Últimas indefectivações

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Parabéns Cosme !!!


Cosme Damião - nascido a 2 de Novembro de 1885 - foi um dos co-fundadores do Sport Lisboa e Benfica, foi numa das fases mais criticas da nossa História, o principal impulsionador da nossa instituição - evitando assim o nosso fim precoce -, demonstrando sempre uma enorme dedicação à causa Benfiquista. Defendeu sempre os nossos princípios fundadores, mesmo quando desportivamente não seria o mais conveniente. A humildade e altruísmo também fazem parte da grande herança do Cosme...
A realidade desportiva de hoje, é completamente diferente - profissionalismo/amadorismo -, mesmo assim o Benfica de hoje, mantém na sua essência muito daquilo que Cosme - e muitos outros... -, defendia para o Clube, mas tentar comparar posições ideológicas - ou políticas -, é um exercício muito perigoso. Os tempos são outros.
Nos últimos anos temos assistido a um saudável revivalismo Histórico no Benfica, com todos os notáveis feitos em equipa ou no individual, executados em nome do Benfica, a serem exaltados, o pecado aqui, seria ignorar o passado. Não interessa se os registos históricos sejam em recortes de Jornais que já não existem, ou na Net, não interessa se as imagens são a Preto e Branco, ou se são em Alta Definição, os Benfiquistas têm a obrigação de se orgulharem de todas as nossas vitórias: dentro e fora do campo, as de hoje e as de ontem. Se os outros não o fazem, o problema é deles...
Agora, o passado do Benfica, pertence ao Benfica, a todos os Benfiquistas, não é propriedade de nenhum grupo, ou tendência. A utilização do Cosme como arma de arremesso política, é por definição, uma traição à própria herança do Cosme. O Cosme não nos deixou discursos com boas intenções, preferiu deixar as suas acções falarem por ele. A liderança através do exemplo é o método mais eficaz e honesto... E se hoje temos uma Clube com uma tradição verdadeiramente Democrática - e respeitadora -, muito devemos ao Cosme, que tanto fez pelo Clube, que inclusive até chegou a 'perder' eleições, mas acabou por nunca 'perder' o Benfica!!!

O Sporting faz muita falta

"O desafio do Sporting não é o de começar de novo, mas sim o de não acabar de vez. Esse é o drama de milhões de sportinguistas, e de outros como eu, que defendem um Sporting vivo e autónomo, com capacidade para disputar competições e servido por dirigentes com nível. O que se assistiu até agora foi o desaparecimento de um grande clube, mas aquilo que estamos a assistir já é ao desaparecimento do clube. É muito mau para o desporto, é péssimo para Portugal que assim seja. A rivalidade não pode cegar os adeptos, o Sporting faz muita fala. Posso até ser o único benfiquista a defendê-lo, mas gostava de ver o velho Sporting de volta.
Em Barcelos o Benfica deixou perto de uma apoplexia aqueles que viram a equipa inicial. Eu fiquei lívido. Com jogadores castigados e outros lesionados, Jorge Jesus teve a coragem de mesmo assim ainda alterar algumas peças mais habituais. Arriscou e ganhou. Sem Luisão, foi com Luisinho! Eu sou como Eurípedes para quem a coragem era a prudência. Mas Mark Twain também dizia que um homem com uma ideia novo era um louco até essa ideia triunfar. Mais importante do que a vitória, foram as declarações no final da partida em que Jorge Jesus mostrou não se inebriar por manchetes de jornais nem por heróis feitos à pressa.
Os mesmos que elogiam hoje um jogo conseguido de um jovem jogador serão os que dirão não haver maturidade no dia em que algum falhasse. É assim no futebol.
Amanhã contra o V. Guimarães é preciso manter a ambição para não permitir surpresas aos de Rui Vitória. Parece que há alguns jogadores recuperados e aumentam as soluções.
Na próxima semana voltamos a Guimarães, à freguesia de Moreira de Cónegos, para tentar continuar na Taça. Hoje com verdade alguém consegue dizer que seria mais difícil ir a Alvalade que a Moreira de Cónegos? Estamos ainda a cinco degraus do topo da escada do Jamor. Este é o próximo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Rescaldo das eleições


"O nosso Benfica foi a eleições e cumpriu-se a tradição democrática. Destas eleições gostaria de salientar alguns aspectos.
Uma primeira abordagem prende-se com o papel das redes sociais da internet nestas eleições. O tema é muito vasto e não se esgota em poucas linhas, mas será importante que futuros candidatos percebam a real dimensão deste fenómeno sem o sub ou sobrevalorizarem. Há, de facto, uma evidente diferença entre a sensibilidade benfiquista presente no mundo “virtual” da internet e no mundo real. Não perceber a real dimensão deste fenómeno pode levar, como se viu em alguns momentos por parte do candidato Rui Rangel, a discursos equívocos, baseados numa percepção completamente iludida da realidade. No entanto, não perceber que, independentemente de serem minoritárias, há vozes críticas bastante válidas no meio do ruído pode levar a que se cometa o erro de ficar autista perante opiniões bem interessantes e pertinentes.
Num outro plano, registo que a campanha eleitoral resvalou muitas vezes para campos que ultrapassaram o bom senso. Ainda assim, teve vários méritos. Um deles, talvez o maior, foi ter precipitado o anúncio de que a recém-eleita Direcção do Benfica vai procurar caminhos diferentes do actual no que concerne à cedência dos direitos televisivos. Há muito que defendo, perante diferentes assembleias, que há vida para além da Olivedesportos. A decisão teria de ser uma decisão em função da política desportiva, mesmo que, hipoteticamente, esta se sobreponha à razão da política financeira. Luís Filipe Vieira percebeu que esta decisão maioritariamente apoiada pelos sócios e adeptos poderá vir a ser a pedra angular da futura relação do Benfica com os poderes instituídos no futebol português. Preparemo-nos para que esta decisão abale alguns alicerces apodrecidos do ‘bas-fond’ do nosso futebol e saibamos reagir perante os golpes baixos que se adivinham como represália. Esta reacção só será eficaz se soubermos estar unidos na defesa do Benfica."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Complicado


Benfica 70 - 66 Algés
16-10, 20-20, 17-18, 17-18 

Depois do jogo na Madeira, este foi o 2º jogo 'apertado' da época... Na pré-época, tendo em conta o nosso orçamento e os planteis dos adversários, muito estariam à espera de 'capotes' em todos os jogos, mas  o jogo de hoje prova que o Benfica não vai vencer jogos antecipadamente.
Tal como hoje, vamos encontrar, sempre: equipas super-motivadas - então se tiverem ex-jogadores do Benfica!!! -; e tal como hoje, vamos encontrar equipas que com poucas armas no jogo interior, vão apostar em defesas à zona, e em muita mobilidade no ataque, obrigando o Benfica a mudar o plano de jogo normal...!!! Com o Benfica a atacar mal, a zona adversária - apostando tudo nos triplos, com uma percentagem baixíssima -, e a retirar os Postes do jogo, deixando o Doliboa 'sozinho' a fazer os 40 minutos, corremos o risco sério de não ganhar este jogo... 

Invictos


Sp. Caldas 0 - 3 Benfica
11-25, 14-25, 15-25

Sem forçar, a rodar todo o plantel, mantendo a invencibilidade...

Um fiscal de linha de fora dos prémios

"Bem faria Maicon em dividir o Dragão de Ouro com o fiscal de linha Ricardo Santos, em sinal de respeito pela justiça e pelos direitos de autor ficava cada um com metade do troféu

QUALQUER centrocampista que entrasse agora na equipa do Benfica arriscava-se a ser considerado genial. Foi isto o que tive de ouvir assim que André Gomes marcou o terceiro dos três golos com que o Benfica venceu tranquilamente o Gil Vicente e o seu segundo golo nos dois jogos consecutivos em que alinhou pela equipa principal: em Freamunde, para a Taça de Portugal, e em Barcelos, para o campeonato.
Entende-se o remoque. O Benfica andou a jogar com falta de material no meio do campo desde que Javi Garcia e Axel Witsel se foram embora e desde que Carlos Martins e Pablo Aimar encostaram no estaleiro. Foram muitos jogos assim. Com Matic a desdobrar-se em vários papéis e com Enzo Pérez às aranhas tentando segurar toda uma zona vastíssima que não é genuinamente a sua.
Talvez um dia, mais tarde - e era bom que assim acontecesse - venha André Gomes, já feito uma vedeta do panorama internacional, recordar que teve as suas primeiras oportunidades no Benfica beneficiando de um momento raro de sorte na carreira de um jovem talento nacional sem espaço para se afirmar.
-Tive a sorte de estar no Benfica quando a equipa perdeu todos os seus centrocampistas de uma penada! - poderá dizer um dia, quem sabe?
A verdade é que André Gomes beneficiou do agravamento dessas circunstâncias e agarrou muitíssimo bem as duas oportunidades que lhe foram concedidas por Jorge Jesus. Os factos do presente provam até que o jovem Gomes, que tem 19 anos, nem sequer precisou de «tempo de adaptação». Entrou e fez logo dois golos, um em cada jogo. O que se pode pedir mais a um miúdo?

