Últimas indefectivações

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dois dentes e um saco de pedras

"Um árbitro que se refere a si próprio num majestático plural viu-se, pelos vistos, a contas com um rufia que lhe saltou inopinadamente ao caminho num centro comercial de Lisboa. O meliante tratou de o afredir à cabeçada, como era hábito antigo nas rixas do Cais do Sodré. Pressuroso, na altura em que se viu obrigado (e bem) a identificar-se perante as autoridades policiais, o maganão assumi-se como adepto do Benfica. Está, a partir de agora, (e bem repito) a contas com a justiça portuguesa, exceptuando as lides tauromáquicas, não é à marrada que se dirimem os conflitos, por mais acessos que eles sejam.

O facto de o dito agressor se ter, ao que consta, identificado como adepto do Benfica, não agura nada de bom numa fase da vida em que as meretíssimas iluminárias estão de mãos livres após terem conduzido ao arquivamento de todas as falcatruas do processo «Apito Dourado».

Um coro de vozes indignado ergueu-se (e bem, volto a dizer) na condenação do gesto brutal que valeu ao plural árbitro um estrago significativo nos incisivos. Nada, nem a incompetência, que por acaso o cujo exibe semanalmente um pouco por todo o País, justifica o gesto bárbaro, estúpido e indesculpável. Mas desta vez não se ergueu uma voz entaramelada e sifilítica a perorar sobre palhaços que podem andar por ái a dizer que são agredidos. Estranho... Ou talvez o Madaleno estivesse distraído a jantar marisco com algum senhor de cócoras com a dentição completa...

Néscio, o cabeceador de centros comerciais tem agora à perna a farda e a toga. Faltou-lhe arte e imaginação. Se em vez da cabeça tivesse usado um saco de pedras; se sem vez de um centro comercial tivesse usado um manhoso viaduto dos arredores de Contumil; se em vez de apontar à boca do plural árbitro lhe tivesse visado o pára-brisas do carro, estaria neste momento na paz celestial dos anjos. Nunca ninguém o identificaria, muito menos o conduziria a uma esquadra, não corria o risco de dissabores judiciais e ainda haveria gente capaz de jurar que era adepto do Salgueiros..."


Afonso de Melo, in O Benfica

Fazer o que ainda não foi feito

"É simplista, redutora e fácil aquela análise que quando fomos campeões, com Jesus, também empatamos em casa no primeiro jogo contra o Marítimo e depois embalamos para o título. O empate Barcelos, apesar de ter uma dose de infelicidade, é diferente e mais preocupante.

Contra o Marítimo, há dois anos, jogamos um futebol fantástico, ofensivo e só fomos parados por uma 'encomenda' arbitral que nos prejudicou durante 90 minutos. Em Barcelos, os erros foram nossos, por nossa culpa e devemos reflectir e emendar a mão sob pena de se repetirem com frequência.

Jorge Jesus tem uma equipa com potencial, a espaços já joga muito bem, mas é preciso conseguir uma consistência exibicional que só poderá ser alcançada com o equilíbrio posicional dentro de campo que não tivemos em Barcelos.

Jesus percebeu isso na Holanda a entrada de Rúben Amorim e Matic (podia ter entrado mais cedo) visou isso mesmo. Na Holanda o resultado foi bom porque o adversário também o é.

Ganhar ao Feirense e eliminar o Twente afastam muitas das nuvens que pairam na Luz, mas fazê-lo de forma categórica seria o tónico que precisamos. Como reza a música, 'vamos fazer o que ainda não foi feito'.

Falcao já voou, o que até não é grande novidade. Novidade é o destino, Atlético de Madrid, um clube para onde os portistas garantiam nunca mais ir ninguém desde o folhetim Paulo Assunção. Agora fica a concorrência à espera de saber se há mais voos que tornem o FC Porto menos forte. Ruben Micael também saiu, mas deste ninguém sentirá grande falta pelos lados do Dragão.

Desta geração de Sub-20 não sairá um Figo, um Rui Costa, um João Pinto, um Jorge Costa, entre tantos outros, mas como equipa transcende-se. Gosto dos dois centrais e estou rendido ao guarda-redes. Numa final, mesmo não sendo favoritos tudo pode acontecer. O percurso já foi muito bom e pode vir a ser fantástico."

Sílvio Cervan, in A Bola

Certezas e desejos

"Depois do jogo na Holanda, é possível enumerar algumas certezas relativamente ao presente e ao futuro próximo do Benfica. Primeira: a alegada incompatibilidade, num mesmo onze, de Pablo Aimar e Alex Witsel é um disparate inventado por teóricos, que a criatividade inquieta do argentino e a disponibilidade múltipla do belga (para já, a mais útil e eficaz das aquisições dos encarnados) desmentem a cada lance. Segunda: a troca do milionário Roberto pelo discreto Artur é uma bênção para os que sofrem quando a bola se aproxima da baliza do Benfica e pode ser uma “maldição” para as ambições de Eduardo. Terceira: por mais detratores que colecione, por maior que seja o desespero pelos seus longos períodos de inatividade em campo, Oscar Cardozo há-de deixar muitas saudades no dia em que partir. Quarta: quem esperar de Nico Gaitán uma produção constante de lances vertiginosos e virtuosos, talvez ganhe em fazê-lo sentado, uma vez que o jovem argentino revela-se em fogachos e momentos, não em continuidade, parecendo além disso precisar de um banho de motivação. Quinta: é fundamental aproveitar até ao limite o estado de graça de Nolito que, com mais instinto do que saber e com mais alma e fúria do que frieza, lá vai deixando a sua marca em jogos consecutivos.
Dito isto, não é possível deixar de acrescentar que, com outra ambição, o Benfica teria chegado à vitória nesta primeira partida com o Twente, apesar da meia dúzia de intervenções decisivas de Artur. De um modo diferente do que aconteceu em Barcelos, mas com o mesmo desfecho (até no resultado), sentiram-se ocasiões de adormecimento que são incompatíveis com as anunciadas ambições da equipa. Para já, ainda vale o benefício da dúvida, devido por estarmos no princípio da época. Mas as próximas partidas vão definir se este Benfica 2011/2012 se aproxima mais do seu antecessor imediato ou do seu antepassado da primeira época de Jorge Jesus no clube.
Deseja-se que, no jogo em que vai ser anfitrião e que pode (deve!) abrir a porta aos milhões da Champions, se cumpra a tradição com Co Adriaanse – que continua igual a si próprio com “mind games” primários e “bocas” fora de contexto –, que nunca ganhou uma partida ao Benfica. Já que se convoca a tradição, seria igualmente ótimo que ela se aplicasse ao Portugal-França de mais logo, na meia-final do Mundial de Sub-20. É que, ao contrário dos seniores, onde os gauleses são a nossa besta negra, nesta categoria nunca venceram os portugueses. Além disso, apresentam-se como favoritos. E também isso é um hábito que favorece os nossos, que preferem jogar sem a pressão do favoritismo. Ainda por cima, a uma etapa apenas do sonho final. Haja físico, que o talento está lá."


