Últimas indefectivações

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Exigência... a nós e aos outros

"Já o escrevi várias vezes: O Benfica tem sido severamente prejudicado pelas arbitragens, contrastando com os frequentes benefícios concedidos a Sporting e FC Porto. Constatar esta evidência não desculpabiliza o nosso percurso aquém das expectativas, embora saibamos que as dinâmicas de vitória, tão relevantes para as equipas quanto os aspectos técnicos e tácticos, obtêm-se, com vitórias. Com arbitragens normais, isto é, em que houvesse boas e más decisões equitativas quanto aos clubes afectados, a classificação seria mais favorável aos nossos interesses, mesmo que os problemas sentidos pela nossa equipa subsistissem.
Neste contexto, o Benfica não só terá que ser superior aos seus adversários, como necessita de um esforço adicional para ultrapassar as dificuldades criadas por quem tem o dever de imparcialidade mas não o tem demonstrado.
O Benfica é Bicampeão Nacional, tem que ser exigente consigo próprio e com os outros. Deverá identificar as suas lacunas e colmatá-las. Terá que perceber os seus erros e não repeti-los. E não poderá permitir que sejam os árbitros a acentuar as suas fases menos boas e a disfarçar idênticos constrangimentos dos nossos adversários.
A fruta, o café com leite e as viagens apresentaram bons resultados no passado. A constante auto-vitimização e atordoadas em todas as direcções estão a produzir efeitos no presente. Contudo, nunca serão esses os caminhos trilhados pelo Benfica. Preferimos trabalhar e preparar o futuro, sem desvios motivados pelas circunstâncias e imunes à tentação de utilização de estratégias que só uma comunicação social subserviente ou demissionária das suas funções não desmascara.
Denunciemos então!"

João Tomaz, in O Benfica

Miopia

"Perguntava há poucos dias o presidente do SL Benfica onde anda a Liga da Verdade, depois de mais um ataque súbito de miopia por parte de uma equipa de arbitragem na Catedral. Nenhum dos elementos que devem zelar pela verdade desportiva em campo conseguiu assinalar uma grande penalidade no jogo com o Rio Ave. E tiveram três lances para o fazer. Não é caso estranho esta época.
Em Arouca (2.ª jornada), no Dragão (5.ª), com o Sporting (8.ª) e nos últimos cinco jogos para o Campeonato, houve outras miopias do género contra o Bicampeão; já o FC Porto, olhando para os casos nos 14 jogos já disputados para a Liga, tem mais sete pontos do que deveria (dois pontos a mais com o Glorioso, mais dois com o Paços de Ferreira e mais três no nevoeiro da Madeira com o Nacional); e quanto ao Sporting, são pelo menos mais oito - dois pontos a mais na Luz, três pontos em Arouca, dois na Madeira com o Marítimo e mais dois em Alvalade com o Moreirense.
Se a tal Liga da Verdade existisse, onde andariam agora os críticos de Rui Vitória? Provavelmente a festejar a chegada do SL Benfica ao Natal no primeiro lugar. E entusiasmados com a ideia cada vez mais palpável da conquista do Tricampeonato. Mas não, andam a suspirar por Mourinho em vez de acreditar no ribatejano que ainda vai calar muita gente. Até maio, muitas vão ser as falhas: de árbitros, de dirigentes, de jogadores, de comentadores, de jornalistas. Muitos pontos vão ser perdidos com falhanços à boca da baliza, com foras-de-jogo mal assinalados e com tácticas que não resultam em determinado dia. Faz parte desta modalidade de paixões e milhões. Mas aquilo que não pode acontecer é baixar os braços e aceitar com resignação o favorecimento dos rivais directos.
Estamos na luta! Dá-me o 35."

Ricardo Santos, in O Benfica

Gigantes!

"Nem um empatezinho para amostra! 33 jogos, 33 vitórias! 22 jornadas de 2014/15, e mais 11 (o pleno) de 2015/16. É este o inacreditável pecúlio da equipa de Hóquei em Patins no Campeonato Nacional da 1.ª divisão, desde o já distante dia 25 de Outubro de 2014. 7-0 fora e 9-0 em casa com o Sporting, 10-0 ao Valongo, 7-3 no Dragão e 5-1 ao FC Porto na Luz, eram alguns dos resultados averbados neste percurso. Faltava uma vitória sofrida, com contornos de filme de suspense, e sabor a mel, para compor o quadro. Ela aconteceu no último sábado, após um espectáculo inolvidável.
Aquele último minuto vai ficar marcado na história do Hóquei português, e na memória de todos os que enchiam o Pavilhão da Luz. Virar um resultado de 3-4 para 6-4 em apenas 68 segundos, frente a um, também ele, candidato a todos os títulos nacionais e internacionais, não é proeza que possa passar em claro. E apenas está ao alcance daquela que é hoje, sem dúvida, uma das melhores equipas do mundo, e, porventura, a melhor de sempre do Hóquei "encarnado".
Não será preciso lembrar que, apesar destas exuberantes manifestações de qualidade, ainda nada está ganho esta época. Tenho a certeza que os festejos estão bem guardados lá mais para o fim. Mas, a manter-se o espírito, todas as ambições são legítimas.
Enquanto Benfiquista, e apaixonado do Hóquei em Patins, tenho um sonho: ver o capitão Valter Neves erguer mais um troféu de Campeão Europeu, desta vez na nossa casa, perante uma multidão idêntica à de sábado passado. Até o adversário poderia ser o mesmo. Fica já reservada uma das doze passas da passagem do ano."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal

O medo de uns e o excesso de coragem de outros (sempre os mesmos... com os mesmos)

"O medo ou o temor reverencial é o que temos de erradicar do futebol português. A uns tudo perdoam, em tudo encontram desculpas.

Neste tempo de Natal, onde cansa falar sempre dos mesmos temas (não dos temas do nascimento de Jesus, mas da eterna mania do clube rival passar o Natal a dar-nos alegrias... mesmo com o menino Jesus por lá), algumas notas avulsas de temas que, só por si, dariam artigos de fundo. Mas tudo tem o seu tempo (ou, como diria Filipe II, I de Portugal... «o Rei e o tempo tudo resolverão»).

