Últimas indefectivações

sábado, 5 de janeiro de 2019

É melhor arranjar pipocas !!!

Ano novo, velhos problemas

"É altura de pôr um(a) Lage sobre as más exibições, vencer o Rio Ave e agradecer o profissionalismo de Rui Vitória

O Portimonense não teve sorte em vencer o Benfica. O Benfica é que teve sorte em não perder com o Desportivo das Aves, na passada sexta-feira e ser eliminado da Taça da Liga. Dois jogos abaixo do admissível para a qualidade da equipa que não podem ser desculpados com uma arbitragem medíocre no Algarve que prejudicou sempre o Benfica (a expulsão de Jonas é um escândalo).
Para quem gosta de estatísticas ridículas e curiosidades inúteis, talvez não seja mau lembrar: primeira derrota para o campeonato da nossa história com o Portimonense. Não marcámos um golo a uma das piores defesas do campeonato. Pior primeira volta dos últimos dez anos.
A única lembrança positiva é ter já um jogo domingo para tentar fazer esquecer este pesadelo, embora o Rio Ave venha com legítima ambição de o aumentar. Em 16 jogos o Benfica perder 13 pontos num campeonato em que o vencedor nunca poderá perder mais de 15. Ainda estamos na Taça da Liga (final four), na Taça de Portugal (quartos-de-final) e Liga Europa (dezasseis avos-de-final).
Fazer um campeonato mais fraco que o perspectivado, não é igual a ter uma época desastrosa e convém jogadores e responsáveis perceberam isso a tempo.
Na última década (nem na nossa história) não fomos habituados a anos sem títulos, e por isso este ano de 2019 também queremos vencer. O jogo com o SC Braga mostrou que pode haver um outro Benfica a lutar por conquistas e por isso os adeptos não aceitam outra realidade.
O problema no Algarve não foi individual e por isso a solução também terá que ser colectiva. Nestas alturas procurar as soluções é sempre mais útil, embora menos frequente, que encontrar culpados. O futebol é o momento, o êxito e sucesso é medido pelos resultados. O momento do Benfica é fraquinho, mas os resultados ainda estão muito longe de serem definitivos, por isso a busca de outro rumo é obrigatória.
Serenidade e ambição. Destruir pouco e construir muito, porque as melhores mudanças são efectivas e tranquilas.
Domingo contra o Rio Ave, jogar bem, jogar melhor e vencer. Pôr um(a) Lage sobre as más exibições e vencer numa altura em que é obrigatório agradecer o profissionalismo ao treinador Rui Vitória que venceu dois Campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças (4 anos/6 títulos)."

Sílvio Cervan, in A Bola

Benfiquismo (MLV)

Eterno...

Uma Semana do Melhor... e o Mundo Benfica!

Jogo Limpo... Guerra, Diogo e Fanha

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 32 (-5) = 37
Sporting... 34 (+13) = 21
Corruptos.. 39 (+21) = 18

E continua tudo na mesma... com os problemas internos no Benfica, a ajudar à festa, permitindo mais um Roubo Corrupto, ter passado praticamente despercebido nos merdia...!!!

Sim o Benfica estava a jogar feio, sim o Benfica tem processos de jogo deficientes, ofensivamente e defensivamente. Pessoalmente, acho que o problema é uma questão de 'falta de treino', nem é má vontade dos jogadores, nem 'sabotagem' interna...
Mas nada disto, 'apaga' os Roubos que se têm passado nos relvados...

Em Portimão, voltámos a ter uma arbitragem horrível: o cartão Amarelo ao Cervi é o indicador perfeito: corte limpo, na bola, numa jogada junto da área do Portimonense, aos 20 minutos, e Amarelo para o Cervi...; os nossos adversários, vão fazendo faltas atrás de faltas, vão protestando, provocando, batendo... e nada!!!
Houve dois lances duvidosos na área do Portimão, logo no início da 2.ª parte, numa jogada com o Jonas fiquei com dúvidas, mas a imagens não são claras, portanto dou o benefício da dúvidas aos árbitros; no Canto onde a bola bate no braço de um jogador da casa, a decisão de não marcar penalty foi correcta... pois a bola desviou na coxa e foi ao braço...!!!
O grande erro foi mesmo a expulsão do Jonas. Mais uma caso, onde uma boa decisão ao árbitro de campo, num momento inicial, é alterada após visionamento do VAR !!!!
Neste tipo de jogadas, quando o avançado chega primeiro à bola, e depois existe contacto com o guarda-redes, 'pede-se' penalty (aliás se esta jogada tivesse sido com o Bas Dost ou o Soares, seria mesmo penalty..!!!), a única diferença é que neste lance, o 'contacto' foi efectuado com a cabeça do guarda-redes! Por exemplo, no 2.º golo do Portimonense, o Jackson também toca nos braços do Odysseas depois de fazer o chapéu... mas ninguém 'pediu' falta!!!
Não existe jogo perigoso, não existe imprudência... Existe um choque, normal, de quem tentou (e conseguiu) jogar a bola... Na minha opinião, não houve qualquer falta, de nenhum jogador... Até porque não é claro que 'provoca' o contacto!!!

António Nobre é outro daqueles internacionais de proveta, que ainda à bem pouco tempo, num Benfica B - Sporting B no Seixal fez uma exibição miserável... Ter 'activado'  protocolo do VAR neste lance só pode ter sido má intenção... com os Corruptos ou os Lagartos, com a mesma jogada, teria 'chamado' o VAR para marcar penalty...!!!
António Nobre, que também foi o VAR no Marítimo - Benfica, onde não viu nenhuma agressão dos jogadores do Marítimo aos do Benfica... e houve várias!!!

E já agora, Manuel Mota, apitou na 12.ª jornada, o Corruptos - Portimonense, onde fez uma arbitragem horrível, e 3 jornadas depois, foi premiado com mais uma nomeação para um jogo 'grande'!!!

Nem sequer está em causa o resultado do jogo, pois o Benfica perdia 2-0 e mostrava que não iria conseguir mitigar o resultado... mas este tipo de actuação, prova a intenção de prejudicar o Benfica, pois este erro, tem impacto no próximo jogo do Benfica com o Rio Ave, com a ausência do Jonas...


Em Alvalixo, o 'amigo' Capela tudo fez para a sua equipa ganhar!!! A troca de carícias ao intervalo com dois jogadores Lagartos no túnel é esclarecedor do sentimento de impunidade desta escumalha...
Os golos foram legais... não houve grandes casos!!!
O penalty que o Belém 'pediu' perto do fim não é possível esclarecer com as imagens, agora nos poucos minutos que esteve em campo o Petrovic devia ter sido expulso...
Um dos avançados do Belém, é agarrado e depois leva uma tesoura do Coates, na meia-lua, seria um livre perigossímo e o Capela manda seguir... Seriam dois Amarelos!!!
E depois do golo do Belém, 2-1, os minutos de compensação foram uma vergonha!!! Não se jogaram 30 segundos de futebol... A última falta marcada contra o Belém, com Amarelo para o defesa do Belenenses, é de uma falta de vergonha na cara descomunal...!!!


Nas Aves, 0-1 para os Corruptos, com o golo a ser marcado numa jogada onde existe um fora-de-jogo, fácil de marcar, mas que o VAR decidiu ter 'dúvidas'!!! Mais uma vitória conquistada à custa dos árbitros!!! São incapazes de ganhar 'limpo'!!!
Até podem argumentar que se o golo tivesse sido invalidado, os Corruptos teriam tido outra atitude, e teriam marcado de outro forma?!!! Talvez. Mas não o iremos saber, porque eles não o precisaram. de fazer...
Também acho interessante a forma como os contra-ataques do Aves foram 'parados', principalmente na primeira parte, com faltas graves, e sem Cartões... Assim é fácil!!!

O Benfica podia trocar toda a equipa com o Liverpool ou o Man City ou a Juventus, ou o Barcelona, com o treinador incluído, e este ano, nunca seríamos Campeões!!! É matematicamente impossível ... os Corruptos se precisarem não perdem mais um ponto até ao final da época!!!

