Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Só falta uma final! Ainda falta uma final...

"Já lá estamos
1. Já estamos! Depois da Polónia, nas grandes penalidades, seguiu-se o País de Gales, com uma grande exibição! Agora, venha o Diabo e escolha!
Independentemente da sorte que nos tem acompanhado, Portugal era claramente favorito, frente ao País de Gales, que se estreou neste Europeu e que, por isso, já fez história.
Não querendo menosprezar as várias proezas alcançadas por Bale & C.ª neste Europeu, a verdade é que só Portugal poderia ganhar (e já nem falo nos dois jogadores fundamentais deles, que, sabia-se, não iriam jogar, por acumulação de amarelos). Até porque, como «uma andorinha não faz a primavera», também um grande jogador não faz uma equipa campeã.
Ontem ganhámos porque, para além de termos melhores jogadores, demonstramos ter, também, uma equipa coesa, respeitando sempre o adversário. Sabíamos que nos faltava apenas um jogo, para que pudéssemos estar na final, em Paris, que será - espero - o da concretização do nosso sonho.
Para além disso, numa demonstração de que não há jogadores indispensáveis, ninguém deu pela falta de Pepe (pese embora ter tido uma grande participação neste Europeu), face à grande exibição de Bruno Alves (que eu, na passada segunda-feira, tinha antecipado como podendo ser efectivo neste jogo, com a surpresa e alguma discordância de muita gente).
Foi apenas e tão só um jogo, que acabou como seria suposto acabar. Com a equipa surpresa da prova a terminar onde terminam, por tradição, todas as que assumem essa condição: nas meias-finais. Foi assim, connosco, em 66 e em 84, lembram-se?
Por nós, está na altura de nos assumirmos como uma grande selecção. Parece que nos custa reconhecer o que é óbvio: que Portugal é uma das melhores selecções do Europeu e que está frequentemente nos dez primeiros lugares do ranking da FIFA. Somos um grupo em crescimento, que tem sido capaz de lutar até ao fim, com um grande compromisso colectivo e com uma grande estratégia de comunicação. Finalmente - com essa grande mudança de paradigma - assumamos que faltando, ainda, uma final, falta, apenas, um jogo.
Agora - e porque há justiça no Olimpo do futebol - e para que, juntos, possamos dar «novos mundos ao Mundo», confiemos que estamos a 90 minutos de sermos CAMPEÕES EUROPEUS.

A inveja de uns
2. Portugal tem sido alvo de críticas, muito particularmente da imprensa francesa. Fala-se muito na «sorte» - qual «fado» ou «destino» - que temos tido, por, alegadamente, não jogarmos nada, ou muito pouco, ... e irmos passando! Fala-se, aliás, em injustiça e em milagre.
Já sabemos que a imprensa francesa não gosta da nossa selecção. Mas o respeito pela liberdade de expressão, valor e princípio supremo de qualquer estado de direito democrático, não pode por em causa o respeito por um País, por um Povo.
A imprensa francesa está a travar uma clara guerra psicológica, atacando a seleção portuguesa... talvez por «inveja» - curiosamente, a última palavra de Os Lusíadas.
A muito lusa «inveja» a que se opõe a sempre esquecida «sorte», última palavra de A Portuguesa, na sua versão completa.
De facto, Portugal não é a melhor selecção - até porque aqui ninguém é chauvinista -, mas também não é tão má quanto escrevem. Não temos feito grandes exibições, é certo, mas temos sido eficazes, pragmáticos, com uma equipa sólida e compacta, que não comete muitos erros.
E unida!
Mas independentemente disso, e de opiniões alheias, o importante é ganhar, seja como for, no tempo regulamentar, no prolongamento ou nas grandes penalidades.
Não deixa, contudo, de ser curiosa a inexistência de crítica à selecção francesa, que só agora começa a aparecer, ... sem entusiasmar!
Mas não se acanhem, continuem a provocar e a tentar humilhar ferozmente a selecção portuguesa. Depois perceberão o erro (grave) que cometeram. Lembrem-se de que a final poderá ser um Portugal-França. E lembrem-se que temos a capacidade de alcançar determinadas proezas,sobretudo quando são... Impossíveis!

E a sorte (ou lotaria) de outros
3. Até ontem, Portugal empatou todos os jogos. Ainda assim, atingiu, a esse ritmo - criticável especialmente para os franceses - as meias finais do Europeu. Para tal, bastou gerir cada jogo e ter alguma sorte, de que se fazem os campeões. E quanto aos penalties, será, apenas e só, uma questão de sorte?
Há quem defenda que sim, que se trata, efectivamente, de uma «lotaria». De um caso de sorte ou de azar. Mas não! Trata-se, antes, de grande competência na conversão (e defesa) das mesmas. Aliás, dizia-me, um dia, Humberto Coelho, numa conversa de intervalo de um qualquer jogo, na Luz, que o penalty é um gesto técnico e, como tal, se bem treinado e bem executado, é indefensável. Por vários motivos.
Como escreveu o Professor José Neto, neste jornal, seja pela própria «dinâmica do Futebol e o seu grau de exigência para o sucesso», seja pela necessidade de «obtenção de níveis elevados de rendimento». Sabendo-se, por diversos estudos realizados, que os guarda-redes têm de se antecipar à partida da bola, estes terão de se treinar física (para que estejam em boa forma) e psicologicamente (ao nível da capacidade sensitiva e da concentração, essencialmente) para isso, para além do estudo pormenorizado, nas vésperas de cada jogo, dos possíveis marcadores e da atenta observação dos mesmos, na devida altura.
Já o marcador do penalty, para além de igual capacidade de concentração, tem de ignorar os factores momentâneos de adversidade e criar confiança no êxito e de tudo o que lhe está subjacente. Tudo isso terá de ser muito trabalhado em cada treino.
E Portugal conseguiu-o!
Contra o «fado» e o destino! E até pode ser que venha a ser Campeão Europeu por causa desse mesmo treino específico. Por mim, não me importaria!

Renato Sanches
4. Exemplo desse trabalho, mas essencialmente dessas capacidades de concentração, de frieza e de classe, foi a maneira como Renato Sanches enfrentou e bateu a segunda grande penalidade, frente à Polónia, nos quartos de final.
O miúdo de 18 anos, que tem mostrado à Europa (e ao Mundo) garra e confiança nas suas capacidades e que nunca vacilou perante nada, incutindo maior intensidade ao jogo e assumindo-se como um factor de grande desequilíbrio.
Como tenho vindo sistematicamente a defender... contra o lobby anti-Benfica.
Mas o mais curioso é que há 2 meses discutia-se se devia ser convocado ou não. Muitos defenderam que não. Há 1 mês estava por favor na selecção e, por isso, não devia jogar. Há 15 dias passou a ser uma alternativa semi-válida, mas não poderia, nunca, jogar de início. Hoje, é uma referência incontornável da seleção portuguesa.
Sendo disso reconhecimento a eleição, pela UEFA, pela segunda vez consecutiva, como o melhor jogador em campo. Com o apoio de várias figuras do futebol mundial.
Van Hooijdonk fez-lhe rasgados elogios, defendendo, inclusivamente, a sua titularidade na selecção nacional e comparando-o a Seedorf, um dos ídolos de Renato Sanches, tanto pela maneira de jogar, como pela intensidade que impõe no jogo.
Já Carlo Ancelotti afirmou que Renato Sanches é o melhor jogador do europeu, tratando-se de um fenómeno.
Por isso, não vale a pena desvalorizarem... Porque - já o sabemos - maior que a vossa inveja, só a nossa GRANDEZA!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Desilusão

Não foi uma boa manhã em Amesterdão!

Nélson Évora de fora da Final do Triplo-salto, com uns desoladores 16,27m !!!
O objectivo são os Jogos, daqui a um mês, mas estes sinais não são bons... e no final da prova, ainda me pareceu ver o Nélson a coxear!!!
Creio que é claro que uma qualificação para a Final no Rio, já será uma grande vitória...

O Hélio Gomes, nos 1500m também falhou a qualificação. Já se sabia que seria muito complicado... o Hélio a este nível não tem a 'ponta final' desejada, assim tentou puxar pelo andamento... mas não deixou ninguém para trás... e acabou ultrapassado... o tempo acaba por ser insignificante!

Para a história

"Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo.

