Últimas indefectivações

sábado, 26 de maio de 2012

O Azeiteiro e Dona Constança

"O Azeiteiro-da-cabeça-d'unto e Dona Constança são almas gémeas. Nem um nem outro falham festa ou festança. O Azeiteiro vai às festas mesmo sem ser convidado; e se não há motivo para festejos, ele arranja. Desde que seja para ver feliz o Palhaço. Ultimamente, ainda mais que Dona Constança, tem-se visto como parlapatão de muita festança. Talvez, na sua íntima estupidez, se convença de que é convidado pelos seus méritos histriónicos. Não é: é apenas obediente, subjugado. Um bobo de cócoras. Há dias untou de azul a sua cabeça oleosa e, respeitoso, dócil, sujeitou-se à mais tinhosa das vergonhas. Lá do alto, o Madaleno ordenava-lhe que beijasse as mãos e lambesse pescoços. E ele, sem asco, encheu de saliva todas as mãos e pescoços que lhe passaram pela frente.
O Madaleno fazia esgares de satisfação e incontinências; o Azeiteiro-de-cabeça-d'unto fazia vénias. Já não via farejar pescoços daquela forma desde a primeira edição de um filme que tinha o Marlon Brando como protagonista. E os farejadores tinham todos finais infelizes. Um ou dois imbecis, acompanhados por dois ou três intelectualmente desonestos, lavraram a teoria segundo a qual o Azeiteiro foi à Festa da Cerveja por dotes inquestionáveis e que isso é uma machadada fatal no discurso de quem lhos não reconhece. É esse o motivo porque não passam de imbecis e de intelectualmente desonestos. Não percebem a simples teoria das festas e das festanças: requerem um bufão, farsante e chocarreiro, ao qual se possa largar um grito como quem lança um matilha de cães para o ver esconder-se, por entre gargalhadas, debaixo da mesa dos bolos. O Azeiteiro-da-cabeça-d'unto presta-se a isso e a muito mais. Vocês vão ver..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Saudades de Abel

"A final entre o Sporting e a Académica acabou em festa. Festa em Coimbra, claro está. Como muitos sportinguistas, senti-me frustrado. Haveria, na minha expectativa, alguma soberba. Talvez a mesma que levou o Sporting à derrota. Ainda assim, ninguém roubou aquele dia à Académica. Porque tem sido essa, com raríssimas exceções que critiquei, a cultura do Sporting.
Na mesma semana, o FC Porto perdeu o título de basquetebol. E bastou essa derrota e umas palavras menos agradáveis do treinador benfiquista para que o pavilhão Dragão Caixa se transformasse em cenário de guerra campal. Perante isto, o que fez Pinto da Costa? Pôs-se, como faz sempre, do lado da violência. Indignado por a polícia ter impedindo que os jogadores do Benfica fossem atacados pela multidão em fúria, dirigiu às forças da ordem a sua ira de mau perdedor. Compreendo que tenha saudades do guarda Abel e da conivência das forças de segurança com a sua falta de escrúpulos. Compreendo que ameaças sobre jornalistas seja a ideia que tem do que deve ser a segurança pública. Entendo, por isso, a sua estupefação por a polícia ter defendido os jogadores em risco.
Já aqui deixei várias vezes nota de qual é o meu problema com o FCP. Não é com o clube, o melhor, há alguns anos, no futebol nacional. Não é com a cidade, de que gosto muito. Não é seguramente qualquer simpatia pelo Benfica (que também já fez gracinhas destas). É o facto de este senhor, ao mesmo tempo que, com toda a legitimidade, levava o Porto para o topo do futebol nacional, ter transformado o ambiente no desporto profissional numa coisa irrespirável. O papel de Pinto da Costa no episódio de quarta-feira, que obrigou os novos campeões a receberem a taça no balneário, é apenas mais um triste exemplo da falta de classe deste dirigente."


PS: O Daniel Oliveira escreveu, no geral, mais uma boa e equilibrada crónica, mas entre parênteses lá deu a sua bicadinha ao Benfica... sendo que eu não me recordo (e tenho boa memória) de ver um Presidente do Benfica a responder a actos de violência daquela forma...!!!

Silêncio

"O silêncio está por todo o lado no futebol português. No fim-de-semana, vimos, no final da Final da Taça, um árbitro a ser cuspido e a levar com uma garrafada, enquanto a polícia tentava, a custo, protegê-lo de uma valente carga de pancada por parte de centenas de adeptos enfurecidos com a derrota do seu clube. Vimo-lo todos pela televisão. Viram-no os mais altos dirigentes do futebol português. Sobre isso caiu o silêncio. Um silêncio opaco que nos mostra como não são transparentes os interesses do futebol português.
Adeptos desse mesmo clube incendiaram uma bancada do nosso Estádio. Não foi há cinco décadas, foi há pouco mais de cinco meses. Não passou à História porque a ausência de palavras, a presença do silêncio, caiu pesadamente sobre a ignomínia dos factos. Não passará a ser História porque o silêncio impede que a palavra avive a memória e se constitua como inscrição. Quebrar esse silêncio é, nos dias que correm, agitar a modorra em que medram os pirómanos que chantageiam a voz alheia, para que a revolta se conforme ao silêncio conivente.
Foi às custas desse silêncio sujo que gente como o ex-presidente da Juventus Luciano Moggi constituiu a imagem de ter uma ‘estrutura’ perfeita e louvável. Até ao dia em que o silêncio se quebrou e o grito de revolta mostrou ao mundo os tentáculos da ‘estrutura’ perfeita. Moggi tem os seus descendentes, os seus imitadores, os seus seguidores e os seus herdeiros. Conhecemos-lhes os rostos, as falas, as ameaças e as ironias. Sabemos que quem cala consente. Sabemos que o Benfica não se pode calar e que, sempre que se calou (e isso aconteceu recentemente), consentiu. Sabemos que não pode haver silêncio quando se impõe a justa indignação."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Ganhar os próximos dois jogos...


Leões de Porto Salvo 3 - 2 Benfica

Só vi os últimos 17 segundos(!!!)... quando o jogador do Porto Salvo foi expulso (estranho que o adversário não tenha atingido o limite de faltas, dado a maneira 'agressiva' como festejaram a vitória...!!!). Só quem nunca viu jogar esta equipa do Porto Salvo podia pensar que esta eliminatória seria fácil... agora só temos que vencer os dois próximos jogos em casa, simples...!!!

PS: Amanhã poderemos ter mais uma celebração do Basket, desta na Luz!!! Os sub-20 estão a 1 vitória do título Nacional... no último confronto com o Barreirense vencemos com uma 'tremenda cabazada', mas amanhã só contam os pontos marcados durante o jogo...!!!

Final da Taça

"1. Esta final da Taça de Portugal, com a Académica presente, fez-me recordar a única vez em que assisti a um jogo do Benfica com o coração dividido. Foi na célebre final de 1969, que constituiu uma grande manifestação dos estudantes contra o Estado Novo. Acabou por tudo correr bem: ganhou o Benfica, foi um grande jogo no campo, uma grande manifestação nas bancadas e os jogadores das duas equipas acabaram abraçados e a trocar camisolas. O Benfica era o adversário ideal da Académica para esse jogo, pois (ao contrário do que agora querem fazer crer os seus inimigos) sempre foi o Clube português mais anti-regime. Um simples exemplo: o FC Porto inaugurou o Estádio das Antas a 28 de Maio (data de implantação do Estado Novo), enquanto o Benfica, que abriu o antigo Estádio da Luz a 1 de Dezembro (data 'neutra'), havia inaugurado o seu anterior Estádio (Campo Grande) a 5 de Outubro, data bem pouco simpática para o Estado Novo...

2. O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, Vítor Pereira, admitiu a presença de árbitros estrangeiros no Campeonato português. Por princípio, estaria contra. Nas actuais circunstâncias, concordo. Vítor Pereira afirma que «esta não é a geração dos 'quinhentinhos'». Gostaria de acreditar que tem razão. Mas quem (o chefe e os seus 'compinchas') esteve na origem da existência dos 'quinhentinhos', quem recebeu árbitros em casa, quem falou com eles ao telemóvel, ficou impune, continua em actividade. E o seu clube continua a ser beneficiado, enquanto os outros são prejudicados. Como podem os adeptos acreditar que tudo está diferente?

3. 'Record' de sábado passado nas páginas centrais. A propósito da passagem dos 20 anos sobre o primeiro título europeu do Barcelona, recorda-se a final de 1961, que o Benfica ganhou, por 3-2. E o texto termina com a afirmação de que 'os catalães atiraram seis bolas aos postes'. Acontece que foram três, em duas jogadas (numa delas a bola foi de um poste ao outro). É só uma 'ligeira' diferença, mas convinha que a verdade fosse respeitada..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Prestígio

" (...)
Fui ao site do Corriere dello Sport ler a entrevista de Roberto Mancini no original. A língua de Mancini é também a de Dante e Petrarca, Vivaldi e Verdi, uma língua cantabile, que tem música. Mas em relação a Roberto Mancini do que mais gostei foi da letra: «Sì, mi piacerebbe conquistare la Liga ma anche lo scudetto portoghese com il Benfica». Dias depois de alcançar o extraordinário feito de levar o Manchester City ao cimo do Futebol inglês, Mancini ainda tem sonhos. E um deles é ser Campeão, em Portugal, pelo Benfica.
Muito provavelmente nunca veremos Roberto Mancini saltar do banco para festejar um título do Benfica. Mas este episódio da declaração de Roberto Mancini coloca o Benfica onde ele merece estar: num patamar de prestígio sem comparação, entre instituições desportivas portuguesas, e a um nível de crédito sem parecença com os que pensam que estão a disputar o jogo da glória com títulos comprados.
Mas uma coisa é certa: o prestígio de uma instituição como o Glorioso Benfica tem de manter-se com títulos no presente para cimentar as glórias do passado."

João Paulo Guerra, in O Benfica

sexta-feira, 25 de maio de 2012

...nas entrelinhas !!!

