Últimas indefectivações

sábado, 13 de abril de 2013

Grandes !!!


Benfica 30 - 28 Corruptos

Vitória importantíssima do nosso Andebol... Jogo muito difícil, quase sempre equilibrado, mas com uma ponta final mais esclarecida por parte dos nossos jogadores, a rotação efectuada pelo nosso treinador, na minha opinião foi decisiva. O aparecimento do Pedroso em grande, acabou por ajudar muito, já que normalmente 'perdemos' para os Corruptos nos remates de 2.º linha!!!

A impunidade tem muitas consequências... Ouvir o treinador Corrupto no final do jogo queixar-se da arbitragem, é revoltante, mas até é natural. O comportamento deste senhor na linha lateral é do mais asqueroso e ofensivo que já assisti, mas a impunidade é total. Impunidade, que os jogadores sentem, como é óbvio, a maneira como estiveram praticamente o jogo todo, a trocar palavras com os adeptos do Benfica, e a fazerem gestos ofensivos para a bancada, acaba também por ser natural... Parece que o Edo Animal Bosh fez escola, e agora como eles sabem que não são punidos...
Admito que o critério usado no Andebol na marcação das faltas não é fácil para os árbitros. Mas é muito difícil assistir às exclusões do Pedroso, as 2 do Costa, e a do Rodrigues, e depois assistir à maneira como o nosso Pivot é tratado em todos (repito: todos!!!) os nossos ataques!!! A 'adidas' faz camisolas com muita qualidade!!!
Ainda a semana passada, vários jogadores Corruptos ao serviço da Selecção foram excluídos repetidamente no jogo contra a Suíça, com uma dupla de arbitragem Sueca, que até deu um critério bastante largo. Como eles, em Portugal estão habituados à impunidade total, compreende-se!!!
Se pensam que tudo isto são pormenores, olhem para as estatísticas: toda a gente sabe que o Benfica, é uma equipa extremamente forte, no jogo para o Pivot, e mais fraca no jogo exterior. Pois bem, hoje o José Costa marcou 2 golos!!! Os Corruptos apesar de terem o melhor Pivot nacional (pessoalmente, um animal asqueroso), usam muito mais o remate de 2.º linha, mas hoje só o Pivot marcou 8 golos, e na 2.º linha só marcaram 7 golos!!! Eles pensaram que 'fechando' o Zé Costa, ganhavam o jogo, mas enganaram-se...



Nada está decidido, nas próximas duas jornadas, vamos a Odivelas jogar com os sempre raivosos Lagartos, e depois vamos à Maia. Se os Lagartos com os Corruptos nem dão luta, contra o Benfica jogam sempre o triplo, os jogos com eles esta época, têm sido sempre complicados. O Águas Santas parece estar em queda, mas não podemos confiar, basta nomearem um Caçador (e amigo) ou os irmãos Metralha Martins, e o jogo terá um nível de dificuldade elevadíssimo!!!

Até ao fim...

Vamos a eles !!!


Guimarães 0 - 3 Benfica
22-25, 14-25, 19-25

Fim da 2.ª Fase, mais uma vez Benfica na frente - já tinha assim no final da 1.ª Fase -, mas o título (o trabalho de toda a época!!!) vai-se decidir nos próximos 3 jogos - ou 2 !!! -, desta vez o 1.º jogo é na Luz, o 2.º em Espinho, e em caso de necessidade, o 3.º jogo será novamente na Luz...
A equipa não está na máxima força - eles, também não... -, mas não poderá haver desculpas, temos equipa para vencer. Por favor, nada de bloqueios psicológicos!!!

Manual de como falhar golos...!!!


Covilhã 2 - 2 Benfica

Jogo muito aberto, com muitas oportunidades, para as duas equipas - algumas das oportunidades falhadas foram mesmo escandalosas!!! -, muitos erros defensivos, nas duas equipas, jogo de resultado imprevisível... Com um bocadinho mais de cabeça, esta poderia ter sido uma vitória fácil, no final acabámos por beneficiar de uma expulsão - acertada -, para empatar pelo 'inevitável' Deyverson!!!

Play-off à espreita !!!


Ovarense 62 - 79 Benfica
20-15, 12-22, 17-14, 13-27

Última jornada da Fase regular, com vitória em Ovar, com um 4.º período muito bom... Apesar de todos os problemas físicos e respectiva gestão do plantel, continuamos a vencer...
Chegados ao Play-off, vai começar os jogos a sério!!! O 1.º adversário vai ser o Lusitânia, que curiosamente também defrontámos o ano passado, nas Meias, mas o Ricky Franklin já não está lá... portanto teoricamente será mais fácil!!! Concentração, e a vitória não escapará....

Glorioso, de regresso à cidade Luz !!!

"Uma primeira palavra de admiração e reconhecimento pelo vosso exemplo. Nunca é fácil assumir a decisão de deixar Portugal, de arriscar, de procurar no estrangeiro as condições que não se encontram em Portugal. 
A verdade é que quaisquer que tenham sido as razões que vos levaram a deixar o país, nunca abandonaram Portugal, porque Portugal está onde estão os portugueses. Seja aqui, na Suíça, na Austrália ou no Brasil.
É exactamente o que acontece com o Benfica, porque o Benfica está onde estiverem os seus sócios e adeptos e a vossa presença nesta sala é o melhor exemplo do que acabo de dizer!
A identidade de uma nação constrói-se a partir da sua história, da sua língua e cultura, da sua capacidade de realização, mas também de algumas das suas instituições. Pois bem, o Benfica é uma dessas “marcas” que contribuíram no passado e continuam, no presente, a reforçar em todo o Mundo a identidade de Portugal.
O Sport Lisboa e Benfica é, seguramente, uma das maiores referências de Portugal no Mundo, porque é o Clube mais representativo do país e uma das suas maiores bandeiras no estrangeiro.
Isto é um enorme motivo de orgulho para mim e deve ser também motivo de orgulho para todos os benfiquistas. O reconhecimento que goza a comunidade portuguesa em França, bem como as suas exemplares qualidades de relacionamento e integração na comunidade de acolhimento, são marcas que registo e acentuo com muito apreço e orgulho e que estão na origem do respeito que os franceses e as suas autoridades manifestam pelos portugueses, reconhecendo dessa forma a sua contribuição para o desenvolvimento e modernização deste país.
Admiro a forma como estando longe, todos vocês se conseguem manter tão perto de Portugal. Admiro, igualmente, a forma como o Benfica é recebido em França. Jogar em França é jogar em casa!
Como presidente do Benfica, mas principalmente como português, tenho orgulho em poder estar aqui hoje a celebrar com todos vocês a inauguração de mais esta “embaixada” portuguesa no Mundo.
A dinâmica de crescimento do Benfica também se vê pela expansão das suas Casas, pelo esforço que os nossos adeptos emprestam à divulgação do Clube e ao seu crescimento.
Vocês são o principal activo com que o Clube pode contar, pelo vosso apoio, pela vossa dedicação, pelo vosso entusiasmo!! E isso é uma riqueza única que não pode ser desperdiçada!
Vocês são, mesmo estando a milhares de quilómetros de Portugal, os verdadeiros “proprietários” do Benfica. O Clube é vosso e nós, que formamos parte da Direcção, temos a obrigação de garantir que assim vai continuar a ser no futuro.
É uma das nossas marcas de identidade, é uma das preocupações que sempre orientou a minha acção desde o primeiro dia que aqui cheguei. O trabalho que desenvolvemos até aqui serviu para transformar o Benfica num Clube mais sólido, mais competitivo, mais inovador e mais global. Um Clube com ambição, onde sonhar voltou a ser permitido, onde voltamos a ser uma referência europeia. Um Clube respeitado e admirado, um clube credível e cada vez mais observado e mais seguido nas soluções que adopta.
Acreditem que vivo hoje o mesmo entusiasmo e a mesma ilusão que experimentei no primeiro dia em que cheguei ao Benfica. Os desafios de hoje não são menores daqueles que encontrei há 12 anos, mas são diferentes e exigem a nossa total determinação.
A cidade de Paris é conhecida, como bem sabem, como a cidade Luz. Permitam-me que diga aqui que Lisboa também é uma cidade Luz, em função de um estádio fantástico, que é o nosso, que há 10 anos nos enche de orgulho e que será no próximo ano palco da final da Liga dos Campeões.
Obrigado a todos."

