Últimas indefectivações

sábado, 15 de junho de 2019

Campeãs Nacionais Sub-19

Braga 0 - 2 Benfica
Vilão; Queiroga, Santos, Assucena, Diva; Faria, Pintassilgo; Nazareth, Cameirão


A história repetiu-se... tal como tinha acontecido com as nossas meninas seniores, na Taça de Portugal!!!
Depois da derrota em Almada na 1.ª mão da Final do Campeonato Nacional Feminino de Sub-19, o Benfica foi a Braga e venceu por 0-2, tornando-se assim Campeão Nacional da categoria, na estreia do Benfica nesta competição...
Muitos parabéns a todos, jogadores, treinadores e dirigentes...

Dúvida impertinente e dor pertinente

"Não é vontade de embirrar. Trata-se apenas de uma dúvida impertinente. A que propósito foi a Selecção Nacional para o varandim da Câmara Municipal do Porto mostrar o troféu da Liga das Nações aos transeuntes da Avenida dos Aliados na noite do último domingo? Sendo a selecção, por definição, "nacional", que ideia foi aquela de a conduzir de autocarro até à sede do poder autárquico que rege a cidade anfitriã da final do torneio para, à pala do esforço de Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva & Companhia, oferecer uma série de imagens festivas ao portefólio de Rui Moreira, o "mayor" da cidade?
Tivesse a final da Liga das Nações sido disputada numa qualquer outra cidade do país e alguém imagina os paços dos concelhos de Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra ou Faro abrirem as portas e as varandas à vitoriosa equipa nacional para deleite institucional e jornada de marketing dos respectivos autarcas?
Permita-se, portanto, a opinião dos que consideram como um despudorado abuso ao que aconteceu no domingo à noite nas instalações da Câmara Municipal do Porto, depois de a Selecção Nacional ter vencido com categoria a sua congénere holandesa no jogo decisivo dessa nova competição da UEFA, cujo objectivo, discutível como são todos os objectivos, é rentabilizar ao máximo a preparação das equipas nacionais europeias, transformando os múltiplos clássicos "particulares" em jogos a sério e em bilhetes e em transmissões televisivas com preços a sério.
A Liga das Nações é, para já, uma espécie de Taça da Liga da UEFA. Uma novidade, uma prova acabadinha de estrear que vai precisar do seu tempo até ser levada a sério pela indústria em geral. este facto, indesmentível, não retira brilho nem, muito menos, mérito aos jogos que a equipa de Fernando Santos realizou com a Suíça e com a Holanda.
O futebol de Santos não será o espectáculo mais divertido e empolgante do planeta, mas o importante nestas coisas é que o nosso engenheiro já soma dois triunfos em duas finais europeias e isso faz dele, e com justiça, o treinador mais respeitado do burgo.
A ida da comitiva vencedora da Liga das Nações à Câmara Municipal do Porto teve, no entanto, aspectos bastante curiosos se nos lembrarmos como tem sido uma frustração para Rui Moreira a flagrante escassez de festejos futebolísticos registados sob o seu patrocínio desde que assumiu a presidência daquela autarquia. De deserto em deserto por razões locais, a multidão lá desaguou finalmente na Avenida dos Aliados por razões nacionais. Uns para vitoriar os seus heróis de modo global e outros, ainda entristecidos por questões menores, apenas para poderem contar aos netos que viram, o João Félix a festejar um título na varanda da Câmara Municipal do Porto. Sobre esta dor pertinente é que não há dúvida nenhuma."

Abriu o mercado: «Faites vos jeux!»

"Com Hazard oficializado no Real Madrid e Griezmann a caminho de Barcelona, o mercado começou forte mas não em desalvorada loucura

Hazard oficializado no Real Madrid, Griezmann, muito provavelmente a chegar a Barcelona, ambos por valores um pouco acima de 100 milhões de euros. Está marcada a referência para o sempre excitante e despesista época de transferências. A partir daqui, todos estão convidados: «Faites vos jeux», como se diria à mesa da roleta, em qualquer casino.
Atendendo ao que se tem passado nos últimos anos, não se pode falar em louca extravagância nas transferências do belga ou do francês. Houve anos em que o mercado disparou por desalvoradas loucuras. Já aconteceu por causa de Cristiano Ronaldo, antes tinha acontecido por causa de Figo e, mais recentemente, surgiu um imprevisto e monumental boom, quando Neymar rumou ao Paris Saint-Germain e os fundos de capital de estado do Catar, que sustenta e imunda de petro-dólares o clube francês, entregaram, numa bandeja de ouro, o valor exigido pela brutal cláusula de rescisão que ligava o brasileiro ao Barcelona.
Depois deste épico acontecimento, que, tal como dizia José Manuel Delgado em A Bola TV, foi o mesmo que pagar muito dinheiro para levar o pato Donald para a Disneyland, Neymar fez tudo, mas mesmo tudo, para destruir uma fantástica oportunidade de suceder, com toda a naturalidade, a Messi e a Cristiano como o melhor futebolista do mundo.
Teria sido dramático para o Paris Saint-Germain, se, de facto, o dinheiro investido tivesse de ser justificado, tivesse de ter o retorno de resultados e não pudesse, pura e simplesmente, ser esbanjado e apenas tornado útil ao poder tentacular de Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, mas também chairman da BeIN Media Group do Catar, uma empresa renascida da Al Jazeera Media Group, e ainda chairman da Catar Sports Investments, além de ministro sem pasta, nomeado pelo seu particular amigo, o Emir Sheik Imanin.
Todo esse poder político, económico, social de Al-Khelaifi, apesar de ter recebido do L'Équipe o título de mais influente figura do futebol francês, não permitiram realização do sonho de fazer, finalmente, do clube da capital francesa, um dominador no mundo do futebol. Pelo contrário, o PSG, que continua a ser um crónico e inevitável campeão francês, está hoje mais distante da organização, do planeamento, do rigor da estrutura organizacional dos clubes ingleses e assiste, assustado e incrédulo, ao crescimento do futebol em Espanha e em Itália, continuando cada vez mais distante do topo e tentando perceber porque razão o poder do dinheiro não compra tudo.
Não se sabe ainda como o PSG e o seu protectorado de estado vai reagir à queda desamparada de Neymar, mas sabe-se que a guerra do mercado de transferências abriu cedo e, apesar de forte, sem números exibicionistas, atendendo ao passado recente.
Os clubes portugueses, os mais exportadores de todos os clubes da Europa, iniciam agora, verdadeiramente, os seus lances de propostas de venda. Sabem-se os nomes, conhecem-se hipóteses e isso tem sido quanto basta para todo esse caleidoscópio de fake news que por aí tem sido exaustivamente comentadas sem nexo.
O FC Porto poderá ser o clube mais exposto à venda; o Benfica tem vários jogadores na montra, mas vai tentar vender pouco e bem; o Sporting tem em vista um bom negócio com Bruno Fernandes, mas vai ter de saber ser hábil, paciente, corajoso. A ideia de que precisa, mesmo, de fazer esse negócio não ajuda e pode baixar o valor de um jogador que tem excelente qualidade, mas cujo futebol não se adapta a todos os campeonatos europeus. Tal como sucede, aliás, com João Félix, ainda numa fase muito vulnerável.

Dentro da área
O andebol está de parabéns
A qualificação da selecção portuguesa de andebol para o próximo Campeonato da Europa (2020, na Áustria, Noruega e Suécia) é um marco no desporto nacional. Não apenas por esta qualificação, de inteiro mérito, mas pelos resultados na fase eliminatória. A vitória frente à França, que é das melhores selecções do mundo, e esta recente vitória na Roménia dizem muito do crescimento e do desenvolvimento de uma modalidade que fez um notável percurso na sombra dos grandes palcos mediáticos. Clubes e Federação estão de parabéns!
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Os novos Messi

"O Valência está eufórico com as exibições de Kang-in Lee no Mundial de sub-20, onde ficou conhecido como o “Messi coreano” e ganhou a Bola de Ouro para o melhor jogador. E o Real Madrid contratou com pompa e circunstância um jovem chamado Takefusa Kubo, apresentado como o “Messi japonês”.
São sinais de que o futebol do extremo oriente evolui rapidamente, como demonstram os inéditos segundos lugares que hoje mesmo o Japão alcançou no Torneio de Toulon (empatando com o Brasil na final) e a Coreia do Sul no Mundial de sub-20 (perdendo com a Ucrânia).
O Youtube propagandeia as qualidades destes futuros Messi orientais e o que vemos é clássico: canhotos, dribladores, dinâmicos, imaginativos, capazes de fazer golo.
Ao contrário do que acontece quando alguém sugere que um jovem português de talento possa aspirar a ser o “novo Cristiano Ronaldo”, ninguém se ofende com estas comparações. Se fazem algum mal, será apenas aos próprios aspirantes, pelo exagero, embora não deixem de pesar nas avaliações de mercado. Lee já está apreçado em 8 milhões e Kubo em dois milhões de euros.
Mas talvez nem seja por isso. Esta proliferação sugere que talvez seja mais fácil aspirar a ser o novo Messi do que o novo Cristiano Ronaldo, pela necessidade de juntar diariamente ao longo da carreira uma enorme carga de trabalho ao talento inato."

