Últimas indefectivações

sábado, 28 de janeiro de 2017

Vitória demasiado complicada...

Benfica 5 - 4 Sporting
(1-2)

Jogo difícil, principalmente por nossa culpa: primeiro a falhar golos atrás de golos... e a permitir contra-ataques; depois a conceder faltas 'perigosas' ao adversário; depois a falhar 'bolas paradas' em catadupa...
Tudo isto, demonstrando em todos os momentos ser melhor que o adversário, mesmo jogando abaixo do nosso potencial...
Ironicamente, e depois de vários de erros de arbitragem que prejudicaram gravemente o Benfica (2.º golo do Sporting; penalty logo no início do 2.º tempo não assinalado...; demasiados 'mergulhos' do Sporting sem respectivo castigo por simulação), acabou por ser o Sporting, a 'obrigar' os apitadeiros, a cumprirem as regras, e na parte decisiva do jogo, o Benfica esteve sempre em 'power play' (Girão, Tuco e depois a entrada de um jogador antes dos 2 minutos...), o que acabou por 'facilitar' a vitória!

Não estamos a jogar bem, a derrota com a Oliveirense já tinha demonstrado isso, mas é importante fazer os 3 pontos, mesmo sem jogar bem... Os jogos mais complicados serão nas últimas jornadas, mas antes disso temos a deslocação a Barcelos...
Barcelos na minha opinião, tem mesmo potencial para definir o Campeonato, é preciso ter muito cuidado...!!

Continuo sem perceber a razão do Nicolia marcar quase todas as 'bolas paradas', quando os penalty's deviam ser todos marcados pelo João e os LD's pelo Adroher!!!
Esta semana, falou-se no interesse do Benfica no Ambrósio (jogador do Lodi....) especialista nas 'bolas paradas', na minha opinião seria uma excelente contratação... e se o Diogo Neves regressar, então teríamos o 'problema' resolvido!!!

Vitória em Belém...

Belenenses 22 - 31 Benfica
(13-15)

Estamos nos 1/4 de Final da Taça de Portugal, competição que conquistámos o ano passado, e com um Campeonato sem play-off, a Taça é provavelmente o nosso 'principal' objectivo!!!
Depois da derrota no Campeonato a semana passada, era muito importante regressar às vitórias... e desta vez, não falhámos!

Invencibilidade...

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
25-16, 25-20, 25-21

A Fonte está claramente mais fraca, mas o Benfica hoje, fez um excelente jogo... poucas falhas, bem no Serviço, boa vitória...
Espero que o Gaspar não se tenha lesionado.

Empate em Barcelos...

Gil Vicente 1 - 1 Benfica B


Quando se falha 2 penalty's (Pêpê e Digui) e não se ganha o jogo, fica difícil encontrar razões para não ter conquistado os 3 pontos!!!

Muitas ausências: Dias, Dálcio, Joãozinho... e com dois Juniores de 1.º ano no onze inicial: Jota e Zé Gomes...

Vitória eléctrica !!!

Benfica 104 - 66 Eléctrico
20-19, 27-20, 30-12, 27-15

Regresso à 'nossa' realidade, com uma vitória fácil, que por acaso até começou com algumas dificuldades inesperadas... mas quando o Raivio e o Hollis saltaram do banco, as diferenças acentuaram-se!!!
Além do regresso aplaudido, após lesão, do Hollis... destaco em sentido contrário, o facto do Eléctrico ter conseguido 22 ressaltos ofensivos!!!

Uma Semana do Melhor... semana difícil!

Cadomblé do Vata

"1. Rui Vitória disse um dia que "às vezes os jogadores precisam de um abraço, noutras de uma marretada nas costas"... caro Rui tenho em armazém 3 ou 4 marretas, 3 martelos eléctricos e estou a 10 minutos do Estádio do Algarve.
2. Perder uma meia final de Taça da Liga deve ser como comer uma malagueta pela primeira vez... andamos anos a ouvir os consumidores habituais dizer que não custa nada, mas quando experimentamos ficamos de rastos, com azia e coração a mil à hora.
3. Definitivamente em 2017 não nos entendemos com o xadrez... nem vale a pena investirmos na F1, porque vamos-nos estampar sempre na última volta, na recta da meta, quando o nosso piloto começasse a vislumbrar o preto e branco da bandeira.
4. Caro Proença, lembras-te do "penalty" do Yebda? E do fora de jogo do Maicon?... então toma lá a tua final da Taça da Liga entre Moreirense e Braga a 600km do Minho, com 2 ou 3 mil espectadores. 
5. Com esta vitória sobre o SLB, o Moreirense está agora em excelente posição para vencer a Taça da Liga... caso saiam do Algarve com o troféu, à passagem por Lisboa podem pedir emprestada a vitrina que está no Museu do SCP à espera do 19º título, uma vez que por lá não vai ser utilizada nos tempos mais próximos."

Benfiquismo (CCCLXII)

Mais uma vez,
terá que ser mesmo,
contra tudo e contra todos !!!

Jogo Limpo... pela Ericeira!!!

Que sirva de lição

"A última jornada contra o Tondela mostrou quão difícil vai ser a caminhada na luta pelo almejado 36. Vamos ter um caminho difícil, em luta contra um FC Porto que nunca desiste. Boavista foi um aviso, Tondela foi um susto e Moreirense um pesadelo. Não tanto por ser a primeira alegria dos rivais esta época, mas porque temos que fazer mais. Há muito mérito dos de Moreira e há muito demérito do Benfica. A sorte e azar fazem parte do jogo. Esta prova é importante e não vencer é um fracasso. Ficamos pelos sete títulos. Sem meias tintas, parabéns ao SC Braga e ao Moreirense. Quando há mérito de quem vence, são ridículas outras explicações. Que sirva de lição para o resto da época, porque não foi por falta de avisos.
Não gosto de ver o Benfica a gerir o que ainda não ganhou, gosto de ver mais alma, mais vertigem, mesmo que isso tenha riscos. Bem sei que não é só na corrida ou na intensidade que se ganham os jogos, mas, a nível interno, é assim que temos que assumir o jogo.
Vendemos o Gonçalo Guedes por valores que não se podem recusar: €30 milhões é muito dinheiro para honrar compromissos e pagar as contas. Bom negócio, mas é de bons jogadores que se fazem os bons resultados.
Resta olhar o futuro que se chama Vitória de Setúbal, sem mais lamentações. Que venha o Fejsa rapidamente, porque faz falta e faz a diferença. Campeonato Nacional e Taça de Portugal são o que queremos vencer e não é pouco. Perceber que temos de fazer mais e melhor é o único caminho para lá chegar.
Uma palavra final para a categoria das declarações de Rui Vitória na hora da derrota porque ter classe na derrota também é motivo de orgulho.
Por fim um sublinhado para Roger Federer: com 35 anos, numa final de um Grand Slam, recordes atrás de recordes, do melhor jogador de todos os tempos, uma lenda do desporto."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Vitória fora do campo

"Tenho por hábito, quando regresso a casa do Estádio da Luz após um jogo da nossa equipa, utilizar a funcionalidade das gravações automáticas para ver o chamado pós-jogo na BTV. Pelas entrevistas, pela conferência de imprensa, pelos melhores lances da partida... Enfim, por se tratar da extensão do triunfo benfiquista que tive o prazer de desfrutar no estádio.
A excelência da transmissão, enormemente beneficiada pelo tratamento jornalístico respeitador do código deontológico do jornalismo, que muitos duvidaram extemporaneamente que viesse a acontecer, além de se tratar de verdadeiro serviço público, engrandece, mesmo por isso, o Sport Lisboa e Benfica. Ser grande, mais que uma questão de dimensão ou de pregação de grandeza, passa sobretudo por atitudes.
No passado fim-de-semana, houve uma novidade. O novo formato da entrevista ao Rui Vitória foi tão surpreendente quanto útil. Em meia hora, o nosso treinador revelou o seu ponto de vista acerca da partida e incidências da mesma. Numa linguagem clara e inteligível, falou de futebol e de dinâmicas de grupo. Quem assistiu à entrevista ficou a perceber um pouco mais do jogo. Mas sejamos claros. Este formato arrojado, por ser inovador, só é possível por Rui Vitória ser o nosso treinador. Creio até que o departamento de comunicação do SLB, também de parabéns pela iniciativa, confiante na capacidade de comunicação de Rui Vitória, pouco terá hesitado em permitir este género de exposição. Vitória, quando fala, nem dá pontapés na gramática, nem se deixa enredar em auto-elogios. Muito menos encadeia citações de manuais de auto-ajuda. Tem ideias e sabe transmiti-las. E o Benfica ganha com isso."