Mais importante do que o Luís Filipe Vieira disse no seu último discurso, e mais importante do que os Corruptos escreveram na sua resposta, aquilo que eu destaco, é aquilo que os Corruptos não disseram!!!
O Presidente do Benfica atacou o Presidente Corrupto, mas atacou-o referindo-se em exclusivo às actividades criminosas e altamente reprováveis, do Peidoso, no âmbito desportivo. Só no campo desportivo, mais concretamente em todas as actividades que envolveram a viciação de resultados, e que são públicas... ( e não foi por falta de material que o Vieira não se referiu à vida privada do Padrinho Bufa!!!)
Na resposta os Corruptos,  não negaram nada (mais uma vez), e simularam um ataque ao Benfica, mas todas as piadolas dirigiram-se ou à vida privada empresarial do Presidente do Benfica, ou às lutas eleitorais dentro do Benfica (copiando inclusive slogan's!!!), os Corruptos, em nenhum dos pontos puseram em causa a credibilidade das vitórias do Benfica...!!! (e eles no passado até já inventaram um tal apito vermelho falsificando inclusive carimbos da PJ!!!)
A diferença de conteúdo nas duas intervenções é abismal... Aquilo que foi dito teve a sua importância, mas aquilo que não foi dito... é muito mais significativo.

Campeões olé! Campeões ali!

"Em primeiro lugar, e para registo de interesses, eu sou contra a escolha de Carlos Lisboa para treinador de basquetebol do Benfica. Carlos Lisboa está na categoria de ídolo nas hostes benfiquistas, não pode estar sujeito ao escrutínio dos mundanos.
Carlos Lisboa é, com José Maria Nicolau, o maior ídolo do universo benfiquista extra futebol, e por isso devia ser poupado às críticas do quotidiano.
Os seus triplos e exibições contra o Macabi de Telavive ou o Real Madrid, a vitória fora contra o Juventude de Badalona fazem parte do museu de memórias da minha geração. Títulos e taças em catadupa, fazem parte do imaginário colectivo vermelho e branco: dez em 11 anos (1984-1995).
Por essa razão, porque os deuses se querem no Olimpo, eu poupava os nossos à convivência mundana de adeptos como eu.
Mas atento a que a sua opção, foi viver connosco neste mundo, então que seja assim. Assim como, perguntam os leitores? Em provocação dirão os adversários, com razão. Podendo ser campeão em casa, no seu pavilhão, no recato dos seus, porque optou Carlos Lisboa por ir ganhar, sem espinhas, ao terreno do adversário?
O pavilhão que bateu recorde de assistência para ver... Carlos Lisboa ser campeão. 2237 espectadores, todos unidos numa vontade, foram provocatoriamente desrespeitados por um cinco de basquete vermelho e branco, e um Carlos Lisboa.
Se tal fosse por si só de pouca monta, já vinha o staff com as t-shirts preparadas para festejar o 23.º título. Como sabiam que iam ser campeões? Coisa de deuses, dirão os mais conhecedores.
O título de basquetebol de quarta-feira foi mais que um campeonato, para uns e outros, foi o sabor de uma época e o estado de espírito dos próximos tempos.
Parece, que de premeio é suposto dizermos Olá John, mas a mim só me apetece dizer: Obrigado Carlos!"

Sílvio Cervan, in a Bola

PS: Hoje, no jornal A Bola, na reportagem sobre as cerimonias oficiais no Estádio da Luz, relativas ao título Nacional de Basket... a jornalista Edite Dias, resolveu (mais uma vez, diga-se...) dar uma bicada aos Benfiquistas, escrevendo qualquer coisa como: "... efusivos festejos, para celebrar a única alegria do ano...'!!! Como Benfiquista tenho que informar a Dona Edite, que este título não foi o primeiro título do Benfica esta época... mas mesmo que fosse.
Não é a primeira vez que reparo nos escritos desta jornaleira, muito provavelmente Lagarta, tal a azia normalmente destilada contra o Benfica, nas suas crónicas sobre as modalidades do Benfica...

Absurdo


Benfica 5 - 11 Valdagno

O desporto às vezes é cruel, e quando se joga contra equipas Italianas isso acaba até por ser uma 'quase' fatalidade!!!
Jogo completamente absurdo, o Benfica até entrou bem, com confiança (se calhar demasiada), várias bolas nos postes, e uma exibição assombrosa do guardião contrário não permitiu que o Benfica marcasse. Em sentido contrário, no início de jogo, os Italianos em cada 2 remates, marcavam um golo!!! Com um estilo de jogo irritante, onde praticamente esgotavam os 45 segundos em todos os ataques, quase sem querer, iam marcando... por duas vezes em 'recargas' de penalty's!!! O Benfica começava a perder a cabeça, a perder organização defensiva, o critério de arbitragem - também absurdo, mas coerente -, ia enervando ainda mais a equipa... e até nas situações de bola parada onde o Benfica tem sido eficaz, esta noite, nada entrava!!! Com o Valdagno nas suas 'sete quintas', a jogar em contra-ataque os golos foram-se sucedendo - nesta fase a eficácia dos Italianos também baixou, era impossível manter..., porque senão a goleada ainda teria sido maior!!! - e o azar/desespero dos jogadores do Benfica ia aumentando... Só numa situação de superioridade numérica o Benfica conseguiu marcar, depois de marcar o primeiro golo, os outros até apareceram, mas a diferença era irrecuperável...!!!

A única nota positiva disto tudo, é não sobrecarga de jogos, que para o Campeonato Nacional podia ser decisiva. Até porque o Candelária, o nosso próximo adversário complicado, também perdeu...!!! Não foi o regresso desejado a uma Final 8 da Champions, mas o Benfica não jogava a este nível à bastantes anos, creio que nas próximas épocas vamos poder regressar a esta fase com alguma regularidade, é importante alguma experiência, conhecimento dos adversários, e até algum estatuto, porque muito sinceramente o critério dos árbitros Espanhóis deixou-me muito baralhado!!! 

O 'fair-play'

"Mal por mal não teria sido melhor apagar a luz e deixar que toda a gente fosse em paz para casa?...

O dedo em riste, o olhar furioso, a pose descontrolada, a agressividade da cabeça perdida, a voz trémula, o tom irritado, o confronto com as forças policiais, enfim, um quadro negativo e surpreendente - há muito que não se via a imagem dada esta quarta-feira pelo presidente do FC Porto em pleno recinto do pavilhão do clube, depois da equipa portista perder para o rival Benfica o título nacional de basquetebol e após os jogadores adversários serem corridos para o balneário.
No final da década de 80, mas sobretudo na primeira metade da década de 90, eram relativamente vulgares as reacções do presidente do FC Porto que voltaram a ver-se, agora, no final de um jogo de basquetebol. Essas reacções do líder portista foram desaparecendo à medida que as equipas do FC Porto - de futebol e não só - foram tornando mais normais os ciclos de vitórias. Claro: quanto maior o sucesso menor a irritação.
Para conseguir vencer, o presidente do FC Porto e os seus principais seguidores foram sempre capazes de quase tudo. De ameaças, pressões, insultos, agressões, de trinta por uma linha; depois, com as vitórias e os títulos, os nervos foram dando lugar a uma euforia cada vez mais tranquila e o presidente portista quase chegou a parecer uma estrela da diplomacia.
Para trás, ficavam anos de agitação quase permanente, instabilidade sucessiva, pressão constante, agressividade latente. Impossível não recordar jogos como o FC Porto-Benfica que ditou o título de 1991 para os encarnados, ou como se tornaram relativamente célebres partidas dos portistas em campos como os do Estrela da Amadora, do Tirsense, do Farense ou do Belenenses, para citar apenas casos em que o ambiente (em especial nalguns daqueles jogos) chegou a tornar-se verdadeiramente explosivo.
Bem me recordo deles.
Os anos passaram e a coisa acalmou. O FC Porto passou a ganhar mais do que os outros. Muito mais. E aparentemente deixou de ser necessária aquela atmosfera doentia que parecia rodear as comitivas do FC Porto sempre que se aproximava os momentos decisivos da competição.
Fosse ela qual fosse.
O lamentável espectáculo visto no pavilhão portista esta quarta-feira levou-nos assim a um deplorável baú de recordações. Não, evidentemente, pela atitude dos adeptos, porque negativas atitudes de adeptos há em todo o lado, em todos os clubes e em todos os países, mas pelo comportamento dos mais altos responsáveis do FC Porto, do mais impulsivo, alterado e agressivo presidente, até ao  mais fleumático, sereno e calmo administrador, como é o caso de Angelino Ferreira, invulgarmente atirado para aquela arena de gladiadores em que parece ter-se transformado, subitamente, o recinto do magnifico pavilhão do clube azul e branco, curiosamente incapaz nos últimos largos anos de celebrar no basquetebol o que tem festejado, por exemplo, no futebol, andebol ou hóquei em patins.
Neste tipo de modalidades colectivas de pavilhão, sobretudo quando estão frente a frente equipas de clubes tão triviais como são hoje o FC Porto e Benfica, é mais ou menos previsível a tensão entre adeptos, os maus comportamentos, até as inqualificáveis e lamentáveis agressões, que muitas vezes chegam a vitimar atletas, como também já aconteceu na Luz, especialmente quando o jogo, por qualquer razão, é decisivo, como era o caso esta quarta-feira.
O caso, porém, voltou desta vez a ganhar uma inacreditável dimensão e a revelar o pior lado de dirigentes cujo verniz nunca deixou verdadeiramente de estalar e cuja história no futebol português está longe, muito longe mesmo, de ser feita apenas de sucessos, bons exemplos e fair-play.
A mim, confesso que nada do que se viu quarta-feira me surpreendeu. Lamentável e vergonhoso.
Não me surpreendeu porque, entre outras coisas, tenho memória.
Mal por mal, não teria sido melhor apagar a luz e deixar que toda a gente fosse em paz para casa?
Teria.
Muito melhor!

PS: A morte do antigo dirigente do Sporting, Manolo Vidal, leva-nos mais um pedaço da história boa do futebol em Portugal, da história boa dos dirigentes com categoria, da história boa das pessoas boas. Felizmente, histórias como as da festa da Académica no Jamor ajudam, pelo menos, a manter viva a memória das boas histórias de gente boa como o Manolo Vidal."