Aqueles que olhavam Fernando Santos de soslaio e se mantinham cépticos quanto ao comportamento da selecção portuguesa no Campeonato da Europa, foram convidados ontem à noite em Lyon, depois da vitória sobre o País de Gales, por Ricardo Quaresma a ir a Paris no próximo domingo quando, no final do jogo, desabafou sem papas na língua, como aliás é seu jeito.
A vitória portuguesa, que lhe garantiu o passaporte para o desafio de consagração na cidade luz, não pode ser entendida como obra do acaso.
O seleccionador nacional foi sempre peremptório ao afirmar convictamente que o seu foco apontava para 10 de Julho e que, por isso, apenas tinha em mente regressar a Lisboa no dia seguinte.
Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo, sem esquecer que do outro lado está sempre uma equipa que também não justificou por acaso a sua presença no Euro.
E foi assim que Fernando Santos conseguiu juntar um grupo fabuloso, no qual todos têm aceitado colocar em primeiro plano a equipa em detrimento da ambição pessoal de cada um.
Olhando para o passado recente não encontramos outro seleccionador português que tenha sido capaz de atingir este desiderato.
Por tudo quanto foi conseguido até aqui no Campeonato da Europa, os portugueses estão naturalmente em festa. Uma festa que não conhece fronteiras, mas tem arraiais de grande dimensão em França, bastando ver a emoção com que ali tem sido seguida a carreira da nossa selecção.
Agora, até domingo à noite, o sonho continua.
França ou Alemanha, venha quem vier, vão ser comparsas dos bons momentos que esperamos viver nesse dia, e sejam o culminar de uma festa que quase todos os portugueses têm vivido intensamente."

Só mais um!

"Portugal passou o Europeu inteiro a preparar-se para jogar a final contra um colosso como a França ou a Alemanha

Afinal, Fernando Santos tinha razão: só volta para casa no dia 11. Cá entre nós, quando o disse pela primeira vez, provavelmente era o único acreditar que Portugal podia mesmo chegar à final deste Europeu. Agora que todos sabemos que ele tinha razão, é impossível ignorar o friozinho na barriga que se sente quando o ouvimos dizer com a mesma confiança, no final do jogo de ontem, que "as finais não se jogam, ganham-se". Portugal vai a Paris disputar a segunda final da história do futebol português frente a um de dois gigantes: a França, organizadora do campeonato, que joga em casa e a quem a Selecção Nacional não vence há 40 anos; ou a Alemanha, campeã do mundo em título, responsável pelo atropelamento do Brasil e genericamente intratável. Dois colossos. O que até pode ser uma boa notícia. Afinal, tal como a Grécia nos provou para lá de qualquer dúvida razoável, ninguém tropeça em montanhas. Depois, todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde seria necessário jogar com equipas deste calibre. Aliás, é impossível não sentir que Portugal passou o Europeu inteiro a preparar-se e a preparar os adeptos portugueses para esta final. É verdade que, num mesmo patamar de desenvolvimento, é normal que os países com dez milhões de pessoas produzam selecções mais fracas do que os países com 70 ou 80 milhões. Trata-se de uma questão de potencial de recrutamento puro e simples. Para ganhar equipas do tamanho da França ou a Alemanha, não chega ter talento: é preciso ter-se consciência das próprias limitações e ser-se esperto. E há poucas equipas mais conscientes e espertas do que esta, que Fernando Santos desenhou."

Tentação hegemónica

"A Europa e o futebol

1. O director executivo do torneio tem razão: consiga a polícia francesa manter a violência sob controlo até domingo e o Euro 2016 terá sido um sucesso. Mas, do ponto de vista do calendário, houve mais sorte do que juízo. Em abstracto, uma prova continental com 24 equipas constitui uma insanidade: é demasiado longa e coloca em confronto equipas demasiado desequilibradas. Em concreto, não foi o que aconteceu, por causa das carreiras da Islândia, do País de Gales e mesmo da Irlanda do Norte e da Albânia. Não sei se se repetirá tal coisa, porém. E o intuito foi economicista, não de abertura ao desenvolvimento do futebol em países cujas selecções há tão poucos anos eram a chacota da Europa. Portanto, o melhor, antes de se decidir o que fazer em 2024, é ver como corre 2020. Até porque 2020 traz outra loucura: uma prova repartida por 13 países, com jogos de Baku a Glasgow e de Bilbau a São Petersburgo. Arrisca, a UEFA: do ponto de vista do funcionamento como do da segurança e até do do equilíbrio de condições, essencial à justiça de qualquer competição. Mas, pronto, estamos no tempo de fazer caixa. E de continuar a conquistar espaço ao Mundial, coisa a que o ocaso do Brasil e a derrota da Argentina na Copa América só vieram ajudar.

2. Equipas de atletismo suspensas e equipas de futebol que não conseguem reunir jogadores, golfistas que preferem ficar em casa e laboratórios antidoping desacreditados. Alertas de ex-desportistas e até de polícias em relação aos riscos de segurança. Um vírus que assusta quem ainda queira ter filhos - e agora até uma superbactéria nas praias cariocas. O Rio"16 não podia debater-se com mais obstáculos. Talvez seja uma grande prova. Mas chega a dar ideia de que todo o divertimento deste verão acaba domingo."

E eis-nos na grande final

"Fernando Santos tinha razão quando disse que só regressaria a Lisboa no dia 11 de Julho. Um homem de fé religiosa, com muita fezada desportiva.
O seleccionador nacional, conservador nos processos e prudente nas escolhas, levou a água ao (seu e nosso) moinho. Não que tenhamos deslumbrado num Euro em que, aliás, ninguém deslumbrou. Na minha opinião, o seleccionador teve o enorme mérito de fazer dos jogadores uma equipa e não uma mera soma de onze atletas. Transmitiu ideias que, em tese, poderiam não ter sido suficientes, mas são sempre necessárias: a solidariedade, o companheirismo, a vontade e a coesão. Revelou ser um mestre na gestão de pessoas e fê-lo sempre inculcando motivação, ambição e sentido de utopia. Utopia que está a 90 minutos de poder ser realidade. Bem oposto do que havíamos visto em anteriores competições, eivadas de pequenos e médio casos com jogadores, que minaram a ideia de conjunto. 
Tivemos sorte nos sorteios e em alguns jogos? Sim, não há como negá-lo. Mas Fernando Santos e os jogadores souberam procurá-la. E juntaram à dita ventura, trabalho e esperança.
Final, com a França ou com a Alemanha, só hoje à noite o saberemos. De uma coisa estamos certos: salvaguardadas as devidas distâncias, estamos na mesma posição da Grécia na final do Euro 2004: 
não somos favoritos, mas poderemos ser campeões europeus. Parafraseando, com a devida vénia, uma frase de Dalai-Lima, «agnósticos só no fim do jogo». É um orgulho para Portugal e, sobretudo, para os nossos compatriotas em França. Só por eles valeu a pena ter chegado à final de domingo e sonhar."

Bagão Félix, in A Bola

Ele só volta mesmo dia 11!

"Portugal chega à segunda final da sua história. Fernando Santos cumpre desejo. Ronaldo igualou Platini: 9 golos em Europeus

Pronto, já está: Portugal está na segunda final da história do futebol sénior. Meio mundo riu quando Fernando Santos, depois de garantir a presença na fase final, disse que, a partir de então, queria ganhar o Campeonato da Europa. A outra metade do Mundo deixou apenas o seleccionador trabalhar. A seguir, apareceram os jogadores a assinar por baixo: sim, queremos ser campeões. Depois foram os médicos. E os assessores. E os técnicos de equipamentos. E os fisioterapeutas. E o presidente. E os vices. E o motorista. E assim por diante. «Só volto dia 11», anunciava Fernando Santos.
Quando Portugal chegou a França, há mais de um mês, a esperança era grande. Depois, pouco a pouco, foi esmorecendo. Não se jogava bem, não se marcavam golos. A selecção ia seguindo em frente, dizia-se, à custa de sorte. De vacas. De amuletos. De pés quentes. De fé. Mas também de Ronaldo. E Nani. E Quaresma. E Pepe. E Renato. E Patrício. E Raphael. E todos os outros. E Fernando Santos, claro, não mudava o discurso: «Só volto dia 11.»
Surgiram cada vez mais críticas. João Mário não era o João Mário do Sporting. Cédric cruzava mal. Moutinho não era o Moutinho do FC Porto. William falhava demasiados passes. Ronaldo não era o Ronaldo do Real Madrid. Rafa não saía do banco. Nani não era o Nani do Manchester. Só Pepe era o Pepe do Real Madrid. Fernando Santos não alterava uma linha do discurso: «Só volto dia 11.»
Passou a fase de grupos, passaram os oitavos, os quartos e chegou-se à meia-final: Gales. Os críticos, como diria La Palisse, criticavam: só jogámos com Islândia, Áustria, Hungria, Croácia e Polónia, agora com Gales. E punham o dedo numa alegada ferida: Portugal pode chegar à final sem se cruzar com Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha ou França. Fernando Santos mudou, então, ligeiramente, o discurso: «Posso ser calimero, patinho feio, tudo aquilo que vocês quiserem, mas só volto dia 11.»
E ontem, depois de terminado o jogo com Gales, depois de ter abraçado os heróis do jogo, de Patrício a Ronaldo, de Cédric a Raphael, de Bruno Alves a Fonte, de Danilo a João Mário, de Adrien a Renato ou Nani, de Moutinho, a Quaresma ou André Gomes, subiu dois degraus das bancadas do estádio de Lyon e abraçou os filhos, Cátia e Pedro. E segredou-lhes: «Digam à vossa mãe que só regresso dia 11.» Espera-se que com o título de campeão da Europa no bolso. Seja a final com a Alemanha ou com a França.