Dizem-me na caixa de comentários que esta classificação é exagerada!!! Até parece que sou eu que marco golos ilegais aos Corruptos, que não expulso os jogadores dos Corruptos após as agressões repetidas, parece que sou eu que não marco penalty's óbvios contra os Corruptos, e invento penalty's a favor dos Corruptos...!!!
Se houvesse arbitragens 'normais', os Corruptos não iriam repetir jornada após jornada, os mesmos 'erros'!!! Teriam que contratar treinadores competentes, melhores jogadores e teriam que encontrar estratégias legais para ganhar jogos!!! Mas eles têm consciência que não precisam... Só têm que correr, dar pauladas... mostrar alguma vontade, e as vitórias vão caíndo do céu...!!!
É muito mais barato, contratar os Fontanelas desta vida, do que gastar dinheiro em jogadores...
E depois, chegamos aos 'absurdos' de ainda não estarmos a meio do campeonato, e os Corruptos já terem 19 pontos à custa das arbitragens!!!!
Um recorde diga-se: desde que faço a Lixívia, nunca uma equipa teve 19 pontos a mais, à 15.ª jornada!!! Aliás, creio que ninguém teve 19 pontos a mais, no final do campeonato, nos últimos 9 campeonatos, pelas minhas 'contas'!!!!!

Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Godinho(Sousa), Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), D(2-0), Soares Dias (V. Ferreira), Prejudicados, (1-0), Impossível contabilizar
9.ª-Moreirense(c), D(1-3), Almeida(Esteves), Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
10.ª-Tondela(f), V(1-3), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
11.ª-Feirense(c), V(4-0), Rui Costa(Mota), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(f), V(0-1), Xistra(Sousa), Prejudicados, (0-2), Sem influência no resultado
13.ª-Marítimo(f), V(0-1), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), V(6-2), Soares Dias(Esteves), Prejudicados, (7-2), Sem influência no resultado
15.ª-Portimonense(f), D(2-0), Mota(Nobre), Prejudicados, Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(c), D(2-3), Veríssimo(Paixão), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Feirense(c), V(2-0), Rui Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
9.ª-Marítimo(f), V(0-2), Xistra(Sousa), Beneficiados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Soares Dias(L. Ferreira), Nada a assinalar
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Hugo Miguel(Veríssimo), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
12.ª-Portimonense(c), V(4-1), Mota(Pinheiro), Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
13.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Godinho(Esteves), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
14.ª-Rio Ave(c), V(2-1), Martins(Malheiro), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
15.ª-Aves(f), V(0-1), Pinheiro(Soares), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Sporting
1.ª-Moreirense(f), V(1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(L. Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Godinho(Sousa), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(L. Ferreira), Nada a assinalar
8.ª-Boavista(c), V(3-0), Xistra(L. Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
9.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Mota(V. Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
10.ª-Chaves(c), V(2-1), Martins(M. Oliveira), Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Xistra(Malheiro), Beneficiados, Prejudicados, (2-3), Impossível contabilizar
12.ª-Aves(c), V(4-1), V. Ferreira(L. Ferreira), Beneficiados, (4-3), Impossível contabilizar
13.ª-Nacional(c), V(5-2), Veríssimo(Miguel), Beneficiados, Prejudicados, (3-2), Impossível contabilizar
14.ª-Guimarães(f), D(1-0), Godinho(Sousa), Nada a assinalar
15.ª-Belenenses(c), V(2-1), Capela(Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar

Anexo(II):
Benfica:
Sousa: 0 + 4 = 4
Pinheiro: 3 + 0 = 3
Mota: 2 + 1 = 3
Esteves: 0 + 3 = 3
Nobre: 0 + 3 = 3
Rui Costa: 2 + 0 = 2
Soares Dias: 2 + 0 = 2
Xistra: 1 + 1 = 2
Godinho: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Capela: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
V. Ferreira: 0 + 1 = 1

Corruptos:
Vasco Santos: 0 + 3 = 3
Veríssimo: 2 + 1 = 3
Malheiro: 1 + 2 = 3
Xistra: 2 + 0 = 2
Godinho: 2 + 0 = 2
Capela: 1 + 1 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
L. Ferreira: 0 + 2 = 2
Esteves: 0 + 2 = 2
Almeida: 1 + 0 = 1
M. Oliveira: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Miguel: 1 + 0 = 1
Martins: 1 + 0 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Pinheiro: 0 + 1 = 1

Sporting:
L. Ferreira: 0 + 4 = 4
Sousa0 + 4 = 4
Miguel: 1 + 2 = 3
Martins: 2 + 0 = 2
Xistra: 2 + 0 = 2
Godinho: 2 + 0 = 2
V. Ferreira: 1 + 1 = 2
Veríssimo: 1 + 1 = 2
M. Oliveira: 1 + 1 = 2
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Pinheiro: 1 + 0 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Épocas anteriores:

Apagou-se a luz que deu a Vieira

"Vitória, Vitória, acabou-se a história! Desta vez não houve luz que o salvasse e a ligação ao Benfica terminou mesmo. Rui Vitória fica na história dos encarnados pelos títulos que conquistou - será sempre o professor do tetra - e ainda como o quarto treinador de sempre com mais tempo seguido à frente do clube, depois de Janos Biri, Jorge Jesus e Otto Glória. Por respeito ao que conseguiu na Luz, não fazia sentido prolongar a agonia em que se estava a transformar a sua permanência de águia ao peito. Para o Benfica e para Rui Vitória, a separação foi a solução mais avisada.
Com o Benfica a jogar muito pouco (goleada ao SC Braga foi andorinha que não fez a primavera), haveria sempre uma primeira responsabilidade a imputar ao treinador. Mas a culpa não pode esgotar-se em Rui Vitória. Quem tornou o investimento de verão no maior fiasco do Benfica nos tempos modernos? Quem responde pelos empréstimos? Quem assume a responsabilidade pelo nome de Jorge Jesus ter andado na praça pública, fragilizando Vitória sem que o Benfica fizesse qualquer desmentido? Antes de dar o passo seguinte, seria importante que o Benfica fechasse, com declarações públicas, todas estas gavetas...
Quanto ao senhor que se segue, creio que ninguém terá dúvidas da grande qualidade de Jorge Jesus como treinador. Mas será que tem condições para unir os benfiquistas? Será possível passar uma esponja nos processos judiciais que foram intentados e em tudo o que foi dito? Duvido...
De qualquer forma, o Benfica não pode prolongar qualquer solução interina para além do prazo de validade normal. E, neste caso, o tempo foge."

José Manuel Delgado, in A Bola

O armário

"Luís Filipe Vieira tinha visto, há cerca de um mês, uma luz que lhe disse para manter Rui Vitória no comando técnico da equipa. A luz da sala ficou acesa mas o esqueleto do despedimento do treinador ficou no armário, de lá não saiu. A porta estava fechada, mas ele estava lá.
A série de oito jogos com sete triunfos e um empate poderiam ter amenizado definitivamente como que ganhava vida própria a cada exibição menos conseguida do Benfica - e foram algumas.
Após a desaire em Portimão, o esqueleto voltou a agitar-se muito dentro do armário e este ameaçava cair com estrondo caso o esqueleto ficasse lá dentro. E as consequências dos estragos causados na estrutura do edifício do futebol benfiquista pela queda do armário poderiam ser gravíssimos. Cada jogo do Benfica teria odor a desgraça; Rui Vitória como que caminhava descalço num trilho de pedras sob um sol inclemente sem que ninguém lhe chegasse uma página de água. Agora, acabou, numa comunicação fria à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sem palavras públicas, como está na moda.
É verdade que os últimos tempos foram pouco menos do que um suplício para a nação benfiquista, mas Rui Vitória ganhou títulos e ganhou quando muitos esperavam que não o fizesse - lembram-se de 2015/2016? No site oficial do Benfica surgiram palavras de agradecimento ao treinador mas o que ainda distingue os homens é o calor dos sentimentos. Portanto, não teria ficado mal ontem uma declaração de Luís Filipe Vieira, nem que fosse à oficialíssima BTV e sem direito a perguntas.
Pode dizer-se que, em termos práticos, face aos sete pontos de desvantagem do Benfica para o FC Porto, este despedimento poucos efeitos terá. E as pessoas pagam é por um bom espectáculo. Se este for mau, não vão; não pagam não há receitas. E o espectáculo do Benfica era mau."

