Últimas indefectivações

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Benfiquismo (MCCCXXII)

Um dos nossos, deixou-nos hoje...
De todos os excessos, o Benfica foi aquele que terá valido mesmo a pena...
A gritar pelo Glorioso, até que a voz nos deixa!

A História Gloriosa - #6 Os títulos europeus, Eusébio e Simões | 1954-1964

3 pontos...

Benfica 3 - 0 Sanjoanense

Estreia no campeonato, com uma vitória, num jogo onde marcámos os dois primeiros golos de 'bola parada', sem o Nícolia lesionado, numa pré-temporada onde o Ordoñez também esteve de 'fora'!!!

Com o Edu Lamas não tenho dúvidas que defensivamente estamos mais fortes, mas vamos ver como o processo ofensivo vai 'terminar'!!!

Destaque nesta 1.ª jornada, para os empate dos Corruptos, em casa, com a Juventude de Viana!!!

PS: Não é todos os dias, que um nadador português vai ao pódio numa prova da Taça do Mundo. Parabéns à Diana Durões, pelo Bronze nos 800m Livres...

De Kiev a Teerão

"Acredito que amanhã Cristiano Ronaldo marcará frente à forte equipa da Ucrânia e será determinante para uma vitória da nossa Selecção

1. Amanhã em Kiev acredito que Cristiano Ronaldo vai chegar ao solo setecentos da sua carreira de extraordinário jogador de futebol. Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial e um monstro de centenas de relvados. No passado sábado os meus três netos acompanharam-me, e com o seu dedicado e querido Pai deliciaram-se com a vitória de Portugal e ficaram maravilhados com o chapéu de Cristiano Ronaldo que concretizou o segundo golo da selecção liderada, e bem, por Fernando Santos. A festa de muitas famílias - e de muita juventude universitária trajada a rigor - percorreu, numa alegria contagiante, as bancadas de um Estádio, o de Alvalade, que voltou a acolher a selecção de todos nós. Este espírito de selecção é uma conquista da Federação e da sua empenhada estrutura directiva. O seu marketing é dos melhores de Portugal. A sua comunicação motivante é uma referência em Portugal. E a sua estrutura, com profissionais de excelência, merece um prolongado aplauso. Acredito que amanhã, em Kiev, Cristiano Ronaldo marcará frente à forte equipa da Ucrânia e será determinante, uma vez mais, para uma vitória da nossa selecção. Três pontos que permitirão, estou convicto, que Portugal termine esta fase de grupos no primeiro lugar. O lugar devido à selecção campeã da Europa em título e vencedora da primeira edição da Liga das Nações. O que sabemos é que esta dupla jornada da fase de grupos já permitiu e permitirá conhecer muitas selecções - diria que muitas das habituais presenças - que marcarão presença nesse Europeu de  múltiplas sedes que será o Europeu de 2020. Pela minha parte direi que estive com a Família em Alvalade. E como os meus netos a abraçaram-me, em festa contagiante, três vezes. E, amanhã, com amigos do coração, do coração que já vibrou em Vilnius, estarei em Kiev. Com o sonho de ver Portugal vencer e a fé de assistir, ao vivo e a cores, ao golo 700 do capitão, que nos orgulha, da selecção de Portugal: Cristiano Ronaldo!

2. O futebol por vezes é revolucionário. Quarenta anos depois da Revolução Islâmica de 1979 quatro mil mulheres iranianas puderam assistir ao jogo, e à goleada,entre o Irão e o Camboja, encontro da fase de grupos asiática de acesso ao Mundial do Catar. Sabemos que foram quatro mil no meio de 74 mil. Como lemos que nos últimos anos muitas mulheres se disfarçaram de homens para terem acesso a diferentes estádios do Irão, realidade que o cineasta Jafar Panahi retrata num interessante filme com o sugestivo título Fora de Jogo. Na semana em que ficámos a saber os diferentes prémios Nobel - da Paz à Literatura, entre outros -, importa referenciar esta exigência - que, de verdade, foi, no caso de não se efectivar, uma ameaça de suspensão de participação em eventos internacionais - da FIFA. E a luta pelo acesso das mulheres iranianas aos estádios - e, aqui, por excelência ao emblemático Estádio Azadi - é, também, uma forma de luta das iranianas pela igualdade. Também aqui vale a teoria dos pequenos passos. Por ora quatro mil lugares esgotados em apenas uma hora. Por enquanto apenas em jogos internacionais para impedir sanções da FIFA, que teve a coragem, diria ousadia, de interferir na vida interna de um Estado. Já que para algumas poderosas vozes da Revolução Islâmica esta autorização leva ao pecado. Por isso na passada quinta feira Teerão viveu um dia revolucionário. Em razão do futebol e da tenacidade da sua organização cimeira, a FIFA!

3. Depois desta dupla jornada de selecções teremos finalmente, o regresso às competições internas. Com a consciência que só  domingo eleitoral perturbou o regular funcionamento do prévio calendário do futebol profissional. No mais está-se a cumprir tudo aquilo que todas as instâncias do futebol - todas! - acordaram. E acho estranho que alguns não se recordem determinados a criar todas as condições para a suspensão, temporária ou definitiva, da Taça da Liga. E, e para além do foguetório a que assistimos, vamos viver a primeira eliminatória da Taça de Portugal em que participam, em principio com o estatuto regulamentar de visitantes, os grandes nomes do futebol português. E, assim, a partir da próxima quinta-feira teremos dois jogos de Taça em canal aberto, o que evidência o desígnio federativo de potenciar o futebol para todos. E, assim, a prova rainha pode determinar, por razões televisivas - e, logo, por determinantes motivos financeiros que, no limite, pagam o orçamento de uma época (ou até mais) - que o estatuto de visitantes se transforme, num instante e por encanto, na situação de visitado. De jogar fora pelo sorteio passa-se a jogar em casa em razão da televisão. São boas notícias para todos. E, acredite-se se, que o espírito do regulamento não se viola. Adapta-se às circunstâncias. Dos tempos e dos estádios necessários. Para a transmissão que fera, aqui, milhares de euros! E certas audiências!

4. Permitam que referencie uma extraordinária entrevista do director geral do Liverpool, o campeão da Europa em título e o líder da Liga Inglesa: Peter Moore. Afirmou ele, em Madrid, que o êxito do Liverpool se baseia no «socialismo»! Sim escrevi bem! Não do socialismo político puro mas sim do socialismo no sentido da solidariedade. Tendo presente que Liverpool tem uma identidade própria, com uma forte tradição operária e com um porto que é uma das referências da abertura ao mundo! E o futebol da equipa de referência de uma cidade que a música, e um grupo extraordinário, levou a todo o mundo também se expressa, com a liderança de um socialista alemão - Jurgen Klopp - na ideia de trabalhar em conjunto, de passar a bola e movimentar-se, de assumir, tal como uma canção da década de sessenta do século passado, a poesia em movimento! A reflexão deste homem do marketing global - que regressou a Inglaterra após quarenta anos de êxitos nos EUA (da Sega à Microsoft, até à Electronic Arts) - merece ser lida por todos aqueles que querem construir, de verdade, projectos vencedores e que sabem que a indústria do futebol exige ousadia e criatividade e que não pode ignorar as exigências dos novos tempos e, logo, das novas gerações que têm de ser conquistadas para o futebol! Na certeza também que, sem esquecermos por vezes a palavra paciência, se «compares bons jogadores melhoras a equipa, se melhoras a equipa conquistas títulos e se conquistas títulos crescem as receitas»! Vale a pena ler Peter Moore neste tempo de pausa do futebol doméstico! Sem esquecermos essa viagem, de tons diferentes, entre Kiev e Teerão!"

Fernando Seara, in A Bola

Do Bernardo

"Eu sei que dizê-lo assim (ainda) pode parecer heresia mas, a cada semana que passa, Bernardo Silva vai-me causando (por outras vias e outros modos) o mesmo encanto que Cristiano Ronaldo á muito me causa - um encanto divino, um irresistível fascínio.
Causa-me esse encanto, esse fascínio, porque o Bernardo nunca joga encalhado em imperfeições, atrofiado e fastidioso. E assim parece sempre capaz de, num drible, num passe ou num remate, transformar uma pedra numa espada para atacar o paraíso - sem se perder por labirintos ou becos sem saída.
Causa-me esse encanto, esse fascínio, porque o joga preso a dúvidas ou a destrambelhos que lhe entortem os pés onde tem a cabeça em flor. E assim, parece sempre capaz de romper, sagaz, com o jogo rotineiro e chato, torto e desleixado, em que a sua equipa possa estar a cair, a arrastar-se.
Causa-me esse encanto, esse fascínio, porque o Bernardo nunca joga com as chuteiras em mendigar de brilhos ou fulgores. E assim parece sempre capaz de resolver complicações em seu redor, usando a bola com esmero, pondo, travesso, os adversários em desalinhos.
Causa-me esse encanto, esse fascínio, porque o Bernardo nunca joga com o corpo em vertigens como um acrobata bêbado a cair do seu trapézio. E assim parece sempre capaz de se distinguir sem nunca se extinga - ou sem nunca perder a tentação de procurar, esperto, a baliza alheia (para a alvejar por si ou, sobretudo, para a dar a alvejar a outro).
Causa-me esse encanto, esse fascínio, porque o Bernardo nunca joga sem deixar de puxar a sua equipa do lugar onde ela estiver para um lugar melhor, usando a bola com destreza (e sem a desprezar) no desbaratar dos muros que se lhe vejam no caminho. E assim parece sempre capaz de, num instante sorrateiro, a afastar (à equipa) de fatalidades ou de desgraças que a ameacem - através dos milagres que se vão soltando, sublimes, desse seu jeito de jogar à Messi, de jogar cada vez melhor à Messi."

