Últimas indefectivações

sábado, 15 de dezembro de 2018

Excelente...

Benfica B 3 - 0 Oliveirense


Grande jogo do Benfica. Completo, a defender a atacar, nas transições, na pressão alta... mesmo no final, quando tudo estava decidido. Contra um adversário com qualidade e muita experiência... e ainda 'contra' o habitual festival do apitadeiro!!!

Demasiada emoção !!!

ISMAI 29 - 30 Benfica
(16-16)

Estávamos avisados, os Lagartos perderam neste Pavilhão, portanto as dificuldades não foram surpresa para ninguém... E se não tivesse sido o Nyokas a 'atinar'...!!!

Vitória sobre patins...

Benfica 5 - 1 Turquel

O 1-0 ao intervalo, indica que não foi fácil... mas no 2.º tempo, as bolas começaram a entrar....

Centena ultrapassada...

Benfica 101 - 78 Ovarense
32-21, 22-22, 26-20, 21-15

Até começamos mal, com a Ovarense a fazer pressão nas transições... mas rapidamente, 'encaixamos' a estratégia adversária, e partir daí o jogo esteve sempre controlado.

Destaque para a estreia oficial do Xavier Rey na Liga, que está claramente com falta de ritmo... para o regresso também do Suarez após lesão 'curta'... E ainda, para as excelentes indicações do Cantero, que após dois jogos, parece que podemos estar descansados: temos reforço!

Vitória em Espinho...

AA Espinho 0 - 3 Benfica
13-25, 10-25, 26-28

Théo(17), Lopes(8), Flip(8), Rapha(6), Violas(6), Wolfhi(5), Honoré(3), Martins(1), Winters, Pinheiro; Casas

Vitória esperada, com um 'estranho' 3.º Set...

Mais uma...

Benfica 19 - 0 Vidreiros
Maiara(3), Alice, Jassie(5), Darlene, Daiane, Llanos(3), Faria, Geyse


Mais uma goleada, com a nossa baliza fechada...!!!

Vitória na Feira...

Feirense 0 - 2 Benfica


Jogo feio, com o terreno pesado... mas a conseguirmos chegar à vantagem na recta final, nas bolas paradas...

Formação...

"A aposta numa equipa de sub 23, mantendo uma equipa B nas competições profissionais foi uma das melhores e mais esclarecidas ideias de gestão desportiva e de talentos no Benfica. A forma como se faz o interface entre as duas equipas e em conjunto isso permite manter em actividade e em evolução uma quantidade inigualável de talentos é, sem dúvida, uma exuberante demonstração de que em Portugal o Benfica se encontra dois passos à frente dos seus maiores rivais. É neste contexto que se enquadra a aposta no Seixal e no seu alargamento. O futuro vai proporcionar melhores condições e cada vez mais talento. Como se comprovará, brevemente, o Benfica terá um centro de treinos e alto rendimento ao nível dos melhores do mundo. Evidentemente que num clube como o Benfica isso não substitui os títulos que são e serão sempre uma exigência, mas prepara o clube para criar melhores condições para os conquistar. Assim todos percebam a imparável dinâmica que está a ser criada e que, tarde ou cedo, o futebol português consiga ser merecedor da excelência que se está a construir no Caixa Futebol Campus. É que entre a realidade construída no Seixal e os hábitos sórdidos do futebol profissional em Portugal existe um mundo de diferenças e de comportamentos. O Benfica cumpriu a sua função de se adaptar ao futuro. Veremos se o futebol português e as suas entidades reguladoras se conseguem reformar e estar ao nível das transformações que se anunciam no Caixa Futebol Campus e consequentemente no maior e mais relevante clube português."

Modric, um tipo fiável

"Quando a câmara nos serve um 'close-up', deixa algo muito claro: para Modric o futebol é uma coisa séria. Que se premeie um jogador em vez de uma equipa define estes tempos

Driblando um drama
O River - Boca passou por Madrid e, no dia seguinte, a cidade parecia a mesma e os perdedores não passaram pela guilhotina. Um desperdício de apocalipse. Jogou-se com todas as prevenções tácticas que o medo aconselha, com a tensão inevitável de uma espera louca e numa velocidade acima da permitida, com a bola sempre discutida nas fronteiras do regulamento... Jogo imprevisível, com a ajuda do épico, do emocionante. No meio da batalha, Gallardo colocou Quintero, que se limitou a jogar com naturalidade. A um jogador talentoso e travesso bastou um desalinho para eliminar um rival, a táctica defensiva, o stress, o medo... Desde Garrincha, o dribaldor que tem sido o bobo essencial da corte do grande futebol. Ele ri-se da seriedade com que estamos a condenar este desporto e, se te descuidas, ganha um dramática final continental.

Heróis inesperados
O futebol e os seus paradoxos. Quintero, que tem tendência a ganhar peso, e Dembelé, que teima em não conseguir orientar a sua vida, fizeram-se perdoar graças a um talento singular. Um jogo pode começar por ser desastroso, continuar preso, chegar a um plateau chato e terminar de forma explosiva pela inspiração de um escolhido: Quintero, no River - Boca. Os prodígios aparecem sempre no momento menos esperado. Dembelé, contra o Tottenham, entrou em campo perseguido pelas polémicas e, na sua primeira intervenção, driblou por todos os meios conhecidos quem se cruzou no seu caminho (mudança de velocidade e de direcção, travão e engano, imaginação e técnica) e o campo inteiro foi-lhe entregue num interminável grito de golo. Gosto de acreditar que não é apenas na literatura clássica que a sorte se apaixona pelos heróis. Também no futebol, esse simulador exagerado da vida.

Não sei se me entendem
No grande Milan de Arrigo Sacchi jogavam fenómenos de categoria de Baresi, Maldini, Van Basten, Gullit e Rijkaard e, entre eles, corria como um ardina Angelo Colombo. Uma fraqueza do treinador que não se discute, porque todos os treinadores têm um Colombo ou, o que é o mesmo, uma fraqueza difícil de explicar. Berlusconi, que era um esteta do futebol, tinha-se tornado fã deste profissional gregário. Mas chegou o dia em que Arrigo Sacchi decidiu que Colombo tinha terminado o seu ciclo. «Porquê cedê-lo?», perguntou Berlusconi, «se ganhámos tudo com ele». A resposta é dada pro Arrigo Sacchi no seu livro 'Futebol Total'. «Há três dias que lhe ligo e responde-me o mordomo filipino. Presidente, se Colombo tem um mordomo, é o fim». Lembrei-me da anedota quando vi que Mariano apareceu em Valdebebas com um Rolls-Royce.

Um senhor jogador
Modric é outra coisa. Um daqueles jogadores que pensam e sentem o futebol com uma pureza amadora e que chegam à Bola de Ouro devido a um profissionalismo exemplar. Quando a câmara nos serve um close-up, deixa algo muito claro: para Modric o futebol é uma coisa séria. Que se premeie um jogador em vez de uma equipa define estes tempos em que se individualiza o sucesso e o fracasso. Modric disfarça essa anomalia, porque é uma peça colossal que não esquece a sua principal missão: garantir o funcionamento da máquina. Ele faz sempre o que pode, o que deve e  que é conveniente para tudo melhorar. Trabalha quando a equipa perde a bola, mostra-se quando a recupera, desequilibra quando a tem. Tudo, com uma descrição que transmite segurança aos adeptos porque Modric é, acima de tudo, um tipo fiável."