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ter ou não ter magia

"AINDA não foi desta que Co Adriaanse conseguiu ganhar ao Benfica. Quando treinou o FC Porto, em 2005/2006, conseguiu a proeza inédita de ganhar o campeonato perdendo os dois jogos com a equipa então comandada por Ronald Koeman.

Se calhar até foi por isso mesmo que passou por um grande aperto com uns meliantes locais que lhe vandalizaram o carro depois de um resultado menos airoso.

O FC Porto empatara a zero com o Rio Ave, em Vila do Conde, e à saída do centro de estágio do Olival, conduzindo já o seu próprio carro rumo a casa. Co Adriaanse viu-se atacado com grande violência.

Felizmente para todos que prezam a decência e desprezam o hooliganismo, tanto o amador quanto o profissional, o incidente foi relatado na imprensa e ficou muito claro que o Olival dispunha de câmaras de vigilância aptas a identificar os energúmenos e a levá-los a tribunal.

Certamente por distracção, não dei conta das posteriores notícias que surgiram com os pormenores da detenção e do julgamento dos agressores. Mas que foram todos identificados, condenados e proibidos de voltar a entrar em recinto desportivos, disso não tenham qualquer espécie de dúvidas...

Voltemos a Co Adriaanse, agora treinador do Twente com quem o Benfica jogou na terça-feira a primeira mão da decisiva eliminatória que abrirá, ou não, à equipa de Jorge Jesus as portas da Liga dos Campeões.

O resultado, 2-2, não é mau para as aspirações do Benfica sobretudo se Jesus tiver em conta e prestar a maior atenção às palavras de Adriaanse no fim do jogo, antevendo as possibilidades da sua equipa no jogo da segunda-mão:

-A defesa do Benfica joga em linha e é lenta - disse Co Adriaanse.

Sábias palavras.

Este primeiro Benfica de 2011/2012 apresenta-se assim mesmo como Adriaanse o definiu. É natural que o treinador holandês, sendo adversário do Benfica, olhe com maior argúcia para as debilidades da equipa que tem pela frente.

Já nos olhos dos adeptos do Benfica, sempre cáusticos quando as vitórias tardam, o panorama apresenta-se diferente:

-Estes tipos deslumbram-se com eles próprios e conseguem passar do espírito da goleada ao espírito da aflição numa questão de minutos.

Outras sábias palavras.

Como este estado de irregularidade permanente não garante a felicidade, é de crer que Jorge Jesus vá resolver rapidamente o assunto.



NOLITO é bom. É mesmo muito bom. E é esperto. A sua decisão de trocar o Barcelona, onde não tinha lugar, pelo Benfica, onde ninguém lhe tira o lugar, é a prova da sua esperteza.

O Benfica, tal como qualquer outro clube que sonhe alto, precisa contratar jogadores que dispensem liminarmente aquela coisa chamada de período de adaptação.

Nolito é um desses. Contra o Twente marcou mais uma vez. Foi o quarto jogo oficial de Nolito de águia ao peito e quarto golo de uma série de um golo por jogo.

Rezam os compêndios que, de águia ao peito, Mário Coluna também teve um arranque feliz: marcou 8 golos nos primeiros quatro jogos oficiais pelo Benfica, na época de 1954/1955. Nolito não conseguiu igualar o número de golos marcados por Coluna em quatro jogos.

No entanto, ainda tem mais um jogo para tentar igualar os registos da estreia de Eusébio que nos seus primeiros 5 jogos pelo Benfica marcou 9 golos.

Basta-lhe marcar 5 golos ao Feirense, com o devido respeito.

Mas não vai ser nada fácil...




NA véspera do jogo com o Twente, Jorge Jesus lançou a titularidade de Óscar Cardozo com uma frase curiosa: «Cardozo não tem magia mas é um jogador especial.»

Permito-me discordar do mister.

Cardozo não tem magia? Marcou 68 golos nos últimos quatro campeonatos e não tem magia? Quem é que o Benfica teve melhor do que Cardozo, mais certeiro, mais disponível, mais regular, nas duas últimas décadas?

Poderia concordar a cem por cento com Jorge Jesus, se ele tivesse dito: «Cardozo não tem magia nenhuma a marcar penalidades.»

Eis um facto indesmentível.




A magia do futebol são os golos, como concordarão. Há, no entanto, magias e magias... Para Paulo Bento, por exemplo, Nuno Gomes tem magia suficiente para estar na selecção nacional porque marca muitos golos e não lhe falta nada.

Mas para o mesmo Paulo Bento, um tal João Tomás já não tem a magia requerida para a selecção nacional porque, embora marque muitos golos, falta-lhe qualquer coisinha...

João Tomás é tão português como Nuno Gomes, também jogou no Benfica, e é só um ano mais velho que o antigo número 21 da Luz. O avançado do Rio Ave foi, no ano passado, o melhor marcador de origem nacional no campeonato, com 16 golos apontados como que por magia.

Compreenda-se a insatisfação do jogador por Paulo Bento não lhe ligar nenhuma. «Será que é embaraçoso convocar um jogador do Rio Ave?», foi assim que João Tomás questionou publicamente a última lista de convocados de Paulo Bento.

É uma boa questão.




FALCAO diz que o Atlético de Madrid «tem uma grande claque» e que seria «uma boa oportunidade para a sua carreira». De facto, é importante para os jogadores sentirem que estão bem acompanhados. Quem é que gosta de jogar para pequenas claques ou para médias claques?

Falcao tem vindo a ser muito criticado na imprensa portuguesa por querer sair do FC Porto para o Atlético de Madrid.

