Últimas indefectivações

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Benfiquismo (DLXVIII)

Zé's Snow !!!

Benfica foi avassalador

"Raúl Jiménez entrou muito bem e com dois passes fantásticos esteve nos dois últimos golos.

Entrada muito forte
1. Que entrada forte a do Benfica! Jonas marcou logo aos dois minutos e com isso a equipa da casa serenou e embalou para uma exibição magnífica. Mas não avencemos tão rápido: o Belenenses até conseguiu reagir bem ao primeiro golo de Jonas e teve 15/20 minutos em que deu a sensação de que poderia equilibrar a partida. Mas há momentos que tudo mudam e num lance em que a equipa do Restelo não conseguiu afastar a bola da sua área apareceu Salvio no jogo, tendo marcado o segundo golo, que acabou por ser a chave. Já que acabou aí o equilíbrio que Domingos procurou com o meio-campo tão povoado.

Fragilidades sem perdão
2. Após esse segundo golo do Benfica acentuou-se ainda mais o domínio dos encarnados, que conseguiram sempre colocar a bola nos seus atacantes, que foram tão fortes que se mostraram imparáveis. De um lado viam-se bons movimentos individuais e colectivos, um futebol de vertigem ofensiva, como a equipa de Rui Vitória tanto gosta. E não conseguia responder o Belenenses, que teve muitas falhas e foi na Luz equipa muito frágil em termos defensivos e principalmente sem força para reagir a um Benfica demolidor, que ainda antes do intervalo conseguiu chegar ao terceiro golo.

Mais desnivelado
3. Em vez de melhorar, o cenário ficou ainda mais negro para o Belenenses no segundo tempo, já que não conseguiu chegar à área do Benfica e não só sofreu ainda mais dois ou três golos porque as bolas ficaram nos postes. Se na primeira parte, com Chaby solto na frente, os visitantes não conseguiram chegar à área, esperava-se que isso acontecesse no segundo tempo com Maurides em campo, homem de área, com mais poder de choque. Mas não foi o que se viu... a bola nunca chegou lá à frente e em vez disso viu-se um Benfica ainda mais avassalador.

Jiménez entrou muito bem
4. O que estava desequilibrado, mais desequilibrado ficou com a entrada em campo de Raúl Jiménez, que esteve nos dois últimos tentos com passes fantásticos. E com tudo isto, houve goleada na Luz e uma superioridade que foi evidente dos encarnados, que poderiam até ter construído resultado ainda mais desnivelado. Aquela entrada forte e o segundo golo foram golpes demasiado profundos no Belenenses, que a partir daí ficou perdido, desconcentrado, desorganizado. Enfim, foi tudo demasiado fácil..."

Bruno Ribeiro, in A Bola

Da segurança de Varela à arte de Jonas

"A veia goleadora de Jonas explica a goleada?
Seria uma visão muito redutora da exibição do Benfica, mas é verdade é que foi Jonas quem deu corpo à goleada. O brasileiro leva 10 golos marcados ao Belenenses desde que chegou à Luz e jogando e fazendo jogar ainda teve tempo para o hat trick. Genial. O entendimento que mostra com Seferovic é de equipa grande.

Fez sentido o Belenenses jogar com três centrais?
No papel talvez o esquema tivesse nexo, mas ao levar o golo tão cedo a estratégia caiu por terra. Para além disso o entendimento nunca foi o melhor, continuando a haver muito espaço para o ataque encarnado. O equívoco teve custos graves e o sistema precisa de muito trabalho por parte de Domingos Paciência.

Foi desta que Filipe Augusto agarrou o lugar?
Fez um jogo muito positivo mas é cedo para confirmar essa tendência. O adversário pouco incomodou o médio encarnado, tal a complacência demonstrada pelo miolo belenense. Há muitos momentos o brasileiro parece ainda meio peixe fora de água. Mas aproveitou a oportunidade de ontem.

Varela não provou que pode ser titular do Benfica?
O jovem guarda-redes tenta prová-lo semana a semana. Mas continua a falar-se de mercado. Rui Patrício está hoje onde está porque Paulo Bento teve coragem. Varela precisa de sorte, talento, confiança... e de Rui Vitória. Ontem fez mais um bom jogo."

Não temos medo

"Vamos todos a Barcelona. Iremos às Ramblas. Com o meu neto Alexandre Maria com a camisola do Benfica.

1. (...)

2. (...)

3. Para a semana é a semana de muitas decisões no futebol europeu. E o arranque das derradeiras contratações com números que impressionam a cada dia que passa. Números do outro mundo. Ficam decididos, em definitivo, os clubes - em rigor as marcas! - que marcarão presença na fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa. A primeira bem determinante financeiramente e bem motivante sob o ponto de vista da exposição desportiva. A segunda conquistando em razão dos relevantes emblemas que lá chegam uma bem interessante atractividade. Mas só a primeira dá milhões. A segunda proporciona receitas tão só que estimulantes. Como Sporting, Braga e Marítimo bem sabem. A Liga dos Campeões é a ambicionada e desejada. A Liga Europa é procurada pelos médios clubes da Europa e considerada como mal menor por referências europeias. O meio termo é, em certas situações, a conformação desportiva ou, em outro prisma, o estímulo interno. Com a consciência que nesta época desportiva ser primeiro em Portugal é bem importante em razão da futura participação nas competições europeias. Já que, de verdade, se inicia um novo ciclo na nossa participação europeia! Ou seja o refúgio interno pode ser, nesta época, uma justificação que gera uma acrescida e diferente motivação. É que no final desta época só o nosso primeiro tem acesso directo à Liga dos Campeões! Com o VAR bem explicado a alguns...

4. Vi o Benfica ontem na companhia do Rodrigo. Um jovem benfiquista que vive, com paixão, o seu clube do coração. Joga nas escolas do Benfica. Admira o Pizzi. Envergava, aliás, uma camisola deste maestro deste Benfica. Acredito que o nosso Pizzi lhe irá assinar uma camisola. Bem merece. É também este compromisso entre um jogador de referência - e de excelência - e um jovem adepto que ajuda a fortificar o ADN deste Benfica. O colinho dos adeptos de todas as idades e de todas as origens. E ele, o Rodrigo, dirá com o sorriso maroto que evidenciou quando o Jonas fez aquele extraordinário chapéu, que já está! E, assim, assim mesmo, recordo, com um prazer imenso, aqueles momentos deliciosos do relato da Antena 1 na final de Paris. Já está mesmo! Com a vitoria de ontem na Luz são três jogos e três vitórias. Tal como Sporting e Rio Ave. E, agora, é a deslocação a Vila do Conde. Com a certeza que, à hora desse jogo, o nosso Rodrigo envergará uma vez mais a camisola do seu ídolo. Espero eu com uma já assinada e com uma dedicatória bem especial.

5. Não temos medo! Não temos mesmo medo!"

Fernando Seara, in A Bola

domingo, 20 de agosto de 2017

Coincidências que dão jeito

"Pode ter sido problema técnico, mas o facto de só uma câmara ter gravado o som no 'Caso do Túnel' fez enorme favor a Bruno de Carvalho.

Não se pode considerar uma surpresa aquilo que o acórdão do Conselho de Disciplina considerou ter ficado provado no chamado Caso do Túnel. Quem viu, logo no dia seguinte, as imagens captadas pelas câmaras de vigilância instaladas em Alvalade percebeu de imediato que nada de edificante por ali se tinha passado. Pelo contrário. O que se soube agora foi, apenas, a confirmação de que a grande maioria dos que dirigem os clubes portugueses - e repara-se, não estamos a falar de emblemas dos distritais, trata-se de presidentes de clubes de Liga, onde os padrões têm (ou deviam ter) de ser muito mais altos - não estão sequer perto de se saberem comportar da forma que o cargo que exercem exige. Podem ser homens de sucesso nos negócios, podem ter muito dinheiro. Mas há coisas que o dinheiro não compra: educação e urbanidade são só duas dessas coisas.
Do acórdão anteontem revelado por A Bola destaca-se também o facto de apenas uma das muitas câmaras instaladas no local ter captado o som daquilo que foi dito durante aqueles minutos. Curiosamente - em especial se tivermos em conta que foi o Sporting que as cedeu, 12 dias depois dos acontecimentos e quatro depois de ter sido notificado para o efeito - aquela que estava virada para o lado do balneário do Arouca. Ou seja, tudo (ou vamos acreditar que quase tudo) aquilo que Carlos Pinho disse consta do processo, mas nada do que disse Bruno de Carvalho pôde ser provado, pelo que ficou de fora. Vamos acreditar que se tratou de uma avaria técnica, que custou à SAD do Sporting uma pesada multa de 460 euros por não ter todas as câmaras a funcionar como deviam. Mas não posso, neste momento, deixar de referir que foi de enorme beneficio para o presidente do Sporting, apenas castigado pelo fumo/vapor de água que soprou para a cara do presidente do Arouca, que por seu lado apanhou pela medida grande (e justamente) porque tudo o que fez foi visível e tudo o que disse foi audível para os juízes. Há, de facto, coincidências que dão algum jeito.

