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sábado, 8 de agosto de 2015

Pioneiro na Premier League e ídolo do Benfica: as histórias do anônimo Isaías

"Primeiro brasileiro a atuar na reformulada liga inglesa calou o estádio do Arsenal em 91 e foi comparado a Pelé e Eusébio. Hoje, vive no anonimato: "Esqueceram de mim".
O contacto e o convite para uma entrevista foram, para Isaías Marques Soares, uma oportunidade ímpar de passar a limpo sua vitoriosa carreira de jogador de futebol. Poucos são os que param para escutá-lo - os que o reconhecem, então, são praticamente uma espécie em extinção. O anonimato sufoca o ex-atacante, que hoje, aos 51 anos de idade, mora em São Pedro da Aldeia, município pequeno da Região dos Lagos do Rio, mas que já calou um Estádio Highbury com quase 40 mil torcedores do Arsenal no início dos anos 90 - foi o autor de dois dos três gols na vitória do Benfica naquela ocasião. Pouco depois, fez ainda mais história ao se tornar o primeiro brasileiro a actuar na Premier League, cuja atual temporada começa neste sábado.
Aposentado dos gramados desde 2001 - quando defendeu a Cabofriense -, o capixaba de Linhares evitou qualquer tipo de delongas na cerimônia de apresentação. Estava com pressa. Não de terminar a entrevista, mas para aproveitar cada segundo que teria para detalhar minuciosamente algumas das melhores histórias dos 16 anos de carreira profissional. Com pouco menos de cinco minutos de bate-papo, danou a falar desenfreadamente, como se estivesse, ali, decidido a abrir um baú repleto de contos desconhecidos. Com o orgulho evidente e estampado no rosto, falou sobre seu início na base do Fluminense na década de 80, a trajetória no futebol europeu - por onde actuou de 1987 a 1999 - e sobre uma palavra que o faz deixar nitidamente emocionado: Benfica. O ex-atacante actuou pelos Encarnados de 1990 a 1995, tempo mais do que suficiente para deixar seu nome gravado como um dos maiores centroavantes da história recente do clube português.
Pelo Benfica, foram 178 jogos e 71 gols marcados, dois títulos do Campeonato Português (1990/91 e 1993/94), uma Taça de Portugal e a idolatria eterna do torcedor benfiquista. Porém, mesmo com os canecos, as lembranças das vezes que balançou as redes no Estádio da Luz, na maioria das vezes, abarrotado com 120 mil pessoas - capacidade antiga do estádio -, uma marca curiosa foi repetitivamente citada por ele.
- Me ligou uma revista um tempo desses para falar comigo sobre a Premier League. Eles achavam que o primeiro jogador a disputar a Premier League foi o Juninho Paulista, mas eles esqueceram de mim. Fui o primeiro a actuar. Não sei se eles não me consideraram por causa do meu passaporte português, né? - indagou.
O ex-atacante foi o primeiro brasileiro a actuar na Premier League da Inglaterra. Embora o ex-jogador Mirandinha tenha sido o pioneiro na Terra da Rainha - quando chegou ao Newcastle, em 1987 -, Isaías foi o primeiro a disputar a reformulada, bilionária e badalada edição do Campeonato Inglês - que teve o seu início em 1992. Em uma passagem apagada, jogou no modesto Coventry City de 95 a 97, onde marcou apenas dois gols - um deles contra o Chelsea. Juninho Paulista também jogou naquele ano pelo Middlesbrough, mas entrou em campo apenas na 12ª rodada. Isaias estreou logo na segunda.
Quase como se fosse uma herança para os seus dois filhos - Lucas e Isaías -, o Profeta, como foi apelidado carinhosamente pela torcida do Benfica, lembra, com uma memória invejável, do dia em que calou o Estádio Highbury, quando fez dois gols na vitória do Benfica por 3 a 1 sobre o Arsenal e que colocou o time português na fase de Grupos da Copa dos Campeões - actual Liga dos Campeões. Além do mais, não esquece quando o treinador do Bayern de Munique, Pepe Guardiola, ainda como jogador, o parou durante uma partida entre Benfica e Barcelona pela Copa dos Campeões de 1991/1992 para pedir um simples abraço e, também, quando deixou o lendário treinador inglês, Bobby Robson, furioso por enfrentá-lo no clássico contra o Porto. Isaías ainda ergue como um verdadeiro troféu a sua foto ao lado de Eusébio - um dos maiores ídolos da história do Benfica e da selecção portuguesa -, e as capas de jornais, onde ostenta elogios de Beckenbauer e comparações até mesmo com o rei do futebol: Pelé.
Após pendurar as chuteiras no inicio dos anos 2000, Isaías decidiu fugir dos holofotes. Até se aventurou em uma nova modalidade: o beach soccer, onde disputou Mundialitos pela selecção portuguesa. Entretanto, nada duradouro. Voltou para a Região dos Lagos e encontrou em São Pedro da Aldeia a calmaria que não costumava ter em solo português. Aliou-se a duas novas paixões: a pesca e o futebol amador - aliás, por pelo menos três vezes durante a entrevista, disse:
- Vou até estrear no campeonato de cinquentão (risos). Vou lá jogar.