Alguns analistas chegam a evidenciar um espanto total com esta recente mania do colombiano porque, dizem, no Atlético de Madrid o melhor marcador da última Liga Europa jamais ganhará os títulos que conquistou no FC Porto.

Parece-me uma conclusão bastante abusiva e patrioteira.

É verdade que o FC Porto foi o último vencedor da Liga Europa, vencendo o Sporting de Braga na final de Dublin. Mas convém não esquecer que o Atlético de Madrid foi o penúltimo vencedor da Liga Europa, vencendo o Fulham na final de Hamburgo.

Se a questão é a Liga Europa, vendo o historial da prova, Falcao não perde nada com a mudança de ares.

Se a questão se prende com as pequenas, as médias e as grandes claques, ai já o caso muda de figura.




O campeonato começou no último fim-de-semana e o Olegário Benquerença também começou no último fim-de-semana.




O Benfica empatou em Barcelos e só se pode queixar de si próprio porque o árbitro teve uma actuação que não merece o menor reparo. Os dois pontos perdidos frente ao Gil Vicente deprimiram um bocadinho a nação benfiquista mas, felizmente, há sempre quem veja as coisas pelo lado melhor.

-Com Roberto na baliza tínhamos perdido - ouvi dizer a um jovem adepto assim que João Ferreira apitou para o fim do jogo.

E é bem capaz de ter razão.




O Olhanense também começou no último fim-de-semana. Foi empatar a Alvalade. Com Carlos Xistra a apitar outra coisa não seria de esperar, não é? O Xistra é do Olhanense desde pequenino."


Leonor Pinhão, in A Bola

De génio e de louco

A última decisão do Witsel é de jogador de nível elevado. Só os grandes jogadores tomam decisões assim»

Jorge Jesus, sobre o segundo golo do Benfica na Holanda


Sempre gostei mais do número dez do que no número nove. Sobretudo no futebol. Admirei Van Basten, mas depois apareceu Zidane... e ficou encontrado o melhor jogador do Mundo após Maradona.

Hoje há Ronaldo e Messi, futebolistas extraordinários, mas ainda nenhum me entusiasmou como o francês. Não digo que sejam piores, é apenas uma questão de gosto. Também prefiro um bom robalo a um bom linguado, mas sou incapaz de dizer o que é melhor...

Bola no pé, de frente para a baliza, sete ou oito adversários à frente. Encontrar, nessas circunstâncias, uma nesga para passar a bola e isolar um companheiro é para mim um dos momentos mais altos do futebol.

Há uma diferença entre olhar e ver, a às vezes não é preciso fazer um para conseguir o outro.

Tudo isto leva-me a Witsel. Boloni comparou-o a Rui Costa e no Twente-Benfica percebi porquê. Quando apareceu de frente para o guarda-redes pensei: golo! Depois vi-o passar a bola para o vazio... tolo! E no vazio apareceu Nolito a empurrar para a baliza vazia: genial!

Jesus tem razão quando diz que só um grande jogador pode, num lance como aquele, não rematar à baliza - e isso ser uma decisão acertada. Mas o maior fascínio, para mim, chegou com a repetição: Witsel não perde tempo a olhar para o lado para ver se pode dar a bola; se olhou foi de soslaio, pelo canto do olho; talvez nem isso.

Pareceu-me que o médio belga viu toda a jogada antes dela acontecer. E terá pensado: se eu estivesse no lugar do Nolito ia acompanhar o lance desta maneira, fugia para este lado e só teria de empurrar. É outra característica dos génios - exigir o melhor dos outros. Às vezes corre bem. Ajuda que Nolito também tenha algo de genial..."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

Com Witsel muito muda...

"CHAMA-SE Witsel a mais importante aquisição do Benfica para esta temporada. Com imediatos reflexos no esquema táctico. Por causa deste jovem internacional A belga, ou graças a ele, acabou, ou pouco voltará a ver-se, o 4-1-3-2 enraizado por Jorge Jesus nos anteriores dois anos. Segue-se - já aí está - o 4-2-3-1, em que Witsel funciona como 2 em 1: é a primeira, e crucial!, muleta defensiva de Javi Garcia, e também possui capacidade para se assumir motor de arranque de boa parte das acções atacantes. Muito bom jogador e com substancial margem de positiva evolução: magnífica escola de clarividência táctica, alta qualidade técnica - a mais difícil e rara: sem grandes adornos, privilegiando eficácia na segurança de manter posse de bola e passá-la a preceito, amiúde inventando buracos nas linhas adversárias -, sólida estampa atlética, notória inteligência na versatilidade do seu futebol.

Não dá para enganar, Witsel enche o meio-campo. Javi Garcia muitíssimo agradece; já não necessitará de correr até à exaustão para segurar a linha média que, sem Witsel, amiúde foi débil no poder de choque. Imensamente grato também deverá ficar Pablo Aimar (já lá irei). E a gratidão acabará por estender-se ao quarteto atrás de Garcia-Witsel. Verdade que contra esta última ideia está o facto de o Benfica ter sofrido dois golos em Barcelos e, de enfiada, outros dois em Enschede...; mas, para fulminantes pontapés de longe, como aquele de Laionel, não há antídoto... - e o segundo golo holandês, para além de ter sido obtido em falta (de novo, pertinente pergunta: qual o raio de intervenção dos suplementares árbitros colocados atrás da baliza?), nada teve a ver com deficiente acção defensiva da linha média. Acontece que, na defesa, há, sim, rotinas a apurar (Garay e Emerson recém-chegados) e há, inevitável, enorme fadiga de Maxi Pereira.

Assumo erro: há semanas escrevi que Witsel e Aimar dificilmente caberiam no mesmo onze; afinal, parece que cabem, embora à custa de Saviola... ou de Cardozo... Jorge Jesus assim decidiu na segunda parte perante o Arsenal (sem Cardozo, dupla Aimar-Saviola na frente ofensiva). É aqui que também Pablo Aimar agradece a alteração táctica imposta pela aquisição do belga...; com Javi Garcia-Witsel no meio-campo, Pablo Aimar tem muito menos desgaste a defender e vê libertado o seu talento atacante a congeminar ofensivas e em mais próximo apoio ao ponta-de-lança.