Claro que a decisão do Conselho de Disciplina em castigar Bruno de Carvalho com seis meses de suspensão foi recebida em Alvalade com indignação. O presidente do Sporting voltou a recorrer ao Facebook (alguém acreditou que iria conseguir manter-se mesmo longe?) para atacar José Manuel Meirim, queixando-se de perseguição - teoria que, já se percebeu, pegou junto de todos aqueles que o apoiam. Bruno de Carvalho tem, é evidente, o direito de reclamar. Tem até o direito de recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto para fazer valer o seu ponto de vista. Nada a dizer quanto a isso - só chocam mesmo os termos utilizados, mas com isso Bruno de Carvalho parece conviver bem...
Outra coisa - e só para terminar - que não parece bater certo no discurso do presidente do Sporting é esta imagem de eternamente e injustamente perseguido por quem tem a função de aplicar as leis. Desde a sua chegada ao futebol português Bruno de Carvalho assumiu de forma aberta uma posição de rebeldia. Citando Jorge Palma, na música Jeremias o fora da lei, 'não estando disposto a esperar' que o futebol 'venha alguma vez a ser melhor', Bruno 'escolheu o seu lugar do lado de fora'. Será até, na ausência de títulos dignos de registo no futebol, essa atitude que mais consenso gera entre os sportinguistas - desde miúdos que somos moldados a nutrir especial simpatia pelos fora da lei - orgulhosos (pelo menos cerca de 86 por cento deles) por terem como presidente um homem sem medo de combater aquilo que consideram ser o poder instalado. Mas esta imagem que Bruno tão bem soube criar não cabe a forma como se apresenta sempre que o castigam por ir contra as regras. Não. Os verdadeiros foras da lei assumem sê-lo mesmo sabendo das consequências que daí podem advir. E nunca, mas nunca, se fazem de coitadinhos."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Passava lá um rio...

"Baptista Pereira, dono dos mouchões do Tejo, vencedor da Mancha e do terrível Crocodilo do Nilo...

O rio pode ser uma iniciação.Seja onde for, qualquer rio.
Em Alhandra ou em Águeda.
«Por quem um rio troca mil cidades», escrevia Adolfo Portela, o poeta de Águeda-a-Linda.
Ou Manuel Alegre:
«Rio Águeda que vais
Banhando a verde fragância
Das margens do Nunca Mais
Onde fica a minha infância».
Um rio pode ser uma iniciação. E uma iniciação precisa sempre de quem a escreva.
E precisa de heróis como capitães de areia.
Sentei-me para escrever sobre Baptista Pereira, o homem que dominava o Tejo e que, um dia, resolveu enfrentar o nevoeiro da Mancha que deixa o Continente isolado.
O Quim soberano dos mouchões.
A sua braçada larga, o peito enfunado, vela de galeão de uma vontade de água e liberdade.
Gineto de Soeiro Pereira Gomes, também ele Joaquim, nas letras resolutas de Esteiros.
Em Águeda, o rio era o lugar onde morava a cumplicidade. E havia também esse homem do rio: o velho Bério que andava para cá e para lá sobre o degrau de cimento que ficava mesmo por cima da Pista 1 a gritar com a sua voz de tenor de cana-rachada, meia-dúzia de rapazolas que se esforçava ingloriamente num «crawl» sem Olimpíadas, as braçadas corrigidas de minuto a minuto.
No tempo da água…
E da insuportável excomunhão da água.
Eu gostava mesmo era de escrever um rio.
Contaria o tempo em que a Lola vigiava furiosamente os atrevimentos adolescentes daqueles que não resistiam ao instinto de espreitar para os balneários das raparigas: a esperança secreta de vislumbrar algo mais do que braços e pernas e cabeças, que era exactamente aquilo que se podia vislumbrar da Pista 3 em diante, o lugar onde toda a gente tinha pé.
Sentei-me para escrever sobre Baptista Pereira, o Homem-Que-Nunca-Foi-Menino.
O Baptista Pereira de Gibraltar: cinco hora e quatro minutos no dia vinte e cinco de Outubro de mil novecentos e cinquenta e três.
O Baptista Pereira do punho cerrado no Portugal-Espanha ditatorial de mil novecentos e quarenta e seis.
O Baptista Pereira vencedor do egípcio Hammad, o Crocodilo-do-Nilo.
Sentei-me para escrever sobre Carlos Miranda, que fez o favor de tanto me ensinar. «Há dez horas de prova. Parece que a vitória, não vai fugir ao alhandrense. Mas entretanto o campeão do Nilo, começa a aproximar-se a aproximar-se...Num ápice, estala o alarme. O egípcio, com uma extraordinária ponta final, está já só a 400 metros...O nevoeiro está implantado sobre a costa inglesa. O barco português não está provido dos meios de orientação. Por erro, em vez de encaminhar Baptista Pereira para Dover, para as rochas brancas de Dover, desvia-o em direcção a Santa Margarida. É mesmo Baptista Pereira que se apercebe do erro, quando vê o barco do egípcio dois quilómetros para lá, a tomar outro rumo...dentro de água, preocupado, nervoso com a corrida...Baptista Pereira, dá instruções para que o rumo seja corrigido...As dificuldades ainda não estão acabadas...surge outra forte corrente, e Baptista é obrigado a um esforço enorme, durante mais uma hora... Hammad não é capaz de vencer o obstáculo, e atrasa-se; novamente mais de duas milhas separam os dois nadadores...Ainda faltam cerca de oito quilómetros...Os últimos momentos são verdadeiramente emocionantes. Alguns amigos de Baptista Pereira, que se tinham deslocado propositadamente de Alhandra, fretam um «gasolina», e vão ao encontro do grande nadador...e caem de espanto quando vêem dois nadadores bem juntos. Seria possível que Hammad...Num desespero rompem todos a incitar o conterrâneo - Força, Baptista! Força, Baptista!...»
Que maravilha! Não concordam?
Queria escrever assim, mas não sou capaz na minha prosa medíocre.
Queria escrever assim sobre o rio; sobre o sol que escaldava nas costas e nos braços; sobre nós deitados debaixo das latadas de uva morangueira.
Um cheiro penetrante impossível descrever; o zumbido das abelhas e das vespas em redor da fruta esbeiçada no chão; um silêncio profundo de sono e de cansaço. 
Um aroma grosso a água do rio.
Badaladas, pesadas do sol a pino.
A hora do regresso a casa.
A indolência entornando-se pelo início da tarde.
O pio estridente do melro numa excitação de insectos. Queria escrever como quem ecoa na quietude melancólica do rio para lá do Fojo e do Sardão e do lugar onde os ciganos se juntavam à sombra dos choupos largos dedilhando sons melancólicos a todo o comprimento das cordas das guitarras. 
Escrever sobre os domingos compridos como nunca mais voltaram a ser."

