Últimas indefectivações

sábado, 6 de julho de 2013

Então, e a palhaçada?

"É estranho. Será que nos passou despercebida a habitual palhaçada levada anualmente à cena na Assembleia Constituinte? Ou tornou-se invisível aos olhos críticos de quem considera a pantominice mais do que grotesca, ofensiva da moral e dos bons costumes de uma classe política que deixou há muito tempo de estar próxima de qualquer um dos dois? O Madaleno terá vindo à capital escondido, camuflado, para o beija-mão da ordem? Não creio. Não é seu hábito. Gosta de expor as suas insuficiências e exibir a sua falta de nível. Não é, portanto, concebível que o faça sem ser às escâncaras, provocando a gente de bem, largando as suas chalaças velhas e relhas que só fazem rir os lambedores de botas que se deitam aos pés do figurão, incensando-o nas colunas de jornais e em programas indigentes de televisionamento barato. Portanto, a pergunta faz sentido.
Para quando a palhaçada? Já a deixámos nestas há uns tempos. Apenas o silêncio responde à questão. Por isso também faz sentido insistir: então, e a palhaçada? Qual a data marcada para a romaria de medíocres que faz da antes dita «casa da Democracia» numa taberna ordinária na qual se benzem as tentativas de corrupção que em qualquer Estado de Direito levariam os seus autores ao fresco das lajes da cadeia. Ficamos à espera. Pacientemente à espera da repetição do nojo. Com a certeza segura de que nenhum dos artistas das habituais palhaçadas terá ganho vergonha na cara, seja por que não têm cara, seja porque não têm vergonha..."

Afonso de Melo, in O Benfica

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Inacreditável!

"1. Vai ser reactivada a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou inicialmente entre 1914/15 e 1921/22, teve uma edição isolada em 1947/48 e regressou em 1959/60 realizando-se depois ininterruptamente até 1993/94. Houve, pois, 36 edições, como sempre se escreveu ao fazer-se a história da competição. O Benfica ganhou 18, o Sporting 11, o Belenenses 6 e o Império um. Surpreendentemente, aparece agora a AAL a afirmar que são 64 edições realizadas desde há 99 anos. Alertado pelo Alberto Miguéns, fui ao site da AAL, para perceber e mais 'baralhado' fiquei. Mas ele lá me explicou: a AAL resolveu que, quando não houve Taça de Honra, os vencedores do Campeonato de Lisboa seriam considerados vencedores desta competição também. Ganhavam uma, tinham outra vitória de 'borla'! E, assim, o Sporting - que marcou superioridade no antigo Campeonato de Lisboa (e essa ninguém lhe tira) - passava a ser o clube com mais vitórias: 29, contra 19 do Benfica, 11 do Belenenses e 4 de outros clubes. Em suma: o Benfica não pode cruzar os braços e tem de exigir à AAL que reponha a verdade histórica. Esta não pode resolver, várias décadas depois, que em anos sem Taça de Honra, o Campeonato de Lisboa valha por dois. Aliás, ao longo dos anos de disputa da competição, os jornais sempre publicaram a lista certa dos vencedores. Que invenção foi essa da AAL, passados todos estes anos?

2. Os clubes, reunidos na Liga, chumbaram as propostas de alterações à fórmula de disputa das I e II Ligas. Felizmente! Algumas eram assustadoras. Continuo defensor dos Campeonatos em poule, todos contra todos em duas voltas. Tudo o que vá para além disso desvirtua o conceito. O último Campeonato foi emocionante até final, da luta pelo título aos lugares na Europa e para evitar a despromoção. E não foram precisos play-offs e quejandos, que muitas vezes desvirtuam a competição (não esqueço as injustiças do Voleibol nos últimos anos... como injusta seria uma vitória do Benfica esta época, no Futsal, por exemplo). Só não percebo a necessidade de passar de 16 para 18 clubes para inclusão do Boavista. Nesse caso, desceriam três clubes e estaria o assunto resolvido, O Boavista foi apenas uma justificação...

3. Segunda-feira passada assinei a Benfica TV. Claro!..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Até o computador é antibenfiquista

"Ontem no sorteio da Liga da próxima época provou-se que o computador é anti-benfiquista. Nem com a mão se conseguia um sorteio pior. Saídas difíceis a começar, três das mais difíceis até à quinta jornada (Madeira, Alvalade e Guimarães), e terminamos no campo do nosso rival. Este ano temos também que vencer um computador desonesto.
Dirão os mais distraídos, que temos que jogar todos contra todos, e por isso é igual. Dirão os mais supersticiosos que da última vez que fomos campeões também começamos contra o Marítimo. Dirão os mais avisados que nos tentarão tirar da luta logo nas primeiras cinco jornadas. Digo eu, que mesmo que tudo fosse verdade, o melhor é entrar a esmagar a concorrência, porque se o início de Campeonato for bom este ano seremos campeões.
Quase nunca ganhamos o primeiro jogo do Campeonato, seja porque jogamos mal, seja porque o Soares Dias não deixa, ou seja por outra razão qualquer. Ganhar na Madeira era inverter a história a nosso favor. 
Bom presságio é o facto do primeiro jogo da pré-época voltar a ser contra o mítico Étoile Carouge. Nunca mais me esqueço daquela discussão familiar que tive por abandonar a praia mais cedo para ver o desafio de tamanha importância. Quando ontem ao jantar conferia com o Lourenço Coelho os jogos da pré-época senti um acréscimo de esperança. Dia 13 lá estarei em frente ao televisor porque o adepto tem direito aos seus ritos e aos seus ritmos. A pré-época não serve apenas para os treinadores escolherem e prepararem a equipa, serve também para os adeptos escolherem os seus preferidos e desdenharem nos seus preteridos. 
São várias as vozes que se ouvem com vontade de acabar com a Taça da Liga. Na minha opinião é um erro grosseiro, a Taça da Liga é uma boa ideia e uma óptima competição."

Sílvio Cervan, in A Bola

Ausência vergonhosa...

Foi hoje anunciado os convocados para o Europeu de sub-19, o Benfica como era esperado, é o clube mais representado. Praticamente todos os titulares portugueses da equipa Campeã Nacional de Juniores foram convocados. Esta geração Benfiquista foi de facto Tri-Campeã, pois venceram nos Iniciados, nos Juvenis, e nos Juniores, e até nos escalões mais baixos alguns destes jogadores venceram títulos pelo Benfica.
Para a opinião pública a ausência do Bruma é a principal surpresa, mas até se compreende depois de uma época muito longa para o jovem prestes a dar de frosques...!!! E sem os milhões que os Lagartos, pensariam receber!!!

Bruno Varela, José Costa: Guarda-redes.
Fábio Cardoso, Rudi: Centrais.
Cancelo: Defesa-direito.
Rebocho: Defesa-esquerdo.
João Teixeira: Médio-centro.
Hélder Costa: Extremo.
Bernardo Silva: Médio-ofensivo.

