Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Mãos e braços

"Agora não há jogo sem duas polémicas: a de um mariola bracinho ou uma mão dormente a tocar na bola e a de um salto a dois em que um maroto braço ou um atrevido cotovelo tocam, via GPS, na face ou cabeça do adversário.
Vejo futebol há muito e só nos últimos anos se adensou a discussão à volta dos tais membros superiores. Até há uma razão objectiva para isso: as transmissões televisivas, as câmaras de todos os ângulos e que tudo esmiúçam e as repetições até implorarmos o seu fim. Mas há, também, outras explicações para ajudar à festa: a fita que jogadores fazem por um qualquer afago, assim como a profusão de programas nos quais, entre uma cotovelada e o seu contrário, só o árbitro é alvo de apreciação. Por fim, o mimetismo que leva o apito a aderir à moda consoante o estádio, as equipas e os resultados. Confesso que só na televisão (e em velocidade lenta) percebo certas cotoveladas, ainda que não tenha capacidade (que outros têm em demasia) para medir cientificamente a intenção, a direcção e a determinação. Ao vivo, nos estádios, de pouco me apercebo, num desporto em que é suposto haver contacto físico e choques com ou sem cheques. Mas o problema deve ser meu, que uso óculos e tenho astigmatismo.
Nos saltos dos jogadores, gostaria de ver explicado como é que se pode subir sem movimentar os braços, em jeito de foguetão. E porque não uma cotoveleira com um chip ligado aos árbitros para registar a trigonometria do braço e do antebraço? E já agora a premeditação...
O certo é que entre cotovelos e cotoveladas, há quem fale pelos cotovelos sobre a hermenêutica cotovelar. Será dor de cotovelo?"

Bagão Félix, in A Bola

A insustentável hipocrisia de dizer mal das claques

"As claques e o politicamente correto
, por todo o lado, uma ideia generalizada do politicamente correto. No futebol, ela passa, entre outros caminhos, pela repetição - sempre que faltam os argumentos numa qualquer discussão mais intelectualizada pela condenação, sem qualquer possibilidade de redenção, das claques dos clubes. Qualquer intelectual que se preze, numa qualquer discussão onde lhe faltem argumentos ou conhecimentos para discutir o que ocupa as primeiras dos jornais desportivos, será sempre considerado como uma voz avisada se, qual Conselheiro Acácio, essa personagem queirosiana de eleição, deitar, do alto da sua sapiência... 'se não fossem as claques'... Ou, 'os clubes têm de ter coragem de acabar com as claques'... Ou 'as claques é que estragam o futebol'.
Quem diz tais barbaridades, por norma, não gosta ou nunca entrou num campo de futebol. E, quando o faz, até por razões profissionais, recorre a este tipo de chavões para ter os destinatários mais incautos da opinião pública como seus apoiantes incondicionais.
A esses, aos que fazem deste lugar comum a ideia mais profunda que têm sobre a matéria, só poderemos dizer que, hoje, quer se queira quer não, quer se goste ou não, o futebol não existe - nem pode existir - sem as claques.
Na verdade, repita-se, quem quer dizer mal ou diabolizar o futebol tem um ponto seguro de aplauso quase generalizado da unanimidade daqueles que não gostam de futebol e de uma grande parte dos que, gostando, se põem do lado certo da barricada.

As claques como movimentos de sócios
As claques, hoje em dia, são compostas por sócios, que têm tantos direitos como qualquer outro sócio de cada um dos clubes que apoiam.
E que, reconheçamos, basta falar com eles, uma vez, só para perceber que, pelo menos, sofrem tanto como qualquer um de nós.
Digo-o com a lucidez de não generalizar, até ao infinito, a inocência ou a imagem imaculada de todos e de cada um dos elementos que compõem as claques dos maiores clubes portugueses (como em todo o mundo).
Mas isso só faz com que saibamos reconhecer que, sendo uma claque o espelho da sociedade de onde vêm e onde pertencem cada um dos seus membros, não são melhores nem piores do que os locais, as profissões e os grupos de onde saem. Ou seja, uma fotografia a papel químico da sociedade portuguesa (a que esses mesmos intelectuais viram costas, por não admitirem a sua quota parte de responsabilidade na sua existência).
Nem melhor, nem pior.
Apenas igual, porque emana dela!!!
Esta tentativa de diabolizar os que se expressam como apoiantes das equipas de que são adeptos apaixonados, tende a exorcizar as culpas de cada um dos intelectuais que não compreendem o povo, porque têm horror ao que ele representa.
A massificação, os movimentos colectivos ou organizados sempre causaram muita impressão a quem não tem votos ou só tem opinião, e por isso, não os consegue compreender e controlar...
E estou tão à vontade para reafirmar este meu respeito pelas claques, quando eu próprio já fui alvo de ofensas físicas de alguém afecto a uma organização de adeptos.
Mas, ainda assim, e apesar disso, sempre soube separar o todo (ou os todos) das partes e reconhecer os que estão sempre presentes.
O que não significa, com isto, legitimar o tráfico de droga, de armas, compactuar com as agressões, físicas e verbais, entre tantos outros actos que repudio, tantas vezes associados - e confundidos - a esses elementos organizados.
O mundo do futebol, e o espectáculo fora das quatro linhas propriamente dito, não teria a mesma alegria sem esses elementos, que tantas, e tantas vezes, puxam pelos restantes adeptos e incentivam a equipa. Por não termos um you'll never walk alone do Liverpool - ao contrário dos que uns acham e tentam fazer -, por não termos a exemplar cultura desportiva, mas principalmente de apoio e de incentivo da liga inglesa, o nosso futebol, muito em particular, precisa desse tipo de organizações de adeptos.
Mas sem atos de violência!!!
Por isso cabe a todos e a cada um de nós, enquanto participantes, diretos ou indiretos, no mais belo espetáculo, que é o futebol, torná-lo num exemplo, enquanto tal, e enquanto lugar seguro, onde possamos levar os nossos filhos, sem qualquer receio.

Claques e a responsabilidade enquanto adeptos e dirigentes
Cabe, ainda, a cada um de nós, refém dessa responsabilidade, começar a interiorizar e a assumir, de uma vez por todas, a existência (fundamental) das claques.
Como adeptos, mas, essencialmente como dirigentes. Sem medo de falar com eles, negociar com eles e, até, aprender com eles.
Cabe, também, aos agentes de autoridade contribuir para essa harmonia, controlando, da melhor forma, eventuais perigos transversais a qualquer sociedade.
Até porque, a maior parte das pessoas, no mundo de hoje, se associa e se deixa representar por... organizações!
Do mais variado tipo... sejam sindicais, religiosas, políticas...
Reconheça e assuma, pois, essa mesma elite, esses mesmos e sempre avisados elementos pertencentes aos grupos que só integram filhos ungidos desta ditosa pátria minha amada (sempre pronta ou prontos a diabolizar o papel e até a existência das claques), que, quando estão em causa os seus interesses, na esmagadora maioria das vezes, assumem que a mesma se faz pelo sindicalismo intransigente.
Ou seja, os maiores defensores do sindicalismo, quando está em causa a defesa... dos seus próprios direitos são os maiores cáusticos das claques, quando está em causa o direito dos interesses clubísticos que estas representam.
As claques poderão, até, ser entendidas como sindicatos de opinião, de representação, e devem existir como movimento de sócios legitimados...
Pela mesma razão que a concertação social existe: para dialogar e negociar com os agentes económicos e sociais, no âmbito das decisões a serem tomadas sobre determinadas matérias.
E pelo facto de não ver maldade nos grupos organizados de adeptos, desde que sujeitos a determinadas regras - que não se confundem com as associações globais de adeptos, com nomes generalizados e com meia dúzia de elementos, que tentam ter a mesma legitimidade de direcções eleitas.

As claques e a legitimidade democrática
O assunto claques tem obrigatoriamente de ser abordado pelos responsáveis máximos dos clubes, embora, reconheçamos, os adeptos votam em função das expectativas dos resultados e não dos programas... mentalidade essa que terá de ser alterada.
Até porque, cada vez mais, as eleições nos clubes vão ter o mesmo registo das outras eleições, em que os candidatos terão de assumir o projecto que defendem, os respectivos objectivos, a estratégia a adoptar, a política de alianças que visarão.
Como na política!
Ou seja, quer em relação a claques, quer em relação a outros assuntos essenciais da vida de um clube, é necessário definir-se, desde logo, tudo isso.
Para que a legitimidade, que existe, seja em função de resultados mensuráveis.
É necessário definir o que propomos e ao que vamos...
Para interesse de todos, enquanto sócios.
Talvez não nos próximos actos eleitorais, mas, com toda a certeza, em eleições que terão lugar ainda nesta década.
Compreendido?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Fora da Taça da Liga!!!

Benfica 0 - 1 Fundão

O Fundão está-se a transformar na besta negra da secção de Futsal do Benfica!!! Hoje não vi o jogo, mas perder praticamente no último segundo, nunca é fácil...
A equipa tem que saber reagir...

PS: Independentemente da má forma do Benfica, já no jogo do Campeonato tivemos um golo mal anulado, hoje voltou a acontecer o mesmo... deve ser coincidência!!!

3+3 dá 3 pontos !!!

