Últimas indefectivações

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

E depois do Menino foi o Senhor

"Ainda mal refeitos da partida de Eusébio, somos confrontados com a partida de Coluna. Início de ano ingrato para a história de um clube que faz hoje mesmo 110 anos.
Em 110 anos de história, Coluna e Eusébio serão seguramente, com Cosme Damião, as figuras maiores.
No caso de Coluna custa ver partir o ex-jogador, o Monstro Sagrado, mas sobretudo o Senhor. Senhores fazem sempre falta, porque rareiam.
Coluna era muito mais que um bicampeão europeu ou um decacampeão nacional. Coluna foi durante décadas não um senhor, mas o Senhor.
Este ano todos os títulos são poucos para homenagear a história e os que partiram.
Sete pontos de vantagem sobre o principal adversário e cinco sobre o rival de respeito, são motivo de satisfação mas não são ainda definitivos. Embora pareça que a vantagem pontual não seja, desta vez, pontual.
Não nos poderemos distrair com supostas crises de adversários. Um Benfica competente e alheado do ruído mediático à volta de terceiros ganhará com mérito e justiça.
Qualquer outro caminho é desinteressante, erróneo e errático.
Ser Campeão Nacional é prioritário mas Turim, Jamor e Leiria são também objectivos.
O Benfica conseguiu uma vitória tranquila sobre o PAOK e beneficia do apuramento do FC Porto. O calendário preenchido para ambos.
O Tottenham é muito superior ao PAOK, mas uma vitória sobre os ingleses põe Turim muito perto.
Jorge Jesus tem uma oportunidade de acabar com a maldição inglesa. Liverpool e Chelsea, duas vezes, nos últimos quatro anos, são uma estatística para abater.
White Hart Lane é um palco cuja história merece o melhor Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pés no chão

"Nenhum benfiquista esquecerá tão cedo aquele terrível mês de Maio de 2013, no qual, em poucos dias, perdemos tudo aquilo que ambicionávamos vencer, e que o futebol praticado pela equipa bem fizera por merecer.
Na altura, bastava-nos ganhar na Luz às duas equipas provenientes do segundo escalão (Estoril e Moreirense), para matematicamente selar o título. Estávamos, vinte e três anos depois, numa final europeia. Estávamos, oito anos depois, numa final da Taça, para a qual éramos unanimemente considerados favoritos. Perdemos tudo.
Com esta memória ainda bem viva, não serão certamente os cinco pontos de vantagem (cinco, e não sete), a dez longas jornadas do fim do Campeonato (envolvendo deslocações à Choupana, a Braga e ao Dragão, por exemplo), que nos irão tirar o discernimento, ou fazer embandeirar em arco.
Depois dos traumas da temporada anterior, só mesmo a matemática nos fará festejar. Até lá, há que manter a concentração, a união em torno da equipa e de todos os que a rodeiam, e a noção bem clara de que, em cada jogo, em cada treino, em cada disputa de bola, estará a chave que pode abrir as portas ao nosso sonho.
O Benfica tem a melhor equipa?
Claro que tem, tal como na época passada já tivera.
O Benfica pratica o melhor futebol?
Claro que pratica, tal como na época passada praticara.
O Benfica merece ser campeão?
Claro que merece, tal como na época passada merecera. Porém, todas estas evidências não valerão absolutamente nada se, à 30.ª jornada, no dia 11 de Maio, não tivermos mais pontos que qualquer outra equipa na tabela classificativa.
No Restelo, temos a primeira das dez finais ainda por disputar. Daqui em diante, a pressão vai crescer, o empolgamento dos adversários também, havendo que contar com as habituais influências externas - que sempre se fazem sentir nos momentos mais críticos. Teremos de estar preparados para tudo. O combate por este título é demasiado importante para permitir desatenções.
Com confiança, mas sem triunfalismos: Todos por um! Todos pelo título!"

Luís Fialho, in O Benfica

Semana vitoriosa

"1. Não foi um Benfica brilhante, mas foi um Benfica prático, o que ganhou na Liga Europa e na nossa Liga. E a vantagem adquirida sobre os mais directos adversários deixa-nos optimistas mas não nos deve deixar eufóricos. Ainda há muito campeonato.
O Guimarães foi uma equipa muito bem organizada e que nos dificultou bastante a tarefa. Poderíamos ter resolvido o jogo na 1.ª parte. Depois, na 2.ª, não estivemos bem, embora a defesa continuasse segura e a vitória nunca estivesse verdadeiramente em perigo. Mas, às vezes, quando menos se espera...
Na Grécia, o Benfica conseguiu importante vitória para a Liga Europa. Um triunfo sabe sempre bem, sendo que este foi conseguido com uma formação muito coesa e com a importante particularidade de incluir vários jogadores menos utilizados.

2. O Diário de Notícias (curiosamente não o Jornal de Notícias...) publicou na semana passada uma excelente investigação intitulada 'Gaia à beira da falência, com dívida de 300 milhões'. Para essa dívida contribui naturalmente o Centro de Estágio do Olival, feito para o FC Porto através da Fundação PortoGaia (presidida por... Pinto da Costa), que custou à autarquia (e apenas à autarquia) 16 milhões de euros e pela utilização do qual o clube paga... 500 euros mensais. O FC Porto precisaria de 2666 anos para pagar o que ali foi gasto! Além disso, o FC Porto tem jogado (de borla, claro...) no Estádio Dr. Jorge Sampaio, que também pertence à autarquia. Tudo isto enquanto Benfica e Sporting tiveram que construir os seus centos de treino e pagam a sua manutenção...

3. 'Só os ratos é que fogem', afirmou Pinto da Costa na noite de domingo, após a derrota do FC Porto e quando a polícia, para proteger os elementos da equipa da fúria dos adeptos, pretendia fazê-los sair por outra via que não a habitual (fúria dos adeptos que por vezes até dá jeito, quando se quer mandar embora um treinador que não está pelos ajustes, como aconteceu há alguns anos com Co Adriaanse...). Pois, a propósito de ratos que fogem, Pinto da Costa deve ter-se esquecido de uma célebre viagem que fez a Vigo, aquando do 'Apito Dourado'..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Ecletismo e Verdade

"A revista da FIFA The Weekly que coloca o Benfica como o clube com mais sócios pagantes em todo o mundo - à frente de Bayern Munique, Barcelona, Man. United, Arsenal, etc. - não deixa também de enaltecer o Clube pela postura ecléctica que mantém, com grandes resultados obtidos em competição em outras modalidades para além do Futebol. É justíssimo que o faça: como aqui repetimos vezes sem conta, o Benfica é mais que um Clube, é muito mais que um Clube de futebol. O Benfica é uma cultura desportiva que é ecléctica por definição e prática.
Quando o actual Presidente começou a desempenhar funções directivas no Benfica, as modalidades para além do futebol tinham sido positivamente dizimadas. Sabe-se como é difícil recomeçar mas o Benfica recomeçou. E com o maior sucesso. É visitar o Museu Cosme Damião e, logo à entrada, apreciar a galeria dos troféus conquistados na última década.
No passado fim-de-semana - quando escrevo esta crónica -, o Benfica entrou em competição em diversas modalidades com as equipas principais do sector de seniores que ganharam em toda a linha. E assim, no atletismo o Benfica conquistou o Tricampeonato Nacional de Clubes em Pista Coberta; também assumiu a liderança do Campeonato Nacional de Clubes de Dualto; no andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol venceu os adversários nas competições em que está envolvido.
O Benfica ganhar os seus títulos competindo lealmente. E seria uma vergonha para o País que um campeão europeu e mundial de clubes abandonasse a prática de uma modalidade por falta de condições de verdade desportiva. Haja quem assuma responsabilidades e garanta o primado da verdade desportiva sobre a mixórdia da compra de títulos de conveniência."

