Últimas indefectivações

sábado, 4 de junho de 2016

Obrigação cumprida...

Benfica 4 - 1 Burinhosa

O mais importante era garantir a passagem à Final e isso foi conseguido! Num jogo com um 2.ª parte demasiado em 'gestão' da nossa parte!
Henmi em grande hoje, em praticamente todos os lances decisivos!
2-0 no Futsal é curto, devíamos ter procurado o 3.º golo com mais insistência.
Nos últimos 40 segundos tivemos 3 golos, primeiro para a Burionhosa reduzindo para 2-1, mas logo a seguir marcámos mais dois!!!

Desnecessárias as reacções dos nossos jogadores às provocações dos jogadores e treinador da Burinhosa. Os únicos potenciais prejudicados, seríamos nós!!!

Os Lagartos empataram hoje a eliminatória com muita dificuldades. Têm melhor plantel no papel, mas não são invencíveis... mas temos que ter mais cabecinha!

Os jogadores não mereciam...

ABC 32 - 30 Benfica
(13-16; 28-28)

É bom recordar que esta época, correu muito melhor, do que as melhores expectativas no inicio da temporada. Apesar desta realidade, é impossível não ter um amargo de boca com esta Final perdida...

Foi mais um daqueles triunfos dos porcos, onde valeu tudo, principalmente neste 3 últimos jogos. Hoje, voltámos a ter uma arbitragem inacreditável nos últimos minutos do tempo regulamentar... Para o Benfica ganhar um jogo no tempo regulamentar tinha que entrar com 10 golos de diferença nos últimos 5 minutos, porque senão haveria sempre maneira de igualar o resultado... Hoje a 'estratégia' foi marcar faltas ofensivas ao ataque do Benfica nos últimos minutos, enquanto do outro lado, se marcava golos atrás de golos, com claras faltas ofensivas que não eram assinaladas!!!
Quando uma equipa como o ABC acaba com 3 exclusões um jogo com prolongamento, quando no resto do ano, tem sempre mais de 7 exclusões por jogo, fica bem claro qual o critério usado...

Cometemos alguns erros, principalmente no ataque, mas os outros também se fartaram de cometer erros (falharam 4 Livres de 7 metros por exemplo...!!!)...
Perdemos este jogo quando 'permitimos' o empate no tempo regulamentar, no resto tivemos sempre por cima... mesmo sem o Borragán!

O grande problema é que para o ano, já não haverá Play-off, vamos voltar ao formato 'ideal' para os Corruptos serem Campeões consecutivamente!!! E com as contratações já anunciadas, parece que vamos ter um dos 'melhores' campeonatos da Europa!!! A nossa aposta tem que continuar a ser nos nossos jovens da Formação, mesmo com as alterações ao limite de estrangeiros que estão previstas, a 'pedido' dos do costume!!!

Gestão !!!

Sanjoanense 5 - 10 Benfica

Novamente em modo 'gestão', vitória, mas com muitos golos sofridos...
Eu sei que estamos em 'preparação' para a Taça de Portugal, mas se calhar a melhor preparação era manter os níveis de intensidade e concentração no máximo...
Na última jornada recebemos a Oliveirense, suspeito que venham com muita 'raiva', portanto...

PS: Parabéns ao João Ribeiro, que no K2 1000m com o Emanuel Silva, conquistaram a medalha de Ouro, na Taça do Mundo de Montemor-o-Velho.
A Joana Vasconcelos, ficou em 7.ª na Final do K1 200m...
Amanhã temos mais Finais...

Juniores - 14.ª jornada - Fase Final

Guimarães 0 - 0 Benfica

Acabou...

Com 10 é que é bom

"Que pena o golo tardio da Inglaterra na noite de quinta-feira no novo campo de Wembley, a sempiterna catedral da derrota do futebol português. Não porque a selecção portuguesa justificasse outro desfecho. Na realidade, pouco ou nada fez por isso. Mas porque jogando com menos um do que o poderoso adversário durante 50 minutos, a equipa portuguesa viu-se autorizada pelas circunstâncias a enveredar por aquilo que melhor sabe fazer: a abdicação do ataque em função da necessidade patriótica de não sofrer golos.
Quase ia resultando, mas a cinco minutos do fim os ingleses marcaram e, pronto, lá voltámos de Londres com uma derrota tangencial em vez do empate empolgante que esteve à beira de acontecer. A verdade é que a Selecção esteve bem melhor com 10 do que com 11 em campo. Se calhar mais nos valia jogar o Europeu todo sempre com 10, de modo a cumprirmos com honradez e sem achincalhos a iminente campanha francesa. Mas, atenção, desde que nenhum desses 10 seja, obviamente, Renato Sanches, que ainda é jogador do Benfica até ao final deste mês.
O futuro jogador do Bayern Munique teve direito a jogar os últimos 20 minutos em Wembley e fez, enfim, um bocadinho de diferença. Foi da sua criação o único lance de perigo para a baliza inglesa, oferecendo a Ricardo Quaresma a hipótese de fazer um golo que seria tão imerecido como fabuloso. A breve presença de Renato Sanches em campo desencadeou uma onda de comentários, entre o favorável e o entusiástico, na imprensa internacional, mas a verdade é que, em França, dificilmente Fernando Santos optará por lançar desde o início o jovem jogador, com justificado receio de uma ruidosa bateria de comunicados e de protestos institucionais que venha minar a tranquilidade no país e na Selecção.
A partir de 1 de Julho, quando Renato Sanches já for oficialmente jogador do Bayern Munique, terá o seu lugar mais do que certo na equipa nacional. Ou seja, para que ninguém se ofenda, só na condição de ex-benfiquista é que Renato Sanches pode jogar na Selecção. Como a fase decisiva deste Europeu entra pelo mês de Julho, isto se lá chegarmos, ainda vamos ter a oportunidade de o ver em acção aos 90 minutos de cada vez.
Até lá, insisto, deveria a Selecção jogar com 10, nem que Bruno Alves tenha de ser sempre titular para ser cirurgicamente expulso quando for mais conveniente às nossas aspirações."

Renato Sanches é um cavalo selvagem

"De repente, o jogo da selecção portuguesa transformou-se. A equipa estava a jogar apenas com dez jogadores, por culpa daquela entrada desmiolada de Bruno Alves, que lhe valeu a expulsão imediata do jogo, e as dificuldades de transição de bola eram cada vez mais evidentes. A coisa já não estava fácil, mesmo no tempo em que se jogava onze contra onze. A Inglaterra, impetuosa, batia como mar bravo numa rocha, sem jeito para entender o jogo, sem um assomo de criatividade atacante e não conseguia mais do que uma espuma leve e ineficaz.
Portugal parecia, pois, ter o problema defensivo bem resolvido, em Wembley. A dificuldade maior estava na segurança e na eficácia da posse de bola, ganha em zonas muito recuadas. A equipa tinha, então, poucas ou nenhumas linhas de passe e, sem vocação para um futebol directo, tornava, obviamente, muito pouco promissoras as suas imberbes e ineficazes iniciativas de ataque.
Durou uma eternidade a tentativa de soluções que permitissem a Portugal conseguir, enfim, ter a bola, fazê-la circular e criar, então, situações ofensivas perigosas atrás da linha de defesa da Inglaterra. Até que entrou Renato Sanches. Já havia 70 minutos de jogo e a substituição de Adrien por Renato parecia ser, apenas, uma daquelas substituições da rotina chata dos jogos de preparação. A verdade é que o miúdo de apenas 18 anos de idade entrou e o jogo ofensivo português deixou de ser maçadoramente cristalizado. Finalmente, Portugal tinha encontrado uma solução para a sua transição de jogo. Não porque tivesse encontrado uma maneira engenhosa de criar linhas de passe entre os seus jogadores do meio campo, mas porque Renato, com impressionante poder físico, conseguia, na posse da bola, acelerar o jogo, conquistar espaço aberto e, assim, obrigava o adversário a desmanchar o cerco que lhe permitia um ataque em permanência.
É notável que um jogador tão jovem entre em Wembley num jogo contra a Inglaterra e se torne não apenas visível, como marcante.
Pode dizer-se - e é verdade - que o jogo lhe ia, em pleno, nas suas características de cavalo selvagem, que se torna indomável quando pode correr à desfilada e tem tanto espaço na sua frente. Mas é notável a personalidade do jogador. Há quem diga que é a irresponsabilidade natural dos jovens, muito ligada a uma irreverência própria da idade. Não me parece que seja isso. Parece-me, mais, uma daquelas personalidades de jogador de futebol que não se impressiona com nada nem ninguém e cujo destino é vir a ser um dos grandes e pisar os maiores palcos do mundo.
Os pouco mais de vinte minutos que Renato esteve em campo deram, de Portugal, um retrato um bocadinho mais colorido, depois de setenta minutos a preto e branco. E a questão que agora se coloca é: terá sido suficiente para convencer Fernando Santos de que Renato merece um lugar, de início, no meio campo português?
Julgo que a resposta é não.
Pensarão alguns que esta minha previsão se baseia, apenas, no conservadorismo do seleccionador nacional. Mas não é verdade. Os jogos com a Islândia, com a Áustria e com a Hungria terão características diferentes desta apresentação com a Inglaterra. Se Portugal passar a primeira fase do Euro e encontrar grandes e fortes adversários, que se disponham a jogar em ataque continuado, então, sim. Caso contrário, aquelas características de jogo só acontecerão em momentos em que Portugal estiver em vantagem no marcador e, assim sendo, é perfeitamente aceitável e, se calhar, aconselhável, que Fernando Santos mantenha o onze que - ninguém duvide - já tem na cabeça utilizar."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: É engraçado verificar a diferença entre as opiniões de 'alguns', quando o Renato era 'somente' jogador do Benfica, e agora que é jogador da Selecção e do Bayern!!!
Não é preciso perceber muito de futebol, para verificar que existe uma diferença brutal entre o Renato e todos os outros médios da Selecção... mas não deixa de ser curioso, que 'alguns' só tenham chegado a essa conclusão, agora!

