Últimas indefectivações

sábado, 4 de julho de 2015

Calendários...

Aqui está o calendário para a época 2015/16. A ordem dos jogos, não me preocupa, pois temos sempre que jogar contra todos, o mais importante será perceber como é que o calendário Europeu, e os jogos da Selecções, vai encaixar com o calendário do Campeonato... com as viagens e o desgaste inerente nestas circunstâncias, e os tempos curtos de recuperação.
Destaque para os prémios individuais que os nossos atletas conseguiram, ainda em relação à época anterior: Júlio César (melhor guarda-redes da I Liga); Jonas (melhor jogador da I Liga); e o Gonçalo Guedes (jogador revelação da II Liga).

1.ª - Estoril(c) / 18.ª(f)
2.ª . Arouca(f) / 19.ª(c)
3.ª - Moreirense(c) / 20.ª(f)
4.ª - Belenenses(c) / 21.ª(f)
5.ª - Corruptos(f) / 22.ª(c)
6.ª - Paços de Ferreira(c) / 23.ª(f)
7.ª - U. Madeira(f) / 24.ª(c)
8.ª - Sporting(c) / 25.ª(f)
9.ª - Tondela(f) / 26.ª(c)
10.ª - Boavista(c) / 27.ª(f)
11.ª - Braga(f) / 28.ª(c)
12.ª - Académica(c) / 29.ª(f)
13.ª - V. Setúbal(f) / 30.ª(c)
14.ª - Rio Ave(c) / 31.ª(f)
15.ª - V. Guimarães(f) / 32.ª(c)
16.ª - Marítimo(c) / 33.ª(f)
17.ª - Nacional(f) / 24.ª(c)

1.ª - Olhanense(f) / 24.ª(c)
2.ª - Penafiel(c) / 25.ª(f)
3.ª - Atlético(f) / 26.ª(c)
4.ª - Oliveirense(c) / 27.ª(f)
5.ª - Varzim(f) / 28.ª(c)
6.ª - Viseu(c) / 29.ª(f)
7.ª - Aves(f) / 30.ª(c)
8.ª - Gil Vicente(c) / 31.ª(f)
9.ª - Chaves(f) / 32.ª(c)
10.ª - Mafra(c) / 33.ª(f)
11.ª - Covilhã(f) / 34.ª(c)
12.ª - Feirense(c) / 35.ª(f)
13.ª - Farense(f) / 36.ª(c)
14.ª - Portimonense(c) / 37.ª(f)
15.ª - Santa Clara(f) / 38.ª(c)
16.ª - Oriental(c) / 39.ª(f)
17.ª - Famalicão(c) / 40.ª(f)
18.ª - Leixões(f) / 41.ª(c)
19.ª - Sporting B(c) / 42.ª(f)
20.ª - Guimarães B(f) / 43.ª(c)
21.ª - Braga B(c) / 44.ª(f)
22.ª - Corruptos B(c) / 45.ª(f)
23.ª - Freamunde(f) / 46.ª(c)

Eusébio é Portugal

"Eusébio foi um homem simples, admirado por gerações que veneraram o enorme talento que fez dele um dos melhores futebolistas mundiais de todos os tempos e apreciaram a infinita humildade que o acompanhou até ao derradeiro suspiro. Além do cavalheirismo com que sempre viveu a competição, ora festejando os golos com inimitável coreografia feita de gestos que lhe vinham do fundo da alma, em que parecia querer alcançar o céu através de maravilhosos saltos felinos, à imagem do estilo ímpar do seu futebol, nunca visto até então, o que levou os ingleses, no inesquecível Mundial de 66, a chamar-lhe pantera negra e felicitando os guarda-redes adversários por defesas impensáveis.
O Panteão Nacional destina-se a perpetuar a memória dos cidadãos que se distinguiram por serviços prestados ao País e, nesse sentido, a trasladação dos restos mortais de Eusébio mereceu a unanimidade de todos os partidos políticos com representação parlamentar, o que só por si constitui sublime expressão da força do seu nome e do respeito que a sua memória merece.
Ontem, foi-lhe prestada a homenagem devida. Uma cerimónia de indescritível beleza e de infinito significado, que teve o dom, ainda que por instantes, de unir os portugueses, os que amam o futebol e os que o detestam. Porque Eusébio é muito mais: é Portugal.
Comoveu-se com as palavras de António Simões, o seu 'irmão branco', arrepiou-se ao ouvir o Hino pela voz de Dulce Pontes e cantou com o amigo Rui Veloso a música 'Africa'. Foi uma grande festa que o mundo testemunhou e aplaudiu.
Eusébio é um símbolo nacional, como sublinhou o Presidente da República. De dimensão universal!"

Fernando Guerra, in A Bola

O espectáculo vai começar

"Chegou a ser a mais importante competição desportiva planetária, logo atrás dos Jogos Olímpicos e do Campeonato do Mundo de futebol. Mas o flagelo do doping tirou-lhe credibilidade, reduziu-lhe a projecção e a prova perdeu encanto, principalmente para quem, nos anos 90, testemunhou episódios de autêntica farsa e, mais tarde, já em pleno século 21, venerou um batoteiro que encarnou na perfeição o papel de super-herói.
A Volta a França em bicicleta, que hoje se inicia com um prólogo mais longo do que o habitual, tem agora condições para reviver a magia e o glamour de um passado já longínquo. Face à categoria dos ciclistas que compõem o pelotão e do próprio traçado da prova - que até reservou a escalada do Alpe d'Huez para o dia anterior à consagração nos Campos Elísios -, a edição de 2015 poderá muito bem tornar-se na mais competitiva e espectacular das últimas décadas, recuperando o Tour o prestígio que, indiscutivelmente, merece.
Raras são as modalidades capazes de reunir, durante três semanas, atletas da craveira de Contador, Nibali, Froome e Quintana e de disporem ainda de Rodríguez, Pinot, Péraud, Bardet, Van Garderen, Valverde, Porte e, claro, Rui Costa à espreita de se intrometerem entre os favoritos e, consequentemente, na discussão de um lugar no pódio. Para os espectadores portugueses, o Tour deste ano terá, assim, um atractivo muito especial. O campeão do Mundo de estrada, em 2013, e campeão nacional, no último fim de semana, nunca surgiu tão preparado para uma prova deste nível. Se tudo correr bem, não veremos certamente Rui Costa atrás do objectivo menor das vitórias em etapas de média montanha. Vamos ter, isso sim, o poveiro, tal como demonstrou no Dauphiné, a bater-se pela classificação geral."

Eusébio no Panteão Nacional

"Com Amália e Eusébio o Panteão ganha visibilidade e talvez passe, enfim, a chamar mais a atenção do que a vizinha Feira da Ladra.

Entre cinco escritores, quatro Presidentes da República, um heróico opositor ao Estado Novo e uma fadista, ou, melhor dizendo, uma cantora de fado, Honras de Panteão, ontem cumpridas em cerimónia impressionante, para Eusébio da Silva Ferreira. Ele é, assim, o primeiro africano, o primeiro desportista, o primeira futebolista a ser incluído no restrito número daqueles a quem a República reconheceu o dever de «homenagear e perpetuar a memória, por serviços prestados ao país».
Não se pode dizer que a decisão unânime da Assembleia da República tenha tido uma representação de unanimidade no país. Há muito boa gente que gostaria de ver reservado o Panteão para a celebração da imortalidade de uma cultura de elite, densa e erudita, em oposição a uma cultura popular, ou de popularidade.
A discussão começou em Amália Rodrigues e tornou-se mais intensa com Eusébio. Sendo, ambos, expressões inquestionáveis de um reconhecimento nacional e popular, a verdade é que se tratavam de figuras representativas de duas das áreas em que assentam os maiores preconceitos da sociedade cultural de elite: o fado e o futebol.
Claro que é fácil questionar e argumentar sobre a justiça de dar honras de Panteão a Amália e a Eusébio, quando ficam de fora Eça de Queirós, Salgueiro Maia, ou Aristides de Sousa Mendes.
No entanto, a argumentação lógica das escolhas para o Panteão Nacional sempre se tem confrontado com a natureza do imprevisto, do circunstancialismo e até da «moda cultural dos tempos».
Entre os que, antes, conquistaram o direito à morada tumular no «museu dos mortos», como lhe chamou Miguel Sousa Tavares, há casos indiscutíveis como os de Garrett, Aquilino ou Sophia na literatura, Manuel Arriaga e Teófilo Braga entre os presidentes da primeira República, mas a verdade é que também no Panteão Nacional se pode adaptar o lema que se tornou particularmente conhecido e que estava registado num antigo Hospital: «Não estão todos os que são; não são todos os que são».
A verdade é que algumas das maiores figuras da nossa História ganharam a Honra da memória eterna noutros templos e até noutras geografias. D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, repousa para a eternidade, com a sua mulher Mafalda, no mosteiro de Santa Clara, em Coimbra; a ínclita geração está para sempre recolhida no exuberante mosteiro da Batalha; Luís de Camões, Vasco da Gama, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa repousam, com pompa e circunstância, no mosteiro dos Jerónimos.
Temos de reconhecer que até na cultura dos mortos Portugal é um país diverso e disperso. De facto sempre fomos um bocadinho caóticos na organização do pensamento nacional.
É por esta circunstância, que torna subjectiva e leve a razão da escolha dos nosso heróis, que não vale muito a pena discutir a bondade e a justiça da decisão da Assembleia da República.
Com Amália e Eusébio, o Panteão Nacional democratiza-se e populariza-se. O Panteão ganha visibilidade e talvez passe, enfim, a chamar mais a atenção do que a sua vizinha feira da Ladra.
É óbvio que tal nunca poderia ser razão de escolha. É importante que os portugueses não reconheçam em Amália apenas uma grande fadista e em Eusébio apenas um grande futebolista. Ambos foram muito mais do que isso. Ambos foram bandeiras de Portugal no mundo, capazes de mudar, pelo talento e pela sua natureza humana, um conceito universal de um Portugal pequenino, pobre, desinteressante, cinzento. E, no caso de Eusébio, ainda um símbolo da lusitanidade no mundo.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

No Coração da Águia

Assim vai o defeso...