Jorge Valdano, in A Bola

Balanço 'media'

"Quando estudei jornalismo na universidade, há 20 anos, um dos professores que me marcou foi Nélson Traquina, autor de tanta obra recomendável sobre este quarto poder. Tinha um método de avaliação que nunca esqueci: distribuía folhas com informação e pedia uma notícia que depois classificava como notícia ou como não notícia, nada, zero. Só isso. Não havia, por exemplo, uma notícia mais bem ou mais mal escrita do que a outra. Era ou não era.
Neste final de ano, o meu balanço não é desportivo, é jornalístico. Em 2016 grassou o conceito de fake news, noticias falsas, exaltado por Trump - que dele beneficiou, como tem salientado Germano Almeida, em divulgação do novo isto não é bem um presidente dos EUA. 2017 já foi um ano de absorção deste juízo, pois fomos aceitando, media e leitores, que a tal não notícia evoluísse no léxico da profissão para notícia falsa, portanto já admitida, pois, como notícia, mesmo que falsa ou possivelmente errada. Tem-se tornado habitual tolerar expressões como a que escutei há dias num noticiário. «A confirmar-se esta notícia...»; ou «Este órgão de comunicação sabe que...», aparentemente por oposição a tudo o resto que o órgão de comunicação escreve ou diz sem saber que. Já não há a tal notícia, há notícias falsas e notícias verdadeiras, mas são todas, à nascença, notícias.
2018 já me pareceu ano de reacção, sobretudo pelo crescimento do fact checking - com ideias novas em Portugal. Esta verificação de factos é, em todo o caso, paradoxalmente um recuo, pois a tal notícia que há 20 anos (há mais, claro) se ensinava a divulgar já pressupunha tanto o domínio da técnica como a confirmação da informação. Antes, a não notícia não era nada e a notícia era tudo. Agora, a notícia falsa é notícia, sim, contudo carece de fact checking para se tornar notícia verdadeira. Note-se, porém, como os conceitos mudam e a necessidade da verdade é sempre a mesma."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Quem 'matou' a mudança? Suspeito n.º 10 - O ruído na...

"Passava das 22h00, Robert West, Director Geral do F.C. os Galácticos, e o Detective Colombo encontravam-se a mais de 5000 kms de casa. Tinham passado pela La Piedra, para comer a Mariscada, que o Robert adorava e procurava, sempre que o Clube ia jogar a Vigo, e dirigiam-se para o centro, na procura de um local para jantar. O Detective Colombo dirigia um carro emprestado pela organização do jogo e o Robert estava surpreendido pelas luzes, os enfeites, as caixas de presentes, a bola gigante e aquela árvore repleta de leds e os seus múltiplos efeitos.
Era época de Natal, a cidade vivia o Natal e contagiava quem a visitava com esse espírito. Não havia onde estacionar, os parques estavam lotados, até que surge um lugar à esquerda. Pisca, marcha-atrás e de uma só vez, já está, o carro ficou direito, à primeira, o que não era habitual no Detective, quando estacionava do lado esquerdo.
Começam a descer a rua a pé, viram à direita, passam por uma pequena “calle” e surgem os dois primeiros possíveis locais para jantar. Não eram marisqueiras, antes uma hamburgueria e uma cervejaria. Robert entrou na cervejaria, mas de imediato saiu, ainda espreitou a hamburgueria, mas numa troca de olhares, parecia que ambos estavam a dizer o mesmo um ao outro - “vamos procurar outro local”. Poucos metros à frente, voltam para baixo, na Rua de Manuel Núnez e ao surgir uma rua à esquerda, vêm umas pipas pintadas de branco com uma mensagem interessante: “no se recuerdan los dias, se recuerdan los momentos”. Aproximam-se e, do outro lado da rua a pedestre, lá estava “La Taberna de Tony” e as tapas que o Detective Colombo adora. 
Robert é o primeiro a entrar, segue-se-lhe o Detective Colombo. Estava lotado, a sala estava dividida a meio, há umas pessoas que se levantam e libertam uma mesa. Ambos se aproximam, dão um sinal à garçonete, como a pedir permissão e sentam-se. O detective Colombo estava entusiasmado com a ideia de comer umas tapas.
Depois de limpar a mesa, a garçonete coloca uma entrada muito simples de “pan”, “jamon” e “queso”, mas que lhes soube pela vida. Pendem uma tortilha, uns calamares, umas asitas e uma salada. A menina que os atendia disse que era muita comida e acabaram por prescindir da “ensalada”.
O jogo de beneficência, razão da presença da equipa do F.C. os Galácticos na cidade, realizava-se na noite do dia seguinte.
O Detective Colombo e o Director Geral Robert West queriam aproveitar para conversar sobre a situação geral no Clube e verificar se havia mais algum suspeito de estar a “matar” a mudança no Clube. Queriam conversar, desejavam escutar-se um ao outro, pretendiam que o outro ouvisse o que estavam a dizer, mas a música de fundo, o barulho das conversas das outras mesas e as interrupções da garçonete com o pão, depois com as bebidas, seguiu-se a paragem provocada pela chegada da tortilha e pouco tempo depois nova interrupção, agora causada, pelas asitas. Estava tudo delicioso, mas o barulho e as interrupções eram constantes.
O Colombo e o Robert repetiam-se frequentemente para serem compreendidos, outras vezes pediam ao outro para repetir o que tinha dito, pois o que tinham percebido tinha sido demasiado ambíguo. Não se conseguiam escutar, não eram capazes de entender o que o outro queria dizer, começaram a falar cada vez mais alto, para ver se eram escutados e o que deveria ser um momento de prazer, partilha e descoberta, estava a tornar-se num momento a recordar como desagradável.
Chegam os calamares e a sala estava diferente. Menos gente, várias mesas livres, nomeadamente atrás, à frente e ao lado esquerdo. Ao lado direito estava a parede que separava a sala e que tinha uma grande abertura, para a outra parte. A tranquilidade, o sossego, a calma reinavam agora e o Detective Colombo e Director Robert conseguiam escutar-se mutuamente, entender o que o outro queria dizer, como a pergunta do Robert – “Detective Colombo, na semana passada, o Presidente Angie partilhou comigo que começar pelas diferenças, compromete ser-se escutado, entendido e compreendido e pediu-me para convidar o Detective a acompanhar a equipa nesta digressão, como sinal de agradecimento pelos muitos contributos que está a prestar à melhoria do Clube e também para saber se descobriu mais algum culpado. Tem ideia de mais algum culpado de estar a “matar” a mudança no Clube?”.
“Agradeço imenso a oportunidade de visitar outro país, acompanhar a equipa, conhecê-lo melhor e claro saborear estas deliciosas tapas” – começou por dizer o Detective Colombo, que quando visitava Espanha não trocava tapas por nenhuma outra iguaria e continuou – “como sabe, nos últimos meses, tenho acompanhado toda a vida do Clube, como observador. Presenciei reuniões, palestras nos balneários, discursos, entrevistas e um sem número de momentos em que as pessoas comunicavam e verifiquei que há um factor comum a muitos destes momentos, que os compromete”.
Robert levanta ligeiramente o queixo, chega os ombros ligeiramente para a frente, como a preparar-se para ouvir melhor, enquanto o Detective Colombo continuou – “lembra-se o que se passou hoje durante este jantar?”. “Como assim Detective?” – perguntou o Director Geral Robert West.
“Como relembra o momento da nossa conversa, antes dos calamares chegarem à mesa?” – perguntou o Detective. “Havia muito barulho, muita gente a falar ao mesmo tempo, muitas interrupções, isso levou-nos a repetir o que dizíamos e a sistematicamente perguntar ao outro o que queria dizer” – e dada a relação de amizade que tinha estabelecido com o Detective, o Director Robert arriscou em ir mais longe e continuou – “levou-me a sentir alguma tensão e frustração, a ter que fazer um enorme esforço para o perceber e me fazer entender. Não fosse importante o que tinha para dizer e escutar e teria desistido e concentrado apenas nas tapas”.
“Como recorda o momento, depois de chegarem os calamares?” – explorava o Detective Colombo. O Director Robert reflectiu um pouco e percebeu que realmente tinha havido uma enorme diferença na interacção e no resultado da conversa de ambos depois do calamares serem colocados na mesa e aquelas gotas do limão os apurarem e disse – “as interrupções pararam, conseguimos ouvir concretamente o que o outro dizia, o que escutávamos era consistente, a nossa conversa foi muito concreta e fomos capazes de explorar a situação, em vez de explica-la e tudo isso não só foi muito agradável, me fez sentir bem, como permitiu que nos entendêssemos e que o que ouvíamos correspondia exactamente ao que o outro dizia”.
A refeição tinha terminado e ambos ansiavam por um café e enquanto o bebiam, o Detective Colombo começou por dizer - “Director Robert as muitas entrevistas, os vários discursos, as múltiplas palestras e as diversas reuniões a que tenho assistido têm revelado mais um dos culpados de estar a “matar” a mudança no Clube: o ruído na comunicação” – e aproveitando a sua pausa, o Director Robert construiu – “quer isso dizer que quando as pessoas (sejam elas Presidente, Director, Treinador, Médico, Fisioterapeuta, Jogador, Adepto, Pai e Mãe, Líder ou Colaborador) querem mudar alguma coisa e para isso necessitam de comunicar as suas ideias, se não removerem ou pelo menos reduzirem substancialmente as explicações, as redundâncias, as interrupções, as contradições e as ambiguidades, isto é, o ruído na comunicação, então a probabilidade das outras pessoas escutarem e entenderem o que realmente disseram fica comprometido e consequentemente também as hipóteses de mudança” – sintetizou o Director Geral Robert West.
Já passava da meia-noite e meia, acertada a conta e a devida gorjeta, pois perceberam que a garçonete zelou pelos interesses de ambos, quando sugeriu que estavam a fazer demasiados pedidos e os foi servindo com simpatia, ambos se dirigiam para a porta, quando pararam antes dos quatro degraus de acesso à rua. Havia uma grande passagem, para a outra parte da sala. Contemplaram-na, assim como apreciaram a tranquilidade, que contrastava com o barulho e rebuliço do momento de chegada. 
Subidos os degraus e chegados à rua, o Director Robert West olha para trás, pega no telemóvel e tira uma foto e a ela associou: mais um momento de crescimento, resultado de ter descoberto mais um responsável de estar a “matar” a mudança no Clube, mas também em algumas organizações, equipas e famílias, o ruído na comunicação; a diferença de sentimentos entre os momentos com e sem ruído; e o distinto discurso interno, agora a dizer a si próprio “vou aproveitar esta oportunidade de remover ou, pelo menos, reduzir o ruído no canal da comunicação, para melhorar a vida do Clube, mas também a minha e das pessoas com que me relaciono”.
Voltam a cruzar-se com as mesas brancas em forma de pipa, mas agora reparam que tem umas folhas e uvas pintadas, para além da mensagem que releram - “no se recuerdan los dias, se recuerdan los momentos” - e ambos pensam - “este é um dos momentos para recordar”. Viram à esquerda e lá estava a bola de Natal gigante. O Detective Colombo tira uma foto e faz um post no seu Facebook, com a mensagem a todos os seus amigos: “A Todos um Bom Natal”."

