Últimas indefectivações

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Mais um Mito !!!

Parece que o Mito da saída do Judas do Benfica, já está consolidado. Sempre que alguém fala do assunto, as mesmas mentiras e meias-verdades são repetidas à exaustão, como fosse verdade absoluta...
Recordo-me do meu post: Ego. Nada se alterou, mas desconfio que daqui a 20 ou 30 anos, quando alguém discutir este tema, a maioria desinformada, vai insistir na mentira.
O Judas saiu do Benfica porque quer demonstrar que o responsável pelos títulos do Benfica, nos últimos 6 anos, é ele, exclusivamente. Tudo o resto que se possa dizer é treta... da grossa!!!

Só acredita que tudo foi feito e decidido em três dias, após o Campeonato ter terminado, quem for otário, dos grandes... A proposta do Benfica esteve sempre em cima da mesa: o mesmo contrato. Foi o próprio Judas que se recusou (em todas as renovações), em assinar contratos antes do fim da época...

A forma como os cumentadores independentes, passam por cima da filha-putice pessoal, que o Judas fez ao Presidente, depois de tudo o que Presidente fez por ele... diz bem, da falta de independência desta gentalha.

Grandes a jogar em dia de eleições

"Se houvesse um entendimento da necessidade de proibir espectáculos em dia de eleições, há muito que o legislador o teria feito

Pela primeira vez, em 41 anos de democracia, o futebol vai coincidir com um ato eleitoral. Até agora foi possível conciliar a calendarização dos jogos, prevalecendo o necessário recato que deve envolver a ida às urnas, na convicção de que o bom senso recomenda espaços e tempos próprios para cada uma das actividades.
Quis a calendarização nacional e internacional que a jornada de 5 de Outubro ficasse entalada entre uma ronda europeia de clubes e um jogo decisivo da Selecção Nacional, deixando fora de equação a possibilidade de - com razoabilidade - se jogar noutra data. Assim os três grandes vão entrar em campo, concitando sobre si atenções, no mesmo dia em que os portugueses vão a votos para decidir quem sucede a Passos Coelho, se o próprio Passos Coelho se António Costa. É isto um facto perturbador da democracia? 
Não creio. Se, ao longo de quatro décadas de eleições democráticas em Portugal, o legislador nunca sentiu necessidade de proibir actividades desportivas em dia de votos, provavelmente haverá alguma razão para isso. Da mesma forma que os restantes espectáculos não são proibidos...
Diz o bom senso - e foi isso que prevaleceu ao longo dos últimos 40 anos - que é preferível que não se jogue, para não desfocar atenções. Mas, perante uma situação limite como a que está criada para o fim-de-semana de eleições, não só não se afigura nenhuma solução melhor, como não virá nenhum mal ao mundo pela realização dos jogos de Benfica, Sporting e FC Porto. Do ponto de vista objectivo, do número de votos entrados em urna, ninguém, de boa fé, dirá que haverá beneficiados ou prejudicados. Poder-se-á, quanto muito, argumentar que na noite eleitoral haverá menos atenção para a decisão política, em função dos jogos dos grandes e das respectivas análises. Mas, muito provavelmente, aqueles que vão estar mais atentos à noite desportiva de 5 de Outubro não estariam, de qualquer forma, muito virados para as abordagens políticas da noite eleitoral, onde, regra geral (e ao contrário do que acontece com o futebol), há uma sensação de déjà vue, com todos os partidos a declararem-se vencedores.
Em resumo, ao futebol o que é do futebol, à política do que é da política. E deixem-se, por favor, de dramatizar tudo, por tudo e pelo seu contrário. já cansa...


JESUS MUDOU DE CLUBE MAS CONTINUA IGUAL
«Se compras um Ferrari tens de ter dinheiro para a gasolina. Se me contrataram têm de ter dinheiro para a gasolina. Não é?»
Jorge Jesus, treinador do Sporting, in 'Record'
Jorge Jesus tem uma personalidade complexa, em muitos aspectos contraditória, mas sempre colorida em tons muito vivos, agora predominantemente verdes. Num país cinzento, em que quase todos os protagonistas medem as palavras e procuram não fugir ao politicamente correto, o auto-elogio recorrente do treinador do Sporting tem o efeito de pedrada no charco...

TRIUNFO NA VUELTA
Grande vitória de Nélson Oliveira na etapa que acabou em Tarazona, ponto final e um jejum de sucesso luso na prova espanhola, que durava há nove anos, desde Sérgio Paulinho. Um gosto que suaviza a pedra do sapato que desde 1974 incomoda o ciclismo português: Joaquim Agostinho venceu, de facto, a Vuelta desse ano, mas 'nuestros hermanos' 'enganaram-se' nas contas, marcaram o tempo de José Manuel Fuente no derradeiro contra-relógio à entrada da pista e o de Agostinho apenas na meta. E o espanhol foi declarado vencedor por 11 segundos.

ÁS
Gareth Bale
O País de Gales vai participar pela primeira vez numa grande competição de futebol (os galeses só estão habituados aos grandes palcos no râguebi) e Gareth Bale é, sem dúvida o seu profeta. Bale, que parece mais à vontade na selecção do que no Real, contribuiu com um golo decisivo em Chipre, carimbando o passaporte...
(...)

O jogo da vida do futebol albanês
Vida difícil espera hoje a Selecção Nacional em Elbasan, na Albânia. A selecção local está muito perto de, pela primeira vez, atingir a fase final de uma grande competição internacional e Portugal surge como derradeiro obstáculo. Prevê-se um jogo de luta, de mais transpiração do que de inspiração."

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 6 de setembro de 2015

«Mudança implica dores de crescimento»

" «GOSTARIA DE TER DADO MAIS UM OU DOIS JOGADORES AO RUI VITÓRIA»
Numa fase de mudança estratégica, o presidente do Benfica assume os riscos do novo projecto baseado no Seixal e perante algumas dificuldades anunciadas fala até em dores de crescimento. A aposta em Rui Vitória, as saídas de Jesus e Maxi, as guerras na Liga, nada escapa à análise de Vieira. Que, diz, ainda não pensou nas eleições...
- Fechou o mercado e não houve novidades do ponto de vista de aquisições ou vendas. Está confiante e optimista em relação à conquista do tri?
- Confiante e optimista, sim. Passei as últimas semanas no Seixal e sei que o plantel está motivado e vai dar tudo para conquistar o tri. Mas também sei que assumimos uma opção de mudança em relação ao que era a realidade do Benfica nas últimas décadas, e essa mudança implica algumas dores de crescimento normais neste tipo de processos.

- Mas já se ouvem aqui e ali algumas vozes críticas em relação à opção assumida...
- É normal que assim seja. Seria igual caso tivéssemos decidido continuar a investir como no passado no mercado, fechando as portas da nossa equipa principal aos jovens do Seixal. Vozes discordantes haverá sempre, mas fui eleito para tomar decisões estou muito confortável com a decisão assumida. Quando se avança para uma mudança com esta dimensão, é normal que haja um período de transição, é normal que se necessite de tempo para fazer os ajustes necessários.

- A aposta na formação é por convicção, ou ditada pelas restrições financeiras?
- Claramente por convicção, ou então o Caixa Futebol Campus não faria sentido. Sou testemunha privilegiada do trabalho realizado pelos nossos treinadores das camadas jovens e do talento que desenvolvemos no Seixal. Ao contrário de outros, não fomos forçados a seguir este caminho. Chegamos a esta fase de forma planeada e desejada. Foi para chegar aqui que investimos e desenvolvemos o centro de estágio ao longo destes dez anos. O Seixal é hoje um centro de excelência na formação de jovens, e isso é reconhecido a nível internacional.

- Mas seguir este modelo, se tudo correr como deseja, significa menor investimento na compra de jogadores, ou seja, menos investimento, menos dependência de financiamento?
- Essa será uma das consequências deste modelo, e não a razão de ser desta mudança. É verdade que teremos uma redução das necessidades de investimento, uma vez que deixamos de ter um custo de aquisição, teremos uma redução do custo salarial do plantel e, finalmente, um aumento das mais-valias nas vendas futuras.

- Percebo a lógica que está por detrás desta mudança, a minha questão é se não sente que é uma mudança muito rápida na paradigma do futebol do Benfica?
- Sinceramente, acho que não. Chega no tempo certo. Podemos rapidamente ver como chegámos aqui: até 2008/2009, vivemos um primeiro ciclo deste novo Benfica em que o nosso esforço de centrou na restituição da credibilidade interna e externa do clube, no planeamento, na construção de infra-estruturas, na profissionalização do Benfica a nível dos seus recursos humanos. Depois, uma segunda fase que eu posso situar até ao ano passado, em que se privilegiou um modelo de forte investimento em jogadores estrangeiros com experiência e forte potencial através do recurso ao financiamento alheio, seja bancário ou de outro tipo, que depois amortizámos com as mais-valias das vendas. E agora, em 2015, estamos a entrar numa nova fase em que a estratégia passa por apostar em talentos gerados no Seixal. Jogadores formados dentro de casa, com baixo custo de aquisição, como disse atrás, com menor tecto salarial e, não menos importante, com maior identificação com o clube. É um modelo que equilibra a competitividade desportiva com a redução do endividamento e o reforço dos capitais próprios.

COMPRAR MUITO MENOS ESTRANGEIROS NO FUTURO
- Quer dizer que o Benfica do futuro vai deixar de comprar jogadores estrangeiros?
- Não, mas vamos passar a comprar muito menos. Este modelo, e é assim que está pensado, é compatível com a continuação do investimento em jogadores estrangeiros ou portugueses de outros clubes. Provavelmente, o Benfica de agora não vai investir no Aimar ou no Saviola como fez no passado (com todo o respeito e admiração que tenho pelos dois), mas nada impede que o futuro Aimar seja o João Carvalho ou o futuro Saviola seja outro jovem que cresceu no nosso centro de treinos.

- Sente-se o entusiasmo quando fala do Seixal e da formação. isso significa que o investimento no desenvolvimento do Seixal vai-se manter?
- Seguramente, mas o nível de investimento que hoje é necessário é muito menor do que foi no passado. Os benfiquistas têm de ver o Caixa Futebol Campus como um projecto de geração de valor para o clube. E, quando falo de geração de valor, não significa apenas o que vier a resultar de vendas futuras. Quando se fornecem jogadores às selecções nacionais, e é bom recordar que somos o clube que mais jovens fornece, ou quando se disputam títulos nacionais ou internacionais como a UEFA Youth League, isso significa gerar valor e reputação para o Benfica.