António Simões, in A Bola

Sobre falar antes de pensar

"Falar antes de pensar: sai ar da boca e produz linguagem antes de ser activado o funcionamento do cérebro

- Em que sítio deve estar a cabeça?
- Como?
- Em que sítio deve estar a cabeça de um sujeito?
- Por mim, em cima.
- Em cima. Onde? Aqui?
- Exacto.
- Acima do coração?
- É uma bela posição relativa, parece-me.
- Mas se vossa excelência fizer o pino...
- Sim?
- O coração fica acima da cabeça. Se continuarmos a considerar o solo como referência.
- Exactamente, pelas minhas contas é isso mesmo.
- Chão, cabeça, coração, tronco, pernas e pés.
- Pés lá em cima.
- Sim. Up.
- Portanto, não devemos fazer o pino...
- Não.
- ... se queremos manter a racionalidade.
- Isso.
- Por mim, não faço o pino por razões bem mais práticas: não me quero partir todo.
- Pois. Mas dizia: a cabeça sempre acima do coração. Uma questão de hierarquias, excelência.
- Podemos ter instintos e raiva, mas acima disso: o pensamento, a racionalidade. É isso?
- Isso mesmo.
- Porém há uma parte significativa dos humanos que parece andar com a cabeça e os pés trocados.
- Sim?! Porquê?
- Falam antes de pensar.
- Oh, mas isso...
- Falar antes de pensar: sai ar da boca e produz linguagem antes de ser activado o funcionamento do cérebro.
- Uuu, que horror. Parece a explicação do funcionamento de uma máquina.
- E é isso mesmo. O cérebro ainda está desligado e o sujeito já está a dizer uma quantidade enorme de frases.
- É como querer café antes de ligar a máquina que faz café.
- Exactamente, é isso mesmo, excelência.
- Falar antes de pensar.
- Querer café antes de ligar a máquina que faz café.
- Que síntese.
- Posso dar outro imagem?
- Pode, excelência.
- É como ter os pulmões, a máquina de produção do ar, acima da cabeça.
- Como? Explique lá isso, excelentíssimo.
- Repare, excelência, a linguagem oral não é mais do que ar que sai da boca numa forma mais ou menos organizada... alfabeticamente. Mas é ar.
- Ar, excelência, sem dúvida. Ar. Ar alfabetizado, mas ar.
- Ar, vapor, substâncias em estado gasoso.
- Isso.
- Portanto, excelência, falar antes de pensar é colocar o ar antes do raciocínio e é, no fundo, uma forma mental da fazer o pino.
- Uma forma mental de fazer o pino?
- Exacto. Vossa excelência, pode não fazer o pino fisicamente, mas se fala antes de pensar está a fazer psicologicamente o pino. Está a fazer intelectualmente o pino.
- Ou seja...
- Ou seja, vossa excelência está a pôr a sua cabeça quase ao nível dos pés dos outros.
- Uns centímetros acima do nível dos pés dos outros, mais exactamente.
- Isso mesmo.
- Há quem pense um metro e setenta, um metro e oitenta, acima do nível do solo. E há quem pense apenas uns centímetros acima do chão.
- Há o nível do mar como referência para as altitudes...
- ... E há o nível dos sapatos, como referência para a qualidade de um discurso.
- Abaixo e acima do nível do mar.
- Abaixo e acima do nível dos sapatos.
- Pois. Deixe-me pensar numa personagem...
- Pense, excelência.
- Numa personagem que sobe a uma alta monanha.
- Sim.
- Um enorme esforço para chegar até lá e depois, lá em cima, eis que o sujeito começa a falar e só diz banalidades.
- O corpo está mil metros acima do mar, mas o pensamento apenas dois centímetros acima dos sapatos. É isso, excelência.
- Exactamente.
- Não é uma questão de altitude exterior, mas de altitude interior.
- Um discurso rasteiro, portanto, é isto mesmo: um discurso ao nível dos sapatos do chão.
- Isso.
- Se querer subir o nível do discurso, não vale a pena subires a uma montanha, eis um conselho.
- Sim, não vale a pena um sujeito cansar-se."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

domingo, 13 de outubro de 2019

A Lei da Segurança no Desporto

"No dia 11 de Setembro foi publicado a Lei n. 113/2019, que procede à terceira alteração à Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho, e que estabelece o regime jurídico da segurança e combate ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos. Curiosamente, antes da publicação desta Lei, o regime jurídico intitulava-se «do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança». A alteração traduz a intenção do legislador em retirar a carga negativa da palavra «violência» quando associada ao Desporto e colocar a ética em papel de destaque. O título do Regime Jurídico é alterado através do artigo 5.º da Lei 113/2019.
A entrada em vigor destas alterações ocorreu no dia 12 de Setembro mas é estabelecido em regime transitório que visa permitir a adaptação dos destinatários da Lei às novidades introduzidas. Assim, as alterações referentes ao envio obrigatório de relatórios relativos a acções preventivas realizadas e a obrigatoriedade de criação de zonas com condições especiais de acesso e permanência de adeptos produzem efeitos apenas na época desportiva que se inicie no ano civil seguinte à data da sua publicação. Por outro lado, a formação específica do gestor de segurança deve ser obtida no prazo de uma no a contar da data da sua entrada em vigor. Por fim, a celebração do protocolo que concretiza a partilha de informação entre as autoridades judiciárias, a PJ, a PSP e a GNR deve ocorrer no prazo de 90 dias após a entrada em vigor da Lei 113/2019.
Para a semana iremos analisar as alterações introduzidas com maior pormenor."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Do(h)a a quem doer - olhar para 2022 com o exemplo de 2019

"Escrevo estas linhas minutos após o queniano Kipchoge ter corrido a maratona em menos de duas horas, num evento mediático promovido por uma multinacional, com imensas lebres, várias condições externas favoráveis, enfim, um evento mediático a que talvez não possamos chamar desporto. Recordo que Kipchoge não esteve nos Mundiais de atletismo que decorreram em Doha há pouco mais de uma semana precisamente para se preparar para esta façanha histórica - que o é, não haja dúvidas, mas por alguma coisa este tempo não será homologado. Portanto, o incrível atleta queniano preferiu um evento mediático e não competitivo em detrimento do maior palco desportivo mundial da sua modalidade - o Campeonato do Mundo de atletismo.
Muitos defendem que o atletismo está a perder espectadores, interesse dos media e até algum glamour. Usain Bolt conseguiu centrar muitas atenções nos últimos 15 anos e os responsáveis do atletismo mundial talvez tenham recorrido ao jamaicano para sobreviver. Pelo meio, atribuíram a organização de uma prova importante como o Mundial ao Qatar, um país sem tradição neste desporto, com condições climatéricas pouco recomendáveis e uma fama pouco democrática no que toca à vida em sociedade naquele país. Mas, argumentam os responsáveis, é preciso levar o desporto a novos lugares, abrir horizontes, aquele discurso teatralizado e mecânico. De forma a minimizar impactos negativos, a Federação Internacional de Atletismo teve que adiar a realização do evento para final de Setembro, alterando todo o programa de treinos e preparação dos atletas. Já o Qatar, onde aparentemente dinheiro não é problema, tratou de gastar quase uma centena de milhão de euros num ar condicionado no estádio para que o calor sufocante de Doha não provocasse estragos nas prestações dos atletas.
A competição em si até trouxe várias provas com excelentes desempenhos desportivos - lançamento do peso masculino ou 400m femininos, por exemplo - mas não podemos ignorar várias coisas que aconteceram em Doha naqueles 10 dias de competição. As provas fora do estádio - maratonas e marchas - foram angustiantes de se acompanhar. Disputadas ao início da madrugada de Doha, as condições atmosféricas não deram tréguas aos atletas: muitos desistiram e os tempos foram bem abaixo do que aquilo que costumam fazer. Estão a perceber agora Kipchoge? Mais: em Doha, os atletas correram ou marcharam perante ruas compreensivelmente vazias de público, num claro contraste com a prova do queniano em Viena. E se fora do estádio parecia que ninguém ligava àquele esforço heróico dos atletas, dentro do Khalifa Stadium a situação era ligeiramente menos confrangedora. O estádio nunca encheu e na maior parte dos dias os atletas correram, saltaram ou lançaram perante uma moldura humana mínima, calada, parecendo muitas vezes não saber bem o que se estava a passar - a falta de química entre atletas e público era perceptível via televisão. Isto tudo num desporto onde a vertente feminina tem quase tanto peso como a masculina a nível mediático, gerando aquele paradoxo notado por algumas atletas de não se sentirem totalmente confortáveis em competição num país onde elas não podem ser um exemplo para a generalidade das mulheres do Qatar.
O texto vai longo e ainda não falei de futebol. O próximo Mundial de futebol será no Qatar, em 2022, e o calendário também teve que ser modificado para evitar o calor. Outra semelhança com o atletismo é o facto da actual direcção da FIFA não ter sido a responsável directa pela atribuição ao Qatar da organização, mas certamente que Infantino falará com Sebastian Coe para ter lições de como justificar o injustificável. É verdade que o Qatar no futebol está muito mais avançado do que no atletismo - campeões continentais de selecções, vários clubes de elite no continente e muitos estrangeiros de renome a trabalharem no país, alguns deles ficando completamente embevecidos com o funcionamento da sociedade. Mas será justificável organizar o Mundial num país como o Qatar?
A FIFA deveria olhar com atenção para o atletismo. Queremos um Mundial que cumpra todos os requisitos de organização mas que falhe naquilo que ainda vai sendo essencial numa prova como esta, a emoção de a disputar e a simbiose entre adeptos e desportistas?
Para justificar os resultados do CDS nas últimas eleições legislativas em Portugal e a dispersão de votos à direita, Francisco Mendes da Silva mencionou nesta entrevista a "democratização dos fluxos de informação" - no programa Sem Moderação chegou a mesmo a dar o exemplo dos concertos de bandas de música que, quando enchiam grandes palcos portugueses nos anos 90, isso era notícia em quase todos os meios de comunicação social e agora podemos terminar o ano sem dar conta de notícias sobre um Pavilhão Atlântico cheio. Os nichos não existem apenas na música, o futebol também os tem: o nicho dos adeptos românticos e contra o futebol moderno, o dos adeptos que só assistem aos jogos da Liga dos Campeões, o nicho dos adeptos da discussão do fora de jogo, ou o dos adeptos que acham que o futebol de posse é a única forma correcta de jogar este desporto no século XXI. Há de tudo, e ainda bem. Só que o Mundial de Futebol ainda era o evento que aglutinava a grande maioria dos adeptos. Aquelas quatro semanas de futebol de selecções conseguiam captar a atenção seja pelos craques, seja por histórias de países que se apuram pela primeira vez, seja pela descoberta de jogadores até ali irreconhecíveis no nome e na arte de rematar, defender ou fintar. Mas o caminho que está a ser trilhado pelas organizações principais parece ir em sentido contrário à tal confederação dos adeptos de futebol. O primeiro teste será o Europeu de 2020, num formato completamente diferente e capaz de desinteressar a muita gente, tal será a semelhança com mais uma ronda de qualificações. Depois, virá esse tal Mundial no Qatar em 2022 que, e parece não haver retrocesso, será organizado neste país do Golfo Pérsico do(h)a a quem doer. Eu gostava de em 2030 assistir a um Mundial de futebol mediático, bem jogado, com muito público nas bancadas. Temo é que um qualquer concurso organizado por uma multinacional nesse mesmo ano de 2030, convidando as estrelas dessa altura para jogaram uma peladinha a meio campo ou um concurso de bolas na barra, seja vivido com mais entusiasmo pelos adeptos de futebol de 2030."