No novo esquema, reforçando a linha média e tendo só um ponta-de-lança propriamente dito (quase de certeza, por regra Cardozo - Nélson Oliveira ou Rodrigo como alternativas na grande área? - o que põe Saviola em apuros...), o Benfica perde poder atacante? A ver vamos, mas não terá de ser assim. Certo: Aimar tem menor potencial de goleador, face a Saviola. Mas os jogos não se ganham só ao ataque... E a equipa deverá ficar mais sólida, com superior capacidade de rápida recuperação da posse da bola, o que pode/deve significar mais forte intensidade ofensiva. Sabe-se que Gaitán e o novato Nolito (veio do Barcelona B, mas parece mais próximo da antiga fúria espanhola...) são capazes de marcar não poucos golos... Se, um e outro, não caírem em deslumbramento... E essa também é referência existente em Enzo Perez, por ora em crise de adaptação... Estranho a dispensa à vista de Jara, pois já preencheu os quatro lugares da alargada frente atacante.


ARTUR promete ser o oposto de Roberto, o tal que substitui Quim porque o treinador queria um guarda-redes que desse pontos... Curiosíssimo: Roberto custou balúrdio; pela transferênica de Artur, nem um cêntimo o Braga recebeu... Claro que, como todos os guarda-redes, Artur acabará por dar o seu franguinho... (defesas, médios e avançados não escapam a grandes fífias...); mas ficará a léguas dos recordes de Roberto. No mínimo, garante isto aos colegas: acabou-se o tempo de tremerem de cada vez que a bola vai para a sua baliza."


Santos Neves, in A Bola

Obrigado Mário Palma

Portugal qualificou-se hoje para o EuroBasket, pela terceira vez, a segunda da nossa história após uma qualificação. Nos últimos 3 Europeus conseguimos a qualificação por 2 vezes, sendo que pelo meio, uma equipa composta pelos mesmos jogadores, mas treinada por um aldrabão, mais interessado em aliciar jogadores para o seu clube, do que em treinar a Selecção, falhou a presença no EuroBasket. Este 'pequeno' exemplo é demonstrativo da competência do tal aldrabão, que uma boa 'organização' às vezes disfarça, e isto é verdade para o Basket como para outro qualquer desporto...

Com a colaboração do Elvis (em forma), e do Minhava (...nem por isso!!!), (além do Tavares (com estilo)), com o Barroso 'perto' de entrar na equipa (possível entrada no plantel...), vencemos na Hungria por 57-66, e agora vamos defrontar as melhores Selecções Europeias na Lituânia... Obrigado Mário Palma!!!

Campeão Mundial Universitário




O nosso Nelson Évora renovou o título nas Universíadas 2011 que estão a decorrer na China, em Shenzhen, com a marca de 17,31m no Triplo Salto. Mais do que a vitória, a marca obtida, é uma excelente notícia, pois esta foi a primeira vez em competição, após o calvário da lesão, que o Nelson ultrapassou os 17m... sinal de que o melhor Nelson está de volta, e apesar do objectivo principal serem as Olimpíadas no próximo ano, os Mundiais da Coreia, que começam daqui a 11 dias, podem levar o Nelson novamente ao lugar que lhe pertence... no mínimo o pódio!!!


PS: A nossa Joana Vasconcelos, conseguiu também hoje, a qualificação para os Jogos Olímpicos de Londres nas provas de canoagem, fazendo parte da equipa Portuguesa de K4 500, que está a realizar neste momento o Campeonato do Mundo na Áustria.

Super-Catenacio






Os Portugueses foram sempre muito inventivos (e invejosos), e devido a esse impulso, os Italianos devem estar ruídos de inveja, pois nós (Tugas), criámos uma nova forma de catenacio, ainda mais radical do que a Italiana!!! A 15 minutos do fim da partida, abdicar de pontapés de canto?!!!... Mas não vou bater mais no ceguinho, afinal estamos na Final de um Mundial de Futebol, conseguida com muito esforço, suor e dor... esta meia-final foi provavelmente o jogo mais fácil que Portugal teve neste Torneio, o golo cedo de canto (marcado por um jogador formado no Benfica, que saiu, porque não quis assinar contrato com o Benfica), e depois uma decisão digna do Olarápio (penalty que para mim não existe), deu o 2-0 !!! Mesmo com dois golos escandalosamente falhados pela França, nunca temi a reviravolta, afinal Portugal ainda não sofreu golos, o Mika tem feito um extraordinário trabalho (defesa impossível a 5 minutos do fim, evitando um auto-golo de antologia!!!), e todos os santinhos (e não só!!!) do Mundo têm protegido a nossa baliza, portanto o penalty do Nelson (jogador que fará parte plantel do Benfica), para mim acabou com o jogo!!!

Os Franceses nas últimas décadas têm dominado (com a Espanha) o Futebol juvenil Europeu, grande parte dessa superioridade é essencialmente física, devido aos muitos Afro-Franceses nas suas equipas, mas desta vez, Portugal acabou por fazer provar aos Franceses o seu próprio veneno: a dupla Pelé, Danilo dá a esta equipa Portuguesa uma capacidade física difícil de igualar, e na minha opinião são estes os dois principais responsáveis pelo sucesso do esquema defensivo Português (apesar dos elogios irem todos para o Nuno Reis!!!).

Fala-se muito dos estrangeiros nos 'grandes' em Portugal (especialmente no Benfica), alguns tem aproveitado os resultados desta equipa para somar ainda mais criticas, mas recordo que esta Selecção Portuguesa tem vários jogadores nascidos na Guiné (Pelé, Danilo, Sana, Baldé), tem dois filhos de Brasileiros (Roderick, Júlio Alves), e dois filhos de emigrantes Portugueses (Mika - Sui, Cedric - Ale), podem achar que isto não quer dizer nada, mas para mim tem, não tenho nada contra a integração destes jovens nas Selecções Nacionais, até porque quase todos eles cresceram futebolistamente em Portugal, mas onde estão os Figos, e os Ruis Costas?!!! E recordo ainda as duas maiores promessas do Caixa Futebol Campus: Dino nasceu na Guiné, e o Diego Lopes é Brasileiro... Pessoalmente acho que os 'putos' Portugueses passam demasiado tempo a jogar Playstation (ou algo parecido) em vez de jogar futebol (ou outro desporto qualquer) na rua, hoje só nas Escolinhas, a pagar, podem pensar que é uma explicação demasiado redutora, mas é a minha opinião...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Volta e serviço público

"Terminou a Volta a Portugal. Melhor dito a meio Portugal porque a sul do Tejo nada houve. Com a ironia dos vencedores serem do... Algarve!