João Bonzinho, in A Bola

PS: Só um reparo: já em post's anteriores expliquei a diferença entre actos de violência impunes (e até incentivados...), e actos de violência condenados por toda as partes... todos se recordam do incidente com o Filipe Santos fora do Pavilhão (que foi investigado, julgado, e que teve condenações...), mas porque é que ninguém se recorda da Stickada do Paulo Alves a um adepto do Benfica???!!! Nem do petardo que mandou o Pedro Afonso para o Hospital a meio de um jogo???!!! etc. etc. etc...

O inimigo e o rival

"1. Pinto da Costa anda tão aliviado com a vitória num campeonato em que o seu clube foi despudoradamente ajudado dentro e fora das quatro linhas (o árbitro principal está dentro do campo, mas os auxiliares estão fora), e tão abatido com a falta de entusiasmo que a equipa e o treinador suscitam nos adeptos, que se sente obrigado a inventar todas as semanas uma nova facécia, um insulto soez dirigido ao clube da capital que, de há três anos para cá, já não o deixa dormir descansado.
Com a aura de impunidade de que se rodeou, PC voltou à carga, desta vez para fazer um trocadilho com o famoso adágio popular que diz que “vozes de burro não chegam ao céu”, assegurando que “vozes de burro não chegam à UEFA”. O chefe do FCP referia-se ao facto de Pedro Proença, árbitro que ele venera e protege (se há uma qualidade que não se pode negar-lhe é ser reconhecido com os amigos), ter sido nomeado para arbitrar a final da Champions, o que provaria o infundado das acusações de parcialidade sempre que este árbitro internacional apita jogos do Benfica.
Este dichote merece reflexão. Que “vozes de burro não chegam ao céu” sabemos há muito, desde que PC prometeu o campeonato de 2009/10 ao seu amigo Pedroto e Deus não lhe deu ouvidos. Também sabemos as vozes que o país inteiro ouviu nas escutas do Apito Dourado não chegaram onde deviam. Mas a afirmação de PC deve-lhe ser devolvida: o que leva um árbitro internacional a fazer arbitragens tão descaradamente tendenciosas sempre que apita jogos do Benfica?

2. O que mais pode acontecer ao Sporting? Depois do caso Pereira Cristóvão, que ainda ensombra a direção, depois da desastrosa contratação de Domingos (o roupeiro Paulinho vem agora declarar que nunca mais lhe apertaria a mão), Sá Pinto acabou por revelar as suas limitações como treinador: na tática, na motivação, na histeria com que viveu o jogo, na forma como descartou responsabilidades no final. A perda da Taça foi um golpe fatal num clube histórico que vive tempos difíceis. A venda do lateral-direito da Seleção Nacional a preço de saldo não será um triste sinal do descalabro?"

As Putas Virgens !!!

O Carlos Lisboa não devia ter festejado a vitória daquela forma. O Carlos Lisboa devia pedir desculpa aos Benfiquistas, e só aos Benfiquistas pela sua reacção... Até posso compreender, mas tenho que condenar.

Agora, uma coisa é condenar esta reacção, outra coisa completamente diferente é justificar a barbárie que se seguiu com o Carlos Lisboa (adenda: aliás antes do Carlos fazer qualquer gesto, já choviam objectos no recinto...). É de uma hipocrisia verdadeiramente cretina, falar em adeptos urbanos e civilizados, quando nesta partida (e em todas), os adeptos desta Organização Criminosa passam a vida a ofender abertamente, desde do primeiro minuto, a instituição, e os adeptos do SL Benfica, esteja o Benfica presente ou ausente, em qualquer modalidade... se por acaso os Benfiquistas reagissem da mesma forma às 'ofensas', então todas as partidas, em quase todas as modalidades, neste País, não chegariam ao fim, porque haveria agressões sempre...
Ainda o fim-de-semana passado, no Seixal, a equipa de Iniciados (!!!) dos Corruptos, após marcar um golo (mesmo com o Campeonato já entregue...!!!), festejou-o da forma mais ignóbil possível para miúdos de 14 anos, e não me recordo de ler ou ouvir alguém condenar essas reacções (bem pelo contrário), e ainda mais importante, a equipa de Iniciados dos Corruptos não saiu do campo escoltada pela Policia de Intervenção...
Tentar 'vender' a ideia que estes animais só se tornaram violentos, por causa do Lisboa é de uma enorme lata, sendo do conhecimento público (existe sempre um esforço dos avençados locais para esquecer...), tantos outros casos similares, com os mesmos intervenientes, com a mesma impunidade...
Também estranho que uma Organização que tem como Presidente um individuo que confessa alegremente usar termos injuriosos regularmente e orgulhosamente (para gaúdio dos jornaleiros presentes!!!), fique tão ofendida com um gesto da mesma ordem!!!
O Benfica emitiu um comunicado, onde até posso discordar de algumas frases, mas que realça bem um ponto curioso: afinal a 'provocação' do Lisboa no 2º jogo, não acabou em violência, mas a do 5º e decisivo jogo, já 'obrigou' à batalha campal que se seguiu?!!! Aliás a virgem do Marçal e o Porco canal, sem querer, desmontam com as suas próprias palavras, a sua teoria parva: se o Marçal no 4º jogo pediu aos seus colegas, para não festejarem exageradamente a vitória na Luz, é porque ele sabia (e sabe) que em situações anteriores isso não aconteceu, até porque ele participou em algumas; quando ainda o Marçal elogia o comportamento dos adeptos Corruptos, afirmando que o apoio foi constante durante todo o jogo, 'esqueceu-se' que o cântico principal desses mesmo adeptos é o 'SLB Filhos-da-P...'!!! Que eles 'declamam' tão naturalmente que nem se apercebem (talvez não!!!) daquilo que estão a dizer...!!!
Clarifico que estes factos, não diminuem, nem desculpam o gesto do Lisboa, simplesmente contextualizam a discussão hipócrita... relembro que ainda recentemente num Hotel na Beira-Baixa (creio) com as duas equipas hospedadas no mesmo local, alguns elementos da comitiva Corrupta (liderados pelo adjunto que aparentemente é filho do Presidente da FPF!!!), tiveram atitudes altamente reprováveis, mas bastante esclarecedoras sobre o carácter dos bichos...!!!

Uma palavra ainda de solidariedade para o Pedro Ribeiro - Benfiquista com qual discordo amigavelmente de quase tudo em relação ao Benfica, do qual até não sou fã do seu trabalho, porque àquela hora estou profundamente a dormir!!! Mas que acompanho o seu blog com alguma atenção, e que reconheço uma enorme coerência nas suas opiniões, inclusive em relação aos fenómenos de violência no desporto... -, que no seu blog pessoal, opinando sobre este assunto, foi vitima de um ataque inqualificável, por parte dos acéfalos do costume, onde inclusive recebeu ameaças à sua vida e dos seus mais próximos!!! Mais uma prova que a acefalia Corrupta é transversal a todas as classes sociais e às supostas qualificações académicas... num sítio supostamente frequentado por pessoas 'inteligentes' o discurso acabou por ser igual, aquele é que é usado dos cantos mais escuros das casas de alterne!!! Para memória futura esclareço mais uma vez que todos os actos reprováveis cometidos individualmente ou colectivamente por adeptos do Benfica, foram condenados em primeiro lugar pela própria instituição, e depois nos casos que assim o exigiram foram investigados, julgados e condenados nos Tribunais... no Benfica não existe, encobrimentos, nem tentativas criminosas de condicionar policias (podia desenvolver este tema, mas o Carlos Alberto escreveu tudo o que queria dizer, sincronia total...!!!), politicos ou tribunais, com o objectivo de 'arquivar' tudo... Tem sido esta atitude que, felizmente, nos últimos anos tem contribuído para que os Benfiquistas tenham cada vez mais, comportamentos socialmente civilizados, ao contrário da regressão social, induzida, premeditadamente por parte da Organização Criminosa do Freixo. Esta diferença, entre o Benfica e a Organização, é abismal, cabal, absoluta...
PS1: Depois do sucesso do post com um título onde usei a mesma expressão ofensiva, não resisti voltar a utilizá-lo!!!!

PS2: Será que o Pedro Ribeiro se fosse funcionário da RTP ou RDP já tinha sido despedido?!!!

ADENDA: As Putas os Chulos e os Tarecos já responderam ao discurso do Presidente. Sinceramente esperava mais...!!! Além dos trocadilhos habituais, e dos ataques à vida pessoal do Presidente do Benfica, noto que não existe nem sequer uma indirecta ao facto das vitórias do Benfica não serem limpas!!! Ao acusar o Benfica de 'apelar à violência' os responsáveis do dito comunicado só podem estar a tentar vencer um concurso rasteiro de comédia barata...!!!

Grossa Ironia !!!


"Sobre conquista do título nacional de Basquetebol
Luís Filipe Vieira: “Foi uma vitória desportiva, uma vitória da verdade”
O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, recebeu esta quinta-feira, dia 24 de Maio, os Campeões Nacionais de Basquetebol. Na sua intervenção, o líder “encarnado” elogiou o desempenho da equipa orientada por Carlos Lisboa e lamentou os incidentes registados no final do quinto e último jogo do play-off da modalidade.
“A minha primeira palavra não pode deixar de ser de orgulho, de admiração, de agradecimento a todos vós pela vitória, mas sobretudo pelo exemplo que nos deixaram.
Deram a todo o país uma demonstração clara de tudo quanto ao longo de anos temos vindo a denunciar.
A vossa vitória de ontem não foi apenas a vitória desportiva, não representou apenas o 23.º título a nível do basquetebol, foi uma vitória da verdade, da coragem, foi a vitória de quem soube sofrer as consequências de ir ganhar a uma casa que não tem dignidade nas derrotas!
Parabéns Carlos por seres o treinador e o homem que és!
Parabéns à equipa, porque ontem deram uma enorme demonstração do que é o Benfica!
O que ontem se passou no Dragão é uma vergonha para o Desporto, para o país, uma vergonha para as instituições desportivas!
Só não é uma vergonha para quem não tem, nem nunca teve vergonha na cara!
O que alguns fizeram ontem, mas também na véspera do jogo, foi demasiado grave para ficar impune.
E ainda têm a lata de falar de apagões? Quando a sua história foi marcada por fruta, corrupção e compadrio?
Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do desporto português?
O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores.
As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as “escutas da fruta”, como não chegaram para a justiça portuguesa as “escutas do café com leite”!
Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português.
Burros não são os que acreditam na mudança.
Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar!
Burros são os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre!
Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da actuação da Polícia quando esta os avisa que tem de fugir para não serem presos?
Na vida como nos livros:
Um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia!
Um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa!
Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado!
Posso garantir-vos que vamos continuar a denunciar e a combater o sistema, o tempo que for necessário, seja no Basquetebol, no Futebol, no Andebol ou no Hóquei!
Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias.
Não vou descansar enquanto algumas Federações continuarem a ter medo de agir com liberdade. Só espero que o sistema não venha agora a atacar no Hóquei, porque não tenham dúvidas de que vamos estar muito atentos!
Para o Carlos Lisboa e toda a equipa, o meu muito obrigado pela maneira como vestiram a camisola. Pela forma como lutaram durante o jogo e pela forma como souberam sofrer depois do jogo.
O vosso exemplo orgulha o Clube, orgulha os benfiquistas e orgulha todos aqueles que gostam de ganhar limpo!”"