"Em pleno período estival, comecei o dia a planear uma ida à praia depois de despachar alguns assuntos, entre os quais esta crónica. No entanto, após me chegarem os ecos da Assembleia-Geral do Sporting, temo que não mais conseguirei sair à rua, receoso do repetidamente anunciado 'Sporting forte', uma espécie de, presumem eles, veneno para Benfiquistas. Já me tinha acontecido o mesmo com o abalo sísmico neste cantinho da Europa provocado pelo lançamento da primeira pedra do pavilhão João Rocha, aquele que, se de facto vier a ser construído, devolverá os pavilhões de Mafra e Odivelas aos seus munícipes.
Não fossem, entretanto, a conquista dos títulos e taças de Futebol, Basquetebol, Futsal, Hóquei em Patins, Voleibol e Atletismo, talvez não tivesse resistido. Nessa altura, disse o presidente sportinguista, repetindo-o agora, que 'um Sporting forte assusta muita gente'. Sobretudo os sportinguistas, acrescento eu, que sabem lá o que isso é. Não sabem eles nem sabe ninguém, que as fantasias são de quem as tem e dificilmente são transpostas do plano imaginário para o real. Por exemplo, tenho um amigo que, a determinada altura, fantasiou que Ricciardi e Sobrinho constariam entre os alvos da auditoria feita à gestão do Sporting nos últimos anos. Enfim, fantasias quem as não tem...
Cuidado Benfiquistas! Na próxima temporada teremos que defrontar um 'Sporting forte' e, como se prevê para os lados do centro de estágio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, 'o melhor plantel dos últimos 31 anos'. Por aqui, entre entradas e saídas, seremos somente 'O Benfica'. Esquecem-se os nossos adversários que esse é o nosso maior trunfo."

João Tomas, in O Benfica

Há uma linha que separa

"Aqui há uns tempos andava na berra a expressão 'há uma linha que separa'. Serviu para tudo, desde a campanha publicitária de uma operadora de televisão por cabo até sátiras a políticos, treinadores de Futebol, colegas de trabalho e um sem número de outras situações. O conceito era o de mostrar que aquele produto era muito diferente e melhor que todos os outros concorrentes. A frase pegou. E foi ficando, até ser substituída por outra qualquer difundida nas redes sociais.
Agora que a nova época está à porta, talvez seja tempo de recuperar a célebre expressão. E razões não faltam. Comecemos pelo óbvio: os títulos. Passemos também pelo número de sócios pagantes, pelo número de golos marcados por época da equipa de Futebol, pelas conquistas das diversas modalidades, pelo passado de glória e, claro, pelo número de adeptos que, época após época, fazem do Estádio da Luz aquele com mais assistência de todos os estádios portugueses.
Em 2014/2015 não foi diferente. Nos jogos a contar para a Liga em que o SL Benfica se sagrou Bicampeão Nacional. houve uma média superior a 48.500 pessoas a assistir a cada partida em casa. Mais 13 mil pessoas de média que os vizinhos do Campo Grande e mais 16.500 espectadores que a média da agremiação desportiva junto à ponte do Freixo. Ou seja, a Catedral teve mais de 75% de média de lotação em cada jogo lá disputado. Percebem a diferença? Percebem o que é esta linha que separa o maior Clube português do resto? Somos nós - os adeptos. Os Red Pass (bilhetes de época) já estão à venda. Vamos aumentar ainda mais a distância para os nossos adversários. Rumo ao 35."

Ricardo Santos, in O Benfica

UEFA criou um fantasma

"O mercado de transferências abriu oficialmente a 1 de Julho e, entre os muitos negócios que já se anunciaram, a ação de um clube por norma (muito) gastador pode até estar a passar despercebida. Desde 2008 - altura em que o clube foi adquirido pelo Abu Dhabi United Group - que o Manchester City faz abanar os alicerces de cada defeso ao gastar verbas exorbitantes em variadíssimos reforços mas, volvidas sete temporadas, a inversão é notória. Senão vejamos: ainda agora começou o período oficial de transferências e os citizens já encaixaram 47 milhões de euros em vendas - Negredo (27 milhões), Nastasic (9,5), Rekik (5), Scott Sinclair (3,5) e Boyata (2) -, além de ter poupado em salários ao deixar sair a custo zero jogadores outrora importantes como Micah Richards, James Milner, Lampard ou mesmo Guidetti, que acaba de sagrar-se campeão da Europa de sub-21. A inversão no plano financeiro é de tal forma evidente que, a 3 de Julho, o City já fez mais dinheiro em vendas do que em qualquer um dos anteriores sete defesos! Dá que pensar.
E para contrabalançar, Manuel Pellegrini apenas investiu... 3 milhões de euros num jovem avançado turco de 18 anos, de nome relativamente desconhecido: Enes Ünal. A razão é simples: chama-se Fair Play Financeiro da UEFA. O cinto aperta cada vez mais e, depois de, na 4.ª feira, a UEFA ter levantado o castigo aplicado ao PSG, o City é o único clube impedido de comprar jogadores por mais de 60 milhões de euros e a poder inscrever apenas 21 jogadores (em vez de 25) nas competições europeias. Não foi, por isso, por acaso que Pellegrini se ausentou de mansinho da luta titânica pela contratação de Pogba e outras eventuais baixas no plantel deverão ser encaradas como... normais. A verdade é que o valor encaixado em vendas já superou os 44,3 milhões de euros feitos em 2012/13 e a tendência, nos próximos anos, obriga a esta inversão.
Não podemos ser ingénuos e pensar que o City vai ficar só a olhar para Chelsea, Man. United, Arsenal ou mesmo Liverpool a investir. Atacará o mercado mas dificilmente o voltará a fazer sem cabeça. O fantasma do Dínamo Moscovo (suspenso por quatro anos das competições europeias há dias) deixou todos em alerta."

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eusébio

Eusébio da Silva Ferreira, continua a executar serviço público: primeiro andou a espalhar arte nos relvados do Mundo, em nome do Benfica e de Portugal, com a humildade e o sacrifício que lhes estava no sangue... agora, mesmo depois de deixar o reino dos vivos, deu a conhecer ao País: o Panteão Nacional...!!!

Faço parte daqueles que preferia ter o Eusébio na Catedral (ele e outros Imortais...), junto dos Benfiquistas, mas talvez agora o Panteão Nacional tenha finalmente o número de visitas que teoricamente merecia...!!!

Negócio fechado, Rui Vitória

"Começou oficialmente a era Rui Vitória no Benfica. O treinador não precisa do meu apoio e confiança para nada, mas têm-no na sua totalidade. Primeiro porque é o treinador do Benfica, depois porque tenho consideração, simpatia e apreço pelo seu trabalho e pelas suas características pessoais e profissionais. No último sábado Rui Vitória, nas páginas de A BOLA declarava que queria oferecer o tri aos benfiquistas. Por mim temos negócio fechado. Diga o que precisa da minha parte, porque da sua já tenho o que quero. 
Focado no essencial, o novo treinador do Benfica mostra firmeza, determinação e confiança. Gosto assim. 
Em Portugal há tendência de se gostar mais de carismáticos do que dos competentes, é uma característica antiga e transversal do povo luso de que o mundo do futebol é apenas parte. Não preciso de dizer mal de ninguém que já tenha servido o Benfica, ou que ainda possa vir a servir o clube para elogiar Rui Vitória. De facto, as suas qualidades valem por si, não necessitam de comparativos. No nosso País dizer bem de alguém, quase sempre implica dizer mal de outrem.
Boa sorte Rui Vitória. O nosso treinador tem uma grande vantagem sobre outros, foi escolhido para ser o treinador do Benfica, não foi sorteado.
Parece que os árbitros podem passar a ser sorteados no nosso futebol. Como no fado da Amália no futebol português há quem ainda cante: 'Ó tempo volta para trás. Dá-me tudo o que perdi...'
A próxima medida será colocar Calheiros, Guímaro, Martins dos Santos, Donato Ramos em actividade e nas jarras para o sorteio. Claro que em nome da eficácia e transparência. Mas o Benfica vai continuar a ganhar e a jogar bem. Já estou a ver o próximo árbitro da Supertaça, a fugir em correria dos jogadores que o querem agredir."

Sílvio Cervan, in O Benfica

Mundo cão

"Confesso que, aos 45 anos de idade, o mundo do Futebol ainda consegue surpreender-me pela negativa. Aquilo que me intriga é o seguinte: o que faz com que um profissional, em final de carreira, com situação financeira confortável e futuro assegurado, despedace uma imagem construída ao longo de quase uma década, ignore olimpicamente a paixão de milhões de adeptos, volte as costas à possibilidade de inscrever o nome na história junto das grandes lendas, e feche uma porta que poderia vir a abrir-se no futuro, tudo em troca de mais uns patacos no recibo de vencimento? Não falo de um jovem com a carreira por construir. Também não falo de gente com um ou dois anos de casa, sem o vínculo emocional que só o tempo robustece. Nem de quem ganhe, vá lá, 100 mil euros por ano. Falo de alguém experiente, respeitado como símbolo de um Clube, e que já aufere dez vezes aquele valor. Trouxe aqui o tema, a outro propósito, há umas semanas. Nunca é demais repetir: os montantes milionários que o Futebol movimenta, e os gordos salários que jogadores e treinadores de topo recebem, devem-se, exclusivamente, à paixão dos adeptos. Um cirurgião ou um juiz não terão certamente menos responsabilidades. Só não têm quem os idolatre, nem amor clubista que lhes pague. Não perceber isto, é não perceber nada. Ignorar isto, é cuspir no próprio prato.
Profissional não pode ser sinónimo de mercenário. Não é assim em profissões menos recompensadas, pelo que jamais deveria sê-lo numa actividade que deve tudo mas mesmo tudo, aqueles que enchem os estádios, vibram com os clubes, e choram na derrota e na vitória."