O problema do VAR é o protocolo ou é o Porto ao colo?

"A questão da semana incide sobre a crise do vídeo-árbitro: o problema é o protocolo ou é o Porto ao colo?

Pressionado pela opinião pública na sequência de uma série de decisões absurdas, viu-se obrigado o Conselho de Arbitragem a sair à rua para defender a excelência dos serviços prestados por esse fautor da modernidade que, pela segunda temporada consecutiva, vem assentando arraiais no nosso campeonato.
Explicou também Tiago Craveiro, director-geral da FPF, que “o VAR não nasceu para acabar com as discussões de café’.
Qualquer proprietário de um café sabe que Craveiro está a falar a verdade. Mas não toda a verdade. De norte a sul do país, registam os observadores destes fenómenos sociais que as discussões, as zaragatas entre os clientes dos cafés e dos snack-bars não acabaram de todo com a chegada do VAR. 
Porém, aumentaram imenso.
Já nem discussões são, são verdadeiros motins que começando dificilmente terminam sem – umas quantas mesas pelo ar e um valioso stock de louça partida. Os donos dos cafés estão a passar-se com o VAR porque lhes está a dar prejuízo.
A conclusão a que se chega é que uma coisa como o VAR, que nasceu para acabar com benefícios, está dar prejuízos e logo ao comércio. Ao cabo de 11 jornadas da prova maior do futebol português, o Conselho de Arbitragem soube contar até 9 as avaliações erradas desta invenção que não dá sossego aos cafés de Portugal. Mas o mesmo Conselho de Arbitragem não soube apontar, uma a uma, que 9 avaliações erradas foram essas e em que jogos e com que intervenientes. Laxistas. Depois admiram-se com cadeiras a voar nos cafés e com zaragatas afins por todos as cervejarias do país. O Conselho de Arbitragem, ao não informar o público detalhadamente sobre estes 9 incidentes de percurso do VAR, está a proceder muito mal. Infelizmente, o dano não se fica por aqui porque o Conselho de Arbitragem ,ao não informar o público sobre o número de ‘não-avaliações-passíveis-de-avaliação’, está a proceder pessimamente, dando azo à má-língua.
As desculpas oficiais para estes constrangimentos do VAR residem invariavelmente naquilo a que os especialistas chamam ‘protocolo’. O problema é o protocolo, diz-se à boca cheia.
Mas o que é o protocolo do VAR? É o Manual de Implementação para Competições concebido pelo International Board e no qual se encontram descritos princípios como “apenas o árbitro pode iniciar uma revisão” ou “a decisão original tomada pelo árbitro não é alterada a menos que a revisão mostre claramente que a decisão estava claramente errada” ou “um jogador que faça o sinal de revisão será advertido com um cartão amarelo”. Tudo coisas que entram pelos olhos dentro por força da sensatez. À mesa ou ao balcão, a conclusão é que o “protocolo do VAR” não tem culpa nenhuma do ambiente nos cafés de Portugal.
Não é, portanto, o protocolo. É mesmo o Porto ao colo."

Benfiquismo (MXXXV)

Respect

Uma Semana do Melhor... Pedro, o Terrorista!!!

Rafa faz muita falta

"Para sonhar com ambiciosa participação na Liga Europa, Benfica tem de jogar muito mais e muito melhor

A viagem europeia mudou de carris. Segunda-feira, sorteio de Nyon é o entroncamento da nossa ambição europeia. Saímos da Liga dos Campeões, onde havíamos entrado em Agosto (com mais €50 milhões), e mudámos a rota para Baku, assegurando no livre de Grimaldo o estatuto de cabeça de série. No futebol moderno é assim - uma prova que se chama Liga Europa tem a sua final numa cidade fora da Europa. Tudo faz sentido na moderna lógica de nada ter sentido. Para o Benfica sonhar com uma ambiciosa participação nesta prova, teria de jogar muito mais e muito melhor. Chelsea, Arsenal, Inter e Nápoles são apenas o aperitivo de imensos candidatos a uma prova recheada de ex-campeões europeus. Foi, no entanto, positiva a vitória frente ao modesto AEK, pois não interrompe uma série de triunfos que têm vindo a manter o essencial de competitividade na conquista dos títulos que se ambicionam. O AEK jogou com excesso de agressividade (sempre punida), mas comparados com a de Setúbal até parecia veludo.
Na Madeira, no próximo domingo, vamos ter um jogo bem mais difícil do que na passada quarta-feira, o aguerrido Marítimo de Petit é tão ou mais forte que o AEK e ocupa um lugar enganador na classificação. Viu-se no último jogo dos insulares, em Santa Maria da Feira - tiveram alma até aos 95 minutos e disputaram cada bola como se fosse a última.
Do jogo da passada quarta-feira fica a preocupante lesão de Rafa. Mesmo quando o Benfica não joga no seu melhor as acelerações de Rafa são constantes desequilíbrios nas defesas contrárias. Rafa faz muita falta ao Benfica neste momento e este é um momento onde no Benfica se sentem muito as faltas. O Benfica, longe de deslumbrar em Setúbal, fez o suficiente para obter uma vitória tranquila. Foi um jogo no qual só Carlos Xistra e as duas decisões foram os verdadeiros adversários e reais perigos. No fim do jogo fomos beneficiados com os já repetidos monossílabos e onomatopeias do Sr. Vidigal em jeito de dízimo aos seus senhores. Temos que anotar, não esquecer e prosseguir porque largos dias têm 100 anos.
Quarta-feira há Taça em Montalegre. Ainda bem que é em Montalegre, é bom para a prova e é bom para o futebol, porque ainda há muito coisa boa no futebol. Faltam quatro jogos para disputar a final do Jamor."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Apito Dourado, versão 7 ou 12, já perdi a conta