PS1: Brutal!!!! Perfeito!!! Parabéns ao Presidente e ao João Gabriel (creio...)!!! Eu sei que os Animais vão zurrar, vão reclamar, vão dizer que basta o Benfica vencer um titulozinho de bola ao cesto para ficarem de peito feito... estou-me marimbando. Agora o que é preciso é manter esta pressão alta... e quando os Lagartos refilarem, é fazer uma versão 'esverdeada' (não faltará assunto!!!)... e quando os Proenças deste Mundo refilarem fora ou dentro do campo é responder...!!!

PS2: Também gostei da referência ao Andebol!!! Se no futebol e no Hóquei ninguém questiona as roubalheiras, no Andebol a irregularidade da nossa equipa, não nos tem permitido denunciar abertamente todos os condicionalismos... Tal como no Futebol e no Hóquei é necessário reforçar a estrutura da secção, para depois, sem erros próprios demasiado penalizadores, possamos lutar pela vitória, contra tudo e contra todos...!!! O Basket mesmo assim, em relação aos apitadores, é das modalidades menos inclinadas... não é perfeita, mas...

Bem-vindo Ola John


O jovem extremo naturalizado Holandês, Ola John, foi contratado pelo Benfica - além dos óbvios trocadilhos que vão ser feitos com o nome do nosso jogador... -, julgo que já era tempo do Benfica contratar um jogador nascido na Libéria!!! Recordam-se da nacionalidade do jogador que numa noite de rara clareza partiu o focinho em pleno túnel do antro Corrupto, a uma das suas Bestas de serviço?!!! George Weah foi um dos meus jogadores favoritos, as suas qualidades futebolisticas precoces não enganavam, mas nessa grande noite ganhou o meu respeito eterno...!!!


Falando um bocadinho mais a sério: boa contratação, jovem (denota ainda alguma ingenuidade), rápido, forte fisicamente, bom drible, joga preferencialmente com o pé direito, mas centra e remata com o esquerdo em caso de necessidade... só um reparo, com um jogador com estas características, temos que ter opções dentro da área em qualidade e em quantidade para aproveitar o jogo que vai ser criado por este futuro menino 'querido' do 3º anel (tenho essa convicção)... O preço é elevado, mas o miúdo tem tudo para dar certo... recordo-me do ver o irmão a jogar, era ponta de lança, não conseguiu triunfar em Inglaterra, mas o 'mano' novo é claramente mais talentoso...!!!

Contra factos há argumentos

"1. A Académica venceu a Taça de Portugal. Brilhantemente. Um dia histórico para várias gerações académicas. Muito me recordei de ter estado no Jamor em 1969 na memorável final entre a Académica e o Benfica.
2. Na liga espanhola, Roberto no Saragoça (que se salvou da despromoção nos derradeiros instantes) foi considerado o melhor guarda-redes da competição.
3. Sérgio Conceição é o treinador do Olhanense, Pedro Emanuel é o técnico da Académica. Domingos Paciência treinou o Sporting. De Fernando Couto diz-se que vai treinar o P. Ferreira. No Rio Ave sai Carlos Brito depois de 4 excelentes épocas e entra um técnico estreante: Nuno Espírito Santo. Todos diferentes, todos iguais: ex-jogadores do Porto.
4. Os clubes com salários em atraso vão cumprir os requisitos para se inscreverem na Liga. Muito simples, acordam com os jogadores que a realidade é mentira e que a mentira é a realidade. É a ética, senhores!
5. Com a mudança estatutária quase ad hominem no Benfica, eventuais candidatos à presidência do clube terão que ter 43 ou mais anos de idade. Uma exigência tão inédita e despropositada que nem para se ser candidato a Presidente da República é necessária (o limite é de 35 anos). Outras exigências ou incompatibilidades, porém, foram ignoradas.
6. O Benfica e uma agência funerária assinaram uma parceria que permite aos sócios do clube (incluirá também árbitros ditos simpatizantes?) usufruírem de um pacote de vantagens nas cerimónias fúnebres: descontos de 12% e direito a uma música (»Ser benfiquista»). Pura coincidência saber-se disto no fim desta época? Ou fará parte do core business?"

Bagão Félix, in A Bola

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pelo menos a Taça da Liga vem com os parafusos todos

"Lukaku diz que nunca mais  fala a Villas Boas e Paulinho diz que nunca mais estende a mão a Domingos. Há muitas animosidades no ar...

AS coisas desagradáveis que os ex-treinadores têm de ouvir, às vezes... Romelu Lukaku, o jogador belga do Chelsea, diz agora que nunca irá perdoar a André Villas Boas e Paulinho, o roupeiro do Sporting, diz agora que nunca mais estende a mão a Domingos Paciência.
Ora aqui está um balanço diferente, em jeito animoso, das duas interessantes e surpreendentes finais que marcaram a agenda de fim de semana de todos os que gostam de futebol, em Portugal e por esse mundo fora.
Lukaku, acabadinho de se consagrar campeão da Europa, acusou Villas Boas de não lhe passar cartão nos meses em que trabalharam juntos em Londres. «Não consegui aceitar o modo como fui tratado», disse muito zangado.
Por sua vez Paulinho, que tinha marcado a sessão pública de lançamento do seu livro de memórias para o dia, hipoteticamente festivo, a seguir à final da Taça de Portugal, acusou Domingos Paciência praticamente da mesma coisa. Ou seja, de não lhe dar créditos pelo seu bom trabalho de décadas em Alvalade: «É muito feio um treinador meter-se no trabalho do roupeiro», lamentou.
São apenas e só nestes protestos de Lukaku e de Paulinho, 24 horas depois dos jogos de Munique e do Jamor, que se consegue vislumbrar um paralelismo, um vaguíssimo ponto de similitude entre a final da Liga dos Campeões impecavelmente organizada pela UEFA e a final da Taça de Portugal, organizada pela FPF que, certamente por falta de parafusos, entregou à equipa vencedora um troféu desatarraxado, ainda que histórico.
Os dois grandes acontecimentos, salvaguardando as devidas distâncias mitológicas, calharam no mesmo fim de semana e como já há pouco futebol, estamos a entrar em época de defeso dos clubes, houve uma natural tendência geral para se deitarem todos, à falta de mais assuntos, a estabelecer comparações entre as duas finais, e europeia e a nossa.
Em termos de falta de parafusos não há comparações possíveis, que me desculpem os patriotas.
A taça da UEFA apresentou-se inteirinha, numa peça só, sem amolgadelas e a brilhar de todos os ângulos. A nossa taça foi aquela desgraça. Faltava-lhe um parafuso. Ou mesmo dois, quem sabe?
Em termos dos quatro guarda-redes em acção, as comparações também não são fáceis. Em Munique estiveram, provavelmente, os dois melhores números 1 do mundo. E ambos justificaram os seus galardões. Manuel Neuer e Petr Cech deram os seus respectivos festivais nos 90 minutos, na meia hora de prolongamento e no desempate por grandes penalidades.
Devo confessar uma fraqueza: torci pela vitória do Bayern desde a primeira apitadela de Proença até ao momento, já à beira do fim, em que Manuel Neuer avançou para marcar, contra o colega de baliza, uma das grandes penalidades no momento do ou-vai-ou-racha.
Desejei imediatamente que falhasse. Não vejo nada de bonito quando um guarda-redes desfeita, no frente a frente dos 11 metros, sem nenhum obstáculo entre eles, um colega do mesmo posto. Mas Neuer não falhou e, miraculosamente, o Chelsea acabou por ganhar a taça com os parafusos todos.
No Jamor estiveram dois guarda-redes portugueses, Rui Patrício e Ricardo. E devo confessar o que, na verdade, até salta à vista. Torci pela Académica. E como se tratou de um jogo sem grandes penalidades, não houve qualquer hipótese para Ricardo se atrever a marcar um penalty ao seu colega Rui Patrício. Assim sendo, não mudei de clube como me aconteceu com a final de Munique, e estive pela Académica até ao fim do jogo.
Rui Patrício até é o melhor guarda-redes português. Mas no domingo, francamente, não parecia nada disso. Sofrer um golo de cabeça de um adversário com 1 metro e 66 e que ainda se pôs de joelhos para enfeitar melhor o lance não é coisa digna de um craque das redes como é Rui Patrício.
Em termos dos apostadores, as duas finais, na verdade, tiveram em comum o facto de terem ganho as equipas que, quer em Munique quer em Lisboa, não eram de todo as favoritas. Dizem que é por isso que o futebol é um desporto que arrasta multidões, por causa da imprevisibilidade, embora saibamos que haverá sempre imprevisibilidades maiores para uns do que para outros.
E isto também vale para os treinadores. Jupp Heynckes, por exemplo, nos dias que antecederam o jogo optou por não falar já como treinador da equipa vencedora e referiu-se sempre ao Chelsea com o respeito que lhe mereciam todos os jogadores da equipa adversária, elogiando-os a todos como adversários merecedores da maior consideração. Heynckes sabe muito que isto das imprevisibilidades toca a todos.
Ainda que toque mais a uns do que outros.
Sá Pinto, o treinador do Sporting, talvez por estar em início de carreira, foi menos arguto de que o já entradote treinador alemão. Antes do jogo, sentia-se no seu discurso a inspiração de um vencedor antecipado, o que se desculpa porque há meses que, em Alvalade, ninguém conferia qualquer estatuto de imprevisibilidade à Taça de Portugal.
Mas ao contra´rio de Heynckes, matreiro, que em termos públicos olhou para a equipa adversária como um todo, Sá Pinto, nos mesmo termos públicos, só se preocupou com um jogador da Académica chamado Adrien.
Era tal a confiança do treinador do Sporting que, na conferência de imprensa de lançamento do jogo, entendeu ser aquela a altura certa e a ocasião propícia para ralhar com Adrien, que está emprestado pelo Sporting à Briosa, por ter furado o blackout decretado pela sua entidade patronal e, pior ainda, de o ter feito para manifestar o seu «optimismo» no que diz respeito ao desfecho do jogo.
Foi neste preciso momento que se começaram a desatarraxar sozinhos os parafusos do troféu... E quando Pedro Emanuel, altamente confrangido pela tirada do colega, se viu obrigado a quase pedir desculpa por «incutir optimismo» nos seus jogadores não restaram dúvidas que a Taça de Portugal de 2012 ia chegar estragada, em mau estado às mãos dos seus vencedores.
Foi este o problema de Sá Pinto: só se preocupou com Adrien e esqueceu-se do Marinho. O problema de Heynckes foi diferente: não se preocupou com Robben. A verdade é que ambos, sendo favoritos, perderam as suas finais do fim de semana e por isso há uma multidão de curiosos a estabelecer paralelismos entre os dois acontecimentos.
E há quem diga:
-'Aconteceu ao Sporting o mesmo que aconteceu ao Bayern!'
Não é verdade. É aliás, uma grande mentira.
Sim, era favoritos e perderam, todos admitimos. Mas, em termos de futebol jogado, o Bayern foi altamente infeliz no jogo (sofreu o empate a 2 minutos dos 90), no prolongamento (falhou uma grande penalidade) e nas grandes penalidades (foi o que se viu), enquanto o Sporting, mesmo perdendo, foi muito feliz no jogo e é caso para se dizer que foi melhor o resultado do que a exibição.
Espero, com todo  o desportivismo, que no próximo ano a Taça de Portugal venha com os parafusos todos.
E, benfiquistas, animem-se: pelo menos a Taça da Liga vem sempre com os parafusos todos.

QUEREM ver que os nossos já tradicionais receios se confirmam e que Ola John se vai transformar rapidamente no Adeus John? Santa paciência.

SE Abramovich mandar embora Di Matteo é porque também não funciona com os parafusos todos. Que isto sirva de consolação.

PS - Foi-se embora Manolo Vidal, uma excelente pessoa, um cavalheiro a toda a prova, um grande dirigente do Sporting. Tinha muitos talentos. O humor era um deles. Recordo-o sempre como o único dirigente do futebol português que soube responder a Pinto da Costa à altura da provocação. O presidente do FC Porto referiu-se em termos depreciativos ao sotaque galego de Manolo e Manolo respondeu vincando-lhe o atributo do «sotaque siciliano». Nunca nenhum jornalista teve curiosidade em perguntar a Manolo Vidal o que queria ele dizer com isso do «sotaque siciliano». Mais um mistério que ficou por resolver no nosso futebol."

Leonor Pinhão, in A Bola 

Gloriosos Campeões


Corruptos 53 - 56 Benfica
17-19, 4-13, 18-13, 14-11



Só podia ser assim: com muito sofrimento...!!! O 23.º título de Campeão Nacional, o 3º nos últimos 4 anos... tudo isto com o sabor extra da decisão, ter sido na casa do adversário corrupto...!!!
O jogo não foi expectacular, aliás os jogos da final foram quase todos mal jogados ofensivamente, valeu a entrega defensiva, o 2.º periodo foi decisivo com o Glorioso a ganhar uma vantagem de 11 pontos, ainda tivemos 13 pontos à maior, mas depois foi 'deixar' os Corruptos aproximar, devagarinho para decidir tudo nos últimos segundos, quando o jogo estava com 1 ponto de diferença...!!! Pessoalmente, acho que o nível competitivo nacional baixou nos últimos anos, apesar do investimento fortíssimo do nosso adversário corrupto, o treinador deles não é grande espingarda, sendo assim um Benfica com muitos problemas ao nível físico durante toda a época, a defender mal durante quase toda a época, a atacar mal na Final, bastou para vencer com toda a justiça mais um Campeonato Nacional!!! Com esta vitória, nem tudo é bom no Basket do Benfica, mas também não é tão mau como muitos defenderam durante toda a época...
Neste defeso teremos que tomar alguma decisões difíceis, mas têm que ser tomadas... com o excelente trabalho na formação que tem vindo a ser feito nos últimos anos, a médio prazo temos o futuro assegurado, sabendo dos problemas financeiros que todos nossos adversários nas modalidades estão a passar, o Benfica no Basket tem a oportunidade de marcar mais uma era... mas temos que injectar sangue novo em doses equilibradas!!!






Enquanto escrevo este post, oiço o nosso treinador descreve, na Benfica TV, os minutos seguintes ao final da partida: aludindo ao facto do Benfica ter sido obrigado a receber a troféu no balneário!!! Lugar onde a nossa comitiva se mantém barricada, esperando ordens da Policia para poder sair em segurança!!! Isto num jogo, onde a equipa da casa desrespeitou o acordo de transmissões televisivas, e onde os responsáveis máximos da FPB estiveram ausentes...!!! Tal como em outras modalidades cheira-me que não haverá qualquer castigo...!!!



Comitiva do Benfica em fuga para os balneários!!!


PS: Hoje é noite de festa, mas tenho que perguntar, aos iluminados que em caso de derrota estariam neste momento num estado de êxtase, com múltiplos orgasmos (e não estou a falar dos adeptos Corruptos!!!), se o jogo de hoje é prova da decadência da cultura Benfiquista? Da falta de exigência interna?.....!!!!

Adenda1: Enquanto o Benfica festeja, os Corruptos fazem aquilo para que nasceram: Merda!!!





Adenda2: Os Corruptos venceram o Campeonato poucas vezes, mais uma das vezes foi na Luz, aqui fica a sua festa... ao contrário das 3 vezes que o Benfica foi impedido de o fazer no pavilhão dos Corruptos!!!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

É tempo

"Se Cristiano Ronaldo jogar o Europeu (onde não estará Messi) à altura dos seus reconhecidos pergaminhos, granjeados mais ao serviço do Real Madrid e do Manchester United do que da Selecção Nacional, será bom para Portugal e, sobretudo, para ele que verá ser isso tido em conta pela UEFA e pela FIFA lá mais para o fim do ano, no momento da atribuição dos prémios de consagração de 2012. É tempo de CR7 mostrar o que vale com a camisola das quinas vestida. Um futebolista que alia qualidades técnicas incríveis a condições psicológicas excepcionais não pode estar sujeito a estas flutuações. Ao contrário de Messi, que é o melhor jogador do Mundo mas não nos remete para o futuro, Cristiano suplanta os rivais graças a uma exuberância atlética até agora desconhecida no futebol. Faz lembrar um atleta do próximo século.
O escândalo calcioscommesse começa agora a ter nomes e cognomes. Mais concretamente 61 indivíduos federados a 22 clubes, entre os quais três da Série A - Atalanta, Novara e Siena - que arriscam penas pesadas não só nesta época mas também na próxima. Para já, Atalanta e Novara 6 pontos e Siena 3. Entre os jogadores, haverá irradiações, e desqualificações de anos e meses. Este, porém, é apenas o primeiro lote dos 4 que estão a ser investigados, mas que só terão andamento a partir dos play-off da Série B, que começaram no passado domingo, dia 20. A Federação entendeu, para bem do futebol e de clubes históricos, que a responsabilidade objectiva (o grupo ao qual o atleta infractor pertence é igualmente punido) desta vez não deveria ser levada à letra do regulamento (há vários anos contestado neste capítulo), sob pena de se cair no caos."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 22 de maio de 2012

Os números de uma farsa

"Terminado que está o Campeonato Nacional de Futebol, a desilusão reina entre os benfiquistas. O principal objectivo da época não foi atingido. O título voltou a fugir-nos, depois de se insinuar, durante semanas, no nosso horizonte.
Perante a decepcionante realidade, diferentes tipos de reacção de observam. Uns choram as lágrimas da sua genuína amargura. Outros procuram exorcizar frustrações, disparando culpas para cima de quase toda a gente. É a natureza humana que, particularmente no mundo da bola, onde todos as emoções são levadas ao extremo, se manifesta nas suas melhores, e piores, facetas.

Um Campeonato manipulado
Cabe agora aos cronistas dissecar os motivos que levaram a este desfecho. Houve erros próprios, que não podemos iludir, e que deveremos saber corrigir dentro da nossa casa, com serenidade, e sem pressões nem dramatismos exagerados. Mas há uma verdade que nenhum observador isento poderá esquecer: este Campenato foi, em larguíssima medida, manipulado pelas arbitragens, que nos momentos decisivos nos puxaram pelos pés, levando outros ao colo.
É assim há mais de vinte anos. Já estamos de certo modo habituados. Tão habituados que até achamos normal, e exigimos aos nossos profissionais que se sobreponham a esse obstáculo - como se ele não existisse, como se ele não fosse suficientemente opaco para os impedir de chegar mais longe, e de nos oferecer mais alegrias.
O Futebol é sempre analisado em cima dos resultados. Quem ganha, leva tudo. Para quem perde, fica apenas a desilusão, e por vezes a revolta. O FC Porto foi campeão, e é isso que vai constar nos arquivos da história. Poucos se irão lembrar das portas e travessas por onde este título passou. Ninguém irá reconhecer mérito aos perdedores, mesmo sendo eles, neste caso, apenas vítimas de uma perseguição ignóbil e desenfreada.

Os factos
Resta-nos a memória. E para isso deixo aqui um número: 24. Vinte e quatro penáltis por marcar a favor do Benfica. Em 24 ocasiões, os árbitros não viram, ou não quiseram ver, infracções dentro da área dos nosso adversários. É demais, para uma só época, para tão só trinta jornadas.
Deixo aqui a referência a todos esses lances. Dariam para um filme. O filme de uma mentira. Não nos deixemos enganar por ela.
2.ªJ, c/Feirense: agarrão a Nolito;
4.ªJ, c/Guimarães: corte com a mão junto à linha de fundo, com o resultado zero a zero;
5.ªJ, c/P. Ferreira: falta sobre Aimar, aos 44', derrube a Matic, e corte com a mão;
10.ªJ, f/Braga: falta sobre Luisão na sequência de um canto;
17.ªJ, f/Feirense: corte com a mão, falta sobre Rodrigo, e empurrão a Javi;
19.ªJ, f/Guimarães: pontapé no pé de Rodrigo;
20.ªJ, f/Académica: corte com a mão de Cedric, aos 7 minutos, e rasteira a Aimar aos 57 minutos;
22.ªJ, f/P. Ferreira: agarrão a Jardel logo no início, derrube a Bruno César, e duas faltas sobre Nélson Oliveira nos minutos finais;
24.ªJ, f/Olhanense: empurrão a Javi, agarrão a Cardozo, e corte com a mão de Toy;
26.ªJ, f/Sporting: rasteira a Gaitán logo no primeiro minuto, e agarrão a Luisão ainda na primeira parte;
28.ªJ, f/Rio Ave: empurrões a Cardozo e Saviola, ambos nos últimos dez minutos.

São estes os lances que referi, 17 dos quais ocorridos a partir do momento em que nos viram com cinco pontos de vantagem. Não são todos claros. Alguns seriam passíveis de diferentes interpretações. Mas muitos - seguramente bem mais de metade -, constituíram erros grosseiros de quem tinha por missão fazer cumprir as regras. E, juntamente com outros lances (fora-de-jogo de Maicon, penálti de Emerson em Braga, etc) desvirtuaram o Campeonato, fabricando um campeão que não merecia sê-lo.
Não adianta queixarmo-nos do treinador, das opções tácticas, ou dos falhanços deste ou daquele jogador. Muito menos dos dirigentes, e de uma ou outra contratação. Em condições normais, com verdade desportiva, teríamos sido campeões, com este treinador, com este plantel, e com esta Direcção. E essa é uma verdade que jamais poderemos ignorar na hora de fazer o balanço a esta triste temporada."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O ingénuo 'olimpismo'

"Com o final da época desportiva completa-se mais um ciclo na vida de Clube e, por consequência, na própria carreira do Jornal 'O BENFICA'.
Mais do que lambermos as feridas próprias, agora é tempo de se fazerem os balanços, as sínteses e os relatórios. Sem piedade nem condescendências e sem nenhuns falsos optimismos.
Devemos começar por nós mesmos, dentro de casa; usando um impenitente espírito crítico, mesmo quando e onde tínhamos saído vencedores, já que aí as nossas responsabilidades terão aumentado, por força das vitórias e das marcas atingidas.
Com consciência analítica mais apurada ainda, nas áreas em que nos deixámos vencer, ou fomos batidos por adversários que desportivamente nos superaram. Ou então, escancarando à claridade do dia a nossa mais contundente indignação e um mais vigoroso protesto, relativamente àqueles que traíram a nossa boa-fé, ao se revelarem displicentes e manhosas no uso das nossas valências e da grandeza do Benfica para seu benefício pessoal ou de grupos. É preciso que, de uma vez por todas, passemos a denunciar - em vez de lhe darmos corda - os idiotas úteis que ainda há bem pouco tempo nos pediram mercê e apoio, para, logo depois, se continuarem a revelar sem vergonha, ao serviço dos mesmos que lhes estabeleceram a perversidade e a corrupção como modelos de vida.
Sem tréguas, eles podem abanar e abanam; mas depois, servindo-se de desavergonhados capazes e de estratagemas canalhas, quase sempre acabam por se levantar e serem dados como vencedores. Podem usar máscaras, mas sabemos bem quem são esses mandaretes. Aonde estão e como agem. E não podemos continuar a ignorá-los.
Nestas circunstâncias, não podemos conceder-lhes por mais tempo o nosso ingénuo 'olimpismo'.
E neste fim de época desportiva, depois de procedermos ao cuidadoso inventário de todos os erros próprios (e muitos foram, de novo), perante contumazes adversários como estes 'lobos' que se dissimulam de 'borregos', teremos de recorrer a novas estratégias de relação negocial.
Sem equívocos.
(...)"

José Nuno Martins, in O Benfica

Políticas

"From: Domingos Amaral
To: Luís Filipe Vieira

Caro Luís Filipe Vieira
Na semana passada, escrevi aqui que o Benfica tinha de atacar o “sistema” de forma agressiva e permanente, pois só assim diminuiria o poder do FC Porto no futebol nacional. Ora, uma das formas de o fazer é aproveitar as consequências dos atos políticos do FC Porto. Quer exemplos? O FC Porto atacou publicamente, e de uma forma quase insultuosa, o atual presidente da Liga de Clubes, por discordar das suas propostas. Uns dias depois, o mesmo FC Porto interpôs um recurso jurídico que na prática impede o “alargamento” da Liga a 18 clubes, medida que tinha sido aprovada pela maioria dos clubes nacionais. E ontem, mais dois exemplos. O FC Porto apresentou uma queixa contra o Marítimo, pedindo a despromoção do clube; e no mesmo dia o presidente Pinto da Costa faltou à cerimónia de condecoração de Jorge Mendes, que é apenas o melhor empresário de futebol do Mundo. Já viu as inimizades, os ressentimentos, as faltas de cortesia que o FC Porto colecionou nestas últimas semanas? Já viu que nada no futebol português se altera contra a vontade imperial do FC Porto? Contudo, isto gera oportunidades políticas ao Benfica. Mais do que discutir as questões de fundo (o alargamento, blá, blá, blá), o que é importante é perceber que há novos aliados a conquistar. O Império Azul abriu o flanco e a sua exibição de poder musculado pô-lo de mal com o presidente da Liga; com a maioria dos clubes, cujo desejo sabotou: com o Marítimo; e até com Jorge Mendes e o Governo que o condecorou, que foram desprezados publicamente. É muita malta incomodada. E, nesta guerra perpétua, os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos são.
PS: Já conversou com o canal ESPN por causa das transmissões televisivas dos jogos? Pode ser uma alternativa..."

Campeão

"O Benfica voltou a ser o campeão das assistências. A expectativa em torno da prestação da equipa de Futebol profissional, uma chama imensa que resiste à crise financeira, uma grande campanha de markting, levaram à Luz, entre o Campeonato e a Taça da Liga, mais de 722 mil espectadores. O Benfica tem os jogos com mais público da época e ainda contribuiu para as melhores lotações em casa dos adversários. Confirma-se: sem o Benfica não há Futebol espetáculo nem Futebol negócio.
'TACUARA'
Num ano fraco em títulos, Óscar Cardozo, o 'Tacuara', ganhou a Bola de Prata. O paraguaio marcou ao Setúbal um golo raro, cheio de movimento para tirar adversários da frente e, perante o facto, nem que inventassem um penálti para o Lima. Não sei se Cardozo estará de saída. Sei que, a ir-se embora, deixará no Benfica marcas difíceis de igualar. Mas também a convicção de que poderia ter marcado mais.
TRIBUTO
De acordo com os jornais, o árbitro Proença é a escolha da UEFA para apitar a final da Liga dos Campeões. Trata-se de um tributo de M. Platini aos árbitros portugueses, na pessoa do autor do mais decisivo erro de arbitragem do Campeonato: a validação do golo com o qual o FC Porto venceu o Benfica na Luz e arrancou para o título. A eleição de Proença explica as escolhas dos árbitros que apitaram os jogos do Benfica com o Chelsea, em Lisboa como em Londres.
PLAY-OFF
O Benfica conquistou no Porto uma vitória que é bom prenúncio para o título de Basquetebol. Apesar das baixas na equipa, o Benfica calou as bancadas das Antas, e também a claque da SportTv, trazendo uma vitória para o play-off que segue agora em casa. Espero bem que num ambiente 'à Benfica'."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Opinião, réplica, resposta... (e mais uma resposta!!!)

"Presidentes
Sendo o futebol um fenómeno de massas, e sendo estas propensas a reacções epidérmicas, não se estranha que, após uma derrota – mesmo que induzida por factores alheios -, a contestação floresça, atingindo naturalmente as figuras cimeiras dos emblemas derrotados. O Benfica, como maior clube português, não escapa a esses fenómenos, e as últimas semanas têm-no demonstrado. As minorias contestatárias não têm poupado ninguém, evidenciando com isso os efeitos do desalento e da frustração, mais do que qualquer ponderação sensata. O presidente Luís Filipe Vieira tem sido um dos alvos, a meu ver de forma totalmente injusta, e até ingrata.
O Benfica é de todos os sócios, e ninguém está acima do seu escrutínio. Não podemos, porém, confundir a crítica construtiva, com uma ilusória subversão dos factos. Deixemos de lado todo um património de recuperação institucional, de construção de infra-estruturas, de profissionalização e credibilização do clube, de dinamização de projectos de grande relevo, que tem de ser creditado ao nosso presidente. Ignoremos, por momentos, também as ocorrências que têm condicionado a verdade desportiva. Limitemo-nos a falar de resultados.
Só quatro presidentes, dos muitos que a história do Benfica já conheceu, foram mais vezes campeões de futebol do que o actual: Borges Coutinho, João Santos, Maurício Vieira de Brito e Adolfo Vieira de Brito. Com mais um título, Luís Filipe Vieira igualaria estes três últimos, ficando apenas atrás de Borges Coutinho (que ostenta a impressionante marca de sete campeonatos). E se considerássemos todas as competições futebolísticas, Luís Vieira estaria já destacado na 2ª posição com sete troféus, contra 10 do mesmo Borges Coutinho. No que respeita ao eclectismo, apenas João Santos e Luís Filipe Vieira alcançaram títulos europeus em duas modalidades distintas. João Santos, Luís Filipe Vieira e Borges Coutinho, foram também os únicos a triunfar em campeonatos de sete diferentes modalidades.
São apenas alguns números, que convém não ignorarmos."

Luís Fialho, in O Benfica




"Absurdos, falácias e Benficas
Os números dão para tudo, até para serem manipulados. Há verdades e verdades. Umas mais do que outras. Tal como as mentiras.

Gostar ou não gostar eis a questão
Eu não gosto de indexar os títulos conquistados pelo Clube a ninguém, mesmo aos jogadores. Para mim os jogadores, treinadores e restante grupo de trabalho contribuem para a sua conquista. Mas não é cada um deles que o conquistou. Todos contribuem, uns mais do que outros, mas isso é outra questão.
Ainda mais absurdo é indexar as conquistas de títulos a seccionistas, dirigentes ou presidentes. Aos jogadores e treinadores enquanto componentes de um colectivo que iniciam e terminam uma competição ainda é aceitável. Mas, que fazer de competições iniciadas num mandato e terminadas noutro mandado? Pertencem a “quem”?Não podem pertencer aos dois… se não as contas não batem certas! Os dirigentes (em particular os presidentes da Direcção) criam as condições para o Benfica conquistar. É para isso que estão dirigentes, porque ninguém é dirigente. O que há são associados, que durante determinado período, estão dirigentes.

O que importa é o Benfica
É o Benfica que conquista, através das condições criadas pelos dirigentes e do desempenho de jogadores e treinadores. É nestes pressupostos que se construiu o“Glorioso”. Durante muito tempo foi tradição no Clube não atribuir títulos a ninguém, ainda que se agradeça o contributo de todos. Eu como conheço, um pouco da história do Clube, revejo-me nesses (e partilho esses) princípios.
O “problema”começou quando outros clubes sem a cultura do nosso começaram a conquistar mais do que nós e a criar o seu presidente como protagonista atribuindo-lhe títulos conquistados. A tendência foi para os media divulgarem esses valores, continuarem a propagá-los e os benfiquistas começarem a “presidencializar” os títulos do Benfica. Tal como fazem os andróides, se bem que estes 30 anos sejam um tempo infindável, por isso sem comparação com outras presidências, até com as de outros clubes. Afirmar que Pinto da Costa é o presidente do futebol português com mais títulos de campeão nacional, ultrapassando Borges Coutinho, é uma falácia, pois Borges Coutinho “apenas” foi presidente durante oito anos. Como é possível comparar oito com 30 anos?!

Primeiro os factos…
O que é válido para a comparação entre Borges Coutinho e Pinto da Costa também o é para a comparação entre presidentes do “Glorioso” com mandatos temporais diferenciados. Repito que é um absurdo atribuir títulos a um presidente, cujo início de competição ocorreu numa presidência e o seu final numa outra. Mas, a fazê-lo há que estabelecer um critério: o título é atribuído ao presidente em cujo mandato o clube se sagrar campeão, mesmo que seja apenas numa jornada, a última em que se conquistou o título. É absurdo… é! Mas, o “problema” está na ideia de indexar títulos aos presidentes, cujas eleições e tomadas de posse ocorrem durante o desenrolar das competições.

… depois os argumentos
E o número de anos nas presidências não contam?! Podem-se comparar títulos conquistados entre presidências com um ano e outras com dez?! É justo?! É correcto!? Valem o quê?!
Por absurdo, um presidente pode tornar-se o "mais titulado do Benfica", com sete títulos de campeão - "ultrapassando" os seis de Borges Coutinho -, mesmo que o clube conquiste um título de cinco em cinco épocas, se estiver na presidência do "Glorioso" durante 36 anos! Ridículo! De pequeno clube!

QUADRO 1

Tabelas para todos os gostos
Num clube grandioso e que se considera (e bem...) o maior e melhor de Portugal o que deve preocupar os dirigentes (mas também os associados) é porque não se ganha mais do que os outros, se isso ocorrer em períodos longos. Se somos maiores e melhores não há razão para não sermos os mais titulados. Se não ganhamos mais é porque algo está mal. E há que mudar o que está mal para ficar bem. Seja no "interior" (alterando) seja no "exterior" (forçando). Ser incapaz é o pior que pode acontecer a quem se considera o melhor. Porque passa a ser motivo de chacota.
Num clube mítico como o "Glorioso" podemos olhar para os sucessos com alegria e para os insucessos com preocupação. Porque estamos vacacionados para vencer e conquistar. Só nos tornámos míticos porque acumulámos ao longo da história "riqueza" em títulos e troféus, alguns apenas ao alcance dos melhores, grandeza em adeptos, respeito pelos simpatizantes de outros clubes nacionais e reconhecimento internacional (resultantes das conquistas).
Podemos destacar os sucessos (que são maioritários), mas também os insucessos (que por escassos) merecem reflexão.

Presidentes com “mais campeonatos”
Os principais dirigentes de um clube, são os presidentes da Direcção, porque têm funções executivas. São o principal motor dos sucessos (se continuados, e não episódicos, revelam brilhantismo), tal como a principal fonte dos fracassos (se continuados, e não episódicos, revelam incapacidade).
O presidente Borges Coutinho é há muito - desde 1977 - aquele, em cujos mandatos (prefiro pensar assim... porque os Órgãos Sociais não se reduzem ao presidente), se conquistou mais títulos de campeão nacional, com dois tricampeonatos, em quatro mandatos bienais (oito épocas). Segue-se depois Adolfo Vieira de Brito, com três mandatos repartidos por dois períodos: o primeiro com dois mandatos anuais e o segundo com a estreia do mandato bienal. Quatro anos... quatro títulos. Depois é seguir o quadro.

QUADRO 2

Há dois dirigentes, que enquanto presidentes da Direcção, nunca perderam qualquer campeonato, se bem que em situações distintas, Félix Bermudes com um mandato anual e Adolfo Vieira Brito. Segue-se o enorme Borges Coutinho (seis conquistados e dois perdidos, que correspondem a 75 por cento). Depois é seguir o quadro.

QUADRO 3
 
Presidentes com “mais campeonatos perdidos"
Como os quadros (e os números) permitem realçar valores como a "história do copo" - meio cheio ou meio vazio, conforme as expectativas e vontades -, num clube como o Benfica que em 1993/94 conquistou o 30.º título em 60 edições da competição, podemos ver as presidências do lado do insucesso, que neste momento não é de 50/50, mas de 41/69, ou seja, 32 conquistados e 46 perdidos. O presidente com mais insucesso é o actual (Luís Filipe Vieira), com sete, seguindo-se Ferreira Bogalho (quatro). Seguem-se vários presidentes, é só ver o quadro seguinte.

QUADRO 4

Há seis presidentes que passaram pelo Benfica não conquistando qualquer campeonato nacional. Depois, com 78 por cento (apenas 22 por cento de sucesso) aparece Luís Filipe Vieira, com dois títulos em nove presenças na principal competição do futebol português.

QUADRO 5

Num clube glorioso como o nosso, o "problema" de um presidente do Benfica não é quantos campeonatos conquistou. É quantos campeonatos impediu o Benfica de ganhar!
Houve até presidentes – Manuel Conceição Afonso e Júlio Ribeiro Costa, pelo menos –que alegaram como, um dos motivos para não se recandidatarem, o facto de: por falta de jeito, incapacidade de dirigir ou perseguições pessoais externas ao Clube, mas com reflexos do futebol do Benfica, não terem capacidade – apesar da dedicação – para dirigir o Clube no sentido de conquistar competições. E, segundo a sua opinião, não podiam colocar “interesses pessoais” (ser presidente do Benfica) acima dos interesses do Clube. Campeonato ou competição perdida, nunca mais conseguirá ser conquistada. Foi-se! A próxima já é outra! Outros tempos!
Comentadores, paineleiros, escribas e afins. Do "contra" ou "prós". Não devemos ser "mais papistas que o Papa"! É preciso cuidado porque por vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

Alberto Miguéns

NOTA: Dos outros títulos e modalidades, nem vale a pena comentar, porque havia que definir "títulos" (os únicos comparáveis são o campeonato nacional e a Taça de Portugal).
Que modalidades, por género e escalões?
Outro absurdo, com falácia pelo meio..."

Alberto Miguéns, in Em Defesa do Benfica (ver os Quadros no blog Em Defesa do Benfica)




"Em Defesa do Benfica
Em resposta a um artigo que escrevi no jornal “O Benfica”, onde chamava a atenção para o facto de Luís Filipe Vieira, ao contrário do que possa parecer aos mais desatentos, figurar já entre os presidentes que mais conquistas desportivas alcançaram para o clube, Alberto Miguéns, benfiquista que muito prezo, apresentou no seu blogue um texto onde, com critérios diferentes, chegava a números, também eles, ligeiramente diferentes, procurando depois, a partir deles, extrair outras conclusões.
O critério que segui foi simples: verifiquei as datas de entrada e saída de cada presidente no site oficial do clube, conferi quem estava em funções a cada mês de Maio (fim dos campeonatos), e assim segmentei os títulos ganhos pelo Benfica.
Os números a que cheguei são os que se seguem:
BORGES COUTINHO 7 títulos (1969, 1971, 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977)
JOÃO SANTOS 3 títulos (1987, 1989 e 1991)
ADOLFO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1964, 1965 e 1968)
MAURICIO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1957, 1960 e 1961)
LUÍS FILIPE VIEIRA 2 títulos (2005 e 2010)
Há mais quatro presidentes do Benfica com dois títulos conquistados, mas Luís Filipe Vieira é o único que ainda pode melhorar a sua conta, pelo que será lícito destacá-lo aqui em 5º lugar.