Hugo Forte, in A Bola

Breve retrospectiva de 2018

"No primeiro artigo do novo ano começamos por desejar um Feliz 2019 a todos quantos contribuem para a produção diária de Record, com a alta qualidade que se lhe reconhece. E aproveitamos para fazer uma breve retrospectiva do que foi a nossa colaboração, em boa hora reiniciada em Março de 2018 – e que muito nos honra.
Propusemo-nos reflectir principalmente sobre futebol – o que temos (que criticamente adoramos) e o que desejaríamos ter (onde imperasse a verdade desportiva e houvesse mais e melhor espectáculo) – e também sobre outras modalidades desportivas, como o atletismo.
Receámos ir chocar muitas ideias instaladas – o que aconteceu nalguns comentários que nos chegaram –, mas já tivemos a satisfação de verificar que, a seguir a alguns textos nossos, os temas têm sido tratados, em papel, com uma profundidade que ainda não tinham atingido. Referimo-nos concretamente ao reduzido tempo de jogo (em que Portugal é o maior, pela negativa, com expedientes para todos os gostos), à cronometragem (que seria a medida necessária, quiçá indispensável) e às lições do Mundial/18, entre outros.
Embora geralmente com uma postura crítica – "Contra a corrente" – não nos eximimos a elogiar as boas medidas tomadas e as situações em que imperou o bom senso e o desejo de melhorar, só lamentando que alguns dos artigos não tenham merecido destaque na edição em papel.
Centrados no futebol jogado dentro das quatro linhas, começámos por apontar as três lacunas que importa eliminar: a falta de verdade desportiva, o anti-jogo e o jogo passivo, e a exiguidade de golos. 
Discutimos o lançamento lateral, a ser feito com os pés; o fora de jogo, cuja eliminação pura e simples talvez descaracterizasse o jogo; o número de árbitros a apitar a I Liga (22, cada vez mais insuficiente); o sistema de nomeação, propondo que cada árbitro só pudesse apitar dois jogos de cada equipa, um em casa e outro fora, sendo um na 1.ª e outro na 2.ª volta; os empréstimos de jogadores, há que reduzir, reduzir...; os 3 pontos por vitória, "à partida todos os jogos são iguais, mas uns valem 3 pontos e outros apenas 2"; as substituições, "porque não 5, com possibilidade de 2 reutilizações dos substituídos?"; e as dimensões dos campos da I e II Liga, já que alguns (Aves, Covilhã) chegam a ter menos 740m2 do que os 105x70m (7.350m2) que deviam ser obrigatórios em todas as competições de elite.
Dedicámos vários artigos às faltas cometidas, sua deficiente interpretação (nomeadamente o jogo perigoso); às demoras resultantes da sua marcação e da reposição da bola em jogo; à excessiva protecção dos guarda-redes a queimarem tempo, mesmo depois de amarelados; ao VAR, com elogios à sua implementação (em Portugal e no Mundial) e críticas a alguns retrocessos, como foram as recomendações aos árbitros portugueses para evitarem a banalização dos penaltis; e demos especial atenção à questão da cronometragem, defendendo que a exacta contagem do tempo com cronómetros à vista de todos (incluindo os jogadores) seria uma machadada fatal no anti-jogo, e elogiando as tímidas aberturas para a sua implementação, apenas faltando vontade política de quem tenha poder e o assuma plenamente.
Analisámos a formação em Portugal, com destaque para a do Sporting, altamente representada na selecção campeã da Europa, a valia dos extremos que formou (Futre, Simão, Figo, Quaresma, Cristiano Ronaldo e Nani) e o erro de acabar com a equipa B; a do Benfica, cada vez com mais presenças nas selecções; os campeões de Juniores, com destaque para a vitória dos Sub-19 no Europeu; e também a criação do campeonato de Sub-23 versus equipas B.
Em termos históricos relembrámos os grandes jogadores do passado e do presente, comparando os que fizeram toda a carreira no mesmo clube (Travaços, Pelé, Eusébio, Messi) e os que espalharam o seu talento por variados países e continentes (Maradona, Ronaldo Nazário, Zidane, Ibrahimovic, Figo, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho, Neymar); e os treinadores, portugueses e estrangeiros, que mudaram o futebol em Portugal ou conquistaram títulos que nos tornaram conhecidos em todo o mundo.
Em termos organizativos, abordámos a Liga das Nações, que elogiámos mas propusemos um formato diferente, com 48 países distribuídos por três divisões com quatro grupos de quatro equipas cada, e os restantes sete países a disputarem uma única poule de acesso ao patamar superior; a Taça de Portugal, apontando dois aspectos que importa alterar, a disputa das meias-finais a duas mãos (porquê se, por falta de datas, têm sido disputadas com enormes intervalos) e a repescagem de equipas derrotadas, fácil de resolver com o aumento do número de participantes dos campeonatos distritais na 1.ª eliminatória; e a forma rápida e expedita como funcionou a justiça italiana no julgamento do caso de corrupção (calciocaos) em 2006, que se traduziu na despromoção da Juventus, campeão em título (este a merecer o comentário de um leitor, "Que raio de artigo...").
E meditámos sobre atletismo (dois artigos) – outras modalidades sê-lo-ão a seu tempo –, com a evolução tecnológica (tartan, colchões insufláveis, fibra de vidro, cronometragem electrónica) a ter larga influência nos recordes que vão sendo batidos; a estranha manutenção da forma arcaica de medir os saltos em extensão, que continua a provocar saltos nulos; a possibilidade de haver provas contra-relógio (como no ciclismo), fora das competições oficiais, com direito ao registo dos respectivos recordes; e a eventual criação de novas provas como o duplo salto e o quíntuplo salto em comprimento, e o salto em altura com obrigatoriedade de utilização de algum dos estilos antigamente utilizados (rolamento ventral e outros), que seriam susceptíveis da obtenção de marcas superiores aos recordes antes atingidos.
No futuro propomo-nos continuar no mesmo sentido – "Contra a corrente" – visando os mesmos objectivos com que iniciámos a nossa colaboração."