Das sanções disciplinares

"Esta semana debruçamo-nos sobre uma decisão de um tribunal de segunda instância francês que confirmou sentença que anulou uma sanção disciplinar aplicada por uma federação, por entender que a mesma era desproporcional face ao ilícito cometido pelo agente.
Esta decisão foi recentemente anotada por um conselheiro francês que, analisando o acórdão e de forma muito clara, vem dizer que as sanções disciplinares aplicadas por uma federação desportiva, apesar de serem sanções administrativas, têm uma enorme especialidade: é que enquanto as sanções administrativas gerais, como as fiscais ou as rodoviárias, são aplicáveis a todos, as sanções disciplinares apenas se aplicam a um determinado grupo de pessoas que escolheram aderir a um grupo social organizado (ou mesmo de alguns que não tiveram hipótese de escolher entrar ou não em tal grupo) e que, em consequência, têm a obrigação de se conformar com as regras deontológicas de tal organização ou grupo. Assim, a sanção disciplinar tem por finalidade reprimir as violações de tais regras bem como a de assegurar o regular funcionamento da instituição.
Como sabemos, em Portugal, o poder disciplinar das federações decorre não só da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, bem como do Regime Jurídico das Federações Desportivas e, em concreto, do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva atribuído a cada federação e tem natureza pública.
No entanto, é preciso notar que tal poder disciplinar apenas abrange aqueles que a ele se sujeitam, isto é, aos que aceitam - mesmo que tacitamente - jogar pelas regras do jogo da federação em que se inserem."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Cadomblé do Vata

"1. Da próxima vez que um adepto rival te disser que o SLB controla o futebol português, sussurra-lhe ao ouvido... controlamos tanto isto, que tivemos que esperar até à última jornada para ganharmos um campeonato a uma equipa treinada pelo Domingos.
2. Se aquela bomba do Jonas do meio campo tem entrado, ganhava o Prémio Puskas... como foi ao poste vai-lhe ser atribuído o Prémio Puskas que o Pariu.
3. Domingos tem razão, existem lances que sozinhos desmontam toda uma estratégia táctica... um exemplo é o Raúl Jimenez fazer uma assistência para golo.
4. Neste momento temos 9 golos marcados e 9 jogadores lesionados... é melhor não arriscar nisto das coincidências e passarmos a ganhar todos os jogos por 1-0, senão antes da 10.ª jornada andamos a jogar só com jogadores da equipa B.
5. Parece que finalmente está de volta o velho e bom Sálvio que todos nós conhecemos... o prego a fundo, as fintas estonteantes, os golos maravilhosos e a lesão sempre na pior altura."

A Mão de Vata, in Facebook

Vá, tudo a dar as mãos para Filipe Augusto se tornar senhor do Universo centro-campista

"Bruno Varela
Os adeptos entusiasmam-se e gabam-lhe a confiança, mas os primeiros jogos não permitiram tirar grandes conclusões, e talvez seja melhor assim. Nunca ninguém elogiou o novo contabilista da empresa por, no seu primeiro dia, ter reparado a impressora ou substituído o garrafão de água. A não ser que seja um daqueles estágios não remunerados para explorar um gajo até ao tutano enquanto não há dinheiro para contratar alguém a sério. Nesse caso, é um excelente começo.

André Almeida
O tempo passa e André Almeida vai conquistando o seu espaço. É uma disputa feroz que tem mantido com a sua sombra, Aurélio Buta e, muito em breve, o empresário de Pedro Pereira. O seu nível exibicional ainda não permite dizer coisas como "este não sabe jogar mal", nem é provável que venha a acontecer. Depois de André Horta como jogador-adepto, precisávamos de alguém como André Almeida, que nos faça crer, durante aqueles breves 90 minutos, que qualquer um de nós poderia ter sido futebolista profissional.

Luisão
Exibição segura. Joga de olhos fechados com os seus colegas. Afinal de contas, são oito anos a trabalhar com os mesmos.

Jardel
Nada como bater em mortos para regressar à vida. Veremos se as qualidades observadas hoje se mantêm frente a jogadores com melhor coordenação motora.

Eliseu
Mais uma exibição útil à equipa, mas especialmente útil ao futebol português. Testou os limites do vídeo-arbitro num lance que podia ter valido a sua expulsão. A Liga agradece os seus préstimos. É fundamental que continue a trazer ao de cima as lacunas do vídeo-árbitro e não as virtudes.

Filipe Augusto
Vamos todos acreditar que Filipe Augusto iniciou hoje uma espécie de metamorfose semelhante à que ocorreu com Casemiro. Se bem se lembram, era um sarrafeiro com dois tijolos nos pés e a visão de jogo de um míope que jogou no Porto e regressou ao Real Madrid para se tornar campeão espanhol, europeu e senhor do Universo centro-campista. Vá, tudo a dar as mãos.

Pizzi
É como se Isco, Modric e Kroos tivessem unido esforços num só corpo, mas melhor.

Salvio
Um grande golo a coroar mais uma exibição confiante e a plenos pulmões. Não há piada nenhuma para fazer. O homem já sofreu que chegue.

Franco Cervi
Deixem-nos recuperar o fôlego e já dizemos qualquer coisa. JONAS Segundo o seu presidente, o Manchester City prepara-se para anunciar a maior transferência da história do futebol. Espero sinceramente que não nos levem Jonas. Não há dinheiro que pague um jogador destes. O brasileiro ultrapassou hoje Magnusson e é agora o segundo melhor marcador estrangeiro da história do Benfica. Esse Magnusson que, como se sabe, foi visto pela última vez no relvado da Luz a rebolar na direcção de uma das balizas. Esse lance só não deu em golo porque ainda não estava lá Jonas para receber com o peito, ajeitar com um pé e rematar com o outro.

Haris Seferovic
Pela primeira vez na sua carreira Seferovic marcou 4 golos nos primeiros 4 jogos oficiais. É certo que provoca algumas lesões, mas o Benfica faz bem às pessoas. Não, não é o sol nem o peixe nem a praia. O Doumbia também já comeu sardinhas e deu um mergulho em Paço de Arcos, mas a verdade é que ainda não cheirou. Permitam-me que lance um repto aos dirigentes benfiquistas: exijo saber quem é o responsável pela melhor contratação do Benfica nos últimos anos. Pela minha saúde que lhe ofereço um jantar no Solar dos Presuntos.

Martin Crhien
Tornou-se hoje o primeiro eslovaco a vestir a camisola do Benfica em jogos oficiais. Por enquanto tem tudo para se tornar o primeiro eslovaco a vestir a camisola do Benfica em dois jogos oficiais, neste caso ao serviço da equipa B.

Raúl Jiménez
não joga mais porque Jonas e Seferovic. O seu estatuto de suplente é muito provavelmente a maior injustiça neste plantel do Benfica, mas teremos todos de aprender a viver com isso. Um dia de cada vez, Raúl.

Lisandro López
Entrou a 10 minutos do fim para ser testado a lateral-direito. Soube manter-se no perímetro do relvado."

Benfiquismo (DLXVI)

Benfica - Olympiakos

Vermelhão: Confiança...

Benfica 5 - 0 Belenenses


Este parece que foi a pedido!!! Explico: com as baixas no meio-campo (Fejsa, Samaris), 'pedi' antes da partida, uma entrada a 'matar' no jogo, com o resultado decidido cedo! E foi exactamente isso que aconteceu... Pois, com um jogo 'apertado', sem opções de 'contenção' no banco, o jogo podia-se ter tornado complicado...
Com esta goleada, tenho a certeza que durante a semana, a maioria das crónicas nos jornais, vão chegar à conclusão, que o Campeonato português está cada vez mais desnivelado... e até podem ter alguma razão, mas isso não pode retirar o mérito que o Benfica teve esta noite... Jogámos bem, jogámos bonito em vários momentos do jogo, e com um bocadinho mais de eficácia o resultado podia ter 'dobrado'!!!
Dito isto, também cometemos alguns erros lá 'atrás', que contra uma equipa com melhores individualidades poderiam ser fatais... E talvez por isso mesmo, a opção do treinador foi mesmo tentar ter sempre a bola, porque actualmente o Benfica não está muito confortável, em dar a 'bola' ao adversário, e fechar com um 'bloco' mais recuado, gerindo o resultado, como nas épocas anteriores, fizemos várias vezes...
Mas a nota mais negativa da noite, foram as substituições do Salvio e do Almeida, aparentemente 'tocados'!!! Esta sucessão de lesões, que já vem do ano passado, deixa-nos a todos desesperados...!!! Apesar do 'regresso' do Samaris na próxima semana em Vila do Conde, espero por um Fejsa totalmente recuperado como hoje foi notícia... O Rio Ave, mudou de treinador, tem um modelo de jogo completamente diferente, ontem por exemplo venceu em casa ao Portimonense, jogando em contra-ataque...!!! Não vai ser nada fácil...
Individualmente, além dos golos do Jonas (os golos e o resto... mas hoje chegou aos 90 golos, ultrapassou o Magnusson e só está atrás do Cardozo no que a estrangeiros diz respeito), destaco a boa exibição do Salvio desta vez coroada com um grande golo (o Toto tem sido muito criticado, mas recordo que na recta final da época passada foi um dos melhores... e está a começar muito bem esta época...), o Pizzi novamente a 'comandar' e ainda o Filipe Augusto que terá feito uma das melhores exibições ao serviço do Benfica!!! Não é o Fejsa como é óbvio, não tem a mesma capacidade de ganhar os duelos físicos, mas hoje esteve bem na pressão, e aquele pé esquerdo, nestes jogos, acaba por fazer a diferença pela positiva, pois o Benfica acaba sempre por ser obrigado a fazer muitas mudanças de flanco... Recomendo, mais 'calma' nos confrontos porque assim acaba por fazer muitas faltas desnecessárias...
O Jardel tem melhorado a olhos vistos... e o Varela fez mais uma exibição segura, sem sofrer golos...
Parece óbvio que os candidatos ao título vão perder poucos pontos esta época, até porque como se viu a semana passada, o VAR até vai dar ajudinha quando for necessário...!!! Com a 1.ª paragem para os compromissos das Selecções no horizonte, a próxima jornada, é a próxima Finalíssima... Nesta sucessão de jogos muitos complicados, principalmente fora da Luz, que vamos fazer na 1.ª volta, este será um dos mais difíceis... Espero que depois da paragem das Selecções, a maior parte dos lesionados regresse às opções, mas em Vila do Conde terão que ser os disponíveis... e para algumas posições, as opções são poucas...
Apesar desta entrada vitoriosa na Liga, as lacunas no plantel mantém-se.. é preciso não esquecer.


