Últimas indefectivações

sábado, 3 de dezembro de 2016

Empate que soube a pouco...

Sporting 2 - 2 Benfica

Em primeiro lugar: este jogo nunca se devia ter realizado!!! Chovia em vários locais do piso do pavilhão do Entrocamento, os jogadores escorregavam, o jogo esteve constantemente parado para limpeza do piso... além da componente do perigo de lesões, havia a questão desportiva, facilmente se poderia sofrer um golo, devido a uma poça de água dentro do pavilhão...!!! Isto é completamente absurdo...

Passando por cima deste assunto, temos que dar os parabéns aos jogadores do Benfica. Com o mau resultado na Quinta-feira os jogadores reagiram positivamente. Na minha opinião o nosso melhor jogo da temporada, melhor inclusive do que o jogo da Supertaça!!!
Conseguimos ter bola, criar oportunidades, e defendemos quase sempre muito bem, sem dar espaços ao adversário... que foi obrigado a jogar no passe longo (à procura da 'bola parada': canto ou 'lateral'!!!), porque não conseguia sair a jogar em 'construção'!!! Aliás 90% dos remates do Sporting, foram em 'bolas paradas'!!!
Fomos claramente a equipa com mais caudal ofensivo, e com mais oportunidades perigosas, pelo menos em 2/3 da partida!!! Conseguimos inclusive várias recuperações altas, mas falhou sempre o último passe...!!!
O nosso pior momento, foi mesmo após o Elisandro ter inaugurado o marcador!!! Recuámos as 'linhas' e acabámos por sofrer 2 golos... o primeiro num 'chouriço' gigantesco!!! O Benfica com 0-1, tinha que continuar a defender 'alto'... Quando o Marcão 'subia' para o 5x4 tínhamos que recuar, não podiamos ficar sempre retraídos!!!
A perder por 2-1, arriscámos o 5x4 e fomos eficazes...
Nos últimos segundos, defendemos bem o 5x4 (negativo!!!) do Sporting.

A surpresa do jogo, foi mesmo a integração do Elisandro (o Jefersson também regressou!!!) após longa ausência por lesão. E o jogo do Benfica com o pivot brasileiro, é completamente diferente, para melhor!!!

O jogo ficou ainda marcado por uma agressão do Marcão ao Ré, que o árbitro viu... mas não quis agir!!! E já agora o Marcão foi o MVP da partida!!!

O segundo confronto do ano com os milionários Lagartos: 1 vitória e 1 empate. Com um Campeonato decidido no Play-off, estes confrontos são muito importantes para marcar terreno psicológico para a mais do que previsível Final!


PS: Parabéns ao Nuno Saraiva (-73 Kg) e à Marta Silva (-70 Kg) pelos títulos de Campeões Nacionais de Judo.
João Martinho (-81 Kg) ficou pela Prata. Djamila Santos (-52 Kg), Sandra Borges (-63 Kg) e Noel Delgado (-90 Kg) ficaram pelo Bronze

Vitória fácil...

Benfica 3 - 0 Viana
25-13, 25-21, 25-14

Zelão(10), Ché(10), Mart(9), Rapha(7), Reis(5), Lopes(4), Gaspar(4), Violas(3), Vinhedo(2), Honoré, Magalhães

Jogo com pouca história, com os Minhotos a darem pouco luta...
Acabou por ser o jogo ideal, antes da estreia na Europa, na próxima Quarta-feira, na Luz, com os nossos conhecidos Suíços do Biogas...

Vitória com muitos golos, novamente...

Benfica 36 - 23 Arsenal Devesa
(20-11)

Mais um bom jogo, com muitos golos marcados e poucos sofridos... Ainda me recordo das dificuldades que tivemos em vencer este adversário na 1.ª jornada!!!!
Vidrago voltou a encontrar os golos... Destaque ainda, para a segunda parte com o Capdeville a corresponder entre os postes, novamente...
Aparentemente os dotes de 'conquistador' do Cavalcanti precisam de melhorar, as senhoras árbitras não gostaram!!!!

Na próxima jornada, vamos ao Funchal, o grau de dificuldade volta a subir...

PS: Na última quinta-feira, tivemos o sorteio da fase de grupos da Taça EHF. Não havia muito por onde escolher, com muitos Clubes dos mesmos países, havia muitos condicionalismos... Assim, vamos jogar com: Melsugen (Ale), Anaitasuna (Esp), Coks (Fin). Os Alemães estão em 11.º no seu campeonato, os Espanhóis em 8.º e os Finlandeses lideram a sua Liga.
Os Coks em teoria está ao nosso nível, mas os outros dois adversários, têm orçamentos gigantes comparado com o Benfica...

Vitória com 'passos' de Nicolia !!!

Benfica 9 - 2 Paço de Arcos
(4-2)

O Nicolia está em grande forma... e quando o melhor do Mundo, está bem, não é fácil o Benfica 'não ganhar'!!!
Mesmo assim, depois do 2-0, ainda tivemos uma pequena 'branca' que deu o 2-2, mas depois só deu Benfica!
Independentemente do resultado, vi um Benfica mais colectivo em vários momentos ofensivos do jogo, e as transições defensivas estão claramente melhores...

PS: As nossas meninas confirmaram esta noite a passagem à próxima fase da Liga Europeia, com nova vitória sobre o Merignac por 7-2. Marlene(4), Maca(1), Arsénio(1), Rita Lopes(1)

Vitória complicada...

Lusitânia 82 - 91 Benfica
28-25, 19-33, 21-14, 14-19

Jogo de altos e baixos, mas no fim, acabámos por fazer a nossa obrigação...!!!
O Carlos continua a dar-se bem neste jogos, e o Hollis parece 'guardar-se' para a Europa!!!

Além de achar que Lindelöf se deve sujeitar à máquina zero, (...) viu um Egas em campo

"Ederson
Importante momento formativo para o jovem brasileiro, que descobriu esta noite a sensação de perder um jogo do campeonato. Curiosamente, hoje que era um bom dia para vomitar, pareceu-nos impecável, tendo inclusivamente evitado golos.

Nélson Semedo
Participou em dois ressaltos de bola, um que bateu nos seus pés e dá golo ao Marítimo, e um outro chamado Gonçalo Guedes. Tentou algumas vezes repetir o golaço de há poucos dias, dando a entender que o seu pé esquerdo não é tão forte como o direito. Enquanto continuar a colocar um à frente do outro, como fez durante todo o jogo em tarefas ofensivas e defensivas, ninguém lhe irá pedir satisfações.

Luisão
Escorrega no lance do primeiro golo, borrando espectacularmente a pintura do seu jogo 300 no campeonato. Gente mais obtusa dirá que está na hora de Luisão pendurar as botas. Gente mais obtusa dirá que está na hora de chamar o Lisandro, o Jardel, o Kalaica ou irmão mais novo do Malacia. Gente mais obtusa deverá aproveitar esta noite para descansar, que amanhã é outro dia e já ninguém vos consegue ouvir.

Lindelof
uma estranha correlação positiva entre a evolução capilar de Lindelöf e a degradação do seu nível exibicional. Quanto mais comprido o cabelo, maior a tendência para cometer erros. Das duas, uma: ou Lindelof aceita a deliberação de milhões de adeptos e sujeita a sua carreira à máquina zero, ou nada. Não há mais nenhuma hipótese. Os benquistas têm-se habituado, e bem, a defesas centrais que não usam cera no cabelo. Luisão: não tem cabelo. Jardel: cabelo curto, quase sempre tapado por uma ligadura na cabeça que acabou de partir. Lisandro: não interessa, já perceberam o exemplo. Põe-te fino, sueco.

André Almeida
Nenhum plano sobrevive ao primeiro encontro com o inimigo. A afirmação pertence a um general qualquer que já morreu e não a Rui Vitória, um marechal a quem os planos têm corrido lindamente, mas não sobreviveram ao primeiro encontro com um lateral esquerdo adaptado. O momento-chave do jogo, protagonizado pelo nosso Egas, dá-se aos 67 minutos quando o rapaz tenta, por razões que levaremos tempo a decifrar, utilizar nem mais nem menos que o seu o pé esquerdo. Esta intervenção viria a provocar um abrupto movimento das placas tectónicas e o terceiro lance de bola parada consecutivo da sua responsabilidade, tudo no espaço de dois minutos. Não satisfeito, André Almeida quis ver até esta espiral de erros poderia conduzir o jogo, a sua vida e o estado anímico de milhões de pessoas. Cedeu o seu lugar em campo imediatamente a seguir ao segundo golo do Marítimo, numa substituição que, em rigor, foi bem pensada, mas pecou por ligeiramente tardia.