Ronaldo igual a Platini
Com aquele fantástico golo de cabeça, Ronaldo igualou Michel Platini no topo da lista dos goleadores em fases finais de Campeonatos da Europa, com 9 golos. O francês fê-lo em cinco jogos do Euro-1984, o português no total de 20 jogos de 2004 (6), 2008 (3), 2012 (5) e 2016 (6). E entrara na história mal o jogo com Gales se iniciou. Tornara-se no primeiro a estar em três meias-finais de Campeonatos da Europa.
Para quem gosta de curiosidades estatísticas, aqui ficam mais algumas:
1. só o brasileiro Pelé (Mundial-1958) e o italiano Bergomi (Mundial-1982) chegaram mais novos do que Renato Sanches a uma meia-final de uma grande prova;
2. Rui Patrício (9) ultrapassa Ricardo (8) como guarda-redes português com mais jogos em fases finais de Europeus;
3. Foi a primeira vez neste Europeu que Portugal teve dois golos de vantagem;
4. 83 % dos golos de Ronaldo em fases finais de grandes torneios de seleções aconteceram nas segundas partes:
5. Ronaldo voltou a marcar um golo numa meia-final de um Europeu: 2004 e 2016. Só outros três jogadores o tinham feito: os russos Ponedelnik e Ivanov (ambos em 1960 e 1964) e o jugoslavo Dzajic (1968 e 1976).
E também Ronaldo só volta para casa dia 11."

Rogério Azevedo, in A Bola

Digam lá que foi sorte...

"Derrubado o quase, quase... Portugal volta a ser finalista do Europeu de futebol Falta o óptimo - não sacrificado a jogar na posição dificílimo perante Alemanha, campeã mundial, ou França, em casa desta -, já é excelente.
Não posso ser acusado de demagógica entrada à pressa no navio do sucesso: a nossa Selecção mereceu cumprir o firme objectivo que o seu líder técnico sempre traçou. E é, em 1.º lugar, por a forte liderança de Fernando Santos nunca ter abanado que Portugal conseguiu a tão ambicionada disputa de glória na grande gala da final em Paris.
Mereceu porque, tendo começado mal (a muito fraca exibição ocorreu na estreia, perante a Islândia... que veio a despachar a Inglaterra), foi subindo rendimento em cada um dos outros 5 jogos (sim, a final será o 7.º).
Mereceu porque falta de crença e de ganas nunca teve. E esse clarão vindo de inabalável espírito de equipa é sempre fundamental.
Mereceu porque pura sorte teve apenas no golo da Islândia a fechar confronto com Áustria, relegando-nos para bendito 3.º lugar no grupo...
Mereceu porque equipa prejudicada em erros de arbitragem foi a nossa. Ontem, 3.º penalty não assinalado. E este, como os anteriores, poderia bem mais cedo significar embalagem para triunfo. Mereceu, acima de tudo, pela firmeza de estratégia, contra ventos e marés... Fernando Santos soube sempre o que queria, no início e ao longo de cada jogo. Estudou meticulosamente cada adversário e, sem perder o fio à meada, foi mudando o que entendeu mudar, no onze inicial e em posteriores alterações. Selecção pragmática, realista? Sim. E então? Temos a abundância de qualidade existente na Alemanha, na França, na Espanha, na Bélgica... que o nosso adversário de ontem mandou para casa com 3-1?
Mereceu, enfim, por ter sido claramente superior ao País de Gales no tudo por tudo de meia-final. 
Também eu gostaria - como levo semanas a frisar - de ver os nossos médios entrarem muito mais na grande-área contrária, para Ronaldo e Nani não ficarem tão isolados contra 5 e 6 barrando-lhes zona de remate. E gostaria de ver Ronaldo não sacrificado a jogar na posição do ponta-de-lança... que não temos. Mas Ronaldo e Nani, 3 golos cada um, mais Quaresma e Renato, foram resolvendo esse problemão de acertar na baliza. E, senhor Ronaldo, ilustre capitão, aquela cabeçada rasgou o caminho, seguindo-se assistência para o golo de Nani.
Digam lá que foi sorte... E Portugal conquistou o direito a estar na final... onde só outra Selecção estará e todas queriam estar.

Precisam! Todos os nossos três gigantes muitíssimo precisam de ser o próximo campeão nacional. Absoluta necessidade! O que vai tornar a longa corrida ainda mais gira! Desejando-se que não excessivamente picante...
Mesmo o Benfica tricampeão precisa do tetra. Porque lhe vincaria hegemonia como não há memória? Sim, mas também, quiçá sobretudo, porque seria categórico êxito do novo projecto político-desportivo-financeiro que Luís Filipe Viera arriscou lançar há um ano.
Sporting ainda mais necessitado de ser o próximo campeão. Sob pena de entrar em perigoso descontrolo de derrapagem a total ambição quase diariamente afirmada por Bruno de Carvalho e a enorme aposta por ele feita ao contratar Jorge Jesus.Ficando este também em causa. E, decerto, com pouca vontade de se lançar em terceira tentativa.
FC Porto necessitadíssimo do próximo título. Quatro anos consecutivos em absoluto jejum seria terrível golpe na era Pinto da Costa, longuíssima, por regra tão vitoriosa, criando nos adeptos tão elevado nível de exigência. Acresce que o líder, ainda indiscutível, habituou toda a gente a não falhar na escolha de treinador e a dar-lhe fortíssimo apoio da estrutura. Esta desatou a abanar, claramente. Esteve mal com Paulo Fonseca; ter-se-á dividido, e sido passada para trás!, nos anos do quase imperador Lopetegui; e, evidente, não ressurgiu no curto, dificílimo, mandato de José Peseiro. Está na hora de a estrutura portista definir o que vale: volta a ser poderosa, pelo menos firme, ou confirma divisões e... inevitável marcha para declínio. E Nuno Espírito Santo, jovem treinador aceite pelos adeptos, sim, mas sem grande entusiasmo (esperavam nome muito mais sonante), vai ter teste de fogo!
O problema dos nossos gigantes é sempre o mesmo, mas, nesta temporada, surge agudizado: só um pode ser campeão... O que, desta feita, criará enormes mossas nos outros! Pelo menos, num deles... (óbvio: Benfica, porque tricampeão, é o que tem algum suporte para aguentar o desaire)."

Santos Neves, in A Bola

Na final com méritos

"Como era esperado, houve, no primeiro tempo, muito equilíbrio e pouquíssimos lances de ataque. O time que perdia a bola recuava e fechava os espaços com oito jogadores. País de Gales com três zagueiros, dois alas e três no meio-campo, enquanto Portugal com duas linhas de quatro. Raramente acontecia um contra-ataque. Cristiano Ronaldo e Bale, isolados, apareceram pouco.
Logo no início do 2.° tempo, Cristiano Ronaldo, em uma cabeçada espectacular, como é habitual fez o primeiro gol após cobrança de escanteio. Minutos depois, ele finalizou de fora da área, e Nani desviou para fazer o segundo. País de Gales trocou um dos três zagueiros por um atacante, mas continuou dependendo demais dos dribles e finalizações de Bale de fora da área. Portugal mostrou novamente um óptimo sistema defensivo. No contra-ataque, teve duas ótimas chances para fazer o terceiro.
Hoje, Alemanha e França decidem a outra vaga na final. A Alemanha, contra a Itália pela primeira vez na Eurocopa, jogou com três zagueiros. Como os dois alas têm pouco talento ofensivo, o ataque ficou enfraquecido. A Alemanha não terá o excelente zagueiro Hummels, Khedira nem Mario Gómez. Além disso, Gündogan e Reus, contundidos, não foram para a Eurocopa. Lahm e Klose, jogadores importantes no último Mundial, não estão mais na seleção. Schweinsteiger deve jogar no lugar de Khedira, mas está longe da forma ideal, por causa de seguidas contusões. Mesmo enfraquecida, a Alemanha, pela tradição, eficiência e qualidade, tem quase as mesmas chances da França.
A França, ao contrário, vive um ótimo momento, com o crescimento técnico de alguns jogadores que actuaram na Copa, como Griezmann, Pogba e Giroud, além do surgimento de excelentes jogadores, especialmente Payet, um dos destaques da Eurocopa. Contra a Islândia, o técnico trocou Kanté, o volante mais marcador, pelo meia Sissoko e recuou Pogba. Hoje, Didier Deschamps deve estar em dúvida se mantém essa formação.
Contra França ou Alemanha Portugal não é favorito, mas não será surpresa se conquistar o primeiro título da Eurocopa de sua história.

Positivo
A cabeçada espectacular de Cristiano Ronaldo, no primeiro gol, e, novamente, o ótimo sistema defensivo de Portugal, com duas linhas de quatro, não deram chance ao País de Gales.