João Tomaz, in O Benfica

Vai em frente, Guedes

"Todas as semanas são decisivas no SL Benfica. Esta é apenas mais uma. É a semana em que se disputa a final four da Taça da Liga. É a semana em que a equipa principal de futebol também irá a Setúbal lutar por mais uma vitória. É a semana em que as diversas modalidades continuarão a lutar para serem campeãs. É uma semana normal no Glorioso, um clube onde a filosofia é a vencer. Vencer em campo, vencer nas bancadas, vencer no mundo dos negócios.
Esta é a semana em que ficámos a saber que Gonçalo Guedes está de saída do Benfica. O miúdo, que me habituei a ver nos jogos dos escalões de formação - transmitidos pela BTV -, vai a caminho de uma carreira internacional. Que tenha sorte e que no próximo clube sinta o carinho, a paciência e o profissionalismo que experimentou no Benfica.
Querem que seja sincero? Não acredito que o vá sentir. Vai ter outros desafios e outras experiências, mas nunca será protegido como em sua casa. Vai ter sucesso, claro, mas vai ter sempre este termo de comparação de excelência que é o actual Sport Lisboa e Benfica.
Foi esse o problema de Lazar Markovic, um outro abençoado do futebol que fez as malas nesta semana para fugir de Portugal. Mas pela porta pequena. Saiu do Benfica por não resistir ao sonho de jogar no Liverpool e falhou. Acabou emprestado ao actual quarto classificado do campeonato português e sai agora quase escorraçado depois de ter sido apresentado como uma alfinetada no Glorioso. Não foi nada disso, foi mais um flop em Alvalade.
Dois jogadores, duas realidades, uma lição para o futuro. Guedes, não te deslumbres e mantém o profissionalismo que faz parte de ti o que reforçaste no SL Benfica."

Ricardo Santos, in O Benfica

Concentração e união

"O folclore mediático a que temos assistido no outro lado da Segunda Circular, serve para nos divertirmos, mas não pode desviar-nos daquilo que é essencial.
Importa lembrar que o Benfica não tem dez pontos de avanço. Tem apenas quatro, sobre um adversário que parece estar em crescendo, tanto em futebol jogado, como em ajudas dos árbitros – os últimos jogos têm evidenciado, quer uma, quer outra coisa.
O Campeonato é muito longo. Faltam 16 jornadas, que serão 16 difíceis finais.
Temos dirigentes, estrutura, treinador, jogadores, sócios, adeptos e confiança mais do que suficientes para alcançar os nossos objectivos. Mas só com absoluta concentração lá chegaremos. Qualquer deslize pode ser fatal. Basta lembrar 2013, para se perceber o pouco que valem quatro pontos. Na altura, faltavam apenas três jogos…
É tentador olhar para o lado, e ver um circo de espalhafato, incompetência, irresponsabilidade, gritaria, vazio e fracasso, da parte de quem tanto fez para nos abater. Quase sabe a justiça divina. Têm o que merecem, e julgo que a vida lhes irá correr ainda pior nos próximos tempos.
Devemos, porém, olhar por nós, e para nós. E olhar para a frente, não para os lados.
Nesta caminhada rumo ao “Tetra”, além do FC Porto, o triunfalismo pode ser o mais perigoso adversário do Benfica. Se o deixarmos entrar, estaremos a permitir que o rival nortenho se aproxime com ele.
Não nos inebriemos, pois, com os males de quem ficou lá para trás. Esqueçamo-los. Ignoremo-los. Estão onde, afinal de contas, sempre nos temos habituado a vê-los.
A nossa luta é outra, e vai ser muito dura. Ninguém duvide disso."

Luís Fialho, in O Benfica

Merci, Gonçalo!

"A transferência de Gonçalo Guedes para o Paris Saint-Germain é a prova provada a excelência da Formação do Sport Lisboa e Benfica. Gonçalo Guedes nasceu, cresceu e evoluiu no Maior Clube Português. Durante 15 anos, o talentoso jovem de Benavente deliciou-nos com jogadas fantásticas, com assistências ímpares, com golos decisivos e foi determinante na conquista de vários títulos em vários escalões. Gonçalo Guedes é mais um produto 'made in Seixal' que vai levar por esse mundo fora aquilo que o Glorioso faz melhor - Formação de Jogadores de Elite.
Com apenas 20 anos de idade, Gonçalo Guedes tem tudo para dar certo. Grato como é, Gonçalo sabe que deve muito aos treinadores com quem trabalhou, em especial Rui Vitória, e tem a perfeita noção de que foram eles que lhe permitiram chegar ao topo do futebol nacional e internacional.
Perante o maior desafio da sua carreira. Gonçalo sabe que só triunfam aqueles que trabalham todos os dias com dedicação, aplicação externa, abnegação contínua, com responsabilidade e motivação na busca incessante de melhores resultados e da excelência. Foram estes valores que aprendeu o resto da sua carreira desportiva.
Há um aspecto pouco destacado em que Gonçalo sempre se revelou único - o orgulho em pertencer à maior instituição portuguesa. Gonçalo sai do Benfica, mas o Benfica não sairá dele.
Por isso, ele será mais um dos nossos grandes embaixadores por essa Europa fora!
A palavra que mais me apetece dizer a Gonçalo Guedes, neste momento, é muito simples - merci!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Miss Piggy

"A Miss Piggy voltou aos palcos da ribalta. Agora apareceu a falar na primeira pessoa e, com ajuda da linha editorial, numa complacência aflitiva, começou a disparar fogo pelos olhos envenenados.
É realmente com confrangedor ouvir vociferar contra calúnias, através de difamações. É tipo 'eu nunca faço mal a ninguém, mas os meus fins-de-semana são passados a bater nas pessoas'. Melhor seria acrescentar 'eu não faço mal a ninguém - durante a semana'.
Sinceramente, fartei-me de a (o) ouvir! É que já nem consigo olhar para a sua cara sem me fazer imediatamente recordar o feriado infantil de fantoches com o seu apogeu na célebre Miss Piggy.
Se o ridículo fosse petróleo, estávamos todos ricos. Só que não é petróleo. Afinal é má educação! E grande abstinência literária!
A loja das antiguidades acaba por ser perpassada por alguns, poucos, intervenientes que se acomodam a fazer-nos lembrar que o mundo é habituado por uns quantos energúmenos. Aquela carinha não engana ninguém!
Por mim, podem continuar a vociferar, mas por favor, vão vociferar, para muito longe daqui. Por qué no te callas?!
Por favor!
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Questões

"Era uma vez um filósofo. Esse filosofo fazia a apologia da seguinte tese (cito de cor): «Há mais progresso nas questões postas do que nas respostas encontradas». Tendo a manifestar uma concordância de princípio. Mas, como em tudo o mais na vida, é sempre um risco tomar como certezas adquiridas o que podem ser meras proclamações de generalidades ou formulações abstractas. Por mim, o que sei de ciência certa é que quanto mais procuro saber menos certezas tenho. Talvez por isso não seja totalmente despiciendo fazer passar afirmações vagas ou exercícios efabulatórios pelo filtro da concreta experiência da vida real. Voltemos ao nosso filósofo. Exemplifiquemos o tema com uma concreta situação verídica e outra hipotética abstracta. Assim: diz-se que Hugo Ventura poderá abandonar o Belém ainda nesta chamada janela de transferências. E então? Então isso poderia permitir aos azuis o que, presumo, deve ser um recorde mundial. Como assim? É que não me ocorre mais nenhum caso de algum clube que tenha mudado 4 (quatro!) guarda-redes em meio campeonato. Lembro que ainda não estava concluída a primeira volta e já tinham abandonado o Restelo os guardiões André Moreira, Rafael Veloso e Joel Pereira. Note-se também que Ventura, apesar de ter sido formado nas escolas do Dragão, não é um dos cinco (Fabiano, Ricardo Nunes, Sinan Bolat, André Fernandez e Kadu) guardiões que o FC Porto mantém sob contrato mas que não fazem parte dos plantéis das equipas A e B. A questão, muito singela, é a seguinte: Como é tudo isto possível? Simulemos agora uma pergunta de algibeira: se no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira, não será de admitir o recurso ao polígrafo?"

