Últimas indefectivações

sábado, 9 de julho de 2016

Aperitivo...

O Benfica venceu hoje o Cova da Piedade num treino de conjunto, realizado no CFC. Aqui fica o resumo:

Rumo ao 1, outra vez

"Quem havia de dizer que a nossa Selecção, a indisputada dona do futebol mais entediante deste Europeu, chegava à final de Paris? Pelos vistos, toda a gente. Porque não houve em Portugal nestes últimos dias frase mais dita, gritada e soluçada do que a velha máxima do 'eu sempre acreditei', o que, sendo verdade, é admirável em função das hesitações exibidas nesta caminhada. Sendo mentira, continua a ser admirável porque se a fé move montanhas, como dizem, mais difícil lhe deve ser impor-se em retroactivos à população de descrentes em geral.
Acreditassem ou não acreditassem - o que interessa isso agora? - a questão é que a Selecção portuguesa segue 'Rumo ao 1', porque em todo o seu historial (sénior) nunca conseguiu ganhar um torneio desta envergadura. O mais perto que esteve desse céu foi há 12 anos mas viria a perder, a final do Euro'2004 para a Grécia, perante o desconsolo de um país inteiro que tão depressa sempre acreditou como deixou de acreditar quando o árbitro apitou para o fim e só valeu o golo de Charisteas e o nosso embaraço.
Rumo ao 1, portanto. Portugal tem tudo para vencer. Tem uma raça de futebol capaz de adormecer até o adversário. E tem a sua velha toalha branca de volta. A toalha branca que Eusébio enrolava no braço para dar sorte sempre que a Selecção jogava foi na quarta-feira o adereço com que Pepe se apresentou na bancada. Pepe, note-se, quando joga bem é português mas quando compromete passa logo a ser brasileiro. Tal como Renato Sanches que quando joga muito tem 25 anos e quando joga pouco tem 18. É nestas coisas que temos de acreditar. Rumo ao 1, outra vez, quem diria?"

Mais uma Final...

Grande lançamento do Tsanko Arnaudov esta manhã em Amesterdão! 20,42m a 4.ª melhor marca da qualificação para a Final do Peso!

Na mesma prova o Marco Fortes, confirmou estar longe do seu melhor, com 18,64m...

Vamos fazer a festa dos portugueses

"A um dia e algumas horas de distância da final da 15.ª edição do Campeonato da Europa, sem que alguém detenha poderes mágicos para adivinhar o que nela irá passar-se, em respeito pela verdade deve sublinhar-se o desempenho espantoso da Selecção Nacional. No princípio, eram 24 países. Agora, são apenas dois, a quem cabe o privilégio de decisão do título. Portugal é hoje falado e admirado no mundo inteiro por causa do futebol. Não por ter jogado bem ou mal, ao ataque ou à defesa ou por ter marcado poucos ou muitos golos, mas tão-somente por ser um dos finalistas. Estatuto determinado pelos resultados, a única fronteira que, em concreto, separa os fracos e os fortes, os vencidos e os vencedores. Que explica também o sucesso estratégico de Fernando Santos, o qual, contra ventos e marés, foi capaz de construir a estrada que o levou tão longe, a ele e aos seus jogadores. Depois, com a franqueza e a tolerância dos homens bons, espalhou a sua mensagem e foi cativando seguidores. A discussão sobre a política competitiva definida para este Europeu, essa, vai prolongar-se e suscitar barulho imenso sem que se vislumbre uma conclusão nos anos mais próximos... No entanto, apesar da confiança do nosso seleccionador na vitória, convém destacar que, independentemente do resultado de amanhã, ninguém pode apagar o caminho que a Selecção já percorreu, sendo certo que partimos para a última final não para estragar a festa dos franceses, mas sim para fazer a festa dos portugueses.
A força de acreditar de Fernando Santos teve a virtude de revolucionar o discurso do treinador lusitano. Foi uma decisão corajosa e um salto de gigante em direcção ao futuro. Marco Silva, que representa a nova geração, já percebeu a mudança e felicitou o seleccionador por isso."

Fernando Guerra, in A Bola

Para bem!

"Que não haja dúvidas sobre um dos mais belos predicados da vida real: a misteriosa capacidade de ultrapassar os limites da imaginação ou do onírico. Na verdade, por mais fantasiosa ou épica que uma vida ideal possa parecer, ainda assim as malhas tecidas pelas concretas circunstâncias da realidade - ou seja, da única vida que, de verdade, existe mesmo - conseguem sempre surpreender pelo espanto. Cá estará o dia de amanhã como mais um exemplo de excelência para o comprovar.
A final do Europeu é, e não poderá deixar de ser, um jogo de futebol. Mas engana-se redondamente quem julgar que se trata só de um jogo de futebol. Assim como se poderá dizer com plena propriedade, parafraseando uma famosa lição, que quem só saiba de futebol nem de futebol afinal saberá, também quem ignorar o - como designá-lo? - lado lunar do futebol estará a desprezar uma dimensão nuclear da realidade.
Nunca apreciei os queixumes e lamentos ordinariamente invocados como supostas causas justificativas dos insucessos, mesmo quando estejam sustentados em factos reais, o que, aliás é raro, e não sejam apenas resultantes do delírio latente, da má fé consciente ou da cobardia escondida pela falta de vergonha. Por isso, simetricamente, não há porque aceitar a atribuição principal do êxito à sorte do jogo, à cumplicidade do sorteio ou à benevolência das arbitragens. Sem mérito ninguém chega aonde de onde amanhã vamos partir.
O mundo inteiro cabe numa bola de futebol. Aos incréus: é favor perguntar a Raphael Guerreiro, Anthony Lopes ou Adrien Silva. Ou também aos ancestrais lusos de Antoine Griezmann, para não mencionar já os de Matuidi.
Obrigado selecção nacional! Parabéns! E para bem!"

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Benfiquismo (CLVI)

Embaixador Xanana...!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Melhor da Seleção é Fernando Santos

"Pela terceira semana consecutiva escrevo que o melhor da nossa selecção é Fernando Santos. Sei que escrevo contra a corrente, mas firme na minha convicção. Quem acreditou sempre que ia a Paris foi Fernando Santos. Quem uniu o grupo foi Fernando Santos. Quem nunca perdeu um jogo oficial (14) como seleccionador foi Fernando Santos. Quem fez de um conjunto de jogadores (alguns com limitações óbvias para este nível) uma equipa foi Fernando Santos. Quem pôs Ronaldo a defender e jogar para a equipa foi Fernando Santos.
É por isso que domingo entramos orgulhosos em Paris, com Fernando Santos à frente de um grupo que ele soube inventar mesmo quando só Ronaldo voa assim e pára no ar para dar uma cabeçada no destino. Podemos perder (o mais provável) ou ganhar (era sonho) mas este foi um fantástico europeu e Fernando Santos um excelente treinador.
Os favoritos eram Bélgica, Alemanha e França (só), Portugal soube ser a grande surpresa, o intruso inesperado. Houve várias prestações acima do esperado, mas é Portugal o não favorito que está em Paris. Resta-nos agora sonhar com a Dinamarca de 92 ou a Grécia de 2004 que também só começaram como artistas convidados, e acabaram com a Europa a seus pés. Gales fez um excelente europeu, o melhor da sua história, os seus adeptos a cantar The land of my father são uma imagem inesquecível daquilo que o futebol é capaz.
As pré-épocas não ganham nada (a do último ano foi má e a época foi excelente), mas este ano a calma e assertividade do Benfica merecem registo. Carrillo fica para ser campeão e Zivkovic é aposta muito prometedora. Tudo parece fazer sentido no reforço de uma equipa campeã, digo tricampeã, que lutará sem tréguas pelo tetra.
É já na próxima quinta-feira que começam os jogos treino, onde as promessas e as certezas se distinguem e onde cada adepto pode fazer de Rui Vitória com palpites e prognósticos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Bom dia...

As duas Benfiquistas que entraram hoje em acção no Olímpico de Amesterdão, estiveram muito bem!

Logo pela matina, a Susana Costa, garantiu a qualificação para a Final do Triplo Salto, com 13,94m a 38cm da sua melhor marca...

Na sessão da tarde, a Marta Pen voltou a fazer uma grande corrida... depois do título Universitário Norte-Americano, depois do seu recorde pessoal com qualificação Olímpica, agora vamos ter a Marta na Final do Europeu!!! O tempo hoje não interessava, e a estratégia da Marta voltou a resultar... com um ataque fulminante aos 200m...
Quando a Marta, conseguir aumentar a velocidade a 400m da meta, e mesmo assim ter a mudança de velocidade aos 200m, vai lutar pelas medalhas nas principais competições!
A experiência Norte-Americana está a fazer muito bem à Marta...

