Últimas indefectivações

sábado, 7 de abril de 2018

Do surreal

"Se tem ainda alguma noção da realidade (as últimas horas legitimam as dúvidas), até Bruno de Carvalho terá já percebido que foi longe de mais. Foram muitas, ao longo de cinco anos em que nunca pareceu perceber que há enorme diferença entre o que pode dizer como adepto e aquilo que pode dizer como presidente, as vezes que pisou o risco. Desta vez ultrapassou todos os limites. Não há, em Portugal, precedentes de um presidente criticar em público, de forma tão veemente e personalizada como BdC fez poucos minutos depois da derrota em Madrid, os seus próprios jogadores. Mas não se ficou por aí. Face à reacção - estaria mesmo à espera que se calassem? - do plantel, decidiu anunciar a suspensão de 19 futebolistas (veremos se não serão mais...), partindo para uma guerra que não se vislumbra como pode ganhar.
Há duas hipóteses que podem explicar o comportamento de BdC:
a) faz parte de uma estratégia, sendo que a única que faz sentido é querer que o treinador (Jesus, que se sabe estar no lado dos jogadores, não pode demorar muito mais a afirmá-lo em público) assuma uma posição que lhe permita despedi-lo, sem olhar para as consequências para o final de uma época que não estava perdida;
b) não tem qualquer noção da gravidade do que disse na noite de quinta-feira.
São, ambas, muito graves.
Feito o estrago, o que se segue? Hipóteses:
1) Bruno de Carvalho demite-se;
2) reconhece o seu erro e pede desculpas aos jogadores:
3) os jogadores engolem o sapo e voltam atrás;
4) BdC marca eleições (ou uma AG...) e espera que os sócios voltem a legitimar uma atitude sem legitimação possível.
Uma coisa é certa: nesta guerra interna (mais uma) inventada por Bruno de Carvalho não haverá vencedores. Mas há, já, um perdedor claro: o Sporting, que como presidente devia defender acima de todos os interesses, inclusive os seus próprios."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Um ataque inaceitável

"Surreal. Absurdo. Inacreditável. A crise que se precipitou em Alvalade provoca reacções de espanto e incredulidade. Mas também de indignação pela situação em que fica um clube da grandeza e do prestígio do Sporting. O que está a acontecer é um ataque a uma instituição que merece maior respeito.
É um ataque interno e, por isso, incompreensível e inaceitável. O Sporting está na agenda do dia por evidente falta de bom senso e equilíbrio emocional. Motivos que deveriam resistir a impulsos irreflectidos ou ataques de fúria que mais parecem ser acessos de loucura.
O resultado e as incidências do jogo de Madrid, por muito frustrante e desesperantes que tenham sido, não podiam descambar numa situação que coloca o Sporting em estado de sítio. A reacção de Bruno de Carvalho após a derrota com o At. Madrid foi um ataque tão inoportuno quanto fulminante. Em vez de respirar fundo, descarregou a raiva com a autoridade que o cargo lhe confere mas sem sentido de responsabilidade.
As consequências são imprevisíveis e os danos podem ser irreparáveis. Faz lembrar o verão quente do FC Porto, em 1980, quando Pedroto e o plantel foram solidários com Pinto da Costa. O único que saiu a perder foi o clube."

BdC acabou

"As épocas têm, dizem os fazedores de perfumes, um certo l"air du temps ou, dizem os filósofos, um Zeitgeist - um não sei o quê que as define. Receio que a atual tenha isto: de repente, aparecem uns excessivos que arregimentam multidões em assembleias gerais de clubes ou em eleições políticas, apesar de as suas bizarras palavras parecerem implorar para que não sejam escutadas. Para muitos, as palavras esquisitas dos excessivos é gritante. Mas a verdade é que muitos outros continuam fascinados com o autor de sucessivos tweets estúpidos sobre política ou de posts loucos no Facebook sobre futebol. Diga-se, porém, que gente desvairada sempre houve e clientela para ela também. O que é próprio na nossa época é ela dispor de altifalantes tão poderosos que ainda não conhecemos suficientemente o tamanho dos seus efeitos. É mau, porque os boquirrotos chegam de repente e espalham-se longe. Mas - é a boa notícia do dia! - talvez seja bom porque a força dos tweets e dos posts acaba por iludir os excessivos e expõe as suas fraquezas.
Bruno de Carvalho subiu e cimentou-se graças à sua agressividade contra adversários internos e externos. Definir-se rudemente em relação ao "outro" faz aliados. É que andamos todos sempre à procura do "outro" para sabermos quem somos e se alguém nos ajuda a encontrá-lo, seguimo-lo. O problema é que esse método, propulsado pela eficácia das redes sociais, corta o demagogo do seu contacto com a realidade. E isso torna-se rapidamente notório.
Bruno de Carvalho tem insultado muito mais os seus adversários do que agora fez aos seus futebolistas. Mas, pois é, estes Ruis Patrícios e Williams de Carvalhos são o coração, a razão e a causa que levaram os iludidos a perdoar o tom e a desrazão do presidente. O combate excessivo aos "outros" esquecia-se; já a beliscadura injusta aos futebolistas foi sentida, mesmo pelos apoiantes do presidente, como um ataque ao seu próprio "eu" de sportinguista.
As derrapagens de Bruno de Carvalho eram constantes e variadas, mas desculpadas pelo l"air du temps. Já esta derrapagem contra os seus futebolistas agrediu algo que vai para lá da aragem dos tempos. E a ironia é esta: os holofotes do Facebook e do Twitter que têm iluminado a carreira de Bruno de Carvalho mostram-no agora com uma nitidez que o vão apagar num instante."

Resgatar a ligação aos animais de estimação: um exercício de antropomorfismo ou de reumanização?

"Nos últimos tempos tem surgido informação nos diferentes canais de comunicação que merece alguma reflexão no que respeita este tema.
Dos avanços legislativos referentes à penalização dos maus-tratos ou à presença de animais em espaços públicos (restaurantes) que, desde logo, fez surgir uma vaga de fervorosa celebração ou contestação (junto dos defensores ou opositores mais fundamentalistas); às notícias do abandono de mais de 40 mil animais em 2017 (sendo eutanasiados cerca de metade); ou às manifestações de apoio espontâneo (muito raras anteriormente) em situações em que um animal se encontra em risco na via pública (muito recentemente, por duas ocasiões, um numero alargado de condutores parou de circular enquanto um animal não era resgatado e colocado em segurança).
De uma forma mais ou menos frequente, o tema tem estado presente no nosso quotidiano - por boas e menos boas razões.
De facto, a causa animal tem cada vez mais defensores (poucos ainda, para as necessidades que tem). mas, tal como todas as outras causas de solidariedade, só vê justificada a sua existência porque, na realidade, como indivíduos, muitos de nós falhamos, no que respeita ao sentido comunitário vigente (em todas as suas vertentes – direccionada para crianças, idosos, animais, precaridade e tantas outras que poderiam ser enumeradas).
Mas não, este não pretende ser um artigo de censura... muito pelo contrário, pretende ser um artigo de alerta, pois, na realidade, não estamos a falhar com eles (animais), estamos a falhar connosco próprios e com as gerações que se avizinham (e que, curiosamente, serão os prestadores de cuidados quando a nossa geração envelhecer).
Senão, vejamos.
Em 2014, a curta metragem animada "The Present", dirigida e co-escrita por Jacob Frey e co-escrita com Markus Kranzler, ganhou 60 prémios de vários festivais de cinema e ganhou aclamação da crítica dos especialistas.



De uma forma muito intuitiva, e tocando uma enormidade de temas distintos que poderiam ocupar uma imensidão de artigos (como, por exemplo, o "treino" em comportamentos aditivos que os nossos jovens fazem, via jogos e redes sociais - e sua implicação na destruição de qualquer capacidade empática, com claras repercussões numa série de áreas, nomeadamente, na intensificação de comportamentos de alienação, agressividade e isolamento social), esta curta-metragem ilustra como um jovem inicia o seu processo de restruturação de auto-estima, através da ligação a um ser vivo. 
Quem foi, afinal, resgatado?
De facto, existem já uma imensidão de estudos que reportam que o suporte social é um pilar crítico e bem-estar físico e psicológico de cada um de nós, traduzindo-se numa maior centração em nós próprios, como indivíduos e na nossa vida.
Estudos mais recentes identificam que o relacionamento com um animal complementa esta nossa experiência social (não "competindo", sequer, com a mesma - por outras palavras, numa vida equilibrada é suposto balancearmos a presença de amigos, pessoas significativas e animais).
Neste âmbito, não só se encontra cientificamente comprovado que a coexistência com um animal resulta numa eficaz alavanca para lidarmos eficientemente com eventos de vida stressantes, mas também, que a mesma tem efeitos significativos, tais como:
- consolidação de auto-estima;
- redução da presença de fenómenos afectivos, como depressão e ansiedade;
- redução da sensação de isolamento e solidão;
- menor percepção de doença física e consequente menor visita a médicos;
 - estilo de vida mais saudável (melhor qualidade cardíaca);
- percepção subjectiva de felicidade mais elevada.
(National Center for Health research, USA 2015) 
Por tudo isto, por uma razão de mais saúde e mais qualidade de afectos, das nossas crianças aos nossos seniores, passando por nós próprios, a integração de um animal no nosso quotidiano traduz-se, a médio/longo prazo, numa imensidão de benefícios e ganhos que contribuem decisivamente para elevação do nosso bem-estar.
Então, qual a razão de tanto abandono?
Pelo desafio que trazem aos limites da nossa paciência ou tolerância ao erro (quando roem ou estragam alguma coisa, quase sempre por inconsistência das regras estabelecidas pelos donos), a nossa incapacidade em nos comprometermos emocionalmente com alguma coisa a médio/longo prazo, por não sabermos lidar com a nossa própria frustração, sensação de incompetência e ausência de “resultados” a curto-prazo (ex: o controlo dos esfíncteres ser adquirido “de um dia para o outro”, não respeitando sequer, questões de maturação biológica), entre outras.
Acima de tudo, por uma profunda ausência de consciência de que, ao "desistirmos" deles estamos, na realidade, a desistir de nós próprios... como pessoas e como modelos para as gerações que nos observam.
É que, de facto, a integração (responsável) de um animal em contexto familiar traduz-se, invariavelmente, num exercício de construção de responsabilidade, cooperação (entre todos os elementos do agregado), empatia e afectos que, só por si, se traduz numa enorme oportunidade de treino de (imprescindíveis) competências de vida."