Luís Fialho, in O Benfica

Empréstimo Obrigacionista

"As finanças do Benfica continuam em grande plano. A melhor e mais fidedigna prova disso mesmo é a relação entre o clube e os seus Sócios e adeptos que se tornam, também, nos seus grandes financiadores. A SAD do Benfica aprovou na última sexta-feira, em Assembleia Geral extraordinária, a emissão de uma oferta pública de subscrição de obrigações até um valor que pode chegar aos 55 milhões de euros, tal como determinada pelos resultados da reunião de todos os Sócios.
Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a SAD 'encarnada' comunica que foi 'deliberado autorizar' a emissão de obrigações, a colocar em oferta pública de subscrição 'com um prazo máximo de três anos, até ao montante global de €55.000.000,00 (cinquenta e cinco milhões de euros'.
Há dois pontos extremamente importantes e interessantes nesta operação económica:
1) a taxa de juro a que será remunerado o capital (4,75%) é extremamente benéfica, revelando o poder financeiro de atracção que a marca Sport Lisboa e Benfica representa nesta altura.
2) o valor máximo da emissão obrigacionista excede largamente as operações semelhantes dos nossos rivais (FC Porto com 40 milhões e o Sporting com 30 milhões).
Estes dados são reveladores de uma linha de gestão que tem vindo a ser construída pela dupla Luís Filipe Vieira-Domingos Soares de Oliveira: o Benfica é dos Sócios e dos adeptos e estes, em grande escala, acreditam e apostam no Benfica. São eles os seus grandes financiadores. O tal colinho. Quantos clubes europeus se podem orgulhar disto?"

André Ventura, in O Benfica

Operação obrigacionista Benfica

"Financiamento por Obrigações
Em Assembleia Geral da SAD do Benfica, os seus accionistas aprovaram a emissão de obrigações a colocar através de uma oferta pública de subscrição, com um prazo máximo de três anos de maturidade, ou seja, para serem pagas em 2018, que vai de 45 milhões até ao montante global de 55 milhões de euros. 
Terá uma taxa de juro ilíquida prevista de 4,75%.
Para o administrador-executivo da SAD 'encarnada', Domingos Soares de Oliveira, esta não é uma nova dívida, mas sim a substituição por outras já existentes: 'Não se trata de contrair nova dívida, trata-se de substituir alguns empréstimos que temos. Pedimos autorização à Assembleia Geral da SAD para termos este empréstimo obrigacionista de 45 milhões de euros, que pode ser estendido até aos 55 milhões.'
Esta foi a notícia que mais ou menos saiu escrita desta forma, aqui e acolá!
Alguns desses arautos da desgraça e da violação do copyright, assentaram as suas críticas em vários quadrantes:
1. Que as sociedades desportivas só tem possibilidade de pagar dívida, endividando-se mais;
2. Que a situação líquida das três sociedades desportivas está em situação negativa;
3. Escreveu-se mesmo esta barbaridade por um economista - 'Significa isto que a SAD encarnada vai estar durante quase um ano a pagar juros de dois empréstimos obrigacionistas em simultâneo, ambos de 45 milhões, numa taxa de juro total superior (somando os dois empréstimos) superior a 10 por cento.'
Factos:
- A Benfica SAD em Dezembro de 2013, lançou um empréstimo obrigacionista de 50 milhões de euros, com vencimento em Dezembro de 2014 - FOI TODO PAGO! E FOI CAMPEÃO!
- A Benfica SAD tem a correr um empréstimo obrigacionista que se vence em Abril de 2016, no montante de 45 milhões de euros, a uma taxa de juro de 7,25% e terá um de 45, ou, 55 milhões de euros, a uma taxa de juro de 4.75%, a taxa mais baixa dos três grandes!
Ora, uma coisa é o juro de um empréstimo e outra, o juro do outro. Logo como se podem somar os juros? Como é que um economista diz um disparate destes? É exactamente ao contrário! Quanto mais baixa for a taxa de juro do 2.º empréstimo, mais baixa será a taxa de juro média em proporção da soma do total. Chamem o Einstein p.f.!
Quanto ao ponto número 1, o angariar financiamento para investir é como funciona o mercado em termos mundiais! Ou não estão todos endividados?
O problema reside no facto de uma entidade angariar empréstimos para suportar despesas correntes, aí sim, é que a coisa pode começar a ser mais complicada!
No entanto, é curioso verificar como se faz um branqueamento da dívida do Sporting de 55 milhões que foi completamente perdoada e chutada para as calendas gregas de 2025 a troco de umas acções da SAD nessa altura.
Quanto ao ponto 2, o homem esqueceu-se de ver que a situação líquida do Benfica no último Balanço é positiva, pelo que aqui estamos na presença da Multiópticas, ou da Optivisão, ou o que quer que seja. Quanto ao ponto 3, já está devidamente explicado, ou é preciso voltarmos à 1.ª Classe?
Talvez a preocupação principal devesse incidir antes sobre os valores irrisórios e quase freudianos, pelos quais foram alienadas as empresas em Portugal em regime de privatização e perceber quais são os interesses económicos e financeiros que movem essa míriade de opinadores contratados a preço de ouro, para dizerem o que alguém precisa que seja dito para aumentar as suas vendas.
Vejamos agora na Fig. 1 um pequeno gráfico com uma análise sucinta de alguns indicadores dos empréstimos de obrigações que os três grandes contraíram e estão a contrair em 2015.
De quem é o juro mais baixo? E de quem é, sem contar com perdões dos Bancos, a operação menos arriscada?

Dificuldade
Sempre tive alguma dificuldade em lidar com 'eunucos'. Em bom rigor, confesso que sempre tive alguma dificuldade em utilizar a esperteza para facilitar o que faço. Confesso também, que sou daqueles que nunca copiou na escola, mas o inverso não é verdade! Na faculdade, existia um grupo de colegas meus que gostava muito de copiar por mim. Eu era amigo deles! Pelo menos assim o achava!
Existe um conjunto de Benfiquistas, felizmente composto por muitos e bons, que aprecio imenso e nas sextas-feiras de manhã, agora só de 1 hora, acabam por transformar o meu dia cada vez mais velho, num pequeno acto gratificante. A esses meus ouvintes, deverei sempre três coisas:
a) A minha honestidade;
b) A minha gratidão;
c) O meu Bem Hajam;
É evidente que nos últimos dois anos se tornou mais fácil o reconhecimento mútuo, porque o ambiente, felizmente, foi de felicidade e vitória. Não é que sejamos mal formados, mas somos Humanos bolas! E quando as coisas não correm como gostávamos que corressem, quando nos empenhamos a fundo nelas e quando amamos um Clube, tudo se complica nas nossas emoções.
Acreditem que compreendo isso, porque há momentos e muitos, que também me sinto chateado.
É só por esses adeptos que continuarei a fazer o esforço titânico de continuar a escrever no jornal O Benfica, estando obviamente disponível para quando for o momento em que deverei ser substituído. Este é o meu 227.º artigo.
É muita fruta! Não daquela que conhecemos, obviamente, porque aqui neste jornal trabalha-se e de que maneira!
Não me peçam é para escrever o que não sinto, nem nunca sentirei, pois isso, seria acima de tudo atraiçoar um presidente que muito admiro e sempre admirarei.
E essa é a outra vertente de impulso e de motivação que me leva a continuar a escrever para o jornal deste grande Clube. Mas há que dá lugar a estrelas que despontam no firmamento e perceber que os direitos não se dão conquistam-se! Mas que comigo é antes lapidar o contrário - eu reconheço os direitos e as qualidades dos outros quando elas existem! Até lá..."

Pragal Colaço, in O Benfica

Golos do 34

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Castanho e verde

"Assim se explica que Pinto da Costa tenha consentido em ver Jesus em Alcochete e se admite que Maxi faça metade da época em Alvalade e outra metade no Dragão.

CASTANHO e verde são as cores dos grandes campeões deste Verão. Com predominância do verde sobre o castanho, diga-se em abono da verdade, porque o Sporting está a fazer o defeso mais triunfal de toda a sua história, ao ponto de levar a reboque o Porto na questão do sorteio dos árbitros votada na última reunião magna da Liga de Clubes.
O Sporting a reboque do Porto foi coisa mais do que vista nas últimas décadas. Mas o contrário, o Porto a reboque do Sporting é uma grande inversão de papéis merecedora de todo o destaque porque que acrescenta um triunfo geoestratégico ao palmarés triunfal do presidente do Sporting neste defeso. O Porto já vinha em processo de sportinguização, é verdade que sim. Até a final do campeonato nacional de bilhar às três tabelas foi oficialmente protestada pelos Dragões!
Vista da Luz, de todas as alianças possíveis, a aliança entre o Sporting e o Porto contra o Benfica é a menos contranatura das alianças contranatura.
E só assim se explica que Pinto da Costa tenha consentido em ver Jorge Jesus aterrar em Alcochete e só assim se admite que Maxi Pereira venha a fazer a primeira metade da próxima época em Alvalade e a segunda metade da época no Dragão, ou vice-versa.
O caso Danilo é outro exemplo dos triunfos concertados castanhos e verdes deste Verão. Garantem os jornais que Julen Lopetegui já telefonou a Danilo e que Jorge Jesus já telefonou a Danilo.
Terá sido sorteada a ordem dos telefonemas?
Provavelmente os dois treinadores até ligaram a Danilo do mesmo aparelho telefónico, móvel ou fixo, o que deve ter deixado confuso o jogador que ainda pertence ao Marítimo e que já nem sabe para que lado se virar. Castanhos ou verdes? Verdes ou castanhos? - eis a dor de cabeça de Danilo. O defeso triunfal do Sporting terminou anteontem visto que ontem começaram os trabalhos em Alcochete em função da temporada oficial de 2015/2016. Foi um primeiro dia também excepcionalmente triunfal. Que clube português alguma vez arrancou para uma temporada podendo orgulhar-se de ter sob contrato o treinador vencedor do último campeonato e, ao mesmo tempo, ter sob contrato o treinador vencedor da última Taça, sendo que as duas provas tiveram vencedores diferentes?
Uma coisa destas não é para qualquer um. Nem em Portugal nem em qualquer outra parte do Mundo.