Os frustrados e os heróis

"Com tanta perseguição, maledicência, imputação de culpa a terceiros, desculpas de mau pagador, enxovalhamento, o que resta é apenas uma macroideia na sociedade, de repulsa e de medo, por fazer o que quer que seja.
Hoje em dia, qualquer voluntarista é "tolinho". É muito mais cómodo nada fazer, porque se faz e corre mal, é porque foi mal feito.
É assim que pensam os nossos Tribunais, movidos pela força de uma "imprensa" que é a dona disto tudo. Mas para quê esta conversa?
Pela selecção Portuguesa.
Não sei nem faço a mínima ideia, no momento em que escrevo este artigo, qual será o resultado do jogo entre Portugal e o País de Gales. Mas há muita coisa que sei.
O típico português actual, esconde-se, não mexe, pira-se, que é para não ter problemas. Todos sabemos que o melhor é nada fazer, porque se chutarmos para canto, ninguém nos chateia. E se nos reformarmos mais cedo, melhor ainda.
A história de João Moutinho e Cristiano Ronaldo, correu e corre meio mundo, cada vez mais com novos vídeos. O último então é demonstrador do que digo.
De um lado o típico português de 2016, esquivo, escondido, bazante e do outro o raro português de 2016, corajoso, atrevido, confiante e com os ditos no sítio.
Repare-se nisto - se o tal corajoso, atrevido, confiante falhasse, era porque era vaidoso, uma besta, um corrupto, uma vergonha, um presunçoso, enfim, estava rotulado para o resto da vida.
Em bom rigor, no início, foi isso que aconteceu. Na fase de grupos, todos a disseram mal do homem. Quando Portugal ganhou à Croácia, vi alguns jogadores virem a público dizer - critiquem-no lá agora?!
Pois bem! A coisa correu bem e o homem é um herói. Pobre fadinho Lusitano e pobrezinhos de espírito! Faz-me lembrar um certo presidente que tanto mal disse do Renato, que quando o ouvi dar o braço a torcer, apenas pude considerar que tal mudança de opinião e paradigma, apenas pode ter a ver com o seu novo aspecto esbelto e esguio, derivado da perda de substâncias tóxicas, afinal estas as responsáveis pelo que dizia!
Não me interessa se a Selecção ganhou ao País de Gales, ou perdeu, para mudar a minha opinião.
Ela, a esta distância é muito positiva e tenho orgulho de ter um herói afirmado na Selecção Portuguesa, aconteça o que acontecer.
Nunca uma Nação tão maledicente se sentiu tão orgulhosa, como agora. Mesmo que isso custe microfones dentro de lagos, lágrimas, ou o que quer que seja.
É destas pessoas que Portugal precisa, mas não se consegue arranjar pessoas destas se continuarmos dentro da nossa mediocridade, a perseguir tudo e todos, a linchar tudo e todos, a comer-nos diariamente. Há uma grande diferença de nível entre o herói e o resto da matilha. E não devia haver! 
É verdade. Gostava de sair deste canto à beira-mar plantado. Mas já não tenho idade, nem força, nem capacidade.
Só conheço uma pessoa que nunca teve medo de errar e que construiu um Império, destruído pelas chamas de Azevedo. Esse homem chama-se Luís Filipe Vieira. Outro herói.
O escudo português assenta sobre a esfera armilar. Excepto durante o reinado de Dom Afonso Henriques, está presente em cada bandeira histórica, de uma forma ou de outra. É o principal símbolo português, bem como um dos mais antigos, com os primeiros elementos do escudo actual a aparecerem durante o reinado de D. Sancho I. A evolução da bandeira portuguesa está inerentemente associada com a evolução do escudo.
Dentro de uma borda branca, cinco pequenos escudos azuis, com seus cinco besantes brancos representam as Cinco Chagas de Cristo quando crucificado e popularmente associadas com o "Milagre de Ourique".
A lenda associada com este milagre conta que antes da Batalha de Ourique (25 de Julho de 1139), o Anjo Custódio apareceu diante de Conde Afonso Henriques (futuro Afonso I de Portugal) como um mensageiro divino. Previu a vitória de Afonso Henriques e garantiu-lhe que Deus estava olhando por ele e seus pares. O Anjo aconselhou-o a afastar-se de seu acampamento, sozinho, se ouvisse o sino da capela próxima a tocar na noite seguinte. Ao fazer isso, testemunhou uma aparição de Jesus na cruz. Eufórico, ouviu Jesus prometendo vitórias para as batalhas que viessem, dizendo que Deus desejava agir através de Afonso e seus descendentes, a fim de criar um império que levaria seu nome para terras desconhecidas, escolhendo o português para realizar grandes tarefas.
Impulsionado por esta experiência espiritual, Afonso Henriques ganhou a batalha contra um inimigo poderoso. Diz a lenda que Afonso Henriques matou os cinco reis mouros das taifas de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja, antes de dizimar as tropas inimigas. Assim, em gratidão a Jesus Cristo, incorporou cinco escudos dispostos em forma de cruz cristã, representando a vitória divina conduzida sobre os cinco reis inimigos cada um carregando com as cinco chagas de Cristo na forma de besantes de prata. A soma de todos os besantes (sendo os besantes centrais contados duas vezes) daria trinta, simbolizando os 30 dinheiros que Judas teria recebido pela traição a Jesus Cristo.
Hoje, Cristo e a Igreja estão nas ruas da amargura pela mão da Imprensa e os traidores, estão cheios de moedas de Ouro."

Pragal Colaço, in O Benfica

O Tetra começa aqui

"O Campeonato da Europa tem dispersado as atenções, mas a nova temporada clubista está aí, e o mercado continua a girar.
No Seixal trabalha-se no duro, enquanto os adeptos se mantêm na esperança de que o plantel campeão não sofra mais mexidas. No news, good news...
Para já, ficámos sem Renato Sanches e Nico Gaitán, duas saídas inevitáveis que não serão fáceis de suprir. De entrada estão Carrillo, Cervi, Celis, André Horta, Kalaica, Benitez e, ao que parece, Zivkovic. Alguns deles de qualidade acima de suspeita.
Outros, apostas de futuro. Por agora, talvez falte apenas um substituto directo para Renato Sanches, pois tanto quanto conheço dos reforços anunciados, nenhum preenche essas características. De resto, mantendo-se a base titular, a equipa ficará muito forte, e tem tudo para enfrentar a luta pelo 36.º título com optimismo.
Na baliza não parece haver alterações. Na defesa, seria importante manter o quarteto base da temporada passada, nomeadamente a dupla de centrais rápida e forte no jogo aéreo. No centro do terreno, haverá necessariamente mudanças, devido às saídas acima mencionadas, mas homens como Fejsa, Pizzi, Samaris, Salvio ou Gonçalo Guedes serão o fio condutor capaz de enquadrar os novos recrutas. No ataque, certos que estão Mitroglou e Jimenez, seria determinante manter Jonas, pois não é fácil encontrar no mercado alguém que marque quase 70 golos em dois anos, e que assuma tanta preponderância na manobra ofensiva da equipa. Além da valia técnica dos jogadores, há que preservar o espírito que levou ao Tri. E com estes jogadores, sabemos que contamos com entrega total."

Luís Fialho, in O Benfica

Parabéns SCP

"Em Junho de 1987, aos dez anos, aprendi uma das principais diferenças entre o benfiquismo e o sportinguismo. Ao orgulho sentido pelas conquistas do Campeonato Nacional e Taça de Portugal nessa temporada, os meus amigos leoninos tentaram atingir-me com a goleada, por 7-1, sofrida em Alvalade meses antes. Nos anos seguintes, nas evocações das presenças, em 1988 e 1990, na final da TCCE, assim como dos títulos nacionais em 1989 e 1991, era sempre, por esses tais amigos, relembrada a tal goleada. Nessa altura, longe estaria eu de imaginar que, passados mais de 25 anos, a efeméride continuaria a ser celebrada em jantares de convívio.
Poderia dar-se o caso de esta ser uma iniciativa singular, no entanto é mais uma entre tantas reveladoras de um traço identitário do sportinguismo manifestado em diversas ocasiões: O anti-benfiquismo. A mais recente teve lugar na Gala do Sporting, na âmbito das comemorações do aniversário do clube. Pelas redes sociais, vimo-los de braços no ar a darem "graças a Deus não nasci lampião" e sorridentes por terem "encavado os lampiões" no Algarve (ST) e porque "foi um ai Jesus, assustámos os papões (0-3 na Luz)", num exercício de puro sportinguismo, inglório apesar do esforço, dedicação e devoção nas sucessivas tentativas de antagonismo ao Benfica, o maior e melhor clube português. Assim se entende o espaço deixado vazio na sua renovada sala de troféus, reservado para o próximo troféu de campeão nacional. Um dia será ocupado, não se sabe é quando. Seja pela via desportiva ou pelo revisionismo da história das competições, é certo e sabido que constará qualquer coisa nesse compartimento. Nem que seja o troféu Rui Santos."