Juniores - 9.ª jornada - Fase Final

Hélder Costa

Setúbal 0 - 1 Benfica

Excelente vitória, num campo sempre difícil... recordo que no Seixal o resultado foi 2-2 !!!
O 'regresso' de alguns jogadores que estavam a jogar pela equipa B, tem sido fundamental na melhoria dos resultados dos Juniores. Pessoalmente, acho que essa decisão foi tardia, porque nesta Fase Final, todos os Juniores deviam estar à disposição do Tralhão!!!
Para a semana recebemos os Lagartos no Seixal, será um jogo decisivo na discussão do título, a 'não vitória' será fatal... e este ano, os derbys, têm corrido, quase sempre mal!!!

Sporting...........20
Benfica..........17
Corruptos........16
Braga..............11
Rio Ave............9
Guimarães........9
Setúbal...........8
Nacional..........5


Iniciados - 1.ª jornada - Fase Final

Benfica 0 - 1 Gafanha

Péssimo inicio...!!! Não deu para acompanhar o jogo com atenção, já que as interrupções da transmissão da Benfica TV foram constantes!!!
Esta equipa do Benfica, qualificou-se para esta Fase Final com muitas dificuldades... a equipa tem jogadores talentosos, mas não é equilibrada. Na defesa, e o início da construção ofensiva, tem muitas falhas... a ausência do Rachid tem sido demasiado sentida.
Este seria teoricamente o jogo mais fácil - daquilo que vi, esta equipa do Gafanha vai ganhar muitos pontos nesta Fase, a todas as equipas!!! -, assim não será surpresa que os próximos 5 jogos, sejam um autêntico calvário... espero que a equipa melhore...

«Não havia necessidade»

"Benfica sofreu desnecessariamente em St. James Park.
O domínio no futebol tem alternâncias, umas vezes é contínuo outras é mais repartido. A equipa que mais se aproxima da vitória é aquela que cria mais oportunidades para marcar. Contudo, o que decide a predominância, ou não, são os golos. O Benfica iniciou o jogo em St. James Park a todo o gás, e em cinco minutos criou duas ocasiões flagrantes para sentenciar a eliminatória. Lima com um soberbo calcanhar e Gaitan com um remate precipitado colocaram em sentido a equipa inglesa que viu Haidara salvar em cima da linha.
Jesus ao escolher o sistema de 4x3x3 visava o equilíbrio em todos os sectores  O plano resultou durante toda a primeira parte. O trio de meio campo foi preponderante ao interpretar quase perfeitamente o binómio defesa-ataque. Um autêntico acordeão que explanava o jogo e fechava os caminhos às iniciativas adversárias.
Nas acções ofensivas, Lima, muito móvel e activo  solicitava passes com os médios alas muito fortes no um contra um. A dupla função de Gaitan, excelentemente interpretada, cotou-o como o melhor em campo. Por tudo isto, as Águias na primeira metade realizaram um jogo veloz, intenso, electrizante e bem praticado.
O pecúlio encarnado foi positivo, só faltou a eficácia, pois para além das duas madrugadoras ocasiões o Benfica gerou mais uma, quando após excelente jogada de Ola John, Sálvio desperdiçou ao cabecear ao lado.
Nas poucas vezes em que o Newcastle tinha a bola em sua posse, um Benfica precavido defendia coeso e em bloco. Por isso, o primeiro remate dos ingleses foi aos 41 minutos. À excepção dos últimos 5 minutos, o Benfica foi sempre superior aos “magpies”. Lá está, dominou, criou oportunidades, mas não marcou.
No recomeço da segunda parte, o Benfica impôs-se novamente, embora, aos poucos, os ingleses tentassem equilibrar o jogo. Porém, o Benfica teve sempre mais perto de marcar. Ola John em boa posição rematou por alto. Depois de outra boa jogada entre Ola John e Gaitan, este serviu Lima que isolado atirou ao lado. No entanto, a oportunidade mais evidente pertenceu a Gaitan aos 62 minutos, mas o argentino não acertou com a baliza.
Alan Pardew, aos 65 minutos, lançou Ben Arfa e o perigo mudou de baliza. Aos 71, Matic e Garay não comunicaram e o francês, recém entrado, meteu-se de permeio serviu Ameobi e este ofereceu o golo a Cissé.
A partir deste momento o jogo ganhou emoção e a incerteza pairava no St. James Park. O futebol é isto. O Benfica que poderia estar descansado se não desperdiçasse meia dúzia de oportunidades via-se neste período na contingência de poder ser afastado da competição. Depois do golo inaugural, o Newcastle acreditou, pressionou, ganhou dois cantos e dois livres frontais mas felizmente para o Benfica ficou-se por aí.  
Entretanto, Jesus, atento, mexeu. Introduziu Cardozo e Rodrigo e o domínio do jogo na fase final voltou a pender para as Águias, as quais remataram por 6 vezes nos últimos 10 minutos. E Sálvio já no tempo extra acabou por resolver a questão.
Porém, o sofrimento era latente apesar de ser mais psicológico do que real. É verdade que tudo poderia ter acontecido. O receio de que os ingleses marcassem o segundo golo passou pela cabeça da equipa encarnada e até de Jesus, pois no final acabaria por confessar ter sido um jogo «complicado, sobretudo nos últimos 20 minutos».
Contas feitas para os ingleses, ficou apenas a ânsia do espectacular público britânico em eliminar o Benfica e a forma como criou um formidável ambiente de apoio para catapultar, entusiasmar e motivar os magpies. Mas não passou disso pois, futebolisticamente, os ingleses na prática não criaram nenhum perigo ao longo do jogo."

sexta-feira, 12 de abril de 2013

St. James Park, Red !!!

Estar entre

"Como é que um benfiquista vive estes dias que podem estar entre o quase tudo e o quase nada? 
Normalmente, vivemos com a vertigem quase messiânica de que, como adeptos de um clube eleito, o nosso destino cumprir-se-á inexoravelmente na próxima vitória e na outra a seguir e assim sucessivamente. No entanto, esta nossa estranha forma de sentir o clube atira-nos também, frequentemente, para um estranho antecipar da desgraça como forma de mitigar uma imaginada dor. Antecipamos a vitória com a mesma vertigem com que tememos o insucesso. Insultamos o goleador com a mesma vertigem com que o festejamos. Trocamo-nos entre apocalipses antecipados pela ausência de um futebolista e Génesis paradisíacos com a contratação de outro. Saltamos entre o assobio e o aplauso ao ritmo da bola que vai ao poste e entra, e a outra que se desencontrou no seu caminho.
E é assim que agora nos encontramos, neste fantástico final de época em que cada jogo é decisivo para que se possa fazer a festa ou o luto, o tudo ou o nada. Olhamos para o relvado, para os nossos, e em cada momento e movimento vemos um promessa de algo que está em busca e à espera de que a promessa se confirme num grito de vitória ansiada. Faltam poucos jogos, poucos minutos, e estamos tão perto que sentimos a ânsia de já ver ‘o tudo’ e ainda termos nas mãos ‘o nada’. Dizia Bill Shankly que o futebol era muito mais do que uma mera questão de vida ou morte. Olho para este final de época do nosso Benfica, sinto como todos nós o estamos a viver, e penso que o Bill Shankly tinha razão, mas ainda lhe faltou acrescentar que, além disso, é uma questão de sofrer na esperança de vencer. Mas, para saber isso, precisaria de viver o benfiquismo feito da esperança na vitória, mas assente na realidade de que nada ainda está ganho."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Que belo Benfica

"A vitória de ontem foi mais sofrida do que era merecido. O Benfica entrou com personalidade e mandou no jogo durante uma hora. ´ Podia e devia ter marcado e resolvido o destino da eliminatória. Mas é nossa sina sofrer, a nossa alma lusa já não vive sem sofrimento. Consentimos um golo infantil e passámos por 20 minutos de inferno. Inferno escusado que só acabou com o golo depois dos 90.
O amarelo de Enzo tira-nos das meias-finais um dos nossos melhores jogadores e um dos mais difíceis de substituir.
Magnífica prova europeia deste Benfica. Parece que todos os nossos adversários são fracos. Não poderá ser o Benfica que é forte? É uma treta fiada dizer que os adversários são todos iguais. É óbvio que o Chelsea, pela qualidade individual dos seus jogadores, é de longe quem menos hipóteses nos dá de chegar a Amesterdão. Londres é uma das minhas cidades preferidas, mas tenho muito tempo e motivos para visitá-la, prefiro que o sorteio nos dê destinos menos frequentes, vou a Londres todos os anos.
Basileia e Fenerbahçe não serão fáceis, mas deixam o sonho de uma nova final europeia bem mais perto. Venha o chocolate suíço ou a velha e imperial Constantinopla.
Eu preferia o Basileia, até pelo forte apoio de milhares de portugueses que não deixariam de estar presentes num jogo contra os suíços. Bem vistas as coisas só o Benfica representa o euro: Chelsea paga em libras, Fenerbahçe em liras turcas, Basileia paga em francos suíços. Que a troíka nos mande um árbitro do Banco Central Europeu.
Depois da vitória sobre o Olhanense e duma conquista europeia, teremos na segunda-feira que carimbar passaporte para o Jamor. Só respeitando o Paços de Ferreira poderemos fazer um jogo fácil.
Com a vitória de ontem subimos a 10.º do ranking da UEFA, com três equipas à nossa frente de difícil apuramento. Poderemos ser pote 1, cabeças de série, no próximo ano."