Benfica 6 - 0 Marítimo


Nova goleada de meia-dúzia, num jogo que começou difícil, mas que após 3 golos de rajada ficou fácil...
É verdade que a primeira grande oportunidade foi do Benfica, o Jiménez voltou a demonstrar pouca frieza na cara do guarda-redes (por duas vezes!!!), mas depois em 3 perdas de bola, com algumas escorregadelas pelo meio, permitimos 3 contra-ataques perigosos ao Marítimo... sem que o Marítimo tivesse acertado na baliza, diga-se...
Antes da partida, qualquer que seja, tenho sempre receio em mostrar optimismo, e este era daqueles jogos perigosos... Mas entre os vários factores que podem decidir o resultado final, os 3 golos de enfiada, e o calendário carregado após o Natal, que tanto o Benfica como o Marítimo têm tido, acabou por nos beneficiar: porque as equipas como o Marítimo não estão habituadas a jogar duas vezes por semana!!!
E se ao intervalo, o Marítimo podia pensar aproveitar um possível 'adormecimento' do Benfica, os dois penalty's na entrada da 2.ª parte (bem marcados), mataram completamente o jogo...
O momento do jogo, acabou por ser a troca de flanco do Carcela com o Pizzi. O Carcela na Bélgica jogava quase sempre na Direita, fazendo as diagonais para o meio... no Benfica, precisamos de extremos que estiquem o jogo pelos flancos... Além disso, o Pizzi, na esquerda é um 1/3 do jogador!!! Portanto, não percebi o posicionamento inicial, mal alteraram o flanco tudo mudou...
Um dos problemas do processo ofensivo do Benfica, tem sido a falta de apoio aos Laterais quando estes têm a bola, e falta de Extremos dribladores (praticamente, só o Nico... e mesmo o Nico está sempre a fugir para o meio). O Carcela hoje, desbloqueou o jogo, com duas arrancadas, iguais ou parecidas, com os desequilíbrios que o Salvio, o Di Maria, o Coentrão, o Mini... entre outros, nas últimas épocas criavam constantemente no ataque do Benfica, e este ano, temos tido claramente falta de jogadores com estas características no 11: dribladores nas Alas, sejam Extremos ou Laterais...!!!
Para mim, o homem do jogo, devia ter ido o Carcela. O Pizzi acabou por marcar os dois primeiros golos, mas foi o Carcela que fez a 'diferença'!!!
Em sentido contrário, tenho que destacar a má exibição do Renato. Em Guimarães o golo acabou por disfarçar a queda de rendimento, mas parece-me óbvio que o Renato não tem estado bem... até pode ser cansaço, já que tem sido usado em todos os jogos, mas não pode ter tantas decisões erradas com a bola nos pés... Melhorou no posicionamento, abre mesmo buracos, o Fejsa também tem ajudado, mas tem melhorar no passe, e no controle do ritmo de jogo...
Tenho que destacar também as exibições positivas do Lisandro e do Jardel (melhorou nas últimas partidas) e do Eliseu... sim, o Eliseu esteve bem!!! Grande entrada do Talisca com um grande golo, na primeira vez que tocou na bola... não gostei da fuçanha do Mitro, tinha dois jogadores isolados...!!!

Grande minuto de silêncio em homenagem ao King! Em silêncio, como o nome indica!!!
Agora, nada está conquistado, e no Domingo o jogo começa 0-0!!! E se até aqui, o Benfica foi sempre o alvo dos Anti´s mesmo quando estava mais atrás, a partir de agora, o nível do absurdo Lagarto ainda vai aumentar!!! Eu sei que isso é difícil de compreender, mesmo com um desenho, mas é melhor preparem-se!!!

As palavras do nosso treinador antes do jogo, vieram atrasadas... A besta, já merecia uma reposta à mais tempo, as provocações têm sido constantes... a re-resposta da besta quadrada esta noite em Setúbal, só prova a falta de carácter do dito... Não compreendo como é que existem Benfiquistas, que continuam a defender o animal depois de tudo o que fez, e do comportamento que vai mantendo... Como pessoa, não vale um pintelho!!!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A 15.ª jornada, a 1.ª de 2016

"Início de 2016. Vitória ultrapassa o Vitória, abonado por Renato. Sporting trucida Porto. Desde 2012 (14 jogos), que o FCP não ganha em Lisboa e arredores. Técnico do Vitória precisa de benzodiazepinas, tal é a excitação no banco por tudo e por nada. Lopetegui consegue ser pior que a sua sombra. Na Sport TV, os comentários no Afonso Henriques nem disfarçaram o anti-benfiquismo primário. Quando do golo do SLB, o seu (deles) entusiasmo foi de velório. Já em Alvalade, o futebólogo Freitas Lobo disse '237' vezes a palavra 'grande' (grande jogo, grande jogada, grande golo, grande defesa, grande passe, grande movimento, grande jogador, grande corte, grande remate, etc.). Desta vez, Jesus não trocou o nome ao colega basco, trocou-lhe antes as voltas. Comovente o elogio que lhe fez no fim. Parafraseando 'Dalai-Lima' (não confundir com Dalai-Lama): 'Lopetegui foi sondado pelo Sporting (e Benfica) para permanecer no Porto'. Nestes 2 jogos percebi que o critério para mostrar cartões é um não critério. Em Alvalade, excitante momento em que meninas pedalaram numas minibicicletas para apresentar a equipa Sporting-Tavira. O país anseia por Agosto, não pelas férias, mas pelo duelo W52-Tavira, travestido de Porto-Sporting em rodas. Xistra terá chamado burro a Sérgio Conceição, mas depois pediu desculpa e tê-lo-á tratado por mister. Inolvidável - como sempre - as tv atrás dos autocarros das equipas. Lopetegui ainda não marcou um golo a Jesus. Vitória ainda não marcou um golo ao U. Madeira e ao Arouca. Mesmo aos soluços, o Benfica reduziu de 12 para 6 pontos o atraso face aos rivais. Faltam 19 jornadas."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eterno

"Num tempo em que cada vez mais precisamos de referências, de valores, de exemplos que nos inspirem a não desistir, a memória de Eusébio da Silva Ferreira, no dia em que se cumprem dois anos sobre o seu desaparecimento, é uma recordação obrigatória.
A lenda de Eusébio construiu-se em função do seu talento único, da sua determinação e do seu permanente inconformismo. Mas temos igualmente de recordar Eusébio pela sua humildade, pela sua simplicidade e pela sua capacidade de entrega.
Memórias de quem viveu a vida de forma intensa, de quem se dedicou a desafiar os limites, de quem conseguiu que Portugal fosse muito maior que as suas fronteiras.
No tempo de Eusébio, Portugal era o mundo inteiro nas suas chuteiras, nos seus golos, nas lágrimas que deixou em Inglaterra. Eusébio da Silva Ferreira foi muito mais do que um futebolista, deixou-nos uma marca que o tempo não vai conseguir apagar.
Eusébio era dos bons, dos puros, daqueles que ignoravam as provocações, por mais torpes que fossem. Sigamos o seu exemplo, ignoremos as provocações, porque só assim estaremos a honrar o seu legado.
Que o seu exemplo continue a inspirar os jovens portugueses. Que o seu inconformismo, a sua inquietação e a sua permanente vontade de superação nos façam esquecer o que é acessório, o que é ruído.
Dois anos de saudade e enorme gratidão."


Às voltas com a palavra «derby»

"Para citar Garcia Lorca, o grande poeta andaluz, os Benficas-Sporting têm duende. Têm enredo e paisagem como os romances. Têm vidas inteiras dentro deles. Vinganças, amores e ódios.

«Derby é derby», diz-se à boca cheia. A semana passada trouxe aqui à memória colectiva um dos «derbies» mais excitantes da chamada pré-história do futebol português. Às vezes temos de ir às raízes do passado para perceber a realidade do presente e para onde nos conduz o futuro.
Nisto de crónicas, como aquelas que aqui vos costumo deixar, não há que ter medo do tempo. Andemos pois em redor da palavra «derby», às voltas como o cão que persegue a própria cauda.
Por exemplo: Benfica-Sporting, para mim, é um romance.
O romance dos Benficas-Sportings.
Têm enredo e paisagem. Tem vidas inteiras dentro dele. Tem vinganças, amores e ódios. Tem sentimentos que ninguém consegue e explicar racionalmente porque é exactamente um «derby». Tem magia. «Tem duende», como dizia Garcia Lorca.
Frederico Garcia Lorca nasceu na Andaluzia, em Fuente Vaqueros. Um dia escreveu a «Teoria e Prática do Duende». Dizia: «Assim pois o duende é um poder e não um obrar, é um lutar e não um pensar. Eu ouvi um velho violinista dizer: 'o duende não está na garganta; o duende sobre por dentro a partir da planta dos pés'. Ou seja, não é uma questão de faculdade, mas de verdadeiro estilo vivo; ou seja, de sangue; ou seja, de velhíssima cultura, de criação em acto».
Formidável não é?
Pois os Benficas-Sporting estão cheios de duende.
E tem personagens: algumas enormes, elaboradas como se saíssem das páginas de Dostoiescki, outras apenas secundárias. E figurantes, também.
Quase tudo se foi passando em Lisboa. Muito pouco fora de Lisboa.
Mas também houve Benficas-Sportings longe de Lisboa. Mesmo muito longe de Lisboa: em Angola e Moçambique, nesse tempo pérolas de um Império que ia, uno e indivisível, do Minho a Timor. Em em Paris e nos Estados Unidos da América.
Os Benficas-Sporting também marcavam as paisagens.

Vamos lá finalmente ao «derby»
E agora vou falar da palavra derby.
Diz o «Oxford Advanced Learner's Dictionary»: «A sports competition between teams from the same area or town: a local derby between the two North London sides # a derby match».
Demasiado seco para palavra futebolistamente tão suculenta.
Nada, então, como viajar um pouco.
«Football And The English - A Social History of Association Football in England, 1863-1995», Dave Russel, Carnegie Publishing 1997.
«Soccer at War - 1939-45, The Complete Record of British Football and Footballers During the Second World War», Jack Rollin, Headline Book Publishing 2005.
«The F.A. Vup - The Complete Story», Guy Lloyd e Nick Holt, Aurum Press 2005.
«Famous Football Programmes», John Lister, Tempus Publihing 2003.
Em todos estes livros se encontram referências à palavra derby.
Derby: pronuncia-se dar-bi em inglês das ilhas. A origem do termo vem da cidade de Derby, terra do velho Derby County.
Há um bom número de teorias sobre a forma como se passou a aplicar ao futebol.
Uma das mais consistentes liga-o ao Royal Shrovetide Football, uma disputa anual entre os habitantes de Ashbourne, Derbyshire. Uma teoria paralela, admite a mesma génese mas aplicada ao Shrovetide de Derby. Ao que parece, este jogo era algo de selvagem e caótico, envolvia todos os naturais de Derby e resultava geralmente numa lista bastante razoável de mortos e feridos.
Como se jogava? Aí a coisa complica-se. Sabe-se que havia cerca de 1000 jogadores em campo e o campo era toda a cidade, com balizas a norte e a sul, em Nuns Mill e Gallows Balk. Balizas aqui tem um significado bastante lato, naturalmente.
Em 1829, um observador francês, francamente horrorizado com tal exibição de brutalidade colectiva, escreveu: «Se isto é o que os ingleses definem como um jogo, então não faço ideia do que seja para eles uma luta».
Outra teoria ainda defende que o termo advém das corridas de cavalos fundadas em 1870 pelo 12.º Earl de Derby e chamadas, precisamente, de The Derby.
Certo é que derby tem em si enraizada a força de uma rivalidade profunda, entre gente que é próxima e exige desforras e se recusa a esquecer as desfeitas.
Gente que se deixa levar pela raiva de um fel de irmãos.
Há muita história e muitas histórias em redor dos Benficas-Sporting.
Um jogo que ultrapassa a própria grandeza de um nome."