Japão, terra do espectacular râguebi nascente

"Um tufão não impediu o jogo à mão mais dinâmico, intenso e criativo a atacar espaços do Mundial - salvo aqueles que vestem sempre negro - de ganhar (28-21) à Escócia e chegar, pela primeira vez, aos quartos-de-final. O Japão vai reencontrar-se com a África do Sul e, quem sabe, com um milagre

Não chovia, mal ventava, o ar continuava quente e húmido em Yokohama, sem vislumbre do rasto do ciclónico e monstruoso Hagibis, então causador de 24 mortes, mas não rápido o suficiente na passagem pelo Japão para não cancelar um jogo que, durante dias, se julgou inevitável.
O clima amainou e deixou os escoceses, famintos, a cravarem os dentes nos rucks, intensos e agressivos a disputar a bola na relva, cravando faltas e turnovers nos primeiros dez minutos para exporem a apatia dos japoneses. Encravaram o jogo à mão dos olhos rasgados, obrigavam-nos a perder tempo no chão, emperravam-nos.
A Escócia marcou um ensaio fácil, bastou a Finn Russell correr 10 metros e desviar-se, sem fintas, dos 1,66 metros do mais pequenote jogador do torneio, Yutaka Nagare.
Ó não, tremia o Japão, a nação há quatro anos a bolacha da história sem a poder trincar, eliminada do anterior Mundial com três vitórias e não ter certezas se sobreviveria neste, no seu, também com três jogos ganhos, de novo com uns escoceses pela frente que tinha, obrigatoriamente, de vencer.
Mas, vividos os dez minutos de caos, os japoneses voltaram a eles próprios. Sempre a fugirem com os corpos aos rucks, indo ao contacto apenas para fixarem adversários, deixando a bola sempre limpa e viva, a saltar de mão em mão com o formação Nagare a dar-lhe vida até chegar a Matsushima ou Fukuoka.
Alimentando o 14 e o 11 japoneses, os mais velozes e perigosos pontas em campo ultrapassavam a linha da vantagem, fugiam de placagens e eram quem mais metros acumulavam para equipa. 
Matsuhima deu o primeiro ensaio ao Japão, Fukuoka o terceiro e no meio foi o pilar Inagaki a furar por entre avançados escoceses, no meio do conjunto de corpos de onde se pensava vir a força que mais poderia atropelar os japoneses - impressionantes no jogo à mão em campo aberto, menos fiáveis no jogo ao chão.
O território (75%) e a bola (74%) foram alvos de abuso dos japoneses na primeira parte e quando o ponta Fukuoka arrancou, logo no recomeço, para o quarto ensaio e o garante do ponto bónus, o oxigénio também passou abundar de lado nipónico do campo.
Os escoceses estavam tontos no jogo frenético, a placarem sombras, a chegarem atrasados a tudo, sem tempo de caçarem a bola que só tarde pararem de chutar pelos pés de Stuart Hogg e Greg Laidlaw para as mãos de Matshoshima, Fukoka ou Yu Tamura, o abertura que a recolocava sempre longe.
Quando começaram a batalhar contra o Japão no seu jogo, somando mais fases aos seus ataques, mantendo a posse e não caindo no alarmismo do pontapés, os escoceses avançaram no campo, entraram nos 22 metros alheios e encontraram o conforto para puxarem os seus quilos mais pesados para jogo.
Willem Nel e Zander Fagerson, dois pilares roliços, com mais imagem do antigamente, marcarem um ensaio cada, os britânicos chegaram aos 21 pontos e viram os 28 do Japão já de perto.
Foram insistindo, tiveram mais tempo no meio campo japonês, batiam mais vezes o primeiro japonês, mas nunca fugiram do segundo, do terceiro e de quem acorresse depois à cortina defensiva dos anfitriões do Mundial, incansáveis a defenderem-se sem a bola, brutais na técnica de placagem junto à relva. Nunca os escoceses tiveram perto de marcar pontos nos últimos 20 minutos.
Os fantásticos a atacar acabaram sendo impenetráveis a defender. Quando chutaram a bola para fora dali e o jogo acabou, pularam que nem miúdos a celebrar o toque para o recreio, eufóricos com a excelente primeira parte com bola, a incrível segunda sem ela, com a inédita passagem aos quartos-de-final do Mundial.
O jogo à mão mais dinâmico, intenso e criativo a atacar espaços - salvo quem nós bem sabemos e veste sempre negro - é do Japão, a terra do espectacular râguebi nascente, que se vai reencontrar com a África do Sul. E, porventura, com um milagre."

"No dia seguinte à primeira operação ao joelho, pedi à minha mãe para me matar"

"É muito raro vê-lo, ou ouvi-lo, a dar entrevistas, mas o rabo de cavalo de ouro compareceu no Festival dello Sport, em Trento, Itália, e acabou a chorar em palco. Roberto Baggio recordou as lesões sofridas ainda na adolescência, a troca da Fiorentina pela Juventus, aquele penálti contra o Brasil que ainda lhe vem à cabeça antes de adormecer e a não chamada para o Mundial de 2002

O Futebol Actual e os Conselhos aos Mais Novos
"Quando era miúdo, costumava jogar com uma bola de ténis, com a qual partia tantas janelas... O que os miúdos estão a perder hoje em dia é a alegria de jogar futebol em qualquer sítio, até na rua. O mais importante na carreira de um jogador é a humildade. Assim, não terá medo das derrotas, porque já sabes como voltar a erguer-te na vida."
"Sempre senti o afecto dos adeptos ao colocar-me no seu papel. Sei o que significa um dia conhecer o teu ídolo, por isso tenho noção do quão importante é dedicares algum tempo aos teus fãs. Joguei futebol com o desejo de transmitir alegria às outras pessoas."

O Início de Carreira, a Fiorentina, a Mudança Para Juventus e a Revolta dos Adeptos
"Foi um sonho vestir a camisola do Vicenza [nasceu perto da cidade]. Cheguei à Fiorentina [em 1985] depois de uma lesão grande no joelho. Não joguei durante dois anos e, ao terceiro, ainda não estava totalmente recuperado. As lesões eram um pesadelo. No dia seguinte à minha primeira operação ao joelho pedi à minha mãe para me matar."
"Quando jogava bem, sentia que estava em dívida para com os adeptos que esperaram por mim. Criei uma ligação profunda com os adeptos da Fiorentina e tentei muito ficar nos Viola, mas tudo foi decidido por mim. Só queria que tivessem sido mais transparentes."
"Houve três dias de caos, os adeptos não aceitaram a situação [em 1990, Baggio foi transferido para a Juventus] e senti-me culpado por ser a causa de tudo, mesmo que fosse a última pessoa a quem culpar. Sempre disse a verdade, mas o que realmente aconteceu só foi revelado passados 20 anos".