Uma volta diferente no traçado e na particularidade de ter tido dez ciclistas portugueses nos dez primeiros lugares, ao contrário do que vinha sucedendo. E ao invés do futebol, onde temos que esgravatar para achar portugueses na Babel de nacionalidades.

Já escrevi quanto gosto de ciclismo e me transporta para os anos de juventude. Talvez por isso, gostei que Ricardo Mestre, da equipa de Tavira, tenha vingado, meio século depois, os sucessivos segundos lugares do chefe de fila do então Ginásio de Tavira, Jorge Corvo. E, sobretudo, da volta que perdeu por míseros cinco segundos, depois de um contra-relógio por equipas, engendrado para lhe sumirem os dois minutos que tinha de vantagem.

A Volta 2011 beneficiou de uma esplendorosa transmissão televisiva que nada fica a dever ao que vemos no Tour. Um verdadeiro serviço público, à atenção do recente grupo criado pelo Governo para definir tal conceito. Um serviço de interesse público feito de ciclismo, cor e movimento, como de um Portugal belo e multifacetado, estampada na riqueza da paisagem, na descoberta de recantos perdidos na história, e na delícia de pormenores da ecologia humana. A que se juntaram o profissionalismo, o humor e a singeleza inteligente dos comentadores, em particular de João Pedro Mendonça e de Marco Chagas.

Foram tão boas imagens que até me esqueci de árbitros com nomes que bem poderiam ser de ciclista amador dos velhos tempos: Carlos Xistra e Olegário Benquerença!"


Bagão Félix, in A Bola

Revolucionário

"A notícia na arbitragem do futebol é quando o árbitro toma uma boa decisão. Olegário Benquerença tomou uma excelente no Guimarães-Porto ao assinalar o primeiro penalti em mais de um ano. Ora, um ato revolucionário é notícia.
Queixam-se os descrentes da clareza dos triunfos do Porto, por causa da coincidência de um novo arranque de campeonato confortado por um penálti desnecessário, que aquele tipo de jogadas raramente sofre punição e que, particularmente com o árbitro de Leiria, os contactos físicos dentro da área eram por norma julgados com grande latitude.
Benquerença era até ao começo desta segunda época da Liga de Fernando Gomes o árbitro que assinalava mais faltas longe das grandes áreas, apitando por tudo e por nada. Mas era também o mais parcimonioso em matéria de castigos máximos, seguindo a “cartilha” do mestre António Garrido de sancionar pelo critério de “perigo de golo”, que consiste em punir sistematicamente os avançados nos lances de contacto “duvidoso” na área.
Pois, no regresso a Guimarães, menos de um ano depois dos escândalos do Vitória-Benfica da época passada, Benquerença apresentou uma visão cristalina, assumindo sem medo decisões capazes de modificar irreversivelmente o desfecho de um jogo. Não deu razões para críticas como as de Manuel Machado, mas a invulgaridade da sua intervenção deixou a maioria dos analistas de pé atrás, como se alguma coisa não estivesse a bater certo. O Record, por exemplo, diz que decidiu bem, que realizou trabalho “positivo”, mas castigou-o na nota (3/5).
Ao contrário de outros colegas, que não mudaram nada com as últimas “formações” e reciclagens, Benquerença promete uma época em grande. Para já, deu um contributo extraordinário para acabar com as faltas ocultas de grande área nos lances de bola parada, que ele não terá tido capacidade de descortinar em 14 épocas na 1.ª divisão.
No passado do juiz leiriense não vislumbramos um lance como o do ingénuo Olímpio com o grande cabeceador Sapunaru. Num total de 175 jogos de 1.ª Liga, parece que nunca se confrontara com um defesa a agarrar um adversário num pontapé de canto – caso contrário não teria assinalado a míngua de 39 penáltis numa carreira tão longa, 33 dos quais (85%) antes de ingressar no quadro de elite da UEFA e da FIFA.
Benquerença não viu qualquer grande penalidade no último campeonato e apenas um nos últimos 36 jogos que dirigiu (por coincidência em Guimarães contra o Vitória). E até domingo passado, só conseguia enxergar faltas fora da grande área.
Ao recuperar a melhor visão das imediações das balizas, oferece uma nova perspetiva ao campeonato nacional, pois a “catimba” que os treinadores trabalham intensamente à porta fechada durante a semana, para impedir os avançados de marcarem mais golos, pode ter os dias contados. Caso contrário, vão chover penáltis."

João Querido Manha, in Record

Falcao quer voar

"Quando Luisão chegou a Lisboa, depois da Copa América, foi claro na sua vontade de sair o Benfica. «É preciso dar o lugar aos novos» - justificou, perante o desalento da família benfiquista que via, nele, um capitão até à eternidade.
Logo surgiram as vozes de comentadores definitivos: «Uma coisa destas nunca aconteceria no FCPorto». Pois bem. Aconteceu. Falcão - uma das estrelas mais cintilantes dos dragões - atreveu-se a aproveitar o final do primeiro jogo do campeonato para memifestar, de forma inequívoca, a vontade de voar do Porto para Madrid, afirmando que era altura de experimentar um campeonato mais forte. E acrescentou: «Todos os jogadores pensam assim e quem disser o contrário está a mentir.»
Diga-se, em abono da verdade, que as declarações de Falcao são mais chocantes que as de Luisão. Em primeiro lugar, porque o FC Porto é um estado musculado e costuma controlar estes ímpetos; em segundo lugar, porque não deixa de ser estranho que um jogador como Falcão prefira um clube que não ganha nada a um clube que ganha tudo, por fim, porque Falcão assinou recentemente um contrato que garante ao FC Porto uma cláusula de rescisão maior e isso não faz qualquer sentido para um profissional que já tinha a intenção de sair do clube.
Não sei como vai o FCPorto lidar com o problema. Não tem muitas alternativas. Ou segue o exemplo do Benfica, mete Falcão a jogar e assobia para o lado, ou exerce um poder exemplar e põe Falcao no banco, ou, então, abre mão do jogador, não aceita quem traiu o espírito e a alma do dragão e vende o seu passe pelo melhor preço."