Negativo
É pouquíssimo provável, por causa da segurança reforçada, mas continua o medo, pelo que tem acontecido no Mundo, que haja alguma tentativa de terrorismo no fim da Eurocopa."

Benfiqu(smo (CLVII)

Antiga Sede da Avenida Gomes Pereira...

Versão Cota...!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Félix de Prata

Em vésperas de Jogos Olímpicos, aí está Medalha de Prata e recorde pessoal, nos 10000m para Dulce Félix, nos Campeonatos da Europa, com  31:19.03 !!!
Grande prova, e se tivesse 'acreditado' um pouquinho mais cedo, podia ter chegado ao Ouro... a Turca-Queniana fugiu cedo, ganhou uma vantagem enorme, mas a Dulce aproximou-se e mais uma volta...!!!
Excelentes indicações para a Maratona Olímpica!
Recordo que em 2012 em Helsínquia, a Dulce sagrou-se Campeã Europeia.

Destaque ainda para o 12.º lugar da Carla Salomé Rocha...

O dia até começou mal, com o Diogo Antunes, nos 100m com 10,51 seg. Longe dos 10,29 deste ano!!! Mesmo assim ficou a 0,05 centésimos da qualificação para a Meia-final !!!
O Diogo Ferreira também ficou aquém da sua melhor marca, mas acabou por ter 'azar' já que os 5m35 foram suficientes para a qualificação, mas o Diogo ficou de fora devido ao derrube na 1.ª tentativa!!!!
Vamos ter muitos Benfiquistas em acção nos próximos dias em Amesterdão. No mítico Olímpico de Amesterdão, onde o Benfica se sagrou Bicampeão Europeu!
Pela primeira vez, temos um Europeu em ano Olímpico!
Estas decisões são essencialmente económicas (de 2 em 2 anos, dá mais dinheiro do que de 4 em 4 anos!!!), mas eu até considero positivo, pois ainda existe atletas a procurar os Mínimos Olímpicos... além disso com os atletas consagrados já qualificados para o Rio concentrados exclusivamente nos Jogos, temos a oportunidade de observar jovens atletas que acabam por ganhar protagonismo...
Neste momento temos Campeonato da Europa de Futebol, Campeonato da Europa de Atletismo, Volta à França... Wimbledon, etapa do Mundial de Surf em J-Bay...quem gosta de desporto não se pode queixar!!!

Renato Sanches, e em francês!

"Já actuou em três dos quatro jogos da Selecção Nacional neste Campeonato da Europa e tem chamado a atenção da imprensa francesa que procura descobrir o segredo da sua venda ao Bayern de Munique com apenas 18 anos.

LENS - O jovem jogador que trocou este Verão o Benfica pelo Bayern de Munique desperta a atenção da imprensa francesa que já por mais de uma vez tem apostado nele como titular da Selecção Nacional.
No «Journal du Dimanche», por exemplo, Mickael Caron trata-o por «nova pepita dos alemães». E não poupa nos elogios: «O jovem que custou mais ao Bayern do que o despedimento de Laurent Blanc ao PSG veio dar luz a uma equipa que, apesar do Cristiano Ronaldo, estava às escuras em termos ofensivos». Críticas fortes sobre a forma como Portugal e Croácia se dedicaram a um jogo sem remates às balizas e a convicção de Renato poderia ter entrado ainda mais cedo no jogo. Quem esteve em Lens, no Bollaert-Delelis, viu: entrava pelos olhos dentro. Renato Sanches foi uma injecção de dinâmica na equipa portuguesa. As suas arrancadas, a forma como se ofereceu sempre ao choque corpo-a-corpo com os adversários, a autoridade com que exigia a bola e participar nos acontecimentos como se um veterano se tratasse, fizeram dele uma das figuras do encontro. Para uns até mesmo «a figura» já que o escolheram oficialmente como o «Melhor Jogador em Campo», um prémio que a UEFA atribui em cada um dos desafios deste Europeu.

Nunca de esconde!
O «L'Equipe» antecipava a titularização de Renato Sanches antes do jogo com a Croácia. Numa apreciação à equipa portuguesa, Regis Dupont escrevia: «A popularidade da jovem estrela portuguesa ultrapassa a esfera Benfiquista. As exibições sem chama de João Moutinho nos três primeiros jogos já abriram a porta a Renato Sanches, mas ele ainda não as forçou. Como sempre acontece, e aconteceu com o próprio Cristiano Ronaldo, há sempre dúvidas sobre a chamada de um miúdo desta idade a um posto de tamanha responsabilidade. Mas a verdade é que estamos perante um jogador diferente. Um 'vulcão' segundo muitos dos que seguem a sua trajectória desde que começou a jogar Futebol. Neste momento já é o mais novo português a jogar uma fase final de um Campeonato da Europa. Prevê-se-lhe um grande futuro. Como se previa a Ronaldo naquele dia em que marcou frente à Grécia na estreia de Portugal no seu Euro-2004».
Renato Sanches chama as atenções e capta o interesse de todos os que têm observado como o conjunto português muda de cara a partir da sua entrada em campo. Não foi titular, mas não faltará muito. A sua importância na vitória conseguida apenas aos 117 minutos frente à Croácia é inegável. Trouxe consigo uma dinâmica e uma capacidade de rasgar o meio-campo contrário como não tinha havido até aí. Mesmo quando falha, Renato não tem medo de assumir o seu jogo e as suas responsabilidades. É isso que o torna interessante e diferente. Não se esconde. Nunca se esconde! E aquela tremenda cavalgada, acompanhado por Nani e Ronaldo, quando os croatas já estavam de rastos, foi fulminante. Dela nasceu o golo de Portugal. Um cometa na noite escura! E um pouco de alegria num futebol que até aqui tem sido maioritariamente monótono e melancólico."

Afonso de Melo, in O Benfica

O Benfica pela lente de Roland Oliveira

"As fotografias de Roland Oliveira revisitam lugares, pessoas, modos de estar e afectos de um tempo ímpar na história do Sport Lisboa e Benfica.

Munido da sua Rolleiflex, de lentes gémeas e distância focal fixa, usando filme a preto e branco com o formato de 6x6cm, Roland Oliveira (1920-2007) fotografou durante mais de cinco décadas o seu território de afectos, o Sport Lisboa e Benfica. Nascido em São Vicente, Cabo Verde, mudou-se depois da II Guerra Mundial para Portugal e, como repórter fotográfico desde o final da década de 40, colaborou com inúmeras publicações desportivas, entre as quais a Stadium e o Record. Sócio do Sport Lisboa e Benfica desde 1945, colaborou a partir da década de 50 com o jornal O Benfica e mais tarde com O Benfica Ilustrado. Viajou com a equipa de futebol, retratou secções e equipas, eleições, tertúlias, saraus, e parte das suas fotografias foram agora reunidas numa exposição que está patente na antiga secretaria do Benfica na Rua do Jardim do Regedor, até 15 de Outubro.
Cobrindo os anos de 1955 a 1962, esta exposição revela-nos a entrega e dedicação de associados e dirigentes que, sob a visão de futuro das direcções lideradas por Joaquim Ferreira Bogalho (1952 a 1957) e de Maurício Vieira de Brito (1957 a 1962), souberam conciliar o crescimento do património físico a uma dimensão desportiva internacional sem precedentes para a escala do país. Estes são anos decisivos na afirmação da hegemonia do Benfica, com a construção do novo Estádio da Luz, e a sua ampliação apenas seis anos mais tarde, o início do profissionalismo no futebol com a vinda de Otto Glória, o ecletismo das modalidades amadoras e uma imensa vida social e associativa. Em 1956, o Benfica movimentava cerca de 2609 atletas em 21 modalidades.
Atrás da baliza, na pista de atletismo ou no parapeito do rinque, Roland aguardava o tempo certo, a defesa do guarda-redes, o momento em que a bola cruzava a linha de baliza, o ponto mais alto do salto, a passagem dos ciclistas, etc. Estas fotografias são de um tempo em que a fotografia era a única imagem dos acontecimentos e, como uma arqueologia visual, permitem-nos revisitar sítios, pessoas, modos de estar e afectos, fintando inúmeras vezes a realidade, e (re)constroem fragmentos importantes da nossa memória colectiva."