O medo de uns...
1. Muita coisa se tem dito, ouvido, escrito e lido sobre as (animadas) jornadas do futebol português. 
Sempre assim foi... mas, reconheçamos, a ânsia de proteger uns e condenar, sem culpa formada, outros começa a ser um bocadinho excessiva (a fase natalícia ameniza os corações e relativiza a adjetivação usada).
Na verdade, alguns, pese embora serem evidentes os factos, há quem teime em desculpar ou omitir o que não tem desculpa e encontrar problemas onde eles não passam de situações normais.
A uns, tudo perdoam, em tudo encontram desculpas!
A outros tudo exigem, em tudo encontram razões de crise.
Cada vez mais acredito que, também aqui, existem duas facções: aqueles que têm medo... e aqueles que têm coragem.
Ou seja, o medo contra alguns... e o excesso de coragem contra outros! Que tantas vezes se confundem num só lado da barricada da fabricação de opinião, ou seja... aqueles que têm medo de uns e coragem contra outros.
De facto, como diria Ricardo Costa, antigo Presidente da Comissão Disciplinar da Liga, frase que relembro sempre que posso, tenho para mim que o principal problema do futebol português é... o medo!!!
O medo ou o temor reverencial, na sua aparência mais soft (mas com iguais resultados práticos) é o que temos que fazer erradicar do futebol português.
Para que cada clube, cada jogador, cada dirigente de clube, cada agente desportivo, máxime árbitros e observadores sejam, isso sim, livres.
Com efeito, se tomarmos em atenção pequenos exemplos - sobre grandes coisas - percebemos que é o medo que impera, regularmente...
Vejamos:

O temor de Lopetegui
(versão actual do medo aos dirigentes de um certo clube)
2. O desfecho do Nacional-Porto, 1-2, é exemplo disso! Lopetegui, que tanto sabe - e critica! - sobre arbitragem, na maior parte das vezes, alheia ao seu clube, teve duas grandes penalidades não marcadas contra a sua equipa na Choupana... Alguém o questionou - de forma profissional, séria e insistente, como a situação o exigia - sobre esses dois escândalos (um pelo menos tão grande como a Torre dos Clérigos); quer na flash interview, quer depois na conferência de imprensa?
Não! Como sempre...
Ai se fosse no Benfica...
O mesmo Porto foi eliminado da Liga dos Campeões, como (ainda) se lembram... e mesmo quando não se lembrarem, vou fazer questão de lhes reavivar a memória! Bastava um empate, em casa, para ser qualificado!!! Disseram, por aí, que a culpa foi sua... sim, de Lopetegui!
Alguém o questionou, de forma profissional, séria e insistente, como a situação o exigia? Nem na flash interview, nem na conferência de imprensa após o jogo!!!
Ai se fosse no Benfica...
A verdade é que alguma comunicação social o tem (a ele como ao seu clube) como intocável, a julgar pelo número de assuntos que ninguém tem a ousadia de abordar...
É que nem se atrevem!
Não percebendo a razão (lógica) desse comportamento, só poderei achar que é por... medo.
E tenho todo o direito de o achar...
Ai se fosse no Benfica...

O receio do Sporting
3. Pior que ter medo de um treinador, é ter um clube como intocável...
O Sporting perdeu, recentemente, duas vezes consecutivas: contra o Braga e contra o União da Madeira - sendo que a primeira derrota culminou na eliminação da Taça de Portugal... e a segunda na perda da liderança do campeonato!
Ainda assim, nada se diz...
Para eles a estrutura e o treinador continuam intocáveis!!! Mesmo quando começam a vacilar...
Ai, se fosse no Benfica (ainda que fosse com o mesmo treinador, se bem que sem assessorias de imprensa reais ou por simpatia)...
Neste momento, o Sporting ganhou três vezes ao Benfica (diria que já têm a época feita, e o campeonato deles, o da segunda circular, aquele que realmente lhes interessa, conquistado). Porque, se analisarmos - com olhos de ver - a época que andam a fazer, não poderia deixar ninguém eufórico... como eles andam todos por aí. Não está na Liga dos Campeões.
Passou aos 1/16 de final da Liga Europa, a muito custo... Mas mesmo assim, ninguém questiona, jornalisticamente, se as opções do treinador foram as mais corretas ou se a equipa tem qualidade para aguentar a época assim, apesar de tanta compra (como é habitual em quem lá está). Ninguém questiona. Ponto! Pelo contrário, continuam fascinados... achando, inclusivamente, cada vez mais graça a todo o tipo de intervenção do seu presidente e a todas as piadas arrogantes do seu treinador!
Ai se fosse no Benfica...

A coragem contra o Benfica
4. Os mesmos que assumem todo o tipo de permissividade e comportamentos desculpantes para com as atitudes dos nossos adversários, com receio (medo, é o que é...) do que lhes possa acontecer, enchem-se de coragem para analisar o dia-a-dia do Benfica.
Por termos empatado na Madeira, com o União, foi um escândalo (até poderei reconhecer que foi, mas apenas queria que tratassem os outros resultados escandalosos também como verdadeiros escândalos e não como resultados... menos positivos).
Apenas para recordar alguns, no dia seguinte ao empate na Madeira, havia manchetes (e críticas) para todos os gostos nos jornais desportivos: «sem desculpa» ou «nem golos nem ideias»... podia-se ler.
Todo um drama, portanto!
Por sua vez, o Sporting perde na Madeira, contra o mesmo União, no passado domingo, que foi (compreensivelmente) entendido, pela mesma comunicação social, como... «efeitos do jogo da Taça»! 
Quando a equipa do Sporting, bem vistas as coisas, teve mais dias de descanso que o Benfica!!!
E quais foram os destaques dos jornais desportivos logo após a esse jogo, que ditou a perda da liderança do campeonato do Sporting?!
Também para todos os gostos!
Além de terem realçado (ou quase unicamente destacado) - para não variar - o Benfica, para não terem de criticar os outros: «Leão cai, dragão na frente e águia está viva»; ou «União provoca primeira derrota do Sporting na Liga»; ou, ainda, «Leão atrofia na Choupana».
Nada de grave, portanto!
Ai se fosse no Benfica...
Isto já para não falar na diferença de tratamento que é dada aos respectivos presidentes...
O Sporting tem um presidente que fala todos os dias...
Por sua vez, o presidente do Benfica, após os sucessivos prejuízos - 15 penalties, 15 - que o clube tem sido alvo esta época, criticou a arbitragem de Manuel Oliveira, no Benfica-Rio Ave, pelos seus erros escandalosos - nomeadamente três grandes penalidades que ficaram por marcar -... e acharam um escândalo!!!
É preciso ter paciência...

