Últimas indefectivações

sábado, 10 de dezembro de 2016

Derrota em Coimbra

Académica 2 - 1 Benfica B
Pêpê


A Académica tem praticamente um plantel de I Liga, apesar do treinador ser fraquinho... já se sabia que o jogo ia ser difícil, ainda por cima aos 3 minutos já estávamos a perder...
No 2.º tempo melhorámos bastante, quando chegámos à igualdade (penalty e expulsão), já merecíamos ter marcado... com alguns falhanços incríveis (Dálcio em evidência...), o problema é que mesmo quando estava 11 para 11, os contra-ataques da Académica saíam com facilidade... A partir do momento que ficamos em superioridade numérica a equipa nunca se sentiu confortável... e aos 94 minutos, os estudantes marcaram mesmo...!!!

Já tinha notado, alguma quebra nas exibições e nos resultados... se as coisas não melhoram, arriscamos a terminar a época, da mesma forma como acabámos o ano passado, com o coração nas mãos!!!

Vitória em Lagoa

Lagoa 10 - 39 Benfica
(3-18)

Jogo sem história, com equipas de níveis muito diferentes... Ficamos à espera do sorteio para conhecer os nossos adversários nos Oitavos-de-final da Taça de Portugal.

Vitória em São Mamede de Infesta

São Mamede 0 - 3 Benfica
(21-25, 20-25, 16-25)

Mais uma vitória, num jogo onde nem sempre estivemos bem... mas conseguimos fechar os parciais nos momentos certos!

Amanhã temos Taça de Portugal, na Luz, frente ao Guimarães...

Vem ai o big bang da galáxia da bola

"A Liga Europeia de uma elite de convidados representará a capitulação total do futebol a uma sociedade de tendência neonazi

Garantem-me que a Liga Europeia está pronto a avançar e que a situação é já irreversível. Dizem-me que a UEFA outra coisa não podia fazer do que capitular perante a poderosa pretensão dos grandes e dos ricos do futebol europeu. Apenas se discute, agora, a data em que começará o apocalipse do futebol-desporto, o Big Bang da galáxia da bola.
A ideia é óbvia para a sociedade do hipercapitalismo que actualmente se vive e que distancia o homem de si próprio e do seu anterior conceito de comunidade. Pretende-se fazer um campeonato de futebol com os maiores e os mais ricos, capaz de rebentar com todas as escalas de valores até agora encontradas para proteger a participação de um grupo de clubes privilegiados e que apenas participarão por convite dos organizadores.
A previsão aponta para que Portugal possa, eventualmente - ainda não existe essa certeza - ter um único representante, sendo que a escolha deverá recair no Benfica, independentemente da sua futura qualificação desportiva.
Atende-se o cenário de um campeonato europeu, com jogos a duas mãos e por classificação, apenas com participações por convite. De Espanha, o Real Madrid e o Barcelona; da Alemanha, o Bayern Munique e o Dortmund; de Inglaterra, o Manchester United, o Arsenal e o City; da Itália, a Juventus e o Milan; de França, o Paris Saint-Germain; de Portugal, o Benfica. A Rússia teria também um ou dois representantes, provavelmente o Zenit e uma equipa de Moscovo, por força das audiências russas e pouco mais haveria de caber nesse campeonato da elite europeia.
O que ninguém saberá avaliar é o impacto, em cada um dos países europeus, que tal competição irá ter no universo do futebol.
Vejamos o caso português. O Benfica jogaria a liga de elite europeia e teria acesso a receitas largamente superiores ao conjunto de todos os clubes portugueses, incluindo o FC Porto e o Sporting Tornar-se-ia, rapidamente, um clube desportivamente inatingível em Portugal, mas também poderia suceder-lhe ficar na metade inferior da classificação dessa luxuosa Liga Europeia. Para o comum adepto benfiquista isso seria mais interessante do que o título nacional? E seria mais entusiasmante o Benfica - Paris Saint-Germain ou o Benfica - Sporting? Será mais apaixonante o Benfica - FC Porto ou o Benfica - Juventus?
Podem, sempre, dizer-me que ao fim de uns anos de competição de elite, já nem fará sentido avaliar a questão deste forma e com este conceito. Vamos admitir que sim, mas como reagirá o povo do futebol à realidade da Liga nacional? Ou seja: estará mais interessando no Benfica - Zenit ou no FC Porto - Sporting? E será que o Benfica - Zenit acabará por preencher os requisitos de produtividade económica que impera na lógica da competição europeia?
Outra reflexão: e se Portugal, como muitos outros países europeus, ficar de fora de qualquer escolha e se os seus principais clubes perderem para sempre o importante financiamento que lhe chega da participação na Champions? Pode o futebol português ser o que ainda é, ou teremos de nos contentar com um futebolzinho do submundo europeu?
Deixo aqui, como se torna evidente, mais interrogações do que afirmações. Pessoalmente, sou e serei contra esta liga de elite europeia. Acho, mesmo, que se trata de um atentado à razão desportiva, à dimensão social e cultural do espectáculo do futebol e, pior do que isso, uma total capitulação do futebol à efémera natureza de uma cultura perigosa que se quer impor no mundo e que prescinde do humano. É assustador ver como chegámos tão próximos da teoria hitletiana da superioridade da raça!

Ganha o pior? Então empatem!
uma improvável e só raras vezes justificada premonição dos derbies, que fala no favoritismo dos que chegam ao grande jogo em pior condição. É verdade que já aconteceu, mas não é verdade que seja, sequer, uma tendência. De qualquer forma, se fosse verdade que o pior estava mais próximo de vencer o jogo, estávamos perante uma previsão clara de empate. O Benfica ficou na Champions, mas vem de duas derrotas animicamente enfraquecedoras de qualquer autoestima; o Sporting perdeu com quem não devia e nem na Liga Europa ficou.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Já aqui defendi uma futura Liga Europeia, estilo Americano. E não mudei de opinião. Em determinados moldes, faz todo o sentido, os calendários competitivos europeus, evoluírem... e para o Benfica, tanto financeiramente como desportivamente será positivo.
Continuo a verificar que as criticas feitas a essa Liga, não passam de facto, de um excelente diagnóstico dos actuais problemas do futebol Europeu!!!!
A grande dúvida, é mesmo qual a dimensão dessa Liga, quantos Clubes vão lá estar: 20?! 30?! 40?! 50?!...
Do ponto de vista financeiro, deixar de fora clubes como o Ajax, o Anderlecht, o Olympiakos, o Galatasaray, o Celtic...  o Benfica, não faz qualquer sentido!!! Mesmo sendo clubes de mercados relativamente 'pequenos' são clubes que tem receitas, adeptos, audiências enormes, estarão sempre dentro da solução...
E no ponto de vista desportivo, será mais fácil numa Liga Europeia com regras similares para todos, com acesso às receitas globais, para um Benfica se sagrar Campeão Europeu, do que no actual modelo da Champions!!!
E já agora, recordam-se do ambiente do Benfica-Bayern do ano passado... Preferem jogos como o último Marítimo-Benfica?! Tem mais lógica o Benfica disputar títulos com o Feirense, o Chaves, o Arouca... ou com o Zenit, o Man United, etc...?!!!

'Cheerleading'

"O Comité Olímpico Internacional concedeu ao cheerleading estatuto olímpico provisório, o que significa que este está mais próximo de ser modalidade olímpica. Parece-me, à falta de termo técnico talvez mais adequado, uma estupidez.
Compreendo parte do argumento do COI, segundo o qual há milhões de jovens a praticar cheerleading; também compreenderia com facilidade as associações da prática a modalidades de ginástica. De qualquer forma, mesmo mantendo elasticidade no conceito de desporto - e ressalvando que é uma actividade física e que se organiza em competição -, a razão que me leva a desacreditar o cheerleading como tal tem a ver com o facto de não poder ser praticado por feios. Desde os anos 50, quando começou a sério nos EUA, que os critérios de admissão são a habilidade para dançar e o sex appeal; não conheço nenhum outro desporto que seja só para bonitos. Há desportos nos quais os lindos beneficiam, é verdade; mas não é o mesmo.
Estarei a exagerar? Possivelmente. Exagerar é coisa que me acontece bastante. O que procuro dizer é que subjacente à cultura escolar americana do cheerleading há critérios que não são desportivos e são discriminatórios. Ainda em Abril deste ano a Universidade de Washington publicou lista de exigências para as candidatas: bronzeado de praia, pestanas falsas, ausências de tatuagens, batom (de cor discreta) e vestuário que mostre a barriga. É uma coisificação, uma redução a valor material, a objecto.
Nada tenho contra, faz parte da vida, não serei seguramente eu a mudar o Mundo. O Mundo é que me muda. Agora, parece-me inegável que um desporto olímpico que se preze tem de admitir rostos pálidos, atletas que não pintem os olhos nem usem pestanas falsas, malta tatuada e, inclusivamente, gordinhas. O desporto é bonito de mais para ser perfeito."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Ti Anica !!!