Benfiquismo (DCCC)

Todos juntos...

Uma Semana do Melhor... de Manto Sagrado!

Não há Vitórias, nem vitórias, fáceis

"É bíblico que o caminho do triunfo é o caminho das pedras. Vai ser muito difícil, e cheio de obstáculos, o percurso do Benfica até ao fim.

A Semana Pascal teve de tudo. Houve quem, em Sábado de paixão, na esperança da ressurreição, acabasse emulado, nos ditos, nas atitudes e no campo.
Houve que, já em oitavas, na esperança da reconquista da liderança, acabasse por perdê-la com estrondo.
É bíblico que o caminho do triunfo é o caminho das pedras. Só esse caminho leva ao verdadeiro êxito e tem verdadeiro valor. Vai ser muito difícil, e cheio de obstáculos, o percurso do Benfica até ao fim. Nem o maior optimista, quanto mais eu, desconfiado por natureza, e pessimista por vocação, acreditava que estaria a escrever esta crónica, hoje, na liderança.
Quem diz e escreve que o Benfica não ganhou nada, engana-se, porque já venceu a Supertaça e já conquistou o direito de lutar pelo título de campeão nacional até ao fim. Não estou nada optimista, até porque como sempre digo, ser optimista dá-me azar.
O Porto perdeu três pontos, perdeu Danilo, mas estará na luta até ao fim. Vai ser título disputado ponto a ponto quem se vangloriar de favorito está a um passo do precipício, como se tem visto nos rivais mais fanfarróes.
Concentração, rigor, humildade, entrega total e qualidade de jogo são os ingredientes necessários para o que falta da época.
Rui Vitória sabe que o que nunca falta são os adeptos a empurrar, ajudar e apoiar. Esses estão sempre garantidos, a gritar dá-me o 37. Fomos muito fortes e estáveis emocionalmente quando estávamos atrás, temos que ser sólidos agora que passámos para a liderança. Soubemos manter a calma quando os adversários jogavam jogos de 50 dias, quando lideravam por cinco pontos, quando marcavam sete minutos depois da hora, temos que ter nervos de aço, agora que chegámos ao sítio onde queremos estar daqui a 540 minutos.
Não fizemos grande jogo contra o Vitória de Guimarães, mas fizemos o suficiente para obter justa e importante vitória, com mais dois golos de Jonas e a obra prima de Jiménez.
Este é o momento para dizer que é de Vitória em Vitória. Não há Vitórias fáceis, nem vitórias fáceis.
O V. Setúbal, carrasco oficial na última época, vai ser campo de ratoeiras. Temos que vencer no Bonfim, porque não faltam seis jogos. Falta o Bonfim, e mais cinco."

Sílvio Cervan, in A Bola

Líderes

"Não foi necessária perspicácia apurada para perceber, mal o Belenenses derrotou o FC Porto, que nas horas e dias seguintes seriam muitos os benfiquistas, em particular nas redes sociais, que se desmultiplicariam em apelos à humildade e relembrariam quase desesperadamente que o penta ainda está por alcançar. Se subscrevo que a humildade genuína nunca fez mal a ninguém e que os títulos só se conquistam quando são efectivamente conquistados, já não acompanho a necessidade dos apelos.
Se há características indubitavelmente atribuíveis à nossa equipa de futebol são a crença em si própria e o comprometimento com os objectivos do clube. Não é agora, na liderança, que estas se revelaram, mas antes, há alguns meses, quando os resultados conseguidos estiveram aquém do expectável e exigível e a equipa (estrutura, técnicos e jogadores) soube tornar-se imune às circunstâncias e definiu desde cedo, para si mesma, que cada jogo seria uma final.

Essa forma de estar, bem comunicada para o exterior e evidentemente assimilada no seio da equipa, demonstrou ser a que melhor serviu os interesses da equipa e não há qualquer indício de que venha a ser alterada só porque, a seis jornadas do término do campeonato, finalmente regressou à única posição consentânea com as nossas aspirações: Líderes!
Não é a primeira vez que esta equipa técnica e estes jogadores se encontram neste contexto. A fórmula é simples: Ganhar!

E, para ganhar, nada mais será necessário que manter o nível desde que, em Braga, no início de segunda volta, a equipa começou a calar os arautos da desgraça e os detractores profissionais. A deslocação a Setúbal será mais uma final...
Confio na nossa equipa!"

João Tomaz, in O Benfica

A luta é sempre a dois

"E um dos dois é sempre o SL Benfica. Pode variar o adversário, mas é o Glorioso quem está sempre na disputa. Na primeira metade do século XX e até ao fim da década de 1950 andou o Sporting CP a traçar a sua história sem nunca se distanciar do nosso clube. E depois foi desaparecendo, tornando-se cada vez menos presente nas conquistas dos campeonatos nacionais em Portugal. E da década de 1980 até ao inicio do século XXI foi a vez de o FC Porto fazer frente às conquistas encarnadas. Uma ou outra vez com mérito, mas na maior parte dos casos alicerçado numa política de ameaça, coacção e caminhos sombrios que levaram a uma pena por corrupção demasiado leva para toda a sujidade em que os seus dirigentes se envolveram. De 2000 para cá, o que se assiste é que há dois clubes com capacidade organizativa para chegar ao título no futebol profissional, há outro que continua a viver do passado e dos delírios de um dirigentes que rege a sua conduta pelos likes no Facebook e há uma outra equipa que se prepara para conquistar o terceiro lugar no pódio, o SC Braga.
Não vai ser estranho que, em menos de uma década, estejamos a ver três na luta no futebol, mas para já isso não acontece. Os investimentos avultados em jogadores medíocres no futebol e em plantéis envelhecidos nas modalidades vai ter um preço: o abandono. A norte, já vimos isso com as derrotas no basquetebol, mas sendo um clube com menos representatividade, o FC Porto sabe manter-se no seu lugar, sem divagações.
E nós, qualquer que seja a modalidade, estamos presentes. Neste momento, uma vez mais, a luta é a dois, e não podemos dar tréguas ao adversário. Estamos prontos!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Aleluia, aleluia

"Paz neste campeonato e a todos que nele moram - aleluia, aleluia! Alegremo-nos todos porque o Benfica ressuscitou -aleluia, aleluia! Que a bênção do Benfica ressuscitado assista a este campeonato e que nele haja sempre Jonas e Jiménez, Zivkovic e Cervi, Fejsa e Jardel - aleluia, aleluia! Mas que bela Páscoa, esta. O cabrito estava bem saboroso, as amêndoas deliciosas e o Benfica voltou à liderança - aleluia! Que mais poderia eu pedir? Ninguém me ofereceu um ovo Kinder - o que registei com algum desagrado - mas não se pode ter tudo.
O Benfica é líder isolado a seis jornadas do fim. Nada mau para uma equipa de jogadores incompetentes, comandados por um treinador incapaz. O caminho para o objectivo tão desejado ainda é longo e espinhoso, no entanto, boa parte dos especialistas estimava que por esta altura o pódio estivesse completamente do avesso. É um momento triste para os aficionados de música: abrimos a persiana e vemos uns artistas atrás dos outros a guardarem a viola no saco. Quem acompanha este espaço semanal onde partilho as minhas ideias - muito obrigado pelas dezenas de mensagens que tenho recebido - sabe que nunca duvidei do valor deste plantel para chegar ao penta. Agora, sendo o cenário bem mais simpático do que há uns meses, a confiança é naturalmente maior. Todavia, não gostei rigorosamente nada do que se passou com a águia Vitória, que numa atitude irreflectida e leviana fugiu do Estádio da Luz.
O Benfica é líder e atravessa a melhor fase da época, contudo a Vitória precipitou-se: ainda é manifestamente cedo para ir para o Marquês. É melhor alguém alertar o André Rodrigues, responsável das águias do Benfica, para tomar uma medida vital: manter a águia em jejum durante o dia de hoje. Como castigo pela fuga, mas também enquanto estratégia para o jogo de amanhã, em Setúbal. Não faço ideia se faz parte da alimentação da águia, mas esfomeada que remédio terá ela a não ser devorar chocos fritos."