- A aposta na formação está reflectida na equipa neste arranque de época. Acha que o Benfica pode ganhar campeonatos com quatro ou cinco jogadores da formação?
- Como foi que o Barcelona ganhou e continua a ganhar? Sim, acho possível, desde que a aposta seja consistente e continuada. E, já agora, apostar na formação não significa a necessidade de jogar obrigatoriamente com quatro ou cinco jogadores da formação na equipa titular. Mas significa dar oportunidades a estes jovens para trabalharem e crescerem junto da equipa principal, e é isso que tem vindo a ser feito.

- Está surpreendido com o desempenho do Nélson Semedo?
- Só pode estar surpreendido com o Nélson Semedo quem não acompanhou o seu percurso até aqui. Para a idade dele, é efectivamente surpreendente a postura e o à-vontade que ele revela em campo. Se é um jogador feito? Não, claramente não é, mas vai crescer muito, e seguramente que, dentro de três ou quatro jogos, será um jogador muito mais confiante, e muito melhor ainda do que é hoje. Mas atenção, ele, como qualquer outro jovem, tem direito ao erro, e, no momento em que errar, temos de o apoiar, não assobiar. É assim que todos eles vão crescer.

- Esta aposta é para continuar nos próximos anos, ou, se o Benfica não ganhar o tri, o projecto fica comprometido?
- A mudança de rumo que deriva da qualidade do trabalho realizado no Seixal implica naturalmente um caminho que não é isento de dificuldades. Já o sabíamos quando tomámos a decisão de implementar a nova estratégia. Os resultados irão aparecer. E espero que apareçam ainda esta época. Independentemente do que aconteça, a aposta deve ser mantida. Ninguém disse que o caminho ia ser fácil. É preciso ter paciência para integrar os nossos jovens na equipa A, mas também é preciso assumir riscos de forma que eles possam crescer. Não temos pressa mas não podemos perder tempo.

- O Benfica tem vendido alguns jogadores da formação por €15 M. Acha que têm sido bons negócios, ou admite que há aqui um risco de venda prematura?
- Qualquer jogador de 18/19 anos que seja vendido por 15 milhões sem ter actuado na equipa principal, e num mercado como é o mercado português, tem de ser considerado um bom negócio. Disso que ninguém tenha dúvidas. Nós vendemos um talento, mas quem compra assume o risco sobre o futuro desse jogador. Sinceramente, espero que todos os jovens que vendemos nos últimos dois anos se afirmem nas suas equipas, porque isso é a melhor certificação de qualidade que podemos dar ao Seixal.

- Mas o valor de mercado do Bernardo Silva já está acima dos 15 milhões de euros...
- Ainda bem, porque isso significa o reconhecimento pelos jovens que saíram do Seixal. Percebo onde quer chegar e não quero fugir à sua pergunta: eu diria que a primeira boa geração/fornada do Seixal foi queimada do ponto de vista desportivo e salva do ponto de vista financeiro.

- Queimada por quem ou porquê?
- Não vou entrar por aí. Apenas reconheço um facto que não creio que possa repetir-se no futuro.

- O jornal L'Equipe escreveu que o Ivan Cavaleiro custou 3,5 milhões de euros e não 15 milhões. É falsa a notícia?
- O único comentário a fazer é que somos uma sociedade cotada em bolsa, e bastará consultar o nosso relatório e contas para poderem verificar o absurdo dessa notícia.

A CORAGEM DE RUI VITÓRIA
- Sei que disse no ano passado várias vezes que, neste ano, estariam quatro ou cinco jovens da formação a trabalhar no plantel, mas esperava ver tantos jovens a jogar neste início de campeonato?
- É uma opção do Rui Vitória, que seguramente vê qualidades neles. A questão na nossa formação sempre foi a de estes jovens terem oportunidades para poderem chegar ao plantel principal. Os jogadores do Seixal tinham de ter oportunidades de crescer trabalhando com a equipa A, mas jogar ou não jogar, como o Rui Vitória bem disse, são eles que têm de merecer e demonstrar que o merecem. Se têm jogado, é porque o treinador vê que têm capacidades para jogar. Já agora, deixe-me que faça aqui um desabafo: nos últimos anos, todos reclamavam porque não apostávamos nos nossos jovens. Jornalistas, comentadores e adeptos. Agora, há miúdos da formação na equipa principal, e de repente já vejo alguns benfiquistas, muito comentadores e jornalistas a dizer que, se calhar, não vamos lá assim? É claro que vamos, mas para tudo é preciso tempo. Vamos ter paciência.

- Mas acha que este plantel dá garantias em relação aos desafios que vão ser exigidos?
- Dá garantias de trabalho, de empenho, de total dedicação, o que é sempre o primeiro passo para garantir o sucesso. Acho que temos um plantel sólido, que vai praticar bom futebol e que vai lutar pela conquista do tri. Se este caminho implica riscos? Claro que sim, mas não há opções sem riscos. Ou outros clubes foram por caminhos diferentes, mas também assumem riscos. São diferentes, é certo. No final, espero que os benfiquistas se possam orgulhar dos resultados alcançados.

- Disse no dia da apresentação de Rui Vitória: «Há uma garantia que aqui te quero deixar: vais ter as mesmas condições que outros tiveram e vais poder contar com uma equipa competitiva capaz de dar corpo às tuas/nossas expectativas». Acha que o Rui Vitória conta com as mesmas condições que o treinador anterior?
- Assumo que gostaria de poder ter dado mais um ou dois jogadores ao Rui Vitória. Não foi possível, mas isso não significa que a equipa seja menos competitiva, ou que tenha menos soluções que no ano passado. É verdade que perdemos o Maxi e o Lima e, momentaneamente, estamos sem o Salvio, mas encontramos soluções para esses lugares, e creio que a equipa vai crescer muito a partir daqui. Prefiro uma equipa de fato-macaco, que deixe tudo em campo, a uma equipa de fato-gravata, sem compromisso.

- Que avaliação faz do trabalho de Rui Vitória até agora? O treinador já foi fortemente criticada por analistas e alguns benfiquistas porque não ganhou jogos na pré-época, perdeu a Supertaça e um jogo do campeonato...
- No Benfica é assim, passamos da euforia à depressão em muito pouco tempo, e o inverso também é verdade. A mudança que fizemos foi muito grande, e o Rui faz parte desse processo de mudança, portanto é normal que haja um período de adaptação. O Rui chegou ao Benfica pelas capacidades que demonstrou nos últimos 12 anos, e disso que ninguém tenha dúvidas, tem as qualidades necessárias para estar à frente do projecto. E, mais do que um treinador, é um gestor que faz a coordenação de todo o futebol do Seixal, coisa que até aqui nunca tivemos. Há momentos em que temos de ser pacientes, em que temos de apoiar. O trabalho vai acabar por dar resultados. E há uma coisa que devemos reconhecer no Rui, é um treinador corajoso.

- Portanto, não é um treinador a prazo?
- Todos os treinadores são treinadores a prazo, o último esteve seis anos no clube. O Rui tem capacidade para ficar aqui muitos anos. Vai deixar a sua marca no Benfica.

- Mas não fica preocupado com este início de época? A Supertaça perdida, dois jogos ganhos nos últimos 15/20 minutos, a derrota com o Arouca...?
- A equipa actual tem menos de dois meses de integração, muitos jovens, uma nova liderança, novos métodos de trabalho. Seria interessante ver como é que nos seis anos anteriores esteve a equipa antes da pausa de Setembro.

- Dos três grandes, qual é o principal favorito a ganhar o campeonato?
- Creio que partimos os três em situação de igualdade. O Benfica vai defender o título, temos essa ambição; o FC Porto e o Sporting, pelo investimento feito, têm obrigatoriamente de lutar pelo título.

- Temos um Benfica que baixou drasticamente o investimento de anos anteriores, ao contrário de FC Porto, que, embora baixando, mantém o investimento num nível elevado, e do Sporting, que deixou a contenção dos últimos anos para investir com algum significado no plantel e no treinador. Não teme ser vítima desportiva da nova opção desportiva/financeira?
- É uma opção que dará frutos. Se não for de imediato, a médio prazo sairemos reforçados. Digo isto, mas acredito que mesmo desportivamente podemos ganhar no imediato. Quanto aos outros clubes fazem aquilo que entendem fazer e não me vou pronunciar.

GAITÁN, LIMA, CARCELA E TAARABT
- O melhor reforço do Benfica chama-se Nico Gaitán?
- Diria que o melhor reforço do Benfica é todo o plantel. É evidente que o Nico é um jogador com um talento único e que sempre esteve comprometido com a equipa. E isso é algo que vale a pena dizer. Com todas as notícias que houve ao longo de meses, o jogador esteve comprometido com o Benfica, o que é justo destacar.

- Mas houve, ou não, ofertas?
- Vou responder de outra forma: não houve nenhuma oferta que fosse merecedora de levar o jogador para fora do Benfica.

- Esta dedicação do Gaitán merece um prémio?
- Os adeptos e os sócios vão dar-lhe esse prémio. Sei onde quer chegar com a pergunta, mas isso são assuntos que tratamos dentro de casa, e não nos jornais.

- Era inevitável perder Lima?
- Seria injusto para um jogador que tanto deu ao Benfica não o deixar fazer o contrato da sua vida.

- Entre os que entraram, há dois avançados: Raúl Jiménez e Mitroglou. Num ano em que o Benfica gastou tão pouco em contratações, faz sentido investir nove milhões por metade do passe de um avançado?
- Faz, se tivermos as garantias de que é um jogador que nos vai trazer rendimento desportivo e de que nos pode dar, no futuro, retorno financeiro. Confesso, que não foi uma decisão fácil, mas entendi que era um jogador que nos iria trazer uma mais-valia desportiva que justificava o investimento.

- E também houve duas apostas de risco e que ainda estão por provar: Carcela e Taarabt...
- São dois jogadores com muito potencial, e têm um desafio que não podem desperdiçar: provar o seu valor aqui. O Benfica não representa para eles mais uma oportunidade, representa a oportunidade. E tenho, a certeza de que a vão agarrar.