Afonso de Melo, in O Benfica

Futuro risonho?

"Depois do clássico de Alvalade, o campeonato está relançado e é de novo uma corrida a três. Na Luz há, por isso, razões para optimismo.
No rescaldo do jogo de Guimarães, Rui Vitória afirmou, a este propósito, e após (mais) uma vitória sofrida, que lhe parecia que "o futuro ia ser risonho". Percebe-se os motivos: os rivais têm perdido pontos, vão perder mais e o BenfIca terá reforços importantes para a segunda metade do campeonato. E não falo da chegada ainda incerta de Cervi ou da promessa Grimaldo. Os regressos de Gaitán, Nélson Semedo, de Luisão e, espera-se, de Salvio, ajudarão a mudar o BenfIca. Quatro jogadores que podem trazer o suplemento de qualidade que tantas vezes tem faltado.
Com Gaitán, o Benfica tem ganhos de criatividade no jogo atacante; com Nélson Semedo recupera profundidade nos corredores (uma das principais lacunas desta época tem sido a forma como os laterais se encontram sistematicamente em posições muito recuadas); enquanto Luisão é uma voz de comando, que organiza a equipa. Claro está que Salvio em forma trará uma explosão no um para um que ajudaria ao regresso do carrossel atacante do passado.
Mas engana-se quem pensa que o problema do Benfica é, apenas, de diminuição de qualidade individual por força da onda de lesões ou de excesso de juventude. É certo que um ataque com Gaitán, Jonas e Salvio, apoiados por Renato Sanches, fará diferença. Não será, no entanto. suficiente. Um futuro verdadeiramente risonho depende da capacidade de, à qualidade individual, juntar-se uma dinâmica coletiva e um critério no jogo atacante que. até ver, têm estado ausentes."

Vitória pela calada

"A verdadeira dedicação clubista regada a brandy e premiada com prata, ametistas e topázios.

«Beba brandy Ramos Pinto e vote no seu clube preferido». Com este slogan Ramos Pinto & Cª, Lda lançou, em Novembro de 1956, o passatempo radiofónico 'Entra em Campo'.
Organizado em colaboração com a Produções Lança Moreira, o passatempo tinha o intuito de premiar o clube português mais votado pelos consumidores de brandy Ramos Pinto. Como prémio, a empresa vinícola instituiu uma taça monumental com o seu nome.
O período de votação foi longo, cerca de um ano. Durante esse tempo, os 'Secretaristas' - como era designada a comissão composta por 21 sócios, formada a 1 de Dezembro de 1956 - ficaram encarregues da recolha dos votos. 'Foi um nunca mais parar' para garantir a angariação do maior número de votações possíveis para o Benfica. 'Estabeleceram-se ligações com a Província, as Ilhas Adjacentes e o Ultramar Português' e mobilizaram-se adeptos e massa associativa. Mas, 'tudo era feito sem alardes, calmamente'. Passou um ano... aproximava-se o último dia para a entrega de votos, 31 de Dezembro de 1957. A expectativa aumentava... 'Na votação conhecida, o FC Porto ia à frente'.
No dia de encerramento das votações, cinco dos 'Secretaristas', 'calmamente, sabendo que a votação se encerrava às 16h, mas que o portão fechava às 15h30, apresentaram-se - justamente às 15h15 - na sede da fábrica Ramos Pinto'. Consigo, levavam a módica quantia de 217 mil votos. Os 'homens da Ramos Pinto ficaram atónitos!', 'boquiabertos (...) perante tão maciça votação'. Juntamente com os que foram sendo enviados ao longo do ano e os 27 mil remetidos no dia anterior por correio, perfaziam um total de 373 000, mais 57 330 que o FC Porto, até à véspera apontado como potencial vencedor. Os 'Secretaristas' garantiam, assim, para o Benfica, a conquista da Taça Ramos-Pinto, descrita com um 'verdadeiro monumento de prata e pedras preciosas, trabalhado pelo cinzel precioso dos artistas nortenhos'. Com um peso superior a 16 quilos e mais de 1,30 metros de altura, foi considerada e mais valioso troféu até então 'instituído em torneios de popularidade e votação' e pode ser vista, actualmente, no Museu Benfica - Cosme Damião, na área 26. Benfica Universal."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 34 (-5) = 39
Corruptos....... 36 (+7) = 29
Sporting......... 38 (+9) = 29

A campanha de coação e condicionamento das arbitragens e da opinião publica continua, a grande velocidade... A vergonha já há muito que anda desaparecida do Tugão, mas a nojice e a desonestidade intelectual está a chegar a níveis nunca vistos!!!

Em Guimarães o Benfica levou com Carlos Xistra, um árbitro que tem um dos piores curriculum's anti-Benfica da história do Tugão!!! Este ano na 1.ª jornada deu a vitória aos Lagartos no jogo contra o Tondela, marcando um penalty aos 95 minutos, a favor dos Lagartos... no Benfica-Sporting para a Liga, 'esqueceu-se' de marcar 3 grande penalidades a favor do Benfica, além de ter tido um comportamento vergonhoso no campo disciplinar, dando à Defesa e ao Meio-Campo Lagarto total impunidade...!!!
Estava à espera do pior em Guimarães, até porque o actual treinador do Vitória, contra o Benfica só tem uma estratégia: porrada de criar bicho!!! Foi assim que o ano passado, enquanto treinador do Braga, derrotou o Benfica, com uma das mais inacreditáveis actuações do ignóbil Marco Ferreira...
Contrariando as minhas expectativas, Xistra fez uma actuação com erros, mas sem preferência, ou beneficio para uma das equipas, ao contrário do que tem sido habitual durante a sua carreira!!! E isto, foi suficiente, para os Anti's, armarem um Circo anti-Benfica do mais deprimente que temos assistido!!!
O primeiro grande erro, foi a não expulsão do Otávio: na primeira agressão sobre o Gaitán devia no mínimo ter mostrado Amarelo, mas nada fez...; na agressão sobre o Jonas, devia ter mostrado Vermelho directo, o Amarelo mostrado foi manifestamente pouco...
O outro erro, foi o penalty do Fejsa, sobre o Gaspar: não é um lance 'normal', o Gaspar chega primeiro à bola, e depois 'choca' com o Fejsa, é daqueles penalty's de TV... até porque no relvado os protestos foram praticamente inexistentes...
Mesmo no final da partida, os protestos Vimaranenses, não incluíram este lance: o lance do Lisandro, é uma jogada normal onde o Licá se deixa cair, e no lance do Jardel é claramente fora da área... Já agora, nenhum Vimarenense se queixou do suposto penalty do Pizzi, só mesmo os doentes Anti´s da TV's é que acham que foi falta...!!!
Outros pediram a expulsão do Eliseu, algo que eu considero muito exagerado: existe uma disputa de bola, os braços foram usados, o Eliseu podia ter evitado o contacto, mas não é uma agressão... Se considerarem o lance do Eliseu Vermelho directo, então houve mais 3 ou 4 jogadores do Vitória que podiam ter ido para a Rua...!!! Tal como eu esperava, a 'dose de cavalo' que o treinador do Vitória deu nos seus jogadores, antes da partida, fez com que a 1.ª parte, fosse um festival de agressões e picardias... curiosamente na 2.ª parte, tudo foi mais calmo... com um critério mais apertado, muitos Vimaranenses teriam ido mais cedo para o balneário...!!! Basta recordar a última jogada da 1.ª parte, onde Renato Sanches finta o Cafú, por duas vezes, estando a ser agarrado durante toda a jogada... o Xistra até ia marcar falta fora da área (quando o agarrão acabou dentro da área!!!), mas depois deu a lei da vantagem... mas 'esqueceu-se' do Amarelo!!!
Repito, transformar uma arbitragem com erros para os dois lados, num escândalo, só mesmo para gente sem escrúpulos... O pior, é que os avençados estão totalmente no bolso, e dão relevo a todas estas mentiras premeditadas, dando credibilidade, a mentirosos compulsivos nojentos, que deviam estar internados...
Esta é daquelas partidas, onde é impossível contabilizar o efeito dos erros no jogo. Se é verdade, que ficou um penalty por marcar contra o Benfica, isso aconteceu depois de uma expulsão perdoada ao Guimarães, que iria obviamente alterar tudo...


Estava com curiosidade para ver para que lado o Huguinho ia cair!!! Como Lagarto e anti-Benfiquista primário, além de ser apaixonado pelos Dragay's, nem que seja para manter a sua carreira em velocidade de cruzeiro, apitar um Calimeros-Corruptos, nunca seria fácil!!!
Curiosamente, ou não, acabou por estar discreto... até porque a forma como o jogo decorreu, com os próprios adeptos dos Corruptos a quererem fazer a folha ao seu treinador, fez com que ninguém tivesse a ousadia de se queixar... o resultado acabou por 'agradar' aos dois!!!!
Mesmo assim, os erros aconteceram, sendo o mais grave, nos primeiros minutos: penalty sobre o Corona!!! As analises deste lance, concentraram-se exclusivamente nos braços, mas para mim, existe um contacto claro no pé do Corona... gostaria de ver a repetição de outro ângulo, para ter a certeza, que não existe ilusão de óptica, mas a realização não quis dissecar o lance!!!
O outro grande erro, foi a não expulsão do Maxi já nos descontos... o impacto no resultado é nulo, mas a cotovelada é óbvia... Um lance bastante diferente do lance do Eliseu, aqui a intenção de atingir o adversário é clara!!!
Pelo meio, ainda houve um fora-de-jogo mal tirado ao Aboubakar, numa jogada potencialmente perigosa...