Benfiquismo (CCCXIII)

Transformar obstáculos,
em vitórias...!!!

Sporting cheio de alma?

"A minha última crónica parecia profética. Na Madeira não soubemos ter a sorte num jogo onde jogámos contra várias adversidades mas Rui Vitória fez bem em não se referir a elas porque tínhamos que ter jogado mais e melhor. Contra o Nápoles era um jogo de relativa importância, pois aquele circense Besiktas não ganha duas vezes em 100 jogos que fizesse em Kiev. Escrevi porque tinha a certeza de que o empate em Istambul, que tantos anti festejaram, nos daria a passagem segura. O FC Porto cumpriu contra a terceira linha duns ingleses de que nem a primeira equipa é forte, e que está com justiça nos oitavos de final. O Sporting continua mais agressivo nos comunicados do que nos relvados da Europa e fez hipotecar a Portugal a terceira vaga na Liga dos Campeões.
O Benfica repete a passagem na Liga dos Campeões do último ano e apura-se na Youth League. O FC Porto, mesmo com dificuldade, está nos 16 melhores da Europa, e apura-se na Youth League. O Sporting não faz parte dos 48 clubes europeus que disputam qualquer coisa na Europa, fica fora do torneio dos mais novos, mas segue intacto nos seus objectivos, agora mais concentrado. Ainda assim há quem veja o Benfica desmoralizado para o derby e o rival cheio de alma.
O meu resumo é bem mais exigente. O Benfica classificou-se, e não fez mais que a sua obrigação, pois é dos 16 melhores clubes da Europa, e era das duas melhores equipas do grupo.
No sorteio só o Leicester seria uma boa prenda, com o Mónaco tínhamos um duelo equilibrado, e com os demais estamos condenados a jogar contra as probabilidades estatísticas. Mas é muito bom estar aqui, com este interesse pelo sorteio de segunda-feira.
Domingo jogamos com o Sporting, e queremos ganhar, mas o jogo não é tão decisivo como na quart feira, contra o Real Massamá."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vamos a eles

"Da derrota na Madeira, tão inesperada quanto injusta, prefiro salientar a excelente exibição da nossa equipa, nomeadamente até aos 75 minutos. A posse de bola a rondar os 80% e as várias oportunidades claras de golo criadas, acima da já elevada média verificada ao longo do campeonato, tornam esta avaliação, do meu ponto de vista, irrefutável.
Em suma, 'tudo' teve que acontecer para voltarmos a perder ao fim de 23 jogos na competição: péssima arbitragem (técnica e disciplinarmente); anti-jogo maritimista (com complacência de Vasco Santos, uma subespécie de árbitro); sorte do adversário no primeiro golo (não bastasse a queda de Luisão, ainda houve um desvio de Nélson Semedo que impossibilitou Ederson de defender o remate); e, sobretudo, ineficácia gritante da nossa parte.
Resta-me afirmar que, se conseguirmos criar sempre tamanha superioridade em relação aos adversários, o que não é fácil, estou certo que ganharemos todos os jogos.
Entretanto, o desaire na Madeira já lá vai e receberemos o Sporting numa posição menos confortável do que seria expectável. Uma derrota no dérbi significará a perda da liderança. No entanto, atribuo favoritismo à nossa equipa pois, além de continuar líder, tem sido aquela que, não obstante a inacreditável onda de lesões que a tem atingido, melhor futebol tem praticado ao longo da época. Por outro lado, um cenário de derrota, apesar de profundamente desagradável e de significar mais um titulo para o Sporting, em nada colocará em risco a nossa pretensão de conquista do tetra, o qual nunca conseguimos, mas que permanecerá, ainda assim, claramente ao nosso alcance. Até porque, como se sabe, não há campeões à 12.º jornada..."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Visita indesejada

"Diz a tradição das superstições que, quando se recebe em casa uma visita indesejada, o remédio para espantar é colocar uma vassoura, com o cabo para baixo, atrás de uma porta. Não há estudos científicos que o comprovem, mas parece que, em poucos momentos, a visita acabará por se ir embora, sem que cause dano ou transtorno aos anfitriões. Há quem recorra a este método para despachar a todo o gás aquela vizinha que fala pelos cotovelos, o familiar afastado que sempre aparece para pedir dinheiro ou aqueles 'amigos' de longa data que só fazem visitas à hora da refeição e sem avisar.
Parece-me que este domingo ali por volta das seis da tarde, atrás de uma das portas do Estádio da Luz, vai ter de estar uma vassoura de cabo para baixo. E olhem que eu até nem sou supersticioso, mas mais vale não arriscar. Afinal, estamos a falar de visitantes indesejados que já queimaram uma parte da bancada do nosso estádio, que passam a vida a falar mal da nossa família e que vivem obcecados com aquilo que temos e com o que somos. São os mesmos que se assumem como 'diferentes', mas passam mais tempo a ver o tamanho da nossa relva do que a preocuparem-se em cuidar da sua. São aqueles que inventam conquistas para não parecerem mais pequenos. E que gostam de vir remexer no nosso lixo sempre que temos o caixote cheio.
Tal como a vizinha que fala pelos cotovelos, há que saber despachá-los. Com a vassoura atrás da porta para que seja rápido, com mestria nas acções para conseguir resultados, sem dar hipótese de resposta para que sintam a sua importância.
E depois disso, sim, continuar o nosso caminho e convidar para jantar quem souber usar talheres e não comer de boca aberta."

Ricardo Santos, in O Benfica

Haja vergonha

"Houvera necessidade de explicar o motivo de um país campeão da Europa, com o melhor jogador do mundo, e alguns dos melhores treinadores da actualidade, ter uma liga tão fraca e pouco apelativa, e o último Marítimo-Benfica seria um óptimo exemplo.
Embora com um historial respeitável, esta equipa madeirense mostrou não ter lugar naquilo que seria um campeonato conforme as exigências acima mencionadas. Na primeira parte praticou wrestling. Na segunda, teatro. Futebol? Nada. Sobrou uma chico-espertice saloia, também ela tão tipicamente lusitana - a fazer lembrar um certo Benfica-V.Guimarães da temporada passada, que tanta celeuma levantou na altura. Enquanto adepto, senti-me gozado.
A arbitragem foi um desastre, contribuindo para a encenação grotesca a que assistimos. Durante a maior parte do tempo, aos da casa valia tudo menos tirar olhos. Na ponta final, quando o Benfica precisava de cada segundo para tentar o golo, e com um critério diametralmente oposto, o juiz interrompia o jogo por coisa nenhuma, cortando-lhe o ritmo, e alimentando toda a espécie de simulações. Os seis minutos de desconto foram risíveis, dado o que se passara até então. Não queria chamar-lhe habilidade, mas...
Não é possível pretender um campeonato competitivo e compactuar com este tipo de treinadores, jogadores e árbitros, que não têm nível para o futebol de topo. Os primeiros, pela atitude tacanha de quem promove o anti-jogo como lema (e não falo de sistemas tácticos defensivos, esses absolutamente legítimos). Os últimos, pela incompetência (vamos dizer assim) na gestão do espectáculo.
Pobre desporto."