Fejsa
Se toda a gente neste país só perdesse uma vez a cada 42 jogos estaríamos nós bem melhor. A estatística mais importante da carreira de Fejsa, pai todo poderoso do meio-campo benfiquista e talismã que tem piada recordar em conversas como as de hoje, essa mantém-se: há quase 10 anos que não sabe o que é não ser campeão nacional. E continua a jogar com a atitude de quem não encomendou as faixas. Clone-se.

Pizzi
Novamente o melhor do Benfica. A prova de que foi o indivíduo mais lúcido em campo, se não vos bastar as várias jogadas bem desenhadas na construção ofensiva e o apoio constante a Fejsa na recuperação e cobertura de espaços. Mas, dizíamos, a maior prova da sua lucidez foi mesmo não ter espetado uma lambada a um dos vários maritimistas que o provocaram na esperança de sacar o amarelo que o impediria de defrontar o Sporting. Comporta-se como um capitão de equipa, o que é bonito de ver. Lá estará na próxima semana para bater continência.

Salvio
Como grande benfiquista que é, irá falar com Rui Vitória e colocar temporariamente o seu lugar à disposição para o jogo contra o Sporting. Isso ou cala-nos com mais uma grande exibição como só ele sabe. Hoje não foi o caso, mas, venha o que vier, parece-nos bem.

Cervi
Tinha acabado de participar num lance perigosíssimo quando recebeu instruções para ceder o seu lugar a Carrillo. Como bom miúdo que é, acatou, mas as crianças que escrevem isto não apreciaram a sua substituição. Aguerrido, disciplinado tacticamente, rigorosamente sempre solidário, é vê-lo no ataque e segundos depois a safar uma bola qualquer junto a Luisão e Lindelöf, às vezes até por baixo deles. Só lhe queremos bem. Ah, e aquele corte de cabelo continua a ser uma das melhores piadas desta temporada.

Gonçalo Guedes
Excelente nos movimentos de costas para a baliza, em especial aos 27 minutos, quando se isolou pela direita e finalizou da melhor forma um remate de Nélson Semedo.

Mitroglou
Analisar as exibições de Mitroglou nos dias que correm é mais fácil se fingirmos que isto é um boletim clínico. Kostas Mitroglou apresenta ligeiras melhorias, mas continua na unidade de cuidados intensivos. Mantém um quadro gravoso de estiramento cerebral, agravado por delírios relacionados com o ex-companheiro no ataque, que resultaram numa rotura muscular da sua confiança. Continua a fazer trabalho de ginásio mental com forte vigilância técnico-táctica. Não é seguro que jogue contra o Sporting, apesar de poder vir a estar no relvado.

Rafa
Precisamos todos, nós e o Rafa, de mais minutos seus em campo. Por favor tratem disso. Hoje voltámos a avistar o Rafa de há três meses. Fez jogar, quase marcou por duas vezes e parece-nos que só precisa de 90 minutos contra um adversário razoável. À falta de melhor, pode ser já no próximo domingo.

Jiménez
Gottardi está recuperado, aparentemente.

André Carrillo
Gottardi pede novamente assistência."

Benfiquismo (CCCVI)

José Águas, White Hart Lane, 1962

Vermelhão: até parece que estamos na Primavera !!!

Marítimo 2 - 1 Benfica


Quando não se marcam golos, tudo é mau... Eficácia nula, muitas oportunidades desperdiçadas, tudo isto misturado com um árbitro corrupto e um adversário injectado de 'malas', que teve permissão para dar porrada e fazer anti-jogo à vontade!

Sofremos dois golos, em dois erros, o primeiro numa escorregadela do Luisão (e ainda com ressalto - também marcámos de ressalto), e depois sofremos o segundo numa falha de marcação num Canto (algo raro...), com falta sobre o Ederson! O Marítimo além destas jogadas, teve dois remates perigosos no mesmo lance que o Ederson defendeu... e teve outra numa bola parada (mais um falta sobre o Ederson não assinalada) tudo isto na 1.ª parte!
O resto do jogo, foi do Benfica: a levar porrada e a falhar golos...
Depois do segundo golo do Marítimo (68m), praticamente não houve futebol, anti-jogo do mais 'porco' possível com a colaboração efectiva do árbitro...

Quando convinha, não marcava faltas nenhumas, na parte final, como já convinha parar o jogo, até marcava os 'sopros'!!! Excepto quando era faltas a favor do Benfica: aquele empurrão descarado ao Mitrolgou já nos descontos, é exemplar!!!!
À meia-hora de jogo, já meia equipa do Marítimo merecia Amarelo... foi sempre a aviar!!! E até na área do Benfica, aparentemente bloqueios sobre o nosso guarda-redes são legais!!!!! Nas na área do Marítimo lá descobriu os bloqueios do Lindelof!!!
Conseguiu ainda transformar um penalty a favor do Benfica, numa falta do Benfica (Semedo)!!! Houve outro penalty sobre o Pizzi, e outro lance duvidoso com o Salvio!!!! Vasco Santos é outro daqueles que tem um curriculum anti-Benfica digno de nota... outro dos filhos-da-puta que se vão passeando no Tugão!!!
Quando na semana passada, apareceram notícias nos pasquins, sobre supostas 'malas' do Sporting e do Benfica (!!!), fiquei com medo!!!!! A estratégia de comunicação Lagarta, já não engana ninguém... 'acusam' como estratégia, para esconder o que estão a fazer... Estamos em Dezembro, estamos no primeiro terço do Campeonato, e já parece que estamos nas últimas jornadas... Tugão execrável!!!

O meu receio não são os 3 pontos perdidos (apesar de 3 pontos serem sempre 3 pontos), o meu maior receio são as consequências na confiança da equipa para os próximos jogos... além da injecção de confiança que acabámos de dar aos nossos adversários directos.

Foram quase 10 meses sem perder um jogo para o Campeonato!!! Na última vez, que perdemos a reacção foi: ganhar, ganhar, ganhar... ganhar, ganhar...!!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O mês de todos os perigos

"O mês de todos os perigos inicia-se com o jogo de todos os perigos. A deslocação à Madeira é muito difícil, diria que um dos jogos mais difíceis e traiçoeiros que teremos no caminho do tetra. Primeiro porque vencemos por 6-0 este rival há 15 dias, e isso traz uma ilusão de facilidade; depois porque no subconsciente de muitos estará a jornada europeia determinante para a escolha da prova em que ficamos na Europa do futebol; por fim porque antecede a recepção ao velho rival e é impossível tirar isso da agenda de jogadores e adeptos.
A tudo isto acresce o calvário de lesões que não pará de engordar, agora o Eliseu. Mesmo com boa fazenda, o fato já precisa de remendar o remendo. É demais.
Temos o caldo perfeito para dar asneira, se não percebemos que estes são mesmo os três pontos mais decisivos no nosso rumo. Hoje na Madeira jogamos a qualidade do nosso futuro. Com a overdose de triunfos (ganhamos nove títulos nos últimos três anos) o nosso organismo de benfiquistas tem da vitória uma dependência muito saudável. Esta adição de vitórias é um vício que não queremos perder por muito azedume que cause noutras latitudes.
É muito mais determinante ganhar na Madeira que ao Nápoles (até porque não é liquído a derrota do D. Kiev frente ao Besiktas). Na Europa do futebol vamos continuar, resta escolher a prova, e a Champions é um objectivo.
Só uma vitória nos Barreiros dará confiança, pontos e uma liderança sólida para enfrentar um Dezembro com as quatro competições em risco e em disputa. Marítimo, Nápoles, Sporting, Real, Estoril, Rio Ave e Paços de Ferreira, que maravilha um sapatinho superlotado de jogos, de ambições e de vontade de novas e repetidas conquistas.
Um Dezembro imaculado traria a certeza de um 2017 repleto de alegrias. Há outra hipóteses mas não era a mesma coisa..."