«Ele (Isaías) marcava mesmo, tinha muita força, muita habilidade. O cara foi o destaque no Boavista, no Benfica... sempre foi destaque. É um cara do bem, grande profissional que tem muita história para contar. Nós ali atrás falávamos isso mesmo: "A gente segura aqui, e você decide aí"»
Ricardo Gomes, actual treinador do Botafogo
Declaradamente realizado com a carreira, Isaías considera as amizades como o melhor fruto que o futebol lhe rendeu. Aposentado, planeja retornar à Portugal nos próximos meses. Com propostas para trabalhar no Benfica, o ex-atacante ainda quer correr atrás do único sonho que lhe resta: ver o filho Lucas, de 19 anos, actuar profissionalmente em Portugal e reviver todo o seu sucesso no Velho Continente.
Confira, na íntegra, a entrevista com o ex-atacante Isaías:
Português ou Brasileiro?
- Eu sou brasileiro, né. Eu sou nascido e criado no Brasil. Minha cidade é Linhares (Espírito Santo). Só que minha história no futebol foi construída em Portugal. Aqui no Brasil tive uma passagem no Fluminense em 83. Depois Friburguense, Cabofriense e depois Portugal em 87. Voltei em 2000 e terminei a carreia na Cabofriense em 2001. Minha história foi toda na Europa, nomeadamente em Portugal.
Formação no Fluminense.
- Cheguei no Fluminense e me disseram que eu ia começar a treinar já no profissional, porque o clube estava montando a equipe para o Carioca de 83. Aí falaram que tinha um jogo na semana e era o meu teste. Aí chegamos na cidade, muita festa, foguetório na cidade. No jogo, entrei no segundo tempo como ponta direita, dei dois passes e só sei que ganhamos de 3 a 1. Acabou o jogo, o supervisor me chamou e disse que tinha gostado. Aí continuei no profissional, viajei com eles, mas como o juniores estavam precisando, eu desci para o júnior. Aí fiquei um ano no júnior. Nesse ano, o Flu acabou ganhando tudo. Na época eu estava com 19 anos, no meu último ano de juniores. Aí quando estourei a idade, o Flu não demonstrou interesse, até porque tinha um elenco campeão Carioca, do Brasileiro.
Chegada em Portugal.
- Fui para Portugal em 87 fazer teste no Belenense. Cheguei em novembro, fiz um mês de treinamentos. Fiz um coletivo e o treinador era um belga (Henri Depireux), e ele disse que o Isaías era muito lento e não servia para o Belenense e, na época, eles queriam o Tita, que jogou no Fla, no Vasco. Falei "Tudo bem". Disse para o meu empresário "Vou voltar para o Brasil e no outro ano vou voltar aqui e vou mostrar que eu tinha condições de jogar aqui". E falei para o vice-presidente do Belenense " Meu nome tem dois i, dois a e dois s". Depois, voltei e os jogadores do Belenense perguntaram como foi possível o treinador e o presidente não me contratarem.
Benfica maior que Flamengo e Corinthians?
- Sempre tive muito carinho em Portugal. Torcedores do Sporting, do Porto, que me encontravam na rua, vinham falar comigo, que eu era um grande jogador, um grande profissional. Até diziam que eu não era brasileiro, com a raça que eu tinha dentro de campo, com a disposição, a entrega que eu tinha nos jogos. Então, eles gostavam disso e, até falavam "Pena que você não está no meu clube". Mas o Benfica, não vou dizer que é um Fla e um Corinthians, porque o Benfica tem muito mais sócios do que os dois. O Benfica está no Guinnes não é à toa, porque tem quase 250 mil sócios. Não são só torcedores, são sócios. Lá se a criança nasce, e o pai for benfiquista e o padrinho também for, o primeiro presente do garoto não é a bola, não. É a carteirinha de sócio. O Benfica em Portugal é muito grande, é uma nação.
Jogo contra o Arsenal pela Copa dos Campeões da temporada 91/92 no Estádio Highburry.
- O Arsenal era uma constelação de jogadores. E no primeiro jogo em casa, nós empatamos em 1 a 1. Até eu que fiz o gol. Então, empatamos em casa, o que nós vamos fazer lá em Londres? Nós só vamos cumprir tabela. Assim era a cabeça de alguns directores. Mas nós, jogadores, acreditávamos que seria possível. Então viajamos para Londres à vontade, no hotel ficamos à vontade. Mas nós, jogadores, estávamos cientes que tínhamos que tentar segurar o resultado o mais longo tempo possível. No primeiro tempo foi um massacre. A bola batia na trave, o nosso goleiro defendia, e eles fizeram 1 a 0. Aí tivemos que ir para cima. Por incrível que pareça, mais da metade do estádio era benfiquista. Empatei o jogo e fomos para a prorrogação. Começamos a jogar mais tranquilos. Aí conseguimos fazer o segundo, e eu fiz o terceiro. Foi muito importante. Então, depois do jogo foi uma felicidade total. No embargue para ir embora, os policiais não queria deixar eu embarcar, não. Disseram "Você eliminou o Arsenal" (Risos).
Estilo de jogo.
- Eu tinha consciência do que eu precisava fazer para melhorar. Tecnicamente eu não era 100%, mas era aí seus 70, 65%. Tinha consciência que com esses 70, 65%, conseguir através do meu preparo físico colocar essa percentagem a mais, eu ia ficar quase 100%. No primeiro ano de Benfica, eu morava perto do clube, do estádio. Era o primeiro a chegar. Tinha um director do clube que chegava cedo e, às vezes, ele me via correndo lá e se assustava. Ele me falava "Tu não é brasileiro, porque brasileiro tem fama de preguiçoso e tu é diferente". As coisas aconteciam porque eu fazia o extra.
Fúria de Bobby Robson, ex-treinador do Porto no início dos anos 90.
- Teve um jogo contra o Porto, que o auxiliar bateu no meu quarto e eu já sabia que eu ia ficar no banco. Aí disse para ele "Eu já sei que vou ficar de fora e vou ter que entrar para resolver. Vou entrar e vou resolver". Dito e feito.E o treinador do Porto era o finado Bobby Robson, que sempre quis me levar para lá. Nesse jogo, o Porto foi e fez um a zero e acabou o primeiro tempo. Um jogador do Porto, o Emerson, me disse que, durante a semana, o Bobby fazia tudo normal, mas quando tocavam no meu nome ele endoidava, chutava tudo o que aparecia na frente. Quando ele recebeu a informação que eu estava no banco, o Emerson disse que o velho quase teve um orgasmo. Aí, quando o treinador me chamou para entrar em campo, o estádio parecia que ia cair. Acabou que entrei e, aos 42 do segundo tempo, empatei o jogo. Isaías, ex-atacante do Benfica.
Primeiro brasileiro a actuar na Premier League.
- Me ligou uma revista um tempo desses para falar comigo sobre a Premier League. Eles acham que o primeiro jogador a disputar a Premier League foi o Juninho Paulista, mas eles esqueceram de mim. Fui o primeiro a actuar. Não sei se eles não me consideravam por causa do meu passaporte comunitário, né? 
Passagem pelo Coventry City e o carrasco escocês.
- Apareceu a oportunidade de eu ir para a Inglaterra. Joguei o primeiro ano, foi bom. Porque você sair do Benfica, um clube que joga a Liga dos Campeões, na época a antiga Copa da Uefa, para um clube que joga para não cair de divisão, ainda mais a Liga Inglesa, é muito complicado. O nível do campeonato é completamente diferente. Naquela época era ainda mais diferente. Naquele tempo, haviam restrições de treinadores de outros países europeus, sul-americanos. Então, era bola no lateral, o lateral quebra no centroavante e, no meio campo, você praticamente não via a bola. Então, foi difícil. Aí, no segundo ano, o treinador passou a ser director técnico, e um jogador passou a ser auxiliar, que era escocês. E esse cidadão (se referindo a Gordon Strachan, atual treinador da selecção escocesa) não simpatizava muito comigo. Aí chegou no início da temporada, eles me chamaram para rescindir o contrato, mas eu tinha um dinheiro para receber após o final do contrato e eles não queria me pagar. Então resolvi ficar por lá. Fique lá um ano praticamente vegetando. João Pinto, ex-companheiro de Isaías nos tempos de Benfica.
Melhores parceiros no Benfica.
- O João Pinto (ex-jogador do Benfica, Sporting e selecção portuguesa), que eu já tinha jogado junto com ele no Boavista. No ano que ele foi lançado, nós chegamos a actuar alguns jogos, mas aí fui para o Benfica e, no outro ano, ele foi também. Para mim, foi um dos maiores jogadores portugueses que eu tive o prazer de jogar ao lado. Teve também o Rui Costa, que fez uma história espectacular. Posso até esquecer um ou outro, mas esses dois foram os que eu tive o prazer de jogar. No Benfica só tinham jogadores de nível de selecção, então, não tinha um que não fosse bom.
Vislumbre?
- Às vezes, você sempre tem aquele minuto de relaxe, que você tem que ver o que é bom, o que não é bom. Não digo nem o Caniggia, jogar ao lado de zagueiros da selecção brasileira, com o Ricardo Gomes, com o Mozer. Eles falavam "Zazá, resolve lá na frente e deixa aqui atrás com a gente". Eu falava "Os caras estão me colocando lá em cima, estão acreditando que eu tenho potencial para resolver". Isso sim, me perguntava "Opa, será que é verdade?". Isaías, ex-atacante do Benfica.
Abraço de Guardiola (jogo entre Benfica e Barcelona na temporada 1991/1992, pela fase de Grupo da antiga Copa dos Campeões).
- Uma vez que nós caímos em uma chave com o Dínamo de Kiev, Barcelona e Sparta Praga, o Guardiola, que na época jogava no Barcelona, quando ele entrou em campo, ele veio e me abraçou "Isaías, Isaías, grande jogador, me dá um abraço?". Um cara que era um grande jogador e hoje está sendo um grande treinador. Essas coisas você diz "Caramba". Valeu a pena ter feito aquele sacrifício? Valeu. Tanto é que, hoje, se fala do Valdo, se fala do Ricardo, se fala do Mozer, mas se fala muito mais do Isaías a nível de Portugal, a nível de Benfica. Porque as histórias estão lá escritas. Vira e mexe os jornalistas estão me ligando para fazer alguma entrevista, para comentar de algum jogo entre Benfica x Porto, Porto x Benfica. Sempre para me dar alguma opinião. Porque nesses jogos eu sempre conseguia fazer jogos bons, fazer gols e dar passes.
Gols na neve.
- Teve um jogo em Moscovo também, fiz dois gols na neve. Chegamos lá era gelo para tudo o que é lado. Tudo esquisito. 15h ainda estava esquisito. Aí tivemos que jogar, a bola estava cheia de gelo. Empatamos em 2 a 2 e fiz os dois gols (o jogo em questão foi Dínamo de Moscou 2 x 2 Benfica, pela Copa da Uefa de 92/93).
Beach Soccer.
- Tinha firmado com o pessoal de Portugal que ia disputar o Mundialito porque era só o Brasil que ganhava, só o Brasil que ganhava, com o Júnior, Claudio Adão, aquela turma.
Benfica.
- Tudo o que eu sei, a nível de esporte, o que eu consegui divulgar através do esporte, foi através do Benfica. Eu tive uma passagem boa no Boavista, no Rio Ave, no Campomaiorense, mas o Benfica é o Benfica. Então, você ter feito parte de uma geração, ter conseguido conquistar dois títulos português, uma Taça de Portugal. Um cara que chegou no Benfica sem espaço, teve que buscar o seu espaço, se dedicar 200%. É maravilhoso. Eu falo do Benfica, porque eu tive a oportunidade de viver grandes momentos da minha vida dentro desse clube. Poderia ter sido outro, mas foi o Benfica. Cara, é muito gratificante. Isaías, ex-atacante do Benfica.
Sonho.
- A única coisa que eu queria é que um filho meu tivesse a oportunidade de jogar também e eu estar lá em cima vendo ele jogar. Porque quando eu tive no Campomaiorense, nós chegamos a ir a um final da Copa de Portugal. E o treinador foi presenteado com o gol do filho. Caramba, um dia poderia ser comigo. Com meu filho mais velho não. Ele já vai se formar, está com 24 anos. Mas gostaria muito. Vou tentar até a última instância (ver o filho Lucas, de 19 anos, jogar profissionalmente). Refúgio na Região dos Lagos - Eu poderia ter ido lá para a minha cidade, Linhares, para Vitória (ES). Tenho muitos amigos lá. Mas eu gosto daqui demais, não sei porque razão, mas eu gosto daqui. No Rio, eu gosto muito quando eu vou para o Aeroporto (Risos), quando eu tinha que vir para cá. Não consegui me adaptar ao Rio de Janeiro, porque morei em Lisboa, uma cidade grande, agitada demais, muito trânsito, aí não dá. Então, aqui você tem um pouquinho de paz.
Vida e Futuro.
- Nada (o que faz da vida). Absolutamente nada. Mas estou pensando em voltar para Portugal, porque o Benfica já me convidou umas três vezes para eu trabalhar na TV Benfica. Porque, agora, eles tem um programa que interage com os sócios de todo o mundo através da TV. Posso ir para Portugal para fazer palestra. Posso ir para Portugal para fazer jogos. Por exemplo, tem uma cidade que está fazendo aniversário, aí você vai fazer, entendeu? Tem também uma situação do Benfica que o Eusébio era os relações públicas do Benfica e viajava para todo o mundo para visitar as casas do Benfica. Cheguei a visitar também umas duas vezes. Graças a Deus tenho esse carisma nas casas do Benfica.
Apelidos da torcida do Benfica.
- Era o Profeta, por causa do nome Isaías. Aí já cheguei barbudo, aí pegou. Mas tinha Profeta, Pé Canhão, Peito de Galo. Era bom, muito bom. Falavam também que eu chutava 10 vezes para fazer um gol. Mas imagina se todas as 10 entrassem?
Pescaria.
- Meu hobby é isso aí, pescaria, adoro. Ir lá para ilha e ficar lá dois dias pescando. Gosto muito. Acho que foi isso aí que me encantou por Cabo Frio. Quando eu vinha de férias do Benfica, eu ia embora pescar. Toda semana a gente vai. A gente não tem ido ultimamente por causa do vento. Pescar por hobby. Aquele peixinho na "pelada". Continuo jogando, né. Vou até estrear no campeonato de cinquentão. Vou lá jogar. São as duas coisas que, futebol já vem desde pequeno, e a pescaria surgiu depois. Não tem nada para fazer, vou pescar. Aí você pega o gosto. Mas tem que saber pescar."