Ele é a lenda

"A 25 de fevereiro de 1964, Cassius Clay tornou-se o mais jovem campeão mundial da história do boxe. O homem que veio a chamar-se Muhammad Ali tinha apenas 22 anos quando derrotou o corpulento e superfavorito Sonny Liston, de 32, por KO técnico no final do sexto assalto. Os relâmpagos caíam duas, três, quatro vezes no mesmo sítio (no corpo do adversário) quando entrava no ringue. Morreu esta madrugada, com 74 anos
Esta não é a biografia de Muhammad Ali, mas a de Cassius Clay. Como em todas as outras, há nela um arranque, que é o arranque possível, pois a vida de Clay como a conhecemos começou aos 12 anos; e também há um remate, que coincide com a manhã em que Clay morreu para fazer nascer Ali.
Mas é entre o início e o fim que tudo o que realmente conta se conta: a história do pugilista que se esquivou de todas as previsões para conquistar o seu primeiro título mundial num combate lendário. Aconteceu há 50 anos, a 25 de fevereiro de 1964: Cassius Clay vs. Sonny Liston.

O ARRANQUE
Cassius Marcellus Clay, Senior era um tipo bem-apessoado, um negro que ganhava a vida a pintar cartazes no Sul da América. Tocava piano, bebia muito, era mulherengo e o melhor dançarino de Louisville, no Kentucky. Clay, Senior casou-se com Odessa Grady, mulata religiosa e neta de um irlandês, e da relação de ambos nasceram Cassius, em 1947, e Rudolph, no ano seguinte.
Eram quatro afro-americanos orgulhosos das suas raízes; sobretudo Cassius, Junior que não deixava uma provocação sem resposta.
Foi assim, aos 12 anos, que prometeu ao polícia Joe Martin que daria cabo do canastro ao ladrão que lhe roubara a bicicleta. “Talvez seja melhor aprenderes a lutar primeiro”, aconselhou Martin. Clay calçou as luvas e as sapatilhas: corria de manhã, treinava à noite, ganhava combates e somava troféus amadores durante a adolescência até conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. O seu estilo? Nunca antes visto. Alto, rapidíssimo, felino e bailarino. Como o pai. Estava destinado a grandes coisas e foi preparado para tal pelos seus colaboradores quando se profissionalizou: apareceram-lhe adversários acessíveis que ele foi batendo consecutivamente para ganhar rodagem, calo e um nome dentro do ringue. É assim que as coisas se fazem: um pugilista cresce e aparece enquanto espera pela oportunidade.
No caso de Clay, a sorte bateu-lhe à porta quando foi 'escalado' para o combate do título frente a Sonny Liston, a 25 de fevereiro de 1964, em Miami. Em teoria, era um confronto desigual, como carne para canhão: Clay tinha no currículo a medalha de ouro em Romam, mas Liston somava dois títulos mundiais e um sem número de vitórias por KO; o miúdo tagarela e esguio de 22 anos que fora treinado por um polícia enfrentava o homem misterioso de 32 que aprendera o ofício na prisão após espancar um polícia. Dos 46 jornalistas especializados para avaliar a contenda, 43 escreveram que Sonny Liston ganharia por KO: a pinta de peso-pluma de Clay não faria figura no mundo dos pesos-pesados que esmurram menos, mas com mais força.
“Isto vai durar a quase totalidade do primeiro round”, ironizou então o “New York Times”.
Clay tinha outros planos para essa noite - e estavam todos na sua cabeça.
O QUE CONTA
Cassius Clay decidiu atacar antes do primeiro gongo. Tinha de desestabilizar Sonny Liston, tirá-lo do sério, puxá-lo para o confronto verbal.
“A única coisa em que Clay consegue bater Liston é na leitura de um dicionário”, escreveu-se no “Los Angeles Times”. Nos tempos que antecederam o combate, Clay usou o espaço público da forma que quis para tentar abespinhar o adversário.
Logo no dia da assinatura do contrato, em que ambos se comprometeram a lutar em Miami, Cassius alugou um autocarro, pintou-o com as palavras “Liston tem de cair no oitavo round”, convocou a imprensa e foi estacioná-lo em frente à casa de Sonny, em Denver. Às três da manhã, buzinou e desafiou-o: “Anda cá fora. Vou dar-te uma tareia agora.” Sucede que Sonny acabara de mudar-se para um bairro de brancos e não gostou nada dos distúrbios. A perseguição de Clay a Sonny prosseguiu no campo de treinos do rival, na Florida: “És um urso grande e feio [a alcunha de Liston era Grande Urso]“; “Depois do combate, vou construir uma bela casa e usá-lo como tapete de pele de urso”; “O Liston cheira como um urso e vou doá-lo, depois, a um zoo”; “Se o Sonny me vencer, vou rastejar, dizer-lhe que é o maior e apanhar um jato para fora do país.” E por aí fora...
Os americanos-brancos torceram-lhe o nariz. Clay era um fanático religioso, com ligações à Nação Islâmica, e, se não era louco, pelo menos parecia, pela forma como constantemente queria irritar um tipo muito maior e mais violento do que ele. De repente, o público ficara sem favoritos: o mulato vaidoso iria encontrar o negro criminoso. “Esta será a luta mais popular de todas desde Hitler e Estaline: há 180 milhões de americanos a torcer por um duplo KO”, leu-se. E quando se julgava que Clay tinha afrouxado, a pesagem e os exames físicos que antecedem o combate mostraram o contrário.
Cassius chegou ao local com um casaco de ganga onde se lia “Caça ao Urso” nas costas e gritou: “Sou o campeão! Digam ao Sonny que estou aqui! Tragam esse urso feio para o pé de mim. Alguém vai morrer hoje! Estás com medo, banana!” Exagerou e teve de pagar 2500 dólares de multa pelo mau comportamento.
Mas conseguiu o que queria. “O Liston não estava a pensar em mais nada a não ser matar-me. E quando alguém pensa assim, não está a pensar lutar, não está a pensar treinar para lutar. E eu sabia que o Liston, de tão convencido que era, nunca treinaria para um combate com mais do que dois rounds”, confessaria Clay na biografia.
Os rumores sobre a má forma de Liston eram mais do que muitos: dizia-se que emborcava cerveja e fumava como um reformado; que as ligações à máfia e à família Lucchese o iriam deixar endividado; que o vício das mulheres o deixava esgotado; que corria uma milha em vez de cinco para se preparar; que tinha um ombro amassado. E que, enfim, não tinha 32 mas 40 anos. Clay estava nos antípodas: treinava como um louco, continuava a beber só leite e a comer ovos, e revia os vídeos dos combates de Liston até à exaustão - até ao ponto de saber que o Grande Urso tinha um tique nos olhos quando disparava a sua esquerda mortífera. 

O REMATE
O Convention Hall de Miami estava à pinha e junto do ringue havia consenso: Sonny Liston atropelaria Cassius Clay. Feitas as apresentações e as recomendações, soou o gongo: Liston entrou a todo o gás, porque queria acabar com aquele rapaz de uma vez por todas. E rapidamente.
Só que Clay era tão rápido a andar para trás como Liston para a frente. Um atrás de outro, os golpes de Liston acertaram no ar enquanto Clay lhe ofereceu a cara e uma guarda baixa.
Ninguém previra aquilo, todos ficaram de queixo caído. Aos terceiro e quarto assaltos, com Liston a esgotar reservas e Clay a apimentar o combate com jabs-relâmpagos que não matavam mas moíam, era claro que o título de campeão mundial iria mudar de mãos. E nem a cegueira temporária de Clay no 5º assalto, provocada pela soda cáustica usada por Liston para limpar as feridas, o travou. Durante esse round, Cassius só conseguiu enxergar um vulto e foi à volta dele que trabalhou o seu boxe até a vista clarear. Depois, no 6º assalto, as suas combinações voltaram a resultar em cheio na cara de Liston, cujo rosto inchou como um balão até quase implodir.
De raiva. Mas, acima de tudo, impotência.
“Pronto, acabou”, terá dito aos homens que o acompanhavam no seu canto. Liston cuspiu a proteção dos dentes e ficou sentado quando o árbitro chamou os pugilistas para o sétimo assalto.
Estava sentado e arrumado. Cassius Clay pulou como uma mola, de braços no ar, dançando e repetindo até à exaustão: “Eu sou o maior! E eu abanei o mundo.” Foi a primeira e última vez que o fez como Cassius Clay. No dia seguinte, renasceu como Muhammad Ali.
OS MAIORES EMBATES
ALI VS. LISTON II
No combate da desforra, em 1965, Liston foi ao chão no primeiro round. Diz-se que perdeu de propósito. 

ALI VS. FRAZIER I
Ali perdeu para Joe Frazier, em 1971, naquela que foi uma das suas maiores derrotas. Frazier tornou-se um dos seus mais temíveis adversários.

ALI VS. FOREMAN
Um combate pessoal e político, porque se disputou em Kinshasa (antigo Zaire), em plena emancipação dos países do Velho Continente (1974). Foi um triunfo estratégico de Ali, que se foi encostando às cordas e protegendo o corpo e a cara durante os primeiros assaltos para depois se libertar nos últimos e ganhar por KO quando Foreman estava exausto.

ALI VS. FRAZIER III
Ali ganhara o segundo encontro (1974, aos pontos) entre ambos, mas o mais épico que opôs Ali a Frazier aconteceu um ano depois, em Manila (Filipinas). Foi uma carnificina humana entre dois tipos que se odiavam. “Nunca estive tão perto de morrer”, confessaria Ali. Sob um calor e humidade inimagináveis para um combate de boxe, Ali venceu por KO técnico, quando o treinador de Frazier o impediu de prosseguir. 