Pedro Soares, in O Benfica

O próximo jogo

"Faça chuva ou faça sol, Rui Vitória tem mantido inalterado o seu discurso desde que chegou à Luz: jogo a jogo, e as contas fazem-se no fim. Não é uma derrota do FC Porto, ou do Sporting, que altera esta perspectiva, que é a dele, a da equipa, e a do clube. O que interessa é o próximo jogo, neste caso em Setúbal (por sinal, bem difícil). Triunfo a triunfo, chegaremos certamente ao nosso grande objectivo.
Este pragmatismo tem sido um dos segredos do sucesso. Além de focar os jogadores naquilo que verdadeiramente interessa, transmite-lhes força mental, e retira-lhes a ansiedade nos momentos de maior pressão. Isso percebeu-se nas temporadas anteriores, quando houve que gerir vantagens pontuais curtas, e levá-las até à meta do título.
No Bonfim, perante um adversário difícil, motivado (vem de uma robusta vitória fora de casa), e bastante bem orientado, teremos de entrar com tudo, e com todos. Esta é, neste momento, a nossa final. Apenas esta poderemos ganhar neste sábado. Ficarão, depois, a faltar mais cinco.
Já estamos na frente, e isso é importante para reforçar a confiança, e para entusiasmar os adeptos. Mas nada está ganho, como nada estará na próxima segunda-feira, ou na seguinte. Só no dia 13 de Maio de conhecerá o campeão. Mantendo os pés no chão, e enfrentando cada jogo como uma final, o campeão será o Benfica.

PS: Certamente por coincidência, desde que alguém falou em eventuais facilitismos de adversários do FC Porto, este começou a perder jogos e pontos. À mulher de César (o outro) não basta ser séria. Aqui não basta parecer que haja mais do que um acaso. Mas lá que parece..."

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Seis finais

"O Campeonato Nacional entrou na fase decisiva. Temos pela frente seis verdadeiras finais. As derrotas de FC Porto e Sporting, na última jornada, são a prova provada de que Rui Vitória tinha razão quando disse que nunca se sabe qual é o jogo decisivo. Muitos consideram que o nosso treinador é mestre em lugares-comuns. O problema é que Rui Vitória é um homem experiente e muito sensato. A sua teoria tem toda a razão de ser. Quem subiu a pulso na carreira sabe que o caminho para o êxito é bem complexo. Como um dia escreveu Johann Goethe, 'não basta dar os passos que nos devem levar um dia ao objectivo, cada passo deve ser ele próprio um objectivo em si mesmo, ao mesmo tempo que nos leva para diante'.
Em Setúbal, neste sábado, jogaremos a primeira das seis últimas finais. Vamos defrontar um clube histórico do futebol português, com um palmarés sobejamente conhecido e que procura regressar à ribalta. Orientado por um treinador experiente, o V. Setúbal irá lutar pela conquista dos três pontos. Tal como aconteceu com o Belenenses frente ao FC Porto. A equipa técnica do SL Benfica e todo o plantel estão avisados acerca dos atributos da equipa sadina. Basta recordar os resultados da época do Tetra - empatámos, na Luz, com a equipa de José Couceiro e perdemos, no Estádio do Bonfim, por 1-0. Bem sei que os jogos não são iguais e as épocas também não. Bem sei que a nossa equipa está na melhor fase da temporada e a exibir um futebol de elevadíssima qualidade. A nossa equipa está focada no Penta, e os adeptos, idem.
Façamos de cada jogo uma verdadeira final, mas sempre com fair play."

Pedro Guerra, in O Benfica

Vem aí o torneio!

"Dito assim parece pouco, mas esta simples frase resume a palpitação de centenas de jovens corações por todo o país. De norte a sul, em casa e na escola, a expectativa do torneio intercalar 'Para ti Se não faltares!' promete muito mais que um passeio memorável a Ponte de Sor para rever os amigos do projecto, de outros torneios e actividades-prémio, de viva voz e fora do Facebook do dia a dia. É verdade para todos que o principal objectivo é ganhar, mas para isso não basta dar o máximo naquele dia único, e todos, também, sabem disso. É preciso trabalhar a sério e em equipa durante meses, saber a justa medida do contributo de cada um para conquistar o resultado de todos e confiar nos outros sabendo que o nosso sucesso depende deles. Mas a coisa vai muito mais além, extravasa o campo, a táctica e a técnica, entra pelos recreios de todos os dias e pelas salas de aula, pelos trabalhos de grupo, pelos estudos e pelos testes. Para conseguir vencer em tudo, mais do que ser assíduo e bem-comportado, que são dados adquiridos na maior parte dos casos, é preciso ter bons resultados escolares.
Para tanto, basta ir às aulas, ter atenção e activar a inteligência de cada um. Os nossos jovens sabem disso e celebram connosco os progressos do seu trabalho invariavelmente, dia após dia, numa escalada progressiva. Mesmo quando lhes dizem, nalguma altura menos boa das suas vidas escolares, que não servem para estudar, eles trabalham e acreditam connosco, consolidam as suas certezas com a celebração de pequenos sucessos ao longo desta difícil caminhada e invariavelmente progridem e revelam todo o seu potencial.
É assim que acontece em 87% dos casos num total que ultrapassa este anos os 3000 jovens. Por isso, parabéns pelo vosso trabalho e boa sorte para o torneio que aí vem!"

Jorge Miranda, in O Benfica

O foco que nos é essencial

"-O primeiro lugar implica maior responsabilidade?
'- Não.'
Benfica como principal candidato?
'- Não, não!'
Há uma luta a dois pelo título?
'- Não posso dizer isso.'
O jogo com o FC Porto é decisivo no desfecho do campeonato?
'- Não. Não podemos pensar neles ainda, não é? O nosso foco, agora, é apenas o jogo em Setúbal'.

Quatro perguntas, quatro tentativas dos jornalistas (no exercício da sua missão), com o único sentido de pôr à prova um dos capitães da equipa, tentando apanhá-lo desprevenido num momento fora de estágio, de forma a ver se a solidez intelectual do atleta se desmanchava diante de questionamentos inesperados.
Todas as respostas de Jardel começam com a mesma, inflexível e sintomática negativa e, evidentemente, não se resumindo a locuções monossilábicas, só prosseguiam com breves precisões que apenas iam confirmando uma postura sistemática. Ou seja, a avaliar pelas categóricas réplicas do capitão, compreendemos como e quanto o grupo de trabalho do nosso Futebol principal se encontra concentrado em torno do foco que nos é, a todos os Benfiquistas, verdadeiramente essencial: vencer a Liga NOS 2017/2018, conquistar o 37.º Campeonato e alcançar o Penta.
Treino a treino, jogo a jogo, com o seu discurso sempre coerente, Rui Vitória tem sabiamente mantido e consolidado de modo muito impressivo esta robustez mental dos jogadores: por cada jornada, ele abre, caso a caso, o respectivo dossier, que a seguir, encerra inexoravelmente, sem olhar para os lados. E foi assim que aqui chegámos, a seis jogos do fim.
Ao contrário dos outros, com as suas inacreditáveis narrativas, com as suas misérias e as suas vanglórias, as suas ilusões e despropósitos, as suas choradeiras e as suas ameaças, os seus roubos e profanações, as suas alianças contranatura e os seus pseudojulgamentos de pacotilha em que nunca houve nem juiz bem contraditório, ninguém nos perturbou, afinal. Ninguém interferiu no nosso ambiente tranquilo, seguro e vencedor, como, em desespero, eles desejariam que nos pudesse acontecer. E o que parece estar a acontecer (de novo, pela quinta época consecutiva) é que, afinal, é a fortaleza da nossa capacidade desportiva que lhes dá cabo do raciocínio...
Em todo o caso, continuemos a ser prudentes, sensatos e competentes: de acordo com o guião do nosso filme, mesmo agora, ainda nos falta quase tudo."