Mas para mim é vergonhoso a não convocação do Sancidino aka Dino. Não me surpreendeu, pois as últimas convocatórias já davam a entender que o Dino não seria opção, mas não deixa de ser vergonhoso. O Dino esteve lesionado o ano passado, mas recuperou, e até foi decisivo na conquista do título de Juniores pelo Benfica, principalmente quando passou a jogar como ponta-de-lança. Ultimamente os técnicos da FPF, encontraram uma nova moda: descobrir jogadores com passaporte português perdidos por esta Europa fora, tipo Aladje... Os empresários agradecem... Abdicar de um jogador que faz todas as posições no ataque, que é um dos melhores marcadores da sua geração, consistentemente, por novidades 'estrangeiras', é triste...

adenda: Depois de analisar com mais calma a convocatória, fico ainda mais perplexo, já que os tais 'emigrantes' também não foram convocados (creio que por lesão...)!!!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista - que grande cenário!!!

Calendário 2013/14

Tendo em conta todos os condicionalismos no sorteio, seria difícil ter um início de época, mais complicado... com toda a pressão extra - devido ao cruel final de época... -, que a equipa, o treinador e a Direcção carrega neste momento, as primeiras jornadas podem ser decisivas. Não seremos Campeões, nas primeiras jornadas, mas podemos perder as esperanças, tal como aconteceu em 2010/11. Mas para uma analise completa ao calendário, temos que esperar pelo sorteio da Champions...

1.ªvolta:
Marítimo - Benfica
Benfica - Gil Vicente
Sporting- Benfica
Benfica - Paços de Ferreira
Guimarães - Benfica
Benfica - Belenenses
Estoril - Benfica
Benfica - Nacional
Académica - Benfica
Benfica - Braga
Rio Ave - Benfica
Benfica - Arouca
Olhanense - Benfica
Setúbal - Benfica
Benfica - Corruptos

O preocupante, é que olhando ao Calendário dos Corruptos, a maior parte dos jogos deles vão ser treinos, com treinadores, jogadores e directores amestrados, além dos apitadeiros e bandeirolas do costume...
Sou contra estes sorteios condicionados, que ano após ano trazem armadilhas muito estranhas: este ano na 1.º volta, antes da recepção aos Corruptos, temos dois jogos fora, sempre complicados!!! Sem entrar em teorias da conspiração, depois de épocas atrás de épocas, com os Corruptos a jogar, contra a equipa, que na semana anterior jogava com o Benfica (mesmo assim esta época isso vai acontecer 3 vezes!!!), este ano inovaram!!!

Vai, Cristiano, volta à Inglaterra!

"Para o Benfica e para a sua TV seria excelente que Cristiano Ronaldo regressasse ao Manchester United. Ou que se fosse juntar a José Mourinho em Londres.

O Brasil de Luís Filipe Scolari venceu a Taça das Confederações em casa, num Maracanã renovado segundo as exigências da FIFA, e pôs fim com requintes de malvadez a uma já longuíssima invencibilidade de Espanha em jogos oficiais. É caso para se dizer que os campeões do mundo de sempre venceram os campeões do mundo da actualidade.
Para mim, mesmo não sendo campeão do mundo de futebol em título, como acontece algumas vezes, o Brasil é sempre o campeão do mundo de futebol por direito divino e dom natural.
Concluindo: a um ano de distância do Mundial de 2014 ficou dado, exemplarmente, o recado. A Espanha, que tem arrastado tudo e todos nos últimos anos, que não são favas contadas. Na verdade, a Espanha só arrasou tudo e todos nos últimos anos até ao dia em que teve de jogar com o Brasil.
E Scolari lá voltou a dar ao Brasil um título, coisa que não acontecia desde 2002 quando no Oriente, o escrete venceu o Mundial também sob seu comando. Assim que a final de domingo terminou, Scolari foi entrevistado ainda no relvado pela estação de televisão brasileira que transmitiu o jogo para todo o mundo. E foram bem curiosas e inesperadas as suas primeiras palavras, sabendo-se que o treinador não estava a falar especialmente para nós.
Scolari, cuja última final em competições do género tinha sido a malfadada final do Europeu de 2004, teceu largos elogios aos «portugueses» que sempre o trataram «com muito carinho» e a um país, o nosso, que o tratou muito bem institucionalmente. Numa hora de consagração na sua pátria, Luís Filipe Scolari fez questão de dizer aos brasileiros que traz sempre consigo os portugueses no coração.
E porquê? Estratega das uniões improváveis - como o provou em Portugal onde construiu, de raiz, um casamento ainda duradouro entre a Selecção Nacional e o povo todo em geral -, Scolari prepara-se para reeditar a mesma coisa em versão poderosamente tropical e no seu próprio país.
Ao contrário dos adeptos portugueses, que até à chegada do treinador brasileiro viviam sentimentalmente afastados da sua equipa nacional, os brasileiros sempre mantiveram um namoro intenso, praticamente paixão, com o seu escrete, pesem algumas discordâncias técnico-tácticas com uma série de seleccionadores que por lá passaram e que, em sorte e em triunfos, nunca chegaram aos calcanhares de Scolari.
Mas daqui a um ano há Copa e Scolari quer mais do Brasil em função dos interesses do Brasil em função dos interesses da canarinha e, consequentemente, dos seus próprios interesses. Onde se lê interesses, leia-se ambição.
Se o sargentão conseguiu pôr 9 milhões de portugueses, por definição pouco exuberantes, a enfeitarem-se e mais às suas janelas de bandeiras verde-rubras, o que conseguirá ele fazer com 200 milhões de brasileiros, por definição mais dados a carnavais?
Os elogios de Scolari aos portugueses assim que acabou o jogo de domingo no Maracanã vão nesse sentido. Se os portugueses conseguiram, caras, vocês têm de conseguir muito mais!
Vai ser bom e bonito o Mundial de 2014.