Como já foi feito noutras ocasiões, existe uma tentativa clara de branquear erros de arbitragens, com influência directa nos resultados e na respectiva classificação da Liga, com uma suposta superioridade exibicional de uma determinada equipa.
Vamos ser claros, eu próprio tenho criticado a forma como o Benfica tem jogado, principalmente a construção de jogo ofensivo, mas a duas jornadas do final da 1.ª volta, o Benfica é a equipa com mais golos marcados... e nas outras estatísticas ofensivas, lidera isolado ou está em igualdade com os adversários directos: remates, passes, etc...
O grau de exigência do Benfica foi sempre elevado. Actualmente, com as diversas Ligas Europeias na televisão constantemente é inevitável a comparação directa (apesar da diferença abismal de recursos...), e facilmente chegamos à conclusão que em Portugal, joga-se mal à bola!!!
Agora, os maus espectáculos, não podem ser confundidos com quem joga melhor ou pior. Essa é uma analise puramente subjectiva, que em Portugal é claramente condicionada por um exército de avençados, que gosta de 'almoçar' de graça, e que infesta jornais, rádios, televisões e até a Net...
Os Corruptos, jogam tão mal, que até os adeptos já não podem com o Basco, mesmo estando à frente do Benfica, e estando somente a 2 pontos da liderança, sabendo que na 2.ª volta vão receber os Lagartos... Os Lagartos, habituados a derrotas e maus resultados nas últimas décadas, não se importam de ganhar com arbitragens escandalosas, golos nos últimos minutos, com carambolas estranhas... com uma campanha Europeia vergonhosa, e jogando mal, na maior parte dos jogos, vencendo quase sempre pela margem mínima, longe, muito longe dos rolos compressores que os seu treinador era conhecido...
Dito isto, as fragilidades do Benfica, não podem ser confundidas, com actual classificação da Liga. Tenho sido critico da forma de jogar do Benfica, mas tenho defendido a atitude dos jogadores, o Benfica está longe de deslumbrar, mas os outros também não... Sem os apitos, a classificação estaria completamente diferente...


Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada


Épocas anteriores:

domingo, 3 de janeiro de 2016

Afinal tinha razão

"Nada como o tempo para dar razão a quem a tinha. A celebração dos contratos dos direitos de transmissão televisiva dos três grandes (e dos restantes clubes, à sua escala) veio dar razão a Mário Figueiredo, ex-presidente da Liga, severamente atacado por causa da sua bandeira de mandato. O sucessor de Fernando Gomes fez da centralização na Liga da negociação e distribuição das receitas desses direitos a sua grande causa. Duque recuperou no discurso e Proença reergueu no papel - mas sem convicção. A Liga foi ultrapassada e, como tudo se reconstrói, estamos aqui.
Se bem se recordam, Figueiredo apresentou estudos que (então para 2013) indicavam que os proveitos dessa "venda" podiam ascender, num cenário de probabilidade intermédia para a 1.ª Liga, a 120 milhões de euros por ano (duplicando-se o valor recebido da SportTV/PPTV/Olivedesportos-Controlinveste/Joaquim de Oliveira); num cenário mais otimista, esse valor poderia chegar a 142 milhões. No fim do processo em curso, façam as contas.
Se bem se recordam, Figueiredo e os seus pareceres e estudos pugnaram pelo fim do "abuso de posição dominante" da Controlinveste, uma vez que a falta de concorrência promovia a subavaliação do mercado. Quando se percebeu que o 'monopolista' não abdicaria da sua posição e que o Estado-legislador não imporia a centralização, denunciou (com apoio dos clubes) a situação junto da Autoridade da Concorrência (AdC), tendo por base a violação das leis da concorrência, o equilíbrio das posições contratuais e a tutela dos consumidores. Em 2015, já sem Figueiredo na Liga, a AdC veio declarar que os contratos dos direitos televisivos e multimédia, bem como de publicidade estática e virtual, celebrados entre a Controlinveste e os clubes, comportavam um "risco de encerramento do mercado", tendo em conta a duração excessiva da exclusividade e os mecanismos de suspensão contratual (sempre que os clubes descessem de divisão) e direitos de preferência para as épocas seguintes. E que eram nulos sempre que ultrapassassem três anos de vigência. Obrigou-se a Controlinveste a não celebrar contratos com duração superior e a retirar as cláusulas de preferência e suspensão; conferiu-se os direitos de os clubes denunciarem os contratos em vigor, com efeitos a partir do fim da presente época, renunciarem às preferências e revogarem as suspensões. Figueiredo e os clubes que sempre o apoiaram tinham razão, mas sem resultados para a Liga atual. Façam os vossos juízos. Já agora, também, para os contratos da NOS e da MEO..."

Natação !!!

Freamunde 1 - 0 Benfica B

Santos; Berto, Dias, Lystcov, Rebocho; Dawidowicz, Teixeira, Carvalho; Dino, Gonçalves, Taarbat

Não foi um jogo de Futebol, mais parecia um concurso de natação des-sincronizada!!!
Os jogadores nunca se adaptaram às condições, o Hélder também esteve mal, não mudando a estratégia tendo em conta as condições...

Nos últimos dias entre rumores e confirmações, parece que vamos ter vários reforços para esta equipa B, na segunda parte da época. E podemos dizer, que estamos mesmo a precisar de reforços... É óbvio que a descida de divisão é uma possibilidade neste momento, mas tenho confiança que isso não irá acontecer... Agora temos que melhorar muito.

É preciso acordar...

Corruptos 81 - 69 Benfica
18-12, 17-18, 19-21, 27-11

Muito mau, as férias fizeram muito mal à equipa... Pouco colectivo a atacar (algo já habitual...), e pouca defesa (algo que nos últimos anos, até tem disfarçado muito coisa...)... e com o Cook e o Wilson com 15 pontos no total, era impossível ganhar...
A derrota dos Corruptos com a Ovarense, neste momento faz-nos muito jeito, mas mesmo sem implicações imediatas na classificação, esta derrota dá um enorme impulso psicológico aos Corruptos para os próximos confrontos... Temos a obrigação de fazer muito melhor. A pouco competitividade da Liga Portuguesa não ajuda, mas os jogadores têm de estar motivados para os jogos mais apertados...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Vitória...

Guimarães 0 - 1 Benfica

Júlio César, Almeida, Lisandro, Jardel, Eliseu; Fejsa, Sanches, Pizzi, Gaitan (Carcela, 67'); Jonas (Mitroglou, 91'), Jiménez (Cristante, 88')

Valeu pela vitória, em novo jogo sofrido, onde voltámos a não sofrer golos, com algumas oportunidades para o adversário, mas sem muito trabalho para o Júlio. A nossa construção de jogo, continua a cometer os mesmos erros, sempre que a bola chega aos laterais, ficamos sem linhas de passe... os nossos adversários já perceberam as nossas dificuldades, e fazem uma pressão enorme, nessa zonas...

E quando a isto somamos a famosa inspiração dos guarda-redes contra o Benfica (aquela defesa com a 'cabeça' a um remate do Renato, marcou o tom na exibição do jovem goleiro Vitoriano!!!!), tudo fica muito complicado... por acaso esta época, já tivemos a nossa dose de frangos dos adversários, mas hoje ficou bem visível desde cedo, que não seria assim...

A utilização do Nico deixou-me muitas dúvidas. Se não estava em condições não devia ter jogado. Se não treinou durante a semana, tendo estado quase 1 mês de fora, é natural faltar algum ritmo, mas pareceu-me algo mais... vamos ver, se por causa desta brincadeira, não vamos ficar sem o Nico, por mais algum tempo...
Tudo isto, num jogo onde se sabia, que ia ser hiper-agressivo, tendo sido o Nico uma das primeiras vítimas... É inacreditável, assistir, ano após ano, autênticas batalhas campais em jogos do Benfica, quando as mesmas equipas, contra outros adversários parecem cordeirinhos!!!

Mesmo assim, é preciso realçar que as melhores oportunidades foram do Benfica...o Benfica que curiosamente voltou a estar pior, no início de ambas as partes, algo que já aconteceu várias vezes esta época... Parece que os jogadores ficam desconcentrados no arranque de ambas as partes!!! Aliás, a má exibição não se reflecte nas estatísticas do jogo. É verdade que na melhor oportunidade do Guimarães, não houve remate à baliza, mas mesmo assim, aqui ficam os números:
Os Corruptos e os Lagartos, jogaram mal e porcamente, em 80% dos jogos do Campeonato desta época. O facto do Benfica ter feito outro exibição fraca, não retira qualquer legitimidade na luta pelo Tri... Se os outros podem ganhar jogos, jogando mal, o Benfica creio que também tem esse direito!!!
E já agora, quem quiser procurar nas últimas 6 épocas, vitórias do Benfica, em Braga e em Guimarães na mesma época, não vai encontrar muitas... ou nenhumas!!!

Hoje, até o Xistra pareceu querer fazer uma exibição 'não inclinada', tendo errado para os dois lados... sendo o penalty do Fejsa o lance mais fotogénico, mas houve outros erros...