- Entre os que saíram está Maxi Pereira. Como é que o Benfica perdeu Maxi Pereira para o FC Porto?
- O Benfica não perdeu Maxi Pereira. Ele é que não quis continuar aqui. Mas isso é um capítulo fechado. O jogador e o seu empresário escolheram outra equipa para continuar. Já não tenho a visão romântica do futebol, isso já lá vai. Não lhe desejo felicidades desportivas, obviamente, mas também não vou dizer mal do Maxi. Tomou a sua opção, e nós vamos seguir o nosso caminho.

- O Benfia fez tudo para continuar com o jogador?
- Sinceramente, creio que sim. E também acredito que não foi pela vontade do jogador que se deu a mudança. Mas antes quero falar dos que cá ficaram e dos que entraram no plantel do que de jogadores que não são nossos.

- Jesus sai do Benfica, é hoje treinador do Sporting e, entretanto, muito coisa se disse e escreveu. Foi o Benfica que não quis JJ, ou foi JJ que não quis o Benfica?
- Disse bem, muita coisa se escreveu e disse que não tem nenhum fundamento, nem correspondência com a verdade, mas isso é passado. Seguimos por caminhos diferentes, e cada um do seu lado vai fazer o melhor na defesa dos seus interesses.

- Se voltasse atrás, teria feito tudo da mesma forma em relação ao processo Jorge Jesus? Fez tudo para o manter?
- Sinceramente, acho que fui muito honesto e muito sério com Jesus e com a sua família. Mas o meu treinador chama-se Rui Vitória. Interessa-me falar do presidente e do futuro, não do passado.

- É inevitável o processo de saída de Jorge Jesus acabar em tribunal?
- Quando há diferendos entre as partes, os tribunais servem exactamente para isso, para decidir quem tem razão, e é isso que neste caso vai acontecer. Sem qualquer tipo de dramatismo... Dei instruções - em função do entendimento do nosso departamento jurídico - para defender os interesses do Benfica, e é isso que importa dizer.

- E depois disto... daqui para a frente: como é que vai ficar a relação Benfica-Jesus e a relação Luís Filipe Vieira-Jesus?
- Não me interessa a relação de A com B ou de B com C, o único que interessa aqui é o Benfica e a defesa dos interesses do Benfica.

- E a relação Benfica-Sporting e Luís Filipe Vieira-Bruno de Carvalho?
- É ao nível da Liga, que é onde se deve falar e defender o futebol português.

AS ELEIÇÕES DA LIGA E PINTO DA COSTA
-Antes das últimas eleições na Liga, falou-se de uma aproximação Benfica-FC Porto...
- Falou-se de muito coisa. Numa altura em que o negócio do futebol esteve seriamente ameaçado, houve necessidade de convergir na procura de uma solução, de um nome que ajudasse a credibilizar a Liga e a trazer os patrocinadores de volta. Luís Duque foi esse nome, e houve, nessa medida, não diria uma aproximação, mas uma convergência na necessidade de salvar os campeonatos nacionais. Mas no capítulo desportivo, cada um por si. Como sempre foi e sempre será!

- Depois do processo eleitoral na Liga, está outra vez mais distante de Pinto da Costa?
- Não é uma questão de estar mais ou menos distante. Houve opções diferentes ao nível da Liga. Nada mais do que isso. Para bem de todos temos de ter uma Liga forte e credível. No meu entendimento, Luís Duque dava essas garantias. A opção foi outra, vamos trabalhar para que não se volte atrás no tempo...

- O Benfica apoiou Luís Duque e perdeu. Também foi uma derrota do Benfica?
- Não foi o Benfica que perdeu, foi uma derrota da coerência dos clubes da primeira e da segunda Liga, que 15 dias antes aprovaram um voto de louvor pelo trabalho desenvolvido por Luís Duque. É uma falta de gratidão enorme em relação a uma pessoa que devolveu a credibilidade à Liga.

- E que avaliação faz do trabalho do Pedro Proença até agora?
- Não se pode fazer a avaliação do trabalho de alguém que chegou há menos de um mês ao cargo.

- Os clubes deram passos atrás com esta mudança na Liga?
- Só o tempo e a gestão do novo presidente poderão responder a essa pergunta. Sinceramente, espero que não.

«CENTRALIZAÇÃO? DESDE QUE GARANTA PRINCÍPIOS DE LIVRE CONCORRÊNCIA...»
O projecto BTV não está em causa. Mas a centralização dos direitos TV pode alterar parâmetros.
- Como é que está o processo de centralização dos direitos televisivos, em estudo há algum tempo?
- Era um projecto que se estava a trabalhar na anterior direcção da Liga. Neste momento, desconheço em que ponto é que está. Não estamos contra o princípio, pelo contrário, até acho que pode ser uma boa solução, desde que os critérios em relação à distribuição de verbas sejam justos e, fundamental, desde que sejam garantidos os princípios de uma livre concorrência entre os candidatos a ficar com esses direitos.

- Este processo não coloca em causa o projecto Benfica TV?
- Não, embora seja evidente que, se a centralização vier a avançar, a BTV terá de ter um enquadramento diferente daquele que tem hoje, mas não vale a pena falar do que será a BTV em função de um cenário que está longe de se concretizar.

- A abertura da BTV 3 é um hipótese em estudo?
- É algo que estamos a equacionar.

- A Premier League vai continuar na BTV?
- É esse o nosso desejo.

- A mensalidade da BTV tem-se mantido nos 9,90 euros. É para continuar?
- Apesar de neste ano a BTV ter incorporado as ligas francesas e italiano, vamos manter o valor.

«HOJE GANHAMOS PORQUE CRIÁMOS CONDIÇÕES PARA ISSO»
É com satisfação que fala do sucesso das modalidades. O orgulho pelo projecto Olímpico.
-Olhando ao futebol e às principais modalidades de pavilhão, o Benfica venceu cinco campeonatos em seis possíveis e fez quadro dobradinhas. A melhor época de sempre a nível desportivo...
- Foi sem dúvida um ano excepcional, e só tenho pena de o andebol não nos ter acompanhado neste percurso, mas, tal como no hóquei levámos tempo a construir uma base sólida, no andebol vamos fazer o mesmo. Vamos lá chegar. Mas as pessoas, quando olham para o sucesso da época passada, têm de olhar para o trabalho dos últimos 14 anos. Chegámos aqui porque fizemos aquele percurso. A credibilização do clube, as infra-estruturas criadas, a BTV, o museu, tudo isto foi importante para chegar aqui. Hoje ganhamos porque criámos condições para isso.

- Lembro-me de muitas vezes se ter ponderado acabar com esta ou aquela modalidade...
- Nunca defendi esse caminho, pelo contrário, sempre defendi que o ecletismo era uma das marcas do Benfica. As modalidades fazem parte do ADN do clube. Toda a reestruturação e aposta que fizemos no futebol de formação e profissional também fizemos nas nossas modalidades. Este trabalho nunca é um trabalho que dê frutos a curto prazo, é sempre um trabalho de paciência. Soubemos ter essa capacidade e agora estamos a colher os frutos. No atletismo, por exemplo, foi um trabalho praticamente iniciado do zero com a Professora Ana Oliveira. Foram anos a formar, a criar condições, a consolidar trabalho e agora o Benfica passou a ser a principal referência do atletismo português.

- Ainda recentemente o Nélson Évora ganhou o bronze em Pequim. Espera que os atletas do Benfica ganhem muitas medalhas no Rio de Janeiro?
- Ainda bem que falou do Nélson Évora, é totalmente justo destacar a medalha ganha nos mundiais de atletismo e é, naturalmente, um dos atletas de quem sinceramente espero possa trazer uma medalha para Portugal. E é curioso porque muita gente já não acreditava que ele pudesse voltar a este nível, mas o Benfica através do seu projecto Olímpico sempre acreditou e sempre o apoiou, e quase que apostava que se não fosse este trabalho desenvolvido aqui, talvez o Nélson não tivesse voltado a ser o que é. E isso para mim é motivo de orgulho. Não devo andar longe da verdade se disser que o Benfica será o clube que mais atletas vai emprestar à nossa representação Olímpica e que espero que alguns deles possam fazer ouvir o nosso hino no Rio.

- Isto é recado para alguém?
- O quê? A questão do Nélson ou o facto de sermos o clube que mais atletas vai levar ao Rio? Não é recado, são duas constatações. Vamos lá ver, com o projecto Olímpico contribuímos - com gosto - para que a nossa representação Olímpica seja a melhor a cada quatro anos. Só gostava que da parte das instituições públicas, fosse feito esse reconhecimento, em vez do discurso recorrente que hostiliza os clubes e os menoriza enquanto instituições que nada fazem pelo desporto português.

«AINDA NÃO PENSEI NAS ELEIÇÕES»
Daqui a um ano há eleições e ainda não sabe se se recandidata. Não governa a pensar nisso...
- Falta pouco mais de um ano para as eleições no Benfica. Já pode revelar se vai recandidatar-se para mais um mandato?
- Um ano é muito tempo. Sinceramente, nem sequer pensei nisso. Portanto, não tenho ainda uma reposta.

- Acha que a conquista do título de campeão vai ser determinante na sua decisão de continuidade?
- Nunca o foi o não será também desta vez. Em todo o caso, esta mandato deve ter sido um dos mandatos mais bem-sucedidos do ponto de vista desportivo de qualquer presidente na história do Benfica. Mas não será isso que determinará a minha decisão.

- Em ano eleitoral, não considera arriscado optar pelo modelo da formação e do menor investimento no futebol?
- O caminho mais fácil seria continuar como até aqui, mas isso, sim, é que seria perigoso. As decisões não devem ser tomadas em função de haver ou não eleições. Fizemos uma escolha que privilegia o futuro, a independência e a sustentabilidade do Benfica, e é isso que importa.

- A um ano das eleições, como é que estão as contas do Benfica? Há um plano em marcha para reduzir o passivo? Quais são as metas?
- As contas estão equilibradas. Temos vindo a reduzir o passivo, mas não há uma meta fixa. Se tudo correr como acho que vai correr, vamos voltar a ter capitais próprios positivos.