Luís Fialho, in O Benfica

Os números nunca mentem

"Terminou a fase de grupos das competições europeias de futebol e o balanço português deve considerar-se agridoce.
Por um lado, duas equipas lusitanas acederam aos oitavos de final da Champions, o que coloca a Liga portuguesa muito bem situada, a par de Itália e França, com um representante menos que Inglaterra e Alemanha e com menos dois que a Espanha. Ou seja, só a Liga portuguesa acompanha as Big Five do futebol europeu.
Identificado este lado solar das provas da UEFA na óptica nacional, há que não esconder o lado lunar, frio, escuro e pejado de perigos. Que começa logo pelo facto de não haver portugueses na Liga Europa, um mar onde é normalmente mais acessível pescar pontos que sustentem o ranking da UEFA, onde a posição lusitana é periclitante. Depois, olhando para os números e sem que seja preciso torturá-los, verifica-se que em 72 pontos possíveis na fase de grupos, as equipas nacionais não somaram mais do que 28, o que dá uma percentagem medíocre de 38,8%.
Dito tudo isto, não será possível olhar para o futuro sem a preocupação de quem sabe que a actual situação (esta época está à beira de ser ultrapassado pela Rússia) nos coloca na antecâmara de perder um dos representantes directos na Champions. O quadro emergente remete-nos para uma vaga certa na Liga milionária (campeão) e outra (vice-campeão) na terceira pré. Até hoje, com três crónicos candidatos ao título, havia espaço na Europa rica para todos. O futuro virá mostrar um cenário em que a competição interna será ainda mais feroz."

José Manuel Delgado, in A Bola

Adeus, desculpas

"Na verdade, a Jorge Jesus sobra-lhe apenas um objetivo no Sporting, e é dos obrigatórios: ser campeão esta época.

Era o único resultado proibido, porém o Sporting, na gelada Polónia, deslizou mesmo para o lado errado do resultado e capitulou perante um frágil Légia, apagando-se no circuito da UEFA. Se o desfecho com que os verdes e brancos regressaram de Varsóvia foi uma deceção que os reduz às competições internas e lhes deixa azia nos estômagos para uns bons meses, o que dizer do discurso do seu treinador? Incidindo no essencial, toca-se na coerência do que diz Jorge Jesus. Ou na falta dela. Duas semanas antes, saído de nova derrota pela margem mínima (e outra vez nos derradeiros instantes) no duelo de volta com o Real Madrid, o técnico despediu-se da Champions com uma piscadela aos adeptos em jeito de promessa e um aviso aos antagonistas. "Resta-nos o apuramento para a Liga Europa. Temos condições de fazer uma prova muito bonita, e isso é chegar longe", atirou então Jesus, "embalado" pela réplica dada ao campeão europeu. À quinta derrota, e queimadas as hipóteses de derivação para a segunda montra de motivação e valorização dos jogadores, a mensagem foi de um conformismo assustador, desde logo pela forma como anulou à estrutura leonina (e ao canal televisivo oficial...) o recurso à responsabilização da equipa de arbitragem pela perda de três pontos e pelo consequente capotamento. "Agora há outros objetivos importantes em Portugal para conquistar", disse. Na verdade, lembrando o pesado investimento na armação do plantel, há apenas um: ser campeão! A alternativa é uma montanha de sarilhos."

O Sporting vive uma crise de valores

"O afastamento das competições europeias provou que o Sporting vive hoje uma grande crise de valores: valores financeiros, antes de mais.
Mas não só.
Jorge Jesus disse no final do jogo, por exemplo, que o clube precisa de conquistar títulos em Portugal antes de partir para uma odisseia de afirmação internacional. 
Ora não podia estar mais em desacordo.
Na verdade até podia concordar com a afirmação do treinador, se ela viesse virada do avesso: o clube precisa de se afirmar internacionalmente para conquistar títulos em Portugal.
Afirmar-se na Europa significa apostar na divulgação do nome do clube. Gerar mais simpatia, conquistar novos mercados, internacionalizar a marca.
Mas significa mais do que isso: significa também que o Sporting consegue exibir os jogadores nas maiores montras do futebol europeu.
Em dimensões diferentes, naturalmente, Liga dos Campeões e Liga Europa não são iguais, mas quando a segunda chega aos jogos finais adquire um peso sério. Ter a equipa nos grandes jogos europeus valoriza os atletas, valoriza os clubes e valoriza a assinatura.
Conseguir uma afirmação europeia, portanto, significa no fundo somar dinheiro e acrescentar valor. Que é na verdade o primeiro passo para ser grande: tão grande como os maiores da Europa, no caso do Sporting.
Numa altura em que o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, torna-se precioso não descolar do pelotão da frente: torna-se precioso não descolar de Benfica e FC Porto.
Para isso é preciso dinheiro, e o dinheiro nestes novos tempos chega sobretudo de duas formas: prémios da UEFA e vendas de jogadores.
Ora tanto a primeira forma, como a segunda impõem uma afirmação internacional.
Basta olhar para o último ano.
A Seleção Nacional foi campeã europeia e adquiriu com isso um profundo capital de credibilidade. Curiosamente no onze titular havia quatro jogadores do Sporting, sendo que três deles construíam o coração da equipa: construíam o meio campo de Portugal.
Foi a partir daí que o mundo conseguiu olhar para Alvalade e ver mais do que o berço de jovens promessas. Conseguiu ver o repositório de craques de nível mundial.
Por isso os grandes clubes de Inglaterra e Itália gastaram fortunas para levar João Mário, claro, mas também Slimani, arrastado na corrente de confiança gerada em Alvalade.
A lista de grandes negócios feitos na sequência de boas campanhas europeias é extensa e podia seguir pelos rivais do Sporting. Mas não vale a pena ir por aí, tornava-se até cansativo. O essencial passa por sublinhar que os grandes portugueses precisam de dinheiro para construir grandes equipas e atingir os ambicionados títulos nacionais.
Caso contrário, é verdade, torna-se um caso levado ao extremo.
Ou seja, o Sporting até pode ser campeão esta época, investiu para isso, sem dúvida, mas dificilmente conseguirá mais do que fez em 2002: um título isolado e com uma enorme fatura, que o clube tem de pagar nos anos seguintes.
Para evitar que o caminho para o título nacional se torne um problema, é preciso começar por afirmar o clube internacionalmente, e na Europa em particular.
Por isso regressa-se ao início do texto, para dizer que o Sporting atravessa uma crise de valores. Valores financeiros, sim, mas também valores classificativos: as prioridades estão trocadas."

Aquecimento... com uma surpresa!

Benfiquismo (CCCXII)

Na Catedral...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Temos de reagir... (estou a estranhar tanto silêncio)

"Como não tenho dúvidas da superioridade da máquina do Benfica, que me perdoem os que não são, desta vez... vamos ganhar nós.

Ainda o Marítimo - Benfica
Na Madeira, com o dilúvio... eis que o mundo do futebol português veio abaixo. Dez meses, o Benfica perdeu um jogo. Nesse jogo, em que o Marítimo inaugurou a última bancada de um Estádio que há muito merecia, houve, talvez por essa mesma razão, um adicional de alma para os verde-rubros. Nada de anormal, pois então!
Nada de anormal numa equipa que se agigante e que ganhou ao maior de Portugal.
Especialmente numa data festiva. O problema não residiu aí... mas antes numa arbitragem que tudo fez (porventura involuntariamente... acrescento eu...) para que o Benfica não ganhasse na Madeira!
E nem o facto de o Benfica não ter conseguido atingir os níveis exibicionais de outras partidas, pode desculpar esses 'empurrões'. Porque, para além de permitir todo o jogo violento aos nossos adversários, deixou-os 'gozar' com a nossa cara, ao inventarem sucessivas e caricatas lesões que não passavam de simulacros de dores, sem que essas interrupções tivessem uma real contrapartida no tempo final extra concedido.
Uma vergonha que começou o ano passado quando tentaram impedir-nos o tri, depois da vitória em Alvalade. Pois este ano, os abusos começam mais cedo...
E não haverá ninguém com coragem para dar 10, 12 ou 15 minutos a mais, por ser o que corresponde à realidade?
Eu sei que isso só acontece a quem - como o Benfica, na Madeira - jogou menos bem...
Mas, a jogar o que jogamos, com tanta oportunidade perdida, se o tempo concedido fosse idêntico ao passado pelos jogadores adversários em assistências a lesões simuladas, teríamos tido tempo suficiente para empatar e, até, ganhar, tantas foram as oportunidades perdidas no pouco que se conseguiu jogar nos Barreiros!
 E o que dizer de tanta entrada à margem das leis, sem qualquer amarelo... por cada jogador? Temos de apontar o dedo e acusar quem, depois de entradas tão duras, chama o jogador que vai repetindo o jogo violento e lhe diz que da próxima é que é!!!
Porque, para além de permitir, uma,... duas,... três,... quatro,... cinco vezes entradas à margem das leis, o árbitro que assim age, para além de perder mais tempo, ainda avisa o jogador que, a partir daquela momento, não pode agredir mais os adversários, deixando essa função para outro colega. Ou seja, como que aconselhando que tem que ser outro a 'bater'. Para que comece a contagem de novo.
Béla Gutmann, naquele seu jeito de explicar de forma simples o que alguns teóricos de hoje tanto complicam, costumava dizer: «Quando se está em dia não, luta-se pela sorte; quando se está em dia sim, basta aproveitá-la».
Com quem ele e nós não contávamos - e é bom que também não contemos daqui para a frente e que nos insurjamos de forma clara e pública contra isso - era com uma arbitragem permissiva e complacente de Vasco Santos. Se calhar a maior culpa nem será dele. Então para o jogo da jornada nomeiam um árbitro que esteve parte da época passada sem actividade, por lesão, e, consequentemente, sem classificação? E ainda querem que não falemos?