Grande momento.
Publicado por João Mesquita em Sábado, 2 de Janeiro de 2016

PS: Em ano eleitoral, já estamos habituados a muita desinformação, começando pela Gloriasesfera... Esta semana com o anuncio da compra dos restantes 50% do passe do Pizzi, lá apareceram os do costume...!!!
Eu não tenho informações confidenciais, mas confio na actual Direcção, creio que o passado recente, é prova suficiente dos bons serviços... Agora os maus negócios, todos o fazem... ninguém é infalível, excepto o Paspalho do Lumiar!!!
Este negócio do Pizzi e do Jiménez, foi feito na mesma altura que o Cavaleiro foi para o Mónaco, o Carrasco para o Atlético, e o Pizzi e o Jiménez para o Benfica... parece-me claro que o dinheiro ficou sempre no mesmo sítio, os jogadores é que rodaram... E se foi assim, se em vez do dinheiro, perguntarmos se 1 Cavaleiro vale 1/2-Pizzi + 1/2-Jiménez, creio que todos ficaremos contentes...!!!
Também gostava que as informações públicas fossem mais transparentes, mas também não podemos ser ingénuos...

Temos que melhorar...

Benfica 2 - 4 Fundão

Acabou a invencibilidade do Benfica do Joel Rocha nas competições internas. A equipa antes da paragem de Natal já vinha a jogar mal... o próprio Joel reconheceu isso mesmo! Parece que as mini-férias não resolveram o problema... Temos muitas competições pela frente, é importante estar no pico de forma, mais lá para a frente, mas hoje podemos ter perdido o factor casa, na mais do que provável Final do Play-off!!!
Apesar de tudo, nota para o regresso do Jefferson...

O Campeonato só regressa no dia 20 de Fevereiro!!! Vamos ter Europeu de Futsal, e Taça da Liga, é caso para se dizer, que esta jornada, bem podia ter sido adiada para Fevereiro!!!!!!

Não é um finalmente qualquer

"Esta noite há um clássico. Jogam entre si os dois primeiros classificados do campeonato. No fim do jogo, venha o que vier, continuarão a ser os dois primeiros classificados ainda que possam trocar de posições. Como, aliás, aconteceu na jornada anterior ao Natal, quando o Sporting passou do primeiro para o segundo lugar não só por tradição mas também por maldade.
Por maldade, sim. Porque obrigar o desacreditado Julen Lopetegui a entrar na sua casa do Lumiar na condição de líder isolado da Liga é um abuso psicológico sobre o treinador adversário. É também colocar todo o Porto em polvorosa perante a iminência de uma qualquer 'invenção' de última hora que venha a revelar-se fatal para as contas do título. É que foi preciso esperar pela 14.ª jornada para que as ditas contas parecessem bem encaminhadas, finalmente. E não é um finalmente qualquer. Trata-se de um grande, de um enorme finalmente.
Aconteceu que ao cabo de quase dois anos e meio a dirigir o Porto, Lopetegui conseguiu levar a equipa por si comandada ao primeiro lugar isolado da tabela. Do lado dos azuis conhecedores da sua História, alguém aceita que este estado de graça possa só durar uma jornada?
Já do lado do Sporting, toda a gente aceita. A derrota na Madeira frente ao União foi obviamente 'estratégica' porque o discurso tinha de mudar para ser efectivo, "ponto". Da eloquência sobre os rivais "atrofiados" passou-se então modestamente para a conversa dos rivais "principais favoritos". Bem traduzido, é o mesmo do que mandar dizer ao Porto que esta noite, por obséquio, o peso inteiro da responsabilidade assenta nas costas do seu treinador às costas do seu presidente. Vai estar muito material em jogo logo à noite.
Este ano toda a gente quer ganhar a Taça da Liga. No lançamento da primeira jornada, antevendo o jogo com o Paços de Ferreira, o Sporting afirmou-o pela voz do seu treinador - "é uma competição que queremos vencer" - e pela voz do seu presidente - "só a vitória interessa". O Benfica não necessitou de professar nada sobre o assunto porque esteve sempre interessado na Taça da Liga, embora se tenha visto aflito para ganhar ao Nacional. Já pelo Porto falou o seu presidente, garantindo que "em virtude do esforço de Pedro Proença" iria pela primeira vez "prestar atenção à Taça da Liga". O problema foi o Marítimo ter desalinhado."

Para 2016: continuar a vencer

"2015 foi um ano fantástico para o Benfica: campeões em futebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, voleibol, atletismo, entre muitas outras conquistas importantes. No futebol repetimos três títulos numa época, como havia acontecido em 2014.
2016 começa sob o signo de ambição igual. Queremos continuar a vencer títulos no futebol e em todas as modalidades.
E se um Sporting-FC Porto é um jogo de cartaz, para nós benfiquistas apenas nos preocupa o jogo que temos contra Carlos Xistra em Guimarães, mais logo. Fantasias sobre o resultado que queremos (nós benfiquistas) para o clássico sempre daria «cada cabeça cada sentença». Importante para as aspirações do Benfica era vencer em Guimarães e recuperar os lesionados, com Gaitán à cabeça.
A vitória contra o Nacional, num jogo menos conseguido, foi fundamental para o objectivo Taça da Liga. Jiménez já entrou para decidir muitas vezes: Moreirense, Rio Ave, Nacional. Comigo a treinador de bancada era titular, gosto dele.
O Benfica perdeu três vezes com o Sporting em 2015 e foi um escândalo. O FC Porto também perdeu três vezes com· o Marítimo e ninguém achou estranho. Ou o Marítimo é muito grande ou o Sporting é muito pequeno para se compreender estas análises. Talvez seja só futebol.
Começou o novo ano com as velhas ambições mas seja pelo Sporting-FC Porto e V. Guimarães-Benfica, seja pelo Jesus-Lopetegui está garantido o cardápio de início de ano. Isto sem falar na guerrilha saloia dos números dos diversos contratos de patrocínio com as várias operadoras. Horas de programas a discutir, com esmero, basicamente nada. Eu estou satisfeito com os do Benfica, com o da NOS e com o da Emirates. Quero ganhar é desportivamente dentro dos campo e dos pavilhões.
Um excelente 2016 para todos os leitores de A BOLA."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tradicional entrevista de Ano Novo do Presidente:

"«Benfica liderou processo dos direitos televisivos»
(...)
- Quanto tempo demorou a negociação com a NOS?
- O tempo necessário a alcançarmos um bom acordo para todas as partes.

- 400 milhões foi um excelente negócio, principalmente para quem recebia 7,5 milhões há 3 anos. Depois segui-se o FC Porto com 457 milhões e o Sporting com 515. Quem fez afinal o melhor acordo?
- Tenho ouvido e lido muitas coisas nestes dias e o único que posso dizer-lhe é não se pode comparar o incomparável, o que é preciso é analisar a diferença dos contratos e activos que cada um deles abrange. É evidente que são três excelentes acordos, mas os contratos do FC Porto e do Sporting só foram possíveis porque o Benfica voltou a liderar o processo e demonstrou que os valores que eram pagos em Portugal pelos direitos televisivos eram inacreditavelmente baixos. Portanto, o Benfica só pode ter orgulho em ter criado a oportunidade para que outros clubes possam beneficiar da revolução que foi iniciada por nós. Tinha dito no dia da apresentação do nosso acordo com a NOS que todos os clubes iriam beneficiar. O tempo - e não foi preciso esperar muito - deu-me razão.

- Mas qual é o melhor acordo?
- O que lhe posso dizer é que o nosso é o que compromete o clube durante menos tempo e com menos activos. O nosso contrato é por 10 anos e os demais por 12 ou 13, em média. E o nosso contrato não incluiu patrocínios nem nas camisolas nem no estádio. A partir daqui, as contas são fáceis de fazer e cada um que tire as suas conclusões.

- E o Benfica tem uma cláusula de salvaguarda como também já foi noticiado?
- O Benfica tenta sempre minimizar as suas receitas, em qualquer contrato, com qualquer parceiro. Na eventualidade de um parceiro nosso poder estabelecer acordos similares aos nossos com alguns dos nosso concorrentes, é natural que a dimensão ímpar do Benfica tem de estar salvaguardada. Curiosamente, isso é feito por nós, mas também pelos nossos concorrentes que reconhecem a nossa grandeza, sem paralelo em Portugal.

- Mas o acordo com a NOS contempla essa salvaguarda?
- Obviamente. E por isso, em Janeiro estaremos de novo sentados à mesa com a NOS, algo que já está contemplado no nosso acordo.

- O presidente do Sporting diz que o acordo do Benfica é pior que o acordo do Porto e, por consequente, pior que o acordo do Sporting. Quer comentar?
- Continuo a ver o presidente do Sporting muito interessado em comentar assuntos dos outros clubes. Felizmente, o conhecimento que possui sobre esta matéria é igual ao que tem sobre a necessidade de se cumprirem contratos.

- Mas falar de 515 milhões é um valor que impressiona...
- E até poderiam estar a falar de 1000 milhões, bastava terem vendido tudo por mais 20 ou 30 anos.
O que é relevante e perceber, em cada ano, quanto é que os clubes vão receber nessas 3 componentes, direitos televisivos, canal do clube e publicidade nas camisolas e no estádio. Como já disse, as conclusões são fáceis.

- Considera então que contratos a 13 anos são demasiados longos e que isso não justifica que se olhe só para o valor absoluto?
- Não sou eu que digo. No dia 28 de Dezembro, alguém comentava no seu famoso Facebook que Porto e Benfica faziam mal em comprometer-se por um período tão alargado (10 ou 12 anos) e no dia seguinte assina um contrato por 13 anos? Ora aqui está um enorme exemplo de coerência, igual ao que dá quando defende a centralização e passado 3 semanas assina um contrato com compromissos até 2028.

- Se os jogos da equipa principal do Benfica em casa forem transmitidos na SportTV não é um recuo em relação ao que já disse sobre a Olivedesportos e Joaquim Oliveira?
- O Benfica vendeu os seus direitos televisivos à NOS e não a um intermediário. Portanto, a Olivedesportos não tem qualquer relação com o Benfica. Será a NOS a decidir onde irão passar os jogos. Qualquer que seja a decisão da NOS, temos a garantia de que os nossos jogos serão tratados com a máxima isenção e respeito, aliás como nos orgulhamos de fazer nas transmissões da BTV. Se voltarem à SportTV, não consideramos isso um problema. Ninguém melhor que a NOS para assumir um maior protagonismo na gestão da SportTV. O rigor e o profissionalismo da NOS são para nós uma garantia de isenção e qualidade.