PARABÉNS, muitos parabéns à Telma Monteiro campeã europeia de judo em Baku, e ao Viktor Lindelof, campeão europeu de futebol em Praga.
Ambos são atletas do Benfica e não o esqueceram nos respectivos momentos de glória. Parabéns, portanto, mas não só.
Obrigadinha, também.

SE a Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol ratificar a proposta que visa repor o sorteio dos árbitros o próximo campeonato perderá, eventualmente, alguma dignidade do ponto de vista das instituições internacionais do sector mas ganhará, é mais do que certo, novos e picantes motivos de interesse de trazer por casa.
E é disso que todos gostamos. De animação.
E é em nome dessa animação que sou 100% a favor do sorteio dos árbitros. Porque promete. Não só promete como vai cumprir.
E do vício criminoso das nomeações - que, para os nossos rivais justificam os dois títulos consecutivos somados pelo Benfica - se passará num ápice às suspeitas de vício criminoso do sorteio se os resultados práticos do tirar à sorte não forem os reclamados pelos principais subscritores da proposta.
Os resultados práticos exigidos quer pelo Sporting quer pelo Porto são estes: paridade entre o número de jogos disputados e o número de vitórias obtidas.
Ou isto acontece ou então é porque há bolas quentes e bolas frias na fruteira, concluirão. Veremos, nesse caso, o presidente do Sporting a exigir um termómetro anexado em permanência a cada rifa por sortear enquanto o presidente do Porto, mais pachorrento, apenas exigirá que não lhe falem mais em fruteiras porque tudo o que mete fruta o aborrece de morte de há uns anos para cá.

VERÃO português. A experiência multicultural europeia numa esplanada à pinha assistindo à final do Europeu de sub-21.
Na equipa da Suécia há jogadores com nomes de sonoridade pouco sueca para os nossos ouvidos portugueses, como Guidetti ou Khalili. Ou mesmo Baffo, cujas «raízes ganesas» foram realçadas pelos comentadores de serviço da RTP.
No entanto, para os ouvidos suecos também na nossa equipa há nomes com sonoridades pouco portuguesas, como William ou Ivan ou Iuri.
- São de origem russa? - pergunta-me um turista sueco, muito sério, no momento em que Iuri entra para o lugar de Ivan após uma hora de jogo.
Digo logo que sim. A família escandinava da mesa ao lado é bastante simpática mas, francamente, não estou para grandes conversas.
Já se pressenti-a que a coisa ia ser resolvida nos penalties e que vinha aí o triste fado do costume.

ENQUANTO os nossos rivais viveram defesos de sonho, absolutamente triunfais, oferecendo heroicamente o peito às balas a quem lhes quiser fazer mal, no Benfica o ambiente geral parece ser de enorme apatia.
Nem um benfiquista foi expulso de sócio nas últimas semanas.
Nem um contrato foi rasgado.
Ninguém se ofereceu para morrer se fosse preciso.
Quem diria que é este o emblema bicampeão de Portugal?
As notícias só nos falam de abandonos ou de deserções cruéis.
Enquanto não começar o futebol a sério, enquanto o futebol jogado não voltar a ter primazia sobre o futebol falado, a experiência diz-nos que vamos continuar neste regime anímico de bola baixa vendo os nossos rivais felicíssimos em regimes de bola alta, tão alta que sabe-se lá onde tudo isto vai parar. Depois, com bola a sério, logo se verá.

NUNO GOMES disse que gostaria de voltar a ver Bernardo Silva no Benfica. Não está sozinho o antigo capitão neste desejo de difícil concretização pelos anos mais próximos.
A saída para o estrangeiro do mais do que promissor jogador formado no Benfica explica-se, sem grandes dramatismos, por dois erros de avaliação.
O primeiro erro de avaliação terá sido o do treinador que não lhe reconheceu valor para integrar a equipa principal do Benfica. O segundo erro foi de quem avaliou em 15 milhões de euros a quantia a pagar pelo Mónaco dando-se o caso de querer garantir em definitivo os serviços do jogador.
E não é que o caso se deu? Os monegascos acharam que Bernardo Silva valia os ditos 15 milhões e não hesitaram.
É normal.
Não há Principado que não goste de ter e de manter os seus príncipes...

não sei em que romance de Agustina Bessa-Luís a escritora se referia ao «horror à glória» como uma das características matriciais dos portugueses. Ou seria «pavor à glória» ? Não importa. O que importa é que a imagem tem uma base sólida de verdades que vão muito para além da beleza da literatura.
Esta campanha da selecção de sub-21 redundou em mais um momento do «horror à glória» nacional. Fez-se o impossível: uma qualificação só com vitórias, uma fase final sem uma única derrota, uma goleada maravilhosa aplicada à Alemanha e, no fim de tudo, cinco minutos de desacerto fatal quando chegou o desempate através de grandes penalidades com a Taça já tão à vista.
Tão portugueses os nossos sub-21. Mais uma razão para gostarmos desta equipa que muitíssimo bem nos representou no que temos de melhor, o descaramento, e no que temos de pior, a fiel tremedeira da hora H."

Leonor Pinhão, in A Bola

Objectivo: 35

GR: Júlio César, Ederson, Paulo Lopes, Varela
DC: Luisão, Jardel, Lisandro, César, Lindelof
DL: Eliseu, Sílvio, Semedo, Marçal, Almeida
MC: Fejsa, Cristante, Samaris, Pelé, Amorim
MO: Pizzi, Teixeira, Talisca, Mukhtar, Guzzo, Taarbat, Diego Lopes, Djuricic, Fariña
Ex: Carcela, Salvio, Gaitán, Ola John, Nuno Santos, Guedes, Bilal, Murillo, Candeias, Dalcio
AV: Jonas, Lima, Derley, Hassan, Oliveira, Vera, Jonathan

Primeiro dia de trabalho da época 2015/16, ainda com muitas indefinições, como é habitual, diga-se...
São vários os jogadores que hoje não vão estar presentes, devido aos compromissos com as Selecções durante o Verão...
O plantel deverá ter entre 25 a 27 jogadores, portanto não é preciso ser um génio da matemática, para perceber que ainda vamos ter muitas alterações. Admitindo que ainda haverá algumas contratações, são muitos os jogadores desta lista, que não vão ficar: emprestados, vendidos, dispensados...!!!
Sendo que de todas as 'novelas', o Zivhovic parece-me estar muito perto... senão mesmo, já garantido!!! Em relação ao Maxi, a relação com o Benfica terminou, de forma pouco digna, com culpa exclusiva do jogador e do seu empresário.


Arrisco afirmando que o Varela, o Guzzo, o Diego Lopes, o Djuricic, o Fariña, o Murillo, o Candeias, o Dalcio, o Oliveira, o Vera e o Gaitán não vão ficar no plantel. Tenho dúvidas nas situações do César, do Marçal, do Amorim, do Pelé, do Talisca, do Mukhtar, do Ola John, do Guedes, do Derley e do Hassan.
Nas possíveis vendas (indesejadas!!!), além do esperado Gaitán, podemos ter algumas surpresas: o Jonas e o Lima foram alvo de muitas notícias, mas o Samaris, o Lisandro, o André Almeida, o Cristante, o Pizzi, e ainda o Amorim, têm mercado...!!
Recordo que ainda temos as situações do Bebé (parece que vai para o Rayo), do Cavaleiro (parece que vai para o Mónaco), do Friesenbichler, do Rui Fonte, do Hélder Costa, do Djaló, do Fábio Cardoso, do Sidnei, do Jota, e do Rochinha em aberto...

Dito isto, aposto num plantel final 'parecido' com este:
Júlio, Ederson, Lopes
Luisão, Jardel, Lisandro(?), Lindelof, César(?)
Sílvio, Eliseu, André Almeida(?), Semedo, Marçal(?), (?)
Fejsa, Samaris(?), Cristante(?), Pelé(?)
Teixeira, Pizzi(?), Taarbat, Mukhtar(?), Talisca(?)
Carcela, Salvio, Nuno Santos(?), Bilal(?), Zivhovic(?), (?)
Jonas(?), Lima(?), Jonathan, Hassan(?), (?)
Como é visível, as dúvidas são muitas, demasiados pontos de interrogação...!!! Seria importante partir para a digressão Norte-Americana, com o plantel muito mais definido. Incluindo as possíveis contratações, que eu identifico como 3 (depende das vendas)... Se forem de indiscutível qualidade, serão muito bem-vindos!!!

Trivitória

"Começa hoje uma nova vida para Rui Vitória e para um Benfica que desperta curiosidade na capacidade de reacção à era pós-Jorge Jesus. Rui Vitória já se disse ansioso para um arranque de temporada, que será garantidamente empolgante, mas no novo técnico tem plena consciência que a Supertaça poderá ditar muito daquilo que serão os primeiros tempos no Estádio da Luz.
Protegido pela estrutura encarnada, que lhe preparou uma apresentação com classe, e na qual predominou a tranquilidade e segurança do discurso. Rui Vitória terá agora de mostrar no banco que é melhor. Melhor do que foi no V. Guimarães, melhor a apostar na formação do Seixal e melhor que o seu antecessor: Jorge Jesus. E essa é uma batalha que começa já a 9 de Agosto, num jogo que terá ecos nos dois lados da Segunda Circular. Mas que será, sem dúvida, a maior injecção de confiança que Rui Vitória pode ter caso saia vencedor do duelo.
Luís Filipe Vieira quer alterar o 'tal' paradigma que parece ter mudado há seis anos. Quer um clube mais virado para dentro, para a união, mais capaz de vender e rentabilizar os produtos 'made in', mas dificilmente perdoará um treinador que não lute até ao fim pelo título nacional, conquistado pelas águias nas duas últimas temporadas. O líder das águias poderá condescender no final; os adeptos não aceitam menos do que o tricampeonato. Muito importante na nova época será também a carreira na Liga dos Campeões. Não é, de todo, a prioridade dos encarnados, mas fazer boa figura e não ficar novamente pela fase de grupos é um desejo de quem gere os destinos do clube da Luz. Rui Vitória tem a palavra."

Vanda Cipriano, in Record

Árbitros por sorteio!...

"Não é o mal menor, é, sim, o maior. Promulga haver desonestos, inclusive no CA. E propícia mais forte reino de incompetência.