Sílvio Cervan, in A Bola

O pano e a nódoa

"Jesus decisivo ao resistir à tentação de colocar em campo mais defesas quando o jogo exigia mais avançados. Como se viu!

COMO foi enorme, ontem, o coração da equipa do Newcastle, motivada por uma fantástica tribo de adeptos, genuínos adeptos como só os ingleses sabem verdadeiramente ser, e como foi sofrida, desnecessariamente mas sofrida, a noite europeia das águias, que têm jogadores e equipa com suficiente qualidade para não ter de passar o que passou no jogo de St. James' Park.
Bastou os encarnados oferecerem aquele golo ao adversário para que o jogo se transformasse no que não tinha sido até aí. Domínio dos negros-e-brancos, impressionante coração de Cissé e companhia, e os homens de Jesus a viver momentos de autêntica dificuldade, ainda que, espremido o jogo, sem grandes oportunidades de novo golo para os da casa.
Confirmou-se: St. James' Park consegue levar a sua equipa ao colo e dá-lhe força suplementar, mas, no fim, confirmou-se também que o Benfica tem categoria e qualidade para discutir na Liga Europa a final e, quem sabe, o título, que em 2011 sorriu, com todo o mérito, ao FC Porto então de André Vilas Boas.
No belo pano encarnado, a nódoa foi, ontem, aquele golo oferecido pelo argentino Garay, sobretudo por Garay, que estava de frente para a bola e para o adversário e ficou à espera que fosse Matic, o pobre Matic, a resolver o que não lhe competia resolver. Como não resolveu Matic e tão descaradamente facilitou Garay, o Newcastle incendiou o jogo.
Como diz, sabiamente, o povo, no melhor pano cai a nódoa, e a verdade é que, com maior ou menor culpa, foram afinal dois extraordinários jogadores (dos melhores deste Benfica de Jesus) a abrir caminho para o perigoso golo da equipa inglesa, que levou o despique para uma diabólica e escaldante parte final, apenas travada, já ao cair do espectáculo, por mais um cirúrgico e oportunista golo do temível Salvio.
Tivesse Nico Gaitán a eficácia do compatriota e um bocadinho mais da raça do companheiro do flanco contrário e talvez o Benfica não tivesse sofrido um décimo do que sofreu na noite europeia de ontem para conseguir sair da nortenha e cinzenta cidade inglesa com o bilhete da meia-final no bolso.
Já se sabe que o pano do Benfica é bom e que esta época a equipa e o treinador têm mostrado maturidade superior à dos dois anos anteriores, o que lhe permite, quase a meio de Abril, ser líder da Liga, estar, já nas meias-finais da prova europeia e com pé e meio na final da Taça de Portugal.
Vê-se, até agora, um Benfica muito mais equilibrado e sobretudo muito mais consistente, regular, forte e eficaz, ofensivamente poderoso e defensivamente cauteloso e trabalhador, e vê-se um treinador que, mantendo toda a intensa paixão e influência no futebol da equipa, se mostra mais sereno, perspicaz e racional.
Bom exemplo o de ontem, quando se viu Jesus, na fase de maior aperto, resistir à decisão «mais normal» mas provavelmente imprudente, de trocar um avançado por um defesa (Ola John por Jardel, por exemplo), dando o peito às balas com a colocação em campo, muito mais oportuna, de dois avançados - Cardozo e Rodrigo - no lugar de outros dois - Lima e Ola John - mesmo depois de o Newcastle chegar ao golo sonhador.
Foi «de homem», como dirão os mais apaixonados adeptos benfiquistas. Foi decisivo, digo eu.
Mas se o pano encarnado é decididamente bom, cuidado com as nódoas, com as desconcentrações, com as distrações, com a euforia, com o excesso de entusiasmo. Ontem, naquela fase gritante de vinte minutos de sofrimento, um segundo golo do Newcastle teria certamente arrumado com os benfiquistas e logo voltaria, aposto, o fantasma das duas últimas épocas de ver a equipa da Luz... morrer na praia.
Quer isso dizer que a consciência dos riscos deve exigir ao Benfica um cada vez maior sentido de responsabilidade, um maior espírito de sacrifício, maior determinação e maior raça.
Por um período do jogo de ontem, o Benfica pareceu oscilar entre a entrega e a displicência. No futebol, como bem se sabe, a fronteira entre as duas é, por vezes, mais fina do que uma lâmina.

PS: Benfica e Jesus ainda não anunciaram se o futuro de ambos continuará a ser partilhado e a ter objetivos comuns. Verdadeiramente, nem se sabe em que ponto está o espírito de clube (leia-se presidente) e treinador. Mantenho apenas o que já aqui deixei expresso: aconteça o que acontecer, o Benfica devia renovar com Jesus. Se fosse eu, seria por dez anos!

A FRASE «É uma época brilhante... mas pode ser uma época de sonho!»
Jorge Jesus, treinador do Benfica

(...)"

João Bonzinho, in A Bola

O sonho de uns e a vida de outros

"Talvez não houvesse necessidade de sofrer tanto. Talvez tivesse dado para um passeio pelo nordeste de Inglaterra. Seja como for - e uma pitada de incerteza só apaladou o resultado final - o Benfica manteve-se na rota do sonho, os olhos postos na final de Amesterdão, uma cidade onde já foi muito feliz, ou não fosse cinco a três a conta que Deus fez...
Na Luz o próximo obstáculo é um Paços de Ferreira que pode franquear à equipa de Jesus as portas do Jamor; segue-se o eterno rival que lá por ter menos de metade dos pontos do Benfica (67 a 33) não vai ser pêra doce. Depois, a semana, de quinta a quinta, de todos perigos: primeira mão das meias-finais da Liga Europa, viagem à Madeira, segunda mão logo a seguir. É este o retracto do futuro próximo de um Benfica de cabeça fresca a quem não doem as pernas, ou não fosse o sucesso o melhor dos dopings.
Do outro lado da Segunda Circular o Sporting ainda não vive no Céu, mas o Inferno ficou mais longe. Do braço de ferro entre Bruno de Carvalho e a banca resultou um princípio de entendimento que permite pagar, já hoje, os salários em atraso, colocando os leões a salvo de rescisões unilaterais.
O resto, os termos da renegociação da dívida, em tempo útil se saberá. E ficar-se-à a conhecer se é possível a Bruno de Carvalho levar por diante aquilo que tanto quer: realizar uma auditoria de gestão. Aliás, há alguns pontos que permanecerão sob observação cuidada e que permitirão descortinar como se desenrolará a gestão de Bruno de Carvalho. Em primeiro lugar está a entrada, ou não, na SAD, de elementos da confiança das entidades bancárias credoras do Sporting; e, last but not least, qual será o enquadramento dos investidores trazidos por Bruno de Carvalho. A não perder..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Domínio, desperdício, sofrimento, alegria...