Paulo Catrica, in O Benfica

O papel do Renato

"Sei de uma equipa que jogava um futebol desgarrado, feito de cruzamentos sem nexo e de remates com pouco critério. Nos idos de Outubro, para essa equipa, tudo parecia perdido. Até que chegou um puto, 18 anos acabados de fazer, pegou na bola, levou-a em cavalgadas emocionantes meio-campo acima e o que não fazia sentido adquiriu uma coerência que poucos vislumbravam. Em maio, arrastada pela energia contagiante desse número 8, essa equipa sagrava-se campeã, contra todas as expectativas. A equipa era o Benfica e o jogador, Renato Sanches.
Talvez poucas coisas definam de forma tão exacta a ambição desmedida de Renato como uma declaração que li de um ex-treinador seu nas camadas jovens do Benfica. Tendo encontrado o Bulo no Seixal, ainda antes de se estrear na equipa A, perguntou-lhe: "Renato, quando é que vais jogar?" A resposta saiu pronta: "Mister, não sei quando é que vou jogar, mas quando jogar, não saio mais." 
Avancemos no tempo. Euro'2016, a Selecção arrasta-se em campo, empata, amarrada a um jogo burocrático. Depois, entra o Renato, e com a inconsciência que o caracteriza, contagia os colegas e a Selecção quase parece outra. O Renato que assume um penálti logo a seguir ao Cristiano, mas, também, o Renato que, como o Cristiano, está sempre de braço erguido a pedir a bola. Ao ponto de, no fabuloso golo contra a Polónia, ter escolhido rematar, em lugar de passar ao Cristiano que, de braço no ar, pedia a bola.
Entrou e não mais vai sair. De tal forma que, hoje, se pode dizer que a Selecção é o Ronaldo, o Renato e mais nove. O melhor que podia ter acontecido a Portugal."

De empate em empate até à vitória final?

"Hoje não vamos ter gauleses pela frente, mas temos galeses que se esfalfam como galegos. Quem diria que esta nação do Reino Unido estaria nas meias-finais do Euro 2016, depois de eliminar a dada por favorita Bélgica, sem sequer necessitar de expedientes para além dos 90 minutos! O País de Gales com os seus 3 milhões de habitantes só tem um clube na 1.ª Liga inglesa - o Swansea - e dois na 2.ª Liga, o Cardiff e o Bristol. E só há vinte e poucos anos, há uma Liga galesa.
Portugal tem todas as condições para atingir a final europeia. Só não sei se com um sexto empate no tempo regulamentar, se, finalmente, com uma saborosa e indiscutível vitória.
Despachados os favoritos Espanha (decepção) e Itália (excelente prestação), só amanhã saberemos se encontraremos, no domingo, a poderosa Alemanha ou a anfitriã França. Se for esta, é apenas questão de juntar a vogal u aos galeses e desforrarmo-nos de sucessivos desaires nos confrontos directos com eles. Mas suspeito que vai ser a Alemanha.
Portugal tem tido, ao longo dos 5 acessíveis jogos já efectuados, quatro grandes referências: Pepe intransponível, agora sem fitas e sem faltas; o ainda benfiquista Renato Sanches, que, qual jovem insurrecto, joga para a frente e combate o sono táctico que tem vigorado na competição, Patrício, com pouco, mas muito bom labor e Guerreiro, que se tem revelado um imprescindível lateral-esquerdo (e andam os nossos principais clubes a recrutar, por esse mundo fora, jogadores com poucas provas dadas...).
Por fim, bem se espera que Ronaldo vença o duelo com o seu colega de clube Bale."

Bagão Félix, in A Bola

Que venha mais uma final

"Portugal tem hoje um complicado encontro com o País de Gales, mas estou à espera que consiga marcar presença na final de um Europeu pela segunda vez na sua história. Já lá fomos em 2004 e estivemos muito perto de repetir a proeza em 2012. Surge agora uma nova chance de atingir a final e é esse o grande objectivo.
Mas há que vencer, primeiro, uma partida muito difícil. Tal como tem acontecido, Portugal é, de novo, apontado como favorito, o que se torna compreensível... basta olhar para o nosso histórico. Não podemos, contudo, menosprezar o facto de as equipas teoricamente mais fortes estarem a sentir dificuldades para afastar as selecções de menor dimensão. De acordo com aquilo que tem sido a caminhada de ambos os conjuntos, vamos estar perante um duelo equilibrado e de emoções fortes. 
Quanto a mim, não há favoritos. O País de Gales tem os seus atributos, mas espero que Portugal se exiba de uma forma tranquila. A Selecção Nacional tem de conseguir tomar conta do jogo. Penso que pode ser esta a chave que determinará o sucesso. Portugal deve ser sempre uma equipa dominadora, para que o jogo não fuja daquilo que o seleccionador e os jogadores pretendem. Estou muito optimista quanto à presença de Portugal na final do Europeu.
A ausência de Ramsey é um forte contratempo para a seleção galesa, pois trata-se, sem dúvida, de um jogador acima da média. Mas há também Gareth Bale, que tem estado a um bom nível nesta prova e que pode desequilibrar de um momento para o outro. O País de Gales tem jogadores tipicamente britânicos, que nunca viram a cara à luta. São agressivos, fisicamente fortes e com experiência de Premier League. Não vai ser fácil...
Apesar de estarem a fazer a estreia em Europeus, os galeses, que apenas tinham participado num Mundial em 1958, apresentaram-se sempre bem. Bateram Inglaterra e eliminaram a Bélgica, o que é relevante. São ainda muito fortes nas bolas paradas, mas acredito que Portugal vai seguir até à desejada final.

Positivo
O enorme apoio da comunidade portuguesa em França, que transmite muita confiança aos jogadores. Nota-se uma grande empatia entre adeptos e Seleção que é importante para todos. 

Negativo
O facto de Pepe não poder estar nas melhores condições pode constituir um enorme problema para a Selecção. Pepe tem sido o nosso líder defensivo e tem estado a um nível de excelência."

Portugal: o oposto de um «underdog»

"Uma selecção apostada em reescrever a história sacrificando as simpatias dos neutrais

Basta um olhar superficial pelas cotações das casas de apostas para confirmar a evidência, que nenhum discurso de circunstância nas antevisões pode alterar. Quando Portugal entrar em campo, em Lyon, para a sétima meia-final da sua história em Europeus e Mundiais terá, pela primeira vez, um claro estatuto de favorito que nem sequer em 2004, jogando em casa com a Holanda, lhe foi atribuído.
Não será só por isso que, previsivelmente, esta quarta-feira quase todos os adeptos não-portugueses vão torcer pelo País de Gales. Para começar, toda a gente gosta de uma história de superação e os galeses, estreantes em Europeus e ausentes de grandes competições há 58 anos, são o underdog perfeito. Ao factor da novidade juntam um futebol que, limitações à parte, deixa sempre a impressão de intensidade máxima, entrega total e esgotamento das reservas de energia e talento. E esses são ingredientes a que o público dá tanto mais valor quanto mais baixas forem as expectativas iniciais – veja-se os fenómenos de popularidade da Islândia, ou mesmo da Irlanda do Norte.
É forçoso reconhecer, também, que esta selecção de Portugal tem poucos argumentos para puxar os neutrais para a sua causa. Por um lado, há o factor de habituação: são quatro meias-finais nos últimos cinco Euros - regularidade que nenhuma outra selecção alcançou – a que podemos juntar a omnipresença de Cristiano Ronaldo nas fases decisivas da Liga dos Campeões nos últimos anos. Mesmo sem a concorrência galesa, seria difícil reclamar o estatuto de sabor novidade do mês com presença tão assídua nas memórias colectivas.
Por outro lado, em campo, a selecção portuguesa tem sido o oposto de um underdog, deixando sempre a sensação de gerir a conta-gotas as reservas de talento, comprazendo-se em fazer apenas o estritamente necessário para seguir em frente. É essa falta de generosidade que o público estranha mais – o estrangeiro e o português também. E será esse o principal argumento para que, mais logo, Portugal tenha de vestir uma pele a que está pouco habituado: a do veterano manhoso desafiado pelo caloiro inconsciente e entusiasta.
Porém, quando se critica o jogo da selecção de Fernando Santos é bom saber o que se está a criticar. As comparações com a Grécia de 2004, por exemplo, tornaram-se moda, e explicam-se, em grande parte, pelo sentimento de frustração provocado por esse histórico Portugal-Croácia sem remates à baliza durante mais de 90 minutos.
Mas excluindo esse jogo – curiosamente o único que Portugal venceu e também o único em que Portugal entregou iniciativa ao adversário, permitindo-lhe superioridade em quase todos os itens estatísticos – em todos os outros não foi uma estratégia demasiado defensiva a provocar mossa na lenda de «belo jogo» a que gostamos de associar a Selecção: se o fosse, não teria havido tão clara superioridade de posse, remates, cantos e faltas sofridas diante dos outros quatro adversários.
Ao contrário do que as leituras mais simplistas fazem crer, o que caracteriza esta selecção não é a recusa de assumir o jogo, é a obsessão com a limitação de riscos de perda, quando em situação de ataque – e também por isso o efeito Renato Sanches é tão contrastante – e a falta de eficácia nas soluções de jogo interior. É isto que leva a equipa a um abuso de cruzamentos com poucas possibilidades de êxito – porque a defesa poucas vezes é tirada do caminho e porque falta gente na área – e a um excesso de remates de fora – como o do golo de Renato Sanches à Polónia, sim, mas também como os 65 (13 por jogo) que, de acordo com as estatísticas oficiais da UEFA, ficaram nas pernas dos defesas adversários ou passaram longe do alvo.
Tem sido, pois, um jogo previsível e historicamente contrastante com o das selecções portuguesas que entravam nas grandes competições com dois grandes objectivos: chegar o mais longe possível, conquistando de caminho o maior número possível de simpatizantes. Fernando Santos, homem lúcido, e convicto daquilo que faz, mostrou desde o primeiro dia de apuramento que, na sua cabeça, o segundo objectivo era perfeitamente dispensável, desde que os resultados validassem o trajecto. Tendo ficado expostos nestes cinco jogos alguns defeitos do plano e não sendo tão facilmente visíveis para o exterior os méritos mais fortes do seu trabalho - na coesão e renovação do grupo, na adaptação táctica de Cristiano Ronaldo e na tranquilidade com que exerce a liderança, evitando conflitos por antecipação - falta-lhe ainda uma vitória, uma só, de preferência categórica, como nenhuma até à data, para ganhar a aposta.
Sacrificadas sem remorsos as memórias épicas e a simpatia da geral, só com a vaga na decisão de domingo, diante do principal favorito à vitória no Euro – França ou Alemanha, riscar o que não interessa – esta selecção que acredita, luta, enerva, frustra mas segue em frente, legitimará o processo de transformação. Caso contrário, ficará a meio caminho: sem memórias que a eternizem e sem resultados que acentuem a diferença para o tempo em que Portugal gostava de ser underdog."