O exemplo que vem de fora... e o futuro
5. Como se sabe, foi recentemente anunciado pelo Comité de Ética da FIFA a suspensão de Joseph Blatter e Michel Platini, por oito anos, devido a um alegado pagamento irregular, em 2011.
Independentemente da opinião de cada um, realça-se a coragem dessa medida aos senhores do futebol europeu.
Um exemplo a seguir... sem medo!
Seguem-se as sucessões nos respectivos cargos... Será que esses mesmos castigos terão um efeito dominó no futebol português, ao nível das Presidências da FPF, da Liga e da Arbitragem?
Ou, para ser mais directo, uma possível (embora não muito fácil, ainda...) candidatura de Fernando Gomes à UEFA, provocaria mudanças em toda a liderança do nosso futebol.
Reconheço a Fernando Gomes essa capacidade de transformar cada mandato numa oportunidade. Quando nada o fazia prever, surgiu na Liga. Depois da Liga seguiu-se a Federação. Será que, depois da FPF, seguir-se-á a UEFA?
Vamos ver.

Bom Natal
6. Quanto ao resto, um Bom Natal, para todos... um Santo Natal, para os que acreditam mesmo no menino Jesus.
Todos, os do Bom ou os do Santo, porque temos obrigação de fazer do Natal Bom e Santo... para todos!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Lateral de forte vocação ofensiva

"Grimaldo começou a sua trajectória futebolística no Valência, de onde rumou, em 2008, ao Barcelona. onde foi transformado de médio-ofensivo virtuoso em defesa. Lateral-esquerdo de forte vocação ofensiva, destaca-se por ser muito rápido, disponível fisicamente - pode tornar-se mais resistente - e capaz de imprimir acelerações, o que lhe permite assumir acções de condução, até porque possui atributos interessantes de ordem técnica, e de desmarcação, mostrando sagacidade a oferecer largura e a atacar a profundidade. Com argumentos no passe e nos cruzamentos, surpreende pela forma exímia como bate livres directos, livres laterais e pontapés de canto. No capítulo defensivo, mostra mais argumentos na defesa de posições exteriores, ao tirar partido da sua velocidade, agilidade, agressividade e sagacidade posicional do que na defesa de posições interiores, onde exibe algumas carências no jogo aéreo e nos duelos corpo a corpo."

Rui Malheiro, in Record

2.ª Liga às vezes melhor que a 1.ª Liga

"Já aqui escrevi sobre a 2.ª Liga. Todavia, a ela volto, Desde logo para saudar o anunciado fim da anomalia de uma competição com 24 clubes e 46 jornadas! Depois, para enfatizar a sua competitividade, em que entre os que podem subir e os que podem descer a distância não é muito cavada. Retirando as equipas B, os líderes da classificação estão em sucessivas mudanças e os resultados dos encontros suscitam interesse, pois qualquer desfecho pode acontecer com naturalidade. A distância entre o agora segundo a subir (Chaves) e o agora o 12.º (meio da tabela) é apenas de 6 pontos. E entre o primeiro abaixo da linha de água e o quarto classificado é tão-só de 9 pontos.
Outro aspecto a salientar tem a ver com a importância da 2.ª Liga para os clubes que lá jogam com as suas equipas B.
Já foi assim com o aproveitamento que o Vitória de Guimarães fez para promover jovens atletas e, de entre os grandes, muito tem beneficiado o Benfica e o Sporting (aparentemente menos o FC Porto) com a mais rápida descoberta de talentos e a promoção de juniores de boa craveira. De vez em quando vejo na televisão jogos desta competição e confesso que muitos deles são mais interessantes que a molhada de jogos entre equipas da Primeira Divisão com estádios vazios e paupérrimo futebol, muitas vezes na busca de irritantes nulos de empatas.
Em meu entender, deveria haver 3 equipas promovidas (ou, pelo menos, a terceira a disputar um play-off com o antepenúltimo da 1.ª Liga) e não duas. Melhoraria a 2.ª Liga e também a 1.ª Liga onde o facto de só descerem duas torna o seu futebol ainda mais conformado e cinzento."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Capitães!!!

O elogio no meio da mediocridade

"A emoção é a especiaria do desporto. Os golos são o sal do futebol. O jogar para ganhar é a essência do espectáculo. É preferível um 3-2, 4-3 ou 5-4 do que o magro e costumeiro 1-0. Por isso, o futebol inglês é o melhor. Lá não se joga, em tons cinzentos, para empatar o jogo e o tempo.
Por cá, esta norma da Liga inglesa é a excepção. Quase sempre o que vemos é o jogo e o antijogo, numa união exasperante e entediante. Depois, alguns clubes queixam-se da escassez dos direitos televisivos de transmissões que quase ninguém vê, a não ser o reduto dos apaniguados.
Nas últimas semanas, houve dois jogos que contrariaram esta regra. Um deles foi a atitude do Vitória de Setúbal diante do Benfica. Perdeu, mas marcou dois golos e contribuiu para a valorização do espectáculo jogando com a ideia sempre na baliza contrária. O outro foi o esplendor do jogo jogado: o Sporting de Braga-Sporting. Como há dois anos e pelo mesmo resultado, havia sido o Benfica-Sporting para a Taça. Emotivos, com cambiantes no resultado, sem tempo perdido, com entrega sem limites. São estes jogos que ainda fazem pessoas acreditar que vale a pena ir a um estádio.
Mas, também há dias, houve uma partida numa modalidade às vezes votada ao degredo desportivo que merece ser enfatizada. Refiro-me ao Benfica-Porto em hóquei em patins, tão bem jogado pelas duas equipas como apaixonante no desenrolar do marcador. Um hino a esta modalidade, e neste caso até no fair play de todos.

P.S. Manuel Oliveira (AF Porto) teve uma arbitragem miserável na Luz no passado domingo. Tão miserável que até dá que pensar..."