- Já disse que consigo o Benfica não será vendido a um investidor externo; neste momento, é difícil o acesso ao crédito bancário. Perante a dificuldade na captação de investimento, como é que se consegue manter esta máquina a funcionar sem correr o risco de ela parar?
- Com inovação, com uma equipa muito dinâmica. Mais de 90% das propostas feitas pela nossa equipa de marketing são feitas para fora de Portugal. O patrocínio da Emirates foi trabalhado durante quase um ano e meio. Nada se consegue sem trabalho e sem bons profissionais. Felizmente, é algo que existe na nossa organização.

- O Benfica perdeu cerca de 100 mil associados de acordo com a última actualização de sócios. Consegue entender esta redução quando o Benfica fechou em 2014/2015 a época com mais títulos na sua história?
- Há sempre maneiras diferentes de olhar a mesma realidade. É verdade que se perderam quase 100 mil sócios, numa década terrível do ponto de vista das dificuldades económicas e em que as pessoas foram sujeitas a grandes sacrifícios. Mas também podemos ver isto de uma outra forma. Na última renumeração, em 2005, o Benfica tinha 95 mil sócios. Portanto, nós, nos últimos dez anos, crescemos e consolidámos mais de 50% em relação a 2005. Estou satisfeito? Claro que não, mas agora compete-nos voltar a crescer. E se na próxima renumeração voltarmos a crescer e a consolidar mais de 50%, então isso será uma excelente notícia."

Entrevista a Luís Filipe Vieira, por José Manuel Delgado, in A Bola

Horas e números

"Importa ter cuidado com a selecção albanesa, sofreu poucos golos e está a um passo de concretizar um sonho.

1. Nestes dias sabemos bem a que horas joga a nossa selecção nacional. É às oito menos um quarto. Em rigor às sete e quarenta e cinco. Tal como os jogos da Liga dos Campeões. Esta é a hora do futebol de primeira: Da Liga e das selecções. Antigamente, no meu tempo do Colégio Militar, os jogos eram às três ou às quatro horas da tarde. Todos. E já no final da tarde de domingo, poderia comprar, antes de reentrar naquele espaço que me moldou como jovem, o então Diário Popular e saber as equipas e os golos da jornada. De toda a jornada. Agora o futebol vai de sexta a segunda. As horas variam. E agora até há, pela primeira vez, jogos em dia de eleições. As competições europeias determinam, que neste quatro de Outubro, os três grandes joguem no dia das eleições. Para ser sincero, e na linha de um grande e ponderado amigo que conhece, e muito bem, o futebol e 'todas as suas gentes', o calendário desse domingo poderia não envolver os três grandes. Mas parece que houve um 'pacto de solidariedade'! Todos no domingo. Todos a quatro. De Outubro. Dia certo para a decisão quanto ao futuro Parlamento e conexamente quanto ao futuro Governo de Portugal.
2. Teremos algumas dúvidas acerca dos dias dos jogos das selecções e dos nossos clubes e logo ficamos surpreendidos ao saber que jogamos, amanhã, segunda feira contra a difícil selecção da Albânia. Mas a gestão dos jogos pela UEFA também envolve as suas transmissões televisivas. Que são rigorosamente organizadas. Em razão das televisões. Sabendo que sábado e domingo pode haver jogos às cinco da tarde. E outras à hora habitual, às oito menos um quarto. Que é na Europa um produto atractivo em razão da diferença horária. Uma hora mais! Logo jogo ao princípio da noite! Mas importa ter cuidado com esta selecção albanesa. Sofreu poucos golos - apenas dois - e está a um passo de concretizar um sonho: marcar presença na fase final de uma grande competição do futebol europeu. Esperamos que em disputa directa com a Dinamarca a partir da noite de segunda feira. Mas basta olharmos para o quadro da Liga Europa para percebermos que a Europa dita do Leste - a Europa oriental- está a chegar às fases de grupos das principais competições europeias. Com duas equipas do Azerbaijão! E o Benfica bem o percebeu já que jogará contra o campeão do Cazaquistão, o Astana. E com o jogo a disputar-se a 25 de Novembro, num campo sintético e com uma temperatura que será, se não houver significativa alteração climática, bem negativa! Há mudanças na Europa do futebol. Não tantas quantas àquelas que o drama dos refugiados estará a provocar. Com as nossas almas em dor com imagens que jamais esqueceremos!
3. Mas o quadro da Liga dos Campeões evidencia-nos duas realidades que importa não ignorar. Das trinta e duas equipas envolvidas na fase de grupos vinte e uma repetem a presença. Ou seja 65%! O que mostra que começa a haver uma clara hierarquia de participantes na principal competição europeia. Há clubes com presença certa. Entre outros, os grandes de Espanha, de Inglaterra (aqui com o United a substituir o Liverpool), os alemães Bayern e Leverkusen (com o Dortmund a disputar a Liga Europa este ano), o francês PSG, a Juventus e a Roma, o Zenit e o CSKA e os nossos Benfica e Futebol Clube do Porto são presenças confirmadas. Mas se olharmos para as três grandes ligas - espanhola, inglesa e alemã - elas representam 40% dos clubes participantes nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Com a Espanha a ter cinco representantes em razão do Sevilha ter conquistado, uma vez mais, a Liga Europa! As novidades, para além do Astana, são, esta época, o Dínamo de Zagreb, o Dínamo de Kiev, o Gent e o PSV Eindhoven. Ou seja nas conhecidas ligas intermédias há mudanças com a não presença dos habituais Ajax e Anderlecht. E com a nota que há dois anos que o Celtic, o escocês Celtic, só chega à Liga Europa. Importa olhar para os quadros e perceber que há estabilidade nos grandes e alguma instabilidade em ligas intermédias que são, também elas, e os seus clubes, 'exportadoras de jogadores'. Ou, em rigor, 'grandes exportadoras'. E, aqui, entra, necessariamente, a nossa Liga. Como acabámos de constatar neste mercado de verão. O que implica uma reflexão estratégica por parte da nova Direcção da Liga de Clubes. Seja dos representantes dos grandes clubes seja, igualmente, daqueles, como Guimarães ou Rio Ave, que, este ano, se ficam pelas competições internas. Mas os quadros aí estão. Para ver e para ler! Com a atenção que esta importante indústria já exige. Para além da hora e dos dias dos jogos. E, também, e já agora, do canal que os transmite! E já lá vai o tempo, tanto tempo, em que o futebol tinha a sua hora e não outra. Tudo mudou. Mas a hierarquia do futebol europeu está a sedimentar-se. Talvez seja conveniente não ignorar os números. Aqueles números. Sessenta e cinco por cento de repetentes e quarenta por cento das três grandes ligas! Dados que a 4 de Outubro se não verificarão. A não ser nos números da abstenção!"

Fernando Seara, in A Bola

No labirinto de Proença

"Não teve a discussão merecida a súbita mudança de opinião dos clubes que acabaram por rejeitar Luís Duque e colocar Pedro Proença na cadeira de presidente da Liga de Futebol Profissional. Depois de uma aclamação generalizada por ocasião da 'prestação de contas' da sua gestão e do avanço (induzido por essa aclamação) para uma 'renovação' de mandato determinada pela revisão dos Estatutos da Liga, não se compreenderam as razões (a não ser, objectivamente, da Sporting SAD e, perfunctoriamente, da FC Porto SAD) para o decaimento maioritário de Duque e essa conversão súbita ao ex-árbitro. Se foi pelo projecto, não se apreendeu nada de especialmente diferente de Duque ou, na novidade, compatível com os tempos e com a lei. Se foi pela equipa, nada foi avançado quando aos 'executivos' que se perfilavam, sendo certo que Proença trabalharia com os órgãos das listas de Duque. Se foi para minar o poder de Fernando Gomes e Vítor Pereira na FPF, só pode ser vista essa hipótese no espectro de um 'conto de crianças' - como a rejeição na Federação do sorteio dos árbitros decidido pelos clubes na Liga mostrou à saciedade. Se foi para os clubes obterem jogadores emprestados do Sporting e do FC Porto (táctica usada durante anos para constituir 'sindicatos de voto' nas assembleias da Liga), só pode ser ingenuidade pensar que essa cooperação dura mais do que o tempo dos negócios de ocasião. Enfim, se Mário Figueiredo se percebeu, Proença na presidência da Liga é um daqueles factos que parece ter sido uma espécie de capricho concretizado de alguns. Segue-se a pergunta cimeira: o que esperar da vontade de Pedro Proença em assumir este cargo e da capacidade da sua direcção?
Para além dos tacticismos e das manipulações, Proença marca um novo ciclo na gestão de topo do futebol associativo: um agente desportivo 'puro', que comungou do relvado e dos balneários com jogadores, treinadores e dirigentes ao mais alto nível. Sabe tudo do jogo e dos seus intervenientes, o que lhe confere outro tipo de autoridade e bom senso. Terá sido lúcido para aprender sobre aquilo que o 'negócio' hoje solicita e qual a posição comparativa que o nosso futebol pode ambicionar. Não terá contas para ajustar e, se as tem. deve optar pelo estilo federador (nomeadamente chamando árbitros, treinadores e jogadores para associados da Liga). Terá proveito em socorrer-se de recursos humanos íntegros e capazes, mesmo que isso desagrade aos 'interesses'. Se Proença agarrar esta oportunidade, outra história se começará a contar."

Árbitros recusam fazer exames

"Os árbitros da primeira categoria recusaram realizar os exames escritos e físicos agendados para ontem, em Tomar. Uma posição que, no fundo, constitui um ato de protesto contra o peso que estes parâmetros de avaliação têm na classificação final dos juízes. Actualmente, os testes representam 5% da nota final, percentagem que os homens do apito consideram ser elevada. O que pretendem, segundo apurámos, é que os referidos testes tenham um peso menor, semelhante a um jogo de futebol. A falta de acordo levou a que não se tivessem realizado os exames. Os árbitros acabaram por deslocar-se a Tomar e de lá saíram sem terem cumprido essa tarefa. Posto isto, a realização das provas escritas e físicas foi adiada para o próximo dia 24, igualmente em Tomar. Até lá, o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol irá reflectir sobre o assunto, existindo da parte dos árbitros a esperança de ver reduzida a percentagem da classificação final dedicada aos exames. Aliás, o CA, presidido por Vítor Pereira, terá mesmo prometido corresponder à exigência dos árbitros. Mesmo que haja acordo entre as partes, este não deixa de ser mais um factor a agitar um sector que tem dado que falar neste arranque de temporada...