João Tomaz, in O Benfica

Obrigado pela escolha e parabéns, Raphael Guerreiro

"Quis representar Portugal apesar de ter nascido e crescido em França; chega à final do Euro2016 a dois passos de casa

«O Raphael Guerreiro talvez tenha sido o que me surpreendeu mais, porque era muito desconhecido para mim. Dei comigo no primeiro treino a olhar para ele e a pensar ‘epá, que talento é este?’» 
Fernando Santos confessou o entusiasmo em relação ao esquerdino ainda em Abril, durante uma entrevista à SportTV. Por essa altura já sabia que não podia contar com Fábio Coentrão no Euro2016. 
Chegou o Campeonato da Europa, Raphael Guerreiro entrou no onze e de repente tudo parecia natural: era aquele o seu lugar. Não me limitava a cumprir, transcendia-se e era por vezes o mais entusiasmante da Selecção.
Não me recordo de um jogo mau do luso-francês pela equipa das Quinas. Neste Campeonato da Europa teve de parar por lesão mas foi dos mais regulares em campo. Sempre com nota elevada. 
Raphael, na incompleta maturidade dos seus 22 anos, assumiu riscos quando poucos denotavam à-vontade para tal e foi geralmente feliz. Frente a Gales, como se tornou hábito, foi dos melhores da Selecção. Assistiu Cristiano Ronaldo para o 1-0.
Portugal já teve mais e menos Ronaldo. Mais e menos Nani. Mais e menos Renato Sanches. Pepe subiu de produção, Fonte e Adrien vão pelo mesmo caminho, mas fica o elogio para a constante: Raphael Guerreiro.
Não é fácil conseguir o que Raphael conseguiu. Garantiu unanimidade numa posição delicada, compensando a ausência de um dos elementos mais influentes na manobra da Selecção, pela qualidade e entrega, ao longo dos últimos anos: Fábio Coentrão.
O jovem que vai trocar o Lorient pelo Borussia Dortmund não ocupa manchetes. Fala pouco, prima pela discrição fora de campo, é ainda um relativo desconhecido para o grande público. Fica o elogio, não por merecer mais que os outros, mas porque nem sempre teve o espaço que justificou.
Devemos igualmente agradecer a Raphael Adelino José Guerreiro. Podia ser, por pleno direito, candidato a sucessor de Patrice Evra na Selecção de França.
Nasceu em Le Blanc-Mesnil, filho de uma mãe francesa, e viveu sempre por ali. A ligação a Portugal faz-se pela família do pai e pela memória das férias no nosso país. Ainda assim, foi cobiçado por ambos e sempre demonstrou a sua preferência.
Quis o destino que Raphael Guerreiro brilhasse com intensidade num Europeu realizado em França e que ajudasse Portugal a chegar à final do torneio, a dois passos de sua casa.
Entre Le Blanc-Mesnil e o Stade de France, em Saint-Denis, são apenas 10 quilómetros de distância. É ali ao lado.
Raphael Guerreiro preferiu dar a volta, ir por Portugal e representar – a par de Anthony Lopes - uma imensa comunidade de luso-franceses que cresce por lá sem renegar a herança lusa. Segue-se...a França que o viu nasceu e crescer.
Obrigado Raphael.

PS: a 24 de junho, após a fase de grupos, utilizei este espaço para tecer algumas críticas ao processo da Seleção. Preferi assumir que duvidar em silêncio. Escrevi que morderia a língua se o tempo desse razão a Fernando Santos. Naturalmente, não iria assobiar para o lado. Aqui estou a morder publicamente a língua. Parabéns Engenheiro."

Vamos dar-lhes um 'Maracanazo'

"Depois de noventa minutos em que teve a sorte do jogo do seu lado, a França atingiu a final do Euro 2016, onde vai encontrar Portugal. Das 53 selecções que participaram neste Campeonato da Europa, já é certo que 51 vão situar-se abaixo de portugueses e gauleses, o que, só por si, é suficientemente elucidativo. As duas equipas conheceram percursos diferentes, os anfitriões sempre amparados pelos poderes, enquanto que Portugal fez o caminho das pedras, arrostando com a má vontade dos árbitros e de alguns especialistas que esperavam uma equipa simpática e tenrinha e acabaram por levar com a versão mais italianizada da turma das quinas de que há memória.
A final do próximo domingo pode ser vista como uma oportunidade imperdível para Portugal acertar, com os franceses, contas pendentes de 1984, 2000 e 2006; mas não me parece que esse seja o prisma mais certo para ver o jogo do Stade de France. Esta geração tem de jogar o presente, respeitando o passado, sem dúvida, mas de olhos postos no futuro. E se Portugal, de 2000 para cá disputou quatro das cinco meias-finais realizadas no Euro, por alguma razão é (só falhou a de 2008 porque perdeu nos quartos com a Alemanha). Os jogadores passam mas a consistência competitiva mantém-se. E há, neste momento, uma geração emergente no futebol português que garante a continuidade da equipa de todos nós na elite europeia.
Por isso, vamos tentar ganhar à França no domingo sem a pressão de exorcizar fantasmas do passado. Vamos tentar ganhar por todos os portugueses que acreditam na Selecção e nela encontram um vínculo com a Pátria. A equipa de Fernando Santos tem um encontro com a história e estou certo de que estará à altura da ocasião."

José Manuel Delgado, in A Bola

A viola e o ouro que era de prata

"1. Se o fado é reconhecido como a voz da nossa identidade colectiva, já a viola e a guitarra são os acordes de tal expressão. Curiosamente, um adágio popular algo temperamental manda que, em certas circunstâncias, se meta a viola no saco. Porquê a viola? E em que saco? Bem, nada disso releva agora. Basta saber o que todos os portugueses sabem. E eles sabem quando e a quem deve ser aplicada tal expressão. Ora, depois de a selecção nacional de futebol ter conseguido reservar um lugar na final agendada para o próximo domingo em Paris, é precisamente isso - meter a viola no saco - o que devem fazer, com a maior das humildades, todos aqueles, nos quais me incluo, que avaliaram com sentido cepticismo o anúncio de tal propósito feito, em devido tempo, por Fernando Santos. Suceda o que suceder na final do próximo domingo, uma coisa é agora certa: só no dia 11 a nossa gente voltará a casa. Confesso que nunca acreditei que tal fosse possível. Assim, guardo a minha viola no saco. Mas continuarei a gritar, como sempre, PORTUGAL, PORTUGAL.
2. Por capricho das insondáveis razões que regem os calendários de todos os mundos, na mesma noite em que a selecção de futebol conquistou o acesso à final, Ana Dulce Félix voltou a brilhar noutro campeonato europeu - o de atletismo. E o atletismo é, peço desculpa por voltar a dizê-lo, o rei de todos os desportos. Sim, futebol incluído. A coincidência dos dois eventos fez com que a façanha da atleta benfiquista tivesse sido parcialmente eclipsada. Mas nem por isso o seu mérito pode ser reduzido. Depois de há quatro anos ter vencido os 10000m, desta feita obteve a medalha de prata. O ouro foi para uma queniana capciosamente naturalizada turca..."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Vamos com sorte?

"A primeira condição para o sucesso desportivo é acreditar que ele é possível. Nós temos conseguido ganhar em modalidades, em competições que há uns anos pareceria impossível. A vitória da selecção portuguesa de futebol que garantiu o acesso à final deixou a maioria dos portugueses em êxtase. Não há dúvidas sobre a capacidade aglutinadora do futebol, um País em torno da sua selecção de futebol. 
Não deixo de ficar surpreendido pela capacidade do futebol português atingir resultados de referência na modalidade com maior densidade e universalidade competitiva. Não acredito que estes resultados se devam à sorte. É preciso ter sorte nas condições genéticas para a prática de determinada modalidade, ter sorte em nascer num País em que ela se pratique, ter sorte em encontrar um enquadramento técnico competente, sorte em reunir apoios que permitam a preparação, sorte em acordar bem disposto no dia da competição ou até mesmo sorte em alguns dos nossos adversários estarem num mau dia, mas não chega!
A nossa equipa de futebol não chegou à final do campeonato da Europa por sorte, a Dulce Félix não conquistou a medalha de prata nos 10.000 metros no Campeonato da Europa por sorte, a nossa jovem olímpica Tamila Holub não foi medalha de prata no Campeonato de Europa de natação na categoria de juniores por sorte!
A sorte dá muito trabalho. Com a mesma facilidade com que alguns desvalorizam o resultado pela sorte, alguns aceitam resultados menos bons por obra do azar, do destino. A desculpa do azar é a pior das estratégias para corrigir os erros no futuro. Atrás de cada momento de sorte estão horas de treino, dedicação e superação.
Acredito que o desporto em Portugal pode ser melhor em quantidade e qualidade, basta não deixar isso apenas nas mãos da sorte!"

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CLIV)

Novinho em folha...
... um dos primeiros treinos na Catedral,
em 1954 !!!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Só falta uma final! Ainda falta uma final...