LUÍS FILIPE VIEIRA vai ser o presidente do Benfica nos próximos quatro anos e estabeleceu para si próprio uma agenda ambiciosa no plano desportivo e no plano político.
Pode-se dizer que a agenda desportiva do presidente do Benfica - 3 campeonatos, 1 final europeia e 50 títulos nas modalidades - não causou qualquer tipo de apreensão ao rival FC Porto. O dragão não vê motivos para descrer da longevidade dos princípios que lhe têm garantido o domínio no campo dos resultados.
Sem a ironia do costume (não sei se repararam...), o presidente do FC Porto limitou-se a dizer que não queria comentar as promessas do presidente do Benfica porque não era pessoa de fazer promessas. O que não é bem verdade. Ainda há coisa de três anos ouvimos Pinto da Costa prometer um título a José Maria Pedroto e, mais recentemente, ouvimo-lo garantir que Hulk não sairia do clube por valores abaixo da cláusula de rescisão de 100 milhões de euros.
Também para Maicon as promessas de sucesso desportivo do presidente do Benfica pouco ou nenhum significado têm. O jogador brasileiro foi agraciado na noite de segunda-feira com um Dragão de Ouro por ter sido considerado o «futebolista do ano», distinção que só se justifica, num ano em que Hulk foi rei e senhor, pelo facto de Maicon ter marcado ao Benfica aquele golo que lançou o FC Porto para a revalidação do título. E se a razão foi essa, como parece, bem faria Maicon em dividir o Dragão de Ouro com o fiscal-de-linha Ricardo Santos, em sinal de respeito pela justiça e pelos direitos de autor ficava cada um com metade do troféu.
Maicon também se pronunciou sobre a tal promessa de Vieira dos 3 campeonatos em 4 anos sem se mostrar impressionado. Disse o jogador que, pela parte dele, iria fazer tudo para ajudar o FC Porto a ganhar 4 campeonatos em 4 anos, o que faz todo o sentido.
A agenda política de Vieira não viria, no entanto, a suscitar qualquer tipo de reacção por parte dos rivais. O presidente do Benfica anunciou a 48 horas da sua reeleição que o contracto de concessão de direitos televisivos com a Olivedesportos não iria ser renovado. Esta vai ser uma questão fulcral do mandato de Vieira. Os benfiquistas e os outros todos que não são benfiquistas aguardam com muito interesse pela evolução deste extraordinário acontecimento. E sobre o assunto o silêncio já pesa. Aguardemos.

O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas foi um dos convidados da gala dos Dragões de Ouro. Lá esteve sentado na primeira fila da plateia, em lugar de destaque entre a nomenclatura, aparentado boa disposição. Pode pôr mais esta no seu currículo.
Falta só saber quantas equivalências para licenciatura, no curso superior, ganhou Miguel Relvas com a sua presença atenta no Coliseu do Porto. E já agora, falta saber o nome do curso.

RESPEITEM-SE sempre os critérios dos árbitros, mas a expulsão de Enzo Pérez em Barcelos não cabe na cabeça de ninguém. Nem meio-cartão amarelo fizeram por merecer as duas faltas que somadas haveriam de ditar a expulsão do extremo argentino. Ou do médio argentino, como preferirem.
O Benfica já ganhava por 3-0 e da decisão do árbitro não veio mal ao mundo, ainda bem. Menos um mau assunto para as discussões. E mais mais uma vez ressaltou a grande evidência: se o Benfica resolver em campo, em bom tempo e com golos os problemas com os adversários, difícil será que venha um árbitro com critérios ou sem critérios estragar-lhe o jogo e o resultado.
No fundo, trata-se de jogar à bola.

NA época passada, o Benfica foi eliminado de maneira muito parva e displicente da Taça de Portugal perdendo com o Marítimo, um jogo em que ganhava ao intervalo, logo nas primeiras andadas da prova. Que não se repita a brincadeira agora no jogo com o Moreirense, é o que todos os benfiquistas desejam.
A Taça de Portugal é uma competição muito bonita e antiga, obrigatória de respeitar. Foi difícil não detectar, na segunda-feira, a onda absurda de optimismo que varreu os espíritos dos nossos adeptos assim que se soube ser o Moreirense o próximo adversário do Benfica na corrente edição da Taça de Portugal.
Estou contra. A ideia peregrina de que o Moreirense que eliminou o Sporting será uma presa fácil para o Benfica «porque sim» está instalada entre os das nossas cores. Desenganem-se. Ao contrário do que se possa pensar, em prol do prazer puro e mesquinho da rivalidade, o Benfica não vai entrar em Moreira de Cónegos já a ganhar o jogo só porque o Sporting lá se perdeu na mesma prova.
Este ano gostava de ir ao Jamor.

LÊ-SE nos jornais que o presidente do Sporting, no âmbito das medidas de reestruturação que está a tomar, convidou Luís Figo (esse mesmo!) para ingressar no clube de modo a poder atrair com o seu nome os capitais dos investidores que fazem tanta falta em Alvalade e um pouco por toda a parte. Noutros jornais lê-se que o convite feito a Luís Figo vai no sentido da colaboração do ex-jogador com o projecto de expansão internacional da Academia do Sporting.
Nada leva a crer que Figo não fosse de grande utilidade para o Sporting quer numa área quer na outra. De todo o universo do Sporting, Luís Figo, hoje um reputado dirigente do poderoso Inter Milão, é, sem qualquer espécie de dúvida, o único rosto carismático leonino em acção que garante o respeito devido a uma enorme figura nacional e internacional.
Melhor ideia do que esta ideia que o presidente Godinho Lopes teve ao convidar Figo para atrair capital ou para formar jovens talvez fosse convidá-lo para presidente. Ou não?"

Leonor Pinhão, in A Bola

A 'Refundação Televisiva'

"Hoje, 1 de Novembro, todos-os-pecadores usufruem do direito ao descanso no último feriado do Dia de Todos-os-Santos.
Pondo de lado os direitos celestiais, este meu pontapé-de-saída tem mais a ver com outros direitos bem terrenos. Se ontem falei da poupança, hoje trato da cobrança. De uma cobrança sui generis.
Refiro-me a essa anomalia de, em tempos de globalização e louvaminhas à concorrência, haver, em Portugal, um monopsónio relativo aos direitos televisivos dos jogos de futebol. Durante muito tempo, assim se foi forjando uma teia de um sistema que tudo veio condicionando (e por aqui me fico...), de uma prática de «regime parabancário» que adiantando fundos aos clubes em estado de necessidade os colonizou e amordaçou e de uma ironia jamais desmentida de certos contratos indexados ao maior, o do SLB.
Por isso, saúdo a decisão corajosa e verdadeiramente fracturante do sistema anunciada pelo presidente do Benfica de cortar com este estado de coisas e ir ao coração do sistema (embora não tenha apreciado ter sido usada como arma eleitoral, pois mandam as boas práticas que, em período eleitoral, o candidato incumbente de limite à mera gestão corrente!).
Não se conhecem os detalhes do que se vai seguir, mas com esta medida vai revolucionar-se o futebol luso. Será no curto prazo e em tempo de crise económica, uma decisão de alto risco. Estamos a falar de 15 jogos da Liga e mais uns poucos que terão que render uns largos milhões de euros. Tarefa ciclópica. Mas, a médio prazo, esta refundação dos direitos televisivos será uma aposta ganha, espero. Pelo meu clube e pela verdade desportiva."