NO jogo com a Espanha, já o resultado ia adiantado, David Luiz cortou miraculosamente, sobre a linha de golo, uma bola que ia entrar. Júlio César estava fora do lance e fora da baliza, e a jogada do ataque espanhol magistralmente concluída por Pedro só podia dar golo.
Mas não deu. Surgido não se sabe de onde, o antigo jogador do Benfica impediu com grande espectacularidade o golo de honra espanhol. O Maracanã, grato e impressionado, veio abaixo em aplausos a David Luiz, jogador que, segundo a imprensa, José Mourinho não quer ter à sua disposição no Chelsea.
Isto para muita gente é absolutamente incompreensível. Já para outros, não
Os benfiquistas, que viram todas as semanas durante uns bons anos David Luiz jogar pela sua equipa, sempre se dividiram quanto à real valia prática do seu então muito jovem defesa central. Sobre o futuro grandioso que o aguardava, diga-se em abono da verdade, nunca houve muitas dúvidas na Luz. Que David Luiz sairia um dia para jogar por grandes emblemas era, por todos, um dado adquirido.
A questão retórica que à época dividia os adeptos do Benfica, e que continua hoje a dividir adeptos em Inglaterra e no Brasil, é se David Luiz é ou não é um defesa-central intransponível. Ora, intransponível, meus amigos, nem a Muralha da China quando mais o David Luiz que, é verdade, quando falha fá-lo sempre com grande espalhafato.
Um dia, quando o jogador brasileiro já se tinha afirmado como o indiscutível defesa-central do Benfica (e não defesa-esquerdo, muita atenção), um amigo benfiquista definiu-mo assim:
- É um jogador de categoria mundial. Só tem um problema?
- Qual é o problema? - perguntei-lhe eu que sempre gostei de David Luiz desde a primeira vez que o vi jogar.
- Dá uma barracada por jogo - foi a resposta que obtive e com a qual não pude deixar de concordar.
E como David Luiz é tão espampanante no que faz de bem como no que faz de mal, estas coisas acabam por dar nas vistas.
Talvez José Mourinho não queira um defesa que dá uma barraca por jogo para o seu Chelsea. Mas será que o viu a voar a mil à hora rentinho à relva para não deixar entrar na baliza de Júlio César a bola de golo que tinha sido rematada por Pedro?
Um dos prazeres em assistir a um jogo de futebol é imaginar o que os outros pensam ou como outros reagem perante as incidências dos noventa minutos. E voltamos a Mourinho. Para imaginar o que o nosso compatriota, tão mal estimado em Madrid, terá pensado e dito ao ver Iker Casillas sofrer três golos de uma assentada.
Cá para mim foi isto:
- Com Diego López esta não entrava!
E disse-o por três vezes.

NOLITO vai-se embora de vez. No último mercado de Inverno, Nolito saiu da Luz emprestado para o Granada e de alguma forma terá ajudado os andaluzes e evitar a descida de divisão. Agora é definitivo o seu adeus à Luz. O Benfica vendeu Nolito ao Celta de Vigo por 2,6 milhões de Euros o que foi considerado um bom negócio para todas as partes envolvidas.
Nolito chegou ao Benfica no Verão de 2011 e causou sensação. Se bem se recordam, do outro lado da rua o Sporting vivia uma pré-temporada complicada o que, por feliz ou infeliz comparação, até levaria um antigo presidente leonino a produzir um comentário altamente abonatório para o jogador que o Benfica fora buscar ao Barcelona B:
 - Se tivéssemos um Nolito não estávamos a chorar - disse António Dias da Cunha prevendo, também ele, um percurso de sucesso do jogador ao serviço do emblema rival.
Nada disso se confirmou com o andar da carruagem e Nolito, aos poucos, foi desaparecendo do onze da confiança do seu treinador. Mas nunca deixou de ter uma legião de fãs entre os adeptos do Benfica agradados com as explosões do seu futebol malandro, um futebol de rua quase sempre destemperado mas alegre. E de alegria é que a gente gosta.

NUMA operação financeira que envolveu a banca e um grupo de investidores, o Sporting reestruturou a sua dívida e apronta-se para um futuro que afirma ser seu.
Isto encerra uma novidade. Fazia já muitos anos que um clube de futebol português não saía de uma enrascadela de tesouraria sem ter o apoio directo e benevolente da Olivedesportos.
Numa entrevista relativamente recente, António Oliveira, sócio-fundador da Olivedesportos actualmente desavindo com a empresa, pôs as coisas em pratos limpos:
 - A Olivedesportos é o FMI do nosso futebol.
Empréstimos, ou melhor, adiantamentos por contratos, contra condições, esses mesmos contratos. Era a isto que António Oliveira se referia.
Neste mundo específico das instituições, dos contratos e do audio-visual, esta semana também houve outra grande novidade. A Benfica TV, detentora dos jogos do Benfica na Luz para o campeonato e dos jogos do campeonato inglês, passou a ser um canal pago. Obrigando, não será especulação concluir, a Sport TV a lançar um canal low-cost. Veremos o que vem aí.
Para o Benfica e para a sua TV seria excelente que Cristiano Ronaldo regressasse ao Manchester United. Ou que se fosse juntar a José Mourinho em Londres. Quem não quer ver Cristiano Ronaldo jogar à bola durante um ano inteiro?
Vai, Cristiano, volta à Inglaterra!"

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sangue novo e falta de cabeça

"Aconteceu o que se esperava: a autofagia dos clubes saiu vencedora e derrotou clamorosamente propostas inovadoras para uma profunda alteração nas competições profissionais.
Em vez de se defender o essencial, preservou-se a aparência. À beira do precipício, preferiu-se dar mais um pequeno passo em frente. Optou-se, como sempre, em insistir no impossível, em vez de construir os alicerces do possível. Ganhou a visão estratégica de vistas mais largas. Venceu a via mais canhestra baseada em falsos argumentos de pequenos sacrificados contra grandes beneficiados, numa dinossáurica visão de combate entre Gulliver e Liliputianos. Não se vislumbra uma visão de cooperação activa e estratégica entre os clubes que, adversários nos relvados, deveriam fortalecer os interesses comuns para bem do futebol em Portugal. O que há é uma cretina «luta de classes» onde todos perdem sejam maiores ou menores clubes, com a complacência dos primeiros e o reaccionarismo dos segundos.
Por ironia, dias depois da decisão de mudar algo nas competições... para que tudo, afinal, possa ficar na mesma, surgiu a notícia de que cerca de metade (16) das equipas das ligas profissionais não podem inscrever jogadores por não cumprirem requisitos legais relativos a dívidas a Fisco e Segurança Social.
Ora aí está, em todo o seu esplendor, o paradoxo do nosso futebol. A fantasia de braço dado com a irresponsabilidade. Em vez de sangue novo, optou-se pela falta de cabeça. Faz-me lembrar a estória do tipo a quem no hospital perguntaram se «ele era o dador de sangue», ao que ele respondeu: «não, sou odar dor de cabeça»."

Bagão Félix, in A Bola

We are...

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Tenho que agradecer a todos"

"António Oliveira, o nosso Toni, está em fase de notável recuperação após a complexa intervenção cirúrgica a que foi sujeito. A convite do nosso Director, fez questão de dar a primeira entrevista ao Jornal O Benfica e à Benfica TV. Até porque, para Toni o Sport Lisboa e Benfica foi sempre a prioridade das prioridades. Leia aqui os conselhos de quem passou por um momento difícil e que conseguiu superar mais esta prova. Como sempre, Toni fez-se valer da sua extraordinária compleição física e, sobretudo, do apoio dos amigos e da família.