Sorteio de árbitros no nosso futebol profissional, consequência de infernal e interminável cavalgada de suspeitas, é o mal menor?
Perentório não. É, sim, o mal maior.
A mais clara demonstração do estado a que isto chegou... na mentalidade dos responsáveis de clubes que, por larguíssima maioria, frise-se, decidiram ser este o caminho.
O mais veemente atestado passado a árbitros e ao Conselho de Arbitragem em matéria de... desonestidade.
Assim mesmo: o que esta decisão da Liga de clubes promulga é haver árbitros desonestos e escolhidos a dedo por desonesto Conselho de Arbitragem.
Evidente: não se trata de apontar incompetência. Porque sorteio poderá propiciar mais forte reino de incompetentes. Já houve essa experiência no futebol português. Durou pouco por, muito naturalmente, não ter corrido bem.
Bruno Carvalho, primeiro proponente de sorteio, disse não ter sido vitória do Sporting, sim do futebol. Decerto vai ser escutado, e rapidamente seguido, em toda a Europa. Onde não existe exemplo de outro país que decida árbitros por sorteio. Mas vão ver, a partir de agora, o rol do iluminados pelo radioso sol da lusitana mensagem.
Pinto da Costa, decisivo no apoio à proposta do Sporting (com que então, Bruno Carvalho, Benfica e FC Porto têm andado em lua de mel, de mãos dadas contra o Sporting?), foi claríssimo: moção de desconfiança ao presidente do Conselho de Arbitragem. Em cheio. Após largos anos de ostensiva embirração de Pinto da  Costa com Vítor Pereira.
Curioso: o Sporting desencadeou este ataque exactamente após uma temporada em que nada foi prejudicado pela arbitragem (noutras foi, antes da era Bruno Carvalho). Pinto da Costa muito agradecido a Bruno Carvalho... Agora, será a vez de o Benfica declarar romance entre os seus grandes rivais.
Fira esta girândola de amuos e namoros... Dá sistemáticos êxitos no progresso da organização do futebol português. Lá está, a Europa tem mesmo de olhar para nós e apressar-se a seguir-nos como modelo.
Palavra final terá a Assembleia Geral da Federação. Onde a Liga tem apenas 25% dos votos. E talvez, até lá, a Liga encontre o bom senso de apresentar propostas que afastem o sorteio.

Marco Ferreira: não sei se foi ele, involuntariamente, a espoletar drástica decisão de sorteio. Uma confissão faço, com profundo mea culpa: semanas decorridas sobre ridículo levado ao auge, ainda não consegui perceber como é que este árbitro foi nomeado para a final da Taça de Portugal e, até tendo actuado bem, logo de seguida o despromoverem da I Liga e com a pior classificação de todos os árbitros! Em que ficamos: sim ou não o Conselho de Arbitragem conhecia o desfecho dos relatórios dos ditos técnicos observadores? Se sim, por que raio nomeou para a gala do Jamor o árbitro classificado como pior da época?! Se não, como é possível o nomeador de árbitros desconhecer em que classificação eles se encontram?!
Não sou perito em arbitragem, o que não invalida ter duas convicções:
- As notas pelos observadores dadas a actuações de árbitros são, amiúde, o oposto do que vimos em campo...
- Marco Ferreira, 2.ª na época anterior e internacional, esteve nesta temporada bem abaixo desse nível, mas, caramba, não foi o pior árbitro! Se assim o classificaram, que artes tiveram de colocar acima dele vários outros?!
Outra questão de fundo: a profissionalização de árbitros formalmente concretizada na última época. Não firme opositor, sempre lhe torci nariz... Já quase profissionais eram, nas verbas mensalmente recebidas, e profissionalização a 100% implica saída de outro trabalho. Carreira de árbitro nesse nível pode durar 10, vá lá, 15 anos, acabando, por lei, aos 45... E facilmente reencontra posto de trabalho nessa idade e neste país?... E, antes disso, se for despromovido? (face às anuais classificações, alguns têm de ser...).
Marco Ferreira, internacional e profissional há menos de um ano, está agora, subitamente, no desemprego...
Porém, como tantos veementemente se bateram pela profissionalização de árbitros, deve ser meu o defeito de análise."

Santos Neves, in A Bola

(In)gratidão

"A gratidão é, na sua essência, um acto de reconhecimento. De uma divisa não fungível, antes ética. A gratidão é a memória do coração, mas para isso é preciso ter memória e possuir coração.
Mark Twain afirmou que «se recolheres um cão faminto e lhe deres conforto, ele não te morderá. Eis a diferença entre o cão e o homem». Uma asserção exagerada para o homem, mas não para o cão. Sobretudo no mundo-cão em que ambos estão.
O futebol está cheio de ingratidão. Volto a citar, agora Ambrose Bierce, que, no século XIX - onde ainda não havia futebol - escreveu: «a gratidão é um sentimento que se situa a meio caminho entre um benefício recebido e um benefício esperado».
Entrar, sair, mudar, ignorar, esquecer são verbos da transumância futebolística onde o passado se torna poeira e o futuro se acresce em conta bancária. Vale (quase) tudo. E as multidões, inebriadas pela ilusão de uma nostalgia do pouco que, no futebol de elite, existe de gratidão e de sentimento afectuoso de pertença, correm atrás dos ingratos na esperança de que lá, onde moram as suas emoções, a gratidão é eterna.
Certamente sou eu que estou errado. Ainda resisto à ideia e que nem tudo se mede por (fartos) euros. Ainda acho que há valores éticos e comportamentais que não podem ser secundarizados ou desprezados, sob pena de nada valer. Aristóteles na sua Ética a Nicómaco escreveu que o que envelhece depressa é a gratidão.
No fim, que pode ser amanhã, como pode ser muito mais tarde, se perceberá que a gratidão - um bem cada vez mais raro - ainda é uma grandiosa virtude não transaccionável. Ou não se entenderá assim?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Incoerências coerentes

"No futebol, a incoerência sempre foi um ponto forte de coerência. A fronteira entre verdade e mentira, realidade e imaginação, esperança e ilusão, coração e carteira é tão ténue quanto a espessura de um fio de cabelo.
Hoje vou reportar-me ao folhetim à volta do(s) treinador(es) do Sporting. O treinador Marco Silva fez muito bem em recusar um acordo que, aparentemente leonino (como convinha), limitava o direito constitucional da liberdade de trabalho. Logo, ilegal por via da lei, mas também ilegítimo por via da ética. Quer dizer, o clube põe o técnico na rua com um processo por alegada justa causa e quer impor-lhe a renúncia de vir a treinar um dos rivais. Mas há mais: tem que guardar confidencialidade (?) do seu trabalho no SCP. «Despedido, limitado e calado», eis empolgante nova categoria laboral.
Mas qual é o problema de Marco Silva um dia poder estar no Benfica ou no Porto? Pois se ele foi corrido - diz a entidade patronal - por justa causa, qual o receio de ele ir para outro clube? Não percebo... E não foi o Sporting que contratou - com legitimidade laboral - o seu novo treinador, que acabava o contrato com o Benfica? E agora quer impedir o contrário para um técnico também livre? Com que coerência?
Uma última nota neste imbróglio: Jorge Jesus, que admiro, deveria ter evitado entrar nas instalações do Sporting e trabalhar já para o novo clube, ainda que informalmente, até ontem, 30 de Junho, pois estava vinculado ao SLB que, certamente, lhe pagou o ordenado. E já agora: o SCP gostaria que o SLB lhe exigisse confidencialidade dos seis anos na Luz?"

Bagão Félix, in A Bola

B's

Começou a época para a nossa equipa B, com os habituais exames médicos. Acredito que até ao inicio da época vamos ter mais algumas entradas (e se calhar algumas 'promoções'!!!), mas para já temos um grupo, praticamente todo oriundo da nossa Formação, com vários jogadores ainda Juniores(7)!!!

GR: Miguel Santos, André Ferreira
Defesa: Alfaiate, Nunes, Lystcov, Dias, Lima, Yuri, Rebocho
Meio-campo: Dawidowicz, Gilson, Pedro Rodrigues, Sanches, Elbio
Médio-ofensivos: Andrade, Clésio, Gonçalves, Dino, Filipe Ferreira, Carvalho
Avançados: Sarkic, Flávio Silva, Berto

Não temos nenhum defesa-direito de origem, para já o Alfaiate (DC) e o Rebocho (DE), são as opções. Aliás a juventude da nossa defesa, numa II Liga com muitos 'manhosos', pode ser um problema...
Recordo que o Varela, o Lindelof, o Semedo, o Valente, o João Teixeira, o Nuno Santos, o Gonçalo Guedes, o Jonathan são alguns dos jovens jogadores que na época anterior, jogaram nesta equipa, mas já cá não estão!!!
Existem ainda algumas ausências 'estranhas': Thierry, Ricardo Carvalho, Kevin, Isaac, Gonçalo Maria...!!!
Jhon Murilo e Francisco Vera duas novas contratações, parece que vão ser emprestados...

O Renascer dum Bicampeão

PizziX

terça-feira, 30 de junho de 2015

Não se pode confiar no coração

"É antigo o fascínio dos adversários do Benfica pelos treinadores que passaram pela Luz. Fernando Riera foi um deles. Feliz no Belenenses, foi por duas vezes técnico dos 'encarnados' com sucesso. O sucesso que não teve depois nas Antas e em Alvalade.

Não há quem o negue: Fernando Riera era um «gentleman». Homem educadíssimo e de fino trato.
Fernando Riera Bauzá: nascido em Santiago do Chile no dia 27 de Junho de 1920. Estaria agora à beira de cumprir 95 anos. A morte levou-o pelo caminho em Setembro de 2010.
Filho de espanhóis, de Maiorca, avançado nos seus tempos de jogador, no Unión Española e no Universidad Católica, tornou-se no primeiro chileno a assinar por uma equipa europeia, o grande Stade de Reims dos anos 50, onde actuou duas épocas antes de se transferir para o FC Rouen. Jogava na esquerda, mas não era canhoto. Como Chalana, por exemplo.
«Usava o 11  nas costas», contou numa entrevista, «mas fui sempre dentro. Alguns supunham-se esquerdino, mas o meu movimento preferido era puxar a bola para dentro e rematar com o pé direito. Fiz muitos golos assim!».

