Últimas indefectivações

sábado, 11 de agosto de 2018

Uma águia com duas caras

"É hábito dizer-se que a última imagem é, sempre, a que fica. E embora seja, em parte, verdade, seria de tremenda injustiça avaliar a entrada do Benfica nesta Liga 2018/2019 pela imagem que deixou no derradeiro quarto de hora do encontro de ontem com o Vitória. Porque para trás ficaram muitos minutos, em especial os primeiros 45, de um futebol que chegou e sobrou para empolgar a Luz e que mereceriam, até, um desfecho mais dilatado do que aquele com que a partida terminou. Mas é assim o futebol, o jogo só acaba quando o árbitro apita para o final e, apesar do empolgamento demonstrado durante boa parte da estreia da águia no campeonato, terão os benfiquistas de contentar-se como alívio de não terem visto o festa estragada por aqueles momentos de desconcentração...
É fácil, depois do jogo terminar, encontrar culpados para um sofrimento que os adeptos dispensariam:
1) as substituições de Rui Vitória, em especial a segunda, que tirou Fejsa de campo e lá colocou Alfa Semedo -  a questão é: que treinador não o faria a ganhar por três e com um jogo importantíssimo para a chegada à fase de grupos já na terça-feira?
2) a menor qualidade de quem entrou e, por consequência, o desequilíbrio de um plantel ainda por concluir - a última parte é, porventura, verdade, mas talvez seja prematuro sacrificar já Alfa Semedo, porque o problema terá sido mais colectivo do que individual.
Terá, o Benfica, sofrido de um mal que já afectou outras equipas. A ganhar fácil, desligou e começou a pensar no próximo jogo. Não apenas um, mas toda a gente. Felizmente para a águia não passou de um susto. Seria, até, injusto que se transformasse em mais que isso."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Reconquista

"Quem facilita na contratação de guarda-redes não ganha títulos. Quem contrata guarda-redes de topo está a um degrau de os ganhar

Se disser que Jardel foi dos melhores em campo e que este imperial na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, que Grimaldo fez um grande jogo ou que André Almeida foi determinante na segunda parte, até parece que o Benfica jogou à defesa contra o Fenerbahçe. Mas tal não é verdade. O Benfica, sem ter realizado com excelente exibição, mereceu vencer. Só o Benfica podia ter ganho um jogo no qual só o Benfica quis ganhar. O resultado de 1-0 num jogo da Liga dos Campeões é um bom resultado, mas depois do jogo fica a sensação de que faltou mais um golo para viajar com mais tranquilidade a Istambul. Marcar foi importante, não sofrer foi determinante. Nesta fase da época (como nas outras), os comentários e análises dos jogos são feitos com base nos resultados. Se eliminarmos o Fenerbahçe seremos óptimos e seremos péssimos de formos eliminados. Estatisticamente estamos mais perto de eliminar este adversário, mas as estatísticas não ganham jogos.
Vi o jogo entre o Sparak Moscovo e o PAOK, n'A Bola TV, e fiquei com a ideia de que o Fernerbahçe é superior. Embora os russos tenham uma equipa superior, têm na baliza um guarda-redes de 20 anos, o que a este nível é fatal. Quem facilita na contratação de guarda-redes não ganha títulos, quem contrata guarda-redes de topo está a um degrau de os ganhar, por isso faz sentido ver o Real Madrid fechar o Thibaut Courtois.
Hoje, com o V. Guimarães, teremos um jogo bem mais difícil do que contra os turcos. O V. Guimaráes sai melhor para o ataque, constrói mais jogo e será bem mais perigoso ofensivamente. na cabeça dos jogadores só pode estar o jogo de hoje, porque, por agora, só hoje é importante. De momento para o Benfica, terça-feira é longo prazo.
Castillo, que entrou bem na terça-feira, não é opção para hoje por castigo vindo do México. É motivo para dizer: Quem não tem Castillo, caça com Ferreyra. A reconquista do campeonato é assumidamente (e bem) o objectivo principal esta época. Ganhar ao V. Guimarães é o primeiro patamar desse objectivo. Começar a reconquista do título, frente ao V. Guimarães, parece até um sinal profético e de respeito pela historia de Portugal."

Sílvio Cervan, in A Bola

Europeus...

Em Berlim, ontem, vários Benfiquistas voltaram a entrar em competição...
O Ricardo dos Santos, ficou em 7.º lugar na Final dos 400m, com 45,78s. Mesmo assim acabou por fazer história sendo o primeiro português numa Final dos 400m nos Europeus. Curiosamente, o Ricardo na Final acabou por fazer o pior tempo destes Campeonatos!!! Os 45,19s das Meias-finais podiam ter dado inclusive o Bronze!!!

A Marta Pen qualificou-se com facilidade para a Final dos 1500, que será disputada amanhã. A Martinha pode chegar às medalhas, vamos ver como corre a corrida. Os 1500m é sempre uma prova onde existem muitas variáveis...

O Diogo Ferreira voltou a ficar aquém do seu 'normal' numa grande competição. Parece que a 'maldição' dos Varistas portugueses, continua...!!! O Diogo saltou com sucesso 5,36, mas falhou a 5,51 ! 20cm abaixo do seu melhor!!!

Incluída na estafeta dos 4x400m a nossa Rivinilda Mentai portou-se bem... a equipa portuguesa fez o melhor tempo da época, mas não conseguiu a qualificação...

PS: Em Glasgow, o Europeu de Triatlo não correu bem aos nossos atletas: o João Silva terminou na 36.ª posição, e o Miguel Arraiolos não terminou o segmento de ciclismo...
Na estafeta mista, com o João Silva, o Miguel Arraiolos e a Melanie Santos (além da Helena Carvalho), terminámos em 7.º, longe do nosso potencial...

É tempo de revolucionar o mercado de transferências

"Em nome da transparência e do Fair Play, é tempo da FIFA se deixar de intenções e colocar mãos à obra.

É tempo de mudar a forma como o mercado de transferências funciona. Entre prazos para contratações, limites de contratações, limites à quantidade de jogadores por clube, tectos salariais e tectos de transferência, muito há a fazer no que à regulação e regulamentação do mercado de transferências diz respeito. Inglaterra, como em tantas outras ocasiões, deu o primeiro passo ao definir o fecho da janela de transferências praticamente 24 horas antes do início da Premier League, mas há muito mais a ter de ser feito.
Hoje, o The Times dá conta dos planos da FIFA para a regulamentação do mercado de transferências. Segundo a publicação inglesa, é do interesse da entidade que regula o futebol Mundial introduzir um mercado de transferências standardizado a nível global, com a janelade transferências a manter-se aberta durante um mês, mas a fechar no dia imediatamente anterior ao início de cada um dos campeonatos. Ou seja, tal como hoje fecha o mercado em Inglaterra, devia também fechar em Portugal, França, Holanda ou Turquia, apenas para citar alguns exemplos de campeonatos que se iniciam esta sexta feira. Tal como já deviam, então, ter fechado em países como a Bélgica, a Dinamarca, a Polónia ou a Rússia que levam já algumas jornadas disputadas.
Há muito que os treinadores defendem o fecho antecipado dos mercados de transferências e Inglaterra foi a primeira grande liga a dar esse primeiro passo ao definir o fecho da janela de transferências para o dia anterior ao início da Premier League - e apenas com uma jornada disputada no Championship. Ainda assim, apesar de tal ter sido votado pelos próprios clubes ingleses, esta é uma medida que os coloca em desvantagem, e em perigo, esta temporada, face aos maiores clubes europeus. Veja-se o exemplo do Manchester United que, segundo a imprensa internacional, poderá perder Pogba para Barcelona entretanto e não ter como precaver a saída de um jogador nuclear, enquanto o clube catalão terá ainda mais de vinte dias para o fazer chegar a Camp Nou. E, nos dias que correm, em que o jogador tem um poder superior ao do clube, tal é preocupante.
Mas não são só as transacções directas que têm de ser uniformizadas, reguladas e regulamentadas. É tempo da FIFA meter mãos à obra e revolucionar por completo a forma como as transferências são feitas a nível Mundial. É tempo de haver finalmente transparência no mercado e tempo de terminar com a lamaceira ao qual este está associado. É tempo de limitar a quantidade de jogadores que podem estar associados a apenas um clube para bem da verdade do futebol. É tempo de terminar com as transferências negócio. Com o entreposto de jogadores. É tempo de terminar com o tráfico de influências.
A FIFA já em Fevereiro deu a entender essa intenção, mas de boas intenções está o inferno cheio. Cabe à organização que tutela o futebol mundial mostrar que se livrou das amarras da corrupção e está verdadeiramente interessada em lutar pelo fair play desportivo e financeiro. É tempo de tornar o futebol mais claro. É tempo de limpar o futebol. “É importante incluir regras como limites de jogadores num clube e limitações para os jogadores cedidos”, disse então Infantino. Uma verdade. 
“Para além do tecto salarial, de forma a distribuir melhor o dinheiro pelos jogadores, o presidente da FIFA garantiu ainda que pretende que exista maior controlo nos negócios, de forma a “evitar a corrupção, os subornos e a lavagem de dinheiro”, escrevemos nós em Fevereiro. Uma verdade. Mas de Fevereiro a Agosto passaram já seis meses e nada foi feito nesse sentido. Urge que após o fecho do mercado, este seja finalmente revolucionado como a FIFA prometeu. Urge colocar um travão à loucura que impera no mesmo.
Urge lutar pela competitividade. Urge travar as desigualdades. Urge entender porque o modelo competitivo norte americano é tão bem sucedido e urge trazê-lo para o futebol. Urge responsabilizar os clubes pelo mau scouting e planeamento e não permitir que equipas sejam delapidadas de seis em seis meses. Urge deixar de penalizar os clubes que bem trabalham. Urge deixar de ser tão fácil um jogador forçar a saída de um clube, ao mesmo tempo que urge permitir que os jogadores sejam também tratados como gado. Urge colocar um travão ao tráfico humano desportivo. É que se ao nível de elite os jogadores são pagos a peso de ouro, tal é uma gota no oceano que é a realidade de um futebol movido a interesses.
A FIFA quer o fim do mercado de inverno; quer o mercado de verão a fechar antes do arranque dos campeonatos; quer a limitação de empréstimos; quer a criação de um tecto salarial em todos os clubes, quer a regulamentação das comissões pagas a agentes e intermediários. Nós queremos tudo isto, mas queremos acima de tudo que tal não passe da intenção e chegue ao papel. Já lá vão seis meses desde a confissão de intenção. Em nome da transparência, é tempo de revolucionar o mercado e a forma como o mesmo funciona."