Sílvio Cervan, in A Bola

Confiança


"É gratificante verificar as assistências no Estádio da Luz na presente temporada. A média, acima dos 55 mil espectadores por jogo (55 174), é a maior de sempre após cinco jornadas disputadas na (actual) Luz. Se em 2012/13 e na temporada seguinte a média não atingiu os 35 mil, em 2014/15 registou-se um incremento de cerca de 8500 espectadores por jogo (43 964). Em 2015/16, novo aumento significativo, com 49 497 por partida, mantendo-se a tendência de crescimento na presente época (sem defrontar o Sporting, ao contrário das duas últimas épocas). Impressionante!
Tanto quanto o caminho percorrido por Rui Vitória no Benfica. Ao fim de 70 jogos a contar para competições oficiais, o ribatejano contribuiu para uma percentagem de triunfos a rondar os 77% só superada, se não me falham as contas, por Guttmann e Riera.

E não menos que o desempenho de Pizzi, já com cinco golos marcados no Campeonato Nacional, a adaptação imediata de Cervi, as investidas de Guedes, a liderança de Luisão, a segurança de Ederson, o instinto goleador de Mitroglou, o omnipresença de Fejsa e tudo o resto porque este plantel, em extensão, qualidade e espírito de equipa - dá-nos garantias de que com ele, orientado por Rui Vitória, poderemos encarar o futuro com optimismo. E é neste sentimento que reside a principal justificação para a notável média de espectadores no Estádio da Luz.

P.S. Sobre o lance polémico no Bessa, em benefício do Sporting, desconheço qualquer declaração de Bruno de Carvalho a evocar a necessidade de utilização do videoárbitro. Fica a dúvida: com o seu silêncio, cuspiu ou expeliu fumo na tão propalada 'luta pela verdade desportiva'?"

João Tomaz, in O Benfica

Lugar na história

"Entre 1987 e 1995, Caio Júnior espalhou classe - para usar um jargão do futebol - pelos relvados portugueses. O brasileiro chegou a Portugal para o Vitória SC, onde esteve cinco épocas. Seguiram-se CF Estrela da Amadora (onde jogou com Abel Xavier e Calado) e CF Belenenses, onde se manteve até regressar ao Brasil. em 1995. A imagem de marca era o equipamento imaculado, o que o impediu de fazer grandes exibições contra os três grandes. Funcionava como maestro e matador, chegando a quase 50 golos em Portugal. Depois, o jogador ainda rodou por mais meia dúzia de equipas até abandonar o futebol em 1999.
No ano seguinte passou a treinador e nesta época preparava-se para atingir o momento mais alto da carreira - a final da Taça Sul Americana, a Liga Europa das Américas. Caio Júnior seguia com a restante equipa da Associação Chapecoense de Futebol, da cidade de Chapecó, estado sul-americano de Santa Catarina, para defrontar os colombianos do Atlético Nacional, em Medellín. Em circunstâncias ainda por confirmar, o avião despenhou-se e das 81 pessoas a bordo, apenas seis terão sobrevivido. Na semana passada, vi a Chapecoense jogar contra o San Lorenzo (a equipa do Papa Francisco), empatar a zero e apurar-se para a final. Pensei como seria bonita esta história de sucesso.
O conto de fadas da equipa que veio dos escalões secundários chegou ao fim na passada terça-feira.
Chapecoense junta-se a Torino (1949), Manchester United (1958), selecção olímpica da Dinamarca (1960), Green Cross (1961), The Strongest (1969), Pakhkakos Tashkent (1979), Alianza Lima (1987), Colorful 11 (1989) e Selecção da Zâmbia (1993) na lista de equipas de futebol vitimadas em acidentes de aviação."

Ricardo Santos, in O Benfica

Momento chave

"Júlio César, André Almeida, Jardel, Samaris, Carrillo, Rafa e Mitroglou. A espinha dorsal de um onze de topo? Não, o sumptuoso banco de suplentes do Benfica na última jornada, mesmo com os lesionados Grimaldo, Horta e Jonas (todos eles, também, possíveis titulares) fora do leque de opções. 
Por este banco, e por estes nomes, percebe-se a qualidade que existe, hoje, no nosso plantel. Dispomos, de facto, de uma equipa de luxo, e só assim tem sido possível resistir aos azares que têm atirado para o departamento médico vários jogadores nucleares, mantendo um nível competitivo muito elevado, e uma pontuação a condizer.
Diga-se, igualmente, que só uma grande equipa pratica um futebol do nível daquele que pudemos ver, durante mais de uma hora, em Istambul, na passada semana. O resultado foi amargo, e foi-o precisamente por não fazer justiça a uma exibição de gala que, aos 80 minutos, se aprestava para entrar na história europeia do Benfica das últimas décadas, ao lado de célebres recitais, que todos recordamos, no Olímpico de Roma em 1983, em Highbury Park em 1991, em Leverkusen em 1994, ou em Anfield Road em 2006.
O que passou, passou. E as próximas partidas requerem essa melhor roupagem. Terça-feira ficará decidido o futuro na Champions, enquanto Funchal e Sporting, podem dizer muito acerca da caminhada para o “Tetra” – cuja prioridade se sobrepõe a todas as outras.
Três grandes jogos em apenas 10 dias, constituem um tríptico de respeito, que é também um desafio à resistência física e mental dos atletas. Estamos com eles, confiamos neles e em quem os dirige. Comecemos então pelo Marítimo.

NOTA: Este texto foi remetido ao Jornal O Benfica antes de conhecer a tragédia da Chapecoense. Já não houve tempo de lhe fazer qualquer referência. Porém, a minha consternação é enorme, como será a de todos aqueles que amam o desporto, e o futebol em particular. Não podia deixar de aproveitar este meio para a expressar."

Luís Fialho, in O Benfica

A consciência

"Sim, como escreveu o meu camarada Nélson Feiteirona, só nos resta mesmo ganhar consciência. Em silêncio!

Custa muito a aceitar que no século XXI um avião possa ter-se despenhado e vitimado mortalmente dezenas de pessoas por ter ficado sem combustível. Custa mesmo muito! Custa tanto como custou aceitar que um piloto alemão tenha decidido levar para o seu suicídio quase centena e meia de passageiros do voo da Germanwings que em Março do ano passado terminou tragicamente nos Alpes franceses, no que foi, segundo as explicações encontradas, um dos mais cruéis acidentes aéreos jamais ocorridos.
Desta vez, a poucos quilómetros de Medellín, na Colômbia, a tragédia bateu assim de frente no futebol, como valente soco no estômago de cada um de nós, adeptos do mais popular jogo do mundo, no mais duro e pesado cenário do género.

Na verdade, nenhum dos semelhantes acontecimentos ocorridos antes (com Torino, Manchester United ou mesmo Alianza Lima, por exemplo) vitimou como agora tanta gente ligada ao futebol, entre jogadores, técnicos e dirigentes da Chapecoense, mas também inúmeros jornalistas, a classe, como diria Galvão Bueno - estrela televisiva do esporte brasileiro - sem a qual as emoções do futebol (e do desporto em geral) não chegariam ao povo.
Uma tragédia que nos bateu de frente porque ao evidente choque pelo brutal acidente, junta-se ainda o impacto fortemente motivo provocado por um conjunto de circunstâncias que é impossível que não nos toquem especialmente.
O ter envolvido uma heróica equipa de futebol aos nossos irmãos brasileiros, representativa da quinta maior cidade do estado de Santa Catarina, no interior-sul do Brasil, e por ter vitimado uma figura como a de Caio Júnior, que nos toca também por ter sido futebolista em Portugal.

São tantas as ironias à volta desta tragédia brutal que quanto mais penso nela menos vontade tenho de dizer alguma coisa, a não ser expressar uma certa raiva pela forma tão negligente, tão dolorosamente negligente, como o comandante de uma companhia de aviação - da qual era, ao mesmo tempo, proprietário, note-se... - conduziu mais de 70 pessoas pela ténue e absolutamente irresponsável linha entre o céu e o inferno, devastando, por fim, uma cidade, uma região e um país e ainda todos os que nem precisam de gostar de futebol para encontrar no silêncio e nas lágrimas o único conforto possível perante tão cruel destino.
Como ainda ontem tão bem escreveu neste jornal o meu camarada Nélson Feiteirona, pelos que morreram já nada podemos fazer a não ser ganhar consciência.
Bem precisamos!