À procura de um artilheiro para o futuro

"Muitas questões têm-se prendido com a contratação de um ponta-de-lança para o SL Benfica para fazer concorrência com Seferovic. No entanto, questiona-se qual será a opção mais indicada para lhe fazer concorrência: de um jogador feito e com provas dadas, ou de um jogador jovem com grande margem de progressão. Na minha opinião, o Benfica precisa de um ponta-de-lança de ambos os perfis, mas neste caso, vou debruçar-me mais sobre os pontas-de-lança jovens, que é uma questão que creio que deveria ser mais debatida.
Entre a equipa B, equipa de juniores e de sub-23 do Benfica, não houve nenhum ponta-de-lança que se tenha destacado ao ponto de se considerar um jogador em vias de dar o salto para a equipa principal, sendo a posição em que a formação do Benfica está mais carenciada a nível de jovens com potencial. Os pontas-de-lança são os jogadores mais difíceis de formar, e esse é um dos factores que faz deles os jogadores mais valiosos do mercado. E isto faz com que qualquer ponta-de-lança que comece a sobressair num determinado contexto competitivo valorize num pestanejar.
Como tal, acho que a solução para o Benfica conseguir encontrar um ponta-de-lança para o futuro seria fazer o mesmo que fez em Janeiro de 2016 quando contratou os sérvios Igor Saponjic e Luka Jovic, ou seja, contratar jogadores jovens com margem de progressão, metendo-os a rodar na equipa B para se adaptarem ao Benfica e ao futebol português.
É verdade que a aposta nos dois sérvios não correu bem. Jovic teve problemas de adaptação que o levaram a ter comportamentos pouco profissionais, como o próprio já assumiu. Já Saponjic sempre me pareceu ter um perfil desajustado ao estilo de jogo da equipa.
No entanto, com Rui Vitória no comando técnico, a equipa principal e a equipa B não possuíam o mesmo estilo de jogo, o que também dificultava a transição para a equipa principal. Actualmente, com Bruno Lage e Renato Paiva, não existe esse problema, visto que ambas as equipas jogam um futebol atractivo que valoriza os jogadores e privilegia a sua evolução.
Como tal, acho que tendo em conta a conjuntura actual, acho que o scouting deveria trabalhar e ir à procura de um jovem talento que pudesse ser potenciado e trabalhado no Seixal para ser uma aposta a longo prazo."

Benfiquismo (MCCVII)

White Hart Lane...

A sentença - Parte 1

"Sport Lisboa e Benfica e Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, intentaram acção comum contra Futebol Clube do Porto, Futebol Clube do Porto SAD, FCP Media, S.A., Avenida dos Aliados - Sociedade de Comunicação, S.A. e Francisco José de Carvalho Marques pedindo a condenação no pagamento de 17 milhões de euros a título de danos não patrimoniais, no pagamento de 784.579,56€ a título de indemnização pelos custos e despesas directamente incorridos para mitigar os efeitos das lesões às Autoras até à presente data, (danos patrimoniais), absterem-se de aceder, publicar, divulgar, dar acesso à correspondência,serem também condenados a apagar e entregar todos os suportes ao Tribunal e pagarem as quantias que se vierem a vencer posteriormente à entrada da acção, remetendo-se o seu cálculo para momento oportuno.
O Tribunal considerou provados 197 factos que dispõe ao longo de quase 60 páginas.
Retiramos alguns que consideramos os mais importantes:
«3. As Autoras detêm a propriedade e/ou direitos de exploração económica da Marca da União Europeia (mista) Sport Lisboa e Benfica, n.º 6022883..., e de outros direitos e sinais distintivos (e respectivos produtos e serviços indicados que se promovem), conforme certificados de registos de marcas e de logotipos...
5. As Autoras e as sociedades Rés concorrem directamente no domínio empresarial prosseguindo múltiplas actividades concorrentes, oferecendo produtos e serviços que disputam os mesmos mercados, a mesma clientela, patrocinadores e parceiros comerciais, desde as competições oficiais desportivas com participação das suas equipas nos campeonatos nacionais de futebol, hóquei em patins, basquetebol, andebol, natação, etc, passando pela organização de eventos desportivos e comerciais, publicidade, comunicação comercial e emissão de canais de televisão por cabo, jornais, revistas, publicidade, aluguer de espaços comerciais, exploração de merchandising (equipamento desportivo, etc), sponsorship (patrocínio de produtos e serviços),  educação, formação desportiva, publicidade, restauração, organização de viagens, entre muitas outras actividades conexas e complementares.
20. No sistema informático da SLB SAD são guardados todos os documentos proprietários e confidenciais relativos ao negócio desta, incluindo comunicações, correspondência e contratos com os respectivos patrocinadores, atletas, treinadores, propostas de negócio, projecções de desenvolvimento empresarial e desportivo, planos e estratégias empresariais, dados estatísticos, proveitos, custos e investimentos, acordos com a Banca e demais stakeholders (partes interessadas numa organização ou empresa), investimentos e parcerias nacionais e internacionais, entre outras.
21. Os dados e informações das Autoras, bem com as suas comunicações, têm valor económico e concorrencial porque são secretos (eram) apenas conhecidos das Autoras e dos seus colaboradores internos e altos responsáveis directamente envolvidos.
22. Os termos e condições dos contratos de patrocínio, os valores envolvidos, as condições da sua renovação ou melhoria a correspondência e comunicações entre as Autoras e os seus patrocinadores, as respectivas comunicações e mensagens são valiosos segredos de negócio e são-no também porque são sigilosos e apenas conhecidos das partes contratantes.
30. A divulgação da correspondência e comunicação privadas e dos documentos confidenciais e/ou contendo segredo de negócio das Autoras resulta de uma estratégia conhecida e autorizada pela administração do Grupo Futebol Clube do porto, para quem o Réu Francisco J. Marques trabalha, e no qual exercem funções de administração ao mais alto nível os Srs. Jorge Nuno Pinto da Costa, Dr. Fernando Gomes e Dr. Adelino Caldeira conforme o documento n. 9 junto com o requerimento inicial da providência cautelar e aqui se dá por reproduzido.
33. O Réu Francisco J. Marques não detém actualmente a profissão de jornalista, conforme o documento n. 10 junto com o requerimento incial da providência cautelar e aqui se dá por reproduzido.
34. A Ré Porto Canal, sob a designação social de 'Avenida dos Aliados - Sociedade de Comunicação, SA', é detida maioritariamente, segundo o Relatório e Contas de 2016/1017 da FCP, SAD, por esta última, conforme o documento n. 9 do requerimento inicial da providencia cautelar e aqui se dá por reproduzido.
36. Fazem parte do Grupo Futebol Clube do Porto, todas as sociedades demandadas sendo que o FCP Clube detém 74,59% das acções da FCP, SAD e esta, por sua vez, detém 98,81% da FCP Media, S.A. e 81,42% da Avenida dos Aliados, S.A.
46. O FCP Clube, e a FCP SAD reconhecem a sua ligação a Francisco J. Marques e a sua responsabilidade quanto à divulgação da correspondência alegadamente existente e revelada por este, assumido formalmente terem na sua posse a alegada correspondência das Autoras, a qual foi sendo divulgada pelo seu Director de Comunicação e Informação, Francisco J. Marques, através da Porto Canal.
47. Francisco J. Marques, na qualidade de Director de Comunicação e Informação do FCP Clube e da FCP SAD, actuou sempre em coordenação com estas, todos eles possuindo e divulgando a correspondência privada imputada a terceiros, sem autorização destes, executando uma estratégia de divulgação.
48. O FCP Clube e a FCP SAD divulgaram e-mails e demais correspondência relativa ao domínio @slbenfica.pt, bem como as comunicações (telefónicas e mensagens de texto) e detém em seu poder informação comercial/segredos de negócio das Autoras, ainda que o façam através do seu Director de Comunicação e Informação (Francisco J. Marques), no canal televisivo por si detido e controlado (i.e., o canal de televisão Porto Canal da Ré Porto Canal).
50. A FCP Media é a entidade patronal de Francisco J. Marques, sendo responsável pela publicação da newsletter do Futebol Clube do Porto, 'Dragões Diário'.
52. A Ré Porto Canal é um serviço de programas televisivos, autorizado pela Entidade Reguladora da Comunicação Social, em Setembro de 2006, através da Deliberação 8 - A/2006. O seu programa 'Universo Porto - Da Bancada', é um programa de entretenimento de promoção comercial do grupo do Futebol Clube do Porto, das suas actividades e dos seus interesses, não constituindo um programa noticioso. Os demais intervenientes actuam como comentadores, sendo adeptos do FC Porto. Nem os protagonistas, nem o programa, nem o serviço de televisão 'Porto Canal' exercem neste contexto qualquer actividade noticiosa de natureza jornalística.
54. Francisco J. Marques, trabalhador da FCP Media, desempenha as funções de Director de Comunicação e Informação do Futebol Clube do Porto, incluindo FCP Clube e FCP SAD, tendo sido declarado insolvente por decisão de 18 de Novembro de 2016.»
Para já e por falta de espaço, sintetizemos a 1.ª parte:
- Grupo Benfica detém direitos sobre a marca;
- Grupo Benfica e Grupo Porto são concorrentes;
- No sistema informático da SLB SAD são guardados todos os documentos proprietários e confidenciais relativos ao negócio do Grupo Benfica, o qual tem valor económico e sigiloso e são valiosos segredos de negócio;
- A divulgação da correspondência resulta de uma estratégia conhecida e autorizada pela administração do Grupo Porto;
- Francisco J. Marques não é jornalista, trabalha para o Grupo Porto.
- Francisco J. Marques, na qualidade de Director de Comunicação e Informação do FCP Clube e da FCP SAD, actuou sempre em coordenação com estas, todos eles possuindo e divulgando a correspondência privada imputada a terceiros, sem autorização destes;
- Francisco J. Marques é ainda funcionário da FCP Media, sendo responsável pela publicação da newsletter do Futebol Clube do Porto, 'Dragões Diário';
- O Grupo Porto assume, possuir os e-mails, que os divulgou, que tem uma relação profissional com Francisco J. Marques assumido e provando-se também a sua responsabilidade quanto à divulgação da correspondência;
- No programa Universo Porto, nem os protagonistas, nem o programa, nem o serviço de televisão 'Porto Canal' exercem neste contexto qualquer actividade noticiosa de natureza jornalística.
Fixemos desde já estes factos que foram considerados provados."