Olimpismo tóxico

"Numa espécie de olimpismo tóxico, que nada tem a ver com o ideário de Pierre de Coubertin ou com a filosofia de vida que deve presidir ao Movimento Olímpico, as oligarquias pública e privada da superestrutura do desporto nacional, incapazes de responder às verdadeiras necessidades do País e dos portugueses em matéria de promoção da prática e da cultura desportivas, foram tomadas por um esquizofrénico desejo de conquistarem medalhas olímpicas, como se as medalhas olímpicas pudessem esconder o estado calamitoso em que se encontra o vértice estratégico ideológico da estrutura orgânica do desporto nacional.
Ao estilo marialva do “magister dixit”, a institucionalização do processo de desenvolvimento sustentado na conquista de medalhas olímpicas arrancou em 2004-2005 à margem de toda e qualquer consulta às federações desportivas e demais agentes desportivos. Então, numa eufórica infantilidade, para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008), chegaram a ser anunciadas seis medalhas olímpicas a conquistar pela Missão Olímpica portuguesa. Ora, como seria de esperar, devido à delirante previsão, à incompetente chefia da Missão e a uma presidência absolutamente incapaz, o que acabou por acontecer em Pequim foi uma vergonha não só nacional como internacional. O então presidente do COP, perante o espanto do País, apresentou a sua demissão à comunicação social durante o decorrer dos próprios Jogos Olímpicos.
Terminados os Jogos, quando o País esperava a assunção de responsabilidades por parte das olímpicas lideranças, à boa maneira portuguesa, a nomenclatura política então em funções proferiu uma das máximas mais tóxicas das que alguma vez foram proferidas no Movimento Olímpico nacional: - Como não são os dirigentes que correm, que lançam ou que saltam não se lhes podem pedir responsabilidades. E tudo continuou na mesma durante mais oito penosos anos.
O problema é que a referida metáfora fez escola no desporto nacional. E, hoje, os dirigentes desportivos agarrados ao poder, perante os maus resultados desportivos conseguidos, não se preocuparam sequer em perguntar se eles foram devidos: (1º) À inadequação do modelo de desenvolvimento instituído; (2º) À deficiente estrutura organizacional; (4º) À estratégia errada para a organização do futuro; (5º) À carência de meios de planeamento; (6º) À ausência de sistemas de controlo; (7º) Ao desperdício de recursos humanos materiais, financeiros e informacionais; (8º) À incompetência da liderança; (9ª) À incapacidade dos dirigentes; (10º) À inaptidão da tutela política. Pelo contrário, começaram, imediatamente, a saltar para as conclusões e a afirmar solenemente que, como não foram eles que correram, que lançaram ou que saltaram, não se sentiam responsáveis pelos fracos resultados desportivos da sua própria gestão. Em resultado, nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, os grandes responsáveis pelos fracos resultados acabaram por ser os atletas!
Por isso, não nos podemos admirar que após os JO de Londres (2012) e, sobretudo, do Rio (2016), perante os piores resultados desde 1992, depois das habituais ameaças de demissão para impressionar o basbaque, com o acalmar dos ânimos e a mobilização dos correligionários do costume, lá tivemos de assistir à habitual cantilena: - desculpem lá…, mas como não foram os dirigentes que lançaram, correram ou saltaram não se lhes podem pedir responsabilidades. Em consequência, suas excelências dispuseram-se ao alto sacrifício de continuarem mais quatro anos a usufruir de um poder que não são sequer capazes de compreender. E o País anda nisto há quase trinta anos.
O problema do desporto nacional não está na falta de qualidade dos praticantes, nem na qualidade dos técnicos. Não está na carência de recursos financeiros. Não está na necessidade de mais instalações desportivas nem de mais clubes, associações ou federações que, à parte de algumas excepções, até funcionam com razoável eficiência e eficácia. O grande problema do desporto nacional está nos dirigentes políticos e desportivos do vértice estratégico que anunciam “novas agendas para o desporto” e, ridiculamente, elegem o desporto como “desígnio nacional” para, depois, se limitarem a garantir e mal a logística aos atletas que competem nos eventos internacionais. Quer dizer, têm revelado a mais confrangedora incapacidade para equacionarem um coerente processo de desenvolvimento do desporto para o País que somos e não aquele que eles, nas suas catarses de usufruto do poder imaginam. Em consequência, a par de atletas que, por iniciativa própria, o apoio dos clubes e o esforço das suas famílias, conseguem resultados extraordinários, a estrutura ideológica e organizacional do desporto nacional está, desde 2004, olimpicamente descerebrada, em “roda livre” e a caminho do caos.
Na realidade, não são os dirigentes desportivos que correm, que lançam ou que saltam. Mas são os dirigentes desportivos que são responsáveis: (1º) Pela defesa dos princípios, dos valores, do credo e da missão das instituições que lideram; (2º) Pela estrutura orgânica e os fluxos que fazem as organizações funcionar com eficiência e eficácia; (3º) Pela definição de objectivos que, de acordo com a missão da organização, vão organizar o presente a partir de um futuro que desejam construir; (4º) Pela estratégia de desenvolvimento que há-de conduzir ao consumar dos objectivos determinados; (5º) Pelo planeamento e programação que, no espaço e no tempo, coordenam os esforços, os recursos e os meios envolvidos; (6º) Pela captação de recursos financeiros; (7º) Pela parcimoniosa afectação dos recursos, humanos, materiais e financeiros; (8º) Pela organização dos mecanismos de controlo; (9º) Pelo envolvimento social; (10º) Pela liderança partilhada uma vez que, ao contrário daquilo que alguns parecem pensar, eles não são donos das organizações que lideram. Por isso, quando falham, se tiverem uma réstia de dignidade, resta-lhes darem o lugar a outros. 
Depois dos fracassos que foram as últimas três Missões Olímpicas, continuar a defender que os dirigentes desportivos não podem ser responsabilizados pelos resultados desportivos porque não são eles que correm, que lançam ou que saltam é defender uma olímpica mediocridade dourada que, salvo uma ou outra excepção, tomou conta do dirigismo desportivo nacional. É defender uma das metáforas olímpicas de maior toxidade já produzida no País na medida em que, para além de desresponsabilizar os dirigentes desportivos pela ausência de resultados desportivos, quer na base, quer no topo da pirâmide de desenvolvimento, acaba, também, por proteger os dirigentes políticos pela completa ausência de políticas públicas que deviam garantir para o desporto nacional um processo de desenvolvimento com um mínimo de dignidade."