Benitez

A contratação do Benitez tem levantado alguma polémica!
Pessoalmente, compreendo a necessidade de se fazer alguns 'favores' a empresários, num 'mundo perfeito' as coisas seriam diferentes, mas temos que ser pragmáticos.

O Boca Juniors aparentemente vai comprar metade do passe, o jogador ficará a jogar na Argentina e o Benfica ficará atento a uma valorização do jogador...
Com a 'inflação' de Alas direito, teria sempre as 'portas fechadas' na Luz... além disso, pelo que vi, neste momento não tem lugar no Benfica!

Benfiquismo (CLVI)

Imortal...

Zivkovic

Foram praticamente 3 anos de rumores e notícias, informação e contra-informação, especulação, expectativas... uma super-maratona de proporções épicas! O Zivkovic tinha 16 anos quando começou a ser 'falado' como futuro jogador do Benfica... foi preciso esperar pelos 19 aninhos, para finalmente assinar pelo Glorioso!!!

O potencial é inegável, enorme... tem futebol dos pés à cabeça! Mas isso não chega... Alguns jogadores dos Balcãs têm feitios complicados... estas 'férias' de mais uma semana não me agradaram (o Celis por exemplo, dispensou as 'férias'!!!), mas como é óbvio terá toda a tolerância, até porque está numa situação parecida com o Carrillo, já que foi 'encostado' pelo Partizan desde Dezembro!

Também espero que o Benfica tenha 'artilhado' bem o contrato, porque o protagonismo que o Pai do jogador teve durante todo este processo deixa-me um bocado de pé atrás...!!!

É um canhoto, que joga preferencialmente na Ala direita. A forma de correr, e o fino recorte técnico é parecido com o Drulovic, mas tem potencial para ser muito mais jogador...!!! Não é tão rápido como o Markovic, mas é mais inteligente e tem melhor técnica... marca livres, faz assistências e também marca golos!

Na última época a Ala direita pertenceu ao Pizzi, neste momento temos Salvio, Carrillo, Carcela, Guedes e Zivkovic... como opções. Provavelmente demasiadas alternativas!

terça-feira, 5 de julho de 2016

Voleibol 2016/17

Tudo definido na secção de Voleibol. Depois de um ano, que não acabou da melhor forma, o grande objectivo é recuperar o título nacional, e as mexidas no plantel, não dão margem de erro: é para ganhar tudo internamente, e voltar a fazer boa figura na Europa!

Os regressos do Vinhedo e do Honoré foram as grandes notícias do 'defeso'! As contratações do Tiago Violas e do Rapha, dão garantias... e o regresso do João Magalhães é a garantia que o Ivo Casas não vai ser obrigado a fazer todos os 'pontos' da época!!!

Falhámos nos Distribuidores na última época, as entradas do Vinhedo e do Violas são a 'prova' disso! A idade e 'lesões' do Vinhedo podem ser um problema, mas o Violas (para mim o 3.º melhor Passador português: Pinheiro, Miguel...) deixa-me descansado...
O Honoré dá-nos garantias de competitividade, tanto no Bloco como no Ataque... e o Rapha vem com excelentes 'números'...

O meu humilde 'bitaite', é para o Serviço! Tanto na Europa, como na Final do Campeonato, foi no Serviço que fomos bastante inferiores aos adversários! E nós até temos bons servidores, mas nos momentos importantes não podemos 'ceder'...

A única situação 'duvidosa' na construção do plantel, foi a opção por manter o Mart. Recordo que além de desportivamente o Holandês ter acrescentado pouco à equipa, disciplinarmente provocou alguns problemas! Compreendo que o orçamento é para cumprir... mas se tivermos algum problema físico com o Zelão ou o Honoré vamos ficar muito mais fracos!
O Flip do Castêlo da Maia, tem lugar no nosso plantel...

Oposto: Gaspar, Ché
Zona 4: Reis, Lopes, Oliveira, Rapha
Central: Zelão, Honoré, Mart
Distribuidor: Vinhedo, Violas
Líbero: Casas, Magalhães

Ganhar com sorte e não perder com azar

"O jogo com a Polónia foi o único que me agradou. Aquele em que, talvez por ter sido obrigado a isso em consequência do golo madrugador de Lewandowski, completamente fora do programa, Portugal voltou a ser Portugal, tendo libertado argumentos técnicos e outros atributos que andavam escondidos.
Que a Selecção teve passagem modesta pela fase de grupos é evidência do tamanho dos Clérigos. Por que razão isso aconteceu é enigma que entra no domínio dos mestres da táctica. Tal como o rendimento pouco entusiasmante com a Croácia, à excepção do golo mágico, ao minuto 117, levado à cena pelo bando dos quatro (Renato, Nani, Ronaldo e Quaresma) e que, nos cinco continentes, fez com que os portugueses se sentissem orgulhosos pela nacionalidade que os identifica: milagre que, com esta intensidade e amplidão global, só o futebol consegue.
De empate em empate até à vitória final, frase que circula já em todas as conversas, espécie de ponte que liga a inevitabilidade de não ganharmos em 90 minutos à certeza da presença na final e... vencê-la. Não produzirmos exibições reluzentes é para o lado que durmo melhor. Aliás, deve ter-se presente que neste Europeu a diferença entre o bom e o mau ou entre o bonito e o feio, não reúne muitos quadros para mais tarde recordar.
Ao contratá-lo, a FPF não deve ter pedido a Fernando Santos para colocar o acento tónico na vertente estética, porque jogar bonito nunca foi característica dominante na filosofia de jogo por si preconizada. Pediu-lhe resultados, e isso ele tem atingido com sucesso, à sua maneira sabendo que a memória só lembra as vitórias e a história só arquiva os títulos.
Êxitos intermédios e boas exibições depressa se esvanecem.

A jogar à bola ou a jogar futebol, sinceramente não alcanço a diferença entre uma coisa e outra nem o fim do seleccionador, são cada menos as vozes discordantes, assegurada a presença nas meias finais. O que não significa incondicional concordância. Aceito o caminho trilhado mas não vejo motivo para tanta retracção. Noto ali receio excessivo pelo atrevimento. Não me causa desconforto, confesso, e não tenho problema em dar à mão palmatória nem aceitar que o homem tem razão, por serem os resultados que separam os fortes dos fracos e tudo determinam. Neste momento, estamos na luta enquanto Inglaterra, Itália, Espanha, Bélgica ou Croácia já foram de férias...
'Como é bom invejarem a nossa sorte', titulou Ferreira Fernandes a sua crónica no DN no dia imediato a termos empurrado os croatas para fora do Euro; mil vezes melhor do que gozarem o nosso azar, como é (era) costume, acrescento eu. Desde que não se transforme Portugal-2016 em fotocópia da Grécia-2014. Isso, não, em respeito pela marca de qualidade do futebolista português, mundialmente reconhecida e apreciada!
A Grécia foi mais longe do que nós no Mundial do Brasil, mas, além de ter formado uma equipa com idades ao nível do Inatel, ninguém, no seu perfeito juízo, sairia de casa para ir a um estádio vê-la jogar. É essa fronteira que jamais deve ser violada: demos moral à Islândia com os nossos medos e a França provou que não havia necessidade...
Não dei até agora palpite sobre quem devia alinhar, se o António, se o Joaquim. Nem vou dar. Pronunciei-me, sim, em relação aos que me pareceram ser elementos estranhos; ou seja, opções merecedoras de reparo. Cristiano Ronaldo à parte, por ser a única referência da Selecção, a sua Estrela Polar, os restantes têm de estar bem física e mentalmente e justificarem a titularidade, o que, por motivos diversos, João Moutinho e, sobretudo, André Gomes, não fizeram. Há gente disponível e cheia de vontade para os substituir.
É defeito muito nosso metermo-nos onde não somos chamados, por incontrolável tendência para dizer coisas vãs ou viver mal com a prosperidade do vizinho, do amigo ou do colega. Jorge Jesus, sem que alguém lhe tivesse pedido, creio eu, do alto da sua inatingível erudição disparou uma farpa ao selecionador, proclamando que Renato Sanches não estava preparado para ser titular. Acertou ao lado. Fernando Santos, que conhece bem jogador e autor do disparo, revelou imunidade a recados de pacotilha. Imagine-se a barafunda se fosse ao contrário. Isto é, o seleccionador a imiscuir-se no trabalho do treinador do Sporting...
Em contraposição, Carlo Ancelotti considerou-o a revelação deste Europeu. Repare-se na disparidade de pensamento! Em que ficamos? É óbvia a resposta. A opinião de Ancelotti pesa mais. É a riqueza do currículo que lhe empresta a credibilidade que o autoriza também a vir a público defender Cristiano Ronaldo da escandalosa campanha a que tem sido sujeito: são três Ligas dos Campeões à cabeça de uma caterva de outras conquistas importantes. Jesus, aqui, no seu mundo, continua a pensar que é o que não é e, no caso, perdeu boa oportunidade para ficar calado. A opinião é livre, mas foi despropositado com o jogador e deselegante com o seleccionador. Aliás, não precisa importunar-se com a sorte dos outros. Vai ser o próximo campeão nacional. A vitrina já está reservada em Alvalade para receber o troféu...