João Paulo Guerra, in O Benfica

As fugas e os ratos

"No dia 2 de Dezembro de 2004, um conhecido dirigente de um clube estava em terras galegas, no “Parador de Tui”. Nesse mesmo dia, pelas 7 da manhã, a Polícia Judiciária fazia uma busca à casa desse dirigente, para o deter e conduzir ao tribunal. A coincidência da ausência fez com que se abrisse uma investigação. Da investigação, formou-se, por parte dos investigadores, a convicção de que houvera uma fuga de informação, da qual resultou a fuga do referido dirigente para a Galiza. Passados uns meses, a questão das fugas foi arquivada por impossibilidade de provar quem fora o homem que provocara a fuga de informação. Mais tarde, e segundo noticiava o jornal “Expresso”, em Junho de 2007, os inspectores que realizaram a investigação consideravam que "Quanto à(s) pessoa(s) que possam ter perpetrado tal ilícito, deixam-nos tão mais decepcionados quanto o seu universo é o mesmo em que exercemos o nosso ministério, o da realização da Justiça".
No dia 23 de Fevereiro de 2014, um conhecido dirigente de um clube estava à porta da garagem de um estádio a falar para a comunicação social, no intervalo de uma aparente ameaça a um jornalista e da suposta recusa em acatar uma decisão policial (coisas que, a julgar pela falta de repercussão na comunicação social, devem ser banais e costumeiras lá por aquelas bandas). No solilóquio comunicacional a que se propusera, o dito dirigente garantia que “só os ratos é que fogem”. Desta consideração pouco abonatória para com a bicheza vil e roedora depreende-se que este dirigente estaria a ofender de forma incisiva e garantidamente injusta o outro dirigente de quem se diz ter fugido para a Galiza. Ora, em defesa do bom nome do suposto fugitivo de 2004, aguarda-se um pedido de desculpas por parte deste dirigente que agora acusa o outro de ser um rato."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Crónica de louvor e bem-dizer...

"O Benfica vai estar hoje representado ao mais alto nível no funeral de Mário Coluna. Trata-se de uma decisão que traduz o reconhecimento pelo que o monstro sagrado fez por um clube onde, entre outros troféus, venceu duas Taças dos Campeões Europeus e dez Campeonatos.
Mas além de ter pautado pelo acerto o seu comportamento na morte de Mário Coluna, bem pode o Benfica sentir-se bem com a forma como tratou o grande capitão especialmente na última década, confundindo-se este tempo com a presidência de Luís Filipe Vieira. A Coluna, na doença, foram proporcionados, sempre de forma discreta e sensível, por parte do presidente do Benfica, todos os cuidados, numa atenção que transcendeu a mera obrigação. Com Mário Coluna, agora desaparecido, o clube da Luz portou-se como uma pessoa de bem, como quem sabe que saem respeitar o passado não terá um bom futuro.
Aliás, nesta senda, faz parte dos projectos benfiquistas a executar no curto prazo a construção de uma «casa do jogador», no complexo do Seixal, capaz de acolher os ex-jogadores que, na velhice, requeiram tal apoio. Da mesma forma, quem for ao Estádio da Luz em dia de jogo deparar-se-á com muitos dos que construíam, dentro das quatro linhas, a glória do Benfica e que são regularmente convidados a envolver-se nas actividades do Benfica.
Aqui fica, pois, este registo, um registo de bem-dizer num País que parece ter-se esquecido das virtudes do reconhecimento do mérito.
Por falar em reconhecimento do mérito, é hoje, dia do 110.º aniversário do Benfica, inaugurada no Estádio da Luz uma estátua de Béla Guttmann, o feiticeiro de Berna e Amesterdão. Será que vai acabar a «maldição»?"

José Manuel Delgado, in A Bola

'Monstro Sagrado' eternamente!

"Não tive com o senhor Mário Coluna, nem de perto nem de longe, por razões óbvias, a mesma relação de proximidade que com o rei Eusébio. Porém, obra do destino (será?), foi na lindíssima cidade de Maputo, no início da década de 80, por altura da comemoração de mais um aniversário da Independência moçambicana - foi a última reportagem que fiz para a Gazeta dos Desportos e nessa viagem a África tive por perto o carinho de dois Senhores que recordo amiúde, como o foram Carlos Pinhão e Carlos Arsénio - que tive o privilégio de conhecer o monstro sagrado, que eu apenas conhecia das vezes, poucas, que o vi jogar ao vivo e das belas serenatas que me proporcionou através de fantásticas imagens a preto e branco, como aconteceram no Mundial de 1966. E foi no Polana, no final do dia 25 de junho de 1985, com o mais lindo pôr do sol do mundo em fundo, que o monstro sagrado me apresentou ao seu presidente e figura única da história mundial, como o foi Samora Machel. Levando em linha de conta, que além dos monstros citados Eusébio e o capitão Mário Wilson eram outros monstros sagrados que também estavam nessa festa tão importante para os moçambicanos, nunca esquecerei o orgulho e a felicidade sentidas por aquele par de horas tão diferente de tudo o que tinha vivido, até porque o senhor Mário Coluna tinha tido a delicadeza de ter salientado que em determinada altura da sua vida o meu pai tinha sido tão moçambicano quanto eles.
Quando choquei com a notícia da morte do monstro sagrado devo confessar que o sentimento sentido pelo seu desaparecimento foi um desgosto, mas diferente do que me havia acontecido com o king, porque as últimas novas não eram nada animadoras. Mário Coluna junta-se a Eusébio. Como diz Oceano, no Céu a equipa está cada vez mais forte, mas cá na Terra... eternamente agradecido senhor Mário."

José Manuel Freitas, in A Bola

Luisão ao vivo...

Varela 'Portero' !!!

Lixívia 20

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......49 (-9) = 58
Sporting.....44 (-3) = 47
Corruptos...42 (+7) = 35
Braga.........27 (+2) = 25

Em semana de Liga Europa, é sempre bom recordar que com 11 pontos de vantagem no Campeonato, as probabilidades de o Benfica ultrapassar o Tottenham seriam sempre melhores, mas a realidade é outra...

Já tinha referido anteriormente, Nuno Almeida neste momento não tem condições de apitar jogos do Benfica. Depois do penalty, bem assinalado, a favor do Benfica a época passada, no Benfica-Académica, já no período de descontos, depois de toda a polémica, o árbitro Algarvio ficou marcado como pseudo-benfiquista... Aconteceu esta época no jogo na Luz com o Braga, já aconteceu esta época num jogo da equipa B do Benfica, onde expulsou dois jogadores do Benfica...
Nesta partida com o Guimarães, enganou-se demasiadas vezes nos lançamentos laterais, esqueceu-se de marcar faltas a favor do Benfica, em situação ofensiva: com todo o domínio do Benfica, tivemos 1 livre perigoso a nosso favor, contra vários livres laterais, perigosos, do Vitória!!! E disciplinarmente, perdoou duas expulsões a jogadores do Guimarães, uma no final da 1.ª parte, ao Addy... E para cúmulo dos cúmulos, marcou um fora-de-jogo ao Lima num lançamento lateral... numa jogada onde ficou outro livre perigoso, a nosso favor, por marcar, devido a um claro empurrão ao Rodrigo!!!
O facto dos Corruptos, beneficiarem das potenciais expulsões de jogadores do Vitória, na próxima jornada, é indiferente... O Benfica venceu, é verdade, mas pela diferença mínima, ficando até ao final da partida, indefeso contra um possível golo adversário, mesmo que fortuito.