Suspeito nº 12 – Acreditar que… e a Reacção às…

"O Pai estava a pagar a portagem, quando o filho, no banco de trás, com o respectivo cinto de segurança colocado, diz - “Pai, olha o Presidente Mark Angie”. O Pai olha e o carro arranca. “Parecia chateado!” - acrescentou o filho. A mesma sensação tinha o motorista do Presidente, o Sr. Daniel Green, que acompanhava o Presidente há muitos anos. Era uma pessoa discreta, super responsável, preocupado com os outros e, enquanto passa os olhos pelo retrovisor, vê o Presidente com os dentes e punhos cerrados, um pouco rosado, inclinado para a frente e as sobrancelhas quase sobrepostas. Parecia que estava furioso, que lhe apetecia lutar com alguém. “O que é que está a incomodar o Presidente” – pensava o Sr. Daniel Green.
Enquanto isso, o Presidente pega no telemóvel e faz uma ligação. “Detective Colombo, desculpe incomodá-lo, mas necessitava de falar com alguém” – começou por dizer o Presidente Angie, enquanto o Detective Colombo pensou – “o que é que se passa?” – e o Presidente Angie continuava – “estou a regressar de uma reunião da Liga de Clubes e aquilo foi um “circo”.”
“O que se passou?” – perguntou o Detective Colombo que estava sentado numa esplanada, a tomar um café e a ler um livro, agora pousado, com uma caneta a marcar a página.
“Estávamos a analisar os direitos televisivos, envolvendo 500.000.000 Euros, e surgiram duas posições diferentes, os Clubes “Grandes” queriam manter a posição de negociarem individual e directamente os direitos televisivos, enquanto os outros preferiam que a Liga negociasse todo o campeonato, com os operadores” – partilhava o Presidente Angie, que confiava na descrição do Detective, dadas as muitas provas de descrição.
Enquanto o Detective Colombo pensava – “que esta deve ter sido das poucas situações em que os Clubes “Grandes” estavam de acordo com algo, se encontravam do mesmo lado” e disse - “o que aconteceu a seguir?”. “Os Clubes “Pequenos” começaram a acusar-nos de estarmos preocupados apenas com os nossos interesses, que para haver “Grandes” tinha que haver os outros, que ao olharmos apenas para os nossos interesses os estávamos a subvalorizar e de repente estávamos todos a falar ao mesmo tempo, cada vez mais alto, a discutir com um tom agressivo e a atacarmo-nos uns aos outros, com cada lado a defender a sua posição” – respondeu o Presidente Angie.
“Uns aos outros! Como assim?” – tentava perceber o Detective Colombo. “Parece mentira” – começou por dizer o Presidente Angie – “mas, de um lado estavam os Clubes “Grandes”, do outro, os “Pequenos” e nenhuma das partes ouvia a outra, antes atacavam-se mutuamente”.
“Qual foi o resultado dessa reunião?” – perguntou o Detective Colombo. “Chateámo-nos uns com os outros, houve inclusive uma proposta de corte de relações, entre alguns Clubes, as pessoas estavam e ficaram irritadas, e de concreto, não se analisou nada e ficámos pior do que estávamos no início da reunião” – disse o Presidente Angie.
“Por que razão começaram a discutir uns com os outros?” – perguntou o Detective Colombo. O Presidente Angie fez uma pausa e disse - “por que havia diferenças entre nós” e o Detective Angie perguntou – “por que razão é que as diferenças os levaram a discutir?”. Nesse momento, o Presidente Angie começou a pensar que o Detective lhe estava a dar “baile”, mas ao mesmo tempo, pensou nas diversas vezes que as perguntas do Detective, que lhe pareciam estúpidas, o tinham ajudado a perceber as coisas e respondeu – “porque as diferenças são um problema”.
“As diferenças serem um problema ajudou os Clubes e a Liga obterem um resultado construtivo, útil, razoável e aceitável, para todos, ao longo do tempo?” – perguntou o Detective. “Não, de maneira nenhuma” – respondeu o Presidente.
“Que princípio alternativo poderia ter em vez de “as diferenças são um problema”?” – perguntou o Detective. “Não estou a perceber!?!” – devolveu o Presidente Angie.
“Há uns anos atrás, quando estava a estudar o comportamento organizacional, para me tornar Detective, fiz parte de um Centro de Investigação para o Treino e Trabalho das Equipas” – começou por dizer o Detective Colombo, enquanto pensava nas centenas de reuniões e horas de aprendizagem, que tinha desfrutado com os outros investigadores e com a pessoa que designava de “Teacher”, que o tinham marcado muito positivamente e, do outro lado da linha, o Presidente Angie escutava-o e continuou – “quando surgia uma diferença eu era como que sequestrado pelos meus impulsos e reagia atacando o ponto de vista diferente do meu e com isso podia gerar uma discussão, mas não era isso que acontecia, bem pelo contrário”.
O Presidente Angie estava curioso por saber o que é que acontecia, que gerava um resultado diferente das discussões, quando surgiam as diferenças, mas, entretanto, o Sr. Daniel Green disse – “Presidente Angie, desculpe interromper, mas necessito de sair neste posto de gasolina para abastecer”. “OK, Daniel, força” – respondeu o Presidente, que de imediato disse ao Detective – “estou super curioso por saber qual é a alternativa para lidar com as diferenças, mas vou ter de desligar, porque estou num posto a abastecer o carro, mas já lhe ligo de volta.”
“Grande parte das pessoas que passava e via o Presidente Angie no carro acenava, gritavam “Galácticos Olé” ou “Mark Angie Olé” e, entretanto, o Sr. Green regressa ao carro e arrancam, enquanto o presidente acenava para os adeptos do seu Clube, de imediato pega no telemóvel e volta a ligar ao Detetive Colombo.
“Sim, Presidente” – respondeu o Detective Colombo e continuou – “naquele Centro as pessoas tinham uma ideia diferente das “diferenças”, isto é, As Diferenças Não Eram Um Problema, Mas Antes Uma Oportunidade”. “Como assim?” – perguntava o Presidente.
“Presidente” – começou por dizer o Detective Colombo – “complete a frase que vou começar: se as diferenças são uma oportunidade, então quando surgirem as diferenças …” e o Presidente continuou - “… vou conter o impulso de atacá-las, … vou escutá-las, … vou considerá-las, … vou aproveitá-las”.
“Qual será o resultado de acreditar-se que “as diferenças são uma oportunidade”?” – perguntou o Detective. “Imaginando um cenário como esse, as pessoas não atacavam as pessoas que tinham uma posição diferente, uma “importância” diferente, nem levantavam a voz para as outras pessoas, com isso criavam um contexto seguro, abordavam realmente a situação e, ao fazê-lo, podiam começar a perceber que tinham pontos de convergência com os outros, fossem esses outros os “Grandes” ou os “Pequenos” e que tinham pontos de divergência com os que pensavam de forma semelhante. Ou seja, criava-se um contexto em que os grupos, “Grandes” e “Pequenos”, podiam considerar e integrar as diferenças e com isso poderem encontrar uma solução que não tinham considerado à partida e que até pudesse ser melhor do que a que defendiam” – respondeu o Presidente Angie.
“Como chamaria a essa nova solução?” – explorava o Detective Colombo e de imediato o Presidente Angie respondeu – “solução criativa e inovadora”.
O Presidente Angie estava mais sereno, já estava encostado para trás, o olhar estava dirigido bem para a frente, como que a visualizar uma nova oportunidade e começava-lhe a fazer sentido ver as diferenças com novo olhar, como alguém que vê mal e coloca os óculos e de repente consegue enxergar o que estava à sua frente ou como quem vê bem mas está a olhar para tão distante, que nada vê, mas ao pegar nos binóculos consegue ver tudo na perfeição e pensou - “posso olhar para as diferenças como um problema ou como uma oportunidade”, quando o Detective Colombo diz - “imagine que estava na mesma reunião da Liga de Clubes e que todos acreditavam que as diferenças são oportunidades, isso ajudaria os Clubes e a Liga a obterem um resultado construtivo, útil, razoável e aceitável, para todos, ao longo do tempo?” “Sem dúvida” - pensava o Presidente Angie, enquanto tentava resumir e reter a ideia central: que do mesmo modo que o Sr. Daniel Green teve que meter gasolina para o carro avançar, também as pessoas, as equipas, as organizações necessitam das diferenças para melhorarem, progredirem e prosperarem e que o problema não está nas diferenças, mas nas nossas crenças sobre elas e na nossa capacidade para lidar com elas. Ou seja, as diferenças estão para as pessoas, equipas e organizações, como o combustível está para os automóveis. Necessitámos delas para avançarmos e ao reagir a elas comprometemos toda a evolução”.
O Presidente Angie tinha encontrado mais um dos “culpados” de estar a “matar” a mudança no seu Clube, no desporto e na sociedade em geral – “reagir às diferenças” e estava comprometido a passar a olhar e relacionar-se com as diferenças como oportunidades, quando estivesse com os filhos, com os colegas de Direcção, com os Professores dos filhos, com os patrocinadores, com os Treinadores, com os jornalistas, com (…) e reconhecia o enorme valor do que tinha aprendido, pois na reunião da Liga estavam 500.000.000 Euros em jogo e questionava-se quanto vale “as diferenças são uma oportunidade”:
- quando está em causa encontrar a melhor abordagem para um parto prematuro de gémeos em situação de risco, numa equipa cirúrgica?
- quando a direcção de uma empresa e os seus trabalhadores têm pontos de vista diferentes sobre o sistema de remunerações, o tratamento dado às pessoas, a participação e contribuição das pessoas e o sentido das coisas e os veem como uma oportunidade?
- quando um parlamento e os seus diferentes partidos procuram as melhores soluções para a vida das pessoas?
“Muito obrigado Detective Colombo” – agradecia o Presidente Angie enquanto recordava que o Detective o tinha alertado para duas coisas: a mudança da crença – que estava resolvida e que iria partilhar com o mundo– e as estratégias que potenciam a nossa capacidade para lidar com as diferenças. Que estratégias serão essas? – questionava-se o Presidente Angie."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Obrigado, Rui Vitória!