Pragal Colaço, in O Benfica

Sabe quem é? Escondido na árvore - Gonçalo Guedes

"Primeiros tempos do Benfica obrigavam o pai a fazer 200 quilómetros por dia; De táxi acabou por ir parar ao futuro

1. Nasceu por finais de Novembro de 1996 - nas traseiras da casa de família era o campo do Benavente. Tinha irmão mais velho, o João Maria - e, num fósforo, se lhe desatou a perceber o fascínio: «Nunca quis brinquedos, andava sempre com uma bola - aliás, às vezes com mais do que uma. Era uma loucura» (recordou-o Rogério, o pai).
2. Quando não se esgueirava para o campo a ver os treinos, atirava-se, lá por Santo Estevão, à rua para jogar onde calhasse, atrás do João Maria (que, ao contrário dele, tinha tentação para guarda-redes). Franzino, foi-se-lhe percebendo encanto a soltar-se-lhe cada vez mais dos pés - o João Maria contou-o: «Tendo 6 anos, jogávamos num grupo que tinha vários escalões etários, até quase aos 20 anos. Era o mais pequeno, a bola era bem maior do que os pés dele - uma vez foi-lhe passada com tanta força que ele com o impacto caiu no chão».
3. Aos 8 anos só não jogava (oficialmente) nos infantis do Benavente (onde jogava o João Maria) por a idade não lho permitir - mas lá treinava, lá jogava partidas ou torneios particulares. Delegado da equipa era Rogério (o pai) - e para torneio assim convidou a Geração Benfica. O seu fulgor deslumbrou Helena Costa: «Sobressaiu dos demais, no fim do jogo fui lá falar com os pais - para o levar para a nossa escolinha».
4. Com ele, para o Benfica, foi o João Maria (acabaria, depois, de se desligar do futebol para se dedicar ao curso que tirou: Relações Internacionais). No primeiro torneio que disputou pelo Benfica (em Lourel, à sombra de Sintra) - ganhou a final po 5-0 (e foi ele que marcou os cinco golos).
5. Tê-lo a ele e o irmão no Benfica, pôs Rogério num virote: «Nessa altura eu trabalhava em Lisboa. Ao sair do emprego, corria a Benavente para os buscar. Levava o irmão ao Seixal, levava-o a ele aos Olivais - e, o regresso, era por volta das nove da noite. Fazia 200 quilómetros por dia - uma média de 50 mil quilómetros por ano. Ou seja, com ele devo ter gasto três ou quatro carros...»
6. Ao MaisFutebol largou Helena Costa a confidência: «Sempre foi miúdo muito humano, que se preocupava com os colegas, divertido - e dado a maluqueiras. Num torneio no Norte, em que ficámos numa escola, estávamos num tempo morto, deixei-os ir jogar às escondidas para o pátio. Quando chegou hora de recolher todos apareceram menos ele. Fiquei a pensar que era uma escola não podia ter desaparecido. Olho para árvore de uns sete metros e vejo uma mancha vermelha no topo. Era ele, tinha-se escondido no seu topo. Era assim, um miúdo do campo, bom, irreverente».
7. Ainda houve outra peripécia que Helena Costa se delicia ao lembrá-la: «Era reguila à mesa também, não gostava de comer - Eu tinha instruções do pai para o obrigar. Certo dia, vendo pêra à sobremesa disse-me que não queria, não gostava. Respondi-lhe que, se não comesse a pêra, não jogava. Andou o dia todo com a pêra, brincou, correu, quando chegou ao balneário disse-lhe que não jogava, que não tinha comido a pêra. Os colegas pressionaram-no a comê-la, disseram-lhe que ele era muito importante para a equipa. A custo deu-lhe uma trincadela e, afirmando: afinal, até é bom - devorou-a».
8. Estando já Helena Costa no Catar, mandou-lhe mensagem a informá-la de que tinha coisa para lhe entregar: era a sua primeira camisola na selecção, na selecção sub-16. Logo depois, deu-lhe o Benfica o primeiro contrato profissional. Andava pelos 17 anos, quando mensagem o acordou pela manhã: que tinha de arrancar dum fogacho para o Seixal - para se juntar à equipa que iria ao Mónaco jogar a Champions. Ligou ao pai para o levar lá, o pai não ouviu o telemóvel. Para não perder mais tempo, apanhou um táxi - e de táxi chegou ao seu futuro.
9. O resto é o que se sabe. No Benfica ganhou três campeonatos (e duas Taças da Liga e uma Supertaça), no Paris Saint-Germain ganhou um campeonato (e uma Taça e uma Supertaça de França), no Valência ganhou (ao Barcelona de Messi) a Copa do Rei - e, no Dragão, na final da Liga das Nações, o tiro que Cillessen não parou abriu-lhe o caminho à eternidade (como aquele pontapé de Éder em França, três anos antes)."

António Simões, in A Bola

Sentença no Lanças...