Bagão Félix, in A Bola

Vespas na derrota

"Se fosse presidente de um clube de futebol ambicioso e um dirigente meu, na liderança de uma delegação, decidisse espairecer numa discoteca da moda, o que faria? Enquanto os jogadores - jovens de vinte e poucos anos - descansam, o líder posa para fotografias, qual estrela de cinema. As estrelas não são os atletas? Que, aliás, o regulamento interno impede de sair à noite nos dias que antecedem a competição? O representante da autoridade que impõe as regras é o primeiro a incumprir?
Se fosse patrão desse dirigente não sei o que faria. Mas, no mínimo, se se tratasse de um profissional, promovia-lhe um processo disciplinar onde teria de justificar esse desvio grave ao comportamento aceitável no exercício das suas funções. O exemplo deve sempre vir de cima. Se alguém chefia uma delegação, deve constituir-se no defensor das regras que a regulam.
Tudo isto vem a propósito das fotos que circulam sobre a presença de Bruno de Carvalho na discoteca mais 'in' da Madeira. Aí se vê, nas Vespas, o dirigente do Sporting a posar para a esquerda e para a direita. Se Bruno de Carvalho fosse uma estrela da equipa que lidera, não poria um ar mais embevecido, nos múltiplos registos para a posteridade da sua presença.
No plano pessoal e familiar, o dirigente não fez nada de grave. Mas, no plano profissional, teve um comportamento leviano. Na liderança de uma delegação oficial, não cumpriu as regras de que deve ser guardião. Se fosse patrão dele, só não o despedia caso apresentasse excelentes resultados nos próximos desafios."

Honrem as camisolas?

"É preciso recuar bastantes anos para nos recordarmos de um ambiente tão tenso num jogo do Benfica no Estádio da Luz, como o deste fim de semana com o Rio Ave. Coro de assobios, faixas a exigirem mais da equipa e claques a pedirem aos jogadores para honrarem as camisolas. No fim, com um resultado positivo e com mais uma partida decidida num ímpeto atacante final, o ambiente lá se recompôs. Não quer dizer que os problemas de fundo estejam resolvidos.
Desde logo, o apelo para que os jogadores honrassem a camisola. Trata-se de um equívoco: o problema do Benfica não tem sido de profissionalismo - no domingo, não vislumbrei nem apatia, nem falta de empenho. O que se viu, uma vez mais, foi uma equipa que joga aos repelões e que depende da qualidade individual para resolver o que o conjunto não é capaz de solucionar. Umas vezes é Gaitán, outras é Jonas que vão ultrapassando os bloqueios colectivos. Sem uma ideia de jogo, sem organização, torna-se bem mais difícil, para recuperar uma metáfora do passado, ao 'Manel' brilhar, integrar-se no conjunto e disfarçar as debilidades individuais. A consequência é clara: a jogar assim, os melhores pioram e os menos bons nunca melhorarão.
Ora, com muitos 'Manéis', um par de jovens muito talentosos, dois ou três craques e uma equipa num limbo tático (ainda não abandonou o sistema de Jesus e não abraçou o de Vitória), o Benfica está condenado a sofrer em campo. Até ver, estamos em Dezembro e os resultados têm sido bem melhores do que as exibições. O menor dos problemas é o empenho dos jogadores."

O abraço de Jonas ao povo

"O Campeonato da Liga despediu-se de 2015 e cumpriu-se a tradição, ao impedir o Sporting de passar o Natal na condição de líder, privilégio que o FC Porto recebeu quase como dádiva divina por não esperar, certamente, tamanha generosidade por parte do leão, o qual se deixou enganar pelo mesmo União que a meio da semana surpreendera o Benfica, embora com uma diferença: Vitória ainda saiu de lá com um ponto, Jesus nem isso...
A última jornada do ano baralhou as contas que euforias descontroladas costumam suscitar e que, na circunstância, até prenunciavam um Sporting campeão. Não quer dizer que assim não seja, mas de hoje até 15 de maio de 2016, data da derradeira ronda da Liga, mais surpresas irão deparar-se-nos. Implicou, ainda, mudança de cenário em vésperas do clássico marcado para 2 de Janeiro, em Alvalade. De repente, é Lopetegui quem, pela primeira vez desde que assumiu o comando técnico do dragão, surge isolado na frente da corrida e as previsões que apontavam em determinado sentido obrigam agora a exercícios inversos, na medida em que o avanço leonino de dois pontos a que poderia juntar-se mais três em caso de sucesso, o que, somado, daria expressiva margem de conforto a Jesus para atacar a segunda volta, já faz parte do passado. O presente oferece um FC Porto na liderança, com mais um ponto, o que, na mesma linha de raciocínio, somado a três, em caso de triunfo na casa do leão, dará quatro e o respaldo que se previa para Jesus transfere-se para Lopetegui, treinador bem mais tranquilo, pois, na pior das hipóteses, se for derrotado, voltará à desvantagem de dois pontos, a mesma que se verificava à entrada para a jornada 14. Além de dever reter-se no pensamento o calendário particularmente difícil do Sporting nas últimas jornadas: joga no Dragão na antepenúltima e em Braga na última.
Portanto, mais interesse, mais emoção, mais espectáculo, mais futebol de qualidade e três candidatos ao título.

O Benfica resiste, apesar de limitações no plantel, de problemas com lesões e de arbitragens infelizes. Mantém-se na luta e se a máquina de propaganda do Sporting, sob controlo remoto da teia de influências do Porto, não foi capaz de abatê-lo, é pouco provável que o consiga daqui em diante, por se adivinhar uma resposta cada vez mais forte da águia quando o plantel receber as peças que lhe têm faltado, como Salvio, Nélson Semedo e o capitão Luisão, e beneficiar de reajustamentos que se impõem na reabertura do mercado, sinal de que Rui Vitória, não possuindo a genialidade com que os deuses prendaram Jesus, também não é o aselha que pintam. Está a construir carreira sólida e o trabalho feito assenta na reserva, na competência e na seriedade, não tendo sido ocasional, por isso, a intervenção de Luís Filipe Vieira, anteontem: «Podem dizer mal do treinador, mas uma coisa é certa: o Rui Vitória é treinador do Benfica e vai continuar a ser».

A difícil vitória sobre o Rio Ave revelou que os jogadores estão empenhados, há vontade e disponibilidade, também espírito de sacrifício e inabalável união entre os artistas e entre eles e o povo, traduzido naquele abraço provocado por Jonas e que envolveu uma dezena de adeptos em representação dos mais de 40 mil que compareceram no Estádio da Luz para ajudarem na construção de um resultado que simbolizou muito mais do que três pontos: o testemunho de que a família benfiquista se mantém firme, capaz de resistir a resultados agrestes e de compreender, talvez a principal diferença em relação às de outros emblemas, a importância da mudança que está a ser operada na política do futebol, aceitando custos que têm de ser suportados em nome do futuro e da estabilidade da instituição. Uma cultura muito própria que conduz ao reforço dos laços solidários nos períodos de maior perturbação, como se percebeu este domingo. As coisas não estão a correr de feição, todos percebem isso, a começar pelos jogadores, e quando Jonas desatou o nó no marcador foi iniludível o gigantesco suspiro de alívio que se estendeu do relvado às bancadas, reflexo da cumplicidade que empurrou o avançado brasileiro para os braços dos que jogavam por fora..."