"Um treinador que chega ao Benfica conquista, só por isso, um lugar na história do maior clube português.
Um treinador que permanece durante três anos e meio à frente do futebol profissional do Benfica tem de ser, seguramente, alguém com méritos inquestionáveis.
Um treinador que termina a sua ligação ao Benfica e vê o seu nome entre aqueles que mais jogos fizeram e mais títulos alcançaram para o clube é, sem duvida, alguém que merece o reconhecimento e o elogio geral.
O trajecto de Rui Vitória à frente do Benfica fala por si: 180 jogos, 123 vitórias. Perto de 400 golos marcados. Seis títulos. O primeiro tetracampeonato na história do clube. A gratidão dos benfiquistas – de todos – é da mais elementar justiça.
Há um novo ciclo que se abre a partir de hoje, de redobrada exigência e enorme ambição. Bruno Lage, até agora treinador do Benfica B, fará a sua estreia à frente da equipa principal, no Estádio da Luz, frente ao Rio Ave.
O novo técnico – também ele um 'produto' da formação do Benfica e, por isso, profundo conhecedor do trabalho de base que se faz no Seixal – tem a missão que sempre terá qualquer treinador deste clube: ganhar, ganhar e ganhar. Domingo começa uma nova etapa. Apoio não faltará.

PS: Errar é humano. Agora errar sempre em benefício da mesma equipa e em decisões de difícil compreensão – até pela existência do VAR – torna tudo mais inexplicável. Não há memória de um campeonato com tantos erros em benefício da mesma equipa. É a dignidade e o prestígio da principal competição nacional que estão em causa."

Bruno Lage, o treinador dos jogadores

"Chama-se Bruno Lage, liderava a equipa B desde o início da época e é agora, pelo menos temporariamente, o novo treinador do Benfica. Aos 42 anos, Lage regressou a uma casa que conhece bem, já que foi treinador dos iniciados, dos juvenis e dos juniores antes de aceitar coordenar a formação do Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, em 2012/13, e de se tornar adjunto de Carlos Carvalhal, no Sheffield Wednesday, em 2015/16. Esta época, Lage voltou a Portugal e o treinador (,,,) explica quais são as ideias de jogo essenciais para o novo líder do Benfica

Bruno Lage é o treinador dos jogadores. É assim que ele gosta de ser caracterizado e, quando perguntam por ele, de imediato responde que os jogadores que teve são os melhores para o avalizar ou reprovar. Gosta de estar próximo deles, gosta de os fazer crescer, e é muito assim que o próprio avalia o seu trabalho.
Assim foi há muitos anos, quando saiu do Benfica, deixou saudades e a sensação que poderia fazer mais e melhor pelo clube onde trabalhou durante mais anos. Chega este ano à equipa de elite da formação (a equipa B) com as ideias mais afinadas. Agora na equipa principal, e sem se saber com exactidão o tempo que ficará no comando, não deve promover mudanças significativas na estrutura da equipa.
Na forma de jogar, sim.
Se nos cingirmos ao que a equipa B do Benfica joga, poderemos afirmar que o futebol de Lage tem qualidade.
Do ponto de vista ofensivo, joga nos três corredores, sem receio de arriscar jogar pelo corredor central na primeira fase de construção. Os médios têm aí um papel fundamental na percepção dos momentos certos para enquadrar, avançar e ligar o jogo com os jogadores mais avançados.
Veremos uma equipa mais paciente na construção, a tentar entrar no meio-campo adversário em situações de vantagem espacial. A linha defensiva ganhará uma preponderância diferente nas situações ofensivas, uma vez que será neles que os ataques vão começar.
Há muitos movimentos de rutura que funcionam como engodo para ganhar espaço e darem mais tempo aos jogadores em contra movimento para receberem no pé. É aí que começa a criação: tenta que sejam os médios a definir. Mas, como também pede mobilidade, quando os extremos conduzem, os médios fazem movimentos para receberem dentro da área e terem também eles a possibilidade de finalizar. Como quer promover o jogo interior, também na criação, poderá haver uma mudança na utilização dos extremos que deverão passar a jogar com o pé contrário. Zivkovic, caso isso se dê, seria o principal beneficiado.
O sistema de jogo é que escolher vai dar-nos o sinal sobre os jogadores em quem Lage mais vai apostar. O 1-4-4-2 será um indicador da aposta em João Félix como elemento preponderante para a definição e finalização dos lances. Num 1-4-3-3, sendo que gosta de jogar com extremos de pé trocado, em zonas interiores, em posições onde possam desequilibrar, Félix continuará a ter espaço, mas a aposta nele não será tão vincada.
Há alguns jogadores que podem revitalizar-se com a chegada de Lage que, além de os soltar do ponto de vista anímico, também lhes entregará tarefas ofensivas e defensivas, no treino e no jogo, coerentes com o jogo que quer jogar. Poderemos assistir, por exemplo, a um crescimento de Gabriel e um renascimento de Pizzi, porque terão no treinador alguém que os vai focar nas tarefas que têm que cumprir do ponto de vista ofensivo e defensivo, sobretudo no treino.
Defensivamente, a equipa quererá pressionar e recuperar a bola o mais rapidamente possível. Quando for ultrapassada, tentará fechar o campo e proteger o corredor central em primeiro lugar, e apenas com a chegada de outros elementos se começará a preocupar em fechar outras referências. A linha defensiva também pode melhorar de forma evidente no seu funcionamento setorial, assim como na ligação com a linha média. E no controlo dos espaços entre os quatro defesas e nos ajustes que se fazem quando algum defesa tem que sair da sua posição inicial.
Se Bruno Lage mantiver aquilo que tem feito no Benfica B, a equipa fica em boas mãos. Mas é sempre difícil perceber quanto do que a equipa joga é da responsabilidade dos jogadores (tendo em conta o pouco tempo de trabalho), porque a equipa tem um nível muito alto para a realidade da 2ª Liga. Tem quatro jogadores marcantes e um deles pode até ser lançado na equipa principal tendo em conta as necessidades da equipa: Florentino.
É um jogador que tendo em conta as carências da equipa nessa posição poderá permitir soluções diferentes daquelas que Fejsa pode dar com bola, e deve começar já a ser preparado para tomar conta da posição 6, a médio prazo, no Benfica."

Rescaldo...

"Alguns factos para compreender Rui Vitória e a sua trajectória no Benfica.
Na primeira época herda um plantel trabalhado e pensado por outro treinador. Foi inteligente ao manter o sistema de jogo mas nunca o aprimorou. Muito do seu sucesso na primeira época decorre da reação a fatores externos e momentos felizes. Nelson Semedo agarra o lugar criado com a saída Maxi Pereira. Lindelof substitui o lesionado Luisão. Renato Sanches preenche o vazio criado com a venda de Enzo Pérez e nessa semana o Benfica ganha em Braga. Jorge Jesus é um comunicador desastroso quando lidera destacado. Ederson rende Júlio César no aquecimento em Alvalade. Brian Ruiz falha um golo na pequena área nesse jogo, que dá a liderança. Raul Jimenez recebe uma bola impossível na grande área em Coimbra e converte! Esse mesmo jogador marca numa carambola em Vila do Conde. Termina uma época de grande felicidade, a todos os níveis e pelo que significou - contra tudo e todos. 
A segunda época começa com índices de confiança elevados. A lesão de Jonas é superada com a explosão de Gonçalo Guedes. Luisão e Pizzi fazem uma época incrível. Mitroglou teve um rendimento constante, muito além do esperado, como se viu em Braga. Até Lisandro marcou nos descontos no Dragão. Lindelof gelou Alvalade. Jonas regressa para uma segunda volta imparável. O poste em Vila do Conde foi amigo e Jimenez continuou a ser talismã nos últimos jogos abrindo a pista para a lambreta de Eliseu. O sistema de jogo manteve-se...
Na terceira época o ciclo de rendimento de alguns jogadores e a política de vendas lançam Rui Vitória à sua sorte. Seria o momento de deixar a sua marca, de ser capaz de "caçar com gato". Começa com uma Supertaça. Bom presságio. Mas uma desastrosa Liga dos Campeões revela insuficiências. Ao fim de dois anos de trabalho seria o tempo de fazer explodir Diogo Gonçalves, João Carvalho, Carrillo, Zivkovic... Nada de concreto, infelizmente. Certos jogadores como André Almeida, Pizzi, Fejsa, Jonas, Luisão são esticados para limites impossíveis. Os vitoriosos Samaris e Lisandro vão sendo relegados para a obscuridade. Desperdiçam-se dois períodos de contratações para recrutar um guarda redes. Sem plantel para o 4-4-2 vitorioso, chega o 4-3-3 de recurso. Taça de Portugal e taça da Liga revelam falta de reacção dos jogadores ao estímulo do treinador. Derrotas contra adversários acessíveis. O espírito de conquista perdera-se. E foi isso que faltou no momento mais importante. No dia em que aconteceria a vitória das vitórias, perante um odioso rival, Rui perdeu na atitude e galvanização. Na semana antes do jogo apelou ao apaziguamento. Opôs-se a uma campanha agressiva contra o suspeito Soares Dias. Não fez tudo o que estava ao seu alcance para ganhar. Conformou-se com a sorte (ou falta dela), mostrou-se inferior a Sérgio Conceição. Em casa. Perdeu o que nunca poderia ter perdido. A felicidade dos anos anteriores foi substituída pela responsabilidade directa nesse jogo. O seu ciclo terminou aí.
As vitórias desta época perante Porto e Braga foram espasmos de reacção. Mas a patologia estava instalada como se viu nas vitórias fáceis de outros adversários que seriam bastante inferiores. Com muitos jogadores descontentes, vários excluídos das opções e outros esgotados foram-se acumulando exibições inaceitáveis, depois de um investimento respeitável nesta época. Perante um ciclo expectável de insucessos justifica-se a interrupção do seu percurso como treinador do Benfica. Foi feliz, fez-nos felizes mas não deixou um cunho próprio no estilo de jogo. Não se ouvirão lamentos de jogadores pela sua partida.
Sabemos o que foi o Benfica de Erikson, o Benfica de Trapatoni, o Benfica de Jesus. Nunca recordaremos, especialmente, o Benfica de Vitória.
Apesar de tudo, Rui Vitória é Benfiquista e uma pessoa muito respeitável com lugar garantido na nossa história. Bem haja."