Nulo...

Famalicão 0 - 0 Benfica B


Mais 1 ponto, mais uma história complicada! O árbitro até esteve bem na expulsão do jogador do Famalicão (patada no peito...) aos 36 minutos, mas depois 'acobardou-se' e foi um festival até ao fim do jogo... Logo no livre lateral da expulsão, existiu um penalty descarado sobre o Rúben... e na 2.ª parte, foi uma 'vale tudo', com vários empurrões dentro da área do Famalicão e vários 2.ºs Amarelos perdoados aos da casa...
Mesmo assim, com um bocadinho mais de eficácia, e tínhamos ganho o jogo... o facto do guarda-redes adversário ter sido o melhor em campo explica alguma coisa, mas não tudo...

sábado, 19 de agosto de 2017

Previsão de uma vida de sucessos

"O Benfica recebe esta noite o Belenenses no Estádio da Luz e o desejo da multidão benfiquista será ver Filipe Augusto entrar em campo o mais cedo possível porque sempre que Rui Vitória lança Filipe Augusto é sinal de que a coisa se resolveu a bem. Na segunda-feira, em Chaves, o nosso Filipe Augusto só entrou aos 90+4 minutos porque o Benfica só conseguiu marcar aos 90+2 minutos e como o árbitro – que, no fim do jogo, até recebeu uma camisola oficial das águias por deferência com a grande penalidade sonegada – concedeu 6 minutos de tempo extra só conseguiram descansar os adeptos do Benfica entre os 90’+4 e os 90’+6. Foi, assim, curto o descanso que nos foi dado no jogo de Trás-os-Montes que nem sequer foi um ‘clássico’. Já o desta noite, sim, é um ‘clássico’ com tudo o que isso implica de imprevisibilidade. Corram, corram. Parece que o Fejsa se lesionou. Mas que grande novidade. Corre, corre, Filipe Augusto.
André Silva estreou-se na quinta-feira em San Siro e marcou dois belos golos deixando os adeptos AC Milan felizes com a categórica apresentação do avançado. Mais contente do que os adeptos do AC Milan – e trata-se de uma plateia exigente – ficou, no entanto, o próprio André Silva. Festejou as proezas com um sorriso largo que não engana. Ficou, assim, aprovada pelos ‘tiffosi’ locais a contratação do jogador português e, melhor ainda, ficou também explicado o sentido da misteriosa frase do director de comunicação do FC Porto – "o melhor ainda está para vir!" – que se referia, como agora se percebe, ao brilhante futuro profissional que inevitavelmente aguarda André Silva depois de ter trocado de patrão. Tomara sobre tantos outros funcionários do futebol português poder vaticinar-se uma vida de êxitos deste quilate a cada mudança de entidade patronal.
Menos de 24 horas depois do encosto ao árbitro de Camp Nou ficou Cristiano Ronaldo a saber que o seu gesto lhe valerá 5 jogos de suspensão. Apreciem como a justiça desportiva espanhola é tão mais célere do que a nossa em matéria de decisões. Esta semana, por cá, houve a decisão do caso do túnel de Alvalade 283 dias depois da rixa tabernal entre os presidentes do Sporting e do Arouca. E até já se pensava que os prazos para a condenação destas inclemências estariam a evoluir para uma aproximação aos ritmos dos patamares disciplinares europeus.
Foi, porém, enganosa a esperança. Enganosa e induzida pelo facto de o castigo a Slimani pela cotovelada em Samaris ter demorado 203 dias a ser conhecido e pelo facto seguinte, tão promissor: o castigo ao mesmo Samaris pelo ‘uppercut’ a Diego Ivo demorou ‘apenas’ 44 dias a ser pronunciado. Deu-se, assim, a entender aos optimistas que estava em curso o progresso. É que de 203 para 44 dias, enfim, é outra aceleração. Agora, com estes 283 dias, voltou tudo a andar para trás. Ou para a frente, como preferirem. Estas conclusões dependem sempre da perspectiva."

Há uma geração rasca no nosso futebol

"Há quem defenda a ideia drástica de erradicar esta gente que tanto usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol.

Excelente trabalho da redacção de A Bola, contando tudo, ou quase tudo, porque infelizmente, as câmaras que podiam captar o som do que disse o presidente do Sporting ao presidente do Arouca ficaram súbita e surpreendentemente sem som, daquele triste incidente no túnel de Alvalade.
O trabalho, apresentado com rigor ao longo de quatro páginas de abertura do jornal, constituem, por si só, uma das mais importantes e significativas constatações de facto sobre o que bem poderia ser dado como exemplo do lado mais negro de um certo tipo de geração rasca que afunda a credibilidade de dirigentes do futebol português.
O que se ouve nas gravações e que são imputadas ao presidente do Arouca é sintomático de uma atitude de desrespeito e de total desconsideração pelo adversário. O que se apura de actos no acórdão do Conselho de Disciplina, relativos ao presidente do Sporting, vão no mesmo sentido e acrescentam as maiores razões de inquietação. O que depois se pode ler na reacção de Bruno de Carvalho, através do seu famoso facebook, onde se revela uma grosseira e pouco corajosa insinuação que parece ter por alvo o presidente do Conselho de Disciplina é tão lamentável quando significativa da conta que o presidente de um dos três maiores clubes portugueses tem pelos órgãos disciplinares do futebol.
Toda a matéria em que o acórdão disciplinar navega é um charco pestilento, onde impera a ordinarice, a vulgaridade, a afronta.
Não importa avaliar a justiça da pena aplicada a cada um dos principais e tristes protagonistas, porque mais importante é a exposição pública do atraso cultural e civilizacional de quem tem obrigações e deveres públicos pelos cargos que desempenha na liderança de instituições que são seguidas por milhões de cidadãos, muitos deles jovens, em idade de formação e que entendem como exemplo para a vida a ideia de que as diferenças se resolvem pela violência, pela força, pela afronta, pela intolerância, ou pela primária manifestação de uma força animal.
Portanto, a questão essencial não de se saber se as penas aplicadas deveriam ser mais ou menos gravosas. A questão decisiva é a de saber como erradicar este tipo de acções do futebol e que, de facto, são socialmente perigosas. Isto, para evitar falar, pelo melindre que envolve, na visão drástica de quem entende que se devia começar por erradicar todo o tipo de gente que de forma persistente e continuada usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol português.
Haverá certamente quem defensa que a linguagem do desporto de competição, especialmente nos seus bastidores, é uma linguagem crua, desprovida de preocupações éticas e sociais. Mas não é a mesma coisa a linguagem de cabina, na reserva de uma sala entre um grupo fechado que tem os seus códigos particulares, e a linguagem em zona pública, em especial, preferida por dirigentes máximos de instituições às quais se consagra uma importância e responsabilidade sociais que levam a justificação de benefícios públicos e até certas honrarias de Estado.
Ser presidente, alto dirigente, ou protagonista com grande visibilidade pública num clube de futebol, em Portugal, é uma posição de privilégio. Nem toda a gente está mentalmente preparada para isso. Nem toda a gente percebe que a suposta importância nacional da função não é, de todo, correspondida na realidade. É por isso que dirigentes, jogadores, treinadores, depois de terem conhecido momentos de alta emoção e de verdadeira idolatria popular se deixam cair na mais profunda depressão quando passa o seu tempo e percebem como era efémera e vã essa suposta glória. É que o futebol é, apenas, uma representação da vida.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Vídeo-árbitro só quando dá jeito

"FC Porto joga com o novo sistema a seu bel-prazer.