A.G. / E. Q., in Record

sábado, 5 de setembro de 2015

Entrada à Benfica !!!

Benfica 29 - 22 ISMAI

Entrada muito forte, em poucos minutos decidimos o jogo, de tal maneira que na 2.ª parte até tivemos tempo para as habituais desconcentrações, sem que isso tivesse posto em causa o resultado!!!
O ISMAI venceu na Luz, o ano passado. Mudou de treinador, perdeu alguns jogadores, mas não são tão fracos, como pareceram naqueles primeiros minutos...
Como já era esperado o Belone, como lateral direito, entrou muito bem... depois do que tinha visto do Uelington com o Sporting, fiquei apreensivo, mas hoje pareceu-me mais solto, com alguns grandes golos!!!
O Dragan estreou-se hoje, depois de uma lesão... posso estar enganado, mas duvido que seja útil na defesa, no ataque precisa de maior entrosamento. O regressado Hugo Lima também recuperou da lesão... Falta o Semedo.

Com o play-off no Campeonato, temos tempo para melhorar. Temos muitos jovens, alguns ainda juniores com muito potencial, mas os jogadores mais valiosos têm que fazer a diferença...

Nove fora nada !!!

Rio Ave 0 - 9 Benfica

Goleada, num jogo que acabou por ser fácil, muito por culpa da atitude da equipa: os primeiros golos foram criados com pressão alta, mesmo falhando um penalty, chegámos ao intervalo a vencer 0-3 e podiam ser mais...!!!
No 2.º tempo, aumentámos um pouco o ritmo, e com a nossa rotação do banco, o marcador foi subindo com alguma 'tranquilidade'... continuamos a mostrar trabalho nas bolas paradas.
Destaco a adaptação do Fábio Cecílio, tem um estilo de jogo um pouco tímido, mas hoje voltou a marcar, e fez várias assistências... além da consistência defensiva, será importante no ataque. O Fernando voltou a fazer um grande golo, mas teve algumas falhas (desconcentrações) defensivas!!!
Além do Patias castigado, o Jefferson também ficou na bancada... O Mário Freitas, lesionado na pré-época, estreou-se hoje com alguns minutos...

Liberdade para Augusto Inácio!

"Diz toda a gente que um dirigente do Sporting, Augusto Inácio, se arrisca a três anos de prisão pelo crime confesso, de pirataria audiovisual. Parece, assim, ser perigoso e excepcionalmente castigador o mundo dos visionamentos online de jogos de futebol mesmo quando há razões ideológicas que sustentam o delito, tal como Augusto Inácio, afinal um simples borlista, explicou: "Eu não contribuo 'pó' Benfica TV."
Inácio é um tipo coerente que já em 2011, quando fazia campanha por Bruno de Carvalho, proclamava que com ele no Sporting "ninguém usará botas vermelhas". Ao que acrescentou: "E o ideal seria que todos usassem botas verdes", o que também se aceita em nome das liberdades na vertente fundamental do calçado. E, convenhamos, que mal faz? Vermelhas ou verdes, botas são botas e Inácio, como qualquer um de nós, tem as suas superstições.
No entanto, o que espanta na celeridade com que se produziu a sentença de três anos de prisão para o dirigente que se recusa a pagar serviços de um operador televisivo é, precisamente, a falta de celeridade, e até o desinteresse, com que os mesmos especialistas do Código Civil, e até os órgãos disciplinares da Liga de Clubes e da FPF, se debatem com um outro tipo de delito apontado a um outro tipo de dirigente do Sporting.
A verdade é que é fácil condenar num minuto o simpático borlista a três anos de cadeia por não contribuir com os 9,90 euros mensais devidos à estação do inimigo. Mas não tem sido fácil saber o que pensam estes mesmos juízes, tanto os amadores como os profissionais, e que sentenças têm nas suas imparciais cabeças para punir o clube e o dirigente do clube que, em 2012, já vai para três anos, contribuiu indevidamente com 2 mil euros na conta bancária de um árbitro nas vésperas de um escaldante Marítimo-Sporting.
A maior vítima desta situação de relaxo das várias justiças, incluindo a desportiva, é, obviamente, o Sporting. Como todas as nossas classes laborais, os árbitros abusam de um forte sentimento corporativo. Por isso, solidários com o colega indevidamente gratificado, conluiaram-se e andam a perseguir como malucos o Sporting enquanto não se fizer jurisprudência sobre o infeliz e quase já esquecido episódio Cardinal.
Perante mais esta singularidade dos nossos costumes, é nosso dever gritar: - Liberdade para Augusto Inácio!"

O desporto e o regresso à escola

"Tempo de regresso à escola. Na agenda principal da discussão, a colocação dos professores, o desemprego no sector, a precariedade dos contratos, a continuada redução de alunos, porque há cada vez menos jovens em Portugal. Ninguém parece interessado em recentrar a discussão nessa questão essencial da qualidade do ensino e da escola. Os jovens não têm voz nos media, e, verdade seja dita, muitas vezes não sabem, não querem, não se interessam por ter voz.
A escola continua a ser uma quinta do ensino, cercada por tradições, preconceitos e uma estranha sobrevalorização do que se poderia chamar as ciências avulsas.
A escola, no seu conceito, na sua relação com o mundo, na sua natureza formadora, continua a ter uma sensação de perigo quando se aproxima da liberdade, da inovação, do concreto.
A visão alcatifada em que, desde há muitos anos mergulhou a escola, refém dos seus pensadores de gabinete, há muito que lhe retirou capacidade para se renovar ao ritmo do conhecimento que o homem conquista nos mais diversos sectores, numa sociedade que, na prática, rejeita as vantagens de um ensino estereotipado e velho, obrigando qualquer licenciado a adaptar-se à vida profissional aprendendo na escola prática das organizações empresariais.
A escola precisa de se relacionar com o mundo e de acompanhar o seu natural crescimento. Para isso, precisa de sair da escola e de ter a coragem de abandonar os velhos e ultrapassados conceitos cartesianos. Basta ter atenção ao olhar da escola sobre o desporto, sobre a música, sobre todas as artes. Basta perceber como a escola faz questão em manter uma estúpida hierarquia do conhecimento, dividido por patamares de disciplinas, sem entender que o conhecimento é, afinal, tão inteiro como o corpo e o espírito no homem.
Por essa mesma visão ultrapassada, preconceituosa e decadente, a escola desvaloriza a importância do desporto no crescimento e na afirmação de personalidade dos jovens portugueses. Portugal tem, hoje, uma das maiores taxas de obesidade jovem na Europa, os nossos jovens não têm mobilidade, são descoordenados, têm níveis de sedentarismo inimagináveis, mas o poder político (não apenas este) e as direções de escola continuam a promover a desvalorização do desporto, reduzindo a níveis caricatos a carga curricular, defendendo a ideia de que o desporto interfere no estudo das disciplinas que interessam e demitindo-se de uma séria organização do desporto escolar à escala nacional.
Claro que poderíamos encontrar por aqui, nesta situação relapsa e indigente do desporto nas nossas escolas, uma das principais razões do definhamento da qualidade internacional da alta competição. Convenhamos, porém, que face à questão essencial, que é a questão educativa, a questão do crescimento inteiro dos jovens portugueses, a questão da formação do homem e da mulher modernos, a deplorável situação competitiva em que manifestamente vivemos, salvo honrosas exceções que beneficiam do talento e do investimento humano de alguns, é uma questão menor face à dimensão da sociedade portuguesa do futuro.
O que mais intriga é que professores e políticos não entendam que não é de desporto que se trata e muito menos de conseguirmos criar novos campeões dos estádios. O que está em causa é criar condições para termos campeões para a vida, para os difíceis e complexos desafios das sociedades modernas, cada vez mais exigentes no conhecimento, cada vez mais competitivas. E não é possível fazer nascer um homem moderno e preparado sem incluir o desporto (coletivo e individual) na sua formação, no seu crescimento."

Vítor Serpa, in A Bola

Boas-novas vindas de Espanha

"E depois da profunda decepção que se revelou a Volta à França, no que tange à presença portuguesa, em especial pela prestação e subsequente desistência de Rui Costa, bem como pela ausência de um vencedor nacional da nossa Volta, eis que na magnífica Vuelta ainda em curso dois corredores lusos se têm destacado de forma a roçar a exuberância.
Primeiro foi José Gonçalves, o qual, aliás, já tinha sido merecedor do maior destaque na nossa principal prova doméstica. Agora em Espanha confirmou, e até reforçou, o que parecem ser os seus maiores predicados, como a coragem e a combatividade (que não são sinónimas...), além do talento próprio, claro está. Atributos que já lhe poderiam ter rendido uma vitória. Mas ela acabará por chegar, é seguramente só uma questão de tempo.
Já quanto a Nélson Oliveira, o campeão nacional de contra-relógio, não se poderá falar, em bom rigor, de mais uma revelação, e muito menos de uma promessa. A verdade é que se trata de uma real e indiscutida confirmação, porquanto vem demonstrando, época após época, um desenvolvimento competitivo manifestamente sustentado, por exemplo ao nível do desempenho em alta montanha, conforme esta semana ficou comprovado, a título definitivo, com a contundente exibição na etapa rainha da Vuelta. E ainda está por disputar aquela em que se deverá tornar a todos patente a sua valência mais distintiva, a saber, a luta contra o cronómetro, em que conquistará o reconhecimento como membro efectivo do restrito clube dos melhores especialistas do mundo. A sua vitória de ontem foi assim, estou certo, a prova do amadurecimento de uma classe inata. E por isso apenas a primeira de uma carreira ascendente."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Selecção e clubes