Reincidir no erro

"A segurança no desporto é um tema que não se esgota numa única vertente.
Ele contempla a segurança associada às instalações desportivas e aos espaços de jogo e actividade lúdico-infantil. Envolve a segurança associada à certificação da qualificação profissional de quem ministra as actividades físico-desportivas. Inclui os cuidados a ter com quem pratica desporto com e sem enquadramento técnico dentro e fora dos denominados recintos desportivos. Vai até à segurança física de quem assiste aos espectáculos desportivos perante manifestações de violência.
Cabe ao Estado regular os termos em que estas matérias devem estar salvaguardadas. E cabe igualmente ao Estado garantir que as disposições normativas criadas serão cumpridas.
Se faz todo o sentido que a produção normativa e demais obrigações tenha origem na instância governativa que tutela a área do desporto, já é menos compreensível que a responsabilidade pelo cumprimento das leis cridas seja cometida a estruturas da administração pública sem qualquer relação de subordinação com a tutela da área do desporto. E, acrescente-se, sem qualquer cultura, formação ou sensibilidade técnica para as questões que este envolve.
A atribuição de competências alargadas em matéria de segurança no desporto à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), cuja missão real e originária é a fiscalização e prevenção do cumprimento da legislação reguladora do exercício das actividades económicas, nos sectores alimentar e não alimentar, bem como a avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar, é um absurdo.
A recém-criada Autoridade Nacional para a Violência no Desporto (que melhor seria se se designasse para a “Segurança no Desporto”, valorizando o bem a proteger e não o mal a combater) foi uma oportunidade perdida para se equacionar o problema da segurança no desporto de uma forma integrada e holística e combater a dispersão do problema por varias instâncias da administração pública, algumas sem qualquer ligação funcional à tutela do desporto.
Somos, muitas vezes, confrontados com uma retórica sobre as disfuncionalidades e debilidades das políticas públicas no âmbito do desporto, em matéria de supervisão quanto ao cumprimento das leis. Mas em vez de encontrarmos melhores dispositivos para o seu cumprimento, buscamos na produção de novas leis a resposta à ineficácia das anteriores. Raramente paramos para pensar que o problema pode não estar nas leis e normas existentes, mas apenas nos dispositivos organizacionais existentes para o seu cumprimento. E, a verdade é que, mantendo-os disfuncionais, de que pouco servirão as novas leis.
Ora, quando está em discussão, na Assembleia da República, um novo diploma sobre o acesso à actividade de treinador de desporto que comete à ASAE responsabilidades em matéria de supervisão sobre certificação profissional, é reincidir no erro. Um erro cuja leitura, mais uma vez, só poderá ser uma: a lei não será para cumprir."

Por mim, ficava assim !!!

Benfiquismo (MLIV)

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Princípio de acordo com Rui Vitória

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que chegou a um princípio de acordo com o treinador Rui Vitória com vista à rescisão do seu contrato com efeitos imediatos ao dia de hoje.
Ao treinador Rui Vitória fica o público reconhecimento de todos os Benfiquistas pelo valioso e meritório trabalho efectuado, que permitiu a conquista dos mais diversos títulos (2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 2 Supertaças e 1 Taça da Liga).
Informamos que a orientação da equipa principal do Sport Lisboa e Benfica será assegurada de imediato e provisoriamente pelo treinador Bruno Lage."

Cerrar fileiras

"No Benfica, seja no início do ano, a meio de Agosto ou no final de dezembro, as derrotas chegam sempre na pior altura. Nunca há dias bons para se perder. No Benfica, aliás, é exactamente o contrário: o dia perfeito é aquele em que se ganha. Todos sabemos isso.
Esta será sempre a 'impressão digital' do Benfica e está aí a razão que ajuda a compreender a frustração geral sentida após a derrota de Portimão. Foi, claramente, um passo atrás. Neste clube, quando se perde não se desaparece nem se entra em hibernação de anos, fingindo-se que nada se passa.
É preciso também ter consciência, no entanto, daquilo que ainda está em jogo: o campeonato não chegou sequer ao final da 1.ª volta. Há 19 jornadas para realizar e 57 pontos por disputar. Ou seja, há 19 finais para ganhar. E ainda a Taça de Portugal, a Taça da Liga e a Liga Europa.
Estádio da Luz, 6 de Janeiro, 17h30. É este o jogo mais importante da temporada. É frente ao Rio Ave e teremos ali a primeira oportunidade para nos reerguermos e arrancar de novo rumo ao sonho. Há muito para conquistar. Juntos. Todos sabemos isso.

PS: Uma mentira repetida muitas vezes pode tornar-se verdade. É nesta ideia que acreditam todos os que, desde ontem à noite, vêm fazendo relatos de um “fogo posto” nas bancadas do Estádio Municipal de Portimão. Tratou-se do lamentável acendimento de duas tochas, rapidamente apagadas e sem quaisquer danos, tal como consta oficialmente no relatório do delegado ao jogo. Os pirómanos, no entanto, vêem sempre mais qualquer coisa."

Chaguinha... Especial !!!

City-Liverpool, um olhar sobre o jogo da jornada

"O treinador do Liverpool traduz a ideia de que não é necessário controlar o jogo e o adversário para ganhar jogos. Mas então o que aumentará hoje a probabilidade de ganhar?