Vítor Serpa, in A Bola

Futuro

"From: Domingos Amaral
To: Luís Filipe Vieira

Caro Luís Filipe Vieira
Enquanto muitos se divertem a discutir a transferência de Roberto, eu prefiro lembrar a inteligente forma como o Benfica tem preparado o seu futuro próximo. Se olharmos para o Mundial Sub-20 que decorre na Colômbia, verificamos que temos por lá jogadores que, nos próximos anos, nos darão certamente muitas alegrias. Três deles são, é relevante notar, portugueses. Falo de Mika, guarda-redes; Roderick, central; e Nélson Oliveira, avançado. Se a este grupo somarmos os jovens e talentosos Miguel Vítor, defesa; David Simão, médio; André Almeida, lateral-direito; Ruben Pinto, médio; e ainda Miguel Rosa, médio e emprestado ao Belenenses; ou Leandro Pimenta, médio e emprestado ao Atlético, chegamos à conclusão que há uma política que, aos poucos, começa a dar frutos. É claro que, no futebol de hoje, não devia importar muito a nacionalidade dos jogadores, mas é bom saber que a total inexistência de portugueses no onze do Benfica na Turquia não é um porto de chegada, mas apenas um porto de passagem. O Benfica do futuro terá mais portugueses, e bons; estes que referi ou outros que por aí andam a ser seguidos; aos quais se juntarão também os novos talentos estrangeiros, alguns dos quais já são nossos, como o espanhol Rodrigo, ou o francês Carole. E, é preciso lembrar, não foi preciso pagar 13 milhões por nenhum deles…

PS: “Milhões da treta”? O senhor devia logo ter respondido que “a nós, não é qualquer palhaço que nos faz rir”. É preciso dar-lhe a provar do próprio veneno."




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Podia ter sido melhor, mas também podia ter sido pior !!!



Twente 2 - 2 Benfica



Ao 'intervalo' o resultado da eliminatória não é nada mau, mas não se esperem facilidades para a semana, estes Holandeses, são rápidos, têm remate fácil e certeiro, os avançados são muito fortes no ar, e os médios ofensivos ganham quase sempre a 'segunda bola'. É na defesa que o Twente é mais fraco, o Benfica tem demonstrado dificuldades em gerir resultados, mas é quase obrigatório no segundo jogo, jogar para marcar, porque eles dão 'espaços'...


É verdade que o Artur 'fechou' a baliza várias vezes, mas o Benfica em contra-ataque teve várias oportunidades, aliás foi o Nolito que desperdiçou a última, já nos descontos... se em vez de 2-2, o jogo tivesse acabado 7-7, talvez fosse mais justo!!!

O Maxi devido a todos os condicionantes conhecidos é claramente o jogador em pior momento de forma; a equipa sem o Aimar está com dificuldades em manter a posse de bola (talvez no plantel, o David Simão seja o jogador mais 'parecido', digo eu!!! Mas o Matic, apesar de ser um jogador diferente, tem ajudado muito em 'agarrar' os jogos)...


A falta no segundo golo do Twente é clara, o erro é ainda mais grave, porque poucos minutos antes, a equipa de arbitragem marcou uma falta do Javi sobre um adversário, praticamente igual, com uma diferença grande: O Javi não usou os braços, saltou somente nas costas do adversário. Sendo que do livre nasceu uma jogada de bastante perigo para o Twente.

No primeiro golo do Benfica, o Aimar não faz falta e a repetição da câmara do lado oposto na zona central do campo, mostrou isso. Apesar da realização Holandesa ter 'escondido' esse ângulo!!! Não é só por cá...!!!


Curiosamente repetimos o resultado de Barcelos(infeliz), mas também repetimos o resultado contra o PSV na Holanda!!! Para manter o espírito podíamos voltar a repetir o resultado do PSV na Luz, a época passada!!! Como não sou ganancioso, metade já me chegava!!! E se o Nolito mantiver o faro pelo golo apurado, tudo será mais fácil...!!!


A utopia

"O escândalo da combinação de resultados para ganhar prémios chorudos nas apostas on-line em Itália - igual a outros que se verificaram no mesmo tempo na Bulgária, Grécia, Roménia e não só - chegou ao fim. As sanções atingiram 8 clubes ao fim. As sanções atingiram 8 clubes (2 da Série A) e 26 filiados, entre dirigentes, técnicos e jogadores. Além das sete irradiações (4 futebolisticas e 3 técnicos) de figura de menor nomeada, causaram algum alvoroço os castigos infligidos à Atalanta: a equipa inicia o campeonato com seis pontos negativos e os seus dois jogadores mais carismáticos (o capitão Manfredini e Doni) foram suspensos, respectivamente, por 3 e 3,5 anos. Alguém me saberá dizer quando e como terminarão os processos nos outros países?

O prazo para o fair play financeiro decretado pela UEFA começou a contar no passado 1 de Julho e, nesta 1.ª fase, acabará em 30 de Junho de 2013. Nessa data, o défice máximo para os clubes poderem competir nas provas europeias será de 45 milhões de euros e Platini garantiu «tolerância zero». Alguém acredita nisso? Os xeques árabes não param, as contas a vermelho são cada vez mais e maiores, os salários não baixam, as loucuras no mercado disparam... Para que o sonho de Platini se concretizasse («não se pode gastar mais do que aquilo que se recebe») seria necessário que os presidentes dos grandes clubes assinassem um pacto de cavalheiros em que se comprometessem a respeitar as normas e a reduzir os salários entre 30 a 40 por cento! Uma utopia. Neste momento, se as regras já estivessem em prática, sete clubes (Manchester City, Inter, Chelsea, Man. United, Milan, Barcelona e Valência) ficariam de fora. Apesar dos mecenas Moratti e Berlusconi terem queimado nos últimos cinco anos, 523 milhões da sua algibeira."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lixívia Extra-Forte I

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......1 ( 0)...1
Sporting.....1 ( 0)...1
Corruptos...3 (+2)...1
Braga........1 (+1)...0


Esta época a 'conversa' vai ser mais resumida, o essencial sem grandes explicações, os anexos têm mais informação e as cores foram alteradas, afinal o azul é a cor mais própria para descrever aldrabices(!!!):