"Você conhece o ex-atacante Isaías Marques Soares? Caso não tenha sido um torcedor assíduo do Benfica na década de 90, talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Numa época bem menos glamourosa e tampouco mediática do futebol europeu em relação aos dias autuais, Isaías marcou época na terrinha e, até hoje, é considerado um dos maiores centroavantes da história do clube português. Com a camisa dos Encarnados, actuou de 1990 a 1995, entrou em campo por 178 vezes, anotou 71 gols e conquistou dois troféus do Campeonato Português. Entre os outros clubes que ainda defendeu no velho continente, Isaías se aventurou no inglês Coventry City durantes as temporadas 1995/1996 e 1996/ 1997, que, na época, disputava a Premier League. Aliás, logo após a sua aposentadoria, Isaías defendeu a selecção portuguesa de futebol de areia em meado dos anos 2000.
Hoje, aos 51 anos e aposentado desde 2003, Isaías é morador do pacato município de São Pedro da Aldeia, localizado na Região dos Lagos, no interior do Rio de Janeiro. Entre outros afazeres, gosta muito de pescar.
Nos vídeos abaixo, confira alguns dos principais lances de Isaías com a camisa do Benfica e uma partida emblemática do jogador na vitória dos encarnados por 3 a 1 sobre o Arsenal pela antiga Copa dos Campeões - actual Liga dos Campeões - na temporada 1991/1992, no Estádio Highbury. Também confira a actuação do ex-atacante com a camisa do Coventry City no duelo contra o Chelsea, válido pela Premier League da temporada 1995/1996:

Nunca tinham desconfiado

"EMPATIA não é simpatia. Simpatia, enfim, toda a gente sabe o que é. Ainda esta semana, por exemplo, foi extraordinariamente simpático o presidente da Federação Portuguesa de Futebol quando, no lançamento da decisão desta Supertaça, afirmou ser o dérbi de Lisboa 'o jogo dos jogos'. Ser-se simpático é isto mesmo. Na sua condição de organizador e anfitrião do acontecimento, Fernando Gomes tratou os dois contendores com a mesma amabilidade institucional e com a devida consideração histórica. É bastante provável, no entanto, que no Porto esta simpatia do presidente da Federação, um trânsfuga do pior, seja considerada uma enorme falta de respeito para com o brasão não domiciliado na Segunda Circular dos lisboetas. Não se pode agradar a toda a gente por mais simpático que se seja. E ainda bem.
EMPATIA é outra coisa. Manifesta-se de modo silencioso porque envolve solidariedades afectivas e a capacidade de nos pormos no lugar do outro. Empatia, portanto, era o que estava a tardar nestes primeiros passos da relação entre o treinador do Benfica e os adeptos do Benfica. Nada mais natural, aliás. Rui Vitória acabou de chegar e estas lindas afinidades não nascem de um dia para o outro. Constroem-se. Por notória falta de tempo e também por falta de resultados fabulosos na pré-temporada, para mais nas vésperas de um "jogo dos jogos", começava a ser uma contrariedade a ausência de empatia entre adeptos e o novo treinador.
FELIZMENTE que o problema já está resolvido. Devemo-lo a Jorge Jesus, que prestou mais um inestimável serviço ao Benfica - a somar ao bonito número de títulos conseguidos em meia dúzia de anos - quando disse que a única novidade da equipa de Rui Vitória é que 'o cérebro não está lá'. Parem as rotativas! Era mesmo uma coisa destas, insultuosa e descabelada, que o Benfica precisava para se congregar afectuosamente em torno do seu novo treinador. É que nem de encomenda qualquer outro 'produto' do mais avançado 'marketing' resultaria tão bem. E é assim, subitamente unido, que o Benfica avança amanhã para a decisão da Supertaça. No mais ideal dos estados de alma que, não garantindo de modo algum a vitória, garante para já um outro espectáculo de imenso impacto social: a descoberta pelos benfiquistas de que o seu ex-treinador, afinal, tem um ego maior do que o Taj Mahal, coisa de que nunca na vida tinham desconfiado."

Vieira cumpre a promessa

"O investimento que o Benfica está prestes a fazer em Raúl Jiménez deixa claro que Luís Filipe Vieira não esqueceu - nem podia esquecer - a promessa feita a Rui Vitória. Jesus beneficiou durante anos de plantéis de sonho, formados por jogadores do pelotão de elite do futebol mundial. Como Di Maria, Ramires David Luiz, Javi García, Witsel, Enzo Pérez, Garay ou Matic. Bons de mais.
O novo treinador ainda encontrou qualidade, mas... não tanta. Mitroglou (27 anos) e Jiménez (24) vêm, por isso, devolver o poder de fogo que se perdeu com a saída de Lima. Luís Filipe Vieira tem, no entanto, bastante mais com que se preocupar, nomeadamente com um lateral que continua a faltar, com um extremo à altura de Salvio (que só voltará em 2016) e com uma solução para a muito provável saída de Gaitán. Ou seja, há trabalhos que provavelmente vão durar até ao final de Agosto. A boa notícia, para os adeptos do Benfica, é que o aparecimento em cena de Mitroglou e de Jiménez é um sinal de que o presidente das águias está de regresso aos primeiros mercados.
O Sporting não foi feliz com o sorteio para o playoff da Champions: um adversário forte (e que já está em plena competição) e uma viagem longa para discutir o acesso à fase de grupos. É verdade que também se trata de uma boa oportunidade para acertar contas com a história diante de um CSKA de Moscovo que, em 2005, ergueu a Taça UEFA em Alvalade. Mas é bom que estejamos conscientes do nível da equipa russa. 
NOITE de gala no Dragão. O FC Porto apresenta-se frente ao Nápoles e Casillas será, seguramente, o reforço mais ovacionado pelos 50 mil adeptos que vão estar nas bancadas. Hoje é que vamos assistir, verdadeiramente, ao primeiro dia do resto da vida de Iker."

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Tiro ao "boneco" !!!

Olhanense 1 - 1 Benfica B
Carvalho

Não consegui acompanhar o jogo todo, mas pelos comentários gerais, e pelos momentos que vi, este resultado é extremamente injusto... jogámos muito mais, merecíamos a vitória.
Provavelmente, a equipa B mais jovem de sempre (do Benfica e de outra qualquer equipa...), num ervado impróprio para se jogar futebol, e mesmo assim deu para ver um Benfica organizado, a sair com bola no pé... Só a exibição extra-terrestre do guarda-redes adversário impediu a nossa vitória... Boas indicações para a época, que começou esta noite.

Depois de uma boa pré-época, apesar da juventude, parece que temos mesmo 'equipa'!!! Além do aspecto colectivo, reconheço potencial individual a 9 destes jogadores para subirem à equipa principal (Nunes, Lystcov, Dawidowicz, Sanches, Carvalho, Andrade, Gonçalves, Sarkic, Berto), e se calhar, alguns vão ter essa oportunidade durante a época que está a começar!!!

Supertaça é aperitivo

"Embora eu não atribua quase nenhuma importância à prova que se disputa domingo, no Estádio Algarve, quero, como sempre, que o Benfica a vença. É um troféu oficial. E como tal será para fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para vencer.
Verdadeiramente importante é estar na Supertaça. Pois isso significa que se venceu uma das duas provas mais importantes da última época. Quero mesmo é estar na próxima Supertaça. A minha verdadeira preocupação centra-se no plantel de que vamos dispor para disputar o título nacional. Esse é o verdadeiro objectivo. Não são os resultados da pré-época que preocupam. Já algumas exibições deixaram os adeptos apreensivos. Por agora, sem razão.
Temos esperança de que se vá melhorar muito, e por isso o caminho deve ser de confiança. A pré-época da última época não foi melhor, e a época foi fantástica. Samaris, Júlio César e Jonas também chegaram depois da época começada e mudaram o curso da história da época 2014/2015.
Quero muito ganhar este domingo ao Sporting, e ainda mais no domingo que se segue ao Estoril. Mitroglou vem preencher um vazio no imaginário dos adeptos. Esperemos que também seja de tamanha utilidade para Rui Vitória. Era claro que se precisava de reforçar o ataque. Saíram Lima e Derley, Rui Fonte foi emprestado para jogar com assiduidade, e na frente o Benfica precisava de mais poder de fogo. Como sabem, no carrossel de entradas e saídas só dia 31 poderemos avaliar em definitivo o que dispõe cada plantel. Até lá tudo o que se diga ou escreva é precoce.
Domingo no Algarve já é a sério e serve de aperitivo para a longa época. Vamos tentar vencer este primeiro título sem dramas nem euforias.
Eu lá estarei a apoiar."

Sílvio Cervan, in A Bola

A Águia

"A Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas, para chegar a essa idade aos 40 anos, ela tem que tomar uma decisão muito séria e difícil. Nesta idade, ela está numa espécie de fim de linha.
As unhas, antes compridas e flexíveis, agora não conseguem mais agarrar suas presas, fonte de seu alimento. O bico elegante, alongado e pontiagudo, curva-se agora excessivamente contra o peito. As asas estão envelhecidas e pesadas pela grossura das penas. Voar passou a ser tão difícil e penoso!
A águia, nesse momento, só tem duas alternativas: morrer... ou enfrentar um doloroso processo de renovação, que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico no paredão, até conseguir arrancá-lo, à custa de imensa dor. Depois de arrancá-lo, espera nascer um novo bico, que será usado para arrancar suas velhas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar suas velhas penas. Somente após 5 meses, é que sai então para o famoso vôo da renovação e para viver mais 30 anos. Em nossa vida muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causam dor.
Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz...
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Agora a sério

"A pré-época já lá vai.
Terminou o período dedicado às experiências, onde existe margem para errar, e os resultados não são mais que um mero detalhe. Jogadores e técnicos cumpriram o plano de trabalhos delineado, a equipa preparou-se, e testou o que havia para testar. Agora é a sério.
A Supertaça abre portas à temporada oficial. Trata-se de um troféu importante, que pode também servir de mola impulsionadora para uma época vitoriosa. Em ocasiões recentes, verificámos o quanto pesa uma Supertaça na moral de quem a disputa, e as consequências que tem para as competições posteriores. Ainda há um ano, o triunfo sobre o Rio Ave, em Aveiro, deitou para trás das costas o cepticismo que já se estava a criar, e inaugurou um ciclo de vitórias que terminaria no Marquês. Uns anos antes, recordo-me, pelo contrário, de uma derrota com o FC Porto marcar negativamente toda a temporada que se lhe seguiu.
E esta é uma Supertaça muito especial. Trata-se de um Benfica-Sporting, e como se a força simbólica do 'dérbi eterno' - com tudo o que ele, só por si, significa - não bastasse, os encarnados terão pela frente o seu ex-treinador, num reencontro que não pode deixar de apimentar ainda mais a ocasião, e que deve servir-nos de motivação suplementar. Podemos, desde já, começar a demonstrar que a estrutura que suporta o nosso futebol não depende de nenhum funcionário, e que os títulos não se transportam numa qualquer mala de viagem. Perante todas as circunstâncias que a rodeiam, talvez esta seja a Supertaça mais importante de sempre. O estádio vai estar cheio. O apoio será total. Venha de lá a vitória!"