- Tem noção que este momento por que passou preocupou muito a Família Benfiquista e milhares de pessoas que o admiram?
- Antes de mais nada, quero sublinhar a onda de solidariedade que nasceu desde a altura em que foi noticiado o meu problema. Muitas vezes o povo diz que é nos hospitais e na prisão que nós vemos os amigos, mas eu julgo que não era preciso passar por esta situação para saber que há muita gente, fruto da minha carreira, a maior parte dela feita no Benfica, que tem por mim amor... mas também existe ódio...

- No seu caso é, claramente, mais amor...
- Sim! Se bem que, por vezes, nos lembramos mais dos momentos mais dolorosos. De qualquer maneira, foi pra mim um momento feliz saber que não passei ao lado do interesse que as pessoas tinham, não só dentro da família benfiquista, mas também por ter sido um pouco transversal a muitos amigos e a conhecidos...

- Falou com muitos amigos com que já não falava há muito tempo?
- É verdade! Eu acho que o Futebol tem, dentro dos seus defeitos muitas virtudes, e é nele que nos desenvolvemos, enquanto jogadores, com valores e princípios que defendemos, tais como a solidariedade, a amizade e a vontade de vencer. E é essa vontade de vencer que esteve ligada a um período que eu vivi e que, felizmente, parece estar ultrapassado e ir no caminho certo.

- Ou seja, faz questão de agradecer o apoio que recebeu?
- Quero aproveitar esta entrevista para agradecer a todos aqueles que acompanharam este processo. Agradeço a forma como vieram e partilharam comigo este momento difícil que atravessei. Foi com a força deles, com a força da minha família, que foi possível estar quase rijo como o aço.

- O que o levou a fazer o exame que lhe salvou a vida?
- Na viagem de regresso do Irão elenquei algumas algumas coisas prioritárias a fazer, entre elas análises, fruto de um outro problema que eu tenho e, felizmente, isso está estabilizado! Juntamente com essas análises, fiz um raio X ao torax e foi nesse exame que foi detectado, na parte superior do rim esquerdo, um ponto que, depois, através de uma ecografia, pareceu ser um tumor. Depois, através de uma angiografia, confirmou-se que tinha que ser sujeito a uma operação. Não havia a hipótese de poder ser parcial. Portanto, seria uma operação ao rim que teria que ser retirado. E eu, que sou uma pessoa crente, penso que há qualquer coisa... que Deus está sempre comigo e que me deu esse sinal...

- Acha que foi um sinal...
- O que eu sei é que se tratava de um tumor silencioso, daqueles em que os sinais que dá já acontecem numa fase em que está metastizado e aí sim teria um cenário catastrófico!

- O conselho que quer dar a quem nos lê é que com a saúde... não se brinca!
- Ao abandonar o hospital só quis passar essa passagem - quando aparecem situações com estas e que envolvem uma operação de alguma complexidade, o importante é que seja detectado a tempo.

- No caso da prevenção, o que é que aconselha a quem nos lê?
- Tenho muitos amigos que se recusam a fazer análises e a ir ao médico. O problema é que alguns sinais aparecem já numa fase adiantada e quando já é tarde e não há nada a fazer. Falo do meu caso, não tive sinais nenhuns, era um tumor silencioso e foi por mero acaso, numa exame que faço de forma periódica ao sangue e à urina, que foi detectado. E eu estou numa idade em que a próstata acaba por ter o peso terrível que tem para a mulher o cancro da mama. O meu conselho é muito claro - não ter medo de ir ao médico. Eu sei que o nosso Serviço Nacional de Saúde está como está e que as pessoas têm menor disponibilidade económica, mas há rastreios que têm que ser feitos e devem ser feitos de uma forma periódica.

- Quando lhe foi diagnosticado o tumor, pensou nas pessoas mais chegadas? E pensou no Benfica?
- Quando eu estava no Irão e me perguntavam o que é que me fazia falta, eu respondia sempre - 'a família, naturalmente, e o Benfica que faz parte da minha vida'.

- Porquê?
- Porque foram muitos anos passados nesta casa, nas várias vertentes. Foram anos inesquecíveis que passei dentro de um Clube que é mítico, que é universal como é o Sport Lisboa e Benfica.

- Os tais valores e princípios...
- Como referi, a questão dos princípios, dos valores e o respeito. O respeito por nós próprios leva a que respeitemos os outros. Quer como jogador, quer como treinador, era uma forma que nos distinguia - o respeito pelo adversário. Quando o nosso adversário merece ganhar, saberemos dar-lhes os parabéns!

- Por isso é que recebeu vários telefonemas de adversários...
- Sim! Mas o que mais me preocupa é que enquanto eu estava a passar por momentos complicados, aos mesmo tempo, um grande amigo meu, o Vítor Campos, teve um problema de saúde muito grave. O que eu estou a passar, comparado com o momento que o Vítor Campos está a passar, são 'peanuts'...

- Vai poder levar uma vida normal?
- A partir do momento que o diagnóstico foi feito senti que estava em boas mãos. Olhe, um dos me´dicos que me operou até era do Sporting! Só lhe pedi para não se enganar!

- Tem algumas restrições?
- Sobretudo de ordem alimentar, evitar comidas salgadas e beber mais água.

«Peço aos nossos adeptos para estarmos todos no mesmo barco»
O nosso antigo jogador e ex-treinador recebeu-nos em sua casa, perto do Estádio da Luz. Foi a primeira entrevista em que conta o que lhe acontecer e fez questão que fosse para os Órgãos de Comunicação Social do Clube do seu coração. A conversa foi 'à Benfica', com Toni a revelar um enorme sentido de optimismo em relação ao futuro. Aos 66 anos de idade, Toni deve a vida a três homens especiais - Jorge Fonseca, Manuel Passarinho e José Bau, os três médicos conceituados que o operaram no passado dia 11 de Junho, na Cruz Vermelha.

- Chegou a cursar Direito, em Coimbra. Está arrependido de não ter continuado? Podia ter dado um bom advogado...
- Não! Teria sido um mau advogado. No 5.º ano do antigo liceu, escolhi Direito.

- Porquê?
- Porque não tinha Matemática, que eu não percebia nada. Depois, de ter terminado o 7.º ano, fiz o exame de aptidão e entrei para a Faculdade de Direito de Coimbra, onde tive quatro cadeiras e grandes professores. Durante um ano ainda carreguei os livros. Acabei por não fazer exames o Dr. João Rodrigues (ex-presidente da FPF) me levou para o Benfica. Em Lisboa, acabei por me matricular como aluno voluntário na Faculdade de Direito de Lisboa, mas acabei por optar em ir para o INEF, onde frequentei as aulas e conheci várias personalidades, como o Jesualdo Ferreira. Tive exame marcado para o dia 25 de Abril... mas eu sabia que não era compatível com o Futebol. Aqui a questão não estava em ser bom ou mau advogado, mas sim o facto de eu ter desfrutado daquilo que me deu muito prazer em fazer, ser jogador profissional de Futebol e sê-lo no Sport Lisboa e Benfica.