Os seis jogadores

"Com a nova regra, os clubes da Primeira Liga só podem a partir de agora emprestar um jogador por clube, a um máximo de seis clubes. Esta regra obrigou o Benfica a rescindir com vários atletas, passá-los para outros clubes e a ficar com 50% da futura venda. Foi o caso de Pedro Nuno que foi para o Moreirense, Patrick e César que foram para o Santa Clara, Jhon Murillo que foi para o Tondela e Chiquinho para o Moreirense porque as vagas de empréstimos já estavam cheias.
O ano passado o Benfica emprestou Pêpê ao Guimarães, Martin Chrien ao Santa Clara, Dálcio ao Belenenses, Heriberto Tavares ao Moreirense, Cristian Arango ao Tondela e André Ferreira ao Desportivo Aves. Heriberto evoluiu bem e foi dos jogadores mais utilizados no Moreirense. Dálcio, Chrien, Arango e Pêpê também foram dos mais utilizados pelo Belenenses, Santa Clara, Tondela e Guimarães, apesar de terem mostrado pouco. Não foram dos 11 mais utilizados, mas todos foram dos 14 mais utilizados. O Chrien foi também chamado à Seleção da Eslováquia. André Ferreira foi o guarda-redes suplente. Foi o que jogou menos. Em suma, o único jogador que parece ter valorizado foi o Heriberto. O Benfica deve procurar utilizar as suas 6 vagas à procura de situações mais como a do Heriberto e menos como a do Arango. Eis os seis jogadores que deveríamos emprestar.
1. Diogo Gonçalves.
Aos 22 anos ainda vai mais do que a tempo de ter uma belissima carreira. No Benfica não tem espaço. No Nottingham Forrest mal jogou. Mas já foi em tempos uma das nossas maiores promessas. Uma boa temporada poderá relança-lo. O Galeno fez uma boa época no Rio Ave. Acho que poderia encaixar-se muito bem lá pois tem um perfil relativamente semelhante.
2. Nuno Santos.
Aqui acho que temos que tomar uma decisão. Entre Nuno Santos e David Tavares, um deveria ser emprestado e outro deveria ficar como backup da equipa principal enquanto joga na equipa B. Nuno Santos foi o melhor jogador da equipa B na recta final e parece-me pronto para dar o salto. Emprestaria-o a ele. Mediante uma boa época, teria boas chances de acabar na equipa principal em 20/21. Gostava de o ver no Belenenses do Silas. Acho que é essencial ir para uma equipa com um bom treinador.
3. Mile Svilar.
O belga precisa de jogar. Só assim poderá ser o titular que o Benfica precisa. Já houve vários bons guarda-redes a surgir da Liga Portuguesa, logo julgo que seria um bom Campeonato onde ele pudesse rodar. O fundamental é que jogue. O Boavista trabalhou muito bem a defesa o ano passado. Se lhe garantissem um lugar no 11 inicial, seria uma bom local de empréstimo. Outro sítio seria o Setúbal.
4. Branimir Kalaica.
Numa situação normal teria lugar no nosso plantel, mas não saindo ninguém, fica complicado. Acho que tem tudo para um dia vir a ser o central da equipa principal, mas para já o importante é jogar numa nível acima da 2º Liga, que já está fácil para ele. O Kaio Pantaleão está de saída do Santa Clara para o Krasnodar. Kalaica faria uma bela dupla de centrais com Fábio Cardoso nos Açores.
5. Chris Willock.
Outro jogador numa situação parecida com a de Kalaica, mas no caso do Willock, acho pouco provável alguma vez vir a chegar à equipa principal. Não que falte qualidade, mas pela quantidade de extremos do Benfica. O importante nesta fase é valorizar o jogador e tentar vendê-lo. Não sei se ele estaria aberto a um empréstimo na Liga Portuguesa, mas se estivesse, emprestava-o ao Moreirense. Vamos emprestar alguém lá devido ao Chiquinho. O novo treinador do Moreirense era treinador da equipa B do Guimarães. Iria saber utilizar o WIllock. Caso o Willock não quisesse, emprestava o Pêpê.
6. Filip Krovinovic.
Vai ser oficializado como reforço por empréstimo do Guimarães. Acho que é um empréstimo perfeito para o Benfica. Mete um jogador de grande potencial, num bom clube, com grandes ambições, que vai estar a lutar pela entrada na Liga Europa, com um excelente treinador. No Guimarães, Krovinovic tem tudo para se afirmar como uma peça fundamental do plantel. É um grande empréstimo.
Dos jogadores que foram emprestados, Heriberto pode ficar no plantel da equipa principal ou pode ser emprestado a uma equipa estrangeira. Arango e Dálcio são para rescindir e ficar com 50% da próxima transferência. André Ferreira deverá ser emprestado a alguém da 2º Liga. Chrien deverá ser vendido."

Oportunismo ignorante...

"Esta senhora ainda eurodeputada faz-me corar por vergonha alheia, neste caso a que a própria devia ter. Se todos os outros assuntos a que se dedica forem tratados com esta leviandade, questiono fortemente a confiança que se pode neste tipo de representação. Se parasse para pensar um pouco, ou se estivesse ciente do funcionamento da Administração fiscal, saberia que os grandes contribuintes têm uma monitorização permanente da Autoridade Tributária.
Não é por aí senhora dra. Ana Gomes... dedique-se às claques legalizadas, a essas que se relacionam com o seu brinquedo predilecto, o whistleblower. A relação insistente de Ana Gomes com esta causa tem desígnios que eu prefiro dizer que não percebo. Então... que Ana Gomes perceba as causas de angariação de riqueza dessa rapaziada. A venda de bilhetes não declarada, estupefacientes, produtos falsificados e o jogo ilegal. A organização orientada para a prática de crimes de violência no desporto. Isso não lhe tira o sono, mas devia...
E os contratos públicos que financiam canais de televisão de clube, não lhe causam inquietação? Não identifica a captura do interesse publico, nas instituições, por um fanatismo de pendor regional?
As suas incursões facciosas neste domínio são exercícios de populismo ignorante e mal intencionado. Está ao nível de certos comentadores que impacientam consciências desprevenidas. Já deve ter sido iniciada nessa confraria, que se lambuza com as horas vagas do futebol. Espero que esteja de pança cheia e que a digestão seja demorada."

Erosão e angústia

"O risco, para nós benfiquistas, é o de que nos venham buscar dois ou três dos nossos principais jogadores com quatro sacos de notas

Quase tudo o que se fala e escreve sobre entradas e saídas tem por base pura especulação ou adivinhação de intenções e vontades. São precisas mais de 20 notícias para que uma se venha a concretizar. A suspeita de que o Benfica procura uma avançado fará surgir dez nomes ou hipóteses em notícias várias, a suspeita de que o FC Porto precisa de um guarda-redes dará origem a outras tantas e assim sucessivamente até esgotei leitores e espectadores.
Estamos a 15 dias do regresso aos trabalhos das principais equipas e as mil notícias quase não deram compras relevantes. Temo que será também assim na próxima quinzena e por isso mesmo não faz sentido comentar rumores, hipóteses ou quimeras.
Esta fase de pré-época cria a erosão e angústia nos adeptos, sejamos justos, mais naqueles que perderam do que naqueles que ganharam, mas com o passar do tempo só a bola a saltar tranquiliza.
O Benfica prosseguiu com renovações importantes (Rafa e André Almeida), num caminho já anunciado. Duas renovações acertadas que nenhum adepto deixa de relevar. O essencial é manter a base daqueles jogadores que nos deram o 37 e fazer poucas, mas qualitativas, contratações.
O risco, para nós benfiquistas, é o de sempre, que na parte final da janela de mercado, nos venham com quatro sacos de notas buscar dois ou três dos nossos principais jogadores, restando pouco tempo para colmatar desportivamente essas vendas. E nós sabemos que sacos de notas não vencem campeonatos. Essa é a razão porque quando se vende um grande jogador, mesmo que por uma soma elevada, os adeptos nunca ficam contentes.
O meu receio de adepto não é tanto a venda de um grande jogador por muito dinheiro, mas a sua saída no limite temporal de inscrições sem conseguir substituí-lo com qualidade. O Benfica tem por isso que antecipar a realidade ou, mais do que isso, saber construí-la.
Dia 10 de Julho na apresentação contra o histórico Anderlecht, no Estádio da Luz, era desejável ter o plantel fechado ou próximo disso porque em Agosto há uma Supertaça e três jogos para o Campeonato Nacional.
Parabéns a Fernando Santos e à sua selecção. Numa final onde quase todos estiveram bem e Rúben Dias esteve imperial, conquistou mais um título internacional para Portugal. Simplesmente excelente."

Sílvio Cervan, in A Bola

Desperdício...

Benfica 82 - 87 Oliveirense
12-17, 22-15, 13-13, 24-26, 11-16

Inexplicável a gestão final do Lisboa, a equipa cansada, o Cantero a atacar mal e a ser um autêntico buraco na defesa, jogadores frescos e a jogar bem no banco (Cardoso por exemplo...), e um banco 'paralisado'!!!
A jogar mal, tivemos uma boa vantagem no 4.º período, e no Prolongamento chegámos a ter 7 pontos de vantagem, e mesmo assim conseguimos perder!!!
O Micah não merecia...

Agora a margem de erro desapareceu... a minha única esperança, é que mesmo a jogar mal, tivemos tudo para ganhar este jogo!!!

Canelada

"Permitam-me a fantasia: as várias instâncias dos tribunais confirmam a sentença e o FC Porto é punido pelo que fez ao Benfica no 'caso dos emails'. FPF, LPFP. CMVM, AdC e outras que me possa estar a esquecer agora actuam em conformidade. Estaríamos, nesse cenário, perante a possibilidade da realização de um desafio entre Canelas FC 2010 e FC. Porto lá para 2028 numa divisão distrital da AF Porto.
O muito antecipado confronto entre as equipas, dir-se-á na altura, remonta a 2019 e começara a ser disputada fora do campo: em Vila do Conde, após um Rio Ave - FC Porto; e no Dragão, meia hora depois de um FC Porto - Aves. Foi evidente o antagonismo entre atletas de ambas as equipas nessas ocasiões. Apesar de vestidos com cores portistas, os do Canelas insultaram os portistas, o capitão até se despiu num acesso de fúria, enquanto os segundos assistiram impávidos e serenos, mas obviamente contrariados, ao comportamento animalesco dos primeiros, presumivelmente sancionado por bula pontifícia.
Por falar em Papa, então há muito mudado para Vigo, já pouco se lhe ouve. Até o sempre solicito jornal O Jogo prescindiu de uma entrevista. Se às três primeiras perguntas a resposta repetida poderia fazer sentido, à quarta, instado a comentar as palavras do protocandidato Moreira, outra vez 'Calabote' pareceu deslocado.
E chegou o desafio. Pepe, em teoria, seria suficiente para todas as macacadas dos atletas do Canelas, embora a evocação de Filipe 'Vale-Tudo', transferido há vários anos, fizesse sentido. A maior vítima foi mesmo o árbitro. Jovem ambicioso, viu-se na contingência de não saber quem beneficiar. Um dilema inultrapassável! Pediu escusa e retirou-se."