Fernando Guerra, in A Bola

Lição do insucesso

"O despedimento de Mourinho na sequência dos maus resultados do Chelsea nesta época, desmonta a ideia de treinador irremediavelmente vitorioso, que se foi construindo ao longo da brilhante carreira do técnico que já foi oficialmente considerado o melhor do Mundo. A situação actual não lhe retira a enorme competência demonstrada pelos sucessos nos mais diversos contextos. Comprova, todavia, que os resultados no desporto resultam da interacção de inúmeros factores, alguns detectáveis e outros não, e não de qualidades absolutas dos seus intérpretes que, por qualidades perenemente superiores aos outros, estariam destinados a sempre ganhar. Esta é uma lição para todos os agentes desportivos que, com inteligência, saibam observar e interpretar o fenómeno social em que trabalham.
Não há treinadores ganhadores. Há somente os que têm maior probabilidade de responderem eficazmente às exigências da competição, em contextos e culturas variadas, pelo conhecimento do desporto em que actuam, suportados por adequada preparação científica e cultural. E, sobretudo, pela aprofundada compreensão dos seres humanos que são os seus atletas. Assim poderão obter superiores percentagens de sucessos. Como Mourinho.
Os processos de treino devem fundamentar-se na biomecânica, fisiologia, anatomia e outras áreas da biologia. Mas o desporto de rendimento não é uma ciência exacta e o Homem não é redutível a modelos matemáticos. Está nas ciências humanas uma importante chave para a eficácia dos treinadores. É que, não, obstante tudo possa estar rigorosamente planeado, serão os processos psicológicos e psicossociais a influenciar a reacção nos momentos determinantes. A capacidade empática, a compreensão do atleta e da dinâmica grupal são elementos fundamentais para a eficácia do treinador moderno, cidadão do mundo. Implica centrar-se no outro. Tal é incompatível com a fixação egocêntrica."

Sidónio Serpa, in A Bola

Legião estrangeira

"Quando o mercado das transferências dos jogadores estrangeiros começou a ter uma grande influência no rendimento das equipas, apareceu em Portugal o argentino Panchito Velázquez (entre 2000 e 2003) que deliciava a assistência no antigo pavilhão do Benfica. Era 'obrigatório' ir à Luz para se ver algo de diferente. Em pouco tempo, Panchito conquistou os adeptos encarnados e do hóquei em patins em geral.
Panchito tinha qualidades ímpares e rapidamente enchia os olhares do público. Era, realmente, algo surpreendente e imprevisível. Pura magia. O campeonato português já não tem um diamante como o talentoso argentino, mas apresenta um conjunto de jogadores estrangeiros de grande nível técnico ao ponto de se afiançar que o campeonato português é o melhor do Mundo. São várias as razões que dão primazia ao nosso campeonato: enorme competitividade que provoca incertezas, bom trabalho dos clubes, forte tradição nas colectividades, excelente adesão do público e um nível técnico acima da média em função da contratação de estrangeiros. E se referirmos apenas 10 jogadores de outras nacionalidades teríamos uma superequipa. Vejamos então:. Guillem Trabal, Edo Bosch, Reinaldo Garcia, Albert Casanovas, Tuco, Cacau, Carlos López, Carlos Nicolía, Jordi Adroher e Marc Torra.
Esta simbiose de circunstâncias tem levado a que jogadores espanhóis e argentinos tenham preferido Portugal a outras paragens. A boa campanha europeia dos nossos clubes não tem passado despercebida e existe para os estrangeiros uma indisfarçável vontade de jogar no campeonato português, sem dúvida o melhor do Mundo."


PS: O cronista esqueceu-se da razão mais importante, para tantos jogadores jogadores estrangeiros de Hóquei - de grande qualidade -, estarem actualmente em Portugal: a crise financeira em Espanha e em Itália, tem levado a um investimento menor nos últimos anos (muito desse dinheiro que existia, principalmente em Espanha, tinha origem directa ou indirecta no sector público), o que torna os Clubes portugueses, actualmente, competitivos em termos de ordenados...

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Um mecânico de automóveis apaixonado por Marie Claire

"A juventude de Mário Coluna tem episódios sem igual: fugiu de casa para João Belo à procura de emprego e o pai ordenou-lhe o regresso a Lourenço Marques; foi campeão pelo Desportivo e namorou na Ilha Maurícia.


Coluna é Coluna! Dificilmente se explica a grandeza deste nome. Mário Esteves Coluna, o mais carismático capitão da história do Benfica!
Aos dezasseis anos deita-se ao trabalho que o Futebol não dá para os gastos e a família é humilde. Torna-se aprendiz de mecânico de automóveis no Almoxarifado da Fazenda de Lourenço Marques. Primeiro ordenado: 1.500 escudos. Nada mau! Nada mau!
Ficou apaixonado pelos automóveis toda a vida.
Teria outras paixões...
Coluna é Coluna!
A história da sua vida já devia ter dado um livro - até eu já devia ter metido mãos à obra, mas haverá por certo em outros talento mais autêntico e conhecimentos mais aprofundados - deste jogador formidável que, poucos o saberão, foi recordistas de salto em altura da Província de Moçambique com a excelente marca para a época de 1,835 metros.
Não lhe bastava. Queria tudo e mais tudo. Foi um corredor emérito dos 400 e 800 metros, somando medalhas e mais medalhas.
Era por vezes um solitário. Introvertido. A confusão própria da miudagem, risos, galhofa, gritos, incomodavam-no quando em excesso. E então isolava-se. Meditativo.
Nele houve sempre a calma serena dos pensadores.
Na Idade adulta, já no Benfica e com o estatuto único que conquistou, manteve o hábito da reflexão. Era um homem interior: talvez daí muito do seu mistério.
Fui procurar aos arquivos dos jornais, que são o repositório maior da história do Futebol em Portugal umas memórias de Coluna contadas por ele próprio. Deparei com uma entrevista concedida ao meu velho colega e amigo Carlos Arsénio e com esta passagem interessante:
- Eu queria trabalhar! Fazer-me gente, lutando pelo meu sustento sem necessidade de estar constantemente a importunar os meus pais. E um belo dia resolvi fugir para João Belo. O Ferroviário local, sabendo do meu interesse em conseguir o tão ambicionado emprego ofereceu-me uma colocação com a condição de que teria de passar a representar o clube. Não pensei duas vezes e concordei sem que o meu pai soubesse. Tratei das coisas em silêncio e disse que ia um dia a João Belo a casa de um amigo. Assim foi. Já em João Belo, com o caso praticamente resolvido, escrevi a meu pai, contando-lhe a verdade e seriamente esperançado na sua colaboração. Mas, qual quê! Meu pai imediatamente me decretou que fizesse as malas, deixasse João Belo e regressasse a Lourenço Marques onde já havia arranjado emprego para mim. Finalmente não haviam sido em vão os meus esforços. Já não seria mais um senhor desempregado.