Perceber o “estado de alma” em que uma equipa se encontra é fundamental para saber retirar o melhor de cada jogador. As vitórias trazem confiança e consequentemente aumentam a receptividade dos jogadores em ouvir o que o treinador quer para implementar no jogo. Perder este jogo no Etihad Stadium significará ficar a 10 pontos de Liverpool, que num contexto de Liga Inglesa, é significativo mas não determinante para as contas finais - tendo em conta que estamos a 4 meses de terminar a Liga mais competitiva do Mundo. Há que compreender que a imprevisibilidade na Liga Inglesa é tónico constante e estamos perante dois treinadores que adaptam as suas ideias em função das capacidades dos jogadores têm, com o objectivo comum de ganhar.
A grande questão de hoje e que paira no Etihad Stadium será: ter a bola nas melhores condições com a maior quantidade de tempo perto da baliza, aumentará a probabilidade de ganhar? Se isso acontecer teremos Salah, Firmino e Mané prontos para aproveitar uma perda de bola e “disparar” num contra-ataque rápido que se têm revelado bastante eficiente - nos últimos 6 jogos, tiveram influência directa (golo ou assistência) em 21 golos marcados.
Como se pode evitar esse tipo de contra-ataques? Irá ser determinante o posicionamento de Fernandinho na frente dos 2 defesas centrais assim como a capacidade em decidir “quem marca” o jogador entre-linhas (espaço) e “quem faz” a respectiva compensação (se alguém sair na marcação a esse jogador). É importante reflectir que o que faz com que existam mais “contra-ataques” é precisamente quando uma equipa tem a posse de bola, muitas vezes “esquece-se” de preparar uma eventual perda de bola (posicionamento dos jogadores que deixam de intervir no processo). É nesses momentos que o Manchester City terá que ser eficaz. É imprescindível os jogadores perceberem a importância de controlar espaço-tempo, ou seja, terão que vigiar os adversários que deixam de intervir no processo defensivo e encurtar para que seja mais difícil mover-se para o espaço.
O Liverpool é uma equipa que defende com muito critério, e a partir do momento em que a posse de bola é recuperada, os jogadores “libertam-se” e tornam-se donos deles mesmos fazendo com que a equipa se torne pragmática e eficaz nos processos de contra-ataque, que evidencia claramente a criatividade/qualidade de Salah, Firmino e Mané.
O que existe então em comum nestes processos? Algo que se percebe de forma clara é que os jogadores identificam as possibilidades de progressão de acordo com a circunstância existente no momento, imediatamente à recuperação da posse de bola. Reconhecem o que podem fazer no momento - e é aqui que o Manchester City terá que ser eficiente na forma de impedir que isto aconteça (não permitir espaços de progressão a Salah/Firmino/Mané).
Klopp traduz a ideia de que não é necessário controlar o jogo e o adversário para ganhar jogos. Mas então o que aumentará hoje a probabilidade de ganhar?"

O mito vive

"É ainda hoje o maior campeão da história da Fórmula 1, com sete títulos, e há cinco anos que pouco ou nada se sabe do seu estado de saúde, após um acidente nos Alpes franceses enquanto esquiava. Começou quase sem nada, competindo com um kart feito dos restos de outros karts e tornou-se uma lenda. Ultra competitivo e implacável nas pistas, Domingos Piedade, que deu um empurrão decisivo para que Michael Schumacher se tornasse Michael Schumacher e é o português que melhor o conheceu, diz que o alemão é um homem bom. Que faz falta e que faz esta quinta-feira 50 anos

Às vezes, um pequeno acidente de trânsito transforma-se em muito mais que um pequeno acidente de trânsito. Como naquele dia, algures em dezembro de 1990, quando um taxista de seu nome Eric Court e Bertrand Gachot, um mediano piloto de Fórmula 1, nascido no Luxemburgo mas a correr com uma super-licença da Bélgica, deram um toquezinho numa rua de Londres.
Como demasiados insignificantes incidentes na estrada, este escalou: no meio da discussão, Gachot atacou Court com gás pimenta. Nem Court nem Gachot saberiam, mas os décimos de segundo entre o momento em que o piloto premiu o spray e a chegada deste aos olhos do taxista mudariam o curso da história do automobilismo.
Uma espécie de efeito borboleta, mas a motor.
O caso chegou a tribunal e, em Agosto do ano seguinte, Gachot foi preso. Era véspera de GP da Bélgica e, de repente, a Jordan ficou com um problema em mãos: era preciso encontrar rapidamente um substituto para Gachot.
E foi assim, à boleia de um irritado belga nascido no Luxemburgo, que chegamos à estreia de Michael Schumacher na Fórmula 1.
O GP Bélgica duraria apenas uma volta para o jovem alemão, mas o 7.º tempo na qualificação era apenas o prelúdio para a chegada de uma nova estrela ao paddock. Era então um miúdo ambicioso, mas tímido. Esta quinta-feira, quase três décadas após aquela estreia involuntária, Michael Schumacher completa 50 anos sem que ninguém saiba - senão os mais próximos - qual a sua verdadeira condição, cinco anos após um acidente de esqui que o deixou seis meses em coma.
Daí para cá, a vida de Schumacher é um mistério, páginas e páginas em branco apenas rabiscadas como uma ou outra especulação sobre o seu estado de saúde. A 3 de Janeiro de 2019, data do seu 50.º aniversário, há apenas uma certeza: ele pode não ser o mais amado dos pilotos, mas nunca ninguém ganhou tanto quanto ele. Sete títulos mundiais de Fórmula 1, um feito inédito conseguido por um rapaz de origens humildes e que teve a ajuda decisiva de um português para lançar a carreira.
O ‘Padrinho’ Português
Domingos Piedade fala com o Expresso numa mesa onde estão três capacetes que lhe dizem muito. Um deles é do cinco vezes campeão do Mundo de motociclismo Mick Doohan, outro de Pedro Lamy. O último foi-lhe dado por Michael Schumacher no final do Mundial de Fórmula 1 de 1991, o tal em que substituiu Bertrand Gachot, que hoje em dia é mais vezes recordado como o homem que permitiu a estreia do maior campeão de sempre do que exactamente pelas suas proezas atrás do volante. 
“Chegou-me às mãos na terça-feira a seguir ao GP Austrália de 1991, que era então a última prova do calendário. Ainda tinha a viseira cheia de mosquitos. É o capacete com que ele faz a parte final do Mundial. Nessa altura, ainda me tratava por 'senhor Piedade' e quando mo entregou disse-me: ‘Nunca na vida tive nada para lhe poder dar e por isso dou-lhe o meu capacete’. Este capacete não ganhou nada, mas ganhou respeito, admiração e a consideração que ele tinha por mim e pela minha família”, explica o ex-vice-presidente da Mercedes AMG, que orientou as carreiras de Emerson Fittipaldi e Michele Alboreto, que foi íntimo de Ayrton Senna e o português que melhor conheceu Michael Schumacher.
Na verdade, é justo dizer que Domingos Piedade foi o homem que deu o empurrão que faltava na carreira de Michael Schumacher. “Dei-lhe uma mãozinha”, conta-nos.
Em meados da década de 80, Schumacher corria no kartódromo de Kerpen, perto de Colónia, onde competia também o filho mais velho de Piedade, Marc. “O meu filho é que me disse: ‘Pai, lá no clube temos um miúdo que guia muito mais que eu, se puderes ajuda-o’”.
Quando se deparou com Schumacher pela primeira vez, Piedade percebeu que estava ali algo diferente. “Vi-o correr de kart, que é distinto de um fórmula. Achei que ele tinha uma condução que podia ser agressiva para os fórmula, a maneira como ele entrava nas curvas, se encostava, quase que enroscava roda com roda. Mas via-se que era diferente. E quem anda bem de kart… andando bem de kart já não é preciso ensinar ninguém a guiar, os rapazes já sabem”.
Num mundo do automobilismo em que muitos dos pilotos vêm de famílias endinheiradas ou com tradições nas quatro rodas, Schumacher precisava mesmo que alguém lhe desse uma mão. Michael e o irmão mais novo, Ralf, também ele antigo piloto de Fórmula 1, cresceram no meio do barulho dos motores mas a família Schumacher vivia apertada de dinheiro. O pai, Rolf, era uma espécie de faz-tudo no kartódromo de Kerpen e a mãe, Betty, estava atrás do balcão do barzinho onde se vendiam as salsichas e as batatas fritas em dias de corrida. Nas palavras de Domingos Piedade, “não havia para ninguém” e os primeiros karts de Schumacher eram máquinas improvisadas com peças de karts antigos e pneus encontrados no lixo, que as mãos habilidosas de Rolf juntavam.
E mesmo assim, mesmo contra karts novinhos em folha, Michael era o melhor do kartódromo de Kerpen.
“Depois de o ver falei com o Willy Weber, que tinha uma equipa de Fórmula 3 e que andava à procura de um sucessor para aquele que tinha sido campeão no campeonato alemão”, continua Piedade. Schumacher foi então testar com o carro de Joachim Winkelhock e não desapontou: na sua melhor volta foi um segundo e meio mais rápido que o antecessor. Sem dinheiro de família para assegurar o lugar na equipa, foi aqui que a ajuda de Domingos Piedade foi essencial. “Fizemos uma vaquinha entre vários construtores, desde a Ford, a Mercedes, a AMG para arranjarmos uns dinheiros para ele correr na Fórmula 3”.
Schumacher responderia à confiança com o título em 1991, na sua segunda temporada na Fórmula 3 alemã.
Scumacher, o Homem
Enquanto nos bastidores ajudava a lançar a carreira de Schumacher, Domingos Piedade ia conhecendo o homem. E acompanhando o seu crescimento. “Um dia ele apareceu lá em casa. Estávamos em 1986 e eu morava em Colónia. Chegou lá assim com um ar muito humilde, muito tímido, introvertido. O Michael nem falava alemão”, conta Piedade. “Uma coisa é ter sotaque estilo do Porto. Mas nem era isso: ele falava mal. Falava dialecto de Kerpen, que é uma mistura daquilo que se fala em Colónia e Aachen. Kerpen fica mesmo no meio. É uma coisa que só eles falam e só eles entendem”, continua, relembrando os tempos em que Schumacher era visita de sua casa. “Quando fez 18 anos, comprou um Audi A80, todo tuning, com um grande tubo de escape, a fazer barulho e tal. Usava um Rolex look-alike, um fio de ouro, com um kart de ouro pendurado. Vinha às vezes à sexta ou ao sábado ter com o meu filho para irem à discoteca, porque o Marc não tinha carro. No meio daquilo tudo, as miúdas perguntavam ‘mas quem é aquele provinciano?’”
Schumacher pode não ter tido uma infância dourada, mas a inteligência que lhe é reconhecida em pista também a tinha na hora de aprender. Depois de começar a ser apoiado pela Mercedes, teve aulas de dicção, de alemão e inglês. Quando chegou à Fórmula 1, já era fluente no inglês - e com o passar dos anos tornou-se mais do que fluente; era eloquente.