Texto publicado na edição do EXPRESSO de 22 de Fevereiro de 2014."


PS: Aqui estão as luvas que Ali ofereceu ao nosso King! Dois dos maiores...!!!


Benfiquismo (CXXIV)

Da 'série': greve dos cabeleireiros !!!

Futebol é paixão!

"Nenhum adepto gosta de ver sair os melhores jogadores, mesmo quando o cheque que entra é bom ou muito bom. Assim como festeja quando os rivais vendem os seus melhores, mesmo que por bom preço. É assim pela natureza afectiva que se tem com o futebol e com os ídolos das nossas equipas. Pedir muito racionalismo ao mais emocional dos fenómenos é contranatura e até o empobrece. O futebol é paixão. No dia em que Gaitán sai, por muito bom que for o preço pago, os benfiquistas ficam tristes; no dia em que virem Slimani noutras paragens, por muito alto que seja o cheque, festejam. Quem gere, quem toma decisões, tem que equilibrar as opções com outras variáveis, os adeptos não.
No Benfica já sabemos que dois terços das notícias sobre as saídas em período de defeso são precipitadas, caso contrário não teríamos onze para jogar no próximo campeonato. Do onze base campeão nacional, os jornais já nos venderam nove.
Grande alegria teve a nação encarnada com a decisão de manter os jogos do Benfica na BTV. Festejamos como de um título se tratasse.
Estou preocupado com a falta de entusiasmo que gerou a contratação de Nuno Espírito Santo na massa adepta portista. Esta depressão é perigosa, normalmente corre melhor ao Benfica um FC Porto de pré-época eufórico com um, qualquer Casillas. José Peseiro saiu como se tivesse culpa... e não a teve. Lopetegui foi despedido como se fosse o único problema e não era. Mas já o basco sucedera a Paulo Fonseca, que fora mandado embora por não ser capaz, o que era manifestamente mentira. Assim teremos que estar concentrados essencialmente na qualidade dos nossos recursos porque será essa a única forma de vencer, de continuar a vencer muito.
Já está confirmado, o tricampeão volta aos jogos oficiais dia 7 de Agosto, para lutar por mais um título. Lá estaremos."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Repeat, repeat, repeat...

Carta aberta

"Estimada Vanda, estimada Sara, estimado Tiago, estimados Santiago, Maria do Mar, António Maria,

Queiram aceitar estas breves mais muito sentidas palavras.
Somos um grupo de benfiquistas que vos está imensamente agradecido pelo vosso categórico contributo neste já longo e empolgante caminho do reencontro do Sport Lisboa e Benfica com a sua História. Nas horas boas e nas horas menos boas, os benfiquistas reconhecem sempre na família do presidente Luís Filipe Vieira um modelo que nos enche de satisfação e reconhecem sem esforço o sacrifício que vos tem sido exigido nestes últimos quinze anos. Em primeiro lugar porque a vossa discrição nos encanta desde o dia 15 de Maio de 2001 quando o vosso marido, pai e avô assumiu a pasta de director do futebol respondendo afirmativamente ao dificílimo desafio que lhe foi lançado pelo presidente Manuel Vilarinho. Neste mundo de vaidades, nesta sociedade absurdamente mediatizada em que se torna difícil estabelecer barreiras entre os domínios públicos e os domínios privados dos nossos mais proeminentes cidadãos, é com orgulho que os benfiquistas se regozijam pela vossa inabalável discrição e categoria. Não é para todos a arte do recato e a defesa intransigente de uma vida longe dos holofotes. Não é para todos mas é para a família do presidente do Benfica. E, também por isso, obrigado.
Em segundo lugar porque reconhecemos a dimensão dos custos familiares que vos causa, desde o dia da sua primeira eleição, a entrega total do presidente Luís Filipe Vieira à hercúlea tarefa de resgatar o Sport Lisboa e Benfica dos abismos em que se viu caído.
Não é para todos a arte da abnegação de uma vida normal em família em prol dos sonhos de um colectivo de milhões que somos nós, a família benfiquista. E, também por isso, obrigado.
Aproxima-se, como sabem melhor do que ninguém, um novo acto eleitoral no Sport Lisboa e Benfica e o que os signatários desta carta vos pedem com o respeito devido é que consintam, uma vez mais, no incontornável sacrifício da vossa vida familiar em benefício do sucesso da incrível obra que o vosso marido, pai e avô tomou em mãos e que ainda não chegou ao fim.
Não é para todos a arte da partilha e do apoio incondicional a um clube que é um símbolo de tudo o que vale a pena.
Não é para todos mas é para a família do presidente do Benfica. É para a família Vieira!
É e será, assim esperamos. E, por isso, obrigado.
Viva o Sport Lisboa e Benfica!"

Maria Susete Abreu, Leonor Pinhão e Rui Pereira, in O Benfica

PS: Esta carta provocou alguma polémica nas redes sociais Benfiquistas. Fiquei com dúvidas, se deveria partilhar aqui no Blog... Acabei por decidir pela publicação, essencialmente por duas razões:
1.º - Os 3 subscritores merecem-me todo o respeito;
2.º - É fácil encontrar lugares online, com Benfiquistas (supostos Benfiquistas), onde o ataque ao Presidente do Benfica é constante... e não estou a falar das discordâncias 'normais' sobre a política seguida no Clube. Estou-me a referir a acusações graves e constantes, caluniosas e difamatórias sobre a vida pública e privada do Presidente do Benfica... Sendo assim, acho que os elogios também merecem ser publicados...!

Fernando Santos: ou esteve muito tempo fora ou então não sei

"Quando me perguntam qual é o golo da minha vida, eu viajo três décadas no tempo para voltar à minha infância: ao golo de Carlos Manuel em Estugarda.
Por um lado porque durante anos todos os programas de desporto da RTP repetiam aquele momento no genérico de abertura, o que significa que terei visto o golo centenas de vezes: mais até do que o calcanhar de Madjer em Viena.
Por outro lado porque aquele golo de Carlos Manuel encerra a definição mais perfeita de Portugal: um país que é uma permanente epopeia.
Vale a pena lembrar os leitores mais novos que em 1985 Portugal deixou o apuramento para o Mundial do México adiado para o último jogo: e por força das circunstâncias, ou do destino fatalmente português, o último jogo era na Alemanha.
Ora vencer na Alemanha era uma tarefa praticamente impossível, e o que é que Portugal fez? Venceu na Alemanha.
Venceu, aliás, da forma mais notável: num remate celestial de Carlos Manuel, de fora da área, ao ângulo, com Schumacher preso ao chão.
Isto, meus caros, isto é Portugal.
Um país que não se mede pela medida do possível, mede-se pela medida do impossível. Um país cheio de metas difíceis e objectivos irrealistas, de propósitos utópicos e projectos impossíveis. Um país enfim coberto de portugueses a falar português.
Portugal é confortavelmente insatisfeito.
Por norma senta-se à sombra, pensa que tem tempo e só se levanta quando o coração pular a noventa batidas por minuto. Espera que o tempo, ou o lugar, ou ambos estejam contra ele, entra num estado de completo desassossego e depois sim atira mãos à obra.
Portugal não é prudente, nem organizado, nem sequer é aborrecido. É um poema épico à espera de ser escrito.
Quer dizer, há uma excepção: o crime. Os criminosos portugueses são uma vergonha para a classe, como escreveu um dia Miguel Esteves Cardoso.
Geralmente o nosso criminoso começa por ir para a tasca beber uns copos, acaba por se embebedar, grita que vai matar a mulher, ou o cunhado, ou ambos, ouve os vizinhos dizer ó homem não faça isso, grita que faz sim senhor, ai não que não faz, chega a casa, dá um tiro na mulher, no cunhado ou em ambos, e deita-se no chão à espera que a GNR chegue.
Não planeia, não esconde provas, não prepara alibis, nem dá luta nenhuma à polícia.
Os criminosos estrangeiros geralmente voltam ao local do crime. Os nossos nunca o abandonam. São enfim de um amadorismo confrangedor.
Para lá disso, da despretensão e singeleza dos nossos criminosos, Portugal, sim, é um poema épico à espera de ser escrito. Uma constante aventura.
Ninguém me tira da cabeça, por exemplo, que Vasco da Gama só descobriu o caminho marítimo para a Índia porque teimou que conseguia chegar à costa de Marrocos sem precisar de bússola. Porque em norma, entre nós, é assim que acontece.
Por isso ninguém se alarmou quando a Selecção deixou os apuramentos para o Mundial 2010, o Euro 2012 e o Mundial 2014 adiados para o play-off: no fim correu tudo bem.
Nada de novo, portanto: no fundo cumpriu-se Portugal.
Surpreendente, sim, é este sossego, este silêncio, esta quietude, esta paz de espírito, até: não é normal. Nunca me senti tão alemão, e atenção que isto não é um elogio.
De repente Portugal garante o apuramento com tempo e sem sobressaltos, no fim de uma fase de apuramento equilibrada e competente. Não há surpresas na lista de convocados e não há tumulto nas concentrações. A Selecção tem ordem, tem critério, tem até uma lógica.
Para o cúmulo vai a Inglaterra, joga uma hora em inferioridade numérica e no fim perde da forma mais honrada e imaculada possível.
Com sorte ainda vai garantir o apuramento para os oitavos de final ao segundo jogo. Depois disso jantamos todos às seis da tarde e invadimos os bares às dez da noite. O governo não voltará a falhar uma previsão e deixará de existir a figura do orçamento rectificativo.
Portugal parecerá um país organizado, daqueles que planifica, providencia e proteja. Um país todo direitinho, e de direita, que veste camisa às riscas, faz a cama e dobra o pijama.
O que é óptimo para os doentes do coração, mas péssimo para a nossa memória colectiva.
Não foi assim que Portugal escreveu páginas verdadeiramente épicas e que Carlos Manuel marcou o golo da minha vida."