Certa vez, na Maurícia
Coluna regressa a Lourenço Marques e entra como aprendiz de mecânico na tal oficina de automóveis, orgulhoso do seu novo macaco.
O Futebol não passa, nesse tempo, de uma acessório da sua vida de mecânico. Volta a vestir a camisola do Desportivo de Lourenço Marques mas reduz-se ao prazer dos lances, dos passes, dos golos em remates poderosos que fizeram a sua marca. Nada de muito sério...
Comparado com o que ganhava na oficina, os 500 escudos que o Desportivo lhe pagava não ia além de uma pequena avença para ajudar as contas mensais.
A promoção à primeira categoria acabou por ser um motivo de alegria para o pai que fora guarda-redes do clube.
- Com dezassete anos e dois contos por mês já me sentia um senhor importante. E enquanto os mil e quinhentos escudos do trabalho voavam direitinhos para casa ajudar a família, os quinhentos paus eram para as minhas despesas. Secretamente. Porque o meu pai não sabia dessa minha verba «clandestina».
Decorria o ano de 1952. Mário Coluna foi campeão de Lourenço Marques e o melhor marcador da equipa. Como prémio, o Desportivo oferece aos seus campeões uma deslocação à ilha Maurícia. As derrotas (0-5 e 2-6) foram duas e a vitória única (4-1) contra selecções locais.
Mas houve uma vitória especial. Apaixonou-se. A rapariga chamava-se Marie Claire e era difícil entenderem-se porque ela só falava francês.
«Amores de Verão enterram-se na areia», diz o povo. Há muita areia na Ilha Maurícia.
Coluna regressou a casa com uma fotografia no bolso: Marie Claire.
Não voltou a ouvir falar dela.
Faltava muito pouco para embarcar na viagem da sua vida: em direcção a Lisboa e ao Benfica."

Afonso de Melo, in O Benfica

Campeão a nu

"No Estádio ou na TV, o país inteiro viu um jogador do Benfica tal como veio ao mundo. 'E sem bolinha...'

«Isto hoje é dia de festa. Vai ser uma loucura». ouvia-se antes do jogo. E foi! Foi dia de celebrar a conquista de mais um título, o de Campeão Nacional 1982/83.
A 29 de Maio de 1983, o Benfica disputava, em casa, frente ao Sporting, a penúltima jornada do Campeonato Nacional. O título já tinha sido alcançado na jornada anterior, em Portimão, mas, «embora a festa lá estivesse estado presente», a verdadeira comemoração tinha sido adiada para essa tarde, na Luz.
O desafio decorria de acordo com a normalidade até que, cerca de um quarto de hora de apito final, os adeptos começaram «a estragar a vedação» e a amontoar-se em torno do campo, «sobre as linhas laterais». Começava a tomar forma a invasão!
Pouco depois, o árbitro deu o desafio por terminado. Um mar de gente desatou a correr campo adentro, «até duas senhoras bem grávidas pularam sobre o esboço da barreira e foram também ver os craques mais de perto». Foi uma autêntica «'cavalgada' do público sobre os jogadores». Todos queriam tocar nos seus ídolos e arrancar-lhes uma recordação.
Os jogadores ainda tentaram correr para os balneários para «escapar àquele saque bem-intencionado», mas foram totalmente demovidos pelos «invasores». Shéu, que ia desmaiando, declarou: «se não morri hoje, também já não morro tão depressa». António Bastos Lopes, por sua vez, enfureceu-se «com tão exagerado carinho». Contudo, Álvaro Magalhães terá sido, sem dúvida, o mais lesado. «Eu bem queria fugir para o balneário, mas não consegui (...) Fui logo agarrado e 'engolido' pela multidão. Lá se foi a camisola, as botas, as meias, os calções e... imagine-se, até a roupa interior. Fiquei nuzinho, ali no meio do relvado, tal como vim ao mundo». Mas a sua história não ficaria por aqui: «Mais à noite, no 'Domingo Desportivo', aquelas imagens correram o País, ainda por cima deram várias vezes eu a fugir, completamente nu, com o pirilau à mostra... que vergonha».
«Foi uma autêntica barafunda», «a relva ia ficando careca de tanta gente ali colar o pelo». E a festa continuou fora da Luz, «milhares de benfiquistas festejaram rijamente» pelas ruas de Lisboa.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 6. Campeões sempre, encontra o vídeo do título com imagens da invasão de campo."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Lixívia 14

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 31 (-5) = 36
Corruptos...... 36 (+7) = 29
Sporting......... 35 (+9) = 26

Mais uma jornada 'épica' no Tugão!!! Depois do 'nevoeiro' da Choupana ter impedido o 'despedimento' do Lopetego, com dois penalty's inacreditavelmente não assinalados... neste Domingo na Luz tivemos mais um enviado da Fruta para tentar 'despedir' Rui Vitória... mas falhou!!!