Gargalhadas na Baixa, canalhadas na Caixa

"Cada um nasce para o que merece, já diria, com o seu maravilhoso simplismo, o Mário-Henrique Leiria

Ouvir Pedro Proença compungido de preocupação pelo futuro dos clubes portugueses é como sentir estalar gargalhadas na Baixa ao tempo do Artur Corvelo, d’“A Capital”. Há gente que não se enxerga, já diz o povo. Recorro ao exemplo de um episódio sórdido. Mergulhado no descanso de uma vilegiatura (ah!, aí estão as férias!), comecei a receber, no telemóvel, fotografias porcas de um número desconhecido. Como vinham por WhatsApp, traziam dependurado o focinho do mensageiro. Seria de ignorar, não fora o abuso. O quadrúpede de 28 patas, vim a saber, era um empregadito manhoso da Caixa Geral de Depósitos, um tal Marcelino Augusto Lopes.
O nome, de um ridículo pomposo, poderia ser pseudónimo. Não era. Existia mesmo, o lapardão. Se o divino Eça fosse vivo, ter-lhe-ia dado as clássicas bengaladas à porta da Baltreschi. Não havendo Baltreschi, estão prometidas ao labrego as taponas devidas a um patego de tal calibre. Lá está: o que incomodou mesmo foi o abuso! Lá porque me viu num ou outro programa de TV, pôs-se à vontadinha. Levei a mal à CGD por ter sido usado, ao que soube, um telefone da empresa. Apresentei uma reclamação; garantiram rapidez na resposta. Dez meses mais tarde recebi a nota oficial: não encontravam nada de censurável no comportamento da alimária. Ou seja: patrocinaram a canalhice. 
Cada um nasce para o que merece, já diria, com o seu maravilhoso simplismo, o Mário-Henrique Leiria. Proença pode falar muito e muito ligeiramente sobre a prova que organiza, mas as suas palavras leva-as o vento: desde que está à frente da Liga, assistimos à degradação sistemática da qualidade do campeonato. O ignaro mariola das porcarias continuará a fazê-las, a coberto do patronato, porque essa é a sua essência boçal, até ao momento em que alguém mais enfastiado lhe deite a mão ao cachaço e lhe aplique uns abanões. Quanto à Caixa, nunca tive lá conta. Há gente à qual não confio nem um tostão."

Nova época de futebol em Portugal: as discussões que não VARiam

"Ninguém quer saber do futebol para nada desde que o seu clube ganhe. E por isso a discussão de fundo não tem lugar e não é sequer tema central quando se iniciam períodos eleitorais como aquele em que se vive no Sporting.

Depois das emoções do mundial de futebol, da vitória dos nossos magníficos sub-19 e do tradicional interregno ocupado com o desfile dos reforços nas capas dos três jornais desportivos diários, o país do pontapé na bola prepara-se para o início dos campeonatos nacionais. Muito para além das discussões correntes sobre os principais lances e acerto das decisões dessa nova figura, que dá pelo nome de VAR, há, no plano internacional, um conjunto de movimentações que deveriam fazer reflectir aqueles que gostam do chamado desporto rei.
E para isso, nada melhor do que olhar para uma fotografia global que resulta de uma análise, reportada ao ano anterior, efectuada pela FIFA, e constante de um documento designado por "Global Club Football 2018 Report". O trabalho resulta de um questionário enviado a 211 associações, membros da FIFA e teve uma elevada taxa de participação, considerando que 187 delas responderam efectivamente. Pelo meio, alguns dados estatísticos que resultam de uma análise das competições organizadas por cada um dos membros e dados adicionais recolhidos pela FIFA. E neles, obvio destaque, sob a nossa perspectiva, para as duas competições mais importantes do velho continente: Champions e Europa League. Num quadro curioso, a FIFA analisa, por grupos de 9 anos, o número de países que alcançaram as finais das duas referidas competições. Portugal vai fazendo números interessantes na Europa League, mas a Champions é uma quimera cada vez mais difícil de alcançar. Aliás, no período 2011/2017 há apenas 4 (!) países que colocaram equipas nas finais: Espanha, Alemanha, Itália e Inglaterra.
Portugal sofre já este ano as consequências da performance das equipas nacionais ao perder um lugar na Champions. A (pouca) discussão que se ouve centra-se na responsabilidade de cada um dos clubes na descida do ranking do país e não naquilo que se deve fazer para recuperar.
Um outro dado interessante, e ainda menos discutido em Portugal, é a questão dos direitos de transmissão televisiva. Nos 190 países em que a FIFA recolheu informação, 171 optou pela negociação colectiva. Metade dos que optaram pela negociação individual estão na CONCACAF (confederação norte americana) e na Europa, Portugal tem apenas a companhia da Arménia, do Chipre e Ucrânia. Portugal caminha, por isso, para uma posição de orgulhosamente só nesta matéria, incapaz de compreender que a venda colectiva tem inequívocas vantagens no momento da negociação, fruto de uma maior capacidade negocial pela possibilidade de alienação em "pacote". O rácio de assimetria da receita televisiva por posição classificativa agravou-se de 2010/2011 (5,7x) para 2015/2016 (14,9x) de acordo com os dados da EY apresentados em Março nas Jornadas anuais da Liga. O que significa apenas que os 3 grandes seguem na sua senda individualista, cuidando ser possível querer saber apenas das suas posições, sem perceber que o aumento da competitividade, que uma melhor distribuição da receita permitiria, a médio prazo, um aumento das suas próprias receitas. Só que, em Portugal, a pressão dos adeptos centra-se na vitória no próximo jogo e na próxima competição. Ninguém quer saber do futebol para nada desde que o seu clube ganhe. E por isso a discussão de fundo não tem lugar e não é sequer tema central quando se iniciam períodos eleitorais como aquele em que se vive no Sporting por estes dias. A Liga, por seu turno, não tem força suficiente para impor a solução e assistiu, impávida, a uma recente discussão pública simplista em que se mediam contractos para dizer que "o meu é melhor que o teu".
Um outro dado revelador do que se passa em Portugal (por comparação com as demais ligas europeias), traduz-se no número de equipas campeãs nos últimos 10 anos. Partilhamos as 2 equipas com a Croácia, Gibraltar, Grécia, Escócia, Sérvia, Suíça e Ucrânia. Nos 4 países que colocaram equipas nas finais da Champions no período 2011/2017 a Espanha, a Itália e a Alemanha têm 3 equipas e a Inglaterra tem 4.
Vamos, por isso, iniciar o campeonato! Por entre as tradicionais discussões de arbitragem que não VARiam, ouviremos as repetidas queixas da intensidade da competição. Recorde-se apenas – nessa altura - que naqueles 4 países que levam as suas equipas ao Olimpo das competições europeias, Portugal partilha as 18 equipas com a Alemanha. Porque na Inglaterra, em Itália e em Espanha são mais 2 equipas na liga principal, com a mesma segunda volta.
Que role, pois, a bola e que ganhe o melhor (desde que seja o meu clube, claro)!"