NOTA - Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do Mundo e o melhor capitão do Mundo."

Fernando Guerra, in A Bola

E consigo... é assim?

"Hoje tenho um desafio para si. Embarque no meu raciocínio. Leia como se estivesse dentro de cada palavra, de cada letra, de cada ideia e depois reflicta. Faça a sua análise. Combinado?
Como sabe, muito já se disse e escreveu sobre a dificuldade que é ser árbitro. E muito já se disse também que os árbitros erram porque são humanos, porque não têm tv, porque erro e acerto fazem parte, etc. Na verdade, já se disse e escreveu tanto sobre isso que até chateia. São verdades sim, mas que de tão repetidas e repisadas, passaram a clichés. Para os consumidores externos de bola, quando o árbitro acerta, não fez mais do que devia. Quando erra, ou é incompetente ou é malandro. Esses sim. São chavões eternos, passados de geração em geração, que não chateiam e não irritam ninguém. Intrigante, esta nossa capacidade de repudiar umas coisas e abraçar outras como verdades absolutas. 
Mas falemos de verdades então.
A verdade é que há árbitros que acertam mais do que outros. Que erram menos. Que são mais competentes que outros. Na sua área de formação, no sítio onde produz a actividade profissional, também não é assim, caro leitor? Ou acertam todos por igual? Ou são todos infalíveis, competentes e eficazes? Brilhantes? A verdade? A verdade é que há árbitros que são mais intolerantes, mais inflexíveis e mais disciplinadores do que outros. Depende sobretudo da educação, da formação enquanto pessoas e da personalidade. No trabalho, nas situações com que já lidou, também não é assim, caro leitor? Ou não há pessoas com formas de trabalhar diferentes? Com personalidades distintas? Põem ou não põem o cunho pessoal no que produzem?
A verdade? A verdade é que há árbitros que reconhecem um erro publicamente, enquanto outros optam por refugiar-se no silêncio. Onde trabalha, também reconhecem todos os erros que cometem, caro leitor? Publicamente? Ou só perante quem manda? Ou não os reconhecem porque os erros são ossos do ofício? Ou não erram e sai tudo sempre perfeitinho? A verdade? A verdade é que na arbitragem tomam-se decisões em segundos, com enorme visibilidade e mediatismo. Com escrutínio universal. Que todo o mundo vê e revê, na hora, com atenção e sentido crítico. E onde trabalha, também se passa o mesmo, caro leitor? Tem que tomar decisões em cada instante, com uma plateia global a avaliá-lo? É escrutinado em direto e ao vivo por todo o país? Sente essa pressão diariamente? Ou só o seu director lhe pede satisfações? Ou trabalha por conta própria e não responde a ninguém? Ficaria confortável se o que faz tivesse esta exposição?
A verdade? A verdade é que, antes de começarem a trabalhar, os árbitros já são ladrões, corruptos. Têm todos algum histórico que as memórias selectivas não perdoam. E consigo? Acontece o mesmo? É malandro e desonesto antes mesmo de começar a trabalhar? Corrupto? Incompetente antes de fazer o que mais ama? Aceitaria que lhe dissessem isso? Trabalharia sem pressão? Produziria com a mesma qualidade? A verdade? A verdade é que os árbitros recebem ameaças de morte, são difamados e injuriados, incomodados no quotidiano e têm que escolher com sensatez onde vão e o que fazem. É assim, na sua vida, caro leitor? Poupa a família a uma vida normal com receio que alguém os agrida, insulte? Priva-se de ser livre porque não sabe quando é que vai encontrar um doente que faça uma asneira? E se a sua vida fosse assim por causa do trabalho? Não seria um pouco corporativista? Mais reservado? Desistia ou ficava?
Fim de viagem. Outras virão.
Obrigado pela companhia.

«Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se como eu fiz. E aí poderá julgar (...).»
Clarice Lispector"

Duarte Gomes, in A Bola

Mais do que um jogo

"Ao ver o Itália-Alemanha no Europeu de futebol, que decorre em França, dei comigo a recordar a final entre as selecções destes países no Mundial de 1982. Vi-a em Burstadt, Alemanha, num écran gigante montado no pavilhão onde decorria o festival de ginástica que aí tem lugar todos os três anos, desde 1954. As gentes da ginástica conhecem bem este festival da pequena cidade perto de Frankfurt, por onde já passaram milhares de ginastas portugueses. Até aquela altura, apenas o Ginásio Clube Português, com a sua classe especial, e o Sporting, tinham sido convidados pela organização. 
Frequentávamos um pequeno café italiano, onde já éramos conhecidos de participações anteriores. A proximidade cultural dos latinos levou ao fácil contacto com os muitos emigrantes italianos que, na época, por ali estavam. Procuravam-nos e apoiavam-nos nas exibições gímnicas. E, após a final ganha pela Itália, fomos os naturais companheiros com quem quiseram partilhar a imensa alegria que viviam. Muitos abraços, muitos gritos de 'Viva Itália' e 'Viva Portugal', muitas cervejas oferecidas pelos italianos que não nos permitiam a recusa... Ouvimos o coração que se lhes abria e os desabafos que não continham. Era um momento de afirmação do país amado que haviam sido obrigados a deixar. Mas também de ajuste de contas, porque diziam que, ao voltarem ao trabalho, na fábrica onde se sentiam menosprezados, e por vezes humilhados, por uma vez eram os mais fortes, sentir-se-iam superiores... As reportagens que revelam a forma fantástica como os emigrantes portugueses estão presentes e apoiam a Selecção portuguesa em França expressam sentimentos muito semelhantes aos dos italianos com quem festejei a vitória de 1982. Os povos da Europa mediterrânica têm em comum aspectos essenciais da sua natureza e cultura. Que pena os políticos não o saberem aproveitar... Ah!, claro, fiquei triste com a eliminação da Itália. Pelos companheiros de 1982 e pela comunidade a que pertencemos."

Sidónio Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CLV)


Estância de Madeira
Últimos retoques no Estádio do Campo Grande, em 1941.
Quando fomos origados a mudar de casa,
mais uma vez, após a expropriação das Amoreiras!

domingo, 3 de julho de 2016

O carácter de Renato

"Disse que o Renato Sanches tinha condições incríveis logo que o vi jogar. Primeiro com o Astana, a 25 de Novembro de 2015, para a Liga dos Campeões, cinco dias mais tarde em Braga, e, a 4 de dezembro, frente à Académica, onde assinou um golo monumental.
Agora, neste Europeu, e depois do que ele fez contra a Hungria, pedi para que fosse titular o mais depressa possível, tal como aconteceu com milhões de portugueses. Com ele em campo, a dinâmica ofensiva da equipa é outra. A velocidade aumenta e a Selecção joga melhor, pelo que não me surpreendeu que tenha sido considerado o melhor em campo pela UEFA nos jogos com a Croácia e Polónia.
O que me surpreendeu, isso sim, foi a resposta que deu depois do jogo com a Polónia: "O míster, perguntou quem queria bater os penáltis. O Ronaldo disse que batia o primeiro e eu que batia o segundo. Fui para a bola e fiz aquilo que costumo fazer nos treinos: escolho um lado e meto na baliza!" Estas afirmações surgiram com uma tranquilidade tal que até parecia que as grandes penalidades em causa referiam-se a um qualquer torneio de pré-temporada.
Hoje, 33 anos depois, continuo a ser o estreante mais jovem com a camisola das quinas. Tinha 17 anos. Ainda assim, tento colocar-me na mente do Renato e entro em pânico. Os outros que iam marcar as penalidades eram Cristiano, Moutinho, Nani e Quaresma, quatro glórias que sabiam o que estava em causa. Um falhanço naquele momento era uma cruz para toda a vida...
O país estava 'dependente' daqueles malditos penáltis e muitos craques fugiriam se pudessem. O Renato tem 18 anos, era o seu primeiro jogo a titular pela Selecção A e fácil seria dizer ao míster que não estava preparado para aquela responsabilidade.
Mas ele é de outra fibra, não fugiu à responsabilidade e revelou uma coragem incrível. Sete meses depois de vê-lo jogar pela primeira vez, digo que o Renato é um craque, com carácter de ferro e de autêntico campeão. Com a sua personalidade ganhadora será o líder e o capitão da Selecção assim que o Cristiano se retire.