-Em Barcelos não houve casos, o Nolito não está fora-de-jogo no 1º golo, está em linha, por muito que isso custe a alguns...
-Em Alvalade houve dois erros graves: a não expulsão do Jefren, e o golo anulado ao Postiga. O jogo seria completamente diferente com o Sporting em inferioridade numérica durante 60 minutos. O Ismaily na minha opinião não fez penalty, a bola bate-lhe no joelho antes de ir bater na mão. O Caúe no final do jogo também deveria ter sido expulso por acumulação de amarelos.
-A já famosa tradição da 1ª jornada, cumpriu-se em Guimarães. Vitória dos Corruptos por 1-0, com um penalty que não existiu!!! Mesmo que o Olimpio tivesse feito falta sobre o bêbado Romeno, esta seria daquelas faltas que nos pontapés de canto, nunca são marcadas, além disso o Romeno já devia estar com os copos tal a facilidade com que parecia cambalear...!!! A Selecção de Basket está a jogar neste momento a qualificação para o EuroBasket e o Rolando não foi convocado?!!! O Mário Palma errou!!! Curiosamente desta vez o Rolando não jogou a bola com a mão, é o próprio Toscano que joga a bola com mão, e depois protesta!!!
-Não vi a totalidade do jogo do Braga, mas no primeiro minuto foi anulado um golo limpinho ao João Tomas, nos minutos finais um defesa do Rio Ave jogou a bola com o braço, mas pareceu-me involuntariamente (gostaria de ter visto esta jogada novamente, mas não consegui, assim fico com a primeira impressão).


Anexos:


Benfica
1ª-Gil Vicente(f) (2-2), João Ferreira, Nada a assinalar


Sporting
1ª-Olhanense(c) (1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar


Corruptos
1º-Guimarães(f) (0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos


Braga
1ª-Rio Ave(f) (0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto

Oitocentos mil milhões e uma mãe por encontrar

"Para alegria incontida daqueles que, como sapos, se lambuzam na lama em que vivem, tudo continua execravelmente na mesma. Ligeiramente atrapalhados por uma resistência alheia á qual não estão habituados, os empregados de D. Palhaço lá montaram diligentemente o circo no qual um homenzinho de cócoras, mais uma vez, se prestou sabujamente a ser protagonista perante a alegria bacoca da meia-dúzia de papalvos que perdeu tempo a assistir ao vivo à facécia do costume, e o encolher de ombros de desprezo da restante turba que já esgotou a paciência para estas estúpidas pantominas que só servem para somar troféus de fancaria. Nada a fazer. Quem nasce de cócoras jamais conseguirá viver de espinha direita. Resta-lhe servir diligentemente quem manda e ir comendo, aqui e ali, alguns restos de santola ou de sapateira que caiam como migalhas da mesa do rei lá na marisqueira de Matosinhos.

Mas, subitamente, ainda há surpresas. O incrível Shrek, um empurrador de bolas caricato que de um dia para o outro passou a valer oitocentos mil milhões de euros (ou oito mil milhões de euros, ou oitenta mil milhões de euros, ou oitenta euros, ou oito euros ou lá que é...) descobriu o pai. Já nada era tão emocionante, tão terno, tão digno do embaciar dos olhos e de uma furtiva lágrima desde que Edmundo de Amicis resolveu separar o pobre Marco da mãezinha, despachando-o para um calcorrear de quilómetros pela América do Sul. Radiante, exalando alegria por todos os poros, o incrível Shrek anunciou um pai! E que pai! Um pai à altura do incrível Shrek se é que entendem o que eu quero dizer. E agora que o incrível Shrek tem um pai, há que lhe arranjar uma mãe. Por mim não estou preocupado. Pelo que todos conhecemos do pai do incrível Shrek, ele tem tanta facilidade em pôr um patego de cócoras como em arranjar uma mãe para o rapaz. Até por que as há por aí bastante baratas e dispostas a todos os tipos de serviços. Até a casar com ele."


Afonso de Melo, in O Benfica

Futebol de autor

"Houve e há futebolistas que, pela sua capacidade de imprimir a todas as movimentações e decisões individuais um sentido colectivo, deixaram a sua impressão digital no imaginário dos adeptos.
Futebolistas como Johan Cruijff, Enzo Francescoli, Rui Costa ou Xavi exemplificam a capacidade de perceber o futebol para além do momento em que individualmente se tem a bola no seu domínio. De entre os vários nomes que se podem juntar a este grupo, destaco Pablo Aimar. “El Mago” Aimar é superlativo a pensar o futebol como uma dinâmica colectiva. À sua rapidez de raciocínio, que o leva a ter aquele centésimo de segundo que lhe permite antecipar a movimentação do adversário e da bola, junta uma invulgar qualidade de execução técnica. Olhamos para Aimar e vemo-lo dirigir toda uma equipa, descobrir espaço entre linhas adversárias, antecipar um desequilíbrio defensivo adversário, forçar esse mesmo desequilíbrio e obrigar a que todos os que o acompanham na sua movimentação ofensiva acabem por tirar partido das suas decisões. A capacidade que Aimar tem de descodificar o propósito das movimentações globais de companheiros e adversários manifesta-se com uma espontaneidade tal que aparenta ser um simples “puro acontecer”. Nessa ilusória simplicidade está encerrada a complexidade de perceber a sua acção como uma função em que nada é aqui e agora, porque todo o ‘aqui’ e ‘agora’ só existem com efectividade se forem a preparação de um espaço e tempo futuros. Se todos temos a percepção de que não há serviço colectivo nos futebolistas que não são capazes de se encontrarem com a equipa, basta ver as orientações que Aimar dá aos seus companheiros para perceber como há futebolistas que “obrigam” a que todos se encontrem entre si, de forma dinâmica.
Para além disso, há ainda a consciência de que em Aimar a vida se manifesta com mestria muito para além do futebol. Aliás, é na sua conduta como homem e cidadão que começa o futebol de autor que o imortaliza."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

"Os Imbatíveis" - Crónica número 30 e qualquer coisa!!!

Continuem a procurar os fantasmas internamente, desvalorizem a influência do Olarápio e restante pandilha, nos títulos nacionais, edição após edição...

Nem o actual Barcelona seria Campeão em Portugal.


domingo, 14 de agosto de 2011

Intervenção divina !!!