Permanente surpresa

"(...)
Aprendi há muitos anos que "O hábito retira as sensações".
O que acaba de ser dito, trocando em miúdos, significa que as coisas na vida vão arrefecendo com o decurso da mesma. Acontece assim em todas as relações humanas, no envelhecimento dos tecidos, do Universo, enfim, resulta da própria natureza das coisas, pois, como dizia o outro, na Natureza nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma!
A verdade é que não vale a pena criar novos nichos, porque afinal tudo é igual a antigamente, só que vestindo outras roupas.
Também é por essa razão que as calças à boca-de-sino, moda nos anos 70, volta não volta, reaparecem. É por isso que a verdade de hoje é a mentira de amanhã, e a mentira de hoje é a verdade de amanhã.
Vem isto tudo a propósito da Benfica TV e do comunicado que foi emitido pela Nos, que de forma singela menciona "Em comunicado, a NOS informa que "os jogos do Sport Lisboa e Benfica realizados em casa a partir da época 2016/2017 manter-se-ão na Benfica TV"."
É evidente que não foi só o presidente do Benfica que esteve envolvido neste grande feito. Aliás, desconheço em concreto quem esteve, para além dele. Mas sei de certeza que foi o presidente o principal capacitador e mentor, desta possibilidade.
É incrível, como o presidente do Sport Lisboa e Benfica, conseguiu este feito! Alienar os direitos de transmissão televisiva a uma entidade que é dona de 50% da Sport TV e que numa lógica racional de mercado, teria todo o interesse em aumentar as receitas de pay-per-view e assinaturas nesse canal, mas conseguir que os jogos sejam transmitidos pelo canal da BTV, pertença da sociedade Benfica TV S.A., para mim, um simples escriba, mas com uns quantos cursos académicos já no bucho, é simplesmente "uma coisa do outro mundo".
É caso para dizer que bem posso meter os cursos académicos a marinar num determinado sítio! É brilhante e quando estamos perante excelências, apenas nos podemos inclinar e prestar os respeitados cumprimentos e veneração. É isso, que faço no presente artigo."

Pragal Colaço, in O Benfica

Desaire no basket

"No fim-de-semana passado, o tetracampeão Benfica perdeu o título de Basquetebol. A notícia é relevante pois esta é a modalidade que, nos últimos oito anos, a par do atletismo, mais troféus tem conquistado para engrossar o imenso e inigualável espólio do Sport Lisboa e Benfica.
Seis Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, quatro Taças da Liga, seis Supertaças e cinco Troféus António Pratas completam o pecúlio obtido desde há oito temporadas, fazendo recordar outros dois períodos áureos do Benfica na modalidade: Nos anos 60, de pentacampeonato; e dos anos ao a meados dos 90, com dez Campeonato Nacionais em onze épocas, além de muitos outros títulos e troféus. Num clube com estes pergaminhos numa modalidade, estar aquém do estatuto de campeão é, não há outra forma de o dizer, um falhanço, não obstante o sucesso em três competições [Taça de Portugal, Supertaça e Troféu António Pratas) na temporada que agora findou. Importa, por isso, reflectir sobre a época, identificar as lacunas e perceber os fundamentos do mérito do adversário para que se possa corrigir, o mais depressa possível, que tiver de ser corrigido. Aliás à semelhança do Voleibol, em que não nos satisfazemos com uma Supertaça, uma Taça de Portugal e a presença na final da terceira competição europeia.
Trabalhar muito, ganhar e ambicionar sempre mais é saber servir o Benfica. Quer Carlos Lisboa, quer José Jardim, sabem-no melhor que ninguém, não fossem eles, nas suas modalidades, quem mais ganhou ao serviço do clube. "Honrai agora os ases que nos honraram o passado", escreveu Félix Bermudes. No caso destes treinadores, é a eles próprios, entre muitos outros, que se honram."

João Tomaz, in O Benfica

A angústia do adepto

"O tema é recorrente. A cada defeso, a angústia do adepto cresce à medida que as notícias da saída de jogadores se avolumam nos jornais.
Quase não nos deixam comemorar os títulos em paz. Em poucos dias, a crer na imprensa, praticamente não temos equipa.
Para além de Renato Sanches, pelo menos Ederson, Jardel, Lisandro, Lindelof, Fejsa, Salvio, Talisca, Carcela, Gaitán e Jonas, foram, por estes dias, dados como negociados, ou negociáveis, para outros destinos. Na maioria dos casos tal não passa de especulação. O problema é que por vezes o fumo traz fogo, e alguns deles podem mesmo ter de vir a sair.
Sabe-se como funciona o modelo de negócio em clubes como o nosso, de países periféricos, e sem o poder financeiro de outros mercados. Sabe-se que, para manter contas equilibradas, e não comprometer o futuro, há que vender jogadores. Sabe-se que os mais procurados, os mais valiosos, os mais rentáveis, são, obviamente, os melhores. Sabe-se que os próprios, aliciados por salários principescos, são frequentemente os primeiros a forçar a saída. Sabe-se da pressão de agentes e intermediários. Sabe-se que, sobretudo em anos de Europeu ou Mundial, é difícil planificar o que quer que seja nesta matéria. Porém, existem princípios orientadores que convém não desprezar.
Há jogadores em picos da valorização, mas susceptíveis de ser bem substituídos. Por outro lado, há jogadores cujo valor de mercado, por motivos etários ou outros, é manifestamente inferior ao valor desportivo - leia-se, ao peso na equipa. Poderá ser boa gestão vender os primeiros. Será sempre mau negócio perder os segundos."

Luís Fialho, in O Benfica

E agora?

"Chega o verão, chega o defeso, vêm as longas semanas de especulação. Vá lá que este é ano de Euro em França e as atenções vão estar divididas entre a unha de Cristiano Ronaldo, as tatuagens de Ricardo Quaresma e as opções do Engenheiro para a conquista do título europeu. Claro que o SL Benfica não vai sair incólume desta situação.
Para já estamos a assistir às carpideiras leoninas que ainda não recuperaram do rude (tradicional) golpe de terminar mais uma época sem sentir o cheiro das competições que realmente importam. Mais a Norte, assiste-se à implosão da família que sempre conseguiu os seus objectivos sem olhar a meios. Depois da dança dos treinadores, deverá chegar a dança dos jogadores de milhões a entrar e a sair da famigerada Torre das Antas. Já não faltará muito para que voltem as polémicas ao Glorioso. O título de campeão fez abrandar o ritmo, mas com as saídas do plantel que estão na calha já muitos se devem estar a preparar para augurar um 2016/2017 tenebroso para o Tricampeão.
Não faz mal, já estamos habituados a que assim seja. Vai falar-se muito da pré-época, vai voltar a pôr-se em causa a qualidade de Rui Vitória, vai continuar a questionar-se Luís Filipe Vieira e a sua Direcção, vai escrever-se que o Benfica fica mais fraco com as ausências deste, daquele e do outro, mas no fim - auguro eu - tudo fica na mesma. Um contra todos, a bola é redonda e ganha o Benfica. É a história mais recente do nosso Futebol. O ódio mesquinho e a inveja doentia voltarão a não triunfar. Nos relvados, nos pavilhões. nas pistas. nas estradas, o mais completo de todos os clubes portugueses vai continuar o seu caminho de sucesso. Mas atenção, só com a ajuda de todos nós."

Ricardo Santos, in O Benfica

Os problemas de Rui Jorge

"Portugal poderia apresentar uma Selecção de luxo no Torneio Olímpico de futebol, no Rio de Janeiro, em Agosto, mas o mais provável é que Rui Jorge tenha de recorrer a jogadores que em circunstâncias normais não figurariam numa primeira (ou numa segunda) lista. Isto porque, ao contrário do verificado em 2012, a FIFA não avançou com qualquer norma que obrigue os clubes a cederem os seus profissionais para esta competição, ou seja, deixa que cada clube tome a opção que entender. A posição deste organismo é compreensível: 2016 não é apenas um ano de Campeonato da Europa,joga-se igualmente a Copa América, significando isso que um número elevado de clubes europeus já tem muitos dos seus principais jogadores cedidos a selecções. Se o arranque dos trabalhos vai ser mais complicado devido às férias a que os atletas terão direito, pós Euro e Copa América, agora junte-se a isso a ausência de muitos outros que a partir de 20/21 de Julho estariam a preparar os Jogos Olímpicos (e onde poderiam ficar até... 21 de Agosto). Impraticável.
Por estes dias não faltará o coro que enche a boca a cada quatro anos com o "espírito olímpico", mas nem esses podem ignorar o óbvio: o futebol é a única modalidade colectiva geradora de milhares de milhões que fica sistematicamente prejudicada com o calendário olímpico. Utilizar na mesma frase "espírito olímpico" e "um milhão de euros/mês" não faz qualquer sentido. E no entanto esse é o salário de vários jogadores que alguns seleccionadores gostariam de levar ao Rio de Janeiro. Mas são pagos pelos clubes, não pelas federações... Os clubes que lhes pagam não os poderiam utilizar em Agosto, por exemplo, nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Faria algum sentido?
Exemplos práticos só no caso português: olhando às últimas convocatórias (Sub-21 e olímpicos), Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa (todos do Monaco) se fossem aos JO falhariam a 3.ª pré eliminatória e o playoff de acesso à Champions; Rúben Neves, Sérgio Oliveira e André Silva (FC Porto) não jogariam o playoff de acesso à Liga dos Campeões; e o Sporting, já agora, iria arrancar para a Liga 2016/17 com pouco mais de metade do plantel. Repito: impraticável."