- Ajudou o Sport Lisboa e Benfica a conquistar muitos títulos como jogador e como treinador. Recorda algum em especial?
- O primeiro título, claro! Em 1968 cheguei ao Benfica e o treinador era o Otto Glória, grande figura que marcou o Benfica e o Futebol Português, na década de 50. O Sr. Otto regressou a Portugal e nesse ano fomos Campeões Nacionais. Lembro-me perfeitamente, de um jogo decisivo em Tomar, frente ao União local, num campo pelado, onde ganhámos, por 4-0, com o Eusébio a marcar, claro! Se ganhássemos, seríamos campeões e, como era expectável, os meus amigos da Anadia foram a Tomar apoiar-nos, o meu pai também, etc, etc. Eu, que me fartei de ver pela televisão o momento das invasões de campo quando se é campeão e estava à espera de poder viver esse momento único, a dez minutos do fim o Sr. Otto tirou-me da equipa. E eu, que queria viver a festa... era a minha primeira vez, pois eu só via essas festas na televisão, no programa Domingo Desportivo, tive de me conformar com a seguinte situação - todos a festejar no campo e eu na cabine! Felizmente, houve depois mais tempo para festejar!

- Em 1993/94, ganha o título como treinador principal e com um resultado histórico - os célebres 6-3 em Alvalade, num dia notável...
- Antes dos 6-3, em Alvalade, há muito para explicar! Houve o empate em casa com o Estrela da Amadora (1-1)...

- Conte lá qual foi a Mística, o segredo...
- A Mística é ganhar! O plantel de 1993/94 era um bom plantel. Nenhum treinador enjeitaria um plantel como esse!

- Mas conseguiu fazer milagres!
- Isso dos milagres... Tínhamos um plantel de grande qualidade. Ninguém consegue fazer de burros cavalos de corrida! Houve uma pré-época muito turbulenta, com a saída de dois jogadores, Paulo Sousa e Pacheco, outros estavam 'pendurados', mas o Sr. Jorge de Brito foi decisivo. Aliás, a Família Benfiquista não chegou a perceber a importância que ele teve. O Sr. Jorge de Brito é que foi um grande benfiquista, a Família Benfiquista não soube quem teve no seu seio...

- Entre outras coisas, conseguiu evitar a saída de João Vieira Pinto para o Sporting...
- Não foi só com João Pinto, que acabou por ficar! Começamos esse Campeonato por empatar 3-3, nas Antas... A propósito deste jogo, deixem-me contar-vos um episódio que ocorreu em Amesterdão, antes da jornada fantástica na Final da Liga Europa. Estava eu na parte de fora do estádio quando alguem me chamou e me disse: «Não me está a reconhecer?» Quando lhe disse que não, respondeu-me que era o árbitro, Carlos Calheiros. Disse-lhe logo: «Olá! Você ainda me gamou nalguns joguitos!» E nesse ano foi logo no 1.º jogo, nas Antas. Isto a propósito desse jogo que empatámos 3-3, nas Antas...

- Apesar de terem começado mal a época, com três empates, a verdade é que a equipa foi Campeã Nacional...
- Houve uma coisa que os jogadores do Benfica souberam interpretar e essa foi uma mensagem que foi transmitida, desde o início, a todo o grupo - tínhamos um objectivo definido e esse objectivo é sempre para aquele que o Benfica tem de partir. Ou seja, ganhar o Campeonato. Disse aos jogadores que não nos devíamos desviar desse objectivo. Houve meses mais dilatados...

- Está a falar de salários em atraso?
- Claro! Mas eu dizia sempre aos jogadores que estavam num Clube sério e que o Benfica iria assumir as suas responsabilidades.

- Na véspera dos 6-3, em Alvalade, havia jogadores do Benfica com salários em atraso...
- Sim... mas a questão estava em saber esta coisa muito simples que formulei aos jogadores - Em que Clube é que estamos? Estamos num Clube sério, um Clube que vai assumir as suas responsablidades e nós temos de assumir as nossas.

- Daí a importância do treinador que vai à cabine e sabe motivar os seus jogadores. Como é que conseguiu 'dar-lhes a volta'?
- Nós sabemos que no Futebol e a vida também nos dá essa experiência, a vitória é sempre para dividir por muita gente! A derrota é para dividir por pouca gente, normalmente fica para o treinador. No fundo, a vitória é efémera.

- O seu amigo, Carlos Queirós, ficou zangado consigo?
- Toda a gente criticou o Carlos Queirós por ter tirado o Paulo Torres... Agora pergunto eu: Quantas vezes fazemos uma substituição e elas saem ao contrário?
Nesse dia (14/5/94), o Benfica fez uma grande exibição. O Sporting tinha uma grande equipa, talvez uma das melhores equipas do Sporting, com Figo e Balakov, por exemplo. Começámos o jogo a perder, por duas vezes, e lembro-me que estava o Rui Costa a aquecer para entrar para o lugar do Kennedy e o Schwartz ia passar para lateral esquerdo, quando chegámos ao intervalo já a ganhar, por 3-2. No início da 2.º parte, fizemos o 4-2 e o 5-2 sentenciou praticamente o jogo. Não deixa de ser curioso, já que me falaram nesse desafio, o facto de passados 19 anos o Carlos Queirós nunca ter falado desse jogo! Já estivemos juntos várias vezes, estive a estagiar um mês em Manchester quando ele lá estava, e nunca falámos nesse jogo...

- Ganhou o melhor!
- Sim! Mas também houve um jogo que perdemos, por 7-1, na época 1986/87. Com todo o respeito que tenho pelo John Mortimore, quer como seu jogador, quer como seu treinador adjunto...

- E o Benfica foi Campeão nesse ano...
- É verdade! Lembro-me que quando chegámos ao Estádio da Luz estavam 300 pessoas à nossa espera. Eu era o treinador-adjunto e quando saí do autocarro, disseram-me: 'Vai-te embora! És o cancro do Benfica!'

- Como adepto confesso a estabilidade, como encarou a renovação do contrato com Jorge Jesus?
- Esta situação que o Benfica viveu este ano é uma situação com alguma crueldade. Estivemos dentro de uma época que se perfilava ser uma época de sonho e, de repente, as coisas viraram-se. Mas isto é como na vida, e só há uma coisa a fazer, que é inverter isso.

