunstância de quase todos os clubes israelitas serem Hapoel (de Haifa, Jereusalém, Telavive, o que coube em sorteio ao Estoril, Hapoel Ramat Gan, ao todo são 39!), Maccabi (Nazaré, Haifa, Netanya, Tel Aviv, 15 no total!) ou Beitar (Jerusalém e mais 10).
Trata-se de uma divisão algo política e ideológica que, de vez em quando, dá problemas. Hapoel, em hebraico, está ligado à palavra trabalhados e a Histadrut que representa uma poderosa organização sindical de esquerda. Maccabi (conotada com o centro político) advém de um exército rebelde judeu, os Macabeus, e simboliza a resistência. Beitar, conotado com a direita, resulta de um expressão ligada a movimentos sionistas juvenis.
Já o APOEL cipriota é o acrónimo de Athletikos Podosferikos Omilos Ellion Lefkosias, que quer dizer Clube de Futebol Atlético dos Gregos de Nicósia."

Bagão Félix, in A Bola

Sobre nomes dos clubes (III)

"Poucos clubes têm Portugal no nome. Para além dos lisboetas Sporting e Atlético, destaco o Clube Desportivo e Recreativo «Portugal» (Moita), Clube Desportivo Portugal (Porto), Clube Ferroviário de Portugal (Marvila). Curiosamente há um clube da 3.ª divisão espanhola chamado Portugalete, nome de um município no País Basco.
O Benfica fica-se pela cidade (Lisboa) e um dos seus bairros (Benfica) embora tenha dado à luz em Belém e o Porto pela cidade apenas. Sobre este há o hábito de, no preciosismo de jornalistas, se ouvir dizer (em regime único) o nome completo Futebol Clube do Porto e não apenas Porto.
Passando para outros países europeus há também genéricos clubistas. No Reino Unido com todos os United em competição com todos os City. Ou os Rangers de Glasgow e os Queens Park Rangers.
Em Espanha há um Sporting (de Gijón), um Racing (de Santander) Atléticos de de que já falei, Deportivo (de Corunha) e, claro está, a profusão monárquica Real para todos os gostos (Madrid, Saragoça, Sociedad, Béris, Valladolid, Oviedo, etc.) e Reial Espanyol em versão catalã. E ainda os germiandos Celta de Vigo (também Real) e Celtic de Glasgow. Por falar em Real, por cá temos o Real Sport Club (de Massamá), o Real Clube Brasfemes (AF Coimbra) e o Real Clube Nogueirense (AF Aveiro).
Em França, além dos Olympique como o de Lyon, Nive e Marselha (à semelhança dos vários Olympiacos gregos), há um Sporting (Sporting Club de Bastia) e um Atlético (Atlético Club Ajaccio).
Na Alemanha temos alguns Fortuna (o mais conhecido é o de Dusseldorf), alguns Bayern que quer dizer Baviera (Munique e não só) e Borussia (significando Prússia) de Dortmund ou M'Gladbach."

Bagão Félix, in A Bola