José Nuno Martins, in O Benfica

A desautorização pública de Jesus

"Sabia-se que a tarefa do Sporting, frente ao Atlético de Madrid, no Wanda Metropolitano, ia ser difícil e seria necessário, para que a eliminatória viesse para Alvalade com bom prognóstico, que a equipa de Jorge Jesus fizesse uma exibição ao nível do que conseguira, há ano e meio, no Santiago Bernabéu. Tal não aconteceu. Erros individuais e alguma debilidade colectiva perante a força e experiência dos colchoneros tornaram a tarefa leonina uma montanha se calhar demasiado alta para ser transposta. A esta circunstância, que decorreu das incidências do jogo e do valor do adversário, juntou-se uma outra, inaudita, inesperada e absolutamente demolidora para a coesão da cabina verde e branca. Bruno de Carvalho, que ficara em Lisboa, fez um post no Facebook arrasador para os jogadores, que não deixará pedra sobre pedra. Se, alguns erros dentro das quatro linhas, revelaram uma tendência de atracção pelo abismo, as palavras do presidente foram o passo em frente de quem estava foram o passo em frente de quem estava à beira do abismo. Segundo Bruno de Carvalho, «Coates e Mathieu a fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam»; «Fábio e Bas Dost 'não quiseram jogar' em Alvalade, com faltas para amarelo que nunca poderiam ter feito»; «Montero desperdiçou um golo feito com um remate para o céu quando só se pedia um simples encosto»; e «Gelson isolado frente a Oblak, em vez de 'fuzilar' para a esquerda, tenta colocar em jeito, mas sem força, para o lado direito perdendo um golo que já quase se gritava».
Duas perguntas surgem, inevitáveis:
A) O que pretende, realmente, Bruno de Carvalho?
B) Como fica Jesus perante tanta desautorização?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Na rede

"Bruno de Carvalho voltou esta semana em força ao Facebook. Na madrugada de domingo de Páscoa, pouco depois do final do jogo de Braga, disse que não era hora de levantar a cabeça mais sim de todos, desde jogadores a dirigentes, a baixarem, olharem para o símbolo e reflectirem se são dignos de o envergar. Além disso, pediu desculpa pela derrota na Cidade dos Arcebispos.
Não se percebe bem a eficácia da mensagem, mas se foi a de pedir para que todos dessem mais no sentido de conseguirem alcançar um bom resultado em Madrid, frente ao Atlético, definitivamente, não resultou.
O presidente dos leões, por razões pessoais, não foi à capital espanhola. Terá acompanhado o jogo pela TV e, minutos depois do apito final de Sergei Karasev, fez mais um post na rede social, desta vez para apontar os erros cometidos por Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, Bas Dost, Gelson e Montero. Pelo meio, elogios à exibição.
A generalidade da Comunicação Social, como é normal, pegou nas palavras de BdC. O presidente dos leões não gostou dalgumas das coisas que ouviu na CMTV, pegou no telefone e rebateu - genericamente, não encontrou qualquer mal naquilo que tinha escrito, pois os jogadores tinham consciência das males que tinham feito e Jesus também tinha dito o mesmo. É uma opinião. A sua.
O presidente de um clube tem todo o direito de criticar os jogadores, como é óbvio, mas talvez a mensagem tenha mais eficácia se o fizerem em privado, talvez até após os defender em público.
Os jogadores de futebol ganham muito dinheiro, têm imensa responsabilidade e têm de estar preparados para as criticas. Mas não estão habituados e no futebol, tal como na vida, o hábito faz o monge.
Bruno de Carvalho acha que a rede social é a melhor forma de comunicar com os adeptos. Mas as redes, às vezes, enredam-se e nem o produto da pesca se conseguem tirar. Têm de ser cortadas."

Hugo Forte, in A Bola

PS: Artigo vergonhoso de um suposto jornalista d'A Bola!
Incapaz de criticar veementemente o Babalu... afinal os jogadores são os 'culpados'!!!

O poder da comunicação

"No futebol, é bem mas difícil no vencedor do que modalidades jogadas, na maioria das vezes, com as mãos. É naturalmente muito mais difícil jogar com os pés. Os membros, superiores ou inferiores, cumprem ordens. Mas, como diz a sabedoria popular, é preciso ter cabeça. Que é o que nem sempre existe em situações de tensão ou adversidade. O jogo de futebol pode levar a que as probabilidades de sucesso do mais pequeno aumentem durante o próprio jogo. Diversos factores podem influenciar o aumento das possibilidades de sucesso do mais fraco. Esta incerteza, e a facilidade com que se pode jogar, torna o futebol a modalidade de maior sucesso. Mas também a que atrai mais conflitos. O impacto mediático do futebol tem aumentado em proporção com o crescimento da sociedade de comunicação, a imagem, em que vivemos.
Antes dos jogos das equipas de maior dimensão verifica-se uma pressão superior, com análises e comentários de elementos exteriores à estrutura, que podem inferiorizar o oponente. Mensagens sublimares, cirúrgicas, que desestabilizaram o adversário. Esta estratégia de comunicação externa é frequente em muitas equipas de grande dimensão. Internamente, a comunicação é claramente contrária. Valoriza-se o adversário o elevam-se os níveis de concentração, criando um quadro de dificuldade acrescida. As declarações dos responsáveis são quase sempre nesse sentido. O poder da comunicação influência a estabilidade psicológica com que se aborda o jogo. Cada vez é mais importante ter especialistas nas áreas da comunicação, externa e interna, e na vertente de apoio psicológico. Os jogos são ganhos, ou perdidos, por vezes, muito antes, muito antes de se terem início. Por isso o silêncio é de ouro em muitas situações. Responder em determinados momentos significa coloarmos-nos em inferioridade, e assim começar a perder o jogo, antes mesmo de ele se realizar."

José Couceiro, in A Bola

Nem sei o que dizer


"Pouco, muito pouco para o que foi prometido. As palavras começam a faltar. A noção de responsabilidade ganha cada vez mais força.

Desde o principio da época que nós, sportinguistas, acalentámos fundadas esperanças no êxito da equipa profissional de futebol, tanto mais que os reforços concretizados, sobretudo, os da reabertura do mercado de Janeiro, eram capazes de dotar o plantel da capacidade indispensável para lutar em todas as frentes envolvidas. Agora que a época futebolística entra na recta final, o balanço que se poderá fazer até ao momento é o de que as coisas não estão a correr de feição pese embora o facto de, em teoria, serem ainda possíveis êxitos quer na Liga Europa quer na Taça de Portugal. Todos temos consciência de que mais um adiamento da conquista do Campeonato Nacional constitui um fiasco difícil de ultrapassar, sendo legítimas as interrogações da massa associativa a propósito de um conjunto de afirmações produzidas pelos principais dirigentes da nação leonina, garantindo reiteradamente vitórias e conquistas. Se é verdade que devemos ser algo condescendentes para com tais estados de alma (manter a chama acesa assim o obriga) o que é certo é que as exibições e os resultados obtidos ao longo da época não foram de molde a criar no seio dos adeptos o optimismo expectável, ficando, em muitas circunstâncias, a sensação (para não dizer a certeza) de que a esta equipa faltava um verdadeiro estofo de campeã e que, em momentos clave, revelava colapsos psicológicos quer em termos colectivos. Por outro lado, quando factos e circunstâncias importantes faziam convergir as atenções para os nossos rivais, havia sempre alguém que arranjava maneira de ferir os interesses do próprio Sporting, descobrindo fantasmas e assombrações que mais ninguém descortinava com a consequente barreira de fogo contra tudo e contra todos. Desconhecendo os meandros do Clube, indicia-se, contudo, algum mal estar na cabina de Alvalade como agora ficou demonstrado no jogo contra o Atlético de Madrid através do cometimento de lapsos imperdoáveis por parte de jogadores com enorme experiência. A manter-se este statu quo, em vez de lutar pelos lugares cimeiros, ficaremos, com toda a probabilidade, confinados à Taça de Portugal e/ou à contingência de ter de defender o terceiro lugar da competição rainha, o qual, como é sabido não gera os milhões da Champions. Pouco, muito pouco para o que foi prometido. As palavras começam a faltar. A noção de responsabilidade ganha cada mais força."

Abrantes Mendes, in A Bola

PS: Então depois dos acontecimentos de ontem à noite e de hoje, o Abrantes Mendes, deve estar mesmo sem palavras!!!

Alvorada... do Valdemar

Rumo a Setúbal...

Estes não se deixam cair

"Oportunamente lançado por Cristiano Ronaldo, faço a minha deriva pelos trilhos aéreos do pontapé de bicicleta, movimento popularizado pelo carioca Leónidas nos anos trinta e quarenta, por sua vez inspirado em Petronilho de Brito.