Começa hoje

"Inicia hoje a edição 2018/19 do campeonato português. Porto, Benfica e Sporting ainda não têm os plantéis selados, mas, pelo menos no Dragão, ficou assente que Marega não sai já para o West Ham. Ao mesmo tempo, a novela-Jonas ainda não conheceu o seu epílogo. Na Luz, os adeptos anseiam pelo desfecho da história que envolve o melhor intérprete do elenco, enquanto o rumor do retorno de Ramires também alimenta o sonho benfiquista. O Benfica é o clube anfitrião para o primeiro jogo do campeonato. Receber o Vitória, agora treinado por Luís Castro, é um desafio ainda mais difícil por se realizar ensanduichado pelos embates com o Fenerbahçe.
Fazendo um pequeno parêntesis acerca da terceira pre-eliminatória da Liga dos Campeões, convenhamos que o apuramento do Benfica para a fase dos play-off ainda não está garantida. O Benfica foi bem superior aos turcos na Luz, sobretudo na segunda parte. Não ter sofrido golos em casa é um trunfo para o Benfica, mas Rui Vitória também deve ter percebido que Cocu foi a Lisboa sem particular ambição, na esperança de jogar todas as fichas em Istambul, já com Souza no meio-campo, André Ayew no lado direito do ataque e também Soldado na frente em vez de Alper Potuk. O Benfica até pode vir a exaltar mais as situações de contra-ataque no estádio Şükrü Saracoğlu, mas a capacidade para o Fenerbahçe se lançar para o ataque deverá ser bem superior à da primeira mão. Irá Jonas a jogo na Turquia?
Gostei da forma como o Porto se bateu com o Aves, na Supertaça, em Aveiro. As lesões de Brahimi e de Tiquinho até podiam ter sido mais nocivas, mas Corona jogou bem, numa noite em que era obrigatório não sentir a falta de Marega. Até porque o Benfica ainda está sem Krovinovic (deve voltar a jogar em Setembro) e porque o papel de Jonas está indefinido, parece-me que o Porto, mesmo com as baixas de Marcano e de Ricardo, é o candidato ao título que menos adulterou a sua forma de querer dominar o adversário. Potência, agressividade, chegadas rápidas à frente e equilíbrio total nas coberturas são factores que mantêm fortalecido o Dragão para esta época. Continuando Casillas na baliza, é meio caminho andado para a equipa não perder estabilidade.
Para além disso, Otávio continua a ser visto como uma unidade importante para assegurar dinâmicas na passagem do corredor direito da zona média para o centro. Tanto ele como Herrera movem-se bastante bem na recepção na meia-direita, ajudando a que um dos atacantes (Marega ou André Pereira) se projete com mais espaço na aproximação à grande área, onde Aboubakar já está à espera da bola. Simultaneamente, na outra faixa, Alex Telles e Brahimi fazem uma dupla formidável. Sérgio Conceição aguarda a disponibilidade de Danilo para o meio-campo, mas Sérgio Oliveira tem mais uma meta de afirmação e não vai ser fácil tirar-lhe o lugar do onze.
O Sporting é o clube sobre o qual mais pontos de interrogação se colocam. Depois do pesadelo em Alcochete e mediante os sucessivos tumultos directivos, não tem havido muito sossego em Alvalade. De qualquer forma, alguns danos foram minimizados, logo constatados nos regressos dos três B: Bruno Fernandes, Battaglia e Bas Dost. Peseiro não fez o grosso da pré-época com o ponta de lança holandês e veremos de que modo é que a bola lhe vai chegar. As combinações entre Nani e Bruno Fernandes prometem elevar o padrão técnico leonino, mas terá de haver iniciativa para possibilitar cruzamentos para aproveitar o recurso de jogo aéreo de Bas Dost. Jefferson, no lado esquerdo, é uma excelente unidade para o efeito. Mathieu lidera cada vez melhor o eixo defensivo e digamos que a baliza não fica mal entregue a Viviano, autor de um erro inusitado contra o Marselha, que, aliás, não retrata o guarda-redes toscano. O percurso na Sampdoria deu-nos a conhecer um guarda-redes pouco extravagante, mas muito regular na protecção da baliza. É tudo menos aquilo que mostrou naquele instante contra o OM.
Peseiro orienta, hoje, uma equipa bem mais competitiva do que aquilo que o cenário de múltiplas rescisões sugeria para a época 2018/19. Ainda assim, estão, neste momento, um degrau abaixo de Porto e Benfica. Talvez depois do fecho do mercado de Verão possamos ser mais conclusivos, sobretudo se se concretizar a chegada de Diaby para o ataque. A montante, seria sensato procurar um médio-centro credenciado e com bom controlo de bola, para que o Sporting ultrapasse a barreira da etapa inicial de construção. O pós-William vai conhecer, agora, os seus efeitos."

Benfiquismo (CMXVI)

Mister e Master...!!!

Vermelhão: Susto...

Benfica 3 - 2 Guimarães


Grande primeira parte... e não foram só os golos. A equipa pressionou, trocou a bola... e até demonstrou capacidade criativa no último terço, algo que nos jogos da pré-temporada não aconteceu... É óbvio que este Guimarães é a equipa mais 'fraca' que defrontamos ultimamente (excepto Napradek e Setúbal), mas notou-se confiança... e melhor entrosamento. Sendo que o Gedson movimentou-se melhor nas situações de ataque organizado, dando mais linhas de passe ofensivas!

As excepções, foram somente duas: cabeceamento para boa defesa do Odysseias (após domínio com o braço dum jogador adversário)  e mau passe de Jardel, que deu em nova grande defesa do Odysseias e bola no poste...!!!
Estas distracções, não podem acontecer...
No segundo tempo, com 3-0, que podiam e deviam ser mais, entrámos com intenção de controlar o jogo, a baixa velocidade, e a verdade é que até às substituições 'resultou'! O jogo estava 'morto', não criámos muito perigo, mas o Guimarães também não...
O problema das substituições, deveu-se a uma opção declarada de começar a 'preparar' o jogo da próxima Terça em Istambul!!! Os jogadores que saíram, foram aqueles que se pensou precisarem de 'descanso' para a Champions: Cervi e Fejsa... Enquanto o jogo desta noite, dava indicações que o Pizzi e até o Gedson estavam a perder 'gás'... que o próprio Salvio já não defendia, as primeiras opções para sair foram outras...
O Alfa vai provavelmente 'levar' com as críticas em cima, mas não foi só culpa dele...
O MVP é fácil: Pizzi... Mas tanto o Salvio como o Gedson foram importantes nos golos. Aliás o Salvio e o Grimaldo têm sido dos melhores neste início de época. Hoje o Cervi não marcou, mas jogou melhor do que no jogo contra o Fener!!!
Como já afirmei antes, o Gedson melhorou bastante hoje. Ainda faltam alguns pormenores, ainda perde a bola infantilmente, ainda comete alguns erros de decisão, mas defensivamente a boa pressão após perda de bola que o Benfica faz, deve-se muito a ele... e ofensivamente, já percebe qual o espaço que deve ocupar...
Odysseias bem... vão dizer que ele largou uma bola para a frente que não devia, mas o remate era difícil...

Com 3-0 estava a ser um jogo 'brilhante', o  'susto' até pode ser útil para todos entenderem que o caminho ainda é longo... Cada jogo será uma batalha!


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Alvorada... do Ricardo

Benfiquismo (CMXV)

Vai começar...

Enquanto o sol se punha em Fall River...

"O Benfica foi a primeira equipa portuguesa a visitar os Estados Unidos. Em 7 de Agosto de 1957, defrontou uma frágil selecção da Nova Inglaterra, recheada de emigrantes lusos, e fez como nos jogos da escola: mudou aos cinco e acabou aos dez.

O Benfica está na América de Norte, a disputar mais um daqueles torneios que sempre fizeram parte da sua história. Por isso, nada como dar, hoje, uma vista de olhos sobre a primeira vez que o clube da águia viajou até aos Estados Unidos, em Agosto de 1957.
Festa em Fall River, pois claro. Cidade do estado de Massachusetts, com uma enorme colónia de emigrantes portugueses, na sua maioria originários dos Açores.
Terra que deu, igualmente, aos Estados Unidos alguns dos seus jogadores de futebol mais famosos, como John Souza e Ed Souza, irmãos, Billy Gonsalves (assim mesmo, com o nome truncado), considerado por muitos como o melhor de todos os tempos, ou Bert Patenaude, o autor do primeiro hat-trick numa fase final de um Campeonato do Mundo.
Nova Inglaterra: a divisão geográfica não é oficial, mas é o território que engloba os estados de Massachusets, Vermont, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut. Como se constata, não foi por acaso que o Benfica defrontou nesse seu primeiro jogo nos EUA uma selecção da Nova Inglaterra. Uma selecção muito ad hoc, entenda-se: basicamente composta por luso-americanos, ansiosos por se medirem em campo frente ao campeão de Portugal.
A coisa resolveu-se com simplicidade: 10-0. Cinco na primeira parte e cinco na segunda, tal e qual os jogos da escola primária, só que com balizas a sério.
Pela primeira vez uma equipa portuguesa apresentava-se nos Estados Unidos. Pouco tempo antes tinha por lá passado o Vasco da Gama, do Brasil, com sucesso aceitável, diga-se de passagem.
Os norte-americanos podiam estar-se um bocado nas tintas para o 'football association', preferindo desportos como o futebol americano, o basebol ou o basquetebol, mas não deixavam de sentir uma forte curiosidade pelo jogo inventado pelos ingleses e que fascina todo o mundo.

Dez-a-zero!
Estavam 15 mil pessoas em redor do relvado. Queriam ver gente como Costa Pereira, Palmeiro, Coluna, Cavém ou José Águas. E viram.
Vamos e venhamos: os jogadores do Benfica souberam honrar briosamente as camisolas. Não olharam para as debilidades do adversário com sobranceria, nem pretenderam transformar o encontro num número circense com cada um a fazer o seu truque. Deitaram mãos à obra e desataram a acumular golos para gáudio dos muitos portugueses presentes.
Os seleccionadores da Nova Inglaterra pouco mais tinham para dar do que entusiasmo. Deram-no. Foram até ao fim da sua capacidade física.
Coluna foi o primeiro a marcar, logo aos 10 minutos, com um pontapé de longe, bem colocado. Seria ele a abrir o dique.
Oito minutos mais tarde, Caiado fez o 2-0 graças a um lance individual e, aos 27 minutos, Águas elevou-se lá no alto, como tantas vezes na sua elegância distinta, e cabeceou para o terceiro golo. Logo em seguida, repetiu a proeza. E um tal de Jorge Bernardo, atarantado por tudo o que via suceder na sua frente, atrapalhou-se ao ponto de meter a bola na sua própria baliza.
Era tempo de mudar de campo.
As redes de ambas as balizas seriam tratadas por igual.
Salvador entendeu que estava na altura de fintar meia equipa da Nova Inglaterra e foi o que fez. Depois do último drible, cara a cara com o guarda-redes Nogueira, disparou fulminante.
A goleada ganhava uma forma arredondada.
Pegado, Azevedo e Salvador puseram o marcador em 9-0.
E, à beirinha do final, Palmeiro apontou um golo soberbo, talvez o melhor do desafio.
A tarde do dia 7 de Agosto terminava em beleza.
Encantados por verem os seus campeões ao vivo, os membros da colónia lusitana cumularam-nos com gentilezas. O Benfica abria uma nova porta e passaria, desde aí, a ser vista frequente dos Estados Unidos, tal como hoje em dia se comprova. A América do Norte podia não ser um dos centros entusiásticos do futebol, mas sabia acolher os grandes nomes.
E, em 1957, já o Benfica era um dos maiores da Europa."