"Já lá estamos
1. Já estamos! Depois da Polónia, nas grandes penalidades, seguiu-se o País de Gales, com uma grande exibição! Agora, venha o Diabo e escolha!
Independentemente da sorte que nos tem acompanhado, Portugal era claramente favorito, frente ao País de Gales, que se estreou neste Europeu e que, por isso, já fez história.
Não querendo menosprezar as várias proezas alcançadas por Bale & C.ª neste Europeu, a verdade é que só Portugal poderia ganhar (e já nem falo nos dois jogadores fundamentais deles, que, sabia-se, não iriam jogar, por acumulação de amarelos). Até porque, como «uma andorinha não faz a primavera», também um grande jogador não faz uma equipa campeã.
Ontem ganhámos porque, para além de termos melhores jogadores, demonstramos ter, também, uma equipa coesa, respeitando sempre o adversário. Sabíamos que nos faltava apenas um jogo, para que pudéssemos estar na final, em Paris, que será - espero - o da concretização do nosso sonho.
Para além disso, numa demonstração de que não há jogadores indispensáveis, ninguém deu pela falta de Pepe (pese embora ter tido uma grande participação neste Europeu), face à grande exibição de Bruno Alves (que eu, na passada segunda-feira, tinha antecipado como podendo ser efectivo neste jogo, com a surpresa e alguma discordância de muita gente).
Foi apenas e tão só um jogo, que acabou como seria suposto acabar. Com a equipa surpresa da prova a terminar onde terminam, por tradição, todas as que assumem essa condição: nas meias-finais. Foi assim, connosco, em 66 e em 84, lembram-se?
Por nós, está na altura de nos assumirmos como uma grande selecção. Parece que nos custa reconhecer o que é óbvio: que Portugal é uma das melhores selecções do Europeu e que está frequentemente nos dez primeiros lugares do ranking da FIFA. Somos um grupo em crescimento, que tem sido capaz de lutar até ao fim, com um grande compromisso colectivo e com uma grande estratégia de comunicação. Finalmente - com essa grande mudança de paradigma - assumamos que faltando, ainda, uma final, falta, apenas, um jogo.
Agora - e porque há justiça no Olimpo do futebol - e para que, juntos, possamos dar «novos mundos ao Mundo», confiemos que estamos a 90 minutos de sermos CAMPEÕES EUROPEUS.

A inveja de uns
2. Portugal tem sido alvo de críticas, muito particularmente da imprensa francesa. Fala-se muito na «sorte» - qual «fado» ou «destino» - que temos tido, por, alegadamente, não jogarmos nada, ou muito pouco, ... e irmos passando! Fala-se, aliás, em injustiça e em milagre.
Já sabemos que a imprensa francesa não gosta da nossa selecção. Mas o respeito pela liberdade de expressão, valor e princípio supremo de qualquer estado de direito democrático, não pode por em causa o respeito por um País, por um Povo.
A imprensa francesa está a travar uma clara guerra psicológica, atacando a seleção portuguesa... talvez por «inveja» - curiosamente, a última palavra de Os Lusíadas.
A muito lusa «inveja» a que se opõe a sempre esquecida «sorte», última palavra de A Portuguesa, na sua versão completa.
De facto, Portugal não é a melhor selecção - até porque aqui ninguém é chauvinista -, mas também não é tão má quanto escrevem. Não temos feito grandes exibições, é certo, mas temos sido eficazes, pragmáticos, com uma equipa sólida e compacta, que não comete muitos erros.
E unida!
Mas independentemente disso, e de opiniões alheias, o importante é ganhar, seja como for, no tempo regulamentar, no prolongamento ou nas grandes penalidades.
Não deixa, contudo, de ser curiosa a inexistência de crítica à selecção francesa, que só agora começa a aparecer, ... sem entusiasmar!
Mas não se acanhem, continuem a provocar e a tentar humilhar ferozmente a selecção portuguesa. Depois perceberão o erro (grave) que cometeram. Lembrem-se de que a final poderá ser um Portugal-França. E lembrem-se que temos a capacidade de alcançar determinadas proezas,sobretudo quando são... Impossíveis!

E a sorte (ou lotaria) de outros
3. Até ontem, Portugal empatou todos os jogos. Ainda assim, atingiu, a esse ritmo - criticável especialmente para os franceses - as meias finais do Europeu. Para tal, bastou gerir cada jogo e ter alguma sorte, de que se fazem os campeões. E quanto aos penalties, será, apenas e só, uma questão de sorte?
Há quem defenda que sim, que se trata, efectivamente, de uma «lotaria». De um caso de sorte ou de azar. Mas não! Trata-se, antes, de grande competência na conversão (e defesa) das mesmas. Aliás, dizia-me, um dia, Humberto Coelho, numa conversa de intervalo de um qualquer jogo, na Luz, que o penalty é um gesto técnico e, como tal, se bem treinado e bem executado, é indefensável. Por vários motivos.
Como escreveu o Professor José Neto, neste jornal, seja pela própria «dinâmica do Futebol e o seu grau de exigência para o sucesso», seja pela necessidade de «obtenção de níveis elevados de rendimento». Sabendo-se, por diversos estudos realizados, que os guarda-redes têm de se antecipar à partida da bola, estes terão de se treinar física (para que estejam em boa forma) e psicologicamente (ao nível da capacidade sensitiva e da concentração, essencialmente) para isso, para além do estudo pormenorizado, nas vésperas de cada jogo, dos possíveis marcadores e da atenta observação dos mesmos, na devida altura.
Já o marcador do penalty, para além de igual capacidade de concentração, tem de ignorar os factores momentâneos de adversidade e criar confiança no êxito e de tudo o que lhe está subjacente. Tudo isso terá de ser muito trabalhado em cada treino.
E Portugal conseguiu-o!
Contra o «fado» e o destino! E até pode ser que venha a ser Campeão Europeu por causa desse mesmo treino específico. Por mim, não me importaria!

Renato Sanches
4. Exemplo desse trabalho, mas essencialmente dessas capacidades de concentração, de frieza e de classe, foi a maneira como Renato Sanches enfrentou e bateu a segunda grande penalidade, frente à Polónia, nos quartos de final.
O miúdo de 18 anos, que tem mostrado à Europa (e ao Mundo) garra e confiança nas suas capacidades e que nunca vacilou perante nada, incutindo maior intensidade ao jogo e assumindo-se como um factor de grande desequilíbrio.
Como tenho vindo sistematicamente a defender... contra o lobby anti-Benfica.
Mas o mais curioso é que há 2 meses discutia-se se devia ser convocado ou não. Muitos defenderam que não. Há 1 mês estava por favor na selecção e, por isso, não devia jogar. Há 15 dias passou a ser uma alternativa semi-válida, mas não poderia, nunca, jogar de início. Hoje, é uma referência incontornável da seleção portuguesa.
Sendo disso reconhecimento a eleição, pela UEFA, pela segunda vez consecutiva, como o melhor jogador em campo. Com o apoio de várias figuras do futebol mundial.
Van Hooijdonk fez-lhe rasgados elogios, defendendo, inclusivamente, a sua titularidade na selecção nacional e comparando-o a Seedorf, um dos ídolos de Renato Sanches, tanto pela maneira de jogar, como pela intensidade que impõe no jogo.
Já Carlo Ancelotti afirmou que Renato Sanches é o melhor jogador do europeu, tratando-se de um fenómeno.
Por isso, não vale a pena desvalorizarem... Porque - já o sabemos - maior que a vossa inveja, só a nossa GRANDEZA!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Desilusão

Não foi uma boa manhã em Amesterdão!

Nélson Évora de fora da Final do Triplo-salto, com uns desoladores 16,27m !!!
O objectivo são os Jogos, daqui a um mês, mas estes sinais não são bons... e no final da prova, ainda me pareceu ver o Nélson a coxear!!!
Creio que é claro que uma qualificação para a Final no Rio, já será uma grande vitória...

O Hélio Gomes, nos 1500m também falhou a qualificação. Já se sabia que seria muito complicado... o Hélio a este nível não tem a 'ponta final' desejada, assim tentou puxar pelo andamento... mas não deixou ninguém para trás... e acabou ultrapassado... o tempo acaba por ser insignificante!

Para a história

"Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo.

Aqueles que olhavam Fernando Santos de soslaio e se mantinham cépticos quanto ao comportamento da selecção portuguesa no Campeonato da Europa, foram convidados ontem à noite em Lyon, depois da vitória sobre o País de Gales, por Ricardo Quaresma a ir a Paris no próximo domingo quando, no final do jogo, desabafou sem papas na língua, como aliás é seu jeito.
A vitória portuguesa, que lhe garantiu o passaporte para o desafio de consagração na cidade luz, não pode ser entendida como obra do acaso.
O seleccionador nacional foi sempre peremptório ao afirmar convictamente que o seu foco apontava para 10 de Julho e que, por isso, apenas tinha em mente regressar a Lisboa no dia seguinte.
Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo, sem esquecer que do outro lado está sempre uma equipa que também não justificou por acaso a sua presença no Euro.
E foi assim que Fernando Santos conseguiu juntar um grupo fabuloso, no qual todos têm aceitado colocar em primeiro plano a equipa em detrimento da ambição pessoal de cada um.
Olhando para o passado recente não encontramos outro seleccionador português que tenha sido capaz de atingir este desiderato.
Por tudo quanto foi conseguido até aqui no Campeonato da Europa, os portugueses estão naturalmente em festa. Uma festa que não conhece fronteiras, mas tem arraiais de grande dimensão em França, bastando ver a emoção com que ali tem sido seguida a carreira da nossa selecção.
Agora, até domingo à noite, o sonho continua.
França ou Alemanha, venha quem vier, vão ser comparsas dos bons momentos que esperamos viver nesse dia, e sejam o culminar de uma festa que quase todos os portugueses têm vivido intensamente."