Bagão Félix, in A Bola

A coragem de JJ

"Jorge Jesus entrou no relvado de Barcelos, onde estava obrigado a ganhar, com três estreantes absolutos na 1.ª Liga (Luisinho, André Gomes e Ola John). Isto define a coragem de um treinador.
Jesus faz no Benfica o que treinadores como Ferguson ou Mourinho fazem nos maiores clubes europeus: lançar novos valores em jogos de risco.
A grande diferença é que, enquanto os outros podem depois conservar as estrelas, o Benfica tem de as vender, por razões de sobrevivência económica. Imagine-se o que seria se Jesus tivesse hoje à disposição Ramires, Di María, David Luiz, Javi García, Fábio Coentrão e Witsel. Aí, sim, poderia sonhar com uma final europeia.
Mas isto mostra que há agora no Benfica um rumo, uma orientação, o que só é possível com tempo e tranquilidade. Muito mais importante que conquistar um campeonato ou uma taça, é hoje consolidar esta estratégia.
Passando a notas individuais, Luisinho é um excelente jogador. Já tinha reparado nele: tecnicamente bom, seguro a defender, rápido a subir. André Gomes ainda não tem ritmo de 1.ª Liga, perdeu várias bolas em zona proibida, mas tem um invulgar sentido posicional. Está sempre no lugar certo. Ola John está muito verde. Pode jogar contra adversários macios, mas a alto nível é um risco enorme.
Lima é hoje o melhor avançado do Benfica. Disse-o quando ainda não era titular e tem-se visto. Uma nota triste: depois de S. Petersburgo, Rodrigo nunca mais foi o mesmo. Perdeu o seu principal trunfo, a capacidade de explosão, e é hoje um jogador quase vulgar. “Bruto” Alves deveria ter esse peso na consciência."

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Beijos de Judas

"Judas é um escroque. Um personagem sujo, de vão de escada. Agora imaginem o Lambe-Botas-do-Judas... Esse então é digno de vómitos, de tal forma nos revolta o estômago. Vai louvaminhando, em voz sibilante: «Sr. Judas, genial!» E o Judas gosta, porque se alimenta desta porcarias  O Judas saiu da sombra por momentos e especou-se à saída do túnel. Queria ser visto, fotografado, filmado. O Judas é tão vaidoso como falso. Esperou, velhaco, pelo avanço das vítimas. Atrás dele, escorrendo baba da boca porca, o Lambe-Botas-do-Judas murmurava encantado: «Genial, sr. Judas, genial!»
Depois o Judas beijou-os, um a um. Sebento, esfregou-se-lhes nos pescoços, deixando implícito o seu cheiro azedo a algo que apodrece. Uns ficaram felizes: deram-se ao beijo, como se dele sentissem saudades.
Outros ficaram envergonhados: submeteram-se ao beijo como se a isso fossem obrigados. Nesse momento do ósculo, o Judas traçou-lhes o futuro imediato. Uma maldição barata caíu-lhe em cima. A vitória transformou-se numa miragem que se desfazia ao mais leve estender de braço. O Judas é mesmo assim: tem peçonha. Peçonha no abraço e no beijo. Quem encomendou os beijos de Judas? Alguém com muita maldade por dentro. Talvez ele próprio...

PS - Era uma vez um banco que decidiu fazer uns anúncios nos quais três jogadores saltavam do banco de suplentes para resolver os respectivos jogos. Um era do Sporting e marcava dois golos ao seu Gil Vicente; outro era do FC Porto e marcava um golo ao Salgueiros; finalmente, o terceiro era do Benfica e marcava dois golos ao FC Porto. Todos os dias continuo a ver os golos ao Gil Vicente e ao Salgueiros. E os marcados ao FC Porto? Têm-nos visto por aí?"

Afonso de Melo, in O Benfica

Lixívia 7

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.........17 (-4 ) = 21
Corruptos......17 ( 0 ) = 17
Braga............14 (+1) = 13
Sporting.........7 ( +3 ) = 4

Foi uma semana extraordinariamente 'calma'!!!
Em Barcelos voltámos a ter que 'aturar' um apitador sócio da agremiação Corrupta!!! Acabou por não influenciar no resultado, mas demonstrou um critério disciplinar torto - como já era esperado!!! Enquanto qualquer falta com mais espalhafato dava cartão imediato aos jogadores do Glorioso, os Gilistas fartaram-se de dar pau, fartaram-se de simular, fartaram-se de pedir amarelos para os jogadores do Benfica - depois de simulações grosseiras -, e sempre que o árbitro marcava uma falta a favor do Benfica  fartaram-se de protestar: e mesmo assim, amarelos tá quieto!!! Sendo que o jogador de nome Pio, conseguiu chegar ao fim do jogo, sem um único cartão de forma absurda!!! Pessoalmente acho que o 2º amarelo ao Enzo foi exagerado, já que o contacto não foi suficiente para o 'mergulho', mas como estou bem disposto...!!!

Nos outros jogos,os maiores protestos aconteceram na Madeira, onde o Benquerença foi espalhar a sua genialidade canalha!!! Mas devido a uma estranha e casual sorte, no lance mais polémico acabou por decidir bem: no 2º golo do Braga a bola entrou mesmo dentro da baliza!!! No resto muitas faltas mal marcadas, principalmente perto da área do Marítimo...
No Estoril o erro mais grave do Capela foi um amarelo perdoado ao Fernando, portanto tudo normal: impunidade total, para os mesmo de sempre...
Os Lagartos, já nem garra para protestarem têm!!! Não existiu atraso no último minuto, decisão boa do árbitro; o guardião da Académica é que sofre falta quando saiu da área; o erro mais significativo acabou por ser um fora-de-jogo mal marcado ao ataque da Académica...


Anexos:
Benfica
1ª-Braga(c) E(2-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
2ª-Setúbal(f) V(0-5), Jorge Sousa, Nada a assinalar
3ª-Nacional(c) V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4ª-Académica(f) E(2-2), Xistra, Prejudicados, (0-3), (-2 pontos)
5ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Marco Ferreira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
6ª-Beira-Mar(c) V(2-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
7ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Vasco Santos, Nada a assinalar

Sporting
1ª-Guimarães(f) E(0-0), Capela, Nada a assinalar
2ª-Rio Ave(c) D(0-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
-Marítimo(f) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Gil Vicente(c) V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, (2-2), (+2 pontos)
5ª-Estoril(c) E(2-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-3), (+1 ponto)
6ª-Corruptos(f) D(2-0), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Académica(c) E(0-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar

Corruptos
1ª-Gil Vicente(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiado, Prejudicado, (1-1), Sem influência no resultado
2ª-Guimarães(c) V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicado, Sem influência no resultado
3ª-Olhanense(f) V(2-3), João Ferreira, Nada a assinalar
-Beira-Mar(c) V(4-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
5ª-Rio Ave(f) E(2-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
6ª-Sporting(c) V(2-0), Jorge Sousa, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Estoril(f) V(1-2), Capela, Nada a assinalar

Braga
1ª-Benfica(f) E(2-2), Soares Dias, Beneficiado, Prejudicado, (3-2), (+ 1 ponto)
2ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
3ª-Paços de Ferreira(f) D(2-0), Pedro Proença, Nada assinalar
4ª-Rio Ave(c), V(4-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
6ª-Olhanense(c), E(4-4), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7ª-Marítimo(f), V(0-2), Benquerença, Nada a assinalar

LINK's
1ª jornada
2ª jornada
3ª jornada
4ª jornada
5ª jornada
6ª jornada

'Fair play' à moda de PC

"Se o presidente do FC Porto pudesse controlar a preferência dos sócios benfiquistas teria sugerido o voto em Rui Rangel, por ter sido uma candidatura atabalhoada, tipo sopa instantânea, que é pôr ao lume,mexer e, em meia dúzia de minutos, já está. Saborosa e pronta a comer, embora de ingredientes pouco recomendáveis para a saúde do consumidor. De outra maneira não se daria ao incómodo de, em vez de elogiar a desempenho da sua equipa, que acabara de conquistar com imenso esforço três pontos, na Amoreira promover a tema de capa o resultado eleitoral do clube da Luz e aproveitar-se da distorção que me parece ter sido feita sobre o significado de uma frase de Luís Filipe Vieira para uma demonstração de fair-play à sua moda. Através da ironia que o caracteriza, recordou a final europeia perdida pelos encarnados com o Anderlecht (Taça UEFA, 1983), a última a que terá assistido ao vivo, porque depois dela o Benfica esteve em mais duas, também perdidas, da Taça dos Campeões Europeias, em 1988 (PSV) e em 1990 (Milan). Aliás, em matéria de finais, o Benfica é o único clube português no top ten da UEFA, no nono lugar, com oito, atrás do Liverpool (11), Bayern(10) e Ajax e Inter de Milão, nove cada. Quem ande de boa-fé no mundo do futebol deve aplaudir o desejo do presidente do dragão, na medida em que com mais uma ou duas finais será possível ao emblema da águia reforçar a sua posição entre os dez notáveis da Europa e ao futebol português ampliar o seu prestígio.