"A nossa Selecção é hoje, na sua essência, uma entidade completamente diferente do que foi até há 20 anos. Antes da globalização, a Selecção assentava num clube - fosse o Sporting (no tempo dos 5 Violinos), o Benfica (no tempo de Eusébio) ou o FC Porto (mais recentemente). Depois da globalização, porém, deixou de haver um clube-base da Selecção. Os jogadores começaram a emigrar, e a equipa tornou-se uma manta de retalhos, com jogadores vindos daqui e dali.
Claro que, neste processo, também se ganhou muita coisa. Enquanto no passado os jogadores só estavam habituados aos despiques caseiros, passando o ano inteiro a jogar contra equipas de meia tigela, hoje os jogadores da Selecção portuguesa, actuando no estrangeiro, estão familiarizados com os grandes palcos. 
Fenómeno idêntico se passou com a selecção brasileira, embora noutra escala e com piores resultados. O Brasil fornece futebolistas para o Planeta inteiro, mas tem uma selecção fraca. E a Argentina, produtora de estrelas de primeira grandeza, também não consegue rentabilizar totalmente o seu imenso potencial humano. 
Entretanto, no Mundo globalizado, ainda há selecções que assentam em equipas de clube, com óptimos resultados. Estão neste caso a Espanha, que replica o modelo de jogo do Barcelona, e a Alemanha, que assenta no Bayern Munique. Somando perdas e ganhos, é indiscutível que a Selecção portuguesa, ao contrário da brasileira ou mesmo da argentina, ficou a ganhar com a internacionalização dos nossos jogadores. Esperemos que na Albânia esta realidade volte a confirmar-se... "


PS: Acreditando no Brunão, a actual Selecção nacional, é o espelho do Sporting... os resultados e as exibições parecem confirmar!!!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Gaitán e Jonas de classe única

"O jogo do passado Sábado contra o Moreirense teve ingredientes de crime e suspense. Estar a perder até 15 minutos do fim, em casa, contra o Moreirense, clube que tem zero pontos, não era do desejo de nenhum benfiquista. Entre o gelado, o apático, o incrédulo ou o revoltado devia haver grande parte dos adeptos. Com talento, sorte e arte demos a volta à história, uma cabeça que saiu do banco e um remate contra o infortúnio que saiu do inconformismo de Samaris colocaram o rumo da história no seu curso natural. Quando ao minuto 86, em claro fora de jogo, o Moreirense empatou, senti o que poucas vezes senti num jogo de futebol. Gozando da faculdade de não estar no estádio, o que é raro, (estava numa festa de aniversário), fiquei fora de mim, para além do natural e razoável, só Jonas quatro minutos depois me devolveu ao estado de normalidade.
Que o FC Porto jogue muito mal contra o Estoril, é problema dos portistas, mas que o Benfica empatasse em casa com o Moreirense já era problema meu.
Não ia saber lidar com tamanho dissabor. Estes quinze dias de paragem vêm em bom momento (espero), para Rui Vitória recuperar jogadores e implementar a sua ideia de jogo. Este final de mercado foi calmo nas hostes encarnadas, a boa notícia para o Benfica foi mesmo Gaitán ficar. Gaitán e Jonas são de uma classe única, e a sua saída seria impossível de não ter custos elevados no rendimento da equipa.
Há loucuras financeiras que não têm nenhuma justificação. Ver chegar por 80 milhões um Martial a Manchester pode ser tudo menos futebol. É dentro das quatro linhas que gosto do jogo, quase tudo o que se passa à volta me causa repulsa. Com o mercado fechado, resta optimizar os recursos que temos para lutar pelo prometido título. É só isso que os adeptos querem e merecem, pois depois de uma derrota com o Arouca voltaram a fazer uma excelente assistência contra o Moreirense. Esses nunca faltam."

Sílvio Cervan, in A Bola

Mundo económico e Futebol

"Vemos actualmente numa sociedade na qual o que mais releva é o dinheiro. Quem é mais forte terá tendência a ser cada vez mais forte - a não ser que se espalhe do cimo da sua Torre, e quem é mais fraco tenderá mais a ficar nessa posição, até que um Dia a Morte lhe retire a Vida.
Claro que pelo meio existem os fenómenos de sorte, escassos, mas que vão repondo de forma muito esporádica, um equilíbrio nas forças que vivem numa sociedade, qualquer que ela seja.
Como já retratámos aqui em vários artigos, uma das maiores fontes de receita do futebol moderno são os direitos de transmissão televisiva.
No artigo passado, escrevemos sobre os montantes das receitas televisivas que a Taça de Portugal permitia auferir e facilmente, se chegava à conclusão que estávamos a falar de verbas completamente insignificantes. 
Uma empresa grande de prestação de serviços de telecomunicações, possui uma quantidade enorme de vendedores, que recebem instruções para, por todos os meios possíveis e imaginários, venderem os seus produtos.
As empresas de comunicações estão sempre a facturar, facturando o que devem e o que não devem, mesmo quando a maioria de nós dormimos - aqueles que ainda conseguem dormir algum sono tranquilo, o que confesso, já se me torna muito difícil face às amarguras da vida.
Seja como for, é como um taxímetro que está sempre debitar "bandeiradas", umas atrás das outras. É sem dúvida dos melhores negócios que se pode ter hoje em dia, face ao desenvolvimento dos meios de comunicação e a partir do momento em que alguém teve a brilhante ideia de reunir, som, voz e imagem, num pequeno objecto alcançável simplesmente pelos dedos da mão.
Vejamos a quem estão atribuídos os direitos de transmissão televisiva nos vários pontos deste Planeta:
Espanha - Telefonica
USA, Canada, Médio Oriente, França - beIN Sports
Grã-Bretanha - Sky Sports
Brasil - Spots+
Austrália - Fox Sports
Sub Continente Indiano - Sony Kix
América do Sul - ESPN Latin e Tv Direta
Indonésia, Malásia - Fox Sports Asia
México - TDN Sky México
Tailândia - CH7
Noruega, Suécia - Cmore Sport
Portugal - Sport TV
Dinamarca - Canal 9
Itália - Fox Sports Itália
Finlândia - Viasat Sport
Alemanha - Sky Sports Alemã
Cabe aqui fazer uma referência para o facto de alguns destes operadores terem a concessão em regime de exclusividade e outros não.
Salta logo à vista "desarmada", que a bein Sports, opera nos USA, no Canadá, no Médio Oriente e em França.
Penso que a explicação desta multiplicidade de Países é explicável pela simples análise dos Países e Regiões envolvidas.
Não nos podemos esquecer que o detentor do Paris Saint Germain é a Autoridade de Investimento do Qatar, personalizado na pessoa do Sheik Al-Khelaifi.
Essa Autoridade, que é um Fundo de Investimento do Qatar, foi constituída em 2006 e é especializado em investimentos em muitas áreas de negócios, inclusive, na área das telecomunicações.
Como se sabe, o preço do barril de petróleo tem vindo a baixar gradualmente, sendo muita dessa diminuição resultante da crise que se instalou nos Países Europeus e do decréscimo do consumo do mesmo. 
É paradoxal, mas quando existem crises económicas baixa o consumo de petróleo, o que, caso não existam interferências exteriores de "manipulação" do mercado, faz inevitavelmente baixar o preço dessa matéria prima Rainha da vida actual. Mas como o Ser Humano quer recuperação económica, até porque fica mais tranquilo em termos psicológicos, o que vai acontecer é que o preço do barril do petróleo irá aumentar, voltando um dia a existir outra crise, altura em que voltará a descer.
É que o dinheiro para "alimentar" o Fundo vem exactamente das receitas do petróleo e como se sabe, petróleo é coisa que não falta no deserto, onde se insere o Qatar.
Também não nos podemos esquecer que o Mundial de Futebol de 2022, será no Qatar.
Qual será o montante de receitas previstas com este Mundial? De onde terão origem os capitais que circularão por este Mundial? Qual serão os Balanços das deslocações financeiras entre os vários Países e mesmo Continentes, que emergirão deste evento ser realizado no Qatar?
Evento que provavelmente será realizado no Inverno face às altas temperaturas do Deserto no Verão. Não existe ainda nenhum estudo sobre o impacto económico do Mundial do Qatar que possa responder a estas perguntas.
Mas vejamos um Bingo.
bein Sport é uma rede de televisão por assinatura, presente em vários países, uma subsidiária da Qatar Al Jazeera, dedicado à transmissão de eventos desportivos.
Em Junho de 2015 foi anunciado que Nasser Al-Khelaifi pretende lançar o canal bein Sport nas operadoras de tv a cabo brasileiras.
Mas a bein Sports já anunciou que comprou os direitos de transmissão televisiva dos jogos de Portugal para Espanha, transmitindo um por jornada, o que já começou logo na 1.ª jornada."

Pragal Colaço, in O Benfica

A liberdade dos jogadores

"Causa-me muita estranheza que os jogadores, os verdadeiros artistas do futebol, os elementos principais do jogo, sejam hoje a parte fraca de um negócio que gera tantos milhões. E quando escrevo "parte fraca" não me refiro ao dinheiro que ganham. Mas à vontade que muitos (a maioria?) não têm direito a exprimir. O dinheiro pode comprar quase tudo, mas nunca a dignidade.
Apesar de a FIFA ter acabado com a possibilidade de uma terceira parte (empresários ou fundos) possuir direitos económicos sobre os jogadores, a verdade é que a liberdade destes continua a ser retalhada por três, por vezes quatro, partes. Sempre dentro de um quadro de legalidade, porque aquilo que verdadeiramente interessa para as federações são os direitos desportivos. E a "propriedade" económica divide-se pelas partes que forem necessárias, desde que exista bom entendimento entre todos. E quando o objectivo é o lucro escandaloso (comprar por 1 e vender por 50), não há como não haver acordo entre as partes envolvidas na ganância.
Em Portugal o fenómeno não era alarmante. Mas com o aumento da chegada de jogadores sul-americanos em número elevado, começamos a ter uma noção mais clara deste real problema. É que de há uns anos a esta parte, raro é o caso de um futebolista que consiga cruzar o Atlântico sem antes ver o seu passe repartido entre clube de origem, fundos e agentes, quando não também os próprios pais. Assim, na hora de fazer o grande negócio (a venda), as partes a contentar são tantas que o jogador não mais é que mercadoria nas mãos destas pessoas. Escolhe-se o futuro clube apenas pelo lado financeiro. Gere-se a carteira própria em vez da carreira do jogador.
O caso de Carrillo cabe bem neste quadro. Neste momento, conseguirá ele fazer valer a vontade própria para escolher onde vai jogar nas próximas épocas? Ou o agente e o proprietário de metade dos direitos económicos vão 'obrigá-lo' a ser transferido, por ser essa a única forma de encherem os bolsos? A escolha deveria ser do peruano do Sporting. Deveria ser ele a ficar com os 2 milhões do prémio que o clube lhe oferece. O agente dele concordará?..."