O que eu disse no artigo do jornal foi basicamente que, com mais um campeonato ganho (que bem poderia ter sido este…), o actual presidente do Benfica ficaria apenas com Borges Coutinho à sua frente. E lembrei também que, a par de João Santos, era ele o único a conseguir títulos europeus em duas modalidades distintas (este em Hóquei e Futsal, aquele em Hóquei e Atletismo), e juntamente com o mesmo João Santos e com Borges Coutinho, os únicos a vencer campeonatos de sete modalidades diferentes (Vieira já foi campeão absoluto de Futebol, Andebol, Basquetebol, Voleibol, Futsal, Atletismo e Judo).
Alberto Miguéns considera que os títulos devam ser atribuídos, não aquando da última jornada, mas aquando da jornada da conquista matemática do título. É um critério respeitável (embora dê bastante mais trabalho…), que permite retirar um título a Borges Coutinho e outro a Maurício Vieira de Brito, adicionando-os a Adolfo Vieira de Brito e a Joaquim Ferreira Bogalho. Não é isso que ele pretende demonstrar, mas o certo é que, por este critério, Luís Filipe Vieira seria, não um dos quintos, mas um dos quartos presidentes com mais campeonatos de futebol ganhos na história do Benfica - teria então à sua frente apenas Borges Coutinho, Adolfo Vieira de Brito e João Santos, por esta ordem, como mais triunfadores. Em suma, o seu diferente critério não traria conclusões muito diferentes do sentido geral daquelas que eu tirei.
Mas o meu amigo Alberto Miguéns defende também que esta é uma estatística que não resulta rigorosa quanto ao mérito de cada um em cada título. Não podia estar mais de acordo com ele, e digo desde já que, da minha parte, não estou em condições para avaliar os méritos de cada presidente do Benfica de 1977 para trás, coisa que só ele, com todo o imenso conhecimento que tem da história do Benfica, poderá fazer. O balanço que fiz apenas pretendia desmistificar a ideia de que Luís Filipe Vieira é um presidente perdedor, pois no balanço global ganhou mais do que muitos outros.
Também concordo em absoluto com ele quando diz que os títulos não são dos presidentes. De facto não são. São do Benfica e dos benfiquistas. Mas um mau presidente não conquista títulos, e infelizmente, o Benfica já teve exemplos disso.
Alberto Miguéns termina dizendo que Luís Filipe Vieira foi o presidente que perdeu mais campeonatos. Não contesto os seus números, nem me darei ao trabalho de fazer as contas. Mas, se os méritos dos que ganham são por vezes condicionados por circunstâncias diferentes, os que perdem também têm atenuantes diferentes. E todos nos lembramos em que Benfica pegou Vieira. De resto, pelas mesmas contas, Fernando Martins perdeu tantos campeonatos como Vale e Azevedo, e os serviços prestados por um e por outro ao Benfica não têm ponta por onde comparar.
Uma coisa é certa. Nos dois campeonatos que ganhou, o mérito de Vieira (e naturalmente de jogadores e técnicos que ele escolheu) é inegável.
Por fim, Alberto Miguéns termina afirmando que “não devemos ser mais papistas que o papa”. Ora, defender um presidente em funções não é sinónimo de “ser mais papista que o papa”, nem de “lambe-botismo”. Como cada um é livre de criticar o presidente, eu também me sinto livre para o defender (era o que mais faltava, não poder fazê-lo à minha vontade). Não por ele (com quem tenho uma relação meramente circunstancial), muito menos por mim (que não recebo um cêntimo do clube, nem de ninguém a ele ligado) mas pelo Benfica, e por achar que, não existindo no terreno qualquer alternativa credível a esta gestão, todo o clima de contestação que alguns procuram agora alimentar apenas serve para fazer sorrir… Jorge Nuno Pinto da Costa."

Luís Fialho, in Vedeta da Bola



"Resposta

Caro Luís Fialho,

Ser Benfiquista - e conhecer a história do Clube - moldou-me a personalidade, aprendi a ser tolerante e acatar, democraticamente, as críticas. Não sei como seria se não aprendesse o B-A-BA do Benfiquismo.
Se aceitar, hoje à meia-noite, de 19 para 20, coloco este seu texto como entrada principal do blogue. Eu gostaria. Aceita? Quer retirar alguma consideração mais pessoal? Ou pode entrar como está?

Faço apenas os seguintes comentários {acrescentei o ponto 4 (parte) e 5}:
1. Utilizei uma digitalização do seu texto no jornal O Benfica (que identifiquei), mas não fiz depois qualquer referência ao seu nome, pois nada havia de pessoal. O objectivo foi clarificar a quantificação de títulos: ganhar dois vale sempre ganhar dois, ou três ou quatro em valor absoluto, mas quantos anos de "esforço" para isso?
2. Uma presidência não se inicia quando se ganham eleições, mas sim quando se toma posse do cargo. Há dirigentes eleitos que não chegam a tomar posse, sendo necessário efectivar os suplentes. Há tomadas de posse um mês depois de eleições. Até tomar(em) posse o(s) dirigente(s) eleito(s) não exercem os cargos;
3. Não tenho qualquer dúvida acerca do seu Benfiquismo (a 100 por cento), sem segundas intenções. Por isso tenho muita consideração por si, como sabe;
4. Os anos eleitorais, desde a década de 80, se não estivermos a ganhar, são sempre "complicados". Mas não se pode "matar" a discussão acerca do Clube. Gostava de voltar a ver eleições como nos anos 60 e 70 em que se discutia o futuro, traçavam estratégias e não se entendiam as eleições como um factor negativo, do tudo ou nada. LFV devia acarinhar as alternativas, ouvir as propostas e mostrar que é o que tem melhores soluções para o Clube. LFV não pode ser, não se pode transformar, num eucalipto que mata a vida associativa. E quando ele se for embora? Fica um vazio? Nem ele, nem nenhum dirigente, seja agora ou no futuro;
5. A minha colaboração com o Benfica data do verão de 1993, quando Jorge Brito pediu alguém – eu fui um dos associados indicados - que pudesse rapidamente ajudar o Clube a organizar iniciativas, utilizando a História do Clube, em colecções de postais com legendas históricas, no verso. Fui depois colaborando com vários presidentes, em particular nas publicações do Clube – Manuel Damásio e Vale Azevedo (se bem que saísse do jornal semanal então transformado em revista mensal, em Março de 2000, por pensar que estavam a desvirtuar a Cultura Benfiquista). Sempre graciosamente, como não podia deixar de ser. Quando o presidente Manuel Vilarinho se propôs reactivar o jornal, em 28 de Fevereiro de 2001 (a revista foi suspensa em Agosto de 2000) fui contactado por Carlos Calado/ Luís Lemos para fazer uma página de história no Jornal. Acedi, mas disse que só colaborava se fosse de graça. Aceitaram e colaborei. Quando o jornal passou a ser “explorado” pela ACV (Cunha Vaz) em reunião indiquei que só continuava de fosse remunerado (500 euros mensais, que era o valor mais baixo - assim o exigi, por não fazer parte da redacção - pago a um colaborador permanente, a recibo "verde"! Verde!) porque nunca aceitaria estar a trabalhar de “borla” para um sportinguista, “ainda por cima” no… Benfica (já vem de “longe” a fobia por SCP’s no “Glorioso”). Era humilhante. ACV compreendeu e aceitou. Se não aceitasse eu saía. Quando o nosso Semanário voltou para a SAD, pedi para fazer apenas a página 31 (história), para passar a ser feita, novamente, graciosamente, pois entretanto passara a fazer, também, a página 15. Disseram-me que não, a 15 era importante e a SAD não queria ninguém a trabalhar sem ser remunerado. Pensei sair, mas alegaram que a presença no Jornal e Benfica TV era “muito importante” para o Clube. Como o contrato era anual, ao 2.º ano (depois da ACV deixar a exploração) disse que não renovava – fosse importante ou não – ficando apenas a fazer a página 31 (história), isto porque fui censurado na página 15, pelo Pedro Guerra que alterou um título sem nada me dizer, só me apercebendo depois do jornal impresso. Na edição de 17 de Dezembro de 2010, eu escolhi e escrevi: 2-0! Com Xistra é Goleada! Pois o que saiu e fica para a eternidade é: Uma vitória segura e suada. Um título "amaricado"! E no final da época saiu uma capa com "Xistrados"! Coerência!
Como se sabe acabei a minha colaboração - a escrever, porque continuo com prazer a fornecer informações e estatísticas - no jornal, em Maio de 2011, como tinha começado em Fevereiro de 2001: a fazer a página de história… de borla. Como eu gostaria que tivesse sido sempre! Quanto à Benfica TV! Fui eu (e o António Melo) que quisemos acabar com o “Em Defesa do Benfica”. Não foi o contrário… No Benfica nunca fui “despedido”. Fui eu, sempre, que me "despedi". Mas, também nunca deixei que me “colocassem na prateleira” (onde estão muitos!) mesmo que para isso não se importassem de pagar mais. NUNCA. Na minha Vida Benfiquista mando eu. Por que o Benfica, para mim, não é um modo de vida… o Benfica é o meu Clube. Com muito orgulho. Desde que tenha saúde e emprego, agora, estou nas minhas “Sete Quintas”: pago as quotas, tenho um lugar no estádio (sócio fundador, que comprei em 2003, com a totalidade do dinheiro recebido do editor da colecção de cromos, foi troca-por-troca, nem discuti o valor, disse: faço a caderneta pelo valor – tenho a ideia que ainda nem se sabia quanto custava - do lugar como sócio fundador, pois se não fosse a colecção não teria dinheiro para ser sócio fundador) e nos pavilhões (quota modalidades), ou seja, é para isto que quero o Benfica: um sítio para pagar as quotas e outro(s) para ver a(s) bola(s). E ocupando menos tempo no Jornal e Benfica TV, tenho mais tempo livre para fazer o que mais gosto: pesquisa para a História do Benfica… de borla. Um dia - hoje, amanhã ou depois... - o Clube vai lucrar com a “Base de Dados” (futebol, modalidade e um diário do “Glorioso”) que tenho (talvez única no Mundo) e que vou actualizando, dia-a-dia. Espero que seja útil ao Benfica! E dou-a ao Clube… de borla! Mas… só quando sentir que quem está do outro lado, do lado de dentro do Clube, tem categoria para isso, e não a vai utilizar em proveito próprio. Ai, ai, quando eu contar algumas histórias (acerca do "proveito próprio")…

Saudações Benfiquistas
..."

Alberto Miguéns, in Em Defesa do Benfica