Só mais um!

"Portugal passou o Europeu inteiro a preparar-se para jogar a final contra um colosso como a França ou a Alemanha

Afinal, Fernando Santos tinha razão: só volta para casa no dia 11. Cá entre nós, quando o disse pela primeira vez, provavelmente era o único acreditar que Portugal podia mesmo chegar à final deste Europeu. Agora que todos sabemos que ele tinha razão, é impossível ignorar o friozinho na barriga que se sente quando o ouvimos dizer com a mesma confiança, no final do jogo de ontem, que "as finais não se jogam, ganham-se". Portugal vai a Paris disputar a segunda final da história do futebol português frente a um de dois gigantes: a França, organizadora do campeonato, que joga em casa e a quem a Selecção Nacional não vence há 40 anos; ou a Alemanha, campeã do mundo em título, responsável pelo atropelamento do Brasil e genericamente intratável. Dois colossos. O que até pode ser uma boa notícia. Afinal, tal como a Grécia nos provou para lá de qualquer dúvida razoável, ninguém tropeça em montanhas. Depois, todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde seria necessário jogar com equipas deste calibre. Aliás, é impossível não sentir que Portugal passou o Europeu inteiro a preparar-se e a preparar os adeptos portugueses para esta final. É verdade que, num mesmo patamar de desenvolvimento, é normal que os países com dez milhões de pessoas produzam selecções mais fracas do que os países com 70 ou 80 milhões. Trata-se de uma questão de potencial de recrutamento puro e simples. Para ganhar equipas do tamanho da França ou a Alemanha, não chega ter talento: é preciso ter-se consciência das próprias limitações e ser-se esperto. E há poucas equipas mais conscientes e espertas do que esta, que Fernando Santos desenhou."

Tentação hegemónica

"A Europa e o futebol

1. O director executivo do torneio tem razão: consiga a polícia francesa manter a violência sob controlo até domingo e o Euro 2016 terá sido um sucesso. Mas, do ponto de vista do calendário, houve mais sorte do que juízo. Em abstracto, uma prova continental com 24 equipas constitui uma insanidade: é demasiado longa e coloca em confronto equipas demasiado desequilibradas. Em concreto, não foi o que aconteceu, por causa das carreiras da Islândia, do País de Gales e mesmo da Irlanda do Norte e da Albânia. Não sei se se repetirá tal coisa, porém. E o intuito foi economicista, não de abertura ao desenvolvimento do futebol em países cujas selecções há tão poucos anos eram a chacota da Europa. Portanto, o melhor, antes de se decidir o que fazer em 2024, é ver como corre 2020. Até porque 2020 traz outra loucura: uma prova repartida por 13 países, com jogos de Baku a Glasgow e de Bilbau a São Petersburgo. Arrisca, a UEFA: do ponto de vista do funcionamento como do da segurança e até do do equilíbrio de condições, essencial à justiça de qualquer competição. Mas, pronto, estamos no tempo de fazer caixa. E de continuar a conquistar espaço ao Mundial, coisa a que o ocaso do Brasil e a derrota da Argentina na Copa América só vieram ajudar.

2. Equipas de atletismo suspensas e equipas de futebol que não conseguem reunir jogadores, golfistas que preferem ficar em casa e laboratórios antidoping desacreditados. Alertas de ex-desportistas e até de polícias em relação aos riscos de segurança. Um vírus que assusta quem ainda queira ter filhos - e agora até uma superbactéria nas praias cariocas. O Rio"16 não podia debater-se com mais obstáculos. Talvez seja uma grande prova. Mas chega a dar ideia de que todo o divertimento deste verão acaba domingo."

E eis-nos na grande final

"Fernando Santos tinha razão quando disse que só regressaria a Lisboa no dia 11 de Julho. Um homem de fé religiosa, com muita fezada desportiva.
O seleccionador nacional, conservador nos processos e prudente nas escolhas, levou a água ao (seu e nosso) moinho. Não que tenhamos deslumbrado num Euro em que, aliás, ninguém deslumbrou. Na minha opinião, o seleccionador teve o enorme mérito de fazer dos jogadores uma equipa e não uma mera soma de onze atletas. Transmitiu ideias que, em tese, poderiam não ter sido suficientes, mas são sempre necessárias: a solidariedade, o companheirismo, a vontade e a coesão. Revelou ser um mestre na gestão de pessoas e fê-lo sempre inculcando motivação, ambição e sentido de utopia. Utopia que está a 90 minutos de poder ser realidade. Bem oposto do que havíamos visto em anteriores competições, eivadas de pequenos e médio casos com jogadores, que minaram a ideia de conjunto. 
Tivemos sorte nos sorteios e em alguns jogos? Sim, não há como negá-lo. Mas Fernando Santos e os jogadores souberam procurá-la. E juntaram à dita ventura, trabalho e esperança.
Final, com a França ou com a Alemanha, só hoje à noite o saberemos. De uma coisa estamos certos: salvaguardadas as devidas distâncias, estamos na mesma posição da Grécia na final do Euro 2004: 
não somos favoritos, mas poderemos ser campeões europeus. Parafraseando, com a devida vénia, uma frase de Dalai-Lima, «agnósticos só no fim do jogo». É um orgulho para Portugal e, sobretudo, para os nossos compatriotas em França. Só por eles valeu a pena ter chegado à final de domingo e sonhar."

Bagão Félix, in A Bola

Ele só volta mesmo dia 11!

"Portugal chega à segunda final da sua história. Fernando Santos cumpre desejo. Ronaldo igualou Platini: 9 golos em Europeus

Pronto, já está: Portugal está na segunda final da história do futebol sénior. Meio mundo riu quando Fernando Santos, depois de garantir a presença na fase final, disse que, a partir de então, queria ganhar o Campeonato da Europa. A outra metade do Mundo deixou apenas o seleccionador trabalhar. A seguir, apareceram os jogadores a assinar por baixo: sim, queremos ser campeões. Depois foram os médicos. E os assessores. E os técnicos de equipamentos. E os fisioterapeutas. E o presidente. E os vices. E o motorista. E assim por diante. «Só volto dia 11», anunciava Fernando Santos.
Quando Portugal chegou a França, há mais de um mês, a esperança era grande. Depois, pouco a pouco, foi esmorecendo. Não se jogava bem, não se marcavam golos. A selecção ia seguindo em frente, dizia-se, à custa de sorte. De vacas. De amuletos. De pés quentes. De fé. Mas também de Ronaldo. E Nani. E Quaresma. E Pepe. E Renato. E Patrício. E Raphael. E todos os outros. E Fernando Santos, claro, não mudava o discurso: «Só volto dia 11.»
Surgiram cada vez mais críticas. João Mário não era o João Mário do Sporting. Cédric cruzava mal. Moutinho não era o Moutinho do FC Porto. William falhava demasiados passes. Ronaldo não era o Ronaldo do Real Madrid. Rafa não saía do banco. Nani não era o Nani do Manchester. Só Pepe era o Pepe do Real Madrid. Fernando Santos não alterava uma linha do discurso: «Só volto dia 11.»
Passou a fase de grupos, passaram os oitavos, os quartos e chegou-se à meia-final: Gales. Os críticos, como diria La Palisse, criticavam: só jogámos com Islândia, Áustria, Hungria, Croácia e Polónia, agora com Gales. E punham o dedo numa alegada ferida: Portugal pode chegar à final sem se cruzar com Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha ou França. Fernando Santos mudou, então, ligeiramente, o discurso: «Posso ser calimero, patinho feio, tudo aquilo que vocês quiserem, mas só volto dia 11.»
E ontem, depois de terminado o jogo com Gales, depois de ter abraçado os heróis do jogo, de Patrício a Ronaldo, de Cédric a Raphael, de Bruno Alves a Fonte, de Danilo a João Mário, de Adrien a Renato ou Nani, de Moutinho, a Quaresma ou André Gomes, subiu dois degraus das bancadas do estádio de Lyon e abraçou os filhos, Cátia e Pedro. E segredou-lhes: «Digam à vossa mãe que só regresso dia 11.» Espera-se que com o título de campeão da Europa no bolso. Seja a final com a Alemanha ou com a França.

Ronaldo igual a Platini
Com aquele fantástico golo de cabeça, Ronaldo igualou Michel Platini no topo da lista dos goleadores em fases finais de Campeonatos da Europa, com 9 golos. O francês fê-lo em cinco jogos do Euro-1984, o português no total de 20 jogos de 2004 (6), 2008 (3), 2012 (5) e 2016 (6). E entrara na história mal o jogo com Gales se iniciou. Tornara-se no primeiro a estar em três meias-finais de Campeonatos da Europa.
Para quem gosta de curiosidades estatísticas, aqui ficam mais algumas:
1. só o brasileiro Pelé (Mundial-1958) e o italiano Bergomi (Mundial-1982) chegaram mais novos do que Renato Sanches a uma meia-final de uma grande prova;
2. Rui Patrício (9) ultrapassa Ricardo (8) como guarda-redes português com mais jogos em fases finais de Europeus;
3. Foi a primeira vez neste Europeu que Portugal teve dois golos de vantagem;
4. 83 % dos golos de Ronaldo em fases finais de grandes torneios de seleções aconteceram nas segundas partes:
5. Ronaldo voltou a marcar um golo numa meia-final de um Europeu: 2004 e 2016. Só outros três jogadores o tinham feito: os russos Ponedelnik e Ivanov (ambos em 1960 e 1964) e o jugoslavo Dzajic (1968 e 1976).
E também Ronaldo só volta para casa dia 11."