O Início
Voltando a esse agosto de 1991, bastou uma qualificação para Michael Schumacher assegurar o seu lugar no futuro da Fórmula 1. E Bernie Ecclestone, então homem forte da prova rainha do automobilismo, rapidamente se interessou pelo alemão. Ou melhor, pelo dinheiro que este podia trazer, dando vida a um mercado da Alemanha com muitos milhões de adeptos do automobilismo, mas sem um verdadeiro herói desde Wolfgang von Trips, que morreu no GP Itália de 1961, prova em que um terceiro lugar lhe daria o título.
E vendo um caminho mais rápido para o sucesso do que a Jordan, o excêntrico britânico rapidamente aconselhou Flávio Briatore a contratar Schumacher. Logo na corrida seguinte, o alemão já era piloto da Benetton, terminando três das restantes cinco provas nos pontos. No ano seguinte chegou a primeira vitória, em Spa-Francorchamps, no mesmo GP Bélgica onde havia feito a estreia em 1991. O Estoril viu a sua única vitória em 1993, até chegarmos a 1994.
Esse é o ano em que quase tudo muda. Ayrton Senna muda-se para a Williams com o objetivo claro do título. Mas quem vence as duas primeiras provas é Schumacher. Em Ímola, Senna morre, Schumacher ganha e no pódio festeja. Muita gente não lhe perdoa, mas a história, conta Domingos Piedade, está cheia de mal-entendidos.
“Há quem não goste do Michael porque no dia 1 de maio de 1994 ele teve essa reação. Porque antes do pódio perguntou ao Ecclestone ‘How is Ayrton?’ [‘Como está o Ayrton?’] e o Bernie disse ‘He’s dead’ [‘Ele morreu’]. Mas ele percebeu ‘He’s bad’ [‘Ele está mal’]”, explica. Eu várias vezes falei com ele sobre isso e várias vezes quando estávamos com mais pessoas eu puxava esse ponto, não para ele se justificar, mas para ele explicar... ele é um bom homem, ele nunca faria isso. O Schumacher, tal como o Senna, tal como o Villeneuve, tal como o Hamilton e tal como o Verstappen são, em bom português, uns filhos da puta dentro do carro. E têm de ser. Todos eles eram ou são agressivos dentro do carro. Fora do carro, nenhum deles é mau, nenhum deles tem um coração que seja mau. É uma coisa que me incomoda, porque não corresponde à verdade. Mas aceito que as pessoas pensem dessa maneira”.
Schumacher seria campeão em 1994, repetiria o título em 1995 e depois mudou-se para a Ferrari. Na mais mítica das escuderias da Fórmula 1, Schumacher demorou quatro temporadas até conseguir ser campeão, quatro anos em que foi levando os melhores para consigo trabalhar e instalando definitivamente uma mentalidade vencedora na equipa, que não conquistava um título desde 1978, com o sul-africano Jody Scheckter. E quando começou a vencer, Schumacher não parou: foram cinco títulos consecutivos, sete no total, ainda um recorde.
Ainda assim, Schumacher nunca teve a aura de Ayrton Senna, ainda que o brasileiro só tenha três títulos em seu nome. As explicações para isso não são fáceis de encontrar.
“Em Itália, por exemplo, há um adoração por um piloto que nunca foi campeão do Mundo, o Gilles Villeneuve. E o que era? Era o carisma, a beleza. Eu acho que as pessoas admiram muitas vezes a irreverência. Como o Verstappen agora, como o Ayrton antes. É normal”, conta Domingos Piedade, que acredita que o facto de um sete vezes campeão de Fórmula 1 não ter o amor incondicional que ainda hoje tem um três vezes campeão é “entendível, embora não explicável”.
Um Homem Simples
Talvez também ajude a vida exemplar de Schumacher fora das pistas, ele que era implacável e muitas vezes irascível dentro delas. Discreto, sóbrio e recatado, longe do espírito extrovertido de Senna, casou cedo com Corinna Betsch, que “roubou” ao colega Heinz-Harald Frentzen quando ambos ainda corriam na Fórmula 3. O exclusivo do casamento, em 1995, foi vendido à revista de celebridades “Bunte”. Schumacher pediu que o cheque fosse enviado directamente à UNESCO, organização à qual doou cerca de 1,5 milhões de euros durante a carreira.
Na sua lista de acções solidárias estão a construção de uma escola em Dakar, de um centro de ajuda a crianças sem-abrigo no Peru e o financiamento de um hospital para crianças amputadas em Sarajevo, na Bósnia.
Mas Domingos Piedade revela que a generosidade de Schumacher vai para lá de actos públicos, dos quais nunca fez gala. “No grande Tsunami de 2004 morreu o preparador físico dele. E ele pagou tudo, além de ter feito uma doação muito grande à mulher e aos filhos dele. Estamos a falar de milhões. Ele é bom. Os alemães têm essa expressão: es ist guter. É um bom”.
Piedade relembra também com saudade a humildade de um homem que nada mudou apesar de ser o maior campeão de sempre da Fórmula 1 e por quem todo o staff da Ferrari chorou quando anunciou a sua primeira retirada, em 2006. E fala de um episódio em particular, que aconteceu poucos dias antes do acidente nos Alpes franceses que mudou para sempre a vida de Schumacher.
“O acidente foi a 29 de dezembro e ele tinha estado comigo dia 19. A AMG estava a modificar um Mercedes SLS para ele se divertir a guiar. Íamos até colocar o número 45 nas portas, porque era para lhe ser oferecido no seu 45.º aniversário, em Janeiro. E ele, que já tinha sido sete vezes campeão do Mundo só dizia ‘é incrível como cheguei aqui’. Para ele, que tinha tudo, o gesto era o que tinha valor. Para ele, ter avião, casas, um barco, centenas de milhões no banco, uma vida magnífica não era assim tão importante… ele gostava era de trabalhar no seu kart”.
Mais Um a Sofrer
As informações sobre o estado de saúde de Schumacher são escassas e evasivas e por isso é sempre difícil falar no futuro. Para Domingos Piedade parece até doloroso. “Não sei se está a melhorar, mas eu quero acreditar em algumas notícias que têm aparecido”. Piedade crê que, caso o infortúnio não tivesse batido à porta de Schumacher há cinco anos, hoje ele seria mais um pai a acompanhar o filho nas corridas - Mick é uma das actuais promessas do automobilismo. “A sofrer, que é o que os pais fazem no kart e nas fórmulas de ascensão”.
E depois de um momento de silêncio, Domingos, o mesmo que há 30 anos via Schumacher a entrar-lhe casa adentro, com o relógio falso, o seu fio de ouro e o seu carro tuning, suspira e diz apenas uma frase.
“Ele faz falta”"