O Fim da Carreira no Brescia e os Desentendimentos com Treinadores
"Estava à procura de um clube mais perto de casa, após treinar três meses sozinho. Estava à espera do telefonema do Vicenza, mas o clube não parecia resolver a situação. Uma noite, o meu telefone tocou e era o Carlo Mazzone [treinador do Brescia] a querer falar comigo. Foi aí que o conto de fadas nasceu. Ele não queria confusões, era um homem sábio."
"As pessoas amavam-me e, quando não jogava, protestavam, o que dificultava a situação para os treinadores. Tinha uma boa relação com o Arrigo Sacchi [no AC Milan, antes de coincidirem na selecção italiana], antes de as coisas começarem a piorar."

Aquele Penálti Contra o Brasil
"Nunca rematei um penálti por cima da barra, foi só aquela vez. Não era o último penálti, mas foi o golpe de misericórdia. Esse momento ainda me vem muitas vezes à cabeça, antes de adormecer. Em criança, sonhava em jogar a final de um Mundial entre Itália e Brasil. A única coisa que não imaginava era acabar por falhar um penálti." "Daria tudo para compensar o Mundial de 1994. Tinha esperança em 2002, mas fui deixado de fora. Posso parecer arrogante, mas acho que merecia ter sido convocado [Baggio tinha 37 anos] para esse Mundial, mesmo que houvesse algumas dúvidas em relação ao meu físico." "Merecia ter lá estado e o futebol devia-me isso. Talvez tenha sido essa a razão pela qual me afastei do desporto"."

Benfiquismo (MCCCXXI)

Molha!!!

Esta coisa que se chama Pausa das Vindimas

"O que se passa com o Benfica que deixou de pregar cabazadas aos seus adversários nacionais e que continua a somar desaires face aos seus adversários internacionais sugere uma reflexão ligeira neste período de pausa das competições.
O período de pausa das competições internas também sugeriria, só por si, uma reflexão menos ligeira. Temos o campeonato de férias por um mês, coisa nunca vista. E, no que ao Benfica diz respeito, depois desta inaudita Pausa das Vindimas seguem-se sete jogos em 23 dias para que ninguém mais se volte a queixar de tédio. Eventualmente, a Pausa das Vindimas poderá fazer bem ao Benfica de Lage e a Lage propriamente dito, que bem precisa de ânimo para superar o que tem pela frente. As saídas de Jonas, João Félix e Salvio, trés jogadores excepcionais, a lesão de Florentino, a derrota frente ao FC Porto no Estádio da Luz, o desacerto dos seus goleadores-mas-pouco e o estado ainda ambulatório de Gabriel contribuem generosamente para o diagnóstico do estado do campeão.
É muita coisa junta mas a pior de todas foi mesmo o jogo com o FC Porto porque foi a partir daí que o Benfica desencarreirou. E sem Jonas fica tudo mais difícil.
No próximo sábado com o pontapé de saída marcado para as cinco em ponto da tarde há dérbi na Luz. É uma estreia absoluta. Será a primeira vez que as equipas femininas de futebol do Benfica e do Sporting se encontram oficialmente. A competição é a mais apetitosa, o campeonato da primeira divisão a que o Benfica ascendeu depois de, na temporada passada, ter arrancado com o seu projecto na divisão secundária. É verdade que já houve um Benfica-Sporting (ou vice-versa) este ano, pela primavera, quando Benfica e Sporting disponibilizaram as suas equipas femininas de futebol para um jogo solidário com as vítimas das cheias em Moçambique. Foi no Restelo esse primeiro dérbi não oficial e reunião 15.204 espectadores pagantes numa tarde de fim de Março. Esse recorde de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal não seria batido dois meses depois, em maio, por ocasião da final da Taça de Portugal que reuniu no Jamor as equipas do Benfica e do Valadares perante 12.632 espectadores. Um dérbi é um dérbi e leva tudo à frente. De hoje a oito dias se saberá se o o primeiro dérbi oficial vai bater o recorde de assistência que ainda está na posse do dérbi não oficial.. Vai-se saber isso e o resultado, o que também tem a sua importância. Ho, se tem.
Se o Sporting, tal como se lê nos jornais, comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CMVM) com o êxito da sua reestruturação financeira realizada é porque é verdade. Se não fosse verdade, estaria o Sporting a brincar com coisas sérias. E isso é que não.
Se Bruno Lage conta com o lateral-esquerdo Grimaldo para suprir a ausência de Rafa por motivo de saúde é porque não terá outras soluções à mão para o lugar do dito Rafa. Não se acredita."

Derby...

9.ª Supertaça

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
25-14, 25-18, 25-22

Rapha(10), Gaspar(9), Honoré(8), Zelão(7), Lopes(5), Violas(3), Théo(2), Japa(1), Pinheiro, Wohlfi, Guerreiro, Sinfrónio; Casas, Simões

Superioridade indiscutível... Depois do jogo da semana passada em Lamego, estava à espera de mais dificuldades, mas mesmo com alguns jogadores do plantel ainda longe da melhor forma, ganhámos folgadamente, mas ainda temos potencial para fazer melhor!!!
Muita 'ilusão' para aquilo que poderemos fazer esta época, principalmente na Europa...!!! Total confiança nesta secção...

Obrigação cumprida...

Halle-Goik 2 - 6 Benfica

Sabíamos que tínhamos que vencer por 3 para garantir o 1.º lugar, e entrámos muito fortes, não dando qualquer hipóteses ao adversário! Ao intervalo, o mais difícil estava conseguido... Mas podíamos ter aumentado a vantagem no 2.º tempo... evitando assim alguns calafrios no final!!! Mais uma vez, tal como o ano passado, grande apoio dos Benfiquistas na Bélgica...

Agora, vamos ver como corre o Sorteio! Com o azar que temos tido nestas ocasiões não me admirava que levássemos com algumas 'favas': Tyumen e El Pozo no Pote 2; Kairat no Pote 3; e o Pesaro no Pote 4 a evitar...

O Benfica não se tem candidatado a organizar estas Rondas de 'elite' tanto no Futsal como no Hóquei, se calhar era uma boa ideia tentar jogar na Luz esta Ronda de Elite!!!

Capote!!!

Barreirense 49 - 95 Benfica
8-21, 10-30, 18-22, 13-22

Mesmo com o Betinho sem sair do banco, sem o McGhee e ainda sem o Arnette, vitória fácil, construída na 1.ª parte, permitindo uma boa rotação, com vários 'titulares' a fazerem 'poucos' minutos!

sábado, 12 de outubro de 2019

Vitória em Belém...

Belenenses 26 - 30 Benfica
(13-11)

Valeu a 2.ª parte, com o Grilo a dar o mote da reviravolta...

Sete...

Estoril 0 - 7 Benfica

Neuhaus; Daiane (Amado, 59'), Infante, Rebelo, Yasmim (Alves, 72'); Faria (Vitória, 59'), Pauleta (Evy, 64'); Geyse, Cloé, Darlene; Nycole

Mais uma goleada (com alguns golos anulados pelo meio...!!!), na véspera do derby que irá ser realizado na Luz, no próximo sábado...

Quando os juízes não têm... juízo

"Para alguns juizes, o futebol é um mundo à parte que consente certo tipo de ilegalidades. Quais? Onde começa e acaba essa excepção?

Uma decisão de juízes do tribunal da Relação de Lisboa causou perplexidade: o caso é simples. Durante um jogo de futebol, um delegado insultou um treinador. Começou por lhe traçar como destino  mais explícito objecto fálico do corpo humano e ainda afirmou que o senhor a quem se dirigia não devia ter especial orgulho no comportamento mundano de sua mãe. O treinador sentiu-se ofendido e levou o caso a tribunal. O assunto chegou à Relação, que decidiu pela inexistência de qualquer ofensa. E apontou como razões o facto de «comportamentos reveladores de baixeza moral» serem tolerados no mundo do futebol e daqueles expressões, ditas no contexto do mundo do futebol, não se poderem considerar mais do que «a verbalização de palavras obscenas, sendo absolutamente incapazes de pôr em causa o carácter, o bom nome ou a reputação do visado». Já no que respeita ao carácter, ao bom nome e à reputação da mãe do visado, os juízes, aos costumes, disseram nada.

Não é a primeira vez que os tribunais decidem em função de uma curiosa excepcionalidade do mundo do futebol. Para alguns juízes, é um mundo à parte, onde, por exemplo, se podem consentir ofensas e todo o tipo de violência verbal. Não se sabe, mesmo, se consentem e toleram a prática de certas agressões. Ora, o que eu penso é que esses senhores juízes não estão no seu juízo perfeito. Pela mesma lógica, não terão qualquer argumento válido para criminalizar, por exemplo, a prática de apropriação indevida de valores, por parte de dirigentes de clubes, nas transferências de jogadores; ou, mesmo, a viciação de apostas desportivas. É o mundo do futebol, o mundo à parte, que consente a despenalização do que, fora do futebol, é penalizado e, por isso, um mundo de excepção consentida, com regras próprias, com leis especiais, com julgamentos à parte. Para já não falarmos do excelente contributo que estes juízes deram ao trabalho que muitos organismos e entidades desportivas têm vindo a desenvolver na defesa da ética e no exemplo que o desporto com ética e no exemplo que o desporto com ética e com valores pode trazer à mais sólida formação cultural e social dos jovens portugueses.