Já começa a faltar palavras, vezes sem conta, queixamo-nos da má fortuna, do nosso famoso 'mau' fado lusitano, mas desta vez, está-se a passar exactamente o contrário, creio não ser injusto ao afirmar que nunca uma Selecção nacional conseguiu tanto, jogando tão pouco... não confundir a atitude, e a entrega dos jogadores, com os maus espectáculos futebolísticos, a equipa tem atitude defensiva e por isso ainda não sofreu golos, o problema é quando é preciso atacar, normalmente é o Nelson contra o Mundo (ou o Caetano!!!), e muito pontapé para a frente...

Hoje, além daquilo que passou durante os 120 minutos, ainda tivemos a 'ousadia' de recuperar de um 1-3 nos penalty's para vencer por 5-4, algo que muito sinceramente não me recordo de ter acontecido alguma vez, a este nível...

Não sei se foi intervenção divina, ou somente a noite do São Mika, mas isto já começa a parecer macumba, e se no final do jogo anterior previa uma derrota pesada na despedida do torneio, agora tudo pode acontecer (inclusive a tal goleada!!!)... se fosse adversário de Portugal, depois de analisar a maneira como a equipa Portuguesa 'sobreviveu' neste torneio, ficaria com medo, pois parece que está 'protegida' ao mais Alto nível!!!

Não vi os jogos todos, mas este até pareceu o melhorzinho, com mais remates à baliza, a maior parte de longe, mas pelos menos rematámos...

TEATRINHOS

"Guardo a memória grata dos teatrinhos de robertos nas praias da minha infância. Há muito que desapareceram e, com eles, a magia de um trabalho de itinerância pobre que enchia de alegria os olhos das crianças, sob o sol escaldante dos meses de veraneio.

Nesses teatrinhos, pequenos palcos de madeira e lona que salpicavam de cor a brancura dos areais, havia sempre um vilão de cacete na mão que resolvia tudo à paulada, no meio de mais intimidante berraria. Os teatrinhos desapareceram há muito, mas os vilões dos teatros de robertos continuam a subir a cena, sobretudo quando fazem contas e são levados a recear que a nova temporada de praia não lhes corra de forma tão auspiciosa como a anterior.

Gosto de os ver a esganiçarem-se, assumindo as suas personagens para conseguirem criar a agitação de feira que constitui o tempero das grandes diversões populares. Aqui uma cacetada, ali uma fugaz provocação em falsete, mais adiante um insulto velado. Nada falta neste previsível arsenal de 'bocas' que servem para criar factos políticos-desportivos e para manter a pressão alta sobre os adversários mais temíveis e credíveis. Nem Sun-Tzu faria melhor no seu cada vez mais clássico 'A Arte da Guerra'.

E tudo por causa desta memória já longínqua dos teatrinhos de robertos que nunca seriam o que eram sem um vilão brandindo o seu cacete enquanto via partir para outros palcos de maior dimensão os seus melhores trunfos.

Entretanto, no palco principal, os mais destacados nomes do cartaz sobem à cena e vão mostrando do que são capazes na hora dos banhos turcos. Revelam-se coesos, bem preparados e com vontade de vencer, que é, afinal, o que verdadeiramente conta e deixa sem argumentos o vilão de cacete na mão dos teatrinhos de praia.

Há memórias que é sempre bom preservar, mais que não seja porque nos permitem recordar as tristes figuras que esses vilões de cacete na mão faziam, à torreira do sol, nos velhos teatrinhos de robertos."



José Jorge Letria, in O Benfica



PS: Não foi concerteza a intenção do autor, mas esta coluna 'encaixa' na perfeição no rescaldo Lagarto, após o empate com o Olhanense, inclusive os falsetes!!! Além da lona às riscas...!!!

Sem portugueses

"Acabou por ser fácil (mais fácil que o esperado) a nossa passagem ao 'play off' da Lia dos Campeões, depois de um empate na Turquia que acabou por saber a pouco, tantas as oportunidades falhadas. Mas foi uma exibição consistente, fechando todos (ou quase todos) os caminhos aos turcos.

Um jogo que ficou marcado pelo facto de, pela primeira vez nas competições europeias, termos jogado sem qualquer jogador português. Em 1979, já lá vão 42 anos, votei em Assembleia Geral contra a admissão de jogadores estrangeiros, pois pensava que o Benfica, como qualquer outro clube português, não teria meios para trazer melhores jogadores que os nossos. 'Perdi' a votação e ainda bem, pois, alguns (poucos) anos passados, o Benfica conseguiu mesmo grandes reforços, como Filipovic, Stromberg, mais tarde Magnusson, Valdo, Mozer, Ricardo, Schwarz, Thern, etc. A descolonização, em 1974/75, tornara inviável a tradição que durante mais de 70 anos foi um orgulho nosso: apenas jogadores portugueses.

Passados mais de 30 anos sobre a vinda dos primeiros estrangeiros, estamos no pólo oposto. Refiro-me com mágoa. É certo que prefiro ganhar só com estrangeiros a perder só com portugueses. Entre um bom (e acessível) estrangeiro e um português 'assim-assim', claro que prefiro ter o jogador estrangeiro.

E, sejam eles nacionais o não, os jogadores do Benfica terão sempre o meu apoio. Mas gostaria que fossem mais os portugueses na nossa equipa, embora compreenda que tal depende mais dos regulamentos do que da nossa vontade. A situação é a que é, e até o Sporting já compreendeu que, apenas com os jogadores da formação, não vai lá. O mal não é do Benfica, é do futebol português, é, afinal - vistos os exemplos de grandes clubes estrangeiros -, do futebol europeu. As regras comunitárias não ajudam nada (e continuo a pensar que não se deveriam aplicar ao desporto, uma actividade com características muito próprias) e seria bom que os clubes portugueses tentassem influenciar a Federação e a Liga e ainda a UEFA e a FIFA no sentido de 'travar' essa internacionalização das equipas. Pois, de outra forma, para quê estar a formar jogadores? Para reforçar outras equipas? O trabalho que fazemos no Seixal (e o Sporting faz em Alcochete) é muito bonito mas, se as coisas continuarem assim, não se traduz em resultados práticos. É pura perca de tempo e dinheiro. Infelizmente..."


Arons de Carvalho, in O Benfica