Newcastle 1 - 1 Benfica

O Jesus tem razão, até agora a época do Benfica tem sido brilhante, a última derrota, em Moscovo, já é uma memória distante. Nesta sequência de bons resultados, temos tido algumas goleadas tranquilizadoras, mas também temos tido alguns jogos de muito sofrimento - totalmente desnecessários... -, esta noite no norte de Inglaterra, voltámos a repetir a dose!!! E desta vez, devido à falta de capacidade do adversário, teve que ser o Matic e o Garay - a meias -, a oferecer emoção à eliminatória, oferecendo o golo aos Anglo-Franceses!!! É verdade que o Cissé até meteu a bola dentro da baliza mais duas vezes, mas o fiscal-de-linha - muito bem, ao contrário do árbitro principal com um critério disciplinar demasiado torto!!! - anulou-os por fora-de-jogo, mas tirando estes lances, até ao golo, o Newcastle tinha feito muito pouco para merecer um golo... A falta de eficácia, podia ter sido fatal, dominamos completamente o jogo na 1.ª parte, e controlamos totalmente o jogo na 2.ª parte até ao golo do Newcastle, falhámos demasiados golos, o Gaitán evidenciou-se nesse aspecto!!! Mas no final, com sofrimento é verdade, a equipa apesar dos azares, conseguiu aguentar, e quando os Ingleses pensavam que iam sufocar, nos últimos 20 minutos, acabou por ser o Glorioso a ter as melhores oportunidades nesse período. Com uma saída/choque do Artur com o Cissé pelo meio!!!

Não tem sido valorizado, nem pelos Benfiquistas, mas além dos méritos do Jesus, e dos próprios jogadores individualmente, este Benfica só tem conseguido obter tantos resultados positivos, devido a um grande espírito de união, entre todos. Infelizmente, nem sempre isso aconteceu no Benfica... Com tantas nacionalidades, com tantos 'titulares' no banco, é notável a ausência de problemas... Como eu sei que não há problemas?!!! Com a (des)comunicação social desportiva que temos, tenho a certeza que se houvesse algumas coisa, nós sabíamos!!!

Agora é recuperar, porque apesar da boa vantagem, o jogo com o Paços não será fácil, o Maxi, o Cardozo e o Rodrigo vão regressar quase de certeza - pessoalmente, ainda fazia descansar o Matic e um dos centrais -, prefiro ter jogadores frescos, do que jogadores cansados... É bom recordar que já fomos eliminados numa circunstância parecida pelos Corruptos - mais uma Xistralhada -, nas meias da Taça!!!

Amanhã no sorteio, só tenho um pedido: não quero ir à Turquia. A viagem é demasiado longa, nesta altura da época. E entre os dois jogos das Meias da Euroliga temos que ir ao Funchal. E como também não gosto de ter como adversário o David Luíz e o Ramires, não sobram muitas hipóteses!!!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Já começa a parecer mal

"Benfica não soube retirar-se a tempo da Liga Europa. Agora é tarde. Quartos-de-final e meias-finais europeias já estão nos hábitos da casa. Finais é que não. E começa a parecer mal.

HOJE é noite de Liga Europa, competição de que o Benfica não soube retirar-se a tempo. No princípio do ano o Bayer Leverkusen saído do sorteio até parecia o adversários ideal para uma despedida digna perante temível opositor, mas não aconteceu assim e o Benfica, para cúmulo, até ganhou os dois jogos com os alemães.
Seguiram-se franceses e aconteceu a mesma coisa. Pelo que o Benfica se vê agora, duas eliminatórias mais tarde, numa espécie de obrigação de seguir em frente na dita competição internacional e de seguir em frente, de preferência, até Amesterdão, onde se realizará este ano a final.
O Benfica não está numa final europeia desde 1990: derrota por 1-0 com o Milan, em Viena. E não ganha uma final europeia desde 1962: vitória sobre o Real Madrid por 5-3, em Amesterdão. Tratando-se em ambas as ocasiões da Liga dos Campeões o troféu em disputa.
Não é verdade, portanto, que as finais europeias do Benfica sejam todas do tempo da televisão a preto e branco já no tempo da televisão a cores o Benfica disputou e perdeu 3 finais europeias.
Perdeu tristemente a cores duas finais da Liga dos Campeões, uma a penalties com o PSV em 1988 e a já referida final com o Milan em 1990, pela diferença mínima. E perdera também uma final da Taça UEFA para o Anderlecht, em 1983, ou seja três anos depois do advento da televisão a cores em Portugal em 1980.
Será legítimo considerar que se muitos portugueses ainda viram essa final de 1983 nos seus velhos aparelhos a preto e branco, muitos outros, provavelmente a maioria, já seguiu os desafios com os belgas do Anderlecht a cores por que o país em retoma económica e até já começava a haver dinheiro para a renovação dos electrodomésticos.
No que diz respeito à última vitória europeia do Benfica é que não há dúvidas nenhumas.
Em Maio de 1962 a televisão era a preto e branco no território nacional coberto pela antena de Monsanto e ninguém no seu perfeito juízo pode dizer que viu o Benfica dar 5 ao Real Madrid a cores, com excepção feita aos que estiveram garbosamente em Amesterdão e assistiram ao vivo à grande proeza.
A questão é que este ano o Benfica está a fazer uma boa temporada europeia, tal como fez no ano passado, em que só caiu nos quartos-de-final frente ao Chelsea para a Liga dos Campeões. E tal como fez em 2011, em que caiu na meia-final da Liga Europa face ao Braga e tal como fez em 2010, em que caiu nos quartos-de-final da Liga Europa frente ao Liverpool.
Quartos-de-final e meias-finais, já estão nos hábitos da casa. Finais é que não. E começa a parecer mal.
No século XXI, já em tempo de plasmas, quer o Sporting quer o Sporting de Braga jogaram finais europeias ainda que as tivessem perdido, o que não retira mérito às respectivas caminhadas. O facto é que chegaram lá.
Se a Liga Europa, sucessora da Taça UEFA, tem somado vencedores como Sevilhas, Shaktar Donetsks, Valências, CSKAs, Zénites e se até na Liga dos Campeões já houve um finalista chamado Mónaco, por que razão não deve o Benfica, que tem melhor nome do que os anteriormente referidos, pensar seriamente este ano no troféu de que não se soube retirar a tempo?
Logo à noite, em Nercastle, conheceremos a resposta dada por Jorge Jesus e pela equipa do Benfica a esta questão internacional da mais premente actualidade.
Há quem defenda que o Benfica no ano passado perdeu o campeonato para o FC Porto porque sonhou demasiado alto com a Liga dos Campeões e não teve andamento para as duas frentes. O próprio Jorge Jesus mencionou essa circunstância como atenuante, à laia de explicação sobre o fiasco de uma época no que diz respeito às coisas importantes.
E até porque por ora ainda não se vislumbrou a apregoada quebra primaveril das equipas treinadas por Jorge Jesus, os benfiquistas na bancada vão sentindo e acreditando este ano que há andamento para as duas coisas.
E alguma vez terá de correr bem, não é?

COM relva até à canelas, o Benfica venceu em Olhão onde nunca tinha vencido desde que o Olhanense regressara à I Divisão. O jogo foi antecedido pelo episódio do estado do terreno, tendo-se equacionado fugazmente fazê-lo disputar no Estádio do Algarve, pelo episódio da nomeação do árbitro Hugo Miguel de quem os benfiquistas tinham péssimas recordações e pelo episódio da mala com dinheiro do amigo do presidente Isidoro Sousa que pagou os ordenados aos jogadores algarvios de pois destes terem assumido um pré-aviso de greve.
Congratulo-me por nenhum dirigente, treinador ou jogador do Benfica terem emitido o menor comentário que fosse a estas três situações destinadas a fazer correr tinta e a gerar emoções nervosas.
Da Luz, silêncio total. Em campo, que é o que interessa, o Benfica foi sempre muito superior ao adversário, ganhou por 2-0 num jogo em casos que foi resolvido da meia distância por Salvio e Matic, na segunda parte. Também vale só marcar golos na segunda parte.
Quando ao inferno de Olhão, não houve ou não se deu por ele. Na verdade, deu-se mais pelo estado da relva do que pelo árbitro ou de que pela mala com dinheiro do amigo do presidente. Assim é que é bonito.
Estão todos de parabéns.