O castigo a Slimani

"Seis meses e meio depois da ocorrência dos factos, a justiça desportiva penalizou o avançado Slimani, do Sporting, com um jogo de suspensão. Não vou, aqui e agora, deter-me nos méritos da decisão, se o que Slimani fez a Samaris merecia ou não castigo, ou, até, se houve outros casos que poderiam ser punidos. 
Aquilo que gostava de partilhar nestas linhas é a indignação que sinto pela intolerável lentidão da justiça desportiva, incompatível com as necessidades de uma competição profissional. Não é aceitável que Portugal - ao mesmo tempo que se coloca na vanguarda com os testes do video-árbitro - tenha vivido na era das cavernas quanto à forma como a justiça é aplicada. Para bem da verdade desportiva, não podemos aceitar que um ato realizado em meados de Novembro de 2015 seja punido em Junho de 2016, projectando o cumprimento do castigo para a época de 2016/17. É demasiado mau...
É verdade que, do programa eleitoral de Fernando Gomes, candidato único à presidência da FPF, consta, na primeira linha, a necessidade de criar meios para uma justiça desportiva célere. E essa também é a linha de pensamento do futuro presidente do Conselho de Disciplina, José Manuel Meirim. Mas será com factos, apenas, que nos convenceremos de que as coisas estão, finalmente, a tomar o rumo certo. Não que tenha quaisquer dúvidas quanto à vontade de Fernando Gomes ou à capacidade de José Manuel Meirim. Porém, sem meios, por maiores que sejam as boas vontades, nada se fará. E são esses meios que desejo que sejam colocados ao serviço de uma justiça desportiva que não nos envergonhe. Como até agora sucedeu."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Esta situação abjecta faz-me recordar um castigo a Fernando Mendes, num Estrela Amadora-Corruptos, que também foi cumprido na época seguinte, quando o jogador já representava outro Clube...!!!
O nível da justiça desportiva no Tugão, recuou, mais de 25 anos, para uma das piores eras do Futebol português!!!

Desvirtuar olímpico

"Sem surpresa, os clubes portugueses de referência impediram os seus principais futebolistas de integrar a equipa olímpica no Rio-2016. Muitos defendem a obrigatoriedade da participação, mas os clubes não estão forçados pela FIFA a libertar os seus jogadores para os Jogos Olímpicos (JO). Mais, estes são uma competição entre atletas e não entre países. O Comité Olímpico Nacional (CON) tem a sua Missão, não é uma selecção nacional, à semelhança do que acontece nas competições sob égide das federações internacionais.
Com realismo, o seleccionador Fernando Santos lançou a questão da pertinência da inclusão do futebol nos JO, abordando a incompatibilidade do calendário com a preparação das equipas profissionais.
Com o mesmo pragmatismo, os clubes que se pavoneiam com um projecto olímpico deviam assumir, de forma clara e inequívoca, que a participação olímpica no futebol não é, de todo, uma prioridade. Ou seja, o projecto olímpico aposta em atletas de modalidades com excepção do futebol e, regra geral, não são um verdadeiro projecto desportivo, mas contratações cirúrgicas a clubes de menor dimensão.
E como fica a eficiência do investimento do CON que financia mensalmente a preparação de uma equipa olímpica de futebol que se qualificou para os JO, com expectativas de resultados de mérito, quando na verdade, os atletas e a qualidade desportiva que assegurou essa qualificação poderá não ser a mesma que vai competir?
E se na canoagem - ou noutra modalidade em que as quotas são alocadas ao CON e não ao atleta - os atletas enviados aos JO fossem de qualidade desportiva inferior à dos que conseguiram a qualificação, por estes estarem impedidos de participar pelo seu clube? Nesse caso, a federação e o atleta estão obrigados a devolver os montantes recebidos para a preparação. Vai ser assim para todos?"

Mário Santos, in A Bola

PS: Quando dirigentes (ou e-dirigentes) do CON insistem em criticar directa ou indirectamente o projecto olímpico do Benfica (a grande maioria deles Lagartos!!!), ficamos a saber que eles percebem que a existência do projecto, só prova a sua própria incompetência/irrelevância... já que os atletas são obrigados a recorrer aos Clubes, para obterem a estabilidade económica que lhes permite preparar os JO convenientemente.
Clubes que diga-se, não ganham 'nada' com os JO, ao contrário do COI e dos vários CON!
Ao contrário também de muita gente que ocupa lugares no COI ou nas Federações, que deve a existência dos seus 'tachos', a subsídios públicos, supostamente para darem apoio aos atletas. E quando esses atletas recorrem a terceiros (neste caso os Clubes), deixam de ficar dependentes desse grupo de 'tachistas' e dos subsídios que precisam das suas assinaturas!!! Portanto, esta 'azia' até é compreensível...

Em relação ao torneio de futebol masculino, a 'culpa' é na sua totalidade partilhada pela FIFA e pelo COI. Os Clubes só defendem os seus interesses. Bastava existir um acordo entre a FIFA e o COI, para que os calendários fossem adaptados aos 16 dias, de 4 em 4 anos, dos JO...

O COI não aceita partilhar os direitos comerciais e televisivos dos JO com a FIFA (ou com outra qualquer Federação internacional), está no seu direito. Agora não atirem as 'culpas' para cima dos outros, que têm responsabilidades contratuais com os atletas, pagando-lhe ordenados, muitas vezes elevados, durante as suas carreiras desportivas de muitos anos...

Ainda no rescaldo...

Benfiquismo (CXXIII)

Bailarinos ?!!!

Fé no pau...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Notícias tão exageradas...

"Na tão badalada transição de treinadores, no final de 2014/15, e depois de o Benfica ter sido Bicampeão, temia-se o pior, lembram-se?

Todos os fins de época aparecem notícias sobre a venda de jogadores. E, a nós, invariavelmente, lá nos vão dizendo que só não vendemos mais porque não podemos...
Como diria o Rui Veloso... «parece que o mundo inteiro se uniu para nos tramar».
O mundo - bem visto - do futebol com dinheiro, que quer adquirir os melhores jogadores!
E não o dos que oferecem tuta e meia pelos... «melhores jogadores do mundo» ..., oriundos da «melhor academia do mundo», treinados pelo «melhor treinador do mundo», a jogarem na... «maior potência desportiva mundial», perdão, nacional...
Que injustiça!

O exagero das notícias das contratações
1. Terminada a época, e ainda que haja Europeu, estamos na fase das notícias de entradas e de saídas de jogadores. Pelo que se lê, vê e ouve, todos os anos sem excepção (e não exagerando), são contratados, no mínimo, dois autocarros de novos jogadores para o Benfica
 Por não haver jogos de futebol e a consequente animação do campeonato - o penalty que não marcaram contra o Benfica, o golo do Benfica (não)precedido de fora-de-jogo, os jogadores do Benfica que nunca são expulsos - já sabemos que vem aí uma agitação excessiva do mercado... nas notícias.
Toda a grande especulação em torno das possíveis entradas e saídas, numa (quase sempre) tentativa de adivinhação, gera receios e preocupações.
Mas para evitar que isso aconteça, é o meu dever - ainda que adepto apaixonado - tentar esclarecer e descortinar a nossa próxima época. Porque, de facto, só a do Benfica me importa.

A assustadora mudança de há um ano
2. Depois da anunciada saída de alguns jogadores no final da época, em que conquistamos o tricampeonato, lê-se e ouve-se, diariamente, que outros tantos sairão e que, por isso, o Benfica irá comprometer a próxima temporada.
Na tão badalada transição de treinadores no final de 2014/15, e depois de o Benfica ter sido bicampeão, temia-se o pior, lembram-se?
Confesso que nunca percebi esse receio, uma vez que se tratava apenas de uma mudança de treinador, permanecendo, contudo, grande parte do plantel.
Após a conquista do bicampeonato, em 2014/15, saíram alguns jogadores teoricamente relevantes, sendo disso exemplo Artur, Maxi, Lima e Nélson Oliveira.
Mas - vendo bem - não foram significativas as mudanças no plantel, embora os ecos se tenham encarregado de ampliar os factos.
Coisas da vida... e do mundo do futebol, em particular.

O início do tricampeonato
3. Com o início da época de 2015/16, e para reequilibrar o plantel, colmatando algumas saídas que eram tidas por insubstituíveis por alguns, Raul Jimenez e Mitroglou entram e reforçaram o plantel, para além da revelação de Nelson Semedo.
Grimaldo chegou em Janeiro, no que terá sido a janela de inverno menos utilizada em compras pelo Benfica, mas que ficou ligada, para sempre, à descoberta de Ederson, de Lindelof e de Renato Sanches. Mas, ainda assim, muitos continuaram apreensivos.
Como se o sucesso de uma equipa dependesse, exclusivamente, de um treinador.
Nem que ele - seja lá quem for - se julgue e se anuncie como «o melhor do mundo»!
Por vezes a mudança assusta, mas como diz Camões... «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».
O facto de termos finalmente alguém no banco que sabia - e sabe - o que é ser do Benfica e que tinha - e tem - a noção de que o símbolo é maior que qualquer jogador, treinador ou dirigente, ... foi tranquilizador para os com mais dúvidas.
E com alguma razão...
Até porque, no fundo, todos sabíamos que se fechava um ciclo, mas que se abria outro, sem que isso significasse ou pudesse significar deixar de ganhar.