- Foi uma época em que estivemos nas decisões em várias frentes...
- É verdade, mas discordo de Jorge Jesus quando disse que tomara que para o ano o Benfica repita esta época. Razão tem o nosso presidente, quando disse, no jantar com os deputados, na Catedral, que vamos repetir a época, mas com um final diferente!

- Acha que foi uma aposta de risco?
- Acho que o Jorge Jesus é uma aposta do presidente, Luís Filipe Vieira, que não reagiu com adepto. Se calhar, muitos adeptos aquilo que queriam era o Jorge Jesus fora do Benfica, mas há que sustentar esta decisão em factores que foram todos postos na balança! O presidente sabe os riscos que está a correr, mas a vida é um risco! E o próprio Jorge Jesus sabe hoje, também, o quão difícil é, sendo o treinador do seu presidente, a confiança que lhe transmite.

- O Benfica praticou bom futebol...
- Jorge Jesus teve momentos de grande fulgor, em que o melhor futebol que vi, nos últimos anos, foi com o Benfica de Jesus, com jogadores de grande qualidade!

- Na final de Amesterdão, jogámos bem!
- Sem dúvida! Vem aí a nova época e há uma mensagem que tem de ser passada a todos os adeptos do Sport Lisboa e Benfica e que é muito simples. Temos que estar todos à volta e todos envolvidos no mesmo barco! Não é normal, na história do Clube, aguentar-se um treinador com um desfecho deste! E, portanto, maior responsabilidade para quem tomou esta decisão, para Jorge jesus e para os jogadores! Os jogadores têm de saber que o final não pode ser igual a tudo isto com a meta à vista!"

Entrevista de António Pragal Colaço e Pedro Guerra, a Toni, in O Benfica

A maldição do Colombino

"O troféu, organizado pelo Recreativo desde 1965 e disputado em Huelva, é um dos mais prestigiados dos «veraniegos» espanhóis. O Benfica esteve presente em três finais, mas nunca trouxe a taça para a Luz.

HUELVA é uma pequena cidade da Andaluzia, com cerca de 150 mil habitantes. É de Huelva o Recreativo, o mais antigo clube de Futebol de Espanha, fundado em 1889.
Em Huelva, sob o patrocínio do histórico Recreativo, disputa-se o Troféu Colombino.
É curioso: os grandes «veraniegos», torneios internacionais disputados em Espanha na época do Verão, têm como sede, na generalidade, cidades periféricas. Pois bem, em Huelva, o Troféu Colombino, um dos mais prestigiados do Futebol internacional, teve início em 1965. Em 1966, o primeiro convidado português, o Belenenses, não foi além do quarto e último lugar de uma competição disputada por quatro clubes, com meias-finais, jogo para o terceiro e quarto posto e Final.
Foi preciso esperar pelo ano de 1973 para que o Benfica surgisse em Huelva. Participantes, além dos 'encarnados' , o Atlético de Madrid, o Derby County e o Dínamo de Tibilissi. Coube-lhes defrontar, no primeiro jogo, os ingleses do Derby County, que tinham como grande estrela o escocês, Archie Gemmil, que viria mais tarde a ser um dos esteios do grande Nottingham Forest. A vitória do Benfica acabaria por ser mais tranquila do que o resultado o faz crer: 2-1. Com Jaime Graça, Vítor Martins e Toni no meio-campo e Nené, Moinhos e Vítor Baptista no ataque, cedo ganhou vantagem com um golo de Vítor Baptista, aos 19 minutos. E o domínio dos portugueses alicerçar-se-ia em novo golo, igualmente de Vítor Baptista, aos 64 minutos, garantindo a presença na Final que nem o pontapé certeiro de McGovern, aos 82 minutos, foi capaz de pôr em causa.
O Dínamo de Tibilissi, da então União Soviética, libertava-se do Atlético de Madrid no desempate de grandes penalidades depois de um jogo sem golos.
Ainda um desconhecido no Futebol europeu - teria de esperar oito anos para vencer a extinta Taça das Taças - o Dínamo de Tibilissi impôs-se surpreendentemente na Final. Uma entrada de rompante valeu-lhes dois golos, aos 5 e aos 21 minutos, por Kiniani e Gyzaev. Vítor Baptista iria reduzir cinco minutos antes do intervalo, mas de pouco serviu. Uma segunda parte de equilíbrio testemunhou apenas mais um golo, Gyzaev, aos 89 minutos. Os homens da Geórgia levaram a caravela de prata - a taça para o vencedor - para Tibilissi. Voltariam depois a Huelva, mas sem sucesso. O Benfica regressou em 1987.

Mais duas finais perdidas
E regressou para chegar de novo à Final. Eliminando no primeiro jogo o Espanhol de Barcelona, por 2-1, golos de Nunes (22 minutos) e Diamantino (88 minutos) contra um de Pichi Alonso (58 minutos). No outro jogo, a equipa da casa, o Recreativo de Huelva, despachava o Bétis de Sevilha, por 1-0.
Mais uma vez, o Benfica sairia derrotado da Final. Nem Bento, nem Veloso, nem Diamantino nem Chiquinho Carlos e Wando, foram capazes de contrariar a raça do Recreativo. Marquez deu vantagem ao Huelva logo no primeiro minutos, respondendo Rui Águas, aos 44'. Tudo em aberto para uma segunda parte que ficou definida através de um penálti apontado por Luzardo, aos 71 minutos. Ainda não era desta que o Benfica juntava o seu nome a alguns dos históricos do Futebol mundial que conquistaram o Colombino: São Paulo, Real Madrid, Ujpest, Feyenoord, Vasco da Gama, Flamengo, Nottingham Forest...
Em 1992, o Benfica estava de novo em Huelva. E o torneio tinha novidades: além do Benfica e do Recreativo, estavam presentes as selecções do Uruguai e do Chile. E se, na meia-final, o Benfica foi capaz de bater os uruguaios, por 1-0, na Final viu-se derrotado pelo Chile: 0-2. Já era um Benfica diferente, com Neno, Hélder, Schwartz, Isaías, Rui Águas, Kulkov, Yuran, João Pinto... Um Benfica com jogadores de grande categoria mas que, mais uma vez, falhara a conquista de um dos mais famosos «veraniegos». Seria feliz noutras paragens de Espanha.
O Troféu Colombino teimou sempre em fugir da Luz..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Esperança e ilusão...

O arranque traz sempre a esperança e a ilusão de um futuro mais risonho, este ano, não é diferente... é um arranque a meio-gás, já que são vários os jogadores que vão chegar mais tarde, devido aos compromissos das Selecções. Ainda existe algumas indefinições no plantel - tanto nas entradas, como nas saídas -, algo infelizmente normal, mesmo assim comparando com outros, principalmente em relação às contratações, fizemos um bom trabalho de antecipação. A aposta no mercado Sérvio - com passagem pela Holanda!!! -, é arriscada, mas tem tudo para correr bem. Mas certezas, só quando a bola começar a rolar... Mantenho a convicção, que mais do que supostas entradas, a manutenção do Garay e do Matic - e do Cardozo - é fundamental!!! Além do tal defesa-esquerdo!!!
Em tempos de vacas magras, o sucesso desta nova Benfica TV, também será fundamental para o nosso futuro a médio prazo...