Escrevi na crónica do jogo, que Manuel Oliveira tinha apitado o Benfica-Moreirense da época passada, enganei-me, foi Luís Ferreira o árbitro desse jogo. Manuel Oliveira, apitou o Benfica-Belenenses e o Benfica-Setúbal: este jogo com o Setúbal foi um dos jogos mais usados para justificar a teoria do 'colinho', devido a um lance entre o Jardel e o Rambé... além de uma suposta falta no 2.º golo do Benfica. Ambas as decisões foram correctas, mas a descomunicação social fartou-se de 'chorar'... Talvez, esta 'pressão' explique a forma medrosa como este jogo foi apitado. E quando digo medrosa estou a ser 'amigo', pois se não foi medo, então foi mesmo de propósito!
Todos falam em 3 penalty's, pessoalmente acho que existiram 4 lances dignos de registo:
- Logo de entrada tivemos um empurrão ao Pizzi, no momento do remate, o Pizzi é claramente empurrado...
- Depois temos a Mão do Wakaso. Admito que não existe intenção, mas em Portugal costuma-se marcar...
- Logo no início da 2.ª parte, nova Mão na Bola, desta vez não existe desculpa, a bola vem directa do Canto, anda mais de 30 metros no ar, é verdade que o Jardel ameaça tocar na Bola, mas o braço está claramente levantado... E já agora, não existe nenhuma falta do Jardel na jogada.
- O último tem sido ignorado, é um empurrão ao Jardel, num lançamento lateral do Almeida: o Jardel é claramente empurrado, para cima de outro jogador Vilacondense, o árbitro marca falta contra o Benfica!!!
Para mim, são pelo menos 2 penalty's claros que ficaram por marcar: sobre o Pizzi, e Mão do Marcelo...
Mas além destas jogadas, tivemos um Amarelo ao Samaris, numa jogada onde nem sequer existe falta... Logo a seguir Wakaso devia ter levado Amarelo por falta sobre o Samaris, não levou, e logo a seguir fez uma falta perigosa sobre o Jonas, e levou Amarelo, devia ter sido o segundo!!! Como é óbvio, quando se pede o 2.º Amarelo ao Samaris, está-se a cair no ridículo, porque o 1.º Amarelo foi mal mostrado...
No resto do jogo Cantos, Lançamentos Laterais, qualquer falta ou contacto foi sempre decidido para o mesmo lado...
Outro pormenor que passou despercebido, inclusive à BTV, é a barreira no golo do Rio Ave: tomando como referência a marca de penalty, e a meia-lua, parece-me que a barreira está a mais de 10 metros... infelizmente a BTV não colocou a linha virtual...
Estamos a falar de um árbitro, adepto confesso dos Corruptos... com os árbitros, supostamente Benfiquistas, aquilo que assistimos, é uma espécie de excesso de zelo, para não deixarem passar a imagem de serem Benfiquistas; com estes Corruptos, é tudo feito à descarada...
ADENDA: Chamaram-me a atenção nos comentários, para o lance do fora-de-jogo do Jiménez, que 'deu' num golo anulado. Por acaso no Estádio pareceu-me em fora-de-jogo... e nos jornais, o 'frame' que mostraram parecia que o Jiménez estava um pouquinho adiantado, mas como o Judas já explicou, tudo depende do 'frame'...!!!

Na Choupana, os Lagartos fizeram pior que o Benfica... Sem um apito salvador, perderam. Não jogaram melhor ou pior que noutros jogos, só não houve nenhum 'chouriço' ou um penalty... à Tonel!!!

Os Corruptos saltaram para o 1.º lugar sem saber ler nem escrever, literalmente!!!
Mais um penalty contra os Corruptos, quando estava 1-0... com a pressão da derrota dos Lagartos, um empate, podia ser complicado de gerir...
Perto do fim da partida, o golo de consolação da Académica, foi marcado em fora-de-jogo.
Nota final para mais uma Realização 'digna' da PorkosTV: vários lances com dúvidas de fora-de-jogo no ataque dos Corruptos, sem linha virtual... e ainda um possível penalty na área Corrupta sem repetição!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada


Épocas anteriores:

domingo, 20 de dezembro de 2015

União contra 'inclinações'!!!

Benfica 3 - 1 Rio Ave


Foi uma vitória com pouca inspiração, mas com muito suor, lutando contra adversários competentes, e contra os apitadeiros sem vergonha...

Tenho criticado a equipa em vários jogos, essencialmente pela forma 'perra' como os jogadores se movimentam... mas nunca senti, esta época, falta de atitude dos jogadores. Por isso tenho alguma dificuldade de aceitar alguns cânticos esta tarde na Luz, principalmente no início da 2.ª parte.
O Benfica, por opção, desinvestiu, por azar, temos tido também vários jogadores importantes lesionados. Os desequilibradores, aqueles que normalmente decidem jogos, não têm sido opção por lesão. Se juntarmos a aparente incapacidade do treinador em incutir automatismos na equipa, principalmente nos movimentos ofensivos, temos obviamente um grande problema... Agora, repito, não faz sentido acusações de falta de atitude aos jogadores...
O Rio Ave fez um jogo competente de posse de bola, jogo apoiado, boas triangulações, mas 'esqueceram-se' de rematar à baliza: marcaram o golo de Livre; e tiveram uma oportunidade de Canto. Ponto final, nada mais... Agora, na Luz, não estamos habituados a equipas com a qualidade de posse de bola do Rio Ave, e isso irritou os adeptos... aliada à nossa incapacidade de jogar apoiado, principalmente quando a bola chega aos flancos, mais irritados ficámos...