João Tomaz, in O Benfica

O Tsubasa tem muito que ensinar aos portugueses

"O leitor está recordado daquela maravilhosa selecção japonesa que conquistou o Mundial? Se não é fã da série de desenhos animados 'Oliver e Benji' é provável que não se lembre, mas eu resumo rapidamente. Oliver Tsubasa é um génio da bola, que durante a temporada mede forças com adversários de qualidade assombrosa e, após intensos duelos, a época termina e chega o momento de o seleccionador japonês convocar os melhores para representarem o Japão no Campeonato do Mundo. Tsubaba, Benji Price, Ed Warner, Mark Landers, Tobi Misaki, Julian Ross, Philip Matsuyama, Bruce Ishizaki, Jito Hiroshi e os gémeos Masio são alguns dos craques chamados. Quase todos eles competem entre si até à última gota de suor durante o ano, no entanto, assim que se reúnem a rivalidade desaparece e o espírito de união toma conta da equipa e dos adeptos. Ver este divertida série ensinou-me a ser adepto da minha selecção nacional - à custa de algumas faltas de T.P.C. que os professores desagradavelmente me assinalaram na caderneta. Os jogos de Portugal são uma oportunidade única para desfrutar da arte daqueles jogadores que normalmente queremos ver a tropeçar na bola. Contudo, há demasiados 'adeptos' que ainda não perceberam isso. Eu nunca me entusiasmei tanto ao ver o Bruno Fernandes ultrapassar a linha de meio-campo com espaço para rematar como na Liga das Nações. Porém, houve quem fosse incapaz de disfarçar o desejo de ver o João Félix falhar. Tenho pena desses 'adeptos': nunca vão sentir um abraço sincero entre amigos que apoiam cores diferentes ao longo da temporada, mas se emocionam lado a lado quando é golo de Portugal. Bruno Lage tem razão: há muito a aprender no Canal Panda."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Paguem

"A sentença condenatória aplicada ao FC Porto e ao chico-esperto que conspurca a sua direcção de comunicação, foi mais um prego no caixão de uma estratégia criminosa que visava desunir e destruir o nosso clube.
Conceda-se que tal estratégia estava muito bem pensada, e foi luxuosamente embrulhada. Os chicos-espertos são, por definição, espertos. E neste caso tudo foi montado com grande perfeccionismo, desde o roubo da correspondência e respectiva truncagem, até à sua divulgação a conta-gotas, com ondas de propagação arquitectadas na célebre reunião do Atlis, e efeitos em vários órgãos de comunicação e pelas redes sociais - sabendo-se, também, como o tema seria apetitoso para o sensacionalismo reinante.
Percebe-se agora que o material roubado serviu igualmente de espionagem sobre processos comerciais, contratuais, desportivas e clínicos. Delinquência pura e dura.
Porém, como em quase todos os crimes, e conforme já aqui disse uma vez, falharam alguns detalhes. Destacaria três. Não esperavam, certamente, que o pirata informático fosse encontrado e preso na Hungria; a queda de Bruno de Carvalho, e do seu cão-de-fila da comunicação sportinguista, subtraiu-lhe um poderoso aliado; e, principalmente, os benfiquistas mantiveram-se quase 100% unidos em torno do clube e da sua principal equipa, ao contrário do que eles talvez pensassem que viesse a acontecer.
Este é o momento da justiça. Tardou, mas parece não falhar, o que tranquiliza qualquer cidadão de bem. E meia-dúzia de papalvos a protestar junto do Palácio de Justiça são a caricatura perfeita para o fim desta história.
Agora paguem!"

Luís Fialho, in O Benfica

A sentença

"A Justiça tarda, mas não falha. Conhecida que foi a sentença do chamado 'caso dos emails', duas conclusões óbvias - a sua divulgação resultou de estratégia conhecida e autorizada pela administração do FC Porto e os réus Pinto da Costa, Adelino Caldeira e Fernando Gomes definiram a estratégia de comunicação e o posicionamento neste caso. O Juiz fala em acto contrário às normais e usos honestos - definindo que os factos provados permitem imputar aos réus uma conduta qualificável como 'acto de agressão, contrário aos usos honestos', frisando que 'os actos em causa são evidentemente desleais'.
Na sentença pode ler-se que 'a omissão nitidamente dolosa, cirúrgica e inteligente desvirtua totalmente o sentido da comunicação'.
O Tribunal Judicial da Comarca do Porto considerou que a deturpação é pior do que a mentira, já que 'é bem mais difícil de detectar e nunca porá em causa a primeira impressão já criada'. Como era de prever, foi dada razão ao SL Benfica e o FC Porto e o seu director de Comunicação foram condenados a pagar, para já, uma indemnização de dois milhões de euros.
Uma nota final para três das nossas equipas femininas. No Hóquei em Patins, Paulo Almeida comandou as Papoilas Saltitantes para mais um título - a 6.ª Taça de Portugal. No Andebol, o regresso à I Divisão passados 21 anos. Finalmente, a equipa de Futebol. O que mais dizer sobre este fantástico grupo de trabalho que tanto nos prestigia? Um plantel que tem duas jogadoras - Tayla e Geyse - no Mundial, diz tudo acerca da sua excelência! Depois da Taça de Portugal e da subida à I Liga, só falta o título da II Liga."

Pedro Guerra, in O Benfica

3000 no relvado

"O Estádio encheu-se uma vez mais de alegria. Muita alegria, de muitas crianças que viram as portas escancarar-se para as receber. E logo no relvado, onde pisar é proibido e quase impossível. Mas para os mais pequenos nada é impossível, como sabemos, e a substituição de relva na sequência de um mega concerto em final de época ofereceu o pretexto ideal para ali realizarmos as actividades do Dia Mundial da Criança. Por isso, de manhã bem cedo, já se via um corrupio de pequenos passos, bancadas abaixo, bancada acima, tal qual um formigueiro humano pequeno e barulhento e ecoar pelo Terceiro Anel lembrando aos mais distraídos que o dia era das crianças e que ia ser muito bem passado. Os insufláveis, sempre atractivos de topo para as crianças, disputavam hoje lugar com as estações de experimentação das modalidades e com tanto futebol que o relvado se enchia de cor e movimento. Pelo meio, diversões variadas e projectos pedagógicos, da prevenção pela PSP à sementeira de carvalhos autóctones pela Maternidade de Árvores de Serra da Lousã, passando por demonstrações verdadeiramente espectaculares de pião por, nada menos, que cinco campeões do mundo nesta especialidade.
Não faltou a Águia nem houve recanto do Estádio, entre o relvado, o sintético e os pavilhões, onde não soasse bem alto a algazarra da alegria infantil a espalhar sorrisos e boa disposição.
As crianças tiveram um dia diferente, para muitas uma experiência inesquecível e vinda ao Estádio e mesmo a Lisboa. O Benfica teve um dia normal, habituado desde sempre a multidões, costumeiro a dar alegrias e a receber sorrisos. Generoso e dedicado às crianças, mesmo às que cedo deixam de o ser pelas circunstâncias da pobreza e da vida. É assim desde que a Fundação existe, e mesmo muito antes, porque o Benfica é do Povo e do Futuro e ambos são feitos de Crianças!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Fazer melhor, depois de ouvir bem

"A Assembleia Geral de há oito dias voltou a ser um importante momento da história viva do Sport Lisboa e Benfica. Os Orgãos Sociais apresentavam-se para submeter expressamente ao julgamento dos Sócios presentes - sujeitos a identificação prévia e à cuidada verificação do cumprimento das obrigações que nos estão estatutariamente fixadas - mais do que a apreciação dos resultados obtidos na temporada anterior, as novas propostas contidas no Plano de Actividades e o respectivo Orçamento para o exercício de 2019/2020, com que encerraremos a primeira década do séc. XXI.
Tratando-se da reunião magna e decisiva na actividade regular do Clube, a Assembleia Geral não é uma festa; nem jamais pode constituir o ensejo para a manifestação de exaltações incontidas que, numa instituição desportiva, tanto podem gerar-se espontaneamente em ciclos de vitória, como em contextos adversos. Pelo contrário.
De acordo com a tradição democrática que, desde cedo na nossa história, se institucionalizou no Sport Lisboa e Benfica, a Assembleia Geral representa sempre, de cada vez, a oportunidade propícia para serenamente nos debruçarmos sobre nós próprios, com a maior ponderação e de acordo com regras regimentalmente estabelecidas para intervenções, esclarecimentos, contraditas e votações de todos os presentes, apenas tendo em conta as realidades do Glorioso, em séria e comedida atitude de análise quanto aos modelos que estamos a aplicar e aos caminhos que pretendemos seguir.
E de novo, genericamente (se descontarmos algumas intervenções - e delas, algumas expressões- mais precipitadas e populistas, ditadas fosse pelo fervor clubístico, fosse por meras pulsões do excessivo protagonismo característico dos seus autores...), os trabalhos decorreram com a elevação normativa e formal adequada à ocasião e, finalmente, mediante uma muito eficaz condução geral das operações, por parte do Presidente da mesa da Assembleia, Luís Nazaré. Mas, para além da discussão e aprovação do Plano e Orçamento para a próxima época (por significativos 87,49% dos votos expressos) que constituía a matéria essencial da ordem dos trabalhos, entendo dever assinalar mais uma vez os dois discursos habitualmente pronunciados pelo Presidente Luís Filipe Vieira como pontos altos da reunião magna.
Entre muitas considerações e novidades interessantes, o Presidente Vieira voltou a manifestar-se sensibilizado com alguns aspectos e sugestões referidas nas dezoito intervenções de Sócios que desta vez tomaram a palavra na segunda fase da sessão. Só que, agora, o nosso Presidente considerou dever conceder maior ênfase a um procedimento que pontualmente já assumira em anteriores reuniões magnas, ao sentir ser necessário dar efectivo seguimento e consequência aos inputs mais relevantes que ali recebe dos Sócios. Anunciou então que, antes do início da próxima época, convidará expressamente os autores da ideias mais instigantes levantadas na Assembleia, para uma reunião alargada com os profissionais responsáveis dos diversos sectores do Benfica, na qual todas essas sugestões serão melhor expostas e esclarecidas no sentido da sua eventual exequibilidade.
Tenho a certeza de que esta se tornará uma medida de tão relevantíssimo simbolismo e relevância que nunca mais Luís Filipe Vieira, ou quem quer que venha a ser outro futuro Presidente do Benfica, deixará de a passar a aplicar formalmente, na sequência de qualquer Assembleia Geral do Clube: além de marcar um efectivo registo de encontro do Benfica com os Sócios, acentua a diferenciação de um modelo participativo de gestão, único e irreplicável na paisagem dos clubes portugueses."