PS: Decidi publicar esta crónica, mas como é óbvio, estou-me marimbando para a liberdade do Carrillo!!! Até porque desde da chegada do Brunão as promessas aos jogadores de aumentos salariais têm sido muitas, e poucos têm sido aumentados... o mais natural seria mesmo os jogadores, mandarem o Brunão, plantar batatas!!!
Este problema é antigo, sempre me fez confusão a passividade com que Clubes, Federações, Confederações, etc... permitem que terceiras partes (empresários...) ganhem milhões, à custa dos Clubes, sem acrescentarem nada ao Futebol... Dinheiro que nasce da militância dos adeptos, que supostamente deveria sustentar os Clubes, acaba no bolso de oportunistas, na grande maioria dos casos, autênticos ladrões!!! Tudo isto feito dentro da Lei...
O que também é estranho (ou nem por isso) é que estes assuntos só mereçam reflexão jornalística em alguns casos, por exemplo: no caso do Mini, as brutais exigências do empresário Mafioso, ao Benfica, para efectuar uma renovação de contrato, nunca mereceram censura, bem pelo contrário, aquilo que se leu, era que a estratégia e decisão do Mini e do seu empresário, foram absolutamente normais, afinal são profissionais... têm que pensar na família!!!
E o Carrillo, deve ou não pensar na família?!!!

Uma tradição

"Não fossem dois erros de arbitragem registados em Aveiro, e o Benfica estaria, pelo menos, a par dos seus rivais no topo da classificação. Não fosse a inspiração de Gaitán e Jonas, e outro erro clamoroso de arbitragem ter-nos-ia subtraído mais dois pontos na partida com o Moreirense. Já nos jogos do nosso vizinho lisboeta, vimos um lançamento irregular proporcionar um golo decisivo aos 95 minutos da primeira jornada, e, nesta última ronda, vimos assinalados mais dois penáltis a seu favor - um dos quais a deixar bastantes dúvidas.
Paradoxalmente, o que se assiste é um irritante ruído em torno de alegados prejuízos do Sporting, que começa nos comunicados insultuosos do presidente nas redes sociais, e acaba no proverbial queixume de comentadores televisivos alinhados com o clube de Alvalade.
É uma tradição. Os romanos tinham os jogos florais, o Sporting queixa-se das arbitragens. E fá-lo recorrendo a uma retórica simplista, que repete até à náusea cada erro (ou pseudo-erro) verificado contra as suas cores, ignorando olimpicamente todos os erros ocorridos a favor - mesmo quando estes são bem flagrantes.
Nem a arbitragem portuguesa, nem o Benfica, têm nada a ver com o que se passou no Playoff da Liga dos Campeões. Aí, no plano externo, todos os clubes portugueses têm as suas razões de queixa. Nós, por exemplo, perdemos um final europeia há bem pouco tempo devido a uma arbitragem calamitosa. Com muito menos barulho.
Misturando tudo, pretendem confundir a opinião pública, e, sobretudo, condicionar os jogos seguintes. A nós não perturbam nem confundem.
Aos árbitros, veremos."

Luís Fialho, in O Benfica

O Benfica é isto

"Três 'remontadas' marcaram a semana desportiva do SL Benfica. A primeira foi a de Nelson Évora ao serviço da Selecção Nacional no Campeonato do Mundo de Atletismo. Depois das lesões muito graves e da desconfiança generalizada, o saltador do SL Benfica conseguiu a Medalha de Bronze no Triplo Salto ao última ensaio. Após ser Campeão Olímpico, Mundial e Medalha de Prata, só faltava o terceiro lugar no currículo. Feito e em grande estilo.
No Futebol, a perder por um a zero com o Moreirense até aos 74 minutos de jogo, a equipa seu a volta com substituições cirúrgicas (Gonçalo Guedes e Raúl Juménez) e dois golos de grande qualidade de Raúl (que estreia de sonho, um minuto em campo e golo!) e do grego Samaris. O Moreirense ainda empatou a cinco minutos do fim, mas a garra da equipa e a arte de Jonas deram em vitória. Na senda do tri.
No domingo passado, Supertaça de Futsal. A sete minutos do fim, o SL Benfica perdia por três a zero com o Fundão. Conseguiu empatar, levar o jogo para prolongamento e terminar com o resultado fétiche de 6 a 3. Mais um troféu para o Museu Benfica - Cosme Damião.
Três momentos, três histórias com final feliz, três exemplos daquilo que é o Benfica. Sucesso antes do trabalho só no dicionário. E é assim que os atletas, técnicos e dirigentes devem continuar a pensar para que o clube se mantenha vencedor em todas as modalidades.
Esqueçam aquela franja da comunicação social que vai continuar a fazer-vos a vida negra. Deitem para trás das costas os sms, posts e comunicados dos rivais a deitar-vos abaixo. Perdoem os nossos adeptos que são movidos apenas por ódios pessoais. Abstraiam-se de para-quedistas com soluções milagrosas. Concentrem-se naquilo que importa: serem sempre melhores. Eu acredito!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Dar tempo ao tempo

"Não fizemos uma boa exibição na 1.ª parte: entrámos lentos e pouco dinâmicos. Alguns dos jogadores fundamentais não conseguiram, em campo, estar à altura do seu valor. O domínio e posse de bola não se traduziram em boas oportunidades de golo, exceptuando num ou noutro lance, infelizmente desaproveitados por jogadores que, à partida, pela qualidade que lhes reconhecemos, não costumam desperdiçar tamanhas ocasiões. Contra a corrente da partida, vimo-nos em desvantagem. O desporto, por vezes, é ingrato, e a ditadura dos números prevalece sobre a justiça e o mérito. Nestas situações, especialmente se ocorridas na sequência de resultados insatisfatórios, é natural que surja ansiedade.
Mas os campeões respondem com mais garra, velocidade e empenho, não se deixando esmorecer e sobretudo nunca desistindo, mesmo que a melhoria do seu desempenho não seja acompanhada por golos, dando a ideia que, por muito que se tente, não se conseguirá dar a volta à situação.
No entanto, nem sempre se tem azar e as boas decisões do treinador no banco e dos jogadores em campo são recompensadas. Foi o que se passou em Oliveira de Azeméis, na brilhantemente conquista da supertaça de futsal. Foi também o que ocorreu na Luz, frente ao Moreirense, em 2014/15. E foi, mesmo que muitos se recusem a acreditar, o que aconteceu no fim-de-semana assado na Luz frente ao mesmo Moreirense.

Sim, nem tudo é mau agora como nem tudo era bom no passado. Desconheço o que nos reservará o futuro, mas os 'parapseudopsicotácticos' da 'ideia de jogo' que se acalmem. Agora, com um ano antes (e dois) por esta altura, é cedo para sentenças definitivas. Que venha o Belenenses!
Já dizia Toni: 'No Benfica não há tempo para pedir tempo'."


João Tomaz, in O Benfica

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Gaitán vale o que vale

"«Estou aqui há cinco épocas e há seis que dizem que vou sair». É assim a vida de Gaitán. Por ser tão bom jogador, provavelmente o melhor da Liga, está sempre de saída, seja para o Manchester United, o PSG ou o Valencia. A Juventus, o Atlético Madrid ou o... Al Ahli. Mas continua no Benfica, com uma cláusula de rescisão de 35 milhões de euros.
É um exagero de linguagem dizer que ninguém pega no melhor "assistente" do campeonato português, um 10 que joga na esquerda, mas anda por todo o campo a desequilibrar - agora a partir até de terrenos mais recuados -, mas ele vale o que vale. Na verdade, o mercado não aceita pagar por Gaitán os 35 milhões de euros que o Benfica exige para o libertar e ele também não está num clube qualquer, a fazer economias, para se ver obrigado a trocar Portugal por qualquer arábia. Por isso, vai ficando, a jogar bem e a resolver grandes problemas.

Para uma grande transferência, o valor de mercado de Gaitán tem de ser incrementado e isso só será conseguido mais rapidamente com a sua afirmação na selecção argentina. E o que tem sido a sua carreira internacional? Pré-convocatórias, jogos no banco, uns minutos de jogo aqui, outros ali. Na verdade, a afirmação de Gaitán tem-se resumido à competição interna, em Portugal. De resto, Ferguson fisgou-lhe uma vez uma assistência deliciosa para Cardozo, num Benfica-Manchester United... mas Ferguson já não é treinador e Gaitán ainda é e continuará a ser jogador do Benfica. Porque vale o que vale: muito em Portugal, menos do que o Benfica gostaria no grande mercado internacional."



PS: Isto é o que se chama uma analise pela rama...!!! É verdade que o Nico tem poucos jogos efectivos na Selecção. É verdade que a Liga Portuguesa tem pouca visibilidade na Europa. É verdade que o Benfica não tem conseguido estar na fase decisiva da Champions... Tudo isto é verdade. Mas olhando para o Mercado, a única razão para que ninguém, até agora,  tivesse pago a cláusula de rescisão do Nico, é porque o Nico não faz parte do CATALOGO da Doyen ou do Mendes (ou de outro qualquer...)!!! Só isso, mais nada, tudo o resto é irrelevante...
Sendo o Nico representado, por um destes 'rotativos' Fundos, e o Nico já teria saído há muito, e provavelmente já teria sido transaccionado para mais outro, tal como o Di Maria...
Hoje, li um artigo num blog Corrupto (algo raro, juro!!!), onde 'explica' o funcionamento do Sistema. Para mim, não é novidade, e nem devia ser novidade para ninguém que segue de perto o Futebol, ainda por cima se for Benfiquista, basta recordar-se das transferências do Bernardo, do Ivan, do André... Quem faz parte do Catalogo (normalmente, bons jogadores...) vende-se bem, quem não faz, a coisa é mais difícil...
O interessante, é que estes jornaleiros, profissionais do ofício, aparentemente não sabem, ou não querem saber!!!