SOUBE-SE esta semana pelos jornais que Liedson reclama a uma companhia seguradora uma indemnização por incapacidade de 23% (o preço do IVA, imagine-se...) do seu joelho. Não mencionou Liedson se é do joelho direito que se trata ou, pelo contrário, se é do joelho esquerdo em lhe brota uma capacidade reduzida a apenas 77%.
Na segunda-feira à noite continuou-se a não saber qual o sub-joelho reclamante porque Liedson não saiu do banco onde esteve sentado durante o jogo em que o FC Porto venceu o Sporting de Braga. Pelo que, obviamente, estando sempre sentado, não deu para ver para que lado tombava o Levezinho no seu andar.
Vítor Pereira não permitiu que se desfizesse o mistério e lançou Kelvin para o jogo quando já se desprezava nas bancadas do Dragão. Kelvin entrou, Kelvin resolveu. Foi uma substituição tão bem feita, tão bem pensada e melhor ainda arquitectada que não foram precisas mais de vinte e quatro horas para surgir do estrangeiro um clube interessado nos serviços de Vítor Pereira.
O Everton de Inglaterra fará tudo para levar Vítor Pereira no final desta época, aconteça o que acontecer, garante a imprensa.
Eh, pessoal, já temos cenoura!

O Boavista serve para tudo. Num passado recente terá servido como bode expiatório do Apito Dourado e hoje serve para legitimar à sua pala uma alargamento da I Divisão, triste facto celebrado como se aumentar a pobreza fizesse bem a alguém.

CAIU com honra o Galatasaray frente ao Real Madrid na Liga dos Campeões. O momento maior do espectáculo foi o golo de Didier Drogba, um calcanhar tão precioso quanto exacto que levou a bola a entrar na baliza sem possibilidade de apelo para Diego López.
Sentado no banco, inevitavelmente perto de José Mourinho, o que terá pensado Iker Casillas nesse instante superlativo de Drogba? «Comigo esta bola não entrava»...?
José Mourinho, em podendo, não dispensa uma boa historiazinha de suporte, paralela ao desenrolar da acção principal mas não menos credora de atenção por parte do público.
Permito-me fantasiar com os dados disponíveis e prever que Casillas só volte a ser titular do Real Madrid no jogo da desinteressante Liga espanhola que o Real terá de cumprir antes da final da Liga dos Campeões. Para, antes da grande final da Décima, precaver qualquer lesão de Diego López, naturalmente..."

Leonor Pinhão, in A Bola

Afinal havia outra

"No sábado vai haver uma curiosa final de futebol. A da Taça da Liga. Coisa de somenos, diziam alguns até há pouco. Mas este ano é que é. Como diz a canção, tudo porque 'afinal havia outra'... Adaptando livremente a letra da canção de Mónica Sintra teremos um quase hino para esta taça:
Não vi as marcas da taça que o seu dedo me mostrava;
Só vi o seu olhar de metal, sem segredos, como água;
O que me diziam não ouvi, pois pensava ser maldade;
Acreditei só quando vi, com os meus olhos;
A verdade;
Afinal havia outra;
E sem nada saber, sorria;
E por ela andava louca;
P'ra ser sua vencedora, um dia;
Afinal havia outra;
Uma taça, um cabaz, uma asa;
Que era no fim de contas;
A taça das horas vagas;
Não quis saber da sua idade, p'ra quem joga pouca importa;
Ainda é a sua pouca vontade que eu passasse à sua porta;
Nem os encontros mais furtivos me puseram mais atento;
Só quando a via a olhos vistos, percebi;
Não estava certo.
Esta outra que já foi andrajosa e pejorativamente secundarizada através de vários epítetos é... a Taça da Liga. Ressuscitou, depois de quatro vitórias consecutivas do Benfica e de uma decisão de alto gabarito do Conselho de Justiça (CJ) da FPF. De desprezível passou agora a respeitável. Já não se vai dizer, como antes, «desta já estamos livres».
Como escreveu Camões: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança. Tomando sempre novas qualidades.
As qualidades da tacinha, neste caso. Da nova versão «Taça CJ», dirão alguns malevolamente. Com Mónica Sintra como sua musa inspiradora."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Os amigos

"Num tempo de tantas dificuldades, nada melhor do que ter um bom amigo. Com a generosidade do momento preciso e os euros da quantidade certa. Sem sequer exigir recibo de quitação pela dádiva da sua amizade. Que, claro está, é cristalina e desinteressada.
Amigo sempre é amigo e não um qualquer bicho careta que nos aparece pela frente, ou um fulano que espreita a primeira oportunidade para nos lesar, ou um beltrano que não passa do amigo do inimigo.
Claro que há amigos e amigos. Os que subsistem para além da erosão do tempo. E os que chamaria de amigos técnicos que surgem e se esfumam nas circunstâncias certas, em função de interesses próprios (ou alheios) envoltos no nevoeiro da mais diáfana amizade.
Há amigos para todos os feitios e condições: os amigos do peito, os amigos da onça ou de Peniche, não esquecendo o sempre entusiasta amigo dos diabos e, claro está, evitando-se o contacto com um qualquer amigo do alheio, espécie que se desenvolve a um ritmo, por sinal, muito pouco amigo. Há ainda quem não sendo amigo, se faça de amigo com cantigas de amigo.
Aplicar a propriedade transitiva da lógica aos amigos já foi mais ajustada do que hoje. Agora, dizer que amigo do meu amigo meu amigo é só com prova real, ou no mínimo prova dos nove.
Há ainda os amigos secretos ou invisíveis que, segundo a tradição nórdica, são vistos por ocasião das festas do Natal. Espera-se o nascer do Sol para trocar prendas e compensa-se quem não tem dinheiro para as comprar. Amigos de olho ou... de olhão! Jorrando luz, evidentemente.
Mas como amigo não empata amigo, logo a seguir se dirá: amigos, amigos, negócios à parte."

Bagão Félix, in A Bola

Golpe de mestre

"Toda a gente está centrada na questão do título. O Benfica vai conseguir manter o avanço e ser campeão? Ou, pelo contrário, vai morrer na praia? Mas há uma questão muito mais importante do que esta para Benfica e FC Porto. Chama-se Jorge Jesus.
Pinto da Costa vai entrar no seu último mandato à frente do FC Porto. E pode vir a sair dele pela porta principal ou já pela porta baixa, isto é, na condição de perdedor. Tudo depende de como correrem os próximos 3 anos. Se Jorge Jesus se mantiver no Benfica, o Porto arrisca-se a perder a hegemonia no futebol português, relegando o velho presidente para uma posição secundária. Mas, se Pinto da Costa roubar Jesus ao Benfica, mata de uma cajadada dois coelhos: mantém a esperança de continuar a dominar e ganhar títulos - e tira ao Benfica o seu grande trunfo.
Se Jorge Jesus se mudar da Luz para o Dragão, o FC Porto poderá ganhar o que perdeu com Vítor Pereira: alegria de jogar, agressividade ofensiva, valorização dos jogadores, capacidade de produzir espectáculo. E o Benfica, inversamente, corre o sério risco de voltar à estaca zero.
Enquanto Benfica e Porto discutem nos relvados o título nacional, Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira dirimem nos bastidores uma cartada tão ou mais importante: o futuro treinador. E embora seja verdade que, nestas disputas, Pinto da Costa tem quase sempre levado a melhor, não é menos verdade que as suas últimas contratações foram uma lástima: Izmailov e Liedson. Contratando Jesus, Pinto da Costa tem oportunidade de se redimir - e garantir uma saída em beleza do trono portista. Seria um golpe de mestre."

Lixívia 25

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.........67 (-6 ) = 73
Corruptos......63 (+4 ) = 59
Braga...........43 ( +1 ) = 42
Sporting.........33 (+10 ) = 23


O Benfica não permitiu que Hugo Miguel tivesse a oportunidade de condicionar o resultado do jogo, mas desenganasse quem pensar que o 'homem' está curado!!! Só prova que o Benfica tem que ser muito melhor que os adversários para vencer jogos em Portugal, porque ser ligeiramente melhor, muitas vezes não chega...
Admito que não marcava a falta sobre o André Almeida, porque a queda do André acabou por ser 'estranha', mas já vi coisas mais estranhas serem marcadas assinaladas... O penalty sobre o Salvio é evidente, ao contrário do jogo, do Sporting em Braga, na semana passada, onde aconteceu um lance parecido, desta vez o Vasco Fernandes corta a bola com um pé, mas com a outra perna, num 2.º movimento derruba o Salvio... Os fiscais-de-linha estiveram muito mal, logo no início do jogo tiraram mal um fora-de-jogo inconsequente ao Olhanense, mas depois foi sempre contra o Benfica... O da 2.ª parte sobre o Salvio é um absurdo!!!