Combater o critério deles na nomeação dos árbitros... já no próximo jogo
Como diria José Manuel Delgado, na crónica de sábado passado, ao jogo do Funchal - e cito - «A última meia hora dava para escrever um manual de antijogo, com prefácio do árbitro». Pois dava... como deu!
Mas, atrevemo-nos a perguntar, com aquela escolha não saibam ao que iam?

Outros houve que se deram ao luxo, na nossa ida ao Dragão, de terem escolhido o árbitro. Os dois co-presidentes do clube anti-Benfica - de não dada - vão fazer tudo, a cada jogador, para nos pressionar. Pois, por mim, não quero, mas não posso aceitar outra escolha 'dirigida'... do Presidente do clube onde jogam os filhos de alguns Pais!!!
Temos de reagir a esta dualidade de critérios!

Estou no Brasil, por razões profissionais, desde a passada terça-feira e só chegarei na segunda depois do jogo. E gostaria que pelo menos, para o próximo jogo não inventassem novas nomeações...
Ou melhor, gostaria que o árbitro de cada um dos nossos próximos jogos não fosse quem se diz que os nossos adversários querem...
Eu estou a avisar e só me espanta tanto silêncio...
Porque seria fácil - para designar o árbitro do próximo Benfica-Sporting - ter olhado para a classificação do ano anterior e escolher um dos internacionais bem colocados... E bem colocado queria dizer 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 5.º, 6.º, 7.º... Perceberam?

Podem ir por outro lado! Podem até escolher outro árbitro que o ano passado tenha estado sem apitar a maior parte da época, por razões físicas... e, por isso, em baixa de forma! Poder, podem! Mas não nos 'comam por parvos'!!!


Benfica-Sporting? Vai ganhar o mais determinado
Porque, sendo o árbitro imparcial, ganhará o jogo a equipa que for mais determinada.
Ou o que aliar, a essa determinação, a capacidade - demonstrada pela respectiva estrutura - de manter o 'grupo de trabalho' afastado das 'guerras' da semana e... dos resultados das respectivas noites europeias! Ou seja, será um derby em que muito se jogará nessa capacidade de perseguir os objectivos que cada estrutura demonstrará.
E como não tenho dúvidas da superioridade da máquina do Benfica, que me perdoem os que não são, mas, desta vez... vamos ganhar nós!!!
Com a certeza de que em vez de... não há duas sem três... à terceira é de vez!!!
Mas que os homens andam cheios de fé, lá isso andam... Uns e outros!

Uma (má) noite Europeia
Até porque foi muito importante a passagem aos 1/8 de final da Liga dos Campeões.
Não vi o jogo com o Nápoles (por estar em S. Paulo) como não vou ver o jogo contra o Sporting (por estar no Rio, depois de ter passado por Curitiba), mas li as mensagens que me enviaram!!! E percebi que o bom da noite de terça... foi o apuramento!
Pelo que significou para a nossa continuidade na Liga dos Campeões e para o adicional de alma que nos deu para o jogo do próximo domingo.
Porque, também aí, cada um cumpriu o seu destino. O Benfica na Liga dos Campeões!
Os outros... onde o 'karma' deles os quis!!!!
Embora sempre ouçamos dizer que o destino não é mais que o resultados das nossas decisões. E como decisões é lá com eles...
Apesar de estar no Brasil, soube agora que:

A FPF decidiu abrir guerra ao antijogo
Finalmente...

Jorge Sousa apita o Benfica-Sporting
Surpreendentemente..."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Vitória com derrota?

"Em A Bola, Vítor Manuel resumiu perfeitamente o encontro na Luz para a Champions: «Derrota justa, apuramento justo». Também a manchete de ontem traduz rigorosamente o estado de espírito no final do jogo: «Sorriso amarelo».
Este jogo evidenciou a recorrente dificuldade da equipa nos jogos com adversários mais difíceis, regra só contrariada frente ao Bayern, apesar de eliminada.
A normalidade está expressa na classificação e resultados: o Benfica venceu os dois jogos com o D. Kiev, empatou os encontros com os turcos (ainda que ingloriamente, cá e lá) e perdeu as duas partidas com o Nápoles. Apurado com 8 pontos, quando já foi, antes, eliminado com 10.
Felizmente para o Benfica, no gelo de Kiev, faltaram aos turcos 7 golos para ser apurado! Coisa de somenos, depois de um golo festejado por um tal Talisca como nunca o vi fazer na Luz, e da pesporrência de um tal Quaresma que, mesmo fora de Portugal, continua a expressar o mais primário ódio pelo Benfica. Por ele, fiquei feliz e agradeço ao Dínamo o traumatismo ucraniano de terça-feira.
Vem aí o dérbi dos dérbies. Sempre imprevisível no resultado e nas consequências. Eu, treinador (leigo) de bancada, recolocava Jardel na defesa, onde o grande Luisão revela dificuldades em jogos difíceis e Lindelof deve andar perturbado com as entrevistas dia-sim, dia-sim do seu empresário. O perfume do futebol de Rafa deve estar no relvado desde o início e talvez o magnífico Salvio deva descansar. Por fim, Carrillo deve continuar no banco (ou mesmo sair para dar a vez a Zivkovic) para não ser acordado da letargia com que costuma entrar perto do fim."

Bagão Félix, in A Bola

Vitória no Funchal

Madeira SAD 27 - 30 Benfica
(15-14)

Esta equipa continua a dar provas de muita garra. O jogo até não estava a correr bem... estávamos a perder... começamos a levar exclusões de 2 minutos em catadupa... e demos a volta ao marcador!!!

Derrota no Barreiro

Galitos 69 - 68 Benfica
14-20, 21-18, 15-11, 19-19

Infelizmente este resultado não me surpreendeu!!! O Benfica continua a demonstrar bastantes limitações, contra adversários internos bem orientados, com algum valor, vamos sempre ter dificuldades... Na Europa, a motivação extra dos jogadores, acaba por esconder alguns problemas, na Liga talvez só no play-off essa aplicação extra, vá aparecer!!!
As ausências do Carlos Andrade e do Barroso não ajudaram, principalmente do primeiro, mas não pode explicar a derrota, nem a forma 'macia' como defendemos!!! Tal como já tinha acontecido nos Açores, voltámos a perder a luta dos ressaltos!!!!

A vantagem que ganhámos com a vitória frente aos Corruptos, já foi !!! Agora temos 3 equipas em igualdade, é verdade que na 2.ª volta vamos receber na Luz, as três equipas mais fortes (Corruptos, Galitos e Oliveirense), mas com os jogos Europeus pelo meio, tenho muito receio de perder a 'vantagem' de jogar em casa no play-off...

Lanças... dentro da Europa... e antes do derby...!!!

Benfiquismo (CCCXI)


É com algum atraso,
mas aqui ficam os Parabéns...
pelos 94 anos completados, ontem!

Rogério Pipi

Vitória, apesar da 'branca'!!!

Benfica 3 - 2 Nafels
25-12, 25-18, 17-25, 26-28, 15-10


Vitória amarga... Vencemos, mas perdemos '1 ponto', sem necessidade nenhuma...!!!
Os dois primeiros Set's correram normalmente, é verdade que os Suíços melhoraram um pouco a partir do 3.º Set, mas foram essencialmente os erros do Benfica, que nos fizeram perder 2 Set's!!!
Pouco agressivos do Serviço, praticamente só o Rapha e o André arriscam... o Vinhedo deixou de passar a bola aos Centrais, passámos a ter um ataque previsível, que os Suíços souberam 'ler' com o Bloco... e temos que admitir, a idade já pesa no Gaspar... na minha opinião tal como o Vinhedo, devia ter sido substituído na parte final!!! Neste momento, o Ché dá mais garantias...