Bagão Félix, in A Bola

Fim da 'ditadura' na Taça da Liga

"Surpresa no Algarve, o Moreirense derrotou o Benfica e vai disputar, com o SC Braga, a final da Taça de Liga, colocando ponto final na hegemonia encarnada nesta competição. No futebol português contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que o final de uma prova nacional não teve a presença de um dos três grandes e, embora quer a presença de público no Estádio do Algarve no domingo, quer a audiência televisiva da final, inevitavelmente, venham a ressentir-se da ausência, neste caso, do Benfica, estamos perante um sinal de irreverência que pode ser exemplo para os underdogs do nosso futebol. Parabéns pois, Moreirense!
Quanto ao Benfica, em pouco tempo foi o segundo aviso à navegação. Primeiro, foi o Boavista a marcar três golos de rajada aos encarnados; ontem, novo apagão da equipa de Rui Vitória e mais três golos na virada do Moreirense sobre o tricampeão. Ou seja, estamos perante sinais de um padrão de desconcentração competitiva do Benfica que, nesta fase crucial da temporada, deve ser levado muito a sério pelos responsáveis encarnados. Está a faltar qualidade na circulação de bola do Benfica e a qualidade defensiva da equipa decaiu bastante. A explicação pode ser encontrada, parcialmente, na ausência de Fejsa, o pêndulo da equipa, mas não será só por aí que o Benfica está a claudicar. Os encarnados estão a pagar o preço das rotações constantes, especialmente nas alas, no binómio lateral-extremo, traduzido em faltas de rotinas que penalizam a equipa; e, sejamos absolutamente claros, torna-se difícil ao Benfica ser eficaz sem que, ou Mitroglou ou Jiménez estejam em campo."

José Manuel Delgado, in A Bola

Prémio justo para Rui Vitória

"Luís Filipe Vieira decidiu renovar já com Rui Vitória. O treinador - tinha contrato até 2018 - ficará agora ligado ao Benfica por mais três anos, vendo também o seu ordenado aumentado. Percebe-se que o assunto não seria prioritário (não quero dizer que Vitória não tenha mercado lá fora, deve ter, em especial por aquilo que os encarnados têm feito na Champions sob o seu comando), tratou-se acima de tudo de premiar um treinador que pegou na equipa um momento delicadíssimo e contra todas as previsões provou toda a sua competência. Justíssimo, portanto, que Vieira tenha reconhecido e excepcional trabalho desenvolvido por Rui Vitória ao longo deste ano e meio. E a verdade é que se o Benfica tinha um treinador barato, não é pelo aumento que lhe deu agora que assim deixará de ser.
É público que a chegada de Vitória à Luz representou uma redução significativa do peso salarial no que à equipa técnica diz respeito. Para não falar em números exactos, digamos apenas que aquilo que o novo treinador ganhava em três anos era menos do que Jesus auferia numa época apenas. E a verdade é que em nada essa troca afectou o Benfica. Não a nível desportivo, muito menos no aspecto financeiro. Aliás, o encaixe que o clube da Luz fez em 2015/2016 com a chegada dos quartos de final da Liga dos Campeões e já este ano, em que está nos oitavos, daria quase 50 anos de contrato com Rui Vitória. Se a isso juntarmos as vendas de Renato Sanches e Gonçalo Guedes (estes dois em especial, porque a sua ascensão teve muito o dedo do treinador) percebe-se que não é injusto o meio milhão que o Benfica lhe pagará a partir de agora (são esses, mais coisa menos coisas, os números de que se fala). Pelo contrário. Mesmo que lhe dobrassem o vencimento, Rui Vitória continuaria a ser um treinador barato. E que dá muito lucro. E a derrota de ontem não muda nada..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Compromisso

"O clima de desconfiança que se cria entre os intervenientes de um jogo de futebol  leva à descredibilização do próprio jogo. Temos de fazer um pacto de regime de pretendemos criar condições de desenvolvimento para o negócio. A Liga está a fazer um esforço para que a terceira competição nacional, a Taça da Liga, seja levada de forma mais séria por todos, e assim criar valor.
Sou defensor desta tentativa séria de valorizar a competição, bem como de se perceber que valorizando as competições se caminha no sentido de se reduzir a diferença abismal entre os concorrentes. Só equilibrando as competições se consegue o sucesso. Isso obriga a melhorar aspectos que já não correm muito bem nas duas outras competições nacionais. Não podemos dar indicações para que as regras sejam cumpridas de forma rigorosa, e na prática as mesmas sejam interpretadas de forma leviana. Quando se pede a um treinador que dê indicações à sua equipa para que os jogadores tenham cuidado com os tackles, com as entradas por 'cima' ou com o agarrar da camisola do adversário, entre outras, não se pode deixar de ser rigoroso do primeiro ao último minuto na aplicação das regras. As faltas puníveis disciplinarmente têm uma influência decisiva no decorrer do jogo. Evitar a punição nos minutos iniciais leva a que a equipa que sofre as faltas fique desconfiado da atitude de quem dirige a partida. Assim se cria um clima de conflito, provocado muitas vezes por quem dirige, que nos leva a atitudes verdadeiramente negativas. Acreditem que a frio não ficamos satisfeitos. O que se diz a uma equipa à qual se pediu para cumprir as regras... se essas regras depois não são cumpridas?
Dizem que é para controlar, mas só descontrolam quem sente a injustiça. Seria bom que todos os agentes tivessem a oportunidade de jogar e sentir essa injustiça. Perceberiam a revolta. Não se trata de criticar erros técnicos, melhor aceites, mas da aplicação diferenciada das regras consoante o momento de um jogo."

José Couceiro, in A Bola

Benfiquismo (CCCLXI)

Convocatória, para o treino
em 9 de Março de 1905 !!!

Aquecimento... rescaldo da eliminação

Vermelhão: Intervalo suicida !!!

Moreirense 3 - 1 Benfica


Foram 9 anos sem derrotas na Taça da Liga, algum dia teria que acontecer... pena, ter sido hoje, num jogo que estava totalmente ao nosso alcance...

Apesar de várias alterações no nosso 11, a derrota deveu-se essencialmente a uma entrada suicida na 2.ª parte... Cometemos demasiados erros, e depois faltou calma para rectificar... O 'politicamente correcto' vai dar naquelas analises vazias de sentido, onde quem marca merece sempre ganhar, mas o Benfica mesmo com todos os erros defensivos, fez mais do que o suficiente para vencer o jogo: as oportunidades desperdiçadas chegaram a parecer ridículas... Podíamos ter marcado  6 ou 8 golos facilmente, mas os postes, a falta de pontaria e o guarda-redes adversário, não permitiram... O Moreirense nas primeiras 3 verdadeiras oportunidades, marcou 3 golos!!!

Marcámos cedo, e isso talvez tenha ajudado a transmitir a ideia de 'facilidade'... mas mesmo com uma rotação baixa, podíamos ter marcado mais 2 golos na 1.ª parte...
Depois do intervalo, tivemos o tal período 'suicida'... cerca de 10 minutos, mas depois até final, com muito coração, pouca organização e pouca cabeça (e com o anti-jogo nojento pelo meio), foi um massacre de oportunidades falhadas... a maior parte de forma inacreditável!!! E nem o diluvio no final ajudou...
Com as lesões do Fejsa e do Horta, as nossas opções para o meio-campo ficam muito reduzidas!

No meio disto tudo, tivemos uma falta ofensiva na área do Benfica não assinalada no 2.º golo do Moreirense; no 3.º acho que estava fora-de-jogo, mas a RTP não quis tirar as dúvidas... já no 1.º a bola só entrou porque o avançado adversário falhou o remate!!!!!
Aliás a diferença como são assinaladas faltas ofensivas nos Cantos (ou Livres Laterais) na área dos nossos adversários, comparado com o que acontece na nossa área, é nojento...
Isto além do anti-jogo aberrante, constante, com uma inacreditável quantidade de mergulhos para a piscina...

Vários jogadores tiveram 'paragens cerebrais', o Jardel por ser um dos mais experientes surpreendeu-me... o Ederson também tomou algumas decisões erradas... e não é nada habitual, o desperdício do Jonas!!!

Este era um daqueles jogos, onde uma vitória seria sempre considerada normal, e uma derrota poderá ser transformada num descalabro!!! As tentativas de desestabilização são muitas, o resultado desta noite será usado nesse sentido, mas o Benfica sabe perfeitamente qual é o objectivo da época... e neste caso, o grande objectivo é já na próxima Segunda-feira em Setúbal... Com o Nelsinho, com o Luisão, e com o Mitro ou o Jiménez no 11 inicial! E já agora, o regresso do Fejsa seria uma boa notícia... estes golos sofridos de rajada em vários jogos, para mim, devem muito à ausência do Fejsa!!!

PS: Normalmente, neste ocasiões não tenho 'pedidos especiais', mas o comportamento de vários jogadores e do banco (chegaram a atirar uma bola para dentro do campo, para retardar o reinicio do jogo), espero que o Braga vença a 2.ª Taça da Liga no Domingo!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Gestos que fazem um grupo

"Um bom treinador faz um grande grupo (em antítese da grande verdade de que só os maus líderes fazem «fraca a forte gente»)

Marcelo Rebelo de Sousa: um presidente à Benfica
1. Completou-se, anteontem, um ano desde a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa. Um Presidente à Benfica (embora seja do Sporting de Braga)!
Parabéns, Senhor Presidente da República!