"É quase pecaminoso, em semana do décimo aniversário da BTV, para a qual me é oferecido o privilégio do meu contributo, dedicar este espaço a um dos aspectos mais reles do futebol português: a arbitragem.
Creio, no entanto, que o momento o justifica, não fosse, mais uma vez no passado fim-de-semana - sublinho, mais uma vez - ter sido comprovado que este desporto, em Portugal, é vítima da incompetência (selectiva?) da generalidade dos árbitros nas suas diversas funções. Acresce que os famigerados árbitros portugueses, talvez precisamente por muitos deles actuarem incompetente com assustadora regularidade, aparentam serem permeáveis às reiteradas tentativas de condicionamento, directas ou indirectas, de que são vítimas neste lodo que alguns teimam em afundar cada vez mais o nosso futebol. Mais fascinante é verificar que esses árbitros perduram no primeiro escalão - será esse o objectivo de não divulgação atempada dos critérios de avaliação dos árbitros? Evidentemente, jogar bem à bola é sempre o melhor antídoto para este flagelo, se bem que nem sempre eficaz, reconheça-se... Ainda assim, há alguma equipa portuguesa que, nesta época, se tenha evidenciado nesse aspecto? A resposta é um irrefutável não. A actuação de Carlos Xistra em Setúbal, cujos erros foram demasiado numerosos para que os possa enumerar em tão exíguo espaço de opinião, tratou-se somente de mais um triste capítulo desta longa e repetitiva novela, cujos pontos altos ocorreram, pelo menos e sempre a favor do mesmo, nos jogos que o FC Porto defrontou V. Guimarães, Belenenses, SAD, Feirense, Boavista e Portimonense. Pobre futebol português..."

João Tomaz, in O Benfica

Ao lado do Jonas, o rei Midas é um menino

"Haveria de chegar o dia. Na verdade já chegou há algum tempo, mas ainda ninguém falou nisto, pelo que me vejo obrigado a dar conta de um gracioso acontecimento. Uma das mais extraordinárias figuras mitológicas chamava-se Midas, um rei que detinha o poder de transformar em ouro tudo aquilo em que toucasse. Espantoso, não é? Era. Deixou de o ser, a partir do momento em que alguém se assumiu como autor de uma habilidade ainda mais impressionante, tornando a proeza de Midas completamente banal. Transformar tudo aquilo em que se toca em ouro é estupendo, sim, mas transformar qualquer bola em golo é ainda mais fascinante. Poderia dizer que Jonas é uma espécie de rei Midas do mundo contemporâneo, porém não estaria a fazer jus à genialidade do Pistolas. Jonas está acima. Para compreender a diferença basta colocarmos uma questão a nós mesmos: será mais difícil converter um pedaço de pão em ouro, ou atirar de primeira para o fundo das redes uma bola que viaja aos pulos sobre um relvado escorregadio? Eu tenho poucas dúvidas. Se eu estiver uma tarde inteira sem comer, o pão adquire um valor bem mais alto do que o ouro com bastante facilidade. Marcar golos de todas as formas e feitios é que é mais complicado. Os recordes são para superar, e as façanhas também. Midas teve o seu lugar na história da humanidade, mas está ultrapassado. Afinal, alguém quer saber de ouro para alguma coisa quando se pode deleitar com golos do Jonas? Mais a mais, até o investimento é menos dispendioso. Se Midas quisesse transformar um pão em ouro, teria de desembolsar cerca de 0,15€, o preço médio de uma carcaça. Mais barato do que isso foi o Jonas, que assinou a custo zero."

Pedro Soares, in O Benfica

Regresso ao passado

"Durante cerca de três décadas, o futebol português foi manchado por arbitragens que, ano após ano, ajudaram o FC Porto a construir o palmarés que hoje ostenta. Era o tempo dos 'quinhentinhos', do Guímaro, dos irmãos Calheiros, do aconselhamento matrimonial, e da fruta para Jacinto Paixão, entre outros episódios obscuros que sistematicamente subverteram a verdade desportiva e envergonharam o país. Julgávamos que tal pertencia ao passado, mas esta temporada está a demonstrar exuberantemente o contrário.
O 'Apito Dourado' regressou em força, sem vergonha de se fazer notar a cada semana que passa.
Deste o início do campeonato, o FC Porto foi beneficiado em todas (!) as jornadas.
Os seus jogadores ainda não viram um único cartão vermelho, quando pelo menos onze lances o justificariam (só Felipe deveria ter sido expulso umas quatro vezes).
No Bessa e com o Portimonense, as equipas adversárias viram sonegadas grandes penalidades claras em momentos determinantes. Fazendo o balanço, entre golos mal validados, penáltis inexistentes e expulsões perdoadas, chegamos a um líder fantasma, que pouca joga mas muito ganha.
Enquanto isso, o Benfica vai enfrentando arbitragens hostis. Quem viu o jogo do Bonfim, e verificar que terminámos com mais cartões amarelos do que o V. Setúbal, percebe o que estou a dizer. Acrescentemos o golo anulado a Zivkovic, dois sadinos por expulsar, e temos uma das mais tendenciosas arbitragens dos últimos tempos. Valeu Jonas, mas assim é difícil vencer.
Se isto é para continuar, não percam mais tempo: entreguem já as faixas, e assumam o que pretendem."

Luís Fialho, in O Benfica

Obrigado, Vítor!

"Sinto um vazio enorme. Habituei-me a assistir aos jogos do Glorioso perto de Vítor Manuel Carvalho Neves e aos 73 anos resolveu fintar-nos, partindo mais cedo. Vítor Neves desempenhou, de forma competente, dedicada e com uma discrição exemplar, cargos no Grupo Sport Lisboa e Benfica. Quer na SAD, quer nas outras empresas do nosso clube, teve sempre uma postura de grande dignidade. Benfiquista de alma e coração, o Vítor conseguiu unir o que alguns desuniram, contruiu pontes que muitos julgavam impossíveis e, sobretudo, desbloqueou situações complexas graças ao seu carácter e à forma como vivia, apaixonadamente, o Glorioso. Com ele aprendi muito.
Aprendi a ser mais confiante nas horas difíceis. Aprendi a relativizar questões que não tinham a importância que eu pensava que tinham. E aprendi que para servir o Sport Lisboa e Benfica não basta a emoção. Com o Vítor aprendi que a razão faz sempre a diferença. Ele era um homem cerebral e sempre focado na sua missão - servir o SL Benfica. Sei que muitos desconhecem a sua obra, a sua dedicação, a sua resiliência e a sua abnegação. Perdemos um Emblema de Ouro, um Senhor que foi muito importante no regresso do nosso clube à hegemonia do Futebol Português. Sei que muitos não sabem, mas o Vítor Neves foi uma pedra fulcral nas equipas que o presidente Luís Filipe Vieira criou para conquistar os 16 títulos no futebol desde 2009/10. Se há um dirigente determinante na conquista do Tetra, Vítor Neves faz parte desse lote dourado. O minuto de silêncio que lhe foi dedicado, antes do Benfica x Paços de Ferreira, foi uma homenagem justíssima. Tenho a certeza que os filhos - a Ana, o Miguel e o Nuno - e ainda o neto, o Matias, continuarão o valor da honradez.
Obrigado Vítor!"

Pedro Guerra, in O Benfica

O meu menino é de oiro!