É verdade que a arbitragem teve influência no resultado no 4.º Set: com um Bloco para fora, que o assistente inicialmente deu fora, mas os árbitros alteraram a decisão, sem razão, como ficou demonstrado na repetição... e de 5 pontos de avanço para o Benfica, ficaram 3; e depois no ponto de Set para o Nafels, onde o 'amorti' do Roberto bateu claramente no chão (e não foi preciso a repetição para ter a certeza!!!), além do Bloco adversário ter também tocado na rede, na 2.ª tentativa do Roberto...!!!
Mas independentemente destes erros, também o Honoré falhou um 'penalty' fácil... e o Gaspar tinha pisado a 'linha' (apesar de não ter havido repetição para confirmar...), tudo em Set Point's para o Benfica!!!!

E no meio de tudo isto, a entrada do Violas (no final do 4.º Set) acabou por ser decisiva, para a 'desgraça' não ser maior!!!

Apesar da perda dos dois Set's, acredito que temos equipa, para na Suíça, vencer por 3-0 (ou 3-1) e despachar a eliminatória, sem recorrer ao Golden Set... Só necessitamos de não ter outra 'branca'!!!

A 'utilidade' do tempo inútil

"No futebol, o tempo inútil de jogo faz parte da táctica. Por cá, trata-se de uma prática consagrada pelas equipas consideradas mais fracas, mas, em bom rigor, todas as equipas grandes ou pequenas o fazem quando lhe convém.
Com uma frequência crescente na razão inversa do tempo de jogo que resta, os jogos tendem a ser uma espécie de campo de guerra, com jogadores a tombar por razões que só as pernas ou joelhos deles conhecem, com guarda-redes fazendo da baliza uma espécie de alcova (ou marquesa) para lá vai mais uma massagem e um spray reabilitante.
As substituições, essas então, são um lento passeio para quem sai, não raro aliado a um engano electrónico de indicação do jogador a sair e a uma conversa amistosa com o 4.º árbitro.
A arbitragem pactua com tudo isto. Os cartões só são mostrados quase no fim, o que, assim, só beneficia o infractor e o intrujão. O caso mais ridículo é o dos guarda-redes, que demoram uma eternidade a repor a bola em jogo desde o 1.º minuto, mas que só levam o amarelo ao minuto 90!
Sinceramente, não percebo a razão por que o futebol não envereda pelo tempo útil (30 minutos em cada parte) e logo se acabava este circo de contorcionismo e malabarismo em forma de palhaçada. Além disso, com o actual sistema, tudo fica nas mãos do árbitro, ou seja,é introduzido um facot subjectivo naquilo que deveria ser o aspecto mais objectivo do jogo: o tempo. Antes do videoárbitro, bom seria que se decidisse pelo tempo útil. Ganhava a verdade desportiva e ganhava o espectáculo. As cãibras e seus ersatzes e derivados evaporavam-se como que por milagre..."

Bagão Félix, in A Bola

Bactéria maldita

"Rui Vitória granjeou a consideração dos adeptos por ser uma pessoa que discute as questões nos locais próprios em vez de alijar responsabilidades na praça pública

Na sexta-feira passada, o Benfica perdeu com o Marítimo, na Madeira, em jogo cujo história já foi contada, recontada, analisada, esmiuçada, porque a situação parece grave, adivinham-se ali a emersão de nova frente de crise, pela derrota encarnada, pela aproximação pontual do leão,de cinco para dois, e de eventual novo desaire no dérbi do próximo domingo, o qual, a verificar-se, implicará mudança de líder.
Raciocínio correcto e justificado em função das circunstâncias, sendo certo, porém, que o contrário é de igual modo verdadeiro: ser  o Benfica a triunfar no dérbi e repor a distância de cinco pontos.
No ano transacto, o Benfica, por esta altura da corrida, perdera com Arouca (2.ª jornada), FC Porto (5.ª) e Sporting (8.º) e empatara com União (7.ª), embora este jogo se tivesse realizado mais tarde. Onze pontos a voar nas primeiras dez jornadas e, mesmo assim, chegou ao fim em primeiro.
Esta época, em idêntico período competitivo, a melhoria é sensível, embora de ténue significado na contagem final.
Contrariamente ao que se pretende anunciar,a crise, se existe, é de outra natureza e nada tem a ver com resultados, os quais, em face dos constrangimentos que se deparam a Rui Vitória, têm-se revelado, regra geral, interessantes e prometedoras. Mas só boas intenções não chegam para se conquistar títulos e fazer campeões, de aí que da derrota no Funchal se deva extrair a lição necessária, travando euforias e encarando a realidade olhos nos olhos. Se há crise, insisto, ela prende-se com a invulgar onda de lesões que ainda não permitiu ao treinador dispor da totalidade do plantel. Não se trata de casos isolados e normais, mas sim de uma praga de impedimentos, sem a devida explicação e, pior do que isso, sem fim à vista.
Rui Vitória granjeou a consideração dos adeptos por ser uma pessoa que discute as questões nos locais próprios, com recato, em vez de agitar medos e alijar responsabilidades na praça pública, do tipo eu bem queria, mas não é possível. Não, ele mostra enorme força de carácter, mas deve aceitar que há limites para a condescendência, mesmo que na abordagem que faz dos jogos tenha o cuidado de destacar as presenças e desvalorizar as ausências.
Para ele todos os jogadores contam. É excelente que assim seja, mas um plantel não é ilimitado e se lhe faltam dois laterais, ele também resolve, se lhe falta mais alguém continua a resolver, mas o lençol não estica a algum lugar há de ficar destapado ou... mal tapado. Milagres não faz.
Do Benfica campeão em 2016 fizeram parte Nico Gaitán e Renato Sanches, duas peças de incontestável influência, a que se junta Jonas, o melhor marcador. Os dois primeiros saíram e o terceiro, embora tenha ficado, é como se não estivesse, por culpa de uma lesão e de uma bactéria maldita, segundo consta.
Diz o boletim clínico que o jogador continua indisponível e aponta «drenagem de volumoso hematoma pós traumatismo de pé direito» depois de o ter dado como recuperado de «fractura (osteófito do astrágalo no tornozelo direito). Ciclo estranho: indisponível-recuperado-indisponível. Finalmente, os ventos sopram de feição e já se vislumbra o fim do pesadelo.
Mas não é só a situação clínica do avançado brasileiro que intriga, Jardel? Grimaldo? Eliseu? André Horta? Além de outros casos, entretanto ultrapassados, que fizeram o centro de treinos do Seixal parecer uma enfermaria, e, no entanto, o Benfica só depende de si para seguir em frente na Champions (se o consegue ou não é outra conversa) e lidera a classificação na Liga portuguesa.
Abençoada crise, esta, mas convém não brincar com o fogo. Por muito menos já rolaram cabeças...

Pecados só em Espírito Santo...
Ainda no defeso foi decretada crise no FC Porto quando a administração portista proclamava exactamente o contrário, sair dela, depois de três anos de seca em matéria de campeonatos.
Não senhor, nada a fazer, estava, e está, em crise, por ter contratado um treinador que não agradou à franja mais severa de críticos da casa, por ter sido eliminado da Taça de Portugal, por marcar poucos golos e por se ter excedido a festejar a vitória sobre o SC Braga...
Muito bem, mas continua na Champions, estando a um pulo dos oitavos de final, e na Liga portuguesa é terceiro, com menos dois pontos do segundo, o Sporting, o qual vai decidir amahã, em Varsóvia, se confirma presença na Liga Europa ou... volta a casa. Apesar da apregoada quebra de eficácia na concretização, o dragão regista apenas três golos menos do que leão. Isto quanto a golos marcados, porque nos sofridos a equipa de Jorge Jesus contabiliza o dobro (10 contra 5).
Na diferença entre golos marcados e sofridos o saldo portista é superior ao sportinguista, mas é Nuno Espírito Santo quem carrega todos os pecados. Por outro lado, o FC Porto já jogou em Alvalade e perdeu, prova que desde então (3.ª jornada), à lus dos números, recuperou um ponto ao Sporting. Crise, onde?"