Assembleia do Sporting. Infelizmente sem surpresa, num ambiente hostil e tumultuoso, sem qualquer qualidade democrática. Não se percebe como depois de tudo o que se passou, Frederico Varandas veio dizer que o Sporting, como grande clube, com mais de noventa mil sócios pagantes, continuará a ter decisões democráticas. Que decisões? Que democracia? Dos noventa mil pagantes, apenas pouco mais de mil decidiram, em nome de todos, um instrumento fundamental para a continuidade do exercício da Direcção e desses poucos mais de mil, a maioria dos votantes manifestações contra Frederico Varandas e seus pares. Quanto ao resto da democracia que ainda poderia sobrar, tornou-se mais significativa quando Sousa Cintra foi impedido de exercer o seu legítimo direito de se expressar, num momento de suprema ingratidão e que se tornou numa mancha na história do Sporting, sem, apesar disso, ter aparentemente causado especial transtorno à actual gestão. E, já agora, é bom que o presidente perceba que, ao contrário do que disse, e em função do que se passou na assembleia, a pergunta daquele jornalista que, contra a tentação do seu próprio conforto, questionou sobre se Varandas pensa demitir-se, não é nada ridícula. Pelo contrário, a pergunta é mais pertinente. A resposta é que é insuficiência e menor.

Dentro da Área
Preciso ver para crer em Jesus
Jorge Jesus está a deixar o povo do Flamengo em delírio e a encantar todo o futebol brasileiro. é óptimo para Jesus e para o seu já rico currículo, mas também é óptimo para o futebol português e para o futebol brasileiro. Expliquemos melhor: não há muitos anos, o futebol português era, para o Brasil, o futebol da «bola quadrada». Agora já não há dúvidas de que, do lado de cá do Atlântico, a bola é redonda. E mais: é óptima para o futebol brasileiro que precisava de ver para acreditar. Ninguém, nem mesmo o futebol do Brasil consegue crescer sozinho.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Bruno Lage: em busca do meio-campo perdido

"Bruno Lage chega ao comando principal do Sport Lisboa e Benfica numa altura em que o futebol encarnado se encontrava apático e com uma total ausência de jogo interior. 
A equipa actuava num 4-3-3 clássico – quatro defesas, um meio-campo construído por três homens de características complementares, dois extremos bem abertos e um ponta de lança junto aos centrais adversários. Neste sistema actuava Fejsa como médio mais posicional e defensivo, Gedson como o médio mais vertical e responsável por ligar os sectores e por transportar a bola e Pizzi enquanto construtor de jogo – o homem da bola.
Bruno Lage, assim que chegou, optou por favorecer o talento explorando um 4-2-2 enquanto sistema mais liberto de amarras e dinâmico. Abdicou do médio defensivo mais posicional e deu vida a uma dupla de meio-campo responsável por dominar a zona. Além disso, lançou um segundo avançado que viria a funcionar como um “jogador total” – basicamente é o craque da equipa, o antigo ’10’ e o novo ‘9,5’. O jogador da mobilidade, da inteligência, do jogo interior e da criatividade. O jogador da técnica para construir, para combinar, para ler e para aparecer a finalizar. A dupla de médios construída por Samaris e Gabriel – sempre com a opção Florentino em aberto – oferecia à equipa maior poder de choque, mais capacidade de pressão alta e também mais qualidade na primeira fase de construção. Dois jogadores com qualidade para distribuir jogo e para explorar o espaço interior, local onde iriam aparecer os mais criativos da equipa.
Foi este o sistema que notabilizou Bruno Lage no comando técnico do Benfica. Contudo, no arranque desta nova época, parece que as saídas de Félix e Jonas – os craques maiores – criaram uma lacuna que o técnico ainda não conseguiu decidir como resolver.

Fica a questão: o que procura Bruno Lage do meio-campo da sua equipa?
A temporada 2019/20 já leva dois meses de competição e, até ao momento, já assistimos a quatro abordagens diferentes do actual treinador do SL Benfica.
Um 4-4-2 constituído por dois médios mais posicionais e dois pontas de lança a procurar mais as zonas de finalização. Aqui a lacuna foi óbvia: falta de criatividade na zona de construção e um total abandono do jogo interior – Gabriel (Florentino), Samaris (Florentino), RDT e Seferovic.
Um 4-4-2 constituído também por dois pontas de lança, mais de área, e um meio-campo entregue a uma dupla de menor choque, mas maior criatividade. Aqui, apesar da maior criatividade na zona de construção, a lacuna base manteve-se – pouca qualidade no jogo interior devido a distância dos sectores: Florentino (Samaris), Taarabt, RDT e Seferovic.
Um 4-4-2 formado por um ponta de lança, um médio posicionado no ataque e dois médios a preencher o meio-campo. Aqui foi o primeiro reconhecimento de Bruno Lage das lacunas apresentadas pelo futebol da equipa. Assim, abdicou de um dos pontas de lança, de maior presença em zonas de finalização, e colocou um médio de transição a jogar mais avançado no terreno. Com Taarabt já tinha maior criatividade na zona de construção e com este novo médio, Gedson, procurou providenciar maior capacidade de pressão alta à equipa e também presença para o jogo interior. Contudo, apesar de Gedson Fernandes trazer essa maior capacidade de pressão e presença interior, não oferece a criatividade necessária para tratar a bola nessa zona do terreno.
Por fim Bruno Lage apresentou a sua última opção no jogo da Rússia. Recuperou o meio-campo mais posicional original, Fejsa e Gabriel, e manteve em campo Taarabt. Era expectável que, através desta opção, seria utilizado o 4-4-2, onde Taarabt surgiria como o craque criativo das ligações de ataque, mas o que se viu foi um retorno ao 4-3-3. Vamos ignorar o facto de termos Fejsa a jogar lado a lado com outro médio – vocação que o sérvio não tem – e olhar para o posicionamento de Taarabt. O marroquino, em vez de jogar em frente aos médios, criando aproximações ao avançado e às zonas de finalização, jogou nas costas destes. Neste jogo, Taarabt continuou como o responsável pela primeira fase de construção e, assim, a sua criatividade e talento mantiveram-se longe das zonas de decisão. A consequência voltou a ser a total inexistência da exploração do jogo interior, pelo simples facto de não existir um jogador a procurar o espaço “entre-linhas”.
Assim, repito: o que procura Bruno Lage do meio-campo da sua equipa? O futebol anteriormente praticado surgia das ideias e trabalho técnico ou da simples existência de dois craques no plantel?
A saída de Jonas e João Félix não foram acauteladas por responsabilidade técnica ou directiva? Será que a lesão do suplente, e recém-chegado, Chiquinho pode explicar tudo?
Ou será que Bruno Lage realmente quer optar por um sistema mais aberto nas alas, na procura da linha de fundo e com maior presença posicional nas zonas de finalização? Se assim for, é inexplicável a utilização de Pizzi à direita, o desaparecimento de Cervi, a pouca utilização de Caio Lucas e a venda de Salvio.
O que procuras, Bruno? É que o treinador do Sport Lisboa e Benfica nunca pode ter dúvidas no assumir das suas ideias para o futebol da equipa."

Pedro, o Cartilheiro interesseiro!

Benfiquismo (MCCCXX)

Correrias!!!

Uma Semana do Melhor... com Rock & Roll !!!

Jogo Limpo... Seara, António & Guerra

Os riscos de plantéis demasiado curtos

"O que se ganha em competitividade e motivação pode perder-se na profundidade de soluções ao dispor

Tanto tempo sem poder ver o Benfica jogar faz-nos parecer aqueles períodos de convalescença, em que pais ou avós nos obrigam a comer comida sem sal, chá e torradas.
Alimenta, pode até ser melhor para a saúde, mas não é a mesma coisa.
Venham de lá uns joguinhos do Benfica nem que seja para a Taça de Portugal, para dar algum sabor desportivo à época e repor os níveis de Benfiquismo nos parâmetros habituais.
Florentino parece recuperar bem, veremos quando regressa e sobretudo como regressa o nosso médio defensivo. André Almeida preocupa e as notícias são de tempo ainda considerável de paragem.
Notícias dão Vinícius e RdT como dupla a testar frente ao Cova da Piedade, mas logo as manchetes são: 37 milhões na frente da Taça.
Seja, desde que venha a Taça no Jamor temos paciência e sentido de humor para tudo.
Este início de temporada foi terrível, lesões atrás de lesões, algumas delas bem demoradas, o que nos faz pensar nos ricos de plantéis demasiado curtos.
O que se ganha em competitividade e motivação pode perder-se na profundidade de soluções ao dispor.
Esta paragem tem o sabor amargo de ter sido efectuada sob o efeito de uma derrota em terras dos Czares, é sempre melhor desfrutar destes tempos depois de uma boa vitória.
O tempo económico e financeiro dos maiores clubes parece não ser todo igual.
Enquanto no Benfica se estuda o mercado para escolher quem devemos comprar, noutras paragens pode-se ao mercado o obséquio de poder vender alguma coisa.
Também nas nossa vidas costuma ser mais agradável a fase de escolher coisas que queremos comprar do que ter que andar a procura de vender bens para solver compromissos.
Esta situação traz responsabilidade acrescida ao Benfica, estar melhor económico e financeiramente 'obriga' a ter melhor desempenho desportivo. Isso esperam os analistas e isso exigem os adeptos.
Jorge Jesus mostra (não era preciso) no Brasil ser um excelente treinador. O Flamengo é um clube grande mas Jorge Jesus quer dele fazer um clube vencedor, que são coisas bem diferentes.
É bom ver treinadores portugueses (e jogadores) a ter sucesso em várias paragens do mundo, é mau ver quão mesquinhos são alguns comentários incapazes de se alegrar com o sucesso alheio."