Fernando Riera jogou pelo Chile no Campeonato do Mundo de 1950, no Brasil, mas seria o Mundial de 1962 a marcá-lo para a vida. Aí já era treinador. E dos bons!
Ao pôr um ponto final na carreira de jogador, em 1954, no FC Rouen, dedicou-se à tarefa de treinar os Juniores do clube francês. Por pouco tempo. Portugal e Lisboa chamaram-no. Torna as rédeas do Belenenses e distingue-se. Perde o campeonato para o Benfica a três minutos do fim da última jornada, no célebre empate com o Sporting (2-2) dos golos de Martins. É com ele que os 'azuis' do Restelo disputam a Taça Latina, no Parque dos Príncipes, frente ao Real Madrid, AC Mlan e Stade de Reims - o campeão Benfica abdicara de participar, atraído por uma extraordinária digressão ao Brasil.

Regressa a casa, a Santiago do Chile, para se tornar «o homem que revolucionou o futebol chileno». Como seleccionador levou o Chile ao terceiro lugar do Campeonato do Mundo de 1962 graças a um Futebol vistoso e ofensivo, baseado numa defesa de quatro em linha e com dois avançados fixos. O Benfica estava atento...
Substituindo Guttmann / substituído por Guttmann
Cabia-lhe agora o árduo compromisso de substituir Béla Guttmann. Tarefa impossível!
O Benfica domina o campeonato nacional a seu bel-prazer e continua enorme na Europa. Mas Riera fica marcado por duas derrotas fundamentais.
A primeira no Estádio da Luz, frente ao Santos, para a Taça Intercontinental, quando resolve deixar Pelé à solta sem marcação específica. Espalhou-se a lenda de que Fernando Riera considerava um crime lesa-Futebol marcar Pelé. Já no Chile, o seu estilo «limpo», de jogo sem faltas, se tornara inacreditável para um público habituado à raça sul-americana.
Depois, apesar de amplamente favorito, o Benfica perde a final da Taça dos Campeões Europeus contra o AC Milan, em Wembley. Golpe duro. Duríssimo! Por pouco, por muito pouco, não é tri-campeão da Europa.
Nesse tempo, a Taça dos Campeões era um ponto de ordem para os dirigentes do Benfica. Fernando Riera está condenado à saída. Vai para o Universidad Católica e, em seguida para o Nacional de Montevidéu.
Em 1966 está de regresso ao Benfica e de novo para substituir Béla Guttmann. A história pode repetir-se, mas a nossa vida não.
Volta a ganhar o campeonato mas, na época seguinte, vê-se sujeito a um processo disciplinar e no despedimento. Declara publicamente que há pagamentos de prémios em atraso no Benfica. A Direcção do Clube, presidida por Adolfo Vieira de Brito não lhe perdoa. Solidários, Eusébio, Torres, Simões, Cavém, Costa Pereira e mais alguns jogadores vão despedir-se dele ao aeroporto.
Não esquecem a sua personalidade gentil e afável.
Em 1972, vindo do Boca Juniors, aterra no Porto.
Não é de hoje essa atracção irresistível dos adversários do Benfica pelos treinadores 'encarnados'. Mas falamos de homens e não de mágicos ou de seres divinos.
O afastamento do Barcelona na 1.ª eliminatória da Taça UEFA (3-1 e 1-0) foi o ponto brilhante da época portista. E único. Eliminado pelo Sp. Farense da Taça de Portugal e pelo Dínamo de Dresden da prova europeia, o FC Porto não vai além do quarto lugar no campeonato, atrás de Benfica, Belenenses e Vitória de Setúbal.
Riera sai. Entre Béla Guttmann para o seu lugar.
Irónico destino! Não fará melhor. Novamente um quarto lugar na época seguinte.
Depois de ter sido feliz no Belenenses e no Benfica, o cavalheiro Riera volta a Lisboa em 1974, ano da Revolução. O Sporting acabara de se sagrar campeão nacional com Mário Lino e substituira-o por Di Stéfano que não chegou a começar o campeonato. Osvaldo Silva orienta a equipa até à 13.ª jornada e Riera entra mesmo a tempo de se sentar no banco no Estádio da Luz. Empata 1-1 (golos de Móia e Yazalde) e volta a empatar em Alvalade, na segunda volta, pelo mesmo resultado (golos de Fraguito e Diamantino). De pouco serve. O Benfica é campeão, com cinco pontos de avanço sobre o FC Porto e seis sobre o Sporting. Nem a Taça de Portugal se salva (0-1 na meia-final frente ao Boavista).
Fernando Riera não voltará a Portugal nem à Europa. A sua carreira continuará no Monterrey, no Palestino, no Universidad do Chile.
Fica a imagem de um senhor tranquilo, incapaz de um gesto pouco digno.
O coração traiu-o em Anunciación, não longe do local onde nasceu.
Não se pode confiar no coração."

Afonso de Melo, in O Benfica

O Santo António, o São João e o São Pedro em Benfica

"Há pouco tempo inaugurada, a nova sede do Benfica foi também palco de animadas festas dos Santos Populares.

Estávamos em Junho de 1917, mês dos Santos Populares e, apesar das dificuldades provocadas pela I Guerra Mundial, organizavam-se um pouco por toda a Lisboa várias festas e arraiais. Em Benfica não foi excepção. Uma comissão de Sócios do Benfica decidiu organizar um programa de festas dos Santos Populares que incluía várias iniciativas desportivas e recreativas. Iniciou-se, desta forma, um período de grande animação que levou muitas pessoas aos terrenos da nova sede na Avenida Gomes Pereira,, inaugurada há poucos meses, que oferecia excelentes condições para um mês em grande festa.
Houve animação em todos os fins de semanas de Junho e foram muitas as pessoas que se deslocaram nestes dias para passar uma belas horas de agradáveis divertimentos. Foi no recinto de patinagem, à época o maior do País, que decorreram os tradicionais arraiais dos Santos Populares, sempre abrilhantados por uma banda de música. A ladear todo o rinque foram colocadas barracas de quermesse e venda, onde gentis senhoras e meninas vendiam rifas, manjericos, cravos, doces e os tradicionais amendoins e pevides.
Sendo um clube que já mostrava grande ecletismo, não poderiam faltar as iniciativas desportivas. Organizaram-se desafios de Futebol e de Hóquei em Patins, uma modalidade que estava a dar os seus primeiros passos, conquistando cada vez mais adeptos. Realizaram-se, também, sessões de patinagem e de tiro à bala e um torneio de ténis.
Na véspera de S. João organizou-se uma animado baile de gala no magnífico salão de festas, que se prolongou até manhã, tal foi o entusiasmo.
Coroadas de êxito e bastante elogiadas na imprensa da época, as festas encerraram no dia de S. Pedro no mesmo ambiente de entusiasmo que começaram, com um leilão de quermesse, um concerto musical e com a representação da comédia A Voz do Sangue pelo grupo dramático do Clube no salão-teatro.
Poderá conhecer um pouco mais sobre esta sede e outros espaços do Clube na área 17. Chão Sagrado do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

A autonomia de Vitória

"Já ficou claro que esta época marcará uma ruptura face ao Benfica dos anos anteriores. Há um par de dimensões em que os sinais de mudança são, aliás, visíveis: na forma como treinador se vai integrar na organização e no aproveitamento da formação feita no Seixal. Mas se é preciso que alguma coisa mude para que se mantenha a dinâmica vencedora, é fundamental que se preserve parte importante do legado.
Desde logo manter uma ideia de jogo assertiva. Se olharmos retrospectivamente, a marca deixada por Jesus é a nota artística, mas a diferença mais duradoura é inequivocamente uma alteração na atitude com que o Glorioso passou a enfrentar os jogos. Com consequências: hoje, quem joga com o Benfica joga para não perder. Na Luz, mas, também nos jogos fora. Para que o Benfica continue a ser uma equipa temida, é preciso preservar uma ideia de jogo ofensiva.
Tão importante como ter um modelo coerente com a natureza ganhadora do Benfica, é Rui Vitória, à imagem do que aconteceu com Jesus, preservar uma autonomia total para impor o seu sistema. A questão não é de somenos. Depois de Jesus ter concentrado muito poder e de ter tido uma margem de manobra significativa para decidir (quase) tudo (o que teve, aliás, também custos - vide o não-aproveitamento do Bernardo), é tentador para o novo treinador procurar auscultar as várias sensibilidade da estrutura antes de decidir. Seria um erro tremendo. Se, por força das circunstâncias, as decisões de Rui Vitória passarem a ser uma espécie de federação de opiniões, o Benfica está condenado a falhar.
Quando se fala da necessidade de Rui Vitória ter as mesmas condições de Jesus, é bom que se tenha presente que não basta ter jogadores com igual qualidade. Tem também de lhe dar garantida a autonomia e a capacidade de decidir a seu bel-prazer de que Jesus gozou."

Se avançar, andamos para trás

"Golpe de teatro: o FC Porto - que há 10 dias, na AG da Liga, tinha sugerido a nomeação de árbitros, embora com algumas condições - mudou de ideias e propôs ontem o sorteio puro, no momento em que a discussão entrou na especialidade. O que mereceu a aprovação da maioria dos clubes não deixa de ser surpreendente. É mais ou menos consensual que a arbitragem nacional é francamente melhor hoje do que era há 15 anos. E o que poderá vir a acontecer, se esta proposta for ratificada na AG da FPF (que irá decorrer já em Julho), será o regresso ao sistema que existiu entre 1998 e 2003. Um sistema, já agora, que não existe em nenhuma grande campeonato europeu.
O próprio Sporting, que tinha começado por propor o sorteio condicionado, acabou por ser ultrapassado pelo FC Porto, que defendeu o sorteio, sim, mas em estado puro. De qualquer forma, e no essencial, há legitimidade para se falar numa aliança entre dragões e leões - porque a vontade de ambos, percebe-se agora, era provocar a mudança. E esse cenário é que passa a estar em cima da mesa. Se avançar, andamos para trás. O mais bizarro de tudo isto é que, com sorteio puro, até pode dar-se o caso, imagine-se, de voltarmos a ser Bruno Paixão apitar o FC Porto e Manuel Mota dirigir jogos do Sporting.
O seleccionador Rui Jorge e todos os jogadores da Selecção Nacional de sub-21 vivem hoje aquele que pode ser o primeiro dia do resto das suas vidas. Vencer um Europeu marca qualquer carreira e esta noite, na Rep. Checa, é isso que está em aberto: a possibilidade de um daqueles feitos que resistem ao passar dos anos, como sucedeu em 89 e 91, com a conquista dos Mundiais de Riade e Lisboa. Que Praga também faça parte, a partir de amanhã, da história do futebol português. Boa sorte!"