Talvez por estar embrenhado na leitura dos emails controversos que todas as semanas dá a conhecer no canal televisivo do FC Porto, o director de comunicação azul-e-branco nem se terá apercebido de que no mesmo dia em que o clube punha em causa a verdade da classificação da Liga da temporada passada por ainda não estar oficializado o vídeo-árbitro, ele próprio colocava em questão o referido sistema para atacar a decisão de um golo anulado ao Sp. Braga no jogo contra o Benfica. Seria mais útil e eficaz para a credibilidade do clube um discurso uniforme. Os portistas agradecem, os adversários não teriam motivos, entregues de mão beijada, para escarnecerem.
Também é verdade que outra coisa não seria de esperar quando o ódio se sobrepõe à razão e à falta de senso. E se nas quatro épocas de vitória benfiquista o valor encarnado nunca foi reconhecido e tudo se deveu a "erros de arbitragem" e a "falcatruas", esta época não se poderia esperar outra posição, mesmo com o vídeo-árbitro a funcionar em pleno. E, agora, o debate é saber qual o peso da decisão, se o árbitro nas quatro linhas deve ter preponderância, ou se a palavra final deve caber àqueles que decidem com base nas imagens. E já se preparam mais câmaras e novos ângulos. Tudo bem, mas nem será isso a calar quem pretende arrecadar títulos virtuais."

O saudoso disco rígido

"Jesus nem precisa do disco rígido para saber o que aí vem se a coisa der para o torto.

Talvez por se ter festejado um tanto ou quanto a mais do que teria sido aceitável, à luz do bom senso, o facto de o Sporting ter partido para o sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões na condição de cabeça de série – o que, por um conjunto milagroso de circunstâncias, afastou conjuntos como o Liverpool ou o CSKA do caminho dos leões – acabou por ser recebido como decepcionante o empate sem golos com que veio a terminar o jogo de terça-feira, em Alvalade, com o Steaua Bucareste referente à 1.ª mão da tal pré-eliminatória que dará, ou não dará, acesso à ambicionada fase de grupos da prova maior da UEFA. Ambicionada, porém não "obrigatória" como tão bem explicou Jorge Jesus à imprensa. "Obrigatória entre as aspas", disse o treinador, que, mesmo tendo deixado o "disco rígido" do seu computador no Seixal, consegue, ainda assim, ser sempre o mais lúcido dos elementos do staff do futebol sportinguista.
Nesta premente questão europeia – premente porque a questão é dinheiro –, o discurso de Jesus é notoriamente oposto ao discurso do presidente. Bruno de Carvalho diz que é tempo de "o leão mostrar que é o rei da selva" e o treinador diz que só é "entre aspas" que o Sporting tem de se qualificar obrigatoriamente para a selvajaria da Liga dos Campeões, o presidente diz que "o nome" do Sporting não o desobriga de lutar por afastar os romenos e Jesus responde afirmando que os dois emblemas "são do mesmo nível"… Todas estas salutares divergências de opinião serão, normalmente, reduzidas a nada se o Sporting, como se espera, afastar o Steaua e entrar direitinho na Liga milionária.
E, dando razão a Jesus e ao seu optimismo racional, não há motivo para considerar que o 0-0 da 1.ª mão seja, de facto, um mau resultado. Não é, obviamente, um "score" que tenha resolvido a discussão a favor do Sporting – como muita gente inocente tinha como garantido – mas é um resultado mais do que aceitável e até promissor. O Sporting não marcou, é verdade, mas não sofreu nenhum golo, o que lhe dá enorme vantagem se marcar em Bucareste, o que a acontecer não será de todo uma proeza do outro mundo. A bipolaridade dos adeptos – de todos os adeptos de todos os emblemas – é bem mais difícil de contornar do que este nulo de terça-feira. Do triunfalismo perante os acasos que terão ditado um sorteio doce na Europa ao pessimismo destrutivo que passou a imperar consumada que foi a não-goleada prevista, vai um passo, enfim, um passinho de Podence que é, entre todos, o que terá o passo mais curto. Ora isto não é ciência exacta. É um jogo de bola. E Jesus nem precisa do saudoso disco rígido do velho computador do velho emprego para saber o que vem aí se a coisa der para o torto.

O tal Luís Miguel Afonso Fernandes
Eis como o Benfica se tornou num caso de Pizzi-dependência
Foi eleito o melhor jogador da última Liga e ninguém se atreveu a protestar essa eleição porque, de facto, Pizzi foi o melhor jogador da última Liga. Não tem, no entanto, lugar no "onze" de Fernando Santos porque abundarão na selecção nacional centrocampistas capazes de meter a bola à distância e de inventar soluções maravilhosas quando o jogo da equipa emperra. É também notícia pelo seu futebol avesso a picardias e, de tal forma avesso, que não há maneira de ver um cartão amarelo para desgosto e escândalo do comité de decência do nosso futebol onde se abrigam os mais decentes entre os moralizadores do reino. Tem um tique muito próprio que é o de franzir os olhos antes de meter a bola onde quer e uma esquisitice destas devia, no mínimo, ser investigada. No início da semana, em Trás-os-Montes, inventou o lance de que resultaria o golo do triunfo da sua equipa e festejou-o como se não houvesse amanhã. Tudo isto somado e eis como o Benfica se tornou Pizzidependente."

Benfiquismo (DLXV)

Vítor Silva...

Uma Semana do Melhor... Paraíso!

Jogo Limpo... Seara & Guerra

A RTP humilhou os atletas nacionais

"Como só equilibra as audiências com o futebol, a RTP ignorou os Mundiais de Atletismo, enquanto entrega séries e programas aos amigos.

"Foi humilhante" a "ausência da RTP nestes Mundiais", disse ao ‘Record’ o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo. A RTP gasta os nossos milhões em transmissões de bola, mas justificou dizendo que o Mundial era muito caro. Têm uma lata.
Enquanto isso, faz séries fracas ou miseráveis para dar trabalho aos amigos do administrador e do director, insiste em programas sem um pingo de interesse público para pagar a preço de ouro apresentadores inapresentáveis. Funciona em circuito fechado.
O ‘Telejornal’ da RTP1 tem perdido sistematicamente audiência este ano, mais do que os concorrentes no período estival. Já chegou a ter menos de 400 mil espectadores. Não admira que António Costa pressione a Altice para manter a TVI na órbita do governo.
"Love" em baixo: o programa de quadrilhice da TVI, ‘Love on Top’, com concorrentes em biquíni ou de tronco nu, não tem nem um pouco da audiência que os antecessores atraíam desde o ‘Big Brother’. A última edição não chegou aos 250 mil espectadores.
Al Jazeera: a perseguição ao canal de informação baseado no Qatar alargou-se a Israel, que mandou encerrar a delegação no país. Israel untou-se assim às ditaduras do Médio Oriente, como a Arábia Saudita. Mais um ataque à liberdade de expressão.
As séries policiais são um grande êxito das TVs. Agora giram mais em volta da vida pessoal dos protagonistas. ‘Candice Renoir’ (RTP2, AXN) leva vantagem sobre as americanas porque as actrizes não são todas iguais depois do botox e operações à cara.

Tendências
Golpe:
Escutas reveladas pelo ‘Sol’ confirmam o plano global de Sócrates para controlar os media: através dos bancos que controlava (CGD, BCP), do governo, da PT e de empresários pelintras (Vasconcellos), queria dominar, além da RTP, a TVI, a SIC e o ‘Público’, fechar o ‘Sol’ e até despedir o director socratinista do ‘DN’. Era um crime de atentado contra o Estado de direito. Quase um golpe de Estado.

Dentaduras:
Em ritmo acelerado, grandes conglomerados da Internet como a Amazon, o Facebook e o Google lançam-se na compra de direitos de emissão de grandes provas desportivas e na produção de conteúdos televisivos. Este desvio dos conteúdos coloca várias questões, como esta: que conteúdos originais sobram para os generalistas? Concursinhos? Reality chanchadas? Oferta de dentaduras?"