A vida continua, pois claro que continua, e pelo menos o futebol tem a invulgar força de unir sempre que a vida nos prega uma partida assim. E foi arrepiante ver e sentir o modo como em tantos estádios pelo mundo equipas e adeptos testemunharam o respeito e associaram à dor das famílias das vitimas, de toda a cidade de Chapecó e do povo brasileiro, de que foi sublime exemplo o silêncio do teatro de Anfield, minutos antes do Liverpool - Leeds, na noite de terça-feira.
Profundamente tocante!
Como profundamente tocante foi ouvir o presidente do Atlético Nacional, clube colombiano que defrontaria o Chapecoense nesta final sul-americana, lembrar-nos com a intensidade dilacerante de uma espada que «sem adversários não há futebol e sem adeptos rivais não há festa!».
Mas é preciso isto?!

«Dinheiro, fama, futebol... isso hoje não vale nada!!!»
Marcelo Boeck, jogador da chapecoense

'Penalty'
Ninguém pode deixar de admirar o carácter e o comportamento de Nuno Espírito Santo, independentemente das críticas que se lhe possam apontar na forma como está a conduzir a equipa do FC Porto. Infelizmente, só o carácter não ganha.

Livre Directo
O Benfica tem um jogador de indiscutível dimensão mundial que vai continuar certamente a surpreender a Europa. O médio Fejsa tem qualidade para jogar em qualquer uma das equipas de topo da Liga dos Campeões.
Qualquer uma!

Livre Indirecto
Vão chover impropérios... mas confesso que o muito talentoso Gonçalo Guedes me faz lembrar, em muitas coisinhas, o fenómeno brasileiro Ronaldo, quando este apareceu (com 17/18 anos) no PSV. O remate, a explosão, a técnica, o não ter medo de errar. Muito bom!
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

A propósito dos 55 da FIFpro

"Foram ontem divulgados os nomes dos 55 futebolistas candidatos ao melhor onze da FIFA de 2016. A lista, da responsabilidade da FIFpro, entidade que agrupa 75 associações de futebolistas de todo o mundo (Portugal é representado pelo Sindicato dos Jogadores), foi elaborada depois de recolhidos profissionais de futebol, dos quatro cantos da Terra.
Não é possível dizer, pois, nem que o painel de votantes não percebe de futebol, nem que não é suficientemente alargado para ser representativo de uma forma de sentir o jogo.
Feita a contextualização, há que perceber por que razão só estão nomeados dois futebolistas portugueses, CR7 e Pepe, num ano em que a Selecção se sagrou campeão da Europa.
Causa, de facto, estranheza, que Rui Patrício esteja ausente e, por exemplo, Gianluigi Buffon faça parte dos cinco keepers escolhidos; ou de Raphael Guerreiro não conste dos eleitos e na lista de vinte defesas esteja o lateral-esquerdo do Barcelona Jordi Alba; e que nenhum dos componentes do meio-campo de ouro da Selecção Nacional (William, Renato, Adrien, João Mário, André Gomes, Moutinho) tenha sido distinguida com uma nomeação, em quinze vagas para médios.
Mais do que pensar pequeno e clamar contra cabalas, dever-se-á reflectir sobre o impacto do nosso futebol no contexto internacional. Parece que nem o oitavo lugar lusitano no ranking da FIFA de selecções e o quinto no ranking da UEFA de clubes têm muito significado para os profissionais da arte.
PS - A AF Porto nomeou o professor Manuel Sérgio sócio de mérito.
Fica bem aos dois a distinção..."

José Manuel Delgado, in A Bola

'Doping-gate'

"As sucessivas notícias de testes positivos de doping nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e de Londres 2012 - e a consequente perda de medalhas - são um sinal de que o problema é muito mais profundo do que o imaginado. Na verdade, poderemos chegar ao extremo de ir retirando medalhas até as atribuir ao primeiro atleta a não ter sido objecto de análise na competição... ou a um que tinha uma isenção terapêutica para o uso de substância dopantes por, supostamente, ser doente.
Programas de dopagem a este nível, profissional, não são feitos num qualquer laboratório caseiro: muitas vezes visam promover uma determinada substância ou produto.
Uma aplicação rigorosa das regras em vigor pode punir os infractores, mas não evita o doping nem persuade todos aqueles que acreditam que esse é requisito inevitável para vencer. E, ao contrário daquilo que se possa crer, existe um grande número de atletas que recorre de forma irresponsável à suplementação, apesar de sucessivamente alertados para os perigos dessa conduta. Sabem da existência de uma percentagem significativa de produtos contaminados, uns de forma consciente e outros por falta de qualidade e controlo dos laboratórios que os fabricam.
Discute-se qual o modelo a adoptar para gerir o controlo antidoping a nível mundial, investindo milhões de euros em laboratórios. Mas todo esse esforço será em vão caso não se invista ainda mais na educação dos atletas, treinadores e dirigentes. São estes a chave para o problema do doping. Esses exemplos deviam partir dos atletas e da sua mensagem. Valorizando os atletas que de forma pedagógica têm assumido essa luta. Se dúvidas houver quando à profundidade deste problema, basta consultar a lista de produtos que muitos dos atletas consomem. Ou a quantidade de atletas que padecem de doenças que justificam o recurso a substâncias proibidas."

Mário Santos, in A Bola

Aquecimento... em semana curta!

Lanças... em semana trágica!

Benfiquismo (CCCV)

Queremos ver o Paulo Lopes lá em cima...!!!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Somos todos chapecoenses

"A vida, o futebol, as ideias, os clubes podem esperar para todo o sempre quando somos surpreendidos pela morte como nunca.

Jiménez,... Boavista,... VMC's,... incentivos,... vídeoárbitro,... túneis (nas suas mais diversas e feitios),... eram temas possíveis desta página de hoje, no jornal A Bola, que uma tragédia fez adiar.
Porque a vida, o futebol, as ideias, os clubes podem esperar para todo o sempre quando somos surpreendidos pela morte como nunca.
Cresci a ouvir o meu pai contar, vezes sem conta, a tragédia que ceifou a vida de todos os 31 passageiros e dos 4 tripulantes do avião que transportava a equipa do Torino, no desastre aéreo contra a Torre de Superga, em Turim, a 4 de Maio de 1949.
História tanto mais impressionante - para quem, então, nessas histórias de uns anos antes, descobria, como eu, os desafios e os encantos dos jogos com grandes equipas europeias - quando aconteceu envolvendo, de forma muito próxima, o Benfica e a festa de despedida de Francisco Ferreira.
O primeiro desastre aéreo de que eu haveria memória e, infelizmente, não o último!
Como aprendi a gostar de futebol e a ouvir que a final da Taça dos Campeões Europeus de 1968, em Wembley, onde perdemos com o Manchester United representou, de algum modo, a compensação divina pelo desastre sofrido pela equipa inglesa, 10 anos antes, a 6 de Fevereiro de 1958, em Munique, onde faleceram 17 dos 38 passageiros do avião que se dali não conseguiu levantar.
Uma recompensa materializada nos 4-1 finais, com que Best, Stiles, Laws, Charlton & Cia, nos venceram, mas que atingiu o seu ponto máximo naquele golo não marcado no último minuto do tempo regulamentar, por Eusébio, que nos daria o terceiro título de Campeões Europeus...
Porque achamos sempre - já que os outros desastres aéreos desportivos andam longe da nossa realidade mais próxima, como o de 8 de Dezembro de 1987, em que morreram todos os jogadores do Club Allianza Lima (sobreviveu apenas o piloto entre 37 passageiros e 6 tripulantes), ou o de 27 de Abril de 1993, em que o mesmo sucedeu a todos os jogadores da selecção da Zâmbia (vitimando 25 passageiros e 5 tripulantes) - que isso não acontece a equipas de topo!
Muitas vezes, nos voos que nos levam aos jogos de vida ou de morte das competições europeias ou naqueles em que vamos acompanhando deslocações particulares da equipa, nos questionamos sobre essa possibilidade, logo afastada com a ideia que, indo ali quem sabemos ir,... isso não acontecerá.
Ou - simplesmente - para jogar nos Açores ou na Madeira...
Até percebemos que isso... pode acontecer.
A uns, muito poucos (como eu), caindo e sobrevivendo!
A outros, infelizmente, caindo...