O facto dos Corruptos terem perdido com um golo de penalty, é uma dado estatístico raríssimo. Devemos recordar este momento, para o resto das nossas vidas, porque não vai acontecer muitas mais vezes!!! Penalty, e expulsão, contra os Corruptos (em casa, ou fora!!!) é provavelmente o acontecimento mais raro no Universo!!! A falta foi tão óbvia, que Vasco Santos não teve hipóteses... agora, cuidado com o possível endeusamento do árbitro, por ter feito o seu trabalho, o curriculum do dito cujo, com o Benfica é horrível, não me esqueço daquele Benfica 2 - 2 Setúbal (com o frango do Quim no final, e golo do Suazo anulado, após lei da vantagem anulada por conveniência...!!!), estou curioso para saber quando é que será o próximo jogo dos Corruptos, apitado pelo Vasco Santos...
O resto do jogo foi pacifico, excepto uma entrada do Mangala, que podia ser sido amarelada, e não foi...!!!

Nada a assinar nos jogos do Braga e do Sporting...

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenenses(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
16.ª-Marítimo(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
17.ª-Gil Vicente(f), E(1-1), Paixão, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
18.ª-Sporting(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
16.ª-Arouca(f), V(1-2), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar
17.ª-Académica(c), E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
18.ª-Benfica(f), D(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Olhanense(c), V(1-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Jorge Ferreira, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Setúbal(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), D(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Cosme Machado, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Gil Vicente(f), V(1-2), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
20.ª-Estoril(c), D(0-1), Vasco Santos, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar
16.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
17.ª-Belenenses(f), D(2-1), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
18.ª-Gil Vicente(c), V(4-1), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Estoril(f), D(2-1), Xistra, Nada a assinalar
20.ª-Arouca(c) E(2-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Gloriosos

Confiança e Arte !!!

Benfica 3 - 0 PAOK

Mais uma partida onde a equipa respira confiança, jogando com segurança... e esta noite, nem o 'susto' do Artur, intranquilizou a equipa e os adeptos. Mesmo com uma revolução no onze - só dois jogadores repetiram a titularidade, em relação ao jogo de segunda-feira: Luisão e Sílvio!!! -, mesmo com os recentemente recuperados  de lesões prolongadas: Cardozo e Salvio ainda sem ritmo, mesmo com alguns jogadores pouco utilizados com pouca confiança: Artur, André Gomes e Djuricic, a equipa manteve o nível exibicional... A velocidade foi baixa, mas mesmo assim as oportunidades foram surgindo.
Se a eliminatória nunca pareceu em perigo, o jogo acabou por ser desbloqueado, com a expulsão do Katso e o consequente fantástico golo do Nico!!! Poucos minutos antes, os Gregos tinham criado a sua única oportunidade de golo do jogo (a 2.º em toda a eliminatória!!!), num pontapé de canto, mas falharam... seria tremendamente injusto, depois do nosso desperdício, diga-se!!!
Além da obra-arte do Gaitán, não devemos esquecer de mais uma grande exibição do Sílvio, acho mesmo que neste momento está mais consistente do que o Siqueira!!! Aquele estilo molengão do André Gomes é extremamente irritante, voltou a cometer erros, para esconder as dificuldades defensivas fartou-se de fazer faltas, mas com o passar do tempo, ganhou confiança, e foi subindo no terreno, e acabou por ser decisivo no passe para o Lima, que deu a expulsão do Katso e o golo do Nico!!! O Amorim voltou a estar muito bem... mas notou-se a ausência do Enzo, porque nem o Rúben, nem o André têm a capacidade/confiança/qualidade para fazer as arrancadas típicas do Enzo, pelo meio, criando desequilíbrios nas defesas contrárias. Não gostei do momento da substituição do Djuricic, porque o sérvio estava a ganhar confiança... e muito sinceramente, acho que neste momento, o principal problema é mesmo a auto-confiança do jogador!!! Uma nota final para os dois recém-regressados: ainda longe da forma ideal, mas no caminho certo... o Cardozo já afinou o remate, ainda falta alguma mobilidade, ao Salvio falta essencialmente velocidade e confiança no um-para-um!!!
Agora vamos jogar com os Spurs. Se o Benfica apostar tudo na Liga Europa, será favorito, mas como o Jesus vai fazer rotação de jogadores (assim espero) a eliminatória está em aberto. Só um aumento da vantagem pontual no Campeonato, nas próximas duas jornadas, poderá alterar as prioridades. E isso não depende exclusivamente de nós.
O Tottenham tem grandes jogadores, mas ainda não tem uma grande equipa. Não são uma equipa tipicamente Inglesa, de pontapé para a frente... jogam com a bola no pé, mas colocam pouca gente na área. A defesa, não é muito forte... Recordo uma derrota nossa, recentemente, contra eles, num particular na Luz!!!
PS1: Infelizmente tenho que falar dos filhos-da-puta dos petardeiros. Até quando?!!! É deficiência mental?!!!

PS2: Ninguém explicou ao árbitro Polaco que um minuto de silêncio, deve ser um minuto, e não 10 segundos!!!

PS3: O momento até foi um pouco estranho (expulsão), mas foram bonitos, e merecidos, os aplausos ao Katso!!!

Os precipitados gatos-pingados do regime

"Entenderam todos que os sinais dados por Pinto da Costa à saída do estádio são de decadência. Fatal engano. Não são de queda. São antes, e em flagrante, os velhos sinais da ascensão do regime.

DE Samora Machel, que foi líder da resistência moçambicana ao colonialismo português e, mais tarde, presidente da jovem república africana, conta-se que, numa conversa com jornalistas ocidentais, a uma paternalista questão ideológica com que insistentemente o confrontavam, «quando é que leu Marx pela primeira vez?», a todos respondeu de sorriso aberto com um desconcertante: «eu nunca li Mark pela primeira vez».
Quando Eusébio morreu, no princípio do ano, perguntaram-me algumas pessoas, com aquela naturalidade advinda da circunstância, se me lembrava da primeira vez que tinha visto jogar o melhor jogador português de todos os tempos, no seu tempo.
Na verdade, não me lembro. Nunca vi jogar Eusébio pela primeira vez.
A culpa é do Coluna. E do meu avô também. Foi ele quem me levou pela primeira vez ao Estádio da Luz. É agora importante dizer que o meu avô quando alguém referia, ou ele próprio mencionava, o nome de Coluna, logo se punha em sentido como nunca o vi fazer, nem parecido, perante o nome de mais ninguém.
E tratava-se, o meu avô, de um homem que viveu interessadamente e tomando partido o tempo da monarquia, do regicídio, da I República, do Estado Novo e da II República (chamo-lhe assim, II República, para não me acusarem de meter fruta em tudo). Com tanto príncipe, rei, pedreiro-livre, caudilho, presidente do concelho, autoridade eclesiástica e militar, ministros a rodos, comissários, etc... etc... que conheceu, pois só vi o meu avô pôr-se em sentido quando soava o colossalmente melodioso nome de Mário Esteves Coluna.
Foi assim que entrou na minha vida o monstro sagrado.
Portanto, quando fui pela primeira vez ao Estádio da Luz foi para ver jogar o Coluna e não foi para ver jogar Eusébio. Se jogou, juro que não me lembro. Ainda não o tinha decorado.
Lembro-me, e bem, do lugar no estádio em que me sentei, da bonita tarde com um sol criador que, no seu ocaso, fazia tombar sobre o relvado as sombras monumentais das torres de iluminação. E só isso era um espectáculo arrebatador.
Lembro-me também do meu avô a ralhar com um homem porque o viu atirar ao chão o invólucro de um rebuçado. «O senhor faz isso em sua casa?» Imagine-se, portanto, o género de exigências do meu avô.
«Fica Coluna», disse-me assim que o jogo, que era com o Belenenses, começou. E eu fixei. Por isso lembro-me muito bem da primeira vez que o vi jogar. Lembro-o possante numa corrida desenfreada sobre a direita, num ombro-a-ombro com um jogador de azul que não demorou a ficar para trás.
Tinha 9 anos e foi isto o que guardei da primeira ida à Luz.
O Coluna, o meu avô, as sombras das torres caindo sobre o relvado, o homem que atirou para o chão o papellito do rebuçado e eu. Saí de lá encantada com tudo. E assim me mantenho.