Este ano...
4. Pois para 2016/17, como seria expectável, nesta voragem das notícias, parece que vamos ficar sem equipa.
E já nem o Europeu atenua a especulação do costume...
Desde Janeiro - quando começaram as notícias (e se a memória me não falha) - já ficamos sem... guarda redes (ou mesmo os dois, não fosse um deles ter encontrado a Montblanc para assinar a renovação... contra os Inácios deste mundo e quem lhes diz para dizer o que dizem), sem o defesa direito dos primeiros jogos, sem 3 dos 4 centrais (desta vez, o que está para sair há 12 anos, ficará), sem os 3 médios habituais, sem o ala esquerda e sem os três pontas de lança...
Irra, que só de escrever dá para deixar um tipo com um ataque de coração...
O que não seria para menos...
Mas, à imagem de outros anos, e como é evidente, isso não vai acontecer...
Até porque no início da época anterior as saídas também aconteceram... e não foi por isso que não fomos... tricampeões!
Sem grandes alaridos, deixando a caravana passar...
Todos sem excepção sabem que o ideal é não vender.
E haveremos de lá chegar.
Até lá... temos de ser realistas e vender o menos possível, mas aceitar que temos que vender.
E um dia, quando não vendermos, agradeceremos a quem, vendendo alguma coisa, hoje, nos permitir, depois, não vender para podermos ambicionar ganhar (e ganhar mesmo) competições europeias. Para acabar com a fanfarronice de uns e com a mania da igualdade de outros.
Por isso, no plantel da próxima época, além de algumas entradas específicas, depois de debatidas e estudadas as reais necessidades, continuar-se-á a apostar seriamente na formação!
Até porque teremos de conjugar sempre a experiência de jogadores feitos com jogadores dessa formação, uma vez que esta é um meio - e não um objectivo - para termos uma equipa mais forte. 
Como, este ano (ao contrário dos anteriores), o foram Ederson, Nelson Semedo, Renato Sanches e Lindelof... sem falar da confirmação da polivalência e da disponibilidade permanente em ajudar a equipa - onde foi preciso - de André Almeida!
Na próxima época, teremos, certamente, jogadores da formação que, tendo oportunidades, serão as novas grandes revelações da equipa principal.
Porque longe vão os tempos em que essas oportunidades não eram dadas... por quem lhas devia dar. Ainda que não exista espaço para todos, a saída de uns será, certamente, a oportunidade (merecida) de outros.
Sempre acompanhada pelo apoio dos colegas mais experientes, para que se mantenha presente e viva, no balneário, a História que Eusébio e Coluna - e tantos outros - fizeram.
Não há, por isso, razões para alarme com este período de transferências! Na próxima época, além de crença nas capacidades de quem serve o Benfica, vamos continuar a acreditar em cada um dos jogadores que irá compor o plantel. Porque, até poderemos ter algumas razões para duvidar, mas continuamos a ter uma (muito) forte para crer.
Porque só pensamos em nós...
Sem que isso signifique abdicar do presente ou hipotecar o futuro.
E, com isso, liderar, além de acreditar, ganhar e convencer.
Vamos a isso, BENFICA???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

O Maior !!!

A lenda dos Magriços

"Há meio século, a selecção alcançou o seu primeiro Mundial, em Inglaterra (com quem volta hoje a jogar em Londres, na preparação para o Euro). Os portugueses espantaram tudo e todos, com um jogo épico contra a Coreia do Norte e consagrando uma lenda, Eusébio. O Expresso juntou seis Magriços
Em 1966 estiveram todos juntos e deram aos portugueses uma das maiores alegrias colectivas do século passado: o terceiro lugar no Mundial de Futebol de Inglaterra. Agora, meio século depois, alguns dos seis Magriços que responderam positivamente ao convite do Expresso já nem se reconhecem à primeira vista.
É o caso do antigo defesa-esquerdo benfiquista Fernando Cruz, que franze o sobrolho quando olha para o ex-médio sportinguista Fernando Peres. Minutos depois, no restaurante do campo de golfe anexo ao Estádio Nacional, em Lisboa, que foi o ponto de reencontro, é o antigo defesa-central leonino, Alexandre Baptista, quem não consegue identificar o homem de estatura média, e hoje atarracada, que tem pela frente: trata-se de Fernando Cruz. Este é, curiosamente, o único dos antigos futebolistas fora de jogo no teste da balança. De um modo geral, os anos passaram por eles (estão todos na casa dos 70), mas a aparência confirma que se está perante antigos atletas. Fernando Peres, esse então, enxuto de carnes, parece muito longe dos 73 anos que já leva.
Chegam aos poucos. Peres, Cruz e José Carlos, ex-defesa do Sporting, são os primeiros. De seguida junta-se-lhes Alexandre Baptista. António Simões, o antigo extremo-esquerdo do Benfica, entra alguns minutos depois, antes do sexteto ficar completo com o também ex-benfiquista José Augusto, ponta-direita da temível linha avançada do seu clube e da selecção. Com a miniequipa já quase à mesa, e uma vez desfeitas dúvidas sobre os paradeiros dos mais desligados do circuito público — aqui o campeão é Fernando Cruz, várias décadas emigrado nos Estados Unidos e a viver em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu —, começou a imperar a boa disposição e uma salutar provocação.
Simões é, em muitos momentos, o mestre de cerimónias. A primeira vítima é José Carlos, a quem um percalço doméstico deixou recentemente a cara maltratada. “Deste uma cabeçada na bola ou no adversário?”, pergunta agilmente o antigo atacante, homem que enchia os estádios de fintas repentinas. A resposta de José Carlos é rápida e seca, a mostrar que o antigo defesa não perdeu o jeito para cortar as jogadas adversárias: “Foi num degrau lá de casa”, onde tropeçou a brincar com um neto, explica, bem-disposto.
MEMÓRIAS: O Expresso desafiou os Magriços para um reencontro. Responderam à chamada seis, para uma fotografia no relvado do Estádio Nacional, no Jamor, no dia 20, onde dois dias depois se realizou a final da Taça de Portugal. Em cima, da esquerda para a direita: José Carlos, António Simões, Fernando Peres e Alexandre Baptista; em baixo, José Augusto e Fernando Cruz
Os anos 60 do século passado foram a década de ouro do futebol português. O Benfica foi bicampeão europeu e marcou presença em mais três finais. Num período de sete anos (de 1961 a 1968), os encarnados estiveram quase sempre entre os dois melhores clubes da Europa. O Sporting, por sua vez, venceu uma Taça das Taças. Com tanta abundância, 1966 foi a cereja no topo do bolo: a participação num Campeonato do Mundo, a primeira da história desportiva nacional, saldou-se num terceiro lugar, o melhor de sempre até hoje na maior competição futebolística do planeta. Mas mais do que a classificação, foi um futebol que encantou o mundo, um desafio (com a Coreia do Norte) que se tornou épico e um jogador (Eusébio, pois claro) que seria consagrado imortal.
Cinquenta anos depois, a poucas semanas de outros futebolistas com a camisola das quinas entrarem em campo no Europeu de França, seis dos Magriços desfiaram algumas das suas memórias desse ano longínquo.