"Nem todas as infâncias são de ouro, mas as crianças, sim, são-no todas! Esta frase, dita assim em sentido figurado, parece tirada de uma canção do Zeca inspirada numa cantiga popular, 'o meu menino é de oiro...'.
Todos a conhecemos pela beleza singular de letra e da meio-dia, e todos nos remetemos ao seu significado simbólico e à protecção de que as crianças carecem cada vez mais em todo o mundo. E por isso já lhes fizemos cartas universais de direitos, instituições e apoios sociais e familiares, de tudo um pouco, ou talvez fosse melhor dizer de tudo muito pouco, mesmo muito pouco, face ao que se impõe fazer.
A verdade é que, apesar dos grandes avanços sociais e económicos do pós-guerra no século passado e do extraordinário século de progresso sem paralelo que vivemos actualmente, as crianças estão expostas, hoje como nunca, a riscos e situações de violência e exploração a uma escala sem precedentes. Continuam a ser vitimadas, e são-no cada vez mais, seja porque catástrofes ambientais cada vez maiores e mais frequentes asa atingem violentamente, seja porque conflitos regionais de grande escala as envolvem a atiram para êxodos forçados ou mesmo para a morte.
Apesar dos desígnios éticos e religiosos próprios da condição humana, construímos um mundo em que a tecnologia permite produções alimentares que chegariam para alimentar sem problemas todo o planeta, mas em que a fome é a realidade de muitos. Em que a riqueza produzida é cada vez maior e a sua repartição cada vez mais injusta, com uma concentração nunca vista nas mãos de uma minoria ínfima. Em que a saúde, quer na prevenção quer na clínica, está ao alcance da tecnologia e da ciência mas não é alcançável pelos sectores desfavorecidos nos países desenvolvidos ou por toda a população em subcontinentes inteiros. E por aí fora... Olhamos o mundo e percebermos que os países mais desenvolvidos são os que menos se reproduzem e mais envelhecem. São aqueles que, apesar das condições únicas de paz e abundância que detêm, não encontram ainda assim estímulos positivos para que as gerações se renovam pelo menos em igual número. Compensam, isso, invariavelmente, com as migrações e, também invariavelmente, vitimizam ou ostracizam os migrantes e os seus filhos.
Tudo isto não pode estar certo nem do ponto de vista ético e humano nem do ponto de vista económico, mesmo à luz da crueza dos números. E Portugal já vai em 5.º no ranking, o que quer dizer que um país com a dimensão que temos e com a história desproporcionalmente impactante no mundo que também temos corre o risco de perder relevância por 'falta de portugueses' num horizonte muito próximo, a duas ou três gerações as contas da nossa demografia já não são famosas.
Para nos mantermos no grupo dos privilegiados do mundo, como país desenvolvido que somos, precisamos de reproduzir a nosso capital humano, criar condições para tornar mais famílias felizes e capazes de ter crianças saudáveis, educadas e plena de valores. Mas também precisamos de cuidar como tesouros de todas as crianças que existem na nossa sociedade, mesmo daquelas que a sorte remeteu para as margens ou para a exclusão. É delas o futuro, o nosso futuro! E esse futuro só poderá melhorar se, em vez de, como hoje acontece em Portugal, nasceram cada vez menos crianças e de entre essas cada vez maior proporção em pobreza e exclusão, formos capazes de as arrancar nos destinos de má sorte, então teremos um excelente capital humano. Teremos portugueses qualificados em todas as áreas ao melhor nível do mundo como sabemos que somos capazes, e aí, sim, teremos ouro. Porque, como cantava o Zeca, '... o meu menino é de oiro, é de oiro fino...' e pode ser mesmo, assim saibamos, mimá-lo e dar-lhe tudo o que pudermos. Pelo nosso lado, o Benfica dá de si o mais que tem: o sorriso e o carinho dos atletas!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Caixa Campus: a incrível realidade do que sonhámos

"A partilha do conhecimento, constituindo em termos absolutos um dos esteios da sociedade contemporânea para nos fazer melhorar e evoluir, não deixa, em todo o caso, de ter os seus quês. Quanto mais estritamente competitivo foi o ambiente de desempenho das instituições, mais restritivas serão, naturalmente, as normais da partilha. Em teatro de conflito, universalizar a natureza e as capacidades dos recursos estratégicos de uma entidade pode, até, representar muito mais do que a perda das aptidões diferenciadoras e de superiorização, relativamente à concorrência em campos específicos. E daí que - bem o sabemos hoje, no Benfica - indivíduos desprovidos dos mais básicos escrúpulos, movidos pela inveja e pela ganância, não hesitem em atacar, por todas as vias ilícitas e seja a que preço for, as fontes mais reservadas do conhecimento e os modelos das melhores práticas em vigor nas mais capacitadas instituições, com o único sentido de alcançarem tudo quanto, em termos de concorrência legal, jamais poderiam alcançar.
Por isso é tão cuidadosamente preservado de olhares indiscretos o Caixa Futebol Campus. Aberto exclusivamente em horários de jogos das equipas de formação no futebol e com circulação limitada aos circuitos dedicados aos respectivos campos, ou então, em ocasiões muito especiais extraordinariamente determinadas pela Benfica, SAD, até aqui, os Benfiquistas apenas esporadicamente têm podido entrever através de reportagens dos jornalistas da BTV não mais do que algumas dependências e espaços de trabalho e alguns dos mais conhecidos utentes do extraordinário campus de estádio do Sport Lisboa e Benfica. Mas creio poder deixar aqui escrito que, mantendo-se naturalmente a necessária reserva de domínio, algo vai mudar em breve, de modo a que o universo dos Benfiquistas mais dedicados possa melhor conhecer e mais se orgulhar da espantosa nova realidade que já é hoje o Caixa Campus, no Seixal.
Menos de dez anos depois da inauguração, a capacidade de sonho do presidente Luís Filipe Vieira não só não se esgotara no primeiro modelo desenhado para o já vastíssimo complexo de treinamento como se foi constantemente desenvolvendo, com base nas permanentes análises de execução e performance. E agora, aos doze anos de vida do complexo, os equipamentos de hotelaria, de gestão administrativa, técnica e física, assim como os espaços de treinamento de equipas, beneficiam de um impressionante segundo impulso de redimensionamento (que não será o último...), aumentando capacidades e valências, de forma a consolidar as melhores condições para a formação integrada de muitos mais novos atletas de estirpe e de estágios e treinos para as equipas de elite do Sport Lisboa e Benfica.
Enquanto director do nosso jornal, na passada sexta-feira foi-me dada a rara oportunidade de revisitar, com Leonor Pinhão, o Centro da Quinta da Trindade, no Seixal, onde tinha estado pela última vez havia três anos. Fomos fraternalmente recebidos e conduzidos por Rui Costa, num demorado circuito de cinco horas: percorremos todas as instalações e departamentos; observámos todos os mil e um equipamentos de toda a natureza; pudemos mesmo assistir a um momento do treino da equipa principal; e tivemos ensejo de conviver pessoalmente com especialistas e profissionais de muitas áreas de trabalho e até com alguns dos nossos craques. Por fim, depois de nos cruzarmos com o presidente, lográmos um extenso, muito esclarecedor e esperançoso encontro com o treinador Rui Vitória, em que, além de Rui Costa, participaram ainda Tiago Pinto, Luís Bernardo e Ricardo Lemos.
Falámos muito do Benfica no presente e, positivamente cativado pela serenidade de todo aquele ambiente de futuro, compreendi mais claramente como é possível que mesmo os mais remotos novos desígnios agora apontados por Luís Filipe Vieira venham a cumprir-se como realidades próximas. Que grande Benfica termos, nós todos, ali, nas nossas mãos!"