Unir para formar uma equipa
2. Recentemente, Rui Vitória afirmou (e muito bem) que é de «pequenos pormenores que se fazem grandes equipas».
Como os momentos como os que todos presenciámos, nos últimos jogos do Benfica, a provar a tal união, que ajuda a ganhar.
E o que ele está - novamente - a fazer é construir uma nova e grande equipa.
À semelhança do que aconteceu a época passada, quando a maior parte o olhava com desconfiança e com descrença na sua capacidade de ganhar e de construir uma equipa.
Um grupo!
Aquelas palavras foram ditas num determinado contexto, imediatamente após um gesto de grande profissionalismo, de solidariedade e de entreajuda de um jogador para com um colega seu.
No jogo com o Leixões, para a Taça CTT, quase via postal, Jonas - o marcador habitual de grandes penalidades - cedeu a Mitroglou a marcação de um penalty.
Um gesto que não passou a ninguém em claro.
Como não passou, também, em claro a reacção do banco ao grande golo de André Almeida, nesse mesmo jogo.
Ou, no jogo de domingo passado, frente ao Tondela, os festejos do primeiro golo, após as dificuldades iniciais.
Ou, ainda, e também nesse jogo,pela forma como vibraram com o golão de Rafa - por ter sido, efectivamente, um grande golo, de levantar o estádio, e por ter sido ele, em particular, a marcar... o seu primeiro de muitos (como esperamos) ao serviço do Benfica.
Gestos e reacções que fazem um grupo.
E que significam muito a quem assiste, mas sobretudo para quem os orienta e lidera.
Porque, na verdade, um bom treinador faz um grande grupo (e antítese da grande verdade de que só os maus líderes fazem «fraca a forte gente».)

Benfica - Tondela
3. No passado domingo repetiu-se o que tem acontecido nos últimos jogos. Uma primeira parte com muitas dificuldades para ligarmos os vários sectores - inclusivamente as diversas fases ofensivas - que teve consequências na última linha.
De facto, no primeiro tempo, o Benfica não conseguiu desmontar a estratégia do Tondela.
Mérito para o adversário, que nos criou imensas dificuldades, evitando quase sempre lances de perigo, mas, essencialmente, grandes oportunidades para o Benfica, anulando qualquer tipo de movimentos.
Quase irrepreensível - até a defender, embora não espelhado no resultado - esse Tondela!
Uma equipa muito coesa defensivamente.
Por outro lado, tão decisivo quanto a estratégia defensiva, o antijogo do Tondela, concretizado, sobretudo, pelo seu guarda-redes.
Ao invés, uma segunda parte totalmente diferente: dinâmica e com grande ligação entre sectores.
Como se houvesse todo um novo mundo.
Porque passámos a ter o que nos faltara: as movimentações e... os golos.
Jogando e fazendo jogar.
De forma criteriosa e com grande rigor.
Com pormenores extraordinários.
Só assim se conseguiu ultrapassar a estratégia do adversário - e as várias assistências ao seu guarda-redes (uma por cada 2 defesas... já para não falar na eternidade que precisava para marcar cada pontapé de baliza)!
Com aquele adicional de alma à Benfica, porque - como tenho vindo a dizer - só um Benfica assim, em cada jogo, ultrapassará toda e qualquer adversidade.
Um Benfica feito de jogadores a transbordar de mística - mesmo que não tenham aqui nascido, mas que aprenderam a ser do Benfica - que também farão dessa mesma raça e do seu querer um Benfica (tetra)Campeão.

Os passos de uma longa caminhada
4. Este será o nosso maior desafio: o tetra. E, para que isso possa acontecer, só com um Benfica forte e unido. Sem que seja necessário o Presidente e o Treinador prometerem títulos (até porque, sabemos agora, promessas dessas só no tempo do Apito Dourado... por muito que isso custe a alguns).
Ganhar é o nosso objectivo.
Estamos a meio de uma longa caminhada.
No caminho para o sempre ambicionado tetra.
Com plena consciência dos obstáculos que teremos de ultrapassar.
Sem desvalorizar ou menosprezar nenhum dos clubes que nos irão defrontar.
Mas sabendo que a decisão deste campeonato passará, muito, por Braga, onde iremos na 22.ª jornada, mas por onde passarão todos os outros candidatos nesta segunda volta.
Ainda falta muito campeonato.
E muitos pontos para discutir, para ganhar, perder e recuperar.
O que se avizinha não será fácil.
E se não o será para nós, imaginem para outros candidatos que não jogam nada e cujo plantel vale muito menos que o nosso.
E que vão entrar num ciclo de jogos de enorme dificuldade: deslocação ao Estoril; recepção ao Sporting (o que me vou rir... o Sporting, a partir de agora, a só se preocupar com Braga e Porto, pela aspiração recentemente actualizada) e deslocação a Guimarães.
A tal superequipa, a quem - segundo os próprios - não assinalam 2 penalties, em média, por jogo, ou mais, especialmente quando não ganham... porque jogam muito pouco.
Ou seja, por culpa e incompetências próprias.
Mas com muita permissividade dos árbitros.
Porque nunca os ouvi confessar que foram beneficiados, apenas muito prejudicados quando o normal é acontecer o contrário... como no fim da semana passada.
Com a certeza de que farão tudo o que puderem para nos condicionar, impedindo o nosso treta.
Por isso, não tenho dúvidas: vamos voltar a ter de recorrer ao «olho por olho, dente por dente».
Seja contra quem for.
Acreditem!

Gonçalo Guedes
5. Gonçalo Guedes foi o mais recente menino bonito da Luz, lançado, a par de outros tantos jovens jogadores, a partir da nossa formação.
O menino que se impõe como um dos imprescindíveis da equipa (e dos sócios e adeptos)!
Não obstante as adversidades que foi tendo ao longo do seu percurso, nunca teve receio do desafio.
A par de Bernardo Silva, André Gomes, Renato Sanches, Lindelof, Nélson Semedo, entre tantos outros, fez da ambição, vontade e disponibilidade as suas maiores armas.
Sendo, efectivamente,uma aposta ganha.
Demonstrando que, no Seixal, se consegue conciliar o crescimento com mudança de paradigma, mas, muito especialmente, formação com vitórias.
Esta semana soube-se que Gonçalo Guedes sairia para o Paris Saint Germain.
Continuará a jogar entre os melhores.
E será, certamente, bem recebido por Angel Di Maria, para, nas horas de lazer, procurarem saber novas do seu - deles - Benfica.
Do Benfica, de nós todos, fica a gratidão (mútua, por certo) e a promessa de o queremos ver em Maio, juntamente com Renato Sanches, no Marquês
- Miklos Fehér.
Fez ontem... 13 anos!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

O intruso mercado de Inverno

"Lá tem de ser. Mais um defeso invernal, entre dois defesos de Verão. Como o tempo corre e a distância entre defesos escasseia, as movimentações, especulações e outras operações alimentam as notícias de futebol dia-sim, dia-sim. Agora ainda mais vincadamente por ter surgido um intrigante el dourado chinês, para gáudio do regime chinês (ainda oficialmente comunista!) e de várias placas giratórias em regime de bitola comissionista. Sou absolutamente contra esta janela (é assim que se diz, não é?) de transumância desportiva. Vicia a lógica de temporada, põe jogadores em roda-viva antes, durante e após, agrava o fosso entre os poderosos e os outros, trata atletas como mercadoria, hoje podem estar aqui e amanhã são recambiados para sítios de que nunca ouviram falar. 
Presentemente, há uma renovada modalidade de negociar em Janeiro para transferir no Verão. Uma espécie de mercado de futuros, com entrega a prazo e preço acordado agora. às vezes, acompanhado de derivados, mais conhecidos por sobras ou monos. Confesso que também não me agrada esta forma de transaccionar, com os atletas a estarem meia época num limbo futebolístico e a pensar mais nas possíveis lesões do que nas boas exibições.
Bem sei que a estabilidade de um plantel já não é o que era. Agora é uma miragem, de tal sorte que quando me quero lembrar de atletas de há poucos anos nos clubes que mais acompanho, me vejo em palpos-de-aranha, não podendo atribuir tudo ao natural desgaste memorial.
Mas entre aquela estabilidade que já não volta e a total instabilidade que se acelera, não haverá mesmo um meio-termo?"

Bagão Félix, in A Bola

Futebol traído?