NA segunda-feira à noite, na Luz, foi bem mais empolgante o resultado do que a exibição. E o resultado foi um tangencial 1-0 não muito especialmente sofrido, valha a verdade. A exibição foi na linha das anteriores. Isto é, segura sem deslumbrar. Este ano temos um Benfica à italiana. Eu gosto.
Do Benfica do passado recente, com um futebol a oscilar entre o mirabolante e o desguarnecido, entre a nota artística e o chumbo final, saiu, finalmente, um Benfica mais esperto. Pois que assim se mantenha, esperto e desperto.
Querem notas artísticas? Nesta temporada é uma nota artística por jogo e basta.
Foi que aconteceu com o Guimarães. O teenager Markovic  encarregou-se de fazer o seu número e em poucos segundos o jogo ficou resolvido. Antes e depois foi o costume, o costume recente. Um Benfica sem dúvida mais crescido mas frequentemente complacente com as situações do jogo.
Se forem com esta complacência toda jogar ao Restelo, no domingo temos o caldo entornado. Adivinha-se uma casa cheia em Belém. O Benfica não é a alegria das secretarias da Liga mas é, sem dúvida, a alegria das tesouraria dos clubes da Liga.

A semana foi repleta de acontecimentos invulgares. E, de um modo geral, os analistas e comentadores chegaram todos às mesmíssimas conclusões.
O Sporting reforçou a sua candidatura ao título e o FC Porto abdicou de candidatura ao título - foi a primeira conclusão da semana.
As imagens da SAD portista, com Pinto da Costa à cabeça das hostes, no túnel do Dragão fazem prova do fim de um regime - foi a segunda conclusão da semana.
Precipitaram-se, na minha opinião, os analistas.
É certo que o desaire com o Estoril promoveu uma troca de lugares no topo da tabela. O Sporting subiu para o segundo posto e o FC Porto desceu para o terceiro posto. Mas como pode ser o Sporting (em festa) mais candidato do que o FC Porto destroçado) quando ainda faltam tantas jornadas e sendo a distância que os separa do líder quase igual?
E sabendo-se que o actual líder se especializou nas duas anteriores edições da prova em desperdiçar infantilmente vantagens de monta.
Por que razão, política ou administrativa, são intransponíveis os 7 pontos de atraso do FC Porto para o Benfica e são transponíveis os 6 pontos que separam o Sporting do Benfica? E são 6 pontos visto que o Benfica e Sporting já jogaram duas vezes e em caso de igualdade pontual última jornada o desempate favorece os da Luz que empataram em Alvalade e ganharam na recepção ao rival.

NO que diz respeito à disparatada conclusão quase unânime de que está para cair o status quo que fez furor nas últimas três décadas do futebol português, manifesto também o meu profundo desacordo com os precipitados gatos-pingados do referido regime.
Entenderam todos, vá lá saber-se porquê, que os sinais dados por Pinto da Costa e companhia à saída do estádio são de inexorável decadência. Fatal engano. Os sinais não são de queda.
São antes, e em flagrante, os sinais da ascensão do regime:
A desautorização da autoridade, a passividade encolhida da dita autoridade no momento do safanão, o confronto belicoso com o repórter que se atreveu a colocar uma questão obrigatória podem, como é da tradição, não merecer qualquer tipo de reparo quer do Ministério da Administração Interna quer do Sindicato dos Jornalistas, mas não podem , de maneira nenhuma, fazer prova da decadência quando são prova da velha e consabida origem e ascensão.
Em que difere a tirada «os ratos é que abandonam o navio» proferida por Pinto da Costa na recentíssima noite de 23 de Fevereiro de 2014 da tirada «os ratos fogem a sete pés» proferida por Pinto da Costa a 25 de Março de 1982 no preciso momento em que viu consubstanciada a sua vitória política e administrativa sobre Américo de Sá, o presidente deposto à má-fila?
Ratos, sempre ratos.
Poderão replicar-me dizendo que nos velhos tempos do regime jamais seria permitida a presença de câmaras à saída do túnel do Dragão. Mas coisas dessas já não são possíveis. Mudaram-se os tempos e hoje, se as câmaras de televisão forem barradas, cada cidadão tem a sua câmara no bolso agregada ao telemóvel e pode, a qualquer momento, fazer despertar o repórter que há em si.
Poderão também contrariar-me dizendo que nos velhos tempos do regime seria impossível assistimos aos continuados desabafos públicos de atletas do FC Porto desagradados com a respectivas situações. Mas nesses admiráveis tempos não havia Facebook nem as demais redes sociais que vieram dispensar a bafienta utilidade dos intermediários oficiais e oficiosos.
Desenganem-se, portanto, os que acreditam na decadência do regime só porque viram um  polícia e um jornalista a ser praxados. O regime está igualzinho ao que sempre foi desde o primeiro dia. E com os mesmíssimos tiques e com a mesma retórica. O mundo é que mudou.

JARDEL foi a figura do jogo do Benfica com o Vitória de Guimarães.
É verdade que houve Markovic ao nível de um predestinado na primeira parte, é verdade que houve Oblak imbatível o jogo todo e chamado a serviço porque o Vitória não levou o autocarro para o relvado, é também verdade de que houve Luisão a cumprir o seu compromisso número 400 pelo Benfica com uma exibição categórica.
É verdade tudo isto mas Jardel, honra lhe seja feita, foi o homem do jogo porque uma figuraça daquelas, de cabeça entrapada até ao intervalo e, depois, por toda a segunda parte, usando como protecção um notável elmo de borracha e adesivos, inspirado no figurino do primeiro rei de Portugal, tem de ser forçosamente a figura da noite.
O adereço medieval transfigurou-o. Entrou no personagem régio e chegou para tudo e para todos. Uma limpeza. Fez esquecer Garay, é verdade.
No entanto, seria bom não vender Garay até ao final do mês para a Rússia. Isto, claro, se o Benfica quiser mesmo lutar pelos títulos a que concorre. Porque com Luisão, Garay Jardel e Steven Vitória, o eixo da defesa parece dar garantias de coesão. E coesão foi o que mais de viu mais na noite de segunda-feira no Estádio da Luz. Sem ter feito uma exibição portentosa, o Benfica ganhou muito bem os três pontos que estavam em causa.
É essa a nossa causa. É que não vejo outra."

Leonor Pinhão, in A Bola

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um texto especial sobre Mário Coluna

"As mortes de Eusébio e de Coluna, surgidas neste cinzento início de ano de 2014, vieram reavivar a noção de uma notável realidade histórica de um Portugal de coração grande, do tamanho do mundo. Um Portugal que se rói por dentro nos defeitos mais pequenos e que raramente se estimula nas grandes virtudes.
Disso mesmo me falava esta manhã, Jorge Olímpio Bento, meu particular amigo e director da Faculdade de Desporto do Porto, ao fazer-se chegar-me um texto que quero partilhar com os leitores da A BOLA. Dizia assim:
«Creio que a única vez que estive com Mário Coluna foi nos I Jogos da Lusofonia, realizados em Macau, há alguns anos. Lembro-me bem de um momento altamente simbólico. Estávamos muito próximos um do outro, na tribuna de honra do estádio, aquando da cerimónia de abertura. A bandeira portuguesa subiu no mastro e o nosso Hino Nacional foi tocado. Mário Coluna levantou-se como toda a gente, mas fez algo mais: cantou A Portuguesa. Alguém da comitiva moçambicana lhe dirigiu um qualquer reparo. Coluna reagiu em voz bem audível, dizendo que Portugal era também a sua Pátria e jamais esqueceria a honra de ter sido capitão da Selecção portuguesa.
Este pormenor merece ser bem reflectido, até porque somos grandes nos feitos e pequenos nos defeitos. Qual seria o país europeu, a não ser Portugal, que, nos anos 60 do século passado, teria um cidadão negro como capitão de uma Selecção Nacional? Fica aqui a minha homenagem a Mário Coluna e para a disposição lusitana em incorporar o diferente e estranho».
Um editorial deve sempre obedecer a uma posição institucional da direcção do jornal. Se reproduzo, aqui, este texto, é porque ele representa, em rigor, o que me vai na alma."