José Nuno Martins, in O Benfica

Conversas à Benfica - episódio 47

A frase que afinal Einstein não disse

"Os desígnios do futebol são insondáveis, o que é verdade hoje pode muito bem ser mentira amanhã e... prognósticos só no fim. Dito tudo isto, a propósito das quatro vitórias consecutivas do Benfica depois da luz que deu a Luís Filipe Vieira, confesso que tenho mais dúvidas do que aquelas que metodicamente me assaltam no quotidiano.
Há uma frase, erradamente atribuída a Albert Einstein, que traduz com fiabilidade a razão do meu cepticismo: «Insanidade é fazer as coisas sempre da mesma forma e esperar resultados diferentes». Ora, é isso mesmo que está a acontecer com o Benfica, onde a submissão ao 4x3x3 persiste, a falta de dinâmica do miolo também, a Jonasdependência igualmente, e a má forma de vários jogadores idem, idem. Poderá haver quem, perante este quadro, pegue nos triunfos sobre Feirense, Arouca, V. Setúbal e AEK e consiga ver o copo quase cheio. Sinceramente, tenho alguma dificuldade em vislumbrar outra coisa que não seja um caminho estreito, pedregoso e pejado de perigos, que aumentam à medida que o ruído mediático envolvendo o clube e os seus dirigentes não dá sinais de diminuir (uma decisão favorável à SAD do Benfica na próxima quinta-feira pode ser um tónico poderoso; se a juíza decidir em sentido contrário, a instabilidade assentará arraiais).
Numa coisa Rui Vitória tem razão: a única forma deste Benfica abordar o futuro é passo a passo, jogo a jogo, um problema de cada vez. No próximo domingo, o Estádio dos Barreiros, no Funchal, será palco de mais um episódio desta saga. Que podia ter por título, «No arame e sem rede...»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Gerir a competição

"A distribuição da carga de jogos ao longo de uma época deve ser um aspecto tão importante para o gestor da competição como para o treinador. Quanto mais elevado o nível da competição, mais atenção deve merecer aspecto, uma vez que por norma aumentam o número de jogos. Na verdade, jogar a um nível elevado implica cuidado na gestão dos mais importantes elementos do jogo, aqueles por quem o público se desloca aos estádios, os jogadores. São processos os melhores mas os melhores precisam de recuperar bem.
O tempo de recuperação entre jogos é importante, como a intensidade competitiva é decisiva para o crescimento dos intervenientes. Um equilíbrio fundamental. Jogar, no caso do futebol, de três em em três dias é excessivo como jogar de três em três semanas também o é.
Alguns estudos apontam como correcto, no futebol, um intervalo de cinco dias para minimizar os riscos de lesão. Só a partir desse momento a curva se mantém igual para o dia seguinte. Contudo, na passagem do 3.º para o 4.º dia o risco já é bem menor do que do 2.º para o 3.º. Por isso se realizam tantos jogos no intervalo entre as 72 e as 96 horas.
Bem sabemos que frequentemente não é possível intervalos desses entre jogos. O volume de partidas obriga a intervalos menores. Esta situação deve merecer uma cuidada análise. Em muitos casos, fazem-se paragens de interno preciosas para a indispensável recuperação dos jogadores. E a recuperação não é apenas física. Neste altura da época existem campeonatos que já realizaram mais 25% a 30% de jogos do que outros, um  número elevado tendo em atenção que se iniciaram na mesma altura.
A gestão da competição, nos dois sentidos aqui utilizados, não pode abdicar de perceber que a sua planificação tem influência no rendimento individual e colectivo. Uma errada planificação tem consequências que o público não vê; mas são consequências que prejudicam a competição."

José Couceiro, in A Bola

São as modalidades colectivas que definem o nível

"O Desporto em Portugal não está — pelos resultados, pelo número de atletas federados ou ainda pela violência que o envolve — ao nível dos seus congéneres europeus. Porque temos uma população mais pequena? Não, em termos de população somos um país europeu médio. As razões serão outras…
Razões aliás que procurámos disfarçar com a demonstração da inequívoca qualidade dos nossos atletas das modalidades individuais. Pois… mas o que estabelece o nível qualitativo da prática desportiva de um país são as suas modalidades colectivas. Essencialmente porque qualquer país do mundo pode ter campeões individuais mundiais ou olímpicos — a Etiópia tem 53 medalhas olímpicas (22 de ouro) em 13 presenças e com um PIB quinze vezes inferior ao de Portugal, que tem 24 medalhas (4 de ouro) em 24 participações.
O mesmo não se poderá dizer das vitórias e títulos das modalidades colectivas que exigem estruturas e organizações desportivas de grande complexidade multidisciplinar, mostrando assim a dimensão do interesse cultural pelo Desporto.
A participação desportiva portuguesa, com cerca de 620 mil federados em 2017, é fraca. Somos um país de futebol, dizemos. E somos mesmo, com mais de um terço dos federados pertencentes à Federação de Futebol, apesar dos nossos recentes resultados internacionais serem possíveis graças essencialmente aos futebolistas imigrantes que jogam em campeonatos muito mais competitivos que o nosso.
E aos poucos que somos juntámos a pouca precisão e pouca exigência como se demonstra na definição legal das modalidades individuais que serão todas aquelas, que não permitem substituições… como o remo (!!), de barcos de oito ou quatro, por exemplo.
Não conseguimos — juros de anos de isolamento — ter uma visão sistémica do Desporto e pouco sabemos do que se passa por aí fora — mesmo a paredes-meias — ignorando o desenvolvimento de novos métodos e desleixando descobertas que se mostram eficazes como a designada “periodização táctica” que Vítor Frade terá iniciado e que os treinadores portugueses, a começar por Mourinho, têm espalhado pela Europa do Futebol, e que tem sido adaptada por outros, para outras modalidades colectivas.
Por cá, pouco ou nada queremos saber desses desenvolvimentos e nada fazemos para que sejam englobados nos nossos métodos de treino e extensíveis a outras modalidades colectivas. Embora desperdiçando as mais-valias e misturando conceitos e confundindo valores, gostámos de nos mostrar preocupados…
Porque o Desporto Escolar isto e aquilo, mas continua desarticulado com os clubes que, afirmámos!, constituem a base fundamental do associativismo desportivo. Que existe evolução das metodologias de treino, dizemos!, mas regulámos (pre)conceitos formativos que fazem de treinadores experientes uns novos estudantes a quem se impõe programas e estudos obrigatórios — qual a Ordem profissional que tem “formação contínua” obrigatória? — a que se acrescenta, numa abusiva demonstração de poder, esta sentença: a anulação da certificação de anos de treinador para quem não atinja o valor mínimo de créditos.
Assim, não vamos lá!"

A manipulação da Sport TV

"O momento passou despercebido a muitos telespectadores, mas a mais recente 'manobra de diversão' da Sport TV merece ficar registada para memória futura, como um dos casos mais lamentáveis nos 20 anos de vida do canal.
No intervalo do FC Porto-Portimonense, da jornada anterior, a Sport TV tentou enganar os seus próprios clientes, sem qualquer pudor, a propósito do penálti que ficou por assinalar sobre Nakajima. 
O derrube de 'Felipe Vale-Tudo' ao extremo japonês do Portimonense foi tão evidente que, desta vez, não houve um único especialista de arbitragem com coragem para dizer o contrário.
A Sport TV, porém, prestou-se a um papel ridículo, lamentável e indigno, pondo seriamente em causa os princípios mais elementares daquilo que deve ser a relação de uma empresa com os seus consumidores. Há limites para tudo.
O que fez, então, a Sport TV? Enquanto se esperava pelo início da 2.ª parte, pôs no ar imagens manipuladas (e misturadas) que não correspondiam ao lance da grande penalidade que ficou por assinalar.



Nessa outra jogada, também protagonizada por Felipe e Nakajima, o jogador do FC Porto não cometeu falta. A Sport TV tentou através dessas imagens fazer-nos crer, portanto, que o brasileiro não tocou em Nakajima.
O próprio narrador de serviço (Rui Orlando) foi apanhado de surpresa com a situação e ficou exposto, sem saber muito bem o que dizer perante aquele golpe baixo.
A demora de repetições de lances duvidosos dentro da grande área de certos clubes já era conhecida. Mas agora estas montagens manipuladas devem ser caso único no Mundo. Não dá para acreditar."

Benfiquismo (MXXXIV)

Primórdios do Hóquei em Patins...!!!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Liga Europa - caminho para Baku !!!