Como, agora, com a Associação Chapecoense de Futebol!
E se a notícia, em si, é chocante, por brutal e desumana (embora saibamos ser a morte o que temos de mais certo), eu, que sempre fiz minha a ideia que «um homem não chora», começo a admitir a possibilidade de poder haver... excepções.

Não pela morte, em si - devastadora, inconformável e irreparável - mas pela onda de solidariedade que mereceu a tragédia.
Se «os campeões não morrem»,... «no dia em que o mundo chorou pela Chapecoense», confesso-me rendido aos sentimentos do futebol.
Desde a mensagem de Luís Filipe Vieira, expressando a solidariedade do Benfica, como «clube de valores, de afectos e de paixão...», passando pela disponibilidade de cedência de jogadores de outros clubes brasileiros e estrangeiros (onde se inclui o Benfica), até ao pedido, assumido por alguns emblemas que, durante três anos, a Chapecoense não possa descer de divisão.
Ou o desejo do Palmeiras, já campeão, ao pedir para jogar o último jogo (contra o Vitória da Baía, o do consagração do título alcançado) com as cores da Chapecoense, numa homenagem que tem já a anuência da respectiva marca de equipamentos, como prova provada que, também no futebol, há sentimentos para além do dinheiro...
E - sendo o futebol apontado como um dos exemplos maior da luta por títulos a qualquer preço - que dizer desse pedido do Atlético Nacional de Medellin, que nunca, nas anteriores 15 edições conquistou a Copa Sul Americana (a Liga Europa da América do Sul) para que o título fosse atribuído à Associação Chapecoense de Futebol, o pequeno clube de Chapecó, Santa Catarina?
E se a linha que separa a vida da morte é tão ténue, que dizer da mera opção de Caio Júnior (que o destino não quis que pudesse ver a «história acontecer»), o treinador com tantas ligações a Portugal, como referiu João Alves, no seu emocionado depoimento, à qual Marcelo Boeck deve a vida, possivelmente depois de ter ficado muito triste por não ser incluído na lista de convocados... para a tragédia?
Ou a prova de que, se as escolhas das equipas que entram em campo podem significar defesas, pontapés, cabeçadas, golos, tristeza, alegria, derrota, empate, vitória,... houve, pelo menos neste caso, uma opção que valeu a vida...
Porque, como diria o próprio Marcelo Boeck,... «os amigos dos meus filhos já não têm pais»!!!
Os pais dos amigos dos filhos do pai que jogava com os pais deles!
Ou a forma mais sentida para nos convocar, a todos para que (parafraseando, embora noutras circunstâncias bem menos difíceis, a declaração de John Kennedy, em Berlim, a 26 de Junho de 1963) possamos, hoje, afirmar... «somos todos Chapecoenses!!!»"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Chapecoense

"A vida marca o início do caminho para a morte. Mas, diante da certeza da morte, a nossa vida constrói-se na incerteza do seu momento.
Anteontem um avião despenhou-se. Transportava, entre os passageiros, jovens que haviam abraçado a vida de futebolistas. De um clube jovem, mediano, remediado: Chapecoense, da cidade de Chapecó no Estado sulista de Santa Catarina. Nesta última viagem para quase todos, os jogadores levavam o orgulho de finalistas e a esperança de poderem ser vencedores da Copa Sul-Americana (correspondente à nossa Liga Europa).
Na vertigem letal, tudo o que antes era alegria, ansiedade, ilusão, vida enfim, foi sumido pelo silêncio da morte. O destino - ou seja lá o que for - acabou com a vida sonhada de muitos e poupou alguns a este fatídico acidente. O guarda-redes Marcelo e outros atletas porque não foram convocados. O filho do treinador Caio Júnior agora falecido, perdeu o avião da morte por se ter esquecido do passaporte. A aeronave foi a mesma que, há dias transportara Messi e a selecção argentina. A fronteira entre ser e deixar de ser é mais pequena do que a passagem de um quase invisível grão de areia na âmbula da ampulheta. Um fio, um acaso, podem juntar-nos ou apartar-nos do local e tempo errados.
Nestas alturas, percebe-se quão relativo e estéril são o azedume, a discussão, o enviesamento, a culpa, a batota à volta do futebol. Percebe-se, mas logo se volta a esta dita normalidade.
Depois do Torino (1949), Manchester United (1958), Zâmbia (1993) e outras equipas dizimadas por desastres aéreos, foi a A. Chapecoense. Haja forças para o reerguer em preito da memória e em nome do futuro."

Bagão Félix, in A Bola

Ingrato

Benfica 1 - 2 Belenenses

Muito ingrato, tal como o nosso treinador afirmou no final...

Começo por reconhecer que o Benfica não tem estado a jogar bem... além da tremenda falta de eficácia em praticamente todos os jogos, temos regularmente desconcentrações posicionais que acabam quase sempre com o nosso guarda-redes a 'levar' com os adversários completamente isolados!!!

O jogo de hoje, foi de um sentido só, em cada 10 remates do Benfica, o Belenenses fazia um ataque (alguns perigosos), mas até 30 segundos do fim, estávamos a vencer...
O Belém empata num pontapé de bicicleta após erro nosso, e quando arriscamos o 5x4 (o treinador assumiu a responsabilidade na procura da vitória...), sofremos um golo de baliza a baliza, sem guarda-redes...!!!

Muito se pode dizer, mas este resultado, na véspera do derby, não é nada bom! É verdade que no Futsal, tudo isto irá acabar num play-off, mas o Benfica tem que melhorar!

Como também já é habitual no Futsal em Portugal, os jogos grandes começam a ser preparados 'antes': nos primeiros segundos do jogo, o Bebé foi expulso (próximo jogo é com o Sporting). A bola bate no corpo do Bebé e depois ressalta para o braço... Até podiamos supor que o árbitro não soubesse as regras, mas curiosamente no 2.º tempo, praticamente no mesmo local, um defesa do Belenenses também jogou a bola com o braço de forma não deliberada... e o árbitro nada marcou!!! Afinal, ele sabia as regras!!!
Eu até diria, que tivemos sorte, ser só o Bebé, a ser expulso...!!!

Sem o Bebé, sem o Elisandro, sem o Franklin e ainda sem o Jefersson... a rotação fica curta, ainda por cima contra um adversário que joga praticamente todos os minutos em 5x4!!! Não vai ser fácil...

E já agora, reafirmo, como é óbvio, a minha confiança total no Joel... isto quando não se ganha sempre no Benfica, é complicado, mas felizmente existem pessoas com responsabilidade a tomar as decisões!!!

A grandeza de ficar calado

"Silêncio absoluto. Nem um sussurro. Parece que até as moscas poisaram. Toda a natureza também. Silêncio assim só os mortos fazem. E no entanto, há mais de 50 mil pessoas ali. São 50 mil corações a bater, mas que não se ouvem.
Em Chapecó, Brasil, sim, a batida cardíaca é sonora. Não se ouve aqui. Mas «ouve-se» em gestos. Lágrimas e soluços, pelas imagens que chegam.
Morreram muitos. Famílias foram ceifadas. Morreram futebolistas. E técnicos. E dirigentes. E a tripulação. E jornalistas.
Sobre estes, não consigo acrescentar mais nada ao que disse Galvão Bueno (ao meio no vídeo).

As palmas. Na hora da morte, sempre as entendi como elogio ao que de bom se fez vivo. Aplaudir Amália por uma última vez, por exemplo. Fazia sentido por quem foi. Não há maior homenagem a um artista do que um público em palmas. Acho que na Globo foi a maneira de dizerem: «Obrigado por tudo o que nos deram.» A vida, infelizmente, estava incluída.
Mas há o outro lado. E creio que todos eles, os que ali aplaudiram, tiveram um momento de recolha. De silêncio, portanto.
Silêncio, que é coisa grandiosa. Porque nele só há reflexão. E o pensamento é a maior das qualidades humanas. Transmiti-lo, já depende.
«Tragédia é esse jornal nacional da Globo».
Apenas um de muitos comentários que obrigaram quem publicou o vídeo acima a retirar o direito à opinião. E eu defendo o direito à opinião como nada. Mas aquilo opinião não é. É desrespeito.
Morre gente todos os dias. Morreram muitos na segunda-feira em Medellín. Os americanos dizem-no muitas vezes: «Nada é certo a não ser a morte e os impostos.»
E a estupidez humana.
A grandeza de ficar calado vai muito para além do silêncio coletivo dos tais 50 mil...