Televisão & Olímpicos equívocos

"Inopinadamente, o Comité Olímpico de Portugal (COP), num comunicado assinado pela chefia, após os resultados obtidos por Nelson Évora e Inês Henriques no Campeonato do Mundo de Atletismo (2017), aproveitou para criticar o "progressivo afastamento do desporto, nas suas mais diversas modalidades, do espaço público televisivo". E, como se este problema não existisse há, pelo menos, vinte anos, a olímpica chefia, em vez de se dirigir à tutela do desporto, completamente a despropósito, pediu à RTP "esclarecimentos" e o "apuramento de responsabilidades".
É claro que “esclarecimentos” e “apuramento de responsabilidades” são de fundamental importância para se perceber o estado em que se encontra uma situação desportiva que permite ocorrências como a da não transmissão pela RTP dos campeonatos do Mundo de Atletismo (2107) onde atletas portugueses até ganharam duas medalhas. Todavia, não se pode aceitar que a questão seja resolvida com um simples “lavar de mãos” através de um pedido à RTP para identificar o responsável e dar as necessárias explicações, por alguém que não tem quaisquer competências sobre a RTP. Até porque, como se sabe, em Portugal, nunca ninguém é responsável por nada nem por coisa nenhuma. Por exemplo, os portugueses, ainda hoje, esperam pelo tradicional Relatório do Chefe da Missão Portuguesa aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) de maneira a compreenderem como foi possível, com o maior dispêndio de recursos de sempre, acontecerem os mais medíocres resultados desportivos desde os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992). Quer dizer, o que há de sobra no desporto nacional é falta esclarecimentos e apuramento de responsabilidades pelo que, o pedido de esclarecimento e apuramento de responsabilidade da chefia olímpica não passa, à boa portuguesa, de um esforçado exercício de inutilidade, tal como seria também um exercício de inutilidade se a RTP, em 2016, tivesse solicitado ao COP “esclarecimentos” e “apuramento de responsabilidades” relativamente aos fraquíssimos resultados dos portugueses nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) que a RTP, certamente com lágrimas nos olhos, teve de transmitir.
É bom que se entenda que virar os holofotes da indignação nacional para a RTP só serve para iludir o problema a fim de deixar as verdadeiras causas fora da discussão e, mais uma vez, como já vem acontecendo de há muitos anos a esta parte, acabar tudo por ficar na mesma. Por isso, é necessário ir à verdadeira origem do problema na medida em que a atitude da RTP é, tão só, uma das causas, não sendo sequer a mais importante, do estado lastimoso em que se encontra a organização político-administrativa do desporto nacional. Nesta conformidade, o “rasgar das vestes” do presidente do COP não se coaduna com a indiferença com que o problema tem sido tratado, em especial, durante os últimos cinco anos em que chefiou o COP.
A verdadeira causa pela situação caótica em que o desporto nacional se encontra, da qual resulta o caso RTP, tem a sua origem em 2004-2005 quando, no XV Governo Constitucional, à revelia da generalidade dos agentes desportivos, foi desencadeado um modelo de desenvolvimento do desporto estabelecido protocolarmente entre o COP e o IDP (Instituto do Desporto de Portugal) sob o beneplácito da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude que, embora apresentando resultados cada vez mais medíocres no final de cada Ciclo Olímpico, por inércia política, foi sendo prorrogado pelos governos dos diferentes partidos que se foram sucedendo na governação do País. Tratou-se de um modelo de desenvolvimento ultra liberal de características darwinista que, se por um lado, desresponsabilizou o Estado das suas inalienáveis obrigações como, entre outras, a institucionalização de um Subsistema de Alto Rendimento de onde devem resultar as representações nacionais incluindo as Missões Olímpicas, por outro lado, atribuiu ao COP funções que, considerando a lei portuguesa e a Carta Olímpica, ultrapassam a sua vocação e estão muito para além das suas competências e capacidades. Em consequência, foi estabelecida uma desastrosa ruptura com o tradicional paradigma organizacional do Sistema Desportivo português que decorria da institucionalização da Lei 1/90 (Lei de Bases do Sistema Desportivo) aprovada na Assembleia da República por unanimidade dos partidos. A partir de então, na mais completa ausência da tutela estatal, o desporto nacional começou a funcionar em “roda livre” com prejuízos para os portugueses e o País, como agora se verificou, com a falta de comparência da RTP no Campeonato do Mundo de Atletismo (2017).
E agora, só por uma visão pouco ou nada informada, enviesada ou minimalista do fenómeno desportivo se pode, à pressa, atribuir responsabilidades à RTP e, até, subliminarmente, sugerir que a culpa é da Geringonça sem que, no quadro da história recente do desporto nacional, se faça um enquadramento objectivo da situação em causa. Porque, se a falha, em primeira instância, não deve ser atribuída à RTP, quanto à Geringonça, a única coisa que se pode dizer é que ainda não teve coragem para avançar com a prometida Nova Agenda para o Desporto de maneira a alterar este lastimoso estado de coisas.
O que aconteceu foi que, a partir de 2004-2005, as Políticas Públicas, em regime de exclusividade, foram direccionadas para uma lógica ultra liberal com o objectivo de, à custa da subtracção de competências às Federações Desportivas, desencadear um programa de preparação olímpica a fim de criar valor económico e político através da conquista de medalhas olímpicas. O problema é que, ao cabo de três Ciclos Olímpicos, os objectivos falharam completamente pelo que, hoje, o desporto, para além do futebol, como, recentemente, referiu Vítor Serpa, director do jornal “A Bola”, está a funcionar “pelas ruas da amargura”.
Ora, perante este cenário confrangedor, embora a RTP tenha por contrato com o Estado a obrigação de prestar um serviço público, é necessário definir concretamente em que termos é que o deve prestar. Porque, a RTP ao receber por contrato dinheiros públicos está obrigada a respeitar a utilidade dos investimentos que faz. E, para isso, ao contrário de muitas organizações desportivas que não são praticamente controladas e vivem através de processos eleitorais, do ponto de vista democrático, pelo menos duvidosos, a RTP é controlada por um Conselho Geral Independente que é um “órgão de supervisão e fiscalização interna do cumprimento das obrigações de serviço público de rádio e televisão previstas no contrato de concessão celebrado entre a sociedade e o Estado, cabendo-lhe escolher o conselho de administração e respectivo projecto estratégico para a sociedade, bem como definir as linhas orientadoras às quais o mesmo projecto se subordina”. Ora, a este respeito, temos de dizer que gostaríamos muito que, na última revisão dos Estatutos do COP, acontecida em 2016, numa abertura democrática e sadia à sociedade, tivesse sido institucionalizado um órgão semelhante, de modo a que o Movimento Olímpico em Portugal que vive à custa do dinheiro dos portugueses, deixasse de ser gerido em circuito fechado, ao estilo “magister dixit” e sem uma ampla participação efectiva da sociedade portuguesa. Aliás, não seria nada demais na medida em que, até muito recentemente, o COP abria-se à sociedade através da admissão por eleição de membros por cooptação provenientes de diversas origens da sociedade civil. Por exemplo, Francisco Nobre Guedes, uma das mais marcantes personalidades do Movimento Olímpico nacional, em 1957, foi eleito presidente do COP de pois de ter sido cooptado.
Por isso, depois de anos a fio a dormir, ainda mal acordado por dois resultados brilhantes de atletas portugueses num Campeonato do Mundo, reclamar na comunicação social pelo cumprimento de um serviço público que ninguém sabe qual é, revela uma lamentável falta de pensamento estratégico para o desporto nacional. E esta é uma das mais infelizes realidades de um desporto, nas ruas da amargura, a viver à custa das flores produzidas por alguns atletas e treinadores de eleição. Nesta conformidade, a lógica capitalista ultraliberal institucionalizada em 2003-2004, sustentada, em regime de exclusividade, na conquista de medalhas olímpicas, perante os paupérrimos resultados conseguidos nos sucessivos Jogos Olímpicos que se situaram abaixo dos da Coreia do Norte, fazer uma oportunista crítica à RTP, aos olhos da generalidade das pessoas minimamente informadas, não passou de uma medida de diversão. Porque, relativamente ao serviço público por parte da RTP:
(1º) Devido aos sucessivos falhanços olímpicos, do lado da sociedade, não existe suficiente mercado que o sustente;
(2º) Devido à desresponsabilização do Estado, do lado dos governos, não existe a mínima pressão política para o financiar.
Portanto, perante o ingénuo clamor nacional, se existem aspectos úteis que decorrem da ausência da RTP do Campeonato do Mundo de Atletismo (2017) um deles é, certamente, o da RTP ter explicado aos portugueses que, no regime de economia de mercado em que o País vive, ao qual o COP, em 2004-2005, assumiu ser um dos seus “activus”, é o interesse social ou o interesse político que, tal como no futebol, deve sustentar as transmissões de grandes eventos desportivos. Porque, só assim, é garantida a viabilidade económica do projecto através do pagamento directo das pessoas interessadas ou através do suporte financeiro do Estado porque, tal suporte está integrado nas Políticas Públicas em matéria de desporto. O problema é que, desde 2004-2005, o Sistema Desportivo nacional, entre o económico e o social, vive na maior das promiscuidades que lhe corroem a credibilidade sempre que, à pressa, os dirigentes pretendem justificar os desaires de uma situação por eles próprios criada e alimentada.
É claro que a RTP devia ter transmitido o Campeonato do Mundo de Atletismo, contudo, a responsabilidade não é dela por não o ter feito. A responsabilidade é de quem assumiu funções para as quais não tinha nem tem capacidades nem competências e, irresponsavelmente, libertou o Estado de responsabilidades que, no quadro político, económico e social do País, só a ele competem. Em consequência, ao cabo de mais de doze anos de erros, enganos e contradições, parafraseando Oscar Wilde, temos de admitir que os deuses do Olimpo, em 2004-2005, atenderam às preces dos dirigentes porque os queriam castigar. Em conformidade, deram-lhes a alegria das competências e do dinheiro para conquistarem as medalhas olímpicas que, depois, como os deuses já sabiam, os dirigentes não foram capazes de alcançar. E esta é uma das imagens míticas que melhor caracteriza a situação actual do desporto português.
É tempo do governo mudar o rumo aos acontecimentos de modo a, com a máxima urgência, assumir a iniciativa política que ainda lhe resta, a fim de pôr cobro ao regime de funcionamento em roda livre em que o Sistema Desportivo se encontra a viver. Infelizmente, o governo Já não vai a tempo de salvar a Missão Portuguesa aos Jogos Olímpicos de Tóquio (2020) mas ainda vai a tempo de começar a melhorar o Nível Desportivo do País de modo a que possam surgir resultados consolidados na sociedade civil a partir de 2024. Caso contrário, o desporto nacional, para além dos esporádicos resultados desportivos de um ou outro atleta de excepção, vai continuar no mais confrangedor estado de desorientação em que se encontra."