Luis Fialho, in O Benfica

A renumeração... (2)

"Na semana passada, partilhei a evolução do meu número de Sócio para demonstrar que o crescimento da nossa massa associativa foi muito significativo nas últimas décadas e que é normal, com o processo de renumeração, verificar-se uma diminuição acentuada da quantidade de Sócios.
Este fenómeno, comum a qualquer clube, deve-se a falecimentos ou à incapacidade do pagamento de quotas (agudizada nos últimos anos), mas sobretudo aos 'sócios de ocasião'.
Por 'sócios de ocasião' entendo todos aqueles resultantes de campanhas de mobilização clubistas (p.e. em 1994, após a crise de tesouraria e o título nacional, houve um enorme aumento de sócios) e/ou comerciais (o "Kit Sócio" apela ao sentimento clubista e introduziu a possibilidade de oferta do mesmo e descontos em produtos e serviços de parceiros do Clube), mas que, passado algum tempo, se desinteressam. São também grande parte dos atletas de todas as modalidades e escalões, sabendo-se que existe uma rotatividade significativa na composição desses plantéis, com centenas de entradas e saídas anualmente. Também muitos dos ex-funcionários. E ainda o pai ou mãe que se associa ao Clube para que os seus filhos possam ser Sócios isentos do pagamento de quotas até aos 14 anos e usufruírem de descontos relevantes nas mensalidades da modalidade por eles praticada.
Perante este enquadramento, não me surpreenderá se assistirmos a uma grande redução do número de Sócios, nem me preocuparei muito com isso.
Mais importante será compararmos o total de associados após as renumerações efectuadas ao longo da nossa história. Pouco acima dos 41500 em 1974, quase 66000 em 1986, cerca de 78000 em 1993, à volta de 135000 em 2005..."

João Tomaz, in O Benfica

Planeta Jesus

"Jorge Jesus mudou de lado na Segunda Circular. Mas continua igual ao que sempre foi. Por isso, não vale a pena aos benfiquistas indignarem-se pelas declarações do treinador do Sporting, muito menos aos adeptos dos leões aplaudirem agora o que antes verberavam. A verdade segundo Jesus é simples: na Luz, nada mudou, apenas o cérebro já lá não mora; e em Alvalade foi preciso dar uma volta de 180 graus, o que não abona ao trabalho entretanto por lá realizado...
Mas Jorge Jesus é assim mesmo, para o bem e para o mal e é por essas e por outras que estamos perante uma personagem complexa e muito interessante.
Quem quiser ter um pouco de memória, decerto se lembrará como Jorge Jesus chamou a si os louros da primeira época de Domingos Paciência em Braga. Tratando-se da mesma pessoa, seria de estranhar que, depois de seis anos de bom trabalho no Benfica, não viesse reivindicar os direitos de autor pela equipa orientada por Rui Vitória.
A Supertaça Cândido de Oliveira, vista pela óptica do Planeta Jesus, já tem vencedor: Jorge Jesus. Se ganhar o Sporting foi pelo que já fez; se ganhar o Benfica, foi pelo que deixou feito. O que é certo é que o Sporting está a contratar em série, caindo por base a tese inicial de que iria investir sobretudo no treinador. Os leões já vão em oito novos jogadores, abandonaram a Teoria de Alcochete que os norteava e dotaram-se de argumentos fortes para se assumirem como candidatos ao título. E se o fazem é, certamente, porque podem, uma vez que nada do que está a ser levado a cabo é barato. Há dois meses, Bruno de Carvalho não sabia com que orçamento podia contar. Hoje, transformou-se num big spender. Algo mudou no reino do leão. O tempo dirá porquê."

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os mesmos de sempre

"Ei-los que estão de volta.
Ainda não acabaram as férias e já esqueceram as noites de farra no Marquês, deitaram para trás das costas o facto de o seu Clube ser Bicampeão Nacional no Futebol e renegaram o ano mais triunfante de sempre do SL Benfica em todas as modalidades. Lá estão eles, em directo e online desde os sofás, toalhas e espreguiçadeiras de praia, a exigir o rolar de cabeças, a atacar as decisões de quem decide o caminho do Clube. Todos os anos é a mesma coisa.
De calções e chinelos no pé, são também eles os mestres da táctica, os suprasumos do mercado de verão, os melhores olheiros do planeta. Ficam acordados noite dentro para ver os jogos-treino, disputados a feijões, e poder dizer mal assim que o árbitro apita para o fim. Desdenham das novas contratações, arrasam os novos valores que subiram dos Juniores e da equipa B, atiçam o povo contra o novo treinador. O normal, portanto. Foi assim na pré-época passada quando o SL Benfica foi despachado sem apelo nem agravo na Emirates Cup.
Dizem-se Benfiquistas, mas são-no pouco. Estão ao nível do uruguaio Mini Pereira, que se vendeu por prato de lentilhas e dentro em breve estará a terminar carreira no mais completo anonimato. Têm aquele síndrome de pequenez típica dos sportinguistas, só olham para o quintal do vizinho para ver se a vaca está mais gorda ou se a relva está mais bem cuidada. Invejam a contratação de Franguillas, sonham com os milhões fictícios de um qualquer banco amigo e estão à espera de Domingo à noite para dizerem: 'Eu bem vos avisei'.
Estão enganados. E vão ter que meter a viola no saco.
Carrega, Benfica!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Mitroglou

A pedido de muitas famílias Benfiquistas, lá chegou um ponta-de-lança. Com a saída do Lima era obrigatório reforçar o poder ofensivo do Benfica, mesmo com o Jonathan a evoluir, tínhamos que ter alguém 'diferente'... com experiência, 'poder' de grande área, e com 'garantia' de golos!!!
Kostas Mitroglou tem características diferentes do Lima: é igualmente possante; é rápido; mas tem 'escola' de avançado (cresceu e fez a sua formação inicial na Alemanha), joga bem de costas para a baliza, sabe fazer contenção, parar a bola no peito e fazê-la rodar; marca muitos golos de cabeça; é rato de área; mas também tem remate fácil de longa distância... As únicas dúvidas que eu tenho, são: a condição física (recordo que no início da época anterior esteve muito tempo lesionado); e a atitude...
O Lima tinha um espírito colectivo (e de sacrifício), pouco habitual em avançados, se o Mitroglou chegar com a mesma ambição de triunfar colectivamente, temos avançado para fazer mais de 20 golos época... Neste momento parece-me ser um parceiro ideal para o Jonas, só foi pena chegar 'atrasado' pois não deverá ser opção para a Supertaça!!!
Uma nota para as estatísticas do Mitro: além dos muitos golos na Grécia, principalmente no Olympiakos (uma equipa que defronta adversários parecidos com os do Benfica, internamente...), tem 15 golos nas competições europeias: 11 na Champions, 2 Liga Europa e os restantes nos jogos de qualificação...

Ainda duas postas de pescada:
1.º - estou-me marimbando para o suposto roubo aos Lagartos, se eles não assinaram com ele, problema deles, aliás neste defeso já perdi a conta ao numero de jogadores que foram dados como certos nas Osgas, e não ficaram... Se sempre que o Sporting se mostra interessado num jogador, mais ninguém o poder contratar, então o mercado europeu, estava parado... pois, eles já se mostram interessados em praticamente todos os jogadores livres!!!
2.º - a chegada do Mitroglou, foi recebida nas hostes Benfiquistas com esperança... e até alguma alegria 'exagerada'!!! Agora, é só esperar pelos Golos, e pelos inevitáveis assobios do 3.º anel, ao estilo do Nené, do Magnusson, do Nuno Gomes, do Cardozo, do Lima... Temos que manter a tradição!!!

Eis a mais simbólica Supertaça

"Eis a tão ansiada Supertaça que, longos anos após, recupera o clássico dos clássicos: Sport Lisboa e Benfica-Sporting Clube de Portugal. Quando jogam os dois grandes clubes da capital, espalham-se virulentamente dois lugares-comuns: que entre eles, o resultado é sempre imprevisível e que há a regra estatística de que ganha quem está pior (o que, está provado, não corresponde à verdade...). Este jogo, com que se inicia a temporada 2015/2016 (em bom rigor, é o último título da época anterior), não terá, por isso, registo oficial de quem está melhor ou pior. Logo, um factor acrescido de imprevisibilidade. Poder-se-á rebater esta situação, dizendo que os jogos da pré-época correram melhor a um do que a outro. Mesmo assim, é comparar o Mafra com o PSG (ainda que quase B), ou discernir entre o Ajax Cape Town, Club America, Crystal Palace ou Fiorentina. Fosse apenas a dimensão das manchetes na comunicação social (incluindo este jornal) e o vencedor já estaria encontrado, assim se 'castigando' o Benfica porque, este ano, não foi (ainda bem, digo eu) o abono de família das notícias, rumores, especulações sobre cinquenta jogadores que entram e vinte que saem. Ao invés,o Sporting permitiu uma exuberância apoplética de retumbantes movimentos e o Porto ajudou à festa com Casillas, Sara Carbonero e Pereira.
Todavia, mandam as regras da competição que tenha mesmo que se jogar. E, assim sendo, o quase inútil Estádio do Algarve, depois de ser hospedeiro da selecção de Gibraltar, volta a encher com este grande jogo, agora numa versão superior dos Torneios do Guadiana."