 ... e deviamos tentar ser grandes todos os dias.
Num estádio, entre uma multidão, ou atrás de um teclado, sozinho, mesmo que ninguém veja a nossa grandeza."

Benfiquismo (CCCIV)

Faz hoje 62 anos!!!

Nicolia show !!!

Candelária 1 - 7 Benfica
(1-2)

Pois é, agora imaginem que o Nicolia tinha uma alta percentagem de eficácia nos Livres Directos?!!! Hoje o astro argentino marcou 4 golos, e fez 2 assistências para golo... mas ainda teve tempo de desperdiçar 2 Livres Directos!!!!
Sendo que o João Rodrigues, também falhou um penalty!!!

E nos jogos complicados, as 'bolas paradas' são decisivas, e nós estamos a desperdiçar demasiado!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pontas goleadoras !!!

Benfica 41 - 20 Ac. São Mamede
(21-12)

Excelente adversário (último classificado do campeonato), após as emoções do último domingo. Jogo tranquilo como se esperava, deu para rodar todo o plantel, e fazer descansar os jogadores a necessitar de mais cuidados...
Nota de destaque para os nossos Pontas, marcaram 23 dos nossos golos!!! O Rakovic é mesmo reforço...

À volta da Luz

"O Benfica voltou a marcar 3 golos, mas desta vez sem sofrer outros tantos. É a 9.ª vitória em 11 jornadas da Liga. Nesta altura na época transacta, sucedia quase o antípoda pontual do que agora: menos 7 pontos do que Sporting e 5 do Porto. Nos últimos 37 jogos para a Liga, o Benfica venceu 34 vezes, com um saldo 102-20. Aproximam-se 4 jornadas pré-natalícias (Marítimo fora, Sporting na Luz, Estoril fora e Rio Ave de novo em casa) que muito podem ditar sobre o futuro desta temporada.
Com o Moreirense, 56.000 espectadores, bem acima do recorde absoluto batido em Alvalade contra o Real Madrid (cerca de 50.000).
Eliseu magoou-se. Creio que é o 20.ª jogador encarnado a lesionar-se esta época. Salvo erro, só me lembro de dois jogadores titulares ou perto disso que ainda não passaram pelo 'Hospital da Luz' (não me refiro ao dos chineses): Nélson Semedo e, hélas, Eduardo Sálvio! Rui Vitória (sem Manéis) não se queixa e vai cerzindo o conjunto com mestria e serenidade. Já o Sporting, praticamente só com um lesionado (Adrien), carpiu lágrimas perante tal fatalidade. É a diferença entre o 'não deixa-andar' e o 'queixa-andar', parafraseando Mia Couto.
Tem-me surpreendido a debilidade do FC Porto. Sobretudo fora do seu reduto, uma equipa sem confiança. Depois da forma de ilustração desenhada em directo, pelo seu correcto treinador, do modo como a equipa deveria estar em campo, cinco empates, um golo marcado e outro sofrido e apenas uma boa exibição contra o Benfica (alguém me dizia, maliciosamente, que o Porto até vem jogando como as equipas pequenas que sempre se agigantam quando defrontam o SLB)."

Bagão Félix, in A Bola

O 'fair play' não é uma treta

"Os acidentes de aviação acontecem, equipas das mais variadas modalidades deslocam-se em grande número e com inusitada frequência pelos ares e o resto explica-se através da estatística e da lei das probabilidades.
Da tragédia que vitimou a equipa brasileira da Chapecoense - um exemplo de que ainda é possível subir a pulso a corda do sucesso - resultaram algumas atitudes que, pela dignidade que encerram, merecem aplauso.
Do ponto de vista formal, será expectável que a Conmebol que superintende o futebol sul-americano, decrete que em 2016 não se atribua o título de campeão da Taça Sul-Americana, a segunda competição continental de clubes. Porém, o Atlético Nacional, o outro finalista, já veio solicitar oficialmente que a Chapecoense seja declarada vencedora. Trata-se de um atitude nobre, que nos reconcilia com o princípio do desportivismo, tão maltratado nos dias que correm.
Depois, e seguindo a filosofia do Marquês de Pombal aplicável ao day after das tragédias, há que «tratar dos vivos e enterrar os mortos». Quer isto dizer que a vida continua e há que criar condições para que, neste caso, o emblema enlutado possa prosseguir a sua actividade. Os clubes brasileiros (e alguns estrangeiros, entre os quais o Benfica) já propuseram ceder jogadores à Chapecoense, custeando os salários. E ainda propõem, à imagem do que foi feito em Itália com o Torino, após a tragédia de Superga, a criação de um tempo de carência de três anos e que a equipa de Chapecó não desceria de divisão, independentemente da classificação que obtivesse.
Afinal, o fair play não é uma treta."

José Manuel Delgado, in A Bola

“O Caio era como meu filho”

"Caio Júnior, treinador da Chapecoense que morreu no acidente aéreo na Colômbia, jogou em Portugal no Vitória de Guimarães, no Estrela da Amadora e no Belenenses, nos anos 90. E houve um denominador comum nestes três clubes: o treinador João Alves. “ Se ele fosse mais explosivo, com maior condição física, teria sido um dos melhores jogadores do mundo”, recorda

Quando é que conheceu o Caio?
Cheguei a Guimarães no final da época [1990/91], já era o terceiro treinador. Quem tinha começado lá era o Paulo Autuori, que depois foi substituído pelo Pedro Rocha, que tinha saído do Sporting, mas o Guimarães continuava numa situação muito aflitiva na tabela. Fui então o terceiro treinador dessa época e quando cheguei a Guimarães só conhecia superficialmente os jogadores, de assistir a jogos. Só quando cheguei lá é que percebi verdadeiramente a equipa que lá estava era uma equipa frágil, com muitos lesionados, ainda por cima. O Caio Júnior era de facto o grande jogador daquela equipa naquele momento. Foi uma peça muito importante para nos safarmos [da despromoção] na penúltima jornada, embora tenhamos ficado em 9º lugar, as equipas ficaram muito próximas umas das outras em termos pontuais e isto foi numa altura em que desciam cinco equipas, porque havia 20 equipas.

E depois o Caio continuou com o João.
A partir daí, o Caio trabalhou sempre comigo. Ele tinha chegado a Portugal há dois anos, vindo do Brasil, porque o Vitória de Guimarães, por tradição, é um clube que sempre teve muitos brasileiros - e continua a ter. Mas o Caio era um rapaz, ainda era um jovem, com muito talento, mas fisicamente frágil e era um jogador que precisava de ser trabalhado. E assim foi. Progrediu, progrediu, progrediu e tornou-se num grande jogador. A partir daí, no ano seguinte, no Vitória de Guimarães, formei uma grande equipa, com o Paulo Bento, com o Pedro Barbosa, com o Frederico, o Ziad, que era um tunisino, e andamos até ao final da primeira volta em primeiro lugar e na segunda caímos um bocado e fomos classificados para a Liga Europa [na altura Taça UEFA], em 5.º lugar. Foi aí que comecei a criar uma relação de amizade muito especial com o Caio e é assim que no final dessa época, com a disputa da Liga Europa em perspectiva, fui convidado pelo Estrela da Amadora para ir para lá, porque acabava contrato com o Vitória de Guimarães. Aceitei o convite e passei de um clube que ia às provas europeias para outro que estava na 2.ª divisão. E o Caio acompanhou-me. Como gostava muito dele, como jogador e como homem, é evidente que fiz uma grande pressão para ele vir. E ele trabalhou em Portugal sempre comigo

Como é que o convenceu a passar para a 2.ª divisão?
[ri-se] Claro que não é fácil para um jogador, mas ele confiava muito em mim e acreditou naquilo que eu lhe transmiti na altura sobre o clube. É muito importante ver que no futebol às vezes há relações entre os treinadores e os jogadores, de uma certa cumplicidade, porque as pessoas confiam umas nas outras e acreditam e pronto, criam uma relação de amizade que até ultrapassa outros interesses. Sinceramente na altura a mim também me tocou bastante que ele tivesse saído do Guimarães, que ia às competições europeias - qualificação na qual ele ajudou e de que maneira -, para entrar num projecto de 2.ª divisão. Mas felizmente fomos logo campeões e subimos à 1.ª divisão - e depois ele continuou a carreira na 1.ª divisão, mais tarde levei-o também para o Belenenses.