Fernando Guerra, in A Bola

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Chapecoense: o "outro lado" de uma catástrofe

" "É real?"; "A sério?"; "Aconteceu?"; "Como?"; "Sem chão"; "Confusão"; "Sensação de irrealidade"; "Pode ser que seja apenas um pesadelo"... Angústia, pesadelos, medo instalado, evitamento, fuga para a frente...
Estes são alguns dos pensamentos, das emoções ou comportamentos que com muita frequência se encontram associados a pessoas que sobrevivem ou testemunham de forma direta (ou indireta) um evento crítico de vida (catástrofes naturais, acidentes, lutos, entre outros).
E isto é, também, uma resposta "saudável" e normal de qualquer um de nós porque, de alguma forma, denota que somos ainda capazes de empatizar com o sofrimento (no caso, humano), seja ele próximo ou alheio.
O chamado "stress traumático" é uma resposta normal a um evento traumático que pode causar emoções de intensidade elevada, às vezes confusas e até paralisantes. Pode até ser responsável por alguns episódios de insónia, irritabilidade, tristeza ou ataques de ansiedade, mas, se persistirem no tempo, devemos procurar ajuda especializada.
Este tipo de fenómeno pode ser amplamente abrangente mesmo até a quem, não o presenciando de forma direta, acabou por aceder a um conjunto de informações (normalmente, visuais) via o usual "bombardeamento" de imagens nos media (felizmente, neste ultimo acidente de avião, a imprensa respeitou um pedido de algum resguardo face à imagem do cenário do acidente).
De facto, as imagens podem ser altamente traumáticas (e sim, há aqui um papel de responsabilidade social que a imprensa deveria chamar a si mais vezes...).
Por exemplo, em Portugal, a excessiva e abusiva projeção da trágica morte de Miklós Fehér resultou, indiretamente, num aumento exponencial de prescrições e solicitações de exames de natureza cardiológica que, nesse mesmo ano, quintiplicou! E este foi apenas um dos muitos efeitos colaterais na população...
De facto, sermos expostos a este tipo de eventos traumáticos (mesmo de forma indireta, via media) pode fazer disparar os nossos níveis de ansiedade, criando stress traumático.
Na realidade, e num ápice, todo o nosso sistema de crenças e certezas cai por terra, deixando-nos com uma sensação de impotência e grande vulnerabilidade num mundo "perigoso" onde não controlamos nada (o que, no que respeita a "não controlarmos nada"... até é verdade, pois apenas o nosso comportamento pode ser "controlado" e, às vezes, é bem dificil!).
Para além destas respostas individuais que, invariavelmente, nos empurram muitas vezes para uma reflexão pontual sobre a nossa vida, sobre o facto de que a devemos aproveitar mais e melhor, ou que devemos mudar "isto ou aquilo"... E pontual porque, passado algum tempo, já pouco recordamos do que prometemos a nós próprios nesse momento.
Assistimos também a um conjunto de movimentos de generosidade globais em prol das vítimas, que, muitas vezes, demonstram uma capacidade de superação sobrehumana, o que acontece quando nos agregamos genuinamente para ajudar alguém.
Senão vejamos: no incidente de 11 de Setembro, uma das empresas visadas com um enorme número de colaboradores atingidos, resolveu doar o produto da sua faturação a favor das famílias das vítimas e, articulando com fornecedores e clientes, num movimento global de entreajuda, em vez da faturação normal de 1 milhão de dólares, atingiram a quantia de 6 milhões, para efeitos de doação.
É um facto: este tipo de "eventos", mesmo que momentaneamente, transforma-nos fazendo-nos questionar como podemos ser "mais e melhor", como podemos "viver mais", "dar-nos mais" (aos cônjuges, à família e aos amigos).
Chegamos mesmo quase a acreditar que essa irá ser a nossa realidade... E depois...
Puff!!!
Lá voltamos (indivíduos, empresas e comunidade em geral) à "vidinha", ao "piloto automático"... Todos nós, sem excepção.
Até à próxima catástrofe...
E se pensássemos um pouco como podemos manter viva esta ideia de "sermos mais vida" (para nós e para os outros) no nosso dia-a-dia e não apenas quando surge uma "bandeira vermelha", que nos recorda da indelével fragilidade humana?
Julgo que a melhor homenagem que pode ser prestada a quem, de forma inesperada, nos deixa e deixa... sem chão... será, sem dúvida, não querendo "mudar o mundo", focarmo-nos em mudar "o nosso mundo", com pequenos e simples atos diários de generosidade connosco e com os outros!"

Mudar para modo Maradona

"Talvez o Lisandro possa entrar? E o Zivkovic, que é feito dele? Não sei, são só ideias. Com o Nápoles, vamos em modo Maradona, pode ser?

Luisão escorrega à entrada da área e Ghazaryan, o arménio do Marítimo, embrulha um golito logo aos cinco minutos. Um acidente... Não é preciso começarmos já a saltar em cima dos chapéus de coco, amigos. Calma, está tudo bem. Aliás, se cometo a indelicadeza de referir o falhanço do veterano faraó é só para sublinhar isso. Porque a má sorte do nosso central sintetiza bem o jogo inteiro, esta nossa primeira derrota. Nem foi bem um jogo, foi mais um azar desmedido em forma de futebol. Luisão escorregou literalmente e a equipa escorregou metaforicamente. Mas não passou disso. Só um escorregão...
Foi pena, claro, que tivemos uma mão-cheia de quases. Bolas à barra; bolas assobiando junto aos postes da baliza dos ilhéus mas do lado de fora; bolas a roçar num mindinho da luva do compridíssimo guardião maritimista; bolas prontas para beijar as redes que, no último momento, se encolhiam, tímidas, platónicas, deslizando para canto, desistindo da alegria. Foi pena, sim, mas, depois daquele começo meio sonâmbulo, até demos uns toques bonitos como é hábito. Parecíamos tomados de bom espírito, dispostos a riscar o "má" de "má sorte". Pelo menos, foi assim que eu interpretei o golo de Nelsinho: dança de corpo; velocidade para dentro; remate tão feliz que faz nascer uma bola de felicidade; desvio acidental, perfeito, de um Gonçalo Guedes a fugir no sentido contrário; plim, golo. É verdade, foi uma pena. Tanta alegria desperdiçada, não é, caros amigos?
Não há de ser nada, temos de seguir em frente. Mas, atenção - aqui, onde ninguém nos ouve, deixem-me dizer só uma coisinha mínima. Se queremos golear o Nápoles na terça-feira, temos de sair já-já-já da Turquia mental em que estamos refastelados como odaliscas matissianas. Neste percalço madeirense, também houve algo de "síndrome da segunda parte". Na primeira demos 6-0, e na segunda facilitámos... Não, temos de arregaçar as mangas e voltarmos a nós próprios. Pode ser? Para terminar, deixe-me dizer-lhe, míster, que gostei muito das suas declarações no final. Era fácil cair em cima da incompetência do árbitro e sacudir a água fria do capote, mas o Glorioso tem de estar acima disso. Bravo. Para dentro é que talvez seja bom mandar uns sinais, não? Talvez o Lisandro possa entrar? E o Zivkovic, que é feito dele? Não sei, são só ideias. Com o Nápoles, vamos em modo Maradona, pode ser?"

Não há futebol sem Liga dos Campeões

"Puristas e neoliberais têm motivos para a considerar imprescindível. Benfica e FC Porto jogam bem mais do que os 5,5 milhões do prémio

Para um clube português, a Champions é sempre a escada que leva ao segundo andar, seja qual for a perspetiva. Nós, na Imprensa, talvez façamos parecer vezes de mais que a Liga dos Campeões se confina aos prémios, isto é, uma receita imediata com um peso desproporcional em bolsos como os de Benfica, Sporting e FC Porto, mas neoliberais e puristas partilham o mesmo barco nesta matéria. Duas equipas meio imberbes, como são a benfiquista e a portista, nunca cumprirão todo o potencial sem que os Gonçalos Guedes, Andrés Silvas ou Ruis Pedros enfrentem com regularidade o melhor futebol do mundo e se habituem a ver-se nesse estatuto. E os preços nunca baterão no teto se os jogadores não forem promovidos, e examinados, nas arenas frequentadas por quem gasta dinheiro a sério. Ou se não entrarem no circuito dos sussurros e rumores de mercado que influenciam os mais interessantes dos gastadores: os ignorantes que emprenham pelos ouvidos. Entre os oitavos de final da Champions e a fase de grupos há uma diferença grande de visibilidade e ruído. Nos oitavos, o universo reduz-se a 16 equipas, oito jogos por ronda, para além de já ter ficado estabelecido o mérito desportivo. O sentido de urgência aumenta; o espaço para erros reduz-se; o tempo para decidir desaparece; os olhares inquisidores multiplicam-se, vindos de todo o mundo. Jogar os oitavos da Liga dos Campeões, para um miúdo de 18 ou vinte anos, é como passar por Harvard ou Oxford. Hoje e amanhã, Benfica e FC Porto jogam, talvez, as três próximas épocas."