"O futebol cria ídolos, heróis, mitos e “deuses”.
Uns são efémeros, outros perpetuam-se numa fusão perfeita com o tempo.
Como desporto tem a sua memória, a sua história, o seu património genético.
Ao longo dos tempos, foi-se construindo, emancipando, evoluindo num constante desafio, sempre sem perder a matriz, os referenciais que lhe dão sentido e que o tornam a única linguagem comum planetária. Ganhou independência, tornou-se o maior fenómeno global, mantendo a sua especificidade sem perder heranças ancestrais na sua base, no seu quotidiano, numa cúmplice e intensa relação entre: memória – presente – possibilidades de futuro.
Quando se perde a memória, perde-se o rumo, perdem-se importantes parcelas da vida, experiências e aprendizagens indispensáveis para a sustentabilidade, encurtando assim o caminho para potencial caos. O futebol estruturou-se em termos de hierarquias, de regras e de funções, de forma local e global, muito antes de se falar de globalização (FIFA: 209 Federações; ONU: 193 países).
Jogo de emoções e de paixões, envolvendo directamente um enorme número de pessoas (jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros, médicos, terapeutas e massagistas, intermediários, técnico de instalações, de equipamentos e muitos mais) e uma enorme quantidade de outros que também interferem com o futebol e que o ligam à investigação, ao ensino, às estruturas do poder político, ao marketing, aos patrocínios e ao negócio.
O futebol é, portanto, um mundo dentro do universo.
Desde cedo, evidenciou características que permitem uma crescente progressão e potencialidades de concretização de valores humanos essenciais: solidariedade, vontade de superação, tolerância e integração, reconhecimento justo da competência.
Muitos exemplos da história da humanidade o comprovam.
Claro que, por vezes, surgem distorções, desvios vindos de fora e que se mediatizam em função de uma “colagem forçada” (para servir fins pouco dignos) de grupos com interesses definidos e alheios ao futebol (mesmo que pretendam dar a ilusão de proximidade que nunca é real mas antes estratégia para esconder os verdadeiros objectivos).
Ao longo dos tempos, muitas imagens perduram, muitos títulos e troféus se contemplam, mas são as equipas e os ídolos que, endeusados pelos feitos que conseguiram “oferecer” ao jogo, marcam épocas e são referências que vencem o tempo.
Alguns mantêm-se actuais pelos contributos com que enriqueceram o jogo, outros perderam-se em “tentações” que contariam a sua marca de genialidade como jogadores e que marcam pela negativa o que passaram a fazer contra o futebol.
Sinais dos tempos? Penso que não, provavelmente egoísmos, ambições desmedidas e muitos esquecimentos. Todos os “deuses da bola” atingiram a dimensão universal graças ao jogo e à memória dos adeptos e da comunicação social.
No campo, jogavam de forma brilhante, fantástica, com a simplicidade de beleza única, com elegância, sempre com a arte de encantar.
Pelé, Garrincha, Eusébio, Yashin, Maradona, Johan Cruyff, Beckenbauer, Platini, Ronaldo, Messi, Cristiano Ronaldo, entre muitos outros de uma lista infindável, são intemporais…
No campo atingiram o “paraíso”, mesmo que nas suas vidas alguns tenham encontrado um universo conturbado.
Mesmo assim, são muitos os que continuam a “dar a cara” pelo futebol de excelência, o tal que maravilha e perdura nas mentes de cada um, independentemente da cor da pele, da religião, do local onde vivem. Merecem a nossa admiração.
Contudo, há alguns que nos últimos anos não têm devolvido ao futebol o que ele lhes possibilitou, antes pelo contrário.
Deixando-se contaminar por ventos perversos (nos últimos anos com enorme e péssima influência de Blatter) passaram a usar o jogo não para o engrandecer mas para se engrandecerem (Platini e mais alguns são triste exemplo).
Ontem, surgiu na comunicação social uma notícia que deixa preocupados todos os que gostam de futebol:
“Marco van Basten apresentou dez medidas para melhorar o jogo e torná-lo mais honesto”.
Marco van Basten, excepcional jogador holandês, foi um avançado dos melhores do futebol e autor de golos “impossíveis”, portanto um ídolo que todos apreciam.
Agora, exerce funções de director técnico (ou de desenvolvimento, segundo outras fontes) da FIFA. Todos gostávamos de conhecer os critérios pelos quais ocupa esse cargo bem como se houve definição de perfil, convite ou outro qualquer processo.
Mas o que mais preocupa é o facto desse actual director técnico da FIFA apresentar dez medidas para revolucionar o futebol com argumentos do género “Tenho muita curiosidade sobre o que seria o futebol sem fora-de-jogo” (uma das medidas que sugere).
Com este cargo, divulgar numa entrevista as “10 medidas que podem vir a revolucionar o futebol”, no mínimo parece ligeireza e no máximo falta grave de memória sobre o jogo que o promoveu. Para além de esquecer a especificidade do jogo (as raízes) sugere adaptações que são próprias do andebol, do basquetebol, do râguebi e até do hóquei em patins.
Como cidadão tem direito a expressar a sua livre opinião.
Nas funções que exerce perdeu uma boa oportunidade para identificar os principais problemas que afectam o desenvolvimento do futebol e de enviar as sugestões sobre alterações para o local apropriado: International Football Association Board (IFAB) que é o órgão que regulamenta as regras do futebol.
As suas ideias englobam: “Abolição do fora-de-jogo; suspensões temporárias para substituir o cartão amarelo que desaparece; um shot-out (corrida de 25 metros até á baliza adversária com oito segundos para finalizar) para substituir as grandes penalidades para desempatar jogos; paragem do relógio nos últimos dez minutos, nos tempos mortos, para se combater o antijogo; só o capitão deve falar com o árbitro; limitação do número de faltas e exclusão do jogador que atingir esse limite; diminuição do número de jogos por época, a cerca de 50; aumentar o número de substituições nos prolongamentos; substituição de jogadores sem paragem do jogo; no futebol profissional manter o 11 x 11 mas nas camadas jovens e para maiores de 45 anos utilizar-se o 8 x 8 em campo reduzido”.
Revela desconhecimento da progressão faseada que se utiliza, em diversas latitudes, para os escalões jovens e muitas confusões.
Não se nega a possibilidade de evolução sempre necessária.
De facto, houve alterações que trouxeram influência positiva ao jogo, como é o caso da proibição do guarda-redes agarrar uma bola vinda directamente de um passe com o pé ou de um lançamento de linha lateral de um colega de equipa.
Também o sistema de comunicação entre os árbitros se revelou bastante positivo, hoje indispensável. Mas daí a lançar para o ar ideias, sugestões, por apetite ou “curiosidade” pessoal, especialmente quando se exercem funções de grande responsabilidade na FIFA, não devia acontecer, se verdadeiramente se pretende defender a estabilidade do próprio jogo.
Esta confusão em apresentar publicamente o que cada alto dirigente pensa ou gostava que fosse experimentado para satisfazer a própria curiosidade para o que possa acontecer no futebol (particularmente das instituições que dele deviam cuidar muito bem) começou a ter maior “roda livre” após o desempenho do antigo presidente Blatter.
A tendência de “homogeneizar” é sempre um prejudicial erro de casting (veja-se também os nossos actuais cursos de treinadores...).
O futebol desperta inúmeros apetites… Os dirigentes das estruturas e superestruturas devem saber encontrar com competência, investigação cuidada, reflexão profunda, rumos possíveis para o desenvolvimento… Sem manifestações, tiques de vaidades redutoras ou meras opiniões pessoais próprias de conversas informais à mesa de um café.
Já se revelaram muitas e lamentáveis desilusões com vários ídolos (Platini, Beckenbauer e outros…). Agora também com Marco van Basten.
Ninguém contava.
“Mas como Coubertin era um estratega do soft power, sabia que as pessoas falam muito em mudar para depois, quando se trata de realmente mudar, mudarem o menos possível.”
(Gustavo Pires, olimpicamente a ruptura de Pierre de Coubertin com a Educação Física, FMH, 2014;50, Lisboa)
O futebol nunca é vencido!"

Benfiquismo (CCCLX)

Vamos dançar ?!!!

Lanças Apontadas... tradição para manter!

Minúcias?

"1. O Sporting, depois do jogo no Funchal, onde empatou, mas poderia ter ganho não fora um fora-de-jogo mal tirado, foi recebido em Lisboa por 20 (vinte) leões furiosos. Tal manifestação foi objecto de reportagens e notícias nas televisões, como se 20 (vinte) tardívagos adeptos significassem um avassalador protesto. Assim vai o entretenimento televisivo. Um pormenor adicional: eram mais os repórteres e operadores de câmara do que os desconsolados tiffosi.
2. Nuno Espírito Santo fez bem em expulsar, perdão tirar, Layún do jogo com o Rio Ave. É que Jorge Sousa queria bater o recorde do número de pancadas necessárias para receber ordem de expulsão. Nem com um penálti e respectiva canelada, o coitado do Layún teve direito a um segundo amarelo.
3. Segundo as contas de Octávio Machado, o Sporting deveria ter mais 11 pontos. O FC Porto queixa-se de quase 20 penálties não marcados e muitos pontos a menos. Não sei se, no conjunto, não excederiam todos os pontos possíveis, o que seria inédito. Certamente «a culpa é do Benfica».
4. Rafa marcou finalmente um golo, e que golo! Também debutante foi o agora lateral-esquerdo e melhor 12 do futebol português André Almeida, no jogo da Taça. Ambos foram seguidos de unida e significativa manifestação de carinho dos colegas que lhes deve ter deixado a tola dorida, apesar de, no caso do Rafa, estar protegido por um chapéu.
5. O guarda-redes do Tondela começou a demorar uma eternidade nos pontapés de baliza ao minuto 1. O árbitro preparava-se para lhe mostrar o amarelo ao minuto 90. Lógico!"