Cabeças-de-série
Benfica
Arsenal
Chelsea
Dínamo Zagreb
Dínamo Kiev
Eintracht Frankfurt
Inter Milan
Nápoles
Salzburgo
Zenit
Valência
Villarreal
Genk
Sevilha
Bayer Leverkusen
Bétis

Não cabeças-de.série
Shakthar Donetsk
Fenerbaçhe
Galatasaray
Lázio
Plzen
Club Brugge
Sporting
Rapid Viena
Malmo
Krasnodar
Rennes
Bate Borisov
Slavia Praga
Celtic
Zurique
Olympiakos

O sorteio dos 16 avos de final, será no dia 17 de Dezembro, às 12h (próxima segunda-feira). A primeira mão será a 14 de Fevereiro (fora), e a 2.ª mão a 21 de Fevereiro, na Luz.

Muito sinceramente, as nossas ambições nesta competição, com estes adversários, são modestas, mesmo sendo Cabeças-de-série podemos encontrar já na próxima eliminatória equipas fortes...Shakthar é o principal perigo, mas existem outros...

BTV 10 anos

A Liga dos Canelas Pretas

"Certa vez, tive de preencher numa fronteira um papelinho que trazia uma pergunta que não percebi: cor da pele?

Vinicius de Moraes é um daqueles tipos que dá jeito, espécie de melhor amigo de todo o cronista. As frases dele cabem em qualquer lado, a propósito de tudo e, além disso, são bonitas e enfeitam. Saravá! Venha de lá, então, um bocado de Vinicius:
«Maria, levanta a saia
Maria, suspende o braço
Maria, me dá um cheirinho
Do capim do teu sovaco».
A Maria era mulata, claro. A maior contribuição portuguesa para a cultura sul-americana, dizem alguns, esquecendo a mulata de Angola do Chico Buarque, por exemplo:
«Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela/Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela?».
E outras. Tantas outras.
Para já, ponho de lado as mulatas e escrevo sobre o negro. Enfim, este negro também pode ter mulato pelo meio, pouco importa. E é de Porto Alegre, jogador de futebol, que não entrava nas equipas dos elitistas brancos. Já o Rio-Grandense era um clube de gente de pele escura. A sua presença não foi aceite na Liga Metropolitana. Eram escuros demais.
Certa vez, à entrada de um país do qual nem cito o nome, tive de preencher um daqueles papelinhos burocráticos de entrada que trazia uma pergunta que não percebi: cor da pele? Claro que escrevi: normal.
Portanto, o Rio-Grandense, composto por jogadores de cores absolutamente normais, não podia jogar contra outros clubes de jogadores igualmente de cores absolutamente normais mas cujos dirigentes se consideravam anormais. E assim inventou um campeonato: Liga nacional de Futebol Porto-Alegrense. Não evitou o trocadilho racista de meter liga com canela: Liga da Canela Preta. Em termos de nomes, era de fazer inveja ao Vinicius e ao Chico juntos. Havia o Bento Gonçalves – como nisto de cores também há tons, gabava-se de ser o primeiro ‘time’ realmente negro; o Primavera; o Primeiro de Novembro, equipa dos funcionários do Forno do Lixão (mas algum loiro ariano trabalharia num sítio chamado Forno do Lixão?); o Oito de Setembro, da Colónia Africana (depois o bairro passou a chamar-se Rio Branco, calcule-se!); o Palmeira; o Aquibadã e o Venezianos. Como se mulato que se preze guiasse gôndolas a cantar O Sole Mio e Santa Lucia... Valia tudo!
A rapidamente conhecida como Liga dos Canelas Pretas foi fundada em 1910. Dezoito anos antes, a Companhia Progresso Industrial do Brazil, ainda com z, construiu em Bangu, no Estado do Rio de Janeiro, uma fábrica de têxteis. Ora, não há quem perceba mais de ovelhas do que um britânico, embora as suas qualidades não sejam de desprezar no campo das vacas. Por causa disso, a companhia fez-se dotar de técnicos e pessoal administrativo das melhores raças escocesas e inglesas. Com eles veio o futebol. Em 1904, o Bangu disputou uma partida contra o Rio Cricket. Dos onze que entraram em campo para defender as cores do Progresso, cinco eram ingleses, três italianos, um português e um natural do Brasil: Francisco Carregado.
Carregado deu nas vistas. E de que maneira. Em vinte e dois jogadores era o único que usava uma pele negra.
Pelo meio disto tudo, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, Princesa Imperial, filha de D. Pedro II, casada com o magnificamente egocêntrico Conde d’Eu, tratou de assinar a Lei Áurea e pôs um ponto final na escravatura no Brasil. A coisa não lhe correu de feição, embora a intenção fosse a melhor. Os fazendeiros ricos, descontentes por terem deixado de ter mão de obra gratuita, juntaram-se aos militares e num instante deitaram abaixo a monarquia. Dona Isabel foi para França e viveu lá regaladamente, segundo consta, mas não foi por causa da formal Lei Imperial n.º 3.353 que o futebol deixou de ser um couto de gente de nariz empinado, ou seja, nariz absolutamente contrastante com outro estilo mais achatado e de narina larga que proliferava na Liga dos Canelas Pretas.
Só nos anos 30 é que as cores começaram a misturar-se verdadeiramente por todo o futebol brasileiro e nada como ler o Mário Filho para o entender. O Rio Grande do Sul era um dos Estados com maior população escrava, e os bairros da Cidade Baixa, do Areal da Baronesa e da Colónia Africana, em Porto Alegre muito mal considerados:
«Roubos, assassinatos, estupros, facadas, tudo se dá naquele lugar maldito, valhacouto de quanto bandido há por esta cidade, refúgio de quanta baixa meretriz por aí vive».
Alheios a isso, os clubes da Liga dos Canelas Pretas, iam jogando o seu futebol e como o bicho homem no sexo geralmente não vê cor nem coisa nenhuma, a mulata espalhava-se por todo o Brasil para felicidade do velho e libidinoso Vinicius:
«Na boca do forno
De manhãzinha/Eu e Maria.
Tá quente, Maria...
(Maria estava sempre quente)
Pique, Maria...
(E a luta arfante, húmida, silenciosa)
Dou-lhe uma/Dou-lhe duas/Dou-lhe três...».
Como nos leilões."

Tempo útil de jogo

"Enquanto as instâncias superiores do futebol mundial não tiverem a coragem de adoptar a cronometragem exacta do tempo útil de jogo, as federações nacionais poderiam ir definindo normas conducentes à minimização das perdas de tempo, penalizando os abusos.
Haverá diversas formas de o fazer. Uma das mais seguras será a de reduzir o tempo perdido pelos árbitros na marcação de faltas. Estas situações estão de tal forma enraizadas que, no recente Rio Ave-Sporting, quando Coates marcou rapidamente uma falta – cometida a meio campo e cobrada uns três metros atrás do local exacto – ia caindo o Carmo e a Trindade, que não podia ser...
Em sentido contrário, já ninguém liga quando, por exemplo, um lançamento lateral é executado sete ou oito metros à frente do local onde a bola saiu – razão mais do que suficiente, como já aqui defendemos, para as reposições passarem a ser feitas com os pés.
Em nosso entender, o árbitro deve limitar-se a sinalizar o local onde a falta foi cometida, medir a distância a que a barreira deve ser formada e riscar no chão esse limite; os jogadores devem colocar-se rapidamente onde sabem que podem estar, sendo ridículo ver o árbitro a afastá-los para trás do risco e a dialogar calmamente com os mais renitentes; trata-se de uma das situações em que o juiz deve saber impor a sua autoridade, se necessário usando a cartolina amarela em vez do empurrão. 
Outros casos a sancionar são as demoras praticadas pelos guarda-redes; registamos, com bastante frequência, oito ou dez segundos com a bola nas mãos (quando não 13 ou 14) e outros tantos depois de a colocar no chão, com o árbitro a ver, passivamente...
Deve ser incutida nos árbitros a necessidade de serem firmes na penalização destas delongas, não hesitando na amostragem do cartão amarelo logo depois de advertência inicial, com aviso imediato de que não hesitará em exibir outro em caso de reincidência. Como já escrevemos há tempos, em muitas décadas a ver futebol Nunca vimos expulsar qualquer guardião depois de amarelado, já que se sentem imunes e até gozam com essa situação.
Torna-se cada vez mais notório que as tais instâncias superiores se preocupam em legislar sobre pormenores de importância muito relativa, quantas vezes em sentido contrário à orientação que seria desejável.
Foi, por exemplo, a recente norma que permite, no pontapé de baliza, a bola ficar jogável antes de sair da grande área; dir-se-á ser para evitar perdas de tempo com repetições, mas o que deveria realmente ser feito era punir liminarmente o prevaricador. O mesmo com a colocação da bola em jogo no início (ou reinício) do desafio, já em uso há algum tempo; não obrigar que o esférico seja tocado para a frente, para o meio campo adversário, é uma regra contra natura e apoio implícito ao jogo defensivo.
Outro ponto que deverá ser obrigatoriamente revisto é a chamada "lei da vantagem", cuja aplicação – com frequência e bom critério – os apreciadores de bom futebol consideram apanágio dos melhores árbitros.
Ainda recentemente assistimos a um "concerto de apito" de um árbitro internacional português em jogo da Liga que, apesar de ter marcado mais de 30 faltas, não aplicou a lei da vantagem uma única vez! Esse senhor ainda não percebeu que as faltas cortam o ritmo do jogo e que cada interrupção por esse motivo representa, em regra, uns 10 segundos de demora.
Finalmente, uma constatação: por vezes, noto que alguns articulistas titulam e começam textos com referências objectivas a temas de grande interesse para a renovação do futebol; mas logo derivam para outros campos, o que nos deixa com "com água na boca", como soi dizer-se, por não terem ido até ao fundo da questão. Aqui deixamos o registo."