Tudo em jogo

"Inclusive o mercado

Cruzo as duas declarações, a de Rui Vitória e a do empresário de Gelson Martins, e vejo nelas ao mesmo tempo uma coerência e uma provisoriedade. O treinador do Benfica prevê que, mais cedo ou mais tarde (eventualmente cedo), algumas das suas jovens estrelas deem o salto. O agente garante que, aconteça o que acontecer, Gelson não sai do Sporting em janeiro.Hoje, por jogar o dérbi, ambas são verdade. O Sporting persegue o líder e o Benfica, mesmo com lesões (e até uma derrota), mantém-se na frente. Mas é impossível não deixar a validação daquelas declarações para domingo.Se o Benfica ganhar, e aberto novo fosso de cinco pontos entre os dois, é provável que Gelson se torne menos invendável. A experiência de Carrillo não correu mal. Já se forem os leões a prevalecer, começa a ficar demasiada coisa em causa para os encarnados - a possibilidade de alienarem jogadores-chave, pelo menos em janeiro, deixa de existir.Queiramo-lo ou não: a própria abordagem ao mercado depende do jogo do próximo fim de semana. Este ano, ainda não houve nenhum desta magnitude.

A velha rota
Um dia há de funcionar
É sempre a sombra de Eusébio que paira nestes momentos, não é? Quando um grande português vai buscar um jovem jogador aos PALOP? Ou será já também (um pouco) a de Mantorras? Seja como for, Gelson Dala e Ary Papel são os mais recentes jogadores do Sporting. Talvez lhes convenha terem a noção, para saberem como posicionar-se, de quantos "novos Eusébios" recebemos nos últimos 20 ou 30 anos. E de quantos se confirmaram."

Rui Pedro e outros sete nomes: será que o país aprendeu a lição?

"A necessidade deu-lhes a oportunidade. A alguns deles falta a continuidade.

Rui Pedro, André Silva e Diogo Jota. Gelson Martins e Rúben Semedo. Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e André Horta.
Nomes que sobressaem em três meses de temporada, e apenas porque a necessidade gerou a oportunidade.
Oito jovens que sublinham a qualidade da formação em Portugal e o espaço que tem surgido nos grandes nos últimos meses. Haverá muitos mais na calha nos próximos tempos, se continuarem a lembrar-se deles. Como devem.
Se a qualidade da formação não é de hoje, o que mudou terá sido a mentalidade – a mudança é sempre mais lenta, como nos ensinou a História. Rui Vitória, Jorge Jesus e Nuno Espírito Santo têm aberto a porta e, sobretudo, dado espaço ao erro e ao amadurecimento com que nenhum deles nasce. 
Gelson é hoje em dia o jogador que mais desequilíbrios provoca na Liga e, apesar do reforço da sua posição no fim do mercado com nomes como Markovic e Joel Campbell, nunca deixou que Jesus tivesse dúvidas. O mesmo aconteceu com Rúben Semedo e a renovada concorrência.
Na Luz, Gonçalo Guedes não vem só desta temporada, mas, depois de um apagão, aproveitou os problemas de Jonas para ganhar força física e intensidade, tornando-se um jogador ligeiramente diferente do que muitos projetaram. Nélson Semedo recuperou os índices do início da última época, e é atualmente um dos laterais que mais entusiasmam. André Horta foi aposta segura de Vitória até à primeira lesão e apresentou créditos.
André Silva começou a sustentar-se no FC Porto na final da Taça de Portugal e, apesar de um ou outro momento menos bom, continua a ser fundamental na equipa de Nuno. Foi com Jota no onze que os dragões melhoraram no ataque, e Rui Pedro, ainda com idade de júnior, já valeu três pontos fundamentais, porque o reforço Depoitre continua sem convencer.
Belenenses e Vitória de Guimarães foram clubes que adotaram uma filosofia de aposta no jogador nacional, alguns por empréstimo, outros formados internamente. A crise obrigou-os a isso, e são exemplos de sucesso desportivo. Bons exemplos a seguir.
Todos os jovens acima precisaram ou precisam de continuidade. A qualidade está toda lá, e muitas vezes bem superior a muitas contratações de valor duvidoso.
A pergunta que deixo é: se o jovem jogador português tem provado qualidade, não só na Liga como lá por fora e ainda nas seleções jovens – de que os sub-21 são o exemplo mais marcante – por que é que estes números continuam a ser tão baixos?
Vivemos um tempo de ouro do futebol português, depois da conquista do Euro 2016 e com Fernando Santos e Cristiano Ronaldo a estarem, com inteira justiça, muito perto de ganhar os prémios do ano da FIFA.
O país pode ter aprendido a lição ou tudo isto ser apenas circunstancial. Acredito que esteja pelo menos a começar a aprender. O futebol português tem também a sua (boa) oportunidade."

Por que razão avaliamos tanto o discurso dos treinadores

"A liderança do treinador é um dos temas mais fascinantes do desporto, num ambiente geralmente competitivo onde o trabalho individual e coletivo estão interligados. E a liderança de uma equipa, pela complexidade e ambiguidade em que é exercida, continua a originar novas formas de a discutir, seja num gabinete de uma equipa profissional seja num café!
A verdade é que um treinador tem inúmeros desafios e em quase todos eles precisa de ter uma capacidade eficiente de exercer a sua liderança perante a sua equipa técnica ou os seus atletas, sabendo que o seu comportamento e a sua experiência são determinantes para o seu sucesso e o ambiente que cria através do seu relacionamento tem uma especial influência na entrega por parte do atleta.
Ao praticar a liderança o treinador socorre-se e envolve-se nas ações, tenta usar a parte motivacional e perceber a mente de cada atleta que faz parte da equipa. E é através da sua comunicação que alinha as suas ideias e as suas ações, para inspirar os atletas em prol dos objetivos. A narrativa por parte de um treinador para a sua equipa é composta geralmente por três elementos: a história do treinador, a história do «nós» e a história para ou sobre o contexto. E é na narrativa do treinador que compreendemos os seus valores, o que ele quer passar à equipa e como ele gere e potencia os desafios com aquela mescla de palavras e frases em várias direções.
Nas últimas semanas discute-se muito se as abordagens do treinador do FC Porto são benéficas. Será um bom ou mau comunicador Jorge Jesus? Por que Peseiro se sente mais confortável a comunicar no Sp. de Braga do que no Dragão? Ou se aquele discurso de Rui Vitória a seguir aos Barreiros foi para desdramatizar ou foi genuíno.
Alex Ferguson afirmava que para se ser campeão é necessário inspirar as pessoas a serem melhores, dar-lhes melhores competências técnicas, torná-las vencedoras e conseguir que eles entendam que estás a lutar por elas. E isto consegue-se através de um discurso que nem tem de ser inspirador, mas tem de cativar um a um. Se não for assim, até se podem vencer jogos, mas não se vencem campeonatos.
Numa observação sobre o clima na equipa nacional neozelandesa de rugby, abordou-se a questão essencial para o treinador que é conseguir construir uma ideia de si enquanto treinador e líder. E sem existir a capacidade de verbalizar essa mesma ideia concreta e o mais real possível para equipa, de pouco valem os conhecimentos. O treinador Mike Krzyzewski, o enorme Coach K, afirma algo como: «Tu tens de ser tu próprio. Isto é algo que tu tens de falar às tuas equipas, de ser e usar a tua personalidade e os teus valores para atingir a equipa.»
Tudo se altera em pouco tempo. E até podemos pensar que conseguimos acompanhar as mudanças, mas a nossa narrativa sofre sempre que tentamos ser algo que não somos. Lá bem no fundo, os atletas estão sempre à escuta, até podem não perceber o exercício x ou y, mas captam todos estes momentos de grande ou má performance comunicacional. E quando a bola não rola, também nós nos cafés ou nas redes sociais avaliamos isso."