- Porquê a NOS, não foram alvo de propostas de outros 'players'?
- Foi a NOS que nos apresentou a proposta mais estruturada e que nos dava mais garantias. Não apenas financeiras, mas também de qualidade de serviço. Recebemos demonstrações de interesse que não podem ser assumidas como propostas de outras empresas, nomeadamente de um operador de telecomunicações, de dois canais internacionais e de um fundo.

- Este acordo vai esvaziar muito da propostas de valor da BTV. Qual o futuro do canal do clube?
- A BTV vai continuar a ser propriedade do Benfica e continuará a ser um elemento de comunicação fundamental do clube com os seus sócios e adeptos. Vamos continuar a transmitir os jogos da formação, quer nas modalidades quer no futebol, vamos continuar a transmitir os jogos das modalidades e da equipa B. Vamos continuar a ter bons conteúdos. E vamos beneficiar do acesso aos jogos da equipa A em diferido. Resta afirmar que o arquivo dos jogos da equipa A é nosso e esperamos em breve poder também ter acesso ao arquivo dos jogos fora.

- Ao desinvestir na BTV, espera-se uma reestruturação da mesma? Um redimensionamento que poderá passar pela redução de pessoal?
- Isso não está em cima da mesa nesta altura, vamos encontrar soluções. Tenho 12 anos como presidente do Benfica e nunca houve despedimentos dentro da organização.

- Ao assinar um acordo com um horizonte temporal de 10 anos, não 'amarra' o futuro do Benfica?
- Entendemos que o momento actual é aquele em que os conteúdos, nomeadamente os desportivos, estão mais valorizados. E por isso, exigimos um compromisso de longa duração. Acho que a perspectiva tem de ser completamente diferente, este contrato, com esta duração, garante a sustentabilidade e o futuro do Benfica.

«No Benfica trabalhamos em equipa mas o responsável sou sempre eu»
(...)
- Consumada a saída de Jorge Jesus, depois de seis anos, o que o fez optar por Rui Vitória para assumir uma tarefa que se sabia ser de grande exigência?
- Fi-lo pela razão mais simples, ficámos sem treinador. E, portanto, fomos à procura de um treinador com um perfil que nos garantisse empenho e qualidade no seu trabalho e que se identificou com o projecto. O Rui encaixa nesta casa, saiu, provou ter capacidade para assumir este desafio.

- Como avalia o trabalho de Rui Vitória no Benfica?
- Creio que independentemente dos reparos e das críticas de que tem sido alvo por parte de alguma imprensa, a avaliação tem de ser positiva. Apostou e ganhou jovens que hoje já não são promessas, mas certezas do Benfica, estamos nos oitavos de final da Champions, tem uma ligação a todos os escalões de formação que nenhum outro treinador anterior teve. Temos tido quatro a cinco jogadores portugueses em campo, algo que já não acontecia há muitos anos. É evidente que a nível exibicional temos sido irregulares, mas como tenho dito houve uma mudança muito grande de paradigma do futebol do Benfica e isso obriga-nos a ter de ser pacientes. Há sempre espaço para melhorias e o Rui é o primeiro a saber disso.

- Alguns resultados e exibições têm sido negativos. Como explica isso?
- E outros resultados e exibições são positivos, é o futebol. Há quem se agarre apenas ao que de negativo acontece. Nestes 15 anos sempre me agarrei ao que de positivo fomos fazendo dentro do clube e foi por isso que chegámos aqui. Há uma coisa de que tenho a certeza, temos de apoiar a equipa, principalmente nos momentos em que as coisas não estão a correr bem. Apoiar quando tudo sai bem é muito fácil, mas se assobiarmos quando as coisas estão a correr como os jogadores querem só estamos a contribuir para piorar a situação.

- Esperava estar a tenta distância de Sporting e FC Porto no final do ano?
- Acho que é uma distância recuperável, aliás lembro-me que ainda há pouco tempo perdemos dois campeonatos tendo chegado a ter oito e cinco pontos de avanço para o segundo classificado, portanto... Preferia estar mais perto e creio que poderíamos estar, mas além de culpas próprias também temos tido, em alguns momentos, a falta da estrelinha que tem acompanhado os nossos rivais. Mas é uma diferença recuperável.

- O discurso de Rui Vitória é quase sempre pouco incisivo. Têm essa noção?
- É um discurso de uma pessoa equilibrada. Os jornalistas querem sempre intervenções de combate que deem bons títulos e depois garantam a réplica do treinador B ou C. Acho que temos de defender o Benfica, mas isso não significa estar sempre em 'guerra' com tudo e todos.

- Todos os treinadores estão dependentes de resultados? Qual é a margem de manobra de Rui Vitória?
- Qual foi a margem de manobra do nosso último treinador? Como bem se lembra, foi muito grande. As pessoas é que às vezes tem tendência para esquecer. Creio que já tem a resposta.

- A confiança no trabalho dele é neste momento inabalável?
- Os resultados são sempre parte mais importante e mais visível do trabalho de qualquer treinador. Mas há uma parte que é invisível do público e dos jornalistas que é o trabalho diário no Seixal. Esse trabalho está a ser bem feito e é um trabalho que vai muito para lá da nossa equipa profissional. Ser paciente é uma virtude e se formos pacientes os resultados vão aparecer.

- Há mais de 60 anos que o Benfica não perdia três vezes com o Sporting na mesma época. O que tem a dizer sobre isso?
- As derrotas são sempre más, seja com quem for. Também tivemos durante alguns anos várias derrotas consecutivas com o FC Porto e isso não nos desviou das nossas ideias, nem nos fez retirar a confiança no nosso treinador. Gostava que não tivesse acontecido, mas se ganharmos o campeonato o que é que é mais relevante? As três derrotas ou o tri?

- Quando diz que esta é uma época de transição está a fazer um apelo à tolerância dos benfiquistas?
- Estou apenas a constatar uma realidade e o que disse há duas semanas continuar a valer. Temos de ser exigentes, mas ao mesmo tempo pacientes. Houve mudanças, há mais jovens na nossa equipa profissional, houve várias lesões... Portanto, temos de equilibrar a nossa exigência que tem de existir sempre, com alguma tolerância.

- Como avalia os últimos protestos de adeptos contra a equipa e o treinador?
- Temos de os encarar com normalidade. Quando os resultados não são aqueles que desejamos há sempre manifestações deste tipo, no Benfica ou em qualquer clube. Não podemos desvalorizar essas manifestações, mas quando estamos convictos do que estamos a fazer temos de dizer a todos os benfiquistas que os resultados vão aparecer. Também o disse há dois anos atrás quando houve mais manifestações e de uma escala bem maior contra o nosso antigo treinador...

- É inegável que o Seixal está a produzir futebolistas de muito boa qualidade. Mas não estão a faltar ao Benfica alguns jogadores mais experientes que enquadrem devidamente esse talento?
- Quando temos jogadores como Luisão, Jonas, Júlio César, Fejsa, Samaris, Jardel e outros, não podemos dizer que faltam jogadores experientes. Eles estão cá e vão continuar a ajudar os mais novos a crescer. Não creio que haja qualquer problema desse ponto de vista.

- Reconheceu em entrevista a A BOLA que gostaria de ter dado mais um ou dois jogadores a Vitória. Vai fazê-lo em Janeiro?
- E também disse que preferia uma equipa comprometida do que uma equipa sem compromisso. Vamos ter jogadores importantes de regresso à equipa, casos de Gaitán, Nélson Semedo, Luisão e Salvio e esses serão os nossos melhores reforços. É verdade que a estes regressos podemos juntar mais um ou dois jogadores, mantendo a mesma filosofia: jogadores jovens que nos tragam soluções que não temos no Seixal.

- O espanhol Grimaldo já foi apresentado e é reforço, entretanto fala-se do argentino Leonardo Jara. É uma hipótese?
- O Jara nunca foi hipótese. Como sabem há sempre muitos nomes plantados na comunicação social quando as janelas de transferência estão para abrir. Muitos não fazem sentido e o Jara nunca foi hipótese.

- Confirma que Cervi vem já?
- Estamos a trabalhar nesse sentido. Gostaríamos de poder contar com ele já em Janeiro, mas não depende apenas de nós.

- Já recebeu alguma oferta ou já lhe perguntaram sobre a possibilidade de vender o Nélson Semedo, o Renato Sanches ou o Gonçalo Guedes?
- Não vou relevar nada em relação a isso, apenas que são três jogadores em quem nós acreditamos muito e que fazendo o trabalho que têm de fazer não vão faltar clubes interessados. Para já, o que nós queremos é que cresçam dentro do Benfica e nos ajudem a atingir os nossos objectivos.

- Algumas aquisições de Verão e outras anteriores - Taarabt, Carcela, Jiménez, Djuricic, Cristante - não se afirmaram. O que correu mal nesse processo?
- São casos diferentes e em relação a alguns deles não estou de acordo com a afirmação feita. Há jogadores que estão a ajudar a equipa, há outros em que há duas ou três opções para o mesmo lugar e aí nada a fazer e, finalmente, sim há um caso que claramente ficou abaixo do esperado. Infelizmente o futebol é isto, e os casos de jogadores que ficam abaixo das expectativas não é um exclusivo nosso, em todos os clubes do mundo há situações iguais.

- Quem é o responsável?
- O responsável sou sempre eu. Dentro do Benfica funcionamos em equipa, de forma colegial, mas o responsável sou sempre eu.

- Não é demasiado investir €9 milhões por 50 por cento do passe de Raúl Jiménez?
- Depende do seu desempenho desportivo e do valor pelo qual for vendido no futuro. Já houve vários casos em que me fizeram a mesma pergunta e quando o jogador foi vendido rendeu o triplo ou mais ao clube. Há, evidentemente, casos em que isso não acontece. Portanto, a resposta à sua pergunta só será conhecida quando o jogador sair do Benfica. Em todo o caso, tenho muitas esperanças no rendimento desportivo do Jiménez, que para o caso é o que neste momento interessa.