Afonso de Melo, in O Benfica

À boleia...!!!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Futebol transatlântico

"Mês e meio de uma jornada pioneira que deu a conhecer aos portugueses muito mais do que o futebol brasileiro

No Verão de 1913, a convite do Botafogo Football Club, dezasseis 'footballers portuguezes' atravessaram o oceano Atlântico rumo ao Brasil. Era a 'primeira excursão de projecção internacional organizada pela Associação de Futebol de Lisboa' e da equipa faziam parte oito jogadores 'encarnados'.
A 26 de Junho, partiram de Lisboa: Henrique Costa, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião, Artur José Pereira, Álvaro Gaspar, Luís Vieira, Paiva Simões, José Domingos Fernandes, jogadores do Benfica, e ainda Eduardo Luís Pinto Basto, Carlos Sobral e Boaventura Belo, do CIF, e Amadeu Cruz, António e Francisco Stromp, Cândido Rosa Rodrigues e João Bentes do Sporting.
A recepção 'foi simplesmente maravilhosa, inesquecível, (...) A cada dois jogadores foi posto um automóvel às ordens e um «cicerone» que nos levou a todos os lugares de interesse turístico e de diversão existentes'. Para assistir aos desafios luso-brasileiros, disputados no Rio de Janeiro e em São Paulo, 'afluiu um público entusiasta' vindo 'de todas as partes do Brasil'.
Cosme Damião, que 'assumia não só a responsabilidade da equipa, como também desempenhava as funções de preparador físico, treinador e «capitão»', tentou que tantas atracções não desencaminhassem os atletas, mas, à hora de recolher, 'após a «revista»', que era feita pelo próprio, 'alguns (...) ludibriavam-no, saindo do quarto com os sapatos na mão para não serem pressentidos, e vá de frequentar o «clubs» nocturnos até altas horas'. Ainda assim, não decepcionaram e frases como 'os portuguezes jogaram admiravelmente' foram recorrentes na imprensa local.
Na hora da despedida, alguns jogadores 'encarnados' foram abordados pelo Botafogo para aí permanecer. 'Ofereceram-me até um bom lugar numa fábrica de lanifícios a ganhar (...) dez vezes mais do que auferia nos CTT (...) Porém, (...) as saudades da família (...) não permitiram que eu ficasse', conta José Domingos Fernandes. Luís Vieira, pelo contrário, aceitou e 'por lá se manteve durante três anos'. Os restantes atracaram em Lisboa cerca de mês e meio depois, a 12 de Agosto.
Símbolo dessa jornada pioneira, encontra-se exposto na área 18 - 'E Pluribus Unum' do Museu Benfica - Cosme Damião o bastão oferecido pelo Botafogo Football Club a Cosme Damião."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Diana... finalmente!

À terceira foi mesmo de vez, na prova dos 400m livres a Diana Durães conseguiu atingir a Final, depois de dois 9.ºs lugares, nos 800m e 1500m...
Não fez o seu melhor tempo (4m12s41), mas ser Finalista num Europeu de Natação, é algo muito raro na história do desporto português!



Também em Glasgow, a Melanie Santos, ficou em 10.º lugar no Europeu de Triatlo... Foi um bom resultado, mas podia ter sido melhor...!!!

Alvorada... do Martins

Pontos de interesse no jogo do Benfica

"O primeiro jogo oficial da época trouxe algumas sugestões interessantes para se conhecer melhor a realidade do Benfica. Desde logo, a novidade de uma vitória internacional. Não se pode propriamente considerar uma vitória benfiquista na Champions, mas, ainda assim, uma vitória frente a uma equipa com qualidade de Champions. E isso é uma boa novidade, depois da época internacional deplorável e até angustiante que o Benfica fez no ano passado.
Segundo apontamento digno de registo, o facto do Benfica ter conseguido não sofrer golos numa eliminatória equilibrada e que pode ser decidida por golos marcados fora de casa. O resultado de 1-0 não é, evidentemente, um resultado confortável, mas é um resultado que admite passar os cinquenta por centro de hipóteses de sucesso e coloca o adversário em posição bem mais insegura.
Terceira nota, que nos pareceu importante: a excelente segunda parte do Benfica, não tanto na capacidade ofensiva, onde continuou a faltar poder de concretização, mas onde já não faltou capacidade de pressionar e de atacar a bola no primeiro terço do campo defendido pelo opositor. E isso é algo que se saúda numa equipa que, na época passada, se limitava a marcar com os olhos e a deixar ao adversário total liberdade na primeira fase de construção do seu jogo.
Aspecto mais negativo: começa a ser indigente o aproveitamento do Benfica, no seu jogo ofensivo. Questão séria para resolver e que pode aconselhar à mudança do actual 4x3x3, que é muito pouco dinâmico. Será que Rui Vitória terá um plano B, com um 4x4x2 para adversários mais frágeis?"

Vítor Serpa, in A Bola

Tiros de partida

"O Benfica garantiu uma vantagem curta, mas importante, sobre o Fenerbahçe

1 - O Benfica deu um passo importante no caminho que os encarnados esperam poder levar à entrada na fase de grupos da Champions e ao pote de ouro que aguarda do outro lado dos play-offs. É verdade que a diferença mínima, até por definição, é demasiado curta para autorizar qualquer tipo de descontração, mas marcar e não sofrer nos jogos disputados em casa é uma espécie de fórmula resolvente para este tipo de eliminatórias: afinal, agora serão os turcos a ter de assumir as despesas do jogo e os encarnados têm argumentos para cobrar esse esforço. Depois, sendo verdade que, tal como Rui Vitória sublinhou, não há equipas perfeitas em Agosto - e o Benfica esteve longe da perfeição - o facto é que, em termos de ritmo e preparação, o Fenerbahçe parece ainda não ter passado de Julho, o que se pode revelar decisivo. A confirmar para a semana, em Istambul.

2 - Mesmo que a entrada de Castillo para o lugar de Ferreyra tenha demonstrado que Rui Vitória tem soluções para mexer no sector ofensivo, abanando jogos que ameaçam ficar estagnados, o facto é que continua a faltar golo ao ataque do Benfica - o que torna Jonas num tema simultaneamente incontornável e desconfortável. Luís Filipe Vieira tratou ontem de passar esse desconforto para o jogador. Segundo o presidente encarnado, o Benfica não pretende vender ninguém, os encarnados estão satisfeitos com Jonas, o brasileiro tem mais um ano de contrato e, sabe O Jogo, o clube até pretende renovar com ele, tornando-o no jogador mais bem pago do plantel. Por outras palavras, Jonas só sai se quiser, se o assumir publicamente e se arranjar quem pague a transferência. Batata quente nas mãos do brasileiro."

Retrocesso no VAR?