Quando se discutem eleições, os vizinhos ou adversários, como aconselha a cortesia, ou nada dizem ou limitam-se a curtas e singelas palavras de circunstâncias, mas o presidente portista optou pela diferença, incapaz de esconder que a reeleição de Vieira foi a pior notícia que lhe podiam ter dado pelo facto de representar a mais perigosa das ameaças ao seu longo e prodigioso reinado. Nada é eterno e PC sabe que, por muitos e influentes que sejam os seus aliados, não lhe será possível retardar o despertar do monstro e com ele a cessação de um período de sucessos que o transformou aos olhos dos adeptos em figura reverenciada, a quem tudo se admite e perdoa, por fazer sempre bem mesmo quando faz mal...
Salvo melhor opinião, Vieira nada prometeu  Exigiu. Em dez anos o Benfica renasceu, voltou a ser respeitado e conseguiu apanhar o comboio do futuro. Hoje, é um clube financeiramente estável e dispõe de um complexo de instalações desportivas de muita qualidade. Falta agora atacar a derradeira fase, que corresponde à recuperação da hegemonia futebolística. Cumpridas as duas primeiras etapas, é altura de investir na terceira. Nunca antes Vieira fora tão assertivo em relação a esta área sensível, a dos títulos, por ter sido obrigado a desdobrar-se em várias frentes de combates intensos e arrasadores em nome da consolidação da gigantesca empreitada que o mantém determinado, com o entusiasmo do primeiro dia, e que só ficará concluída quando o Benfica alcançar o patamar que o projectou internacionalmente na década de sessenta. A obra avança, talvez mais demoradamente do que seria expectável, mas com inabalável firmeza, de aí captar-se a indisfarçada preocupação do rival portuense, porque quando mais a águia progride, amis encolhe e espaço de manobra do dragão. Sinónimo de uma mudança de ciclo inevitável e cuja proximidade se pressente.

Ainda sobre a campanha benfiquista, alguém explica as críticas por não se ter realizado nenhum debate para esclarecimento dos associados encarnados? Eleitorado que deposita mais de 80 por cento de votos na urna de um dos candidatos, ainda por cima degastado por cerca de dez anos no poder, sente-se perfeitamente esclarecido. A única coisa que o assustou, e por isso acorreu em massa, foi a candidatura apressada de Rangel e a sua insistência em apresentar-se como um «homem do Direito», espécie de casta superior: ter misturado insinuações e propostas e permitido a colagem de personagens de que a nação benfiquista quer distância..."

Fernando Guerra, in A Bola

Jesus e os ingratos

"Lá está ele, outra vez...” pensaram os benfiquistas quando perceberam que Jorge Jesus tinha sentado Melgarejo, Bruno César e Rodrigo para lançar Luisinho, André Gomes e Ola John. À beira de um ataque de nervos, foram, porém, forçados a mais uma vénia a um treinador que lhes respondeu com nova bofetada de luva branca. Os seus efeitos serão nulos, pois no próximo jogo lá estarão, como sempre, a olhar com desconfiança para as opções de um génio incompreendido feito treinador.
Para a maioria, e num ritmo de semana sim, semana não, Jesus é o verdadeiro eixo do mal, a origem de todos os pecados. Ingratos, digo eu. Esquecem-se, por exemplo, do bom par de anos que viveram em agonia antes da chegada de um treinador com nome de salvador? Jesus é culpado, sim, mas porque os habituou mal. Foi campeão na época de estreia e deu à nova Catedral algo que só a antiga conhecia: bola pra frente e futebol espectáculo. Bom futebol, o tal da nota artística, que galvaniza adeptos e mobiliza multidões.
Ficou-se por ali? É verdade. Lidera esta Liga mas perdeu as últimas duas. Porém, contra factos... ainda há argumentos: esquecem-se os mais selectos que o primeiro campeonato perdido foi ganho por um FC Porto que não se conhecia tão avassalador desde o de Mourinho. É verdade que o segundo fracasso, o da época passada, pode encontrar justificação nos modelos e opções escolhidos em Guimarães e Coimbra, quando a liderança era tão certa quanto assente nos 5 pontos de diferença para os dragões. Mas terá sido esse o único sistema a decidir? Pois.
Jesus tem problemas na comunicação? E então!? É pouco dado à relação com os jogadores, como sussurram alguns proscritos? Deve ser o único, deve... É teimoso que chegue para aguentar Robertos e Emersons ao ponto de comprometer objectivos? É, mas quanto teve Bento de ouvir até ganhar um dos melhores guarda-redes da Europa? Jesus só ganhou um campeonato e três Taças da Liga? Herege... Campeonato à parte, só estes últimos “trofeuzitos” dariam um jeitão para mascarar a crise na casa do vizinho.
Por falar “neles”, termina hoje a comissão de serviço de Oceano, o enésimo treinador atirado à fogueira de Alvalade. Pelo amor à causa, merecia deixar o comando com um triunfo, mas se fosse só por isso, Bettencourt ainda era o presidente e Sá Pinto o treinador... Vem aí Vercauteren. Pode ser que traga mais cabeça e menos coração."

Realeza, realidade e o resto

"No rescaldo da última jornada europeia, os três ‘grandes’ de Portugal voltaram às suas coisinhas internas e desembaraçaram-se com maior ou menor dificuldade dos seus adversários de trazer por casa.
Olhando para o topo da tabela, lá estão eles, os tais três ‘grandes’ que, uma vez mais, prometem discutir o título entre si. Em matéria de grandeza, a novidade continua a vir de Braga. Entusiasmado pela vitória moral em Manchester, António Salvador, o presidente dos minhotos, em vésperas de ir ao Funchal jogar com o Marítimo, resolveu picar o Sporting, reclamando para o seu emblema o estatuto de "terceiro grande". Os dois golos com que Éder despachou os madeirenses viriam a reforçar a candidatura do Sporting de Braga à realeza.
Da realeza para a realidade, conclui-se que com Jackson Martínez o FC Porto não tem "de que se queixar e que com André Gomes o Benfica descobriu, finalmente, um ‘reforço’ para o seu meio-campo, dois meses depois de ter perdido Javi García e Axel Witsel. O campeonato vai ser animado, não se duvide. A luta pelo ceptro de melhor marcador também promete: Éder em Braga, Martínez no Dragão e Lima e Cardozo na Luz não dão descanso às redes das balizas. É certo que a procissão mal saiu do adro, mas em nome do direito dos ‘pequenos’ à felicidade, é um regalo ver o Rio Ave e o Vitória de Guimarães nos postos europeus. Quanto ao Sporting, diga-se que interrompeu a sua incrível série de derrotas com um empate de cariz lisonjeiro frente a uma Académica a quem nunca foi superior. E isto já é dizer muito."