Sílvio Cevan, in A Bola

Benfica europeu

"Sou céptico quanto às reais possibilidades de o Benfica voltar a ser campeão europeu. As disparidades na capacidade de captação de receitas e, por conseguinte, de investimento, face aos chamados 'tubarões' europeus, são gritantes.
No entanto, a resignação perante as adversidades nunca poderá ser a solução num clube como o Benfica, pelo que a enunciação de objectivos ultra-ambiciosos, ou até a evocação de um sonho, não obstante a complicada gestão de expectativas daí advinda, são positivas pois oferecem-nos um destino potencial para o qual se tem de tentar construir um caminho e percorrê-lo. Dito de uma forma mais simples: criar as bases para um Benfica europeu, nunca hipotecando a sustentabilidade económico-financeira do clube, significará que, mesmo que nunca cumpramos o desígnio original, estaremos mais próximos de vingarmos no plano nacional. E este, como sabemos, é que nunca poderá falhar.
Dito isto, subscrevo na íntegra, considerando mesmo como sendo a única opção plausível, a estratégia definida para fazer o Benfica regressar à presença constante em fases avançadas da Liga dos Campeões: Saúde financeira; Forte aposta na formação; Investimento agressivo na retenção de talento; Apetrechamento do plantel com atletas para as posições que o Benfica Futebol Campus não consiga, em determinado momento, fornecer. Estou ciente de que as dificuldades para mantermos os jogadores no plantel subsistirão no futuro, nomeadamente em temporadas bem-sucedidas, que se esperam muitas.
Mas hoje não duvido de que podemos gerir melhor as saídas, prevalecendo os interesses desportivos ao invés da necessidade de equilíbrio das contas ou da incapacidade para acompanhar minimamente as ofertas salariais."

João Tomaz, in O Benfica

A Terra não é plana

"Se um mentecapto repetir até à exaustão que a Terra é plana, é difícil que convença alguém pelo cansaço. Mas pode sempre tentar. Se, no entanto, esse mentecapto foi chico-esperto e tiver atrás de si um canal de televisão, uma empresa de comunicação e uma carteira bem recheada, já a mensagem corre o risco de passar de forma mais convincente. E atingir franjas da sociedade desiludidas com a verdade, gente que prefere ver inimigos imaginários em cada esquina. É assim no futebol, como temos percebido ao longo dos últimos anos com directores de comunicação desesperados por protagonismo e por serem eleitos funcionários do mês. É assim na política, como pudemos confirmar nas recentes eleições legislativas, com os candidatos extremistas a fingir que querem romper com o sistema quando, afinal, só querem lucrar com ele. A Terra não é plana. Os imigrantes não são a causa de todos os problemas dos portugueses. O lugar de corruptos não é no futebol. Uma mentira não passa a ser verdade só porque deu na televisão, porque saiu na net ou porque foi proferida por alguém vestido com fato e gravata.
Perante a mentira, temos uma opção clara: informar-nos e rebater. Gente que propaga a falsidade é facilmente vencida com o conhecimento, com a ciência, com a história ou com o sempre funcional desprezo, quando tudo o resto falhar. É assim com o terraplanistas, com os xenófobos ou com os antibenfiquistas primários."

Ricardo Santos, in O Benfica

Europa, malmequer

"Podemos olhar para o percurso do Benfica na Champions dos últimos anos de formas distintas. Vendo o copo meio vazio, que sublinha as 12 derrotas em 15 jogos da fase de grupos. Ou vendo o copo meio cheio, que, subtraindo a participação de 2017-18 (essa, sim, verdadeiramente desastrosa), lembra os quartos de 2015-16 (excelente), os oitavos de 2016-17 (positivo) e o 3.º lugar com 7 pontos atrás de Bayern e Ajax na última temporada (longe de envergonhar), concluindo que, em três destes quatro anos, os encarnados em nada comprometeram o seu prestígio internacional.
Os zero pontos de há duas épocas continuam, porém, a pesar na consciência benfiquista. São um fardo do qual ainda não nos libertámos, que arrasa estatísticas e percepções.
É preciso também lembrar que, se o Benfica escreveu nesta prova algumas das páginas mais cintilantes do seu historial, ela muitas vezes nos foi madrasta. Finais em campos adversários, lesões graves antes e durante finais, derrotas por penáltis e até eliminações por moeda ao ar. Seja o fantasma Guttmann ou qualquer outra coisa, há todo um lastro de falta de sorte na competição. Tenho para mim que no passado mais recente também temos pagado o preço de um modelo de jogo marcadamente ofensivo - que pode ser esmagador entre portas, mas lá fora deixa a equipa exposta e adversários fortes e por vezes cínicos. Isso explica também os resultados do nosso rival nortenho, cuja aposta no rigor defensivo, em em forte componente atlética, rende pontos numa Europa que não 'gosta' de laterais demasiado atacantes, de meio-campos macios, ou de extremos pouco dados a defender."

Luís Fialho, in O Benfica

Venha a sexta!

"Mais um fim de semana e mais uma conquista importante. Agora o hóquei em patins. A nossa extraordinária equipa sénior feminina provou, mais uma vez, que é imbatível e somou a 7.ª Supertaça. Foi em Coimbra, no passado sábado, onde passeou toda a sua classe frente ao histórico CACO. Lideradas pela capitã Marlene Sousa, as nossas papoilas saltitantes conquistaram o 29.º título. Com mais este triunfo, o sétimo consecutivo na Supertaça, Paulo Almeida provou toda a sua competência. Na hora da consagração, o discurso foi empolgante. Quando Paulo Almeida afirma que aprendeu no SL Benfica que o 2.º lugar é o primeiro dos últimos, ele tem toda a razão. Continuamos a viver a melhor década da história do SL Benfica, e confesso que me faz confusão alguns benfiquistas comportam-se como se  estivéssemos a atravessar uma crise. Nesta época, disputámos cinco Supertaças e vencemos todas. Foi o que aconteceu no futebol sénior, quer masculino, quer feminino. 
Foi assim com a nossa notável equipa feminina de polo aquático, liderada por António Machado, que em Felgueiras provou ser a melhor do país. A prova da categoria desta nossa equipa é a convocatória de cinco atletas nossas para a selecção nacional que amanhã recebe, no Jamor, a Croácia, no primeiro jogo do playoff de apuramento para o Europeu de Budapeste, em 2020. Beatriz Jardim, Madalena Lousa, Maria Machado, Maria Sande Sampaio e Inês Nunes são grandes jogadoras em que o seleccionador, Miguel Pires, confia.
Amanhã, será a vez de a nossa equipa masculina de voleibol defrontar, em Almada, a Fonte do Bastardo. Ou seja, poderemos fazer o pleno - seis Supertaças disputadas e seis conquistadas."

Pedro Guerra, in O Benfica

What a Family


"'FIM Family': é assim que, 9 anos volvidos da sua criação, o Football os More Foundation designa a comunidade dos seus membros, tal é o nível de compromisso, amizade e cooperação entre as fundações dos grandes do futebol, na Europa e no mundo. A Fundação Benfica está lá, pertencendo orgulhosamente a esta família que nos une a fundações como as do Real Madrid, Chelsea, PSG, Liverpool,Werder Bremen, La Liga e tantas outras que a FIM Foundation reúne em comunidade com o apoio entusiástico do príncipe do Liechtenstein e de uma equipa fortemente empenhada em identificar e espalhar as melhores práticas da responsabilidade social do futebol. A cada dois anos, a atribuição dos Role Model Awards é um momento alto e memorável que vai construindo a história do movimento fundacional do futebol mundial, primeiro com a atribuição do galardão à Fundação Real Madrid e, daí por diante, Fundação Benfica, Fundação Chelsea e Fundação PSG. Desta vez foi distinguido o trabalho social extraordinário do Rangers. De entre as várias distinções, destacam-se dois projectos extraordinários. Um deles é o trabalho da US Soccer Foundation, que está a construir 1000 campos de futebol comunitário nas zonas urbanas mais pobres dos Estados Unidos, onde chegarão a 1 milhão de jovens praticantes (soccer, não americano) em 2026, dando expressão a uma onda de popularidade emergente do nosso futebol que tem já 4 milhões de praticantes naquele país. Um outro, ainda mais impressionante, foi atribuído a Hamilton Nyanga um ex-rapaz das lixeiras de Nairóbi foi convocado em 2007 para a selecção de futebol de rua do Quénia. Ficaram em segundo, e ele recebeu 1000 USD que não gastou e com eles começou uma ONG. Hoje cada dólar resultou numa criança a frequentar a escola, e já há alunos universitários e empregados em várias profissões. Este homem é uma inspiração premiada hoje pelo mundo do futebol em Brunnen e um orgulho para todos nós!
É o futebol a chegar aos jovens de todo o mundo, mudando-o para melhor. Mas é também o futebol a chegar mais longe na vida dos europeus, mais ricos e envelhecidos que quaisquer outros no mundo, com a Fundação Benfica a apresentar os resultados do projecto Walking Football e envolvendo toda a família Football is More numa demonstração e torneio informal abençoado pela chuva gélida e pelo moral intrépido dos participantes, que, agradados pelo jogo, dispararam a pedir-nos os métodos e manuais de treino deste futebol surpreendente, prometendo espalhá-lo pela Europa e levando, pela mão da Fundação Benfica, esta inovação para dentro de alguns dos maiores clubes europeus."