A grandiosa acrobacia de Cristiano em Turim já foi apreciada em quase todos os ângulos. E digo “quase” porque, ainda assim, em nenhum deles me foi transmitida uma sensação aproximada da pequenez que Barzagli e De Sciglio devem ter sentido quando a fera rugiu e soltou as garras à sua frente no ataque à bola. Admito que deve ter sido parecido com aquilo que Essien presenciou na final de Moscovo de há dez anos, quando o monstro madeirense concretizou, de cabeça, o cruzamento de Wes Brown. E o “Air Jordan” no Olímpico de Roma, contra os ‘giallorossi’, a passe de Scholes, também não foi mau de todo.
John Charles e Aldo Serena devem estar entre os futebolistas que mais alto chegaram nos Alpes, mas tenho dúvidas que Cristiano não os tenha superado na fasquia. Por exemplo, Jorge Jesus, no parêntesis que abriu para comentar o golo que deixou o mundo boquiaberto, vincou um aspecto digno de realce: ter, aos 33 anos, a capacidade física para pular e rematar com aquela pujança e elasticidade é qualquer coisa de espantoso. E, por ser tão raro, os adeptos da Juventus aplaudiram, como haviam feito com Iniesta em mais um elogio do génio.
A essa componente física do lance, juntaria a inteligência, pelo facto de CR ter percebido, antes dos defesas italianos, o local para onde Carvajal ia dirigir a bola e de que forma é que ela ia pingar. Acaba por ser esta conjugação de vectores que distingue os génios dos outros: a velocidade da percepção, análise e decisão. Trocando por miúdos, Cristiano foi mais célere a ter a noção da trajectória do cruzamento, com rapidez de raciocínio a uma velocidade inimaginável para se desmarcar no sentido inverso ao da baliza de Buffon e ainda demonstrar a qualidade para a execução que era de dificuldade máxima. Os outros ficaram pelo caminho, como tem sido regra.
A bicicleta no Juventus Stadium, leve e simultaneamente estrondosa, está garantidamente no álbum das imagens mais deslumbrantes do percurso de Cristiano e de toda a história da Liga dos Campeões. Ele até já tinha tido oportunidade de assinar um golo deste género em anos anteriores. Vi com os meus olhos no Estádio do Bessa, em 2006, num Portugal v Azerbaijão, os árbitros negarem-lhe um golo de bicicleta, após um amortecimento fantástico do ombro de Deco. Erradamente, entenderam que a bola rematada por Cristiano, que bateu na trave antes de cair no solo, não tinha ultrapassado a linha de golo.
Entre os melhores golos da carreira de Cristiano, recordo-me instantaneamente do petardo à Eusébio, em 2009, no Dragão, ainda pelo Manchester United. Creio que Fernando, médio-defensivo do Porto, não acreditava que o homem ia chutar de tão longe e não o pressionou a tempo. Mas chutou…
Foi um golo arrebatador, que estremeceu a Invicta. Mesmo assim, o apontamento genial de CR7 no JS, com uma definição totalmente diferente, não lhe fica atrás na espectacularidade e ficará eternizado como um dos melhores pontapés de bicicleta que alguma vez contemplámos. Foi bastante parecido com um de Van Basten contra o Den Bosch, na última época do ponta de lança no Ajax, em 1986/87, antes de Berlusconi o ter ido buscar. Na altura, Wouters efetuou o cruzamento.
Já pelo Milan, Van Basten repetiu a dose em San Siro com um golpe formidável na Champions, contra os suecos do IFK. Eranio deu a bola e o “Cisne de Utrecht” pontapeou a bola picada para a baliza do louco Ravelli.
Klaus Fischer e um antigo ídolo do Bernabéu, Hugo Sánchez (com quem Cristiano até já esteve num programa televisivo), eram alguns dos melhores especialistas dos anos oitenta na arte da impulsão, de permanecer no ar e chutar de costas para a baliza. Tem o seu quê de intuição, mas também de muita prática para a aplicação do remate. Perguntem a Rivaldo, autor de um dos hat-tricks mais memoráveis da história, em Camp Nou, contra o Valencia. Pobre Cañizares! Aquele último golo de 'chilena', com o relógio a queimar, com a presença na Champions em discussão, foi das coisas mais épicas que aconteceram num campo de futebol. De fora da grande área, após a levantada de peito quando Frank de Boer lhe deu a bola, “Rivo” esmagou a ‘porteria’ do guarda-redes valencianista. Se não viram, deem bom uso ao youtube.
Quase vinte anos depois de Rivaldo, Cristiano montou a sua bicicleta especial. Foi nas terras do Giro, em solo italiano, onde Rummenigge e Djorkaeff deram fama à ‘rovesciata’, ainda que mais em forma do pontapé de moinho celebrizado em Portugal por Artur Jorge. Cristiano recuperou o chuto de Leónidas, o tal que era considerado como o detentor da coroa do Brasil antes do aparecimento de Pelé. E convenhamos que o Rei também tratou do assunto na sua “Fuga para a Vitória”. Dê por onde der, estes génios nunca se deixam cair."

Futebol mais versátil

"1 - Os clubes de topo estão a adoptar uma flexibilidade táctica cada vez maior. Ao contrário de outros tempos, em que havia uma maior rigidez no posicionamento das equipas, os treinadores estão cada vez mais apostados, sempre que necessário, em mudar os sistemas durante os jogos, com vista a tirarem partido de uma vantagem competitiva. Isso obriga a procurar (e ensinar) jogadores que, de forma inteligente, consigam desempenhar mais do que uma função dentro de campo durante 90 minutos.
Nas equipas de Pep Guardiola há jogadores que num jogo chegam a alinhar em três posições diferentes. Para cada uma das missões, o jogador já sabe de antemão aquilo que terá de fazer e está preparado para executar esse desafio com a máxima eficiência, dando resposta a um trabalho de preparação que é feito nos treinos. Por exemplo, no Bayern, o técnico espanhol chegou a utilizar Phillip Lahm em posições distintas, como lateral-direito e esquerdo, trinco e médio-interior direito. Sempre com alto rendimento.
A título de exemplo, isto permite que, durante uma partida, uma equipa possa começar numa estrutura de 4x3x3 e mudar para 4x4x2 sem que tenha de fazer qualquer substituição. Pode mesmo posicionar-se de uma forma no momento ofensivo e apresentar outro sistema em processo defensivo. O futebol actual pede mais versatilidade e inteligência no jogo colectivo (e individual) como forma de surpreender as estratégias adversárias e encontrar espaços para poder chegar com perigo à baliza. E esta é uma abordagem que parece ter vindo para ficar.
Olhando para as principais equipas portuguesas, conseguimos verificar que Benfica, FC Porto, Sporting e Braga não prescindem dos seus 'canivetes suíços', jogadores capazes de alinhar em mais do que uma posição, como Zivkovic, Jonas, Marega, Herrera, Bruno Fernandes, Battaglia, Ricardo Esgaio e Marcelo Goiano, entre outros. São peças como estas que permitem aos treinadores criarem mutações num mesmo jogo, conseguindo manter (ou melhorar) a mesma bitola exibicional. É assim também que se encontram respostas para desbloquear uma partida que esteja a ser mais difícil.
Esta evolução que se está a verificar no futebol cria um desafio futuro aos treinadores da formação no sentido de desenvolverem os jovens futebolistas para a nova situação. Os atletas terão de ganhar experiência em várias posições, de modo a saberem lidar (ao nível técnico e anímico) com a mudança sempre que esta for necessária, aprendendo mais sobre o jogo e encontrando novas formas de actuar dentro das quatro linhas. Alguns clubes europeus começam a ter isso em consideração nos seus escalões de formação.
Esta forma de pensar aprofunda ainda mais o trabalho invisível dos treinadores, com o laboratório montado nos treinos de forma a potenciar tudo aquilo que os jogadores podem oferecer à equipa em determinados contextos e circunstâncias. Essa capacidade de 'ensinar' a estimular a polivalência e conhecimento dos elementos de um grupo de trabalho, criando um plantel mais profundo de alternativas, pode valer ouro no final de uma temporada.

2 - Sorte madrasta para Danilo Pereira. Acabado de regressar de problema muscular, o médio do FC Porto viu o infortúnio bater-lhe à porta com uma lesão ainda mais grave que o irá afastar dos últimos jogos da época e do Mundial. Uma má notícia para os dragões e para o seleccionador Fernando Santos, que certamente contava levar o jogador à Rússia. Resta agora esperar que Danilo recupere bem e que em breve possa voltar a jogar na plenitude das suas capacidades.

O Craque
O póquer de Edinho
Não é todos os dias que vemos um jogador apontar quatro golos numa partida, e o fenómeno é ainda mais raro se tiverem sido marcados em apenas 45 minutos. Edinho cometeu essa proeza na vitória do V. Setúbal na Vila das Aves por 4-1. O ponta-de-lança português tem ganho maior tempo de utilização nos últimos três meses, tendo apontado oito tentos neste período. E mostra mesmo confiança em conseguir convencer o seleccionador a levá-lo ao Mundial da Rússia. Não será fácil, dada a concorrência existente, mas se continuar de pé quente, quem sabe...

A Jogada
Momento genial
Num jogo de alto nível europeu e em casa da poderosa Juventus, Cristiano Ronaldo serviu aos adeptos do futebol mais um momento para perdurar na memória. Uma obra-prima do português, que já vinha tentando ensaiar um golo de bicicleta em jogos anteriores, mas que conseguiu naquele momento uma execução perfeita do ponto de vista técnico e físico. Colocou o pé numa altura onde os adversários não chegam com a cabeça e fez um golo fenomenal. Está numa forma tremenda e continua letal na competição onde é o maior de todos os goleadores: a Liga dos Campeões.

A Dúvida
Mundial sem árbitros portugueses
Entre os 36 árbitros e 63 assistentes que vão participar no Mundial'2018 não se encontra um único juiz português. Este é um tema que merece alguma reflexão sobre o actual estado da arbitragem nacional. Perceber se esta é uma situação pontual porque o actual quadro de árbitros (muitos deles com poucos anos de primeira categoria) ainda não tem a experiência internacional necessária ou se a questão está na menor qualidade do actual grupo de juízes. A falta de árbitros nacionais em grandes competições será transitória ou esta ausência poderá prolongar-se em provas futuras?"

Intervenção do Governo no futebol

"1 - Deve o Governo intervir no desenvolvimento do futebol?
Entra o Estado em campo, ou fica a assistir na bancada? A questão voltou à baila, recentemente espelhada em declarações públicas do secretário de Estado do Desporto, afirmando que o Estado intervém diariamente, relacionando-se quer com a FPF, quer com a Liga. É defensável o natural distanciamento do futebol profissional, uma vez que podemos falar de relações profissionais entre sociedades comerciais, que desenvolvem um negócio, o do desporto como entretenimento e indústria de lazer, sendo que se organizarão como entenderem, dentro de balizas legais estipuladas para o ‘comércio desportivo’. Se os cidadãos não gostarem, não vão, não veem (não compram bilhetes, não assistem ao espectáculo que lhes vendem). Já em relação à organização federativa, o regime jurídico português para as federações desportivas obrigará a cuidados redobrados. O orçamento estatal, suportado com receitas públicas e com participação directa dos contribuintes, gasta milhões de euros no financiamento de modalidades desportivas (entre elas o futebol) que têm de ser submetidas a supervisão dos Governos. Há contratos criados e assinados que concedem dinheiros públicos para se desenvolverem modalidades; como e para onde se quer encaminhar esse desenvolvimento?