"Não contávamos voltar tão cedo às questões do Vídeo-Árbitro (VAR) mas, ao tomarmos conhecimento das "recomendações" do Conselho de Arbitragem para aplicação na época que agora se inicia, exige que o façamos.
Todos estamos recordados da análise que os dirigentes máximos do Futebol fizeram no final do recente Campeonato do Mundo, congratulando-se pelos excelentes resultados obtidos na aplicação do VAR, apesar de ter sido utilizado pela primeira vez a esse nível e por muitos Árbitros que não tinham qualquer experiência anterior.
Entre as vantagens assinaladas, foi dado especial destaque ao significativo aumento do número de penaltis assinalados, sendo tal assumido como um considerável avanço na procura da verdade desportiva.
Eis senão quando o Conselho de Arbitragem (CA) resolve fazer um conjunto de "recomendações" aos seus Árbitros, com vista a criar maior uniformidade nos critérios de aplicação das leis.
Pegando na notícia de um jornal diário, entre outras doutas asserções, o CA recomenda que seja evitada "a banalização dos penaltis".
Não se percebe exactamente onde se pretende chegar, mas salta à vista que algum Árbitro que tenha o azar de ser forçado a assinalar, no exacto cumprimento da lei, vários penaltis no mesmo jogo, tem a folha feita, como se costuma dizer.
É lamentável que assim seja até porque, depois da avaliação feita ao VAR no Mundial, tínhamos esperança de ver substancialmente reduzido o número de agarrões nas áreas, nomeadamente em situações de bola parada.
Quanto a nós, pelo contrário, torna-se imperativa a aplicação das regras: "agarrão = penalti", em caso de falta defensiva, com exibição de cartão (amarelo ou vermelho); "agarrão = livre", para falta ofensiva, com eventual exibição de cartão; e, nos casos de mútuo agarrão em que não seja possível definir de forma clara o principal infractor, interrupção do jogo e, eventualmente, amostragem de cartão amarelo a ambos. Será esta a única forma de reduzir a "sinistralidade" (!) dentro das áreas… 
Para além deste pormenor, nas restantes recomendações destacadas na notícia citada, há a manifesta intenção de reforçar a autoridade dos Árbitros, designadamente na avaliação subjectiva de algumas faltas: seja pela destrinça da mão na bola/bola na mão, da força excessiva na falta cometida (ou não), reacção a falta marcada, ou no pedido de recurso ao VAR (punido com amarelo), entre outros casos. 
Sem termos tido acesso à totalidade das "recomendações" não podemos deixar de reiterar o que deixámos escrito no artigo que aqui publicámos no passado dia 25 de Julho, nomeadamente no que concerne às excessivas demoras (dos guarda-redes, lançamentos laterais, marcação das barreiras e das faltas, substituições e outras).
Da mesma forma, também pelo que entendemos estar a ser uma progressiva aproximação à aplicação da cronometragem exacta, uma vez que o progressivo aumento dos tempos de descontos irá conduzir à inevitabilidade daquela medida.
Aliás, temos assistido a tomadas de posição de vários comentadores televisivos (incluindo antigos árbitros), que cada vez mais vêm assumido posições condizentes com as que aqui temos defendido; entre outras, por exemplo, a penalização dos guarda-redes com 2.º amarelo por reincidência nas perdas de tempo – o que, como referimos, nunca vimos acontecer…"

A Volta começou de cacilheiro

"No dia 26 de abril de 1927, os ciclistas alinharam-se no Marquês: os fortes vestiam de negro, os fracos de verde, os militares de vermelho...

Abril de 1927 - dia 26, terça-feira. A primeira edição da Volta a Portugal estava na estrada. Na estrada e no rio, mas já lá vamos. «Prova desportiva de violência», destacava a imprensa, alguma dela invejosa. Invejosa porque a ideia saíra do bestunto de Raul Oliveira, do jornal Os Sports, e era o seu periódico a organizar a prova a meias com o Diário de Notícias. De tal forma invejosos, acrescente-se, que no mês seguinte O Sporting, sedeado no Porto, avançou para a estrada com outra Volta, embora mais modesta.
A brincadeira ficou tão cara aos organizadores que só voltou a haver nova edição em 1931 por falta de verbas disponíveis.
A primeira etapa começou em festa. No Marquês de Pombal, os concorrentes alinhavam por cores correspondentes à sua categoria: de preto, os mais fortes; de verde, os mais fracos; de vermelho, os militares, fossem eles fracos ou fortes. A caravana percorreu a Baixa por entre o entusiasmo popular e foi em ritmo de passeio até ao Cais do Sodré. Atravessou o Tejo num vapor da Parçaria, como chamava o povo aos então cacilheiros da Parceria dos Vapores Lisbonenses, e iniciou a primeira etapa em Cacilhas para a terminar em Setúbal.
Uma festa!
22 dias de competição à volta do país: Lisboa-Setúbal; Setúbal-Sines; Sines-Odemira; Odemira-Portimão; Portimão-Faro; Faro-Beja; Beja-Évora; Évora-Portalegre; Portalegre-Castelo Branco; Castelo Branco-Guarda; Guarda-Torre de Moncorvo; Torre de Moncorvo-Bragança; Bragança-Vidago; Vidago-Braga; Braga-Porto; Porto-Coimbra; Coimbra-Caldas; Caldas-Lisboa.
Volta mais volta era difícil.
Dois dias de descanso: em Vidago e nas Caldas da Rainha.
1.958,5 quilómetros a percorrer.
Era obra!

Primeiro de amarelo
Quirino de Oliveira era atleta do Clube Atlético de Campo de Ourique. Foi ele o vencedor da primeira etapa e, portanto, o primeiro camisola amarela da história da Volta a Portugal. O seu combate ombro a ombro com António Augusto de Carvalho, do Carcavelos, e vencedor da prova, ficou por muitos anos no imaginário de todos os que seguiram a Volta com entusiasmo e pertinácia. Diga-se, pelo caminho, que a competição só teve três camisolas amarelas: Quirino, Carvalho e Nunes Abreu, do Leixões, na etapa 15.ª, entre Braga e Porto.
Quirino de Oliveira ver-se-ia atraiçoado pela estrada a caminho de Moncorvo: depois de seis etapas envergando a amarela, uma queda dolorosa fê-lo ser ultrapassado por António Augusto de Carvalho. De forma decisiva. Acabaria em terceiro.
O vencedor da primeira Volta a Portugal gastou 79 horas e 8 minutos para cumprir o percurso.
Só três ciclistas ficaram a menos de uma hora do primeiro: Nunes de Abreu (a 9 minutos e 31 segundos); Quirino de Oliveira (a 19 minutos e 6 segundos); e Santos de Almeida, do Benfica (a 34 minutos e 18 segundos). O quinto classificado, Aníbal Firmino, do Carcavelos, terminou a anos-luz - uma hora, 25 minutos e 58 segundos.
Dos 38 ciclistas que se tinham enfileirado no Marquês de Pombal, naquele dia 26 de Abril, 26 chegaram a Lisboa depois de percorrerem o país de lés-a-lés. Apenas 12 desistiram, o que, para as dificuldades da época, se pode considerar mais do que razoável. O Carcavelos ganhou por equipas e o Sporting ficou em segundo. António Marques, do Carcavelos, foi o melhor dos fracos; o telegrafista João Francisco foi o primeiro dos militares.
«À partida das Caldas, a conquista do primeiro lugar estava verdadeiramente circunscrita a três corredores: Augusto Carvalho, Nunes de Abreu e Quirino», desfiava um dos jornais lisboetas no dia 16 de maio. E continuava, esclarecendo uma regra muito particular: «Os cerca de 2000 quilómetros do circuito foram divididos em 18 etapas - a última das quais Caldas-Lisboa. Até à 17ª, os corredores, de etapa para etapa, partiram ‘em linha’, tomando-se a cada um o tempo gasto. Na 18.ª, porém, partiram distanciados uns dos outros de harmonia com os tempos obtidos nas etapas anteriores».
Não deixaria de provocar confusão.
Entre as Caldas da Rainha e Lisboa estabeleceu-se um percurso que cumprisse exactamente 100 quilómetros. Santos Almeida seria o vencedor com um tempo histórico . partiu às 12 horas, 11 minutos e 44 segundos e chegou às 15 horas e 44 minutos. Tempo gasto: 3 horas, 32 minutos e 16 segundos, menos 7 minutos e 23 segundos do que o grande vencedor Augusto Carvalho.
Batera o recorde nacional dos 100 quilómetros.
«Lançou-se a semente à terra. Dentro de poucos anos a Volta a Portugal pode tornar-se uma prova modelar, como a Volta à França», orgulhava-se Raul Oliveira que tinha feito parte da comitiva do Tour de 1919 e, desde então, não desistiria sem ver algo de parecido acontecer em Portugal.
Os ciclistas só voltariam às estradas nacionais em 1931, como já vimos. Surgiria aí a rivalidade mais famoso de toda a história velocipédica portuguesa, a que opôs José Maria Nicolau, do Benfica, a Alfredo Trindade, do Sporting. E que fez com que o povo se apaixonasse definitivamente pela Volta a Portugal."