José Nuno Martins, in O Benfica

Mais do que a Liga das Nações

"A Selecção portuguesa, com a vitória sobre a Holanda, antecipou as comemorações do Dia de Portugal. A alegria por conseguirmos o sucesso estendeu-se a todos, mesmo os mais cépticos reconheceram a justiça do triunfo. Um triunfo conseguido com muito mérito, concretizado com uma exibição brilhante e eficaz. Para se chegar às finais é preciso ultrapassar adversários de reconhecido valor. Esta Holanda afastou França e Alemanha, antes de nas meias-finais vencer a Inglaterra. Um percurso fantástico, que foi parado por uma equipa portuguesa de alta qualidade. Após as meias-finais, Portugal foi eficaz perante a Suíça, outra equipa de boa qualidade, as apostas para a vitória no torneio eram idênticas, 50% para cada lado. No jogo, a estratégia da nossa selecção, principalmente no processo defensivo holandesa. A primeira vez que a nossa baliza esteve em risco, numa finalização proveniente de um cruzamento, já Portugal vencia e controlava o jogo. Esta vitória representa muito mais do que um título para Portugal. Na verdade, significa o sucesso de um conjunto de decisões, não só nos jogos da equipa, mas muito antes de muitos destes jogadores terem chegado à equipa principal. O espaço de crescimento para jogadores entre os 17/18 anos e os 21/22 foi alterado com o ressurgimento das equipas B em 2012. Quando se terminou o ciclo destas equipas em 2005 limitou-se o espaço para a potenciação nestas idades. Com a decisão de fazer regressar este espaço ajudou-se, e muito, a criar condições de potenciação do talento da formação. Agora temos um novo espaço, complementar, a Liga Revelação, que todos queremos seja igualmente de crescimento. Mas não basta uma época boa para se ter certezas absolutas. É preciso que todos entendam, e queiram, criar valor com jogadores formados em Portugal. Esta vitória, na Liga das Nações, representa muito mais do que vencer uma competição."

José Couceiro, in A Bola

Não fechem a porta ao mundo

"As selecções nacionais continuam a ser, por cá, o grande exemplo a seguir. A de futebol venceu a Liga das Nações com brilhantismo e a de andebol conseguiu o apuramento para o Europeu da modalidade após uma longa ausência. Os feitos até podem ser comparáveis caso analisemos o nível de atenção e de investimento que uma e outra modalidade têm no nosso país.
Coincidência ou talvez não, as duas equipas são perfeitamente abertas ao mundo. A Selecção Nacional de futebol é constituída, na sua larga maioria, por jogadores que actuam no estrangeiro e tem uma estrela universal e a de andebol é altamente inclusiva, com os luso-cubanos a darem um jeitão enorme. No fundo, num mundo cada vez mais sem fronteiras, são como têm de ser.
O fenómeno da globalização é incontestável e, em termos de captação de receitas, o mais importante - à Premier League é o que é pela forma como exporta o jogo, pelos exemplos dados dentro de campo, mas, também, fora dele. A NBA idem. Ainda esta semana, no jogo 5 das Finais, a super estrela dos Golden Stade Warriors Kevin Durant saiu da quadra da Scotiabank Arena, em Toronto, debaixo dum enorme aplauso de incentivo dos adeptos adversários, que até deram mostras de que gostavam que KD voltasse ao jogo, mesmo que isso tornasse muito mais difícil a tarefa da sua equipa.
Mas isso é noutras paragens e em termos internacionais, porque por cá não tocam violinos nos estádios de futebol ou nos pavilhões. Por exemplo, ontem, no João Rocha, assistiu-se a um magnífico espectáculo de futsal entre uma equipa que é campeã europeia em título - o Sporting - e outra que já foi - o Benfica. Mas nas bancadas os episódios foram lamentáveis. No entanto, os responsáveis do desporto continuam a assobiar estridentemente para o ar. Com que a fechar a porta ao mundo. Até quando? Até a tutela do desporto passar do Ministério da Educação para a Administração Interna?"

Hugo Forte, in A Bola

PS: A sério, magnifico espectáculo de futsal?! Pois é, não são só os dirigente que assobiam para o ar!!! Enquanto os jornalistas que tem a obrigação deontológica da denuncia, ficarem calados perante aquilo que aconteceu ontem dentro das quatro linhas, nada vai mudar...

O mérito do 'fair play' financeiro

"Quando se fala no fair play financeiro da UEFA, há, muitas vezes, tendência a desvalorizar os méritos destes instrumento que visa combater um outro tipo de doping, altamente perigoso para os equilíbrios naturais do futebol. Tomando por boa a decisão de salvaguardar os clubes de investidores ocasionais, susceptíveis de criar espirais despesistas sem sustentabilidade, que possam resultar na falência, logo que os sugar daddies partam para outros negócios fica por vezes a sensação de que não se vai tão longe quanto se deveria ir, para impor limites a quem tem bolsos sem fundo. Assim, há emblemas de dimensão média, do ponto de vista financeiro, para os quais há dedo rápido no gatilho da penalização, e outros, gastadores compulsivos, que têm escapado entre os pingos da chuva, salvaguardados por complexas engenharias de contas.
De qualquer forma, percebe-se, nestas semanas iniciais de mercado, que clubes como o Man. City, o Chelsea e o PSG, estão com dificuldades face à fiscalização da UEFA, o que funciona como um elemento proporcionador de equilíbrio, essencial à competição.
Mas tem tudo, na big picture, são boas notícias. Embora o futebol esteja a criar mecanismos, mais ou menos eficazes, contra a eucaliptalização levada a cabo pelos clubes-estados, o futuro aponta para um cenário em que o fosso entre ricos e pobres será cada vez mais fundo e largo. Por exemplo, a entrada em campo da Amazon TV, que comprou vinte jogos da próxima edição da Premier League, é uma pista que deve ser seguida com atenção...

PS - Parabéns ao andebol português. Grande jornada na Roménia!"