Negócio das arábias

"Depois da Inglaterra, da França e da Espanha é chegada a hora de também os clubes Italianos abrirem as portas a investidores estrangeiros. Os presidentes.mecenas, sempre prontos a abrir os cordões à bolsa, estão em vias de extinção, cansados de suportar prejuízos cada vez mais avultados. Massimo Moratti, por exemplo, desde que assumiu a presidência do Inter, em Fevereiro de 95, já torrou lá 1.200 milhões de euros! Berlusconi foi mais parcimonioso mas, mesmo assim, meteu no Milan 600 milhões. Tudo a fundo perdido. Os prejuízos da Série A contabilizados até Junho de 2012 atingiram a astronómica cifra de 2,5 mil milhões de euros! Sem a prodigalidade destes dois patriarcas e a generosidade de alguns outros, o futebol do bel paese não existira. O público não vai aos estádios, arcaicos e inóspitos (com excepção do da Juventus, acabado de inaugurar), o número médio de espectadores desce todos os anos entre 7 e 8 por cento (já não chega a 50 por cento, contra os 90% da Inglaterra e da Alemanha!), os bilhetes são caros, os jogos são todos transmitidos nas televisões, nos computadores, nos telemóveis...
É este o pano de fundo, adensado pela indiferença dos sucessivos Governos, que obriga os clubes a reconhecer a inevitabilidade de alienar parte do capital social a investidores estrangeiros, a fim de se recapitalizarem. O primeiro a concretizar a venda de 51 por cento a um grupo italo-americano de Boston foi a Roma; o segundo será o Inter, que já acordou com o chinês Kamchi Li a cedência de 15 por cento por 55 milhões; a seguir virá o Milan, que vai fazer um negócio das Arábias com o xeque Al Thani (o mesmo do PSG): 30 por cento por 250 milhões!!!"

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Dia mundial da poupança

"Hoje, 31 de Outubro, é o Dia Mundial da Poupança. Confesso que não sou muito dado a comemorações de dias certas. Não pelo seu significado, mas pelo ritual formal e mecânico que adquirem. A celebração quase compulsiva de tantas efemérides comporta o perigo de a forma se superiorizar ao conteúdo. A proliferação de dias nacionais ou mundiais tem o mesmo efeito da inflação em relação à moeda: de tanto excesso, desvaloriza-se a valor.
Mas, olhando agora para a bola (que não A BOLA), a poupança assume maior importância nos tempos difíceis que atravessamos. Em primeiro lugar, poupando-se nas palavras (feitas) que nada resolvem e tudo baralham, numa atmosfera em que «não se poupam críticas» por tudo e por nada e em que, ao invés e encomiasticamente, « não se poupam elogios» a um golo por acaso ou a uma defesa por instinto, como sói dizer-se.
Poupar significa, acima de tudo, renunciar a gastar hoje para consumir amanhã. Isto é, usar o tempo para disciplinar a paciência, promover uma cultura de responsabilidade e uma estratégia assente em pilares seguros. Por outras palavras, poupar é uma atitude aliada do médio e longo prazos e adversária do imediato, do efémero e do ilusório.
A poupança é irmã gémea do investimento reprodutivo reprodutivo. Sobretudo nas pessoas. E em particular na formação. De desportistas como pessoas e de pessoas como desportistas.
Por fim, poupar implica olhar para a crise que crescentemente se vai sentindo no futebol e virar de agulha no até agora normal desiquilíbrio económico e fardo financeiro. O que implica separar o trigo do joio e perscrutar para além da ilusão do dia seguinte."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quando Eusébio foi... o "Ladrão de Bagdade"

" «O Ladrão de Bagdade»: filme do inglês Michel Powell. «The Thief of Bagdade». Recentemente ouve-se falar muito de Bagdade: nem sempre pelas melhores razões. Talvez haja muitos ladrões na Bagdade de hoje em dia.
Iraque: país velho daquilo que antigamente se chamava as Arábias.
«Eusébio-Benfica-Portugal: a senha mágica que abriu o Mundo Árabe», escreveu-se. Dia 5 de Novembro de 1966, a equipa do Benfica chegou a Bagdade, convidada de honra do governo iraquiano para inaugurar o novíssimo estádio de 'Al Ahaab'.
'Al Shaab' quer dizer: O Povo. Estádio do Povo. 50000 pessoas se juntaram nessa tarde nas bancadas para verem Eusébio, Simões, Torres e José Augusto  a máquina de golos mais terrível de um Campeonato do Mundo que acabara há quatro meses.
Kassim Mamhoud, o 'capitão' da Selecção de Bagdade, o adversário dos 'encarnados', entrou em campo com uma bandeira portuguesa na mão. Havia outra, dependurada num dos topos do estádio. Tinham sido pedidas especialmente pelo governo do general Abdul Rahman Arif à Fundação Gulbenkian, afinal a grande responsável por esta festa estranha de amizade iraquiana-portuguesa.
Explique-se: Sarkis Gulbenkian, o arménio que escolhera Portugal para viver, investira entre nós muitos dos rendimentos da Irak Petroleum Company e das suas labirínticas ramificações. Seria a Fundação Gulbenkian a construir e a doar ao governo do Iraque o Estádio 'Al Shaab' de Bagdade. A obra foi concebida por dois arquitectos portugueses, Keil do Amaral e Carlos Manuel Ramos; muitos dos materiais de construção foram de origem portuguesa, nomeadamente os materiais de acabamentos e as torres metálicas de iluminação; a Gulbenkian manteve, ao longo de toda a obra, diversos fiscais e contra-mestres Portugueses em Bagdade. Orçamento total: 80000 contos.
Não admira que, perante todo este esforço português, o governo do Iraque se tenha empenhado em receber para a inauguração do estádio o grande representante de Portugal além-fronteiras: Eusébio. E o Benfica com ele.

'Rendo-me perante Eusébio!'
O convite chegou às mãos do Dr. Azeredo Perdigão, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian, e este acolheu-o com um tremendo entusiasmo: 'A ida do Benfica ao Iraque será um enorme serviço prestado ao País', diria numa entrevista concedida na época. 'Rendo-me! Rendo-me perante uma equipa de futebol que é capaz de derrubar assim fronteiras. Rendo-me perante Eusébio. Foram eles,os iraquianos, que nos fizeram sentir a importância de receberem o Benfica. E foram eles que insistiram connosco no sentido de conseguirmos que isso fosse possível'. Foi. No dia 4 de Novembro, a comitiva benfiquista acompanhada pelo Dr. Azeredo Perdigão e Robert Gulbenkian, partia para Bagdade numa representação diplomática 'sui generis'. A viagem com escalas em Zurique e Atenas, demoraria quase vinte horas.
Era domingo. Os iraquianos encheram o seu novo estádio. Viram o seu presidente, Abdul Rahman Arif, dar uma volta de honra, sobre a pista de Atletismo, num carro aberto, acenando à populaça. Viram o presidente da Federação Iraquiana, o coronel Adil-Bashir, que por acaso era também o seleccionador nacional e o treinador da selecção iraquiana, receber uma águia de bronze. A sua equipa, uma selecção dos melhores jogadores de Bagdade, recrutados no Al Talaba, Al Rasheed e Al Jaishe, os principais clubes da capital, era a base da Selecção Militar. O seu entusiasmo não chegou para a arte do Benfica e para o ataque mais famoso da Europa - os 'encarnados' venceram por 2-1, com golos de Torres e Cavém. Mas saíram do estádio felizes: viram Eusébio, o 'ladrão de Bagdade', que roubou para si as luzes da festa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Taça em Moreira de Cónegos

O custo das más contratações!