Rogério Azevedo, in A Bola

Digam lá que foi sorte...

"Derrubado o quase, quase... Portugal volta a ser finalista do Europeu de futebol Falta o óptimo - não sacrificado a jogar na posição dificílimo perante Alemanha, campeã mundial, ou França, em casa desta -, já é excelente.
Não posso ser acusado de demagógica entrada à pressa no navio do sucesso: a nossa Selecção mereceu cumprir o firme objectivo que o seu líder técnico sempre traçou. E é, em 1.º lugar, por a forte liderança de Fernando Santos nunca ter abanado que Portugal conseguiu a tão ambicionada disputa de glória na grande gala da final em Paris.
Mereceu porque, tendo começado mal (a muito fraca exibição ocorreu na estreia, perante a Islândia... que veio a despachar a Inglaterra), foi subindo rendimento em cada um dos outros 5 jogos (sim, a final será o 7.º).
Mereceu porque falta de crença e de ganas nunca teve. E esse clarão vindo de inabalável espírito de equipa é sempre fundamental.
Mereceu porque pura sorte teve apenas no golo da Islândia a fechar confronto com Áustria, relegando-nos para bendito 3.º lugar no grupo...
Mereceu porque equipa prejudicada em erros de arbitragem foi a nossa. Ontem, 3.º penalty não assinalado. E este, como os anteriores, poderia bem mais cedo significar embalagem para triunfo. Mereceu, acima de tudo, pela firmeza de estratégia, contra ventos e marés... Fernando Santos soube sempre o que queria, no início e ao longo de cada jogo. Estudou meticulosamente cada adversário e, sem perder o fio à meada, foi mudando o que entendeu mudar, no onze inicial e em posteriores alterações. Selecção pragmática, realista? Sim. E então? Temos a abundância de qualidade existente na Alemanha, na França, na Espanha, na Bélgica... que o nosso adversário de ontem mandou para casa com 3-1?
Mereceu, enfim, por ter sido claramente superior ao País de Gales no tudo por tudo de meia-final. 
Também eu gostaria - como levo semanas a frisar - de ver os nossos médios entrarem muito mais na grande-área contrária, para Ronaldo e Nani não ficarem tão isolados contra 5 e 6 barrando-lhes zona de remate. E gostaria de ver Ronaldo não sacrificado a jogar na posição do ponta-de-lança... que não temos. Mas Ronaldo e Nani, 3 golos cada um, mais Quaresma e Renato, foram resolvendo esse problemão de acertar na baliza. E, senhor Ronaldo, ilustre capitão, aquela cabeçada rasgou o caminho, seguindo-se assistência para o golo de Nani.
Digam lá que foi sorte... E Portugal conquistou o direito a estar na final... onde só outra Selecção estará e todas queriam estar.

Precisam! Todos os nossos três gigantes muitíssimo precisam de ser o próximo campeão nacional. Absoluta necessidade! O que vai tornar a longa corrida ainda mais gira! Desejando-se que não excessivamente picante...
Mesmo o Benfica tricampeão precisa do tetra. Porque lhe vincaria hegemonia como não há memória? Sim, mas também, quiçá sobretudo, porque seria categórico êxito do novo projecto político-desportivo-financeiro que Luís Filipe Viera arriscou lançar há um ano.
Sporting ainda mais necessitado de ser o próximo campeão. Sob pena de entrar em perigoso descontrolo de derrapagem a total ambição quase diariamente afirmada por Bruno de Carvalho e a enorme aposta por ele feita ao contratar Jorge Jesus.Ficando este também em causa. E, decerto, com pouca vontade de se lançar em terceira tentativa.
FC Porto necessitadíssimo do próximo título. Quatro anos consecutivos em absoluto jejum seria terrível golpe na era Pinto da Costa, longuíssima, por regra tão vitoriosa, criando nos adeptos tão elevado nível de exigência. Acresce que o líder, ainda indiscutível, habituou toda a gente a não falhar na escolha de treinador e a dar-lhe fortíssimo apoio da estrutura. Esta desatou a abanar, claramente. Esteve mal com Paulo Fonseca; ter-se-á dividido, e sido passada para trás!, nos anos do quase imperador Lopetegui; e, evidente, não ressurgiu no curto, dificílimo, mandato de José Peseiro. Está na hora de a estrutura portista definir o que vale: volta a ser poderosa, pelo menos firme, ou confirma divisões e... inevitável marcha para declínio. E Nuno Espírito Santo, jovem treinador aceite pelos adeptos, sim, mas sem grande entusiasmo (esperavam nome muito mais sonante), vai ter teste de fogo!
O problema dos nossos gigantes é sempre o mesmo, mas, nesta temporada, surge agudizado: só um pode ser campeão... O que, desta feita, criará enormes mossas nos outros! Pelo menos, num deles... (óbvio: Benfica, porque tricampeão, é o que tem algum suporte para aguentar o desaire)."

Santos Neves, in A Bola

Na final com méritos

"Como era esperado, houve, no primeiro tempo, muito equilíbrio e pouquíssimos lances de ataque. O time que perdia a bola recuava e fechava os espaços com oito jogadores. País de Gales com três zagueiros, dois alas e três no meio-campo, enquanto Portugal com duas linhas de quatro. Raramente acontecia um contra-ataque. Cristiano Ronaldo e Bale, isolados, apareceram pouco.
Logo no início do 2.° tempo, Cristiano Ronaldo, em uma cabeçada espectacular, como é habitual fez o primeiro gol após cobrança de escanteio. Minutos depois, ele finalizou de fora da área, e Nani desviou para fazer o segundo. País de Gales trocou um dos três zagueiros por um atacante, mas continuou dependendo demais dos dribles e finalizações de Bale de fora da área. Portugal mostrou novamente um óptimo sistema defensivo. No contra-ataque, teve duas ótimas chances para fazer o terceiro.
Hoje, Alemanha e França decidem a outra vaga na final. A Alemanha, contra a Itália pela primeira vez na Eurocopa, jogou com três zagueiros. Como os dois alas têm pouco talento ofensivo, o ataque ficou enfraquecido. A Alemanha não terá o excelente zagueiro Hummels, Khedira nem Mario Gómez. Além disso, Gündogan e Reus, contundidos, não foram para a Eurocopa. Lahm e Klose, jogadores importantes no último Mundial, não estão mais na seleção. Schweinsteiger deve jogar no lugar de Khedira, mas está longe da forma ideal, por causa de seguidas contusões. Mesmo enfraquecida, a Alemanha, pela tradição, eficiência e qualidade, tem quase as mesmas chances da França.
A França, ao contrário, vive um ótimo momento, com o crescimento técnico de alguns jogadores que actuaram na Copa, como Griezmann, Pogba e Giroud, além do surgimento de excelentes jogadores, especialmente Payet, um dos destaques da Eurocopa. Contra a Islândia, o técnico trocou Kanté, o volante mais marcador, pelo meia Sissoko e recuou Pogba. Hoje, Didier Deschamps deve estar em dúvida se mantém essa formação.
Contra França ou Alemanha Portugal não é favorito, mas não será surpresa se conquistar o primeiro título da Eurocopa de sua história.

Positivo
A cabeçada espectacular de Cristiano Ronaldo, no primeiro gol, e, novamente, o ótimo sistema defensivo de Portugal, com duas linhas de quatro, não deram chance ao País de Gales.

Negativo
É pouquíssimo provável, por causa da segurança reforçada, mas continua o medo, pelo que tem acontecido no Mundo, que haja alguma tentativa de terrorismo no fim da Eurocopa."

Benfiqu(smo (CLVII)

Antiga Sede da Avenida Gomes Pereira...

Versão Cota...!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Félix de Prata

Em vésperas de Jogos Olímpicos, aí está Medalha de Prata e recorde pessoal, nos 10000m para Dulce Félix, nos Campeonatos da Europa, com  31:19.03 !!!
Grande prova, e se tivesse 'acreditado' um pouquinho mais cedo, podia ter chegado ao Ouro... a Turca-Queniana fugiu cedo, ganhou uma vantagem enorme, mas a Dulce aproximou-se e mais uma volta...!!!
Excelentes indicações para a Maratona Olímpica!
Recordo que em 2012 em Helsínquia, a Dulce sagrou-se Campeã Europeia.

Destaque ainda para o 12.º lugar da Carla Salomé Rocha...