Contrastes

"1. Lá por ser o país onde no séc. XVIII teve início a criminalidade organizada - primeiro na Sicília (cosa nostra), depois na Campânia (camorra) e por fim na Calábria (ndrangheta) - que em seguida floresceu por todos os recantos do Mundo, isso não significa que a Itália seja mais criminosa do que muitos outros territórios do globo. Também a Inglaterra é a pátria do futebol e não é lá que a modalidade tem mais meritória expressão. Sirvo-me destes exemplos para concluir que, apesar dos escândalos que todas as semanas abalam enxovalham o 'calcio', não creio que as Séries A e B sejam mais corruptas do que muitas outras Ligas europeias. E já nem falo nas sul-americanas. O que acontece é que no bel paese todas as tramóias são passadas a pente fino e escarrapachadas a toda a hora na comunicação social que, até por conta própria, faz a sua investigação. A última no tempo diz mais uma vez respeito a resultados combinados e comprados (mas também há casos de salários em atraso) e incrimina quase toda a Série B (filão de Catânia) e parte da Liga Pro (filão de Messina), cujos epicentros, como se vê, estão e duas cidades sicilianas.

2. As inquirições (há escutas sobre tudo ou quase) só agora começaram, mas já há clubes despromovidos e dirigentes e jogadores suspensos e presos. Até o Carpi, recém-promovido à Série A, corre o risco de ir parar à Liga Pro (mesmo assim dois escalões acima do vizinho Parma, que perdeu o título desportivo e foi arremessado para os regionais). Entretanto, com a venda no todo ou em parte de vários clubes (Roma, Inter, Milan...), as coisas estão a dar sinais de mudança para melhor. Entre nós, vive-se na santa paz do Senhor e na mais completa e irresponsável indiferença, mesmo quando o presidente do Gil Vicente denuncia urbi et orbi que há duas equipas da I Liga com dívidas de milhões à Segurança Social. E, que se saiba, nem a Federação nem a Liga se dão sequer ao trabalho de esclarecer ou desmentir tão grave acusação. São coisas que lhes passam ao lado. O poleiro é para ser usufruído e não para dar chatices."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Hino

Os dias do Bicampeonato

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Todos serão postos à prova

"A proliferação de articulistas e comentadores é reflexo do nosso tempo, ruidoso e impreciso. Vem isto a propósito do muito que foi dito e escrito precisamente há um ano. Do desastre previsto e das previsões falhadas. Vem igualmente a propósito do novo exercício que os mesmos hoje fazem sobre o futuro do Benfica e do seu treinador.
Há um ano, havia quem avançasse com os graves problemas que a queda do BES iria trazer ao Benfica. Questionaram a sustentabilidade do projecto e anteciparam incumprimentos em relação a obrigações assumidas pela SAD. Depois, foi a PT e a ameaça que pairava sobre os clubes em função da retirada da marca como main sponsor. Pelo meio disto tudo, não faltaram as repetidas referências ao 'monstro' do passivo.
Curiosamente, neste tempo, o Benfica conseguiu reduzir passivo, reestruturar dívida, substituir a PT pela Emirates, consolidar a BTV como player no mercado televisivo e, ao mesmo tempo, fazer a época mais conseguida do ponto de vista desportivo da sua história. Mais, o Benfica superou os 200 milhões de facturação, uma marca nunca antes atingida em Portugal. E tudo isto assumindo juros de mercado (e não de favor) pelos seus encargos financeiros, o que neste caso não é um pormenor irrelevante.
Falharam as previsões, mas ninguém, dos que anunciaram o desastre, fez qualquer errata. Repito, sinal dos tempos, ruidosos e imprecisos, que vivemos.
Há um ano, o Benfica tinha feito o inédito triplete, mas dois meses depois sentia-se um ambiente depressivo no ar. A 'desconstrução' do plantel alimentava o pessimismo que se tinha instalado entre os sócios e adeptos do clube. Este ano, com mais três títulos no futebol profissional, a história repete-se. Diz a sabedoria popular que não há duas sem três. Para o ano, voltaremos a ganhar e a entrar em depressão. Há coisas piores.
Quanto à 'desconstrução' do plantel, tão apregoada nos media, ela não é mais o que uma opção assumida, sem complexos nem equívocos, que tão bons resultados tem dado. Uma fórmula bem-sucedida nos últimos anos por parte de, pelo menos, dois clubes portugueses e que se traduz na descoberta de novos talentos, na sua valorização e na consequente renovação dos seus plantéis.
É uma realidade transversal a todos os clubes e, mais do que um problema, tem sido assumida como uma oportunidade. A história já nos provou que, quando lutamos contra o assédio de clubes europeus financeiramente mais apetrechados, perdemos sempre, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista desportivo.
Ultrapassado o BES, a PT, a "desconstrução", segue-se, este ano, a mudança de treinador e a aposta na formação. Dois problemas na perspectiva de muitos, duas oportunidades do ponto de vista do Benfica. 
Agosto ainda vem longe, mas os comentadores já alinharam o discurso apontando para a herança e para o enorme desafio de Rui Vitória. E é, efectivamente, mas, mais do que uma situação conjuntural, o desafio de Rui Vitória é uma inevitabilidade. Chegar ao Benfica é sempre um tremendo desafio, independentemente de como ou quando se chega.
Mas, se quisermos ser sérios e factuais, o desafio não é menor para nenhum dos outros treinadores dos chamados 'grandes'. Um deles teve ao seu dispor - e a afirmação não é minha, mas do seu presidente - o melhor plantel dos últimos 30 anos e nada ganhou. Há dois anos que o clube não conquista o título mais desejado, o que é um lastro difícil de gerir. Não há nada pior de combater que a desconfiança das bancadas, esse será o seu maior desafio nos próximos meses.
O outro treinador aparece envolto numa espécie de mito sebastianista, desafiando as limitações financeiras e o regime de austeridade em que o clube vivia há vários anos.
Também não é irrelevante o facto de suceder a um treinador que sai em ruptura com a administração do clube, mas que é querido pelos seus jogadores. Não é, igualmente, saudável tentar importar de forma maciça know-how, porque isso é sinal de que o novo treinador não reconhece competência aos actuais quadros e, pior, não vê neles capacidade para o acompanharem no desenvolvimento interno do projecto. Afastar pessoas também não é a melhor forma de chegar a uma nova casa. O sebastianismo, como sabemos, não acabou bem! Perdeu-se a independência.
Todos vão ter desafios diferentes, mas todos vão ser postos à prova. Focar apenas em Rui Vitória essa responsabilidade não só é absurdo como totalmente falso.
Finalmente, a formação. Rui Vitória não chega ao Benfica com a obrigação de fazer entrar em campo cinco jovens do Seixal na equipa titular. Vem apenas com a missão de não os bloquear no seu processo de crescimento, de os conhecer, de lhes dar as oportunidades que merecem. Tão simples como isto."


PS: Estou de regresso após uma curtas mas saborosas férias - como é habitual nesta altura do ano -, este ano o estaminé ficou a cargo do grande Capitão Redheart, que a boa hora regressou ao Indefectível... Publicamente, dou-lhe os parabéns pelo excelente trabalho.
As alterações/melhoramentos no Indefectível vão continuar, para já o agendamento dos post's é a principal novidade... hoje, devido ao meu regresso, e com muitos post's em 'espera', o tempo de intervalo entre artigos é curto, mas a partir de amanhã iremos voltar ao ritmo da última semana...

O recomeço

"Os benfiquistas, pelo menos alguns, vivem tempos de angústia. Entre certezas e dúvidas, casos como as possíveis partidas de Maxi, Gaitán, Jonas ou Lima constituem, depois da saída de Jorge Jesus, um autêntico desespero.
Nada de mais. Como se viu no FC Porto, equipas vencedoras têm de ser desmembradas: porque se completam ciclos, porque é preciso realizar mais-valias, porque não se podem 'cortar as pernas' a jogadores que tentam fazer um último contrato melhorado, que lhes garanta o futuro. Por outro lado, a chegada de outro treinador sempre agita as águas. Vem à tona o inevitável 'modelo de jogo', que talvez implique uma aposta nas alas, maior consistência no miolo, um número 10 mais criativo, uma dupla de pontas-de-lança, dois trincos, três centrais e só não dois guarda-redes porque os regulamentos não o permitem. Enfim, a mudança dispensa muita gente e tira outra tanta da zona de conforto, mas é com ela que as coisas avançam e o futuro começa. E não existe mudança que não traga alguma instabilidade.
A hora da verdade impõe ao Benfica - e eu diria ainda mais a outros - diminuição da despesa e controlo apertado de tudo o que não seja essencial para comprar melões. Mas a experiência de gestão da era LF Vieira dá garantias de que se privilegiará o investimento inteligente, que é aquele que pode conduzir ao sucesso desportivo sem dar cabo do equilíbrio das contas.
A incerteza criada com a contratação do novo técnico, a quem foi atribuída a difícil missão de substituir um colega carismático e que apresentou resultados, é normal. Problema seria se a estrutura que o amparasse fosse amadora e não lhe desse os meios de que necessita para ser bem sucedido."