Bagão Félix, in A Bola

A Taça habitual do Benfica

"Algarve recebe a fase decisiva da Taça da Liga com uma certeza: haverá um não grande na final pelo 8.º vez em 10 edições. Sem Sporting e FC Porto, Rui Vitória quase obrigado a erguer troféu

Domingo que vem, nesse bonito elefante muticolorido que é o estádio do Algarve, o Benfica deverá erguer a sua oitava Taça da Liga (em dez edições). Tudo o que não for assim tem de ser considerado surpresa. Da grossa. Por dois motivos. Primeiro: o Benfica tem imenso jeito para vencer esta competição talvez porque é o único dos três grandes que a tem levado a sério (e faz muito bem). Segundo: não estão na final four algarvio as duas únicas equipas que, nos confrontos directos, têm sido superiores ao Benfica de Rui Vitória - FC Porto e Sporting. Afastados esses dois incómodos e sabendo-se que o Benfica de Vitória tem por hábito aviar todos os outros clientes - tanto os pequenos (como o Moreirense), como os médios (como o V. Setúbal) e os médios-grandes (como o Braga) - há uma probabilidade altíssima, seja qual foi a final, de a nação encarnada festejar o título que a Liga algo pomposamente designa de «campeão de Inverno». Há ainda outro lado estatístico a favorecer Rui Vitória, que é o da looooonga invencibilidade benfiquista na Taça da Liga: o clube soma 42 jogos (!) e mais de 9 anos sem perder neste torneio, o que é um argumento tão impressionante quanto o resultado do último Benfica - Moreirense para a Taça da Liga: 6-1 para as águias em Moreira de Cónegos, há exactamente um ano! É claro que Augusto Inácio vai lembrar tudo isto quando fizer a antevisão da meia-final de amanhã, quicá lembrando que o FC Porto também era favoritíssimo e ficou pelo caminho.
Na meia-final de hoje medem forças os outros dois clubes que ganharam a Taça da Liga: o V. Setúbal (vencedor da primeira edição, em 2008, com Carlos Carvalhal no banco) e o SC Braga (201; José Peseiro). Aqui não há favorito claro, tendo em conta o belo momento de forma dos sadinos (chapeau a José Couceiro, o que este homem tem feito com um orçamento pindérico...); e o que tem sido o percurso do Braga de Jorge Simão, algo titubeante e não isento de fricções - o corte drástico com o central André Pinto colheu os próprios braguistas de surpresa. Deve acrescentar-se que o SC Braga chega ao Algarve algo desfalcado e sob o efeito de uma derrota muito dolorosa - com o rival V. Guimarães em casa; conhecendo o perfil de António Salvador, que quer ser campeão nos próximos quatro anos (e faz muito bem em pensar assim), não me custa imaginar a fúria que o assaltará se o Braga hoje falhar a presença na segunda final da época - provavelmente contra o mesmo adversário da Supertaça.
Independentemente do nome do finalista apurado hoje é cenrto que haverá uma equipa não grande na final da Taça da Liga pelo 8.ª vez em 10 edições. O que, ironia!, reforça o perfil popular de uma prova prensada, para ter sempre os três grandes nas meias-finais... o que só acabou por acontecer em duas edições (2008/09 e 2009/10). Repara-se que pelo segundo ano seguido o Benfica é o único grande nas meias-finais, e aqui a Taça da Liga não faz mais que imitar a tendência da bem mais importante Taça de Porgual, que regista a mesma fórmula - um grande para três não grandes - em cinco das seis últimas meias-finais! (aqui não se podendo dizer que FC Porto e Sporting desdenham a competição...). Se olharmos para o quadro de semifinalistas das duas competições na última década (ver anexo) concluiremos que o tempo em que os três grnades não deixavam nada para os outros acabou. Nos últimos sete anos, Benfica, FC Porto e Sporting nunca estiveram em maioria nas meias (embora tenham ganho a maioria dos troféus)! Falta ver se ou qual dos três desafiantes - Moreirense, Braga, V. Setúbal - consegue evitar aquilo que parece inevitável: mais uma taça para o Benfica.
(...)

Soares, Pinto & Guedes
Se Soares é fixe para o FC Porto como foi em Guimarães, logo veremos. Parece reforço (avançado ágil, matreiro, esquivo, com faro de golo) mas a verdade é que a história portista recente (Ghilas, Suk, Marega, Depoitre...) apresenta demasiados tiros ao lado neste sector para podermos gritar «gol!». Ver para crer, mas acredito que o FCP, com Soares e com o talentoso Brahimi de volta 15 dias mais cedo que o esperado, pode ter ganho um alento importante para a 2.ª volta.
No Sporting: André Pinto é um bom central português e vai juntar-se a outros bons centrais portugueses (Rúben Semedo, Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo) num Sporting que tem mostrado agilidade a desfazer-se dos flops estrangeiros (Markovic, Meio e Elias na calha). Sobre o propalado interesse do Liverpool no campeão europeu William: há uma restrita elite de clubes a quem nuncase diz não. O Liverpool é um deles. Se William sair para Anfield honrará a tradição de Alcochete: as melhores pérolas saem para clubes verdadeiramente de topo.
No Benfica. Falhadas as vendas de Liindelof e Jiménez, calhou a Gonçalo Guedes ser a vítima da absoluta necessidade de dinheiro em caixa. De outra forma não se prestaria o presidente da instituição, qual Oliveira Figueira das aventuras de Tintin, a andar por esse Mundo fora na companhia de Jorge Mendes a tentar impingir os seus produtos - quem dá mais?, quem dá mais? - em vez de esperar no seu cadeirão presidencial pela chegada de propostas dos putativos interessados (até porque foi dito várias vezes que o Benfica não tinha necessidade de vender. Pois...). A confirmar-se a transferência por 30 milhões para o novo riquíssimo Paris SG - um clube da média-alta com aspirações de grandeza -, é mais um negócio mirabolante de Jorge Mendes, que assume importância transcendental na vida do Benfica. Nenhum outro empresário teria sido capaz de colocar um projecto de jogador por esta fortuna num clube onde não tivesse relações privilegiadas."

André Pipa, in A Bola

PS: Esta mistura da Azia com a Inveja, que a Lagartada, olha para o sucesso desportivo e para as vendas dos jogadores do Benfica, é deliciosa...!!!
Quando o jornalista desportivo profissional, tenta enganar o 'povo' ao anunciar que uma competição a eliminar, tem o seu vencedor definido por antecipação, antes das Meias-finais, é sinal de profundo desespero, por ver o seu Clube novamente fora das Meias-finais...!!! E sem surpresa diga-se !!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Casillas, Ederson e Rui Patrício

"A contratação de Casillas, 35 anos, por parte do FC Porto foi e continua a ser um luxo difícil de compreender, sobretudo na actual conjuntura financeira do clube, por mais que nos possamos sentir tentados a evitar a dureza das palavras quando falamos de um dos melhores guarda-redes da história, com currículo invejável. A verdade nua e crua é que o espanhol está longe de ser o que já foi, não faz a diferença. Exceptuando uma outra exibição arrebatadora (como a da Luz na época passada), as defesas que Casillas faz estão ao alcance de qualquer guarda-redes de qualidade média e salário bem mais baixo, sem falar no acumular de erros, alguns incríveis. Pode argumentar-se que esta época está bem melhor, mas isso, perdoem-me, é o reflexo da segurança defensiva da equipa, que deixa o seu keeper pouco exposto. Pode ainda invocar-se a visibilidade internacional que dá ao FC Porto e as camisolas que vende, mas mais uma vez perdoem-me, só dá visibilidade quando dá frangos, e adeptos com a camisola de um guarda-redes vestida é coisa que não se vê por aí.
Ao invés, o Benfica tem na sua baliza um guarda-redes completo, moderno, de top, na senda de Jan Oblak. O brasileiro Ederson Moraes, 23 anos, faz a diferença e tem tudo para ser um dos melhores na sua posição (já o é, de longe, em Portugal). Não é preciso ser bruxo para perceber que não vai ficar muito tempo na Luz, pelo que o Benfica (que actualmente também tem um luxo incompreensível no banco, Júlio César) precisa de preparar já a sucessão.
Há, depois, Rui Patrício, 28 anos, que muitos teimam olhar como um dos melhores da Europa. É um bom guarda-redes, não está em causa, capaz de grandes defesas e exibições, ganhou consistência nos últimos anos, mas não é um guarda-redes de top, bem na carruagem seguinte. É por isso que, provavelmente, vai passar toda a carreira no Sporting, o que não deixa de ser uma boa notícia para o clube de Alvalade."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