Onde pára Rui Mendes?

"Nos tempos sinistros do Apito Dourado as classificações dos árbitros eram, época após época, teimosamente marteladas ao sabor das conveniências do presidente dos ditos e do presidente de um clube que é há mais de trinta anos o clube-do-sistema-corrupto. Nesses tempos obscuros, nunca se ouviu a voz de um árbitro erguer-se no meio do nojo para exigir o fim de tamanha porcaria. Perdão. Ouviu-se a voz de Rui Mendes. E ele dizia a verdade. Se fizermos um esforço muito grande de memória, em que episódios do Apito Dourado se ouviu falar do famoso Senhor de Cócoras, agora firmemente agarrado ao cargo? Só mesmo no episódio da Escuta em que, mendigando bilhetes para um jogo, pudemos saber que o Madaleno só estaria disposto a encaixá-lo num daqueles camarotes pejados de juízes conselheiros de pacotilha se ele se pusesse efectivamente... de cócoras. De resto, o silêncio. O dele e de outros árbitros famosos e impolutos que se entretêm hoje em dia a escrever colunas de jornais criticando os erros que no seu tempo cometeram.
Pior ainda, tanto o Senhor de Cócoras como alguns desses ilustres e iletrados colunistas estiveram presentes em tribunal para aos costumes dizerem nada, contribuindo eles também, e de forma directa e indelével, para que tudo viesse a continuar na mesma porcaria de sempre. Com uma diferença: agora mandam. Ou melhor, fingem que mandam. Ou recebem como quem manda, obedecendo, obedecendo sempre e vergando a cerviz a quem os manda ficar de cócoras. No tempo sinistro do Apito Dourado onde andava esta gente?
Certamente a limpar o pó das cadeiras nas quais haveriam de se sentar. E sem nojo..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Modalidades

"1. Perdemos a Final do Campeonato de Futsal. O Sporting, a melhor equipa ao longo da época, foi um justo vencedor e fez a festa. Terminada a época das várias modalidades, verifica-se que o Benfica ganhou três (Atletismo, Basquetebol e Voleibol), o FC Porto duas (Andebol e Hóquei) e o Sporting uma (Futsal). E nas três que não ganhou o Benfica foi segundo (o Sporting foi 2.º no Atletismo e o FC Porto não pratica nenhuma das restantes). Ainda há dúvidas quanto ao melhor Clube das modalidades?

2. Já lá vão duas semanas mas é sempre altura de se falar no assunto. A Assembleia Geral para a aprovação do orçamento do Clube para a próxima época não voltou a correr bem, por culpa de um grupo de jovens adeptos de uma claque. Felizmente, o grupo não era numeroso e não conseguiu o número de votos suficientes para impedir a aprovação do ponto único da ordem de trabalhos. Mas, depois, teve mau perder e, face ao barulho que fez, obrigou mesmo a que fosse colocado um ponto final na Assembleia.
Não, nunca fui, a favor de unanimismos e lamento mesmo que tenham deixado de ir às assembleias aqueles sócios mais preparados e que colocavam questões técnicas à Direcção, as quais ajudavam a perceber as contas, para além da visão (sempre optimista) apresentada pelos responsáveis.
Seria querer demasiado reunir numa só pessoa as virtudes de Borges Coutinho e de Luís Filipe Vieira que, já o disse mais que uma vez, considero o melhor presidente do Clube desde Joaquim Bogalho, há mais de 50 anos. Infelizmente, salvo o primeiro consócio que falou nessa Assembleia, só ouvimos sócios 'ressaibiados', que pouco ou nada acrescentaram à discussão. Admito que as claques (nomeadamente os No Name Boys), que continuo a louvar pelo incansável apoio que são às nossas equipas mas critico pelo seu comportamento, possam ter alguma razão de queixa. Mas discutam isso no interior do Clube e não esqueçam os interesses do Benfica, que estão acima de quaisquer mal entendidos que possa haver entre a claque e os principais responsáveis do Clube.

3. O antigo árbitro, Martins dos Santos, envolvido no processo Apito Dourado, foi novamente condenado por factos ocorridos em 2011. Recorde-se que o referido árbitro, que nunca foi internacional, foi quem dirigiu o jogo FC Porto-Barcelona, de inauguração do Estádio do Dragão, em 2003. Uma prenda como recompensa pelos bons serviços prestados, certamente..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Um ano de Ecletismo

"Apesar de ter terminado com uma derrota (no Futsal), a temporada das modalidades benfiquistas terá de se considerar, uma vez mais, amplamente positiva.
Começámos com a inédita conquista de 5 Supertaças, todas as relativas às modalidades de pavilhão. Acrescentámos-lhes dois troféus oficiais de Basquetebol (António Pratas e Hugo dos Santos). Terminámos com a conquista dos títulos nacionais de Basquetebol, Voleibol e Atletismo, e com um improvável, saborosíssimo, e também inédito, título europeu de Hóquei. Em Futsal e Andebol fomos vice-campeões. 
Feito o balanço, em número total de troféus ultrapassámos o já imponente pecúlio do ano anterior. Em termos de Campeonatos Nacionais obtivemos menos um (numa matemática simplista, Futsal pelo Voleibol, menos o Hóquei), mas “trocámo-lo” por uma importante Liga Europeia. Ou seja, se 2011-12 havia sido uma época histórica para o eclectismo encarnado, 2012-13 não lhe ficou atrás. Bem pelo contrário.
Na última meia-dúzia de anos o Benfica ganhou quase tudo o que havia para ganhar, em praticamente todas as principais modalidades em que participa. Foi Campeão Europeu em duas delas (Futsal e Hóquei), chegou a finais europeias noutras tantas (Andebol e Futebol). Foi Campeão Nacional em todas. Conquistou Taças e Supertaças. Trouxe adeptos aos pavilhões. Deu audiências televisivas.
Os tempos que se avizinham não são fáceis. A crise económica sente-se a todos os níveis, e o desinvestimento em algumas modalidades torna-se imperioso para salvaguardar o futuro das mesmas, e manter o Clube na rota que o fez sair do buraco em que se encontrava mergulhado há pouco mais de uma década. Não seremos os únicos a fazê-lo: FC Portos, Sportingues, e, sobretudo, Ovarenses, Oliveirenses, ABC’s ou Espinhos, terão igualmente de reduzir custos.
Talvez seja difícil repetirmos, no imediato, glórias internacionais como a do Atlântico, em 2010, ou a do Dragão, em 2013. Mas, por cá, certamente continuaremos a jogar e a vencer. Com menos meios, mas com a mesma Mística."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 30 de junho de 2013

Bronze


Esta tarde, em Poznan na Polónia, a Joana Vasconcelos conseguiu conquistar o 3.º lugar na Final da prova de K1 200m, nos Campeonatos da Europa de sub-23. Isto depois, do 5.º lugar na Final do K1 500m.
Tendo em conta a experiência da Joana, e os resultados nas eliminatórias e semi-finais, esperava-se mais!!! Uma medalha é sempre uma medalha, mas...