Contrato de formação desportiva

"1. Contrato de Formação Desportiva: noção e pressupostos legais
O contrato de formação desportiva é o contrato celebrado entre um clube e um atleta (entre os 14 e os 18 anos), nos termos do qual o primeiro se obriga a prestar ao segundo a formação adequada ao desenvolvimento da sua capacidade técnica e à aquisição de conhecimentos necessários à prática de uma modalidade desportiva, ficando o atleta obrigado a executar as tarefas inerentes a essa formação. Este contrato não se afigura como um verdadeiro contrato de trabalho, apesar de funcionar como um "ensaio" para que se concretize num futuro próximo.
A celebração do contrato obedece a dois requisitos: o atleta deverá realizar exames médicos que atestem a sua capacidade física e psíquica para desempenhar a actividade desportiva; e a entidade formadora terá de comprovar que dispõe de meios físicos, técnicos e humanos adequados à formação desportiva.
Este contrato obedece a forma escrita e está sujeito a termo resolutivo, com duração mínima de uma época desportiva e duração máxima de três épocas, podendo ser prorrogado por mútuo acordo das partes. Em regra, o contrato caduca no final da época em que o atleta complete 18 anos, no entanto pode ser prorrogado por mais uma época desportiva.

2. Direito a compensação pela formação
A celebração do primeiro contrato de trabalho do atleta com entidade empregadora distinta da entidade formadora confere a esta o direito de receber uma justa compensação pela formação ministrada.
Os clubes que participem na formação de um jogador têm direito a receber uma compensação de natureza pecuniária quando este celebre o seu primeiro contrato de trabalho desportivo até ao final da época em que complete 23 anos de idade.
Na época em que o atleta se torne profissional e seja transferido para um clube que participe em divisão superior, os clubes formadores recebem uma compensação deduzida do valor pago pelo clube que profissionalizou o jogador."

Pode a sociedade desportiva subsistir sem a participação do seu clube fundador?

"Nos termos da lei, a sociedade desportiva pode ser constituída de raiz, sem a necessária participação de um clube.

Uma das questões a que nos últimos tempos mais frequentemente sou chamada a responder, nos círculos de amigos, nas conferências e nas diversas aulas de seminários, pós-graduações e mestrados em que trato temas relacionados com as sociedades desportivas, é esta: pode a sociedade desportiva subsistir sem a participação do seu clube fundador?
A resposta, que já desenvolvi e continuarei a tratar de modo desenvolvido em sede própria, é simples: pode. E pode, desde logo, porque uma sociedade desportiva não precisa, para existir enquanto tal, de um clube fundador. Nos termos da lei, a sociedade desportiva pode ser constituída de raiz, sem a necessária participação de um clube; ele apenas é necessário quando se pretenda a constituição pela transformação (do clube) ou por personalização jurídica de equipa desportiva (do clube).
E se é verdade que ela se pode constituir sem um clube fundador, também o é que pode subsistir sem ele se, tendo o clube participado na sua constituição e necessariamente passado a ser seu sócio (o que apenas acontece na constituição pela personalização jurídica da equipa desportiva), entretanto deixar de o ser, pelas mais variadas razões – podemos estar a falar, por exemplo, de transmissão voluntária da participação que o clube detém na sociedade, mas também podemos estar a falar da própria insolvência do mesmo.
Porém – costumo ouvir –, a lei das sociedades desportivas determina que a participação do clube fundador, nas sociedades constituídas pela personalização jurídica de equipa desportiva, não pode ser inferior a 10% do capital social. É verdade. Mas esse limiar mínimo estabelecido na lei existe porque ao clube fundador, nas sociedades constituídas por esse meio (e só nesse caso), são legalmente conferidos meios de tutela especial; por outras palavras, o clube fundador recebe, aí, um tratamento distinto (mais favorável) daquele que teria um qualquer outro sócio, nessa ou noutra sociedade (tem, por exemplo, o direito de veto em determinadas deliberações sociais). Apesar do silêncio da lei neste ponto, essa regra não impede, nem poderia impedir, o clube de participar na constituição de uma sociedade desportiva de raiz, com uma qualquer percentagem no capital social. Nem o impede de, tendo optado pela constituição de SAD por personalização jurídica da equipa desportiva, livremente alienar, parcial ou totalmente, a sua participação (a própria lei das sociedades desportivas proíbe qualquer limitação à transmissão das acções da SAD); ou que ela seja alienada em consequência da declaração da sua insolvência.
Agora, então, a questão a colocar é diferente: se isso acontecer, se a participação do clube passar a ser inferior a 10% do capital social, ou até inexistente, o que acontece à sociedade desportiva que foi constituída por esta via?
A resposta é, mais uma vez, simples: isso não põe em causa a sua subsistência (até porque todos os elementos essenciais à prossecução do objecto da sociedade foram transmitidos à sociedade a título de entrada, como decorre imperativamente da lei das sociedades desportivas, e o clube não pode, em caso algum, pretender a devolução da sua entrada, como decorre das regras gerais do direito societário; retomarei em breve este tema). Mas implica necessariamente, e evidentemente, que a sociedade desportiva deixe de estar sujeita ao regime de especial protecção do clube fundador consagrado para as sociedades que resultam da personalização jurídica de equipa desportiva (de resto, esse é basicamente o único traço distintivo de regime, relativamente às sociedades desportivas constituídas por qualquer outro meio). Ou seja: a sociedade desportiva “sobrevivente” passa a estar sujeita ao regime estabelecido para as sociedades desportivas constituídas de raiz (apesar de ter sido constituída pela personalização jurídica da equipa), regime esse que se distingue daquele que lhe era até aí aplicável por não contemplar a (agora, desnecessária ou injustificada) tutela do clube fundador. 
A última pergunta a que costumo ter de responder depois é: e essa solução não deixa desacautelada a posição dos clubes fundadores portugueses? A esta, respondo habitualmente com outra: e algum investidor irá algum dia equacionar investir significativamente, ao lado de um clube com claros problemas financeiros, numa sociedade desportiva portuguesa constituída pela personalização jurídica da equipa, se souber que corre o risco de um dia ver posto em causa todo o seu investimento com a hipotética extinção da sociedade desportiva, em caso de conflito com esse clube, ou de insolvência deste? É certo que este investimento comporta sempre riscos – mas a decisão que lhe subjaz exigirá, como qualquer outra decisão de investimento, a ponderação relativa à existência de um mínimo de segurança jurídica. Deste ponto de vista, então, esta é a única solução que tutela os interesses da generalidade dos clubes desportivos portugueses que carecem do investimento de terceiros para a prossecução da actividade desportiva."