2 - Fará sentido uma Entidade Reguladora para o Futebol?
Não é positiva a experiência com a maioria das entidades reguladoras: Comunicação Social, Saúde, Concorrência, Aviação Civil, Águas e Resíduos, entre outras. O que não quer dizer que não se possa aprender com os erros… A lei em vigor que define as "entidades administrativas independentes com funções de regulação da actividade (…) dos sectores privado, público e cooperativo" (n.º 67/2013, alterada pela Lei n.º 12/2017), diz que têm atribuições em matéria de defesa de serviços de interesse geral, de protecção dos direitos dos consumidores e de promoção da concorrência. Interessará ao futebol?

Somos todos Ronaldo

"Para mim, Cristiano é a verdadeira biblioteca de livros de auto-ajuda. Vale por mil palestras de empreendedorismo e motivação. Há quem viva da teoria do "bate punho" e há os que a praticam.

O golo de pontapé de bicicleta de Cristiano Ronaldo no triunfo (3-0) do Real Madrid sobre a Juventus, nos quartos de final da Liga dos Campeões, tornou-se em poucos minutos, até graficamente, um ícone do futebol mundial. É um momento histórico. Afinal, Portugal tem meios aéreos que ninguém supunha. O golo foi de tal modo extraordinário que já há quem chame a Cristiano Ronaldo o Centeno da UEFA.
Confesso que ainda esperei pelo final do jogo e pelas análises "antidoping" porque estamos habituados a que sempre que alguém consegue um grande feito de bicicleta é porque estava dopado. 
Como não tenho memória curta, não considero que este tenha sido o maior momento na carreira de Ronaldo, não nos podemos esquecer do que ele fez durante o último Europeu de Futebol. Aquela atitude, do nosso capitão, de atirar o microfone da CMTV para o lago foi uma obra-prima. Na altura, pensei: mesmo que CR não ganhe este ano a Bola de Ouro (ganhou), o Pulitzer do jornalismo já não lhe escapa.
Para mim, Cristiano é a verdadeira biblioteca de livros de auto-ajuda. Vale por mil palestras de empreendedorismo e motivação. Há quem viva da teoria do "bate punho" e há os que a praticam.
É muito estranha a relação de alguns portugueses com o Cristiano. Convivem mal com o sucesso do rapaz. Muitas vezes, pergunto-me: será que gostam mais do Messi porque julgam que ele é do Entroncamento? Há uma má vontade para com Ronaldo de alguns portugueses. Lembro-me de que quando CR andava com a Irina, nos programas de bola chegaram ao ponto de dizer que a miúda não era nada de especial. Só faltou dizer que era um bocado gorda e tinha mau hálito.
Uma das frases que mais vezes oiço é: "Eu não gosto do Ronaldo porque ele é um bocado bimbo" - e normalmente isto é dito por um indivíduo com calças de corsário, camisola de alças, óculos escuros no topo da cabeça e com "headphones" dourados nos ouvidos a ouvir D.A.M.A.
Tenho enorme orgulho no Cristiano, gostava de lhe dar um abraço, mas imagina que o despenteava?! Estava tramado, nunca mais teria dinheiro que chegasse para lhe pagar um penteado novo.
Já me questionei, independentemente do facto de ser português e, mais importante, sportinguista, qual é o melhor jogador do mundo. Cristiano ou Messi? A minha resposta é simples. A ter de viver num mundo em que só um deles exista, claramente optava por ter estado vivo para ver jogar Ronaldo. Por tudo o que significa e que vai muito além do futebol e da possibilidade de ver fotos das namoradas. Por mim, está resolvido o problema do dinheiro para as artes, vai tudo para o Cristiano."


PS: A 'tirada' sobre o microfone da CMTV, 'obrigou-se' a publicar esta coluna!

O Liverpool enche-nos o coração

"Há coisas das quais não se deve prescindir sem morrer primeiro. A emoção de uma porta a abrir, por exemplo. O frenesim de uma paixão. O entusiasmo de um copo cheio.
São coisas que faz sentido levar até ao fim.
Mas acima de tudo a fé. Há poucas palavras na língua portuguesa que nos encham tanto a alma quanto a fé. Fé no sentido de esperança. De crer. De acreditar.
Belief, como dizem os ingleses.
A fé vicia-nos o coração, enche-nos de ilusão, faz-nos acreditar. E não há nada melhor do que acreditar: numa pessoa, numa palavra, num fim. Acreditar que vai acontecer.
Nesse sentido, o que fez o Liverpool na quarta-feira foi um balsamo para o espírito. Um sopro de valentia. Fez-nos acreditar que a Liga dos Campeões continua a valer a pena.
A Champions, vale a pena lembrar, tornou-se propriedade de três ou quatro clubes: cada vez mais acentua a diferença entre os ricos e os pobres, tornando os milionários um bocadinho mais milionários a cada ano que passa. Por isso, verdadeiramente, é vista por muita gente, mas vivida por uma elite cada vez mais curta.
No fundo estamos todos a bater palmas ao espectáculo que são equipas como o Real Madrid, o Barcelona, o Bayern, o Manchester City, eventualmente o PSG um dia destes.
Batemos-lhes palmas, abrimos a boca de espanto, admirámos as maravilhas que nos proporcionam, sabendo que aplaudir é tudo o que podemos fazer: porque cada vez mais a superioridade destes grandes clubes se acentua e retira emoção à própria competição.
No fundo a Liga dos Campeões só começa verdadeiramente nas meias-finais: quando os menos favoritos já foram afastados e os favorecidos se digladiam entre eles.
Até porque é isso que a UEFA deseja verdadeiramente: grandes espectáculos, com os melhores jogadores. Mais espectadores, mais audiência, mais valor para a marca.
E a essência do futebol, onde fica? Provavelmente nos intervalos entre a publicidade.
Por isso, lá está, o que fez o Liverpool foi um sopro de valentia. Uma prova de coragem. Uma demonstração de que vale a pena acreditar que a Liga dos Campeões pode continuar a surpreender-nos, de que podemos continuar a vivê-las mais do que apenas vê-la.
É certo que Real Madrid, Barcelona e Bayern não deram hipóteses, mas enquanto houver um Liverpool, como uma Juventus ou um At. Madrid nas épocas anteriores, vai valer a pena continuar a acreditar no futebol. Como sempre fizemos, aliás.
A forma como a equipa de Jurgen Klopp atropelou o sensacional Manchester City, que terminou sem nenhum remate enquadrado com a baliza, recorde-se, foi um raio de esperança para a democracia no futebol: os menos favoritos podem continuar a sonhar.
A Liga dos Campeões, ainda que só um bocadinho, ainda é de todos: uma competição liberal, progressista e igualitária. Um espaço democrático como sempre foi, insiste-se.
Não concorda que vale a pena ter fé?"

Benfiquismo (DCCXCIX)

Bucareste

Aquecimento... Vamos a eles...

Quinta... com Seara & Cervan

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Boa notícia...

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, que a sua subsidiária Benfica Estádio procedeu hoje ao reembolso antecipado voluntário do valor em dívida do Project Finance, num montante de 37,8 milhões de euros. Dado que, a 28 de Fevereiro de 2018, já tinha sido liquidada uma prestação de 2,5 milhões de euros, conforme previsto contratualmente, o montante total de reembolsos realizados ao Novo Banco e ao Millennium bcp ascendeu a 40,3 milhões de euros.
Mais se informa que, no dia 29 de Março de 2018, foi liquidado ao Novo Banco a 2ª emissão de Papel Comercial, no montante de 57 milhões de euros, a qual tinha sido subscrita a 29 de Setembro de 2017 por um prazo de seis meses, tendo hoje sido formalizado o acordo de cessação do Programa de Papel Comercial.
Após a conclusão deste processo, a Benfica SAD e a sua subsidiária Benfica Estádio reduziram em 97,3 milhões de euros o valor da dívida bancária existente junto do Novo Banco e do Millennium bcp, a qual estava reflectida no passivo a 31 de dezembro de 2017.
Por outro lado, foram cedidos, sem recurso, créditos futuros relativos aos proveitos do contrato de exploração dos direitos de transmissão televisiva celebrado com a NOS, que são registados como passivo e associados aos proveitos do contrato com a NOS nos prazos normais deste"


PS: Antes que comecem a retirar conclusões precipitadas, aquilo que vai baixar 100 M de euros, é a rubrica das Dívidas Bancárias, e não o Passivo!
Aquilo que fizemos, foi um Factoring, para pagar empréstimos bancários (não para pagar contas correntes), e poupar nos Juros... A independência em relação ao Novo Banco, é um 'bónus', que depois da forma como a Administração do Novo Banco se tem comportado no Tugão, era o mínimo que o Benfica podia fazer...

E de repente!...

"SCP: e agora, após máxima frustração? FCP: futebol músculo fez ricochete? SLB: faltam testes de 'estofo'. E críticos decidam-se: 4-3-3, ou Jiménez titular...