Cadomblé do Vata

"1. Pelo segundo ano consecutivo, apuramo-nos para os oitavos de final da Champions... só foi pena não termos perdido 4 jogos pela margem mínima para ser uma fase de grupos de alto prestigio.
2. O pessoal goza com o espanhol do Jorge Jesus, mas quem parece não ser fluente em castelhano é o Rui Vitória... mister, na língua de Cervantes, "Eduardo Sálvio" não quer dizer "Titular Obrigatório". 
3. Ontem perdemos porque estivemos 45 minutos a pensar no Nápoles e 45 minutos a pensar no Sporting... só espero que no domingo não estejamos 45 minutos concentrados no Sporting e 45 minutos com a cabeça no Real Massamá.
4. Temos que assumir de uma vez por todas que é complicado jogar com 2 avançados tão móveis como Guedes e Jiménez... a relação que têm com a área é a que um universitário tem com a casa dos pais... só lá vai esporadicamente para comer e deixar a roupa a lavar.
5. O apuramento do SLB, valeu ao Besiktas a despedida da Champions e a perda de largos milhões de euros... não tarda temos o Talisca a pedir dinheiro aos amigos outra vez."

Benfiquismo (CCCX)

Central goleador...

Vermelhão: qualificação com derrota !!!

Benfica 1 - 2 Nápoles


Em primeiro lugar destacar a qualificação, pelo 2.º ano consecutivo, com um grupo equilibrado e competitivo. Onde as duas melhores equipas acabaram por passar. Mesmo com os 4 pontos desperdiçados nos confrontos com o Beskitas, o Benfica acabou por merecer a qualificação... Foi pena, aquela última meia hora em Istambul, porque com uma vitória nesse jogo, o Benfica teria obtido a qualificação, e este último jogo, teria tido outro contexto, possibilitando a preparação do derby do próximo domingo...
O Dínamo acabou por fazer a sua obrigação (!!!), os Turcos depois de tanta 'vaca', acabaram por finalmente terem um pouquinho de 'azar': recordo o golo desperdiçado pelo Guedes na Luz, que daria o 2-0, antes do golo do Talisca; recordo o penalty desperdiçado pelo Nápoles no San Paolo e o golo da vitória do Besiktas nos minutos finais, em fora-de-jogo...; e recordo aquele meia-hora final do Benfica em Istambul... depois do Mitro falhar o 0-4 !!!
Em relação à derrota de hoje, confesso, fiquei muito irritado!!! Não porque perdemos (em desporto tudo pode acontecer), mas pela forma como não 'preparámos' o jogo!!! A filosofia predominante em Itália, passa pela adaptação da estratégia ao adversário. Em Portugal, nos 'grandes' nem por isso... Pois, o Benfica, com Rui Vitória, mas também com o antecessor, tem esta estranha tendência suicida, de não 'mudar' nada no nosso esquema!!!!
Eu sou daqueles que defende o 'nosso' 442, acho que em mais de 90% dos jogos que o Benfica disputa por época, o 442 é de longe o melhor Modelo, mas depois existem os restantes 10%... E nós continuamos a não fazer qualquer tentativa de adaptar-nos às circunstâncias!!!
Não é novidade nenhuma, é uma história recorrente: sempre que o Benfica, defronta uma equipa de grau de dificuldade elevado, que joga em 433, temos sempre, sempre, sempre muitas dificuldades!!! Mais ainda quando defrontamos adversários fisicamente mais fortes no corpo-a-corpo... perdendo assim quase todos os duelos individuais!!!!
Hoje, além da 'natural' inferioridade numérica no meio-campo, ainda houve dois 'pormaiores' que 'mataram' qualquer possibilidade do Benfica 'disputar' de igual para igual, esta jogo:
- a 'quase' marcação individual do Fejsa ao Hamsik: os italianos perceberam, o Eslovaco, em 'construção' recuava praticamente para defesa-esquerdo, e o Fejsa ia atrás dele... abrindo um enorme buraco no centro...
- após os primeiros minutos, o Salvio recuou... começou a fazer parte da 'linha defensiva do Benfica', ficámos a jogar com praticamente 5 defesas em linha!!!!
Com estas duas variações, a nossa linha de meio-campo, desapareceu... Os Napolitanos, ficaram com 'estrada' aberta para fazerem os passes para as costas da nossa defesa...!!!
Aquilo que me deixou ainda mais irritado, é que isto era visível... e durante os 90 minutos, nada foi alterado, nem sequer tentado!!!!
Pior ainda, é que esta estratégia anti-Benfica, de fazer superioridade numérica no nosso lado direito da defesa, tem sido usada repetidamente nos últimos confrontos com os Corruptos e aconteceu recentemente na tal última meia-hora de Istambul...
Rui Vitória, já cometeu outras decisões erradas, mas normalmente, tem uma boa capacidade de auto-crítica, e nos jogos seguintes rectifica... Mas sobre esta situação, ainda não encontrou antídoto!!!
E hoje, mesmo se não tivesse sido 'treinado' (mas deveria ter sido analisado, porque nós sabíamos que o Nápoles vinha jogar assim), a opção óbvia, sem fazer substituições, seria colocar o Guedes a defender na direita, e jogar num 451...
Podia até não resultar, mas pelo menos tínhamos tentado alguma coisa...
E vamos ver se Domingo, não vamos enfrentar um esquema idêntico!!!
A crónica já vai longa!!! Apesar de todas as nossas 'falhas', temos que reconhecer que este Nápoles, tem uma excelente equipa, muita qualidade individual (Hamsik, Alan, Albiol... muito bons na 1.ª fase de construção - apesar do erro do Central no final). O curioso é que esta equipa do Nápoles (orçamento estratosférico comparado com a realidade portuguesa), depois da vitória em ao Benfica na 1.ª volta, entrou em crise!!! E esteve uma série de jogos sem ganhar... e a jogar mal!!! Mas nas últimas semanas, voltou a subir de forma... e a vitória sobre o Inter na última sexta-feira confirmou essa subida...!!!

Outro pormenor inquietante, são os golos desperdiçados pelo Benfica: em Istambul, na Madeira e hoje, falhámos golos muito golos... e mais: nos primeiros 20 minutos da 2.ª parte, numa altura onde o resultado ainda está em aberto (nos 3 jogos), falhamos golos escandalosamente, e praticamente na resposta, sofremos um golo...!!!
Hoje, foi aquele passe picado do Pizzi, que o Rafa e Jiménez chegaram milimetricamente atrasados!!!

Não vou fazer as habituais análises individuais. Porque quando existe este encaixe estratégico tão desigual, as performances individuais são 'irrelevantes'!!! É fácil, dizer que os jogadores não correram, que os jogadores não foram profissionais, que os jogadores são maus, que os jogadores estão cansados... tudo isso pode ser dito, ou insinuado, mas para mim, a partir do momento que as 'peças' foram tão mal colocadas no 'tabuleiro', o jogo ficou decidido...
Um exemplo perfeito desta má gestão de recursos, foi o Fejsa: terminou o jogo completamente 'roto', tal como o Luisão... com melhor organização, tudo seria diferente!!!
Mesmo assim, uma nota para o golo embalado pelo 'Eu amo o Benfica'... e com um bocadinho mais de discernimento, até podia ter dado para empatar!!!

O único aspecto, onde Rui Vitória tem 'desculpa' é no nosso processo ofensivo!!! Sem Grimaldo, tudo fica mais difícil... Os nossos adversários sabem disso!!! O André Almeida cumpre defensivamente, é praticamente dado de 'barato'... permitindo ao esquema defensivo dos nossos adversários concentrar todas as suas unidades, no nosso flanco direito... E com o tal 'povoamento' em excesso em cima do Semedo e do Salvio, depois tornar-se difícil fazer os desequilíbrios ofensivos!!!

De todos os cenários possíveis para esta noite, aquele que me assustava mais era a queda na Liga Europa... sendo assim, nem tudo foi mau!!!!!!
Amanhã saberemos quais serão os nossos possíveis adversários!!! No Pote 2, vão ficar equipas muito fortes, portanto ter ficado em 2.º não é assim tão penalizador... Pessoalmente, preferia jogar com uma equipa do nosso 'campeonato' nos Oitavos, e depois nos Quartos, ter outro 'Bayern'... Mas até Fevereiro, muito coisa vai mudar... a começar pela disponibilidade física do nosso plantel!!!

PS: Estivemos 'quase' a conseguir ter um minuto silêncio de grande dignidade no Estádio da Luz, mas os parvos das palmas lá tiveram que aparecer!!!