Jorge Miranda, in O Benfica

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

De todos se faz um. E único

"Há quem afirme agora por aí e a pés juntos que, no nosso Clube, o Futebol está em crise. A juízes desses se dedicam, como já é costume há muitos, muitos anos, os ignorantes adversários do Benfica que sempre nos cobiçaram a história, a cultura e, sobretudo, as evidências. A novidade é que, com esses, também alinham alguns de nós, menos expertos, menos informados e menos atentos, mas não menos cobiçosos, pretensiosos e imprudentes. Alguns de nós, que desprevenidamente preferem alinhar no coro das teorias daquele radicalismo fracturante e destrutivo, em vez de se pouparem à indignidade de atacar sistematicamente tudo o que, afinal, lhes podia servir de exemplo e de argumento para melhor defenderem o Glorioso em todas as frentes externas, como seria de supor. Num Clube tão abrangente e tão diverso que, de todos, se faz um e único, todas as ideias podem ser aproveitadas, se, em primeiro lugar, a urbanidade e a civilidade forem a base essencial nas interpretações que todos temos o direito de fazer. Mas também não há dúvida nenhuma de que, se, a cada momento, nos faltar a capacidade de cada um observar friamente a realidade dos factos e as circunstâncias em que eles se vão produzindo na vida do Benfica, também estaremos a contribuir mais depressa para a desconstrução e a derrota do que para as vitórias consecutivas que vamos tendo pela frente como o mais desejado e viável de todos os objectivos.
Diz-nos, ensina-nos, a história do nosso Benfica que as vitórias sempre foram, em todas as circunstâncias e à medida dos Presentes que se sucediam, a consequência maior em todos os nossos Futuros. Mas, naquela altura, mesmo para Cosme Damião e os seus Amigos Visionários terá sido certamente muito difícil imaginar, a partir da sua simples ideia conjuntiva, que hoje o Grande Benfica disporia desta impressionante dimensão universal, afinal, por eles legada como esteio e deles aprendida como rumo: o trabalho competente e persistente garante as vitórias que temos por vencer.
Por muito que aos nossos adversários (mais distantes, ou mais próximos...) isso aborreça, agora, três ou quatro vezes por ano, todos os anos, vêm sistematicamente de fora seis sujeitos independentes ter com os clubes para tratar da vidinha deles... Revestidos de funções de selecção pela Federação de Futebol, os seis independentes vêm chamar expressamente, para as Selecções AA, Sub-21, Sub-20, Sub-19, Sub-17 e Sub-15, os melhores jogadores em actividade nos clubes, para os ajudarem a ganhar os jogos que as equipas nacionais têm de disputar sob as suas respectivas orientações.
De um modo geral, só se estivessem completamente doidos é que os seis independentes não se preocupariam em seleccionar os melhores jogadores em actividade, já que inexoravelmente haveriam de pagar com as cabeças a sua ousadia, ou as suas más escolhas... Ora, este processo - que a presente edição de O Benfica analisa nos seus devidos termos - acaba por ser o mais evidente desmentido cabal daquelas tais 'descompensações' de que vão berrando os nossos inimigos, e de que se queixam também alguns dos nossos consócios mais desprevenidos..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Interesse conjunto

"Uma competição desportiva, seja profissional ou não, tem um conjunto de interesses comuns para que possa ter um nível competitivo superior. Um dos objectivos é que essa mesma competição seja equilibrada, que o resultado de qualquer dos jogos seja o mais imprevisível, mas também que os seus participantes tenham condições para atingirem posições de sucesso quando em confronto com equipas de outros campeonatos. Calendarizar significa programar, agendar. Fixar um conjunto de datas no calendário para a realização dos eventos. Contudo, existem condicionantes para a elaboração de qualquer calendário. No desporto não é diferente. As opções devem ser tomadas para salvaguardar, entre outras, as duas razões apontadas anteriormente. A valorização das competições passa, em grande parte, por se conseguir perceber a importância que cada uma delas tem, e o espaço que deve ocupar. A dimensão e o formato de cada uma delas, nacionais e internacionais, condicionam as decisões. Existe uma hierarquia, que nem sempre é entendida da mesma forma por todos os agentes, o que implica um agendamento diferente em momentos idênticos. Por outro lado, as competições têm sucesso com intervenientes de qualidade, em condições igualmente de qualidade. A salvaguarda dos jogadores, os mais importantes elementos no jogo, tem sido muitas vezes descurada. Contudo, nestes últimos anos, e também por força de muitos estudos sobre esta temática, as organizações gestoras das competições têm vindo a chamar a atenção para o cuidado na recuperação entre momentos competitivos. O risco de lesão aumenta, como é facilmente entendível, quando temos intervalos curtos entre os jogos.
Como as equipas, e as competições, precisam de ter disponíveis os melhores, são eles o centro das atenções para o jogo, ou seja, existe um interesse comum entre todos os participantes. Terá que ser possível um entendimento alargado."

José Couceiro, in A Bola

Cadomblé do Vata (Lagartices...)

"Desde que nasci que o Meu Clube era o SL Benfica. A partir de ontem, o Meu Clube passou a ser o Sporting CP. Pago impostos; os meus impostos pagam o buraco do Novo Banco; o Novo Banco paga o buraco do Sporting CP, logo, aquela merda é minha. Sporting CP é agora Sporting Clube do Pedro. Aqueles leões de duas bossas que andam sempre com o E-Toupeira na boca, como se andassem a fazer sexo oral permanente, agora não têm nada a dizer acerca da batota de viver com o dinheiro dos contribuintes e de jogarem com atletas que só pagam depois do desgraçado que está a arder com o dinheiro da transferência, pedir a insolvência da Vila Miséria de Alvalade.
O silêncio daquela cáfila só prova que são o clube das elites e dos enfezados que não falam de boca cheia. Isso ou têm a boca tão rebentada do escorbuto originado pela falta de vitamina T (de títulos), que até vergonha têm de abrir aquelas matracas fedorentas. Fazem lembrar as outras meretrizes nortenhas que com eles dividem cama, que andam há anos a lutar por títulos, em absoluto incumprimento das regras financeiras, conforme descoberto pela rapaziada da UEFA. Tudo gente séria na Casa às Riscas.
Uma vez que a agremiação dos Viscondes agora me pertence e visto eu ter sido habituado pela minha antiga filiação Gloriosa a Clubes a sério, vou aproveitar as minhas primeiras horas como Dono Daquilo Tudo, para informar os consócios e/ou contribuintes fiscais das alterações a fazer no imediato, a fim de evitar a descida de divisão deste protótipo de clube:
1. Demolir o Estádio de Alvalade - vamos ser sérios: qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que aquilo é feio que dói. Os únicos que acham o edifício lindo, são os portadores de bilhetes para os lugares atrás dos ecrãs gigantes. De certeza que o esboço disto foi feito aos solavancos nas costas da menina da Kookai. É mandar abaixo e aproveitar a relva seca para alimentar 3 manadas de elefantes africanos.
2. Demitir Frederico Varandas - não sou nenhum Sousa Cintra nem pertenço à Juve Leo. Portanto, não coloco em causa a capacidade do homem para gerir o Meu Clube. Simplesmente, neste lado da Segunda Circular chegamos a um ponto em que um médico já nada pode fazer. Ou se elege um padre para dar a extrema unção nisto, ou esperam-se 2 meses e mete-se um médico legista no poleiro. Por enquanto voto Melícias.
3. Mudar cor e emblema - ninguém no seu perfeito juízo consegue sair à rua com uma camisola às riscas verdes e brancas. Está tudo errado naquilo, inclusive o leão ao peito. Parecem pólos da Lacoste contrabandeados da China para vender na feira com marca "Leãocoste". Assim, o Sporting Clube do Pedro vai equipar: de amarelo, em homenagem aos bananas do Sporting Clube de Portugal que nem com perdões milionários conseguem discutir títulos; aos quadradinhos, que é como esta gente que faz acordos de 100 milhões de euros de perdão devia ver o sol; o símbolo vai ser um dodô, porque uma ave extinta é o que melhor exemplifica um clube de totós extinto.
4. Acabar com a Juve Leo - metade deles já estão no xilindró. A outra metade desaparece quando a "Casinha" for abaixo juntamente com a restante estrutura em betão armado e azulejo que a suporta. Têm duas horas para sacar de lá a droga toda que conseguirem, mas não vale a pena levarem material alusivo ao Sporting, porque se tiverem estado atentos ao que escrevi anteriormente, já mudamos de cor, de camisolas e de símbolo.
5. Reclamar 22 títulos de Campeão - já diz o provérbio "em Roma sê romano". Neste caso, "em Alvalade sê idiota". Sendo eu todo bisgarolho das vistas, facilmente me enfio no armazém da quinquilharia a que chamam museu e sem maldade conto 22 taças onde só estiverem 18. Aliás, se baixarem a luminosidade, a coisa só lá vai pelo tacto e ainda este ano meto-nos a lutar pelo 42º no futebol e pelos 15 milhões no somatório de todas as modalidades."