Inesperada, ou não tanto, brusca reviravolta. Sporting afundou-se )3.ª derrota; e esta, em Braga, num dia D). FC Porto estatelou-se (de invicto para 2 desaires a fio como visitante). E eis, neste louco sprint, o Benfica - que acabara metade da época com indigestão de fiascos na Champions, na Taça de Portugal e na Taça da Liga! - assumindo liderança; logo, aproximando-se do grande objectivo penta que há muito parecia mera quimera.
A 6 passadas da meta, espectacular reviravolta, a qual, frise-se, ainda pode ter contra reviravolta... (no despique de topo, já sem Sporting). Para além de viagens, curtinhas, a Setúbal e ao Estoril (Benfica), bem como, potencialmente mais complexas, ao Funchal e a Guimarães (FC Porto), haverá, com foros de cruciais, Benfica - FC Porto e... Sporting-Benfica (este foi, há um ano, a derradeira grande aposta portista...; falhada).
Que campeonato! Faltando tão pouco, ainda tem muito para dar!

Sporting. Já não depende só de si próprio... nem sequer para chegada no 2.º lugar (hipótese de acesso ao dinheirão da Champions). Precisa de mais nenhuma derrapagem ter, incluindo ganhar ao Benfica, se averbar êxito nas intensas súplicas por vitória do FC Porto na Luz. E tem o SC Braga à perna, à mínima distância, num impensável duelo pela 3.ª posição (Sporting terá de ir ao Restelo, a Portimão e ao Funchal; SC Braga pior um pouco...: visitará Feirense, P. Ferreira, Belenenses e Rio Ave).
Ao 5.ª ano de Bruno de Carvalho e ao 3.º de Jorge Jesus, ainda não será desta Sporting campeão... Numa época de enorme investimento, tipo vai ou racha, quando FC Porto e Benfica muitíssimo desinvestiram... Máxima frustração!
Conquista da Taça da Liga - sem brilho, nos desempates por pontapés de grande penalidade, perante FC Porto e até na final com V. Setúbal - nada limpará, se o saldo de tão anunciada e naturalíssima ambição for esse êxito... único. Restam Liga Europa - depois de estupendo brindes nos sorteios, Astana e Plzen, eis a grande fava: Atlético de Madrid, cuja ultrapassagem terá de começar esta noite - e outro tudo por tudo: impor-se ao FC Porto na segunda mão rumo à final no Jamor. Ou seja: de algum modo salvar a época, fugindo a bis de rotundo fiasco (na época anterior, 3.º lugar e duros fracassos na Europa e nas Taças nacionais), está por fiozinho. Porquê? Talvez presidente e treinador venham a debater, entre eles e profundamente, sequelas de guerras contra tudo e mais alguma coisa, provocando o oposto de estabilidade...

FC Porto. O seu futebol músculo, tão empolgante quando desgastante, conhece crise. Paradoxal isso acontece quando saiu da Champions. A tese do plantel curto não pega (o plantel válido do Benfica não é mais amplo, quiça pelo contrário, e o FC Porto fez 4 aquisições em Janeiro, contra zero na Luz). Lesões e quebras de forma, sim. Tremenda a ausência de Marega (pior do que a de Danilo). Mas no Dragão existe o luxo de mais 3 pontas de lança: Soares, Aboubakar, Gonçalo Paciência (também Waris?). Futebol músculo, demolidor de adversários, faz ricochete contra si próprio?

Benfica. Pé ante pé, animicamente resistindo ao maremoto de fiascos e dando-lhe a volta para se concentrar no objectivo n.º 1, ei-lo de regresso. Mas terá bicos-de-obra. Precisa de vencer em Setúbal imediatamente antes de enfrentar jogo chave: só batendo o FC Porto na Luz (aí veremos quem tem mais estofo de campeão) poderá ir tranquilamente a Alvalade num dia de potencial fúria sportinguista.
Não resisto a comentar recentes críticas a Rui Vitória por Jiménez não ser titular. Curioso: partem exactamente de quem, com veemência, criticou grande atraso na mudança de 4-4-2 (o sistema que até deu rajada de 4 títulos) para 4-3-3 (o sistema que, de facto, recuperou equilíbrio/capacidade competitiva - possível quando Krovinovic saiu de longa baixa clínica, e, de seguida, com surpreendente adaptação de Zivkovic de extremo para médio esquerdo).
Embirrar com treinadores até pode ser mentalidade, mas... decidam-se! Jiménez sempre ao lado de Jonas? Ok. Ou como, afinal, 4-4-2 é que tem de ser... Não conheço é 4-3-3 com dois pontas de lança... Façam obséquio: decidam-se! Antes de isto acabar. Depois, será facílimo."

Santos Neves, in A Bola

Preparação...

Porteros!!!

Poder de fogo de Jonas tem um peso cada vez maior

"O agora líder Benfica possui também o ataque mais concretizador, com 73 golos. E sem colocar em causa o trabalho de todo o grupo, a verdade é que o sucesso dos encarnados deriva em grande parte do rendimento de Jonas que, após os dois golos diante do V. Guimarães, chegou aos 33 na conta pessoal. São golos e mais golos, tantos que, sozinho, o brasileiro já acertou mais remates do que... nove equipas.
Por mais improvável que possa parecer, o sul-americano soma mais golos, sozinho, que Estoril (24), Belenenses, Feirense e Moreirense (25), Aves e Boavista (29), P. Ferreira (30) e Tondela e Marítimo (31)! Jonas iguala ainda o total de golos do Chaves e não está longe de V. Setúbal (34), Rio Ave e V. Guimarães (35). São dados notáveis que ajudam a explicar o facto de o internacional canarinho ser, nesta altura, um dos principais goleadores na Europa. Mas se olhar para o total de ‘tiros’ certeiros dá automaticamente para perceber o nível do desempenho de Jonas, convém salientar o peso que os seus golos têm no rendimento colectivo. E também aí o brasileiro se destaca. Aliás, não há outro jogador na Liga cuja percentagem seja tão alta: 45,2% dos golos das águias são de Jonas. Olhando para as 17 restantes formações, apenas o sportinguista Bas Dost (43,3%) e o vimaranense Raphinha (40%) conseguem dados próximos dos de Jonas. De resto, os restantes melhores marcadores de cada clube não chegam aos 30% do total de golos das suas equipas. Assim sendo, Jonas é cada vez mais importante para o Benfica. Até porque consegue fazer ainda mais do que ‘apenas’ facturar...

Sabia que...
- O Chaves mantém a sua pior sequência na época?
Os flavienses perderam os últimos quatro jogos.
- O Benfica nunca tinha ganhado oito jogos seguidos?
O assalto à liderança coincidiu com o melhor registo das águias em toda a temporada: oito vitórias consecutivas e quatro partidas sem permitir um só golo aos opositores.
- O FC Porto voltou a liderar o ranking dos remates?
Apesar de ter perdido no Restelo (0-2) e com isso ter sido desalojado do comando da prova, o conjunto azul e branco recuperou o estatuto de formação mais rematadora na prova (fez 26). Agora, os portistas somam 458 ‘disparos’, contra os 455 do Benfica.
- O Moreirense tornou-se a primeira equipa a ter três expulsões no mesmo jogo?
Aconteceu em Portimão, num encontro em que os cónegos desaproveitaram uma vantagem de três golos e acabaram derrotados por 4-3. Um resultado bastante invulgar na Liga."

Zlatan Ibrahimovic

"Fiquei triste de ver Ibrahimovic sair do Manchester United. Acompanho sempre as equipas do nosso José Mourinho. O ano passado, fez uma época muito boa para quem tinha 35 anos, no campeonato inglês, o mais competitivo e marcou 29 golos.
Depois da recuperação da sua lesão, Mourinho colocou-o a espaços, mas jogou pouco. Lukaku tapou-lhe o lugar, mas nem aos seus calcanhares chega. Ibrahimovic, apesar da sua compleição física, 1, 95m e com o peso de 95kg é um jogador com técnica muito acima da média, que de um momento para o outro, pode fazer algo espectacular e diferente. Ibrahimovic não estava lesionado, a relação com o Mourinho não era a melhor. A forma de jogar muito defensiva não enquadrava no estilo Ibrahimovic e depois jogar pouco não é para ele. A eliminação do Manchester da Liga dos Campeões acelerou o seu processo de saída.
José Mourinho só lhe ficou bem dizer que lamenta a sua saída, mas quanto a mim equivocou-se e pode fazer falta ao Manchester United. A sua estreia nos EUA pelo Los Angeles Galaxy e aquele golo do meio da rua definem um jogador. Não me venham com a falta de competitividade da MLS. Há jogadas que acontecem, pela oportunidade do jogo, e aquele golo acontecia em qualquer campeonato do Mundo. Recordo-me de um golo semelhante marcado por Maradona quando era jogador do Nápoles.
A profecia manteve-se, em equipa que se estreia marca, mas o primeiro golo é arte.
Conquistou os EUA e vai-se preparar para estar no mundial de futebol na Suécia.
Não sei se Ibrahimovic é como Benjamin Button em que nasceu velho e morreu novo. O que eu sei é que a sua qualidade e capacidade goleadora continuam intactas. Ibrahimovic não está acabado e voltou a ser como era.
O joelho está bom e agora falta adquirir ritmo competitivo. Fico feliz e vou passar a seguir o Los Angeles Galaxy no Eurosport e torcer para o ver no mundial. Domingo, lá estarei a vê-lo jogar contra o Sporting Kansas City.
Jogadores como Ibrahimovic fazem falta ao futebol pelo espectáculo que dão e o ambiente que criam à sua volta. Recordo-me que a venda de camisolas de Ibrahimovic quando chegou ao Manchester United deu para pagar Pogba, agora a sua saída, em que tinha um salário de 22 milhões de euros permitiu subir substancialmente o salário de De Gea e este renovar. Por onde passa é notícia fora e dentro dos relvados. Era uma pena estar somente a treinar e sem jogar, apesar de estar a ganhar 22 milhões de euros. Dizem que nos EUA só vai ganhar 1,5 milhões de euros, mas eu não me acredito. Há várias maneiras de se fazer as coisas contornando as regras.
Ibrahimovic dos poucos jogadores que vale a pena ver um jogo, do principio até ao fim, em que tudo pode acontecer num ápice e num lance.
A MLS estava um pouco esquecida e não se ouvia falar muito. Eis que Zlatan Ibrahimovic estreou-se com a camisa do Los Angeles Galaxy e toda a gente voltou a falar do campeonato norte-americano. 