Tréguas por 4 meses

"Uf! Finalmente Setembro. Chegou o armistício. Quatro meses de paz. Para Janeiro há mais, não fiquem desolados. Comecem, por favor, a jogar. Dêem descanso aos empresários, agentes, pais, primos e sobrinhos que, coitados, estão esfalfados. Deixam-nos pôr a contabilidade em dia, enquanto os clubes auditam os passivos, as lavandarias entram em lay-off e se ajustam os preços dos produtos publicitados que alimentam estas feiras, pagos por quem gosta e por quem odeia o futebol. Acabou a época dos melões, uns mais apimentados do que outros. Doravante, só congelados.
Números astronómicos neste «mercado humano de pés e cabeças»: 2,6 mil milhões! Que importa se há milhares e milhares de pessoas num sofrimento atroz nesta Europa bipolar, estúpida e injustamente segmentada... O circo continua fechado na sua concha. Um bem conhecido empresário movimentou transferências à volta de 400 milhões de euros, noticiava este jornal na terça-feira, que acrescentava uma frase que tudo bem resume: «Mais um grande defeso para o empresário».
Jogadores foram transaccionados por números que desafiam a mais ténue racionalidade empresarial. Um tal de Martial do Mónaco sai por 80 milhões e um outro conhecidíssimo monegasco Kondogbia saí por módicos 30 milhões para o pré-falido Inter. Otamendi (lembram-se?) vai para o City por 45 milhões! Então Di Maria é o máximo: sempre em rotação, vai agora do Man United para o PSG por 63 milhões, sendo - creio - o jogador que mais fundos movimentou ao longo da carreira, bem acima de Messi e Ronaldo. E o Real Madrid, sempre branquinho, é o clube mais estroina, como habitualmente."

Bagão Félix, in A Bola

O Benfica é nosso? Nós é que somos do Benfica!

"Se eu fosse de um Clube eliminado pelo CSKA, teria agora saudade das épocas em que, com muito menos recursos, íamos à Champions.

O 'COLINHO DIS ADEPTOS'
Ser do Benfica - perdoem-me a repetição de um lugar tão comum quanto verdadeiro - traduz-se numa relação de pertença a um imaginário feito de mística e de união.
Impossível de ser igualado, por que, de facto, não tem igual.
E isso é o que destrói e gera a inveja dos nossos adversários.
Em cada declaração, em cada ato, em cada pensamento, em cada omissão, só se desassossegam com e por causa do BENFICA.
Podem, lá no seu íntimo, perder; o que não suportam é ver o BENFICA ganhar.
O BENFICA é a medida de todas as suas preocupações, o limite onde esbarra toda a sua inveja, o obstáculo que - a cada um dos que não têm a graça de ser do BENFICA - recorda a sua pequenez.
Foi isso que aconteceu no passado sábado, no jogo contra o Moreirense, como exemplo de uma grandeza e de um voluntarismo inigualável... À BENFICA!
À má sorte, aos sucessivos desencontros com o ultrapassar da linha de golo, ao azar que teimava em não se deixar vencer, a equipa respondeu com a audácia de quem acreditava ser possível virar o destino.
E, se a equipa acreditava, mais de 43 mil adeptos, na Luz, quiseram ver isso ser transformado em vitória. 
Vitória, não de Rui, mas de todos nós!
Porque, tanto cada jogador, como o Treinador, como a equipa técnica, como a Direcção, como cada um dos adeptos presentes na Luz queria vencer este jogo.
Como quererá vencer todos os que aí vêm.
O BENFICA sofreu um golo ao minuto 29? Os adeptos responderam com uma salva de palmas... não de festejo, mas de incentivo! À BENFICA.
De facto, «grande, incomparável, extraordinária massa associativa» !
O BENFICA perdia ao intervalo? Os adeptos receberam a equipa para a segunda parte com nova salva de palmas!
O tempo esgotava-se, com perdas de tempo vergonhosas? Os adeptos entoavam cânticos de apoio à equipa!
Conseguimos empatar e virar o resultado a nosso favor? O público continuava a apoiar, sem qualquer desistência!
Um fora de jogo não assinalado, do tamanho dos Clérigos, serviu para que o Moreirense empatasse a pouquíssimos minutos do fim? Nem um esmorecimento nas bancadas, correspondendo à força de cada um dos jogadores, como cada um dos adeptos colado à BTV; porque todos acreditámos que seria possível voltar a escrever direito por linhas tortas.
Mais de 43 mil na Luz! Mais de um milhão na televisão! Mais de seis milhões no Pais! Catorze milhões espalhados pelo Mundo. O que nos orgulha é o que lhes dói. Uma força feita de um destino que vive, desde a nossa fundação, de mãos dadas com a palavra vitória. Sendo sempre grandes! Ao contrário de outros, onde nem as vitórias - sim, nós sabemos como elas foram conseguidas anos a fio - os fazem passar do lugar de onde nunca conseguiram sair.
Ou, por muito que isso lhes custe (porque, mesmo a ganhar, ouvem tantos assobios), ninguém tem, como nós, O COLINHO DOS ADEPTOS.

O BENFICA É NOSSO...
Por muito que isso custe aos nossos adversários - como bem se cantou na Luz, no passado sábado - O BENFICA É NOSSO, O BENFICA É NOSSO E HÁ-DE SER, O BENFICA É NOSSO... ATÉ MORRER.
Se tenho certeza absoluta, no que se refere ao BENFICA, é que nunca - ouviram, adeptos de outras cores??? - nunca, em qualquer momento da sua vida, será possível encontrar no BENFICA soluções societárias que não sejam detidas, em maioria, pelo SPORT LISBOA E BENFICA.
Porque essa foi a razão de ser da nossa fundação, do nosso crescimento, enquanto clube, da nossa consolidação, enquanto emblema de dimensão à escala mundial, da nossa grandeza.
No BENFICA nunca se ouvirá falar em maiorias de SAD passíveis de poderem vir a ser detidas por outras entidades que não o BENFICA.
Outros, a curto prazo (espero poder dizer que me enganei, para bem dos adeptos desses clubes), enveredarão por soluções societárias que farão com que percam o controle do clube, com a conivência de quem se candidatou contra essa mesma possibilidade, distanciando-se, os emblemas em causa, da razão da sua existência.
Soluções de sociedades desportivas, em qualquer das suas versões jurídicas, servem ao enquadramento legal de uma nova realidade, mas não são compatíveis com esta relação identitária de cada um dos sócios com o BENFICA.
Servem para responsabilizar por loucuras, mas não podem servir para agrilhoar a vontade de cada um dos sócios do BENFICA.
Servem para definir as regras do negócio do futebol, enquanto realidade societária, mas não servirão, nunca, para cercear a liberdade de, em cada momento, a vontade de o BENFICA ser nosso.
Esse, tenho a certeza, é um compromisso para o futuro.
Meu, como de todos os que sabem o que é o BENFICA (o que, no universo dos benfiquistas que conheço, não admite excepções)!!!

... MAS ACIMA DE TUDO, NÓS É QUE SOMOS DO BENFICA!!!
Mas, tão verdadeira como a afirmação «o BENFICA É NOSSO», será, por certo, o facto contido na declaração «EU SOU DO BENFICA».
Eu, como todos nós.
Porque, o BENFICA, de facto, não nos pertence; somos nós que pertencemos ao BENFICA!
Aí reside a diferença.
Não nascemos em berço de ouro, nem temos a grandeza construída em cima de acusações de escândalos desportivos. Às escutas e à corrupção - que valeram todo o tipo de títulos - respondem-nos com uns minutos dados a mais num jogo de um campeonato que... perdemos!!!
Podemos, por isso, ter orgulho nesta relação de pertença, nesta validação moral de quem não confunde vitórias com compras, de quem não confunde títulos com quinhentinhos, de quem não confunde conquistas com corrupção.
Começa da mesma maneira (por c) e tem acabado da mesma maneira (em festa), mas nunca será tarde para, em Portugal, como em tantos outros países do Mundo, no desporto, corrupção poder vir a rimar com prisão!
Tenho, por isso, orgulho em ser do BENFICA.
Mais do que o BENFICA É NOSSO, porque nunca deixará de o ser, EU É QUE SOU DO BENFICA. 
Eu... como todos... os do BENFICA.
E ISSO ME ENVAIDECE!!!

SE EU FOSSE...
...O JOÃO GABRIEL
Estaria de bem com a minha consciência, enquanto adepto e sócio do BENFICA... pela forma como me disponibilizei, a defender a honra de todos nós. Estaria de bem com a minha consciência, enquanto responsável máximo pela comunicação do BENFICA... pela forma profissional como tinha sabido transmitir a indignação por tanta barbaridade dita contra todos nós. Estaria de bem com a minha consciência, enquanto adepto e sócio do BENFICA...pela forma como deixei bem expresso que, contra nós, afinal, não podem dizer tudo.
Estaria de bem com a minha consciência, enquanto profissional do BENFICA... pela força moral, pela disponibilidade intelectual, pela vontade determinada de não deixar que a grandeza do BENFICA seja amesquinhada na praça pública. Estaria de bem com a minha consciência, quer enquanto adepto e sócio do BENFICA, quer enquanto profissional do BENFICA... pela atitude de coragem em dar a cara pelo BENFICA, quando isso é cada vez mais raro. Estaria de bem com a minha consciência porque, apesar de profissional, me sentiria tanto adepto e sócio do BENFICA como todos aqueles que - sem as limitações profissionais - sentem o BENFICA... não como seu, mas como sendo, eles, do BENFICA!

...ELIMINADO PELO CSKA
Também me queixaria da arbitragem, mesmo se ela não fosse responsável pelo que aconteceu em Moscovo. Também reclamava de bola na mão no primeiro golo deles (e não mão na bola, involuntária e deixada colada ao corpo) porque, assim, disfarçaria os meus erros, os meus medos, as minhas eternas fraquezas psicológicas. Também me queixaria de um golo mal anulado, por a bola ter passado a linha de fundo, porque, assim, ninguém discutiria a opção técnica de ter deixado de fora,durante 2/3 do jogo, o ponta-de-lança mais produtivo da equipa. Também tentava disfarçar os erros de gestão com os pretensos erros de arbitragem, porque, enquanto falam disso, posso continuar a fazer de conta que percebo de futebol. Também... tudo, porque, condicionando a discussão, impediria a comunicação social de falar sobre os meus erros, opções, medos e fraquezas que me têm acompanhado toda a vida. Também... tudo, ainda, porque assim, podia brilhar a grande altura, dando a ideia que inventei dinheiro onde só eu já sabia onde o poderia ir buscar.
Ou... se eu - sendo sócio desse clube - estivesse na Liga Europa, teria saudade das épocas em que, com muito menos recursos, íamos à Champions."

Rui Gomes da Silva, in A Bola