José Manuel Delgado, in A Bola

Um número mínimo de treinadoras

"A propósito da comemoração do Dia da Mulher, o Comité Olímpico de Portugal prestou homenagem a onze treinadoras de modalidades distintas e com diferentes níveis de intervenção na formação de atletas. Tratou-se de um gesto simbólico, mas revestido de uma extrema importância nos dias que correm.
Vivemos uma época onde é cada vez maior a consciência da grande desigualdade vivida por ambos os géneros na sociedade, assim como da necessidade de tomar medidas que a minimizem. Acreditamos firmemente que o desporto é uma das mais importantes ferramentas para a promoção da igualdade de género e para o empoderamento das raparigas e mulheres embora, também aqui, essa desigualdade continue a ser uma realidade.
A nível internacional constatou-se ser necessário provocar, de uma forma objectiva e concreta, o aumento da participação feminina na área do desporto. A Comissão Europeia no seu documento “Igualdade de Género no Desporto - proposta de acções estratégicas 2014-2020”, no que se refere à área do treino desportivo, desafiou todas as organizações desportivas nacionais e internacionais a desenvolverem um conjunto de medidas que permitissem atingir, em 2020, um valor mínimo de 40% de mulheres e homens como treinadores e um mínimo de 30% de mulheres e homens treinadores de equipas nacionais.
Contudo, em Portugal, segundo os valores publicados pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, em 2017 o número de treinadoras limitava-se a 12,6%, sendo, estranhamente, um dos valores mais baixos verificados nos últimos quatro anos. Ao contrário daquilo que se pretende, este valor não só é extremamente baixo como tem vindo a diminuir desde 2015… o que se torna incompreensível!
É, pois, muito importante tomar consciência de que só através de medidas práticas e objectivas se conseguirá incentivar potenciais treinadoras e ver a sua representação aumentar. É necessário passar da teoria à prática. Torna-se urgente actuar.
É importante fazer algo para inverter uma tendência que vai reforçando a exclusão das mulheres das actividades desportivas. Contudo, se ficarmos todos à espera que o Estado, as federações ou os clubes actuem… provavelmente esta tão necessária mudança nunca acontecerá! Nada mudará se ficarmos à espera que os outros mudem, que os outros façam. Cada um de nós é agente de mudança, cada um de nós tem a sua área de intervenção e, por mais pequena que seja, é por aí que devemos começar. 
Devemos começar por repensar a forma como educamos os nossos filhos, por questionar que terminologia utilizamos quando nos referimos aos desportistas e às desportistas, o que escrevemos nos jornais sobre elas e sobre eles. Analisemos como nós próprios encaramos a participação das mulheres em determinadas modalidades desportivas, questionemos como nos sentimos e o que pensamos sobre a sua participação nas diferentes áreas do desporto. Façamo-lo pondo de lado preconceitos e estereótipos.
Pergunte-se o que acontecerá se, de alguma forma, contribuirmos para que o número de treinadoras aumente? Com mais treinadoras haverá provavelmente mais crianças na prática das modalidades, pois as mulheres são identificadas como educadoras e mais facilmente atrairão a confiança dos pais. Inspirarão uma maior segurança no ambiente desportivo e constituirão um exemplo inspirador para as jovens… as jovens precisam de exemplos! Terão elas próprias mais conhecimentos sobre a especificidade das mulheres na prática do desporto o que facilitará a integração das adolescentes.
É para nós evidente que provocar de uma forma intencional o aumento do número de treinadoras é contribuir para o aumento da taxa de feminização do desporto e é por aí que tudo deve começar."

Valeu mesmo tudo !!!

Entrevista de Luís Filipe Vieira, à Bola Branca





PS: As entrevistas valem o que valem, mas neste tempo de 'ódio online' não basta 'deixar passar' as criticas acéfalas ou mal intencionadas!!!
O Benfica nos últimos 20 anos, passou por um caminho complicado, com vários contextos económicos e competitivos... Analisar afirmações, sem perceber (ou querer perceber) o momento em que as coisas foram ditas, é no mínimo desonesto!

Benfiquismo (MCCVI)

Pequena amostra...

Construção de um plantel bicampeão e europeu

"O Sport Lisboa e Benfica parte para mais uma pré-temporada como campeão nacional. Contudo este estatuto vive assombrado pela má gestão que foi executada no Verão transacto. Este é um Benfica imaturo, em fase de crescimento. É um plantel com necessidade de ser consolidado, a exigir tempo de trabalho e integração. O título de campeão nacional traz consigo o acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões e assim um maior fôlego na organização de uma pré-temporada ao gosto da equipa técnica.
Bruno Lage é um treinador do treino. Vai ser pelo tempo de treino que irá consolidar as suas ideias na equipa. Tem uma ideologia de jogo, uma identidade própria a implementar. Trabalhou durante 5 meses uma equipa que não era sua e conseguiu assumi-la. Deu o seu toque e agora tem dois meses para verdadeiramente a caracterizar à sua imagem. E a evolução do plantel entre estas duas épocas tem necessariamente de ser feita à imagem de Lage.
Bruno Lage tipicamente parece favorecer um 4-4-2 com extremos a actuar mais como médios ofensivos, laterais a dar a largura ofensiva, um avançado de ligação a procurar o espaço para receber a bola e dois médios tanto com qualidade posicional defensiva como com capacidade de distribuir jogo. Além disso favorece a capacidade de pelo menos um dos centrais poder ser o primeiro organizador de jogo da equipa. Os golos voam de pé em pé, de cabeça em cabeça, ao gosto de seja qual for o jogador que no dinamismo ofensivo surja em zona de finalização.
Olhemos então para o plantel com que Lage trabalhou de forma a percebermos onde há necessidade de mudanças.

Guarda-Redes: Odysseas, Svilar e Zlobin. Um sector onde parecia que estávamos finalmente resolvidos mas o final de época do greco-alemão provou-nos errados. Se de um lado acumulou grandes defesas, do outro acumulou grandes falhanços. Ficam dúvidas se tem consistência para ser o dono da baliza encarnada e no banco não há nenhuma opção que esteja, pelo menos para já, com capacidade para a função. A procura de um guarda-redes no mercado parece-me ser uma das prioridades mais cuidadosas e minuciosas que a Direcção deverá ter este Verão. A ser contratado que venha um guardião à imagem de Lage – qualidade de passe e liberto das amarras dos postes.

Laterais: A direita é do Almeida e a esquerda do Grimaldo. O Grimaldo é craque, integra-se perfeitamente nas ideias do Lage e seria importante que continuasse na Luz. O André tem a personalidade adequada mas não o talento exigido. O Yuri não tem qualidade para o plantel do SL Benfica e acredito que no Seixal possa haver uma solução mais interessante. Na direita o Corchia não funcionou e o Ebuehi ainda não teve oportunidade de se mostrar. O SL Benfica necessita de um lateral direito um pouco à imagem do Nélson Semedo. Será o nigeriano a opção?

Centrais: Rúben Dias, Ferro, Jardel e Conti. O argentino não tem lugar no plantel e o recém-capitão é mais importante no balneário do que no relvado. O Jardel será o ideal terceiro central. Compensa a menor qualidade com o seu espirito mas não o suficiente para poder ser o central que sai com a bola controlada. Dias e Ferro é uma dupla à Benfica, que serve os interesses de Bruno Lage e que tem tudo para ser a nova dupla de ouro do futebol português. O Ferro é tudo o que o Lage gosta para aquela posição e o Dias tem potencial para ser o líder da defesa, apoiar o Ferro e capitanear o Sport Lisboa e Benfica. Enquanto a qualidade do primeiro é inquestionável, a do Dias continua a deixar dúvidas – abordagens defensivas muito pouco clarividentes vão manchando algumas das suas exibições. Com a qualidade que temos no Seixal não vejo à partida necessidade de se contratar um central para o lugar do Conti. Se o mercado levar à saída do Rúben Dias, nasce a oportunidade de irmos contratar um centralão que crie uma dupla de ouro europeia com o Ferro.

Médios: Samaris, Fejsa, Gabriel, Florentino, Gedson e Krovinovic. A dupla está garantida com a qualidade apresentada esta época tanto pelo Samaris como pelo Gabriel. A qualidade e a ligação entre ambos. A eles junta-se claramente o Florentino já com o potencial todo confirmado. Pelas fragilidades físicas que tem apresentado e principalmente pela alteração do sistema de jogo – agora num meio-campo com dois médios lado a lado – esta parece-me a altura exacta para o Fejsa experimentar outros campeonatos. O Krovinovic precisa urgentemente de jogar e assim só me parece recuperável se esta época for emprestado. Sobra então o Gedson a juntar-se às opções do meio-campo e ainda a muita qualidade que existe no Seixal. Contratar por contratar? Nesta posição não me parece haver urgência de reforços. A contratar só se for um excelente médio para ser o patrão do meio-campo encarnado pela sua qualidade posicional sem bola e a sua capacidade de passe. Não é nada prioritário.

Médios Ofensivos/Alas: Aqui mora a maior criatividade da equipa. Seja em progressão ou no rolar da bola, seja pela linha ou pelo centro do terreno, seja no passe ou na bela finalização. Pizzi, Rafa, Zivkovic, Salvio, Cervi, Taraabt e Jota. Sete para duas posições. Pizzi e Rafa são donos dos lugares, um a rasgar em progressão e outro a rasgar com a imaginação. A eles junta-se aquele que ainda é a minha grande esperança – o sérvio Zivkovic, um jogador mais à imagem de Pizzi. O Cervi é aquele jogador que menos se adequa a esta equipa, tanto pelo estilo como pela qualidade. Na porta de saída portanto. Aos três já indicados junta-se o rasgo do Salvio e ainda aquele que pode ser o jogador a explodir esta época: Jota. Evidentemente estas são posições onde não há qualquer necessidade de reforços.