Nota: golo de Ronaldo contra a Juventus em pontapé-de-bicicleta não há palavras para o elogiar."

Alvorada... do José Nuno

Violência no desporto

"Tema anunciado, divulgado, um debate a vários níveis. Porém é exclusivamente de futebol que se trata. De situações de corrupção, de viciação de resultados, de suspeição generalizada e de uma onda de caos previsivelmente oportuna – os campeonatos aproximam-se do fim e em causa estão: quem vence e quem desce de divisão. Essa é uma das motivações que nunca se podem esquecer. Com regulamentos adequados, com exigências e responsabilidades bem definidas, o exercício sistemático de “pensar futebol” de forma global, integrada e sem impedir o contraditório, certamente será sempre uma boa opção. Pelo menos, transparente e imparcial.
Por estes dias, assistimos a reuniões de capitães de equipa, acompanhados por elementos do seu sindicato, com a LIGA, FPF e Secretário de Estado do Desporto (sugestões de campanhas educativas e alteração de regulamentos – muito pouco, atendendo que não se trata de surpresa mas de hábitos que se prolongam), bem como à conferência na sala do Senado da Assembleia da República, com a presença de várias personalidades do futebol e não só.
Essa conferência foi organizada pelas Comissões de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto. Vários oradores, diversos contributos, uns que permitiram o conhecimento da situação, outros sem consistência e contribuindo para a confusão reinante. Por exemplo, o superintendente da PSP de Lisboa, na sua intervenção, forneceu factos, números e identificou origens dos diversos incidentes: fundamental base de trabalho. 
Dirigentes desportivos responsabilizam os organismos que tutelam o futebol português; estes, por sua vez, defendem o aumento das multas e penas mais pesadas para quem criticar a arbitragem colocando em causa a seriedade dos árbitros. Chegou-se ao extremo de ouvir o líder federativo a defender a criação de uma autoridade autónoma administrativa específica, com atribuições de responsabilidade pela segurança e combate à violência no desporto.
Seguiram-se vários apelos para uma mudança de comportamentos e acusações à comunicação social numa tentativa de desculpabilização de falhas próprias. Não merece a pena recordar atitudes concertadas de agentes desportivos, nem a introdução de projectos inovadores mas sem uma adequada fase experimental, e que se tornou um dos maiores focos de tensão contínua. Sempre aprendemos que há sequências que devem ser analisadas, com ponderação e cuidado.
O que temos e como chegamos a isto?
Casos em justiça por decidir, sobre corrupção e a torpe invenção planeada de calúnias anónimas, vão surgindo sem que se consiga controlar, limitar e penalizar.
Sempre ouvimos dizer que, em situações deste tipo, é passo importante descobrir:
- quem lucra?
- qual o objectivo principal?
As calúnias anónimas podem ter 2 objectivos principais:
- desestabilizar/enervar adversários na luta pelo título.
- motivar os adversários dos rivais directos para darem sempre máximos e se livrarem de suspeições (actuando como doping psicológico) e evitarem a tenebrosa mancha da calúnia – está em causa o jogador mas também a dignidade pessoal depois de acabar a carreira e ainda a tranquilidade da família.
A comunicação social, ao contrário de quem prefere um controlo total, faz o seu papel e não esconde as realidades. A liberdade de escolha é um direito de cada cidadão.
A justiça, se morosa e sem critério preciso nos casos ainda em análise, potencia um crescimento imparável das suspeições. Acreditamos que hoje, com os avanços tecnológicos constantes, alguém só fica anónimo se não houver investigação profunda: anónimos descobrem-se com trabalho eficaz e competente.
O problema é que por estas bandas, tudo parece rolar a ritmos diferenciados e sem uniformidade. 
Tudo dá a impressão de estar ligado a vitórias, a enriquecimentos, a pagamentos e favores. Pobre futebol, que mesmo a criar maiores receitas se tornou uma fonte de lucro, onde alguns pensam e agem como se valesse tudo.
No ano passado, para além do treinador Luís Castro e de alguns de nós, não detectamos uma onda de vontade em enfrentar acusações infundadas, injustas, miseráveis. Apenas silêncios…
Vimos muita passividade, inclusive das instituições que tutelam o nosso futebol.
O Presidente da FPF, no passado, foi ao Parlamento e falou com várias entidades sobre o “clima de ódio” sem apresentar plano estruturado de acção, a não ser a sugestão de aumentar multas, traduzindo-se em medidas avulsas e sem contexto.
Temos dúvidas de que falando sem apresentar soluções rigorosas, o resultado seja o contrário do pretendido.
Porquê só agora? Que gestão de tempo é esta?
Os jogadores e o seu sindicato não poderiam já ter levantado a hipótese de greve?
Certamente que não faltam interesses económicos que, se pudessem, controlavam tudo inclusive a liberdade dos profissionais. Os árbitros ameaçaram greve aos jogos da LIGA o que deu uma triste imagem de braço de ferro com apoio da FPF… pelo menos, ficou essa impressão pelas comunicações feitas, que foram imprecisas e pouco reflectidas, unicamente conjunturais. Permaneceu uma imagem de conflito de interesses entre LIGA e FPF, o que não favoreceu o clima de paz.
Na sessão do passado dia 3 de Abril, no Parlamento, o Presidente da FPF voltou a fazer o mesmo que tinha feito na anterior deslocação à Assembleia da República (onde, desta vez, ecoaram laivos de apoio a governamentalização do desporto – o que nunca pensamos não ser vantajoso nem permitido pelas instâncias internacionais do futebol); voltamos a ouvir afirmações gerais, redondas, ocas, repetindo com a solenidade formal, o que todos os cidadãos repetem na rua com a simplicidade natural.
Novidade, muito pouco, quase nada.
Os conhecedores desta situação não se interrogam:
- como foi possível chegar aqui?
- como estão a decorrer os processo de corrupção?
- o que fazer com carácter de urgência?
Para que serve esta poeira que cega e desvia olhares e atenção do essencial?
Há países onde, no passado, grandes clubes de dimensões internacionais foram despromovidos para a segunda divisão e aí recomeçaram a competição: alguns com pontos negativos e com responsáveis na prisão.
Será assim tão difícil identificar as origens das calúnias, quem está verdadeiramente por trás de tudo? 
Fingir que tudo vai bem, que tudo vai ser feito, é garantia de que nada muda.
Cada vez será sempre mais grave.
Tragédias não se anunciam, previnem-se.
Por que tarda em aparecer uma agenda desportiva competente, para salvaguardar a ética e o espírito desportivo?
De que está o Governo à espera?
Sem isso, a “barbárie” reforça a saga destrutiva, mesmo que muito lucrativa financeiramente para alguém.
Para já, importa unir esforços e resolver com eficácia e frontalidade estes problemas, evitando que esta incrível “futebolização-negócio ilimitado” prolongue a contaminação do amplo universo do desporto bem como da política."

Aníbal Styliano, in A Bola

PS: A hipocrisia não tem limites!!! Este senhor, é um adepto indefectível do Pintinho, e do seu clube... Sim, quando ele 'fala' em clubes grandes que deveriam descer de divisão, não está a falar dos Corruptos...!!!! Quando ele 'fala' em 'calúnias', não está a falar da divulgação criminosa e e-mails roubados e manipulados...!!!
Esta indignação súbita deve-se exclusivamente ao facto do seu clube ter perdido 6 pontos nas últimas 3 jornadas, porque antes, não havia indignação, a palavra de ordem era : Investigue-se!!!

E já agora, em relação às estatísticas divulgadas pela PSP na AR, gostaria de saber quais foram os critérios usados pela PSP para chegar à conclusão de quais os Clubes ligados aos incidentes reportados:
- será que os agentes da PSP que são testemunhas abonatórias de chefes de claques, reportam os incidentes?!
- será que as invasões de campo, com agressões a jogadores adversários, também contam?!
- será que invasões aos centro de treinos dos árbitros, também foram contabilizadas?!