Bernardo e Telma

"1. O futebol jovem português está de parabéns. Depois da campanha relevante dos sub-20 no Mundial da Nova Zelândia conquistámos, ontem, com brilhantismo, a presença, vinte e um anos depois, na final do Europeu de sub-21. Terça-feira em Praga poderemos ambicionar, legitimamente, a conquista de um troféu que ficaria, e muito bem, na sala de troféus da nossa Federação e seria uma das peças mais emblemáticas da futura - e cada vez mais próxima Cidade do Futebol, ali bem perto do complexo desportivo do Jamor e, naturalmente, do Estádio Nacional.
2. Na tarde de ontem a nossa selecção de sub-21 pareceu-me, em certos momentos, o Barcelona de Pep Guardiola. Ou, agora, e em certos jogos, também o Bayern de Munique. Uma contínua troca de bola. Cada jogador sabendo onde está o colega. Geografia no passe e no jogo. Visão global do relvado. Passes curtos e eficazes. Um sentido colectivo impressionante. E com notas de brilhantismo e de magia proporcionadas por Bernardo Silva e de eficácia e posicionamento únicos em William Carvalho. E a segurança de José Sá e de Paulo Oliveira. E o sentido posicional de Sérgio Oliveira e de João Mário. O faro de golo de Ricardo e de Ivan Cavaleiro. Sem esquecermos todos os outros jogadores que ajudaram a projectar, na Europa e no Mundo, e nestes dias, o futebol português. Foram momentos de verdadeiro esplendor na relva. Um tarde para repetir na próxima terça feira em Praga. E, no final dessa noite, um abraço imenso reunirá, desejo-o convictamente, e como ontem, toda a estrutura de uma equipa que é, de verdade, uma equipa de todos nós. E que tem em Pedro Pauleta um verdadeiro e permanente elo de ligação. Entre todos. A começar no seleccionador nacional Rui Jorge. Que bem merece uma referência particular pela sua liderança e, acima de tudo, pela excelência que o seu percurso vitorioso nesta e desta selecção evidencia. Com a certeza de que no próximo ano, no torneio olímpico de futebol, Rui Jorge liderará um conjunto de jogadores que poderão erguer, bem alto, o nome de Portugal. O que também é uma boa notícia, na linha e na sequência dos Jogos Europeus de Baku, para o Comité Olímpico de Portugal.
3. Peço desculpa mas neste Europeu de sub-21 as exibições de Bernardo Silva deixaram-me, ao mesmo tempo, feliz e triste. Feliz pelo talento que deixou nos relvados nestes quatro jogos. Talento e virtuosismo. Capacidade e eficácia. E triste por saber que partiu do seu clube do coração - e de sempre - sem ter uma oportunidade de evidenciar no Seixal ou na Luz estas exibições que agora deixam muitos da Europa do futebol a olhar para o Mónaco. Sei bem que Bernardo Silva foi vendido por um valor bem significativo. Tal como João Cancelo e, ao que se sabe, Ivan Cavaleiro. Mas nem o relevante valor da transferência afasta a minha legítima tristeza. Que só é vencida pela certeza de que o futuro próximo de Bernardo Silva nos proporcionará tardes e noites de vitórias, tardes e noites de portentosas exibições. E alguns de nós que sabemos combinar paixão com razão o que desejamos, com Rui Vitória, é que os novos Bernardos Silvas - dos sub-19 e sub-20 das nossas selecções nacionais - tenham muitas oportunidades no Seixal e, em crescendo, algumas outras no Estádio da Luz. Conheço, mesmo que seja de forma indirecta, - mas através de vozes de amigos de sempre e que são de uma dedicação única! - o imenso benfiquismo da dedicada família de Bernardo Silva. E é também, e em razão deste facto singular, que continuo a conciliar a alegria com a tristeza. Com a convicção que a sua transferência para o Mónaco de Leonardo Jardim foi no tempo, no momento e nas circunstâncias adequadas. É, aqui, bem verdadeira a frase de Ortega y Gasset, que «somos nós e as nossas circunstâncias».
4. No desporto aprendemos, e muito, o que são, na e de verdade, as pessoas. Percebemos a angústia daqueles que nunca foram dirigentes desportivos benévolos mas proclamam, sistematicamente, os valores mais profundos do desporto. Sentimos a imensa tristeza que invade a pretensa alma de alguns que enriquecem à custa do desporto mas não percebem, acreditem, as lágrimas vertidas no bonito rosto de Telma Monteiro quando conquistou a medalha de ouro nos primeiros Jogos Europeus que estão a terminar na capital do Azerbaijão. Aquelas lágrimas ao escutar o hino nacional, como ontem na sua sempre bela escrita o nosso director evidenciava, levam-nos, sempre, às lareiras do nosso passado. Com os nossos saudosos entes mais queridos aprendemos a sentir o hino, a ter orgulho nas nossas conquistas, a partilhar a alegria dos atletas vitoriosos. Telma Monteiro, que é também um dos símbolos do actual e correto ecletismo do Benfica, mostrou-nos, como todos os outros medalhados, que temos razões, e muitas, para os felicitarmos vivamente, para reconhecermos o esforço das respectivas Federações e das suas estruturas de apoio e para acreditarmos no empenho organizativo do nosso Comité Olímpico. E olharmos, com esperança mas com realismo, para os próximos Jogos Olímpicos que decorrerão na atractiva e histórica cidade do Rio de Janeiro. Que continua sempre linda!
5. Um dos princípios que ensinei a muitos no âmbito do Direito Internacional era o da não ingerência nos assuntos internos de outros Estados. Principio cheio de permanentes e constantes violações. Por mim, e neste domingo em que o Sporting concretiza uma assembleia geral para abordar auditorias realizadas às últimas gestões, não vou violar aquele princípio. Os indícios quase se assemelham ao referendo grego acerca das posições europeias. Mas, aqui, o problema toca-nos, a todos, em razão da moeda comum, o euro. Que é, também, e em números relevantes, a questão implícita às auditorias em ponderação!
6. Parabéns a Miguel Oliveira o homem do momento no nosso motociclismo!"

Fernando Seara, in A Bola

Relatórios, notas e árbitros

"A despromoção de Marco Ferreira, o árbitro que ajuizou a final da Taça de Portugal, para além da surpresa e da interrogação, trouxe a lume o funcionamento do Conselho de Arbitragem (CA) presidido por Vítor Pereira e, em especial, o relacionamento entre a Secção Profissional e a Secção de Classificações (em que avulta a figura do vice-presidente Ferreira Nunes). Esta será a oportunidade para superar uma crise evidente e clarificar (ou cumprir...) os procedimentos que respeitam às nomeações e às avaliações dos árbitros. E também melhorar. O que salta à vista é demasiada opacidade e conflitualidade pessoal. O "meio" não ajuda mas há necessidade de comunicar e mostrar transparência - custe o que custar, será sempre o melhor caminho num terreno cheio de egos. Digo eu.
Comecemos pelo pecado original, que reside na eleição dos membros do CA através do "método de Hondt" (vício reiterado pelo Governo-legislador na última revisão da lei), que acabou por resultar numa vivência em regime de facção. Prova-se que não resulta. Continuemos pelo meio dos regulamentos, norteados pela distinção entre quem nomeia e quem avalia e classifica. A Secção Profissional designa os árbitros tendo em conta a classificação da época anterior, a "avaliação do seu desempenho na época em curso" e o "grau de dificuldade dos jogos". Para esse efeito, deve ter acesso aos "relatórios de avaliação técnica" dos árbitros existentes em "plataforma electrónica" e às decisões sobre as reclamações dos relatórios apresentadas junto da Secção de Classificações pelos árbitros. Por outro lado, essa Secção de Classificações estabelece os critérios de nomeação dos "observadores" e de classificação dos árbitros e desses observadores, designa os "observadores" que avaliam as equipas de arbitragem, recebe e valida os relatórios dos observadores e transmite-os aos árbitros, dá nota à prestação dos árbitros com base nesses relatórios e faz a respetiva classificação final. Neste quadro bipartido de competências e obrigações, o que está a correr mal? O que é que se deve conhecer e não se conhece porque não se dá a conhecer ou não se solicita? Será só o "grau de dificuldade dos jogos" declarado pela Secção de Classificações, omissão que, ao que relata a imprensa, motivou interpelação da FPF ao Governo? Ou será que falta informação para acompanhar com igualdade de armas o desempenho dos árbitros ao longo da época e traduzir isso nas nomeações? Dar respostas com clareza "será sempre melhor do que a habitual especulação do "meio". Digo eu."

Obrigados a ganhar

"Aproxima-se um dos campeonatos mais interessantes dos últimos anos. O Benfica está sob forte pressão. Depois de Vieira ter deixado sair Jesus para ir buscar Rui Vitória, se não for campeão toda a gente lhe apontará o dedo acusador. Há seis anos, nenhum benfiquista lhe exigiria o título. Depois da conquista do bicampeonato, porém, todos querem o tri. E se, além de não o conseguir, o Benfica ficar atrás do Sporting, então será o fim da picada.
O Sporting também está sob forte pressão. Depois da "loucura" de ter ido buscar Jesus, as expectativas dos adeptos ficaram altíssimas. Noutras circunstâncias, ninguém pediria à equipa mais do que um 2.° ou 3.° lugar. Mas tendo em conta o que se passou, todos pensam no título. E se o Sporting não o ganhar (e, por hipótese, não se apurar para a Champions), então a operação-Jesus será vista como um fiasco e Bruno de Carvalho ficará com a cabeça a prémio.
O FC Porto está igualmente sob forte pressão. Depois de dois anos a ver navios, Pinto da Costa tem de ser campeão. E ao insistir na continuidade de Lopetegui contra a vontade de muitos adeptos, o velho presidente pôs a cabeça no cepo. Se perder a aposta, a hegemonia portista no futebol português terá mesmo acabado - e o homem que fez do Porto uma potência futebolística acabará por sair pela porta baixa.
As circunstâncias conjugaram-se, pois, para que os presidentes dos três grandes, Luís Filipe Vieira, Bruno de Carvalho e Pinto da Costa, estejam obrigados a ganhar no mesmo ano. Como não podem ganhar todos, a pressão sobre cada um será fortíssima - prometendo um dos campeonatos mais disputados de sempre."