Pagar para ver futebol na TV

"Fui assinante da TV Cabo, agora sou da Nos, sempre tive a Sport TV, nunca por acesso ilegal, como muitos amigos e conhecidos meus se gabam. Acho que se deve pagar para ver jogos de futebol, mas o que é demais é moléstia. Tudo custa dinheiro e são as leis do mercado.
Todavia, não faz sentido nenhum, ter que pagar mais do que já pago (à volta de 30€). A Sport TV perdeu os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, Liga espanhola, Liga francesa, mas também os jogos das Ligas belga e escocesa e a Youth League.
A partir de 15 de Agosto, em virtude de haver um novo canal de conteúdos exclusivamente desportivos, estou mesmo a ver que vai sobrar para quem gosta de ver futebol em casa. Como tenho a Sport TV na Nos vou ter que pagar mais para poder ver a Liga dos Campeões.
A Liga espanhola, agora que Ronaldo saiu do Real Madrid, não me interessa e não me importo de não ver, mas na Liga dos Campeões quero ver alguns jogos, tendo à cabeça a Juventus com Ronaldo. 
Li, no Record, que a Eleven Sports pôs a Liga dos Campeões na Nowo, mas espera um acordo com as outras operadoras. Espero que cheguem a acordo, para que os assinantes da Sport TV não terem que pagar mais, para verem o que gostam e o que tinham acesso até agora.
Apercebo-me que é a primeira vez que a Sport TV enfrenta uma concorrência a sério. Anteriormente a BTV teve o exclusivo da Premier League e isso obrigou muitos fãs a ter que desembolsar um adicional de 10€, mas a Sport TV recuperou a Premier League. Mas, desta vez, não é brincadeira perder a Liga dos Campeões, todavia, não se pode estar a pagar tanto para ver jogos de futebol, qualquer dia voltamos todos ao café das redondezas para ver futebol. Por um lado, era bom para conversar e comunicar-se um pouco mais. Como é habitual, vão começar as falcatruas para ter o sinal de emissão a preços baixos ou de borla.
O que eu sei é que para já, apenas os clientes da Nowo terão acesso à generalidade dos jogos daquelas competições. Eu não sou cliente Nowo, mas quero ter acesso ao que tinha anteriormente na Sport TV pelo mesmo preço. Não aceito ter que pagar mais, ou a Sport TV deve baixar o preço, pois a sua oferta ficou amputada.
A concorrência do mercado, deveria funcionar para favorecer o consumidor, e não, para prejudicar e aumentar os preços. Por este andar, para ver todo o desporto relacionado com futebol terei que gastar mais de 50€ por mês. Vá lá, que na Sport TV posso ver outras modalidades como Fórmula1, MotoGP, Ténis, NBA, etc., mas não se justifica continuar a pagar 30€ sem a Liga Espanhola e a Liga dos Campeões.
Acho que deveria existir um pacote de desporto igual em todas as operadoras com o mesmo preço independente de ser da Vodafone, Meo ou Nos.
Mas, neste momento, a Eleven estará no ar a partir de 15 de Agosto na Nowo, por 9,99 euros."

Benfiquismo (CMXIV)

No pelado... em Sines!!!

Lanças... Início

A UEFA ao serviço (abjecto) dos poderosos

"Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá voltará

Escrevo este texto, horas antes do primeiro jogo oficial do Benfica. Quando for lido, já se saberá o desfecho do encontro contra o Fenerbahçe e as expectativas quando à 3.ª pré-eliminatória para acesso ao play-off para a fase de grupos da Champions.

1. Começo por analisar a absurda e cada vez mais elitista formulação desta competição. Em 2018/19, teremos 32 equipas na fase de grupos, assim divididas:
- O campeão da Liga dos Campeões (1).
- O campeão da Liga Europa (1).
- Os 4 primeiros classificados das federações do 1.º ao 4.º lugar no ranking da UEFA: Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália (16).
- Os 2 primeiros classificados das federações no 5.º e 6.º lugar: França e Rússia (4).
- Os campeões das federações classificadas do 7.º ao 10.º lugar: Portugal, Ucrânia, Bélgica e Turquia (4).
- Os 4 sobreviventes do chamado e penoso 'caminho dos campeões' das federações desde 11.º do ranking (Áustria) até à última 55.ª (Kosovo) que disputam 4 eliminatórias prévias!
- Os 2 sobreviventes do estranhamente apelidado 'caminho da liga', que resultarão de 3 eliminatórias, nas quais 6 equipas jogam a primeira delas e as vencedoras se encontram depois com os vice-campeões de Portugal, Ucrânia e Bélgica e os 3.ºs classificados da França e Rússia.
Ou seja, da Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália teremos 17 clubes (se acrescentarmos a forte probabilidade do vencedor da Liga Europa ser de um destes países), o que corresponde a 53% das presenças. A alteração produzida permite que um lugar secundário numa destas ligas (a 4.ª posição) tenha entrada imediata, ao mesmo tempo que o vice-campeão de Portugal (país campeão europeu) tenha de disputar duas eliminatórias com equipas de igual calibre. Em termos de planeamento de uma época, imagine-se o que, já com a bola a correr, significará estar dependente de poder ou não alcançar 40 ou mais milhões de euros, que é a inexplicável diferença entre estar na Liga dos Campeões ou ir competir na mísera Liga Europa. E, evidentemente, há os clubes que aguardam o desfecho destas duas eliminatórias para depenar os relegados para a Liga Europa que se veem obrigados a vender atletas a preços bem mais convidativos para os 'abutres'.
Bela e justa UEFA: já não basta a desigualdade no dinheiro distribuído que torna as diferenças crescentemente não reversíveis, o subtil (às vezes, nem isso) favorecimento dos tubarões, as 'migalhas' distribuídas a 49 das 55 federações, o fechar de olhos aos poderosos quanto a negócios obscenos e as duvidosa legitimidade, e eis que agora se reforça a Europa do futebol dividido-a categoricamente em anéis e velocidades estanques e intransponíveis.
Assim, lenta, mas inexoravelmente, deixámos de ter boas equipas holandesas, checas, escocesas, romenas, búlgaras, sérvias e de outros países que estão condenados ao degredo uefeiro. Entretanto, Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá poderá voltar. Assunto que, só por si, deveria pôr os clubes - sobretudo os chamados grandes - a redefinir estratégias porque o 'bodo aos pobres' tem os dias contados, a não ser para o campeão. Na Liga Europa, até tento perceber o entusiasmo nas últimas jornadas do nosso campeonato para ver quem fica num lugar pomposamente chamado 'europeu'. E depois? Gasta-se dinheiro com uma ou duas eliminatórias e acabou-se  'sonho europeu'. Ainda agora vimos o que aconteceu ao Rio Ave perante uma equipa ignora e de difícil memorização.

2. Embora muitos negócios ainda venham a passar pela ponte do defeso, absurdamente prolongado por cá (lá fora já há federações que os reduziram, como a inglesa) e já com 3 ou 4 jornadas do campeonato disputadas, escrevo, sobre as primeiras impressões do Benfica 2018/19.
Uma pré-época - como se convencionou chamar aos jogos que são antes de serem a 'sério' - que me pareceu positiva. Desde logo, porque não se jogou contra equipas do Luxemburgo ou da terceira divisão, mas sim contra formações de valia em torneios prestigiados. Depois, porque no seu início já foram integrados novos jogadores, quer contratados, quer promovidos. Terceiro, porque o planeamento das viagens e dos estágios foi adequado. Pena, no entanto, que para a 'Eusébio Cup', depois de uma época em que absurdamente não teve lugar e uma anterior jogada em Monterrey no México, tenha sido inventada uma absurda sobreposição com a última ronda da competição que o Benfica disputava. Tenho para mim que a Taça em honra desse grande jogador e benfiquista que foi Eusébio da Silva Ferreira deveria ser todos os anos disputada no seu Estádio da Luz, com todas as honras e simbolismo. Assim é lamentável...
Como já afirmei, escrevo antes do primeiro jogo a doer. E, também, diante da saga Jonas que vai para as Arábias, de manhã sem dores nas costas e fica na Luz, de tarde com as costas doridas. Por favor, decidam-se!
Do que gostei mais o do que mais dúvidas me suscita?
Em primeiro lugar, quanto ao titular da baliza, acho que as dúvidas foram dissipadas: o alemão de nome grego Odysseias Vlachodimos é o que mais garantias parece dar, ainda que tenha de provar poder aproximar-se de um tipo de guarda-redes que dá mesmo pontos. Uma equipa com a ambição do Benfica precisa de um guardião que faça a diferença. Infelizmente, depois de Oblak, Júlio César e Ederson (ainda hoje não 'engulo' a sua prematura saída com retorno financeiro relativamente reduzido), a equipa anda à procura de um substituto à altura. Svilar tem boas características, mas ainda um longo caminho a percorrer. Quanto ao greco-alemão, a ver vamos...
As principais boas surpresas acabaram por vir de quem menos se esperaria: Alfa Semedo e Gedson Fernandes. Dois jovens que não enganam e que, se não se deslumbrarem, podem ser muito úteis, como titulares ou suplentes, ao longo de uma extensa temporada.
Dos que vieram de fora, o mais rotulado Facundo Ferreyra ainda está longe do que dele se espera, embora o sistema de jogo mais usado não o tenha ajudado até agora. O chileno Nicolas Castillo pode ser um bom elemento, sobretudo em jogos de ataque constante e de intensidade física mais prevalecente. Com ou sem Jonas? Sinceramente receio que, sem ele, não haja, de imediato, sucedâneo para o toque de classe (e inteligência) do melhor jogador encarnado dos últimos anos.
Quanto aos defesas-centrais, Lema nunca o vi jogar, Conti tem 'pinta', mas é ainda algo ingénuo para o ritmo deste lado do planeta. Por tudo isto, Rúben Dias é fundamental ao lado de Jardel e, espero, que a sua quase obrigatória transferência para outros voos, aguarde pelo menos um ou dois anos.
Em boa promissora forma estão André Almeida (que, todavia, continua a ser pouco valorizado). Salvio (se não sair), Pizzi e Fejsa. Aguardo uma maior integração de João Félix que, estranhamente, foi ainda pouco utilizado e de Jota que merece ser gradualmente integrado na equipa principal. Zivkovic tem tido o problema de poder fazer várias posições, o que não é a melhor solução para o atleta. E falta um dos melhores reforços que é o croata Krovinovic que, em condições normais, terá lugar no onze inicial.
Uma nota final para referir quanto me continuam a intrigar situações de jogadores contratados que nem sequer uma vez passaram pelos balneários da Luz. Que é feito, por exemplo, de um sueco de nome Erdal Rakip contratado em Janeiro e logo remetido para um clube inglês e que, neste início de época, 'ninguém' sabe dele? Ou do atleta vindo do V. Setúbal, João Amaral, que foi contratado num dia e vendido no outro para a Polónia, sem que nada de bom (ou de mau) tivesse provado? E outros que me dispenso aqui de citar. Que razões ou justificações para estas transumâncias e que nacional para este tipo de scouting?