O dia até começou mal, com o Diogo Antunes, nos 100m com 10,51 seg. Longe dos 10,29 deste ano!!! Mesmo assim ficou a 0,05 centésimos da qualificação para a Meia-final !!!
O Diogo Ferreira também ficou aquém da sua melhor marca, mas acabou por ter 'azar' já que os 5m35 foram suficientes para a qualificação, mas o Diogo ficou de fora devido ao derrube na 1.ª tentativa!!!!
Vamos ter muitos Benfiquistas em acção nos próximos dias em Amesterdão. No mítico Olímpico de Amesterdão, onde o Benfica se sagrou Bicampeão Europeu!
Pela primeira vez, temos um Europeu em ano Olímpico!
Estas decisões são essencialmente económicas (de 2 em 2 anos, dá mais dinheiro do que de 4 em 4 anos!!!), mas eu até considero positivo, pois ainda existe atletas a procurar os Mínimos Olímpicos... além disso com os atletas consagrados já qualificados para o Rio concentrados exclusivamente nos Jogos, temos a oportunidade de observar jovens atletas que acabam por ganhar protagonismo...
Neste momento temos Campeonato da Europa de Futebol, Campeonato da Europa de Atletismo, Volta à França... Wimbledon, etapa do Mundial de Surf em J-Bay...quem gosta de desporto não se pode queixar!!!

Renato Sanches, e em francês!

"Já actuou em três dos quatro jogos da Selecção Nacional neste Campeonato da Europa e tem chamado a atenção da imprensa francesa que procura descobrir o segredo da sua venda ao Bayern de Munique com apenas 18 anos.

LENS - O jovem jogador que trocou este Verão o Benfica pelo Bayern de Munique desperta a atenção da imprensa francesa que já por mais de uma vez tem apostado nele como titular da Selecção Nacional.
No «Journal du Dimanche», por exemplo, Mickael Caron trata-o por «nova pepita dos alemães». E não poupa nos elogios: «O jovem que custou mais ao Bayern do que o despedimento de Laurent Blanc ao PSG veio dar luz a uma equipa que, apesar do Cristiano Ronaldo, estava às escuras em termos ofensivos». Críticas fortes sobre a forma como Portugal e Croácia se dedicaram a um jogo sem remates às balizas e a convicção de Renato poderia ter entrado ainda mais cedo no jogo. Quem esteve em Lens, no Bollaert-Delelis, viu: entrava pelos olhos dentro. Renato Sanches foi uma injecção de dinâmica na equipa portuguesa. As suas arrancadas, a forma como se ofereceu sempre ao choque corpo-a-corpo com os adversários, a autoridade com que exigia a bola e participar nos acontecimentos como se um veterano se tratasse, fizeram dele uma das figuras do encontro. Para uns até mesmo «a figura» já que o escolheram oficialmente como o «Melhor Jogador em Campo», um prémio que a UEFA atribui em cada um dos desafios deste Europeu.

Nunca de esconde!
O «L'Equipe» antecipava a titularização de Renato Sanches antes do jogo com a Croácia. Numa apreciação à equipa portuguesa, Regis Dupont escrevia: «A popularidade da jovem estrela portuguesa ultrapassa a esfera Benfiquista. As exibições sem chama de João Moutinho nos três primeiros jogos já abriram a porta a Renato Sanches, mas ele ainda não as forçou. Como sempre acontece, e aconteceu com o próprio Cristiano Ronaldo, há sempre dúvidas sobre a chamada de um miúdo desta idade a um posto de tamanha responsabilidade. Mas a verdade é que estamos perante um jogador diferente. Um 'vulcão' segundo muitos dos que seguem a sua trajectória desde que começou a jogar Futebol. Neste momento já é o mais novo português a jogar uma fase final de um Campeonato da Europa. Prevê-se-lhe um grande futuro. Como se previa a Ronaldo naquele dia em que marcou frente à Grécia na estreia de Portugal no seu Euro-2004».
Renato Sanches chama as atenções e capta o interesse de todos os que têm observado como o conjunto português muda de cara a partir da sua entrada em campo. Não foi titular, mas não faltará muito. A sua importância na vitória conseguida apenas aos 117 minutos frente à Croácia é inegável. Trouxe consigo uma dinâmica e uma capacidade de rasgar o meio-campo contrário como não tinha havido até aí. Mesmo quando falha, Renato não tem medo de assumir o seu jogo e as suas responsabilidades. É isso que o torna interessante e diferente. Não se esconde. Nunca se esconde! E aquela tremenda cavalgada, acompanhado por Nani e Ronaldo, quando os croatas já estavam de rastos, foi fulminante. Dela nasceu o golo de Portugal. Um cometa na noite escura! E um pouco de alegria num futebol que até aqui tem sido maioritariamente monótono e melancólico."

Afonso de Melo, in O Benfica

O Benfica pela lente de Roland Oliveira

"As fotografias de Roland Oliveira revisitam lugares, pessoas, modos de estar e afectos de um tempo ímpar na história do Sport Lisboa e Benfica.

Munido da sua Rolleiflex, de lentes gémeas e distância focal fixa, usando filme a preto e branco com o formato de 6x6cm, Roland Oliveira (1920-2007) fotografou durante mais de cinco décadas o seu território de afectos, o Sport Lisboa e Benfica. Nascido em São Vicente, Cabo Verde, mudou-se depois da II Guerra Mundial para Portugal e, como repórter fotográfico desde o final da década de 40, colaborou com inúmeras publicações desportivas, entre as quais a Stadium e o Record. Sócio do Sport Lisboa e Benfica desde 1945, colaborou a partir da década de 50 com o jornal O Benfica e mais tarde com O Benfica Ilustrado. Viajou com a equipa de futebol, retratou secções e equipas, eleições, tertúlias, saraus, e parte das suas fotografias foram agora reunidas numa exposição que está patente na antiga secretaria do Benfica na Rua do Jardim do Regedor, até 15 de Outubro.
Cobrindo os anos de 1955 a 1962, esta exposição revela-nos a entrega e dedicação de associados e dirigentes que, sob a visão de futuro das direcções lideradas por Joaquim Ferreira Bogalho (1952 a 1957) e de Maurício Vieira de Brito (1957 a 1962), souberam conciliar o crescimento do património físico a uma dimensão desportiva internacional sem precedentes para a escala do país. Estes são anos decisivos na afirmação da hegemonia do Benfica, com a construção do novo Estádio da Luz, e a sua ampliação apenas seis anos mais tarde, o início do profissionalismo no futebol com a vinda de Otto Glória, o ecletismo das modalidades amadoras e uma imensa vida social e associativa. Em 1956, o Benfica movimentava cerca de 2609 atletas em 21 modalidades.
Atrás da baliza, na pista de atletismo ou no parapeito do rinque, Roland aguardava o tempo certo, a defesa do guarda-redes, o momento em que a bola cruzava a linha de baliza, o ponto mais alto do salto, a passagem dos ciclistas, etc. Estas fotografias são de um tempo em que a fotografia era a única imagem dos acontecimentos e, como uma arqueologia visual, permitem-nos revisitar sítios, pessoas, modos de estar e afectos, fintando inúmeras vezes a realidade, e (re)constroem fragmentos importantes da nossa memória colectiva."

Paulo Catrica, in O Benfica

O papel do Renato

"Sei de uma equipa que jogava um futebol desgarrado, feito de cruzamentos sem nexo e de remates com pouco critério. Nos idos de Outubro, para essa equipa, tudo parecia perdido. Até que chegou um puto, 18 anos acabados de fazer, pegou na bola, levou-a em cavalgadas emocionantes meio-campo acima e o que não fazia sentido adquiriu uma coerência que poucos vislumbravam. Em maio, arrastada pela energia contagiante desse número 8, essa equipa sagrava-se campeã, contra todas as expectativas. A equipa era o Benfica e o jogador, Renato Sanches.
Talvez poucas coisas definam de forma tão exacta a ambição desmedida de Renato como uma declaração que li de um ex-treinador seu nas camadas jovens do Benfica. Tendo encontrado o Bulo no Seixal, ainda antes de se estrear na equipa A, perguntou-lhe: "Renato, quando é que vais jogar?" A resposta saiu pronta: "Mister, não sei quando é que vou jogar, mas quando jogar, não saio mais." 
Avancemos no tempo. Euro'2016, a Selecção arrasta-se em campo, empata, amarrada a um jogo burocrático. Depois, entra o Renato, e com a inconsciência que o caracteriza, contagia os colegas e a Selecção quase parece outra. O Renato que assume um penálti logo a seguir ao Cristiano, mas, também, o Renato que, como o Cristiano, está sempre de braço erguido a pedir a bola. Ao ponto de, no fabuloso golo contra a Polónia, ter escolhido rematar, em lugar de passar ao Cristiano que, de braço no ar, pedia a bola.
Entrou e não mais vai sair. De tal forma que, hoje, se pode dizer que a Selecção é o Ronaldo, o Renato e mais nove. O melhor que podia ter acontecido a Portugal."

De empate em empate até à vitória final?