Avançados: Jonas, João Félix e Seferovic. Aqui mora a dupla fantasia – Jonas e João Félix. É maravilhoso sequer imaginar estes dois em par a abrir as defesas adversárias e a vergar cada guarda-redes que os oponha. A dar-lhes cobertura o também excelente Seferovic. Tendo em conta que Rafa e Jota podem andar por estes terrenos à partida não haverá necessidade de qualquer reforço. Contudo temos a situação física de Jonas. Está o brasileiro apto para mais uma época de águia ao peito? Não podendo contar com Jonas, será crucial ir ao mercado procurar um reforço para o ataque. Um avançado mais à imagem de Seferovic. Não um pinheiro. Um jogador com qualidade técnica, qualidade nas movimentações e qualidade frente à baliza. Um jogador que obrigue o suíço e o João a renderem o dobro para não sentirem o desconforto do banco.

Resumindo, um SL Benfica já forte e só a necessitar de dois ou três reforços. Uma equipa somente a necessitar de treino para ganhar uma nova identidade. Um Benfica que tem tudo para ser verdadeiramente uma equipa de Champions. O Benfica Europeu. Para isso deve obrigatoriamente manter os seus principais craques e continuar a investir nas pérolas que em Janeiro surgiram do Seixal. Treino, um guarda-redes, alguns reforços defensivos e deixar a bola rolar."

Roubalheira monumental...

Sporting 5 - 3 Benfica

Vergonhoso... foi tudo vergonhoso, os adeptos, os jogadores lagartos, os treinadores e obviamente os dirigentes que proporcionaram tudo isto. Gente sem qualquer pingo de vergonha... sem carácter...
Foi episódio atrás de episódio... o facto do Benfica ao intervalo não estar a ser goleado, deveu-se exclusivamente à inspiração do puto na baliza... Uma vergonha!!! Nem a RTP se safa de tanta mediocridade...

Fomos superiores nos 4 jogos, sim até hoje com todas as condicionantes... Somos claramente melhores, temos tudo para sermos Campeões, mas temo que no 5.º jogo, vamos ter mais um espectáculo do apito, no meio de mergulhos, agressões...

Em qualquer País civilizado, depois de um jogo destes, haveria gente presa, e não estou a ser irónico, a falta do 4.º golo dos Lagartos, nunca poderá ser justificada por incompetência, nunca...

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Andrea Pinamonti


"Nascido em 1999 (tal como João Felix, Gedson, Florentino e Jota), entrará na próxima temporada no seu segundo ano de futebol sénior, e à semelhança dos jovens portugueses, Pinamonti já jogou na principal liga do seu país.
O ponta de lança italiano somou 5 golos e três assistências ao serviço do Frosinone, emprestado pelo Inter de Milão, na Série A italiana. Avaliado em 10 Milhões de Euros pelo Transfermarkt, Pinamonti tem sido um dos jogadores em foco no Mundial sub20.
Trazemos aqui alguns golos e outros recortes curtos da jovem promessa transalpina"





PS: Não costumo alimentar as 'cenouras' do Mercado, mas neste caso, recebi algumas informações que confirmaram o interesse do Benfica neste puto Italiano. Pode não vir, mas neste caso, não é invenção, como os outros milhares de nomes que vamos ouvindo e lendo todos os dias!!!
Hoje em dia contratar o avançado de qualidade 'segura' é muito caro, e mesmo assim, não é aposta segura. Veja-se o que aconteceu ao Benfica o ano passado com o Ferreyra e o Castillo!!! Neste momento, ir ao Mercado Sul-Americano comprar as principais promessas é quase impossível, porque os valores estão altíssimos, veja-se o Pedro do Fluminense... Portanto, temos que ser 'criativos'... Apostar em jovens de 'grandes' Clubes, com plantéis extensos, que muito provavelmente ou serão emprestados, ou ficarão no banco a época inteira, é uma opção interessante...

Quando o futuro já não mora aqui

"Portugal vencedor da primeira Liga das Nações, Jorge Jesus no Flamengo, Paulo Fonseca na Roma, Luís Castro no Shakhtar, a somarem a Leonardo Jardim no Mónaco, a Marco Silva e a Nuno Espírito Santo, ambos considerados e estimados no futebol inglês, onde José Mourinho também poderá regressar ao trabalho, após um período sabático, Rui Vitória campeão, de regresso às arábias, cada vez mais treinadores portugueses com sucesso, por todos esses cantos do mundo; jogadores jovens cobiçados pela Europa dos grandes, o futebol português vive o frenesim de um crescimento sustentado e que só não tem maior expressão pela indigência a que chegou o seu próprio negócio.
É curioso, mas, ao mesmo tempo, inquietante e perturbador. Cada clube, em Portugal, manteve a tenebrosa ideia política do orgulhosamente sós. Por egoísmo, por falta de visão de conjunto, por não acreditar que valha a pena qualquer esforço pela oportunidade de um negócio menos pobrezinho.
Os nossos pequenos clubes apenas agradecem a sobrevivência; os nossos médios num patamar sem escada para cima e para baixo; e os grandes invejam-se, desrespeitam-se, avançam numa destruição generalizada e arrogante, que arrasta, de uma vez, a credibilidade, o bom nome e qualquer projecto maior e mais ousado de futuro.
Salvam-se os principais protagonistas, é certo, que tratam da vidinha o melhor que podem, sempre com a convicção de que o futuro não é aqui. E salvam-se as Selecções que conseguem, por artes mágicas, marcar a diferença e até conseguem públicos diferentes para os estádios."

Vítor Serpa, in A Bola

Um futebol mais limpo

"O futebol está longe de resolver os problemas da saúde, do ensino, ou da justiça, menos ainda o da corrupção, com o qual também se debate, mas estimula, acrescenta pontos na autoestima e ainda projecta a imagem internacional de um país que, sejamos claros, apenas na produção de cortiça encontra paralelo em termos de liderança no Velho Continente, depois de a selecção nacional ter dado sequência ao título europeu de 2016 com a conquista da Liga das Nações, no domingo passado, no Porto.

Se é cada vez mais complicado ver clubes portugueses em finais de uma competição como a Liga dos Campeões, porque não conseguem segurar os melhores jogadores, pelo menos temos uma estrutura muito competente na Federação Portuguesa de Futebol, capaz de potenciar o talento quando os futebolistas se juntam para representar a equipa das quinas.
O treinador e ex-seleccionador italiano Arrigo Sacchi disse um dia que "o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida". Tinha razão. Uma boa parte dos portugueses não hesitará em dizer que a grande prenda do Dia de Portugal chegou por antecipação no dia 9 de Junho, com aquele êxito sobre a Holanda no Dragão, só que a Federação tem de ser muito mais do que as selecções. Compete-lhe tutelar este negócio de milhões, e não apenas as equipas nacionais.
O exemplo de competência e sucesso tem rapidamente de se traduzir em reflexos positivos na realidade dos clubes. Nesse campo, além do talento dos jogadores, não temos mais para mostrar, a não ser coisas que nos envergonham, como o mau exemplo dos dirigentes, as suspeitas de corrupção e a violência sobre os árbitros. Mais nada. Por isso, é tempo de a Federação, de uma vez por todas, liderar uma regeneração que só acontecerá quando os infratores forem punidos. Se possível, antes dos tribunais, pois há nos regulamentos instrumentos para isso."


PS: Quem ler esta crónica até pode pensar que aqui está o opinador preocupado com o futebol português e os crimes cometidos em nome da clubite, mas aquilo que este está a defender é simples: como os Tribunais Civis, aparentemente não decidem baseados em realidades alternativas, se calhar tem que ser mesmo o Meirim e os seus muchachos a 'condenar' o Benfica, mesmo que nos tais Tribunais Civis os 'culpados' sejam outros!!!

Ronaldo, que dezasseis anos fantásticos!

"Portugal transformou-se na última década e meia, sempre com um denominador comum: Cristiano, claro

Cristiano Ronaldo levantou este domingo o segundo troféu de Portugal. Nada mais justo.
Há claramente um antes e um depois de Ronaldo na história da Selecção Nacional. Como o próprio disse no final do jogo, são dezasseis anos e, portanto, praticamente uma vida naquela casa. Mas é mais do que isso.
É, sobretudo, um salto qualitativo enorme.
Antes de Ronaldo, Portugal tinha três meias finais. Em cerca de setenta anos de história.
Depois de Cristiano, e em apenas dezasseis anos, a Selecção Nacional somou seis meias-finais, três finais e dois triunfos. Conseguiu dois títulos e afirmou-se como uma selecção de topo mundial.
Que Cristiano Ronaldo tenha estado sempre nestes feitos todos é muito mais do que um detalhe, é uma virtude: uma coisa tem de ser consequência da outra.
A verdade é que com Ronaldo, a Selecção Nacional deixou de ser aquela coisa tristonha, melancólica e desafortunada. Deixou ser a equipa tímida que jogava como nunca e perdia como sempre, para se tornar num candidato ao título, afirmativo, tenaz e determinado.
O capitão trouxe à equipa nacional, além de muito futebol, claro, aquele hábito de ser altivo, de olhar qualquer adversário nos olhos, de não ter vergonha de vencer ninguém.
Hoje Portugal não se constrange com nada, e esse é o primeiro passo para ficar mais perto das finais. 
Que dezasseis anos fantásticos, Ronaldo!"