Atletismo via rádio

"O atletismo é uma modalidade televisiva por excelência? É com toda a certeza. O Mundial é uma competição importante? Não há qualquer dúvida. Seria relevante o canal público ter assegurado os direitos de transmissão televisiva? Claro que sim. Podem dizer que estas perguntas e respostas são relativamente fáceis. Mas, na verdade, nada disto se passou durante o mundial. Valeu-nos as intervenções diárias e em directo da Antena 1. Atletismo via rádio ainda é uma tradição.
Os portugueses ficaram privados de ver em directo o salto de Nelson Évora e três dias depois a medalha de ouro e o recorde do mundo de Inês Henriques nos 50 km marcha. Como diz o povo: Acham isto normal? O que está em causa é a ligeireza com que a RTP abordou a questão. Só quando foi pressionada pelas declarações de Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), que considerou "humilhante" a ausência da RTP na transmissão dos campeonatos, é que a estação pública acordou para a realidade. Certamente não estava à espera do telefonema de conforto do Ministro da Educação para com o líder da FPA. Só nessa altura sentiu necessidade de emitir um comunicado, defendendo-se dos custos serem incomportáveis.
Ao certo não se sabe quais os valores que estão em causa. Fala-se que a federação internacional (IAAF) terá pedido cerca de 500 mil euros pelo pacote-base dos mundiais até 2030, números que, entretanto, não foram desmentidos. Ainda não sei o que a RTP vai fazer com os mundiais de canoagem e judo, mas tenho para comigo que o melhor era pedir junto da IAAF os valores certos..."


PS: Independentemente de tudo o resto, não se deve ignorar que a Eurosport, faz parte do grupo Eurovisão, do qual a RTP é um dos parceiros...!!! Se calhar, se a Eurosport tivesse disponível no TDT o 'problema' ficaria resolvido...!!! Mas colocar mais canais no TDT é outra 'novela'!!!

Sabor redobrado em Chaves

"Adeptos do Sporting não têm razão para estar deprimidos com o empate frente ao Steaua, pois o resultado foi bem melhor que a exibição.

O Sporting beneficiou de um salvífico penalty para não perder pontos, em casa, frente ao Setúbal, o FC Porto arriscou em Tondela ter um dissabor nos minutos finais que lhe poderia ter custado dois pontos, e, por fim, o Benfica desperdiçou oportunidades durante 90 minutos, para ir descobrir a luz do túnel da vitória já no tempo de compensação, dando mais sabor aos três pontos da difícil deslocação a Chaves.
Será isto o anunciar de um campeonato onde se vão perder muitos pontos? Não creio. Penso mesmo que qualquer um dos três maiores emblemas irá perder poucos pontos, não me surpreendia se pela primeira vez na história do nosso futebol houvesse três equipas perto ou acima dos 80 pontos nas contas finais. Isto dito redobra o sabor dos três pontos de Trás-os-Montes. O Chaves tem valor e não será fácil lá vencer, mas sobretudo porque o Benfica não merecia perder pontos num jogo em que foi quase sempre superior. Como a justiça em futebol é muito relativa, vencer nesta face é determinante. O Benfica cumpriu em Chaves e tem de cumprir já amanhã, em casa, frente ao Belenenses. Tem de ser encarada com igual seriedade e ambição reforçada a batalha de amanhã, contra uma equipa moralizada pela sua vitória e historicamente difícil. Seria muito bom chegar sem mácula (e um título) à paragem do final do mês.
Os adeptos leoninos deprimiram com o resultado frente ao Steaua, mas não têm razão para isso, pois o resultado é positivo e bem melhor que a exibição. Estou convicto de que o Sporting estará na próxima fase da Champions, até pelas limitações do seu adversário, com a mesma certeza de que se não jogar mais será bombo da festa na fase de grupos.
Faltam 13 dias para o fecho do mercado. São intermináveis para adeptos e treinadores. Os adeptos não manipulados, quase sempre porque querem, acreditam nas suas verdades da forma que lhes é apresentada pelos seus ministros de informação porque gostam. Como nos ensinava um grande escritor inglês, quando insistimos em ver pelos olhos de outros estamos sempre mais perto da mentira que da verdade. Também no futebol cada um escolhe os seus Mohammed Al-Sahaf, na esperança de que no fim, os seus Iraques vão mesmo ganhar a guerra.
Por mim, basta-me, por agora, ganhar amanhã ao Belenenses e ver chegar mais um bom guarda redes."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

'Dura lex sed lex' é a via a seguir

"Nas páginas dois, três, quatro e cinco deste edição de A Bola é recordado o incidente em que se envolveram os presidentes do Sporting e do Arouca, punido com mão pesada pelo Conselho de Disciplina da FPF. Da leitura dos factos resulta alguma perplexidade perante a atitude agressiva e descompensada dos dirigentes, que deveriam ser exemplo de urbanidade e não de primarismo. Este caminho, por mais que agrade às franjas radicais que gravitam em torno dos poderes, nunca será interessante para os clubes, para aquilo que representam, para a história e as responsabilidades que os acompanham.
É tempo de ser colocado ponto final nos discursos beligerantes, sem sentido à luz do que se espera numa sociedade democrática e tolerante em pleno século XXI. Porque para nos afligir já estão demasiado presentes outros temas, da escassa fiabilidade e reduzido discernimento do líder da maior potência mundial, à sanha terrorista que continua a assolar a Europa, como ainda aconteceu nas Ramblas de Barcelona.
O desporto, os clubes que se organizam para a sua prática e para a realização de espectáculos públicos, não podem ser motivo de confronto, ódio e discórdia, não é essa a natureza que lhes subjaz. E quando as coisas descambam, como é público e notório que tem acontecido, nos últimos tempos, em Portugal, há que tomar medidas, fazendo com que os discursos incendiários sejam punidos de acordo com aquilo que está previsto nos regulamentos. E a justificação pode olhar a cores: azuis, verdes, encarnados ou outros devem saber que a dura lex sed lex está em vigor no futebol nacional."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O Delgado podia ter perfeitamente acrescentado a esta crónica, algo que o artigo d'A Bola demonstra com clareza:
- a punição do presidente do Sporting, só não foi mais 'dura', porque as câmaras de videovigilância, que têm microfones incorporados 'avariaram'!!! Sim, só a câmara, que estava perto do balneário do Arouca, e que captou algumas das palavras do presidente do Arouca...!!! As outras, aquelas que podiam captar as palavras do Babalu, 'avariaram'... e assim o CD da FPF não pode avaliar a sua gravidade!!!
É este tipo de 'estratagemas', que faz do Babalu e dos seus 'Tarecos', nojentos e perigosos...!!!