“VOCÊ, GURI, VAI JOGAR COMO QUISER”
Não há Mundiais sem uma fase de apuramento, e esse foi arrancado a ferros, com um jogo decisivo na Checoslováquia em que a seleção lusitana ficou praticamente reduzida a dez elementos logo aos três minutos, por lesão de Fernando Mendes. Nesse tempo não havia substituições (só surgiriam em 1970) e, quando o infortúnio batia à porta, ou a maldade dos adversários fazia mesmo mossa, a equipa atingida ficava irremediavelmente desfalcada. Mendes manteve-se em campo, mas remetido, ele que era um médio, à posição de extremo-esquerdo, fazendo pouco mais do que figura de corpo presente.
Simões conta as palavras que o treinador brasileiro Otto Glória dirigiu ao intervalo (Portugal já ganhava 1-0, golo magistral de Eusébio aos 20 minutos). Depois de ter dito a cada um como pretendia que jogassem, Otto guardou as última indicações para o número 11: “Você, guri, vai jogar como quiser”, disse o treinador. 
‘Guri’ é um termo usado no Brasil para ‘menino’, ‘rapaz’ ou ‘pequeno’. Simões era o ‘pequeno’ da selecção, não só por ser dos mais novos (22 anos, a mesma idade de Peres, apenas ultrapassados por Manuel Duarte, do Leixões, com 21) mas sobretudo por ser o mais baixo. “Eu, que tinha um 1,66 metros, depois entrei no campo como se tivesse 1,86 metros. Foi uma forma de me dizer a mim, e aos outros jogadores, que era preciso darmos todos mais um bocadinho, para substituir o que faltava.” “Otto era de primeira categoria na parte psicológica e mental”, reforça Alexandre Baptista. A galvanização funcionou, e Portugal vergou a poderosa Checoslováquia, então vice-campeã do mundo.
Conquistado o apuramento, o Mundial começou a ser preparado em casa, findas as competições internas. Para Inglaterra foram escolhidos 22 atletas. Fruto da excelente época que tivera, o Sporting foi a equipa que mais jogadores forneceu: oito, o que significa que do seu onze base só três ficaram de fora. Seguiu-se o Benfica, com sete, três do Futebol Clube do Porto e dois do Belenenses, enquanto o Vitória de Setúbal e o Leixões contribuíram, cada um, com um: Jaime Graça e Manuel Duarte, já em trânsito para o Benfica e o Sporting, respectivamente. Nenhum jogava no estrangeiro e quatro — peças nucleares da equipa — eram negros de Moçambique: Vicente, Hilário, Coluna e Eusébio... Com lugar cativo no grupo, a lesão de Fernando Mendes na Checoslováquia impediu-o de ser um dos 22, mas a federação, como explica Simões, “fez questão de o incluir, e muito bem, na comitiva oficial”.
Tal como este ano, também há meio século Benfica e Sporting disputaram o campeonato até à última jornada. O título ficou então em Alvalade. A selecção “teve um estágio apropriado”, conta Alexandre Baptista. Como Benfica e Sporting “foram prematuramente afastados da Taça de Portugal” e “o Benfica andava um bocadinho por baixo, fizeram um estágio em Vale de Lobo, que durou quase um mês”.
O acerto do estágio, que incluiu uma passagem por Ofir aquando de um jogo no Norte, também é sublinhado por Simões. O objectivo era duplo, conta: “Por um lado, havia que recuperar os jogadores do Benfica, muitos deles indiscutíveis na selecção e que tinham feito uma época para esquecer. Por outro, manter o estímulo de sucesso dos do Sporting. A convocatória foi um atestado de confiança nos jogadores do Benfica, apesar de alguns estarem de rastos, e um prémio aos do Sporting, chamados a desafiar os consagrados do Benfica.”
À partida para Inglaterra, afiança Peres, “o espírito de grupo estava extremamente fortalecido. As cores dos nossos clubes ficaram em Portugal”. Cores que eram, naturalmente, Benfica e Sporting (ou vice-versa). “Todos nos conhecíamos muito bem, e não só dentro de campo. O Mundial confirmou a relação de respeito, de estímulo e de compromisso de um grupo que foi para a selecção sem camisola [de clube] vestida”, reforça António Simões. “Era uma rivalidade sadia”, sintetiza José Augusto.
O hotel escolhido para quartel-general dos Magriços — cuja designação se deve a uma lenda contada por Camões em “Os Lusíadas” sobre um cavaleiro português do século XIV, de nome Álvaro Coutinho, apelidado de “O Magriço”, que, juntamente com 11 pares, rumou a Inglaterra para participar num torneio em defesa da honra de 12 donzelas britânicas — é uma espécie de casa de campo, perto de Manchester, de grande pacatez. Na bolsa das apostas, Portugal não suscitava especial interesse. Entre alguns jogadores, as expectativas também não eram altas. “Quando ia no avião, pensava: ‘Se passássemos a fase de grupos, era uma coisa fantástica.’ Fomos para lá sem objectivos definidos”, recorda Alexandre Baptista.
A estrutura de comando da selecção era diferente da actual, que já tem várias décadas (com excepção do Europeu de 1984, em França), em que um só homem (no caso, Fernando Santos) acumula as funções de seleccionador e de treinador. A direcção da equipa, para usar um termo contemporâneo, era bicéfala: Otto Glória era o treinador, mas a função de seleccionador estava atribuída a Manuel da Luz Afonso. Era este, de resto, quem escalava os futebolistas para cada partida. “Jogam estes!”, dizia no balneário, antes de elencar o onze, lembra Alexandre Baptista. “Nunca abdicou do seu direito de ser seleccionador”, afirma o antigo defesa do Sporting. Depois, Otto Glória dava a táctica. Era pacífica essa coexistência entre os dois comandantes da equipa? Baptista, José Carlos e Simões acreditam que sim, pois crêem que Glória (que nesse ano fora o treinador do Sporting campeão) e Afonso (dirigente do Benfica nos anos áureos dessa década de 60) falavam previamente, mas nunca os futebolistas souberam qual dos dois mais mandava.
Dos membros da comitiva guardam memórias afectivas. “Os treinadores brasileiros têm muito jeito e capacidade de comunicar. O ponto forte de Otto Glória (como o é do Scolari) era a capacidade de mobilizar e estimular. A questão do afecto era importante, e nisso o Otto era um especialista”, diz Simões. “Outras pessoas também foram importantes para o espírito de grupo, como o médico Silva Rocha, do Belenenses, e o massagista, o Manuel Marques, sempre impecável connosco, tratando-nos a todos como se tratasse um filho. Era como um deus para nós... o deus das mãos milagrosas”, afirma José Carlos.

O TEMÍVEL BRASIL DE PELÉ
Depois de três jogos particulares, todos vitoriosos — na Escócia (0-1), na Dinamarca (1-3) e em Portugal contra o Uruguai (3-0) —, a bola rolava finalmente em relvados ingleses. A estreia foi com a Hungria, uma das melhores selecções do mundo. “Para mim, foi o jogo mais difícil, pois foi o que lançou a equipa. Ganhámos 3-1, e eu marquei os dois primeiros golos”, orgulha-se José Augusto. “Apanhámos um susto. O futebol húngaro mantinha a qualidade dos grandes tempos e criou-nos dificuldades. Só não marcaram mais porque tivemos um guarda-redes superinspirado e intransponível, o Carvalho.” O guardião do Sporting, curiosamente, nunca mais jogou no Mundial, dando o lugar a José Pereira, do Belenenses, o mais velho dos Magriços, com 34 anos.
O sonho português começou a ganhar forma logo aos três minutos do jogo inaugural, com a Hungria, quando José Augusto (com Torres atrás de si) marcou o primeiro golo
Seguiu-se a Bulgária (teoricamente o adversário menos difícil do grupo) e nova vitória, por 3-0. Até que chegou o Brasil, bicampeão mundial, com os títulos de 1958 e 1962 no currículo e Pelé a reinar. Perante a surpresa de quase todo o mundo, os canarinhos saíram derrotados, por 3-1.
“O Brasil apresentou-se com jogadores consagrados, mas na fase final das suas carreiras, com menor ritmo competitivo, o que facilitou a nossa tarefa. A isso acresceu o facto de o Pelé não ter actuado nas melhores condições físicas”, escreveu José Carlos no livro “Mundial 66 Olhares”, coordenado pelos historiadores César Rodrigues e Francisco Pinheiro.
A lesão de Pelé é vista de forma diferente dos dois lados do Atlântico. Nas terras achadas por Pedro Álvares Cabral, foi uma entrada maldosa do defesa português Morais que arrumou o ‘rei’. Entre Magriços o episódio tem uma leitura paliativa. No livro já referido, a ser lançado na próxima semana, o episódio é dissecado. Na leitura de Alexandre Baptista, Pelé não recuperara “totalmente da lesão contraída no primeiro desafio, contra a Bulgária. Isso só se tornou evidente quando se magoou novamente, numa jogada que em princípio não causaria a lesão”. Já José Augusto recorda: “O Brasil acabou por jogar praticamente com um jogador a menos, pois o Pelé estava lesionado e jogou sem estar apto. E também teve o azar de sofrer uma falta do Morais na perna que se encontrava afectada. Apesar do muito que se disse e escreveu, a carga não foi maldosa, mas apenas um momento que reflectiu a forma aguerrida como o Morais jogava.”
Moléstia de Pelé à parte, os portugueses triunfaram por 3-1, com um golo de Simões (de cabeça...) e dois de Eusébio. Da crónica desse jogo, no jornal “A Bola”, fica um memorável título saído da pena de Carlos Pinhão. Aludindo às palavras de escárnio com que alguns brasileiros quiseram humilhar antes do jogo a seleção das quinas, Pinhão não foi de modas e marcou um “gol de placa”: “A terrível vingança da bola quadrada”.

O JOGO LOUCO COM A COREIA
O que “A Bola” e outros jornais pelo mundo fora (tomados de espanto) disseram do êxito de Portugal ante o Brasil ficou muito aquém do que os esperava dias depois, no rescaldo dos quartos de final, entre Portugal e a desconhecida Coreia do Norte, que acabara de dar um bilhete de volta a casa à poderosa Itália.
O jogo começou com os coreanos frenéticos e Portugal a dormir. “A equipa entrou em campo lenta e, pensava, com o jogo já ganho. Aos 25 minutos já perdíamos por 3-0”, lembra Alexandre Baptista. “O que aconteceu continua a não ser fácil de explicar. Talvez tenha sido algum excesso de confiança, porque havíamos ganho ao bicampeão mundial, o Brasil. Os coreanos eram uns atletas pequeninos e sem grande estrutura física (não tinham cara nem corpo de jogadores) e, provavelmente, não conseguimos combater o nosso subconsciente, de que o jogo estaria ganho”, conta José Augusto. “Eram jogadores de boa capacidade técnica e corriam sobretudo muito.” Mas, se os portugueses dormiram na forma, os asiáticos fizeram o trabalho de casa muito bem feito. “Estiveram dois anos a preparar-se para o Mundial, a competir no campeonato da Alemanha de Leste, sem terem ido a casa”, recorda o antigo extremo-direito. Para José Carlos, “os coreanos eram muito rápidos e, como eram quase todos iguais, nem sabíamos quem é que devíamos marcar e andámos aos papéis”.
No final da primeira parte, já as coisas estavam menos negras (2-3), pois Eusébio desatara a escrever o capítulo maior da sua lenda, com dois golos nos primeiros 45 minutos (faria mais dois até ao final). “No intervalo, o Otto falou de tudo menos de futebol”, lembra José Augusto. “Ouvimos das boas, algumas em linguagem bem vernácula. ‘Vocês, que me deram a maior alegria da minha vida quando ganharam aos meus irmãos brasileiros, estão agora a perder com uma equipa do Walt Disney? Vão lá para dentro, metam o tomate na garganta e comam os coreanos vivos’.”
A empreitada foi de todos, mas há um homem que foi maior do que todos juntos. Com quatro golos em 32 minutos, que deram uma reviravolta no marcador (José Augusto ainda faria o 5-3), Eusébio assinou a maior proeza individual numa só partida da história dos Mundiais.
“O futebol é uma modalidade colectiva, mas se não tivéssemos o Eusébio nunca teríamos recuperado. Foi o melhor jogo que vi um jogador com a estirpe do Eusébio fazer”, exulta Fernando Peres. “Ainda tenho na retina um dos golos: o Eusébio pegou na bola ainda no nosso meio campo, quase junto à linha lateral, e começou a fazer magia, levando tudo à frente, a driblar e a levar pancadaria, até que entrou na área e foi rasteirado com uma cacetada valente. Foi o Eusébio e foi a bola, foi tudo ao ar. Depois levantou-se, a coxear, pegou na bola e marcou o penálti.” “Esse jogo é um momento histórico e uma grande referência do futebol mundial. Tornou-se mítico pela marcha do resultado, pela recuperação notável de Portugal e por aquilo que foi a nossa prestação em redor do Eusébio”, analisa António Simões.
A Inglaterra, a anfitriã, foi o adversário seguinte. Mordomias para quem jogava em casa, foi permitido mudar a meia-final de Liverpool para Londres (em Wembley), o que obrigou Portugal a fazer uma viagem de comboio na véspera.
A tristeza de Eusébio após a derrota com a Inglaterra correu mundo. A estrela da selecção portuguesa e melhor marcador do torneio enxuga as lágrimas na camisola, perante o olhar de Torres (à esq.) e de Hilário (de costas), ambos em primeiro plano
“A alteração do local teve um impacto negativo, desgastando-nos física e mentalmente”, diz José Carlos. Simões lembra outro episódio: “No dia do jogo, com medo do trânsito, chegámos a Wembley demasiado cedo, o que nos obrigou a uma espera muito longa, gerando mais ansiedade.” Também no relvado os ingleses apostaram na surpresa. “A marcação implacável do Stiles ao Eusébio condicionou bastante o nosso jogo”, reconhece José Carlos. “O que ficou de mais triste foi termos perdido com a Inglaterra. Não tivemos cabeça suficiente”, confessa Alexandre Baptista. O jogo terminou com 2-1 para os ingleses, pondo fim ao sonho português. Restaria aos Magriços o jogo de consolação, para atribuição do terceiro e quarto lugares, em que Eusébio & Cª derrotaram a União Soviética (2-1).

A FRUSTRAÇÃO DOS QUE NUNCA JOGARAM
Na meia-final, alguns portugueses deram o estoiro. “O jogo marcou-me pelo cansaço”, diz Simões. Não sendo permitidas substituições, o facto de o seleccionador quase não ter rodado jogadores de partida para partida é uma pedra no sapato de alguns magriços. “Podíamos ter ido mais longe se tivesse havido um pouco mais de coragem”, considera Fernando Peres. “Havia futebolistas ávidos por jogar e que não faziam grande diferença em relação aos titulares: o Custódio Pinto, médio do FC Porto, extraordinário; o Cruz, lateral-esquerdo, fabuloso; o Lourenço [atacante do Sporting], enfim... Já não falo de mim. Houve até jornalistas que perguntaram várias vezes porque é que eu não jogava. O Simões fez um campeonato extraordinário, mas estava completamente fatigado. E o Torres chegou a pedir para não actuar, porque tinha os tornozelos inchadíssimos das pancadas que levara. O seleccionador respondeu-lhe que só não jogava se tivesse uma perna partida.”
Fernando Cruz foi outro dos que nunca pisou os relvados. Se por um lado faz uma vénia à velha máxima do futebol (“a equipa estava a jogar bem e a ganhar, e numa equipa que ganha não se mexe”), por outro tem o coração mais ao pé da boca: “É chato uma pessoa ganhar tudo em Portugal, mais duas taças dos Campeões Europeus, e depois ir ao Mundial e já saber que vai ser suplente. Enfim, fui um turista em Inglaterra”, remata, bem-disposto.
Os Magriços vieram de Londres com o terceiro lugar, mas com o título de “melhor futebol que se praticou em Inglaterra”, sublinha Peres. “Com larga projeção mediática, as televisões transmitiram todos os embates pela primeira vez”, lembra Simões.
Regressados à pátria, receberam as mais altas honrarias do Estado. Foram recebidos inclusive por Oliveira Salazar, que os felicitou pelo “excelente resultado”, recorda Alexandre Baptista. No livro em que também colaborou, Simões descreve como o Mundial serviu o regime às mil maravilhas. “O país, em virtude de uma desajustada ditadura, estava ostracizado, era observado de soslaio pela comunidade internacional. Foi o Eusébio e fomos todos nós que contribuímos para que houvesse, pelo menos por via do futebol e da nossa epopeia, um olhar simpático para este retângulo europeu tão criticado por razões de natureza política e social.”
Quando os jogadores portugueses foram dos melhores da Europa e do Mundo, o futebol ainda não distribuía os rios de dinheiro que hoje correm. Na grande equipa do Benfica da década de 60 ganhava-se, no máximo, 500 contos por ano (valor ilíquido). Destes, só quatro contos eram de salário mensal, igual para todos, pois a fatia de leão eram as chamadas luvas, pagas trimestralmente. Os prémios de jogo arredondavam o pré. O rendimento anual, referenciado a 1966, equivale, a preços atuais, a 178 mil euros, o que fica muito aquém das quantias chorudas que ganham Ronaldo, Messi e Neymar, entre muitos outros. 
Nos anos 60, os anúncios feitos por futebolistas eram pagos em géneros. José Augusto recebeu uma caixa de 12 latas de salsichas
Por explorar estavam as receitas de publicidade. José Augusto conta o seu caso. “Nunca recebi dinheiro dos anúncios e fiz vários. Um deles foi às salsichas Tobom. Como prova de consideração, recebi uma caixa com 12 latas.” Mais sorte teve Simões, já nos anos 70. Ele e o guarda-redes do Sporting Vítor Damas foram o rosto de um produto de barbear. Cada um recebeu 35 contos (menos de 10 mil euros a preços actuais, com referência a 1970). Simões ainda sabe a deixa de cor: “A minha barba é dura e difícil, mas o creme Palmolive amacia-a mesmo.”
Fernando Cruz, Alexandre Baptista, José Augusto, José Carlos, Fernando Peres e António Simões são seis dos futebolistas que representaram Portugal no Mundial de 1966, de 11 a 30 de Julho. Todos eles ficaram ligados ao futebol depois de deixarem os relvados.
Cruz esteve cerca de 30 anos nos EUA, numa fábrica de candeeiros e com uma curta passagem pela construção civil. Matou o bichinho da bola treinando uma filial do Benfica, em Newark, mas como não lhe pagavam abandonou o banco.
Alexandre Baptista é um caso raro no futebol português do século passado, com exceção de alguns jogadores da Académica: conciliou as chuteiras com as sebentas, licenciou-se em Economia e foi diretor comercial de várias empresas. Foi vice-presidente do Sporting numa direção de João Rocha, joga golfe (hoje já menos...) e bridge.
José Augusto foi treinador e chegou a dirigir a seleção principal na minicopa do Brasil, em 1972, e no Europeu de França, em 1984. Interinamente, treinou o Benfica em 1970. José Carlos acabou a carreira de futebolista no Braga. Depois ficou como treinador. Foi um dos destacados impulsionadores do Sindicato dos Jogadores de Futebol (com Simões) e dos Treinadores.
De todos os Magriços, Fernando Peres foi o que teve uma carreira internacional ao mais alto nível: foi campeão no Brasil pelo Vasco da Gama, em 1974. Em Portugal treinou várias equipas da primeira divisão. 
Simões acabou a carreira nos EUA, onde jogou sete épocas, e treinou em vários países. Foi diretor-geral do Benfica na presidência de Manuel Vilarinho. Hoje é o rosto mais assíduo dos Magriços nos ecrãs, como comentador de futebol. É o único que fez uma incursão na política, como deputado do CDS.

OS 22 MAGRIÇOS
N.º 1 Américo Lopes — Santa Maria da Feira, 83 anos; guarda-redes; FC Porto; nunca jogou
N.º 2 Joaquim Carvalho — Barreiro, 79 anos; guarda-redes; Sporting CP; disputou o jogo inicial, contra a Hungria
N.º 3 Artur José Pereira — Torres Vedras, 84 anos; guarda-redes; Belenenses; disputou os últimos cinco jogos
N.º 4 Vicente Lucas — Moçambique, 80 anos; médio; Belenenses; disputou os primeiros quatro jogos
N.º 5 Germano de Figueiredo — Lisboa (1932-2004); defesa-central; SL Benfica; disputou o jogo contra a Bulgária
N.º 6 Fernando Peres — Algés, 73 anos; médio; Sporting CP; nunca jogou
N.º 7 Ernesto Figueiredo — Tomar, 78 anos; avançado; Sporting CP; nunca jogou
N.º 8 João Lourenço — Alcobaça, 74 anos; avançado; Sporting CP; nunca jogou
N.º 9 Hilário da Conceição — Moçambique, 77 anos; defesa-esquerdo; Sporting CP; disputou todos os jogos
N.º 10 Mário Coluna — Moçambique (1935-2014); médio; SL Benfica; capitão de equipa, disputou todos os jogos
N.º 11 António Simões — Seixal, 72 anos; extremo-esquerdo; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 1 golo
N.º 12 José Augusto de Almeida — Barreiro, 79 anos; extremo-direito; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 3 golos
N.º 13 Eusébio da Silva Ferreira — Moçambique (1942-2014); avançado; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 9 golos, tendo sido o melhor marcador do Mundial
N.º 14 Fernando Cruz — Lisboa, 75 anos; defesa-esquerdo; SL Benfica; nunca jogou
N.º 15 Manuel Duarte — Celorico da Beira, 70 anos; avançado; Leixões; nunca jogou
N.º 16 Jaime Graça — Setúbal (1942-2012); médio; Vitória de Setúbal; disputou todos os jogos
N.º 17 João Morais — Cascais (1935-2010); defesa-direito; Sporting CP; disputou três jogos
N.º 18 José Torres — Torres Novas (1938-2010); avançado; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 3 golos
N.º 19 Custódio Pinto — Montijo (1942-2004); médio; FC Porto; nunca jogou
N.º 20 José Alexandre Baptista — Barreiro, 75 anos; defesa-central; Sporting CP; disputou cinco jogos 
N.º 21 José Carlos da Silva José — Vila Franca de Xira, 74 anos; defesa-central; Sporting CP; disputou os dois últimos jogos
N.º 22 Alberto Festa — Santo Tirso, 76 anos; defesa-direito; FC Porto; disputou três jogos"