Como já referi anteriormente, a ausência dos nossos flanqueadores é um dos problemas mais graves de resolver. O Salvio já esteve no aquecimento, e precisamos mesmo do Toto, tal como do Semedo e do Nico. Acredito que o nosso futebol será diferente... Não vai resolver tudo, mas vai ajudar, até porque defensivamente estamos melhor, muito melhor, se compararmos com o início de época... Aliás a única lesão 'benéfica' foi mesmo o braço do Luisão!!! Eu sei que pode ser cruel, mas neste momento o Lisandro é melhor... Neste momento, é o nosso melhor defesa.
Marcámos cedo, quando um adversário trocava de botas!!! Mas foi perceptível imediatamente as nossas dificuldades no meio-campo, ainda por cima com o Samaris a levar a amarelo muito cedo (já com o União, o Renato levou Amarelo na 1.ª falta da partida!!!)... O empate surgiu de livre (a barreira pareceu-me estar a mais de 10 metros!!!), e jogo foi repartido na posse de bola até ao intervalo, mas com dois penalty's por marcar a favor do Benfica!!!
O 2.º tempo, foi diferente, o Rio Ave já não conseguiu trocar a bola, a entrada do Fejsa foi muito importante... e quando entrou o Carcela e o Jiménez, a vitória ficou mais perto!
Júlio César, acabou por ter uma saída num Canto 'complicada'!!! O Lisandro a 'limpar' tudo... o Jardel fez um dos melhores jogos dos últimos tempos! O André defendeu bem e tentou apoiar o ataque, mas as limitações são evidentes. O Eliseu teve dificuldades nas bolas nas costas para a velocidade do Ukra, mas acabou por resolver quase sempre bem...
O Samaris precisa de jogar com mais calma, o Amarelo injusto não ajudou... Mas pela amostra dos últimos jogos, começo a ficar convencido que o melhor parceiro para o Renato é o Fejsa, já que o miúdo às vezes 'deixa' a posição e é preferível ter um ''6' mais fixo. O Renato continua a apreender, este jogos, com o meio-campo muito povoado são muito difíceis para os Médios... o Renato, tentou ganhar 'espaço' nos flancos, a exibição foi positiva, mas não pode perder tantas bolas... O Pizzi, foi considerado o MVP, pessoalmente acho que não o mereceu. Acabou por ser uma exibição muito inconstante, com boas jogadas, e algumas decisões parvas... O Guedes, na Direita ainda disfarçava o facto de não ser um Extremo, agora na Esquerda  é uma nulidade... O Carcela já fez o suficiente para ser titular, hoje voltou a ser decisivo...
Jonas dois golos, e uma assistência. Foi claramente o MVP do jogo. Pareceu-me um pouco mais solto fisicamente... na 1.ª parte andou um pouco perdido, recuando demasiado, como a equipa 'subiu' no terreno, o Jonas também 'subiu' a sua actuação no 2.º tempo. Um dos piores jogos do Mitro, é verdade que raramente foi bem servido, mas tem que se mexer mais... a entrada do Jiménez foi decisiva...
Gostei de ouvir o Presidente a falar da arbitragem num jogo que ganhámos. São 3 penalty's, e muitas outras decisões absurdas. Este árbitro, a época passada, no Benfica-Moreirense, expulsou um jogador adversário (bem expulso), que permitiu ao Benfica dar a reviravolta ao resultado. Aliás a única expulsão que o Benfica beneficiou, que deu numa cambalhota no resultado... Mais do que uma eventual 'compra' do jogo de hoje, aquilo que passou no relvado, foi a consequência natural da pressão exercida fora do relvado, pela descomunicação social desportiva... É nesta pressão, que o Benfica anda a ser comido de cebolada...
Eu também não gosto de ver dirigentes ou treinadores do Benfica a 'chorarem' todas as semanas, mas aparentemente em Portugal, a fragilidade de carácter dos apitadeiros é tanta, que basta um Panelão qualquer aparecer na televisão, e eles ficam logo a tremer!!!


Luís Filipe Viera critica arbitragem e faz acusações!
Publicado por Hoje não dá, joga o Benfica em Domingo, 20 de Dezembro de 2015

PS: Afinal, parece que o empate a meio da semana na Madeira, até não foi assim tão mau resultado!!!
É claro que foi, os outros é que não são tão bons, como nos querem vender... e quando não aparece um apito desbloqueador, tudo se torna mais difícil!!!
Já que estamos no tema (lagartices): a Federação Portuguesa de Natação (Lagartos aziados) sentiram-se ofendidos pelas palavras do nosso treinador, na conferência de imprensa antes do jogo. Parece que já apreenderam a fazer comunicados estilo Brunão... Das várias Federações portuguesas Olímpicas, a FPN é uma das mais incompetentes, os resultados internacionais demonstram bem isso, portanto em vez de ser preocuparem com o Benfica, talvez fosse mais importante fazer alguma coisa de jeito pela modalidade em Portugal...

Vencer

Benfica 94 - 73 Maia
17-18, 21-16, 34-22, 22-17

Terminar o ano civil, só com vitórias internamente, ainda sem o Cook, sabe sempre bem... ainda por cima, numa jornada onde os Corruptos perderam em Ovar, deixando o Benfica com alguma 'folga' para o resto da época regular (o treinador da Ovarense, é provavelmente o melhor actualmente em Portugal... pelo menos nos jogos contra os 'grandes'!!!).

TAD: tempo novo (II)

"Foi divulgado publicamente esta semana o primeiro acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto, que, se algo mais faltasse, justifica, por ironia do destino, a criação do TAD: finalmente se julgaram, por uma instância de recurso, as vicissitudes de um jogo do playoff de futsal entre Sporting e Benfica, realizado em 16 de Junho de 2012... E percebeu-se, como se ainda fosse necessário para tal conclusão este processo, concluído com a sentença da prescrição (ajuizada sem mais a contar da prática dos factos...), o funcionamento dos Conselhos de Disciplina e de Justiça da FPF e a impunidade que por lá grassa no exercício dos respectivos poderes públicos. Já sabemos que ninguém quer saber e o futebol queima nas mãos de quem o quer colocar na ordem. Ao menos o TAD já serviu para descrever o contrário de tudo o que deve ser uma justiça desportiva federativa célere, diligente e transparente.
A propósito, não foi por acaso que a lei veio dispor, em 2014, uma possibilidade excepcional, que castiga em primeira linha a inacção dos órgãos jurisdicionais desportivos, e que pode, no fim das contas, não ser tão excepcional quanto isso. Com ressalva dos processos instaurados por violação das normas antidopagem, o TAD pode ser chamado a conhecer dos processos (desde logo disciplinares), em primeira instância ou em recurso orgânico interno (nomeadamente federativo), sempre que se requeira a sua avocação por 'mora processual'. Ou seja, sempre que a decisão de um conselho de disciplina ou de justiça das federações ou a decisão orgânica de liga profissional ou de outra entidade desportiva seja susceptível de recurso para o TAD e não seja proferida no prazo de 45 dias ou, nas causas complexas, de 75 dias, o TAD substitui-se a esses órgãos se for requerida a sua intervenção e assume o processo.
Por outro lado, a lei dispõe que qualquer recurso ou impugnação das decisões arbitrais do TAD (incluindo nelas, a meu ver, a deliberação final da sua câmara de recurso) "não afecta os efeitos desportivos determinados por tal decisão e executados pelos órgãos competentes" das federações, liga e demais entidades desportivas. Ou seja, o TAD passa a fazer 'caso desportivo', julgado e executório, que obriga por si e cuja execução coerciva imediata a lei permite, sem possibilidade de, uma vez executado, ser revertido posteriormente nos seus efeitos desportivos. Um 'caso julgado desportivo' mais claro, que acrescenta responsabilidade mas sanará as perversidades de várias decisões federativas do passado..."