Legais

"Sorte? 21 remates, uma fez oportunidades de golo, centrais metamorfoseados em Baresis... E dizem eles que fomos bafejados pela sorte em Chaves porque, perante uma excelente equipa, procurámos a vitória incessantemente, dominámos a partida especialmente na segunda parte e apenas conseguimos ganhar com um golo no tempo adicional, como se esse tempo não fizesse parte do jogo. Sorte é ter um Pizzi com visão de jogo extraordinária e rara habilidade para passar a bola em profundidade, um Rafa que seria titular indiscutível em qualquer outra equipa do campeonato e um Seferovic, contratado a 'custo zero', que chegou, tem marcado e vencerá.
Mudando de assunto, quero dizer, aos nossos consócios com as quotas em dia e detentores de Red Pass no piso 0 dos topos sul e norte do Estádio da Luz, que não são ilegais. Era só o que faltava que alguém vos pudesse obrigar a constituírem-se em associação de adeptos organizados.
O ponto 3 do artigo 46.º da Constituição da República Portuguesa é claríssimo: 'Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela'.
Será que, à semelhança do que acontece noutros clubes, não poderiam encontrar 30 ou 40 pessoas que não se importassem de 'dar o nome' e, assim constituírem uma 'claque'? Eu não o faria! Bem à portuguesa, tornar-se-iam 'legais', mas contornando a lei, que é o que tem sido feito desde que esta entrou em vigor.
A mesma que especifica que 'é expressamente proibido o apoio (...) a grupos organizados de adeptos que adoptem sinais, símbolos e expressões que incitem à violência, ao racismo e à xenofobia (...)'. Chapecoense, Eusébio, SLB, SLB... Portugal é um país de faz-de-conta..."

João Tomaz, in O Benfica

Pequeninos

"Quem anda pelas redes sociais tem de aturar muita estupidez. Além das frases feitas dos escritores motivacionais e das orações para converter ateus, por vezes temos também de ler posts e comentários de portistas e sportinguistas. E aquilo que poderia ser uma bela forma de dar gargalhadas começa a tornar-se um caso patológico de cegueira. Vem isto a propósito das reacções às exibições do SL Benfica nos primeiros jogos a sério.
Li de tudo após as vitórias de Glorioso. Uns refugiaram-se no videoárbitro e até usaram imagens manipuladas para tentar vender o peixe de que o Tetracampeão tinha sido beneficiado. Outros fizeram piadas com a consistência defensiva da nossa equipa de futebol. Coitados, chega a dar pena ver o estado de desespero e que chegaram. Afinal, estamos a falar de adeptos que ou já se esqueceram do que é ganhar ou continuam agarrados a um passado recente de conquistas mais do que duvidosas. Com a cobertura de órgãos de comunicação que não sabem distinguir uma notícia de um post de Facebook, os mensageiros da desgraça estão preparados para uma época de guerrilha de baixo nível. Nada a que não estejamos já habituados.
É por isto que é tão importante estarmos unidos. Ganhámos o Tri com os defesas que entraram em campo na primeira jornada deste ano. Além do tridente atacante Brasil-México-Grécia, temos agora um internacional da Suíça que nos enche as medidas. Continuamos a ter uma média de golos que assusta a concorrência. E, no meio-campo, Pizzi e Fejsa são donos e senhores. Meus amigos, não somos nós quem tem de estar preocupado. São eles, os outros, os derrotados à partida devido à sua pequenez."

Ricardo Santos, in O Benfica

A impunidade

"Como eu previra, a onda de mentiras e de falsas imputações ao Sport Lisboa e Benfica continua. Os directores de Comunicação do FC Porto e do Sporting não têm parado na sua cruzada anti-Benfica. Tudo tem valido para pôr em causa o bom-nome do maior clube português, a honorabilidade dos seus dirigentes, o profissionalismo dos seus futebolistas e até a dedicação dos seus sócios e adeptos.
Os directores de Comunicação dos nossos clubes rivais foram duramente castigados pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). No caso do director portista, cometeu quatro infracções graves - lesão da honra de um árbitro, lesão da honra da arbitragem em geral e, por duas vezes, lesou a honra de um órgão da estrutura desportiva. Apanhou 76 dias de suspensão e teve de pagar uma multa de 4743 euros. O seu homólogo do Sporting também foi penalizado por ter infringido o Regulamento Disciplinar da Liga de Clubes.
Apesar dos castigos, assistimos, quase diariamente, às suas investidas caluniosas e concertadas. Todos nos questionamos como é possível que continuem a poluir o futebol português? Só pode haver uma explicação para semelhante impunidade - a total falta de respeito pelas entidades oficiais.
A Liga de Clubes e a FPF têm de pôr cobro a isto, sob pena de o crime compensar. O mais extraordinário é que estes dois dirigentes têm programas semanais nos seus canais de TV de clube e é nesse palco que lançam os ataques mais torpes e de baixo nível.
O presidente da Federação já avisou que vai tomar medidas. Infelizmente, a Liga de Clubes assiste a todo este clima de impunidade e nada faz."

Luís Fialho, in O Benfica

" - Quem se meter com o Benfica, leva!"

"Aqui há tempos desencadeei uma tempestade mediática na esfera pública, porque, com as consequências de que disponho em matérias da comunicação - e sendo-me remida a jactância... - considerei dever desancar o trabalho de um realizador de futebol na Televisão na transmissão do Serviço Público, por ocasião da Supertaça de 2015.
Não nos bastando as constantes diabrites e aleivosias de que éramos alvo nos canais da empresa de TV desportiva e nos generalistas de Carnaxide e de Queluz de Baixo, aquela estação, com especiais responsabilidades na aplicação dos critérios de equidade essenciais à produção de informação, já então se 'descuidava' mais do que o bom senso aconselharia, em tudo quanto se relacionava com notícias, comentários ou reportagens sobre o Benfica.
Em todo o caso, na altura, foram muito mais os apoios que recebi nas redes sociais do que as expressões de apresada solidariedade que também vi serem prestadas às qualidades profissionais e deontológicas desse meu colega de profissão...
Ora agora, por razões completamente diferentes da natureza técnica dos reiterados erros que então critiquei relativamente àquela transmissão, o mesmo profissional voltou a espalhar-se na execução das suas decantadas competências, com a enviesada leitura que, afinal, parece que costuma fazer - à frente de uma equipa de basbaques profissionais da treta - daquilo que, na realidade, deveria constituir a transmissão realista e eficaz de um jogo de futebol.
É importante que esse rapaz (e os que o acompanham na função) tenha(m) a noção de que a selecção das imagens que chegam a casa do espectador representa, em cada 25 avos do segundo, uma escolha definitiva, inexorável e sem remissão do que, lá no fundo, o mediador considerará como essencial transmitir ao seu público: se for circo, as imagens têm de ser de circo; se se trata de futebol, só o futebol interessa ao espectador.
O que aqui vai, para o realizador mal-realizado e para todos os bufões que desvirtuam as profissões da Comunicação e do Jornalismo, é que, neste tribuna do Jornal O Benfica, não deixaremos de nos manter atentos aos ataques que, seja de que forma ou proveniência for, esses persistam em endereçar de modo mais ou menos evidente, aos nossos atletas, aos nossos técnicos, aos nossos dirigentes ou, como desta vez foi o caso, aos nossos Sócios e Adeptos. Já estou como o outro: '- Quem se meter como o Benfica, leva!' "

José Nuno Martins, in O Benfica