Bagão Félix, in A Bola

Mantos...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Omega e Slimani

"Estamos no aquecimento de motores para o grande jogo do próximo domingo (no caso do Benfica é mais arrefecimento, depois de demasiado calor e altitude).
Os resultados e a confiança que geram fazem pender o favoritismo para o lado do Sporting. Porém, os resultados na pré-época podem ser muito enganadores. Veja-se o último jogo do Benfica por terras do México: a equipa encarnada apareceu sólida com boa circulação de bola e uma assinalável capacidade para pressionar alto. Na primeira parte o Benfica podia ter marcado vários golos em lances de Jonas e Gaitán. A defesa mostrou solidez (Júlio César está já em grande forma), a bola circulou rápido do centro para as alas. Vários tiros de longa distância passaram a escassos centímetros do golo. Luisão saiu aos 39 minutos. Samaris que o substituiu, já aquecia há algum tempo. Durante os últimos lances em campo, não foi visível no capitão qualquer incapacidade para disputar os lances. Sem pretensões a fazer diagnósticos médicos, quase apostaria que Luisão vai estar apto para domingo.
O grande problema deste Benfica está na lateral direita. André Almeida é um excelente profissional, que faz bem vários lugares da defesa e meio-campo defensivo. Mas é mais previsível nos seus movimentos do que um relógio suíço. André Almeida como defesa lateral é um autêntico Omega - não adianta nem atrasa. Difícil de passar em drible, mas fácil em velocidade, fecha bem no meio, sobe pouco e mal. Nenhuma grande equipa pode ter como titular um lateral assim.
Do lado do Sporting, curiosidade será ver se Slimani continuará a ser usado como sprinter nos lances de contra-ataque. São contranatura neste óptimo ponta-de-lança as correrias com bola. Slimani é um avançado de um só toque. Exclamativo. Para a baliza. A relação deste argelino com a bola não é de amor. É de tiro."

500.º

"Foi em 15 de Setembro de 2010 que com o título 'Ainda e sempre Torres', comecei a escrever estes meus breves comentários em A BOLA, que a sua direcção baptizou como 'pontapé-de-saída'.
Volvidos quase 5 anos, chego hoje ao 500.º 'pontapé-de-saída'! Dir-se-à que é apenas mais um. Mas, para mim, transporta o simbolismo de quem vê o lado iconográfico dos números. Esta coluna é uma ponte, pessoalmente significante, entre o que devo a A BOLA na minha iniciação de leitura e o jornal que leio há sessenta anos. Quando Vítor Serpa me convidou para escrever duas vezes por semana, lembro-me de lhe ter dito que sim, mas alertando para as (minhas) dificuldades em encontrar termas que pudesse abordar. Hoje - confesso - esse receio nunca se concretizou, pois descobri que, no desporto em geral e no futebol em particular, há sempre um qualquer detalhe à nossa espera. Sobre assuntos do dia e sem dia, no quase monopólio do futebol, mas não só.
Devo também referir que esta exigência bissemanal me levou a descobrir temas que estão para além do que se vê nas manchetes. Sobre os quais me debruço com alguma reflexão e muita curiosidade e diversão, procurando variar, até porque tenho horror à repetição e à rotina.
Sou entranhamente benfiquista. O que não quer dizer que este meu espaço seja obrigatoriamente um 'pontapé-de-saída' do Benfica. Nem oficial, nem oficioso. Escrevo o que penso, com total independência. Sei, também, que, por vezes tenho momentos de enviesamento clubístico emocional, que, todavia, não cerceio.
Por aqui me fico. Amanhã escreverei o 501.º texto. Com júbilo e gratidão. E, se for capaz, com humor."

Bagão, Félix, in A Bola

As boas tangas do mercado

"O adepto português é extraordinário. Tem bolsa de pobre mas gostos de nobreza futebolística. Por isso delicia-se com as notícias sobre os milhões que o mercado movimenta. Só que o escrutínio às SAD falha porque há muitas operações que não são comunicadas à CMVM (sem tirar nem pôr...) e, seja na mesa do café ou nos pontos de debate virtual, o debate brota já inquinado a montante. Parece impossível, mas é mesmo assim: em 2015 ainda há quem decida ignorar os gastos encobertos pela etiqueta do custo zero aplicada aos reforços que, teoricamente, deviam ser contratados sem pagamento de transferência. Os jornais desportivos ainda tentam fazer alguma pedagogia, trazendo rigor para a discussão, mas logo as intervenções televisivas atraem mais névoa para o fenómeno.
As boas tangas do mercado só enganam quem fizer questão de estar desatento. Os principais clubes portugueses tentam manter-se competitivos a todo o custo e, pelo que se está a ver no lançamento de 2015/16, decidiram movimentar-se no limite do risco. Apostas em jogadores problemáticos como Taarabt, Osvaldo ou Prince Boateng são excelentes exemplos de como os autos de fé em torno da formação são pouco resistentes ao sopro dos ventos. De permeio, enquanto são colocadas em balanças virtuais os valores relativos a compras e vendas, criam-se cenários de fantasia que os relatórios e contas das sociedades só demasiado tarde desmentem.
O FC Porto ter registado na época passada custos com pessoal acima dos 70 milhões de euros, ou o Benfica na casa dos 60 milhões, são dados arrepiantes neste futebol português que conseguiu sobreviver ao impacto da troika mantendo-se no 5.° lugar do ranking da UEFA. O tal custo zero tem como efeito colateral o pagamento de prémios de assinatura superiores aos futebolistas, comissões mais elevadas aos empresários e subida exponencial da folha salarial que acaba por condicionar, em alta, os vencimentos dos jogadores que renovam contrato ou chegam a seguir. Uma armadilha que pode fazer um orçamento descarrilar, caso não haja sucesso desportivo. Esse é grande desafio de águias, dragões e leões: ficar sentado no topo do pódio quando a música parar. Quem não o conseguir vai ter sérios problemas."

Rui Vitória e o arranque do Benfica

"1. No seu brilhante 'Football Total' (1975), o romeno Stefan Kovacs, que oleou uma das máquinas mais extraordinárias da história do jogo (o Ajax da primeira metade dos anos 70), expressa uma definição para treinador: "Numa época de eficácia e tecnologia, é aquele, que sabe tudo o que concerne ao seu domínio. E como o comandante de um barco ou de um avião a quem ninguém deve escapar. Os dirigentes sabem certas coisas, os jogadores outras, os médicos outras ainda mas o treinador deve saber tudo. (...) Se qualquer coisa lhe escapa, se não agarra um fenómeno de ordem fisiológica ou psicológica, está condenado, um dia ou outro, ao desaire. "Há 40 anos, um grande mestre do futebol reclamava para o treinador intervenção esmagadora no dia a dia. No caso do Benfica, a ideia serve para acentuar a diferença entre Rui Vitória e Jorge Jesus.
2. RV conquistou o Seixal porque tem cumprido os desígnios do diálogo e confirmado a imagem de homem que confia na competência de quem o rodeia. Todos os departamentos podem fazer agora o seu trabalho sem interferências de um comandante (JJ) que metia o nariz em tudo incluindo sectores para os quais não lhe era reconhecida competência. A máquina vive mais feliz: os médicos não são confrontados com os diagnósticos; os fisioterapeutas não têm de explicar decisões; a comunicação deixou de preocupar-se com o discurso; os nutricionistas e os cozinheiros não têm de dar satisfações pelas ementas... A organização tem agora um líder que a vê como auxílio para muitas decisões, em contra ponto com quem interferia em tudo, assente no empirismo que punha em causa a especificidade científica de cada parcela da vasta e complexa estrutura de apoio.
3. JJ desenvolveu cultura de exigência implacável, geradora de permanente tensão. RV prefere impor-se sugerindo o caminho aos jogadores, ao contrário do antecessor que traça a rota e acompanha ele próprio a expedição para manter alerta máximo constante. Todas as ideias e estilos são ganhadores e perdedores porque, mesmo em tempo de culto aos generais do banco, o futebol pertence mais aos pés dos jogadores do que à cabeça dos treinadores. Todas as verdades já conheceram a glória na centenária história do jogo, sinal de que o grande treinador pode ser mestre irascível (Menotti) ou de elegância máxima (Eriksson); não negociar princípios (Guardiola) ou adaptar-se e ser genial em qualquer contexto (Mourinho); ser discreto (Ancelotti) ou exuberante (Klopp); professor (Wenger) ou autodidacta (Cruyff).
4. O Benfica 2015/16 sugere ser mais sensível à pausa, perfeição e segurança do que à exaltação de um jogo frenético, intenso e explosivo. O processo está no início e só deve ser avaliado mais tarde - a força motriz de qualquer equipa é ditada pelos jogadores, pela relação com o treinador e pelo compromisso de todos com a causa coletiva. Mais do que receber a bênção da estrutura, RV tem de afugentar as dúvidas e convencer a plateia da Luz, definir o destino e conquistar a autoridade com saber e bom senso. O Ajax do futebol total, para manter o exemplo inicial, foi fundado por Rinus Michels, o marechal intratável com tiques de ditador; mas foi Stefan Kovacs, o sábio romeno, dialogante e bem formado, quem conduziu a equipa até muito próximo da perfeição. Prova de que também é possível atingir o belo e a eficácia sem recorrer a gritos e maus modos."