- A opção de compra de Mitroglou é obrigatória ou o Benfica só a acciona se quiser?
- É opcional. Não sei se a vamos exercer ou não, mas é justo reconhecer que o jogador está comprometido com o Benfica e que honra a camisola que veste.

- Eliseu acaba contrato no final da época. Vai renovar?
- É mais um tema que não se trata na praça pública. Falaremos com o jogador e com o seu representante.

- Quais são as dispensas no horizonte?
- A seu tempo saberão. É um tema que não se trata pelos jornais.

«Fomos à procura de treinador depois de sabermos da opção de Jorge Jesus»
(...)
- Está arrependido da saída de Jorge Jesus? Por outras palavras, por sua vontade Jorge Jesus ainda seria treinador do Benfica?
- A pergunta não faz sentido, a decisão foi dele. Mas é um tema que não vou voltar a alimentar. Jorge Jesus seguiu o seu caminho e fez a opção que entendeu fazer. Ponto final.

- De uma vez por todas, foi decisão sua ou foi decisão de Jorge Jesus?
- Acho que é um capítulo que devemos fechar. O tempo vai ser o melhor juiz do que se passou. Fomos à procura de um treinador depois de sabermos pela comunicação social da opção de Jorge Jesus. Só tive a confirmação já de madrugada e por sms. Nada mais a dizer sobre isso.

- Esperava tanta turbulência com a saída dele?
- É normal que assim seja. Seis anos não são seis dias.

- Ou a turbulência resulta de ele ter ido para o Sporting? Se tivesse ido para o estrangeiro não teria tanto impacto... É verdade, como tem sido dito, que sugeriu a Jorge Jesus continuar a carreira no estrangeiro?
- Não vou alimentar mais essa mentira. Já se disseram muitas coisas, a maioria delas distorcidas e desfocadas de forma intencional. Chegará o momento em que a história será contada na sua versão correcta.

- Quando se encontra socialmente com Jorge Jesus falam-se?
- Independentemente das opções que ele assumiu e da decisão do Benfica em avançar para tribunal na defesa dos direitos do clube, há um relacionamento de muitos anos e sempre que me cruzo com ele falamos. A defesa do Benfica enquanto clube não significa que tenha de me afastar das pessoas com quem sempre falei ao longo da vida.

- Até que ponto é possível separar o lado afectivo do 'business' puro e duro?
- É possível separar e no Benfica sabemos separar bem o negócio do lado afectivo. Já foi assim há três anos com o Joaquim Oliveira e podia dar muitos outros exemplos. E no caso do Jorge Jesus é exactamente a mesma situação.

- As acções judiciais contra Jesus era inevitáveis ou houve um sentimento de frustração que acabou por torná-las efectivas?
- Os tribunais têm uma função, existem para decidir quando há dois lados com posições diferentes. O departamento jurídico do Benfica entendeu que havia razões para avançar para tribunal. Quando são os interesses do clube a estar em causa, sou o primeiro a assumir a sua defesa. O clube está acima de tudo.

- Marco Silva também foi considerado depois do divórcio com Jesus?
- Como já lhe disse anteriormente, e sem falar deste ou daquele treinador, este capítulo está fechado. Depois da saída de Jorge Jesus, houve várias opções que foram consideradas, Rui Vitória reuniu consenso.

- Com José Mourinho livre há muitos benfiquistas a sonhar. Passou-lhe pela cabeça tentar contratá-lo?
- Não, conheço bem o José e sei que não vai voltar a Portugal tão cedo. É o melhor treinador português e um dos melhores do Mundo, e não vai ser pelo que sucedeu no Chelsea que o vai deixar de ser.

- Acredita que um dia ele voltará ao Benfica?
- O José já ganhou um estatuto que lhe permite fazer o que ele entender no seu futuro. Vai ser ele a decidir o que quer fazer daqui a seis ou oito anos.

GRAVES ACUSAÇÕES DE BRUNO CARVALHO
- O Sporting acusou o Benfica de factos graves, a propósito dos kits oferecidos a vários agentes do futebol. Enquanto Bruno de Carvalho for presidente, o Benfica não vai querer relações entre os clubes?
- O Sporting enquanto clube, enquanto instituição centenária merece-me todo o respeito, gostava que não ficasse nenhuma dúvida em relação a isso. Mas é evidente que o Sporting vai ter de responder pelos actos do seu actual presidente, pelas acusações repetidas que puseram em causa o bom e a reputação do Benfica. Creio que o Sporting vai ter de pagar pela irresponsabilidade de muitas das afirmações do seu presidente. O futebol beneficia com um clima de serenidade, a opção do presidente do Sporting foi a de afirmar-se pelo confronto, pela difamação. O Benfica não vai dar a outra face. Foi longe de mais, vamos ver os custos que vai ter para a instituição a que ele preside.

- O que espera das acções que o Benfica intentou contra o Sporting?
- Ainda não deram entrada, estão a ser finalizadas. Mas aquilo que espero é apenas a justa compensação pelos danos reputacionais que foram causados.

A POSIÇÃO FRÁGIL DE PEDRO PROENÇA
- Como viu o ataque do Sporting, através de Bruno Carvalho, à Liga e a Pedro Proença?
- Não me vou pronunciar, é algo que não me diz respeito. Apenas registo que o Sporting foi dos grandes apoiantes da candidatura do actual presidente da Liga. Não me parece, contudo, que seja apenas uma birra de amigos.

- Se Luís Duque, a quem foi tirado o tapete, continuasse a ser presidente da Liga haveria mais probabilidades de um acordo pró-centralização?
- Luís Duque teve, num mandato extremamente curto, um grande mérito, conseguiu pacificar a Liga e a partir daí, num clima de grande unidade entre os clubes, tomou-se a decisão de estudar de forma objectiva a centralização. Depois seguiu-se o que todos conhecemos, com uma candidatura que fracturou a Liga e a partir daí deixou de haver condições (foi a actual Direcção da Liga a reconhecê-lo) para a centralização.

- E entretanto Porto e o Sporting anunciaram já acordos até 2028...
- Isso revela que nem o Porto nem o Sporting acreditavam seriamente na promessa de centralização anunciada pelo actual presidente da Liga durante a sua campanha eleitoral. Como é evidente, as negociações com os clubes começaram muito antes do nosso anúncio e isso é revelador do descrédito que mereceram as propostas de centralização por parte do então candidato Pedro Proença.

O 'FANTASMA' DE LUÍS DUQUE
- Pedro Proença foi um erro de 'casting'?
- Não serei eu a dizer tal coisa. Mas creio que com Luís Duque a Liga viveria hoje uma outra situação. Seguramente melhor. Creio que muitos dos compromissos que serviram de base à eleição de Pedro Proença já não são atingíveis, e quando isso acontece é natural que o presidente da Liga equacione a sua continuidade.

- Defende a saída de Pedro Proença?
- Defendo que essa é uma hipótese que Pedro Proença devia considerar em função do que tem sido a sua liderança na Liga, dos resultados que não conseguiu alcançar e das diversas manifestações dos clubes que ele tão bem conhece, nomeadamente, mas não só, os clubes da Liga de Honra.

- Mas o Benfica era a favor da centralização...
- O Benfica era a favor de uma negociação, mas para que esse processo pudesse avançar era necessário que os clubes se entendessem sobre essa matéria, era necessário que a Liga (esta Liga) tivesse assumido o dossier como prioritário. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Por outro lado, numa negociação centralizada, é necessário que os clubes disponham dos seus direitos. Só o Benfica tinha liberdade para avançar antes de 2018.

COMO DEFENDER OS 'OUTROS' CLUBES
- Concorda com um imposto 'revolucionário', de que se tem falado, sobre os direitos do Benfica e dois outros contratos dos 'grandes' para ajudar os mais pequenos?
- Os clubes da Segunda Liga precisam que quem lhes prometeu 500 mil euros de apoio (por clube= mostre os patrocínios que captou ou pensa captar para os ajudar. O Benfica está, como sempre esteve, disponível para ajudar o futebol português, nomeadamente os clubes de menor dimensão. Esperamos que os outros clubes, nomeadamente os chamados grandes também o façam. É que se falamos em compromissos com o futebol português, convém recordar que o Benfica foi o único clube a perder receitas para ajudar a Liga, foi o único clube a ajudar financeiramente a Liga para que o futebol não parasse em Portugal, e, em conjunto com o Rio Ave, é o único clube que é credor da Liga...

- Os clubes conseguem ver para além do benefício imediato e do pequeno favor?
- Os clubes devem ver em função dos projectos que lhes são apresentados. Gostava de voltar a ver todos os clubes a pensar e a agir em benefício do futebol português, isso perdeu-se nos últimos tempos e todos nós fomos prejudicados com isso, principalmente os clubes mais pequenos. Devemos focar-nos no essencial e infelizmente há muitos que só pensam em função de colocar pessoas no sítio A ou B. Isso tem de acabar. Nas últimas eleições isso foi notório.

- As equipas B são um sucesso mas a II Liga é um elefante branco económico. Por este caminho podemos concluir que tem os dias contados, neste formato?
- Só tem os dias contados se o presidente da Liga não encontrar a solução prometida.

«Há dois anos que o Benfica não vai buscar um tostão à banca»
(...)
- Muito se tem falado e versões divergentes todos os dias na opinião pública. Afinal qual é o activo e o passivo consolidado do Benfica, SAD?
- De acordo com as últimas contas apresentadas na CMVM referentes ao 1.º trimestre, o valor do activo é de 445,6 milhões de euros. O capital próprio ascende a 13,4 milhões de euros, continuando a sua tendência de recuperação sustentada iniciada nos últimos exercícios.

- Como se decompõe o passivo consolidado da Benfica, SAD?
- A dívida bancária ascende a 309,6 milhões de euros, sendo o passivo exigível de 80,3 milhões de euros e o passivo não exigível de 42,3 milhões de euros.