O algodão do tempo

"1. Gonçalo Guedes está prestes a sr oficialmente anunciado como reforço do PSG, com o Benfica a receber 30 milhões de euros. Renato Sanches rumou ao Bayern Munique no verão por 35 milhões, mais objectivos que podem fazer com que a fasquia suba até aos 80 milhões - difícil mas não impossível. A cada capa de jornal em que um dos dois era mencionado, invariavelmente, uma horda de comentadores afectos a outros clubes, principalmente ao Sporting, apontava, em sorrisos sarcásticos, para campanhas de marketing e valorização de jogadores por parte da imprensa. Pelo menos, podiam ter rido. Porque rir, como escreveu um dos Milan Kundera, é viver profundamente. Sem muitos mais considerações, ninguém gasta 30 milhões de euros num jogador se não lhe reconhecer qualidade. Ou então, gosta de ser enganado. E ninguém chega a multimilionário, como o dono do PSG, se for muitas vezes enganado. Sanches não tem jogado muito, Guedes terá de se adaptar. Para se verificar se as apostas foram correctas, tem de se esperar pelo maior dos algodões, aquele que nunca engana: o tempo.
2. Palhinha já voltou à Academia, Francisco Geraldes e Podende estão em vias disso; Iuri Medeiros só não regressa já porque se calhar não há muito espaço competitivo para ele, mesmo num plantel mais reduzido. O Sporting redefine metas, volta à génese da sua aposta e Jesus vira a agulha, a ver se o disco muda de música. Adiante se verá o que daqui resulta. Mais uma vez, tem de se aguardar.
3. Rui Vitória monta-se, por agora, no cavalo dos triunfos e, após a renovação do contrato, tem a meta marcada para 2021. Quatro anos em futebol não é muito, é uma enormidade. Mais uma vez, não se pode fugir: tem de se esperar pelo algodão do tempo."

Hugo Forte, in A Bola

De outro campeonato !!!

Benfica 58 - 89 Enisey
18-25, 10-21, 15-21, 15-22

Acabou o calvário desta 2.ª fase da Europe Cup, com 6 derrotas em 6 jogos!!! Se estes Russos eram mesmo de outro 'campeonato', os Holandeses estavam ao nosso alcance... mas pronto, agora é focar tudo nas competições onde temos verdadeiras aspirações!!!

Um Benfica zen por mais 4 anos

"A necessidade dos adversários é desestabilizar o Benfica. A especialidade de Rui Vitória é estabilizá-lo

dois anos, pelo menos, que a pergunta-chave da Liga Portuguesa tem de ser "como desestabilizar o Benfica?" Não é daquelas interrogações que se possa pôr em público, embora o Sporting tenha chegado a ser quase tão flagrante como isso, mas faz parte dos manuais.
A maior vantagem do Benfica para os adversários é a estabilidade, directiva, desportiva e social. Já era quando Jesus saiu de lá bicampeão e desde então, com um contributo generoso do ex-treinador e de Bruno de Carvalho, só aumentou. Desde maio de 2015, o Sporting deu ao Benfica anticorpos para tudo, do grau de camaradagem com os árbitros até às finanças duvidosas, passando pela tolerância do público ao ruído, que agora é quase total. Hoje, qualquer um de nós consegue ler o jornal (ou até escrevê-lo) ao pequeno-almoço a dois palmos do motor de um Boeing.
O melhor de tudo é que a desestabilização, numa equipa de futebol, é inevitável e não precisa de intervenções externas. Demasiados suplentes, demasiadas diferenças salariais, demasiados egos, demasiadas expectativas frustradas, demasiados treinadores de bancada, etc. As lamúrias de Luisão, no início da época, são um exemplo dessa inevitabilidade.
E ajuda muito ter uma espécie de provisão infindável de Xanax na pessoa de Rui Vitória. A renovação de contrato, apalavrada ontem, significa que o Benfica está bem ciente de qual tem sido a sua principal força."

O dia em que o 'rei' faz anos

"No dia 25 de Janeiro de 1942, nasceu, no bairro da Mafalala, Lourenço Marques, um português irrepetível, Eusébio da Silva Ferreira. A carreira futebolística do pantera negra é património imaterial da humanidade e ao cidadão Eusébio, que teve o mundo a seus pés, foi conferida honra de Panteão como morada eterna.
Eusébio nasceu nos idos do Império e foi como cidadão português que cresceu e demandou a metrópole, onde o esperavam fama e fortuna. Foi com a camisola das quinas que se cobriu de glória, tornando-se o primeiro português global do século XX; e teve o Estado Novo a usá-lo como exemplo de um país, multicultural, multirracial e multicontinental.
Com a independência de Moçambique, em 1975, poderiam ter-se levantado dúvidas a Eusébio. Porém, nunca vacilou nem em relação à sua condição de português, nem quanto ao carinho com que sentia a terra que o viu nascer e da qual foi embaixador.
Esta singularidade merece ser destacada no dia em que faria 75 anos. Eusébio é nosso, mas também é de Moçambique, na medida em que subsiste um elo invisível entre povos que durante séculos seguiam no mesmo trilho e que há mais de quatro décadas convivem e se respeitam, na soberania de cada um, como iguais.
O futebol é o instrumento mais eficaz para a aproximação dos povos da lusofonia, uma impressão digital de Portugal que ficou nos países que falam a língua de Camões, capaz de resistir ao tempo e ao modo. E Eusébio, tão vivo apesar da morte, é o porta-estandarte desta comunidade de afectos e emoções, construída em torno de uma bola de futebol..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Revolução em marcha?!

"Apesar de profissionalismo treinado na relevância do poder de síntese há, por vezes, temas para os quais a dimensão desta singela coluna é, no mínimo, inadequada! O tema de semana passada, sobre a inovação no atletismo, era precisamente um desses. Hoje vou continuar.
Por ocasião dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912, o atletismo atingia a sua maioridade quando foi definido o que ainda é hoje programa oficial de qualquer Campeonato do Mundo. A modalidade estava perfeitamente consolidada, era apreciada universalmente e era, como o é hoje, o grande pilar dos Jogos Olímpicos, sem a qual estes não teriam sobrevivido.
As parcas alterações introduzidas desde então foram sobretudo para tirar partido dos avanços tecnológicos em termos dos novos materiais, engenhos e processo de medição.
Passou mais de um século. O mundo mudou várias vezes e o atletismo, como pilar fundamental, manteve-se firme! Mas, para muitos, está na hora de partir ao encontro de novos desafios que nos tragam ainda mais atletas e também vastas audiências, nos estádios e nas diversas plataformas.
Há, no entanto, que ter cuidado ao inovar, para não transformar competições oficiais da IAAF, como os Mundiais ou os Jogos Olímpicos, em laboratórios experimentais com programas sem consistência. Há que mudar, mas para ficar!
Na semana passada, referi a introdução de um estafeta mista nos Mundiais de crosse, a qual poderá fazer regressar muitos países que têm permanecido afastados. Na pista, preparam-se também experiências interessantes. O laboratório situa-se em Melbourne. O projecto chama-se Nitro Athletics! Seis selecções, na presença de Sebastian Coe, defrontar-se-ão com um programa que incluirá, além de disciplinas tradicionais, provas como 60m, estafeta com barreiras, 150m, estafetas mistas e 4x100m, corrida de três minutos, e minha a eliminar.
Aguardemos!"

Carlos Cardoso, in A Bola

Guedes

É oficial, Gonçalo Guedes vai representar o PSG.
Muito se tem dito nos últimos dias sobre a transferência do nosso jovem talento, tenho lido alguns comentários verdadeiramente insanos (no mínimo)!!! Continua a existir muita gente a viver em realidades alternativas (não é só o Babalu...).
O Benfica será sempre um Clube vendedor, sempre... Ilusões de ter um plantel 100% formado no Benfica, a disputar todas as competições internas para ganhar... e a fazer boa figura na Europa, fazem mal... Deixem de pensar nisso!!!
Aquilo que o Benfica tem conseguido nos últimos anos: valorizando os seus jovens, dando minutos úteis na equipa principal, e vendendo alguns por preços altos, é aquilo que a Direcção se propôs, e é a estratégia correcta...
O facto do Benfica ter as 'contas' controladas, não quer dizer que não exista necessidade de fazer mais-valias com jogadores... dá-nos mais flexibilidade negocial, mas não podemos oferecer ordenados iguais àqueles que se pagam lá fora, nem podemos deixar de fazer encaixes financeiros com as vendas...
Por muita ligação emocional que exista entre jogadores e adeptos, os jogadores passam e os adeptos ficam...