Os Lagartos, tiveram mais um empurrãozinho... no lance do 2.º golo, na recuperação de bola, existe uma falta clara sobre o jogador do Moreirense, que é atropelado, não existe rasteira, mas o atropelamento ainda não é permitido!!! O penalty assinalado a favor do Sporting também é evidente.

O Proença esteve muito calmo, demasiado calmo... se o empate tivesse chegado aos 90 minutos, não sei que teria acontecido nos descontos!!! Errou ao não marcar um penalty, por Mão do Hugo Viana aos 2 minutos, só não marcou porque era impossível de o ter visto, devido ao ângulo de visão, mas pouco depois, perdoou o Vermelho directo ao Moutinho após uma agressão do Moutinho (nem amarelo!!!). Este lance é praticamente igual (mais grave na minha opinião) ao Amarelo, que deveria ter sido Vermelho, que o Rodrigo levou a semana passada, no jogo contra o Rio Ave. Jogada que foi repetida milhares de vezes em todos os programas televisivos. O pontapé do Moutinho foi completamente sonegado, por todos... Esta é a grande diferença...!!!

Anexos:
Benfica
1ª-Braga(c) E(2-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
2ª-Setúbal(f) V(0-5), Jorge Sousa, Nada a assinalar
3ª-Nacional(c) V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4ª-Académica(f) E(2-2), Xistra, Prejudicados, (0-3), (-2 pontos)
5ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Marco Ferreira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
6ª-Beira-Mar(c) V(2-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
7ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
8ª-Guimarães(c) V(3-0), João Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
9ª-Rio Ave(f) V(0-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
10ª-Olhanense(c) V(2-0), Rui Silva, Nada a assinalar
11ª-Sporting(f) V(1-3), Marco Ferreira, Nada a assinalar
12ª-Marítimo(c) V(4-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
13ª-Estoril(f) V(1-3), Duarte Pacheco, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(2-2), João Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Moreirense(f) V(0-2), Capela, Nada a assinalar
16ª-Braga(f) V(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
17ª-Setúbal(c) V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
18ª-Nacional(f) E(2-2), Proença, Prejudicados, (2-4), (-2 pontos)
19ª-Académica(c) V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Capela, Nada a assinalar
21ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Manuel Mota, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
22ª-Gil Vicente(c) V(5-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
23ª-Guimarães(f) V(4-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
24ª-Rio Ave(c) V(6-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
25ª-Olhanense(f) V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1ª-Guimarães(f) E(0-0), Capela, Nada a assinalar
2ª-Rio Ave(c) D(0-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
-Marítimo(f) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Gil Vicente(c) V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, (2-2), (+2 pontos)
5ª-Estoril(c) E(2-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-3), (+1 ponto)
6ª-Corruptos(f) D(2-0), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Académica(c) E(0-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
8ª-Setúbal(f) D(2-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
9ª-Braga(c) V(1-0), Proença, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
10ª-Moreirense(f) E(2-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
11ª-Benfica(c) D(1-3), Marco Ferreira, Nada a assinalar
12ª-Nacional(f) E(1-1), Soares Dias, Nada a assinalar
13ª-Paços de Ferreira(c) D(0-1), Rui Silva, Nada a assinalar
14ª-Olhanense(f) V(0-2), Hugo Pacheco, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Beira-Mar(c) V(1-0), Cosme, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
17ª-Rio Ave(f), D(2-1), Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
18ª-Marítimo(c) D(0-1), Duarte Gomes, Nada a assinalar
19ª-Gil Vicente(f) V(2-3), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-4), Sem influência no resultado
20ª-Estoril(f) D(3-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
21ª-Corruptos(c) E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
22ª-Académica(f) E(1-1), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
23ª-Setubal(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
24ª-Braga(f) V(2-3), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
25ª-Moreirense(c) V(3-2), Soares Dias, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)

Corruptos
1ª-Gil Vicente(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiado, Prejudicados, (1-1), Sem influência no resultado
2ª-Guimarães(c) V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
3ª-Olhanense(f) V(2-3), João Ferreira, Nada a assinalar
-Beira-Mar(c) V(4-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
5ª-Rio Ave(f) E(2-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
6ª-Sporting(c) V(2-0), Jorge Sousa, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Estoril(f) V(1-2), Capela, Nada a assinalar
8ª-Marítimo(c) V(5-0), Cosme, Nada a assinalar
9ª-Académica(c) V(2-1), Hugo Pacheco, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
10ª-Braga(f), V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
11ª-Moreirense(c) V(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
12ª-Setúbal(f) V(-3), Proença, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
13ª-Nacional(c) V(1-0), Rui Costa, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
14ª-Benfica(f) E(2-2), João Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Paços de Ferreira(c) V(2-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
16ª-Gil Vicente(c) V(5-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Sem influência no resultado
17ª-Guimarães(f) V(0-4), Marco Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
18ª-Olhanense(c) E(1-1), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
19ª-Beira-Mar(f) V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
20ª-Rio Ave(c) V(2-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
21ª-Sporting(f) E(0-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
22ª-Estoril(c) V(2-0), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
23ª-Marítimo(f) E(1-1), João Capela, Beneficiados, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
24ª-Académica(f), V(0-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Impossível contabilizar
25ª-Braga(c), V(3-1), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Braga
1ª-Benfica(f) E(2-2), Soares Dias, Beneficiado, Prejudicados, (3-2), (+ 1 ponto)
2ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
3ª-Paços de Ferreira(f) D(2-0), Pedro Proença, Nada assinalar
4ª-Rio Ave(c), V(4-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
6ª-Olhanense(c), E(4-4), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7ª-Marítimo(f), V(0-2), Benquerença, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
9ª-Sporting(f) D(1-0), Proença, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
10ª-Corrutpos(c) D(0-2), Xistra, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
11ª-Académica(f) V(1-4), Soares Dias, Nada a assinalar
12ª-Estoril,(c) V(3-0), Nuno Almeida, Beneficiados, (3-1),Sem influência no resultado
13ª-Moreirense(c) V(1-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14ª-Nacional(f) D(3-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Benfica(c) D(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
17ª-Beira-Mar(f) E(3-3), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, (4-2), (+1 ponto)
18ª-Paços de Ferreira(c) D(2-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
19ª-Rio Ave(f) E(1-1), João Ferreira, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
20ª-Guimarães(c) V(3-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
21ª-Olhanense(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
22ª-Marítimo(c) V(2-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
23ª-Gil Vicente(f), V(1-3), Xistra, Nada a assinalar
24ª-Sporting(c), D(2-3), Jorge Sousa, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
25ª-Corruptos(f), D(3-2), Proença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado

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Rabo de fora? O gato nem se esconde...

"DECISÃO do CJ - Boavista readmito no principal campeonato, não por sentença de inocência, sim por o processo ter prescrito... - foi fabuloso pretexto para o presidente da Liga e quem o elegeu voltarem à carga: alargamento da I Liga. Puro mel este pretexto, escrevi dias antes de a maioria de clubes nem pestanejar no aplauso ao finca pé de Mário Figueiredo em ideia decisiva na sua eleição. Há um ano, idêntica vontade da Liga esbarrou no veto da Federação. E agora?
Repete-se esta certeza: risco de o futebol português recuar para aí duas décadas (!) em matéria de confusões no final de época, leia-se alargamento e liguilhas... - ou para resolver berbicachos criados por um caracol denominado Justiça, ou porque se juntam conglomerado de interesses em fortíssima maré de angústias e de novas esperanças. Simples: 6 clubes esbracejam contra despromoção e 4 correm pelo 2.º lugar de promoção e 4 correm pelo 2.º lugar de promoção; dá logo 10 pró alargamento... E se o Boavista não chegar ao milagre de ter requisitos financeiros para se inscrever na I Liga (só nas dívidas ao fisco, fala-se em 20 milhões)? Isso é problema dele... - e felicidade de outro. Que jeitão! Com ou sem Boavista, 18 lá em cima. Não há rabo de fora...; porque o gato nem se esconde...
Salários em atraso? Fracos estádios? Bancadas quase vazias? Meros pormenores...

QUE noite de Champions! A 2.ª parte do Galatasaray, enorme susto do Real Madrid; e meninos queridos de Mourinho (Drogba, Sneijder, Ronaldo) esgrimindo classe nos seus golos. Em Dortmund, drama do surpreendente Málaga na loucura de 1-2 virar 3-2 para lá do minuto 90. Agora, com os dois melhores de Espanha e os melhores dois da Alemanha, fantásticas meias-finais!"

Santos Neves, in A Bola

Jesus, um e outro

"Meu caro Jorge Jesus:
Você pode ter mudado com o Benfica, mas o Benfica mudou muito mais consigo. A cada semana que passa a equipa é melhor, mais consistente, mais acutilante - e você deixou de ser o lunático em ebulição a olhar para ela obcecado pelo seu umbigo (Houve tempos em que o fez - e se perdeu). Por isso sempre tive este feeling: que só se a terra passasse a rodar ao contrário é que você deixaria de ser campeão (e até acreditei que ganhasse a Liga Europa também...) - e não por capricho do destino mas por mérito seu mais do que qualquer outro. Sabe porquê? Porque, este ano, raro foi o dia em que você não foi o que o Galeano diz que um treinador deve ser: ter a genialidade de Einstein, a subtileza de Freud, a perseverança de Gandhi e a capacidade milagreira de Jesus. (É verdade: ele, o Galeano, ao falar da capacidade milagreira não falou de nenhum Jesus, falou da Virgem de Lourdes, mas, para o caso, fica melhor o Jesus.)
Mas queria dizer-lhe mais: com essa nova faixa de campeão ao peito, você não é só o maior treinador do Benfica no século XXI, é um dos maiores da sua história. Sim, há quem tenha ganho muito mais, mas não houve ninguém que ganhasse o que você ganhou (e pode ganhar...) apanhando um Benfica, trôpego, a cair no inferno - e um FC Porto a olhá-lo, garboso, refastelado no paraíso.
Ah! Lembrei-me de outra coisa, de ideia de poeta que nunca morre, o Drummond. Ele dizia que no futebol (e na vida) o mérito da derrota consiste em isentar o derrotado de qualquer responsabilidade na vitória - e o que você fez foi dar a Vítor Pereira esse mérito de o isentar de qualquer responsabilidade na derrota. (Sim, não tenho dúvidas: este Vítor Pereira não foi pior que Vítor Pereira campeão, bem pelo contrário, viu-se, ontem, de novo, contra o SC Braga, você é que foi melhor do que se imaginara...)
PS: Como se percebe, esta crónica tem um truque literário: tratado que ainda não sucedeu. Mas se não suceder eu continuarei a achar de Jorge Jesus (e de Vítor Pereira) tudo isso na mesma..."

António Simões, in A Bola

Jesus, o mestre da gestão

"É elementar o elogio público ao Benfica de Jesus, que, nos momentos fundamentais da nossa Liga, tem sabido estar à altura dos acontecimentos: a sua equipa é organizada e disciplinada, com bom sentido estratégico e posicional, com talento colectivo e com jogadores que, nos últimos metros, são capazes de decidir as vitórias. Mérito do seu treinador e dos seus jogadores e ainda dos seus dirigentes que, numa época em que é proibido falhar o que quer que seja, têm dado uma boa resposta. É um facto que o Benfica pode ganhar as três competições em que ainda está envolvido – para já foi afastado da Taça da Liga e da Liga dos Campeões –, o que será óptimo  mas não deixa de ser também verdade que ainda nada ganhou e nada pode ganhar, o que será difícil.
Compreende-se, pois, a atitude prudente de Jesus, hoje em dia e cada vez mais o porta-voz do clube – papel que desempenha com evidentes dificuldades –, que nesta fase da época tem colocado as suas preocupações só no jogo seguinte, o que não deixa de ser uma boa solução, embora por vezes não saiba cuidar da sua narrativa e se deixe levar pelas emoções que, afinal, são tão próprias de uma personalidade, como é o caso da sua, que precisa de estar constantemente no centro do mundo. Mas desta vez com razão, reconheça-se, porque Jesus voltou a ser o que foi no seu primeiro ano no Benfica: um treinador que sabe muito de futebol e que treina como há poucos.
O Benfica corre assim imparável para o título e o que mais tem surpreendido nos seus últimos jogos é a atitude manifestada pela equipa que com a máxima disponibilidade e coragem, com uma gestão inteligente – Jesus aprendeu depressa e muito bem com os erros da última época – força o ritmo e renova a intensidade até chegar à vitória final, como se verificou, por exemplo, na última jornada em Olhão. Essa situação só vem confirmar, no fundo, esta ideia: todos querem garantir o campeonato o mais depressa possível, e todos fazem “das tripas coração” para chegarem ao Dragão com vantagem suficiente para não precisarem desse jogo para nada.
Com tudo a rolar sobre esferas, o que só prova que Jesus há um mês não tinha razão quando não privilegiou a Liga Europa – erro grave embora de pronto corrigido –, verifica-se agora que este Benfica dispõe de todas as condições, mesmo todas, para igualar a época de André Villas-Boas no FC Porto – ganhou tudo o que havia para ganhar e só falhou a Taça da Liga enquanto Benfica só não pode ganhar a Taça da Liga e a Supertaça nacional. Este facto conduz-nos a uma pergunta: o que é que mudou em apenas dois anos para esta cambalhota?!"

Estranha pequenez

"O Braga vai perigosamente escorregando para uma pequenez de que já tinha conseguido sair em tempos bem mais memoráveis e foi essa triste realidade que manifestou no Dragão, onde o FC Porto ganhou, porque só podia, mesmo, ganhar. Os portistas dominaram em tanto espaço e por tanto tempo que, mesmo admitindo uma exibição que chegou a ser preocupante, nunca pareceu distante de uma vitória que sempre mereceu, garantindo, assim, a expectativa de um campeonato que poderá ser jogado até à última gota.
Não admira que Benfica e FC Porto continuem invictos na ponta final do campeonato. Até mesmo adversários como o Braga, que já nos tinha habituado à personalidade e ao carácter de uma equipa competitivamente adulta e competente, se tornaram demasiado frágeis e vulneráveis. É pena. Depois de ter prometido aproximar-se dos grandes, chegando até a uma final europeia, onde lutou de igual para igual pelo jogo e pelo resultado com o FC Porto, o Braga aparece agora tolhido de ambição, de capacidade, de convicção, com uma equipazinha medrosa e insegura com um futebol encolhido e inútil.
Provavelmente, em qualquer circunstância, o FC Porto teria sido sempre mais forte e teria ganho o jogo, mas, ao menos, tivesse sido o Braga uma equipa menos inócua e não se teria perdido o espectáculo. Pode entender-se o que se viu, ontem, numa pequena equipa a lutar estoicamente com o FC Porto para não descer de divisão, mas é inaceitável ver aquela recusa tão óbvia de jogar o jogo pelo jogo numa equipa, como o Braga, com aspirações a uma qualificação de acesso à Champions."

Vítor Serpa, in A Bola

Toca a apertar o cinto

"1. Pela primeira vez na história do futebol italiano e, segundo creio, europeu, a Liga da Série B aprovou duas medidas revolucinonárias: a introdução de um tecto salarial máximo de 300 mil euros para os novos contractos a partir da época 2013/2014 e a redução dos plantéis. Ou seja, os clubes só poderão pagar, no máximo, a cada jogador 300 mil euros ilíquidos (divididos igualmente entre a parte fixa e variável). Se alguém prevaricar será objecto de sanções pecuniárias. Convém dizer que este salary cap (tão comum nos EUA) foi votado por unanimidade. Os dados disponíveis permitem concluir que, em média, os clubes economizarão cerca de 25 por cento. Outra decisão igualmente importante diz respeito à composição dos plantéis a partir da próxima temporada: máximo de 22 jogadores (18 com mais de 23 anos, 2 sub-23 e 2 com quatro anos de formação no clube) que descerão para 20 em 2014/2015 (18+0+2). Em carteira ficou ainda uma nova alteração para ser implementada a breve prazo: as actuais 22 equipas serão reduzidas para 20 e de seguida para 18.

2. Mas há mais, desta vez a nova Direcção do Comité Olímpico, presidida por Giovanni Malagó, deliberou acabar com os favores e os privilégios reservados aos deputados, senadores, ex-secretários de Estado e ex-ministros além de autoridades locais e regionais que todos os fins-de-semana enchiam à borla as tribunais de honra dos estádios de todo o país. A partir de 31 de Maio cessam os cartões gratuitos para a casta política.

3. Ao contrário de Vítor Gaspar que fustiga os detentores de salários ricos para debelar a crise, e quem diz salários ricos diz jogadores de futebol, François Hollande castiga com 75 por cento de IRC as empresas e clubes que pagam mais de 1 milhão de euros a qualquer colaborador. Em França o futebol está em pé de guerra. O presidente do PSG, Al Khelaifi, limita-se a dizer: «Respeitaremos as leis». Para evitar problemas, os jogadores são todos pagos pelo líquido. Conclusão: Ibrahimovic vai custar 70 milhões/ano, dos quais 56 para o Estado, e Thiago Silva e Lavezzi à volta de 45."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

O voo da águia entre Einstein e Darwin

"No futebol como na vida tudo é relativo, e a Lei do mais forte impera.
Diz-se que na prática, a consequência mais importante da Teoria da Relatividade, formulada por Einstein, trouxe uma proporcionalidade directa entre massa e energia, isto é, quando uma cresce a outra também cresce, e quando uma diminui a outra diminui proporcionalmente.
E no futebol a proporção de massa e energia pode ser considerada equivalente. Pois, se um clube tem muita “massa” constrói uma grande equipa sempre com energia presente para vencer. Já um clube com pouca “massa”, ou nenhuma, precisa de encontrar uma fonte energética alternativa para não definhar, ou um amigo incógnito para ajudar.
Tudo é relativo, e no caso da deslocação do Benfica a Olhão, onde os encarnados não venciam há três épocas, os desaires no Algarve não significavam propriamente a derrota. E como se veio a provar, este jogo acabaria por ser o mais fácil do Benfica na condição de visitante, mesmo alinhando com alguns jogadores que não estavam a cem por cento. E apesar disso, o Benfica passou, no estádio José Arcanjo, uma noite de turismo e de convívio com os seus adeptos algarvios.
Enzo, Matic e Sálvio são “ricos” jogadores que não poupam na energia, e parecem mesmo ter um reservatório infinito para esta recta final, mesmo num campo difícil. Refiro-me ao piso do terreno porque o adversário nunca incomodou. Os jogadores atrás referidos jogaram bem e todos teriam marcado golos se Enzo não desperdiçasse uma excelente oportunidade.
Em termos atacantes só o Benfica jogou. O Olhanense só defendeu, mas nem sempre bem. Na primeira parte, as águias, como predadoras que são, comeram a bola, saborearam o jogo a seu belo prazer, mas na hora de colocarem a reserva alimentar nas balizas desviaram o bico e desperdiçaram seis ocasiões para “encaixar” a bola no armazém do golo.
Claro que o Olhanense, qual Gaivota-de-bico-fino defendia-se como podia das contínuas investidas da Águia – Real, a qual deseja manter o seu ninho bem lá no alto da classificação. Os algarvios recuavam em bando na esperança de aproveitarem algum peixe que se escapasse pelo buraco das redes.
Na segunda parte, Sálvio numa das suas deambulações para o corredor central, recebeu a bola e ao avançar assustou três defesas e depenicou o primeiro golo. Também Matic, outro elemento que não estava a cem por cento, rematou e a bola em voo rasante acabou por entrou na baliza de Bracali. Bem, se este duo de marcadores não está em pleno fisicamente e realiza duas excelentes exibições, pergunta-se como estarão quando estiverem totalmente em condições.
O voo da Águia parece estar imparável e na sua altiva rota tem três possíveis e agradáveis destinos. Neste momento, o Benfica sobrevoa serenamente o campeonato nacional. Esta semana, as águias vão emigrar provisoriamente para Newcastle, onde procuram ganhar mais “ar quente” para continuar a voar na Europa. E é ponto assente que depois daquele passeio na Mata-Real terminará a época no Estádio Nacional!"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Em Cádis, com rabos e orelhas!

"Em 1963, sob o comando de Lajos Czeizler, o Benfica vence pela primeira vez o Troféu Ramon Carranza, o «Trofeo de los trofeos»... Barcelona e Fiorentina caem aos pés de uma equipa ávida de golos (Dez em dois jogos!!!).

AINDA há pouco tempo falámos aqui de Lajos Czeizler, treinador breve (apenas uma época) de um. Benfica que marcava golos aos pontapés. Pois hoje falamos desse Benfica de Lajos Czeizler e de mais golos aos pontapés.
Foi um dos primeiros desafios do treinador húngaro: a disputa do Troféu Ramon Carranza, em Agosto de 1963.
Ramon Carranza: os espanhóis chamam-lhe «Trofeo de los trofeos». Disputa-se em Cádis, no Verão, como os mais famosos torneios espanhóis de pré-época, os «veraniegos». Disputa-se desde 1955. Falaremos aqui dele em pormenor uma destas semanas.
Em 1963, o Benfica participou no Troféu Ramon Carranza pela primeira vez. Antes dele, tinham participado o Atlético (1955) e o Belenenses (1957). O Benfica voltaria a Cádis em 1964, 1965, 1971 e 1972. Em cinco presenças conquistou duas taças volumosas. Depois pouca a pouco, o Ramon Carranza viria a perder importância.
Mas em 1963, o Ramon Carranza estava no auge da sua importância. Além do Benfica, estavam em Cádis o Barcelona, o Valência e a Fiorentina.
Como geralmente acontecia, os espanhóis preparavam uma final o mais caseira possível  E assim, nas meias-finais, Valência e Fiorentina foram encaixados de um lado enquanto Barcelona e Benfica se encaixaram no outro. A ideia podia ser boa mas saiu frustrada. Empatados (1-1) ao fim de 90 minutos, Valência e Fiorentina seguiram para um prolongamento que firmou a vitória dos italianos (3-2).
Por seu lado, portugueses e catalães reeditaram a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Berna. Até no resultado (3-2). Aos 26 minutos, o Benfica chegava à vantagem, por Serafim. Já na segunda parte (49'), Ré, que substituíra Vicente, fez o empate. Não se esperou mais de um minuto para que Yaúca desse nova vantagem ao Benfica.  Zaldúa, aos 66 minutos, volta a empatar para Serafim (81') decidir do jogo e atirar o Benfica para a final.
Para que se comparem os «teams», eis o registo:
BENFICA - Rita; Cavém, Raul e Cruz; Coluna e Humberto; Yaúca, Eusébio, Santana, Serafim e Simões.
BARCELONA - Pesudo; Foncho, Olivella e Eladio; Segarra e Garay; Zaballa, Pereda, Zaldúa, Kocsis (depois Goywaerts) e Vicente (depois Ré).
Mas o melhor estava para vir.

O súbito destroçar da Fiorentina
DEPOIS de o Barcelona ter despachado (4-1) o Valência no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, a grande final foi ainda mais vibrante do que prometia.
O Benfica entrou em campo com: Rita; Cavém, Raul e Cruz; Coluna e Humberto; José Augusto, Eusébio, Santana, Serafim e Yaúca.
E a Fiorentina: Albertosi; Rubosi, Conciantoni e Castelletti; Guarnesi e Marchesi; Hamrin, Lojacono, Seminário, Maschi e Partu.
Juan Seminário, «El Loco», um fantástico avançado peruano, já havia jogado em Portugal, no Sporting, e não tardaria a ser transferido para o Barcelona.
Esperava-se um jogo de qualidade entre duas equipas com pergaminhos, mas ele até começou lento, sem grande entusiasmo. Depois explodiu.
Hamrin pôs os italianos em vantagem aos 31 minutos. Sobre o intervalo, Santana lesionou-se e deu lugar a José Torres. E o gigante não tardaria a tomar conta dos acontecimentos. Mal saído das cabinas, aos 46 minutos, fez o golo do empate. Agora o desafio era combativo, excitante. Serafim faz 2-1 (72'), mas Locajano empata três minutos depois. Depois é de novo Hamrin a fazer o 3-2, logo no minuto seguinte. Não há aflição do lado benfiquista: Torres está lá a faz o 3-3.
Segue-se para o prolongamento. A Fiorentina não resiste à cavalgada dos 'encarnados'. O lilás pálido de Florença fica destroçado com os golos de Torres(2), Eusébio e Yaúca. A superioridade portuguesa é de tal ordem que o resultado poderia ter sido mais pesado. Sete-a-três! O Benfica sai de Cádis em ombros, como diriam os aficionados da festa brava, com rabos e orelhas. É a sua primeira vitória no Troféu Ramon Carranza. Voltaria mais vezes. É esse o destino dos vencedores.
E repetiria a vitória. Em 1971. Mas é outra vitória..."

Afonso de Melo, in O Benfica