"Hoje não vamos ter gauleses pela frente, mas temos galeses que se esfalfam como galegos. Quem diria que esta nação do Reino Unido estaria nas meias-finais do Euro 2016, depois de eliminar a dada por favorita Bélgica, sem sequer necessitar de expedientes para além dos 90 minutos! O País de Gales com os seus 3 milhões de habitantes só tem um clube na 1.ª Liga inglesa - o Swansea - e dois na 2.ª Liga, o Cardiff e o Bristol. E só há vinte e poucos anos, há uma Liga galesa.
Portugal tem todas as condições para atingir a final europeia. Só não sei se com um sexto empate no tempo regulamentar, se, finalmente, com uma saborosa e indiscutível vitória.
Despachados os favoritos Espanha (decepção) e Itália (excelente prestação), só amanhã saberemos se encontraremos, no domingo, a poderosa Alemanha ou a anfitriã França. Se for esta, é apenas questão de juntar a vogal u aos galeses e desforrarmo-nos de sucessivos desaires nos confrontos directos com eles. Mas suspeito que vai ser a Alemanha.
Portugal tem tido, ao longo dos 5 acessíveis jogos já efectuados, quatro grandes referências: Pepe intransponível, agora sem fitas e sem faltas; o ainda benfiquista Renato Sanches, que, qual jovem insurrecto, joga para a frente e combate o sono táctico que tem vigorado na competição, Patrício, com pouco, mas muito bom labor e Guerreiro, que se tem revelado um imprescindível lateral-esquerdo (e andam os nossos principais clubes a recrutar, por esse mundo fora, jogadores com poucas provas dadas...).
Por fim, bem se espera que Ronaldo vença o duelo com o seu colega de clube Bale."

Bagão Félix, in A Bola

Que venha mais uma final

"Portugal tem hoje um complicado encontro com o País de Gales, mas estou à espera que consiga marcar presença na final de um Europeu pela segunda vez na sua história. Já lá fomos em 2004 e estivemos muito perto de repetir a proeza em 2012. Surge agora uma nova chance de atingir a final e é esse o grande objectivo.
Mas há que vencer, primeiro, uma partida muito difícil. Tal como tem acontecido, Portugal é, de novo, apontado como favorito, o que se torna compreensível... basta olhar para o nosso histórico. Não podemos, contudo, menosprezar o facto de as equipas teoricamente mais fortes estarem a sentir dificuldades para afastar as selecções de menor dimensão. De acordo com aquilo que tem sido a caminhada de ambos os conjuntos, vamos estar perante um duelo equilibrado e de emoções fortes. 
Quanto a mim, não há favoritos. O País de Gales tem os seus atributos, mas espero que Portugal se exiba de uma forma tranquila. A Selecção Nacional tem de conseguir tomar conta do jogo. Penso que pode ser esta a chave que determinará o sucesso. Portugal deve ser sempre uma equipa dominadora, para que o jogo não fuja daquilo que o seleccionador e os jogadores pretendem. Estou muito optimista quanto à presença de Portugal na final do Europeu.
A ausência de Ramsey é um forte contratempo para a seleção galesa, pois trata-se, sem dúvida, de um jogador acima da média. Mas há também Gareth Bale, que tem estado a um bom nível nesta prova e que pode desequilibrar de um momento para o outro. O País de Gales tem jogadores tipicamente britânicos, que nunca viram a cara à luta. São agressivos, fisicamente fortes e com experiência de Premier League. Não vai ser fácil...
Apesar de estarem a fazer a estreia em Europeus, os galeses, que apenas tinham participado num Mundial em 1958, apresentaram-se sempre bem. Bateram Inglaterra e eliminaram a Bélgica, o que é relevante. São ainda muito fortes nas bolas paradas, mas acredito que Portugal vai seguir até à desejada final.

Positivo
O enorme apoio da comunidade portuguesa em França, que transmite muita confiança aos jogadores. Nota-se uma grande empatia entre adeptos e Seleção que é importante para todos. 

Negativo
O facto de Pepe não poder estar nas melhores condições pode constituir um enorme problema para a Selecção. Pepe tem sido o nosso líder defensivo e tem estado a um nível de excelência."

Portugal: o oposto de um «underdog»

"Uma selecção apostada em reescrever a história sacrificando as simpatias dos neutrais

Basta um olhar superficial pelas cotações das casas de apostas para confirmar a evidência, que nenhum discurso de circunstância nas antevisões pode alterar. Quando Portugal entrar em campo, em Lyon, para a sétima meia-final da sua história em Europeus e Mundiais terá, pela primeira vez, um claro estatuto de favorito que nem sequer em 2004, jogando em casa com a Holanda, lhe foi atribuído.
Não será só por isso que, previsivelmente, esta quarta-feira quase todos os adeptos não-portugueses vão torcer pelo País de Gales. Para começar, toda a gente gosta de uma história de superação e os galeses, estreantes em Europeus e ausentes de grandes competições há 58 anos, são o underdog perfeito. Ao factor da novidade juntam um futebol que, limitações à parte, deixa sempre a impressão de intensidade máxima, entrega total e esgotamento das reservas de energia e talento. E esses são ingredientes a que o público dá tanto mais valor quanto mais baixas forem as expectativas iniciais – veja-se os fenómenos de popularidade da Islândia, ou mesmo da Irlanda do Norte.
É forçoso reconhecer, também, que esta selecção de Portugal tem poucos argumentos para puxar os neutrais para a sua causa. Por um lado, há o factor de habituação: são quatro meias-finais nos últimos cinco Euros - regularidade que nenhuma outra selecção alcançou – a que podemos juntar a omnipresença de Cristiano Ronaldo nas fases decisivas da Liga dos Campeões nos últimos anos. Mesmo sem a concorrência galesa, seria difícil reclamar o estatuto de sabor novidade do mês com presença tão assídua nas memórias colectivas.
Por outro lado, em campo, a selecção portuguesa tem sido o oposto de um underdog, deixando sempre a sensação de gerir a conta-gotas as reservas de talento, comprazendo-se em fazer apenas o estritamente necessário para seguir em frente. É essa falta de generosidade que o público estranha mais – o estrangeiro e o português também. E será esse o principal argumento para que, mais logo, Portugal tenha de vestir uma pele a que está pouco habituado: a do veterano manhoso desafiado pelo caloiro inconsciente e entusiasta.
Porém, quando se critica o jogo da selecção de Fernando Santos é bom saber o que se está a criticar. As comparações com a Grécia de 2004, por exemplo, tornaram-se moda, e explicam-se, em grande parte, pelo sentimento de frustração provocado por esse histórico Portugal-Croácia sem remates à baliza durante mais de 90 minutos.
Mas excluindo esse jogo – curiosamente o único que Portugal venceu e também o único em que Portugal entregou iniciativa ao adversário, permitindo-lhe superioridade em quase todos os itens estatísticos – em todos os outros não foi uma estratégia demasiado defensiva a provocar mossa na lenda de «belo jogo» a que gostamos de associar a Selecção: se o fosse, não teria havido tão clara superioridade de posse, remates, cantos e faltas sofridas diante dos outros quatro adversários.
Ao contrário do que as leituras mais simplistas fazem crer, o que caracteriza esta selecção não é a recusa de assumir o jogo, é a obsessão com a limitação de riscos de perda, quando em situação de ataque – e também por isso o efeito Renato Sanches é tão contrastante – e a falta de eficácia nas soluções de jogo interior. É isto que leva a equipa a um abuso de cruzamentos com poucas possibilidades de êxito – porque a defesa poucas vezes é tirada do caminho e porque falta gente na área – e a um excesso de remates de fora – como o do golo de Renato Sanches à Polónia, sim, mas também como os 65 (13 por jogo) que, de acordo com as estatísticas oficiais da UEFA, ficaram nas pernas dos defesas adversários ou passaram longe do alvo.
Tem sido, pois, um jogo previsível e historicamente contrastante com o das selecções portuguesas que entravam nas grandes competições com dois grandes objectivos: chegar o mais longe possível, conquistando de caminho o maior número possível de simpatizantes. Fernando Santos, homem lúcido, e convicto daquilo que faz, mostrou desde o primeiro dia de apuramento que, na sua cabeça, o segundo objectivo era perfeitamente dispensável, desde que os resultados validassem o trajecto. Tendo ficado expostos nestes cinco jogos alguns defeitos do plano e não sendo tão facilmente visíveis para o exterior os méritos mais fortes do seu trabalho - na coesão e renovação do grupo, na adaptação táctica de Cristiano Ronaldo e na tranquilidade com que exerce a liderança, evitando conflitos por antecipação - falta-lhe ainda uma vitória, uma só, de preferência categórica, como nenhuma até à data, para ganhar a aposta.
Sacrificadas sem remorsos as memórias épicas e a simpatia da geral, só com a vaga na decisão de domingo, diante do principal favorito à vitória no Euro – França ou Alemanha, riscar o que não interessa – esta selecção que acredita, luta, enerva, frustra mas segue em frente, legitimará o processo de transformação. Caso contrário, ficará a meio caminho: sem memórias que a eternizem e sem resultados que acentuem a diferença para o tempo em que Portugal gostava de ser underdog."