Voleibol 2019/2020 - Antevisão

"O voleibol é das últimas modalidades do Benfica que irá iniciar a sua época oficial. A época da equipa encarnada irá iniciar no próximo sábado, dia 12 de Outubro, com a disputa da Supertaça contra a equipa da AJ Fonte Bastardo às 17h em Almada. O Campeonato seguinte terá início no fim-de-semana seguinte com o Benfica a receber o SC Espinho na primeira jornada.
A temporada de estreia de Marcel Matz ao serviço do Benfica dificilmente poderia ter corrido melhor, que só não foi perfeita devido a mais uma eliminação nos quartos-de-final da Taça Challenge. Depois de uma época que superou as expectativas, a estrutura da modalidade rapidamente se assegurou d segurar os jogadores mais influentes da equipa.
Hugo Gaspar, Peter Wohlfahrtstatter, Théo Lopes, Rapha, Zelão, André Lopes e Marc Honoré renovaram contrato, ficando assim assegurada a espinha dorsal da equipa. As primeiras saídas a serem anunciadas foram a dos pontas Frederic Winters e Bernardo Martins, sendo que a saída do português se deveu a razões pessoais. Mais tarde foi anunciada a saída do central Filip Cveticanin, que irá abraçar um desafio no voleibol grego. Uma saída que na minha opinião é lógica, visto que tendo em conta a sua juventude e potencial, certamente não iria querer a continuar a ser quarta opção no plantel.
Para ocupar as vagas foi anunciado um regresso ao clube: o atacante Afonso Guerreiro, que representou o Benfica entre 2011 e 2013 e que regressa aos 24 anos, após passagens pelo Fonte Bastardo, Castelo da Maia e SC Espinho. Pode jogar a zona 4 e a oposto, o que ajuda a precaver as idades avançadas de Hugo Gaspar e Théo Lopes.
A outra contratação foi a do ponta brasileiro André Aleixo, mais conhecido por Japa. Este zona 4 de 28 anos conta com 2 campeonatos brasileiros no currículo, tendo representado alguns dos principais clubes do país, tais como o Funvic Taubaté, o SESI SP e o SESC RJ. Pode também jogar na posição de líbero.
Esta temporada também fica marcada por um passo importante no voleibol encarnado: a participação na CEV Champions League. Ao contrário do que se verificou nas épocas anteriores, em que a equipa abdicava de participar em competições de nível mais elevado para apostar forte na Taça Challenge, nesta época decidiram dar um passo mais ambicioso, participando nas pré-eliminatória de acesso à Fase de Grupos da Champions.
Na minha opinião, esta participação na Champions deve-se a dois motivos: primeiro, porque uma participação na competição irá aumentar a reputação do voleibol do Benfica, podendo atrair outros patrocinadores e jogadores de maior qualidade.
O segundo motivo tem a ver com a competitividade. A Taça Challenge era a terceira competição europeia na modalidade e como tal, é aquela com adversários mais acessíveis, mas tem sempre 3/4 equipas de maior calibre, com as quais o Benfica acabava por se encontrar mais cedo mais tarde e acabava por ser eliminado da competição. Nas cinco edições da Challenge em que o Benfica participou, em quatro delas foi eliminado pela equipa que viria a ganhar a competição e na outra foi eliminada pelo finalista vencido.
No entanto, esta quebra não se deve apenas à maior profundidade e qualidade individual das equipas adversárias. Também se deve ao facto destas equipas estarem inseridas num patamar competitivo mais elevado. Como o nosso campeonato tem poucos jogos competitivos, a nossa equipa acaba por se ressentir desse défice quando defronta adversários com maior traquejo.
Portanto, creio que esta participação servirá acima de tudo para aprender e ganhar maior tarimba competitiva, de modo a que numa futura participação na Challenge, possamos ser reais candidatos a conquistar o troféu.
Na primeira pré-eliminatória, a equipa do Benfica irá defrontar os bósnios do Mladost Brcko. Caso se apure para a segunda pré-eliminatória, irá defrontar o OK Budva do Montenegro. Em caso de apuramento para a terceira pré-eliminatória, o Benfica terá três adversários possíveis: o Mladost Zagreb (Croácia), o IBB Polonia London (Inglaterra) e o SK Zodruqa (Áustria).
Na minha opinião, o facto de terem conseguido fugir do Vojvodina Novi Sad foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao Benfica. A equipa sérvia que nos derrotou na final da Taça Challenge em 14/15 é de longe, a equipa mais cotada a participar nestas pré-eliminatórias. Apesar de não conhecer nada sobre os nossos possíveis adversários, há um factor que me faz acreditar que a passagem para a fase de grupos, que é o facto de todos os nossos possíveis adversários serem de países que estão atrás de Portugal no ranking da CEV. Em caso de eliminação nalguma das pré-eliminatórias, a equipa do Benfica será relegada para a Taça CEV.
Entre os nossos adversários directos no campeonato, o Sporting CP passou por um período de instabilidade a nível estrutural. A mudança da sede da modalidade de Cinfães para Lisboa fez com que vários dos elementos nacionais da equipa deixassem o clube, visto que não queriam deixar a vida que tinham no norte do país para se mudarem para a capital.
O treinador Hugo Silva abandonaria o clube, sendo substituído por Gersinho, um jovem treinador brasileiro de 43 anos que vem do Corinthians. De saída, também estiveram os portugueses Hugo Ribeiro, Roberto Reis, Fabrício Silva e João Simões; e os estrangeiros Guillem Pérez, Lionel Marshall, Wallace Martins, Marko Bojic e Jordan Richards.
Em relação às caras notas, o Sporting contratou o líbero Gil Meireles e dois jogadores ao Fonte Bastardo: o distribuidor Francisco Pombeiro e o ponta Renan Purificação. Ao SC Espinho contratou o oposto brasileiro Rodrigo Pernanbuco e fez regressar o zona 4 Lourenço Martins após um ano emprestado ao clube vareiro. Pela mão do treinador Gersinho, o Sporting contratou ainda dois jogadores brasileiros vindos de fora: o central Athos Costa e o ponta Thiago Sens.
Sinceramente, não sei muito bem o que esperar desta equipa do Sporting. Por um lado, contratou um treinador com a mesma escola e o mesmo perfil de Marcel Matz; por outro lado, desinvestiu fortemente no plantel.
A equipa açoriana do Fonte Bastardo, que será a nossa adversária na Supertaça, também promete ser um osso bem duro de roer. Apesar de ter perdido alguns jogadores influentes, tais como Renan Purificação, Kevin Rakestraw e Vitaly Shukinin, a equipa reforçou-se com vários jogadores que prometem acrescentar qualidade ao plantel, tal como o distribuidor José Neves, o central cubano Sirianis Hernandez, os franceses Valentin Bouleau (distribuidor) e Lionel Coloras (oposto) e os brasileiros Alan Domingos (líbero) e Anthony Gonçalves (zona 4). Certamente, o Fonte Bastardo terá mais uma equipa competitiva e bem orientada por João Coelho.
Já o SC Espinho, que será o nosso primeiro adversário no campeonato, também reforçou-se com alguns jogadores de qualidade e promete morder os calcanhares aos candidatos ao título, fazendo regressar o central Kibinho e o ponta João Simões. Contratou também o zona 4 João Oliveira, que já representou o Benfica, bem como o oposto Bruno Cunha, que representou a selecção nacional na Liga das Nações e no Campeonato da Europa.
A pré-temporada do Benfica ficou marcada pelas conquistas do Torneio Particular no Pavilhão da Luz e do Torneio das Vindimas. Competência é coisa que não falta a esta secção e eu acredito seriamente que Marcel Matz e companhia terminem a época com mais razões para sorrir.
Plantel 2019/2020:
Nº 1 - Rapha Oliveira
Nº 3 - André Lopes
Nº 4 - Peter Wohlfahrtstatter
Nº 5 - Manuel Rodrigues
Nº 6 - Kelton Tavares
Nº 7 - Ivo Casas
Nº 8 - Hugo Gaspar (capitão)
Nº 9 - Marc Honoré
Nº 10 - Afonso Guerreiro
Nº 11 - Théo Lopes
Nº 14 - Miguel Sinfrónio
Nº 16 - Zelão
Nº 17 - Tiago Violas
Nº 18 - Japa
Nº 20 - Nuno Pinheiro
Nº 22 - João Simões"