Positivo
Dois jogadores portugueses teriam merecido nota máxima no jogo com a Polónia. Rui Patrício, pela defesa espectacular no penálti, e Pepe. Foi, talvez, o melhor jogo que vi dele.

Negativo
Parece que os árbitros têm medo de marcar penáltis e Portugal está a ser a mais prejudicada de todas as selecções. Foi assim com Nani, frente à Croácia, e com Ronaldo diante da Polónia."

Pepe deve gostar de couratos

"Pepe. Não o José Manuel Soares, mas o Képler Laveran Lima Ferreira. Não o do Belenenses, sim o do Real Madrid. Não o português, antes o brasileiro. Erro grave: brasileiro? Não. Quanto muito, luso-brasileiro. Pepe (o Képler) já é tão português como Ronaldo. Canta o hino e beija as quinas. Até deve gostar de couratos e de caracóis. E de passar férias no Algarve. Tem paragens cerebrais durante os jogos? Claro. Como um bom português. A mais famosa aconteceu a 21 de abril de 2009, quando teve entrada duríssima sobre Casquero (Getafe) e depois pontapeou-o diversas vezes no chão. Por vezes, como na final da Liga dos Campeões, repete a graça, embora de forma diferente. Mas no intervalo destas paragens, é um central extraordinário. Que está a fazer um assombroso Campeonato da Europa, aparecendo em França numa forma física esplendorosa, varrendo a área de Rui Patrício com facilidade impressionante. Está ao nível de Eurico (1984), Fernando Couto (1996 e 2000) ou Ricardo Carvalho (2004 e 2008). Sublime.

Ronaldo. Não o Ronaldo Luís Nazário de Lima, sim o Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Não o de Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Milan e Corinthians, antes o do Sporting, Manchester United e Real Madrid. Não o brasileiro, mas o português. Ronaldo canta o hino como Pepe, beija as quinas como Pepe, não se sabe se gosta de couratos, caracóis ou de passar férias no Algarve como Pepe deve gostar. Não está a fazer um Europeu ao nível de Pepe. Está dois degraus abaixo. Corre, luta, sua? Sim. Mas está ainda muito longe do Ronaldo a que nos habituámos. As imagens divulgadas referentes ao pré e pós-penalties com a Polónia são fantásticas e prova-se que Ronaldo merece cada centímetro da braçadeira que usa. Está ao nível de Mário Coluna (1966), Fernando Couto (2000 e 2004) ou de Luís Figo (2006).

Patrício. Não os do Euro-1984, antes o do Euro-2016. Não o Bento, o Damas ou o Jorge Martins, antes o Rui. Tem feito um Campeonato da Europa muitíssimo bom. À guarda-redes de equipa grande. Sem grande volume de jogo, não registando alta sequência de intervenções, Rui Patrício tem defendido o que tem defesa e algumas bolas quase sem defesa. E a grande penalidade detida frente à Polónia é soberba: esticou-se até ficar quase com dois metros e tocou com a ponta dos dedos na bola. Tão importante como os cinco remates certeiros dos 11 metros. Não está ainda ao nível de Bento (1984) ou Vítor Baía (1996 e 2000), mas está já bem ao nível de Ricardo (2004 e 2006). Falta-lhe apenas, um dia destes, marcar um penalty. Sem luvas, claro. E já depois de ter defendido um. Talvez de Bale, quem sabe. Em Lyon.

Renato Sanches só tem três velocidades
Renato isto, Renato aquilo, Renato outra coisa qualquer. O jovem médio é, depois de Cristiano Ronaldo, o jogador mais falado da Seleção portuguesa. Se Patrício é o homem dos penalties, se Pepe se tornou num paredão atrás da linha média e se Ronaldo é o craque mundial, Renato Sanches é o homem do momento. Há quem pense para o lado e quem pense para trás: Renato só pensa para a frente. Há quem tenha cinco velocidades. Renato tem apenas três: a quarta, a quinta e a sexta. Há quem veja duas balizas. Renato vê, sobretudo, uma: a do adversário."

Rogério Azevedo, in A Bola

Benfiquismo (CLIII)

Outro ângulo... em relação ao Benfiquismo de ontem...!!!

Redirectas XLV - Renato Sanches: O Farol


Entra em campo e tudo ilumina o miúdo da Musgueira. Sua alma irradia. E todas as atenções atrai em seu redor com o seu extraordinário magnetismo. É uma luz que se espraia em campo qual farol anunciando terra firme. 
Poucos jogadores na história do futebol tiveram o condão de trazer a este desporto rei aquilo que Renato Sanches trás. Na realidade, do meu ponto de vista, Renato Sanches é único nesse particular. Dos jogadores que eu tive a sorte de ver jogar talvez Maradona possa comparar-se em termos desse magnetismo. Mas Maradona deixou-se perder pelos jogos da vida. Renato Sanches ainda está a começar. Acredito que saberá escolher os melhores caminhos. Essa luminosidade não se apagará. Continuará pelos anos a dentro. Nunca vi jogar Eusébio mas acredito que fizesse o mesmo quando entrava em campo. O magnetismo da genialidade. A personalidade do gigante que se ergue a cima do comum dos mortais.
Todos os relatos sobre Renato Sanches falam da sua extraordinária personalidade. Uma personalidade que não está acente na loucura inconsequente de um jovem imaturo. Uma personalidade que está sustentada na firme convicção de que ninguém está a cima dele, porque ele sabe das suas capacidades e quer mostrá-las à saciedade.
Chegou, viu e venceu. Foi assim no Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Está a ser assim na selecção nacional. Está a ser assim no Euro 2016. Irá ser assim no Bayern de Munique. E sim sr. presidente tenha a mesma convicção que o senhor. Renato Sanches irá vencer a bola de ouro. Irá ser considerado o melhor jogador do mundo. Simplesmente porque não existe ninguém como ele.

Podem rir-se à vontade. Esta a minha convicção. E não é de agora como os meus artigos antigos o demonstram. Escrevi que o contrato deveria ser renovado. Escrevi que menos de 150 milhões de euros era a baixo do seu valor. E aí está todo o mundo de boca aberta com a sua prestação no Euro. Eu escrevi que era inevitável que tal acontecesse. Uma vez a porta aberta ele ía tomar de conta. É assim Renato Sanches, bastam-lhe uns minutos para não mais ser esquecido. Apenas um lunático pode menosprezá-lo. Mas sabemos que em Portugal existem muitos.

Primeiro os treinos onde conquista o respeito dos colegas. Depois os minutos em campo onde conquista o público. Depois o inevitável. A qualidade mostra-se e impõe-se. E o treinador não tem outro remédio a não ser aproveitar-se dessa dádiva dos céus que tem em mãos. Mesmo assim faz toda a gente que ama o futebol barafustar por encostar o miúdo à linha. Van Hoojdonk simplesmente letal para com o Fernando Santos. Veremos se contra Gales o vai encostar de novo à linha e sujeitar-se a perder o jogo.

Escrevem que teve a sorte de "... estar no lugar certo à hora certa...". Shame on you Delgado! No Renato Sanches nada se deve à sorte. Talento puro do princípio ao fim. Ele que foi o português mais maltratado desde que me lembro como gente. Simplesmente ignóbil. E não vi ninguém defendê-lo. Favor de se abesterem de fazer comentários a constatar o que já não conseguem empurrar para debaixo do tapete.

Portugal está vergado ao peso da grandeza de Renato Sanches. E quantos, quantos, quantos com amendôas do tamanho de melões entravadas na garganta!

Para ti Renato, daqui do Reino Unido quero enviar-te um abraço do tamanho do mundo e muita saúde que é o mais importante principalmente no mundo do futebol. Continua com essa alma e lembra-te do nossso Benfica enquanto estiveres nas terras bávaras. És enorme. Um farol. São jogadores como tu que fazem do futebol algo de único no mundo.

Espero um dia voltar a ver-te de manto sagrado vestido. Muito triste com a tua partida mas feliz por ti.

E Pluribus Unum