"Há muito que se ouve falar nos milhões que Vieira e Companhia gastam em jogadores de má qualidade e sem categoria para jogar no Benfica.
É verdade que muitos passaram nos últimos anos pela Luz e muito dinheiro se pagou pelos seus passes. Mas há uns dias atrás achei que seria interessante ver quanto custaram realmente esses jogadores, e o que se passou noutros clubes.
O estudo que apresento neste texto, é sobre todos os jogadores que vieram para o Benfica (e para os corruptos e osgas) entre 2004/2005 e 2011/2012, que não tenham contribuído significativamente para os resultados colectivos (por exemplo não posso considerar um jogador como Saviola que em 3 épocas deu tanto para o clube, tal como não considero o Cebola Ranhosa no Porto) e que entretanto saíram ou foram vendidos. Não considero para este estudo jogadores que ainda esteja com contrato com os clubes. Se forem vendidos ou dispensados, então o estudo terá que ser analisado.
A lista de jogadores do Benfica é a seguinte: Karadas, Everson, Carlitos, André Luiz, Amoreirinha, Moretto, Karyaka, Manduca, Beto, Fonseca, Marcel, Paulo Jorge, Miguelito, Diego Souza, Makukula, Bergessio, Edcarlos, Adu, Sepsi, Luís Filipe, Andrés Dias, Binya, Halliche, Sretenovic, Filipe Bastos, Balboa, Yebda, Eder Luíz, Patrick, Shaffer, Weldon, Roberto e Emerson.
São 34 jogadores que entraram e saíram do Benfica. Alguns até que conseguiram ajudar a equipa nalguns momentos (Weldon, Yebda, Luís Filipe, etc) mas o certo é que nunca conquistaram o seu lugar.
E agora a pergunta... quanto custaram estes 33 senhores? Usando os dados do site transfermarkt, os passes deles ficaram na casa dos 50 milhões de euros.
Muito dinheiro para quem fez tão pouco. Sem dúvida que investir 50 milhões em jogadores que não tragam resultados significativos, pode ser considerado uma barbaridade.
Mas a verdade, é que devemos ir um pouco mais longe nesta análise e pensar no que se passou quando os jogadores saíram do Benfica.
Desses 33 jogadores, bem mais de metade foram vendidos e alguns que foram dispensados, foram durante algum tempo emprestados a troco de dinheiro.
Com as vendas e empréstimos, e analisando os dados no mesmo site, o Benfica terá recuperado qualquer coisa como 39 milhões de euros. Tendo resultado num prejuízo na casa dos 11 milhões de euros (que é mais ou menos 22% do total investido).
E assim chegamos à primeira conclusão deste estudo: o Benfica não perdeu 50-60 milhões nestes jogadores, como muitos afirmam. Investiu sim esse valor mas conseguiu recuperar quase 80%. Teve prejuízo, mas muito abaixo do que se diz.
Mas mesmo assim são 11 milhões e é dinheiro. Mas será que é muito ou pouco? Para responder a isso teremos que analisar o que se passou no mesmo período com as contratações falhadas de Corruptos e Osgas Submissas.
Nos corruptos entraram e saíram os seguintes jogadores: Thiago Silva, Leandro, Leo Lima, Bruno Gama, Areias, Pitbull, Ibson, Cech, Sonkaya, Alan, Jorginho, Diogo Valente, João Paulo, Renteria, Mareque, Ezequias, Sektioui, Stepanovic, Bolati, Edgar, Kaz, Leandrinho, Luís Aguiar, Rabiola, Tomás Costa, Benítez, Pele, Prediger, Orlando Sá, Valeri, Beto, Janko.
32 jogadores ao mesmo nível dos nossos 33 que custaram na casa dos 54,5 milhões de euros. E que acabaram por ir parar a outras paragens.
Quanto recuperou o clube corrupto? Será que conseguiram recuperar o mesmo que o Benfica conseguiu?
A resposta é NÃO. No total estes jogadores só renderam cerca de 24 milhões de euros. Isto é, entre a compra e a venda, foram mais de 30 milhões de prejuízo. Só recuperaram 43% do valor investido (pouco mais de metade dos 77,5% que o Benfica recuperou).
E nas Osgas do Alvalixo? O que se passou com os jogadores Pinilla, João Alves, Wender, Celsinho, Purovic, Stojkovic, Ricardo Batista, Pongolle, Pedro Mendes, Mexer, Torsigleri, Valdez, Zapater, Nuno A Coelho e Rodriguez?
Bom... foram menos e o valor investido foi menor. Foram só 15 mas os gastos foram de pouco mais de 30 milhões. E no final só recuperaram cerca de 5 milhões de euros.
No Alvalixo, estas contratações deram um prejuizo de 25 milhões de euros, o que quer dizer que só recuperaram cerca de 17% do valor investido.


Chegamos assim à segunda conclusão do estudo: o prejuízo no Benfica é muito inferior ao que aconteceu nos Corruptos e nas Osgas. Mesmo tendo em conta que Osgas investiram muito menos.
É interessante que a direcção do Benfica seja constantemente criticada por desperdiçar dinheiro em contratações falhadas, mas os números mostrem que se consegue recuperar mais de 75% do valor investido na compra dos passes e que no caso dos corruptos não se recupere nem 40% e no caso dos palmiers do Campo grande, nem 20%.
Estes números mostram que mesmo quando se cometem erros, no Benfica tenta-se minimizar o seu impacto nas contas. Sabemos, pelas palavras de DSOliveira, que o Benfica não paga salários a jogadores emprestados a outros clubes, e por estes números percebemos que se tenta sempre recuperar grande parte do dinheiro investido nos jogadores.
O futebol é um negócio de risco. Grandes jogadores muitas vezes fracassam, não se adaptam ou simplesmente não aguentam a pressão. Mas como em qualquer outro negócio é preciso que quem arrisca, saiba como agir quando as coisas correm mal.
Um bom domingo para todos,
V."

O adepto cibernauta...

"Adepto em pânico!
Ao ver a generalidade dos comentadores tão preocupados com o terrível dilema que Jorge Jesus tem para resolver após o jogo de Barcelos, o adepto cibernauta está a um passo de entrar em pânico!
Se já pouco conseguia dormir, aflito com a falta de um defesa que pudesse substituir Maxi Pereira, sobretudo nos 85 minutos de jogo que ele passa no ataque, imagine-se agora quando o Luisinho ficar castigado ou lesionado!
Mas o que está a deixar o adepto cibernauta à beira de um ataque de nervos é pensar que André Gomes possa sofrer uma lesão, quiçá um castigo!
Que fazer?
Jesus, que só em Barcelos foi forçado a abdicar de Aimar, Nolito, Carlos Martins, Gaitan, Luisão e Sálvio, lesionados ou castigado (Luisão), terá que juntar a este rol Enzo Perez, brindado com o vermelho no estádio do Gil Vicente...
Percebe-se com clareza a incompetência da estrutura Vieirista, incapaz de em tempo útil prevenir estas lesões (e foram tantos os atentos cibernautas que na devida altura o previram), e contratar os jogadores que pudessem com sucesso substituir esta rapaziada tão atreita a lesões...
Pior que isso, é chegar a esta altura e não haver um substituto natural que possa fazer o lugar de André Gomes quando este não poder jogar!!!
Perante esta previsível catástrofe, as estrambólicas saídas de Witsel  e Javi Garcia parecem coisa de somenos importância!
Nem é bom pensar quando tivermos que jogar sem o André!
Sem um substituto à altura de André Gomes, com Luisinho no psicólogo, afectado com o paleio de Jesus e com Lima, um 'flop' que não consegue acertar na baliza, o adepto cibernauta desespera ..."

Chamem o psicólogo!

"Enquanto muitos ainda revelam claras dificuldades no sentar, alguns até no andar - reflexos do resultado eleitoral, outros continuam as suas cruzadas 'anti-qualquer-coisa' que diga respeito ao Benfica e com renovado denodo viram as 'naifas' para Jorge Jesus, agora com redobrado prazer!
É necessário alimentar os egos feridos e os demónios que não param de os atormentar - vê-se que o parto está difícil...
Ontem, no rescaldo das eleições, era visível o receio (em alguns casos um mórbido desejo) que as coisas pudessem correr mal em Barcelos...
Não por acaso, os corruptos de contumil apenas tinham empatado no campo dos gilistas e já na época passada o Gil tinha não só empatado o Benfica, mas derrotado o vitinho da mosca e demais pandilha corrupta...
Afinal, a montanha pariu um rato e o Benfica  ganhou tranquilamente os três pontos...
Tal como acontece sempre que o Benfica ganha folgadamente, os méritos são desvalorizados e parece que o Gil até é uma equipa fraquinha - nada de novo, portanto!
Do receio inicial ao desvalorizar da vitória e à critica fácil e destemperada, apenas umas breves horas...
Aimar, Nolito e Carlos Martins, Gaitan, Luisão ou Sálvio, são, como dizia o velhinho 'comercial', "meras pastas de dentes" e não fazem falta nenhuma!
Ola Jonh, que Jorge Jesus tinha "destruido" com um raspanete público, ressuscitou dos mortos e até nem jogou nada mal - viu-se que Jorge Jesus é um nabo que não percebe nada de relações humanas! 
Quem percebe mesmo disto são os gajos do Porto, que têm o novo Messi a jogar aos bochechos na equipa B há quase dois anos! Isso é que é saber formar jovens!
Luisinho, moço a quem saiu a taluda por Jesus reparar nele enquanto jogador do Paços de Ferreira, até fez um joguinho interessante, mas segundo os expert da escrita e da palavra fácil, está já a caminho do psicólogo, destruído após o jogo de Barcelos, pelo destempero bocal de Jesus!
Ao que julgo saber, terá ido directamente do estádio para o psicólogo e inclusivé terá passado a noite na mesma clínica que recuperou Ola Jonh, Di Maria, Cardozo, Fábio Coentrão!...
Ainda há esperanças, portanto...
André Gomes, um moço que a peneira da insuperável organização do clube condenado por corrupção não soube reter, e o rapaz até era capitão da equipa de juvenis, é o novo menino bonito dos adeptos benfiquistas!
Na comunicação social assobia-se para o lado e parece que ninguém ainda deu conta que o André não vingou no centro de estágio que Luís Filipe Menezes deu de presente ao clube do putedo...
Todos os méritos para o miúdo, até porque Jesus, Rui Costa, Carraça, e/ou a estrutura benfiquista que aos poucos começam a tirar proveitos/proventos da prospecção e da equipa B, nada terão a ver com o caso - como é óbvio.
Mas do que eu tenho mesmo saudades é de Quique Flores; da sua classe aristocrata e educação exemplares!
Isso sim é que eram bons tempos - conferências de imprensa exemplares, palavra fácil e bonita, revistas cor de rosa felizes e a malta sempre satisfeita... 
Bom futebol, jogadores valorizados, bancadas cheias, resultados a condizer e o psicólogo sem trabalho para recuperar o ego ferido dos jogadores...
Isso sim, eram bons tempos!
E claro...Lima é mais um péssimo negócio como facilmente se comprova!"