Contraluz
- Confusão: Distinguir o 'camisola amarela' na Volta a Portugal de outros ciclistas igualmente amarelados é coisa para especialistas. Por que razão se permite a existência de formações equipadas de amarelo, quando dantes, amarelo só havia um: o primeiro da classificação e mais nenhum!
- Lamentável: A SportTV vai deixar de transmitir os jogos da Champions e a Liga espanhola (coisa pouca...) e tem o desplante de achar que o preço a cobrar pelos seus canais se deve manter. Não oferece nada em troca, mas deixa de pagar por aquelas competições. Só os assinantes pagam o mesmo. Em condições normais de mercado, mereceria uma justa consequência dos ainda assinantes. Deplorável!"

Bagão Félix, in A Bola

Alvorada... do Gonçalves

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Sabe quem é? De carrinha para os treinos - Rui Vitória

"10 dias após morte dos pais num acidente, o destino mudou-se-lhe; Padre pô-lo a caminho do paraíso

1. A mãe era escriturária, o pai era soldador - e tinha sido guarda-redes do Alverca. Pela mão dele ganhou a paixão pelo futebol. «Começávamos de manhãzinha, voltávamos à hora de almoço a casa, comíamos -  e às três da tarde regressávamos ao campo. Viámos os escalões todos do Alverca - e aos 9 anos também eu fui jogar».

2. João Alves e Platini, Zidane e Rui Costa foram os ídolos que se lhe agarram ao fascínio. Até aos 17 anos mostrou-se sempre bom aluno - e, de um instante para o ouro, derrapou no destino: «Cheguei ao 12.º ano, estava, então, a treinar nos juniores e a jogar nos seniores do Alverca. Decidi armar-me em futebolista apenas - e chumbei. Foi uma lição».

3. Ter jogado no Alverca na II Liga, com Mário Wilson a treinador - foi o seu pináculo como futebolista, os demais clubes por onde cirandou foram o Fanhões, o Vilafranquense, o Seixal, o Casa Pia, o Alcochetense. «Só não fui um bocado mais longe porque, na altura, havia em mim a preocupação de fazer o curso de Educação Física».

4. De um instante para o outro, mudou-se-lhe o futuro - no dia 1 de Outubro de 2002. «Tinha 32 anos, era médio-centro do Alcochetense, desafiaram-me para treinador do Vilafranquense. Não era normal jogador da terceira divisão ser convidado para treinar na segunda. Nesse mesmo domingo também me convidaram para treinar o Alcochetense. Como tinha falado meia hora mais cedo o Vilafranquense, foi para lá que fui. Abandonei como jogador - e continuei a dar aulas».

5. Dias antes, a 21 de Setembro, os pais morreram-lhe num acidente de automóvel. «A minha mão viva preocupada, sempre a perguntar-me: 'O que é que vai acontecer quando deixares de jogar, como é que vais alimentar a tua paixão pela bola?' Eu dizia-lhe: desde que me deem uma equipa de juniores para treinar já fico satisfeito! Fui eu que os levei para a cova, acompanhei-os até ao fim no caixão - e estejam onde estiverem, hão de estar sempre a torcer por mim, cada passo que dou, cada sucesso que atinjo, naturalmente que é para eles».

6. Logo nesses primeiros tempos de treinador no Vilafranquense apanhou drama diferente (que se repetiu): «Houve momentos em que entrámos em campo com uma faixa a reivindicar ordenados. Os salários eram muito baixos, havia jogadores que já nem tinham dinheiro para ir ao treino, deixaram de jogar - eu tinha de dar resposta à situação, apreendi ali».

7. O Benfica convidou-o para seu treinador de juniores - ficou a 15 minutos de ser campeão (um arbitragem polémica em jogo contra o Sporting de Paulo Bento levou-lhe o sonho). Na época seguinte, decidiu largar o posto, sem ter clube à vista - e, na semana seguinte, António Pereira, o padre que era presidente do Fátima, desafiou-o para lá...

8. De manhã continuava a dar aulas de EF em Alverca - e ao fim da tarde ia a Fátima treinar: «Tinamos uma Ford Transit, apanhava grupo de jogador de Lisboa, o Marinho, o Saleiro, outros mais, e íamos todos juntos na carrinha e voltávamos. Assim eliminámos o FC Porto da Taça da Liga, ganhámos ao Sporting...» (Em dia de jogo, o autocarro não podia fazer marcha-atrás com jogadores e treinadores lá dentro, uma vez obrigou-os a sair, dizendo: «Não gosto de recuar, comigo é sempre para a frente» - e outra superstição se lhe viu: virar as costas à baliza quando um jogador seu estivesse a marcar penalty).

9. Saltou para o Paços de Ferreira - e foi à final da Taça da Liga, perdeu-a para o Benfica de Jorge Jesus, por 2-1.

10. O V. Guimarães foi buscá-lo - e no primeiro dia adeptos invadiram o treino em agreste manifestação, contou-o: «Quando vi aquilo pensei: 'Era disto que precisava. Estou num clube grande'. Ia atrás dos jogadores no túnel, ouvi 'Ó mister, já estão ali a bater no Faouzi' - era eu a querer entrar e eles a voltarem para trás, porque andava tudo engalfinhado. Depois-se foi o colapso financeiro apareceram os salários atrasados...»

11. Com os jogadores sem receberem ordenados durante seis meses (e dizia-se que alguns já ameaçava faltar-lhe dinheiro para comida) ganhou a Taça de Portugal ao Benfica de Jesus - e o resto é o que se sabe..."

António Simões, in A Bola

Grande Ricardo...

Ricardo dos Santos, está na final dos 400m do Europeu de Berlim!
O jovem Benfiquista, depois de ter batido o recorde nacional nas qualificações, voltou a bater o recorde nacional nas Meias-finais, conseguindo ser repescado por tempos para esta Final histórica!!!
O potencial do Ricardo foi reconhecido cedo, mas as últimas épocas têm sido madrastas com várias lesões, e tempos abaixo do esperado... Com o 45,14s de hoje, voltou a ser possível levar o recorde nacional para a casa dos 44s!!! Não espero novo recorde na Final de sexta-feira, mas... sem lesões o Ricardo vai lá chegar!!! Na Final, o Ricardo 'parte' com o 7.º melhor tempo das Meias-finais, portanto as aspirações são baixas... ainda por cima numa prova, onde quase todos os finalistas, fizeram as suas melhores marcas do ano...


Ontem, o Tsanko Arnaudov, obteve o 9.º lugar na Final do Peso: 20,33m. Ao contrário das qualificações, a Final foi muito competitiva, com várias atletas a ultrapassar os 21 metros... O 9.º lugar acaba por ser um mal menor, numa época marcada por uma lesão que 'sabotou' a evolução do Tsanko...

O José Pedro Lopes, nas Meias-finais dos 100m, fez 10,40s ficando no 21.º lugar no geral. A 'vitória' foi a qualificação para as Meias-finais...

O Pedro Isidro, terminou os 50 Km Marcha, no 24.º, com 4h11m44...

O André Pereira estreou-se nos grandes campeonatos, com uma má prova nos 3000 Obstáculos, com 8:55.63m, longe do seu melhor...

O Samuel Barata não terminou a prova dos 10000m. Foi uma época muito longa do Samuel... no futuro, se o objectivo for fazer um resultado interessante num campeonato de Verão, a gestão de Inverno terá que ser diferente...

PS: Parabéns à Inês Henriques, pelo Ouro nos 50 Km Marcha... e já agora, parabéns ao Rui Oliveira, pela Prata, na prova de Eliminação no Ciclismo de Pista...!!!