- Quais são os encargos bancários do passivo consolidado da Benfica, SAD?
- Considerando a estrutura e maturidade da nossa dívida bancária, os encargos financeiros líquidos ascendem a aproximadamente 17 milhões de euros, mas perspectivamos uma redução significativa deste valor nos próximos exercícios.

- Quanto vai ser gasto, da verba da NOS, na redução do passivo?
- Vou responder-lhe de outra forma: à medida que se forem vencendo as responsabilidades que o Benfica tem com o sistema financeiro, vamos liquidá-las.

- Essa é um decisão realmente irrevogável?
- Já o disse em diversas ocasiões, o grosso deste contrato será para libertar o Benfica do seu passivo. Há muitos anos que ouço muita gente a falar do passivo do Benfica, que era insustentável, que era ingerivel. Há dois anos que o Benfica não vai à banca buscar um tostão, há dois anos que vivemos das nossas receitas e ainda assim conseguimos amortizar passivo. Nunca atiramos responsabilidades para cinco ou dez anos à frente, nunca beneficiámos de uma taxa de juro de zero por cento, nunca incumprimos com nenhumas das nossas obrigações.

- Mas ao fazer essa referência, está a visar o Sporting?
- As notícias que foram publicadas recentemente e que dão conta de um novo acordo entre o Sporting e a banca deixam-nos apreensivos. Mas é um assunto que não deve ser tratado na comunicação social.

- Acha que o Sporting está a beneficiar de condições que o Benfica não tem?
- Percebo a pergunta, mas repito são assuntos que não devem ser tratados na comunicação social.

- Sugeriu que a expansão da marca Benfica. Pode esclarecer os benfiquistas o que está a ser feito nesse sentido?
- Noventa por cento das nossas propostas comerciais, quer seja a nível de marca quer a nível de patrocínios ou de abertura de academias são feitas para o estrangeiro. Mas não gosto de dizer que vai acontecer isso ou aquilo, gosto de anunciar quando há algo concreto para anunciar. Há uma garantia que tenho, estamos a trabalhar em várias frentes no sentido de manter o crescimento do Benfica enquanto bandeira de referência no estrangeiro e o melhor que podemos fazer para expandir a marca é fazer bem o nosso trabalho. Receber, no Dubai, o prémio de melhor academia do mundo é expandir a marca, ser referenciado a nível internacional por ter o simulador mais avançado do mundo é expandir a marca. É por aí que temos de ir.

- Falou do prémio dos Globe Soccer Awards que distinguiu o Caixa Futebol Campus como a melhor academia do mundo. É um prémio que reconhece a aposta no Seixal?
- Sem duvida, mas acima de tudo é um prémio que distingue tudo aquilo que tenho ouvido fora de Portugal em relação à formação do Benfica, não apenas em relação ao talento dos nossos jovens, mas em relação às condições de trabalho, à qualidade dos nossos treinadores, aos métodos inovadores que temos implementado. O prémio é evidente que é algo que me enche de orgulho, mas os testemunhos de responsáveis internacionais, com peso no futebol mundial, que tenho ouvido durante o último ano, representam igualmente um prémio em relação à aposta que temos feito.

- Merece-lhe algum comentário a ironia do presidente do Sporting que disse em relação a este prémio, que os benfiquistas eram bons a teclar e a telefonar?
- Nenhum comentário. Quando entramos em estado de negação é algo preocupante, mas não é um problema nosso. O que eu posso dizer é que o Benfica é bom a cumprir rigorosamente os seus compromissos. Há quem não possa dizer o mesmo!

- Qual será o próximo grande negócio?
- Não gosto de por as coisas dessa forma. Para nós, todas as parcerias são 'grandes' se elas resultarem em proveito para todas as partes. Não apenas o volume de negócio que interessa, interessa sim é que todos os parceiros que trabalham connosco tirem dividendos dessa parceira, porque só dessa forma vamos poder atrair novos parceiros. O último contrato assinado, como foi público, foi com a Repsol.

- 'Naming' do estádio?
- Ao contrário do que se chegou a noticiar não há nada fechado. Talvez seja o projecto ou o patrocínio mais difícil do ponto de vista da venda, porque é um valor elevado e não tem a facilidade de retorno que tem por exemplo quem investe nas camisolas. Continuamos com propostas que a médio prazo podemos fechar este processo.

- Quando vale o nome do Estádio da Luz por ano?
- Pode valer o mesmo que o patrocínio das nossas camisolas.

UM JANTAR QUE JUNTOU DIRIGENTES DE SEMPRE
- Juntou dirigentes que serviram o Benfica ao longo dos últimos 30 anos. Que mensagem pretendeu fazer passar?
- Uma mensagem de unidade. Acho que todos os dirigentes que por aqui passaram deram o seu melhor, independentemente das decisões que assumiram e das consequências que algumas delas tiveram para o clube. A história do Benfica não se faz na censura ou na denúncia daqueles que serviram o Benfica fez-se de união e essa foi a mensagem que quis deixar. Todos fomos importantes, todos somos necessários. O resultado está hoje à vista, um clube forte, reconhecido internacionalmente, inovador e unido em torno dos seus principais objectivos.

- No Sporting, a actual direcção pôs processos judiciais contra ex-presidentes. Esse jantar foi um recado para a Alvalade?
- Nada disso, cada um assume as suas responsabilidades e a forma como entende que deve liderar. Aqui agimos em função das nossas convicções, não para mandar recados à direita ou à esquerda, e foi isso que fiz. Todos erramos, porque como já tive oportunidade de dizer só não erra quem não decide.

«Só quero que os árbitros façam bem o seu trabalho»
(...)
- Foi muito crítico em relação a arbitragem depois do jogo com o Rio Ave...
- Era difícil não ser depois de ficarem três penalties por marcar. Distancei-me de muitas afirmações que foram feitas durante estes meses, evitei sempre via a público falar de arbitragem, mas é evidente que depois de assistir ao que assisti nesse jogo era difícil manter a serenidade. Não digo que os erros sejam propositados, não digo que haja intenção, mas há limites. E é evidente que os erros tem uma relação directa com a campanha de coação a que os árbitros têm sido sujeitos. Espero que esse clima desapareça e que os árbitros possam ter a tranquilidade que lhes tem faltado.

- O Benfica tem sido o mais prejudicado?
- Não tenho dúvidas e vocês podem fazer essa contabilidade com alguma facilidade. entre golos mal anulados e penalties por assinalar, erros com influência directa nos resultados, temos sido os mais prejudicados. Mas, repito, não quero entrar por aí, temos de preocupar-nos em melhorar o que é da nossa responsabilidade. Quanto aos árbitros apenas queremos que façam bem o seu trabalho.

«Continuo a ter condições e projectos para manter o crescimento do Benfica»
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- Já decidiu se vai recandidatar-se às eleições de Outubro de 2016?
- A seu tempo tomarei a decisão. Há, nesta altura, muitas outras preocupações. Falta praticamente uma no, chegará o momento de falarmos sobre isso, para já é muito cedo.

- Partindo do principio que o passivo fica saneado com dinheiro da NOS, o que fica por fazer?
- Há sempre novas coisas para fazer. No Benfica o trabalho nunca se completa. Se fizerem uma viagem no tempo e conseguirem visualizar o que era o clube em 2000 e tudo o que foi feito durante estes 15 anos, vão perceber não apenas a mudança gigantesca que o Benfica sofreu, mas vão perceber que por cada objectivo alcançado, lançávamos imediatamente novos objectivos para o futuro. Isso vai continuar a acontecer. Mas há uma coisa que posso garantir: o trabalho que já fizemos é uma certeza e uma evidência de consolidação a todos os níveis.

- O Benfica precisa de se focar num futuro próximo, essencialmente na política desportiva?
- E vai fazê-lo, mas vai fazê-lo dentro da lógica proposta este ano, apostar no Seixal como centro gerador de valor para o Benfica. E apostar no Seixal não significa ser menos ambicioso, significa apenas que podemos chegar aos mesmos objectivos por meios diferentes.

- Em 15 anos de Benfica o que mudou na sua vida?
- Mudou muita coisa, isso é uma evidência, mas não me queixo. Foi isto que decidi fazer e faço-o com gosto e com paixão. Nos primeiros anos havia muita ansiedade, muita incerteza e poucos ou nenhuns recursos. Felizmente, o cenário mudou, mas mudou porque fizemos o nosso trabalho e fizemo-lo bem!

- Ao fim destes anos todos, vê-se fora da pele de presidente do Benfica ou esse cenário parece-lhe estranho?
- Vejo esse cenário com naturalidade. Vejo-me a brincar com os meus netos. Sinto que continuo a ter condições e projectos para fazer continuar a crescer o clube, quando isso não acontecer serei o primeiro a dizer que é tempo de parar.

- Que balanço faz do ano de 2015 para o Benfica?
- Só posso fazer um balanço muito positivo, não apenas pelo bicampeonato, mas por todas as outras conquistas no futebol, nas modalidades, na formação, pelo reconhecimento internacional de que cada vez mais o Benfica é alvo, pelo crescimento visível dos jovens do Caixa Futebol Campus, sem esquecer a valorização recorde dos nossos direitos televisivos.

- Quem mensagem deixaria aos benfiquistas para 2016?
- Uma mensagem de optimismo. Basta pensar qual foi o nosso ponto de partida e onde nos encontramos hoje. Ninguém constrói nada sozinho, muito menos num clube com a dimensão do Benfica. Se conseguirmos chegar aqui foi porque houve união entre os benfiquistas, foi porque todos nos ajudaram a chegar aqui. Continuem a ser como são. Exigentes, evidentemente, mas também pacientes e sempre presentes quando em algum momento as coisas não estiveram a sair bem. Todos têm de perceber que os primeiros que desejam que as coisas corram bem são os jogadores em campo. É essa mensagem que quero deixar, uma mensagem de optimismo, exigência e de união entre todos."

Entrevista de Luís Filipe Vieira, por José Manuel Delgado, in A Bola