Foi mais fácil convencê-lo aí.
Sim, claro que sim. Havia uma cumplicidade muito grande entre nós, eram relações, pronto, como tenho não com todos os jogadores, mas como tive com uma série deles, como o Paulo Bento, o Pedro Barbosa e tantos mais, esses miúdos do Guimarães. O Caio é um desses que faz parte de um naipe de jogadores que são como meus filhos, as carreiras deles estão ligadas à minha. O Paulo Bento, por exemplo, estava na 3.ª divisão.

O Caio chegou a dizer que o João Alves foi o treinador mais marcante na carreira dele. Ouvir isso é como se fosse um título para um treinador?
Evidentemente que é exactamente isso: é um título, é. Posso dizer-lhe mesmo que são títulos que às vezes têm mais valor do que aqueles títulos que têm taças na entrega. Porque um treinador, ao fim ao cabo, é um condutor de homens, é um formador, e aquilo que me dá muito prazer e me dá orgulho é ver ex-jogadores meus como treinadores da 1.ª divisão, por exemplo, como o Lito Vidigal e o Quim Machado, fui eu que os lancei na 1.ª divisão. E tantos outros.

É normal um treinador ter essa relação de amizade com os jogadores? Vão jantar fora juntos, por exemplo?
Quantas e quantas vezes almocei e jantei com o Caio e com outros jogadores, e respectivas famílias. Sem qualquer tipo de problema, bem pelo contrário, isso é muito importante. Os jogadores sentem-se totalmente amparados pelos treinadores quando as coisas funcionam desta forma. Não digo que esta será a forma perfeita, há outras formas também, há treinadores que são distantes dos jogadores, mas o meu caso nunca foi esse. Tive um treinador que me marcou muito, que foi o José Maria Pedroto, o mister Pedroto, e foi ele que me transmitiu isso. Há sempre um treinador que é especial na nossa carreira, naqueles momentos decisivos de um jogador. Quantos e quantos jogadores que nunca chegaram ao patamar de craques exactamente por falta de apoio de alguém? O relacionamento entre treinador e jogadores é muito importante, por muito que o futebol esteja cada vez mais sofisticado e a mexer cada vez mais dinheiro, tornando-se um espectáculo desportivo, a verdade é que há sempre lugar e deverá sempre haver lugar para as questões sentimentais, para a moral e bons costumes.

Viu-se isso após esta tragédia.
Exactamente, todas estas decisões e medidas de apoio ao clube demonstram que realmente ainda há muita gente boa no mundo do futebol. É evidente que também há gente má, que dá cabo do nome do futebol e cria uma má imagem do futebol. Há pessoas que querem ganhar seja como for, nem que seja à custa da queda de um avião, haverá gente assim e é cruel o que estou a dizer, mas há pessoas assim, exagerando um bocadinho, pessoas que querem ganhar a qualquer preço. A grande resposta que realmente o mundo do futebol dá é esse amparo ao clube, é uma lição de dignidade, desportivismo e fair play. Surge no momento certo porque o futebol atravessa uma crise de valores enorme.

Para quem não o conheceu, como era o Caio enquanto jogador?
Tecnicamente era um jogador fabuloso, muito inteligente a jogar. Jogava mais ou menos na minha posição, embora eu fosse mais um médio-avançado e ele um avançado-médio, fazendo a comparação. Era um jogador muito criativo, ainda que não fosse muito rápido. Se ele fosse mais explosivo, com maior condição física, teria sido um dos melhores jogadores do mundo, disso não tenho dúvidas. Tecnicamente era fantástico, inventava futebol.

Podíamos compará-lo com quem, hoje em dia?
Ora deixe-me pensar, pelas características...

Um Jonas?
Ora exactamente, era precisamente isso. Tinha exactamente as mesmas características que tem o Jonas.

E ainda mantinha contacto com ele?
Sim, claro. Enquanto se formou como treinador houve uma ou outra vez em que veio a Portugal e encontrávamo-nos e falámos. Mas isto no mundo do futebol, como é óbvio, cada um segue caminhos diferentes. Estive na Suíça durante seis anos, ele andou na China, pelos países árabes... De maneira que umas vezes dava para nos encontrarmos, outras não. Mas há uma coisa que é verdade: os amigos verdadeiros, independentemente da distância e do tempo em que estamos sem contacto... [emociona-se] Como é que hei-de dizer? Estamos sempre juntos. Pronto. [pausa] Agora tocou-me no sentimento."

'Soft skills' ou 'critical skills'. Como aprendê-las?

"As designações de hard skills ou soft skills encontram-se fortemente dissiminadas na área empresarial e referem-se, em traços gerais, a: conhecimentos específícos, referentes a uma dada área profissional/técnica (ex: programação, finanças, engenharia, psicologia - frequentemente associados à área de especialização de cada pessoa), e competências ou atributos da nossa personalidade, como sejam, inteligência emocional, comunicação, cooperação, entre outros.
Fazendo um paralelismo com a área do desporto, estaríamos a falar, por exemplo, num dado nível de especialização de um treinador, no que respeita às áreas técnico-tácticas (hard skills) ou, a sua capacidade em dinamizar o grupo, fazê-lo evoluir, mantê-lo comprometido com o objetivo da equipa, através de competências específicas de comunicação e liderança (soft skills).
Curiosamente, alguns autores defendem que esta designação se encontra "trocada", na medida que que estas soft skills são, claramente, as mais dífíceis de desenvolver.
De facto, apesar de existir um enormíssimo número de estudos (nomeadamente, longitudinais, ou seja, que acompanharam os sujeitos do estudo desde o ano em que saíram da faculdade até 10 anos depois) que defendem que as ditas soft skills (que, para facilitar a sua compreensão, passaremos a designar, de uma forma mais abrangente, como Inteligência Emocional - ou seja, a minha capacidade em lidar comigo próprio(a), com o outro e com o mundo, de forma eficaz) estão sobejamente associadas ao sucesso que alcançamos (ou não) ao longo da nossa vida, em detrimento das competências "técnicas"...
Onde as podemos aprender?
Já em 1918, quando foi realizado o primeiro grande estudo nesta área (dados da National Soft Skills Foundation, EUA), foi identificado que as competênciais associadas à inteligência emocional, seriam responsáveis por 85% do sucesso alcançado e, quase 100 anos depois, num estudo realizado em 2010, foi identificado que as empresas investiam apenas 27,6% do seu plafond anual de formação, no desenvolvimento deste tipo de competências (dados referentes a empresas de cultura anglo-saxónicas onde, ainda assim, se observa uma maior tendência para apostar neste tipo de formação).
Por cá a realidade não é muito diferente.
Comummente, qualquer que seja a palestra que se assista sobre liderança (por exemplo), quando se questionam os especialistas sobre os fatores críticos de sucesso, muito antes de se verem referidas competências técnicas, encontram-se quase sempre destacadas competências como motivação, paixão, espírito de missão, autenticidade, capacidade de sacrifício, superação, determinação, paixão e, se calhar por isto mesmo, não será tão pouco usual assim assistirmos a processos de liderança atuados por pessoas que, dominando muito pouco o conhecimento científico da área em que operam, possuem um conhecimento exímio em mobilização e compromisso de pessoas.
No contexto de alta competição, por exemplo, recorrentemente se fala da determinação, capacidade de trabalho e superação de um dado atleta com muito mais frequência do que da sua "perícia" - aliás, a um dado nível de excelência, é sem dúvida a sua capacidade de auto-regulação emocional que vai determinar "aquele 1%" a mais na performance que irá determinar a vitória/o sucesso.
Rafael Nadal, Djokovic, Phelps, Simone Biles, Iniesta, entre tantos outros deram igualmente o seu testemunho acerca da importância das competências emocionais para o seu desempenho.
Mesmo no contexto académico, temos inúmeras provas de que o fenómeno é idêntico - alias, a Universidade do Minho realizou um estudo acerca da performance dos nossos alunos, no que respeita à performance nos exames em matemática (supostamente, havia uma preocupação com o facto de estarmos "na cauda" na Europa) e concluiu que, afinal, não somos menos "aptos" (ou seja menos inteligentes) mas sim mais ansiosos (logo, com menor inteligência emocional).
Então, uma vez mais, onde as podemos aprender?
Se são, efetivamente, assim tão determinantes para o sucesso (pessoal, profissional), qual poderá (ou deverá) ser o papel das Escolas? Dos Clubes? Das Empresas?
Será uma questão de "terminologia"? E, se em vez de as designarmos de soft skills, usássemos o termo de critical skills, como alguns autores sugerem?
É porque toda a informação aponta nesse sentido:
são efetivamente críticas para alcançarmos sucesso e níveis superiores de felicidade e bem-estar! 
Atuaríamos de forma diferente? Levaríamos este tema mais a sério? Para quando, a mudança de paradigma?
E, já agora, enquanto esperamos que as instituições assumam o seu papel (ou o papel possível) no reconhecimento de que é urgente e relevante integrar esta área de conhecimento e treino, naquele que é o seu âmbito de intervenção, o que podemos fazer?
É que, o reconhecimento da importância em desenvolver este tipo de competências deve começar em nós próprios, seja pela procura de literatura ou formações especificas na área, ou simplesmente pela procura de modelos que nos inspirem."