Ética precisa-se

"O momento escolhido pela cadeia de televisão alemã ARD e pelo credenciado semanário britânico Sunday Times (cinco páginas) para divulgar um conjunto de dados sobre resultados de controlos anti-doping em Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, apresentados como duvidosos, não podia ser mais perturbador. Eles surgem quando o Comité Internacional Olímpico está reunido em Kuala Lumpur e a menos de três semanas do Congresso da IAAF, onde se irão processar grandes alterações nos seus órgãos directivos.
A ARD clama ter conseguido acesso a informação confidencial da própria IAAF sobre os 11 anos que mediaram entre 2001 (refira-se que apenas em 2000 foi desenvolvido um protocolo científico capaz de detectar a EPO e, portanto, só então se iniciaram os testes sanguíneos) e os Jogos Olímpicos de Londres-2012. Segundo a ARD, num conjunto de 12359 testes sanguíneos, realizados a mais de 5000 atletas, existem mais de 800 que sugerem, note-se sugerem, uma elevada probabilidade da existência de doping ou, pelo menos, devem ser considerados anormais. A maior incidência de anormalidade ocorre nas provas de meio fundo, fundo e marcha, nas quais, a percentagem atinge os 33 por cento.
Recorde-se que a mesma cadeia televisiva, em Dezembro, apresentara um documentário em que acusava, então, objectivamente, atletas russos. Os dados enviados para Comissão Independente da Agência Mundial Antidopagem provocaram a suspensão de diversos atletas e ao consequente pedido de demissão do cargo de Tesoureiro da IAAF, do então presidente da Federação Russa de Atletismo. Aliás na lista dos países eticamente menos limpos, na qual Portugal ocupa um muito pouco honroso 18.º lugar (8 casos de doping sanguíneo), a Rússia surge no topo da lista com 30 casos, seguido da Ucrânia com 28 e da Turquia com 27! Irão aquelas reportagens a tempo de refrear alguma falta de ética em Pequim?"

Carlos Cardoso, in A Bola

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Começar de novo

"Uma das fatalidades da idade adulta é perdermos a sensação de que podemos começar de novo. 'Não temos mais princípios', definiu com acuidade George Steiner, dando corpo a um sentimento de perda de esperança e de declínio da criatividade nas nossas sociedades. Talvez no contraponto a esta impressão de declínio se encontre a resposta para o deslumbre e a paixão gerados pelo futebol.
No futebol temos sempre mais princípios e as novas épocas iniciam-se em ruptura com as anteriores. De pouco serve a glória de vitórias passadas ou as taças erguidas há um par de meses. Agora, nada disso existe. Penso, claro está, no 'nosso Benfica', mas a verdade é válida para todos os clubes. Este novo princípio tem consequências desportivas e exige dos jogadores uma atitude competitiva permanente, mas vale em igual medida para os adeptos.
Pier Paolo Pasolini, que escreveu extraordinários textos sobre o desporto-rei, afirmou que 'o futebol é uma doença juvenil que se prolonga pela vida fora', para sublinhar que, tal como na infância, estamos sempre, em todas as jogadas, por mais estudadas ou treinadas, perante uma invenção, uma subversão dos códigos, algo de irreversível e irrepetível. Acrescentou mesmo que 'o futebol é a última representação sagrada do nosso tempo'. Uma combinação de ritual com evasão, que persiste, enquanto todos os outros ritos se encontram em declínio.
A ansiedade que chega com cada início de temporada, o entusiasmo com que vislumbramos indícios de um craque numa nova contratação ou a forma como contamos os dias até nos sentarmos de novo numa bancada são últimos redutos de uma vitalidade infantil que, em todos os outros lugares, se vai perdendo. O futebol regressa no domingo e voltaremos a ser crianças 'selvagens e sentimentais'. Saibam os jogadores estar à altura dessa responsabilidade."

O licenciamento de clubes

"A cruzada do Gil Vicente contra os incumpridores e pela igualdade desportiva, independentemente dos motivos e do timing, aplaude-se e suscita reflexão. Existem clubes/SAD que, aproveitando-se da ausência de regras adequadas quanto ao acesso, controlo e sancionamento, ofendem a integridade das competições e o direito ao salário dos jogadores. Sendo o futebol uma actividade empresarial regulada, que gera milhões, com impacto social, é aceitável que os infractores sejam beneficiados e coloquem em causa a credibilidade da competição? Não.
SE é certo que devemos ajudar os que, pontualmente, têm dificuldades, não é menos verdade que devem ser punidos e erradicados os que, reiteradamente, incumprem. Fazem-no escudados em clubes históricos que vêem o seu património delapidado. Acresce que não pagando, beneficiam de todas as vantagens de quem paga, nomeadamente da actividade do jogador e da sua imagem, bem como dos demais proveitos. Inaceitável.
COMO é então possível que este espectro atravesse as competições e as entidades competentes, Governo, FPF e, em particular, a LPFP e os clubes não ponham termo a este calvário? Na minha opinião, o futebol ganhou um estatuto que ninguém ousa questionar; porque este Governo, tendo maioria, não teve coragem; porque a LPFP na verdade não é entidade organizadora mas sim patronato; porque os clubes mais poderosos têm preferido o silêncio; e porque os clubes beneficiam, em diferentes momentos, deste regime escandaloso.
quem hipocritamente diga que a culpa é dos jogadores! Infelizmente, salvo em alguns casos, são vítimas. Dependem do salário, precisam do emprego, sofrem represálias, estão fragilizados. O ónus da prova do pagamento dos salários compete à entidade patronal. Não compete ao jogador. Ponto. O contrário é inverter esse ónus.
QUANTO aos jogadores que nunca passaram por esta situação, podem e devem ser solidários, porque um dia lhes poderá acontecer e porque todos os dias perdem o respeito que outros levaram anos a conquistar. 
DISTINGUINDO entre as instituições, clubes e dirigentes que merecem respeito e confiança, exige-se ao futuro Governo, à FPF, em especial à nova direcção da LPFP que em conjunto com o SJPF garantam um modelo eficaz.
NÃO fazer nada potencia, ainda, as más práticas, por exemplo, os resultados combinados. Um tema que, oportunamente, abordarei."

FIFA: organização criminosa

"1. Nino Pulvirenti, presidente do Catania, acaba de ser condenado, tanto pela justiça desportiva como pela civil que neste processo trabalharam em conjunto, de ter comprado na época finda 6 resultados (5 vitórias e 1 empate) de jogos da Série A. O que de nada serviu para evitar a despromoção directa. Mas como, entretanto, foi descoberta a traficância, o tombo foi ainda maior: caiu nos campeonatos regionais de amadores (Série D). Como é habitual por esta altura (menos por cá), em perigo de descida administrativa há mais 6 equipas, todas da Série B e Liga Pró, cujo (mau) destino será conhecido em meados deste mês. 
Tudo isto, porém, que não deixa de ser muito grave, são bagatelas em comparação com o que aconteceu e continua a acontecer durante o blatterismo da FIFA, ela que deveria ser o garante e último reduto da transparência e integridade. Vejamos porque não é:
a) ninguém, há mais de 20 anos, sabe quanto ganha Blatter: 20 milhões de euros/ano é uma cifra plausível;
b) a reforma do Organismo está blindada, tantos são os estorvos a ultrapassar;
c) entre 2011 e 2014 a FIFA arrecadou em receitas 6 mil milhões (!) de euros, mas ninguém sabe dizer onde esse vagão de ouro foi parar;
d) a International Board, criada há um século e meio, é um arcaico anacronismo;
e) a cadeira do departamento que mais milhões garante à entidade é ocupada pelo presidente do Botswana, Tebego Sebego, um cabeça de turco que nada risca;
f) a FIFA, que é (devia ser) uma entidade sem fins lucrativos, converteu-se numa holding que controla 12 sociedades, entre as quais hotéis, restaurantes, agências de viagens, museus de gastronomia...
E isto é apenas uma pequena amostra daquilo que se ignora.
2. Não é justo que um clube (Gil Vicente) que cumpre escrupulosamente as suas obrigações salariais, fiscais e sociais, seja penalizado em proveito de outros (V. Setúbal, Boavista...) para quem isso é chinês, que branqueiam com a pantomina de certidões mentirosas das Finanças locais. Toda a gente sabe disso."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Como nos filmes: Beleza Americana!

"A primeira viagem do Benfica (e de um clube português) aos Estados Unidos teve lugar em Agosto de 1957. Em dois jogos, o Benfica marcou 17 golos. Na estreia, em Fall River, venceu por 10-0 a Selecção de Nova Inglaterra. Abriu uma porta que continua aberta.

Não sei se é por causa das águias (cada um tem a sua), mas Benfica e Estados Unidos dão-se bem. Desde 1957 até aos dias que correm, as coisas passam-se como na velhinha anedota das voltas que o cão dá antes de se deitar: volta e meia há uma visita. Agora, no mês de Julho, eis outra.
Por todo o lado do grande país da América do Norte andou o Benfica nas suas digressões: de Nova Iorque («a city that never sleepes», como cantava o «Old Blue Eyes» de Hoboken) a Fall River, Massachusetts; de Los Angeles, EL Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula, a São Francisco da Golden Gate e dos eléctricos a lembrar Lisboa; de Boston e New Bedford e Foxborough pejadas de portugueses, a Hartford, no Connecticut; se San José, cidade-gémea do Funchal, a Providence e Pawtucket, Rhode Island; de Newark (do Ironbound) à minúscula e suburbana Secaucus, terra das cobras.
Como vêem, dificilmente algum clube estrangeiro conhecerá tão bem as terras do Tio Sam.
Mais de quarenta jogos realizados um pouco por toda a parte.
E agora, que mais uma vez demanda a América do Norte, falo do mês de Agosto de 1957 quando a águia vermelha para lá voou pela primeira vez.
Nenhum resultado poderia ser mais redondo: 10-0. Como nos filmes!
O adversário, pomposo, denominou-se Selecção de Nova Inglaterra.
Pois bem, Nova Inglaterra não é um Estado, não senhor, é uma região que inclui os Estados do Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Vermont. Enfim, tanto Estado e tão pouco Futebol, admiraram-se os portugueses nesse primeiro confronto.
A coisa foi de tal modo redonda e arredondada que, acabado aos 10, também mudou aos cinco como nas peladinhas de escola da saudosa infância: isto é, 5-0 ao intervalo.
Ameaços, havia-os. Quero eu dizer, os ameaços eternos de que um dia... um dia... os americanos serão, quando lhes der na veneta, os reis do Futebol do Mundo, tal como o são em tantos outros desportos. Leia-se a crónica da época: «Os Americanos teimam em não levar a sério o desporto que na América do Sul e na Europa mais apaixona as multidões. É possível que as periódicas visitas de equipas de reconhecida categoria - e o Benfica é uma delas - contribuam para que, embora lentamente, venham fazer com que se interessem a fundo pela prática do futebol. Será então, se assim suceder, um 'caso sério'...».
Sério? Será? Por mim, que leio esta lengalenga espalhada ameaçadoramente pelos jornais de todo o Planeta, espero sentado. Sempre é mais confortável.