LFV, sem medo

"Voto LFV.
Porque acredito sinceramente que é o melhor Presidente para o Benfica. Porque acho que tem feito um bom trabalho em circunstâncias bastante difíceis (às vezes é difícil torná-lo evidente, porque as coisas difíceis têm parecido fáceis de fazer, num país onde é tudo demasiado difícil) e porque acho que o que tem faltado na maioria das vezes – o sucesso desportivo – não tem sido conseguido porque (i) o poder podre não tem deixado e não se tem conseguido ser eficiente nessa luta (sim, é um erro inacreditável ter apoiado o Fernando das facturas) e/ou porque (ii) se têm cometido erros de gestão desportiva que penso que não serão cometidos de novo. Acredito que LFV tem a humildade suficiente para aprender com os erros (que não têm sido menosprezáveis), e isso – essa capacidade – é essencial para se poder ter sucesso. Posso estar enganado (apesar estar convicto que não)? Posso. Mas tenho direito à escolha. 
Menciono especificamente o nome de Luís Filipe Vieira. Não voto na Lista A porque lá estão A ou B ou C (quanto muito, até deixaria de votar nela por causa de alguns que lá estão) ou porque não sei quem a apoia ou porque ache que é a menos má e os outros são menos sérios (o que, dadas as sucessivas declarações públicas do candidato e elementos da outra lista, até me parece evidente). Voto na lista A por causa de LFV. Respeitem isso. Voto de forma livre, sem amarras, sem dever rigorosamente nada a rigorosamente ninguém. Não tenho tachos – ao contrário do que alguns deficientes mentais que pululam pela blogosfera e pelas caixas de comentários sugerem – nunca tive tachos, não quero tachos, não preciso de tachos. Este voto não me traz rigorosamente nenhuma vantagem prática na minha vida (bem pelo contrário, dada a quantidade de gente mal formada que tenho de aturar pela internet fora, e que aparentemente sabe coisas sobre mim que nem eu sei) que não seja o de ficar com a consciência tranquila de que, para mim (percebem isto? “para mim”), o Benfica está bem entregue. Quem disser o contrário, é mentiroso e hipócrita, e desafio-o a puxar pelo focinho para o provar. 
Portanto, posso votar em quem eu – benfiquista e cidadão livre, que dá o nome pelo que escreve - quero e em quem eu acho que é a melhor solução para o Benfica, confiando que respeitem a minha liberdade individual e as opções que tomo em consciência? Posso votar LFV e escarrapachá-lo orgulhosamente aqui sem que nas caixas de comentários se atropelem os digníssimos anónimos donos do verdadeiro benfiquismo a ofender-me e a ameaçar-me, ou sem que me cataloguem de Vieirista (o que quer que isso seja) ou como vendido (mas vendido a quê, seus rebos)? Gostava de pensar que sim. Mas duvido. Para que conste, também é para o lado que durmo melhor, foda-se.
Ah, e já agora, fiquem informados os exmos senhores filhos de mãe incerta que, sob a capa de um anonimato cobarde, me ameaçaram (os insultos e as insinuações bacocas já dou de barato) – quer para o email da Tertúlia, quer na caixa de comentários do post (as ameaças com mais substrato, respectivos IPs e/ou emails foram enviados para o sítio apropriado) - que isso só aumenta a certeza da minha escolha e que os cães ladram e a caravana passa, por mais sarnentos que sejam os cães.
Aliás, medo têm os cães."

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TV ao poder

"Se dúvidas houvesse sobre o tema do momento, as eleições no Benfica eliminaram as derradeiras reservas: o negócio dos direitos de transmissão televisiva do futebol profissional. A recente denúncia pela Liga, junto da Autoridade da Concorrência, das ilegalidades dos contratos dos clube profissionais com a PPTV/Olivedesportos, por um lado, e a posição da SAD benfiquista em não renovar contrato com o detentor do monopólio actual (com posição formalizada junto da CMVM), por outro, constituem duas realidades que prenunciam o futuro: avançar para a centralização dos direitos televisivos na Liga ou, em alternativa, num “cartel” concertado de clubes (fora da Liga).
Este último cenário só é possível com um ou mais dos três clubes grandes a liderar e a oferta de uma plataforma audiovisual multinacional; no presente momento histórico, esse clube grande só pode ser o Benfica, mas só o será se outros clubes e SAD virem nesse processo uma emancipação rentável em relação ao sistema actual. Nesta circunstância, parece que os outros dois clubes grandes perderam todo e qualquer protagonismo quando renovaram os seus contratos e se encostaram ao monopolista. À Liga, para o primeiro dos caminhos, cabe convencer o Benfica – ou qualquer outro dos grandes – que essa “segmentação” do mercado tira valor ao produto e todos os que sobram da Olivedesportos se devem juntar na associação da Rua da Constituição. À Olivedesportos, para combater qualquer dos dois caminhos, compete capitalizar o “direito de preferência” em relação a outras ofertas futuras e mostrar que tem capital (ou crédito) para ainda ser o único “player” que se chega à frente com dinheiro e paga.
Não é difícil prever que a questão dos direitos televisivos será a pedra de toque da reconfiguração das estruturas de poder no seio do futebol. 1) A Liga, ao montar a guerra contra o monopólio, joga muito do seu futuro enquanto entidade agregadora dos clubes sem dinheiro. 2) A Federação mostra-se bipolar, apostada que está em asfixiar economicamente a Liga, enquanto gere (ou desperdiça?) o cofre cheio de Madaíl. 3) O “mapa” da rede de interesses entre os grandes e os restantes clubes pode mudar radicalmente. A televisão, capaz de “mudar o Mundo”, pode impor novas “leis”, em nome do respeito pelas leis da concorrência. Cá estaremos para ver os próximos episódios.

Objectivamente (Oliveiras)

"A entrevista de António Oliveira, antigo seleccionador nacional e treinador de FC Porto e Sporting, à Bola TV, é profundamente esclarecedora e retira todas as dúvidas sobre a responsabilidade do que se passou de grave no Futebol português nos últimos anos.
Oliveira não tem dúvidas da força do chamado Sistema que comandava (e ainda comanda em parte) a organização do Futebol português, quanto a títulos, transferências, transmissões, horários, participações nas campanhas europeias, etc, etc.
E diz que o Benfica tem oportunidade soberana de acabar com isto de vez.
Acreditamos que o presidente do Benfica já tenha pensado em tudo isto e saiba qual a melhor estratégia a seguir. Não precisa dos conselhos do «mano» Oliveira para decidir sobre a melhor solução. Mas não deixa de ser curioso que durante anos e anos Oliveira estivesse, quer na Federação - onde a Olivedesportos domina nas transmissões, etc, etc como se viu há pouco tempo sobre a entrega de carros em nome da empresa e funcionários da FPF - quer no FC Porto onde sempre se jogou com o privilegiado tratamento da Olivedesportos, não tenha denunciado esta situação de forma tão clara e combativa como o está a fazer agora.
As zangas familiares não dizem respeito ao Benfica nem à orgânica do futebol português! Oliveira saiu bem e a tempo da Olivedesportos. Recebeu grande indemnização (ainda bem para ele, sem qualquer cinismo...) e agora fala de cátedra. É bom, tem o bolso cheio e ri-se dos que foram na conversa...
Pode até ter muita razão, mas este discurso já deveria ter sido feito há mais de dez anos atrás na hora da saída da sua ex-empresa. Aí é que era. Porque acredito que, apesar de tudo, ele tenha beneficiado muito do domínio do Sistema."

João Diogo, in O Benfica

domingo, 28 de outubro de 2012

Bons sinais...


Fonte Bastardo 1 - 3 Benfica
29-27, 22-25, 23-25, 23-25

Liderança isolada em mais uma vitória nos Açores. Mesmo perdendo o 1º Set nas vantagens, a equipa não quebrou, manteve-se concentrada, e em 3 Set's equilibrados, conseguiu 'sacar' a vitória, na casa daquele que muito provavelmente vai ser o nosso principal adversário esta época...
É importante realçar que estamos em jogar sem o Reffatti - reforço, que deu excelentes indicações nos primeiros jogos -, que se lesionou, já foi operado, e regressará provavelmente em Janeiro...

Derrota ao cair do pano...


Penafiel 1 - 2 Benfica

Mais um jogo menos conseguido, a equipa sem os 'Andrés' tem dificuldades em construir jogo, perdemos a bola facilmente, e assim ficamos muito tempo em situação defensiva...
Apesar do mau jogo, sofremos os golos de forma 'estranha', o primeiro num cruzamento, que apanhou uma rajada de vento,  e enganou o Mika, no segundo a um minuto do fim, após uma saída ineficaz do Mika com o Cardoso a ser ultrapassado em velocidade, num lance que podia ser sido resolvido de outra forma!!!
Pelo meio, o Miguel Rosa marcou o golinho da ordem... O apitador Cosme Machado - que tem no seu curriculum um jogo, onde deixou passar 5 penalidades a favor do Benfica!!! -, marcou em 1 minuto, 2 penalty's contra o Benfica, expulsando o Luciano com um duplo amarelo, no 1º penalty - na próxima jornada vamos jogar com os Lagartinhos!!! -, mas o Mika defendeu o 1º, e os de Penafiel falharam o 2º!!!

Não vai ser fácil o jogo com os Lagartos sem o Luciano, espero que o André Almeida seja chamado a este jogo, a outra possibilidade é o Ascues 'subir' para trinco, como fez no jogo na Grécia!!! Também será preciso ter cuidado com o apitador!!! Eu sei que estamos a falar de equipas B, mas este fim-de-semana os Lagartos voltaram a contestar uma nomeação de um árbitro - Rui Costa - antes da partida ser jogada, para o jogo deles com o Braga B!!! E não creio que a contestação tenha sido por causa do Braga, já que estes estão em último lugar com 6 pontos, na II Liga - com a companhia do Freamunde!!!

Fantasma e arma de arremesso

"O processo eleitoral no Benfica terminou ontem com a recondução de Luís Filipe Vieira na presidência. Devo confessar aos leitores que à hora em que escrevo estas linhas as urnas ainda nem abriram.
Contingências da urgência do fecho deste suplemento desportivo do “Correio da Manhã” não permitiram esperar pelos resultados das eleições. Mas não será grande atrevimento da minha parte avançar com o nome do vencedor da corrida. Vieira, que já leva dez anos de clube, foi reeleito com naturalidade mas não com aquela inquestionável naturalidade que o próprio candidato esperava. Os números desta eleição podem ser inequívocos mas a campanha não foi um passeio. O anúncio do fim da ligação com a Olivedesportos a 48 horas das eleições sugere, sem grandes rodeios, que na antevéspera do dia D, Vieira pressentiu não o perigo de uma derrota face à candidatura de Rui Rangel mas o perigo de um resultado eleitoral que não fosse suficientemente expressivo a seu favor, como sempre aconteceu nas eleições anteriores.
O tema Olivedesportos é fulcral no Benfica há mais de uma década. João Vale Azevedo foi o primeiro a compreender a importância do assunto para os benfiquistas e, rápido, conquistou parte significativa do extremado apoio popular que o manteve três anos no poder ao anunciar no dia seguinte ao da sua eleição a ruptura unilateral do contrato que ligava o clube à empresa de Joaquim Oliveira. A discussão seguiu para os tribunais e o Benfica haveria de ganhar, em primeira instância, uma causa de que desistiria já em pleno mandato de Manuel Vilarinho, entregando-se de novo nos braços de Joaquim Oliveira.
Não deixa de ser curioso o que se passou em termos de troca de piropos, alguns lamentavelmente insultuosos, nesta última saga eleitoral do Benfica. O nome de Vale Azevedo veio frequentemente à baila, como exemplo desgraçado de delinquente e ambas as listas tiveram necessidade de evocar o ex-presidente quer como fantasma quer como arma de arremesso numa campanha em que o “valeazevediano” tema Olivedesportos ocupou seriamente as atenções de todos. Para a História, justa ou injustamente, ficará que Vieira ganhou estas eleições com a mesma carta. Vamos lá ver como é que o baralho agora reage.

ERRAR É HUMANO

Um episódio diferente de humanidade
O preceito de que “os árbitros são humanos” é aplicado sempre que um árbitro erra e o seu mau juízo acaba por influenciar de forma directa o resultado de um jogo. Ou seja, é sempre pelos piores motivos que nos vêm com a lenga-lenga da condição humana, por isso mesmo falível, dos homens do apito. Na semana passada, o mundo do futebol foi confrontado com um episódio de humanidade de cariz bem diferente e muito mais divertido do que as tradicionais justificações de erros de arbitragem.
Um fiscal-da-linha peruano, o senhor Nicolás Yegros, no intervalo do jogo entre o Chile e a Argentina de qualificação para o Mundial do Brasil, tomou a inusitada decisão de se abeirar de Lionel Messi para lhe pedir que tirasse com ele uma fotografia. Messi acedeu de sorriso nos lábios e os dois, astro e bandeirinha, posaram ao lado um do outro para a eternidade. Nada de mais humano, em boa verdade. Haverá alguém que ame o futebol e que não gostasse de ter uma fotografia ao lado de Messi, equipado e tudo com a camisa celeste da Argentina?
Imagine-se uma cena destas em Portugal onde não há Messis mas onde, apesar da crise, ainda evoluem jogadores de enorme valia. O que diriam os adeptos rivais? A humanidade dos outros é muito diferente da nossa, é o que é.

POSITIVO

Jackson europeu
O avançado colombiano do FC Porto estreou-se a marcar na Liga dos Campeões com dois golos frente ao Dínamo de Kiev. Começa a constar no Dragão que, afinal, Hulk não faz assim grande falta.

Outro Pablo?

É uruguaio, tem nome de craque, Pablo. Mas este Pablo é Olivera e chegou ao Moreirense na condição de ilustre desconhecido. No domingo, apresentou-se finalmente com dois golos ao Sporting.

NEGATIVO

Jardel infeliz
O Benfica perdeu o jogo de Moscovo com o Spartak graças a um auto-golo de Jardel, o central chamado a substituir Luisão enquanto durar o castigo ao “capitão” do Benfica. Complicam-se as contas europeias na Luz.

PÉROLA

“QUALQUER DIA GODINHO LOPES TAMBÉM METE O PAULINHO NA RUA”, Carlos Barbosa
Reina o despautério em Alvalade a todos os níveis. Fica apenas uma dúvida no ar: serão os maus resultados desportivos que condicionam dirigentes e ex-dirigentes a proferir declarações insensatas ou será precisamente o contrário? A insensatez vinda de cima é que contagia as prestações nos relvados?"

Leonor Pinhão, in Correio da Manhã