Sonhando SLB em Cayo Guillermo - Cuba

Benfiquismo (CCCIII)

A última troca de galhardetes do Il Grande Torino

O vigilante

"Vieira funciona como segunda linha de betão, difícil de transpor. Parece ausente ou distraído, mas quase nada lhe escapa.

Como a memória é curta, e no futebol ainda mais, quando dá jeito, manda a verdade recordar que há um ano, igualmente com onze jornadas disputadas na Liga, o cenário era bem diferente daquele que hoje se regista. O Sporting, inebriado pelo efeito Jesus, que se julgava ser prenúncio de conquistas a perder de vista, liderava com mais dois pontos que o FC Porto. Em patamar abaixo, consideravelmente abaixo, a sete pontos do leão, surgia o Benfica, desconsiderado e a enfrentar ventos e marés no combate a vaga de ataques sem rosto.
De fora e de dentro do clube, o cerco crítico assumiu proporções gigantescas. Adivinharam-se terríveis prejuízos. Conjecturaram-se colapsos traumatizantes no projecto de Vieira. Deu-se como garantido o despedimento do treinador. Sentenciou-se o fim do consulado do presidente.
Enfim, gerou-se uma barulheira sem ponta de credibilidade e de uma excentricidade opinativa mal sustentada, como se alguma vez a sobrevivência de um clube com a dimensão e a história do Benfica pudesse ficar dependente dos caprichos de um treinador, por mais rico que fosse o seu currículo internacional, o que nem sequer era o caso, como é público.
Um ano depois, já sem poeira no ar, verifica-se que o Estádio da Luz continua de pé e mais concorrido do que nunca, sendo na actualidade, como li em A Bola, o oitavo da Europa com mais assistências, apenas superado, convém sublinhar, por Borussia de Dortmund, Barcelona, Manchester United, Bayern, Real Madrid, Schalke e Arsenal, não constando na lista mais algum clube português entre os 20 primeiros deste ranking. Além de, em comparação com a mesma jornada da última época (11.ª), quem lidera agora é o Benfica, cinco pontos à frente do Sporting e sete do FC Porto. As voltas que muitos juravam que isto ia dar e... não deu. Melhor, deu, embora em sentido contrário: Jesus não funcionou como se pretendia em Alvalade, Lopetegui/Peseiro marcaram passo no Dragão e Vitória teve de fazer o favor de ser campeão, permita-se-me a ironia.
As forças demoníacas erraram. Nada do que previram aconteceu. Os factos falam por si e demonstram que tudo se resumiu a uma manobra desestabilizadora de grandes proporções que Luís Filipe Vieira - entretanto reeleito com 90 e tal por cento de votos e ainda assim houve quem tivesse visto nesse resultado sinal de distanciação por parte da família encarnada - destruiu pela discrição, pela firmeza das suas convicções e, principalmente, pela mais poderosa arma que utiliza quando quer proteger de intromissões alheias a instituição a que preside: apelo à união da família benfiquista para um Benfica maior e mais forte, inovador e preparado para vencer os desafios do futuro.

Vieira pode parecer um romântico ao adoptar um estilo de presidência cordato e dialogante, em choque com a truculência partilhada pela maioria. Nem sempre procedeu com o tempero conveniente, sem dúvida, mas teve a virtude de aprender depressa e, mais significativo, de saber estar à altura da grandeza do emblema da águia.
Cedo compreendeu que ser presidente do Benfica o devia inibir de alinhar em algazarras de bairro disfarçadas de rivalidades ou dar troco a reptos futeis de quem, provavelmente, gostaria de ser como ele mas não sabe como.
Proclamou o objectivo do tri quando muito boa gente chorava baba e ranho por causa da saída de Jesus. Reflexo de bem urdida operação de maledicência que gerou embaraços na organização encarnada e interferiu no trabalho de Vitória. Sem dramas, porém. Para quem o conhece minimamente já deve ter verificado que Vieira funciona como segunda linha de betão, difícil de transpor. Parece ausente ou distraído, mas quase nada lhe escapa.

É um vigilante atento, daqueles que se for preciso não dormem. Revela especial intuição para prever as coisas a preparar soluções. De aí que decorriam ainda os festejos do campeonato que Jesus prometeu e Vitória venceu e já Vieira apontava a meta do tetra, indiferente aos outros.
Esse é, aliás, um dos seus trunfos mais valiosos, acreditar na organização que criou, saber com o que conta em termos de disponibilidade/qualidade dos praticantes e ver no seu treinador, além de elevada competência, firmes traços de seriedade e lealdade.
Por outro lado, a boa saúde da águia na fase pós-Jesus permite acreditar que o V de Vieira associado ao V de Vitória traduz uma relação destinada a ser feliz."

Fernando Guerra, in A Bola

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Lucidez

"No pós-Istambul, Rui Vitória impôs alterações comportamentais e deu-se bem. Mudar não é sinónimo de fraqueza

O Benfica cimentou a liderança tranquila que exerce após 11 jornadas. Pode dividir a vantagem entre méritos próprios e oferendas alheias, pois quando projetou atacar o tetra não contaria com tanta colaboração dos principais concorrentes, com nota de especial destaque para o FC Porto. Se o Sporting pode lamentar uns tropeções difíceis de engolir, os portistas precisam de ir ao psicanalista. Entre o que mostram serem capazes de fazer e o que fazem efetivamente, os rapazes de Nuno Espírito Santo não sabem como o explicar. Estão, isso sim, a pôr tudo em causa, começando por eles próprios, sem esquecer a equipa técnica e a tão propalada ideia de jogo.
Depois da semiderrota de Istambul (estar a ganhar por 3-0 fora e ficar 3-3 não é bem um empate...), o Benfica enfrentava-se a si próprio. O Moreirense na Luz nunca seria uma ameaça complicada, mas o Besiktas também não o deveria ter sido. Lúcido, Rui Vitória travou as habituais cavalgadas dos minutos iniciais, impôs organização e controlo, fez ver à equipa o que deveria ter feito e não fez no jogo da Champions.
Mudar não não pode ser visto como sinónimo de fraqueza, estar a correr contra o muro e não procurar uma alternativa é que não faz sentido, por muito boa que seja a ideia que se defende e o modelo a implementar para lhe dar sustento. O futebol de alto rendimento tem um só propósito - ganhar - e concede pouco tempo para consegui-lo.
Para o FC Porto a questão é esta: há pedaços de jogo a provar que a ideia é mesmo boa. Mas para já apenas de modo parcial."