PS1: Este fim-de-semana na Quarteira, as equipas masculinas e femininas do Benfica, sagraram-se Campeãs Nacionais em Atletismo de Pista em Sub-23. Com alguma facilidade diga-se...!!!
Femininos:
1.º Benfica - 187 pontos
2.º Sporting - 139 pontos 

100m - Eva Vital - 1.º - 11,84s (Rivinilda Mentai (Jun), 2.º, 12,16s)
100m Barreiras - Eva Vital - 1.º - 13,76s (Vera Fernandes (Jun), 2.º, 14,51s)
200m - Rivinilda Mentai (Jun) - 1.º - 25,19s
400m - Neuza Reis - 3.º - 56,70s
400m Barreiras - Neuza Reis - 2.º - 1.02,44min
800m - Marta Pen - 3.º - 2.13,91mim
1500 - Marta Pen - 1.º - 4.26,77min (Susana Godinho, 2.º, 4.35,34min)
3000m - Susana Godinho - 2.º - 10.03,12min
3000m Obstáculos - Diana Almeida (Jun) - 1.º - 10.37,92min (Jessica Matos (Jun), 2.º, 10.40,20min)
10 Km Marcha - Nadia Cancela - 2.º - 51.19,60m
4x100m - Benfica (Vera Fernandes (Jun), Rivinilda Mentai (Jun), Teresa Carvalho (Jun), Eva Vital) - 2.º - 47,20s
4x400m - Benfica (Neuza Reis, Miriam Tavares, Dorothé Évora, Rivinilda Mentai (Jun)) - 1.º - 4.03,26mim 
Martelo - Patricia Penteado - 3.º - 48,05m
Disco - Não participámos!!!
Dardo - Elizabete Silva - 1.º - 49,54m
Peso - Carolina Henriques - 7.º - 10,92m
Altura - Magali Gomes - 3.º - 1,63m
Vara - Não participámos!!!
Comprimento - Teresa Carvalho (Jun) - 2.º - 6,03m
Triplo-Salto - Sara Esteves - 7.º - 10,87m

Masculinos:
1.º Benfica - 190 pontos
2.º Sporting - 118 pontos

100m - Ancuiam Lopes - 1.º - 10,54s (Diogo Antunes, 2.º, 10,57s)
110m Barreiras - André Costa - 2.º - 14,79s
200m - Ancuiam Lopes - 1.º - 21,69s (Luís Neves (Jun), 2.º, 22,00s
400m - Luís Neves (Jun) - 2.º - 49,25s
400m Barreiras - Pedro Cardoso - 1.º - 53,30s
800m - Miguel Moreira - 1.º - 1.50,05min (Emanuel Rolin, 2.º, 1.50,37min)
1500m - Emanuel Rolin - 3.º - 4.00,77min
3000m Obstáculos - Luís Borges (Jun) - 2.º - 9.14,95min (André Pereira (Jun), 3.º, 9.22,43min)
5000m - Rui Pinto - 1.º - 14.36,96min
10 Km Marcha - Não participámos !!!
4x100m - Benfica (André Costa, Tiago Silvestre, Diogo Antunes, José Lopes) - 1.º - 41,18s
4x400m - Benfica (Daniel Reis, Miguel Moreira, André de Sá, Pedro Cardoso) - 2.º - 3.24,63min
Dardo - Tiago Aperta - 1.º - 66, 42m (João Fernandes, 2.º, 63,21m)
Peso - Tsanko Arnaudov - 2.º - 17,24m
Martelo - Não participámos!!!
Disco - Tsanko Arnaudov - 4.º - 43,15m
Vara - Ruben Miranda - 1.º - 5,35m (Icaro Miranda, 3.º, 4,90m)
Altura - Paulo Conceição - 1.º - 2,10m (Tiago Pereira, 2.º, 2,10m)
Comprimento - Bruno Costa - 1.º - 7,32m
Triplo-Salto - Tiago Pereira - Sem Marca

PS2: A equipa de Juniores da secção de Hóquei em Patins acabou de revalidar o título nacional, com uma emocionante remontada, de 0-2 para 3-2, mesmo no final... A boa réplica do Braga só dignificou a nossa vitória, as declarações do treinador do Braga no final da partida, explicam bem a falta de cultura desportiva neste País, um verdadeiro palhaço...!!! Parabéns a toda a secção...

Dirigente e comissionista

"O mecenato e o amadorismo há muito desapareceram da vida dos clubes e do futebol, no seu geral. O tempo das sandes como prémio de vitória e do electrodoméstico como benesse pela marcação de um golo estão hoje tão distantes quando o cumprimento de certos contratos notariais neste século XXI.
O futebol português, nos últimos 20 anos, conheceu profundas alterações ao nível da sua gestão, sobretudo a partir do momento em que os jogadores se foram valorizando e os empresários tomando conta das transações.
Para quem desde então conhece os nossos clubes, a principal mudança, além do betão, é, sem dúvida, a do perfil do dirigente. Enquanto técnicos e atletas ganham valências que dantes não tinam, assumindo a melhoria dos equipamentos, dos métodos de trabalho e da própria competição, do novo dirigente entretanto aparecido em cena sobra apenas a ganância: há o que se liga ao clube por factores meramente comerciais e o que expõe o emblema na lapela mas que no resto do tempo coloca os filhos e amigos no negócio das tão apetecidas comissões. Nada os diferencia, portanto.
Hoje, ao percebermos a economia das SAD, dos clubes e dos organismos de tutela, verificamos que os seus responsáveis funcionam na lógica do lucro, de especulação, da vantagem material e de muitas outras maquinações financeiras que, não enriquecendo as sociedades, como se comprova, sempre dão um certo jeito a quem delas aproveita...
Dir-me-ão que essa é a natureza do mundo em que vivemos. Pois sim. Gerir milhões de euros pagos pelo detentor dos direitos televisivos, mais umas dezenas de milhar provenientes da bilheteira, da publicidade e do merchandising, a que pode sempre juntar-se um saco de dólares de transferências internacionais, é uma tentação para qualquer um. Dizem até que o fazem por paixão e em prejuízo das suas vidas. E o pior é que há quem confie nessa gente!..."

Paulo Montes, in A Bola