O mais curioso, é que muitos dos 'indignados' são aqueles que nas bancadas, gritavam para o Guedes, levantar a cabeça, passar a bola, deixar de ser fução... entre outros impropérios!!!
Com o Jonas e o Rafa aptos, o Gonçalo provavelmente teria tido muito menos minutos daqueles que acabou por ter... De todos os jogadores 'falados' como possíveis transferências nesta 'janela', o Gonçalo é aquele que terá menos impacto no rendimento da equipa! O Nelsinho, o Jiménez e até o Lindelof são neste momento mais importantes...

Desejo toda a sorte do mundo ao Gonçalo, não vai ser fácil em Paris, ganhar minutos, mas com o talento e a garra que ele tem, vai ter sucesso seguramente... E por acaso, o 433 do Emery até se adapta melhor as características do Guedes!

Agora, é esperar que o Joãozinho, o Pêpê, o Zé Gomes, o Yuri, o Dias... entre outros, esperem pelas suas oportunidades, e as agarrem...
E isso não significa que vão fazer todas as carreiras no Benfica, isso quer dizer que podem ganhar títulos na equipa principal, como o Guedes e o Sanches ganharam, e depois terão a possibilidade de ganhar a independência financeira para eles e para as suas famílias...
E é isto que o Benfica lhes poderá oferecer... algo que comparado com o que acontecia à pouco tempo, já é uma evolução enorme!!!

Desafios no (futebol) feminino

" «You always have to be at the top of your game and your always improving because of the people around you. I train the way I do every day because in the end, I love what I do.»
Shannon Boxx (campeã olímpica 2004, 2008, 2012, entre outras provas, e finalista do prémio "Melhor Jogadora do Mundo", da FIFA, em 2005).
No mês em que se iniciaram os trabalhos de preparação para o Campeonato da Europa na Holanda, para o qual a nossa selecção feminina sénior fez um apuramento histórico no final de 2016, parece de alguma forma apropriado abordar este tema da perspectiva sócio-psicológica.
Durante muitos anos (quase 15), tive o oportunidade de colaborar com uma série de Associações de Futebol, no âmbito dos cursos de formação de treinadores. Foi, efectivamente, uma oportunidade única onde, tendo a oportunidade de ser responsável do módulo de "Ciências do Comportamento", acabei por dar a conhecer esta área de conhecimento científico (e do seu contributo para a modalidade) a uma imensidão de "candidatos" a treinadores - alguns deles vieram efectivamente a assumir um claríssimo papel de destaque na profissão.
Curiosamente, ao longo de tantos anos, a percentagem de treinadores dedicados ao futebol feminino era diminuta (1%?) e, muito frequentemente, e num ambiente de franca camaradagem e sem malícia, eram trocadas piadas acerca dos colegas que se dedicavam a treinar mulheres.
Contudo, sem excepção, e inversamente ao que pude constatar em muitos treinadores do masculino, quase sempre observei elevadíssimos níveis de motivação e de compromisso com a modalidade.
Na realidade, treinadores que treinam "o feminino" (e aqui poderíamos integrar todas as outras modalidades) são, muito frequentemente, motivados intrinsecamente ou, por outras palavras, extraordinariamente focados no processo e, daí, fazerem o "match" perfeito com as características das populações que treinam.
Curiosamente, existe uma correlação positiva entre este estilo o o nível de confiança pessoal do treinador (ou seja, acreditando no processo que foi por si delineado, tende a mantê-lo mesmo face à adversidade, até que resulte). Igualmente curioso, alguns dos treinadores de excepção do masculino, partilham deste mesmo estilo. De uma forma bastante generalista, poderíamos dizer que, em treinadores focados no resultado, todas as suas decisões e estratégia estão, em primeira instância, focadas na vitória imediata, enquanto que um treinador focado no processo orienta as suas acções para o plano que delineou, com o propósito de expandir as competências da sua equipa. 
Grosseiramente, poderíamos dizer que uns estão focados no sucesso a curto-prazo e outros, a médio-longo prazo - naturalmente que, este estilo de orientação, será ou não a mais oportuna, de acordo com a conjectura onde tudo isto será actuado.
A expressão de Shannon Boxx espelha-nos isto mesmo: um enorme foco na superação (a cada minuto) das suas competências, pelo prazer que retira daí - ou seja, prazer associado à aprendizagem e não ao resultado obtido. Revela também uma enormíssima confiança na equipa que a gere e este tipo de fenómeno é bastante comum, na medida em que, se acredito no processo, acredito na minha equipa técnica.
Os estudos de género (diferenças entre o atleta masculino e feminino) foram fortemente impulsionados na década de 70 e, nesse enquadramento sócio-conjectural, foram observadas diferenças entre os dois géneros que, durante muitos anos, foram citadas como os denominadores que distinguiriam homens e mulheres.
Contudo, e como o contexto social é, também ele, extraordinariamente dinâmico e permeável a novas tendências pedagógicas, seja no contexto académico, desportivo ou até familiar, estas mesmas diferenças tenderam a esbater-se um pouco, não se podendo afirmar tão peremptoriamente como isso. 
Falemos, então, apenas de tendências (algumas elas, até partilháveis com atletas de outras "minorias", em contexto de alta competição, como sejam os paraolimpicos).
Tendencialmente, diz-se, as mulheres são menos competitivas e mais focadas na tarefa ou, por outras palavras, mais orientadas para o treino e menos orientadas para a competição.
Dependendo da perspectiva, esta pode ser uma enorme vantagem competitiva que um treinador poderá explorar na medida em que, a performance competitiva, num plano óptimo, deverá espelhar a qualidade dos treinos e, por esta razão, se se forem integrando mais momentos "competitivos", em treino, estaremos também a desenvolver as suas competências de jogo.
Tendencialmente, diz-se, são mais trabalhadoras e esforçadas (sendo que, da minha experiência, pode-se incluir aqui todo e qualquer atleta, independentemente do género, que desenvolva a sua actividade em alta competição e que exiba performances consolidadamente de sucesso - nem sempre acontece).
Aqui, costumo brincar com algumas atletas... é a "vantagem" das mulheres serem, culturalmente, mais propensas ao "fenómeno da culpa" (entenda-se em "psicologês": locus de controlo interno)... traduzindo, "se correu mal, a culpa é minha... logo, tenho que trabalhar a dobrar".
Em traços genéricos, é mais fácil comprometermos um atleta, com este tipo de locus de controlo - com exercícios de correcção e superação, porque desvalorizam completamente a "frustração" momentânea (a curto prazo e resultante muitas vezes da repetição dos exercícios) e se focam no ganho de competência - do que um atleta que, com o locus de controlo externo, justifica os seus erros com os colegas, o treinador ou a arbitragem (tudo, convenientemente, fora da sua "zona de responsabilidade").
Por último, e talvez o mais claramente associado à prática de futebol no feminino (fenómenos que, por certo, assistiremos, por exemplo, num rapaz que queira seguir dança clássica), uma gigantesca determinação e capacidade de resistência à frustração, resultante de uma prática que, até há bem poucos anos, era mal aceite em termos sociais, pelos estereótipos que foram criados.
Julgo que, em alguns contextos, será certamente uma "obstinação saudável" em provar ao "mundo" que, através da sua escolha, será bem sucedida - o que não a protege, sem dúvida, de desenvolver grande parte da sua actividade num "contexto hostil" (hostil porque não valoriza e não apoia a sua escolha, chegando mesmo a descredebilizá-la).
É certo que as mulheres que irão defender o nosso país no próximo campeonato da Europa beneficiaram já de um forte apoio da Federação Portuguesa de Futebol, dos clubes e treinadores que agarraram este desafio de levar o Futebol Feminino "to the next level" (coisa que, há uns anos, seria impensável)...
Todavia, isto só foi possível porque há 10, 15 ou 20 anos... um conjunto de meninas, contra tudo e contra todos, seguiu a sua escolha. Uma escolha que as transformaria nas atletas que todas estas estruturas (e pessoas) decidiram apoiar.
E, por isto, e só por isto... independentemente de qualquer resultado, merecem sem dúvida, o nosso apoio. Melhor, o nosso agradecimento por nos mostrarem que, com trabalho e dedicação, o nosso sonho ou objectivo fica mais próximo."