Os golos do Águas e as fintas do Palmeiro
Como em tudo, o Benfica voltava a ser o grande pioneiro do Futebol português. Os norte-americanos já tinham tido a oportunidade de ver entre eles o famoso Vasco da Gama, do Brasil, e algumas das mais conhecidas equipas inglesas, por via da natural proximidade cultural, mas um conjunto lusitano era inédito.
Finalistas recentes de mais uma edição da Taça Latina (derrotado em Chamartín pelo Real Madrid por 0-1), os 'encarnados' disputavam em Fall River e Nova Iorque os dois encontros derradeiros de um digressão de mais de um mês (de 4 de Julho a 12 de Agosto) que os levava ao Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Santos e São Paulo.
Por isso, após pelejas competitivas contra Flamengo, o Santos, o América FC e o Palmeiras, «treinar» contra a tal Selecção da Nova Inglaterra era para meninos de colo.
E a estreia (em beleza) americana foi assim:
NOVA INGLATERRA - Nogueira; Sprinthorpe e Allison; Arruda, Martins e Bernardo; Furtado, Silva, Schattner, Felix e Miller.
BENFICA - Costa Pereira; Zezinho e Ângelo; Pegado, Serra e Alfredo; Palmeiro, Caiado (depois Azevedo), Águas, Coluna (depois Salvador) e Cavém.
Golos: 1-0, Coluna (10m); 2-0, Caiado (18m); 3-0, Águas (27m); 4-0, Águas (30m); 5-0, Bernardo na própria baliza (33m); 6-0, Salvador (49m); 7-0, Pegado (58m); 8-0, Azevedo (68m); 9-0, Salvador (78m); 10-0, Palmeiro (89m).
Composto por amadores, muito deles da grande comunidade portuguesa da região, o adversário do Benfica foi imolado como um cordeiro em Domingo de Páscoa. Mais de 15 mil espectadores puderam testemunhar e aplaudir a classe de Coluna, os remates de José Águas e as fintas de Salvador e de Palmeiro.
Abria-se uma nova porta para as viagens do Benfica que eram muitas e seriam cada vez mais, alicerçadas nos êxitos europeus dos anos-60.
Em Fall River, assinalava-se o 76.º encontro benfiquista fora do território português. Depois da presença em África e na América do Sul, inaugurava-se um novo Continente. O regresso só se daria nove anos mais tarde, em Agosto de 1966.
A despeito das fragilidades dos opositores, Otto Glória não baixou a guarda ao seu estilo profissionalão e rígido. As festas de homenagem, as visitas de cortesia, eram levadas a cabo pelos dirigentes e pelo técnico, mantendo-se os jogadores num internamento tão severo como se os jogos fossem a doer.
Apenas um cheirinho a folga em Newark, com direito a jantar na Cervejaria Ballentine e, em seguida, a uma recepção do Clube Português de Brooklyn. Jantar à moda de antanha, acrescente-se, porque o recolher era impreterivelmente às oito da noite.
Antes do regresso a Lisboa, no voo da Pan-Am, mais uma vitória: 7-2 sobre a Selecção da Liga Norte Americana, em Nova Iorque.
Depois voltava o campeonato e vinha a primeira participação na Taça dos Campeões Europeus.
Férias? Levava-as o vento..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma experiência inédita

"O Benfica inscreveu o seu nome em mais um capítulo da história do desporto. Para o alcançar juntou: uma bola branca, lâmpadas e uma banda de música.

No início da época 1919/20, 'O largo espírito de iniciativa do Benfica lançou o Clube noutra novidade para o nosso meio desportivo e, até, para a Europa (...)'. A proposta, bastante arrojada para a época, era nem mais nem menos que a realização do primeiro jogo nocturno, sob iluminação artificial em Portugal. A ideia partiu de Cosme Damião, que terá tido conhecimento dessa prática durante a viagem que efectuou ao Brasil em 1913.
O evento decorreu no dia 10 de Setembro, no campo da Quinta de Marrocos, que encontrava '(...) todo iluminado (...)'. Para o conseguir, foram utilizados 18 reflectores de 1000 velas, dispostos à volta do tereeno de jogo. Como complemento, nos camarotes e nas bancadas, foi instalado '(...) um número elevado de lâmpadas encarnadas e brancas, colocadas alternadamente, de modo a produzir excelente efeito de conjunto'. Após as 22 horas, teve início o desafio, disputado com o recurso a uma bola forrada a lona branca, para ser mais visível. Este jogo contou também com banda sonora, literalmente, pois 'Durante o desafio tocou uma banda de música'.
Para adversário, o Benfica convidou outros clubes da 1.ª categoria a formar um grupo misto. Apenas o Império de Lisboa, o Internacional e o Vitória de Setúbal aceitaram. Segundo O Sport Lisboa, o Sporting justificou a recusa alegando '(...) estarem os seus jogadores destreinados e não quererem jogar n'esta época de calor'.
Este jogo não foi caso isolado. Dez dias depois, repetiram a iniciativa frente ao Vitória de Setúbal. Ficou por aí. Os jogos nocturnos não voltaram a disputar-se em Portugal durante décadas.
No Museu Benfica - Cosme Damião encontra referência a este acontecimento na área 15. No caminho do tempo e no filme da área 29. O Voo da Águia, que estreou no passado dia 26 de Julho."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Benfica tem de tomar decisões

"O primeiro jogo oficial de Rui Vitória pelo Benfica vai ter ainda mais importância do que há um mês se julgava. Não é que a Supertaça esteja transformada num momento decisivo para a época dos encarnados (nem nada que se pareça), mas é natural que o desfecho do dérbi possa ter algum impacto nas decisões que terão de ser tomadas até ao fecho do mercado de transferências.
A questão que saltou para o centro da discussão é esta: 'Rui Vitória tem plantel para ser campeão?' Não há uma resposta simples. Aquilo que o Benfica perdeu, até agora, foram dois titulares de alto rendimento - Maxi Pereira e Lima - havendo ainda a possibilidade, muito forte de sair Nico Gaitán. As aquisições de Carcela e Taarabt estão longe de poder animar o adepto que já assistiu à partida de dois pilares da equipa bicampeã nacional e que ainda se prepara para dizer adeus ao melhor jogador do plantel.
Se nada for feito, é evidente que Luís Filipe Vieira falha a promessa feita ao treinador, que no dia da apresentação ouviu o presidente garantir 'os mesmos meios que outros tiveram'. Ainda há tempo mais do que suficiente para 'compor as coisas', até porque não está escrito em lado algum que é obrigatório os reforços chegarem no início da pré-temporada. Podem chegar no fim, como se viu há um ano, e o plano funcionar em pleno.
A partir de hoje, com o regresso da equipa a Lisboa, terá início a análise à longa digressão das águias. Independentemente do que vier a acontecer no dérbi de domingo, é quase certo que, pelo menos, um ponta-de-lança irá chegar. E quando Gaitán for à vida dele, Rui Vitória ficará a precisar de um novo criativo (muito) acima da média. De outra forma não parece possível que Jonas cumpra o seu maravilhoso sonho dos 40 golos."

MLS: Regras da Liga norte-americana de Futebol

"FIGURA 1
EQUIPAS               AVAN.           MC           DEF.               JD             TJD 
Kansas City $899,125 $3,210,915 $1,624,650 $1,365,352 $5,910,976 TG:$4,545,624
Phila. Union $1,373,232 $2,119,900 $1,495,019 $1,116,004 $5,578,401 TG:$4,242,397
Dallas $1,240,833 $2,025,067 $1,010,517 $602,400 $4,717,792 TG:$4,115,392
D.C.United $1,575,583 $929,584 $1,209,097 $175,000 $4,229,764 TG:$4,054,764
Montereal $1,168,459 $1,980,786 $1,003,042 $400,000 $4,444,287 TG:$4,044,287
NY City $6,224,375 $10,047,284 $1,315,796 $13,925,694 $17,800,368 TG:$3,874,674
Houston $780,000 $2,171,783 $1,774,041 $1,373,833 $4,988,491 TG:$3,614,658
Orlando $729,000 $8,433,719 $1,357,568 $7,507,000 $11,118,787 TG:$3,611,787
Columbus $2,015,021 $1,279,015 $1,082,636 $1,175,000 $4,685,015 TG:$3,510,015
Vancouver $1,549,990 $2,813,900 $1,288,917 $2,626,750 $6,095,377 TG:$3,468,627 
New England $1,155,210 $4,049,750 $1,067,875 $3,052,500 $6,516,090 TG:$3,463,590
Colorado $813,671 $1,879,998 $789,250 $349,500 $3,769,919 TG:$3,430,419
Salt Lake $606,667 $1,931,801 $1,294,704 $1,116,667 $4,328,255 TG:$3,211,588
Toronto $5,496,488 $14,526,593 $1,182,912 $18,365,556 $21,569,568 TG:$3,204,012
Portland $1,137,000 $1,979,616 $1,803,700 $2,214,000 $5,312,916 TG:$3,098,916
LA Galaxy $5,435,917 $11,357,383 $2,273,875 $16,382,512 $19,415,300 TG:$3,032,788
NY Red B.$770,000 $1,573,645 $1,031,391 $660,000 $3,676,728 TG:$3,016,728
Seattle $3,279,750 $2,175,819 $955,209 $3,789,667 $6,762,441 TG:$2,972,774
San José $2,327,611 $1,127,479 $1,082,540 $1,955,000 $4,785,380 G:$2,830,380
Chicago  $2,051,105 $2,944,273 $695,411 $3,208,605 $5,913,789 TG:$2,705,184
Legenda: AVAN: Avançados; MC: Meio-campo; DEF: Defesas; JD.: Jogador designado; TJD: Total jogadores designados; TG: Total garantido