Vítor Serpa, in A Bola

O 'mister'

"O mister é o treinador no mister ou ofício do futebol. Sem excepções, seja jovem ou reformado, competente ou desastrado, de elite ou de divisões secundárias, professor ou com a 4.ª classe, português, inglês ou de outra parte. O mister é sempre mister. Por vezes até, os jogadores referem-se ao treinador em duplicado semântico: o senhor mister. Mesmo quando vítima de chicotada (para ele) psicológica (para os jogadores), o mister não deixa de o ser para os seus antigos jogadores, ainda que não venha a exercer mais esse mister. É provável que a origem deste tratamento radique no facto de a Inglaterra ser a mátria do futebol e de ter havido muitos treinadores ingleses no passado.
O grupo de trabalho - outra expressão recorrente no futebol - é dirigido pelo mister numa mistura de liderança respeitosa e de convívio de balneário. Curiosa é a mudança de tratamento por um jogador em ruptura com o treinador. Passa do afável mister em inglês para o distante ou despeitado senhor em português.
Um jogador que passa a mister começa a ser tratado não por um, mas por (pelo menos) dois nomes. É mais uma prova de que o mister é respeitado ou temido.
Interrogo-me como será o tratamento com as treinadoras. Pela mesma regra dos homens serão Mrs se casadas ou Miss se solteiras? Ou simplesmente senhoras ou donas?
O mister (à inglesa) está para o futebol como o chef (à francesa) está para a culinária. Tudo uma questão de cozinhado linguístico. Certo é que a lista nacional das profissões não inclui a de mister. E nos Centros de Emprego não há empregos para misteres. Mesmo assim, não há mister de mudar de tratamento."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Excelente vitória

Benfica 4 - 1 Áustria de Viena

Com 0-1 ao intervalo, é fácil afirmar que a 1.ª parte foi má, e o 2.ª tempo muito bom, mas não foi isso que aconteceu: o resultado ao intervalo era extremamente injusto. O Áustria chegou ao golo sem saber ler e escrever, e demonstrava ser uma equipa limitada tecnicamente, que baseava o seu jogo no físico e na agressividade - permitida pelo o árbitro!!!
Um dos problemas desta equipa, é a finalização. Com o 'desaparecimento' do João Gomes, ficámos sem um 'matador': o Romário, o  Gonçalo Guedes e o Nuno Santos são bons jogadores, mas nenhum é ponta-de-lança, e nota-se que falta alguém para concluir as jogadas na área...
O outro problema, tem sido na baliza!!! Pessoalmente gosto do André Ferreira, ainda é júnior de 1.º ano, mas depois de alguns golos mal sofridos deixou de ser opção (creio que por lesão...) o Graça começou agora a jogar, e em dois jogos, teve duas falhas... se em Guimarães as crónicas desculpam o golo com o relvado, hoje, a culpa foi toda dele. Não podemos continuar a sofrer golos estúpidos... hoje deu para rectificar, mas nem sempre vai dar... E agora sem o João Nunes (creio que por lesão...) o Ricardo Carvalho vai ter que 'agarrar' a oportunidade...
Na 2.ª parte, com a entrada do Rochinha (regresso após lesão prolongada...) a equipa melhorou, é verdade, mas o golo do empate, só surgiu num canto; com a excelente jogada do Rafael Ramos no 2,º golo do Romário, os Austríacos, finalmente arriscaram, e nessa altura a rapidez dos nossos avançados sentenciou a partida, com dois golos no 'contra' a alta velocidade!!!

Vamos a Manchester, defrontar o City, do Rony, nos Quartos-de-final. Vi a goleada que o City deu no Bayern, têm uma equipa forte, tecnicamente e fisicamente, não vai ser fácil, mas esta equipa já demonstrou ser forte fora de casa... com a velocidade dos nossos avançados, a jogar em contra-ataque, tudo pode acontecer...!!

Recordo, que o PSG, nosso adversário na fase de grupos passou aos Quartos, e que o Atlético de Madrid (e o Áustria de Viena) equipas que eliminaram os Corruptos, foram agora eliminadas. Pode não querer dizer nada, mas pode ser um indicador que o nosso nível neste momento está elevado... Passando a próxima eliminatória, tudo pode acontecer, mas pelo que já vi na Eurosport o Barça, Chelsea e Real Madrid parecem ser as equipas mais fortes, e nós podemos ser a 4.ª equipa da Final-Four!!!

Tranquilo...

Carvalhos 3 - 9 Benfica

Até começamos a perder, mas rapidamente demos a volta ao resultado, ao intervalo com 2-5 o jogo estava praticamente decidido... mas a entrada na 2.ª parte foi ainda mais demolidora!!! Com o João Rodrigues on-fire!!!

ADENDA: Os Corruptos acabaram mesmo agora de empatar em Barcelos, 3-3 !!! Mas não foi fácil !!! Os apitadores 'inventaram' dois penalty's a favor dos Corruptos: no primeiro os Corruptos marcaram, mas no 2.º penalty inventado, a poucos segundos do fim (14s), o Ricardo Silva defendeu!!! Isto depois de um 'azul' a poucos minutos (1m40s) do fim a um jogador do Barcelos completamente surreal!!! Nem com o 'colinho' todo conseguiram ganhar!!! O Hóquei em Patins português, continua a ser uma palhaçada... esta gente não tem vergonha nenhuma!!! Já no final partida, confusão com adeptos, e jogadores Corruptos ao barulho!!! Tudo normal...!!!

Mário Coluna o mostro por ser... general

"Ainda Portugal e Moçambique, o Benfica e o futebol português de luto pela morte do rei Eusébio, eis que também Mário Coluna, o monstro sagrado, nos deixa.
Sim, o monstro sagrado. Antes de Eusébio e, durante quase uma década, ao lado do seu afilhado, Coluna foi o patrão, o precioso líder do grande Benfica europeu e da Selecção Nacional. Nunca vi futebolista que sequer o igualasse em personalidade/capacidade de comando. Que senhor capitão! Porque era sempre nos momentos mais difíceis que ele, poderosíssimo sobre adversários e nos jactos de alma impulsionando os colegas, se erguia como... general. Bem mais do que por ser estupendo jogador que enchia o meio-campo, o fascínio de Coluna, aquilo que o tornou... único, era esse: tudo corria bem à sua equipa, ele parecia ser apenas mais um (como se tal fosse possível...); dava para o torto, no Benfica ou na Selecção, aí vinha ele, o monstro indomável: pegava no jogo pelos cornos, pegava nos colegas pelos colarinhos, toca a virar isto do avesso. Assim, sistematicamente general quando as batalhas pareciam perdidas, único!
Agora que TV's tiveram a excelente ideia de nos mostrar, na íntegra, filmes de históricas vitórias de Portugal no Mundial-1966 (onde Coluna foi, evidentemente, o senhor capitão), permito-me sugerir o mesmo para cruciais jogos em que ele se assumiu general. Exemplos: as duas finais do Benfica bicampeão da Europa (ainda sem Eusébio na primeira e em ambas começando a perder...). Até com golos seus, Coluna assumiu comando para virar de pantanas o curso dessas finais. No Benfica ou na Selecção, ele era a coluna vertebral; e, quando se tornava urgente, daí partia para também ser coração, alma e cérebro na avassaladora força mental. Monstro de liderança!"

Santos Neves, in A Bola

Um líder histórico do futebol mundial

"O Mário Coluna tinha um estilo imperial. Pisava o campo como um conquistador e a sua liderança projectava-se não apenas na sua equipa e nos seus companheiros, mas também no adversário.
Chamaram-lhe monstro sagrado. Havia nele um respeito, diria até, uma santa veneração, que também resultava de uma imagem de serenidade que tornava imperceptível as marcas de qualquer sentimento.
Foi protector de Eusébio. Mais do que um irmão mais velho, um pai. Recebeu-o em Lisboa e no Benfica com carinho paternal, orientou-o na sua vida desportiva, social, familiar. Eusébio tinha pelo «senhor Coluna» um respeito de filho em família tradicional.
Tinham, afinal, não mais de seis anos de diferença, mas para um miúdo, como Eusébio, acabado de chegar à Europa, deslumbrado com o cosmopolitismo de Lisboa, Coluna era um abrigo e uma referência.
Foi um jogador de virtudes excepcionais. Mais pela clarividência no jogo e pela invulgar força física do que pela destreza. Nem sequer era um jogador explosivo, como sempre foi Eusébio. Mas era o patrão da equipa e não raras vezes o patrão de cada jogo.
Grande e inesquecível capitão do Benfica, onde foi bicampeão europeu. Enorme capitão da Selecção Nacional e grande comandante no Mundial de Inglaterra em 1966.
É evidente que tenho mais memória visual de Eusébio do que Mário Coluna, mas, jovem adolescente, vi-o jogar por diversas vezes no Benfica e na Selecção. Se Eusébio era o pantera negra, para mim, Mário Coluna era o elefante. Inteligente, dominador, forte, imbatível.
É simbólico que Coluna não tenha chegado a resistir mais de mês e meio à morte de Eusébio, nefasto acontecimento que muito o terá abalado. Então, já não teve forças para fazer tão longa viagem. Estava doente há bastante tempo e apesar dos esforços dos amigos, que o aconselhavam a maiores cuidados médicos e hospitalares, sempre procurou viver a vida numa ânsia permanente de liberdade."

Vítor Serpa, in A Bola

383

"Na passada 6.ª-feira recebi um sinóptico SMS que dizia apenas «383». A minha primeira associação foi com fruta (bélica) por causa de uma notícia no Brasil, que havia lido: «A polícia apreendeu 383 bananas de dinamite no Vale do Ribeira. Por enquanto, ninguém foi preso.» Depois pensei no código postal da minha terra natal Ílhavo (3830), mas o zero (que não à esquerda) fez-me mudar de ideias.
De seguida perguntei-me se 383 seria o indicativo telefónico das Ilhas Selvagens para que não subsistam dúvidas sobre a nossa soberania sobre as cagarras? Mas não.
Virei-me para o futebol. Contei os dias desde a última vitória do FCP, em casa, para as competições europeias, mas cheguei tão-só a 368 (desde 19/2/13). Ainda pensei numa nova táctica 3x8x3: 3 minutos antes, 8 após e 3 árbitros.
Li finalmente a notícia. O Porto havia sido condenado (?) a pagar 383 euros pelo atraso de 2 minutos e 46 segundos na Taça da Liga. Uma multa tipo EMEL: 2,32€ por segundo estacionado no balneário/túnel. Uma multa que nem sequer paga o custo do processo e consegue ser inferior ao indexante de Apoios Sociais (419,22€) que serve para definir as prestações sociais de combate à pobreza. Creio que nem sequer chegará para comprar um bom cronómetro que não se atrase.
E tudo relacionado com uma Taça desprezível para o agora condenado clube por um seguríssimo órgão da FPF. Como no ano passado já acontecera face ao V. Setúbal.
383 é uma capicua ou um número palíndromo. Quer dizer que é um número cujo reverso é ele próprio. Ora aí está. Tudo explicado. Tal como sacas que, também palíndromo, é o mesmo lido de trás para a frente. Limpinho."

Bagão Félix, in A Bola

Luisão: «Sou privilegiado»

"Capitão do Benfica em entrevista a A BOLA; Dá conta do estado de espírito por ter chegado aos 400 jogos pelo Benfica; Partilha mérito
(...)
«Sinto-me muito feliz, é uma marca muito importante. São poucos os jogadores que fazem isso hoje em dia, ainda para mais com uma camisola com tanto prestígio como é a do Benfica», começou por dizer Luisão, que ocupa o 10.º lugar na lista dos jogadores mais utilizados de sempre no Benfica, atrás de alguns dos maiores homens da história das águias, entre os quais, claro, Eusébio e Mário Coluna. Luisão, 33 anos, conta que se aplica em cada jogo «como de fosse o primeiro» e faz questão de partilhar o mérito com quem esteve ao lado dele desde que chegou ao Benfica, em 2003, proveniente do Cruzeiro: «Nunca conseguiria ter chegado a esta marca sem o apoio de todos os meus colegas ao longo dos anos. Para eles, também o meu obrigado.»

FAMÍLIA BENFIQUISTA
Na 11.º temporada ao serviço do Benfica e com contrato até 2016, Luisão já tem um lugar na história. E sublinha como o presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, foi importante, desde o momento em que chegou a Lisboa, no verão de 2003: «Foi indescritível ser homenageado pelo presidente, uma pessoa que me diz muito. E a todos os benfiquistas também. Hoje o Benfica é um clube de top, com condições de excelência, existindo tudo para que os jogadores possam fazer aquilo que sabem, treinar e jogar. Lembro-me do dia em que aqui cheguei, do choque que senti porque a realidade que encontrei não tinha nada a ver com a dimensão que o nome Benfica tinha no Brasil. Tive vontade de regressar e foi o presidente quem me convenceu a ficar. Disse-me que tudo ia mudar e a verdade é que mudou mesmo. Sou um privilegiado por ter vivido todas essas mudanças». Luisão abre o coração quando fala de tantas recordações que gravou em onze anos e meio: «Opa... São tantas, imensas mesmo. Sinto-me cada vez mais realizado e feliz por pertencer à família benfiquista.»

LAMENTO PELA MORTE DE COLUNA
(...)
«Infelizmente, a família benfiquista viu partir mais um grande símbolo um ídolo e uma referência para todos nós. Descanse em paz grande capitão.»

CAMPEONATO E LIGA EUROPA
(...)
«Nesta casa, só pensamos treino a treino e jogo a jogo. Neste momento, o mais importante é preparar o jogo com o PAOK»
(...)
«a eliminatória ainda está no intervalo. Ganhámos o primeiro jogo, mas ainda nada está decidido. Vamos respeitar o PAOK, que tem qualidade, como fizemos no primeiro jogo», prometeu.

«FOI LINDO DE MAIS»
(...)
Luisão foi apanhado de surpresa e emocionou-se quando viu a homenagem que a mulher, Brenda Mattar, as filhas Sophia e Valentina, de cinco e dois anos respectivamente, o pai, Amaral, e a mãe, Arlete, lhe prestaram, nas páginas de A BOLA, pelos 400 jogos no Benfica. «Foi lindo de mais», desabafa, depois convidado a comentar os depoimentos da família que o atingiram no coração.
«Foi uma surpresa fantástica das pessoas que eu amo, que sofrem e festejam com  as nossas vitórias e que estão sempre a vibrar com os jogos do Benfica, porque lá em casa somos todos benfiquistas. Agradeço no fundo do coração e foi uma homenagem que nunca esquecerei», prosseguiu o capitão dos encarnados.»
(...)
«Claro que sim. Vestem a camisola, cantam o hino do clube, pegam nas bandeiras... É a festa completa», rematou.

OS DEPOIMENTOS
(...)"

Entrevista a Luisão, por Gonçalo Guimarães, in A Bola

Capitão

A expressão Eterno Capitão, não deve ser interpretada com leviandade, Mário Coluna deixou-nos, mas será para sempre o nosso Capitão, onde quer que esteja.
Se em 1961, foi ele que recebeu Eusébio em Lisboa, como um Pai, agora a situação inverteu-se, será o King a receber o Sr. Coluna no panteão das nossas estrelas...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

«Henrique O Grande; Henrique O Único»

"Uma vez, em Sófia, em 1973, com a camisola da Selecção Nacional, o Zé Gato fez uma das melhores exibições alguma vez assinadas por um guarda-redes português no estrangeiro. Conta quem lá esteve, com elogios merecidos.

HOJE vou falar de José Henrique: José Henrique Rodrigues Marques. O Zé Gato! O Zé merece! É uma amigo e foi grande como poucos. Por isso o título: roubei-o a um dos velhos mestres, Alfredo Farinha, que o publicou na antiga «A Bola» no dia 3 de Maio de 1973, na sequência de mais uma derrota bisonha da Selecção Nacional, em Sófia, na Bulgária, por 1-2. Uma derrota tão tristonha que praticamente afastava Portugal da Fase Final do Campeonato do Mundo de 1974, na Alemanha. Eram os tempos. 1966 teimava em não se repetir. Teríamos de esperar precisamente quarenta anos, até 2006, também na Alemanha, por nova meia-final de um Mundial.
José Henrique não teve na Selecção Nacional a carreira que mereceu: apenas 15 internacionalizações. Havia o Damas, depois houve Bento, e o Zé Gato ficou-se pelo meio dos dois. Mas, nesse ano de 1973, era ainda o guarda-redes da Minicopa, essa aventura de Verão que nos levou, em 1972, ao Brasil e a um dos momentos mais fascinantes do Futebol português.
Daí que a desilusão da ausência no Campeonato do Mundo de 1974 tenha sido ainda maior: afinal a Minicopa prometera tanto!
E havia ainda Eusébio, marcando mais golos do que nunca, «Bota de Ouro» europeu pela segunda vez.
Havia, mas não houve. Em Sófia, quero eu dizer. Em Sófia, nesse dia 2 de Maio, não houve nada. Ou melhor: houve Henrique, O Grande! O Único!

Ponto mais alto do elogio
ZÉ GATO é de família, mas ficava-lhe bem. Ele conta que quando surgiu no Benfica para se submeter à experiência era tão franzino que o equipamento ficava a boiar-lhe no corpo. Mandaram-no embora. Era pequeno demais para uma baliza tão grande. Teimou. A baliza foi, com o tempo, tornando-se mais pequena por sua vez.
Sobre José Henrique podem escrever-se páginas e páginas. E vamos escrevê-las. Vamos escrever até um livro inteiro, porque ele o merece. É deixar passar esta chuva insuportável e este mar furibundo que teima em destruir os molhes e as praias da Caparica para voltarmos às nossas conversas por dentro da memória, lá desse lado do rio que é o seu lado, da Arrentela ao Seixal onde nasceu e apanhou lamejinhas e ameijôas e começou a jogar futebol e se fez homem. Um homem às direitas na margem esquerda do Tejo!
Fez mais de 400 jogos com a camisola do Benfica: foi campeão por oito vezes. Ainda é um campeão!
Mas hoje vou dedicar aqui, a ele e ao Alfredo Farinha, esse momento brilhante na baliza da Selecção Nacional, em Sófia. Portugal jogou assim: José Henrique; Artur, Humberto Coelho, José Mendes e Adolfo; Toni, Quaresma e Simões; Artur Jorge, Eusébio e Jacinto João. Na segunda parte Nené substituiu Jacinto João e Pavão entrou para o lugar de Quaresma. Equipa de qualidade, como se vê. Não chegou. Na primeira parte Denev fez 1-0, num remate indefensável à entrada da grande-área. Na segunda, Bonev chegou aos 2-0, numa recarga a pontapé de Stoianiov ao poste. Nené faria o 1-2.
Vamos lá à prosa do mestre sobre o gato: «Com dois golos sofridos, derrotado, enfim, tal como os outros (doze), ele foi apesar de tudo o salvador da equipa portuguesa, o que vale por dizer que se não tem sido ele não teriam sido só dois - seriam pela certa mais. Felino como só ele (por alguma razão ganhou jus ao apodo de 'o gato'), arrojado a lançar-se aos pés dos búlgaros, decidido a sair-se aos cruzamentos pelo ar, optando sempre bem entre segurar o esférico e socá-lo para os lados, José Henrique adregou aqui em Sófia não apenas uma das melhores exibições da sua carreira, mas também uma das melhores actuações que já alguma vez vimos a um guarda-redes português no estrangeiro».
Ah pois! De truz! A homenagem é mais do que merecida.
Lembras-te Zé? Olha. Cá fica o meu abraço!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Herculano

"1. A Justiça em Portugal é má. E injusta. A Justiça no Futebol português fede! Os ingleses costumam dizer que Londres é a enorme fossa onde vão desaguar todos os deserdados do império. A Justiça do Futebol em Portugal é a imunda cloaca onde vão desaguar os mais ineptos representantes da má Justiça portuguesa.

2. O Conselho Superior da Magistratura, cumprindo o seu dever de aconselhar, já solicitou aos seus membros para não aceitarem cargos nos conselhos de disciplina ou de justiça (assim mesmo, em caixa baixa) do Futebol português. Por alguma razão o fez. Tais organismos não contribuem em nada para a boa imagem dos magistrados. Pelo contrário.

3. Na sua grandíssima maioria, os magistrados que desobedecem às directivas do Conselho Superior da Magistratura são desqualificados que atingiram a jubilação por limite de idade deixando na cauda das suas carreiras uma lista infinita de decisões espúrias e não fundamentadas e muitos processos em atraso. No Futebol encontraram o reconhecimento que não têm entre os seus pares. E podem fazer tábua rasa do princípio básico da vida de um juiz - ser independente.

4. É conhecida a tendência do Madaleno em rodear-se por figuras sinistras que pertenceram aos infames Tribunais Plenários do tempo cão do fascismo. Também é conhecida a sua tendência para ter magistrados amestrados que frequentam o seu camarote e erguem as taças à medida dos seus triunfos - fora e dentro das salas de audiências. É por estas e por outras que em Portugal a Justiça tresanda.

5. Alexandre Herculano escreveu certa vez: «A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de passagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada». Também há Herculanos decentes. De espinha direita."

Afonso de Melo, in O Benfica

De Borboleta para a vitória !!!

Benfica 1 - 0 Guimarães

Esta semana ficámos a saber que a alcunha do Markovic é Borboleta!!! Talvez por isso, o Douglas, hoje, quando se esticou todo, quando a bola lhe passava por cima, parecia mesmo que estava a tentar apanhar 'borboletas'... mas falhou!!!
Jogo atípico do actual Benfica. Entrámos bem, logo com uma excelente oportunidade, mas também foi imediatamente visível que o esquema defensivo do Vitória, iria nos trazer problemas, com duas linhas muito próximas com 9 jogadores!!! Após o choque entre o Enzo e o Jardel, o jogo 'acalmou', e o Benfica demonstrou muita ansiedade, nervosismo mesmo... neste período falhámos muitos passes, inclusive o Enzo. Com várias perdas de bola improváveis, acabámos por permitir ataques rápidos ao Guimarães. É verdade que o Oblak só foi verdadeiramente posto à prova, numa ocasião, num remate do Maazou, mas existiram outros remates, que acabaram 'bloqueados' pelos nossos jogadores... O Benfica nos últimos tempos, não tem oferecido tantas bolas a meio-campo, como fez hoje, principalmente na 1.ª parte... Neste período, houve um jogador que se destacou claramente: Markovic. E não foi por causa do belíssimo golo, antes disso já tinha executado várias arrancadas, cheias de veneno desperdiçadas pelos companheiros. Não sei se foi a entrevista do Matic, que pediu mais entrega nos treinos ao Borboleta, que o espevitou, mas este foi de longe o melhor jogo do jovem sérvio ao serviço do Benfica...!!!
A 2.ª parte, foi mais calma, o Benfica baixou o ritmo, o Fejsa recuou um pouco mais, e deixámos de 'entregar' a bola ao adversário. O 2.º tempo começou com um grande remate do Sílvio, e uma cabeçada do Maazou que acabou por ser facilmente defendida pelo Oblak... só nos últimos minutos o perigo voltou a rondar as balizas: sempre a baliza do Guimarães... O falhanço do Lima só se pode explicar pelo cansaço...
É verdade que mantivemos a consistência defensiva, e por isso mesmo somámos os 3 pontos, mas a fluidez não foi igual aos últimos jogos... e neste caso nem podemos justificar com o cansaço da Liga Europa, porque no onze inicial só 6 jogadores repetiram, sendo que o Enzo só jogou 60 minutos na Grécia e hoje o Sulejmani foi o primeiro a sair... acredito que a responsabilidade foi repartida, entra o esquema do Vitória, e a ansiedade de voltar a não desperdiçar um mau resultado, de um dos adversários directos!!!
Ainda três notas: hoje jogámos sem o Maxi, e o Gaitán castigados, e sem o Cardozo e Garay lesionados... e ainda temos o Salvio a recuperar a forma, é praticamente meia-equipa...; o Jardel passou demasiado tempo a receber assistência, passámos vários minutos a jogar com 10 jogadores, algo que podia ter sido fatal...; o relvado continua muito mau... muitos dos passes falhados na 1.ª parte foram por causa do relvado. Também não percebi as escorregadelas dos jogadores, principalmente o Enzo e o Rodrigo: os jogadores têm o direito de escolher o tipo de pitons que gostam mais, mas quando as condições do terreno não permitem jogar com o habitual calçado, alguém tem que se fazer ouvir...!!!
O homem do jogo é o Markovic, não é todos os dias que se marca um golo daqueles, nem se faz um jogo desta elevada qualidade, mesmo que nos últimos 30 minutos, o Borboleta tenha 'arrefecido'... Mas esta noite tivemos dois enormes 'guerreiros': Jardel e Fejsa. Grande jogo de ambos... O Luisão no seu 400.º jogo esteve também muito bem, mesmo com algumas escorregadelas. Criticado por muitos, dado como acabado várias vezes por outros, o Luisão será outro daqueles jogadores, que quando deixar de vestir a camisola do Benfica, vai deixar muitas saudades...!!! O Sílvio defensivamente esteve impecável, mas ofensivamente, jogando na direita, torna-se menos perigoso... O Siqueira fez um jogo razoável, e no final da partida soube resguarda-se, porque uma das estratégias ofensivas do Vitória, era fazer passes longos nas costas do Siqueira...!!! Este foi um dos jogos mais fracos do Enzo nos últimos tempos: levou muito tempo a adaptar-se ao relvado, falhou muitos passes, e o povoamento do meio-campo adversário, complicou o seu trabalho... O Sulejmani acabou por não aproveitar o estatuto de titular no Campeonato... tinha feito bons jogos recentemente, mas hoje não conseguiu produzir o esperado. O Rodrigo está a entrar novamente naquelas fases onde tudo lhe corre mal, em frente da baliza... precisa rapidamente de voltar aos golos!!! Grande assistência para o Marko no golo: meio-golo!!! O Lima falhou um golo escandaloso, mas mesmo com poucos remates à baliza, sou da opinião que o Brasileiro estava a fazer um bom jogo, falhou algumas recepções no peito, mas mesmo assim segurou muitas bolas, e quando descaiu para as alas, deu quase sempre seguimento às jogadas...
O Salvio não entrou tão bem, como o tinha feito na Salónica... Vai precisar de vários jogos para recuperar o ritmo... O Amorim entrou tarde de mais!!! Mais uma substituição no 'último minuto', não realizada pelo Benfica!!! Tem sido habitual este cenário... sinceramente não sei qual é o objectivo: perder tempo?!!! Então façam a substituição logo no início do tempo de desconto.
Suspeito que amanhã os elogios à arbitragem vão ser muitos, mas nas bancadas foi visível a pouca-vergonha. Já o escrevi anteriormente, Nuno Almeida depois do Benfica-Académica da época anterior ficou condicionado (penalty no último minuto a nosso favor...). Em todos os jogos que apitará do Benfica, irá fazer tudo para demonstrar que não é 'benfiquista'!!! Amanhã, vão elogiar o critério disciplinar à Inglesa, mas ninguém se irá recordar que ainda recentemente num jogo da nossa equipa B, no Seixal, expulsou 2 jogadores do Benfica, com um critério completamente diferente!!! Mas hoje, uma coisa eu tenho a certeza, acontecesse o que acontecesse, ninguém do Guimarães seria expulso!!! Para cumulo, conseguiu marcar fora-de-jogo ao Benfica, num lançamento lateral, onde existiu uma falta claríssima sobre o Rodrigo mesmo à entrada da área!!! A quantidade de lançamentos laterais trocados (sempre a nosso desfavor), e a ausência de livres a favor do Benfica em situação ofensiva, são prova mais do que suficiente da intenção... repito intenção. Este é daqueles casos onde o problema não foi a incompetência. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mais do que uma demissão

"Há menos de um ano, Paulo Fonseca era o treinador mais desejado do futebol português. O FC Porto antecipou-se à concorrência, contratou-o para suceder ao bicampeão Vítor Pereira e acabou, indirectamente, por ajudar os dirigentes do Benfica a tomarem a arriscada decisão de manter Jorge Jesus, apesar dos repetidos insucessos deste. Sim, por pequenas diferenças, pequenos incidentes de percurso e meras opções conjunturais, podíamos ter hoje um cenário com Paulo Fonseca treinador do Benfica e Jorge Jesus treinador do Porto.
É verdade que, há um ano, Paulo Fonseca estava no topo da lista para suceder a Jesus no Benfica, à frente de Rui Vitória e Marco Silva e que, neste momento, tem a cotação pelas ruas da amargura e um futuro nada prometedor, a avaliar pelo que aconteceu a outros treinadores mal sucedidos naquela casa. O FC Porto é o clube onde qualquer um se arrisca a ser campeão e quem falha é estigmatizado e dificilmente consegue dar a volta por cima.
Falta conhecer a posição de Pinto da Costa sobre a evidente vontade do treinador em fugir da pressão a que a grandeza do FC Porto o submete e para a qual não estava preparado. Aceitar a demissão de Paulo Fonseca sem que este possa ser promovido a um lugar na FIFA ou a um grande clube da Arábia Saudita traduz uma enorme perda de influência do velho dirigente e confirma a ideia de que cada dia que passa tem menos poder na SAD.
Por outro lado, se obrigar o técnico a prosseguir até final da temporada estará a jogar no vermelho perante uma roleta que sai sempre no preto. É um momento raríssimo este, que apetece seguir de perto e que vai entrar na história. Mais do que a mera demissão de um treinador, é do fim de um ciclo que se trata, uma crise da qual vai ser extremamente difícil recuperar. O nervosismo do dirigente a tratar do magno problema do trânsito à saída do estádio para assegurar que treinador e jogadores teriam de passar pelo meio dos adeptos em fúria, disse muito sobre como está aquela cabeça.

P.S. 1: Momento autocrítico da noite de ontem quando Pinto da Costa afirmou que só os ratos fogem. É verdade, excepto se forem para Vigo.

P.S. 2: Momento anticonspirativo da noite de ontem quando o árbitro Vasco Santos, do Porto, assinalou penálti e expulsou um jogador da casa, desmantelando a tese conspirativa sobre o facto de os clubes da 1.ª Liga unidos na luta pela demissão da direcção da Liga serem os próximos dez adversários do Benfica no campeonato."