Os jogadores que atuam na MLS obedecem a um tecto salarial. Foi também o que se passou na maior liga mundial de Basquetebol - a NBA - a qual teve inactiva quase uma época por razões de salários. Se fosse em Portugal o Governo tinha logo 'malhado'.
A criação de um limite financeiro aos ordenados, visa garantir um equilíbrio das finanças das equipas entre si, quanto aos recursos que possam ser alocados para as competições onde participam. Mas, no já longínquo 2006, a MLS, criou um compêndio legislativo, devidamente ratificado em Assembleia Geral, que ficou conhecido na origem como Designated Player Law.
Essa norma teve várias evoluções, sendo que actualmente podem existir até três jogadores que poderão ser pagos acima dos montantes máximos de salário de cada jogador e fazer ultrapassar no cômputo geral o limite máximo de salários por cada equipa.
Vejamos na Fig. 1 um quadro algo complexo sobre os montantes de salários totais auferidos pelas diversas equipas na MLS.
Que retirar deste aparente emaranhado de números?
Que o Toronto FC, o Los Angeles Galaxy e o New York City são de longe as equipas que gastam mais dinheiro com os três jogadores que são permitidos ganhar acima do tecto de salários dos outros jogadores. 
As regras são extremamente complexas - aliás tudo o que é Americano é complexo e muito regulado de forma casuística, mas a verdade é que funciona!
O salário máximo para um jogador normal é de $436.250.
A escala é dividida em 20 posições. O orçamento desses 20 jogadores não pode exceder os 3,5 milhões de $.
No entanto, os jogadores que estão na posição 19 e 20, poderão ter salários correspondentes até 18 vezes o valor do salário máximo que cada jogador pode ganhar.
Os jogadores que vão do 21.º ao 28.º, não contam para o máximo de tecto de salários.
Complicado? Muito!
Ora, do jogador 1 ao jogador 18, colocados numa escala, o máximo orçamentado tem de ser de 3,5 milhões de dólares, sendo que não poderão existir jogadores nesses 18, que individualmente ganhem mais de $436.250.
Os jogadores 19 e 20 desse Ranking, saem fora desse limite e permitem assim que sejam contratadas muitas estrelas, como foi o caso ultimamente de Steven Gerard.
Os jogadores 21 ao 28, não contam para o montante máximo de salários que a equipa pode auferir, sendo que há um terceiro jogador que pode auferir montantes superiores desde que a equipa pague uma verba à entidade organizadora.
Esse montante é de $150.000 e será distribuido por todas as equipas que não possuam esse terceiro Designated Player.
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Abre olhos !!!

Monterrey 3 - 0 Benfica

Mais um mau resultado na pré-época, mais uma exibição longe de convencer, em mais um jogo, onde até começamos bem, mas fomos perdendo qualidade...
A 1.ª parte foi equilibrada, é verdade que o Júlio César fez duas grandes defesas (na terceira foi assinalado fora-de-jogo), os Mexicanos ainda tiveram mais dois remates perigosos, mas o Benfica até teve o domínio territorial, e também criámos várias oportunidades: Nico (passe para trás parvo!!!) e Jonas de cabeça... além de remates de longe do Jonas, do Talisca e do Pizzi...
Ao intervalo, estava a ser um jogo positivo, mesmo sem extremos, mesmo com pouca gente e pouca criatividade nos últimos 15 metros, mesmo com muito espaço entre a nossa linha defensiva e a nossa linha de meio-campo, que permitiu os tais contra-ataques perigosos ao Monterrey, que o Júlio César safou...
No 2.º tempo os Rayados mudaram vários jogadores, entraram mais rápidos, e praticamente na primeira oportunidade marcaram (um livre lateral, onde a falta foi assinalada ao contrário!!! Algo 'normal'...!!!), pouco depois num penalty escusado do Pizzi (falhou o carrinho, e no chão tocou com a Mão na bola... por acaso até assistiu o adversário, que quase marcou, mas o árbitro marcou o penalty)... Logo a seguir vieram as substituições, e a equipa nunca mais dominou o jogo... E a Eusébio Cup, ficou no México.
De referir ainda a lesão do Luisão: mais uma vez a opção foi baixar o Fejsa para Central (os dois primeiros golos foram com o Sérvio a Central), noutros jogos o Samaris fez o mesmo. Com o Jardel lesionado, com o Luisão com dores nos abominais, e aparentemente sem confiança no Lindelof, fica claro para mim, que o empréstimo do César foi precipitado. O Luisão não está mais novo, será natural o nosso Capitão ter alguns problemas durante a época, ainda por cima o Luisão costuma demorar nas recuperações... Tendo tudo isto em consideração, ficar somente com 3 opções válidas é pouco. O Lindelof neste momento para mim, é um bom defesa-direito, que pode fazer de Trinco, mas como Central falta-lhe muita coisa...
Outro 'pormaior' do jogo desta madrugada foi a nossa faixa direita: Almeida/Talisca!!! Esta insistência do Talisca na ala...!!!

Recordo a estranheza pela desistência dos Corruptos da ICC. Com a imagem do espanhol desgastada, os Corruptos optaram por abdicar dos €3.5 milhões de euros, para terem assim uma pré-época mais fácil... O Benfica, Bicampeão, e com a potencial permanência do treinador, só tinha a ganhar quando aceitou a participação na ICC. Mas tudo mudou... Esta não era seguramente a pré-época que Rui Vitória queria... Temos os exemplos do Barça, do Man City, do próprio Chelsea que tiveram más pré-épocas, o Chelsea e o Bayern de Munique já perderam inclusivamente as respectivas Supertaças... Os nosso adversários internos, tiveram jogos muitíssimos mais fáceis: só o Valência com os Corruptos, e a Roma com os Lagartos (até ao momento, que o treinador dos Italianos resolveu substituir 8 jogadores em simultâneo, quando o jogo estava 0-0) foram adversários comparáveis com os opositores do Benfica (sendo que o Monterrey e o Red Bull, são de facto equipas com potencial mais baixo, mas com outro ritmo, e no caso dos Mexicanos com a hiper-motivação da inauguração do Estádio).. Mesmo os Ingleses do Crystal Palace e do Stoke são formações, de meio da tabela, formatadas para a Liga Inglesa, de valor real (esquemas técnico e tácticos muitos particulares), muito diferente das principais equipas Inglesas...
Dito isto, esta pré-época do Benfica foi preocupante. Qualquer Benfiquista, tem que estar preocupado... não podemos ficar cegos, principalmente a Direcção.
Tenho dito desde do início da pré-época, precisamos de um Lateral-direito, de um '8', de um Extremo (dois se o Nico sair), e de um Ponta-de-lança. Isto para não falar da tal situação do 4.º Central, nem do Defesa-esquerdo, já que um Sìlvio sem lesões, poderá ser a solução...
Espero que estes resultados negativos, sirvam pelo menos para o Benfica abrir os olhos!!! Mas além da definição do plantel, existe problemas na forma como a equipa está a jogar:
-afunilamento, sem extremos;
-pouca objectividade nos últimos 15 metros;
-pouca agressividade sobre o portador da bola;
-espaço entre linha defensiva e linha de meio-campo;
-indefinição do esquema táctico.
Durante anos, nunca compreendi as criticas dos Benfiquistas ao discurso bronco do Judas!!! Até parecia que o Benfica era um Clube da elite!!! O discurso equilibrado e politicamente correcto, do Rui Vitória não me incomoda, o facto dos jogadores gostarem mais da forma como Rui Vitória se dirige a eles, também não me deixa chateado, mas o mais importante, o fundamental, é existir disciplina, colectivo, objectividade e eficácia em campo... tudo o resto é folclore, a forma como os jogadores recebem a mensagem é indiferente, agora tem que haver mensagem...
O meu plantel seria: (1)Júlio, (2)Ederson, (3)Paulo; (4)Luisão, (5)Jardel, (6)Lisandro, (7)Lindelof (seria o César)!!!; (8)LD (contratação), (9)Semedo; (10)Sílvio, (11)Eliseu; (12)Samaris, (13)Fejsa, (14)Cristante, (15)Pizzi (ou Teixeira), (16)MC (contratação); (17)Carcela, (18)Gaitán, (19)Nuno Santos, (20)Guedes, (21)Ext (contratação); (22)Talisca, (23)Jonas, (24)Jonatahan, (25)PL(contratação).
Sendo que o André Almeida como polivalente, e o Salvio (obviamente) lesionado também podiam ficar no plantel... O Djuricic, e o Taarabt praticamente não foram opção, deixando em aberto a possibilidade do Mukhtar ser uma melhor opção!!!

Recordo ainda que a recuperação financeira do Benfica: pagamento e respectiva redução da nossa divida bancária, está dependente do nosso continuado sucesso desportivo... Por esta ordem e não o inverso. Títulos = retorno financeiro. Aliás, exactamente aquilo que temos feito nas últimas épocas...
Na próxima semana, vamos levar com o lançamento da Supertaça, como o jogo do século!!! Vai parecer que a época se vai definir no Estádio do Algarve!!! O mais importante neste momento é a definição do plantel e do esquema de jogo... A Supertaça é para ganhar, como é óbvio, mas não é decisiva. Se vencermos a Supertaça e não vencermos o Campeonato, ninguém se vai lembrar da Supertaça; se perdermos a Supertaça, e vencermos o Campeonato, nenhum Benfiquista ficará incomodado com isso.
O facto do Chelsea e do Bayern terem perdido as respectivas Supertaças este fim-de-semana, não foi o fim da época para as respectivas equipas, nem para os seus treinadores, mas tenho a certeza, que em Portugal, para o Benfica, será assim que será vendido o jogo, do próximo Domingo!!!

PS: O resumo que se segue parece ter sido feito nos estúdios da PorkosTV!!! As imagens não reflectem o que se passou no 1.º tempo: